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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Escudo manchado

Del Piero, ao centro, ainda no time de base do Padova, que o revelou para a Itália. Hoje, os biancoscudati vivem a pior fase de sua história, com falência declarada por não terem dinheiro para pagar inscrição na Serie C
"Os aplausos dos padovanos me emocionaram muito e, conhecendo o amor que eles têm pelo time de coração, imagino que estejam sofrendo muito. Espero que se reergam rápido", escreveu Alessandro Del Piero, em sua página oficial, poucas horas após o anúncio de falência do Padova, na última terça-feira. As palavras de carinho do craque italiano podem não ter feito cessar o choro dos cerca de 200 mil torcedores do clube centenário, mas com certeza os fizeram lembrar da importância do time para a história do futebol da Bota. 

Os alvirubros da região do Vêneto completaram 104 anos no último mês de janeiro e figuram na lista dos clubes mais antigos da Itália. No primeiro artigo de seu estatuto social, Giorgio Treves de Bonfili, fundador que exerceria também a função de treinador e jogador do time nos primeiros anos, se comprometia com a "difusão do futebol com objetivo da educação física da juventude", antecipando a tradição de clube formador do Padova. 

Não à toa, os resultados nas categorias de base sempre foram mais expressivos que entre os profissionais: são sete taças conquistadas com juniores e semiprofissionais e apenas quatro com o time principal (uma Serie B, uma Serie C e duas Serie C2). A última joia que saiu dos campos de Padova foi Stephan El Shaarawy, estrela do Milan atualmente. O ítalo-egípcio foi outro que fez questão de expressar sua tristeza após a falência: "Vivi momentos belíssimos com o Padova. Sofri, sonhei e me alegrei junto com os torcedores e tive uma experiência única, que me fez crescer muito. 104 anos de história não podiam ser apagados assim", lamentou. 

A equipe, com 27 participações na Serie A (16 delas na fase moderna do torneio, a última em 1995-96), disputou a segunda divisão nacional na última temporada e acabou rebaixada à Serie C. Com problemas financeiros graves, o time não conseguiu os 600 mil euros necessários para se inscrever na Liga e teve que desistir de disputar a terceira divisão 2014-15. A desastrosa gestão de Diego Penocchio no comando do clube fez até sócios antigos tentarem se unir para salvar o time, mas nada deu certo. 

Agora, o clube fecha as portas para o futebol profissional e se concentrará na formação de times de base, enquanto tenta se recuperar e voltar ao cenário principal do futebol italiano. A esperança dos torcedores é que aconteça como ocorreu com o Napoli no início do século. Em 2004, a equipe declarou falência, mas com o esforço de empresários locais e, principalmente, do produtor cinematográfico e atual dono Aurelio De Laurentiis, voltou à atividade logo em 2006. 

Del Piero em ação pelos biancoscudati
Lendas
Não fosse o clube, pelo menos dois dos maiores nomes da história do futebol italiano talvez nem existissem. Del Piero foi formado no Padova, antes de virar um dos maiores ídolos da história da Juventus, e Nereo Rocco, treinador que revolucionou a forma de jogar na Itália, só foi reconhecido como grande técnico após sua passagem pelo alvirubro, quando levou o time ao melhor resultado de sua história: o terceiro lugar na Serie A de 1957-58.

Foi Rocco quem levou à Itália o estilo defensivo de futebol que a seleção da Suíça consagrou nos anos 1930 e pautou a formação de muitos times da Bota, com o famoso catenaccio. Ele lançou o lendário Cesare Maldini no Milan e insprou Giovanni Trapattoni e Helenio Herrera, dois dos treinadores mais vitoriosos da história. Certa vez, já no fim da carreira - e com 2 campeonatos italianos, 2 Copa dos Campeões e uma taça Intercontinental no currículo -, ele afirmou que o Padova foi o único time da história que executou o catenaccio de forma correta. É ou não parte importantíssima da história do futebol italiano esse tal de Padova? Que a falência signifique apenas um até logo, não um adeus. O escudo há de levantar a guarda novamente.

* No mesmo dia, o Siena também anunciou falência. A Robur, tradicional equipe da Toscana e com 9 participações na Serie A (a última delas em 2012-13), tentam começar de novo a partir da Serie D.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Novos tempos em Vinovo

Conte fez muito pela Juve e o clube fez muito para o treinador. A hora chegou para ambos tomarem seus próprios rumos (Foto: Ansa)

Não há nada mais oficial que a demissão de Antonio Conte. O treinador e a Juventus decidiram, por acordo mútuo, que seguirão caminhos distintos a partir da temporada 2014-15. 

O dia 15 de julho começou com novos rumores sobre a saída de Conte. Hoje foi o segundo dia da pré-temporada, e a imprensa italiana noticiava a todo momento que a Juve não fazia mais parte dos planos do técnico. 

Conte tinha vínculo com os bianconeri até 2015 e rejeitou uma renovação de três anos, com o valor de cinco milhões de euros anuais. Ele disse: "você não pode jantar em um restaurante de alto padrão com dez euros", referindo-se às baixas chances de seu trabalho melhorar, com um eventual título da Liga dos Campeões. 

Melhorar não seria possível, mas o treinador optou por continuar, após uma novela de conversas após a última temporada. O ex-treinador da Juventus não estava satisfeito com os planos de mercado. Vale lembrar que ele recusou o Paris Saint-Germain e, em maio último, mandou o Monaco pastar após uma oferta milionária. Agora, com uma oferta seguramente menor, ele é o favorito para assumir a Itália.

Conte ficou extremamente insatisfeito que Giuseppe Marotta e Fabio Paratici, dirigentes, não conseguiram convencer Barcelona e Fiorentina por Alexis Sánchez e Juan Cuadrado. Além disso, o fator primordial, certamente, foi outro: a Juventus prometeu que Vidal e Pogba não seriam vendidos. Os meio-campistas encabeçam a lista de reforços de metade dos clubes europeus. Na entrevista concedida após o pedido de demissão, Conte parece algo entre irritado e desiludido. Parece ter acabado de sair de uma reunião pouco produtiva.

Não existe transferência sem o aval do jogador. Se ele não deseja sair, não tem santo o faça mudar de casa. Ponto. Por outro lado, a Juventus não teve o mínimo esforço para blindar nem Vidal, nem Pogba. A diretoria afirmou que só ouviria propostas acima de 75 milhões de euros pelo francês. O primeiro erro foi dizer que o caminho estava aberto para negociações; o segundo foi jogar o valor lá no alto - caso ocorra uma transferência, ela será realizada em cifras menores. 

Pogba escolheu a Juventus a dedo em 2012 exatamente porque Conte acreditou em sua qualidade. O técnico foi fator promordial para o acordo vingar. Agora, sem o treinador, o que resta ao jovem francês de 21 anos que sempre se vê no noticiário durante as janelas de transferências, seja numa venda ou troca? A mais recente é numa negociação que envolva o Real Madrid e Angel Di María. Já Vidal, de férias, declarou que, basicamente, tanto faz em qual clube jogará nesta época. Ele disse, sem mencionar o Manchester United e os 44 milhões de euros da proposta: "sei que é um dos clubes mais importantes do mundo, mas tenho contrato com a Juventus. Se as coisas acontecerem, tudo bem. Caso contrário também ficarei feliz na Juventus". 

