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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Italianos na Europa, semana 6: Os vereditos

Com grande participação de Mertens, Napoli definiu liderança em seu grupo (Foto Mosca)
A última rodada das fases de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa chegou com muitos vereditos já confirmados ou próximos da definição. Para os times italianos, também: a Juventus, classificada, estava com a faca e o queijo para ficar com a primeira posição de seu grupo na LC, enquanto a Roma já a garantira, na EL. Ao passo que Inter e Sassuolo já estavam eliminados, apenas Napoli e Fiorentina precisavam de mais esforços para ficarem com a liderança. E assim foi: quatro times italianos avançaram com a soberania em suas chaves.

O cenário da Liga dos Campeões
Quem entrou em campo primeiro foi o Napoli, na terça, e com a mais complicada missão. Os azzurri poderiam ter se classificado às oitavas da Champions na terceira rodada, mas acumularam tropeços e chegaram ao último jogo precisando vencer o Benfica, em Lisboa – caso contrário, precisariam torcer por uma vitória do eliminado Dynamo Kyiv contra a sensação Besiktas. A vida dos campanos ficaria resolvida porque os ucranianos contaram com a ajuda da arbitragem e duas expulsões dos turcos para enfiarem um inesperado 6 a 0 no Olimpiyskiy – 4 a 0 ainda antes do intervalo. Mas o time de Sarri foi em busca da liderança do Grupo B e venceu os encarnados.

No curso do primeiro tempo os dois times já haviam sido informados do placar em Kiev, mas a partida foi parelha. O Benfica teve uma chance clara após uma lambança de Hamsík e Albiol, enquanto o Napoli teve gol bem anulado. O time italiano que voltou com mais garra do descanso e quase abriu o placar no início da primeira etapa com um chute colocado de Gabbiadini, que Luisão desviou para escanteio. Minutos depois, foi Callejón quem perdeu uma chance cara a cara com Éderson, após bela enfiada de Insigne.

O Napoli crescia no jogo, mas só conseguiu ser mais concreto após a entrada de Mertens. Primeiro, o belga encontrou Callejón com um passe açucarado e o espanhol, cara a cara com o goleiro, só deu uma cavadinha para abrir o placar. 20 minutos depois, Mertens recebeu na entrada da área, driblou Luisão e bateu no cantinho, encaminhando a vitória italiana – Raúl Jiménez descontou, após erro crasso de Albiol, mas já era tarde.

No outro jogo envolvendo italianos na Liga dos Campeões, deu Juve, como esperado. A Velha Senhora ocupava a primeira posição do Grupo H e, para continuar lá, precisava bater o fraco Dinamo Zagreb – sem pontos no torneio – para não depender de um resultado favorável entre Lyon e Sevilla. O empate na França acabaria por ser suficiente, mas a Juventus venceu os croatas por 2 a 0, com gols de Higuaín e Rugani. O destaque da quarta ficou para a estreia do brasileiro Neto na Champions e para o fim do jejum do Pipita.

Chaveamento do sorteio
Pote 1: Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madrid, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester e Juventus.
Pote 2: Paris Saint-Germain, Benfica, Manchester City, Bayern Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto e Sevilla.

Bernardeschi foi um dos poucos titulares que jogaram pela Fiorentina nesta quinta (Massimo Sestini)
O cenário da Liga Europa
Nesta quinta, somente a Fiorentina não cumpria tabela entre os times italianos – mas quase isso. Para perder a primeira posição no Grupo J, a equipe toscana precisaria de uma combinação de resultados bem improvável, o que fez Paulo Sousa poupar jogadores para a longa viagem ao Azerbaijão e utilizar muitos jogadores que não vinham tendo chances, como Olivera, Cristoforo e Vecino. Os reservas deram conta do recado e a viola venceu o Qarabag.

Embora a Fiorentina tivesse mais controle da bola, os azeri quase marcaram um gol oriundo de um chutão da zaga. Ndlovu estava atento e ganhou na corrida de Rodríguez (o capitão argentino vive péssimo momento) e bateu no cantinho, mas Tatarusanu desviou com a ponta dos dedos e a bola explodiu na trave. Na sequência, blitz viola: Bernardeschi recebeu na marca do pênalti e girou de canhota, mas a pelota também explodiu no poste e voltou para Vecino finalizar com perigo, no rebote.

Os gols surgiram no segundo tempo: aos 60, Kalinic costurou e deixou para Vecino, na entrada da área, abrir o placar, graças a um desvio na zaga. Aos 73, o brasileiro Reynaldo – substituto do trapalhão Ndlovu –, recebeu belo passe de Dani Quintana e deu esperança ao Qarabag. Um fio de positividade que durou pouco, pois três minutos depois, a defesa dos atlilar errou feio e deu a chance para Chiesa dar números finais ao jogo. Foi o primeiro gol como profissional de Federico, filho do ex-atacante Enrico. Ele acabou sendo expulso minutos depois, mas a festa estava garantida.

Já classificada e com a primeira posição no Grupo E, a Roma viajou para a Romênia com um elenco cheio de jovens e de atletas que geralmente entram no segundo tempo. Contra o Astra Giurgiu, Spalletti deu vagas no time titular a Totti, Gerson, Vermaelen, Iturbe e Seck, mas só o brasileiro mostrou serviço. Gerson tem jogado mais recuado do que nos tempos de Fluminense e, nesta quinta, se destacou pela combatividade e pelas roubadas de bola, além de sua habitual qualidade nos passes. O Astra até marcou um gol (anulado de forma polêmica), mas se classificou graças ao empate por 0 a 0 e ao triunfo do Viktoria Plzen sobre o Austria Vienna.

Eliminada, a Inter recebeu o Sparta Praga, líder e classificado no Grupo K, em um Giuseppe Meazza praticamente vazio (menos de 15 mil presentes) e com faixas de protesto da torcida. Pioli escalou uma equipe alternativa, escalada em um inédito 3-4-3 e com jogadores da base e outros reservas, como Andreolli, capitão nesta quinta. Entre os novatos, quem aproveitou bem a chance foi o garoto Pinamonti, de 17 anos: ele disputou sua primeira partida oficial com os nerazzurri e participou do gol de Éder com um belo domínio e ajeitada. 

Após abrir o placar, a Beneamata pouco agrediu e mal foi incomodada pelos espartanos, que ainda assim empataram. O meia Dockal aproveitou um erro de Ansaldi, improvisado como volante, e cruzou na cabeça de Marecek – deixado livre junto a dois colegas, marcados à distância por Murillo. O Sparta Praga quase virou com Dockal, mas o meia checo desperdiçou um pênalti cometido de forma infantil por Andreolli, que mostrou estar totalmente sem ritmo de jogo. Carrizo, surpreendentemente, acertou o canto e fez uma boa defesa. Nos minutos finais, Ansaldi passou para Éder marcar o seu segundo no jogo e decretar o placar final: 2 a 1. O curioso é que Inter e Southampton, favoritos à classificação, foram eliminados por Sparta Praga e Hapoel Be'er Sheva.

O também eliminado Sassuolo cumpriria tabela diante do Genk, mas a frequente neblina que encobre a Emília-Romanha nesta época do ano atrapalhou. A partida foi adiada para amanhã (sexta, 9/12) e, graças ao empate entre Rapid Vienna e Athletic Bilbao, valerá a liderança do grupo. Os belgas ainda podem ultrapassar os bascos.

Chaveamento do sorteio
Pote 1: Fenerbahçe, APOEL, Saint-Étienne, Zenit, Roma, Athletic Bilbao ou Genk, Ajax, Shakhtar Donetsk, Schalke 04, Fiorentina, Sparta Praga, Osmanlispor, Kobenhavn, Lyon, Tottenham e Besiktas.
Pote 2: Manchester United, Olympiacos, Anderlecht, AZ Alkmaar, Astra Giurgiu, Genk ou Athletic Bilbao, Celta de Vigo, Gent, Krasnodar, Paok, Hapoel Be'er Sheva, Villarreal, Mönchengladbach, Rostov, Legia Varsóvia e Ludogorets.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Jogadores: Ruggiero Rizzitelli

Atacante útil na Roma, Rizzitelli se tornou goleador no Torino e foi carrasco da Juve (Calcioweb)
Grandes atacantes com a camisa do Torino são uma tradição do futebol italiano. Se hoje Andrea Belotti faz um sucesso estrondoso na Serie A, goleadores como Julio Libonatti, Silvio Piola, Guglielmo Gabetto, Valentino Mazzola, Paolo Pulici, Francesco Graziani e Walter Casagrande já vestiram grená com a mesma competência. No entanto, Ruggiero Rizzitelli foi o último bomber desta linhagem a fazer mais de 10 gols em duas temporadas consecutivas pelo Toro antes de Belotti quebrar esta marca, que durava 20 anos.

Se foi no Torino que Rizzitelli atingiu o seu ápice em atuações e número de redes balançadas, não foi apenas no Piemonte que fez sucesso. Nascido na Apúlia, Ruggiero foi notado por olheiros do Cesena quando tinha 14 anos e viajou para o norte da Itália, onde iniciaria sua formação nas categorias de base dos bianconeri. Na Emília-Romanha, o jogador de 1,77m fez da velocidade a sua principal arma e, por isso, se consolidou como um atacante de lado de campo. Rizzitelli, porém, também sabia atuar centralizado, como suporte a um centroavante de estilo mais físico, ou poderia ser improvisado como comandante do setor, pois – embora não fosse alto – tinha habilidade no cabeceio.

A estreia do jogador apuliano no time profissional do Cesena aconteceu em 1985-86, temporada em que os cavalos marinhos estavam na Serie B. Rizzitelli fez somente seis partidas naquele torneio, mas ganhou mais oportunidades no ano seguinte: o atacante de 19 anos entrou 26 vezes em campo e foi um dos destaques do acesso dos romanholos à Serie A, obtido com a terceira posição. Na elite, Ruggiero manteria a vaga no onze inicial cesenate, ao lado de jogadores que já estavam no elenco, como o goleiro Sebastiano Rossi e o zagueiro Lorenzo Minotti, e de outros que seriam contratados e ocupariam posições de destaque, como os meias Agostino Di Bartolomei e Alessandro Bianchi.

Em seus primeiros momentos nos palcos mais importantes do futebol do Belpaese, Rizzitelli anotou cinco gols em 30 jogos. Suas ótimas atuações ajudaram a equipe bianconera a terminar a temporada na honrosa 9ª posição, e também he proporcionaram as primeiras convocações para a seleção sub-21 da Itália, treinada por Cesare Maldini. Mas não só: grande revelação italiana na temporada 1987-88, Rizzitelli foi o primeiro jogador do Cesena a ter sido chamado para a seleção principal azzurra. Depois de impressionar Azeglio Vicini em três amistosos, o atacante integrou o elenco da Nazionale na Euro 1988, mas não entrou em campo.

Ao fim da temporada 1987-88, Rizzitelli foi uma das contratações feitas pelo presidente Dino Viola para fazer a Roma voltar a disputar o scudetto: custou 9 bilhões de velhas liras, na soma do valor pago em espécie e dos passes do atacante Massimo Agostini e do meia Sergio Domini, que se transferiram ao Cesena. O atacante se integrou ao time da capital depois de disputar os Jogos Olímpicos de Seul – a Itália foi quarta colocada no torneio – e marcou seu primeiro gol diante do Lecce, na segunda vez em que vestiu a camisa romanista.

Em seis anos na Cidade Eterna, Rizzitelli chegou a dividi espaço com Renato Gaúcho, mas
teve desempenho bem superior ao do brasileiro (AS Roma Notizie)
O primeiro ano na Cidade Eterna não foi tão bom para o apuliano, já que a Roma não se acertou: trocou de treinador duas vezes e outros grandes reforços, os brasileiros Andrade e Renato Gaúcho, fracassaram retumbantemente. A temporada terminou de forma ainda mais melancólica pois o jogo-desempate contra a Fiorentina, que valia uma vaga na Copa Uefa, teve gol marcado por Roberto Pruzzo, que deixara a Roma para que a equipe se renovasse.

As temporada sucessivas, porém, foram mais brilhantes para o jogador, que ganhou o apelido de Rizzi-gol. Ruggiero atuou nas 34 partidas da Roma na Serie A, como parceiro de ataque de Rudi Völler e era um dos encarregados de deixar o alemão em condições de fazer gols – com assistências de Rizzitelli, Bruno Conti e Giuseppe Giannini, Rudi fez 14. Com cinco tentos, o apuliano ajudou a Loba a voltar às competições europeias, uma vez que o 6º lugar valia uma vaga na Copa Uefa. Na Coppa Italia, Rizzitelli marcou três gols, mas a Roma foi eliminada pela Juventus nas semifinais.

