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terça-feira, 23 de maio de 2017

37ª rodada: A maior de todas

Buffon, recordista de scudetti, ergue a taça: a Juve é hexacampeã italiana (LaPresse)
Ao menos numericamente, a atual Juventus é a maior equipe da história da Serie A. Nunca um time tinha conquistado um hexacampeonato consecutivo na Itália até os bianconeri de Antonio Conte e Max Allegri aparecerem para criar uma dinastia inesquecível. Um clã cujo líder é Gianluigi Buffon, um dos maiores vencedores de scudetti: são oito, ao lado dos também juventinos Giovanni Ferrari, Giuseppe Furino e Virginio Rosetta – seriam 10, não fossem os dois retirados por causa do Calciopoli. Acompanhe como foi a 37ª rodada de uma Velha Senhora que ainda está sedenta por títulos, num fim de semana de festa também para Atalanta, Milan e Genoa.

Juventus 3-0 Crotone
Mandzukic (Cuadrado), Dybala e Alex Sandro (Dybala)

Tops: Dybala e Alex Sandro (Juventus) | Flops: Rosi e Cordaz (Crotone)

Seis. Pela primeira vez, seis. Nunca antes na história da Serie A um clube havia conquistado seis vezes consecutivas o campeonato, e a Juventus segue quebrando recordes. Depois de mais um título da Coppa Italia, a Velha Senhora enfim festejou outro scudetto – chegando à terceira dobradinha nacional em sequência – e lotará sua camiseta da próxima temporada com insígnias relativas aos triunfos. Além disso, poderá adicionar mais "patches" ao manto bianconero, pois buscará o inédito Triplete no dia 3 de junho.

Diante de um Crotone que vinha de sete rodadas de invencibilidade em busca da salvezza, o time de Allegri não vacilou e jogou sério: assegurou a vitória já no primeiro tempo. Dani Alves, Pjanic e Dybala foram os protagonistas do controle do jogo, e Mandzukic abriu o placar atropelando - no bom sentido - o lateral Rosi e completando um cruzamento preciso de Cuadrado. No final do primeiro tempo, o próprio Dybala guardou o seu, o 10º no campeonato, em mais uma cobrança de falta espetacular. A surpresa foi Alex Sandro, que coroou sua excelente temporada e ampliou a vantagem na etapa final com gol de cabeça em escanteio de Dybala.

Chegou a haver uma brincadeira sobre a partida: dizia-se que toda a Itália torceu para o Crotone, com exceção da Calábria, terra dos crotoneses, que torceu para a Juventus. Não deixa de ser verdade, já que a concentração de bianconeri no sul da Bota é enorme e é comum que torcedores de times menores tenham a Juve como sua segunda agremiação. Bem, os torcedores do Crotone já imaginavam que não seria contra a Juventus o time sairia da zona de rebaixamento. Os calabreses vinham invictos há sete jogos, mas a reação demorou demais para acontecer e agora a tabela joga contra – ainda que os pitagóricos já tenham superado isso com grandes resultados desde abril. A equipe fechará o campeonato contra uma Lazio desfalcada, mas que, ainda assim, tem um time muito superior. Os rossoblù ainda terão que torcer contra o Empoli, que enfrenta o já rebaixado Palermo - que pode muito bem tentar levar mais um para o buraco.

Chievo 3-5 Roma
Castro (Inglese), Inglese (Birsa) e Inglese (Pellissier) | El Shaarawy (Fazio), Salah (Strootman), El Shaarawy (Strootman), Salah (Dzeko) e Dzeko (Nainggolan)

Tops: Inglese (Chievo) e El Shaarawy (Roma) | Flops: Gamberini (Chievo) e Manolas (Roma)

Acordou o Faraó. El Shaarawy caminhava para mais uma temporada sem grande destaque, mas nas últimas semanas tem sido o melhor jogador da Roma e vinha sendo vital para manter a equipe giallorossa na briga pelo scudetto. Na abertura da penúltima rodada, o ítalo-egípcio deu contribuição decisiva juntamente com seus companheiros de ataque Salah e Dzeko para evitar um fracasso contra o Chievo, que fez jogo duro contra a vice-líder e contou com ótimas participações de Castro, Birsa e Inglese.

O centroavante, aliás, provou sua qualidade nesta temporada e, com a doppietta sobre a desastrosa defesa de Spalletti chegou a 10 gols na Serie A. Agora, 31 jogadores alcançaram dois dígitos na artilharia do campeonato, um recorde no campeonato. O primeiro tempo no Bentegodi foi lá e cá, com uma chuva de gols: Castro abriu o placar, El Shaarawy empatou, Inglese recolocou os anfitriões na frente e Salah voltando a empatar antes do intervalo – ufa. Na etapa final, El Shaarawy fez o gol da virada e a porteira da defesa centenária do Chievo abriu: Salah fez o quarto e Dzeko guardou o seu para seguir na artilharia isolada do certame, com 28 tentos. Deu tempo até para Inglese marcar pela segunda vez em mais um jogo de muitos gols na Serie A mais cheia de redes balançando dos últimos anos.

Napoli 4-1 Fiorentina
Koulibaly, Insigne (Mertens), Mertens e Mertens | Ilicic (Tello)

Tops: Mertens e Insigne (Napoli) | Flops: Tatarusanu e Rodríguez (Fiorentina)

Dono da maior invencibilidade atual (11 rodadas), o Napoli não deu chance para o azar contra a Fiorentina e dominou completamente o time toscano. Afinal, a equipe sabia que não poderia vacilar depois da vitória da Roma mais cedo, uma vez que ainda está em busca do segundo lugar e da vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões. Diante da desorganizada defesa viola, o time de Sarri nem mesmo precisou ter a bola, como habitual, e aproveitou também as entregadas de Tatarusanu. Como não poderia deixar de ser, Mertens mais uma vez foi o protagonista de mais uma goleada napolitana e encostou em Dzeko na busca da artilharia – agora tem 27 gols, graças à doppietta no sábado. Entre erros na bola parada, saída de jogo e falhas do goleiro, a Fiorentina do San Paolo foi o retrato do que foi em toda temporada: bastante decepcionante. O quase desaparecido Ilicic foi o único a causar algum desconforto aos anfitriões, inclusive marcando o único gol da equipe. Antes, Koulibaly aproveitou rebote em escanteio para abrir o placar, Insigne ampliou, após erro de Cristoforo, e Mertens fez o terceiro após outro escanteio e falha de Tatarusanu. O belga voltou a se redimir do gol incrível perdido no início do jogo em boa trama com Hamsík e aproveitando novo rebote.

Sobrou até para Allegri na festa da campeã (Getty Images)
Empoli 0-1 Atalanta
Gómez (Freuler)

Tops: Gómez e Masiello (Atalanta) | Flops: Maccarone e Pucciarelli (Empoli)

Em festa pela convocação inédita para a seleção principal da Argentina, Papu Gómez conduziu a Atalanta para sua 20ª vitória no campeonato. Seu time segue batendo recordes, assegurou matematicamente a vaga inédita na fase de grupos da Liga Europa e ainda tentará ficar com a quarta posição na Serie A – o que seria sua melhor colocação na história. Artilheiro, capitão e melhor jogador nerazzurro, o camisa 10 chegou a 15 gols no campeonato (recorde na sua carreira), com um belo chute de fora da área. Este foi o único gol do jogo, já que Skorupski fez quatro defesas para evitar que os bergamascos ampliassem e Masiello fez dois cortes em cima da linha, tirando o gosto do empate do Empoli. A equipe azzurra segue na briga contra o rebaixamento, com apenas um ponto de vantagem para o Crotone: enquanto os calabreses terão a Lazio em casa na última rodada, os toscanos visitam o Palermo na Sicília. Na última rodada, a Atalanta recebe o Chievo, em Bérgamo, e tem boas chances de conseguir seu enorme feito, já que os laziali estão bastantes desfalcados e enfrentam um adversário cheio de gás.

Milan 3-0 Bologna
Deulofeu (Mati Fernández), Honda e Lapadula (Mati Fernández)

Tops: Deulofeu e Mati Fernández (Milan) | Flops: Mirante e Destro (Bologna)

De uniforme novo, o Milan precisava de uma vitória para assegurar matematicamente a vaga na Liga Europa. E assim foi, mas depois de muito drama. Mais uma vez com três zagueiros, o time de Montella atacou bastante, mas teve contra si a falta de pontaria de Lapadula, que perdeu quatro oportunidades em 30 minutos. Além disso, contaram negativamente a pequena participação de Bacca e o fato de Deulofeu, escalado como ponta do 3-5-2, atuar muito longe do gol. Somente no segundo tempo, depois das entradas de Mati Fernández e Honda, a equipe conseguiu chegar ao gol. Primeiro com Deulofeu em boa jogada de Pasalic e Fernández, e na sequência com Honda, que se despediu dos rossoneri com um gol em cobrança de falta. Já nos acréscimos, em mais uma assistência de Mati, finalmente Lapadula foi às redes. No final da partida, Montella foi aos braços dos jogadores para comemorar o retorno à Europa depois de três temporadas.

