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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mais vitória, mais farpas

Juve passou com facilidade pelos suecos nesta quarta (LaPresse)
A temperatura na cidade de Malmö ficou sempre abaixo dos 7 ºC, com sensação próxima ao zero. O gramado do estádio Swedbank estava longe de ter condições perfeitas para a partida. A Juventus, apesar das adversidades que o rival também teve, obviamente, venceu o time sueco por 2 a 0. Os gols foram marcados por Llorente e Tévez.

A Velha Senhora fez dois tempos bastante distintos. O primeiro foi exatamente como os outros jogos da Liga dos Campeões: feio, sem criatividade, lento, chato e qualquer outro adjetivo futebolisticamente negativo. Para não dizer que foi um total desastre, Vidal e, sobretudo, Marchisio criaram oportunidades para mexer no marcador. O técnico Allegri deve ter dado um chacoalhão nos jogadores, e o time voltou do intervalo completamente diferente.

A estatística mais legal do confronto na Suécia foi que a Juventus conseguiu marcar um gol fora de casa na competição após 32 finalizações (!) - aos 49, Llorente balançou a rede com linda assistência de Marchisio, em contra-ataque. O resultado foi definido por Tévez, que recebeu de Pogba e tocou na saída de Olsen. Morata, substituto de Llorente, teve a chance de marcar, mas conseguiu chutar a bola no travessão - ele estava dentro da pequena área e o goleiro não participou do lance.

O sistema defensivo da Juventus concedeu algumas finalizações, mas se portou de forma segura no jogo. Allegri optou por utilizar o esquema com quatro jogadores na primeira linha, com Padoin mantido na lateral esquerda, Lichtsteiner pela direita e Chiellini e Bonucci pelo meio. Quando a defesa não bloqueou o remate - ou dificultou a ação do finalizador -, a bola parou diretamente nos braços de Buffon.

O técnico do Malmö, Åge Hareide, reclamou demais da arbitragem de Pedro Proença. O português, por coincidência, foi responsável pela partida entre Galatasaray e Juventus da temporada 2013-14, quando o time italiano foi eliminado na Turquia. "Nós vimos como e em quais situações ele favoreceu o outro time durante os 90 minutos. Infelizmente previsível", disse. Ele também declarou que o segundo gol da Juve foi um "escândalo", pois "Morata nem olhou a bola e foi no corpo de Johansson". As declarações sucedem a suspeita levantada por um site português de que o Malmö teria diminuído as dimensões do campo.

De qualquer forma, a Juventus saiu vitoriosa do confronto, Tévez deixou o Swedbank afirmando que o gramado ruim o ajudou e a equipe depende apenas de si para se classificar à fase eliminatória da Liga dos Campeões.

Malmo 0-2 Juventus
Liga dos Campeões, Grupo F, Swedbank Stadion

Malmo: Olsen; Tinnerholm (Rakip 85), E Johansson, Helander, Ricardinho; Eriksson, Adu, Halsti, Forsberg; Rosenberg, Kiese Thelin (Cibicki 70). T: Age Hareide

Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Padoin; Marchisio (Pereyra 84), Pirlo, Pogba; Vidal; Tévez, Llorente (Morata 72). T: Max Allegri

Gols: Llorente 49, Tévez 88

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Deslize perigoso

Desatenção geral que permitiu empate do CSKA nos acréscimos pode custar caro e tirar Roma das oitavas de final da Liga dos Campeões

"Esse empate foi como tomar um soco de Mike Tyson", disse Totti após o 1 x 1 contra o CSKA, válido pela 5ª rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões. E se o golpe ainda não foi capaz de derrubar a Roma, ao menos a deixou tonta para o round final, no próximo dia 10, contra o Manchester City, na capital italiana. Antes de sofrer o empate aos 48 minutos do 2º tempo, a equipe de Rudi Garcia chegaria ao duelo contra os ingleses praticamente classificada, com a vantagem do placar igual. Agora, o jogo no Olímpico torna-se de vida ou morte.

Para avançar às oitavas sem depender de outros resultados, os giallorossi precisam vencer o estrelado elenco do City, que chega embalado por causa da grande virada sobre o poderoso Bayern de Munique nessa rodada. E é por isso que a declaração de Totti soa tão sincera. Antes favorita, a Roma agora chega desnorteada e com a real chance de ficar fora da fase final da Liga. Para os torcedores, imaginar essa possibilidade dói, ainda mais lembrando do que foi a partida contra o CSKA, em Moscou.

A Roma foi melhor na maior parte do jogo e controlou o adversário até os instantes finais, apesar de também não ter criado muitas chances. De Sanctis não teve muito trabalho e apenas assistia de longe a partida - talvez até achando ruim a falta de ação, visto os -15ºC que marcava o termômetro. Mas todo o trabalho foi por água abaixo nos acréscimos da partida, quando uma desatenção coletiva permitiu que cruzamento despretensioso de Berezutski passasse por todos e morresse só no fundo das redes. 

O belo gol de Totti, em cobrança de falta, ainda no primeiro tempo, ficou em segundo plano. Provavelmente os romanistas vão lembrar mais das chances perdidas que poderiam ter ampliado a vantagem giallorossa. Ljajic foi quem despediçou a melhor delas. Depois de entrar livre na área russa, pela esquerda, o sérvio pensou tanto antes de chutar que, quando decidiu finalizar, já não havia mais espaço. Akinfeev fez defesa fácil.

Ao fim do jogo, o técnico Rudi Garcia confessou a decepção, mas lembrou que o time ainda depende só das próprias forças para se classificar. "Claro que o empate como foi é ruim. Mas vamos lembrar que logo depois do sorteio ninguém acreditava no nosso time. Diziam que éramos apenas visitantes nesse grupo da morte. Mas estamos na briga e dependemos só de nós para classificar", disse o treinador. 

FICHA
CSKA Moscou 1-1 Roma 

CSKA (4-2-3-1)
Akinfeev; Mario Fernandes, V. Berezutski, Ignashevich, Schennikov; Natcho, Cauna (Milanov); Dzagoev, Musa (Tosic), Eremenko; Doumbia.
Técnico: Slutsky.

Roma (4-3-3)
De Sanctis; Florenzi, Manolas, Astori, Holebas, Keita, De Rossi, Nainggolan (Strootman); Gervinho (Iturbe), Totti, Ljajic (Pjanic).
Técnico: Garcia.

Gols: Totti, aos 43 minutos do 1º tempo; e Berezutski, aos 48 minutos do 2º tempo.
Árbitro: Brych (Alemanha)
Amarelos: Berezutski, Dzagoev e Schennikov

terça-feira, 25 de novembro de 2014

12ª rodada: Derbinho

Partida entre Milan e Inter foi marcada novamente por nível técnico inferior à história do clássico (AP)
Era final de semana de Dérbi de Milão, mas novamente foi a Juventus quem roubou a cena. Ainda no sábado, a Velha Senhora trucidou uma forte Lazio e manteve a ponta da tabela, mesmo com a derrota magra da Roma, minutos antes. No dia seguinte, duas das gigantes italianas mostraram um futebol mais próximo de equipes pequenas ou medianas da Velha Bota. "Fizeram o que podiam, mas o problema é que podem pouco", afirmou com propriedade a crônica do canal italiano Rai. 

Há algumas temporadas um dos maiores jogos da Itália tem mostrado qualidade técnica inferior a construída ao longo de mais de 100 anos de rivalidade, já que a crise fez com que os elencos tanto de Milan quanto de Inter ficassem menos estelares e cada vez mais modestos. Ao menos, com Inzaghi e Mancini os dois times mostram que tem margem de crescimento. Quem sabe no segundo turno o dérbi seja mais divertido? Por enquanto, leia o resumo da 12ª rodada por aqui.

Milan 1-1 Inter
A partida mais aguardada do fim de semana na Itália até foi divertida, mas mais uma vez Milan e Inter não conseguiram fazer um jogo do tamanho e da importância do que é um Derby della Madonnina. Na estreia de Roberto Mancini, que voltou ao clube que lhe deu os primeiros grandes títulos, a escrita foi mantida: o Mancio nunca havia vencido em estreia por um clube na Serie A e continuou sem vitória. Para Pippo Inzaghi, estreante como técnico no clássico, um empate valoroso, principalmente por sua equipe se basear principalmente em contra-ataques. A se registrar o fato de o San Siro ter lotado, mesmo com ingressos mais caros – o fato foi comemorado pela imprensa italiana, que, assim como a brasileira, reclama dos estádios esvaziados nas demais partidas do campeonato.

A primeira grande chance do jogo foi da Inter. Após erro de Muntari, Icardi ficou cara a cara com Diego López, mas perdeu uma chance que não se perde nem nos jogos mais fáceis – méritos para a boa saída do gol do espanhol, no entanto. Após leve superioridade interista, foi o Milan que abriu o placar, após belo contra-ataque e jogada que confundiu a defesa adversária. O rossonero Ménez, com belo gol, fez gol muito parecido com o do nerazzurro Beccalossi, em 1979. Na segunda etapa, aproveitando bola espirrada, Obi (o pior em campo até o momento) empatou o jogo para a Inter. Depois, El Shaarawy perdeu duas ótimas chances: na primeira, frente a Handanovic, acertou a trave; depois se enrolou e viu Juan Jesus se recuperar bem e lhe roubar a pelota. Icardi também acertou a trave, mas antes perdeu outra chance incrível, chutando nas estrelas. Para a primeira partida de Mancini, e com tática nova – um 4-3-3, com Kovacic aberto pela esquerda –, a Inter mostrou melhoras. Já o Milan ganhou boas opções, com o definitivo retorno de Mexès (que estava afastado) ao time e a utilização proveitosa do zagueiro Rami na lateral direita. (Nelson Oliveira)

Lazio 0-3 Juventus
Às vésperas do importante duelo contra o Malmö, pela Liga dos Campeões, a Juventus mostrou que ainda é muito superior aos seus adversários da Serie A e venceu pela décima vez em 12 jogos nessa temporada. Contra a Lazio, no Olímpico de Roma, a equipe contou com um Pogba em grande forma, um Tévez (sempre) decisivo e um Pirlo de volta aos bons momentos. O francês foi responsável por dois bonitos gols, enquanto o argentino marcou o do 2 a 0, que acabou de vez com as esperanças dos biancocelesti.

O 4-3-2-1 de Massimiliano Allegri mostra cada vez mais força, principalmente em campos italianos, e a sombra do 3-5-2 de Antonio Conte vai se apagando do dia-a-dia juventino. A equipe funciona bem na defesa e no ataque e sabe controlar o jogo muito bem, quando necessário. Com Pirlo inspirado, as coisas ficam ainda mais fáceis. Assim, o time segue tranquilo para o jogo fora de casa, contra o Malmö - e que deve ser essencial para o sonho de classificação às oitavas na Champions. A Roma continua três pontos atrás. A Lazio, que perdeu pela segunda vez seguida no campeonato, só não lamentou mais o resultado porque Milan, Udinese e Inter empataram suas partidas e não roubaram sua 6ª colocação. (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 1-2 Roma
Nem mesmo um gol com menos de um minuto de jogo, com Moralez, pressão dos donos da casa e depois uma bola na trave bastaram para a Roma tropeçar. Com duas jogadas simples, sempre com Ljajic pela esquerda, partindo para cima dos “velhinhos” Bellini e Stendardo, o time de Garcia virou e conquistou os três pontos ainda na primeira etapa. O bastante para seguir na cola da Juventus.

