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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

15ª rodada: Briga requentada

Nainggolan foi o autor de uma proeza que deixou a Roma próxima da Juve (LaPresse)
Depois de uma rodada em que os times de Gênova foram destaques, era chegada a hora da prova. Sampdoria e Genoa enfrentariam, respectivamente, líder e vice-líder do campeonato, Juventus e Roma. Apesar do equilíbrio em ambas as partidas, ficou a impressão de que é a Samp que está mais preparada para lutar na parte mais alta da tabela. A equipe, que tem tido bom retrospecto contra a Juve, voltou a dar trabalho e arrancou um valioso empate em Turim. Bom para a Roma, que foi até o estádio Luigi Ferraris, derrotou os grifoni e encostaram outra vez na Velha Senhora, que agora tem apenas um ponto de frente.
 
A 15ª rodada do Campeonato Italiano teve ainda a reação da dupla de Milão. Milan e Inter se reencontraram com a vitória e mantém a chama do sonho Liga dos Campeões acesa. Um sonho ainda maior para a Lazio, que atuou bem outra vez e assumiu a terceira posição, empatada em número de pontos com Sampdoria e Genoa. Acompanhe o resumo da rodada.

Genoa 0-1 Roma
A Roma entrou em campo já sabendo do tropeço da Juventus contra a Sampdoria, em casa, e, portanto, com a noção de que uma vitória contra o Genoa a colocaria a apenas um ponto da liderança. Fora de casa, os comandados de Rudi Garcia não se deixaram dominar e criaram as principais ações do início da partida, com um Nainggolan em grande forma, defensiva e ofensivamente, e Florenzi e Ljajic chegando muito bem pelos lados do campo. Quando tudo parecia caminhar bem para a Roma, porém, um lance encheu de incertezas os torcedores: Nainggolan sofreu pênalti e o goleiro Perin foi expulso. Com o estreante Lammana na meta, Ljajic bateu e errou a cobrança. Outra romada à vista?

"Não", respondeu Nainggolan, nome do jogo, 10 minutos depois. O belga acertou belo voleio da entrada da área, após cruzamento de Maicon, e fez 1 a 0 para os giallorossi. Matri ainda teve boa oportunidade para empatar, no fim do primeiro tempo, mas De Sanctis fez boa defesa. Na etapa final, então, faltas e protestos tomaram o lugar do futebol. O técnico do Genoa, Gasperini, foi expulso ainda no intervalo. Dentro de campo, o jogo ficou feio e muito agressivo. Só no fim, já aos 47 minutos, nova jogada de gol: Rincón marcou de cabeça, após cruzamento, mas teve o gol anulado (corretamente) pelo juiz. No final do jogo, Holebas ainda mostrou o dedo médio para torcedores do Genoa e pode pegar um gancho. Com a derrota, o Genoa perde a terceira posição para a rival Sampdoria, enquanto a Roma volta a incomodar a Juve na luta pelo scudetto. (Rodrigo Antonelli)

Juventus 1-1 Sampdoria
A Sampdoria acabou com uma série de 25 vitórias seguidas da Juve em seu estádio ao arrancar um empate em 1 a 1. Marchisio retornou ao time titular após perder o jogo contra o Atlético de Madrid, pela Liga dos Campeões, porque estava com febre. Ele cobrou o escanteio na cabeça de Evra, lance que originou o primeiro gol da partida. A jogada de bola parada se assemelhou bastante às de Pirlo no torneio continental, indicando a nova tática ensaiada pelo técnico Massimiliano Allegri. O primeiro tempo de amplo domínio bianconero impressionou, por pela primeira vez na temporada a forte Sampdoria de Mihajlovic ter se visto contra as cordas – há quem diga que a Juve jogou melhor neste pedaço do jogo do que na goleada contra a Lazio.

O técnico da Sampdoria deu seu tradicional esporro na equipe nos vestiários e colocou Gabbiadini no intervalo. O atacante, que vive a especulação de saída para o Napoli, integrou o ótimo tridente ofensivo ao lado de Okaka e Éder e deixou o marcador igual com um bonito chute de canhota, sem chances de defesa. Ele só não marcou outro pois Buffon fez excelente intervenção com apenas uma das mãos, já no final da partida. O terceiro empate seguido na temporada foi conquistado exatamente contra o último adversário que derrotou a Juve em Turim, em janeiro de 2013. (Murillo Moret)

Lazio 3-0 Atalanta

A Lazio segue sua ascensão na Serie A. Depois de vencer o Parma, a equipe aproveitou a sequência contra times da parte de baixo da tabela e venceu a Atalanta, resultado que lhe permitiu assumir a terceira colocação, deixando os bergamascos mais perto da zona de rebaixamento. Em campo, o primeiro tempo foi fraquíssimo. Nas poucas ações ofensivas, os ataques deram pouco trabalho para os goleiros.

Pioli trabalhou bem no vestiário e a Lazio voltou melhor no segundo tempo. Aos 6, bela jogada pela direita e Mauri aproveitou o cruzamento de Felipe Anderson para abrir o placar. Os biancocelesti dominaram a segunda etapa e chegaram ao segundo gol, novamente através da dupla Felipe Anderson-Mauri. O brasileiro costurou na frente da área e deixou para o capitão bater colocado no canto de Sportiello. Já no final, Lulic completou o placar. Os nerazzurri, porém, reclamam de um pênalti em D’Alessandro, quando a partida ainda tinha vantagem mínima dos donos da casa. (Caio Dellagiustina)

Milan 2-0 Napoli
Uma vitória pra lavar a alma. Depois de tanto tempo sem vencer o Napoli, enfim o Milan ganhou e, em meio a tanta irregularidade, ficou com três pontos fundamentais para passar o próprio time napolitano e seguir com o terceiro lugar próximo. Sampdoria, Genoa e Lazio dificilmente manterão esses resultados no próximo semestre, e quem estiver mais próximo e for mais regular, terá vantagem.

Para o Napoli, outro duro tropeço, atuação fraca do sistema defensivo e imprecisão do ofensivo (contra um inspirado Diego López, vale a menção). No caso do Milan, alguns detalhes importantes, como a volta de Montolivo, bem na partida e coordenando associações com Bonaventura, Ménez e Armero pela esquerda, por onde resultaram os dois gols. O primeiro deles, logo aos 6, quando Bonaventura lançou Ménez nas costas da defesa e o francês bateu Rafael, depois de deixar dois adverários para trás. O segundo, dessa vez no início do segundo tempo, aconteceu quando Armero colocou a bola na cabeça de Bonaventura, que iniciou e terminou a jogada com bonita cabeçada, sempre com muita facilidade contra a defesa napolitana. O placar ainda poderia ser maior, mas Poli desperdiçou jogada criada por Ménez, e o próprio francês teve bela jogada individual travada por Koulibaly. (Arthur Barcelos)

Cesena 1-4 Fiorentina
As vitórias, enfim. A Fiorentina de Montella não tem apresentado um futebol dos mais agradáveis ultimamente, mas os três pontos têm sido conquistados. É a terceira vitória em quatro jogos - sendo o outro um empate com a Juventus -, com direito a fato curioso: todos os triunfos foram fora de casa. A defesa, antes um problema, tem se saído bem com o trio Savic, Gonzalo Rodríguez e Basanta. Mais à frente, Mati Fernández, Alonso e Joaquín, antes reservas, tem se destacado, uma vez que Cuadrado vem em má fase, Borja Valero está menos influente e Gómez vive jejum de gols e momento de baixa técnica.

No Dino Manuzzi, os torrcedores viram um primeiro tempo sem grandes emoções, com domínio viola, mas sem brilho. O primeiro gol saiu já no fim, quando, após escanteio, a bola sobrou para Valero chutar firme no canto de Leali. O segundo veio aos 47, no início da segunda etapa, novamente na bola parada: Fernández cobrou falta e Savic, na pequena área, desviou. Para dar uma esquentada no jogo, Neto fez lambança incrível em recuo de Savic, não prestando atenção na jogada e permitindo gol contra do montenegrino – segundo Montella, o goleiro foi atrapalhado pela velocidade que a bola ganhou no gramado sintético. O Cesena tentou reagir, não conseguiu e ainda perdeu Volta, expulso. Na jogada seguinte ao vermelho, mais uma vez a bola parada viola funcionou: após escanteio, Pizarro cruzou na área e Gonzalo acertou cabeceio certeiro. Aos 93, na última jogada da partida, El Hamdaoui deu sinal de vida e fez o quarto depois de bate-rebate. (AB)

Chievo 0-2 Inter
Enfim, a vitória. Depois de cinco jogos sem conseguir somar os três pontos, a Inter voltou a sair triunfante de um campo italiano, dando a Mancini sua primeira vitória na Serie A desde que voltou ao comando técnico da equipe. O incrível é que o campeonato está tão equilibrado e as equipes tem tropeçado tanto que, mesmo sem vitórias por um mês e meio, a Beneamata ainda está apenas 6 pontos atrás da Lazio, terceira colocada. Sonhar com dias melhores é possível em La Pinetina, e vencer a própria equipe romana, no domingo, será fundamental. Para o Chievo, após cinco jogos sem derrota, momento de se recompor e buscar a recuperação na última rodada de 2014, no clássico contra o Verona.

