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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Regras não escritas

Sem chance: Buffon apenas observa o chute de Kasami que deu a vitória ao Olympiacos (Foto: Pegaso)
Talvez você não saiba, mas existem algumas regras não escritas no Manual de Futebol da Juventus em Competições Europeias. Fase de grupos ou eliminatória, não importa: a Juve vai fazer um péssimo primeiro tempo, vai jogar a vida no segundo e os goleiros adversários serão os melhores atletas da partida. Na Grécia, o time bianconero deu 18 chutes, Roberto pegou tudo e o Olympiacos venceu por 1 a 0.

Em 13 minutos de jogo, Buffon fez quatro defesas. Ele nada pode fazer na finalização de Kasami, ex-Palermo. Morata, Pogba, Vidal, Marchisio, Tévez. Todos tentaram na etapa final. Todos pararam em Roberto, que fazia intervenções atrás de intervenções para salvar uma vitória do Olympiacos. A partida no Georgios Karaiskakis marcou a quinta derrota em seis partidas da Juve longe da sua arena em competições continentais. 

O que ficou evidente no confronto diante os gregos foram duas coisas: o funcionamento dos jogadores alas e Pirlo. Lichtsteiner e Asamoah fizeram partida bem aquém das expectativas - exceto no primeiro tempo, quando todos os jogadores estavam tomando um café ou fazendo outra atividade além de jogar futebol. Independentemente da tática escolhida por Max Allegri, seja 3-5-2, 4-3-1-2 ou 4-3-3, os bianconeri são inteiramente dependentes das alas. A eficiência ofensiva passa pelos pés de Lichtsteiner e Asamoah (ou Evra).

Pirlo, por sua vez, não fez uma boa partida desde que retornou de lesão. Contra o Olympiacos, errou mais passes que de costume, falhou no lance que decretou o resultado final do jogo e saiu no segundo tempo após errar bizarramente a enésima cobrança de falta no jogo. Parte da mídia italiana começou a especular que o regista tem jogado mal como uma forma de punir o técnico que o dispensou do Milan.

A mesma perda de momento atingiu, também, Arturo Vidal. Ele continua correndo uma barbaridade, porém, está longe de ser aquele meio-campista sensação do futebol europeu na temporada passada - Llorente é outro que procura, mas não acha o bom futebol. Por outro lado, apesar de tudo, Morata ganhou moral com Allegri e pode começar o jogo de domingo contra o Palermo.

A situação da Juventus na Liga dos Campeões ainda não é preocupante. Na 3ª colocação do Grupo A, com três pontos, a equipe volta a encarar o Olympiacos e Atlético de Madrid, vice-líder, em Turim; único jogo fora da Itália será contra o Malmö (último colocado, porém, com a mesma quantidade de pontos) 

O ex-técnico Arrigo Sacchi, comentarista da emissora Mediaset Premium, afirmou após o jogo que as equipes italianas ainda jogam como há 40, 50 anos. Além disso, ele declarou que o que importa para a maioria dos italianos é vencer rivais históricos ou vê-los perder; melhorar o futebol nacional é deixado de lado. Duras, as críticas?

Liga dos Campeões, 3ª rodada
Olympiacos 1-0 Juventus

Olympiacos: Roberto, Elabdellaoui, Botía, Abidal e Masuaku; Mariatis, Ndinga, Milivojevic e Kasami (90' Giannoulis); Domínguez (85' Fuster); Mitroglou (69' Afellay). T: Míchel

Juventus: Buffon, Ogbonna (77' Pereyra), Bonucci e Chiellini; Lichtsteiner, Vidal, Pirlo (57' Marchisio), Pogba (87' Giovinco) e Asamoah; Tévez e Morata. T: Massimiliano Alegri

Gol: 35' Kasami

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Aula alemã, parte 2

Pela segunda vez na temporada, alemães aplicam 7 x 1 em tradicional escola do futebol mundial. Vítima desta terça-feira foi a Roma, em casa, pela Liga dos Campeões; pelo menos equipe ainda depende só de si para classificar

Que Brasil e Itália têm muito em comum todo mundo sabe. Povo extravagante, desigualdade social, corrupção... e um futebol que vive do passado. Mas quem poderia imaginar que um 7 x 1 humilhante, também contra alemães, entraria para a lista de semelhanças entre as duas nações? Pois aconteceu. Em casa (!), para 70.544 torcedores verem, a Roma sucumbiu diante do Bayern de Munique, nessa terça-feira, e repetiu o vexame sofrido pelo Brasil na Copa do Mundo. Uma derrota que, certamente, não é só dos romanistas. Quando o time de melhor futebol do país na temporada leva uma goleada dessas, o buraco é mais embaixo. O 7 x 1 é um resultado que abre uma ferida e coloca em xeque (mais uma vez) todo o futebol italiano, que se apequenou em nível continental nos últimos anos.

Os problemas são muito parecidos com os do Brasil: política conturbada nos clubes e na Federação, falta de renovação técnica, má formação e uso da base, gestões atrapalhadas, entre outros. E, para piorar, a reabertura da discussão não deve acontecer, como foi com os brasileiros. A mesma Roma já tomou de 7 x 1 na Liga dos Campeões, em 2007, contra o Manchester United, e preferiu empurrar o vexame para baixo do tapete. O técnico Rudi Garcia, pelo menos, começou bem - melhor que Felipão - o pós-desastre. Em coltiva, ele admitiu que errou ao montar o time. Não falou em apagão e disse que deveria ter entrado com o time muito mais fechado para enfrentar o poderoso Bayern. 

Garcia também errou ao não mudar o time logo. Aos 30 minutos, o placar já marcava 4 a 0 para os alemães e a Roma continuava a mesma em campo. Qualquer mudança nesses momentos é bem vinda, para tentar reanimar a equipe. Ashley Cole não poderia continuar em campo de jeito nenhum. Arjen Robben deitou e rolou em cima do veterano lateral-esquerdo. O holandês fez dois gols, deu 100 toques na bola - sem ser desarmado quase nunca -, completou 65 dos 69 passes que tentou, cruzou duas vezes e criou seis chances claras de gol. 

Xabi Alonso (que partida!), Lahm e Gotze faziam a bola rodar com velocidade. Totti apenas assistiu ao massacre, de longe, e pouco tocou na redonda. A primeira etapa terminou com um castigante 5 x 0 no placar. Na volta do intervalo, claro, os visitantes diminuíram o ritmo e a Roma até alcançou seu gol de honra, com Gervinho, completando cruzamento de cabeça. Mas Ribery e Shaqiri ainda fizeram mais dois antes do fim para dar números finais (e impressionantes) ao jogo. 

Hora certa
Como os brasileiros já perceberam, uma derrota dessas - apesar de dolorosa - não é apocalíptica. A Seleção Brasileira não deixou de existir, nenhum torcedor morreu de desgosto e o escrete nacional já até conseguiu vencer a Argentina de Messi, depois daquele histórico 7 x 1. Para a Roma, os prejuízos devem ser ainda menores. Os giallorossi perderam na hora que podiam. Uma derrota contra o Bayern já era esperada e não deve afetar muito o objetivo da equipe de passar às oitavas de final. 

Isso porque o Manchester City - que acumula mais romadas do que a própria Roma na Champions - tropeçou de novo e a segunda colocação continua na mão dos italianos. Ou seja, os giallorossi dependem apenas de si para se classificar à próxima fase. Apesar da goleada desta terça, a equipe tem apresentado o segundo melhor futebol do grupo e tem sim condições de se classificar. Basta não deixar o psicológico afetar tanto. A notícia ruim é que o próximo jogo já é contra o Bayern de novo, dessa vez na Alemanha, no dia 5 de novembro. Esse duelo promete.

FICHA DO JOGO
Roma
De Sanctis; Torosidis, Manolas, Yanga-Mbiwa, Cole (Holebas); Nainggolan, De Rossi, Pjanic; Gervinho, Totti (Florenzi), Iturbe.
Técnico: Rudi Garcia

Bayern de Munique
Neuer; Bernat, Jerome Boateng, Benatia, Alaba; Lahm, Xabi Alonso; Robben, Muller (Rafinha), Goetze (Shaqiri); Lewandowski (Ribery).
Técnico: Pep Guardiola

Gols: Robben, aos 9 do 1º tempo; Goetze, aos 23; Lewandowski, aos 25; Robben, aos 30; Müller, de pênalti, aos 35 do 1º tempo; Gervinho, aos 20 do 2º tempo; Ribery, aos 34; e Shaqiri, aos 35 do 2º tempo.
Amarelos: Iturbe, Torosidis e Nainggolan; e Bernat.
Árbitro: Erikssen (Suécia)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

7ª rodada: Corrida a dois

Sassuolo segurou a Juventus e fez a festa da Roma, que volta a encostar na líder (Repubblica)
A temporada mal começou, mas apenas Juventus e Roma parecem credenciadas à disputa do scudetto. Nesta rodada, a Juventus tropeçou e permitiu que a Roma se reaproximasse, mas a distânca para o restante das equipes aumentou. Afinal, as demais concorrentes da Velha Senhora e da Loba capitolina oscilam demais. Vejam, por exemplo, Fiorentina e Inter sofrendo para ficar no meio da tabela, ou o Napoli, que não dá garantias à sua torcida. A Lazio, após início ruim, vem melhorando, mas ainda patina em momentos importantes das partidas. Sampdoria e Udinese, de bom início de temporada, têm suas limitações, e obviamente não pensam em scudetto. O Milan, de Inzaghi, até o momento, é a equipe mais credenciada ao terceiro posto, pois propõe futebol ofensivo – marca e gols na mesma proporção, o que pode ser problemático a longo prazo. Tudo isso reforça que esta edição da Serie A deve viver a mesma dicotomia do ano anterior. Acompanhe o resumo da 7ª rodada.