Se poupando para o jogo da Liga dos Campeões, mesmo com vários titulares, a Roma iniciou a partida em marcha lenta. E seguiu nela até o final. Ljajic, em bela jogada, e depois com assistência para Nainggolan, em dois contra-ataques, viraram o jogo. Frágil e irregular, a Atalanta não conseguiu manter a pressão inicial, sofreu com sua defesa lenta e depois não reagiu. Mais um resultado ruim de um time que prometia pelo menos um lugar tranquilo na tabela, mas está colado na zona de rebaixamento com seis derrotas em 12 rodadas. (Arthur Barcelos)

Napoli 3-3 Cagliari

Parecia que o Cagliari sairia de Nápoles derrotado pela quinta vez seguida quando Higuaín marcou o primeiro gol do jogo logo aos 11 minutos. O atacante argentino aproveitou cobrança de lateral à distância de Ghoulam e, completamente livre - Rossettini e Ceppitelli esqueceram que não existe impedimento em cobrança manual –, avançou e balançou as redes. Cossu testou Rafael aos 27, porém, logo na sequência, Inler dobrou a vantagem do time da casa, em chute de longa distância. Ibarbo, antes de terminar o primeiro tempo, diminuiu, depois de bom drible de corpo sobre Koulibaly.

Na etapa seguinte, o Cagliari empatou com o brasileiro Diego Farias, após falta cobrada por Cossu e sonolência da defesa azzurra. O gol de De Guzmán, em nova falha absurda da defesa sarda, colocou o time da casa em vantagem novamente. Porém, Koulibaly errou e Ibarbo, seu carrasco na tarde napolitana, aproveitou para lhe roubar a bola e cruzar para Farias definir o resultado da partida. A equipe sarda teve a chance de sair com a vitória do San Paolo, porém, o camisa 17 não conseguiu fazer uma tripletta nos acréscimos, chutando ao lado da meta defendida por Rafael. (Murillo Moret)

Verona 1-2 Fiorentina
Numa das suas mais seguras apresentações na atual temporada da Serie A, a Fiorentina derrotou o Verona e se aproximou do grupo que briga pelas vagas nas competições europeias. Com um início de jogo movimentado, as duas equipes deram trabalhos aos goleiros Neto e Rafael. Quem chegou primeiro ao gol foi a equipe visitante. Borja Valero cobrou escanteio, Alonso desviou e Gonzalo Rodríguez apareceu sozinho na pequena área para completar. Após o gol, a Fiorentina dominou o jogo, criando diversas chances, sendo que, na melhor delas, Gómez, que já não marca há oito meses, parou no travessão.

O Verona melhorou no jogo e chegou ao empate com Nico López, que recebeu de Toni e tocou na saída de Neto – os dois se chocaram feio no lance. As reclamações também marcaram a primeira etapa. Pelo lado da equipe de Montela, um pênalti não marcado em Cuadrado, enquanto os veroneses reclamaram da não expulsão de Pizarro. Na segunda etapa, a Viola seguiu melhor e chegou ao gol com Cuadrado, aproveitando cruzamento de Alonso. Na busca do empate, o Verona chegou perto com Tachtsidis e Rafa Márquez, mas a equipe de Firenze resistiu bem e conquistou a vitória após dois jogos em que saiu derrotada. (Caio Dellagiustina)

Cesena 1-1 Sampdoria
Em um jogo com muitas ocasiões para os dois lados, o empate acabou sendo ruim para ambos. O Cesena foi bem e controlou o jogo na maior parte do tempo. Se tivesse agredido mais, poderia ter saído com a vitória, resultado que o colocaria fora da zona de rebaixamento pela primeira vez desde a 7ª rodada. A Sampdoria, por sua vez, demorou para acordar no jogo. Se o tivesse feito antes, também teria chances de vencer e roubar a terceira colocação do Napoli, entrando na zona de classificação para a Liga dos Campeões da próxima temporada.

Lucchini abriu o placar, aos 15 minutos do segundo tempo, mas não comemorou por respeito ao ex-clube. A partir dali, o Cesena se recolheu para tentar segurar o placar, mas acabou dando espaço para a Sampdoria atacar. E não demorou muito para que os visitantes conseguissem o empate. Soriano avançou pela esquerda, cruzou na área e o lateral Nica, que tinha acabado de entrar, empurrou para as próprias redes. Nos 15 minutos finais, a Samp dominou a partida, em busca de sua primeira vitória longe de Gênova, mas parou em boas defesas do goleiro Leali. (RA)
Genoa 1-1 Palermo
O Genoa entrou em campo pensando em ultrapassar a rival Sampdoria e se igualar ao Napoli na terceira posição da Serie A. O Palermo, por sua vez, queria atrapalhar os planos e manter a sua trajetória de recuperação no certame, depois de primeiras rodadas negativas. No final das contas, um empate justo, que manteve as equipes nas mesmas posições – 5ª e 13ª. Empate que valeu para quem assistiu, já que a partida foi muito aberta e teve as duas maiores estrelas das equipes, respectivamente Perin e Dybala, como protagonistas de muita qualidade.

Os rosanero saíram na frente logo aos 7 minutos, com uma pintura do argentino Dybala – seu quinto em 2014-15. O atacante recebeu na ponta direita, fintou Burdisso e bateu de canhota, no ângulo de Perin, que voou na bola e não conseguiu pegar. O atacante ainda protagonizou lindo lance pouco depois, dominando a pelota e, no mesmo movimento, driblando Burdisso. Perin, no entanto, evitou o segundo golaço do atacante, com boa defesa. O Genoa teve gol bem anulado de Matri (a bola havia saído no cruzamento de Edenílson) e chegou ao empate em lance de insistência e sorte. Antonelli e Bertolacci roubaram duas bolas na mesma jogada e, após chute do segundo, a bola bateu no primeiro e entrou. O Genoa tentou buscar a virada, e nem mesmo a partida inspirada de Perotti foi suficiente para isso. Do outro lado, Perin continuou fazendo boas defesas. Para finalizar, Vázquez e Pinilla também perderam chances claras e mantiveram a igualdade no placar (NO)
Udinese 1-1 Chievo 
A partida no Friuli ficou marcada por uma marca história. Ainda no primeiro tempo, Di Natale (sempre ele) balançou a rede e adicionou mais um marco em sua carreira. O capitão da Udinese marcou seu gol número 200 na Serie A exatamente na 400ª partida dele na história do torneio. No entanto, além disso, ele e os torcedores bianconeri tiveram pouco a comemorar.

O Chievo só não venceu a partida porque Karnezis estava em dia bom. No segundo tempo, Radovanovic, de longa distância, chutou bem para tirar a bola do goleiro grego, que não teve chances no lance. Antes, o arqueiro da Udinese já tinha defendido um chute forte de Birsa no primeiro tempo, logo após Danilo salvar gol claro de Pellissier. Outra nota negativa para a Udinese foi a utilização do ex-corintiano Guilherme como trequartista – obviamente, deu errado. A equipe da casa segue lutando na parte de cima da tabela, porém, o empate afastou ainda mais o time dos líderes. O Chievo está na zona de rebaixamento, com 9 pontos. (MM)

Torino 0-1 Sassuolo
Num jogo sem muitas emoções e com um pênalti desperdiçado, o Sassuolo bateu o Torino, fora de casa, com um gol já no final da partida, marcado por Floro Flores, e deu um belo salto na classificação. O resultado manteve, não apenas, a sina turinense de não vencer nos jogos realizados no almoço italiano (com esse, são seis jogos e apenas um ponto), como também a invencibilidade dos neroverdi, agora há seis jogos sem perder – e na 11ª posição, cinco pontos abaixo da zona de classificação à Liga Europa.

A primeira grande chance foi apenas aos 30 minutos, mas Sánchez Miño errou o pênalti sofrido por ele mesmo, para fácil defesa de Consigli. Com isso, o Torino perdeu os três pênaltis que teve a seu favor em 2014-15 – se considerarmos a temporada passa, são cinco desperdiçados em sequência. Sem qualidade e padrão de jogo, o Toro pouco criou – quando o fez, esbarrou na boa partida do goleiro Consigli. O Sassuolo também sofria com a falta de qualidade mas, já nos minutos finais, Floro Flores subiu sozinho, no meio da área, para cabecear no ângulo de Gillet e anotar o tento da vitória emiliana. De olho na classificação para a fase seguinte da Liga Europa, o Torino agora tenta superar a crise contra o Brugge, antes de encarar o clássico contra a Juve. (CD)

Parma 0-2 Empoli
A pior defesa dos últimos anos. Nenhum time na Serie A, desde 2004-05, teve uma média de gols sofridos/jogo tão alta quanto a do Parma em apenas 12 rodadas: 2,5. Nem mesmo o Livorno de 2013-14 ou o Pescara de 2012-13. Com mais uma derrota, em pleno Tardini, o time de Donadoni já soma 30 gols nas costas, número também pior que o de qualquer outro time nas outras principais ligas europeias. Enquanto isso, na tabela, é disparado o time com mais derrotas (10) e tem apenas seis pontos.

Em situação financeira gravíssima, muito próximo da falência se nada acontecer, o Parma vive um momento muito duro. Dessa vez, a derrota foi para o modesto, mas guerreiro e inteligente, Empoli. O time de Sarri fez o primeiro com boa jogada pela direita em triangulação entre Verdi, Maccarone e Vecino, terminada em gol do uruguaio, já no fim do primeiro tempo. O segundo veio no início da segunda etapa, e depois de belo lance de Valdifiori, Vecino se livrou da marcação e fez preciso lançamento de três dedos para Tavano tocar na saída do goleiro. (AB) 

Relembre a 11ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
Seleção da rodada
Perin (Genoa); Vrslajko (Sassuolo), Rami (Milan), Juan Jesus (Inter), Alonso (Fiorentina); Pogba (Juventus), Vecino (Empoli); Dybala (Palermo), Ljajic (Roma), Diego Farias (Cagliari); Tévez (Juventus). Técnico: Massimiliano Allegri (Juventus).

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

E se Berlusconi tivesse comprado a Inter?

Um jovem Berlusconi sorri, confiante: tem em mãos documentos da negociação que pode
lhe levar ao comando do seu time do coração, a Inter. Porém...
O ano era 1981. Após anos de fechamento aos estrangeiros, o Campeonato Italiano voltava a receber jogadores de fora do país, por liberação da Federcalcio. Mais ou menos na mesma época, patrocínios na camisa dos clubes começavam a serem introduzidos. Tudo para aplacar os efeitos devastante do Totonero, escândalo de manipulação de resultados que rebaixou Milan e Lazio e que suspendeu jogadores importantes, como Enrico Albertosi e Paolo Rossi. Era hora de se reinventar futebolisticamente.

Naquela época, a Itália vivia ótimo momento de recuperação do ponto de vista financeiro e político. O milagre econômico proporcionado pelo Plano Marshall e o aquecimento de setores da economia como indústria e construção durante os anos 1950, 1960 e início dos 1970 haviam cessado, o país entrara em uma era de recessão, austeridade, desemprego, problemas ambientais e políticos: os anos de chumbo, com muita violência e terrorismo. No início dos anos 1980, a economia voltava a crescer, as tensões sociais diminuíam. Em um momento de renovação, parecia uma boa hora para investir em uma das áreas que tendiam a voltar a crescer: o futebol. Era o que desejava fazer Silvio Berlusconi.

Berlusconi, então com 45 anos, era um dos jovens empresários mais respeitados da Itália naquele momento. Cresceu com o boom do milagre econômico e, com sua construtora, que também operava em outras áreas do ramo imobiliário, virou um dos homens mais ricos do país. Recebeu uma honraria da República Italiana, virou Cavaliere, e naquela época já havia juntado dinheiro e respaldo suficientes para abrir canais de TV e ser um magnata das comunicações. Através do grupo Fininvest, Berlusconi fundou, em 1980, o Canale 5, o primeiro canal privado de transmissão nacional na Itália. Para movimentar o recém-criado canal, Berlusconi recebeu uma ideia que envolvia diretamente o futebol. E resolveu unir o útil ao agradável.

