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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os uniformes da Serie A 2017-18

Na próxima temporada da Serie A, as novidades serão o novato Benevento, o retorno da Spal após quase cinco décadas e o Hellas Verona, que bateu na segundona e logo voltou. Porém, outra novidade é o domínio da Macron na produção de material esportivo dos clubes da elite. Desde o início deste século no mercado do futebol, a marca bolonhesa cresce bastante, desde que o fornecimento de uniformes ao Napoli lhe abriu as portas, e hoje conta com três times campeões no seu portfólio: Bologna (desde 2001), Lazio (2012) e Cagliari (2016).

No ano passado, a Macron tinha três equipes representadas, ao lado de Joma, Kappa e Nike, e agora aumenta sua presença para quatro clubes. Para alcançar a superioridade no número de times patrocinados, a marca emiliana foi buscar uma nova cliente a pouco mais de 50 km de sua sede: a Spal, de Ferrara, campeã da última Serie B. A espanhola Joma, por sua vez, perdeu dois clientes, uma vez que Empoli e Palermo foram rebaixados, mas conseguiu um importante contrato com a Atalanta, desiludida com a parceria com a Nike. A gigante americana, por sua vez, conta com o retorno do Verona e se mantém com três clientes na elite – mesmo número da italiana Kappa.

Atualizaremos a postagem conforme forem divulgados novos uniformes.

Atalanta (Joma)
De volta à Europa depois de 26 anos, os nerazzurri de Bérgamo desistiram da parceria com a Nike, decidindo não renovar após a desilusão de materiais repetitivos e pouca presença no mercado. O clube de Antonio Percassi, ex-jogador e hoje importante empresário, assinou com a Joma para ter materiais exclusivos. Sem ousar, a espanhola acertou em cheio com os uniformes da Dea para a próxima temporada.

Foto: Divulgação/Atalanta BC
Benevento (Frankie Garage)
Os uniformes ainda não foram lançados.

Bologna (Macron)
Seguindo a parceria de duas décadas, a Macron manteve as tradicionais listras rossoblù largas, mas inovou com o escudo: trouxe o emblema todo branco sobre fundo azul. A ideia funcionou muito bem na camisa, porém não foi tão bem recebida pelos torcedores. Além do calção branco, outra novidade são os meiões, normalmente azuis, que também serão brancos. Os uniformes alternativos ainda não foram lançados.

Foto: Divulgação/Bologna FC 1909
Cagliari (Macron)
Outro cliente rossoblù da Macron, o Cagliari não costuma inovar nos seu uniforme titular. O novo kit, aliás, não é nenhum segredo: já foi utilizado na última partida da Serie A 2016-17 e na festa de despedida do estádio Sant'Elia, em junho. O estádio será reconstruído e enquanto isso o time jogará na provisória Sardegna Arena, que está sendo levantada no estacionamento da velha praça esportiva.

Foto: Divulgação/Cagliari Calcio
Chievo Verona (Givova)
Aqui uma das grandes novidades: a nova camisa do Chievo não tem as mangas azuis, o que não acontecia desde 2002. A predominância da cor tinha se tornado um padrão do clube gialloblù desde seu segundo ano na Serie A, mas dessa vez a Givova parece ter optado por relembrar as origens dos clivensi. O novo uniforme foi apresentado pela grande contratação do time, o atacante Manuel Pucciarelli, mas nem tudo é novo: a fonte utilizada pela marca é a mesma de 2016-17.

Foto: Divulgação/AC ChievoVerona
Crotone (Zeus Sport)
Os uniformes ainda não foram lançados.

Fiorentina (Le Coq Sportif)
Depois dos belos uniformes da temporada passada, a Le Coq Sportif acertou em cheio novamente com a Fiorentina. Além da tradicional camisa viola, que ganhou novos detalhes na manga e na gola, a fornecedora francesa inovou com o uniforme reserva – ou melhor, os quatro uniformes reservas. As cores branca, vermelha, verde e azul representam quatro bairros de Florença e uma tradição da cidade toscana: o aguerrido Calcio Fiorentino, praticado desde o século 16 por equipes das quatro zonas, identificadas por estas colorações.

Foto: Divulgação/ACF Fiorentina
Genoa (Lotto)
Sem surpresas. A Lotto entregou um uniforme no padrão Genoa, com a tradicional divisão rossoblù na camisa e o resto do kit todo em azul escuro. A novidade fica por conta da fonte do nome e do número, que está muito bonita. O uniforme do goleiro também não tem grandes mudanças, enquanto o segundo, ainda a ser lançado, segue com a listra rossoblù horizontal na altura da barriga e o escudo do clube no centro.

Foto: Divulgação/Genoa CFC
Hellas Verona (Nike)
De volta à Serie A e com direito a reviver a dupla Pazzini-Cassano, o Hellas Verona apresentou seus uniformes de forma muito simpática, reunindo torcedores de diferentes idades que já adquiriram o carnê de ingressos para a temporada. Diferentemente dos últimos anos, a Nike entregou uniformes bastantes simples nas tradicionais cores gialloblù, que remetem aos utilizados em 1985-86, ano seguinte ao inesquecível scudetto da equipe. Além do primeiro (azul) e segundo (amarelo) uniformes, o Verona terá uma terceira opção de camisa: branca, com detalhes auriazuis.

Foto: Divulgação/Hellas Verona FC
Inter (Nike)
A mais longa parceria da Serie A continua a fôlego pleno – embora estremecida com a torcida. A Nike fornece os materiais esportivos da Inter desde 1998 e novamente não agradou os interistas. No uniforme principal, estreado na última rodada da temporada passada, o tradicional nerazzurro voltou, além dos meiões pretos, mas as listras mais parecem um código de barras com as cores do clube.

Foto: Divulgação/FC Internazionale Milano
A segunda camisa é branca e tem outra novidade: as mangas são coloridas; de um lado o azul, do outro, o cinza. O terceiro, que será lançado somente em setembro, deve ser cinza com uma espécie de camuflagem e detalhes em amarelo.

Foto: Divulgação/FC Internazionale Milano
Juventus (Adidas)
Na primeira camisa da Juventus após a mudança da marca e o inédito hexacampeonato, a Adidas entregou um uniforme bastante simples, com listas mais tradicionais e detalhes em dourado, mas que combinaram muito bem com o novo escudo. Os poréns ficam para a estranha disposição dos distintivos do campeonato e da copa e pela utilização de Bonucci, negociado com o Milan, como um dos garotos-propaganda.

