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terça-feira, 2 de setembro de 2014

1ª rodada: Começo pouco animador

Roma, de Nainggolan e Gervinho, foi o destaque de uma primeira rodada morna (Roma Forever)
Que saudades da Copa do Mundo! Ao menos em termos de número de gols, a maior competição do mundo pode causar inveja a esta primeira rodada da Serie A, avarenta em número de gols (apenas 17, pouquíssimo), boas partidas e atuações desconcertantes. Esperamos melhoras, quando as equipes começaram a se entrosar, mas não tivemos uma primeira rodada muito animadora.

Na estreia do campeonato (do qual sentimos falta, sim, vai), os destaque maior foi a Roma, que deu boas mostras contra a forte Fiorentina de que é candidata a algo mais neste ano. Em seguida, o Milan, que bateu a grande rival romanista, a Lazio, por um placar clássico, e mostrou bom futebol, afastando momentaneamente incertezas causadas pela pré-temporada e por um mercado modesto. Inzaghi estreou com o pé direito, assim como a Juventus, que jogou para o gasto e conquistou três pontos. Boa também a estreia da Udinese de Stramaccioni e Di Natale, um time que pode incomodar os grandes. Saiba quais foram os principais acontecimentos da rodada em nosso resumo.

Roma 2-0 Fiorentina
Sob os olhares do antigo ídolo Taddei, que viu a partida no meio da torcida, na Curva Sud, a Roma estreou bem no campeonato, dando um aviso à Juventus, que também venceu. Com pelo menos 60-70 minutos de ótimo futebol, o time da casa foi soberano na partida, criou chances, manteve posse de bola no ataque e obrigou a Fiorentina (uma equipe que joga com a bola nos pés) a ter apenas 43% de posse, o desempenho mais baixo desde 2012. No primeiro tempo, a Roma chegou a ter 70% do tempo com a bola nos pés, um número impressionante. Sem Cuadrado e Rossi e com um Borja Valero abaixo da forma ideal, a Fiorentina sofreu e só teve chances de marcar gols porque a Roma não matou o jogo quando podia.

Em um primeiro tempo muito bom, a Roma teve algumas oportunidades, principalmente com Iturbe (que estreou bem e mostrou bom entrosamento com Gervinho), mas só chegou ao gol depois que o jovem Brillante falhou e deu uma bola a Nainggolan. O belga avançou e aproveitou um rebote para abrir o placar. Dali para frente, com Totti, Pjanic e Gervinho, a Roma perdeu várias chances. E a Fiorentina acordou, aos 17 do segundo tempo, quando Ilicic bateu falta e De Sanctis desviou – contando com a ajuda da trave. Manolas, substituto de Benatia, deu lugar a Keita (e a De Rossi na zaga), e a Roma tentou manter o jogo como queria, mas contando também com as boas defesas de seu goleiro. No final, em contra-ataque, Gervinho fechou o placar. (Nelson Oliveira)


Milan 3-1 Lazio
Se as coisas mudaram no Milan, ainda é cedo para dizer. Mas, a julgar pela primeira rodada, dá para afirmar que sim. Afinal, não se esperava tanto dos rossoneri após final de temporada conturbado e a patética pré-temporada nos Estados Unidos, mesmo tendo vencido o troféu Luigi Berlusconi. A saída de Balotelli e a chegada de Torres pode favorecer o time que, sem uma “estrela”, precisa ser mais voluntarioso e aguerrido, tal como foi seu treinador, Pippo Inzaghi.

Ante a Lazio, o Milan não foi um primor em qualidade, mas mostrou-se muito mais organizado e sem depender de uma peça, que nem sempre fazia o que dele se esperava. Diego López, Alex e Ménez estrearam bem, El Shaarawy foi o grande destaque do jogo e Honda enfim apresentou um pouco do bom futebol. Todos os fatores juntos serviram para fazer 3 a 1, sem contestações, mesmo dando algumas oportunidades para a Lazio marcar mais gols – após o gol contra de Alex, Candreva ainda perdeu pênalti, bem defendido por Diego López. Na Lazio, estreias discretas e um time que ainda pode e deve melhorar, com os bons reforços. Honda, Muntari e Ménez marcaram os gols do Milan. (Caio Dellagiustina)

Genoa 1-2 Napoli
Depois do fracasso da eliminação ainda na fase preliminar da Liga dos Campeões, uma boa campanha na Serie A tornou-se uma obrigação para o Napoli. E, mesmo com muita dificuldade e um gol nos acréscimos do segundo tempo, do estreante De Guzmán, os partenopei conseguiram bater o Genoa e somar os três primeiros pontos.

A vitória napolitana aparentaria ser mais fácil, com o gol marcado por Callejón logo aos três minutos, após belo cruzamento de Higuaín – curiosamente, o espanhol também marcou o primeiro gol azzurro em 2013-14. Mas, Pinilla após ter feito Rafael trabalhar em duas oportunidades, igualou o marcador, com uma cabeçada certeira, deixando os genoveses vivos na partida. Na segunda etapa, as duas equipes reclamaram de penalidades não assinaladas, mas foi o Napoli quem conseguiu a vitória. Perin segurou o quanto pode, mas já nos instantes finais, De Guzmán apareceu sozinho na área, dominou e só teve o trabalho de empurrar para as redes. (CD)

Chievo 0-1 Juventus
Estreando fora de casa, a tricampeã Juventus não teve problemas para passar pelo reformulado Chievo de Corini. Sem muitos titulares, entre os quais Llorente, Pirlo, Barzagli e Chiellini, a Juve fez seu gol logo nos primeiros minutos de jogo e praticamente administrou o resultado, criando uma série de outras chances no primeiro tempo. Os destaques da partida foram Lichtsteiner e o garoto Coman, francês de apenas 18 anos contratado junto ao PSG e estreando como titular. Buffon, com uma boa defesa, também foi bem.

Logo aos seis minutos, Tévez bateu escanteio e Cáceres cabeceou, aproveitando falha do goleiro Bardi. A bola tocou em Biraghi e, assim como na Copa do Mundo, um gol contra inaugurou os trabalhos. Ainda no primeiro tempo, Coman deu uma grande movimentação à Juve, escalada por Allegri no 3-5-1-1. O jogo poderia ter acabado com uma goleada, já que a Velha Senhora acertou a trave por três vezes. No segundo tempo, a partida ficou mais lenta e mais igual, e Maxi López poderia ter empatado, não fosse Buffon. Estreia regular e três pontos na sacola para a equipe de Turim. (NO)

Torino 0-0 Inter
Um time demasiadamente recuado, outro com dificuldades para criar linhas de passes e furar bloqueios defensivos. O resultado só poderia ser o 0 a 0, embora a arbitragem tenha tomado decisões bastantes questionáveis. O Torino esteve soberbo defensivamente, ocupando todos os espaços desde sua intermediária. Já a Inter teve as mesmas dificuldades do ano passado com Mazzarri, incapaz de acionar seus alas, criar espaços e, consequentemente, chutar a gol. Em termos de resultado, não foi uma boa estreia para ambos. Para a Inter, ainda se registra a perda de Vidic para o próximo jogo – o sérvio foi expulso no último minuto por aplaudir ironicamente a arbitragem. 

A despeito do chute de fora da área de M’Vila logo no primeiro minuto, foram 20 minutos até alguém criar uma chance real. E foi através de bola parada, quando Doveri assinalou pênalti inexistente de Vidic em Quagliarella. Na cobrança, Handanovic defendeu com o joelho a cobrança de Larrondo. E nada mudou: a Inter seguiu com ampla porcentagem de posse de bola e o dobro de passes trocados, e o Torino seguiu em busca de um contra-ataque. Se a defesa do time de Turim não deu espaços, a de Milão matou todos os contragolpes do time da casa. Já na segunda etapa, a Inter só esboçou melhora quando Osvaldo, mesmo com um problema muscular, entrou no lugar de M’Vila e Mazzarri sacou o 3-4-2-1 com Medel-M’Vila no meio-campo para um 3-4-1-2 com Hernanes-Medel e Kovacic atrás da dupla Icardi-Osvaldo, que tem mostrado entrosamento. O ítalo-argentino ainda chutou ao gol uma vez, em chance criada por Hernanes, que também fez Padelli defender outro chute. Pouco. E um chato 0 a 0 no Olímpico. (Arthur Barcelos)

Udinese 2-0 Empoli
Os friulanos não poderiam desejar melhor início de temporada. Depois dos 5 a 1 na Ternana pela Coppa Italia, vitória sólida na estreia pela Serie A. E sempre com Di Natale, o que mostra duas coisas: ‘Totò’ ainda poderá dar alegrias no reformado Friuli, mas o time já não pode depender do artilheiro de 36 anos, que deve ter menos minutos em campo na sua última temporada. O bom começo dá tranquilidade a Stramaccioni, que ainda deu minutos para Muriel (titular), Fernandes e Kone, as esperanças de menos dependência pelo eterno camisa 10, e também mostra confiança nos brasileiros Allan (o melhor em campo) e Guilherme, peças-chave no seu time. Para o Empoli, um resultado aceitável. É um time organizado, mas modesto e terá que suar sangue para garantir a salvezza. 

