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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

No Totti, no party

Com golaço, Totti se tornou o jogador mais velho a balançar as redes na nova fase da Liga dos Campeões, que começou em 1992-93. Capitão nunca tinha marcado na Inglaterra antes

Os principais jornais da Itália sentenciaram, após o bom jogo - que merecia até mais que um empate - da Roma contra o Manchester City, nesta terça: agora os giallorossi estão oficialmente entre os grandes da Europa. A partida de protagonista contra o time que mais investiu no continente nos últimos cinco anos e a vantagem estabelecida ante os ingleses em um dos grupos mais difíceis da Liga dos Campeões reforçam a tese. Os mais empolgados já até comparam a equipe de Rudi Garcia ao Barcelona de alguns anos atrás. 

Mas o dia de festa dos romanistas não estaria completo se Totti não tivesse sido o autor do gol que transformou a Roma em favorita no grupo E. O capitão chegou à Inglaterra sem nunca ter marcado na terra da Rainha e com retrospecto ruim contra equipes do país. Chegou a ser provocado pelo City antes da partida, por causa disso. "Será um prazer receber a Roma e uma lenda como Totti. Ele nunca marcou na Inglaterra, não é mesmo?", tuítou o Manchester CIty. Totti respondeu à altura: bela atuação e golaço como o dos velhos tempos, que o torna o jogador mais velho (38 anos e três dias) a marcar na Liga, superando Ryan Giggs (37 anos e 289 dias).

E olha que o dia parecia que não ia ser dos melhores para a Roma. Maicon derrubou Aguero na área logo aos quatro minutos de jogo e o argentino abriu o placar em cobrança de pênalti. Mas foi só. Com personalidade, os giallorossi passaram a tomar conta do jogo e Totti arrancava aplausos a cada passe que dava. Colocou Maicon, Gervinho e Florenzi na cara do gol, mas eles desperdiçaram. Então, Totti decidiu resolver ele mesmo. 

Aos 23, se movimentou bem para receber passe de Nainggolan, acelerou como se fosse um moleque e deu tapinha para encobrir o goleiro Hart. Golaço, dedo na boca e nome marcado na história (de novo). Após a partida, il capitano brincou que a provocação dos ingleses via Twitter lhe deu sorte, o motivou. Na segunda etapa, a Roma continuou pressionando e merecia até sair de Manchester com a vitória. O resultado não veio, mas o respeito continental chegou na hora certa. 

Com quatro pontos em dois jogos e ainda invencível nessa temporada (seis vitórias e um empate), a equipe abriu três pontos de diferença para o City, seu principal rival pela classificação às oitavas, e agora começa a pensar no todo poderoso Bayern de Munique, rival do próximo dia 21, no Olímpico de Roma. Se anos atrás uma vitória contra os alemães parecia impossível, quem ousa duvidar dessa possibilidade agora?

Manchester City 1-1 Roma
Manchester City: Hart; Zabaleta, Kompany, Demichelis, Clichy; Navas (Milner), Yaya Touré, Fernandinho, Silva; Dzeko (Lampard), Aguero (Jovetic). 
Técnico: Pellegrini

Roma: Skorupski; Maicon (Torosidis), Manolas, Yanga-Mbiwa, A. Cole; Nainggolan, Keita, Pjanic; Gervinho, Totti (Iturbe), Florenzi (Holebas). 
Técnico: Garcia

Gols: Aguero, aos 4 do 1º tempo; Totti, aos 23 do 1º tempo.
Amarelos: Maicon, Nainggolan e Zabaleta
Arbitro: Kuipers

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os 10 maiores holandeses do futebol italiano

Laranja e azul são cores complementares, dizem os artistas e designers mundo afora. Ao todo 43 jogadores holandeses jogaram na Itália – hoje, sete holandeses atuam na Serie A, com destaque para Kevin Strootman, Nigel De Jong, Stefan De Vrij e Urby Emanuelson. Antes deles, porém, alguns marcaram época e viraram até referência de uma época. Foi o que aconteceu com van Basten, Rijkaard e Gullit, que formaram o "Milan dos holandeses", no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Os holandeses começaram a marcar presença na Itália a partir do fim da década de 1940. O primeiro deles, Faas Wilkes, fez sucesso (e consta na nossa listagem) e abriu as portas para outros. No entanto, seus compatriotas começaram a ser vistos com frequência em campos da Bota a partir da década de 1980, logo após o final da “Geração Total” e com o sucesso dos jogadores campeões europeus de 1988.

Grandes jogadores, alguns até os maiores da história da seleção laranja, já desfilaram seu talento por palcos italianos. De Van Basten a Seedorf, de Wilkes a Sneijder, muitos foram os talentos. Se azul e laranja se complementam, no entanto, no que diz respeito ao futebol, o laranja da Holanda nem sempre se deu bem com o azul da Itália. Muitos dos jogadores laranjas chegaram com muitas expectativas, mas não renderam o que deles se esperava e fracassaram.

Casos como os de Reiziger e Kluivert, que não deram certo no Milan, simbolizam o fato de que mesmo bons jogadores da Oranje não conseguiram se firmar na Serie A e tiveram vida curta na Itália – isso sem falar em outros flopaços, como van der Meyde, Huntelaar e Stekelenburg. Até mesmo Cruyff, o maior jogador holandês da história, fracassou no Belpaese. No final da carreira, foi avaliado em um jogo-teste com o Milan, teve atuação horrorosa, foi vaiado pela torcida e nem foi contratado.

Os fracassos tinham diversas razões. Boa parte deles, por uma característica negativa de muitos jogadores holandeses: a de se lesionarem muitas vezes. Foi o que aconteceu com Marciano Vink, fera do Elifoot 98. O atacante de origem surinamesa atuou apenas 13 vezes no Genoa, por exemplo.

Outros, por sua vez, não fracassaram, mas tiveram passagem discreta, como o goleiro van der Sar, o meia Jonk e o volante van Bommel. Até mesmo aqueles que aparecem nesse Top 10 tiveram momentos bem ruins ou pouco brilhantes na Itália. São os casos de Davids, em suas passagens por Milan e Inter, ou Bergkamp, que criou expectativas em sua chegada à Inter, mas foi tornar-se ídolo no Arsenal.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.



Top 20 Holandeses na Itália
11. Jaap Stam; 12. Bryan Roy; 13. Nigel De Jong; 14. Edwin van der Sar; 15. Kevin Strootman, 16. Wim Jonk; 17. Mark van Bommel; 18. Patrick Kluivert; 19. John van 't Schip; 20. Michael Reiziger.

10º - Dennis Bergkamp


Posição: atacante
Clube em que atuou: Inter (1993-95)
Títulos conquistados: 1 Copa da Uefa (1993-94)
Prêmios individuais: Bola de Bronze na disputa de melhor jogador do ano (1993) e Artilheiro da Copa da Uefa (1994)

Após ser destaque no Ajax, Bergkamp teve propostas de vários times da Europa, como Real Madrid e Barcelona, mas acabou escolhendo a Inter, por querer jogar na Itália, “a maior liga” da época, segundo o holandês. Chegou juntamente com um compatriota, o meia Wim Jonk, também do Ajax. Porém, demorou a se acertar. Foram seis meses sem marcar e alguns problemas físicos, mas conseguiu ajudar a equipe a conquistar a Copa da Uefa, coroando-o como artilheiro da competição, com oito gols em onze partidas.

Mesmo com o título e o prêmio de goleador, Bergkamp não conseguiu engrenar. Seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano e o holandês acabou cedido ao Arsenal, onde jogou por onze anos, até encerrar a carreira – curiosamente, Jonk também deixou a Inter na mesma época, transferindo-se ao PSV. Na Itália, deixou apenas 22 gols e modestas 72 aparições com a camisa nerazzurra, além de conflitos com colegas de equipe e imprensa, e uma homenagem. O prêmio “Burro da Semana”, oferecido ao pior jogador da rodada acabou se tornando “Bergkamp da Semana”. Nos Gunners, se tornou um dos maiores jogadores da história do futebol inglês, contrariando àqueles que não esperaram pelo seu sucesso na Itália.

9º - Aron Winter


Posição: meia
Clubes em que atuou: Lazio (1992-96) e Inter (1996-99)
Títulos conquistados: 1 Copa da Uefa (1997-98)
Prêmios individuais: nenhum

Winter viveu uma relação de amor e ódio com a Lazio, mais especificamente com sua torcida. Desde sua chegada, teve muito medo, pois sofreu com atos racistas quase constantemente – Winter é negro e judeu, algo que não foi aceito pela ala mais conservadora da torcida da Lazio. Mesmo com a contrariedade de setores da torcida biancoceleste, foi titular por quatro anos. Seu chute potente e sua força física lhe rendeu espaço nos times de Zoff e Zeman. Marcou 21 gols em sua passagem por Roma.

Após o período na capital, trocou a Lazio pela Inter, onde foi de vilão a herói. Disputou duas finais de Copa da Uefa seguidas. Na primeira a Beneamata foi derrotada pelo Schalke 04 com Winter errando o pênalti decisivo. No ano seguinte, foi um dos pilares da equipe campeã, vencendo a Lazio na decisão. Em Milão, Winter jogou de forma mais recuada em relação aos tempos de laziale e marcou apenas uma vez vestindo nerazzurro. Em 1999, retornou para a Holanda, onde voltou a jogar no mesmo Ajax que o projetou.

8º - Ruud Krol


Posição: lateral esquerdo e zagueiro
Clube em que atuou: Napoli (1980-84)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Guerin d'Oro (1981)

Após dois vices-campeonatos mundiais com a Holanda e a conquista da soberania europeia com o Ajax (vencendo duas Copas dos Campeões contra times italianos, Inter e Juventus, respectivamente), Ruud Krol chegou ao Napoli após uma passagem um tanto quanto frustrada pelo ainda amador futebol canadense. Já em fase final de carreira, o polivalente defensor foi líder de uma equipe sem tanto destaque.

Na equipe partenopea, comandava a defesa e se arriscava com qualidade ao ataque, jogando como líbero, apesar de lateral esquerdo de origem. Nos 107 jogos, no período de 1980 a 1984, fez apenas um gol, contra o Brescia, em sua primeira temporada, levando o clube à terceira colocação da Serie A. Mas, deixou na lembrança da torcida um futebol elegante e envolvente, sendo considerado um dos mais importantes jogadores do Napoli. Sua saída abriu espaço para um certo Diego Maradona.

7º – Faas Wilkes


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Inter (1949-52) e Torino (1952-53)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Um dos melhores jogadores da década de 1950, Faas Wilkes ganhou destaque por sua habilidade e por seus movimentos extravagantes. Foi apelidado de Mona Lisa de Rotterdam, devido a seus dribles, que lembravam uma obra de arte. Wilkes começou no pequeno Xerxes, de sua terra natal, e aos 26 anos – ainda não como profissional e após ter sua transferência para o Milan vetada pela Federação Holandesa – chegou à Inter, onde atuou durante três anos e conquistou os torcedores nerazzurri, mesmo não vencendo nenhum título.

Conhecido por ser o popular “fominha” e com ares galanteadores – para alguns, o Cristiano Ronaldo da época –, marcou 47 gols em 95 jogos, sendo lembrado até hoje no Giuseppe Meazza. Transferiu-se para o Torino, onde, por conta de uma série lesão, não teve o mesmo desempenho, marcando apenas um gol em 12 jogos. Após um ano no Piemonte, mudou-se para a Espanha, para atuar no Valencia, e ser considerado um dos três melhores estrangeiros do país, ao lado de Di Stefano e Kubala. Foi o ídolo e inspiração do grande jogador holandês de todos os tempos, Johan Cruyff. Até hoje, com 35 gols em 38 jogos, é o quarto maior artilheiro da seleção holandesa, atrás de Kluivert, van Persie e Bergkamp.



Posição: volante
Clubes em que atuou: Milan (1996-97), Juventus (1997-2004) e Inter (2004-05)
Títulos conquistados: 3 Serie A (1997-98, 2001-02 e 2002-03); 1 Coppa Italia (2004-05), 2 Supercopas italianas (2002 e 2003) e 1 Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: Integrante da equipe do Mundial de 1998 e da Eurocopa de 2000

Após despontar no Ajax, na geração campeã europeia na década de 1990, Davids foi contratado pelo Milan, a custo zero. Ficou quase um ano e meio em Milão e não deixou saudades. Transferiu-se para a Juventus – para ser o primeiro holandês da equipe –, onde comprovou tudo o que dele se esperava. Em Turim, apesar de ter ficado um ano parado por doping, se transformou em peça fundamental do meio campo, com seu futebol agressivo, implacável, mas de muita qualidade. Chamado de Pitbull, pelo seu poder de marcação, roubadas de bola e muitas faltas, Davids também era um volante técnico, que se aventurava pelo ataque e caía pelo lado esquerdo, ajudando a armar jogadas.

Davids foi pilar das principais conquistas juventinas enquanto lá esteve, ao lado de Conte, Deschamps, Zidane, Nedved, Del Piero e Trézéguet. O Pitbull perdeu espaço na Juve quando se desentendeu com o treinador Marcello Lippi e foi cedido, por empréstimo, para o Barcelona. Menos de seis meses depois voltava à Itália, dessa vez para jogar na Inter, que comprou seu passe. Tornou-se, assim, um dos 10 jogadores na história a terem vestido as camisas dos três gigantes italianos. Mas, novamente em Milão, teve atuações a serem esquecidas e, ao final da temporada, foi cedido gratuitamente ao Tottenham e encerrou seu ciclo na Itália.

5º - Wesley Sneijder


Posição: meia
Clube em que atuou: Inter (2009-13)
Títulos conquistados: Serie A (2009-10); 2 Coppa Italia (2009-10 e 2010-11), Supercopa italiana (2010), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010)
Prêmios individuais: Bola de Prata da Copa do Mundo (2010), artilheiro da Copa do Mundo (2010), Jogador do ano Uefa (2009-10), Meia do ano da Uefa (2009-10), e Integrante da Seleção da Copa do Mundo (2010), da equipe do ano da Uefa (2009-10), da seleção da Serie A (2009-10) e da FIFPro (2009-10).

Sem muito destaque no Real Madrid com as chegadas de Kaká e Cristiano Ronaldo, Sneijder trocou os merengues pela Inter de Milão, a fim de retomar o bom momento na carreira e ser o cara da equipe de José Mourinho. E em sua primeira temporada carregou a Inter até o título europeu, que não vinha desde 1965, levando o prêmio de melhor jogador da competição. Ao lado de Milito, foi o jogador mais decisivo na campanha da Tríplice Coroa nerazzurra – feito inédito entre clubes italianos e ainda não igualado. Durante a temporada, teve como pontos altos as boas partidas nos dois dérbis de Milão, um gol decisivo sobre o CSKA Moscou nas quartas de final da LC, um gol e uma assistência na partida mais lembrada pelo torcedor azul e preto na história recente (o 3 a 1 na ida das semifinais, contra o Barcelona), e também uma assistência na final, contra o Bayern Munique.

Manteve o bom desempenho durante a Copa do Mundo, comandando a Holanda com cinco gols até a final, quando a Oranje foi derrotada pela Espanha. Para muitos, mereceria o prêmio de melhor jogador do mundo, mas acabou em terceiro, atrás de Messi, Xaxi e Iniesta. Venceu tudo o que podia, com exceção da Supercopa da Europa, mas teve sua relação com o clube desgastada a partir de 2012, quando o clube queria que ele reduzisse o salário para renovar seu contrato. Afastado do time por questões disciplinares e pelos problemas contratuais, ficou sem jogar do final de setembro do mesmo ano ao final de janeiro de 2013. Especulado em outros gigantes, acabou preferindo o Galatasaray, mas até hoje faz falta ao meio campo da Inter um cérebro como o do ex-camisa 10. Até a chegada de Hernanes, a Inter também sofreu com a falta de um batedor de faltas do seu nível. Ao todo, Wes vestiu a camisa da Beneamata em 116 oportunidades e marcou 22 gols.

