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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Os melhores da Serie A 2015-16

Nossa tradicional retrospectiva do Campeonato Italiano está chegando ao fim. No especial de 2015-16 o blog analisou as campanhas das 20 equipes que disputaram a Serie A (confira a primeira parte aqui e a segunda aqui) e também elegeu os jovens jogadores que deram o que falar na temporada. Para finalizar, é hora de conhecermos os melhores do torneio: o Quattro Tratti convidou alguns dos mais prestigiados jornalistas esportivos para escolherem a seleção da temporada recém-concluída da Serie A e também os melhores da temporada em oito categorias. Agradecemos a cada um dos participantes desta eleição e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. Vamos conferir quem garantiu as premiações?

Seleção da Serie A 2015-16

Buffon (Juventus); Vrsaljko (Sassuolo), Bonucci (Juventus), Koulibaly (Napoli), Alonso (Fiorentina); Pjanic (Roma), Pogba (Juventus), Hamsík (Napoli); Insigne (Napoli); Dybala (Juventus), Higuaín (Napoli).

Menções honrosas
Goleiros: Handanovic (Inter), Donnarumma (Milan) e Viviano (Sampdoria).
Defensores: Bruno Peres (Torino), Hysaj (Napoli), Barzagli (Juventus), Chiellini (Juventus), Acerbi (Sassuolo), Miranda (Inter), Manolas (Roma), Tonelli (Empoli), Alex Sandro (Juventus), Evra (Juventus), Ansaldi (Genoa) e Digne (Roma).
Meias: Florenzi (Roma), Nainggolan (Roma), Allan (Napoli), Jorginho (Napoli), Borja Valero (Fiorentina), Marchisio (Juventus), Bonaventura (Milan), Saponara (Empoli), Vázquez (Palermo), Bernardeschi (Fiorentina) e Ilicic (Fiorentina). 
Atacantes: El Shaarawy (Roma), Icardi (Inter), Bacca (Milan), Belotti (Torino) e Pavoletti (Genoa).

Gianluigi Buffon


Prêmios: Melhor jogador e melhor goleiro

Aos 38 anos, Buffon provou que ainda poderia fazer uma das melhores temporadas (senão a melhor) de sua longeva carreira. Lenda que é, Super Gigi dispensa qualquer apresentação de suas qualidades técnicas e de liderança, mas nesta Serie A ele ratificou porque é um dos maiores de sua posição em toda a história e porque é o capitão da Juventus. Após uma derrota contra o Sassuolo, Buffon deu uma bronca no elenco, que reagiu e arrancou rumo ao título com uma sequência de 26 jogos de invencibilidade. Neste período, Superman também superou Sebastiano Rossi como o goleiro com mais tempo sem ser vazado na história da Serie A, com 974 minutos de invencibilidade, e foi o grande responsável por fazer da pentacampeã Juve o time que teve a melhor defesa do campeonato.

Na categoria melhor jogador, Buffon concorreu com outros jogadores fundamentais para suas equipes no torneio, como os colegas Pogba e Dybala, peças-chave do título juventino, além de Higuaín, do Napoli, recordista de gols marcados em uma única edição da Serie A. Entre os goleiros, outros que se destacaram foram Handanovic (Inter), Donnarumma (Milan) e Viviano (Sampdoria).

Gonzalo Higuaín


Prêmio: Melhor atacante

Não tinha como o Pipita não faturar este prêmio. Nunca um jogador havia feito tantos gols em uma única temporada da Serie A. Higuaín foi capaz de balançar as redes 36 vezes, superando Gunnar Nordahl e quebrando um recorde que durava 66 anos. O argentino anotou contra 17 dos 19 adversários do Napoli no campeonato (só não deixou o dele contra Milan e Roma) e em 10 oportunidades marcou duas ou mais vezes em um mesmo jogo. Não se esperava que o Pipita fizesse uma temporada tão boa, já que ele  teve um 2014-15 negativo pelos azzurri e pela Argentina, já que perdeu muitos gols. A volta por cima foi em alto estilo, com recorde quebrado e papel preponderante em uma das melhores temporadas da história dos partenopei.

Os atacantes argentinos costumam ter bom histórico na Serie A e não tem sido diferente nos últimos anos. Nesta edição do torneio, três dos cinco principais goleadores foram argentinos: além de Higuaín, Dybala e Icardi fizeram ótima temporada. Outros atacantes que se destacaram em 2015-16 foram Insigne (Napoli), Bacca (Milan), Pavoletti (Genoa), Salah (Roma) e Belotti (Torino).

Allan


Prêmio: Melhor brasileiro

Um prêmio que tardava em chegar. O ex-vascaíno Allan já tinha feito três excelentes temporadas com a camisa da Udinese e já havia sido citado pelo blog como concorrente ao título de melhor jogador brasileiro em atividade na Itália em outras oportunidades. Em seu primeiro ano pelo Napoli, o polivalente meio-campista tomou de assalto a titularidade no time de Maurizio Sarri e mostrou seu futebol de muita dinâmica, qualidade no passe e trabalho incansável com e sem a bola – sem falar nas chegadas de surpresa na área adversária para marcar gols e dar assistências. A conquista do vice-campeonato pelos campanos passou muito por seus pés e Dunga poderia observá-lo.

Cada vez mais os jogadores brasileiros que se destacam na Itália o fazem mais por suas características defensivas do que pelas ofensivas. Nenhum jogador do nosso país aparece entre os maiores artilheiros e autores de assistências da Serie A 2015-16, mas em outras posições há qualidade de sobra. Bruno Peres foi novamente um dos melhores laterais do ano na Itália, atuando pelo Torino, e tem sido comparado a Maicon, ao passo que Alex Sandro, pela Juventus, também se destacou muito e ganhou convocações para a Seleção – assim como Miranda, o capitão, também fez um ótimo campeonato com a Inter. Por outro lado, Felipe Anderson (vencedor em 2014-15) e Hernanes caíram demais de produção e nem chegaram perto de concorrem nesta temporada.

Nota: Jorginho e Éder, por já terem adquirido nacionalidade italiana e terem atuado pela Squadra Azzurra, não foram considerados.

Kalidou Koulibaly

 
Prêmio: Melhor zagueiro

Dois anos atrás o senegalês Koulibaly era praticamente desconhecido no mundo do futebol e caminhava para continuar assim após a má impressão que deixou em seu primeiro ano em Nápoles. No entanto, ele deu a volta por cima: alto e muito forte fisicamente – um verdadeiro armário – ele fez por merecer os apelidos de K2 (em referência à segunda montanha mais alta do mundo) e The Wall, que recebeu nesta temporada. Líder da defesa de Sarri, Koulibaly chega duro e seguro nas jogadas, é forte pelo alto e em roubadas de  bola. Didier Deschamps até pensou em convocá-lo para a França, mas ele já havia optado por defender Senegal, pátria de seus pais. Seria presença certa na Euro, principalmente após as lesões que assolaram os defensores dos Bleus.

O zagueiro mais destacado no campeonato fez parte da segunda melhor defesa da competição, mas claro que os pilares da Juventus também foram destaques. Bonucci e Barzagli continuam entre os melhores jogadores da posição em nível mundial, mas dessa vez ficaram um pouco atrás do zagueiro napolitano. Outros xerifes que tiveram bom desempenho na temporada foram Miranda (Inter), Acerbi (Sassuolo) e Manolas (Roma).

Paul Pogba


Prêmio: Melhor meio-campista
 
Não tem para ninguém. Pela terceira vez consecutiva Pogba faturou o prêmio de melhor meia da Serie A. O francês não foi nem tão brilhante quanto de costume, mas mesmo assim ocupa o rol dos melhores jogadores da competição e tem números muito acima da média – o que mostra o quanto esperamos que o craque jogue. Em sua temporada "abaixo da média", Pogba jogou em quase todas as partidas da Juventus no campeonato, marcou oito gols e ainda foi responsável por 12 assistências, liderando este quesito ao lado de Pjanic.
 
Pjanic, aliás, foi o grande concorrente do juventino na premiação. O bósnio foi uma das grandes figuras do meio-campo da Roma ao lado de Nainggolan – outro que foi bem votado. O tridente do Napoli, composto por Hamsík, Allan e Jorginho também fez temporada excelente. Marchisio (Juve), Saponara (Empoli) e Ilicic (Fiorentina) também merecem citação.

Gianluigi Donnarumma


Prêmio: Revelação da Serie A

A maior revelação desta Serie A teve sua primeira chance de modo similar a seu maior ídolo. Tal qual Buffon, Donnarumma era terceiro goleiro e recebeu chance no time profissional do Milan de surpresa, aparecendo bem e não perdendo mais a vaga. Gigio, então com 16 anos, foi escolhido por Sinisa Mihajlovic como substituto de Diego López e se destacou pela sobriedade, pela grande personalidade e por sua envergadura (ele tem 1,99m de altura) não afetar sua agilidade. Com todas essas características, Donnarumma defendeu o gigante Milan em 30 partidas, não sofreu gols em 10 jogos – média superior às de Dida e Abbiati – e foi o goleiro com menos de 21 anos mais utilizado nas principais ligas europeias. Tem tudo para ser o futuro titular da seleção italiana.

Este foi um ano em que muitos jogadores jovens se destacaram no Campeonato Italiano. Icardi, Dybala, Saponara, Belotti e Berardi já são figurinhas carimbadas, enquanto Federico Bernardeschi (Fiorentina), explodiu nesta temporada e começou a receber chances na seleção italiana. Vale lembrar também de duas das pérolas lançadas pelo Bologna: Adam Masina, lateral esquerdo, e Amadou Diawara, volante. Na Emília-Romanha o Sassuolo também deu espaço a um jogador de apenas 18 anos que teve importância na ótima campanha do clube: Lorenzo Pellegrini.

Eusebio Di Francesco


Prêmio: Melhor técnico

Em um ano comum, seria natural que o técnico do melhor time do campeonato fosse escolhido como o melhor da temporada. Desta vez não foi assim: Di Francesco foi o grande responsável por um feito histórico com o pequeno Sassuolo, naquele que foi o seu quarto ano de trabalho pelos neroverdi. O treinador montou a equipe na Serie B, em 2012, e foi subindo de patamar com o passar dos anos, a partir de um a filosofia de jogo muito bem desenvolvida e executada. Ao longo dos anos, adaptou peças a seu estilo, formando um conjunto de operários conscientes de suas funções, em um 4-3-3 de força física e qualidade no passe desde a saída de bola, com valorização da posse da pelota. Além disso, o pescarês gosta de velocidade, muitas trocas de posição e construção de jogadas pelos lados do gramado. Essa foi a receita do sucesso da classificação da sua equipe para a Liga Europa.

Logo depois de Eusebio Di Francesco, aparece Massimiliano Allegri, ainda em lua de mel com a torcida da Juventus por conta do pentacampeonato da Serie A e a soberania em solo nacional, além das atuações consistentes na Liga dos Campeões. Em seguida, um técnico com estilo similar ao do comandante do Sassuolo: Sarri também merece ser destacado, já que fez do Napoli um time que executa um futebol ofensivo de altíssimo nível competitivo. Para finalizar, vale mencionar Giampaolo, do Empoli, e Spalletti (apesar da polêmica com Totti e de ter disputado apenas um turno da Serie A), que também realizaram trabalhos de vigor.