Sassuolo 1-1 Juventus
No duelo da líder contra o lanterna, a zebra - quem diria - cruzou o caminho da Juventus. Foram seis rodadas sem um tropeço sequer da Velha Senhora (18 pontos disputados e 18 conquistados), antes que o pequeno Sassuolo aparecesse para atrapalhar, pela primeira vez no campeonato, a caminhada determinada da Juve rumo ao tetracampeonato. Em casa, o time de Di Francesco conseguiu segurar um empate heróico e somou mais um ponto na classificação (agora são quatro), deixando a última posição na tabela. A Juve, por sua vez, perdeu os 100% de aproveitamento e permitiu reaproximação da vice-líder Roma, que venceu o Chievo – o time romano já chegou aos 18 pontos, apenas um abaixo da equipe de Turim.

O atacante Zaza foi quem abriu o placar, logo aos 13 minutos de jogo: primeiro, ele chutou forte em bola tocada dentro da área, mas viu Bonucci tirar em cima da linha. Na sequência do lance, teve outra chance e não desperdiçou, chutando forte no ângulo de Buffon. A Juve não demorou para empatar. Aos 19, Pogba acertou belo chute cruzado da entrada da área e fez 1 a 1. Nos outros 70 minutos de jogo, a Juve pressionou pela virada, mas, em tarde muito pouco criativa, esbarrou nas boas defesas de Consigli. Agora, a Velha Senhora se prepara para encarar o Olympiacos, quarta-feira, pela Liga dos Campeões. (Rodrigo Antonelli)

Roma 3-0 Chievo
O técnico Rudi Garcia deu folga para Gervinho e Florenzi por conta da partida diante o Bayern de Munique, pela Liga dos Campeões. Dificuldade para a Roma? De forma nenhuma: os giallorossi definiram o resultado final em 30 minutos, com o primeiro gol aos 4. Pjanic chutou cruzado e Destro deu um peixinho para completar à rede. Depois do próprio Destro falhar na conclusão, em lance posterior, o Chievo entrou no jogo. A equipe da casa pressionou e... sofreu contra-ataque mortal. Totti achou Ljajic atrás da defesa, e o atacante bateu no ângulo, sem chances para Bardi.

A partida foi definida com gol de pênalti de Totti. Dainelli puxou o capitão da Roma pelo pescoço, dentro da área, e o atacante converteu com categoria. Foi o 64º tento da marca da cal de Totti. Durante o segundo tempo, a equipe da casa permaneceu melhor e só não marcou mais gols porque Bardi fechou a baliza em duas boas oportunidades de Destro. A derrota manteve o Chievo na zona de rebaixamento e confirmou a queda do técnico Eugenio Corini. Rolando Maran, ex-Catania, assumiu o time. (Murillo Moret)

Verona 1-3 Milan
Mesmo a realidade sendo a Liga dos Campeões, se o Milan sonha com o scudetto, vencer em Verona era fundamental, uma vez que a Juventus tropeçou no lanterna Sassuolo. O adversário não seria moleza. Com os mesmos 11 pontos, Verona e Milan ocupavam sexta e quarta colocações, colados na Sampdoria, primeira equipe com a vaga na principal competição europeia. A histórica rivalidade entre as duas torcidas deixava a partida ainda mais tensa. Em campo, porém, o equilíbrio ficou de lado e a equipe milanista foi amplamente superior e dominante, além de contar com uma grande atuação de Honda, autor de dois gols e, agora, referência dessa equipe em reconstrução.

No primeiro gol, o japonês apenas observou a pixotada do zagueiro brasileiro Rafael Marques, que “espanou” o cruzamento de Abate e colocou contra as próprias redes. Minutos depois, Honda recebeu belo passe de El Shaarawy e tocou no canto alto do goleiro Rafael para ampliar. Toni e Jankovic até tentaram diminuir, mas pararam nas boas defesas de Abbiati. No segundo tempo, o camisa 10 recebeu outro grande passe em profundidade e tocou na saída do arqueiro dos butei. O Verona ainda diminuiu com Nico López, mas uma reação já era impossível. (Caio Dellagiustina)

Inter 2-2 Napoli
No último jogo do domingo, milaneses e napolitanos fizeram um confronto marcado pelo equilíbrio e pelas poucas chances criadas ao longo de toda a partida, com exceção dos minutos finais – todos os quatro gols do jogo aconteceram nos últimos 15 minutos de bola rolando. A partida, sem grandes destaques, reforçou que Inter e Napoli não devem lutar pelo título, que novamente deve ser uma disputa reservada apenas a Juventus e Roma.

O primeiro tempo no Giuseppe Meazza foi bastante equilibrado, com ferrenha disputa no meio-campo. Porém, foi a Inter que teve as melhores chances: Icardi bateu por cima do gol e Hernanes acertou a trave. Os nerazzurri, porém, não voltaram tão bem do intervalo e viram Insigne acertar a trave logo aos 4 da segunda etapa. Menos criativa, a Inter viu o Napoli crescer, e até pode comemorar as más atuações de Hamsík e Higuaín – em outras condições, os azzurri poderiam ter sorrido. Porém, amargaram o empate por duas vezes. Saíram na frente com Callejón, que contou com erro de um decadente Vidic para abrir o marcador. A Beneamata chegou ao empate três minutos depois, com um recém-entrado Guarín. Nos acréscimos, a zaga da Inter parou e Callejón completou, de primeira, bom lançamento de David López. Mas, na sequência, em outra jogada aérea, Hernanes se inseriu bem para aproveitar cruzamento de Dodô e impedir a terceira derrota consecutiva do time da casa. (Nelson Oliveira)

Fiorentina 0-2 Lazio
Até o primeiro gol da partida, a Lazio criou três chances; a Fiorentina, uma. Apesar do melhor jogo laziale, Neto teve de trabalhar em apenas uma oportunidade. Aos 35 minutos, Biglia recebeu de Candreva e assistiu Djordjevic para marcar. O sérvio marcou o 5º gol em três jogos, mas mais importante foi que a Viola sofreu o primeiro tento em casa na temporada. O goleiro da Fiorentina parou Lulic, na sequência, e Candreva quando a defesa falhou.

Aquilani quase marcou um dos gols mais bonitos da temporada italiana. Uma finalização de bicicleta, após falta cobrada por Pizarro, que parou na trave. Ao contrário do primeiro tempo, a Viola foi melhor na etapa final, mas nem Bernardeschi, nem Cuadrado conseguiram empatar. Se Mati Fernández conseguiu travar a finalização de Candreva em um contra-ataque da Lazio com vantagem numérica, o time visitante definiu o resultado também em contra-golpe, com Lulic, após nova assistência do meia da seleção italiana. Enquanto Candreva e Djordjevic são decisivos para a subida de produção da Lazio na temporada, a Fiorentina sofre com as ausências de Rossi e Gómez e não ajusta seu futebol. É a decepção da temporada. (MM)

Cagliari 2-2 Sampdoria
Na Sardenha, Cagliari e Sampdoria fariam um jogo da concórdia. Para começar, a partida seria dedicada às vítimas de uma enchente em Gênova, e também seria o encontro de Zeman com seu discípulo Mihajlovic – o checo treinou o ex-zagueiro sérvio na Lazio, nos anos 90. O grande número de amarelados e uma expulsão deu a entender que a partida foi uma guerra, mas passou longe disso. Era apenas muita vontade de vencer, de ambos os lados. No final, nem o Cagliari conquistou sua primeira vitória em casa nem a Samp aproveitou a chance de ficar apenas dois pontos atrás da Juve. Hoje, os dorianos ocupam a 3ª posição, com 15 pontos, e os sardos a 17ª, com 5.

O primeiro tempo foi dos visitantes. Os blucerchiati jogaram melhor e abriram logo 2 a 0. O primeiro veio após lançamento de Palombo, que Gabbiadini, espertamente, desviou com leveza para as redes, enganando o goleiro Cragno. O segundo, mais belo, foi uma bomba de Obiang de fora da área. Na volta para a segunda etapa, o Cagliari melhorou com as entradas dos jovens Donsah e Caio Rangel. Porém, foram decisivos para a virada o pênalti de Cacciatore em Ibarbo e a consequente expulsão do defensor. O lateral Danilo Avelar converteu a cobrança e, minutos depois, deu a assistência para Sau deixar tudo igual. Empate com gosto de derrota para Mihajlovic, segundo o próprio, que prometeu pagar um jantar a seu tutor, Zeman. (NO)

Torino 1-0 Udinese
Depois de começo ruim, o Torino dá sinais de recuperação. Além de apresentação consistente contra a Udinese, o time de Ventura chegou à segunda vitória e à parte intermediária da tabela. Uma resposta que vem em bom momento, considerando que os granata também estão na Liga Europa e têm boas condições de avançar. Para a Udinese, um tropeço que viria mais cedo ou mais tarde. Stramaccioni tem um bom time e condições de incomodar, e não deve se abater por uma partida ruim.

Contando com boas exibições de Vives, Quagliarella, Molinaro e Bruno Peres, além de seu sistema defensivo quase sempre seguro, o Torino dominou a partida, mesmo sem a posse de bola e território, criando mais que o dobro de chances da Udinese e fazendo Karnezis trabalhar duro. Depois de duas boas oportunidades suas, Vives, volante e capitão, desviou para Quagliarella mais uma vez executar a lei do ex, como contra Fiorentina e Napoli. Foi o quarto gol do atacante nos últimos quatro jogos – apenas um dos gols do Torino no campeonato não foi marcado por ele. (Arthur Barcelos)

Atalanta 1-0 Parma
Não foi fácil, mas a Atalanta finalmente conseguiu acabar com a sequência negativa que já durava quatro jogos (foram quatro derrotas nas últimas rodadas). Com gol de Boakye, aos 44 minutos do segundo tempo, os nerazzurri somaram três pontos e se livraram de afundar para a zona de rebaixamento, graças a um erro defensivo do Parma, que agora segura a lanterna da competição. A equipe de Donadoni perdeu a sexta no torneio (quarta seguida) e tem só três pontos. Ainda assim, o técnico permanece no cargo e diz confiar em sua equipe: "Temos que arregaçar as mangas", disse, após a partida, lamentando o erro defensivo e reclamando dos desfalques de seu time.