No campo do Bentegodi, a Inter dominou desde os minutos iniciais, e mostrou alguns de seus melhores momentos de futebol neste ano. O primeiro gol do jogo aconteceu logo aos 19 minutos, quando Nagatomo cruzou mal para a área, Icardi ajeitou e Kovacic aproveitou, batendo no canto de Bizzarri. Depois do gol, o Chievo tentou agredir, mas Handanovic estava bem colocado para realizar boas defesas – e, quando não pode, o chute de Paloschi passou perto. No segundo tempo, depois que Radovanovic tirou bola em cima da linha e a Inter ganhou escanteio, a sequência da jogada originou o gol que fechou o placar. D'Ambrosio cruzou e o capitão Ranocchia desviou para as redes. Com a vitória praticamente assegurada, Mancini experimentou uma variação tática e colocou a equipe no 4-2-3-1. O time até jogou bem nos contra-ataques, e até desperdiçou chances de aumentar o placar, com Guarín e Palacio, que erraram demais no jogo. (Nelson Oliveira)

Udinese 1-2 Verona
O Verona conseguiu uma boa vitória no clássico diante a Udinese - apenas a terceira em partidas válidas pela Serie A longe de casa, e reencontrou-se com os triunfos após dois meses. O jogo estava sem emoções até que Di Natale se antecipou a Rodríguez para cabecear o cruzamento realizado por Bruno Fernandes. O atacante marcou seu gol de número 201 no campeonato. Toni deixou tudo igual antes do intervalo, quando dominou a bola dentro da área e chutou por entre os marcadores. Na comemoração, ele mostrou uma camisa em referência aos 300 tentos marcados na carreira.

Porém, em dia de gols históricos, foi outro nome (e que nome) que roubou a cena. Christodoulopoulos, que já havia dado assistência para o gol de Toni, deixou o dele 90 segundos após o começo do segundo tempo. O grego chutou por entre as pernas do compatriota Karnezis para virar o jogo. O confronto no Friuli não terminou empatado porque Benussi defendeu o que seria gol contra de Rafa Márquez e Fernandes falhou ao tentar a finalização após jogada errada de Pasquale. (MM)

Palermo 2-1 Sassuolo
Pra iniciar a rodada, jogo quente e emocionante na Sicília, entre dois dos times em melhor forma recente nesta temporada. O roteiro foi bastante movimentado, tal qual o de um filme de muito suspense e ação. Primeiro, um gol cedo dos donos da casa, seguido de pressão dos visitantes, chances desperdiçadas pelos anfitriões e expulsão do goleiro dos neroverdi. No segundo ato, gol de empate quase no fim, resposta dos rosanero com gol anulado e depois com um válido, decretando a vitória. Para fechar, uma machadada do capitão dos hóspedes no craque dos mandantes, resultando na segunda expulsão do jogo. Ufa.

A vitória coloca o Palermo na primeira metade da tabela e à frente do próprio Sassuolo, interrompendo a série de oito jogos sem derrotas dos emilianos. Já para o time de Iachini, Dybala e Vázquez, são sete jogos sem derrotas e quatro vitórias. Parece que, enfim, um treinador rosanero comerá o panetone sem a corda no pescoço – o último que comeu foi Delio Rossi, o último a ter conseguido sequência igual, em 2010. E graças também aos jovens talentos Dybala e Belotti. O primeiro com outra boa partida, dando assistência pro gol de Rigoni aos 3 minutos, e o segundo entrando no fim para mostrar sua estrela, como já mostrara na seleção sub-21, marcando o gol da vitória. Para o Sassuolo, que tanto pressionou e jogou bem, uma derrota dura de engolir. Os desfalques de Peluso, Vrsaljko e Berardi se mostraram fundamentais. Para o próximo jogo, contra o Cesena, eles estão de volta, mas Consigli e Cannavaro cumprem suspensão. (AB)

Empoli 0-0 Torino
Empate sem gols entre Empoli e Torino, no Carlo Castellani. Mesmo na parte de baixo da tabela o ponto conquistado foi considerado bom pelas duas equipes, que se afastaram um pouco mais da zona de perigo e mantêm a invencibilidade de ambos. No lado azzurro, já são cinco jogos sem perder, enquanto no lado granata, o terceiro jogo sem derrota, incluindo a goleada sobre o Kobenhavn, pela Liga Europa.

Movimentada no início, a partida exigiu dos defensores. Gillet pegou as duas melhores chances do Empoli, ambas com Verdi, enquanto Martínez, o melhor em campo pelo Toro, parou em Sepe. Na segunda etapa, as entradas de Zielinski e Pucciarelli deixaram o Empoli mais incisivo no ataque, dando trabalho ao goleiro belga dos visitantes, que evitou a derrota. No final da partida, duas perdas, uma por expulsão e outra por lesão, fizeram o Torino terminar a partida com jogadores a menos. (CD)

Parma 0-0 Cagliari
O lanterna Parma voltou a somar um ponto após cinco derrotas seguidas, mas continua longe de dar confiança a seus torcedores. Contra outra equipe que ocupa a zona de rebaixamento, o time de Roberto Donadoni pouco - ou nada - produziu, jogando em casa. Não à toa, no fim da partida tudo que o técnico conseguiu elogiar foi o espírito de seus comandados dentro de campo: "Faltou brilhantismo e lucidez, mas mostramos que temos força para correr atrás", disse. Com a mudança de presidência quase consolidada – Tommaso Ghirardi está finalizando a venda a um grupo russo-cipriota –, agora a equipe espera mais paz nos bastidores para focar no campeonato. A tarefa, no entanto, será dificilíssima: o Parma tem apenas 6 pontos – pode chegar a apenas 9 em 2014. Para efeitos de comparação, o Catania, lanterna na última temporada, tinha 10 pontos nesta mesma fase da temporada. A situação é ainda pior porque os crociati podem perder mais dois pontos (já perderam um) por causa de pagamentos atrasados.

Do outro lado, o Cagliari sem Ibarbo e Sau no ataque teve dificuldades para agredir os donos da casa e não conseguiu boas chances, ajudando a deixar o jogo sem emoções. Zeman admitiu a dificuldade do time diante do Parma e culpou a situação ruim na tabela para deixar seus jogadores com medo de atacar – são três jogos sem marcar gols, algo impensável para um time treinado pelo checo ofensivista. Os rossoblù já chegam à sétima partida sem vitórias. A última foi contra o Empoli, em outubro. Assim, os poucos 12 pontos mantêm os sardos na zona de rebaixamento, dois pontos atrás do Torino, primeiro time fora da degola. (RA)

Relembre a 14ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Diego López (Milan); Ranocchia (Inter), Rodríguez (Fiorentina), Mexès (Milan); Christodoulopoulos (Verona), Nainggolan (Roma), Mati Fernández (Fiorentina), Mauri (Lazio), Bonaventura (Milan); Gabbiadini (Sampdoria), Felipe Anderson (Lazio). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Sampdoria).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Todo mundo vivo

Venezuelano Martínez fez dois gols para garantir o Torino no mata-mata (La Presse)
Progresso? A Itália, dentre todos os países europeus membros da Uefa é o único que tem todos os seus times vivos em competições continentais. Tudo bem, dois deles – Napoli e Roma – caíram em diferentes fases da Liga dos Campeões e foram "rebaixados" à Liga Europa, enquanto a Juventus não tem vivido um primor técnico na competição de clubes mais badalada do mundo. 

No segundo escalão europeu, no entanto, os times italianos tiveram poucas dificuldades para garantir suas vagas e, agora, devem levar mais a sério o torneio. Afinal, a competição se afunila e times melhores devem cruzar os seus caminhos – sejam aqueles provenientes da LC sejam aqueles que passaram pela fase de grupos. Até quando a boa fase italiana na Liga Europa persistirá? Enquanto a competição dá uma pausa, confira a análise das partidas dos times do Belpaese e, abaixo, a divisão dos potes para o sorteio dos 16 avos de final do torneio.
Kobenhavn 1-5 Torino
Amartey 6' (K), Martínez 15' e 47', Amauri 42', Darmian 49', Silva 52' (T)
Única equipe italiana ainda não classificada para a próxima fase da Liga Europa, o Torino entrou em campo na Dinamarca precisando de uma simples vitória para não depender de outros resultados e se garantir nos 16 avos de final. O início da partida contra o Kobenhavn, porém, foi assustador. Mesmo eliminada, a equipe da casa abriu o placar com Amartey, que deu carrinho para evitar um lançamento e viu a bola bater nele e ir para as redes – o resultado de Brugge e HJK Helsinki, até então um empate, ainda mantinha o Torino com o segundo posto no grupo. Martínez empatou, nove minutos depois, e foi aos 30 do primeiro tempo que a história começou a mudar.

Antonsson foi expulso e, dez minutos depois, Mathias Jorgensen também foi – o último deles cometeu pênalti sobre Amauri. O ítalo-brasileiro converteu a penalidade e, com dois jogadores a mais, ficou fácil para o Toro golear e conseguir sua maior vitória fora de casa em competições continentais desde 1986, quando fez 4 a 0 no Nantes. Em apenas oito minutos depois do intervalo, o Torino chegou aos cinco na partida. Primeiro, com Martínez, que assinalou sua doppietta; depois com Darmian, em um sem-pulo. Para finalizar, Silva mandou um balaço no canto. Aí os jogadores grenás ficaram com vergonha de transformar os do Kobenhavn em baratas tontas e pisaram no freio. O Torino ia ficando com o primeiro lugar no Grupo B até os minutos finais do jogo, mas o israelense Refaelov fez o gol da vitória por 2 a 1 do Brugge sobre o HJK e deu o primado aos belgas. (Nelson Oliveira)

Napoli 3-0 Slovan Bratislava
Mertens 6', Hamsík 16', Zapata 75'
Com a classificação garantida ao mata-mata da Liga Europa, o Napoli teria apenas uma formalidade para garantir a liderança do grupo. A equipe precisaria vencer o último colocado no seu grupo, e que havia feito apenas um gol e sofrido 17 até então. Diante do Slovan Bratislava, o time de Rafa Benítez ainda jogou com vários titulares e não teve a menor dificuldade para fazer 3 a 0.

Logo no início do jogo, o time italiano partiu para cima e abriu o placar, em belo chute de fora da área de Mertens. Com a perna direita, ele bateu tirando do goleiro e foi feliz na conclusão. 10 minutos depois, Ghoulam cobrou uma falta a meia altura e Hamsík, formado pelo clube eslovaco, desviou para ampliar o marcador. Com a boa vantagem no placar, os azzurri transformaram o jogo em treino, e apenas no segundo tempo o Slovan Bratislava tentou atacar para diminuir o vexame no grupo. Mesmo assim, foi Zapata, em boa cabeçada, que fechou o placar. Já em Berna, o Young Boys confirmou o bom momento do futebol suíço, fez 2 a 0 no Sparta Praga e se classificou com a segunda vaga do Grupo J. (NO)

Qarabag 0-0 Inter
Já classificada e com o primeiro lugar no grupo, a Inter viajou ao Azerbaijão apenas para cumprir tabela. A partida, no entanto, foi considerada importante por Mancini para dar ritmo de jogo a reservas e também para promover a entrada de jovens jogadores no time principal. Pelo lado da Inter, em uma partida com poucas emoções, valeram as exibições do atacante Bonazzoli, de 17 anos, que acertou um chute na trave, e também do zagueiro Andreolli, que se destacou no 3-5-2 utilizado por Mancini.

