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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Tuta e o gol que quebrou a banca

Atacante brasileiro passou apenas um ano na Itália, mas é lembrado até hoje
por ter feito um gol que levantou suspeitas de fraude no campeonato (UOL)
Muitos jogadores brasileiros marcaram época no futebol italiano e são lembrados até hoje por sua técnica e poder de decisão em campo. Moacir Bastos, o Tuta, certamente não é um deles, mas também não foi esquecido pelos amantes da Serie A. O atacante só atuou uma temporada na Bota, mas ficou na memória de quem acompanha o campeonato por ter marcado um gol que levantou suspeitas da existência de um esquema de manipulação de resultados.

Nascido no interior de São Paulo, Tuta rodou por Araçatuba, XV de Piracicaba e Juventude antes de ganhar destaque nacional com a Portuguesa, então vice-campeã brasileira, e com o Atlético Paranaense. Grandalhão, trombador e fazedor de gols, tinha o estilo perfeito para uma equipe de pequeno porte do duro Campeonato Italiano. À época, o Venezia observava com atenção as revelações da América do Sul e da África e acabou levando Tuta para o Belpaese.

Quando Tuta fechou com o Venezia, a equipe de exótico uniforme preto, verde e laranja, tinha acabado de voltar para a primeira divisão depois de 30 anos fora da elite – os venezianos haviam subido por causa dos investimentos do destemperado empresário Maurizio Zamparini, que colocara dinheiro nos leões alados para fazê-los relevantes de novo. O brasileiro foi uma das contratações realizadas para marcar os gols que deveriam manter os lagunari na Serie A e assinou como opção a Filippo Maniero e Stefan Schwoch.

Chamado pelos venezianos de "Bastos Tuta", o atacante brasileiro chegou na Itália confundido com o craque Gabriel Batistuta, pela semelhança sonora entre os nomes, e demorou a se adaptar, por causa do frio. Tuta estreou apenas na 9ª rodada da Serie A, mas em grande estilo: foi titular contra a Lazio e, com cinco minutos em campo, aproveitou uma sobra de bola para fazer o primeiro da vitória por 2 a 0 sobre os celestes, que seriam vice-campeões naquela temporada.

Tuta estreou balançando a rede, mas só marcou três vezes na Serie A (Calcissimo)
O gol marcado garantiu a titularidade do brasileiro nas três partidas seguintes, mas ele acabou sacado pelo treinador Walter Novellino após não repetir o mesmo nível nestas atuações. Até que, no final de janeiro, Tuta voltou a entrar em evidência: recuperado de um problema de saúde, ficou no banco na partida contra o Bari e foi chamado para entrar em campo aos 32 minutos do segundo tempo.

A partida, disputada sob muita névoa no estádio Pier Luigi Penzo, acontecia em ritmo muito lento, como se os times estivessem satisfeitos com o empate. Nos acréscimos, Tuta apareceu na área para aproveitar um cruzamento e, de cabeça, marcou o gol da discórdia. Seus companheiros não comemoraram quando a bola estufou as redes, com exceção do zagueiro Fábio Bilica e do massagista – o que forçou alguns dos lagunari a ensaiarem um tímido festejo. Na saída para os vestiários, o atacante chegou a ser agredido verbal e fisicamente por adversários.

“Depois que eles [Bari] empataram, o jogo ficou completamente morno. Até comentei no banco 'que coisa estranha'. Aí o treinador chamou um meia para entrar, mas o cara foi para o vestiário, nem entrou no jogo. Nunca vi isso. Depois ele me chamou e eu fui voando pro jogo. Os caras do Bari ficaram me xingando quando eu fiz o gol, e eu sem entender nada. Os caras estavam muito irritados. O capitão deles [Gaetano De Rosa] começou a bater boca no fim do jogo e mais tarde veio dando um tapa no meu rosto. O médico do meu time pedia calma. E depois, na realização do exame antidoping, os caras do Bari quebraram tudo”, declarou o brasileiro em entrevista ao UOL.


A reação de alguns dos companheiros de Tuta após o gol e a dos adversários biancorossi ao fim da partida – afinal, a comemoração não foi desrespeitosa –, somadas ao ritmo lentíssimo do jogo, levantaram suspeitas de que o empate havia sido combinado para favorecer apostadores e os atletas, que arranjariam o resultado. Não seria a primeira vez que partidas seriam manipuladas por causa de interesses alheios: os escândalos Totonero, de 1980, e Totonero Bis, de 1986, resultaram na punição de clubes e atletas e em grande rebuliço no futebol da Bota.

Tuta precisou prestar depoimento à justiça desportiva do Belpaese em uma investigação que foi aberta sobre o caso. Jogadores de Venezia e Bari, que também depuseram, acusaram o brasileiro de não entender bem o idioma italiano e que isto havia provocado uma má interpretação do acontecido. O inquérito não encontrou provas, mas anos depois do caso Venezia-Bari, jogadores importantes, como Cristiano Doni e Giuseppe Signori, foram presos quando eclodiram outros escândalos relacionados com apostas ilegais – algo que o brasileiro Rubinho declarou ser comum entre atletas de equipes pequenas na Itália.

Depois da polêmica, Tuta se tornou um corpo estranho no elenco arancioneroverde. Até marcou um gol sobre o Milan (futuro campeão da Serie A) duas rodadas depois, mas foi pouco utilizado como titular a partir de então e entrou na lista de dispensas do Venezia, que salvou-se do rebaixamento e ficou com a 11ª posição naquela Serie A. O presidente Zamparini tinha boa relação com o Vitória desde a contratação do zagueiro Fábio Bilica e do meia Tácio e arrumou um jeito de empurrar o brasileiro para o rubro-negro ao mesmo tempo em que negociava a contratação de Dejan Petkovic. Com isso, o atacante encerrou sua passagem pelos leões alados com 16 partidas e três gols.

Após deixar a Itália e ir morar na Bahia, Tuta continuou sua trajetória de cigano no futebol – ao todo, o brasileiro já passou por 24 equipes em sua carreira. Aos 42 anos, o atacante ainda atua profissionalmente, pelo Taboão da Serra, e se destacou com as camisas de Flamengo, Palmeiras, Grêmio e Fluminense.

Moacir Bastos, o Tuta
Nascimento: 20 de junho de 1974, em Palmital (SP)
Posição: atacante
Clubes: Araçatuba (1994 e 1996), XV de Piracicaba (1995), Juventude (1996), Portuguesa (1997-98), Atlético-PR (1998), Venezia (1998-99), Vitória (1999), Flamengo (2000 e 2002), Palmeiras (2001), Anyang LG Cheetahs (2002), Coritiba (2002), Suwon Samsung Bluewings (2003-04), Fluminense (2004-07), Grêmio (2007), Figueirense (2008), São Caetano (2008-09), Náutico (2009-10), Resende (2010-11), Brasiliense (2011), União Barbarense (2012), Juventus-SP (2013), Barra da Tijuca (2013), Flamengo-PI (2014) e Taboão da Serra (2016)
Títulos: Supertaça Asiática (2012), Campeonato Brasileiro da Série C (1995), Copa dos Campeões (2000), Torneio Rio-São Paulo (2000), Copa do Nordeste (1999), Campeonato Carioca (2000 e 2005), Campeonato Gaúcho (2007), Campeonato Paranaense (1998 e 2004), Campeonato Baiano (2009), Campeonato Catarinense (2008), Campeonato Catarinense (2011), Copa Paraná (1998) e Campeonato Paulista da Série A2 (1994)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Técnicos: Óscar Tabárez

Ídolo no Uruguai, Tabárez ficou marcado na Itália por ter
sido o primeiro treinador demitido por Berlusconi (AC Milan)
Nos últimos dias se especulou que o técnico Óscar Tabárez poderia deixar a seleção do Uruguai por motivos de saúde: boatos davam conta de que o Maestro havia contraído a síndrome de Guillain-Barré. O treinador desmentiu que sofre da doença, mas confirmou que tem passado por dificuldades de locomoção devido a uma neuropatia crônica, embora isto não o impeça de trabalhar na Celeste. Tabárez ainda tem um futuro a ser construído, mas hoje lembraremos do seu passado no futebol italiano.

O Maestro charrua foi jogador antes de se dedicar a treinar equipes de futebol, mas a modesta carreira como zagueiro nem de longe se assemelha ao que ele construiu sentado no banco de reservas. Tabárez começou de baixo, como técnico dos juvenis do Bella Vista, e depois foi técnico da seleção sub-20 uruguaia, com a qual conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos. Foi o título que abriu as portas para que o treinador chegasse a alguns dos principais times do Uruguai.

Tabárez treinou Danubio e Montevideo Wanderers antes de assumir o Peñarol, um dos grandes times da América do Sul. O técnico entrou para a história carbonera pois liderou a equipe rumo ao seu quinto título da Copa Libertadores, batendo o América de Cali – o trabalho seguinte do uruguaio foi justamente em Cali, à frente do Deportivo. 

Após ganhar dinheiro no rico futebol colombiano, Tabárez acertou com a seleção do Uruguai e teve sua primeira passagem pela Celeste. Uma passagem que contou com boas participações na Copa América de 1989 e na Copa do Mundo de 1990, competições nas quais os uruguaios sucumbiram para os donos da casa: no torneio continental, o elenco charrua eliminou a Argentina de Diego Maradona e foi vice contra o Brasil, enquanto no Mundial caiu nas oitavas frente à Itália. Valorizado, o Maestro foi para o Boca Juniors, clube no qual ficou dois anos e venceu um torneio Apertura. 

