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sábado, 24 de janeiro de 2015

Massimo Ferrero e sua Samp: o que esperar?

Ferrero abriu os cofres e pode fazer história. Mas será que vai? (Corriere della Sera)
Pode parecer absolutamente simplista dizer que a Sampdoria se encontra em um momento em que tudo pode acontecer, na administração de Massimo Ferrero. É uma coisa óbvia de se dizer para qualquer circunstância de todas as pessoas, instituições, blá, blá, blá. Há muita festa no lado doriano de Gênova. As “pérolas de Ferrero” – Luis Muriel, Andrea Coda, Alberto Frison e Joaquín Correa, apresentados oficialmente nesta sexta-feira – são o caso concreto mais recente que empolga a torcida do time, em uma temporada em que o flerte com a zona Champions é constante, jogos contra os gigantes não terminaram em derrota e está praticamente concretizada contratação do astro Samuel Eto'o. Mas a parte do tudo poder acontecer traz a preocupação de que algo de muito ruim também pode acontecer.

Ferrero deixa a entender, através de suas entrevistas, que não é uma pessoa “normal”. O caso mais famoso foi o que ele disse que Massimo Moratti, ex-presidente da Inter, deveria “chutar o filipino” Erick Thohir do comando do clube de Milão, comentário racista que lhe rendeu uma punição de três meses sem poder dar entrevistas – na verdade, Thohir é indonésio e a punição foi revogada meses depois, por causa de um apelo do clube.

São vários os episódios insanos do diretor de cinema em entrevistas, como, no meio de uma resposta de um repórter, convidar a apresentadora Ilaria D'Amico para se tornar uma atriz de seus filmes ou começar a cantar no meio de suas falas. Não se sabe se ele faz essas coisas de propósito, para brincar com os jornalistas, ou se simplesmente esse é Ferrero. Virou motivo de comédia na Itália, como em um quadro semanal do comediante genovês Maurizio Crozza, que constantemente faz piadas com a falta de sensatez e seriedade do dirigente.

Além disso, também em suas redes sociais Ferrero escreve coisas estranhas. Há alguns dias, ele publicou em sua conta de Twitter, como em forma de um poema, que traria Eto'o e Muriel para a Samp às 4h45 da manhã do horário italiano. Até aí, tudo bem. Momentos antes, porém, ele “retuitou” uma mensagem de um torcedor que dizia “mandemos embora aquele babaca do (Stefano) Okaka (atacante do clube)”. Ele não controla o que fala e não se importa. Estive há poucas semanas em Gênova, conversando com vários torcedores e até mesmo para eles o mandatário do clube é uma completa incógnita. Para dizer a verdade, até o fim de dezembro, a maior parte dos torcedores dorianos tinha suas restrições em relação ao presidente. Estavam bastante desconfiados.

Mas a imagem do cineasta mudou com o tempo. Primeiro, o carisma de suas aparições extravagantes e emocionadas, mas sobretudo na virada do ano, pois o dinheiro começou a aparecer. O melhor jogador do time nas últimas duas temporadas, o atacante Manolo Gabbiadini, foi vendido ao Napoli por 12 milhões de euros, sem que o clube pudesse fazer qualquer coisa para impedir – seu passe era vinculado também à Juventus. Porém, durante a longa negociação que levou o atacante à Campânia, o clube já havia assegurado a contratação do jovem meia argentino Correa por oito milhões de euros.

Pouco tempo depois, por mais 12,5 milhões de euros, arrancou o colombiano Muriel, juntamente ao zagueiro Coda da Udinese. Reteve o capitão Danielle Gastaldello e o goleiro Emiliano Viviano, assediados por outros clubes da Itália e ainda trouxe o goleiro Frison. Apresentou os quatro como as Pérolas de Ferrero. E a cereja do bolo é Eto'o, que chega sem custos para o time, mas com um alto salário e a promessa de que o cineasta fará um filme sobre a vida do camaronês. Antes de começar as negociações para trazer o africano, flertou com a contratação, por empréstimo, de Mario Balotelli.

Se as mexidas de mercado vão funcionar ou não nas mãos do técnico Siniša Mihajlović, aquele que, sem nenhuma sombra de dúvida, é o maior responsável pela boa campanha blucerchiata, veremos em breve. Fato é que a Samp virou notícia. Quando na Itália, percebi que a Samp era assunto onde quer que eu fosse, pelas engraçadas, absurdas, malucas ou incompreensíveis declarações do presidente. Ele colocou o clube, que depois de seu retorno à Serie A em 2012 nunca havia tido tanta atenção midiática, no centro das atenções. Primeiro por suas insanidades, mas, agora, por sua ativa e, teoricamente, ótima movimentação no mercado de transferências, em parceria com o diretor Carlo Osti. Espera-se muito da equipe, que já vem bem e pode voltar às competições europeias depois de quatro temporadas.

Contudo, cabe o questionamento: até onde uma administração como a de Ferrero pode ser boa para a Sampdoria? Ou também: até onde ela pode prejudicar o clube?

Ninguém ainda comparou, mas não me surpreenderei se em poucos meses a administração Ferrero seja comparada com a de Paolo Mantovani – não em resultados, mas em estilo. Após dois anos de estruturação à frente da Samp, Mantovani, maior vencedor da história blucerchiata, investiu muito na formação da equipe, como vem fazendo o próprio Ferrero. Mas é bem claro que o estilo Ferrero é extremamente mais liberal, economicamente falando do que o do antigo presidente, até pela notável diferença financeira com relação ao histórico dirigente, que se apoiou, além de em suas empresas petrolíferas, nas campanhas de abbonati do clube. Em outras palavras, Ferrero tem mais dinheiro e investe mais e mais impulsivamente.

Por outro lado, Ferrero contraria o estilo dos que presidiram a Samp nos 12 anos anteriores, a família Garrone. Riccardo Garrone, também petroleiro, assumiu a presidência em 2002, depois de uma catastrófica administração de Enrico Mantovani, filho de Paolo, que optou pelo conservadorismo extremo, que, por sua vez, culminou no terceiro rebaixamento da história do clube, em 1999. Com Garrone, a Samp retornou à elite depois de quatro anos, se estabilizou, cresceu como equipe e alcançou o auge em 2010, quando conseguiu a classificação à Liga dos Campeões, com o time mágico de Antonio Cassano e Giampaolo Pazzini no ataque.

Foi então que, em um momento assim tão grande, Garrone optou, assustadoramente, pelo conservadorismo. Não investiu. Perdeu peças como o técnico Luigi Delneri, o diretor esportivo Giuseppe Marotta e o goleiro Marco Storari, todos para a Juventus, e não houve reposição à altura. Caiu na fase preliminar da maior competição europeia e, ao fim da triste temporada 2010-2011, caiu para a Serie B pela quarta vez na história, depois de liberar Cassano para o Milan e Pazzini para a Inter. “Da Champions para a Serie B”, caçoavam os torcedores rivais.

Após uma única temporada, o time voltou à elite e Edoardo Garrone assumiu o clube em 2013, em função da morte de Riccardo, seu pai. Edoardo sequer teve opção: se viu obrigado a ser conservador, para reestruturar a equipe. Mas, como o pai, não ousou em momento algum. Foi passivo todo o tempo, o que manteve a Samp na mediocridade por duas temporadas. Era compreensível até ali, mas esperava-se mais de Edoardo, que cedeu sem resistência peças como Mauro Icardi, Andrea Poli, Enzo Maresca e o ídolo Nicola Pozzi.

Quando se esperava que Edoardo fosse fazer as coisas funcionarem, depois de duas temporadas brigando contra o rebaixamento, veio o negócio em que Ferrero comprou o clube, no meio de 2014. E, de lá para cá, começou o chamado “Ferrero Show”, o qual já expliquei brevemente. Deste momento em diante, restam dois caminhos aos torcedores da Samp. Apostar todas as fichas e se empolgar com o que vem fazendo o cineasta até aqui e esperar que os resultados venham. E por resultados, obviamente, me refiro a títulos – algo que aconteceu apenas na gestão da família Mantovani. Boas campanhas e saúde financeira também. O já tantas vezes mencionado estádio próprio do clube, que chegou a ser aprovado pela prefeitura. Mas títulos, acima de tudo. Se conseguir resultados iguais a Mantovani ou até maiores, entra para a história.  Mihajlović já vem fazendo um bom trabalho com um time modesto. Quem sabe o que ele conseguirá com reforços de tanto peso.

Mas há um outro caminho nesta bifurcação, que leva alguns à cautela. À desconfiança, talvez. O famoso, “está bom demais para ser verdade”. Sendo bem honesto, me vejo tomando este segundo caminho. Anteriormente me referi às várias nuances psicológicas de Ferrero porque são elas que me assustam. As coisas vêm dando certo (até que se prove o contrário) não unicamente pelo dinheiro de Ferrero, mas, acima de tudo, pela conduta responsável de, sobretudo,  Mihajlović e do competente diretor esportivo Carlo Osti, na formação e manutenção da equipe.

Não afirmo, mas fica a impressão de que Ferrero comprou um brinquedo e que Osti, Mihajlović e os outros membros da diretoria e comissão técnica o orientam em como brincar. Mas como garantir que o diretor de cinema não vai se empolgar demais com seu brinquedo em momentos cruciais e comprometer a saúde financeira da instituição? Ou, pelo contrário, se enjoar do brinquedo? Na coletiva em que apresentou suas Quatro Pérolas, Ferrero, interrompendo a fala de um dos atletas aos gritos (pois estava distante dos microfones), falou a um repórter o seguinte: “nunca imaginei que no futebol se trabalhasse tanto”.

