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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

25ª rodada: A primeira vez de Gabigol

Gabriel decidiu jogo complicado para a Inter e marcou o seu primeiro pelo time de milão (Getty)
Em mais uma rodada sem grandes alterações no topo da tabela, o destaque do fim de semana foi Gabriel. O ex-jogador do Santos finalmente marcou o seu primeiro gol pela Inter e foi responsável por manter a equipe na quarta posição da Serie A, atrás de Napoli, Roma e Juventus, que venceram os seus jogos com tranquilidade. Na busca pelas competições continentais, Atalanta, Lazio e Milan também conseguiram triunfos suados, ao passo que Fiorentina e Torino vão se distanciando do pelotão que almeja uma vaga europeia. A 25ª rodada ainda foi palco de homenagem para Zico em Údine e de uma vitória acachapante do Pescara, no retorno da Zemanlandia. Confira.

Bologna 0-1 Inter
Gabriel (D'Ambrosio)

Tops: Banega e Gabriel (Inter) | Flops: Verdi (Bologna) e Palacio (Inter)

Primeira partida oficial, primeira titularidade e primeiro gol... o Bologna, definitivamente, é o adversário preferido de Gabriel. Nas três vezes que enfrentou os felsinei, o brasileiro teve algo para registrar e não foi diferente no Renato Dall'Ara. O atacante teve mais 15 minutos para deixar boa impressão e dessa vez fez muito mais do que isso: o gol da vitória, que manteve a quarta posição de uma Inter pressionada pelas vitórias de Atalanta e Lazio. Curiosamente, outro talento brasileiro também anotou o seu primeiro contra os bolonheses – um tal de Ronaldo.

Fora de casa, o time de Pioli não esteve bem contra um adversário desmotivado pelas últimas derrotas frustrantes e goleadas sofridas. Sem Icardi, Brozovic e Kondogbia, o time custou para criar e dominar, ainda mais com o gol inacreditavelmente perdido por Palacio na pequena área. No minuto 80, coube a Gabriel decidir, depois de grande jogada de Banega e passe de D'Ambrosio, que o deixou com o gol aberto. Ainda houve tempo, claro, para Handanovic salvar os nerazzurri mais uma vez, com grande defesa já nos acréscimos.

Juventus 4-1 Palermo
Marchisio, Dybala, Higuaín (Dybala) e Dybala (Higuaín) | Chochev (Diamanti)

Tops: Dybala e Higuaín (Juventus) | Flops: Posavec e Goldaniga (Palermo)

Abrindo a rodada, a Juventus não teve problemas para golear o Palermo e manter boa vantagem na liderança do campeonato. Sem Mandzukic, suspenso, e Cuadrado, no banco, Allegri manteve o 4-2-3-1 das últimas partidas, dessa vez com Sturaro e Pjaca ao lado de Dybala, atrás de Higuaín. E pela primeira vez Dybala esteve realmente confortável na nova função, atuando com muita liberdade, sempre buscando a bola na direita, enquanto Sturaro e Pjaca compensavam ocupando espaços na intermediária adversária. Outra novidade foi a volta de Marchisio, no lugar de Pjanic, também poupado: o Principino esteve muito bem e depois de quase dois anos, voltou às redes, aproveitando falha de Posavec. No final da primeira etapa, Dybala, que já tinha dado o recado logo no início com chute na trave, marcou golaço de falta e trouxe tranquilidade para os anfitriões.

Na etapa final, a dupla Dybala-Higuaín enfim se reencontrou e acabou com a defesa siciliana. Em jogada pela direita, Dybala recebeu por dentro e deu toque simples para Higuaín encobrir Posavec. No final do jogo, foi a vez de o centroavante retribuir, aproveitando falha clamorosa de Goldaniga, e com passe de calcanhar deixar fácil para La Joya tocar no canto e vitimar pela segunda vez seu antigo clube – curiosamente, Goldaniga já teve seus direitos econômicos vinculados à Velha Senhorae foi negociado justamente na transferência que levou o argentino a Turim. Ainda deu tempo para Chochev descontar nos acréscimos.

Roma 4-1 Torino
Dzeko, Salah, Paredes e Nainggolan (Totti) | Maxi López (Zappacosta)

Tops: Nainggolan e Dzeko (Roma) | Flops: Hart e De Silvestri (Torino)

Pressionada pelas vitórias de Juventus e Napoli, a Roma tinha um adversário duro em casa, mas não deu chance para o azar e definiu sua situação com menos de 20 minutos, sempre com a dupla Salah-Dzeko e aproveitando o surpreendentemente lento início de jogo do Torino. O bósnio, na sua melhor fase, completou jogada de Nainggolan e abriu o placar aos 10. Aos 17, Salah aproveitou sobra na área e dois minutos quase fez o terceiro, em chute na trave. O terceiro gol, da definitiva tranquilidade, veio com uma pancada de Paredes, em grande forma na segunda partida seguida como titular no campeonato. O argentino deixou De Rossi descansar e acrescentou bastante ao sistema de Spalletti. Ainda deu tempo para o "tanque" Maxi López marcar seu primeiro gol na temporada, além de Totti premiar a bela atuação de Nainggolan, já nos acréscimos. Enquanto a Roma segue na caça à Juventus, o Toro se ressente da irregularidade de Falqué e Ljajic e deve mesmo ficar fora das competições europeias.

Chievo 1-3 Napoli
Meggiorini (De Guzmán) | Insigne (Hysaj), Hamsík e Zielinski

Tops: Insigne e Hamsík (Napoli) | Flops: Gamberini e Radovanovic (Chievo)

Contra sua asa negra, o Napoli custou para furar a retranca de Maran, mas quando o fez, conquistou a vitória em sete minutos, com mais um golaço de Insigne e outro de Hamsík: agora são 110 do eslovaco, a apenas cinco de Maradona, maior artilheiro da história dos azzurri. Zielinski, com passe para o segundo gol, ainda marcou o terceiro, em passe do protagonista Insigne. O polonês substituiu o lesionado Allan, que fazia boa apresentação, mas sofreu uma lesão muscular que o afastará dos gramados por três semanas – e de jogos contra Atalanta, Juventus, Roma e Real Madrid. Em erro clamoroso de Koulibaly, Meggiorini descontou na metade do segundo tempo, mas os visitantes se mantiveram firmes e não voltaram a vacilar, confirmando importante vitória na luta por uma vaga na Liga dos Campeões e mantendo Inter, Atalanta e Lazio afastadas.

Milan 2-1 Fiorentina
Kucka (Sosa) e Deulofeu | Kalinic (Chiesa)

Tops: Kucka e Deulofeu (Milan) | Flops: Ilicic e Sánchez (Fiorentina)

Na melhor versão do seu catenaccio, o Milan de Montella teve atuação firme contra a empolgada Fiorentina e venceu um adversário direto na briga pela última vaga europeia, ainda que esteja um pouco atrás do trio formado por Inter, Atalanta e Lazio. Além dos três pontos, a atuação serviu para que os milanistas se aliviassem em relação a três fatores: a segurança defensiva, depois de atuações desastrosas e sem Romagnoli; outra boa atuação de Sosa como mediocentro; e Deulofeu mais uma vez decisivo, marcando o gol da vitória. Do outro lado, importante a atuação de Chiesa, cada vez melhor ambientado, mas insuficiente em um time muito horizontal, que também sentiu falta de Bernardeschi.

Atalanta 1-0 Crotone
Conti (Petagna)

Tops: Petagna e Conti (Atalanta) | Flops: Falcinelli e Stoian (Crotone)

Apesar do placar pequeno, a Atalanta não teve muitos problemas para bater o Crotone e pressionar Inter e Lazio, concorrentes mais próximos na briga pelas últimas vagas europeias. Ainda assim, os anfitriões levaram um susto no final do jogo: no minuto 85, Berisha rebateu cobrança de falta e Rosi marcou, mas teve o gol corretamente anulado. O time de Gasperini correu riscos porque foi um tanto despretensioso na conclusão dos ataques, apesar do domínio na partida. O único gol foi marcado no início da segunda etapa, graças ao habitual protagonismo de Petagna e Gómez e mais uma aparição do ala Conti na fase ofensiva. Na jogada da dupla de ataque, o centroavante recebeu na linha de fundo e cruzou para a área, possibilitando a chegada do elemento surpresa no segundo pau. Os jovens Conti e Petagna, assim como Caldara e Spinazzola, foram convocados por Ventura para três dias de treinamentos em Coverciano e trabalham para impressionar o treinador da seleção italiana e serem chamados para o time principal. Todos fazem grande ano: não à toa a Atalanta já tem sua melhor campanha na Serie A e está firme na briga por vaga na Liga Europa.

Zico foi ovacionado em visita ao novo Friuli, mostrando parte da idolatria que tem em Údine (LaPresse)
Empoli 1-2 Lazio
Krunic (Pasqual) | Immobile e Keita

Tops: Immobile e Lulic (Lazio) | Flops: Costa e Dioussé (Empoli)

Antes tarde do que nunca. Quando Krunic marcou golaço a 30 metros do gol, as coisas definitivamente não pareciam boas para a Lazio. O time de Inzaghi atacou, pressionou, mas pecou na elaboração das jogadas, enquanto Skorupski tinha outra exibição gigante. Com Felipe Anderson e Immobile imprecisos, além de Keita no banco, a situação não parecia ter volta. Mas imediatamente após o gol sofrido, o centroavante e artilheiro laziale aproveitou sobra na área e empatou. Reação que voltou a deixar o time quente e dominante até a virada. Dez minutos depois, após jogada que rodou pelos dois lados do campo, a bola novamente sobrou e dessa vez foi Keita quem aproveitou. Os romanos continuam com a sexta colocação na Serie A.