Em 1980, a Inter havia acabado de ser campeã italiana. Porém, a torcida criticava muito o seu presidente, Ivanoe Fraizzoli. Ele havia comprado o clube das mãos de Angelo Moratti em 1968 e, em doze anos, conquistara apenas dois títulos nacionais – algo bem longe da realidade da Grande Inter, multicampeã nos anos 1960. Dessa forma, o empresário do ramo têxtil, um pouco cansado no comando do clube, teve a ideia de criar, em 1981, o Mundialito de futebol, torneio de pré-temporada que reuniria equipes que já haviam sido campeãs mundiais. Ele pediu que Sandro Mazzola, ex-bandeira do clube, que trabalhava como dirigente, apresentasse a ideia a um parceiro comercial. Este parceiro acabou sendo Silvio Berlusconi.

Berlusconi topou realizar o Mundialito, que teve três edições. Para a primeira edição, em 1981, apenas Inter, Milan, Santos, Peñarol e Feyenoord aceitaram o convite do Cavaliere. Em uma das reuniões que definiria o formato da competição, o Cavaliere não teve meias palavras. "Mazzola, poderia verificar se Fraizzoli estaria disposto a me vender a Inter?", perguntou. O ex-atacante da Inter respondeu em tom afirmativo e comunicou ao presidente o pedido do empresário. As aspirações políticas de Berlusconi, existentes desde que entrou no mundo televisivo, passavam pelo futebol, visto pelo Cavaliere como melhor forma de veículo publicitário. Ter um time de futebol e fazê-lo campeão era a chave que Berlusconi queria para ganhar o poder político.

Inicialmente, Fraizzoli pensou em vender metade das ações ao magnata das comunicações, que logo se apressou em preparar documentos que regessem a cessão. Porém, o dono da Beneamata mudou de ideia em seguida. No final das contas, a Inter venceu o Mundialito, nenhuma negociação avançou e a história morreu ali. Dois meses depois, o último grande presidente da Inter, Moratti, também viria a falecer, deixando a torcida nerazzurra em luto.

A Internazionale mudaria de mãos em 1984, quando a Serie A já era o campeonato mais forte da Europa. Mas não seria Berlusconi o seu novo dono – ainda. Após temporadas pouco positivas, um dos vice-presidentes da equipe, o empresário do ramo alimentício Ernesto Pellegrini, comprou o clube e fez alguns investimentos. De cara, contratou craques como Liam Brady e Karl-Heinz Rummenigge, que se juntariam a feras como Giuseppe Bergomi, Giuseppe Baresi, Walter Zenga, Fulvio Collovati e Alessandro Altobelli. Depois, chegaram Marco Tardelli e Pietro Fanna. Era uma Inter forte, mas que bateu na trave duas vezes na Copa Uefa e que não conseguiu brigar pelo título italiano.

Enquanto a Inter investia, o Milan vivia um dos piores momentos de sua história. O clube havia vencido apenas seis títulos nos últimos 15 anos (um scudetto, no fim dos anos 1970) e sido rebaixado em 1980, por participação no Totonero, e novamente em 1982, dessa vez por mau rendimento no campo. Giuseppe (ou Giussy) Farina, antigo presidente do Lanerossi Vicenza, comprara o clube, pouco antes da queda, e levou o clube à derrocada financeira – como fizera no Vêneto; mas ao contrário do que houve com a equipe biancorossa, que teve sucesso nos campos, levou a torcida rossonera à loucura.

Ernesto Pellegrini adquiriu a Inter em 1984
Em fevereiro de 1986, Farina pôs o clube à venda. Berlusconi, então, vislumbrou a possibilidade de, enfim, chegar ao comando de um time de futebol e poder iniciar o seu projeto de avanço ao poder. No entanto, torcedor interista, Berlusconi tinha dúvidas sobre comprar o maior rival. Decidiu, então, no momento de turbulência rubro-negra, fazer uma nova oferta pela Inter, mesmo que Pellegrini estivesse no comando do clube há apenas dois anos.

Pellegrini decidiu refletir sobre a proposta de Berlusconi. Secretamente, porém, um grande empresário, rossonero de coração, se movia para comprar o Milan. Giorgio Squinzi, assim como Berlusconi, vinha do ramo da construção civil. Porém, fabricava, com a Mapei, empresa fundada por seu pai na década de 1930, materiais utilizados para construção. Em comparação com Berlusconi, não era rico. Porém, com a paixão que move os torcedores, fez uma proposta que seu pai consideraria arriscada para a empresa, e moveu parte dos fundos da Mapei como garantia para uma eventual compra do Milan. A tratativa, como dificilmente ocorrem nestes casos, ocorreu em sigilo, e Farina decidiu aceitar. Quando os primeiros jornais começaram a falar sobre o assunto, o negócio já estava avançado e Farina, um homem de palavra, não deixou que Berlusconi atravessasse o acordo.

Com o Milan nas mãos de Squinzi, Berlusconi se sentiu traído. Como ele, um poderoso homem da mídia, não havia tomado conhecimento que estavam comprando um clube de futebol que ele desejava? Afinal, sem a afirmativa de Pellegrini, seria melhor ter um pássaro na mão do que dois voando – paixões futebolísticas à parte, era o projeto de poder, era a própria vida política em construção o que mais importava. 

As conversas com o dono da Internazionale não progrediam e o clube já projetava a temporada 1986-87. Giovanni Trapattoni, de grande trabalho na Juventus, chegava para tentar levar a Inter ao sonhado scudetto. Daniel Passarella, experiente líbero, também reforçou a equipe após o Mundial de 1986. Sem paciência, Berlusconi resolveu pagar quase o triplo do que Pellegrini havia gastado para comprar o clube – ofereceu 28 bilhões de libras; o presidente havia pagado 10 – e concluiu a compra do clube em meados de agosto, assumindo a presidência três dias antes de o campeonato começar, dia 14 de setembro.

A Inter de Berlusconi... e o Milan de Squinzi
O primeiro ano de Berlusconi como presidente da Inter foi um ano de transição. Sem poder contratar no mercado, o novo presidente apenas dedicou os primeiros meses de mandato para conhecer o clube por dentro. Se aproximou dos dirigentes, em especial do vice-presidente Giuseppe "Peppino" Prisco, conhecido como "O Advogado" e deixou o diretor esportivo Giancarlo Beltrami trabalhar. No entanto, Berlusconi levou seu sócio no Canale 5, Adriano Galliani, ao clube, onde assumiu o cargo de diretor geral.

Após uma primeira temporada regular, a Inter ficou em terceiro lugar e viu o Napoli de Diego Maradona faturar seu primeiro scudetto e a Juventus de Michel Platini ser vice. Com dinheiro em mãos, Berlusconi decidiu investir. Beltrami já estava de olho em outro alemão e indicou a contratação de Lothar Matthäus, que chegou para manter a explosão germânica deixada por Rummenigge, que rumou à Suíça. De presente, Berlusconi deu também à Inter van Basten. O trio ofensivo formado pelo alemão, pelo holandês e por um experiente Altobelli prometia muito. Com a saída de Platini da Juventus, a Inter seria o grande rival do Napoli e até partia na frente.

No outro lado de Milão, os primeiros anos de Squinzi à frente do Diavolo foram complicados. Com menos poder financeiro do que Berlusconi, o dirigente tentou sanar as dívidas do clube e apostou em pratas da casa, como Paolo Maldini, Franco Baresi, Alberigo Evani e Alessandro Costacurta, que se uniram aos ingleses Mark Hateley e Ray Wilkins e a Roberto Donadoni, Giovanni Galli, Daniele Massaro, Agostino Di Bartolomei e Pietro Paolo Virdis. Aposentado anos antes, Fabio Capello tomou o lugar de Niels Liedholm, foi alçado de técnico dos juvenis e se tornou o técnico da equipe principal. 

O jogo defensivo e a fortíssima defesa caíram no gosto da torcida, que gostou de ver o time brigando muito para conseguir uma vaga na Copa Uefa. A força física e a garra daquele time também ajudou a Mapei, que utilizou os próprios jogadores como garotos-propaganda. Afinal, o que seria melhor do que um time sólido para representar uma empresa de produtos como vedantes e demais materiais de construção? Fiel ao Milan, Franco Baresi rejeitou a oferta da Inter para jogar ao lado de seu irmão Beppe. Os motivos? Como pilar da defesa e capitão rossonero, não deixaria o time em um momento delicado, e também respondia ao fato de a Inter tê-lo rejeitado em uma peneira, quando era mais novo, por considerá-lo "baixo e franzino". Squinzi, em um esforço monumental, cedeu os jogadores ingleses e fez apenas tr6es contratações: tirou Carlo Ancelotti da Roma e deu Ruud Gullit e Aldo Serena para que Capello buscasse aumentar o poder de fogo do time.

Ídolos holandeses, van Basten e Gullit defenderam lados diferentes em Milão
No final do campeonato, a Inter de Trapattoni não encantou, mas foi campeã italiana – o Milan ficou com a terceira posição. Matthäus se destacou, fez 10 gols, mas van Basten acabou prejudicado pelo jogo pragmático e fez apenas 12 – Altobelli, utilizado a conta-gotas por Trapattoni, transferiu-se à Juve no final do ano. Bergomi e Zenga foram os grandes destaques de uma defesa quase intransponível. Para a Copa dos Campeões que estava por vir, Berlusconi queria mais. Achou que havia investido muito e não tinha conseguido o que esperava: um futebol vistoso. Em uma prova de ousadia, não renovou o contrato de Trap, com quem havia discutido ao longo do ano, e ofereceu um longo contrato a Arrigo Sacchi, que havia subido com o pequeno Parma da Serie C para a Serie B – onde havia feito duas temporadas razoáveis, mas com futebol moderno. Como presente a Sacchi, chegou mais um holandês: Frank Rijkaard, campeão europeu com a Oranje em 1988 (como van Basten e o rival Gullit). Pedido expresso do treinador, prontamente atendido.

Em seu primeiro ano em Milão, Sacchi começa mal, é contestado e só depois de muita insistência com seus métodos de treinamento e táticas inspiradas no futebol total holandês. A polivalência de Rijkaard no meio-campo e na defesa, ajudado por um inteligentíssimo Matthäus, acabaram sendo fundamentais, segundo as palavras do próprio Sacchi, ao final de uma temporada que acabou muito bem: a Inter voltou a conquistar a Copa dos Campeões e um Mundial de clubes, 24 anos depois da última vez, e ainda faturou mais um scudetto, muito à frente de seus rivais e sem perder partidas em casa. O Milan de Squinzi e Capello caiu uma posição na classificação da Serie A (4ª colocação), mas chegou às semifinais da Copa Uefa e à final da Coppa Italia, onde perdeu para a Sampdoria. Enquanto a Inter abocanhava tudo com vontade, os milanistas iam se recuperando aos poucos, mas sem ganhar títulos.

O ano seguinte, 1989-90, teve o Napoli de Maradona e Careca voltando às glórias, seguido por uma Juventus liderada pelos novos contratados Jürgen Klinsmann e Salvatore Schillaci. O Milan, pela primeira vez desde as trocas de donos, ficou à frente da Inter, que ficou apenas com a sexta posição na Serie A. No entanto, a equipe repetiu o que havia conseguido na década de 1960 e fez a dobradinha na Copa dos Campeões e na Copa Intercontinental, jogando com quase a mesma fortíssima equipe que conquistara os títulos anteriormente – apenas Nicola Berti havia sido contratado. A Inter chegava também à dobradinha na Bola de Ouro: primeiro, van Basten, depois, Matthäus.

