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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Jogadores: Graeme Souness

Ídolo do Liverpool, Souness foi um dos primeiros craques da fase de ouro da Sampdoria (Skysports)
Um dos maiores craques britânicos da história, Graeme Souness também passou pela Itália, como jogador e treinador. O escocês teve como ponto alto da carreira a atuação pelo Liverpool, clube qual venceu quase tudo o que podia, e chegou à Bota para defender a Sampdoria na parte final da carreira. Mesmo assim, entrou para a história do clube, sendo fundamental para a conquista do primeiro título de expressão do time genovês.

Souness cresceu em Edimburgo, onde nasceu. Torcedor do local Hearts e do Rangers, o meia começou a carreira no time do seu bairro, North Merchiston. Aos 15 anos, porém, já tinha contrato profissional com o Tottenham, com o qual chegou a vencer a Copa da Inglaterra juvenil, em 1970.

Pouco aproveitado pelo treinador Bill Nicholson, o jovem foi ousado: disse ao técnico que ele era o melhor jogador do time, algo que não surtiu efeito, já que Souness entrou em campo pelos Spurs apenas uma vez, como substituto em um jogo da Copa Uefa. O forte Tottenham venceria o torneio – e seria vice no ano seguinte –, mas o escocês já havia sido emprestado ao Montréal Olympique, do Canadá, integrante da NASL.

Na liga norte-americana, Souness foi titular, e embora tivesse apenas 19 anos, acabou sendo indicado para o time de melhores da competição. Após o início de carreira atípico para um jogador europeu, o Tottenham não quis aproveitá-lo, e o vendeu ao Middlesbrough por 30 mil libras esterlinas, em 1972.

Foi no Boro que a carreira do meia escocês começou a decolar, sobretudo a partir do ano seguinte, com a chegada do técnico Jack Charlton. Nos cinco anos em que vestiu a camisa vermelha do time de Ayresome Park, Souness ajudou a equipe a ser campeã da segunda divisão inglesa, e levou o Boro de volta à elite após 20 anos. Foi lá que o Middlesbrough permaneceu durante toda a sua passagem, que durou cinco anos e rendeu ao jogador a primeira convocação para a seleção da Escócia. Em janeiro de 1978, Souness atingiu o patamar mais alto da carreira e, em uma venda recorde para o Boro (350 mil libras), acertou com o Liverpool. Além de ser um gigante britânico, o time vermelho ainda era o maioral da Terra da Rainha na época.

Graeme Souness chegou a uma equipe que tinha conquistado três Campeonatos Ingleses e três vices nos últimos seis anos – além de duas Copas dos Campeões. Ele chegou aos Reds juntamente com seu compatriota, Kenny Dalglish, e ambos se tornaram mitos em Anfield. Souness ficou em Merseyside por sete anos, e logo em seu primeiro gol já ficou claro que ele seria ídolo. Em um de seus clássicos voleios de dentro da área, vitimou o rival Manchester United, num 3 a 1 para os scousers.

Com o passar dos anos e com a titularidade garantida, Souness desfilou pelos gramados ingleses e europeus distribuindo assistências, marcando golaços e sendo importantes nas muitas conquistas do Liverpool treinado por Bob Paisley e Joe Fagan. Craque de bola, Souness era dono de passes açucarados e letal nos últimos três quartos do campo. Era conhecido, ainda, por ter um poder de finalização muito acima do normal: chutava forte e com precisão e marcava muitos gols da entrada da área. Sempre aparecendo em momentos decisivos, o escocês – que se tornou capitão a partir de 1982 – levantou três Copas dos Campeões e cinco Campeonatos Ingleses, além de quatro Copas da Liga e três Charity Shield. Aos 31 anos, com 358 jogos e 56 gols pelos Reds, era hora de mudar de ares. E ele iria respirar os ares do Mediterrâneo, na Itália.

Tudo certo com o escocês: chegada na Sampdoria fez barulho em 1984 (Getty)
Surpreendentemente, aquele craque de tantos títulos assinou contrato com uma equipe que ainda não tinha um título sequer em sua história. Em um caso em que muitos poderiam dizer que o jogador era maior do que o clube, Souness fechou com a Sampdoria, por cerca de 650 mil libras esterlinas. O meia chegou à Itália com um objetivo claro: após a saída do irlandês Liam Brady, seria a referência técnica de uma equipe ambiciosa e que projetava um futuro brilhante – que se cumpriu. Àquela época, o escocês faria uma dupla de britânicos com o atacante Trevor Francis, contratado em 1982. Como companheiros, Souness teve jogadores que marcaram época vestindo blucerchiato, como Ivano Bordon, Pietro Vierchowod, Moreno Mannini, Gianluca Vialli e Roberto Mancini.

A contratação de um jogador tão estrelado e cobiçado fazia parte de um planejamento iniciado cinco anos antes. Em 1979, Paolo Mantovani, um ex-negociador de petróleo e ex-assessor de imprensa do clube, adquiriu a Sampdoria na Serie B e foi o responsável por elevar a Sampdoria em cenário nacional. Em 1982, a equipe voltou à elite, e na década seguinte, conquistou todos os títulos de sua história, até então – um scudetto, quatro Copas da Itália e uma Recopa. Souness foi uma das primeiras contratações de peso de Mantovani e participou da conquista do primeiro título doriano, conquistado logo em sua temporada de estreia.

Coincidentemente, o experiente escocês já tivera breve contato com a Itália meses antes de aportar em Gênova. Na conquista de seu último título europeu com o Liverpool, havia castigado a Roma na final da Copa dos Campeões de 1984, marcando um golaço de pênalti, e, aos 31 anos aparecia novamente para aterrorizar a equipe romana, campeã nacional dois anos antes. Em alta, genoveses e romanos lutavam na parte mais alta da tabela, e com dois times muito fortes e técnicos, protagonizaram jogos muito disputados, naquele que era o mais forte campeonato europeu à época.

Nos dois anos em que atuou na equipe do estádio Marassi, Souness marcou oito gols em 56 partidas pela Serie A, um deles contra a Roma que castigara, este, na primeira temporada. Em 1984-85, o escocês anotou cinco tentos: além do gol feito sobre os giallorossi, fez contra Cremonese, em sua estreia, Torino, Juventus e Milan. Ao lado de Francis, Mancini e Vialli, o debutante Souness liderou o time na conquista da primeira Coppa Italia doriana, na qual marcou um decisivo gol na partida de ida na final contra o Milan.

No ano seguinte, o meia ajudou a equipe a chegar novamente às finais da competição, mas não pode jogar as decisões contra a Roma, que aconteciam já durante a Copa do Mundo de 1986 – algo impensável hoje. Do México, onde estava defendendo a seleção da Escócia pelo terceiro mundial consecutivo, Souness viu sua Samp vencer a partida de ida, por 2 a 1, e perder a de volta por 2 a 0, graças a um gol de Toninho Cerezo (cortado do Mundial) nos últimos minutos. Se Souness estivesse em campo, talvez a história fosse outra – talvez Cerezo, contratado pela Samp pouco depois, talvez não pudesse fazer história no Marassi, também. Apesar da falta de título em 1985-86, as bases estavam lançadas para um futuro mais glorioso.
Souness formou dupla britânica com Francis em Gênova (Sampdoria Community)
Após a Copa do Mundo, a passagem do camisa 8 pela Itália se encerrou. A vida efervescente fora dos gramados – que combinava com seu futebol vistoso – lhe rendeu o apelido de Charlie Champagne em terras italianas. Souness, porém, voltaria a sua terra natal, onde acumularia as funções de técnico e jogador pelo Glasgow Rangers. Em Ibrox, ele conquistou sete títulos antes de se aposentar e desenvolver carreira apenas como treinador.

Souness teve sucesso como técnico na Escócia em uma fase em que times ingleses estavam banidos de competições da Uefa por causa da Tragédia de Heysel. Com isso, para poder atuar em torneios continentais, alguns jogadores britânicos de ponta acabavam indo jogar na Escócia – casos de Trevor Francis e Ray Wilkins (ex-Milan), por exemplo. Foi uma das poucas vezes em que clubes escoceses puderam competir de igual para igual com gigantes ingleses. A aprovação pelos Rangers abriu novamente as portas do Liverpool para Souness. Como treinador, ele substituiu Dalglish, mas nunca chegou perto de ter o mesmo sucesso dos tempos em que atuava pelo time. Perdido em escolhas táticas e técnicas ruins e sem controle do vestiário, deixou o cargo após três anos – dois antes do previsto.

O escocês, então, foi viver uma aventura na Turquia. Pelo Galatasaray, levantou dois títulos, mas é mais lembrado por ter incitado protestos em Istambul: após vencer o clássico contra o Fenerbahçe na partida de volta da final da copa turca, ele fincou uma bandeira com o amarelo e o vermelho do clube no centro do gramado do Sükrü Saracoglü, estádio do Fener. O gesto foi encarado pelos torcedores do Galatasaray como similar ao do herói Ulubatli Hasan, que foi assassinado quando fincava e defendia uma bandeira do Império Otomano na Conquista de Constantinopla, em 1453. Exageros épicos à parte, a torcida do Fenerbahçe ficou irada e foi uma noite de muita confusão em Istambul.

