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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

1ª rodada: Tudo será como antes?

A eficiência de Higuaín deu a primeira vitória da temporada à pentacampeã Juventus (Getty)
Enfim, ela voltou! Após longos meses de férias e pré-temporada, a Serie A começou em ritmo de amistosos e com muitos gols: foram 32 em 10 partidas, nenhum 0 a 0 e somente um empate. Juventus e Roma mostraram que continuam com a mesma fome da última temporada, ao passo que Napoli e Inter, esta última com um choque de realidade, já somaram o seu primeiro tropeço. Estreias acima da média também para Milan, Lazio, Sassuolo e Pescara. Confira no nosso primeiro resumo de 2016-17.

Juventus 2-1 Fiorentina
Khedira (Chiellini), Higuaín | Kalinic (Ilicic)
Tops: Khedira e Asamoah (Juventus) | Flops: Alex Sandro (Juventus) e Tatarusanu (Fiorentina)

No fim acabou sendo mais sofrido do que deveria, mas a Juventus começou o campeonato muito bem, segura de não ter que repetir mais um início lento, como na última temporada. Embora sem ritmo, intensidade ideias, o time de Allegri controlou à sua maneira a Fiorentina de Sousa. Entre defesa posicional, muito compacta e organizada, guardando sua área com maestria, e forte marcação pressão, sufocando a boa troca de passes do adversário e criando chances a partir daí, a Velha Senhora poderia ter goleado facilmente.

Enquanto Dani Alves e Dybala já mostraram bom entrosamento pela direita, com os ótimos apoios de Khedira, o gol surgiu em uma jogada de equipe típica, com Alex Sandro abrindo a defesa e Asamoah e Dybala arrastando defensores. Assim, Chiellini subiu para apoiar e cruzar na medida para o desmarque de Khedira, livre na pequena área viola. Os rivais de Florença chegaram a melhorar no segundo tempo e empataram com Kalinic, mas Higuaín deu a primeira amostra do porquê o clube pagou tanto por seus gols, garantindo a primeira vitória na temporada já na estreia, em seu primeiro toque na bola.

Roma 4-0 Udinese
Perotti (pênalti), Perotti (pênalti), Dzeko (Nainggolan), Salah
Tops: Perotti e Dzeko (Roma) | Flops: Karnezis e Danilo (Udinese)

O efeito Perotti. Até o intervalo, a Roma era dominante, mas pouco efetiva no ataque contra uma Udinese sem muito o que destacar. Quando o argentino entrou no lugar de El Shaarawy, tudo mudou: o time entrou nos eixos de verdade e as coisas fluíram naturalmente, enquanto a defesa adversária passava por apuros e cedia a goleada. Duas vezes de pênalti, Perotti abriu o marcador para também dar tranquilidade ao time, que manteve a mesma pegada de quando terminou a última temporada, com um belo futebol, sabendo como controlar o jogo com e sem a posse de bola.

No meio-campo, Nainggolan manteve o nível de sempre, Paredes e Strootman surgiram bem para suprir a ausência do regista da orquestra de Spalletti, Pjanic. Outra boa participação foi a do estreante Bruno Peres, que deu a mesma intensidade de Florenzi na lateral – aliás, quase inteiramente nova, a defesa esteve segura contra uma Udinese muito pobre. O time friulano reúne jovens talentos no banco, mas com Iachini joga com brucutus pouco produtivos. Deve continuar sofrendo nas próximas rodadas.

Milan 3-2 Torino
Bacca (Abate), Bacca (Niang), Bacca (pênalti) | Belotti (Molinaro), Baselli (De Silvestri)
Tops: Bacca e Donnarumma (Milan) | Flops: Paletta (Milan) e Padelli (Torino)

Muito bem no primeiro tempo, conseguindo reunir posse de bola e produtividade ofensiva, o Milan de Montella começou vitorioso e com dois ótimos indicativos: Donnarumma salvando e Bacca marcando. O colombiano forçou saída, mas acabou permanecendo e na primeira rodada marcou sua primeira tripletta em Milão, dando importante passo para seguir como o artilheiro que a equipe rossonera tanto precisa em uma época de transição. Embora tenha perdido Ljajic lesionado logo no começo, o Torino de Mihajlovic mostrou força e qualidade para se recuperar: no segundo tempo, equilibrou o jogo, buscou o empate com o bomber Belotti, mas voltou a sofrer com Bacca, duas vezes. A equipe grená contou com um empolgante Baselli e por muito pouco não levou o empate – por muito pouco, diga-se, através das mãos de Donnarumma. O jovem gigante salvou a cobrança de pênalti cometida por Paletta (expulso) no último lance do jogo e garantiu a primeira vitória do time de Milão.

Pescara 2-2 Napoli
Benali (Verre), Caprari (Zampano) | Mertens (Valdifiori), Mertens (Hysaj)
Tops: Benali (Pescara) e Mertens (Napoli) | Flops: Coda (Pescara) e Albiol (Napoli)

O Pescara naturalmente é um candidato ao rebaixamento, mas na primeira rodada a equipe do técnico Oddo deu um indicativo importante que pode transformar o estádio Adriatico em um inferno para os visitantes. A defesa preocupa, mas o jovem meio-campo e ataque mostram entrosamento e diversão, com toques rápidos, boa movimentação e agressividade. A pouco veloz e desatenta defesa napolitana não conseguiu acompanhar os biancazzurri, assim como parecia não esperar a forte marcação adversária no seu campo – em especial, Albiol foi um desastre. A recuperação da equipe de Sarri só veio quando Mertens, o melhor 12º jogador do campeonato, entrou no lugar de um apático Insigne. Em três minutos, o belga empatou a partida com uma doppietta e liderou a reação do time, que quase conseguiu a virada, mas também comemorou o empate após início tão lento.

Chievo 2-0 Inter
Birsa (Cacciatore), Birsa
Tops: Birsa e Cacciatore (Chievo) | Flops: Ranocchia e Icardi (Inter)

De Boer tinha destacado a má forma física da equipe, mas só quando a bola rolou para valer é que deu para perceber o atraso interista na preparação: a equipe perdeu dois meses fazendo turnê e só decidiu mudar algo duas semanas antes de o campeonato começar. E quando iniciou, o choque de realidade mostrou que o novo treinador não precisa apenas consertar pequenos erros, mas sim criar algo novo, porque quase nada foi feito na pré-temporada. Os nerazzurri encontraram no Chievo do técnico Maran uma equipe organizada, compacta e agressiva, tudo que eles não tem sido nos últimos anos. Os anfitriões controlaram o jogo sem a bola e marcaram quando a defesa adversária (leia-se Ranocchia) deu oportunidade, ambas as vezes em bonitos gols de Birsa. Ainda há muito para se trabalhar na Pinetina: De Boer disse que a verdadeira Inter só poderá ser vista em quatro meses.

Atalanta 3-4 Lazio
Kessié (Conti), Kessié, Petagna (Conti) | Immobile (Milinkovic-Savic), Hoedt (Biglia), Lombardi, Cataldi (Basta)
Tops: Kessié (Atalanta) e Immobile (Lazio) | Flops: Sportiello (Atalanta) e Marchetti (Lazio)

O caos total tomou o gramado do estádio Atleti Azzurri d'Italia, em Bérgamo. Com 33 minutos, a Lazio vencia por 3 a 0 e, por mais incrível que seja, não jogava bem – muito pelo contrário. A cada ataque surgiam os gols contra a desatenta defesa anfitriã (um aspecto clássico dos times do técnico Gasperini), mas o jogo ainda não estava ganho. O time da casa cresceu aos poucos e encostou no placar graças ao garoto Kessié, que marcou duas vezes em quatro minutos, aproveitando, dessa vez, a desorganização defensiva visitante. Dramático, o final do jogo ainda teve o quarto gol laziale com Cataldi, enquanto Petagna voltou a dar esperanças aos torcedores da Atalanta nos acréscimos. No fim, 3 a 4 e o primeiro jogo louco nesta Serie A.

Palermo 0-1 Sassuolo
Berardi (pênalti)
Tops: Posavec (Palermo) e Berardi (Sassuolo) | Flops: Rajkovic (Palermo) e Defrel (Sassuolo)

Cinco gols em quatro partidas. Começo pra lá de animador para Berardi, que deve mesmo assumir o protagonismo e ser a chave do sucesso do Sassuolo na temporada. O atacante tem correspondido, assim como outros jovens destaques na partida e no começo de temporada, os italianos Antei, Sensi e Politano. No Renzo Barbera, o time de Di Francesco controlou e dominou o jogo com a posse de bola, atropelando o Palermo de Ballardini, nervoso e desorganizado. O placar só não foi maior graças ao goleiro Posavec, autor de sete defesas.

Genoa 3-1 Cagliari
Ntcham (Rincón), Laxalt (Veloso), Rigoni (Lazovic) | Borriello (Sau)
Tops: Laxalt e Rincón (Genoa) | Flops: Capuano (Cagliari)

Um bom começo para Juric na Serie A: substituindo seu mestre, Gasperini, o croata entregou um time mais técnico que o do antecessor, mas menos agressivo. O time da casa, no entanto, precisou levar o gol de Borriello para transformar o domínio em vitória. Após sair atrás no placar com o gol do seu ex-jogador, o Genoa melhorou a pontaria e contou com os jovens Ntcham e Laxalt para a rápida virada em dois minutos, através do experiente e bom meio-campo formado por Rincón e Veloso. O bomber Pavoletti nem precisou decidir, embora tenha contribuído com bons apoios, assim como Ocampos foi bastante participativo. Decepcionante mesmo foi o Cagliari de Rastelli, completamente entregue à pressão adversária e sem criatividade para responder, ainda que tenha aberto o marcador. A dupla Sau-Borriello terá bastante peso e muita responsabilidade para que os sardos conquistem pontos.