Após a Copa de 1990, disputada na Itália, a Inter correu atrás de Roberto Baggio, declarado torcedor nerazzurro e jovem de talento indiscutível, apesar do gênio difícil – no ano anterior, o Milan já havia fechado com Stefano Borgonovo, seu parceiro de ataque na Fiorentina. As coisas, no entanto, não andaram bem. A Sampdoria, treinada por Vujadin Boskov e comandada por Roberto Mancini e Gianluca Vialli, ficou com o título, e Inter e Milan dividiram a segunda posição, com empate nos pontos – nos critérios de desempate, o Milan ficou com o vice, graças a uma vitória num dérbi, graças a um gol de Serena, ex-nerazzurro, e um gol contra do zagueiro Riccardo Ferri. Surpreendentemente, times como Genoa, Torino e Parma ficaram à frente de Juve, Napoli, Lazio e Fiorentina. Não surpreendeu, no entanto, que Baggio não se adaptasse completamente aos métodos de Sacchi e acabasse por não render o máximo ao lado de tantos craques.

Em 1991, Matthäus voltou para a Alemanha e Rijkaard foi para o Ajax realizar os últimos anos de sua carreira. Para completar, Sacchi assumiu a seleção italiana, o que provocou uma enorme revolução na Inter. Os nerazzurri buscaram Boskov e Toninho Cerezo na Sampdoria, enquanto o Milan mantinha a mesma base e se fortalecia com outros jovens que apareciam, como Demetrio Albertini, unidos a outros elementos experientes, como os já citados e o goleiro Sebastiano Rossi, substituto de Galli. Apesar de Baggio e van Basten enfim se entenderem, a Inter ficou com o quinto lugar e caiu nas semifinais da Copa Uefa. Os rossoneri, pela primeira vez, se sagraram campeões nacionais, saindo de uma fila de 13 anos. O trabalho consistente de Capello e a ascensão de vários jogadores ligados ao clube acabou dando certo.

No ano seguinte, o Milan fechou com o volante Marcel Desailly e o meia Dejan Savicevic, se fortalecendo ainda mais no que propunha, um jogo defensivo e pragmático. No entanto, massacrou o Barcelona na final da Copa dos Campeões e, com uma goleada: 4 a 0 para abocanhar o maior título da gestão Squinzi. Capello já era deus em San Siro. A Inter, por sua vez, dedicou-se à Copa Uefa. Com a demissão de Boskov, era a vez de Sven-Göran Eriksson, vice-campeão europeu com o Benfica, ter a sua chance no comando da Beneamata. Com Baggio no auge da carreira e van Basten ainda um fazedor de gols irrepreensível, a Inter passou por cima de rivais italianas, como Atalanta e Roma, e ficou com a Copa Uefa com folga. O Divino Codino foi eleito o grande jogador do torneio, à frente de van Basten, e forçava passagem na seleção italiana mesmo com os atritos com Sacchi. Em solo nacional, uma Juventus recheada de alemães e italianos, e treinada por Marcello Lippi, voltava a ganhar o scudetto. Pronto: as três gigantes italianas estavam de volta e comemoravam no final da temporada.

Foi ali que, depois de muito tempo, os dérbis entre os times voltaram a se equilibrar. Desde que Berlusconi comprara a Inter, a Beneamata passou um período de mais quatro anos sem perder para os rivais – entre 1978 e 1984, os nerazzurri ficaram seis anos sem perder, até que um gol de Hateley acabou com a escrita. Nestes anos, van Basten se tornou o grande carrasco rossonero, marcando sete gols em oito jogos; Matthäus fez outros quatro. Foi apenas em 1992, graças a gols de Gullit e Maldini que o Milan acabou com a escrita. Por outro lado, o Derby d'Italia ficou ainda mais acirrado entre 1986 e 1988, com o momento pouco próspero do Milan. Esta época foi de muitos empates entre os times, que se opunham com o forte tridente ofensivo interista e a defesa juventina, com Stefano Tacconi, Antonio Cabrini e Gaetano Scirea. Porém, com a reformulação que atingiu a Juve, a Inter conseguiu boas vitórias até 1992, ficando invicta.

Em 1993, porém, aconteceu uma grande perda para a Inter. Van Basten se lesionou e nunca mais voltaria a entrar em campo. Baggio precisou assumir a liderança da equipe e conseguiu, levando a equipe a mais um título nacional e da Copa Uefa, tornando-se o melhor jogador do mundo – levou a Bola de Ouro e o prêmio da Fifa, no final do ano. O Cavaliere, enfim, havia conseguido o que queria. Graças a Baggio e ao forte time que formara, mantendo algumas bandeiras, como Baresi, Bergomi e Zenga, tornou-se cada vez mais popular na Itália. Superou Moratti como o presidente mais vitorioso da Inter, um time que só tinha torcida menor que a da Juventus e que, cada vez mais, conquistava os jovens torcedores em todas as partes do país. A entrada na política, em 1994, rendeu ao empresário a eleição para primeiro-ministro da Itália. Os objetivos haviam sido atingidos e Berlusconi queria mais.

Porém, após a o vice italiano na Copa do Mundo, com Baggio perdendo pênalti no final, a Juventus decidiu que era hora de voltar a ser protagonista no cenário mundial e, com um caminhão de dinheiro, levou o Divino Codino para Turim, onde seria o tutor de Alessandro Del Piero – mais uma vez, a má relação com o técnico e, desta vez, também com Berlusconi, fez com que o jogador deixasse Milão, algo que a torcida demorou muito para engolir. O Cavaliere relutou em vender o principal jogador do time, principalmente após a lesão de van Basten e a eleição para o mais importante cargo do país, mas não houve jeito. 

Baggio foi o grande nome da Inter "berlusconiana", mas se transferiu à Juventus, onde foi parceiro de Del Piero
Para suprir a ausência dos craques, Berlusconi primeiro reformulou toda a diretoria. Trouxe nomes como Giacinto Facchetti, Sandro Mazzola e Luis Suárez para cargos no clube. Os antigos craques indicaram alguns nomes, e a Inter também tentou contratar destaques da Copa, como Gheorghe Hagi, Hristo Stoichkov e Romário. No final das contas, foram contratados Dunga, Gabriel Batistuta, Henrik Larsson, Gianluca Pagliuca e, no ano seguinte, duas promessas: Luís Figo e Javier Zanetti.

Apesar dos custos e dos títulos, a Inter tinha dificuldades em se renovar. Desde que Berlusconi chegara ao comando do clube, o maior problema da equipe estava nas divisões de base, que revelavam muito menos que as de Juventus, Roma e, principalmente, Milan. Dessa forma, Berlusconi gastara, ao todo, muito mais do que Squinzi, que assumira a presidência no mesmo ano que ele. Claro, a Inter havia ganhado muito mais, mas os gastos haviam sido muito grandes. Valia a pena ter gastado tanto para chegar ao topo do mundo e da Itália? 

Berlusconi achava que sim. Gozava do bom e do melhor, suas empresas, com sua chegada do poder, tinham cada vez mais trânsito e se valorizavam. Sua rede de TV, a Mediaset, era a maior do país e desbancara a estatal Rai, fazendo propaganda de si mesmo. Sua vida extraconjugal andava mais movimentada do que nunca. Com o sucesso, porém, as primeiras denúncias começavam a aparecer. Envolvimento com a máfia calabresa, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, eram essas algumas das denúncias sobre o presidente da Inter, que acabou se demitindo do cargo de primeiro-ministro em 1995, virando líder da oposição até 2001, quando retornou ao poder.

Em termos esportivos, o restante dos anos 1990 foi bastante equilibrado no futebol italiano. Todas as equipes de ponta e as médias investiram bastante para tentar abocanhar títulos – e isso acabou acontecendo. Na década, sete equipes diferentes conquistaram taças em solo nacional, seja o scudetto seja a Coppa Italia. Fora do país, Copa Uefa, Recopa Europeia, Liga dos Campeões e a Supercopa também tiveram donos italianos. Parma, Roma, Lazio e Fiorentina se juntaram aos três grandes e faturaram títulos. 

A Inter, até 2000, ganhou mais um scudetto, uma Coppa Italia e uma Recopa, mas viu a Juventus voltar a dominar, com pequena vantagem, o cenário nacional. Nesse período, o time nerazzurro fechou com alguns dos grandes jogadores da década, como Zamorano, Ronaldo, Seedorf, mas viu outros craques se distribuírem pelos outros times italianos. Mais: Figo, Larsson e Batistuta também não estavam mais em Milão.
Chegamos aos anos 2000. As seguidas tentativas de Berlusconi de fazer uso político do clube já irritavam uma boa parcela dos torcedores. Figuras históricas do clube, como o vice-presidente Prisco e ex-jogadores como Gabriele Oriali (ex-diretor esportivo), Facchetti e Mazzola se afastaram – Prisco, inclusive, faleceu em 2001, e não aparecia em San Siro há dois anos, mesmo ocupando o cargo de vice-presidente honorário. Apesar de tudo, a Inter voltou a ganhar uma Liga dos Campeões, pouco após a morte de Prisco. A campanha foi sofrida, teve a volta de Ronaldo aos gramados após duas sérias lesões, e gols marcados por ele e Christian Vieri, na final contra o Manchester United de David Beckham, Ryan Giggs e tantos outros. Berlusconi dedicou o título ao recuperado Ronaldo, mas principalmente ao ex-vice-presidente, algo que repercutiu mal, pelo cinismo do gesto – já que Prisco havia sido praticamente constrangido por Berlusconi a deixar o clube.

O time vencia, em campo, mas setores da torcida criticavam Berlusconi por desunir a Inter e afastar os que fizeram história no clube antes de ele chegar. As vitórias da Beneamata, o governo desorganizado de Romano Prodi e as costuras políticas do Cavaliere levaram-no de volta ao poder, em 2001, o que gerou, novamente, muita polêmica. Afinal, como o primeiro-ministro do país poderia administrar um dos grandes clubes italianos – e, pior, ser dono de uma das maiores redes de TV da Bota? O conflito de interesses era claro, mas desta vez – mais do que em 1994-95 –, o Cavaliere começava a ser mais contestado, não só pelos adversários, mas também pelos próprios aficionados.

Com parte da torcida jogando contra, a Inter virou um caldeirão. Os últimos anos tinham visto o crescimento da Juventus e algumas contratações darem errado, o que gerou contestação a Galliani e ao próprio Berlusconi. Ronaldo havia sido contratado a peso de ouro, jogou bem durante dois anos, mas viveu com lesões. Após o título da LC e a conquista do Mundial com o Brasil, em 2002, o jogador forçou a barra e foi ser galático em Madrid. O dinheiro da venda de Ronaldo acabou sendo investido em jogadores que não renderam o esperado. Na época, o jovem Andrea Pirlo era o centro do time, ao lado de Vieri, Zanetti e Córdoba, e a Inter acabou ficando apenas com a quarta posição na Serie A.

Já o Milan, que há tempos havia se separado de Capello e agora tinha Carlo Ancelotti como técnico, não tinha mais Squinzi como único dono, e crescia. Com aporte de capital árabe, mas ainda com o italiano na presidência, a equipe havia sido campeã nacional. E também era favorita à Champions League, utilizando praticamente a mesma base do início dos anos 1990 – alguns se aposentaram, mas outros estavam lá, firmes, como Maldini e Costacurta –, polvilhada com outros craques italianos e eslavos, como Zvonimir Boban e Andriy Shevchenko. 

O título europeu chegou em 2002-03, sobre a Juventus, e as duas equipes passaram a dominar o início dos anos 2000 no futebol local. Dois técnicos que se criaram no Milan, Capello (na Velha Senhora) e Ancelotti (no próprio Diavolo) davam as cartas. A Inter, que apostara em Louis van Gaal e novamente em Trapattoni, não encontrava muita paz. Nem mesmo quando Marcello Lippi deu o título europeu à equipe – que acabou derrotada na final mundial para o Boca Juniors –, a paz reinou em Appiano Gentile.

