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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os 10 maiores jogadores da história do Milan

Juventus, Inter e agora Milan. No nosso especial que elege os maiores craques da história dos principais clubes italianos, chegou a hora de falar sobre a equipe rossonera, que entre os times do Belpaese, é o que tem mais títulos internacionais. 
 
Na coleção de craques que desfilaram pelo Milan, notamos que os grandes jogadores começaram a passar por lá a partir do fim da década de 40, quando a equipe começou a crescer de patamar e a deslanchar em território nacional e internacional, enchendo sua enorme sala de troféus. E, claro, títulos conquistados graças à seleção de craques que mencionamos no texto abaixo, e vários outros que nem entraram entre os 25 maiores da história. Afinal, escolher 10 ou 25 jogadores de clubes com histórias tão grandes é algo muito complicado. 
 
Relembrar a história exige seleção e critérios e, por mais que alguns grandes nomes tenham ficado de fora, se a nossa lista tivesse 50 ou 100 nomes, eles certamente estariam aí, porque foram cogitados em votação interna entre nossos colaboradores. Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!
Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão. 

Top 25 Milan


Posição: defensor
Período em que atuou no Milan: de 1954 a 1966
Títulos conquistados: 4 Serie A (1954-55, 1956-57, 1958-59 e 1961-62), 1 Copa Latina (1956), 1 Copa dos Campeões (1962-63)
Prêmios individuais: nenhum

Mais do que o pai de Paolo Maldini, Cesare foi uma das maiores bandeiras da história do Milan. Muito antes de seu filho fazer história com a camisa 3 rossonera, o ex-defensor já apresentava a versatilidade do filho e em tempos de WM e transição para o catenaccio na Bota, foi terzino, stopper e líbero. Uma referência na posição nos anos 50 e 60.

Em 12 anos de Milan, fez 412 partidas oficiais e marcou três gols; foi tetracampeão italiano e ergueu a primeira  das sete "orelhudas" do Diavolo. Capitão entre 1961 e 66, recebendo a faixa de Liedholm e passando para Rivera, Cesare ainda teve participações como vice-treinador de Nereo Rocco em 1971-72, assumindo o cargo do lendário treinador entre 1972 e 74, que então virou diretor técnico, cargo em que também trabalhou por alguns meses em 2001.

9º - Niels Liedholm


Posição: meio-campista
Período em que atuou no Milan: de 1949 a 1961
Títulos conquistados: 4 Serie A (1950-51, 1954-55, 1956-57 e 1958-59), 2 Copas Latinas (1951 e 1956)
Prêmios individuais: nenhum

"Il Barone" define tudo. O apelido evidencia a liderança, coração e técnica do maior meio-campista da história do Milan antes de Rivera. Por 12 anos, Liedholm foi tudo isso e mais um pouco pelo clube de Milão. Em 394 partidas e com 89 gols, foi a alma do meio-campo do clube nos anos 50 e um dos integrantes do trio Gre-No-Li, ao lado de seus compatriotas Gren e Nordahl. O segundo estrangeiro com mais partidas pelos rossoneri, atrás de Seedorf.

Um "centrocampista total", liderou o Diavolo em quatro scudetti e também preparou o caminho para o surgimento da lenda Gianni Rivera. Como treinador, um dos mais influentes no auge do futebol italiano e pioneiro na introdução da defesa a zona no Belpaese, comandou o time que conquistou o 10º scudetto, e introduziu outra lenda milanista, Franco Baresi, além de Collovati, Maldera e Novellino.

8º - Frank Rijkaard


Posição: meio-campista
Período em que atuou no Milan: de 1988 a 1993
Títulos conquistados: 2 Serie A (1991-92 e 1992-93), 2 Supercopas Italianas (1988 e 1992), 2 Copas dos Campeões (1988-99 e 1989-90), 2 Supercopas Europeias (1989 e 1990), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990)
Prêmios individuais: bronze da Bola de Ouro (1988 e 1989), melhor estrangeiro da Serie A (1992), melhor jogador da Serie A (1992), Inserido na lista Fifa 100

Também integrante de um trio estrangeiro vencedor no Milan, Rijkaard foi o último holandês a completar a tríade formada com Van Basten e Gullit e também o primeiro a sair. Contudo, foi tão importante e impactante quanto os compatriotas. Por cinco temporadas, jogou 201 vezes e marcou 26 gols. Peça-chave na dupla conquista europeia do Milan de Sacchi e bicampeão italiano no recordista Milan de Capello

Zagueiro de origem, se consolidou como meio-campista após insistência de Arrigo Sacchi e se tornou um dos maiores nomes na posição na história do futebol. Parte fundamental no sistema a zona, dava o equilíbrio necessário no meio-campo rossonero e liderava os movimentos de marcação pressão e compactação do time. Um gênio tático e que tem seu nome gravado no hall de craques milanistas.

7º - José Altafini


Posição: atacante
Período em que atuou no Milan: de 1958 a 1965
Títulos conquistados: 2 Serie A (1958-59 e 1961-62), Copa dos Campeões (1962-63)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1961-62), artilheiro da Copa dos Campeões (1962-63)

Quando falamos em brasileiro no Milan, logo pensamos nós que por lá estiveram na era Ancelotti, como Kaká, Dida, Cafu, Serginho e Leonardo, certo? Pois bem, antes desses um atacante com apelido de craque fez história com a camisa rossonera. Altafini, o nosso Mazzola, era um centroavante completo, com instinto artilheiro e, a despeito da baixa estatura, de muita força física e explosão. Por cinco temporadas, quatro como titular e em todas com mais de dois dígitos em gols, foi o perfeito substituto de Nordahl. 

Hoje o quarto maior artilheiro do clube, Altafini também chegou a ser o jogador com mais gols numa edição da Copa dos Campeões (14 gols, em 1962-63), atual Liga dos Campeões, e da Serie A pelos rossoneri (28, em 1958-59). 161 gols em 246 partidas e artilheiro nas campanhas de três dos mais importantes títulos na imensa sala de troféus do clube.

6º - Andriy Shevchenko


Posição: atacante
Período em que atuou no Milan: de 1999 a 2006; 2007-08
Títulos conquistados: 1 Serie A (2003-04), 1 Coppa Italia (2002-03), 1 Supercoppa Italiana (2004), 1 Liga dos Campeões (2002-03), Supercopa Europeia (2003)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2004), melhor jogador ucraniano do ano (1999, 2000, 2001, 2004 e 2005), artilheiro da Serie A (1999-00 e 2003-04), artilheiro da Liga dos Campeões (2005-06), Inserido na lista Fifa 100

Simplesmente Andriy Shevchenko. Um nome imponente, que faz jus ao que o torcedor milanista via a cada jogo do clube entre 1999 e 2006. Em sete anos, ninguém jogou ou fez tantos gols quanto o ucraniano na Itália. Um atacante com todos os requisitos e genialidade, que tornava seus ótimos companheiros de ataque meros coadjuvantes. 

O maior artilheiro do Derby d'Italia, com 14 gols, fazia o interista ter pesadelos antes e depois dos dérbis. Em 322 partidas, contando a apagada segunda passagem por um ano, 175 gols - a segunda maior quantidade de gols de um jogador na história do Diavolo, atrás apenas de Nordahl. Sheva ainda marcou mais de 10 gols por sete incríveis anos consecutivos. Um monstro da grande área.