Votantes da seleção da temporada 
Aldir Junior (Atalanta Brasil)
Alexandre Perin (Almanaque Esportivo)
Anderson Moura (Quattro Tratti/Esporte Interativo)
Andrea Chiavacci (FoxSports)
Antônio Carlos Zamarian (Portale Romanista)
Arthur Barcelos (Quattro Tratti/La Beneamata – ESPN FC)
Braitner Moreira (Quattro Tratti/Correio Braziliense)
Bruno Bonsanti (Trivela)
Bruno D'Alécio (Juventus Brasil)
Caio Bitencourt (Partenopeo – ESPN FC)
Caio Dellagiustina (Quattro Tratti)
Daniele Monti (Sportv)
Felipe Lobo (Trivela)
Felipe Portes (Todo Futebol/Yahoo)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)
Gabriel Joaquim (AC Milan Brasil)
Gian Oddi (ESPN) 
Júlio Souza (SampBrasil – ESPN FC)
Leonardo Bertozzi (ESPN)
Lucas Martins (Doentes por Futebol)
Marco De Vargas (FoxSports)
Mateus Ribeirete (Quattro Tratti)
Michel Costa (co-autor do livro "É Tetra! A conquista que ajudou a mudar o Brasil")
Murillo Moret (Quattro Tratti/Gazzebra – ESPN FC)
Nelson Oliveira (Quattro Tratti)
Paulo Andrade (ESPN)
Paulo Lima (FoxSports)
Pedro Spiacci (Quattro Tratti)
Raniery Medeiros (Doentes por Futebol)
Rodrigo Antonelli (Quattro Tratti/Correio Braziliense) e
Vitor Sergio Rodrigues (Esporte Interativo)

sábado, 28 de maio de 2016

Jogadores: Adrian Mutu

Romeno passou metade de sua carreira no futebol italiano e brilhou pela Fiorentina (Corriere dello Sport)
Polêmico e promissor. Adrian Mutu tinha tudo para ser um dos maiores jogadores romenos depois de Ghoerghe Hagi: alto, forte, técnico e rápido, o atacante despontou aos 17 anos, no Arges Pitesti, e chamou a atenção apenas dois anos depois da incrível campanha da Romênia na Copa do Mundo de 1994. Ao longo dos anos, ele acabou se estabelecendo como um dos principais nomes de sua geração, mas nunca foi muito regular porque se envolvia em polêmicas ou problemas extracampo, como quando foi suspenso pelo uso de cocaína. Depois de duas décadas de dedicação ao esporte, Mutu anunciou sua aposentadoria em maio de 2016.

Desde que deixou o Arges, o atacante se tornou uma espécie de cigano da bola e não conseguiu emplacar mais de duas temporadas em nenhum clube – a não ser na Fiorentina, onde foi ídolo. Poderia até ter passado mais tempo no Dinamo Bucareste, mas o jogador logo chamou a atenção dos gigantes europeus. Mutu passou a ser chamado de Briliantul (“O Brilhante”) por causa de grandes exibições nas seleções de base e no clube, pelo qual atingiu alta média de gols (fez 25 em 24 partidas de 1999-2000), que encaminharam a conquista da dobradinha local para o Dinamo. Com status de grande promessa, ele se transferiu à Inter em janeiro, antes mesmo do fim da temporada do futebol romeno.

Adrian chegou na Itália com a temporada em andamento e impressionou no início, com gols nas quartas e nas semifinais da Coppa Italia, contra Milan e Cagliari, respectivamente. Em seus primeiros meses pelos nerazzurri ele obteve sua primeira convocação para a seleção romena, porém, a estadia em Milão durou apenas 14 jogos: a Beneamata vivia uma época conturbada e não havia muita paciência da diretoria com atletas e treinadores. Dessa forma, no início de 2000-01, ele foi negociado em copropriedade com o Verona.

No Vêneto, o atacante de 21 anos encontrou um time estruturado, com o goleiro Fabrizio Ferron, os defensores Massimo Oddo, Luigi Apolloni, Martin Laursen e Anthony Seric, o meia Mauro Camoranesi e muita concorrência no ataque, que tinha como opções Alberto Gilardino, Emiliano Bonazzoli e o brasileiro Adaílton. O romeno conquistou seu espaço e, com quatro gols, ajudou o Hellas a ficar na elite – a equipe venceu o spareggio contra a Reggina.

Mutu foi comprado em definitivo e continuou no clube por mais uma temporada, desta vez como titular incontestável: disputou 32 dos 34 jogos dos butei na Serie A e anotou 12 gols, sendo o artilheiro gialloblù. Apesar disso, o Verona foi rebaixado na última rodada, depois de perder por 3 a 0 para o Piacenza e ver o Brescia de Roberto Baggio e Luca Toni fazerem o mesmo placar sobre o Bologna.

Mutu chamou a atenção dos gigantes após fazer ataque infernal com Adriano e Gilardino (Getty)
Após a queda do seu time, Adrian Mutu foi negociado com o Parma, onde reencontraria Gilardino e faria dupla com Adriano. Vivendo seus últimos anos da parceria com a Parmalat, os crociati fizeram uma temporada de grande destaque sob o comando de Cesare Prandelli, terminando na quinta colocação da Serie A – não obstante a queda prematura na Coppa Italia e na Copa Uefa. Em um time muito bom, Mutu foi o centro das atenções.

O Parma vendeu o atacante Marco Di Vaio para a Juventus e apostou em Mutu como seu substituto, já que os dois tinham algumas características similares, como muita movimentação e habilidade nas finalizações, inclusive de fora da área. O romeno só desencantou em outubro, quando marcou em jogos da Copa Uefa, contra o CSKA Moscou, e na Serie A, contra o Perugia. Depois disso, deslanchou:  foi o artilheiro da equipe na temporada com 22 gols, 18 deles na Serie A, competição da qual foi vice-artilheiro, atrás apenas de Christian Vieri, da Inter. Àquele momento, Mutu era considerado um dos melhores atacantes do futebol europeu.

Com tal cacife, o Briliantul recebeu uma proposta do Chelsea, que iniciava a Era Roman Abramovich. O magnata russo começou a abrir a carteira para reforçar o time londrino e pagou 22,5 milhões de euros para levar Mutu à corte de Claudio Ranieri. Seu começo foi promissor, com quatro gols em três partidas (incluindo uma doppietta contra o rival Tottenham), mas no restante da temporada o camisa 7 não jogou bem.

No início da temporada seguinte, algumas desavenças com o novo técnico, José Mourinho, já limitariam seu espaço. Para piorar, o jogador foi flagrado em um teste antidoping, que apontou resultado positivo para uso de cocaína, e foi demitido pelo clube inglês. O Chelsea também acionou a justiça e exigiu uma compensação financeira: o processo correu na justiça por mais de 10 anos até que o clube ganhasse a causa e Mutu fosse obrigado a ressarci-lo em 17 milhões de euros.

Após cumprir suspensão, Mutu assinou com a Juventus de Ibrahimovic (Getty)
O atacante também foi suspenso por sete meses pelo uso do entorpecente e estava sem clube. Mesmo assim, três meses e meio antes de sua pena expirar, a Juventus fez uma proposta a Mutu, que aceitou fechar com o clube. A Velha Senhora não podia contratar jogadores extra-comunitários vindos do exterior naquele momento e fez uma manobra com o Livorno, que o contratou e o renegociou imediatamente com a equipe de Turim.

Ele treinou no clube piemontês entre janeiro e maio, até estrear na última rodada da Serie A 2004-05, quando a Juve já faturara o scudetto. No Delle Alpi, Adrian Mutu era um reserva bastante utilizado por Fabio Capello e alternou bons e maus momentos no time que viria a sagrar-se campeão também em 2005-06. Ele fez 32 partidas e marcou sete gols na campanha, mas viu a Juventus ter os bicampeonato cassado e o rebaixamento decretado devido aos incidentes do Calciopoli. O descenso levou o romeno a uma das grandes rivais dos bianconeri, a Fiorentina, clube em que enfim teria sequência.

Mutu teve rápida adaptação à equipe comandada por Prandelli, seu treinador no Parma – em Florença, ele também reencontrou o goleiro Sébastien Frey, colega na Emília-Romanha. A Fiorentina havia sido punida em 15 pontos por envolvimento no Calciopoli e precisou fazer um campeonato de recuperação: ficou na 6ª posição e garantiu vaga na Copa Uefa – sem a penalização, ficaria com vaga na Liga dos Campeões.

O romeno foi titular durante toda a Serie A e só não entrou em campo enquanto esteve suspenso por cartões amarelos – foram 13, ao todo. O romeno também foi responsável por várias assistências e marcou 16 gols no campeonato, dividindo a artilharia da equipe com Toni. Algumas publicações e canais de TV chegaram a eleger Mutu como o melhor jogador da competição.

No ano seguinte, Mutu continuou em alta e com espírito goleador. Balançou as redes 17 vezes na Serie A e foi o artilheiro do time na campanha que levou os gigliati à 4ª posição e a uma vaga na Champions. Na Copa Uefa, o romeno fez seis gols e foi fundamental para que a Fiorentina alcançasse as semifinais do torneio, em um dos melhores resultados internacionais dos florentinos. No final da temporada, foi o destaque de sua seleção na Euro 2008 e deu trabalho para a Itália no jogo entre as duas seleções: fez um gol e teve um pênalti defendido por Gianluigi Buffon.

Vivendo seu melhor momento, em 2008 o Briliantul chegou a recusar uma proposta da Roma para renovar seu contrato com a Viola até 2012. Em Florença ele ainda teve uma boa temporada em 2008-09, quando sua equipe voltou a ficar com a 4ª posição e uma vaga na LC: nesta campanha Mutu sofreu com uma série de lesões, mas anotou 13 gols em 19 partidas pelo campeonato, incluindo uma tripletta sobre o Genoa.

Dali para frente, o romeno viveu poucos momentos de alegria com a camisa violeta. Mutu sofreu uma lesão no menisco e depois testou positivo para sibutramina, substância utilizada para perda de peso. O romeno foi suspenso por nove meses e só voltou aos gramados em outubro de 2010. Três meses depois foi afastado do elenco por comportamento antiprofissional, mas acabou reintegrado após se desculpar, em fevereiro de 2011. Ainda assim, parecia o fim da linha para o jogador, que era querido pela torcida, mas não atuava mais no mesmo nível que antes.

O romeno também jogou pelo Cesena e, mesmo tendo destaque, viu o time cair (Getty)
E assim foi: após quase cinco anos, 143 partidas e 69 gols pela Fiorentina, o Briliantul foi negociado em definitivo com o pequeno Cesena. A equipe bianconera havia sido promovida à primeira divisão em 2010 e apostava no atacante de 32 anos como sua principal arma na busca de uma nova salvezza.

O time da Emília-Romanha fez uma temporada bem abaixo do que dele se imaginava: o elenco não era ruim e tinha jogadores como o goleiro Francesco Antonioli, os meias Roberto Guana, Marco Parolo, Antonio Candreva e Mario Santana, além de Mutu e Éder no ataque. O romeno foi o artilheiro do time, com oito gols, mas não conseguiu ajudar os cavalos marinhos a permanecerem na Serie A – na verdade, os romanholos foram lanternas e caíram com grande antecedência.

Mesmo com a queda do Cesena, foi com o clube do estádio Dino Manuzzi que Mutu alcançou a marca de 103 gols no Campeonato Italiano. Dessa forma, ele se tornou o romeno com mais gols pela competição, além de um dos 100 maiores goleadores de toda a história da Serie A.

Após o rebaixamento, jogador e clube decidiram rescindir o contrato em mútuo acordo, um ano antes do seu final. Dessa forma, Adrian Mutu deixou a Itália para atuar no Ajaccio, da França, clube em que também se frustrou. Apesar das boas partidas, 11 gols e a salvação na Ligue 1 na primeira temporada, o atacante entrou 2013-14 em má fase e, sem marcar gols, rescindiu o contrato em janeiro de 2014.

Já com 35 anos e sem mercado nos principais campeonatos europeus, restava ao atacante retornar ao seu país natal. Mutu acertou com o Petrolul Ploiesti, time sob o comando de Cosmin Contra (ex-lateral do Milan), que já havia tentado o levar para o futebol chinês. Poucas atuações e poucos gols mostraram que a promessa de voltar aos bons dias não chegou a se tornar realidade. Assim como outros jogadores em fim de carreira ou já aposentados, Mutu foi um dos escolhidos para atuar no futebol indiano, onde quase não chegou a jogar, devido a problemas contratuais.