Ou ainda, como saber se Ferrero vai saber lidar com momentos de crise ou de fracassos? Se ele fosse esclarecido em suas entrevistas, pontos de vista e etc, poderíamos ter uma noção das respostas de todos estes últimos questionamentos. Mas fica difícil tentar decifrar essas informações em uma figura que começa a cantar no meio de uma resposta a um jornalista e ainda diz que “quer ir até a lua”, na mesma resposta. Ferrero se mostra um personagem, cheio de dinheiro. Tem a ousadia que faltou aos Garrone, mas está longe da sensatez que teve Mantovani, ainda que financeiramente mais ousado que este. Serve um pouco de tempo para descobrirmos qual faceta de Ferrero prevalece: a de personagem ou a de presidente. Até aqui, não o vi como nada além de uma marionete com uma enorme conta bancária.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os 10 maiores jogadores da história do Torino

Base da Azzurra e multicampeão da década de 1940 na Itália, o time que ficou conhecido como Grande Torino até hoje deixa saudade nos torcedores do lado granata de Turim

Atualmente uma força periférica do futebol italiano, distante das disputas por título, o Torino já foi o maior clube do país por um bom tempo. Na década de 1940, o time que passou a ser chamado de Grande Torino exibiu futebol que impressionava a todos na Europa. Foram cinco títulos italianos entre 1942 e 1949 só interrompidos por causa da Segunda Guerra Mundial, que fez com que os campeonatos de 1943-44 e 1944-45 não fossem disputados. O sucesso era tanto que, em tempos em que ainda não existia Liga dos Campeões, a equipe passou a excursionar pela Europa, muitas vezes a convite, para mostrar ao mundo a beleza do seu jogo.

E foi exatamente em uma dessas viagens que aquele grande esquadrão foi desmantelado. Em 4 de maio de 1949, o piloto da aeronave que conduzia o time de volta à Itália, após amistoso contra o Benfica, em Portugal, perdeu o controle e não conseguiu evitar um choque com a basílica de Superga, nos arredores de Turim. Todas as 31 pessoas a bordo morreram na hora. O acidente que chocou o país acabou com um dos maiores de todos os tempos e desmontou também a seleção italiana, que no ano seguinte viria ao Brasil para disputar a Copa do Mundo sem 10 de seus titulares, que morreram na que ficou conhecida como Tragédia de Superga.

Pois foi daquela equipe que surgiram os nomes mais importantes da história do Toro. Do capitão e ídolo máximo Valentino Mazzola ao zagueiro Mario Rigamonti, passando por Ezio Loik e Guglielmo Gabetto, todos ídolos inconstenstáveis da torcida granata. Juntos, eles formaram a equipe de ataque mais fulminante na Europa na década de 1940 e mostraram como a preparação física era importante, num tempo em que o jogo ainda começava a se profissionalizar.

Após a tragédia, o clube demorou anos para se reerguer e, a partir dos anos 1960, então, começaram a surgir novos ídolos, jogadores capazes de recolocar o Torino entre os grandes do futebol da Itália. Aí apareceram nomes como Pulici, Vieri, Graziani e até o brasileiro Júnior, que, apesar de não ter levantado taças por lá, conseguiu conquistar a simpatia da torcida. Agora, o time já passa das duas décadas sem conquistar nada e exerce papel de coadjuvante em um campeonato em que já foi o grande protagonista. Aos torcedores granata, então, resta relembrar os bons tempos, enquanto novas glórias não parecem um sonho próximo.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Top 25
11. Giorgio Ferrini; 12. Gino Rossetti; 13. Claudio Sala; 14. Giuseppe Dossena; 15. Romeo Menti; 16. Franco Ossola; 17. Enzo Bearzot; 18. Gianluigi Lentini; 19. Renato Zeccarelli; 20. Marco Ferrante; 21. Nestor Combin; 22. Rolando Bianchi; 23. Abédi Pelé; 24. Luigi Meroni; 25. Denis Law.

10º - Adolfo Baloncieri

Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1925 a 1932
Títulos: 1 Campeonato Italiano (1927-28) e Bronze Olímpico (1928)
Prêmios individuais: nenhum

Meio-campista de muita habilidade e com ótima noção para chegar à frente e marcar gols - foram 196 em 363 jogos na carreira -, Adolfo Baloncieri era peça rara no futebol italiano na década de 1920. Ousado, ele levou à Itália, sua terra natal, o que aprendeu nos campos de Rosário, na Argentina, onde cresceu. O retorno à Bota foi em 1913, aos 16 anos, e ele não demorou a chamar atenção dos treinadores do Alessandria, o clube de sua cidade. O início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, no entanto, adiou seu sonho de jogar bola. Baloncieri foi ao conflito pela Itália e só retornou aos gramados em 1919. Por seis temporadas, brilhou pelo Alessandria e marcou seu nome na história do clube.

Mas foi só pelo Torino, a partir de 1925, que ele ganhou notoriedade em todo o país e na Europa. Sua transferência custou muito e foi uma das primeiras na história envolvendo grande quantia em dinheiro na Itália. Em campo, o Torino foi recompensado e ganhou muita qualidade com Baloncieri. Ao lado de Julio Libonatti e Gino Rossetti, formou o chamado “trio das maravilhas” no meio de campo granata e conquistou o scudetto de 1926-27, que logo foi retirado do clube por suspeitas de manipulação. No ano seguinte, o time continuou bem e levou outro título nacional, dessa vez válido. Baloncieri foi colocado por Gianni Brera, ícone do jornalismo esportivo italiano, como um dos maiores meias ofensivos do futebol italiano, ao lado de Giuseppe Meazza e Valentino Mazzola.

9º - Júnior
 

Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1984 a 1987
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

O brasileiro Júnior nunca levantou uma taça jogando pelo Torino, mas, mesmo assim, é considerado um dos maiores jogadores da história do clube. Isso acontece principalmente porque o lateral e meio-campista, um dos principais do mundo àquela altura, topou ir jogar na equipe granata quando ela já não estava mais em alta no futebol italiano. Aos 30 anos de idade e com sucesso astronômico na carreira, ele foi adquirido por 2 milhões de dólares à época e se tornou o principal jogador do Torino na década de 1980.

Os títulos não vieram, mas é fato que Júnior recolocou o Torino entre os grandes, quase 10 anos após a conquista do scudetto de 1975-76. Logo em sua temporada de estreia, o brasileiro foi eleito o melhor jogador granata da temporada e conduziu o time ao vice-campeonato italiano. Foi na Bota, aliás, que ele se descobriu como grande meio-campista. Até então, havia jogado apenas como lateral-esquerdo. Na temporada seguinte, já era ídolo máximo da torcida e fez outro grande campeonato, levando o time ao quarto lugar. Em 1985-86, porém, teve problemas com o técnico Radice e acabou sendo afastado da equipe titular. Sem chances, saiu para o Pescara, onde encerrou sua passagem pelo Belpaese.

8º - Francesco Graziani


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1973 a 1981
Títulos: 1 Campeonato Italiano (1975-76)
Prêmios individuais: artilheiro do Campeonato Italiano (1976-77) e da Coppa Italia (1980-81)

Figura folclórica no futebol italiano, principalmente após o fim da carreira, quando entrou no show business e participou de diversos reality shows na TV local, Francesco Graziani foi peça fundamental no único scudetto do Torino após a era dourada do time, na década de 1940. Foi com ele no comando do ataque que os granata voltaram a ameaçar os grandes na Serie A e conquistaram o título de 1975-76. Ele fez 15 gols naquele campeonato e foi eleito um dos melhores da equipe ao fim da temporada.

Mas seus números ainda melhorariam vestindo a camisa do Torino, e lhe levariam a ser o sétimo maior marcador com a camisa grená na história. Na temporada seguinte, Graziani foi às redes 21 vezes na Serie A e terminou como artilheiro do campeonato, o que, porém, não foi suficiente para o bi dos granata, que amargaram a segunda colocação naquela edição. O atacante ainda ficou famoso por formar com Paolo Pulici a dupla conhecida como "Gêmeos do Gol". O futebol vistoso ainda o levou para Fiorentina, Roma e Udinese nos anos seguintes, mas ele jamais repetiu as grandes atuações que conseguiu com o Torino. Encerrou a carreira em 1988, pelo australiano APIA Leichhardt. Pela seleção italiana, fez parte da equipe campeão mundial de 1982.

7º - Mario Rigamonti


Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1945 a 49
Títulos: 4 Campeonatos Italianos (1945-46, 1946-47, 1947-48 e 1948-49)
Prêmios individuais: nenhum

A história de Rigamonti no futebol italiano é tão importante que seu nome até batizou estádios pelo país. Lecco e Brescia - clubes em que atuou antes de chegar ao seu auge, no Torino - nomearam suas casas em homenagem ao zagueiro que se tornou um dos principais jogadores da Itália na década de 1940, mas que acabou tendo a carreira interrompida antes da hora por causa do acidente de Superga. Aos 27 anos, ele voltava de uma excursão com o Torino e o avião que levava o time perdeu o controle e caiu, causando a morte de 31 pessoas, incluindo jogadores e comissão técnica dos granata.

Antes da tragédia, porém, Rigamonti teve tempo para se mostrar um dos maiores defensores em ação na Europa, na equipe que passou a ser chamada de Grande Torino, por conta das conquistas consecutivas e futebol vistoso. Foram quatro conquistas nacionais seguidas que colocaram o nome do time como um dos principais no cenário europeu. Em época que não existia Liga dos Campeões, o Torino começou a ser convidado para amistosos por todo o continente para exibir seu belo futebol. E, com muita técnica e noção tática na linha defensiva, Rigamonti foi peça fundamental para dar equilíbrio à equipe. Um líder que jamais será esquecido pela torcida do Toro.

6º - Lido Vieri

Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 1958 a 1969
Títulos: Coppa Italia (1967-68) e Eurocopa (1968)
Prêmios individuais: Melhor goleiro do Campeonato Italiano 1962-63

Titular do Torino por mais de 10 temporadas, o goleiro Lido Vieri foi um dos primeiros jovens de talento que apareceram nos granata após a tragédia de Superga. Por isso, sempre recebeu o apoio da diretoria. Seu talento era notável e o investimento para que ele virasse um dos líderes da equipes nas décadas seguintes ao acidente foi alto. E deu certo. Com 357 jogos pela equipe, Vieri permanece como o quinto jogador que mais vezes vestiu a camisa do Torino e está marcado na memória dos torcedores.

Por anos, fechou o gol granata, com grandes defesas. No Campeonato Italiano de 1962-63, foi eleito o melhor goleiro da competição e salvou o Torino de uma campanha que poderia rebaixar o time. Anos depois, foi peça fundamental no título da Coppa Italia 1967-68, primeiro título nacional dos granata após a tragédia de Superga. As boas atuações lhe renderam convocação para a Eurocopa de 1968, quando, na reserva do mítico Dino Zoff, ele viu o título da Itália do banco – também foi convocado para a Copa de 1970, onde, também do banco, viu a Itália ser vice-campeã. Depois, partiu para a Inter, onde jogou por sete temporadas e teve chance de levantar mais taças. A forte ligação com o Torino lhe fez atuar também como preparador de goleiros da equipe por mais de uma década, na qual ele também assumiu interinamente o cargo de treinador por três vezes.