Udinese 1-2 Sassuolo
Fofana (Badu) | Defrel (Pellegrini) e Defrel (Berardi)

Tops: Fofana (Udinese) e Defrel (Sassuolo) | Flops: Hallfredsson (Udinese) e Duncan (Sassuolo)

Em meio a uma imensa festa para Zico, visitante do dia num Friuli lotado, a celebração da Udinese ficou mesmo no extracampo. A equipe até saiu na frente do placar, quando Fofana aproveitou falha de Consigli para marcar belo gol no início da partida, mas relaxou demais na segunda etapa e Defrel, recuperado de lesão, foi fatal ao entrar no minuto 65. Cinco minutos depois, completou desvio de Pellegrini após escanteio e empatou. Aos 79, assistência de Berardi para o francês, que virou e deu a terceira vitória seguida dos neroverdi fora de casa, algo impensável depois de meses sem vencer sequer na Emília-Romanha. Para a Udinese, que teve boa fase entre dezembro e janeiro, um duro golpe, mas nada preocupante em relação à tabela. Afinal, em fevereiro, o rebaixamento já está definido e vários times estão praticamente de férias.

Pescara 5-0 Genoa
Orbán (contra), Caprari (Biraghi), Benali (Memushaj), Caprari (Memushaj) e Cerri (Zampano)

Tops: Caprari e Cerri (Pescara) | Flops: Orbán e Lamanna (Genoa)

Como é bom ter a Zemanlandia de volta na Serie A. E com apenas um treino, no sábado, o Pescara parece ter incorporado muito bem as ideias do veterano treinador checo. Com Zeman nunca há jogo com situação definida, mas a verdade é que com 30 minutos de partida estava muito bem encaminhada a primeira vitória em campo dos golfinhos nesta Serie A – os biancoazzurri ganharam três pontos por escalação irregular de Ragusa, do Sassuolo. O time também pela primeira vez marcou três vezes em um primeiro tempo não só neste campeonato, mas em sua história na primeira divisão. Tantas marcas quebradas acabaram derrubando Juric no Genoa e levando Mandorlini de volta à ativa, embora o Grifone esteja praticamente de férias desde o final do ano -– e mesmo assim tranquilo em relação ao rebaixamento, com 25 pontos conquistados. O primeiro gol do jogo saiu com menos de 5 minutos e aos 30 já estava 3 a 0, após interação importante entre Memushaj, Benali, Caprari e Cerri. Na segunda etapa, a defesa anfitriã esteve firme e apenas pela segunda vez na temporada não sofreu gol e Caprari e Cerri voltaram a despontar. O primeiro deles, convocado por Ventura para a seleção italiana, é perfeito para o estilo zemaniano e tem boas chances de se destacar bastante até o fim da temporada.

Sampdoria 1-1 Cagliari
Quagliarella | Isla (Ionita)

Tops: Silvestre (Sampdoria) e Ionita (Cagliari) | Flops: Praet (Sampdoria) e João Pedro (Cagliari)

A partida mais sem graça da rodada, claro, não teve muita coisa para comentar. O jogo foi condicionado pelo gol repentino dos visitantes, quando Isla completou lateral de Ionita e abriu o placar aos 6 minutos. Desde então, os anfitriões tiveram a posse de bola, mas não criaram bem contra uma defesa que normalmente não é garantia de segurança. Quagliarella fez o gol de empate ainda na primeira etapa, aproveitando rebote, mas foi o reflexo de um ataque que chutou apenas duas vezes no gol adversário e frustrou os torcedores depois de três vitórias seguidas.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 24ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Conti (Atalanta), Manolas (Roma), Coda (Pescara), D'Ambrosio (Inter); Hamsík (Napoli), Paredes (Roma), Nainggolan (Roma); Dybala (Juventus), Defrel (Sassuolo), Caprari (Pescara). Técnico: Luciano Spalletti (Roma).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Italianos na Europa, semana 7: Sobre hipotecas e o sonho da vaga própria

Matador: Dzeko apareceu em grande forma para destruir o Villarreal e alavancar classificação da Roma (Getty)
Na volta das competições europeias, após o período de recesso entre o fim de 2016 e o início de 2017, três dos quatro times italianos remanescentes na disputa pelos títulos continentais tiveram destinos diferentes. Enquanto Roma e Fiorentina, na Liga Europa, conseguiram ótimos resultados fora de casa e hipotecaram as vagas nas oitavas de final, o Napoli – à espera da Juventus, que joga na próxima semana –, até fez um bom jogo no mata-mata da Liga dos Campeões contra o Real Madrid, mas precisará de um grande resultado na partida de volta para continuar sonhando.

Começando pela quinta de Liga Europa, feliz para a Itália, foi a Roma quem teve o resultado mais expressivo da semana – não só entre as equipes da Velha Bota, mas considerando todos os confrontos dos 16 avos de final do torneio. A equipe de Luciano Spalletti viajou para a Espanha para enfrentar o duro Villarreal de Fran Escribá, mas não tomou conhecimento do Submarino Amarelo. Graças a um Dzeko em estado de graça, a Loba passou o carro e enfiou um sonoro 4 a 0, que a deixa em situação extremamente confortável para a volta, a ser disputada na próxima semana, no Olímpico. Desde 2010, ante o Barcelona, o Villarreal não sofria quatro gols no El Madrigal, e esta foi sua pior derrota em uma competição Uefa.

Se Dzeko foi o segredo do sucesso romanista, a goleada começou com participação brasileira. Emerson Palmieri, descartado pelo Santos e ex-reserva do Palermo, ganhou a titularidade no 3-4-3 de Spalletti e, em boa fase, marcou um golaço. Ele recebeu na ala canhota, costurou para a direita e mandou uma bomba no ângulo, sem chance alguma para o goleiro Asenjo. Depois de um primeiro tempo de domínio romano, o Villarreal reequilibrou o jogo na segunda etapa, mas Alisson se mostrou pronto para defender, com reflexo, uma cabeçada de Mario Gaspar e uma cobrança de falta de Sansone.

Os amarelos cresciam, mas coube a Salah mudar o jogo. O egípcio substituiu El Shaarawy e deu mais mobilidade à Roma, colocando os apagados Bruno Peres e Nainggolan no jogo e acionando Dzeko de uma vez por todas. Em uma jogada criada pelo rápido atacante, o bósnio recebeu na área, entortou Musacchio com um drible de corpo e anotou o segundo. O terceiro, após lançamento, e o quarto, com um chute cruzado, garantiram a Dzeko uma tripletta e o décimo gol nos últimos sete jogos. Com isso, Edin se sagrou o artilheiro da Liga Europa – lembrando que ele também encabeça a artilharia da Serie A.

Mais cedo, a Fiorentina fez um jogo de cinismo e muita aplicação tática para bater o Borussia Mönchengladbach. Quando era treinador do Wolfsburg, Dieter Hecking já havia contado com as vulnerabilidades da Inter para eliminar o time italiano, mas dessa vez errou completamente na abordagem frente a viola. Embora os borussianos apertassem, o time de Paulo Sousa estava bem postado na defesa e, embora tenha chutado muito pouco a gol, saiu com a vitória da Alemanha.

No primeiro tempo, Hazard e Herrmann tentavam superar a linha defensiva florentina, formada por Maxi Olivera, Rodríguez, Astori e o volante Sánchez, mas pouco conseguiam. Nas melhores oportunidades, Tatarusanu apareceu com boa defesa e Johnson acertou a trave. No entanto, o aniversariante Bernardeschi surgiu para decidir. O jogador de 23 anos cobrou uma falta com uma curva absurda e mandou no ângulo do goleiro Sommer. Era apenas a segunda finalização dos visitantes, que se limitaram a fechar a casinha no segundo tempo para tornarem o ataque do Gladbach totalmente estéril.

Alguns minutos de bom futebol não bastaram para que o Napoli superasse o Real Madrid (Getty)
Na quarta, o Napoli também deu indicativos de que surpreenderia. Os primeiros 20 minutos da partida contra o Real Madrid foram de domínio total dos azzurri, que praticaram o melhor futebol possível diante dos merengues. O time de Sarri jogava com tranquilidade total, trocando passes curtos e rápidos, envolvendo o adversário e o colocando na roda. Foi assim, com uma jogada iniciada no campo de defesa e concluída com rapidez, que Insigne surpreendeu Navas. Após receber enfiada de Hamsík, Lorenzinho percebeu que o costarriquenho estava adiantado e, do meio-campo, bateu na bola com a parte externa do pé, abrindo o placar. A felicidade durou pouco.

O futebol, que era bom, passou a dar a impressão de ser leve demais. Diawara passava bem a bola, mas não chegava junto na marcação, Callejón aparecia muito pouco e Modric, Kroos e Casemiro passaram a ganhar o meio-campo. Pouco após abrir o placar, o Napoli sofreu o gol de empate: Carvajal cruzou de trivela e Benzeman aproveitou a deficiência da zaga partenopea em bolas alçadas e empatou. Com o 1 a 1 no placar, Cristiano Ronaldo e Benzema tiveram duas boas chances, mas as equipes foram para o intervalo em igualdade.

Na volta para o encharcado gramado do Santiago Bernabéu – somente do lado em que o Napoli atacaria –, o sonho do bom resultado durou pouco para os azzurri. Aos 4 minutos, Ronaldo fez uma grande jogada pela direita, para cima de Ghoulam, e rolou para trás: após corta luz de Benzema, Kroos chapou para as redes. O golpe de misericórdia aconteceu cinco minutos depois, quando Casemiro aproveitou uma sobra de bola para emendar um chutaço e marcar o mais belo gol da noite. Com a vantagem, os madridistas dominaram o jogo e até poderiam ter feito mais, ao passo que o Napoli acordou quando Callejón finalmente entrou na partida, mas os gols não aconteceram.