Menos minutos, menos gols para Di Natale? Talvez, mas o oportunismo e inteligência seguem os mesmos. Depois de primeiro tempo equilibrado em Údine, mas sem muitas chances claras de gol, o time da casa voltou com fome de gol. Foram três chutes seguidos, mas apenas 12 minutos depois do intervalo o placar foi aberto. Di Natale tabelou com Muriel e chutou colocado. Cinco minutos depois, então, o bom Laurini, melhor lateral-direito das últimas duas Serie B, cometeu erro clamoroso ao dar passe para trás e ‘Totò’, que ainda voltava da jogada anterior, ser esperto, dominar e marcar sua primeira doppietta no campeonato. (AB)

Palermo 1-1 Sampdoria Foi bastante frustrante para seu torcedor o retorno à primeira divisão do Palermo. Com os três pontos em mãos, vencendo por 1 a 0 desde o sétimo minuto do primeiro tempo, o clube rosanero cedeu o gol de empate à Sampdoria aos 46 do segundo tempo. Heroico o time genovês, que teve Regini expulso ainda aos 41 do primeiro tempo. Um fruto positivo para o time da casa foi a apresentação de destaque do atacante Paulo Dybala, argentino de 20 anos, que fez seu quarto gol na Serie A, o terceiro contra a Samp, contra a qual fez sua estreia no campeonato italiano há dois anos, realizando uma doppietta.

Contra uma de suas ex-equipes, o técnico Giuseppe Iachini armou muito bem seu Palermo, que se propôs a jogar fechado e a contra-atacar em busca do gol. Deu certo em todo o primeiro tempo, inclusive no lance do gol, no qual Barreto lançou Dybala com um passe que encobriu o trio de zaga blucerchiato, colocando o argentino cara a cara com Viviano, estreando pela Samp, e ele não perdoou. Com um homem a mais, o Palermo decidiu administrar o resultado, já que conseguia se fechar bem na defesa. Mas o bloqueio foi furado nos instantes finais. Depois de muita insistência, De Silvestri desviou de cabeça uma cobrança de escanteio na direção de Gastaldello, que dentro da área, livre, chutou forte e empatou. (Thiéres Rabelo)

Sassuolo 1-1 Cagliari Frente a frente mestre e pupilo na Emilia, quando o Sassuolo de Eusebio Di Francesco recebeu o Cagliari de Zdeněk Zeman. Di Francesco foi treinado por Zeman quando vestiu a camisa da Roma, entre 1997 e 2001, e atribui o estilo de jogo que usa ao treinador tcheco. E as duas equipes ofensivas, ambas dispostas em 4-3-3, proporcionaram um jogo bastante movimentado, com mais de 20 finalizações. Contudo, prevaleceu o empate de 1 a 1, em uma divertida partida.

Aquele que talvez seja um dos melhores trios de ataque da Itália infernizou a defesa do Cagliari durante todo o primeiro tempo. As tramas de Sansone, Berardi e do recém-convocado para a Nazionale Zaza eram de dar gosto. Mas a meta sarda só foi ser superada aos 42, com um gol extraordinário. Berardi cruzou da direita para a grande área, onde Zaza, se desvencilhando da zaga mal postada, acertou um "sem pulo" espetacular de esquerda, no ângulo esquerdo de Colombi. Absolutamente indefensável. Mas apenas um minuto depois veio o empate dos rossoblù, quando Balzano, que entrou no jogo aos 24 do primeiro tempo, fez jogada individual pela ponta direita e cruzou rasteiro para a pequena área, onde Sau emendou de direita, à queima-roupa, sem chances para Pomini. (TR)

Cesena 1-0 Parma
De volta à Serie A após dois anos, o Cesena estreou com boa vitória sobre o superior Parma e deu um pouco de esperança para os torcedores, já acostumados com o rebaixamento. O triunfo na primeira rodada entra para a história do clube: nunca antes a equipe havia vencido no jogo de estreia na elite. O espanhol Rodríguez foi o autor do gol histórico, mas o promissor goleiro Leali e o meia Cascione foram os principais destaques do time, com defesas importantíssimas e grande poder de organização pelo centro. 

Do lado do Parma, a desilusão por ter perdido a vaga para a Liga Europa na Justiça parece não ter passado ainda e durante boa parte do tempo foi um time sem motivação que esteve em campo. A equipe de Donadoni não conseguia conter os avanços pelos lados do Cesena e no primeiro tempo agrediu pouco. Só na segunda etapa melhorou no jogo e passou a ameaçar, mas sempre esbarrando nas boas defesas de Leali. O trabalho deve ser intenso para que os crociati repitam a boa campanha da última temporada. (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 0-0 Verona
Dois times de bom futebol e campanhas surpreendentes na última temporada, Atalanta e Hellas Verona começaram o campeonato 2014-15 sem a mesma pegada que no último ano. Mesmo com a manutenção das principais peças - Moralez, Bonaventura (negociado no dia seguinte com o Milan) e Denis -, a Atalanta não conseguiu fazer boa partida diante de sua torcida e foi dominada pelos visitantes em grande parte do tempo. Do outro lado, o Verona sentiu as perdas de Rômulo e Iturbe, principais jogadores da última campanha, e mostrou futebol lento e burocrático, contrastando com a velocidade do ano passado.  

Mesmo assim, a equipe visitante foi melhor e criou as principais chances de gol do jogo. Em um primeiro tempo que a Atalanta apenas assistiu, o Verona teve chances com Jankovic e Toni, mas esbarrou na boa atuação do jovem goleiro Sportiello. Os donos da casa só melhoraram na segunda etapa e igualaram o jogo, mas sem chegar com muito perigo nenhuma vez. O 0 a 0 justo do placar mostrou duas equipes que ainda precisam evoluir muito, principalmente fisicamente. (RA)

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
De Sanctis (Roma); Lichtsteiner (Juventus), Gastaldello (Sampdoria), Zapata (Milan); Allan (Udinese), Coman (Juventus), Nainggolan (Roma), Mertens (Napoli); Zaza (Sassuolo), Di Natale (Udinese), El Shaarawy (Milan). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Guia da Serie A 2014-15, parte 2

Avisa lá: Roma, de Pjanic e Totti, chega para ser a maior adversária da Juventus ao título (AP)
Após a primeira parte do nosso guia da Serie A, na qual apresentamos dez equipes que disputarão o Italiano nesta temporada, chegamos à parte final da nossa análise, com as equipes restantes. Nessa segunda parte, falaremos das incógnitas que cercam Milan e Napoli, além de uma Roma que tentará voltar a levantar a taça. Na última parte também analisaremos alguns coadjuvantes, como Parma, Torino, Udinese e Verona. Confira a primeira parte do nosso especial aqui e boa leitura!

Milan
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Alex e Gabriel
Técnico: Filippo Inzaghi (estreante)
Destaque: Nigel De Jong
Fique de olho: Hachim Mastour
Principais chegadas: Alex (z, Paris Saint-Germain), Jérémy Ménez (mat, Paris Saint-Germain) e Diego López (g, Real Madrid)
Principais saídas: Mario Balotelli (a, Liverpool), Kaká (mat, São Paulo) e Adel Taarabt (mat, Queens Park Rangers)
Time-base (4-3-3): Diego López; De Sciglio, Alex, Rami, Armero; Poli, De Jong, Saponara (Montolivo); Ménez, Pazzini, El Shaarawy (Honda).

O Milan treinado por Inzaghi começa a Serie A com um dos elencos mais fracos dos últimos tempos, e com péssimos resultados na pré-temporada. Após o retorno de empréstimo de Taarabt ao Queens Park Rangers, a saída de Kaká e a venda de Balotelli ao Liverpool, a equipe perdeu todas as referências técnicas importantes no elenco. A escalação-base do Milan, ao menos com as peças que tem agora, sugere um time com alguns bons jogadores, mas que prezará pelo jogo coletivo e pela vontade de dar a volta por cima. Inzaghi, de fato, pediu ao grupo que foque no coletivo, depois da saída de Balotelli, um jogador com grande qualidade técnica, mas que pensa muito em si próprio. O foco no coletivo e na vontade de superar obstáculos deverá fazer com que jogadores com este perfil, como De Jong, ganhem moral com o treinador.

Apesar das saídas importantes (além das já citadas, os "gêmeos" Robinho e Emanuelson seriam boas opções para o elenco), o diretor Galliano até fez boas contratações, mas nada que faça a equipe alçar o patamar e ensaiar uma busca pelo título. No gol, o Milan está bem servido, com três goleiros de bom nível (Diego López deverá ser titular, mas Agazzi e o experiente Abbiati são boas sombras), e na defesa também há melhores opções, com os acertos de Alex e Armero. Do meio para frente, a equipe deverá sofrer no início da temporada, já que Montolivo está afastado por lesão, e todos os homens de ataque (Ménez, Pazzini, El Shaarawy, Honda, Saponara e Niang) viveram momentos negativos nos últimos tempos e precisarão superar desconfianças. Em um momento delicado, a inexperiência de Inzaghi como técnico profissional pode pesar, e a fritura de Seedorf já mostrou que mesmo ídolos não contam mais com a paciência de Berlusconi. O ponto positivo para este é estar fora de competições europeias. Voltar para a Liga dos Campeões, a principal delas, é objetivo distante, mas subindo um degrau após o outro, quem sabe o Milan alcance um objetivo além do esperado.

