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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Strike 3

Robinho: agora vai? (Getty Images)

Três times; três países; três chances. Robinho vai para seu terceiro grande desafio na Europa, embarcando num divisor de águas definitivo para sua carreira. Depois de muita expectativa no Real Madrid, o atacante natural de São Vicente, apesar de bons momentos, não engrenou, e a história acabou se repetindo em Manchester. Obcecado pela conquista pessoal de ser eleito o melhor jogador do mundo, ele não só passou longe de mostrar futebol para isso, como também revelou um lado egoísta e impaciente, que lhe tornou protagonista de desagradáveis choradeiras de mercado ao longo de sua passagem pela Europa. Como de costume, suas declarações iniciais seguem animadoras: um confiante "vou fazer história" deu início às promessas que o ex-jogador do Santos ainda deve fazer na Itália.

Habilidoso, Robinho chamou muita atenção no seu primeiro ano como profissional, ainda em 2002. Embora apontasse clara dificuldade em finalizar, o atacante compensava com agilidade e técnica, notabilizando-se por suas pedaladas - as mais ilustres na final do Brasileiro daquele ano, contra o corintiano Rogério. Bicampeão nacional, tornou-se um dos maiores ídolos recentes do Santos. Em 2005, não resistindo às ofertas de fora do país, deixou claro que queria sair. Até tal momento, ao contrário da imagem que dele se tem hoje, Robinho parecia um garoto com cabeça tranquila e pés no chão, e não dava a entender que passaria por polêmicas comportamentais. Coincidência ou não, seu agente era o sórdido Wágner Ribeiro, com quem só rompeu contrato em 2008.

As esperanças eram altas em Madri: com a camisa 10, Robinho logo caía numa equipe enorme, cuja pressão não poderia deixar de ser equivalente. Levado por Vanderlei Luxemburgo, parecia se adaptar rapidamente à nova vida: em sua primeira temporada, só não jogou uma partida da Liga. Na época seguinte, Fabio Capello chegou e, com ele, os primeiros problemas. Robinho iniciou a gestão de Don Fabio (e do presidente Ramón Calderón) no banco, numa política de dificultar a vida dos jogadores mais custosos, em contraposição à fama madridista de dinheiro, luxo e pouco futebol adquirida (ou reforçada) no mandato de Florentino Pérez. O brasileiro, contudo, superou a reserva e se tornou importante à equipe, ajudando a conquistar a acirrada Liga 2006-07.

Robinho passou mais uma temporada na Espanha e faturou outro campeonato nacional, dessa vez sob o comando de Bernd Schüster. Ele, porém, se enfezou diante da tentativa de seu clube contratar Cristiano Ronaldo usando-o como moeda de troca. Afirmando ter o orgulho ferido, fez de tudo para sair - visando abertamente ao Chelsea, então treinado por Luiz Felipe Scolari. Com o negócio praticamente concluído, os blues até chegaram a vender, em seu site, camisas do brasileiro. Um desencontro de valores, contudo, fez com que somente a proposta do Manchester City satisfizesse as demandas do Real Madrid, e então Robinho se mandou para Manchester nos últimos momentos do mercado, numa clara movimentação de desespero.

Considerado pelo L'Équipe o maior mercenário do futebol e chamado de "jogador de circo" por Franz Beckenbauer: essas foram algumas das impressões deixadas por Robinho em sua passagem pela Inglaterra. Refém das próprias pedaladas - em alguns momentos, o atacante parece se sentir obrigado a passar o pé por cima da bola, mesmo que inutilmente - ele pouco durou na Terra da Rainha. Embora não tenha começado mal, o insucesso em levar um time mediano nas costas e a posterior dificuldade  em se firmar no ataque desmotivaram o brasileiro, que logo se viu tentado a retornar ao seu país. A justificativa vergonhosa de que seria mais fácil ser melhor do mundo no Manchester City do que no Real Madrid ainda foi usada outra vez: sabendo de um possível interesse do Barcelona, Robinho não hesitou em exumar seu objetivo número um.