No entanto, a partida ficará marcada por um episódio lamentável. O Qarabag, que fez uma fase de grupos muito boa, e que vem mostrando que o futebol azeri tem evoluído, poderia ter vencido o jogo. Moralmente, o venceu. No último lance do jogo, após uma bola espirrada, o brasileiro Richard Almeida bateu, desequilibrado, Donkor não conseguiu cortar e desviou a bola contra o próprio patrimônio. O gol classificaria o time da casa e eliminaria o Dnipro, mas a arbitragem inventou impedimento no lance – segundo o bandeira, a bola teria desviado em George, que nem impedido estava; veja aqui. A arbitragem, mais uma vez longe dos recursos tecnológicos, arruinou a temporada do Qarabag. (NO)

Fiorentina 1-2 Dinamo Minsk
Kontsevoy 39', Nikolic 55' (D), Marin 88'(F)

Sem maiores ambições, a Fiorentina perdeu sua primeira partida na Liga Europa. Com um time alternativo, dando ritmo a jogadores como Mario Gómez, Richards, Badelj e Lazzari, a equipe de Montella mostrou-se totalmente desinteressada. Mesmo sem pretensões, os bielorrussos queriam se despedir com vitória da competição e aproveitaram da apatia viola para abrir dois a zero. Kontsevoy abriu o placar num belo voleio e, no segundo tempo, Nikolic completou cruzamento na pequena área para ampliar.

Só então a Fiorentina entrou no jogo, mas o gol saiu apenas no final, com Marin, um dos mais lúcidos em campo. Tarde demais para uma reação. De qualquer forma, o técnico Montella queria ter vencido a partida e ficou irritadíssimo com a postura apresentada por seus jogadores – inclusive, substituiu Cuadrado com apenas 24 minutos de jogo, por razões técnicas. Em seu lugar, entrou Minelli, promessa de apenas 17 anos, que jogou bem e recebeu elogios. (Caio Dellagiustina)
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Confira a distribuição dos times para o sorteio que acontece na segunda, a partir das 9h (horário de Brasília):

Pote 1
Mönchengladbach
Club Brugge
Besiktas
Dinamo Moscou
Feyenoord
Everton
Inter
Salzburg
Napoli
Dynamo Kiev
Fiorentina
Legia
Athletic Bilbao
Zenit
Sporting
Olympiacos

Pote 2
Villarreal
Torino
Sevilla
Tottenham
PSV
Celtic
Dnipro
Wolfsburg
Young Boys
Aalborg
Trabzonspor
Guingamp
Liverpool
Roma
Anderlecht
Ajax

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A difícil rotina romana

Esperançoso no início da campanha, Totti viu a Roma desandar na Liga dos Campeões mais uma vez e amargou nova eliminação na fase de grupos, diante de um remendado Manchester City

A aventura da Roma na Liga dos Campeões 2014-15 parecia que teria final feliz - com 5 x 1 sobre o CSKA na estreia e bom empate com o City na Inglaterra -, mas acabou apenas como mais uma grande decepção para o torcedor giallorosso, algo que se tornou rotineiro nos últimos anos. A equipe italiana entrou no Estádio Olímpico, nesta quarta, classificada para as oitavas de final do continental, mas não conseguiu se impor em casa e viu a vaga escorregar pelas mãos, contra um Manchester City remendado. Kompany, Yaya Touré, Aguero e David Silva desfalcavam o time inglês, mas nem assim os romanos conseguiram segurar o 0 x 0 que lhes carimbaria o passaporte para as oitavas. 

Samir Nasri, pouco aproveitado nessa temporada, ganhou um lugar no time titular e mostrou que mesmo um reserva do City é muito superior a grande maioria dos meias que atuam no futebol italiano. Soberana na Serie A, a defesa da Roma não conseguiu parar o francês e ele abriu caminho para a vitória dos citzens. Melhor em campo no segundo tempo, ele abriu o placar aos 15 minutos da etapa final e criou outras boas oportunidades depois, inclusive a do gol de Zabaleta, que fechou o placar, a cinco minutos do fim. 

E olha que o jogo começou favorável à Roma. A equipe de Rudi Garcia tomou a iniciativa no início e criou as melhores oportunidades da primeira parte do jogo. Holebas teve boa chance de abrir o placar, mas o goleiro Hart conseguiu defesa importante para os visitantes. Após a partida, o técnico romanista se disse muito desiludido com o resultado, mas admitiu a superioridade inglesa. "O City tem um grande elenco, não estamos no nível deles. Se não tem Silva, tem Nasri. Se não tem Aguero, tem Dzeko. É um pecado porque dependíamos só de nós", avaliou.

O deslize giallorosso faz com que um City apenas medíocre avance às oitavas da Liga. Os ingleses ficaram longe de fazer boa campanha na fase de grupos. A primeira vitória do time de Pellegrini veio apenas na penúltima rodada da chave, em grande virada contra o Bayern de Munique. Antes, o time somava apenas dois pontos nos quatro primeiro jogos. Agora, segue mais forte para a fase do mata-mata e deixa a Roma com a Liga Europa, que, porém, não deve ser prioridade do time.

"Agora é focar no scudetto", disse Nainggolan, após a desclassificação, resumindo o que deve ser o pensamento do grupo daqui para o fim da temporada. No italiano, a Roma é a única adversária da Juventus ao título e a reserva de forças para o campeonato nacional pode ajudar a equipe a alcançar o sonho de voltar a conquistar o scudetto após 14 anos. Até porque a Juve continuará dividindo as atenções entre a Serie A e a Champions.

Liga dos Campeões, 6ª rodada, Olímpico de Roma
Roma 0-2 Manchester City

Roma
De Sanctis; Maicon (Florenzi), Manolas, Yanga-Mbiwa, Holebas; Pjanic, Keita, Nainggolan; Ljajic (Iturbe), Totti (Destro), Gervinho
Técnico: Rudi Garcia

Manchester City
Hart; Zabaleta, Demichelis, Mangala, Clichy; Fernando, Fernandinho; Navas (Silva), Nasri (Kolarov), Milner; Dzeko (Jovetic)
Técnico: Manuel Pellegrini

Gols: Nasri, aos 15 minutos do 1º tempo, e Zabaleta, aos 40 minutos do 2º tempo 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fase de grupos encobre falhas?

"Carimba, Luciano, que a classificação foi legal" (Foto: Getty Images)
A Juventus jogou com o regulamento e fez o necessário para avançar de fase na Liga dos Campeões com um empate sem gols contra o Atlético de Madrid, nesta terça-feira (9), em Turim. A pergunta feita no título leva a ponderação: a fase de grupos encobre (muitas) falhas da Velha Senhora?

É possível analisar a partida no Piemonte da seguinte forma: a Juventus fez o que precisava para entrar no seleto clube dos 16 melhores times da temporada 2014-15. Em comparação ao mesmo período no ano passado, já é muito - afinal, cair contra o Galatasaray, de qualidade técnica inferior, não está nos planos de muitos clubes.

Chega a ser imbecil dizer que "a prioridade da Juventus é vencer a Liga dos Campeões". Todos têm essa prioridade - exceção seja feita ao Basel. O técnico Max Allegri precisa, em princípio, criar uma identidade da equipe na Europa. A Juve perdeu dois dos três jogos iniciais na fase de grupos (fora de casa contra Olympiacos e Atleti), mas cresceu no momento decisivo. Os adversários espanhois e gregos foram mais difíceis que o imaginado, e o Malmö deu bastante trabalho no primeiro turno.

Por outro lado, é possível, também, analisar a partida desta forma: a equipe italiana penou, novamente, contra o super defensivo Atlético de Madrid. Não só isso: na LC, o time acumula exibições ruins e sem criatividade ofensiva - a Juventus jogou muita bola contra o Chelsea, na Arena, mas há duas temporadas. O time treinado por Diego Simeone não tem o menor problema em se defender a todo momento. Nesta terça-feira, certamente o treinador bianconero foi Muricy Ramalho. Teve cruzamento a todo momento buscando Llorente, que teve de enfrentar Godín e Giménez - ou dois Yao Ming, se preferirem. 

A falta de criatividade não foi vista somente na partida contra o Atleti. A Juve teve dois breves momentos de instabilidade depois das derrotas na competição europeia: a vitória no sufoco contra a Roma e a derrota para o Genoa, no Italiano. Desde então, o time soma oito partidas sem derrotas. Porém, o jogo contra a Lazio marca a última grande exibição da Juventus na temporada. Diante do Malmö, a equipe fez 45 minutos bons; contra Torino e Fiorentina, apresentações fracas - apesar dos três pontos conquistados no clássico. 

Allegri precisa repensar sobre a manutenção de Vidal na equipe titular. O chileno fez um jogo medonho contra o Atleti. O jogador está aquém daquele que comeu a bola durante as últimas três temporadas. Talvez a partida diante os espanhois fosse diferente com a presença de Marchisio, poupado devido a uma febre. Fato é que o setor direito enfraqueceu com a queda de produção do camisa 23. Não à toa a Velha Senhora teve mais posse de bola pelo lado esquerdo no ataque.

O sorteio pode ajudar a Juventus com um primeiro colocado de grupo um pouco menos complicado, como Borussia Dortmund ou Monaco. Qualquer confronto, de qualquer forma, será difícil para quem ainda tem medo de jogar a competição, mas como Gianluigi Buffon disse ao término do jogo desta terça-feira, "cedo ou tarde, você precisa enfrentar os times fortes". 