Após algumas rápidas apresentações pelo Pune City, o atacante romeno decidiu pendurar as chuteiras. Mutu repensou sua aposentadoria no início deste ano, quando recebeu oferta para atuar no ASA Targu Mures, também da Romênia, mas realizou somente quatro jogos pela equipe da primeira divisão do país.

Mesmo sem conseguir levar a seleção romena de volta a uma Copa do Mundo (competição que não disputa desde 1998), Adrian Mutu é, ao lado de Hagi, o maior artilheiro da seleção, com 35 gols marcados. O Briliantul, que também foi eleito o melhor jogador romeno em quatro oportunidades (2003, 2005, 2007 e 2008), anotou o último gol do país numa competição europeia, a Euro 2008. Ao mesmo tempo, enfrentou dois períodos de suspensão da seleção da Romênia: um por beber em um bar durante um jogo da Tricolorii da qual havia sido barrado e outro por ter comparado o técnico Victor Piturca a Mr. Bean.

Falar que Mutu não construiu uma importante história no futebol seria uma calúnia. Ao mesmo tempo, é impossível não pensar qual seria a dimensão que o romeno poderia ter atingido caso não tivesse se envolvido em tantas polêmicas extracampo e tivesse desperdiçado um bom pedaço de seu talento. Talvez os três anos de grandes exibições por Fiorentina e Parma tivessem se repetido em outras ocasiões.

Adrian Mutu
Nascimento: 8 de janeiro de 1979, em Calinesti, Romênia
Posição: atacante
Clubes em que atuou: Arges Pitesti (1996-99), Dinamo Bucareste (1999-00), Inter (2000), Verona (2000-02), Parma (2002-03), Chelsea (2003-04), Juventus (2005-06), Fiorentina (2006-11), Cesena (2011-12), Ajaccio (2012-13), Petrolul Ploiesti (2014), Pune City (2015) e ASA Targu Mures (2016)
Títulos conquistados: Campeonato Romeno (1999-00) e Copa da Romênia (1999-00)
Seleção romena: 77 jogos e 35 gols

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Retrospectiva da Serie A 2015-16, parte 2

Juventus começou mal, mas conseguiu arrancada e faturou o penta (Repubblica)
Na semana passada, começamos a relembrar como foi a temporada 2015-16 no futebol italiano em nossa retrospectiva da Serie A. Já analisamos as campanhas dos times classificados na parte mais baixa da tabela e agora iremos falar dos 10 primeiros do campeonato. É hora de relembrar as decepções de Milan e Lazio, o feito histórico do Sassuolo e a volta da Inter às competições europeias. Também falaremos, claro, do bom futebol da Roma de um interminável Francesco Totti e do Napoli do recordista Gonzalo Higuaín, e encerramos analisando como Gianluigi Buffon, Paul Pogba e Paulo Dybala conduziram a Juventus a uma histórica recuperação e ao pentacampeonato. Boa leitura!

Confira aqui a primeira parte do especial. Publicado também na Trivela.

Empoli


A campanha: 10ª posição, 46 pontos. 12 vitórias, 10 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 7ª posição, 30 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Vicenza
Ataque e defesa: 40 gols marcados e 49 sofridos
Time-base: Skorupski; Laurini (Zambelli), Costa, Tonelli, Mário Rui; Zielinski, Paredes, Croce (Büchel); Saponara; Pucciarelli, Maccarone.
Artilheiros: Massimo Maccarone (13 gols) e Manuel Pucciarelli (6)
Técnico: Marco Giampaolo
Os destaques: Riccardo Saponara, Massimo Maccarone e Piotr Zielinski
A decepção: Marko Livaja
A revelação: Assane Dioussé
Quem mais jogou: Manuel Pucciarelli (38 jogos), Massimo Maccarone (37) e Mário Rui (36)
O sumido: Michele Camporese
Melhor contratação: Leandro Paredes
Pior contratação: Marco Zambelli
Nota da temporada: 7,5

Não há dúvidas de que o Empoli foi a maior surpresa desta temporada e queimou a língua de muita gente, inclusive a deste colunista. Os azzurri foram esfacelados na janela de transferências para 2015-16 e perderam o treinador Sarri e peças como Sepe, Hysaj, Rugani, Valdifiori, Vecino e Verdi. Já seria suficiente para um redimensionamento, mas a chegada de Giampaolo ao comando técnico aumentou as desconfianças, pois o ítalo-suíço não tinha bom currículo e foi mal até na terceira divisão, com a Cremonese. No entanto, ele herdou o esquema tático do seu antecessor e deu um toque pessoal ao estilo de jogo dos toscanos, com maior compactação na defesa, que marcava à pressão, e mais agressividade no ataque.

No final das contas, o Empoli de Giampaolo teve uma temporada superior ao de Sarri: foram 46 pontos contra 42, apesar de uma grande queda no segundo turno. O time azzurro teve a sétima melhor campanha na primeira parte do campeonato e apenas a antepenúltima na segunda. O treinador, sondado até pelo Milan, teve seus méritos na trajetória toscana, mas alguns jogadores puxaram a fila dos destaques. Seja o interminável Maccarone, que, do alto dos seus 37 anos, atuou em quase todas as partidas e anotou 13 gols ou o jovem Dioussé, uma das boas revelações da temporada. O trio de meio-campo formado por Zielinski (na mira do Liverpool), Paredes (de propriedade da Roma) e Saponara (sondado pela Juve) também brilhou muito e foi um dos mais agradáveis de se ver em 2015-16. Palmas para um time que se reinventou a partir de um conceito e chegou mais longe do que se imaginava.

Chievo


A campanha: 9ª posição, 50 pontos. 13 vitórias, 11 empates e 14 derrotas.
No primeiro turno: 10ª posição, 26 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pela Salernitana.
Ataque e defesa: 43 gols marcados e 45 sofridos.
Time-base: Bizzarri; Cacciatore (Frey), Cesar, Gamberini (Dainelli), Gobbi; Rigoni, Radovanovic, Hetemaj; Birsa, Meggiorini (Inglese, Pellissier, Paloschi), Castro.
Artilheiros: Valter Birsa (6 gols), Riccardo Meggiorini (5) e Sergio Pellissier (5)
Técnico: Rolando Maran
Os destaques: Valter Birsa, Riccardo Meggiorini e Albano Bizzarri
A decepção: Paul-José M'Poku
A revelação: Filippo Costa
Quem mais jogou: Valter Birsa e Albano Bizzarri (ambos com 35 jogos)
O sumido: Gennaro Sardo
Melhor contratação: Simone Pepe
Pior contratação: Nikola Ninkovic
Nota da temporada: 7

A contratação do treinador Maran, realizada pouco mais de um ano e meio atrás, parecia perfeita para o Chievo. Para começar, o ex-zagueiro foi capitão da equipe quando era jogador e, além de total identificação com os clivensi, propõe um futebol sólido, exatamente no mesmo estilo que tem consagrado o Ceo como um dos times mais físicas da Serie A. Maran havia começado o seu trabalho no meio de 2014-15 e ter iniciado a pré-temporada gialloblù neste ano foi fundamental para a melhora do Chievo. Os veroneses não correram risco de serem rebaixados em momento algum e quase sempre ficaram na parte de cima da tabela – em dois terços do torneio.

Para que o ex-técnico do Catania pudesse repetir em Verona o trabalho que lhe deu destaque na Sicília, o jogo pelos lados do campo foi privilegiado. Gobbi, Cacciatore, Castro, Pepe e, principalmente, Birsa e Meggiorini, foram vitais para boa campanha dos Burros Alados. Paloschi, negociado com o Swansea em janeiro, nem fez falta: o jogo mais posicional, com rápidas transições e contra-ataques deu mais destaque a Meggiorini, vice-artilheiro e líder de assistências do time (sete). A defesa continuou sólida, como é de tradição para o Chievo, e foi uma das melhores do campeonato, assim como Bizzarri foi um dos goleiros mais destacados.
 
Lazio


A campanha: 8ª posição, 54 pontos. 15 vitórias, 9 empates e 14 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeã da Supercopa Italiana, eliminada nos play-offs da Liga dos Campeões pelo Bayer Leverkusen, nas oitavas de final da Liga Europa pelo Sparta Praga e nas quartas da Coppa Italia pela Juventus
Ataque e defesa: 52 gols marcados (5º melhor) e 52 sofridos.
Time-base: Marchetti; Basta (Konko), Mauricio (Gentiletti), Hoedt, Lulic (Radu); Milinkovic-Savic (Cataldi, Onazi), Biglia, Parolo; Candreva, Klose (Djordjevic), Felipe Anderson (Keita).
Artilheiros: Antonio Candreva (10 gols), Miroslav Klose (7) e Felipe Anderson (7)
Técnicos: Stefano Pioli (1ª-31ª rodada) e Simone Inzaghi (32ª em diante)
Os destaques: Antonio Candreva, Lucas Biglia e Federico Marchetti
A decepção: Felipe Anderson
A revelação: Sergej Milinkovic-Savic
Quem mais jogou: Felipe Anderson (35 jogos), Marco Parolo (31) e Keita Baldé (31)
O sumido: Ravel Morrison
Melhor contratação: Sergej Milinkovic-Savic
Pior contratação: Milan Bisevac
Nota da temporada: 5

Em termos de quantidade, nenhum time decepcionou mais a sua torcida nesta temporada do que a Lazio. A equipe celeste sofreu três eliminações ao longo de 2015-16 (uma delas, vexatória, diante do Sparta Praga), foi vice da Supercopa nacional e não conseguiu empolgar na Serie A, ficando quase todo o campeonato em posições intermediárias. Um desempenho muito aquém do demonstrado no ano passado, no qual os aquilotti encantaram o país e se classificaram para a Liga dos Campeões. O principal motivo para isso é que, tanto sob o comando de Pioli quanto de Simone Inzaghi, algumas das principais peças do time não engrenaram.

Candreva (10 gols e três assistências) e Felipe Anderson (sete gols e quatro assistências) apresentam números inferiores aos do ano passado e não conseguiram sustentar a equipe – o brasileiro até perdeu a vaga de titular para Keita em momentos da campanha. A Lazio também apresentou uma penca de problemas defensivos e nenhum dos beques convenceu – a ausência do titularíssimo De Vrij, que perdeu toda a temporada por causa de uma grave lesão, foi muito sentida. De bom, podemos destacar que Marchetti voltou a mostrar segurança no gol, Biglia continuou regendo o meio-campo com classe e o setor tem futuro garantido com os ótimos Cataldi e Milinkovic-Savic. A maior tristeza de 2015-16 ficou por conta da despedida de Klose, que fez sete gols e cedeu sete assistências ao longo do torneio, mas vestiu a camisa do clube pela última vez em uma derrota feia para a Fiorentina. Quase uma metonímia da temporada laziale.
 
Milan


A campanha: 7ª posição, 57 pontos. 15 vitórias, 12 empates e 11 derrotas.
No primeiro turno: 8ª posição, 29 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeão da Coppa Italia.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 43 sofridos.
Time-base: Donnarumma; Abate (De Sciglio), Alex (Zapata), Romagnoli, Antonelli; Honda, Kucka (Bertolacci), Montolivo, Bonaventura; Luiz Adriano (Niang, Balotelli), Bacca.
Artilheiros: Carlos Bacca (18 gols), Giacomo Bonaventura (6) e M'Baye Niang (5)
Técnicos: Sinisa Mihajlovic (1ª-32ª rodada) e Cristian Brocchi (33ª em diante)
Os destaques: Gianluigi Donnarumma, Carlos Bacca e Giacomo Bonaventura
A decepção: Riccardo Montolivo
A revelação: Davide Calabria
Quem mais jogou: Carlos Bacca (38 jogos), Alessio Romagnoli (34) e Giacomo Bonaventura (33)
O sumido: Philippe Mexès
Melhor contratação: Carlos Bacca
Pior contratação: Mario Balotelli
Nota da temporada: 4,5

Quem viu o Milan jogar somente na final da Coppa Italia ou nos clássicos do returno contra Inter e Juventus até poderia pensar que a temporada dos rossoneri foi boa. Pelo contrário, estas foram as melhores partidas feitas pela equipe em um ano decepcionante, no qual Berlusconi investiu mais de 90 milhões de euros e teve como resultado nem mesmo uma classificação para a Liga Europa. Já são três anos consecutivos sem competição continental para os milaneses, algo que nunca havia acontecido durante a gestão do manda-chuva. Ele tem sua parcela de culpa, já que não tem dado tranquilidade aos treinadores contratados e também tem tentado vender o clube sem discrição, deixando os bastidores confusos.

