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segunda-feira, 21 de abril de 2014

34ª rodada: Deixaram chegar, mas e agora?

Com sequência de vitórias, Milan se junta ao grupo de equipes que brigam por vaga na Liga Europa (BeIn Sports)
Por quase toda a temporada, foi difícil imaginar que o Milan chegaria a abril e maio com algo em disputa. Pois é, deixaram o Diavolo chegar – e não estamos falando do Flamengo, senhores. Balotelli começou a jogar mais e a ser decisivo, como não vinha sendo na primeira parte da temporada, Seedorf substituiu Allegri e deixou o vestiário e o time mais leve dentro de campo, jogando sem peso nas costas. Reforços como Rami e Taarabt se adaptaram bem e melhoraram o futebol da equipe. São cinco vitórias consecutivas, após o triunfo frente ao Livorno.

Com isso, hoje, os rossoneri só não estariam classificados à Liga Europa porque perdem no confronto direto contra o Parma, que tem os mesmos 51 pontos. Porém, na sétima posição, a equipe de Milão tem chances mais do que reais de se classificar para a segunda maior competição continental da Europa. A questão é: o time chegou, mas vai conseguir uma vaga europeia, de fato? Os dois próximos jogos, no Olímpico contra a Roma, e no San Siro contra a Inter, vão definir o destino da equipe e apenas a vitória interessa.

Além disso, falamos sobre a Juventus quase campeã, a Roma garantida nos grupos da Liga dos Campeões e de uma Inter em recuperação, além da briga na zona de rebaixamento. Confira!

Milan 3-0 Livorno
Jogando contra o penúltimo colocado, o Milan não teve dificuldades para confirmar a vitória e entrar de uma vez por todas na luta pela Europa. Já no primeiro tempo, a equipe treinada por Seedorf abriu o placar, com um gol de cabeça irregular de Balotelli – seu 30º com a camisa rubro-negra – e encaminhou a quinta vitória em sequência. Com 51 pontos, a equipe vê a Inter cinco pontos à frente e o Parma, com a mesma quantidade, à frente no confronto direto. O Livorno, com 25 pontos, ainda sonha evitar o rebaixamento: a distância para a glória continua em três pontos, graças à derrota do Bologna. Para buscar a salvação, a equipe demitiu Di Carlo, que somou apenas um ponto nos últimos seis jogos, e trouxe de volta Nicola.

Após o gol de Balotelli, única emoção de um primeiro tempo lento dos rossoneri, em que Kaká e Robinho passaram longe de brilhar, a equipe cresceu na segunda etapa e o Livorno, que não aproveitou para incomodar no primeiro tempo, sofreu. Insipirado por Balotelli, o Diavolo chegou ao segundo gol com Taarabt, que tabelou com o atacante e marcou seu quarto gol na competição. Depois, Balo serviu novamente: passou a bola para Pazzini, com cavadinha, definir o placar e ver o estádio gritar o nome de Seedorf. Difícil entender porque o treinador ainda corre riscos de ser demitido ao final de maio. (Nelson Oliveira)

Parma 0-2 Inter
O enredo foi parecido com o da semana passada: a Inter entra como visitante para realizar uma partida frente a um adversário difícil, vê seu goleiro brilhar defendendo pênalti e, mesmo sem brilhantismo, vence com autoridade. Desta vez, no Ennio Tardini, a equipe treinada por Walter Mazzarri conseguiu um feito maior do que o da semana anterior, frente a Sampdoria, porque conseguiu superar um adversário direto na briga pela Liga Europa, chegou aos 56 pontos e ampliou para cinco a vantagem sobre os ducali e sobre o Milan, que tem 51, logo abaixo. Os nerazzurri terão tabela difícil nas próximas rodadas, mas terá três jogos em casa (contra Napoli, Lazio e o dérbi contra o Milan, no qual os rossoneri são mandantes). Com os jogos em casa, alguma gordura para queimar e um confronto direto, são boas as possibilidades de a equipe voltar à Europa após uma temporada de ausência.

No gramado do Tardini, debaixo de chuva, a Inter mostrou mais uma vez porque é o grande Robin Hood do campeonato, fazendo bons jogos contra a maior parte dos times da parte de cima da tabela e bem nos confrontos diretos – até agora, na briga pela Europa, só tem desvantagem contra a Lazio. No início do jogo, o Parma era melhor, e Handanovic foi fundamental em cabeçada e cobrança de pênalti de Cassano, interista de coração e quase sempre fatal contra sua ex-equipe – são 23 pênaltis defendidos pelo esloveno em sua carreira, uma altíssima taxa de um terço de acertos. No final do primeiro tempo, Icardi ainda perdeu cabeçada e Cambiasso viu um chute seu explodir na trave e nas costas de Mirante antes de sair. Já no segundo tempo, Paletta acabou expulso aos 3 minutos, ao receber segundo amarelo e a Inter abriu o placar: Hernanes bateu falta e Rolando, de cabeça, marcou seu quarto gol em 2013-14. O Parma saiu em busca do empate, colocou bola na trave, mas esbarrou em uma defesa organizada. No final, Guarín entrou em campo e, no primeiro toque na bola, definiu o 2 a 0. (NO)

Fiorentina 0-1 Roma
Outra vez, a Roma de Rudi Garcia mostrou que, se não fosse a Juventus extraterrestre desta temporada, o título acabaria no Olímpico. Numa complicada partida contra a Fiorentina, em Florença, foram os romanos que mandaram no jogo, favorecidos por uma viola que não contou com homens de área de origem. No duelo entre Cuadrado e Gervinho, dois dos mais velozes pontas do campeonato, melhor para o marfinense da Roma, que embora tenha perdido um gol sem goleiro, fez uma boa partida – o colombiano também, foi o melhor em campo pelos donos da casa, mas não conseguiu ser muito perigoso. O resultado garantiu a Roma na fase de grupos da Liga dos Campeões e, com a verba proveniente da competição, dá para imaginar uma equipe ainda mais forte em 2014-15. Já a Fiorentina continua com 58 pontos e deve se classificar à Liga Europa.

Desde os primeiros minutos, a Roma mandou no jogo, mesmo com alguns desfalques em todos os setores. Atento em campo, quem mais produzia era Ljajic, ex-jogador da Fiorentina e faminto para ter uma boa atuação contra seu antigo clube. Foi dele o primeiro chute que levou perigo ao gol de Neto e o passe que deixou Gervinho com o gol aberto. Também foi dele a jogada do gol que decidiu a peleja: o sérvio deixou Nainggolan na cara do gol, com um passe açucarado entre cinco marcadores, e o belga apenas empurrou para as redes. No segundo tempo, os florentinos buscaram a reação, mas apesar de terem a posse de bola, pouco agrediram, uma vez que Pizarro, Borja Valero, Ilicic e Joaquín estavam em dia pouco inspirado. (NO)

Lazio 3-3 Torino
Jogo movimentado na Cidade Eterna e que exemplificou bem a disputa pela última vaga para a Liga Europa. No final das contas, depois de muita emoção, ruim para ambos os clubes, que deixaram de encostar no vacilante Parma e viram o Milan ultrapassá-los. Na primeira etapa, apesar do gol isolado de Mauri, seu segundo desde que voltou de suspensão por omissão no caso de apostas ilegais, já aos 42, os times mostraram ímpeto ofensivo e várias ocasiões foram criadas, ainda que sem muita precisão, o que mudaria após o intervalo, com cinco gols.

O empate veio logo aos 52, quando Kurtic completou bola cruzada de Meggiorini, aproveitando grande espaço na área laziale. A resposta do time da capital veio dez minutos depois, após Padelli cometer pênalti bobo em Keita. Na cobrança, Candreva, à Panenka, fez 2 a 1. Mas a defesa de Reja voltou a vacilar e Tachtsidis, emprestado pela Roma, completou escanteio de El Kaddouri aos 67, dois minutos após entrar em campo. A Lazio teve Novaretti expulso e diminuiu o ritmo no último quarto, enquanto o Torino partiu para a pressão, quando Immobile deu às caras após partida apagada. A cria juventina alertou Berisha, que salvou três vezes seguidas, mas foi incapaz de segurar a pancada do camisa 9 em tabela com Barreto. Mas a partida só acaba no apito final do árbitro, e Candreva mostrou porque é “o cara” em Formello e empatou aos 94, marcando seu 11º gol na Serie A, após tentativa de chute de Felipe Anderson. (Arthur Barcelos)

Atalanta 1-2 Verona
Numa decisão estranha de Colantuono, o treinador nerazzurro deixou os titulares Cigarini, Morález e Estigarribia no banco, promovendo a titularidade dos jovens Baselli, Livaja e Nica. Num jogo decisivo entre times que ainda sonham com remota chance de Liga Europa, uma decisão muito contestável e que foi decisiva no tropeço da Dea em casa, hoje praticamente fora da briga por vaga europeia. Vacilante em 2014, o Verona venceu a partida contra uma de suas principais rivais de forma inesperada e ainda está caça pela sexta colocação, a dois pontos de Parma e Milan, empatado com Torino e Lazio.

