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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

2ª rodada: Nada será como antes

Pjanic e Dzeko marcaram e a Roma venceu uma Juventus irreconhecível (Getty)
A segunda rodada da Serie A deixou claro: nada será como antes. No principal jogo da rodada, a Roma não foi nem sombra do que vinha sendo nos últimos meses e foi implacável diante de uma Juventus que ainda não conseguiu superar a saída de peças importantes, mesmo que tenha se reforçado muito bem. Ao mesmo tempo, a Inter venceu de novo e é a única equipe entre as que devem brigar no topo da tabela a ter conseguido somar 6 pontos. Com 100% de aproveitamento também

Enquanto os grandes seguem tropeçando, como Napoli e Juventus, os pequenos e médios vão despontando. Quatro times somam 6 pontos, entre eles o Torino, que inicia de maneira espetacular a Serie A, buscando voltar às competições europeias – os outros além de interistas e grenás, são Chievo, Sassuolo e Palermo. A segunda rodada também reservou a primeira vitória do Milan e o tropeço da Lazio, que mostrou que o time sentiu a eliminação da Champions League.

Roma 2-1 Juventus
Pjanic e Dzeko (Falqué) | Dybala (Pereyra)

Tops: Pjanic (R) e Buffon (J) | Flops: Pogba e Evra (J)

Duas derrotas nos dois primeiros jogos. Um feito – negativo – que a Juventus não conseguia desde 1912. Na Serie A em pontos corridos, que existe desde 1929, isso nunca havia acontecido. Depois do tetracampeonato com folga, a Vecchia Signora mostra que sua realidade deve ser outra na Serie A: o campeonato dá pinta de que vai ser equilibrado e a equipe de Turim sai atrás dos rivais, ao menos na tabela. Só que o desempenho nos números, porém, nada mais é do que o reflexo do desempenho em campo. Contra a Roma, por exemplo, a Juve teve apenas uma finalização em todo o primeiro tempo. Apesar de ofensivo no papel, o time de Allegri foi inofensivo. Pogba ainda sente a falta de seus parceiros, sobretudo Marchisio, o único remanescente do meio-campo campeão – não adianta chorar pelas saídas de Vidal, Pirlo e Tévez. Perdido e nervoso, o francês pouco fez. E sem ele, Dybala e Mandzukic também quase não apareceram.

Sem querer se preocupar com os problemas alheios, a Roma mostrou outro futebol em relação à estreia e, principalmente, à última temporada. Com De Rossi na defesa, o meio-campo ganhou em mobilidade. Enquanto Keita controlava a saída de bola, Nainggolan e Pjanic eram os donos do jogo. Foi do bósnio, aliás, a melhor chance da primeira etapa: um chutaço na trave de Buffon. Estreante da tarde, Digne mostrou-se um excelente reforço e pode ser a solução para a lateral esquerda romana.

Apesar do bom jogo, faltava o gol para a Roma. Dzeko tentou, mas foi Pjanic quem acertou uma bela cobrança de falta, sem chance para Buffon. Se Rubinho já havia sido expulso, do banco de reservas, Evra foi expulso em campo – dois cartões em um curto espaço de tempo – e praticamente sacramentou a derrota juventina. Foi pelo setor do lateral que, um minuto depois de ficar com um jogador a mais, a Roma ampliou. Dzeko aproveitou cruzamento e subiu mais que Chiellini para fazer o segundo gol romanista. Dybala ainda conseguiu diminuir, aproveitando a boa jogada de Pereyra, que deu vida ao meio-campo desde que entrou. Mas era tarde e a história mais uma vez foi feita. Depois de uma derrota marcante na primeira rodada, a Juve tropeça novamente e Allegri já sente certa pressão.

Carpi 1-2 Inter
Di Gaudio | Jovetic e Jovetic (pênalti)

Tops: Ryder (C) e Handanovic (I) | Flops: Wallace (C) e Nagatomo (I)

Três gols e duas vitórias para a Inter. Jovetic mal chegou, mas assumiu o papel de protagonista que tinha na Fiorentina, mas que não conseguiu repetir na Inglaterra. O montenegrino, desta vez auxiliado por Guarín, anotou todos os gols interistas na atual temporada, colocando a equipe como única grande com duas vitórias nesta Serie A. Assim como na estreia, a torcida nerazzurra precisou esperar os minutos finais e contar com a boa apresentação de Handanovic para comemorar a vitória – um pênalti não marcado para os donos da casa ajudou, também. Já o Carpi, fez sua estreia em casa e mostrou um futebol muito diferente da primeira rodada, quando foi goleado pela Sampdoria. Dessa vez, jogou melhor, mas as finalizações complicaram uma melhor sorte da equipe novata na elite. Vale destacar, ainda, o chilique do brasileiro Wallace, que foi substituído e fez confusão com colegas e a comissão técnica.

Chievo 4-0 Lazio
Meggiorini, Paloschi (Meggiorini), Birsa e Paloschi

Tops: Meggiorini e Paloschi | Flops: Gentiletti e Lulic (L)

Depois da eliminação no play-off da Champions League, a Lazio caiu diante do líder da Série A. Sim, isso mesmo. O Chievo é o líder da primeira divisão italiana – e com o melhor ataque, sete gols marcados. Na próxima rodada, o invicto time de Verona enfrenta a cambaleante Juve. Quem imaginaria um cenário desses? Já se esperava que o Chievo desta temporada deixasse de lado o defensivismo histórico, mas não que tudo mudasse tão rápido. É provável que em breve o time ocupe uma posição da tabela mais próxima à sua realidade, mas este é um começo importantíssimo para o time de Maran, que visa cumprir o primeiro de seus objetivos: permanecer na elite. O placar foi definido logo na primeira etapa, com dois belos gols, diga-se (veja aqui e aqui), e com o 3 a 0 contra no placar, a Lazio, que não contava com sua força máxima, não teve poder de reação. Pressão sobre Pioli e a diretoria.

Napoli 2-2 Sampdoria
Higuaín (Insigne) e Higuaín (Allan) | Éder (pênalti) e Éder

Tops: Higuaín (N) e Éder (S) | Flops: Raúl Albiol (N) e Coda (S)

Depois de um primeiro tempo impecável, o Napoli sucumbiu na segunda etapa e chega ao final da segunda rodada ainda sem vencer na Serie A. Sarri mudou o time com as entradas de Allan e Callejón, e encontrou o acerto quase perfeito da equipe que dominou a primeira etapa – com excelente atuação de Insigne e bom poder de conclusão de Higuaín. No segundo tempo, dois minutos de apagão e duas bobeiras de Raúl Albiol, e a Samp igualou o placar duas vezes com Éder – o segundo gol foi uma pintura. Muriel, que está em ótima fase, ainda poderia virar, mas acertou o travessão. Ao fim do jogo, sobraram críticas e vaias à De Laurentiis.

Milan 2-1 Empoli
Bacca e Luiz Adriano (Bonaventura) | Saponara (Maccarone)

Tops: Luiz Adriano (M) e Saponara (E) | Flops: Nocerino (M) e Pucciarelli (E)

Na volta de Balotelli, o Super Mario viu do banco seus concorrentes balançarem as redes e garantirem a primeira vitória milanista na atual temporada. Apesar de jogar em casa, o que se viu do Milan foi mais do mesmo, como na última temporada, o que fez Mihajlovic dizer que foi uma "vitória com sabor de derrota". A diferença para os anos anteriores é que dessa vez os gols saíram. Bacca recebeu passe de Luiz Adriano e anotou o primeiro, mas na sequência, Saponara fez valer a lei do ex e anotou o empate do Empoli. Diego López, mais uma vez foi quem mais trabalhou e viu de longe o oportunismo de Luiz Adriano, que garantiu os três pontos.

Torino 3-1 Fiorentina
Moretti, Quagliarella (Benassi) e Baselli | Alonso

Tops: Quagliarella (T) e Alonso (F) | Flops: Martínez (T) e Roncaglia (F)

Se a Juventus não vai bem no começo, o Torino ajuda a manter a cidade no topo da tabela e também quebrar um tabu que já durava 30 anos. Desde a temporada 1984-85 o Toro não ficava seis pontos a frente de sua rival. Num jogo dificílimo contra a Fiorentina, os granata saíram atrás do marcador com um gol de Alonso. O espanhol provocou e comemorou como se fosse um toureiro, ironizando à frente da torcida do Toro. Raivosos, os donos da casa reagiram no segundo tempo e, num espaço de dez minutos, anotaram três gols: dois, o de Moretti e segundo de Baselli na temporada, foram golaços; Quagliarella fez valer a lei do ex e também anotou. Destaque, ainda, para a estreia de Giuseppe Rossi na atual temporada. Será que dessa vez vai?

Bologna 0-1 Sassuolo
Floro Flores

Top: Sansone (S) | Flop: Destro (B)

Dois jogos e duas vitórias. Um começo que nem Juventus, Roma e Napoli conseguiram. O Sassuolo bateu o Bologna no clássico emiliano e é um dos líderes da Serie A. Num jogo de poucas oportunidades, a equipe de Di Francesco soube anular as raras chegadas do Bologna e aproveitou os rápidos contra-ataques. A três minutos do fim, Laribi teve passe interceptado e Floro Flores não desperdiçou a chance de anotar seu segundo gol na competição. Méritos para a continuidade do projeto da equipe, uma das mais organizadas da Serie A. O tradicional Bologna poderia aprender algumas dicas com os neroverdi.

Genoa 2-0 Verona
Pavoletti e Gakpé (Rincón)

Tops: Ntcham (G) e Juanito (V) | Flops: Pandev (G) e Rafael (H)

Partida de um time só no Luigi Ferraris. O Genoa foi dominante contra o Verona e cansou de desperdiçar oportunidades. Os gols só vieram na segunda etapa após dois vacilos da zaga veronesa. O destaque do Genoa foi, pelo segundo jogo seguido, o jovem Ntcham, emprestado pelo Manchester City. Pazzini entrou no segundo tempo e criou o lance de maior perigo dos visitantes.

Udinese 0-1 Palermo
Rigoni (Vázquez)

Tops: Zapata (U) e Sorrentino (P) | Flops: Merkel (U) e Struna (P)

Depois de vencer a Juventus, em Turin, a Udinese perdeu em casa para o Palermo e, mesmo pressionando o jogo inteiro e desperdiçou chances incríveis com Zapata e Edenílson. Tristeza para a torcida bianconera que não pode comemorar gol no reformado – e belo – estádio Friuli, reinaugurado neste fim de semana. Sem sofrer gol pelo segundo jogo, a defesa do Palermo é a única inviolada na temporada. 

Atalanta 2-0 Frosinone
Stendardo e Gómez

Tops: Moralez (A) e Leali (F) | Flops: Pinilla (A) e Blanchard (F)

Leali brilhou, mas não evitou a segunda derrota do Frosinone. O goleiro pegou pênalti e operou verdadeiros milagres. O atleta emprestado pela Juventus só não conseguiu impedir o toque de Stendardo depois do bate-rebate e o petardo de Gómez. Primeira vitória bergamasca, que reagiu após a derrota para a Inter na estreia.

Relembre a 1ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Szczesny (Roma); Baselli (Torino), Stendardo (Atalanta), Gonzalez (Palermo), Digne (Roma); Birsa (Chievo), Ntcham (Genoa), Pjanic (Roma); Éder (Sampdoria), Meggiorini (Chievo), Jovetic (Inter). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

1ª rodada: Queda histórica

Cena rara: Juventus cai na Serie A e faz história de forma negativa na estreia da temporada (Getty)
A Serie A 2015-16 começou e com ela trazemos um novo modelo de resumo da rodada, mais objetivo, dinâmico e melhor para consultar informações sem perder o modelo de cobertura do Quattro Tratti. Teve mudança também no campeonato, que começou com um fato histórico: a Juventus nunca tinha estreado em casa na Serie A com derrota e sucumbiu frente à Udinese, que brigará para não cair nesta temporada. A primeira rodada foi um bom tira-gosto e mostrou que o campeonato deverá ser bastante acirrado. Acompanhe a análise dos jogos.