Mihajlovic vinha fazendo um trabalho bastante razoável à frente dos rossoneri, tirando o que podia das peças à disposição – porque o Milan gastou muito, mas de forma pouco inteligente. O Diavolo brigava por Liga Europa, mas Berlusconi demitiu o treinador e Brocchi acabou perdendo terreno para o Sassuolo. O inexperiente substituto não conseguiu se acertar nos poucos jogos em que comandou o elenco, apesar do time competitivo montado na final da copa. Entre os destaques da temporada rossonera, podemos citar a espinha dorsal do time: Donnarumma, Romagnoli, Bonaventura e Bacca. O sucesso da equipe em 2016-17 depende dos quatro e da recuperação de nomes como De Sciglio, Montolivo e Bertolacci. Balotelli é um capítulo à parte: cada vez mais desconectado, jogou muito pouco, só fez um gol e mostrou outra vez que sua carreira é um desperdício de talento.
 
Sassuolo


A campanha: 6ª posição, 61 pontos. 16 vitórias, 13 empates e 9 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 6ª posição, 32 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Cagliari.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 40 sofridos (4ª melhor)
Time-base: Consigli; Vrsaljko, Cannavaro, Acerbi, Peluso; Missiroli (Pellegrini, Biondini), Magnanelli, Duncan; Berardi (Politano), Defrel (Falcinelli), Sansone.
Artilheiros: Domenico Berardi, Nicola Sansone e Grégoire Defrel (todos com 7 gols)
Técnico: Eusebio Di Francesco
Os destaques: Domenico Berardi, Alfred Duncan e Sime Vrsaljko
A decepção: Marcello Trotta
A revelação: Lorenzo Pellegrini
Quem mais jogou: Nicola Sansone (37 jogos), Andrea Consigli (37) e Francesco Acerbi (36)
O sumido: Luca Antei
Melhor contratação: Alfred Duncan
Pior contratação: Marcello Trotta
Nota da temporada: 8

Uma temporada histórica e com a devida recompensa para o Sassuolo do ótimo técnico Di Francesco. Foi ele que levou o time à elite e, no seu quarto ano de trabalho, conseguiu montar um conjunto forte, focado e consciente dos seus pontos fortes e fracos. O 4-3-3 neroverde se baseava em uma defesa forte e técnica, mesmas características dos meias centrais. Pelos lados do gramado, bastante velocidade e apoio aos atacantes, que trocavam bastante de posição. Zaza, negociado com a Juventus no início da temporada, não era um centroavante clássico, mas Defrel, Politano e Falcinelli ampliaram a movimentação no setor.

A partir disso, o time do treinador nascido em Pescara foi modificando seus objetivos. Primeiro, escapar do rebaixamento, depois a tranquilidade no meio de tabela (como em 2014-15) e, por fim, a inédita vaga na Liga Europa. Curiosamente, Berardi e Sansone não jogaram tão bem quanto em anos anteriores, mas continuaram sendo peças importantes para a equipe emiliana. Dessa forma, outras forças emergiram no time, como o zagueiro Acerbi, o lateral croata Vrsaljko e os volantes Duncan e Magnanelli (dono da braçadeira), que se estabeleceram no grupo dos melhores do campeonato em suas posições. Para o Sassuolo, que tem planejamento inteligente e execução quase perfeita, o céu é o limite. Afinal, o que dizer de um time que estreou na Serie A em 2013 com quatro derrotas (incluindo um 7 a 0 em casa sofrido diante da Inter) e pouco tempo depois deu a volta por cima?
 
Fiorentina


A campanha: 5ª posição, 64 pontos. 18 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 4ª posição, 38 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Carpi e nos 16 avos de final da Liga Europa pelo Tottenham
Ataque e defesa: 60 gols marcados (4º melhor) e 42 sofridos
Time-base: Tatarusanu; Roncaglia (Tomovic), Rodríguez, Astori; Bernardeschi, Badelj, Vecino, Alonso; Ilicic (Tello), Borja Valero; Kalinic.
Artilheiros: Josip Ilicic (13 gols), Nikola Kalinic (12) e Khouma Babacar (5)
Técnico: Paulo Sousa
Os destaques: Josip Ilicic, Marcos Alonso e Federico Bernardeschi
A decepção: Luigi Sepe
A revelação: Federico Bernardeschi
Quem mais jogou: Ciprian Tatarusanu (37 jogos), Borja Valero (37) e Nikola Kalinic (36)
O sumido: Panagiotis Koné
Melhor contratação: Nikola Kalinic
Pior contratação: Luigi Sepe
Nota da temporada: 7

Uma parte médico, outra parte monstro. A Fiorentina teve momentos de futebol encantador e outros de atuações opacas durante a temporada, mas conseguiu chegar a seu objetivo mínimo em 2015-16 e abocanhou uma vaga na Liga Europa. O time violeta começou o ano cercado de dúvidas, pois tinha perdido uma dezena de jogadores que atuavam com frequência e trocado de treinador, mas logo deu mostras de que poderia surpreender. Paulo Sousa conseguiu superar o ceticismo inicial da torcida com uma vitória em um amistoso contra o Barcelona e, já na Serie A, ao bater Milan e Inter com autoridade. A largada foi justamente o melhor período da trajetória toscana.

No esquema do técnico português, Ilicic e Bernardeschi ganharam muita liberdade, assim como Alonso, que barrou Pasqual na lateral esquerda. Os três foram os jogadores mais agudos da equipe e mantiveram a regularidade ao longo de toda a temporada – em especial, Ilicic e Alonso. A Viola ainda teve Borja Valero e Rodríguez como polos de experiência (mesmo que eles não tenham sido tão importantes quanto em anos anteriores) e a dupla Vecino-Badelj mostrou boa combinação de destruição e qualidade ao centro do campo. No segundo turno, porém, o time caiu de produção ao passo que o croata Kalinic viu seus gols ficarem cada vez mais escassos: quarta colocada e a um ponto de distância da segunda posição na virada de turno, a Fiorentina somou apenas seis vitórias no returno e concluiu a Serie A 18 pontos distante do Napoli, vice-líder. Embora a torcida tenha chegado a sonhar mais alto, a temporada dos gigliati foi bastante satisfatória.

Inter


A campanha: 4ª posição, 67 pontos. 20 vitórias, 7 empates e 11 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 2ª posição, 39 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 50 gols marcados e 38 sofridos (3ª melhor)
Time-base: Handanovic; D'Ambrosio (Nagatomo), Miranda, Murillo, Alex Telles (Juan Jesus); Brozovic, Medel (Felipe Melo), Kondogbia; Jovetic (Ljajic, Palacio), Icardi, Perisic.
Artilheiros: Mauro Icardi (16 gols), Ivan Perisic (7) e Stevan Jovetic (6)
Técnico: Roberto Mancini
Os destaques: Mauro Icardi, Samir Handanovic e Miranda
A decepção: Éder
A revelação: Rey Manaj
Quem mais jogou: Samir Handanovic (36 jogos), Jeison Murillo (34) e Ivan Perisic (34)
O sumido: Assane Gnoukouri
Melhor contratação: Miranda
Pior contratação: Martín Montoya
Nota da temporada: 6,5

Sem Champions, mas a melhor temporada desde 2011: a torcida nerazzurra não fica plenamente satisfeita pela campanha construída pela Inter, mas vislumbra um futuro melhor, que pode começar com a volta do time a disputa de uma competição continental. O investimento do presidente Thohir para dar reforços de peso a Mancini foi grande e uma vaga na Liga Europa era o mínimo pretendido, mas não o desejado. O time não ficou completamente pronto ao fim de uma temporada e não manteve a força da reta inicial do campeonato, quando brigava pelo título – ou seja, o retorno não foi imediato. Se alivia alguma coisa, Mancio conseguiu montar uma espinha dorsal para 2016-17.

Durante este ano, a Inter finalmente acertou sua defesa, terceira melhor do campeonato, e graças à solidez defensiva proporcionada por Miranda, Medel e Handanovic. Murillo foi bem durante o ano, mas cometeu algumas falhas capitais e foi um dos responsáveis pelo fato de a Beneamata ter sido uma das equipes que mais sofreram gols em erros individuais. No meio-campo, a ausência de um jogador mais criativo, como Kovacic, foi sentida e os caros Kondogbia e Perisic demoraram a se adaptar, mas hoje são fundamentais ao esquema. O ataque nerazzurro é que foi um problema: 1 a 0 foi o placar mais repetido do ano e em apenas 13 jogos (menos de um terço) a equipe anotou dois ou mais gols. Mesmo pouco acionado, Icardi balançou as redes 16 vezes, o que mostra a margem de crescimento do jogador e do time. A questão é que o torcedor cansou de pensar em comemorações somente no futuro. A paciência está acabando.
 
Roma


A campanha: 3ª posição, 80 pontos. 23 vitórias, 11 empates e 4 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 5ª posição, 34 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid e nas oitavas da Coppa Italia pelo Spezia.
Ataque e defesa: 83 gols marcados (o melhor) e 41 sofridos (5ª melhor)
Time-base: Szczesny; Florenzi (Maicon), Manolas, Rüdiger, Digne; Pjanic, De Rossi (Keita); Salah, Nainggolan, El Shaarawy (Iago); Dzeko (Perotti).
Artilheiros: Mohamed Salah (14 gols) e Miralem Pjanic (10)
Técnicos: Rudi Garcia (1ª-19ª rodada) e Luciano Spalletti (20ª em diante)
Os destaques: Miralem Pjanic, Kostas Manolas e Francesco Totti
A decepção: Edin Dzeko
A revelação: Umar Sadiq
Quem mais jogou: Kostas Manolas (37 jogos), Radja Nainggolan (35), Mohamed Salah (34) e Wojciech Szczesny (34)
O sumido: Salih Uçan
Melhor contratação: Stephan El Shaarawy
Pior contratação: Iago Falqué
Nota da temporada: 7,5

A diretoria da Roma cometeu um erro de avaliação no final da última temporada: achou que deveria manter Garcia como treinador da equipe mesmo com o desgaste que ele tinha com parte do elenco e após a queda de rendimento do time em 2014-15. Os cartolas acharam que o francês ainda poderia voltar aos níveis de seu primeiro ano na Cidade Eterna se recebesse um grande número de reforços (o que foi feito), mas se enganaram. Os romanos tiveram primeiro turno muito abaixo do esperado e ficaram sete pontos atrás do Napoli, então líder. Garcia até comeu o panetone, mas foi demitido em janeiro para dar lugar a Spalletti, que retornava ao clube com um atraso de seis meses e com o objetivo de salvar o ano.

O técnico toscano conseguiu. Com mais reforços para o ataque, ele montou uma máquina ofensiva, que anotou 47 gols desde a sua chegada – desempenho responsável pelos 46 pontos e a vice-liderança do returno. Spalletti sacou Dzeko, um dos grandes flops da temporada europeia, e desenhou uma linha ofensiva mais leve, com Salah, El Shaarawy e Perotti. Ao mesmo tempo, Nainggolan foi adiantado (tal qual Perrotta na primeira passagem do treinador por Trigoria), o que deu mais liberdade para que Pjanic armasse o jogo como um regista, vindo de trás. Isso foi fundamental para a circulação da bola pelo meio-campo romanista e para a classificação para a Liga dos Campeões. Mais importante ainda para que o clube alcançasse a vaga foi o capitão Totti, utilizado a conta-gotas pelo carequinha: ele marcou gols nos poucos minutos que teve em campo e deu pontos vitais à Roma, vencendo a queda de braço com o técnico. Totti precisa permanecer.