Empoli 0-1 Sampdoria
Muriel (Álvarez)
Tops: Muriel e Torreira (Sampdoria) | Flops: Saponara e Maccarone (Empoli)

Visitando sua ex-equipe, o técnico Giampaolo conquistou importante vitória na estreia pela Sampdoria. Em meio ao caos da direção do clube, o treinador tem uma equipe técnica em mãos, boa o bastante para seguir seu trabalho na Toscana e montar um time interessante. Mas o mais importante foram as respostas de Muriel e Álvarez: os mais talentosos também são jogadores que pecam pela falta de atitude em muitos momentos, e devem superar isso para sair da mediocridade e corresponder ao talento que têm. O gol da vitória chegou com a participação dos dois e com belíssima finalização do colombiano. A Samp encontrou um Empoli muito modificado em relação à última temporada, e que, para piorar, não teve Saponara e Maccarone em um bom dia – o carequinha chegou até a ser expulso. Ainda mais enfraquecido, o time toscano deve brigar contra o rebaixamento.

Bologna 1-0 Crotone
Destro (Dzemaili)

Tops: Destro (Bologna) e Cordaz (Crotone) | Flops: Verdi (Bologna) e Simy (Crotone)

Simples e eficiente – talvez nem tanto na última parte. O Bologna poderia ter vencido com muito mais tranquilidade, mas esbarrou em boa atuação do veterano Cordaz e na sua própria falta de pontaria ao desperdiçar várias chances e acertar a trave duas vezes. Decisivo o gol marcado aos 86 minutos através de Destro, que começa a temporada fazendo o que dele se espera: descomplicar partidas. O time de Donadoni teve bom rendimento e foi muito seguro e consistente atrás, superando com tranquilidade a presença física do grandalhão Simy, de quase 2 metros de altura, enquanto a juventude do meio-campo e ataque deu uma nova dinâmica à equipe. Com tempo e entrosamento, mantendo essa organização, os felsinei devem pensar em ir além de uma salvezza tranquila. Já o Crotone...

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Cacciatore (Chievo), Acerbi (Sassuolo), Chiellini (Juventus), Laxalt (Genoa); Khedira (Juventus), Kessié (Atalanta); Perotti (Roma), Birsa (Chievo), Mertens (Napoli); Bacca (Milan). Treinador: Rolando Maran (Chievo).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Guia da Serie A 2016-17, parte 2

Amanhã a bola rolará pela primeira vez na Serie A 2016-17. Na quarta, publicamos a primeira parte do nosso guia da temporada, com as análises de dez das equipes que disputarão o Italiano. Hoje, na véspera da rodada inaugural, trazemos nossos últimos pitacos. Confira!

Lazio


Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (70.634 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principal rival: Roma
Participações na Serie A: 74
Títulos: dois
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Maurício, Wallace e Felipe Anderson
Técnico: Simone Inzaghi (2ª temporada)
Destaque: Lucas Biglia
Fique de olho: Alessandro Murgia
Principais chegadas: Jordan Lukaku (le, Oostende), Ciro Immobile (a, Torino) e Wallace (z, Braga)
Principais saídas: Miroslav Klose (a, sem clube), Stefano Mauri (m, sem clube) e Antonio Candreva (mat, Inter)
Time-base (4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Wallace, Radu; Parolo, Biglia, Lulic; Felipe Anderson, Immobile (Djordjevic), Keita.

Não passa impune quem sonha com Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa e acorda, de última hora e assustado, com Simone Inzaghi. A ambiciosa estratégia inicial caiu por terra depois da negativa de El Loco e provocou uma reviravolta nos bastidores do clube: o presidente Claudio Lotito efetivo Inzaghi, antes interino, mas a falta de experiência do técnico e a perda de importantes peças do elenco deixam a exigente torcida celeste insatisfeita com os rumos do time em 2016-17.

No atual estado das coisas, a Lazio corre por fora por uma vaga na Liga Europa e dificilmente poderá brigar por algo além disso. De uma vez só, a equipe sofreu um duro golpe: perdeu a experiência, a liderança e a qualidade de jogadores como Candreva, Klose e Mauri, além de coadjuvantes como Konko, Matri, Gentiletti e Onazi. Se para rechear o elenco de peças úteis para o elenco, como Leitner, Bastos e Jordan Lukaku, os aquilotti não perderam tempo, a busca por novos protagonistas foi menos frutífera. O brasileiro Wallace chega para ocupar uma vaga como titular absoluto na defesa e pode ajudar a equipe a reduzir os erros no setor, juntamente com De Vrij, ao passo que Immobile promete ser um ótimo substituto para Klose. O tridente ofensivo pode incomodar bastante, principalmente se Keita mantiver a boa fase do último ano e Felipe Anderson recuperar a boa forma. No mais, os romanos seguem confiando no maestro Biglia como o cérebro da equipe.

Milan


Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Participações na Serie A: 83
Títulos: 18
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Gabriel, Rodrigo Ely e Luiz Adriano
Técnico: Vincenzo Montella (estreante)
Destaque: Carlos Bacca
Fique de olho: Manuel Locatelli
Principais chegadas: Leonel Vangioni (le, River Plate), Gianluca Lapadula (a, Pescara) e José Sosa (m, Besiktas)
Principais saídas: Alex (z, sem clube), Jérémy Ménez (mat, Bordeaux) e Mario Balotelli (a, Liverpool)
Time-base (4-3-3): Donnarumma; Abate, Zapata, Romagnoli, De Sciglio (Antonelli, Vangioni); Kucka, Montolivo, Bertolacci; Niang (Sosa), Bacca, Bonaventura.

Os torcedores do Milan deverão esperar um pouco mais para ver o clube voltar a viver uma fase tão esplendorosa quanto sua história. No aguardo pelo investimento de um grupo chinês, em uma longa negociação que ainda está em vias de ser concluída, o Diavolo passa por reformulação nos comandos administrativo e técnico do time. Em relação ao projeto de futebol, a chegada de Montella é um bom sinal de que as coisas podem melhorar no médio prazo: o treinador fez ótimo trabalho na Fiorentina, não se encontrou na Sampdoria, mas finalmente chega a um clube de peso para mostrar que é capaz de confirmar o que dele se esperava. Hoje, se conseguir classificar o Milan a uma competição europeia, já terá cumprido o objetivo mínimo.

Os rossoneri pouco se mexeram no mercado até agora (por causa da indefinição quanto à compra do clube) e só fecharam com reforços modestos. Na defesa, setor que ainda é carente, os promissores Donnarumma e Romagnoli devem ficar sobrecarregados mesmo após as contratações do argentino Vangioni e do paraguaio Gómez, além da volta de Paletta. Montella quase não vê mudanças nas opções que terá em mãos para outras posições, como o meio-campo e o ataque: somente Lapadula, artilheiro da última Serie B, e o argentino Sosa, ex-Bayern Munique e Napoli, surgem como novidades. Pelo menos Honda perdeu o status de titular e Bacca e Bonaventura prosseguem no elenco.

Napoli


Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 71
Títulos: dois
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Rafael Cabral e Allan
Técnico: Maurizio Sarri (2ª temporada)
Destaque: Marek Hamsík
Fique de olho: Roberto Insigne
Principais chegadas: Piotr Zielinski (mat, Empoli), Emanuele Giaccherini (m, Bologna) e Arkadiusz Milik (a, Ajax)
Principais saídas: Gonzalo Higuaín (a, Juventus) e Gabriel (g, Milan)
Time-base (4-3-3): Reina; Hysaj, Albiol (Tonelli), Koulibaly, Ghoulam; Allan, Jorginho (Zielinski), Hamsík; Callejón (Giaccherini), Milik (Gabbiadini), Insigne.

A saída de Higuaín surpreendeu o Napoli, mas o time soube utilizar bem os 90 milhões de euros que a Juventus pagou pelo maior goleador de uma edição da Serie A. Nenhum camisa 9 clássico foi contratado, mas os azzurri fizeram uma boa pré-temporada e empolgaram a torcida para o campeonato que virá. Um dos que realizaram grandes atuações nos amistosos foi Gabbiadini, que vai brigar com o polonês Milik para herdar a lacuna deixada por Higuaín: nenhum dos dois atua muito fixo na área, o que sugere que Sarri vai redesenhar a fase ofensiva dos partenopei, favorecendo mais ainda as inserções de Hamsík, Callejón e Insigne, e dando espaço aos novos contratados Giaccherini e Zielinski.

Depois de manter quase todas as suas principais peças, o time napolitano está mais completo do que na última temporada e é um dos mais fortes candidatos a vaga na Liga dos Campeões. Em que pese a raiva da torcida com o Pipita, o elenco e o staff técnico não podem se contaminar negativamente pelo clima de vendetta, mas certamente haverá muito olho gordo torcendo por tropeços da Juventus. Se a Velha Senhora vacilar, o Napoli promete estar atento para incomodá-la.

Palermo


Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36.349 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
Principal rival: Catania
Participações na Serie A: 29
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Davide Ballardini (2ª temporada)
Destaque: Oscar Hiljemark
Fique de olho: Roland Sallai
Principais chegadas: Ilija Nestorovski (a, Inter Zapresic), Carlos Embalo (m, Brescia) e Slobodan Rajkovic (z, Darmstadt)
Principais saídas: Franco Vázquez (mat, Sevilla), Alberto Gilardino (a, Empoli) e Stefano Sorrentino (g, Chievo)
Time-base (4-3-2-1): Posavec; Rispoli (Morganella, Struna, Vitiello), Goldaniga, González (Rajkovic), Lazaar; Hiljemark, Jajalo, Chochev; Quaison, Trajkovski (Embalo); Nestorovski.

