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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Os 5 maiores brasileiros da história da Fiorentina

A Fiorentina é um dos clubes da Velha Bota que mais tem tradição quando o assunto é jogadores brasileiros. No começo esse namoro foi um pouco tímido, mas as poucas investidas foram para lá de correspondidas e bem sucedidas. Neste século, o clube de Florença passou a olhar nossos atletas com mais atenção e a lista de brasileiros na terra renascentista cresceu bastante, embora muito mais em quantidade do que em qualidade e idolatria.

Quem mais poderia ter se aproximado disso nos últimos anos foi Felipe Melo, mas uma temporada só foi pouco para que o pitbull pudesse criar laços com o clube. É mais o que poderia ter sido do que o que realmente foi. E ter trocado a Viola pela rival Juventus também não ajudou nem um pouco.

Dá para medir a grandeza da relação entre a Fiorentina e o Brasil ao analisarmos que no primeiro scudetto de sua história o clube tinha em Julinho Botelho um de seus principais jogadores. No segundo, lá estava Amarildo, protagonista em mais uma conquista. Ao longo dos anos, jogadores brasileiros fizeram parte do elenco violeta em seus melhores momentos. 

E próxima a anunciar a falência, a Viola conquistou a Coppa Italia de 2001 tendo o volante Amaral como titular absoluto e Leandro Amaral marcando três gols nas quartas-de-final, contra o Brescia. Do primeiro ao último título, os gigliati também tiveram um tom de verde e amarelo em meio ao mar violeta. Ao todo, 33 brasileiros já vestiram a camisa da Fiorentina em sua história. Atualmente, fazem parte do elenco o goleiro Neto e o meia Octávio.

No nosso levantamento, não consideramos o brasileiro naturalizado belga Luís Oliveira, pois ele trilhou toda a sua carreira internacional com o passaporte europeu – e até jogou pelos Diabos Vermelhos nos anos 90. Oliveira, no entanto, foi bem, e foi uma boa alternativa de ataque em uma Fiorentina que tinha Rui Costa, Batistuta e Edmundo.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Brasileiros da história da Fiorentina (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking): 
Adriano, Alan Empereur, Alex, Almir, Amaral, Amarildo, Amauri, Anderson, Angelo Sormani, Antoninho, David Mateo, Dino da Costa, Dunga, Edmundo, Felipe, Felipe Melo, Filipe Gomes, Guilherme do Prado, Keirrison, Jefferson Siqueira, Julinho Botelho, Leandro Amaral, Marcão, Márcio Santos, Marcos Miranda, Mazinho, Neto, Sergio Clerici, Octávio, Reginaldo, Rômulo, Ryder Matos e Sócrates.

5º - Edmundo


Posição: atacante
Período em que atuou: 1998-99
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

A passagem de Edmundo na Fiorentina pode ser definida com o velho clichê 'amor de carnaval', mas, paradoxalmente, o que acabou com a lua de mel entre o atacante e a torcida Viola foi justamente a Festa da Carne. O 'Animal' certamente formou uma das melhores duplas de ataque dos anos 1990, ao lado de Batistuta. Ambos eram municiados pelo português Rui Costa, e Edmundo entendeu que precisava ser menos matador e mais útil ao time. No começo isso funcionou e a sintonia entre esses três pilares era perfeita, tanto é que a Viola chegou a liderar a Serie A por 16 rodadas na temporada 1998-99.  Mesmo quando o jogador começou a se desentender com o técnico Trapattoni isso não afetou o rendimento da equipe, mas então o brasileiro começou a brigar com os próprios companheiros e o caldo começou a entornar.

Nem todos sabem, mas no fatídico episódio do carnaval, Edmundo teve permissão da Fiorentina para voltar ao Brasil, sendo inclusive acompanhado por um preparador físico do clube. Mas como o time começou a desandar, o atacante foi responsabilizado pela perda de um possível scudetto não só pela torcida, mas também por seus companheiros. Atitude compreensível, mas um tanto quanto ingrata para um jogador que marcou 14 gols em sua breve passagem e contribuiu diretamente para que a equipe disputasse a Liga dos Campeões, fato pouco usual na história do clube.

4º - Sócrates


Posição: meia
Período em que atuou: 1984-1985
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Ídolo incontestável do Corinthians e admirado por grande parte do povo brasileiro, Sócrates infelizmente não foi tão bem em sua curta passagem pela Toscana. As dificuldades já começaram desde sua chegada a Itália, haja visto que o Doutor foi contratado para substituir ninguém menos que o maior ídolo da história da Fiorentina, Giancarlo Antognoni, que ficaria um ano parado por grave lesão. Uma missão que para lá de ingrata.

Sócrates vestiu a malha viola 25 vezes, mas nunca caiu nas graças da torcida e encontrava obstáculos para convencer até mesmo os seus companheiros. Alguns dizem que o brasileiro tentou colocar em prática a ideologia da democracia corinthiana - vista como liberal demais para os italianos - e não foi bem aceito. Outros culpam a frequência de Sócrates em festas e eventos noturnos, e o excesso do atleta no consumo do álcool. Seja lá o que for, a Fiorentina só pode lamentar ter contado com um dos maiores jogadores da história e não ter obtido sucesso.

3º - Dunga


Posição: volante
Período em que atuou: 1988-1992
Títulos conquistados: Copa América 1989
Prêmios individuais: nenhum

A birra que alguns brasileiros pegaram com o agora treinador Dunga em nada lembra o gosto pelo ótimo volante aguerrido e com visão de jogo apurada. Tanto é que o gaúcho é lembrado com muito carinho pelos torcedores gigliati até hoje.

Dunga chegou à Florença em 1987, mas a Viola já contava com estrangeiros demais e ele acabou emprestado ao Pisa, da própria Toscana – somente um ano depois o volante conseguiu se estabelecer na equipe. Se o time contava com a mítica dupla Baggio e Borgonovo no ataque, Dunga era o responsável por liderar o meio-campo. Dono da camisa de número 4, o brasileiro chegou a final da Copa Uefa em 1990, mesmo ano em que passou a ser dono também da faixa de capitão da equipe com a chegada do técnico Sebastião Lazaroni. A saída do volante foi conturbada, mas não chegou a manchar os dias de glória do Cucciolo.

2º - Amarildo


Posição: atacante
Período em que atuou: 1967-1971
Títulos conquistados: Serie A 1968–69
Prêmios individuais: nenhum

Campeão do Mundo com a seleção brasileira em 1962, Amarildo ficou famoso por substituir Pelé no Mundial. E na Fiorentina o atacante também chegou para o lugar de outro ídolo: Kurt Hamrin. O 'Possesso' trocou o Botafogo pelo Milan e ficou na Lombardia por quatro anos, onde levantou o caneco da Coppa Italia de 1967. Mas foi em Florença que o atacante enfim conquistou um scudetto: Hamrin ganhou o dele pelo Milan, em 1967-68, e Amarildo o dele, pela Viola, na temporada seguinte. Mas o brasileiro ganhou isso e muito mais.

“A Fiorentina completou a minha vida. Eu joguei no Milan, ganhei títulos lá. Depois fui para a Fiorentina e ganhamos o título de 68-69. E foi lá que eu formei a minha família: casei, tive filhos... e fiquei apaixonado também pela cidade e fui conquistado pelo povo fiorentino. Até hoje eles não me esquecem. Eles ainda escrevem para mim. É um dos pontos mais marcantes da minha vida esportiva", contou o atacante ao Quattro Tratti.

1º - Julinho


Posição: atacante
Período em que atuou: 1955-1958
Títulos conquistados: Serie A 1955-1956, Coppa Grasshoppers 1957
Prêmios individuais: nenhum

Apenas três estrangeiros têm a honra de figurar no Hall da Fama do museu da Fiorentina: o sueco Kurt Hamrin, o argentino Bruno Pesaola e, é claro, o brasileiro Julinho Botelho. Na Portuguesa, o atacante já deu mostras de que seria um jogador de quilate diferenciado, mas sua passagem pela Fiorentina foi ainda melhor. Foi mágica.

Graças a ele, a Viola conseguiu seu primeiro campeonato nacional e, consequentemente, maior projeção na Europa. Julinho jogava aberto pelo lado direito e era tão mortal nesse setor, com seus dribles e cruzamentos, que chegou a ser comparado a Garrincha. Mas não se limitava a isso e por vezes atuou também centralizado. Pela Seleção, Julinho foi eleito o melhor jogador da Copa de 1954, mas abdicou do Mundial seguinte, vencido pelo Brasil, por achar que um jogador do futebol local merecia mais a vaga. O jogador também mostrou essa sensibilidade em sua saída do time italiano, que só se deu porque seu pai faleceu e Julinho não queria deixar a mãe solitária no Brasil. Em julho de 2014, o Palmeiras bateu a Fiorentina por 2 a 1, em um amistoso realizado em São Paulo, e conquistou um troféu que recebeu o nome do jogador.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Quando Garrincha foi laziale

Acredite, Garrincha já passou pela Lazio (Interleaning)
Todo amante do futebol conhece Mané Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas, um dos maiores jogadores que o esporte bretão já teve. Famoso por seus dribles desconcertantes - e muitas vezes humilhantes -, o ponta aterrorizou os adversários do Botafogo e da seleção brasileira na década de 60.