Sem criatividade, os donos da casa nada mostraram na primeira etapa, enquanto os visitantes incomodaram com seus principais jogadores, Toni e Iturbe – o argentino, por sua vez, justificou o apelido de "Iturbo" e foi o motorzinho gialloblù. Mas só na volta do intervalo os gols saíram. Primeiro com Donati, cria da base atalantina, em ótimo chute de fora da área, aos 53. Depois, aos 72, com Toni completando jogada de Iturbe e marcando seu 18º gol. A Atalanta, que teve Cigarini, Morález e Estigarribia no segundo tempo, criou várias oportunidades ainda antes do segundo gol veronês, justamente com os três, mas parou em Rafael e só descontou aos 87 com Denis (12 gols na Serie A), após desvio de Morález em cobrança de escanteio de Cigarini. (AB)

Juventus 1-0 Bologna
Faltam 10. Em um campeonato praticamente impecável da Juve - foram apenas duas derrotas e três empates em 34 jogos até aqui -, o título já está encaminhado e a equipe de Antonio Conte persegue um outro objetivo: superar os 100 pontos. Com a vitória dessa rodada, contra o Bologna, o time já chega a 90 e terá mais quatro jogos para somar os outros 10. Enquanto isso, o Bologna continua sua luta sem fim para tentar permanecer na elite do futebol italiano e a derrota para a Velha Senhora complica sua situação. Agora, a equipe está de volta à zona de rebaixamento em momento crítico: já são cinco jogos sem vencer. 

Apesar da derrota, o time de Ballardini se fechou bem e deu muito trabalho para uma Juve atuando no piloto automático. A estratégia das últimas rodadas - abrir o placar no início e depois administrar o resultado -, porém, não deu certo e por pouco os bianconeri não saem de campo sem a vitória. Sem espaço para criar e com a dupla de ataque sem inspiração, foi Pogba que resolveu. O francês fez jogada individual e acertou belo chute de fora da área para garantir os três pontos. Assediado por times de toda a Europa, o jovem garantiu que nem ele sabe seu destino na temporada que vem. Buffon assistiu à partida de camarote e não precisou fazer nenhuma boa defesa. (Rodrigo Antonelli) 

Udinese 1-1 Napoli 
Em jogo entre dois times que não querem mais nada no campeonato, o empate foi o resultado mais justo. Dez pontos à frente do quarto colocado, o Napoli já está praticamente garantido na próxima Liga dos Campeões e não se esforçou muito para vencer a partida fora de casa. Do lado da Udinese, a opção de Guidolin por deixar Di Natale no banco evidencia que a equipe bianconera - no meio da tabela, sem chance de rebaixamento, nem de classificação para alguma competição europeia - também não almejava os três pontos tanto assim.

Sem Higuaín e Albiol, machucados, os napolitanos começaram melhor e abriram o placar com Callejón aos 38 minutos de jogo. A equipe de Benítez continuou melhor no início da segunda etapa e teve duas chances de ampliar, com Zapata e Insigne, mas não o fez. Um erro do goleiro Pepe Reina, aos nove minutos, então, deixou a Udinese empatar: Pinzi se adiantou, roubou bola que seria para Fernandéz e tocou para Bruno Fernandes, em posição irregular, empatar. A Udinese até procurou mais o jogo depois, mas não criou chances claras. (RA)

Chievo 0-1 Sassuolo
Chievo parecia se encaminhar para mais uma salvezza nas últimas rodadas, mas um tropeço inesperado no Bentegodi esquentou ainda mais a briga contra o rebaixamento. O Sassuolo, que tanto melhorou com a volta de Di Francesco ao comando técnico, engatou o terceiro jogo sem derrota e conquistou fundamentais três pontos fora de casa para sair do Z-3 pela primeira vez desde a vitória sobre o Milan, ainda na 19ª rodada - desde então colecionou derrotas e só venceu o Catania antes dos sucessos contra Atalanta e Chievo.

Dono do jogo, o Sassuolo criou várias chances no primeiro tempo, inclusive o único gol da partida. Floro Flores lançou Berardi e a promessa calabresa marcou seu primeiro 13º gol no campeonato - o atacante, que colecionou polêmicas em 2014, não marcava desde janeiro, quando anotou os quatro gols fatídicos contra o Milan e um contra o Livorno. Os neroverdi ainda criaram algumas oportunidades na segunda etapa, enquanto o Chievo, sem ideias, parou na bem postada defesa emiliana, pouco acionou a dupla Paloschi-Théréau e só fez Pegolo trabalhar na bola parada. (AB)

Catania 2-1 Sampdoria
Tarde demais? Depois de mais de dois meses, o Catania voltou a vencer e ainda tem um pequeno fôlego para tentar uma heroica salvezza nas últimas rodadas da Serie A. Agora, os sicilianos tem 23 pontos, cinco a menos do que o Sassuolo, primeira equipe fora da zona de descenso. Dá para sonhar, uma vez que o elenco rossoazzurro é suficientemente qualificado e a permanência da equipe no fundo da tabela pode até ser considerada surpreendente. Já a Sampdoria, que nada mais almeja na temporada, chegou à terceira derrota seguida.

Jogando em casa, os etnei tentaram marcar desde o início, mas Leto perdeu uma ótima chance frente a Fiorillo. O meia-atacante argentino se redimiu no final da primeira etapa, depois que Peruzzi levantou uma bola e ele acertou esplêndida bicicleta, sem a menor chance para o goleiro. Na segunda etapa, Barrientos perdeu uma bola no meio-campo e Okaka aproveitou. O atacante, se valendo de força física e velocidade, deixou dois adversários para trás, correu por 50 metros e fuzilou Frison, empatando o jogo. Após sofrer o empate, o Catania não se rendeu e desperdiçou chance com Plasil, no minuto seguinte. Na jogada subsequente, Barrientos lançou Bergessio e o atacante decidiu o jogo. Nas arquibancadas, não faltaram insultos a Maxi López, ex-Catania e atualmente na Samp. (NO)

Genoa 1-2 Cagliari
A apatia do Genoa parece não ter fim. Nos últimos oito jogos, foram apenas quatro pontos conquistados. Já são quatro derrotas consecutivas e nenhum esboço de reação da equipe de Gasperini. Assim, o Cagliari não teve muitos problemas para vencer e se distanciar um pouco da zona de rebaixamento, que ainda assusta o time. Agora, os sardos foram aos 36 pontos e abriram oito de vantagem para a zona da degola. Não à toa, o resultado foi tão comemorado pela equipe de Pulga. 

Mas quem saiu na frente foram os donos da casa. Logo aos três minutos, De Maio aproveitou bola rebatida na área e abriu o placar. O Genoa ainda pressionou um pouco depois do gol e até teve a chance de ampliar. Depois que levou o gol de empate, aos 37 da etapa inicial, porém, não se encontrou mais em campo e deixou o Cagliari dominar o jogo. Sau foi quem empatou, após pressão de Ibarbo na saída de bola. No segundo tempo, já aos 36 minutos, o colombiano virou a partida para os visitantes, com voleio. Poucos minutos mais tarde, teve a chance de fazer 3 a 1, mas desperdiçou. Gilardino ainda balançou as redes no fim, no que seria o empate do Genoa, mas estava em posição irregular. (RA)
 
Relembre a 33ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
 
 
Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Rolando (Inter), Cannavaro (Sassuolo), Leandro Castán (Roma); Iturbe (Verona), Candreva (Lazio), Pogba (Juventus), Ibarbo (Cagliari), Ljajic (Roma); Balotelli (Milan), Immobile (Torino). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

terça-feira, 15 de abril de 2014

33ª rodada: Fogo dentro e fora de campo

Em uma rodada cheia de gols, o destaque ficou para os litígios entre Icardi, Maxi López e Samp (Getty Images)
40 gols em 10 jogos, média de quatro por partida. Sem dúvidas, esta foi uma das rodadas mais agradáveis de toda a Serie A. Na manhã de domingo, quem assistia o jogo entre Napoli e Lazio pela RAI, na famosa Giostra del Gol, ouviu por mais vezes que o normal o barulho da tétrica cornetinha que toca na transmissão no momento de cada gol que acontece nos outros jogos, que acontecem simultaneamente – ao todo, a sonoplastia acionou o artifício 21 vezes.

Se a maior parte dos vereditos do campeonato está quase definida há um tempo, ao menos os times tem mostrado hombridade nas partidas e não tem decepcionado no quesito entretenimento. Até mesmo no extracampo, como no caso envolvendo Icardi, da Inter, Maxi López, da Sampdoria, e a modelo Wanda Nara (namorada do primeiro e ex-esposa do segundo), as coisas tem esquentado. Acompanhe o resumo desta fogosa rodada.