Emprestado ao Santos, jogou com qualidade e frequência, guiando a nova geração de talentos do clube. Foi o capitão e ajudou a conquistar o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Frente a um possível retorno ao City, não quis saber de ser reserva e teve seu nome fortemente especulado ao Fenerbahçe, da Turquia, mas recusou a oferta. Seu futuro permaneceu incerto até o último dia da janela de transferências, quando o Milan confirmou sua contratação. Negociado por praticamente metade do preço que o tirou de Madri (de 32.5 para 14.9 milhões de libras), teve seu período mancuniano massacrado pela mídia britânica.

Robinho ainda é jovem (26 anos) e pode evoluir bastante. Fato é que sua trajetória fora do Brasil ficou, até o momento, mais caracterizada por polêmicas e reclamações do que por futebol. Em Milão, ao lado de vários brasileiros e um clima animador, não há desculpas ou escapatórias para ele. Todo o hype que cerca o ambiente milanista só se compara, na história recente dos rossoneri, àquele de dois anos atrás, quando o clube juntou Kaká, Pato e Ronaldo na tentativa de montar um trio ofensivo. O Ka-Pa-Ro, porém, mal saiu do papel. Hoje, a pressão criada não pode afetar um jogador do calibre e história de Ronaldinho, muito menos Ibrahimovic e o ex-santista, dois atletas de prepotência escancarada. Pato já mostrou que não se intimida facilmente, e o Milan ainda conta, na reserva, com o experiente Inzaghi.

Enfrentando esse desafio, Robinho terá imensas chances de finalmente se dar bem, caso tenha um mínimo de paciência  e humildade. É sua terceira grande chance, e já passou da hora de justificar as esperanças nele depositadas ao longo de sua carreira; principalmente sua ambição corrosiva de ser o melhor jogador do mundo. Do contrário, outro fiasco deve acabar de vez com o que resta de interesse no atleta - visto que sua credibilidade foi perdida há tempos. Se o futuro levar à segunda hipótese, podemos antecipar os motivos: o Milan não dá espaço; não dá pra ser melhor do mundo no Milan; o técnico do Milan não gosta de brasileiros... É agora ou nunca.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lega Pro: O inferno é Verona

Hellas Verona perdeu os dois primeiros jogos da temporada. Ferida aberta? (L'Arena)

Após incertezas e decepções, os campeonatos da Lega Pro (terceira e quarta divisão italiana) recomeçaram no último dia 22. A Prima Divisione, equivalente à terceira divisão, retornou antes da Seconda Divisione, equivalente à quarta. Primeira consequência do menor número de clubes na última categoria profissional da Itália.

Prima Divisione (após duas rodadas)

Grupo A: Nenhum clube venceu duas duas partidas. Por enquanto, Ravenna, Spal e Cremonese se mostraram as melhores equipes do campeonato. A lanterna está nas mãos do Hellas Verona: o clube, badalado após a contratação do técnico Giuseppe Giannini (que promoveu o Gallipoli à Serie B), remontou completamente a equipe que desperdiçou o acesso, na temporada passada. O elenco, notoriamente de qualidade mais baixa,  já está sendo posto em dúvida pela torcida.
Promoção direta: Ravenna (4 pontos)
Play-offs: Spal (4), Lumezzane (4), Pavia (4) e Alessandria (4)
Play-outs: Monza (2), Bassano Virtus (1), Salernitana (1) e Südtirol (1)
Rebaixamento: Hellas Verona (0)

Grupo B: Grande expectativa cercava o jovem Foggia, de Zdenek Zeman.  Para confirmar  o gosto do técnico boêmio em testar os limites de seus times, os satanelli esrearam com vitória, em Cavese - mas perderam em casa, logo depois. Lucchese e um surpreendente Atletico Roma, ex-Cisco, comandam a classificação. A Juve Stabia, recém-promovida, e de quem se espera muito, foi derrotada nos dois jogos.
Promoção direta: Lucchese (6 pontos)
Play-offs: Atletico Roma (6), Foligno (4), Virtus Lanciano (4) e Cosenza (4)
Play-outs: Ternana (1), Barletta (1), Cavese (1) e Siracusa (0)
Rebaixamento: Juve Stabia (0)