Liga dos Campeões, 6ª rodada, Juventus Stadium
Juventus 0-0 Atlético de Madrid

Juventus: Buffon, Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra; Vidal, Pirlo, Pogba e Pereyra; Tévez e Llorente. T: Massimiliano Allegri

Atlético de Madrid: Moyá, Juanfran, Giménez, Godín e Siqueira; Arda Turan, Mario Suárez, Gabi e Koke; Raúl García e Mandzukic. T: Diego Simeone

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

14ª rodada: Gênova sonha, Milão quer acordar

Momentos distintos: Genoa e Milan simbolizam fases de equipes de Gênova e Milão; Samp e Inter idem (Ansa)
26 de maio de 1991. Em nenhum outro momento da história a cidade de Gênova esteve tão à frente das outras cidades italianas no quesito futebol. Naquele dia, o país via a Sampdoria consagrada como campeã nacional pela primeira vez e o rival Genoa, em sua melhor campanha pós-Segunda Guerra Mundial, alcançar a quarta posição e classificar-se à Copa Uefa. Nenhuma outra vez na história as duas equipes ficaram juntas entre as cinco primeiras colocadas do Campeonato Italiano. Algo que pode mudar nesta temporada. Atualmente, o Genoa é o terceiro colocado e logo atrás, em quarto, está a Sampdoria. Com o futebol que as duas equipes genovesas tem jogado, é possível imaginar que elas consigam se manter nesta posição.

Por outro lado, Milão vive situação crítica. A última vez que Inter e Milan tiveram campanhas tão ruins ao mesmo tempo foi no longínquo 1957-58, quando terminaram a temporada empatadas com 32 pontos, na 11ª e 9ª posições, respectivamente. Em crise financeira e técnica, as equipes patinam e vão tropeçando mais do que o devido. Juntas, somam 38 pontos, apenas três a mais que a líder Juventus – os times genoveses tem 10 a mais.

Fora a solidificação da dualidade entre genoveses e milaneses, o campeonato viu pouca coisa nesta 14ª rodada. Juventus, Roma e Napoli empataram; a Lazio voltou a vencer e subiu na tabela, e aconteceram mudanças na parte mais baixa da tabela. Acompanhe o resumo.

Genoa 1-0 Milan
Nove jogos sem derrotas e a incrível terceira colocação. O Genoa passou de contestado para sensação da atual temporada na Itália. Contra um Milan nervoso e sem criação, a equipe de Gasperini – que venceu sua 100ª partida no comando dos grifone – anotou apenas um gol, o suficiente para somar mais três pontos e ultrapassar o Napoli na classificação. Depois de duas chances com Ménez, uma aos outras 7 e a outra aos 27 (saindo cara a cara com Perin), o Milan, que já não empolgava, sofreu o gol. Perotti cobrou escanteio e Antonelli subiu livre para cabecear no canto de Diego López.

A pressão continuou e o Genoa quase ampliou ainda na primeira etapa. Após bobeira de De Jong, Perotti aproveitou a sobra na entrada da área e Bonera salvou quase em cima da linha. Na segunda etapa, domínio rossoblú continuou, embora pouco incisivo. As raras chances vieram de chutes a longa distância. Mesmo com as entradas de Pazzini e Niang, o time milanista chegou apenas nos minutos finais, quando Bonaventura chutou por cima a chance do empate. Festa genovesa e preocupação rossonera. O Diavolo acumula apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, caiu para a sétima colocação e se distancia da zona de Champions League. Já o Genoa sonha em pela primeira vez jogar a competição, algo que não aconteceu em 2009-10 apenas por critérios de desempate – a Fiorentina tinha melhor saldo. A empolgação toma conta do lado vermelho e azul da cidade, e até mesmo o técnico Gasperini afirma que este time é melhor do que aquele, treinado por ele. (Caio Dellagiustina)

Verona 1-3 Sampdoria
Mais uma vez, a Samp deu uma mostra de que a sua ótima campanha até aqui não é obra do acaso. Sob os olhos do folclórico presidente Massimo Ferrero, que deu mais um show nas arquibancadas, a equipe treinada por Mihajlovic agora ocupa a quarta posição, um a menos que o rival Genoa e um acima do Napoli. Já o Verona vai aprofundando seu momento negativo – não vence desde outubro, sexta rodada – e já flerta com a zona de rebaixamento.

A Sampdoria contou com ótima atuação de seu trio de ataque, Okaka, Éder e Gabbiadini – os três em grande fase – e com a expulsão do zagueiro Rafa Márquez logo no início da partida para vencer o Verona sem tantas dificuldades. Após algumas oportunidades para os dois lados, Márquez derrubou Éder na área e foi expulso. O brasileiro cobrou a penalidade e abriu o placar. Mesmo com 10 em campo, o Verona empatou o jogo, quando Toni foi esperto e aproveitou rebote dado por Romero. Na segunda etapa, após uma bronca de Mihajlovic nos vestiários, os blucerchiati voltaram a mandar no jogo e, sempre atacando pela esquerda, marcaram dois gols. Primeiro, Gabbiadini cruzou para Okaka completar para as redes. Depois de boa tabela entre Okaka e Éder, o brasileiro penetrou na área scaligera e apenas serviu Gabbiadini (possível reforço do Napoli), que empurrou para o gol. (Nelson Oliveira)

Inter 1-2 Udinese
Parecia que iria ser diferente. Que, enfim, a vitória voltaria a acontecer – pela primeira vez após a chegada de Mancini – e que a paz voltaria a reinar, ao menos temporariamente, no lado azul e preto de Milão. Mas a Inter, praticamente sozinha, conseguiu implodir uma vitória que estava encaminhada e caiu para a 12ª posição, mais perto da zona de rebaixamento do que da zona Uefa – seis contra sete pontos de diferença, respectivamente. A Udinese, treinada por Stramaccioni e com Stankovic em seu corpo técnico – duas figuras ligadas ao passado recente da Inter, homenageadas por torcida e diretoria – não teve nada a ver com isso e voltou a vencer depois de mais de um mês, em sua segunda partida jogada em Milão em sete dias.

Em campo, a Inter dominou amplamente por 50 minutos. Era um domínio territorial e de posse de bola nítido, mas que não necessariamente originava chances de gol. No 4-3-1-2, com Kovacic atrás dos atacantes, a Beneamata jogou seu melhor futebol desde a chegada de Mancio. Acertou a trave com o meia croata e, no final do primeiro tempo, após belo passe de Guarín, Icardi marcou seu oitavo gol na Serie A. No segundo tempo, tudo mudou. Após erros de Dodô, Bruno Fernandes acertou bonito chute da entrada da área e empatou. Minutos depois, Palacio tentou recuar uma bola sem olhar para trás e deu um presentaço para Théréau, que driblou Handanovic antes de fazer o gol da vitória friulana. Depois do 2 a 1, uma Inter abatida e sem ideias tentou empatar, mas não conseguiu. A consolação é que faltam apenas duas partidas antes de o mercado de inverno se abrir. Com reforços no ataque e na defesa (incluindo laterais), os nerazzurri podem subir na tabela. De outra forma, parece difícil. (NO)

Fiorentina 0-0 Juventus 
No jogo que abriu a rodada, sexta-feira, Fiorentina e Juve fizeram partida muito equilibrada, mas sem muitas ocasiões claras de gol. As equipes se comportaram muito bem taticamente, e, com muita intensidade física de ambos os lados, seguraram o 0 a 0 no placar até o apito final do árbitro Rizzoli. Com Pirlo bem marcado, Pogba era quem tinha as melhores chances para tentar criar para a Velha Senhora. O francês, porém, não estava em tarde muito inspirada. Do outro lado, Cuadrado, Valero e Pizarro também não foram bem e a viola pouco produziu ofensivamente.

Com o resultado, a Juve poderia ver a Roma se aproximar na classificação e ficar apenas um ponto na frente dos capitolinos. Como a equipe de Totti também empatou, no sábado, contra o Sassuolo, a Velha Senhora pôde comemorar a liderança com boa vantagem antes do jogo decisivo contra o Atlético de Madri, pela Liga dos Campeões. A Fiorentina foi a 20 pontos e perdeu a 8ª colocação para a Udinese, que venceu a Inter. (Rodrigo Antonelli)

Roma 2-2 Sassuolo
A Roma não conseguiu tirar proveito do empate da Juventus e fez o mesmo contra o Sassuolo: resultado de 2 a 2 contra os neroverdi, em casa. Aos 16 minutos, De Sanctis vacilou feio ao tentar driblar Zaza. O atacante foi mais rápido que o goleiro e mandou a bola para o fundo do gol, quando ele tentava afastá-la para longe. Na sequência, a linha de impedimento não funcionou e o artilheiro dos neroverdi, lançado por Missiroli, aumentou a vantagem, batendo na saída do arqueiro. Os giallorossi não tiveram de buscar a bola na rede novamente porque Yanga-Mbiwa travou Zaza em lance crucial e De Sanctis se redimiu com uma boa defesa em finalização de Berardi.

Berardi, aliás, protagonizou outra cena importante da partida. Aos 6 minutos do segundo tempo, ele sofreu falta de De Rossi, em contra-ataque, e o volante da Roma foi expulso. Apesar da desvantagem numérica, o time da casa melhorou com a entrada de Gervinho e descontou com Ljajic, de pênalti. A marcação do árbitro Massimiliano Irrati foi bem polêmica - mão de Vrsaljko., após tentativa de passe do marfinense A vice-líder do campeonato empatou nos acréscimos novamente com Ljajic, esta após boa jogada de Gervinho e Florenzi – este, impedido antes de realizar o cruzamento. Com o empate cedido no final, o Sassuolo perdeu a chance de saltar para o sétimo lugar. (Murillo Moret)

Napoli 2-2 Empoli
Enquanto os genoveses seguem em boa fase (resta saber até quando), o Napoli de Benítez não cansa de tropeçar e perder pontos, justamente na segunda temporada, onde se esperava a consolidação de um time. Mas a verdade é que o sistema defensivo é falho e o ofensivo nem tão produtivo assim, sem Higuaín e Insigne, um Callejón muito irregular e um Hamsík irreconhecível. Já o Empoli, muito bem treinado por Sarri, um ex-banqueiro, é um dos mais organizados times do campeonato e, apesar de ter cedido a vitória, deve ficar orgulhoso do desempenho.