Sampdoria 0-4 Inter
O espírito “Pazza Inter” parece não ter fim. Entre tantos tropeços, dúvidas e contestações, o time de Mazzarri não jogou bem, mas fez até mais que o bastante para garantir três pontos fundamentais e seguir em posição mais confortável na zona de classificação para a Liga Europa, já que Parma, Lazio, Verona e Atalanta tropeçaram. A Sampdoria, por sua vez, já fez até mais que o previsto e com Mihajlovic no comando pode comemorar (goleada à parte) uma temporada sem sustos no final. Mas ‘pazzo’ mesmo foi o primeiro tempo, recheado de cartões, faltas, empurrões, discussões e emoção. Icardi, bastante vaiado desde o primeiro toque na bola - por motivos óbvios: ex-jogador da Samp e a confusão com Maxi López, que o ignorou antes do jogo -, Icardi abriu o marcador após jogada de Palacio e não perdeu a oportunidade de provocar a torcida, o que lhe rendeu um amarelo. O jogo, aliás, foi marcado pelos cartões: ao todo Valeri distribuiu dez amarelos e um vermelho, além de ter marcado 39 faltas.
A Sampdoria, por sua vez, não se abateu e manteve o ritmo de início, criando muitas chances contra uma Inter apática, mesmo com um a menos - Éder foi expulso após simulação e confusão com Samuel. Ranocchia cometeu pênalti bobo e Maxi López teve a chance de se redimir. Porém havia um Handanovic no caminho, o que se tornou a máxima do jogo. O goleiro esloveno foi o grande protagonista numa partida marcada pelo extracampo, salvando os chutes de Maxi (outras duas vezes), Sansone, Soriano e Regini. Devagar na primeira etapa, a Inter dessa vez evitou dar chances ao azar e imprimiu bom ritmo na volta do intervalo. Os nerazzurri pressionaram até abrirem vantagem, em três minutos, com Samuel, em escanteio perfeito de Hernanes, e Icardi, em jogada de Kovacic e nova assistência de Palacio – Maurito chegou ao oitavo gol no campeonato. E como só os argentinos marcam gols pelos nerazzurri (quase dois terços, em verdade), Palacio tabelou com Álvarez e guardou o seu 15º na Serie A, decretando o placar final. (Arthur Barcelos)

Udinese 0-2 Juventus
A Roma até sonhou com um tropeço da Juventus, após ter passado pela Atalanta, mas mesmo sem contar com Barzagli, Tévez e Vidal, a Velha Senhora não deu a menor chance à Udinese, no Friuli. Com o resultado, a Juve galopa não só rumo ao título, mas ainda sonha em superar a marca dos 100 pontos no campeonato, algo possível com quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos do certame. Em campo, a partida foi decidida ainda no primeiro tempo, graças a um bonito gol de Giovinco, o melhor em campo, com muita movimentação e um chute na trave, e outro marcado pelo bomber Llorente, que chegou aos 14 gols na Serie A.

A Udinese, por sua vez, foi apática novamente – foram sintomáticas a permissividade da defesa em permitir a entrada de Chiellini na área, em um lance no qual o zagueiro correu por 20 metros sem ser perturbado, e a quase nulidade de chutes a gol. A equipe vive seu mais fraco ano desde a temporada 2009-10, quando Guidolin ainda não treinava a equipe – chegou logo após a má campanha –, segue em 14º. O treinador, que levou a equipe a duas Ligas dos Campeões, costumava dizer que a meta inicial dos bianconeri era escapar do rebaixamento, com 40 pontos, algo que aconteceu com facilidade em três temporadas. Desta vez, em 33 rodadas, a meta ainda não foi batida (a Udinese tem 38). Melhor termômetro para avaliar a má campanha não há. (Nelson Oliveira)

Roma 3-1 Atalanta
Depois do recorde de vitórias consecutivas em toda sua história na Serie A, a Atalanta que parecia tão perto de lutar por uma vaga na Liga Europa, sucumbiu. Após ter sido derrotada na última rodada, a equipe bergamasca foi até a capital, mas foi presa fácil para a Roma, que não teve dificuldade em vencer os nerazzurri. O resultado deixou a Roma a três pontos da Champions League (já está garantindo ao menos na fase preliminar) e ainda sonhando com o título, apesar da vitória juventina.

O domínio giallorosso se deu desde os primeiros minutos. Gervinho, inspirado, deu trabalho ao goleiro Consigli. A pressão deu resultado aos 12 minutos quando Taddei acertou um belo chute de fora da área para abrir o placar. O jogo estava a bel-prazer para Roma, que atacava como e quando queria e não levava sufoco algum da Atalanta. O segundo gol veio já no final da primeira etapa. Após linha de passe na área, De Rossi deixou Ljajic livre e sem goleiro para ampliar o placar. Com o mesmo ímpeto, a Roma chegou ao terceiro gol, com Gervinho, e a Atalanta, numa das poucas vezes que foi ao ataque, chegou ao gol com Migliaccio, definindo o placar em 3 a 1. (Caio Dellagiustina)

Napoli 4-2 Lazio
Em jogo que valia muito para as duas equipes - o Napoli tenta manter a Fiorentina a uma distância segura, enquanto a Lazio ainda buscava vaga na Liga Europa -, o time da casa se deu melhor e venceu com três gols de Higuaín e ótima partida de Mertens. O primeiro tempo foi muito equilibrado, com chances para os dois lados, mas foi a Lazio quem marcou primeiro: Lulic fez finta bonita sobre Albiol, dentro da área e chutou cruzado para abrir o placar. A equipe romana ainda teve chances de ampliar, mas não conseguiu. Do outro lado, o goleiro Berisha fazia boas defesas para evitar o empate. Ele parou Higuaín três vezes, mas não conseguiu desviar o chute perfeito de Mertens, que acertou o ângulo e fez 1 a 1.

No segundo tempo, o equilíbrio desapareceu logo no início, depois que Cana derrubou Mertens dentro da área. Higuaín converteu o pênalti e começou seu show particular. Aos 22 minutos, ele recebeu lançamento longo, venceu disputa contra o desastroso Novaretti e chutou para fazer 3 a 1 para o Napoli. Pouco depois, a Lazio achou um gol com Onazi e voltou a dar emoção ao jogo. A equipe da casa, porém, se fechou bem e não sofreu grandes ameaças. Para fechar o placar, Higuaín marcou mais um nos acréscimos. A tripletta do argentino encerrou um jejum de quatro jogos sem marcar e o colocou com 17 gols no campeonato, apenas dois atrás de Immobile, o artilheiro. Com a derrota, a Lazio fica cinco pontos distante da zona-LE. (Rodrigo Antonelli)

Verona 3-5 Fiorentina

Verona e Fiorentina protagonizaram mais um belo espetáculo na Serie A, com um gol a mais que o jogo do primeiro turno. O time da casa saiu na frente, com Sala. Ele aproveitou a bola espalmada de Neto, em finalização de Iturbe, para balançar a rede. Após perder a primeira, Cuadrado fez: tabela com Borja Valero e emendou um chute potente no espaço mínimo entre a trave e Rafael. O goleiro do Verona ainda fez boas defesas antes de ser vazado novamente. Pasqual cruzou da esquerda, a zaga não afastou e Aquilani aproveitou sozinho, na pequena área.

No segundo tempo, Rafael parou a cabeçada de Aquilani, mas nada pode fazer no rebote de Borja Valero. O Verona ainda perdeu Donadel, expulso cometer fala em Cuadrado, que ia livre em direção à baliza. Dois dos gols seguintes foram de pênalti: o primeiro, de Toni, foi concedido em cima de Iturbe; pela Viola, Matri converteu a punição. Logo na sequência, Aquilani guardou mais um, seu segundo na tarde. Por último, Iturbe ainda deixou a sua marca - depois de Toni ter um gol invalidado por impedimento. Por conta dos outros resultados, o Verona caiu para a 10ª colocação. A Fiorentina permanece em 4º.  (Murillo Moret)

Milan 1-0 Catania

Um tiro de longa distância, de Montolivo, deu a vitória ao Milan ante o Catania, no San Siro. O meio-campista rossonero marcou seu 3º gol na competição - dois deles foram marcados exatamente contra os elefantini. Em suma, o Milan conseguiu a quarta vitória consecutiva - esta sem Honda, Essien, Muntari, El Shaarawy e De Sciglio - e segue buscando uma vaga em competições europeias. Ao derrotar a Sampdoria, a Inter continua com cinco pontos de vantagem para o Milan. Vantagem esta que é possível tirar nas rodadas restantes da liga.

Por outro lado, o Catania segue na lanterna e praticamente está certo na Serie B da próxima temporada. Oito pontos separam os elefantini do Bologna, primeiro time fora da zona do rebaixamento. Não somente a equipe não melhorou em campo com o técnico Maurizio Pellegrino; o time da Sicília ainda enfrenta Roma, Verona, Atalanta e o próprio Bologna. (MM)

Torino 2-1 Genoa
Foi um jogo sem muitas emoções até os 41 minutos do segundo tempo. Torino e Genoa faziam partida ruim, com muitos passes errados e pegada forte no meio de campo. Quando todos pensavam que o 0 a 0 já estava definido, porém, as equipes parecem ter acordado. Gilardino, que tinha acabado de entrar, aproveitou um dos únicos passes certos da partida para fazer 1 a 0 para os visitantes. Desesperado, o Torino se lançou ao ataque e, já nos acréscimos, conseguiu empatar, com bonito chute de Immobile de fora da área. Com 19 gols, ele se isola na artilharia da Serie A.