Lippi acabou demitido durante a temporada, após perder para o Boca, e o diagnóstico dos jornalistas especializados era o seguinte: a Inter não tinha tantas bandeiras quanto os rivais. Especificamente, não tinha jogadores de muita qualidade revelados no clube nos últimos anos que poderiam segurar a barra, pela identificação com as cores azuis e pretas. Também não tinha ex-jogadores suficientemente capacitados que pudessem assumir cargos na diretoria ou como técnicos – os que poderiam já haviam se afastado, graças ao presidente. Berlusconi, então, tinha construído um império em volta de si e o destruído, sem conseguir manter a empatia do início do mandato.

Descontente com a situação societária e com o crescimento dos rivais, Massimo Moratti (dono da Saras, uma das maiores petroleiras italianas e filho de Angelo Moratti, maior presidente do clube até a chegada de Berlusconi) se uniu com seu amigo Marco Tronchetti Provera (um dos principais acionistas da Pirelli e da Telecom Italia) e, aproveitando o momento de instabilidade do clube, fez uma proposta de compra da Inter. Era a chance de fazer a Inter continuar com as glórias que teve na época do seu pai e longe do nefasto círculo de poder e disputa política que tinha como Berlusconi. 

Rapidamente, a Inter havia deixado de ser a Beneamata (Bem Amada, em tradução literal) para ser o clube mais odiado da Itália. Mais do que a Juventus. Inclusive, politicamente, a família Agnelli, dona da Juve, também começa a se tornar adversária de Berlusconi. Joga contra o Cavaliere, tentando fazer ascender outros nomes de centro-direita. Uma célebre declaração de Gianni Agnelli, antes de morrer, em 2003, gerou muita polêmica. "Apenas um nome apoiado por quem comanda instituições verdadeiramente italianas, como a Juventus, a Fiat e a Ferrari, pode querer o bem do nosso país", disse o patriarca da família.

A princípio, Berlusconi refutou veementemente a possibilidade de vender o clube a Moratti. Porém, os desgastes no seu segundo governo, e a grande quantidade de denúncias tiraram o foco do Cavaliere da equipe. Era Galliani quem administrava a Inter, em termos, já que o cargo político o impedia – de maneira oficial. A Inter começava a lhe dar um prejuízo (especialmente à sua imagem) acima do planejado e suas outras empresas, apesar de envolvidas em esquemas de benefício próprio, começavam a perder a credibilidade. O futebol não era mais um meio de popularidade, uma vez que longe dos títulos há quatro temporadas, a presidência interista mais desgastava sua imagem do que a mantinha em boa conta.

Desta forma, em junho de 2005, Berlusconi optou por virar a página e cedeu a Inter a Massimo Moratti por 580 milhões de euros. Ao todo, Berlusconi faturou quatro scudetti, três Copas/Ligas dos Campeões, duas Copas Intercontinentais, duas Supercopas italianas e duas europeias, uma Coppa Italia e uma Recopa Europeia. Foram 15 títulos em 19 anos, contra oito rossoneri – duas LC, dois scudetti, três Supercopas (duas locais e uma europeia) e uma Coppa Italia. A Inter alargou sua vantagem sobre o Milan com o segundo maior número de títulos do Campeonato Italiano e diminuiu a vantagem da Juventus, que ficou com nove a mais – 16 contra 25. Em termos europeus, a Inter ficou com um título a mais que os rossoneri, e com três acima dos juventinos. 

Nos anos que se seguiram à venda da Inter, o futebol italiano passou por uma séria crise. Em 2006, explodiu o Calciopoli, esquema de manipulação de resultados que descobriu partidas vendidas entre 2003 e 2006. A investigação atingiu as principais equipes italianas, incluindo o trio de ferro formado por Inter, Juventus e Milan, que tiveram diretores envolvidos no escândalo. As equipes foram penalizadas em pontos, embora a pena inicial, pedida pela procuradoria, era a de rebaixamento. Porém, como o campeonato perderia muito do ponto de vista econômico sem as três gigantes, as penas foram abrandadas. Hoje, com o renascimento de Roma, Napoli e Fiorentina, Inter, Juve e Milan lutam para se manterem no topo de um campeonato sem dinheiro e em profunda crise técnica.

Já Berlusconi, que levou a Inter ao sucesso em campo, mas ao declínio moral, teve destino parecido. Depois da venda da equipe, o Cavaliere continuou com poder político, se reelegeu outra vez, mas foi processado e condenado por aliciar menores de idade em 2010 – entre outros crimes sexuais contra o patrimônio público. Foi agredido em praça pública algumas vezes, tentou fazer leis que dificultassem a sua prisão e, quando viu que não poderia mais driblar a lei italiana – que, por incrível que pareça, iria fazer com que os seus delitos não terminassem em pizza –, fugiu do país para não ser preso. Pediu asilo político em uma república ditatorial asiática e até hoje realiza suntuosas festas privadas e, com quase 80 anos, desfruta de seus bunga-bungas.

Atenção: Este é um texto ficcional baseado em uma série de declarações que dão conta de que Berlusconi seria torcedor da Inter e que, na década de 1980, tivesse, mesmo, tentado comprar o clube. Enquanto Sandro Mazzola, Peppino Prisco e o advogado Vittorio Dotti, ex-funcionário do Milan, dizem que Berlusconi procurou Fraizzoli e Pellegrini, o Cavaliere afirma que foi procurado por Fraizzoli, e que não aceitou a proposta porque "o Milan é uma religião". De qualquer forma, a história está no folclore do futebol azzurro. Ah, Giorgio Squinzi realmente existe e realmente é torcedor do Milan. Porém, o ricaço é dono do pequeno Sassuolo, exemplo de administração no futebol local.

Quer relembrar o que de fato aconteceu com Inter e Milan entre os anos 1980 e 2010? Já escrevemos sobre isto! Veja abaixo.

Década de 1980

Década de 1990

Décadas de 2000 e 2010

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Os 20 maiores argentinos do futebol italiano

Nenhum país cedeu mais jogadores à Itália do que a Argentina. A ligação de futebolistas argentinos com o Belpaese é muito forte e existe há bastante tempo. O meio-campista Francisco Priano, que, em 1911-12, jogou pela Andrea Doria, clube que deu origem à Sampdoria, pode ser considerado o primeiro jogador de origem argentina a atuar no futebol italiano. Nascido em Gênova, imigrou para Buenos Aires e, só depois, voltou para a cidade natal para jogar. Porém, se considerarmos apenas jogadores nascidos na Argentina, é só em 1912 que os primeiros albicelestes foram à Bota. 

A família Mosso cedeu três futebolistas de Mendoza para o Torino, em 1912-13. Francisco (goleiro/atacante), Eugenio (atacante) e Benito (meia) defenderam os granata e foram os primeiros argentinos na elite do futebol italiano – há conflito de informação se Francisco nasceu na Argentina ou na Itália. Mais tarde, Julio Mosso (meia) também jogou pelo Toro. Portanto, a ligação entre os albicelestes e a Itália no futebol comemorou seu centenário recentemente e, durante este tempo, foram vários hermanos que se destacaram no Belpaese.

A partir da constituição da Serie A como ela é hoje – grupo único com equipes jogando por pontos corridos –, há o registro de que 310 argentinos já tenham entrado em campo ao menos uma vez na elite do futebol italiano. O grande número se deve à forte relação entre os países. Afinal, a Argentina, assim como o Brasil, recebeu grande leva de imigrantes italianos nos séculos XIX e XX, e muitos deles, oriundi, tiveram direito à dupla nacionalidade. Isso auxiliou na adaptação dos jogadores ao país e também na sua absorção ao mercado, mesmo quando regras impediam ou dificultavam a chegada de estrangeiros.

O nosso top 20 é composto majoritariamente por homens ofensivos e isto não ocorre por acaso. A Argentina, com oito artilharias da Serie A, só perde para a Itália em número de jogadores que lideraram a tabela de gols do Campeonato Italiano. O primeiro deles, Julio Libonati, do Torino, conseguiu o feito em 1927-28. O último albiceleste a conseguir o feito foi Hernán Crespo, que, em 2000-01, quando defendia a Lazio, marcou 26 vezes. Ambos estão no nosso Top 20.

Sem fazer mistério, o melhor jogador argentino de todos os tempos, Diego Armando Maradona, que viveu seu auge no Napoli, fecha a lista e foi, claro, considerado por nós o albiceleste mais importante a jogar na Itália. Primeiro, os nomes de 30 outros jogadores que ficaram fora das principais posições do Ranking Quattro Tratti. Escolhemos 50 hermanos e demos maior destaque a 20 deles.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observação: alguns jogadores nascidos na Argentina não foram levados em consideração por nós por terem atuado apenas em outras seleções nacionais. Casos de Mauro Germán Camoranesi (Itália), Néstor Combin (França) e David Trézéguet (França).

Top 50 Argentina
21. Raimundo Orsi; 22. Pedro Manfredini; 23. Humberto Maschio; 24. Attilio Demaría; 25. Ramón Díaz; 26. Julio Cruz; 27. Enrique Guaita; 28. Matías Almeyda; 29. Ernesto Grillo; 30. Pedro Pasculli.; 31. Claudio López; 32. Carlos Tévez; 33. Gonzalo Higuaín; 34. Bruno Pesaola; 35. Ezequiel Lavezzi; 36. Roberto Ayala; 37. Fernando Redondo; 38. José Chamot; 39. Miguel Ángel Pantó; 40. Rodrigo Palacio; 41. Santiago Solari; 42. Ariel Ortega; 43. Nicolás Burdisso; 44. Juan Carlos Morrone; 45. Pedro Troglio; 46. Roberto Sosa; 47. Kily González; 48. Óscar Ruggeri; 49; Hugo Campagnaro; 50. Sergio Almirón.

20° - Miguel Montuori 


Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Fiorentina (1955-61) 
Títulos: Serie A (1955-56), Coppa Italia (1960-61), Copa Grasshoppers (1957), Copa da Amizade Ítalo-francesa (1958-59 e 1959-60), Copa dos Alpes (1959-60) e Recopa europeia (1960-61) 
Prêmios individuais: nenhum 

O presidente viola Enrico Befani trouxe Montuori para o clube por indicação de Padre Volpi, religioso italiano que atuava no Chile, onde o argentino jogava – pelo Universidad Católica, fez 24 gols em 26 jogos. Já no primeiro ano, a contratação se provou válida, pois, no título da Serie A 1955-56, o recém-chegado foi o vice-artilheiro da Fiorentina, com 13 gols, sendo um ótimo companheiro para o brasileiro Julinho Botelho, um dos maiores craques da história florentina. Nos cinco anos que vestiu a camisa violeta, Montuori ganhou muitas taças menores. Os últimos grandes títulos vieram na temporada derradeira.

O argentino fez parte das conquistas da Coppa Italia e da Recopa, porém sem a relevância de anos anteriores. A falta de protagonismo do craque do ataque tem uma trágica justificativa. Em abril de 1961, em um jogo contra o Perugia, Montuori tomou uma bolada no rosto, que provocou o descolamento de sua retina. Após complexas cirurgias, o ídolo viola foi aconselhado a pendurar as chuteiras. Aos 28 anos, se aposentou, e continuou morando em Florença, onde morreu, em 1998.

19° - Daniel Bertoni 


Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1980-84), Napoli (1984-86) e Udinese (1986-87) 
Títulos: nenhum 
Prêmios individuais: nenhum 

Multi-vencedor pelo Independiente e campeão do mundo, Bertoni (ao centro na foto) chegou à Itália por Florença. Ponta-direita habilidoso e veloz, o argentino era perigo constante para os adversários. A passagem pelos viola rendeu mais de 100 presenças e 31 gols. A grande temporada foi a segunda, quando a Fiorentina ficou com o segundo posto da Serie A, um ponto atrás da campeã Juventus. Ao lado de Francesco Graziani, Bertoni liderou o time em gols, balançando as redes nove vezes.

