Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Notícia nenhuma é boa notícia

Maicon e Ibra: chaves para que o mercado de Moratti continue tranquilo

É com esse pensamento que os torcedores da Internazionale encaram seu mercado até agora. As confirmações para a próxima temporada vieram no início das férias: saídas de Crespo (Genoa), Figo (fim de carreira), Jiménez (West Ham), Dacourt e Cruz (fim de contrato, ambos) e chegadas dos destaques do Genoa, a dupla sul-americana Diego Milito e Thiago Motta. O brasileiro chega tarde: em 2002, o Barcelona de Van Gaal o ofereceu junto de alguma compensação por Seedorf, mas Moratti recusou para pouco depois entregá-lo ao Milan por Francesco Coco. Sete anos e várias lesões depois, a Inter paga caro por ele.

O que importa é que desde o início do mercado não se passou um dia sem que se especulasse a saída de Maicon ou Ibrahimovic. Para Chelsea, Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Manchester City, tanto faz. O que importa é que a maioria das declarações desse possível vai-ou-fica ganhou um espaço mais importante do que realmente merecia, muito porque costumaram sair de empresários, às vezes nem ligados com o jogador, mas com algum interesse escuso.

Tudo bem que é inegável o declínio da Serie A, já muito atrás da Premier League inglesa e agora perdendo espaço considerável para a plástica Liga espanhola. Entre os anos 80 e 90, jogavam na Itália os melhores jogadores do mundo à época, exceção feita a Romário. O Bari tinha o capitão da seleção inglesa e o melhor croata da história, Platt e Boban. O Pisa tinha Dunga, capitão do Brasil tetracampeão em 1994. Hoje, luta para buscar de volta na Roma o horrível romeno Adrian Pit, que deixou o clube em janeiro.

É também fato que Ibrahimovic deu fortes declarações de uma possível falta de motivação há alguns meses. E que Maicon disse que não confirmava seu futuro, depois de ser colocado numa suposta lista de reforços de Chamartín. Mas daí para muitos dos jornais e endereços que ganham com um mercado movimentado tratarem de aquecê-lo por conta própria... Nenhum dos dois saiu ainda. Nem devem fazê-lo, especialmente Ibra. Enquanto isso, a Inter se move aos poucos para que Deco e Ricardo Carvalho façam seu terceiro trabalho com Mourinho. E o mercado continua aberto para possíveis chegadas promissoras, como Arnautovic (Twente) e Diamanti (Livorno). Por outro lado, não é de se esperar alguma perda mais importante que as de Mancini, Quaresma, Obinna, Vieira, Materazzi, Burdisso e Rivas, só a toque de caixa.

Então que a torcida da Inter não aguarde demais, pois nenhum verdadeiro fuoriclasse vai chegar. Mas a soma dos dois ex-jogadores do Genoa pode bastar. Porque uma contratação-bomba, ainda que Moratti tenha condições financeiras para (e nenhuma vontade ou sustentabilidade de) fazê-la, poderia valorizar o mercado italiano para então quebrá-lo de um jeito que tornaria impossível a missão europeia da Inter. Nesse cenário, notícia nenhuma é, realmente, uma boa notícia.

Renovar!
Se a ordem é renovar, melhor buscar técnicos de fora. José Mourinho lançou Santon e Balotelli em apenas um ano como treinador. Uns podem dizer que é pouco, comparado aos talentos disponíveis na base nerazzurra. Outros podem defender que o português não fez mais do que sua obrigação. Mas bancar um lateral-direito primavera improvisado na esquerda não é nada comum na Itália, nem lançar dois jovens com tantas oportunidades em uma só temporada. Comum é desperdiçar Andreolli ou Acquafresca, ainda que ambos tenham passado mais pela seleção de Marco Branca que pela do treinador.

Numa temporada de estreia convicente, Santou marcou - e bem - Cristiano Ronaldo

Talvez o problema não esteja na Serie A em si, mas sim no comando técnico dos times. Antes o único estrangeiro do campeonato, agora Mourinho terá a companhia do brasileiro Leonardo, que também prevê uma renovação para construir um Milan mais low-profile que o dos últimos anos. Muito treinador italiano já teve chances para lançar bons jogadores nessa década - quantos talentos (discutíveis ou não) foram desperdiçados, por exemplo, com as contratações de Amoruso, que já trocou de clube italiano dez vezes? Não apenas gênios como Maldini, Totti e Baggio devem ter sua chance aos 17 anos. Para a Serie A respirar, os Stovini, Delvecchio e Brienza também precisam subir mais cedo e ter chances.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Com a cabeça em 2006

Lippi lamenta o vexame na África: é hora de reformulação?