5º - Marco van Basten


Posição: atacante
Período em que atuou no Milan: de 1987 a 1995
Títulos conquistados: 4 Serie A (1987-88, 1991-92, 1992-93 e 1993-94), 4 Supercopas Italianas (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copa dos Campeões/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90 e 1993-94), 3 Supercopa Europeia (1989, 1990 e 1994), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990), 1 Eurocopa (1988)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1988, 1989 e 1992), melhor jogador do mundo (1992), artilheiro da Eurocopa (1988), artilheiro da Copa dos Campeões (1988-89), artilheiro da Serie A (1989-90 e 1991-92), Inserido na lista Fifa 100

Um homem  destinado a marcar gols e ganhar títulos. Se Rijkaard dava o equilíbrio no meio-campo e Gullit a criatividade no último terço do campo, Van Basten era a garantia de gols. Mas não só isso. Alto e forte, o atacante não se notabilizou apenas pelos gols, mas também pela qualidade técnica acima do normal para um centroavante de 1,88 m e mais de 80 kg, e leitura de jogo, dando movimentação e sendo mais que uma referência na área adversária.

Foram oito anos de Milan, mas nos últimos dois Van Basten não entrou em campo por conta de problema crônico no tornozelo e que o fez interromper uma vitoriosa carreira no auge, aos 30 anos. Ainda assim, números impressionantes em seis temporadas e 16 títulos: 201 jogos e 125 gols. Na última temporada que jogou, 1992-93, 15 jogos e 5 gols e 13 e 6 gols em Serie A e Liga dos Campeões, respectivamente.

4º - Gunnar Nordahl


Posição: atacante
Período em que atuou no Milan: de 1949 a 1956
Títulos conquistados: 2 Serie A (1950-51 e 1954-55), 2 Copas Latinas (1950-51 e 1955-56)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1949-50, 1950-51, 1952-53, 1953-54 e 1954-55)

Chegamos agora no perfil de Nordahl e você já leu o nome dele algumas vezes anteriormente. Não é em vão. Ninguém fez tantos gols quanto o atacante sueco com a camisa rossonera. Com uma média absurda de 0,88 gols/jogo, balançou as redes adversárias por 221 vezes em 268 jogos. Na Serie A, ninguém tem média melhor que seus 0,77 gols/jogo e, enquanto Piola e Totti precisaram de 537 e 561 jogos para chegar a 274 e 235 gols, respectivamente, Nordahl fez 225 em 291.

Uma máquina de fazer gols, que detém esses e outros números absurdos, como o de mais gols numa edição da Serie A (35, em 1949-50) e de artilharias na máxima divisão do futebol italiano (cinco vezes, três consecutivas). Em sete temporadas e meia, sempre registou mais de dois dígitos, não fazendo mais de 20 tentos apenas em 1948-49. Nordahl ainda superou os 30 gols por duas ocasiões.

3º - Franco Baresi


Posição: defensor
Período em que atuou no Milan: de 1977 a 1997
Títulos conquistados: 6 Serie A (1978-79, 1987-88, 1991-92, 1992-93, 1993-94 e 1995-96), 2 Serie B (1980-81 e 1982-83), 4 Supercopas Italianas (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Copa dos Campeões/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90 e 1993-94), 3 Supercopas Europeias (1989, 1990 e 1994), 1 Copa Mitropa (1981-82), 2 Copas Intercontinentais (1989 e 1990), 1 Copa do Mundo (1982)
Prêmios individuais: artilheiro da Coppa Italia (1989-90), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (1992), Inserido na lista Fifa 100 e no Hall da fama do futebol italiano

Baixo e franzino, o pequeno Franco não parecia ter futuro como zagueiro, ou até jogador de futebol. Mas superou tudo isso para se tornar o maior líbero da história do futebol. E (quase) sempre de vermelho e preto, quando não estava com a Nazionale. De uma leitura de jogo fantástica, ganhou massa ao longo dos anos e passou a ter um dos desarmes mais duros de sua época e incrível capacidade de recuperação.

Uma promessa nas mãos de Liedholm e sua marcação por zona, capitão com apenas 22 anos e o auge com Sacchi. Um verdadeiro líder, também gerenciava boa parte das ações inovadoras do sistema de Sacchi com os "achiques". Um gênio tático, que tudo enxergava em campo e cobria com perfeição. De seus também tudo começava na construção das jogadas milanistas. O "senhor Milan", de 719 partidas e 21 títulos em 20 anos, com a camisa 6 aposentada pelo clube. Simples assim.

2º - Gianni Rivera


Posição: meio-campista
Período em que atuou no Milan: de 1960 a 1979
Títulos conquistados: 3 Serie A (1961-62, 1967-68 e 1978-79), 4 Coppa Italia (1966-67, 1971-72, 1972-73 e 1976-77), 2 Copas dos Campeões (1962-63 e 1968-69), 2 Copa das Copas (1967-68 e 1972-73), 1 Copa Intercontinental (1969), 1 Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1969), artilheiro da Serie A (1972-73), artilheiro da Coppa Italia (1966-67 e 1970-71), Inserido na lista Fifa 100

Giovanni Rivera, ou Gianni, o "Golden Boy". Ou simplesmente gênio. Um fantasista no melhor sentido da palavra, talvez o trequartista mais impactante e genial que o futebol italiano já viu. Comparado a Meazza e Schiaffino, saiu do modesto Alessandrina após ótima Serie A com apenas 16 anos para o Milan em 1960. E como jogador permaneceu por mais 19 anos, 658 jogos, 164 gols e 12 títulos.

Dono da camisa 10 por quase duas décadas, teve o auge sob o comando de Nereo Rocco e o catenaccio, sendo o principal organizador e cabeça pensante de um time que fechava tudo atrás e abria espaços para o craque aparecer com passes precisos, jogadas incríveis, dribles e poder de decisão. E também viu o surgimento do 4-4-2 e marcação por zona no seu time, com Giuseppe Marchioro e Liedholm, sendo sacrificado taticamente pelo declínio físico, mas ainda importante e decisivo.

1º - Paolo Maldini


Posição: defensor
Período em que atuou no Milan: de 1984 a 2009
Títulos conquistados: 7 Serie A (1987-88, 1991-92, 1992-93, 1993-94, 1995-96, 1998-99 e 2003-04), 1 Coppa Italia (2002-03), 5 Supercoppa Italiana (1988, 1992, 1993, 1994 e 2004), 5 Copa Europeia/Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90, 1993-94, 2002-03 e 2006-07), 5 Supercopa Europeia (1989, 1990, 1994, 2003 e 2007) e 3 Copa Intercontinental/Mundial de Clubes (1989, 1990 e 2007)
Prêmios individuais: Inserido na lista Fifa 100, Jogador do ano World Soccer (1994), Seleção do ano European Sports Media (1994-95, 1995-96, 1999-2000 e 2002-03), Time dos sonhos FIFPro (2005), Melhor zagueiro da Serie A (2004), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (2002), Time do ano Uefa (2003 e 2005), Melhor zagueiro da Uefa (2007), Prêmio Giacinto Facchetti (2008), Prêmio Uefa à carreira (2009), Dream Team das Copas do Mundo (2002), Ordem ao mérito Fifa (2008), Inserido no Hall da fama do futebol italiano, Terceiro colocado na Bola de Ouro (1994 e 2003)

Criado para ser Milan, Paolo a princípio não queria seguir os passos do pai. Mas deve ter sido apenas um devaneio infantil em época que a Juventus dominava. Aos 10 anos, justamente na temporada que estava por começar e que terminaria com o 10º scudetto milanista, o pequeno Maldini entrou na base do clube. Entrou para não sair mais - enquanto jogador. Foram 31 anos de serviços, 25 como profissional. 902 jogos e 26 títulos depois, ainda é, e dificilmente deixará de ser, o jogador com mais partidas e taças pelo Diavolo. E o recordista de jogos na história da Serie A, com 647 partidas, e em competições Uefa, com 174 jogos.