*Entre parênteses, após o autor do gol, o responsável pela assistência, se houver

Juventus 0-1 Udinese
Théréau (Kone)

Tops: Pereyra (J) e Kone (U) | Flops: Pogba (J) e Di Natale (U)

Para a infelicidade dos juventinos, o dia 23 de agosto foi histórico. Os tabus quebrados com a derrota da Juve e as estatísticas relacionadas não trazem bons auspícios para os bianconeri – para os supersticiosos, pelo menos. Pela primeira vez na história, a Velha Senhora estreou com derrota em casa na Serie A. Além disso, foi apenas a sétima estreia com derrota da equipe em 84 anos. A última derrota no primeiro jogo do campeonato foi na última temporada da draga pós-Calciopoli, em 2010, frente ao Bari. Para completar, só um time foi campeão da Serie A após perder na estreia. Foi o Torino, em duas ocasiões – 1943 e 1976. A Juve se juntará ao rival? Ainda é a favorita ao título, é claro, e com o reforço de Cuadrado fica fortalecida.

Em campo, porém, a Juventus não foi bem – a derrota não foi por acaso. Pereyra até tentou, e Mandzukic fazia trabalho inteligente como pivô, mas o restante do time jogava em uma rotação abaixo do comum. Pogba, em seu segundo jogo oficial como craque absoluto do time, não correspondeu. Errou muito – às vezes bizarramente, em cobranças de falta e escanteio –, demonstrou nervosismo e pouca lucidez. Ficou claro que o time se ressentiu de automatismo, das jogadas que saíam pelo entrosamento entre as peças. Algo que já se esperava, pelas importantes saídas de Vidal, Tévez e Pirlo – este último fez falta também em bolas paradas, obviamente.

O desafio de Allegri é montar um time mais competitivo e com rapidez. Na semana que vem, a Juve visita a Roma, no Olímpico, e entrará em campo com um horizonte estranho em relação às quatro últimas temporadas e à própria história do clube: zero pontos em seis disputados. Não há dúvida que os jogadores darão a vida em campo. Os da Udinese não chegaram a tanto no domingo, mas conseguiram um feito e tanto, apesar da má partida do capitão Di Natale: só Inter, Sampdoria, Bayern Munique e Fiorentina tinham vencido no Juventus Stadium, e a Udinese fez isso tirando uma invencibilidade de 40 jogos da Velha senhora em casa no Italiano. Determinada, a Udinese já pegou o espírito do técnico Colantuono e saiu na frente na briga contra o rebaixamento.

Inter 1-0 Atalanta
Jovetic (Miranda)

Tops: Jovetic (I) e De Roon (A) | Flops: Icardi (I) e Carmona (A)

Inter nova, futebol antigo, mas resultado diferente do que vinha acontecendo. Com muitos reforços em campo, a equipe de Milão dominou na posse de bola, sofreu menos do que o normal na defesa, mas teve dificuldade de ultrapassar o catenaccio proposto por Reja, da Atalanta. Só conseguiu nos acréscimos do segundo tempo, e precisou de uma magia de Jovetic – que substituiu o lesionado Icardi – para confirmar a vitória e estrear de forma positiva.

Positiva no resultado, é claro – que é o que mais importa neste momento em que as equipes ainda não estão realmente prontas para a temporada. O futebol foi preocupante: esteve em campo uma equipe sem criatividade, sem ultrapassagens dos laterais, e que praticava muitos passes infrutíferos e futebol pouco empolgante. Tudo como no ano passado, mas com final diferente: desta vez a Inter arrancou uma vitória do tipo que não conseguia nas últimas duas campanhas. Será que a sorte mudou?

A festa do novo camisa 10 da Inter após seu primeiro gol em Milão (Eurosport)
Fiorentina 2-0 Milan
Alonso, Ilicic (pênalti)

Tops: Ilicic (F) e Diego López (M) | Flops: Gilberto (F) e Rodrigo Ely (M)

Show da Fiorentina para cima de um Milan que sofreu com sua defesa no primeiro jogo da temporada italiana. No primeiro tempo, o gaúcho Rodrigo Ely coroou sua má estreia na elite com uma expulsão boba. Para piorar, na cobrança de falta, Alonso marcou um golaço e abriu o placar para a Viola, que já era melhor em campo.

Bastante modificada em relação ao ano anterior, a Fiorentina contou com uma boa partida do reforço Kalinic, mas foram as caras antigas que decidiram o jogo. Após pênalti ingênuo de Romagnoli – que herdou a 13 de Nesta, seu ídolo –, Ilicic guardou e deu a vitória para o time de Paulo Sousa. Apesar das desconfianças, o português começa bem o trabalho em Florença. Para Mihajlovic, muito o que trabalhar na defesa. E também no ataque. Com ou sem o retorno de Balotelli, só as próximas horas dirão.

Cucchiaio

Esta nova sessão no blog resume as partidas de maneira mais objetiva, com notas curtas. Uma colherada de informações!

Verona 1-1 Roma
Jankovic (Hallfredsson) / Florenzi

Tops: Hallfredsson (V) e Florenzi (R) | Flops: Sala (V) e Salah (R)

O Verona começou bem 2015-16 e por pouco não saiu vitorioso contra uma Roma irregular. Inconstante como o goleiro Rafael, que falhou no empate de Florenzi e depois segurou o resultado, fazendo boas defesas na investida romana. No duelo mais interessante do jogo, Hallfredsson colocou Salah no bolso e ainda criou chances para os butei. Vale destacar a volta de Castán aos gramados, após cirurgia no cérebro, e as estreias de Dzeko e Pazzini.

Lazio 2-1 Bologna
Biglia (Keita), Kishna / Mancosu (Brienza)

Tops: Kishna (L) e Brienza (B) | Flops: Radu (L) e Ferrari (B)

Boa estreia da Lazio na temporada. Felipe Anderson ficou no banco, mas o seu substituto, o holandês Kishna, foi um dos destaques da partida, resolvida ainda no primeiro tempo. A notícia ruim foi a lesão do capitão Biglia, que fica um mês de molho. O Bologna tem o alento de ter melhorado no segundo tempo, com Pulgar e Destro, que devem ser titulares da equipe.

Sassuolo 2-1 Napoli
Floro Flores (Berardi), Sansone / Hamsík

Tops: Sansone (S) e Reina (N) | Flop: Insigne (N)

O campeonato parecia começar bem para o Napoli. Com pouco tempo de bola rolando, Hamsík abriu o placar, mas depois os azzurri erraram demais, e mostraram ao mesmo tempo pouca vontade e irritação. Com bom jogo dos atacantes e criação de chances pelos flancos, o Sassuolo mereceu a virada.

Sampdoria 5-2 Carpi
Éder (pênalti), Muriel (Éder), Muriel (Cassani), Éder, Fernando / Lazzari (Gabriel Silva), Ryder Matos

Tops: Muriel (S) e Ryder (C) | Flops: Coda (S) e Brkic (C)

Batismo de fogo para o Carpi na Serie A. A equipe estreou levando uma sapatada da Sampdoria, uma das maiores incógnitas deste campeonato – levou cinco ainda no primeiro tempo. Funcionou bem a dupla Muriel-Éder; e vale destacar os golaços e primeiros tentos dos brasileiros Fernando e Ryder no campeonato. Cassano reestreou com a camisa doriana.

Palermo 1-0 Genoa
El Kaoutari

Tops: Sorrentino (P) e Ntcham (G) | Flops: Chochev (P) e Lazovic (G)

Em um dos jogos mais equilibrados da rodada, o Palermo conquistou a vitória apenas nos acréscimos, em lance fortuito e bate-rebate. No geral, o Genoa de Gasperini foi melhor e obrigou o goleiro Sorrentino a segurar o resultado na Sicília.

Frosinone 1-2 Torino
Soddimo (Paganini) / Quagliarella (Avelar), Baselli

Tops: Soddimo (F) e Baselli (T) | Flops: Gucher (F) e Moretti (T)

Apesar da derrota, o Frosinone estreou bem na Serie A. No primeiro jogo de sua história, abriu o placar com Soddimo, mas viu o Torino e seu bom elenco mostrarem força e virarem a partida. Vale ressaltar a participação de Danilo Avelar e Baselli, reforços do mercado, nos gols do jogo.

Empoli 1-3 Chievo
Saponara (Croce) / Meggiorini (Birsa), Birsa, Paloschi (Meggiorini)

Tops: Croce (E) e Meggiorini (C) | Flops: Ronaldo (E) e M'Poku (C)

Um Empoli repleto de desconhecidos dependeu demais de Croce e Saponara contra um adversário na briga contra o rebaixamento. Claro, sucumbiu. O Chievo deu uma amostra que vem mais ofensivo para esta temporada e marcou logo três gols na estreia.

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Sorrentino (Palermo); Baselli (Torino), Cannavaro (Sassuolo), Murillo (Inter), Cassani (Sampdoria); Candreva (Lazio), Hallfredsson (Verona), Ilicic (Fiorentina); Jovetic (Inter); Muriel (Sampdoria), Meggiorini (Chievo). Técnico: Eusebio Di Francesco (Sassuolo).

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Guia da Serie A 2015-16, parte 2

Amanhã é o dia do pontapé inicial para a Serie A 2015-16! Na quarta, trouxemos a primeira parte do nosso guia da temporada, com as análises de dez das equipes que disputarão o Italiano. Hoje, na véspera da primeira rodada de jogos, chegamos com a segunda etapa do especial, com outra dezena de pitacos: começamos com a Lazio e terminamos com o Verona. Vá em frente e saiba o que esperar desses times no campeonato que bate à porta.
 
Lazio


Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73.481 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principal rival: Roma
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 3ª posição 
Objetivo: vaga em competições europeias
Brasileiros no elenco: Felipe Anderson e Maurício
Técnico: Stefano Pioli (2ª temporada) 
Destaque: Antonio Candreva
Fique de olho: Sergej Milinkovic-Savic
Principais chegadas: Sergej Milinkovic-Savic (m, Genk), Ravel Morrison (m, West Ham) e Wesley Hoedt (z, AZ Alkmaar)
Principais saídas: Cristian Ledesma (v, sem clube), Luis Cavanda (le, Bursaspor) e Michaël Ciani (z, Espanyol)
Time-base (4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Gentiletti, Radu; Cataldi (Milinkovic-Savic), Biglia, Parolo; Candreva, Klose (Keita, Djordjevic), Felipe Anderson.

Sensação de 2014-15, a Lazio começa a nova temporada buscando a afirmação. Desta vez, a missão é mais difícil para os romanos, que largaram bem no play-off da Liga dos Campeões contra o Bayer Leverkusen e terão de dividir as atenções da Serie A com uma competição continental – seja a Champions, em caso de classificação, ou a Liga Europa, se cair. Além da maior quantidade de jogos, os aquilotti terão concorrência fortalecida, já que Inter e Milan se reforçaram, e Roma, Napoli, Fiorentina e Torino, além da Juventus, também estão na briga por vagas europeias. Conseguir repetir a campanha do ano passado é o sonho da equipe comandada por Pioli.

O time de Formello teve como principal objetivo de mercado resistir às investidas por seus melhores jogadores, como Felipe Anderson, Candreva, Keita e Biglia – o argentino, cortejado pelo Manchester United, ainda pode sair. O elenco sofreu poucas modificações, e a saída do vice-capitão Ledesma deve ser a mais sentida – Mauri, o capitão, chegou a sair, mas acertou o retorno. Para o lugar dos experientes jogadores chegaram promessas, como Milinkovic-Savic, destaque da Sérvia no Mundial Sub-20, Morrison, Hoedt, Patric e Kishna. A forma de jogar da Lazio continua a mesma: agressiva no meio-campo, com muita velocidade pelas pontas e muita ofensividade, já que os meio-campistas aparecem muito para concluir as chances criadas. Já que os grandes nomes do segundo melhor ataque da última temporada continuam vestindo biancoceleste, não dá para esperar da equipe algo diferente de muitos gols e jogos interessantes.

Milan


Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 10ª posição 
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Alex, Rodrigo Ely e Luiz Adriano
Técnico: Sinisa Mihajlovic (estreante)
Destaque: Carlos Bacca
Fique de olho: Davide Calabria
Principais chegadas: Carlos Bacca (a, Sevilla), Luiz Adriano (a, Shakhtar Donetsk) e Alessio Romagnoli (Roma)
Principais saídas: Stephan El Shaarawy (a, Monaco), Giampaolo Pazzini (a, Verona) e Adil Rami (z, Sevilla)
Time-base (4-3-1-2): Diego López; Abate, Mexès, Romagnoli, Antonelli; Montolivo, De Jong, Bertolacci; Bonaventura (Ménez); Bacca, Luiz Adriano.

