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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um pé e quatro dedos

Hamsík foi o heroi do Napoli na partida na Alemanha, que praticamente garante azzurri nas semifinais
A melhor temporada do futebol italiano em nível continental nesta década continua a todo vapor. Depois da vitória da Juventus sobre o Monaco na Liga dos Campeões, mais duas equipes da Bota vão para a partida de volta das quartas de final de uma competição europeia com boa vantagem: o Napoli massacrou o Wolfsburg na Alemanha e está praticamente garantido na próxima etapa da Liga Europa, enquanto a Fiorentina se acontentou de um empate fora de casa contra o Dynamo Kyiv. Acompanhe o resumo das partidas da Europa League.

Wolfsburg 1-4 Napoli
No 55º aniversário do técnico Rafa Benítez, o Napoli quase alcançou um resultado que não é visto exatamente desde o mesmo ano: uma equipe italiana não vence na Alemanha com quatro ou mais gols de diferença desde a Inter em 1960 (derrotou o Hannover por 6 a 1). Por causa de uma pequena desatenção defensiva, os azzurri não chegaram lá. Mas, tabus à parte,  resultado deixa o Napoli com um pé e quatro dedos nas semifinais.

Os Leões não tiveram chance. Em 25 minutos, o time alemão já havia colocado 2 a 0 no placar. Higuaín abriu a contagem aos 15, após ótimo lançamento longo de Mertens e grande domínio com o braço - que o árbitro não viu. Depois, o argentino passou em profundidade para Hamsík chutar fora do alcance de Benaglio. Mesmo com a qualidade nas finalizações, é necessário enaltecer a precisão das assistências atrás da defesa em ambos os lances.

Os outros três tentos da partida nasceram de erros individuais. Guilavogui errou o passe na saída de jogo e permitiu que Callejón invadisse a área e tocasse para Hamsík marcar o terceiro. Knoche não acompanhou a movimentação de Gabbiadini e deixou o meia-atacante livre para, em seu primeiro toque na bola, escorar o cruzamento perfeito de Insigne, já nos minutos finais da partida – o jogadorainda acertou belo chute de fora da área, no travessão. Pelo Napoli, Britos também vacilou e Bendtner não teve trabalho para fazer o único gol do Wolfsburg.

A vantagem napolitana conseguida na Alemanha deixa a equipe em ótima situação, pois só perde a vaga na semifinal da Liga Europa se perder por um 4 a 0 no San Paolo. Até porque nenhum time conseguiu reverter um 4 a 1 desde que a regra dos gols fora de casa foi implantada. (Murillo Moret)

Dynamo Kyiv 1-1 Fiorentina
Na outra partida envolvendo um time italiano desta quinta, a Fiorentina jogou bem, mas esbarrou em erros próprios na definição das jogadas. Não fosse isso, a viola poderia ter vencido o Dynamo Kyiv, na Ucrânia. O empate, porém, ficou de bom tamanho, e o time do Belpaese entra em campo na partida de volta como favorito a chegar às semifinais da competição.

A Fiorentina vinha em fase negativa: jogou muito mal contra Juventus e Napoli, sofreu seis gols e não marcou nenhum gol nesses jogos. Mas, no Olímpico de Kyiv, a equipe de Vincenzo Montella procurou impor seu jogo desde o início, e foi amplamente melhor no primeiro tempo, com Salah criando boas oportunidades. Na melhor delas, Joaquín – jogando em ritmo abaixo ao da equipe –, chutou em cima do zagueiro Khacheridi. Ainda no primeiro tempo, porém, foram os ucranianos que abriram o placar. Na falta de Yarmolenko, apagado, Lens chutou de fora da área, e o desvio em Tomovic encobriu Neto.

Após o intervalo, a partida ficou um pouco mais igual, embora a Fiorentina ficasse mais tempo com a bola e no campo adversário. Novamente as melhores chances saíram dos pés de Salah, mas um chute seu colocado saiu fraco, para a defesa de Shovkovskiy, e algumas vezes o egípcio errou o último passe. Embora o Dynamo estivesse mais bem fechado, Borja Valero chegou a acertar uma cabeçada na trave. O gol de empate viola saiu apenas no último minuto do jogo. Babacar, que substituíra Gómez, usou sua força física para ganhar no alto da defesa e, na sobra de bola, deu um toque acrobático no contrapé do goleiro ucraniano, que nada pode fazer. No Artemio Franchi, apenas uma derrota ou um empate por dois ou mais gols tira a vaga da Fiorentina.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O favorito número 4

Vidal marcou o único gol no primeiro jogo contra o Monaco (Foto: LaPresse)

A estratégia da partida em Turim foi modificada em relação ao último jogo europeu na Arena. Ao invés de procurar o contra-ataque, como contra o Dortmund, a Juventus manteve a posse de bola e ditou o ritmo do primeiro confronto das quartas de final da Liga dos Campeões. 

Nos 10 minutos iniciais, os dois times criaram boas oportunidades. Morata chegou perto de marcar depois de lançamento de Pirlo, enquanto Tévez, de longa distância, parou em Subasic. Kurzawa, também de longe, acertou o travessão. Ainda no primeiro tempo, o Monaco teve a chance da etapa. Martial venceu Bonucci e Lichtsteiner na corrida e cruzou para Ferreira-Carrasco. Buffon fez uma das três defesas maravilhosas do jogo. 

Coletivamente, o ataque não foi tão bem em comparação à partida na Alemanha. A defesa, entretanto, se portou extremamente bem contra três adversários muito rápidos e que tentaram induzir o quarteto de zaga ao erro. Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra - e Barzagli na etapa final - contornaram a falta de velocidade ante Martial, Carrasco e Dirar e foram disciplinados o suficiente para bloquear os avanços dos atacantes adversários.

Outro lançamento em profundidade, novamente de Pirlo para Morata, decretou o resultado final da partida. Carvalho derrubou o espanhol e cometeu pênalti – imagens mostram, porém, que a falta aconteceu fora da grande área. Vidal, com uma cobrança perfeita, tirou qualquer chance de defesa de Subasic. A Juve recuou nos 30 minutos finais e apenas aguardou o Monaco. A única vez que os franceses atacaram a defesa foi com uma cabeçada de Berbatov - que saiu por cima da meta.

O técnico Massimiliano Allegri declarou ao fim da partida que a equipe dele não jogou mal. Além disso, que se alguém quisesse ter bons momentos, "que vá ao circo". Se a estratégia é jogar para vencer, tem dado certo, pois, sob comando dele, o time venceu quase 70% das partidas. 

No momento, a Juventus é o quarto favorito ao título europeu, atrás de Bayern, Barcelona e Real Madrid, de acordo com as casas de apostas. Ficar entre os quatro melhores da Europa era o intuito da temporada. E, de certa forma, seria uma bênção para o futebol italiano, que não coloca um time nas semifinais da Champions desde a Inter, em 2009-10.

Juventus 1-0 Monaco
Liga dos Campeões, Juventus Arena

Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Vidal, Pirlo (Barzagli 74'), Marchisio; Pereyra (Sturaro 87'); Tévez, Morata (Matri 83').

Monaco: Subasic; Raggi (Berbatov 71'), Ricardo Carvalho, Abdennour, Kurzawa; Fabinho, Kondogbia, Moutinho; Ferreira-Carrasco, Martial (Matheus 87'), Dirar (Bernardo Silva 51').

Gol: Vidal 57' (assista)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

30ª rodada: Ultrapassagem em grande estilo

Jogo de equipe: Lazio de Pioli atua com grande fluidez e é a sensação do campeonato (Getty)
O bom futebol paga. Uma prova disso é a Lazio, que vem jogando de uma forma primorosa e, graças a isso, tem conseguido resultados que a fazem subir na tabela. O time já tem oito vitórias consecutivas e, graças a uma goleada sobre o Empoli, passou a rival Roma e assumiu a vice-liderança – em um dia definido pelo presidente Claudio Lotito como histórico. O campeonato ainda não acabou, e o time biancoceleste terá um grande desafio na próxima rodada: enfrenta, em Turim, a líder Juventus, em um teste de fogo. Confira o resumo da rodada, com todos os destaques do que ocorreu em campos italianos.

Lazio 4-0 Empoli
E a Lazio segue sua caminhada rumo à Liga dos Campeões, agora com direito a ultrapassagem sobre a rival Roma. E na Cidade Eterna, os laziali fizeram festa bonita, lotando o Olímpico – mais de 50 mil pessoas compareceram ao estádio. O time de Pioli, por sua vez, retribuiu com goleada sobre o Empoli, sempre com o quarteto Candreva, Mauri, Felipe Anderson e Klose. Neste momento, é a Lazio quem tem o melhor futebol da Itália, com 4-3-3 seu muito insidioso. Hoje, os romanos têm o melhor ataque da temporada – 58 gols, um a mais que a Juventus –, e uma pontuação idêntica à Juve em 2015 (31 pontos para cada). As equipes se enfrentam na próxima semana, em um duelo que promete tirar o fôlego, já que os aquilotti estão embalados e buscam recordes da história do clube.

Com atuação correta, focando nas transições e consistência defensiva, os biancocelesti foram precisos sempre que atacaram, o que não aconteceu muitas vezes, apesar de jogarem em casa. Na verdade, os visitantes tiveram mais chutes e posse de bola, porém foram incapazes de fazer algum gol e controlar o jogo. A cada ataque, o time da casa marcava um gol, até alcançar os 4 a 0. O primeiro chegou com Mauri, aos 4, e o segundo com Klose, aos 31 – ambos em cruzamentos de Cavanda. Candreva fez aos 44, com uma pancada de fora da área, e Felipe Anderson fechou a conta aos 53. A nota negativa na partida foram duas lesões importantes: De Vrij (entorse no joelho) e Parolo (fratura na costela). A ausência dos dois titulares nas próximas semanas, decisivas para o final da temporada, pode pesar. (Arthur Barcelos)

Torino 1-1 Roma
Não deu para a Roma segurar a vice-liderança por muito tempo. Apesar da vitória na última rodada, os giallorossi empataram em 1 a 1 com o Torino e foram ultrapassados pela Lazio. Mais uma vez, um time da parte mais alta da tabela parou na ótima marcação do Torino, uma equipe muito bem armada por Ventura, e que não à toa tem a terceira melhor campanha no ano solar – são 26 pontos, atrás apenas de Juventus e Lazio. Mesmo longe do Olímpico, a Roma começou melhor e chegou a parar no travessão - em finalização de Iturbe. Glik até tentou uma bicicleta depois de uma cobrança de escanteio, mas o primeiro tempo terminou sem gols.