4º - Clarence Seedorf


Posição: meia
Clubes em que atuou: Sampdoria (1995-96), Inter (2000-02) e Milan (2002-12)
Títulos conquistados: 2 Serie A (2003-04 e 2010-11); 1 CoppaItalia (2002-03), 2 Supercoppa (2004 e 2011), 2 Liga dos Campeões (2002-03 e 2006-07), 2 Supercopa da Europa (2003 e 2007) e 1 Mundial de Clubes (2007)
Prêmios individuais: Melhor meia-direito e melhor jogador da Serie A (2003-04), Melhor meia da Liga dos Campeões (2002-03 e 2006-07), Melhor meia da Europa (2007), Bola de Prata do Mundial de Clubes (2007) e Integrante do Dream Team da Serie A, da Liga dos Campeões e da lista Fifa 100.

Após destaque no brilhante time do Ajax no início dos anos 1990, Seedorf iniciou sua trajetória na Itália atuando pela Sampdoria. Depois de apenas um ano nos blucerchiati, chamou a atenção do Real Madrid, clube pelo qual atuou durante quatro anos antes de retornar à Bota, para jogar na Inter. Com a credencial de meia habilidoso, que armava com precisão, marcava com qualidade e ainda tinha um excelente chute de longa distância, não embalou na equipe nerazzurra, visto que era utilizado como meia aberto pela direita – apesar de atuar em todas as posições do meio-campo, Seedorf sempre se saiu melhor atuando centralizado. Acabou sendo trocado por Francesco Coco, com o rival Milan, em um dos piores negócios da história da Inter.

No lado rossonero de Milão, Seedorf viveu seu melhor momento na carreira, destacando-se na Itália e na Europa, formando o meio-campo ao lado de Pirlo, Gattuso e Kaká durante vários anos, conquistando especialmente a Liga dos Campeões, com propriedades. A conquista da orelhuda também o consagrou como um dos únicos jogadores que venceu a competição por três clubes diferentes. Em um time que teve alguns holandeses como grandes craques, Seedorf não fez feio – muito pelo contrário – e se tornou um dos maiores jogadores da história recente do Diavolo. Em dez anos de clube, disputou 432 partidas pelo clube, superando o mito Liedholm como o estrangeiro com mais partidas vestindo vermelho e preto. Dois anos depois de deixar o clube, largou o Botafogo prestes a disputar a Copa Libertadores e sua carreira como jogador para se tornar técnico do Milan. Porém, sofreu com a impaciência de Silvio Berlusconi e foi demitido menos de seis meses depois.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Milan (1987-93 e 1994) e Sampdoria (1993-94 e 1994-95).
Títulos conquistados: 3 Serie A (1987-88, 1991-92 e 1992-93), 3 Supercopas Italianas (1988,  1992 e 1994), Coppa Italia (1993-94), 2 Copas dos Campeões (1988-99 e 1989-90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990) e Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Esportista Holandês do ano (1987), Bola de Ouro (1987), Prata da Bola de ouro (1988), Jogador do ano da World Soccer Magazine (1987 e 1989), 3º Melhor jogador do ano da IFFHS (1988 e 1989) e Inserido na lista Fifa 100

Um dos maiores jogadores holandeses da história, Gullit desembarcou em Milão no auge de sua carreira, com um valor recorde em transferências do Milan, no ano em que venceria o prêmio de melhor jogador do mundo. Versátil, formou o trio de ataque – embora as vezes jogasse como meia – ao lado de seu conterrâneo Van Basten, também recém-chegado, e de Virdis. E já em sua primeira temporada ajudou o rossonero a destronar o Napoli de Maradona e ficar com o título italiano. Gullit ajudou com muita técnica com a bola nos pés, habilidade e nove gols marcados. Logo depois, capitaneou a Holanda de Rinus Michels no título europeu e fez um dos gols na final contra a União Soviética.

Multicampeão e adorado pela torcida, que praticava a “Gullitmania”, usando perucas rastafári como o cabelo do ídolo (foto), perdeu espaço e foi emprestado à Sampdoria. Com o título da Coppa, destaque e artilharia no time de Sven-Göran Eriksson, retornou ao Milan, mas pouco jogou. Voltou à Samp ainda na metade da temporada, mas já não parecia tão empolgado com a vida e o assédio na Bota e escolheu a Inglaterra para jogar seus últimos anos como atleta profissional.



Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Milan (1988-93)
Títulos conquistados: 2 Serie A (1991-92 e 1992-93), 2 Supercopas Italianas (1988 e 1992), 2 Copas dos Campeões (1988-89 e 1989-90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990)
Prêmios individuais: bronze da Bola de Ouro (1988 e 1989), melhor estrangeiro da Serie A (1992), melhor jogador da Serie A (1992), Inserido na lista Fifa 100

Último do histórico trio holandês a chegar e o primeiro a sair. Porém a participação de Rijkaard no Milan é tão lembrada quanto de seus conterrâneos com a camisa rossonera. Vencedor dos principais títulos dessa geração, Rijkaard foi um dos pilares do meio-campo – mesmo com o início como zagueiro – tanto do Milan quanto da seleção holandesa. Após ser revelado pela famosa escola do Ajax e passar rapidamente por Sporting e Zaragoza, a chegada ao Milan reergueu seu futebol e fez dele um dos melhores jogadores da Europa.

Atuou durante cinco temporadas, jogando 201 vezes e marcando 26 gols. Comandou o meio-campo com marcação e movimentação e, sob o comando de Arrigo Sacchi, levantou a Copa dos Campeões de 1989 com propriedade, o que lhe proporcionou disputar o prêmio da Bola de Ouro da revista France Football, dominado pelo Milan – além de Rijkaard, Baresi ficou em segundo e van Basten venceu. Em 1990, fez o gol do título da Copa dos Campeões sobre o Benfica. Rijkaard, aliás, encerrou esta temporada com chave de ouro e realizou a façanha de marcar gols em todas as finais disputadas pelos rossoneri. Nos dois anos seguintes, já sob o comando de Capello, faturou o Italiano, título que ainda não havia scudetto. Após trocar o Milan pelo Ajax, onde se aposentaria, pregaria uma peça no antigo time: na final da Liga dos Campeões em 1995, deu assistência para Kluivert fazer o gol do título holandês sobre o Diavolo, no mesmo estádio em que marcara contra o Benfica, em Viena.



Posição: atacante
Clube em que atuou: Milan (1987-95)
Títulos conquistados: 4 Serie A (1987-88, 1991-92, 1992-93 e 1993-94), 4 Supercopas Italianas (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copa dos Campeões/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90 e 1993-94), 3 Supercopa Europeia (1989, 1990 e 1994), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990), Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1988, 1989 e 1992), melhor jogador do mundo (1992), artilheiro da Eurocopa (1988), artilheiro da Copa dos Campeões (1988-89), artilheiro da Serie A (1989-90 e 1991-92), Inserido na lista Fifa 100

Para muitos, o grande craque holandês depois de Cruyff. Se Rijkaard e Gullit eram os príncipes laranjas, Van Basten era o rei. E o jogadoraço foi um dos personagens que conduziu o futebol holandês aos tempos áureos, após a década de 70. Fundamental no título europeu com a Oranje, em 1988, foi responsável também pelo reaparecimento do Milan no cenário italiano e europeu. Destinado a marcar gols e conquistar títulos, formou o trio holandês que deu suporte ao Milan durante o final da década de 1980 e o início da década de 90, ao lado de Gullit e Rijkaard. Gols, golaços, passes e dribles geniais. Marco van Basten era o melhor jogador do mundo à época, com sobras.

Nos oito anos de Milan, conquistou tudo, até mesmo o título intercontinental, inédito na história do Diavolo, e a Copa dos Campeões, que não vinha há 20 anos. Mas, em seu auge, uma lesão no tornozelo o obrigou a encerrar a carreira, ainda aos 28 anos – ainda que o anúncio definitivo tenha acontecido apenas dois anos após sua última partida, quando van Basten já tinha 30. Em sua despedida, fez até Capello se emocionar e deixou como grande lembrança as 201 aparições com a camisa rossonera e os 125 gols. E, até hoje, nenhum jogador holandês o superou em solo italiano.

5ª rodada: Doce ilusão?

Há dois anos, Mazzarri usa mesmas justificativas para tropeços da Inter (Getty Images)
As três primeiras rodadas foram positivas para as equipes de Milão. Inter e Milan haviam jogado bem o suficiente para aparecerem como potenciais rivais para Juventus e Roma – sobretudo com a queda acentuada de Fiorentina e Napoli. Duas rodadas depois, a dupla milanesa já mostrou que vai precisar superar a irregularidade e diversas limitações para darem razão àqueles que apontaram nerazzurri e rossoneri como outsiders nesta Serie A. Serão apenas ilusões?

Um sonho bom, até o momento, é o vivido por Udinese e Sampdoria, gratas surpresas deste início de campeonato: com quatro vitórias em cinco jogos, os bianconeri ocupam a terceira posição, enquanto a Samp, ainda invicta, vem logo atrás, com três vitórias e dois empates. Para a Inter, certamente não faz bem ver Mazzarri receber pouco mais de 3 milhões de euros por ano enquanto Stramaccioni e Mihajlovic – que passaram por lá como técnico e auxiliar, respectivamente – ganham muito menos e, até agora, tem resultados mais expressivos. No Milan, Inzaghi ainda não pode ser avaliado com precisão, uma vez que iniciou seu trabalho há poucos meses e tem potencial de crescimento e cobranças menores. Acompanhe o resumo da rodada.
 
Inter 1-4 Cagliari
Nos últimos tempos, a Inter tem vivido alguns de seus piores resultados em toda a história. Colocações ruins na Serie A, recordes negativos e uma série de tropeços incríveis. Antes da chegada de Mazzarri e também depois que o toscano aportou em Milão. Neste domingo, a derrota para o Cagliari treinado por Zeman foi mais uma humilhação vivida pelos torcedores nerazzurri. O time ultraofensivo do treinador visitante ainda não tinha engrenado no campeonato, e nem dá para dizer que fez um jogaço. Mesmo assim, aproveitou falhas da defesa da casa e goleou. Goleou com três gols de um jogador – Ekdal – que tinha apenas cinco tentos em quase 200 partidas como profissional. Um feito incrível. E, com a cara de pau de quem não tem desculpas, Mazzarri ainda disse que executou mal o rodízio do elenco e que seus jogadores estavam cansados. Com menos de um mês de temporada realizado e apenas dois jogos nas pernas a mais que o adversário do fim de semana.

A humilhação sofrida por esta Inter irregular foi condicionada, é verdade, pela péssima atuação de Nagatomo. Primeiro, o lateral se atrapalhou e deu um presente para Sau abrir o placar. Osvaldo empatou pouco depois, mas Nagatomo achou interessante receber dois cartões amarelos em dois minutos – um deles, o crucial, por uma falta desnecessária no meio-campo. Com um a menos, a Inter logo sofreu o primeiro gol de Ekdal, em falha defensiva. Depois, Handanovic pegou o segundo pênalti nesta Serie A – ambos cometidos por Vidic, até agora um mau negócio para a Beneamata. Na sequência, outro erro da defesa resultou em mais um gol do sueco Ekdal. Para fechar a conta, Ibarbo passou como quis por Dodô e Vidic e só tocou para o volante marcar sua tripletta. No segundo tempo, os sardos tiveram pouquíssima dificuldade para administrar o jogo contra uma Inter que não acertava passes. (Nelson Oliveira)

Cesena 1-1 Milan
Depois do bom começo, o Milan sucumbiu mais uma vez frente a um time recém-promovido da segundona e não saiu do empate contra o Cesena. E assim como no jogo da última rodada, a equipe saiu atrás graças a vacilos defensivos. Logo aos dez minutos, Abbiati rebateu mal chute de Marilungo e Succi, livre da marcação de Zapata, só teve o trabalho de concluir ao gol e abrir o placar. A vantagem não durou muito. Leali foi bem na cobrança de falta de Honda, mas no escanteio originário da defesa, Rami subiu com propriedade e cabeceou no canto para empatar o jogo, aos 19’.

Apesar de Ménez e Torres pouco inspirados, o Milan seguiu melhor e criou chances, mas sem conseguir concluir com precisão. Os cavalos marinhos jogaram mais na segunda etapa e criaram boas chances, mas sem furar a zaga rossonera. A expulsão de Zapata quase complicou o jogo para o Milan, mas, mesmo com um a mais, a equipe da casa não conseguiu o segundo gol. Embora a distância para a Sampdoria, terceira colocada seja de apenas três pontos, os rossoneri já veem Roma e Juventus abrirem sete de vantagem na liderança, mostrando que a realidade da equipe é mesmo brigar pela vaga na Liga dos Campeões. Já o Cesena, pode dar-se por contente, pois tem cinco pontos, mas já encarou Lazio, Milan e Juventus. (Caio Dellagiustina)

Roma 2-0 Verona
No dia de seu 38º aniversário, Francesco Totti recebeu de seus companheiros como presente a quinta vitória da Roma na Serie A, resultado que mantém os giallorossi com 100% de aproveitamento e no encalço da Juve. Destro foi quem caprichou mais e colocou a cereja no bolo do capitão com um golaço histórico. O atacante da Azzurra dominou bola no peito perto do meio de campo, girou e mandou por cobertura, em chute de mais de 40 metros que balançou as redes de Gollini e fez a torcida explodia de alegria. Antes, Florenzi já havia aberto o placar.

A festa no Olímpico, porém, começou tarde. No primeiro tempo e no início da segunda etapa, os donos da casa encontraram dificuldades para furar o bloqueio do Verona e pouco incomodaram. Destro perdeu chances e o bom time de Mandorlini parecia que ia conquistar mais um bom resultado. Os pontos não vieram, mas, mesmo assim, a equipe de Verona subiu uma posição na tabela - por causa da derrota por goleada da Inter - e entrou na zona de classificação para a Liga Europa. Na vice-liderança, a Roma agora se concentra no difícil duelo contra o Manchester City, nesta terça, pela Liga dos Campeões. (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 0-3 Juventus
A Juventus visitou a Atalanta em Bérgamo e venceu por 3 a 0, com mais uma ótima atuação de Tévez, sobretudo. O argentino marcou o primeiro gol da partida após boa jogada iniciada por Llorente e cruzamento de Lichtsteiner. Buffon ainda não tinha sido bastante exigido na Serie A até que Chiellini derrubou Estigarribia na área. O goleiro da Juve apontou o canto, defendeu o pênalti de Denis e a Velha Senhora chegou ao segundo tento no lance de contra-ataque. Após tocar a bola por um minuto, Tévez, de fora da área, acertou um chute no canto direito. Morata deu números finais ao confronto no Atleti Azzurri d'Italia.