Com este currículo, Tabárez finalmente ganharia sua primeira oportunidade na Europa em 1994 – não em um gigante do continente, mas no Cagliari, semifinalista da Copa Uefa no ano anterior. O uruguaio herdou boa parte do elenco que fez história na Sardenha: peças como os defensores Matteo Villa e Giuseppe Pancaro; os meias Massimiliano Allegri e o compatriota José Herrera; além dos atacantes Julio César Dely Valdés e Luís Oliveira – sem falar em Roberto Muzzi, contratado no início da temporada.

O uruguaio montou um time com base no 4-3-3 e conseguiu bons resultados. O elenco competitivo dos rossoblù foi capaz de assustar as maiores equipes do país: a Juventus, que seria campeã, foi goleada por 3 a 0 no Sant'Elia, e Inter e Fiorentina também sucumbiram aos sardos. Ao fim da temporada, o Cagliari contou com 12 gols de Muzzi, oito de Dely Valdés e sete de Oliveira para ficar com a 9ª posição, a apenas três pontos de uma vaga na Copa Uefa.

Uruguaio comandou os sardos em uma temporada tranquila na Serie A (Cagliari Calcio)
O Maestro não permaneceu no Cagliari após o fim da temporada e tirou um ano sabático para descansar. Em 1996, Fabio Capello encerrava seu ciclo no Milan com mais uma Serie A conquistada e se dirigia para o Real Madrid. Para recomeçar outra gestão vitoriosa em San Siro, Silvio Berlusconi apostou em Tabárez.

Os rossoneri tiveram uma temporada 1996-97 beirando o falimentar: Christophe Dugarry, Michael Reiziger e Edgar Davids foram as principais contratações do mercado e não se adaptaram, de forma que nem mesmo os gols de Roberto Baggio e George Weah fizeram o Milan engrenar. Tabárez estreou com uma derrota para a Fiorentina na Supercoppa Italiana e depois engatou uma série de resultados negativos, como as eliminações na fase de grupos da Liga dos Campeões e nas quartas de final da Coppa Italia para o Vicenza, zebra e futuro campeão.

O uruguaio acabou sendo demitido no início de dezembro, já que além de estar fora de duas competições, se encontrava apenas na 9ª posição da Serie A, sete pontos atrás da líder, a Juventus. Tabárez foi o primeiro treinador demitido em quase uma década da gestão Berlusconi – e acabou substituído por um mito da história rossonera, Arrigo Sacchi.

Desempregado, Tabárez ficou parado até o início de 1997, quando assumiu o Oviedo, da Espanha. Depois de manter a equipe na elite do país ibérico, o Maestro voltou ao Cagliari, mas por apenas quatro partidas: depois de um empate e três derrotas na largada da Serie A 1999-2000, o genioso presidente Massimo Cellino preferiu demiti-lo. Foi o início de um ocaso temporário na vida do treinador, que, em seguida, passou sem sucesso por Vélez Sarsfield e Boca Juniors e se afastou do futebol.

Parado por quatro anos, Tabárez foi visto como solução para o Uruguai em 2006 – e foi aí que se redimiu em definitivo. A federação de futebol charrua deu ao treinador a responsabilidade de conduzir um processo de reformulação que abrangeria toda a base do esporte local e colheu os frutos da aposta.

Em uma década à frente do Uruguai, o Maestro se tornou um dos três técnicos com mais partidas no comando de uma seleção em toda a história. Além disso, ajudou a Celeste a ser uma das equipes mais competitivas de todo o planeta, campeã da Copa América 2011 e quarta colocada na Copa de 2010. Para a sorte do uruguaios, Tabárez continua: esta história prossegue e terá mais capítulos felizes.

Óscar Washington Tabárez Silva
Nascimento: 3 de março de 1947, em Montevidéu, Uruguai
Carreira como treinador: Uruguai Sub-20 (1983 e 1987), Danubio (1984), Montevideo Wanderers (1985-86), Peñarol (1987), Deportivo Cali (1988), Uruguai (1988-90 e 2006-hoje), Boca Juniors (1991-93 2002), Cagliari (1994-95 e 1999), Milan (1996), Oviedo (1997-98) e Vélez Sarsfield (2001)
Títulos: Jogos Pan-Americanos (1983), Copa Libertadores (1987), Campeonato Argentino/Apertura (1992), Supercopa Masters (1992) e Copa América (2011)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Top 100 Serie A: 60-51


Por Rodrigo Antonelli

Agora só faltam 50! Chegamos à metade do nosso especial com os 100 principais jogadores do Campeonato Italiano nas últimas cinco décadas. Confira quais são as figurinhas da vez logo abaixo.

Top 100 Serie A

>>> 100-91 | 90-81 | 80-71 | 70-61

60º - Pietro Vierchowod


Posição: zagueiro
Clubes na Serie A: Como (1980-81), Fiorentina (1981-82), Roma (1982-83), Sampdoria (1983-95), Juventus (1995-96), Milan (1996-97) e Piacenza (1997-2000)

Filho de um ex-combatente ucraniano do Exército Vermelho, Vierchowod não demorou a ganhar o apelido de Zar (equivalente italiano para Czar) por conta do papel de líder que exercia como zagueiro. Após início de carreira promissor no Como, foi comprado pela Sampdoria em 1981 e virou protagonista da era mais vitoriosa da equipe, com um título italiano e quatro Copas da Itália. Antes de estrear pelos blucerchiati, porém, ganhou experiência na Serie A jogando por Fiorentina e Roma - porque a Samp jogou a Serie B nessas temporadas e, por contrato, ele não poderia jogar a segunda divisão. Na Roma, jogou ao lado de Falcão e foi peça importante no segundo scudetto da equipe, em 1982-83, atuando em todos os jogos do campeonato. De 1984 até 1995 só vestiu as cores da Samp e virou lenda em Gênova. Em 1995-96, ainda foi campeão da Liga dos Campeões pela Juve. Depois, ainda brilhou por Milan e Piacenza, mesmo que sem ter levantado mais taças. Aos 41 anos e com 562 partidas na Serie A, encerrou a carreira como lenda da posição mais famosa da Itália. 

59º - Giuseppe Signori


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Foggia (1991-92), Lazio (1992-97), Sampdoria (1997-98) e Bologna (1998-2004)

Jogador veloz e de canhota muito potente, Giuseppe Signori quase desistiu da carreira de jogador por causa da baixa estatura (1,68m). Dispensado dos juvenis da Inter, ele recebeu o apoio da família e caminhou para o Albinoleffe, onde teve as primeiras oportunidades de crescer. Estreou como profissional pelo Piacenza e passou pelo Trento antes de se destacar nacionalmente pelo Foggia, treinado por Zdenek Zeman. Com um sistema que jogava praticamente para si, foi o principal homem do “Milagre de Foggia”, como ficou conhecido o primeiro acesso do time para a elite do futebol italiano. Os muitos gols o levaram para a seleção italiana e para a Lazio, onde foi ídolo entre 1992 e 1997. Nesse período, foi artilheiro da Serie A em três oportunidades. Perdeu espaço na equipe por causa da idade avançada e partiu para Sampdoria e Bologna. No último time de sua carreira pela Serie A, voltou a marcar com frequência e tornou-se, antes da aposentadoria, o nono maior artilheiro da história da Serie A, com 188 gols em 344 jogos. A média de 0,54 por partida só não é maior que a de Gunnar Nordahl (0,77) e Giuseppe Meazza (0,59) entre os top-10. 

58º - Zico


Posição: meia
Clubes na Serie A: Udinese (1983-85)

Dono de 22 títulos pelo Flamengo, Zico deixou a Gávea em 1983 porque o clube não tinha mais condições de recusar as propostas milionárias que chegavam pelo craque. Com um caminhão de liras para o rubro-negro e outro para o Galinho, a Udinese venceu a disputa para ter o ídolo. Na Itália, o meia fez fortuna em apenas três temporadas e, mesmo sem títulos, ficou para a história. Sua chegada na Bota já foi memorável: como os valores da transferência eram muito altos, a Federação Italiana suspendeu o contrato. Como protesto, a torcida friulana encheu a Piazza XX Settembre, a principal de Údine, e cantou “ou Zico ou Áustria”, uma ameaça separatista que assustou até o então presidente italiano, Sandro Pertini, que interveio a favor da contratação. Ídolo antes mesmo de entrar em campo, ele correspondeu com a bola nos pés e ficou na memória da torcida. Os gols de falta geraram discussões intermináveis em programas de debate e a habilidade fora de comum entortou alguns dos melhores marcadores do país durante três temporadas. Farto de ser a única estrela do time e das promessas não cumpridas de um elenco mais competitivo ao seu lado, ele deixou a Udinese em 1985 e voltou ao Flamengo.   

57º - Zlatan Ibrahimovic


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Juventus (2004-06), Inter (2006-09) e Milan (2010-12)

Alto, forte, veloz e habilidoso, Ibrahimovic é um dos atacantes mais completos do século. Na Itália, sua contratação foi sinônimo de título por muitos anos: venceu todas as Serie A que disputou entre 2004 e 2011 (seis ao todo, duas delas revogadas, por causa do escândalo de manipulação de resultados que levou a Juventus à Serie B), sempre com muitos gols. Primeiro, se destacou com golaços - e muitos cartões bobos - na Juventus. Depois, partiu para a Inter, onde chegou a seu auge e conquistou quatro títulos italianos, liderando uma equipe que, no entanto, não era forte em nível continental. Isso o fez trocar Milão por Barcelona em uma escolha da qual certamente se arrependeu. Os desentendimentos com Pep Guardiola o levaram de volta à Itália, dessa vez para o Milan, onde mais uma vez foi decisivo (artilheiro, com 28 gols) e levantou novo scudetto. A fragilidade rossonera na Liga dos Campeões e a crise financeira do clube, porém, foram obstáculos para que ele permanecesse na Bota.