Napoli


A campanha: 2ª posição, 82 pontos. 25 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 1ª posição, 41 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nos 16 avos de final da Liga Europa pelo Villarreal e nas quartas da Coppa Italia pela Inter
Ataque e defesa: 80 gols marcados (2º melhor) e 32 sofridos (2ª melhor)
Time-base: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; Allan, Jorginho, Hamsík; Callejón (Mertens), Higuaín, Insigne.
Artilheiros: Gonzalo Higuaín (36 gols), Lorenzo Insigne (12) e José Callejón (7)
Técnico: Maurizio Sarri
Os destaques: Gonzalo Higuaín, Allan e Jorginho
A decepção: Mirko Valdifiori
A revelação: Nathaniel Chalobah
Quem mais jogou: Marek Hamsík e José Callejón (ambos com 38 jogos)
O sumido: Ivan Strinic
Melhor contratação: Allan
Pior contratação: Gabriel
Nota da temporada: 8,5

O Napoli entrou em 2015-16 com o dever de fazer uma temporada melhor do que a anterior – e conseguiu com sobras. Sarri foi contratado com este objetivo e ganhou como reforços alguns jogadores que ele cultivou no Empoli, como Hysaj e Valdifiori, além de Allan e Reina, que seriam titulares absolutos. Os azzurri começaram o ano no 4-3-1-2, mas o técnico percebeu que seria melhor não se apegar a suas convicções e mudar para o 4-3-3. Dessa forma, ele aproveitou o melhor das peças que tinha à disposição em todos os setores. A defesa, por exemplo, se acertou com a chegada do experiente Reina e a regularidade de Hysaj e Ghoulam, ao passo que o senegalês Koulibaly colocou de lado as desconfianças da última temporada e foi um dos melhores zagueiros deste campeonato. No meio-campo, o capitão Hamsík, Allan e Jorginho (que barrou Valdifiori, preferido do treinador) formaram um dos melhores trivotes da Europa, por aliarem qualidade técnica, boa circulação, inserções na área adversária e marcação insaciável.

Tudo isso sem falar das cerejas do bolo: Insigne, finalmente estabelecido como um dos melhores italianos de sua geração, e o goleador Higuaín. Nunca um jogador havia feito tantos gols em uma única temporada – 36, incluindo 10 oportunidades em que anotou duas ou mais vezes em um mesmo jogo – e, para falar a verdade, se esperava muito pouco do Pipita. Ele estava em baixa após um ano negativo pelos azzurri e a perda da Copa América com a Argentina. Perdia muitas oportunidades decisivas e soube dar a volta por cima para levar o Napoli a uma de suas melhores temporadas em toda a história.
 
Juventus


A campanha: Campeã, 91 pontos. 29 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 39 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Supercopa Italiana, campeã da Coppa Italia e eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Bayern Munique.
Ataque e defesa: 75 gols marcados (3º melhor) e 20 sofridos (a melhor)
Time-base: Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini (Rugani); Lichtsteiner (Cuadrado), Khedira (Sturaro, Hernanes), Marchisio, Pogba, Evra (Alex Sandro); Dybala, Mandzukic (Morata).
Artilheiros: Paulo Dybala (19 gols), Mario Mandzukic (10) e Paul Pogba (8)
Técnico: Massimiliano Allegri
Os destaques: Gianluigi Buffon, Paul Pogba e Paulo Dybala
A decepção: Roberto Pereyra
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Leonardo Bonucci (36 jogos), Paul Pogba (35) e Gianluigi Buffon (35)
O sumido: Martín Cáceres
Melhor contratação: Paulo Dybala
Pior contratação: Mario Lemina
Nota da temporada: 9

Dez jogos: foi o tempo que durou para que algumas pessoas pudessem pensar que a Juventus desta temporada não seria campeã nacional. Com apenas três vitórias neste período, o time de Allegri parecia padecer das saídas de Tévez, Vidal e Pirlo, ao passo que os reforços – Dybala, Khedira, Hernanes, Cuadrado e Mandzukic – não engrenavam. A partir da derrota para o Sassuolo, tudo mudou: Buffon deu uma bronca nos companheiros, o treinador passou a dar mais minutos a Dybala e a equipe se acertou. No jogo seguinte, uma vitória contra o Torino com um gol chorado de Cuadrado nos acréscimos virou o fio. A partir daí, foram 26 vitórias em 28 jogos e apenas uma derrota, com o título já assegurado. Uma das mais incríveis arrancadas da história do futebol italiano.

A campanha de recuperação da Juventus foi absurda e teve em Buffon a materialização do seu sucesso. O veterano foi importante nos bastidores e, envelhecendo com um bom vinho, bateu o recorde de minutos sem sofrer gols – foram quase 11 partidas invicto –, feito fundamental para o histórico pentacampeonato. Peças importantes, como Chiellini e Pogba, não foram tão brilhantes quanto de costume (o francês, mesmo abaixo, deu 12 passes para gol e liderou o quesito no torneio), mas colegas de setor, como Bonucci e Marchisio, deram conta do recado quando foram solicitados. A espinha dorsal da equipe ganhou elementos importantes, como Cuadrado e Khedira, mas os grandes méritos vão para a jóia Dybala. O argentino, autor de 19 gols e nove assistências, já mostrou todo o seu potencial e será um dos principais jogadores de toda a Serie A por anos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Jogadores: Diego Milito

O Príncipe, no momento mais marcante da carreira: em apenas um ano, entrou para a história da Inter (Getty)
Neste fim de semana, um dos jogadores mais importantes para a história recente do futebol italiano pendurou as chuteiras. Diego Milito foi saudado com muita festa por 50 mil torcedores do Racing no estádio El Cilindro, palco dos seus primeiros e últimos jogos pela equipe que torcia e amava e fez seu último jogo como profissional. O Príncipe não foi apenas ídolo de La Academia, mas também das torcidas de Genoa e Inter.

Nascido em Bernal, na província de Buenos Aires, Milito já era fervoroso torcedor do Racing quando começou sua carreira como profissional, em 1999. Enquanto isso, seu irmão mais novo, o zagueiro Gabriel, atuava no outro Independiente, rival de Avellaneda. Diego atravessou um período nefasto da história racinguista, pois o time chegou a ser extinto por causa de dívidas (decisão revista pela justiça), mas também conquistou um Apertura em seus primeiros anos pelos celestes. Àquela época, Diego Milito já era chamado de Príncipe, por causa de sua inegável semelhança com o uruguaio Enzo Francescoli, ídolo de River Plate e Cagliari – há quem diga que ele pareça também com o ator Sylvester Stallone.

Em janeiro de 2004, ele embarcou para a Itália. Milito, no entanto, não foi para a Calábria, a terra de seus avôs, mas para a Ligúria: acertou com o Genoa, que disputava a Serie B. O centroavante ambidestro, de ótima finalização e boa mobilidade chegou ao Belpaese no meio da temporada 2003-04 e, mesmo jogando apenas 20 partidas, conseguiu marcar 12 gols.

No ano seguinte, o Príncipe foi o vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols. Ele teria sido o responsável por recolocar os grifoni na Serie A, com a conquista da segundona, mas o time foi punido por ilícito esportivo: não denunciou a tentativa de compra de um jogo que o envolvia e foi rebaixado para a Serie C1. Milito, que balançou as redes 34 vezes em um ano e meio vestindo rossoblù, acabou negociado com o Zaragoza.

Na Espanha, Milito continuou sendo uma máquina de fazer gols – em três anos pela equipe aragonesa foram 61. O Príncipe encontrou o irmão Gabriel, que já atuava pelo time, e se tornou o grande nome dos blanquillos, formando dupla de ataque com o brasileiro Ewerthon. Em 2005-06, o Zaragoza foi vice-campeão da Copa do Rei e Diego foi um dos jogadores mais importantes nesta trajetória: chegou a marcar quatro gols em uma partida contra o Real Madrid pelas semifinais da Copa do Rei e já tinha vitimado o Barcelona nas quartas.

No ano seguinte, Milito foi vice-artilheiro de La Liga, com 23 gols, e ajudou o Zaragoza a se classificar para a Copa Uefa. No entanto, a temporada seguinte, 2007-08, culminou no rebaixamento dos blanquillos, embora o argentino tenha anotado 15 tentos. Após o triênio de sucesso na Espanha, o Príncipe voltou a Gênova, como contratação do final do mercado, literalmente no último segundo da janela – para não perderem o prazo, executivos do clube rossoblù precisaram atirar a pilha de documentos que confirmavam a transferência para dentro do prédio em que os negócios eram homologados.

Milito se tornou ídolo do Genoa em poucos jogos pelo time (Esporte Interativo)
Milito retornava como grande contratação para a temporada 2008-09 e demonstrou seus melhores atributos: dribles secos, chutes fulminantes de pé direito, muita movimentação e presença de área. O Príncipe foi um dos últimos grandes ídolos da torcida rossoblù e marcou época em um dos melhores times do Genoa – abaixo somente dos times que garantiram os nove scudetti da história rossoblù. Além do elenco que colocou o Grifone na Europa pela primeira vez no início dos anos 1990, apenas o time comandado pelo Príncipe também deu à torcida a alegria de vivenciar um torneio continental.

Ao longo daquela campanha, o argentino marcou 24 gols e foi vice-artilheiro da Serie A, balançando as redes contra adversários como Roma, Milan, Napoli, Fiorentina e a rival Sampdoria. Milito e companhia, treinados por Gian Piero Gasperini, por pouco não fizeram o Vecchio Balordo jogar uma Liga dos Campeões: a equipe fez os mesmos 68 pontos que a Fiorentina, mas acabou relegada à Liga Europa por causa do confronto direto, favorável aos viola.

Milito é recordado ainda por ter a maior média de gols por jogo da história genoana (0,62) e por ser o único autor de uma tripletta em um dérbi da cidade de Gênova – o argentino ainda é um dos vice-artilheiros do confronto com a Sampdoria, com quatro gols anotados. Por tudo isso, o argentino foi eleito o melhor atacante da Serie A e acabou atraindo a Inter, que o levou para Milão juntamente com Thiago Motta, pagando 25 milhões de euros.

O Príncipe chegou à Inter já com 30 anos e, na primeira temporada vestindo nerazzurro, garantiu a sua entrada no rol dos maiores craques da história da Beneamata. Milito disputou 52 jogos e marcou 30 gols em 2009-10, sendo mais importante do que jogadores de peso, como Samuel Eto'o e Wesley Sneijder.

A marca já seria boa por si só, mas o argentino fez gols muito importantes na conquista da Tríplice Coroa, um feito inédito na história do futebol italiano e que só a Inter tem, até o momento. Na Serie A marcou contra 15 dos 19 adversários dos nerazzurri, fez gols nos dois dérbis de Milão e deu o scudetto à Inter frente ao Siena – ao todo, foram 22. Ele ainda decidiu a Coppa Italia com um golaço contra a Roma e também marcou gols contra todos os adversários da Inter no mata-mata da Liga dos Campeões, incluindo Chelsea, Barcelona e a doppietta na final, contra o Bayern de Munique. Poucos jogadores foram tão decisivos em uma única temporada do futebol italiano.

Logo em 2009-10 Milito viveu seu auge pela Inter e conquistou quase todas as taças de sua carreira, bem como os troféus individuais. Em nível europeu, o argentino foi eleito atacante do ano e jogador do ano da Uefa e também ganhou o prêmio de melhor jogador da final da Champions; enquanto no Belpaese faturou quatro Oscars del Calcio, os de jogador mais amado pelos torcedores, melhor atacante, melhor jogador estrangeiro e de melhor jogador.

Mesmo assim, Milito nunca teve muitas chances na seleção da Argentina. O atacante foi convocado para a Copa de 2010, como reserva, e também ficou no banco na campanha das Copas América de 2007 (ficou com o vice) e de 2011. Foram 25 jogos e somente quatro gols pela albiceleste.