De início de carreira repentino, o lateral-esquerdo ganhou espaço com Liedholm rapidamente por falta de jogadores para a posição. Com apenas 17 anos já era o dono da lateral esquerda e da mítica camisa 3 rossonera, que a partir de 1985 passaria a ser só sua – está aposentada até outro Maldini entrar em campo pelo clube. A faixa de capitão só veio com a aposentadoria de Baresi em 97, mas a liderança estava no sangue e nos exemplos. Versátil, técnico, forte e inteligente, construiu uma respeitável e inigualável carreira como um dos maiores defensores da história e virou sinônimo de Milan no mundo inteiro.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Os 10 maiores jogadores da história da Inter

Na segunda lista dos principais craques que já atuaram nos grandes clubes da Itália, depois de falarmos sobre a Juventus, é a vez de trazermos os futebolistas que marcaram a história da Internazionale, equipe fundada em 1908 e com grande projeção internacional. Com rico currículo de títulos, a Beneamata teve como principais períodos de sua história as décadas de 30, 60, 80 e o final dos anos 2000.

Ao longo destes anos, a Inter sempre teve jogadores importantes em seu elenco. Grande celeiro de craques, alguns dos maiores nomes de sua história iniciaram a carreira por lá e nem trocaram de time, como Sandro Mazzola, Giuseppe Bergomi e Giacinto Facchetti. Outros começaram por lá, rodaram por outros times, mas sempre foram ligados à equipe, como Giuseppe Meazza e Walter Zenga. Outros craques, como Luis Suárez e Javier Zanetti, chegaram de outro país, mas abraçaram o interismo como se já tivessem nascido com ele.

Escolher 10 ou 25 jogadores de clubes com histórias tão grandes é algo muito complicado. Relembrar a história exige seleção e critérios e, por mais que alguns grandes nomes tenham ficado de fora, se a nossa lista tivesse 50 ou 100 nomes, eles certamente estariam aí, porque foram cogitados em votação interna entre nossos colaboradores. Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Top 25 Inter
11. Mario Corso; 12. Gabriele Oriali; 13. Alessandro Altobelli; 14. Tarcisio Burgnich; 15. Esteban Cambiasso; 16. Andreas Brehme; 17. István Nyers; 18. Giuseppe Baresi; 19. Lennart Skoglund; 20. Jair da Costa; 21. Jürgen Klinsmann; 22. Karl-Heinz Rummenigge; 23. Christian Vieri; 24. Antonio Angelillo; 25. Zlatan Ibrahimovic.

10º - Diego Milito


Posição: atacante
Período em que atuou: 2009-2014
Títulos ganhos: Mundial Interclubes Fifa (2010), Liga dos Campeões (2009-10), Serie A (2009-10), Coppa Italia (2; 2009-10 e 2010-11) e Supercopa Italiana (2010).
Prêmios individuais: Atacante do Ano da Uefa (2009-10), Jogador do Ano da Uefa (2009-10), Homem do Jogo da final da Uefa Champions League (2009-10), Oscar del Calcio: Jogador mais amado pelos torcedores (2009), Oscar del Calcio: Melhor artilheiro (2009), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (2010) e Oscar del Calcio: Melhor jogador (2010).

Milito chegou à Inter já com 30 anos e, na primeira temporada vestindo nerazzurro, garantiu a sua entrada entre os maiores craques da história da Beneamata. Em 2009-10, em 52 jogos, marcou 30 gols, sendo mais importante do que jogadores de peso, como Eto'o e Sneijder. A marca já seria boa por si só, mas o argentino fez gols muito importantes na conquista da Tríplice Coroa, algo inédito na história do futebol italiano, até então, e que só a Inter tem, até o momento. Para completar, na Serie A fez gol no dérbi de Milão e deu o scudetto à Inter frente ao Siena; decidiu a Coppa Italia com um golaço contra a Roma; e também marcou gols contra todos os adversários da Inter no mata-mata da Liga dos Campeões, incluindo Chelsea, Barcelona e a doppietta na final, contra o Bayern de Munique.

Nas outras quatro temporadas em que esteve em Milão, Milito só esteve à altura do jogador que foi na primeira temporada em 2011-12, quando aquele atacante de corte seco e chutes fulminantes de pé direito, além de muita movimentação voltou a aparecer. Fez uma tripletta contra o Genoa, outra contra o Milan (apenas Nyers e Amedei haviam feito o mesmo pela Inter) e chegou aos 24 gols na Serie A, superando o número de gols de Ronaldo pela equipe. No restante de sua passagem, conviveu com lesões, mau condicionamento físico e pouca sorte, mas nada que o fizesse perder o respeito e o amor dos torcedores, que adoravam gritar o seu nome em San Siro.



Posição: zagueiro
Período em que atuou: 1979-1999
Títulos ganhos: Copa do Mundo (1982), Copa Uefa (3; 1990-91, 1993-94 e 1997-98), Serie A (1988-89), Coppa Italia (1981-82) e Supercopa Italiana (1989)
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100; Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (1997).

Com 20 anos de serviços prestados à Inter, Giuseppe Bergomi é um exemplo de fidelidade. Lo Zio, como foi apelidado por causa das vastas sobrancelhas e bigode grosso, mesmo quando iniciou a carreira, foi um exemplo de classe dentro e fora dos gramados. Jogador de extrema precisão e bons posicionamento e antecipação, desarmava como poucos, com bastante lealdade e segurança. Estreou na Inter pela Serie A com apenas 17 anos e dois meses, sendo, à época, o mais precoce estreante pela equipe. No ano seguinte, se sagraria campeão como titular em parte da campanha do tri mundial da Itália.

A carreira, que começou bem, se transformou em mítica. Superou mitos como Sandro Mazzola, Giacinto Facchetti e Giuseppe Baresi, e até 2011, detinha o maior número de jogos pela Inter (758), quando foi superado por Javier Zanetti. O argentino também o supera apenas em números de dérbis de Milão jogados (45 contra 44). Capitão da Inter a partir de 1992, com a saída de Baresi, Bergomi continuou sua trajetória de sucesso e de ídolo interista e faturou mais duas Copas Uefa (a primeira havia sido em 1990-91, dois anos após o scudetto dos recordes nerazzurro, em que teve grande participação, ao lado de Andrea Mandorlini e Ricardo Ferri). Com três conquistas do segundo mais relevante torneio europeu, é recordista, ao lado de Ray Clemence e do também interista Nicola Berti.



Posição: goleiro
Período em que atuou: 1982-1994
Títulos ganhos: Copa Uefa (2; 1990-91 e 1993-94), Serie A (1988-89) e Supercopa Italiana (1989)
Prêmios individuais: Guerin d'Oro (1986-87) e Goleiro do Ano IFFHS (1989, 1990 e 1991)

Walter Zenga é, sem dúvidas, o maior goleiro da história nerazzurra. Uma histórica rica em arqueiros que ficaram muito tempo e marcaram época no clube, como Giuliano Sarti e Lido Vieri, nos anos 60 e 70, Francesco Toldo e Júlio César nos 2000. E também Ivano Bordon, nos anos 70 e 80, que antecedeu Zenga. O Homem-Aranha, como era chamado, precisou rodar em times menores e ter uma temporada como reserva antes de ganhar sua primeira chance e passar 11 temporadas como titular indiscutível da Inter, sendo fundamental em quatro conquistas neste período.

Formado na base da Inter, Zenga foi líder da menos vazada defesa da Serie A 1988-89, que a Inter conquistou quebrando todos os recordes, ficando 11 pontos à frente do Napoli de Maradona (à época, a vitória valia dois pontos, e os 11 pontos seriam equivalentes a 19, hoje) e 12 sobre o Milan de van Basten, Rijkaard e Gullit. Zenga ainda é o recordista de minutos sem sofrer gols numa Copa do Mundo (517 minutos de invencibilidade), quando foi titular no Mundial de 1990, na Itália. Não à toa, neste período, acabou sendo eleito o melhor goleiro do mundo por três vezes consecutivas.