Em 1984, Bertoni chegou ao Napoli, mesma época que Maradona desembarcava no San Paolo. A dupla albiceleste durou apenas duas temporadas e, no ano de estréia, o camisa sete se aproveitou muito dos passes do dez, balançando as redes onze vezes na Serie A, maior número do ponta-direita na Itália. Porém, desentendimentos com o técnico Ottavio Bianchi, fizeram com que fosse para a Udinese, onde jogou uma temporada e não repetiu as atuações anteriores.



Posição: atacante 
Clubes em que atuou na Itália: Hellas Verona (1988-89), Atalanta (1989-92 e 1999-00) e Roma (1992-94)
Títulos: Copa América (1991) e Copa das Confederações (1992) 
Prêmios individuais: nenhum 

Caniggia era um veloz atacante, se posicionava muito bem e fazia gols de todas as formas. Seu primeiro clube na Itália foi o Hellas Verona, onde alternou momentos bons e ruins (fraturou até a perna) e ficou apenas um ano. A Atalanta, rival do clube gialloblù, foi o próximo passo do cabeludo na Itália. Em Bérgamo, Cani não conseguiu grandes rendimentos com a equipe na Copa Uefa, mas, nos campeonatos italianos que disputou, conseguiu ajudar os orobici com gols e se tornou ídolo, ao lado do brasileiro Evair.

Com a queda de nível da Atalanta, o argentino foi vendido para a Roma. Na capital, apesar de grande concorrência, Caniggia vinha como titular. Porém, na 24ª rodada da Serie A, contra o Napoli, o cabeludo foi pego no exame antidoping por uso de cocaína e punido por 13 meses. O problema resultou na saída do atacante da Itália. Em 1999, com a Atalanta na Serie B, Cani topou voltar ao clube para ajudar no acesso à elite. Apesar de marcar apenas duas vezes na segunda passagem pela Lombardia, o retorno nestas circunstâncias reforçou seu espaço no coração dos bergamascos.

17° - Julio Libonatti


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Torino (1925-34), Genoa (1934-36) e Rimini (1937-38)
Títulos: Serie A (1927-28), Serie B (1934-35) e Copa Internacional (1927-30)
Prêmios individuais: Artilheiro do Campeonato Italiano (1927-28) e Artilheiro da Copa Internacional (1927-30)

Muita gente acha que o Torino só começou a ter projeção na Itália na década de 1940, com Valentino Mazzola e o Grande Torino. Ledo engano: na década de 1920, um atacante argentino de origem italiana já tinha sido destaque na equipe que conquistou o primeiro e único scudetto grená antes dos conquistados pelo timaço. Julio Libonatti chegou à Itália em 1925, após destacar-se pelo Newell's Old Boys e pela seleção albiceleste, pela qual conquistou um título e um vice da Copa América. Com futebol alegre, veloz, acrobático e muito técnico, rapidamente se tornou um dos jogadores mais queridos da torcida do Toro. E não demorou para entrar na história do clube e também a ser chamado para a seleção italiana, que defendeu por seis anos.

Libonatti atuava como o mais avançado atacante da equipe, e marcava muitos gols. Mas não só: era responsável por ser o grande garçom do time, e servia a Gino Rossetti e principalmente a Adolfo Baloncieri, cérebro do time e um dos maiores jogadores italianos da época. No segundo ano em Turim, viu o time conquistar o scudetto, depois revogado porque dirigentes do clube tentaram subornar um jogador da Juventus no dérbi. Porém, um ano depois, foi o grande nome da conquista do scudetto, este para valer: em 1927-28, Libonatti fez 35 gols na campanha do título. Voltou a ser importante no ano seguinte, quando a equipe acabou perdendo a final da Serie A no jogo-desempate, contra o Bologna, e ficou mais cinco anos na equipe. Até hoje, com 157 gols, é o segundo maior artilheiro da história granata, com 15 gols abaixo de Paolo Pulici. Antes de se aposentar, Libonatti teve ainda discretas passagens por Genoa e Rimini – neste último clube, foi jogador-treinador, mas não chegou a atuar em partidas oficiais.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (1989-94 e 2002-06), Parma (1994-99 e 2001-02) e Lazio (1999-00) 
Títulos: Supercopa da Uefa (1993 e 1999), Copa Uefa (1994-95 e 1998-99), Coppa Italia (1998-99, 1999-00 e 2001-02), Serie A (1999-00), Supercopa da Itália (2000) e Prata olímpica (1996)
Prêmios individuais: nenhum 

Sensini e sua polivalência casaram muito bem com o futebol italiano. Apesar de jogar em todas as posições da defesa e também como volante, ele se destacou mais como um zagueiro seguro que passou a maior parte da carreira no Belpaese. Foram 17 anos, divididos entre Udinese, Parma e Lazio, ue lhe fizeram ter destaque o suficiente para jogar em uma Olímpiada (1996) e três Copas do Mundo pela Argentina – 1990, 1994 e 1998; jogaria também em 2002, mas uma lesão impediu o capitão da Albiceleste de atuar no Mundial da Ásia. Na Udinese, viveu seus primeiros anos na Itália brigando na parte de baixo da tabela na elite e também na Serie B, mas mostrando a segurança característica – seu grande momento aconteceu no jogo-desempate pela salvezza contra o Brescia, em 1991-92, quando anulou o romeno Ghoerghe Hagi e ajudou a equipe a ficar na Serie A.

Foi para o Parma pouco depois, para substituir o belga Georges Grün, e pelos gialloblù, conseguiu seu primeiro título, a Copa da Uefa 1994-95. Mas foi em 1999 que o defensor argentino se concretizou como um dos pilares da grande equipe crociata. Ao lado de um elenco tão forte, Sensini ganhou a Coppa Italia e a segunda Copa Uefa. Finalizou sua primeira passagem pelo clube atuando como volante no 3-5-2 de Nevio Scala, lateral-esquerdo no time de Carlo Ancelotti e como zagueiro no time de Alberto Malesani. Em 1999, o argentino foi pedido por Sven-Göran Eriksson para reforçar a Lazio, que também contava com um esquadrão. Em 1999-00, os biancocelesti saíram da fila de 26 anos e conquistaram o segundo scudetto da história. Após passar pela melhor fase da carreira, Sensini voltou ao Parma, onde jogou por duas temporadas e, por fim, escolheu a Udinese, seu primeiro clube na Itália, para jogar nos últimos anos da carreira, sendo o xerife da defesa e até técnico da equipe, por breve período. Com mais de 39 anos, chegou a ser o mais velho estrangeiro a atuar na Serie A, e só teve o recorde superado por Javier Zanetti.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1982-86) e Inter (1986-88) 
Títulos: Copa do Mundo (1986) 
Prêmios individuais: nenhum 

Liderança e técnica se juntavam no líbero Daniel Passarella, que também arriscava bolas paradas e subidas à área adversária para cabecear. Após já chegar à Itália consagrado por uma passagem histórica pelo River Plate e por um título mundial em 1978, nos primeiros anos de Fiorentina, o argentino comandou uma boa defesa e teve destaque em um time que brigava pela metade de cima da tabela. Com problemas de saúde do técnico Giancarlo De Sisti, a Viola alternou altos e baixos, mas, em 1985-86, a linha defensiva voltou a mostrar força e Passarella ainda foi o artilheiro da equipe, com onze gols na Serie A.

Aos 33 anos, o líbero foi ao México, sagrou-se bicampeão mundial (não entrou em campo, vitimado pela famosa Maldição de Montezuma e relegado ao banco por Carlos Bilardo) e, principalmente pelas boas atuações na Fiorentina, acabou sendo contratado pela Inter do presidente Ernesto Pellegrini e do técnico Giovanni Trapattoni. Os nerazzurri tinham um bom time e, com Passarella integrando a linha defensiva ao lado de Bergomi, Ferri, Beppe Baresi, Matteoli e Marangon, sofreram apenas 17 gols, alcançando o posto de melhor defesa e terceira colocação na Serie A. No ano derradeiro da sua passagem na Itália, o argentino apresentou queda de rendimento (ainda marcou cinco vezes) e, após ter agredido um gandula, chegou a ficar seis jogos suspenso. Encerrou sua trajetória na Bota pouco depois, por pouco não tendo feito parte de um histórico time da Inter, que ficou com o scudetto na temporada seguinte.

14° - Abel Balbo 


Posição: atacante 
Clubes em que atuou na Itália: Udinese (1989-1993), Roma (1993-1998 e 2000-2002), Parma (1998-1999) e Fiorentina (1999-2000) 
Títulos: Coppa Italia (1999), Copa Uefa (1999), Serie A (2001) e Supercoppa italiana (2001)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie B (1990-91) 

Marino Mariottini, diretor da Udinese, havia ido à Argentina para contratar Sensini, mas também se encantou por Balbo e levou ambos para a Itália. Nos bianconeri, fez 120 partidas e 65 gols, 22 deles anotados na Serie B 1990-91, Dois anos depois, os gols do argentino – vice-artilheiro da Serie A, com 21 tentos – colaboraram para que o time não deixasse a elite. Nos quatro anos em que jogou no Friuli, Balbo ficou conhecido por marcar muitos gols de cabeça e também após arrancadas fulminantes.

Na Roma, o atacante alcançou a idolatria e chegou a usar a braçadeira de capitão. O oportunismo de Balbo rendeu 78 gols nas 170 partidas em que vestiu giallorosso pela primeira vez. Os primeiros títulos só vieram, porém, em 1999, longe do Olímpico. Em um Parma recheado de argentinos, ganhou a Copa Uefa e a Coppa Itália. O atacante ainda jogou na Fiorentina, onde formou boa dupla com Batistuta, e voltou à capital, onde, com menos destaque (só atuou três vezes em dois anos), fez parte do elenco romanista campeão da Serie A 2000-01 e da Supercoppa 2001.



Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1957-61), Roma (1961-65), Milan (1965-66 e 1967-68), Lecco (1966-67), Genoa (1968-69) e Angelana (1969-71)
Títulos: Copa das Feiras (1960-61), Coppa Italia (1963-64) e Serie A (1967-68) 
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1958-59) 

Descendente de italianos, Angelillo fez a maior parte da carreira no país de seus ancestrais. O rápido atacante, que contribuía muito com a equipe, se adaptou bem à Inter e, em 1958-59, marcou 33 gols em 33 partidas da Serie A – recorde para o Italiano disputado por 18 times. Apesar dos bons desempenhos, o ítalo-argentino não foi campeão em nerazzurro e, por problemas com o técnico Helenio Herrera, se transferiu para a Roma.

Nos giallorossi, Angelillo se reinventou: passou a jogar no meio-campo, pensando mais o jogo. Com a camisa da Roma, conseguiu sua primeira taça, a Copa das Feiras de 1960-61 e, em 1963-64, ganhou a Coppa Italia. Quando foi para o Milan, o ítalo-argentino já não era mesmo (chegou a ser emprestado para o pequeníssimo Lecco, que jogou a Serie A pela única vez no ano em que Angelillo lá esteve), mas conseguiu um scudetto, como figura secundária. Ainda jogou a Serie B pelo Genoa, onde marcou cinco vezes, e a Serie D no Angelana, onde atuava como jogador e treinador. Atualmente, é observador da Inter e colaborou com as chegadas de Córdoba e Javier Zanetti aos nerazzurri.