56º - Gianluca Pagliuca


Posição: goleiro
Clubes na Serie A: Sampdoria (1987-94), Inter (1994-99), Bologna (1999-2005) e Ascoli (2006-07)

Após despontar na equipe juvenil do Bologna, Pagliuca foi comprado pela Sampdoria aos 20 anos e não demorou para se tornar referência no clube genovês. Assumiu a titularidade já em sua segunda temporada e, ao lado de Gianluca Vialli, Roberto Mancini, Toninho Cerezo e Pietro Vierchowod, entrou na memória dos torcedores blucerchiati, conquistando um scudetto, três Copas da Itália e o vice-campeonato da Liga dos Campeões. As atuações de gala o levaram à titularidade da seleção italiana e o fizeram um dos jogadores mais importantes no vice da Azzurra em 1994, contra o Brasil. Com valor de mercado elevado, ele se transferiu para a Inter logo após o Mundial e também virou ídolo nerazzurro, apesar de ter levantado apenas uma taça em Milão (a Copa da Uefa de 1997-98). Em 1999, ele voltou ao Bologna que o revelou e ainda teve curta passagem pelo Ascoli antes de pendurar as luvas.

55º - Cesare Maldini


Posição: zagueiro
Clubes na Serie A: Triestina (1952-54), Milan (1954-66) e Torino (1966-67)

Versátil e inteligente como poucos, Cesare Maldini – pai do também ídolo Paolo – atuava com a mesma eficiência em todas as posições da defesa: zagueiro, lateral e líbero. Com muita personalidade, se tornou um dos maiores nomes do Milan que cresceu em termo nacional e continental nas décadas de 1950 e 1960. Em 12 anos vestindo rossonero, levantou quatro scudetti e a primeira Copa dos Campeões conquistada pela equipe. Foi o capitão do time entre 1961 e 1966 e abriu espaço para as funções que exerceria posteriormente, como auxiliar técnico, treinador e até diretor técnico. Entre 1986 e 1996, fez um belo trabalho com a seleção de base da Itália, revelando, entre outros, seu filho Paolo Maldini, e conquistando três Eurocopas sub-21. Assim, ganhou uma chance na seleção principal entre 1996 e 1998, mas sem muito sucesso. Faleceu em 2016, aos 84 anos.

54º - Sinisa Mihajlovic


Posição: zagueiro/meia
Clubes na Serie A: Roma (1992-94), Sampdoria (1994-98), Lazio (1998-2004) e Inter (2004-06)

O sérvio Mihajlovic é figura antiga do futebol italiano. Desembarcou como jogador na Roma em 1992 e não deixou mais o Belpaese, acumulando ainda boas passagens por Sampdoria, Lazio e Inter, antes de começar a carreira como treinador. Bicampeão italiano, Sinisa sempre foi muito respeitado no país pelo entendimento tático que tinha. Começou atuando como volante, passou pela lateral esquerda e se fixou como zagueiro central, sempre com inteligência. Apesar da posição, acumula grande número de gols na carreira (75) pois foi um dos maiores batedores de falta que já passou pela Bota. Em partida histórica contra a Samp, quando ainda atuava pela Lazio, chegou a marcar três vezes dessa forma, alcançando marca histórica, que permanece até hoje.
53º - Kurt Hamrin


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Juventus (1956-57), Padova (1957-58), Fiorentina (1958-67), Milan (1967-69) e Napoli (1969-71)

Sueco que fez carreira na Itália, o atacante Kurt Hamrin marcou época com a camisa da Fiorentina, com muita velocidade e faro de gol. Ele desembarcou em Florença após passagem sem brilho pela Juventus e regular pelo Padova, mas com a honra de vice-campeão do mundo com sua seleção na Copa de 1958. O atacante aterrissava com uma difícil missão: substituir o ídolo máximo viola à época, o brasileiro Julinho Botelho. A pressão de tomar o lugar do brasileiro, porém, não atrapalhou e Hamrin alçou voos altos, se tornando um dos maiores ídolos da história da Fiorentina. Até hoje, é o maior artilheiro da história do clube, com 208 gols em 289 partidas - 150 deles na Serie A. Com 190 gols na competição, Hamrin é o oitavo maior artilheiro da competição na história. Conquistou duas Copas da Itália e uma Supercopa Europeia em Florença e partiu para o Milan, onde levantou seus maiores títulos (Serie A e Liga dos Campeões). Também passou pelo Napoli no fim da carreira, mas sem o mesmo brilho que o faz ser idolatrado em Florença até hoje. 

52º - Agostino Di Bartolomei


Posição: meia
Clubes na Serie A: Roma (1972-75 e 1976-84), Milan (1984-87) e Cesena (1987-88)

Di Bartolomei está para a Roma assim como Zico está para o Flamengo, Marcos para o Palmeiras ou Rogério Ceni para o São Paulo. Nas décadas de 1970 e 1980, poucos eram tão identificados com o clube como ele. Passou por todas as categorias juvenis da Roma antes de brilhar no time principal e se tornar um dos capitães mais lembrados da história giallorossa. Atuava como meia mais recuado e distribuía bem o jogo, com lançamentos precisos e grande visão - ao estilo Andrea Pirlo -, além de marcar muito bem. Qualidades que o fizeram um dos principais jogadores do time que chegou ao scudetto em 1982-83. Foram 15 anos liderando a equipe antes que o técnico Sven-Göran Eriksson forçasse sua saída para o Milan. É idolatrado também por ter se revoltado com essa atitude e nunca ter perdoado a diretoria por tê-lo tirado do seu time de coração. 

51º - Gianluca Vialli


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Sampdoria (1984-92) e Juventus (1992-96)

Vialli divide com Roberto Mancini a honraria de maior ídolo da história da Sampdoria. Letal dentro da área (e também muito decisivo fora dela, por conta da velocidade e capacidade de atuar pelas alas), formou com o próprio Mancini a famosa dupla os “Gêmeos do gol”, que elevou a Sampdoria a outro patamar com gols decisivos para as conquistas da Serie A (1991), da Recopa Europeia (1990) e das Copas italianas de 1985, 1988 e 1989. Foi sempre marcado por ser o artilheiro dos gols importantes: na campanha do único scudetto da Samp na história, foi o maior goleador da competição e deixou sua marca contra os principais rivais Milan, Inter, Juve e Napoli. Também fez os dois gols da vitória contra o Anderlecht, pela Supercopa da Europa, único título continental do time. Em 1992, deixou a Samp rumo à Juve em uma das maiores transações do futebol à época. Em bianconero, conquistou mais uma Serie A, uma Liga dos Campeões e escreveu de vez seu nome na história do futebol italiano.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Um mês de mercado: a análise

Rainha do mercado, Juventus adota tática "imperialista" e está mais forte que os rivais (AP)
No final de julho, a janela de transferências do verão chega à sua metade. Com um mês de mercado, trazemos uma análise sobre a atividade de cada clube nos bastidores e o que cada equipe ainda precisa fazer para se reforçar. Confira todas as negociações da Serie A na nossa página de mercado e o nosso balanço logo baixo.

Atalanta
Time provável (3-4-3): Sportiello; Rafael Tolói, Masiello, Zukanovic; Conti, Carmona, Kurtic, Dramé; D’Alessandro (Spinazzola), Paloschi (Pinilla), Gómez. Técnico: Gasperini.

Principais chegadas: Zukanovic (Roma), Spinazzola (Perugia) e Paloschi (Swansea).
Principais saídas: Paletta (Milan), De Roon (Middlesbrough) e Cigarini (Sampdoria).
Principais objetivos: Belec (Carpi), Gagliolo (Carpi), Lazaar (Palermo) e Suso (Milan).

A maior mudança na Atalanta acaba por ser a troca no comando. Com Gasperini, muita coisa se altera, especialmente no campo tático-técnico. Com isso, a diretoria busca adaptar a equipe ao estilo do ex-treinador do Genoa: um futebol físico e bastante lateral, que precisa de zagueiros técnicos e rápidos, além, é claro, de alas e pontas. Zukanovic e Spinazzola já foram contratados, enquanto Paloschi assume o ataque. Com as saídas de De Roon e Cigarini, urge a necessidade de meio-campistas. Ainda em saídas, será essencial para a equipe de Bérgamo manter Sportiello e Gómez, principais destaques nos últimos anos.

Bologna
Time provável (4-3-3): Mirante; Mbaye (Maietta), Rossettini, Gastaldello, Masina; Donsah, Nagy, Taïder; Mounier (Rizzo), Destro, Krejci. Técnico: Donadoni.

Principais chegadas: Nagy (Ferencváros), Verdi (Carpi) e Krejci (Sparta Praga).
Principais saídas: Zúñiga (Watford), Giaccherini (Napoli) e Brighi (Perugia).
Principais objetivos: González (Palermo), Gnoukouri (Inter), Dzemaili (Galatasaray), Diamanti (Guangzhou Evergrande) e Rossi (Fiorentina).