- Lothar Matthäus


Posição: meio-campista
Período em que atuou: 1988-1992
Títulos ganhos: Copa do Mundo (1990), Copa Uefa (1990-91), Serie A (1988-89) e Supercopa Italiana (1989)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1990), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1991), Jogador do Ano World Soccer (1990), Jogador Alemão do Ano (1990), Seleção da Copa (1990) e Integrante da lista Fifa 100

O scudetto conquistado em 1988-89 ficou muitos anos na mente dos torcedores interistas. Não só porque a equipe acumulou 17 anos de uma incômoda fila, mas porque a temporada foi de recordes e de hegemonia sobre rivais fortíssimos. E, se aquele time era muito equilibrado e tinha craques por todo o lado, a companhia tinha uma estrela: Lothar Matthäus, no auge de sua carreira. Nos anos em que esteve em Milão, o germânico ganhou uma Copa do Mundo, foi líder em campanha recordista na Serie A e conquistou quase todos os prêmios individuais da carreira, incluindo os de melhor jogador do mundo, pela Fifa e pela France Football.

Matthäus foi o alemão de maior destaque numa Inter que teve também Hansi Müller, Karl-Heinz Rummenigge, Andreas Brehme e Jürgen Klinsmann. Dotado de técnica invejável, Matthäus foi, naturalmente, um líder em campo, com muita concentração e determinação. Além disso, conseguia se deslocar com qualidade e velocidade em todo o meio-campo interista, criava e marcava gols – mesmo que o artilheiro do time à época fosse Aldo Serena. Gols como o que garantiu o scudetto e o da final da Copa Uefa, diante da Roma, em 1991. Apesar de ter ficado apenas quatro anos no clube, sua grande técnica e importância o colocam como um dos maiores da história azul e preta.

6º - Ronaldo


Posição: atacante
Período em que atuou: 1997-2002
Títulos ganhos: Copa do Mundo (2002), Copa das Confederações (1997), Copa América (1999) e Copa Uefa (1997-98)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1997), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1997), Jogador do Ano World Soccer (1997), Melhor Jogador da Copa (1998), Seleção da Copa (1998 e 2002), Atacante do Ano da Uefa (1998), Jogador do Ano da Uefa (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador (1998), Artilheiro da Copa América (1999), Artilheiro da Copa do Mundo (2002) e Integrante da lista Fifa 100

O Fenômeno passou apenas cinco anos na Inter, quase dois deles inteiramente fora de ação – na realidade, Ronaldo disputou apenas uma temporada completa em Milão. Quando esteve em campo, porém, foi uma verdadeira máquina, no auge de sua carreira, em que aliava força física, velocidade, dribles desconcertantes e faro de gol. Em 99 partidas, marcou 59 gols, média de quase 0,6 por jogo. Não à toa, Ronnie ganhou uma pá de prêmios individuais em seu período nerazzurro. Por outro lado, conquistou apenas uma Copa Uefa pela Inter, e foi símbolo de uma equipe que bateu na trave diversas vezes.

A melhor temporada de Ronaldo foi a primeira, 1997-98, logo depois que foi comprado do Barcelona por 25 milhões de dólares. Naquele ano, fez um dos gols que garantiram a Copa Uefa para a Inter, em final contra a Lazio, e foi vice-artilheiro da Serie A, com 25 gols, dois a menos que Oliver Bierhoff. A Inter foi vice no Italiano, mas a história poderia ter sido diferente, caso um pênalti sofrido pelo Fenômeno, contra a campeã Juventus, tivesse sido marcado. Nas outras temporadas, apesar da ótima média de gols, duas lesões em um tendão do joelho, em 1999 e 2000, limitaram sua presença em campo. Coincidentemente ou não, a Inter só voltou a lutar pelo título quando Ronaldo voltou aos gramados, no final de 2001. A última partida pela Inter foi mais um quase, com a perda do scudetto na última rodada, e terminou em lágrimas. Caso estivesse em melhores condições físicas, Ronaldo certamente poderia ter ganhado posições no nosso ranking.
 


Posição: meio-campista
Período em que atuou: 1961-1970
Títulos ganhos: Mundial Interclubes (2; 1964 e 1965), Copa dos Campeões (2; 1963-64 e 1964-65), Serie A (3; 1962-63, 1963-64 e 1965-66) e Eurocopa (1964)
Prêmios individuais: nenhum

Suárez chegou à Inter, assim como Ronaldo, depois de ter brilhado no Barcelona. O espanhol, porém, atuou por sete temporadas na Catalunha e até conquistou o prêmio de melhor do mundo antes de desembarcar em Milão como o jogador mais caro da história até então. Pedido expresso de Helenio Herrera, que o havia treinado no Barça, Luisito chegou para ser transformado de mezza'ala em regista, e foi o primeiro a se destacar na posição em solo italiano, esbanjando habilidade e longos lançamentos.

Na Grande Inter de Herrera e Angelo Moratti, foi figura central de um time com craques como Sandro Mazzola, Giacinto Facchetti, Jair da Costa e Mario Corso. Dono do meio-campo azul e preto, foi um dos líderes de um dos ciclos mais vitoriosos (se não o maior) da história da Beneamata. Também brilhou pela seleção espanhola, pela qual conquistou uma Euro. Permaneceu ligado à Inter depois de se aposentar, e treinou a equipe em três ocasiões (duas como interino) e também foi chefe dos olheiros da equipe – foi responsável, inclusive, por contratar Javier Zanetti.

4º - Sandro Mazzola


Posição: atacante 
Período em que atuou: 1960-1977
Títulos ganhos: Mundial Interclubes (2; 1964 e 1965), Copa dos Campeões (2; 1963-64 e 1964-65), Serie A (4; 1962-63, 1963-64, 1965-66 e 1970-71) e Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: nenhum

Uma vida por um clube. Em 18 anos de Inter, Alessandro "Sandro" Mazzola se transformou em um dos maiores nomes da história azul e preta e também de todo o futebol italiano. Atuando como meia ou ala aberto pela direita, mostrava muita velocidade e habilidade, úteis para os contra-ataques clássicos da Grande Inter, e também ótimo poder de finalização. Filho da arte, viveu algo raro: teve carreira tão gloriosa quanto o pai, Valentino, artilheiro do Torino na década de 40, morto no desastre de Superga. Em 565 jogos pelo clube, marcou 160 gols, e é o quarto maior artilheiro da história do clube, atrás de Meazza, Altobelli e Boninsegna.

Mazzola ainda tinha relação especial com grandes jogos. Decidiu a final da Copa dos Campeões de 1964 e, em sua estreia em um dérbi contra o Milan, fez gol com apenas 13 segundos de jogo. Em 1970, depois de ser campeão europeu pela Itália, disputou Copa do Mundo revezando a titularidade com o milanista Gianni Rivera, e no ano seguinte foi eleito o segundo melhor jogador do mundo, atrás de Johan Cruijff. Após se aposentar, Mazzola ainda ocupou cargos na diretoria da Inter e, em 1995, assumiu o cargo de diretor esportivo da equipe – na época, Massimo Moratti convidou homens fieis a seu pai, Angelo, para cargos na diretoria do clube; foram contratados Mazzola, Facchetti, Corso e Suárez.

3º - Giacinto Facchetti


Posição: lateral esquerdo
Período em que atuou: 1960-1978
Títulos ganhos: Mundial Interclubes (2; 1964 e 1965), Copa dos Campeões (2; 1963-64 e 1964-65), Serie A (4; 1962-63, 1963-64, 1965-66 e 1970-71), Coppa Italia (1977-78) e Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: Prêmio Presidencial Fifa (2006) e Integrante da lista Fifa 100

Mais um do programa "meu clube, minha vida". Giacinto Facchetti viveu a Inter em quase todas as suas facetas. Foi jogador, capitão, diretor e até mesmo presidente do clube – o último cargo, de 2004 a 2006, quando faleceu. Tanta identificação com as cores interistas fez com que sua a camisa 3 fosse aposentada pelo clube. Apenas Javier Zanetti, anos depois, receberia a mesma homenagem.