Foto: Divulgação/Juventus FC
A maior novidade ficou por conta do segundo uniforme. Em homenagem à bandeira de Turim, a Adidas aposta na volta do amarelo com detalhes em azul, o que não acontecia desde 2013. Esta homenagem é uma marca do clube há muito tempo e esteve em diversas camisas do juventinas nos anos 1980, por exemplo. O terceiro, ainda não lançado, será um tanto estranho: verde escuro e com detalhes em bianconero.

Foto: Divulgação/Juventus FC
Com um verde militar inspirado no desenho de uma torcedora, o terceiro uniforme da Juventus deixou a desejar muito mais pela cor escolhida do que pelo desenho, com uma faixa bianconera na altura do peito, combinando com o novo escudo.

Foto: Divulgação/Juventus FC
Lazio (Macron)
Os novos uniformes da Lazio são um convite ao passado. Além do retorno da patrocinadora Sèleco, que aconteceu já no final da última temporada, a Macron foi muito bem ao resgatar o carismático escudo dos anos 1980 na camisa titular, que tem um desenho muito simples e bonito. O terceiro uniforme, por sua vez, relembra 1999-2000, temporada de centenário do clube, na qual os celestes ficaram com o scudetto e o título da Coppa Italia. Naquele ano, o kit foi utilizado na Liga dos Campeões e, dessa vez, será vestido pelos jogadores na Liga Europa. Um detalhe sobre a camisa é que, por força de um nova regra da Uefa, ela é inteiramente branca na parte de trás.

Foto: Divulgação/SS Lazio
Para o segundo uniforme, lançado por último juntamente com outros dois uniformes para os goleiros - um vermelho e outro laranja, no mesmo padrão do preto titular -, a Macron acertou em cheio mais uma vez com um tom mais escuro do azul em degradê de cima para baixo.

Foto: Divulgação/SS Lazio
Milan (Adidas)
Embalado pela nova direção e por contratações promissoras, o retorno à Europa do Milan será com um belíssimo uniforme produzido pela Adidas. O desenho remete ao auge do clube nos anos 1980 e 1990, com listras vermelhas e pretas mais finas, e com a volta dos calções e meiões em branco. Ou seja, sem confusão no Derby della Madonnina como na última temporada.

Foto: Divulgação/AC Milan
O segundo uniforme também não ousa e terá o tradicional branco com detalhes rossoneri na manga e na gola.

Foto: Divulgação/AC Milan
Já o terceiro é uma criação dos torcedores rossoneri, e o resultado é uma mistura de vários desenhos em uma camisa predominantemente preta com detalhes em vermelho e listras horizontais em cinza.

Foto: Divulgação/AC Milan
Napoli (Kappa)
Enquanto esperamos algum desenho mais ousado no terceiro uniforme do Napoli ainda a ser lançado, a Kappa entregou o principal sem fugir do padrão partenopeo. Dessa vez, um tom um pouco mais claro e também uma gola diferente, além da faixa mais escura na lateral. No geral, mais do mesmo – e assim está excelente.

Foto: Divulgação/SSC Napoli
Roma (Nike)
Utilizado na despedida de Totti, o novo uniforme da Roma tem a volta de um tom de vermelho mais caro ao clube, um pouco mais claro em relação aos primeiros produzidos pela Nike. Além disso, depois de sete anos os meiões retornam ao preto. Mas como nem tudo é boa notícia com a fornecedora americana, a bermuda segue vermelha, e não branca, como tradicionalmente.

Foto: AS Roma
O uniforme reserva dos romanistas será todo branco, exceto pela camisa, que tem algumas listras mais escuras e um desenho um pouco estranho.

Foto: AS Roma
Sampdoria (Joma)
"A camisa mais bonita do mundo" para muitos e para os próprios dorianos, que fizeram questão de registrar a frase na parte interna do uniforme. Em mais um bonito desenho da Joma, a nova camisa da Sampdoria conta o brasão de Gênova estilizado nas cores dos blucerchiati e o escudo aplicado na manga, como já aconteceu algumas vezes em outros uniformes da Samp. Já utilizado na última rodada da temporada passada, o kit principal por enquanto foi o único lançamento do clube.

Foto: Divulgação/UC Sampdoria
Sassuolo (Kappa)
Os uniformes ainda não foram lançados.

Spal (Macron)
Os uniformes ainda não foram lançados.

Torino (Kappa)
Sem 'Il Gallo' Belotti como garoto-propaganda, mas com direito ao sérvio-brasileiro Lyanco, o Torino não traz grandes inovações em seu uniforme. O kit produzido pela Kappa é mais do mesmo, sem nenhuma notável mudança na camisa, exceto por um touro em um tom mais escuro próximo à barra, enquanto o resto segue o mesmo: bermuda branca e meia preta, como a Kappa muito bem voltou a usar desde o ano passado, após algum tempo com o monocromático granata.

Foto: Divulgação/Torino FC
Udinese (HS Sport)
A Udinese ainda não lançou o uniforme principal ou o reserva, mas já se antecipou ao divulgar o terceiro kit. A HS optou por uma versão bianconera, com detalhes em degradé na parte preta do uniforme. 

Foto: Divulgação/Udinese Calcio

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os 11 jogadores que vestiram as camisas dos três gigantes do futebol italiano

Antes de Bonucci, Vieira e Ibrahimovic foram dois dos últimos a completarem passagem pelo trio (The Sun)
O grupo é seletíssimo. Afinal, atuar por Inter, Juventus e Milan não é para qualquer um. Até hoje, dia em que Leonardo Bonucci assina pelos rossoneri, apenas 10 jogadores haviam conseguido tal proeza. Quase todos os que formam a lista são atacantes – algo natural, pois historicamente jogadores ofensivos acabam tendo mais destaque e valor de mercado. Somente três dos antecessores de Bonucci não atuavam nesta posição e Leonardo é o primeiro zagueiro a integrar o time, formado por muitos craques.

No início da história futebolística na Itália não era tão incomum que houvesse trocas entre os times de Milão e Turim – embora fosse difícil que um jogador atuasse pelo trio ao longo de sua carreira. Foi somente com o passar dos anos e com a conquista de uma penca de títulos que Inter, Juve e Milan se estabeleceram como manda-chuvas do futebol da Velha Bota. Luigi Cevenini foi o primeiro a ter a chance de defender os três clubes, nos anos 1920, e dois outros jogadores fariam o mesmo nos anos 1940. Somente após quase cinco décadas, em 1991, um quarto atleta completaria este ciclo. Depois dele, só craques de gabarito mundial tiveram a mesma honra. Confira a lista e, através de um breve perfil, saiba como foram as passagens de todos os jogadores que vestiram as camisas dos gigantes da Itália.