Seguir em frente

Palavras do presidente Andrea Agnelli no site oficial do clube: "recomeçaremos do zero. Temos zero pontos e zero vitórias na tabela como todo mundo. Mas o clube tem um time jovem e forte. Eles estão preparados para atingir qualquer objetivo". 

O capitão Gianluigi Buffon, em entrevista em Vinovo, falou: "é uma perda gigante, mas não estamos no ano zero. Não sei as razões da saída de Conte, mas o trabalho dele não irá desaparecer em dois meses. Nossa responsabilidade é muito maior agora. Temos de nos unir e provar nosso valor mesmo sem Conte". 

A Juventus, claro, precisa buscar um técnico. Os nomes de Massimiliano Allegri e Roberto Mancini já foram ventilados. Mas pode ser balela. O trabalho de Allegri no Milan não foi bom - longe disso, fora o scudetto comandado por Thiago Silva e Ibrahimovic. Além do mais, o comandante teria de lidar novamente com Pirlo, exatamente quem o mandou embora do Diavolo. Mancini ganhou títulos na Inglaterra e Turquia; atualmente está no mercado. Contudo, fez parte do corpo técnico da Inter pós-Calciopoli e trocou farpas com a alta direção da Juve à época. Difícil vê-lo treinando um rival. Teria mais: reencontro entre Mancini e Tévez, longe de serem melhores amigos, na Itália.

Se Cesare Prandelli tivesse esperado dez dias antes de fechar com o Galatasaray, seu nome seria o mais indicado, apropriado e/ou veiculado em Turim. Primeiro, por ser identificado com o clube, segundo por ter uma filosofia de trabalho similar à de Conte quanto à ocupação dos espaços em campo e, terceiro, por conhecer muito bem a base juventina. Luciano Spalletti, sempre ele, também é cogitado - seria uma boa inclusão à Juve se quebrasse seu vínculo com o Zenit. 

Alguns outros professores correm por fora. A Juventus já entrou em contato com a Udinese, com quem tem um ótimo relacionamento extra-campo, para verificar a disponibilidade de Francesco Guidolin. Antes do início da temporada de 2013-14, Guidolin (torcedor da Inter, por sinal) cogitou a possibilidade de deixar Údine pela falta de ambição do clube e agora ocupa o cargo de supervisor dos clubes do Pozzo. Seria difícil liberá-lo. Didier Deschamps (contrato com a Federação Francesa até 2016), Vincenzo Montella (até 2017 com a Fiorentina, que não tem bom relacionamento com a Juventus...) e Mircea Lucescu (Shakhtar Donetsk) são outros nomes.

Porém, segundo informa o jornalista Gianluca Di Marzio, Allegri deve chegar ao CT de Vinovo já amanhã. Terá a chance de reconhecer que errou com Pirlo, dispensando-o do Milan quando ele tinha muita, mas muita lenha para queimar.

A saída de Conte durante o mês de julho faz com que o novo treinador tenha trabalho dobrado para ajeitar as coisas no verão. As contratações também podem mudar. Os negócios com Evra, Morata e Iturbe não foram oficializados. Ambos eram jogadores pedidos pelo técnico. Continuarão na lista do próximo comandante ou serão negócios abortados? Ademais, jogadores atualmente em boa posição no plantel podem perder espaço, enquanto outros podem ganhar. É uma Juventus indefinida pouco menos de dois meses antes do início da temporada.

Números de um passado vitorioso

Após uma temporada fraca de 2010-11, terminando o campeonato na 7ª colocação, a Juventus substituiu Luigi Delneri por Antonio Conte. O treinador tinha feito uma ótima campanha com o Siena vice-campeão da Serie B. Porém, o que mais credenciou Conte à vaga em Turim foi seu passado bianconero.

O clube não conquistava um título desde 2006, foi rebaixado à segunda divisão, terminou em 7º lugar duas vezes e teve zagas terríveis. Sob comando do ex-volante, três temporadas então se passaram com a Velha Senhora dominando o território italiano: três scudetti, duas Supercoppa Italia e recorde de pontos e invencibilidade. 

Durante 2011 e 2014, a Juventus venceu 67% de seus jogos. A defesa sofreu 67 gols em 114 partidas da Serie A. No Campeonato Italiano, a Juve foi derrotada somente em sete oportunidades.

No entanto, os números não foram revertidos para uma boa campanha nos torneios continentais. Em 2012-13, o Bayern de Munique, que seria campeão da edição, eliminou os italianos com duas vitórias por 2 a 0; na temporada passada, a Juve caiu na fase de grupos da Liga dos Campeões e não chegou à decisão da Liga Europa ao ser derrotado pelo Benfica.

Conte perdeu a chance de se tornar o 6º treinador a conseguir quatro títulos nacionais consecutivos entre as sete maiores ligas da Europa - Carlo Carcano (Juventus, na década de 1930), Miguel Muñoz (Real Madrid, 1960), Albert Batteux (Saint-Étienne, 1966), Johan Cryuff (Barcelona, 1990) e Frank de Boer (Ajax, 2010). _
Publicado originalmente no Gazzebra.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

As piores campanhas da Itália em Copas

Pirlo e Balotelli eram destaques, mas não conseguiram classificar a Itália (Getty Images)
Nesta semana, pela segunda vez consecutiva, a Itália foi eliminada na fase de grupos de uma Copa do Mundo. Não dá para dizer que é novidade. A Squadra Azzurra é tetracampeã mundial e, ao lado da Alemanha, só não jogou mais Copas do que o Brasil, que atuou nos 20 Mundiais. Porém, das 18 vezes que jogou o torneio, em sete ocasiões a Itália caiu logo na primeira fase. Isso aconteceu de forma consecutiva entre os anos 50 e 60, pior momento da história da seleção, e as duas quedas precoces nas últimas Copas são um sinal de alerta. Aproveitando o fiasco italiano, elencamos as piores campanhas da Nazionale em sua história. Vamos a elas.

1º lugar: Copa de 2010
Sem dúvidas, a aventura da Itália na África do Sul resultou na pior campanha azzurra em sua história. Naquele momento, a seleção encerrava uma trajetória de 36 anos em que se classificava, no mínimo, às oitavas do mundial. O último fiasco havia acontecido em 1974, quando Valcareggi havia feito o mesmo que Lippi: apostou em um time demasiadamente envelhecido. Em um dos grupos mais fracos daquela Copa, a Itália não venceu nenhum jogo, algo inédito na história da Nazionale em Copas. Os azzurri conseguiram a proeza de empatar com a Nova Zelândia, e também pararam nos mais fortes (mas nem tanto), Paraguai (empate) e Eslováquia (a fatídica derrota que valeu a eliminação). Resultado: a última colocação do Grupo F e a 25ª colocação geral.