Apesar de muito alto (1,94m), Facchetti foi um dos jogadores mais dinâmicos do catenaccio de Herrera, e atuava pela esquerda, com grande possibilidade de atacar, enquanto Burgnich e Picchi ficavam mais atrás. Isso foi inovador para a época, e o jogador é lembrado por isso até hoje. Facchetti também é recordado como o defensor com maior número de gols na Serie A. Foram 60 em 18 anos, dez deles apenas na temporada 1965-66. Após a sua morte, houve indícios de que ele poderia ter tentado manipular alguns jogos, quando presidente, mas não pode se defender e as provas não chegaram a ser conclusivas. De qualquer forma, sua brilhante carreira como jogador ficou para a história.



Posição: atacante 
Período em que atuou: 1927-1940 e 1946-47
Títulos ganhos: Copa do Mundo (2; 1934 e 1938), Serie A (2; 1929-30 e 1937-38), Coppa Italia (1938-39), Supercopa italiana (2005, 2006, 2008 e 2010) e Jogos Pan-Americanos (1995)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (3; 1929-30, 1935-36 e 1937-38), Artilheiro da Copa da Europa Central (3; 1930, 1933 e 1936) e Integrante do Hall da Fama do futebol italiano

Um dos maiores jogadores da história do futebol italiano, Meazza atuou por Milan e Juventus, mas teve carreira gloriosa mesmo na Inter, time que defendeu por 15 anos. Driblador e finalizador nato, Meazza atuava como atacante ou meio-campista. Foi bicampeão do mundo pela Itália, sendo o grande jogador da equipe nas duas Copas que disputou, e, em uma época em que não havia grandes torneios internacionais de clubes, ganhou três scudetti pela Inter.

Autor de 245 gols em 398 jogos, Meazza é o maior artilheiro da história da Internazionale. Com 33 gols pela Squadra Azzurra, ele só foi superado por Luigi Riva, 40 anos depois, como maior goleador da Nazionale. Meazza, baixinho e franzino, se destacava também pela vaidade e por ser bon vivant. Uma espécie de Romário misturado com Cristiano Ronaldo, apesar das farras fora de campo e dos cabelos bem arrumados, sempre correspondia nos jogos. E, pela carreira brilhante, um ano após sua morte, em 1979, o estádio San Siro foi rebatizado com o seu nome. Meazza ainda leva os méritos por ter descoberto Sandro Mazzola quando ele ainda era juvenil.

1º - Javier Zanetti


Posição: lateral direito
Período em que atuou: 1995-2014
Títulos ganhos: Mundial Interclubes (2010), Liga dos Campeões (2009-10), Copa Uefa (1997-98), Serie A (5; 2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Coppa Italia (4; 2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11) e Supercoppa Italiana (4; 2005, 2006, 2008, 2010).
Prêmios individuais: Prêmio Giacinto Facchetti (2012), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (2010), Prêmio da crítica da Associação Italiana de Jogadores – AIC (2012)

O Trator. Assim ficou conhecido Javier Zanetti ao longo de sua grande carreira, por passar pelos rivais com força, velocidade e muita destreza, por mais que os anos já pesassem às suas costas. Foi assim também que um dos maiores laterais direitos da história superou diversas bandeiras na história do clube se tornou o maior jogador da história da Inter. Foi importante em todas as conquistas do clube, estando sempre presente em campo (e até marcando gols, como na final da Copa Uefa de 1998), sendo um símbolo de lealdade, respeito e qualidade técnica. Uma lenda do futebol. Viveu um período complicado e, depois, um dos mais vitoriosos da história interista. Levantou taças que não eram conquistadas pelos milaneses há muito tempo e foi aclamado pelo mundo do futebol, até mesmo por rivais.

Em 20 anos de clube, Zanetti tem o seguinte currículo: é o jogador com mais títulos conquistados pelo clube (16), o que mais vezes vestiu a camisa nerazzurra (858 vezes) e o que mais jogou consecutivamente como titular (137 vezes). Ainda é o jogador estrangeiro com mais jogos pela Serie A e o segundo que mais vezes entrou em campo no total (618 jogos), atrás apenas de Paolo Maldini. Por ser estrangeiro e em uma época em que as trocas de clube são comuns, algo que merece destaque. Se existe alguém para definir o que é ser interista, levando em conta o caráter de união entre italianos e estrangeiros, firmado na fundação do clube, não há exemplo maior do que Pupi Zanetti, recém-aposentado dos gramados e atual vice-presidente da Internazionale.

domingo, 27 de julho de 2014

Os 10 maiores jogadores da história da Juventus

Como nosso leitor já sabe, tradicionalmente, trazemos textos históricos aqui no site. Basta acessar a seção "Beabá do Calcio", à direita da página, para ter acesso a uma pequena enciclopédia do futebol italiano, com perfis de jogadores, técnicos e demais personagens que brilharam na Bota, além de diversas informações importantes para desvendar a prática do maior esporte do mundo na Itália. Agora, queremos mais. Vamos ampliar este conteúdo.

Durante estas férias do Campeonato Italiano, o Quattro Tratti quer reviver a memória dos clubes da Bota. O blog vai contar a história dos maiores jogadores dos grandes clubes italianos através de um novo conteúdo: listas com os principais craques que já atuaram nos grandes clubes do país e também os maiores futebolistas que desfilaram pelos gramados italianos.

Para montar as listas, o QT levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

A Juventus é o primeiro clube a ser homenageado. Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir. 

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Top 25 Juventus
11. Roberto Baggio; 12. Paolo Rossi; 13. Marco Tardelli; 14. Antonio Conte; 15. Fabio Cannavaro; 16. Sandro Salvadore; 17. Zbigniew Boniek; 18. Giuseppe Furino; 19. Antonio Cabrini; 20. Giovanni Ferrari; 21. John Charles; 22. Franco Causio; 23. Didier Deschamps; 24. Ciro Ferrara; 25. Andrea Pirlo.

10º - Pavel Nedved


Posição: meia
Período em que atuou na Juventus: 2001 a 2009
Títulos conquistados: 2 Serie A (2001-02 e 2002-03), Supercoppa Italia (2002 e 2003), Serie B (2006-07)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2003), Golden Foot (2004), Bola de Ouro da República Tcheca (2001, 2003, 2004 e 2009), melhor jogador tcheco do ano (2003 e 2004), melhor jogador da Serie A (2003), melhor estrangeiro da Serie A (2003), melhor meio-campista em torneio Uefa (2002-03) e jogador do ano pela revista World Soccer (2003)

Nedved foi contratado junto a Lazio em 2001 para substituir Zidane. Ele começou a render sob comando de Marcello Lippi em dezembro daquele ano, atuando como trequartista. A Fúria Tcheca, como era chamado, conquistou dois campeonatos nacionais e ainda liderou, juntamente com Del Piero, a campanha do vice da Liga dos Campeões de 2003. Suspenso, ele não pode jogar em campo na ocasião.

Durante oito temporadas de Juventus, Nedved não ficou conhecido somente por seus passes precisos, golaços de fora da área e condição física inesgotável. O loiro ganhou muitos pontos com o clube quando não abandonou Turim após o escândalo do Calciopoli – o que também acabou lhe tirando dois scudetti do já vasto currículo. Ele foi ovacionado pela torcida em seu último jogo como profissional, contra a Lazio, no encerramento da temporada 2008-09. Hoje, depois de tanta identificação com o clube, é membro do conselho administrativo da Juventus.



Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1970 a 1983
Títulos conquistados: 7 Serie A (1971-72, 1972-73, 1974-75, 1976-77, 1977-78, 1980-81 e 1981-82), 2 Coppa Italia (1978-79, 1982-83), Copa da Uefa (1976-77)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1979-80) e integrante da seleção da Copa do Mundo de 1978

Bettega só não passou sua carreira profissional inteira na Juventus pois foi emprestado ao Varese, em seu primeiro ano de futebol, e negociado com o Toronto Blizzard, no último ano. O atacante conquistou sete scudetti após 481 jogos oficiais pela Juve. Somente três jogadores na história conquistaram mais títulos: Giovanni Ferrari, Virginio Rosetta e Giuseppe Furino, com oito.