O time bianconero é o primeiro a alcançar cinco vitórias nas rodadas iniciais sem ser vazado na Serie A. Marchisio chegou a comentar sobre o início da temporada e, mesmo falando que se considera um mezz'ala, afirmou que suas ótimas exibições como volante só são possíveis pela confiança dada pelo técnico Allegri. Na próxima rodada, a Juve encara a Roma, em casa; a Atalanta enfrenta a Sampdoria, no Luigi Ferraris. Antes, a Velha Senhora tem difícil confronto fora de casa na LC contra o Atlético de Madrid, atual vice-campeão do torneio. (Murillo Moret)

Udinese 4-2 Parma
Uma das partidas mais agradáveis desta Serie A até então aconteceu na segunda-feira. Em um estádio Friuli com reformas a todo vapor (e pouco público), Udinese e Parma fizeram uma partida interessante do ponto de vista técnico e do ponto de vista tático – são as duas equipes que melhor alternam esquemas com três e quatro defensores em toda a Itália. Dentro de campo, ótimo futebol jogado. Do lado bianconero, o goleiro Karnezis, o lateral direito Widmer, o zagueiro Heurtaux, os volantes Badu e Allan, além do interminável atacante Di Natale foram muito bem. Pelo lado do Parma, apesar de trapalhadas de Lucarelli, brilharam Cassano e José Mauri. Além dos veteranos Di Natale e Cassano (que, com quatro gols, lideram a artilharia do torneio, ao lado de Osvaldo e Tévez), vale destacar que Allan é o melhor brasileiro na temporada italiana, até então, e que o ítalo-argentino Mauri tem muito futuro e joga como um veterano.

A construção do resultado que manteve a Udinese com a terceira posição na Serie A, com 12 pontos, três atrás de Juventus e Roma, foi dura. Foi o Parma quem saiu na frente, depois que Cassano passou, Mauri penteou e bateu firme, no canto de Karnezis. Di Natale virou, após dois chutes de primeira, mas logo após a virada, Mauri sofreu pênalti. Cassano bateu com cavadinha e levou o jogo empatado para o intervalo. Após a pausa, porém, a Udinese voltou melhor para o gramado e, com meia-bicicleta, o zagueiro Heurtaux fez o terceiro. No final, depois de sofrer a pressão dos visitantes, o time friulano matou o jogo. Na verdade, foi suicídio: Lucarelli se enrolou na saída de bola e Théréau, esperto, aproveitou para fechar o placar. (NO)

Sassuolo 0-1 Napoli
Tardou, mas chegou. O Napoli acabou com o jejum de três partidas sem vitória ao bater o Sassuolo, no Città del Tricolore, por 1 a 0 - mas precisa agradecer a trave... Hamsík e Brighi tiveram boas chances antes de Callejón, aos 28 minutos, marcar o único gol da partida, depois de cruzamento de Higuaín.

O time da casa foi superior durante o resto da partida. Zaza foi bloqueado na hora da finalização por Koulibaly, Taïder não conseguiu acertar o gol de longa distância, Missiroli quase surpreendeu Rafael com um ótimo remate e Pavoletti parou em uma defesa incrível de Rafael. No fim da partida, um chute de Peluso desviado por Zuñíga bateu no travessão e saiu. Sorte que dá mais tranquilidade para Rafa Benítez trabalhar nos próximos dias. (MM)

Palermo 0-4 Lazio
Só três equipes ainda não conheceram o sabor da vitória nesse campeonato: Empoli, Sassuolo e Palermo. Os rosanero fizeram mais uma partida abaixo da média, nesta segunda-feira, e sofreram goleada de 4 a 0 para a Lazio, dentro de casa. Ainda assim, a equipe foi aplaudida pelos torcedores e deve ter mais algum tempo de tranquilidade para tentar se recuperar na competição. Do outro lado, uma Lazio arrasadora não desperdiçou chances e voltou a vencer na competição, chegando aos seis pontos ganhos, após duas derrotas consecutivas. Em boa hora para o técnico Pioli, cujo trabalho já vinha sendo questionado.

No primeiro tempo, os dois times pouco produziram até os 40 minutos de jogo. O Palermo teve as primeiras chances efetivas a cinco minutos do fim da etapa inicial, mas Vázquez e Dybala erraram. O atacante Djordjevic, pouco depois, não quis deixar sua chance passar e marcou o 1 a 0, no que foi seu primeiro gol na Serie A. O sérvio ainda balançou as redes mais duas vezes, mostrando oportunismo e qualidade, e comemorou a tripletta junto com Parolo. O meia marcou o quarto gol, já nos acréscimos, que selou a goleada laziale. (RA)

Genoa 0-1 Sampdoria
Os dérbis de Gênova são sempre partidas bastante emocionantes. Com uma riquíssima atmosfera na torcida e lindas camisas dentro de campo, é um dos clássicos de mais rivalidade na Itália. Desta vez, porém, apesar de o nível técnico do jogo no Marassi não ter sido alto – e de nem terem havido expulsões, fato raro no confronto –, valeu a pena assistir ao jogo.

Em campo, a partida foi bastante brigada, mas sem deslealdade. Entradas com mais vontade aconteciam, mas ninguém partia para a violência. O equilíbrio foi bastante grande, e as defesas levavam vantagem – com destaque para Roncaglia e Edenílson no lado rossoblù e do jovem Romagnoli, que barrou o capitão Gastaldello, no lado doriano. Na segunda etapa, o jogo pouco mudou, e aos 31 minutos, Gabbiadini cobrou falta diretamente no gol – porém, dois jogadores da Sampdoria estavam impedidos e atrapalharam Perin, o que deveria fazer o gol ser anulado. Após o apito final, o já folclórico novo presidente da Samp, o cineasta Massimo Ferrero, desceu para o campo e correu para saudar a torcida juntamente com os jogadores, em uma cena que ficará marcada na história do Derby della Lanterna. (NO)

Torino 1-1 Fiorentina
Os granata e os viola são duas das maiores decepções neste início de Serie A: estão no meio da tabela e inspiram pouca confiança. Se, por um lado, já se esperava que o Torino demorasse a entrar nos eixos após as perdas de Cerci e Immobile, não se imaginaria que a Fiorentina sofresse tanto com as novas lesões de Gómez e Rossi – afinal, os dois passaram grande parte de 2013-14 afastados. Desta vez, no entanto, os florentinos também não puderam contar com Cuadrado, o que limitou as ocasiões criadas, embora Mati Fernández tentasse. Jogando com o mesmo time que bateu o Cagliari por 2 a 1 no meio da semana, o Torino tentava responder, mas também criava pouco. 

No fim das contas, destaque para os goleiros Gillet e Neto, que apareceram quando exigidos, a não ser quando Quagliarella e Babacar foram mais espertos e finalizaram com precisão, marcando os gols da partida. Vale salientar, ainda, a boa partida do ex-santista Bruno Peres, que deu passe para o gol e vem sendo elogiado na Itália. Do lado da Fiorentina, o garoto Bernardeschi, destaque do Crotone na última Serie B, também apareceu bem nos poucos minutos em que esteve em campo e deu a assistência para o gol de empate violeta. (NO)

Chievo 1-1 Empoli
Pode-se dizer que o empate com gols ficou de bom tamanho pelo que as duas equipes davam a impressão de querer. Mesmo mal na tabela, tanto Chievo quanto Empoli foram a campo repletos de zagueiros. No primeiro tempo quase inútil, quem chegou mais perto – mas nem tanto – do gol foi o Chievo. Já os azzurri, embora com a mesma equipe que quase arrancou três pontos do Milan, pareciam perdidos em campo.

Na segunda etapa, um pouco de esperança para quem estava nas arquibancadas do Bentegodi. As trocas deram resultado e o Chievo saiu na frente. Após assistência de Paloschi, Meggiorini após uma ano e meio sem marcar, desencantou e colocou os veroneses em vantagem. A festa em Verona durou pouco e Maccarone, que também havia entrado no intervalo, deu linda assistência para Pucciareli empatar o jogo. E a virada só não veio porque o atacante perdeu uma chance incrível dentro da pequena área. (CD)

Relembre a 4ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Buffon (Juventus); Widmer (Udinese), Heurtaux (Udinese), Romagnoli (Sampdoria), Braafheid (Lazio); Florenzi (Roma), Ekdal (Cagliari), Ibarbo (Cagliari); Tévez (Juventus), Di Natale (Udinese), Djordjevic (Lazio). Técnico: Andrea Stramaccioni (Udinese).

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os 10 maiores franceses do futebol italiano

Gli Azzurri e Les Bleus. Os azuis mais importantes do futebol europeu, apesar de tonalidades diferentes, tem duas das escolas mais tradicionais do esporte. Tradicionalmente, o Campeonato Italiano sempre foi mais internacional e forte economicamente do que o Francês e, por isso, atraiu mais jogadores do país vizinho do que o contrário. O caminho transalpino costuma, até hoje, levar mais franceses à Serie A do que italianos à Ligue 1.

Apesar da vizinhança, demorou bastante para que o primeiro jogador francês aportasse no futebol italiano. O pioneiro foi o meio-campista Lucien Leduc, que em 1949 trocou o Racing Club de Paris pelo Venezia. Ele foi o precursor dos 91 franceses que, até hoje, entraram em campo em ao menos uma partida do Campeonato Italiano. Na temporada 2014-15, são 21 com nacionalidade francesa atuando na Itália.

Dos jogadores de nacionalidade francesa que estão em clubes italianos atualmente, sem dúvida o mais importante deles é Paul Pogba. Com 21 anos, o meia da Juventus já figura na sua lista, e tem potencial para galgar muitas posições caso esse ranking venha a ser atualizado no futuro. O jovem meio-campista, inclusive, atua no clube italiano que tem mais ligação com franceses.

Sediada em Turim, a Juve é o time de ponta mais próximo da França em termos geográficos e já teve 15 jogadores gauleses vestindo as suas cores. Vários deles, inclusive, no nosso "Top 20" – seis entre os 10 maiores e três entre os 20, o que justifica a forte identificação deles com a Velha Senhora. Inter e Milan, com 14 franceses em sua história, vem logo atrás, embora a maior parte dos bleus que passaram por lá tenham sido meros coadjuvantes.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Franceses na Itália
11. Vincent Candela; 12. Néstor Combin; 13. Sébastien Frey; 14. Paul Pogba; 15. Philippe Mexès; 16. Benoît Cauet; 17. Alain Boghossian; 18. Antoine Bonifaci; 19. Thierry Henry; 20. Olivier Dacourt.

10º - Jean-­Pierre Papin


Posição: atacante
Clube em que atuou: Milan (1992-94)
Títulos conquistados: 2 Serie A (1992-93 e 1993-94), 2 Supercopas Italianas (1992 e 1993) e Liga dos Campeões (1993-94)
Prêmios individuais: nenhum

Um dos maiores atacantes do futebol francês, Papin teve passagem curta pela Bota. Ou pelo menos menor do que o planejado. Prolífico atacante, foi contratado pelo Milan junto ao Olympique Marseille por quantia recorde à época. No seu antigo clube, fez impressionantes 184 gols em seis temporadas, com média de 30 gols/ano. Enfim, chegou ao Milan com 29 anos, no auge de sua carreira e já tendo conquistado uma Bola de Ouro, em 1991. Era o principal nome da seleção francesa à época e, dentro de campo, além de goleador era ágil e tinha movimentos que encaixavam no time de Capello. O parceiro ideal de van Basten.

Na prática, contudo, acabou sendo diferente. O holandês se lesionou, fazendo suas últimas partidas na carreira no primeiro ano de Papin em Milão, enquanto o francês acabou não convencendo com 22 partidas e 13 gols na Serie A, bem atrás de concorrentes na artilharia. Na Liga dos Campeões, ainda por cima, perdeu na final para seu ex-clube. Então, na temporada seguinte, teve problemas físicos e a falta de adaptação lhe prejudicou em Milanello. Acabou relegado ao banco, perdendo espaço para Massaro e Simone. Acumulou títulos, experiência com Capello, mas, de forma geral, fracassou e acabou cedido ao Bayern Munique.

9º - Laurent Blanc


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Napoli (1991-92) e Inter (1999-2001)
Títulos conquistados: Eurocopa (2000)
Prêmio individuais: Pirata d'Oro/Jogador do ano da Inter (2000)

Meia-atacante de origem, Blanc foi transformado em zagueiro pelo seu tipo físico, e se tornou um exímio líbero. De fato, um dos últimos líberos que o futebol presenciou. Na Itália, desfilou sua classe por dois clubes, porém acabou não deixando uma marca significativa como deixou na história do futebol francês. Contratado pelo Napoli em 1991, “substituiu” Maradona como o terceiro estrangeiro a que o clube tinha direito. E teve uma temporada bem expressiva no time treinado por Ranieri, terminando na artilharia atrás apenas da dupla Careca-Zola e seu reserva, Padovano, com seis gols em 31 partidas. Porém, sua passagem pelo San Paolo durou só um ano, e o jogador de então 26 anos voltou para a França por motivos pessoais.

Sete anos depois, já com a carreira consolidada e campeão mundial em 1998, com a França, foi para a Inter, buscando retomar o sucesso depois de péssimo ano pelo Marseille. O substituto de Bergomi, até então ex-capitão e jogador com mais partidas pelo clube, foi um pedido de Lippi. Blanc viveu bons momentos com a camisa nerazzurra, liderando o sistema defensivo, mostrando todos seus recursos técnicos e adaptado a Itália, apesar da nítida lentidão. Mesmo em final de carreira, ainda assim foi o jogador com mais partidas no campeonato nos dois anos que esteve em Milão. Deixou a Inter para encerrar a carreira no Manchester United.

8º - Patrick Vieira


Posição: volante
Clubes em que atuou: Milan (1995-96), Juventus (2005-06) e Inter (2006-10)
Títulos conquistados: 4 Serie A (1995-96, 2006-07, 2007-08 e 2008-09; 2005-06 revogado) e 2 Supercopas Italianas (2006 e 2008)
Prêmio individuais: Integrante da lista FIFA 100 e da seleção da Copa do Mundo (2006)

Volante forte, técnico e inteligente. Vieira era perfeito para o futebol italiano, e o Milan não perdeu a chance de tirá-lo do Cannes em 1995, onde era capitão com apenas 19 anos. Porém, a história reservou um caminho diferente: com apenas cinco partidas na temporada, sem espaço com os consolidados Albertini e Desailly, acabou negociado com o Arsenal no ano seguinte. Depois de virar lenda do clube londrino, onde jogou nove anos e viveu o auge da carreira, deu mais uma chance para o futebol italiano: foi contratado a peso de ouro pela Juventus, em 2005. Em Turim, seria treinado por Capello, aquele mesmo que não lhe deu muitas oportunidades dez anos antes em Milão. O volante de origem senegalesa continuou sendo o volante de "quantidade e qualidade" dos tempos de Arsenal e formou um quarteto de meio-campo fantástico ao lado de Emerson, Nedved e Camoranesi. Foi um time que acabou marcado pelo Calciopoli, mas que tanto fez em campo e que foi um dos mais implacáveis na Serie A moderna.

Com a punição do clube, que teve dois scudetti cassados, acabou transferido para a rival Inter. De volta à Milão, estreou em grande estilo: fez dois gols e comandou a virada por 4 a 3  da Beneamata, na Supercopa contra a Roma. Fez uma boa primeira temporada, mas depois a idade começou a dar suas caras. Foram vários problemas físicos, que impediram o francês de feitos maiores, mas ainda assim importantes nos times de Mancini e Mourinho, especialmente por sua liderança e inteligência. Em três temporadas e meia, 91 partidas, três scudetti e algumas boas memórias. Tivesse ficado mais seis meses em Milão, Vieira adicionaria a seu palmarés mais um scudetto, uma Coppa Italia e um título que nunca conquistou: a Liga dos Campeões.

7º - Youri Djorkaeff


Posição: meia-atacante
Clube em que atuou: Inter (1996-99)
Títulos conquistados: Copa Uefa (1997-98) e Copa do Mundo (1998)
Prêmios individuais: nenhum

Trequartista incomum para época, com recursos de um camisa 10, mas agilidade e variabilidade tática, Djorkaeff não teve dificuldades para se adaptar ao futebol italiano e cair nas graças da torcida da Inter. Em três anos, fez 127 partidas e 39 gols. Mas acabou como muitos do início da era Moratti, marcado pela falta de títulos, ainda que tenha ganhado o primeiro dos conquistados na gestão do atual presidente honorário do clube. O que também não diminuiu sua admiração na Pinetina, sendo uma das figuras de projetos da Beneamata até hoje.

