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sexta-feira, 22 de maio de 2015

A festa dos pequenos

A festa do Carpi, estreante na elite do futebol italiano (Eurosport)
42 rodadas, 462 jogos e nove meses depois, chegamos ao fim da Serie B. Ou quase. A bola ainda rolará por play-offs e play-out, que decidirão o terceiro a subir para a elite do futebol italiano e o quarto a ser rebaixado para a terceira divisão.

No topo da tabela, a surpresa Carpi tirou o pé do acelerador nas últimas rodadas, mas ainda assim se consagrou o campeão da segundona com quatro rodadas de antecipação, o que já estava bem definido desde o último post no blog. E a verdade é que os falconi pouco se importam com recordes. A inédita promoção para a Serie A é o grande orgulho, feito incrível para o clube emiliano, fundado em 1909 e refundado em 2000, que na temporada passada estreava na B com campanha segura.

Outra surpresa é o também modesto Frosinone. Se o Latina não conseguiu na temporada passada, os canarini representarão a região do Lácio juntamente com os times da Cidade Eterna, Lazio e Roma. É um feito e tanto, já que, dentre todos os times da região, somente os dois times romanos haviam jogado na elite. Para o incômodo do falastrão Claudio Lotito – presidente da Lazio e braço direito do presidente da FIGC, Carlo Tavecchio –, o clube, fundado em 1912 e refundado duas vezes, em 1959 e 1990, conquistou a inédita ida para a primeira divisão justamente no ano de seu retorno para a segunda, da qual havia sido rebaixado em 2011. Aliás, foi apenas a sexta participação dos gialloblù na segundona.

O acesso do Frosinone foi uma grande reviravolta que aconteceu nesta temporada, já que o time chegou a liderar e estar sempre próximo do Carpi, porém caiu de rendimento no meio do campeonato. O que apenas serviu como um gás a mais para se recuperar e superar equipes badaladas e garantir o segundo posto e a promoção com antecipação.

Apesar das muito comemoradas promoções pra Serie A, difícil acreditar que Carpi e Frosinone, de investimentos baixos e estádios acanhados, possam manter essa “vibe” na primeira divisão. O mais provável é que os times acabem seguindo os caminhos de Cesena, Livorno e Pescara das últimas três temporadas, ou até mesmo campanhas à Ancona e Messina, que chegaram perto de atingir recorde negativo de pontos na Serie A. Por enquanto, não custa sonhar.

Se Carpi e Frosinone são estreantes na elite, entre os outros seis postulantes à terceira vaga, somente uma equipe ainda não jogou a Serie A da forma que ela é constituída: o Spezia. Vicenza, Bologna, Perugia, Pescara e Avellino já disputaram a competição e sonham com o retorno.

Soddimo, do Frosisone, festeja o acesso (Ansa)
Como exemplo da fraqueza desta Serie B – ou da grandiosidade dos pequenos e magros –, o Vicenza, convidado a disputar a competição pelos problemas financeiros de Siena, Novara, Lecce e Reggina, surgiu das cinzas para fazer boa campanha e garantir seu lugar para o play-off. Antes na segunda posição, os lanerossi empataram mais do que deveriam e foram ultrapassados na arrancada do Frosinone. Ainda assim, o terceiro lugar é bastante significativo e os vênetos têm vantagem no play-off. A equipe aguarda o vencedor do duelo entre Perugia e Pescara.

Sempre vacilante desde as primeiras rodadas, o Bologna teve queda de desempenho, o que resultou até mesmo troca do técnico Diego López por Delio Rossi. Ainda assim, o time fez o bastante para um quarto lugar tranquilo e a vaga na semifinal do play-off, à espera de Spezia ou Avellino. Se tem um momento em que o caro elenco deve recompensar o investimento, esse momento é agora.

Em franca ascensão a partir de nosso último texto, o Spezia engatou sequência de sete jogos de invencibilidade, vencendo cinco vezes, superando Livorno, Perugia e ameaçando o Bologna. O clube lígue, que já teve sua história contada aqui, vem empolgado para o play-off e superou suas últimas campanhas na segunda divisão.

Grata surpresa no início da temporada, o Perugia passou por momento de irregularidade, o que era até esperado, mas se manteve firme na briga por um lugar no play-off e, inclusive, igualou a invencibilidade do Carpi de 13 jogos, faltando apenas um empurrão para encostar em Frosinone, Vicenza e Bologna. Sem perder desde o dia 3 de março, a equipe umbra conta ainda com a experiência de seu elenco para o decisivo play-off.

Com quatro das seis vagas para o play-off já garantidas, restavam apenas duas, e seguindo o roteiro típico da Serie B, elas vieram com muita emoção para Pescara e Avellino. Os delfini aceleraram o passo nas últimas rodadas, voltaram a tropeçar, mas venceram com autoridade o Livorno, justamente um concorrente para as últimas vagas, no Adriatico. Em posição confortável antes, o Avellino seguiu a queda de rendimento, mas graças às duas vitórias contra o Livorno, empatado com os toscanos em vitórias, empates e derrotas, está no play-off.

Pescara e Avellino são os azarões do dia 26 contra os favoritos Perugia e Spezia, que têm plenas condições de complicar Vicenza e Bologna nos dias 29 e 2. As finais do play-off acontecerão nos dias 5 e 9. Paralelamente à correria dessa fase, com apenas três dias entre os jogos, o play-out será disputado nos dias 30 e 6 entre Modena e Entella.

Depois de boa campanha na temporada passada, o Modena, assim como vários outros, a exemplo de Trapani, Latina, Lanciano e Crotone, caiu consideravelmente nesse ano e o terrível fim de campeonato levou o clube para o play-out, onde enfrentará o Entella. O clube estreante tem boas chances de voltar para a terceira divisão e dar uma de ioiô.

Entre play-off e play-out, houve lugar para os decepcionantes Livorno, Bari e Catania, acompanhados de Trapani, Ternana, Latina, Lanciano, Pro Vercelli e Crotone – esses dois últimos garantiram lugar no meio da tabela já nas rodadas finais, superando o Modena. Abaixo, o Cittadella volta a cair depois de sete anos de Serie B, algo que já vinha sendo desenhado nesta década. A queda foi o fim de uma era, e significou a saída de Claudio Foscarini, treinador do time principal há dez anos e desde 2003 no clube.

Junto com o clube vêneto, caíram Brescia e Varese, com rebaixamentos definidos há algum tempo. Coincidência ou não, ambos punidos com perda de seis e quatro pontos, respectivamente. Os simpáticos rondinelle até tiveram campanha de meio de tabela - sem a punição, teriam ocupado a primeira posição acima do play-out -, mas não conseguiram evitar um duro rebaixamento para a terceira divisão, que não disputava desde 1985. Desde então, o time tradicional da Lombardia sempre transitou entre as séries A e B. Com problemas financeiros, terá de se reerguer.

Classificação da Serie B aqui; principais estatísticas aqui.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Em busca do Triplete inédito

Matri carrega a taça da Coppa Italia. Atacante emprestado marcou o gol do título (Foto: Ansa)

O tempo normal da final da Coppa Italia foi bem aquém do esperado. Ainda mais após um início de jogo bastante movimentado. O gol na prorrogação confirmou o segundo título da Juventus na temporada e colocou Massimiliano Allegri na lista dos únicos cinco treinadores que conseguiram a dobradinha pela Juve. 

De cabeça, Radu deu a vantagem a Lazio depois de cruzamento de Cataldi. Chiellini, ainda aos 11 minutos, fez um gol acrobático e determinou o resultado dos 90 minutos da partida. A Juventus foi superior ao adversário sem brilhantismo. Tévez fez a pior partida dele na temporada; Llorente esteve sumido. A defesa, novamente com três zagueiros desde o início, se portou bem demais com Bonucci, Barzagli e Chiellini.