Abre o olho, Palermo. Se o time rosanero fez uma campanha nefanda na última temporada e escapou do rebaixamento na bacia das almas, a promessa é de mais sofrimento em 2016-17. A permanência do fraco técnico Ballardini já poderia ser um indicativo pouco alvissareiro, mas o mercado modesto e as saídas dos três melhores jogadores e principais responsáveis pela salvezza (Sorrentino, Vázquez e Gilardino) pioram ainda mais a situação dos sicilianos. Alerta vermelho.

Com a saída de tantos jogadores importantes, o peso fica nas costas de jogadores que são jovens, mas que tem boa qualidade técnica – isto é, se não forem vendidos até o fechamento da janela. Goldaniga, Hiljemark, Lazaar, Chochev e Embalo são bons coadjuvantes, mas há muitas dúvidas sobre a capacidade (psicológica, sobretudo) que eles têm para carregar uma frágil equipe nas costas. Para completar, o goleiro Posavec é bem inexperiente e não há goleiros de lastro para fazer sombra para ele. A combinação de fatores perigosos para o time do intempestivo presidente Maurizio Zamparini combinam com o gênio do cartola: uma bomba-relógio prestes a estourar.

Pescara


Cidade: Pescara (Abruzzo)
Estádio: Adriatico (20.515 lugares)
Fundação: 1936
Apelidos: Biancazzurri, Delfini
Principais rivais: Lazio, Roma, Ancona e Ascoli
Participações na Serie A: 7
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 12ª colocação)
Na última temporada: 4ª posição na Serie B; promovido através dos play-offs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Massimo Oddo (3ª temporada)
Destaque: Gianluca Caprari
Fique de olho: Rey Manaj
Principais chegadas: Bryan Cristante (v, Palermo), Rey Manaj (a, Inter) e Albano Bizzarri (g, Chievo)
Principais saídas:  Gianluca Lapadula (a, Milan), Rolando Mandragora (v, Juventus) e Daniele Verde (mat, Avellino)
Time-base (4-3-3): Bizzarri (Fiorillo); Zampano (Crescenzi), Fornasier, Gyömbér (Zuparic), Biraghi; Verre, Cristante (Brugman), Memushaj; Benali, Manaj (Cocco), Caprari.

De volta à elite após o rebaixamento de 2013, o pequeno Pescara tenta se superar para não ser um time ioiô – somente uma vez os golfinhos não foram rebaixados após conquistarem o acesso. O tetracampeão Oddo é o treinador dos biancazzurri há mais de dois anos e conhece bem o elenco, que ganhou poucos reforços de peso – com exceção de Bizzarri, chegaram somente jovens de potencial –, mas pratica um futebol ofensivo e bem organizado. Pode surpreender na elite.

A equipe do Abruzzo perdeu sua principal peça, o ítalo-peruano Lapadula, artilheiro da última Serie B, e pode precisar reforçar o ataque, ainda que Manaj tenha demonstrado ter futuro com a camisa da Inter. O setor mais forte do time, o meio-campo, perdeu o ótimo volante Mandragora, que retornou à Juve após empréstimo, mas pode se virar bem com a força de Memushaj e os talentosos Verre, Brugman e Cristante. A lógica é tentar arrancar bem na primeira parte da Serie A, acumular uma gordurinha e se reforçar pontualmente em janeiro para buscar uma histórica permanência.

Roma


Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (70.634 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 84
Títulos: três
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Alisson, Bruno Peres, Juan Jesus, Emerson Palmieri e Gerson
Técnico: Luciano Spalletti (2ª temporada)
Destaque: Francesco Totti
Fique de olho: Abdullahi Nura
Principais chegadas: Alisson (g, Internacional), Juan Jesus (z, Inter) e Thomas Vermaelen (z, Barcelona)
Principais saídas: Seydou Keita (v, El-Jaish), Lucas Digne (le, Barcelona) e Miralem Pjanic (m, Juventus)
Time-base (4-3-3): Szczesny (Alisson); Florenzi (Bruno Peres), Manolas, Juan Jesus (Fazio), Vermaelen; Nainggolan, De Rossi, Strootman (Paredes); Salah, Perotti (Totti, Dzeko), El Shaarawy.

Desde que Spalletti voltou à Roma, o time subiu muito de produção. A Loba chega em 2016-17 sem quatro jogadores importantes – Pjanic, Digne, Keita e Maicon –, mas dá a impressão de que pode crescer coletivamente e atingir a maturidade em seu futebol. Sem o armador bósnio para tirar coelhos da cartola, a diretoria parece confiar na recuperação de Strootman, na boa temporada de Paredes pelo Empoli e em minutos dados a Gerson, contratado junto ao Fluminense.

As características do meio-campo romano tendem a mudar bastante sem Pjanic. A expectativa é de que a equipe tenha muita força e passes curtos no setor, enquanto o ataque deve garantir muita velocidade, trocas de posição e gols – isso quando Dzeko não estiver em campo, claro. Velocidade e espírito lutador, aliás, devem ser a tônica da equipe em outros setores, já que Florenzi e Bruno Peres devem voar pela lateral direita e Manolas e Juan Jesus são defensores bastante rápidos. Tudo isso para que Totti, em seu último ano como jogador, aproveite os minutos que receberá para desequilibrar e balançar as redes o máximo que puder.

Sampdoria


Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 60
Títulos: um
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco:  Dodô
Técnico: Marco Giampaolo (estreante)
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Patrik Schick
Principais chegadas: Bruno Fernandes (mat, Udinese), Karol Linetty (m, Lech Poznan) e Luca Cigarini (m, Atalanta)
Principais saídas: Roberto Soriano (m, Villarreal), Fernando (v, Spartak Moscou) e Lorenzo De Silvestri (ld, Torino)
Time-base (4-3-1-2): Viviano; Sala (Pedro Pereira), Silvestre, Skriniar, Dodô (Regini); Linetty, Cigarini, Barreto (Ivan); Bruno Fernandes (Álvarez); Muriel, Quagliarella.

Depois de sofrer mais do que o devido na última Serie A, a Sampdoria espera fazer uma campanha tranquila, visando ocupar a parte superior da tabela. Mas, ainda assim, não há tanta tranquilidade nos bastidores, visto que Cassano foi barrado e não deve permanecer, mesmo tentando buscar um acordo com a diretoria – ele gosta bastante de atuar em Gênova e gostaria de encerrar a carreira pelo clube.

Giampaolo é o novo técnico, substituindo Montella, e chega à equipe após o sucesso com o Empoli. Seu grande objetivo é se consolidar como treinador de gabarito no país, repetindo o futebol atrativo que desenvolveu na Toscana. Para tal, além de Cassano, ele não terá à disposição alguns jogadores importantes da última campanha, como os selecionáveis Soriano e De Silvestri e o bom volante Fernando. Reconstruída, a equipe blucerchiata muda as características de seu meio-campo, que ganha em cadência e geometria com Cigarini e Linetty, e mais velocidade à frente, com o trequartista Bruno Fernandes. A entrosada dupla formada por Muriel e Quagliarella promete ser uma das mais prolíficas de todo o campeonato.

Sassuolo


Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Città del Tricolore (23.717 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 4
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Eusebio Di Francesco (5ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Stefano Sensi
Principais chegadas: Stefano Sensi (m, Cesena), Luca Mazzitelli (m, Brescia) e Alessandro Matri (a, Lazio)
Principais saídas: Sime Vrsaljko (ld, Atlético de Madrid), Nicola Sansone (a, Villarreal) e Alessandro Longhi (le, Pisa)
Time-base (4-3-3): Consigli; Gazzola (Letschert), Cannavaro, Acerbi, Peluso; Missiroli (Sensi, Pellegrini), Magnanelli, Duncan; Berardi, Matri, Defrel (Politano).

Será possível para o Sassuolo repetir o feito histórico da última temporada? A equipe emiliana vem de uma ótima 6ª posição e de classificação à sua primeira competição europeia, quando poucos acreditavam que algo assim pudesse acontecer e não seria obra do acaso  se os neroverdi voltassem a ocupar a parte mais alta da tabela. O grande objetivo para o time treinado por Di Francesco é se manter na elite outra vez, mas os neroverdi já se acostumaram a ter ambições maiores e a superarem a si mesmos.

O foco do mercado era manter Berardi, seu grande craque, e isso foi cumprido, embora a segunda peça do tridente tenha sido vendida: depois de Zaza, Sansone foi atuar em uma equipe de maior expressão. Para compensar a saída, a diretoria neroverde aposta em um atacante experiente e que rende bem em times menos badalados: titular e com bons garçons, Matri terá a oportunidade de voltar a ser o goleador dos tempos de Cagliari. Se ainda falta repor a saída do ótimo lateral Vrsaljko, o meio-campo emiliano deve ser envolvente, com o talentoso Sensi fazendo o contraponto à força física do trio Missiroli, Magnanelli e Duncan. Ele pode dar qualidade técnica e assumir o papel de regista que falta ao time de Di Francesco.