No primeiro ano, o francês de origem armena encontrou espaço no rígido sistema de Hodsgon, terminando a temporada como vice-artilheiro com 17 gols, entre os atacantes Ganz e Zamorano – incluindo um golaço contra a Roma (similar ao da pose da foto). Em 97, com a chegada de Ronaldo e do técnico Simoni, se manteve intacto no time titular e, agora como coadjuvante ao lado do melhor jogador do mundo, seguiu importante para o sistema e com boas cotas de gols e assistências. Foi importante no título da Copa Uefa e no vice-campeonato nerazzurro, e também foi coadjuvante de luxo na campanha do título mundial dos Bleus. Na turbulenta 98-99, sua influência seguiu grande e o desempenho também não foi afetado. Porém acabou sendo seu último ano na Itália. Infelizmente.

6º - Didier Deschamps


Posição: volante
Clube em que atuou: Juventus (1994-99)
Títulos conquistados: 3 Serie A (1994-95, 1996-97 e 1997-98), Coppa Italia (1994-95), 2 Supercopas Italianas (1995 e 1997), Liga dos Campeões (1995-96), Copa Intercontinental (1996), Supercopa Uefa (1996) e Copa do Mundo (1998)
Prêmios individuais: Integrante da lista FIFA 100 e Jogador francês do ano (1996)

Contratado para ser um dos personagens de uma Juventus buscando renovação e que não ganhava um scudetto havia nove anos, Deschamps não decepcionou em Turim. A despeito do início difícil, com lesão grave no tendão de Aquiles, se recuperou e logo justificou a confiança de Lippi. Versátil e inteligente, o volante se transformou num dos pilares do meio-campo com Paulo Sousa, Conte, Davids, seu compatriota Zidane e outros. Em cinco temporadas, quatro delas como titular, ganhou títulos nas quatro primeiras (quando era o dono da volância bianconera), incluindo três scudetti, uma Liga dos Campeões e um Mundial Interclubes, sempre como um coadjuvante perfeito e líder do meio-campo quando precisava ocupar o papel.
Além de ajudar a tirar a Juve de incômodas filas em plano nacional e internacional, disputou, ainda outras duas finais da LC e uma da Copa Uefa, acumulando vices nas ocasiões. Capitaneou, também, a França na conquista da Copa do Mundo em casa. No seu último ano em Turim, contudo, passou a ter problemas com Lippi, e chegou a quase ir às vias de fato com o técnico um dia antes de sua demissão, em fevereiro de 1999. Ao fim daquela temporada, Deschamps também deixou a Juventus e rumou ao Chelsea. Como treinador, ainda retornou a Turim em 2006, guiando o time na volta para a Serie A. Mas como o fim de sua passagem como jogador, a de treinador não terminou bem após divergências com a diretoria.

5º - Lilian Thuram


Posição: zagueiro e lateral-direito
Clubes em que atuou: Parma (1996-2001) e Juventus (2001-06)
Títulos conquistados: 2 Serie A (2001-02 e 2002-03, 2004-05 e 2005-06 revogados), Coppa Italia (1998-99), 3 Supercopas Italianas (1999, 2002 e 2003), Copa Uefa (1998-99), Copa do Mundo (1998), Eurocopa (2000) e Copa das Confederações (2003)
Prêmios individuais: Integrante da lista FIFA 100, Jogador francês do ano (1997), Guerin d'Oro (1997), Bola de bronze da Copa do Mundo (1998) e integrante da seleção da Copa do Mundo (1998 e 2006)

Em 10 anos de Itália, 433 partidas e sete títulos. Um colosso, com todas as características de um defensor completo. O sucesso no Belpaese já era dado como certo. E foi. Primeiro na potência que foi o Parma da Parmalat, liderando a defesa de Malesani com Sensini num time que tanto poderia ter ganhado, mas ficou com apenas uma Copa Uefa e uma Coppa Italia – logo na temporada de estreia, o scudetto bateu na trave, e o time ficou dois pontos atrás da Juventus. Ainda assim, cinco temporadas bastantes impactantes no Tardini.

Do time da Parmalat, só saiu para a Juve, já com o status de campeão mundial e europeu, titularíssimo e um dos líderes da melhor seleção francesa já vista na história. Em Turim,  manteve sua solidez, polivalência e liderança, apesar do início repleto de críticas, que fizeram Lippi escalá-lo como lateral direito. Não por acaso, Thuram se sagrou como o jogador com mais partidas pelos bleus em toda a história. Nos anos 90, superou Antoine Bonifaci e se tornou também o francês com mais presenças na Serie A –  curiosamente, marcou apenas dois gols em sua trajetória na Itália. Em cinco anos de Juventus, liderou a defesa de dois times bastantes sólidos, os de Lippi e Capello, ao lado de tantos outros defensores marcantes, como Cannavaro, Ferrara e Montero, e conquistou quatro títulos – sem contar os dois scudetti revogados. Também foi vice-campeão da Liga dos Campeões, em 2003.



Posição: volante e zagueiro
Clube em que atuou: Milan (1993-98)
Títulos conquistados: 2 Serie A (1993-94 e 1995-96), Supercoppa Italiana (1994), Liga dos Campeões (1993-94), Supercopa Uefa (1994) e Copa do Mundo (1998)
Prêmios individuais: Integrante da lista FIFA 100 e da seleção da Copa do Mundo (1998)

Pouco antes de Vieira, um volante francês deu o que falar no futebol italiano. Com as mesmas características do seu sucessor, alto, forte e técnico, acabou sendo o "Rijkaard de Capello". Como o holandês, foi adaptado ao meio-campo – ambos eram zagueiros de origem e defensores por preferência. O que não afetou seu desenvolvimento e muito menos o impediu de ter colocado seu nome na história do futebol local e do Milan.

Como tantos outros, rumou do Marseille para a Itália em 1993, reencontrando o Milan de quem foi algoz na Liga dos Campeões. No 4-4-2 rígido de Capello, foi um colosso ao lado de Albertini, protegendo a defesa e dando equilíbrio ao sistema. Bom no jogo aéreo, também foi capaz de fazer seus golzinhos, como o da final da Liga dos Campões sobre o Barcelona – sem dúvidas o mias importante deles e o mais glorioso de toda a sua carreira. Um de sete gols em 186 partidas. Por cinco temporadas, cinco títulos e uma grande memória para os milanistas.

3º - David Trézéguet


Posição: atacante
Clube em que atuou: Juventus (2000-10)
Títulos conquistados: 2 Serie A (2001-02, 2002-03; 2004-05 e 2005-06 revogados), Serie B (2006-07) e 2 Supercopas Italianas (2002 e 2003)
Prêmios individuais: Integrante da lista FIFA 100, artilheiro da Serie A (2001-02), Oscar del calcio AIC (2002, melhor jogador e melhor estrangeiro)

10 anos, 320 partidas e 171 gols. Mais do que o parceiro de Del Piero, Trézéguet foi ídolo em Turim. Por seus gols, sua entrega, liderança, mas, especialmente, lealdade. Não abandonou o clube no seu pior momento, jogou a segunda divisão e ainda contribuiu após isso. Não fossem os problemas físicos das últimas três temporadas, o francês teria grandes chances de ter sido o segundo maior artilheiro da história da Vecchia Signora – hoje é o quarto, sete gols atrás de Bettega e a doze de Boniperti. Não importa, ainda assim, "Trezegol" é o maior artilheiro estrangeiro da história bianconera.

Tudo começou em 2000, contratado a peso de ouro do Monaco. Inicialmente reserva, não levou muito tempo para desbancar Inzaghi e assumir a titularidade e títulos de artilharia, marcando gols de todas as formas possíveis dentro da área. No ano seguinte, teve seu grande momento em Turim, o melhor no Belpaese entre 2001 e 2002 e foi protagonista no seu primeiro scudetto italiano – inclusive, ganhou o prêmio de melhor jogador da Serie A na ocasião. No ano seguinte, porém, os problemas físicos começaram a surgir. O que não lhe impediu de seguir marcando (muitos) gols e sendo importante nas conquistas juventinas. Recentemente, uma estrela na decoração do Juventus Stadium ganhou o seu nome, como forma de homenagem pelos serviços prestados ao clube.

2º - Zinédine Zidane


Posição: meia
Clube em que atuou: Juventus (1996-2001)
Títulos conquistados: 2 Serie A (1996-97 e 1997-98), Supercoppa Italiana (1997), Supercopa Uefa (1996), Copa Intertoto (1999), Copa Intercontinental (1996), Copa do Mundo (1998) e Eurocopa (2000)
Prêmios individuais: Integrante da lista FIFA 100, Melhor jogador do mundo FIFA (1998 e 2000), Terceiro melhor jogador do mundo FIFA (1997), Bola de Ouro (1998), Jogador francês do ano (1998), time da Copa do Mundo (1998), Melhor estrangeiro da Serie A (1997 e 2001) e Melhor jogador da Serie A (2001)

Um gênio. Meio-campista moderno, de certa forma à frente do seu tempo, mas com características de um trequartista tradicional do futebol italiano, Zizou teve um grande impacto na Juventus. De fato, um impacto imediato. Na sua primeira temporada, foi protagonista do time de Lippi, que não se incomodou em mudar o time para melhor acomodá-lo. Logo na temporada de estreia, mostrou a que veio e foi campeão três vezes, incluindo um dos três scudetti que a Juve ganhou nos anos 90.

No segundo ano, mais adaptado ao futebol italiano, foi ainda melhor em termos individuais, com dois dígitos de gols marcados e teve seu grande auge na final da Copa do Mundo, também lhe garantindo vários prêmios, como sua primeira Bola de Ouro. E, claro, outro scudetto. Faltava a orelhuda, a Liga dos Campeões. Mas por três vezes a Juventus, primeiro dirigida por Lippi, e posteriormente por Ancelotti, não foi capaz de levá-la com Zizou em campo: dois vices e uma semifinal. O que não muda sua bela passagem por Turim, com 209 partidas, 31 gols e seis títulos em cinco anos, que fizeram o Real Madrid levar o futebol de um dos maiores craques da história para a equipe galática, quebrando o recorde em uma transferência à época. Zizou foi grande, mas não alcançou o gênio abaixo – pelo menos não por seus anos vestindo bianconero.

1º -  Michel Platini


Posição: meia-atacante
Clube em que atuou: Juventus (1982-87)
Títulos conquistados: 2 Serie A (1983-84 e 1985-86), Coppa Italia (1982-83), Copa Europeia (1984-85), Recopa Uefa (1983-84), Supercopa Uefa (1984), Copa Intercontinental (1985) e Eurocopa (1984)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1983, 1984 e 1985), Integrante da lista FIFA 100, Integrante do Hall da Fama do futebol italiano, Melhor jogador da Serie A (1983-84), artilheiro da Serie A (1982-83, 1983-84, 1984-85), Melhor jogador da Eurocopa (1984), artilheiro da Eurocopa (1984) e artilheiro da Copa Europeia (1984-85)

Uma década antes de Zidane, um francês já tinha feito muito pela Juventus. Muito mesmo. Ganhou todos os títulos possíveis e foi protagonista em todas as cinco temporadas que jogou em Turim. Simplesmente 103 gols em 222 partidas e sete títulos numa década pra lá de histórica no futebol italiana – certamente a mais mágica. E Platini, o segundo francês a vestir a camisa juventina – o primeiro foi o franco-argentino Combin, duas décadas antes –, certamente foi um dos maiores craques que passaram pelos gramados italianos não só nos anos 1980 mas em toda a história.

A despeito de um início conturbado com Trapattoni, por não sei encaixar muito bem no sistema do treinador, Platini superou isso e mais um pouco para se tornar um dos grandes da história da Vecchia Signora. Por três vezes consecutivas artilheiro da Serie A e quatro vezes seguidas com quatro dígitos de gols marcados, só não fez mais pelos problemas físicos, táticos e, segundo o próprio, falta de motivação no que acabou sendo seu último ano como jogador profissional, em 1987, quando tinha apenas 32 anos. Se parando tão jovem, Platini se tornou o maior francês da história da Serie A, imagina se ele tivesse jogado mais tempo?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

4ª rodada: Semana de golaços

Pjanic anotou um dos golaços da rodada e deixou a Roma na ponta (Reuters)
A rodada de meio de semana na Serie A não trouxe alterações na ponta da tabela, uma vez que Juventus e Roma seguem com 100% de aproveitamento e lideram o campeonato. Logo atrás, a Udinese é uma grata surpresa, enquanto Sampdoria e Verona também surpreendem, e dividem o quarto posto, ao lado da Inter. A 4ª rodada foi marcada por alguns golaços, especialmente nos jogos entre Parma e Roma e Inter e Atalanta. Confira o resumo da rodada.

Parma 1-2 Roma
Parecia que a Roma tropeçaria pela primeira vez no campeonato, mas um gol de falta de Pjanic a dois minutos do fim mostrou que os tempos são outros. As famosas "romadas" não fazem mais parte do cotidiano do clube e a disputa com a Juventus promete continuar intensa. Os dois times são os únicos com 100% de aproveitamento até aqui. Contra o Parma, os giallorossi sofreram o primeiro gol no campeonato e acabaram sendo superados pela rival na tabela pela primeira vez nessa temporada.

O jogo começou morno, no Ennio Tardini. A Roma mantinha a posse de bola, mas não conseguia chegar com perigo ao gol dos donos da casa, montados para segurar a partida e tentar a sorte no contra-ataque. Só Totti, quando conseguia dar mais de dois toques na bola, criava chances reais. Primeiro, deixou Gervinho na cara, mas o marfinense errou. Depois, deu belo passe para Ljajic abrir o placar. De Ceglie empatou, de cabeça, no início da segunda etapa. O jogo melhorou, mas um Parma bem organizado parecia que ia segurar a Roma. Pjanic acabou com as esperanças com uma bela cobrança de falta. No fim de semana, a Roma recebe o Hellas Verona e o Parma visita a Udinese. (Rodrigo Antonelli)

Inter 2-0 Atalanta
No duelo entre equipes azuis e pretas, melhor para o time de Milão. Desde 2010 a Inter não batia a Atalanta, uma de suas históricas asas negras, mas dessa vez não correu riscos para garantir o resultado. O placar deixa a Inter na quarta posição, com 8 pontos, um a menos que a Udinese e quatro abaixo de Juventus e Roma. Já a Atalanta segue no meio da tabela, com quatro pontos.

O time treinado por Mazzarri fez um bom primeiro tempo, no qual criou diversas ocasiões de gol. Primeiro, Vidic cabeceou uma bola na trave. Depois, Icardi acabou se machucando após choque com Benalouane e foi substituído por Osvaldo, o que mudou o jogo. Aos 40 minutos, o ítalo-argentino completou cruzamento de Guarín com um voleio e abriu o placar. Placar que poderia ter sido aberto antes, quando Ranocchia sofreu pênalti. Palacio desperdiçou – Sportiello pulou no canto certo. No segundo tempo, a Inter voltou a acertar a trave, com Palacio, e se segurou bem na defesa, mesmo após as entradas de Gómez, Boakye e Denis. Já no final, Osvaldo cavou uma falta na entrada da área e Hernanes, que entrou no segundo tempo, mandou um míssil no ângulo, fechando o placar. (Nelson Oliveira)

Juventus 3-0 Cesena
Na quarta-feira, Arturo Vidal se tornou o primeiro jogador do Manchester United a fazer gols pela Juventus. Brincadeira sobre a especulação à parte, o chileno fez sua estreia como titular na temporada e marcou duas vezes na vitória contra o Cesena, em casa. Os cavalos marinhos foram presas fáceis da Velha Senhora, que teve 73% de posse de bola em toda a partida. Buffon foi mais um mero espectador em campo - ele deu um soco na bola, no primeiro tempo, e só.