O bicampeão mundial tem lugar garantido no Olimpo do futebol e no coração dos fãs do esporte. Garrincha era "a alegria do povo", um gênio com a bola nos pés. Isso é do conhecimento de todos. O que pouca gente sabe é que a história do ponta direita com a Europa vai além de duas Copas do Mundo disputadas no Velho Continente, um título mundial e um filho bastardo. Além da estrela solitária do Botafogo e do amarelinho da Seleção, o camisa 7 já vestiu o branco e o celeste da Lazio. Mesmo que o craque não tenha entrado em campo em nenhum jogo oficial, nem mesmo em amistosos, ele passou pelo clube mais antigo de Roma e, por dois dias, foi atração para poucos torcedores italianos.

Em 1970, Garrincha acompanhou a sua esposa, a cantora Elza Soares, em uma turnê pela Itália. Garrincha estava sem jogar há pouco mais de dois meses, quando deixara o Flamengo. O ponta, então, treinou com a Lazio durante sua estadia na Cidade Eterna. Durante os dias 19 e 20 de fevereiro, Mané suou o uniforme biancoceleste e surpreendeu a todos que o viram jogar com a divisa laziale. E não pelo lado bom.

Uma reportagem publicada pela revista Placar, à época, é bem descritiva sobre o parco estado físico, técnico e emocional de Garrincha. Escreve Fulvio Befacchi: "Tudo fica destruído quando Garrincha entra em campo, como na semana passada, no estádio da Lazio. Ele tropeça no eu peso, na falta de velocidade, na falta de raciocínio, e seus dribles sensacionais não passam de inúteis tentativas. Quem destrói os sonhos de Garrincha não são mais os grandes zagueiros do mundo, são jogadores modestos, esforçados, quase sem técnica. Para eles ainda estava viva a imagem do grande Garrincha. Morreu quando lhe pediram para bater um pênalti e o chute saiu desajeitado, torto, forte, alto, bem longe do gol. Os jogadores da Lazio ficaram decepcionados".

Eram poucos torcedores, no centro de treinamentos da Lazio, cerca de 20. Garrincha não atraía mais grandes multidões, aos 36 anos. Então, os torcedores do clube capitolino, que poderiam ficar maravilhados com a magia das pernas tortas do brasileiro, não viram lá o que esperavam. Por dois dias, a Lazio foi a casa do maior driblador da história do futebol, que não era mais o mesmo. Garrincha estava esperando uma chance em qualquer time da Itália – e apesar de ter treinado na Lazio, o jogador nutria simpatia por Helenio Herrera, técnico da Roma naquele momento. No entanto, o mercado italiano estava fechado para a contratação de estrangeiros desde 1966 e Garrincha e Elza tinham a ilusão de que a lei seria revogada – apenas em 1980, 10 anos depois, a contratação de estrangeiros foi liberada.

Apesar de tudo, o evento teve destaque na imprensa italiana. "Garrincha 'laziale': também ontem, como quinta-feira, Garrincha treinou com a Lazio. Aqui está o brasileiro todo empenhado em um exercício no chão com os outros biancazzurri", estampou um jornal da época, que trazia a foto do ponta-direita fazendo um aquecimento com os atletas da equipe azul e branca. "Garrincha treinou com a Lazio", dizia outro jornal. "Treinou ontem com a Lazio o ponta brasileiro Garrincha. Um pouco fora de forma, mas capaz de números extraordinários, Garrincha divertiu o público e os próprios jogadores biancazzurri, participando da partida na melhor faixa do campo", exagerou um terceiro.

"Sempre foi o maior sonho de minha vida jogar aqui. Roma é uma cidade maravilhosa. Vim para a Itália só com alguns contatos e por enquanto não mudou nada. Mas ainda vou jogar na Roma", disse o ingrato craque à Placar, para depois emendar uma opinião sobre o melhor jogador do mundo: "É Riva, da Itália. Pelé já não pode mais ser considerado um atacante puro. Riva sim", disse. Garrincha não chegou a atuar por nenhum clube italiano, mas, quem o viu treinar aqueles minutos com a camisa da Lazio certamente ficou pensando em como o tempo faz mal até aos grandes craques do futebol.

Colaborou Nelson Oliveira. Leia a reportagem completa da Placar aqui.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O futuro da Itália, com Conte

Conte posa ao lado de Tavecchio, presidente da FIGC (La Stampa)

Duas semanas atrás, a seleção italiana não tinha a menor perspectiva de futuro. A partir da definição de Carlo Tavecchio como presidente da FIGC, as coisas começaram a se encaixar - de alguma forma. Três dias depois, então, Antonio Conte foi anunciado como novo comissário técnico da seleção.

Conte, segundo o próprio, começava a se preparar a nível técnico-tático, e também aprender novos idiomas enquanto esperava a proposta de um clube grande estrangeiro, talvez na próxima temporada. Mas o ex-treinador da Juventus era o único nome realmente desejado por Tavecchio, que só pensaria em eventuais planos B (Luciano Spaletti ou Alberto Zaccheroni, por exemplo), em caso de negativa do treinador. Que aceitou o convite rapidamente, sem titubear, diga-se de passagem.

Nessa terça-feira, Conte concedeu sua primeira coletiva no comando da Nazionale e já deixou algumas coisas mais claras, depois de dois meses de tantas incertezas. Primeiro, respondendo sobre seu contrato e a participação de patrocinadores no valor total do seu salário: “Quem conhece Antonio Conte sabe que nada e ninguém pode decidir por mim”. A Puma, patrocinadora da seleção e de alguns atletas, paga boa parte de seus rendimentos.

Também esclareceu seus critérios e deixou algumas indiretas, para bad boys como Balotelli. “Todos os jogadores italianos são convocáveis, mas a convocação deve ser merecida. Eu valorizo o jogador, mas também o homem. Olho para o que acontece em campo e fora também. Eu sempre fiz assim: entre um bom homem e um bom jogador, escolho o primeiro. Sou um treinador que vê tudo em 360 graus, a minha experiência ensinou que apenas os homens te ajudam a superar a dificuldade. Começo do zero. Só confio nos meus olhos, não dos meus patrocinadores e dos jornais”, declarou.

Com contrato até julho de 2016, o foco da contratação de Conte é de um trabalho de curto prazo, mas há perspectiva de desenvolvimento a médio prazo. Começa do zero, porém assumirá um trabalho já desenvolvido por Cesare Prandelli e Arrigo Sacchi, de quem o treinador, agora comissário técnico, acumulará várias funções. Do típico treinador de clube, vivendo o dia a dia próximo dos seus homens, a coordenador do setor juvenil, trabalhando junto com os treinadores do sub-21 ao sub-16. Nesta quarta-feira, o treinador já visitou Formello e Trigoria, os CTs de Lazio e Roma.

Assim sendo, Conte, que curiosamente será o primeiro treinador da Nazionale nascido no sul da Bota, como levantou matéria da Gazzetta dello Sport, terá a responsabilidade de novamente reconquistar o prestígio defasado da seleção e reiniciar um trabalho que poderá ter grande influência no futuro do futebol italiano. Tricampeão italiano de forma incontestável comandando a Juventus, já teve certa influência na mudança tática que percebemos no Belpaese, e pretende continuar seu “legado”. 

Da “escola de 4-2-4” de Antonio Toma e Giampiero Ventura, Conte se adaptou ao elenco, ao momento do futebol e, depois de uma temporada no 4-3-3, descobriu no 3-5-2 uma melhor forma de dominar a Serie A. Um 3-5-2 que mistura momentos de marcação individual e zonal, alternando para duas linhas de quatro e de alguma forma lembrando a “Zona Mista” de Trapattoni e Bearzot que dominou a Bota pré-Sacchi/Capello.

E que também controla o jogo com padrões predefinidos: alas espetados, uma referência na área, um atacante de movimentação, dois meias-centrais completos e de movimentos agressivos, quebrando as linhas adversárias e o ponto central: um regista para conduzir a orquestra protegido por três zagueiros que também trabalham a bola e auxiliam na distribuição desde trás. Um 3-5-2 que ataca em 3-3-4. Um esquema que dominou o futebol italiano, mas que teve dificuldades em solo internacional, frente a grandes equipes, como Bayern Munique e Real Madrid, mas que também teve dificuldades contra times menores. Será suficiente para encarar de frente as principais seleções mundiais?