Napoli
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Rafael, Henrique e Jorginho
Técnico: Rafa Benítez (2ª temporada)
Destaque: Gonzalo Higuaín
Fique de olho: Kalidou Koulibaly
Principais chegadas: Kalidou Koulibaly (z, Genk), Michu (a, Swansea) e Jonathan de Guzmán (m, Villarreal)
Principais saídas: Pepe Reina (g, Bayern Munique), Valon Behrami (v, Hamburg) e Federico Fernández (z, Swansea)
Time-base (4-2-3-1): Rafael; Zúñiga (Maggio), Albiol, Koulibaly (Britos), Ghoulam (Zúñiga); Inler (Gargano), Jorginho (Dzemaili); Callejón, Hamsík, Mertens; Higuaín

O time do Napoli mudou pouco da última temporada para esta e parecia ter continuado forte o suficiente para brigar pelo scudetto e para fazer uma boa campanha europeia. No entanto, a eliminação na terceira fase preliminar da LC frente ao Athletic Bilbao evidenciou muitos problemas na equipe treinada por Benítez. A defesa, que já tem laterais muito ofensivos e jogadores inseguros no centro, joga muito avançada, e deixa o time muito exposto. Em momentos de pressão ao adversário, isto funciona, mas quando enfrenta equipes de bom contra-ataque e velocidade, o Napoli mostra as mesmas deficiências que enfrentou na última temporada. Ainda há tempo de tentar corrigir isto, com contratações para o setor defensivo.

Se a linha de defesa é frágil, as coisas começam a melhorar a partir dos volantes – os azzurri tem uma boa oferta em termos de meias centrais, que destroem e constroem com personalidade, e se deram ao luxo de deixar Behrami partir. Mais à frente, o poder de fogo está garantido e foi aumentado com a chegada do goleador espanhol Michu, um bom reserva para Higuaín. A torcida segue esperando que o capitãio Hamsík volte a jogar em um nível superior e deixe a apagada temporada anterior como uma pequena mancha na sua ótima carreira. O ponto negativo neste setor é que Insigne tem entrado em rota de colisão com a torcida e, caso não seja negociado ou se resolva com os torcedores, será um foco de problemas ao longo da temporada. Estes pequenos fatores determinarão se o Napoli dará um salto de qualidade e brigará pelo título nesta temporada ou se, novamente, será postulante a vagas em competições europeias.

Palermo
Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36.349 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
Principal rival: Catania
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: campeão da Serie B; promovido
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Emerson Palmieri
Técnico: Giuseppe Iachini (2ª temporada)
Destaque: Édgar Barreto
Fique de olho: Andrea Belotti
Principais reforços: Luca Rigoni (m, Chievo), Sol Bamba (z, Trabzonspor) e Giancarlo González (z, Columbus Crew)
Principais perdas: Abel Hernández (a, Hull City) e Agon Mehmeti (a, Malmö)
Time base (3-5-2): Sorrentino; Múñoz, González, Bamba; Morganella, Bolzoni, Rigoni, Barreto, Pisano; Vázquez, Dybala.

Campeão da Serie B, o tradicional Palermo volta à elite com boas chances de permanecer na elite. Rebaixado há dois anos mesmo com um bom elenco, por causa de muita instabilidade nos bastidores e falta de uma filosofia de jogo, os rosanero tem em seu presidente um perfeito representante do complexo de "médico e monstro". Maurizio Zamparini, magnata que comanda a equipe desde 2002, ao mesmo passo que gasta boa parte do seu dinheiro para investir em bons elencos, enjoa rapidamente do planejamento (?) e demite treinadores a atacado, contratando muitas vezes técnicos de estilos completamente diferentes, que mal utilizam algumas das peças pedidas pelo seu antecessor. Por isso, é bom lembrar que Iachini, apesar de ter conduzido o time de volta à Serie A, já começa a temporada pressionado pela vexatória eliminação em casa na Coppa Italia para o Modena, que aplicou sonoro 3 a 0.

Nesta janela de transferências, o Palermo perdeu seu principal jogador, Abel Hernández, que foi negociado com o Hull, da Inglaterra. Porém, o time róseo tem bom grupo: manteve a base campeã da segundona, que tem nomes como Dybala, Vázquez, Barreto e Sorrentino, e fez boas contratações, de gente que foi bem no Mundial, como os zagueiros Bamba (Costa do Marfim) e González (Costa Rica), e outros nomes promissores, como Cochev, Quaison e o brasileiro Emerson Palmieri. Com a saída de Hernández, falta um nome experiente para o ataque, para que os mais novos, como o bom Bellotti e mesmo Dybala e Vázquez, não se sintam tão pressionados. Com um elenco preparado, o time pode encaixar, e o Palermo pode fazer um campeonato bastante tranquilo.

Parma
Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (23.486 lugares)
Fundação: 1913
Apelidos: Gialloblù, Crociati e Ducali
Principais rivais: Bologna e Reggiana
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª posição)
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Felipe, Lucas Souza e Amauri
Técnico: Roberto Donadoni (4ª temporada)
Destaque: Antonio Cassano
Fique de olho: Stefan Ristovski
Principais chegadas: Ishak Belfodil (a, Inter), Francesco Lodi (m, Catania) e Andrea Costa (z, Sampdoria)
Principais saídas:  Marco Parolo (m, Lazio), Walter Gargano (v, Napoli) e Cristian Molinaro (le, Torino)
Time-base (4-3-3): Mirante; Cassani, Paletta, Lucarelli, Gobbi; Acquah, Lodi, Galloppa; Biabiany, Cassano, Belfodil (Amauri).

A última temporada terminou com um gosto amargo para o Parma, que se classificou para a Liga Europa dentro de campo, mas perdeu a vaga na Justiça, porque não estava em dia com o recolhimento de taxas por vários de seus jogadores que haviam sido emprestados para seus clubes-satélites. Talvez por isso, o clube esteja mais tímido no mercado e esteja aproveitando vários dos jogadores que retornaram – ao todo, onze atletas que estavam emprestados hoje compõem o elenco principal da equipe crociata. Econômico e útil, apesar de o nível do elenco ter caído um pouco em relação à última temporada, se considerarmos todas as opções. Porém, como joga apenas Serie A e Coppa Italia, o Parma tem um elenco bastante numeroso e isso pode não atrapalhar.

Afina, o time titular continua sólido e foi fortalecido com a contratação de Lodi, que substituirá em alto nível à saída de Parolo, negociado com a Lazio. Se o antigo jogador parmense era bom nos chutes de fora da área com a bola rolando, o novo regista da equipe é especialista em bolas paradas. Dessa forma, a equipe, que já balançava muito as redes em bolas alçadas à área, graças à boa presença de Lucarelli, Paletta e de Amauri, deverá levar mais perigo aos adversários neste quesito. Cassano segue sendo o destaque do time e, mais uma vez, deve ser escalado como falso 9, abrindo espaços para as incursões de Belfodil (que busca colocar a carreira novamente em um crescendo) e de Biabiany (cortejado por alguns times, ainda pode ser negociado). Donadoni, em seu quarto ano à frente do Parma, de novo vai variar a montagem do time entre os esquemas táticos 3-5-2 e 4-3-3, mas iniciando pela segunda. Continuidade que dá certo e que deve manter o Parma na parte de cima da tabela por mais um ano.

Roma
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (72.481 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Títulos da Serie A: três
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: Título
Brasileiros no elenco: Leandro Castán e Maicon
Técnico: Rudi Garcia (2ª temporada)
Destaque: Francesco Totti
Fique de olho: Antonio Sanabria
Principais chegadas: Ashley Cole (le, Chelsea), Juan Iturbe (mat, Verona) e Konstantinos Manolas (z, Olympiacos)
Principais saídas: Mehdi Benatia (z, Bayern Munique), Dodô (le, Inter) e Rodrigo Taddei (m, Perugia)
Time-base (4-3-3): De Sanctis; Maicon, Manolas, Leandro Castán (Astori), Cole; Pjanic (Nainggolan, Florenzi), De Rossi, Strootman; Iturbe, Totti (Destro), Gervinho.

Após uma grande temporada, a Roma começa 2014-15 como a grande antagonista da Juventus e tem boas chances de voltar a conquistar o scudetto, algo que não acontece desde 2001. O time teve a saída de apenas dois titulares e fez contratações de bom nível, pensando em concorrer em duas frentes – a nacional e a continental. A grande dúvida da temporada romanista será ver como a defesa, uma das menos vazadas da Europa no ano passado, reagirá à saída do excelente Benatia, melhor zagueiro do campeonato terminado em maio. O clube respondeu bem com a contratação de Manolas, destaque da Grécia no Mundial, mas o marroquino era importante demais, e o grego terá de se adaptar rápido para suprir sua saída. Ao menos, a defesa manteve Castán e a chegada de Astori aumenta o nível geral do setor.