No minuto seguinte, os cerca de 17 mil presentes no estádio Olímpico de Turim foram ao delírio em um lance muito parecido com o de Immobile: Cerci carregou a bola e, do mesmo lugar de onde saiu o primeiro gol, arriscou novo chute. A bola entrou no mesmo canto que Immobile tinha acertado, mas foi um balaço no ângulo. Um gol que levou a torcida e o banco granata à loucura, pois deu a vitória ao Torino, que agora sonha em jogar a Liga Europa no ano que vem. A equipe de Ventura chegou a 48 pontos na tabela, cinco atrás da Inter, quinta colocada. O Genoa, por sua vez, continua com campanha mediana e ocupa a 13ª posição na tabela, sem mais objetivos no campeonato, uma vez que a salvezza está garantida. (RA)

Bologna 1-1 Parma
O dérbi emiliano já decidiu até vaga na Serie B, em partidas-desempate, que existiam na Serie A até a década passada. Porém, o jogo que abriu o domingo não foi um "spareggio". Bologna e Parma, maiores times da Emília-Romanha, estão em situações bastante diferentes nesta temporada: enquanto os rossoblù brigam para não caírem, os parmenses tentam voltar a disputar competições continentais. Neste contexto, o empate não serviu a nenhuma das duas equipes, e nem pode ser muito comemorado pelo Bologna, que até poderia ficar satisfeito com o pontinho, mas vencia até os minutos finais da partida. Com o resultado, o Parma, 6º colocado com 51 pontos, viu a Inter abrir dois pontos de vantagem e também viu Torino e Milan, com 48 pontos, ficarem a apenas uma vitória para alcançá-lo. O Bologna, por sua vez, é o 17º, com 28 pontos, e está três pontos acima da zona de rebaixamento.

Em campo, depois de um primeiro tempo morno, o Bologna chegou ao gol após uma bola levantada na área, aos 43 minutos. O zagueiro Cherubin ganhou de Paletta, dominou e bateu forte para vencer Mirante – na comemoração, homenagem a Della Rocca, bom meia da equipe, afastado desde janeiro por lesão no joelho. Sem Cassano, vetado por problemas físicos, o Parma sofreu para empatar e só conseguiu a 11 minutos do fim do tempo regulamentar, frustrando os rivais. Biabiany levantou bola na área e Palladino pegou de primeira e não deu chances a Curci. Apesar do empate, o técnico do Parma, Donadoni, elogiou o resultado. Ao menos a equipe entrará em campo diante da Inter, no Tardini, no próximo domingo, podendo ultrapassar a equipe de Milão no confronto direto. (NO)

Livorno 2-4 Chievo
Jogo maluco na Toscana. Livorno e Chievo não são equipes exuberantes, que marcam muitos gols e criam várias oportunidades, mas o peso de fugir da zona de rebaixamento pesou dessa vez. Foram mais de 30 chutes, a metade no alvo, seis gols, e boas defesas dos bons Bardi e Agazzi. Mas a estrela do jogo foi Paloschi, que marcou sua primeira tripletta na temporada e participou de todos os gols da fundamental vitória gialloblù, que deixa o Chievo em posição mais confortável, a cinco pontos do próprio Livorno, que já esboçou reação, mas não poderia ter perdido um jogo de seis pontos como esse. Situação complicada.

Como o placar indica, o jogo foi movimentado, e com menos de dez minutos a rede já tinha balançado duas vezes. Siligardi abriu o placar de cabeça aos 6, mas três minutos depois Paloschi empatou. Em jogada do bomber revelado pelo Milan, com quem ainda tem vínculo (co-propriedade), Théréau virou para o time do Vêneto aos 23. Vantagem que pouco durou, já que dez minutos mais tarde uma penalidade inexistente foi marcada e Paulinho empatou a peleja. Quando tudo se encaminhava para o empate antes do intervalo, Paloschi voltou a aparecer e marcou, de letra, o terceiro do seu time, que seguiu em ritmo alto no segundo tempo até marcar pela última vez, sempre com ele, Paloschi, anotando seu 13º gol nesta Serie A, o 10º em 2014. (AB)

Sassuolo 1-1 Cagliari
Abrindo a rodada, o Sassuolo recebeu o Cagliari no Mapei Stadium. Precisando desesperadamente da vitória na luta contra o rebaixamento, o time emiliano demonstrou muita vontade na primeira etapa, e só. Mesmo com o gol de Zaza, aos 35 minutos, o time neroverde demonstrava pouca intimidade com a bola, próximo do gol. Berardi, empolgado pela convocação de Prandelli para testes físicos, era o mais voluntarioso, mas ainda está longe do jogador que brigou pela artilharia na metade do campeonato.

Mesmo ainda correndo riscos, o Cagliari em poucos momentos se mostrou com gana de vencer, tanto que em toda primeira etapa não incomodou Pegolo. A ilusão de uma vitória salvadora acabou para o Sassuolo no começo da segunda etapa, quando Antei cometeu pênalti em Ibarbo, que Ibraimi converteu Sem forças, o Sassuolo se entregou à marcação rossoblù e com o empate, manteve-se na vice-lanterna, agora há três pontos do Bologna, primeiro time livre do rebaixamento. (CD)

Relembre a 32ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
 

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Cuadrado (Fiorentina), Samuel (Inter), Mexès (Milan), Dodô (Roma); Aquilani (Fiorentina), De Rossi (Roma); Higuaín (Napoli), Icardi (Inter), Paloschi (Chievo), Cerci (Torino). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Considerações sobre os testes de Prandelli

Prandelli ainda tem dúvidas sobre quais jogadores virão ao Brasil (Getty Images)

Nesta sexta-feira, 11, o treinador da seleção principal italiana Cesare Prandelli convocou 42 jogadores para avaliação física. Os testes serão realizados nos dias 14 e 15, segunda e terça-feira da próxima semana, no centro de treinamento da Federação Italiana de Futebol (FIGC), em Coverciano, Toscana.

Por causa do calendário, os jogadores foram divididos em dois grupos, nos quais os de Juventus, Udinese e Milan, que entrarão em campo pela 33ª rodada da Serie A nas noites de domingo (13) e segunda (14), treinarão no dia 15. Jogadores que não joguem na Itália não foram convocados, por não se tratar de data Fifa.

A lista não tem a pretensão de definir os convocados para a Copa do Mundo, mas apenas avaliar a condição física de jogadores e observá-los para a sequência do trabalho. São os casos, por exemplo, de Baselli, Bernadeschi, Bertolacci, Bonaventura, Rômulo, Berardi, Gabbiadini e Zaza. Estes não têm a menor chance de ir para o Brasil. Salvo em caso de lesões ou se Prandelli resolver inovar demais.

Também há muitos presentes que estão quase certos no Mundial, casos de Buffon, Barzagli, Bonucci, Chiellini, De Sciglio, Paletta, Aquilani, Candreva, De Rossi, Marchisio, Montolivo, Pirlo, Balotelli, Cerci, Gilardino, Osvaldo e Insigne. Sirigu, Criscito, Motta, Verratti e Giaccherini, os "estrangeiros", também deverão estar em terras brasileiras. Maggio, fora da temporada por uma pneumotórax, não foi chamado e sua condição está sob avaliação.

Algumas considerações: Bardi, Mirante, Perin e Scuffet disputam a última vaga de goleiro. Astori e Ranocchia brigam por um lugar na zaga, enquanto Abate, Darmian, De Silvestri e Pasqual na lateral. Entre os meias, Florenzi, Parolo e Poli são concorrentes. No ataque, Cassano, Destro (que treinará separado em Roma sob observação; porque agrediu Astori e foi vetado da convocação, segundo o código ético da Nazionale) e Immobile esperam por um "milagre": a(s) ausência(s) de Gilardino e/ou Osvaldo, presenças constantes nas convocações desde 2011, mas ambos em má fase nesta temporada e sem grandes desempenhos pela Nazionale. 

Prandelli não comenta nada, mas informações de bastidores dão conta de que Gilardino tem perdido espaço nos planos do treinador e tanto Destro quanto Immobile podem ganhar vagas. Na Serie A, quem tem os melhores números é Destro (18 jogos e 13 gols; com média de um gol a cada 85 minutos – só Messi e Agüero tem mais, no futebol europeu), mas Immobile (28 jogos e 18 gols) é o artilheiro do campeonato. Gilardino (29 jogos e 13 gols) é homem de confiança do treinador, mas a grande fase dos jovens pode fazer Prandelli descartá-lo.

Rossi e El Shaarawy, que voltaram a treinar normalmente neste mês, são nomes que agradam Prandelli - o primeiro sempre foi convocado quando esteve 100%, em 2010, 2011 e 2013; o segundo fez parte do grupo da Copa das Confederações - e suas condições físicas deverão ser melhor avaliadas. Podem estar presentes na Copa, especialmente 'Pepito' Rossi, em tese o parceiro de ataque de Balotelli. El Shaarawy precisará de uma reta final de campeonato espetacular para ter seu espaço de volta. Parece improvável, visto que ele vinha jogando mal antes de se lesionar.

O fato de Prandelli ter convocado Cassano, mas não Totti ou Toni ainda não exclui a presença dos dois últimos, veteranos e remanescentes do time que foi tetracampeão mundial em 2006 – se juntariam, assim, a Buffon, Barzagli, De Rossi, Pirlo e, quem sabe, Gilardino entre os heróis de Berlim. A não-convocação de Toni e o chamado de Rômulo, ambos do Verona, chamou atenção por uma questão: se esperava que, caso Prandelli convocasse um jogador do Hellas, Toni seria o primeiro jogador dos butei a vestir azzurro desde Gigi De Agostini, em 1987. Porém, Rômulo é quem conseguiu o feito.