Segundo o jornalista Gianluca Di Marzio, Conte pretende manter esse ideal e a partir daí montará sua base, que terá, claro, como referência a Juventus. “Muitos treinadores de seleção optam por construir um time formado pela base de um clube. A Espanha com o Barcelona e a Alemanha com o Bayern, por exemplo. Os treinadores não têm tanto tempo para trabalhar com os jogadores como nos clubes, isso é claro. O que vou fazer é tentar selecionar uma base para a seleção que é aquele da Juventus e tentar otimizar o meu tempo com os jogadores”.

O jornalista da Sky fala na intenção do treinador em aproveitar jogadores que eram seus objetivos enquanto treinador da Juventus, como Candreva, Ranocchia, Immobile, Rossi e Darmian, e que podem ter um papel maior na seleção e no seu esquema. Candreva como Lichtsteiner, Ranocchia como Barzagli, Immobile e Rossi como a dupla de ataque, Darmian como alternativa para a esquerda, além de Pasqual.

Importante também fazer notar que Conte poderá não ter jogadores como Pogba e Vidal, peças-chaves na sua Juventus. Tem Buffon, Bonucci, Chiellini, Pirlo e jogadores encaixáveis às funções de Barzagli, Lichtsteiner, Asamoah, Tévez e Llorente, mas não tem dois meias-centrais completos, que atacam e defendem com intensidade, pressionando e desarmando quando sem a bola, movimentando verticalmente e criando espaços quando com a bola – Marchisio chega perto disso, mas tem outras características como principais em seu futebol. Terá, contudo, um organizador para auxiliar Pirlo e ganhar a disputa da bola, explorando melhor o ataque posicional: Verratti.

Mas mais do que isso, o treinador também trará algo que não víamos em Prandelli: a parte motivacional. Tão apreciada no comando de seleções, Conte é um grande motivador, e tem um discurso direto que pode conseguir esse prestígio nacional e mexer com os jogadores após tamanho fracasso no Brasil e falta de perspectiva. 

Uma aposta que dá garantias. Os resultados? Começaremos a ver no próximo mês: em Bari, durante amistoso contra a Holanda no dia 4 de setembro. No dia 9, em Oslo, o primeiro jogo pelo Grupo H da qualificação para a Euro 2016 será contra a Noruega. Ainda este ano, em outubro e novembro, jogos contra Azerbaijão (em Palermo), Malta (fora de casa) e Croácia (em Milão) pelas eliminatórias, além de outro amistoso ainda não definido.

Os 5 maiores brasileiros da história do Napoli

Pouca gente sabe, mas desde que foi fundado, em 1926, o Napoli tem história ligada ao Brasil. Naquele mesmo ano, o lateral Paulo Innocenti, brasileiro nascido no Rio Grande do Sul, mas de origem e cidadania italianas, se mudava de Bolonha, onde havia defendido o Virtus Bologna e o Bologna, para Nápoles, onde iria servir ao exército. No entanto, foi contratado pela equipe recém-formada e foi dispensado do cargo.

Com a experiência de quem já havia conquistado um scudetto pelo Bologna, se tornou o primeiro capitão da equipe e, também, marcou o primeiro gol oficial do Napoli na história, em uma partida perdida por 4 a 1 contra o Genoa, em 17 de outubro de 1926. Innocenti vestiu a camisa azzurra por 11 anos e jogou quatro partidas pela seleção italiana. Mesmo com sua bela história, e tendo aberto caminho para outros brasileiros, Innocenti por pouco não entrou na nossa listagem.

Ao todo, 26 brasileiros passaram por Bagnoli, Agnano e Fuorigrotta, bairros vizinhos em que se deu a fundação da equipe, atualmente localizada em Fuorigrotta. Além de Innocenti, outros jogadores brasileiros pouco conhecidos no nosso país tiveram boa passagem pelo Napoli, como dois que estão na nossa lista: Jarbas Faustino, o Cané, e Luís Vinício.

Outro pouco conhecido no Brasil, ausente do nosso "Top 5", é o atacante Sergio Clerici, que começou na Portuguesa Santista e passou por Lecco, Bologna, Verona e Fiorentina antes de chegar ao Napoli. No San Paolo, ele foi bem: marcou gols (29 em 57 jogos de um terceiro lugar e um vice-campeonato na Serie A), mas ficou mais conhecido por ter sido procurado por Saverio Garonzi, presidente do seu ex-clube, o Verona, para tentar manipular partidas. Clerici receberia ajuda para abrir uma concessionária da Fiat no país, caso prejudicasse o Foggia, mas não aceitou. No fim das contas, Foggia e Verona, punidos, caíram.

O Napoli ainda teve outros brasileiros de relevo em seu elenco. Como, por exemplo, o atacante Emanuele Del Vecchio, que teve boa passagem no Santos e chegou a defender a Seleção. Em Nápoles, fez 27 gols em 68 jogos. Outro que defendeu a seleção e passou pelo Napoli foi Dirceu, que jogou por lá em 1983-84, mas teve de deixar o clube para que Diego Maradona aportasse na cidade. Dirceu gostou da região e viveu por ali alguns outros anos da vida, em cidades próximas, onde defendeu equipes menores – após sua morte, o estádio de Eboli ganhou o seu nome.

Claro, entre os atletas brasileiros que passaram por lá, muitos fracassaram. Casos de Angelo Sormani, que chegou cheio de expectativas, após ganhar quase tudo com o Milan, e fez apenas sete gols em dois anos. Ou como Beto, Caio e Edmundo, que também renderam menos do que poderiam. Hoje, o Napoli tem três brasileiros no seu elenco: o goleiro Rafael, o zagueiro Henrique e o meia Jorginho. Todos eles importantes no esquema do técnico Rafa Benítez.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!  

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão. Confira também: Os 10 maiores jogadores da história do Napoli.

Brasileiros da história do Napoli (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking):
Alemão, Amauri, André Cruz, Angelo Sormani, Beto, Bruno Uvini, Caio, Cané, Careca, Dirceu, Edmundo, Emanuele Del Vecchio, Emílson Cribari, Henrique, Inácio Piá, Jorginho, José Altafini, Juvenal Santillo, Leandro Guerreiro, Luís Vinício, Matuzalém, Montezine, Paulo Innocenti, Rafael, Sergio Clerici e Toledo.

5º - Cané

Posição: meia-atacante 
Período em que atuou no clube: 1962-69 e 1972-75
Títulos: Copa dos Alpes (1966)
Prêmios individuais: Artilheiro da Coppa Italia (1964-65)

Praticamente desconhecido no Brasil, Cané chegou ao Napoli de forma conturbada. O presidente Achille Lauro fechou com o jogador sem comunicar ao técnico Bruno Pesaola e ao diretor técnico Eraldo Monzeglio, em momento em que o governo italiano queria barrar a chegada de estrangeiros. Para piorar, nos primeiros jogos, o ex-jogador do Olaria foi mal, vítima de um esquema tático que não o privilegiava e pela falta de adaptação. O Napoli acabou rebaixado, e Cané era sempre vaiado. Porém, deu a volta por cima: jogou duas temporadas na Serie B e, na segunda, marcou 12 gols na campanha que levou os partenopei à elite. Sempre com humildade, Cané era cada vez mais respeitado no San Paolo.

Com a chegada de Altafini e Sivori (com ele na foto), o panorama mudou de vez. Cané foi o vice-artilheiro do time, com 12 gols, e ajudou os azzurri a fecharem o campeonato na 3ª colocação – a temporada ainda acabou com o título da Copa dos Alpes, competição realizada entre equipes italianas e suíças. O forte e rápido ponta direita ainda atuou pelo clube até 1969, e depois de passagem apagada pelo Bari, voltou ao San Paolo para encerrar a carreira – e ainda conseguiu um vice-campeonato, em 1974-75. Ao todo, Cané fez 253 jogos pelo Napoli e marcou 70 gols. Até hoje, o brasileiro está no grupo dos jogadores que mais vestiram a camisa do clube na história (é o 16º da lista) e também é um dos maiores artilheiros, o 9º no ranking, empatado com Luís Vinício. Após se aposentar, Cané chegou a treinar as categorias de base e o time principal do Napoli, e até hoje mora em Nápoles, onde costuma dar seus pitacos sobre temas envolvendo o clube.


Posição: atacante 
Período em que atuou no clube: 1955-60
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Na Itália, o botafoguense Luís Vinícius de Menezes se transformou em Luís Vinício. Assim como Cané, o atacante é praticamente desconhecido no Brasil, e fez sua carreira na Itália, especialmente no Napoli, equipe que adotou e na qual brilhou como jogador e técnico. Em uma excursão do Botafogo pela Europa, enquanto Dino da Costa fechou com a Roma, Vinício acertou com o Napoli – lá, seria um jovem reserva de Hasse Jeppson, Amedeo Amadei e Bruno Pesaola. Logo as coisas mudaram, e 'O Lione, como começou a ser chamado pela torcida, virou titular, aos 23 anos.