O resultado foi merecido para a Atalanta, que buscou mais o jogo e, mesmo sem muita qualidade, agrediu o adversário mais vezes. Apático em campo, o Parma fez um primeiro tempo apenas razoável e não mostrou nada de bom na segunda etapa, só esperando o tempo passar, com o objetivo de levar um ponto para casa. Do outro lado, Colantuono ousou nas substituições - colocou Baselli, Boakye e Bianchi no segundo tempo - e colheu os frutos por deixar o time mais ofensivo. O gol no final teve participação direta de Bianchi e Boakye e deixou a equipe de Bérgamo mais tranquila na tabela, na 14ª posição, com sete pontos, três à frente da zona da degola. (RA)

Palermo 2-1 Cesena
Mais um confronto entre times que vieram da Serie B, e enfim o Palermo venceu sua primeira no campeonato. Muito inconsistente, o time de Iachini chegou a mostrar algumas boas coisas, mas os três pontos jamais haviam sido conquistados até esse final de semana. Mas também vieram com muito drama e emoção, com gol da vitória aos 91 minutos de jogo.

Sempre com Vázquez e Dybala, o Palermo foi superior desde a primeira etapa. Mas os gols só vieram mesmo através da bola parada – inclusive o de empate do Cesena. O primeiro veio aos 33, quando Dybala trocou passes com Vázquez após escanteio curto, recebeu de volta e acertou belo chute da entrada da área. O empate, aos 61, veio em cobrança de pênalti convertida por Rodríguez. A virada, já nos acréscimos da segunda etapa, veio em escanteio cobrado por Dybala e cabeceio preciso do estreante González, destaque da Costa Rica na Copa do Mundo. (AB)

Genoa 1-1 Empoli
A polêmica da rodada ficou para o jogo da segunda-feira. O Genoa vencia até os 33 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro artilheiro Tonelli usou a mão para empatar o jogo, num daqueles típicos lances que geram discussões infinitas de mão na bola ou bola na mão. Apesar da raiva pós-jogo, sobretudo de Gasperini, nem mesmo os jogadores rossoblù reclamaram acintosamente, pois não notaram o que havia acontecido no lance – Maccarone desviou de cabeça e Tonelli usou o braço para anotar o gol. O resultado manteve as duas equipes no meio da tabela e evitou com que os genoveses se aproximassem dos times mais bem colocados.

O Empoli começou melhor o jogo, dando trabalho à defesa rossoblù. As ações ofensivas mudaram de lado quando Gasperini alterou o esquema, deixando Perotti e Falqué mais perto de Matri, e Rincón com mais liberdade. E o gol não demorou a sair. Após cruzamento de Edenílson, Matri escorou e Bertolacci acertou belo chute de fora da área. A equipe genovesa dominou o confronto, mas não conseguiu ampliar. Numa das poucas chances, o Empoli chegou ao gol irregular. (CD)

Relembre a 6ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Consgili (Sassuolo); Benalouane (Atalanta), Yanga-Mbiwa (Roma), Alex (Milan); Callejón (Napoli), Candreva (Lazio), Danilo Avelar (Cagliari), Honda (Milan); Quagliarella (Torino), Totti (Roma), Dybala (Palermo). Técnico: Stefano Pioli (Lazio).

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Jogadores: Hernán Crespo

Com passagem extensa pela Itália, Crespo fez história e, no Parma, viveu seu auge e se despediu do futebol (Sports.ru)
Na última década, Crespo foi um dos melhores centroavantes do mundo e passou a maior parte dos 21 anos de carreira balançando as redes na Itália. Aliando força e técnica como poucos, o argentino marcava gols de todas as formas e, por isso, conquistou títulos, muitas vezes anotando em decisões. Por ser parecido com Jorge Valdano, ganhou um apelido de peso: Valdanito. Nascido em Florida, a 15 quilômetros de Buenos Aires, Crespo foi um fervoroso torcedor do San Lorenzo na infância, mas começou a carreira no River Plate e, por isso, sofreu muito quando teve que encarar a equipe do coração. 

Paixão tem muito a ver com a trajetória de Crespo e, aos 13 anos, ele entrou na academia de futebol do River Plate, o primeiro passo para apaixonar os Millonarios. A carreira no Monumental de Nuñez foi intensa. No ano de estreia na equipe principal, 1993, veio o título Apertura do Campeonato Argentino, que foi repetido em 1994 e 1996. Mas o grande motivo do amor da torcida é um só: a conquista da Copa Libertadores, o último grande ato do Valdanito na Argentina.

Ao lado de Francescoli, Crespo formou o ataque do River e foi artilheiro da equipe na disputa continental, com dez gols. O centroavante foi decisivo na fase mata-mata e teve a grande emoção de eliminar o clube do coração, nas quartas de final, com dois gols anotados. Na decisão, frente ao América de Cali, os argentinos perderam por 1 a 0 fora de casa e precisavam de dois gols para a conquista. O Valdanito apareceu e fez o necessário: 2 a 0 e o placar mostrava Crespo duas vezes. 

A precocidade também foi vista na caminhada pela seleção. Em 1995 foi convocado pela primeira vez e, no ano seguinte, foi artilheiro e ganhou a medalha de prata na Olímpiada de Atlanta. Com o segundo lugar nos Estados Unidos, Crespo se despediu do River Plate e foi encontrar o Parma, o “seu amor italiano”, como declarou em recente entrevista. Por oito bilhões de liras, chegou aos crociati, que já começavam a receber investimentos da Parmalat, gigante do setor de laticínios.

No Parma da Parmalat, o Valdanito se concretizou entre os craques da posição e ganhou três títulos. A temporada 1998-99 foi especial, com duas conquistas. Na Coppa Italia, na final contra a Fiorentina, apareceu com um gol em cada partida, e garantiu a taça ao Parma. Na Copa Uefa, Crespo foi muito importante, durante a campanha, marcou seis vezes e foi o vice-artilheiro gialloblù. Na decisão contra o Olympique de Marseille, foi do argentino o gol que abriu o caminho para a vitória tranquila por 3 a 0. Assim que começou a temporada seguinte, mais um título, a Supercoppa sobre o Milan e, de novo, o camisa nove apareceu com gol importante. 

No período italiano, além do sucesso pelos clubes, Crespo se consagrou com a camisa albiceleste, que defendeu em três Copas do Mundo. Em 1998, na França, fez parte do grupo, e era reserva de outro destaque da Serie A, Batistuta – jogou apenas uma partida. Quatro anos depois, na Coreia do Sul e Japão, ainda alternativa a Batigol, participou de três jogos e conseguiu seu primeiro gol em mundiais. Ter os dois ótimos centroavantes no período foi um privilégio, mas trouxe problemas para os técnicos. Afinal, normalmente, um era reserva do outro e a pressão para tê-los em campo ao mesmo tempo sempre foi muito grande. 

Sem Batistuta, em 2006 na Alemanha, Crespo foi o titular, jogou quatro partidas e marcou três vezes. Porém, a Argentina parou na anfitriã, nas quartas de final. Com isso, a geração, que contou com o auge do camisa nove, não conseguiu o imaginado tricampeonato mundial. No ano seguinte, o Valdanito se aposentou da seleção albiceleste, com 64 partidas e 35 gols, que o colocam como terceiro maior artilheiro da história do país, logo à frente de Maradona, mas atrás de Messi e Batistuta. 

Depois de ganhar tudo, o Parma não conseguiu voltar a vencer e os investimentos foram diminuindo. Por isso, ao final da temporada 2000-01, a equipe não rejeitou uma oferta de 35 bilhões de libras da Lazio por Crespo. O negócio envolveu 16 milhões em dinheiro e os jogadores Sergio Conceição e Matías Almeyda. Na capital italiana, o centroavante fez parte de outro time histórico e ficou ainda maior no cenário futebolístico mundial.

Apesar da escalação estrelada, os laziali só venceram a Supercoppa italiana e não conseguiram repetir o sucesso da temporada anterior, quando conseguiram a dobradinha, vencendo Serie A e Coppa Italia. A culpa com certeza não foi de Crespo, afinal o centroavante argentino acrescentou muito à equipe e, no Campeonato Italiano, conseguiu a artilharia com 26 gols, em uma edição na qual a Lazio ficou apenas no terceiro lugar. No grande foco da equipe em 2000-01, a Liga dos Campeões, eliminação frustrante na segunda fase de grupos da disputa. 

Cercado de lesões e em um clube que já começava a sofrer com problemas financeiros, o Valdanito acabou se transferindo em 2002. Desta vez, a nova casa seria Milão, na Inter, que havia perdido Ronaldo e precisava desesperadamente de outro anotador de gols. Foram 26 milhões de euros mais o passe de Corradi investidos no argentino. A partir daí, Crespo viveu uma fase complicada. Seguia com potencial enorme, mas, muitas vezes, as lesões impediam que este nível de futebol fosse apresentado em campo. Os números dele pela Inter provam isso: em 2002-03, jogou apenas 30 vezes e marcou 16 gols. Na Liga dos Campeões teve grande destaque e, com nove gols, ajudou a Inter a chegar nas semifinais, quando caiu contra o Milan.

Apesar do desempenho interessante, os custos eram altos para não tê-lo sempre em campo. Por isso, os nerazzurri aceitaram uma alta proposta (quase 17 milhões de libras) do Chelsea. Na Inglaterra, o atacante argentino repetiu o que havia feito na Inter e não conseguir empolgar os Blues. Havia um grande problema, Crespo tinha ido à Londres sem a esposa e a filha, que escolheram ficar em Milão, pois já estavam bem adaptadas à vida italiana. O resultado é que, na capital inglesa, o Valdanito sempre ficou dividido entre o futebol e a preocupação com a família, que estava longe.