Em termos de contratações, as chegadas de Cole, Emanuelson e Keita adicionam experiência a uma equipe jovem, o que torna o time mais competitivo, tanto em solo nacional, onde terá duros concorrentes, quanto na Liga dos Campeões. Por outro lado, as laterais tem muitos jogadores com idade já avançada, e uma opção mais jovem seria interessante para equilibrar forças. Do meio para frente, a Roma tem um timaço, com alguns dos jogadores vivendo as melhores fases de suas carreiras, como Pjanic, Nainggolan, Strootman, Gervinho e o neo-contratado Iturbe. Some-se a isso um De Rossi combativo como nunca e um Totti que vê o tempo passar e, inteligentemente, adapta o seu jogo ao passar dos anos, mantendo a altíssima qualidade. A Roma também tem boas chances de fazer boa campanha em competições europeias, mesmo tendo caído em um grupo complicado na LC, com Bayern Munique, Manchester City e CSKA Moscou. Caso não supere esta fase e fique em terceiro, será uma das favoritas ao título da Liga Europa. Em sua segunda temporada à frente da Roma, Rudi Garcia pode colocar de vez seu nome na história do clube.

Sampdoria
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Marassi (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Títulos da Serie A: um 
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Júnior Costa e Éder
Técnico: Sinisa Mihajlovic (2ª temporada)
Destaque: Manolo Gabbiadini
Fique de olho: Michele Fornasier
Principais chegadas:  Fabrizio Cacciatore (ld, Verona), Gonzalo Bergessio (a, Catania) e Emiliano Viviano (g, Palermo)
Principais saídas: Shkodran Mustafi (z, Valencia), Maxi López (a, Chievo) e Renan (v, Al Nasr)
Time-base (4-3-3): Viviano; De Silvestri, Fornasier, Gastaldello, Regini; Soriano (Marchionni), Krsticic (Obiang), Palombo; Gabbiadini, Bergessio, Éder.

Durante seus melhores momentos, a Sampdoria esteve ao lado da família Garrone. No scudetto, patrocinavam o clube e, desde 2002, eram os donos da sociedade. Porém, neste ano, o produtor cinematográfico Massimo Ferrero, adquiriu a equipe gratuitamente, assumindo todas as suas dívidas. Romano de nascimento e romanista de coração, o novo presidente manteve Mihajlovic, identificado seja com a Samp seja com a Lazio, como o treinador, e fez um boa escolha. O sérvio faz bom trabalho, e tira o que pode de uma equipe razoável com elenco bem nivelado em todos os setores e sem grandes estrelas. Não à toa, Éder, artilheiro da equipe no ano passado, segue como principal destaque do time.

A Sampdoria terá a cara de seu treinador: entra forte e não deixa de disputar qualquer dividida como se fosse o último prato de comida, mas também tem a qualidade necessária para fazer belas jogadas. Porém, ao mesmo tempo que deverá ser um adversário duro, não deve fazer feio nem brigar por nada sério no campeonato. O elenco, quase igual ao do certame anterior, ganha pouco com Bergessio no ataque, mas muito com a contratação de Viviano para o lugar do apenas regular Júnior Costa. O goleiro italiano, que curiosamente usará a camisa número 2, busca recolocar a carreira nos trilhos, após uma lesão séria e uma temporada como reserva no Arsenal, e encontrará na Samp um bom lugar para isso. Em termos de goleiro, espanta o fato de que Romero, vice-campeão mundial com a argentina, não seja nem levado em consideração. O jogador não está no site da equipe nem foi negociado ainda.

Sassuolo
Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Città del Tricolore (20.084 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: 17ª posição) 
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Eusebio Di Francesco (3ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: ninguém
Principais chegadas: Jasmin Kurtic (mat, Torino), Federico Peluso (le, Juventus) e Sime Vrsaljko (ld, Genoa)
Principais saídas:  Luca Marrone (v, Juventus) e Aleandro Rosi (ld, Genoa) 
Time-base (4-3-3): Pegolo; Vrsaljko, Terranova, Cannavaro (Antei), Peluso; Biondini, Magnanelli, Chibsah (Kurtic, Brighi); Berardi, Zaza (Floro Flores), Sansone.

Em sua segunda participação na elite do futebol italiano, o Sassuolo entra com o mesmo objetivo: permanecer na primeira divisão. A equipe emiliana se mexeu pouco no mercado, tanto em entradas quanto em saídas, reservando-se a operações relativas a fins de empréstimo e outras poucas negociações. Com poucas saídas a lamentar, os neroverdi ganharam mais experiência e estão mais fortes, uma vez que Vrsaljko pode ser um dos melhores laterais direitos do campeonato e Peluso, do outro lado, costuma render bem com liberdade para atacar. A defesa, mais arrumada, conta com o retorno de Terranova, que passou 2013-14 quase todo fora dos campos, lesionado.

Apesar de ser um time pequeno e rondar pelas partes baixas da tabela, o Sassuolo tem um dos ataques mais interessantes da Serie A, que já provocou estragos na última temporada. Berardi é uma das principais estrelas jovens do país e mostrou o seu talento na última temporada, enquanto Sansone é uma espécie de gêmeo seu. Os dois são rápidos pelos flancos, finalizadores de qualidade e crescem em jogos grandes. No comando do ataque, Zaza tem verve goleadora, e está bem respaldado por Floccari e Floro Flores – todos os citados, com exceção de Sansone, já marcaram mais de 10 gols em pelo menos uma edição da Serie A, algo importantíssimo para times que buscam escapar da segundona. Somando-se a eles temos o esloveno Kurtic, que chega após ir bem no período em que esteve no Torino, e é uma boa adição ao setor. Bem montada por Di Francesco, que segue no cargo depois de garantir a permanência, o Sassuolo vai tentar conseguir mais um milagre. E, creiam, desta vez ele está mais próximo. Além disso, não será surpresa se os emilianos conseguirem uma boa colocação nesta temporada.

Torino

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olimpico di Torino (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Barreto
Técnico: Giampiero Ventura (4ª temporada)
Destaque: Alessio Cerci
Fique de olho: Gastón Silva
Principais chegadas: Fabio Quagliarella (a, Juventus), Antonio Nocerino (m, Milan) e Cristian Molinaro (le, Parma)
Principais saídas: Ciro Immobile (a, Borussia Dortmund),  Jasmin Kurtic (mat, Sassuolo) e  Riccardo Meggiorini (a, Chievo)
Time-base (3-5-2): Padelli; Bovo, Glik, Moretti; Darmian, Nocerino, Vives (Farnerud), El Kaddouri Molinaro (Sánchez Miño); Cerci, Quagliarella.

Uma das sensações do último campeonato, o Torino busca repetir o feito e, por mais um ano, ficar longe da zona de rebaixamento, algo que atormentou sua grande torcida no final do século passado e início deste. De volta a uma competição europeia após 20 anos, a equipe vai com o técnico Ventura para sua quarta temporada, e o comandante aposta em uma fórmula similar a que rendeu frutos nos últimos anos e culminou na 7ª posição da temporada passada: jogo ofensivo, pelas pontas, com alas espetados e um meio-campo sólido, que segura as pontas para que dois atacantes rápidos e com bom poder de finalização brilhem na frente. Desta vez, porém, o Torino não contará com Immobile, artilheiro da última Serie A, com 22 gols.

Com a venda do artilheiro, o Toro foi ao mercado e, em geral, contratou reforços baratos e fez boas apostas. Como são apostas, resta saber se elas vingarão, e em que patamar. No estágio atual, a impressão é de que o Torino pode até repetir uma boa temporada, mas que ocupar o meio da tabela, sem muito brilho, também é possível – especialmente porque a equipe terá de se dividir com compromissos da Liga Europa. Muito do futuro dos granata nesta temporada dependerá do rendimento de Quagliarella, que volta ao clube em que foi formado para substituir Immobile. O novo contratado tem características diferentes, mas pode voltar a marcar muitos gols, como não faz desde os tempos de Sampdoria, Udinese e Napoli, quando jogava mais próximo do gol. O outro a ser resolvido tem a ver com Cerci, grande nome do time. O jogador da seleção italiana tem mercado, pediu para ser negociado, mas ainda está em Turim. A tendência, a não ser que apareça uma proposta irrecusável, é a de que ele permaneça, até porque o diretor Petrachi teria pouco tempo para contratar um substituto de nível. Se Cerci sair, a responsabilidade aumenta para Quagliarella, Darmian e El Kaddouri, principais nomes do time ao lado do ponta.

Udinese

Cidade: Údine (Friuli)

Estádio: Friuli (41.652 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: vice-campeã) 
Na última temporada: 13ª posição
Objetivo: Meio da tabela
Brasileiros no elenco: Allan, Naldo, Danilo, Gabriel Silva, Jadson, Lucas Evangelista e Guilherme
Técnico: Andrea Stramaccioni (estreante)
Destaque: Antonio Di Natale
Fique de olho: Melker Hallberg
Principais chegadas: Guilherme (v, Corinthians), Panagiotis Kone (m, Bologna) e  Cyril Théréau (a, Chievo)
Principais saídas: Dusan Basta (ld, Lazio), Roberto Pereyra (mat, Juventus) e Andrea Lazzari (m, Fiorentina)
Time-base (3-4-1-2): Scuffet; Heurtaux, Danilo, Domizzi; Widmer (Piris), Allan, Guilherme (Pinzi), Gabriel Silva; Kone (Bruno Fernandes); Muriel (Théréau), Di Natale.