Apesar de não levantar nenhum troféu, o atacante tornou-se ídolo da torcida desde sua primeira temporada - quando marcou 16 gols -, passando pela segunda, em que marcou 18 e foi vice-artilheiro da Serie A, até o quinto e último ano com a camisa azul. No total, o centroavante balançou as redes 70 vezes pelo clube em 152 partidas, ocupando a 9ª posição no ranking geral de artilheiros. Vinício, como jogador, ainda passou com sucesso pelo Vicenza, onde viveu seu auge, e foi coadjuvante por um ano na Grande Inter. Apesar do bom retrospecto, o jogador nunca defendeu a seleção brasileira e recusou-se à naturalização italiana. Após se aposentar, voltou a Nápoles como treinador por duas vezes. Na primeira, "catequizou" os brasileiros Cané e Sergio Clerici, além dos italianos Antonio Juliano, Giuseppe Bruscolotti e Tarcisio Burgnich, aplicou um estilo de jogo ofensivo, "à holandesa", e conquistou um terceiro lugar (1973-74) e um vice-campeonato (1974-75).

3º - Alemão


Posição: volante 
Período em que atuou no clube: 1988-92 
Títulos: Copa América (1989), Copa Uefa (1988-89), Serie A (1989-90) e Supercoppa Italiana (1990)
Prêmios individuais: nenhum

Os cabelos loiros e a pele clara transformaram Ricardo Rogério de Brito em Alemão. Com o apelido consolidado, ele se destacou pelo Botafogo, foi vendido ao Atlético de Madrid e, com menos de uma temporada de Espanha, conseguiu ainda mais relevância no cenário futebolístico mundial. Por isso, em 1988, o volante forte, aplicado, mas também técnico e habilidoso foi contratado pelo ambicioso Napoli do presidente Corrado Ferlaino e do diretor geral Luciano Moggi. Nos azzurri, o brasileiro se transformou em escudeiro das estrelas, Maradona e Careca. 

Em quatro anos pelo Napoli, o camisa cinco atuou 93 vezes e marcou nove gols pela Serie A. Fazer parte do melhor período da história dos partenopei garantiu ao brasileiro títulos: o segundo campeonato italiano azzurro (1990) e a Copa Uefa de 1989. Na segunda partida da decisão europeia, contra o Stuttgart, Alemão fez um de seus raros gols e colaborou decisivamente com o título napolitano. O brasileiro se despediu do clube em que viveu seu auge, em 1992, quando foi cedido à Atalanta.



Posição: atacante 
Período em que atuou no clube: 1965-72
Títulos: Copa dos Alpes (1966)
Prêmios individuais: nenhum
O sobrenome não nega, nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, José Altafini é filho de italianos. Primeiro, o ítalo-brasileiro se destacou pelo país natal e, depois, se aventurou e venceu na terra dos pais, sempre mostrando habilidade e faro de gol. Antes de ir para o Napoli, o nosso Mazzola foi campeão do mundo com o Brasil e venceu Serie A e Liga dos Campeões com o Milan. No sul do Belpaese, o piracicabano encontrou Omar Sivori, em final de carreira, e formou ótima dupla de ataque, principalmente, nos dois primeiros anos, quando o argentino ainda atuava em nível alto.

Em 1967-68, com Dino Zoff sob a baliza e bons desempenhos da dupla ofensiva, o Napoli passou perto do primeiro scudetto. Mas, mesmo com os 13 gols de Altafini (vice-artilheiro da disputa), os partenopei não foram capazes de superar o Milan, que perdeu apenas duas vezes, nas 30 rodadas. Nos anos seguintes, apesar de boas marcas individuais do atacante, os azzurri não voltaram a alcançar o vice-campeonato. Em 1972, o ítalo-brasileiro deixou o clube e foi para a Juventus, mas, até hoje, é o quinto maior artilheiro da história napolitana, com 97 gols em 234 partidas, número que o coloca também como 23° futebolista que mais vestiu azzurro.
1º - Careca 


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1987-93 
Títulos: Copa Uefa (1988-89), Serie A (1989-90) e Supercoppa Italiana (1989-90) 
Prêmios individuais: Artilheiro da Copa Uefa (1988-89)

Sem dúvidas, Careca é o principal brasileiro que passou pelo Napoli. Não bastasse ter passado pelo clube em seu principal momento, o piracicabano ainda marcou época. Em 1987, um anos depois de ser Bola de Ouro do Brasileião, Careca chegou ao San Paolo. Mesmo atuando mais aberto pela direita, o brasileiro marcou 13 gols na primeira temporada e o trio MaGiCa (Maradona, Giordano e Careca) conduziu os azzurri ao vice-campeonato. Em 1988-89, ele foi novamente o artilheiro do time em outra campanha de segunda colocação da Serie A, com 19 gols, e ajudou o Napoli a vencer a Copa Uefa, quando liderou a artilharia da competição com seis gols - inclusive marcando gol na final contra o Stuttgart. 

No ano seguinte, a boa fase de Careca e Maradona destruiu os rivais na campanha do título nacional, ano em que também conquistaram a Supercoppa. Foi a última vitória do mais importante ciclo da história partenopea, muito disso condicionado pela suspensão por 15 meses de Maradona, pego em um exame antidoping. Com o novo parceiro de ataque, Gianfranco Zola, Careca brilhou pouco durante mais três anos no clube. Em 1993, o brasileiro deixou o clube para jogar no Kashiwa Reysol, do Japão. Careca deixou o Napoli com 95 gols, em 221 partidas e, ainda hoje, é o sexto maior artilheiro da história napolitana. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os 10 maiores brasileiros da história da Roma

Nenhum time na Itália é mais brasileiro do que a Roma. Ao longo de seus quase 90 anos de história, a associação esportiva da capital da Bota contratou 40 jogadores brasileiros, 7 a mais do que a Fiorentina, que ocupa a segunda posição, com 33 futebolistas "verdeoro" – logo atrás, a Inter, com 30, ocupa o terceiro posto, seguida de perto por Lazio e Milan, com 29. Os brasileiros, inclusive, são os estrangeiros de nacionalidade mais representada na história giallorossa, seguidos de perto pelos argentinos e de longe por suecos e franceses.

Apesar da entrelaçada história dos jogadores do nosso país com a Roma, foram necessários 28 anos a partir da fundação do clube para que o primeiro brasileiro vestisse a camisa da Maggica. Dino da Costa, o estreante, não decepcionou e, ao se tornar carrasco da Lazio e o primeiro brasileiro a ser artilheiro da Serie A, abriu a porta para seus compatriotas. Como Angelo Sormani, Amarildo, Jair da Costa e José Ricardo da Silva, o China, que passariam por lá nos anos 60 e 70.

Obviamente, nem todos os brasileiros que passaram pela Cidade Eterna tiveram grande desempenho. Muitos foram apenas coadjuvantes, outros fracassaram e outros passaram apenas pelas divisões de base, com poucas chances entre os profissionais. Outros tantos, porém, brilharam pela Roma e se tornaram ídolos da torcida, como Rodrigo Taddei e Antônio Carlos Zago. Sem falar em Paulo Roberto Falcão e Aldair, dois dos maiores jogadores da história do clube – e os dois únicos não-italianos a constarem na nossa lista dos principais atletas romanistas.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!


Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão. Confira também: Os 10 maiores jogadores da história da Roma.

Brasileiros da história da Roma (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking):
Adriano, Aldair, Alexandre Marangon, Amarildo, Andrade, Angelo SormaniAntônio Carlos Zago, Artur, Cafu, China (José Ricardo da Silva), Cicinho, Dino da Costa, Dodô, Doni, Emerson, Fábio Júnior, Fábio Simplício, Falcão, Filipe Gomes, Francisco de Mecenas, Jair da Costa, Juan, Júlio Baptista, Julio Sergio, Lucca, Maicon, Mancini, Marcos Assunção, Marquinho, Marquinhos, Michel Bastos, Leandro Castán, Lima, Paulo Sérgio, Rafael Tolói, Renato Gaúcho, Rodrigo Defendi, Rodrigo Taddei, Toninho Cerezo e Vágner.

10º - Juan


Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 2007 a 2012
Títulos conquistados: 1 Coppa Italia (2007-08), 1 Supercoppa (2007), 1 Copa América (2007) e 1 Copa das Confederações
Prêmios individuais: nenhum

Desembarcasse em Roma dois ou três anos antes, Juan arriscaria ser lembrado como um dos melhores zagueiros da história do clube. Colaboraria, quem sabe, para o título da Serie A que nunca veio nos cinco anos em que esteve ali tentando botar ordem enquanto fazia dupla com Mexès, Burdisso, Heinze, Kjaer. Na vida real, porém, Juan ficará na memória apenas como mais um dos tantos brasileiros que jogaram na Cidade Eterna.