Apesar do vexame, a sensação à época era mesmo a de que a Itália não iria longe na Copa do Mundo. O técnico Marcello Lippi era muito criticado por sua teimosia. Responsável pelo tetra, quatro anos antes, retornava à seleção substituindo Roberto Donadoni e levava consigo alguns dos campeões em 2006, já bastante envelhecidos, como Cannavaro, Camoranesi, Zambrotta e Gattuso, e outros que pouco acrescentavam, como Iaquinta, Pepe e Bocchetti

Lippi foi criticado por não ter sido coerente com suas escolhas: se queria levar jogadores campeões em 2006, poderia ter dado espaço a Totti e Del Piero, que viviam boas fases. A falta de qualidade técnica do elenco era clara, e Lippi também foi criticado por, simplesmente por motivos pessoais, não ter convocado Balotelli, Cassano e Miccoli, e por ter dado poucas chances a Pazzini e Di Natale. É verdade que as lesões de Buffon e Pirlo, que jogaram poucos minutos no Mundial, também atrapalharam.

lugar: Copa de 1966
A segunda pior campanha da história da Squadra Azzurra aconteceu na Inglaterra. Na década de 1960, Inter e Milan dominavam o futebol italiano e, juntamente com Real Madrid e Benfica, eram os reis do cenário europeu. No planeta, apenas o Santos de Pelé e o Peñarol batiam de frente com as equipes. Porém, a seleção italiana vivia o pior momento de sua história, que chegou ao auge naquele Mundial. Entre 1950 e 1966, a Itália não conseguiu classificação à segunda fase da Copa do Mundo, e em 1958 não chegou nem mesmo a se qualificar ao Mundial – pela única vez na história, já que em 1930, a Itália não jogou o Mundial porque não aceitou o convite para participação. Na Copa da Inglaterra, o vexame foi pior que nos anos anteriores e se constituiu em um verdadeiro choque.

Em 1966, o elenco italiano era forte o suficiente para competir com os principais favoritos ao título – Inglaterra, dona da casa, a sempre forte Alemanha e um envelhecido Brasil. União Soviética, Portugal e Uruguai, assim como os italianos, corriam por fora. A Itália estreou bem, vingando derrota para o Chile na edição anterior, e fez 2 a 0, gols de Sandro Mazzola e Barison. Porém, a URSS freou a Itália no jogo seguinte. 

Um simples empate contra a estreante Coreia do Norte classificaria a Itália, mas Pak Doo-ik, no final do primeiro tempo, decretou a vitória da desconhecida seleção asiática, que se sagrou a primeira do continente a passar da fase de grupos em um Mundial. A Itália, que tinha jogadores como Mazzola, Rivera, Albertosi, Bulgarelli, Facchetti, Burgnich e Pascutti, fracassava. Dois anos depois, a Itália seria campeã europeia e, quatro anos depois, ficaria com o vice-campeonato mundial.

3º lugar: Copa de 2014
Cesare Prandelli parecia ser o homem certo para levar a Itália a uma boa campanha em uma Copa do Mundo, após o fracasso em 2010. Em quase quatro anos no cargo, experimentou jovens e deu à Itália um futebol propositivo, de posse de bola efetiva, no campo de ataque, e com boa média de gols marcados. Foi vice-campeão da Euro 2012 e terceiro colocado na Copa das Confederações. Porém, na Copa do Mundo, abriu mão de suas convicções e conduziu a Itália a um dos maiores fracassos de sua história futebolística.

Prandelli viu a sua Itália ser sorteada em um dos grupos mais complicados da competição, com três campeãs mundiais. No Grupo D, que também tinha Uruguai e Inglaterra, a Costa Rica era a azarona. E foi a pedra no sapato da Itália. Depois de estrear muito bem contra a Inglaterra, no calor e umidade de Manaus, a Itália jogou muito mal em Recife e foi derrotada pelos Ticos, comandados por Campbell e Ruiz. Na decisão contra o Uruguai, a Itália também jogou mal, contou com problemas disciplinares por parte de Balotelli e uma rigorosa expulsão de Marchisio (justamente os autores dos dois únicos gols da Azzurra no Brasil) e sucumbiu frente a problemas físicos e à Celeste, em Natal. 

Se arrastando em campo e com um futebol que em nada dizia respeito ao proposto, apesar da boa convocação, a Itália de Prandelli chegou a sua quarta derrota em jogos oficiais (as duas anteriores haviam sido na final da Euro 2012, para a Espanha, e na Copa das Confederações, para o Brasil). Perdeu quando não podia e colocou a evolução do futebol italiano em xeque.

4º lugar: Copa de 1974
Vice-campeã mundial em 1970, a Itália foi para o torneio disputado na Alemanha Ocidental como uma das favoritas a ficar com o caneco, que para os azzurri não chegava há 36 anos, desde que o bicampeonato foi conquistado, em 1938. Valcareggi, técnico da equipe, fez como Lippi em 2010: apostou na envelhecida base que tinha feito um ótimo Mundial anterior. E quebrou a cara.

A equipe era ótima, no papel. Tinha Zoff, Albertosi, Facchetti, Mazzola, Rivera, Burgnich, Riva, Causio, Boninsegna, Capello, Anastasi e Chinaglia, Re Cecconi e Wilson, trio que foi destaque no scudetto conquistado pela Lazio. Porém, os anos a mais nas pernas pesaram, e o time não rendeu o esperado em um grupo que tinha Haiti, a Argentina de Kempes, Perfumo, Wolff, Ayala, Heredia e Houseman e a Polônia de Lato, surpresa da Copa.

Os italianos estrearam no Grupo 4 fazendo 3 a 1 nos haitianos, de virada. No segundo jogo, a Itália também saiu atrás, mas ficou no empate contra a Argentina: 1 a 1. No último jogo do grupo, a equipe conseguiu evitar que o artilheiro Lato fizesse gols, mas o 2 a 1 sofrido ante a Polônia desclassificou os italianos. No mesmo horário, a Argentina enfrentava o Haiti e venceu por 4 a 1. Dessa forma, os azzurri não passaram à fase seguinte por causa de um gol a menos de saldo.

Norte-coreano Pak colocou a Itália no fundo do abismo em Middlesbrough (1966)
5º lugar: Copa de 1962
Após não garantir a classificação ao Mundial da Suécia, em 1958, depois de ser eliminada pela Irlanda do Norte, a Itália viajou para o Chile, em 1962, com um bom elenco. Treinada por Paolo Mazza e Giovanni Ferrari, a equipe tinha jogadores do calibre de Trapattoni, Cesare Maldini, Sivori, Radice, Salvadore, Lorenzo Buffon, Albertosi, Pascutti, Bulgarelli e os ítalo-brasileiros Sormani e Altafini. Porém, o grupo em que os italianos caíram não era nada fácil: tinha os chilenos, donos da casa, a Alemanha Ocidental de Seeler, Schnellinger e Haller, e a Suíça defensiva do técnico austríaco Karl Rappan, precursor do catenaccio.

Depois de estrear com um 0 a 0 frente aos germânicos, a Itália enfrentaria o Chile. Os jogadores chilenos estavam mordidos com as ferozes críticas dos jornalistas europeus ao fato de que um país subdesenvolvido e que havia sido vitimado por um terremoto dois anos antes pudesse sediar um Mundial. Antes da Copa, jornalistas italianos chegaram a ser expulsos do país. O fato de os azzurri Sivori e Maschio serem argentinos de nascimento também aumentava a rivalidade com La Roja. A partida, que ficou conhecida como A Batalha de Santiago, foi extremamente sangrenta e cheia de intervenções da polícia. Nem adiantou a Itália ter entrado em campo com buquês de cravos brancos para a torcida, em tentativa de selar a paz com os chilenos – foram vaiados.