Lazio 1-3 Inter
Keita (pênalti) | Andreolli (Perisic), Hoedt (contra) e Éder

Tops: Santon e Andreolli (Inter) | Flops: Vargic e Hoedt (Lazio)

Não havia muito em jogo entre Lazio e Inter, e o reflexo disso foi uma partida muito fraca tecnicamente e com poucas emoções. Ainda assim, as equipes protagonizaram outra partida com muitos gols e com duas expulsões do lado dos anfitriões. De início, o jogo foi inteiro dos laziale, que chegaram ao gol através de pênalti cobrado por Keita – Murillo, autor da falta e amarelado, acabou lesionado no lance e deu lugar a Santon. Na formação com três zagueiros de Vecchi, dois eram laterais, e a cria de Interello acabou fazendo grande partida após quatro meses sem jogar. Aos trancos e barrancos, sem qualquer qualidade, os visitantes empataram com outra cria nerazzurra, o veterano Andreolli, com cabeceio firme em escanteio de Perisic. E pouco depois, dessa vez em jogada do ex-laziale Candreva, Hoedt colocou contra seu próprio gol. Entre perdas de posse e poucos ataques, o jogo se encaminhou assim até o final, e se Immobile acertou a trave, do outro lado Lombardi precisou salvar em cima da linha. Éder finalmente marcou depois de algumas oportunidades desperdiçadas, aproveitando mais uma falha adversária, e deu números finais ao amistoso de luxo.

Genoa 2-1 Torino
Rigoni (Miguel Veloso) e Simeone | Ljajic

Tops: Miguel Veloso e Simeone (Genoa) | Flops: Hart e Belotti (Torino)

Depois do susto contra o rebaixado Palermo, o Genoa não voltou a decepcionar sua torcida e conquistou a salvezza mais tarde do que o planejado. O time de Juric não teve grande desempenho, mas fez o bastante para conseguir a vitória contra um cabisbaixo Torino, que não reagiu nem mesmo para ajudar Belotti, que está sem marcar há quatro rodadas (um mês) e ficou de fora da briga pela artilharia da Serie A. Rigoni surgiu livre na primeira trave para desviar cruzamento de Miguel Veloso e abrir o placar no primeiro tempo, enquanto Simeone voltou às redes depois de mais de um mês para fazer o gol da vitória. Ljajic descontaria no final do jogo em mais um gol de falta, seu terceiro (de dez ao todo) no campeonato.

Udinese 1-1 Sampdoria
Théréau (Zapata) | Muriel (pênalti)

Tops: Théréau (Udinese) e Muriel (Sampdoria) | Flops: Danilo e De Paul (Udinese)

O que esperar de um jogo sem nada em disputa? Cenas lamentáveis, é claro. A partida em si não teve muitas faltas e encontros, e foi jogada em ritmo lento por sua equipes sem objetivos no campeonato há meses. No entanto, tivemos três expulsões e brigas em campo e no vestiário. De Paul foi expulso logo depois do intervalo, deixando a Udinese com um a menos depois de ter aberto o placar logo no início com Théréau, o 12º do veterano francês. A reação da Sampdoria tardou e o empate veio somente após a expulsão, com gol de pênalti de Muriel. Ex-promessa da Udinese, o colombiano comemorou o gol provocando a torcida e o capitão bianconero Danilo foi tirar satisfação com o atacante, o segurando pelo pescoço. O jovem árbitro Pinzani prontamente expulsou ambos, mas a confusão seguiu no vestiário. Em campo, aparentemente nenhum dos times estava com vontade em seguir jogando e a partida se encaminhou assim até o apito final.

Sassuolo 6-2 Cagliari
Magnanelli (Berardi), Berardi, Politano (Berardi), Borriello (contra), Iemmello (pênalti) e Matri (Lirola) | Sau (Isla) e Ionita (Tachtsidis)

Tops: Magnanelli e Berardi (Sassuolo) | Flops: Rafael e Borriello (Cagliari)

Que hora para o Sassuolo acordar. Em uma temporada decepcionante, depois de muita expectativa sobre sua primeira experiência na Europa e a sequência do bom desempenho em 2015-16, os neroverdi tiveram meses de má fase, especialmente após a lesão de Berardi, mas agora tem a segunda maior série de invencibilidade (sete rodadas). Contra a desastrosa defesa do Cagliari, segunda mais vazada do campeonato, o ataque do time de Di Francesco fez a festa e protagonizou mais uma goleada. Berardi aproveitou para aumentar em mais alguns milhões a sua avaliação de mercado, e participou dos três primeiros gols, que saíram com pouco mais de dez minutos. Magnanelli abriu o placar em chute de fora da área após escanteio rasteiro, Berardi aproveitou erro do goleiro Rafael para ampliar e Politano fez o terceiro, sempre de fora da área e em passe de Berardi. Sau descontou para os visitantes aos 25, mas pouco depois o artilheiro Borriello desviou cobrança de falta de Sensi e matou Rafael. A festa não tinha acabado e o atacante voltou a protagonizar outro lance contra seu time, fazendo pênalti, que foi convertido por Iemmello. Na cobrança de falta de Tachtsidis, Ionita voltou a descontar para os sardos. E se Magnanelli salvou o terceiro gol visitante, Matri ampliou já no final em cruzamento de Lirola.

Pescara 2-0 Palermo
Muric (Caprari) e Mitrita (Brugman)

Tops: Fiorillo e Caprari (Pescara) | Flops: Bruno Henrique e Aleesami (Palermo)

O único lugar em que você vai ler algo em português sobre essa partida será aqui. A partida entre os dois rebaixados não valia nada além da honra do Pescara, que queria vencer seu último jogo em casa para se despedir da Serie A com alguma dignidade. E isso aconteceu, com gols de Muric e Mitrita. Fim.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 36ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Scuffet (Udinese); Daniel Alves (Juventus), Masiello (Atalanta), Koulibaly (Napoli), Alex Sandro (Juventus); Mati Fernández (Milan), Magnanelli (Sassuolo); Berardi (Sassuolo), Mertens (Napoli), El Shaarawy (Roma); Dzeko (Roma). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Serie B: resta um

Spal conquistou o segundo título da Serie B de sua história (Foto: Lega B)
A última rodada da Serie B, na última quinta-feira (18), proporcionou fortes emoções até o último segundo, com disputas acirradíssimas em praticamente todos os lugares da tabela. Se a surpreendente Spal chegou à derradeira partida da temporada com a vaga na primeira divisão assegurada, ainda restava a briga pelo título, enquanto Verona e Frosinone se digladiaram pela segunda colocação e Perugia e Benevento contaram com as torcidas de outros três times para assegurar a realização dos play-offs. No final das contas, Spal e Verona carimbaram o retorno à elite do futebol italiano, mas ainda resta um lugar ao sol em jogo entre seis times.


Acesso

A Spal confirmou o favoritismo adquirido na segunda metade do campeonato, embora com menos tranquilidade do que o imaginado. Com boa vantagem na ponta, os spallini sentiram a pressão da decisão na reta final e emendaram uma sequência de três partidas seguidas sem vencer entre a 39ª e a penúltima rodada, algo que aconteceu apenas no início da campanha, entre a 3ª e a 6ª jornada. No entanto, a garantia do retorno à Serie A depois de 49 anos saiu no dia 13 de maio, mesmo com a inesperada derrota por 2 a 1, de virada e fora de casa para a Ternana.

Além do acesso, o time da cidade Ferrara ainda brigava pelo título para coroar a temporada dos sonhos. A diferença para o vice-líder Verona era de dois pontos e quando Cristian Galano abriu o placar para o Bari contra a Spal na última quinta-feira, os torcedores ferrareses ficaram apreensivos. Porém, Gianmarco Zigoni marcou duas vezes para virar o placar aos 44 minutos do segundo tempo e dar a taça da Serie B aos biancazzurri depois de 66 anos. 

Vale lembrar que com 78 pontos, a Spal é a campeã da segunda divisão com a menor pontuação desde o Lecce em 2009-2010. Naquela temporada, a equipe salentina somou 75 pontos.

Verona ficou com a segunda colocação em disputa apertadíssima com o Frosinone (Foto: Lega B)
Se não deu para conquistar o título, o Verona ainda precisava se preocupar com o Frosinone na disputa pela segunda colocação e pelo acesso direto. Depois de passar cinco rodadas sem vencer entre o final de março e meados de abril, os frusinati se recuperaram na reta final com quatro vitórias nos últimos cinco jogos. Com a vitória por 2 a 1 sobre a Pro Vercelli, os leoni precisavam de uma derrota dos veroneses para subir. No entanto, neste confronto de duas equipes que estavam na Serie A na temporada passada, melhor para o clube do Vêneto.

Os comandados do técnico Fabio Pecchia ficaram no meio termo entre uma vitória para brigar pelo título e uma derrota para sair da zona de classificação à primeira divisão. O empate sem gols contra o também tradicional Cesena foi suficiente para recolocar os mastini na elite com muito mais sofrimento do que o esperado. Afinal, o Hellas tem um dos elencos mais caros da competição e era o principal favorito ao título no início do campeonato. No final das contas, Verona e Frosinone terminaram com os mesmos 74 pontos na tabela, mas os butei levaram vantagem no confronto direto.


Play-offs

A superioridade de Spal, Verona e Frosinone ficou evidente na classificação. Nas últimas semanas, uma das grandes discussões envolvendo a Serie B era se haveria ou não a disputa dos play-offs pela terceira vaga na Serie A. Se o terceiro colocado terminasse a temporada regular com 10 pontos ou mais à frente do quarto, o regulamento previa o acesso direto, algo que aconteceu apenas uma vez desde que os play-offs foram adotados, em 2004-2005. Foi exatamente na temporada 2006-2007, quando Juventus, Napoli e Genoa conquistaram o direito de disputar a primeira divisão.

Frosinone ficou só no "quase" e vai disputar os play-offs (Foto: Lega B)
Se o Frosinone tivesse conquistado apenas um dos seis pontos perdidos para os rebaixados Vicenza e Pisa, por exemplo, já poderia estar comemorando o retorno à Serie A. A equipe da região do Lácio terminou o campeonato no limite, com nove pontos de vantagem para o quarto colocado. A Cittadella começou a rodada como a desafiante mais próxima dos frusinati, mas acabou goleada por 4 a 1 pela Entella, que não almejava mais nada na competição, com direito a gol olímpico de Luca Tremolada.