Luigi Cevenini


Posição: atacante
Passagens: Inter (1912-15, 1919-21 e 1922-27), Juventus (1927-30) e Milan (1911-12 e 1915-19)

A família Cevenini foi uma das mais importantes do futebol italiano no início do século XX. Os cinco irmãos, fotografados acima, foram jogadores de futebol e passaram tanto pelo Milan quanto pela Inter. Luigi, conhecido como Cevenini III (ao centro da imagem), foi o melhor do quinteto e também o único que chegou também a defender o branco e preto da Juventus. Atacante veloz e prolífico, Zizì teve, como toda sua família, maior identificação com a Inter: ele faturou um scudetto e também se tornou o quinto maior artilheiro do clube, com 158 gols anotados.

Cevenini III, que ainda disputou 29 partidas e marcou 11 vezes pela seleção da Itália, fez poucos jogos pelo Milan: o motivo foi a I Guerra Mundial, que paralisou o Campeonato Italiano e acontecia na maior parte do tempo em que defendeu os rossoneri. O atacante de longa carreira (aposentou-se aos 43 anos) acertou com a Juve quando tinha 32 anos e, após se tornar o primeiro a vestir as três camisas, teve uma digna passagem pelo clube. Na Velha Senhora, Zizì fez 69 partidas e balançou as redes 22 vezes, tendo seu último destaque em nível nacional.



Posição: atacante
Passagens: Inter (1927-40 e 1946-47), Juventus (1942-43) e Milan (1940-42)

Meazza (à esquerda na foto) é sinônimo de Inter. Afinal, o craque começou e terminou sua trajetória futebolística na Internazionale, que defendeu ao longo de 15 temporadas. Um dos maiores jogadores da história do futebol italiano, Peppìn foi bicampeão do mundo pela Nazionale, sendo o grande jogador da equipe nas duas Copas que disputou. Em uma época em que não havia grandes torneios internacionais de clubes, ganhou três scudetti e foi autor de 245 gols pelos nerazzurri. Além de maior artilheiro da história da Inter, Meazza balançou as redes 33 vezes pela Squadra Azzurra e só foi superado por Luigi Riva, 40 anos depois, como maior goleador da seleção.

Atacante na maior parte da carreira, mas meia em algumas ocasiões, o bon vivant milanês não teve tanto sucesso assim no Milan e na Juventus. A queda de rendimento não se deu por falta de profissionalismo, mas por sequelas de seguidas lesões, que diminuíram o fluxo sanguíneo em seu pé esquerdo. Depois de passar um ano inteiro parado na Inter, ele trocou de lado em Milão, mas não fez muitas partidas e realizou somente nove gols em duas temporadas. Em 1942, Meazza assinou com a Juve e contribuiu com 10 gols para o ataque mais prolífico da Serie A naquela temporada, mas a II Guerra Mundial apareceu para brecar sua recuperação. Após defender Varese e Atalanta, Peppìn voltou à Inter e encerrou sua carreira em 1947.

Enrico Candiani


Posição: meia-atacante 
Passagens: Inter (1938-46), Juventus (1946-47) e Milan (1949-50)

Embora nunca tenha vestido a camisa da Nazionale, Candiani foi importante para o futebol italiano da década de 1940. Valoroso meio-campista e atacante canhoto, ele costumava atuar bem aberto pelo lado esquerdo do gramado, mas fazia seus gols. Por exemplo, foi o único jogador a converter quatro tentos em uma mesma partida contra o Grande Torino e também é um dos 100 maiores goleadores da história da Serie A, com 80 gols anotados. Candiani ainda deixou sua marca 10 vezes no Derby della Madonnina: sete pela Inter e três pelo Milan.

Enrico nasceu em Busto Arsizio, nas cercanias de Milão, e após ser revelado pela Pro Patria, estreou profissionalmente pela Inter, clube pelo qual ganhou um scudetto e uma Coppa Italia. Depois de oito anos na equipe nerazzurra, Candiani se transferiu para a Juventus e marcou 15 gols na campanha do vice-campeonato, em 1946-47, mas não ficou mais tempo no Piemonte. O coração falou mais alto e o meia-atacante optou por assinar com a Pro Patria, que estreava na Serie A: após contribuir para duas permanências na elite, Enrico voltou à capital da Lombardia e, por um ano, foi uma peça de apoio no Milan de Gunnar Gren, Nils Liedholm e Gunnar Nordahl.



Posição: atacante 
Passagens: Inter (1977-78, 1981-82, 1983-84, 1985 e 1987-91), Juventus (1985-87) e Milan (1982-83 e 1991-93)

Serena foi um centroavante bastante requisitado nos anos 1980, mas é lembrado mais pelo seu currículo do que pelos feitos dentro de campo. O atacante faz parte de alguns seletos grupos do futebol italiano: além de ser um dos únicos a terem passado por Inter, Juve e Milan, somente ele e Christian Vieri atuaram pelos dois times de Milão e pelos dois times de Turim. Aldo Serena também é um dos cinco jogadores que venceram scudetti com três camisas diferentes, mas é o único que faturou as taças pelos gigantes.

Centroavante trombador e ótimo no jogo aéreo, Serena chegou à Inter muito cedo e demorou para se firmar no time. Foi emprestado diversas vezes – inclusive ao Milan, quando o time disputou a Serie B, em 1982-83 – e, fora dos planos dos nerazzurri, foi usado como moeda de troca com a Juventus para que a equipe de Milão chegasse ao meia Marco Tardelli. Na Velha Senhora, deslanchou e, além de ser campeão mundial, contribuiu para o título italiano em 1986. Recomprado pela Inter, em 1987, Serena foi titular durante quatro anos, mas se destacou mesmo na impecável campanha do time em 1988-89, quando foi artilheiro da Serie A, com 22 gols, e foi um dos grandes nomes do scudetto dos recordes – além disso, conquistou uma Copa Uefa e uma Supercopa Italiana. Em 1991, voltou ao Milan para compor elenco, mas recheou ainda mais seu currículo, participando da conquista de mais dois scudetti e de uma Supercopa.



Posição: meia-atacante
Passagens: Inter (1998-2000), Juventus (1990-95) e Milan (1995-97)

Um dos maiores craques da história do futebol, Baggio nunca conseguiu se manter durante muito tempo em uma equipe. As exceções foram Fiorentina, Juventus e Brescia: permaneceu por cinco anos nos dois primeiros e por quatro no último. Com personalidade controversa, Robi rendeu menos nos clubes do que o que era capaz: seu temperamento explosivo e a predileção pelo talento individual em lugar do jogo coletivo fizeram com que o Divin Codino frequentemente brigasse com seus treinadores, não fosse tão utilizado e, assim, tivesse algumas portas fechadas. De qualquer forma, Baggio é o sétimo maior goleador da Serie A, com 207 tentos anotados.