De início, após 15 minutos sem oportunidades de gols – depois de duas defesas de Sepe, ex-Napoli, logo no começo –, o Empoli abriu o placar em contra-ataque depois de escanteio napolitano, com o veterano Maccarone puxando a jogada e passando para Verdi, de volta ao time titular e em grande dia, fazer seu primeiro gol na Serie A. O Napoli respondeu imediatamente com seguidas chances, enquanto o Empoli levava perigo a cada contra-ataque. Os gols, porém, ficaram para o segundo tempo. E aos 53, na muito bem trabalhada bola aérea dos toscanos, Rugani ampliou depois de cobrança escanteio de Valdifiori desviada por Maccarone. Depois de muito sufoco, chances perdidas e defesas de Sepe, goleiro emprestado justamente pelos partenopei, o time da casa empatou em cinco minutos: com Zapata, em escanteio de Mertens, e com De Guzmán, após cruzamento desviado de Maggio. O placar seguiu assim, apesar de ambos terem criado oportunidades de gol no fim. (Arthur Barcelos)

Parma 1-2 Lazio
A Lazio voltou a vencer no campeonato, após três jogos (duas derrotas e um empate), e já volta a sonhar com uma vaga entre os classificados para as competições europeias. No fim de semana, a vítima foi o Parma, cada vez mais lanterna da competição. Jogando em casa, a equipe de Roberto Donadoni mais uma vez foi dominada pelo adversário e chegou à quarta derrota consecutiva na Serie A. Com apenas cinco pontos somados em 14 jogos, os crociati estão oito pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Torino.

E olha que os donos da casa marcaram primeiro, com Palladino. O atacante desviou para o gol bom cruzamento de Santacroce e colocou o Parma em vantagem. A alegria dos torcedores locais, porém, não durou muito: Mauri respondeu na mesma moeda e empatou para a Lazio de cabeça, aos 47 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Cana. Após o intervalo, a Lazio pressionou pela virada e alcançou após erro da defesa do Parma. Após trapalhada coletiva, o brasileiro Felipe Anderson aproveitou para marcar seu primeito gol na Serie A e garantir a vitória da Lazio. (RA)

Torino 2-2 Palermo
Treinado pelo auxiliar Salvatore Sullo, o Torino lutou para deixar o Olímpico com um empate em 2 a 2 contra o Palermo. O técnico Giampiero Ventura foi suspenso após fazer um gesto obsceno para um torcedor que o insultou na partida contra a Juventus, na última semana, e ficou nos camarotes. No primeiro tempo, Rigoni marcou para os rosanero, enquanto o venezuelano Martínez balançou a rede pela primeira vez na Serie A e igualou o marcador. O Toro não conseguiu empatar antes porque o tento de Quagliarella, pouco depois do realizado por Rigoni, foi anulado.

Dybala chegou ao quinto gol na competição ao soltar uma bomba no ângulo, sem chances para Gillet. O Torino empatou novamente com uma forte cabeçada de Glik após cobrança de escanteio. O árbitro Piero Giacomelli anulou outro gol da equipe da casa no fim da partida. Darmian, contudo, estava em posição irregular no início da jogada. No final das contas, empate justo em uma partida aberta e bem jogada pelas equipes. Porém, enquanto o Palermo vai se mantendo no meio da tabela, o Torino agora ocupa a 17ª posição, apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. (MM)

Cagliari 0-2 Chievo
A apatia nos minutos iniciais custou caro ao Cagliari. Num duelo direto contra o rebaixamento, a equipe de Zeman foi facilmente superada pelo time de Maran. Em 10 minutos, os veroneses já venciam por 2 a 0 em pleno Sant’Elia. Meggiorini aos 3, numa bela puxeta, e Paloschi aos 9, deram a vantagem ao Chievo. Depois do “apagão”, os rossoblù, foram ao ataque e até tiveram um gol, bem anulado, de Ibarbo, mas deixaram espaços na defesa. Paloschi teve duas chances, mas não aproveitou para ampliar.

Na segunda etapa, Zeman resolveu fazer as três substituições logo no intervalo, e o time ganhou mais iniciativa, embora o Chievo tenha seguido melhor no jogo. Nas poucas oportunidades, Ibarbo pecou na hora da conclusão. O resultado tirou o Chievo da zona de rebaixamento, acumulando o quinto jogo sem derrota. Por outro lado, o Cagliari agora é quem figura entre os três últimos. Ao final da partida, Zeman declarou que gostaria de ter feito onze substituições no intervalo, e tanto ele quanto o presidente Giulini comentaram que o time talvez estivesse cansado pelos 120 intensos minutos da partida de quinta, um 4 a 4 na Coppa Italia diante do Modena. (CD)

Atalanta 3-2 Cesena
Os três pontos, enfim. Depois da classificação na Coppa, enfim a Atalanta voltou a vencer na Serie A. Depois de seis jogos, o decepcionante time de Colantuono, de desempenho bem abaixo do esperado, venceu pela terceira vez no campeonato e abriu três pontos para o primeiro da zona de rebaixamento – e, com os três gols, marcou quase a mesma quantidade de gols que tinha anteriormente; cinco. E o Cesena, como se com esse elenco modestíssimo achava que conseguiria uma campanha fantástica, foi o primeiro clube a demitir o treinador, contratando Di Carlo para o lugar de Bisoli. Enquanto isso, o time ocupa a 19ª colocação, com uma vitória, conquistada na primeira rodada.

Com a bola rolando, apesar de toda pressão do time da casa, os visitante abriram o placar aos 31 e ampliaram aos 42, sempre com Defrel e sempre com muito espaço. Mas os bergamascos trataram de responder, e rapidamente. Benalouane descontou no final do primeiro tempo, após bate-rebate sobrar a bola para Cigarini lançá-lo da entrada da área. O segundo veio com Stendardo, após rebote da cabeçada de Bianchi em falta de Cigarini, aos 50. Na jogada seguinte, o último, terceiro e gol da vitória, com Moralez aproveitando erro clamoroso da defesa adversária. Stendardo, com o gol aberto, poderia ter feito sua doppietta e o quarto atalantino, mas chutou para fora. (AB) 

Relembre a 13ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Sepe (Empoli); Benalouane (Atalanta), Rugani (Empoli), Bonucci (Juventus), Antonelli (Genoa); Perotti (Genoa), Biglia (Lazio), Birsa (Chievo); Zaza (Sassuolo), Éder (Sampdoria), Gabbiadini (Sampdoria). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Sampdoria).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Os 10 maiores africanos do futebol italiano

François Zahoui. Quem acompanha o futebol africano pode se lembrar dele como técnico da seleção de Costa do Marfim entre 2010 e 2012, quando conquistou o vice-campeonato da Copa Africana de Nações. 30 anos antes disso, porém, ele chegava ao Ascoli para ser o primeiro jogador do continente a jogar na Serie A. Parece meio tarde, não? Apenas na década de 1980 um africano chegava a jogar na Itália? Hoje, eles, que são tantos não apenas nos gramados da Europa mas também nas cidades do Velho Continente, tardaram a ter destaque no futebol europeu. Antes de falarmos sobre futebolistas africanos na Itália, devemos explicar porquê.

Por motivos históricos, econômicos e sociais, a África demorou a entrar no mapa do futebol globalizado. Foram séculos de exploração europeia sobre o continente que, em meados do século XX, continuava dividido entre as imperialistas potências europeias. A história conta que, até 1974, houve apenas uma Eliminatória para a Copa do Mundo envolvendo uma seleção africana. Foi a primeira de todas as qualificações para o Mundial, em 1934, quando o Egito passou por Palestina e Turquia e jogou a Copa da Itália. Originalmente, este grupo qualificatório foi, como se vê, pensado para seleções representantes do Oriente Médio, sem necessariamente se pensar no conceito de África.

A "África Branca", ou seja, a África do Maghreb, no norte do continente, sempre esteve ligada à Europa por causa do Mediterrâneo e antigas civilizações, que influenciaram-se – Grécia, Roma, Egito, Fenícia e Cartago, por exemplo. Não foi à toa que o Egito, em 1954, jogou outra Eliminatória, desta vez contra a Itália – acabou sendo eliminado da disputa. Em 1958, o Sudão (outro país do norte) entrou na disputa, juntamente com os egípcios, e caiu na terceira da quarta (!) fase de qualificação à Copa. O caminho dos africanos não era nada fácil.

Portanto, considerando-se a África como um todo, incluindo a subsaariana e a austral – cerca de 75% do território do continente –, foi apenas em 1962 que, quando Nigéria e Gana pleitearam uma vaga na Copa, os africanos começaram a concorrer de fato. Em 1966, a disputa foi alargada e 15 equipes tentariam chegar ao Mundial Inglês, mas por protestos em todo o continente, foi impossível realizar o torneio qualificatório. Foi apenas em 1970, quando Marrocos se classificou, que os africanos passaram a ter vagas diretas nos Mundiais. Hoje, eles têm direito a cinco das 32 seleções, e 13 países diferentes já foram representados.

Hoje, o futebol africano é competitivo, mais ainda que nos anos 1990 e 2000, quando alguns dos craques que mencionamos em nossa lista atuavam em altíssimo nível – alguns, na verdade, ainda jogam. Nigerianos, camaroneses, marroquinos e, principalmente, ganeses, obtiveram destaque na Itália – mas não podemos esquecer, claro, de um liberiano e também de sul-africanos e serra-leoneses. Boa parte dos jogadores da nossa lista foram voluntariosos coadjuvantes, outros não chegaram a atuar no Belpaese como em outros campeonatos, mas alguns conseguiram manter sua fama absoluta na Bota, como Samuel Eto'o e George Weah.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Top 20 Africanos na Itália
11. Obafemi Martins; 12. Nwankwo Kanu; 13. Philemon Masinga; 14. Mohamed Kallon; 15. Asamoah Gyan; 16. Taribo West; 17. Mohammed Sissoko; 18. Sunday Oliseh; 19. Pierre Womé; 20. Samuel Kuffour.