A Roma saiu na frente com o pênalti polêmico, cometido de Moretti em De Rossi – o volante romano foi esperto e cavou a penalidade, que Florenzi converteu. Pouco depois, Maxi López mostrou que, nas mãos de Ventura – um dos melhores treinadores de times pequenos e médios do país –, voltou a ter confiança para ser protagonista. O argentino entrou na partida e balançou a rede no primeiro toque na bola. Com polêmica, claro: os jogadores do time visitante reclamaram que o cruzamento de Bruno Peres – outra vez muito bem em campo – saiu pela linha de fundo. Gazzi ainda teve a chance de virar, mas foi a Roma quem criou mais chances no decorrer do jogo. Pjanic, Doumbia e Florenzi perderam boas oportunidades. (Murillo Moret)

Parma 1-0 Juventus
"Juve paga um micaço!", escreveu a Gazzetta dello Sport após a derrota da Velha Senhora para o (último colocado, quase rebaixado e praticamente falido) Parma. Ao mesmo tempo, todos devemos prezar a bravura dos parmiggianos, que viram sua torcida lotar o estádio contra o maior rival e, mesmo sem receber salários, jogam bem – são sete pontos nos últimos nove jogos. Com time misto - mais para reserva do que para titular - em campo, a equipe de Allegri passou longe de apresentar futebol sequer razoável. A única boa chance veio com um dos poucos titulares em campo, Vidal, ainda no primeiro tempo. O chileno, porém, não aproveitou. Na frente, Coman e Llorente nada fizeram e deixaram o goleiro Mirante como mero espectador de luxo.

O Parma nem precisou ser muito brilhante para vencer a líder: na primeira boa chance que teve, marcou, com Mauri. O meia iniciou a jogada com roubada de bola e apareceu na entrada da área, onde recebeu passe de Belfodil para superar o goleiro Storari e fazer 1 a 0. Sem se conformar à beira do campo, Allegri colocou Morata para resolver, mas o espanhol sozinho nada pode fazer. E se, como o treinador costuma dizer, "vitória atrai vitória", o Monaco sorri com esse péssimo resultado dos bianconeri antes do jogo decisivo dessa semana, pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Pela Serie A, a adversária da próxima rodada será a nova vice-líder, Lazio, que tem 12 pontos a menos. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 3-0 Fiorentina
Das duas equipes eliminadas na Coppa Italia no meio da semana, somente o Napoli entrou em campo no San Paolo. Mertens marcou um golaço da esquina da área com uma ajuda de Richards - que preferiu dar espaço ao invés de bloquear qualquer decisão do belga. Higuaín e Callejón também balançaram a rede, na etapa final, para decretar a vitória maiúscula em casa. Gabbiadini, mais uma vez, fez um excelente jogo e por pouco não deixou a sua marca.

O Napoli ainda pode reclamar de um gol tomado pela arbitragem. Ainda no primeiro tempo, aos 36, Higuaín venceu Neto com uma finalização, a bola bateu no travessão e tocou a linha antes da sequência da jogada. O árbitro de linha observou a jogada de perto e invalidou o gol. O replay sugeriu o tento do argentino. Com a vitória, o Napoli ultrapassou a Fiorentina e reassumiu a quarta posição: tem 50 pontos, contra 49 do time florentino, que vem logo atrás. (MM)

Milan 1-1 Sampdoria
O último trem para a Europa partiu e o Milan não pegou. No confronto direto contra a Sampdoria, o time milanês até apresentou alguma melhora, mas não passou do empate e viu os dorianos continuarem com sete pontos de vantagem na briga por uma vaga na Liga Europa. Dessa forma, o dérbi da semana que vem, contra a Inter, deverá ser apenas um jogo que valerá para cumprir tabela. A que ponto chegamos.

A Sampdoria, que não tem nada a ver com isso, fez mais do seu jogo em San Siro. Após um primeiro tempo em ritmo lento, a equipe visitante aumentou a intensidade do jogo e abriu o placar. Eto'o roubou uma bola no campo de defesa e iniciou a jogada do primeiro gol do confronto. O camaronês, com belo passe, achou Soriano na grande área, e o meia não perdoou. Os rossoneri chegavam bastante ao ataque com Cerci, mas pecava nas finalizações. Quando o italiano foi substituído por Suso, o time melhorou. Primeiro, o espanhol acertou a trave, e, na sequência, De Jong contou com a sorte para empatar. Seu chute saiu fraco e mascado, mas Duncan enganou Viviano e, com desvio fundamental, igualou o placar. (Nelson Oliveira)

Verona 0-3 Inter
Depois de muitas incógnitas, a Inter voltou a jogar bem e arrancou três pontos do Verona no estádio Marc'Antonio Bentegodi. A partida – e o modo como foi vencida – dá moral aos nerazzurri antes do dérbi contra o Milan. Apesar de o jogo valer pouca coisa – é muito difícil que um dos representantes de Milão consiga uma vaga europeia –, vencer um clássico é sempre bom. E a Inter, neste momento, parece em melhor forma, apesar dos desfalques de Brozovic e Guarín, que estarão suspensos.

A partida teve alguns momentos de puro monólogo interista. No início, após uma troca de passes, Palacio cruzou na área e Icardi completou – em lance discutível, os butei reclamaram pela falta de fair play da Inter, que não colocou a bola para fora enquanto Tachtsidis estava caído. Com muita posse de bola e domínio territorial, a Inter, comandada por Hernanes e Palacio, ampliou no início do segundo tempo. Icardi retribuiu presente de Palacio e cruzou para o compatriota aumentar. Depois disso, Handanovic protagonizou um verdadeiro show: o Verona decidiu atacar e o esloveno fez defesas excepcionais – parou, inclusive, um pênalti cobrado por Toni. Ele, que defendeu seis das últimas sete penalidades contra a Inter, está apenas três cobranças atrás de Pagliuca e pode se tornar o maior pegador de pênaltis da história da Serie A – são 21 contra 24. No final do jogo, a Beneamata ainda chegou ao terceiro gol, com a ajuda do zagueiro Moras. (NO)

Genoa 2-0 Cagliari
Cada vez mais, parece não ter volta o caminho do Cagliari rumo à Serie B. Mesmo quando consegue ir bem, o time de Zeman perde e se afunda ainda mais na tabela. Agora, já são oito derrotas em dez jogos. A última vez que o time somou três pontos foi em 24 de janeiro, contra o Sassuolo. Assim, não tem santo que aguente: são apenas 21 pontos em 30 rodadas, aproveitamento que só não é pior do que o do falido Parma. São oito pontos a menos do que a Atalanta, primeira fora da zona de rebaixamento. 

No sábado, contra o Genoa, fora de casa, os sardos até foram bem no primeiro tempo e tiveram três boas chances de abrir - e até ampliar - o placar. Primeiro, Rossettini acertou a trave. Depois, foi a vez de Ceppitelli fazer o mesmo. Por último, M'Poku carimbou o travessão, reafirmando a má sorte de perdedor do Cagliari. Do outro lado, o Genoa pouco fez. No segundo tempo, depois de todos esses sustos, resolveu reagir e não demorou para decidir a partida: Niang, aos sete minutos do 2º tempo, e Iago, aos 13, abriram 2 a 0 e terminaram de nocautear um adversário que já estava baqueado pela má sorte. Com 41 pontos, na 10ª posição, o Genoa vai encaminhando um fim de temporada sem problemas. (RA)

Udinese 1-3 Palermo
Depois de perder para o Parma em jogo atrasado, a Udinese voltou a tropeçar e foi derrotada, em casa, pelo Palermo. A derrota irritou a torcida, que vaiou a equipe e pediu a saída do técnico Stramaccioni. Das últimas dez partidas, a equipe friulana venceu apenas uma, o que deixa os bianconeri na parte baixa da tabela, em uma temporada de entressafra – a Udinese direcionou quase todos os investimentos deste ano para a construção de seu novo estádio, que já está quase pronto. Já o Palermo voltou a vencer, depois de seis rodadas, e praticamente se garantiu na Serie A.

A Udinese começou melhor, mas seis minutos foram suficientes para mudar o rumo da partida e acabar com a paciência do torcedor. Aos 15, Lazaar acertou um belo chute da intermediária, no ângulo de Karnezis, e abriu o placar. Aos 21, foi a vez de Rigoni, que aproveitou cruzamento de Dybala, após bobeira de Domizzi – o beque perdeu a bola no início da jogada. Já no segundo tempo, Chochev ampliou o marcador, só completando cruzamento de Rispoli. O placar só não foi maior porque Dybala e Rispoli acertaram a trave do goleiro grego. Mesmo sem criar nada, a Udinese diminuiu, com Di Natale, já no final da partida. Falta apenas um para ele igualar Roberto Baggio na classificação geral de goleadores da Serie A. (Caio Dellagiustina)

Atalanta 2-1 Sassuolo
Depois de quase três meses sem marcar, Denis voltou às redes em grande estilo e, como sempre, foi decisivo para a Atalanta. Os orobici finalmente venceram sob o comando de Reja e abriram sete pontos sobre o Cesena, time que abre a zona de rebaixamento. Salvo algum momento ruim, a Atalanta entrou no momento de definir sua permanência na elite por mais um ano.