Seconda Divisione (após uma rodada)

Grupo A: excelente largada da Pro Patria, rebaixada no ano anterior, que goleou o Casale. A "nova velha" Pro Vercelli também mostrou força, e somando a Coppa Italia Lega Pro, continua invicta. Em um dos confrontos mais tradicionais do grupo, Sanremese e Lecco empataram sem gols.
Promoção direta: Pro Patria (3)
Play-offs: Pro Vercelli (3), Valenzana (3), Rodengo Saiano (3) e Feralpi Salò (3)
Play-out: Mezzocorona (0) e Virtus Entella (0)
Rebaixamento: Casale (0)

Grupo B: o San Marino, que falhou nos play-offs de acesso da temporada anterior, começou goleando, assim como Giacomense e Prato. O resultado mais surpreendente de grupo aconteceu em Giulianova. O time da casa, um dos favoritos do campeonato, foi derrotado pela Sangiovannese. Nos grupos B e C, só ocorrerá rebaixamento direto se a diferença entre o penúltimo e o último colocado for de cinco pontos ou mais.
Promoção direta: San Marino (3)
Play-offs: Giacomense (3), Prato (3), Sangiovannese (3) e Carpi (3)
Play-out: Crociati Noceto (0) e Celano (0)

Grupo C: o retorno ao futebol profissional não poderia ser melhor par o Vigor Lamezia, que venceu o dérbi em Vibo Valentia e ficou com a liderança. Brindisi e Aversa Normana demonstraram qualidade de jogo e serão pretendentes ao acesso. Mal começo para Avellino e Catanzaro: o primeiro empatou em casa; o segundo perdeu na estreia de Zé Maria, ex-lateral-direito da Inter, como técnico da equipe.
Promoção direta: Vigor Lamezia (3)
Play-offs: Brindisi (3), Melfi (3), Neapolis (3) e Aversa Normanna (3)
Play-outs: Campobasso (0) e Vibonese (0)

Coppa Italia Lega Pro
A competição está na fase de grupos preliminares, com término previsto para o próximo dia 8. Com o fracasso de todos os clubes da Lega Pro na Coppa Italia principal, a partir da segunda fase todos os "grandes" da categoria se enfrentrão.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tempo de experimentar

Prandelli, dividido: não quer fazer mais testes, mas não tem opção (Getty Images)

Nesta sexta-feira, a Itália volta a campo para esquecer os vexames recentes. Para além da derrota para a Costa do Marfim no amistoso de três semanas atrás, o fracasso na Copa do Mundo continua na memória do país. Na estreia pelas Eliminatórias da Euro 2012, a Nazionale vai a Tallin, jogar com a Estônia. Os destaques do time são o goleiro Pareiko, o armador Lindpere e o veterano centroavante Oper. Na próxima terça-feira, a seleção das Ilhas Faroé será a adversária, em Florença. O time passa por renovação e não contará com o atacante Jacobsen, que já marcou em Buffon.

Jogos fáceis, em tese. Mas vale lembrar os tropeços italianos em jogos oficiais nos últimos quatro anos. Nas Eliminatórias para a Copa, não dá para esquecer a vitória suada sobre o Chipre (3 a 2, com gol de Gilardino no último minuto) e o empate com a Irlanda (2 a 2, outro gol de Gilardino nos acréscimos). Para a Euro passada, chamou atenção o empate com a Lituânia (1 a 1). Além dos empates com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia, durante a Copa do Mundo.

Até por isso, Cesare Prandelli disse que vai evitar testes em seu segundo jogo como técnico azzurro: "Existem pontos em jogo, por isso não vamos fazer experimentos". Quer conseguir vitórias para marcar o início do ciclo. Sabe bem que, com um começo trôpego como foi o de Roberto Donadoni, pode ver abalada a confiança em seu trabalho.