Após dois anos de resultados desastrosos, o Milan quer dar a volta por cima. O primeiro passo para isso foi a contratação do técnico Mihajlovic, que fez bom trabalho na Sampdoria, com futebol compacto e agressivo. Com orçamento maior, após a entrada do tailandês Bee Taechaubol no quadro de acionistas, os rossoneri investiram quase 90 milhões de euros para assegurar quatro contratações principais: Romagnoli, Bertolacci, Luiz Adriano e Bacca. Neste mercado inflacionado, qualquer valor é discutível, mas os quatro contratados serão bastante úteis para o treinador sérvio. Tanto é que serão titulares no 4-3-1-2 planejado por Miha.

Dois dos principais problemas na última temporada milanista foram a defesa e a falta de atacantes goleadores. A chegada do promissor Romagnoli, tido como novo Nesta, promete amenizar a fragilidade no setor, que ainda terá um Mexès em boa fase. O meio-campo será o setor fulcral da equipe, e terá características similares às que Mihajlovic desenvolveu em sua Samp: muito combate, posse de bola, ligações mais diretas com os atacantes e chegada na área adversária. Se em 2015-16 faltaram centroavantes que anotavam uma penca de gols – o artilheiro do Milan foi Ménez, meia-atacante –, Bacca e Luiz Adriano, além de Niang, devem resolver a carência. Com os artilheiros da Liga Europa e da Liga dos Campeões em campo, o Milan pode sonhar alto nesta temporada.

Napoli


Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 5ª posição 
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Gabriel, Rafael Cabral, Henrique, Allan e Jorginho
Técnico: Maurizio Sarri (estreante) 
Destaque: Marek Hamsík
Fique de olho: Jacopo Dezi
Principais chegadas: Pepe Reina (g, Bayern Munique), Allan (v, Udinese) e Mirko Valdifiori (v, Empoli)
Principais saídas: Gökhan Inler (v, Leicester), Walter Gargano (v, Monterrey) e Duván Zapata (a, Udinese)
Time-base (4-3-1-2): Reina; Hysaj, Albiol, Chiriches, Ghoulam; Allan, Valdifiori, Hamsík; Insigne; Mertens (Gabbiadini), Higuaín.

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. É o lema do Napoli para a temporada que se inicia, depois do fiasco na reta final de 2014-15, na qual o clube caiu nas semifinais da Liga Europa e da Coppa Italia, além de deixar escapar uma vaga na Liga dos Campeões. Os azzurri superam Benítez, que nunca teve forte ligação com torcida e diretoria, e acolhem Sarri. O ex-técnico do Empoli é nascido na província de Nápoles e torce para o clube, uma grande mudança de relacionamento quanto ao que havia anteriormente com Benítez. O novo treinador vem de grande trabalho na Toscana, onde montou um dos times mais atraentes da última Serie A.

Junto com Sarri, chegam dois bons nomes do Empoli: o promissor lateral Hysaj e o regista Valdifiori. O meia fará parte de um setor de muita qualidade e quantidade, como gostam os italianos. No 4-3-1-2 sarriano, Valdifiori, Hamsík e o ótimo brasileiro Allan deverão dar todo o suporte técnico e tático para que Insigne, finalmente escalado como trequartista, possa iluminar o forte ataque azzurro. Higuaín, em busca de recuperação do moral, e ora Gabbiadini, ora Mertens, devem incomodar e muito as defesas adversárias. Mais atrás, a volta de Reina deve solucionar a insegurança na meta napolitana, que com Andújar e Rafael, foi bastante violada – um zagueiro central ainda pode ser contratado. Mais uma vez, o Napoli entra no campeonato com força suficiente para brigar de igual para igual com os grandes, e desta vez com a alma revigorada.

Palermo


Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36.349 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
Principal rival: Catania
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 11ª posição 
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Matheus Cassini
Técnico: Giuseppe Iachini (3ª temporada) 
Destaque: Franco Vázquez
Fique de olho: Matheus Cassini
Principais chegadas: Matheus Cassini (a, Corinthians), Oscar Hiljemark (m, PSV Eindhoven) e Abdelhamid El Kaoutari (z, Montpellier)
Principais saídas: Paulo Dybala (a, Juventus), Édgar Barreto (v, Sampdoria) e Andrea Belotti (a, Torino)
Time-base (3-5-1-1): Sorrentino; Goldaniga (Struna), González, El Kaoutari; Rispoli, Rigoni, Brugman, Hiljemark, Lazaar; Vázquez; Matheus Cassini (Quaison).

Após uma temporada de muita tranquilidade, o Palermo busca se estabelecer na primeira divisão. No terceiro ano do técnico Iachini, a equipe vem bastante modificada em relação à que jogou a última Serie A. A grande perda é a do artilheiro Dybala, vendido a peso de ouro para a gigante Juventus: juntamente com o promissor Belotti, o argentino deixou um vácuo no ataque da equipe rosanero. Reforços ainda devem chegar, mas o brasileiro Matheus Cassini, que nem estreou entre os profissionais do Corinthians, chega com a responsabilidade que a camisa 9 traz com ela. Ao menos, o Palermo segurou Vázquez, outra peça muito importante, pelos gols e assistências.

O 3-5-2 organizado de Iachini será o esquema-base para a temporada mais uma vez. A liderança do capitão Barreto no meio-campo foi perdida, mas agora o setor terá jogadores mais técnicos, como Brugman e Hiljemark (campeão europeu sub-21 com a Suécia), o que pode compensar a escassez de atacantes. No mais, o elenco siciliano não sofreu grandes modificações em relação ao ano passado. Deve ser o suficiente para outra temporada sem riscos e um honroso meio da tabela.

Roma

 
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (72.481 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Títulos da Serie A: três
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: briga pelo título
Brasileiros no elenco: Maicon, Emerson Palmieri e Leandro Castán
Técnico: Rudi Garcia (3ª temporada) 
Destaque: Francesco Totti
Fique de olho: Lorenzo Di Livio
Principais chegadas: Edin Dzeko (a, Manchester City), Mohamed Salah (a, Fiorentina) e Wojciech Szczęsny (g, Arsenal)
Principais saídas: Davide Astori (z, Fiorentina), Mapou Yanga-Mbiwa (z, Lyon) e Seydou Doumbia (a, CSKA Moscou)
Time-base (4-3-3): Szczęsny (De Sanctis); Florenzi (Maicon), Manolas, Leandro Castán (Rüdiger), Torosidis; Nainggolan, De Rossi, Pjanic; Salah, Dzeko (Totti), Iago.

A Roma não quer ouvir nem falar da decepção de 2014-15. O principal problema da equipe no último campeonato foi o ataque, que não rendeu o esperado (apenas 54 gols marcados, e artilheiros com 8), e a equipe agiu pesadamente para corrigir o problema. Foram três os reforços para o setor: Dzeko e Salah, jogadores de alto nível internacional, e Iago, que fez ótima temporada. Com isso, Totti perde algum espaço, mas segue sendo o símbolo romanista – ainda que, eventualmente, Garcia precise debelar pequenos incêndios de insatisfação no vestiário.

Por ter uma ótima base formada, um trabalho em andamento há algum tempo e por ter acertado com reforços de peso, não há como não colocar a Roma como candidata ao título e principal rival da Juventus – Inter, Lazio, Milan e Napoli seguem na cola. O inegável desgaste psicológico que levou a equipe a cair de rendimento no Italiano passado pode ser superado com a injeção de ânimo que as ambiciosas contratações deram – Szczęsny e Rüdiger já foram confirmados, e a iminente chegada de Digne mostram que o time quer dar um salto –, sem falar na recuperação de Castán, muito comemorada pelos colegas. As primeiras rodadas serão fundamentais para ver como a equipe se adaptará aos reforços e se manterá a regularidade (em termos de resultados) que apresentou na maior parte do trabalho de Garcia. Ao menos, artilharia pesada e um bunker na defesa a equipe terá como armas.

Sampdoria


Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Marassi (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 7ª posição 
Objetivo: vaga em competição europeia
Brasileiros no elenco: Fernando* (*Éder é italiano, após a naturalização)
Técnico: Walter Zenga (estreante) 
Destaque: Antonio Cassano
Fique de olho: Federico Bonazzoli
Principais chegadas: Antonio Cassano (a, sem clube), Ervin Zukanovic (le, Chievo) e Fernando (v, Shakhtar Donetsk)
Principais saídas: Samuel Eto'o (a, Antalyaspor), Stefano Okaka (a, Anderlecht) e Pedro Obiang (v, West Ham)
Time-base (4-3-1-2): Viviano; Cassani, Silvestre, Moisander (Regini), Zukanovic; Soriano, Fernando, Barreto; Éder; Cassano, Muriel.

Talvez Zenga não seja o homem indicado para a missão. Talvez o barrigudo Cassano não tenha gás para uma temporada completa. Talvez o elenco tenha sido modificado demais e perdido muitas de suas peças centrais. São muitas as dúvidas que rondam a Sampdoria neste início de Serie A. Questionamentos alimentados por um vexame: a equipe foi goleada em casa (4 a 0) pelo limitado Vojvodina, da Sérvia, no play-off da Liga Europa, e já foi eliminada. Não havia forma pior de começar uma temporada de transição.

Mihajlovic, um técnico que marcou seu estilo em Gênova, deixou a equipe e foi substituído por Zenga, que nunca teve um trabalho realmente consistente, mas com passado no clube. Escolhas emocionais nem sempre são corretas, e é assim que podemos desconfiar que a volta de Cassano pode não ter vindo em boa hora. É inegável que ele é talentoso, mas não está em forma – Muriel, outro que tem qualidade, sofre do mesmo mal, e são dois jogadores que pouco contribuem para a equipe no mesmo setor. Entre as novidades de mercado, o elenco ganhou bons nomes para as laterais (Cassani, Zukanovic e Moisander), e teve em Fernando bela aquisição para tentar resolver as muitas saídas importantes no meio-campo (de uma tacada só, Acquah, Duncan e Obiang foram embora). O ataque também teve muitas saídas (Eto'o, Okaka e Bergessio), e terá características bem diferentes da última temporada. Jogará mais pelo chão e com muito menos velocidade. Antes de vencer os adversários, a Samp precisará superar a si mesma.

Sassuolo


Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Città del Tricolore (20.084 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: 12ª posição)
Na última temporada: 12ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Eusebio Di Francesco (4ª temporada) 
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Lorenzo Pellegrini
Principais chegadas: Grégoire Defrel (a, Cesena), Alfred Duncan (v, Sampdoria) e Karim Laribi (m, Bologna)
Principais saídas: Simone Zaza (a, Juventus), Saphir Taïder (m, Inter) e Matteo Brighi (v, Bologna)
Time-base (4-3-3): Consigli; Vrsaljko, Cannavaro, Acerbi, Peluso; Biondini, Magnanelli, Missiroli (Laribi); Berardi, Defrel, Sansone.

O sonho continua. A terceira temporada do Sassuolo na elite começa com o mesmo objetivo das outras para o pequeno time da Emília-Romanha: o importante é se salvar. Depois de conseguir um honroso 12º lugar em 2014-15 (que poderia até ter sido melhor, se o ritmo tivesse sido mantido), a equipe mudou pouco, mas perdeu uma das peças do seu tridente ofensivo. Ficam Berardi e Sansone, sai Zaza, que reforçou a Juventus. Para o seu lugar, os neroverdi investiram em um jogador com mais mobilidade, e igualmente canhoto: Defrel, de bom desempenho pelo Cesena, chega para ocupar o terminal ofensivo.

Isso pode fazer a equipe jogar de maneira um pouco diferente, com menos referências na área e um jogo de troca de posições mais rico. Se antes o Sassuolo era garantia de ter um dos melhores ataques do campeonato, hoje vem com boa aposta, mas que ainda precisará se provar válida. Os outros setores do time, sem nenhuma novidade entre os titulares e de reforços com características similares aos que deixaram o Città del Tricolore, devem se comportar de maneira similar. Uma defesa firme, com laterais que apoiam bem e são cobertos por volantes de boa qualidade técnica. De novo, o técnico Eusebio Di Francesco tem todas as ferramentas para conduzir os neroverdi a uma salvação tranquila e continuar no rol dos mais promissores treinadores da Itália.