Em Bérgamo, num jogo sem maiores destaques, foi mesmo o capitão o grande protagonista, ao abrir o placar com belíssimo gol de bicicleta aos 42. O Sassuolo chegou a ameaçar os três pontos dos donos da casa com gol de Berardi, em assistência de Sansone, mas rapidamente a Dea desempatou em cobrança de pênalti, causado por Brighi, convertido por Denis. Nas duas comemorações, uma cena bacana: o atacante argentino comemorou os gols abrançando e beijando seus filhos, que são gandulas do estádio. (AB)

Cesena 0-1 Chievo
Se a salvezza chegou a ser um sonho há algumas rodadas, agora, ao final da 30ª rodada, ela começa a ficar cada vez mais difícil para o Cesena. A derrota para o Chievo foi o quinto jogo sem vitória dos bianconeri, que agora estão a sete pontos da Atalanta, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. Por outro lado, o Chievo somou nove pontos dos últimos 12 disputados e chegou a 35, pontuação suficiente para a permanência nas duas últimas temporadas. Se considerássemos apenas o ano de 2015, o time de Verona teria pontuação suficiente para brigar por uma vaga em competições europeias.

O jogo abriu a rodada dominical e teve pouca movimentação na primeira etapa. O Chievo criou mais chances, mas em nenhuma delas levou perigo a Leali. Do lado bianonero, o momento de maior destaque foi o voleio de Brienza, já no final da primeira etapa, bem defendido por Bizzarri. As duas equipes voltaram melhores na segunda etapa, mas as finalizações não eram precisas. Quando o jogo já se encaminhava para o final, o Chievo chegou ao gol. No dia de seu aniversário de 36 anos, o veterano Pellissier que aproveitou cruzamento de Frey e sacramentou a vitória gialloblù. (CD)

Relembre a 29ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Cavanda (Lazio), Roncaglia (Genoa), Dainelli (Chievo), Lazaar (Palermo);  Perotti (Genoa), Mauri (Parma), Hamsík (Napoli); Palacio (Inter), Denis (Atalanta), Klose (Lazio). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Os 10 maiores europeus orientais do futebol italiano

Stanković e Nedvěd são dois dos maiores vencedores dos tempos recentes da Serie A (Corriere.it)
O futebol das repúblicas socialistas do Leste Europeu sempre foi sinônimo de destaque mundial. Seu maior expoente foi a Hungria, que primeiro chegou à final da Copa de 1938, e depois a seleção de Ferenc Puskás, que brilhou no Mundial de 1954. Outro exemplo decantado é a União Soviética campeã da Olímpiada de 1956 e da primeira Eurocopa, em 1960, com o mítico Lev Yashin no gol. Tivemos outras equipes sensacionais dos próprios magiares e soviéticos, mas também a Checoslováquia vice-campeã mundial duas vezes, em 1934 e 1962, e vencedora da Euro, em 1976; a Polônia das décadas de 1970 e 1980; a sensacional geração da Iugoslávia, em 1990; e, mais recentemente, grandes times de Croácia, Bulgária, Romênia e República Checa.

Boa parte dos jogadores desses times históricos, protagonistas ou coadjuvantes, passaram pelo futebol italiano com destaque. Alguns chegaram a marcar época, como os que elencamos em nosso ranking. Porém, antes de passar à lista, precisamos contextualizar as relações existentes entre o futebol da Itália e o do Leste Europeu, bem como as questões que envolvem os povos de ambas as regiões.

Um pouco de geopolítica e futebol
Dois dos países mais ricos da Europa tem grande relação com os países da Europa Oriental: por questões geográficas, de pura vizinhança, Alemanha e Itália absorvem traços da cultura de países do leste do continente. No caso italiano, algumas partes atuais do país já pertenceram à Iugoslávia. É o caso da região do Friuli-Venezia Giulia, que compreende cidades importantes como Údine e Trieste, esteve dividida entre iugoslavos e austríacos. Ao mesmo tempo, em outro período histórico, a Itália foi dona de partes da Eslovênia e da Croácia, países fronteiriços atualmente. Além destas nações do leste, o Belpaese também faz fronteira marítima com Montenegro e Albânia, que também fazem parte dos Bálcãs.

A ligação italiana com a região dos Bálcãs é enorme e histórica. Algo que vem desde a Antiguidade Clássica e o Império de Alexandre, o Grande, macedônio que chegou a dominar um pedaço do sul da Itália, e depois com o Império Romano, que invadiu boa parte dos estados balcânicos. Não é à toa que nos países da Europa Oriental, até hoje diversas construções dos romanos seguem de pé, e costumes ligados a práticas religiosas são compartilhados.

Com o passar dos anos e as guerras e mudanças territoriais que atingiram as conturbadas regiões das penínsulas Itálica e Balcânica, o intercâmbio continuou. Hoje, as maiores comunidades de imigrantes na Bota são formadas por romenos e albaneses, e outros cinco países (Ucrânia, Moldávia, Polônia, Macedônia e Bulgária) estão entre os 20 povos que mais emigraram para a Itália.

Futebolisticamente, as relações entre as regiões também são antigas. Se dizia que as equipes do Leste Europeu eram acostumadas a jogar um futebol bastante ofensivo, de muito toque de bola e objetividade, principalmente no ataque, no esquema 2-3-5, chamado de pirâmide inglesa. Algo que contrastava com o futebol predominantemente tático praticado na Itália, que era mais cauteloso e prezava pelo domínio do jogo no meio-campo e contra-ataques, no método WW, espécie de 4-3-3 à moda antiga introduzido por Vittorio Pozzo. Eram as duas escolas que mais brilhavam na Europa à época.

Desde o final dos anos 1920, se jogava a Copa Mitropa, predecessora e inspiração para a Copa dos Campeões. Nela, participavam times da chamada Europa Central: Itália, Checoslováquia, Áustria, Hungria, Iugoslávia e também equipes de Suíça e Romênia, de vez em quando. Apesar da força econômica do futebol italiano, o talento das equipes da parte oriental da Europa se sobressaía. Antes da II Guerra Mundial, o domínio era de clubes da Hungria.

Valentino Mazzola, durante um jogo contra a Hungria (EPA)
No futebol de seleções, porém, a história era diferente. Em seus dois primeiros títulos mundiais, a histórica Itália treinada por Pozzo e comandada por Giuseppe Meazza, venceu na final duas seleções da Europa Oriental. Em 1934, a vitória na final foi pelo placar de 2 a 1 sobre a extinta Checoslováquia. Quatro anos depois, conquista sobre a Hungria do goleador Gyula Zsengellér, por 4 a 2.

Em termos de clubes, mesmo depois da perda de prestígio da Copa Mitropa (ou Copa da Europa Central) – na metade da década de 1950, com a criação da já citada grande competição de clubes da Uefa –, eram os clubes do leste que dominavam. Apenas no ocaso do torneio, nos anos 1980 e 1990, os italianos detiveram a primazia no torneio, que teve última edição em 1992.

No catenaccio que tomava conta da Itália nos anos 1960, foram poucos os jogadores que conseguiram espaço na Serie A. A questão estilística das escolas fazia com que o número de atletas do leste não fosse alto. Porém, o fato é que foram as questões políticas inerentes à Guerra Fria e de restrições no número de estrangeiros do mercado italiano que fizeram o número de grandes jogadores das repúblicas socialistas que jogaram na Serie A ter sido menor do que poderia. Apenas com a queda da Cortina de Ferro, nos anos 1980, é que a quantidade deles aumentou nos gramados da Itália.

Aumentou bastante, diga-se. Hoje, a Croácia é o país do Leste que mais cedeu jogadores ao Campeonato Italiano: 59, ao todo. Em seguida vem a Sérvia, com 56 – os países ocupam a sexta e a sétima posições no ranking de número de estrangeiros que já jogaram na Serie A. Entre as 20 nacionalidades mais representadas no geral, destacam-se, ainda, outros países da região, como Romênia, Hungria e República Checa.

Influência direta no futebol italiano
A região do Friuli-Venezia Giulia é uma das mais litigiosas da Itália, como citamos. Lá se falam o italiano e dialetos regionais, mas também alemão, esloveno e croata. Ao mesmo tempo, a riqueza cultural ajuda que ela e suas regiões adjacentes, outrora pertencentes à Itália, seja das mais frutíferas no futebol do país.

Para começar, a tradicional Triestina, vem de Trieste, cidade que já foi disputada pela Itália e pela antiga república socialista, no século passado, e é a única equipe "estrangeira" a já ter jogado a Serie A. Em Trieste, nasceram, também, Cesare Maldini e Nereo Rocco, ídolos do Milan, e Giuseppe Grezar e Giorgio Ferrini, ícones do Torino. Ali perto, em Gorizia, nasceu Edoardo Reja, técnico que fez sucesso por Napoli e Lazio nos anos 2000.

Um pouco mais distante, na cidade de Fiume (conhecida atualmente como Rijeka), na  Croácia, nasceram futebolistas importantes. Gente como Giovanni Varglien, campeão mundial com a Itália em 1934, Antonio Vojak, um dos grandes artilheiros da história do Napoli, Rodolfo Volk, goleador da Roma, e Ezio Loik, meia importante do Grande Torino. Todos os citados, no entanto, são considerados italianos, apesar de suas origens em terras que vez ou outra foram de outros países.

O checo Zeman, um dos técnicos mais ofensivos que o futebol italiano já teve (Giornalettismo)
Além de todos os friulanos e julianos citados, outros personagens com origem da Europa Oriental tiveram muita influência no futebol italiano. Um deles é o zagueiro Pietro Vierchowod, filho de um ex-militar ucraniano, que combateu pelo Exército Vermelho soviético. O Zar marcou época nas décadas de 1980 e 1990, ganhou tudo o que podia e ainda atuou em três Copas do Mundo.

Outro que merece ser citado é Zdeněk Zeman, treinador checo naturalizado italiano. Zeman introduziu na Itália um futebol ofensivíssimo, que até hoje é visto de forma revolucionária. Seu tio, Čestmír Vycpálek, também foi treinador, e chegou a ganhar títulos com a Juventus.