Com a chegada de Mourinho e Drogba ao clube, o treinador logo identificou que este problema afetava o seu atacante e, agora, com outro jogador para posição de alto nível, Crespo foi liberado e pode voltar à Milão, desta vez, para vestir rossonero. Pedido especialmente por Carlo Ancelotti, o Valdanito conseguiu marcar dez gols na Serie A e dois na final da Liga dos Campeões 2004-05, que teve a incrível conquista do Liverpool.

Sem títulos, mas, com algumas aparições decisivas, Mourinho pediu e o argentino voltou à Londres mais motivado e com a consciência de que poderia fazer melhor. Apesar do ambiente favorável, Crespo conseguiu apenas 13 gols na temporada e novamente ficou devendo. Porém, a volta ao Chelsea ao menos rendeu outros dois títulos para a carreira: uma Supercopa da Inglaterra e a Premier League, primeira liga nacional conquistada no Velho Mundo. 

Ainda com contrato com o Chelsea, Crespo voltou à Inter, mas, desta vez, entre 2006-09, ganhou quase tudo com o clube – cinco títulos. No primeiro ano, o argentino foi fundamental, com 14 gols, que ajudaram no título da Serie A 2006-07. Aos poucos, o Valdanito foi perdendo relevância nos nerazzurri, que, neste período, tiveram Ibrahimovic como grande homem de área.

Depois da saída de Milão, Crespo jogou seis meses pelo Genoa e encerrou a trajetória italiana onde começou, no Parma, em 2012, após mais dois anos e meio de serviços ao clube. A última passagem pelos crociati aumentou a identificação dele com o clube e fez com que fechasse sua carreira parmense com 200 partidas e 94 gols, média próxima de um gol a cada dois jogos vestindo gialloblù. Até hoje, Crespo é o maior artilheiro da história do Parma em jogos da Serie A. Com 153 gols pelo Campeonato Italiano, o argentino ainda é um dos 25 maiores goleadores da história do torneio – ocupa a 23ª posição.

O ex-centroavante estudou para se tornar treinador e, hoje, é técnico das categorias de base do Parma. Em recente entrevista ao canal oficial do clube, Crespo deixou clara a sua filosofia: “a coisa mais importante para estes garotos é que se tornem homens que tenham respeito pelo clube, que deu esta oportunidade a eles”. Nos crociati e na cidade, existe apenas um sonho: Crespo conseguir repetir o sucesso de dentro das quatro linhas fora delas. 

Hernán Jorge Crespo 
Nascimento: 5 de julho de 1975, em Florida, Argentina 
Posição: atacante 
Clubes: River Plate (1993-96), Parma (1996-00 e 2010-12), Lazio (2000-02), Inter (2002-03 e 2006-09), Chelsea (2003-04 e 2005-06) Milan (2004-05) e Genoa (2009-10). 
Títulos: Apertura Campeonato Argentino (1993, 1994 e 1996), Jogos Pan-americanos (1995) Copa Libertadores (1996), Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999, 2000, 2004, 2006 e 2008), Serie A (2006-07, 2007-08 e 2008-09), Copa Uefa (1998-99), Supercopa da Inglaterra (2005) e Premier League (2005-06) 
Seleção argentina: 64 jogos e 35 gols

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Os 10 maiores uruguaios do futebol italiano

O Uruguai é um país pequeno e pouco populoso. Cerca de metade de seus 3,5 milhões de habitantes moram na capital, Montevidéu. Olhando sob essa perspectiva, impressiona o fato de os charrúas revelarem tantos jogadores ao longo dos tempos e de terem dois títulos mundiais, dois ouros olímpicos no futebol e mais 15 Copas América. E, ao longo da história, alguns jogadores uruguaios que tiveram sucesso internacional passaram pela Itália.

Ao todo, 137 jogadores do Uruguai atuaram na Serie A – o terceiro país mais representado no campeonato, atrás de Brasil e Argentina. Os primeiros uruguaios a chegarem na Itália aportaram na Bota nos anos 1930. Eram oriundi, filhos e netos de italianos. O pioneiro foi o meia Francisco Fedullo, que foi jogar no Bologna. Outros charrúas se juntaram a ele e formaram uma colônia uruguaia vencedora. Fedullo, juntamente ao meia Miguel Andreolo e os atacantes Rafael Sansone e Héctor (depois rebatizado Ettore) Puricelli, foram destaques de uma equipe que se sagrou quatro vezes campeã naquela década. O maior Bologna da história teve marca uruguaia.

Na mesma época, campeões mundiais pelo Uruguai em 1930 também jogaram na Itália, como Pedro Petrone, que fez sucesso na Fiorentina, e o artilheiro Héctor Scarone, que conviveu com lesões e a idade avançada, mas teve papel digno por Inter e Palermo. Campeões em 1950, Alcides Ghiggia e Juan Alberto Schiaffino também foram estrelas da Serie A e abriram caminho para vários outros compatriotas. A maioria deles, coadjuvantes raçudos, que se doaram por suas equipes, mas outros com um brilho a mais, como Enzo Francescoli, Álvaro Recoba e Edinson Cavani. Escolhemos os 20 maiores conforme os critérios abaixo.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "Top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no Top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Uruguaios na Itália
11. Diego López; 12. Miguel Andreolo; 13. Rafael Sansone; 14. Francisco Fedullo; 15. Héctor Scarone; 16. Diego Pérez; 17. Carlos Aguilera; 18. Javier Chevantón; 19. Darío Silva; 20. Marcelo Zalayeta.

10º - Pedro Petrone


Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Fiorentina (1931-33)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1931-32) 

Fundada em 29 de agosto de 1926, a Fiorentina só disputou a Serie A pela primeira vez na temporada 1930-31. Para essa ocasião para lá de especial o time queria uma contratação de impacto e acertou em cheio. Ídolo do Nacional de Montevidéu três vezes artilheiro do Campeonato Sul-americano, Pedro Petrone também fez parte da campanha do título uruguaio na Copa de 1930, embora não tenha sido titular graças a forte concorrência de Cea, Castro e Scarone. Antes disso, tinha feito parte da Celeste bicampeão olímpica, em 1924 e 1928, e também havia faturado duas vezes a Copa América. Com esse extenso currículo, ele se tornou o primeiro estrangeiro da história do time toscano. E o primeiro jogador a marcar um gol no estádio Artemio Franchi (à época, Giovanni Berta). sua trajetória na Itália começou e se concluiu com sucesso: sua grande velocidade, técnica e, principalmente, tiro potente e preciso, fizeram-no ser amado em Florença.

A Viola ficou em uma honrosa 4ª colocação em sua temporada de estreia e Petrone foi o artilheiro do campeonato ao lado de Angelo Schiavio, do Bologna, com 25 gols. Contra o Pro Patria o atacante deixou uma tripletta e contra o Modena anotou um poker (quatro gols). Na temporada seguinte, Petrone, centroavante de origem, foi deslocado para jogar mais pelo lado direito, mas ainda assim acabou a temporada como o artilheiro da equipe, com 12 gols. Jogar na ala destra não agradava o jogador, que acabou se desentendendo com o técnico Hermann Felsner. Multado com a perda do salário por um mês e afastado da equipe, Petrone fugiu para o Uruguai e teve o contrato rescindido meses depois. Na época ele já estava atuando novamente pelo Nacional, onde se aposentaria um ano depois.

9º - Daniel Fonseca


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Cagliari (1990-92), Napoli (1992-94), Roma (1994-97), Juventus (1997-2001) e Como (2002-03)
Títulos: Copa América (1995), Supercoppa Italiana (1997), Serie A (1997-98) e Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: nenhum

O caminho rumo à Itália já estava no destino de Daniel Fonseca antes mesmo do seu nascimento, em Montevidéu. Neto de italianos, o garoto foi à Velha Bota depois de apenas dois anos jogando nos profissionais do Nacional. A primeira parada foi no Cagliari, onde Daniel chegou junto com seu compatriota Francescoli. Atuando na meia-esquerda, Fonseca marcou oito gols na primeira temporada e nove na segunda. Desenvolvendo-se a passos largos, o jovem precisava de um desafio maior e trocou a Sardenha pela Campânia. No Napoli, sete gols nas dez primeiras partidas e um feito que entrou para a história: cinco gols na vitória contra o Valencia, na Copa Uefa.

Fonseca teve dois anos muito bons em Nápoles (ao todo, foram 31 gols em 58 jogos; 16 no primeiro ano e 15 no segundo) e viveu outra mudança. Dessa vez, para a capital. Na Roma, o homem-gol era Abel Balbo, mas apesar de diminuir seus encontros com a rede adversária Daniel foi muito bem nos três anos em que ficou por lá. O primeiro caneco, no entanto, só veio em sua primeira temporada na Juventus, o scudetto 1997-98. O ritmo em Turim não foi o mesmo de outrora, porém. Fonseca foi titular só na primeira temporada e nem entrou em campo em 1999-2000 por causa de uma lesão. Na temporada seguinte, entrou em campo só duas vezes, o que o fez rescindir o contrato com os bianconeri em 2001. Um ano depois, com passagens apagadas por River Plate e Nacional, ainda voltou à Itália para se aposentar no Como, onde também mal foi utilizado.



Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Bologna (1938-44), Milan (1945-49) e Legnano (1949-51)
Títulos: 2 Serie A (1938-39 e 1940-41)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1938-39 e 1940-41)

Em um longínquo tempo em que o Bologna levantava troféus, o clube rossoblù contou com um uruguaio que ajudou e muito na conquista de dois scudetti. Quando chegou a Itália, em 1938, Ettore ainda era mais conhecido como Héctor e vinha do modesto Central Español. O Bologna havia conquistado dois títulos em três anos, com uma trupe uruguaia, formada por Francisco Fedullo, Rafael Sansone e Miguel Andreolo, mas precisava de uma renovação. Em seu primeiro ano na Itália, Puricelli foi o homem mais avançado do ataque, que contava ainda com os pontas Biavati e Reguzzoni. O time marcou 53 gols, levou o scudetto e o uruguaio terminou como um dos artilheiros da competição, com 19 tentos. O Bologna abusava da boa estatura do matador e gols de cabeça viraram rotina. Não à toa, Ettore ganhou o apelido de 'testina d'oro'.