Torino

 
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olimpico di Torino (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 9ª posição 
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Bruno Peres e Danilo Avelar
Técnico: Giampiero Ventura (5ª temporada) 
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Lys Gomis
Principais chegadas: Davide Zappacosta (ld, Atalanta), Davide Baselli (m, Atalanta) e Andrea Belotti (a, Palermo)
Principais saídas: Matteo Darmian (ld, Manchester United) e Omar El Kaddouri (m, Napoli)
Time-base (3-5-2): Padelli; Maksimovic, Glik, Moretti; Bruno Peres (Zappacosta), Baselli, Benassi, Acquah, Avelar (Obi); Quagliarella, Belotti (Maxi López).

Tem que respeitar o Torino de Ventura. O técnico está entre os cinco maiores da história do clube e com mais tempo de serviço pelos granata, e a cada ano precisa reinventar seu time. O roteiro é similar: jogadores se destacam, são vendidos por ótimos valores e a equipe investe em jogadores de potencial. Assim, ele tem colocado a equipe na parte alta da tabela, na briga por vagas em competições europeias. Nesta temporada, apesar de concorrência ferrenha, o Toro deve, outra vez, lutar para ficar entre os melhores times da temporada.

A atuação da diretoria no mercado merece aplausos. Darmian foi para o Manchester United por 18 milhões de euros, e com 17 milhões foram contratados jogadores muito promissores, como Zappacosta, Baselli e Belotti – três jogadores que disputam vagas no time titular. O elenco é mais forte que o das temporadas anteriores, e quase todas as estrelas permaneceram – apenas El Kaddouri, emprestado, deixou a equipe. Caso Maksimovic e Bruno Peres sejam negociados, pequenas fortunas cairão nos cofres grenás, e outros jogadores chegarão. Do jeito que está, o elenco tem como grandes destaques o zagueiro-artilheiro Glik, que ainda é o capitão e o líder, e o experiente Quagliarella, goleador do time. Com tudo isso, o Torino caminha para reconstruir sua grandeza.

Udinese


Cidade: Údine (Friuli)

Estádio: Friuli (41.652 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: vice-campeã)
Na última temporada: 16ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Danilo, Neuton, Edenílson, Guilherme, Lucas Evangelista e Marquinho
Técnico: Stefano Colantuono (estreante)
Destaque: Antonio Di Natale
Fique de olho: Alex Meret
Principais chegadas: Ali Adnan (le, Rizespor), Duván Zapata (a, Napoli) e Marquinho (Al-Ittihad)
Principais saídas: Allan (v, Napoli), Simone Scuffet (g, Como) e Gabriel Silva (le, Carpi)
Time-base (3-5-2): Karnezis; Wagué, Danilo, Domizzi (Heurtaux); Widmer (Edenílson), Badu, Pinzi, Kone (Fernandes), Adnan; Zapata (Théréau), Di Natale.

A família Pozzo esqueceu da Udinese. O dono do time friulano, Giampaolo Pozzo, vem mudando gradativamente seu foco para seus outros clubes: o Granada, da Espanha e, nesta temporada, o Watford, da Inglaterra. Enquanto o time amarelo da Terra da Rainha vem recebendo grandes reforços, a Udinese está à míngua e recebeu escassos reforços, nenhum deles uma garantia de melhoria na qualidade da equipe. O fato de a Udinese estar construindo seu estádio também pesa na diminuição do orçamento, mas há boa possibilidades de os bianconeri passarem os primeiros meses do novo Friuli na Serie B.

O desafio do treinador Colantuono é evitar o vexame. O carequinha tem bons trabalhos em equipes de menor expressão, e vem de temporadas de destaque pela Atalanta. Alternando entre o 3-5-2 e o 4-4-1-1, o técnico terá algumas boas peças à disposição, mas que não vem mostrando tanta qualidade em campo. O time titular é interessante, tem uma boa defesa, com Danilo e Heurtaux, e bons laterais, como Widmer, Edenílson e Adnan – este último, o primeiro iraquiano a atuar na Itália. Os habilidosos e bons finalizadores Kone e Bruno Fernandes seguem como armas da artilharia friulana, reforçada do tanque Zapata, que dá uma opção de jogo aéreo ausente no clube desde que Iaquinta trocou Údine pela Juventus – sim, faz tempo. Mas é claro que a estrela da companhia, o lendário Di Natale, continua sendo o fator de decisão e será o fiel da balança. Com quase 38 anos, o veterano artilheiro tentará fazer a equipe continuar na elite, em sua última temporada como profissional.

Verona

 
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Stadio Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei
Principais rivais: Vicenza, Chievo, Brescia e Napoli
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 13ª posição 
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rafael, Rômulo e Cláudio Winck
Técnico: Andrea Mandorlini (6ª temporada) 
Destaque: Luca Toni
Fique de olho: Filip Helander
Principais chegadas:  Giampaolo Pazzini (a, Milan), Rômulo (m, Juventus) e Filip Helander (z, Malmö)
Principais saídas: Mounir Obbadi (v, Lille), Panagiotis Tachtsidis (m, Genoa) e Nico López (a, Granada)
Time-base (4-3-1-2): Rafael; Sala, Márquez, Helander, Albertazzi; Ionita (Rômulo), Viviani, Hallfredsson; Juanito (Jankovic); Pazzini, Toni.

Mandorlini já foi questionado inúmeras vezes, mas vai para o seu sexto ano como técnico do Verona. Pragmático até o osso, o treinador faz a sua máquina funcionar sem grandes mistérios, mas com muita eficiência. O esquema pode até mudar, mas a forma de jogar é parecida: meias que vão de uma área a outra e constroem o jogo pelas laterais, sempre buscando uma referência fixa, o grandalhão Toni, que vai em busca de mais uma artilharia da Serie A.

Dessa vez, no entanto, haverá uma novidade: o clube vêneto contratou Pazzini, e o técnico tentará dar um jeito de jogar com os dois centroavantes ao mesmo tempo. Se a ideia será mantida, as primeiras rodadas é que irão dizer. A princípio, a ideia parece interessante, e não dá para duvidar que o poder de fogo dos gialloblù cresceu. Vale a pena acompanhar, ainda, a evolução do jovem lateral direito Sala e do zagueiro Helander, de boa participação no título europeu sub-21 da Suécia. O ítalo-brasileiro Rômulo, que já foi tão importante para os lados de Verona, volta da Juventus como opção para o banco, ao menos inicialmente. A sensação é de que a campanha do Verona será mais interessante para fazer observações individuais do que para esperar alguma surpresa. O meio da tabela deve ser o destino da equipe, que não dificilmente sofrerá com ameaça de descenso ou brigará por uma vaga na Liga Europa.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Guia da Serie A 2015-16, parte 1

Pogba versus Totti, Juventus contra Roma. Será o roteiro da nova temporada? (Eurosport)
Está chegando a hora. Neste sábado, a Serie A 2015-16 terá início, após cerca de três meses de pausa entre uma temporada e outra. Os jogos de sábado terão em campo a dupla da capital: o primeiro, em Verona, coloca frente a frente o Hellas contra a Roma (às 13h de Brasília); e depois, às 15h45, a Lazio recebe o Bologna. A campeã Juventus entra em campo às 13h do domingo, frente à Udinese, e outros sete jogos completam a rodada às 15h45. Neste horário, o grande destaque é para Fiorentina e Milan, que farão um jogão. 

As partidas acontecem à noite na Itália nas primeiras rodadas por causa do forte calor de verão na Europa – uma tentativa de preservar o espetáculo. O clima, porém, será quente desde o início. Se Fiorentina-Milan é o grande duelo da rodada inicial, a sequência de jogões começa cedo: Roma-Juventus (2ª rodada), Inter-Milan (3ª), Napoli-Lazio (4ª), Inter-Fiorentina (6ª), Napoli-Juventus (6ª), Milan-Napoli (7ª), Napoli-Fiorentina (8ª) e Inter-Juventus (8ª). Tudo isso em menos de dois meses. Quem começar tropeçando terá trabalho para aguentar o ritmo.

Como tem sido praxe, é a Juve que sai na frente na briga pelo título. A Roma se reforçou e parece mais pronta para continuar como segunda força do Campeonato Italiano, enquanto as renovadas equipes de Inter, Milan e Napoli constituem um forte terceiro pelotão, que olha bem de perto para quem está na frente. A surpreendente Lazio, que segurou suas melhores peças e fez contratações interessantes tenta abocanhar seu espaço outra vez. Fiorentina, Torino, Sampdoria, Genoa e Verona correm por fora na tentativa de chegar a uma vaga em competições europeias.

Até o fechamento deste guia, o número de brasileiros da Serie A é o mesmo que o do início da temporada anterior: são 42 atletas do nosso país distribuídos em 18 equipes do Italiano. Apenas Genoa e Sassuolo não tem brasileiros – os neroverdi, aliás, são o time com menos estrangeiros no geral, com apenas três. A equipe com mais jogadores verde e amarelos continua sendo a Udinese, que tem seis. O Napoli vem em seguida, com cinco, enquanto Inter e o caçula Carpi tem quatro.

Os direitos de transmissão da Serie A na TV fechada do Brasil estão divididos entre os canais Fox Sports e ESPN. Cada emissora terá direito a exibir metade dos jogos de cada rodada. Para os "internacionais", a rede italiana Rai International, disponível em algumas operadoras, também transmite os jogos, com narração em italiano. A Coppa Italia e a Supercopa Italiana são exibidas pela ESPN.

Acompanhe, agora, a primeira parte do nosso guia, com análises de 10 das 20 equipes. Ele está em ordem alfabética: começamos com a Atalanta e encerramos com a Juventus.

Atalanta


Cidade: Bérgamo (Lombardia) 
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares) 
Fundação: 1907 
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici 
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan 
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação) 
Na última temporada: 17ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Marcos de Paula
Técnico: Edy Reja (2ª temporada) 
Destaque: Germán Denis
Fique de olho: Gaetano Monachello
Principais chegadas: Jasmin Kurtic (m, Fiorentina), Marten De Roon (m, Heerenveen) e Gaetano Monachello (a, Lanciano)
Principais saídas: Davide Zappacosta (ld, Torino), Davide Baselli (m, Torino) e Yohan Benalouane (z, Leicester)
Time-base (4-3-3): Sportiello; Raimondi, Stendardo, Masiello, Dramé; Carmona, Cigarini, Kurtic; Moralez (Estigarribia), Denis (Pinilla), Gómez.

Do recorde ao caos. Após flertar com competições europeias e chegar ao maior número de vitórias consecutivas em sua história, em 2013-14, a Atalanta caiu muito de rendimento e escapou do rebaixamento por poucos pontos, no ano passado. Para esta temporada, a torcida pode esperar um panorama semelhante ao de 2014-15: a Dea ficará feliz se escapar da Serie B.

O elenco nerazzurro perdeu muitas peças importantes, como as revelações Zappacosta e Baselli, e vários medalhões na defesa, como Biava, Emanuelson e Benalouane. A reposição não foi à altura, e os comandados de Reja ganharam apenas a volta de alguns jogadores emprestados e algumas apostas – exceção feita a Kurtic, que deve ser titular. Mais uma vez, a Atalanta precisará contar com as defesas do ótimo Sportiello, com a organização de jogo de Cigarini e lampejos de Gómez e Moralez. Na frente, os gols ficam a cargo de Pinilla e, claro, do capitão Denis. A fórmula é simples e pode ser suficiente, mas a ordem em Bérgamo é manter os pés no chão.

Bologna


Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 4ª posição na Serie B; promovido via play-offs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Angelo da Costa
Técnico: Delio Rossi (2ª temporada) 
Destaque: Mattia Destro
Fique de olho: Marios Oikonomou
Principais chegadas: Antonio Mirante (g, Parma), Lorenzo Crisetig (m, Inter) e Mattia Destro (a, Roma)
Principais saídas:  Nenad Kristicic (m, Sampdoria), Karim Laribi (m, Sassuolo) e Federico Casarini (m, sem clube)
Time-base (4-3-1-2): Mirante; Mbaye, Gastaldello, Oikonomou (Rossettini), Masina; Pulgar, Crisetig, Rizzo; Brienza; Destro, Acquafresca (Mancosu).