5º - Julio Libonatti

Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1925 a 1934
Títulos: 1 Campeonato Italiano (1927-28) e Copa Internacional (1927-30)
Prêmios individuais: Artilheiro do Campeonato Italiano (1927-28) e Artilheiro da Copa Internacional (1927-30)

Até hoje, Libonatti é o segundo maior artilheiro da história do Torino, com 157 gols marcados em nove temporadas. Ele está atrás apenas de Paolo Pulici, que balançou as redes 172 vezes, mas em 15 temporadas. Sua eficiência dentro da grande área marcou época e o ítalo-argentino - ele nasceu na Argentina e chegou a atuar pelo Rosário Central e pelo Newells Old Boys - é um dos jogadores mais memoráveis para a torcida granata. Com muita inteligência tática e a típica raça argentina dentro de campo, virou ídolo para os torcedores logo que chegou ao país.

Na temporada 1927-28, ajudou a equipe a conquistar o scudetto pela primeira vez na história, formando o “trio das maravilhas”, ao lado de Baloncieri e Rossetti. Naquele ano, enlouqueceu a torcida ao alcançar a incrível marca de 35 gols em 32 jogos no campeonato, média superior a um gol por partida. No campeonato seguinte, o ataque continuou com tudo: foram 117 gols marcados em 33 jogos, muitos deles pelos pés de Libonatti. Em todos os seus nove anos em Turim, jamais passou um campeonato em branco.

4º - Ezio Loik

Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1942 a 4199
Títulos: 5 Campeonatos Italianos (1942-43, 1945-46, 1946-47, 1947-48 e 1948-49) e Coppa Italia (1942-43)
Prêmios individuais: nenhum

“Elefante” é o apelido de um dos principais responsáveis pelo sucesso do Torino na década de 1940. A movimentação lenta pelo meio de campo granata rendeu o esdrúxulo apelido, mas não significa que Ezio Loik diminuía o ritmo das partidas. Pelo contrário. Com noção tática e espacial ímpar, ele acelerava o jogo com passes milimétricos em profundidade, além de se livrar da marcação com movimentação diferenciada. Assim, o meio-campista ambidestro era o que hoje em dia chamamos de “motorzinho” daquele que passou a ser chamado de Grande Torino.

Ao lado de Valentino Mazzola - com quem jogou também no Venezia, antes do Torino, e alcançou as principais conquistas da história do time -, Loik foi um dos maiores ídolos daquela equipe que venceu cinco campeonatos italianos na década. Armava o jogo com muita qualidade, mas também se postava à frente dos zagueiros com muita eficiência, melhorando o desempenho defensivo do time. Além disso, ainda conseguia marcar muitos gols: foram 70 em 176 jogos pelo Torino, número acima da média para um meia. Infelizmente, sua carreira também acabou brevemente, por causa do acidente de Superga.

3º - Paolo Pulici


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1967 a 1982
Títulos: 1 Campeonato Italiano (1975-76), 1 Coppa Italia (1970-71) e 2 Campeonatos Primavera (1967-68 e 1969-70)
Prêmios individuais: três vezes artilheiro do Campeonato Italiano (1972-73, 1974-75 e 1975-76)

Com 172 gols em 437 jogos e 15 temporadas no mesmo clube, Paolo Pulici é um dos maiores ídolos da torcida do Torino pela identificação com a camisa e por causa do instinto matador. Formado nas categorias de base do clube, o maior artilheiro da história do clube ganhou dois campeonatos juvenis e, depois, em anos que o clube já não estava mais entre os principais da Itália, conseguiu alcançar a artilharia da Serie A três vezes. Em uma delas, inclusive, levou os granata ao seu primeiro - e único - scudetto depois do Grande Torino, que foi desmontado pela Tragédia de Superga, no fim da década de 1940.

Os gols de Pupi ou Puliciclone também deram ao Torino o título da Coppa Italia de 1970-71. Destro de chute muito forte e sempre em forma, também era um jogador à frente de seu tempo, por causa da preocupação com o porte físico. O preparo fez com que tivesse grande impulso e as cabeceadas mais mortais da Itália, mesmo com seus poucos 1,77m de altura. Depois de brilhar pelo Torino, Paolino Pulici ainda passou por Udinese e Fiorentina, antes de se aposentar, mas sem o mesmo sucesso. Na seleção italiana, não se destacou: foram apenas 19 jogos e cinco gols entre 1973  1978.

2º - Guglielmo Gabetto


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1941 a 1949
Títulos: 5 Campeonatos Italianos (1942-43, 1945-46, 1946-47, 1947-48 e 1947-49) e Coppa Italia (1942-43)
Prêmios individuais: nenhum

Atacante rápido e de ótimo drible, Guglielmo Gabetto foi um dos maiores jogadores da Itália nas décadas de 1930 e 1940. Talvez o maior artilheiro do Belpaese nesse período, com média de gols altíssima. Ele marcou mais de 10 vezes em todos os Campeonatos Italianos que disputou entre 1935 e 1949. Curiosamente, foi ídolo dos rivais de Turim, Juventus e Torino. Pela Velha Senhora, foram 164 jogos e 85 gols. Do lado granata, 225 jogos e 127 gols. Na Squadra Azzurra, apesar de ter feito poucos jogos, por causa da pequena atividade da seleção no período de guerras, manteve a média lá em cima: cinco gols em seis jogos.

Mas a passagem pela Juve não atrapalhou a relação de Gabetto com a torcida do Torino. Isso porque ele era o único jogador nascido em Turim daquele time e foi um dos que iniciou a formação do Grande Torino. Atlético e sempre preocupado com a preparação física, se destacava em um tempo em que o jogo ainda não era tão rápido. Era a grande estrela do time nos dois primeiros anos na década de 40, mas depois dividiu a responsabilidade com craques como Mazzola e Loik. Morto na Tragédia de Superga, recebeu inúmeras homenagens em Turim e é figura icônica da cidade.

1º - Valentino Mazzola


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1942 a 1949
Títulos: 5 Campeonatos Italianos (1943, 1946, 1947, 1948 e 1949) e Coppa Italia (1943)
Prêmios individuais: artilheiro do Campeonato Italiano 1946-47 e da Coppa Italia 1942-43

Quando se fala em Grande Torino, o primeiro nome que vem à cabeça é Valentino Mazzola. Atacante símbolo e capitão daquela equipe, ele foi um dos maiores jogadores da história do futebol italiano, capaz de carregar um time inteiro em suas costas, como bem definiu anos mais tarde o técnico Enzo Bearzot. Diferenciado, ele conhecia muito de tática e, assim como outros que elevaram o nível do Torino, tinha grande preocupação com a preparação física. Além disso, era muito passional e extravasava como um torcedor nas vitórias e derrotas. Assim, não demorou para ganhar o coração da torcida granata. O escritor Gian Paolo Ormezzano costumava dizer que ele era a personificação do Toro.

A idolatria se tornou ainda maior porque o destino do craque quase foi a rival Juventus. Com grandes apresentações pelo Venezia, ele estava acertado com a Velha Senhora, mas acabou desfazendo o acordo depois de uma conversa - e algumas liras a mais - com o então presidente granata, Ferruccio Novo. Pelo Toro, fez 123 gols em 195 jogos, comandando o time em todas as conquistas de década de 1940, que só não foram mais porque o campeonato parou de ser disputado durante a Segunda Guerra Mundial. Por causa do conflito também, Mazzola não teve muitas chances na seleção italiana. Sem Copas do Mundo disputadas no período, ele provavelmente só não conseguiu gravar seu nome na história da Squadra Azzurra por falta de oportunidades. Se não tivesse morrido no desastre de Superga, talvez tivesse mudado a história do Torino, uma vez que a Liga dos Campeões só começou a ser disputada depois.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

19ª rodada: Franca superioridade

Pogba: "Ei, Roma, viu como se faz?" (La Presse)
Duas vitórias seguidas para a Juventus, dois tropeços em sequência para a Roma. O retrospecto recente das duas equipes fez com que a equipe de Turim abrisse cinco pontos de vantagem na liderança do Campeonato Italiano, algo inédito nesta temporada. A virada de turno não poderia ser melhor para a tricampeã nacional, que dia após dia joga na cara do país a sua superioridade frente a todas as outras equipes. A rodada também foi boa para Napoli, Sampdoria e Fiorentina. Acompanhe o resumo.

Juventus 4-0 Verona
72 horas após o confronto finalizado em 6 a 1 pela Coppa Italia, Juventus e Verona voltaram a se encontrar em Turim. Dessa vez, a Juve conquistou uma vitória mais simples, de "apenas" 4 a 0. Com o resultado, a Velha Senhora aumentou sua vantagem na liderança, que pela primeira vez neste campeonato chegou aos 5 pontos. Ainda sem Vidal (febre) e com Llorente no banco de reservas, o time da casa marcou o primeiro gol com um petardo de fora da área de Pogba, aos 3 minutos. Na sequência, ele fez o corta-luz para Tévez dobrar a vantagem - as duas assistências foram realizadas por Morata.

Se Rafael salvou um bonito chute de Pirlo em cobrança de falta, ele não conseguiu parar Pereyra, que após jogada de Chiellini, fez 3 a 0. Ainda sobrou tempo para Tévez ir novamente à rede, no segundo tempo, e decretar o resultado final da partida. O jogo provou novamente que o Verona, 14º colocado, não somente tem um elenco muito inferior ao do atual tricampeão italiano, mas como o técnico Mandorlini tem dificuldade para posicionar seus três zagueiros em campo. Rafael Marques, Rafa Márquez e Rodriguez jogaram mal demais nas duas partidas. (Murillo Moret)

Palermo 1-1 Roma
A Juventus abriu vantagem porque a Roma tropeçou novamente. Seja lá qual for o motivo, o time de Rudi Garcia não reagiu nada bem ao 7 a 1 sofrido contra o Bayern em pleno Olímpico, no final de outubro. Desde então, a produtividade e o bom futebol que marcou o desempenho romanista desde a última temporada evaporou. Na Liga dos Campeões, mais duas derrotas e a eliminação da competição, enquanto na Serie A, apenas uma derrota, mas vários empates e vitórias magras e sofridas. Para o Palermo, que claramente não tem forças para brigar por algo a mais, apesar de ter dois entre os melhores jogadores do campeonato, Vázquez e Dybala, mais um ponto contra um grande e a presença na primeira parte da tabela.