Mas não é o que a convocação do técnico dá a entender. Entre os 23 jogadores, estão cinco que jamais haviam sido chamados (Antonelli, Bovo, De Silvestri, Gastaldello e Cigarini), além de mais três que ainda não jogaram com a camisa azzurra (Mirante, Viviano e Lazzari). Dos 15 restantes, outros cinco não chegaram a dez partidas, e o ponto crítico está na defesa.

Para o setor, Prandelli deve apostar na continuidade de Sirigu entre as traves, ainda que o goleiro do Palermo tenha se mostrado inseguro nas primeiras partidas da temporada. A linha defensiva deve contar com formação inédita: Cassani, Bonucci, Chiellini e Molinaro. Motta, mal contra a Costa do Marfim, não foi chamado. A dupla juventina na zaga foi muito bem contra o Bari e inspira confiança. No Stuttgart, Molinaro não travessa boa fase defensiva.

Sem Balotelli e Amauri, lesionados, Prandelli deve voltar ao 4-3-3. O meio-campo seria composto por De Rossi, Pirlo e um entre Palombo e Montolivo. Arriscado: De Rossi, capitão da equipe até o retorno do Buffon, ainda não está fisicamente bem. No ataque, falta combinar o parceiro para a dupla da Sampdoria. Nesta formação, Cassano e Pazzini têm vaga certa. A outra posição deve ficar entre Pepe e Rossi. Ou seja, é cedo para o treinador dizer que as experimentações já foram abandonadas.

O time de hoje, ainda em formação, é suficiente para bater Estônia e Ilhas Faroé. Mas estes são jogos que devem ser tratados com seriedade para, num futuro próximo, a base italiana estar pronta para desafios maiores. O elenco não é o mesmo, talentoso, de competições passadas. Receitar trabalho é clichê, mas não há outro caminho para os tetracampeões mundiais.

Os convocados
Goleiros: Mirante (Parma), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna)
Defensores: Antonelli (Parma), Bonucci (Juventus), Bovo (Palermo), Cassani (Palermo), Chiellini (Juventus), De Silvestri (Fiorentina), Gastaldello (Sampdoria), Molinaro (Stuttgart)
Meio-campistas: Cigarini (Sevilla), De Rossi (Roma), Lazzari (Cagliari), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pirlo (Milan)
Atacantes: Cassano (Sampdoria), Gilardino (Fiorentina), Pazzini (Sampdoria), Pepe (Juventus), Quagliarella (Juventus), Rossi (Villarreal)

Os mercenários

Sem pancadaria ou explosões, Aquilani e Ibrahimovic
esquentaram o mercado na Itália (Getty Images)


Tanto Alberto Aquilani quanto Zlatan Ibrahimovic não se deram bem em seus últimos desafios. O primeiro, ex-Roma e grande promessa italiana há tempos, continuou perseguido por problemas físicos e não se firmou num Liverpool decepcionante. O sueco, por sua vez, deixou a Inter almejando a Liga dos Campeões e, além de não tê-la conquistado, viu sua antiga equipe levantar o troféu máximo do continente europeu. Como se não bastasse, caiu diante dos nerrazzurri nas semifinais do torneio. Uma temporada depois, ambos estão de volta à Itália, mas não ao mesmo lugar de onde partiram: o meio-campista acertou com a Juventus, enquanto Ibra é o mais novo (e festejado) reforço do Milan.

Em Hollywood, que pouco se importa ou tem a ver com o futebol italiano, o filme Os Mercenários, lançado no meio de agosto, reuniu grandes nomes. Sylvester Stallone, Jet Li, Bruce Willis e até Arnold Schwarzenegger fizeram parte do elenco, numa produção que custou aproximadamente 80 milhões de dólares. Quem valeu (um pouco) mais que todo o filme foi Ibrahimovic: o Barcelona pagou sessenta e cinco em seu passe, e também cedeu Samuel Eto'o, avaliado em vinte. Já Aquilani foi uma negociação modesta, se comparada à do então interista: 20 milhões de euros tiraram-no da Roma para substituir Xabi Alonso nos Reds. Ao contrário dos dois jogadores, Mercenários parece dar retorno, não obstante o fato de ser mais um desses filmes cheios de pancadaria e explosões.