Com o papelão do time granata, a tarefa de manter os play-offs coube a Perugia e Benevento. Os grifoni bateram a Salernitana por 3 a 2 depois de saírem atrás do placar e as bruxas não tiveram dificuldade para aplicarem 3 a 0 no moribundo Pisa. Desta forma, ambos chegaram aos 65 pontos e continuam sonhando.

Além de Frosinone, Perugia, Benevento e Cittadella, o Carpi já chegou à última rodada classificado e o Spezia venceu e aproveitou o tropeço do Novara para fechar o grupo dos times que vão disputar os play-offs. Curiosamente, são dois times que vieram da Serie A (Frosinone e Carpi), dois que já estavam na Serie B (Perugia e Spezia) e outros dois que subiram da Lega Pro (Benevento e Cittadella).

O Frosinone, terceiro colocado, aguarda o vencedor de Cittadella e Carpi, que se desafiam em jogo único nesta segunda. Na terça, Benevento e Spezia definem o adversário do Perugia, quarto colocado na temporada regular. Apenas um time se junta a Spal e Verona.


Rebaixamento

Os neroazzurri de Pisa e Latina já chegaram na última rodada rebaixados com antecedência. Além de serem donos das duas piores campanhas do campeonato, pisani e latinesi ainda foram punidos com a perda de quatro e sete pontos, respectivamente, por causa de problemas financeiros. A squadra da cidade da torre inclinada sofreu com a instabilidade administrativa. Enquanto o técnico Gennaro Gattuso seguiu no cargo, o clube teve dois donos diferentes durante a temporada. Mesmo com todas as dificuldades e poucos reforços, Gattuso montou uma equipe com a sua cara e ainda conseguiu terminar a competição com a segunda melhor defesa, com apenas 36 gols sofridos em 42 rodadas, mesmo terminando na penúltima colocação. Em situação ainda mais grave, o Latina bateu na trave pelo acesso em 2014, quando chegou à terceira posição e foi eliminado somente nos play-offs, mas os gastos dos últimos anos foram enormes e os leoni alati estão no caminho para decretar falência pela terceira vez em uma década.

Homenagem da torcida do Pisa para Gattuso (Foto: Lega B)
O tradicional Vicenza precisava de um verdadeiro milagre para se salvar, o que não aconteceu. Mas a melhor disputa ficou reservada entre Avellino, Brescia, Ternana e Trapani para saber quem iria jogar o play-out do rebaixamento. Porém, no final das contas, ninguém vai precisar mais entrar em campo. Para explicar melhor: os três últimos são rebaixados diretamente à Lega Pro, enquanto 18º e 19º colocados disputam o play-out. No entanto, se a diferença entre os dois for de cinco pontos ou mais, o spareggio pela degola é dispensado e o 19º cai para a terceirona. Foi exatamente o que aconteceu.

Depois da terceira colocação na temporada passada, a expectativa em cima do Trapani foi grande. Apesar da manutenção do técnico Serse Cosmi, muitos jogadores saíram e o novo elenco não deu liga. Os sicilianos venceram apenas uma partida no primeiro turno inteiro e pareciam fadados ao rebaixamento com bastante antecedência. Mas a chegada do novo treinador Alessandro Calori deu um novo ânimo e os trapanesi reagiram na segunda metade do campeonato, chegando a sair da zona de rebaixamento. Mas o peso da decisão foi demais para a equipe granata na reta final. Foram três derrotas nos últimos três jogos, algo que só aconteceu entre a 6ª e 8ª rodada, apesar da péssima campanha no primeiro turno. Mesmo assim, o Trapani chegou com chances de salvação na quinta-feira: no entanto, acabou perdendo por 2 a 1 o confronto direto com o Brescia e parou nos 44 pontos. 

Ternana conquistou salvação heroica na última rodada (Foto: Lega B)
A Ternana também viveu uma péssima fase entre dezembro e março, quando emendou uma sequência de apenas três pontos conquistados em 33 disputados e figurou na zona de rebaixamento. Assim como o Trapani, os neroverdi também conseguiram reagir, mas a diferença foi que a boa fase aconteceu exatamente na reta final. Com oito vitórias nas últimas 13 rodadas, a equipe da Úmbria derrotou times importantes como Frosinone e Spal e ainda ganhou os confrontos diretos contra Trapani e Vicenza. Na última rodada, o triunfo de virada sobre o Ascoli fez a Ternana chegar aos 49 pontos, abrir cinco para os trapanesi e decretar o rebaixamento do adversário da Sicilia. Festa da feras, que conseguiram uma salvação heroica mais uma vez.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Objetivo 1 de 3: concluído

O caminho para a temporada perfeita está aberto: Juve supera Lazio, levanta Coppa Italia e dá primeiro passo em busca do desejado triplete (Getty)
Por Rodrigo Antonelli

Após um fim de semana amargo, com derrota para a Roma que adiou a conquista do sexto scudetto consecutivo, a Juventus voltou à capital italiana para tentar recuperar a trilha das vitórias e, enfim, levantar o primeiro dos três troféu desejados da temporada. Para isso, nada melhor do que uma decisão contra uma das maiores freguesas recentes, a Lazio. Os biancocelesti perderam as últimas dez partidas contra a Juve e não sabem o que é vencer o duelo já há 15 jogos. O 2 a 0 até com certa facilidade, portanto, não foi surpresa para ninguém.

Mesmo sem alguns de seus titulares, a equipe de Allegri mostrou maturidade para controlar o jogo e não precisou exibir mais do que 20 minutos de seu bom futebol para liquidar a partida e reafirmar sua supremacia em território italiano. Foi o senegalês Keita quem teve a primeira chance do jogo, acertando a trave aos seis minutos, mas dali em diante só deu Juve. Aos 12, o brasileiro Daniel Alves – que agora chegou à impressionante marca de 27 finais vencidas em 30 disputadas – aproveitou belo lançamento de Alex Sandro para acertar um voleio e fazer 1 a 0.

Depois, uma blitz de 20 minutos não deu sossego à zaga laziale. Higuaín exigiu grande defesa de Strakosha uma vez, Dybala, outras duas, e a Lazio mal viu a cor da bola. A pressão só diminuiu um pouco depois dos 25 minutos, quando Alex Sandro desviou cobrança de escanteio e Bonucci completou para o fundo das redes. Com a vantagem de dois gols no placar, a Velha Senhora pode diminuir o ritmo e administrar o jogo, modalidade em que se especializou nos últimos anos.

Inzaghi fez alterações no intervalo e a Lazio até tentou reagir na segunda etapa, mas o goleiro Neto fechou a porta logo nas duas primeiras boas chances da equipe, com Felipe Anderson e Immobile, e deixou claro que aquele não seria um dia de festa em azul. O tricampeonato seguido da Juve na Coppa é inédito na história e os 12 títulos somados a colocam três à frente da Roma, segunda maior campeã, com nove taças.

O feito abre caminho para tentar um triplete igualmente histórico, alcançado só uma vez na história do futebol italiano, justamente pela Inter, uma das maiores rivais dos bianconeri. A festa é grande em Turim e tem tudo para continuar neste domingo (21/5), contra o Crotone, no Juventus Stadium. Basta uma vitória para confirmar o hexacampeonato na Serie A e aí sim poder focar de vez no maior desafio da temporada: a finalíssima da Liga dos Campeões em Cardiff, contra o Real Madrid.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

36ª rodada: Festa adiada

Roma bateu a Juventus e, no mínimo, adiou a decisão do campeonato (Getty)
Tudo parecia encaminhado para uma definição bastante antecipada nas duas pontas da tabela da Serie A e, no entanto, faltando duas rodadas para o fim do campeonato, os vereditos estão em aberto. Na parte mais alta, a Juventus ainda é larga favorita para garantir o hexacampeonato, mas Roma e Napoli estão se esforçando muito para adiar ao máximo (ou até, quem sabe, evitar) as comemorações em Turim. Embaixo, o Crotone mostra um raro poder de reação e também tem contado com os tropeços de Genoa e Empoli para poder sonhar com a improvável permanência na elite. Uma sentença, pelo menos, foi definida na 36ª rodada: a Atalanta jogará a Liga Europa em 2017-18. Confira o resumo dos jogos do fim de semana.

Roma 3-1 Juventus
De Rossi, El Shaarawy (Nainggolan) e Nainggolan (Salah) | Lemina (Higuaín)

Tops: De Rossi e Nainggolan (Roma) | Flops: Lichtsteiner e Cuadrado (Juventus)

Ainda não, Juve. Apenas um empate bastava para o time de Allegri festejar o sexto scudetto na casa da equipe que mais vezes ficou logo atrás da Velha Senhora na maior série de títulos da Serie A. A Roma adiou novamente a festa juventina e diminuiu a diferença da líder para quatro pontos. Difícil, porém, acreditar que tenhamos uma reviravolta nessa altura do campeonato e as chances de os romanos ficarem com o vice pela quarta vez no sexênio vencedor dos bianconeri é enorme. Nas rodadas finais, a Juventus recebe o Crotone e visita o Bologna, enquanto a Roma vai a Verona enfrentar o Chievo e fecha sua participação diante do Genoa, no Olímpico.