Torino


Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico de Turim (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Participações na Serie A: 73
Títulos: sete
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Danilo Avelar e Leandro Castán
Técnico: Sinisa Mihajlovic (estreante)
Destaque: Andrea Belotti
Fique de olho: Sasa Lukic
Principais chegadas: Adem Ljajic (a, Inter), Iago Falqué (a, Roma) e Lorenzo De Silvestri (ld, Sampdoria)
Principais saídas: Ciro Immobile (a, Lazio), Kamil Glik (z, Monaco) e Bruno Peres (ld, Roma)
Time-base (4-3-3): Padelli; De Silvestri (Zappacosta), Maksimovic (Rossettini), Moretti (Castán), Molinaro (Avelar); Acquah (Benassi), Vives, Baselli; Iago, Belotti, Ljajic.

O ciclo Ventura acabou, mas o Torino promete continuar sendo um time sólido e capaz de brigar por vagas em competições europeias. Os grenás perderam para a seleção italiana o treinador que liderava uma equipe da Serie A por mais tempo (cinco anos), mas mostraram ambição ao anunciar Mihajlovic como seu substituto. Algo interessante para a gestão do presidente Urbano Cairo, que tem conseguido reerguer o Toro passo a passo e, mais uma vez, dá condições para que o time do Piemonte possa incomodar os mais ricos e competir por vaga europeia. 

O treinador sérvio precisará administrar perdas importantes, como as do artilheiro Immobile, do capitão e líder da zaga Glik e do motorzinho Bruno Peres. A partir disso, Miha terá que mostrar sua habitual competência para renovar os ânimos dos grenás, reconstruindo o time a partir de um bom material humando: os sólidos De Silvestri, Leandro Castán, Baselli e os talentosos Falqué e Ljajic – além de Maksimovic, que pode acabar negociado. O grande destaque da trupe de Turim é o jovem artilheiro Belotti, que tem tudo para crescer ainda mais nesta temporada e buscar seu espaço na seleção.

Udinese


Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)

Estádio: Friuli (25.144 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Participações na Serie A: 44
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Danilo, Felipe, Samir, Edenílson, Lucas Evangelista, Ryder Matos e Ewandro
Técnico: Giuseppe Iachini (estreante)
Destaque: Danilo
Fique de olho: Andrija Balic
Principais chegadas: Rodrigo De Paul (mat, Racing), Ewandro (a, Atlético-PR) e Adalberto Peñaranda (a, Granada)
Principais saídas: Antonio Di Natale (a, sem clube), Bruno Fernandes (mat, Sampdoria) e Zdravko Kuzmanovic (m, Málaga)
Time-base (3-5-2): Karnezis; Heurtaux (Angella), Danilo, Felipe (Samir); Widmer (Edenílson), Badu (Fofana), Lodi, Hallfredsson (Kone), Adnan (Armero); Zapata, Théréau (Peñaranda, De Paul).

Não espere ver a Udinese brilhar após a saída de Di Natale. O craque era um dos únicos focos de talento de uma equipe que tem decaído anos após ano e que, mais uma vez, ficará contente se não cair para a segunda divisão. As chances de o belo novo estádio Friuli sediar partidas da Serie B cresceram muito depois que o presidente Giampaolo Pozzo direcionou a maior parte de seus investimentos para Watford e Granada.

Uma das amostras da baixa expectativa para 2016-17 é que o treinador contratado para a temporada é Iachini, especialista em equipes da parte baixa da tabela. A equipe que mais brasileiros têm na Itália (sete, no total) tem no capitão Danilo o líder de uma defesa que deverá ir a campo com três homens e ficar bastante exposta ao longo do ano. Sem Bruno Fernandes e Di Natale, os friulanos contarão com o talento de vários meias-atacantes e atacantes, como De Paul, Ewandro e Peñaranda, mas a dificuldade será encaixá-los no esquema tático. Para garantir a permanência, Iachini terá de achar um lugar para eles no time e fazê-los criar entrosamento com Zapata e Théréau, esperanças de gols.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Jogadores: Dennis Bergkamp

O craque holandês ganhou uma Copa Uefa pela Inter, mas não foi nem de longe
o brilhante artilheiro dos tempos de Arsenal (imago)
Talvez o mais talentoso jogador holandês depois de Marco van Basten, Dennis Bergkamp fez parte da geração pós-Euro 1988, competição em que a Holanda faturou o título. Foi com o atacante que entrou para a história do Arsenal, que a Oranje fez seu melhor desempenho em Copas desde o mítico “Carrossel Holandês” – superado pela geração de 2010 e igualado em 2014. Uma promessa que despontou cedo, nas categorias de base do Ajax, uma das mais promissoras da Europa, que tinha tudo para brilhar no maior campeonato do mundo nos anos 1990, a Serie A. Infelizmente, para a Inter, isso não se confirmou.

Bergkamp subiu ao time principal do Ajax com apenas 17 anos, graças ao aval de Johan Cruyff. Após quatro gols na temporada de estreia, pouco a pouco foi desfilando categoria e belos tentos pelos campos holandeses e de toda a Europa, alcançando a artilharia da liga nacional em três oportunidades – em 1991, anotou 29 gols e dividiu os louros com Romário. Bergkamp ganhou fama por um drible até então único no futebol, na qual chamava dois jogadores para a marcação, segurava a bola entre os pés e pulava no meio deles para sair com a bola à frente.

O jogador batizado em homenagem ao escocês Denis Law rapidamente chegou à seleção holandesa, logo depois da queda repentina da Oranje na Copa do Mundo de 1990. Com apenas 22 anos, o atacante fez parte do time semifinalista na Eurocopa de 1992, ao lado de van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard, e marcou três gols na competição. No mesmo ano, apareceu internacionalmente com o título da Copa Uefa, vencida contra o Torino em finais bastante duras.

A boa impressão deixada com as camisas de Ajax e Holanda chamou a atenção de diversos clubes, entre eles Milan e Barcelona (então treinado por Cruyff), mas foi a Internazionale que levou o atacante, que assinou juntamente com o compatriota Wim Jonk, meia que também atuava pelos Godenzonen. A escolha pela Bota foi uma forma de repetir o sucesso de muitos conterrâneos, segundo o próprio atacante: "Eu sempre tive a vontade de atuar na Itália. Não quis ir ao Milan porque lá já tinha Gullit, van Basten e Rijkaard. Fiquei entre Juventus e Inter e escolhi o time de Milão confiando nas pessoas que me contrataram", disse em 2011, numa entrevista para a revista inglesa Four Four Two.
 
Como era de seu costume, Cruyff deu um pitaco sobre a transferência: à época, ele disse que a escolha do seu pupilo era precipitada, uma vez que o estilo de jogo de Bergkamp "não se encaixava no estilo defensivo do nerazzurri". O jogador, porém, considerou que os sete anos e 122 gols pelo clube de sua cidade eram suficientes para que ele pudesse se adaptar a um esquema de ataque similar ao do Ajax e, então, brilhar na Itália.

Em agosto de 1993, Bergkamp, principal reforço dos nerazzurri, fez sua estreia pela equipe, diante a Reggiana, mas passou em branco. O primeiro gol na Itália só sairia uma semana depois, numa partida ante a Cremonese, antecipando as dificuldades previstas por Cruyff. O holandês não conseguia se entrosar e não tinha um bom relacionamento com o técnico Osvaldo Bagnoli, criticado pelo esquema defensivista e por uma série de erros táticos.

Na Serie A, a técnica do ótimo atacante não foi suficiente para que a parceria com o uruguaio Rubén Sosa desse certo. Bergkamp, terceiro colocado na Bola de Ouro de 1992 e segundo em 1993, fez oito gols no campeonato, mas somente três com a bola rolando – os outros cinco foram de pênalti – e foi afetado pelo momento muito negativo da Inter. Bagnoli foi demitido por conta dos maus resultados e deu lugar a Gianpiero Marini, treinador da equipe sub-20, responsável por conduzir a Beneamata a uma 13ª posição e à permanência na primeira divisão por apenas um ponto. Foi a pior campanha dos nerazzurri em toda a história.

Em nível europeu, porém, a Inter teve o que comemorar – Bergkamp também, visto que oito de seus 18 gols em 1993-94 foram marcados na Copa Uefa. O alto atacante loiro foi o grande destaque dos milaneses na conquista do título continental (segundo na história do clube) e se sagrou artilheiro da competição. Entre os melhores momentos do holandês no torneio, destacam-se a tripletta na primeira fase, contra o Rapid Bucareste, e também os gols fundamentais contra Norwich (oitavas de final) e Cagliari (semifinal).

Melhor momento de Bergkamp com a camisa interista foi na Copa Uefa (Getty)
Na temporada seguinte, Bergkamp não se encontrou em Milão. Quando se esperava que ele se ambientasse mais ao time após o bom desempenho na Copa Uefa e na Copa do Mundo de 1994, o holandês praticamente se apagou. Em uma temporada de baixo rendimento do ataque nerazzurro, em que apenas Sosa foi bem, Bergkamp e Darko Pancev decepcionaram: cada um fez somente quatro gols. Apesar de tudo, a Inter concluiu a Serie A na 6ª posição.

A imprensa italiana era bastante crítica de Dennis, que tinha sido uma contratação badalada, mas não rendia vestindo azul e preto – a pressão se intensificou especialmente após a boa campanha com a seleção holandesa no Mundial de 1994. Sua má relação com a mídia teve como estopim o momento em que o prêmio "Bonde da semana" passou a se chamar "Bergkamp da semana". Definitivamente, seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano.