Logo no segundo minuto de bola rolando, um erro clamoroso na saída giallorossa, como ocorreu várias vezes contra o Bayern, resultou no gol dos donos da casa. Astori fez passe fraco e ruim para Strootman, por sua vez lento e antecipado por Vázquez. O meia enfiou bola para Dybala, totalmente livre entre Florenzi e Yanga-Mbiwa, chutar com ainda mais facilidade contra um vencido De Sanctis. A reação da Roma não existiu e o Palermo seguiu melhor em campo até o intervalo. A partir de então, os visitantes foram atrás do placar e levaram certo perigo. O gol mesmo acabou saindo em erro defensivo do adversário na bola parada, quando Pjanic cobrou falta no segundo pau para Strootman tocar para Destro, na pequena área, empatar a partida. Sem sucesso, o time de Garcia tentou a virada, mas esbarrou nas próprias deficiências e teve de se contentar com um ponto. (Arthur Barcelos)

Lazio 0-1 Napoli
Depois de seis jogos de invencibilidade, a Lazio caiu em casa justamente contra quem não deveria, o Napoli, hoje seu principal rival na briga pela última vaga na Liga dos Campeões. Pesaram os desfalques de Mauri e Felipe Anderson, sobretudo, mas também a má leitura de jogo de Pioli na manhã de domingo. O técnico foi batido com boa margem por Benítez, que montou boa estratégia e também teve a felicidade de não contar com um dia ruim de seus irregulares defensores. Uma vitória que pode dizer muito daqui pra frente. Isso, claro, se os partenopei mantiverem esse ritmo - o que não aconteceu com quem ocupou a terceira posição até agora.

Na partida de bom ritmo e chances de gols, o Napoli realizou o único tento justamente na primeira vez que chutou contra o gol de Berisha, através de Higuaín. Ele venceu Radu facilmente e acertou chute improvável de um ângulo dificílimo, após enfiada de bola de Mertens. O argentino e o belga foram as principais armas ofensivas do time de Benítez, que criava a maioria das chances em contra-ataques, cedidos por uma Lazio pouco construtiva e dependente dos lances individuais de Keita, da força de Djordjevic e dos pés de Candreva. Ainda assim o bastante para levar perigo, mas não para bater Rafael e a defesa napolitana. Nem mesmo Klose e sua inteligência levaram ao empate no segundo tempo. Na verdade, a tentativa resultou na perda do meio de campo dos donos da casa, o que facilitou ainda mais a vida dos visitantes no setor. (AB)

Milan 0-1 Atalanta
Caótico em campo, o Milan sucumbiu a uma organizada Atalanta em um duelo de equipes da Lombardia. No dia seguinte ao tropeço, o presidente Berlusconi foi categórico: "é inaceitável perder partidas contra times de jogadores que ganham cinco vezes menos que os nossos". As vaias da torcida em San Siro, as desculpas dos jogadores ao final do jogo e a discussão entre Cerci e Abate mostram que as coisas não andam muito bem em Milão. Já são quatro derrotas em casa na temporada – a segunda consecutiva –, um time em grande parte pouco coeso, e a 8ª posição na tabela. Melhor para a Atalanta, que subiu para os 20 pontos e, agora, tem quatro acima da zona de rebaixamento. Um suspiro de alívio.

No primeiro tempo, os rossoneri erraram demais, e não fosse por uma ou outra tentativa de El Shaarawy, pouco teriam criado. Melhor em campo, o time visitante carimbou a trave, com Denis, e chegou ao gol com o próprio argentino, aos 33, após passe de Moralez. O baixinho, ao lado de Cigarini e Carmona, dominou as ações na faixa central do campo, muito por causa da péssima partida de Montolivo, que deixou o campo vaiado – Cerci, que jogou ainda pior, só não foi vaiado porque foi substituído no intervalo. (Nelson Oliveira)

Chievo 1-2 Fiorentina
Aproveitando o vacilo dos concorrentes diretos, a Fiorentina deu um importante passo para entrar de vez na briga pela Liga dos Campeões. No Marc’Antonio Bentegodi, a equipe viola sofreu para bater o fraco Chievo. Já nos acréscimos da partida, coube ao jovem Babacar, que substituiu o contestado Gómez, fazer o gol que garantiu a 6ª colocação à equipe, apenas três pontos atrás do terceiro colocado Napoli.

Jogando em casa e precisando da vitória, o Chievo criou as primeiras chances, mas aos poucos a Fiorentina tomou conta do jogo e encontrou o gol aos 35 minutos, com Gonzalo Rodríguez, completando cruzamento quase embaixo do gol. O Chievo voltou melhor na segunda etapa e chegou ao gol de empate. Pellissier apareceu sozinho na área e finalizou para igualar. A virada só não chegou porque Tatarusanu realizou duas grandes defesas e impediu os gols de Paloschi e Pellissier. A vitória da equipe de Montella chegou no minuto 94, quando Babacar trombou com o defensor e, de cabeça, colocou no canto de Bizzarri. Gol irregular, porque o atacante fez a carga no adversário. (Caio Dellagiustina)

Parma 0-2 Sampdoria
Depois de perder suas duas últimas partidas como visitante, a Sampdoria voltou a encontrar o caminho das vitórias e golpeou um combalido Parma, que já se encontra nove pontos atrás do último time fora da zona de rebaixamento. O time doriano, por sua vez, divide a 3ª posição com o Napoli, com 33 pontos, à espera de Eto'o e Muriel, mas também tentando apagar o incêndio dos litígios entre Okaka e o técnico Mihajlovic.

O treinador sérvio novamente escalou Bergessio no lugar do italiano de origem nigeriana – Éder completava o ataque blucerchiato. Após um primeiro tempo que terminou igualado em 0 a 0 e com poucas oportunidades, o ritmo subiu após o intervalo. Logo aos 9 da segunda etapa, Soriano achou Éder na corrida. O atacante, melhor atleta brasileiro nesta temporada na Bota, se livrou da marcação e cruzou na medida para Bergessio empurrar para as redes. Aos 25, Duncan cruzou na área, Bergessio cabeceou na trave e Soriano, no rebote, deu números finais ao jogo. Desta vez, Cassano não sorriu contra sua antiga equipe, contra a qual tinha cinco vitórias em seis jogos. Sinal dos tempos. (NO)

Genoa 3-3 Sassuolo
Jogo movimentado em Gênova, no duelo entre Gasperini e Di Francesco e seus ousados times, que também têm várias deficiências quando não estão atacando. Não à toa, vimos a partida com mais gols da rodada e com empate que acabou não sendo bom para nenhuma das agremiações. Os grifoni chegaram a cinco jogos sem vencer e ao terceiro tropeço em casa seguido, enquanto o Sassuolo lamenta mais uma vez por ter tido a vitória em três momentos e ter deixado os três pontos escapulirem nos acréscimos. Não é novidade: o mesmo aconteceu contra Cesena e Udinese, e o time também perdeu pontos nos finais contra Palermo e Roma.

Dominante desde o primeiro minuto, o Sassuolo abriu o placar aos 19 em cobrança de pênalti de Berardi. Os visitantes seguiram pressionando, mas os donos da casa responderam rápido, em boa jogada de Lestienne, que se redimiu do erro e da falta que originaram a penalidade. O belga tocou para Falqué chutar na saída do goleiro e empatar. Mesmo com bom ritmo, o placar não foi mexido mais na primeira etapa. Em compensação, a partida ficou ainda mais emocionante no segundo tempo. Aos 50, após desatenção do Genoa em escanteio, a bola sobrou para Missiroli fazer 2 a 1. Só que no ataque seguinte, os grifoni voltaram a empatar, novamente com jogada de Lestienne, dessa vez concluída por Fetfatizidis, depois de driblar o goleiro. Mais? Claro. Os donos da casa passaram a dominar a partir de então, porém em erro clamoroso de Izzo, Zaza recuperou a bola e tocou para Berardi fazer o terceiro, aos 69. Mas como a partida só acaba no apito final, aos 91, Magnanelli derrubou Kucka na área, e Fetfatizidis deu números finais ao cotejo em cobrança de pênalti. (AB)

Cesena 2-3 Torino
Depois de abrir 2 a 0, o Torino quase deixou a vitória escapar contra o vice-lanterna da Serie A, mas com um gol do estreante Maxi López, já no final do jogo, conquistou uma importante vitória que afastou a equipe granata das última colocações. Com camisas alternativas (o Cesena de rosa, em homenagem ao ex-ciclista Marco Pantani, e o Torino de azul), as equipes deixaram a desejar no começo da partida. Foi aí, aos 20 minutos, que Benassi acertou um belo chute, no ângulo de Leali. A torcida do Torino ainda comemorava quando Quagliarela anotou o segundo, quebrando um jejum que já durava três meses.

Já no final da primeira etapa, um pênalti de Padelli em Brienza reacendeu a partida. Na cobrança, o camisa 11 não desperdiçou e diminuiu a vantagem. No segundo tempo, o Cesena partiu para o ataque mas não conseguiu aproveitar as oportunidades. Até que, aos 40, Jansson colocou a mão na bola, numa jogada sem perigo e o árbitro assinalou nova penalidade. Brienza mais uma vez não perdoou e igualou o placar. Mas a partida não estava acabada e, dois minutos depois, Maxi López recebeu lindo passe de Quagliarella e marcou o gol que deu os três pontos para a equipe de Turim. (CD)

Udinese 2-2 Cagliari
Atuando fora de casa, o Cagliari saiu na frente da Udinese com um gol do brasileiro João Pedro. Os brasileiros, aliás, fizeram a farra na partida. Allan, ex-Vasco, deixou tudo igual no segundo tempo após uma bonita finalização. Para passar à frente do marcador, na jogada seguinte, Théréau desviou o cruzamento de Di Natale para balançar a rede.