O auge da carreira do fantasista vêneto aconteceu com a camisa da Juventus, clube pelo qual ostentou a faixa de capitão e ainda marcou 115 gols – 78 deles na Serie A. Em Turim, ele ainda venceu um scudetto, uma Coppa Italia e uma Copa Uefa, além de prêmios de melhor jogador do mundo pela Fifa e pela France Football (1993). Cedido ao Milan em 1995, para dar espaço ao crescimento de Alessandro Del Piero, Baggio viveu bons e maus momentos em San Siro: foi campeão italiano, mas também chegou a ser reserva de Christophe Dugarry e entrou em atritos com Arrigo Sacchi e Fabio Capello. Baggio precisou jogar no Bologna para ter chances de ir à Copa do Mundo de 1998 e, após fazer uma temporada incrível, teve a chance de jogar na Inter. Na Beneamata, nova frustração: os nerazzurri tinham certo favoritismo, mas a desorganização do clube e a lesão de Ronaldo impediram voos maiores e que o tridente com o Fenômeno e Vieri pudesse sair do papel. Depois de dois anos em Appiano Gentile, o craque se transferiu para o Brescia e viveu uma nova juventude, até se aposentar, em 2004.

Edgar Davids


Posição: volante 
Passagens: Inter (2004-05), Juventus (1997-2004) e Milan (1996-97)

O pitbull Davids começou e terminou sua passagem pelo futebol italiano em Milão, mas foi em Turim que teve grandes atuações. O holandês já havia sido campeão holandês, europeu e mundial pelo Ajax quando assinou gratuitamente com o Milan, em 1996, mas não se firmou com a camisa rossonera: quebrou a perna pouco após sua chegada e, com o preparo físico comprometido, não foi bem nas 19 partidas que realizou pelo clube. Melhor para a Juventus, que fez uma proposta pelo volante e, por cerca de 6 milhões de euros, conseguiu contratar um jogador que seria peça fundamental por quase uma década.

Nas sete temporadas em que vestiu a camisa da Velha Senhora, Edgar Davids pode usar sua força física e tenacidade, aliada à técnica, para atuar como meio-campista defensivo ou mais aberto pelo lado esquerdo. A melhor fase de sua carreira aconteceu sob o comando do técnico Marcello Lippi: nestes anos, foi bicampeão da Serie A e vice da Liga dos Campeões. No entanto, o relacionamento com o treinador ruiu e, após dissidências com o comandante, Davids deixou a Juve em janeiro de 2004. Após seis meses emprestado ao Barcelona, o holandês foi contratado pela Inter, mas não conseguiu atuar em alto nível: apesar do título da Coppa Italia, o volante jogou apenas 23 vezes e não marcou nenhum gol na temporada. Foi cedido gratuitamente ao Tottenham, ao fim da temporada.



Posição: atacante
Passagens: Inter (1999-2005), Juventus (1996-97) e Milan (2005-06)

Goleador nato, Christian Vieri foi uma espécie de cigano da bola: vestiu 13 camisas em sua carreira. Como esteve quase sempre em alto nível, pode fazer parte dos elencos dos três gigantes da Itália – além de ter jogado também por Torino, Fiorentina, Lazio e Sampdoria. Apesar da extensa lista de equipes que defendeu, Bobo foi ídolo mesmo da torcida da Inter: defendeu a Beneamata por seis temporadas, com 123 gols marcados, e é um dos 10 maiores artilheiros do clube. Apesar disso, seu único título pelos nerazzurri foi uma Coppa Italia, em 2005.

Porém, antes de atuar pela Internazionale, Vieri já havia conquistado um título importante: com a Juventus, faturou o scudetto, pela única vez na carreira. Ainda jovem, o atacante marcou oito gols na temporada 1996-97 e foi artilheiro da equipe campeã, ao lado de Michele Padovano e Alessandro Del Piero, além de ter ficado com o vice da Liga dos Campeões. Bobo não permaneceu na Velha Senhora porque havia abundância de atacantes no elenco e o Atlético de Madrid apareceu com uma proposta irrecusável. Após fazer sucesso na Espanha e na Lazio, Vieri teve seu já citado auge na Inter, mas deixou a equipe com muita polêmica. O jogador rescindiu seu contrato e ainda abriu um processo contra o presidente Massimo Moratti, alegando que foi espionado através de escutas telefônicas feitas pelo clube; para completar, assinou com o rival Milan. Bobo, no entanto, continuou no coração dos interistas, até porque teve uma péssima passagem pelos rossoneri e, seis meses depois, se transferiu para o Monaco.



Posição: volante
Passagens: Inter (2006-10), Juventus (2005-06) e Milan (1995-96)

Até 2005 parecia loucura imaginar que Vieira faria parte dessa lista. O francês de origem senegalesa teve uma passagem-relâmpago pelo Milan no início da carreira e, vendido ao Arsenal, tinha se consolidado como um dos pilares dos Gunners. No entanto, ele voltaria ao futebol italiano quando a Juventus desembolsou cerca de 15 milhões de euros para contratá-lo junto ao time londrino, em 2005. Com isso, Vieira teria a chance de conquistar mais um scudetto, já que ele fez parte do elenco rossonero que foi campeão italiano em 1995-96 – na ocasião, fez somente dois jogos na Serie A.

A reestreia na Serie A foi muito boa e o francês fez uma dupla de meio-campo muito sólida com o brasileiro Emerson. Os dois, inclusive, foram pontos fortes de uma Juve com força defensiva impressionante e que ficaria com o título italiano, com apenas duas derrotas. Porém, a Velha Senhora teria o feito cassado por envolvimento no Calciopoli, foi punida com o rebaixamento e teve de se desfazer de alguns jogadores – entre os quais, Vieira. A Inter se aproveitou da oportunidade de mercado e adquiriu o titular da seleção francesa, que rapidamente se tornou peça importante do time que estabeleceria a soberania no futebol do Belpaese entre 2006 e 2010. Jogando quase sempre como titular, Vieira conquistou um tricampeonato nacional e duas Supercopas Italianas pelos nerazzurri, até se transferir para o Manchester City em janeiro de 2010.

Zlatan Ibrahimovic 


Posição: atacante
Passagens: Inter (2006-09), Juventus (2004-06) e Milan (2010-12)

Alto, forte, veloz e habilidoso, Ibrahimovic é um dos atacantes mais completos do século. Na Itália, sua contratação foi sinônimo de título por muitos anos: autor de muitos gols, Zlatan venceu todas as Serie A que disputou entre 2004 e 2011. Foram seis ao todo, duas delas revogadas, por causa do escândalo de manipulação de resultados que levou a Juventus à Serie B. Primeiro, o jogador se destacou com golaços – e muitos cartões bobos – na Juventus. Depois, após o rebaixamento da Velha Senhora, partiu para a Inter, onde chegou a seu auge e conquistou três títulos italianos, liderando uma equipe que, no entanto, não era forte em nível continental.