O clima também não estava bom nos bastidores da Inter, já que Bergkamp potencializou sua fobia por voar nos Estados Unidos e toda uma logística tinha de ser montada ao redor dele. O pavor de viajar de avião se instaurou de vez na vida do atacante quando, um jornalista que viajava junto com o elenco da Holanda brincou que uma bomba estaria a bordo da aeronave, após um problema na decolagem. Desde então, passou a ir aos jogos por meio terrestre ou então deixava de jogar para não ter de viajar. 

Após a compra do clube por Massimo Moratti, em 1995, a saída do holandês foi colocada como possibilidade para a reformulação do elenco. Sem ambiente na Itália e com uma proposta em mãos, Dennis trocou Milão pelo Arsenal, em um negócio que rendeu cerca de 7,5 milhões de libras para os italianos – que ainda lucraram com sua venda. Bergkamp não se importou nem um pouco em ter uma redução salarial por abrir mão de voar.

Os torcedores do Arsenal também não se importaram. Em 11 anos e 423 jogos, entre 1995 e 2006, Dennis Bergkamp marcou 120 gols. Mais que isso, a contratação mais cara do clube à época fez história sob o comando de Arsène Wenger e através de uma fantástica parceria com Thierry Henry. Foi com essa tríade que os Gunners dividiram a soberania da Premier League nos anos 1990 e 2000 com o Manchester United.

Alcançando sua melhor forma com a camisa do Arsenal, Bergkamp foi o grande destaque da seleção holandesa que chegou até as quartas de final da Euro 1996 e às semifinais da Copa de 1998, ocasião em que caiu nos pênaltis para o Brasil. Em 2000, a Holanda sediou a Eurocopa e Bergkamp esteve novamente junto com a Oranje, naquela que foi sua última competição com a laranja. Por ironia do destino, sua seleção foi eliminada nos pênaltis contra a Itália.

O holandês continuou jogando no Arsenal (e fazendo golaços) até se aposentar em 2006, com 37 anos. Em sua autobiografia, ele descartou qualquer possibilidade de seguir carreira como treinador pelo simples fato de jamais querer viajar de avião novamente. Seu único trabalho após pendurar as chuteiras tem sido como auxiliar técnico do Ajax, onde ajuda a formar craques da sua estirpe. Se qualquer um que sair da base da equipe de Amsterdã for 10% do que Bergkamp foi, já teremos um jogador de alto nível.

Dennis Nicolaas Maria Bergkamp

Nascimento: 10 de maio de 1969, em Amsterdã, Holanda
Posição: atacante
Times em que atuou: Ajax (1986-93), Inter (1993-95) e Arsenal (1995-2006)
Títulos conquistados: Campeonato Holandês (1990), Copa da Holanda (1987 e 1993), Copa dos Campeões da Uefa (1987), Copa Uefa (1992 e 1994), Campeonato Inglês (1998, 2002 e 2004), Copa da Inglaterra (1998, 2002, 2003 e 2005) e Supercopa da Inglaterra (1998, 1999, 2002 e 2004)
Seleção holandesa: 79 jogos e 37 gols

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Guia da Serie A 2016-17, parte 1

Depois de uma acirrada disputa na Euro 2016 e no finalzinho dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a a Serie A está de volta. A edição 2016-17 terá início neste sábado, com a partida entre Roma e Udinese, um bom aperitivo para o clássico entre a pentacampeã Juventus e a boa equipe da Fiorentina. Nas primeiras rodadas, as partidas acontecem à noite por causa do forte calor de verão na Europa – uma tentativa de preservar o espetáculo.

A Juve está mais forte do que em anos anteriores e larga como favoritaça a um inédito hexacampeonato, mas também deve direcionar a maior parte de seu foco para a Liga dos Campeões. Em desvantagem, mas tentando tirar proveito da atenção dividida da Velha Senhora, Napoli, Roma e Inter compõem o segundo pelotão da Serie A, enquanto Milan, Fiorentina, Torino, Sassuolo, Lazio e Sampdoria estão um pouco mais atrás. Estas equipes devem brigar por uma vaga em competições europeias.

O mercado de transferências ainda está aberto e, até o fechamento deste guia, são 37 os brasileiros que disputarão a Serie A nesta temporada – desconsiderando Éder, com cidadania italiana, e Thiago Cionek, de cidadania polonesa. Eles estão distribuídos em 15 times do Italiano – somente Chievo, Genoa, Palermo, Pescara e Sassuolo não tem brasileiros – e a Udinese continua sendo o reduto verde e amarelo na Bota, já que sete jogadores do nosso país atuam pelos friulanos.

Os direitos de transmissão da Serie A na TV fechada do Brasil estão divididos entre os canais Fox Sports e ESPN – veja os detalhes desse acordo aqui. Para os "internacionais", a rede italiana Rai International, disponível em algumas operadoras, também transmite os jogos, com narração em italiano. A Coppa Italia e a Supercopa Italiana são exibidas pela ESPN; a Serie B está a cargo do Band Sports.

Acompanhe a primeira parte do nosso guia, com análises de 10 das 20 equipes: em ordem alfabética, começamos com a Atalanta e encerramos com a Juventus.

Atalanta


Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (26.562 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Participações na Serie A: 56
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 13ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Rafael Tolói e Marcos de Paula
Técnico: Gian Piero Gasperini (estreante)
Destaque: Alejandro Gómez
Fique de olho: Franck Kessié
Principais chegadas: Ervin Zukanovic (le, Roma), Bryan Cabezas (mat, Independiente del Valle) e Alberto Paloschi (a, Swansea)
Principais saídas: Gabriel Paletta (z, Milan), Marten De Roon (m, Middlesbrough) e Luca Cigarini (m, Sampdoria)
Time-base (3-4-3): Sportiello; Rafael Tolói, Masiello, Zukanovic; Conti, Carmona (Kessié), Kurtic, Dramé; Cabezas (D’Alessandro), Paloschi (Pinilla), Gómez.

Depois de uma temporada e meia praticando um futebol mais conservador sob a batuta de Edy Reja, a Atalanta vem reinventada para a nova temporada da Serie A. Os nerazzurri buscam um futebol bastante ofensivo e mostraram ousadia ao contratarem Gasperini, histórico técnico do Genoa: a partir do seu famoso 3-4-3, La Dea deve fazer uma temporada tranquila.

O grande desafio do treinador será remontar a base do meio-campo orobico, que organizava o jogo a partir de dois meias centrais negociados na janela – Cigarini e De Roon. Por enquanto, o piemontês promoveu a volta do chileno Carmona ao time titular e tem experimentado Kurtic e a revelação marfinense Kessié no setor. De qualquer forma, a saída de bola dos bergamascos deve partir de seus zagueiros de boa qualidade técnica, que buscarão a ativação de pontas de grande habilidade, como Gómez, um dos destaques do time, e Cabezas, que despontou pelo Independiente Del Valle. De resto, a Atalanta segue liderada pelo goleiro Sportiello (um dos melhores da Serie A e candidato a herdeiro de Gianluigi Buffon) e deve balançar bastante as redes com Pinilla e o repatriado Paloschi.

Bologna


Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (38.279 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Participações na Serie A: 70
Títulos: sete
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Angelo da Costa
Técnico: Roberto Donadoni (2ª temporada)
Destaque: Mattia Destro
Fique de olho: Ádám Nagy
Principais chegadas: Ladislav Krejci (m, Sparta Praga), Blerim Dzemaili (m, Genoa) e Ádám Nagy (m, Ferencváros)
Principais saídas: Emanuele Giaccherini (m, Napoli), Juan Camilo Zúñiga (le, Watford) e Luca Rossettini (z, Torino)
Time-base (4-3-3): Mirante; Mbaye (Maietta), Oikonomou, Gastaldello, Masina; Donsah, Diawara (Nagy), Dzemaili (Taïder); Mounier (Rizzo), Destro, Krejci.

Missão: continuar sendo um dos times mais sólidos do campeonato. O Bologna de Donadoni não é encantador, mas é organizado e cumpre o que o seu técnico propõe. Dessa forma, os rossoblù não devem encontrar grandes problemas para se manterem na elite, mesmo que o elenco ainda tenha algumas lacunas, como no setor defensivo e no meio-campo. Sonhar com vaga na Liga Europa parece fora da realidade, mas os felsinei podem ficar na metade de cima da tabela.

A tradicional equipe emiliana apresentou muitas dificuldades para marcar gols em 2015-16 e não contará com duas opções ofensivas importantes: Giaccherini, um de seus artilheiros, e Rossettini, zagueiro eficiente nas bolas paradas, foram negociados. Por outro lado, os talentosos e jovens Krejci e Nagy juntam-se a Dzemaili, Masina, Donsah e Diawara (este último, se permanecer) como opções interessantes para o aumento do nível técnico dos bolonheses. Se Mirante mantiver a excelente forma das últimas temporadas e Destro cumprir a expectativa de marcar mais que 10 gols na Serie A, teremos um time duro de ser batido na Itália.

Cagliari


Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sant'Elia (16.000 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Casteddu, Isolani
Principal rival: Sassari Torres
Participações na Serie A: 37
Títulos: um
Na última temporada: campeão da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Rafael, João Pedro e Diego Farias
Técnico: Massimo Rastelli (2ª temporada)
Destaque: Diego Farias
Fique de olho: Nicolò Barella
Principais chegadas: Bruno Alves (z, Fenerbahçe), Mauricio Isla (ld, Marseille) e Artur Ionita (m, Verona)
Principais saídas: Antonio Balzano (ld, Cesena), Andrés Tello (m, Empoli) e Marco Fossati (m, Verona)
Time-base (4-3-1-2): Storari; Isla, Bruno Alves, Salamon (Ceppitelli), Murru; Padoin, Dessena (Di Gennaro), Ionita; João Pedro; Sau, Diego Farias.