A bandeira do time friuliano teve a oportunidade de marcar o terceiro, porém, não conseguiu finalizar depois do passe de Théréau. No último minuto de jogo, Heurtaux colocou a mão na bola e permitiu que Danilo Avelar empatasse em cobrança de pênalti. Com o resultado, a Udinese se manteve no meio da tabela, enquanto o Cagliari somou um pontinho que o mantém próximo de deixar a zona de descenso. (MM)

Empoli 0-0 Inter
No Carlo Castellani, partida muito fraca entre Empoli e Inter, que protagonizaram o único 0 a 0 da rodada. O resultado acabou não sendo tão ruim para a Beneamata, pela forma como se deu o jogo: melhor em campo, o aguerrido time da casa – que já tirou pontos de outros times grandes, como Milan, Lazio, Fiorentina e Napoli – deu um calor nos nerazzurri, que contaram com a resposta de Handanovic para ficarem com o empate.

Muito pouco criativa, a Inter esbarrou nos soldadinhos de Sarri, que correram bastante para tentar igualar o jogo, num duelo em que a vontade superou o abismo técnico. Nem mesmo os recém-contratados Podolski e Shaqiri incidiram no jogo. Icardi, Guarín e Hernanes, por sua vez, tiveram desempenhos horrorosos. Na melhor chance da Inter, Palacio desperdiçou. Faltou ao time de Mancini trabalhar mais a bola, algo que precisará ser corrigido nas próximas semanas se o time quiser brigar por vaga europeia. (NO)

Relembre a 18ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Stendardo (Atalanta), Rodríguez (Fiorentina), Albiol (Napoli); Lestienne (Genoa), Pogba (Juventus), Duncan (Sampdoria), Cigarini (Atalanta); Quagliarella (Torino), Tévez (Juventus), Berardi (Sassuolo). Técnico: Massimiliano Allegri (Juventus).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lazio, Radu e o jogo supostamente armado da UCL 2007

A Serie A 2006-07 teve início tardio por conta do julgamento do Calciopoli. A Lazio perdeu 30 pontos na temporada anterior e se safou de um rebaixamento. Ao término da época de 2007, o clube romano, dirigido por Delio Rossi, cavou uma vaga para a Liga dos Campeões com a terceira posição geral. Os biancocelesti teriam de enfrentar o Dinamo Bucareste na eliminatória final da competição europeia. No jogo de ida, empate em 1 a 1; em Bucareste, a Lazio virou e conseguiu a vaga ao vencer por 3 a 1. 

Nesta semana, um ex-jogador da equipe da Romênia sugeriu a manipulação do resultado e foi seguido por um antigo dirigente do clube. O presidente da Lazio, Claudio Lotito, agentes de futebol e Stefan Radu, lateral-esquerdo do time italiano, estariam envolvidos no esquema.

Liga dos Campeões 2007-08


Danciulescu, Nastasae, Chiacu, Cristea e Mudingayi em lance no jogo realizado na Romênia (Foto: Mediafax)

O clube terminou o campeonato na terceira colocação e teria de entrar diretamente na fase de grupos da competição continental, mas o título europeu do Milan na temporada anterior tirou a vaga da Lazio em 2007. A chance de disputar a Liga estava inteiramente ligada ao Dinamo Bucareste, adversário na terceira fase eliminatória. O campeão romeno era suficientemente bom para eliminar um rival fragilizado e endividado, como afirmou Cornel Dinu, ex-administrador-delegado do Dinamo.

O atacante Ionel Danciulescu colocou o Dinamo na frente, no primeiro tempo, porém, Massimo Mutarelli deixou tudo igual na etapa final. A partida foi comandada pelo norueguês Tom Henning Ovebro, que deu um pênalti claríssimo a favor da Lazio aos 37 minutos - toque de mão de Radu dentro da área. Tommaso Rocchi perdeu. No Nacional de Bucareste, o Dinamo novamente saiu com a vantagem através do gol de Florin Bratu. Contudo, a zaga romena cometeu erros grotescos que culminaram em dois tentos de Rocchi e um de Goran Pandev (assista ao vídeo).





A entrevista

O jornal romeno "Pro Sport" abordou o lateral-esquerdo Corneliu "Cristi" Pulhac. Na longa entrevista, ele foi questionado sobre a passagem pelo futebol espanhol - ele atuou pelo Hércules e disse que foi complicado marcar Angel dí Maria no embate ante o Real Madrid -, por que deixou o Dinamo Bucareste e se está feliz atuando no Zawisza Bydgoszcz, lanterna do Campeonato Polonês. 

Pulhac explicou que a situação financeira proporcionada pela Polônia é ligeiramente melhor que da Romênia. Sobre retornar ao país do origem, afirmou: "não excluo a Romênia. Entendo que a situação no país é complicada, mas tudo depende do dinheiro". Ele escolheu jogar no Zawisza após uma breve passagem pelo Gabala, do Azerbaijão. 

A conversa seguiu sobre um episódio em 2008, ano seguinte ao confronto diante a Lazio. Após uma derrota contra o Dinamo Brasov, os jogadores Pulhac, Lucian Goian, Adrian Rapotan e Gabriel Torje (que depois faria parte do elenco da Udinese) foram filmados cantando "Steaua e numa una", versos positivos em menção ao grande rival do Dinamo. Eles foram multados pela diretoria. Pulhac define esse episódio como o momento mais delicado da carreira dele. O jogo mais triste? Contra a Lazio.
"Um monte de coisas aconteceram. Eu fiquei chateado porque fizemos um bom jogo e tínhamos um bom time. O Dinamo fez um excelente jogo em Roma. Em Bucareste, deixamos a Lazio chegar ao nosso gol. Era nossa oportunidade de jogar a Liga dos Campeões", disse o lateral-esquerdo.
O atleta define o resultado como falta de experiência e má sorte. Entretanto, ele disse a seguinte frase: "não acuso ninguém, mas se alguém fez algo, vai pagar em vida, cedo ou tarde, seja no futebol ou fora dele". Sugerir que aconteceu uma manipulação de resultado foi o necessário para suspeitar dos 18 atletas que estavam no estádio Nacional, além do técnico Mircea Rednic: o time titular - Bogdan Lobont, George Blay, Vasile Nastasae, Pulhac e Radu; Daniel Oprima (substituído por Hristu Chiacu), Adrian Ropotan, Andrei Margaritescu (Claudiu Niculescu) e Adrian Cristea; Bratu e Danciulescu (Catalin Munteanu) - e os reservas não utilizados Deniss Romanovs, Silviu Izvoreanu, Liviu Ganea e Andrei Nitu.

A polêmica transferência de Stefan Radu

Se Pulhac apenas sugeriu a manipulação, o antigo acionista do Dinamo, Vladimir Cohn, afirmou que existiu mesmo o esquema: o preço para vender a vaga na Liga dos Campeões foi a transferência de Radu a Lazio.

A revelação, ainda que não confirmada, veio à público somente sete anos após o acontecido. Outros dois integrantes do clube romeno, à época, têm dúvidas acerca da fatídica derrota na fase eliminatória continental: o administrador-delegado (e técnico campeão em 2000 pelo Bucareste) Cornel Dinu e o treinador da equipe naquela temporada, Rednic.

O comandante do Dinamo declarou: "fizemos um bom primeiro tempo [na Romênia], mas entregamos dois gols. Nós nos derrotamos. Jogadores experientes cometeram erros incríveis". Além da citada mão na bola de Radu na partida de ida, defensores romenos tiveram influência direta nos gols da Lazio no estádio Nacional. Em 34 segundos do segundo tempo, De Silvestri achou Mudingayi livre da marcação de Margaritescu e Ropotan. Ele teve tempo para pensar e fazer o passe atrás de Radu e Pulhac. Del Nero dominou, porém, Nastasae fez o corte e... Erro fatal: o zagueiro permitiu que o próprio laziale roubasse a posse e cometeu pênalti - convertido por Rocchi.


Radu fazia parte do time que enfrentou e perdeu para a Lazio (Foto: Mediafax)

Aos 9 minutos, Del Nero recuperou uma bola mal passada por Pulhac para Margaritescu. Radu tenta bloquear o toque, porém, o meio-campista foi ágil e assistiu Rocchi, que imediatamente passou para Pandev. Blay cai de forma patética e permite que o macedônio vire o jogo. Para finalizar, aos 17, Pandev achou Rocchi completamente livre atrás de Nastase e Radu. Linha de impedimento não funcionou e Lobont ficou vendido no lance.

A eliminação da Liga dos Campeões fez com que o Dinamo deixasse de ganhar 25 milhões de euros, afirmou um dos dirigentes do clube. A Lazio conquistou 16,48 milhões de euros (valor publicado pela Uefa), mas o lucro romeno seria maior devido ao merchandising e ingressos, segundo um patrocinador. O Dinamo só não deixou de ganhar dinheiro porque Radu foi negociado com a Lazio cinco meses após a partida entre as equipes. 

Cohn declarou que Dinu e Cristi Borcea (presidente do clube entre 1995 e 2012) se reuniram com Claudio Lotito, mandatário laziale, antes da partida em um hotel em Bucareste. Ficou combinado que o "preço da vaga" seria 4,5 milhões de euros - o valor para contratar/vender Radu. Os empresários Ioan e Victor Becali, que agenciavam 13 dos 14 atletas que participaram do jogo de volta na Romênia e estavam no jantar com Lotito, alegam que o lateral/meia foi emprestado ao clube romano com opção de compra futura. A transferência, no entanto, pode se tornar um novo objeto de estudo pela Uefa, uma vez que Rednic afirmou veementemente que o valor pago pela Lazio foi de 7,2 milhões de euros, e não 4,5 milhões como foi noticiado pelo clube.

Dinu também apontou a presença de Pierluigi Pairetto naquele jogo. O ex-chefe de arbitragem da Itália resignou do cargo por conta do esquema de manipulação de resultados na Bota, no verão anterior, e foi proibido de ter qualquer conexão com o futebol pelo período de dois anos e seis meses. O antigo administrador-delegado do Dinamo acredita piamente que "coisas estranhas" aconteceram na partida porque "a Lazio jogou nada". Segundo ele, Pairetto influenciou na escolha do árbitro do jogo - o espanhol Manuel Mejuto, o mesmo que comandou a final do ano anterior entre Liverpool e Milan.

A mesma pessoa, duas vezes
"Estou convencido que o jogo contra a Lazio foi ajeitado. Coincidentemente, a partida foi estragada pelo mesmo jogador que me eliminou ante o Benfica, em 1999" (Cornel Dinu)
Enquanto treinador, Dinu conseguiu classificar o Dinamo para a Copa da Uefa 1999-00. A equipe não passou da primeira rodada. A vantagem conquista na Luz de nada adiantou. O Benfica, de Jupp Heynckes, venceu na Romênia por 2 a 0 e conseguiu a vaga no agregado (2 a 1). O time da casa perdia somente de um quando o zagueiro Nastase recebeu dois cartões amarelos em questão de minutos.