Pela Juventus, Marchisio voltou a fazer uma excelente partida, completamente adaptado ao setor. Ogbonna fez sua segunda partida em ótimo nível e só não marcou gol porque parou em boas defesas de Leali. Pela Juventus, Vidal marcou duas vezes (uma de pênalti e outra de fora da área), e Lichtsteiner fechou o placar em uma jogada característica sua, com infiltração pelo lado direito. Apesar de atuar contra uma equipe muito superior tecnicamente, o Cesena mostrou - na segunda rodada consecutiva - que falta ambição no torneio. O esquema é "toca no Marilungo e espera por uma mágica". Deve ser rebaixado sem muita dificuldade. (Murillo Moret)

Empoli 2-2 Milan
Abrindo a quarta rodada, Empoli e Milan se enfrentaram na Toscana em jogo movimentado. Ou pelo menos no placar. Apesar de doze chutes a gol e duas bolas na trave, os times acabaram não tendo grande desempenho ofensivo e ainda tiveram erros defensivos. O curioso é que o Empoli empatou pela segunda vez em 2 a 2, consecutivamente, mas segue sem vencer no campeonato e é o penúltimo colocado. Já o Milan conseguiu se recuperar na partida, depois de levar 2 a 0, e até ameaçou a virada. Porém, levou apenas um ponto, novamente levou gols de bola parada e tem a segunda defesa mais vazada, apesar do ataque mais eficaz.

Surpreendentemente, o time da casa já vencia com 20 minutos. Sempre na bola parada, Tonelli saiu da marcação de Bonera e antecipou ao cruzamento de Valdifiori para abrir o placar. Depois, Valdifiori cobrou falta nos pés de Tavano, que desviou para Pucciarelli ampliar a vantagem. Apenas no final do primeiro tempo o Milan chutou a gol, e diminuiu com Torres, em cabeçada após cruzamento de Abate – o espanhol fez ótima partida. E Abate, o líder de assistências do campeonato, voltou a aparecer para tocar para Honda empatar, em boa movimentação do time de Inzaghi. (Arthur Barcelos)

Lazio 0-1 Udinese
Em nosso guia da temporada, falávamos que a Udinese poderia voltar a fazer uma boa campanha nesta Serie A. Até agora, a equipe treinada por Stramaccioni vai até superando as expectativas, e ocupa a 3ª posição no campeonato, com três vitórias e uma derrota. Perdeu apenas para a Juventus e já superou adversários complicados, como Napoli e Lazio. Além disso, a equipe mostra um futebol bastante sólido e lúcido. O time sabe o que quer, constrói bem as jogadas e se fecha quando necessário. Foi esse o script na boa vitória sobre a Lazio, no Olímpico.

Stramaccioni poupou Di Natale, mas viu seu time abrir o placar com seu substituto. Ainda no primeiro tempo, depois de bom passe de Muriel, Widmer cruzou rasteiro e Théréau apareceu com velocidade no meio dos zagueiros para finalizar. Depois disso, uma Lazio que teve o reforço de Marchetti no gol, mas não teve De Vrij na defesa, tentou furar a defesa bianconera de qualquer forma, mas os chutes de Felipe Anderson saíram tortos. Além disso, Karnezis fez boas defesas e o muro branco e preto rebateu quase todas as jogadas criadas pelos romanos. (NO)

Napoli 3-3 Palermo
No jogo maluco no San Paolo, o Napoli desperdiçou a vantagem por dois gols e cedeu o empate para o Palermo, que contou com um jovem de 20 anos em noite espetacular. Depois de duas derrotas seguidas, o técnico Rafa Benítez deu descanso apenas a Higuaín. Em dois minutos, Koulibaly marcou o primeiro gol, em cruzamento de Callejón. Aos 11, Zapata, substituto do argentino, aumentou. O Palermo começou a reação com Belotti. Foi o tento de debute na Serie A. Vázquez, com ótima assistência de Morganella, deixou tudo igual. 

O time da casa voltou a ficar na frente do marcador com Callejón, após belo passe de Gargano, porém, o Palermo empatou a partida depois de jogada de Dybala, finalizada novamente por Belotti – olho nele, que já atua pela equipe sub-21 e é um dos atacantes mais promissores do país. Na próxima rodada, o Napoli encara o Sassuolo, fora de casa, enquanto o rosanero enfrenta a Lazio no Renzo Barbera. (MM)

Sampdoria 2-1 Chievo
No Luigi Ferraris, a Sampdoria fez mais uma grande partida e derrotou o Chievo, com dois gols de defensores. Porém, furar o bloqueio defensivo gialloblù não foi fácil. A dupla de ataque formada por Okaka e Bergessio, municiados por Soriano, assustou pouco e foi preciso que o zagueiro Gastaldello abrisse o placar. Mesmo atrás no marcador, o Chievo deu pouco trabalho a Viviano, que de longe viu o segundo gol da Samp, marcado por Romagnoli. No final da partida, Paloschi diminuiu com um belo chute da entrada da área que encobriu o goleiro blucherchiato.

A vitória por 2 a 1 contra os veroneses colocou os genoveses na quarta colocação, ao lado da Inter, com oito pontos. Por outro lado, o Chievo contabilizou a terceira derrota na competição e fica na 17ª colocação. Na próxima rodada, a Samp vai com moral elevada para o clássico contra o Genoa, enquanto o Chievo recebe o Empoli, numa briga direta na parte de baixo da tabela. (Caio Dellagiustina)

Cagliari 1-2 Torino
Após três rodadas em branco, o Torino finalmente conseguiu vencer e marcar seus primeiros gols no campeonato. E os três pontos tiveram um gostinho especial: a equipe de Turim saiu atrás no placar e conseguiu virar a partida. Cossu foi quem marcou para os donos da casa, logo no início do jogo. O que parecia se tornar uma partida fácil para os rossoblù, porém, se complicou depois de algumas chances perdidas e a ousadia da equipe de Ventura, que foi para cima.

O gol de empate não demorou a sair: aos 21 minutos, Glik cabeceou para o fundo das redes. Pouco depois, aos 29, foi a vez de Quagliarella, que não marcava há um ano, fazer o dele e virar a partida. Os visitantes ainda tiveram chance de fazer 3 a 1, mas o jovem goleiro Cragno salvou. No segundo tempo, pouco aconteceu. Destaque para a cara de perplexidade de Zdenek Zeman, que ainda não viu o Cagliari vencer nessa temporada - são três derrotas e um empate. Ao fim da partida, o treinador boêmio filosofou: "Meus jogadores pensam demais. Aí, a ação fica lenta". (RA)

Verona 2-2 Genoa
Partida movimentada na cidade de Romeu e Julieta, com pouco mais de 30 chutes, 16 no alvo e boas intervenções dos jovens goleiros Gollini e Perin, este mais uma vez o goleiro com mais defesas e melhores notas no campeonato. Mas dessa vez o time de Gasperini mostrou mais do que as defesas de seu arqueiro, sendo um grande incômodo para o time da casa e mostrando a ofensividade que ainda não tínhamos visto. Com direito a doppietta de Matri, mesmo assim imperou a irregularidade, s oe genoveses cederam o empate na segunda etapa.

Já o Verona, de outro início promissor, mesmo com elenco limitadíssimo, foi guerreiro em se recuperar e buscar o empate. Mais uma vez, o moldavo Ionita foi o grande destaque, passando para Tachtisidis diminuir a vantagem com belo chute de bola da área e depois completando cruzamento de Toni com boa cabeçada. No fim, com ambos os times buscando a vitória, os goleiros apareceram e mantiveram o empate. (AB)

Fiorentina 0-0 Sassuolo
Mais um jogo sem gols da viola. Sem os principais atacantes, Rossi e Gómez, a Fiorentina não saiu do 0 a 0 contra o Sassuolo em pleno Artemio Franchi, chegando ao terceiro jogo sem balançar as redes adversárias. A ausência da dupla se refletiu no desempenho da equipe que, mesmo chegando inúmeras vezes ao gol de Consigli, deu pouco trabalho a Consigli, goleiro neroverde.

A pressão viola continuou na segunda etapa e Borja Valero teve a melhor chance, mas parou na trave. Escolhido para o comando de ataque, o jovem Babacar se destacou – negativamente – por atrapalhar oportunidade clara de gol de Cuadrado. Pior ataque da Serie A, a Fiorentina estaciona no meio da tabela, com apenas cinco pontos, distanciando-se da ponta, enquanto o Sassuolo, também com apenas um gol marcado, é o primeiro time da zona de rebaixamento. Que fase, hein? (CD)

Relembre a 3ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Perin (Genoa); Abate (Milan), Vidic (Inter), Heurtaux (Udinese), Romagnoli (Sampdoria); Vidal (Juventus), El Kaddouri (Torino), Ionita (Verona), Pjanic (Roma); Belotti (Palermo), Osvaldo (Inter). Técnico: Andrea Stramaccioni (Udinese).

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Os 100 maiores jogadores italianos da história

Se lembra das listas que o Quattro Tratti vinha preparando com os maiores jogadores da história do futebol italiano? Pois é, elas voltaram. Na primeira fase, abordamos os sete principais clubes da Serie A, e contamos quais, em nossa opinião, são os principais jogadores de suas histórias e quais foram os principais brasileiros a passarem por lá. Não temos muito material disponível sobre a história do futebol italiano em português e por isso decidimos fazer estas listas, para que os amantes do futebol italiano possam ter acesso a isso e os curiosos possam saber mais sobre o esporte naquele país. Você pode ler tudo isso acessando a seção "Tops da Serie A", no menu à direita, ou clicando aqui.

Desta vez, nossas listas tem um caráter diferente, mas a mesma intenção: deixar o nosso leitor ainda mais por dentro do assunto. Vamos dissecar o futebol do Belpaese demograficamente. Quais foram os principais brasileiros a jogarem por lá? Vamos dizer. Argentinos? Também. Franceses? É claro. Escandinavos? Por que não? Agora, no entanto, começamos de forma mais ambiciosa: elegendo os 100 maiores jogadores italianos de toda a história.

Escolhemos os 100 maiores futebolistas da história da Itália, mas fizemos os perfis de apenas 20 deles, dos mais bem colocados no nosso ranqueamento. Os 80 nomes restantes aparecem em uma listagem pouco antes do texto. Optamos por não dividi-los em posições, então consideramos todos: dos goleiros aos atacantes.

Sabemos muito bem que o futebol italiano é um dos mais tradicionais e, consequentemente, um dos frutíferos reveladores de grandes craques na história. Eleger 100 deles parece muito, mas alguns nomes importantes ficaram de fora da lista, que contempla atletas desde os anos 1910 até os dias atuais. Sabemos, também, que a distância entre os 20 escolhidos para a nossa "lista de gala" é pequena. Portanto, não custa lembrar que a classificação de cada um deles foi definida por detalhes. Todos são craques o suficiente para escalar posições no ranking. Explicamos os nossos critérios abaixo.

Critérios
Primeiramente, excluímos os jogadores oriundi que atuaram em seleções de seus países de origem, como Omar Sivori, José Altafini, Raimundo Orsi e Julio Libonatti – eles aparecerão em outras listas mais tarde, fiquem tranquilos. Por critério, consideramos apenas jogadores naturalizados/com passaporte italiano após as mudanças de regras da Fifa, que atualmente proíbem que atletas que vestiram a camisa de uma seleção principal joguem por outra diferente. Após a mudança desta regra, apenas Mauro Camoranesi teve destaque real, mas não entrou na nossa lista de 100 maiores. Consideramos, ainda, apenas jogadores que já encerraram suas carreiras e os que ainda estão em atividade, mas tem mais de 30 anos – tempo suficiente para que possamos analisar seu desempenho de forma ampla, olhando mais pelo que já fizeram do que para o que ainda podem fazer.

O Quattro Tratti utilizou critérios qualitativos e quantitativos para montar as listas. Um misto de objetividade e subjetividade, afinal o futebol é algo que mexe com as emoções de todos. O blog levou em consideração a qualidade técnica dos jogadores, importância histórica nos clubes pelos quais passou e na Serie A, além do histórico e desempenho pela seleção italiana. Também foram avaliados o poder de decisão dos jogadores em toda sua carreira, bem como grau de participação nos títulos conquistados, respaldo atingido através de seus clubes e seleção e eventuais prêmios individuais. No caso desta lista, também tentamos mensurar o grau de mitologia que os jogadores deixaram, por conta de seu desempenho. Afinal, muitos deles são exemplos de craques históricos em suas posições. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua opinião nos comentários!

Além do "top 20", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para ter um pequeno perfil é mostrado no ranking a seguir, no qual contemplamos os 100 maiores jogadores de toda a história do futebol italiano, em nossa opinião. Os links sobre os nomes de cada um deles levam a um perfil mais detalhado de suas carreiras, em textos que já fizemos anteriormente. Sem mais delongas, desejamos uma boa leitura!

Top 100 Itália
100. Mario Rigamonti; 99. Armando Picchi; 98. Giuseppe Furino; 97. Sebastiano Rossi; 96. Daniele Massaro; 95. Giuseppe Savoldi; 94. Nicola Berti; 93. Gianluca Pagliuca;  92. Fabrizio Ravanelli; 91. Antonio Juliano; 

90. Felice Borel; 89. Francesco Toldo; 88. Virginio Rosetta; 87. Angelo Domenghini; 86. Gianluca Zambrotta; 85. Angelo Schiavio; 84. Pierino Prati; 83. Agostino Di Bartolomei; 82. Giovanni Trapattoni; 81. Ivano Bordon;

80. Paolo Pulici; 79. Marco Materazzi; 78. Stefano Tacconi; 77. Giuseppe Baresi; 76. Pietro Anastasi; 75. Gennaro Gattuso; 74. Antonio Cassano; 73. Giuseppe Giannini; 72. Angelo Peruzzi; 71. Luigi Allemandi; 

70. Amedeo Amadei; 69. Carlo Reguzzoni; 68. Giuliano Sarti; 67. Daniele De Rossi; 66. Vincenzo Montella; 65. Aldo Serena; 64. Sandro Salvadore; 63. Giovanni Ferrari; 62. Roberto Pruzzo; 61. Demetrio Albertini

60. Claudio Gentile; 59. Enrico Albertosi; 58. Luca Toni; 57. Adolfo Baloncieri; 56. Fabio Capello; 55. Carlo Parola; 54. Salvatore Schillaci; 53. Antonio Di Natale; 52. Gianfranco Zola; 51. Giancarlo De Sisti


40. Bruno Conti; 39. Ezio Loik; 38. Mario Corso; 37. Roberto Boninsegna; 36. Gianluca Vialli; 35. Cesare Maldini; 34. Christian Vieri; 33. Guglielmo Gabetto; 32. Filippo Inzaghi; 31. Roberto Donadoni




Posição: atacante
Clube em que atuou: Juventus (1946-1961)
Seleção italiana: 38 jogos, 8 gols
Títulos: 5 Serie A (1949-50, 1951-52, 1957-58, 1959-60 e 1960-61), 2 Coppa Italia (1958-59 e 1959-60)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1947-48)

Uma das maiores bandeiras da Juventus, Boniperti é conhecido por ter sido ídolo dentro e fora dos campos. Foram 15 anos atuando pela única equipe em que atuou na carreira e mais 19 como presidente – até hoje, Boniperti é presidente honorário da equipe. Como jogador, o habilidoso, nteligente e prolífico atacante só começou a brilhar a partir de 1949, depois da Tragédia de Superga, que matou todo o Grande Torino, que ofuscava uma ótima Juventus. Boniperti chegou aos cem gols na Serie A antes mesmo de completar 24 anos, pois sempre teve uma média altíssima de gols – jogando como atacante, ponta ou meia mais recuado.