O zagueiro carioca chegou na capital aos 28 anos. Já apresentava os primeiros sinais dos problemas musculares com os quais convive até hoje e, por causa deles, nunca conseguiu engatar uma sequência de mais de 10 partidas no Campeonato Italiano. Mesmo com um dos salários mais altos do clube, disputou apenas 62% dos jogos enquanto lá esteve. Nos momentos em que esteve em campo, esbanjava técnica e a mesma liderança calada dos melhores tempos na seleção brasileira. 

9º - Mancini


Posição: meia e lateral
Período em que atuou: de 2003 a 2008
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: nenhum

"É Manssini, não Mantchíni". Todas as coletivas de imprensa de Mancini na Roma começaram iguais. Com gols desde as primeiras partidas na capital, ele se livrou da desconfiança da torcida e conseguiu ensinar a pronúncia à torcida. O jogador revelado pelo Atlético-MG começou como lateral-direito e agradou tanto a Fabio Capello que o técnico tentou levá-lo para a Juventus algumas vezes. A Roma bateu a porta, a pedido de Luciano Spalletti. E Mancini nunca mais guardou posição.

Sempre com a camisa 30, o brasileiro foi meia pela direita e pela esquerda e armador centralizado. Fez gol de calcanhar contra a Lazio, empilhou dribles na Serie A e na Liga dos Campeões, disputou 222 jogos em cinco anos de Roma, com média de um gol marcado a cada quatro jogos. Só foi vendido para a Inter de Milão depois que problemas pessoais minaram seu relacionamento com líderes do elenco. E, fora de Roma, nunca mais voltou a mostrar um futebol tão consistente.

8º - Emerson


Posição: volante
Período em que atuou: de 2000 a 2004
Títulos conquistados: 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Emerson chegou à Europa como um bom "segundo volante" do futebol brasileiro. Evoluiu no Bayer Leverkusen e estourou de vez sob o comando de Fabio Capello. Começou a trabalhar com o técnico justamente na Roma, aos 24 anos, quando passou a ser conhecido como "puma". A alcunha valorizava o dinamismo e a combatividade de Emerson na frente da linha de zagueiros.

O volante brasileiro pouco jogou na conquista da Serie A em 2001, mas foi fundamental nas três temporadas seguintes, quando mandou Cristiano Zanetti para o banco. Os chutes foras de fora da área e os passes rápidos depois do desarme o transformaram em peça fundamental de uma Roma que ainda lutava por títulos importantes. Deixou a capital para jogar na Juventus e acabou acusado de traição por parte da torcida, pecha que ainda carrega.

7º - Rodrigo Taddei


Posição: meia, volante, lateral e atacante
Período em que atuou: de 2005 a 2014
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: nenhum

O profissionalismo transformaram Rodrigo Taddei num dos grandes ícones da Roma neste século. Longe de ser um jogador habilidoso, o ex-volante do Palmeiras dedicava boas horas para evoluir. Conseguiu. A inteligência tática foi mantida e, graças ao trabalho, ele ainda conseguiu aprender um punhado de dribles, melhorar os chutes a gol e avançar na qualidade do passe. Resultado: três títulos e 11 vice-campeonatos em nove temporadas, a maioria delas como protagonista.

Enquanto esteve na Roma, Taddei só não atuou como goleiro. Até como zagueiro chegou a jogar, num amistoso preparatório sob o comando de Luis Enrique. Com Luciano Spalletti, chegou a substituir - com sucesso - Francesco Totti na posição de centroavante. Lateral, meia ou atacante, percorria vários quilômetros por partida e mostrava o coração para a torcida a cada gol marcado. Teve a saída lamentada pelo torcedor comum e pelas organizadas, feito raro na capital.



Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 1998 a 2002
Títulos conquistados: 1 Copa América (1999), 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Poucos torcedores romanistas devem se recordar de alguma dividida, algum desarme de Antônio Carlos - ou apenas Zago, pelas bandas da capital italiana. Não que seja um tipo de lembrança necessária para explicar os motivos que levam o zagueiro ao posto de um dos grandes brasileiros da história da Roma. O cuspe em Diego Simeone no meio de um dérbi da Serie A repetiu-se na Copa da Uefa, contra Rogério, do Boavista. Logo virou ídolo das organizadas.

Quando conseguiu o scudetto, argumentou que uma taça levantada com a Roma valeria o mesmo que dez por Milan ou Juventus. Lento demais para o estilo italiano, Zago teve de se reinventar, jogando mais recuado do que o habitual. A falta de velocidade era compensada pela técnica acima da média, algo essencial para o jogador que se tornaria o esteio do 3-4-1-2 vitorioso de Fabio Capello.



Posição: atacante
Período em que atuou: de 1955 a 1961
Títulos conquistados: 1 Copa das Feiras (atual Liga Europa, 1960-61)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1956-57)

Com a camisa da Roma, Dino da Costa foi o primeiro brasileiro a se tornar artilheiro da Serie A. Jogava tanto como centro-médio quanto no ataque, mas gostava mais da segunda posição. Atuando na frente, durante uma excursão com o Botafogo, convenceu olheiros do time italiano a levá-lo. Deu tão certo que Dino nunca mais deixou o país: ainda defenderia Fiorentina, Atalanta, Juventus, Verona e Ascoli antes de se aposentar. E vestiria até a camisa da Squadra Azzurra.

O atacante carioca ainda detém o posto de artilheiro máximo do dérbi de Roma, com 12 gols: nove na Serie A, dois na Coppa Italia e um em amistoso. Dino da Costa chegou a marcar o 13º, mas ele foi assinalado como contra do zagueiro Francesco Janich, em 1960. Até hoje, o artilheiro é lembrado como terror do goleiro laziale Roberto Lovati. Antes de deixar a capital, atingiu uma média de um gol a cada duas partidas.


Posição: meia
Período em que atuou: de 1983 a 1986
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (1983-84 e 1985-86)
Prêmios individuais: nenhum

Com duas Bolas de Ouro de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, Toninho Cerezo começou a aventura na Roma como titular, condição que nunca perdeu. Chegou para a temporada 1983-84, na sequência do segundo título do clube na Serie A, e logo colocou Carlo Ancelotti no banco de reservas. Cerezo jogou todas as 50 partidas da Roma naquele ano, muitas delas no sacrifício por causa das dificuldades físicas de alguém que já vinha de meia temporada no Atlético-MG antes de ser contratado.

A passagem de Cerezo durou três anos e até hoje é lembrada pela última partida dele pelo clube, a decisão da Coppa Italia, em 1986. Era sabido que ele deixaria a Roma, devido ao relacionamento ruim com o presidente Dino Viola, e ainda acabou cortado da Copa do Mundo daquele ano por causa de uma lesão muscular sofrida um mês antes da estreia do torneio. Cerezo já estava no México, mas optou por voltar para a capital para seu último jogo. Mesmo machucado, entrou no segundo tempo e marcou de cabeça o gol do título contra a Sampdoria, que seria seu próximo time.

3º - Cafu


Posição: lateral-direito
Período em que atuou: de 1997 a 2003
Títulos conquistados: 1 Copa do Mundo (2002), 1 Copa América (1999), 1 Copa das Confederações (1997), 1 Serie A (2000-01) e 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Quando achava que era atacante, Cafu foi rejeitado em peneiras de Corinthians, Palmeiras, Santos e Atlético-MG. Pinçado pelo São Paulo, descobriu-se lateral-direito pelas mãos de Telê Santana e Muricy Ramalho. Consagrou-se assim na Itália: fisicamente perfeito para a posição, ganhou o apelido de "pendolino" (um tipo de trem de alta velocidade) graças à capacidade de atravessar o flanco durante os 90 minutos de cada partida.

Cafu chegou à capital italiana a um custo baixo, em 1997, para disputar posição com Fabio Petruzzi. Eram tempos difíceis na Roma, que vinha de campanhas ruins, e o brasileiro logo convenceu Zdenek Zeman a mantê-lo como titular absoluto. Foi devastante nas seis temporadas em que esteve na Cidade Eterna e ainda se consagrou com o título da Serie A e a sequência de chapéus em Pavel Nedved em um dérbi contra a Lazio. Aos 33, deixou a Roma para jogar no Milan.


Posição: meia
Período em que atuou: de 1980 a 1985
Títulos conquistados: 2 Coppa Italia (2006-07 e 2007-08) e 1 Supercoppa (2007)
Prêmios individuais: Bola de Prata no Mundial-82; eleito para a seleção europeia em 1982 e 1983

O reinado de Paulo Roberto Falcão durou cinco anos, o mais curto entre os monarcas da Roma. Poderia ter sido maior não fosse a dificuldade que o presidente Franco Sensi tinha para administrar suas principais estrelas após momentos de decepção. A demora na recuperação de uma lesão fez com que Falcão fosse praticamente dado de graça ao São Paulo, e a Roma ainda teve de indenizá-lo. Há quem diga que o rancor de Sensi tenha sido motivado pela negativa do craque em bater um pênalti na final da Liga dos Campeões de 1984, da qual o time da capital sairia derrotada. O cartola morreu sem confirmar nem negar.