Confira os convocados no site da FIGC.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Silêncio: Pirlo joga

O primeiro gol contra o Lyon foi de Pirlo. Um golaço incrível de falta (Foto: Reuters)

Foi difícil. Foi complicado. O grito de gol ficou preso na garganta dos torcedores que lotaram a Arena Juventus na tarde desta quinta-feira por bastante tempo. Até que Marchisio tirou um coelho da cartola, acertando um tirambaço em Koné, que enganou Anthony Lopes. O tento da vitória da Juve por 2 a 1 para avançar à semifinal da Liga Europa. O Lyon parou por aí.

Antes, a torcida já havia gritado gol. Bem cedo, aliás. Em cinco minutos de jogo, a Senhora já tinha criado duas chances. A primeira, com Tévez, não entrou; na segunda tentativa, Pirlo, em cobrança de falta, jogou a bola para dentro da meta defendida por Lopes. O goleiro nem se mexeu. O tento do veterano, no entanto, recuou a Juventus. Com a vantagem de dois gols, a equipe mandante deixou o Lyon comandar a partida. Mvuemba e Malbranque, ajudados por Tolisso, pela direita, pensavam o ataque para que Briand ou Lacazette tivesse condições de finalização. 

O empate veio com Briand. O time francês cobrou escanteio curto, Mvuemba deu um balão para a área e o atacante marcou de cabeça. Marchisio, que estava na marcação, deu bastante espaço ao adversário. Ainda na primeira etapa, uma boa jogada trabalhada pela esquerda acabou nos pés de Gonalons. O capitão do Lyon soltou uma pancada de fora da área que Buffon espalmou. 

Na etapa complementar, os comandados de Antonio Conte voltaram a dominar o jogo assim como nos primeiros 15 minutos disputados em Turim. Enquanto os jogadores bianconeros teimavam em cair na área (ou perto) do Lyon, Lacazette foi derrubado por Chiellini no Setor Pirlo, aquele em que o meio-campista adora bater falta. Mvuemba bateu forte, no canto de Buffon. O goleiro, meio que no susto, jogou a bola pela linha de fundo. Na sequência, Tévez foi flagrado em posição irregular ao cabecear o cruzamento de Pirlo e marcar gol. Minutos depois, a defesa do Lyon deu espaço e Marchisio finalizou da intermediária. A bola bateu em Umtiti e parou apenas na rede. 

Com a classificação à fase semifinal, a Juve espera por Sevilla, Benfica ou Valencia. Independentemente do rival, existem alguns pontos que necessitam ser trabalhados pela comissão técnica nos próximos dias. 

Pirlo foi o melhor jogador de Juventus-Lyon. Entretanto, novamente a equipe penou para se armar ofensivamente quando Malbranque o marcou de perto. Bastou para Bonucci iniciar as jogadas. Só com lançamentos longos - e geralmente errados. Nem Marchisio, nem Vidal foram capazes de recuar para ajudar o regista. Quando no primeiro tempo o Lyon tinha o controle do confronto, a única boa jogada tramada pela Juve foi exatamente quando Marchisio voltou para construir o ataque. Malbranque se descuidou com dois adversários para marcar e Pirlo achou Marchisio, que rapidamente ligou para Asamoah. 

Está definido que Lichtsteiner joga a Serie A enquanto Isla é titular na Liga Europa. Só que o chileno precisa entrar no jogo um pouco mais cedo. Seu primeiro avanço à linha de fundo aconteceu aos 30 minutos do primeiro tempo. Bedimo, neste meio tempo, nem passou tanto da linha do meio de campo, visto que as principais ações do Lyon eram feitas pelo meio, com Mvuemba e Gonalons, e pela direita, com Tolisso e Ferri.

Por último, a questão Vucinic. Llorente, autor dos dois gols ante o Livorno, na última rodada da liga, ficou no banco de reservas. O montenegrino iniciou a partida entre os 11 contra os franceses e errou tudo o que tentou: domínios, passes... A única explicação plausível é que os alienígenas de Space Jam roubaram sua qualidade neste primeiro semestre de 2014.

Juventus 2-1 Lyon
Quartas de final da Liga Europa
Arena Juventus, em Turim, na Itália

Juventus (3-5-2): Buffon, Cáceres, Bonucci e Chiellini; Isla, Vidal (75' Pogba), Pirlo, Marchisio e Asamoah; Tévez (77' Giovinco) e Vucinic (59' Llorente). T: Antonio Conte

Lyon (4-1-2-1-2): Lopes, Tolisso, Koné, Umtiti e Bedimo; Gonalons, Ferri, Mvuemba e Malbranque (75' Danic); Lacazette (69' Gomis) e Briand (70' N'Jie). T: Rémi Garde

Gols: Pirlo (4'), Briand (18'), Umtiti (68', contra)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Serie B: soberano, Palermo voltará à elite

Artilheiro do Palermo, Abel Hernández é um dos destaques do elenco "de Serie A" rosanero (Getty Images)
Restando apenas nove rodadas e pouco menos de dois meses para o final da campanha regular, a Serie B chega na reta final e as disputas estão cada vez mais acirradas com tanta irregularidade e surpresas. Na ponta da tabela, contudo, o Palermo segue soberano e cada vez mais próximo não apenas da volta pra elite do futebol italiano, mas também do tetracampeonato da segunda divisão.

Palermo
Finalmente vingando as expectativas do início da temporada, o Palermo cresceu sob o comando de Iachini, substituto de Gattuso, e agora justifica as largas diferenças de orçamento com os outros clubes. Os rosanero estão invictos há mais de três meses, somando nove vitórias e cinco empates nos últimos 14 jogos. Com 32 pontos conquistados de 42 possíveis, e um aproveitamento de 76,1%, o time siciliano alavancou ainda mais sua vantagem na liderança do campeonato. Hoje estão 13 pontos na frente do Empoli.

Empoli
Sempre entre os três primeiros colocados desde o início da Serie B, e líder até a 19ª rodada, o Empoli tem tropeçado muito em 2014 e seu retrospecto preocupa para uma volta à Serie A. Os azzurri estão fora da principal divisão do futebol há seis anos e, depois de bater na porta em 2012-13, o retorno parecia quase certo até pouco tempo atrás. Neste ano, o time de Sarri e dos veteranos Tavano (16 gols) e Maccarone (12), responsáveis por 66,6% dos gols marcados, soma apenas três vitórias em 12 partidas. São cinco empates e quatro derrotas. Números parecidos que tinham até a 21ª rodada, com seis empates e quatro derrotas, mas 11 vitórias.

Cesena, Crotone e Latina
Na cola do vacilante Empoli, os times de três regiões diferentes (Cesena da Emília-Romanha, centro-norte; Crotone da Calábria, sul; Latina do Lácio, centro) têm feito boas campanhas nesta temporada, até acima das expectativas. O clube emiliano, inclusive, só não tem a mesma pontuação do Empoli (53) por punição (-1, 52) e com Bisoli no comando, o mesmo que levou os “cavalos marinhos” pra Serie A em 2009-10, são 13 vitórias, 14 empates e seis derrotas, com 38 gols marcados e 25 sofridos (a segunda defesa menos vazada).

Como já falado aqui, o Crotone é uma das equipes mais interessantes de se assistir. Ofensivo, o time treinado por Drago ainda é uma boa oportunidade de seguir alguns jovens talentos. Até mesmo pela baixa idade dos jogadores - tem a segunda menor média do campeonato, 23,7 anos -, o clube calabrês é instável, com 14 vitórias, nove empates, 10 derrotas, 46 gols marcados e 40 sofridos. Mas depois de algum tempo ficando no meio da tabela, os “tubarões” ou “pitagóricos” parecem prontos para dar um salto e a vaga no playoff, e consequente sonho por uma inédita Serie A, está próxima.

O novato do campeonato, o Latina, é uma grata surpresa nesta temporada. Os “leões nerazzurri” se renovaram para a primeira temporada na Serie B e, apesar de quase todo o elenco ter sido montado em 2013 (um ou outro jogador relevante no elenco está desde 2012), o time comandado por Breda é um dos mais organizados taticamente. Pragmático, tem a terceira defesa menos vazada e não costuma brilhar no ataque, dependendo dos gols do brasileiro Jonathas, ex-Cruzeiro, Brescia e Torino. Também é um grupo homogêneo, a se destacar os veteranos Cottafava (36 anos, dos melhores zagueiros da temporada), Morrone (35) e Bruno (30) e os jovens Iacobucci (22, entre os melhores goleiros), Brosco (23), Ristovski (22), Alhassan (21), Crimi (24, entre os melhores meias), Viviani (22) e Jonathas (24, entre os artilheiros).