O vexame pelo qual a seleção italiana passou nesta Copa das Confederações pode ser considerado o maior dos indícios de que parte da geração que deu o tetracampeonato mundial ao país, há três anos, não tem mais condições de atuar pela Azzurra. Se, desde a Euro 2008, quando a seleção italiana ainda era comandada por Roberto Donadoni, alguns heróis da conquista de 2006 davam sinais de que não tinham mais físico para atuar em alto nível por partidas inteiras, agora a situação está agravada, embora Marcello Lippi ainda demonstre confiança em seu grupo de jogadores.

A imprensa italiana bombardeou o técnico de Viareggio após a eliminação na África do Sul, questionando-o sobre o processo de renovação. Lippi surpreendeu ao convocar o jovem garoto Santon, mas decepcionou ao deixá-lo no banco durante toda a Copa das Confederações. Durante toda a coletiva, Lippi buscou se defender, mostrando uma postura resistente e irônica com os repórteres. No entanto, não é só a mídia que pressiona o treinador pela renovação do elenco: enquetes dos maiores sites esportivos do país apontam que o povo também quer renovação e não é de se estranhar que setores dentro da federação italiana clamem por renovação. Por isso, o treinador da Azzurra deve mudar gradativamente sua lista de convocados.

Lippi pode dar início a uma transição já deveria estar sendo feita desde depois da Euro, com a inserção de nomes mais experientes da Serie A, que tem mostrado qualidade suficiente para desbancar gente como Zambrotta, Grosso, Legrottaglie, Camoranesi, Toni e Pepe - este não por idade avançada, mas por não ser suficientemente bom para a Azzurra. Gente como D'Agostino e Maggio, Montolivo, Pazzini e Rossi, que já foram convocados após a Euro, têm capacidade para ganhar ainda mais espaço na seleção.

Além disso, Lippi tem o dever de mostrar que está a par do que a Itália tem produzido de melhor. os jovens mais promissores do país, que têm quebrado a antiga tradição italiana, que diz que os jovens explodem mais tarde. No Genoa, Criscito e Bocchetti foram titulares durante toda a temporada e se mostraram extremamente competentes. Palladino, por sua vez, cresceu durante a temporada e ganhou a titularidade. Outros nomes interessantes são fáceis de apontar: Giovinco, Marchisio, Balotelli, (o já convocado) Santon, Acquafresca, Matri e Cossu. Por fim, há ainda a possibilidade de apostar em algumas agradáveis surpresas desta Serie A, como o experiente Matteo Ferrari - que fez uma temporada brilhante pelo Genoa e já tem passagens pela seleção.

Fantantonio
Durante a Copa das Confederações ficou nítido um problema de criatividade por parte do time italiano. Pirlo vive um dos piores momentos na carreira e o 4-3-3, sobretudo quando os pontas são Camoranesi e Iaquinta, não tem dado frutos. Daí se entende o fato de que cada vez mais se fala em Antonio Cassano, ou Fantantonio, como é conhecido. O que tem faltado para a Itália é um jogador capaz de dar um toque de fantasia ao time, e, atualmente, apenas Cassano parece ser o homem indicado para estar tarefa. Está na hora de Marcello Lippi chamar o Peter Pan para uma conversa franca, porque , em momentos de crise, não se pode prescindir dos mais talentosos. Não se pode também esquecer: a África do Sul é logo ali.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Dança das cadeiras

Com o fim da temporada, o mercado volta à ativa e não é só dentro das quatro linhas que os clubes buscam reforços. Muitas foram as mudanças no comando das equipes. Sete dos vinte participantes da Serie A terão técnicos novos na temporada 2009-10. São eles: Juventus, Milan, Palermo, Lazio, Atalanta, Sampdoria e Catania.