O argentino costumava ser decisivo em clássicos e foi carrasco de Sampdoria e Milan (Ansa)
O camisa 22 ficou mais quatro temporadas em Milão, mas só esteve à altura do jogador de 2009-10 na sua terceira temporada vestindo nerazzurro – nas outras, conviveu com lesões, mau condicionamento físico e pouca sorte. Somente em 2011-12 aquele atacante de corte seco, chutes fulminantes de pé direito e muita movimentação voltou a aparecer: fez uma tripletta contra o Genoa, outra contra o Milan (apenas István Nyers e Amedeo Amadei haviam feito o mesmo pela Inter) e chegou aos 24 gols na Serie A, superando o número de gols de Ronaldo pela equipe.

Apesar de ter deixado a Inter sem contribuir muito para o time, Milito nunca perdeu o respeito e o amor dos torcedores, que adoravam gritar o seu nome em San Siro. Pudera, foram 171 jogos e 75 gols com a camisa 22 nerazzurra. Em 2014, no final de seu contrato, o Príncipe decidiu voltar para um lugar em que ele também era majestade: Avellaneda.

Nos últimos dois anos de sua carreira, Milito viveu momentos de alta do Racing e de muita festa no El Cilindro. O Príncipe voltou a usar a camisa 22 de La Academia e também a braçadeira de capitão. Ganhou um Campeonato Argentino, disputou uma Copa Libertadores e chorou muito em uma despedida com a devida homenagem a um jogador que tantas alegrias deu aos racinguistas. E também a grifoni e nerazzurri.

Diego Alberto Milito
Nascimento: 12 de junho de 1979, em Bernal, Argentina
Posição: atacante
Clubes em que atuou: Racing (1999-2004 e 2014-16), Genoa (2004-05 e 2008-09), Zaragoza (2005-08) e Inter (2009-14)
Títulos: Mundial Interclubes (2011), Serie A (2010), Liga dos Campeões (2010), Supercopa Italiana (2010), Coppa Italia (2010 e 2011), Torneio Apertura (2001) e Campeonato Argentino (2014)
Seleção argentina: 25 jogos e 4 gols

domingo, 22 de maio de 2016

Serie B: em busca do último escolhido

Surpresa da Serie B, Trapani é um dos concorrentes ao acesso para a elite (Repubblica)
Na última sexta-feira 20, a Serie B de 2015-16 chegou ao fim. Quer dizer, ao menos a liga, já que os play-offs e o play-out reservarão um pouco mais de emoção. Aconteça o que acontecer, a segundona italiana sempre reservará resultados imprevisíveis e dramaticidade, por mais que o campeonato se encaminhe para um final tranquilo, como prevíamos.
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A 42ª rodada, em especial, ficou reservada à briga pelo título e contra o rebaixamento. O Cagliari recuperou a liderança no último sábado (14), quando venceu a Salernitana e o Crotone perdeu para o Trapani, mas o título ainda não estava garantido: a festa só veio após a sofrida vitória sobre a Pro Vercelli, depois que, na reta final do jogo, Sau fez golaço de bicicleta – justamente ele, que passou a temporada em baixa por problemas físicos. O Crotone venceu a Virtus Entella, mas não conseguiu ultrapassar os sardos, que ficaram com um ponto a mais e confirmaram seu primeiro título da Serie B.

Na briga pelos play-offs de acesso para a Serie A, destaque para o Trapani de Serse Cosmi. O clube siciliano vinha em ascensão, mas não se esperava que tivesse forças para manter o ritmo e concluir o campeonato entre os oito primeiros colocados – há mata-mata entre os classificados entre o 3º e o 8º posto. Mais do que isso, os granata ficaram com a terceira colocação, com boa vantagem sobre os badalados Bari e Cesena, que também confirmaram lugar na briga pela última vaga para a Serie A. O Trapani somou incríveis 44 pontos no returno: a efeito de comparação, Cagliari e Crotone fizeram 37 no mesmo período.

O Pescara ficou logo atrás do Trapani e concluiu a temporada na 4ª posição. O destaque do time do Adriático foi o artilheiro ítalo-peruano Lapadula, autor de 27 gols em 40 partidas no seu primeiro ano na equipe e em sua segunda temporada na Serie B. Pela terceira vez seguida, o Spezia também irá jogar os play-offs, assim como o Novara, que caiu desde a 30ª rodada, mas se manteve na briga. Os novareses entraram na zona de acesso por causa de uma vitória fácil sobre o Modena e por causa da derrota do Entella contra o Crotone: a ultrapassagem aconteceu aí.

O mata-mata acontecerá entre os dias 24 e 9, mas Trapani e Pescara terão mais tempo de descanso, por terem ficado mais bem colocados. Os play-offs serão jogados da seguinte maneira: o Cesena (5º) recebe o Spezia (7º), enquanto o Bari (6º) recebe o Novara (8º) nos dias 24 e 25, pelo turno preliminar. Em ida e volta, as semifinais terão o Trapani (3º) decidindo em casa contra Bari ou Spezia (dias 28 e 31) e o Pescara (4º) com a vantagem do segundo jogo em seu estádio contra o vencedor do duelo entre Cesena e Novara (dias 29 e 1º). Na final, novamente confrontos de ida e volta (dias 5 e 9) para confirmar o terceiro promovido para a elite do futebol italiano. Trapani e Spezia seriam os únicos possíveis estreantes.

O outro extermo
Na parte de baixo da tabela, enquanto o Modena ia decretando seu rebaixamento após onze anos na Serie B graças a uma goleada diante do Novara, o Livorno ia superando meses de derrotas com um 2 a 0 sobre o Lanciano, adversário direto pela salvezza. Mas o jogo virou: o desastre começou quando o goleiro Ricci foi expulso aos 67 minutos e Ferrari descontou de pênalti. O empate chegou aos 84 com falha clamorosa do reserva Pinsoglio, que acabou rebaixando o tradicionalíssimo clube toscano, que não frequentava a terceira divisão há 14 anos.

Após o jogo, selvageria na cidade da Toscana: houve batalha campal nas ruas e os jogadores tiveram de aguardar horas para poderem deixar os vestiários por causa das ameaças dos ultràs. Pinsoglio acabou sendo agredido por um torcedor e está internado em um hospital, com ferimento no olho.

O resultado deu sobrevida ao Lanciano na Serie B: o time do Abruzzo disputará o play-out com a Salernitana nos dias 4 e 8. A equipe de Salerno estava na zona de rebaixamento, mas venceu o como, já rebaixado, para ganhar a chance de se manter na série cadetta.

Seleção da Serie B
Cordaz (Crotone); Del Prete (Perugia), Yao (Crotone), Scognamiglio (Trapani), Martella (Crotone); João Pedro (Cagliari), Sensi (Cesena), Memushaj (Pescara); Ricci (Crotone), Lapadula (Pescara), Diego Farias (Cagliari). Treinador: Ivan Juric (Crotone).

sábado, 21 de maio de 2016

Morata, a estrela da morte, e uma Juve histórica

Implacável, Morata deu 11º título da copa para a Juventus (Getty)
Pentacampeã da Serie A, bicampeã da Coppa Italia: pela primeira vez na história, um clube conquista o campeonato e a copa duas vezes seguidas. Essa marca só poderia ser da Juventus dos anos 2010, que domina o Belpaese com feitos sem precedentes na história do futebol italiano e, neste sábado, enfrentou dificuldades até inesperadas para vencer o Milan.

Falem o que quiser de Álvaro Morata, mas o espanhol é decisivo. O ex-jogador do Real Madrid foi importante nas oitavas de final da Liga dos Campeões (apesar da eliminação), fez gols contra os rivais Inter (três), Torino (dois, além de duas assistências) e Fiorentina (um) e, claro, o gol vitorioso na final deste sábado, em Roma no seu primeiro toque na bola, aos 109 minutos. Isso porque Morata já tinha sido crucial em 2014-15 no mata-mata europeu e marcando nos dérbis contra os milaneses. 

Em um roteiro improvável, brilhou a estrela do camisa 9, justo em meio à indecisão do seu futuro. O jogo era cansativo para o time de Allegri, que entrou sem atitude no primeiro tempo, entregue a um organizado e agressivo Milan de Brocchi. A equipe idealizada pelo interino lembrou muito o estilo de Mihajlovic, pela competitividade e por diminuir a Juventus por praticamente toda a partida. Neste contexto, Montolivo e Kucka atuaram com grandeza e foram os principais vetores de força dos rossoneri.

Não foi o suficiente para que o Diavolo garantisse o título e a vaga europeia, que pela terceira vez não é comemorada em Milanello – feito inédito na era Berlusconi, justamente naquela que pode ser a última temporada sob o comando do polêmico empresário. Não à toa, isso acontece também na terceira temporada em que o manda-chuva não deu tempo para os treinadores desenvolverem seu trabalho. Quem comemora é o Sassuolo, sexto colocado na Serie A e classificado pela primeira vez na história a uma competição continental, feito obtido apenas em sua terceira participação na elite.

Para a conquista da Juventus, pesou a força mental de um grupo vencedor e dominante na Itália, que muitas vezes não precisa se sacrificar e/ou aguenta longos minutos de inferioridade para crescer no fim e triunfar. A final da copa foi um dos piores jogos do time na temporada e a vitória esteve longe durante quase todos os momentos nos 120 minutos em que a bola rolou no Olímpico.

Bonucci fez falta na organização do time e seu substituto, o garoto Rugani, não esteve bem: mostrou-se nervoso na defesa e perdeu duelos contra De Sciglio, que fez sua melhor partida em mais de dois anos. Hernanes mais uma vez não foi capaz de substituir Marchisio e pesou a falta da leitura de jogo e ritmo de Khedira, substituído por Lemina. Dybala e Pogba não estavam em seus melhores dias e foram ineficazes, mas lá estava Morata, perfeito para completar a jogada de contra-ataque construída por Lemina e Cuadrado. Uma estrela letal.

Milan 0-1 Juventus
Morata (Cuadrado) 109'

Milan (4-3-3): Donnarumma; Calabria, Zapata, Romagnoli, De Sciglio; Kucka (Balotelli 111'), Montolivo (Mauri 108'), Poli (Niang 85'); Honda, Bacca, Bonaventura. Treinador: Cristian Brocchi.

Juventus (3-5-2): Neto; Rugani, Barzagli, Chiellini; Lichtsteiner (Cuadrado 75'), Lemina, Hernanes (Morata 108'), Pogba, Evra (Alex Sandro 62'); Dybala, Mandzukic. Treinador: Massimiliano Allegri.

Árbitro: Gianluca Rocchi

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Retrospectiva da Serie A 2015-16, parte 1

Chegou a hora de um dos momentos mais tradicionais do blog: a retrospectiva da temporada do futebol italiano. A Serie A foi bastante disputada e não apenas na parte de cima da tabela. Uma amostra disso é que até mesmo um time tradicional foi rebaixado e outros campeões nacionais lutaram para não cair para a segundona.

A primeira parte do nosso especial, logo abaixo, analisa as campanhas das equipes colocadas entre a 20ª e a 11ª posição. Boa leitura!

Publicado também na Trivela.