Vale lembrar ainda que a Itália, como outros países do mundo, também teve forte presença de técnicos húngaros entre os anos 1920 e 1960. Tidos como grandes taticistas, os magiares eram muito procurados por equipes em todo o planeta, e todos os times grandes italianos tiveram ao menos um técnico húngaro – na verdade, foram vários. Na Itália, os que mais se destacaram foram Béla Guttmann, Árpád Weisz, Nándor Hidegkuti, Lajos Czeizler, Alfréd Schaffer e József Viola.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observação: nenhum dos jogadores citados na introdução foi considerado para a nossa lista. Afinal, consideramos apenas jogadores tidos como estrangeiros, e os citados tinham cidadania italiana e defenderam a Itália em nível de seleção.

Top 50 Europeus do Leste na Itália
11. Christian Chivu; 12. Srečko Katanec; 13. Alen Bokšić; 14. Vladimir Jugović; 15. Samir Handanovič; 16. Gheorghe Hagi; 17. Hristo Stoichkov; 18. Goran Pandev; 19. Adrian Mutu; 20. Marek Jankulovski; 21. Igor Kolyvanov; 22. Kakhaber Kaladze;  23. Igor Shalimov; 24. Naim Krieziu; 25. Dan Petrescu; 26. Oleksandr Zavarov; 27. Mirko Vučinić; 28. Stevan Jovetić; 29. Ștefan Radu; 30. Lajos Détári; 31. Senad Lulić; 32. Karel Poborský; 33. Tomáš Ujfaluši; 34. Florin Răducioiu; 35. Miralem Pjanić; 36. Igli Tare; 37. Darko Kovačević; 38. Sergej Alejnikov; 39. Dragan Stojković; 40. Predrag Mijatović; 41. Mateo Kovačić; 42. Oleksiy Mykhaylychenko; 43. Darko Pančev; 44. Robert Jarni; 45. Gyula Zsengellér; 46. Gheorghe Popescu; 47. Hasan Salihamidžić; 48. Andrei Kanchelskis; 49. Ivan Jurić; 50. Luboš Kubík.

10º - Tomáš Skuhravý


Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Genoa (1990-96)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Jogador checoslovaco do ano (1991)

Depois de ter sido vice-artilheiro da Copa de 1990, realizada na Itália, Skuhravý continuou sua vida em solo italiano. O jogador checoslovaco – que, a partir de 1992, assumiu a nacionalidade checa, com a divisão do país – foi contratado pelo Genoa logo após o Mundial e foi um dos grandes destaques da equipe na primeira metade da década de 90. Atacante de muita força, presença de área e forte no jogo aéreo, foi utilizado como uma das principais armas do time genovês e, em 163 partidas pela Serie A, com 57 gols, é o maior artilheiro da equipe na história da competição.

Skuhravý marcava gols de todas as formas, e não obstante parecesse gordinho, era bastante ágil – inclusive, ficou conhecido pelas cabriolas que dava nas comemorações dos gols. Na temporada 1990-91, que deu ao Grifone a classificação à Copa Uefa, foi o artilheiro do time, com 15 gols, ao lado do uruguaio Carlos Aguilera, que anotou sete deles de pênalti. Na disputa da Copa Uefa, o forte atacante do Leste Europeu fez apenas dois gols, mas ambos fundamentais: o primeiro deles foi contra o Oviedo, aos 89 minutos de jogo, e definiu a classificação dos rossoblù na primeira fase da competição. Com pouca história nos dérbis contra a Sampdoria, o checo se livrou de um incômodo em seu último clássico, quando marcou um gol de pênalti na vitória por 3 a 1 contra os rivais. Após a aposentadoria, o atacante chegou a viver na região de Gênova, mostrando sua ligação com o clube e a Itália.



Posição: meia-atacante
Clube em que atuou na Itália: Milan (1992-98)
Títulos: Liga dos Campeões (1994), Supercopa Europeia (1994), Serie A (1993, 1994 e 1996) e Supercopa Italiana (1992, 1993 e 1994)
Prêmios individuais: nenhum

Nos seis anos em que defendeu o Milan, Savićević foi importantíssimo no San Siro. Sucessor legítimo do trio holandês formado por Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten, Savićević herdou o trono que lhe era de direito. Muito habilidoso, ele era responsável pela criação e apoiava bastante os finalizadores, o que lhe rendeu 34 gols em 144 partidas pela agremiação rossonera. O meia-atacante cansou de erguer troféus pelo Milan: abocanhou três Serie A, três Supercopas italianas, uma Liga dos Campeões e uma Supercopa europeia.

Foi em Milão que o craque da antiga Iugoslávia viveu a fase mais gloriosa de sua carreira. Já consagrado por uma passagem vitoriosa pelo Estrela Vermelha – pelo qual foi campeão europeu e mundial; também sido eleito como o segundo melhor jogador do continente, em 1991 –, Savićević chegou como reforço para o time de Fabio Capello por 10 bilhões de liras. Na primeira temporada, como reserva, viu a equipe cair na final da Liga dos Campeões frente ao Olympique Marseille, mas foi campeão italiano. No ano seguinte, ele não foi protagonista durante toda a campanha, mas brilhou demais na final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. Na ocasião, Savićević marcou um gol por cobertura e ainda deu uma assistência para Daniele Massaro. Individualmente, o montenegrino teve as duas melhores temporadas entre 1994 e 1996, quando marcou 15 gols, somando as duas temporadas. O último dos tentos anotados pelo Diavolo aconteceu em janeiro de 1998, em dérbi contra a Inter. A partida, válida pelas quartas de final da Coppa Italia, acabou com um histórico 5 a 0 a favor dos rossoneri.



Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Brescia (2004-07) e Napoli (2007-hoje)
Títulos: Coppa Italia (2012 e 2014) e Supercopa Italiana (2014)
Prêmios individuais: Jogador eslovaco do ano (2009, 2010, 2013 e 2014), Melhor jogador jovem da Serie A (2008) e Seleção da Serie A (2011)

Em toda a história do Napoli, apenas três jogadores estrangeiros – sem contar três oriundi – foram capitães do Napoli. Diego Armando Maradona, Roberto Ayala e Marek Hamšík. Só isto já poderia fazer do eslovaco um dos maiores jogadores da história napolitana, mas Marekiaro é mais do que isto. Em quase oito anos vestindo azzurro, tem 343 jogos e 85 gols, consolidando-se entre os cinco que mais entraram em campo pelo Napoli (é o quarto) e entre os 10 maiores goleadores (é o sétimo). Por três temporadas consecutivas, de 2008 a 2010, foi o artilheiro da equipe, e nas outras marcou muitos gols e liderou o time nas assistências. Hamšík foi, também, o primeiro estrangeiro a ser eleito o melhor jogador jovem da Serie A.

O eslovaco chegou ao Napoli em 2007, depois de ter passado três anos no Brescia, que o contratou para integrar as categorias de base – Hamšík tinha apenas 17 anos. A estrela sempre foi grande: seu primeiro gol na Itália, ainda pelos brescianos, foi sobre o Milan. Já em Nápoles, anotou gols contra Juventus, Inter, Milan, Roma, Lazio e Fiorentina. Quase sempre em campo, mostrou ser um meia central completo. Desde que aportou na Campânia, Hamšík destilou seu repertório: preparo físico invejável (se lesiona muito pouco), muita movimentação e qualidade no passe, além de grande poder de inserir-se entre os marcadores e finalizar. Ao lado de Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani, fez parte do segundo melhor Napoli da história, o que devolveu ao clube a grandeza dos tempos de Maradona. Foi o único dos três tenores a ficar, e simboliza o momento da equipe: contratado juntamente a Lavezzi em 2007, quando os azzurri voltaram da segundona, é o maior ídolo da torcida, e nunca deixou o time mesmo tendo recebido ofertas.

7º - Zvonimir Boban


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Bari (1991-92) e Milan (1992-2001)
Títulos: Liga dos Campeões (1994), Supercopa Europeia (1994), Serie A (1993, 1994, 1996 e 1999) e Supercopa Italiana (1993 e 1994)
Prêmios individuais: Jogador croata do ano (1991 e 1999)

Boban ficou bastante conhecido no panorama internacional por ser um jogador com posições políticas fortes. Engajado na causa da independência da Croácia em relação à antiga Iugoslávia, chegou a chutar um policial sérvio que agredia um torcedor, em um jogo pelo Dinamo Zagreb, foi suspenso e perdeu a Copa de 1990. Ficou satisfeito, ainda assim, por ter feito o que julgava correto. Na Itália, o meia continuou demonstrando a mesma personalidade e foi um dos grandes nomes do Milan nos anos 1990. Zorro, como ficou conhecido, trocou Zagreb pelo Milan, em 1991, mas os rossoneri emprestaram o jogador ao Bari, para que se ambientasse à Itália. Apesar de ter sofrido com uma hepatite e não ter conseguido salvar os galletti da queda, o croata fez boa dupla com David Platt e chamou a atenção da Itália.

No ano seguinte, foi incorporado de vez ao elenco rossonero e começou a ganhar títulos nos âmbitos nacional e continental. Inicialmente, o croata chegou a disputar posição com jogadores como Ruud Gullit, Dejan Savićević, Demetrio Albertini, Roberto Donadoni e Roberto Baggio, o que lhe tirava um pouco de espaço. Boban, no entanto, começou a aparecer mais no time titular a partir de meados de 1994, e entrou em campo na histórica final da Liga dos Campeões de 1994, frente ao Barcelona. Absoluto no meio-campo rossonero a partir de 1996-97, o classudo meia desfilava seu futebol, atuando como trequartista tanto no Milan quanto na melhor Croácia da história – que fez barulho na Euro 1996 e ficou com a terceira posição na Copa de 1998. A última conquista de Boban foi justamente aquela em que ele foi mais importante: no scudetto rossonero de 1999, era ele quem ditava o ritmo do time, mostrando habilidade e visão de jogo.



Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1948-54), Roma (1954-56), Lecco (1958-60) e Marzotto (1960-61)
Títulos: Serie A (1953 e 1954)
Prêmios individuais: nenhum

Quando se fala de jogadores húngaros, muita gente se lembra de Gyula Zsengellér, Lajos Détári, Flórián Albert, Sándos Kocsis, Nándor Hidegkuti, László Kubala e todos, claro, citam Ferenc Puskás. No entanto, outra grande estrela do futebol do país foi István Nyers, que atuou em quatro times italianos, mas teve sucesso mesmo na Inter. Atacante de flanco, o húngaro, ambidestro, preferia jogar pelo lado esquerdo, mas também atuava centralizado com alguma frequência. Habilidoso e muito bom finalizador tanto com as pernas quanto com a cabeça, nos seis anos em que jogou pela Internazionale, ele viveu seu auge: com 133 gols em 182 partidas, é o quarto maior artilheiro da história nerazzurra. Pudera: em quatro temporadas o Enfant Terrible marcou 110 vezes, sendo goleador da Serie A em 1949 e alternando entre a segunda e a terceira posições – assim como seu time no campeonato –, brigando com Gunnar Nordahl, do Milan, e John Hansen, da Juventus. Eram os três times que disputavam o primado do futebol italiano após o Desastre de Superga, que matou excelente geração do Torino em 1949.

O atacante magiar chegou ao San Siro de certa forma por causa de um personagem que se tornaria ícone do clube anos depois. Helenio Herrera, que montou a Grande Inter nos anos 1960, treinava o Stade Français, e era admirador do futebol de Nyers. Foram apenas dois anos em sua volta à França, onde nascera, e o atacante acabou chamando a atenção da Inter em um amistoso. Em Milão, Nyers atuou ao lado de jogadores importantes naquele período do clube nerazzurro, como o holandês Faas Wilkes e o italiano Amedeo Amadei, e principalmente com o sueco Lennart Skoglund e com o italiano Benito "Veleno" Lorenzi, com quem fez um dos trios mais dinâmicos e goleadores da história nerazzurra. O tridente foi o grande responsável por tirar o clube de uma fila de 13 anos sem Serie A, com o bicampeonato em 1953 e 1954. Naquela época, Nyers, que tinha quase 30 anos, marcava menos gols, mas era importante: após ser barrado por pedir um aumento de salário, voltou ao time titular no dérbi contra o Milan, e marcou os três da vitória por 3 a 0. Aliás, marcar sobre o Milan era sua especialidade: ao todo, foram 11 gols, o que lhe conferem o título de vice-artilheiro nerazzurro no confronto, e terceiro colocado geral. Depois de deixar a Inter, Nyers ainda teve dois anos dignos por uma Roma mediana – que chegou a ser terceira colocada em sua primeira temporada –, perambulou pela Espanha e voltou à Itália para jogar por Lecco e Marzotto, na Serie B.



Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Juventus (1982-85) e Roma (1985-88)
Títulos: Copa dos Campeões (1985), Recopa Europeia (1984), Supercopa Europeia (1984), Serie A (1984) e Coppa Italia (1983 e 1986)
Prêmios individuais: Jogador polonês do ano (1982) e Inserido na lista Fifa 100

Os melhores jogadores do mundo passavam pela Itália nos anos 1980. E Boniek, principal nome da Polônia em três Copas do Mundo, não poderia deixar de jogar a Serie A. O meia-atacante ganhou seus principais títulos com a camisa da Juventus, mas é mais adorado pela torcida da Roma. Até hoje, por uma série de declarações públicas, juventinos desprezam o ex-jogador, que por sua vez parece mais doce ao falar da Roma. Fato é que, mesmo assim, pelo que deu à Juve, Boniek foi homenageado com uma estrela no Juventus Stadium – os 50 melhores jogadores da história bianconera receberam a honraria. Curiosamente, Zibi chegou a acertar com a Roma, em 1982, mas acabou assinando mesmo com a Juve. O primeiro polonês a atuar na Serie A já havia chamado a atenção da Juve alguns anos antes, quando o Widzew Łódź eliminou a Velha Senhora na Copa Uefa e o próprio atacante cobrou o pênalti decisivo.

Em Turim, chegou junto com Michel Platini, maior contratação do mercado, para jogar ao lado dos campeões do mundo Dino Zoff, Claudio Gentile, Antonio Cabrini, Gaetano Scirea, Franco Causio, Marco Tardelli e Paolo Rossi. Na primeira temporada, vice da Serie A (Roma campeã) e da Copa dos Campeões (deu Hamburgo), e título na Coppa Italia. Em seguida, o futebol técnico, de dedicação ao coletivo e de muitas arrancadas do polonês começou a dar mais resultados. Por causa de suas grandes exibições nos jogos de copas europeias, que usualmente aconteciam durante a noite, o polonês recebeu o apelido de Bello di notte (Belo da noite), dado pelo presidente do clube, Gianni Agnelli. Boniek, realmente, jogava bem nestes jogos: por exemplo, marcou o gol da vitória sobre o Porto na final da Recopa, em 1984, e sofreu pênalti na final da Copa dos Campeões vencida sobre o Liverpool, no trágico jogo disputado em Heysel. Após vencer quase tudo pela Juve – incluindo, aí, sua única Serie A –, passou à Roma, onde ficou mais três anos. Sua melhor temporada foi a primeira, na qual, comandado por Sven-Göran Eriksson, fez grande Serie A e ajudou os romanos a quase ultrapassarem a Juventus na tabela mesmo após estarem nove pontos atrás. Aposentou-se dois anos depois, jogando pela Roma, onde atuou como meia-atacante, volante e até como líbero.



Posição: zagueiro e volante
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1992-94), Sampdoria (1994-98), Lazio (1998-2004) e Inter (2004-06)
Títulos: Recopa Europeia (1999), Supercopa Europeia (1999), Serie A (2000 e 2006), Coppa Italia (2000, 2004, 2005 e 2006) e Supercopa Italiana (1998, 2000 e 2005)
Prêmios individuais: Jogador sérvio do ano (1999) e Seleção da temporada European Sports Magazine (1999 e 2000)

Falou em cobranças de faltas, falou em Mihajlović. O canhoto sérvio, um dos maiores batedores de faltas da história do futebol, chegou ao futebol italiano depois de ter sido campeão europeu e mundial com o Estrela Vermelha. Logo após o título europeu, foi contratado pela Roma, clube pelo qual teve passagem discreta, atuando como volante. Em 1994, o jogador foi contratado pela Sampdoria e foi na equipe blucerchiata que conheceu o sucesso. Logo em sua primeira temporada, a Bomba de Borovo, como era chamado, teve sua posição alterada pelo técnico Vujadin Boškov e passou a atuar na lateral esquerda. Com a chegada de Sven-Göran Eriksson ao clube genovês, Miha teve sua posição alterada mais uma vez e virou zagueiro central, função na qual mais se destacou na carreira, atuando com a classe de quem tinha um pé esquerdo privilegiado.  Em quatro temporadas, o sérvio fez 110 jogos e marcou 20 gols pela Samp.

O bom desempenho pela equipe doriana e na Copa de 1998, pela seleção da antiga Iugoslávia, levou  Mihajlović à Lazio, levado por Eriksson. O jogador foi tão bem pela equipe biancoceleste que nem mesmo seu passado giallorosso atrapalhou a sua identificação com o clube de Formello. Foi no lado azul da capital que o sérvio encontrou a melhor fase da sua carreira. Ainda como zagueiro, dotado de uma ótima visão de jogo e de uma vontade inacabável, cobria bem os espaços e dificultava muito a vida dos atacantes. Depois, seus lançamentos longos eram uma arma a mais para os contra-ataques.  Sua potentíssima perna canhota lhe permitia marcar uma infinidade de gols de falta – ele chegou a marcar três vezes dessa forma em um único jogo, contra a Sampdoria. Em seis anos de Lazio, fez 33 gols em 133 partidas, venceu praticamente tudo o que pode e foi capitão em seus últimos dias de clube. O zagueiro ainda passou dois anos na Inter, para onde foi a convite do amigo Roberto Mancini – companheiro em Samp e Lazio. Ele foi reserva nos dois anos em Milão, mas marcou importantíssimos gols neste período. Conquistou mais três títulos e ampliou seu recorde: com 28 gols, ninguém fez mais gols de falta do que Mihajlović na história da Serie A.



Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1998-2004) e Inter (2004-13)
Títulos: Liga dos Campeões (2010), Mundial de Clubes da Fifa (2001), Supercopa Europeia (1999), Recopa Europeia (1999), Serie A (2000, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010), Coppa Italia (2000, 2005, 2006, 2008, 2010 e 2011) e Supercopa Italiana (1998, 2000, 2005, 2006, 2008 e 2010)
Prêmios individuais: Jogador sérvio do ano (2006 e 2010) e Seleção da temporada European Sports Magazine (2007)

Stanković é, antes de tudo, um jogador com marcas pessoais invejadíssimas – sobretudo no futebol italiano. Muitos podem não vê-lo como um jogador importante, mas o sérvio, que se destacou com as camisas de Lazio e Inter, está no hall da fama como um dos estrangeiros mais vencedores na história do futebol da Bota. Entre os gringos, poucos o superam. Em termos de títulos de caráter nacional, Deki conquistou 17 títulos: seis Serie A, cinco Copas Itália e mais cinco Supercopas. Ninguém venceu mais Supercopas do que ele, e nenhum estrangeiro garantiu mais scudetti e títulos da copa. Em termos de Serie A, apenas Walter Samuel fica empatado (os dois, inclusive, estão entre os 20 maiores vencedores da competição), e falando de copa, é Goran Pandev quem se iguala – apenas Roberto Mancini, com seis títulos supera os dois. O meia ainda é um dos 10 estrangeiros com o maior número de jogos pela Serie A (368) e recordista de jogos com a Sérvia (103, somados ainda aos dos tempos de Iugoslávia e de Sérvia e Montenegro). Ufa!