Logo aos 7 minutos, o italiano Ferrini foi expulso após revidar falta dura de Landa. Na sequência, enquanto os jogadores discutiam com o árbitro Aston, Sánchez deu um murro e quebrou o nariz de Maschio. Como as substituições não eram permitidas à época, ele teve de ser macho (com o perdão do trocadilho) e jogar até o final. Aos 41 minutos, após nova confusão, Sánchez escapou de ser expulso novamente, pois o árbitro não viu um murro dele em David, após falta. O italiano revidou em jogada seguinte, com um chute nas costas, e aí sim o juizão inglês viu – e o expulsou. Com dois a menos e um jogador lesionado em campo, a Itália sofreu 2 a 0, com gols no segundo tempo, e não reagiu. Após a derrota, a equipe italiana viu a Alemanha Ocidental passar pelo Chile e apenas pode se despedir da Copa com um 3 a 0 sobre a Suíça, em jogo para cumprir tabela. Os italianos foram a maior decepção daquela Copa, juntamente com a Espanha de Gento, Suárez, Puskás e de um machucado Di Stéfano, que também caiu na fase de grupos.

6º lugar: Copa de 1950
Durante toda a década de 1940, a Serie A foi dominada pelo Torino. A equipe granata venceu cinco dos sete campeonatos disputados naquela década e, naturalmente, era a base da seleção italiana. Por causa da II Guerra Mundial, não houve Copa em 1942 e 1946, anos em que a Itália seria uma das favoritas pelo título, e edições do Mundial em que craques como Valentino Mazzola, Loik, Rigamonti e Gabetto poderiam brilhar. Em 1950, eles também poderiam jogar, mas o desastre aéreo de Superga matou todo o Grande Torino e desfalcou a seleção italiana para o Mundial, do qual participava por convite, por ter sido campeã na edição anterior, em 1938.

Dessa forma, a Itália embarcou para o Brasil de navio, e não de avião. A delegação teve todas as despesas pagas pela Fifa, uma vez que o país havia sido arrasado pela guerra. No grupo de jogadores que vieram ao Brasil, sem os craques do Torino, destacavam-se o interista Amadei e os juventinos Parola e Boniperti (ainda jovem, com 22 anos). 

Jogando no Grupo 3, ao lado de Suécia e Paraguai (a Índia desistiu de participar do Mundial), a Itália estreou no Pacaembu frente a Suécia, e sofreu uma virada: 3 a 2. Andersson e Jeppson, autores dos gols escandinavos, até foram jogar na Bota depois (o segundo fez carreira, atuando por Atalanta, Napoli e Torino). Aquele placar fazia a Itália torcer para o Paraguai vencer os suecos no segundo jogo do grupo, mas um empate desclassificou os azzurri. Na despedida, novamente no Pacaembu, o 2 a 0 frente aos sul-americanos foi apenas uma consolação por uma campanha que poderia ter sido gloriosa.

7º lugar: Copa de 1954
A segunda vez em que a Itália caiu na fase de grupos da Copa do Mundo tem semelhanças com a eliminação mais recente, exatos 60 anos depois. A Azzurra caiu no grupo da morte, com Inglaterra, Bélgica e a Suíça, dona da casa. A base da seleção (seis jogadores) era a Inter, bicampeã italiana, mas cujos maiores destaques eram o sueco Skoglund e o húngaro Nyers. Entre os italianos, o melhor interista era Lorenzi, atacante. Além dos nerazzurri, a seleção tinha também Boniperti e mais quatro jogadores da Juventus, vice-campeã por duas vezes seguidas, e quatro da Fiorentina, terceira colocada.

Segundo o regulamento daquele Mundial, as duas seleções consideradas mais fortes dos grupos não se enfrentariam, e cada equipe faria apenas dois jogos. Assim, a Itália estreou contra a Suíça, treinada por Karl Rappan, e perdeu por 2 a 1. Na partida, Lorenzi teve um gol anulado e o árbitro brasileiro Mário Viana foi duramente criticado pelos azzurri, que chegaram até mesmo a agredi-lo fisicamente no caminho para os vestiários. Na segunda partida, a Itália goleou a Bélgica por 4 a 1, e graças à vitória inglesa sobre os helvéticos, por 2 a 0, a decisão ficou para uma partida-desempate. 

Na Basileia, a Itália perdeu por 4 a 1 (dois gols nos minutos finais) e amargou a desclassificação. Porém, dificilmente aquela equipe seria páreo para a Hungria de Puskás, Kocsis e Hidegkuti ou para a Alemanha Ocidental de Fritz Walter e Rahn.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Tragédia de Natal: o futebol italiano em xeque

Acabou para Prandelli? O técnico pediu demissão e o futuro da seleção está em dúvida (Getty Images)
"Se a Itália não se classificar, será um fracasso", disse Buffon em entrevista coletiva antes da partida contra o Uruguai, em Natal. Na Arena das Dunas, a Itália fracassou: perdeu por 1 a 0 para a Celeste e caiu na primeira fase de uma Copa do Mundo pela segunda vez seguida. E fracassou porque não jogou diante dos uruguaios, mas principalmente diante dos costarriquenhos, como vinha atuando em partidas oficiais. A queda precoce atingiu até mesmo a cúpula da delegação, uma vez que Cesare Prandelli e o presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, Giancarlo Abete, entregaram seus cargos.

Os números dizem. Antes do Mundial, a Itália havia perdido apenas dois jogos oficiais sob o comando de Prandelli: contra a Espanha, na final da Euro 2012, e contra o Brasil, na Copa das Confederações. Em terras brasileiras, a Itália só atuou conforme o programado pelo treinador contra a Inglaterra, em Manaus, quando teve uma excelente atuação, e somou o mesmo número de derrotas que em quatro anos de trabalho. Logo no Amazonas, para o qual houve até preparação especial, com sauna climatizada no centro de treinamentos de Coverciano. Parece, no entanto, que a Itália não se preparou o suficiente para as partidas das 13 horas, em Recife e Natal.

Tanto contra a Costa Rica quanto contra o Uruguai, a Itália teve a bola, mas não agrediu o suficiente. Foi preguiçosa, atuou em ritmo lento e sentiu o desgaste físico. No final do segundo tempo contra o Uruguai, a equipe mal conseguia correr. 

Os últimos minutos foram dignos de pelada de fim de ano da firma. Parolo, que entrou no intervalo, substituindo Balotelli, estava exausto. Por mais que o clima italiano seja muito diferente do brasileiro, a preparação física no Belpaese é deficitária. Em nível de clubes, as equipes da Itália estão atrás das outras europeias de campeonatos de ponta e chegam ao final de temporada muito mais desgastadas.

Apesar dos problemas físicos, o que mais pesou foi o abandono da proposta de futebol por parte de Prandelli. Contra o Uruguai, voltou ao 3-5-2 "à Juventus", por causa do desfalque de De Rossi. Bonucci entrou na defesa e De Sciglio estreou na lateral, com Pirlo, Marchisio e Verratti fazendo boa trinca de meio-campo. No ataque, Balotelli e Immobile buscavam o gol. 

No primeiro tempo, tudo correu relativamente bem. Pirlo e Verratti trocavam de posições para confundir a marcação uruguaia e ditavam o ritmo de jogo. Porém, Balotelli estava apagado e ocupava os mesmos espaços de Immobile. Quando os dois se desgrudaram, o atacante do Milan preferiu tentar um chute do meio da rua e não lançou o novo contratado do Borussia Dortmund, que partia nas costas de Giménez e Godín.