O final da última temporada parecia um fim de festa terrível para a Udinese. Di Natale anunciava aposentadoria e Guidolin se despedia da equipe para virar supervisor dos clubes da família Pozzo, que controla, além da Udinese, Watford e Granada. No entanto, ao passo que Totò desistiu de pendurar as chuteiras para continuar fazendo um saco de golaços, os bianconeri fizeram uma boa contratação para substituir Guidolin, levando o promissor Stramaccioni ao Friuli – a tiracolo, o ex-jogador Stankovic chega como auxiliar. Mantendo uma filosofia de jogo similar à do antigo treinador, Strama (um estudioso do futebol) vê a sua equipe com boas opções em todos os setores, especialmente no ataque. O suficiente para fazer um campeonato sem sustos e, com o amadurecimento da equipe, superar times mais fortes e até sonhar em conquistar uma vaga na Liga Europa.

Stramaccioni não poderá reclamar de ter jogadores para utilizar. Na verdade, o problema da Udinese é exatamente o oposto: em algumas posições há até exagero de alternativas. Por exemplo, a equipe tem cinco goleiros de bom nível (Scuffet, Brkic, Kelava, Karnezis e Benussi) e precisa negociar três deles em quatro dias. Fazendo dos clubes empresas lucrativas, os Pozzo estão exagerando em contratações e isso pode até atrapalhar o projeto técnico da equipe, uma vez que é complicado administrar elencos grandes e cheio de jogadores inativos e insatisfeitos. Resolvendo este problema, a Udinese poderá praticar um futebol interessante, baseado em jogadas pelos flancos e boa qualidade de seus atletas próximos à meta adversária. Nos últimos dois anos, os friulanos tinham ficado mais pragmáticos e, desta vez, poderão voltar a praticar um futebol mais ofensivo e sem amarras. A promessa é de bom futebol.

Verona
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Stadio Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei
Principais rivais: Vicenza, Brescia e Napoli
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Rafael, Rafael Marques, Gustavo Campanharo e Nenê
Técnico: Andrea Mandorlini (5ª temporada)
Destaque: Luca Toni
Fique de olho: Mattia Valoti
Principais chegadas: Lazaros Christodoulopoulos (mat, Bologna), Rafa Márquez (z, León) e Panagiotis Tachtsidis (m, Genoa)
Principais saídas: Juan Iturbe (mat, Roma), Rômulo (m, Juventus) e Fabrizio Cacciatore (ld, Sampdoria)
Time-base (4-3-3): Rafael; Martic, Rafa Márquez, Moras, Luna; Obbadi, Tachtsidis, Hallfredsson; Christodoulopoulos, Toni, Juanito Gómez.

Na última temporada, o Verona surpreendeu a todos ao voltar à elite após 10 anos de ausência e brigar por uma vaga na Liga Europa. Desta vez, porém, os objetivos da turma scaligera serão mais modestos e próximos da realidade da equipe. O Hellas, com pouco dinheiro, teve de se desfazer de dois de seus principais jogadores, Iturbe e Rômulo, e ainda ficou desfalcado em vários outros setores. Isso porque jogadores que vinham jogando ou boas peças de reposição ou estavam emprestados e voltaram a seus clubes de origem ou receberam propostas melhores de equipes pequenas.

Para não perder força, a equipe foi ao mercado e trouxe vários jogadores de centros menores, e fez apostas em alguns nomes experientes, como Rafa Márquez, que deve ser titular e um dos principais jogadores dos butei na campanha 2014-15. Os veroneses também foram atrás de jogadores que estavam em equipes de mesmo patamar ou se destacando em times mais embaixo na tabela, casos da dupla grega Tachtsidis e Christodoulopoulos, que chegam para substituir, respectivamente, Rômulo e Iturbe. A qualidade de ambos é seguramente inferior, e o veterano Toni, com mais um ano nas costas, terá de se desdobrar para marcar tantos gols quanto fez na última temporada (20). Por esses motivos, os gialloblù são uma das incógnitas da temporada. Claro, o Verona pode se safar de um eventual retorno à segunda divisão, porque é uma equipe brigadora e de jogo muito compacto e coletivo, mas não será fácil. Tudo pode ficar mais tranquilo se os reforços assimilarwm rapidamente a filosofia de Mandrolini, que está há quatro anos no Vêneto e vai se consolidando com um dos principais treinadores de sua história.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Guia da Serie A 2014-15, parte 1

Tricampeã, Juventus de Pirlo começa o campeonato cercada de dúvidas (AP)
Estão preparados? Depois de muita espera, com direito a uma excelente Copa do Mundo no período de intertemporada, a Serie A está de volta. Neste fim de semana, a partir das 13 horas de sábado, 30 de agosto, tem início a temporada 2014-15 do Campeonato Italiano. O jogo de abertura terá em campo a tricampeã Juventus, que visita o Chievo, em Verona. Em seguida, às 15h45, o primeiro jogaço da temporada: Roma e Fiorentina duelam no Olímpico. E a rodada ainda tem, no domingo, os interessantes Milan-Lazio, Torino-Inter e Genoa-Napoli. Imperdível!

Neste ano, a Serie A começa com mais indefinições do que nas duas últimas temporadas, em que a Juve entrava como franca favorita. A Velha Senhora segue como principal candidata ao título, mas com a troca de comando, Roma e Napoli podem aparecer para incomodar. A Fiorentina, reforçada, pode surpreender e lutar por algo mais, enquanto Inter e Lazio correm por fora. O Milan, por sua vez, é a grande incógnita da temporada.

A 83ª temporada da Serie A tem 42 jogadores brasileiros, quatro a menos que na última temporada e nove a menos que na penúltima. No entanto, os jogadores "verdeoro", como se diz na Itália, estão presentes em 18 das 20 equipes do campeonato – apenas Atalanta e Sassuolo não contam com jogadores do nosso país no elenco. A Udinese é a equipe mais verde e amarela do certame, com sete brasileiros no plantel. Logo atrás vem a Inter, com quatro.

Nesta temporada, os direitos de transmissão da Serie A para o Brasil continuam com exclusividade do Fox Sports, mas o fã do futebol italiano também pode assistir ao campeonato caso tenha em seu pacote de TV por assinatura o canal RAI International, que retransmite a programação da Itália para o mundo. Os canais ESPN continuarão a transmitir um jogo da rodada em VT, às segundas-feiras, e o Esporte Interativo, através do Milan Channel, transmitirá as partidas dos rossoneri, também com algum delay, sendo o único canal aberto a ter jogos do campeonato transmitidos. A Coppa Italia, por sua vez, é dos canais ESPN.

Sem mais delongas, acompanhe a primeira parte do especial que preparamos. A segunda, vem ainda esta semana. Boa leitura!


Atalanta
Cidade: Bérgamo (Lombardia) 
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares) 
Fundação: 1907 
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici 
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan 
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação) 
Na última temporada: 11ª posição 
Objetivo: meio da tabela 
Brasileiros no elenco: nenhum 
Técnico: Stefano Colantuono (5ª temporada) 
Destaque: Germán Denis
Fique de olho: Salvatore Molina
Principais chegadas: Niccolò Cherubin (z, Bologna), Giuseppe Biava (z, Lazio) e Rolando Bianchi (a, Bologna)
Principais saídas: Mario Yepes (z, sem clube), Stefano Lucchini (z, Cesena) e Franco Brienza (a, Cesena)
Time-base (4-4-1-1): Consigli; Benalouane, Cherubin (Biava), Stendardo, Dramé; Estigarribia, Cigarini, Carmona, Bonaventura; Moralez; Denis.

Com 107 anos de história, a Atalanta é o time mais tradicional a nunca ter conquistado o scudetto uma vez sequer – participou de 53 edições da Serie A e continua zerada. Com isso, dá para notar que as ambições pelos lados de Bérgamo nunca são altas, e apenas permanecer mais um ano na elite já seria algo a se comemorar. No entanto, nos últimos anos, sob o comando de Colantuono, a equipe tem emplacado campanhas dignas e com grandes períodos na parte de cima da tabela, chegando até mesmo ao recorde histórico de triunfos consecutivos, em 2013-14.

Para 2014-15, a equipe dá preferência ao treinador com mais tempo no cargo em toda a Itália, mas ao contrário dos últimos anos, acabou sendo mais ativa no mercado, principalmente no de saída. La Dea enxugou o elenco, enviou vários refugos para o Cesena, mas perdeu dois nomes importantes na defesa. Com Biava e Cherubin, tentou fazer a reposição com jogadores de características semelhantes, o que pode atrapalhar pouco. O bom meio-campo segue intocável e, na frente, o trio Moralez-Bonaventura-Denis ganhou bons coadjuvantes (D'Alessandro, Boakye e Bianchi) e deve continuar sendo o setor mais forte da equipe.

Cagliari
Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sant'Elia (14.827 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Isolani e Casteddu
Principal rival: Napoli
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 15ª colocação
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Danilo Avelar, Caio Rangel e Diego Farias
Técnico: Zdenek Zeman (estreante)
Destaque: Daniele Conti
Fique de olho: Lorenzo Crisetig
Principais chegadas: Lorenzo Crisetig (m, Inter), Marco Capuano (z, Pescara) e Luca Ceppitelli (z, Bari)
Principais saídas: Nenê (a, Verona),  Davide Astori (z, Roma) e Mauricio Pinilla (a, Genoa)
Time-base (4-3-3): Colombi; Pisano (Balzano), Capuano, Rossetini, Murru; Dessena, Conti, Ekdal (Crisetig); Ibarbo, Sau, Cossu.