O "drago" Stanković, porém, é muito mais do que números. Garoto prodígio, chegou na Lazio em 1998, por cerca de 10 milhões de euros. À época, a equipe capitolina montava um grande elenco, que viria a ser um dos melhores times da história laziale. Apesar do plantel estrelado, Stankovic conquistou o próprio espaço e marcou nove gols na temporada – inclusive, mostrando a que veio logo no debute, anotando gol contra o Vicenza. Em cinco anos e meio na equipe, Deki conquistou seus primeiros títulos no futebol italiano e rapidamente se converteu em um dos principais jogadores da equipe, principalmente após o time se desmantelar com a falência da Cirio, empresa de Sergio Cragnotti, proprietário do clube. Em janeiro de 2004, quase fechou com a Juventus, mas acertou com a Inter, na decisão que considera a mais acertada da carreira. Em Milão, ganhou tudo, e se transformou em um dos jogadores mais adorados pela torcida, por uma combinação de fatores: técnica acima da média, qualidade nos passes, muita raça e disposição e, principalmente, pelos golaços de fora da área, uma marca de sua carreira – Deki ainda tinha o hábito de marcar gols contra rivais, como Milan e Roma. Stanković foi titular da Inter por seis anos, e participou ativamente da campanha da Tríplice Coroa, em 2010, e depois perdeu espaço, pelos problemas físicos decorrentes da idade. Em seu melhor ano pela Beneamata, 2006-07, foi um dos melhores da posição no mundo, e principal nome da conquista do 15º scudetto interista.



Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Milan (1999-2006 e 2008-09)
Títulos: Liga dos Campeões (2003), Supercopa Europeia (2003), Serie A (2004), Coppa Italia (2003) e Supercoppa Italiana (2004)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2004), Jogador ucraniano do ano (1999, 2000, 2001, 2004 e 2005), artilheiro da Serie A (2000 e 2004), artilheiro da Liga dos Campeões (1999 e 2006), Melhor atacante da Europa (1999), Melhor jogador estrangeiro da Serie A (2000), Gol mais bonito da Serie A (2004), Seleção do ano da Uefa (2004 e 2005), Seleção do ano FifPro (2005) e Inserido na lista Fifa 100

Simplesmente Andriy Shevchenko. Um nome imponente, que faz jus ao que o torcedor milanista via em cada jogo do clube entre 1999 e 2006. Em sete anos, ninguém jogou ou fez tantos gols quanto o ucraniano na Itália. Sheva era um atacante com todos os requisitos necessários para brilhar e ser um monstro da grande área. Com sua genialidade, tornava seus ótimos companheiros de ataque meros coadjuvantes – gente como Hernán Crespo e Pippo Inzaghi, por exemplo. Shevchenko viveu seu auge em Milão, e conquistou neste período quase todos os títulos possíveis em nível de clubes. No nível individual, o principal prêmio foi a Bola de Ouro como melhor jogador em atividade na Europa, em 2004.

Ao todo, Shevchenko fez 322 partidas e 175 gols com a camisa rossonera, o que o coloca como o segundo maior artilheiro da história do clube, atrás apenas de Gunnar Nordahl. O ucraniano de Kiev também é o maior artilheiro do Derby d'Italia, com 14 gols – e foi justamente a Inter sua vítima preferida em seus tempos de Itália, o que justifica que os interistas tivessem pesadelos antes e depois dos clássicos, e que os milanistas o amassem ainda mais. Sheva guarda consigo ainda um retrospecto fenomenal: marcou mais de 10 gols por sete incríveis anos consecutivos, um feito para poucos. Nem mesmo a fraca segunda passagem pelo Milan, quando foi emprestado pelo Chelsea e fez apenas dois gols em um ano, apaga a brilhante carreira desenvolvida pelo atacante no futebol italiano.



Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1996-2001) e Juventus (2001-09)
Títulos: Serie A (2000, 2002 e 2003), Coppa Italia (1998 e 2000), Supercopa Italiana (1998, 2000, 2002 e 2003), Recopa Europeia (1999) e Supercopa Europeia (1999), Serie B (2007)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2003), Golden Foot (2004), Bola de Ouro da República Tcheca (1998, 2000, 2001, 2003, 2004 e 2009), Melhor jogador checo do ano (1998, 2000, 2003 e 2004), Melhor jogador da Serie A (2003), Melhor estrangeiro da Serie A (2003), Melhor meio-campista em torneio Uefa (2003) e Jogador do ano pela revista World Soccer (2003)

Nenhum jogador do Leste Europeu jogou tanto – em tempo e qualidade – e se identificou com o futebol da Itália quanto Nedvěd. O checo chegou à Itália por obra de um compatriota, o técnico Zeman. Com isso, o Anjo Loiro chegou à Lazio após ter se destacado na Eurocopa de 1996 com a seleção de seu país. Nas cinco temporadas em que defendeu as cores da Lazio, Nedvěd foi sempre o grande motor do meio-campo, graças a sua aplicação tática, inteligência, seu potente chute de fora da área e seus gols importantes. O meia fez parte do melhor time da história da Lazio e foi peça importante para a conquista do segundo scudetto do clube, além de marcar gol na final da Recopa contra o Mallorca, que culminou no primeiro título europeu vencido por uma equipe romana. No total, Nedvěd fez mais de 200 partidas com a camisa biancoceleste, marcando 51 gols e vencendo sete títulos em apenas cinco anos.

Depois do sucesso em Roma, o jogador passou à Juventus, onde se tornou um dos gigantes do futebol mundial. Pudera, a Fúria Checa foi contratada para substituir Zinédine Zidane, vendido ao Real Madrid por preço recorde. Ele começou a render sob comando de Marcello Lippi em dezembro daquele ano, atuando como trequartista. Nedvěd conquistou dois campeonatos nacionais e ainda liderou, juntamente com Alessandro Del Piero, a campanha do vice da Liga dos Campeões de 2003 – suspenso, não jogou a final contra o Milan. Durante oito temporadas em Turim, Nedved não ficou conhecido somente por seus passes precisos, golaços de fora da área e condição física inesgotável: ele ganhou muitos pontos com os juventinos quando ficou no clube após o Calciopoli – pelo escândalo, além de jogar a segundona, Nedvěd teve dois scudetti apagados do vasto currículo. Ele foi ovacionado pela torcida em seu último jogo como profissional, contra a Lazio, em 2008-09. Hoje, depois de tanta identificação com os binaconeri, é membro do conselho administrativo da Juventus, e segue vencendo fora de campo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Brasileiros no Calcio: Edinho

Edinho, ao lado de Dirceu: brasileiros marcaram época nos anos 1980 na Itália (Mondo Udinese)
Brasileiro de sucesso no futebol carioca e que aceitou o desafio de jogar e fazer história pela modesta Udinese. É inevitável que num primeiro momento o nome de Zico venha à mente, porém, um ano antes de o camisa 10 flamenguista ser contratado pelos bianconeri, outro jogador desembarcava no Friuli para ser o segundo brasileiro da história da equipe de Údine. Ambiciosa, a pequena Udinese fechava com Edinho, zagueiro que já tinha duas Copas do Mundo no currículo e que seria um dos grandes responsáveis por, hoje, a Udinese ser um dos times da Itália mais identificados com o futebol verde e amarelo.

Edinho começou sua carreira no Fluminense, clube pelo qual marcou época, como integrante da Máquina Tricolor, no final da década de 1970. Mesmo jovem e não muito alto (apenas 1,80m), tinha um vigor físico invejável e uma qualidade para jogar acima da média para um defensor. Ganhou destaque no clube carioca por suas arrancadas que armavam os contra ataques da equipe e viveu cinco anos de ouro pela equipe das Laranjeiras. Pelo Flu, seu maior destaque foi no título do Campeonato Carioca de 1980, quando marcou o gol da vitória em uma de suas especialidades: as cobranças de falta.

Em pouco tempo consolidou seu espaço também na seleção brasileira, jogando as Copas do Mundo de 1978 e 1982 – além da Copa de 1986, quando já era veterano. Com 27 anos, duas Copas do Mundo na bagagem e muita experiência, surgiu a oportunidade de atuar na Europa. A proposta porém, não parecia ser das mais atrativas: era a Udinese que se interessava por ele. Uma equipe que perambulava por divisões inferiores e que havia vivido apenas algumas boas colocações na elite na década de 1950. Após a reabertura do mercado estrangeiro para o futebol italiano no início da década de 1980, Edinho se tornaria o segundo brasileiro a vestir a camisa bianconera na história – o primeiro foi o lateral direito Orlando Lelé, que marcou época por América-RJ e Vasco e que passou por Údine entre 1981 e 1982.

(Soccer Nostalgia)
As zebrette disputariam a quarta temporada consecutiva na Serie A, depois de 18 anos de ausência. Em meio ao escândalo Totonero, que desmoralizou o futebol na Bota, os clubes italianos buscavam recuperar o prestígio junto a torcida e para isso, a Udinese apostou na contratação de um jogador consagrado na América do Sul e que, com seu estilo de jogo, não deveria ter dificuldade de se adaptar ao futebol italiano.

E não teve. Comandado por Enzo Ferrari, em sua primeira temporada, Edinho foi peça fundamental para que a Udinese ficasse com a sexta colocação, a segunda melhor da história, até então. A defesa era o grande forte daquela equipe, que não sofreu gols em 11 dos 30 jogos da Serie A. Edinho, por sinal, atuou em todas as partidas.

O brasileiro foi o destaque e artilheiro da equipe na temporada: fez 25% dos gols em 1982-83: oito de 32. Na Serie A, a média é ainda superior: se a equipe friulana fez apenas 25 gols, sete deles foram de Edinho; boa parte deles de pênalti, já que ele era o cobrador oficial do time – as cobranças de faltas também estavam em seu repertório. Assim, o brasileiro balançou as redes mais vezes que jogadores com gabarito, como Franco Causio, Ivica Surjak e Pietro Paolo Virdis.

No ano seguinte, os friulanos trouxeram outro ex-integrante da seleção de 1982, mas com muito mais fama que Edinho. A contratação de Zico pela Udinese é até hoje considerada um feito que consagrou o Galinho como o maior jogador da história bianconera – saiba mais aqui.