Ainda assim, Falcão contribuiu para mudar o status da Roma. Foi contratado para alavancar a equipe, assim o fez. Transformou um time inofensivo no principal adversário da Juventus em solo italiano, além de um rival a ser batido na Europa. Em cinco temporadas, ganhou três títulos, um punhado de vices e fez a Roma conhecida mundialmente. Fosse possível medir, alguém diria que Falcão ainda é o maior craque a ter vestido a camisa giallorossa. O pouco tempo necessário para ficar na história só comprovaria isso.

1º - Aldair


Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 1990 a 2003
Títulos conquistados: 1 Copa do Mundo (1994), 1 Copa América (1997), 1 Copa das Confederações (1997), 1 Bronze olímpico (1996), 1 Serie A (2000-01), 1 Coppa Italia (1990-91), 1 Supercoppa (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Aldair sobreviveu a Zdenek Zeman, e isso já é notícia. O brasileiro de carreira mais positiva no Campeonato Italiano foi obrigado a jogar como lateral-direito durante parte da gestão do técnico tcheco. Lento e previsível, não convenceu, fez péssimas partidas, mas nunca saiu de campo vaiado. E isso mostra o quanto a torcida venerava "Pluto", zagueiro que defendeu as cores da Roma durante 13 anos. Elegante e concentrado, mordia os calcanhares adversários e saía jogando com lançamentos de canhota.

O presidente Dino Viola viajou a Lisboa, pessoalmente, para contratar Aldair. Pagou 6 milhões de liras pelo zagueiro de 24 anos e ignorou os críticos de que o valor seria alto demais por um defensor estrangeiro, num tempo em que a Itália ainda produzia os melhores da posição. Pois o brasileiro começou titular e só perdeu a posição quando não aguentava mais o ritmo forte da Serie A. Tanto esforço foi recompensado: a camisa 6 que o Pluto carregava passou uma década aposentada. Só foi realocada na temporada passada, quando a direção da Roma entrou em contato para pedir autorização para cedê-la a Kevin Strootman.

sábado, 16 de agosto de 2014

Os 5 maiores brasileiros da história da Lazio

A Lazio sempre teve uma ligação mais forte com os jogadores argentinos do que com os brasileiros. No entanto, alguns jogadores nascidos no Brasil fizeram história no clube romano e foram os laziali os primeiros a darem real espaço aos brasileiros na Itália, na década de 1930.

Na verdade, a Lazio chegou a ter um time basicamente formado por brasileiros: a "Brasilazio" dos anos 1930. À época, a equipe chegou a contar com treze oriundi no elenco, mas os resultados dentro de campo não foram muito significativos. Além de Filó, conhecido na Itália como Guarisi, que era o grande craque daquele time, destacaram-se no período três membros da família Fantoni: João, Octávio e Leonízio, que vieram do Cruzeiro, ainda chamado de Palestra Itália, à época. 

Entre os Fantoni, João, o Ninão, e Leonízio, o Niginho, foram os que mais tiveram destaque. Niginho, atacante, chegou a marcar quatro gols em um jogo sobre o Milan, antes de voltar ao Brasil com receio da guerra que se ensaiava, e se firmar como um dos maiores artilheiros da história do Cruzeiro. Octávio, o Nininho, teve fim trágico: após lesionar o nariz, sofreu uma infecção e morreu.

Após a "Brasilazio", já no final da década de 1950, o atacante Humberto Tozzi fez história no clube mais antigo de Roma. O fluminense foi artilheiro da Coppa Italia de 1958, o primeiro grande título conquistado pela Lazio. Depois, apenas nos anos 1980, Batista e Amarildo (não "O Possesso", que passou Milan, Fiorentina e Roma, mas um homônimo, que no Brasil teve destaque no Internacional) tiveram alguma relevância jogando pelo time da Cidade Eterna. César foi destaque ao fazer parte do time campeão da Coppa Italia em 2004 e chegou a usar a faixa de capitão, mas o último grande destaque brasileiro na Lazio foi Hernanes, que chegou ao clube em 2010.

No total, 27 brasileiros já vestiram a camisa da Lazio em partidas oficiais, contando com Ederson, Felipe Anderson e Vinícius, os três do plantel atual. Outros dois, Guilherme Siqueira e Djair (aquele!), chegaram a fazer parte do plantel principal, mas não fizeram partidas oficiais – totalizando 29 brasileiros que foram relacionados pelo clube em partidas oficiais. A lista abaixo foi elaborada pela equipe do Quattro Tratti e leva em consideração a importância do jogador para a história do clube, sua participação em títulos e suas qualidades individuais.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Confira também: Os 10 maiores jogadores da história da Lazio.

Brasileiros da história da Lazio (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking):
Alessandro de Maria, Amarildo, Amílcar Barbuy, André Tedesco, André Dias, Armando Del Debbio, Arsenio Robespierri, Batista, Benedicto Zacconi, César, Cribari, Djair, Duílio Salatin, Ederson, Enzio Serafini, Felipe Anderson, Filó, Guilherme Siqueira, Hernanes, Humberto Tozzi, João Fantoni (Ninão), José Castelli (Rato), Leonízio Fantoni (Niginho), Matuzalém, Orlando Fantoni, Octávio Fantoni (Nininho), Pepe (Pedro Rizzetti), Sergio Clerici e Vinícius.

5º - Armando Del Debbio


Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1931-35
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Com uma experiência no Libertas, clube da cidade toscana de Lucca, em 1924, Armando Del Debbio teria sido um dos primeiros jogadores brasileiros a atuar na Itália. Após vencer seis Campeonatos Paulistas com o Corinthians, foi contratado para fazer parte da "Brasilazio".

Zagueiro forte na marcação e com bom porte físico, Del Debbio era um dos pilares da defesa da Lazio. Em quatro temporadas, colecionou quase 100 presenças com a camisa azul e chegou também a defender a seleção brasileira. Após encerrar a carreira, treinou os três grandes clubes paulistas.

4º - Batista


Posição: meio-campista
Período em que atuou no clube: 1983-85
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Contratado pelo presidente Giorgio Chinaglia após disputar a Copa do Mundo de 1982, Batista trouxe o equilíbrio que faltava ao meio-campo da Lazio em um período conturbado. O volante chegou ao clube com status de líder após ser multicampeão com o Internacional e chegou a ser capitão, mas não conseguiu evitar a queda para a Serie B em 1985.

Em duas temporadas, Batista jogou 53 partidas oficiais com a Lazio e marcou dois gols. Foi cedido ao Avellino em 1985 por conta dos graves problemas que o clube capitolino enfrentava.

3º - Hernanes


Posição: meio-campista
Período em que atuou no clube: 2010-2014
Títulos conquistados: Coppa Italia (2012-13)
Prêmios individuais: nenhum

A Lazio venceu uma grande concorrência para contratar Hernanes junto ao São Paulo, em 2010. O investimento de 13 milhões de euros mostrou ter dado certo e, já em sua primeira temporada na Itália, o pernambucano conquistou a todos com suas grandes atuações e seus (muitos) gols. Ao todo, foram 41 tentos em três temporadas e meia, um número significativo para um jogador de sua posição, principalmente no futebol italiano.

Hernanes ajudou a devolver à Lazio o espírito competitivo que faltava ao clube, que voltou a brigar por vagas europeias. Hábil na marcação e na construção das jogadas, passou a jogar mais adiantado e a ser uma fortíssima arma ofensiva. Apesar de alguns momentos de baixa, o Profeta manteve quase sempre um nível alto e deixou sua marca na história do clube ao conquistar a Coppa Italia contra a Roma em 2013. Sua cessão à Inter no início de 2014 causou grande comoção entre a torcida laziale.


Posição: atacante
Período em que atuou pelo clube: 1956-60
Títulos conquistados: Coppa Italia (1958)
Prêmios individuais: artilheiro da Coppa Italia (1958)

O bomber de São João do Meriti chegou à Lazio depois de se destacar no Palmeiras e fez o que se esperava dele: gols. Logo em sua primeira temporada, ajudou a levar a equipe à terceira posição na Serie A, embora não tenha feito tantos gols. Em 1958, cresceu de produção, fez dez gols nas nove partidas da Coppa Italia e contribuiu fortemente para o primeiro grande título da Lazio. No ano seguinte, marcou 14 gols na Serie A, seu recorde pessoal.