Pelos laziali, Felipe Anderson até jogou bem, contudo, não conseguiu contribuir da maneira necessária para assistir Klose. O alemão, bem sumido como Tévez, foi substituído no segundo tempo. Os jogadores que saíram do banco deram cara nova ao jogo - nos minutos finais e na prorrogação. Djordjevic parou em grande defesa de Storari, enquanto Matri balançou a rede, mas em posição irregular. 

Djordjevic começou a comemorar quando a bola bateu na trave, após boa finalização de fora da área, contudo, a pelota encostou na outra trave e saiu. Minutos depois, Matri pegou o rebote, marcou o gol e saiu para celebrar o título bianconero. Se para a Juventus, tudo é festa, a Lazio terá que tentar se desvencilhar da decepção de ter levado a virada e ter perdido a chance de levantar uma taça nesta temporada para focar na Serie A. Afinal, os dois últimos jogos de 2014-15 serão decisivos. Já neste fim de semana, o time enfrenta a Roma, e na rodada final visita o Napoli. Valendo vaga na Liga dos Campeões.

A futura estrela de prata, que corresponde aos 10 títulos da Coppa, escreve o nome de Allegri na história. A proeza da dobradinha o colocou ao lado de Carlo Parola, treinador campeão nacional em 1959-60, e Marcello Lippi, técnico na conquista anterior a desta temporada - 1994-95 -, que venceram tanto Serie A quanto a copa nacional pela Juve. 

Internacionalmente, Giovanni Trapattoni esteve à frente do time campeão italiano e da Copa Uefa de 1976-77; Dino Zoff, por sua vez, venceu a mesma competição europeia e a Coppa em 1989-90. São os únicos treinadores bianconeri a terem vencido dois títulos em uma única temporada. Allegri, agora, busca ser o único a ter uma Tríplice Coroa.

Dois outros bianconeros estão felicíssimos com o troféu: o diretor Giuseppe Marotta e o atacante Alessandro Matri. O jogador foi vendido ao Milan por 10 milhões de euros na temporada passada e recontratado por empréstimo na última janela de verão. Ótimo negócio? 

O gol do título não foi somente um detalhe para a carreira do atacante, que estava em baixa em Milanello e chegou à Juve como flop em potencial – ele vinha jogando pouco, inclusive. Em Matri, Allegri tem um jogador na ofensiva que pode não ser o ideal, mas é voluntarioso, sabe o que necessita fazer taticamente e observa a partida de maneira bastante inteligente.

Para o Triplete inédito ainda falta uma partida. O título em cima do Barcelona seria para fechar a reestruturação da equipe com chave de ouro.

Veja aqui toda a tabela da Coppa Italia, das fases iniciais até a final.

terça-feira, 19 de maio de 2015

36ª rodada: A dona da vantagem

Recuperação: Roma voltou a conseguir vitórias e hoje tem a
vantagem no campeonato particular contra a Lazio (Pagine Romaniste)
Depois de um momento de instabilidade que durou bastante, a Roma voltou aos trilhos. Certo, o time continua sem jogar bem (algo que não aconteceu de fato em 2014-15), mas agora consegue vencer algumas partidas à força, com insistência e coração. Foi o que aconteceu neste domingo, diante da Udinese. A equipe, que havia sido ultrapassada pela rival Lazio, saiu perdendo contra o time de Údine, mas buscou a virada aos trancos e barrancos. Hoje, os romanistas têm a vantagem sobre os laziali na disputa pelo vice-campeonato, o que dá vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões: estão a uma vitória do feito. E esta vitória pode ser justamente contra a própria Lazio, na próxima segunda. Segunda? Pois é... Acompanhe o resumo da rodada.

Roma 2-1 Udinese
A Roma tem se recuperado para pelo menos conquistar a vaga direta para a Liga dos Campeões. Até que enfim, dizem os torcedores, depois de tantos tropeços, empates - é o time que mais empatou em 2015 nas cinco maiores ligas europeias - e suposto problema entre treinador e elenco. Com a breve queda da Lazio e inconsistência do Napoli, restando dois jogos e tendo a tabela menos complicada, o time romanista deu passo importante para seguir na segunda posição até o final da temporada. Antes do dérbi romano, os giallorossi têm 67 pontos – contra 66 dos laziali – e uma vitória no clássico os garante na vice-liderança da Serie A.

O que não aconteceu exatamente com tranquilidade. Como marca deste ano giallorosso, foi com sofrimento contra a Udinese. Em erro clamoroso na saída de bola, logo aos 18, Manolas perdeu a pelota para Théréau, que teve chute parcialmente defendido por De Sanctis, deixando a sobra para Perica inaugurar o marcador. A Udinese teve uma chance incrível no contra-ataque, mas Allan errou o último passe. Na sequência, fato raro: a Roma se livrou de sofrer um gol para marcar o seu. Ainda antes do intervalo, Nainggolan aproveitou cochilo da zaga binaconera, completou cruzamento de Totti e empatou – tento merecido, depois de minutos de pressão e chances romanas. Em menor ritmo na segunda etapa, o time da casa chegou ao gol da vitória aos 65, com Torosidis, que aproveitou erro da zaga friulana. (Arthur Barcelos)

Sampdoria 0-1 Lazio
Exame Sampdoria superado: a Lazio continua brigando forte por uma vaga na Liga dos Campeões. Ao infligir à equipe doriana a segunda derrota no Marassi em toda a temporada, o time treinado por Pioli não só manteve a Roma apenas um ponto à sua frente como bagunçou a luta por uma vaga na Liga Europa – a Inter, que perdera para a Juventus pouco antes, continua com chances, assim como Torino e Genoa. Com isso, a Lazio recuperou pontos que desperdiçou contra a Inter, no último final de semana, e fará dérbi quente contra a Roma. O jogo, que já é muito brigado normalmente, ganhará contornos de drama por causa da briga pelo vice-campeonato, e também porque a Roma não encarou bem uma manobra laziale nos bastidores. Usando de sua influência, o seu presidente, Claudio Lotito, pediu (e conseguiu) adiamento da partida do domingo para a segunda, em virtude da final da Coppa Italia, nesta quarta. A adversária da Lazio, a Juventus, enfrenta o Napoli no sábado, em jogo que também é importante para esta disputa.

No Luigi Ferraris a partida foi truncada, e quem criou mais foi a Sampdoria. No primeiro tempo, o time treinado por Mihajlovic teve uma chance clamorosa, desperdiçada por Obiang dentro da área. Na volta do intervalo, Eto'o teve oportunidade ainda mais clara, mas mesmo sozinho em contra-ataque, bateu à esquerda do gol de Berisha. Seis minutos depois de perder o gol, o camaronês se esticou todo, mas não conseguiu evitar o gol de Gentiletti. O zagueiro, que havia rompido o ligamento cruzado no mesmo estádio, 8 meses antes, completou escanteio batido por Ledesma e fez o gol solitário da partida – gol que poderia ter sido anulado, por puxão de Klose no goleiro Viviano, no lance. Depois de ter saído atrás no placar, a Samp sentiu e viu a Lazio dominar o jogo com tranquilidade. (Nelson Oliveira)

Napoli 3-2 Cesena
A vaga na Champions League ainda é uma realidade para o Napoli. E o responsável por ainda manter os partenopei na disputa é Dries Mertens. O belga, que alterou bons e maus momentos na temporada, foi decisivo contra o Cesena, ao anotar dois gols e dar a assistência para o gol de Gabbiadini – além de ter participado das principais jogadas ofensivas napolitanas. Mas vencer o vice-lanterna não foi moleza para a equipe napolitana. Os bianconeri abriram o placar logo aos 15 minutos. Defrel acertou um chute rasteiro de fora da área e colocou os visitantes em vantagem.