O terceiro ano de Rizzi-gol na capital foi o mais frutífero dos pontos de vista coletivo e pessoal. Ele não entrou em campo tantas vezes na Serie A, mas se destacou nos dois fronts em que a Roma competiu com mais força: o atacante atuou em oito dos 10 jogos da Loba na conquista da Coppa Italia e, com quatro gols, foi um dos artilheiros da competição, ao lado de Völler. Rizzitelli quase ganhou sua segunda taça com a camisa romana naquela mesma temporada 1990-91, mas acabou não conseguindo evitar o vice na Copa Uefa diante da Inter. Na partida de volta das finais, Ruggiero fez o gol da vitória romana – seu quarto na competição –, mas os nerazzurri ficaram com o título pois venceram o jogo de ida por 2 a 0.

Até 1994, Rizzitelli continuou ocupando lugar de destaque na Roma, mas a equipe não conseguia grandes resultados: em meio a uma crise financeira, seus melhores momentos foram o 5º lugar na Serie A, em 1992, e o vice da Coppa Italia, no ano seguinte. Ruggiero, que ficaria conhecido por ter sido o jogador que deu lugar a Francesco Totti em sua primeira partida como profissional, em 1993, deixou a Cidade Eterna exatamente por causa da situação econômica da agremiação: aos 27 anos, acabou recebendo uma proposta do Torino e foi jogar no Piemonte. Querido pela torcida da Loba, Rizzi-gol fez 211 partidas e balançou as redes 55 vezes em seis anos de Roma.

Se os números de Rizzitelli já eram interessantes pelo fato de ele não ser um jogador que não atuava como principal terminal ofensivo da equipe, os dois anos em Turim foram mais satisfatórios ainda. O Torino era um time que, após as conquistas dos tempos do técnico Emiliano Mondonico, estava à beira do colapso financeiro e se mantinha no meio da tabela com dificuldades. Com Rizzitelli no time, o Toro não mudou de patamar, mas colocou mais medo em seus adversários.

O primeiro ano vestindo grená foi o melhor da carreira de Rizzi-gol. O apuliano formou um trio de ataque insidioso, com Andrea Silenzi e Abedi Pelé, e foi responsável por 19 gols na Serie A 1994-95, competição em que foi o terceiro maior goleador. O primeiro turno de Rizzitelli foi apenas regular, mas o atacante cresceu muito na segunda parte da temporada e emplacou 14 gols no período. Seus melhores momentos foram os dois gols marcados contra a Roma, seu ex-time, em ambos os jogos da temporada, e as duas vezes em que anotou uma doppietta contra a arquirrival Juventus. As duas vitórias no clássico contra a Velha Senhora seriam as últimas em 20 anos do confronto – o Toro só voltaria a bater a Juve em abril de 2015.

Em 1995-96, a crise econômica do Torino se agravou. Os efeitos de uma diretoria sem rumo se fizeram sentir em campo, e a equipe acabou trocando de técnico duas vezes – uma delas após uma derrota de 5 a 0 para a Juventus no dérbi, que valeu a cabeça de Nedo Sonetti. Rizzitelli bem que tentou ajudar e anotou 11 gols, mas nenhum deles com o mesmo peso dos anotados na temporada anterior. No final das contas, o Toro concluiu o campeonato oito pontos atrás do Piacenza, último fora da zona de rebaixamento, e acabou caindo para a segundona. Foi a porta de saída para Rizzi-gol, que acertou com o Bayern Munique após a ótima média pelos granata – 31 tentos em 64 partidas.

As atuações positivas na Serie A o levaram ao Bayern Munique, treinado por um italiano (Getty)
Rizzitelli chegou à Baviera para atender a um pedido de Giovanni Trapattoni, comandante dos Roten. O atacante do sul da Bota se adaptou rapidamente à Bundesliga e, com a confiança de Trap, tinha a titularidade assegurada. Em 25 partidas no campeonato nacional alemão, vencido pelo Bayern, Rizzi-gol marcou oito vezes, sendo um dos vice-artilheiros da equipe – ficou atrás apenas de Jürgen Klinsmann. Naquele ano, os bávaros também garantiram o título da Copa da Liga Alemã.

Em seu segundo ano na Alemanha, Rizzitelli perdeu espaço no time titular, graças às chegadas de Élber e Thorsten Fink, mas ainda foi um dos quatro reservas mais utilizados por Trapattoni. O título da Copa da Alemanha não aplacou, no entanto, o fracasso na Bundesliga – o Bayern foi vice-campeão, mas era favorito à salva de prata –, e o treinador italiano deixou o clube de Munique. Ruggiero, seu pupilo, o acompanhou.

Se Trap acertou com a Fiorentina, Rizzitelli teve um destino mais modesto: aos 31 anos, o atacante defenderia o Piacenza, clube com o qual assinou a custo zero. Ruggiero se juntaria a Pietro Vierchowod e Giovanni Stroppa como o terceiro jogador de currículo vitorioso do elenco biancorosso, mas, ao contrário dos colegas, receberia pouco espaço na modesta equipe emiliana – o motivo foi a explosão de Simone Inzaghi, que seguia os passos do irmão Pippo.

Na primeira temporada, o Piacenza se salvou do rebaixamento, mas Ruggiero não marcou nenhuma vez em 12 jogos – ao contrário, acumulou dois cartões vermelhos e ainda um gancho de três rodadas por causa de uma briga com adversários da Salernitana. Rizzitelli recebeu a titularidade na segunda temporada, já que Inzaghi partiu para a Lazio, mas passou longe de evitar a queda dos papaveri como lanternas absolutos da Serie A. Rizzi-gol não fez jus ao apelido e balançou as redes apenas uma vez, metaforizando o anêmico ataque piacentino na temporada 1999-2000: os lupi fizeram somente 19 gols em 34 partidas.

Com 33 anos, Rizzitelli já se encaminhava para a aposentadoria e estava sem contrato. Em outubro de 2000, o atacante decidiu dar uma ajuda à equipe que o revelou ao futebol e assinou com o Cesena, que estava na Serie C1. Ruggiero era o destaque da equipe, ao lado do ex-colega Bianchi, mas seus seis gols em 14 jogos não foram o bastante: a dupla não conseguiu levar os cavalos marinhos à Serie B e anunciou a aposentadoria.

Depois de encerrar a carreira, Rizzitelli integrou o elenco do programa Quelli che il calcio, da emissora RAI, encenando, junto a outros ex-jogadores os gols mais importantes das rodadas da Serie A. Após deixar a rede de TV pública italiana, em 2002, Ruggiero abriu um restaurante e foi comentarista da Sky. Atualmente, é residente das transmissões da TV oficial da Roma, onde dá pitacos sobre sua antiga equipe.

Ruggiero Rizzitelli
Nascimento: 2 de setembro de 1967, em Margherita di Savoia, Itália
Posição: atacante
Clubes como jogador: Cesena (1984-88 e 2000-01), Roma (1988-94), Torino (1994-96), Bayern Munique (1996-98) e Piacenza (1998-2000)
Títulos conquistados: Coppa Italia (1991), Bundesliga (1997), Copa da Liga Alemã (1997) e Copa da Alemanha (1998)
Seleção italiana: 9 jogos e 2 gols

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Jogadores: Pierluigi Casiraghi

Integrante da seleção italiana na Copa de 1994, Casiraghi foi ídolo em Roma e Turim (SS Lazio Fans)
Atacante de porte robusto, que compensava a falta de técnica com a habilidade no jogo aéreo e na criação de espaços para seus companheiros de equipe: o típico centroavante italiano. Com essas características, Pierluigi Casiraghi teve sucesso na Serie A durante os anos 1990 e chegou a ser vice-campeão mundial pela Itália.

Embora fosse centroavante, Pigi, como era conhecido, não se destacou no futebol por ser um goleador implacável. Casiraghi começou sua carreira em sua cidade natal, com a camisa do modesto Monza, que disputava as divisões inferiores da Itália. Ao longo de quatro temporadas, o atacante ganhou espaço e tornou-se peça fundamental da equipe biancorossa, que subiu da Serie C1 para a Serie B e ainda ganhou uma Coppa Italia da Serie C.

Com disposição impressionante, Pigi era referência no ataque, mas também ajudava seus companheiros na disputa pela bola. Dessa forma, Casiraghi logo ganhou convocações para a seleção sub-21 da Itália e chamou a atenção de grandes clubes, como Milan e Juventus. A Vecchia Signora levou a melhor e contratou o jogador de 20 anos, que chegou credenciado pelos 31 gols em 109 jogos pelo time da Lombardia e pelas comparações a grandes atacantes, como Gigi Riva.

Ainda inexperiente, Casiraghi precisou provar ao técnico Dino Zoff que poderia ter lugar no ataque, que ainda contava com Salvatore Schillaci, Oleksandr Zavarov e Rui Barros. Logo de cara, Pigi conseguiu se tornar uma peças fundamental para as conquistas da Coppa Italia e da Copa Uefa, embora tenha sido mais utilizado na parte final da temporada.

Os 10 gols marcados nas 42 oportunidades que recebeu lhe deram a vaga de titular na temporada seguinte, ao lado de Roberto Baggio, então recém-chegado à equipe, agora treinada por Luigi Maifredi. A temporada da Juve não foi espetacular, muito por causa da troca de técnico, e o melhor resultado foi a chegada às semifinais da Recopa Uefa, competição em que a Velha Senhora caiu diante do Barcelona. Em 1990-91, Casiraghi acumulou 35 jogos e 14 gols marcados – o seu melhor desempenho com a camisa bianconera –, que lhe renderam a participação no Europeu sub-21, em que a Itália foi terceira colocada, e seu primeiro jogo com a seleção profissional azzurra: estreou em um amistoso, um 0 a 0 contra a Bélgica.

Apesar da boa participação nos jogos da Juventus, o baixo número de bolas nas redes em 1991-92 (somente oito em 41 jogos) não agradou por completo a direção piemontesa, que apostou pesado e trouxe Gianluca Vialli e Fabrizio Ravanelli para reforçar a equipe na temporada seguinte. Com espaço reduzido e sem jogar com frequência ao longo da temporada 1992-93, Pigi trocou a Juve pela Lazio, em busca de minutos em campo.

Muitos apostavam que o atacante lombardo seria o grande nome do futebol italiano, mas ele não correspondia a toda expectativa e, até agora, fora apenas coadjuvante nos títulos da Juve – em 1993, inclusive, levantaria mais uma Copa Uefa. Na capital, Casiraghi tentaria colocar a carreira nos eixos.

O bom desempenho na Lazio transformou Pigi em um jogador bastante utilizado na seleção (Juha Tamminen)
A mudança fez bem à Casiraghi. Na Lazio, o centroavante reencontrou Zoff e teve seus melhores momentos da carreira, formando dupla com Giuseppe Signori. Seu desenvolvimento técnico e tático na equipe romana foi fundamental para que Signori anotasse 23 gols na temporada que antecedeu o Mundial; Pigi, atuando mais como garçom, balançou as redes quatro vezes. Ambos foram convocados por Arrigo Sacchi para serem reservas no vice-campeonato da Itália na Copa do Mundo de 1994, devido à sua sintonia. Casiraghi fez três partidas na competição – duas da fase de grupos e a semifinal, contra a Bulgária.

Após a "promoção" de Zoff a presidente da Lazio, a equipe passou a ter o comando de Zdenek Zeman, na temporada seguinte, a de 1994-95. Sob as ordens do ofensivo treinador checo, o lombardo se aproximou do gol: no 4-3-3 zemaniano, Signori caía por uma ponta e o reforço Alen Boksic caía pela outra. Com a contribuição da dupla, Pigi melhorou seus números (fez 47 jogos e 15 gols) e se tornou ídolo dos torcedores após uma gol espetacular e acrobático diante da Roma. Casiraghi ainda anotou quatro gols em um incrível 8 a 2 contra a Fiorentina. Tentos que ajudaram a Lazio a ser vice-campeã italiana.

Embora tenha ido muito bem em 1994-95, Casiraghi ainda melhorou seu desempenho no ano seguinte, que foi o melhor de sua carreira. Ele marcou 14 gols na Serie A (18 no total), sua melhor marca na sua trajetória como jogador, e ajudou os laziale a alcançar a terceira colocação no campeonato nacional. Após a competição, figurou junto à Nazionale na Eurocopa de 1996, e atuou nas três partidas que a Itália disputou na Inglaterra. Apesar da eliminação na fase de grupos, Pigi marcou dois gols na única vitória azzurra, contra a Rússia.