Falcão e Edinho: estrelas de seus times na Serie A (revoluciomnibus.com)
Depois de rivais no Rio, Zico e Edinho jogaram juntos por duas temporadas na Itália, antes do retorno do Galinho ao Flamengo. No primeiro ano da parceria, Zico obviamente se converteu na estrela da equipe, e "roubou" do compatriota o posto de artilheiro da Udinese. Em uma temporada farta de emoções, a Udinese – ainda dirigida por Ferrari – mudou completamente seu estilo de jogo e se tornou um time que fazia e sofria muitos gols. Em 1983-84, Edinho anotou seis gols – também fez dois contra, e foi pilar da terceira pior defesa do campeonato. O futebol ofensivo por pouco não levou a equipe à Copa Uefa: quatro pontos separaram os friulanos da Inter, quinta colocada. O ano seguinte, o da despedida de Zico, foi mais difícil e a Udinese chegou a flertar com o rebaixamento.

Edinho permaneceu no Friuli por mais dois anos, e viveu uma realidade mais dura, na qual a Udinese apenas brigava para não cair. Continuou sendo titular e o maior nome da defesa, e chegou a marcar uma rara tripletta, na Coppa Italia diante da Reggiana, em 1985-86. Neste período, foi treinado pelo brasileiro Luís Vinício e pelo ex-jogador Giancarlo De Sisti, mas a equipe não engrenava.

No último ano, atuou com jogadores importantes, como Marco Branca, Francesco Graziani, Fulvio Collovati e Daniel Bertoni, mas foi rebaixado. Outro escândalo de manipulação de resultados atingiu o futebol italiano, na temporada 1986-87, e a Udinese foi penalizada em nove pontos, o suficiente para ser rebaixada. Então, o zagueiro voltou ao Brasil para atuar por Flamengo, Fluminense e Grêmio, antes de se aposentar e trabalhar como treinador, sem repetir o mesmo sucesso dentro de campo. Edinho também se arrisca como comentarista dos canais Globosat.

Apesar de toda a fama do camisa 10, Edinho não é esquecido no Friuli. Com a camisa bianconera, foram 138 jogos e 22 gols. Não ganhou títulos mas, ao lado de Zico, ajudou a elevar o patamar da equipe, que passou a ser conhecida no Brasil. Desde então, Údine é um destino de muitos jogadores brasileiros, como Amoroso, Warley, Barreto, Danilo, Allan e tantos outros.

Veja todos os gols de Edinho na Itália e dance uma lambada

Edino Nazareth Filho, o Edinho
Nascimento: 5 de junho de 1955, no Rio de Janeiro
Posição: Zagueiro
Clubes em que atuou: Fluminense (1975-82 e 1988-89), Udinese (1982-1987), Flamengo (1987-88) e Grêmio (1989-90)
Títulos conquistados: Campeonato Carioca (1975, 1976, 1980), Taça Guanabara (1975 e 1988), Troféu Teresa Herrera (1977), Campeonato Gaúcho (1989 e 1990), Campeonato Brasileiro (1987), Copa do Brasil (1989), Supercopa do Brasil (1990), Jogos Pan Americanos (1975)
Clubes como treinador: Fluminense (1991, 1993 e 1998), Botafogo (1992), Marítimo-POR (1993-94), Flamengo (1994-95), Vitória (1996 e 2003), Portuguesa (1997 e 2006), Grêmio (1998), Goiás (2002), Bahia (2003), Brasiliense (2004-05), Atlético-PR (2005), Sport (2005), Boavista (2009), Joinville (2010) e Americana (2010-11)
Seleção brasileira: 59 jogos e 3 gols

29ª rodada: Vitória para tranquilizar

Roma volta a encontrar o caminho das vitórias e dá enorme passo para ficar com vaga na Champions (Ansa)
Como acontece em toda Páscoa, a rodada do fim de semana da Serie A foi disputada inteiramente no Sábado de Aleluia. Nos 10 jogos realizados, destaque para as partidas que movimentaram mais a briga por vagas europeias: a Roma venceu o Napoli, o que a aproximou da vaga direta na Liga dos Campeões, e afastou bastante os comandados de Benítez de chegarem ao feito.

Aliás, os azzurri estão em queda livre: já haviam sido ultrapassados pela Lazio e pela Sampdoria, e desta vez viram a Fiorentina, que venceu a Samp, também saltar à sua frente. A briga está animada, e Torino e Milan estão à espreita, esperando por tropeços. Tropeços, aliás, que fazem a Inter passar ainda mais vexame em 2014-15. Acompanhe o resumo da rodada.

Roma 1-0 Napoli
Pjanic marcou o único gol da importante vitória da Roma sobre o Napoli - que deixa os napolitanos fora da zona de classificação para competições europeias -, mas foi o goleiro De Sanctis quem saiu de campo mais festejado. Com defesas difíceis no início ao fim do jogo, o ex-jogador do Napoli foi o grande responsável pelo resultado positivo dos giallorossi, que não venciam no Olímpico de Roma já há quatro meses. Assim, a Roma praticamente elimina um rival da briga pelo segundo lugar, que dá uma vaga direta à Liga dos Campeões. Hoje, nove pontos separam romanos e napolitanos.

Apesar de se mostrar satisfeito com a vitória, o técnico Rudi Garcia não esconde que há muito o que melhorar, principalmente jogando em Roma. "Ultimamente, tem sido mais fácil para a gente jogar fora de casa do que no Olímpico", disse após a partida. De fato, o Napoli dominou a posse de bola e criou muito mais chances de perigo. Sem eficiência na frente do gol, porém, os napolitanos agora têm que se concentrar para não deixar escapar até uma vaga na Liga Europa. Com 47 pontos, eles estão um atrás da Sampdoria (primeira classificada à LE) e oito atrás da Lazio (primeira classificada à LC). O caminho mais acessível para os azzurri chegarem à maior competição continental talvez seja através da conquista da Europa League, competição em que estão nas quartas de finais. A Roma soma 56 e luta para se manter à frente da rival Lazio. (Rodrigo Antonelli)

Juventus 2-0 Empoli
O resultado indica para mais uma exibição tranquila da Juve, mas não foi bem assim. Jogando bem abaixo da média, o time penou para não tomar gol, mas saiu com a vitória em seu estádio. Sepe apareceu para o jogo em duas oportunidades no início da partida, parando finalizações de Tévez. A próxima oportunidade bianconera saiu apenas no fim do primeiro tempo. O árbitro marcou erroneamente o tiro livre indireto após um suposto recuo de Rugani para o goleiro. Na cobrança, o argentino chutou muito bem, por cima da barreira, para balançar a rede.

No segundo tempo, o time recuou demais e chamou o Empoli ao ataque. Saponara, logo nos primeiros minutos, colocou Buffon para trabalhar. Na sequência, o goleiro fez outra boa defesa em cabeçada de Pucciarelli. O atacante tentou driblar Buffon depois de um erro de Bonucci, contudo, o goleiro conseguiu desarmá-lo e, em seguida, defendeu a finalização de Saponara. O resultado foi definido após um contra-ataque: chute de Tévez, defesa de Sepe e gol, no rebote, de Pereyra. No final das contas, a Juve continua tranquila para alcançar o tetra e o Empoli segue tranquilo na briga contra o rebaixamento. (Murillo Moret)

Cagliari 1-3 Lazio
Mais uma vitória para a Lazio de Pioli, a sétima consecutiva, e a 17ª no campeonato - melhor que esses números, só os da quase campeã Juventus, que tem 21 triunfos. Após dois meses de invencibilidade e um grande salto na tabela, o que antes parecia utopia, hoje é mais do que realidade: salvo algum desastre, os romanos terão seus dois times na próxima Liga dos Campeões. Resta saber, nessas últimas nove rodadas, quem irá para a fase preliminar. A vitória também aumentou a diferença para o Napoli, que mais uma vez tropeçou, e dá um gás para o confronto de quarta-feira pela semifinal da Coppa Italia contra o time napolitano.

Na Sardenha, o time de Pioli não teve muitas dificuldades para atacar o de Zeman, que ainda não venceu desde que voltou à ilha. As maiores emoções ficaram guardadas para o segundo tempo, mas Klose tratou de abrir o placar e marcar seu nono gol ainda na primeira etapa, contando com a assistência de Mauri, outro veterano em boa forma. Na volta do intervalo, o Cagliari empatou logo em seguida com Sau, porém dez minutos depois Crisetig fez falta em Keita dentro da área, e Biglia recolocou os visitantes na frente do placar. O argentino ainda perdeu a chance de ampliar a vantagem depois, porque errou a cobrança de pênalti – novamente sofrido por Keita, e dessa vez cometido pelo ex-laziale Diakité, que foi expulso. Ainda houve tempo para Parolo deixar o terceiro, cobrando falta, e dificultar ainda mais a vida de um Cagliari cada vez mais próximo do rebaixamento. (Arthur Barcelos)

Fiorentina 2-0 Sampdoria
Antes da partida, clima de amizade. Montella e Mihajlovic, amigos de longa data, desde os tempos em que eram colegas de equipe na Sampdoria, conversavam animadamente. O próprio treinador sérvio já havia tido uma experiência como comandante viola, em 2010-11, e voltava ao Artemio Franchi. Quando a bola rolou, porém, cada um foi para seu lado, e o técnico italiano levou a melhor: seu time foi superior, venceu com méritos e ultrapassou o adversário na tabela. Agora, a Fiorentina ocupa a 4ª posição, com 49 pontos; a Samp vem logo atrás, com 48.