A decepção na Liga dos Campeões fez com que Ibra trocasse Milão por Barcelona, mas ele certamente se arrependeu desta escolha. Os desentendimentos com Pep Guardiola e a má adaptação ao estilo de jogo blaugrana o levaram de volta à Itália, dessa vez para o Milan. Zlatan foi o grande nome da última equipe vencedora montada pelo presidente Silvio Berlusconi: o sueco mais uma vez foi decisivo em um campeonato nacional (foi artilheiro da Serie A, com 28 gols) e levantou um scudetto novamente. A fragilidade rossonera na Liga dos Campeões e a crise financeira do clube, porém, foram obstáculos para que ele permanecesse na Bota e Ibra foi vendido a peso de ouro para o Paris Saint-Germain.

Andrea Pirlo


Posição: meio-campista
Passagens: Inter (1998-99 e 2000-01), Juventus (2011-15) e Milan (2001-11)

Até hoje os interistas se ressentem quando precisam assumir que Pirlo já passou pelo clube. Muito mal aproveitado em La Pinetina, o classudo regista foi contratado junto ao Brescia quando ainda tinha 19 anos e atuava mais avançado no meio-campo. Os treinadores da Inter no período, no entanto, não perceberam o potencial daquele jovem, que foi emprestado ao próprio Brescia e à Reggina e poucas vezes foi utilizado pelos nerazzurri. Em um negócio que mais tarde entraria na lista dos mais surreais da história do futebol, Pirlo foi trocado pelo croata Drazen Brncic e uma soma em dinheiro e acabou no Milan. Ao encontrar o técnico Carlo Ancelotti, Pirlo deu o salto de qualidade em sua carreira.

O lombardo foi transformado por Don Carlo em regista: recuado em campo, usufruiu de sua enorme visão de jogo e de seu senso tático e passou a construir o jogo em uma posição mais confortável para seu estilo de jogo. Peça fundamental de um Milan multicampeão – faturou todos os títulos nacionais e também Liga dos Campeões, Mundial Interclubes e Supercopa Uefa –,  Pirlo recebeu apelidos lisonjeiros, como Professor, Arquiteto ou Mozart e se tornou um dos maiores jogadores da história da Itália. Após 10 anos como protagonista no Milan, Andrea acabou descartado por Massimiliano Allegri e se transferiu gratuitamente para a Juventus, clube em que também foi ídolo. Pirlo foi central para os primeiros quatro títulos da dinastia vencedora atual da Velha Senhora e ainda conseguiu alcançar o recorde de maior número de gols de falta na Serie A: são 28, ao lado de Sinisa Mihajlovic.

Leonardo Bonucci


Posição: zagueiro
Passagens: Inter (2005-07), Juventus (2010-17) e Milan (2017-?)

Agora é a sua vez, Bonucci. O zagueirão foi descoberto pela Inter na pequena Viterbese, aos 18 anos e concluiu sua formação nas categorias de base dos nerazzurri. Em Milão, venceu dois títulos pela equipe juvenil e, graças às boas atuações na equipe sub-19, recebeu de Roberto Mancini as primeiras oportunidades como profissional: chegou a disputar uma partida da Serie A em 2005-06 e três na Coppa Italia de 2006-07. Depois disso, Leonardo foi emprestado a Treviso e Pisa, na Serie B, até ser vendido ao Genoa, na negociação que levou Diego Milito e Thiago Motta à Internazionale. Os genoveses, porém, o revenderam imediatamente ao Bari. Foi exatamente no clube apuliano que Bonucci explodiu e começou a ser considerado como um dos grandes talentos de sua geração.

Após participar da Copa do Mundo de 2010, o defensor foi adquirido pela Juventus, em uma transação que não agradou muito aos torcedores – à época, Andrea Ranocchia era mais badalado. Apesar de um começo ruim no Piemonte, Bonucci evoluiu muito (tanto em termos técnicos quanto em posicionamento tático) e, ao lado de Andrea Barzagli e Giorgio Chiellini, formou um dos trios defensivos mais importantes do futebol europeu e da história bianconera. Sob o comando de Antonio Conte e Max Allegri, Bonucci chegou ao auge e se transformou em um dos pilares do inédito hexacampeonato juventino. A. O custo de 40 milhões pode até parecer alto para um jogador de 30 anos, mas o atleta está no melhor momento de sua carreira e tem tudo para devolver o Milan à condição de protagonista na Itália e na Europa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Jogadores: Thomas Hässler

Mesmo sem títulos por clubes, Hässler teve longa carreira na seleção alemã e bom futebol na Roma (Getty)
No mundo do futebol há um raro e específico grupo de atletas: aqueles que conquistaram os títulos mais importantes com as seleções de seus países, mas que não levantaram sequer uma taça por clubes. Um desses jogadores foi o meio-campista alemão Thomas Hässler, que defendeu Juventus e Roma e ganhou quase tudo com a Alemanha.

Hässler – ou Häßler, se você for germanófilo – nasceu na parte ocidental da atribulada e dividida Berlim do final dos anos 1960, no auge da Guerra Fria. Enquanto a geração de Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Sepp Maier e Gerd Müller conquistava o mundo, em 1974, o garoto Thomas dava seus primeiros passos na escolinha do Meteor, antigo clube berlinense. No final da década, quando Lou Reed e David Bowie viviam na capital da Alemanha Ocidental e gravavam discos sombrios e fundamentais para a época, o jovem começava a frequentar as categorias de base do Reinickendorfer Füchse. Nunca estrearia como profissional pelas raposas, que disputavam a terceira divisão.

Em 1984, quando Hässler havia acabado de completar 18 anos, o Köln notou o jovem prospecto berlinense e o levou para a Renânia. O meia foi utilizado a conta-gotas na primeira temporada, para não queimar etapas, mas se tornaria fundamental em uma das fases de maior sucesso da história dos Bodes. Hässler foi ganhando espaço nos cinco anos seguintes e assumiu não só a titularidade, mas o posto de principal jogador daquela equipe, que seria vice-campeã da Copa Uefa em 1986 e da Bundesliga, em 1989 e 1990. O meia-atacante ainda seria eleito jogador alemão do ano em 1989.