Em Bolonha, muito interessantes e promissoras as contratações de Nagy e Krejci. Talentos de Hungria e República Tcheca, combinam com o time, mostram ambição e bom olhar do clube e repõem saídas importantes: Diawara e Giaccherini. O primeiro ainda não foi negociado, mas será, pois interessa a grandes clubes e arranjou problema com a diretoria. Mantendo Rossettini e Masina, a defesa parece completa, enquanto meio-campo e ataque ainda precisam de reforços.

Cagliari
Time provável (4-3-1-2): Storari; Padoin, Bruno Alves, Salamon (Ceppitelli), Murru; Dessena, Di Gennaro, Ionita; João Pedro; Sau, Diego Farias. Técnico: Rastelli.

Principais chegadas: Bruno Alves (Fenerbahçe), Padoin (Juventus) e Ionita (Verona).
Principais saídas: Balzano (Cesena), Tello (Empoli) e Fossati (Verona).
Principais objetivos: Maicon (sem clube), Isla (Juventus), Viviani (Verona), Inler (Leicester) e Kapustka (Cracóvia).

Recém-promovido, o Cagliari retorna para a Serie A apostando na experiência. Storari segue no gol, Dessena e Di Gennaro são intocáveis no meio-campo e Padoin e Bruno Alves foram contratados, sendo que Maicon, Isla e Inler interessam. Interessante a contratação de Ionita, após boa passagem pelo rebaixado Verona. Pensamento ambicioso para se manter na elite.

Cagliari tenta permanecer na Serie A contratando nomes experientes, como Padoin (Cagliari Calcio)
Chievo
Time provável (4-3-1-2): Sorrentino; Cacciatore, Gamberini (Spolli), Cesar, Gobbi; Castro, Radovanovic, Hetemaj; Birsa; Meggiorini, Floro Flores (M'Poku). Técnico: Maran.

Principais chegadas: Sorrentino (Palermo).
Principais saídas: Bizzarri (Pescara),  Giampiero Pinzi (sem clube) e Pepe (sem clube).
Principais objetivos: Rodrigo Ely (Milan), El Kaddouri (Napoli), Barrientos (San Lorenzo) e Dionisi (Frosinone).

O mercado mais parado da Serie A, sem novidades, é o do Chievo. No final das contas, Maran segue no comando técnico e não deverá ter grandes mudanças na equipe. Na verdade, até aqui, a única diferença está no gol: saiu o veterano Bizzarri e entrou o veterano Sorrentino. Apesar da boa passagem em Verona, onde jogou por cinco temporadas, o retorno do ex-goleiro do Palermo não foi muito bem recebido pelos torcedores, especialmente por causa da saída do antecessor argentino. Enquanto isso, com baixíssimo investimento, a diretoria busca reforços para meio-campo e ataque.

Crotone
Time provável (3-4-3): Cordaz; Ceccherini, Claiton, Ferrari; Sampirisi (Fazzi), Capezzi, Barberis, Martella; Tonev (Mazzarani), Palladino, Stoian (Simy). Técnico: Nicola.

Principais chegadas: Ceccherini (Livorno), Sampirisi (Vicenza) e Tonev (Frosinone).
Principais saídas: Balasa (Trapani), Ricci (Roma) e Budimir (Sampdoria).
Principais objetivos: Yao (Inter), Falletti (Ternana), Siligardi (Verona), D. Ciofani (Frosinone) e Selke (Leipzig).

O mais novo estreante da Serie A, o Crotone é um clube pequeno, de investimentos modestos, e que fez campanha fantástica na Serie B sob o comando do jovem Juric. Sua saída, porém, é um duro golpe para as intenções dos calabreses, que também perderam Ricci e Budimir, importantes jogadores na campanha de acesso. Os reforços não empolgam, mas cobrem necessidades do elenco, que deverá ter defesa a três ou cinco, dependendo dos adversários e das peças para o ataque, que precisa de reforços.

Empoli
Time provável (4-3-1-2): Pelagotti; Laurini (Bittante), Bellusci, Costa, Pasqual (Dimarco); Croce (Tello), Dioussé, Büchel; Saponara; Maccarone (Pucciarelli), Gilardino. Técnico: Martusciello.

Principais chegadas: Bellusci (Leeds), Pasqual (Fiorentina) e Gilardino (Palermo).
Principais saídas: Tonelli (Napoli), Mário Rui (Roma), Zielinski (Udinese) e Paredes (Roma).
Principais objetivos: Skorupski (Roma), Brugman (Pescara), Crisetig (Bologna) e Falletti (Ternana).

Depois de Giampaolo, que preferiu rescindir o contrato por conta própria, o Empoli apresenta mais um treinador: Martusciello. Há dez anos no clube, era o principal assistente técnico desde 2010 – ou seja, trabalhou com Sarri e Giampaolo. Fica a dúvida de como será seu método, mas a expectativa é que mantenha a base da equipe nos últimos anos, mesmo com as saídas de Tonelli, Mário Rui, Zielinski e Paredes. Enquanto a diretoria repôs bem a defesa, o meio-campo vive indefinição, sem seus principais destaques e com Saponara provavelmente de saída. No ataque, fica a curiosidade de como funcionará a dupla entre Maccarone e Gilardino – se é que jogarão juntos, pois pode haver revezamento com Pucciarelli. O Empoli já conseguiu se reformular outras vezes depois de ter perdido titulares. Conseguirá outra vez?

Viola apresentou filho de craque como aposta para o futuro (ACF Fiorentina)
Fiorentina
Time provável (4-2-3-1): Tatarusanu (Dragowski); Tomovic (Diks), Rodríguez, Astori, Alonso; Vecino, Badelj; Bernardeschi, Ilicic, Valero; Kalinic. Técnico: Paulo Sousa.

Principais chegadas: Dragowski (Jagiellonia), Diks (Vitesse) e Hagi (Viitorul).
Principais saídas: Roncaglia (Celta Vigo), Blaszczykowski (Borussia Dortmund) e Tello (Barcelona).
Principais objetivos: Goldaniga (Palermo), Van Beek (Feyenoord), Juninho (Coritiba), Rekik (PSV) e Tello (Barcelona).

Mercado tímido da Fiorentina até aqui. Trouxe os jovens Dragowski, Diks e Hagi, promissores, mas que não devem assumir protagonismo na equipe. A viola ainda não conseguiu contratar Tello em definitivo e, além do ponta do Barcelona, o outro objetivo é reforçar a defesa: muitos zagueiros interessantes foram especulados, embora sem uma proposta real da diretoria. A ideia é manter a equipe do ano passado e buscar reforços providenciais para evitar a queda técnica e física que o elenco teve na segunda metade da temporada.

Genoa
Time provável (3-4-3): Perin; Izzo, Burdisso (Muñoz), Gentiletti; Fiamozzi, Rincón, Rigoni, Laxalt; Lazovic (Ntcham), Pavoletti, Ocampos. Técnico: Juric.

Principais chegadas: Gentiletti (Lazio), Renzetti (Cesena) e Ocampos (Marseille).
Principais saídas: De Maio (Anderlecht), Ansaldi (Inter) e Suso (Milan).
Principais objetivos: Letizia (Carpi), Rossettini (Bologna), Yao (Inter), Dzemaili (Galatasaray) e Suso (Milan).

Sem Gasperini, o Genoa apostou no seu aprendiz e ex-jogador: Juric. Com a mesma ideia de jogo e filosofia do antigo treinador, o croata não deverá fazer grandes mudanças e no máximo buscará uma variação do 3-4-3 para uma eventual defesa a quatro. A chegada de Ocampos gera expectativa, mas o argentino não vem em boa fase. Ainda no ataque, a dúvida fica sobre a permanência do artilheiro Pavoletti. Já a defesa está em bom nível, mas reforços podem chegar, especialmente para o lado direito, que perdeu Ansaldi, ótimo parceiro de Suso – os rossoblù ainda tentam repatriá-lo. Atenção para o jovem Ntcham, no seu último ano de empréstimo em Gênova, que teve bons momentos com Gasperini, mas eventualmente perdeu espaço e pode recuperá-lo com Juric.

Banega foi a grande contratação da Inter, mas Mancini não está satisfeito com os rumos da equipe (Olé)
Inter
Time provável (4-2-3-1): Handanovic; Ansaldi, Miranda, Murillo, Erkin (Nagatomo, D’Ambrosio); Medel, Kondogbia; Brozovic, Banega, Perisic; Icardi. Técnico: Mancini.

Principais chegadas: Ansaldi (Genoa), Erkin (Fenerbahçe) e Banega (Sevilla).
Principais saídas: Juan Jesus (Roma), Alex Telles (Porto) e Ljajic (Torino).
Principais objetivos: Garay e Witsel (Zenit), Alex Teixeira (Jiangsu Suning), Candreva (Lazio), Cuadrado (Chelsea) e Gabriel Jesus (Palmeiras).

Buscando manter e reforçar a base do ano passado, a Inter até aqui fez mercado simples e objetivo. A diretoria acertou com Erkin e Banega como agentes livres, além de Ansaldi, para justamente suprir grandes necessidades do elenco: laterais e criação. Assim, resta apenas a ponta direita, setor para o qual a diretoria pensou em João Mário, Candreva, Cuadrado, Berardi e outros, porém sem sucesso até aqui. Esperando o dinheiro chinês, talvez espere agosto para gastar um pouco mais. A questão agora é manter ou não Murillo, Brozovic e/ou Icardi, especialmente o argentino, principal jogador da equipe. Sua venda resolveria problemas financeiros, mas forçaria a diretoria procurar um novo centroavante. Tudo depende da permanência de Mancini, em rota de colisão com o clube por insatisfação com os rumos do mercado nerazzurro.