Mesmo com a pressão das arquibancadas, o Napoli não se abateu com o gol sofrido e, quatro minutos depois chegou à igualdade. Mertens aproveitou a sobra do chute de Callejón e não deu chances à Agliardi. A virada chegou no lance seguinte. Mertens fez bela jogada pela esquerda e cruzou para Gabbiadini, livre na pequena área, só completar ao gol. Com a vantagem, os azzurri recuaram e os cavalos marinhos voltaram ao jogo. No último lance da primeira etapa, Defrel apareceu sozinho na área para igualar o placar, para irritação da torcida local. Na segunda etapa, a partida caiu de rendimento, mas o Napoli seguiu melhor. Depois de criar algumas oportunidades, Mertens foi crucial para garantir a vitória. O camisa 14 recebeu de Hamsík e chutou cruzado para fazer seu segundo gol na partida. Já sem forças, o Cesena não esboçou qualquer reação. Agora, o Napoli tem 63 pontos, três a menos que a Lazio e quatro atrás da Roma. Na próxima rodada, os azzurri secam os romanos e viajam para Turim, para tentar carimbar a faixa da Juventus. (Caio Dellagiustina)

Inter 1-2 Juventus
Tinha tudo para ser um Derby d'Italia de menos prestígio – um dos menos na história. A Inter, no meio da tabela, recebia uma Juve já campeã nacional, de ressaca pela passagem à final da Champions e recheada de reservas – somente Lichtsteiner, Bonucci, Marchisio e Morata eram titulares. Um cenário favorável para que os comandados de Mancini pudessem vencer e continuar sonhando com uma vaga europeia. Nem assim os nerazzurri venceram, e amargaram uma virada que praticamente elimina as chances de o time jogar a segunda competição europeia de clubes. O curioso é que o jogo começou bem para a Inter. Muito ligada e com a mentalidade correta para uma partida de relevo, o time da casa mordeu e pressionou bastante. Porém, novamente demonstrando irregularidade e sofrendo com erros individuais (os dois gols da Juve saíram assim), o time degringolou.

A Inter chegou ao gol cedo, aos 9 minutos, depois que Icardi botou o peito na bola e desviou o chute de Brozovic. A Beneamata pressionou muito, e chegou até a ampliar: Shaqiri acertou o travessão e Brozovic, no rebote, anotou. O gol, porém, foi mal anulado por impedimento. Na sequência, a Inter sofreu um gol em uma jogada que já se anunciava perigosa. Morata e Matri davam trabalho com arrancadas para cima da lenta zaga formada por Ranocchia e Vidic – o espanhol fez Handanovic trabalhar antes. O beque sérvio saiu na frente na corrida, mas chegou bem atrás de Matri e cometeu pênalti, convertido por Marchisio. No segundo tempo, a Juventus melhorou e equilibrou as ações do jogo. Quando a partida parecia que iria acabar empatada, Handanovic engoliu frango em chute fraco de Morata, já nos minutos finais. A Inter buscou a reação, mas o vovô Storari, de 38 anos, fez duas defesaças no mesmo lance, sobre Palacio e Icardi. (NO)

Fiorentina 3-0 Parma
Passada a decepção da eliminação ante o Sevilla, a Fiorentina voltou a campo para encarar o lanterna Parma e praticamente garantiu sua vaga na Liga Europa da próxima temporada. Com o Artemio Franchi um tanto quanto vazio, a equipe recebeu o apoio dos presentes, mesmo depois das vaias da quinta e da declaração irritada do técnico Montella. O time viola foi a campo com poucas modificações: a principal dela foi a entrada de Gilardino no lugar de Gómez, o que aumentou os rumores da saída do Alemão para o Borussia Dortmund, numa possível troca envolvendo Immobile.

A partida começou com o Parma melhor, mas rapidamente o time toscano tomou conta do jogo. Gonzalo Rodríguez abriu o placar aos 12 minutos e não fosse a falta de pontaria dos jogadores viola, a vantagem poderia ter sido ampliada na sequência. O segundo gol, porém, não demorou a sair, dessa vez com Gilardino, ainda na primeira etapa. Os crociati estavam entregues e não davam mostras de reação. Se aproveitando da falta de ofensividade, a Fiorentina chegou ao terceiro, com Salah, liquidando a partida. Ghezzal ainda tentou descontar no fim do jogo, mas parou em grande defesa de Neto. A duas rodadas do final a equipe tem quatro pontos de diferença para a Sampdoria, sétima colocada. A vaga europeia está bem próxima. (CD)

Atalanta 1-4 Genoa
Olha o Genoa aí. Após início ruim no returno, o time de Gasperini não parecia ter forças para entrar na zona europeia, mas novamente surpreendeu e, em boa fase desde abril, ocupa a sexta colocação, dois pontos atrás da Fiorentina, dois à frente da Sampdoria e a três da Inter. Distância curta, claro, mas que vale muito para os grifoni, que na próxima rodada receberão o time de Mancini em confronto direto e seguirão secando a rival, que mais uma vez perdeu em casa. No entanto, todo esforço pode não resultar em vaga na Liga Europa, já que o clube teve a licença Uefa negada por questões financeiras e perdeu o primeiro recurso. Com isso, caso os rossoblù fiquem com a sexta posição, o sétimo pode ficar com vaga na Liga Europa, de forma semelhante ao que ocorreu com Parma e Torino no ano passado.

Edy Reja versus Gian Piero Gasperini. Certeza de jogo pegado, mas também com muitas oportunidades de gol. Foi exatamente o roteiro da partida em Bérgamo, com final pra lá de feliz pros visitantes, embora os donos da casa tenha comemorado a permanência na Serie A após novo campeonato sofrido e mesmo com a goleada. A Atalanta saiu na frente do placar após pênalti bizarro cometido por Burdisso, que inexplicavelmente colocou a mão na bola na própria área aos 17. Na cobrança, Pinilla bateu colocado e fez valer a Lei do Ex. O Genoa respondeu ainda no primeiro tempo, aos 30: Pavoletti novamente foi decisivo ao marcar o gol de empate e seu quarto gol em cinco partidas, desviando cruzamento de Bertolacci. Bertolacci, aliás, responsável pelo gol da virada já na segunda etapa, mais uma vez chamando atenção de times grandes com bela jogada pessoal. Depois, o Genoa marcou duas vezes com Iago, uma das surpresas da temporada. O espanhol recebeu dois passes de Pavoletti e chegou aos 13 gols. (AB)

Sassuolo 3-2 Milan
Domenico Berardi. Definitivamente, ele é o carrasco do Milan. Em cinco jogos oficiais entre as equipes, o meia-atacante do Sassuolo marcou sete gols. Depois dos quatro na última temporada, numa vitória épica por 4 a 3, o jovem destaque dessa vez marcou três e garantiu mais uma vitória da equipe neroverde. E poderiam ter sido quatro, não fosse a brilhante defesa de Diego López, quando a partida ainda estava empatada. É bem verdade que o goleiro espanhol colaborou bastante para a tripletta, falhando bisonhamente no primeiro gol da equipe da casa, não conseguindo defender um chute de longa distância. A bola não cruzou toda a linha e o gol deveria ter sido invalidado, mas ficou o registro do erro do experiente arqueiro. No segundo gol, López pode culpar sua zaga, pelo vacilo em deixar Berardi sozinho para receber longo lançamento e bater cruzado.

Da defesa, o espanhol viu sua equipe pressionar e diminuir logo na sequência. Bonaventura fez uma bela jogada, passando por quatro defensores e tocando no canto de Consigli. Apesar de esboçar uma pressão no final da primeira etapa, o Milan só chegou ao gol de empate no começo da segunda etapa. Alex aproveitou cruzamento de Suso, dividiu com o goleiro neroverde e empatou para o Diavolo. A expulsão de Bonaventura, pouco após o empate, foi decisiva para o Sassuolo, que voltou a atacar até chegar ao terceiro gol, novamente com Berardi. Se a vitória não mudou a situação do time da Emília-Romanha, eliminou matematicamente qualquer possibilidade de o Milan chegar à Liga Europa, colocando ainda mais pressão para a temporada seguinte. Como consolo, El Shaarawy voltou aos campos e surge como esperança de um frágil Milan. (CD)

Cagliari 0-1 Palermo
O inevitável aconteceu. O Cagliari se juntou à Parma e Cesena como os times que disputarão a Serie B da próxima temporada. Depois de um ano marcado por trocas de técnicos, um time decadente e muitos problemas internos, a torcida ainda acreditava num verdadeiro milagre para tirar oito pontos nas três rodadas restantes e encheu o Sant’Elia.