Dali para frente, a carreira de Souness como comandante técnico degringolou de vez. De saída, ele acertou com o Southampton, e foi protagonista de um vexame: foi enganado por telefone por uma pessoa que se dizia George Weah. O falsário indicava seu suposto primo, um senegalês chamado Ali Dia, visto que os Saints precisavam de um atacante. Sem testes, confiando no que dizia o colega de faculdade do senegalês e falso Weah ("ele jogou no Paris Saint-Germain e várias vezes pela seleção do seu país"), Souness acertou um contrato de um mês com Dia. O jogador substituiu Matt Le Tissier, estrela do time que saiu lesionado, e protagonizou momentos vexaminosos, o que o fizeram ser substituído para nunca mais jogar outra vez.

Após deixar o Southampton, em 1997, Souness treinou o Torino por um breve período na Serie B, ao lado de Giancarlo Camolese. Logo se demitiu e passou dois anos amargos em Portugal, no comando do Benfica. Criou uma colônia britânica de jogadores que nunca deram certo, recusou a contratação de Deco e caiu em 1999 – levando junto todos os seus bruxinhos. Depois disso, encontrou uma boa geração de jogadores no Blackburn Rovers e permaneceu no clube por quatro temporadas, antes de passar um ano e meio horrendo no Newcastle. Depois de mais um fracasso, se aposentou também da carreira de técnico, com apenas 53 anos.

Com pouco sucesso montando equipes, Souness se tornou comentarista, como muitos ex-jogadores de futebol – e volta e meia é acusado por José Mourinho, técnico do Chelsea, de ser passional pelo Liverpool. O escocês tentou comprar o Wolverhampton, sem sucesso, e volta e meia tem sua volta como treinador cogitada, embora não considere a hipótese. Preservar uma imagem que já foi tão chamuscada é importante. Afinal, é bem melhor lembrar do Souness que foi um craque em campo do que daquele comandante meia-boca.

Graeme James Souness
Nascimento: 6 de maio de 1953, em Edimburgo, Escócia
Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Tottenham (1970-72), Montréal Olympique (1972), Middlesbrough (1972-78), Liverpool (1978-84), Sampdoria (1984-86) e Rangers (1986-91)
Títulos como jogador: Copa dos Campeões (1978, 1980 e 1984), Campeonato Inglês (1979, 1980, 1982, 1983 e 1984), Copa da Liga Inglesa (1981, 1982, 1983 e 1984), Charity Shield (1979, 1980 e 1982), Coppa Italia (1985), Campeonato Escocês (1987, 1989 e 1990), Copa da Liga Escocesa (1987, 1988, 1989 e 1991) e Segunda Divisão Inglesa (1974)
Carreira como treinador: Rangers (1986-91), Liverpool (1991-94), Galatasaray (1995-96), Southampton (1996-97), Torino (1997), Benfica (1997-99), Blackburn (2000-04) e Newcastle (2004-06)
Títulos como treinador: Campeonato Escocês (1987, 1989 e 1990), Copa da Liga Escocesa (1987, 1988, 1989 e 1991), Copa da Inglaterra (1992), Copa da Turquia (1996), Supercopa da Turquia (1996) e Copa da Liga Inglesa (2002)
Seleção escocesa: 54 jogos e quatro gols

terça-feira, 23 de junho de 2015

Brasileiros no Calcio: Enéas

Craque na Portuguesa, Enéas teve rápida passagem pelo Bologna (Terceiro Tempo)
Entre os campos, na base da Portuguesa, e as ruas de São Paulo, o jovem Enéas havia optado pelo trabalho de office-boy. Em uma metrópole que crescia assustadoramente no início dos anos 1970, lhe parecia mais seguro seguir uma carreira corporativa do que enveredar pelos rumos incertos do futebol. No entanto, ele aceitou retornar ao esporte por insistência de seu treinador, Nena. Uma bela troca: deixou de ser um qualquer para se tornar um dos maiores jogadores da história da Lusa.

Lançado em 1972 no time principal da Lusa, Enéas tornou-se ídolo no Canindé, por onde ficou por quase dez anos. Neste período, fez quase 400 jogos no currículo, e anotou 179 gols: é o segundo maior artilheiro do clube lusitano. A verve goleadora foi colocada em prática a partir de 1973, quando o treinador Oto Glória, que o considerava craque, o colocou no ataque, puxando Basílio para a meia cancha.

Após nove anos vestindo a camisa rubro-verde, Enéas trocou o estilo português do time paulista pelos prazeres da Velha Bota. Em 1980, com a reabertura das fronteiras para estrangeiros na Serie A, o brasileiro foi contratado pelo Bologna, e tinha a seu lado o protagonismo na Lusa e sua qualidade em deixar seus companheiros na cara do gol. Com esse crédito, Enéas fez com que a torcida no Renato Dall’Ara esperasse um novo Pelé – claro, guardadas as devidas proporções.

O bom início empolgou, mas uma série de dificuldades de adaptação, sobretudo em relação ao rígido inverno, ao padrão tático e à saudade da família, fez com que o futebol que o consagrou no Brasil tivesse rápidas aparições em campos italianos. Um fato curioso envolvendo a relação de Enéas com o inverno europeu foi fato de o o brasileiro ter chegado a entrar em campo vestido quase como um Papai Noel, com calça, luvas, mangas longas e até mesmo gorro. Apesar das adversidades, ganhou a simpatia da torcida, com sua simplicidade. 

Um sorridente Enéas ao lado de Luís Sílvio,
compatriota da Pistoiese (Wikipedia)
Na segunda parte da temporada, uma lesão fez com que Enéas perdesse mais de dez jogos na reta final do campeonato. Quando voltou a atuar, o futebol também já não era o mesmo. Sem conseguir render o esperado, o brasileiro viveu de lampejos. Nem mesmo uma brilhante apresentação contra a Juventus, em Turim, foi o suficiente para comover a diretoria a rossoblù a permanecer com o jogador – veja alguns momentos de sua passagem pelo Bologna aqui. Veículos de comunicação da época afirmam que o real motivo de sua saída foi um desentendimento com o técnico Luigi Radice, que não concordava com sua vida fora dos campos.

Depois de 20 jogos e apenas três gols, Enéas foi envolvido numa troca com a Udinese, que levou Herbert Neumann à Emília-Romanha. Mas, sua passagem pelo Friuli foi ainda mais rápida, e o brasileiro acabou deixando o clube sem ter jogado uma partida sequer. Enéas foi comprado pelo Palmeiras, e chegou com uma lesão no joelho, o que limitou as suas apresentações logo na chegada. Mesmo assim, ficou no Palestra Itália por mais três anos, antes de rodar por clubes de menor expressão, encerrando a carreira no Central Brasileira de Cotia.

Artista com a bola, problemático fora dele, Enéas ainda se ariscou como dirigente, mas ficou pouco tempo na nova função. Um grave acidente de carro em São Paulo fez com que Enéas, de apenas 34 anos, acabasse internado, com uma luxação na cervical. Após quatro meses no hospital, uma broncopneumonia abreviou a vida de um grande personagem do futebol brasileiro e jogador querido pela torcida do Bologna, mesmo com poucos jogos pelo clube. Enéas faleceu em 1988, mas até hoje é capaz de arrancar lágrimas dos felsinei.

Enéas de Camargo
Nascimento: 18 de março de 1954, em São Paulo
Morte: 27 de dezembro de 1988, em São Paulo
Posição: Atacante
Clubes em que atuou: Portuguesa (1971-80), Bologna (1980-81), Udinese (1981), Palmeiras (1981-84), XV de Piracicaba (1984), Juventude (1984-85), Atlético-GO (1985-86), Desportiva-ES (1986-87) e Central de Cotia (1987)
Títulos conquistados: Campeonato Paulista (1973) e Campeonato Capixaba (1986)
Seleção brasileira: 3 jogos e 1 gol

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Brasileiros no Calcio: Rivaldo

Pentacampeão mundial, Rivaldo chegou ao Milan e teve passagem apagada (Goal.com)
Poucos jogadores podem se invejar de terem um currículo tão vasto e uma carreira de tanto sucesso coletivo ou individual quanto Rivaldo. A longa carreira do meia-atacante pernambucano, que nem sempre é tão reconhecido quanto deveria, foi recheada de glórias. Rivaldo foi tão importante para o futebol mundial nos anos 1990 e 2000 que, mesmo nas situações em que ele não foi brilhante,  ele é lembrado por ter conquistado títulos. Foi assim na curta passagem pelo Milan, entre 2002 e 2003.

A honra de campeão do mundo com a seleção brasileira ainda estava fresca na memória quando Rivaldo chegou ao Milan, no dia 28 de julho – cerca de um mês depois da final contra a Alemanha. O meia-atacante já era consagrado no cenário mundial, vencera o título de melhor jogador do mundo em 1999 e vinha de uma participação exemplar na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, salvo o incidente contra a Turquia, na estreia, em que simulou uma bolada no rosto. Vice-artilheiro do Mundial, com cinco gols, ainda ficou na seleção do torneio – já conseguira o feito na Copa de 1998, da qual foi vice-campeão com a Seleção.

O novo camisa 11 rossonero havia firmado o contrato meses antes, depois que o Barcelona acertou a volta de Louis Van Gaal, seu desafeto. Liberado de seu contrato um ano antes do término, Rivaldo negociou com o Milan e acertou com o clube sem que o Barça recebesse nada por isso. Apesar das críticas que sofreu no final da passagem pela Catalunha e em jogos da Seleção antes da Copa, sobretudo pelo futebol em um nível abaixo do esperado para alguém de seu nível, parecia que o jogo virava para Rivaldo após o Mundial. Na Itália, renovado, ele chegaria com a responsabilidade de ser o principal jogador do projeto de Silvio Berlusconi de fazer o Milan brilhar novamente no cenário local e europeu. Afinal, já eram três anos sem ganhar a Serie A e oito sem levantar a Liga dos Campeões.