Na capital, o time de Spalletti enfrentou a Velha Senhora sem medo e, desfalcada do artilheiro Dzeko, optou por uma formação mais leve na frente, com Salah na direita, Nainggolan e Perotti alternando entre a intermediária e a área adversária e um inspirado El Shaarawy na esquerda. Foi do Pequeno Faraó o gol da virada giallorossa, que veio no início da etapa final, em assistência de Nainggolan – antes, De Rossi respondera ao gol de Lemina no primeiro tempo. Nainggolan provou seu ódio pelos bianconeri com outra grande exibição e marcou o terceiro gol, esfriando uma possível reação da equipe adversária, que poupou alguns jogadores pensando na final da Coppa Italia, na quarta. Allegri até lançou Dybala, Dani Alves e Marchisio no segundo tempo, mas a Juve foi incapaz de passar por Szczesny uma segunda vez.

Torino 0-5 Napoli
Callejón (Allan), Insigne (Mertens), Mertens (Insigne), Callejón (Ghoulam) e Zielinski (Callejón)

Tops: Callejón e Mertens (Napoli) | Flops: Rossettini e Carlão (Torino)

Dono do quinto melhor ataque do campeonato, o Torino não se defende bem e tem a quarta pior defesa. Até parece que Mihajlovic virou Zeman, já que seu time realmente se defende mal e expõe ainda mais Hart, segundo goleiro com mais falhas no campeonato. Quem aproveitou bastante essa situação foram os jogadores do Napoli, que marcaram incríveis dez gols em duas partidas contra os granata: depois dos 5 a 3 do primeiro turno, um duro 5 a 0 na volta, em outra exibição de protagonista de Mertens, candidato fortíssimo a craque da Serie A. O belga deixou o seu para chegar a 25 gols no certame e ainda deu uma assistência.

Outros que vem muito bem são Callejón, que voltou às redes nas últimas semanas e ainda é o líder de assistências do campeonato; e Insigne, que marcou 16 vezes e também deu mais um passe para gol. Enquanto Allan e Jorginho superaram o início ruim e cresceram bastante nos últimos meses, o jovem Zielinski também reapareceu após um período em baixa fechou a conta em Turim. Já Belotti passou mais uma vez em branco e parou contra Koulibaly. Em busca da fase de grupos da Liga dos Campeões, os napolitanos até festejaram a derrota da Juventus, mas isso significou seguir atrás da Roma, que agora tem adversários mais fáceis para abocanhar a vaga direta na Champions League, como citamos acima. O Napoli recebe a Fiorentina e visita a Sampdoria.

Fiorentina 3-2 Lazio
Babacar (Vecino), Kalinic e Lombardi (contra) | Keita (Luis Alberto) e Murgia (Luis Alberto)

Tops: Babacar (Fiorentina) e Luis Alberto (Lazio) | Flops: Cristoforo (Fiorentina) e Strakosha (Lazio)

Fiorentina e Lazio protagonizaram mais um jogo movimentado, algo que foi habitual para as duas equipes no campeonato. Depois dos vacilos do último final de semana, os viola levaram a melhor e até ficaram na zona europeia por algumas horas, mas o Milan somou um pontinho e empurrou a equipe de Florença para a sétima posição. A Lazio (já garantida na Liga Europa) poupou jogadores por causa da final da Coppa Italia, mas saiu na frente no início do segundo tempo, com Keita: dos 15 gols marcados pelo senegalês no campeonato, quase metade (7) foram anotados nas últimas quatro partidas. A Fiorentina virou em menos de dez minutos, com os postes Babacar e Kalinic e uma pequena colaboração de Strakosha. Completando a série de desastres da defesa laziale, Parolo perdeu a bola (acabou se machucando, após as três substituições celestes) e, na sequência, Lombardi acabou desviando contra as próprias redes um chute na trave de Kalinic. Com um a menos, a Lazio até descontou após uma nova jogada de Luis Alberto, mas não empatou. O pior para Inzaghi foram as lesões de Lukaku e Parolo, que são dúvidas para a decisão de quarta.

Atalanta 1-1 Milan
Conti | Deulofeu (Lapadula)

Tops: Conti (Atalanta) e Deulofeu (Milan) | Flops: Petagna (Atalanta) e Kucka (Milan)

O efeito Atalanta. Montella contou até com a volta do capitão Montolivo, afastado desde outubro por causa de lesão no ligamento cruzado do joelho, mas mesmo com o elenco completo, decidiu espelhar o sistema de Gasperini e encaixar uma marcação individual. Estratégia que durante o jogo se provou muito falha, uma vez que os anfitriões ganhavam quase todos os duelos e foram para o intervalo mais tranquilos após o oitavo gol de Conti, que aproveitou falha de Donnarumma para se tornar o defensor com mais gols nas cinco principais ligas e também vice-artilheiro dos nerazzurri. O jovem goleiro rossonero, porém, se redimiu na etapa final para manter sua equipe no jogo, realizando algumas defesas complicadas. O Milan passou a assustar mais o gol adversário na segunda metade da etapa final e chegou ao empate com a joia Deulofeu já nos últimos minutos: o espanhol deixou Rafael Tolói no chão com uma finta e teve o chute desviado para tirar Berisha da jogada. O empate não foi o melhor dos mundos para a equipe de Bérgamo, mas garantiu a volta do time às competições europeias após 26 anos.

Atalanta festejou a classificação à Liga Europa no sábado (Ansa)
Inter 1-2 Sassuolo
Éder | Iemmello (Berardi) e Iemmello (Lirola)

Tops: Iemmello e Consigli (Sassuolo) | Flops: Murillo e Candreva (Inter)

A cada rodada a Inter consegue se superar e piorar a situação: agora são oito rodadas sem vencer, repetindo o pior retrospecto do clube, o da Serie A de 1981-82. Em um San Siro esvaziado, o destaque ficou para a Curva Nord, que estava parcialmente fechada por cantos racistas aos napolitanos há duas semanas e compareceu em menor número, mas ainda o bastante para criticar diretoria e jogadores com uma dezena de faixas. A mais impactante foi a última: "já que vocês não merecem nosso apoio, damos nosso adeus e vamos almoçar", colocada aos 20 minutos do primeiro tempo e seguida pelo abandono do estádio. A coisa pioraria, porque Iemmello (que até pouco tempo jogava a terceira divisão) repetiu Melchiorri do Cagliari e marcou duas vezes em dois erros bisonhos da defesa interista: o primeiro aos 36, graças a Murillo, e o outro aos 50, após mal posicionamento da zaga. Enquanto Candreva e Perisic deixavam os torcedores nervosos, Éder e Gabriel foram um dos poucos a correrem atrás. O ítalo-brasileiro até conseguiu descontar, mas não o bastante para evitar a enésima vergonha da Inter. "Menos mal" que o oitavo lugar está assegurado e, assim, o time começará a próxima Coppa Italia já nas oitavas de final.

Crotone 1-0 Udinese
Rohdén (Trotta)

Tops: Trotta e Ceccherini (Crotone) | Flops: Théréau e Felipe (Udinese)

Quem segura esse Crotone? Nas últimas sete rodadas, ninguém pontuou mais que a equipe da Calábria, que conquistou a quinta vitória desta série de invencibilidade em busca da salvezza. Os 17 pontos acumulados nos 21 disputados neste período por enquanto ainda não são suficientes, mas o time de Nicola comemorou bastante as derrotas de Empoli e Genoa, que têm, respectivamente, apenas um e dois pontos na frente. Nesse domingo, Trotta novamente foi protagonista e criou a jogada do gol de Rohdén, enquanto o quinto defensivo teve grande atuação e suportou a pressão da Udinese. Faltando duas rodadas, será que dá para o novato conseguir esse feito inacreditável? Para isso, além de secar os adversários, precisará somar pontos diante de Juventus e Lazio.

Cagliari 3-2 Empoli
Sau (Isla), Diego Farias e Diego Farias (Tachtsidis) | Zajc (Krunic) e Maccarone (Zajc)

Tops: Diego Farias (Cagliari) e Zajc (Empoli) | Flops: Laurini e Skorupski (Empoli)

É até estranho pensar que o Cagliari fez três gols e nenhum foi de Borriello. O veterano centroavante estava em campo e criou perigo, mas não teve a mesma precisão dos baixinhos Diego Farias e Sau, que deram a vitória dos sardos ainda no primeiro tempo. Em meio às especulações sobre o seu futuro, Skorupski, um dos melhores goleiros do campeonato, dessa vez não manteve a forma. Logo aos sete minutos não reagiu para tentar evitar o gol de Sau, após um longo lançamento de Isla, e depois também não parou as jogadas de Diego Farias. Primeiro, o atacante tabelou com Borriello e depois recebeu passe longo de Tachtsidis para aproveitar toda sua velocidade contra a defesa adversária aberta. Após o intervalo Pucciarelli teve a chance de descontar, mas Rafael defendeu sua cobrança de pênalti e já era tarde quando o jovem Zajc entrou em ação. Ainda assim, o esloveno assustou bastante os anfitriões com um belo gol e uma assistência para Maccarone balançar as redes pela quinta vez no campeonato. Pior para os toscanos, que viram a vantagem para o Crotone cair para apenas um ponto. Agora, precisam confiar que a Juventus assegure seu título em casa contra os novatos da Calábria.

Palermo 1-0 Genoa
Rispoli (Chochev)

Tops: Rispoli e Chochev (Palermo) | Flops: Lamanna e Cataldi (Genoa)

Tarde demais, Palermo. Nas últimas três rodadas foram sete pontos, e mesmo assim os sicilianos terão que jogar a Serie B novamente. Talvez o ala Rispoli, vice-artilheiro do time, não dispute a segundona: destaque dos palermitanos, marcou seu sexto gol logo no início. A equipe rosanero já caiu e ainda pode ter feito uma grande contribuição para levar o Genoa junto: foi uma grande dor de cabeça para os grifoni nesta temporada, uma vez que venceu tanto no turno quanto no returno. Para os rossoblù, que estão somente dois pontos acima da zona de degola, não adiantou nem mesmo a motivação depois da vitória sobre a Inter.