Toda euforia logo foi motivação para a equipe que, nos primeiros minutos, quase abriu o placar. Mas, Vázquez tratou de esfriar o clima no estádio e aos 9 minutos fez o primeiro para o Palermo, aproveitando sobra na entrada da área. O jogo seguiu disputado e o Cagliari teve a chance do empate, com Ekdal e Diego Farias, mas pararam nas boas defesas de Sorrentino. No segundo tempo, a partida seguiu com o Cagliari pressionando e o Palermo contra-atacando, mas nada de um gol sair. 11 anos depois, a Sardenha ficará sem representantes na primeira divisão italiana. (CD)

Torino 2-0 Chievo
O Torino não criou tantas chances, mas fez o suficiente para manter a invencibilidade contra o Chievo, no Olímpico, e permanecer na disputa por uma (improvável) vaga na Liga Europa. Sem contar com Amauri, suspenso, e Quagliarella, machucado, Maxi López iniciou entre os titulares para incorporar a Lei do Ex. Está certo que Martínez deveria ter sido o primeiro a marcar, ainda aos 30 segundos do primeiro tempo, mas não conseguiu tocar a bola da forma correta com a cabeça.

O primeiro gol da partida saiu somente na etapa final. Martínez também participou, desta vez com uma cabeçada meio estranha. A zaga do Ceo afastou ainda pior e Maxi empurrou a bola para a rede. Em contra-ataque, contando com a segunda assistência do zagueiro Maksimovic no jogo, o argentino completou o 2 a 0 para a festa da torcida granata. E olha que Bardi salvou o que seria um dos gols mais bonitos da temporada: Gastón Silva, de primeira e da intermediária. (Murillo Moret)

Verona 2-1 Empoli
Duelo sem pretensões para as equipes, mas a partida valia demais para Toni, que ainda disputa o prêmio de artilheiro do campeonato. O artilheiro, porém, passou em branco. Quem marcou primeiro foi Saponara. O jogador emprestado pelo Milan mostrou outra vez ter sido uma bela aquisição de inverno e silenciou o Marc’Antonio Bentegodi logo aos 6 minutos, com um chute forte, após assistência de Maccarone. O lançamento de Obbadi, em cobrança de falta, foi preciso para Moras empatar a partida ainda no primeiro tempo.

O Verona teve a chance de virar a partida no pênalti não marcado de Valdifiori. O árbitro Federico La Penna não viu que o meio-campista do Empoli colocou a mão na bola. No segundo tempo, deu mais Verona. E foi Hallfredsson que se destacou após o intervalo. O islandês iniciou a etapa com um cruzamento perfeito para Sala virar a partida. Ele também participou do único lance de perigo de Toni - uma cabeçada que deixou a trave balançando. No fim da rodada, o veterano está empatado com Icardi e com um gol a menos que Tévez. (MM)

Relembre a 35ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.  

Seleção da rodada
Storari (Juventus); Gentiletti (Lazio), Rodríguez (Fiorentina), Maksimovic (Torino); Iago (Genoa), Nainggolan (Roma), Bertolacci (Genoa), Mertens (Napoli); Berardi (Sassuolo), Morata (Juventus), Maxi López (Torino). Técnico: Massimiliano Allegri (Juventus).

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O fim de um sonho


Com a cara no chão: assim ficou o Napoli após cair para o Dnipro, zebra da Liga Europa
Acabou. Napoli e Fiorentina caíram de forma justa na Liga Europa e não teremos final italiana na competição. Agora, para que a Itália volte a conquistar um título continental pela primeira vez em cinco anos, dependerá de uma vitória da Juventus contra o Barcelona na Liga dos Campeões. De qualquer forma, apesar do vexame dos times da Bota nas semifinais da Europa League, a avaliação da temporada é positiva. Veja como foram as eliminações das equipes.

Dnipro 1-0 Napoli
Em Nápoles, muitos reclamarão da arbitragem. De novo. Seleznyov, também novamente, fez o único gol do Dnipro, aquele que sacramentou a classificação dos ucranianos à grande decisão da Liga Europa. A partida no Leste Europeu foi bastante semelhante a da última semana, na Itália. Os napolitanos tentaram pressionar, porém, sem qualquer tipo de consistência. Nas poucas chances criadas, Higuaín parou em Boyko – assim como no jogo de ida.

É interessante, somente, que o finalista teve uma trajetória com duas polêmicas exatamente com a arbitragem. Os gols impedidos de Seleznyov, no primeiro jogo, e Fedetskiy, contra o Saint-Étienne, eliminaram tanto Napoli como Qarabag. O time do Azerbaijão foi prejudicado ainda no duelo contra a Inter: venceria e deixaria o Dnipro amargando a desclassificação na fase de grupos. Porém, o gol da vitória foi anulado de forma bisonha.

De qualquer forma, os italianos agora precisam garantir vaga em competições europeias através do Italiano. Entrar novamente na Liga Europa é mais simples por conta dos cinco pontos de vantagem que tem para a outra eliminada do dia, a Fiorentina. Liga dos Campeões só com quedas de Roma ou Lazio. É possível, já que a Lazio terá pela frente Sampdoria (fora), Roma e o próprio Napoli, na última rodada, no San Paolo.

Foi um dia bastante complicado para a equipe que teria de enfrentar o adversário mais fácil. A eliminação trouxe à tona a declaração de Fedetskiy. O zagueiro deseja que Higuaín cumpra a promessa e pendure as chuteiras, pois Pipita disse que não jogaria mais futebol caso não avançasse de fase. (Murillo Moret)
 
Uma nuvem vermelha persegue Montella: técnico se irritou com torcida após eliminação (Gazzetta.it)
Fiorentina 0-2 Sevilla
A missão não era fácil. Reverter uma desvantagem de três gols contra o atual campeão. Ainda assim, a torcida viola lotou o Artemio Franchi em busca de uma reação histórica. Toda a euforia, porém, acabou antes dos 30 minutos. E se transformaram em muitas vaias e protestos no apito final, o que irritou o técnico Montella. Ele disse que a torcida deveria reconhecer os esforços do grupo ao invés de contestá-lo. Após a partida, o treinador deixou em aberto uma possível saída do clube, antes dada como muito improvável.
 
Apesar de ter começado melhor, com a primeira chance logo aos 15 minutos, milagrosamente defendida por Rico, a zaga da Fiorentina mais uma vez vacilou e num espaço de cinco minutos, sofreu dois gols, praticamente enterrando qualquer chance de chegar à final. Bacca fez o primeiro após completar cruzamento que passou por toda defesa. Na sequência, foi a vez de Carriço ter o trabalho de apenas concluir a gol, aproveitando a falha terrível de Basanta. Acabava ali a partida. Restavam 60 minutos por jogar que de nada serviriam para a Fiorentina. 
 