Um 2 a 0 no San Paolo é possível, mas o presidente Aurelio De Laurentiis não colabora. Insatisfeito com a atuação, mais uma vez meteu o bedelho na parte esportiva, criticando o técnico Sarri e alguns jogadores, o que acabou gerando mal estar e lei da mordaça na Campânia. O treinador precisa de tranquilidade para trabalhar, mas cutucado com a vara curta, responderá com sua garra habitual e com um futebol ainda mais sarrista. Promessa de grande jogo no dia 7 de março.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Chata, eu?

Com um dos melhores ataques da Europa, o Napoli mostra que há jogo ofensivo na Itália (LaPresse)
Pergunte a qualquer pessoa que não tenha o hábito de assistir partidas da Serie A quais são os motivos para ela não acompanhar o futebol italiano e a resposta será quase unânime: "porque é chato". Bom, talvez seja a hora de mostrar a estes amigos que tal preconceito está mais que ultrapassado e já não tem nem mais fundamento histórico.

Nenhum país do mundo tem uma cultura tática tão difundida quanto a Itália. Durante muito tempo, um técnico que entendia de futebol na Velha Bota deveria armar times imbatíveis não baseado em uma enorme força ofensiva, mas de modo a fazê-los capazes de apresentarem movimentos bem definidos, solidez defensiva e serem letais no contra-ataque.

Com influência da escola austríaca, o catenaccio foi a forma de interpretar o esporte que mais se disseminou no Belpaese a partir dos anos 1950 e foi a chave do sucesso de grandes equipes, que tiveram sucesso internacional, além de base para esquemas táticos que predominaram até meados dos anos 1990. Identificados com esta tradição, técnicos como Helenio Herrera, Nereo Rocco, Gipo Viani, Giovanni Trapattoni, Fabio Capello e Marcelo Lippi fizeram história.

Isso não significa, porém, que tenha sido sempre assim. Antes de os placares ficarem mais magros, a partir da década de 1950 (e especialmente nos anos 1970 e início dos 1980), o Grande Torino se constituiu como um dos maiores exemplos de futebol bem jogado da história do esporte. A Itália só voltaria a ver um futebol tão ofensivo – embora mais organizado taticamente – a partir da revolução de Arrigo Sacchi no Milan, entre 1987 e 1991. Hoje, a Serie A é muito mais sacchiana do que trapattoniana.

>>> Saiba mais em nosso Guia tático: parte 1 | parte 2 | parte 3 | parte 4

Neste momento, o Campeonato Italiano se divide entre times que valorizam mais a posse de bola propositiva – inspirados na mudança de mentalidade promovida por Pep Guardiola e nas aplicações à italiana, adotadas por Cesare Prandelli –; os que buscam jogo mais direto, muitas vezes pelas pontas, e também entre os que apostam em sistemas híbridos. Quase todos, porém, atuam com três atacantes e tem mostrado conceitos muito mais ligados a um futebol que busca mais marcar gols do que propriamente evitá-los.

Prova disso é que as redes já balançaram 688 vezes em 24 rodadas, o que dá ao campeonato uma média de 2,78 gols por partida. É a terceira maior média entre as cinco maiores ligas do continente europeu, perdendo para os campeonatos Espanhol (2,89) e Inglês (2,81), mas à frente da incensada Bundesliga alemã (2,67). A rodada com menos gols nesta Serie A teve 21 tentos anotados, enquanto quatro jornadas atingiram a marca de 33 gritos arrancados das gargantas. Por cinco vezes ao longo do certame os placares ainda registraram oito gols marcados em uma única partida: Cagliari 3-5 Fiorentina; Napoli 5-3 Torino; Bologna 1-7 Napoli; Pescara 2-6 Lazio; Torino 5-3 Pescara.

Para quem acompanha de perto o futebol da Bota não é novidade. Os times que ocupam a parte de cima da tabela da Serie A 2016-17 tem privilegiado, em sua maioria, projetos que promovem estilos mais soltos de jogar futebol. São equipes que gostam muito de ficar com a bola, apresentam muita agressividade e tem ataques bastante positivos: dos 10 primeiros, somente Milan e Sampdoria deixam a desejar, ao passo que Juventus, Roma e Napoli tem médias superiores a dois gols por partida. Se, tempos atrás, Luciano Spalletti e sua Roma eram o maior expoente de futebol ofensivo do Belpaese, hoje este posto é ocupado pelo Napoli de Maurizio Sarri, um dos times mais agradáveis de toda a Europa.

Obcecado por futebol, Sarri é o discípulo de Sacchi que adaptou da melhor forma o estilo do milanista à modernidade e ao atual estado da arte do futebol italiano. Os azzurri jogam com muita movimentação sem a bola e com rápidas trocas objetivas de passes, sem que a bola fique muito no pé de cada peça do esquema. Fundamental para fazer o jogo fluir, o capitão Hamsík é o jogador do futebol europeu com mais passes completados em 2017 (421) e lidera o quesito na Itália, se considerarmos toda a temporada – são 1662 passes certos, que lhe conferem também o terceiro posto no continente.

Além dos toques curtos e rápidos, é bem comum que o time faça, a partir do eslovaco e Zielinski, inversões com bolas longas para Callejón ou Insigne. Nesta temporada, ao inventar Mertens como um falso 9, que não se fixa na zona central do ataque, Sarri aprimorou as suas ideias e fez do Napoli o time que tem o futebol mais estimulante do país e um dos mais encantadores da Europa. Os partenopei têm o melhor ataque da Serie A, com 57 gols, e o terceiro mais positivo das grandes ligas nacionais europeias, atrás apenas de Barcelona (61) e Monaco (75).

Ontem, Sarri e seu Napoli assustaram o Real Madrid, mas perderam a partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Embora o resultado tenha sido negativo, o golaço que abriu a contagem no Santiago Bernabéu é a pura essência do que o técnico ensina à sua equipe; um estilo que metade dos times da Itália buscam e às vezes até conseguem executar – com menções para a Juve de Allegri, a Roma de Spalletti, a Atalanta de Gasperini, a Inter de Pioli, a Fiorentina de Paulo Sousa e o Sassuolo de Di Francesco. Quando te disserem novamente que o futebol italiano é um saco, mostre a jogada do gol de Insigne. Depois, peça para que a pessoa lhe agradeça de joelhos por ter visto este golaço e se livrado de um preconceito.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

24ª rodada: Os de cima sobem e os de baixo descem, parte 2

Agora artilheiro da Serie A ao lado de Dzeko, Higuaín comemora sua doppietta ante o Cagliari (LaPresse)
Repeteco. Tal qual na última rodada, quase todos os times classificados entre os 10 primeiros da Serie A conseguiram ampliar a vantagem para os últimos. Em nove confrontos que colocavam frente a frente as duas metades do campeonato, deu a lógica e quem tem se mostrado mais forte. Nas três primeiras posições, nenhuma mudança: Juventus, Roma e Napoli continuam ocupando a dianteira, enquanto Inter e Atalanta ultrapassaram a Lazio, que empatou com o Milan. Fiorentina e Torino também venceram no fim de semana. Confira.

Cagliari 0-2 Juventus
Higuaín (Marchisio) e Higuaín (Dybala)

Tops: Isla (Cagliari) e Higuaín (Juventus) | Flops: Barella (Cagliari) e Mandzukic (Juventus)

A Juve entrou em campo apenas no último horário de domingo e jogou sob olhares atentos de romanistas e napolitanos, que secavam a adversária direta pelo scudetto. Na rodada, a Roma foi a 53 pontos e o Napoli a 51; por isso a torcida era para que a Velha Senhora empacasse nos 57, jogando fora de casa contra o Cagliari. A possível pressão pelos resultados dos rivais, porém, parece ter passado longe da equipe de Turim. Com a tranquilidade de sempre, os comandados de Allegri dominaram a partida e contaram com mais uma noite inspirada de Higuaín para fazer 2 a 0 e chegar à quinta vitória seguida, mantendo a vantagem de sete pontos.

O argentino marcou duas vezes e empatou com Dzeko na artilharia da Serie A – ambos têm 18 gols. Destaque para a participação do atacante no segundo gol, quando ele iniciou a jogada ainda perto da área juventina e arrancou para finalizar com um chute cruzado para o fundo das redes. A partida ficou ainda mais fácil para os visitantes quando Barella foi expulso, aos 22 minutos do segundo tempo, ao cometer uma falta desastrada sobre Pjanic. Buffon fez pelo menos duas grandes defesas e Rafael, do outro lado, evitou o que seria o terceiro gol da Juve, em cabeçada de Dybala. (Rodrigo Antonelli)

Crotone 0-2 Roma
Nainggolan (Salah) e Dzeko (Salah)

Tops: Salah e Fazio (Roma) | Flops: Cordaz e Ferrari (Crotone)

Sem vacilar, a Roma não deu chance para o azar contra o novato Crotone e teve atuação convincente, ainda que o placar não tenha refletido o domínio romanista. Talvez porque Dzeko não esteve muito preciso, começando pelo pênalti perdido no início da partida. De volta após o frustrante segundo lugar na Copa Africana de Nações com o Egito, Salah esteve bastante confortável e protagonizou todos os gols e principais ataques dos visitantes. Como na penalidade desperdiçada por Dzeko, quando foi lançado por Strootman e derrubado na área por Ferrari. No final do primeiro tempo, o ponta recebeu de Nainggolan em contra-ataque e devolveu para o belga, que limpou a marcação e chutou no canto de Cordaz. Na etapa final, os anfitriões ameaçaram reação, mas a defesa de Spalletti se manteve firme mais uma vez, menos quando Falcinelli assustou, com gol corretamente anulado. O tento que assegurou a vitória veio no minuto 76, quando Salah foi lançado por Paredes e tocou para Dzeko completar no segundo pau e se redimir das chances perdidas.