Verona


A campanha: 20ª colocação, 28 pontos. 5 vitórias, 13 empates e 20 derrotas.
No primeiro turno: 20ª posição, 8 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Napoli.
Ataque e defesa: 33 gols marcados (2º pior) e 64 sofridos (3ª pior)
Time-base: Gollini; Pisano, Moras, Helander (Bianchetti), Souprayen; Wszolek, Greco, Viviani, Ionita; Juanito (Siligardi), Pazzini (Toni).
Artilheiros: Luca Toni (6 gols), Giampaolo Pazzini (6) e Eros Pisano (5)
Técnicos: Andrea Mandorlini (1ª-14ª rodada) e Luigi Delneri (14ª em diante)
Os destaques: Luca Toni, Pierluigi Gollini e Artur Ionita
A decepção: Cláudio Winck
A revelação: Pierluigi Gollini
Quem mais jogou: Eros Pisano (34 jogos) e Juanito (33)
O sumido: Cláudio Winck
Melhor contratação: Federico Viviani
Pior contratação: Cláudio Winck
Nota da temporada: 4,5

O Verona veio de duas ótimas temporadas na Serie A, nas quais até flertou com uma vaga na Liga Europa. Começou 2015-16 com expectativas de ficar no meio da tabela, por causa de seu elenco razoável e do longo trabalho de Mandorlini, que ficou quase cinco anos no cargo. No entanto, o time não se acertou e acabou caindo, muito por causa da péssima campanha no primeiro turno: foram apenas oito pontos em 19 jogos, média inferior até a do falido Parma de 2014-15. A primeira vitória dos veroneses só aconteceu na 23ª rodada.

No segundo turno, o Hellas reagiu e fez alguns bons jogos, vencendo Milan, Juventus e o dérbi contra o Chievo, o que ao menos fez o time cair e ser aplaudido pela torcida. A homenagem aconteceu porque, apesar da temporada ruim, o elenco lutou e mostrou orgulho. Também foram valorizados os desempenhos de alguns jogadores jovens, como o goleiro Gollini, o zagueiro Helander e o meia Ionita, que se destacaram e devem ser negociados por bons valores. Por outro lado, Pazzini não jogou o que se esperava dele e a dupla com Toni não decolou: inclusive, o camisa 9 dos butei se despediu do futebol com um rebaixamento. Uma pena.

Frosinone


A campanha: 19ª posição, 31 pontos. 8 vitórias, 7 empates e 23 derrotas.
No primeiro turno: 18ª posição, 15 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Spezia.
Ataque e defesa: 35 gols marcados (3º pior) e 76 sofridos (a pior)
Time-base: Leali; Rosi (M. Ciofani), Blanchard, Crivello (Ajeti), Pavlovic; Gori, Gucher (Chibsah), Soddimo (Frara); Paganini, D. Ciofani, Dionisi.
Artilheiros: Daniel Ciofani e Federico Dionisi (ambos com 9 gols)
Técnico: Roberto Stellone
Os destaques: Nicola Leali, Daniel Ciofani e Federico Dionisi
A decepção: Samuele Longo
A revelação: Luca Paganini
Quem mais jogou: Daniel Ciofani (37 jogos), Nicola Leali (33) e Federico Dionisi (32)
O sumido: Vasyl Pryima
Melhor contratação: Nicola Leali
Pior contratação: Samuele Longo
Nota da temporada: 4,5

O Frosinone chegou à Serie A sabendo que permanecer na elite seria um milagre. A tarefa quase impossível não foi cumprida, mas os ciociari venderam muito caro o rebaixamento, que só foi consumado na 36ª rodada. Tudo isso teve o dedo do técnico Stallone, que estava no clube desde 2012 e já conhecia muito bem o elenco, que teve poucas contratações para a temporada e era o mais fraco do campeonato. Sem experiência na elite, os jogadores da equipe estreante conseguiram equilibrar jogos contra potências e arrancaram pontos de adversários como Juventus, Sampdoria e Milan.

Jogar no Matusa era sempre complicado para os rivais dos canarini: foram 22 pontos conquistados em seus domínios. Fora de seu estádio, porém, o time gialloblù só fez 9 pontos, o que prejudicou qualquer possibilidade de permanência na Serie A. Apesar de tudo, uma das cenas mais bonitas da temporada foi protagonizada pela equipe e por sua torcida: apesar do rebaixamento, jogadores e torcida fizeram festa em Frosinone no jogo que sucedeu a confirmação matemática da queda. Ao fim da temporada, Stellone se demitiu (deve assinar com um clube maior) e agora o time deverá se reconstruir sem ele. Daniel Ciofani, Dionisi, Paganini, Soddimo e os goleiros Leali e Bardi também saíram valorizados de 2015-16.
 
Carpi


A campanha: 18ª posição, 38 pontos. 9 vitórias, 11 empates e 18 derrotas.
No primeiro turno: 19ª posição, 14 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pelo Milan.
Ataque e defesa: 37 gols marcados (5ª pior) e 57 sofridos
Time-base: Belec; Letizia, Zaccardo, Romagnoli, Gagliolo; Pasciuti (Crimi), Bianco, Cofie, Di Gaudio; Lollo; Mbakogu (Lasagna).
Artilheiros: Kevin Lasagna (5 gols), Simone Verdi (3), Antonio Di Gaudio (3) e Lorenzo Lollo (3)
Técnicos: Fabrizio Castori (1ª-6ª rodada e 12ª em diante) e Giuseppe Sannino (7ª-11ª rodada)
Os destaques: Kevin Lasagna, Antonio Di Gaudio e Riccardo Gagliolo
A decepção: Jerry Mbakogu
A revelação: Stefano Sabelli
Quem mais jogou: Kevin Lasagna (36 jogos), Gaetano Letizia (35) e Riccardo Gagliolo (31)
O sumido: Zeljko Brkic
Melhor contratação: Marco Crimi
Pior contratação: Jonathan De Guzmán
Nota da temporada: 5

Estreante na Serie A, a equipe emiliana tentou modificar bastante o elenco no mercado de verão. No entanto, apenas três reforços se tornaram titulares (Belec, Zaccardo e Cofie) seja com Castori seja com Sannino: foi com a base que conquistou o troféu da série cadetta que o time tentou escapar do rebaixamento. Quase deu para o Carpi, que teve a terceira melhor pontuação de um time rebaixado desde que o campeonato tem 20 times: os biancorossi fizeram a 10ª melhor campanha do returno (24 pontos) e ficaram vivos até a última rodada, mas viram o Palermo permanecer. Já foi um feito e tanto para uma equipe tão pequena.

Com os pés no chão, os falconi mostraram que um bom conjunto pode se destacar mesmo sem grandes valores individuais. Uma prova disso é que a equipe teve uma série de jogadores desconhecidos do grande público que apareceram bem, como Letizia, Gagliolo, Pasciuti, Di Gaudio, Lollo e Lasagna. O atacante com nome de prato italiano, inclusive, saiu do banco em 28 partidas e assim mesmo foi o principal vetor ofensivo do time, já que Mbakogu decepcionou. Os carpigiani devem manter a base que disputou a Serie A e o seu comandante para tentarem retornar à elite.
 
Udinese


A campanha: 17ª posição, 39 pontos. 10 vitórias, 9 empates e 22 derrotas.
No primeiro turno: 12ª posição, 24 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Lazio
Ataque e defesa: 35 gols marcados (3º pior) e 60 sofridos (5ª pior)
Time-base: Karnezis; Wagué (Heurtaux), Danilo, Felipe (Piris); Widmer, Badu, Lodi (Kuzmanovic), Bruno Fernandes, Edenílson; Théréau, Zapata (Di Natale).
Artilheiros: Cyril Théréau (11 gols), Duván Zapata (8) e Emmanuel Agyemang-Badu (4)
Técnicos: Stefano Colantuono (1ª-29ª rodada) e Luigi De Canio (30ª em diante)
Os destaques: Cyril Théréau, Duván Zapata e Bruno Fernandes
A decepção: Francesco Lodi
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Orestis Karnezis (38 jogos), Cyril Théréau (36) e Danilo (34)
O sumido: Maurizio Domizzi
Melhor contratação: Duván Zapata
Pior contratação: Francesco Lodi
Nota da temporada: 3,5

Uma temporada em que a Udinese não revelou ninguém não pode ser positiva para o clube. Principalmente quando a estrela da companhia, Di Natale, passa o seu ano de despedida mais tempo no estaleiro do que no gramado e marca apenas dois gols. Em 2015-16, os bianconeri só puderam comemorar a inauguração da reformada Dacia Arena (ou novo Friuli) – mesmo que o estádio não tenha recebido uma boa média de público. Se formos bonzinhos, as atuações de Karnezis, Widmer, Bruno Fernandes, Théréau e Zapata também foram acima da média – ainda que só dois destes, o segundo e o terceiro citados, tenham algum valor de mercado.

O investimento na Udinese tem caído desde que seu dono, Giampaolo Pozzo, decidiu que Watford e Granada eram melhores vitrines para suas joias do que o time italiano. Com isso, os mais promissores futebolistas descobertos pela rede de olheiros que fomentava a Udinese têm ido para Inglaterra e Espanha. O flerte com o rebaixamento, afastado apenas na penúltima rodada, mostra como o elenco perdeu em qualidade: os friulanos fizeram, nesta temporada e na anterior, suas duas piores campanhas desde o descenso de 1994, o último da história do clube. O projeto técnico da equipe parece bem comprometido: os Pozzo não costumavam demitir técnicos e tem mudado muito desde a saída de Guidolin. Após Stramaccioni, Colantuono e De Canio, a família aposta em Iachini para 2016-17.
 
Palermo


A campanha: 16ª posição, 39 pontos. 10 vitórias, 9 empates e 19 derrotas.
No primeiro turno: 16ª posição, 21 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pela Alessandria
Ataque e defesa: 38 gols marcados e 65 sofridos (2ª pior)
Time-base: Sorrentino; Struna (Morganella), Andelkovic (Goldaniga), González, Lazaar (Rispoli); Hiljemark, Jajalo (Brugman), Chochev (Maresca); Vázquez, Gilardino, Trajkovski (Quaison).
Artilheiros: Alberto Gilardino (10 gols), Franco Vázquez (8) e Oscar Hiljemark (4)
Técnicos:  Giuseppe Iachini (1ª-12ª e 26ª-28ª rodada), Davide Ballardini (13ª-19ª rodada e 33ª em diante), Guillermo Barros Schelloto (apenas treinos), Fabio Viviani (20ª rodada), Giovanni Bosi (21ª e 25ª rodadas), Giovanni Tedesco (22ª-24ª rodada) e Walter Novellino (29ª-32ª rodada)
Os destaques: Alberto Gilardino, Stefano Sorrentino e Franco Vázquez
A decepção: Achraf Lazaar
A revelação: Fabrizio Alastra
Quem mais jogou: Oscar Hiljemark (38 jogos) e Franco Vázquez (36)
O sumido: Roberto Vitiello
Melhor contratação: Alberto Gilardino
Pior contratação: Uros Djurdjevic
Nota da temporada: 3

O Palermo costuma trocar muito de técnico durante a temporada, mas dessa vez a dança das cadeiras foi uma verdadeira tarantella: o desvairado presidente Zamparini exagerou e fez 10 trocas no comando da equipe, um recorde na história da Serie A. Apesar de o empresário friulano ter elevado o time rosanero de patamar, com investimentos a partir de 2002, a responsabilidade de os sicilianos terem escapado do rebaixamento na bacia das almas foi quase toda de sua gestão. Tivesse oferecido mais estabilidade a qualquer um dos treinadores, a história poderia ter sido outra.

A intranquilidade nos bastidores e a falta de padrão tático do time atrapalharam alguns jogadores, que tiveram temporada bastante irregular – casos dos ótimos Vázquez, Hiljemark e Lazaar. Acabou que os mais experientes do elenco, como Sorrentino e Maresca, precisaram superar atritos com técnicos (especialmente Ballardini) e o presidente Zamparini para que o foco nos resultados esportivos voltasse a ser prioridade na fase final do campeonato. O veterano goleiro foi um dos melhores em sua posição, enquanto Gilardino mostrou que ainda é muito útil, mesmo com quase 34 anos: a seu modo, conseguiu suprir as saídas de Belotti e Dybala e se tornou um dos 10 maiores goleadores da história da Serie A, com 188 tentos.
 