De volta à elite, o Bologna tem planos ambiciosos. A equipe rossoblù foi comprada em 2014 por Joe Tacopina, o mesmo dono do Montreal Impact, da MLS, e está recebendo investimentos para permanecer na Serie A. Apesar de ser "caçula" em 2015, o time da Emília-Romanha tem elenco numeroso e de boa qualidade, o que tem potencial para fazer uma campanha tranquila. Ao mesmo tempo, a temporada já começa com pressão para o técnico Delio Rossi – em busca de reafirmação, após ostracismo –, pois o Bologna caiu na Coppa Italia para o pequeno Pavia, da terceira divisão.

Porém, se os petroniani pensam em grande futuro, por enquanto estão com os pés no chão: estão fazendo contratações pontuais e estão tirando bons jogadores de times de pequeno e médio porte do país – casos de Mirante, que chega do Parma, e Rossettini, ex-Cagliari. Além disso, os felsinei pensam em jovens valores, que agregam tecnicamente e podem dar retorno financeiro em breve para o clube, de forma sustentável. A estratégia já havia feito Mbaye e Oikonomou serem contratados em janelas anteriores e, nesta, levaram ao Renato Dall'Ara jogadores de muito futuro, como o chileno Pulgar – já convocado por Jorge Sampaoli – e Crisetig, um regista de muita qualidade. Tacopina ainda garantiu a cereja do bolo: para tentar se manter bem longe da zona perigosa da tabela, acertou a contratação de Destro para o ataque. Será a estrela da companhia.

Carpi


Cidade: Carpi (Emília-Romanha) 
Estádio: Alberto Braglia (21.151 lugares) 
Fundação: 1909
Apelidos: Falconi, Chèrp, Biancorossi
Principal rival: Modena
Títulos da Serie A: nenhum (estreante na competição)
Na última temporada: Campeão da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Wallace, Gabriel Silva, Raphael Martinho e Ryder Matos
Técnico: Fabrizio Castori (2ª temporada) 
Destaque: Jerry Mbakogu
Fique de olho: Jerry Mbakogu
Principais chegadas:  Kamil Wilczek (a, Piast Gliwice),  Zeljko Brkic (g, Cagliari) e Luca Marrone (v, Juventus)
Principais saídas: Gabriel (g, Napoli), Aljaz Struna (ld, Palermo) e Roberto Inglese (m, Chievo)
Time-base (4-3-3): Brkic; Wallace (Letizia), Romagnoli, Spolli, Gabriel Silva; Bianco (Marrone), Porcari, Lazzari; Ryder Matos, Mbakogu, Raphael Martinho (Wilczek).
Sem dúvidas, o Carpi protagonizou uma das grandes histórias da última temporada. O pequeno clube da Emília-Romanha, que estreara na Serie B na temporada anterior, surpreendeu equipes tradicionais e foi campeão da segundona, conquistando o inédito acesso à elite, contrariando aqueles que desejavam a ascensão de times mais tradicionais e de torcida mais numerosa. A fábula agitou a cidade de 70 mil habitantes, na província de Módena. É em Módena, aliás, que os falconi mandarão seus jogos, visto que o estádio local não comporta jogos da primeira divisão.

A falta de experiência na Serie A também acompanha o técnico Fabrizio Castori, estreante na elite. Para isso, o treinador terá à sua disposição um elenco bastante reforçado, com alguns jogadores experientes, como Brkic, Spolli e Lazzari, e várias apostas – com direito a uma colônia brasileira. As muitas mudanças no elenco podem dar um gás a mais à equipe, mas a tendência é que a falta de entrosamento e a novidade de estreia na elite atrapalhe no início. Vale ficar de olho no nigeriano Mbakogu, grande destaque no título da segundona e cuja permanência foi uma batalha vencida pela direção biancorossa. Ficar mais um ano entre os 20 maiores da Itália é tarefa hercúlea, mas esse time já mostrou que pode surpreender.

Chievo


Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Verona
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 14ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Edimar
Técnico: Rolando Maran (2ª temporada) 
Destaque: Alberto Paloschi
Fique de olho: Federico Mattiello
Principais chegadas: Simone Pepe (m, Juventus), Paul-Jose M'Poku (mat, Cagliari) e Lucas Castro (mat, Catania)
Principais saídas: Ervin Zukanovic (le, Sampdoria), Ezequiel Schelotto (m, Inter) e Isaac Cofie (m, Genoa)
Time-base (4-3-3): Bizzarri; Frey, Cesar, Dainelli, Gobbi; Christiansen, Radovanovic, Hetemaj; Castro (Pepe), Palochi, M'Poku.

Chievo em versão Catania. O técnico Maran, em sua segunda temporada em Verona, terá em mãos um elenco de características parecidas com as que tinha em seu trabalho anterior, na Sicília. Isso significa dizer que os clivensi jogarão no 4-3-3, com uma dupla de defesa bastante física e rápida pelo alto, um meio-campo que marca forte e sabe jogar e, principalmente, farão rápidas transições, utilizando muito os flancos. Por isso, o Chievo foi ao mercado e, dentre os jogadores de linha, só acertou com laterais e pontas. Eles trabalharão para que o atacante Paloschi se mantenha como destaque no comando do setor ofensivo.

Os reforços deverão fazer do Chievo um time um pouco mais agradável de ver em campo, ao contrário dos anos anteriores, quando o Ceo prezava pela defesa e o jogo truncado – não que isso deixará de existir totalmente, mas os contra-ataques prometem ser mais mortais. Em uma temporada em que o objetivo dos Burros Alados é, mais uma vez, ficar na elite, valerá ficar de olho em dois ex-juventinos. Após sérias lesões, Pepe e Matiello terão mais minutos para mostrar seu futebol e poderão ajudar os gialloblù a se salvarem.

Empoli
 

Cidade: Empoli (Toscana)
Estádio: Carlo Castellani (16.800 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Azzurri
Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)  
Na última temporada: 15ª posição 
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Ronaldo
Técnico: Marco Giampaolo (1ª temporada) 
Destaque: Riccardo Saponara
Fique de olho: Luca Bittante
Principais chegadas: Lukasz Skorupski (g, Roma), Luca Bittante (ld, Avellino) e Andrea Costa (z, Parma)
Principais saídas: Mirko Valdifiori (v, Napoli), Daniele Rugani (z, Juventus) e Luigi Sepe (g, Fiorentina)
Time-base (4-3-1-2): Skorupski; Laurini, Costa (Camporese), Tonelli, Bittante (Mário Rui); Croce, Ronaldo, Signorelli (Maiello); Saponara; Maccarone, Pucciarelli.

Sabe aquele Empoli promissor e interessante, que dificultava a vida dos times maiores na última temporada, sob o comando de Sarri? Esqueça. A virada de temporada fez muito mal aos azzurri, que viram seu técnico rumar ao Napoli, juntamente com Hysaj e Valdifiori, duas peças importantes. Sem falar em Rugani, um dos melhores zagueiros da temporada, que retornou de empréstimo para a Juventus e do goleiro Sepe, titular em quase todos os jogos. O time ainda vai sentir a saída de Verdi e do experiente Tavano – no caso deste último, mais pelo simbolismo e liderança nos vestiários do que outra coisa.

A reposição foi muito abaixo do esperado para manter a média. Para começar, a diretoria toscana investiu em um técnico bastante fraco, que nunca chegou a decolar, após aparecer bem, com trabalhos interessantes em Ascoli e Siena. O retranqueiro Giampaolo vem de uma demissão da Cremonese, na terceirona. Todos os substitutos são apostas muito arriscadas, mesmo o lateral Bittante, que vem de duas boas temporadas pelo Avellino – na Serie B, porém. Skorupski sempre se mostrou inseguro quando atuou na defesa da Roma e quase todos os novos contratados vem de times de más campanhas na elite – Costa, do Parma, por exemplo – ou de times da parte baixa ou da rabeira da Serie B. Tem até reforço que jogou duas temporadas atrás na Serie D, como o zagueiro Dermaku. Parece muito pouco para permanecer na elite, até porque o time vai depender apenas de um Maccarone um ano mais velho (já tem 36) e de nova grande temporada do habilidoso Saponara. A improvável salvação passará por esses pés.
Fiorentina


Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 4ª posição 
Objetivo: vaga em competições europeias
Brasileiros no elenco: Gilberto
Técnico: Paulo Sousa (1ª temporada) 
Destaque: Giuseppe Rossi
Fique de olho: Federico Bernardeschi
Principais chegadas: Mario Suárez (v, Atlético de Madrid), Nikola Kalinic (a, Dnipro) e Davide Astori (z, Roma)
Principais saídas: Mohamed Salah (a, Roma), Mario Gómez (a, Besiktas) e Neto (g, Juventus)
Time-base (4-3-3): Sepe (Tatarusanu); Tomovic, Rodríguez, Astori, Pasqual (Alonso); Mati Fernández, Mario Suárez, Borja Valero; Rossi (Joaquín), Kalinic (Babacar), Ilicic (Bernardeschi).

A Fiorentina é uma das grandes incógnitas da temporada italiana. É o time que, sem dúvidas começa 2015-16 com mais modificações em relação à campanha anterior. Primeiro, Montella deu lugar a Paulo Sousa, que já chegou contestado por causa do passado na Juventus e por não ter um currículo vasto – venceu apenas o Campeonato Suíço com o Basel. Além disso, o time, que já tinha perdido Cuadrado em janeiro, viu o seu sucessor, o egípcio Salah, desistir do acordo de permanência e rumar para a Roma. Aliás, foram 10 as saídas de jogadores que atuavam de maneira frequente – além de Salah, a viola perdeu Neto, Savic, Vargas, Aquilani, Pizarro, Kurtic, Diamanti, Gilardino e Gómez. Até mesmo o seu principal jogador não oferece garantias – de forma física, pois é um grande atacante. Será que Rossi não sofrerá novas lesões sérias no joelho e poderá demonstrar seu futebol exuberante?

Os reforços não foram os mais empolgantes, e a torcida tem criticado a diretoria pela falta de ambição no início do mercado – foram feitas várias piadas no dia em que a Fiorentina anunciou que inauguraria um novo gramado. Nas semanas finais o presidente Andrea Della Valle acelerou e levou ao Franchi bons nomes, como Mario Suárez, Astori e Kalinic – à exceção do zagueiro, ainda precisarão de adaptação. Apesar de toda a desconfiança, a pré-temporada da Fiorentina foi boa, com mostras de bom futebol e vitórias contra os poderosos Chelsea e Barcelona. Estamos diante de um flop ou de uma surpresa? Façam suas apostas.

Frosinone 


Cidade: Frosinone (Lácio) 
Estádio: Matusa (10.000 lugares) 
Fundação: 1912
Apelidos: Canarini, Ciociari, Leoni gialloblù
Principal rival: Latina
Títulos da Serie A: nenhum (estreante) 
Na última temporada: Vice-campeão da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Massimo Zappino
Técnico: Roberto Stellone (4ª temporada) 
Destaque: Daniel Ciofani
Fique de olho: Daniele Verde
Principais chegadas: Nicola Leali (g, Cesena), Modibo Diakité (z, Cagliari) e Daniele Verde (mat, Roma)
Principais saídas: Mario Santana (mat, Genoa) e Uros Cosic (z, Pescara)
Time-base (4-4-2): Leali (Zappino); Rosi, Diakité, Blanchard, Pavlovic; Verde, Chibsah, Gucher, Soddimo; D. Ciofani (Longo), Dionisi.

A primeira vez é sempre complicada. Com pouca história nas duas principais divisões do país, o pequeno Frosinone estreia na elite após apenas seis participações na Serie B – a primeira, em 2006. O feito é histórico não apenas para os canarini, mas também para toda a Bota, afinal a região do Lácio pela primeira vez será representada por um time além da dupla Roma-Lazio. O objetivo, agora, é fazer com que a aventura não dure apenas uma temporada. Missão bastante difícil, a bem da verdade.

Com orçamento muito baixo, o técnico Stellone terá à disposição um time com pouca experiência de Serie A, e com alguns jovens criados em boas divisões de base do país – casos de Leali, Verde, Chibsah e Longo. A equipe fez sete contratações nada badaladas e todas elas devem começar a temporada como titulares no time, candidato a ocupar a lanterna da competição. A princípio, uma novela sobre em que estádio a equipe atuará – havia um plano de construir um estádio em um antigo CT do clube, mas as obras estão lentas – também pode atrapalhar o caçula.