Siena
Um dos rebaixados da Serie A 2012-13, o Siena tem a segunda melhor campanha desta temporada, mas por várias punições o time toscano ocupa apenas a sétima colocação. São 14 vitórias, 14 empates e cinco derrotas, o que lhe deixaria com 56 pontos, mas com -8 por problemas financeiros e disciplinares, tem 48 e está a cinco do segundo colocado. Apesar disso, a campanha mostra que o time de Beretta tem feito sua parte, com destaque para os veteranos Rosina e Pulzetti, e os jovens Rossetti, Spinazzola e Lamannna. Com o crescimento nos últimos jogos, ao menos os bianconeri deverão brigar no play-off pela volta à Serie A.

Modena e Bari
Com uma das melhores campanhas da Serie B em 2014, o Modena superou a irregularidade da primeira parte do campeonato e hoje objetiva o play-off. Três pontos atrás do Avellino, o último colocado na zona de play-off, e dentro da multidão que ainda sonha com a última vaga pra Serie A (são mais de dez), o clube emiliano tem feito boa campanha sob o comando de Novellino, importante jogador no Milan de Liedholm do scudetto de 79, inclusive substituindo Rivera no seu último ano como jogador. Depois de anos na Sampdoria e alguns péssimos trabalhos na sequência, o técnico caiu no ostracismo e, apenas agora vai realizando novo bom trabalho.

O ex-meia tem filosofia semelhante a de outro ídolo rossonero, Sacchi, e monta seus times no 4-4-2 com marcação por zona. Neste ano são seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, o que impulsionou o time para a posição de hoje. Tem ainda o terceiro ataque mais goleador, muito por causa de Babacar, sim, ele mesmo, autor de 16 gols e sete assistências. E como não poderia deixar de ser diferente, tem como destaques veteranos (Garofalo, vice-líder de assistências, Zoboli e Granoche) e jovens (Molina e Mangni da Atalanta, Babacar e Salifu da Fiorentina, Rizzo e Signori da Sampdoria, Bianchi do Sassuolo, e Mazzarani da Udinese).

Outro que tem tido bons meses em 2014 é o Bari. Pelo menos em campo, melhor dizendo. Fora, o clube foi à falência no mês passado depois de anos de gestão da família Matarrese, e hoje, provavelmente com o nome Football Club Bari 1908 (atualmente Associazione Sportiva Bari) espera um investidor (com no mínimo 10 milhões de euros) para manter o tradicional clube da Apúlia - confira aqui a matéria da Gazzetta dello Sport de hoje.

Por outro lado, os torcedores entenderam o mau momento e tem ido ao San Nicola apoiar o time. Dos quatro maiores públicos desta Serie B, três são do Bari, todos nos últimos jogos em casa. E o resultado em campo não poderia ser diferente: nos últimos seis jogos (desde fevereiro), foram cinco vitórias e um empate. Os comandados de Alberti estão invictos há um mês no campeonato e, mesmo com três pontos a menos por punição, estão próximos do play-off e almejam um lugar entre os oito melhores, o que ajudaria significativamente o clube e sua reestruturação.

Trapani e Avellino
Como o Latina, Trapani e Avellino vieram da terceira divisão e tiveram momentos de destaques na Serie B (aqui e aqui). Hoje, ambos estão na zona de play-off, mas os últimos resultados tendem a crer que sicilianos e campanos dificilmente estarão em boas condições de brigar por uma vaga na elite italiana. O Trapani, que teve período de invencibilidade entre novembro e março - ao todo 14 jogos, oito vitórias e seis empates, a maior série de jogos sem perder do campeonato, agora prestes a ser superado pelo Palermo -, tem tropeçado desde o mês passado, e desde então tem três derrotas, dois empates e duas vitórias, o que fez ser ultrapassado por Cesena, Crotone e Latina e encostado com o Siena. A equipe, no entanto, continua confiando em Mancosu, artilheiro da competição, com 20 gols.

Já o time da cidade dos Sopranos, Avellino, fazia ótima campanha até a 24ª rodada, muito acima das expectativas, mas bastou uma série de seis jogos sem vencer (quatro empates e duas derrotas) para perder espaço entre os melhores. Agora na oitava colocação, ocupa a tão disputada última vaga para o play-off e é ameaçado por Lanciano, Modena, Pescara, Spezia, Bari, Brescia, Varese, Carpi e Ternana, que fazem o meio da tabela em um campeonato tradicionalmente embolado. Desde março, a equipe fez sete jogos, perdeu três, empatou dois e venceu apenas dois. Com tantos tropeços, é bom abrir o olho.

Novara, Padova e Reggina
Uma das melhores equipes em 2013 na última temporada, o Novara quase voltou para a Serie A, mas nesta tem decepcionado. Com um dos melhores elencos do campeonato, o fracasso é enorme e pode ficar ainda pior. Com a Ternana a cinco pontos e sonhando com vaga no play-off, o clube piemontês é o primeiro na zona de play-out e precisa ficar atento para não evitar uma vergonha. Com uma tabela complicada pela frente, o time treinado por Aglietti poderia evitar o play-out abrindo cinco pontos para o 19º colocado, hoje o Cittadella, e desde que o treinador voltou (foi demitido em novembro e retornou em fevereiro) os azzurri tem tido um retrospecto melhor, com três vitórias, três empates e duas derrotas. 

Time com vários jovens interessantes, como Kelic, Benedetti, Pasa, Vinícius, Almici, Jelenic, Moretti, Improta e Pasquato (apenas os últimos três têm tido algum destaque, especialmente Pasquato, depois de vários flops), além de velhos conhecidos como Santacroce, Modesto e Rocchi, o Padova não tem tido bom ano e desde a primeira rodada está entre os piores cinco times do campeonato. O que é uma grande decepção, já que nas últimas três temporadas o clube do Vêneto teve boas campanhas (5º em 2010-11, 7º em 2011-12 e 11º em 2012-13), mas nesta é seríssimo candidato para a nova Serie C (as Lega Pro Prima e Seconda Divisione acabarão, criando uma terceira divisão com 69 clubes).

Depois de flertar com o rebaixamento na última temporada, a Reggina, que frequentou a Serie A na última década, está a um passo de seguir a Juve Stabia para a Serie C. O time do calabrês Gagliardi (se quiser dar algumas risadas, veja aqui, aqui e aqui) não tem dado boa resposta e só venceu uma partida das últimas oito. Não é por falta de elenco, também, já que os amaranto tem jovens bons como Dumitru, Fischnaller, Maicon (da base do Grêmio), Strasser, Sbaffo, Barillà, Frascatore e Adejo, além do veteraníssimo Di Michele, camisa 10 e principal destaque com sete gols e seis assistências, mas ainda não o bastante para evitar um fracasso. Afinal, com elenco e estrutura para ousar um retorno à elite, galopar rumo à terceirona é um grandíssimo vexame, tanto para padovanos quanto para calabreses.

Seleção da Serie B (até a rodada 33)
Iacobucci (Latina)
Laurini (Empoli), Muñoz (Palermo), Rugani (Empoli), Garofalo (Modena)
Galano (Bari), Barreto (Palermo), Crisetig (Crotone), Nizzetto (Trapani)
Babacar (Modena), Mancosu (Trapani)
Treinador: Iachini (Palermo)

Perfil tático da Serie B
3-5-2 (5) - Palermo, Latina, Avellino, Brescia, Cittadella
4-2-3-1 (5) - Cesena, Spezia, Bari, Varese, Juve Stabia
4-3-3 (5) - Crotone, Siena, Lanciano, Carpi, Ternana
4-4-2 (3) - Trapani, Modena, Padova
4-3-1-2 (2) - Empoli, Novara
3-4-2-1 (1) - Pescara
4-1-4-1 (1) - Reggina

Classificação da Serie B aqui.
Principais estatísticas da Serie B aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

32ª rodada: A volta à "Europa de verdade"

Implacável, Destro se candidata a uma vaga no grupo italiano para a Copa (Getty Images)

A Roma de Rudi Garcia tem 76 pontos em 32 jogos. O time campeão com Fabio Capello, em 2001, fez 75 em 34. Luciano Spalletti levou a sua Roma a 82 em 38, mas não foi campeão, em 2008, porque a Inter virou uma partida contra o Parma, nos minutos finais, e garantiu o título. Estes números mostram como, em situações normais, a Roma deste ano poderia ser campeã, mas tem os feitos reduzidos porque a Juventus de Antonio Conte é fenomenal em solo italiano. Ao menos, como um alento, os romanos praticamente garantiram a volta à Liga dos Campeões, competição que não disputa há três temporadas. Acompanhe o resumo da rodada.

Cagliari 1-3 Roma
18 partidas, 12 como titular, substituído em 10, e 13 gols. Ninguém marca como Destro, na Serie A, em tão pouco tempo: um gol a cada 85 minutos – na Europa, somente Messi e Agüero tem médias melhores. Vítima de lesões e desconfiança, o garoto formado na base da Inter tem superado os problemas em alto estilo e mostrado seu potencial, como já mostrara no seu primeiro ano na capital italiana. Sonhando com um vaga para a Copa de 2014, o atacante deu boa amostra para Prandelli e marcou os três da fundamental vitória giallorossa na Sardenha. Agora os romanos estão 12 pontos à frente do Napoli, praticamente confirmando a vaga para a fase de grupos da Liga dos Campeões, competição que a Roma não disputa desde 2010-11. 