Todo esse sucesso repentino rendeu sua primeira e única convocação para a seleção italiana, pela qual o 'oriundo' marcou um gol contra a Suíça. Em 1941 o feito de dois anos antes se repetiu: título para o Bologna e artilharia para Puricelli, agora com 22 gols. Em 1945, quando o goleador Aldo Boffi deixou o Milan, os rossoneri o substituíram com Puricelli. Embora o uruguaio continuasse uma máquina de fazer gols, tendo sido o artilheiro da equipe por três anos consecutivos, a equipe sempre bateu na trave e o atacante deixou a Lombardia sem nenhum troféu. Na reta final de sua carreira como jogador, Puricelli fez dupla com outro Ettore, o Bertoni, e juntos eles levaram o modesto Legnano para a Serie A. Em 1955, o título que faltou ao atacante no Milan chegou, mas nessa conquista Puricelli não contribuiu com gols; ele era o técnico da equipe.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Atalanta (1992-96) e Juventus (1996-2005)
Títulos: 4 Serie A (1996-97, 1997-98, 2001-02 e 2002-03), 3 Supercopas Italianas (1997, 2002 e 2003), Supercopa Uefa (1996), Copa Intercontinental (1996) e Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: nenhum

Cria do Peñarol, Paolo Montero foi um dos maiores bad boys que o futebol italiano já viu. Com polêmicas extracampo e também dentro das quatro linhas. Seu primeiro clube na Itália foi a Atalanta de Marcelo Lippi, mas foi na Juventus que o zagueiro brilhou. Levado por Lippi ao Piemonte, Montero passou nove anos em Turim e foi importante no período em que esteve no estádio Delle Alpi.

Quando não estava distribuindo pontapés a atacado, Montero também sabia ser um zagueiro de boa técnica. Embora a maioria lembre dele apenas por um recorde que até hoje nunca foi superado na Serie A (16 dos 21 cartões vermelhos que ele recebeu na Itália foram pelo campeonato nacional) também é importante dizer que Montero venceu dez títulos em seus anos de Juventus, incluindo quatro scudetti. Formando uma defesa para lá de sólida com Ciro Ferrara, o zagueiro peleador também chegou a três finais da Liga dos Campeões, ficando com o vice-campeonato em todas as ocasiões.

6º - Rubén Sosa


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1988-92) e Inter (1992-95)
Títulos: Copa Uefa (1993-94) e Copa América (1995)
Prêmios individuais: nenhum

De altura mediana e sempre parecendo estar alguns quilos acima do peso, o atarracado atacante podia até não ter pinta de craque, mas mudava a opinião dos desavisados com poucos minutos ao lado da bola. Rubén Sosa foi um ótimo jogador e teve belos anos jogando na Itália. Vindo do Zaragoza, clube espanhol no qual fez três boas temporadas, o atacante chegou na Lazio em 1988 e apesar do temperamento um tanto quanto volátil se deu bem com Paolo Di Canio – pelo menos dentro de campo. Foram quatro anos na capital e muitos gols, mas a equipe laziale nunca chegou a disputar um título nesse período (a melhor participação na Serie A foi uma 9ª colocação). Sosa então se mudou para a Inter de Milão.

Já em sua primeira temporada na Lombardia, Sosa foi o grande nome da campanha do vice-campeonato italiano. O uruguaio foi o artilheiro da equipe, com 20 gols, ofuscando Salvatore Schillaci, que tinha muitos problemas físicos. No ano seguinte, a campanha na Serie A não foi boa (a Inter escapou do rebaixamento por apenas um ponto, nas rodadas finais), mas Sosa ajudou com uma tripletta, virando a partida contra o Parma com duas bombas de fora da área. Depois de três anos de muitas bolas na rede, o atacante deixou o clube com uma Copa Uefa no currículo: foi dele o passe para o holandês Wim Jonk marcar o gol do título, contra o Casino Salzburg – atual RB Salzburg. Só não dá pra dizer que sua passagem foi perfeita graças as várias discussões com o gênio Dennis Bergkamp, que teve passagem pouco célebre por Milão.

5º - Álvaro Recoba


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1997-98 e 1999-2007), Venezia (1999) e Torino (2007-08)
Títulos: 2 Serie A (2005-06 e 2006-07), 2 Coppa Italia (2004-05 e 2005-06), 2 Supercopas Italianas (2005 e 2006) e Copa Uefa (1997-98)
Prêmios individuais: nenhum

O ex-presidente da Inter, Massimo Moratti, sempre se notabilizou por ser um dirigente/torcedor. O mandatário gostava de estar próximo ao elenco e nessa rotina de convivência direta com os atletas adotou um uruguaio para ser seu xodó: Álvaro 'Il Chino' Recoba. Não é exagero dizer que Recoba foi um dos jogadores mais técnicos que já vestiram a camisa da Inter, mas não basta ser habilidoso para ter sucesso. Na primeira temporada em Milão, Recoba teve o azar de ter que dividir as atenções com Ronaldo. Porém, ele ofuscou a estreia do Fenômeno: a Inter perdia para o Brescia por 1 a 0, quando Recoba entrou na parte final do jogo. Com oito minutos em campo, mandou uma bomba no ângulo. Outros cinco minutos depois, com outro chute a quase 30 metros do gol, marcou de falta e definiu o placar. Meses depois, marcou um gol do meio-campo contra o Empoli.

No entanto, Recoba não era regular, e após um ano e meio em Milão, foi emprestado ao Venezia, com ótimos resultados: 11 gols, várias assistências e nada de rebaixamento para os Leoni. Recoba se destacou por ter feito três sobre a Fiorentina e, na penúltima rodada, por ter feito um golaço justo sobre a Inter, salvando os venezianos. O Chino acabou voltando para a Inter, dessa vez para ficar. O uruguaio conseguiu espaço em um time que contava com Ronaldo, Vieri, Zamorano e Baggio. Foram 25 gols entre 1999 e 2001, ano em que Recoba foi o jogador mais bem pago do mundo, cortesia de Moratti. Mas, a partir de então, a carreira do jogador virou uma montanha-russa. Quando estava livre das lesões e dentro de um peso aceitável Recoba fez ótimos jogos, mas esses requisitos ficaram cada vez mais raros. Além disso, o relacionamento com o técnico Roberto Mancini nunca foi bom. O canhotinho deixou a Inter em 2007, com sete títulos, uma penca de golaços, e ainda passou pelo Torino antes de se despedir da Velha Bota.



Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Cagliari (1990-93) e Torino (1993-94)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Inserido na lista Fifa 100

Era uma vez um menino chamado Zinédine Zidane. Quando criança, o pequeno Zizou já sabia que queria ser jogador de futebol. Culpa da genética, dos deuses e também de um uruguaio que inspirou o já adolescente sonhador: Enzo Francescoli. O pupilo acabou superando o mestre, mas se dizem que Zidane era tão elegante que poderia jogar de terno e gravata, Francescoli foi a grande inspiração para o 'jeito de se vestir' do francês. Francescoli chegou na Itália vindo de um título francês com o Marseille. Pouco depois de disputar a Copa do Mundo no Belpaese, em 1990, o meia fechou com o Cagliari. Não é exagero dizer que o atleta era muita areia para o caminhão do time sardo, mas mesmo sendo um dos jogadores mais técnicos do campeonato, Enzo não foi brilhante em suas primeiras temporadas, principalmente porque jogava mais recuado na nova equipe, atuando não como o homem do último passe, mas como o idealizador do início das jogadas.

Na Serie A 1992-93, Francescoli retomou sua grande forma e liderou o Cagliari à sexta colocação e uma consequente classificação para a Copa Uefa, o suficiente para ser lembrado até hoje como um dos principais jogadores da história do clube. No ano seguinte, os rossoblù chegariam às semifinais europeias, mas Francescoli não estava mais lá para ajudar a equipe a passar pela Inter, que se sagraria campeã. Foi para o norte italiano e ainda jogou uma temporada no Torino, que tinha em seu elenco os compatriotas Marcelo Saralegui e Carlos Aguilera. Francescoli teve boas atuações na Coppa Italia, competição em que a equipe grená foi até as semifinais, quase repetindo o título do ano anterior. E, mesmo depois de sair de Turim, os caminhos do meia e da cidade se cruzaram novamente, já que Enzo estava no River Plate que perdeu para a Juventus no Mundial de Clubes de 1996.



Posição: ala
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1953-61) e Milan (1961-62)
Títulos: Copa das Feiras (1960-61) e Serie A (1961-62)
Prêmios individuais: nenhum

Três anos depois de calar duzentas mil pessoas no Maracanã, Alcides Ghiggia, um dos maiores vilões da história do Brasil e presença certa nos pesadelos de nossos avôs foi jogar na Itália e pela Itália. Ídolo do Penãrol, o ponta-direita foi para a Roma em 1953, mas o elenco giallorosso não ajudava muito. Além de Ghiggia, apenas Dino da Costa – que só chegou em 1955 – era jogador acima da média. A melhor colocação do uruguaio obtida vestindo as cores romanistas, porém, aconteceu logo antes da chegada do ítalo-brasileiro: segunda posição em 1954-55.