A derrocada italiana começou quando o sol começou a sair através das nuvens e quando Balotelli subiu desgovernado e deu uma joelhada na cabeça de Alvaro Pereira. Imprudente, o atacante do Milan levou cartão amarelo, ganhou uma suspensão automática e estaria fora das oitavas de final, caso a Itália avançasse. Pior, estava sendo provocado e, explosivo como é e com seu estilo de jogo físico, poderia ser expulso – e Prandelli já havia declarado que jogar com 10 no Brasil seria suicídio. 

Balo saiu no intervalo, mas o destino quis que a Itália tivesse Marchisio expulso aos 15 do segundo tempo, por falta em Arévalo Ríos. O árbitro mexicano Marco Rodríguez considerou falta para vermelho direto e, de forma rigorosa, mandou o juventino para a rua, algo que lhe aconteceu pela primeira vez na carreira. A partir daí, a queda (ou a "debâcle", como gostam de dizer os italianos), começou.

Até aquele momento, a partida era muito igual, e favorável à Itália, que jogava pelo empate. Buffon havia feito duas grandes defesas, contra Suárez e Rodríguez. Após a expulsão, salvou a Itália novamente contra o atacante do Liverpool. Em seguida, Immobile teve a primeira boa chance, mas o passe de Pirlo correu demais e ele foi bloqueado por Giménez. Substituído por Cassano, viu pouco a bola nesta Copa do Mundo. A sua saída, aliada à de Verratti, logo depois, deixou a Squadra Azzurra sem velocidade, e com menos presença de área. O que a Nazionale ganhava em técnica com Cassano na frente, perdia com a entrada de Thiago Motta no lugar do companheiro de PSG mais atrás.

As duas características teriam sido fundamentais em partes diferentes do segundo tempo. Primeiro, a Itália atuava sob pressão uruguaia, buscando contra-ataques – Cerci teria sido mais útil que Parolo, por exemplo, e Prandelli foi conservador, como não vinha sendo no comando da seleção, e pagou por isso. Cerci também daria mais amplitude para a Itália pelo lado direito, o que faltou quando a equipe buscava o gol, uma vez que Darmian não subia mais, guardando posição pela inferioridade numérica.

Inferioridade que poderia não existir, se o trio de arbitragem tivesse melhor visão. Ironicamente, num jogo apitado por um árbitro com apelido "Drácula", Suárez mordeu Chiellini e não foi expulso. O zagueiro da Juventus até mostrou a marca da mordida do uruguaio, que chegou à seu hat-trick de mordidas na carreira, mas Rodríguez foi irredutível e nada fez. Chiellini reclamou após a partida e disse que o árbitro não expulsou o jogador do Liverpool porque "a Fifa quer ver as estrelas na Copa". No lance seguinte, Godín subiu mais alto do que quatro jogadores azzurri e, na sua especialidade, decidiu o jogo com subida fulminante – a bola tocou nas suas costas e entrou.

No final da partida, Buffon chegou a jogar de atacante, abandonando completamente o gol. E, após a partida, foi lúcido ao dizer que os erros de arbitragem existiram, mas que não anulam as culpas da Itália, sobretudo na partida contra Costa Rica. A Itália fugiu de suas características, não fez gols nas duas últimas partidas e, conforme o capitão ressaltou, foram os jogadores veteranos que mais deram sangue.

"Criticaram muito os veteranos, disseram que éramos velhos demais, mas fomos nós que nos doamos até o final. Precisam respeitar não o que fomos, mas o que ainda representamos. Em campo, se precisa fazer, e não vale o 'pode fazer' ou o 'talvez fará no futuro'", disse Buffon. Em entrevista ao jornal La Repubblica, De Rossi também foi duro. “Precisamos de homens de verdades, não figurinhas da Panini ou personagens”. Críticas que parecem direcionadas a Balotelli, que se escondeu em diversos momentos da Copa do Mundo, como se escondeu na maior parte da temporada do Milan. Mas, diferentemente da Serie A, o Mundial não tem 38 rodadas, e a Itália volta à Europa com a sétima eliminação em uma fase de grupos da Copa do Mundo em sua história – e de forma consecutiva após 48 anos.

Pós-Prandelli?
Após a eliminação, Cesare Prandelli e o presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, Giancarlo Abete, entregaram seus cargos. De maneira irrevogável, dizem, mas Abete fez um apelo para que Prandelli reconsidere sua decisão. O que, na opinião deste colunista, seria o mais sensato para o atual momento do futebol italiano.

A Nazionale azzurra tende a retroceder com saída de Prandelli e desperdiçar uma geração talentosa, que só veio a ganhar espaço porque o treinador teve a missão de renovar o grupo, em profundo antagonismo à envelhecida seleção de 2010, comandada por Marcello Lippi, e mesmo à história do futebol italiano, que pouco dá chances aos jovens e que prefere se fechar ao invés de buscar comandar o jogo. Brigar por título da Euro 2016 seria sonho.

Prandelli foi aplaudido pelo ótimo desempenho nos dois primeiros anos de trabalho, quando se manteve invicto, experimentou jovens e deu à Itália um futebol propositivo, de posse de bola, mas uma posse de bola efetiva, no campo de ataque e com boa média de gols marcados e, sobretudo, domínio territorial e muitas jogadas de gol criadas. A partir da Euro 2012, começou a espelhar o esquema da Juventus campeã e acertou mais a defesa, além de ter levado a equipe ao vice-campeonato.

Após o campeonato europeu, passou a experimentar mais e começou a ser mais criticado em solo nacional. Muitos diziam que ele não sabia mais para que rumo estava levando a seleção. Mesmo assim, a Azzurra fez boa Copa das Confederações (foi terceira colocada). Neste ano, teve seu contrato renovado até depois da Euro 2016. Mesmo assim, as críticas continuaram e muitas vagas estavam em aberto até momentos antes da convocação para a Copa, o que expunha, de fato, as dúvidas do selecionador.

O fracasso pode encerrar uma era de quatro anos, e também eras maiores, como a de Pirlo, que deve deixar a seleção aos mais jovens após 12 anos de frequentes convocações – com 112 jogos, é o quarto com mais jogos pela Itália. Outros jogadores mais experientes, como Buffon, Barzagli e De Rossi também podem não continuar. O que tornaria o trabalho de um eventual novo treinador ainda mais complicado, sem tantas referências no grupo. Até porque Balotelli, apesar do bom futebol, não tem o perfil de liderança necessário.

A provável saída de Prandelli volta a criar especulações e traz os mesmos nomes que surgiram quando ainda havia a possibilidade de que o treinador não renovasse seu contrato, no início de 2014. Antonio Conte (Juventus), Vincenzo Montella (Fiorentina), Massimiliano Allegri, Luciano Spalletti e Roberto Mancini (os três últimos sem clube) são os cotados para assumir a Azzurra. 

Dificilmente um treinador que esteja atualmente empregado aceitaria a tarefa de guiar a Itália rumo a Euro 2016 e à Copa 2018 – mesmo que Conte, um eventual favorito, tenha manifestado desejo de respirar novos ares. Entre os desempregados, só Spalletti poderia manter alguns elementos da Era Prandelli, como futebol ofensivo e posse de bola. Mesmo assim, o melhor trabalho de Spalletti foi na Roma, que treinou até 2009. No Zenit, foi bem e conquistou duas Premier Leagues russas e uma Copa da Rússia.