O time de Garcia não foi brilhante, muito menos foi superior, mas mostrou objetividade e soube aproveitar bem o bom posicionamento e faro de gol de Destro. Todos os gols saíram ou em contra-ataques ou triangulações rápidas. O primeiro veio aos 32, quando o próprio Destro puxou contragolpe, abriu para Gervinho e este devolveu para o italiano abrir o placar. O seguindo saiu pouco depois da volta do intervalo, quando após bola parada adversária, Nainggolan recuperou e lançou Destro com um campo inteiro para correr, ajeitar e fuzilar Avramov. E enquanto o Cagliari perdia suas oportunidades, Gervinho fez novo ataque contra a defesa sarda desmontada, abrindo para Florenzi na esquerda e este centrando para Destro fazer sua tripletta. Os donos da casa só foram mexer nas redes de De Sanctis aos 89, após pênalti contestável de Benatia em Pinilla. O próprio chileno descontou para os sardos, em posição mais tranquila que os adversários na briga contra o rebaixamento. Ainda assim, o bastante para Cellino demitir López e chamar Pulga novamente, treinador do time em 2012-13 e vice-treinador nesta temporada – ele havia se demitido dois meses atrás. (Arthur Barcelos)

Juventus 2-0 Livorno
Fácil como tirar um doce da boca de uma criança. Jogando em casa, a líder do campeonato dominou a partida contra o Livorno e, com dois gols de Llorente no primeiro tempo, definiu a parada. O resultado mantém a Juve na ponta, com 84 pontos, oito sobre a Roma, mas segundo o técnico Antonio Conte, o campeonato ainda está aberto. Após o jogo, o treinador reconheceu a grande campanha da equipe romana, que só não lidera porque a Juventus tem números extraterrestres e ainda sonha em superar os 100 pontos. O Livorno, muito mais modesto, segue na 18ª posição, com 25 pontos, dois abaixo de Chievo e Bologna, que estão fora da zona do descenso.

No Juventus Stadium, a equipe bianconera deu as cartas desde os primeiros minutos, buscando muito as jogadas pelos flancos, acionadas por um Pirlo novamente sólido, após prestações opacas. Porém, foi em uma chance criada por Tévez que Llorente recebeu e girou para o gol, abrindo o placar, aos 32 minutos. Três minutos depois, após cobrança de escanteio de Pirlo, o espanhol cabeceou para baixo e contou com uma falha de Bardi para ampliar e chegar ao seu 13º gol na temporada. No restante do jogo, a Juventus manteve a bola quase o tempo inteiro no campo de ataque e Buffon só trabalhou após chute de Duncan, quando fez a única (e grande) defesa nesta segunda. (Nelson Oliveira)

Parma 1-0 Napoli
O Parma conseguiu voltar a vencer após três derrotas consecutivas na Serie A. Os crociati bateram o Napoli por 1 a 0, no Ennio Tardini. A partida não foi lá muito corrida; as duas equipes não tiveram tantas chances de gol. O time visitante começou o jogo melhor e, aos 10 minutos, teve um gol corretamente invalidado. Insigne bateu falta e Fernández, impedido, tocou por debaixo de Mirante. O único tento anotado na disputa foi de Parolo, num chute violento da entrada da área após cruzamento rasteiro de Cassani. A bola entrou no ângulo esquerdo.

Zapata entrou no lugar de Higuaín na etapa final (foi a terceira vez que o argentino foi substituído nos últimos quatro jogos), e foi o protagonista de um lance polêmico. O jogador driblou Mirante e caiu dentro da área. O árbitro Mauro Bergonzi não marcou pênalti e ainda mostrou cartão amarelo ao atacante – de forma acertada, o que é quase um milagre, para um dos piores apitadores do campeonato. Para o Parma, a rodada foi ótima, uma vez que a Inter não venceu e os crociati pularam para a 5ª colocação pelo número de vitórias. O Napoli permanece em 3º lugar, 12 pontos atrás da Roma. Nada deve mudar para os azzurri até o final desta temporada. (Murillo Moret)

Fiorentina 2-1 Udinese
A Udinese não é a mesma sem Di Natale. E isso ficou ainda mais claro logo no início do jogo contra a Fiorentina. A equipe de Guidolin começou bem o jogo no Artemio Franchi e teve duas chances de abrir o placar contra os donos da casa. Mas quem estava no ataque era Muriel, não Di Natale: em dois bons contra-ataques, o colombiano não soube aproveitar as chances e o placar continuou zerado. Quem comemorou primeiro foi outro colombiano. Melhor homem em campo mais uma vez, Cuadrado chutou de longe, aos 25 minutos, para abrir o placar.

Depois, já na metade do segundo tempo, ele apareceu decisivamente de novo, sofrendo o pênalti que Rodríguez converteu para consolidar a Fiorentina na quarta colocação do campeonato. A marcação do árbitro Celi indignou os friulanos, que ainda diminuíram no final da segunda etapa, em chute malicioso de Bruno Fernandes. Assim, a Udinese permance na 14ª posição, com 38 pontos e sem objetivos na competição, enquanto a Fiorentina vai a 55 e abre cinco de vantagem sobre a Inter, quinta colocada. A vaga na Liga Europa está praticamente garantida, mas o sonho pela Liga dos Campeões ainda não foi deixado de lado. Pelo menos é isso que afirma Montella, mesmo com o Napoli nove pontos à frente: "O futebol reserva surpresas". (Rodrigo Antonelli)

Inter 2-2 Bologna
 A Inter não desaponta na arte desapontar. Após a derrota para a Juventus, o time de Mazzarri emplacou sequência de seis jogos de invencibilidade, mas a partir da 29ª rodada, o time voltou a falhar. A equipe conquistou míseros três pontos em quatro partidas, sendo três confrontos em casa – e o jogo fora de casa, contra o freguês Livorno. Nesse sábado, pela décima vez no campeonato os nerazzurri cederam o empate e perderam outra oportunidade de confirmar a vaga na Liga Europa, hoje ameaçada por Lazio, Verona, Atalanta, Torino e Milan. São mais de 20 pontos perdidos, que poderiam colocar a equipe na terceira colocação. Para o Bologna, apesar de seguir a apenas dois pontos da zona de rebaixamento, um ponto inesperado, e, portanto, importante – especialmente para o psicológico do time.
 
Com a bola rolando, apesar da superioridade e favoritismo, a Inter não foi mais perigosa que o Bologna, que pela terceira vez consecutiva arrancou pontos em Milão – duas vitórias e este empate. O 3-4-3 de Mazzarri, com Hernanes regendo para o trio Álvarez-Icardi-Palacio foi pouco criativo e produtivo, e novamente as principais chances saíram dos pés dos alas, inclusive o primeiro gol, em cruzamento de Nagatomo completado por Icardi. O time bolonhês, por sua vez, era perigoso nos contra-ataques puxados pelos gregos Lazaros e Kone. Mas foi numa bela jogada de Garics, concluída com dois chutes fortes ao gol de Handanovic que Cristaldo desviou o segundo petardo, de Pazienza, que o empate chegou. Na volta pra segunda etapa, com mais jogo entre linhas e controle da posse, após a entrada de Kovacic no lugar de D’Ambrosio, reposicionando o time no 3-5-2, as chances foram criadas pelos meias. Assim saiu o segundo gol de Icardi (na verdade, um golaço, em chute colocado e forte de fora da área) e o lance que originou o primeiro pênalti a favor do time milanês nesta Serie A, em erro do árbitro Mazzoleni. Milito perdeu a oportunidade de garantir três pontos, já que naquela altura o adversário tinha chegado a novo empate, com Kone, em falhas individuais de Cambiasso e Rolando. Vale registrar que Juan Jesus rompeu o ligamento colateral de um dos joelhos e só volta em 2014-15. (Arthur Barcelos)

Lazio 2-0 Sampdoria
As esperanças de voltar à Liga Europa permanecem vivas para a Lazio. Com a confiança de Reja, a equipe laziale bateu a Sampdoria, no estádio Olímpico e se aproximou da Inter, última equipe classificada para o torneio europeu. Sem Klose e com Postiga, a Lazio teve dificuldades para criar e finalizar, até que Candreva conseguiu o gol de alívio para a equipe. Keita, um dos melhores jovens do campeonato, fez bela jogada na lateral da área e cruzou para o meia italiano que deu um leve toque, para tirar de Da Costa.

A expulsão de Biglia na segunda etapa quase complicou a equipe romana, mas Lulic tratou de definir o resultado com um belo chute de direita, aproveitando cruzamento de Mauri e consolidar a vitória. A Samp ainda reclamou de um pênalti não marcado em cima de Éder e lamentou a bola tirada em cima da linha por Biava, mas pelo pouco que criou, o resultado foi merecido. O destaque no final do jogo ficou pela estreia de Joseph Minala, que ficou muito conhecido pela polêmica envolvendo sua verdadeira idade. O jogador entrou em campo com a camisa 58 e não faltaram piadinhas daqueles que diziam que aquela era sua verdadeira idade – seus documentos dizem que ele tem 17, mas uma polêmica surgida em Camarões levantou suspeitas de que ele tem, na verdade, 41. (Caio Dellagiustina)
 
Atalanta 0-2 Sassuolo
Depois de receber, no treino de sábado, mais de mil torcedores entusiasmados com a possibilidade de ingressar na zona de classificação para a Liga Europa, a Atalanta decepcionou jogando em casa e perdeu para o penúltimo colocado Sassuolo. A derrota encerrou uma sequência de seis vitórias seguidas dos nerazzurri e deixou o sonho europeu um pouco mais distante. Sexta colocada no início da rodada, a equipe caiu para a oitava posição e agora está quatro pontos atrás da zona-LE. O Sassuolo, por sua vez, volta a somar pontos após três derrotas seguidas e já pode sonhar de novo com a salvezza. Agora, apenas três pontos o separam de Bologna e Chievo, logo acima da zona da degola.