12° - Hernán Crespo 


Posição: atacante 
Clubes em que atuou na Itália: Parma (1996-00 e 2010-12), Lazio (2000-02), Inter (2002-03 e 2006-09), Milan (2004-05) e Genoa (2009-10) 
Títulos: Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999, 2000, 2004, 2006 e 2008), Serie A (2006-07, 2007-08 e 2008-09) e Copa Uefa (1998-99) 
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (2000-01), Time do Ano da Europa, pela associação européia de mídia esportiva (2000-01) e Seleção da Copa do Mundo (2006) 

Na última década, Crespo foi um dos melhores centroavantes do mundo e passou a maior parte da carreira balançando as redes na Itália – foi atuando por lá que conseguiu três convocações para Copas do Mundo e chegou ao posto de terceiro maior artilheiro da seleção argentina. No Parma da Parmalat, o Valdanito se concretizou entre os craques da posição e ganhou dois títulos, sendo importantíssimo: na Coppa Italia, um gol em cada partida final e, na Copa Uefa, mais um tento decisivo. Na ótima Lazio, Crespo ficou ainda maior e, na Serie A 2000-01, conseguiu a artilharia, com 26 gols.

Por problemas financeiros da Lazio, se transferiu para a Inter, onde as lesões atrapalharam sua continuidade – marcou 16 gols em 30 jogos, nove deles na campanha nerazzurra até a semifinal da Liga dos Campeões. Após passar pelo Chelsea, foi emprestado ao Milan e teve passagem razoável, em que marcou menos gols, mas foi importante – fez até dois na final da LC contra o Liverpool, mas viu seu time perder nos pênaltis. Após outro ano em Londres, voltou à Itália e, entre 2006 e 2009, ganhou quase tudo com a Inter, sempre contribuindo com gols, principalmente no primeiro ano da volta. Depois da saída de Milão, Crespo jogou no Genoa e encerrou a trajetória italiana onde começou, no Parma, em 2012. Até hoje, Crespo é o maior artilheiro da história do Parma em jogos da Serie A. Com 153 gols pelo Campeonato Italiano, o argentino ainda é um dos 25 maiores goleadores da história do torneio – ocupa a 23ª posição. Atualmente, o ex-centroavante é técnico das categorias de base do Parma. 

11° - Walter Samuel 


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Roma (2000-04) e Inter (2005-14) 
Títulos: Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2001, 2005, 2006, 2008 e 2010), Coppa Italia (2005-06, 2009-10 e 2010-11), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010) 
Prêmios individuais: Melhor defensor, Oscar do Calcio (2010) 

Força, posicionamento, técnica e grande habilidade no jogo aéreo são as características de um dos grandes zagueiros da história do futebol albiceleste. Samuel chegou na Itália para jogar na Roma e, na temporada de estreia, impactou positivamente na equipe. O ex-jogador do Boca Juniors foi figura central do elenco que deu o terceiro e último scudetto da história giallorossa. O grande nível das apresentações lhe rendeu o apelido de The Wall (O Muro) e uma transferência para o Real Madrid, clube no qual chegou cotado como um dos maiores zagueiros do mundo.

Samuel, no entanto, não se adaptou à Liga e, após um ano de insucesso na Espanha, voltou à Itália e se juntou à Inter, que dominou o final dos anos 2000 no país. Fazer parte daquele elenco nerazzurro rendeu 14 taças ao zagueiro, que, na maior parte das conquistas, teve papel central – só ficou de fora do time por uma grave lesão no joelho ou por problemas musculares. Na vitória da Liga dos Campeões, a defesa interista foi muito exaltada e o camisa 25 foi um dos craques do setor, fazendo dupla muito elogiada com Lúcio. Samuel ainda é dono de dois recordes: ao lado de Stankovic, é o estrangeiro com mais títulos da Serie A (seis, cinco pela Inter), e também é o maior vencedor da história dos dérbis de Milão. Conquistou 10 vitórias em onze jogos – perdeu apenas o último, em 2014. Muito querido pela torcida da Inter, foi ovacionado em sua despedida, juntamente com Zanetti, Cambiasso e Milito.

10° - Luis Monti 

Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Juventus (1931-38) 
Títulos: Serie A (1931-32, 1932-33, 1933-34 e 1934-35), Coppa Italia (1937-38) e Copa do Mundo (1934) 
Prêmios individuais: Seleção da Copa do Mundo (1930 e 1934) 

Forte fisicamente, bom marcador e com qualidade no passe e no chute, o volante chegou à Itália aos 30 anos de idade e por valores altos: cinco mil dólares por mês e uma casa bancada pelo clube. Foi pedido expresso do atacante Raimundo Orsi, argentino que figura na 21ª posição em nossa lista – antes de atuar pelo Flamengo, Orsi jogou na Juve entre 1928 e 1935, conquistando um scudetto a mais que seu compatriota. Porém, seu início em Turim foi complicado. Os altos custos não se justificaram no início, pois Luis Monti desembarcou na cidade fora de forma e estreou mal. O ítalo-argentino optou por treinar de forma intensa, longe do elenco, para retomar o bom nível físico. Perdeu quase 15 quilos e se sentiu pronto para ajudar a Juventus, atual campeã italiana. Com tamanha dedicação, se tornar ídolo não seria difícil.

Ao chegar a um time campeão, Luisito agregou ao elenco, que ficou ainda mais forte. O ítalo-argentino era figura importante da proteção à defesa e da saída de bola bianconera. Com ele, a Juventus completou o pentacampeonato consecutivo, feito conhecido como Quinquennio d'Oro – Monti participou de quatro conquistas. Na reta final da carreira futebolística, Monti foi importante para o título da Coppa Italia 1937-38. Um ano depois se aposentou, aos 37 anos, depois de sofrer grave lesão. Após 261 partidas e 22 gols em bianconero, não havia mais desconfiança, Luis Monti ficou na história. Até porque, nenhum jogador em toda a história atuou em duas finais de Copas do Mundo por dois países diferentes – foi vice com a Argentina em 1930 e levantou a taça Jules Rimet com a Itália quatro anos depois.

9° - Esteban Cambiasso 


Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Inter (2004-14) 
Títulos: Coppa Italia (2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11), Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010) 
Prêmios individuais: Time do Ano da Europa, pela associação europeia de mídia esportiva (2005-06) 

Dez anos de dedicação a apenas um clube italiano e 15 títulos, além de muita raça e desempenhos espetaculares na volância colocam Cambiasso entre os dez melhores argentinos que já passaram pelo Belpaese. Em fim de contrato com o Real Madrid, o argentino chegou gratuitamente aos nerazzurri, que não venciam um título desde 1998, e, na temporada de estreia, colaborou com a conquista da Coppa Italia. Nos anos seguintes, Cambiasso se mostrou uma das contratações mais valiosas de toda a história da Beneamata. A profunda identificação com o clube chegou a fazer com que o volante vestisse a camisa que era de Giacinto Facchetti (foto), na conquista de alguns títulos, como no scudetto 2006-07 e na Liga dos Campeões 2009-10.

O “Cuchu” mostrava raça, mas também tinha técnica, e na Inter se mostrou um volante completo, atingindo o auge da carreira, sendo o pilar do time e capitão em boa parte da última temporada, já que Zanetti havia se lesionado. A chegada de Cambiasso marcou a virada da Inter, que se tornou multi-campeã no final dos anos 2000. O grande ano do argentino foi também a temporada mais vitoriosa da história recente nerazzurra, 2009-10. O camisa 19 marcou oito vezes, um dos gols importantíssimo, contra o Chelsea, nas quartas de final da Liga dos Campeões. A LC foi um dos cinco títulos da Beneamata no ano, e sempre com Cambiasso em grande nível. Sua trajetória na Inter acabou em 2013-14, após 431 partidas e 51 gols.


Posição: volante
Clubes em que atuou na Itália: Pisa (1990-92), Inter (1997-99) e Lazio (1999-2003) 
Títulos: Copa Uefa (1997-98), Supercopa da Uefa (1999), Coppa Italia (1999-00), Serie A (1999-00), Supercoppa Italiana (2000), Copa América (1991) e Copa das Confederações (1992)
Prêmios individuais: Nenhum 

Simeone se destacava pela raça, marcação implacável e boa técnica para executar bons passes e finalizar de fora da área. Aos 20 anos, o volante chegou à Itália, através do Pisa do presidente Romeo Anconetani. Porém o clube caiu e não conseguiu voltar à elite, provocando a saída do jovem argentino, que chegou a jogar uma segundona no Belpaese. Mais maduro após passagem de cinco anos pela Espanha, “El Cholo” voltou à Bota para defender a Inter. Na temporada de estreia vestindo nerazzurro, Simeone fez parte de momentos marcantes: deu o passe para um dos gols que deram a Copa Uefa ao clube e marcou duas vezes, contra o rival Milan, decidindo o dérbi. No entanto, no ano seguinte, o mau relacionamento com Ronaldo o fez deixar a Lombardia.

Em 1999, se juntou ao forte time laziale e, no ano de estreia, colaborou com quatro conquistas da nova equipe, sendo peça fundamental no time de Sven-Göran Eriksson. Protagonista, marcou o gol que decidiu a vitória contra a Juventus, então líder, e marcou quatro gols nas seis rodadas seguintes, que serviram para que a Lazio ultrapassasse a Velha Senhora e, no último respiro, garantisse o scudetto. Simeone foi, ainda, carrasco do seu antigo clube, e marcou um dos gols da vitória biancoceleste sobre a Inter, na final da Coppa Italia. Sobre a equipe nerazzurra, Simeone ainda ganhou o título da Supercoppa italiana e, em 2001-02, foi um dos carrascos de um dos dias mais tristes da história interista: marcou um dos gols no 4 a 2 que tirou da boca da equipe milanesa um scudetto que não vinha há anos.



Posição: meia
Clube em que atuou na Itália: Juventus (1929-35) 
Títulos: Serie A (1930-31, 1931-32, 1932-33, 1933-34 e 1934-35) 
Prêmios individuais: Nenhum 

O contexto da chegada de Cesarini a Juventus não era bom: quatro anos sem taças nacionais. Mas a equipe comandada por Carlo Carcano tinha boas peças e, com o novo contratado, os títulos deveriam voltar a aparecer. Um ano depois da contratação do criativo meia ítalo-argentino, a Velha Senhora retomou o caminho das conquistas e foram incríveis cinco scudetti consecutivos – o feito só foi repetido duas vezes na história, por Torino e Inter. Cesarini acabou sendo o mais representativo dos importantes ítalo-argentinos que aquela Juve tinha – além do próprio, jogaram lá Orsi e Monti, já citados aqui.

Além de trazer criatividade ao time, o meia marcava gols e muitas vezes de forma seguida e em momentos fundamentais, na reta final dos jogos. Por isso, na Itália, este período das partidas é conhecido como “zona Cesarini”. Com o acidente que matou o presidente Edoardo Agnelli, a Juventus perdeu grande parte das suas estrelas e o ítalo-argentino se foi. Depois, entre 1946 e 1948, voltou à equipe para tentar frear o Grande Torino, mas bateu na trave, ficando sempre com a segunda posição. Em 1959, pela segunda vez foi treinador da equipe e desta vez sim, conquistou títulos: foi bicampeão nacional e ganhou uma Coppa Italia. 