Embora o sueco seja conhecido por seu caráter questionável, não dá para negar a sua ligação com a Inter. Foi lá que, guiado por Roberto Mancini (e depois José Mourinho), encontrou-se na Itália; visto que suas duas temporadas na Juve não haviam convencido por completo. Em alguns momentos delicados, Ibra chegou a carregar a Inter nas costas, atingindo seu ápice na temporada 2008-09, quando marcou 25 gols e terminou artilheiro da Serie A. Seu time, porém, foi campeão nacional, algo que já havia virado (e continua sendo) rotina. Aí, vendo o Barcelona levar a tríplice coroa, o atacante não se segurou e rumou à Catalunha em busca do mesmo sucesso.

Seria injusto dizer que sua experiência blaugrana foi um fracasso total, mas é inegável que, caso tivesse obtido êxito, jamais encerraria seu ciclo assim; negociado da maneira que acabou sendo. Ibrahimovic foi emprestado gratuitamente ao Milan, com um direito de compra fixado em aproximadamente 30 milhões de dólares. Ou seja, em um ano, em uma temporada, a valoração do jogador caiu de quase 90 para 30 milhões. Se não representa uma queda absurda no mercado, é, então, no mínimo bastante estranho.

A relação de Aquilani com a Roma, se comparada com a aquela entre Ibra e Inter, era mais sentimental do que funcional: chamado de Príncipe em Trigoria, ele nasceu na capital e cresceu nas categorias de base do clube. Valorizado, sempre recebeu muita estima por parte dos torcedores e da mídia. Todavia, constantes problemas físicos atrapalhavam sua manutenção no elenco, e o meio-campista não era capaz de manter a titularidade. Considerado inegociável pela diretoria, foi vendido num momento em que os giallorossi precisavam de dinheiro, e ele de uma nova tentativa.

Os mesmos problemas acompanharam-no em Liverpool: Aquilani só reuniu condições de iniciar partidas no fim do primeiro turno. Como resultado, passou o pior ano de sua carreira na pior temporada do clube desde 1998-99, quando também não ganhou nada e terminou em sétimo. Seu empréstimo à Juve também foi gratuito, enquanto seu valor de compra caiu em quatro milhões de euros.

Classificar os dois jogadores como mercenários é um exagero oportunista. Não foi pelo dinheiro que Aquilani e Ibrahimovic decidiriam voltar à bota - até porque i soldi não são um problema para a dupla. Com a chegada de Roy Hodgson ao comando do Liverpool, o italiano não teve a paciência de esperar outra temporada na Inglaterra e, com cada vez mais pressa, corre para fazer seu nome no futebol - ainda longe da consagração. Não só: ele foi excluído da primeira convocação de Cesare Prandelli, e um retorno à Itália certamente pode facilitar sua vida na Nazionale.

O sueco também teve seus motivos: o péssimo relacionamento com Josep Guardiola é uma boa razão para buscar uma transferência. Não se pode negar, para Ibrahimovic, o rancor de ver seu principal objetivo ser conquistado pela equipe que ajudou a montar, e que, contudo, abandonou. Isso certamente lhe deu motivação para defender o Milan. Alguém duvida? Pois em sua apresentação, o orgulhoso atacante afirmou, sem mais nem menos, que antes dele a Inter não havia vencido nada. Também retrucou o capitão Zanetti, que havia dito não estar surpreso com o destino de Ibra. Vale lembrar que esse tipo de declaração não costuma sair da boca do argentino.