A equipe visitante soube se portar muito bem defensivamente e deu poucas chances para a Atalanta, que criou só duas oportunidades de gol, ainda no início do primeiro tempo. Aos 32 minutos, Sansone fez boa jogada individual e invadiu a área pela direita para chutar cruzado e abrir o placar. Já no segundo tempo, aos 25, o jogador apareceu bem de novo e marcou 2 a 0 em cobrança de falta, chegando ao seu quinto gol no campeonato. Apesar da derrota, o técnico Colantuono não jogou a toalha e afirmou, em coletiva após o jogo, que a Atalanta continuará lutando por vaga na Liga Europa até a última rodada. O próximo desafio é contra a Roma. (RA)

Chievo 0-1 Verona
No primeiro turno, o Chievo venceu o Verona no dérbi exatamente na estreia do técnico Eugenio Corini. No último sábado, o Hellas devolveu: 1 a 0, no Marc'Antonio Bentegodi. A velocidade do ataque do Ceo foi o destaque da primeira parte de jogo. Obinna e Paloschi deram muito trabalho a Moras e Maietta. O nigeriano finalizou duas vezes pra fora, sendo uma delas no um-a-um contra Maietta. Se a pontaria do Chievo estava péssima, a do Verona... Hallfredsson, antes do intervalo, quase marcou um golaço do meio de campo. A bola explodiu na forquilha.

O Verona voltou mais incisivo para a etapa final. Agazzi fechou o gol em oportunidades de Iturbe (duas vezes) e Rômulo. Porém, o goleiro não foi capaz de negar o tento a Toni, aos 15 minutos. Cacciatore cruzou da direita, o centroavante dominou e chutou rapidamente no canto direito. Luca Toni, de 36 anos, entrou para a história do Hellas como o primeiro jogador a marcar 16 gols numa temporada. Ele é o 3º maior goleador do campeonato e até mandou um recado para Cesare Prandelli: ele quer jogar a Copa! Além de não somar pontos, o Chievo ainda viu Bologna e Sassuolo conseguirem bons resultados na parte de baixo da tabela. (MM)

Genoa 1-2 Milan
Na partida que fechou a rodada, o Milan contou com uma boa atuação do marroquino Taarabt para chegar à terceira vitória consecutiva e ao quarto jogo sem derrotas. Agora, os rossoneri tem 45 pontos e estão apenas cinco pontos atrás de Inter e Parma, respectivamente na 5ª e 6ª posições, atualmente classificadas para a Liga Europa. Nas próximas rodadas, a equipe treinada por Seedorf enfrenta Catania e Livorno, na zona de rebaixamento, além de Atalanta e Inter, concorrentes diretos a uma vaga na competição. Há boas chances de a equipe dar a volta por cima e conseguir a classificação ao torneio. Para o Genoa, o campeonato será para cumprir tabela, uma vez que, com 39 pontos, o time não tem mais objetivos em 2013-14.

No gramado do Marassi, o Milan teve a primeira grande chance com Pazzini, aos 10 minutos, mas o atacante cabeceou para fora – ele substituía Balotelli, que ficou no banco devido a uma gripe e só entrou nos minutos finais. O gol saiu aos 20, depois que Kaká deu passe de calcanhar e Taarabt avançou para marcar o primeiro. Após o gol, apesar do leve domínio rossonero, o Genoa mostrava agressividade, mas não aproveitava as imprecisões de Abbiati – e também não contou com a sorte, depois que Mexès errou corte de cabeça. Na segunda etapa, um Honda apagadíssimo recebeu passe de Taarabt e, com cavadinha, ampliou o placar, marcando seu primeiro gol na Itália. Com a desvantagem, o Genoa se lançou ao ataque e diminuiu depois que, em voleio, Motta contou com um toque na trave e em Abbiati para marcar. Na sequência, o Milan se salvou do empate depois que o goleiro e Mexès afastaram o perigo, em belas jogadas. (NO)

Catania 1-2 Torino
Era o jogo para reavivar o Catania na luta pela salvezza. Era. Isso porque a vitória escapou em três minutos de desatenção, já no final da partida e, se não puseram fim às esperanças de permanecer na primeira divisão, deixaram-nas bem próximas. Logo aos dois minutos de partida, Bergessio trouxe a alegria à torcida elefantini, mas a falta de qualidade na equipe fizeram com que a equipe de Maran não soubesse aproveitar o ritmo lento de um Torino que parecia conformado com o meio de tabela.

Mas na segunda etapa, o jogo foi outro. O Toro voltou diferente e até achou o gol com Maksimovic, que foi bem anulado. Mas, quando tudo indicava uma surpreendente derrota,  a superioridade granati se fez valer nos minutos final e, com El Kaddouri e Immobile (que chegou ao 18º na competição, igualando a Tevez na artilharia da Serie A), o time de Ventura reagiu e virou a partida, sacramentando a quinta derrota consecutiva do time rossoblù que o coloca bem perto da Serie B, de onde seu arquirrival, Palermo, está saindo para assumir o posto de siciliano na elite do futebol italiano. (CD)

Relembre a 31ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.


Seleção da rodada
Curci (Bologna); Cacciatore (Verona), Paletta (Parma), Biava (Lazio); Cuadrado (Fiorentina), Biondini (Sassuolo), De Rossi (Roma), Taarabt (Milan), Sansone (Sassuolo); Destro (Roma), Llorente (Juventus). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Um minuto para Bonucci

Bonucci deu a vitória ao time italiano contra o Lyon; classificação ficou mais próxima (Foto: Squawka)

Tévez, aos 10 minutos do segundo tempo, sentiu lesão na virilha e pediu para ser substituído imediatamente. Em seu retorno ao time - o argentino não atuou contra o Napoli, suspenso -, ele foi o jogador que mais ofereceu perigo ao ágil goleiro Anthony Lopes. Na primeira oportunidade, Tévez cabeceou pra fora um domínio perdido por Osvaldo dentro da área. Na segunda, esticou demais a bola lançada por Pirlo; Lopes saiu bem.

Vucinic entrou no lugar do argentino durante a etapa final. O intuito, claro, era melhorar a equipe que mais tinha sofrido que oferecido perigo. Malbranque parou em Buffon e, na sequência, no primeiro tempo, Briand se aproveitou da falha de marcação de Bonucci, mas jogou a bola por cima do alvo. Em 15 minutos, Vucinic já tinha feito mais que Osvaldo durante toda a partida. Ajeitou a parte ofensiva do time e distribuiu melhor a bola para as chegadas constantes de Pogba e Asamoah. 

Corta para os dez minutos finais da partida. 

Giovinco, que substituiu Osvaldo no decorrer da segunda etapa, fez uma excelente jogada para servir Vucinic, que saiu da marcação e chutou por cima da meta. Ele estava dentro da pequena área. Quase debaixo do gol. Um lance inacreditável. No minuto seguinte, o montenegrino abafou a saída de bola de Koné. O zagueiro cedeu escanteio para a Juventus. Pirlo corre para a faixa esquerda do Gerland. O volante cobra rasteiro, curto. Marchisio cruza rapidamente, Koné não afasta e Pogba chuta com força. A bola explode em Tolisso e Bonucci, todo torto, bate Lopes com uma finalização alta. 

Durante os acréscimos, Briand ainda tentou. Infelizmente para sua equipe, Cáceres recompôs bem e o passe para Gomis ficou nos pés de Chiellini. Os franceses bem que tentaram abusar da defesa juventina a partida inteira com os avanços em velocidade de Briand, Lacazette e Mvuemba, talvez lembrando que foi assim que a Juventus sofreu com o Napoli, na última rodada disputada da Serie A. Não foi o bastante.

No aniversário do técnico do Lyon, Rémi Garde, a Juventus venceu por 1 a 0 e ficou mais próxima da vaga na semifinal da Liga Europa. Ficou difícil demais tirar a classificação dos bianconeri, que definem se ficam com a vaga na Arena Juventus, em Turim.

Lyon 0-1 Juventus
Quartas de final da Liga Europa
Estádio Gerland, em Lyon, França

Lyon (4-1-2-1-2): Lopes, Tolisso, B. Koné, Umtiti e Bedimo; Gonalons, Ferri, Mvuemba e Malbranque (86' Fekir); Lacazette (75' Gomis) e Briand (89' Njié). T: Rémi Garde

Juventus (3-5-2): Buffon, Cáceres, Bonucci e Chiellini; Isla (78' Lichtsteiner), Pogba, Pirlo, Marchisio e Asamoah; Tévez (56' Vucinic) e Osvaldo (62' Giovinco). T: Antonio Conte

Gol: Bonucci (85')