Napoli 2-0 Genoa
Zielinski e Giaccherini (Mertens)

Tops: Mertens e Zielinski (Napoli) | Flops: Palladino e Taarabt (Genoa)

No dérbi da amizade, o adversário do Napoli não foi tão amistoso quanto as torcidas no San Paolo. O time de Juric veio muito bem preparado e conseguiu bloquear os comandados de Sarri pelo menos no primeiro tempo. Sem criatividade com a bola, os anfitriões demoraram para criar oportunidades e até mesmo para dominar a posse de bola, o que só aconteceria após o intervalo. Melhor instruída na etapa final, a equipe teve outra cara e com menos de cinco minutos abriu o placar. Após jogada de Mertens, a bola foi cortada e Zielinski encheu o pé da entrada da área. Sem perder o ritmo, os azzurri seguiram produzindo oportunidades, sempre com Mertens protagonista. E no minuto 67, o belga foi lançado em profundidade por Diawara, deixou o veterano Burdisso caído e tocou para Giaccherini ampliar a vantagem no segundo pau. Na medida do possível, os grifoni estiveram bem defensivamente, mas foram insuficientes no ataque: Cholito Simeone acabou dominado por Albiol e Koulibaly, enquanto as jogadas laterais também foram bloqueadas. Na espera do grande confronto contra o Real Madrid, os napolitanos estão no seu melhor momento na temporada, cheios de confiança.

Inter 2-0 Empoli
Éder (Palacio) e Candreva (Éder)

Tops: Éder (Inter) e Skorupski (Empoli) | Flops: Miranda (Inter) e Pucciarelli (Empoli)

Após a derrota para a Juve, na rodada passada, e para a Lazio, na Coppa Italia, a Inter reencontrou o caminho das vitórias em boa partida contra o Empoli, mesmo sem algumas de suas principais peças. Pioli não pôde contar com Banega, Brozovic, Icardi e Perisic, mas viu seu time se portar bem em campo e passar sem muitas dificuldades pelo 17º colocado Empoli. Éder foi o nome do jogo, com participação nos dois gols: primeiro, empurrou de peito para o gol, após confusão na área; depois, deu belíssima assistência de trivela para Candreva fazer 2 a 0. E poderia ter sido mais se o ótimo Skorupski não tivesse executado três milagres e salvado ótimas chances interistas. Os jovens Gabigol e Pinamonti ainda entraram no fim para ganhar rodagem, mas pouco fizeram além de deixar uma boa impressão. Com a vitória, a Inter vai a 45 pontos e se segura na zona de classificação para a Liga Europa. (RA)

Lazio 1-1 Milan
Biglia (pênalti) | Suso

Tops: Milinkovic-Savic (Lazio) e Donnarumma (Milan) | Flops: Immobile (Lazio) e Ocampos (Milan)

No último jogo da rodada, o único encontro entre duas equipes localizadas na parte de cima da tabela – e, não por acaso, as duas únicas que não venceram. Lazio e Milan fizeram uma partida equilibrada na maior parte do tempo, mas com domínio territorial dos donos da casa, que também criaram as chances mais claras de gol. Os dois times foram a campo com esquemas espelhados – dois 4-3-3 com muita mobilidade no ataque –, mas os rossoneri executaram a proposta de Montella com muitos erros e absoluta imprecisão. Mais acostumada a esta forma de jogar, a equipe de Simone Inzaghi chegou ao gol no fim do primeiro tempo, graças a um pênalti duvidoso convertido por Biglia. Donnarumma, para variar, salvou os milaneses com duas grandes defesas, ao passo que Immobile perdeu oportunidades a rodo. No final, Suso achou um gol importante para o Milan, mas que apenas reduziu o amargor do fim de semana, já que Inter e Atalanta ganharam terreno na briga por vagas europeias.

Palermo 1-3 Atalanta
Chochev (Bruno Henrique) | Conti (Spinazzola), Gómez e Cristante (Gómez)

Tops: Gómez e Conti (Atalanta) | Flops: González e Jajalo (Palermo)

Contra o fraco Palermo, a Atalanta aproveitou para encaixar sua segunda vitória seguida ultrapassar a Lazio na briga por uma vaga na Liga Europa. Papu Gómez mais uma vez desequilibrou para os nerazzurri, com um gol e uma assistência, e deixa vivo o sonho do torcedor de ver a Atalanta de volta a uma competição europeia depois de mais de duas décadas. O camisa 10 parece incansável em campo e vive seu melhor momento não só na competição como na carreira: em 2017, é o maior artilheiro da Serie A ao lado de Higuaín, com seis gols em seis rodadas. A vitória leva a Atalanta a 45 pontos, empatada na quarta colocação com a Inter. O Palermo continua afundado na zona de rebaixamento, mas pelo menos comemora que nenhum time da 12ª colocação para baixo venceu nessa rodada. (RA)

Fiorentina 3-0 Udinese
Borja Valero, Babacar (Borja Valero) e Bernardeschi (pênalti)

Tops: Borja Valero e Bernardeschi (Fiorentina) | Flops: Zapata e Danilo (Udinese)

De volta à vitória imediatamente após a goleada sofrida para a Roma, a Fiorentina teve pela frente um adversário duro, mas fez o seu jogo e conquistou importante vitória para seguir firme na briga por vaga europeia. Em partida bem disputada, entre o controle e superioridade técnica do time de Paulo Sousa e o ritmo da Udinese de Delneri, os anfitriões levaram mais perigo, se defenderam bem e abriram o placar no final do primeiro tempo. Depois de grande jogada coletiva, Bernardeschi acertou o travessão e Borja Valero completou no rebote. Na etapa final, dessa vez o meia espanhol protagonizou jogada e passou para Babacar, que se livrou da marcação e chutou de fora da área – fatal o desvio no brasileiro Samir, tirando Karnezis do lance e ampliando a vantagem viola. O terceiro e último gol veio já nos minutos finais: em cobrança de falta de Bernardeschi, a bola bateu no braço de Fofana e o árbitro marcou pênalti. Na marca da cal, o fantasista italiano decretou a vitória.

Torino 5-3 Pescara
Falqué (Benassi), Ajeti, Belotti, Ljajic e Belotti (Falqué) | Ajeti (contra), Benali e Benali

Tops: Belotti e Falqué (Torino) | Flops: Bizzarri e Stendardo (Pescara)

O Torino voltou a vencer após um mês e meio sem resultados positivos, mas não foi com tanta tranquilidade quanto poderia ser contra o lanterninha do campeonato. A equipe de Mihajlovic começou bem e chegou a abrir 5 a 0, mas, incrivelmente, deixou o fim de jogo tenso após levar três gols em menos de 10 minutos. Primeiro, Ajeti marcou contra. Depois, Benali aproveitou a falta de atenção granata no jogo para marcar duas vezes e diminuir a vantagem para 5 a 3. Antes disso, Belotti já havia mostrado o habitual faro de gol e  entrosamento com Falqué e Ljajic, dois jogadores que vinham em baixa na produção ofensiva. Com 35 pontos e dificuldades de manter uma sequência, dificilmente o Torino luta por alguma coisa ainda nesse campeonato. Para o Pescara, já não há salvação: são apenas nove pontos somados em 24 jogos. Não à toa, o técnico Oddo foi às lágrimas no banco de reservas. (RA)

Sampdoria 3-1 Bologna
Muriel, Schick (Djuricic) e Mbaye (contra) | Dzemaili (Verdi)

Tops: Schick (Sampdoria) e Torosidis (Bologna) | Flops: Bruno Fernandes (Sampdoria) e Mbaye (Bologna)

O duelo em Gênova colocou frente à frente duas equipes em momentos contrários na competição. Enquanto a Samp se recupera no campeonato e começa a acumular boas atuações, o Bologna de Donadoni não se acha em campo e vai caindo na tabela. Dzemaili até abriu o placar e deu esperanças para os visitantes, mas a vantagem não resistiu até o fim. Quando o jogo já parecia decidido, a Samp se reergueu e virou faltando menos de 10 minutos para o fim da partida. O empate saiu só aos 37 minutos da etapa final, em marcação de pênalti contestada pelo Bologna. Muriel empatou, Schick virou no minuto seguinte e um gol contra de Mbaye deu números finais a o jogo. Assim, a Samp chega à terceira vitória consecutiva, enquanto o Bologna acumula a terceira derrota em série. (RA)

Sassuolo 1-3 Chievo
Matri | Inglese (Birsa), Inglese e Inglese (Birsa)

Tops: Inglese e Birsa (Chievo) | Flops: Letschert e Aquilani (Sassuolo)

Com um a menos por 87 minutos do jogo (Letschert foi expulso aos três do primeiro tempo por fazer pênalti em situação clara de gol), o Sassuolo surpreendeu ao, ainda assim, sair na frente, com gol de Matri, aos 24 minutos. Mas foi só. A equipe de Di Francesco não soube gerir o resultado e viu Inglese - que perdeu o pênalti no início da partida - dar aula do outro lado e marcar três vezes para virar e garantir a vitória do Chievo. Os três pontos valem para consolidar a boa sequência do Chievo, mas a equipe é outra que já não almeja nada no campeonato. Não deve correr riscos de rebaixamento e não tem chances de chegar na parte de cima. (RA)

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 23ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Tatarusanu (Fiorentina); Conti (Atalanta), Bonucci (Juventus), Fazio (Roma); Gómez (Atalanta), Nainggolan (Roma), Zielinski (Napoli), Bernardeschi (Fiorentina); Éder (Inter), Higuaín (Juventus), Inglese (Chievo). Técnico: Gian Piero Gasperini (Atalanta).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

23ª rodada: Os de cima sobem e os de baixo descem

No clássico contra a Inter, Cuadrado acertou belíssimo chute de fora da área para levar a Juve à 28ª vitória seguida em seus domínios (EFE)
Os times da parte nobre da tabela não decepcionaram nesse fim de semana e, com boas atuações, voltaram a mostrar porque merecem estar nas zonas de classificação para competições europeias. Mesmo a Inter, derrotada pela Juventus, não saiu de Turim com a cabeça baixa, após jogo parelho e boa apresentação contra a líder: se mantém na quinta colocação. Roma, Napoli e Lazio, por sua vez, entraram a mil e golearam seus adversários, sem dó.