10º - Stephen Appiah


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (1997-2000), Parma (2000-02), Brescia (2002-03), Juventus (2003-05), Bologna (2009-10) e Cesena (2010-11)
Títulos: Coppa Italia (2001-02) e Supercopa Italiana (2003)
Prêmios individuais: Jogador ganês do ano (2005)

Voluntarioso, Appiah nunca foi jogador de grande destaque nas equipes em que passou – salvo em uma exceção, no Brescia, quando foi um dos principais jogadores do time, ao lado de Roberto Baggio e Pep Guardiola. O ganês chegou à Itália em 1997, quando a extensa rede de olheiros da Udinese o achou em Gana. Versátil, atuava mais recuado como volante, mas podia fazer também as vezes de meia. Após aparecer bem na Udinese, acertou com o rico Parma, onde foi bem utilizado e participou da final da Coppa Italia de 2002, conquistada sobre a Juventus.

Buscando mais espaço para jogar, se transferiu ao Brescia, onde viveu seu auge. Em 31 partidas na boa campanha lombarda na Serie A 2002-03, marcou sete gols, um deles – o último –, importantíssimo, na vitória por 1 a 0 sobre o Milan, que ajudou a levar os brescianos à Copa Intertoto. O ganês chegou a se transferir para a Juventus, onde teve um ótimo primeiro ano, mas perdeu espaço na segunda temporada, com as contratações de Patrick Vieira e Emerson. O capitão da seleção de Gana foi para a Turquia, se destacou pelo Fenerbahçe e voltou à Itália na fase descendente da carreira, quando uma séria lesão no joelho e problemas de forma física limitavam suas aparições. Por isso, se aposentou cedo, aos 32 anos.

9º - Gervinho


Posição: atacante 
Clube em que atuou na Itália: Roma (2013-hoje)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Artilheiro da Coppa Italia (2013-14)

Gervinho mal chegou à Itália, mas já pode ser considerado um dos principais jogadores africanos a terem passado pela Bota. O marfinense apareceu bem no Le Mans e no Lille, da França e se transferiu ao Arsenal, onde não conseguiu demonstrar todo o potencial esperado. Na Roma, reencontrou o técnico Rudi Garcia, que o treinou no Lille, e se converteu em uma das mais importantes peças da equipe capitolina. Hoje, ao lado de Francesco Totti, é o principal jogador do sistema ofensivo romano. Na última temporada, dividiu com o capitão o posto de maior garçom da Serie A, com 10 assistências. Neste ano, já tem três em sua conta.

Muito veloz e habilidoso, Gervinho dá à Roma uma opção de jogadas pelos flancos com potencial devastante, algo visto em poucas equipes do campeonato. A perseguição giallorossa à Juventus nas duas temporadas de Garcia no comando do clube passam muito pelos pés de Gervinho, que na Itália tem melhorado até mesmo no quesito marcar gols. Ele ainda está longe de ser um grande finalizador e ainda perde gols fáceis, mas, ao mesmo tempo, tem guardado gols importantes para seu time – já balançou as redes contra Juventus, Napoli, Inter, Milan e Fiorentina, por exemplo. Ao todo, em 53 partidas, o atacante de 27 anos já fez 17 gols, mais do que em sua passagem por Londres. Com o carinho da torcida e contrato até 2018, Gervinho tem tudo para se consagrar ainda mais na Cidade Eterna.

8º - Patrick Mboma

Posição: atacante 
Clubes em que atuou na Itália: Cagliari (1998-2000) e Parma (2000-02)
Títulos: Copa Africana de Nações (2000) e Ouro olímpico (2000)
Prêmios individuais: Artilheiro da Coppa Italia (1999-2000), Jogador Africano do Ano (2000), Jogador Africano do Ano BBC (2000)

O futebol de Camarões pode ser dividido em três eras. A dos atacantes Roger Milla e Samuel Eto'o muitos já conhecem, mas o que pouca gente sabe é que entre o apagar das luzes da carreira do primeiro e o despontar do segundo craque, existiu Patrick Mboma. Formado no Paris Saint-Germain, ele rodou por equipes menores da França, mas nunca teve chances reais no clube da capital francesa. Explodiu tarde, no Gamba Osaka, do Japão, onde foi artilheiro da J-League. Mboma ainda foi o destaque dos Leões Indomáveis na Copa de 1998. Assim, aos 28 anos, atraiu o interesse do Cagliari, que retornava à primeira divisão em 1998.

Já conhecido por marcar gols de fora da área com sua perna esquerda, Mboma chegou à Sardenha falando um bom italiano e não demorou a aparecer bem pelo clube insular. Na primeira temporada, o alto, forte e técnico atacante ajudou o time a escapar do rebaixamento e, na segunda, foi o destaque dos sardos na boa campanha na Coppa Italia. Foi artilheiro da competição, com seis gols, e viu o time cair na semifinal, frente à Inter. Com a queda do Cagliari para a Serie B, foi para o Parma, onde, com a concorrência de Amoroso, Marco Di Vaio, Savo Milosevic e Hakan Sükür, jogou poucas vezes – o que o fez ser cedido ao Sunderland, da Inglaterra. Mesmo assim, Mboma não deixou de brilhar pela seleção, que conquistou em seu auge o bi da Copa Africana de Nações e um ouro olímpico, em Sydney. Mboma chegou a ser o maior artilheiro da seleção camaronesa, com 33 gols, à frente de Milla e seus 28, mas foi superado por Eto'o, que fez 56.

7º - Kwadwo Asamoah


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Torino (2008), Udinese (2008-12) e Juventus (2012-hoje)
Títulos: Serie A (2012-13 e 2013-14) e Supercopa Italiana (2013 e 2014)
Prêmios individuais: Jogador ganês do ano (2013)

Apesar de muito novo, Asamoah já integrava a seleção de Gana na Copa Africana de Nações de 2008. Após a CAN, se transferiu ao Bellinzona, de um cantão italiano na Suíça, mas por questões legais não poderia atuar no país. Assim, foi emprestado ao Torino, onde só jogou mesmo pela equipe Primavera. Esperta, a Udinese não pode deixar de notar aquele jovem talento, que já demonstrava força, técnica e senso de posicionamento pelo lado esquerdo do meio-campo. Em Údine, onde ficaria por quatro anos, demorou quase seis meses para assumir a titularidade, que nunca mais perdeu. Em 2010-11, Kojo atuou em todas as partidas da equipe, e formou um meio-campo fortíssimo ao lado de Gökhan Inler e Giampiero Pinzi, sendo peça fundamental à classificação da Udinese à Liga dos Campeões.

No ano seguinte, Asamoah voltou a ser um pilar no time que surpreendeu outra vez e se classificou à Champions de novo. Mostrando um futebol de muita raça e determinação, não demorou de ser enxergado por Antonio Conte e Giuseppe Marotta como um reforço importante para a Juventus recém-campeã italiana. Nos dois primeiros anos em Turim foi titular na ala esquerda do 3-5-2 do treinador, sendo um vetor importante para as subidas ao ataque dos bianconeri. Com a troca no comando da Juventus, passou a ser utilizado por Massimiliano Allegri como lateral esquerdo, mas uma lesão prejudica a sua continuidade na equipe.

6º - Abedi Pelé


Posição: meia-atacante 
Clube em que atuou na Itália: Torino (1994-96)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Nascido Abedi Ayew, o meia-atacante se tornou Pelé pela grande habilidade. Quando chegou ao Torino, já na parte final da carreira, Abedi Pelé já era um jogador extremamente consagrado: tinha em seu currículo uma Copa dos Campeões e três Campeonatos Franceses pelo Olympique Marseille, onde foi ídolo, e três prêmios (e mais cinco indicações) como Jogador Africano do Ano. Enfim, já era um dos maiores jogadores africanos de toda a história quando chegou ao Torino, com quase 30 anos.

Em 1994, Pelé foi contratado por um Torino que queria voltar a competir na parte mais alta da tabela, como no início daquela década. O ganês chegou para dar o toque de genialidade no elenco, substituindo mais uma vez (como ocorrera em Marselha) o uruguaio Enzo Francescoli, que voltava ao River Plate. A primeira temporada de Abedi Pelé na Itália foi muito boa no plano pessoal: ele fez boa dupla com Ruggiero Rizztelli e Andrea Silenzi, realizou 32 de 34 jogos possíveis na Serie A e marcou 10 gols – metade deles sobre equipes que acabaram rebaixadas. O Toro ficou no meio da tabela, porém, naquele ano, conseguiu vencer as duas partidas contra a Juventus, um feito – basta lembrar que até hoje, quase 20 anos depois, a Juve está invicta contra o rival. No ano seguinte, Pelé atuou apenas 17 vezes e marcou três gols, e não conseguiu evitar a queda dos granata à segundona. Com isso, deixou a equipe rumo ao Munique 1860, penúltimo clube na carreira.

5º - Kevin-Prince Boateng


Posição: meio-campista 
Clube em que atuou na Itália: Milan (2010-13)
Títulos: Serie A (2010-11) e Supercopa Italiana (2011)
Prêmios individuais: Seleção da Serie A (2011) e Time do ano CAF (2011)

Boateng foi uma das maiores surpresas dos tempos recentes de Serie A. O ganês, nascido na Alemanha, foi contratado pelo Genoa após uma boa (mas não exuberante) temporada no Portsmouth, da Inglaterra, e foi repassado dias depois ao Milan. Ainda jovem, com 23 anos, chegou com pinta de que seria peça para compor elenco, mas Massimiliano Allegri tinha outros planos para ele. O então técnico do Diavolo utilizou o jogador de meio-campo mais avançado, como trequartista, e, aliando muita força física e técnica, ele se converteu em um dos grandes nomes da temporada do último scudetto do Milan, 2010-11, ao lado de Thiago Silva e Zlatan Ibrahimovic.