O jogador negou qualquer possibilidade de envolvimento em ambos os casos, inclusive chamou o ex-companheiro Pulhac de "babaca". Nastase, atualmente agente livre aos 40 anos, afirmou que estava machucado à época e o treinador "implorou de joelhos" para que ele jogasse. Rednic confirmou a lesão, mas negou que tenha pedido para o atleta atuar: "perguntei se ele podia jogar; ele disse que sim". 

Nastase acredita que recebeu parte da derrota porque ele já tinha errado contra a Lazio. Em 2006-07, temporada anterior ao episódio central da história, o zagueiro do Ascoli errou nos minutos finais e impossibilitou a vitória do futuro rebaixado ante os biancocelesti. Dinu afirmou que Borcea passou por cima do comando do futebol e contratou Nastase poucas semanas antes da Liga dos Campeões. "Eu queria Giani Kirita [do Gaziantepspor, da Turquia]", disse. De acordo com o técnico Rednic, o zagueiro foi liberado após dois meses pela diretoria do Dinamo; para Nastase, ele optou voluntariamente por deixar o futebol durante seis meses.

Outros romenos e Benfica negam envolvimento

Vasile Turcu e Florian Walter, integrantes do corpo diretivo do Dinamo, não falaram sobre o polêmico assunto, bem como Nicolae Badea, ex-presidente do Conselho Administrativo do clube romeno. Danciulescu, autor do gol na partida de ida contra a Lazio, disse que "se alguém tem alguma evidência, diga abertamente". Oprita, Cristea e Niculescu não corroboraram com que Pulhac sentiu durante o confronto. Somente Chiacu foi além ao afirmar que "ouviu discussões sobre manipulação", mas não sabe o que pensar sobre o assunto e nem fez parte de algum esquema.

José Manuel Capristano, presidente do Benfica em 1999, alegou que não tem fundamento, a estória de jogo comprado. "[Jupp Heycknes] não é uma pessoa por quem morra de amores, mas a sua honestidade não se coloca em causa", afirmou, em entrevista ao jornal "Record".

A Uefa, que fora notificada, e a Lazio não se pronunciaram sobre o caso.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

18ª rodada: Entre selfies e pontos

Totti e sua selfie se destacaram na rodada, mas a Juve abriu vantagem sobre a Roma (AFP)
Eletrizante, a 18ª rodada da Serie A teve o simbólico título de campeã de inverno para a Juventus, em jogo-revanche contra o Napoli, e um jogaço no empate por 2 a 2 entre Roma e Lazio, com direito a shows de Totti (com selfie!) e Felipe Anderson. A penúltima rodada do primeiro turno do Campeonato Italiano também reservou uma partidaça entre Fiorentina e Palermo, o reencontro da Inter com o bom futebol, mais um tropeço do Milan e várias mudanças na parte mais baixa da tabela. Confira o resumo.

Roma 2-2 Lazio
Movimentadíssimo, o Dérbi de Roma foi um dos melhores jogos da temporada italiana até então. Com domínio da Lazio na primeira etapa e recuperação da Roma no segundo tempo, o empate acabou sendo justo para o que aconteceu no Olímpico. Por um lado, a partida marcou a ótima fase de Felipe Anderson, que ao lado de Mauri, ensandeceu a defesa romanista. Do outro, o eterno Totti aumentou a sua cota de gols no dérbi para 11 – agora, só o brasileiro Dino da Costa, com 12, tem mais gols que ele no confronto. O capitão da Roma ainda celebrou sua doppietta de forma irreverente, com uma inédita selfie em campo de jogo. O resultado afasta a Roma da Juventus – agora, novamente, a Velha Senhora tem três pontos de frente – e deixa a Lazio mais confiante por uma vaga na Liga dos Campeões.

No primeiro tempo, o 4-2-3-1 transmutável em 4-2-4 da Lazio deu muitos problemas à defesa da Roma, especialmente a Maicon, que perdeu os duelos para Candreva e Felipe Anderson. Mauri, sempre entrando na área para fazer companhia a Djordjevic, aproveitou, e após linda jogada e assistência do ex-santista, abriu o placar. Quatro minutos depois, com um chute de fora da área, o brasileiro aumentou a conta – ele participou dos últimos dez gols da Lazio, com cinco assistências e cinco gols; ótima média. No segundo tempo, Garcia trocou um decepcionante Nainggolan – além da má partida, do nervosismo, teve bola perdida no primeiro gol do jogo – por Strootman e viu a sorte mudar. Aos 3 minutos, o holandês achou Totti com passe açucarado e o capitão não perdoou. Depois que Mauri acertou a trave e Felipe Anderson, machucado, deixou o campo, Totti recebeu lançamento de Holebas e, de voleio, empatou o jogo com um golaço e comemorou com a selfie. Dali para frente, o jogo se tornou ainda mais movimentado, com chances para os dois lados especialmente nos minutos finais, em que todos queriam vencer.

Napoli 1-3 Juventus
Muitas provocações e mais polêmicas no embate entre líder e 4º colocado do campeonato. Para alcançar a primeira vitória em Nápoles desde setembro de 2000, e vingar a derrota sofrida frente aos azzurri na Supercopa Italiana, a Juve contou com um golaço de voleio de Pogba, no primeiro tempo. Na etapa final, Britos empatou de cabeça; Cáceres, minutos depois, desviou a cobrança de falta de Pirlo. Nos minutos finais, em contra-ataque, Morata acionou Vidal, que chutou de fora da área para decretar o resultado final.

O presidente napolitano, Aurelio de Laurentiis, soltou os cachorros contra a arbitragem. Cáceres estava impedido no lance em que acarretou o segundo gol da Juve. O uruguaio marcou gol contra minutos depois, e empataria o jogo, porém, o árbitro Tagliavento viu falta de Coulibaly em Buffon no lance em que originou o tento. Com toda a polêmica em um dos jogos de maior rivalidade na Itália – a torcida da Juve foi impedida de viajar para Nápoles –, a Juventus se sagrou, matematicamente, campeã de inverno. Será, também, campeã no verão? (Murillo Moret)

Inter 3-1 Genoa
Finalmente a Inter começou a jogar futebol. A melhora no desempenho da equipe de Milão era nítida desde a chegada de Mancini ao comando técnico da equipe, mas parece que as boas contratações de inverno – Podolski e Shaqiri – e a renovação de Kovacic motivaram de vez a equipe. Mesmo desfalcada de Ranocchia, Juan, Nagatomo e do meia croata, a equipe nerazzurra dominou quase todas as ações do jogo e foi pouco incomodada pelo Genoa de Gasperini. Entre os destaques do jogo, a boa volta de Vidic ao time titular, e a ótima partida de Guarín na volância. Pela primeira vez desde que retornou à Beneamata, Mancini pode utilizar um 4-2-3-1 sem jogadores improvisados. Deu certo. E Shaqiri nem precisou estrear.

Ainda no primeiro tempo, o domínio interista se traduziu em um 2 a 0 ligeiro. Primeiro, aos 12, Palacio aproveitou rebote de Perin e abriu o placar, marcando contra seu antigo time. Outro jogador que já passou por Gênova ampliou depois, aos 39: Icardi, após cruzamento de Hernanes, fez de cabeça. Foi o seu 10º gol nesta temporada, que o levou à vice-artilharia da Serie A. Na segunda etapa, o Genoa cresceu e chegou a acertar o travessão com Lestienne. Mais recuada, a Inter conseguia afastar o perigo, mas depois de rebote de Handanovic, Izzo diminuiu. Mas Vidic, na jogada seguinte, aproveitou desvio de cobrança de escanteio e marcou um gol que coroou sua atuação e deu um banho de água fria nos rossoblù. Com o resultado, o Genoa continua na 6ª posição, com 27 pontos. A Inter vem atrás, em 9º, com 25. (NO)

Torino 1-1 Milan
Dois minutos. Foi tudo o que o Milan jogou. Uma bela triangulação culminou no pênalti de Glik em Ménez, que o próprio camisa 7 bateu e abriu o placar para o time de Milão. Tal como contra o Sassuolo, a equipe “desistiu” do jogo e fez o Torino partir pra cima. Quagliarella desperdiçou frente a frente com Diego Loópez e Darmian parou na trave, mas a falta de pontaria granata manteve a vantagem rossonera na primeira etapa. Além de dominado, o Milan viu sua situação se complicar com a expulsão de De Sciglio, fazendo o Diavolo jogar toda a segunda etapa com um jogador a menos.

Claramente contente com o resultado parcial, Inzaghi abriu mão de Niang para compor o sistema defensivo. Assim, tanto Ménez quanto Bonaventura pouco chegaram ao ataque na segunda etapa. O Toro, precisando do resultado, acuou o time milanista, criando chances, mas parando nas intervenções do goleiro de Milão. A expectativa de ver Cerci contra seu ex-time foi por água abaixo após Inzaghi utilizar sua última alteração com a entrada de Alex e fechar de vez a equipe. A estratégia não deu certo e minutos depois, o Torino enfim chegou ao gol, com Glik – seu quinto gol no campeonato, todos de bola parada. O Milan, mais uma vez, mostrou fragilidade em jogadas aéreas – 38% dos gols sofridos pelo time foram assim. O empate complicou ainda mais a situação do Milan, que se afasta da zona de Champions League, e mantém a equipe de Ventura na parte de baixo da tabela. (Caio Dellagiustina)

Fiorentina 4-3 Palermo
Num dos jogos mais emocionantes da 18ª rodada, a Viola venceu os rosanero por 4 a 3. No primeiro tempo, apenas Pasqual, de volta ao time titular florentino, marcou, de fora da área. Poderia ser diferente: Mario Gómez, que teve um gol invalidado por impedimento no início do jogo, errou, com a baliza aberta, depois de assistência de Borja Valero. Durante a semana, o técnico Vincenzo Montella pediu para que o alemão assistisse vídeos no YouTube dos próprios gols para lembrar como balança a rede. Basanta, no começo da etapa final, dobrou a vantagem a favor da Fiorentina.