Ao retornar da Terra da Rainha, Pigi não manteve a grande sequência: fez uma temporada não mais que regular, com algum brilhareco na Copa Uefa, competição em que uma Lazio irregular chegou até as quartas de final. Aquela seria a última temporada em que Casiraghi seria titular na Cidade Eterna, pois a chegada do técnico Sven-Göran Eriksson e do craque Roberto Mancini, em 1997-98, fez com que o atacante fosse relegado à reserva.

Saindo quase sempre do banco, o lombardo disputou 28 partidas e marcou somente três gols na Serie A, mas um deles foi em uma vitória por 3 a 1 contra a Roma. Casiraghi acabou tendo mais espaço na Coppa Italia, competição da qual a Lazio foi campeã – apesar de ter disputado seis jogos, Pigi passou em branco. Sua última temporada em Roma poderia ter sido coroada com um título importantíssimo, no qual ele tinha colocado sua impressão digital: Casiraghi marcou quatro gols em 10 jogos na Copa Uefa, mas os celestes foram derrotados pela Inter na final.

Em 1998, Pigi deixou a Lazio e voltou para a Inglaterra, onde havia brilhado com a seleção. O atacante acertou com o Chelsea, clube no qual teria a companhia dos conterrâneos Roberto Di Matteo, Gianluca Vialli e Gianfranco Zola. Se todos os seus compatriotas tiveram passagens de sucesso pelos Blues, a aventura de Casiraghi seria totalmente desafortunada, embora tenha iniciado com o título da Supercopa Uefa contra o gigante Real Madrid.

Em novembro de 1998, Pigi era titular da equipe: havia atuado em 11 partidas e, embora tivesse feito somente um gol, continuava sendo escalado. No entanto, um jogo contra o West Ham seria sua despedida do futebol, com apenas 29 anos: Casiraghi sofreu fraturas em diversas partes do joelho esquerdo após uma trombada com o goleiro Shaka Hislop. O atacante foi submetido a mais de 10 cirurgias para tentar restabelecer os ligamentos e ao menos 20 meses de tratamentos e sessões de fisioterapia, até perceber que seria impossível retornar aos gramados. No início de agosto de 2000, quando já tinha 31 anos, anunciou seu desligamento do Chelsea e sua consequente aposentadoria.

No ano seguinte, Casiraghi iniciou sua carreira como treinador, no mesmo clube em que se profissionalizou. Foram duas temporadas nos times de base do Monza até ganhar sua primeira oportunidade numa equipe profissional, o Legnano, em 2003. Pigi ainda treinaria a seleção sub-21 italiana e, após vencer o Torneio de Toulon, comandaria a equipe nas Olimpíadas de 2008, na China.

Casiraghi deixaria os azzurrini em 2010, após quatro anos de trabalho, uma vez que a seleção caiu para a Belarus e não se classificou para o Europeu da categoria. Com isso, Pigi passou um tempo afastado do futebol – até 2014, pouco se ouviu falar dele – e só retornou ao mundo da bola quando se tornou auxiliar de Zola, no Cagliari, e no Al-Arabi, do Catar. Atualmente desempregado, Pigi acompanha a carreira do filho, Andrea, que também é atacante e joga no Pro Patria, na Serie D.

Pierluigi Casiraghi

Nascimento: 4 de março de 1969, em Monza, Itália
Posição: atacante
Clubes como jogador: Monza (1985-89), Juventus (1989-93), Lazio (1993-98) e Chelsea (1998-2000)
Títulos como jogador: Copa Uefa (1990 e 1993), Supercopa Uefa (1998), Coppa Italia (1990 e 1998), Copa da Inglaterra (2000), Coppa Italia da Serie C (1988)
Como treinador: Monza (2001-03), Legnano (2003-04) e Itália Sub-21 (2006-10)
Títulos como treinador: Torneio de Toulon (2008)
Seleção italiana: 44 jogos e 13 gols

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

15ª rodada: O silêncio e a vida que segue

Juventus e Atalanta homenagearam a Chapeconese, à meia-luz (AFP)
Uma das semanas mais tristes da história do futebol, devido à tragédia do avião da Chapecoense, também foi de muita solidariedade. Na Serie A, que viveu uma história semelhante nos anos 1940, com o acidente que matou o Grande Torino, todos os jogos tiveram um minuto de silêncio em respeito às 71 vítimas, e algumas equipes foram a campo com o escudo do Verdão do Oeste – Atalanta, Bologna, Cagliari, Inter e Milan.

Como a vida segue, o fim de semana agitado ainda teve renúncia do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, e uma rodada com grandes jogos e confrontos importantes na parte superior da tabela – e teremos muito mais até o final do ano. A 15ª rodada terminou com a Juventus na liderança, seguida por Milan e Roma, mas também teve o fim das invencibilidades de nove partidas de Lazio e Atalanta, que não perdiam desde setembro, e a ótima vitória do Napoli sobre a Inter. Ainda houve espaço para um dado interessante: após 15 rodadas, todas as equipes perderam pelo menos três jogos no campeonato, algo que não acontecia desde 1942-43, justo quando o Torino mandava na Itália.

Lazio 0-2 Roma
Strootman e Nainggolan (De Rossi)

Tops: Nainggolan e Emerson (Roma) | Flops: Wallace e Biglia (Lazio)

O alto ritmo da Lazio e o controle da Roma não foram vistos no Derby della Capitale. Na verdade, os rivais da Cidade Eterna fizeram partida muito pouco técnica, marcada por erros da arbitragem comandada por Luca Banti e da defesa laziale, que resultaram na sexta partida de invencibilidade dos giallorossi no clássico, em vigor desde a final da Coppa Italia de 2012-13. A habitual tensão do dérbi foi vista na provocação de Strootman, que levou à expulsão de Cataldi, e na terrível declaração racista de Lulic sobre Rüdiger, no pós-jogo. O bósnio se desculpou horas depois, alegando que estava de cabeça quente e que, por vir de um país que viveu guerras por questões étnicas, sabia que havia falado palavras infelizes.

Em campo, a Lazio fez um bom primeiro tempo, com o brasileiro Wallace dominando Dzeko e Perotti desativado – a ausência de Salah foi determinante para o time de Spalletti. No entanto, a Roma respondeu através dos erros do time de Inzaghi: primeiro com o próprio Wallace, que tentou sair driblando na entrada da área e perdeu bola inacreditável para Strootman abrir o placar. Depois, desarme de De Rossi e bola para Nainggolan conduzir, com sua característica força, e chutar de muito longe, aproveitando o mau posicionamento e a má forma física de Marchetti. Com os três pontos, os giallorossi seguem na cola da Juventus, ao lado do Milan. Já os laziali viram o Napoli empatar na pontuação e assumir o quarto posto.

Napoli 3-0 Inter
Zielinski (Callejón), Hamsík (Zielinski) e Insigne

Tops: Zielinski e Hamsík (Napoli) | Flops: Miranda e Kondogbia (Inter)

Enquanto a Inter segue seu calvário, das cinzas surgiu o belo sistema do Napoli. Após a queda desde a lesão de Milik, na data Fifa de outubro, o time de Sarri se recuperava nos resultados, mas o futebol seguia ruim. Até essa sexta-feira, ocasião em que os azzurri tiveram uma exibição enorme muito por conta de um compatriota de Milik: o jovem Zielinski, que ameaça a titularidade de Allan. Outro "novinho" ajudou o Napoli a estabelecer o domínio no meio-campo: o guineano Diawara, que já tomou o posto de Jorginho. Importante também a participação de Gabbiadini, que levou a melhor sobre Ranocchia e Miranda e foi essencial para criar os espaços para Zielinski, Hamsík e Insigne marcarem os gols. Atrás, Reina fechou o gol às respostas tímidas, mas perigosas, de Candreva, Icardi e Perisic.

O frágil time de Pioli provou do próprio veneno: marcou pressão e com a defesa adiantada, mas não parou a ótima saída napolitana e expôs sua principal fragilidade aos contra-ataques. Nesse cenário, foram diversos ataques rápidos dos napolitanos, que poderiam ter saído do San Paolo com placar ainda mais elástico, não fossem as intervenções de Handanovic – que, ainda assim, voltou a falhar, bem como Miranda. A queda da dupla – o "porto seguro" dos nerazzurri, juntamente com os gols de Icardi – torna a equipe nerazzurra ainda menos competitiva e a põe longe da disputa europeia. A Inter estacionou no meio da tabela e, sem perspectiva de melhora, está 11 pontos distante da zona Champions.

Juventus 3-1 Atalanta
Alex Sandro (Marchisio), Rugani (Pjanic) e Mandzukic (Pjanic) | Freuler (D'Alessandro)

Tops: Pjanic e Mandzukic (Juventus) | Flops: Conti e Rafael Tolói (Atalanta)

No único jogo de sábado, estiveram frente a frente a poderosa líder Juventus e a sensação Atalanta. Em meio aos problemas do time de Allegri e o virtuoso sistema de Gasperini, esperava-se um confronto mais equilibrado e com problemas para os bianconeri, que tinham enfrentado um adversário parecido na última rodada – o Genoa de Juric. Mas os juventinos aparentemente aprenderam a lição e responderam com uma atuação eficiente, graças a uma nova mudança de esquema tático e a volta de Marchisio.

Os anfitriões controlaram a força física adversária e não sofreram com a marcação, mas não tiveram grande produção ofensiva, mas ainda marcaram três vezes. Em passe de Marchisio, Alex Sandro avançou tranquilo até marcar belo gol. O brasileiro acabou sendo o ponto de destaque sobre o lado direito nerazzurro, que não teve grandes atuações de Tolói, Conti e Kessié. Por sua vez, Mandzukic dominou a defesa adversária e também foi um leão nos desarmes, acabou premiado com o terceiro gol. A resposta da Dea veio tarde, somente aos 82, com Freuler aproveitando rara falha da defesa da casa. O resultado mantém a liderança juventina, com quatro pontos de vantagem, e a Atalanta na quarta posição, empatada com Napoli e Lazio.

Rivais abraçados por uma causa maior: Lazio e Roma respeitam minuto de silêncio em homenagem à Chape (Reuters)
Milan 2-1 Crotone
Pasalic (Paletta) e Lapadula | Falcinelli (Rohdén)

Tops: Paletta e Lapadula (Milan) | Flops: Niang (Milan) e Ferrari (Crotone)

Foi com muito sofrimento que o Milan bateu o novato Crotone, que, apesar dos maus resultados, mais uma vez deu trabalho para algum grande. Se o jogo não fluiu sem Bonaventura, a participação de Suso na bola parada foi decisiva para a vitória, ainda que o espanhol não tenha participado diretamente dos gols. Quem saiu na frente foram os squali, com Falcinelli – de longe o jogador mais perigoso do time calabrês, com cinco gols e duas assistências na temporada – mas Pasalic empatou no final da primeira etapa, após desvio de Paletta em cobrança de escanteio. Logo depois do intervalo, Niang perdeu oportunidade e teve cobrança de pênalti defendida, o que ocasionou uma maré de vaias da torcida rossonera. Somente aos 86 minutos, Lapadula aproveitou a sobra e marcou seu quarto gol, o terceiro em quatro partidas como titular e o primeiro em San Siro. Depois de perder um gol incrível, o ítalo-peruano foi novamente decisivo para o Diavolo, vice-líder da Serie A.

Fiorentina 2-1 Palermo
Bernardeschi (pênalti) e Babacar (Zárate) | Jajalo

Tops: Babacar e Astori (Fiorentina) | Flops: Kalinic (Fiorentina) e Aleesami (Palermo)

Khouma 'clutch' Babacar. Na hora do aperto, é com o senegalês que a Fiorentina conta para ganhar pontos. Se o jovem da base viola ainda não se tornou um centroavante de alto nível, segue importante para o time: evitou o tropeço com o lanterna Palermo já nos acréscimos, completando escanteio do sumido Zárate, que reclamava da falta de oportunidades e respondeu a Paulo Sousa com uma importante assistência. O sufoco foi grande no Artemio Franchi porque, mais uma vez, a equipe gigliata falhou em transformar o domínio da posse de bola e controle do jogo em vantagem no placar, falhando diversas vezes contra o frágil sistema defensivo adversário e exaltando um goleiro irregular, como Posavec. Do outro lado, Tatarusanu pouco viu a bola, já que os zagueiros Salcedo e Astori foram dominantes, e, quando chamado em causa, o romeno estava muito mal posicionado na bela cobrança de falta de Jajalo. Se não teve grande atuação, ao menos Bernardeschi marcou seu sétimo gol no campeonato, mostrando grande crescimento.