No primeiro ano vestindo a camisa vermelha e preta, atuou em 34 partidas e marcou três gols, o que fez ser contratado em definitivo pelo gigante italiano. Na segunda temporada em San Siro, jogou um pouco menos, por causa de lesões musculares, mas marcou mais gols – nove, no total – e ajudou a equipe a ficar com o vice-campeonato, apenas quatro pontos atrás da Juventus. Boateng ainda realizou uma temporada inteira com o número 10 nas costas, herdado de Clarence Seedorf, mas o Milan obteve apenas a terceira posição, em clara queda técnica da equipe. O ganês encerrou sua passagem para o Milan no início da temporada 2013-14, quando marcou dois gols contra o PSV nos play-offs da Liga dos Campeões, levando o Milan para a fase de grupos antes de ser negociado com o Schalke 04.

4º - Sulley Muntari


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (2001-07), Inter (2008-11 e 2011-12) e Milan (2012-hoje)
Títulos: Liga dos Campeões (2009-10), Mundial de Clubes Fifa (2010), Serie A (2008-09 e 2009-10), Supercopa Italiana (2008 e 2010) e Coppa Italia (2009-10)
Prêmios individuais: Seleção da Copa Africana de Nações (2008)

Não, Muntari não bateu em ninguém do blog para entrar na lista. Antes de ser um meia agressivo e que às vezes abusa das faltas (e da força) em excesso, o ganês construiu carreira sólida e vencedora na Serie A. Formado no Liberty Professionals, do seu país, quase se transferiu ao Manchester United quando atuava como lateral/ala pela esquerda, mas acabou na Udinese, excelente prospectora de talentos. Foi lançado ao time principal por Luciano Spalletti, em 2002, e teve três ótimas temporadas pelas zebrette, sendo peça fundamental no meio-campo da equipe, que se classificou duas vezes à Copa Uefa e uma à Liga dos Campeões. Após a saída do treinador, Muntari continuou regular, sendo um pilar da equipe, oferecendo combatividade e técnica no lado esquerdo do meio-campo, até ser vendido ao Portsmouth.

Após um ano na Inglaterra, com a chegada de José Mourinho à Inter, voltou ao Belpaese – o português queria Frank Lampard, mas com a negativa do Chelsea, teve de se contentar com um jogador de características similares, mas bem menos brilhante. Porém, Muntari assumiu a titularidade da equipe e, logo em sua estreia, marcou um gol sobre a Roma, na Supercopa Italiana vencida pelos nerazzurri. O ganês fez uma ótima Serie A, como titular, e marcou quatro gols, incluindo tentos sobre Juventus, Napoli (de letra) e Lazio. No ano seguinte, as contratações de Thiago Motta e Wesley Sneijder lhe tiraram espaço, mas ele integrou a campanha da Tríplice Coroa nerazzurra – apesar de, em um jogo contra o Catania, ter levado dois amarelos com 40 segundos em campo e quase ter atrapalhado o time. A saída de Mourinho limitou de vez seu espaço em Appiano Gentile e, entre um empréstimo ao Sunderland e sua volta, atuou só mais 13 vezes pelo lado azul e preto de Milão. Trocou de cores, permaneceu na cidade, e, hoje, em sua quarta temporada pelo Milan, é uma peça bastante utilizada por Pippo Inzaghi. Muntari, com 11 cartões vermelhos, se encontra na terceira posição no quesito em toda a história da Serie A, empatado com outros jogadores – o uruguaio Paolo Montero, com 16, lidera.

3º - Mehdi Benatia


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (2010-13) e Roma (2013-14)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Time do ano CAF (2013) e Time do ano European Sports Magazine (2013)

Benatia é o único zagueiro da lista. Assim como outros três jogadores já citados por aqui, o marroquino chegou à Itália via Udinese, o que mostra mais uma vez como a equipe friulana soube pescar talentos do continente-mãe. Benatia foi formado pelo Olympique Marseille, mas nunca encontrou espaço no OM, e foi para Údine depois de dois anos no pequeno Clermont. Logo em seu ano de estreia, mostrou os dotes que só quem acompanhava a Ligue 2 conhecia: muito forte nas jogadas aéreas, tanto defensiva quanto ofensivamente, muita agressividade para recuperar a posse de bola e um ótimo senso de antecipação. Destacou-se em duas classificações consecutivas da Udinese à Liga dos Campeões, fazendo boa parceria com o brasileiro Danilo no 3-5-2 de Francesco Guidolin.

Após um 2012-13 em que conviveu com problemas físicos que limitaram a sua utilização, Benatia acabou se transferindo à Roma por um total de 17 milhões de euros (13,5 em dinheiro mais o passe de dois jogadores). Na Cidade Eterna se tornou soberano de uma das melhores defesas de toda a Europa, fazendo companhia a um trio de brasileiros na zaga romana – Maicon, Leandro Castán e Dodô. Ainda mais forte que nos anos anteriores, Benatia foi o principal nome da campanha do vice-campeonato da Roma, participando de quase todos os jogos da campanha giallorossa – só não atuou em cinco. Mostrou ainda sua veia ofensiva ao marcar cinco gols no campeonato. As atuações o colocaram na mira de gigantes europeus e o marroquino acabou deixando a Roma por 30 milhões de euros, apenas um ano depois de ser contratado.

2º - Samuel Eto'o
 

Posição: atacante 
Clube em que atuou na Itália: Inter (2009-11)
Títulos: Liga dos Campeões (2009-10), Mundial de Clubes Fifa (2010), Serie A (2009-10), Supercopa Italiana (2010) e Coppa Italia (2009-10 e 2010-11)
Prêmios individuais: Jogador Africano do Ano (2010), Time do ano European Sports Magazine (2011), Artilheiro do ano IFFHS (2010), Artilheiro da Coppa Italia (2010-11) e Bola de Ouro do Mundial de Clubes Fifa (2010)

Um dos maiores e mais letais atacantes das últimas décadas certamente estaria entre o principais africanos a atuarem na Itália – na verdade, ficou praticamente em empate técnico com o primeiro colocado. Eto'o é o único jogador a ter conquistado a Tríplice Coroa duas vezes, é o recordista de títulos de Jogador Africano do Ano (venceu quatro) e maior artilheiro da seleção camaronesa. Sua velocidade, perspicácia, habilidade e poder de conclusão com as duas pernas lhe fizeram chegar aí. Incrivelmente, o Rei Leão foi contratado pela Inter em 2009, em uma negociação que envolveu a ida de Zlatan Ibrahimovic para o Barcelona. Ser moeda de troca era muito pouco se considerarmos o quanto Eto'o já havia conquistado no âmbito de clubes e seleção, por Mallorca, Barcelona e Camarões. Na Inter, ele mostrou que isso era mesmo pouco e que, ainda no auge de sua carreira, poderia se reinventar e, ao mesmo tempo, continuar com faro de gol.

No primeiro dos seus dois anos em Milão, Eto'o foi treinado por José Mourinho e, com a presença de Diego Milito no comando do time, deixou de ser a referência no ataque para atuar aberto pela esquerda no 4-2-3-1 orquestrado pelo português. Lá, ajudou na defesa (chegou até a atuar como lateral esquerdo na semifinal da Liga dos Campeões contra o Barcelona) e deu um toque de genialidade ao ataque, ao lado de Milito e Wesley Sneijder. Na temporada da Tríplice Coroa, foram 16 gols em 48 jogos, o mais importante deles nas oitavas de final, contra o Chelsea, em pleno Stamford Bridge, que elevou os nerazzurri de patamar na Liga dos Campeões. No ano seguinte, já sem Mou e com Rafa Benítez e Leonardo, teve a mais prolífica temporada de sua carreira: fez 37 gols, superando o recorde de Ronaldo na Inter (34) e a sua própria marca, de 26, em 2007-08, na Catalunha. Com as frequentes lesões de Milito, Eto'o assumiu o posto de homem-gol da equipe e foi letal em toda a campanha, marcando gols (alguns lindíssimos) decisivos para a conquista da Supercopa Italiana, do Mundial de Clubes, da Coppa Italia e para o vice-campeonato nerazzurro – veja todos os 53 tentos marcados por ele aqui. O camaronês até começou 2011-12 em Milão e jogou a Supercopa, perdida para o Milan, mas foi vendido ao Anzhi para equilibrar as contas do clube.



Posição: atacante 
Clube em que atuou na Itália: Milan (1995-2000)
Títulos: Serie A (1995-96 e 1998-99)
Prêmios individuais: Melhor Jogador do Mundo Fifa (1995), Bola de Ouro (1995), Jogador Africano do Ano (1995), Jogador Africano do Ano BBC (1995), Artilheiro da Liga dos Campeões (1994-95) e Inserido na lista Fifa 100

Eu sei que você lembrou, e repita com a gente: OOOO EEEE AAAA! Apesar do nome similar ao da simpática onomatopeia da Copa de 2014, George Weah nunca disputou um Mundial. O atacante liberiano, um dos maiores jogadores africanos de toda a história ao lado de Eto'o ficou praticamente em empate técnico com o camaronês pela liderança em nosso ranking. E ficou à frente na lista por um motivo: é, até hoje, o único jogador do seu continente a ter vencido seja a Bola de Ouro da revista France Football seja o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da Fifa. Os dois prêmios foram dados a Weah em 1995, quando ele já estava no Milan e fazia uma de suas grandes temporadas.