A Roma fez 4 a 0 na Fiorentina, nesta terça-feira, e recuperou a vice-liderança que tinha perdido momentaneamente para o Napoli, enquanto os napolitanos e os laziale aplicaram as maiores goleadas do campeonato até aqui em Bologna e Pescara, respectivamente. Na parte de baixo da tabela, a situação de Pescara e Crotone parece cada vez mais irrecuperável e o Genoa continua preso em sua longa sequência sem vitórias. Sorte sua que tem time fazendo mais força pra cair. Leia o resumo da rodada: 

Juventus 1-0 Inter
Cuadrado

Tops: Cuadrado (Juventus) e Handanovic (Inter) | Flops: Lichtsteiner (Juventus) e Candreva (Inter)

No Derby D’Italia, a Juve mostrou porque é difícil lhe tirarem o sexto título consecutivo da Serie A: mesmo não jogando o melhor do seu futebol, a equipe conseguiu vencer a rival Inter em jogo difícil e chegar à 28ª vitória seguida em sua casa. A supremacia dentro de seu estádio dá poucas chances de recuperação para os rivais diretos pelo scudetto e enche de esperanças os torcedores que querem ver uma Juve ainda maior em âmbito europeu. O 4-2-3-1 de Allegri se mostrou muito sólido mais uma vez e parece pronto para ser testado na Liga dos Campeões.

Cuadrado foi quem resolveu o jogo, com um belíssimo chute de fora da área aos 45 minutos do primeiro tempo. O gol saiu após uma primeira etapa muito intensa e que poderia ter acabado com qualquer um dos times à frente o placar. A Inter reclamou justamente de um pênalti de Mandzukic em Icardi, mas não conseguiu voltar para o segundo tempo com a mesma qualidade – a diretoria nerazzurra também se exasperou pelo gancho de dois jogos dado a Icardi e Perisic. À frente no marcador, a Juve chegou com perigo ao ataque mais vezes e exigiu boas defesas de Handanovic em pelo menos três ocasiões, com Pjanic, Higuaín e Mandzukic. Bauza e Conte estiveram nas tribunas para acompanhar a partida e a saída do técnico do Chelsea assim que Dybala foi substituído não deixou os torcedores da Velha Senhora nada felizes: será que vem investida pelo prodígio argentino por aí?

Bologna 1-7 Napoli
Hamsík (Callejón), Insigne (Zielinski), Mertens, Mertens (Zielinski), Hamsík (Mertens), Hamsík e Mertens | Torosidis

Tops: Hamsík e Mertens (Napoli) | Flops: Oikonomou e Destro (Bologna)

Enquanto alguns torcedores viram sócios do Real Madrid para conseguir comprar ingressos para a esperada partida das oitavas de final da Liga dos Campeões de semana que vem, o Napoli faz a sua parte para empolgar ainda mais os fãs. Contra o Bologna, fora de casa, a equipe de Maurizio Sarri não teve dó e não poupou esforços para dilatar sempre mais o placar. Os sete gols colocam o ataque napolitano como o melhor disparado desse campeonato (55 gols marcados, contra 45 da Juve) e cravaram a maior goleada do torneio até aqui. 

Pela primeira vez na história, dois jogadores do Napoli (Hamsík e Mertens) marcaram três gols cada no mesmo jogo. O eslovaco, inclusive, se tornou o segundo maior artilheiro da história do time, com 109 gols, atrás apenas de Maradona (115). Mertens anotou sua terceira tripletta na temporada e virou vice-artilheiro da Serie A, com 16 gols. O atropelo pegou de surpresa o Bologna de Donadoni, que vinha se acertando defensivamente e tinha sofrido apenas quatro gols nos últimos seis jogos. Destro teve a chance de fazer um quando ainda estava 2 a 0 para o Napoli, mas viu Reina defender sua cobrança de pênalti. Torosidis marcou o gol de honra na pior derrota da história rossoblù dentro de casa. 

Pescara 2-6 Lazio
Benali e Brugman (Benali) | Parolo (Felipe Anderson), Parolo (Biglia), Parolo, Keita (Immobile), Immobile (De Vrij) e Parolo (Lulic)

Tops: Parolo e Immobile (Lazio) | Flops: Gyömbér e Caprari (Pescara)

Em Pescara, a Lazio contou com um Parolo inspiradíssimo para fazer a segunda maior goleada do campeonato. O meia marcou quatro vezes e colocou o time da capital romana de novo no caminho das vitórias, após duas derrotas seguidas na Serie A, contra Juve e Chievo. Mas nem tudo é motivo de comemoração para a equipe do técnico Simone Inzaghi: o time mais uma vez sofreu um apagão no meio do jogo e deixou o Pescara, lanterninha da competição, quase virar a partida. Parolo já tinha marcado duas vezes quando a equipe baixou o ritmo e viu o Pescara se aproveitar, empatando com Benali e Brugman e ainda desperdiçando um pênalti com Caprari. Depois do intervalo, Parolo voltou a aparecer para resolver e fez o 3 a 2. Keita e Immobile definiram a vitória fazendo 5 a 2 e Parolo apareceu para anotar seu poker e fechar a conta em 6 a 2. Com o resultado, a Lazio se firma na briga por uma vaga na Liga Europa e coloca pressão em Roma e Napoli, que estão à sua frente ocupando as vagas para a Champions.

Roma 4-0 Fiorentina
Dzeko (De Rossi), Fazio (De Rossi), Nainggolan (Strootman) e Dzeko

Tops: De Rossi e Dzeko (Roma) | Flops: Valero e Babacar (Fiorentina)

Após decepcionar contra a Samp, na rodada passada, a Roma voltou a apresentar bom futebol e, com grande vitória sobre a Fiorentina, recuperou a segunda colocação que tinha perdido momentaneamente para o Napoli. Dzeko foi o nome do jogo, com dois gols que o alçaram à artilharia isolada do campeonato (17 marcados). O bósnio abriu o placar aos 39 minutos do primeiro tempo e dali para frente o domínio giallorosso foi absoluto. A Fiorentina não se encontrou em campo e, com uma defesa irreconhecível, viu os donos da casa fazerem 2 x 0, 3 x 0 e 4 x 0 com certa facilidade até. De Rossi também apareceu muito bem, com duas assistências, enquanto na Fiorentina fica difícil citar alguém que não foi mal. Mais fácil citar que decepcionou demais: Carlos Sanchez, Borja Valero e Khouma Babacar. Com o resultado, a Roma continua como principal rival da Juve na luta pelo scudetto, enquanto a viola cai para a sétima colocação e perde chão para a Atalanta na disputa com Lazio e Inter por uma vaga na zona de classificação para a Liga Europa.

Milan 0-1 Sampdoria
Muriel

Tops: Muriel e Viviano (Sampdoria) | Flops: Zapata e Bacca (Milan)

O Milan não cansa de decepcionar sua torcida. Jogando em casa, o time mais uma vez jogou mal e chegou à terceira derrota consecutiva no campeonato, deixando escapar nova oportunidade de encostar na briga por uma vaga na Liga Europa. A derrota da Inter para a Juve permitiria uma aproximação em pontos, mas a equipe de Montella não soube aproveitar a oportunidade. Estagnados nos 37 há três rodadas, os rossoneri continuam cinco atrás da rival de Milão, quinta colocada. Muriel decidiu a partida em cobrança  de pênalti e a torcida milanesa já decidiu o culpado pelo péssimo momento: Bacca. Os xingamentos ao atacante crescem a cada rodada e nem Montella sabe mais como defender o centroavante que não leva perigo algum ao gol adversário: “Não é o verdadeiro Bacca…”, resumiu o técnico ao fim da partida. 

Atalanta 2-0 Cagliari
Gómez (Conti) e Gómez

Tops: Gómez e Conti (Atalanta) | Flops: Isla e Tachtsidis (Cagliari)

Enquanto o Milan tropeça, a Atalanta vai aproveitando as oportunidades para se tornar ela mesma a postulante a uma vaga na zona de classificação para a Liga Europa. Com a vitória sobre o Cagliari, o time chega a 40 pontos, apenas dois atrás da Inter, última na zona-LE, e o mantém o sonho europeu vivo. O time de Gasperini mostrou muita organização e qualidade mais uma vez e contou com o faro artilheiro do fantasista argentino Gómez para matar a partida com facilidade. Ele aproveitou suas duas primeiras chances e fez 2 a 0, com dois belos gols, ainda com 17 minutos no cronômetro. Os donos da casa ainda criaram outras chances, mas ficou por isso mesmo. O Cagliari chega à terceira partida sem vencer e permanece na metade de baixo da tabela.  

Empoli 1-1 Torino
Pucciarelli | Belotti (Ljajic)

Tops: Skorupski e Croce (Empoli) | Flops: Ajeti e Falqué (Torino)

Na briga para continuar alguns pontos acima da zona de rebaixamento, o Empoli comemorou um empate com o Torino em jogo no qual foi pior a maior parte do tempo. Belotti, sempre ele, marcou seu 15º gol no campeonato para deixar o Torino na frente, mas viu uma poça d’água acabar com a farra: chovia muito na Toscana e o zagueiro albanês Ajeti foi mal na estreia, ao recuar para o goleiro Hart e oferecer a bola de presente para Pucciarelli empatar a partida. Depois, Skorupski ainda defendeu pênalti de Iago Falqué para garantir ponto precioso para os donos da casa, que agora somam 23, nove à frente do Palermo, primeiro dentro da zona de rebaixamento. O Torino, apesar do bom futebol, continua mostrando irregularidade e baixo aproveitamento em cobranças de pênalti: só converteu duas das sete que teve a favor.