Sampdoria 1-1 Chievo
Quagliarella | Inglese (Depaoli)

Tops: Torreira (Sampdoria) e Depaoli (Chievo) | Flops: Bruno Fernandes (Sampdoria) e Sorrentino (Chievo)

Demonstrando a habitual irregularidade, a Sampdoria chegou a seis jogos sem vitória – a última foi contra a Inter, no início de abril. Apesar disso, o time de Giampaolo segue jogando bem, mas a defesa não oferece garantias e o elenco não consegue manter o ritmo necessário para segurar resultados positivos. Contra o Chievo, a Samp abriu o placar cedo graças a Sorrentino, que teve falha inacreditável e largou a bola passada por Schick nos pés de Quagliarella. O veterano não desperdiçou a chance para fazer seu 11º gol na temporada. Apesar do domínio dos anfitriões, o empate veio segundos depois do intervalo, quando Inglese acertou chute de rara felicidade. No final do jogo, o baixinho Torreira, uma das maiores revelações do campeonato, assustou os visitantes com um chute na trave e os blucerchiati mais uma vez tropeçaram.

Bologna 3-1 Pescara
Destro (Di Francesco), Di Francesco e Destro (Okwonkwo) | Bahebeck (Mitrita)

Tops: Destro e Di Francesco (Bologna) | Flops: Fiorillo e Fornasier (Pescara)

Acordou o belo adormecido. Como tem sido normal nos últimos anos, Destro faz uma temporada fraca e de vez em quando acorda para marcar alguns gols, especialmente na reta final. Depois da doppietta na Udinese, o centroavante repetiu o feito contra o Pescara neste domingo. O jogador de Ascoli Piceno abriu o placar antecipando a péssima saída de Fiorillo e completando o cruzamento do bom Di Francesco, e o fechou depois de finalizar uma jogada do jovem Okwonkwo. Neste meio tempo, Di Francesco e Bahebeck também balançaram as redes. A vitória bolonhesa não muda absolutamente nada no campeonato, já que os rossoblù continuam na 15ª posição e o rebaixado Pescara não sai mais da lanterna.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 35ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Consigli (Sassuolo); Rüdiger (Roma), Koulibaly (Napoli), Ceccherini (Crotone), Pisacane (Cagliari); Allan (Napoli), De Rossi (Roma); Callejón (Napoli), Mertens (Napoli), Diego Farias (Cagliari); Iemmello (Sassuolo). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

Quem é Walter Sabatini, novo homem forte da Inter?

Ex-jogador e técnico, Sabatini é um diretor com muito trânsito nos bastidores do futebol (Getty)
Na última semana, a Inter viveu uma pequena revolução. Além da dispensa do treinador Stefano Pioli,  o grupo proprietário do clube, o Suning, anunciou a chegada de Walter Sabatini para ocupar um cargo de coordenadoria técnica. O novo contratado trabalhará nos departamentos de futebol das duas equipes administradas pelos chineses: o do Jiangsu e também o da própria Inter, em parceria com Piero Ausilio, diretor esportivo que renovou até 2020. Quem está bastante ligado nos bastidores da Serie A já conhece bem a trajetória e os méritos de Sabatini; quem não faz a mínima ideia de quem ele seja poderá saber mais a partir de agora.

Walter Sabatini nasceu em Marsciano, na Úmbria, e começou sua carreira como jogador no Perugia, maior time da região. Ala pela direita, Sabatini ajudou os grifoni a chegarem na Serie A pela primeira vez em meados da década de 1970: na campanha, ele se destacou como uma das revelações do país e, depois de jogar no Varese, acabou contratado pela Roma. O umbro chegou a disputar posição com Bruno Conti, mas nunca teve a cabeça e o físico no lugar: treinava mal, se lesionava muito e nunca se firmou. Deixou a Cidade Eterna após uma temporada e rodou por uma série de clubes – incluindo Palermo, Vicenza, Venezia, Parma e um retorno ao Perugia – até se aposentar, com apenas 29 anos.

Fora dos campos, Sabatini acabou ganhando um cargo de colaborador do setor juvenil do Perugia, em 1986. Após treinar todos os times nas categorias de base e descobrir Gennaro Gattuso, foi elevado ao posto de supervisor do setor e auxiliar técnico do time principal, quatro anos depois. Deixaria a Umbria em 1992 para dar um passo maior: ao lado do ex-lateral Giuseppe Dossena, tricampeão mundial pela Itália, comandaria a formação de novos craques na Lazio. Na gestão da dupla, os dois principais nomes revelados foram Alessandro Nesta e Marco Di Vaio.

A partir de 1994, a carreira de Walter Sabatini entrou em momento de crise de identidade: se tornou diretor esportivo da Triestina, mas um ano depois foi ser, sem sucesso algum, técnico do Gubbio, que disputava a divisão regional da Úmbria. Acabou tirando um período sabático e só voltou à ativa em 1998, no Arezzo, da terceirona italiana. Em 2000, porém, o dirigente acabou recebendo da Federação Italiana de Futebol – FIGC uma suspensão de cinco anos do esporte, por irregularidades cometidas quando trabalhava nas divisões de base.

Por incrível que pareça, o período sabático e a suspensão parecem ter feito bem ao umbro: se reciclou, estudando e desenvolvendo métodos novos na observação de atletas. No mesmo ano em que foi suspenso pela FIGC, Sabatini começou a colaborar informalmente com o Perugia, do polêmico dirigente Luciano Gaucci – com quem havia se desentendido em 1992.

Sabatini acompanha Rossi e Zamparini, nos tempos de Palermo (Getty)
Gaucci ficou famoso por fazer contratações bastante baseadas em marketing e em mercados obscuros da bola. Em sua gestão, os biancorossi contrataram o japonês Hidetoshi Nakata, o chinês Ma Mingyu, o sul-coreano Ahn Jung-Hwan, o iraniano Ali Samereh e uma penca de jogadores oriundos da América do Sul, da África e de centros menores da Europa. Com uma extensa base de dados e olheiros espalhados pelo mundo, Sabatini teve a oportunidade de iniciar, em maior escala, aquilo que seria sua especialidade: montar planteis quase do zero (anualmente), descobrir talentos e fazer contratações de jogadores com alto potencial de valorização e revenda a valores astronômicos. Para fazer isso, colocou em ação características como criatividade, bom trânsito nos bastidores e uma intuição acima da média.

No Perugia, pelas constantes rusgas com Gaucci – com quem romperia novamente, em 2004 –, o projeto não deu certo. O dirigente começaria a ganhar notoriedade após retornar à Lazio, a convite do recém-empossado presidente Claudio Lotito, antes mesmo do fim de seu período de gancho. Sabatini ficou na Cidade Eterna de 2004 a 2008, montando inclusive o elenco que conseguiu a classificação à Liga dos Campeões em 2007. No período, investiu em jogadores como Aleksandar Kolarov, Valon Behrami, Fernando Muslera, Stephan Lichtsteiner, Modibo Diakité, Stefan Radu e Libor Kozák.

Ao deixar a Lazio, Sabatini acertou com o Palermo do presidente Maurizio Zamparini – de temperamento e modelo de negócio muito similares aos de Gaucci. O umbro chegava para substituir Rino Foschi, diretor esportivo que ficou no clube entre 2002 e 2008, ganhando popularidade por ter acertado no alvo na montagem do elenco do time rosanero, que subiu para a Serie A e conquistou três vezes a classificação à Copa Uefa. Só para citar alguns contratados por Foschi: os tetracampeões mundiais italianos Simone Barone, Andrea Barzagli, Fabio Grosso, Cristian Zaccardo e Luca Toni e o uruguaio Edinson Cavani.

Sabatini ficou na Sicília por pouco mais de dois anos, até se demitir, por motivos pessoais, em novembro de 2010. No entanto, o "mago do mercado" substituiu Foschi à altura e montou elencos muito competitivos: em 2009-10, o Palermo realizou a melhor temporada de sua história e, na campanha seguinte, seria vice-campeão da Coppa Italia. Na gestão do cartola umbro, foram contratados jogadores como Afriyie Acquah, Armin Bačinovič, Abel Hernández, Josip Iličič, Pajtim Kasami, Javier Pastore, Matteo Darmian e Ezequiel Muñoz. Ano após ano, o clube precisou remontar seu time, devido a vendas de alguns atletas, e Sabatini foi o responsável por fazer isso.

Viciado em fumar, Sabatini chegou a dar umas tragadas até durante entrevistas coletivas em Trigoria (Roma Press)
Depois de alguns meses parado, Sabatini foi o nome escolhido para tocar um novo projeto na Roma recém-adquirida por empresários ítalo-americanos. Nada dava certo para os giallorossi desde a passagem do clube das mãos da família Sensi para o grupo de Thomas DiBenedetto e James Pallotta e Walter foi o escolhido para apagar o incêndio, em 2011. Em suas cinco temporadas de capital, obteve sucesso, embora a equipe romana não tenha vencido títulos: montou elencos competitivos e estabeleceu o time como a segunda força do país, atrás da Juventus.