Embora tenha ficado marcado por um gol, Ghiggia não fez muitos em seus anos na Cidade Eterna. Para uma época em que os pontas começavam a se preocupar com funções defensivas, o uruguaio estava à frente do seu tempo, fazendo isso há alguns anos. Sempre foi um jogador de muita inteligência tática acima de tudo e suas subidas mais geravam cruzamentos do que remates. Em sua quarta temporada na Roma, Ghiggia se tornou o capitão da equipe romana e, como Juan Schiaffino, também trocou o azul celeste do Uruguai pela Azzurra, seleção que defendeu cinco vezes – sem conseguir ajudar a classificá-la para a Copa de 1958, porém. Dois anos depois, preterido pelo jovem Alberto Orlando, foi a vez de trocar também de clube, mas não sem antes voltar a jogar com seu ex-companheiro de 1950, Schiaffino, e vencer a Copa das Feiras. Aos 35 anos foi para o Milan, jogou apenas quatro partidas, mas enfim conheceu o sabor de conquistar um scudetto antes de voltar ao país natal.

2º - Edinson Cavani


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Palermo (2007-10) e Napoli (2010-13)
Títulos: Coppa Italia (2011-12) e Copa América (2011)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (2012-13), Time do Ano da Serie A (2010-11, 2011-12 e 2012-13), Artilheiro da Coppa Italia (2011-12) e Futebolista Estrangeiro do Ano da Serie A (2012-13)

O Uruguai passou alguns anos sem um atacante de nível, mas quando a maré mudou, mudou da água para o vinho. A Celeste passou a ter a sua disposição Diego Forlán, Luis Suárez e um dos grandes goleadores que a Serie A teve na história recente: Edinson Cavani. O garoto de 20 anos chegou ao Palermo em 2007, após belo Sul-Americano Sub-20, mas teve dificuldades de adaptação no início. Na primeira temporada foram poucos gols, é verdade, já que o bomber do time era Amauri. Mas, depois de aprender a balançar as redes com o paulista, aí sim Cavani desandou a marcar. Aliás, não só balançou muito as redes como também ajudou Fabrizio Miccoli a fazer o mesmo, mostrando ser um atacante completo. Os dias de Sicília chegaram ao fim com uma honrosa 5ª colocação na Serie A, mas o uruguaio foi ainda melhor no Napoli, tornando-se em pouco tempo um dos maiores nomes da história azzurra.

Lá ele formou um tridente ofensivo de muito respeito com Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsík, e nem de longe o atacante que agora voava baixo nos campos italianos lembrava o menino mirrado que pouco recebia oportunidades na infância por causa do físico. Em três temporadas, o Matador foi artilheiro partenopeu em todas elas, foi eleito para o time do ano da Serie A e colaborou com duas classificações napolitanas à Liga dos Campeões. Além de balançar as redes constantemente, a identificação com os azzurri ficou tão forte que torcedores inventaram uma "religião" chamada Cavanismo. Todos os gols e assistências foram recompensados e Cavani não deixou os azzurri de mãos abanando. Se na Celeste Olímpica Cavani foi protagonista no título da Copa América, no Napoli ele levantou pelo menos a Coppa Italia 2012, além de cravar a artilharia da Serie A do ano seguinte. O mínimo que um casamento tão bonito merecia. Meio a contragosto, deixou Nápoles por uma oferta obscena do Paris Saint-Germain. Cavani é o terceiro maior artilheiro da história napolitana e, com 104 tentos em 138 partidas, é dono da melhor média de gols entre os jogadores azzurri.



Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Milan (1954-60) e Roma (1960-62)
Títulos: 3 Serie A (1954-55, 1956-57 e 1958-59), Copa Latina (1956) e Copa das Feiras (1960-61)
Prêmios individuais: nenhum

Aqui no Brasil, parece que Ghiggia sentou à cabeceira da mesa e acabou pagando a conta do Maracanazo sozinho, mas a vitória do Uruguai sobre o Brasil no fatídico Mundial de 1950 foi por 2 a 1, e quem marcou o outro gol celeste foi tão ou mais importante para nossos vizinhos que o ponta-direita. Juan Alberto Schiaffino foi tudo que um jogador de meio-campo pode ser e mais um pouco. Depois de 18 títulos com a camisa do seu amado Peñarol, 'Pepe' foi para o Milan após a Copa de 1954, sendo na época o jogador mais caro da história. chegou para substituir Gunnar Gren, peça importante nos rossoneri. Fatos justificados pela versatilidade de seu repertório: um meio-campista com habilidade e visão de um camisa 10, mas inteligência tática e garra de um volante.

O Milan de Schiaffino, Lorenzo Buffon, Niels Liedholm, Cesare Maldini e Gunnar Nordahl marcou época e o uruguaio conquistou três scudetti – o último deles já ao lado de José Altafini e tendo Gianni Rivera como pupilo. Sua idolatria era tamanha que quando o Rubro-Negro decidiu negociar o uruguaio, a torcida não aceitou bem – Rivera, pouco depois, mostraria que o Diavolo tinha substituto à altura. Os protestos não surtiram efeito e Schiaffino foi defender a Roma, que já queria contratá-lo desde 1957, quando chegou a conversar com o jogador. Na Cidade Eterna, ficou por dois anos – já jogando como líbero – e conquistou a Copa das Feiras antes de se aposentar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Azzzzzzzzurra

Gol de Pellè foi a única coisa positiva no jogo de hoje
Nada melhor que um joguinho segunda à noite. Ou não. Para os comandados de Conte, um verdadeiro sacrifício. Como se estivesse sob efeitos de uma droga entorpecente, ao som de Pink Floyd, a Itália esteve imersa em verdadeiro torpor. O time se limitou a controlar o jogo com a posse de bola e explorar sua eficiente bola aérea, com bons cruzadores e exímios cabeceadores.

A exemplo da partida contra o Azerbaijão, onde ainda teve alguns momentos de bom futebol, o gol saiu pelo alto e assim também quase todas as chances claras de gol. Em 90 minutos, os azzurri tiveram 76% da posse de bola, com 646 passes curtos e 31 cruzamentos, finalizando 19 vezes, mas apenas cinco ao gol maltês e outras três na trave. Pouco considerando o adversário e a qualidade individual e coletiva da Nazionale.

Ainda assim, a Conte conquistou sua quarta vitória em quatro jogos no comando da Squadra Azzurra. Como destacou o treinador, com sete gols marcados e um sofrido, sem jamais passar grande apuro. Mas também como ele mesmo disse, "faltou fazer mais na fase de construção", apesar dos chutes na trave e algum cansaço.

De qualquer forma, minutos importantes para Verratti, Pasqual e Pellè, protagonistas, e também Darmian e Marchisio, hoje homens de confiança do novo treinador. Também para Giovinco, que entrou no segundo tempo e incomodou com dribles e chutes, um deles na trave.

Daqui a um mês, enfim um teste de maior nível em partida valendo algo para os azzurri, contra a líder do grupo, a Croácia, em Milão. Na sequência, amistoso contra a Albânia, em Parma. Numa época decisiva para a temporada dos clubes, o time de Conte terá de mostrar mais, com maior consistência do futebol que apresentou em poucos minutos contra Holanda, Noruega e Azerbaijão. 

Ficha técnica: Malta 0-1 Itália

Malta: Hogg; Z. Muscat, Agius, Camilleri; Mintoff (Baldacchino), Briffa, R. Muscat, Fenech, Failla (Bezzina); Schembri (Cohen); Mifsud. T: Pietro Ghedin

Itália: Buffon; Darmian, Bonucci, Chiellini; Candreva, Florenzi (Aquilani 58'), Verratti, Marchisio, Pasqual; Immobile (Giovinco 64'), Pellè (Ogbonna (75'). T: Antonio Conte

Local: Estádio Nacional Ta' Qali (Malta)
Árbitro: Ovidiu Hategan (ROM)
Expulsões: Mifsud 26', Bonucci 72'
Gol: Pellè 22'

Os 10 maiores alemães do futebol italiano

Trio alemão da Inter, formado por Matthäus, Brehme e Klinsmann, marcou época (Interleaning)
Ocupando apenas posições intermediárias na tabela final de classificação da Serie A, o presidente Carlo Antonini, da Fiorentina, resolveu inovar: pagou 30 mil marcos ao 1860 München para acertar com o atacante Ludwig Janda, natural de Fürth. O debute do jogador aconteceu no dia 26 de dezembro, em um empate sem gols contra o Palermo.

A Viola não incomodou os campeões das temporadas seguintes. O clube viu Juventus e Milan conquistarem títulos sem sofrer com os pés de Janda, que marcou apenas 13 gols em dois anos em Florença. O atacante, no entanto, foi o primeiro alemão (ou tedesco, como se diz na Bota) a atuar na fase moderna do futebol italiano, em 1949 – antes disso, alguns tinham passado pela Itália antes da profissionalização do esporte e criação da Serie A. O conterrâneo dele, Horst Buhtz, também deixou a Alemanha para jogar na Itália. Ele foi um dos bons jogadores trazidos pelo Torino após o desastre de Superga.

Durante o fim da década de 1950 e início de 60, Karl-Heinz Spikofski (Catania), Kurt Zaro (Triestina), Albert Brülls (Modena), Jürgen Schütz (Roma), Horst Szymaniak (Catania) e Erwin Waldner (Spal) foram alguns dos alemães que trocaram a terra natal em busca de melhores condições financeiras na Itália, que tinha um dos campeonatos mais prósperos da Europa. Buhtz, em entrevista à revista "11 Freunde", afirmou que ganhava 150 mil marcos por temporada e, em suas palavras, um atleta na Alemanha "demoraria uma década para ganhar a mesma quantidade".

Dessa pequena invasão, os jogadores que mais se destacaram foram Helmut Haller, pela Juventus, e Karl-Heinz Schnellinger, no Milan. Eles foram apenas o início de grandes jogadores alemães que marcaram história na Serie A.

Nos anos 1980, a Serie A era o campeonato europeu mais forte. E, se a Alemanha Ocidental havia sido campeã europeia em 1980, vice-campeã mundial em 1982 e 1986, e dona do mundo em 1990, é claro que muitos jogadores do país acabariam por chegar ao futebol italiano. Dessa forma, uma nova invasão aconteceu, com jogadores que tiveram ótima participação em suas equipes naquela década. Casos de Hansi Müller (Inter, Como), Karl-Heinz Rummenigge (Inter) e Hans-Peter Briegel (peça importante no Verona campeão italiano em 1985, e depois na Sampdoria).