O torcedor do Cagliari começa a temporada com uma enorme sensação de estranhamento. Para começar, durante a Copa do Mundo, pensando em dedicar-se exclusivamente ao Leeds United, o ex-presidente Massimo Cellino vendeu o clube para Tommaso Giulini, encerrando uma gestão de 22 anos, a maior da história do clube. A mudança oxigenou o mercado de transferências da equipe, já que com Cellino a prioridade era manter a equipe e contratar poucos nomes, dando prioridade à base.

Ao todo, o Cagliari contratou 12 novos jogadores e cedeu oito peças. Entre as cessões, as saídas de Astori e Pinilla podem preocupar, sobretudo porque os sardos foram ao mercado em busca de jovens que ainda não estouraram, como Capuano e Longo, além dos talentosos Crisetig, Capello e Caio Rangel. No entanto, os nomes são muito promissores e podem decolar, principalmente se os experientes remanescentes da equipe, como Rossettini, Pisano, Cossu e o capitão Conti tomarem as rédeas. No comando do time, o Cagliari terá o ultraofensivo Zeman, algo que deixa a temporada rossoblù com um panorama ainda mais incógnito. Mas, certamente, o Cagliari terá partidas agradáveis de serem assistidas.

Cesena
Cidade: Cesena (Emília-Romanha)
Estádio: Dino Manuzzi (23.860 lugares)
Fundação: 1940
Apelidos: Cavalos Marinhos, Bianconeri
Principal rival: Bologna
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 4ª colocação na Serie B; promovido nos play-offs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Zé Eduardo
Técnico: Pierpaolo Bisoli (3ª temporada)
Destaque: Nicola Leali
Fique de olho: Hordur Magnússon
Principais chegadas: Nicola Leali (g, Juventus), Stefano Lucchini (z, Atalanta) e Franco Brienza (a, Atalanta)
Principais saídas: Marco D'Alessandro (mat, Atalanta), Michele Camporese (z, Bari) e Luca Ceccarelli (ld, Bologna)
Time-base (3-5-2): Leali; Volta, Lucchini, Capelli; Perico, Zé Eduardo (Giorgi), Cascione, Coppola, Renzetti; Brienza (Defrel; Rodríguez), Marilungo.
 
Após dois anos na Serie B, o Cesena volta à elite para ser a única equipe romanhola nesta edição do campeonato. Porém, o retorno deve ser por pouco tempo, já que os cavalos marinhos estão entre os favoritos para o descenso. O acesso bianconero à Serie A na última temporada foi considerado uma surpresa, visto que o time não tinha grandes destaques nem marcava muitos gols. Dentre os poucos bons valores, o time perdeu D'Alessandro e Camporese, além do experiente Ceccarelli, e para reforçar o time para a disputa da elite, teve como política de contratações fechar com diversos reservas da Atalanta.

As boas exceções à isso foram as chegadas do excelente goleiro Leali e do promissor zagueiro Magnússon, ambos da Juventus: enquanto o islandês deverá ser reserva, o arqueiro certamente será muito exigido, o que deve ser bom apenas para ganhar experiência e amaciar o couro, pensando em uma etapa futura na carreira. Não bastasse a defesa ter nomes questionáveis, o meio-campo ter poucos jogadores criativos e o ataque não ter nenhuma máquina de fazer gols, a equipe ainda é treinada por Bisoli, um técnico limitado e que conseguiu ser rapidamente demitido em suas duas oportunidades na Serie A. Calamidade.

Chievo
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Verona
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 16ª posição  
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Edimar
Técnico: Eugenio Corini (2ª temporada)
Destaque: Alberto Paloschi
Fique de olho: ninguém
Principais chegadas: Francesco Bardi (g, Inter), Valter Birsa (mat, Milan) e Alessandro Gamberini (z, Genoa)
Principais saídas: Cyril Théréau (a, Udinese), Michael Agazzi (g, Milan) e Luca Rigoni (m, Palermo)
Time-base (4-3-1-2): Bardi; Frey, Dainelli, Gamberini, Biraghi; Izco, Guana, Hetemaj; Birsa (Botta); Maxi López (Meggiorini), Paloschi.

Em seu segundo ano à frente do Chievo, Corini mudou o esquema tático e deixou de lado o 3-5-2 para utilizar o 4-3-1-2 tão utilizado pela equipe nos últimos anos, adaptando o time aos novos reforços. O Chievo perdeu quatro titulares (Agazzi, Dramé, Rigoni e Théréau), mas se reforçou bem em todos os setores, montando um elenco grande e competitivo.

Corini tem boas opções em todos os setores, e até mesmo um exagero em alguns setores – no gol, por exemplo, ele se dá ao luxo de ter os promissores Bardi e Seculin, além do ágil Puggioni. Na defesa, Dainelli reeditarão alguns anos depois a ótima dupla de zaga que formaram na Fiorentina de Prandelli e, a idade permitindo, deverão dar ainda mais solidez a um time que prima pelo defensivismo. Rigoni, metrônomo do meio-campo, rumou à Sicíla, mas o ex-Catania Izco tem característica similares e deve continuar deixando o sangue em campo. O ataque, com a saída de um Théréau com pouco clima no ataque, ganha mais agilidade com as contratações de Birsa, Botta e Schelotto. Os três tem a qualidade necessária para que o artilheiro Paloschi continue bem abastecido e marque os gols que o Ceo precisa para se manter outro ano na elite.

Empoli
Cidade: Empoli (Toscana)
Estádio: Carlo Castellani (16.800 lugares)
Fundação: 1920 
Apelidos: Azzurri
Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)
Na última temporada: vice-campeão da Serie B; promovido 
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Luan Menegaz
Técnico: Maurizio Sarri (3ª temporada)
Destaque: Francesco Tavano
Fique de olho: Daniele Rugani
Principais chegadas: Tiberio Guarente (v, Sevilla),  Diego Laxalt (m, Inter) e Matías Vecino (m, Fiorentina)
Principais saídas: Mirko Eramo (m, Ternana) e Pietro Accardi (z, encerrou carreira)
Time-base (4-3-1-2): Bassi; Laurini, Tonelli (Bianchetti), Rugani, Hysaj; Vecino, Valdifiori, Guarente; Verdi (Laxalt); Tavano, Maccarone.

Com poucos investimentos, o Empoli tem, ao lado do Cesena, um dos mais modestos planteis deste Italiano. Os azzurri voltam pra elite do futebol italiano mantendo a base vice-campeã da segundona, e fizeram apenas sete contratações – todas elas, com exceção de Guarente, de jovens jogadores. O objetivo inicial é brigar contra o rebaixamento. O time é comandado há três anos por Sarri, que vai para a primeira experiência como treinador na Serie A e é respaldado por diretoria e torcida.

A fórmula do time toscano é mesclar jogadores jovens (Laurini, Tonelli, Rugani, Hysaj e Verdi, que já estavam no time, e Vecino, Laxalt e Bianchetti, recém-chegados) a experientes (Bassi, Valdifiori, Moro, Croce, Tavano e Maccarone), algo que funcionou para Torino, Verona e Atalanta nos últimos anos. Será uma temporada de prova aos jovens que formam a linha defensiva do time, que poderão mostrar se estão aptos para jogarem na elite. Será interessante também ver se a dupla Tavano-Maccarone ainda dá trabalho na primeira divisão da Bota, e se chegará perto do desempenho de outros jogadores experientes, como Toni, Totti e Di Natale. Com pouco a perder, o Empoli pode ser uma surpresa na temporada e escrever mais uma página no livro de boas histórias contadas pelas equipes provinciais do Belpaese.

Fiorentina
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Neto e Octávio
Técnico: Vincenzo Montella (3ª temporada)
Destaque: Giuseppe Rossi
Fique de olho: Federico Bernadeschi
Principais chegadas: Ciprian Tatarusanu (g, Steaua Bucareste), José Basanta (le, Monterrey) e Marko Marin (mat, Chelsea)
Principais saídas: Alessandro Matri (a, Genoa), Massimo Ambrosini (v, sem clube) e Ryder Matos (a, Córdoba)
Time-base (3-5-2): Neto; Savic, Rodríguez, Basanta; Cuadrado, Aquilani, Pizarro, Borja Valero, Pasqual; Rossi, Gómez.

A Fiorentina está pronta para o grande salto? A equipe de Florença, que já era forte, não perdeu muitas peças importantes, ganhou novos e bons jogadores e, o principal, até agora segurou o colombiano Cuadrado, que tinha boas propostas, mas deve permanecer ao lado de Rossi, Borja Valero e Gómez como principais destaques da equipe. Boa notícia para a torcida, que ainda pode olhar para o banco e ver Joaquín, Ilicic, Babacar e Marin como boas opções para o ataque.

Montella, em seu terceiro ano à frente da equipe violeta, manteve a base e o mesmo esquema tático que levou a equipe a duas classificações à Liga Europa e ao flerte com uma vaga na Liga dos Campeões. Com as adições e a certeza de que tem seu trabalho respaldado, está à frente de uma equipe que, em tese, é candidata a uma vaga na Liga dos Campeões e aos títulos da Coppa Italia e Liga Europa. Pode, até mesmo, correr por fora pelo scudetto. Na última temporada, as lesões de Gómez e Rossi penalizaram a equipe, e os gigliatti esperam que elas não voltem a atormentar a temporada de forma significativa. No entanto, Rossi já começa a temporada afastado por tempo indeterminado devido a uma lesão. O fiel da balança já está em ação.