Em pouco mais de 100 jogos na Lazio, Tozzi balançou as redes vezes, tornando-se um dos atacantes mais temidos da Itália em sua época. Na temporada seguinte, passou a demonstrar sua insatisfação com a vida longe do Brasil, mas manteve a titularidade. Atrapalhado pelo "banzo", foi apenas sombra do prolífico atacante, e em fevereiro de 1960 retornou ao Palmeiras, após renunciar a um contrato milionário na Lazio e a uma transferência para o Torino. Em 1995, a Lazio fez uma turnê no Brasil e realizou um amistoso contra o Guarani em homenagem ao centroavante.

1º - Filó


Posição: atacante
Período em que atuou pelo clube: 1931-36 e 1937-38
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Em pouco tempo de Lazio, Anfilógino Guarisi, o Filó, assumiu a condição de ídolo do clube e ganhou a faixa de capitão. Veloz e preciso pela ponta-direita, o ex-corintiano adaptou-se rapidamente ao futebol italiano. Conhecido como Guarisi na Velha Bota, o oriundo era notadamente o mais talentoso da "Brasilazio". Chegou a defender a seleção italiana e foi campeão mundial em 1934, tornando-se o primeiro jogador nascido no Brasil a erguer a taça Jules Rimet. Também foi o primeiro jogador da Lazio a ter a honraria.

Sua baixa estatura lhe permitia se livrar dos adversários com facilidade e marcar gols -- foram 42 em 134 partidas. Figura carismática, Filó conquistou a torcida da Lazio pela sua humildade. Em 1934, quando o ex-romanista Attilio Ferraris chegou ao clube, o brasileiro cedeu a faixa de capitão ao novato. Deixou o clube em 1938 para retornar ao Brasil, mas seu nome tem lugar especial na história da Lazio.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os 10 maiores brasileiros da história da Inter

Sul-americano na Itália? A associação com a Inter é quase inevitável. E os brasileiros também tiveram, e ainda têm, participação na história do clube. Ao todo, 30 já vestiram a camisa nerazzurra. E um dado interessante: desde 1995, com a compra do clube por Massimo Moratti e sua internacionalização, 23 foram contratados e todas as temporadas tiveram algum brasileiro em campo.

Ausente no top 10, fica o registro de Achille Gama, nascido no Pará, que fez parte da construção do clube e foi atacante entre 1909 e 1914. Gama, que teve curta carreira de jogador, foi o autor do primeiro gol interista em um dérbi de Milão, em 1909. Também a lembrança de flops inigualáveis, como Vampeta, Mancini, Gilberto, Luciano e Caio Ribeiro, ou veteranos que apenas fizeram parte do grupo, como Luís Vinício, ídolo em Napoli e Vicenza, e Zé Maria, que hoje está ligado a projetos do clube.

Outros brasileiros com passagem regular foram Maxwell, por três temporadas o lateral-esquerdo de Mancini e Mourinho, revezando com Grosso, Zanetti e Chivu, o pequeno Philippe Coutinho, contratado como promessa, mas mal aproveitado na Pinetina e hoje destaque no Liverpool, e os atuais brasileiros que integram o elenco de Mazzarri: os titulares Jonathan, Juan Jesus e Hernanes e o recém-contratado Dodô.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão. Confira também: Os 10 maiores jogadores da história da Inter.


Brasileiros da história da Inter (em ordem alfabética e depois no ranking)
Achille Gama, Adriano, Alonso Piola, Caio, César, Daniel Bessa, Dodô, Gilberto, Guilherme Siqueira, Hernanes, Jair da Costa, Jonathan, Juan Jesus, Juary, Luciano, Lúcio, Luís Vinício, Maicon, Mancini, Maxwell, Philippe Coutinho, Roberto Carlos, Ronaldo, Thiago Motta, Vampeta, Wallace, Wellington Pinto Fraga, Yago Del Piero, Zé Elias e Zé Maria.

10º - ­Juary


Posição: atacante
Período em que atuou: de 1982 a 1983
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

O craque da primeira geração dos "Meninos da Vila", Juary muito prometia quando surgiu no Santos na segunda metade da década de 70, mas ficou por isso. Uma eterna promessa, que não conseguiu construir uma carreira sólida, mas que ainda teve bons momentos. O que não aconteceu por sua rápida passagem por Milão, contudo.

Um dos dois reforços estrangeiros para o time de Rino Marchesi, chegou com boa expectativa após ótimo ano no surpreendente Avellino de Luís Vinício e Claudio Tobia, oitavo colocado na Serie A 1981-82, quando terminou como artilheiro do time. Fez parte de uma Inter sólida defensivamente (a defesa menos vazada em 1982-83), mas que tinha problemas no vestiário, como as brigas entre Evaristo Beccalossi e Hansi Müller. Versátil atacante, ainda assim fez bons jogos e ensaiou boa dupla com o artilheiro Alessandro Altobelli. Com 36 partidas e quatro gols, saiu para a chegada do outro flop Ludo Coeck e as voltas de Carlo Muraro e Aldo Serena.

9º - Roberto Carlos


Posição: lateral-esquerdo
Período em que atuou: de 1995 a 1996
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

A segunda aquisição mais cara da primeira temporada da era Moratti, Roberto Carlos chegou com a pompa de virar o dono da lateral esquerda interista por muitos anos. E tinha qualidade e potencial para isso. Mas Roy Hodgson não viu assim, e a passagem do camisa 6 durou apenas uma temporada. Comprado por 10 milhões de liras, foi vendido por 7 ao Real Madrid.

Ainda assim, teve bom ano em 1995-96. Foram 30 partidas e cinco gols na Serie A, já mostrando suas qualidades para a Europa, como o forte chute de canhota e a força física incomum para alguém de apenas 1,68m. Estava adaptado ao futebol italiano e tinha as características de um terzino fluidificante – ou seja, um lateral muito incisivo no ataque, que dá fluência ao jogo, tão apreciado na Bota. Porém, ele era considerado indisciplinado taticamente por Roy Hodgson, o que levou o lateral, inclusive, para o meio-campo no seu 4-4-2. Roberto não aceitou a mudança, pediu para ser transferido e a história fala por si: na Espanha, o brasileiro se tornou um dos maiores laterais do mundo.

8º ­- Zé Elias


Posição: volante
Período em que atuou: de 1997 a 1999
Títulos conquistados: Copa Uefa (1997-98)
Prêmios individuais: nenhum

José Elias Moedim Júnior, ou apenas Zé Elias, o "Zé da Fiel". Se faltava técnica, Zé compensava como muita raça e proteção na frente da defesa. E mesmo sem nunca ter sido titular nos dois anos que ficou em Milão, o volante pode dizer que fez bem com a camisa nerazzurra.

Um leão numa Inter de guerreiros, foi peça importante no time de Luigi Simoni, que primava pela segurança defensiva (apesar dos contestáveis Colonnese e West) e jogava para Ronaldo desequilibrar com a ajuda de Djorkaeff, Zamorano, Simeone e Zanetti. Na sua primeira temporada, em que fez 30 partidas e desbancou Cauet e Paulo Sousa, fez dois importantes gols na campanha que trouxe o primeiro título da era Moratti. Na segunda temporada, porém, perdeu espaço em ano conturbado, no qual a Inter teve quatro treinadores e nenhum padrão tático. Acabou saindo no verão, com a chegada de Marcello Lippi, que levou a Milão Di Biagio e Jugovic.

7º ­- Adriano


Posição: atacante
Período em que atuou: 2001-02, de 2004 a 2008, 2008-09
Títulos conquistados: 3 Serie A (2005-06, 2006-07 e 2008-09), 2 Coppa Italia (2004-05 e 2005-06), 3 Supercoppa Italiana (2005, 2006 e 2008), 1 Copa América (2004), 1 Copa das Confederações (2005), 1 Sul-americano sub-20 (2001)
Prêmios individuais: artilheiro da Copa América (2004), artilheiro da Copa das Confederações (2005), melhor marcador do ano IFFHS (2005), artilheiro do Sul-americano sub-20 (2001)

Adriano, o Imperador de Milão. E se seu homônimo teve um império marcado pela tolerância, eficiência e esplendor das artes e da filosofia, o centroavante traçou caminho totalmente inverso. Cheio de altos e baixos, foi ídolo, goleador e também uma das maiores decepções futebolísticas do século XXI. Talvez por isso não tenho alcançado melhor posição no nosso ranking.

Com 74 gols em 177 partidas e oito títulos em três passagens pelo clube, Adriano foi tudo isso e mais um pouco. Um combo entre força física e técnica pouco comum, conviveu com e depois substituiu outro bomber que poderia ter tido melhor final (Vieri) e viu o sueco Ibrahimovic tomar seu trono quando começara a dar sinais da queda, pós-2006. Em duas temporadas e meia, entre 2004 e 2006, fez 59 gols em 107 partidas, mas problemas psicológicos deram fim a uma carreira que tinha tudo para ser gigante, mas ficou no quase.