A equipe de Montella, bastante modificada – e ofensiva –, até criou boas chances, mas em todas o bom goleiro espanhol foi melhor. Quando não conseguiu defender, contou com a sorte. Ilicic teve a chance de descontar e fazer o gol de honra, mas errou bisonhamente a cobrança de penalidade, representando bem o que foi a equipe italiana nessa eliminatória – a propósito, a viola errou seis dos sete pênaltis que teve a seu favor nesta temporada. No placar agregado, o 5 a 0 foi um duro golpe na equipe, que agora joga suas últimas fichas para tentar voltar ao torneio na próxima temporada. (Caio Dellagiustina)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Brasileiros no Calcio: Silas

Mesmo jogando na Samp campeã da Itália, passagem de Silas pela Serie A foi opaca (Museo Sampdoria)
Camisa 10 na Mundial de 1990, Silas foi um dos tantos brasileiros que chegaram badalados ao futebol italiano, mas não conseguiram vingar. História comum nos dias de hoje, mas nem tanto nos anos 1980 e 1990, quando havia limite de estrangeiros na Serie A e, no melhor campeonato do mundo à época, entravam apenas os melhores.

Silas começou a carreira como profissional em 1985, no São Paulo. Integrante dos "Menudos do Morumbi", time que ganhou fama na década de 1980 com jogadores da base tricolor, barrou Pita na final do Campeonato Paulista de 1985,  assumiu a titularidade do tricolor, em um time que tinha ainda Müller. Naquele mesmo ano, Silas foi eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20, disputado na União Soviética, e que foi concluído com título brasileiro.

Antes de chegar à Itália, o meia teve boa passagem pelo futebol português, no Sporting, e uma passagem relâmpago pelo Central Español, do Uruguai, na tentativa de se livrar de um imbróglio contratual que o impediu de atuar por mais tempo no José Alvalade. Pela Seleção, Silas já havia disputado as Copas América de 1987 e 1989 – na última, fez parte do elenco campeão. O ex-jogador são-paulino tinha, ainda, duas Copas do Mundo no currículo: as de 1986 e 1990. Justamente a última, disputada na Itália, era seu calcanhar de Aquiles.

Homem de confiança de Sebastião Lazaroni por causa das boas atuações na Copa América e nas Eliminatórias para a Copa, Silas não tinha boas lembranças dos campos italianos. Junto de toda a seleção, fracassou no Mundial. E para piorar, o ex-jogador do São Paulo foi um dos mais criticados. Ainda assim, chamou atenção do modesto Cesena, clube que fazia sua quarta temporada consecutiva na Serie A (recorde da equipe) e queria apenas uma classificação final sem maiores dificuldades.

Silas chegou ao clube em outubro, e ao lado de Amarildo (ex-Lazio), Alessandro Teodorani, Massimo Ciocci e Alberto Fontana, era um dos destaques da equipe comandada pelo então promissor Marcello Lippi. Trequartista de ofício, o brasileiro não conseguiu ser a promessa que os italianos esperavam. Ele estreou contra o Bologna, mas marcou o primeiro no seu segundo jogo, contra o Torino. Um golaço de falta.

O brasileiro fez alguns bons jogos e certamente elevou o nível técnico da equipe de Lippi. No entanto, torcedores e a mídia, à época, acharam que a entrada de Silas acabou desmontando o equilíbrio tático do Cesena lippiano – tanto é que o treinador acabou demitido na 17ª rodada. Tido como um jogador lento para construir jogadas e para recompor na marcação, Silas não conseguiu compensar com a qualidade técnica elevada, que aparecia em lampejos – algo pouco agradável de uma torcida acostumada com jogadores pouco brilhantes, mas regulares. Ao mesmo tempo, vale ressaltar a fragilidade da defesa romanhola, terceira pior do campeonato. Dessa forma, o rebaixamento tornou-se inevitável. Com apenas cinco vitórias, 19 pontos e três gols de Silas (contra Torino, Pisa e Genoa), os cavalos marinhos retornaram à Serie B.

Silas, pelo Cesena, em duelo justo contra a Samp, que seria seu time a seguir (Borsari)
Apesar das dificuldades de sua primeira temporada, Silas conseguiu terminar valorizado nos 26 jogos em que realizou e, a pedido de Vujadin Boskov, foi contratado pela atual campeã, Sampdoria. Como principal compra da temporada, e na companhia de Toninho Cerezo, Gianluca Vialli, Roberto Mancini e Gianluca Pagliuca, o jogador começou bem, marcando contra o Cagliari na primeira rodada (apesar da derrota por 3 a 2), mas logo ganhou o rótulo de pé-frio.

Com Silas em campo, a Samp raramente vencia. Diz a lenda que o xerifão Pietro Vierchowod, líder da zaga doriana, chegou a comandar um ritual para tirar o mal olhado do brasileiro, com uso de muito sal e alho da Apúlia. Curioso, já que o jogador foi um dos primeiros expoentes do grupo Atletas de Cristo no futebol italiano – inclusive, o grupo evangelista de jogadores cristãos é, até hoje, expressivo no futebol da Bota, e é uma das exportações do Brasil para a Itália.

De qualquer forma, a superstição da torcida parecia ter lógica: a campanha da campeã não foi muito boa, e o clube não foi além da sexta colocação. Silas perdeu espaço em meados da temporada, mas jogou muitas partidas na Serie A (31 ao todo). No entanto, a Samp fez grande campanha na Copa dos Campeões, competição na qual Silas pouco jogou. Do banco, o brasileiro viu os blucherchiati serem derrotados apenas na final para o Barcelona, por 1 a 0, gol de Ronald Koeman, na prorrogação. Pela Samp, foram 35 jogos e cinco gols anotados. Em Gênova, o brasileiro também ficou marcado pela lentidão em campo.

Escalação da Sampdoria em uma partida da temporada 1991-92, com Silas entre os titulares (Wikipedia)
Após a temporada, Silas voltou ao Brasil, onde jogou por Internacional e Vasco, antes de se aventurar por Japão e Argentina. Em Buenos Aires, o brasileiro teve um dos momentos mais gloriosos da carreira, vestindo a camisa do San Lorenzo. Conquistou um Campeonato Argentino e tornou-se um dos ídolos da equipe de Boedo na década de 1990, embora tenha atuado no clube apenas entre 1995 e 1997.

Retornou ao São Paulo, em 1997, mas entrava num momento decadente na carreira. Aceitou uma nova proposta japonesa, dessa vez do Kyoto Purple Sanga, clube em que jogou dois anos. Passou ainda por Atlético-PR e clubes do interior de São Paulo, até encerrar a carreira, em 2004, aos 39 anos, na Inter de Limeira.

Em 2006 iniciou a carreira fora das quatro linhas, como assistente técnico do Paraná, que era treinado pelo amigo Zetti. Seu primeiro trabalho como profissional foi no Fortaleza, em 2007, após a demissão do amigo. Na sequência comandou o Avaí, projetando-se para o cenário do futebol. Ganhou destaque no Grêmio, mas sua passagem negativa pelo Flamengo brecou a carreira promissora como técnico. Hoje trabalha no Ceará, onde recuperou um pouco do seu prestígio, com um bom trabalho e o título da Copa do Nordeste.

Paulo Silas do Prado Pereira
Nascimento: 27 de agosto de 1965, em Campinas (SP)
Posição: Meia
Clubes em que atuou: São Paulo (1985-88 e 1997-98), Sporting Lisboa (1988-90), Central Español (1990), Cesena (1990-91), Sampdoria (1991-92), Internacional (1992-93), Vasco da Gama (1994-95), Kashiwa Reysol (1995), San Lorenzo (1995-97), Kyoto Purple Sanga (1998-2000), Atlético-PR (2000), Rio Branco-SP (2001), Ituano (2001), América-MG (2001-02), Portuguesa (2002) e Inter de Limeira (2003-04)
Títulos como jogador: Campeonato Paulista (1985, 1987 e 1988), Campeonato Gaúcho (1986), Campeonato Carioca (1994), Campeonato Paranaense (2000), Copa do Brasil (1992), Campeonato Brasileiro (1986), Campeonato Argentino (1995), Copa do Mundo Sub-20 (1985) e Copa América (1989).
Clubes como treinador: Fortaleza (2007-08), Avaí (2008-09 e 2011), Grêmio (2010), Flamengo (2010), Al Arabi-QAT (2011-12), Al Gharafa (2012), Náutico (2013), América-MG (2013-14), Portuguesa (2014) e Ceará (2015)
Títulos como treinador: Campeonato Catarinense (2009), Campeonato Gaúcho (2010), Copa Sheikh Jassem (2011), Copa Emir (2012) e Copa do Nordeste (2015)
Seleção brasileira: 38 jogos e 1 gol

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Berlim, de novo

Vestindo azul, como a Itália, Juventus honrou as cores da seleção e decidirá título
na capital da Alemanha, como a Azzurra em 2006 (LaPresse)
Dizem que a Juventus é o time que mais representa a Itália. O mais identificado com o país. Aquele time que é a locomotiva da seleção: quando a Velha Senhora está forte, a Squadra Azzurra é forte. São máximas antigas e sem comprovação científica. Mas o fato é que, hoje, a Juventus entrou em campo com seu uniforme reserva: azul, da mesma tonalidade que o da Itália. Enfrentou uma equipe branca – com detalhes em preto –, fora de casa. E avançou à final em Berlim. Semelhanças de sobra com 2006, quando a Nazionale bateu a Alemanha em Dortmund e decidiu no Olímpico. O veredito será igualmente feliz para o time da Bota?