Berlusconi já queria ter levado Rivaldo a Milão anos antes. Era um sonho antigo, desde que perdeu (!) a disputa para a Inter pela contratação de Javier Farinós, em 2000. O espanhol não acertou – decepcionou brutalmente pelos rivais, inclusive – e Rivaldo chegou apenas dois anos depois do prometido. O camisa 10 da seleção brasileira aportou como um dos maiores salários do futebol à época: 4 milhões de euros de salário por temporada. Ao lado dele, chegavam também nomes que seriam fundamentais nos anos subsequentes, como Clarence Seedorf, Alessandro Nesta, Jon Dahl Tomasson e Dida, incrementando a base formada por Paolo Maldini, Andriy Shevchenko, Gennaro Gattuso, Rui Costa, Pippo Inzaghi e Alessandro Costacurta.

O Milan iniciou a temporada de maneira quase irrepreensível, vencendo quatro dos cinco primeiros jogos e marcando 17 gols nessa sequência. Mas a participação de Rivaldo foi tímida nesse início. Foram apenas dois jogos como titular (sendo que nos dois foi substituído) e apenas um gol. Na estreia, contra o Modena, ele até anotou um gol de letra, mas que foi anulado pela arbitragem. Oficialmente, balançou as redes com a camisa rubro-negra pela primeira vez na vitória por 4 a 1 sobre a Atalanta, em Bérgamo – foi dele o primeiro do cotejo. 

Inicialmente revezando com Rui Costa na armação, logo ganhou espaço ao lado de Shevchenko ou Inzaghi no ataque, da mesma maneira que jogou a Copa do Mundo. Essa foi a opção de Carlo Ancelotti para fazer com que Rivaldo deslanchasse de vez no futebol italiano. Sem sucesso.

Até como forma de justificar o investimento, Rivaldo ora ou outra recebia uns minutos em campo, seja como meia ou atacante – jogava melhor na segunda função. A boa sequência de Shevchenko, com seguidos gols, tirou cada vez mais o espaço do camisa 11, que também sofreu com algumas lesões. As presenças em campo foram cada vez mais raras e até mesmo fora do banco de reservas o brasileiro ficou sem figurar durante algumas rodadas.

Poucos momentos de felicidade: apesar de títulos, brasileiro não empolgou na Itália (Getty)
Ao final da temporada, o título da Serie A não veio, e o Milan ficou com a terceira posição, atrás da Inter e da campeã Juventus. Rivaldo atuou em 22 jogos e marcou cinco gols: anotou contra Atalanta, Reggina, Udinese, Piacenza e Lazio. Em compensação, a Liga dos Campeões, que era talvez o maior objetivo da temporada, foi conquistada. O título chegou de maneira para lá de especial, com vitória na final italiana contra a Juventus – na qual Dida brilhou nos pênaltis, após empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Rivaldo participou de grande parte da campanha, e atuou em 13 dos 19 jogos dos rossoneri, mas sem qualquer destaque – não jogou a final, por exemplo. O Milan ainda conquistou a Coppa Italia, três dias depois, e Rivaldo anotou um dos gols da partida de volta contra a Roma. Com o 3 a 3, o Diavolo levantou a taça, até porque havia goleado o adversário no Olímpico por 4 a 1, na ida.

Foram 38 jogos e 8 gols em sua primeira temporada, mas o resultado em campo não agradou. De acordo com jornais da época, uma discussão com Carlo Ancelotti quase antecipou a saída do brasileiro, convencido a ficar por Adriano Galliani sob a premissa de disputar a Copa Intercontinental. Ficou, mas jogou apenas 15 minutos na Supercopa da Uefa contra o Porto, vencida pelo Milan por 1 a 0, e 30 minutos contra o Celta de Vigo na Liga dos Campeões, quando acabou encostado. 

Chamado de lento e inócuo, rescindiu o contrato logo após o fechamento da janela de transferências do verão europeu. Se despediu dos torcedores todo engravatado, antes de uma partida contra o Lecce, em setembro. Seu lugar já tinha um dono da mesma nacionalidade: o Milan apostou numa jovem promessa brasileira, pentacampeão mundial como Rivaldo. Kaká foi trazido, a princípio para complementar o elenco, e rapidamente fez a torcida nem lembrar que Rivaldo um dia vestira rossonero. O final de sua passagem pelo Milan coincidiu, também, com seus últimos momentos com a camisa do Brasil.

Já com 31 anos, Rivaldo passou alguns meses sem entrar em campo e depois acertou com o Cruzeiro, para outra passagem bastante fraca. Depois de nem mesmo jogar o Campeonato Mineiro completo com a camisa do atual campeão brasileiro, o jogador então acertou com o Olympiacos, e, vivendo os últimos bons momentos de sua carreira, ajudou bastante no crescimento do futebol grego. Depois, Rivaldo passou por AEK, fez história pelo Bunyodkor, no Uzbequistão, retornou ao Brasil, onde defendeu o São Paulo e se aventurou no futebol angolano, com a camisa do Kabuscorp. 

Nos últimos momentos da carreira, Rivaldo já nem de perto parecia aquele jogador que tanto brilhou com as camisas de Santa Cruz, Mogi Mirim, Palmeiras e Deportivo La Coruña antes de chegar ao Barcelona e, depois, ao Milan. Quando todos já pediam sua aposentadoria, ainda defendeu o São Caetano e voltou ao Mogi para, enfim, deixar os gramados, em 2014. Jogador mais famoso do Sapão, e idolatrado por ter integrado o Carrossel Caipiria de 1993, Rivaldo é o presidente do Mogi Mirim desde 2008, e desde então tem tomado muitas decisões polêmicas à frente do clube, que disputa a Série B 2015.

Rivaldo Vitor Borba Ferreira
Nascimento: 19 de abril de 1972, em Paulista (PE)
Posição: Meia-atacante
Clubes em que atuou: Santa Cruz (1990-92), Mogi Mirim (1992-94 e 2014), Corinthians (1993-94), Palmeiras (1994-96), Deportivo La Coruña (1996/97), Barcelona (1997-2002), Milan (2002-04), Cruzeiro (2004), Olympiacos (2004-07), AEK (2007-08), Bunyodkor (2008-10), São Paulo (2011), Kabuscorp (2012) e São Caetano (2013)
Títulos conquistados: Campeonato Pernambucano (1990), Campeonato Paulista (1996), Campeonato Mineiro (2004), Campeonato Brasileiro (1994), Campeonato Espanhol (1998 e 1999), Copa do Rei (1998), Supercopa Europeia (1997 e 2003), Coppa Italia (2003), Liga dos Campeões (2003), Campeonato Grego (2005, 06 e 07), Copa da Grécia (2005 e 06), Campeonato Uzbeque (2008 e 2009), Copa do Uzbequistão (2008), Copa das Confederações (1997), Copa América (1999) e Copa do Mundo (2002).
Seleção brasileira: 74 jogos e 35 gols

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Os melhores da Serie A 2014-15

É a hora da verdade. Chega ao fim o nosso especial de análises da temporada 2014-15 do futebol italiano. Nas últimas semanas, nos dedicamos à retrospectiva do campeonato, e trouxemos o que de melhor e pior aconteceu na Serie A. 

Nos debruçamos sobre as temporadas dos 20 clubes que disputaram o torneio (veja a parte 1 e a parte 2), também fizemos as seleções dos mais experientes e dos mais jovens e também passamos por uma lista das revelações do torneio. Agora é hora de dar fim à retrospectiva, elegendo os melhores da temporada e a seleção da Serie A.

A equipe do Quattro Tratti votou, juntamente com alguns dos mais prestigiados jornalistas especialistas brasileiros e estrangeiros para escolher a seleção da temporada recém-finalizada da Serie A, e foram escolhidos também os melhores da temporada em seis categorias. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. No intervalo para a próxima temporada, continuaremos atentos a tudo o que acontece no futebol italiano, aqui e nas nossas mídias sociais. Vamos, agora, ao que interessa!

Carlos Tévez


Prêmios: Melhor jogador e melhor atacante:

Pelo segundo ano seguido, Tévez abocanhou os prêmios de craque do campeonato e de melhor atacante da Serie A. Em seu segundo – e último – ano de Juventus, o argentino mostrou o seu diferencial e foi o principal jogador na campanha do tetracampeonato da Velha Senhora, e ainda foi decisivo para a conquista da décima Coppa Italia do clube e pela arrancada que levou a equipe bianconera à final da Liga dos Campeões após 12 anos. Contratado no ano anterior para fazer a Juventus dar um salto de qualidade na Champions, o Apache conseguiu o feito em sua segunda temporada, marcando sete gols na competição. Ao todo foram 29 no ano, 20 deles na Serie A, da qual foi vice-artilheiro. Satisfeito com a sua passagem, marcada não só por gols, mas por trabalho de equipe e espírito de liderança, Tévez retornará ao Boca Juniors coberto de glórias e amado pela torcida juventina.

Tévez ganhou de braçada o título de craque do campeonato, mas abaixo dele ficaram Pogba, seu companheiro de Juve, e também podem ser citados Candreva e Felipe Anderson, principais jogadores da ótima campanha da Lazio em 2014-15. No quesito atacante, o brasileiro também se destacou, ao lado de Icardi e Toni, artilheiros do campeonato (com 22 gols), e também de Dybala e Gabbiadini.