Qualquer que seja o treinador (até mesmo o próprio Prandelli, caso volte atrás), a Itália tem de aproveitar o legado dos últimos quatro anos, como o espaço aos jovens e um futebol ofensivo. Caso não faça isso, não há dúvidas: a Itália começa a preparação para o futuro dando um ou dois passos para trás.

Notas: Buffon 7; Barzagli 5,5, Bonucci 4, Chiellini 5; Darmian 4, Marchisio 4,5, Pirlo 6, Verratti 7, De Sciglio 4; Balotelli 3,5, Immobile 4,5. Substitutos: Parolo 4,5, Thiago Motta 5, Cassano 4,5.

Itália 0-1 Uruguai
Gol: Godín 81'
Cartão vermelho: Marchisio (ITA)
Itália: Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Darmian, Marchisio, Pirlo, Verratti (Thiago Motta), De Sciglio; Balotelli (Parolo), Immobile (Cassano). Técnico: Cesare Prandelli.

Uruguai: Muslera, Cáceres, Godín, Giménez, Alvaro Pereira (Stuani); González, Arévalo Ríos, Lodeiro (Maxi Pereira), Rodríguez (Ramírez); Cavani, Suárez.

Local: Estádio das Dunas, Natal
Árbitro: Marco Rodríguez (México)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Afinal, é a Itália

Ruiz marcou o gol costarriquenho (Reuters)

Falávamos após a primeira partida da Itália nesta Copa do Mundo que era raro ver uma seleção italiana que passasse com tranquilidade por uma fase de grupos do mundial. Pois contra a Costa Rica, os azzurri trataram de voltar à sua tradição e foram derrotados por 1 a 0, naquela que talvez foi sua pior apresentação em anos recentes, seguramente a pior sob o comando de Prandelli. Costa Rica classificada e duas seleções ainda vivas na briga pela última vaga: a italiana e a uruguaia.

Na última rodada, quando enfrenta o Uruguai em Natal na próxima terça-feira, a Itália se classifica com um simples empate, como segunda colocada do grupo. É matematicamente possível, também, que a Nazionale termine em primeiro lugar do grupo, com uma combinação de resultados que elimine a diferença de três gols de saldo para a Costa Rica, que enfrenta a Inglaterra também no dia 24. Em caso de derrota para os uruguaios, a Itália estará eliminada na fase de grupos pela segunda Copa consecutiva, fato que não acontece desde as copas de 1958 e 1966.

Prandelli efetuou três alterações no time, em relação àquele que iniciou a partida contra a Inglaterra. O capitão Buffon, em sua quinta Copa do Mundo (recorde histórico) retornou ao gol, no lugar de Sirigu, após ser liberado pelo departamento médico. Um inseguro Paletta deu lugar a Abate, tomando a lateral direita de Darmian, que passou à lateral esquerda e devolveu Chiellini à zaga, ao lado do companheiro de Juventus, Barzagli. No meio, Thiago Motta entrou no lugar de Verratti, mas conseguiu produzir ainda menos do que o atleta do PSG.

O primeiro tempo teve dois jogos distintos em seu decorrer. E em nenhum deles a Itália jogou melhor. Aliás, até os 30 minutos, foi uma partida sofrível de ambos os times, que praticamente não chutaram a gol. A implacável defesa costarriquenha acuou a movimentação ofensiva da Itália, sem dar espaços para Pirlo arquitetar o jogo.

Os dois únicos recursos utilizados pelos comandados de Prandelli na primeira porção do jogo eram lançamentos longos do camisa 21, buscando o isolado Balotelli, e algumas raras movimentações individuais de Marchisio, pela esquerda. A Costa Rica assustava com bolas paradas, aproveitando-se da insegurança da modificada defesa italiana.

Foi a partir dos 30 que o jogo mudou por completo, com um lance específico. Pirlo faz lançamento do campo de defesa e encontrou Balotelli correndo em profundidade atrás da zaga, cara a cara com Navas. O centroavante dominou perfeitamente e tentou encobrir o goleiro, mas chutou mal, de canela, e a bola saiu à direita. O mesmo Balotelli teve nova chance logo aos 32, aproveitando novo lançamento de Pirlo, chutando livre da meia-lua da área, mas parando em boa defesa de Navas.

A Costa Rica assustou os italianos na sequência, quando o bom Bolaños chutou forte da entrada da área, obrigando Buffon a fazer difícil defesa no canto esquerdo baixo, aos 35. A partida melhorou bastante, até que chegou ao ápice aos 42, quando Campbell foi lançado em contra-ataque e sofreu pênalti claro com um empurrão de assuntoso de Chiellini, pelas costas. Debaixo de muitos protestos das arquibancadas, pela penalidade não marcada, veio o gol costarriquenho no lance seguinte: Ruiz aproveitou cruzamento perfeito da esquerda e cabeceou forte. A bola bateu no travessão, cruzou a linha da meta claramente e saiu do gol após quicar.

Depois de instantes de "bate-boca" entre os atletas dos dois times na saída para os vestiários, o clima esquentou ainda mais na Arena Pernambuco. Prandelli optou por lançar a Itália ao ataque no segundo tempo, substituindo, ainda no intervalo, Thiago Motta - bastante apagado - por Cassano - igualmente apagado durante o segundo tempo. Pouco após o início do segundo tempo, aos 12, outro atacante entrou em campo, quando Insigne substituiu Candreva. Neste ponto, os dois neo inseridos compuseram um trio de ataque com um centralizado Balotelli, em um 4-3-3.

Começou, então, um massacre de ataque contra defesa. Nos últimos 15 minutos de jogo, a Itália chegou a ter 70% de posse de bola. A troca de passes dos homens de azul era eficiente, beirando os 90% de acerto. Mas nada disso adiantou, já que os passes não entravam na área adversária. Ainda aos 24, outro atacante entrou em campo para os azzurri, quando Cerci substituiu Marchisio. Era o tudo ou nada de Prandelli. Mas que passou longe de dar certo.

Bagunçada, a Itália não conseguiu superar a forte linha de defesa da Costa Rica, praticamente intransponível e que permitiu apenas quatro finalizações italianas no segundo tempo. Sem conseguir criar nada, a Itália insistia nos lançamentos longos para o ataque, mas que não foram problemas para a bem postada zaga adversária, que colocou os italianos em condição de impedimento incríveis 11 vezes em toda a partida. Além disso, a própria Costa Rica esteve mais perto de marcar, em alguns contra-ataques rápidos, mas a defesa italiana se safou. Hora de reavaliação para Prandelli.

Notas: Buffon 7.0, Abate 5.0, Chiellini 5.0, Barzagli 6.0, Darmian 5.5, De Rossi 5.0, Candreva 4.0, Thiago Motta 3.0, Pirlo 6.5, Marchisio 7.0; Balotelli 4.0; Cassano 2.0, Insigne 3.0, Cerci 3.0

Itália 0-1 Costa Rica
Local: Arena Pernambuco, Recife
Gol: Ruiz 43'

Itália (4-1-4-1): Buffon; Abate, Chiellini, Barzagli, Darmian; De Rossi; Candreva (Insigne 57'), Thiago Motta (Cassano, no intervalo), Pirlo, Marchisio (Cerci 69'); Balotelli. T: Cesare Prandelli

Costa Rica (3-6-1): Navas; González, Umaña, Duarte; Gamboa, Borges, Tejeda (Cubero 68'), Bolaños, Ruíz (Brenes 81'), Díaz; Campbell (Ureña 74'). T: Jorge Luis Pinto

Árbitro: Enrique Osses (CHI)

domingo, 15 de junho de 2014

O primeiro passo para a tranquilidade

Gol de Balotelli definiu a partida no segundo tempo (Getty Images)
Se a primeira impressão é a que fica, a Itália começou com o pé direito e deu o primeiro e maior passo para passar de fase. Contra o time em tese mais forte, os comandados de Prandelli conquistaram fundamentais três pontos. Juntamente com o tropeço do Uruguai diante da Costa Rica, agora o clima é de maior tranquilidade para os jogos nos dias 20 e 24 em Recife e Natal. O que é raro, visto que a Itália tem histórico de ter uma fase de grupos conturbada em Mundiais.