Palermo 1-0 Crotone
Nestorovski (Embalo)

Tops: Nestorovski e Bruno Henrique (Palermo) | Flops: Trotta e Nalini (Crotone)

No jogo dos desesperados (18º contra 19º), o Palermo contou mais uma vez com o bom momento de Nestorovski para alcançar sua primeira vitória no Barbera na temporada e voltar a ter um pouco de esperança de se livrar do rebaixamento. Com um a mais na maior parte do jogo, os donos da casa foram melhores e mereceram a vitória, afundando o Crotone e ganhando sua posição. Nove pontos atrás do Empoli, o primeiro time fora da zona de rebaixamento, o Palermo se agarra ao fato de ainda enfrentar o rival direto pela salvezza em casa, na última rodada. Será que dá para tirar seis ou sete pontos de desvantagem em meio à bagunça administrativa pela qual passa o time siciliano?

Genoa 0-1 Sassuolo
Pellegrini

Tops: Pellegrini e Acerbi (Sassuolo) | Flops: Cataldi e Pandev (Genoa)

Um que deve começar a se preocupar com o rebaixamento antes que seja tarde demais é o Genoa. Já são nove partidas sem vencer na Serie A (desde novembro, contra a Juve) e resultados ruins inclusive contra times que brigam para não cair, como Palermo (derrota) e Crotone (empate). São só dois pontos conquistados nas últimas sete partidas e uma realidade cada vez mais complicada para a equipe de Juric, que já esteve longe do perigo da Serie B, mas agora começa a se preocupar com a série negativa. Pellegrini marcou o único gol da partida e levou levou o Sassuolo a 27 pontos e ao meio da tabela. Vale ressaltar que o jogo quase não aconteceu, por causa de um temporal, e que o gramado encharcado condicionou a atuação dos times.

Chievo 0-0 Udinese
Tops: Gamberini (Chievo) e Danilo (Udinese) | Flops: Pellissier (Chievo) e Zapata (Udinese)

Chievo e Udinese fizeram o pior jogo da rodada e escrevo isso antes de Roma e Fiorentina entrarem em campo para finalizar a 23ª. Não teve emoção, não teve finalização perigosa, não teve jogada de efeito, não teve nada. O primeiro tempo, para se ter uma ideia, terminou sem um chute a gol sequer. Nada há destacar. Mas, ok, não dava para esperar muito de um jogo entre equipes que não têm problemas com a salvezza, mas também sabem que não podem almejar mais do que um meio de tabela. 

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 22ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Conti (Atalanta), Fazio (Roma), Acerbi (Sassuolo); Cuadrado (Juventus), Hamsík (Napoli), Parolo (Lazio), Gómez (Atalanta); Mertens (Napoli), Dzeko (Roma), Dybala (Juventus). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Rivalidade eterna

Ofendido por um torcedor no sábado, Biglia sacramentou a classificação da Lazio na Coppa (Getty)
Após a definição da primeira semifinal da Coppa Italia, na semana passada, faltava saber quais times fariam o outro confronto para decidir um dos finalistas. Se, de um lado, Inter e Lazio fariam um duelo equilibrado, a Roma era clara favorita contra o Cesena, da Serie B. No entanto, as duas partidas das quartas não seguiram um roteiro esperado.

Na terça, a Lazio surpreendeu a Inter em pleno Giuseppe Meazza e arrancou uma vitória com certa facilidade. Inicialmente, os donos da casa chegaram a comandar as ações do jogo, e Kondogbia até acertou a trave, com um chute forte com a perna direita. Dali em diante, só os biancocelesti jogaram: Immobile desperdiçou uma chance clara e, aproveitando enormes espaços nas costas de Ansaldi e a partida ruim de Miranda, Felipe Anderson brilhou. Sempre acionado em contra-ataques, o brasileiro perdeu chances incríveis, chutando torto ou parando em Handanovic, mas foi o responsável por abrir o placar. Ele se infiltrou em diagonal e deu uma casquinha na bola, desviando cruzamento para tirar o goleiro da jogada.

Em desvantagem no placar e com atuações ruins, a Beneamata foi para o tudo ou nada no segundo tempo: Pioli sacou Palacio e Banega para colocar Icardi e João Mário, mas a Lazio manteve sua soberania. Pouco depois de Parolo perder gol feito, a arbitragem anotou pênalti por toque de mão de Miranda e expulsou o brasileiro. Biglia converteu a penalidade e colocou um muro quase intransponível para a Inter, com 10 em campo, sobrepor. Vale salientar que a classificação foi sacramentada justamente pelo capitão, que recebeu uma cusparada de um torcedor no sábado, após a derrota para o Chievo, e tentou revidar.

Radu até foi expulso e deu alguma emoção ao jogo, mas o gol de Brozovic foi insuficiente para os nerazzurri. Com o 2 a 1 fora de casa, a equipe da capital acabou com a invencibilidade de nove jogos dos interistas e chega fortalecida para o clássico contra a Roma.

Sempre ele: o capitão manteve a Roma viva na briga pelo título da competição (Getty)
A Loba giallorossa era favoritíssima para passar fácil pelo Cesena, mas não fez jus à superioridade e suou para alcançar as semifinais, mantendo vivas as chances de vingar a derrota na final da copa para a própria Lazio, em 2013. O fantasma da eliminação prematura na competição frente a um time da segundona ficou vivo durante toda a noite no Olímpico e só foi exorcizado com um pênalti duvidoso, no quinto minuto de acréscimo da segunda etapa. Totti, capitão e maior caçador de criaturas medonhas da história de La Maggica, afastou a possibilidade de o Cesena repetir o Spezia, que na última temporada, bateu a Roma nos pênaltis e avançou às quartas.

O primeiro tempo acabou sem gols, mas foi por pouco. Com as chances mais claras, os cavalos marinhos da Emília-Romanha só não marcaram o primeiro porque Alisson fez duas ótimas defesas e porque a trave atrapalhou. Após o intervalo, o equilíbrio se manteve até que Dzeko abrisse o placar. Mas não houve alívio: na reta final da partida, Garritano aproveitou clamoroso erro do zagueiro Manolas e do guarda-metas brasileiro para empatar o jogo. Até que, aos 95, Totti converteu o pênalti salvador. E que garantirá rivalidade nas duas chaves das semifinais, que serão disputadas em jogos de ida e volta, que ocorrerão entre o fim de fevereiro e o início de abril: além de Lazio e Roma, Juventus e Napoli brigam por uma vaga na decisão.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Jogadores: Edwin van der Sar

Holandês foi um dos grandes da posição na história, mas teve na Juve seu calcanhar de Aquiles (Reuters)
Hoje é dia de convidado especial no blog. Para falar sobre a passagem de Edwin van der Sar pela Itália, convidamos não só um dos maiores fãs do goleiraço, mas o maior especialista em futebol holandês do Brasil. Prestigiem o texto do Felipe dos Santos Souza, colunista da Trivela e responsável pelo excelente blog Espreme a Laranja, dedicado à Eredivisie e à Oranje. Boa leitura!

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Hoje, considerar Edwin van der Sar um dos melhores goleiros de sua geração é lugar comum. E é uma ideia mais do que justificável: o holandês nascido em Voorhout impunha presença física respeitável (1,97m, 85kg), além de sempre transmitir calma e segurança sob as traves, saber jogar bem com os pés e exercer liderança natural sobre os times por que passou. Todavia, se a visão sobre a carreira do atual diretor geral do Ajax é mais do que positiva após seu término, não foi sempre assim. E foi justamente na malograda passagem pela Juventus que Van der Sar perdeu terreno em relação a outros destaques do gol nos últimos 25 anos - como Gianluigi Buffon, seu sucessor na Juve. Todavia, era difícil pensar que VDS pudesse fracassar na Velha Senhora quando a possibilidade surgiu, em 1999.

Afinal de contas, a carreira do goleiro era feita de ascensões vertiginosas. Ainda na década de 1980, ele começara em duas equipes amadoras: primeiro o Foreholte, depois o Noordwijk. Neste, o treinador era Ruud Bröring, um professor de educação física – que tinha um grupo de amigos com o qual jogava baralho mensalmente. Também fazia parte daquela confraria outro professor de educação física, chamado... Louis van Gaal. E no começo de 1989, então auxiliar técnico do Ajax, Van Gaal disse a Bröring que precisava de um goleiro promissor. O colega de carteado indicou o jovem alto que era titular do Noordwijk. Bastou para que Van Gaal apostasse, trazendo Van der Sar para o time de juniores do Ajax, durante a temporada 1989-90.

Na temporada seguinte, o novato já era reserva de Stanley Menzo no time de cima – pelo qual estreou em 23 de abril de 1991, contra o Sparta Rotterdam, pela 25ª rodada do Campeonato Holandês, substituindo o lesionado titular. Cada vez melhor entrosado, cada vez mais mostrando que sabia jogar com os pés (iniciando contra-ataques, batendo bem na bola, trocando passes com os zagueiros quando necessário), Van der Sar pedia passagem na equipe. Agora já como técnico principal do Ajax, Van Gaal sabia disso. E duas falhas de Stanley Menzo no jogo de ida contra o Auxerre, pelas quartas de final da Copa UEFA 1992-93, foram suficientes para que, na partida seguinte do torneio continental, Van der Sar entrasse no time titular do Ajax para não sair mais.