Sampdoria 2-0 Torino
Barreto (Silvestre), Schick (Linetty)

Tops: Pedro Pereira e Torreira (Sampdoria) | Flops: Benassi e Barreca (Torino)

O Torino voltou a ser assunto no mundo todo, pela lembrança do desastre de Superga e pela solidariedade dada à Chapecoense, mas não pontuou nesta rodada. Isso porque a Sampdoria chegou ao sexto resultado positivo na sequência, dando fim aos cinco jogos de invencibilidade dos grenás logo às vésperas do dérbi de Turim. A partida teve muita intensidade no primeiro tempo, mas a defesa do Torino conseguiu conter os avanços da equipe de Giampaolo. No entanto, uma cobrança de escanteio resultou no gol que abriu o placar, com o paraguaio Barreto. O Toro sentiu um pouco o golpe e tentou buscar o empate de forma desordenada, sem conseguir criar uma chance real de gol. Em um contra-ataque, já no apagar das luzes, Schick deu números finais à partida, que levou a Samp à 9ª posição – os granata ocupam a 7ª.

Sassuolo 3-0 Empoli
Pellegrini (pênalti), Ricci (pênalti) e Ragusa

Tops: Acerbi e Pellegrini (Sassuolo) | Flops: Skorupski e Maccarone (Empoli)

Se o sumido Berardi não dá as caras (está lesionado e nem participou da foto oficial do clube), o Sassuolo deve seguir em frente depois da frustrante eliminação na Liga Europa. Contra o Empoli, os neroverdi superaram o jejum de seis partidas sem vencer e melhoraram sua situação na tabela, já que contou com derrotas das outras equipes para ultrapassá-las – agora, estão em 14º. A vitória veio graças aos erros do adversário, que concedeu dois pênaltis ainda no primeiro tempo. Os jovens da base da Roma, Pellegrini e Ricci, marcaram aos 22 e 36, enquanto Ragusa aproveitou falha de outro giallorosso, o goleiro Skorupski. Na defesa, os experientes Gazzola, Acerbi e Peluso não sofreram sustos e Consigli foi importante para manter o quarto clean sheet do Sassuolo, que já levou 26 gols no campeonato. Para o Empoli, derrota que não muda muita coisa na sua complicada posição, uma vez que o time segue a apenas dois pontos da zona de rebaixamento.

Pescara 1-1 Cagliari
Caprari (Biraghi) e Borriello (Di Gennaro)

Tops: Caprari (Pescara) e Bruno Alves (Cagliari) | Flops: Benali (Pescara) e Di Gennaro (Cagliari)

Depois de seis derrotas seguidas, o Pescara voltou a pontuar, mas sem entusiasmo, já que a equipe segue na zona de rebaixamento e conquistou o empate somente nos acréscimos. Um resultado que também frustrou o Cagliari, que poderia ter subido na tabela para ficar mais perto de seu objetivo – uma temporada tranquila, depois do retorno à elite. Nos gols, decisivas as participações de jogadores ligados a Milan e Inter. Os ex-Milan protagonizaram o tento sardo: Borriello abriu o placar nos primeiros minutos, em assistência de Di Gennaro, mas o regista foi expulso pouco depois e expôs sua equipe à pressão anfitriã. Apesar de o veterano Pepe ter criado muito, outro jogador experiente, Bruno Alves, se manteve firme na defesa. Até que o talentoso Caprari, emprestado pela Inter, aproveitou passe de Biraghi (antiga promessa de Interello) e empatou, aos 91.

Chievo 0-0 Genoa
Tops: Sorrentino (Chievo) e Perin (Genoa) | Flops: Birsa (Chievo) e Miguel Veloso (Genoa)

Chievo e Genoa tinham a chance de entrar na parte alta da tabela, mas bateram na trave – literalmente. A partida que aconteceu nesta segunda teve algumas grandes chances, como o voleio de Meggiorini que explodiu no travessão ou a girada de Ninkovic, que quase fez valer a lei do ex, mas também viu seu chute tocar no poste. Os goleiros Sorrentino e Perin também fizeram algumas defesas importantes para manter as redes invioladas, mas foi Birsa que simbolizou a falta de pontaria dos dois times: o esloveno, outro ex da partida, cobrou um pênalti por cima do gol.

Udinese 1-0 Bologna
Danilo (Widmer)

Tops: Danilo (Udinese) e Mirante (Bologna) | Flops: e Pulgar (Bologna)

Foi por pouco, mas a Udinese festejou no dia do aniversário de 120 anos da agremiação. A equipe friulana, que foi a campo com um uniforme comemorativo, chutou a gol 10 vezes no primeiro tempo, mas nem assustou a defesa do Bologna. Embora tenha sido colocado contra as cordas, o time visitante conseguia manter o empate, até mesmo depois que o volante Pulgar recebeu um cartão vermelho – o sexto do Bologna na temporada. Na reta final da partida, a equipe de Údine intensificou a pressão e Perica teve duas chances de marcar, mas finalizou uma delas para fora e, na segunda, Mirante fez uma bela defesa com o pé. O grito da vitória só saiu da garganta apenas no terceiro minuto dos acréscimos, quando o capitão Danilo aproveitou um cruzamento de Widmer e, de voleio, marcou um golaço.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 14ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada 
Reina (Napoli); Pedro Pereira (Sampdoria), Paletta (Milan), Acerbi (Sassuolo), Alex Sandro (Juventus); Zielinski (Napoli), Pellegrini (Sassuolo), Nainggolan (Roma), Hamsík (Napoli); Mandzukic (Juventus), Babacar (Fiorentina). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli)

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Os 10 maiores colombianos da história do futebol italiano

Cuadrado e Muriel, dois dos colombianos que atualmente jogam na Itália e
levam sua alegria até para os mais tristes (CalcioWeb)
Nesta semana, o Brasil perdeu irmãos e sonhos na Colômbia, mas ganhou para sempre a eterna amizade dos nossos vizinhos, que se solidarizaram com uma dor intangível. O espírito de fraternidade que uniu as duas nações e o continente sul-americano, através dos gestos de empatia da cidade de Medellín e do Atlético Nacional para com a Chapecoense e o nosso país ficarão para sempre guardados na memória de todos nós. Foram atos dignos de um Nobel da Paz e que honram os mais tenros personagens do realismo fantástico de Gabriel García Márquez – o maior escritor do país.

Nós, do Quattro Tratti, temos uma forma tímida, ínfima, que nem mesmo se aproxima ao que nos proporcionou o público do Atanasio Girardot e de seus arredores, de homenagear as atitudes espontâneas dos cafeteros: lembrar dos principais atletas da Colômbia que atuaram no futebol da Itália. A chegada dos colombianos na Serie A é relativamente recente e, hoje, alguns representantes de La Tricolor são estrelas no campeonato.

Tão tradicional no futebol, desde a criação da Liga Pirata nos anos 1940 e 1950, o futebol da Colômbia foi um dos últimos da América do Sul a ter jogadores na Itália – depois dos campeões mundiais Argentina, Brasil e Uruguai, mas atrás também de Chile, Paraguai, Peru e Venezuela. Os primeiros colombianos que chegaram à Serie A foram os atacantes Faustino Asprilla e Iván Valenciano, que acertaram com Parma e Atalanta, respectivamente, na temporada 1992-93.

Da primeira geração de ouro da Colômbia (1990-98), somente Tino Asprilla e Freddy Rincón atuaram na Itália, que tinha o maior campeonato àquela época – uma pena. No entanto, não obstante este fato insólito, foram os dois que abriram portas para que mais 32 compatriotas tivessem a oportunidade de defender um time da primeira divisão italiana. A equipe que mais teve colombianos em seu quadro de atletas é a Udinese, com oito jogadores, seguida por Inter, Milan, Napoli e Parma, que contam com quatro.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais.

Top 15 Colombianos na Itália
11. Carlos Bacca; 12. Freddy Rincón; 13. Jeison Murillo; 14. Óscar Córdoba; 15. Carlos Carbonero.

10º - Luis Muriel


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Lecce (2011-12), Udinese (2012-15) e Sampdoria (2015-hoje)

Muriel ainda não chegou a honrar as comparações a Ronaldo, que lhe conferiram muito frisson no início da carreira, mas tem tido desempenho positivo em seus anos de Serie A. Formado pelo Junior de Barranquilla, o veloz e ambidestro atacante apareceu para o mundo com a camisa do Deportivo Cali e, com 19 anos, foi adquirido pela Udinese, que o emprestou imediatamente ao Granada. Após uma temporada na Espanha, o colombiano voltou à Itália para defender o Lecce, clube em que finalmente explodiu: apesar do rebaixamento dos salentinos, Muriel brilhou, com sete gols e muitas jogadas de efeito, sempre mostrando habilidade e ótimo poder de finalização. Assim, foi eleito revelação da Serie A e convocado para La Tricolor pela primeira vez.

O atacante retornou à Údine com o potencial de encher os cofres do clube de Giampaolo Pozzo, que esperava revendê-lo a peso de ouro após mais outra temporada brilhante. Em sua primeira temporada no Friuli, Muriel teve atuações irregulares, mas ainda assim conseguiu ser o vice-artilheiro do time com 11 gols em 23 partidas, o que não garantiu uma venda, mas sua permanência em bianconero. No entanto, os 18 meses seguintes foram de queda no seu futebol, que minguou juntamente com as atuações da Udinese. Em janeiro de 2015, o colombiano acertou com a Sampdoria, clube em que resgatou a boa fase: titular da equipe, tem contribuído mais com assistências e também tem feito gols decisivos, garantindo vitórias contra adversários importantes, como o rival Genoa.

9º - Fredy Guarín


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Inter (2012-16)

Entre lances incríveis e bolas chutadas para fora do estádio Giuseppe Meazza, Guarín é um jogador que ficou guardado na memória do torcedor da Inter. O meia central começou no Envigado e, após passagens por Atlético Huila e Boca Juniors, chegou à Europa para defender o Saint-Étienne, clube em que apenas estagiou para seguir ao Porto e brilhar. O jogador da seleção colombiana foi negociado com a Inter em janeiro de 2012 e, mesmo com uma lesão muscular que o manteria afastado por dois meses, a equipe de Milão optou por assegurar sua contratação. Na Beneamata, Fredy teve impacto instantâneo: com um pênalti sofrido, ajudou os nerazzurri a vencerem o Genoa por 5 a 4. Após somente seis jogos em Milão, foi contratado em definitivo e se tornou titular absoluto da equipe comandada por Andrea Stramaccioni.

O colombiano ganhou espaço principalmente por seu dinamismo e grandes atuações, como a no Derby d'Italia: na ocasião, Guaro anulou Andrea Pirlo e ainda contribuiu com um dos gols de Diego Milito na vitória por 3 a 1 sobre a Juventus, que perdia a primeira partida em seu novo estádio. Em quatro anos em Appiano Gentile, Guarín ainda decidiu um clássico de Milão e chegou a ser capitão nerazzurro, mas não conseguiu exprimir ao máximo o seu futebol – muito por causa do caos institucional interista. Suas melhores qualidades, como o dinamismo, o bom poder de chegada na área e as finalizações, foram frequentemente ofuscados por péssimas tomadas de decisão, como passes errados e chutes tortos, o que gerava impaciência de parte da torcida. Guaro chegou a negociar com a Juventus, mas aceitou uma proposta milionária do Shangai Shenhua para atuar na China e deixou o futebol italiano após mais de 100 partidas pela Inter.

8º - Pablo Armero


Posição: lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Udinese (2010-13 e 2016-hoje), Napoli (2013-14) e Milan (2014-15)

Conhecido pela louca dança do Armeration em seus tempos de Palmeiras, o lateral Armero desenvolveu uma sólida careira no futebol italiano. O jogador revelado pelo América de Cali aterrissou na Itália depois de ter sido observado pela Udinese com a camisa do alviverde paulista e foi tido como uma peça que se encaixaria perfeitamente no time do técnico Francesco Guidolin. O 3-5-2 foi o esquema ideal para que o colombiano explorasse ao máximo sua velocidade e sua chegada à linha de fundo para se tornar o melhor lateral da Serie A entre 2010 e 2012.