O que a Viola não esperava era a surpresa imediata de Quaison, atacante sueco contratado em agosto pelo Palermo. Em oito minutos em campo, o sueco empatou o jogo em lances bastante parecidos – chutando na saída de Tatarusanu, uma em contra-ataque e outra com erro de Pizarro e Alonso. Cuadrado tratou de recolocar a Fiorentina na frente do marcador e Belotti, por pouco, não empatou logo na sequência. Contudo, Joaquín fez um golaço – de fora da área, no ângulo – para sacramentar a vitória viola. Antes do término, Belotti descontou em cobrança de pênalti, mas não conseguiu evitar a queda dos nove jogos de invencibilidade do seu time. Dybala, um dos craques do campeonato, fez falta. (MM)

Sampdoria 1-0 Empoli
Sem vencer há três jogos, a Sampdoria reencontrou o caminho dos três pontos e fez seu dever de casa, se mantendo na cola de Lazio e Napoli, que tropeçaram na rodada. E o Empoli, que vinha em boa fase, precisa olhar para o retrovisor. A ineficiência do ataque toscano tem feito o time de Sarri perder pontos e agora são apenas três de vantagem para o Cagliari, o primeiro na zona de rebaixamento.

Falando do jogo, domínio todo da Sampdoria, ainda que com menos posse de bola, algo que Mihajlovic não faz muita questão de ter. Com seu ataque direto, criou inúmeras chances e contou com a resistência do Empoli, com as defesas de Sepe. Protagonistas na partida, Obiang, Duncan e Éder imprimiram quase todo o ritmo do time da casa e de seus pés saíram as principais oportunidades. O gol, no início da segunda etapa, veio em tabela entre Éder e Bergessio, com gol do brasileiro. Os visitantes, apesar da inoperância ofensiva, reclamaram de um pênalti, com razão, quando Gastaldello, caído, segurou a bola com a mão na sua área. (Arthur Barcelos)

Verona 3-1 Parma
E o sempre irregular Verona fez valer sua força em casa. Três pontos para o time de Mandorlini, que não convence nesta temporada, sem Jorginho, Rômulo e Iturbe, praticando um futebol não mais que burocrático. Ainda assim, o bastante para bater o Parma, que, por sua vez, voltou a perder depois da vitória sobre a Fiorentina na última rodada. Situação complicada para o time de Donadoni, que, apesar das vitórias contra Inter e a Viola, não encontra forças e sequência para reagir. São oito pontos atrás da Atalanta, primeiro time fora da zona de rebaixamento.

No Bentegodi, uma partida correspondente ao nível dos times. Quem comandou as chances de gols foram mesmo os veteraníssimos Toni e Cassano. O primeiro, sempre dando trabalho para os zagueiros adversários com seu físico e particular futebol. O segundo, incapaz de ativar os seus companheiros, numa clara diferença de nível futebolístico. O primeiro gol saiu aos 39, quando Sala acertou chute seco de fora da área no canto de Mirante. Na segunda etapa, Lodi empatou em cobrança de falta, porém o time da casa, sempre melhor, não deixou a vitória escapar e fez o segundo com Toni, completando cruzamento de Valoti. O meia, surpresa da partida, anotou o terceiro gol aos 91, depois de driblar o goleiro e tocar para o gol livre, marcando pela primeira vez na Serie A. (AB)

Sassuolo 1-1 Udinese
Para manter a boa sequência pessoal, Zaza marcou o primeiro (e único gol) do Sassuolo no Città del Tricolore. Ele desviou um cruzamento de Vrsaljko e Karnezis não conseguiu defender o cabeceio. O empate da Udinese saiu com Théréau - com assistência do brasileiro Allan. O francês ainda tentou virar a partida no primeiro tempo, porém, foi negado com grande defesa de Consigli. Isso foi praticamente tudo o que aconteceu na Emília, em um jogo de duas equipes bastante similares.

O lance polêmico do jogo foi protagonizado por Berardi. Ele driblou Piris e caiu na área depois de contato com Domizzi. Enquanto os jogadores do Sassuolo pediram pênalti, os friulanos queixaram de simulação. O atacante já tinha cartão amarelo. A Udinese, que permanece na segunda metade da tabela de classificação, perdeu Alexandre Geijo por dois meses (lesão na panturrilha direita). (MM)

Atalanta 1–1 Chievo
Nada além de um empate entre Atalanta e Chievo. O duelo de times da parte de baixo da tabela teve vantagem dos nerazzurri até o último minuto, quando Lazarevic igualou o placar que, embora não tenha sido bom para nenhuma das equipes, foi muito comemorado pelos veroneses. O primeiro tempo foi marcado por poucas oportunidades e uma bela defesa de Sportiello na chance de Schelotto.

No segundo período do jogo, domínio dos mandantes que, após várias chances criadas, chegou ao gol com um petardo de Zappacosta da entrada da área. O jogo estava encaminhado para a Atalanta, até a expulsão do experiente Bellini, bandeira da equipe, mas que provocou a ira da torcida ao levar dois cartões em três minutos. Na falta que originou o cartão vermelho, Lazarevic empatou a partida, acertando o ângulo do goleiro bergamasco. As duas equipes são as primeiras fora da zona de rebaixamento. (CD)

Cagliari 2-1 Cesena
Primeira vitória de Zola no comando do Cagliari. Jogando no Sant’Elia, a equipe sarda quebrou a sequência de nove jogos sem vitórias e venceu o lanterna Cesena por 2 a 1. Apesar do resultado positivo, o time rossoblù continua na zona de rebaixamento, agora a dois pontos da Atalanta. Destaque do jogo para o brasileiro João Pedro, autor de um gol e uma assistência, e para Ekdal, que atuou pela primeira vez no ataque e foi muito bem.

A vitória foi construída ainda no primeiro tempo. Logo aos 11 minutos, Ekdal foi derrubado na área. João Pedro parou em Leali na cobrança, mas foi rápido para aproveitar o rebote. Aos 27, o segundo gol do Cagliari. Donsah recebeu belo passe de João Pedro e ampliou a vantagem. O Cesena voltou melhor e embora tenha criado boas oportunidades, só chegou ao gol no final do jogo, com Brienza. Os cavalos marinhos seguem seu calvário na Serie A, com apenas uma vitória (conquistada na primeira rodada) e amargam a lanterna da competição, já a oito pontos da Atalanta. (CD)

Relembre a 17ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Diego López (Milan); Darmian (Torino), Cáceres (Juventus), Vidic (Inter), Pasqual (Fiorentina); Valoti (Verona), Pogba (Juventus); Felipe Anderson (Lazio), Guarín (Inter), Joaquín (Fiorentina); Totti (Roma). Técnico: Roberto Mancini (Inter).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

17ª rodada: O dérbi que apertou o campeonato

Podolski aprovou o jogo entre Juventus e Inter (AP)
Dias atípicos para a volta da Serie A. Após passar um final de semana, o calendário italiano contemplou o feriadão do Dia de Reis para dar um pouco mais de descanso aos times do país, e a primeira rodada do campeonato em 2015 aconteceu na segunda e na terça. Com jogos bem importantes, que fizeram a temperatura do inverno europeu subir. Acompanhe o resumo da 17ª rodada, que bagunçou ainda mais a tabela da Serie A. Agora, Juventus e Roma estão separadas por apenas um ponto, e a disputa por vagas europeias e rebaixamento está mais intensa.

Juventus 1-1 Inter
Em um dos jogos mais prestigiosos do futebol italiano e europeu, Juventus e Inter protagonizaram um pequeno espetáculo, com muita emoção até o apito final. Em Turim, cada equipe dominou amplamente um dos tempos da peleja e poderia ter vencido o jogo. A Velha Senhora, se tivesse convertido as muitas chances criadas no primeiro tempo, quando martelou uma Inter em confusão mental e sem poder de reação e esbarrou em Handanovic. E a Inter, que cresceu bastante no segundo tempo e que, depois do gol de empate, poderia ter virado a partida por pelo menos três vezes. No fim das contas, o empate desagradou os dois técnicos, que viram a vitória próxima. Com o resultado, a Juve manteve a liderança, mas viu a Roma encostar, e a Inter ganhou uma posição, assumindo o 11º posto.

A Juventus demorou apenas quatro minutos para abrir o placar. Em jogada criada pelo lado direito, Vidal dominou de letra e em apenas um toque tirou Medel da jogada. O chileno bateu cruzado e Tévez, mal marcado, empurrou para as redes – nenhum time marcou mais gols nos primeiros 15 minutos de jogo que a Juve, que fez sete. Dali para frente, a Juventus, centrada em Pogba, dominou o meio-campo, e Hernanes, Kovacic e Guarín não conseguiram jogar; muito menos Icardi, que tocou na bola somente nove vezes na primeira etapa. Handanovic, com defesas providenciais, manteve o resultado parcial acessível para a Inter buscar a reação. Na segunda etapa, a Beneamata voltou a campo melhor. E, aos 19, os nerazzurri empataram, no primeiro chute no gol. Guarín lançou Icardi, Bonucci não conseguiu marcá-lo, e a saída de gol de Buffon não foi perfeita para evitar o gol.  Os donos da casa sentiram o empate e só ameaçaram os visitantes outras duas vezes, enquanto a Inter poderia ter virado o jogo em dois contra-ataques absurdamente desperdiçados por Icardi – que tem cinco gols nos quatro jogos em que enfrentou a Juventus. A Inter sai fortalecida da partida; a Juventus com dúvidas sobre o jeito que reagiu ao gol sofrido. E o campeonato pega fogo. (Nelson Oliveira)

Udinese 0-1 Roma
Gol ou não? A partida entre Udinese e Roma pode ser resumida nesta discussão, uma vez que o gol validado pela arbitragem, por bela cabeçada de Astori, ninguém sabe ao certo se existiu ou não. Há imagens que mostram a bola dentro, outras em que a pelota está parcialmente encoberta pela trave, indicando que não cruzou inteiramente a linha. Mais uma vez, apenas a tecnologia poderia definir se o gol deveria ter sido dado ou não. Mas o futebol, especialmente na Serie A, vive no passado. Apenas em 2015-16, o recurso eletrônico será usado no país.