Ambos chegam em seus novos clubes com responsabilidade. Desde já considerados titulares, Aquilani e Ibrahimovic terão a meta de esquecer seus passados recentes em equipes rivais, fazer seus torcedores - que radicalmente mudaram de um ano para outro - também esquecerem, e aproveitar a oportunidade de reerguer suas carreiras. Ambos têm um objetivo em comum, que é acabar com a hegemonia interista (nacional e agora europeia). Às antigas torcidas caberá a tradicional vaia, mas quem sabe se de uma dessas traições não surgirá um amor hollywoodiano, nem tão caro e tampouco explosivo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

1ª rodada: Uma Inter humana

No papel, a Inter de Benítez mudou pouco. Mas ainda não convence (Getty Images)

Há oito dias, a vitória da Inter contra a Roma, na Supercoppa Italiana, veio em dois erros individuais da adversária. Na sexta-feira, os nerazzurri fizeram uma partida abaixo da crítica e perderam a Supercopa Europeia para o Atlético de Madrid. Pois a partida de hoje contra o Bologna, pelo fechamento da primeira rodada da Serie A, mostrou que há algo de errado no reinado da Internazionale. A atuação do segundo tempo no Renato Dall'Ara foi bem melhor do que a mostrada contra o Atlético, mas o tropeço para um Bologna imerso no caos será difícil de digerir pelos próximos dias. Nos últimos jogos, a Inter provou-se uma equipe humana, com falhas mais claras do que as dos anos anteriores.

O condicionamento físico, destaque do time nos últimos anos, parece ser o calcanhar de Aquiles nestes primeiros jogos. A falta de ritmo de jogo se mostra ainda mais clara, em casos assim. Que o diga Milito, que não é nem sombra daquele letal mesmo nos primeiros jogos do ano passado. Eto'o também sumiu da partida durante o primeiro tempo e só reviu a bola depois do intervalo. Para os planos de Benítez, o camaronês é fundamental. A defesa está bem mais alta do que foi com Mourinho e Mancini, para que o time fique mais compacto no meio-campo. O ritmo está mais lento, com um maior número de passes antes das finalizações. Assim, Eto'o ganha a responsabilidade de jogar mais próximo do gol.

Eto'o prometeu marcar 25 gols na temporada. A missão fica complicada com as duas chances perdidas no segundo tempo. Na primeira, recebeu grande passe de Philippe Coutinho e bateu da pequena área, mas Viviano defendeu no reflexo e mandou a bola no travessão. Na segunda, dois minutos depois, foi encontrado por Sneijder livre, na entrada da área. Mas se enrolou todo e acabou perdendo a bola para Britos, zagueiro em grande noite pelo Bologna. A Inter ainda teve duas grandes oportunidades, ambas com cobranças de falta de Sneijder: uma parou em defesaça de Viviano, a outra foi desviada por Portanova. Na Beneamata, destaque para Mariga, que entrou muito bem ao lado de Cambiasso.

Notável apresentação do Bologna, que entrou em campo com tanta pressão. Franco Colomba, treinador que salvou o time do rebaixamento na temporada passada, foi demitido no sábado. O presidente Sergio Porcedda, que assumiu o clube há alguns meses, alegou "desavenças" e mandou o técnico embora antes mesmo do início do campeonato. O treinador da Primavera rossoblù, Paolo Magnani, assumiu temporariamente. A moral do novo comandante é tão grande que, quando mandou Mudingayi (que fez excelente partida) sair, foi contido pelo capitão Di Vaio. O camisa 9 saiu correndo e impediu que o meio-campista belga deixasse o campo. A dupla, ao lado de Viviano e Portanova, foi o destaque de um time incansável. Nota negativa para Giménez, que perdeu dois gols fáceis no primeiro tempo.

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Seleção da 1ª rodada
Antonioli (Cesena); Nainggolan (Cagliari), Portanova (Bologna), Thiago Silva (Milan), Nagatomo (Cesena); Almirón (Bari), D'Agostino (Fiorentina); Giovinco (Parma), Guberti (Sampdoria), Ronaldinho (Milan); Pato (Milan). Técnico: Domenico Di Carlo (Sampdoria)

domingo, 29 de agosto de 2010

1ª rodada: A anti-Inter?