A partir de então, o crescimento do goleiro se acelerou. Mesmo sem ter jogado nenhuma partida pela seleção holandesa até então, Van der Sar foi convocado por Dick Advocaat para a Copa de 1994, na qual foi o terceiro goleiro da Laranja. E pelo Ajax, como mais um dos garotos escolhidos a dedo, entrosados e desenvolvidos sob o comando de Van Gaal, o arqueiro tornou-se o primeiro nome de uma escalação que fez história, conquistando três Campeonatos Holandeses (1993-94, 1994-95 e 1995-96 – em 1994-95, de forma invicta, sem perder em nenhuma das 34 rodadas), duas Supercopas da Holanda (1994 e 1995), uma Supercopa Europeia (1995) e, principalmente, a Liga dos Campeões da Europa, em 1994/-5, e o Mundial Interclubes, em 1995. Depois, os Amsterdammers ainda conseguiram mais alguns feitos ao longo da década de 1990. Alcançaram a segunda final de Champions seguida, em 1995-96; ganharam mais um Campeonato Holandês (1997-98), e mais duas Copas da Holanda (1997-98 e 1998-99).

Individualmente, Van der Sar também evoluía. Em 1995, enfim estreou pela seleção da Holanda, para também não deixar mais de ser o titular, durante os 13 anos em que atuou por ela. Por quatro anos seguidos, foi eleito o melhor goleiro da Holanda, entre 1994 e 1997. Em 1998, ganhou o prêmio de melhor jogador do país – em geral, mesmo. E pela Oranje, já tinha uma Euro (1996) e uma Copa do Mundo (1998) no currículo, como titular. Era claro: Van der Sar já ganhara tudo o que podia no futebol holandês.

Pólos opostos: Conte, sinônimo de sucesso em Turim, e van der Sar, que fracassou no Delle Alpi (Tumblr)
A hora de passar por novos desafios chegou em 1999, após um mau ano do Ajax (6º colocado na liga holandesa, em 1998-99). Conforme contou em sua biografia, escrita pelo jornalista holandês Jaap Visser e lançada em 2011, Van der Sar comentou com seu agente, Rob Jansen: “Eu já tive o bastante na Holanda. Frank e Ronald [de Boer] já se foram [para o Barcelona], Danny Blind vai parar de jogar (e parou mesmo, no meio de 1999), Litmanen não renovará seu contrato [foi para o Liverpool]. Não quero mais ficar. Vou para uma competição com mais estrelas. Quero ir para Espanha, Inglaterra ou Itália”. E começaram as propostas.

Duas delas, oficialmente, da Itália. A primeira, da Lazio, segundo Van der Sar: “Foi o primeiro time a chegar. Eles ficariam mais um ano com Luca Marchegiani, e ficariam comigo depois. Eu assinaria um pré-contrato, receberia o dinheiro, e ainda seria emprestado ao Ajax por mais uma temporada. Mas recusei de imediato: se eu assinasse, quereria ir imediatamente, já estava terminado o meu tempo no Ajax”.

Depois, mesmo com outro interesse concreto do Liverpool, chegou a Juventus. E um triunvirato negociou com Van der Sar e o agente: Luciano Moggi (diretor-geral da Juve), Roberto Bettega (diretor técnico) e Carlo Ancelotti, técnico bianconero. O goleiro relatou, em suas memórias: “Bettega disse que eles queriam jogar diferente, de um modo mais ofensivo, com as jogadas construídas desde a defesa. Eu disse: ‘Seria ótimo, porque me sinto bem se eu puder jogar com os pés. Quero ter a bola recuada para mim, rolar a pelota, é o meu tipo de jogo’. ‘Ótimo’, eles responderam, ‘é o que queremos também’. Quiseram fazer negócio imediatamente. A Juventus queria um contrato por cinco anos; eu, por quatro. Acertamos assim, mas com um salário um pouco mais baixo”. E assim, em junho de 1999, Van der Sar acertou sua ida para a equipe alvinegra do Piemonte e se tornou o primeiro goleiro estrangeiro do tradicional clube.

A chegada a Turim foi cheia de otimismo, como o ex-goleiro recordou: “A Juventus tivera uma temporada ruim, também [7ª colocada na Serie A em 1998-99], mas havia muitos grandes jogadores. Alessandro Del Piero, Zinédine Zidane, Ciro Ferrara, Paolo Montero, todos jogadores contra quem eu já havia atuado. Acima de tudo, tinham contratado Edgar Davids. Era um clube com dinheiro, um clube de ponta na Europa, em condição de continuar assim. Não se diz não a essas coisas. Claro que eu sabia que ser goleiro na Itália é algo diferente de ser goleiro na Holanda. Mas a Juventus era um time ofensivo, e queria ser ainda mais ofensiva. O técnico e os dirigentes haviam dito isso. E eu acreditei”.

Crença que começou a ser ameaçada tão logo Van der Sar estreou na equipe. E um episódio foi fundamental para que ele visse que a adaptação à Itália seria mais difícil do que esperava: “No meu primeiro jogo, pela Copa Intertoto, contra um clube romeno [Ceahlaul Piatra Neamt], eu recebi uma bola recuada da ponta. Já tinha visto que Ferrara estava livre no meio; permitia a chegada por trás de um adversário, mas estava livre. Pensei: ‘Vamos jogar diferente, mais ofensivamente, e o goleiro participa disso atrás’, e aí mandei a bola de primeira para Ferrara. Mas ele se assustou, mandou rapidamente a bola pela lateral e fez sinais, como quem me dissesse ‘o que está fazendo, idiota?’. Ancelotti saiu imediatamente do banco e gritou: ‘Van der Sar, manda essa bola para frente!’. Eu só pensei: ‘Caramba, não posso mais fazer isso por enquanto. Não estão acostumados, ainda’”.

As dificuldades de adaptação ao estilo italiano de jogo continuaram. Van der Sar lembrou dos trabalhos com Wiliam Vecchi, treinador de goleiros da Juve à época: “É um cara muito gentil, ainda tenho contato com ele. (...) O problema é que não era flexível. Eu tinha de treinar à maneira italiana, porque era a melhor, segundo ele. A Itália tinha mais goleiros internacionalmente conhecidos do que a Holanda, isso era inquestionável. Mas eu podia ter chegado a ele e dito que eu não era um goleiro ‘italiano’, e que não me parecia boa ideia tentar fazer isso de mim”. O jeito era se mirar no goleiro reserva: “Michelangelo Rampulla era usado para mostrar o que era pedido de mim. Vecchi sempre dizia, apontando para ele: ‘Michelangelo é seu espelho’. A gente fazia muitos exercícios no chão. Pegar bolas na esquerda, na direita, sem parar. (...) Vecchi não era mau treinador, longe disso. Mas ele se baseava em sua visão, e não ligava para minha base. E minha autoconfiança começou a cair”.

Totti supera Van der Sar com uma cavadinha na Euro 2000 (LaPresse)
Com a habilidade no jogo com os pés pouco exigida, Van der Sar só participava do jogo na hora das defesas. Era pouco notado em campo – a ponto da Gazzetta dello Sport sequer dar notas a ele, em algumas partidas da Serie A, durante a temporada 1999-2000. Para piorar, a Juventus decepcionou naquele ano: com a queda para o Celta de Vigo nas oitavas de final da Copa UEFA e, principalmente, com a perda do título italiano na última rodada da liga, caindo para o Perugia num jogo sob chuva torrencial e vendo a Lazio superar a desvantagem de um ponto ao vencer a Reggina. Somente a vitória anônima na Copa Intertoto de 1999 sobrara para a Juve. Nem mesmo o fato de ter sido o goleiro menos vazado do certame tirou a incômoda impressão de que Van der Sar ficara devendo, para a expectativa que causara em sua chegada.

O próprio goleiro vivenciava isso da pior maneira possível: tendo de ouvir o questionamento da torcida. Já adaptado ao país e falando a língua (morava em Cavoretto, bairro afastado de Turim), Van der Sar lembrou: “Já tinham me dito que na Itália tudo é futebol, futebol, futebol. Eu sabia, mas ainda assim me surpreendi. Em cada loja, em cada restaurante você era abordado para falar do assunto”. E prometia para si: “Quando aquela temporada terminou, eu só queria uma coisa: ir para casa. (...) Queria sair de Turim, sair da Itália, ir para a Holanda, para a minha família, para a Euro. Estava muito motivado para aquele torneio, em casa (Bélgica e Holanda foram sedes conjuntas da Euro). Pensava: ‘Beleza, jogo pela seleção holandesa, seremos campeões europeus, e aí eu mostrarei algo àqueles italianos’”.

O destino tratou de ser ainda mais irônico com o guarda-metas de Voorhout. Na semifinal da citada Euro 2000, disputada em plena Amsterdam Arena, a Holanda teve como adversária justamente a Itália. E Van der Sar viu a Oranje decepcionar um estádio todo laranja: com dois pênaltis perdidos no tempo normal, o time anfitrião fracassou ao tentar superar uma Azzurra que jogava com dez desde os 33 minutos do primeiro tempo – Gianluca Zambrotta, companheiro de Van der Sar na Juventus, fora expulso. O 0 a 0 ficou no placar por 120 minutos. E na decisão por pênaltis, quem brilhou não foi Van der Sar (que até pegou uma cobrança, de Paolo Maldini). O destaque supremo foi o outro goleiro do jogo: Francesco Toldo, que defendeu duas cobranças laranjas (Frank de Boer e Paul Bosvelt), viu Jaap Stam chutar nas nuvens de Amsterdã, e foi o símbolo de uma classificação heróica do Belpaese à final do torneio continental.