Até mais do que a vitória, os azzurri saíram de Manaus com o dever cumprido: superaram a intensidade dos velozes ingleses e executaram bem o plano do treinador. A equipe teve vantagem na posse de bola, passes trocados e porcentagem de passes certos (93%, a maior em quase cinco décadas em Copas), além de maior volume de jogo em relação aos amistosos.

Na correria da primeira etapa, uma Itália guerreira e com sorte no primeiro quarto de jogo. O time suportou a intensidade da Inglaterra, que imprimia ritmo muito veloz pelos lados e com Sterling nas costas do meio-campo italiano. Se Paletta errava no posicionamento, Barzagli e Chiellini se precipitavam nos botes (devem ter esquecido que Bonucci não estava para cobrir) e De Rossi não garantia segurança na intermediária, ao menos Sirigu segurou as pontas e a imperfeição dos ingleses na conclusão das jogadas mantiveram as redes italianas invioladas.

No segundo quarto do jogo, os azzurri já tinham o controle e cerca de 70% de posse, com Pirlo e Verratti controlando o círculo central, De Rossi executando a saída a três e Darmian e Candreva imprimindo ótimo ritmo na direita. Como Chiellini não dava amplitude na esquerda, Marchisio ficou isolado e sem a possibilidade de encostar em Balotelli e explorar a deficiência inglesa entre linhas. Isso também acabou em participação tímida de Balotelli, que fazia péssimos movimentos, sempre se posicionando entre Cahill e Jagielka, ou seja, perdendo todas as bolas e cruzamentos. Além disso, era pouco efetivo nas conclusões. 

Se as jogadas pela direita não resultaram em ocasiões claras, a jogada ensaiada por Prandelli entrou aos 35. Verratti cobrou escanteio curto para Pirlo, que, sem espaço para dominar, fez belo corta-luz para Marchisio receber da entrada da área e marcar o primeiro gol da partida com bom chute. Contudo, um desleixo italiano em contra-ataque resultou no empate dos ingleses. Em rápida descida pela esquerda, Rooney recebeu na ponta e cruzou certeiro para Sturridge igualar o marcador, em nova falha posicional de Paletta e Chiellini.

O gol de empate saiu em momento que a Itália dominava, porém o time de Prandelli não perdeu o controle. Seguiu com a bola e ainda criou duas ocasiões claras antes do final do primeiro tempo, com Balotelli encobrindo Hart e Jagielka cortando em cima da linha; e depois com chute de Candreva na trave. No segundo tempo, a mesma tônica. Italianos com a bola e já mostrando o que aconteceria no decorrer da segunda etapa: buscar o desmarque do atacante azzurro. Foram sete impedimentos, todos da Itália, sendo três de Balotelli, três de Immobile e um de Candreva – seis nos últimos 45 minutos.

E a jogada que não entrou no primeiro tempo vingou no segundo: Darmian e Candreva se impondo pela direita, com cruzamento do laziale e movimentação perfeita de Balotelli, saindo do encaixe de Jagielka e Cahill e aparecendo nas costas do zagueiro do Chelsea para marcar o gol da vitória com cabeceio perfeito. A estrela de Balo brilhou e mostrou o porquê da insistência de Prandelli, que no segundo tempo corrigiu a movimentação do atacante, autor de 11 gols em 17 jogos em jogos oficiais (sem contar amistosos).

O treinador também corrigiu o sistema defensivo, que passou a ter maior segurança com melhor segundo tempo de Chiellini e De Rossi, a entrada providencial de Thiago Motta (contrariando suas péssimas partidas em amistosos) e, principalmente, a participação de Candreva (depois Parolo) e Marchisio.

Os meias se multiplicaram e foram fundamentais para bloquear os lados (veja aqui), evitando espaços no setor mais explorado pelos ingleses, que, exaustos depois de correrem atrás dos italianos por quase 60 minutos, não tinham mais físico para criar chances reais de perigo (o último chute no alvo, aos 77, foi numa cobrança de falta de Baines).

Notas: Sirigu 7.0, Darmian 7.0, Barzagli 6.0, Paletta 4.5, Chiellini 5.0, Candreva 7.0, De Rossi 6.0, Pirlo 7.0, Verratti 5.0, Marchisio 7.0, Balotelli 6.5; Thiago Motta 6.0, Parolo 6.0, Immobile (sem nota)

Inglaterra 1-2 Itália
Marchisio 35', Sturridge 37', Balotelli 50'

Inglaterra (4-2-3-1): Hart; Johnson, Cahill, Jagielka, Baines; Henderson (Wilshere 73'), Gerrard; Welbeck (Barkley 61'), Sterling, Rooney; Sturridge (Lallana 80'). T: Roy Hodgson

Itália (4-1-4-1): Sirigu; Darmian, Barzagli, Paletta, Chiellini; De Rossi; Candreva (Parolo 79'), Verratti (Thiago Motta 57'), Pirlo, Marchisio; Balotelli (Immobile 73'). T: Cesare Prandelli

Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como está a Itália às vésperas da Copa

Pirlo e Balotelli são as grandes esperanças da Itália no Brasil (Fifa)
Em parceria com Arthur Barcelos

O que será da Itália no Brasil? Ao contrários do histórico azzurro, a seleção italiana, comandada por Cesare Prandelli, não se sobressai pelos aspectos defensivos, mas do meio para frente. Ofensivamente, é um time que sabe o que fazer com a bola e que costuma marcar gols. Porém, a vida italiana não será fácil nesta Copa do Mundo: o Grupo D é composto por três campeões mundiais – além da Itália, Uruguai e Inglaterra –, mais a Costa Rica. O teste começa cedo. Vamos à análise.

Os objetivos
Diferentemente de outros Mundiais, a Itália vem para o Brasil pensando no presente, mas sobretudo no futuro. Apesar da média de idade de 27,3 anos, o grupo de Prandelli é focado especialmente para Euro 2016 e Copa 2018, quando vários dos jogadores mais jovens atualmente estarão em seus auges.

O pensamento é relativamente tímido em relação à 2014, mas não “pequeno”: o objetivo é fazer um campeonato consistente e superar as limitações físicas. O grupo é complicado, mas passando da primeira fase, os azzurri esperam chegar, no mínimo, nas quartas de final. 

O discurso de Prandelli é fazer boa fase de grupos, onde não terá vida fácil contra Inglaterra, Uruguai e Costa Rica, e então ter outra dura tarefa nas oitavas: passar por Colômbia, Japão, Costa Rica ou Grécia. Nas quartas, o objetivo principal, um entre Brasil, Croácia, México, Camarões, Espanha, Holanda, Chile ou Austrália - grandes chances de ser Brasil ou Espanha, justamente os únicos que derrotaram a Itália em jogos oficiais na era Prandelli. 