Em Roma, mais do que em outros trabalhos, Sabatini prezou pela fuga do óbvio. Não por acaso, três do quatro treinadores da sua gestão foram Luis Enrique, Zdenek Zeman (alçado aos grandes palcos do futebol italiano após fazer o Pescara encantar na segundona) e Rudi Garcia. Em termos de jogadores, buscou Marquinhos, Miralem Pjanic, Mehdi Benatia, Radja Nainggolan, Kevin Strootman, Kostas Manolas, Erik Lamela, Mohamed Salah e Stephan El Shaarawy, colocando alguns em evidência ou relançando-os após períodos turvos em suas carreiras. Alguns deles, como Marquinhos, Pjanic, Benatia e Lamela, foram negociados a peso de ouro e renderam muitos dividendos à agremiação.

Claro, nem todas as contratações realizadas por ele deram certo. "Às vezes acontecia de eu me confundir e contratar, sei lá, Iván Piris, que não tinha qualidade para atuar na Roma. Vale também para quando vendi Lamela e achei que Juan Iturbe era mais jogador", confessou, em sua última entrevista no centro de treinamentos de Trigoria, em outubro de 2016. Sua saída se deu basicamente para que o clube diminuísse potencialmente, a margem de erro em contratações.

Pallotta, presidente do clube, queria uma estrutura de observação baseada estritamente em estatísticas, enquanto Sabatini não esconde que prefere confiar mais em sua intuição. "Para o presidente, o futebol é como uma empresa, e para mim não. Apesar do respeito, ficou evidente que tínhamos um conflito quanto à forma de trabalhar", declarou. A saída foi em comum acordo e amigável e Pallotta até fez uma brincadeira, divulgada pelas redes sociais dos giallorossi: "O agradeço por tudo que fez pela Roma, mas... por favor, pare de fumar".

Largar o cigarro não parece estar nos planos de Walter Sabatini, uma vez que ele até pediu licença aos jornalistas para dar um trago em "meio cigarrinho" em sua despedida da Roma, argumentando que a nicotina o acalma. Ao aceitar trabalhar na Inter e tentar resolver o cenário caótico do clube nerazzurro, o dirigente sabe que assumiu uma tarefa árdua e exasperante. De quantos maços ele precisará para cumprir pelo menos parte dessa missão?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Pequenos milagres: Palermo e a vida em cor-de-rosa

O goleador Luca Toni foi o grande nome da redenção do tradicional Palermo (Getty)
"Pequenos milagres" é uma série em que costumamos relembrar grandes feitos de times modestos da Itália na primeira divisão. Não é bem o caso do Palermo, que está longe de ser um nanico: se o Napoli é o clube mais tradicional do sul do Belpaese, logo em seguida aparecem o Bari e o próprio Palermo, à frente de Catania e Lecce. No entanto, a equipe teve claros momentos em sua história nos quais superou as suas capacidades e alcançou resultados impressionantes.

O futebol na Sicília começou junto com o Palermo e também foi com o time rosanero que começou a entrar em evidência em território nacional. O clube da cidade mais importante da ilha foi fundado em 1900 e, como tantas outras agremiações da Velha Bota, teve influência inglesa em sua origem e passou por fusões para se estabelecer. O primeiro grande passo ocorreu em 1932: o Palermo conquistou o primeiro dos seus cinco títulos da Serie B e garantiu o acesso à elite.

Até o final da década de 1980, o Palermo se estabeleceu como segunda força do sul da Itália, atrás do Napoli e com vantagem sobre o Bari. Isso se deve aos resultados que conseguiu ao longo do período que compreende sua estreia na primeira divisão e 1986, ano em que faliu e desapareceu: o clube rosanero disputou quase sempre as séries A e B, com exceção de três amargas temporadas na terceirona, e ocupou diversas vezes posições de meio de tabela na elite. Passariam pelas águias sicilianas jogadores como Tarcisio Burgnich, Lennart Skoglund, Franco Causio, Gian Piero Gasperini, Claudio Ranieri, Giuseppe Furino, Aldo Cerantola e Santiago Vernazza.

Nos anos 1970, durante a gestão de 11 anos do presidente Renzo Barbera, o Palermo conseguiu os feitos mais relevantes de sua trajetória pré-bancarrota. Sob o comando do dirigente que hoje dá nome ao estádio do clube, os palermitanos disputaram a primeira divisão somente uma vez, mas ganharam atenção nacional por causa de outra competição. Enquanto militavam na Serie B, os rosanero foram vice-campeões da Coppa Italia em duas ocasiões, em 1974 e 1979, nas quais caíram para Bologna e Juventus.

Depois que Barbera deixou a diretoria, em 1981, o Palermo viu sua situação financeira piorar muito e impactar no âmbito esportivo. A falência, em 1986, levou o clube à extinção. Meses depois, em janeiro de 1987, um grupo formado pelo prefeito Leoluca Orlando e alguns empresários fundou uma nova agremiação, que voltaria a disputar competições em agosto e só posteriormente assumiria o histórico esportivo do antigo Palermo. A equipe viveria, então, 15 anos modestos, passando entre as séries C2 e B e com um título da Coppa Italia da terceira divisão. Até que, em 2002, a maré virou.

O polêmico Maurizio Zamparini reergueu o Palermo no século XXI (Calcio e Finanze)
Prólogo: um presidente explosivo em uma ilha vulcânica
Do mar Adriático ao Mediterrâneo, dos canais de Veneza à baía de Palermo, de uma cidade de história milenar para outra. No verão de 2002, o empresário Maurizio Zamparini encerrava os investimentos no Venezia e, após vender a agremiação arancioneroverde, adquiria o Palermo, então na Serie B. Um ato de puro business, sem nenhuma paixão pelo clube: afinal, o novo presidente não tinha nenhuma ligação com a Sicília.

Nascido em Sevegliano, uma cidade vizinha à Údine e distante cerca de 1500 quilômetros de Palermo, o friulano entendia o esporte como qualquer outro negócio de sua holding, a Emmezeta. O cartola começou no ramo das lojas de departamentos e depois passou a investir na compra de corporações, com o intuito de valorizá-las e vendê-las depois. Mais ou menos o mesmo modus operandi de nos clubes e com seus  principais ativos, os jogadores: no futebol desde os anos 1980, o dirigente ficou 15 anos no Venezia e, anteriormente, também teve uma experiência no Pordenone, pequeno time de sua região.

Ao longo de sua atuação como cartola do futebol, Zamparini se destacou pelo seu jeito intempestivo: explosivo, o presidente não poderia escolher melhor lugar para se estabelecer que em uma ilha formada basicamente por matéria vulcânica. Embora tenha efetuado 40 trocas de técnicos em quase 15 anos (até sua saída, em fevereiro de 2017), é inegável que sua gestão deixou um grande legado em Palermo. Na "Era Zamparini", os rosanero foram vice-campeões da Coppa Italia, conquistaram duas vezes a Serie B, disputaram 12 edições da primeira divisão e cinco da Copa Uefa/Liga Europa. Além disso, muitos ótimos jovens jogadores vestiram rosa e preto e, após amadurecerem, foram negociados por grandes quantias. Isto colocou o clube em evidência como um dos grandes vendedores do futebol europeu e deixou a situação financeira do clube controlada, baseada em um suporte autossustentável.

Com Guidolin, Brienza, Grosso, Zaccardo e outros nomes importantes, Palermo chegou à Copa Uefa (Sky)
Primeiro ato: olá, Europa!
Zamparini aportou na Sicília causando frisson e levando investimentos. Logo de cara, enfiou 12 jogadores que eram vinculados à sua empresa dentro de um ônibus fretado e os fez percorrer 119 quilômetros; distância entre as cidades que abrigavam os treinos de pré-temporada do Venezia e do Palermo. O cartola ainda reforçou o time com outros atletas de bom nível pra a segundona e deixou a cidade mais empolgada para o campeonato. Para completar, o estádio La Favorita ainda foi rebatizado em setembro de 2002 com o nome do antigo presidente Renzo Barbera, o que remetia aos bons tempos do clube.

Na primeira temporada, o Palermo bateu na trave. Chegou à última rodada da segundona precisando de uma vitória no confronto direto contra o Lecce, no estádio Via del Mare, mas perdeu o jogo e não conseguiu o acesso à elite. Para conseguirem um final feliz na temporada 2003-04, os rosanero foram ao mercado e contrataram alguns jogadores que seriam pilares do elenco nos anos seguintes e levariam o time de volta à Serie A, a qual não disputavam havia 31 anos. O feito desencadeou uma nova febre futebolística na cidade e 39 mil torcedores compraram carnês de ingressos – os abbonamenti – para a temporada na elite.

Os tais pilares seriam o zagueiro Giuseppe Biava, o regista Eugenio Corini, o lateral Fabio Grosso e o atacante Luca Toni, que se sagraria artilheiro da segundona com 30 gols – tão importante quanto o bomber foi Corini, que marcou 12 vezes. Os quatro foram comandados pelo técnico Francesco Guidolin, que substituiu Silvio Baldini no meio da Serie B e foi mantido para a disputa da primeira divisão.

Como reforços para a Serie A, o treinador receberia o goleiro Matteo Guardalben, os zagueiros Cristian Zaccardo e Andrea Barzagli, o volante Simone Barone e os meia-atacantes Mariano González, Mario Santana e Franco Brienza – os dois últimos retornavam de empréstimo. Aí estava a espinha dorsal de um time que faria história. Vale salientar que o plantel tinha cinco futuros tetracampeões do mundo pela Itália: Barzagli, Zaccardo, Grosso, Barone e Toni.

O time siciliano mostrou que poderia surpreender logo nos primeiros jogos da temporada, ao segurar empates fora de casa contra Inter, Juventus e Roma. O Palermo terminou o primeiro turno invicto contra os grandes, pois empatou com o Milan e venceu a Lazio, e começou a segunda parte do campeonato à toda, vencendo Juve e Roma. Era uma das sensações do campeonato 2004-05, ao lado da Udinese de Luciano Spalletti, e o time do sul da Itália de maior sucesso à época – em enorme crise, o Napoli estava na Serie C1.