Genoa
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Títulos da Serie A: nove
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: Meio da tabela
Brasileiros no elenco: Edenílson
Técnico: Gian Piero Gasperini (2ª temporada)
Destaque: Mattia Perin
Fique de olho: Riccardo Improta
Principais chegadas: Alessandro Matri (a, Fiorentina), Diego Perotti (mat, Sevilla) e Mauricio Pinilla (a, Cagliari)
Principais saídas: Matuzalém (v, Bologna), Alberto Gilardino (a, Guangzhou Evergrande) e Sime Vrsaljko (ld, Sassuolo)
Time-base (3-4-3): Perin; Burdisso, De Maio, Marchese (Antonini); Rosi, Sturaro, Rincón (Kucka; Bertolacci), Antonelli; Perotti, Matri, Pinilla.

Gasperini chegou ao Genoa na última temporada com o objetivo de fazer um bom elenco render mais do que apenas o necessário para escapar do rebaixamento. Em termos, o histórico treinador rossoblù conseguiu. Agora, realizando a pré-temporada e indicando algumas contratações, a tendência é de que o Genoa faça um campeonato novamente sem sustos, mas mais consistente, flertando mais tempo com a parte alta da tabela. No entanto, para sonhar com algo mais, o time precisará suar e superar equipes superiores, como Torino, Parma e Lazio.

O elenco genovês é mais forte do que no ano passado. O Genoa emplacou contratações interessantes, como a do venezuelano Rincón, bom box-to-box para o jogo de Gasperini, que ainda tem Kucka, recuperado de grave lesão, e Bertolacci como alternativas. A alta intensidade de jogadas pelas laterais estará garantida com a permanência de Antonelli, pelo lado esquerdo, mas será uma incógnita pelo lado oposto, uma vez que Rosi e Edenílson não tem o mesmo nível – Vrsaljko, negociado, era uma opção mais interessante. O ataque foi completamente reformulado, e o entrosamento nas rodadas iniciais pode ser complicado. Matri terá a dura missão de substituir Gilardino, e terá Pinilla e Perotti como companheiros de um setor que pode incomodar adversários mais duros.

Inter
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Jonathan, Juan Jesus, Dodô e Hernanes
Técnico: Walter Mazzarri (2ª temporada)
Destaque: Mateo Kovacic
Fique de olho: Federico Bonazzoli
Principais chegadas: Gary Medel (v, Cardiff City), Pablo Osvaldo (a, Southampton) e Nemanja Vidic (z, Manchester United)
Principais saídas: Javier Zanetti (ld, encerrou carreira), Esteban Cambiasso (v, fim de contrato) e Diego Milito (a, Racing)
Time-base (3-5-2): Handanovic; Ranocchia, Vidic, Juan; Jonathan, Hernanes, Medel (M'Vila), Kovacic, Dodô (Nagatomo); Palacio, Icardi (Osvaldo).

Até o atual estágio, a Inter entra na Serie A com um elenco com nível similar ao da temporada passada, em que poderia ter feito melhor figura, não fossem tantas desatenções e pontos deixados pelo caminho. A maior mudança na equipe diz respeito à saída de figuras importantes dentro e fora do campo, como o quarteto argentino formado por Zanetti, Samuel, Cambiasso e Milito – houve, na verdade, um processo de "desargentinização", já que Botta e Schelotto deixaram a Pinetina e Silvestre e Campagnaro ainda devem sair; e a saída de Álvarez também não é descartada. Com isso, a Inter pode ficar com "apenas" quatro ou cinco argentinos no elenco, o que mostra a mudança de tempos em Milão desde que Erick Thohir chegou.

Mazzarri foi mantido no cargo e para suprir as saídas dos argentinos e do também titular Rolando, ganhou de presente boas peças, como Vidic, Medel, Osvaldo, M'Vila e Dodô. Jogadores bons, e que já mostraram entrosamento com o elenco, o que pode garantir um bom início de temporada, pelo menos. No entanto, a Inter, apesar de manter muito a posse de bola, segue apresentando dificuldades de chegar ao gol, e acaba dependendo de iluminações de Kovacic e Hernanes ou do faro de gol de Palacio e Icardi. A sensação é a de que Mazzarri subaproveita as peças que tem, escalando-as em um esquema inadequado. A Inter até pode chegar longe, voltar à Liga dos Campeões ou mesmo conquistar títulos, mas dificilmente o fará com a teimosia do treinador. Uma teimosa tão grande que faz com que Álvarez e Guarín, peças que seriam importantes e bem utilizadas em outros esquemas, possam deixar o clube por valores abaixo de mercado. Se a Inter não conseguir bons resultados ou bom futebol, Mazzarri e seu 3-5-2 voltarão a ser questionados e, talvez, dessa vez o treinador não conte com a mesma paciência de outrora.

Juventus
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Títulos da Serie A: 30 
Na última temporada: campeã
Objetivo: Título
Brasileiros no elenco: Rubinho e Rômulo
Técnico: Massimiliano Allegri (estreante)
Destaque: Carlos Tévez
Fique de olho: Kingsley Coman
Principais chegadas: Alvaro Morata (a, Real Madrid), Patrice Evra (le, Manchester United) e Rômulo (m, Verona)
Principais saídas: Mirko Vucinic (a, Al Jazira), Fabio Quagliarella (a, Torino) e Mauricio Isla (ld, Queens Park Rangers)
Time-base (3-5-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner (Rômulo), Vidal, Pirlo, Pogba, Evra (Asamoah); Tévez, Llorente (Morata).

Tricampeã, a Juventus inicia 2014-15 como incógnita. O elenco foi praticamente todo mantido e o diretor esportivo Giuseppe Marotta ainda foi buscar Morata, Evra e Rômulo para dar mais profundidade ao plantel. Reforços que mantém a Juve como time a ser batido na Itália, mas que ainda não representariam um salto de qualidade para que a maior campeã italiana conseguisse batalhar por uma Liga dos Campeões, como queria Conte. O treinador queria priorizar a competição europeia (aparentemente, os jogadores também queriam um novo desafio), mas a diretoria não lhes deu garantia. Por divergências quanto ao mercado, o treinador deixou o clube e a chegada de Allegri abre duas perguntas: primeiro, como um time que já ganhou três vezes seguidas o scudetto irá reagir à mudança de treinador? E, segundo, como este time buscará novos objetivos sem Conte?

Conte, além dos aspectos táticos, de controle do vestiário e identificação com a Juve, é conhecido como um grande motivador – isso pode ser visto na última temporada, quando após uma dura derrota contra a Fiorentina, a Juventus  voltou a dominar a Itália. Allegri não é o maior dos motivadores e vem de um fim de trabalho bastante negativo pelo Milan, que danificou sua imagem. Taticamente, não é um gênio, e ao menos acerta ao dar continuidade ao 3-5-2 e mesmo estilo de jogo de Conte. Dentro do elenco, o treinador já teve problemas com Pirlo, a quem dispensou do Milan – e o que veio depois, todos conhecemos. O técnico toscano e o craque lombardo já teriam se acertado, mas a grande quantidade de dúvidas que pairam no ar é bastante grande para um time campeão. Um time que terá de demonstrar se ainda tem brio e vontade suficientes para que o favoritismo se confirme e a inegável qualidade do elenco continue se transformado em títulos.

Lazio
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73.481 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principais rivais: Roma, Napoli, Livorno, Pescara, Milan, Juventus e Atalanta
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Ederson e Felipe Anderson
Técnico: Stefano Pioli (estreante)
Destaque: Miroslav Klose
Fique de olho: Mamadou Tounkara
Principais chegadas: Stefan De Vrij (z, Feyenoord), Dusan Basta (ld, Udinese) e Marco Parolo (m, Parma)
Principais saídas: Giuseppe Biava (z, Atalanta) e André Dias (z, sem clube)
Time-base (4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Cana (Gentiletti), Radu (Lulic); Biglia, Ledesma, Parolo; Candreva, Klose, Keita (Djordjevic).

A torcida da Lazio vinha reclamando muito do presidente Claudio Lotito. Chegou a fazer campanha para esvaziar o Olímpico, tudo porque além de gastar pouco, o presidente ainda havia vendido Hernanes. Os ultrà e até mesmo os torcedores comuns achavam que a Lazio vinha sendo pouco ambiciosa e cobravam que o presidente vendesse o clube para um investidor. Pois bem, nesta temporada, Lotito colocou o diretor esportivo Igli Tare para trabalhar e fez uma ótima campanha no mercado. A equipe liberou os zagueiros Biava e André Dias em fim de contrato e reforçou o setor com um dos melhores jogadores da Copa do Mundo, o holandês De Vrij. Ainda chegou Gentiletti, autor de boa Copa Libertadores com o campeão San Lorenzo.