Os números estavam a favor da Juventus. Nas cinco últimas vezes que a Juventus tinha enfrentado o Real Madrid nos mata-matas da fase moderna da Liga dos Campeões (pós-1992), a Juve levou a melhor quatro vezes – perdeu apenas em 1998, na final. Após vencer a partida de ida por 2 a 1, a Velha Senhora nunca tinha sido eliminada, ao mesmo tempo em que os madridistas nunca haviam se classificado após uma derrota no primeiro jogo. 

Ficou na mesma e, cinco anos depois, um time italiano está na final da Champions de novo. Após 12 anos de jejum, a Juve volta a decidir a principal competição europeia. Pela oitava vez consecutiva o Real é eliminado em um mata-mata contra italianos: foram quatro vezes contra a Juve, duas contra o Milan e uma contra Roma e Torino; a última vez que passou foi em 1987, contra o Napoli. Assim, a tão sonhada e inédita final da LC entre Real Madrid e Barcelona, Cristiano Ronaldo e Messi, continuará apenas na imaginação. 

Teremos outras histórias e duelos: Buffon e Barzagli voltam a Berlim, onde foram tetracampeões com a Itália, Chiellini e Suárez jogam um contra o outro após a famosa mordida em Uruguai 1-0 Itália, jogo da eliminação azzurra na Copa de 2014 – o charrua ainda enfrenta Evra, com quem teve entrevero relacionado a ofensas racistas, nos tempos em que jogavam no futebol inglês. Teremos também confronto de estrelas: Buffon, Vidal, Pirlo, Marchisio e Pogba contra Mascherano, Piqué, Iniesta, Xavi e Neymar, além do duelo argentino entre Messi e Tévez. Mas, principalmente, uma inédita final entre Barça e Juve.

A partida acontece no dia 6 de junho, daqui a quase um mês. Até lá, a Juventus cumprirá tabela pela Serie A – mas terá dois jogos de bastante rivalidade, contra Inter e Napoli, bons "testes"– e enfrentará a Lazio, na final da Coppa Italia. O jogo, que aconteceria dia 7 de junho, foi remarcado para a próxima quarta, 20 de maio, em virtude da classificação bianconera. Dessa forma, há grandes chances de a Juventus chegar a Berlim em busca da Tríplice Coroa – assim como o Barcelona. No futebol italiano, só a Inter de 2010 conseguiu tal feito.

Em junho, Pogba deve estar plenamente recuperado de uma lesão que o deixou afastado do futebol por quase dois meses, o que é um grande ganho para a Juve. O francês voltou no final de semana, contra o Cagliari, e jogou no Santiago Bernabéu. Visivelmente sem ritmo, o meia não jogou mal, mas se mostrou aquém do que pode. Ainda assim, participou do gol de empate juventino e teve uma ótima chance de marcar um gol.

Na Espanha, quem marcou primeiro foi o Real Madrid. Depois de assustar com Benzema e Bale, os merengues abriram o placar depois de James Rodríguez dobrar os joelhos e forçar o contato com Chiellini, dentro da área. Ronaldo bateu e fez. Os madrilenhos foram superiores no primeiro tempo, e a Juventus pouco chutou a gol, apesar de ter vantagem na posse de bola. Tévez, apagado, não foi acionado muitas vezes. Muito porque Pirlo errou muitos passes e jogou bem abaixo do que pode.

No segundo tempo, a Juventus voltou com mais ímpeto, afinal estava sendo eliminada. Passou a chutar mais no gol, e quase empatou com Marchisio. Marcelo respondeu na sequência, após erro de Pogba. O francês, então, se redimiu: aproveitando erro de Sergio Ramos na formação da linha de impedimento, aproveitou uma sobra na área e fez a torre para quem chegava de trás. Morata, esquecido por Kroos no meio da área, dominou e bateu bem, empatando o jogo – sem comemorar contra seu ex-clube.

O Real Madrid partiu para cima, enquanto a Juventus demorava para estacionar seu ônibus na entrada da área – Barzagli jogou somente os 15 minutos finais. Bale perdeu duas ótimas oportunidades – uma de cabeça e outra completando cruzamento com o pé canhoto. James bateu por cima do gol em outra oportunidade e Chicharito incendiou o jogo após a saída de um cansado Benzema. Só quem não apareceu foi Cristiano Ronaldo, cada vez menos criador de jogadas e mais definidor delas. Foi a Juventus, no entanto, quem mais fez o goleiro adversário trabalhar. Com Marchisio e Pogba poderia ter definido o jogo, mas Casillas defendeu bem. Buffon, por sua vez, fez uma partida extremamente segura, sem grandes defesas, mas fundamental em seu papel de liderança.

Allegri superou Conte e as desconfianças (Getty Images)
A Juventus, claro, foi a grande vencedora da noite. Mas não dá para deixar de mencionar a vitória pessoal do técnico Massimiliano Allegri. Ele chegou à Juventus de forma conturbada. Antonio Conte se demitiu com a pré-temporada já iniciada e não contava com o apreço da torcida. Seu último ano e meio à frente do Milan tinha sido muito ruim, por diversos fatores – muitos por culpa própria, também, já que perdeu o elenco e teve escolhas confusas. Seu grande trabalho pelo Cagliari, quando chegou a ser eleito o técnico da temporada na Itália, e o scudetto conquistado já pelo Milan pareciam coisa de um passado distante. Mas o técnico toscano deu a volta por cima.

Allegri conseguiu superar Conte – nos bastidores, dizem que o atual técnico da seleção italiana está mais do que mordido pelo sucesso do seu sucessor. Conte foi tricampeão italiano, mas não passou das quartas na Liga dos Campeões – chegou até a cair na primeira fase e não foi campeão da Liga Europa, quando a final era em casa. Allegri queria chegar entre os quatro no torneio continental. 

Conseguiu e superou: está na final. Além disso, modificou o esquema tático da equipe, adaptando-o aos adversários e circunstâncias de cada momento do jogo. Mais: ao começar a usar o 4-3-1-2 como base – seu melhores trabalhos foram com este esquema –, aproveitou o melhor setor da Juve, o seu meio-campo. Apesar de, nesta quarta, na partida no Bernabéu a Juventus não ter sido impecável na meia cancha, isso se viu bastante no jogo de ida e em toda a temporada, o que conferiu bastante confiança à equipe de Turim. Agora, é hora de comemorar.

Real Madrid 1-1 Juventus 
Estádio Santiago Bernabéu, Madrid (Espanha)
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)

REAL MADRID: Casillas; Carvajal, Varane, Sergio Ramos; Marcelo; Kroos, Isco, James Rodríguez; Bale, Cristiano Ronaldo, Benzema (Chicharito). Técnico: Carlo Ancelotti.