Armero foi apelidado de "Flecha Negra" por conta de sua velocidade, e foi fundamental em um time da Udinese que conquistou duas classificações consecutivas para a Liga dos Campeões. Em alta, o lateral se transferiu para o Napoli em janeiro de 2013 e ajudou os azzurri a serem vice-campeões italianos em 2012-13 e terceiro colocados em 2013-14, ainda que o espaço limitado tenha feito com que ele não encerrasse a temporada na Campânia. A partir de então, Armero passou a ser emprestado a diversos clubes, pelos quais jogou pouco – West Ham, Milan e Flamengo. Depois de disputar a Copa do Mundo de 2014, sua má fase se intensificou e ele acabou sendo contratado para compor o elenco da Udinese, em janeiro de 2016. Desde seu retorno ao Friuli, pouco tem contribuído para tirar o clube de sua fase melancólica: fez somente sete jogos e não é sombra do ótimo jogador que foi.

7º - Juan Camilo Zúñiga


Posição: lateral direito e lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Siena (2008-09), Napoli (2009-16) e Bologna (2016)
Títulos conquistados: Coppa Italia (2012 e 2014) e Supercopa Italiana (2014)

Zúñiga é muito mais do que uma joelhada nas costas de Neymar. Versátil, o jogador nascido em Chigorodó é capaz de atuar nas duas laterais com a mesma desenvoltura e qualidade, atributos que fizeram com que o Siena o contratasse junto ao Atlético Nacional, clube que o revelou. O jogador de velocidade e boa marcação atuou como lateral direito na Toscana, em 2008-09, temporada em que auxiliou os seneses a escaparem com tranquilidade e alcançarem o sétimo ano consecutivo na elite. Com as ótimas atuações, Zúñiga foi um dos melhores em sua posição naquela Serie A e chamou a atenção do Napoli, que se reforçava para brigar por vagas em competições europeias.

Em seis anos e meio no clube do San Paolo, Zúñiga se tornou um dos pilares de sua reconstrução e volta às cabeças. No melhor momento do clube pós-Diego Maradona, o colombiano esteve presente, atuando quase sempre como ala esquerdo do time de Walter Mazzarri – com Rafa Benítez foi pouco utilizado, sobretudo por causa de uma séria lesão no joelho. Coadjuvante de peso do tridente formado por Marek Hamsík, Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani, Zúñiga levantou duas vezes a Coppa Italia e uma vez a Supercopa Italiana – ainda foi vice da Serie A em 2013. O lateral, que chegou a utilizar a braçadeira de capitão do time em algumas oportunidades, foi emprestado ao Bologna em janeiro de 2016 para ganhar ritmo de jogo e, atualmente, faz parte da corte de Mazzarri no Watford, da Inglaterra.

6º - Víctor Ibarbo


Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou: Cagliari (2011-15) e Roma (2015)

Outro jogador revelado pelo Atlético Nacional, Ibarbo também tem a velocidade como sua maior característica. O meia-atacante chegou à Itália após se destacar com a camisa dos verdolagas, que defendeu de 2008 a 2011, e, mesmo defendendo um clube médio, como o Cagliari, se tornou um dos mais insinuantes jogadores da Serie A. Hábil, forte e com um potente tiro de fora da área, Ibarbo desequilibrava as defesas adversárias, dava assistências e marcava gols com facilidade. Por isso, também chegou a atuar como atacante puro.

O colombiano foi adorado na Sardenha, região que habitou por três anos e meio. Nas três temporadas completas em que defendeu o Cagliari, em duas foi o jogador mais utilizado, e em todas conseguiu cumprir o objetivo de manter os casteddu na Serie A. Depois de 121 jogos e 15 gols pelo time sardo e uma participação na Copa do Mundo de 2014, Ibarbo deu um salto na carreira e acertou com a Roma, mas sua passagem pela Cidade Eterna durou somente seis meses, nos quais entrou em campo em 13 oportunidades. Desde que saiu do Cagliari, o meia-atacante nunca mais foi o mesmo, colecionando equipes e insucessos – além da Roma, não foi bem em Watford, Atlético Nacional e, atualmente, não brilha no Panathinaikos. Aos 26 anos, precisa recolocar a carreira nos trilhos. Na Itália, quem sabe.

5º - Mario Yepes


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Chievo (2008-10), Milan (2010-13) e Atalanta (2013-14)
Títulos conquistados: Serie A (2011) e Supercopa Italiana (2011)

Patrimônio do futebol da Colômbia, Yepes chegou ao futebol italiano já com muita experiência. Quando acertou com o Chievo, aos 32 anos, o xerife já tinha defendido Cortuluá, Deportivo Cali, River Plate, Nantes e Paris Saint-Germain, e tinha na Copa América, levantada em 2001, o título mais importante da carreira. Se imaginava que o colombiano passaria rapidamente pelo Belpaese, para encerrar sua trajetória com dignidade, mas o que de fato houve surpreendeu bastante: com preparo físico invejável, Super Mario jogou seis anos na Serie A e ainda conquistou um scudetto.

Os dois anos em Verona rejuvenesceram o zagueiro colombiano que, apesar de lento, era excepcional na bola aérea e nos botes aos atacantes adversários. Pelos clivensi, Yepes atuou sempre como titular e, com boas atuações, ajudou o Chievo a ter uma das defesas menos vazadas da Itália no período. A grande fase fez com que o Milan decidisse contratá-lo, aos 34 anos, para ser um dos reservas de Thiago Silva e Alessandro Nesta. Nos três anos de Lombardia, o defensor atuou em 46 partidas – pouco, mas um número até acima do esperado – e teve a honra de comemorar uma Serie A e uma Supercopa Italiana. Em fim de contrato, assinou com a Atalanta e, aos 38 anos, ainda conseguiu atuar em bom nível e como titular em grande parte da temporada 2013-14. Depois de defender o San Lorenzo por um ano e meio, Yepes se aposentou e hoje é técnico do Deportivo Cali.

4º - Cristián Zapata


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Udinese (2005-11) e Milan (2012-hoje)

Assim como Yepes, Zapata passou pelo Deportivo Cali e ganhou destaque com los azucareros. Embora hoje seja contestado por parte da torcida do Milan, o zagueiro nascido em Padilla tem uma carreira sólida na Serie A e não está na Itália há dez anos por um acaso. Desde que entrou nos campos do país pela primeira vez, com a camisa da Udinese, Cristián demonstrou eficiência nas bolas aéreas, força física e também velocidade. Versátil, também pode atuar como lateral direito.

Embora peque no Milan por não se manter focado o tempo inteiro – o que o faz cometer erros –, Zapata surgiu como uma grande promessa. O defensor foi contratado pela Udinese meses depois de ter sido campeão sul-americano sub-20 e não sentiu a pressão ou a adaptação a um novo país. Ele estreou em novembro de 2005, aos 19 anos, e a partir dali nunca mais perdeu uma vaga no time titular friulano – só não atuou em metade da temporada 2008-09 por causa de uma lesão no maxilar. Um dos melhores zagueiros da Serie A, Zapata contribuiu com a ascensão da equipe de Údine, a qual ajudou a classificar para a Liga dos Campeões, na temporada 2010-11. Vendido ao Villarreal, o zagueiro passou um ano no Submarino Amarelo e voltou ao Belpaese para atuar pelo Milan, equipe em que não emplacou. Na temporada 2016-17, perdeu espaço e não foi utilizado por Vincenzo Montella em uma partida sequer.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Parma (1992-1996 e 1998-99)
Títulos conquistados: Recopa Uefa (1993), Supercopa Uefa (1993) Copa Uefa (1995 e 1999) e Coppa Italia (1999)

Figura folclórica e muito conhecida pelos brasileiros por ter defendido Palmeiras e Fluminense, Tino Asprilla foi um dos grandes craques que defenderam o Parma na década de 1990. O rápido e eficaz atacante entrou em evidência com as camisas de Cúcuta e Atlético Nacional antes de a Parmalat resolver investir no futuro – ao contrário de outras transações dos crociati na época, Asprilla foi contratado sem tanto alarde e tinha status de promessa. Uma promessa que viria a se concretizar, pois ele foi um dos grandes jogadores da história do futebol da Colômbia e ainda participou da conquista de cinco títulos dos emilianos.

O colombiano não explodiu na primeira temporada na Itália, mas teve um grande momento em 1992-93: o gol de falta, na vitória por 1 a 0 frente ao Milan, que encerrou a série de 58 jogos invictos dos rossoneri, recorde vigente até hoje n futebol italiano. Tino também foi o artilheiro parmense na conquista da Recopa Uefa, mas não jogou a final pois se machucou em uma briga de trânsito – mostrando, ali, o lado bad boy que o acompanhou por toda a carreira. Os problemas extracampo atrapalhavam, e Tino alternava péssimos momentos com exibições fantásticas: destacam-se os dois gols marcados no histórico 5 a 0 imposto à Argentina em Buenos Aires e os três contra o Bayer Leverkusen nas semifinais da Copa Uefa, vencida pelos crociati. Depois de passar 18 meses emprestado ao Newcastle, Asprilla voltou ao Parma como coadjuvante, mas fez boa parceria com Juan Sebastián Verón e Hernán Crespo, colegas com os quais levantou outra Copa Uefa e uma Coppa Italia. Após as conquistas, a Parmalat optou por cedê-lo ao Palmeiras, clube que também patrocinava.

2º - Juan Guillermo Cuadrado


Posição: ala e meia-atacante
Clubes em que atuou: Udinese (2009-11), Lecce (2011-12), Fiorentina (2012-15) e Juventus (2015-hoje)
Títulos conquistados: Serie A (2016) e Coppa Italia (2016)

Cuadrado é um daqueles jogadores que tiram os adversários para dançar e ainda celebram a sua vitória pessoal sobre eles com mais dança. O futebol alegre deste ótimo jogador colombiano não é firula – ao contrário: o apelido de "Vespa" surgiu por causa de sua velocidade, objetividade e incessante agressividade pelas pontas. Dessa forma, o garotinho que cresceu driblando a violência na pequena Necoclí (cidade próxima à fronteira com o Panamá) começou a driblar rivais no esporte: sua carreira como lateral direito no Independiente Medellín e, depois de dois anos pelo Poderoso de la Montaña, foi notado pela extensa rede de olheiros da Udinese.

No Friuli, continuou atuando como lateral e não conseguiu se destacar: realizou somente 20 partidas em dois anos e acabou emprestado para o Lecce, em 2011, com o intuito de jogar mais vezes. No Via del Mare, finalmente descobriram que Cuadrado nasceu para definir: atuando como meia avançado, fez uma excepcional dupla com o compatriota Luis Muriel e se destacou pela velocidade e por alguns golaços de fora da área, com seu tradicional chute potente e colocado. O desempenho acima da média chamou a atenção da Fiorentina, que o adquiriu por um pedido do técnico Vincenzo Montella, que o via como perfeito para a ala direita do seu 3-5-2. O Aeroplanino não poderia estar mais certo: rapidamente a Vespa se tornou um dos mais importantes jogadores da Viola, que foi três vezes quarta colocada da Serie A e vice-campeã da Coppa Italia com a colaboração de Cuadrado – foram 106 jogos e 26 gols pelo clube. Após um rápido período negativo no Chelsea, o colombiano deu um salto na carreira e acertou com a Juventus, equipe em que conquistou seus primeiros títulos na carreira. Em ótima fase, a Vespa é uma peça de desequilíbrio no estilo de jogo proposto pelo técnico Massimiliano Allegri.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Inter (2000-12)
Títulos conquistados: Liga dos Campeões (2010), Mundial de Clubes da Fifa (2010), Serie A (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010), Coppa Italia (2005, 2006, 2010 e 2011), Supercopa Italiana (2005, 2006, 2008 e 2010) e Copa América (2001)

Nascido em Rionegro, cidade em que está localizado o aeroporto em que o avião da Chapecoense deveria pousar, Córdoba superou uma infância complicada para poder brilhar no futebol. Terrorismo, guerra entre cartéis e combate ao tráfico, tudo isso fez parte do cenário dos primeiros anos da vida do zagueiro, que atuou na Colômbia com as camisas de Deportivo Rionegro e Atlético Nacional. Após superar tudo isto e começar a carreira no esporte, Iván se destacou no argentino San Lorenzo e, em 2000, chegou à Inter para fazer história: é o jogador colombiano que mais teve sucesso na Itália. Mais do que isso: é o cafetero com mais títulos em todo o futebol europeu, já que levantou incríveis 15 taças pela Beneamata.