6° - Diego Milito 


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Genoa (2004-05 e 2008-09) e Inter (2009-14) 
Títulos: Serie A (2009-10), Coppa Italia (2009-10 e 2010-11), Supercoppa Italiana (2010), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010) 
Prêmios individuais: Guerin d’oro (2008-09), Atacante do Ano da Uefa (2009-10), Jogador do Ano da Uefa (2009-10), Homem do Jogo da final da Uefa Champions League (2009-10), Oscar del Calcio: Jogador mais amado pelos torcedores (2009), Oscar del Calcio: Melhor artilheiro (2009), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (2010) e Oscar del Calcio: Melhor jogador (2010)

Diego Milito chegou ao Belpaese, no meio da temporada 2003-04, quando o Genoa disputava a Serie B. Mesmo jogando apenas 20 partidas, o centroavante de ótima finalização e boa mobilidade mostrou as características tradicionais, conseguindo 12 gols. Na segunda temporada, o Príncipe foi o vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols, e teria sido o responsável por recolocar os grifoni na Serie A, mas, punido por combinação de resultados, o time acabou rebaixado e Milito deixou a equipe. Depois de fazer sucesso no espanhol Zaragoza, Milito voltou a Gênova três anos depois, como contratação do final do mercado. Na segunda passagem com a camisa rossoblù, os 24 gols do argentino ajudaram o Genoa a se classificar para a Liga Europa – apenas por critérios de desempate, o time não jogou a Liga dos Campeões.

Com o grande desempenho e a vice-artilharia da Serie A, Diego Milito se transferiu para a Inter, onde formou trio impossível com Eto'o e Sneijder e viveu altíssimo e muito rápido auge. Em 2009-10, o Príncipe foi um dos líderes do time nerazzurro, marcou 30 vezes e anotou em todas as finais que renderam o inédito Triplete à Inter e ao futebol italiano – inclusive contra todos os adversários do mata-mata da Liga dos Campeões e dois na finalíssima, contra o Bayern Munique. Depois, por problemas físicos e de lesões, o camisa 22 alternou altos e baixos, mas gravou seu nome na história da Inter ao marcar uma tripletta contra o Milan (apenas Nyers e Amadei haviam chegado ao feito) e ao superar o número de gols de Ronaldo pela equipe. Os 75 gols marcados e as 171 partidas disputadas o deixarão para sempre nos corações interistas. 



Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Sampdoria (1996-98), Parma (1998-99), Lazio (1999-01) e Internazionale (2004-06) 
Títulos: Copa Uefa (1998-99), 4 Coppa Italia (1998-99, 1999-00, 2004-05 e 2005-06), Supercopa europeia (1999), 2 Serie A (1999-00 e 2005-06) e 2 Supercoppa Italiana (2000 e 2005).
Prêmios individuais: Time do Ano da Europa, pela associação europeia de mídia esportiva (1999-00)  e membro da lista Fifa 100

Verón teve duas fases na carreira: uma como explosivo meia-atacante e outra como meia-central de técnica inigualável. La Brujita chegou à Itália pela Sampdoria, de Sven-Göran Eriksson, onde começou a mostrar o enorme talento. Mas os blucerchiati foram ficando pequenos para o argentino, que se transferiu para o Parma, da Parmalat. Pelos crociati, foi campeão da Copa Uefa (com assistência para um dos gols da decisão) e da Coppa Italia.

O craque ficou ainda maior e, por valores altíssimos, foi jogar na Lazio. Verón fez muitos gols (vice-artilheiro da equipe, com oito), foi decisivo em dérbi contra a Roma e, com isso, colaborou com o scudetto laziale – também ganhou Coppa e Supercopa da Itália. Valorizado, se trnasferiu ao Manchester United por valor recorde para um clube inglês, à época, mas não conseguiu ter sucesso nem lá nem no Chelsea, muito por lesões no joelho direito. La Brujita voltou a ter destaque em Milão, quando ajudou a Inter a sair da fila e participou do início da era vencedora nerazzurra. Pela Beneamata, conquistou quatro títulos, e teve destaque no segundo deles: na Supercoppa de 2005, no 1 a 0 sobre a Juventus, ele deslocou Abbiati, após contra-ataque armado aos 5 minutos de acréscimos do segundo tempo e garantiu o título milanês.



Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Fiorentina (1991-2000), Roma (2000-02) e Inter (2002-03) 
Títulos: Serie B (1993-94), Coppa Italia (1995-96), Supercoppa Italia (1996 e 2000-01), Serie A (2000-01), Copa América (1991 e 1993), Copa Kirin (1992) e Copa das Confederações (1992) 
Prêmios individuais: Artilheiro da Copa América (1991 e 1995), Artilheiro da Copa das Confederações (1992), Artilheiro da Serie A (1995-96), Jogador Argentino do Ano (1998), Futebolista Estrangeiro do Ano da Serie A (1999), Terceiro Melhor Jogador do Mundo FIFA (1999) e Hall da Fama do Futebol Italiano (2013). 

Batistuta era sinônimo de gol, uma vez que balançava as redes de qualquer maneira: com oportunismo, chutes potentes com as duas pernas, cabeçadas precisas e cobranças de falta milimétricas. Dava para escolher. Contratado pelo vice-presidente Vittorio Cecchi Gori para a Fiorentina, o argentino chegou marcando 13 tentos. Os viola chegaram a cair para a Serie B, e Batigol, que derramou lágrimas com a queda, permaneceu para liderar o time na conquista do título e na volta à elite. Seu retorno teve direito à artilharia da Serie A (26 gols marcados) e, no ano seguinte, veio a conquista da Coppa Italia. No título da Supercoppa de 1996, doppietta, no 2 a 1 contra o Milan. Batistuta já era ídolo, sua comemoração já estava enraizada na cultura da torcida e ele ainda recusou transferência milionária para o Manchester United.

O camisa 9 era fundamental à equipe, os muitos gols dele potencializavam o desempenho da Fiorentina. Mas, o clube não voltou a conquistar títulos, Batigol queria mais, mirava um scudetto. O clube tinha dívidas e precisava saná-las. Então, por quase 30 milhões de dólares, o argentino deixou Florença após nove anos, como segundo maior artilheiro da história viola (152 gols na Serie A e 207 no total), para jogar na Roma. Batistuta cumpriu a própria missão e, com 20 gols, liderou a artilharia giallorossa na campanha que culminou na taça da Serie A. No ano seguinte, teve muitos problemas no tornozelo e jogou menos. Acabou sendo emprestado por seis meses à Inter, mas sem o mesmo destaque. Aos 34 anos, 12 deles vividos na Itália, deixou o país em busca de petrodólares antes de se aposentar.

3° - Omar Sívori 


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Juventus (1957-65) e Napoli (1965-68) 
Títulos: Serie A (1957-58, 1959-60 e 1960-61), Coppa Italia (1958-59, 1959-60 e 1964-65) e Copas dos Alpes (1963 e 66). 
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1959-60) e Bola de Ouro (1961) 

Sívori ficou conhecido pela habilidade na canhota (chegou a ser apelidado de El Gran Zurdo, ou “O Grande Canhoto”, em português), pela velocidade em campo e pelo meião que só ia até o meio da canela. Desta forma, trouxe impacto imediato e, com 22 gols, ajudou a Velha Senhora a vencer a décima Serie A do clube (que deu direito à estrela no peito). Na ocasião, atuou ao lado de Charles e Boniperti, com quem formava o chamado Trio Mágico. Outro scudetto foi conquistado em 1959-60, quando “El Cabezón” foi o artilheiro da disputa. No ano seguinte, Bola de Ouro para ele – à época, quando o prêmio era dado apenas a europeus, já tinha dupla cidadania e até defendia a seleção italiana. Sívori foi o primeiro italiano (apesar de nascido na Argentina) a ganhar o troféu.

Com a saída de Boniperti, o argentino assumiu a braçadeira de capitão e chegou a marcar seis gols, em uma partida contra a Inter – em protesto contra a federação, a Inter escalou juvenis e proporcionou o que, até hoje, é o recorde de gols de um só jogador no Derby d'Italia. Sem ganhar novos scudetti, Omar Sívori deixou a Juventus e foi para o Napoli. Pelos partenopei, teve duas primeira boas temporadas – terceiro e quarto lugar, respectivamente. Ao lado de Zoff e Altafini, foi ainda mais longe, e quase foi campeão italiano em 1967-68 (vice-campeão), quando já estava em baixa, por causa de uma séria lesão, e tinha a função de orientar os mais jovens e conduzir a equipe no ataque. Por causa da contusão, se aposentou perto do natal de 1968, com 33 anos.

2° - Javier Zanetti 


Posição: lateral direito
Clube em que atuou na Itália: Inter (1995-2014) 
Títulos: Mundial Interclubes (2010), Liga dos Campeões (2009-10), Copa Uefa (1997-98), Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Supercoppa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010) e Coppa Italia (2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11) 
Prêmios individuais: Pallone d’Argento (2001-02) Prêmio Giacinto Facchetti (2012), Prêmio Gaetano Scirea por carreira exemplar (2010), Prêmio da crítica da Associação Italiana de Jogadores – AIC (2012) e integrante da lista Fifa 100

Exemplo de dedicação a um clube, a história de Javier Zanetti se confunde com as últimas linhas da biografia interista. Foram 19 anos como jogador e, desde então, o trabalho segue como dirigente. O Trator foi um dos melhores laterais-direitos do mundo, pois era muito bom no apoio e bastante consistente na defesa. Contratado pela Inter em 1995, dois anos depois, na final da Copa Uefa, Pupi marcou um dos gols do título nerazzurro. A liderança exalava no camisa 4, que, em 1999, passou a ostentar a braçadeira de capitão, com a aposentadoria de Bergomi, outra bandeira nerazzurra.

Na fase de seca interista, Zanetti foi cobiçado por Barcelona e Real Madrid e rejeitou os gigantes espanhóis. A lealdade aos nerazzurri deu resultado e, a partir de 2005, ganhou 15 taças, entre elas, a sonhada Liga dos Campeões, que, quando levantou, parecia ser não acreditar no que ocorria. Em 20 anos de clube, Zanetti tem o seguinte currículo: é o jogador com mais títulos conquistados pelo clube (16), o que mais vezes vestiu a camisa nerazzurra (858 vezes) e o que mais jogou consecutivamente como titular (137 vezes). Ainda é o jogador estrangeiro com mais jogos pela Serie A e o segundo que mais vezes entrou em campo no total (618 jogos), atrás apenas de Paolo Maldini. Por ser estrangeiro e em uma época em que as trocas de clube são comuns, é algo que merece destaque. Não bastasse isso, Pupi é, até hoje, um exemplo de lealdade, caráter e elegância no mundo do futebol.



Posição: meia-atacante
Clube em que atuou na Itália: Napoli (1984-91)
Títulos: Serie A (1986-87 e 1989-90), Coppa Italia (1986-87), Copa Uefa (1988-89) e Supercoppa Italiana (1989-90) 
Prêmios individuais: Guerin d’Oro, futebolista do ano da Serie A (1984-85), Bola de Ouro da Copa do Mundo (1986), Time da Copa do Mundo (1986 e 1990), Jogador do ano World Soccer (1986), Artilheiro da Serie A (1987-88) e Artilheiro da Coppa Italia (1987-88).

Desde a chegada em Nápoles, Maradona mostrou que a sua passagem pela cidade seria inesquecível. À época, contratado por um valor recorde, foi apresentado ao San Paolo lotado, mas foi brilhar mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo de 1986 com a Argentina. Ao lado de Bruno Giordano e Careca, os outros dois componentes do trio MaGiCa, conseguiu levar o Napoli ao seu primeiro scudetto e ainda conseguiu a Coppa Italia. “El Diez” ainda liderou os partenopei ao segundo scudetto, uma Copa Uefa e uma Supercoppa Italiana e ainda a dois vices nacionais.

A intensidade da relação Maradona-Itália ficou evidente na Copa disputada no país. Na semifinal jogada em Nápoles, a torcida local optou por apoiar o craque partenopeu, ao invés de torcer pela Nazionale. Na final, em Roma, que culminou com o título alemão, o restante da Itália deu o troco e vaiou o hino argentino. Sem conseguir se livrar da cocaína, Maradona teve problemas no final de sua trajetória napolitana. Porém, até hoje, o craque é um dos maiores jogadores de toda a história do futebol e o maior artilheiro da história azzurra, com 115 gols e, em 2000, a camisa 10 foi aposentada.