A vice-campeã Juventus confirmou o ex-técnico das categorias de base, Ciro Ferrara, para comandar a equipe nas duas próximas temporadas. O ex-jogador do clube e da seleção azzurra comandou os bianconeri nas últimas duas partidas do campeonato, substituindo o demitido Ranieri, e conseguiu duas vitórias, garantindo a segunda colocação para o time de Turim. Com isso, obteve a confiança da diretoria, foi efetivado no cargo e agora faz sua estréia como treinador principal. Ferrara tem a difícil missão de bater a rival Inter na luta pelo scudetto. Para isso, conta com a volta de Cannavaro e a contratação de Diego, além dos remanescentes da temporada passada.

Junto com a vecchia signora nessa onda de apostas, vem o Milan. Depois da saída de Carlo Ancelotti para o Chelsea, Leonardo assumiu o comando rossonero e tornou-se o maior ponto de interrogação da Serie A. O brasileiro atuou bem nos bastidores da equipe enquanto esteve por lá, mas não passou por nenhuma experiência no banco de suplentes antes de assumir o comando do time. O máximo que fez foi participar de um curso para técnicos. E a missão de Leonardo é ainda mais difícil que a de Ferrara: fazer com que o envelhecido time do Milan, agora sem Kaká, alcance posições mais altas não só na Serie A, como também na Liga dos Campeões, que volta a disputar essa temporada.

Do lado oposto da península, na Sicília, quem troca de comando é o Palermo, que mesmo tendo feito uma boa campanha, conquistando a 8ª colocação, não conseguiu superar as desavenças entre técnico e presidente. Mais um desentendimento com Maurizio Zamparini, culminou na demissão de Davide Ballardini, que agora muda de ares e vai à Roma treinar a Lazio. Para seu lugar, chega o ex-técnico do rival Catania, Walter Zenga. Desde a derrota no dérbi siciliano o presidente rosanero já mostrava sua admiração pelo técnico: “O Zenga ganhou do Ballardini de 4 a 0. O primeiro é um treinador experiente, o outro é só um aspirante, que virá a ser bom, mas cuja diferença é notável”. Agora Zenga tem que fazer jus à preferência e, com praticamente o mesmo time, tentar superar a 8ª colocação da temporada passada.

Já Ballardini, chega à Lazio com a responsabilidade de substituir o campeão da Coppa Italia, Delio Rossi, que, após quatro temporadas comandando o time, preferiu sair, julgando não estar mais no centro do projeto laziale, já que o presidente Cláudio Lolito sempre desconversava quando perguntado sobre sua renovação. Ballardini chega com um bom elenco em mãos e tem a chance de mostrar porque é considerado um dos técnicos mais promissores da Itália.

No Catania, Gianluca Atzori é quem chega para substituir Zenga. Na verdade, volta. Na temporada 2007-08, Atzori foi auxiliar de Zenga e saiu do time no início da temporada passada para treinar o Ravenna, onde fez uma boa temporada e ficou na 3ª colocação da Serie C1. Atzori ainda é um técnico novo e vai ter sua primeira experiência como técnico na Serie A. A troca do certo pelo duvidoso pode fazer com que a temporada rossoblù seja mais complicada que a última.

Outro nome quase desconhecido na Serie A é o de Angelo Gregucci, substituto de Del Neri na Atalanta. O técnico que treinou o Vicenza na última Serie B, começou a Serie A de 2005 à frente do Lecce, mas foi demitido antes mesmo da 6ª rodada. A aposta nerazurra foi uma surpresa e agora Gregucci vai ter que trabalhar forte para extrair o melhor dos jogadores atalantinos e fazer uma boa campanha.

Luigi Del Neri, por sua vez, tem a chance de assumir uma equipe superior tecnicamente e tentar uma colocação melhor que a 11ª, conquistada com a Atalanta, temporada passada. À frente da Sampdoria, Del Neri vai ter a chance de comandar a badalada dupla Pazzini e Cassano e, assim espera a diretoria, levar os blucerchiati a mais do que uma 13ª colocação na Serie A e um vice-campeonato da Coppa Italia.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Guia: Copa das Confederações

A Copa das Confederações nunca foi lá muito levada a sério. E nunca faltou motivo para isso. O fato é que, ainda que tenha sua importância esportiva bastante questionável, é uma competição que é tratada como algo sério desde que lançada pela Fifa. Lançada em 1992 como Copa Rei Fahd e oficializada pela Fifa em 1997, só em 2001 é que a Copa das Confederações ganhou alguma "finalidade": viraria uma espécie de teste, um ano antes da Copa do Mundo, para quem a sediasse.