Sem falar, é claro, do trio "tedesco" formado por Lothar Matthäus, Andreas Brehme e Jürgen Klinsmann, que rivalizou com o trio holandês do Milan (Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten) e ajudou a Inter a viver um dos momentos mais prósperos de sua história. Após as saídas de Klinsmann, Brehme e Matthäus, em 1992, a equipe tinha feito grande contratação ao levar Matthias Sammer, ótimo líbero, para continuar a escrita germânica em azul e preto. O defensor, que não havia jogado a Copa de 1990 por ser da Alemanha Oriental, fez grandes partidas, mas não se adaptou à Itália e, seis meses depois, foi fazer história no Borussia Dortmund.

Sammer foi o único da Alemanha Oriental a jogar na Itália. Entre os ocidentais, dos 22 jogadores convocados por Franz Beckenbauer para o Mundial vencido na Itália, 10 atuaram no país, antes ou depois da conquista, já com o país reunificado. Então, outras equipes, além da Inter, tiveram grandes colônias alemãs nessa época, final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Caso da Roma, que teve de uma vez só o atacante Rudi Völler, o meia Thomas Hässler e o defensor Thomas Berthold – que passara pelo Verona anos anos. Ou a Juventus, que chegou a ter Hässler entre 1990 e 1991, e, enquanto disputava os títulos da Copa Uefa e da Liga dos Campeões com o Borussia Dortmund, "roubou", do rival europeu, os campeões mundiais Jürgen Kohler (zagueiro), Stefan Reuter (lateral direito) e Andreas Möller (atacante). O outro dos campeões em 1990 a jogar na Itália foi o atacante Karlheinz Riedle, que teve bons anos na Lazio e, de certa forma, antecedeu Thomas Doll e Miroslav Klose.

Ziege, Bierhoff e Lehmann passaram pelo Milan, mas só o do meio é querido pela torcida (Interleaning)
Na década de 1990, o Milan também ensaiou montar uma colônia alemã, mas falhou. O goleiro Jens Lehmann, respeitadíssimo em suas passagens por Schalke 04, Borussia Dortmund e Arsenal, foi contratado para ser titular, mas colecionou falhas e só vestiu a camisa rossonera por cinco oportunidades. Por sua vez, o lateral esquerdo Christian Ziege também teve atuações apagadas. Apenas Oliver Bierhoff, com muitos gols, colocou seu nome na grandiosa história do clube. Na mesma década, a Fiorentina teve, em momentos distintos, Steffan Effenberg e Jörg Heinrich, membros da Nationalmannschaft duas décadas atrás.

Ao todo, 49 alemães já atuaram na Serie A - o que faz do país o décimo mais representado na história do campeonato. Hoje, somente três atuam no Belpaese. Duas máquinas de fazer gols: Klose, na Lazio, e Mario Gómez, que tem o compatriota Marko Marin, como colega de clube em Florença. Até agosto, quem também atuava na Itália era o alemão de origem albanesa Shkodran Mustafi. Coadjuvante no tetracampeonato da Alemanha no Brasil, o zagueiro, atualmente no Valencia, da Espanha, é o único jogador da Sampdoria a ter vencido um Mundial em toda a história. Falando nisso, gol da Alemanha.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "Top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no Top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 25 Alemães no futebol italiano
11. Hans-Peter Briegel; 12. Thomas Berthold; 13. Andreas Möller; 14. Thomas Hässler; 15. Stefan Reuter; 16. Karlheinz Riedle; 17. Hansi Müller; 18. Thomas Doll; 19. Matthias Sammer; 20. Horst Szymaniak; 21. Jörg Heinrich; 22. Stefan Effenberg; 23. Christian Ziege; 24. Albert Brülls; 25. Horst Buhtz.

10º - Rudi Völler


Posição: atacante
Clube em que atuou: Roma (1987-92)
Títulos conquistados: Coppa Italia (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: artilheiro da Copa Uefa (1990-91) e Coppa Italia (1990-91)

O presidente da Roma Dino Viola conseguiu tirar Rudi Völler do Werder Bremen em 1987. O alemão, já consagrado após marcar quase 100 gols em seis anos e pelo vice-campeonato mundial, em 1986, no entanto, jogou pouco em sua primeira temporada na Itália, devido a uma lesão – portanto, a dupla de atacantes bigodudos que faria com Roberto Pruzzo foi editada poucas vezes. Durante seus anos na Roma, o atacante foi titular pela seleção alemã na Eurocopa de 1988 e venceu a Copa do Mundo de 1990, sofrendo o pênalti nos últimos minutos na final contra a Argentina.

Em nível nacional, com a camisa romana, o único título conquistado por Völler foi a Coppa Italia de 1990-91. Ele foi fundamental na conquista giallorossa, marcando um gol em cada jogo das finais contra a Sampdoria, além de ter conquistado a artilharia. Na mesma temporada, Völler foi ainda artilheiro na Copa Uefa, mas a Roma (que também tinha Thomas Berthold) acabou derrotada na final por uma Inter "alemã", que tinha Andreas Brehme, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann. Em todas as competições desta temporada, o alemão balançou a rede em 25 oportunidades em 52 partidas disputadas. Foi o melhor ano do “Alemão voador” pela Roma. Dois anos depois, com a chegada do técnico Vujadin Boskov, ele deixaria o Olímpico para ser campeão europeu pelo Olympique Marseille. Em 2004, Völler ainda teve rápida e pouco brilhante passagem pela Roma como técnico.

9º - Jürgen Kohler


Posição: zagueiro
Clube em que atuou: Juventus (1991-95)
Títulos conquistados: Serie A (1994-95), Coppa Italia (1994-95), Copa Uefa (1992-93)
Prêmios individuais: integrante do All-Star Team da Eurocopa 1992

Kohler jogou em apenas um clube fora da terra natal, a Alemanha. Integrante do elenco campeão do mundo em 1990, o Bayern de Munique negociou o zagueiro com a Juventus por 8,5 milhões de liras (aproximadamente 4,5 milhões de euros, em valores atualizados), no ano seguinte. A contratação de Kohler era para basicamente ajudar a Juventus a parar o Milan de Maldini, Baresi, van Basten, Gullit e Rijkaard.

O alemão liderou a zaga da Juve com um posicionamento incrível. Também ajudou a parar o clube rossonero, que dos supracitados tinha apenas Maldini e Baresi, vencendo a Serie A de 1995 com dez pontos de vantagem – aquele time era um esquadrão e tinha, ainda, Roberto Baggio, Del Piero, Vialli, Ravanelli, Ferrara, Peruzzi, Paulo Sousa, Deschamps, Jarni e Conte. Kohler conquistou a Europa (via Copa Uefa) com a Juventus e venceu a própria Juve na Liga dos Campeões com o Dortmund em 1997. Na comemoração do título, ele vestiu um cachecol bianconero durante a volta olímpica, mostrando o caráter de um dos maiores alemães da história da Serie A.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Ascoli (1991-95), Udinese (1995-98), Milan (1998-2001) e Chievo (2002-03)
Títulos conquistados: Serie A (1998-99) e Eurocopa (1996)
Prêmios individuais: artilheiro na Serie B (1992-93), artilheiro da Serie A (1997-98) e melhor jogador alemão de 1998

Bierhoff chegou à Itália em 1991, ano que a Inter buscou o atacante no Austria Salzburg. Só que ele nunca vestiu a camisa nerazzurra e foi fazer sucesso mesmo no outro lado de Milão anos depois. Antes disso, a Beneamata o emprestou imediatamente ao Ascoli, que precisava de um atacante para substituir Casagrande. No time marchegiano, a primeira temporada do atacante foi péssima e com direito a rebaixamento. Bierhoff se destacou individualmente com a artilharia na Serie B de 1992-93, marcando 20 gols, e também foi bem nas duas seguintes edições da segundona, o que chamou a atenção da Udinese. Então, tudo mudou a partir de 1996: já como atleta da equipe de Údine, começou a se destacar e ganhou as primeiras convocações para a seleção do seu país. Acabou a temporada com 17 gols marcados e como herói na final da Eurocopa, quando marcou dois gols (um deles, gol de ouro) e conseguiu o título continental para a Alemanha.

Em Údine, Bierhoff se apresentou muito bem com a ajuda da dupla Amoroso e Poggi. Na temporada de 1996-97, o alemão jogou menos, mas conseguiu manter a média de mais de um gol a cada duas partidas, ajudando os friulanos a ficarem com a quinta posição. No campeonato seguinte, marcou 27 gols em 32 jogos disputados – conseguiu, também, o prêmio de artilheiro da Serie A, competição na qual a Udinese conseguiu um histórico terceiro lugar. Silvio Berlusconi contratou o atacante para o Milan em 1998, no centenário do clube. Resultado: 22 gols e título. Bierhoff ainda jogou outras duas temporadas pelo Diavolo, mas acabou liberado para o Monaco em 2001 – afinal, os rossoneri rejuvenesciam o elenco e já tinham Inzaghi e Shevchenko. No ano seguinte, voltou para a Itália, aos 34 anos, e ajudou o Chievo a conseguir uma honrosa sétima posição, aposentando-se em seguida. Foi a passagem final de um atacante com faro de gol em território italiano.



Posição: atacante
Clube em que atuou: Internazionale (1984-87)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100

Rummenigge já era multicampeão quando chegou à Itália, por 8,5 bilhões de liras: duas vezes vencedor da Bola de Ouro, da Bundesliga, da Copa da Alemanha, da Copa dos Campeões e ainda campeão mundial pelo Bayern Munique e europeu pela Alemanha Ocidental. Porém, o craque sofreu com as lesões na Itália e não rendeu o esperado pela Inter. A primeira temporada, de 1984-85, foi a que ele mais jogou: disputou 44 partidas e marcou 18 gols. Apenas oito deles foram na Serie A. Favorita ao título italiano, a Inter terminou a época com a 3ª colocação e sem taça na Copa Uefa.