Paul Pogba


Prêmio: Melhor meio-campista

Outra vez Pogba. Se Tévez ficou com o bicampeonato em suas categorias, o meio-campista francês da Juventus mais uma vez foi o maior destaque da posição no campeonato. Dono da meiuca da tetracampeã italiana, o jogador de 22 anos evolui cada vez mais, dia após dia, e já é um dos maiores nomes do futebol mundial. Pudera, um jogador que consegue reunir atributos como liderança, técnica apurada nos passes e controle de bola, força física e poder de finalização acima da média não poderia ser qualquer um – principalmente quando, em um meio-campo fortíssimo, formado por Pirlo, Marchisio e Vidal, consegue ser bem superior que todos eles. 

Pogba ficou apenas abaixo de Tévez na eleição de melhor jogador da temporada, e por muito pouco. Afinal, foi a força da dupla que fez a diferença para que a Juventus tivesse uma vantagem tão grande na briga pelo scudetto, conquistasse uma Coppa Italia com facilidade e ainda chegasse a uma final de Champions. Outros meias que se destacaram ao longo da temporada e que recebem menção honrosa são Candreva, Parolo, Biglia, Nainggolan, Vázquez, Valdifiori e Allan.

Leonardo Bonucci


Prêmio: Melhor zagueiro

Cinco anos atrás, quando Bonucci chegou à Juventus e Ranocchia à Inter, parecia que o time de Milão fizera a melhor contratação – os dois formavam uma bela dupla de zagueiros no Bari. Hoje, dá para saber que foi a Juve que levou a melhor. Formado na própria Internazionale, Bonucci cresceu muito nos anos que passou em Turim, e este ano foi o principal nome da melhor defesa do campeonato, mostrando muita solidez nas jogadas aéreas ou por baixo, se antecipando aos atacantes e sendo, ainda, fundamental na distribuição do jogo bianconero. Afinal, Bonucci se destaca por ser um zagueiro técnico e com boa presença ofensiva, seja por seus lançamentos ou na conclusão de jogadas.

Um pouco abaixo do seu normal, Chiellini não levou o prêmio desta vez. Ainda se destacaram na temporada De Vrij, que na Lazio continuou no nível apresentado em sua bela Copa do Mundo disputada pela Holanda. Em times de meio de tabela, vale lembrar que Glik, do Torino, teve uma campanha excepcional, corrigindo a rispidez que lhe fazia cometer faltas duras, e sendo pilar de uma defesa muito compacta – além disso, anotou sete gols, assim como Rodríguez, da Fiorentina. Outro que teve temporada esplendorosa foi Rugani, de apenas 21 anos e um futuro brilhante pela frente: no Empoli, atuou em todos os minutos dos 38 jogos e não levou um amarelo sequer. Recorde.

Gianluigi Buffon


Prêmio: Melhor goleiro

Quase como um prêmio à carreira. Um dos melhores goleiros da história do futebol, Buffon já não precisa mais fazer defesas acrobáticas e ser decisivo a todo instante para ser lembrado como o melhor goleiro do campeonato. Nessa temporada, essa verdadeira lenda do futebol foi pouco exigida. Afinal além de sua equipe ser um rolo compressor, Gigi tinha um muro à sua frente. Mas não é à toa que um goleiro recebe o apelido de Superman: toda vez que precisou entrar em cena, Buffon foi seguro e sempre manteve uma ótima média de atuações. Discreto e elegante, com quase 38 anos, o líder da melhor defesa e do melhor time do campeonato recebe também o prêmio de melhor goleiro da temporada.

Seus herdeiros não deixaram a desejar, também. Com 22 anos, Perin, do Genoa, ficou logo atrás, após fazer mais uma temporada de altíssimo nível, e ajudando o seu time a chegar em uma ótima 6ª posição – muito por causa da segurança oferecida por ele debaixo das traves, especialmente na primeira parte do campeonato. Sportiello, de 23 anos, foi o terceiro melhor goleiro da temporada, pela modesta Atalanta. Bastante exigido, fez proveito do bombardeio constante à sua meta e se destacou, sendo o goleiro com mais defesas na temporada.

Felipe Anderson


Prêmios: Melhor jogador brasileiro e Melhor jogador jovem

Houve quem considerasse Felipe Anderson como uma eterna promessa. Desprestigiado no Santos, o brasileiro teve uma primeira temporada opaca pela Lazio, mas explodiu de vez em 2014-15, merecendo os prêmios atribuídos pelo blog e a convocação para a seleção brasileira. Felipe começou a ser mais utilizado por Pioli no final de 2014, por rotação do elenco, mas após uma belíssima partida contra a Inter, engatou uma sequência absurda, que possibilitou a arrancada da Lazio e a afirmação da equipe como uma então concorrente a uma vaga na Liga dos Campeões – obtida, depois. Ao todo, Felipe Anderson marcou 10 gols e foi responsável por 8 assistências, destacando-se pelo poder de decisão em jogos importantes e pelo salseiro causado nas defesas adversárias, por sua velocidade, técnica e visão de jogo.

Se na última temporada apenas Leandro Castán fez uma campanha boa de ponta a ponta entre os jogadores brasileiros, este ano foi diferente. Os jogadores canarinhos se destacaram mais, e se valorizaram bastante, a exemplo de Allan, formiguinha do meio-campo da Udinese – já na mira de outros clubes – e Neto, de boas atuações no gol da Fiorentina e destinado à Juventus. Questionado no Brasil, Bruno Peres foi um dos melhores laterais do ano na Itália, atuando pelo Torino. Vale lembrar que Hernanes cresceu no final da temporada pela Inter e também que Éder – agora italiano – foi fundamental na boa campanha da Sampdoria. Entre os jovens (sub-23), excluindo Pogba e Berardi, que já foram premiados em anos anteriores, também se destacaram Rugani, Dybala, Perin e Sportiello.

Massimiliano Allegri


Prêmio: Melhor técnico

Quem mais? Allegri chegou à Juventus em momento conturbado, após um surpreendente pedido de demissão do amado Conte. Ao contrário do antecessor, não era querido pelos torcedores, mas superou isto com um trabalho sensacional. Ele não se limitou a propor o mesmo que Conte, e deu à equipe uma identidade própria. Ele mudou o esquema tático da equipe, deixando o antigamente habitual 3-5-2 como alternativa ao 4-3-1-2, seu módulo preferido. Dessa forma, conseguiu melhorar uma equipe que já era absoluta na Itália e transformá-la em uma força continental, algo em que o atual técnico da seleção italiana falhou. Com essa mudança, ele privilegiou o melhor setor que tinha à disposição, o meio-campo, acomodando Pogba, Pirlo, Vidal, Marchisio e Pereyra, que se revezaram para fortalecer a equipe. Dessa forma, ainda aproveitou melhor a individualidade de um Tévez no auge. Deu liga, claro.

Ninguém foi superior a Allegri na temporada, embora ele tenha tido concorrentes à altura. Como Pioli, de ótimo trabalho à frente da Lazio: ele elevou o time de patamar quando poucos achavam que os romanos, mesmo reforçados, iriam tão longe e com um futebol tão envolvente. Ou Mihajlovic, na Sampdoria, que fez seu time voltar a competições europeias com um futebol baseado na vontade, na raça e com rápida ligação entre defesa e ataque – mesmo com a queda de rendimento no final. Entre os técnicos de menor apelo, vale mencionar que Sarri (Empoli), Ventura (Torino), Gasperini (Genoa) e Di Francesco (Sassuolo) fizeram suas equipes apresentarem futebol acima do esperado, e saíram valorizados.

Seleção da Serie A 2014-15
Buffon (Juventus); De Vrij (Lazio), Glik (Torino), Bonucci (Juventus); Candreva (Lazio), Nainggolan (Roma), Pogba (Juventus), Felipe Anderson (Lazio); Tévez (Juventus), Toni (Verona), Icardi (Inter).

Reservas: Perin (Genoa), Sportiello (Atalanta), Diego López (Milan) e Consigli (Sassuolo); Rugani (Empoli), Chiellini (Juventus), Manolas (Roma), Rodríguez (Fiorentina), Bruno Peres (Torino), Darmian (Torino), De Silvestri (Sampdoria), Lichtsteiner (Juventus) e Evra (Juventus); Florenzi (Roma), Biglia (Lazio), Bertolacci (Genoa), Allan (Udinese), Parolo (Lazio), Marchisio (Juventus), Valdifiori (Empoli) e Vázquez (Palermo); Salah (Fiorentina), Berardi (Sassuolo), Gabbiadini (Sampdoria/Napoli) e Dybala (Palermo).