Ronaldinho foi o líder do envolvente Milan contra o Lecce.
Ele e Ibra farão do Milan a equipe anti-Inter? (Getty Images)

Esta edição da Serie A mal começou, mas após a grande exibição do Milan na goleada por 4 a 0 sobre o Lecce já gera uma pergunta: o Milan pode bater de frente com a Inter na briga pelo scudetto? Apesar da fraqueza do adversário, que ocasionalmente se posicionava mal defensivamente, o Milan praticou um futebol ofensivo e eficiente o que já pode ser considerado um dedo do técnico Allegri na formatação da equipe.

O talento individual dos jogadores também foi fator de desequilíbrio. Ronaldinho fez partida brilhante e participou de três dos quatro gols da Diavolo, com enfiadas de bola perfeitas. No comando do ataque, Pato fez bela partida, com muita movimentação e aproveitando as chances que teve. Destaque também para Seedorf, que ajudou bastante no ataque e teve a chance de também deixar o seu. Na verdade, o Milan poderia ter ido para os vestiários com uma vitória histórica ainda no primeiro tempo, tamanho o poder de criação que demonstrado. Com a aquisição de Ibrahimovic, não há dúvidas de que o poder ofensivo do time crescerá bastante e o ataque rossonero ficará a pé de igualdade com o da Inter.

Em um dos jogos mais aguardados da rodada, Fiorentina e Napoli ficaram no empate, em um jogo no qual cada equipe dominou um tempo. Na primeira etapa, os azzurri jogaram bonito como na última temporada e levaram muito perigo ao gol de Frey. O gol saiu logo no início, após cabeçada potente de Cavani, escalado como centroavante. O problema é que a bola bateu no travessão e quicou antes da linha do gol, configurando o primeiro gol irregular da temporada. Na segunda etapa, a Fiorentina logo reagiu e empatou com um lindo gol de D'Agostino, escalado como trequartista, devido à lesão de Jovetic. Montolivo, que também fez boa partida, chegava ao ataque para auxiliar D'Agostino e descolou ótimo passe para Gilardino, livre, concluir para a ótima defesa de De Sanctis, que teve boa atuação. No fim das contas, empate justo para duas equipes que jogaram bem, passaram boas impressões e ainda podem melhorar.

Má impressão passou a Juventus, que visitou o Bari com seis novas contratações no time titular e saiu derrotada, graças a um lindo gol de fora da área de Donati. Os dois times foram a campo no 4-4-2, mas os galletti levaram a melhor sobre a Velha Senhora, até por já estarem mais entrosados, com praticamente o mesmo time e o mesmo esquema da última temporada. No meio-campo, destaque para a dupla central formada por Almirón e Donati, que dominaram o setor e não deram qualquer chance para Felipe Melo e Marchisio - este último mais recuado e em partida muito apagada. Nas pontas, Krasic e Pepe, na primeira etapa, ajudaram na fase defensiva, mas criaram muito pouco. Na segunda etapa, Lanzafame e Martínez nada criaram e ainda permitiram que Álvarez e Ghezzal deitassem e rolassem, mas o time da Puglia não aproveitou as chances. A Juventus teve exibição melhor do que qualquer uma realizada no último ano - sobretudo defensivamente -, mas ainda tem muito a melhorar para almejar algo mais, com um conjunto de jogadores bons, mas nem um pouco espetaculares. Pareceu claro que falta um meia de ligação no time.

Entre os outros times que atuaram em competições europeias, o Palermo demonstrou muito cansaço frente ao Cagliari, num jogo que acabou sem gols. Os registas de ambas as equipes (Liverani e Conti) foram deixados de fora, o que permitiu qu os jovens Kasami e Nainggolan começassem a partida. Enquanto Kasami Outro que ficou de fora foi o goleiro Marchetti, que deve deixar o Cagliari até terça. Porém, os torcedores não sentiram falta do goleiro da Nazionale, já que Agazzi fez bom trabalho quando exigido, mesmo com o domínio rossoblù, devido ao cansaço palermitano. A Sampdoria, por sua vez, sofreu no primeiro tempo contra uma Lazio compacta, que viu uma boa estreia de Hernanes, mas conseguiu uma vitória importante, após a eliminação de cabeça erguida na Liga dos Campeões. No segundo tempo, Cassano empatou cobrando pênalti sofrido por Dessena, mas o grande destaque foi Guberti, que mostrou boa forma física e apareceu muito para o jogo. Dele foi o gol da vitória, após Muslera aprontar das suas e falhar feio, saindo mal após cobrança de escanteio.