As grandes atuações logicamente levaram Hässler à seleção da Alemanha Ocidental. Primeiro, o jovem meia defendeu a equipe olímpica, que ficou com o bronze nos Jogos de Seul, em 1988 – ano em que receberia as primeiras convocações para a Nationalmannschaft. Thomas, que recebera o apelido de Icke pelo seu jeito peculiar, com dialeto berlinense, de falar "ich" (a palavra para "eu" em alemão), rapidamente se converteu em uma peça importante para Franz Beckenbauer, pois adicionava potência, força física, velocidade, resistência e habilidade ao meio-campo germânico. Além de ser criador de jogadas logo atrás dos atacantes, o meia caía pela ponta direita e era um bom finalizador, exímio cobrador de faltas.

Com crédito com o comandante, Hässler foi titular na meia-direita do 5-3-2 alemão na Copa do Mundo de 1990. Embora tenha começado a competição com vaga garantida no onze inicial, Icke sofreu uma lesão no final da fase de grupos e ficou de fora das duras partidas das oitavas de final, contra a Holanda, e das quartas, diante da Checoslováquia. O berlinense retornou na semifinal, contra a Inglaterra, e após ajudar também na final contra a Argentina, ergueu, com muito estilo, o seu primeiro troféu: justo o de campeão mundial. Seria a segunda grande felicidade para Icke em menos de dois anos, já que o meia tinha visto o Muro de Berlim cair no ano anterior, selando a unificação de sua cidade natal e de seu país.

Icke posa para os fotógrafos em sua apresentação à Juventus (Web.de)
Assim como muitos de seus companheiros da seleção alemã campeã no Mundial da Itália, Hässler teria outros momentos de brilho nos gramados da Velha Bota. Após a competição, o Köln recebeu uma proposta de 15 milhões de marcos e decidiu ceder o talento de 24 anos para a Juventus, que buscava conquistar um novo scudetto após quase uma década sob o comando do técnico Giovanni Trapattoni. A Juve acabara de ser campeã da Copa Uefa e da Coppa Italia, mas o jejum de títulos da Serie A completava quatro temporadas.

Hässler foi uma das quatro principais contratações da Velha Senhora naquela janela, ao lado de Roberto Baggio, Paolo Di Canio e do brasileiro Júlio César. O trio ficaria às ordens do recém-chegado técnico Gigi Maifredi e Icke teria a incumbência de formar com Baggio a dupla de criação da equipe, com o intuito de servir Salvatore Schillaci e um entre Pierluigi Casiraghi e Di Canio, que se revezavam.

A temporada, no entanto, começou da pior forma para a Juve: o Napoli de Diego Maradona goleou o time bianconero por 5 a 1 na Supercopa Italiana e Hässler foi substituído no intervalo para dar lugar ao meia Daniele Fortunato, quando os azzurri já haviam feito 4 a 1. Seria o preâmbulo do que estaria por vir em 1990-91: embora a Juve tenha sido eliminada pelo Barcelona somente nas semifinais da Recopa Uefa e se saído bem no primeiro turno da Serie A, a temporada terminaria amarga para os bianconeri. No final das contas, o sétimo lugar no Campeonato Italiano foi o pior resultado alcançado pela Velha Senhora desde os anos 1960, e coroava uma sequência negativa no pós-Trapattoni. O fato daquela temporada é que a equipe nunca conseguiu assimilar as ideias de Maifredi – que foi demitido no final da campanha, inclusive.

Hässler, titular em toda a temporada da Velha Senhora, não caiu no gosto da torcida e também não convenceu a nova diretoria. Na reformulação interna do clube, Luca Di Montezemolo deixou a presidência para Giampiero Boniperti e Trapattoni voltava ao comando do elenco piemontês. Icke, porém, acabaria por ser negociado para que a Juve pudesse abrir uma vaga de estrangeiro e recebesse Jürgen Kohler e Stefan Reuter, seus colegas na campanha do título mundial da Alemanha. Com isso, o meia passou à Roma por cerca de 12 bilhões de liras e o passe do jovem goleiro Angelo Peruzzi, que estava suspenso por doping.

Tal qual em Turim, Hässler chegou a um time que tinha faturado a Coppa Italia na temporada anterior e que disputara a final da Copa Uefa – a Roma, no entanto, foi derrotada pela Inter. Icke também fez sua partida de estreia em uma Supercopa Italiana e acabou amargando também uma derrota, mas mais magra: a Sampdoria fez 1 a 0 e ficou com a taça. Apesar disso, sua história na Cidade Eterna foi mais rica do que sob a égide da Mole Antonelliana.

O primeiro clube do meia na Itália foi a Juventus, ao qual chegou com Júlio César e Baggio (Pinterest)
O meia ocupou a vaga de estrangeiro deixada pelo compatriota Thomas Bethold, negociado com o Bayern München, mas encontraria um parceiro germânico em seu primeiro ano na Roma. Ao lado de Rudi Völler, Hässler ajudou a equipe treinada por Ottavio Bianchi a ficar com a 5ª posição na Serie A e alcançar as quartas de final da Coppa Italia e da Recopa Uefa. Nada mal para uma temporada de altos e baixos para o clube, que tinha problemas de bastidores por causa da diminuição dos investimentos que ocorrera após a morte do presidente Dino Viola, meses antes da chegada de Hässler. O fim da campanha foi adocicado por uma arrancada na reta final do Campeonato Italiano, que rendeu uma vaga na Copa Uefa para os giallorossi.

Apesar da superação demonstrada, a torcida ficou um pouco decepcionada. Afinal, aquele time tinha potencial para ser uma máquina ofensiva, pois (além dos alemães) tinha jogadores como Giuseppe Giannini, Fausto Salsano, Valter Bonacina, Ruggero Rizzitelli, Roberto Muzzi e Andrea Carnevale. No entanto, a característica mais defensiva do treinador, adepto da zona mista, impossibilitava uma proposta mais ousada. Ainda assim, Icke aproveitou as oportunidades que teve e anotou três gols na temporada, incluindo um no clássico contra a Lazio. Na ocasião, ele cobrou uma falta da meia-lua e, aproveitando a barreira mal posicionada, somente colocou no canto do goleiro Valerio Fiori.

A temporada seria concluída com a disputa da Euro 1992, competição em que Hässler brilhou e da qual foi considerado um dos melhores jogadores. O vice-campeonato da Alemanha foi conduzido por Icke, imparável no meio-campo, com dribles em velocidade, muita potência e inteligência tática. O berlinense ainda faria dois gols no torneio, diante da Comunidade dos Estados Independentes – ex-União Soviética – e diante da Suécia, dona da casa, na semifinal. As atuações lhe renderiam pela segunda vez o prêmio de melhor jogador alemão do ano solar.