6º ­- Thiago Motta


Posição: volante
Período em que atuou: de 2009 a 2012
Títulos conquistados: 1 Serie A (2009-10), 2 Coppa Italia (2009-10 e 2010-11), 1 Supercoppa Italiana (2010), 1 Liga dos Campeões (2009-10), 1 Copa do Mundo de Clubes (2010)
Prêmios individuais: nenhum

Em dois anos e meio e 83 partidas, além de 12 gols e seis títulos, Thiago Motta foi referência no meio-campo da Inter. Viveu o auge da era Moratti e também a sua queda. O ítalo-brasileiro, contudo, permaneceu com seu status intacto. Saiu ainda jogando em alto nível, mesmo com os problemas físicos. Preferiu seguir Leonardo e ser titular esporádico no ambicioso projeto do Paris Saint-Germain do que ser absoluto em uma Inter com problemas financeiros e muita confusão nos bastidores.

Um gentleman, apesar de alguns momentos de exaltação, combinava leitura de jogo, saída de jogo e chegada ao ataque com muita técnica e força. Ao lado de Cambiasso, formou a melhor dupla de volantes do futebol europeu em 2009-10, quando viveu o auge da carreira. Recém-chegado à Inter, marcou um gol contra o Milan e, já no final da temporada, ainda teve atuação de gala na primeira semifinal da Liga dos Campeões, quando anulou Messi; e mesmo com a expulsão, rigorosa, no jogo de volta, não foi crucificado pelos interistas, que enxergam nele peça importante para a Tríplice Coroa.

5º - ­Lúcio


Posição: zagueiro
Período em que atuou: de 2009 a 2012
Títulos conquistados: 1 Serie A (2009-10), 2 Coppa Italia (2009-10 e 2010-11), 1 Supercoppas Italianas (2010), 1 Liga dos Campeões (2009-10), 1 Copa do Mundo de Clubes (2010)
Prêmios individuais: FIFA/FIFPro World XI (2010)

Por três temporada como titular absoluto, Lúcio foi o xerifão da zaga nerazzurra. Ainda assim, não teve um final tão bonito quanto o começo. Nas mãos de Mourinho, o único que conseguiu lhe "adestrar", terminou 2009-10 como referência da solidez interista e o melhor zagueiro europeu da temporada. Naquele ano, formou uma das maiores duplas de zaga da história da Inter ao lado de Samuel.

Mas a idade chega, e o seu auge foi embora rapidamente. Já irregular em 2010-11, caiu bastante em 2011-12, como seu companheiro de zaga, e viu a defesa perder força com as saídas de outros veteranos, como Córdoba e Materazzi. Debandou do clube pelo alto salário, rescindindo o contrato para fazer quatro partidas pela rival Juventus.

4º ­- Maicon


Posição: lateral-direito
Período em que atuou: de 2006 a 2012
Títulos conquistados: 4 Serie A (2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), 2 Coppa Italia (2009-10, 2010-11), 3 Supercoppas Italianas (2006, 2008 e 2010), 1 Liga dos Campeões (2009-10), 1 Copa do Mundo de Clubes (2010), 1 Copa América (2007), 1 Copa das Confederações (2009)
Prêmios individuais: melhor defensor da Uefa (2010), time do ano Uefa (2010), FIFA/FIFPro World XI (2010), All-Star Team Fifa da Copa do Mundo (2010)

O colosso da lateral direita nerazzurra. Por seis temporadas, Maicon foi o titular absoluto e o faz-tudo do lado direito dos times de Mancini e Mourinho. Sob a batuta do italiano formou dupla muito entrosada e talentosa com Zanetti, que dava o equilíbrio para o lateral desequilibrar a defesa adversária. Graças à sua explosão, ultrapassagem, entradas em diagonal, cruzamentos e um chute potente, justamente o eterno Zanetti mudou de posição (também pela idade, claro). Maicon pedia passagem, e conseguiu.

E nem mesmo o argentino (que virou volante), Bergomi (zagueiro), Oriali (volante), Burgnich (líbero) e outros tiveram a consistência do brasileiro na lateral direita. Maicon fez história com a camisa 13 em 248 partidas, decisivos 20 gols (como os golaços contra Milan, Juventus e Barcelona) e pouco mais de 50 assistências. Como outros integrantes do time que alcançou o Triplete, não teve final feliz e a decadência física, mas também o alto salário, o fizeram sair mal do clube em que tudo ganhou.

3º ­- Júlio César


Posição: goleiro
Período em que atuou: de 2005 a 2012
Títulos conquistados: 5 Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), 3 Coppa Italia (2005-06, 2009-10 e 2010-11), 4 Supercoppa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010), 1 Liga dos Campeões (2009-10), 1 Copa do Mundo de Clubes (2010), 1 Copa América (2007), 2 Copas das Confederações (2009 e 2013)
Prêmios individuais: Oscar do futebol AIC de melhor goleiro (2009 e 2010), melhor goleiro Uefa (2010)

Júlio César não foi um imperador, mas foi 'L'Acchiappasogni' (literalmente "o apanhador de sonhos"), ou simplesmente 'Julione' para os interistas. Por sete temporadas, fez história num clube de tantos goleiros marcantes e tem seu lugar importante no meio deles. Foi o substituto perfeito de Toldo, com quem tanto cresceu, e no lugar do italiano, fez 300 partidas com a camisa nerazzurra e sofreu 273 gols – retrospecto inferior apenas ao de Zenga, maior arqueiro da história do clube.

Exceto pela desastrosa temporada 2011-12, sua última, teve média inferior de um gol/partida em todos os outros anos. Em terra de Buffon, foi o goleiro menos vazado com mais de 30 partidas por cinco anos seguidos. Dos brasileiros que participaram das conquistas do clube na última década, foi o único que ganhou uma despedida pública no estádio (com direitos a suas famosas e muitas lágrimas), o que mostra que ele ganhou muita identificação com o clube e a torcida.

2º - Jair da Costa

 
Posição: ponta-direita
Período em que atuou: de 1962 a 1967; 1968 a 1972
Títulos conquistados: 4 Serie A (1962-63, 1964-65, 1965-66 e 1970-71), 2 Copas Europeias (1963-64 e 1964-65), 2 Copas Intercontinentais (1964 e 1965)
Prêmios individuais: nenhum

Simplesmente o melhor e maior ponta-direita da história da Inter. Protagonista no time mais marcante da Beneamata, ninguém fez tanto com a camisa 7 nerazzurra quanto o brasileiro. Em 260 partidas, 69 gols, nove temporadas e oito títulos, Jair deixou um legado enorme para os seus compatriotas no lado azul de Milão. 

Não foi o primeiro a vestir a camisa, mas foi o primeiro a fazer sucesso, que só seria alcançado, muito mais pela genialidade do que pela história, pelo primeiro lugar da nossa lista, e quase três décadas depois. Peça-chave no sistema de Helenio Herrera, era quem dava profundidade, brilho individual e fazia diagonais fantásticas partindo da ponta direita. Também se mostrou ótimo marcador, quase um ala. No mais, Jair foi o homem que fez o gol da segunda "orelhuda" da Inter, garantindo mais um troféu da Copa dos Campeões ao clube, um dos destaques do futebol nos anos 60.

1º­ - Ronaldo


Posição: atacante
Período em que atuou: de 1997 a 2002
Títulos conquistados: 1 Copa Uefa (1997-98), 1 Copa do Mundo (2002), 1 Copa América (1999), 1 Copa das Confederações (1997)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1997), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1997), Jogador do Ano World Soccer (1997), Melhor Jogador da Copa (1998), Seleção da Copa (1998 e 2002), Atacante do Ano da Uefa (1998), Jogador do Ano da Uefa (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador (1998), Artilheiro da Copa América (1999), Artilheiro da Copa do Mundo (2002) e Integrante da lista Fifa 100

Ronaldo Luís Nazário de Lima, o Fenômeno. Uma lenda que, apesar dos problemas físicos e disciplinares, foi insuperável dentro de campo. Por cinco temporadas, mas apenas uma em forma física perfeita, os interistas acompanharam de olhos arregalados um gênio que fazia parecer tudo mais fácil, com explosão física, dribles antológicos e gols, muitos gols.

Foram 59 gols em 99 jogos, 34 deles só em 1997-98, seu auge com a camisa nerazzurra. Na Serie A, 49 em 68, média de 0,72, superior a Meazza, Boninsegna, Altobelli e até Vieri, seu "substituto". Números que só não são mais fantásticos por duas lesões gravíssimas, que o fizeram atuar em 1/2 de 1998-99, 1/4 de 1999-00, nada de 2000-01 e 1/3 de 2001-02, quando ainda assim teve ótimas marcas: 24 gols em 36 partidas. O último deles nesta cobrança de falta. Mesmo atuando menos vezes do que poderia, em cinco anos, Ronaldo, até hoje está na memória dos interistas. Pudera, apenas ele e Matthäus foram eleitos como melhores jogadores do mundo pela Fifa vestindo a camisa azul e preta.