Tal decepção só aumentou em Van der Sar a sensação de que algo tinha de mudar em 2000-01: “Quando a ressaca da derrota na Euro diminuiu, eu só queria uma coisa: revanche. Revanche de tudo. Eu precisava e iria arrebentar na Juve. Eu queria afastar as dúvidas: do clube, da torcida, da imprensa. Pensava comigo mesmo: ‘Não desista, o primeiro ano foi de adaptação, agora seguramente as coisas vão melhorar”. Não melhoraram. Muito ao contrário.

Se em 1999-2000 Van der Sar fora apenas discreto, cometeu falhas desabonadoras em seu segundo ano no Piemonte. Começando em novembro de 2000. No dia 8, pela primeira fase de grupos da Liga dos Campeões, a Juve perdeu para o Panathinaikos (3 a 1), e o holandês foi o vilão: não só falhou no primeiro gol dos Trevos, ao não fechar bem o ângulo, mas também cometeu o pênalti que levou ao segundo gol do time helênico – e ainda foi expulso por isso. Mais três dias, e no empate por 1 a 1 contra a Lazio, pela 6ª rodada da Serie A, Van der Sar falhou de novo: deixou passar bola fácil no gol laziale, marcado por Marcelo Salas.


De goleiro cobiçado e pronto para se tornar um dos melhores do mundo quando chegou, Van der Sar passava a ser definitivamente ridicularizado. Apelidos como “Van der Gol” e “O homem das mãos de manteiga” tornaram-se comuns entre torcedores. Stefano Tacconi, de passado respeitável na Juve e no gol, não perdoava: “Van der Sar é melhor com os pés do que com as mãos, o estilo dele não combina com a Itália”. Surgiam até boatos de que Van der Sar era míope, e não via bolas vindas nos chutes de longe. Os resultados do time não ajudavam: a equipe foi eliminada da Liga dos Campeões já na fase de grupos.

O golpe de misericórdia na passagem de VDS foi dado na 29ª rodada do Italiano daquela temporada, contra a líder Roma: uma vitória aproximaria a Juve do time da capital, reabrindo a disputa pelo título. Jogando no Delle Alpi, os bianconeri faziam 2 a 0. Mas aos 33 minutos do segundo tempo, Hidetoshi Nakata acertou um chute no ângulo direito de Van der Sar. Finalmente, no último minuto do tempo regulamentar, Vincent Candela deu a bola a Nakata. O japonês bateu de longe, e Van der Sar foi infeliz: deu o rebote nos pés de Vincenzo Montella, que não perdoou e empatou. O 2 a 2 fora de casa praticamente colocou os giallorossi na rota do título que terminariam por conquistar. E o goleiro holandês caía definitivamente em desgraça.

"Com os erros, a queda na autoconfiança se acentuou ainda mais. Na biografia de Van der Sar, a esposa Annemarie (que já o acompanhava em Turim) descreveu: "Edwin começou a duvidar de si mesmo. Primeiro, ele pensou 'não preciso falar disso, as coisas se resolverão sozinhas'. (...) Quando não se resolveram, ele achou que podia resolver sozinho. Mas não deu certo, e foi piorando. Ficou tão grave que ele nem queria ir mais para o treino. Perdeu peso, e adoeceu muitas vezes". O agente Rob Jansen também comentou sobre a crise: "Uma noite, ele me ligou do nada. Foi estranho, porque ele não ligava assim de repente. 'Rob, você precisa me ajudar. Estou com um enorme problema'. Ele chegou rápido em casa. Eu disse: 'E aí, o que é?'. Ele: 'Eu não sei mais como devo agarrar uma bola'. A pequena crise depressiva do holandês só se ajeitou com palavras de Annemarie: "Um dia, de manhã, quando ele não queria sair da cama, eu sabia que tinha mais coisa por trás disso. Um dia, entrei no quarto, abri as cortinas e disse: 'Olha só: estamos aqui na Itália pela sua carreira. Faço o melhor que posso com nossos dois filhos, me esforço, e você nem quer saber. Você vai sair da sua cama, vai tomar banho e vai trabalhar. Tem coisa mais dura no mundo do que você deixar uma bola passar, como goleiro'. Foi um ponto de virada, como se ele tivesse acordado".

Ainda assim, depois das infelicidades na temporada 2000-01, o goleiro tinha esperanças de poder se recuperar. Na biografia, revelou: “Eu cheguei a Luciano Moggi e perguntei ‘e aí, chefe, quais são os planos para a próxima temporada?’ Ele disse: ‘Não se preocupe, rapaz, não acontecerá nada. Haverá algumas mudanças, queremos fortalecer o grupo, e você fica’”. Mas veio a venda de Zidane para o Real Madrid, o dinheiro começou a sobrar para contratações, e uma das principais foi a vinda de Gianluigi Buffon, a peso de ouro (52,8 milhões de euros), para o gol. Era a senha indireta para que Van der Sar arranjasse outro clube. O próprio sabia: “Não teria disputa de posição, porque já estava claro quem seria o titular”. Ficou a raiva apenas pela mudança repentina de planos. À época, em 2001, o holandês queixou-se: “Me senti traído”.

Na biografia, aprofundou: “Você não decide gastar um dinheiro desses de uma hora para outra. Eu disse que Moggi deveria ter me dado uma definição, para eu poder definir cedo um outro clube para jogar”. O tempo passou, veio o Calciopoli – envolvendo Moggi –, e o ex-jogador  não perdeu a chance de espezinhar o ex-diretor da Juve: "Depois de tudo, ficou claro como Moggi não era confiável. Ele fez todo tipo de desonestidade, subornou juízes, fraudou, fez coisas tão graves que foi preso. Eu devia ter notado, o cara estava sempre com dois telefones nas mãos".

Por mais que tenha gostado do tempo passado na Itália, em termos pessoais (“No futebol, foi uma tristeza, mas a vida foi ótima. (...) Viajávamos regularmente por Roma, por Florença, pela Sardenha, o sul, arquitetura linda, natureza linda, comida deliciosa”), Van der Sar demorou para retomar a regularidade que não faltou a alguns de seus pares – como o próprio Buffon, aposta hoje convertida em história viva. O holandês foi para o Fulham, em julho de 2001, pensando em jogar a Copa de 2002 para, a partir dela, voltar a um grande clube. Não deu certo, de novo: a Holanda ficou fora do Mundial, e coube a VDS ocupar seu posto nos Cottagers.

Por mais que a passagem pelo Fulham tenha sido elogiável, a verdade é que Van der Sar só começou a ser reconhecido e lembrado novamente quando aceitou a proposta do Manchester United, em julho de 2005 (quando Alex Ferguson corrigiu o que julgou ser “um dos grandes erros de sua carreira”). Em Old Trafford, o arqueiro holandês recuperou a confiança. E já veterano, voltou à doce rotina dos títulos, como sonhava na Juve: cinco títulos ingleses, duas Copas da Liga Inglesa, um Mundial de Clubes e, acima de tudo, a Liga dos Campeões, em 2007-08. Na conquista da Europa, o holandês foi a cara do lance decisivo da final, ao defender a cobrança de Nicolas Anelka, do Chelsea, na decisão por pênaltis, definindo-a em 6 a 5 para os Red Devils, após 1 a 1 em 120 minutos.

Depois, Edwin ainda foi escolhido o melhor goleiro da Europa, em 2009. E bateu o recorde de invencibilidade de um goleiro em campeonatos dos países do Reino Unido: 1311 minutos sem sofrer gols, na temporada 2008-09. Sem contar as duas finais de Liga dos Campeões que jogou (2008-09 e 2010-11), as participações nas Euros de 2004 e 2008, a atuação na Copa de 2006, o recorde de jogos pela seleção da Holanda...

Enfim, Van der Sar parou em 2011, aos 40 anos, deixando saudades. E duas histórias que envolvem italianos exibem com mais precisão como ele conseguiu reerguer a carreira, após a passagem pela Juventus. A primeira: na Euro 2008, durante o aquecimento das seleções de Holanda e Itália, antes da Oranje sobrepujar a Azzurra por 3 a 0, VDS foi abraçado justamente por Buffon, àquela altura já convertido em um dos ases históricos das três traves no Belpaese. E Gigi disse a Sar: “Edwin, meraviglioso, sei un grande” (“Edwin, maravilhoso, você é um grande”), em referência à recente conquista da Liga dos Campeões.

A segunda: em fevereiro de 2009, dias antes de ser fulminado por uma hemorragia cerebral, Candido Cannavò escreveu aquela que seria sua última coluna na Gazzetta dello Sport antes de morrer. E o tema do texto derradeiro de um dos decanos do jornalismo italiano na editoria de esportes foi justamente o recorde de invencibilidade do holandês na Inglaterra. A coluna foi intitulada “Nessuno ride più su Van der Sar” (“Ninguém ri mais de Van der Sar”). Um reconhecimento tardio de que, se a Juve não foi o sonho que parecia ser para o goleiro holandês, ele também não foi o trapalhão que pareceu ser quando atuou pela Velha Senhora.

Edwin van der Sar
Nascimento: 29 de outubro de 1970, em Voorhout, Holanda
Posição: goleiro
Clubes: Ajax (1990-99), Juventus (1999-2001), Fulham (2001-05) e Manchester United (2005-11)
Títulos conquistados: Mundial Interclubes (1995), Mundial de Clubes da FIFA (2008), Liga dos Campeões (1995 e 2008), Copa UEFA (1992), Supercopa Europeia (1995), Holandês (1994, 1995, 1996 e 1998), Copa da Holanda (1993, 1998 e 1999), Supercopa da Holanda (1993, 1994 e 1995), Campeonato Inglês (2007, 2008, 2009 e 2011), Copa da Liga Inglesa (2006 e 2009) e Supercopa da Inglaterra (2007, 2008 e 2010)
Seleção holandesa: 130 jogos