Com 19 anos, recebeu sua primeira convocação para a Nazionale e ainda se sagrou artilheiro da Serie A, com 27 gols. Ao todo, fez 178 gols no campeonato e ocupa a 12ª posição na tábua de marcadores, sendo o segundo maior artilheiro da história da Juventus, atrás de Alessandro Del Piero. Apesar da grande história, Boniperti é menos lembrado, às vezes, porque não teve tanto sucesso pela seleção italiana. A tragédia que matou o Torino causou um baque na seleção, que de favorita ao título em 1950, caiu na primeira fase em 1950 e 1954 e nem mesmo se classificou para 1958 – todos Mundiais em que Boniperti ainda atuava pela Squadra Azzurra. Pela seleção, apesar dos poucos gols, Boniperti se destacou por ter sido capitão durante oito anos, entre 1952 e 1960.

19º - Giuseppe Bergomi  


Posição: zagueiro
Clube em que atuou: Inter (1979-99)
Seleção italiana: 81 jogos, 6 gols
Títulos: Copa do Mundo (1982), Copa Uefa (3; 1990-91, 1993-94 e 1997-98), Serie A (1988-89), Coppa Italia (1981-82) e Supercopa Italiana (1989)
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100; Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (1997).

Se Franco Baresi é um mito para os torcedores do Milan, a Inter teve o seu correspondente no mesmo período da história e seu nome era Giuseppe Bergomi. Lo Zio, como foi apelidado por causa das vastas sobrancelhas e bigode grosso, jogou ao lado do irmão de Franco, seu xará Giuseppe, na Internazionale, e foi um exemplo de classe dentro e fora dos gramados. Com extrema precisão e bons posicionamento e antecipação, desarmava como poucos, com bastante lealdade e segurança, e foi um dos principais zagueiros não só dos anos 80 e 90, mas um dos principais da história do futebol italiano.

Bergomi, que também atuava como lateral direito, vestiu apenas duas camisas na carreira: a da Inter e a da seleção italiana. O defensor estreou na Serie A com apenas 17 anos e, no ano seguinte, se sagraria campeão como titular em parte da campanha do tri mundial da Itália. Dali em diante, foi titular e referência da Azzurra, que capitaneou de 1988 a 1991, o que incluiu o período da Copa do Mundo disputada em casa. Não bastassem a técnica  o espírito vencedor, os números mostram que Bergomi é um dos melhores futebolistas italianos da história. Ele é um dos 15 jogadores com mais presenças na Serie A (512 jogos), o segundo que mais vestiu a camisa da Inter (758) e o terceiro com mais participações em dérbis de Milão (44). Não fosse a exclusão feita por Sacchi da Copa de 1994, ele teria o recorde de participações em Mundiais, ao lado de Antonio Carbajal, Lothar Matthäus e Gianluigi Buffon.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Napoli (1992-95), Parma (1995-2002), Inter (2002-04), Juventus (2004-06 e 2009-10), Real Madrid (2006-09) e Al Ahli (2010-11)
Seleção italiana: 136 jogos, 2 gols
Títulos: 2 Coppa Italia (1999, 2002), 1 Supercoppa (1999), 2 Ligas Espanholas (2007, 08), 1 Supercopa Espanhola (2008), 1 Copa da Uefa (1999), 2 Europeus Sub-21 (1994, 96), 1 Copa do Mundo (2006)
Prêmios individuais: Melhor jogador do mundo Fifa (2006), Bola de Ouro (2006), Bola de prata da Copa do Mundo (2006), Time da Copa do Mundo (2006), Time do ano Uefa (2006), Time do ano FIFPro (2006 e 2007), Melhor jogador da Serie A (2006), Melhor italiano da Serie A (2006), Melhor zagueiro da Serie A (2005 e 2006)

C'è Cannavaro, c'è capitano. A frasezinha, tema de um comercial, evidencia bem o lugar de Cannavaro na história do futebol italiano. E de lugar o zagueirão entendia bem, já que era excelente em se posicionar e se antecipar aos adversários. Ao longo de oito anos, de 2002 a 2010, Cannavaro foi capitão da Itália, detendo o recorde de 79 partidas como capitão pela Squadra Azzurra e se tornando o segundo jogador com mais partidas pela Nazionale (136, contra 143 de Buffon). Nestes anos com o manto azul, viveu o auge de sua carreira na Copa do Mundo de 2006, quando foi protagonista, com desarmes impecáveis, velocidade e força, além de um senso de posicionamento absurdo (veja vídeo com seus melhores momentos). Na partida mais marcante da campanha da Itália, na semifinal contra a Alemanha, Cannavaro foi absoluto, até mesmo iniciou a jogada de um dos gols da vitória por 2 a 0, e acabou eleito o melhor em campo.

O zagueiro foi o segundo melhor jogador da competição, segundo a Fifa, mas foi eleito melhor jogador do mundo em 2006, pela Fifa e pela France Football, algo inédito para um defensor à época. Por clubes, Cannavaro foi destaque de um Napoli que ia mal das pernas na década de 90, despistou acusações de doping e liderou uma defesa fortíssima no melhor Parma da história e viveu o auge da carreira na Juventus de Fabio Capello, que teve títulos revogados pelo Calciocaos. Não teve momentos bons na Inter, onde viveu com as lesões, e depois de 2006 não foi bem nem no Real Madrid nem na volta à Juve. Nos últimos anos, sua carreira decaiu bastante, e suas falhas acabaram culminando na eliminação da Itália na Copa de 2010. Mas tudo bem, nada que apague a grande carreira que Cannavaro construiu ao longo de quase duas décadas.

17º - Andrea Pirlo


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Brescia (1994-98 e 2001), Inter (1998-99 e 2000), Reggina (1999-2000), Milan (2001-11) e Juventus (2011-hoje)
Seleção italiana: 112 jogos, 13 gols
Títulos: 5 Serie A (2004, 2011, 2012, 2013 e 2014), 1 Coppa Italia (2003), 3 Supercopas Italianas (2004, 2012 e 2013), 2 Ligas dos Campeões (2003, 2007), 2 Supercopas Uefa (2003, 2007), 1 Mundial de Clubes (2007), 1 Serie B (1997), 1 Europeu Sub-21 (2000), 1 Copa do Mundo (2006), Bronze Olímpico (2004)
Prêmios individuais: Bola de Bronze da Copa do Mundo (2006), Seleção da Copa do Mundo (2006), Melhor jogador da final da Copa do Mundo (2006), Seleção do ano Uefa (2012), Seleção do ano FIFPro (2006), Seleção da Eurocopa (2012), Melhor jogador do Europeu sub-21 (2000), Artilheiro do Europeu sub-21 (2000), Seleção do ano Serie A (2012 e 2013), Melhor jogador da Serie A (2012 e 2013), Prêmio Scirea à carreira (2013)

Não há dúvida de que classe e Andrea Pirlo são sinônimos. Poucos jogadores na história do futebol trataram a bola de forma tão íntima e gentil quanto o atual regista da Juventus. Passes precisos, lançamentos mágicos e cobranças de falta venenosas se aliam a grande senso tático e fintas de corpo na formação de um mais completos meio-campistas que o mundo já viu. A elegância e a magia de seu futebol lhe valem apelidos como Professor, Arquiteto e Mozart. Efetivamente, Pirlo joga como se estivesse de terno, degustando um vinho de sua vinícola enquanto ouve jazz. Ele pode até não se impressionar e manter a mesma expressão fácil blasée o tempo inteiro, mas todos se impressionam com o seu futebol. Menos a Inter, que no início de sua carreira, após emprestá-lo a Reggina e Brescia (clube que o formou), o envolveu numa esdrúxula troca com o Milan.

Por 10 anos, vestiu a camisa rossonera e ganhou praticamente tudo o que disputou – de fato, os únicos campeonatos jogados e não vencidos por Pirlo foram Eurocopa (vice), Jogos Olímpicos (bronze), Copa das Confederações (terceiro lugar) e Copa Uefa/Liga Europa (semifinais, duas vezes). Depois, passou à Juventus, tornando-se um dos 10 únicos jogadores que vestiram as camisas dos três gigantes italianos. Hoje, aos 35 anos, está atrás apenas de Sinisa Mihajlovic em número de gols marcados em cobranças de falta na Serie A (são 28 contra 25) e é o quarto atleta com mais jogos pela Itália. E, claro, ainda é referência na Juventus e na seleção italiana. Um jogador que afirma ter dormido e jogado Playstation antes de uma final de Copa do Mundo, na qual se sagrou campeão e ainda foi eleito o melhor em campo, seria exemplo a ser seguido por qualquer esportista.

16º - Paolo Rossi


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Juventus (1973-75 e 1981-85), Como (1975-76), Lanerossi Vicenza (1976-1979), Perugia (1979-80), Milan (1985-86) e Hellas Verona (1986-87) 
Seleção Italiana: 48 jogos, 20 gols.
Títulos: Serie B (1976-77), 2 Serie A (1981-82 e 1983-84), 1 Coppa Italia (1982-83), 1 Copa dos Campeões da Europa (1984-85), 1 Recopa Europeia (1983-84), 1 Copa do Mundo (1982)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1982), Melhor jogador da Copa do Mundo (1982), Artilheiro da Copa do Mundo (1982), Integrante da seleção da Copa do Mundo (1978 e 1982), Artilheiro da Copa dos Campeões (1982-83), Artilheiro da Serie A (1977-78), Artilheiro da Serie B (1976-77) e integrante da lista Fifa 100

Para os brasileiros, Paolo Rossi está marcado na história como um dos maiores carrascos da Seleção, ao lado de Alcides Ghiggia, Zinédine Zidane e do elenco alemão de 2014. Para os italianos, Rossi é mais do que isso. Atacante veloz e com faro de gol, Rossi sempre foi hábil com os pés e com a cabeça. Era oportunista, mas muito porque sabia se posicionar e jogar no erro dos adversários. Se antecipava às jogadas como poucos. E foi assim que surpreendeu não só o Brasil, mas também Polônia e Alemanha, sagrando-se artilheiro da Copa, campeão dela e ainda Bola de Ouro em 1982.

Antes disso, ele já havia sido convocado por Enzo Bearzot para a Copa do Mundo de 1978, na qual fez três gols e ajudou a Squadra Azzurra a chegar na quarta colocação, entrando na seleção do torneio. Rossi havia sido, ainda artilheiro pelo Vicenza na Serie B e em um improvável vice-campeonato, passado pelo Perugia, onde se envolveu no escândalo Totonero, que quase o tirou da Copa. Mesmo assim, a Juventus apostou nele e não se arrependeu. Após o Mundial de 82, Rossi continuou a brilhar na Juventus, onde continuou sendo um dos mais letais atacantes italianos da década de 80, marcando menos gols, mas sendo ainda brilhante, apesar dos três últimos e opacos anos de sua carreira.

15º - Silvio Piola


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Pro Vercelli (1929-34), Lazio (1934-43), Torino (1944), Juventus (1945-47) e Novara (1947-54)
Seleção italiana: 34 jogos, 30 gols
Títulos: Copa do Mundo (1938), Copa Internacional (1933-35) e Serie B (1947-48)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie B (1971-72), Artilheiro da Copa dos Alpes (1971) e Artilheiro da Serie A (1973-74)

Piola é o maior artilheiro da história do Campeonato Italiano, com 274 gols (mais 16 na primeira divisão, antes de o torneio ser em turno único). Só isso já bastaria para considerá-lo um dos maiores jogadores da história da Itália, mas o atacante não era daqueles que "apenas" empurrava a bola para as redes. Nas décadas de 1930 e 1940, Piola se tornou um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial e, na Itália, só rivalizava com craques do calibre de Giuseppe Meazza e Valentino Mazzola, outros ícones na posição. Era um atacante completo, e marcava gols de todas as formas, sem ter uma predileção específica pela arte de balançar as redes.

Ao longo de sua carreira, que durou incríveis 25 anos (números impressionantes se analisarmos o futebol atual e também o de antigamente), desfilou sua técnica nos gramados italianos, principalmente por Lazio e Novara. Tivessem havido Copas do Mundo na década de 40, talvez o atacante fosse mais reconhecido fora do país. Pela seleção, a qual capitaneou por sete anos, entre 1940 e 1947, tem uma ótima média de gols: com 30 tentos em 34 jogos, tem 0,88 gol/jogo, a melhor entre qualquer jogador italiano que tenha feito história com a Squadra Azzurra. Piola é, ainda, o terceiro maior artilheiro da Nazionale, atrás de Luigi Riva e Giuseppe Meazza.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Alfa Romeo (1938-39), Venezia (1939-42) e Torino (1942-49)
Seleção italiana: 12 jogos, 4 gols
Títulos: 5 Serie A (1943, 1946, 1947, 1948 e 1949) e 2 Coppa Italia (1941 e 1943)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1947), Artilheiro da Coppa Italia (1943) e inserido no Hall da Fama do futebol italiano

Valentino Mazzola foi um dos craques mais infelizes de toda a história do futebol. Começando pelo principal motivo: aos 30 anos, o fim de sua carreira e de sua vida, abreviadas no trágico desastre de Superga, que matou um dos maiores times da história, o Torino da década de 40. O triste acontecimento fez o futebol italiano ficar estagnado por anos em nível local e internacional. Antes, porém, Mazzola não teve a oportunidade de atuar em duas Copas do Mundo, as de 1942 (Alemanha) e 1946 (Brasil), que foram canceladas porque milhões de vidas eram ceifadas pela II Guerra Mundial. Além de ter tido pouca chance na seleção pela guerra, Mazzola também não disputou duas Serie A (canceladas pelo conflito) e se destacou em uma época em que não havia grandes torneios internacionais de clubes, o que diminuiu o seu reconhecimento em maior âmbito. Porém, todos os italianos sabem: Mazzola foi um dos maiores jogadores dos anos 1940 e um dos maiores atacantes não só da história do futebol italiano como do mundial. Para alguns, Mazzola foi até mesmo o maior jogador azzurro de todos os tempos.

É consenso de quem viu Mazzola em ação que ele era um jogador à frente de seu tempo, com grande habilidade e forma física bem acima da média – como bem mostra a foto que ilustra estes parágrafos. Enzo Bearzot, técnico do tri italiano, dizia: "Ele era um homem que podia carregar um time todo em suas costas”. Verdadeiro. No Torino que ele ajudou a engrandecer, ele marcava gols, mas criava para que Guglielmo Gabetto marcasse ainda mais. Com a chegada de Mazzola, em 1942, o Toro deu uma grande resposta à Juventus, que tinha sete títulos italianos – cinco deles conquistados de forma consecutiva, na década de 1930. A resposta veio com cinco scudetti em sequência, acirrando a briga (sete contra seis títulos). Mazzola anotou 29 gols em 1946-47, quando se sagrou artilheiro da competição, e ajudou o Torino na fantástica campanha do tetra, quando a equipe venceu o scudetto com 16 pontos de vantagem para o Milan, segundo colocado – na época, a vitória valia apenas dois pontos. Ao todo, Mazzola fez 123 gols em 195 jogos pela equipe e é, até hoje, lembrado pelos amantes do futebol.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Atalanta (1972-74) e Juventus (1974-88)
Seleção italiana: 78 jogos, 2 gols
Títulos: Copa do Mundo (1982), 7 Serie A (1974-75, 1976-77, 1977-78, 1980-81, 1981-82, 1983-84 e 1985-86), 2 Coppa Italia (1978-79 e 1982-83), Copa da Uefa (1976-77), Recopa Europeia (1983-84), Supercopa da Uefa (1984), Copa dos Campeões (1984-85) e Torneio Intercontinental (1985)
Prêmios individuais: integrante da Seleção da Euro-80 e integrante do Hall da fama do futebol italiano

Você deve ter lido aí em cima (e lerá mais à frente) sobre um tal de Prêmio Scirea. Pois é, o zagueiro que fez história pela Juventus e pela seleção italiana era um exemplo dentro e fora dos gramados e, por isso, uma premiação a jogadores de carreira indiscutível ganhou o seu nome. Apesar de sua posição, nunca recebeu um cartão vermelho, e por isso virou sinônimo de fair play, lealdade e integridade. Estivesse vivo, Scirea certamente seria uma voz de união no atribulado cenário dos bastidores do futebol italiano. 