Sampdoria


A campanha: 15ª posição, 40 pontos. 10 vitórias, 10 empates e 18 derrotas.
No primeiro turno: 13ª posição, 23 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada na terceira fase preliminar da Liga Europa pelo Vojvodina e nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Milan.
Ataque e defesa: 48 gols marcados e 61 sofridos (4ª pior)
Time-base: Viviano; Cassani, Silvestre (Ranocchia), Moisander; De Silvestri (Ivan), Fernando, Barreto, Dodô (Regini); Soriano, Muriel (Correa, Carbonero); Quagliarella (Éder, Cassano).
Artilheiros: Éder (12 gols), Roberto Soriano (8) e Luis Muriel (6)
Técnicos: Walter Zenga (1ª-12ª rodada) e Vincenzo Montella (13ª em diante)
Os destaques: Éder, Emiliano Viviano e Roberto Soriano
A decepção: Antonio Cassano
A revelação: Dávid Ivan
Quem mais jogou: Emiliano Viviano (37 partidas), Roberto Soriano (37) e Fernando (35)
O sumido: Angelo Palombo
Melhor contratação: Fernando
Pior contratação: Edgar Barreto
Nota da temporada: 4,5

A Sampdoria entrou em 2015-16 cercada por dúvidas. Zenga nunca teve um trabalho consistente como treinador e o elenco perdera peças importantes, como Eto'o, Okaka, Obiang, Duncan e Romagnoli. Repetir a temporada anterior e emplacar uma vaga em competição europeia parecia difícil, mas o desempenho dos dorianos foi ainda pior do que o esperado e colocou a equipe na briga contra o descenso. A humilhante eliminação para o Vojvodina na Liga Europa foi apenas o prelúdio do que estaria por vir: um time com boas peças e que até propunha bem o jogo, mas que não se acertava defensivamente e, desorganizado, parecia sempre disperso e incapaz de almejar algo mais que a parte inferior da tabela.

Enquanto Zenga somou 16 pontos em 36 possíveis, deixando os blucerchiati no meio da tabela, Montella foi, quem diria, ainda pior – fez 24 em 78. A temporada negativa do ex-treinador da Fiorentina chegou até a colocar em xeque as suas qualidades como técnico, mas fato é que a Samp sofreu demais com a venda de Éder para a Inter e com a má fase de líderes do elenco, como Palombo e Cassano. Vale ressaltar que a equipe revelou dois bons jogadores, como Ivan e Pedro Pereira, e que a espinha dorsal, formada por Viviano, Fernando e Soriano funcionou muito bem. Se o recomeço não for a partir destes nomes, ao menos alguns milhões encherão os cofres genoveses.

Bologna


A campanha: 14ª posição, 42 pontos. 11 vitórias, 12 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 15ª posição, 22 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Pavia
Ataque e defesa: 33 gols marcados (o pior) e 45 gols sofridos
Time-base: Mirante; Rossettini (Mbaye), Oikonomou (Maietta), Gastaldello, Masina; Brighi (Donsah), Diawara, Taïder; Mounier (Rizzo), Giaccherini (Brienza); Destro (Floccari).
Artilheiros: Mattia Destro (8 gols), Emanuele Giaccherini (7) e Anthony Mounier (4)
Técnicos: Delio Rossi (1ª-10ª rodada) e Roberto Donadoni (11ª em diante)
Os destaques: Emanuele Giaccherini, Mattia Destro e Amadou Diawara
A decepção: Ibrahima Mbaye
A revelação: Amadou Diawara
Quem mais jogou: Amadou Diawara (34 jogos), Adam Masina (33) e Antonio Mirante (33)
O sumido: Archimede Morleo
Melhor contratação: Emanuele Giaccherini
Pior contratação: Anthony Mounier
Nota da temporada: 6,5

O Bologna pode até não ter prezado pelo futebol mais bonito e não ter feito estardalhaço, mas foi uma das equipes mais queridas pelos hipsters do esporte – a começar pelo belo uniforme. O presidente Joey Saputo chegou mostrando a que veio, através de contratações acertadíssimas no mercado, como os jovens Pulgar, Diawara e Donsah, além dos rodados Mirante, Rossettini, Brienza, Giaccherini e Destro. O Bologna também manteve o prata da casa Masina e o capitão Gastaldello, mas começou muito mal a temporada e só melhorou quando o ultrapassado Rossi deu lugar a Donadoni. Foi aí que os felsinei caíram no gosto de quem acompanha futebol na Itália.

A sólida temporada rossoblù só não foi melhor porque o time tirou o pé do acelerador após conquistar a permanência na elite e desperdiçou pontos na reta final da competição – chegou a passar nove jogos sem vitórias. Mesmo assim, Donadoni chegou a ter seu nome cogitado para substituir Conte na seleção italiana após a Euro e Mirante e Giaccherini foram pré-convocados para a competição, o que mostra como os jogadores (não só os citados, mas todos) cumpriram com rigor as funções estabelecidas pelo técnico. Se Mirante e Giak ficaram entre os melhores em suas posições na Serie A, o lateral Masina e o jovem volante Diawara, de apenas 18 anos, também seguiram o mesmo caminho e são esperança de que a próxima campanha bolonhesa seja mais ambiciosa.
 
Atalanta


A campanha: 13ª posição, 45 pontos. 11 vitórias, 12 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 11ª posição, 24 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada na quarta fase da Coppa Italia pela Udinese
Ataque e defesa: 41 gols marcados e 47 sofridos
Time-base: Sportiello; Rafael Tolói, Masiello, Paletta; Bellini (D'Alessandro, Conti), De Roon, Cigarini, Kurtic, Dramé; Gómez; Pinilla (Denis, Borriello).
Artilheiros: Alejandro Gómez (7 gols) e Mauricio Pinilla (5)
Técnico: Edoardo Reja
Os destaques: Marco Sportiello, Marten De Roon e Alejando Gómez
A decepção: Alessandro Diamanti
A revelação: Andrea Conti
Quem mais jogou: Marco Sportiello (36 jogos), Marten De Roon (36) e Alejandro Gómez (34)
O sumido: Carlos Carmona
Melhor contratação: Marten De Roon
Pior contratação: Serge Gakpé
Nota da temporada: 5,5

Mais uma vez, a Atalanta permaneceu na Serie A sem correr grandes riscos, embora dessa vez não tenha empolgado. Pontuada de altos e baixos, a temporada nerazzurra começou e terminou com resultados importantes, mas teve uma sequência de 14 jogos sem vitórias entre a 16ª e a 29ª rodadas. Natural, já que a equipe passava por um momento de transição: Reja foi mantido no cargo após um grande período com Colantuono, mesmo não sendo o preferido da torcida e da diretoria; Denis e Maxi Moralez deixaram o time e o capitão Bellini já se preparava para se aposentar. Cumprir o objetivo sem percalços pode ser considerado satisfatório.

Parte dos principais jogadores na campanha orobica foram formados no clube, como costuma acontecer pelos lados de Bérgamo. Sportiello continua sendo uma segurança no gol, enquanto o lateral direito Conti e o volante Grassi (já negociado com o Napoli) mostraram como as canteras do clube seguem em alta. No meio-campo, o holandês De Roon foi uma das gratas surpresas do campeonato, se revelando um raro jogador de área a área, pouco usual na Itália: colocou Carmona no banco e tirou o peso das costas de Cigarini, que não atuou tanto em 2015-16. Mais à frente, enquanto Papu Gómez se mostrou acertada reposição para Moralez, Diamanti nem lembrou aquele jogador que chegou a fazer parte do grupo da Nazionale. Com Pinilla e Borriello, o ídolo Denis acabou não fazendo tanta falta, por incrível que pareça. Há uma estrutura para que a Atalanta faça uma temporada melhor ano que vem.
 
Torino


A campanha: 12ª posição, 45 pontos. 12 vitórias, 9 empates e 17 derrotas.
No primeiro turno: 14ª posição, 23 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Juventus
Ataque e defesa: 52 gols marcados (5º melhor) e 53 sofridos.
Time-base: Padelli; Bovo (Maksimovic), Glik, Moretti; Bruno Peres, Benassi (Acquah), Vives, Baselli, Molinaro (Zappacosta); Belotti, Immobile (Maxi López, Quagliarella).
Artilheiros: Andrea Belotti (12 gols), Ciro Immobile (5) e Fabio Quagliarella (5)
Técnico: Giampiero Ventura
Os destaques: Andrea Belotti, Bruno Peres e Daniele Baselli
A decepção: Daniele Padelli
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Daniele Padelli, Emiliano Moretti, Daniele Baselli e Andrea Belotti (todos com 35 jogos)
O sumido: Alexander Farnerud
Melhor contratação: Andrea Belotti
Pior contratação: Joel Obi
Nota da temporada: 6

O torcedor do Torino está exigente. Anos atrás, uma campanha com um elenco composto por tais peças e concluída com esse padrão seria motivo de festa para os grenás. Hoje não: brigar por uma vaga na Liga Europa é visto como obrigação. De fato, o time tinha totais condições de realizar ao menos campeonato similares aos dois últimos, nos quais ficou na metade de cima da tabela, mas entre escolher o copo meio vazio ou meio cheio, ficamos com a segunda opção. A base do Toro é boa o suficiente para alcançar resultados melhores daqui para frente e há em curso um projeto sólido para tal.

Algumas lesões, em momentos distintos da Serie A, atrapalharam a equipe treinada por Ventura. Primeiro, foram o ótimo zagueiro Maksimovic e o lateral esquerdo Danilo Avelar; já na reta final da temporada Immobile foi para o estaleiro. Padelli, um goleiro fraquinho e que estava em boa fase, perdeu o seu encanto e atrapalhou o time ao longo do ano, ao passo que o capitão Glik também não se acertou – rusgas de Ventura com elementos do setor defensivo e a torcida também tornaram o clima intranquilo. Apesar de tudo, o Toro viu excepcionais temporadas de Baselli, Bruno Peres e Belotti, que ficaram entre os principais jogadores do campeonato em suas funções. Ter essas joias (e outros bons jogadores, como Glik, Maksimovic, Acquah, Benassi, Zappacosta e Immobile) é sinal de que, se o presente não trouxe tantas realizações, o futuro promete mais brilho.

Genoa


A campanha: 11ª posição, 46 pontos. 13 vitórias, 7 empates e 18 derrotas.
No primeiro turno: 17ª posição, 19 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Alessandria.
Ataque e defesa: 45 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Perin (Lammana); De Maio (Múñoz), Burdisso, Izzo; Ansaldi, Rigoni (Ntcham), Rincón, Laxalt; Suso (Perotti), Dzemaili; Pavoletti.
Artilheiros: Leonardo Pavoletti (14 gols), Suso (6) e Alessio Cerci (4)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Leonardo Pavoletti, Suso e Tomás Rincón
A decepção: Alessio Cerci
A revelação: Olivier Ntcham
Quem mais jogou: Diego Laxalt (35 jogos), Armando Izzo (33) e Tomás Rincón (33)
O sumido: Tim Matavz
Melhor contratação: Suso
Pior contratação: Tim Matavz
Nota da temporada: 6

Duas temporadas em uma: quase sempre são assim as campanhas do Genoa, time que sempre muda demais nas janelas de mercado e acaba passando por altos e baixos. Não foi diferente em 2015-16, ano em que os rossoblù começaram com muitas modificações no elenco e viram Perotti não engrenar, o que fez com que a equipe flertasse com a zona de rebaixamento. Porém, depois que o argentino (contrariado por não ter sido negociado em agosto) foi cedido à Roma e o habilidoso Suso chegou, os genoveses arrancaram e terminaram a Serie A na 11ª posição.

Gasperini costuma fazer times competitivos, mas que demoram para entender os seus conceitos de futebol. Dessa vez, os atritos com a diretoria atrasaram mais este processo, mas o Genoa teve ano positivo, no qual alguns jogadores sul-americanos brilharam: casos dos incansáveis Laxalt e Rincón e do versátil Ansaldi. Por outro lado, o titularíssimo Perin, que seria presença certa na Euro, se machucou e não foi tão importante para os grifoni este ano. Ele não vai à competição continental, mas outros dois destaques do time têm chance: Izzo e Pavoletti chamaram a atenção de Conte por causa de seu desempenho no Campeonato Italiano e podem ganhar espaço no plantel azzurro.