Ainda que não seja muito importante, a edição deste ano é a que mais chama atenção em sua história, sem dúvidas. Três das melhores seleções nacionais (Espanha, Brasil e Itália) entram na disputa com o que têm de melhor, o que dá uma boa legitimidade ao público - ainda que, a quatro dias da estreia, menos de 70% dos ingressos tenham sido vendidos, o que a Fifa considerou vergonhoso. O torneio deste mês vai distribuir 14 milhões de euros em prêmios a seus participantes: só a seleção campeã leva três.

Quem vence a Copa das Confederações não tem conseguido repetir o feito na Copa do Mundo, muito pelo contrário. O Brasil campeão em 1997 perdeu na final de 98 para a França. Já a França campeã de 2001 deu vexame e caiu na primeira fase na Ásia. Em 2005, foi a vez do "quarteto fantástico" brasileiro humilhar a Argentina na final para depois ser batido pela França nas quartas-de-final da Copa alemã.

Dos oito times deste ano, três fazem sua estreia: Itália (campeã da Copa do Mundo-06), Espanha (campeã da Euro-08) e Iraque (campeão da Copa da Ásia-07). O Brasil (campeão da Copa América-07), maior participante da história do torneio, vai a campo pela sexta vez em oito edições para defender seu título. Também estão na disputa África do Sul (organizadora da Copa do Mundo-10), Egito (campeão da Copa Africana de Nações-08), Estados Unidos (campeões da Copa Ouro da Concacaf-07) e Nova Zelândia (campeão da Copa das Nações Oceânicas-08).

Ah, Itália!
Na preparação para a Copa das Confederações, a Itália jogou sem sustos. Mesmo testando novas opções (Rossi, Santon, Palombo), além de jogadores que nem foram convocados para a África do Sul (Brighi, Pellissier, Esposito), os azzurri passaram fácil pela Irlanda do Norte e só tiveram alguns problemas contra uma animada Nova Zelândia, mas nada fora do roteiro.

O time que Lippi deve mandar a campo mantém a espinha dorsal do campeão em 2006, ainda que sem Totti e Perrotta, duas de suas principais referências. Mas como o 4-4-1-1 se transformou num 4-3-3, a ausência da dupla não deve ser tão sentida. A Itália vive uma fase particular, mantendo um grupo forte e experiente ao mesmo tempo em que busca novos fôlego com a inserção gradual de alguns bons jovens em seu elenco.

Um ponto que pode pesar a favor é o momento difícil do futebol italiano após a saída de Kaká para o Real Madrid e as várias especulações que pareciam levar Ibrahimovic para o Barcelona. Em 2006, a Nazionale buscou a superação num momento em que precisava tirar da lama o futebol imerso no escândalo de manipulação de resultados que relegou a Juventus à Serie B. Neste ano, jogará para provar que o país pode continuar forte no cenário futebolístico internacional.

O time que deve estrear contra os Estados Unidos tem Buffon no gol; Zambrotta, Legrottaglie, Chiellini e Grosso na defesa; Gattuso, De Rossi e Pirlo no meio; e no ataque Camoranesi e Iaquinta pelos lados e Gilardino no comando. No decorrer da competição, o capitão Cannavaro deve voltar à defesa. A maior dúvida fica no ataque, com Gilardino largando na frente de um Toni de pouca inspiração nos últimos jogos da seleção.

Totti, Cannavarro, Zambrotta...
Goleiros
1. Gianluigi Buffon (Juventus) - 92 jogos
12. Morgan De Sanctis (Galatasaray-TUR) - 3 jogos
14. Marco Amelia (Palermo) - 9 jogos

Defensores
2. Davide Santon (Internazionale) - 2 jogos
3. Fabio Grosso (Lyon-FRA) - 42 jogos, 3 gols
4. Giorgio Chiellini (Juventus) - 18 jogos, 1 gol
5. Fabio Cannavaro (Juventus) - 124 jogos, 2 gols
6. Nicola Legrottaglie (Juventus) - 13 jogos, 1 gol
13. Alessandro Gamberini (Fiorentina) - 6 jogos
19. Gianluca Zambrotta (Milan) - 84 jogos, 2 gols
22. Andrea Dossena (Liverpool-ING) - 9 jogos