Genoa


Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Títulos da Serie A: nove
Na última temporada: 6ª posição 
Objetivo: meio da tabela 
Brasileiros no elenco: nenhum 
Técnico: Gian Piero Gasperini (3ª temporada) 
Destaque: Mattia Perin
Fique de olho: Olivier Ntcham
Principais chegadas: Serge Gakpé (mat, Nantes), Goran Pandev (a, Galatasaray) e Diego Capel (mat, Sporting)
Principais saídas: Andrea Bertolacci (m, Milan), M'Baye Niang (a, Milan) e Iago Falqué (mat, Roma)
Time-base (3-4-3): Perin; Múñoz, Burdisso, De Maio; Figueiras, Rincón (Kucka), Tino Costa, Cissokho; Perotti (Capel), Pavoletti, Pandev.

A temporada poderia ter começado melhor para o Genoa, caso o time tivesse obtido a licença para jogar a Liga Europa. As chances de voltar a jogar a competição na temporada que vem parecem não ser baixas, visto que o elenco comandado por Gasperini perdeu alguns de seus maiores destaques, como Bertolacci, Iago, Niang e Edenílson – Perotti ainda pode ser negociado. Os reforços não foram ruins, longe disso, mas o treinador precisará entrosar um time modificado, e como os movimentos que ele orienta os jogadores a fazerem em seu 3-4-3 não são facilmente assimiláveis, isso pode durar um tempo.

De qualquer forma, o Genoa tem um bom time para incomodar a turma da parte de cima da tabela e, quem sabe, surpreender mais uma vez. O grande termômetro está no meio-campo, setor em que a ausência de Bertolacci pode ser sentida. Rincón e Kucka, mais físicos, e Tino Costa, mais técnico, terão de se superar para fazer o duplo trabalho que o meia negociado com o Milan fazia, de área a área. Nesse sentido, quem pode se destacar é o francês Ntcham, emprestado pelo Manchester City e considerado uma joia a ser lapidada. Em termos ofensivos, o velho jogo de troca de posições e ataque pelos flancos prometido pelos times de Gasperini. Pandev e Capel devem adicionar poder de finalização às jogadas pelas pontas e, talvez por isso, o time opte por vender o bom Perotti, caso haja uma boa oferta. No mais, poderemos esperar um time com segurança defensiva, com o ótimo Perin protegido por um trio de defensores bastante forte nas bolas aéreas. As peças se encaixam, resta saber se dará liga.

Inter


Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Juan Jesus, Miranda, Dodô e Hernanes
Técnico: Roberto Mancini (2ª temporada)
Destaque: Mauro Icardi
Fique de olho: Rey Manaj
Principais chegadas: Geoffrey Kondogbia (v, Monaco), Miranda (z, Atlético de Madrid) e Stevan Jovetic (a, Manchester City)
Principais saídas: Mateo Kovacic (m, Real Madrid), Xherdan Shaqiri (mat, Stoke City) e Lukas Podolski (a, Galatasaray)
Time-base (4-3-1-2): Handanovic; Montoya, Miranda, Murillo, Juan Jesus (Santon; D'Ambrosio); Guarín, Medel, Kondogbia; Hernanes; Icardi, Jovetic (Palacio).
 
A anti-Juve? O início do mercado parecia fazer crer que sim, uma vez que a Inter abrira os cofres e assegurara contratações de alto nível, como Kondogbia, Miranda e Murillo – depois, Jovetic, um sonho antigo. A manutenção de jogadores importantes, como Handanovic, Kovacic e Icardi também mandava sinais importantes para a torcida, e até a permanência de Shaqiri, destinado a ser vendido após apenas seis meses, não era de se jogar fora. No entanto, ao longo de uma semana, logo a que antecede a estreia no campeonato, o cenário é bastante diferente. 
 
O futebol e os resultados na pré-temporada foram muito ruins, e as saídas de Kovacic e Shaqiri, ao passo que melhoraram a saúde econômica dos nerazzurri, deixaram o meio-campo com pouco talento – muito combate e poucas ideias. Tão perto do início da Serie A, Mancini precisará encontrar um substituto (ou dois) e entrosar um time que, até agora, não deu liga. Certo é que, no papel, o elenco da Inter é muito melhor que o da temporada passada, mas fazer a equipe jogar futebol e competir a sério por uma vaga na Liga dos Campeões é a maior missão do treinador. Até o fechamento da janela a torcida esperará por reforços, e até o final da temporada o time terá de fazer valer o investimento arriscado do presidente Thohir. Afinal, sem vaga na Champions, o rombo nas contas da equipe só deve crescer – e não vai ser toda hora que o Real Madrid vai despejar um caminhão de dinheiro para levar uma estrela do time. Mais do que nunca, o futebol demonstrado pela Beneamata dentro dos gramados será a chave para fazer o clube mudar de patamar no aspecto administrativo.

Juventus 


Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Títulos da Serie A: 31
Na última temporada: campeã
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Neto e Rubinho
Técnico: Massimiliano Allegri (2ª temporada) 
Destaque: Paul Pogba
Fique de olho: Andrés Tello
Principais chegadas: Mario Mandzukic (a, Atlético de Madrid), Sami Khedira (v, Real Madrid) e Paulo Dybala (a, Palermo)
Principais saídas: Carlos Tévez (a, Boca Juniors), Arturo Vidal (m, Bayern Munique) e Andrea Pirlo (m, New York FC)
Time-base (4-3-2-1): Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Khedira, Marchisio, Pogba; Dybala, Morata; Mandzukic.

A busca pelo pentacampeonato e pela afirmação no cenário continental move a Juventus na segunda temporada de Allegri em Turim. A janela de mercado não foi nada parada para a colecionadora de títulos, que viu a saída de três estrelas do time em uma única tacada. O corte na carne, com o intuito de preservar Pogba – que herdou a 10 de Tévez – foi uma cartada planejada, visto que a diretoria achou que seria melhor encerrar o ciclo de alguns atletas ainda em suas boas fases, e trazer novos nomes para arejar o elenco. Trocou-se, grosso modo, Vidal por Khedira, Pirlo por Dybala, Tévez por Mandzukic, Ogbonna por Rugani, Matri por Zaza, Storari por Neto e Rômulo por Isla. Dá para dizer que o elenco ficou mais fraco? Pelo contrário, hoje a Juventus parece ter ainda mais opções de qualidade para todos os setores.

A pré-temporada não reservou os melhores resultados para a Velha Senhora, mas todos em Vinovo imaginam que quando a coisa for para valer tudo muda. Já foi assim na Supercopa Italiana, quando em um ritmo abaixo do normal, a equipe controlou a Lazio e venceu com facilidade, com gols de Dybala e Mandzukic. Pode ser que a engrenagem demore para rodar com mais competência, mas é difícil não ver a Juve como favorita a um histórico penta. Mesmo se resolver priorizar a Liga dos Campeões, o elenco ainda é o mais forte da Itália. Quem para a máquina bianconera?

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Jogo à italiana: a história dos esquemas táticos no futebol da Bota - parte 4

Sacchi, Ancelotti e Conte: poucos ganharam tanto como o trio acima (Getty)
Chegou a hora de dar tchau. O especial sobre tática do Quattro Tratti chega à sua quarta e última parte. Ao longo de um mês, em um texto semanal, dissecamos tudo o que aconteceu em cerca de um século de futebol no futebol italiano. Hoje, falaremos sobre o que aconteceu nos anos 1990, na primeira parte dos anos 2000 e o que tem sido feito hoje em dia pelos treinadores do Belpaese. Confira as três outras partes da série e boa leitura.

>>> Parte 1: WM, WW, Vittorio Pozzo e o Grande Torino: as origens do estudo tático
>>> Parte 2: Catenaccio, zona mista e o jogo à italiana 
>>> Parte 3: A revolução de Sacchi e o tradicionalismo de Capello e Lippi

A passagem de bastão
Depois dos anos 1990, o fator Arrigo Sacchi e o domínio dos times de Fabio Capello e Marcello Lippi, o futebol italiano teve a polarização entre Juventus e Milan até, pelo menos, metade dos anos 2000. Outros clubes ainda conseguiram competir, mesmo que sem o scudetto, como a Fiorentina de Francesco Toldo, Rui Costa e Gabriel Batistuta, treinada por Claudio Ranieri, Alberto Malesani e Giovanni Trapattoni, o Parma dos grandes investimentos da Parmalat com Nevio Scala, Carlo Ancelotti e Malesani e a Inter da época instável e gastadora de Massimo Moratti, de bons resultados com Luigi Simoni e Héctor Cúper.

Somente dois times quebraram a dualidade entre rossoneri e bianconeri: a dupla de Roma, na passagem do século XX para o XXI. A ambiciosa Lazio, de tantos investimentos, talentos e comandada por Sven-Göran Eriksson, foi a primeira a levar o scudetto com um 4-4-2 fora do contexto trazido pelo Milan de Sacchi. O time do sueco não tinha a rigidez de Capello ou a agressividade de Sacchi, mas era uma equipe organizada e criativa, que usava muito a potência de Pavel Nedved, Dejan Stankovic e Marcelo Salas, mas também aproveitava bastante a leitura de jogo e liderança de Roberto Mancini, Juan Sebastián Verón e Alessandro Nesta.

Na temporada seguinte, foi a vez da surpreendente Roma de Capello. O clube de Franco Sensi se reforçou bastante e formou elenco forte, mas a surpresa se deveu pela forma que Capello decidiu organizar seu time. A estratégia e modelo de jogo continuaram os mesmos, mas o sistema tático mudou drasticamente, passando do seu consolidado 4-4-2 para um 3-4-1-2, que buscava dar sustentação para Francesco Totti no apoio aos artilheiros Batistuta e Vincenzo Montella (às vezes, Marco Delvecchio) e ainda aproveitar toda a ofensividade dos laterais, agora alas, Cafu e Vincent Candela, com o sólido trio de defesa formado por Antônio Carlos Zago, Walter Samuel e Jonathan Zébina, auxiliados pelos aguerridos Cristiano Zanetti e Damiano Tommasi.

Batistuta, Capello, Sensi e Totti: grande parte da história da Roma (Sky)
Era até mesmo uma resposta para os tantos 4-4-2 e 4-3-1-2 que começaram a ser utilizados na época. Com as duas linhas de quatro, muitos viram este esquema como a melhor forma para defender, com linhas baixas e compactas, além de aproveitar o talento dos vários fantasistas que surgiram nesse contexto. Eram trequartista ou seconda punta, camisas 10 atacantes e que, depois de Roberto Baggio, popularizariam o termo "nove e meio". No 4-3-1-2, outros preferiram dar liberdade aos laterais, ter proteção com o trivote atrás do trequartista, o fator de desequilíbrio do time, com um dupla de ataque que se completava, como na zona mista: um mais fixo, outro mais livre.

Mas a solução de Capello não voltaria a render outro scudetto para os giallorossi, que ficaram com o vice no ano seguinte. Isso porque a Juventus, depois de vender Zinédine Zidane e Pippo Inzaghi a peso de ouro, se reforçou de maneira inteligente. Depois de rescindir com Ancelotti - tópico importante nessa parte, a última do especial -, a Velha Senhora trouxe Lippi de volta. O técnico "descobriria" o 4-4-2 como a melhor forma de explorar seus talentos e que combinaria muito bem com o futebol de equilíbrio que sempre privilegiou, aproveitando o trabalho do antecessor. Com seu cigarrinho, comandou mais dois scudetti, antes de ser substituído por Capello, que novamente manteve a base construída ainda por Ancelotti e potencializou um time que dominou por completo o futebol italiano por dois anos, mas acabou marcado pelos títulos retirados por causa do envolvimento no Calciopoli.

O aprendizado com os mestres e as vitórias em campo
Ao mesmo tempo, Carlo Ancelotti começava a se consolidar como grande treinador. Autor de uma das melhores teses de Coverciano - como destacado nessa antiga matéria da BBC; e você pode acessar grande quantidade das teses do centro esportivo italiano aqui -, Don Carlo aprendeu com muita gente antes de assumir o posto de treinador – foi pupilo de Nils Liedholm e Arrigo Sacchi, dois dos grandes técnicos que o futebol da Itália já teve. Reconhecidamente um jogador com boa leitura de jogo e atributos técnicos, muito trabalhador e versátil no meio-campo, quando ainda jogava era quase como um segundo treinador do time. Justamente o posto que assumiu após a aposentadoria, quando foi auxiliar de Sacchi na seleção italiana.