Boa também a estreia do Parma, que também venceu em casa por 2 a 0, em jogo tranquilo contra o Brescia. Os méritos da vitória crociata vão para Giovinco, que tem a missão pessoal de explodir de vez para não se tornar uma eterna promessa, e fez partida brilhante. Primeiro, a Formiga Atômica deu um passe por cobertura para Bojinov abrir o placar. Ainda na primeira etapa, bateu a falta que acabou no gol de Morrone. O baixinho ainda fez grandes jogadas, que quase permitiram ao Parma ampliar a vantagem. Defensivamente, porém, alguns problemas: Caracciolo - e depois, Éder - deram trabalho aos defensores emilianos. Talvez, se Diamanti já estivesse em forma, o Brescia poderia ter tido melhor destino, o que é um alento para as próximas partidas. Em Verona, o Chievo venceu o Catania por 2 a 1, em uma partida que parecia um Itália x Argentina: nove italianos jogando pela equipe da casa e nove argentinos pela equipe siciliana. No fim das contas, os burros alados puderam comemorar os três pontos (gols de Moscardelli e, claro, Pellissier), mas devem ficar atentos à sua defesa, que perdeu Yepes para o Milan e mostrou desatenção na partida.

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1ª rodada: Lei do ex

Antonioli voltou ao Olímpico com show. Cavalieri continuará no banco? (Getty Images)

Neste sábado, a Serie A começou trazendo um show de jogadores que brilharam contra clubes nos quais já haviam atuado. No jogo que abriu o campeonato, o multirreforçado Genoa visitou a Udinese e, com uma postura diferente, embora sem demonstrar grande futebol, saiu com uma importante vitória do Friuli graças a uma puxeta estranha de Mesto, ex-Udinese. Os rossoblù foram a campo cheios de caras novas, entre as quais se destacaram Miguel Veloso e Zuculini. Nota negativa para Toni, que jogou mal e saiu lesionado ainda na primeira etapa.

Na equipe bianconera, destaque positivo para o chileno Sánchez, que segue demonstrando o bom futebol da Copa do Mundo. Nos últimos dias de mercado, a Udinese deve perder Inler para o Napoli e também deverá tentar resistir ao assédio da Inter por Asamoah. Tarefa vital para um clube que já perdeu dois pilares do meio-campo (Pepe e D'Agostino) e que deverá ter uma temporada sem muito brilho, lutando para ficar no meio da tabela.

No outro jogo da rodada, a Roma estreou decepcionando sua torcida no Olímpico, ao empatar sem gols contra o caçula Cesena. Destaque para o goleiro Antonioli, que foi titular da última Roma a conquistar o scudetto, em 2001, mas que desta vez impediu a vitória giallorossa, com uma exibição impecável. O quarentão fez pelo menos quatro defesas importantes, sobretudo no segundo tempo e na última chance do jogo, quando voou nos pés de Brighi. Um duro golpe para Diego Cavalieri, que saiu do Liverpool em busca de titularidade, mas já está preocupado. Pelo fato de Antonioli já ter quase 41 anos, pode ganhar chances e terá de aproveitá-las.

Apesar da noite inspirada de Antonioli, foi o Cesena quem teve as chances mais claras e esteve mais próximo da vitória. Jogando em um 4-3-3 que se tornava um 4-5-1, em fase defensiva, os romanholos apostaram nos contra-ataques, principalmente por meio do veloz e habilidoso Giaccherini, mas também através do promissor Schelotto, e tiveram três grandes chances: na mais clara delas, o chute de Nagatomo passou perto. Nas outras duas, Bogdani tornou ainda mais evidente porque o clube precisa contratar um centroavante até o fechamento do mercado, nesta terça.

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