Votantes da seleção da temporada
Alexandre Perin (Almanaque Esportivo)
Andrea Chiavacci (Fox Sports/Di Marzio)
Arthur Barcelos (Quattro Tratti)
Braitner Moreira (Correio Braziliense)
Caio Dellagiustina (Quattro Tratti
Cleber Gordiano (Quattro Tratti)
Cristiano Acconci (Who Scored?)
Fabrizio Romano (Di Marzio)
Felipe Lobo (Trivela)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)
Gian Oddi (ESPN)
Guglielmo Cannevale (Di Marzio)
Leonardo Bertozzi (ESPN)
Luiz Carlos Largo (ESPN)
Marco De Vargas (Fox Sports)
Marco Mazzocchi (RAI)
Mateus Ribeirete (Quattro Tratti)
Mauro Cezar Pereira (ESPN)
Michel Costa (Além das 4 Linhas)
Murillo Moret (Quattro Tratti)
Nelson Oliveira (Quattro Tratti)
Pedro Spiacci (Quattro Tratti)
Rafael Oliveira (ESPN)
Rodrigo Antonelli (Quattro Tratti/Correio Braziliense
Tiago Lima Domingos (Doentes por Futebol) e
Victor Quintas (Doentes por Futebol).

quarta-feira, 17 de junho de 2015

As 15 revelações da Serie A 2014-15

Nesta quarta, a Europa se movimenta: a Euro sub-21 começa hoje, com participação de oito seleções, incluindo a da Itália. Com uma convocação fortíssima, os azzurrini encararão um grupo complicado, mas partem como um dos favoritos a levar o título do torneio. Pudera: é uma seleção experiente, com jogadores que já disputaram muitos minutos na Serie A. Reflexo de uma mudança de paradigma dos últimos anos, nos quais o Campeonato Italiano, empobrecido, precisou apostar mais na formação e em jovens talentos para tentar diminuir a diferença para outras ligas.

Nos últimos anos, falamos de muitos jogadores sub-23 que explodiram como titulares de clubes pequenos e grandes da Itália – veja aqui e aqui. Não só jogadores italianos, mas também estrangeiros. Muitos se tornaram realidade e nem podem mais ser considerados revelações – fizemos até uma seleção dos melhores sub-23 da temporada, com menções honrosas. Nesta lista, separamos aqueles que pela primeira vez se destacaram na Serie A. Veja a nossa lista e deixe sua opinião nos comentários.

Marco Sportiello


Idade: 23 anos (10 de maio de 1992)
Posição: goleiro
Clube: Atalanta

No início da temporada, quando acabara de completar 22 anos, finalmente Sportiello recebeu a chance que precisava para se afirmar. Já titular em três partidas no ano passado, o jovem goleiro assumiu o posto de Andrea Consigli e foi ainda superior ao ex-companheiro, vendido ao Sassuolo. Na verdade, foi o goleiro que mais fez defesas no campeonato, com 138, bem à frente de Orestis Karnezis (Udinese, 127), Mattia Perin (Genoa, 109), Antonio Mirante (Parma, 108) e todos os outros. Sendo um goleiro de equipe menor, fez bom proveito disso para mostrar serviço, sendo exigido constantemente a cada jogo. O lombardo, apesar de estar na sombra de Francesco Bardi (de posse da Inter e reserva do Chievo), foi convocado para o Campeonato Europeu sub-21 [nota: na Europa, se considera o início do ciclo, dois anos antes, para os times sub-21. Dessa forma, jogadores de até 23 anos ainda podem atuar pelas seleções].

Davide Zappacosta

Idade: 23 anos (11 de junho de 1992)
Posição: lateral direito
Clube: Atalanta

Outro atalantino que só foi receber sua chance real aos 22 anos – completou 23 neste mês. Depois de bons anos pelo Avellino e ótima Serie B em 2013-14, Zappacosta teve sua co-propriedade renovada na pré-temporada, e deve ser comprado em definitivo nesta janela. O lateral voltou para Bérgamo para ser titular, o que ocorreu em 27 partidas, nas quais ainda contribuiu com três gols e uma assistência. Lateral-direito de bom ritmo, também está na seleção sub-21 e disputa a posição com Stefano Sabelli (Bari), apesar de ter sido titular nos últimos jogos.

Luka Krajnc


Idade: 20 anos (19 de setembro de 1994)
Posição: zagueiro
Clube: Cesena

Talento esloveno do Maribor, Krajnc foi comprado pelo Genoa em 2011 e até 2012 jogou no time Primavera, estreando na Serie A na temporada 2012-13 e jogando outras duas vezes. Pouco para avaliar o zagueiro, muito forte no jogo aéreo. No ano seguinte, acabou emprestado ao Cesena e ganhou a posição aos poucos no decorrer da Serie B. Comprado em definitivo, foi titular em 20 jogos na Serie A, o bastante para chamar atenção de clubes maiores e receber sua primeira convocação para a seleção principal eslovena, em março.

Daniele Rugani


Idade: 20 anos (29 de julho de 1994)
Posição: zagueiro
Clube: Empoli

Quem o viu em campo e não o conhecia talvez tenha pensado que tivesse seus 30 e poucos anos. Mas não, tem apenas 20 anos mesmo. Um jovem veterano, fazendo sua estreia na Serie A, apenas no seu segundo ano como profissional e por um clube provinciano e sem grandes expectativas no campeonato. Nada disso importou a Rugani, o zagueiro mais calmo e preciso dos últimos anos. Ele não precisa fazer faltas ou entrar mais duro para desarmar seu oponente ou parar um ataque. Jogou absolutamente todos os minutos do campeonato e não levou um cartão sequer - um recorde, aliás. Tudo isso também com ótimo desempenho na bola aérea e participação ofensiva. A Juventus, que não é boba, já garantiu sua contratação desde 2013.

Elseid Hysaj


Idade: 21 anos (20 de fevereiro de 1994)
Posição: lateral direito/esquerdo
Clube: Empoli

Um dos tantos jovens dos Bálcãs na Itália, o albanês Hysaj teve temporada espetacular na sua estreia na Serie A, comprovando os dois bons anos de Serie B. Ele, que chegou à Toscana ainda pequeno e foi criado nas categorias de base do Empoli, se tornou titular ainda aos 18 anos. Destro, joga nas duas laterais com competência, e apesar de sempre ter jogado na esquerda na segunda divisão, aproveitou a lesão do companheiro Vincent Laurini para voltar ao lugar que sempre gostou, na direita – abrindo espaço para o regular Mário Rui na canhota. Com personalidade e dinamismo, foi titular em 33 partidas e hoje é alvo de Lazio e Napoli. Desde 2014 é titular da seleção albanesa, na qual estreou um ano antes.

Achraf Lazaar

Idade: 23 anos (22 de janeiro de 1992)
Posição: lateral esquerdo
Clube: Palermo

Se dizem que os laterais esquerdos estão acabando, a Serie A desmente. E Lazaar é mais um dos canhotos que se destacaram em 2014-15, fazendo sólido ano pelo Palermo e desbancando a concorrência de um jovem um pouco mais maduro, o suíço Fabio Daprelà, e de outra promessa, o brasileiro Emerson, ex-Santos. O que não deixa de ser surpresa, já que Lazaar fora reserva na campanha do time siciliano na Serie B. Em 27 partidas como titular no campeonato, fez dois gols e três assistências, mostrando grande virtude nas bolas paradas, nos chutes de longa distância, cruzamentos e ultrapassagens com força e velocidade. Outro que, após a titularidade na Serie A, também ganhou espaço na seleção principal do seu país. No seu caso, Marrocos.

Danilo Cataldi


Idade: 20 anos (6 de agosto de 1994)
Posição: meio-campista
Clube: Lazio

Quase no meio da temporada, se temia que Cataldi não teria sua chance na Lazio. Cria da boa base laziale, Cataldi é um meio-campista completo: foi meia-atacante e ponta nos tempos de juvenil e teve ótima temporada como regista pelo Crotone na Serie B 2013-14. O romano só estreou na Serie A em 2015, e aproveitou muito bem a oportunidade, participando de 21 partidas e sendo, ainda, titular na reta final da campanha do vice-campeonato da Coppa Italia. Mostrando muita personalidade, foi o autor de cinco assistências na temporada e ainda capitaneou a Lazio em alguns momentos. Polivalente e dinâmico, mas também técnico, lembrou Claudio Marchisio a muitos que ainda não o conheciam. A ascensão rápida também lhe rendeu um posto na seleção sub-21 para o Europeu da categoria.

Lorenzo Crisetig


Idade: 22 anos (20 de janeiro de 1993)
Posição: meio-campista
Clube: Cagliari

Para quem acompanha o futebol de base da Itália e da Inter, Crisetig é quase um veterano. Um dos maiores talentos produzidos em Interello, o friulano, assim como Cataldi, que foi seu companheiro no Crotone, é um meio-campista completo, de força, mas muita técnica, preferindo jogar como regista. E assim jogou na maior parte do tempo em sua passagem pelo Cagliari, desbancando o veterano Daniele Conti, sob o comando dos técnicos Zdenek Zeman, Gianfranco Zola e Gianluca Festa. Emprestado por dois anos com direito de compra, não sabe se continuará na Sardenha para jogar a Serie B. Talvez mais um ano na primeira divisão sirva para chamar a atenção da Inter definitivamente, já que pelo clube de Milão ele nunca jogou no campeonato, apesar de, aos 16 anos, ter sido relacionado para várias partidas por José Mourinho. Na seleção sub-21, é figura carimbada: estreou aos 16, sendo o mais jovem a jogar pelos azzurrini, e também jogará o Europeu da categoria, sendo um "veterano" do elenco.

Godfred Donsah


Idade: 19 anos (7 de junho de 1996)
Posição: meio-campista
Clube: Cagliari

Cortejado por Juventus e Roma, Donsah é um dos tantos garotos africanos que chegaram na Itália clandestinamente em busca de uma vida melhor. Não são todos que conseguem – muitos nem mesmo chegam ao Belpaese –, mas o ganês conseguiu e, depois de passagens por Palermo e Verona e muita luta, tem feito uma bonita história. Destaque na pré-temporada com o Cagliari, chegou com moral ao ser comprado por 2 milhões de euros, a pedido de Zeman, que desenvolveu o seu futebol. Donsah é u meio-campista polivalente, muito dinâmico, mas também técnico, com dribles e chutes precisos. Nesta Serie A disputou 21 partidas, 13 como titular, com dois gols e uma assistência. Convocado pela primeira vez, foi titular da seleção sub-20 ganesa no Mundial da categoria, na qual ajudou a sua seleção em ótimo desempenho na fase de grupos, mas com queda nas oitavas para o surpreendente Mali.