O organizado 4-3-2-1 de Guidolin se destacava pela defesa bem arrumada (uma das melhores do campeonato), mas também pelo ataque: Brienza marcou 10 gols e Toni foi o artileiro do time, com 20. Em grande fase técnica, a equipe rosanero abocanhou a melhor classificação em sua história, o 6º lugar, e se classificou pela primeira vez a uma competição europeia de grande porte: a equipe disputou anteriormente a Copa Mitropa e a Copa dos Alpes, mas agora tinha vaga na prestigiada Copa Uefa. Seria apenas o início do "quinquênio de ouro" do Palermo.

Miccoli e Cavani estabeleceram o Palermo como time da zona alta da tabela da Serie A (Getty)
Segundo ato: a Itália teme as águias da Sicília
O Palermo conseguiu segurar quase todas as suas principais peças para a temporada 2005-06, que marcava a estreia na Copa Uefa: saíram apenas Toni, que foi ser artilheiro da Serie A pela Fiorentina, e Guidolin, que se demitiu por causa de incompreensões com a diretoria. Enquanto David Di Mihele e Andrea Caracciolo receberam a missão de ocupar a lacuna deixada pelo goleador, o treinador Luigi Delneri iniciou os trabalhos, mas foi substituído por Giuseppe Papadopulo no decorrer de uma campanha bem cansativa para o elenco. O Palermo teve de se dividir entre três competições e fez bom papel em todas elas.

Os sicilianos foram eliminados nas oitavas de final continentais pelo Schalke 04; caíram nas semifinais da Coppa Italia diante da Roma, que levou vantagem no placar agregado por causa de um gol marcado em La Favorita; e os resultados de campo determinaram o oitavo lugar na Serie A. Com os desdobramentos do Calciopoli, o Palermo ganhou três posições e obteve uma nova vaga na Copa Uefa. A 5ª posição herdada no Campeonato Italiano de 2005-06 seria a melhor classificação palermitana na história da Serie A e se repetiria outras duas vezes, em 2007 e 2010.

Após a Copa do Mundo, o Palermo negociou Grosso e González com a Inter, Santana com a Fiorentina e Barone com o Torino, mas segurou a maior parte dos titulares. O diretor Rino Foschi ainda traria Guidolin de volta e contrataria outros jogadores que teriam ótimo desempenho com a camisa rosanero – casos de Mattia Cassani, Alberto Fontana, Mark Bresciano, Edinson Cavani e os brasileiros Amauri e Fábio Simplício.

O time começou a temporada a todo vapor, eliminando o West Ham de Carlos Tévez e Javier Mascherano da Copa Uefa e, pela primeira vez em toda a história, ocupando a liderança isolada da Serie A: o Palermo conseguiu 100% de aproveitamento nos três primeiros jogos e ainda celebrou uma impactante vitória por 5 a 3 no dérbi siciliano, diante do Catania. A equipe acabou caindo em um grupo complicado no torneio europeu – Celta, Eintracht Frankfurt, Fenerbahçe e Newcastle –, focou no Campeonato Italiano e chegou a ocupar a terceira posição em meados da campanha, mas não aguentou fazer parte do triunvirato de líderes por muito tempo.

O ritmo do Palermo caiu muito depois que Amauri sofreu uma lesão no joelho e após os acontecimentos que ocasionaram a morte do policial Filippo Raciti, ao término de um clássico com o Catania. A queda de desempenho levou Zamparini a demitir Guidolin após a 33ª rodada, mas ele voltaria menos de 20 dias depois para dar um rumo aos rosanero na reta final do campeonato. A 5ª posição e a quebra de várias marcas positivas do clube (como número de vitórias fora de casa e em sequência) coroaria o ótimo futebol mostrado por Barzagli, Zaccardo, Simplício, Bresciano, Di Michele e, principalmente Corini.

Nos dois anos seguintes, o Palermo viveu uma espécie de freio de arrumação. A equipe continuou fazendo campanhas bastante dignas na Serie A, mas não conseguiu repetir as façanhas anteriores, sobretudo pelas mudanças no elenco. Neste período, saíram Brienza, Corini, Caracciolo, Barzagli, Zaccardo, Di Michele, Amauri, Biava e Aimo Diana e chegaram outras peças que viriam a ser importantes, como Fabrizio Miccoli, Federico Balzaretti, Simon Kjaer, Antonio Nocerino, Giulio Migliaccio e Salvatore Sirigu (pronto para estrear após empréstimos a Cremonese e Ancona). Além disso, Cavani estava em estágio de maturação e explodiu em 2008-09, quando formou uma bela dupla com Miccoli – cada um guardou 14 gols na temporada.

Impávido colosso: Rossi comandou o Palermo em sua melhor campanha (Getty)
Em 2009-10, Simplício, Miccoli e Cavani ganhariam a companhia de Javier Pastore, com quem formariam um quarteto de muita sintonia e grandes realizações. No entanto, a equipe só começaria a deslanchar mesmo depois da 13ª rodada, quando Walter Zenga foi demitido e Delio Rossi chegou para o seu lugar. A partir de então, deixando o 3-4-1-2 e mudando para o 4-3-1-2, o Palermo foi acumulando marcas expressivas graças a um ataque dos sonhos: Miccoli faria 19 gols no campeonato; Cavani deixaria 13 e seu compatriota, o reserva Abel Hernández guardaria mais sete. Além disso, Simplício e Pastore marcariam três vezes cada um. Para completar, na defesa, Kjaer e Sirigu se destacaram como dois dos melhores jovens do Belpaese.

O Palermo encerrou aquela temporada na 5ª posição, com 65 pontos – dois a menos que a Sampdoria, classificada à Liga dos Campeões. Além de conseguido vaga na Europa League, o time siciliano obteve a maior pontuação e o maior número de gols marcados (59) de sua história. A equipe de Rossi também teve o quarto melhor ataque do campeonato, ficou invicta em casa, conseguiu o menor número de derrotas (9) e a maior quantidade de vitórias (18) em toda a sua existência. Sem falar no confronto contra as grandes equipes, o ponto alto da temporada palermitana: a equipe bateu o Milan em San Siro, a Juventus em Turim e arrancou pontos de Inter, Roma, Lazio e Fiorentina. A temporada só não foi perfeita porque não conseguiu bater o Catania nos dérbis.

Após a histórica temporada, Rossi permaneceu, mas Cavani, Kjaer e Fábio Simplício partiram. Com isso, Walter Sabatini, então diretor do clube, foi pescar no Leste Europeu e na Serie B: foram contratados Kamil Glik, Armin Bacinovic, Josip Ilicic, Matteo Darmian e Mauricio Pinilla. Os muitos embates e entreveros protagonizados por Rossi e Zamparini atrapalharam o ritmo da equipe ao longo de uma cansativa temporada e tiravam o foco do futebol, o principal. O extracampo pesou em excesso porque o time tinha a menor média de idade da Itália – 24 anos.

O Palermo acabou sendo eliminado na fase de grupos da Liga Europa e passava por altos e baixos na Serie A 2010-11: era uma equipe capaz de ganhar duas vezes da Juve e de levar 7 a 0 em casa da Udinese. A goleada significou a demissão de Rossi, mas ele voltaria três rodadas depois – Serse Cosmi, seu substituto, não aguentou o rojão após as águias levarem 4 a 0 do Catania. Delio Rossi ainda deixou os palermitanos em uma honrosa 8ª posição na Serie A, mas ganhou mais méritos pelo vice-campeonato na Coppa Italia. O time rosa e preto bateu o Milan nas semifinais, mas perdeu para a Inter por 3 a 1 no Olímpico. Com isso, pôs fim ao segundo ato.

Pastore, Ilicic e Balzaretti também foram alguns destaques do Palermo "tipo exportação" (Getty)
Epílogo: o caos aparece quando a personalidade sobrepõe o coletivo
Nos anos que se seguiram à temporada histórica, o Palermo foi praticamente uma caricatura de si mesmo. O time começou 2011-12 vendendo Cassani à Fiorentina, Nocerino ao Milan, Pastore e Sirigu ao Paris Saint-Germain. Pior: demitindo Stefano Pioli antes mesmo de a Serie A começar, por causa da eliminação na Liga Europa frente ao Thun, da Suíça. As dificuldades para garantir a permanência na elite foram enormes e a equipe acabou se salvando graças a Ilicic, Hernández, Matías Silvestre e, sobretudo, Miccoli, autor de 16 gols.

Na temporada seguinte, nem mesmo Ilicic e Miccoli (o maior artilheiro da história do clube, com 81 gols) salvaram. O elenco rosanero tinha qualidade suficiente para ficar no meio da tabela, mas a grande instabilidade no comando técnico e a falta de projeto no departamento de futebol resultaram na queda para a Serie B, a primeira de toda a gestão Zamparini. Àquele momento já estava claro: o ego do presidente, suas atitudes intempestivas, a busca pelas polêmicas gratuitas e a voracidade pelos microfones estavam atrapalhando. O personagem subiu à cabeça do cartola, que não tinha mais a lucidez e a dedicação necessárias para fazer o time conseguir resultados expressivos. O grande construtor do Palermo estava implodindo a sua obra-prima.

A segundona foi tirada de letra pelo Palermo, que tinha um plantel muito mais forte que o dos rivais. Cheia de remanescentes da Serie A e com Paulo Dybala e Franco Vázquez como estrelas, em substituição a Miccoli e Ilicic, a equipe conquistou o título da série cadetta e retornou de imediato à elite. O ótimo desempenho no campeonato de 2014-15, concluído com a 11ª posição, foi um ponto fora da curva na trajetória recente dos rosanero.