A melhor marca individual do alemão no Campeonato Italiano foi a de 13 gols realizados na época seguinte, conquistando a vice artilharia do torneio. Um deles foi antológico: um voleio no ângulo no empate em 3 a 3 com o Torino. Ele mal jogou em seu terceiro e último ano em Milão. Rummenigge não apresentou o mesmo futebol do Bayern Munique, mas bastou para ser adorado pela torcida da Inter, pois era um craque que fazia gols importantes e em dérbis – como contra o Milan e num inesquecível 4 a 0 sobre a Juventus que seria campeã europeia em 1984-85. Ao todo, o Panzer marcou 42 gols em 107 jogos – veja aqui os 10 mais bonitos ou importantes. A passagem de Rummenigge por Milão é considerada ponto-chave para que a Inter contratasse Matthäus, Brehme e Klinsmann pouco depois.

6º - Miroslav Klose


Posição: atacante
Clube em que atuou: Lazio (desde 2011)
Títulos conquistados: Coppa Italia (2012-13) e Copa do Mundo (2014)
Prêmios individuais: nenhum

Klose saiu do Bayern de Munique e assinou gratuitamente com a Lazio em junho de 2011. E, desde então, só tem dado lucro aos romanos. Na fase preliminar da Liga Europa de 2011-12, contra o Rabotnicki, marcou seu primeiro gol com a camisa celeste, logo em sua estreia. Pouco depois, estreou em grande estilo na Serie A e marcou gol no Milan. O primeiro de 16 em 35 partidas disputadas naquela temporada. Um deles foi o que deu a vitória aos 48 minutos do segundo tempo no dérbi romano, levando os torcedores da Lazio à loucura.

Em 2012-13, o atacante alemão entrou no seleto grupo dos jogadores que marcaram cinco vezes numa mesma partida na vitória ante o Bologna por 6 a 0. A Serie A não via marca parecida desde 1986, quando Pruzzo fez cinco na vitória da Roma por 5 a 1 sobre o Avellino. Foi exatamente nesta temporada que ele conquistou seu único título (até então) pela equipe da capital: a Coppa Italia, exatamente contra a Roma. Com 40 gols, Klose é um dos 25 maiores artilheiros da história da Lazio e é um dos cinco únicos a terem vencido uma Copa do Mundo enquanto jogadores do clube - o único estrangeiro. O maior artilheiro da história dos Mundiais também é um mito do futebol italiano.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Internazionale (1989-92) e Sampdoria (1997)
Títulos conquistados: Supercoppa Italia (1989), Copa da Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100

Em Milão, Klinsmann reencontrou seus companheiros de seleção alemã Matthäus e Brehme. Seu último jogo pelo Stuttgart foi na final da Copa Uefa, contra o Napoli de Maradona e Careca, que passaria a enfrentar na Itália. Na primeira temporada com a camisa da Inter, o atacante marcou 13 vezes e foi o artilheiro do time. Infelizmente, para a equipe, não foi o suficiente para o título italiano – a Beneamata terminou o ano na 3ª colocação, atrás do campeão Napoli e do vice Milan e não repetiu o scudetto e os recordes do ano anterior.

Após ser campeão do mundo em 1990, na própria Itália, Klinsmann foi peça-chave para a conquista da Copa Uefa de 1990-91. Ele marcou três vezes na campanha interista na Europa. No Italiano, somou mais 14 gols e ficou entre os principais goleadores da temporada. Em 1991, ele renovou o contrato por três anos, mas acabou saindo ao fim da época marcada por um longo jejum: marcou apenas sete gols em uma temporada bastante negativa para a Inter, que quase o fez ficar de fora da campanha do vice alemão na Euro 1992; só foi convocado por lesão de Völler. Klinsi deixou o clube como ídolo por, quase sempre, ter se exibido em grande forma. Cinco anos depois, o "anjo loiro" ainda passou brevemente pela Sampdoria antes de encerrar a carreira.


Posição: lateral esquerdo
Clube em que atuou: Internazionale (1988-92)
Títulos conquistados: Serie A (1988-89), Supercoppa Italiana (1989), Copa Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Guerin d’Oro (1988) e Terceiro colocado na Bola de Ouro (1990)

Conhecido como Andy, Brehme jogou apenas quatro temporadas na Itália. E fez muito. Em seu primeiro ano, atuou como falso lateral-esquerdo na Inter de Trapattoni e conquistou o título italiano. De quebra, o jogador levou o Guerin d’Oro, prêmio dado ao melhor atleta da Serie A. Nenhum outro alemão conseguiu tal objetivo.

Brehme, além de conquistar Copa Uefa e Supercoppa, levantou o caneco da Copa do Mundo de 1990 com gols importantíssimos na semifinal e na final. Diante da Inglaterra, no Giuseppe Meazza, ele fez o gol de empate e converteu um pênalti; contra a Argentina, venceu Goycochea na penalidade para dar o título mundial à Alemanha. Ele deixou a Inter em 1992, juntamente com os outros alemães, após uma péssima temporada finalizada na 8ª colocação.



Posição: meia
Clubes em que atuou: Bologna (1962-68) e Juventus (1968-73)
Títulos conquistados: 3 Serie A (1963-64, 1971-72 e 1972-73)
Prêmios individuais: nenhum

Haller foi acusado de mercenário ao deixar o Augsburg após a Copa do Mundo de 1962 por 750 mil marcos e um salário 40 vezes maior. O Bologna da década de 1960 já era forte, mas ficou ainda mais sólido com o alemão. A equipe venceu o campeonato de 1963-64 com ótima participação de Haller, que atuou em todas as partidas do campeonato e também no spareggio, a partida-desempate contra a Inter, vencida por 2 a 0 – as duas equipes empataram em pontos e o regulamento previa uma partida extra para definir o detentor do scudetto. Naquela época, com a Grande Inter e um fortíssimo Milan, não era fácil ser campeão nacional. Com 208 partidas disputadas e 58 gols marcados, ele é o 19º maior artilheiro da história rossoblù e um dos grandes nomes da história do clube.

Nos anos seguintes, Haller e Nielsen começaram a se desentender, o que favoreceu a saída do alemão. Durante os anos de 1968 e 73, com a camisa da Juventus, Helmut Haller atuou menos; teve uma participação reduzida, em campo. No entanto, o robusto meia-atacante alemão, ao lado de Causio, Bettega e Altafini, ajudou a Juve em dois títulos italianos e nos vices da Copa das Feiras, contra o Leeds, em 1971, e da Copa dos Campeões, em 1973, contra o Ajax.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Mantova (1963-64), Roma (1964-65) e Milan (1965-74)
Títulos conquistados: Serie A (1967-68), 4 Coppa Italia (1963-64, 1966-67, 1971-72 e 1972-73), 2 Recopas europeias (1967-68 e 1972-73), Copa dos Campeões (1968-69) e Torneio Intercontinental (1969)
Prêmios individuais: nenhum

Pode chamar de Panzer ou Volkswagen. Não importa. Fato é que Schnellinger, que entrou na Itália através da Roma, atuou pelo Mantova antes de fazer carreira no Milan e se tornar um dos grandes ícones do time em sua história. Atuando como líbero (e também como zagueiro pelos lados e volante), o alemão ajudou o Diavolo durante nove anos, sendo tão importante para aquele time dos anos 1960 e 1970 quanto Cesare Maldini, Altafini e Rivera. A temporada mais impressionante foi a de 1968-69: não teve título italiano, mas o Milan sofreu apenas 12 gols em 30 jogos. Por outro lado, na Copa dos Campeões, o alemão foi um dos pilares da equipe vencedora.

Talvez esse seja o resumo do que foi Schnellinger. O apelido Volkswagen representava que a equipe sempre poderia contar com seu bom desempenho – confiabilíssimo, regular. Jác“Panzer” foi colocado por conta de seu vigor físico. Aliado à técnica e à versatilidade, o jogador foi idolatrado em Milão, onde atuou por 334 partidas e ganhou nove troféus. Conquistas das mais importantes na história do clube, que a partir da década de 1960 começava, de fato, a ganhar dimensão mundial. Enquanto jogador rossonero, Schnellinger ainda atuou em duas das suas quatro Copas do Mundo, conquistando um vice, em 1966, e um terceiro lugar, em 1970.



Posição: meia
Clube em que atuou: Internazionale (1988-92)
Títulos conquistados: Serie A (1988-89), Supercoppa Italia (1989), Copa da Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1990), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1991), Jogador do Ano World Soccer (1990), Jogador Alemão do Ano (1990), Seleção da Copa (1990) e Integrante da lista Fifa 100

Na primeira temporada do lado azul de Milão, Matthaüs deu o título a Inter em um campeonato de pontos corridos. O gol de falta contra o Napoli, rival direto, garantiu matematicamente o título aos nerazzurri, que só o veriam novamente 17 anos depois. Mesmo construindo o jogo através da defesa, o alemão estava no ápice de seu vigor físico e sempre chegava à área rival. Diego Maradona disse que Matthäus foi o maior adversário que enfrentou.

Matthäus foi o melhor alemão na Itália não somente porque fez história na Inter dos recordes, no começo dos anos 90, mas também porque alcançou títulos individuais e com a seleção nacional no auge de sua carreira. Era líder dentro e fora de campo, criava e defendia, marcava gols, corria o campo todo. Se tornou um dos grandes jogadores da história da Inter e um dos maiores craques que passaram pela Itália. Não à toa, nos anos em que esteve em Milão, o germânico ganhou uma Copa do Mundo, foi líder da campanha recordista dos nerazzurri na Serie A e conquistou quase todos os prêmios individuais da carreira, incluindo os de melhor jogador do mundo, pela Fifa e pela France Football. E, com merecimento, encabeça a nossa lista.