Juventus
Time provável (3-5-2): Buffon; Barzagli (Benatia), Bonucci, Chiellini; Dani Alves (Lichtsteiner), Khedira, Pjanic, Pogba (Pjaca), Evra (Alex Sandro); Dybala, Mandzukic. Técnico: Allegri.

Principais chegadas: Dani Alves (Barcelona), Benatia (Bayern), Pjanic (Roma) e Pjaca (Dinamo Zagreb)
Principais saídas: Cáceres (sem clube), Cuadrado (Chelsea) e Morata (Real Madrid).
Principais objetivos: Witsel (Zenit), Keita (Lazio), Gabriel Barbosa (Santos), Cavani (PSG) e Higuaín (Napoli).

De olho na Liga dos Campeões para ir além do domínio nacional, a Juventus foi quem mais gastou até aqui. As chegadas de Dani Alves, Benatia e Pjanic são muito inteligentes e bem feitas, sem um investimento enorme, e mostram exatamente a ambição da Velha Senhora na temporada. Pagou um pouco mais para ter Pjaca, mas terá uma opção interessante para as pontas, a grande necessidade do elenco após a saída de Cuadrado. Mas é com Higuaín que o clube mostra suas reais intenções, enfraquecendo os dois principais adversários ao contratar seus dois melhores jogadores – se o Pipit realmente assinar, será a maior transferência da história do futebol italiano e a terceira do futebol mundial. De qualquer forma, perder Pogba seria um duro golpe para Allegri, mesmo que por um valor recorde e um lucro extraordinário, já que Marchisio deve ter sua volta adiada para o final do ano. De qualquer forma, é uma Juve ainda mais poderosa.

Lazio
Time provável (4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Hoedt (Maurício), Radu; Parolo, Biglia, Lulic; Felipe Anderson (Candreva), Djordjevic, Keita (Onazi). Técnico: S. Inzaghi.

Principais chegadas: Vargic (Rijeka) e Lukaku (Oostende).
Principais saídas: Konko (sem clube), Mauri (sem clube) e Klose (sem clube).
Principais objetivos: Jardel (Benfica), Rodrigo Caio (São Paulo), Thauvin (Marseille), Valencia (West Ham) e Immobile (Sevilla).

A Lazio também está tímida até agora. Talvez por incompetência, talvez pelo desacerto com Bielsa ou mesmo esperando uma venda grande: De Vrij, Biglia, Candreva, Felipe Anderson e Keita são os candidatos. As únicas contratações até o momento são a do goleiro Vargic e a do lateral-esquerdo Lukaku, que não cobrem grandes prioridades no elenco e nem serão titulares. Com Immobile praticamente certo, as necessidades permanecem na defesa, ao passo que Inzaghi espera não perder jogadores importantes.

Milan
Time provável (4-3-3): Donnarumma; Abate, Paletta (Zapata), Romagnoli, De Sciglio (Antonelli, Vangioni); Kucka, Montolivo, Bertolacci; Niang, Bacca, Bonaventura. Técnico: Montella.

Principais chegadas: Paletta (Atalanta), Vangioni (River Plate) e Lapadula (Pescara).
Principais saídas: Alex (sem clube), Philippe Mexès (sem clube) e Mario Balotelli (Liverpool).
Principais objetivos: Arbeloa (sem clube), Musacchio (Villarreal), Mustafi (Valencia) e Zielinski (Udinese).

À espera do dinheiro chinês, ainda incerto, o Milan deve seguir em frente para se recuperar de outra temporada medíocre. A aposta da vez é Montella, reforçando a ideia de renovar e nacionalizar o ambiente rossonero. Em relação ao mercado, não se sabe exatamente o caminho a seguir justamente pela dúvidas causadas pelas negociações com os asiáticos. Vangioni foi contratado como agente livre, mas pode ser emprestado pela vasta opção no setor, enquanto Lapadula foi a única contratação real, pensando na eventual saída de Bacca ou como alternativa para o ataque. Os principais objetivos para reforçar a equipe são para a defesa e meio-campo, já que Paletta, Zapata, Kucka e Bertolacci não convencem para o time titular.

Situação de Higuaín está praticamente insustentável e deixa mercado do Napoli em suspenso (Getty)
Napoli
Time provável (4-3-3): Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; Allan, Jorginho, Hamsík; Callejón, Higuaín (Gabbiadini), Insigne. Técnico: Sarri.

Principais chegadas: Tonelli (Empoli) e Giaccherini (Bologna).
Principais saídas: Gabriel (Milan).
Principais objetivos: Sportiello (Atalanta), Widmer e Zielinski (Udinese), Pereyra (Juventus), Candreva (Lazio), Bacca (Milan) e Icardi (Inter).

Tranquilo no mercado, buscando justamente manter a base da segunda melhor equipe do último campeonato, o Napoli entrou com objetivo apenas de reforçar o elenco, tendo em vista que alguns reservas deixaram a desejar quando foram utilizados. Tonelli chegou para a reserva de Albiol e Koulibaly, enquanto Giaccherini será um coringa para Sarri, podendo cobrir quase todas funções no meio-campo e no ataque, cumprindo tudo com qualidade e atitude pela esquerda. Para o meio-campo, tendo em vista a falta de reposição de Jorginho e Allan, fica a incógnita após tentativas fracassadas. Mas é a venda de Higuaín que prejudica o planejamento: mesmo com o valor recorde, a diretoria não estava preparada para sua provável saída, ainda mais para a maior rival (o que gerou uma onda de ódio dos torcedores). O time partenopeu agora tenta os artilheiros de Milão, Icardi e Bacca, que talvez não sejam opções à altura do maior goleador em uma temporada da Serie A.

Palermo
Time provável (4-3-2-1): Posavec; Rispoli (Morganella, Struna, Vitiello), Goldaniga, González, Lazaar; Hiljemark, Jajalo, Chochev; Quaison, Trajkovski (Embalo); Nestorovski. Técnico: Ballardini.

Principais chegadas: Nestorovski (Inter Zapresic).
Principais saídas: Sorrentino (Chievo), Vázquez (Sevilla) e Gilardino (Empoli).
Principais objetivos: Gyömbér (Roma), El Kaddouri (Napoli), Angulo e Cabezas (Independiente del Valle), Borriello (sem clube).

Ballardini, no final das contas, segue em Palermo. De qualquer forma, é mais uma demonstração do caos que virou o clube presidido por Zamparini, que começa a temporada cheio de incertezas e como forte candidato ao rebaixamento. A única contratação é o atacante macedônio Nestorovski, que por si só não transmite confiança, ainda mais considerando as saídas de peças-chave para a salvezza da última temporada, como Vázquez e os veteranos Sorrentino e Gilardino. Hoje as principais necessidades são a contratação de um goleiro e de atacantes, enquanto o jovem Embalo poderia ser aproveitado após boa Serie B.

Pescara
Time provável (4-2-3-1): Bizzarri (Fiorillo); Zampano (Crescenzi), Fornasier, Leskovic (Zuparic), Biraghi; Verre, Cristante, Memushaj; Benali, Caprari; Manaj (Cocco). Técnico: Oddo.

Principais chegadas: Bizzarri (Chievo), Biraghi (Granada), Cristante (Palermo) e Manaj (Inter).
Principais saídas: Mandragora (Juventus), Verde (Avellino) e Lapadula (Milan).
Principais objetivos: Stendardo (Atalanta), Regini (Sampdoria), Mauri (Milan) e Macheda (Cardiff).

De volta à Serie A, o Pescara tem uma equipe interessante, com bons prospectos, a exemplo de Fornasier, Biraghi, Verre, Cristante, Benali, Caprari e Manaj, sob o comando do também jovem Oddo. Mas talvez não seja o bastante para formar um time competitivo e que possa ir além dos 40 pontos. Por isso o time investiu na contratação de Bizzarri, que vem de boas temporadas salvando o Chievo, e vai atrás de outros jogadores mais experientes. Das necessidades do elenco, a lateral direita é um problema e o meio-campo não tem cobertura, por mais qualidade que tenham os titulares.

Alisson foi um dos principais reforços da Roma nesta janela (Getty)
Roma
Time provável (4-3-3): Alisson; Florenzi, Manolas, Juan Jesus, Mário Rui; Nainggolan, De Rossi, Strootman (Paredes); Salah, Perotti (Dzeko), El Shaarawy. Técnico: Spalletti.

Principais chegadas: Alisson (Internacional), Juan Jesus (Inter) e Mário Rui (Empoli).
Principais saídas: Szczesny (Arsenal), Digne (Barcelona) e Pjanic (Juventus).
Principais objetivos: Szczesny (Arsenal), Zappacosta (Torino), Widmer (Udinese), Cáceres (sem clube), Nacho (Real Madrid) e Diawara (Bologna).

Sem Pjanic, a Roma perdeu seu melhor jogador há cinco temporada – sendo para a rival Juventus, principal adversária nos últimos anos, o bósnio se torna uma perda ainda mais significante. Sua substituição é difícil, mas a diretoria parece confiar na recuperação de Strootman, na boa temporada de Paredes pelo Empoli e na manutenção de Gerson, contratado junto ao Fluminense. No mais, é a defesa que gera desconfiança: os laterais Florenzi e Mário Rui são baixos e fracos fisicamente, enquanto Juan Jesus não é uma opção muito confiável para jogar com Manolas, pois os dois muito agressivos. Já o jovem Alisson precisa ganhar a confiança de Spalletti, que quer Szczesny mais uma vez.