De volta ao lugar de onde não deveria ter saído, o Cagliari promete corrigir o inesperado rebaixamento de 2014-15 com uma salvezza tranquila na atual temporada. Os sardos dão nova chance ao técnico Rastelli, contestado por não ter conseguido fazer a equipe dominar uma Serie B em que seu time parecia muito superior. Ele terá sua estreia na elite e a oportunidade de dar um salto na carreira.

Os cagliaritanos retornam para a Serie A com um investimento razoável feito pelo presidente Giulini e apostando na experiência. Jogadores rodados e com qualidade, como Isla, Padoin e Bruno Alves foram contratados, algo que deve deixar o time mais cascudo. Foi boa também a contratação de Ionita, que teve passagem pelo rebaixado Verona e interessava ao Napoli. A ambição para se manter na primeira divisão continua passando pelo entrosamento dos técnicos João Pedro, Diego Farias e Sau, e na manutenção de outras peças importantes, como Storari, Dessena e Di Gennaro.

Chievo


Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (39.211 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Verona
Participações na Serie A: 15
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 9ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Rolando Maran (3ª temporada) 
Destaque: Valter Birsa
Fique de olho: Lamin Jallow
Principais chegadas: Stefano Sorrentino (g, Palermo)
Principais saídas: Albano Bizzarri (g, Pescara), Giampiero Pinzi (m, Brescia) e Simone Pepe (m, sem clube)
Time-base (4-3-1-2): Sorrentino; Cacciatore, Gamberini (Spolli), Cesar, Gobbi; Castro, Radovanovic, Hetemaj; Birsa; Meggiorini, Floro Flores (M'Poku).

A ordem é segurar: tanto na janela de transferências quanto na Serie A, o Chievo faz das tripas coração para não ficar em desvantagem em partidas e no mercado. Satisfeita com a 9ª posição na última temporada, a diretoria clivense se esforçou para manter a maioria das principais peças e não fez contratações expressivas.

A rigor, somente uma chegada muda o onze inicial da equipe do técnico Maran, que vai para a terceira temporada em Verona: no gol, saiu o veterano Bizzarri e entrou o veterano Sorrentino. Apesar da boa passagem no Bentegodi, onde jogou por cinco temporadas, o retorno do ex-goleiro do Palermo provocou polêmica entre os torcedores. Esse descontentamento, gerado pela saída do então capitão, deve passar em breve, porque o arqueiro promete ser um dos grandes nomes da equipe na Serie A. Com defesa sólida, time organizado e bons nomes para puxar contra-ataques mais à frente, os Burros Alados devem prosseguir na elite.

Crotone


Cidade: Crotone (Calábria)
Estádio: Ezio Scida (9.547 lugares)
Fundação: 1910
Apelidos: Rossoblù, Pitagorici, Squali
Principais rivais: Catanzaro e Reggina
Participações na Serie A: estreante
Títulos: nenhum
Na última temporada: 2ª posição na Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Claiton
Técnico: Davide Nicola (estreante)
Destaque: Bruno Martella
Fique de olho: Leonardo Capezzi
Principais chegadas: Federico Ceccherini (z, Livorno), Marcus Rohdén (m, Elfsborg) e Aleksandar Tonev (mat, Frosinone)
Principais saídas: Mihai Balasa (ld, Trapani), Federico Ricci (m, Roma) e Ante Budimir (a, Sampdoria)
Time-base (3-4-3): Cordaz; Ceccherini, Claiton, Ferrari; Sampirisi (Fazzi), Capezzi, Rohdén (Barberis), Martella; Tonev (Mazzarani), Palladino, Stoian (Simy).

Único caçula desta edição da Serie A, o Crotone já tinha garantido uma enorme surpresa ao subir para a primeira divisão e se dará por satisfeito se conseguir uma histórica permanência. A tarefa será dura para o pequeno clube da Calábria, que está promovendo modificações no estádio Ezio Scida para receber os principais times do país.

Os investimentos modestos dos pitagóricos serão um grande obstáculo para uma equipe que perdeu Ricci e Budimir, importantes jogadores na campanha de acesso, e não trouxe reforços que empolgam. O elenco é frágil e com pouca experiência na elite, mas ao menos o ótimo lateral Martella, que chamou muito a atenção na segundona, permaneceu e deve ser a grande esperança de uma improvável salvezza. A ver como o time reagirá à troca no comando e a uma nova filosofia de futebol: o técnico Juric, responsável pelo acesso, foi para o Genoa e foi substituído por Nicola, de características mais defensivas. Isto promete ser o duro golpe para as intenções dos squali.

Empoli


Cidade: Empoli (Toscana)
Estádio: Carlo Castellani (16.800 lugares)
Fundação: 1920
Apelido: Azzurri
Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese
Participações na Serie A: 12
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Matheus Pereira
Técnico: Giovanni Martusciello (estreante)
Destaque: Riccardo Saponara
Fique de olho: Federico Dimarco
Principais chegadas: Manuel Pasqual (le, Fiorentina), Federico Barba (z, Stuttgart) e Alberto Gilardino (a, Palermo)
Principais saídas: Lorenzo Tonelli (z, Napoli), Piotr Zielinki (mat, Napoli) e Leandro Paredes (m, Roma)
Time-base (4-3-1-2): Skorupski; Laurini (Bittante), Costa, Barba (Bellusci), Pasqual (Dimarco); Croce (Tello), Dioussé, Büchel; Saponara; Maccarone (Pucciarelli), Gilardino.

Entra ano, sai ano, e a história é a mesma: após um campeonato fantástico, acima das expectativas, o Empoli precisa iniciar um trabalho com novo treinador. A solução vem de casa mesmo: há 10 anos no clube, Martusciello era o principal assistente técnico azzurro desde 2010 e trabalhou com Sarri e Giampaolo nas boas campanhas de 2014-15 e 2015-16, o que deve garantir que os toscanos continuem com o mesmo estilo de jogo. A inexperiência do comandante pode pesar negativamente, mas é uma aposta válida.

Resta saber como o Empoli reagirá a mais uma reformulação no elenco, que perdeu peças importantes, como Tonelli, Zielinski, Paredes e Mário Rui. Os azzurri ainda garantiram as voltas do goleiro Skorupski e do zagueiro Barba, mas o grande desafio será segurar Saponara, elo de ligação vital a um ataque experiente e que promete incomodar: Maccarone e Gilardino, reforço de peso para a temporada, esperam receber as bolas para marcarem os gols necessários para a salvação. Outras chegadas importantes são as que fortalecem o setor defensivo (Veseli, Pasqual e Dimarco), mas ainda há dúvidas sobre a base do meio-campo, que precisa de reparos. Apesar disso, o Empoli tem boas possibilidades de fazer um campeonato sem sustos.

Fiorentina


Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (43.147 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Participações na Serie A: 79
Títulos: dois
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Gilberto
Técnico: Paulo Sousa (2ª temporada)
Destaque: Josip Ilicic
Fique de olho: Ianis Hagi
Principais chegadas: Carlos Sánchez (m, Aston Villa), Kevin Diks (ld, Vitesse) e Ianis Hagi (mat, Viitorul Constanta)
Principais saídas: Facundo Roncaglia (Celta Vigo), Jakub Blaszczykowski (Wolfsburg) e Manuel Pasqual (le, Empoli)
Time-base (4-2-3-1): Tatarusanu (Dragowski); Tomovic (Diks), Rodríguez, Astori, Alonso; Vecino, Badelj (Sánchez); Bernardeschi, Ilicic, Borja Valero (Tello); Kalinic.

Sem modificações no time titular, a Fiorentina entra em 2016-17 com os mesmos objetivos da campanha anterior: uma vaga em competição europeia. Apesar de a diferença de qualidade técnica da equipe violeta ter aumentado em relação a adversários, como Napoli, Roma e Inter, os comandados de Paulo Sousa tem boas condições de alcançarem a parte alta da tabela – precisam não sentir o cansaço demonstrado na segunda parte da última temporada. Para isso, contarão com o ótimo entendimento entre Bernardeschi, Ilicic, Borja Valero e Kalinic, grandes esperanças da equipe.

A timidez dos florentinos no mercado se justifica pela tentativa de manutenção da equipe da última temporada – amostras disso é que houve esforço para garantir a permanência de Tello e que, por outro lado, Gómez e Rossi não foram aproveitados após retornarem de empréstimo. As saídas de Pasqual, Roncaglia e Kuba são importantes, mas não devem pesar, já que o elenco extenso dos toscanos deve compensar. A diretoria ainda contratou os promissores Toledo, Dragowski, Diks e Hagi, que não devem assumir protagonismo imediato na equipe, mas podem ganhar minutos durante o ano. Quem chega para brigar por vaga é o colombiano Sánchez, reforço mais pesado dos gigliati.

Genoa


Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Participações na Serie A: 50
Títulos: nove
Na última temporada: 11ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Ivan Juric (estreante)
Destaque: Leonardo Pavoletti
Fique de olho: Giuseppe Panico
Principais chegadas: Lucas Ocampos (a, Marseille), Miguel Veloso (v, Dynamo Kyiv) e Santiago Gentiletti (z, Lazio)
Principais saídas: Suso (mat, Milan), Cristian Ansaldi (ld, Inter) e Sébastien De Maio (z, Anderlecht)
Time-base (3-4-3): Perin; Izzo, Burdisso (Muñoz), Gentiletti; Fiamozzi, Rincón, Miguel Veloso (Rigoni), Laxalt; Lazovic (Ntcham), Pavoletti, Ocampos.