Baixinho que se tornava gigante pela grande impulsão, pela velocidade e pela imposição física, Córdoba superou fases ruins de uma Inter que tinha espírito de derrotada e, traumatizada, acabava tropeçando nas próprias pernas e se prejudicando. A regularidade do jogador colombiano o manteve como titular absoluto dos nerazzurri entre 2000 e 2008, período que compreende a primeira fase do ciclo vencedor do clube, que acabou com o pentacampeonato italiano e ainda títulos da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes da Fifa. Sob o comando de Roberto Mancini e ao lado de Walter Samuel e Marco Materazzi, Córdoba exerceu papel de liderança do elenco e só perdeu a posição na equipe quando lesionou o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, em 2008. Córdoba chegou a ser capitão da Inter em algumas ocasiões e e foi homenageado com uma placa comemorativa no dia em que se aposentou, em 2012. Ao todo, representou a Beneamata em 455 partidas e ainda ocupou um cargo na direção do clube depois de encerrar a carreira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Os melhores jogadores italianos da história da Premier League

Zola e Di Matteo em ação pelo Chelsea, um dos clubes que mais levou italianos à Inglaterra (Action Images)
Hoje é dia de iniciar uma nova série no blog: falaremos, de tempos em tempos, sobre os jogadores italianos que fizeram sucesso em outros campeonatos europeus. Não poderíamos começar com outro torneio nacional que não fosse a Premier League, já que os ingleses contribuíram muito para o desenvolvimento do futebol na Itália e os nascidos no Belpaese retribuíram, especialmente a partir da década de 1990.

Para dissecar a participação dos melhores jogadores italianos na Premier League, contamos com a luxuosa colaboração do jornalista Daniel Leite, um dos titulares do do podcast We Lose Every Week, especializado em futebol inglês. A viagem do Quattro Tratti à Terra da Rainha começa agora!

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Quando o atacante Andrea Silenzi trocou o Torino pelo Nottingham Forest em 1995, abriu-se uma porta pela qual passariam outros 65 jogadores. Dos italianos que já atuaram ou ainda atuam na Premier League, Silenzi talvez tenha sido uma das maiores decepções, com apenas 20 jogos e dois gols - por copas nacionais - no Forest. No entanto, esta não foi exatamente a tendência de desempenho de quem decidiu trocar a Serie A por um campeonato que aprofundava seu processo de internacionalização nos anos 90.

Com a explosão do dinheiro da TV, os clubes ingleses começaram a investir em estrelas de outras nacionalidades e ligas europeias. Os de origem italiana chamavam mais atenção, pela soberania da Serie A naquela época. De defensores sólidos a fantasistas, a Itália ofereceu jogadores relevantes à Premier League, que contribuíram para objetivos imediatos e de médio prazo de suas equipes (pensando até num processo de ascensão de patamar ao longo de temporadas) e, em alguns casos, até para uma melhor imagem global do campeonato.

Peças relativamente importantes trocaram clubes de ponta na Itália por médios da Inglaterra, como Derby County, Middlesbrough e Crystal Palace. Evidentemente houve discípulos de Silenzi, que fracassaram na Premier League, mas a percepção é de que, sobretudo no fim da década de 90 e no início da de 2000, a bancada italiana teve influência positiva. Nos últimos anos, entretanto, o protagonismo dos playmakers foi assumido pelos espanhóis, centroavantes decepcionaram (Rolando Bianchi, Bernardo Corradi e Marco Borriello, por exemplo), e o impacto já não é mais o mesmo.

Talvez o redimensionamento de clubes pequenos e médios ingleses esteja até mais intenso agora, mas as equipes não apostam tanto em compatriotas de Fabrizio Ravanelli, Attilio Lombardo e Paolo Di Canio. Hoje Dimitri Payet vai ao West Ham, Christian Benteke ao Crystal Palace, Xherdan Shaqiri ao Stoke, Salomón Rondón ao West Bromwich e Islam Slimani ao Leicester. São raros os italianos envolvidos no processo. Atualmente, a Premier League tem Matteo Darmian no Manchester United, Angelo Ogbonna e Simone Zaza no West Ham, Vito Mannone e Fabio Borini no Sunderland e Stefano Okaka no Watford.

A influência mais significativa da Itália no futebol inglês foi transferida ao mercado de treinadores. Carlo Ancelotti (2010), Roberto Mancini (2012) e Claudio Ranieri (2016) são campeões da Premier League, e Roberto Di Matteo - ídolo também em campo - foi coautor da página mais impressionante da história do Chelsea ao conquistar a Europa em 2012. Os primeiros meses de Antonio Conte em Stamford Bridge, onde a conexão com a Itália sempre foi especialmente forte, também são muito promissores.

Veja aqui a lista completa dos italianos que já disputaram a Premier League, com eternas promessas como Samuele Dalla Bona, Arturo Lupoli, Nicola Ventola e Federico Macheda a figurões, como Christian Panucci, Alberto Aquilani, Pierluigi Casiraghi, Roberto Mancini, Marco Materazzi e Vincenzo Montella. E, claro, nossos 20 escolhidos, que seguem logo abaixo.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais.

20º - Marco Branca


Posição: atacante
Clube em que atuou: Middlesbrough, 1998-99

Mais lembrado nos tempos recentes por ter sido diretor esportivo da Inter, Marco Branca foi um atacante razoável nos anos 1980 e 1990. O "Cisne de Grosseto" se destacou principalmente com as camisas da própria Beneamata, Udinese, Sampdoria e também com a do Middlesborugh, clube que defendeu já nos anos finais da carreira. Branca acertou com a equipe de Riverside em fevereiro de 1998, quando tinha acabado de completar 33 anos, e teve impacto imediato no time.

À época, o Boro disputava a segunda divisão inglesa, e Branca foi a contratação certeira para alçar os Smoggies de patamar: o italiano marcou nove vezes em 11 partidas e, com a excelente média de gols, ajudou o Middlesbrough a ser vice-campeão da Championship e subir para a Premier League. Branca ainda fez um gol importante contra o Liverpool, nas semifinais da League Cup, na qual o Boro foi derrotado pelo Chelsea, na final. Na temporada que poderia ser de afirmação na elite, o centroavante toscano sofreu uma lesão no menisco e, após somente 23 minutos em campo na Premier League, foi dado como acabado pelos médicos do clube. Branca foi afastado e rompeu com a diretoria: pagou a cirurgia do seu próprio bolso, se recuperou na Inter e entrou com uma representação na Fifa contra o clube inglês. Depois de ganhar a causa nos tribunais, foi indenizado e foi atuar no futebol suíço.

19º - Fabio Borini 


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Chelsea, 2009-11; Swansea City, 2011; Liverpool 2012-13 e 2014-15; e Sunderland, 2013-14 e 2015-hoje
Títulos: Premier League (2010) e FA Cup (2010)
Prêmio individual: Seleção da Euro Sub-21 (2013)

Quando Borini chegou à Inglaterra, ele ainda era um prodígio da base. Cria do Bologna e com passagens pelas seleções sub-16 e sub-17 da Itália, o atacante acertou com o Chelsea e concluiu sua formação como profissional pelos clube londrino, no qual continuou arrebentando, em especial na FA Youth Cup. O jogador emiliano estreou pelo time principal dos Blues em 2009, quando tinha 18 anos, mas recebeu pouquíssimas oportunidades. Assim, foi emprestado ao Swansea City, em março de 2011,  e foi fundamental para o primeiro acesso do clube galês à Premier League em toda a história, com seis gols anotados em 12 partidas.

Em fim de contrato com o Chelsea, o atacante foi adquirido pelo Parma, que quase imediatamente o revendeu para a Roma. A positiva temporada 2011-12 pelo clube giallorosso fez com que o atacante recebesse a convocação para a Euro 2012 e retornasse para a Inglaterra graças a um velho conhecido: o técnico Brendan Rodgers, ex-Swansea, o levou ao Liverpool. Devido a uma séria lesão no pé e à má fase, o italiano jogou poucas vezes pelos Reds e marcou somente três vezes em dois anos em Anfield. No Sunderland, a história foi diferente: emprestado aos Black Cats em 2013-14, ele anotou sete gols na Premier League e três na League Cup, ajudando a equipe do nordeste da ilha a ser vice da copa e a permanecer na elite inglesa. Em 2015, Borini voltou ao Stadium of Light e manteve a média de atuações, colaborando mais uma vez com a manutenção do SAFC na mais prestigiosa liga do país.

18º - Matteo Sereni


Posição: goleiro
Clube em que atuou: Ipswich Town, 2001-02

A cara de poucos amigos não mente: Sereni era um goleiro brigão, daqueles que mostram a liderança em campo. O jogador, nascido em Parma, teve uma digna carreira na Itália – defendeu com bom nível Sampdoria, Piacenza, Empoli, Lazio, Torino e Brescia – e teve uma curta, mas importante passagem pelo futebol inglês. Em 2001, a Samp o negociou com o Ipswich Town porque estava com problemas financeiros, e o emiliano aproveitou para ser titular dos Tractor Boys na Premier League.

Sereni chegou ao leste da Inglaterra para disputar posição com Andy Marshall, mas não demorou para se estabelecer na meta dos Blues. O Ipswich caiu na Copa Uefa diante da Inter, foi rebaixado e teve a pior defesa da Premier League, mas o italiano não teve culpa pelo desempenho negativo – ao contrário, se destacou com seu estilo seguro e de agilidade, apesar do físico parrudo. Ao fim da temporada, Sereni não ficou para disputar a segunda divisão e foi emprestado ao Brescia, que contava com Roberto Baggio e disputava a Serie A.

17º - Nicola Berti


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Tottenham, 1998-99
Título: League Cup (1999)

Ícone da Inter nos anos 1980 e 1990, Berti teve uma curta – mas importante – passagem pelo Tottenham. O meio-campista chegou na Terra da Rainha com quase 31 anos, mas conseguiu encaixar seu estilo de muito dinamismo e trabalho duro no futebol inglês, convertendo-se em uma peça valiosa em tempos de entressafra dos Spurs.

O box to box italiano trocou Milão por Londres em janeiro de 1998, quando foi liberado pelos nerazzurri. Na primeira temporada em White Hart Lane, fez 15 jogos e três gols, que ajudaram os Lilywhites a escaparem do rebaixamento na reta final da Premier League. Querido pela torcida, Berti ainda continuou para a disputa da temporada 1998-99 e colaborou com o início da campanha do título da League Cup, mas deixou o clube no mercado de inverno, rumo ao Alavés, da Espanha.

16º - Alessandro Diamanti


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: West Ham, 2009-10

De carreira tão sinuosa quanto a trajetória que as bolas fazem em suas cobranças de falta, o fantasista Diamanti teve na Inglaterra uma das etapas mais significativas de sua carreira. Alino chegou aos Hammers depois de encantar a Itália com a camisa do Livorno: ele não evitou a queda dos amaranto para a segundona, em 2007-08, mas marcou 16 gols no ano seguinte, reconduzindo o time toscano para a Serie A. Dessa forma, chegou a Boleyn Ground com o aval de alguém que conhecia bem a sua função – Gianfranco Zola, então técnico da equipe.

O habilidoso canhotinho foi o 800º jogador da história do West Ham e, embora não tenha sido titular absoluto, foi uma peça vital para que os Hammers não fossem rebaixados. Em 28 partidas, Alino marcou sete gols – quatro de pênalti, já que era o cobrador oficial –, incluindo tentos contra Liverpool, Chelsea e Arsenal. Apesar de ter sido considerado pela torcida o segundo melhor jogador do clube na temporada, perdendo somente para Scott Parker, o exímio batedor de faltas não permaneceria no West Ham, pois seu avalista, Zola, rescindiu o contrato ao fim da temporada 2009-10. Diamanti voltou para a Itália e se destacou com o Brescia, equipe que impulsionou a sua primeira convocação para a seleção.

15º - Massimo Maccarone


Posição: atacante
Clube em que atuou: Middlesbrough, 2002-04 e 2005-07
Títulos: League Cup (2004)

Big Mac no país do fish and chips. Maccarone foi revelado no Milan, mas foi no Empoli que despontou, marcando uma penca de gols na Serie B, entre 2000 e 2002, fato que lhe valeu uma convocação para a seleção da Itália – foi o primeiro jogador em mais de 70 anos que estreou pelos azzurri sem ter atuado na primeira divisão. Após o amistoso contra a Inglaterra, Macca chamou a atenção do Middlesbrough, que decidiu investir 13 milhões de euros para torná-lo a contratação mais cara de sua história.