Assane Gnoukouri


Idade: 18 anos (28 de novembro de 1996)
Posição: meio-campista
Clube: Inter

Que tal fazer sua estreia na Serie A em um Derby della Madonnina? Ou então uma semana depois voltar a um San Siro cheio e enfrentar Francesco Totti, Daniele De Rossi e companhia? Foi o que aconteceu com o garoto Gnoukouri, de apenas 18 anos, que debutou pela Inter nesta temporada. Recém-chegado em Interello, junto com seu irmão nascido em 2000, o meio-campista marfinense conquistou rápido espaço no time Primavera e foi titular na equipe que conquistou a Copa Viareggio em fevereiro. Dois meses depois, foi alçado ao time principal por conta de jogadores indisponíveis da Inter, e entrou na fogueira, jogando os dois clássicos como titular. Destaque nos dois jogos, com grande personalidade, força física e bom toque de bola, ele teve seu contrato renovado até junho de 2020. Resta saber se será aproveitado por Roberto Mancini, já que mostrou ter qualidade e personalidade, ou se acabará emprestado para jogar mais minutos.

José Mauri


Idade: 19 anos (16 de maio de 1996)
Posição: meio-campista
Clube: Parma

Nem tudo foi um desastre em 2014-15 pelas bandas do Ennio Tardini. Um ítalo-argentino de apenas 18 anos (completou 19 em maio), surgiu com muita personalidade e qualidade no meio-campo do time de Roberto Donadoni. Baixinho, mas dinâmico e forte, Mauri também tem bons movimentos sem a bola, técnica e polivalência. Presente em 33 partidas, com dois gols (sendo um o gol da vitória sobre a Juventus) e duas assistências, foi titular 29 vezes e agora é cortejado por clubes como Milan e Wolfsburg, além de também gerar a velha discussão: seleção italiana ou argentina? O meio-campista já defendeu a Itália sub-17 em 2012, mas não foi mais convocado desde então. Sorte de quem o convocar primeiro, se continuar evoluindo com tanta rapidez e qualidade.

Andrea Belotti


Idade: 21 anos (20 de dezembro de 1993)
Posição: atacante
Clube: Palermo

Titular da seleção sub-21 italiana, e uma das tantas esperanças de gols do time de Luigi Di Biagio no Europeu da categoria, Belotti não é mais exatamente um garoto, porém fez sua estreia na Serie A em 2014-15 e, mesmo reserva, deixou boas impressões. Atacante de ritmo, forte, veloz, de bons desmarques, é um candidato a futuro bomber à Pippo Inzaghi, e alguns de seus gols no campeonato dão essa impressão. Presente nas 38 rodadas, foi titular em apenas nove delas. Mesmo assim,  marcou seis gols e deu duas assistências, auxiliando a dupla formada por Franco Vázquez e Paulo Dybala em momentos apertados. Em transações que movimentaram seis milhões de euros, entre empréstimo, co-propriedade e resolução de co-propriedade junto ao AlbinoLeffe, onde cresceu, deve ganhar o posto de titular pelo Palermo no próximo ano e quem sabe chegar nos dois dígitos de gols, como fizera em 2013-14 na Serie B.

Federico Bonazzoli


Idade: 18 anos (21 de maio de 1997)
Posição: atacante
Clube: Inter

Outro produto de Interello, Bonazzoli talvez seja o maior talento já produzido nas terras da Lombardia desde Mario Balotelli. Um fenômeno no futebol de base italiano, foi artilheiro e melhor jogador na Copa Viareggio, mas já desde 16 anos é titular do time Primavera da Inter, pelo qual tem 27 gols em 35 partidas. Agregado ao time principal em 2014-15, jogou menos vezes com o sub-19 e mesmo assim teve ótima marca: 14 gols em 12 partidas. Com Walter Mazzarri e Roberto Mancini, participou mais nos treinos, mostrando personalidade, mas tendo apenas 217 minutos entre Serie A, Liga Europa e Coppa Italia, sem marcar gols. Vendido à Sampdoria por 4,5 milhões de euros e direito de recompra por 9 (se exercido até 2018), a tendência é que brigue por um lugar e se desenvolva em Gênova para, posteriormente, voltar a Milão. Como seu negócio é gols, vamos à eles: com as seleções de base, da sub-15 à sub-21, são 40 partidas e 18 gols. Pela sub-21, aliás, o atacante superou Crisetig como o mais jovem a estrear com a camisa azul, em 2014.

Kingsley Coman


Idade: 19 anos (13 de junho de 1996)
Posição: atacante
Clube: Juventus

Depois de Paul Pogba, a Juventus foi buscar outro talento francês, dessa vez do Paris Saint-Germain, e novamente sem custos na transferência. Meia-atacante muito veloz e habilidoso, Coman também tem ótimo pé para passes decisivos e chutes de longa distância, além de trabalho de equipe e versatilidade. Coisas que serviram bem em seu primeiro ano de Itália, no qual jogou 20 partidas e 650 minutos, o bastante para mostrar suas qualidades para o Belpaese. Se seguir o que dele se espera, sem dúvidas um talento ainda a ser explorado, será protagonista em Turim. O garoto de 19 anos também tem espaço nas seleções de base, e passou por todas desde a sub-16. Atualmente é titular da sub-21.

Daniele Verde


Idade: 18 anos (20 de junho de 1996)
Posição: atacante
Clube: Roma

Napolitano de nascimento, romano de crescimento. Verde é jogador da Roma há cinco anos, escolhido a dedo por Bruno Conti, que jogou na mesma posição que ele. Hoje um ponta de velocidade e drible, lembra muito o diretor do setor juvenil nos seus tempos de camisa 7 giallorrosso e azzurro. Verde, no entanto, começou a carreira como lateral, e somente foi "corrigido" por Vincenzo Montella, quando atuava na categoria Giovanissimi, o sub-15 italiano. Destaque no time Primavera com 14 gols em 23 jogos, ganhou espaço com Rudi Garcia nos primeiros meses de 2015, em turbulento momento da temporada romanista, porém teve grande personalidade e chamou atenção na sua estreia como titular, contra o Cagliari, jogando os 90 minutos e fornecendo os dois passes para os gols da vitória na Sardenha. Outro talento que despontou em 2014-15, deve ser emprestado para ganhar minutos e receber sua primeira convocação pra sub-21 - atualmente é titular da sub-19.

Pote 2

Teste contra Portugal não foi nada bom para a Itália, que ainda poderá ter mais dificuldades nas Eliminatórias da Copa de 2018, por causa do resultado (Mais Futebol)
Um amistoso que, em tese, valeria pouca coisa. Não à toa, o técnico Fernando Santos colocou a campo quase toda equipe reserva de Portugal. Cristiano Ronaldo nem para o jogo foi. Antonio Conte seguiu a mesma linha, tendo entre os onze titulares nomes como Bertolacci, Soriano e Immobile, além de promover, no segundo tempo, as entradas de Sansone e Gabbiadini. Porém, para a Itália, a partida valia mais que apenas um jogo de testes. Valia a oportunidade de ser cabeça de chave no sorteio das Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2018.

De acordo com os critérios usados pela Fifa, os nove melhores times europeus na publicação de julho serão os cabeças de chave e a Squadra Azzurra, após o empate contra a Croácia, precisava de uma vitória para ultrapassar justamente os croatas. Mas em campo, apesar de imprimir um bom ritmo de jogo, a Itália sucumbiu para a seleção lusa, que mesmo sem se esforçar, encontrou um gol na segunda etapa para vencer o jogo. Com isso, a Itália ficará no pote 2 do sorteio.

Dessa forma, se tiver um sorteio não favorável, a equipe de Conte pode enfrentar, por exemplo, Alemanha, Polônia ou Suécia, Turquia ou Irlanda, e Armênia. O cenário mais favorável coloca os italianos contra Romênia, Suíça, Grécia, Ilhas Faroe, Azerbaijão e Andorra – veja aqui a projeção das seleções nos potes. O sorteio das eliminatórias da Copa de 2018 será realizado no dia 25 de julho, em São Petersburgo. Os jogos começam no segundo semestre de 2016.

O jogo
Diante de um estádio quase vazio em Genebra, o jogo demorou a engrenar. Com exceção de uma falta cobrada por Pirlo, aos 2 minutos, a partida disputada na Suíça demorou de ter lances de perigo. Apesar de maior posse de bola e domínio de jogo, o primeiro chute de perigo da Azzurra foi aos 17 minutos com Bertolacci. O meia do Genoa foi um dos poucos que aproveitou a oportunidade, com bastante movimentação, embora com pouca criação.

Percebendo a monotonia, Sirigu resolveu dar emoção ao jogo. O goleiro recebeu recuada de Bonucci mas dominou mal, perdendo a bola para Eder, que rolou para Varela bater contra o gol vazio. Não fosse Ranocchia, a Itália teria levado o primeiro gol.