A era Gasperini chegou ao fim, mas o Genoa segue apostando nos preceitos aplicados por seu antigo treinador. Ex-jogador do clube sob a batuta de Gasperson e auxiliar dele no Marassi, o croata Juric foi contratado pelos rossoblù após ser o comandante do acesso do Crotone para a Serie A. Com a mesma ideia de jogo e filosofia do antecessor, o ex-volante não deverá fazer grandes mudanças e no máximo buscará uma variação do 3-4-3 para uma eventual defesa a quatro.

Os grifoni perderam jogadores importantes, como Suso, Ansaldi, Cerci, Dzemaili e De Maio, e estão com elenco menos capacitado que o de 2015-16, mas não devem sofrer para ficar no meio da tabela, uma vez que Perin, Izzo, Rincón e Laxalt são protagonistas que permaneceram no Marassi. Ocampos não vem em boa fase, mas há expectativa para que o argentino faça um tridente interessante com o goleador Pavoletti e o o habilidoso e forte Ntcham, no seu último ano de empréstimo em Gênova: o francês do Manchester City teve bons momentos com Gasperini, mas eventualmente perdeu espaço e pode recuperá-lo com Juric.

Inter


Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus 
Participações na Serie A: 85
Títulos: 18
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Miranda e Felipe Melo
Técnico: Frank De Boer (estreante)
Destaque: Mauro Icardi
Fique de olho: Axel Bakayoko
Principais chegadas: Éver Banega (m, Sevilla), Caner Erkin (le, Fenerbahçe) e Antonio Candreva (mat, Lazio)
Principais saídas: Juan Jesus (z, Roma), Alex Telles (le, Porto) e Adem Ljajic (a, Torino)
Time-base (4-2-3-1): Handanovic; Ansaldi, Miranda, Murillo, Erkin (Nagatomo, D’Ambrosio); Medel, Kondogbia; Candreva (Brozovic), Banega, Perisic; Icardi.

Nos primeiros dias da intertemporada alguns apressadinhos acharam que a Inter poderia competir pelo título após as contratações a baixo custo de Banega, Erkin e Ansaldi e a chegada do grupo Suning ao comando do clube. No entanto, as expectativas ficaram redimensionadas por causa de uma pré-temporada obscura, com resultados e futebol muito ruins, além de incertezas de mercado: a novela Icardi parece resolvida, ao passo que Mancini, em desacordo com a estratégia de contratações da equipe, acabou tendo o contrato tardiamente rescindido. Frank De Boer foi aunciado duas semanas antes do início da Serie A, não teve tempo de maturar seu trabalho e não terá oportunidade de se adaptar pouco a pouco a sua nova realidade. Sai com a vantagem de não ter desgates com o elenco e, a médio prazo, o tetracampeão holandês parece uma boa opção.

Embora esteja envolta em um momento de dúvidas que pode atrasar a evolução da equipe, a Beneamata está com elenco mais forte do que em 2015-16. Handanovic e Icardi continuam sendo os elos fortes da equipe, que ainda precisa de reforços pontuais para o centro de zaga. O time promete brigar mais pelas vagas na Champons porque pode ter solucionado dois crônicos problemas: as laterais ganham solidez com os eficientes Ansaldi e Erkin, enquanto o meio-campo, que só foi capaz de lampejos na última temporada, ganha muita qualidade com as chegadas de Banega e Candreva. Adaptados, Kondogbia e Perisic tendem a ser ainda mais importantes para a equipe nerazzurra na busca pelo retorno à Liga dos Campeões depois de cinco anos de ausência.

Juventus


Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Stadium (41.475 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri, Zebras e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Participações na Serie A: 84
Títulos: 32
Na última temporada: campeã
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Neto, Alex Sandro, Daniel Alves e Hernanes
Técnico: Massimiliano Allegri (3ª temporada)
Destaque: Paulo Dybala
Fique de olho: Marko Pjaca
Principais chegadas: Gonzalo Higuaín (a, Napoli), Miralem Pjanic (m, Roma) e Daniel Alves (ld, Barcelona)
Principais saídas: Paul Pogba (m, Manchester United), Álvaro Morata (a, Real Madrid) e Juan Guillermo Cuadrado (mat, Chelsea)
Time-base (3-5-2): Buffon; Barzagli (Benatia), Bonucci, Chiellini; Daniel Alves (Lichtsteiner), Khedira, Pjanic, Marchisio (Pjaca), Evra (Alex Sandro); Dybala, Higuaín.

Um time que perde Pogba e ainda assim está mais forte é um time fantástico. Favorita absoluta a um inédito hexacampeonato italiano e candidata ao título da Liga dos Campeões, a Velha Senhora é capaz de nadar de braçadas mais uma vez na Serie A. Ambicioso, o time treinado por Allegri foi atrás de estrelas de nível mundial, como Daniel Alves, e de alguns dos melhores jogadores da última temporada, como Higuaín e Pjanic, craques de equipes concorrentes. Mesmo a chegada de Benatia pode ser vista como tentativa de enfraquecer os adversários, já que o marroquino estava na mira de oponentes da Juve.

Tal qual na última temporada, os bianconeri talvez precisem de um tempo para se entrosarem, mas não mudarão muito a forma de jogar. Pjanic, Pjaca, Hernanes, Khedira e Marchisio tem qualidade o suficiente para formarem uma linha de meio-campo interessante, prescindindo de um craque como Pogba. Claro que a genialidade, a movimentação e o poder de decisão do francês farão falta, sobretudo se Pjanic e Higuaín (especialmente o maior artilheiro de uma edição da Serie A) não repetirem o que mostraram com as camisas de Roma e Napoli. Difícil, não? Afinal, a expectativa é que a dupla Dybala-Higuaín funcione às maravilhas com a contribuição do meia bósnio. A grande quantidade de estrelas decisivas continua na defesa, uma vez que Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini ainda formam a melhor defesa do futebol mundial – e olha que Benatia e Rugani devem ganhar muitos minutos em 2016-17. Alguém bate esse timaço?

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Brasileiros no Calcio: Geovani

Joia vascaína, Geovani jogou somente um ano na Itália (Facebook)
O futebol italiano é conhecido pela longevidade que alguns jogadores desenvolveram em seus clubes. No entanto, nem todos os atletas que demonstraram algum brilho individual na Serie A foram homens de um clube só ou se tornaram bandeiras das cores que defenderam. O brasileiro Geovani, ídolo do Vasco, só atuou um ano na Itália e, mesmo irregular, foi querido pela torcida do Bologna.

Nascido em Vitória, capital do Espírito Santo, Geovani foi um garoto prodígio: o meio-campista começou nas categorias de base da Desportiva e, logo aos 16 anos, estreou pelo clube capixaba. Não demorou para que ele seguisse os passos de tantos conterrâneos e fosse morar no estado vizinho, o Rio de Janeiro. O Vasco, atento aos talentos espírito-santenses, assegurou a contratação de Geovani em 1982, quando ele ainda tinha 18 anos.

Em São Januário, Geovani se tornou o Pequeno Príncipe. Em sete anos pelo cruz-maltino, o meia ganhou a torcida com a conquista de seis certames estaduais – três campeonatos cariocas, em 1982, 1987 e 1988 –, bom desempenho no Brasileirão e por causa de sua enorme habilidade e classe dentro de campo. Logo na conquista de sua primeira taça, ele deu um chapéu em Zico no jogo decisivo, algo que lhe deu moral e abriu as portas para que ele se tornasse o dono do meio-campo vascaíno dali para frente.

O ídolo do Gigante da Colina no Brasileirão também atuou pela seleção brasileira, com a qual disputou 23 jogos, com cinco gols marcados. No entanto, os melhores momentos do jogador vestindo verde e amarelo foi com as equipes de base: foi campeão mundial sub-20 e eleito o melhor da competição em 1983 e, como titular, conquistou a prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. O reconhecimento em solo nacional e internacional fez com que ele contrariasse a história de uma das equipes mais antigas da Itália: o Bologna não tinha tradição de dar espaço para brasileiros em seu elenco, mas cedeu ao talento de Geovani.

A equipe do estádio Renato Dall'Ara apostava que o meia-atacante repetiria na Emília-Romanha os momentos que fizeram com que ele se tornasse um dos jogadores mais adorados pela torcida cruz-maltina. Geovani foi contratado pelo presidente Gino Corioni para dar classe a um time com alguns bons e veteranos jogadores, como Bruno Giordano, Antonio Cabrini e Massimo Bonini. Durante a única temporada em que jogou na Itália, o capixaba ajudou os felsinei a alcançarem a oitava posição na Serie A e a classificação à Copa Uefa. O Pequeno Príncipe até conseguiu repetir a boa forma dos tempos de Vasco, mas somente em alguns momentos.

Os lampejos de Geovani se devem, basicamente, às dificuldades que ele teve em manter o peso – lendas urbanas de Bolonha dão conta de que o jogador ficou viciado em tortellini, uma massa à base de ovos, típica da cidade. O brasileiro atuou em 27 jogos, mas foi escalado como titular em apenas 18 – dos quais, permaneceu até o fim em somente sete. Apesar disso, um dos grandes momentos do Pequeno Príncipe vestindo rossoblù foi o golaço que decidiu o Dérbi dos Apeninos, contra a Fiorentina.