Claro que ajudaram o brilho de Dybala e Vázquez, além das ótimas atuações do veterano goleiro Stefano Sorrentino e da jovem revelação Andrea Belotti. No entanto, o fato de o técnico Giuseppe Iachini ter conseguido desenvolver um trabalho de quase dois anos à frente da equipe, fato raríssimo na administração de Zamparini, foi o grande diferencial para a boa campanha das águias. Afinal, La Joya Dybala é um craque, mas nenhum fora de série poderia resolver sozinho os problemas de um time desorganizado.

A partir de 2015, o Palermo virou uma verdadeira zona. Os valores arrecadados com as vendas de seus principais jogadores já não vinham sendo reinvestidos com a mesma intensidade que nos anos anteriores e a torneira praticamente secou. Zamparini deu diversas entrevistas nas quais se dizia farto de sua ocupação como dirigente e buscava um sócio ou a venda integral de suas ações. No meio tempo, continuou a triturar treinadores – foram incríveis nove trocas em 2015-16 – e contribuiu para a decadência da equipe.

Na última temporada, os rosanero escaparam do rebaixamento apenas na última rodada, relegando o pequeno Carpi ao fatídico destino. No atual campeonato, as águias foram depenadas e mal conseguiram competir com seus adversários, caindo para a segundona com três partidas a serem disputadas. A "debâcle" ocorreu depois que o manda-chuva friulano se licenciou da presidência. Em fevereiro, Zamparini vendeu o clube para o comunicador e humorista ítalo-americano Paul Baccaglini, mas não dá para fingir: as suas digitais estão totalmente marcadas no vergonhoso livro desta campanha siciliana. Cabe ao tatuado novo presidente reerguer o clube. Ele conseguirá?

Ficha técnica: Palermo

Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera – La Favorita
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
As temporadas (apenas séries A e B): 29 na Serie A e 42 na B
Os brasileiros: Adriano Pereira, Amauri, Anselmo, Bruno Henrique, Emerson Palmieri, Fábio Bilica, Fábio Simplício, Faustinho, Jeda, João Pedro, Marco Aurélio, Matheus Cassini, Puglia, Rubinho e Túlio de Melo.
Time histórico: Salvatore Sirigu (Vincenzo Sicignano); Cristian Zaccardo (Mattia Cassani), Aldo Cerantola (Roberto Biffi), Andrea Barzagli, Fabio Grosso (Federico Balzaretti); Simone Barone (Franco Landri), Eugenio Corini, Fábio Simplício (Josip Ilicic); Fabrizio Miccoli (Franco Brienza, Javier Pastore); Edinson Cavani (Paulo Dybala), Luca Toni (Santiago Vernazza). Técnico: Delio Rossi (Francesco Guidolin).

terça-feira, 9 de maio de 2017

Querida, cheguei

Daniel Alves coroou sua grande temporada com partida decisiva e golaço contra o Monaco (AP)
Faltava a confirmação. Após fazer 2 a 0 sobre o Monaco na partida de ida das semifinais da Liga dos Campeões, a Juventus levou para Turim uma vantagem considerável para não deixar a vaga na decisão escapar. E assim foi: com outro triunfo, a Velha Senhora garantiu seu lugar em Cardiff e deve reeditar a final de 1998 com o Real Madrid.

O placar até pode dar a entender que a Juve teve vida mais complicada na Itália do que no Principado de Mônaco, mas não foi bem assim. No primeiro tempo, a equipe bianconera poderia tranquilamente ter aberto uma vantagem superior a três gols, mas Subasic fez grandes defesas para evitar o massacre. Só ele conseguiu parar Dybala, Mandzukic e Daniel Alves, que tiveram atuações irretocáveis.

A partida começou com lesões para as duas equipes. Antes mesmo de a bola rolar, o marroquino Dirar, que seria improvisado na lateral direita, sentiu um desconforto no aquecimento e obrigou Leonardo Jardim a escalar Mendy, que ficaria no banco por não estar bem fisicamente – o substituto entrou na lateral esquerda e, com isso, Sidibé assumiu o lado oposto. Já a Juve teve de queimar uma mexida com menos de 10 minutos: Khedira teve uma lesão muscular (a primeira na temporada, por incrível que pareça) e Marchisio foi chamado para ocupar seu lugar.

No primeiro tempo, o Monaco ameaçou três vezes – mas só a última delas valeria. Mbappé acertou a trave e Falcao García obrigou Buffon a fazer uma defesaça, mas o jogo estava parado por impedimento. Em outra ocasião, Mendy passou por Dani Alves e cruzou forte e rasteiro para a pequena área, obrigando Chiellini a fazer um corte arriscado, mas providencial, negando ao colombiano Falcao a chance de marcar.

Caso Falcao marcasse, seria o gol de empate, pois àquele momento a Juventus já havia ampliado sua confortável vantagem. O primeiro tempo foi, basicamente, um confronto entre quem Daniel Alves achava para deixar no mano a mano com Subasic e o próprio goleiro croata. Foram duas grandes defesas do número 1 do ASM, que evitou que Mandzukic e Dybala anotassem – a Juve também teve chances com Higuaín, que teve gol bem anulado e uma cavadinha que quase cruzou a linha. Seriam três, já que Mandzukic precisou aproveitar o rebote de sua potente cabeçada para fazer 1 a 0. Era um bom presságio, pois os bianconeri venceram os 21 jogos em que Mario balançou as redes com a camisa do clube. 

Mandzukic e Daniel Alves foram gigantes ofensiva e defensivamente (LaPresse)
Daniel Alves já havia participado dos dois gols da Juve no estádio Louis II, na semana passada, e foi o responsável por achar Mandzukic na área em Turim, completando uma jogada iniciada com uma saída de bola rápida de Buffon. O camisa 23, porém, não havia se saciado. Colocado na entrada da grande área, nem esperou que a bola afastada por Subasic, após uma cobrança de escanteio, caísse no chão: emendou um chutaço de primeira e dobrou a vantagem juventina. Algum dirigente do Barcelona provavelmente socou a mesa neste momento – afinal, os blaugrana o deixaram sair da Catalunha a custo zero.

No segundo tempo, o ritmo da Juventus diminuiu um pouco – e Allegri até poupou Dybala, trocando-o aos 9 minutos por Cuadrado. Naquele momento, já estava claro que a estratégia de Jardim – que resolveu espelhar o 3-4-1-2 da Juve e, sem a bola, marcar a adversária no 4-3-3 – não havia surtido efeito e nem mesmo com as entradas de Fabinho e Lemar a remontada seria concluída.
 
Mbappé, no entanto, apareceu para colocar alguma gasolina no jogo: logo após obrigar Buffon a colocar para escanteio, completou cruzamento rasteiro de João Moutinho e diminuiu. O prodígio francês encerraria, assim, uma bela sequência dos bianconeri, que ficaram 690 minutos sem sofrer gols na Liga dos Campeões, contando a fase de grupos e o mata-mata.

A partida acabou esquentando dali para frente, com muitas discussões e uma entrada duríssima de Glik sobre Higuaín – veja aqui o pisão do polonês. Vale lembrar que o zagueiro foi capitão do Torino, rival da Juventus, e até hoje é o único jogador a ter sido expulso nos clássicos do Piemonte tanto no turno quanto no returno. Em um dos últimos atos da semifinal, Mandzukic tentou fazer justiça com as próprias mãos e levou cartão amarelo, enquanto Glik se livrou da expulsão. Após o jogo, mais calmo, o defensor do Monaco admitiu que poderia ter recebido o vermelho e se desculpou.

Em três anos, a Juventus chegou a duas finais de Champions League e Allegri tem todos os méritos. Melhorou o que Conte já havia feito, fez um grande negócio ao apostar em Daniel Alves e precisa ser reconhecido por redescobrir Mandzukic como atacante aberto pela esquerda. O croata já havia atuado dessa forma no Wolfsburg, mas sem tantos encargos defensivos e sem a mesma dedicação – aliás, deixou de ser um jogador preguiçoso, o que vai para a conta do técnico também. Tudo isso somado a uma defesa impenetrável, com Buffon e Bonucci em estado de graça e toda a garra de Chiellini. Mais o trabalho silencioso de Pjanic e Khedira, o talento de Dybala e os gols de um Higuaín finalmente decisivo em termos continentais.

Esqueçam Berlim, porque a Juve já esqueceu daquele confronto contra o Barcelona. Naquela época, chegar à final foi relativamente inesperado para a equipe, como declarou Chiellini nesta semana. Agora, não, a Velha Senhora não é finalista por sorte ou obra do acaso. Os jogadores já se enxergavam capazes de chegar a Cardiff pelo que fizeram ao longo de 2016-17 e não se intimidam por Real Madrid ou Atlético. Por sua solidez e pela sua gana de competir, a Juventus é favorita ao título europeu.

Juventus 2-1 Monaco (4-1 no agregado)
Semifinais da Liga dos Campeões (volta)

Juventus: Buffon; Barzagli (Benatia), Bonucci, Chiellini; Daniel Alves, Khedira (Marchisio), Pjanic, Alex Sandro; Dybala (Cuadrado); Higuaín, Mandzukic. Técnico: Massmiliano Allegri.

Monaco: Subasic; Raggi, Glik, Jemerson; Sidibé, João Moutinho, Bakayoko (Germain), Mendy (Fabinho); Bernardo Silva (Lemar); Falcao García, Mbappé. Técnico: Leonardo Jardim.

Local: Juventus Stadium (Turim, Itália)
Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)
Gols: Mandzukic e Daniel Alves (J); Mbappé (M).