Meio-campistas
8. Gennaro Gattuso (Milan) - 67 jogos, 1 gol
10. Daniele De Rossi (Roma) - 45 jogos, 7 gols
16. Mauro Camoranesi (Juventus) - 44 jogos, 4 gols
18. Angelo Palombo (Sampdoria) - 10 jogos
20. Riccardo Montolivo (Fiorentina) - 6 jogos
21. Andrea Pirlo (Milan) - 56 jogos, 8 gols

Atacantes
7. Simone Pepe (Udinese) - 7 jogos
9. Luca Toni (Bayern-ALE) - 44 jogos, 16 gols
11. Alberto Gilardino (Fiorentina) - 32 jogos, 12 gols
15. Vincenzo Iaquinta (Juventus) - 23 jogos, 5 gols
17. Giuseppe Rossi (Villarreal-ESP) - 5 jogos, 1 gol
23. Fabio Quagliarella (Napoli) - 13 jogos, 3 gols

É muito mais díficil. Mesmo.
África do Sul: em 1997, os Bafana Bafana caíram na fase de grupos da Copa das Confederações. Doze anos depois, o buraco é mais embaixo. Sob o comando de um ousado Joel Santana, o time tem a obrigação de pelo menos chegar às semifinais para dar tranquilidade a uma torcida que pode ver o país-sede cair pela primeira vez na fase de grupos de uma Copa do Mundo, no ano que vem. Sem sua maior estrela, o atacante McCarthy, o time aposta em uma pá de jogadores locais liderados pelo meia Modise.

Brasil: contra o grupo de Dunga, a Itália fará o clássico dos nove títulos mundiais na última partida da fase de grupos. O time tem mostrado bons avanços desde a decepção no Mundial, passado, mas a fase opaca de Kaká tende a derrubar a fluidez do jogo brasileiro. A instabilidade do lado esquerdo, de Robinho e Kléber, também é um problema a se resolver. Mas a defesa com a tríade Júlio César, Lúcio e Juan está em fase espetacular e deve se garantir em jogos complicados.

Egito: segundo adversário italiano na fase de grupos, os africanos vão entrar com muita sede. Apesar da má fase recente, os resultados obtidos sob o comando de Hassan Shehata fazem do Egito um forte adversário - o maior problema é a dificuldade do grupo B, com dois multicampeões mundiais e um ascendente EUA. O ataque egípcio, ainda sem Mido e agora também sem o lesionado Zaki, é uma incógnita. A espinha dorsal do Al-Ahly, com Fathy, Hassan e Aboutrika, é a base técnica do time.

Espanha: a seleção-sensação lidera o ranking Fifa e chegam como favorita ao título torneio. O capitão Casillas é um dos melhores goleiros do mundo, Vicente del Bosque mudou pouco a base campeã europeia de Aragonés e mesmo as ausências de Senna e Iniesta por lesão no meio-campo não devem ser tão sentidas naquela que tem tudo para se fimar como a melhor geração espanhola da história. O destaque é o barcelonista Xavi, que encerrou a temporada em grande estilo.

Estados Unidos: com o futebol em franca afirmação no país a partir do advento da Major League Soccer, os EUA têm se tornado um adversário mais duro ao passar dos anos e tomam a Copa das Confederações como teste de fogo para o Mundial do ano seguinte, para o qual já estão praticamente garantidos. A experiência internacional de Donovan, Howard e Bradley pode pesar, mas não ao ponto de garantir vaga nas semifinais. A estreia já é contra a Itália.

Iraque: campeão asiático há dois anos, pouco restou do time comandado pelo brasileiro Jorvan Vieira. Jogadores que chegaram a ser especulados em grandes ligas europeias, como o atacante Mahmoud e o meia Mohammed, acabaram em Catar e Chipre, respectivamente. Desde então, o comando técnico já mudou cinco vezes e o histórico Bora Milutinovic pegou a bomba iraquiana - com o perdão do humor negro. A esperança é a última que morre, mas só ela não deve servir para muita coisa.