No fim da participação bolonhesa na Serie A, Geovani acabou sendo negociado com o Karlsruher, da Alemanha, mas também atuou poucas vezes pelo clube azulino. Após dar uma mão e ajudar o KSC a não ser rebaixado, o Pequeno Príncipe foi repatriado pelo Vasco e voltou à Colina. Bicampeão estadual, o camisa 8 vascaíno ainda teve uma nova experiência no exterior entre 1993 e 1994, com a camisa do Tigres. Em 1995, o meia-atacante retornou a São Januário para, aos 31 anos, ter sua terceira e última passagem pelo clube: ao todo, o ídolo fez 408 jogos e marcou 49 gols com a camisa do Vasco.

Geovani esticou a carreira profissional até os 38 anos, mas sem se destacar – atuou por ABC-RN, XV de Jaú-SP e em seis equipes capixabas. Após encerrar as atividades como jogador, Geovani teve sua importância reconhecida pelo Bologna mesmo tendo passado apenas um ano na Emília-Romanha: querido pela torcida, participou das festividades pelo centenário do clube, em 2009.

Fora dos campos, ele adentrou na política e conseguiu se eleger deputado estadual pelo Espírito Santo, em 2006, mas viveu um calvário em sua vida pessoal. Entre 2005 e 2012, o capixaba lutou contra um câncer na coluna e a polineuropatia, um distúrbio neurológico que ataca nervos periféricos do organismo. Por causa das doenças, teve os movimentos comprometidos, mas após vencer a batalha, o Pequeno Príncipe vive bem em Vila Velha, no estado em que nasceu.

Geovani Faria da Silva
Nascimento: 6 de março de 1964, em Vitória (ES)
Posição: meia
Clubes: Desportiva (1978-81, 1998 e 2000), Vasco da Gama (1982-89 e 1991-93 e 1995), Bologna (1989-90), Karlsruher (1990-91), Tigres (1993-94), ABC (1996), XV de Jaú (1996), Rio Branco (1997 e 2000), Linhares (1998), Serra (1999), Tupy-ES (2000-2001) e Vilavelhense (2002)
Títulos: Mundial Sub-20 (1983), Copa América (1989), Prata Olímpica (1988), Campeonato Carioca (1982, 1987, 1988, 1992 e 1993), Taça Guanabara (1986, 1987 e 1992), Taça Rio (1988, 1992 e 1993) e Campeonato Capixaba (1981, 1998, 1999 e 2000)
Seleção brasileira: 23 jogos e 5 gols

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Jogadores: Ariel Ortega

Burrito Ortega chegou a Itália em grande fase, substituiu Verón em dois clubes, mas não emplacou (Taringa)
O futebol da Itália e o da Argentina têm uma ligação centenária. Nosso vizinho é o país que mais exportou jogadores para a Bota em toda a história – quase 400 – e alguns dos principais atletas portenhos atuaram na Serie A. No entanto, nem todos tiveram a regularidade necessária para brilhar no campeonato. Ariel Ortega teve seus bons momentos, mas foi um dos que seguiram esta sina.

O Burrito nasceu em Ledesma, na distante província de Jujuy, próxima às fronteiras da Argentina com Chile e Bolívia. No entanto, descoberto pelo River Plate, foi na capital do país que Ortega iniciou: alçado ao time principal dos millionarios em 1991, por Daniel Passarella, o enganche nunca mais perdeu a posição no meio-campo da equipe e foi tricampeão do Apertura. 

Graças a isto, El Burrito passou a ser notado pelas seleções argentinas – a principal e a de base. Estreou pela albiceleste em 1993, foi convocado por Alfio Basile para a Copa do Mundo de 1994 e substituiu Diego Maradona, suspenso por doping. Ele se consolidou na seleção com a chegada de Passarella ao comando e, em 1995, venceu os Jogos Pan-Americanos e foi vice da Copa das Confederações. No ano seguinte, faturou a prata olímpica e conquistou suas maiores glórias também em nível de clubes.

De volta ao River, já sob o comando de Ramón Díaz, Ortega fez parte de uma equipe histórica dos millionarios, ainda em 1996. Formando um quarteto fantástico com Marcelo Gallardo, Enzo Francescoli e Hernán Crespo, o habilidoso meio-campista ajudou La Banda a faturar mais um título argentino e também uma Copa Libertadores, batendo o América de Cali na final. Após o vice-campeonato mundial diante da Juventus, no mesmo ano, El Burrito foi atuar no futebol europeu: assinou com o Valencia.

Na Espanha, Ortega teve dificuldades de se firmar no time titular, muito por causa de uma relação ruim com o técnico Claudio Ranieri: o romano não confiava no jogador por causa de seu comportamento extracampo. Após um ano e meio sem ter sido muito utilizado – foram 29 jogos, com nove gols marcados – o meia-atacante ainda recebeu a camisa 10 na campanha da Argentina na Copa de 1998, mas não pode evitar a eliminação nas quartas de final contra a Holanda. Logo após o mundial da França, El Burrito se transferiu para a Itália, país em que vestiria a camisa da Sampdoria.

Ortega chegou a Gênova para substituir o compatriota Juan Sebastián Verón, que fez grande temporada em 1997-98 e foi vendido ao Parma. Apesar de ter sido contratado como herdeiro de La Brujita, o enganche de Jujuy foi utilizado pelo técnico Luciano Spalletti como parceiro de ataque de Vincenzo Montella e rendeu bastante na função. 

El Burrito anotou oito gols ao longo do campeonato, incluindo um golaço por cobertura contra a Inter e outra pérola, em cobrança de falta contra a Juventus. Além disso, o camisa 10 foi responsável por muitas assistências para Montella. Embora a dupla tenha mostrado entrosamento, a Samp não vivia um momento muito bom e foi rebaixada por apenas dois pontos.

O meia-atacante argentino teve bons momentos na Samp, mas não evitou rebaixamento (La Nación)
O argentino não permaneceu para disputar a Serie B: se transferiu para o Parma, outra vez ocupando a lacuna deixada pela saída de Verón. O meia-atacante, no entanto, não teve nem de longe o mesmo protagonismo no clube emiliano, não aproveitou o entrosamento com Crespo e só jogou 18 partidas com a camisa gialloblù, nas quais anotou três gols. Ofuscado por Mario Stanic, Johan Walem e Marco Di Vaio, o Burrito optou por retornar à Argentina ao final da temporada. Para qual time? O River Plate, é claro.

De volta a seu time do coração, Ortega editou uma nova versão do quarteto fantástico millionario, ao lado de Pablo Aimar, Javier Saviola e Juan Pablo Ángel e conquistou mais títulos pela equipe do estádio Monumental. Ainda em alta, El Burrito foi convocado para a Copa de 2002, mas caiu junto com a albiceleste na primeira fase.

A partir de então, Ortega rodou por uma série de clubes. Logo após o Mundial, ele foi negociado com o Fenerbahçe, mas não se adaptou à Turquia: em fevereiro de 2003 ele não se reapresentou após uma data Fifa e quis quebrar o contrato com a equipe azul e amarela. Processado pelo clube de Istambul, ele foi punido pela entidade máxima do futebol e só voltou aos gramados em meados de 2004, quando assinou pelo Newell's Old Boys, dirigido por Américo Gallego, uma de suas referências no esporte.

Em dois anos com a camisa leprosa, Ortega teve certo destaque e venceu um torneio Apertura. Em nova boa fase, o enganche foi contratado outra vez pelo River Plate, mas alguns meses depois de estrear, precisou ser internado para desintoxicar-se: sofrendo de alcoolismo, teve uma recaída e viu o problema afetar seu rendimento, como outras vezes na carreira. Foi internado em janeiro de 2007 e, em março, o técnico Passarella o reintegrou ao elenco.

O meia-atacante ainda ficou em La Banda até 2008, ano em que venceu um torneio Clausura, e chegou a ser capitão do time durante a gestão de Diego Simeone. Por causa de seus problemas pessoais e comportamento antiprofissional, El Burrito foi emprestado ao Independiente Rivadavia em 2008, mas logo no ano seguinte retornou para sua última passagem por um dos maiores times do país. Em dois anos, porém, seu declínio físico ficou notório e a irregularidade dava o tom: alternava golaços e boas atuações com partidas abaixo da média. Ainda assim, ganhou sua última convocação para a seleção em 2010, para um amistoso contra o Haiti.

Na reta final da carreira, El Burrito Ortega atuou por equipes pequenas, como All Boys e Defensores de Belgrano – time da terceira divisão, seu último como profissional. O enganche poderia ter pendurado as chuteiras em alta, mas rejeitou uma oferta de Matías Almeyda, seu ex-companheiro de River, e não quis integrar a comissão técnica dos millionarios na temporada 2011-12. Como tantos craques, preferiu continuar jogando, mesmo em campeonatos de baixa qualidade e sem ter a mesma forma física de outrora. Nada apaga, porém, sua qualidade e ótima marca: em 704 partidas, anotou 147 gols profissionalmente.

Arnaldo Ariel Ortega
Nascimento: 4 de março de 1974, em Ledesma, Argentina
Posição: meia-atacante
Clubes: River Plate (1991-96, 2000-02, 2006-08 e 2009-11), Valencia (1997-98), Sampdoria (1998-99), Parma (1999-2000), Fenerbahçe (2002-03), Newell's Old Boys (2004-06), Independiente Rivadavia (2008-09), All Boys (2011) e Defensores de Belgrano (2011-12)
Títulos: Apertura (1991, 1993, 1994, 1996 e 2004), Clausura (2002 e 2008), Copa Libertadores (1996), Supercoppa Italiana (1999), Jogos Pan-Americanos (1995) e Prata Olímpica (1996)
Seleção argentina: 87 jogos e 16 gols