Sampdoria
Time provável (4-3-1-2): Viviano; De Silvestri, Silvestre, Leandro Castán, Pavlovic; Soriano, Cigarini, Barreto (Ivan); Álvarez (Djuricic); Muriel (Budimir), Quagliarella. Técnico: Giampaolo.

Principais chegadas: Leandro Castán (Roma), Djuricic (Benfica) e Cigarini (Atalanta).
Principais saídas: Ranocchia e Dodô (Inter), Fernando (Spartak Moscou) e Correa (Sevilla).
Principais objetivos: Dodô (Inter), Lazaar (Palermo) e Linetty (Lech Poznan).

Quem mais contratou no momento, a Sampdoria passa por novas mudanças. Montella saiu e Giampaolo foi escolhido como o substituto. O treinador vem de bom trabalho no Empoli, especialmente pelo jogo que o time apresentou, mas gera um pouco de desconfiança pela falta de experiência - afinal de contas, seu único trabalho relevante nos últimos anos foi à frente dos azzurri. De qualquer forma, o treinador terá uma equipe técnica e que pode seguir o que desenvolveu na Toscana. Com elenco praticamente fechado, a Samp não tem nenhuma grande necessidade e fazer contratações, especialmente se segurar o meia Soriano.

Sassuolo
Time provável (4-3-3): Consigli; Gazzola, Cannavaro, Acerbi, Peluso; Missiroli (Sensi), Magnanelli, Duncan; Berardi, Defrel, Sansone. Técnico: Di Francesco.

Principais chegadas: Sensi (Cesena) e Mazzitelli (Brescia).
Principais saídas: Vrsaljko (Atlético de Madrid).
Principais objetivos: Conti (Atalanta), De Silvestri (Sampdoria), Zappacosta (Torino), Goldaniga (Palermo), Babacar (Fiorentina) e Zapata (Udinese).

Pela primeira vez na Europa, o Sassuolo perdeu um grande jogador. Vrsaljko foi o melhor lateral-direito da Serie A no ano passado e até o momento não foi substituído – os bons Conti, De Silvestri e Zappacosta foram especulados. Os emilianos mantiveram a base dos últimos anos, em especial Berardi e Sansone, que devem recuperar a forma técnica para a equipe ter algum sucesso continental. Por sua vez, um dos poucos reforços é o talentoso Sensi, nome interessante para contrapor a força física do trio Missiroli, Magnanelli e Duncan no meio-campo. Ele pode dar qualidade técnica e assumir o papel de regista que falta ao time de Di Francesco.

Ljajic chegou ao Torino assumindo a titularidade e a camisa 10 (Torino Calcio)
Torino
Time provável (4-3-3): Padelli (Gomis); Bruno Peres (Zappacosta), Maksimovic, Moretti (Ajeti), Silva (Avelar, Molinaro); Acquah (Benassi), Vives, Baselli; Falqué, Belotti, Ljajic. Técnico: Mihajlovic.

Principais chegadas: Ajeti (Frosinone), Falqué (Roma) e Ljajic (Inter).
Principais saídas: Glik (Monaco), Immobile (Sevilla) e Farnerud (sem clube).
Principais objetivos: De Silvestri (Sampdoria), Tomovic (Fiorentina), Valdifiori (Napoli), Henriksen (AZ) e Grenier (Lyon).

Chegou ao fim a era Ventura: o Torino perdeu para a seleção italiana o treinador que ficou por mais tempo em uma equipe da Serie A, mas mostrou ambição ao anunciar Mihajlovic como seu substituto. Outras perdas importantes foram o artilheiro Immobile, que estava emprestado, e o capitão e líder da zaga Glik. A partir disso, Miha terá que mostrar sua habitual competência para renovar os ânimos dos grenás a partir dos talentosos Falqué e Ljajic. Mantendo Maksimovic, Bruno Peres e Belotti, a equipe tem uma boa base para incomodar os ricos e competir por vaga europeia. Falta ainda um meio-campista técnico, que organize o jogo, a exemplo do regista Valdifiori, encostado no Napoli. A ver se o bom Gomis finalmente terá a merecida oportunidade na Serie A, após consecutivas temporadas de destaque na segunda divisão – ainda mais considerando o mau momento de Padelli.

Udinese
Time provável (3-5-2): Karnezis; Heurtaux (Angella), Danilo, Felipe (Samir); Widmer (Edenílson), Badu (Fofana), Lodi, Fernandes, Adnan (Armero); Zapata, Théréau (Peñaranda, De Paul). Técnico: Iachini.

Principais chegadas: De Paul (Racing), Ewandro (São Paulo) e Peñaranda (Granada).
Principais saídas: Piris (Monterrey), Kuzmanovic (Málaga) e Di Natale (aposentado).
Principais objetivos: Valdifiori (Napoli).

Sai temporada, entra temporada e a Udinese sem Guidolin continua um caos. Na gerência dos Pozzo, centenas de jogadores rodam pelo clube sem a certeza de que serão aproveitados ou não. Iachini assumiu o comando da equipe e não se sabe se continuará adotando uma defesa com três homens e um ataque com duas peças: os friulanos contrataram vários meias-atacantes e atacantes de muita qualidade (como De Paul, Ewandro e Peñaranda), mas que talvez não encaixem no trabalho do ex-treinador do Palermo. Sem Domizzi e Di Natale, o time perde duas referências importantes, e por mais qualidade que tenha o elenco, justamente essa confusão deixa uma enorme incógnita sobre a temporada no Friuli. O clube espera mais apoio da torcida, que tem tido presença fraca nos jogos desde a reforma do estádio.

Jogadores: Attilio Lombardo

Decisivo, Lombardo conquistou scudetti por três equipes diferentes (Sampdoria.it)
O careca bom de bola é uma fortíssima entidade do futebol – mais do passado do que do presente. O maior representante dessa categoria ameaçada de extinção pelos implantes capilares e pela máquina zero é Zinédine Zidane e muitos devem lembrar do búlgaro Yordan Letchkov e do polonês Grzegorz Lato. No futebol italiano, seu maior expoente foi o meio-campista Attilio Lombardo, ídolo da Sampdoria.

Lombardo teve uma carreira de relevo, mas não está no rol dos maiores craques da Itália. Ainda assim, atingiu uma marca para poucos: é um dos cinco únicos jogadores a terem conquistado o scudetto com três times diferentes, ao lado de Giovanni Ferrari, Sergio Gori, Aldo Serena e Pietro Fanna. Mas muita água rolou embaixo dessa ponte até que isso acontecesse.

O ex-meio-campista nasceu em uma cidadezinha da província de Caserta, nas cercanias de Nápoles, mas ainda menino se mudou para o norte, com destino a Zelo Buon Persico, na Lombardia. Foi em um time da região em que seus pais foram trabalhar como operários que ele começou sua carreira no esporte, em 1983: o pequeno Pergocrema, da Serie C2. Àquela época Attilio jogava como atacante, pois era muito veloz e finalizava bem.

Depois de duas temporadas, Lombardo subiu de degrau e, aos 20 anos, assinou com a Cremonese, recém-rebaixada para a Serie B. Na equipe grigiorossa, o jogador passou a atuar pela faixa direita do meio-campo por orientação do técnico Emiliano Mondonico e, por sua velocidade, jeitão e aparência, começou a ser chamado pelos colegas de Struzzo – avestruz, em italiano. Não é um apelido muito lisonjeiro, mas pegou.

Na nova posição, Struzzo começou a perder os cabelos na mesma proporção em que ia ganhando notoriedade: em quatro anos de segundona com a equipe de Cremona, Lombardo atuou 141 vezes e anotou 17 gols, ajudando a equipe a voltar à elite em 1989. Após o acesso, foi negociado com a Sampdoria, equipe recém-campeã da Coppa Italia e vice da Recopa Uefa. Em Gênova, receberia novo apelido: Popeye.

As lesões acompanharam o meia em sua curta passagem pela Juve (Goal)
Na corte do técnico Vujadin Boskov, o meio-campista calvo ganhou lugar de destaque. Assumiu a titularidade em uma equipe fortíssima, com jogadores do calibre de Gianluca Pagliuca, Moreno Mannini, Pietro Vierchowod, Amedeo Carboni, Giuseppe Dossena, Toninho Cerezo, Srecko Katanec, Enrico Chiesa, Gianluca Vialli e Roberto Mancini.

Jogando como ala pela direita e formando dupla com Mannini, Lombardo se afirmou como um dos principais meio-campistas da Serie A. Tudo isso graças ao seu estilo Forrest Gump, a simplicidade e eficiência nos passes e o jeito incisivo de chegar à linha de fundo para dar assistências ou à área para marcar gols. Sempre muito regular, o avestruz era quase imparável.

Em seis temporadas com a camisa da Samp, Lombardo ajudou a equipe a levantar os maiores títulos de sua história: a Serie A e a Supercopa Italiana, em 1991, e a Recopa Uefa, em 1990, além de uma Coppa Italia, em 1994 – ele foi o artilheiro do torneio, com cinco gols –, e um vice-campeonato da Copa dos Campeões, em 1992. O início da carreira como atacante fez com que Popeye fizesse muitos gols pelos dorianos: foram 34 em 201 partidas.