Chegar às semifinais é uma possibilidade concreta. Título? Nunca duvide da Itália.

Os craques
Entre os destaques, a Itália tem dois veteraníssimos, Buffon e Pirlo, que podem estar em sua última competição internacional pela Squadra Azzurra. Além deles, há De Rossi e Barzagli, que também participaram da campanha do tetracampeonato, em 2006. Há, ainda, os menos veteranos, como Chiellini (e, se não houvesse quebrado a perna, Montolivo), já figuras importantes no selecionado e “vice-líderes” dos veteraníssimos.

O grupo também possui jogadores já maduros e na altura do auge, prontos para assumirem cargos maiores na seleção. Casos de Sirigu, Bonucci, Candreva, Marchisio e Cerci, além de Ranocchia e Rossi, que não estão no grupo de 23 jogadores, mas deverão ser os líderes da seleção juntamente aos outros citados em 2018.

Em todos os setores há jovens que já são protagonistas ou têm alguma relevância - Perin no gol, De Sciglio e Darmian na defesa, Verratti no meio-campo, Balotelli, Immobile e Insigne no ataque. Embora Balotelli já seja uma das principais referências no grupo, a expectativa é de que ele cresça ainda mais e amadureça após esta, que será sua primeira Copa do Mundo. Balotelli chega em baixa para a Copa do Mundo, após temporada irregular no Milan, onde decidiu jogos, mas foi muito apagado em outras partidas.

Com o momento pouco inspirado de Balotelli, Pirlo se torna a maior esperança da Itália nesta Copa do Mundo, pelo toque de classe no meio-campo e pelo grande aproveitamento nas bolas paradas e lançamentos. A má fase de Balotelli abre caminho para Immobile, atacante em melhor fase no grupo da Squadra Azzurra. O artilheiro da última Serie A, com 22 gols, tem um grande repertório e faz gols de todos os jeitos. Contra o Fluminense, marcou três, todos de uma maneira diferente. Está pedindo passagem no time titular. 

A Itália também tem outros jogadores em ótima fase do meio para frente. São os casos de Verratti, Cerci, Cassano e Candreva, que tiveram temporadas destacadas em seus clubes. Marchisio e Insigne tiveram ano irregular, mas fecharam a temporada em alta e tem rendido bem pela seleção. Parolo, mais discreto em boa fase, chega ao Mundial substituindo Montolivo e pode ser uma surpresa no grupo.

Se Buffon e Chiellini são sinônimo de segurança, o mesmo não pode ser dito do restante da defesa azzurra. Quatro dos defensores chamados por Prandelli tem problemas físicos – Barzagli e Paletta em especial – e Bonucci, apesar da boa fase, comete apagões às vezes. Nas laterais, De Sciglio caiu de produção e é uma incógnita, enquanto Abate é um jogador apenas regular. Darmian, que assim como De Sciglio, joga nas duas laterais, é o jogador que está em melhor fase, mas a inexperiência em jogos internacionais pode atrapalhar.

Se superstição ajudar, a Itália costuma fazer bom papel em Copas do Mundo quando tem jogadores de times médios em ótima fase. Cerci, Immobile, Darmian, Paletta e Parolo podem ser o que a turma de jogadores do Cagliari, em 1970. O mesmo se repetiu em 1982, 1990 e 1994 com elencos com muitos jogadores de Torino, Fiorentina, Sampdoria e Parma.

Retrospecto recente
A indefinição tática reflete também nas expectativas em relação à resultados. Se o retrospecto recente é desanimador (dez partidas, duas vitórias, duas derrotas e seis empates), o desempenho em jogos oficiais é inverso: são apenas duas derrotas em 31 partidas, contra a Espanha na final da Euro 2012 e diante do Brasil na Copa das Confederações em 2013. E, por mais clichê que seja, falamos de Itália, historicamente conhecida por superar prognósticos e dificuldades. 

Em relação aos últimos amistosos, contra Irlanda (0 a 0) e Luxemburgo (1 a 1), além do jogo-treino contra o Fluminense (5 a 3), mais do que a questão física ou técnica, e independentemente do resultado, Prandelli fez observações individuais. Os jogos serviram para Darmian e Verratti mostrarem serviço e que podem assumir os lugares de Maggio e Montolivo. Bom também para Parolo e Cassano, surpresas na convocação, além de Marchisio recuperar confiança depois de temporada ruim e irregular. Immobile e Insigne, por sua vez, tiveram ótimo proveito na partida contra o Fluminense, e marcaram três e dois gols, respectivamente, além de terem se movimentado muito.

De ruim, o atestado da má forma de Barzagli (que sequer entrou em campo nos dois primeiros jogos e, diante do Fluminense, sofreu) e Paletta, e o problema posicional de Bonucci na defesa a quatro. O sistema defensivo em si é bom, consistente, porém erros individuais podem comprometer. 

Itália de Prandelli promete variações táticas (AP)
Aspectos táticos
A equipe é camaleônica. Prandelli tem muitas possibilidades táticas e técnicas, que selecionará especificamente de acordo com o adversário e as condições físicas de cada jogador. Ele faz questão de afirmar que todos os 23 são “titulares” e citar exemplos de jogadores como Schilacci (90) e Grosso (2006), que não eram nem de longe os destaques do time, mas foram importantíssimos para a seleção no decorrer das competições.  

O time já atuou nos esquemas 4-3-1-2, 4-3-2-1, 3-5-2, e mais recentemente no 4-1-3-2 e 4-1-4-1. Tudo isso gera várias dúvidas sobre como jogará a Nazionale, e, embora a equipe venha treinando no 4-1-4-1 desde que chegou ao país, Prandelli faz mistério sobre com que módulo a Itália jogará contra a Inglaterra, em Manaus, no dia 14.

A forma física dos jogadores e o desempenho nos últimos amistosos preocuparam Prandelli. O técnico busca alternativas e quer um time mais controlador da posse de bola do que normalmente é desde a sua chegada. Foi justamente o que o técnico buscou no 4-1-3-2 e no 4-1-4-1, esquemas que podem ser utilizados contra Uruguai e Inglaterra.  

No caso do 4-1-4-1 (variação pro 3-4-3), os pontos fortes seriam a saída de jogo a três com De Rossi, às vezes até fazendo a sobra na fase defensiva, o jogo entrelinhas de Pirlo e Verratti, com Marchisio ou Candreva eventualmente explorando o terceiro quarto do campo, justamente as deficiências (históricas) da Inglaterra, e as ultrapassagens dos laterais. Com Balotelli, a equipe teria maior capacidade técnica e inventiva e presença de área, com Immobile, maior movimentação e precisão.

No 4-1-3-2 (variação pro 3-5-2), a Itália teria novamente a fluidez tática de De Rossi, meio ‘mediano’, meio ‘líbero’, novamente as ultrapassagens dos laterais, o jogo entrelinhas do “falso 10”, que pode ser interpretado por Pirlo ou Verrattti. A Squadra Azzurra teria, ainda, a presença de dois meias com mobilidade e força - ou apenas um, Marchisio, e a presença do coringa Verratti. No ataque, a qualidade de Cassano no último quarto, podendo criar jogadas mais próximas ao gol para que Balotelli possa ter mais chances de finalizar em boas condições.