Outros bons reforços foram garantidos para a corte do estreante Pioli, que terá em Basta um lateral de força, técnica e intensidade, e em Parolo um jogador similar ao que Hernanes representou aos laziali no passado. Na frente, Candreva e Klose continuam sendo a fonte de inspiração e gols da equipe, que conta com um Keita em crescimento e um Djordjevic disposto a se estabelecer como um dos atacantes mais prolíficos no cenário europeu. As expectativas sobre a Lazio são altas, mas a briga na parte de cima da tabela é bastante dura – são pelo menos nove equipes lutando por seis vagas europeias. Ter inspirado os sonhos dos torcedores já deixa Lotito em situação mais tranquila no clube, mas eleva a pressão da torcida por resultados, o que tem jogado contra o dirigente e também contra o desempenho dos jogadores dentro de campo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Os 5 maiores brasileiros da história da Fiorentina

A Fiorentina é um dos clubes da Velha Bota que mais tem tradição quando o assunto é jogadores brasileiros. No começo esse namoro foi um pouco tímido, mas as poucas investidas foram para lá de correspondidas e bem sucedidas. Neste século, o clube de Florença passou a olhar nossos atletas com mais atenção e a lista de brasileiros na terra renascentista cresceu bastante, embora muito mais em quantidade do que em qualidade e idolatria.

Quem mais poderia ter se aproximado disso nos últimos anos foi Felipe Melo, mas uma temporada só foi pouco para que o pitbull pudesse criar laços com o clube. É mais o que poderia ter sido do que o que realmente foi. E ter trocado a Viola pela rival Juventus também não ajudou nem um pouco.

Dá para medir a grandeza da relação entre a Fiorentina e o Brasil ao analisarmos que no primeiro scudetto de sua história o clube tinha em Julinho Botelho um de seus principais jogadores. No segundo, lá estava Amarildo, protagonista em mais uma conquista. Ao longo dos anos, jogadores brasileiros fizeram parte do elenco violeta em seus melhores momentos. 

E próxima a anunciar a falência, a Viola conquistou a Coppa Italia de 2001 tendo o volante Amaral como titular absoluto e Leandro Amaral marcando três gols nas quartas-de-final, contra o Brescia. Do primeiro ao último título, os gigliati também tiveram um tom de verde e amarelo em meio ao mar violeta. Ao todo, 33 brasileiros já vestiram a camisa da Fiorentina em sua história. Atualmente, fazem parte do elenco o goleiro Neto e o meia Octávio.

No nosso levantamento, não consideramos o brasileiro naturalizado belga Luís Oliveira, pois ele trilhou toda a sua carreira internacional com o passaporte europeu – e até jogou pelos Diabos Vermelhos nos anos 90. Oliveira, no entanto, foi bem, e foi uma boa alternativa de ataque em uma Fiorentina que tinha Rui Costa, Batistuta e Edmundo.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Brasileiros da história da Fiorentina (por ordem alfabética e, em seguida, no ranking): 
Adriano, Alan Empereur, Alex, Almir, Amaral, Amarildo, Amauri, Anderson, Angelo Sormani, Antoninho, David Mateo, Dino da Costa, Dunga, Edmundo, Felipe, Felipe Melo, Filipe Gomes, Guilherme do Prado, Keirrison, Jefferson Siqueira, Julinho Botelho, Leandro Amaral, Marcão, Márcio Santos, Marcos Miranda, Mazinho, Neto, Sergio Clerici, Octávio, Reginaldo, Rômulo, Ryder Matos e Sócrates.

5º - Edmundo


Posição: atacante
Período em que atuou: 1998-99
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

A passagem de Edmundo na Fiorentina pode ser definida com o velho clichê 'amor de carnaval', mas, paradoxalmente, o que acabou com a lua de mel entre o atacante e a torcida Viola foi justamente a Festa da Carne. O 'Animal' certamente formou uma das melhores duplas de ataque dos anos 1990, ao lado de Batistuta. Ambos eram municiados pelo português Rui Costa, e Edmundo entendeu que precisava ser menos matador e mais útil ao time. No começo isso funcionou e a sintonia entre esses três pilares era perfeita, tanto é que a Viola chegou a liderar a Serie A por 16 rodadas na temporada 1998-99.  Mesmo quando o jogador começou a se desentender com o técnico Trapattoni isso não afetou o rendimento da equipe, mas então o brasileiro começou a brigar com os próprios companheiros e o caldo começou a entornar.

Nem todos sabem, mas no fatídico episódio do carnaval, Edmundo teve permissão da Fiorentina para voltar ao Brasil, sendo inclusive acompanhado por um preparador físico do clube. Mas como o time começou a desandar, o atacante foi responsabilizado pela perda de um possível scudetto não só pela torcida, mas também por seus companheiros. Atitude compreensível, mas um tanto quanto ingrata para um jogador que marcou 14 gols em sua breve passagem e contribuiu diretamente para que a equipe disputasse a Liga dos Campeões, fato pouco usual na história do clube.

4º - Sócrates


Posição: meia
Período em que atuou: 1984-1985
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Ídolo incontestável do Corinthians e admirado por grande parte do povo brasileiro, Sócrates infelizmente não foi tão bem em sua curta passagem pela Toscana. As dificuldades já começaram desde sua chegada a Itália, haja visto que o Doutor foi contratado para substituir ninguém menos que o maior ídolo da história da Fiorentina, Giancarlo Antognoni, que ficaria um ano parado por grave lesão. Uma missão que para lá de ingrata.

Sócrates vestiu a malha viola 25 vezes, mas nunca caiu nas graças da torcida e encontrava obstáculos para convencer até mesmo os seus companheiros. Alguns dizem que o brasileiro tentou colocar em prática a ideologia da democracia corinthiana - vista como liberal demais para os italianos - e não foi bem aceito. Outros culpam a frequência de Sócrates em festas e eventos noturnos, e o excesso do atleta no consumo do álcool. Seja lá o que for, a Fiorentina só pode lamentar ter contado com um dos maiores jogadores da história e não ter obtido sucesso.

3º - Dunga


Posição: volante
Período em que atuou: 1988-1992
Títulos conquistados: Copa América 1989
Prêmios individuais: nenhum

A birra que alguns brasileiros pegaram com o agora treinador Dunga em nada lembra o gosto pelo ótimo volante aguerrido e com visão de jogo apurada. Tanto é que o gaúcho é lembrado com muito carinho pelos torcedores gigliati até hoje.

Dunga chegou à Florença em 1987, mas a Viola já contava com estrangeiros demais e ele acabou emprestado ao Pisa, da própria Toscana – somente um ano depois o volante conseguiu se estabelecer na equipe. Se o time contava com a mítica dupla Baggio e Borgonovo no ataque, Dunga era o responsável por liderar o meio-campo. Dono da camisa de número 4, o brasileiro chegou a final da Copa Uefa em 1990, mesmo ano em que passou a ser dono também da faixa de capitão da equipe com a chegada do técnico Sebastião Lazaroni. A saída do volante foi conturbada, mas não chegou a manchar os dias de glória do Cucciolo.

2º - Amarildo


Posição: atacante
Período em que atuou: 1967-1971
Títulos conquistados: Serie A 1968–69
Prêmios individuais: nenhum

Campeão do Mundo com a seleção brasileira em 1962, Amarildo ficou famoso por substituir Pelé no Mundial. E na Fiorentina o atacante também chegou para o lugar de outro ídolo: Kurt Hamrin. O 'Possesso' trocou o Botafogo pelo Milan e ficou na Lombardia por quatro anos, onde levantou o caneco da Coppa Italia de 1967. Mas foi em Florença que o atacante enfim conquistou um scudetto: Hamrin ganhou o dele pelo Milan, em 1967-68, e Amarildo o dele, pela Viola, na temporada seguinte. Mas o brasileiro ganhou isso e muito mais.

“A Fiorentina completou a minha vida. Eu joguei no Milan, ganhei títulos lá. Depois fui para a Fiorentina e ganhamos o título de 68-69. E foi lá que eu formei a minha família: casei, tive filhos... e fiquei apaixonado também pela cidade e fui conquistado pelo povo fiorentino. Até hoje eles não me esquecem. Eles ainda escrevem para mim. É um dos pontos mais marcantes da minha vida esportiva", contou o atacante ao Quattro Tratti.

1º - Julinho


Posição: atacante
Período em que atuou: 1955-1958
Títulos conquistados: Serie A 1955-1956, Coppa Grasshoppers 1957
Prêmios individuais: nenhum

Apenas três estrangeiros têm a honra de figurar no Hall da Fama do museu da Fiorentina: o sueco Kurt Hamrin, o argentino Bruno Pesaola e, é claro, o brasileiro Julinho Botelho. Na Portuguesa, o atacante já deu mostras de que seria um jogador de quilate diferenciado, mas sua passagem pela Fiorentina foi ainda melhor. Foi mágica.

Graças a ele, a Viola conseguiu seu primeiro campeonato nacional e, consequentemente, maior projeção na Europa. Julinho jogava aberto pelo lado direito e era tão mortal nesse setor, com seus dribles e cruzamentos, que chegou a ser comparado a Garrincha. Mas não se limitava a isso e por vezes atuou também centralizado. Pela Seleção, Julinho foi eleito o melhor jogador da Copa de 1954, mas abdicou do Mundial seguinte, vencido pelo Brasil, por achar que um jogador do futebol local merecia mais a vaga. O jogador também mostrou essa sensibilidade em sua saída do time italiano, que só se deu porque seu pai faleceu e Julinho não queria deixar a mãe solitária no Brasil. Em julho de 2014, o Palmeiras bateu a Fiorentina por 2 a 1, em um amistoso realizado em São Paulo, e conquistou um troféu que recebeu o nome do jogador.