Apelidado de Bobby Gol, ele marcou 178 gols durante 13 anos com a camisa bianconera. Com vasto repertório, podia jogar como centroavante ou meia ofensivo, e até hoje é considerado como um dos mais completos atacantes italianos. O auge de sua carreira aconteceu em 1976 quando, comandado por Giovanni Trapattoni, participou de todas as partidas da temporada, marcou 17 gols e foi fundamental na conquista nacional da Velha Senhora. Após a aposentadoria, o "Penna Bianca" ainda foi vice-presidente do clube entre 1994 e 2007, e ainda ocupou cargo na diretoria entre 2009 e 2010.



Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1957 a 1965
Títulos conquistados: 3 Serie A (1957-58, 1959-60 e 1960-61), 3 Coppa Italia (1958-59, 1959-60 e 1964-65), Coppa delle Alpi (1963)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1959-60) e Bola de Ouro (1961)

Quando chegou na Juventus, em 1957, os torcedores duvidavam de Sivori, um baixinho, troncudo e de pernas curtas. Em sua primeira exibição aos tifosi, ele deu quatro voltas no gramado fazendo embaixadinhas. A bola não caiu uma vez. Os bianconeros acharam um novo ídolo, um argentino de San Nicolás de los Arroyos, que além da técnica apurada, tinha muita velocidade e faro de gol.

Sivori era um desejo antigo do presidente Umberto Agnelli. A Juventus era um desejo de El Gran Zurdo, que marcou 31 gols em sua temporada de debute para erguer a taça de campeão italiano. Ele marcou época na Juventus por que compôs o “Trio Magico”, com Giampiero Boniperti e John Charles. Sivori também era ídolo porque provocava os adversários ao jogar com as meias no tornozelo, sem proteção.



Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1974 a 1988
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1982), 7 Serie A (1974-75, 1976-77, 1977-78, 1980-81, 1981-82, 1983-84 e 1985-86), 2 Coppa Italia (1978-79 e 1982-83), Copa da Uefa (1976-77), Recopa Europeia (1983-84), Supercopa da Uefa (1984), Copa dos Campeões (1984-85) e Torneio Intercontinental (1985)
Prêmios individuais: integrante da Seleção da Euro-80 e integrante do Hall da fama do futebol italiano

Scirea começou a carreira jogando no meio de campo, mas fez seu nome atuando na posição de líbero. Ele foi contratado junto à Atalanta para ser reserva de Sandro Salvadore, em 1974-75, mas as boas exibições logo o colocaram diretamente no time titular. Até hoje, é considerado como um dos maiores intérpretes da função de líbero, ao lado de Franz Beckenbauer e Franco Baresi, sempre com muita elegância e senso tático.

O jogador, que conquistou sete scudetti, ainda levantou a taça da Liga dos Campeões, o primeiro título do alto escalão europeu. Ele ficou marcado por ser o atleta com o maior número de presenças antes de Del Piero, com 552, e por nunca ter recebido um cartão vermelho. Um exemplo de técnica, estilo e comportamento, segundo o ex-técnico da Nazionale, Enzo Bearzot. Por sua carreira exemplar, diversos prêmios relacionados à fair play e excelência foram batizados com seu nome.

6º - Dino Zoff


Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 1972 a 1983
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1982), 6 Serie A (1972-73, 1974-75, 1976-77, 1977-78, 1980-81 e 1981-82), 2 Coppa Italia (1978-79 e 1982-83), Copa da Uefa (1976-77)
Prêmios individuais: melhor goleiro da Eurocopa de 1980, integrante da seleção do Mundial-82

Zoff foi contratado junto ao Napoli quando tinha 30 anos de idade. Ele era a experiência numa Juventus que procurava se renovar. O encaixe foi perfeito durante os 11 anos que passou nas balizas de Turim, com seis títulos do Campeonato Italiano, duas copas e a Uefa de 1977.

SuperDino mantém o 2º maior recorde de invencibilidade de um goleiro na Serie A: 903 minutos sem sofrer gols entre 1972 e 73. Ele perde apenas para Sebastiano Rossi, do Milan (929). Tornou-se um mito na Juventus por sempre ter se dedicado e trabalhado demais. E é claro por ter sido um dos melhores goleiros do mundo...

 


Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1996 a 2001
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1998), Eurocopa (2000), 2 Serie A (1996-97 e 1997-98), Supercoppa Italiana (1997), Copa Intertoto (1999), Torneio Intercontinental (1996), Supercopa da Uefa (1996)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1998), Onze d’Or da revista Onze Mondial (1998, 2000 e 2001), melhor jogador da Euro-00, integrante do All-Star Team do Mundial-98, melhor jogador francês (1998), melhor jogador da Serie A (2001), jogador estrangeiro da Serie A (1997 e 2001)

A história de Zidane com a Juventus começou mal: acidente de carro pouco antes de estrear, três meses de apresentações fracas e desconfiança por parte da torcida e imprensa. No meio da temporada, porém, reencontrou o futebol. O francês, rapidamente, encaixou perfeitamente no estilo de jogo proposto pelo técnico Marcello Lippi. Aliás, onde um craque de seu nível, um meio-campista completo, não se encaixaria?

Zizou, em 1997, recebeu o título de melhor jogador estrangeiro da Serie A, quando já tinha conquistado cinco de seus seis títulos em Turim. O rendimento do jogador caiu no fim da década, mas culminou no recorde de transferências, após a compra feita pelo Real Madrid, que levou o futebol de um dos maiores craques da história para a equipe galática.



Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 2001-atual
Títulos conquistados: Copa do Mundo (2006), 5 Serie A (2001-02, 2002-03, 2011-12, 2012-13 e 2013-14), 4 Supercoppa Italia (2002, 2003, 2012 e 2013), Serie B (2006-07)
Prêmios individuais: melhor goleiro da Serie A (1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2008), melhor goleiro para a Uefa (2003), jogador do ano Uefa (2003), integrante da equipe do ano Uefa (2003, 2004 e 2006), Prêmio Yashin (2006), integrante do All-Star Team do Mundial-06 e Euro-2012

Em seu primeiro ano como bianconero, Buffon sagrou-se campeão italiano em cima da Inter na última rodada. Na temporada seguinte, considerado o melhor da posição no mundo, recebeu o prêmio de melhor goleiro da Liga dos Campeões, defendendo um pênalti de Luis Figo, do Real Madrid, na semifinal e dois do Milan na decisão.

Superman se tornou um ídolo, também, por não abandonar o barco (ele chegou a negociar com o clube rossonero) quando o time caiu para a segunda divisão. Ao retornar à elite, dividiu grandes defesas com momentos de desatenção, porém, voltou a apresentar um ótimo senso de posicionamento a partir de 2013. Nada além do esperado para um dos grandes e mais completos arqueiros da história.



Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1982 a 1987
Títulos conquistados: 2 Serie A (1983-84 e 1985-86), Coppa Italia (1982-83), Recopa Europeia (1983-84), Supercopa da Uefa (1984), Copa dos Campeões (1984-85), Torneio Intercontinental (1985)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1983, 1984 e 1985), Onze d’Or (1983 a 1985), jogador do ano para a revista World Soccer (1984 a 1985), artilheiro da Serie A (1982-83, 1983-84 e 1984-85), integrante do All-Star Team nos Mundiais de 1982 e 1986, melhor jogador da Euro-84

Platini chegou à Juventus como melhor jogador francês da época. Assim como Zidane, demorou a engrenar, muito devido a problemas físicos. Quando o futebol encaixou... Primeiro veio o título da Coppa Italia, com dois gols dele. Em 1983, o trequartista foi artilheiro do campeonato vencido pela Juve e foi eleito o melhor jogador do mundo pela revista France Football.