Nova Zelândia: novos donos da hegemonia oceânica, depois da associação da Austrália à federação asiática, os All Whites caíram fácil nas outras duas edições que disputaram e não deve ser diferente mais esta vez. O time é extremamente jovem e depende demais dos gols de Killen, artilheiro da última Copa das Nações Oceânicas. A surpresa fica por conta da convocação do também atacante Wood, 17 anos e já com dois jogos pela seleção.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

O Brasil que não deu certo na Itália

Mancini: o futebol foi esquecido na capital?

A transação milionária de Kaká para o Real Madrid roubou todos os holofotes no final da temporada européia. Mas como nem só de Kakas, Patos e Maicons vive a velha bota, o QuattroTratti preparou uma seleção que jogador nenhum gostaria de integrar. Os piores brasileiros no calcio, porque mesmo que o Éder Luiz não acredite, nem tudo deu certo para a ‘ginga brasileira’ na Série A.

Entre ilustres desconhecidos como o zagueiro Ângelo e o meia Fabiano do Lecce, a ‘seleção’ optou por jogadores que criaram alguma expectativa, como Mancini. Contratado para ser uma alternativa ao experiente Figo, o jogador que era fundamental no esquema da Roma passou a esquentar o banco da campeã Inter. Não marcou nenhum gol pela equipe na série A, e terminou o ano pior do que seu companheiro de clube, Adriano. O ex-imperador de Milão chegou a voltar à equipe titular no começo da era Mourinho e marcou três tentos no Italiano, mas os problemas disciplinares e o futebol pouco convincente encerraram a era do atacante na Inter, após quatro títulos italianos.

Se Ronaldinho Gaúcho não foi um fracasso, o astro não teve a regularidade que a torcida do Milan esperava. O gol que garantiu a vitória do Milan contra a Inter e algumas boas exibições pela Copa da Uefa logo foram substituídas pela cadeira de praia na meia-esquerda milanista. E pensar que Berlusconi já declarou que o time será montado em torno do astro. Émerson e Dida também seguiram pelo mesmo caminho. O primeiro praticamente não teve chances de atuar, e quando teve jogou o mesmo futebol fraco exibido no Real Madrid. Dida espanta pela queda vertiginosa. De titular absoluto da equipe nas conquistas da Liga dos Campeões de 02/03 e 06/07, o jogador passou a ser reserva indiscutível de Abbiati e dá calafrios na torcida toda vez que é exigido.

Mas se um clube pode reclamar de boca cheia sobre sumiço do bom futebol dos brasileiros na série A, esse clube é a Roma. Para começar a defesa foi lamentável. Com 61 gols tomados, a equipe só ficou na frente de Lecce, Reggina e Bologna. Doni, que havia conquistado respeito na capital italiana, teve diversos problemas físicos e atuações ruins, tornando-se nome discutível no plantel. Artur teve chances e confirmou o esperado. Não é goleiro para um time de ponta da Série A. Júlio Sérgio atuou em apenas uma partida, imagina-se o motivo. Seguindo na cozinha romanista, Cicinho demorou a se adaptar ao futebol italiano, mas após um início conturbado e de troca de farpas com o técnico Spalletti, fez boas partidas, inclusive na parte defensiva. No momento em que se firmava como um dos jogadores importantes da equipe lesionou-se. Apesar da melhora foi pouco, para o investimento e a expectativa criados no lateral. Os problemas físicos também prejudicaram o rendimento de Taddei e Juan. O primeiro perdeu a qualidade de chegada ao ataque e a parte física que o levou a Roma, tornando-se reserva no novo esquema tático de Spalletti. O segundo jogou apenas 21, das 38 partidas da Roma na série A e mesmo tendo atuações seguras, não foi o zagueiro impecável que se apresenta na seleção.

Felipe, zagueiro da Udinese, não repetiu as boas temporadas que ligaram seu nome a especulações em Roma e Milan. Também com problemas físicos, o jogador acabou atuando em menos da metade das partidas da equipe de Udine. Outros nomes também merecem uma menção honrosa pela péssima temporada. Cribari perdeu a titularidade na zaga da Lazio e deve deixar o clube após quatro temporadas. Kerlon e Coelho, que chegaram como aposta de risco a Chievo e Bologna respectivamente, pouco jogaram e não devem seguir na Itália. Assim como o lateral e meia-externo César, que em total decadência, não conseguiu se destacar no quase rebaixado Bologna.

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