No segundo tempo a partida foi mais movimentada. Logo aos 4, Bonucci acertou a trave dando esperanças aos italianos. Mas dois minutos depois, Eliseu fez bela jogada no campo de defesa e lançou Quaresma. O atacante dominou e cruzou com estilo, de trivela, encontrando Eder, que entrou e completou de primeira, para abrir o placar.

Pirlo bem que tentou organizar as jogadas, mas o tridente ofensivo formado por Immobile, Candreva e El Shaarawy produziu pouco. A Itália ganhou novo fôlego com mudanças efetuadas por Conte, sobretudo com a entrada de Vázquez. As chances, porém, continuaram raras. Darmian e o próprio Vázquez tentaram, mas Beto estava bem postado e evitou o empate italiano. No último lance, Rannochia teve a chance de igualar, mas chutou a sobra de escanteio rente à trave.

Como se não bastasse perder a oportunidade de ser cabeça de chave e fugir de um grupo complicado, a Itália de Conte ainda perdeu a invencibilidade de nove jogos. Foi quebrado, ainda, um tabu: há 39 anos os portugueses não venciam a Itália. Agora, a Itália não vence há quatro jogos, e o futebol apresentado, além de não dar resultados, é fraco. Conte, que foi contratado para fazer a equipe vencer e ser sólida, já começa a ser questionado.

Itália 1-0 Portugal
Eder 51’

Itália (4-3-3): Sirigu; De Sciglio (Pasqual), Ranocchia, Bonucci e Darmian; Pirlo, Soriano (Vazquez) e Bertolacci (Parolo); Candreva (Gabbiadini), El Shaarawy (Sansone) e Immobile (Matri). T: Antonio Conte

Portugal (4-3-3): Beto; Vieirinha (Cedric), José Fonte, Bruno Alves (Carriço) e Fabio Coentrão (Eliseu); João Moutinho, Danilo e Tiago (Adrien Silva); Quaresma (Pizzi), Eder e Varela (Nani) T: Fernando Santos

Local: Stade Geneve (Genebra, Suíça)
Árbitro: Stephan Studer (Suíça)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As seleções dos extremos da Serie A 2014-15

Se a cada ano os jovens têm conquistado cada vez mais espaço no futebol italiano, como já falamos aqui inúmeras vezes, ainda há oportunidades para a experiência na Serie A. Cada vez mais, os "novinhos" não se destacam apenas nos clubes provincianos, mas também nos principais, e como protagonistas. Do outro lado, os "coroas" são importantes para fazer essa transição, auxiliando e liderando os garotos.  os veteranos tiveram um destaque especial em 2014/15.

E por falar em jovens e veteranos, impossível deixar passar em branco a disputada artilharia do campeonato: Carlitos Tévez liderou por boa parte da temporada, mas o título acabou dividido entre dois legítimos bombers, Luc Toni e Mauro Icardi, cada um com 22 gols. Toni, 38 anos, profissional desde 1994 e na Serie A desde 2000; Icardi, 22 anos, profissional desde 2012 e no seu terceiro ano de Serie A. Enquanto Toni dava seus primeiros passos como profissional pelo Modena, Icardi acabava de deixar de engatinhar em Rosário.

O blog preparou duas seleções, de jovens e de veteranos, e mais uma lista com menções honrosas. Na seleção dos jovens, foram considerados os jogadores sub-23. Na dos veteranos, apenas jogadores acima de 32 anos. E o que se nota, logo de cara, é o grande número de jovens sub-23 destaques no campeonato, nas mais variadas posições.

Os masters também aparecem em todas as posições, mas mais específicos: os vários goleiros, decisivos com defesas de reflexo, bom posicionamento e organização da defesa; os zagueiros, mais imponentes, líderes de suas defesas e presentes na bola aérea; os meio-campistas, alguns mais técnicos e/ou defensivos, que cadenciam e organizam o jogo e/ou mantém o equilíbrio no meio de campo, outros mais “elétricos”, ainda com muito fôlego e disposição, participando com dribles e desmarques; e os atacantes, dos mais “pesadões”, dominando a pequena área e usando todo seu oportunismo e força física, aos mais “leves”, muito participativos na construção do jogo, habilidosos e ainda ágeis. Confira.

Qual time ganharia? Faça suas apostas! (Share my Tatics)
Serie A dos jovens

Mattia Perin
Idade: 22 anos (10 de novembro de 1992)
Posição: goleiro
Clube: Genoa

Impossível falar de goleiro jovem na Serie A e não lembrar de Perin. Aos 22 anos, é uma realidade pelo Genoa e um dos melhores na posição da Serie A há três temporadas. Observado por grande clubes, de contrato renovado até 2019 e já avaliado em 15 milhões de euros, o camisa 1 grifone fez 109 defesas em 32 partidas, atrás apenas de Sportiello, outro grande destaque sub-23, e Karnezis. Ele levou 38 gols e ficou sete partidas sem sofrer nenhum, tendo ainda a melhor avaliação de um goleiro com mais de 30 partidas. Herdeiro legítimo de Buffon.

Nikola Maksimovic
Idade: 23 anos (25 de novembro de 1991)
Posição: defensor
Clube: Torino

Quando contratado na temporada passada, Maksimovic já gerava certa expectativa, e aos poucos respondeu com boas atuações, mostrando ser um defensor completo, concentrado, de bom posicionamento, preciso em desarmes e interceptações e técnico. Também mostrou versatilidade, jogando inúmeras vezes como ala, e bem. Em 14/15, com seu lugar garantido numa das melhores defesas do campeonato, evoluiu e sempre foi uma constante em segurança e técnica na defesa granata, inclusive sendo o segundo zagueiro com melhor avaliação no campeonato, atrás de Astori e empatado com Gonzalo Rodríguez.

Stefan de Vrij
Idade: 23 anos (5 de fevereiro de 1992)
Posição: defensor
Clube: Lazio

Destaque absoluto na Copa do Mundo na Holanda de Van Gaal, De Vrij foi contratado por cerca de 8,5 milhões de euros pela Lazio, após muita disputa no mercado. E não decepcionou, se tornando um zagueiro mais completo e dando consistência num setor delicado para o time da capital nos últimos anos. Como Maksimovic, teve avaliação bastante considerável, próxima dos três citados e de Chiellini. Ágil e com boa leitura de jogo, ajudou a dar equilíbrio ao time de Pioli e na saída de bola, sempre com muita energia, demonstrada nos desarmes.

Daniele Rugani
Idade: 20 anos (29 de julho de 1994)
Posição: defensor
Clube: Empoli

Quem o viu em campo e não o conhecia talvez tenha pensado que tivesse seus 30 e poucos anos. Mas não, tem apenas 20 anos mesmo. Um jovem veterano, fazendo sua estreia na Serie A, apenas no seu segundo ano como profissional e por um clube provinciano e sem grandes expectativas no campeonato. Nada disso importou a Rugani, o zagueiro mais calmo e preciso dos últimos anos. Ele não precisa fazer faltas ou entrar mais duro para desarmar seu oponente ou parar um ataque. Jogou absolutamente todos os minutos do campeonato e não levou um cartão sequer - um recorde, aliás. Tudo isso também com ótimo desempenho na bola aérea e participação ofensiva. A Juventus, que não é boba, já garantiu sua contratação desde 2013.

Alessio Romagnoli
Idade: 20 anos (12 de janeiro de 1995)
Posição: defensor
Clube: Sampdoria

O caçula da seleção é tão jovem quanto Rugani, mas um tanto diferente do seu parceiro de seleção sub-21. De sua forma, é um projeto de grande zagueiro: agressivo e ágil, talvez até mesmo pelo jeito que jogam os times de Mihajlovic, Romagnoli preserva as características de um clássico zagueiro italiano. É concentrado e preciso nos desarmes, mas também técnico e hábil com a bola, o que já lhe rendera partidas como lateral no ano passado pela Roma. Seu lugar é mesmo no centro, onde fez valer a titularidade na Sampdoria.

Os anos passam e a pergunta fica: quem segura Pogba?
Felipe Anderson
Idade: 22 anos (15 de abril de 1993)
Posição: meio-campista
Clube: Lazio

Felipe Anderson foi precocemente criticado e chamado de flop na primeira temporada, considerado o alto custo e baixo impacto. Porém, com Pioli encontrou a oportunidade de ganhar seu espaço e mostrar suas qualidades, o que começou a surgir com maior frequência em dezembro. A partir de então, o brasileiro foi ganhando confiança e importância no jogo laziale, com dribles, passes decisivos e muitos chutes. Foram números impressionantes e fundamentais na ótima campanha da Lazio (10 gols e 8 assistências), mas que também renderam excessiva badalação e natural valorização. O meia-atacante renovou contrato por cinco anos e aumentou substancialmente seu salário e valor de mercado.

Pedro Obiang
Idade: 23 anos (27 de março de 1992)
Posição: meio-campista
Clube: Sampdoria

Um dos tantos espanhóis que foram para a Itália ainda com menos de 18 anos, Obiang não é nenhuma novidade na Itália, titular há quatro anos na Sampdoria. Em 14/15, teve seu grande momento na Serie A, se destacando por seu futebol completo, com destaque para sua energia - muito bem aproveitada por Mihajlovic, o que fez o volante ter o dobro de cartões amarelos. Mas o espanhol também tem muita técnica e inteligência, e foi um dos líderes em desarmes e passes certos no campeonato. Como não poderia deixar de ser, gerou ainda mais interesse de outros clubes e também da seleção italiana, apesar de afirmar que deseja esperar uma chance pela Espanha, mesmo tendo sido pouco aproveitado até mesmo na base. A transferência para outro clube ele já conseguiu: será reforço do West Ham para 2015-16.