Nas duas temporadas seguintes, Platini ainda liderou o time para o título inédito europeu, com gol na decisão ante o Liverpool, foi artilheiro em mais uma oportunidade na Serie A e levantou a Bola de Ouro duas vezes. Em cinco anos na Itália, Platini conquistou tudo e tornou-se um dos principais ídolos da história do clube, ganhando projeção mundial e dando ainda mais espaço à Juve no cenário internacional.



Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1946 a 1961
Títulos conquistados: 5 Serie A (1949-50, 1951-52, 1957-58, 1959-60 e 1960-61), 2 Coppa Italia (1958-59 e 1959-60)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1947-48)

Ao estrear pela Juventus em 1946, Boniperti viu os rivais grená de Turim se sobressaírem em território italiano. Il Marisa, como era apelidado devido à coloração do cabelo, só começou a brilhar com a Juventus a partir de 1949, depois da Tragédia de Superga, que matou todo o Torino. O timaço dos rivais ofuscava uma ótima Juventus, que acabou se sobressaindo em solo nacional nos anos seguintes. Em 15 anos, o craque pode comemorar cinco scudetti na equipe de coração, única em que atuou na carreira.

Boniperti chegou à marca de cem gols na Serie A antes mesmo de completar 24 anos, pois sempre teve uma média altíssima de gols – jogando como atacante ou ponta – e acabou fazendo 178 gols em toda a carreira. Como presidente, tornou-se um dos mais vitoriosos da história do clube, com 18 títulos. O presidente de honra da Juventus ainda é lembrado como um dos maiores da equipe dos Alpes.

1º - Alessandro Del Piero


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1993 a 2012
Títulos conquistados: Copa do Mundo (2006), 6 Serie A (1994-95, 1996-97, 1997-98, 2001-02, 2002-03 e 2011-12), Coppa Italia (1994-95), 4 Supercoppa Italia (1995, 1997, 2002 e 2003), Serie B (2006-07), Liga dos Campeões (1995-96), Torneio Intercontinental (1996), Supercopa da Uefa (1996), Copa Intertoto (1999), Copa Viareggio (1994) e Campeonato Primavera (1993-94)
Prêmios individuais: Golden Foot (2007), melhor jogador sub-21 da Europa (1996), melhor jogador do Torneio Intercontinental (1996), integrante do time do ano para a European Sports Magazine (1995-96, 1996-97 e 1997-98), melhor jogador da Serie A (1998 e 2008), artilheiro da Serie A (2007-08), artilheiro da Serie B (2006-07)

Seis títulos da Serie A, quatro Supercopas, Liga dos Campeões, goleador máximo da história da Juventus (188 gols na Serie A, 290 ao todo) atleta que mais atuou com a camisa bianconera na história (790 jogos), único jogador italiano a marcar mais de dez gols em 16 temporadas. É simples resumir Del Piero como grande jogador apenas com números.

No entanto, Pinturicchio foi muito mais. Ele teve perseverança e paciência para trocar o Padova pela Juventus, no início da década de 1990, pois queria realizar o sonho de jogar com a camisa listrada. Jogou, conquistou todos os títulos citados, chegou à seleção italiana e se destacou na conquista do tetracampeonato mundial, em 2006. Marcou gols de falta, de chutes de fora da área, e sempre demonstrou sua enorme técnica. Del Piero também ficou conhecido pela lealdade e pela garra em todos os momentos em que viveu no Piemonte. Nenhum jogador é maior que a instituição, porém, Del Piero é o que mais se aproxima da grandeza.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Escudo manchado

Del Piero, ao centro, ainda no time de base do Padova, que o revelou para a Itália. Hoje, os biancoscudati vivem a pior fase de sua história, com falência declarada por não terem dinheiro para pagar inscrição na Serie C
"Os aplausos dos padovanos me emocionaram muito e, conhecendo o amor que eles têm pelo time de coração, imagino que estejam sofrendo muito. Espero que se reergam rápido", escreveu Alessandro Del Piero, em sua página oficial, poucas horas após o anúncio de falência do Padova, na última terça-feira – o clube, que havia caído para a terceirona, recomeçará na Serie D, a quarta divisão. As palavras de carinho do craque italiano podem não ter feito cessar o choro dos cerca de 200 mil torcedores do clube centenário, mas com certeza os fizeram lembrar da importância do time para a história do futebol da Bota. 

Os alvirubros da região do Vêneto completaram 104 anos no último mês de janeiro e figuram na lista dos clubes mais antigos da Itália. No primeiro artigo de seu estatuto social, Giorgio Treves de Bonfili, fundador que exerceria também a função de treinador e jogador do time nos primeiros anos, se comprometia com a "difusão do futebol com objetivo da educação física da juventude", antecipando a tradição de clube formador do Padova. 

Não à toa, os resultados nas categorias de base sempre foram mais expressivos que entre os profissionais: são sete taças conquistadas com juniores e semiprofissionais e apenas quatro com o time principal (uma Serie B, uma Serie C e duas Serie C2). A última joia que saiu dos campos de Padova foi Stephan El Shaarawy, estrela do Milan atualmente. O ítalo-egípcio foi outro que fez questão de expressar sua tristeza após a falência: "Vivi momentos belíssimos com o Padova. Sofri, sonhei e me alegrei junto com os torcedores e tive uma experiência única, que me fez crescer muito. 104 anos de história não podiam ser apagados assim", lamentou. 

A equipe, com 27 participações na Serie A (16 delas na fase moderna do torneio, a última em 1995-96), disputou a segunda divisão nacional na última temporada e acabou rebaixada à Serie C. Com problemas financeiros graves, o time não conseguiu os 600 mil euros necessários para se inscrever na Liga e teve que desistir de disputar a terceira divisão 2014-15. A desastrosa gestão de Diego Penocchio no comando do clube fez até sócios antigos tentarem se unir para salvar o time, mas nada deu certo. 

Agora, o clube fecha as portas para o futebol profissional e se concentrará na formação de times de base, enquanto tenta se recuperar e voltar ao cenário principal do futebol italiano. A esperança dos torcedores é que aconteça como ocorreu com o Napoli no início do século. Em 2004, a equipe declarou falência, mas com o esforço de empresários locais e, principalmente, do produtor cinematográfico e atual dono Aurelio De Laurentiis, voltou à atividade logo em 2006. 

Del Piero em ação pelos biancoscudati
Lendas
Não fosse o clube, pelo menos dois dos maiores nomes da história do futebol italiano talvez nem existissem. Del Piero foi formado no Padova, antes de virar um dos maiores ídolos da história da Juventus, e Nereo Rocco, treinador que revolucionou a forma de jogar na Itália, só foi reconhecido como grande técnico após sua passagem pelo alvirubro, quando levou o time ao melhor resultado de sua história: o terceiro lugar na Serie A de 1957-58.

Foi Rocco quem levou à Itália o estilo defensivo de futebol que a seleção da Suíça consagrou nos anos 1930 e pautou a formação de muitos times da Bota, com o famoso catenaccio. Ele lançou o lendário Cesare Maldini no Milan e insprou Giovanni Trapattoni e Helenio Herrera, dois dos treinadores mais vitoriosos da história. Certa vez, já no fim da carreira - e com 2 campeonatos italianos, 2 Copa dos Campeões e uma taça Intercontinental no currículo -, ele afirmou que o Padova foi o único time da história que executou o catenaccio de forma correta. É ou não parte importantíssima da história do futebol italiano esse tal de Padova? Que a falência signifique apenas um até logo, não um adeus. O escudo há de levantar a guarda novamente.

* No mesmo dia, o Siena também anunciou falência. A Robur, tradicional equipe da Toscana e com 9 participações na Serie A (a última delas em 2012-13), tentam começar de novo a partir da Serie D.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Novos tempos em Vinovo

Conte fez muito pela Juve e o clube fez muito para o treinador. A hora chegou para ambos tomarem seus próprios rumos (Foto: Ansa)

Não há nada mais oficial que a demissão de Antonio Conte. O treinador e a Juventus decidiram, por acordo mútuo, que seguirão caminhos distintos a partir da temporada 2014-15. 