Com moral, Hässler retornou a uma Roma caótica, que chegaria ter o presidente Giuseppe Ciarrapico preso ao longo da campanha 1992-93, por envolvimento na falência do Banco Ambrosiano. O caos se refletiria em campo: o time, agora treinado por Vujadin Boskov – tal qual Bianchi, campeão italiano anos antes – marcava muitos gols, mas também sofria em demasia. Após a saída de Völler para o Marseille, Rizzitelli, Carnevale, Giannini e o reforço Claudio Caniggia tentaram assumir a responsabilidade. Icke também: anotou seis gols na temporada e um deles seria decisivo para bater a Juventus, em um 2 a 1 no Olímpico. Apesar disso, a Roma ficaria somente com a 10ª posição na Serie A e se lamentaria pelo vice-campeonato na copa local: após duas eletrizantes partidas, com placar agregado em 5 a 5, o Torino levantaria o troféu pelos gols marcados fora de casa.

Em 1993-94, a Roma seria adquirida por Franco Sensi e Hässler viveria seus últimos dias na capital italiana. Uma maior tranquilidade se via nos bastidores (até porque a nova diretoria optou por uma solução caseira ao contratar o técnico Carlo Mazzone), mas a equipe capitolina, baqueada pelos anos anteriores, ainda era incapaz de brigar com grandes esquadrões da época, como os montados por Juventus, Milan e Parma, e acabaria o campeonato na sétima posição. Regular como sempre, Icke dividiria o vestiário com Francesco Totti, em sua primeira temporada como profissional, e manteria a titularidade da seleção da Alemanha.

Hässler e Völler, dois dos alemães que passaram com sucesso pelo Olímpico (Getty)
Apesar da situação aparentemente confortável, o berlinense comunicou ao clube que gostaria de voltar a seu país e foi negociado no verão de 1994 com o Karlsruher, mediana equipe do sul da Alemanha. Em busca de um novo desafio, Hässler rejeitou ofertas de clubes maiores e acabou se tornando a contratação mais cara – e a mais ousada – do KSC. Em quatro anos na região de Baden-Württemberg, o meia se tornaria capitão da equipe e a ajudaria a conseguir vagas em torneios continentais – diretamente ou através da Copa Intertoto. Aliás, foi na extinta competição europeia que Hässler conseguiu sua única glória com um clube, embora ela não lhe rendesse troféu: o Karlsruher foi um dos vencedores do torneio em 1996 e obteve o direito de disputar a Copa Uefa.

Além das boas campanhas na Bundesliga, o KSC foi vice-campeão da Copa da Alemanha, em 1996, e também chegou a ser apelidado de Eurofighter por ter incomodado times maiores quando participou da Copa Uefa. Em 1996-97, por exemplo, Hässler e companhia chegaram a eliminar a Roma na segunda fase da competição, mas cairiam na etapa posterior, depois que o capitão quebrou a perna e desfalcou a equipe diante do Brondby. O Karlsruher sofreu com declínio financeiro e técnico em 1997-98 e, sem mostrar o mesmo futebol de antes, foi rebaixado para a segunda divisão. Icke, no entanto, continuava em grande fase: uma prova disso é que ele fechou com o Borussia Dortmund, campeão europeu e mundial em 1997.

A passagem pelo BVB seria curta, porém. Hässler se desentendeu com o técnico Michael Skibbe e também não tinha o melhor relacionamento com Andreas Möller, seu companheiro na seleção. Depois de um ano em que recebeu poucas oportunidades, Icke decidiu fechar novamente por um clube menos badalado e aceitou a proposta do 1860 Munique. Na Baviera, voltou a desempenhar um bom futebol e, em sua temporada de estreia pelos leões, foi fundamental para a conquista de uma vaga na fase preliminar da Liga dos Campeões, obtida pela quarta colocação na Bundesliga. A equipe cairia nos play-offs para o Leeds United e seria relegada à disputa da Copa Uefa, mas isto não apagaria a última temporada em altíssimo nível do berlinense, então com 34 anos.

Após a volta à sua pátria, Hässler continuou sendo frequentemente convocado para a seleção com a camisa do KSC e só não recebeu oportunidades em 1999. Muito rodado, o meio-campista ainda participaria das Copas de 1994 e 1998 e das Eurocopas de 1996 e 2000, concluindo sua aventura pela Nationalelf com 101 partidas e 11 gols anotados. Sua despedida da seleção foi melancólica: juntamente com uma geração muito criticada e tendo Paulo Rink como companheiro, jogou os últimos 30 minutos da partida contra Portugal, na Euro. Os lusos venceram por 3 a 0, com três gols de Sérgio Conceição, e a Alemanha foi eliminada na fase de grupos.

Já veterano, Icke teve mais três anos de bom futebol e alguns problemas físicos no 1860 Munique, até deixar o clube aos 37 anos, em 2003. Prestes a encerrar a carreira, o meia rumou para a Áustria e assinou contrato com o Salzburg – clube que, hoje, pertence à Red Bull. Depois de 19 jogos, o craque anunciou sua aposentadoria e se afastou do esporte por alguns anos.

Em 2007, Hässler reapareceu como auxiliar de Berti Vogts na seleção da Nigéria, mas ficou na função apenas um ano. O ex-meia ocupou o mesmo cargo no Köln e no Padideh, do Irã, até estrear como treinador em 2016, em um trabalho que ressalta que sua ligação com a Itália continua forte. Icke é o comandante do Club Italia Berlino, time formado por imigrantes italianos ou descendentes que vivem na capital germânica. A equipe milita na oitava divisão e tem planos de subir para a terceirona em algumas temporadas.

Thomas Jürgen Hässler
Nascimento: 30 de maio de 1966, em Berlim, Alemanha
Posição: meio-campista
Clubes: Köln (1984-90), Juventus (1990-91), Roma (1991-94), Karlsruher (1994-98), Borussia Dortmund (1998-99), 1860 Munique (1999-2003) e Salzburg (2003-04)
Títulos: Copa do Mundo (1990), Eurocopa (1996), Bronze Olímpico (1988) e Copa Intertoto (1996)
Seleção alemã: 101 jogos e 11 gols

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Os sósias do futebol italiano

Pré-temporada: época em que há pouquíssimo futebol internacional na TV e em que muitas especulações de transferências de jogadores aparecem para encher o espaço vazio do noticiário esportivo. Já que a gente fica meio desocupado nesta época do ano, que entrarmos um pouco na seara do besteirol? Pois bem, então vamos à compilação de sósias de personagens marcantes do presente e do passado do futebol italiano.

Tem algum doppelgänger que você não viu aí na nossa lista? É só mandar outros "separados no nascimento" para a gente através dos comentários ou das redes sociais.