JUVENTUS: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Pirlo (Barzagli), Marchisio, Pogba; Vidal; Tévez, Morata. Técnico: Massimiliano Allegri.
 
Gols: Cristiano Ronaldo (RM, 23') e Morata (J, 58')
Cartões amarelos: Isco e James Rodríguez (RM); Tévez e Lichtsteiner (J)

terça-feira, 12 de maio de 2015

35ª rodada: Ainda dá?

Todos sobre Hernanes: o Profeta marcou dois contra a Lazio e comandou vitória da Inter sobre antigo time (LaPresse)
42 gols marcados. A rodada com maior número de tentos anotados nesta edição da Serie A mostrou que as equipes da Itália não estão com medo de buscarem seus objetivos. Com vagas em aberto para a Liga dos Campeões e a Liga Europa, as equipes entraram em campo pensando em vencer. Curiosa a situação: os quatro primeiros colocados tropeçaram, mas os quatro seguintes acumularam vitórias. Quase tudo – exceto título e rebaixados – continua indefinido para as próximas rodadas, e todas as sete equipes que brigam por uma vaguinha europeia se perguntam: dá para chegar?

Lazio 1-2 Inter
Não, não é um sonho: mesmo com uma temporada bem abaixo do aceitável, a Inter chega na reta final da Serie A com possibilidades de conquistar uma vaga na Liga Europa. Para prosseguir na caminhada de tornar o improvável realidade, o time de Mancini precisava recuperar pontos perdidos em casa para o Chievo diante da forte Lazio. À equipe treinada por Pioli, por sua vez, bastava uma vitória para retornar à vice-liderança do campeonato, já que a Roma havia sido derrotada pelo Milan, no dia anterior: seria uma vitória importante, já que sua tabela é bastante complicada. Acabou dando Inter, de virada, com dois gols de Hernanes, ex-jogador do time romano.

O início da Lazio foi avassalador. Muito incisivos, os biancocelesti deixaram a defesa nerazzurra em apuros, e abriram o placar após jogada de Felipe Anderson e gol de Candreva. Depois, Ranocchia salvou, com uma pirueta, o segundo, com Parolo. Uma pirueta, aliás, seria motivo de discórdia pouco depois: Hernanes anotou seu primeiro, e comemorou, com uma acrobacia. Já vaiado pela torcida da Lazio, viu a intensidade aumentar – depois, explicou que celebrou o gol por causa de uma frase mal educada do presidente Lotito em seu confronto, e se desculpou com a torcida, que não engoliu muito. O time da casa reclamou de impedimento de Medel no lance do primeiro gol da Inter, mas não teve muito a reclamar das justas expulsões de Maurício e Marchetti. Com dois a mais em campo – assim como contra a Udinese, duas semanas antes –, a Beneamata teve dificuldades de furar o bloqueio. Perdeu pênalti, mas graças a passe de Palacio e outro gol de Hernanes, venceu, chegando à sétima posição. (Nelson Oliveira)

Parma 2-2 Napoli
Mais um deslize napolitano em momento crucial da temporada. Podendo aproveitar a derrota da Roma e secar a Lazio contra a Inter, o time de Benítez não conseguiu mais que um ponto em Parma. E ainda mais grave: Donadoni alega que Higuaín pediu para os donos da casa, já falidos e rebaixados, entregarem o jogo. O atacante ainda discutiu com Mirante no final do jogo. No final das contas, os azzurri ficam quatro e três pontos atrás dos times romanos. A esperança para o Napoli tentar chegar na Liga dos Campeões através da Serie A está na difícil tabela da Lazio, que enfrenta a Sampdoria fora de casa e, na sequência, tem confrontos diretos contra a Roma e contra o próprio time napolitano.

Tudo começou mal para o time do sul da Itália. Para começar, Palladino voltou a marcar depois de cinco meses ao aproveitar sobre da bola após escanteio e abriu o placar para o Parma. Atrás da vitória, os visitantes empataram aos 28, com Gabbiadini, em assistência de Hamsík. Porém, cinco minutos mais tarde, jogada ensaiada - sim, aparentemente eles ainda ensaiam nos treinos - do Parma e gol de Jorquera, em chute potente de fora da área, com nova colaboração de Andújar. E o Napoli, bem, sofreu para empatar. Dono do segundo tempo inteiro, com mais de dez chutes e posse de bola, só foi às redes com Mertens e esbarrou no goleiro Mirante, melhor em campo com diversas defesas difíceis. (Arthur Barcelos)
 
Milan 2-1 Roma
Após cinco resultados ruins, o Milan finalmente voltou ao caminho das vitórias na Serie A. Contra a vice-líder Roma, o time de Inzaghi foi melhor do que o esperado e, sob mais protestos das torcida - que continua pedindo "jogadores campeões" para voltar a sonhar - conquistou vitória importante para o moral, mas que, na prática, pouco significa. O time não disputa mais nada nesse campeonato e, não importa quantas vitórias conquiste nessa reta final, deve ser desmontado, do comando técnico aos jogadores em campo. 

A Roma é que deve se preocupar mais com o resultado. A equipe da capital só não perdeu a vice-liderança do campeonato porque a rival Lazio também tropeçou na rodada. Com a derrota, a Roma se tornou a única equipe da Serie A que não conquistou pontos no San Siro - contra Milan ou Inter - nessa temporada. Assim, o time de Rudi Garcia se mantém a quatro pontos do Napoli, primeiro time fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões. Em bom jogo, foi van Ginkel que abriu o placar para o Milan, ainda no primeiro tempo. Destro ampliou contra o ex-time e Totti diminuiu, de pênalti, para a Roma. (Rodrigo Antonelli)
 
Empoli 2-3 Fiorentina
Focada em reverter a dura desvantagem contra o Sevilla na semifinal da Liga Europa, a Fiorentina visitou o vizinho Empoli com time misto, mas também preocupada com a posição na Serie A e a sequência de quatro derrotas. A equipe contou com um Ilicic inspirado para arrancar três pontos fundamentais para seguir na quinta posição e com vantagem, embora curta, sobre Sampdoria, Genoa e Inter.

Com três minutos, após escanteio curto, Ilicic tabelou com Badelj e fez seu primeiro com belíssimo chute da lateral da área, ao seu estilo com potente e precisa canhota. O gol condicionou o seguimento dos fatos, com o Empoli atrás do empate, mas esbarrando na defesa adversária. Ainda assim, aos 28, Saponara fez jogada individual e quebrou as linhas adversárias, empatando o jogo. Sem maiores momentos, somente na volta do intervalo o jogo esquentou, com a entrada de Salah. Dominantes, os donos da casa pressionam por um bom tempo, mas Ilicic voltou a aparecer e acionou desmarque de Salah, que voltou a colocar a Fiorentina na frente, aos 57. Dez minutos, depois, o golpe fatal, novamente com Ilicic. Depois de bate-rebate, a bola sobrou nos pés do esloveno, que novamente venceu Sepe. Os azzurri toscanos ainda descontaram com Mchedlidze, aos 77.  (AB)
 
Udinese 1-4 Sampdoria
Em dois anos, Udinese e Sampdoria marcaram 11 gols no Friuli: em 2013-14, o grande empate em 3 a 3; neste fim de semana, a Samp não tomou conhecimento do adversário e enfiou 4 a 1. Guilherme até testou Viviano no início do jogo, mas Palombo, Muriel e Eto’o foram mais perigosos. Soriano, então, marcou o primeiro após excelente jogada rápida de Wszolek, na linha de fundo. No segundo tempo, antes de Soriano balançar a rede novamente, Karnezis fez uma defesa impressionante em finalização de Muriel, Duncan acertou a trave e Domizzi afastou o rebote de Muriel em cima da linha.