Depois de fazer parte do momento mais glorioso dos blucerchiati e viver dois ciclos no Luigi Ferraris, sob as ordens de Boskov e Sven-Göran Eriksson, Attilio Lombardo se transferiu para a Juventus. O negócio custou 10,5 bilhões de velhas liras para a Velha Senhora, mas Struzzo não foi protagonista sob o comando de Lippi, embora fosse um dos melhores alas no momento: uma lesão grave na pré-temporada afetou sua tíbia e seu perônio, o mantendo afastado por vários meses.

O meia não conseguiu ser tão decisivo como antes, mas ainda assim fez 51 jogos em dois anos em Turim e ganhou mais uma Serie A, a Liga dos Campeões (e mais um vice), o Mundial Interclubes e as supercopas da Europa e da Itália. Embora parecesse mais velho, Lombardo ainda tinha 31 anos e lenha para queimar: foi um dos que participaram da onda que levou vários jogadores do Belpaese à Inglaterra nos anos 1990 e assinou com o Crystal Palace.

Lombardo foi um dos italianos que passaram pela Premier League nos anos 1990 (MCFC)
O carequinha chegou a Londres por cerca de 1,6 milhão de libras esterlinas e assinou com o clube juntamente com o atacante Michele Padovano, colega na Juve. Popeye rapidamente ganhou importância e a titularidade no lado direito do meio-campo: fez 24 jogos e anotou cinco gols, mas o Crystal Palace tinha elenco fraco e problemas nos bastidores. O experiente jogador italiano até assumiu o comando técnico da equipe interinamente, por um mês e meio, mas as águias foram rebaixadas com direito à lanterna da Premier League.

Struzzo passou mais seis meses em Londres e marcou mais cinco gols pela equipe, mas deixou a segundona inglesa por algo melhor: em janeiro, acertou com a Lazio, concorrente pelo título da Serie A. Lombardo foi para Roma como um pedido de Eriksson, que o tinha treinado em Gênova, e logo assumiu a sua tradicional camisa 7.

Em dois anos e meio na Cidade Eterna, Popeye entrou pouco em campo, já que havia sido contratado mais para compor o elenco e dar experiência nos bastidores, mas ainda assim levantou várias taças. Primeiro, acabou tendo a frustração de ver o scudetto escapar pelos dedos em 1999, em uma arrancada impressionante do Milan.

Últimos títulos da carreira do carequinha foram conquistados pela Lazio (Getty)
No entanto, a Lazio se redimiu conquistando a Recopa ainda naquele ano e, no seguinte, encheu a sala de troféus: Supercopa Uefa, Coppa Italia e Serie A – a que valeu o recorde do Struzzo. Lombardo ainda venceu uma Supercopa Italiana antes de deixar a capital e ir encerrar a carreira na Sampdoria, que estava na Serie B. Com 36 anos e 530 partidas oficiais, chegava ao fim a trajetória futebolística do meia careca.

Um dos poucos arrependimentos de Lombardo em sua carreira foi o fato de não ter deslanchado pela seleção italiana. O meia teve 19 convocações para a Squadra Azzurra e participou das eliminatórias para as Euros 1992 e 1996 e para as Copas do Mundo de 1994 e 1998. No entanto, nunca chegou a integrar o elenco que disputou estas competições.

O seu trabalho como técnico interino do Crystal Palace foi apenas o prelúdio da nova carreira de Lombardo. Logo que anunciou a sua retirada dos gramados o ex-jogador campano entrou no staff da Sampdoria para comandar os Allievi Nazionali – correspondente à categoria sub-16. Struzzo ocupou este cargo entre 2002 e 2005 e ainda treinou o sub-20 doriano e trabalhou como olheiro do clube.

Lombardo teve experiências como treinador no Chiasso, da Suíça, e por Castelnuovo, Legnano e Spezia, nas divisões inferiores da Itália, mas não vingou. O ex-meia, então, virou auxiliar de Mancini em Manchester City (clube em que também treinou as categorias de base) e Galatasaray, até que o atual treinador da Inter fosse demitido do clube turco. Após sete anos no exterior e uma experiência como vice de Roberto Di Matteo no Schalke 04, Struzzo volta a atuar profissionalmente no Belpaese: é o auxiliar de Sinisa Mihajlovic no Torino.

Attilio Lombardo
Nascimento: 6 de janeiro de 1966, em Santa Maria La Fossa, Itália
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Pergocrema (1983-85), Cremonese (1985-89), Sampdoria (1989-95 e 2001-02), Juventus (1995-97), Crystal Palace (1997-99) e Lazio (1999-2001)
Títulos: Serie A (1991, 1997 e 2000), Liga dos Campeões (1996), Mundial Interclubes (1996), Recopa Uefa (1990 e 1999), Supercopa Uefa (1996 e 1999), Supercopa Italiana (1991, 1995 e 2000) e Coppa Italia (1994 e 2000)
Carreira como técnico: Crystal Palace (interino, 1998), Chiasso (2006-07), Castelnuovo (2008), Legnano (2008-09) e Spezia (2009)
Seleção italiana: 19 jogos e 3 gols

sábado, 23 de julho de 2016

Jogadores: Ciriaco Sforza

Pupilo de Hodgson, suíço Sforza não emplacou na Inter (Bild)
Ah, os bruxinhos. Muitos treinadores gostam de indicar atletas de sua confiança para os clubes em que estão iniciando um trabalho – alguém chamou o pofexô Luxemburgo aqui? – por uma série de fatores, incluindo conseguir resultados mais cedo. É uma forma de o profissional poder implantar sua filosofia de trabalho com mais facilidade e se sentir mais confortável na nova casa. O meio-campista suíço Ciriaco Sforza chegou à Inter nessa condição, em meados da década de 1990.

Seu nome não mente: Sforza tem origem italiana. O pai do jogador nasceu na província de Avellino e foi morar na Suíça buscando a sorte como pintor. Foi nos Alpes que Ciriaco nasceu e começou a carreira: aos 16 anos estreou pelo Aarau e, após impressionar, se transferiu ao Grasshopper, um dos maiores clubes do país. Depois de ser campeão nacional e ser eleito o jogador helvético do ano, em 1993, o meia se transferiu para o Kaiserslautern, da Alemanha.

Nesta época, Sforza já era titular da seleção da Suíça, treinada pelo inglês Roy Hodgson. O meia central, então com 23 anos, se destacava pela qualidade no passe e visão de jogo e era tido como um dos melhores em sua posição na Europa – a ponto de ter sido lembrado na eleição da Bola de Ouro da temporada seguinte, a de 1994. Naquele mesmo ano ele liderou os helvéticos na Copa do Mundo, competição em que os rossocrociati impressionaram pela organização na fase de grupos: eliminaram a badalada Colômbia e caíram nas oitavas, frente à Espanha.

O regista teve uma rápida passagem pelo Bayern Munique, mas o ambiente atribulado pelas brigas entre Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann atrapalhou a sua adaptação. Em 1996, após ter vencido a Copa Uefa pelos bávaros e ter disputado a Euro com a Suíça, recebeu o chamado: Hodgson o queria para seu segundo ano na Inter. Seria a primeira pré-temporada do britânico à frente dos nerazzurri, já que ele assumira o bonde andando no ano anterior, e a diretoria quis agradá-lo. Massimo Moratti se mostrou reticente quanto ao preço inicial pedido pelo Bayern (17 bilhões de velhas liras), mas com a redução do valor para 5 bilhões, fechou o negócio por Sforza.

O suíço finalmente chegava à terra de seu pai – em 1991, quase assinou com o Napoli. Pupilo de Hodgson, Sforza logo foi escolhido como titular no centro do meio-campo, mesmo que isso significasse que Paul Ince tivesse de jogar fora de posição, na faixa esquerda do setor – não que isso fosse problema para quem já havia improvisado Roberto Carlos na mesma posição.

A camisa 21 do helvético ficou mais célebre por participação no cinema do que em campo (AFP)
O início do playmaker foi promissor: foi o autor de um golaço de canhota na primeira rodada da Serie A, aproveitando escanteio cobrado por Youri Djorkaeff. O gol solitário na vitória sobre a dura Udinese, porém, foi o único no Campeonato Italiano em sua curta passagem pela Pinetina – além destes, fez outros três na Copa Uefa, contra Guingamp e Boavista (2).

Ao longo do restante da temporada, o suíço se mostrou fora de sintonia com o grupo interista e não fez o que dele se esperava: organizar as ações de jogo da equipe. Acabou tendo atuações opacas e muitos desentendimentos com Ince – este sim, assumia o papel do suíço. Assim mesmo, a Inter foi terceira colocada no Italiano e vice na Copa Uefa.

Negociado quando a janela de transferências abriu novamente, Sforza voltou ao Kaiserslautern, clube com o qual conquistou uma Bundesliga e de que se tornou ídolo nos quase 10 anos em que lá ficou, distribuídos em três passagens. Também jogou outra vez no Bayern e, como reserva, ganhou mais um título nacional, uma Liga dos Campeões e um Mundial Interclubes. Como treinador, tem desenvolvido nada além de uma carreira medíocre e limitada ao campeonato local.