Adem Ljajic e Fábio Assunção (ator)


Alberto Aquilani e Felipe Massa


Alberto Gilardino, Cesare Prandelli e Ricardo Tozzi (ator)


Alessandro Del Piero e Bruce Springsteen (cantor)


Alessandro Diamanti e Igor Kannário (cantor e político)


Allan e Gilberto (ex-Fiorentina)


Amauri e Kevin Kuranyi


Andrea Pirlo e Chuck Norris (ator)


Andrea Pirlo e John Malkovich (ator)


Andrea Poli e Kaká


Andrea Ranocchia e Hudson


Antonello Venditti (cantor; autor do hino da Roma) e José Wilker (ator e diretor)


Antonio Conte e Joaquín (ex-Fiorentina)


Borja Valero e Monchi


Careca, Paulo Betti (ator) e Michael Ontkean (ator)


Christian Maggio e Leo Franco


Claudio Lotito (presidente da Lazio) e Gregor Mendel (monge e biólogo)


Claudio Ranieri e Toni Servillo (ator)


Combo! Walter Mazzarri, Roberto Antonelli e Andreas Möller (ex-Juve) parecem com os atores Alec Baldwin, Dustin Hoffmann e Chris Cooper – nesta ordem. E todos têm algo em comum.


Dan Petrescu (ex-Foggia) e David Duchovny


Daniel Passarella e Evo Morales (presidente da Bolívia)


Daniele De Rossi e Lucas Santtana (cantor)


DDR também parece com Joe Gilgun (ator)


Quem é o árbitro Daniele Orsato e quem é Robbie Keane?


Davide Astori e Nenad Tomovic formam a primeira dupla de zaga de sósias do futebol mundial


Davide Biondini e Damian Lewis (ator)


Davide Moscardelli e Jimmy London (vocalista do Matanza)


Delio Rossi, Carlo Mazzone e Muricy Ramalho


Diego Milito e Enzo Francescoli, os príncipes. A dupla também guarda semelhanças com Fernando De Napoli e Sylvester Stallone (ator)



Diego Simeone e Ron Perlman (ator)


Domenico Berardi, Antonello Veneri (fotógrafo) e Paul Sparks (ator)


Édgar Barreto e Marquito (humorista e político)


Erasmo Iacovone e Alexandre Matias (jornalista e dj)


Eusebio Di Francesco e Elio Germano (ator; Sebastiano em "Suburra")


Fabio Grosso e Sérgio Mallandro


Fernando Couto e Antonio Banderas (ator)


Francesco Totti, Bear Grylls (apresentador de programas de aventura) e Priscila Fantin (atriz)


Fredy Guarín e Julián Viáfara


Gaetano Scirea e Nicolás Burdisso


Gianluigi Buffon e Henrik Lundqvist (jogador de hóquei no gelo)


Gianni Morandi (cantor e ex-presidente honorário do Bologna) e Willem Dafoe (ator) – Gianni até publicou foto dos dois juntos no Facebook


Giorgio Chiellini e Gonzo (Muppets)


Giovanni Galli e Patrick Dempsey (ator)


Giovanni Trapattoni e Robert De Niro (ator)


Giulio Migliaccio, Aldo Baglio (humorista) e Vin Diesel (ator)


Giuseppe Giannini e Charles Cosac (empresário do setor editorial)


Giuseppe Iachini, Xherdan Shaqiri e Tancredi Palmeri (jornalista)


Gonzalo Bergessio e Robin Williams (ator)


Graeme Souness e Belchior (cantor)


Herbert Prohaska (ex-Inter e Roma) e Michael Keaton (ator)


Javier Zanetti e Christopher Reeves (ator) em Superman


Jeison Murillo e Paulinho


Joe Hart e Edward Norton (ator)


Jonathan Biabiany e Dentinho


Júlio César e Buzz Lightyear (Toy Story)


Juraj Kucka, Paul Dano (ator) e um jovem Charles Bronson (ator)


Kamil Glik e Peter Stormare (ator)


Lorenzo Insigne e ACM Neto (político)


Luca Banti (árbitro), Luciano Huck (apresentador) e Matthew McConaughey (ator)


Luigi Cagni (técnico) e Giovanni Storti (humorista)


Luigi De Canio e Joaquin Phoenix (ator)


Luigi Delneri e Peter Sellers (ator) como Inspetor Jacques Clouseau


Luigi Di Biagio e Amado Batista (cantor)


Maniche e Jim Carrey


Marco Borriello e Mario Yepes


Marco Giampaolo e Reinaldo Azevedo (jornalista)


Mario Gómez e Crispin Glover (ator)


Massimo Ferrero e Russ Tamblyn (ator) como Dr. Jacoby em Twin Peaks


Massimo Moratti e Rhodolfo


Massimiliano Allegri e Giacomo Bonaventura (estes sorrisinhos...)


Maurizio Sarri e Bebeto de Freitas (ex-jogador e técnico de vôlei, ex-presidente do Botafogo)


Mauro Camoranesi e Francesca Schiavone (tenista)


Max Tonetto e Scott Foley (ator)


Maxi López e David Thewlis (ator)


Mino Raiola (empresário de jogadores) e Buddy Hackett (ator cômico)


Mircea Lucescu e Chico Alencar (político)


Mohamed Salah, Eduardo Moscovis (ator) e Fred


Moreno Torricelli e Danny Trejo (ator)


Omar El Kaddouri, Marco Materazzi e John Turturro (ator)


Paolo De Ceglie e Ashton Kutcher (ator)


Paolo Poggi e Michele La Ginestra (ator e diretor)


Paolo Rossi e Caco Barcellos (jornalista)


Riccardo Montolivo e sua cara de paisagem lembram pinturas renascentistas. Ficamos com este retrato do mecenas Bindo Altoviti, feito por Rafael


Riccardo Saponara, Mark Ruffalo (ator) e Cesc Fàbregas


Riccardo Zampagna sempre teve jeitão truculento e só poderia ser sósia de Genny 'a Carogna, chefe de uma torcida ultra do Napoli


Roberto Baggio e Jesús Navas


Roberto Sensini e Adaílton


Roberto Stellone, Pepe Reina e Stanley Tucci (ator)


Robinho e Urby Emanuelson


Rodrigo Palacio e Carmine Russo (árbitro)


Rômulo e Zerocalcare (ilustrador)


Samir Handanovic e Ben Affleck (ator): de algum jeito, ambos podem ser chamados de Batman...


Sebastiano Nela e Fernando Haddad (economista e político)


Seydou Keita e Lázaro Ramos (ator)


Stefan Savic e Richard Ashcroft (cantor)


Stefano Pioli e Sérgio Xavier Filho (jornalista)


Stevan Jovetic e Brian May (guitarrista do Queen)


Thomas Vermaelen e Jude Law (ator)


Toninho Cerezo e Nicolás Maduro (presidente da Venezuela)


Zlatan Ibrahimovic e Ian Thorpe (nadador)