O atacante piemontês começou com três gols marcados em cinco jogos, mas foi atrapalhado por lesões ou pela má avaliação do técnico Steve McClaren, que achava que ele poderia atuar como meia aberto pelos flancos, longe da meta adversária. Apesar de ter sido artilheiro do time em 2002-03, com nove gols, e de ter uma League Cup no currículo, Maccarone viveu longo jejum de gols pelo clube de Riverside e passou a temporada 2004-05 emprestado – jogou por Parma e Siena –, retornando para mais dois anos na Inglaterra logo depois. Em sua segunda etapa pelo Boro, Big Mac continuou na reserva, mas teve participação decisiva na Copa Uefa: marcou três gols decisivos (dois deles nos minutos finais), que valeram a classificação dos ingleses nas quartas de final, contra o Basel, e nas semifinais, diante do Steaua Bucareste. Macca só não evitou o vice-campeonato do seu time, derrotado por um implacável Sevilla.

 14º - Alessandro Pistone


Posição: lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Newcastle, 1997-98 e 1999-2000; Everton, 2000-07

Após passagens por clubes de menor expressão, Pistone apareceu para o futebol mundial com a Inter de Roy Hodgson, em 1995. Em dois anos pelos nerazzurri, o lateral esquerdo ganhou espaço na seleção italiana sub-21, disputou os Jogos Olímpicos de 1996 e também chamou a atenção do futebol inglês: o Newcastle de Kenny Dalglish investiu em sua contratação, mas as lesões, a utilização como defensor central e a chegada de Ruud Gullit ao comando da equipe impediram-no de ter continuidade pelos Magpies. Após um curto empréstimo ao Venezia e dois vice-campeonatos da FA Cup, o milanês foi vendido ao Everton.

Em Goodison Park, Pistone continuou convivendo com muitas lesões no joelho, que o afastaram dos gramados por ao menos um período da temporada em toda a sua passagem pelos Toffees. Ainda assim, o lateral foi um importante e experiente reserva durante sete anos de clube, contribuindo com uma classificação à Liga dos Campeões e uma à Copa Uefa. Em 2007, após 103 partidas, o italiano deixou o Everton para se aposentar no Mons, da Bélgica.

13º - Benito Carbone


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Sheffield Wednesday, 1996-99; Aston Villa, 1999-2000; Bradford City, 2000-01; Derby County, 2001-02; Middlesbrough, 2002
Prêmio individual: Jogador do Ano no Sheffield Wednesday (1999)

Carbone é um raro caso de jogador italiano que não teve sucesso no futebol de seu país e só brilhou n Inglaterra. O calabrês se notabilizou na Bota por não ter honrado a camisa 10 do Napoli e por ter sido um atacante sem a verve do gol em seus anos de Torino e Inter. Ainda assim, como os olhos dos ingleses estavam voltados à Inter em 1995-96 (já que Hodgson treinava os nerazzurri), Benny ganhou a oportunidade de defender o Sheffield Wednesday, que o adquiriu por 3 milhões de libras. Aliás, foi pelos Owls que ele viveu a grande fase da carreira. Entre 1996 e 1999, Benny Carbone nem pareceu a eterna promessa que desfilou nos campos italianos.

Fixado como winger, ele anotou seis gols em sua primeira temporada, colaborando com a ótima sétima posição da equipe de Sheffield. Nos dois anos que se seguiram em Hillsborough, teve boa sintonia com o compatriota Paolo Di Canio: com 17 gols no total, ajudou na permanência na elite e foi eleito pela torcida o melhor jogador do clube em 1998-99. Carbone se transferiu para o Aston Villa no início da temporada 1999-2000, e ficou conhecido por ter marcado um hat-trick na semifinal da FA Cup contra o Leeds, que valeu a passagem da equipe de Birmingham à final. Benny foi vendido ao Bradford City no final da campanha, mas não evitou a queda dos Batams para a segundona, competição que ainda disputou por alguns meses. O atacante ainda voltaria a jogar na Premier League com a camisa de dois clubes que que abriram as portas para muitos italianos naquela época – Derby County e Middlesbrough.

12º - Francesco Baiano


Posição: atacante
Clube em que atuou: Derby County, 1997-2000
Prêmio individual: Jogador do Ano no Derby County (1998)

Jogador interessante do futebol italiano nos anos 1990, o atacante Francesco Baiano se destacou com as camisas de Foggia e Fiorentina, na segunda e na primeira divisão do Belpaese. Ambidestro, muito rápido, habilidoso e bom finalizador, Baiano já tinha até vestido a camisa da seleção italiana quando o Derby County surpreendeu e tirou o jogador da Fiorentina, que brigava por uma vaga em competições europeias.

Os Rams tinham retornado à elite na temporada anterior e formaram um time interessante, que conseguiu superar as expectativas e alcançou a 9ª posição no Campeonato Inglês 1997-98 e a 8ª no seguinte. Baiano foi eleito pela torcida o melhor jogador do Derby em sua primeira temporada no clube, superando alguns colegas, como Rory Delap, Paulo Wanchope, Deon Burton e Igor Stimac. Pudera, foram 12 gols marcados no bom ano dos alvinegros – no segundo ano em Pride Park, o camisa 27 anotou outros seis.  Em novembro de 1999, perto de completar 32 anos, Baiano retornou à Itália e fechou com o Ternana, da Serie B.

11º - Stefano Eranio


Posição: meio-campista e lateral direito
Clube em que atuou: Derby County, 1997-2001

Partícipe de dois times históricos, Eranio foi uma ambiciosa contratação do Derby County em 1997. O genovês, que já havia recebido 20 convocações para a seleção italiana, foi importante no Genoa de Osvaldo Bagnoli: a equipe surpreendeu ao se classificar para a Copa Uefa 1991-92 e eliminar o poderoso Liverpool, caindo apenas nas semifinais do torneio, para o Ajax. Depois, foi reserva no Milan de Fabio Capello, com o qual foi tricampeão italiano e uma vez esteve no topo da Europa. O já abastado currículo foi enriquecido com a idolatria que conquistou em Derbyshire.

O meio-campista, que atuava aberto pelo lado direito e também podia ser improvisado na lateral, chegou ao Derby a custo zero e se tornou uma lenda do clube: Eranio ainda entrou para a história por ter marcado o primeiro gol da história de Pride Park, novo estádio dos alvinegros e foi eleito pela torcida como um dos 11 melhores atletas da história dos Rams. Ao longo de quatro anos, assumiu a braçadeira de capitão e ajudou o Derby County a fazer duas campanhas tranquilas na Premier League, além de evitar o rebaixamento do time em outras duas oportunidades. O meia iria se aposentar em 2001, mas foi convencido pelo técnico Jim Smith a permanecer na equipe – no entanto, optou por sair em outubro, quando o comandante foi demitido, e pendurou as chuteiras com o pequeno Pro Sesto, da Itália.

10º - Graziano Pellè


Posição: atacante
Clube em que atuou: Southampton, 2014-16
Prêmio individual: Jogador do Mês da Premier League (setembro de 2014)

Alderweireld, Mané, Tadic e Pellè. A responsabilidade desses quatro jogadores era enorme na temporada 2014-15 do Southampton, que havia vendido várias promessas e peças-chave do time em anos anteriores. Os recém-chegados não teriam muito tempo para adaptação: eles seriam os protagonistas da reconstrução da equipe, que tinha trocado também o técnico – Mauricio Pochettino, de mudança para o Tottenham, por Ronald Koeman. Pellè era a autêntica contratação do treinador. Quando Koeman comandava o Feyenoord, o centroavante italiano lhe rendeu excelentes 55 gols em 66 jogos nas duas temporadas em Rotterdam. No entanto, era inevitável a desconfiança sobre um atacante de 29 anos que nunca havia sido prolífico antes do futebol holandês e que não tinha se destacado muito por Lecce, Catania, Parma e Sampdoria – na Itália, só teve bons números pelo Cesena, na Serie B. Destaque italiano tardio, à Luca Toni, ou "armadilha" da Eredivisie, à Afonso Alves?

Mais para a primeira versão, Pellè foi muito bem nos Saints. O bom encaixe no time o fazia ser tanto um facilitador para Tadic e Mané quanto um goleador - foram 30 gols em duas temporadas no St. Mary's (23 na liga), sem demandar período de aclimatação ao futebol inglês. Muito pelo contrário: o italiano foi o jogador do mês da Premier League já em setembro de 2014, quando marcou, por exemplo, um golaço de bicicleta contra o Queens Park Rangers. Pellè prestou ótimo serviço a um time que, mesmo precisando se reinventar, obteve, respectivamente, a sétima e a sexta posição da liga em 14-15 e 15-16. Com a saída de Koeman e o 31º aniversário, o atacante decidiu aceitar o convite do chinês Shandong Luneng e subir muito no ranking de jogadores mais bem pagos do futebol mundial.

9º - Gianluca Festa


Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Middlesbrough, 1997-2002; Portsmouth, 2002-03
Prêmio individual: Jogador do Ano no Middlesbrough (1998)

Disciplinado, versátil (também fazia a lateral direita se necessário) e capaz de marcar gols eventualmente, Festa tomou a primeira decisão que o transformou em referência no clube depois de apenas um semestre no Riverside Stadium. Apesar da caminhada até as finais da FA e da League Cup, estágio em que perdeu respectivamente para o Chelsea e o Leicester, 1996-97 terminou também com rebaixamento para o Boro. Festa, que havia acabado de chegar da Internazionale para se juntar a Fabrizio Ravanelli, escolheu permanecer no norte da Inglaterra, enquanto estrelas como Juninho Paulista e o próprio centroavante italiano deixaram o clube.

O retorno à Premier League foi imediato, e Festa recebeu o prêmio de Jogador do Ano no clube pelo papel fundamental na campanha vice-campeã na segunda divisão. Em 2002, quando perdeu espaço no time, voltou à segunda divisão inglesa pelo Portsmouth. Na Costa Sul da Inglaterra, também se transformou rapidamente em uma figura popular entre os torcedores e ajudou o Pompey a buscar o título e a promoção. Na temporada seguinte, preferiu disputar novamente uma divisão de acesso, mas desta vez a Serie B ao lado do melhor italiano da história da Premier League. Ao lado de Gianfranco Zola, Festa voltou ao Cagliari, clube de sua cidade natal, que havia o revelado pelo mundo e que já defendera por seis temporadas, para obter a promoção à Serie A.

8º - Mario Balotelli


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Manchester City, 2010-13; Liverpool, 2014-15
Títulos: Premier League (2012), FA Cup (2011) e Community Shield (2012)
Prêmios individuais: Golden Boy (2010) e Artilheiro da Euro (2012)

Mario Fantastico, Mario Magnifico, ole, ole, ole, ole. A torcida do Liverpool até tentou deixá-lo bem à vontade, mas Balotelli foi uma tragédia em Anfield. Após um amistoso de pré-temporada contra o Milan em 2014, o então técnico do clube, Brendan Rodgers, afirmou categoricamente que o atacante italiano não se juntaria ao Liverpool. Algumas semanas depois ele estava lá, em uma transferência que mais parecia o acionamento do botão de pânico por quem ainda não sabia direito como proceder após perder Luis Suárez. Super Mario marcou apenas quatro gols pelo Liverpool - um na Premier League - e na segunda temporada foi emprestado ao Milan. Na terceira e última de seu contrato, foi liberado de graça para o francês Nice, onde, aliás, começou muito bem.

Balotelli não trabalhava em treinamentos e jogos como  desejavam seus treinadores, mas ele aparece na lista pela contribuição que prestou ao Manchester City em temporadas de consolidação do clube como um dos mais poderosos da Inglaterra. A relação com Roberto Mancini, que o levou a Manchester mesmo conhecendo suas idiossincrasias dos tempos de Internazionale, foi por vezes controversa, mas Balotelli foi relevante do jeito dele. Com um total de 30 gols, momentos de puro brilho associados a um aparente desinteresse e algumas expulsões estúpidas, Mario está registrado na história do clube, entre outros motivos, pela grande atuação e a famosa exibição da camisa com o questionamento Why always me? nos 6 a 1 sobre o Manchester United em Old Trafford e pela assistência para o gol de Sergio Agüero contra o QPR que, aos 94 minutos daquele jogo, decidiu dramaticamente a Premier League 2011-12.