Acquah, no contra-ataque, e Duncan, aproveitando passe em profundidade de Muriel, marcaram os outros dois gols da Sampdoria, para a alegria do presidente Massimo Ferrero. Di Natale descontou de pênalti e fez o 207º tento da carreira na Serie A. Apesar da goleada, a Udinese criou bastante chances - sobretudo com Guilherme e Théréau. O resultado deu fim a uma sequência de seis jogos sem vencer do time doriano, que viveu sua pior fase em toda a temporada. Agora, com a vitória na hora certa, os comandados de Mihajlovic seguem sonhando com uma vaga europeia: estão na sexta posição, um ponto atrás da Fiorentina, um acima do rival Genoa e com dois de vantagem sobre a Inter. (Murillo Moret)
 
Genoa 5-1 Torino
Na semana passada, o Genoa obteve a negativa da licença Uefa – cabe recurso, mas neste panorama, se conseguir classificação à Liga Europa não terá a vaga. Ao mesmo tempo, todos os seus adversários próximos na tabela venceram. Os dias, que tinham tudo para serem negativos, acabaram com uma goleada sobre o Torino, reacendendo as esperanças de um final feliz na temporada. O Torino ficará no quase: com 48 pontos, seis abaixo do último time que hoje iria à Liga Europa – a Sampdoria –, as chances de voltar à competição europeia são bastante reduzidas.

Amplamente superior na partida, o time de Gasperini abriu o placar já no primeiro tempo, com Iago – o espanhol, com passagens pelas divisões de base de Real Madrid, Barcelona e Juventus, tem sua primeira temporada de destaque, com 25 anos. O Toro chegou a empatar com outro jogador que explodiu tarde, El Kaddouri, mas o rolo compressor genovês entrou em ação. Tino Costa fez o segundo, contando com desvio em um adversário, e depois o Grifone marcou três gols em seis minutos: Bertolacci, Pavoletti e novamente Costa ampliaram. Nas próximas rodadas, o Genoa enfrenta Atalanta, Inter e Sassuolo. (NO)

Juventus 1-1 Cagliari
A campeã entrou em campo com time quase todo reserva, de olho no jogo de volta da Liga dos Campeões, contra o Real Madrid, quarta-feira, e nem o empate do Cagliari nos minutos finais tirou o sorriso dos rostos dos torcedores ou do técnico Massimiliano Allegri. A fase de lua de mel, que começou com o scudetto no fim de semana passado e a grande vitória sobre o Real, na terça, continua: o retorno de Paul Pogba aos gramados após 52 dias foi o motivo da alegria dessa vez. O francês fez boa partida contra o Cagliari, marcou o gol da Juve, e já deve ser titular para o jogo decisivo da Liga dos Campeões, na quarta. 

No meio da festa juventina, o Cagliari pouco conseguiu incomodar e só no fim levou um pouco de perigo ao gol de Storari. Aos 40 minutos, Rossettini empatou a partida, mas o ponto marcado de pouco serviu à equipe rossoblù, que vê a luta contra o rebaixamento cada vez mais difícil. Agora, o time tem oito pontos atrás da Atalanta, primeira fora da zona de rebaixamento, e só restam nove pontos em disputa. Só um milagre deve salvar a equipe da Serie B do ano que vem. (RA)
 
Chievo 2-2 Verona
O dérbi de Verona foi igualmente dividido entre espetacular e medíocre. Nos cinco primeiros minutos de jogo, Nicola Rizzoli distribuiu três cartões amarelos, mostrando a dureza da partida e o frenesi que aconteceria no primeiro tempo – e desapareceria após o intervalo. Paloschi desviou o cruzamento de Pellissier para marcar o primeiro; em bola parada, Juanito empatou aos 20. Em seis minutos, o Hellas virou: novamente em cobrança de falta, Hallfredsson cruzou e, de voleio, Toni fez o 19º gol dele no campeonato. Pellissier definiu o resultado ainda no primeiro tempo, de pênalti.

Ainda que Dainelli não tenha permitido que Toni marcasse o segundo dele na partida, salvando uma bola na pequena área, o confronto caiu de produção depois da parada para acertos nos vestiários. O Chievo até reclamou de pênalti de Jankovic - mão dentro da área -, mas, em comparação aos 45 minutos iniciais, a etapa complementar foi bem aquém do previsto. Curiosamente, foi o primeiro empate da história do dérbi veronês na Serie A. (MM)

Palermo 2-3 Atalanta
Um ponto. É disso o que a Atalanta precisa para garantir a salvezza, nas três rodadas finais da Serie A. Jogando no Renzo Barbera, os nerazzurri conseguiram uma fundamental vitória contra o Palermo e só não comemoraram a permanência nesta rodada porque o Cagliari empatou sua partida contra a Juventus no finalzinho, adiando o veredito. Sem pretensões e já pensando na temporada seguinte, com Iachini deixando Dybala no banco, o Palermo entrou em campo desligado e a Atalanta se aproveitou para rapidamente abrir dois gols de vantagem. Baselli, aos 3, e Andjelkovic, contra, aos 17, deixaram os bergamascos com 2 a 0 no placar.

A pressão do Palermo não dava resultados. Avramov e depois Biava, em cima da linha, evitaram os gols de Vázquez e Chochev. Somente aos 43 as águias conseguiram diminuir. Vázquez aproveitou a sobra do cruzamento de Quaison e completou de cabeça para o gol. O Palermo voltou melhor para o segundo tempo e, de novo, Biava salvou em cima da linha. No lance seguinte, a Atalanta marcou o terceiro. Alejandro Gómez, o destaque da partida, recebeu na área, de frente para o gol, e acertou um petardo no ângulo de Ujkani. Numa bobeira de Avramov, o Palermo quase chegou ao segundo gol. O goleiro driblou Belotti e esqueceu que o atacante ainda estava vivo na jogada: acabou dando uma rasteira no adversário, cometeu pênalti e foi expulso. Na cobrança, o próprio Belotti acertou o travessão. Rigoni ainda conseguiu diminuir e o time da casa pressionou até o final, mas a vitória ficou com os nerazzurri. (Caio Dellagiustina)

Cesena 2-3 Sassuolo
O Cesena é a segunda equipe rebaixada à Serie B. Apesar de esboçar uma reação no início do segundo turno, o time já acumulava nove jogos sem vitórias. E neste domingo, em um dos muitos clássicos da Emília-Romanha, os bianconeri fizeram um excelente primeiro tempo, mas cederam a virada na segunda etapa para o Sassuolo, consolidando a queda após a vitória da Atalanta sobre o Palermo, na Sicília. Defrel, um dos poucos que se salvaram na medíocre campanha romanhola, abriu o placar ao 15 e Brienza, aos 29, num golaço bastante parecido com o de Messi contra o Bayern Munique, deram boa vantagem ao Cesena. Mas o futebol apresentado ficou no vestiário.

Sem vencer desde janeiro fora de casa, o Sassuolo reagiu na segunda etapa e conseguiu quebrar o tabu. Aos 3, Zaza fez o que quis em meio a três defensores do Cesena e diminuiu. Três minutos depois, Taïder fez o segundo e esfriou o ímpeto bianconero, que a essa altura, já tinha como certo o rebaixamento, com a vitória parcial da Atalanta. Para piorar a situação, Missiroli acertou um belo chute de fora da área e virou para o Sassuolo. No final, o Cesena ainda foi em busca do empate, que não mudaria sua situação, mas parou nas boas defesas de Consigli. Os neroverdi tinham remotas chances de rebaixamento, mas consolidaram, pelo segundo ano seguido, a permanência na elite italiana. (CD)
 
Relembre a 34ª rodada aqui.
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Seleção da rodada
Mirante (Parma); Ranocchia (Inter), Biava (Atalanta), Silvestre (Sampdoria); Ilicic (Fiorentina), Hernanes (Inter), Duncan (Sampdoria), Soriano (Sampdoria), Tino Costa (Genoa); Salah (Fiorentina), Iago (Genoa). Técnico: Gian Piero Gasperini (Genoa).