Na Itália, a lembrança de Sforza em campo é quase nula. No cinema, nem tanto: o suíço é citado no filme "Três homens e uma perna", do famoso trio cômico Aldo Giovanni e Giacomo – os três são interistas, vale salientar. Em uma cena da película, rodada em 1997, Giacomo está doente no hospital e não tem um pijama para dormir. Por isso, Aldo vai à rua e volta com uma inusitada peça para zoar o amigo, o que acaba gerando o seguinte diálogo:

Giovanni: Nossa, mas até você? Você acha que é necessário ele ter de dormir com a camisa de Sforza?

Aldo: A de Ronaldo tinha acabado!


Como se vê, Sforza não era muito amado pelas bandas da Lombardia.

Ciriaco Sforza
Nascimento: 2 de março de 1970, em Wohlen, Suíça
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Aarau (1989-90), Grasshopper (1990-93), Kaiserslautern (1993-95, 1997-2000 e 2002-06), Bayern Munique (1995-96 e 2000-02) e Inter (1996-97)
Títulos como jogador: Liga dos Campeões (2001), Mundial Interclubes (2001), Copa Uefa (1996), Bundesliga (1998 e 2001) e Campeonato Suíço (1991)
Carreira como técnico: Luzern (2006-08), Grasshopper (2009-12), Wohlen (2014-15) e Thun (2015)
Seleção suíça: 79 jogos e 7 gols

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Top 100 Serie A: 70-61


Não perca a conta: já estamos na quarta parte do nosso especial com os 100 maiores jogadores da história da Serie A das últimas cinco décadas. Estamos quase completando metade deste álbum, hein?

Top 100 Serie A

>>> 100-91 | 90-81 | 80-71



Posição: meio-campista
Clubes na Serie A: Lazio (1998-04) e Inter (2004-13)

Em 15 anos de Serie A, Stankovic foi um dos coadjuvantes mais importantes do campeonato. A prova disso é que, quase sempre como titular, o sérvio, amado pelas torcidas de Lazio e Inter, acumulou uma quantidade invejável de títulos: Deki conquistou 17, incluindo seis Serie A. O meia figura entre os 20 maiores vencedores da competição e, ao lado de Walter Samuel, é o estrangeiro que mais vezes levantou a taça. Para completar, o "Drago" ainda é um dos 10 estrangeiros com o maior número de jogos pelo Italiano (368), sempre mostrando muita dedicação, raça e técnica refinada na meia cancha.

69º - Júlio César


Posição: goleiro
Clubes na Serie A: Chievo (2005) e Inter (2005-12)

Um dos principais goleiros do Brasil da história recente, Júlio César ganhou destaque entre os melhores do mundo em sua posição graças a sua passagem pela Itália. Após passar alguns meses treinando no Chievo, o ex-jogador foi defender a Inter, clube pelo qual disputou 300 partidas e conquistou 15 títulos, incluindo um pentacampeonato da Serie A. Seu melhor desempenho aconteceu na temporada 2009-10, ano no qual a Beneamata faturou a Tríplice Coroa, com Julione fazendo valer o apelido de 'L'Acchiappasogni' – literalmente, "o apanhador de sonhos".

Posição: atacante
Clubes na Serie A: Juventus (2000-06 e 2007-10)

10 anos, 320 partidas e 171 gols. Mais do que o parceiro de Alessandro Del Piero, Trezeguet foi ídolo em Turim. Por seus gols, sua entrega, liderança, mas, especialmente, lealdade. Não abandonou o clube no seu pior momento, jogou a segunda divisão e ainda contribuiu bastante depois do retorno à elite. O franco-argentino foi protagonista na campanha do título em 2000-01, foi eleito o melhor jogador daquela Serie A e, não fossem os problemas físicos das últimas três temporadas, teria grandes chances de ter sido o segundo maior artilheiro da história da Vecchia Signora – hoje é o quarto, sete gols atrás de Roberto Bettega e a doze de Giampiero Boniperti. Não importa: ainda assim, "Trezegol" é o maior artilheiro estrangeiro da história bianconera e um dos 50 maiores goleadores da história da Serie A.

67º - Preben Elkjaer Larsen


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Verona (1984-88)

Peça importante da forte Dinamarca da década de 1980, Elkjaer Larsen foi um dos principais donos do histórico scudetto do Verona, conquistado em 1985 –  algo único, já que nunca um clube vindo de uma cidade que não é capital de sua região repetiu o feito. O atacante não foi o artilheiro do time (foi o terceiro da lista, atrás de Giuseppe Galderisi e Hans-Peter Briegel), mas anotou alguns dos tentos mais importantes da conquista, incluindo um gol descalço contra a Juventus e o que valeu o título, contra a Atalanta. Um dos atacantes mais perigosos da Serie A, o "Cavalo Doido" ainda permaneceu outros três anos no Hellas e foi segundo colocado da Bola de Ouro após o título dos butei.

Posição: volante
Clubes na Serie A: Inter (1970-83) e Fiorentina (1983-87)

Oriali foi um jogador tão importante que mereceu uma música em sua homenagem. Um dos principais meio-campistas marcadores do futebol dos anos 1970 e 1980, Lele virou sinônimo da posição de "mediano": mediano é o nome que os italianos dão ao jogador que tem a função de bloquear as ações adversárias e reconstruir o jogo da equipe, algo comparável ao que se convencionou chamar de primeiro volante no Brasil. Craque nesse quesito, Oriali desenvolveu carreira sólida na Inter e na Fiorentina, pavimentando com os nerazzurri o caminho que o levou a ser titular na campanha do tricampeonato mundial com a Itália, em 1982.

65º - Toninho Cerezo

 
Posição: meio-campista
Clubes na Serie A: Roma (1983-86) e Sampdoria (1986-92)

Conquistar títulos importantes por dois times diferentes não é para muitos. Se as equipes em questão não forem Inter, Juventus e Milan é que a lista se reduz ainda mais. Cerezo não só conseguiu essa façanha como foi peça importantíssima para  Roma e Sampdoria: primeiro, o meia de passadas largas chegou à Cidade Eterna barrando Carlo Ancelotti para ser titular durante três anos e colocar a loba giallorossa entre as grandes equipes do futebol europeu, faturando duas Copas da Itália e um vice da Copa dos Campeões. A partir de 1986, em Gênova, Pluto participou do ambicioso projeto doriano e viveu seis anos do período de ouro da Samp. Foi dele um dos gols que deram a vitória sobre o Lecce e garantiram o único scudetto dos blucerchiati.

64º - Diego Simeone


Posição: volante
Clubes na Serie A: Pisa (1990-91), Inter (1997-99) e Lazio (1999-2003)

Além de ser um dos grandes técnicos do futebol mundial, El Cholo Simeone também foi um dos principais meias defensivos de seu tempo. O volante argentino, reconhecido por sua garra e marcação implacável, chegou à Itália muito cedo e viveu todos os estágios de evolução de um jogador: atuou pelo pequeno Pisa e foi rebaixado à Serie B; voltou anos depois e se tornou titular de uma Inter forte, vice-campeã nacional e vencedora da Copa Uefa para atingir seu auge em uma Lazio histórica. Peça fundamental para o esquema de Sven-Göran Eriksson, Simeone ainda marcou cinco gols na reta final da Serie A 1999-2000, que ajudaram a garantir o scudetto para a equipe de Roma no ano do seu centenário.

63º - Diego Milito


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Genoa (2008-09) e Inter (2009-14)

Para ter sua primeira experiência no futebol italiano, Milito precisou que os documentos que confirmavam sua contratação pelo Genoa fossem atirados para dentro do prédio em que eram homologadas as transferências – o tempo estava se esgotando. O Príncipe virou ídolo com a camisa rossoblù, foi vice-artilheiro da Serie A em 2009 e levou a equipe à Liga Europa. No entanto ele foi ser ídolo em um time maior: no ano seguinte foi o grande nome da Tríplice Coroa da Inter e, mais uma vez, segundo colocado na artilharia do Italiano. Milito permaneceu sendo importante para os nerazzurri em mais quatro temporadas e colocou seu nome na história do dérbi de Milão por ter sido um dos únicos três jogadores a terem feito uma tripletta no clássico.

62º - Dida


Posição: goleiro
Clubes na Serie A: Milan (2000-01 e 2002-10)

Dida foi outro dos grandes goleiros da história recente do Brasil que ganhou notoriedade nos muitos anos em que viveu na Itália. Em uma década de Milan, o alagoano ganhou o respeito da torcida por exibir incrível segurança debaixo das traves e por ser um grande pegador de pênaltis. Dida disputou mais de 300 partidas pelo Diavolo e, embora tenha falhado bastante na reta final de sua passagem pelo Belpaese, se estabeleceu como um dos grandes goleiros de seu tempo. Por isso, merece ocupar esta lista mesmo que só tenha conquistado uma Serie A – em seus dias de rossonero, o Milan venceu mais títulos continentais.


Posição: atacante
Clubes na Serie A: Lazio (1969-71 e 1972-76)

Considerado o maior jogador da história da Lazio, Chinaglia foi o principal jogador do primeiro e incontestável scudetto celeste. Na temporada de ouro da equipe, marcou 24 gols em 30 jogos, média invejável para qualquer atacante, e se tornou artilheiro daquela Serie A. O "grito de batalha" foi o líder e símbolo absoluto daquela Lazio e ainda foi responsável pelo gol do título, contra o Foggia. O artilheiro, inclusive, é símbolo de uma equipe que se superou para chegar ao scudetto, já que pouco antes disputara a segundona – da qual Chinaglia também foi goleador. Em um dérbi da capital, o atacante apontou o dedo contra a torcida romanista após marcar um gol, criando uma das imagens mais marcantes da história do futebol italiano.