Uma grande experiência antes de assumir a Reggiana por uma temporada, na qual levou a equipe para a Serie A, e ser contratado pelo Parma, substituindo Nevio Scala, em 1996. No lugar do 3-5-2 do velho treinador, a defesa a quatro e marcação por zona que os times que Ancelotti jogou tanto prezavam. O esquema tirou espaço de Gianfranco Zola, por causa da utilização de Enrico Chiesa e Hernán Crespo – isso levou o atacante pra o meio-campo e acelerou sua saída para o Chelsea –, mas mostrou grande organização e teve bons resultados: o Parma alcançou a segunda posição no campeonato, a apenas dois pontos da campeã Juventus.

Na Juventus, apesar do bom início, Ancelotti acabou não tendo grande admiração, até pela falta de títulos em duas temporadas e meia – em duas vezes, amargou o vice. Mesmo com Zidane, seguiu com seu 4-4-2, com o francês voltando às origens posicionado na esquerda do meio-campo. E, nesse sentido, antecedeu Lippi e Capello na predileção pelas duas linhas de quatro que seriam a marca da Juventus nos próximos anos.

Uma das duas conquistas da orelhuda por parte de Ancelotti no Milan (Reuters)
Demitido para a volta de Lippi à Turim, retornou para Milanello com o objetivo de substituir Fatih Terim. Seus antecessores tiveram vida curta em Milão, mas Ancelotti manteve-se firme mesmo com as críticas de Silvio Berlusconi por, na sua opinião, ser defensivo. Em oito anos de San Siro, Carletto aproveitou suas argumentações na tese feita em Coverciano e mudou alguma das suas ideias que utilizara na Serie A até então. Il Futuro del Calcio: Più Dinamicità (em tradução literal, O Futuro do Futebol: Mais Dinamismo) era o título do artigo, e foi a partir dele que o treinador realmente trouxe mais dinamismo com o novo sistema tático usado pelo Diavolo.

Ancelotti conquistou apenas um scudetto em todo o tempo que treinou o Milan e falhou em competir com a Inter depois a queda da Juventus na segunda metade dos anos 2000. A sua passagem como técnico por Milanello, no entanto, foi bastante vitoriosa, já que em termos de Liga dos Campeões, seu time chegou a três finais e ganhou duas. Assim se fez sua influência no futebol.

A fórmula de Ancelotti era simples, e partia do trivote, o trio de meio-campistas na frente da defesa. No Milan, reuniu um "cão de guarda" (Gennaro Gattuso), um talentoso meia-atacante (Andrea Pirlo) e outro meia ofensivo igualmente talentoso, técnico e inteligente (Clarence Seedorf). Gattuso era responsável por destruir as jogadas adversárias e apoiar as ultrapassagens do lateral (Cafu, a partir de 2003; antes tinha um quarteto defensivo que pouco apoiava ofensivamente). Por sua vez, Pirlo, muito técnico e inteligente, hábil nos dribles e passes decisivos, sem contar a bola parada, jogava à frente dos zagueiros, reinventando a função do regista, aproveitando o experimento de Carlo Mazzone no Brescia de Baggio. Para completar o setor, Seedorf fazia a distribuição e "administração" do jogo, retendo a bola e apoiando um clássico trequartista (Rui Costa), mais cadenciado, mas habilidoso e grande fornecedor de passes decisivos. Na frente, Inzaghi e Andriy Shevchenko davam dinamismo, desmarques e gols.

Jogando assim, o Milan foi quarto colocado em 2002, terceiro em 2003 – ano em que foi campeão da Liga dos Campeões superando Inter e Juventus –, e campeão em 2004, enfim com Cafu e Kaká, que trariam ainda mais dinâmica e qualidade para a organizada equipe de Ancelotti. O lateral deu apoios providenciais pela direita, com suas ultrapassagens e cruzamentos, enquanto o jovem meia-atacante trouxe mais potência com suas arrancadas e chutes, mantendo cota de gols, e alternativas táticas para o treinador emiliano. Posteriormente, o brasileiro assumiria o posto de Rui Costa como trequartista, com e faria a equipe funcionar de forma diferente, dando maior protagonismo e importância para Pirlo e Seedorf.

Mas foi mesmo com nova mudança no sistema tático que Ancelotti chamaria mais atenção. O treinador passou do 4-3-1-2 para o 4-3-2-1, consagrando a "árvore de Natal" com o título da Liga dos Campeões de 2007 sobre o Liverpool, vingando a derrota de 2005 para os Reds. Na nova formação, Massimo Ambrosini atuava na esquerda da primeira linha do meio-campo, oferecendo mais combate e dando outros movimentos, apoiando com infiltrações e equilibrando os apoios de Marek Jankulosvki, enquanto Seedorf passou a atuar mais à frente, ainda operando como o gestor do time, combinando com Kaká e suas arrancadas partindo da direita. Intencionalmente, o novo sistema permitiu maior variabilidade no posicionamento, muitas vezes se comportando com duas linhas de quatro (uma volta às origens), com Gattuso e Seedorf abertos.

Depois de se desgastar nos anos finais, no qual viu o Milan passar pelo início de sua crise técnico-financeira, Ancelotti mostrou ser um dos principais treinadores do futebol italiano nas últimas duas décadas. As influências de Liedholm, Sacchi e da escola holandesa, por tabela, foram úteis para que ele se mantivesse como um dos treinadores mais requisitados da fase contemporânea do esporte. Não à toa, Carletto conseguiu contratos milionários em Chelsea, Paris Saint-Germain e Real Madrid. Não à toa, também, conquistou títulos nos três países – e mais uma orelhuda para seu currículo.

Um pouco mais novo que Ancelotti, Roberto Mancini também teve boas referências antes de assumir a carreira de treinador. Por 14 anos, só teve dois treinadores - que, na verdade, também eram diretores técnicos, ou managers - e que acabaram influenciando bastante o jogador e o homem Mancini. Na Sampdoria, ficou seis anos sob a batuta de Vujadin Boskov, comandante do time que venceu o scudetto em 1991 e jogou a final da Copa Europeia em 1992. Seu substituto foi Sven-Göran Eriksson, com quem Mancini desenvolveu longo relacionamento profissional. Enquanto jogador, Mancio usava sua influência e liderança sobre o grupo para aparecer quase como um segundo treinador. Quando o sueco foi para a Lazio, Mancini o seguiu, e após aposentar-se assumiu o posto de vice-treinador da equipe.

Mancini aproveitou ensinamentos de técnicos estrangeiros e montou a base tática de uma Inter vencedora (AP)
Mancini teve sua primeira experiência como treinador em uma Fiorentina prestes à falência, ainda sem a licença máxima de treinador, substituindo Fatih Terim em março de 2001. O que não o impediu de guiar o aguerrido time para o título da Coppa Italia naquele ano, num simples e improvisado sistema tático, com duas linhas de quatro atrás de Rui Costa e Chiesa, fórmula que acabou seguindo nos meses seguintes até pedir a demissão em janeiro.

Em sua tese de Coverciano, Mancini focou na função de trequartista, que tanto desempenhou na sua carreira de jogador. No seu trabalho seguinte, na Lazio, acabou não utilizando alguém assim, preferindo se restringir ao 4-4-2 com um meio-campo trabalhador e criativo com Stefano Fiore, Giuliano Giannichedda, Stankovic e César e dupla de ataque que se completava: um mais fixo (Bernardo Corradi) e outro mais livre (Claudio López). Dessa forma, foi quarto colocado em 2003 e novamente campeão da copa em 2004.

Aproveitando a turbulência financeira da Lazio, a Inter aproveitou e contratou o treinador jesino, escolhido para guiar o novo time e dar um pouco de estabilidade ao elenco. E aos poucos conseguiu, conquistando mais uma vez a copa na primeira temporada, acompanhada de um terceiro lugar curioso no campeonato, com apenas duas derrotas no ano, mas recordista em empates – 18. Em 2006, com o escândalo Calciopoli viu seu time, novamente terceiro colocado, acabar campeão da Serie A com as punições a Juventus e Milan.

Em Appiano Gentile, foram dois anos de 4-4-2, nos quais Mancini não fugiu do seu script: duas linhas de quatro simples e compactas, defesa bem coordenada (Toldo, Javier Zanetti, Iván Córdoba, Marco Materazzi ou Samuel e Giuseppe Favalli), meio-campo que reunia força e técnica (Stankovic, Cristiano Zanetti, Esteban Cambiasso e Verón na sua primeira versão; Luis Figo, Stankovic, Cambiasso e Verón na seguinte) e ataque potente (Christian Vieri, Adriano, Obafemi Martins e Julio Cruz). Com o declínio físico de Figo e a chegada de Zlatan Ibrahimovic, além de laterais mais apoiadores - Maicon, Maxwell e Fabio Grosso -, Mancini passou a buscar novas soluções. E mesmo sem um sistema tático consolidado, fez sua melhor campanha em 2007, sofrendo apenas uma derrota e quase chegando aos 100 pontos.

Somente na sua última temporada - graças aos seguidos insucessos na Europa, apesar do domínio no país -, Mancini consolidou o 4-3-1-2, depois de largar o 4-4-2 e não ter agradado no 4-3-3. No esquema, redescobriu Stankovic como meia-atacante atrás de Ibrahimovic e Cruz, e deu início à dupla Maicon-Zanetti pela direita, com os potentes apoios, ultrapassagens, cruzamentos e chutes do ofensivo lateral brasileiro e a cobertura do veterano ex-lateral argentino, confortável no meio-campo, dando equilíbrio ao time e liderando a partir dali.

Uma sólida base que seria continuada e melhorada por seu sucessor, José Mourinho, adepto do 4-3-1-2 e também sem muito sucesso nos experimentos com o 4-3-3. Em duas temporadas em Milão, o treinador de Setúbal utilizou alguns conceitos já introduzidos por Mancini, e aplicou reais diferenças em métodos de treinamento, abordagens de situações de jogo e preparação psicológica. Ao mesmo tempo, contou com peças mais adequadas para o seu entendimento de futebol. Assim, aperfeiçoou o time.

Apenas na temporada seguinte, após mercado ativo e sob suas orientações, é que o treinador português se sentiu confortável em utilizar pontas, com a contratação de Samuel Eto'o, adaptado à ponta direita, e Goran Pandev, no mercado de inverno, na esquerda – completando o trio com o artilheiro Diego Milito, também recém-chegado. Atrás, Wesley Sneijder era o criador, fundamental nos passes decisivos e bola parada. O holandês era apoiado por Cambiasso e Thiago Motta, a dupla de volantes que se completava e dava sustentação para o novo sistema tático do time, o 4-2-3-1, utilizado na campanha europeia que levou ao triplete em 2010. Naquele time, destaca-se, ainda, o fato de a defesa atuar com linhas mais baixas, por causa das características do treinador e também de seus jogadores – Lúcio, Samuel e Christian Chivu.

Os outsiders
Em especial, pelos resultados que alcançaram e impacto que tiveram, cinco treinadores também tiveram relevância nessa época, entre os anos 1990 e 2000. O mais chamativo, certamente, foi Zdenek Zeman. O revolucionário treinador checo, ao lado do seu inseparável maço de cigarro, criou um frisson no futebol italiano no início dos anos 1990 com sua estratégia ofensiva e um 4-3-3 particular que seria apelidado de Zemanlandia.

Não bastasse já colocar em prática um estilo ousado de futebol, o boêmio ainda fazia isso em equipes pequenas, algo muito raro no futebol mundial – e muito mais em um país de técnicos conservadores, como a Itália. À época, muitos times de menor expressão, pequenos ou de meio de tabela, ainda reciclavam, algumas vezes com sucesso, versões do futebol do catenaccio e da zona mista. Um grande exemplo foi o Torino de Emiliano Mondonico, que chegou a brigar na parte de cima da tabela e atingiu a final da Copa Uefa. O mesmo fazia o Genoa de Osvaldo Bagnoli, que fora campeão com o Verona em 1984.

Mondonico, Zeman e duas formas completamente diferentes de ver o mesmo esporte (Badamgia)
A primeira versão do modelo de jogo zemaniano a chamar atenção teve espaço no Foggia, que subiu da Serie B para dar espetáculo na já badalada liga italiana. Um time sem escrúpulos, que gostava apenas de atacar e pressionar o adversário com o maior número de jogadores possível no campo ofensivo, sem se preocupar em levar gols e perder jogos. Mesmo que às vezes acontecessem derrotas acachapantes, como o famoso 8 a 2 sofrido em casa diante do Milan, em 1992.