O dia 15 de julho começou com novos rumores sobre a saída de Conte. Hoje foi o segundo dia da pré-temporada, e a imprensa italiana noticiava a todo momento que a Juve não fazia mais parte dos planos do técnico. 

Conte tinha vínculo com os bianconeri até 2015 e rejeitou uma renovação de três anos, com o valor de cinco milhões de euros anuais. Ele disse: "você não pode jantar em um restaurante de alto padrão com dez euros", referindo-se às baixas chances de seu trabalho melhorar, com um eventual título da Liga dos Campeões. 

Melhorar não seria possível, mas o treinador optou por continuar, após uma novela de conversas após a última temporada. O ex-treinador da Juventus não estava satisfeito com os planos de mercado. Vale lembrar que ele recusou o Paris Saint-Germain e, em maio último, mandou o Monaco pastar após uma oferta milionária. Agora, com uma oferta seguramente menor, ele é o favorito para assumir a Itália.

Conte ficou extremamente insatisfeito que Giuseppe Marotta e Fabio Paratici, dirigentes, não conseguiram convencer Barcelona e Fiorentina por Alexis Sánchez e Juan Cuadrado. Além disso, o fator primordial, certamente, foi outro: a Juventus prometeu que Vidal e Pogba não seriam vendidos. Os meio-campistas encabeçam a lista de reforços de metade dos clubes europeus. Na entrevista concedida após o pedido de demissão, Conte parece algo entre irritado e desiludido. Parece ter acabado de sair de uma reunião pouco produtiva.

Não existe transferência sem o aval do jogador. Se ele não deseja sair, não tem santo o faça mudar de casa. Ponto. Por outro lado, a Juventus não teve o mínimo esforço para blindar nem Vidal, nem Pogba. A diretoria afirmou que só ouviria propostas acima de 75 milhões de euros pelo francês. O primeiro erro foi dizer que o caminho estava aberto para negociações; o segundo foi jogar o valor lá no alto - caso ocorra uma transferência, ela será realizada em cifras menores. 

Pogba escolheu a Juventus a dedo em 2012 exatamente porque Conte acreditou em sua qualidade. O técnico foi fator promordial para o acordo vingar. Agora, sem o treinador, o que resta ao jovem francês de 21 anos que sempre se vê no noticiário durante as janelas de transferências, seja numa venda ou troca? A mais recente é numa negociação que envolva o Real Madrid e Angel Di María. Já Vidal, de férias, declarou que, basicamente, tanto faz em qual clube jogará nesta época. Ele disse, sem mencionar o Manchester United e os 44 milhões de euros da proposta: "sei que é um dos clubes mais importantes do mundo, mas tenho contrato com a Juventus. Se as coisas acontecerem, tudo bem. Caso contrário também ficarei feliz na Juventus". 

Seguir em frente

Palavras do presidente Andrea Agnelli no site oficial do clube: "recomeçaremos do zero. Temos zero pontos e zero vitórias na tabela como todo mundo. Mas o clube tem um time jovem e forte. Eles estão preparados para atingir qualquer objetivo". 

O capitão Gianluigi Buffon, em entrevista em Vinovo, falou: "é uma perda gigante, mas não estamos no ano zero. Não sei as razões da saída de Conte, mas o trabalho dele não irá desaparecer em dois meses. Nossa responsabilidade é muito maior agora. Temos de nos unir e provar nosso valor mesmo sem Conte". 

A Juventus, claro, precisa buscar um técnico. Os nomes de Massimiliano Allegri e Roberto Mancini já foram ventilados. Mas pode ser balela. O trabalho de Allegri no Milan não foi bom - longe disso, fora o scudetto comandado por Thiago Silva e Ibrahimovic. Além do mais, o comandante teria de lidar novamente com Pirlo, exatamente quem o mandou embora do Diavolo. Mancini ganhou títulos na Inglaterra e Turquia; atualmente está no mercado. Contudo, fez parte do corpo técnico da Inter pós-Calciopoli e trocou farpas com a alta direção da Juve à época. Difícil vê-lo treinando um rival. Teria mais: reencontro entre Mancini e Tévez, longe de serem melhores amigos, na Itália.

Se Cesare Prandelli tivesse esperado dez dias antes de fechar com o Galatasaray, seu nome seria o mais indicado, apropriado e/ou veiculado em Turim. Primeiro, por ser identificado com o clube, segundo por ter uma filosofia de trabalho similar à de Conte quanto à ocupação dos espaços em campo e, terceiro, por conhecer muito bem a base juventina. Luciano Spalletti, sempre ele, também é cogitado - seria uma boa inclusão à Juve se quebrasse seu vínculo com o Zenit. 

Alguns outros professores correm por fora. A Juventus já entrou em contato com a Udinese, com quem tem um ótimo relacionamento extra-campo, para verificar a disponibilidade de Francesco Guidolin. Antes do início da temporada de 2013-14, Guidolin (torcedor da Inter, por sinal) cogitou a possibilidade de deixar Údine pela falta de ambição do clube e agora ocupa o cargo de supervisor dos clubes do Pozzo. Seria difícil liberá-lo. Didier Deschamps (contrato com a Federação Francesa até 2016), Vincenzo Montella (até 2017 com a Fiorentina, que não tem bom relacionamento com a Juventus...) e Mircea Lucescu (Shakhtar Donetsk) são outros nomes.

Porém, segundo informa o jornalista Gianluca Di Marzio, Allegri deve chegar ao CT de Vinovo já amanhã. Terá a chance de reconhecer que errou com Pirlo, dispensando-o do Milan quando ele tinha muita, mas muita lenha para queimar.

A saída de Conte durante o mês de julho faz com que o novo treinador tenha trabalho dobrado para ajeitar as coisas no verão. As contratações também podem mudar. Os negócios com Evra, Morata e Iturbe não foram oficializados. Ambos eram jogadores pedidos pelo técnico. Continuarão na lista do próximo comandante ou serão negócios abortados? Ademais, jogadores atualmente em boa posição no plantel podem perder espaço, enquanto outros podem ganhar. É uma Juventus indefinida pouco menos de dois meses antes do início da temporada.

Números de um passado vitorioso

Após uma temporada fraca de 2010-11, terminando o campeonato na 7ª colocação, a Juventus substituiu Luigi Delneri por Antonio Conte. O treinador tinha feito uma ótima campanha com o Siena vice-campeão da Serie B. Porém, o que mais credenciou Conte à vaga em Turim foi seu passado bianconero.

O clube não conquistava um título desde 2006, foi rebaixado à segunda divisão, terminou em 7º lugar duas vezes e teve zagas terríveis. Sob comando do ex-volante, três temporadas então se passaram com a Velha Senhora dominando o território italiano: três scudetti, duas Supercoppa Italia e recorde de pontos e invencibilidade. 

Durante 2011 e 2014, a Juventus venceu 67% de seus jogos. A defesa sofreu 67 gols em 114 partidas da Serie A. No Campeonato Italiano, a Juve foi derrotada somente em sete oportunidades.

No entanto, os números não foram revertidos para uma boa campanha nos torneios continentais. Em 2012-13, o Bayern de Munique, que seria campeão da edição, eliminou os italianos com duas vitórias por 2 a 0; na temporada passada, a Juve caiu na fase de grupos da Liga dos Campeões e não chegou à decisão da Liga Europa ao ser derrotado pelo Benfica.

Conte perdeu a chance de se tornar o 6º treinador a conseguir quatro títulos nacionais consecutivos entre as sete maiores ligas da Europa - Carlo Carcano (Juventus, na década de 1930), Miguel Muñoz (Real Madrid, 1960), Albert Batteux (Saint-Étienne, 1966), Johan Cryuff (Barcelona, 1990) e Frank de Boer (Ajax, 2010). _
Publicado originalmente no Gazzebra.