Não bastasse a correção de seus atos, Scirea ainda era um craque de bola. Um dos maiores líberos da história do futebol, foi o líder de uma das melhores linha defensivas da história, na Juventus e na Itália: Zoff no gol, Gentile de um lado, Cabrini do outro e ele pelo centro. Meia de origem, começou na Atalanta e foi recuado, chegando à Juventus já como líbero e com senso de posicionamento e antecipação apuradíssimos, além de técnica refinada. Pela Velha Senhora, conquistou sete scudetti e uma Copa dos Campeões, e também chegou a ser o atleta que mais vestiu a camisa bianconera na história, até ser ultrapassado por Del Piero. Pela seleção, disputou três Mundiais (1978, 1982 e 1986), e foi um dos principais nomes na conquista do tricampeonato.

12º - Francesco Totti


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Roma (1993-hoje)
Seleção italiana: 58 jogos, 9 gols
Títulos: Copa do Mundo (2006), Serie A (2000-01), 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08), 2 Supercoppa (2001 e 2007), Europeu Sub-21 (1996)
Prêmios individuais: integrante da seleção nos Mundiais de 2002 e 2006; eleito para o All Star Team do Mundial-06 e da Eurocopa de 2000; melhor jogador da Serie A em 2000 e 2003; melhor jogador italiano da Serie A em 2000, 2001, 2003, 2004 e 2007; melhor jogador jovem da Serie A em 1999; artilheiro da Serie A em 2007; Chuteira de Ouro da Europa em 2007; prêmio Golden Foot em 2010; Prêmio Scirea em 2014

No Totti, no party. O lema dos torcedores da Roma cabe perfeitamente na nossa lista, uma vez que o Pupone marcou época no futebol. Com 38 anos, Totti continua firme e forte como titular do seu clube do coração, que nunca cogitou, de fato, deixar – nem mesmo quando entrou em atrito com diretores e técnicos. Do jogador que estreou em 1993, restam a classe, a visão de jogo, os toques imprevisíveis e o fortíssimo chute de fora da área. Mas Totti se reinventa a cada dia. Trequartista/segundo atacante no início da carreira, começou a jogar mais próximo do gol com Luciano Spalletti, em 2006, e aumentou bastante a sua média de gols. Nos últimos oito anos, marcou 110 vezes apenas na Serie A.

Ao todo, o capitão da Roma tem 235 gols (alguns deles, verdadeiras pérolas) e é o segundo colocado na classificatória geral, 39 gols abaixo de Piola. Considerando gols em todas as competições, é o sexto colocado, com 305 gols, abaixo de Piola (390), Del Piero (345), Meazza (338), Roberto Baggio (318) e Pippo Inzaghi (316). Interminável, Totti é o jogador com maior média do futebol italiano nos últimos 20 anos, segundo o jornal Gazzetta dello Sport. Tudo isso fez com que o craque, afastado da seleção desde 2006 e com idade já avançada, ainda tivesse convocação cogitada à seleção para a Copa de 2014. Seria a chance de se redimir de um dos poucos momentos de baixa na carreira. Apesar do tetracampeonato e de um vice na Euro, Totti nunca chegou a brilhar muito pela Nazionale. Voltando de lesão, foi coadjuvante no Mundial de 2006 e tem apenas 9 gols em 58 jogos vestindo azul – uma marca que não está de acordo com sua carreira de segundo maior goleador da Serie A. Nada, porém, que não o faça ser contestado por aqui e que lhe tire o posto de deus vivo em Roma.

11º - Alessandro Del Piero


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Padova (1991-93), Juventus (1993-2012), Sydney FC (2012-14) e Delhi Dynamos (2014-hoje)
Seleção italiana: 91 jogos, 27 gols
Títulos: Copa do Mundo (2006), 6 Serie A (1994-95, 1996-97, 1997-98, 2001-02, 2002-03 e 2011-12), Coppa Italia (1994-95), 4 Supercoppa Italia (1995, 1997, 2002 e 2003), Serie B (2006-07), Liga dos Campeões (1995-96), Torneio Intercontinental (1996), Supercopa da Uefa (1996), Copa Intertoto (1999), Copa Viareggio (1994) e Campeonato Primavera (1993-94)
Prêmios individuais: Golden Foot (2007), melhor jogador sub-21 da Europa (1996), melhor jogador do Torneio Intercontinental (1996), integrante do time do ano para a European Sports Magazine (1995-96, 1996-97 e 1997-98), melhor jogador da Serie A (1998 e 2008), artilheiro da Serie A (2007-08), artilheiro da Serie B (2006-07)

O maior jogador da história da Juventus, obviamente, também teria espaço na nossa lista. Os números de Del Piero pela Velha Senhora são irretocáveis: seis títulos da Serie A, quatro Supercopas, Liga dos Campeões, goleador máximo da história da Juventus (188 gols na elite, 290 ao todo), atleta que mais atuou com a camisa bianconera na história (790 jogos). Del Piero, um dos 10 maiores artilheiros da história e um dos jogadores que mais entraram em campo no Italiano, também é o único jogador italiano a marcar mais de dez gols em 16 temporadas. Só isso já bastaria para considerarmos Pinturicchio como um dos maiores de todos os tempos. Mas ele foi mais.

Considerado herdeiro de Baggio, Del Piero sempre demonstrou, de fato, características similares às do "professor", de quem aprendeu alguma coisa no tempo em que conviveram em Turim. Em primeiro lugar, pela excelente visão de jogo, capaz de deixar seus companheiros na cara do gol. Em segundo, pelos chutes de fora da área e magistrais cobranças de falta. Na Itália, um de seus modos preferidos de marcar gols virou verbete futebolístico: um gol "à Del Piero" é aquele em que um jogador acerta uma bola no ângulo oposto ao do chute, tirando a bola do goleiro com efeito. Pela seleção, marcou um dos mais importantes de seus gols dessa forma, e decretou a ida da Squadra Azzurra à final da Copa de 2006.

10º - Luigi Riva


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Legnano (1962-63) e Cagliari (1963-76)
Seleção italiana: 42 jogos, 35 gols
Títulos: Eurocopa (1968) e Serie A (1969-70)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1966-67, 1968-69 e 1969-70), artilheiro da Coppa Italia (1964-65, 1968-69 e 1972-73) e inserido no Hall da Fama do futebol italiano

Riva é, sem dúvida, o jogador que mais uniu os rivais dos grandes times italianos. Todo os torcedores desejavam tê-lo, mas nunca puderam. O atacante, craque de bola, defendeu apenas o minúsculo Legnano e o tradicional, mas pequeno, Cagliari, e foi fiel à camisa sarda até o final de sua carreira. Restava, então, torcer para Riva com a camisa da Itália. Definido por Garrincha como o melhor do mundo, após Pelé, em 1970, o atacante canhoto fez história e chegou a ser apelidado de "Estrondo de Trovão".

Atuando em uma equipe longe dos grandes holofotes, Riva conseguiu se impor. Foi três vezes artilheiro da Serie A e chegou à seleção cedo, aos 21 anos. Pelo Cagliari, escreveu seu nome como líder da campanha do único scudetto sardo, em 1970, e ainda se colocou entre os 20 maiores artilheiros do Campeonato Italiano, com 156 gols anotados. Pela Nazionale, a média de gols é altíssima: são 35 gols em 42 jogos, o que fazem de Gigi Riva o maior artilheiro da história azzurra até hoje. Por todos os feitos, Riva ainda foi o segundo colocado na Bola de Ouro, em 1969, e o terceiro, um ano depois. Ao todo, marcou 207 gols na carreira, apenas dois deles com o pé direito. A grande ligação com o manto azul da seleção foi continuada mesmo após o final da carreira: entre 1990 e 2013 ele foi o gerente da equipe.

9º - Dino Zoff


Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Udinese (1961-63), Mantova (1963-67), Napoli (1967-72) e Juventus (1972-83)
Seleção italiana: 112 jogos, 84 gols sofridos
Títulos: Copa do Mundo (1982), 6 Serie A (1972-73, 1974-75, 1976-77, 1977-78, 1980-81 e 1981-82), 2 Coppa Italia (1978-79 e 1982-83), Copa da Uefa (1976-77), Eurocopa (1968) e Jogos do Mediterrâneo (1963)
Prêmios individuais: melhor goleiro da Eurocopa de 1980, integrante da seleção do Mundial-82 e integrante do Hall da Fama do futebol italiano

A Itália sempre teve uma das principais escolas de goleiros do mundo. Em nossa listagem, 11 escolhidos são goleiros. E um deles já chegou a ser considerado o melhor em atividade no planeta. Ainda hoje, muitos consideram que Zoff foi o melhor goleiro da história. Pudera, apesar de baixo (apenas 1,82m), era ágil, tinha todos os fundamentos de um goleiro bem trabalhado e era um líder em campo. Formou, com Cabrini, Scirea e Gentile, uma das principais linhas defensivas do futebol, na seleção e na Juventus. Em tempos (boa parte de sua carreira) em que os arqueiros nem usavam luvas, a habilidade do goleiro em fazer defesas e sua coragem impressionava.

Zoff foi como um vinho. Nos primeiros anos de sua carreira não era tido como um goleiro espetacular, apesar da regularidade por Udinese e Mantova. Sua última partida pelos mantovanos serviu para tirar o scudetto da Grande Inter, um prenúncio do que estava por vir: ele jogara por Napoli e Juventus, dois dos maiores rivais dos nerazzurri. Foi em Nápoles que sua carreira começou a decolar, com briga por títulos e convocações à seleção. Zoff acabou titular nas partidas que deram a única Eurocopa da Itália, mas foi apenas após o vice na Copa de 1970 que Zoff começou a ganhar mais espaço na Nazionale, e apenas quando chegou à Juve, aos 30 anos, que se tornou titular indiscutível. Por onze anos, na seleção e no clube, virou mito, sendo destaque na conquista de uma série de títulos dos bianconeri e no tricampeonato da Itália. Até hoje, mantém o 2º maior recorde de invencibilidade de um goleiro na Serie A: 903 minutos sem sofrer gols, atrás de Sebastiano Rossi (Milan, 929). Contudo, nenhum goleiro passou mais tempo sem sofrer gols pela Squadra Azzurra: 1142 minutos, entre 1972 e 1974. Nesse período, ainda ficou em segundo lugar na votação da Bola de Ouro, em 1973.



Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Parma (1995-2001) e Juventus (2001-hoje)
Seleção italiana: 143 jogos, 117 gols sofridos
Títulos: Copa do Mundo (2006), 5 Serie A (2001-02, 2002-03, 2011-12, 2012-13 e 2013-14), 5 Supercopas Italianas (1998, 2002, 2003, 2012 e 2013), Serie B (2006-07), Coppa Italia (1998-99), Jogos do Mediterrâneo (1997), Europeu sub-21 (1996) e Copa Uefa (1998-99)
Prêmios individuais: Troféu Bravo (1999), melhor goleiro da Serie A (1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2008), melhor goleiro para a Uefa (2003), jogador do ano Uefa (2003), integrante da equipe do ano Uefa (2003, 2004 e 2006), Prêmio Yashin (2006), integrante do All-Star Team do Mundial-06 e Euro-2012

Apenas um goleiro teve tanta ou – para alguns – mais notoriedade que Zoff no futebol italiano. E ele se chama Gianluigi Buffon, sinônimo de defesas sensacionais em chutes altos ou rasteiros, ótimo posicionamento, reflexos e coragem. Ao contrário de Zoff, Buffon já começou a carreira badalado. Com apenas 17 anos, estreou pelo Parma, e virou titular logo no ano seguinte. Quis o destino que o primeiro gol sofrido por Buffon como profissional fosse contra a Juventus, clube em que se tornaria ídolo. E, também cedo, na Juve se tornou o melhor goleiro do mundo – e segundo colocado na Bola de Ouro em 2006. Na Velha Senhora, ganhou ainda mais respeito por ter jogado a Serie B, em 2006-07, logo após ter sido campeão do mundo.

Máquina de ganhar títulos, Buffon virou Superman, e por muito superou Lorenzo Buffon, primo de segundo grau do seu avô, como o melhor goleiro da família. Gigi se tornou titular da Squadra Azzurra com apenas 20 anos e desde então acumula 143 presenças, feito que nenhum outro jogador italiano atingiu. Apesar de multicampeão, Buffon não contou com a sorte em outros torneios disputados com a Nazionale, pelos quais não jogou (Euro 2000) ou teve participação limitada (Mundiais de 2010 e 2014) por lesões. Nos últimos anos, apesar de lesões e algumas falhas, só foi questionado por quem é realmente muito corneteiro. Porque, quem é capaz de fazer defesas como estas (veja vídeo aqui), nunca perderia sua majestade.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Inter (1960-77)
Seleção italiana: 70 jogos, 22 gols
Títulos: Mundial Interclubes (2; 1964 e 1965), Copa dos Campeões (2; 1963-64 e 1964-65), Serie A (4; 1962-63, 1963-64, 1965-66 e 1970-71) e Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: nenhum

Um filho da arte, como se diz na Itália, Alessandro "Sandro" Mazzola é filho de outro craque: Valentino, que também está na nossa listagem. Porém, superou o pai e foi um craque ainda maior. Ele viveu sua vida toda dedicada à Inter e, claro, à seleção italiana. Em 18 anos no clube nerazzurro, ele se transformou em um dos maiores nomes da história azul e preta e também de todo o futebol italiano. Atuando como meia ou ala aberto pela direita, mostrava muita velocidade e habilidade, úteis para os contra-ataques clássicos da Grande Inter. Também era conhecido pelo ótimo poder de finalização. Em 565 jogos pelo clube, marcou 160 gols e se fixou como o quarto maior artilheiro da história azul e preta, atrás de Meazza, Altobelli e Boninsegna.

Mazzola ainda tinha relação especial com grandes jogos. Decidiu a final da Copa dos Campeões de 1964 e, em sua estreia em um dérbi contra o Milan, fez gol com apenas 13 segundos de jogo. Em 1970, depois de ser campeão europeu pela Itália, disputou Copa do Mundo revezando a titularidade com o milanista Gianni Rivera, e no ano seguinte foi eleito o segundo melhor jogador do mundo, atrás de Johan Cruijff. Pela seleção, Mazzola ganhou a única Eurocopa da Itália e realizou 70 partidas – no momento de sua aposentadoria, era o segundo jogador com mais presenças pela Azzurra.



Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Alessandria (1958-60) e Milan (1960-79)
Seleção italiana: 60 jogos, 14 gols
Títulos: 3 Serie A (1961-62, 1967-68 e 1978-79), 4 Coppa Italia (1966-67, 1971-72, 1972-73 e 1976-77), 2 Copas dos Campeões (1962-63 e 1968-69), 2 Copa das Copas (1967-68 e 1972-73), 1 Copa Intercontinental (1969), 1 Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1969), artilheiro da Serie A (1972-73), artilheiro da Coppa Italia (1966-67 e 1970-71), inserido na lista Fifa 100 e no Hall da Fama do futebol italiano

Gianni Rivera, o "Golden Boy". Um fantasista no melhor sentido da palavra, talvez o trequartista mais impactante e genial que o futebol italiano já viu. Comparado a Meazza e Schiaffino, saiu do modesto Alessandria com apenas 16 anos, após ótima Serie A, e desfilou sua classe pelo Milan por quase 20 anos, de 1960 a 1979. Nesse período, disputou 658 jogos, fez 164 gols e ganhou 12 títulos. Dono da camisa 10 por quase duas décadas, teve o auge sob o comando de Nereo Rocco e o catenaccio, sendo o principal organizador e cabeça pensante de um time que fechava tudo atrás e abria espaços para o craque aparecer com passes precisos, jogadas incríveis, dribles e poder de decisão.

Foi um dos grandes jogadores do futebol mundial nos anos 60 e 70, sendo vice na Bola de Ouro em 1963, e conquistando-a em 1969. Rivera foi o principal nome que levou o Milan a iniciar a projeção mundial que tem hoje. Pela seleção, ele não teve tanta sorte. Disputou quatro Mundiais e uma Eurocopa (vice na Copa de 1970 e campeão da Euro em 1968), mas viveu momentos turbulentos com o técnico Edmondo Fabbri, que o utilizava pouco. Com Ferruccio Valcareggi, seu sucessor, revezava a titularidade com Mazzola, e apesar de ter se destacado na "Partida do Século", marcando o gol que decidiu a semifinal de 1970 contra a Alemanha Ocidental (remediando uma falha, no 3-3 germânico), ficou no banco na final, entrando somente nos minutos finais.



Posição: lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Inter (1960-78)
Seleção italiana: 94 jogos, 3 gols
Títulos: Mundial Interclubes (2; 1964 e 1965), Copa dos Campeões (2; 1963-64 e 1964-65), Serie A (4; 1962-63, 1963-64, 1965-66 e 1970-71), Coppa Italia (1977-78) e Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: Prêmio Presidencial Fifa (2006) e Integrante da lista Fifa 100

Giacinto Facchetti foi um dos principais laterais esquerdos da história do futebol. O jogador, que atuou apenas na Inter, viveu o clube em quase todas as suas facetas. Foi jogador, capitão, diretor e até mesmo presidente do clube – o último cargo, de 2004 a 2006, quando faleceu. Tanta identificação com as cores interistas fez com que sua a camisa 3 fosse aposentada pelo clube. Apenas Javier Zanetti, anos depois, receberia a mesma homenagem. Em 1965, quase abocanhou a Bola de Ouro, mas ficou apenas oito pontos atrás de Eusébio, outra lenda do futebol mundial.

Apesar de muito alto (1,94m), Facchetti foi um dos jogadores mais dinâmicos do catenaccio de Helenio Herrera, e atuava pela esquerda, com grande possibilidade de atacar, enquanto Burgnich e Picchi ficavam mais atrás. Isso foi inovador para a época, e Facchetti é lembrado por isso até hoje. Sua velocidade também não pode ser esquecida – ele chegou até mesmo a ser campeão em 100 metros rasos quando era adolescente. Ele também é recordado como o defensor com maior número de gols na Serie A: foram 60 em 18 anos, dez deles apenas na temporada 1965-66. Com a camisa da seleção italiana, Facchetti também fez história, dominando a faixa esquerda da defesa sem ser questionado por longos 14 anos, onze dos quais como capitão (70 dos seus 94 jogos), em campanhas fortes da Itália, como na Eurocopa de 1968 e na Copa de 1970. Já falecido, é um dos nomes mais pesados de toda a história azzurra.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Milan (1977-97)
Seleção italiana: 81 jogos, 1 gol
Títulos: 6 Serie A (1978-79, 1987-88, 1991-92, 1992-93, 1993-94 e 1995-96), 2 Serie B (1980-81 e 1982-83), 4 Supercopas Italianas (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copa dos Campeões/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90 e 1993-94), 3 Supercopas Europeias (1989, 1990 e 1994), 1 Copa Mitropa (1981-82), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990), 1 Copa do Mundo (1982)
Prêmios individuais: artilheiro da Coppa Italia (1989-90), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (1992), Inserido na lista Fifa 100 e no Hall da fama do futebol italiano

Pergunte a quem gosta de futebol e acompanhou futebol nos últimos 30 anos um nome para escalar na defesa em um time formado pelos maiores da história. Boa parte dos entrevistados responderá, sem pestanejar: Franco Baresi. Um dos maiores líberos da história do futebol, ao lado de Franz Beckenbauer e Gaetano Scirea, Baresi superou a baixa estatura (1,76m) e o físico franzino no início de carreira para se tornar um verdadeiro monstro na posição. Em sua carreira, só vestiu o vermelho e preto do Milan e o azul da Itália. Com qualquer uma das camisas, sempre demonstrou uma leitura de jogo fantástica, com um senso de antecipação e poder de recuperação muito acima da média. Um gênio tático, que tudo enxergava em campo e cobria com perfeição. Ainda tinha um dos desarmes mais duros de sua época como jogador.

Baresi se tornou capitão do Milan com apenas 22 anos. Com a mesma idade, foi tricampeão mundial em 1982, mesmo sem entrar em campo – era reserva de Scirea na Nazionale. Viveu seu auge com Arrigo Sacchi, que o treinou no maior Milan da história e também na seleção italiana, entre 1991 e 1994 – era capitão em ambos os times, e na seleção assumiu a braçadeira após o afastamento de Bergomi. Um verdadeiro líder, também gerenciava boa parte das ações inovadoras do sistema de Sacchi com os "achiques" – linha de impedimento que pegava boa parte dos ataques adversários.  O "senhor Milan" fez 719 partidas e conquistou 21 títulos pelo clube em 20 anos, foi segundo colocado na Bola de Ouro de 1989 e teve a camisa 6 aposentada pelos rossoneri. Com a Itália, além do título em 1982, participou das Copas de 1990 e 1994 (saltou 1986 porque Enzo Bearzot o considerava meio-campista), e conquistou um terceiro lugar e um vice-campeonato. No Mundial dos Estados Unidos, o capitão operou o menisco após a segunda partida, contra a Noruega, e voltou a tempo de realizar uma partida suntuosa na final contra o Brasil – veja seus lances aqui. Depois de sofrer com cãibras, perdeu um pênalti, mas sua história maiúscula no futebol já estava escrita.



Posição: zagueiro e lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Milan (1984-2009)
Seleção italiana: 126 jogos, 7 gols
Títulos: 7 Serie A (1987-88, 1991-92, 1992-93, 1993-94, 1995-96, 1998-99 e 2003-04), 1 Coppa Italia (2002-03), 5 Supercoppa Italiana (1988, 1992, 1993, 1994 e 2004), 5 Copa Europeia/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90, 1993-94, 2002-03 e 2006-07), 5 Supercopa Europeia (1989, 1990, 1994, 2003 e 2007) e 3 Copa Intercontinental/Mundial de Clubes (1989, 1990 e 2007)
Prêmios individuais: Inserido na lista Fifa 100, Jogador do ano World Soccer (1994), Seleção do ano European Sports Media (1994-95, 1995-96, 1999-2000 e 2002-03), Time dos sonhos FIFPro (2005), Melhor zagueiro da Serie A (2004), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (2002), Time do ano Uefa (2003 e 2005), Melhor zagueiro da Uefa (2007), Prêmio Giacinto Facchetti (2008), Prêmio Uefa à carreira (2009), Dream Team das Copas do Mundo (2002), Ordem ao mérito Fifa (2008), Inserido no Hall da fama do futebol italiano, Terceiro colocado na Bola de Ouro (1994 e 2003)

Se você fizer o teste que mencionamos assim com Baresi, pode ter certeza: Paolo Maldini também será escolhido pela maior parte dos entrevistados. Outro mito do futebol, Maldini tem uma carreira que se confunde com a de Baresi: foram colegas de clube por 15 anos e formaram, no Milan e na seleção, uma dupla de muito, mas muito respeito. Maldini tem a lateral esquerda como origem, mas nunca teve problemas em atuar no centro da defesa. Em ambas as posições, foi um dos melhores da história: versátil, técnico, forte e inteligente, com boa velocidade, classe e marcação implacável. Jogou, como Baresi, contra alguns dos melhores atacantes do mundo, e boa parte deles os definem como os marcadores mais eficientes que enfrentaram. Construiu uma respeitável e inigualável carreira como um dos maiores defensores da história e virou sinônimo de Milan e futebol italiano no mundo inteiro.

Com apenas 17 anos já era o dono da lateral esquerda e da mítica camisa 3 rossonera, que a partir de 1985 passaria a ser só sua – está aposentada até outro Maldini entrar em campo pelo clube. Acumulou taças e também recordes, algo que fazem os bronzes na Bola de Ouro, em 1994 e 2003, parecerem detalhes. Pelo Milan, foram incríveis 902 jogos realizados e 26 títulos conquistados em absurdos 25 anos de carreira como profissional. Maldini ainda é, e dificilmente deixará de ser, o jogador com mais partidas e taças pelo Diavolo. E o recordista de jogos na história da Serie A, com 647 partidas, e em competições Uefa, com 174 jogos. Pela Itália, que defendeu entre 1988 e 2002, é o terceiro na classificação com mais jogos – são 127, atrás de Cannavaro e Buffon – e o segundo com mais presenças como capitão. Usou a braçadeira por oito anos, entre 1994 e 2002, e tem cinco jogos a menos do que Cannavaro (79 a 74). Maldini disputou quatro Copas do Mundo como titular e detém o recorde de minutos jogados na competição (2216). É, também, o segundo jogador com mais partidas realizadas em mundiais: 23 contra 25, de Lothar Matthäus. Poderia até superá-los, já que jogou em alto nível até 2009, quando decidiu parar, com quase 41 anos.

2º - Giuseppe Meazza


Posição: meia e atacante
Clubes em que atuou: Inter (1926-40 e 1946-47), Milan (1940-42), Juventus (1943), Varese (1944) e Atalanta (1945-46)
Seleção italiana: 
Títulos: 2 Serie A (1929-30, 1937-38), 1 Coppa Italia (1939), 2 Copas do Mundo (1934, 1938) e 2 Copas Internacionais (1927-30 e 1933-35)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (3; 1929-30, 1935-36 e 1937-38), Artilheiro da Copa da Europa Central (3; 1930, 1933 e 1936) e Integrante do Hall da Fama do futebol italiano

Para os especialistas em futebol, Meazza foi um dos principais jogadores europeus e do mundo dos anos 30 – senão o maior. Muitos deles também consideram-no o maior jogador italiano da história. Driblador e finalizador nato, Meazza atuava como atacante ou meio-campista e era tão habilidoso que um gol em jogada individual, no qual um atleta faz fila, tira do goleiro e marca, entrando no gol com bola e tudo, até hoje, na Itália, é chamado de "gol à Meazza". O atacante foi bicampeão do mundo pela Itália, sendo o grande jogador da equipe nas duas Copas que disputou, e, fez gol até segurando as calças e as cuecas com uma mão só – contra o Brasil, na semifinal de 1938, um gol decisivo, de pênalti. Meazza, com uma doppietta, ainda decidiu um famosíssimo jogo contra a Inglaterra, em 1934, conhecido como "A Batalha de Highbury". Com 33 gols pela Squadra Azzurra, ele só foi superado por Luigi Riva, 40 anos depois, como maior goleador da Nazionale.

Meazza é um dos 10 atletas que em toda a história vestiram as camisas de Inter, Milan e Juventus. No entanto, o jogador passou quase toda a sua carreira e melhores momentos na Inter, time que defendeu por 15 anos. Em uma época em que não havia grandes torneios internacionais de clubes, ganhou três scudetti pela Inter – poderiam ser mais, não fosse uma Juventus papa-títulos nos anos 30, o chamado Quinquênio de Ouro da Velha Senhora. Autor de 245 gols em 398 jogos, Meazza é o maior artilheiro da história da Internazionale. Meazza, baixinho e franzino, se destacava também pela vaidade e por ser bon vivant. Uma espécie de Romário misturado com Cristiano Ronaldo, apesar das farras fora de campo e dos cabelos bem arrumados, sempre correspondia nos jogos. E, pela carreira brilhante, um ano após sua morte, em 1979, o estádio San Siro foi rebatizado com o seu nome.

1º - Roberto Baggio


Posição: Meia-atacante
Clubes em que atuou: Vicenza (1982-85), Fiorentina (1985-90), Juventus (1990-95), Milan (1995-97), Bologna (1997-98), Inter (1998-2000), Brescia (2000-04)
Seleção italiana: 56 jogos, 27 gols
Títulos: 2 Serie A (1995 e 1996), 1 Coppa Italia (1995), 1 Copa da Uefa (1993)
Prêmios individuais: Melhor jogador do mundo Fifa (1993), Bola de Ouro (1993), Time da Copa do Mundo (1994), Dream Team das Copas do Mundo (2002), Prêmio Scirea à carreira (2001), Guerin de Ouro (2001), Troféu Bravo (1990), melhor jogador da Serie C1 (1985), Inserido na lista Fifa 100 e no Hall da Fama do futebol italiano

Em nossa eleição dos maiores jogadores da história dos sete grandes times italianos, Baggio aparece apenas duas vezes: 2º colocado na Fiorentina e 11º na Juventus. Por que, então, o elegemos como o maior jogador italiano da história? Nenhum jogador aparece tanto no imaginário das pessoas quando o assunto é craque italiano. Baggio sempre foi pura fantasia e um deleite para os olhos. Nenhum futebolista do país teve um repertório tão vasto quanto Robi. Ambidestro, fazia gols de todas as formas, driblava facilmente os adversários e os deixava comendo grama com a sua velocidade e controle de bola. Com pés precisos, era ótimo não só para iniciar jogadas como para finalizá-las. E ainda cobrava faltas e acertava chutes de longa distância com perfeição. Um gênio. Gênio indomável. Por onde passou, sempre dividiu opiniões. Brigou com quase todos os treinadores que teve na carreira, acusado de ajudar pouco o time, e diversas vezes foi relegado ao banco de reservas ou deixado de lado em convocações da seleção italiana – o que explica o baixo número de jogos pela Squadra Azzurra; apenas 56.

Ainda assim, é o maior artilheiro italiano em Copas do Mundo (nove gols, assim como Paolo Rossi e Vieri), além do único a marcar em três edições diferentes – todas em que atuou: 1990, 1994 e 1998. Poderia ter jogado em 2002, mas Trapattoni preferiu não levá-lo, alegando questões físicas – seus joelhos foram duros com sua carreira, e muitas vezes o fizeram se afastar dos campos. Se alguém só lembra de Baggio por causa do pênalti perdido na final de 1994, contra o Brasil, é bom lembrar: pela seleção, este foi o único penal desperdiçado por ele – um rigorista de respeito, que realizou 108 das 122 cobranças na carreira. Baggio nunca foi artilheiro da Serie A, mas anotou 205 gols – é o sexto na classificação geral. Ao todo, na carreira, fez 318 gols. Ganhou poucos títulos e só foi mesmo adorado em Fiorentina, Juventus – auge de sua carreira, quando levou uma Bola de Ouro e uma de prata – e no Brescia, onde teve a camisa aposentada. Nos outros clubes, não passou muito tempo, mas sempre será lembrado como um jogador espetacular. E como o maior futebolista italiano da história.