7º - Carlo Cudicini


Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Chelsea, 1999-2009; Tottenham, 2009-2012
Títulos: Premier League (2005, 2006), FA Cup (2000, 2007), League Cup (2005, 2007) e Community Shield (2000, 2005)
Prêmio individual: Jogador do Ano no Chelsea (2002)

Uma das principais conexões entre Chelsea e futebol italiano, Cudicini jamais teve vida fácil na Inglaterra. Filho do goleiro Fabio Cudicini, que se destacou por Roma e Milan, Carlo foi revelado pelos rossoneri e desembarcou em Londres, inicialmente por empréstimo e para ser reserva de Ed de Goey, após boas exibições pelo Castel di Sangro na Serie B. Em sua segunda temporada, ganhou espaço e gradativamente consolidou o posto de titular. O auge veio entre 2001 e 2003, quando se estabilizou como um dos melhores goleiros da liga - não apenas por isto, evidentemente, mas também pela defesa de pênaltis importantes, o que ajudou na construção de seu status. Ele ainda não havia completado 30 anos quando Roman Abramovich comprou o Chelsea e certamente imaginava que suas temporadas mais produtivas estavam por vir, mas foi talvez a vítima mais emblemática do redimensionamento do clube.

A temporada 2003-04, a última de Claudio Ranieri como treinador e de Cudicini como titular dos Blues, foi de problemas físicos para o goleiro e de frustração coletiva, apesar da trajetória até a semifinal da Champions League e da segunda posição doméstica, atrás apenas da versão invencível do Arsenal. Novas exigências, José Mourinho e Petr Cech chegaram, e as aparições de Cudicini ficaram restritas a competições secundárias e a períodos de inatividade do goleiro checo - quando ele mesmo não estava indisponível, como nos meses seguintes ao famoso choque entre Stephen Hunt, do Reading, e a cabeça de Cech. No Tottenham, para onde foi em janeiro de 2009, Cudicini foi reserva imediato de Gomes, mas perdeu terreno após as contratações de Brad Friedel e Hugo Lloris. No fim das contas, a imagem é de um goleiro importante, um dos grandes da liga em seu melhor momento, mas que poderia ter escolhido um caminho diferente para jogar mais a partir de 2004 - como, a propósito, fez seu ex-companheiro Gomes ao recomeçar a carreira no Watford, onde atualmente desfruta uma das mais interessantes fases da carreira.

6º - Attilio Lombardo


Posição: winger
Clube em que atuou: Crystal Palace, 1997-99

He's got no hair, but we don't care, cantavam os torcedores no Selhurst Park. Campeão da Itália com Sampdoria e Juventus, e da Europa e do mundo pela Velha Senhora, Lombardo se mudou para o Crystal Palace logo após completar 30 anos. A surpresa foi diretamente proporcional à empolgação da torcida dos Eagles, que ganhou um winger capaz de associar diversas qualidades essenciais à posição - velocidade, drible, cruzamento e trabalho defensivo. Ele saía da Juve para um time que provavelmente terminaria na metade de baixo da tabela. Mais ou menos o que aconteceu com Emanuele Giaccherinni no Sunderland em 2013 ou Roberto Pereyra no Watford nesta temporada, com a diferença de que a liga inglesa não tinha sobre as outras a vantagem financeira que desfruta atualmente.

A relevância de Lombardo foi comprovada assim que ele se lesionou: o time caiu da décima para a última posição no período de ausência do italiano. Com apenas duas vitórias no Selhurst Park em toda a Premier League, o Palace foi rebaixado, apesar da influência positiva de Lombardo - que chegou a ser técnico interino por mais de 40 dias -  no início e no fim da temporada. Mesmo assim, ele decidiu permanecer em Londres para a disputa da segunda divisão. A trajetória foi interrompida em janeiro de 1999, quando, em crise financeira, o clube  o vendeu à Lazio, onde ele conquistou pela segunda vez a Serie A, em 2000, ao lado de Sven Göran-Eriksson. Foram apenas 49 jogos pelo Palace, mas The Bald Eagle, como era chamado pelos torcedores, foi ainda assim eleito para o time do século do clube. Sua conexão com o futebol inglês continuou no Manchester City, onde trabalhou na comissão técnica de Roberto Mancini. Atualmente auxiliar no Torino, ajudou a convencer Joe Hart a transferir-se por empréstimo para o clube do norte da Itália.

5º - Fabrizio Ravanelli


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Middlesbrough, 1996-97; Derby County 2001-03

Ravanelli poderia estar até mais bem colocado na lista pela expectativa que gerou na chegada à Premier League. O Middlesbrough pagou à Juventus incríveis (para a época) £7 milhões e lhe ofereceu o maior salário do país. A estreia foi a mais promissora que você pode imaginar: hat-trick no empate por 3 a 3 com o Liverpool. Ravanelli ainda marcaria outros 13 gols naquela edição da liga e mais 15 por copas nacionais numa impressionante temporada de estreia, pelos números e pela sociedade com Juninho Paulista. No entanto, o rebaixamento do Boro e o comportamento questionável fora de campo fizeram o registro histórico de sua passagem pelo Riverside não ser tão positivo assim.

Ravanelli reclamava da estrutura do clube, dos métodos de treinamento, da liga de maneira geral e da vida no país. "Jogadores ingleses têm um dom natural para correr, mas, em explosão e tempo de reação, não estão no nível dos italianos. No futebol você precisa fazer mais do que correr", afirmou durante aquela temporada. O centroavante deixou o Boro, mas ainda voltaria à Inglaterra por outro time que se acostumou a apostar em jogadores italianos: o Derby County. Não foi tão prolífico quanto no Middlesbrough, mas marcou nove gols na liga, insuficientes para evitar o rebaixamento. Desta vez ele disputou a segunda divisão, mas foi incapaz de reconduzir os Carneiros à elite. Do Derby, seguiu à Escócia para atuar pelo Dundee FC.

4º - Gianluca Vialli


Posição: atacante
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-99
Títulos: FA Cup (1997), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998) e Supercopa da Uefa (1998)

Companheiro de Attilio Lombardo na Samp, na Juve e na seleção, Vialli foi indubitavelmente um dos melhores italianos a defender um clube inglês. No entanto, da mesma forma que a maioria dos compatriotas, não reservou seus melhores anos à Premier League, onde esteve dos 32 aos 35. A relação difícil com Ruud Gullit limitou inicialmente minutos e contribuição ao Chelsea, mas mesmo assim ele concluiu 1996-97 como artilheiro do clube na liga, com nove gols, e o título da FA Cup.

O desentendimento de Gullit com a diretoria, a cultura já estabelecida de ter um jogador-treinador (era o caso do holandês) e a presença de outros italianos no grupo levaram Vialli a acumular as funções de atleta e técnico. Foi o primeiro dos 11 comandantes italianos que a Premier League já teve e conseguiu conciliar bem as funções, mantendo uma média de gols respeitável (40 em 78 jogos em toda a trajetória em Stamford Bridge), ainda que tenha preferido pendurar as chuteiras no fim de 1998-99 para se dedicar mais à nova carreira. Como treinador, Vialli repetiu o feito de quando era apenas jogador do Chelsea, com a conquista da FA Cup em 2000, que se somou a quatro outros troféus menos relevantes. No entanto, certa inabilidade no trato com os atletas (inclusive Gianfranco Zola), mesmo mal que indiretamente derrubou Gullit, fez o ex-atacante perder o emprego em setembro de 2000. No comando do Watford, não obteve o mesmo sucesso.

3º - Paolo Di Canio


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Sheffield Wednesday, 1997-99; West Ham, 1999-2003; Charlton, 2003-04
Prêmios individuais: Jogador do Ano do Sheffield Wednesday (1998) e Jogador do Ano do West Ham (2000)

"Aquilo é sensacional. Até para os padrões dele!", registrou a narração do gol da temporada 1999-2000 na Inglaterra, eleito pelo programa Match of the Day, da BBC. Di Canio, um dos jogadores com quê de Eric Cantona que passaram pela Premier League, foi o autor da finalização acrobática contra o Wimbledon, que será lembrada como um dos grandes momentos do saudoso Boleyn Ground, estádio de que o West Ham se despediu na temporada passada. Os lances magníficos - descritos pelo treinador que o contratou para o West Ham, Harry Redknapp, como "coisas com que as pessoas podem apenas sonhar" - se revezavam com as controvérsias, como o empurrão que derrubou o árbitro Paul Alcock e lhe rendeu uma suspensão de 11 jogos.

De qualquer forma, sua jornada de três clubes e sete anos pela Inglaterra, que indubitavelmente teve seu auge no West Ham, foi bastante positiva. Tanto que, no Natal de 2001, Alex Ferguson tentou em uma ligação convencê-lo a transferir-se para o Manchester United, o que não se concretizou porque Di Canio, então capitão dos Hammers, "não poderia virar as costas ao West Ham". Sua trajetória como técnico também foi marcante, com um bom trabalho no Swindon Town, incluindo uma promoção à terceira divisão e uma boa campanha na Copa da Liga em 2012-13. No Sunderland, cumpriu à base do "vamos que vamos" sua missão inicial, de salvá-lo do rebaixamento no fim daquela mesma temporada, mas fracassou no início de 2013-14 e foi demitido, também por enlouquecer o elenco com métodos, digamos, pouco convencionais.

2º - Roberto Di Matteo


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-2002
Títulos: FA Cup (1997 e 2000), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998), Supercopa da Uefa (1998) e Charity Shield (2000)

Marcou o golaço que, aos 42 segundos do primeiro tempo, abriu o caminho para o título da FA Cup contra o Middlesbrough na temporada de estreia; na temporada seguinte, o gol da vitória diante do mesmo adversário na final da League Cup; também o único gol da decisão da FA Cup em 1999-2000 contra o Aston Villa. São apenas detalhes da jornada de Di Matteo nos Blues, que não precisa se prender a episódios isolados, mas ajudam a entender a grande passagem por Stamford Bridge de um meio-campista capaz de controlar o jogo e ameaçar muito em chutes de longe. Ele não trazia a fantasia de Gianfranco Zola, mas provavelmente foi tão importante quanto o Magic Box para a ascensão do clube na metade final da década de 90. Foi o Frank Lampard de seu tempo.

Poderia ter sido ainda mais relevante não fosse uma fratura na perna, que ele sofreu em setembro de 2000 contra o suíço St. Gallen, pela Copa Uefa. Após 18 meses de batalha contra a lesão, com apenas 31 anos, Di Matteo foi forçado a uma precoce aposentadoria. O tamanho dele para o Chelsea é simbolizado pelo tributo que Claudio Ranieri, técnico à época, prestou ao meio-campista, já após o fim da carreira: ele liderou a fila de entrada dos jogadores no Millennium Stadium, em Cardiff, antes da final da FA Cup de 2000, que os Blues perderiam para o Arsenal. Os anos que deixou de desfrutar como jogador certamente foram compensados pela quase inacreditável glória do Chelsea na Champions League 2011-12, quando, sob a liderança do treinador interino Di Matteo, o clube conquistou a Europa depois de derrubar Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. Em seguida, a carreira como técnico deu vários passos para trás, culminando na recente demissão do Aston Villa.

1º - Gianfranco Zola


Posição: atacante e meia-atacante
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-2003
Títulos: FA Cup (1997 e 2000), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998), Supercopa da Uefa (1993 e 1998) e Charity Shield (2000)
Prêmios individuais: Hall da Fama do Futebol Inglês (2005), Jogador do Ano na Inglaterra (1997), Jogador do Ano no Chelsea (1999 e 2003) e Jogador do Mês na Premier League (dezembro de 1996 e outubro de 2002)

Símbolo da internacionalização do futebol inglês a partir dos anos 90, Zola tem uma cadeira nobre na história do Chelsea - equivalente às ocupadas por Terry, Lampard e Drogba, até por ter desempenhado um papel fundamental numa época de franco crescimento do clube. Não por acaso fez jus a um título de cavalaria: a Ordem do Império Britânico (OBE), que ele recebeu em 2004. Protagonista nos sete anos que antecederam a chegada de Roman Abramovich a Stamford Bridge, o Magic Box, alcunha que lhe foi atribuída pelos ingleses, levantou seis troféus em Londres, incluindo duas edições da FA Cup.

Já aos 30 anos, em 1996, Zola deixou o Parma e foi contratado por £4,5 milhões pelo então treinador Ruud Gullit e teve um início arrasador ao ponto de ser eleito o melhor jogador da temporada inglesa pelos jornalistas, superando Juninho Paulista, segundo colocado na votação. Apesar dos números expressivos na Premier League (59 gols e 22 assistências em 229 partidas), a maior contribuição deste autêntico fantasista ao clube e especialmente ao futebol inglês é intangível. A ousadia para fazer diferente ajudou a popularizar a Premier League em escala global. O controle de bola associado aos dribles e os gols de falta e por cobertura estão na memória afetiva de todos os torcedores do Chelsea e amantes do jogo que assistiram a tudo isso.  Como treinador, Zola já passou por West Ham e Watford, ainda sem grande êxito.