Mesmo com a tática suicida, Zeman conseguiu bons resultados e se mostrou um ótimo desenvolvedor de jovens talentos, revelando dezenas de jogadores ao longo da sua carreira. Craques como Nesta e Totti, nos seus tempos na capital italiana, quando treinou Lazio e Roma e, apesar da falta de títulos e equilíbrio tático, chegou a brigar no topo da tabela e disputar competições europeias.

Também se destacaria pelas polêmicas declarações e acusações contra a Juventus, o que acabaria prejudicando seu trabalho no Belpaese. Somente nos anos 2010 voltaria a fazer outro bom trabalho, novamente pelo Foggia e revelando mais jogadores – Lorenzo Insigne e Marco Sau, por exemplo –, mas, especialmente, no Pescara em 2012, campeão da Serie B com recorde de gols marcados – lá, deu destaque novamente a Insigne, e também a Ciro Immobile e Marco Verratti.

Não tão ofensivo e destemperado quanto Zeman, Alberto Zaccheroni chamou atenção pelo seu sistema tático incomum para a época, também agressivo e com predileção pelo ataque. No seu 3-4-3, fez boas campanhas pela Udinese, inclusive um terceiro lugar em 1998, consagrando trio de ataque que contava com Oliver Bierhoff e Amoroso.

Currículo que chamou atenção de Berlusconi, profundo admirador do futebol ofensivo, que o contratou – assim como seus jogadores Bierhoff e Thomas Helveg – para a temporada que marcaria o centenário do clube, e que acabou com o scudetto, em 1999. Os anos seguintes, porém, não foram tão bons e os insucessos na Liga dos Campeões acabaram custando seu emprego  Sempre fiel ao seu sistema tático, apesar das críticas, emplacou trabalhos irregulares por Lazio, Inter, Torino e Juventus, entre intervalos de dois a três anos, sem jamais voltar a ganhar títulos - até assumir a seleção japonesa, treinando de 2010 a 2014 no país asiático.

Com futebol baseado na posse de bola, Prandelli treinou Fiorentina e a seleção (Eurosport)
Mais recentemente, Gian Piero Gasperini, seguiu o legado de Zaccheroni e seu 3-4-3, mesmo sem ter qualquer relação com o técnico romanholo. Depois de quase dez treinando na base da Juventus e trabalhos pelo Crotone, emplacou boa sequência pelo Genoa. Da Serie B, em 2006, levou o clube de Enrico Preziosi para a Liga Europa em 2009. Seu modelo de jogo respondeu bem na Ligúria, com encaixes individuais, marcação agressiva e muito jogo pelas laterais, com os apoios dos alas e grande participação dos pontas.

No entanto, o técnico piemontês teve resistência quando assumiu uma enfraquecida Inter. Sua experiência em Milão durou apenas quatro partidas, nas quais acumulou três derrotas e um empate. Além dos maus resultados e planejamento equivocado da diretoria, Gasperini causou desconforto ao utilizar Zanetti como zagueiro e Sneijder em posicionamento mais recuado – nada muito absurdo para quem conhece o seu trabalho e vê como ele gosta de experimentar. Depois de experiência sem sucesso pelo Palermo, voltou ao Genoa em 2013 e voltou a engatar bom trabalho, com nova vaga para a Liga Europa em 2015 –  a falta de licença do clube impediu a participação no torneio europeu.

Apesar de ser o primeiro a conquistar o scudetto no 4-2-3-1, Mourinho não foi o primeiro a utilizar o esquema com bons resultados na Itália. Antes, em 2005, Luciano Spalletti chamou atenção com sua Roma, um grande incômodo para a Inter nos anos de baixa da Juventus e de insucesso nacional do Milan. Entre 2006 e 2010, os giallorossi foram vice-campeões quatro vezes, levando ainda duas copas.

Em tática muito parecida com a da França de Raymond Domenech naqueles anos, Spalletti inovou no Belpaese ao utilizar Totti mais avançando, não mais trequartista, mas como falso nove, largando o centro do ataque para transitar na intermediária e circular a bola com o trio de meio-campistas romanista (Daniele De Rossi, Simone Perrotta e David Pizarro ou Alberto Aquilani) e acionar os pontas (Rodrigo Taddei, Mancini e Mirko Vucinic), que garantiam profundidade e infiltrações na área juntamente com Perrotta. A defesa, com Doni, Christian Panucci, Philippe Mexès e Chivu também era ponto forte do único time que ainda competia com a Inter.

Na mesma época, Cesare Prandelli também conseguiu bons resultados com a Fiorentina no 4-2-3-1 – e às vezes no 4-3-1-2 –, levando o clube toscano para a Liga dos Campeões depois de longos anos. No organizado time do treinador, se consagraram os centroavantes Luca Toni e Alberto Gilardino, além do atacante romeno Adrian Mutu, que viveu seu auge em Florença. Naquele período, ainda foram revelados outros bons atacantes, como Pablo Daniel Osvaldo, Giampaolo Pazzini e Stevan Jovetic. Chamava atenção também o meio-campo técnico, com Riccardo Montolivo, Fabio Liverani, Zdravko Kuzmanovic e Felipe Melo.

Prandelli, posteriormente assumiria a seleção italiana, e levaria à Nazionale alguns dos conceitos adotados no Artemio Franchi. A base do time era o meio-campo técnico, que valorizava a posse de bola, em uma clara inspiração no futebol que Espanha e Alemanha vinham trazendo naquele momento. Na tentativa de fazer a Itália jogar de forma mais contemporânea, mostrou ótimas ideias, boa observação e interpretação tática, principalmente no início do trabalho, com longas séries de invencibilidade em jogos oficiais, o vice-campeonato europeu, em 2012, e o terceiro lugar na Copa das Comfederações, em 2013. Depois, por não conseguir formar um time-base, acabou se perdendo na Copa do Mundo de 2014, e não evitou o vexame da Itália.

A volta da defesa a três
Zaccheroni e Gasperini utilizam – no caso do segundo, ainda – a defesa com três homens. No entanto, enquanto os dois concebem o artifício para oferecer alternativas ofensivas pelos flancos a seus times, alguns treinadores revisitaram, neste milênio, a disposição tática com três defensores com o intuito de reforçarem a defesa.

Walter Mazzarri, por exemplo, disseminou a defesa a três e seu 3-5-2 na Itália nos anos 2000 com uma postura mais rígida e estratégia defensiva. No Livorno, na Reggina, na Sampdoria e, especialmente, no Napoli, formou times que defendiam com linhas baixas, tendo capacidade para "sofrer" a pressão adversária, consagrar seus zagueiros e goleiros, mas também apresentar ricos contra-ataques e ataques diretos muito perigosos e eficazes. Na Inter, até pela forma com que era confrontado por outros, não teve sucesso nesse modelo de jogo e falhou em apresentar alternativas.

Sem dúvidas, o grande trabalho do técnico toscano foi no Napoli, no qual levou o clube de Aurelio Di Laurentiis, ainda se organizando financeiramente e sem grandes investimentos, para competições europeias e ao primeiro título desde a era Diego Maradona – a Coppa Italia, em 2012.

Mazzarri consagrou Camilo Zúñiga e Christian Maggio neste esquema: os alas versáteis, de contribuição defensiva e apoios dinâmicos, não se prendiam a cruzamentos da linha de fundo e buscavam o drible e infiltrações. No meio-campo, os jogadores se limitavam a passes curtos e simples, enquanto o trio de defesa era igualmente agressivo, com muitas antecipações e apoios laterais. Os azzurri tinham o jogo pelos flancos como base e  ponto de desequilíbrio, mas era o trio Marek Hamsík, Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani que fazia a diferença e decidia na frente. O dinamismo de Hamsík ligava os setores, e o eslovaco ainda entrava na área e distribuía assistências. Lavezzi oferecia individualidade, dribles e jogadas rápidas pelos lados, enquanto Cavanai aparecia com oportunismo, ótimos desmarques, corridas em ataques rápidos, aproveitando ao máximo seu grande poder de finalização.

Conte repensou convicções para se sagrar tricampeão nacional (Getty)
Outro técnico que ficou marcado por apresentar três jogadores na defesa é Antonio Conte, mesmo que sua origem como treinador não venha daí. Da escola de Antonio Toma e Giampiero Ventura, Conte cresceu como treinador no ofensivo 4-2-4, conseguindo bons resultados assim por Bari e Siena. A partir do sistema tático, estratégia e modelo de jogo bem definidos, tinha a predileção por toques curtos na saída de bola, uma defesa sem muito apoio ofensivo (em termos de ultrapassagens), mas com apoio na manutenção da posse e circulação da bola junto aos dois meio-campistas, um mais combativo, indo de uma área à outra, outro mais criativo, com passes decisivos e lançamentos. O ataque era particular, com pontas de bom ritmo e trabalho de equipe, dando profundidade e jogo lateral, enquanto os centrais eram ágeis com toques curtos, movimentando-se no último terço, com um entre os zagueiros e outro circulando atrás. Era essa a base do 4-2-4 que Conte conseguiu exportar para um grande time e elenco mais completo, a sua Juventus tricampeã italiana.

Foi com Conte que a maior campeã italiana acertou um projeto após anos de ostracismo com Claudio Ranieri, Ciro Ferrara, Zaccheroni e Luigi Delneri. Todos treinadores medianos, sem grandes ideias e que não conseguiram dar o salto final em Turim. Diferentemente do ambicioso e renovador Antonio Conte. Com uma boa equipe o auxiliando e um mercado inteligente da diretoria, aos poucos deu consistência ao time e engatou três scudetti, encaminhando o trabalho para seu sucessor potencializá-lo - Massimiliano Allegri, que levou a Vecchia Signora para a final da Liga dos Campeões em 2015.

Com as peças que tinha em mãos, Conte reconfigurou suas ideias táticas. Para encaixar Vidal, depois de experimentos com o 4-2-3-1, encontrou confiança e equilíbrio com o 4-3-3, seguindo praticamente as mesmas premissas do antigo modelo, mas com um homem a mais no meio-campo para dar suporte a Pirlo na criação das jogadas. Assim, o técnico acabava exigindo também dos zagueiros – especialmente de Leonardo Bonucci – maior contribuição na gestão da posse e controle  do jogo. Dessa maneira, foi campeão italiano na primeira temporada.

Mas Conte não estava convencido e, percebendo novas tendências no campeonato e no futebol em si, viu no 3-5-2 a oportunidade de potencializar ainda mais sua equipe. Com o novo sistema, que tinha inspirações da zona mista, ainda que preservando a marcação por zona, como a variação para o 4-4-2. Mesmo com a mudança de posicionamento e novas funções, o treinador preservou a compactação dos setores, com e sem a bola, controlando o jogo com a posse da pelota ou com linhas baixas. Preservou a liberdade para Pirlo, melhorando-a, na verdade, com Bonucci se tornando uma espécie de líbero e o apoio dos zagueiros laterais, criando novas linhas de passe.

Os alas se comportavam como os pontas do 4-2-4, dando amplitude e profundidade, mas com liberdade para entrar na área e sem se prender a jogadas de linha de fundo. A dupla de ataque, por sua vez, seguiu com o mesmo funcionamento, com um entre os zagueiros e outro livre na intermediária, bem como os meio-campistas ao lado de Pirlo. "Motorzinhos", indo e voltando com bom ritmo, infiltrações, chutes de longe e apoios aos alas, atacantes e ao regista.

Assim, Conte dominou a Itália com seu futebol impositivo, que acabou sendo copiado por outros à sua maneira, quase sempre por uma estratégia defensiva, espelhando seu 3-5-2 com linhas baixas e alas convertidos a laterais - na verdade, 5-3-2. Fora do Belpaese, alguns também importaram algumas ideias, como mesmo Pep Guardiola, utilizando algumas ferramentas para o controle do jogo e o pressing alto, como os zagueiros avançados e com apoios laterais, os alas convertidos a pontas, abrindo o campo e criando linhas de passe, assim como a circulação do trio de meio-campistas no campo adversário.

Agora, em um momento em que a Serie A renova os treinadores e começa a receber mais aporte financeiro, o que virá pela frente? Técnicos como Vincenzo Montella, Maurizio Sarri e Eusebio Di Francesco ajudarão a entendermos o que a Itália irá produzir de novo em termos táticos nos próximos anos.