Fora a polêmica do gol, que aproximou a Roma mais uma vez da líder Juventus – agora, pouco antes do dérbi contra a Lazio, está um ponto atrás da Velha Senhora –, o jogo não teve tantas emoções. Bem postados, os times concederam pouco um ao outro. Quando os romanos criaram suas oportunidades, o goleiro Karnezis interviu, com boas defesas, e evitou outros gols. A Udinese deixou o jogo reclamando bastante do resultado, mas fato é que a posição da equipe não mudou – e nem mudaria – muito com um ponto a mais ou a menos. Para a Roma, mais um triunfo conquistado com dificuldades e polêmicas arbitrais liga o alerta: o time está jogando menos que em 2013-14. (NO)

Lazio 3-0 Sampdoria
No confronto direto pelo terceiro lugar na classificação da Serie A, a Lazio massacrou a Sampdoria, infligindo à equipe genovesa apenas a segunda derrota na temporada. Para os biancocelesti, o momento antes do dérbi contra a Roma – e das difíceis partidas contra Napoli e Milan, em seguida – é excelente: o time tem 10 pontos e nove gols a mais que o mesmo momento na temporada anterior e vem em grande fase. Assim como Felipe Anderson, que está conduzindo a equipe na ausência de Candreva.

Mais uma vez, o brasileiro, ex-Santos, foi o nome do jogo. No Olímpico, o meia-atacante deu muita movimentação e criou a maior parte das jogadas laziali. Foi autor de um belo gol e ainda foi o responsável pelas assistências para os outros dois gols do seu time, marcados por Parolo e Djordjevic, após jogadas individuais e cruzamentos do brasileiro. No monólogo da Lazio, assustou a falta de reação doriana na primeira partida da equipe após a venda de Gabbiadini ao Napoli. Nem mesmo a motivação passada por Mihajlovic, que foi saudado pela sua antiga torcida no estádio, deu jeito. O futuro sem o atacante parece complicado, neste momento. (NO)

Milan 1-2 Sassuolo
Na estreia de Cerci, o Milan voltou a decepcionar e foi derrotado pelo Sassuolo em pleno San Siro. O novo camisa 22 rossonero entrou na segunda etapa, ovacionado pela Curva Sud, ainda com o placar empatado, mas com poucos minutos em campo, viu Zaza, que renovou até 2019, acertar um belo voleio, após cobrança de escanteio, e virar o jogo, decretando o placar final. Antes, do banco, ele tinha visto Poli abrir o placar, aproveitando a sobra na área, e Sansone empatar após mais um vacilo da zaga rossonera. Sansone, que é torcedor do Milan, costuma fazer gols em jogos importantes e mostrou isso outra vez. Aliás, quem também ficou feliz com a vitória foi Giorgio Squinzi, presidente do Sassuolo, que também é torcedor rossonero e tinha como sonho vencer uma partida em San Siro.

Já com o ex-Torino em campo, o Milan correu atrás mas pouco produziu, assim como o novo contratado. A melhor chance veio dos pés de Pazzini, que parou no goleiro Consigli. Ao final, Inzaghi lamentou a chance de definir a partida ainda no primeiro tempo e eximiu seus comandados de culpa. Com a derrota sobraram vaias para a equipe que se afastou mais das primeiras colocações. Caso vencesse assumiria a 5ª colocação, apenas dois pontos atrás da Lazio, 3ª colocada. Com a vitória, o Sassuolo subiu para a 10ª posição. (Caio Dellagiustina)

Cesena 1-4 Napoli
O Napoli segue colhendo os frutos do título da Supercoppa Italia, contra a Juventus, na última semana de dezembro. Os partenopei bateram o Cesena com mais uma grande exibição de Higuaín - a equipe da casa segue sem vencer o time de Nápoles na Serie A (13 partidas e oito derrotas). Os visitantes saíram na frente com Callejón, aos 29, depois de jogada de Hamsík com Pipita, que sobrou para que ele concluísse.

Higuaín ainda deixou sua marca no Dino Manuzzi no primeiro tempo - ele também foi à rede na etapa final e participou do terceiro gol – Hamsík recebeu passe seu e chutou; a bola ia para fora, mas Capelli desviou e marcou contra. Com um bonito voleio, Brienza marcou o gol de honra do Cesena, vice-lanterna da competição. O Napoli permanece em terceiro lugar com o mesmo número de pontos da Lazio (30). (Murillo Moret)

Palermo 5-0 Cagliari
O Cagliari trocou de treinador, mas os problemas são os mesmos. Ou até piores, já que na estreia de Zola, a equipe sarda levou cinco gols na temporada pela primeira vez – com Zeman, sofreu quatro em três oportunidades. O Palermo também não havia marcado essa mesma quantidade de gols ainda este ano, e para chegar ao belo resultado, além de mais uma excelente partida de Dybala, também contou com vacilos do capitão sardo, Conti, que foi expulso aos 26 minutos, depois de fazer duas faltas desnecessárias, quando a partida já estava 2 a 0.

Com menos de 10 minutos, o Palermo já havia matado o jogo, com gols de jogadores improváveis. Após bate-rebate na área, Morganella fez seu primeiro gol na Serie A, e depois o zagueiro Múñoz, de cabeça, ampliou. Depois dos minutos iniciais de caos, o Cagliari teve duas chances e chegou a acertar o travessão, mas a expulsão de Conti determinou o jogo. Antes de a partida ir para o intervalo, Dybala sofreu e converteu penalidade. Na segunda etapa, já com o jogo decisivo, Vázquez inventou um passe primoroso para Dybala fazer mais um e Barreto, de fora da área, definiu o 5 a 0. (NO)

Genoa 2-2 Atalanta
O Genoa batalhou bastante e tirou a vantagem imposta pela Atalanta para conseguir um ponto no Marassi. No primeiro tempo, o time da casa chegou com força ao ataque apenas duas vezes. Edenílson não acertou o cabeceio após cruzamento de Lestienne e Matri parou em defesa de Sportiello. A Atalanta melhorou e saiu na frente, com Zappacosta. Ele recebeu bom lançamento de Baselli, passou por Edenilson e chutou na saída de Perin.

Na etapa final, Baselli se mostrou novamente assistente: ele roubou a bola de Roncaglia no meio de campo e deu passe perfeito para Moralez ampliar o marcador. Contudo, o árbitro deu pênalti de Benalouane em Matri logo na sequência; Iago Falqué converteu. Moralez perdeu uma grande oportunidade em contra-ataque, com Denis, e permitiu que o Genoa alcançasse o empate. Edenílson foi lançado atrás da defesa e deixou para Matri completar para o gol. O Genoa não deixou o Marassi com a vitória porque Sportiello, aos 50 minutos, fez uma defesa estupenda em finalização de Fetfatzidis. (MM)

Parma 1-0 Fiorentina
Depois de cinco jogos sem derrotas, a Fiorentina voltou a cair. Diferente de antes, o mau futebol praticado pelos comandados de Montella não foi o bastante para pontuar no Tardini e novamente seus protagonistas falharam em reverter a má fase, até mesmo porque os próprios estão em forma muito ruim. Porém, internamente, o clima está péssimo, e as notícias sobre a saída de Neto em fim de contrato atribularam o ambiente – Montella barrou o brasileiro e escalou Tatarusanu em seu lugar. Para o Parma, contando com seu novo dono no estádio, foi a terceira vitória no campeonato, dessa vez após seis jogos sem vencer. O time segue na lanterna, com o Cesena, mas vê um futuro mais tranquilo à frente.

Em partida marcada pela falta de precisão na conclusão das jogadas viola e também em boa atuação de Mirante, o único gol saiu no primeiro chute a gol dos donos da casa, aos 10 minutos, e em bola parada. Depois de escanteio, a bola sobrou no segundo pau e Costa conferiu. A Fiorentina, que já tinha o domínio da partida, pressionou ainda mais e aos 34 teve a chance de empatar, porém Gómez teve seu pênalti defendido. Na segunda etapa, o gol florentino não saiu, o Parma tentou administrar o jogo com faltas e, para complicar ainda mais, os visitantes tiveram seus dois zagueiros expulsos em cinco minutos. Primeiro, Rodríguez ao levar o segundo amarelo, e depois Savic, que recebeu falta de Cassano, iniciou confusão em campo e levou o vermelho direto. (Arthur Barcelos)

Empoli 0-0 Verona
Num dos 0 a 0 da rodada, outro jogo marcado por faltas e cartões. Chances de gol e lances de brilho, porém, foram pouquíssimos. Para o Empoli, um recorde esquisito: cinco empates consecutivos no campeonato e o terceiro 0 a 0 seguido em casa, mesmo que a equipe de Sarri crie muitas chances e tenha em Valdifiori um dos melhores meias da temporada, regendo um dos times que mais toca a bola e cria oportunidades em bola parada. Já o Verona, com seu futebol burocrático, conseguiu um ponto fora de casa e tem a tranquilidade de saber que há times piores no campeonato. O risco de rebaixamento é baixo.

Falando da partida em si, o domínio foi dos donos da casa, que, contudo, têm sentido a falta de um protagonista no último terço do campo, já que os veteranos Tavano e Maccarone incapazes de concluir as jogadas em gols. Protagonista, esse, que Toni falhou em ser na Toscana, perdendo gol clamoroso. Quem foi ao Castellani ainda viu duas expulsões. Tonelli e Hallfredsson, aos 65 e 77 minutos, ao receberam o segundo amarelo. (AB)

Chievo 0-0 Torino
Nada de gols no Marc’Antonio Bentegodi. Chievo e Torino fizeram um dos jogos mais insossos da rodada e não saíram do zero. As formações defensivas, especialmente do Chievo, davam a dica de que encontrar espaço para a criação seria um problema. As primeiras chances foram do Toro, sem dar trabalho à a Bizzarri. Do outro lado, Padelli fez duas boas intervenções, nos chutes de Hetemaj e Paloschi.

Chutes sem direção foram a marca do segundo tempo. A entrada de Lazarevic deu novo ritmo ao ataque veronês, mas as chances foram poucas. Na melhor delas, a cobrança de falta do sérvio foi defendida pelo goleiro do Torino. O inevitável 0 a 0, apesar de Maran afirmar que o Chievo dominou o jogo, deixou as equipes na parte de baixo da tabela, embora com certa distância para a zona de rebaixamento. (CD)

Relembre a 16ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Baselli (Atalanta), Astori (Roma), Radu (Lazio), Lazaar (Palermo); Pogba (Juventus), Parolo (Lazio); Berardi (Sassuolo), Felipe Anderson (Lazio), Dybala (Palermo); Higuaín (Napoli). Técnico: Stefano Pioli (Lazio).