A partida, que tecnicamente seria uma das melhores da rodada, acabou atrapalhada pela forte chuva que caiu em Florença. Com um gramado encharcado, a melhor chance da primeira etapa aconteceu logo aos 2 minutos: Eto'o colocava a bola no ângulo, mas Rodríguez cortou com uma cabeçada. Já no segundo tempo, com o gramado menos pesado, a partida melhorou e a Fiorentina saiu na frente: aos 15 minutos, Diamanti bateu cruzado, e contou com a baixa visibilidade de Viviano, atrapalhado por muitos jogadores à sua frente. Dois minutos depois, Gómez (transformado em capitão por Montella), fez o pivô e deu passe para Salah. O egípcio, sensação da temporada, passou por dois adversários em velocidade e chutou forte para dar números finais ao jogo. Contratado em janeiro, ele já faz mais estragos que Cuadrado, seu antecessor na Toscana. (Nelson Oliveira)

Palermo 1-2 Milan
Uma vitória ao estilo do seu treinador. Esse foi o roteiro do sábado do Milan, que venceu o Palermo no Renzo Barbera. Sem ainda jogar um futebol atraente, o time aproveitou as poucas oportunidades que teve – mesmo com os inúmeros impedimentos, característicos de Inzaghi quando jogador – e resolveu a partida com dois gols. Paletta quase comprometeu a partida, mas Ménez decidiu e garantiu a vitória rossonera. O francês chegou a 16 gols, e segue a um a menos que Tévez, artilheiro da Serie A. A apatia do Palermo também facilitou o trabalho do Diavolo. Os sicilianos chegaram a seis jogos sem vitória e praticamente deram adeus a qualquer possibilidade de Liga Europa.

Em campo, foram 20 minutos sem que nada acontecesse, até a primeira oportunidade para o Palermo, desperdiçada por Vázquez. O Milan pouco havia feito e encontrou o gol numa jogada de sorte. Van Ginkel cruzou, Sorrentino vacilou e a bola bateu em Cerci antes de encontrar as redes. O segundo tempo foi mais movimentado. Enquanto o Palermo buscava o empate, o Milan apostava nos contra-ataques, mas abusava dos impedimentos. Num lance de pouco perigo, Belotti invadiu a área e se enroscou com Paletta. Um pênalti que Dybala não desperdiçou, igualando o placar. Parecia ser mais um jogo em que o Milan deixava a vitória escapar por incapacidade própria, até que, em um lapso da defesa adversária, Ménez foi esperto. Mais rápido que três defensores palermitanos, avançou com velocidade até a área para tocar na saída de Sorrentino, sacramentando a vitória milanista. O time pode ainda não empolgar, mas as vitórias começam a aparecer. E é isso que pode segurar Inzaghi no cargo e garantir o retorno às competições europeias. Hoje, a equipe está seis pontos atrás do Napoli, 6º colocado. (Caio Dellagiustina)

Inter 1-1 Parma
Outra vez um tropeço, outra vez muitas vaias de um San Siro praticamente vazio. A Inter segue sua sina de grande decepção da temporada italiana e, neste domingo, deixou sua torcida revoltada. Muito provavelmente, os nerazzurri serão os únicos a não terem vencido os falidos parmenses ao menos uma vez nesta temporada – somente Cagliari e Fiorentina poderão alcançar esse feito inglório. No primeiro turno, ainda comandado por Mazzarri, o time de Milão perdeu por 2 a 0. Ou seja, o time deixou pelo caminho cinco pontos contra o lanterna da competição, o que afasta, quase definitivamente, a esperança de vaga europeia. Tropeços imperdoáveis, o que custou aos jogadores o cancelamento da folga no domingo de Páscoa. Após o tropeço, foi marcado um treino para as 8h30 da manhã.

O diretor esportivo da Inter, Piero Ausilio, foi duro: "já que os jogadores descansaram em campo, treinarão no domingo". Ele não estava exagerando. A postura da Inter foi obscena, e a equipe jogou muito mal, criando pouquíssimo. O gol, marcado por Guarín aos 25 minutos, só surgiu porque o chute de fora da área do colombiano desviou na defesa gialloblù e enganou Mirante. O Parma empatou ainda no primeiro tempo, depois de um erro de posicionamento da defesa interista, aproveitado pelo albanês Lila. No segundo tempo, Mancini colocou Podolski no lugar de Puscas e Kovacic no lugar de Felipe, mas ninguém conseguiu suprir a falta de Icardi, suspenso. Inclusive, as melhores chances até o final foram de um Parma que joga por orgulho próprio e que, mesmo com todas as dificuldades, dá o máximo que pode. A vitória merecia ter ficado com os parmiggianos. (NO)

Atalanta 1-2 Torino
Em meio aos boatos de que pode perder seu treinador para o Milan na próxima temporada, o Torino voltou a sonhar com a Liga Europa. A equipe aproveitou os dois jogos contra times na parte de baixo da tabela para somar seis pontos (venceu o Parma na última rodada) e se consolidar na disputa contra Fiorentina, Sampdoria, Napoli e Milan pela classificação à competição continental. Mesmo jogando em Bérgamo, a equipe bateu com certa facilidade a Atalanta, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. O time nerazzurro sofreu a primeira derrota sob o comando de Reja, após três empates consecutivos.

Depois de dominar nos minutos iniciais, o Torino chegou ao gol aos 20. Quagliarella acertou um petardo da intermediária e contou com um vacilo de Sportiello para abrir o placar. O segundo gol veio ainda na primeira etapa, com o zagueiro-artilheiro Glik, que tem 7 gols nessa temporada, maior número para um defensor em toda a Europa. O capitão granata aproveitou a bobeira da defesa local para chutar forte e ampliar. A Atalanta bem que tentou reagir, mas só foi conseguir descontar na segunda etapa, com Pinilla. O chileno, que já havia tentado uma bicicleta que passou rente ao gol, acertou um voleio perfeito. Ainda com 15 minutos para jogar, a equipe bergamasca pouco conseguiu fazer contra a bem postada defesa do Torino e ainda teve Pinilla expulso após confusão com Basha, que também saiu de campo mais cedo. (CD)

Sassuolo 1-0 Chievo
Após 418 minutos sem tomar gols e quatro bons resultados consecutivos, o Chievo voltou a perder na Serie A. O goleiro Bizzarri foi vazado em cobrança de pênalti de Berardi, que fez o único gol da partida e garantiu a vitória do Sassuolo. O atacante chega ao nono gol no campeonato e mostra que pode jogar bem mesmo na ausência de seu companheiro Zaza, que esteve com a seleção italiana nessa semana. Com a vitória, o Sassuolo vai a 35 pontos e sobe duas posições na tabela, ocupando agora a 12ª.

Outro ponto a comemorar pelo técnico Di Francesco é o fato de a equipe neroverde não ter sofrido gol pela primeira vez nas últimas 16 rodadas. Em jogo movimentado, o Sassuolo fez por merecer o resultado, mas viu um Chievo também buscando o gol. A equipe visitante, porém, não aproveitou os 30 minutos em que teve um jogador a mais - Peluso foi expulso aos 15 minutos do segundo tempo - e acabou voltando para casa com uma derrota que o coloca na 16ª posição, com 32 pontos. Na próxima rodada, o Chievo tenta se recuperar contra o Cesena, também fora de casa, e o Sassuolo visita a Atalanta. (RA)

Verona 3-3 Cesena
E quem diria que o jogo mais movimentado da rodada seria entre Verona e Cesena, dois dos times mais improdutivos e sem fonte técnica do campeonato. Enquanto o Hellas trabalha para chegar nos 40 pontos, os visitantes lutam contra o rebaixamento e o empate desse sábado, pela forma como veio, deve dar um gás à equipe contra a Atalanta de Reja, que não vence há dois meses. Em campo, a história do jogo foi condicionada pelo gol prematuro do Verona, com o velho Toni completando cruzamento de Jankovic na pequena área. A partir de então, o Cesena, que já havia acertado a trave com Defrel, pressionou pelo empate, mas foi diminuindo o ritmo após seguidas chances desperdiçadas. O time da casa, que já levara perigo outras duas vezes com Toni, ampliou o marcador aos 30, em golaço de Juanito. Os gialloblù ainda fizeram outro, com Jankovic, mas Orsato assinalou falta contestável de Toni no marcador.

Isso não impediu o time de Mandorlini de fazer o terceiro, aos 62, em contra-ataque novamente protagonizado por Jankovic e Toni, e novamente em gol do veterano atacante, num voleio esquisito e desengonçado, à sua maneira. Com isso, o centroavante alcançou os 15 gols no campeonato – nove nos últimos oito jogos –, que somados aos 19 da última temporada o deixam com 34. Agora, ao lado de Emiliano Mascetti, Toni se tornou o maior goleador da história do Hellas na primeira divisão. Marca que não pode ser muito comemorada, porque como a partida só acaba no apito final do árbitro, o Cesena contou com o cochilo dos donos da casa e arranjou forças para buscar o empate, em 11 minutos. Carbonero, que já havia impulsionado o time a atacar ao entrar em campo ainda antes do terceiro gol, fez o primeiro dos visitantes aos 70. Aos 77, em cobrança de falta espetacular, Brienza fez o segundo. Aos 81, Succi, destaque da campanha do Cesena na Serie B, mas com apenas seis jogos nesta temporada, empatou, após tabela com Brienza, e deu números finais ao jogo. (AB)

Genoa 1-1 Udinese

No divertido jogo disputado no Marassi, Genoa e Udinese ficaram no 1 a 1. Perica, emprestado pelo Chelsea, exigiu a primeira defesa de Lamanna na partida somente porque De Maio errou na defesa. O outro goleiro, Karnezis, foi salvo pelo travessão – em cobrança de falta de Perotti – e fez uma brilhante intervenção em chance de Tino Costa. O meio-campista deu a assistência para De Maio, de frente para o gol adversário, vencer Karnezis, ainda no primeiro tempo.

O arqueiro da Udinese permaneceu com a boa atuação, sobretudo após as defesas em finalizações de Perotti e Burdisso, já na segunda etapa. Pouco tempo depois, os friulanos empataram com Théréau, que aproveitou o cruzamento de Widmer. As duas equipes permanecem no meio da tabela e separadas por três pontos. Por aí devem ficar até o campeonato acabar. (MM)

Relembre a 28ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
De Sanctis (Roma); Manolas (Roma), Glik (Torino), Rodríguez (Fiorentina); Brienza (Cesena), Parolo (Lazio), Missiroli (Sassuolo), Ménez (Milan); Tévez (Juventus), Toni (Verona), Salah (Fiorentina). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).