Weah era um típico atacante africano: veloz, habilidoso, forte, ousado e bom finalizador – inclusive em bolas aéreas. O liberiano, que chegou ao Milan já com 30 anos, não foi tão goleador quanto Eto'o em sua passagem por Milão, mas se destacou por criar muitos espaços e desestabilizar defesas para que os companheiros aproveitassem e também marcassem – foi assim no time de Fabio Capello e no de Alberto Zaccheroni, em seus dois scudetti conquistados. Se destacou também por marcar contra a Juventus, sua vítima preferida. No primeiro ano em San Siro, com a responsabilidade de substituir Ruud Gullit, fez dupla de ataque com Roberto Baggio e anotou 11 gols – um deles esta pintura contra a Lazio. Nos dois anos seguintes, o Milan sentiu a saída de Capello e viveu período de baixa, mas Weah manteve a média de gols e ainda marcou este golaço contra o Verona, atravessando todo o campo e deixando para trás sete adversários. Weah ainda passou mais uma temporada e meia em Milão, ganhou um scudetto no ano do centenário do Milan e rumou à Inglaterra em janeiro de 2000, encerrando sua passagem pela Itália com 147 jogos e 58 gols pelo Diavolo – veja alguns deles.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Serie B: previsível em ser imprevisível

Carpi, de Mbakogu, e Frosinone, de Curiale, dominam Serie B (Getty Images/Sky Italia)

Na Serie A, Juventus e Roma dominam, genoveses incomodam napolitanos, romanos, milaneses e florentinos e outros se infiltram na parte alta da tabela – como Sassuolo, Udinese, Verona e Palermo. Já na Serie B o roteiro é bem definido: quem prometia decepciona, de quem não se esperava muito surpreende, quem começa bem eventualmente cai e quem começa mal eventualmente sobe. A segunda divisão italiana é sempre assim: previsível em ser imprevisível.

Ou alguém desconfiava que os dois primeiros colocados após mais de um terço de campeonato seriam Carpi e Frosinone? Ou que os bem montados  Catania e Bari flertariam com a zona de rebaixamento e estariam na mediocridade da metade de baixo da tabela? Ou que Latina e Crotone, que estiveram nos play-offs para o acesso em 2013-14, seriam os últimos colocados? Ou ainda que Trapani e Perugia cairiam de rendimento e que Livorno e Bologna se recuperariam em pouco tempo?

Esse é o contexto da Serie B em plena 16ª rodada. O modestíssimo time de Carpi, do norte da Emília-Romanha, que estreou na forma moderna da Serie B apenas na última temporada, soma 30 pontos em 16 partidas, com 8 vitórias, 6 empates, 2 derrotas e o melhor ataque (30 gols). O também modesto Frosinone, do interior do Lácio, estreante na Serie B em 2006-07 e recém promovido da antiga Lega Pro Prima Divisione, após bater o Lecce no play-off, tem campanha quase igual. Os gialloblù estão logo atrás, com um empate a menos e uma derrota a menos, além da segunda defesa menos vazada (13 gols, um a menos que o Modena, com uma partida a menos).

O que eles têm em comum? A fórmula de sempre: combinação de juventude, experiência e jogadores no auge da forma física. No Carpi, o goleiro Gabriel, aquele mesmo do Milan, os zagueiros Romagnoli, titular no Pescara 2012-13 e Foggia 2010-11 de Zeman, e Suagher, da Atalanta, os meio-campistas Lollo e Bianco, descartados por Fiorentina e Juventus, ao lado do veterano Porcari, ex-Novara, o ponta Concas, desconhecido nascido em Gênova, e o destaque Mbakogu, jogador mais gols e assistências somados no campeonato, ex-Palermo e Padova.

No Frosinone, os destaque são Ciofani, ex-Pescara e Parma, e Dionisi, ex-Livorno, artilheiros do time que tem um sistema defensivo sólido, com o experiente lateral-direito Zanon, ex-Pescara, o também desconhecido zagueiro Blanchard, ex-Siena, o lateral-esquerdo Crivello, ex-Juventus, o volante austríaco Gucher e os meias Gori, da base, e Musacci, do Parma, além do goleiro Pigliacelli, crescido na base de Lazio e Roma e ex-Parma.

Um parêntese para a história curiosa de dois jogadores e destaques do time: o atacante Curiale, ex-Grosseto, com 8 gols no campeonato, da base do Palermo e com passagens por pequenos clubes alemães, nasceu em Colônia e é filho de imigrantes alemães na Sicília. Já o goleiro Zappino, ou Massimo Zenildo Zappino, é pernambucano de Pesqueira e aos 9 anos foi adotado por médicos sicilianos de Siracusa. Da base do Catania, defendeu o time do Lácio entre 2004 e 2007 e voltou em 2012. Em 9 partidas, sofreu 4 gols e em 6 não foi vazado.

E se Carpi e Frosinone são líderes do campeonato desde a 9ª rodada, tem algo muito errado nisso. Os modestos times, com elenco, orçamento, estrutura e cancha de Serie C, têm pouco mais de 60% de aproveitamento e 8 vitórias em 16 jogos. Desempenho surpreendente para o nível deles, mas ruim se levar em conta que são os primeiros na tabela. Mas e por que isso? Sem dúvidas, o baixo nível técnico e financeiro das equipes nesta Serie B, e também o rendimento ruim dos favoritos.

Os melhores, até agora, são Bologna e Livorno, respectivamente terceiro e quarto colocados, e recém-rebaixados da elite. Irregulares, com derrotas durante boas sequências, em breve deverão assumir os primeiros postos e muito provavelmente estarão de volta pra Serie A, mas não deixam de decepcionar.

Entre os destaques do time emiliano estão os veteranos Cacia, Matuzalém, Maietta, Morleo, Ceccarelli e Coppola, velhos conhecidos de times da primeira divisão. Mas também há jovens mostrando algo nas bandas do Dall'Ara: Laribi, emprestado pelo Sassuolo, é o vice-artilheiro, Daniel Bessa, destaque da Inter Primavera de Stramaccioni, depois de muitas lesões tem conquistado espaço com Diego López, mas numa função diferente de quando surgiu (trequartista): é o regista do 4-3-1-2 rossoblù.

No Livorno, agora comandado por Carmine Gautieri, os destaques ofensivos são jogadores que só costumam ir bem na Serie B: Vantaggiato, Cutolo e Siligardi. Na defesa, que tem vacilado nos últimos jogos, os de sempre: o goleiro Mazzoni, os zagueiros Ceccherini, Bernardini, Emerson e os laterais Gemiti e Lambrughi. No meio-campo, há os jovens Moscati e Djokovic, além de Biagianti. O futebol é burocrático e não tão atrativo quanto o de Nicola doi anos atrás.

E Trapani e Perugia? Apesar do orçamento não tão alto, eram as grandes esperanças de incomodarem os rebaixados da Serie A e outros que tinham ido bem no ano passado. E no início do campeonato deram a entender que seriam mesmo os infiltrados. Bom começo, times equilibrados e os primeiros postos na tabela. Mas o que era bom durou pouco e a irregularidade começou a tomar contar de ambos, que hoje ocupam sétima e nona posição, respectivamente.

O guerreiro time da Sicília segue tendo como destaques o artilheiro Mancosu e o bom Boscaglia no comando. No entanto, o treinador tem tido dificuldade para administrar o jogo e reencontrar o equilíbrio: tem a defesa mais vazada, com 33 gols sofridos, contra 27 marcados. Já o simpático Perugia, que vinha contando com boa presença no Renato Curi, conta bons nomes, como Taddei (AQUELE), Verre, também ex-Roma, destaque do Palermo em 2013-14 e presente na seleção sub-21, jovens como Crescenzi, Fazzi, Falcinelli (artilheiro do time), Parigini e Perea, e veteranos como Del Prete, Comotto (lembra?) e Giacomazzi.

Por falar em decepção, nenhum time tem decepcionado tanto quanto Catania e Bari. Os times mais "equipados" e de recurso financeiro da Serie B não têm convencido na segunda divisão. Os sicilianos, depois do turbulento ano passado, tiveram início horrível e chegaram a ocupar o último lugar da tabela. Maurizio Pellegrino, então treinador, voltou a ser responsável pelo setor juvenil, enquanto Sannino, ex-Siena, Palermo e Chievo, foi contratado. Nas últimas rodadas, tem ensaiado uma reação, mas claramente está bem longe de onde deveria estar, atualmente na 13ª colocação.

Já os bareses, depois dos baixos e altos extremos de 2013-14, da quase falência à quase subida para a Serie A, tiveram um incremento com a chegada de Gianluca Paparesta e se reforçaram bem, visando claramente o retorno imediato para a elite italiana, com contratações indicadas por seu então treinador, Devis Mangia, ex-Palermo, Itália sub-21 e Spezia. Vários jovens com potencial e outros jogadores de bom nível para a segundona chegaram para formar um grupo coeso e equilibrado. Os resultados, porém, não foram imediatos. E a iniciante diretoria tomou uma decisão precipitada, demitindo Mangia. Para seu lugar, Davide Nicola, ex-Livorno, foi contratado. Até aqui, dois jogos, uma vitória e uma derrota, e a pressão de recuperar rápido e encostar nos primeiros postos, bem longe da 16ª posição.

Seleção da Serie B até a 16ª rodada
Zappino (Frosinone); Zanon (Frosinone), Rodrigo Ely (Avellino), Blanchard (Frosinone), Gagliolo (Carpi); R. Olivera (Brescia), Gabriel Appelt (Pescara), Matuzalém (Bologna); Mbakogu (Carpi), Granoche (Modena), Dionisi (Frosinone). T: Roberto Stellone (Frosinone)


Menções honrosas: A. Gomis (Avellino), Sabelli (Bari), Bani (Pro Vercelli), Oikonomou (Bologna), Juande (Spezia), N. Rigoni (Cittadella), Viviani (Latina), Laribi (Bologna), Siligardi (Livorno), Castaldo (Avellino), Mancosu (Trapani), Gatto (Lanciano)

Perfil tático da Serie B
4-4-2 (7) - Frosinone, Trapani, Modena, Catania, Entella, Varese, Cittadella
4-3-3 (6) - Livorno, Lanciano, Pro Vercelli, Vicenza, Pescara, Crotone
3-5-2 (5) - Spezia, Avellino, Perugia, Ternana, Latina
4-1-4-1 (1) Carpi
4-3-1-2 (1) - Bologna
4-3-2-1 (1) - Brescia
3-4-1-2 (1) - Bari

Classificação da Serie B aqui; principais estatísticas aqui