Paul Pogba
Idade: 22 anos (15 de março de 1993)
Posição: meio-campista
Clube: Juventus

O que falar de Pogba sem cair na mesmice? Um personagem e tanto por si só, de personalidade forte, o francês evolui a cada ano e tem se tornado um meio-campista ainda mais arrebatador. Com Allegri, seguiu desequilibrando com a bola, mas cresceu a jogar sem, dando maior movimentação e participando mais ativamente das transições, apesar de ainda ser irregular durante os 90 minutos. De contrato novo, é badalado pelos clubes milionários, mas tem se mantido em silêncio quanto ao futuro, respondendo em campo com seus chutes, dribles, passes e jogadas improváveis. Um dos maiores craques do futebol mundial.

Mateo Kovacic
Idade: 21 anos (6 de maio de 1994)
Posição: meio-campista
Clube: Inter

Um dos maiores talentos do campeonato, Kovacic ainda tem tido dificuldade em se consolidar. Contudo, faz valer a camisa 10 e é o principal fator desequilibrante da Inter, e mesmo sem corresponder sempre, se omitindo ou convivendo com o banco, sempre aparece entre os líderes do time em chances criadas e dribles. Um talento bruto, lapidado um pouco por Stramaccioni, Mazzarri e Mancini, mas ainda tendo bastante o que desenvolver - psicologicamente, especialmente - e encontrar seu lugar ideal, apesar de ser um "todocampista" natural. Resta saber se a Inter terá paciência para bancar o crescimento do croata e lhe dar o posto de líder, ou aproveitar tamanho talento para fazer dinheiro e tornar o time competitivo, o que soa estranho e confuso.

Paulo Dybala
Idade: 21 anos (15 de novembro de 1993)
Posição: atacante
Clube: Palermo

Um pouco como Anderson, Dybala não teve vida muito fácil no início de Itália. Contratado por um preço elevado e ainda muito jovem, o habilidoso canhoto precisou de três temporadas para se tornar protagonista, e apesar de sempre ter mostrado seu talento, era alvo de duras críticas. Mas o futebol dá voltas, e muito rápido. Hoje Dybala é um dos melhores atacantes do campeonato após excelente temporada com o Palermo, autor de 13 gols e 10 assistências. Muito completo, não demorou para se tornar o principal alvo dos maiores clubes italianos, e escolheu com bastante confiança seu futuro: a partir de julho fará parte do elenco da gigante Juventus.

Icardi, destaque de uma temporada opaca da Inter
Mauro Icardi
Idade: 22 anos (19 de fevereiro de 1993)
Posição: atacante
Clube: Inter

Ninguém participou diretamente de gols mais do que Icardi nesse campeonato. Artilheiro do campeonato ao lado de Toni, com 22 gols em 36 partidas, e autor de seis assistências, o camisa 9 nerazzurro não demorou para mostrar porque o clube de Milão apostava tanto em seu talento. Já bom e goleador com Mazzarri, teve seu jogo aprimorado com Mancini, que lhe exigiu mais nos treinos. O argentino respondeu bem, com melhora significativa no seu futebol, participando mais e usando melhor seus atributos, não apenas para gols, que aumentaram bastante. Também um personagem único, marrento e simples ao mesmo tempo, parece satisfeito em continuar em Milão, mesmo com o mau momento do clube e recebendo menos do que outros centros lhe oferecem. Talvez, em outro clube, recebesse chances reais no concorrido ataque da Argentina.

Menções honrosas
Goleiros: Sportiello (Atalanta) e Leali (Cesena)
Defensores: Manolas (Roma), Widmer (Udinese), Hysaj (Empoli), Lazaar (Palermo), Zappacosta (Atalanta) e Krajnc (Cesena)
Meio-campistas: Saponara (Milan/Empoli), Soriano (Sampdoria), Vecino (Empoli), Mauri (Parma), Sala (Verona), Cataldi (Lazio), Baselli (Atalanta), van Ginkel (Milan), Crisetig (Cagliari), Benassi (Torino), Donsah (Cagliari) e Duncan (Sampdoria)
Atacantes: Gabbiadini (Sampdoria/Napoli), Berardi (Sassuolo), Salah (Fiorentina), Defrel (Cesena), Zaza (Sassuolo), Pucciarelli (Empoli), Morata (Juventus), Sansone (Sassuolo), M'Poku (Cagliari), Babacar (Fiorentina) e Lestienne (Genoa)

Serie A dos veteranos

Diego López
Idade: 33 anos (3 de novembro de 1981)
Posição: goleiro
Clube: Milan

Você sabia que, entre os goleiros, o espanhol do Milan foi o mais presente nas seleções das rodadas do Quattro Tratti? Pois é, em quatro ocasiões o espanhol foi eleito o melhor da rodada, e com muito merecimento. Destoando positivamente em uma defesa em frangalhos e desequilibrada, o camisa 23 fez de tudo e em várias situações garantiu pontos para o time de Inzaghi com defesas espetaculares, compensando números não tão bons em relação a Buffon e Bizzarri: 28 jogos, 42 gols sofridos e cinco jogos sem levar gols.

Giuseppe Biava
Idade: 38 anos (8 de maio de 1977)
Posição: defensor
Clube: Atalanta

Apesar de ter disputado apenas metade do campeonato, com 18 partidas, Biava também deixou seu nome nas seleções da rodada, com três participações. Numa Atalanta recheada de veteranos, foi um dos poucos que se destacou, sempre bem posicionado e ainda preciso nos desarmes e interceptações. Ainda fez dois gols importantes para a Dea. Na briga por uma vaga com Vidic e Burdisso, pesaram sua boa média e regularidade enquanto esteve em campo.

Dario Dainelli
Idade: 35 anos (9 de junho de 1979)
Posição: defensor
Clube: Chievo

Não é novidade falar de Dainelli como um dos bons veteranos da Serie A. O experiente zagueiro do Chievo se destaca há pelo menos três anos na elite do futebol italiano, sendo o pilar mais forte de um sistema defensivo muito sólido e consistente que é o do time de Verona – neste ano, os clivensi tiveram a quarta defesa menos vazada no campeonato, tendo sofrido 41 gols. Compensando a falta de agilidade, Dainelli está sempre concentrado e bem posicionado, impedindo incursões na sua área e interceptando passes, além de nunca se deixar ser dominando pelo centroavante adversário. Um zagueiro à italiana no melhor sentido.

Emiliano Moretti
Idade: 33 anos (11 de junho de 1981)
Posição: defensor
Clube: Torino

Outro sistema defensivo consistente é o do Torino, o sexto menos vazado do campeonato, e Moretti é um dos responsáveis por isso, desde que o time piemontês retornou à Serie A. Combinando agressividade no combate com bom posicionamento e, ofensivamente, com opção de passe seguro e oportunismo nas bolas paradas, é um dos melhores do campeonato no setor. Isso tem lhe rendido convocações para a seleção italiana, algo que nunca acontecera em sua longa carreira.

Não foi culpa dele: Diego López amenizou temporada ruim do Milan
Joaquín
Idade: 33 anos (21 de julho de 1981)
Posição: meio-campista
Clube: Fiorentina

No auge de seus 33 anos, Joaquín tem mostrado que ainda tem muito o que acrescentar. Na confusa temporada da Fiorentina, se destacou como um dos principais argumentos ofensivos do time de Montella. O espanhol jogou como ala-direito e gerou boas ocasiões para os viola por ali, abrindo campo ou cortando pra dentro com dribles, passes decisivos e domínio no setor. Não teve a cota de gols e assistências de Cuadrado, mas foi produtivo no lado onde o colombiano era o melhor do campeonato.

Giuseppe Vives
Idade: 34 anos (14 de julho de 1980)
Posição: meio-campista
Clube: Torino

Mais um do Torino, mais um homem de confiança de Ventura. Dono do meio-campo granata há quatro anos, Vives combina garra, com agressividade nos combates e desarmes, com certa técnica, dando equilíbrio ao setor, além de bem posicionado para interceptar passes e iniciar contra-ataques. Nesta temporada ainda se destacou com cinco assistências para gols.

Andrea Pirlo
Idade: 36 anos (19 de maio de 1979)
Posição: meio-campista
Clube: Juventus

Menos presente do que em outros campeonatos, Pirlo foi decisivo e importante como sempre para a Juventus. Pentacampeão italiano, de 2011 a 2015, jogou 20 vezes, marcou quatro decisivos gols e deu passes diretos para outros cinco. Tudo isso com a classe e elegância de sempre, mas também com muita entrega, liderança e inteligência, controlando o jogo e os decidindo, mesmo que sofrendo com problemas físicos e sendo poupado para os jogos decisivos da Liga dos Campeões.

Daniele Croce
Idade: 32 anos (9 de setembro de 1982)
Posição: meio-campista
Clube: Empoli

No time de operários da máquina de Sarri, Croce é um dos tantos coadjuvantes importantes nesse sistema. O “motorzinho” de um meio-campo que contou com o brilho de dois que desequilibravam, Valdifiori e Saponara, muitas vezes foi a válvula de escape pela esquerda, combinando e tabelando com o lateral-esquerdo e o atacante que caíam por ali, criando linhas de passes e contribuindo com dribles e marcação.

Miroslav Klose
Idade: 36 anos (9 de junho de 1978)
Posição: atacante
Clube: Lazio

Enfrentando a desconfiança e falta de minutos, começando a temporada como reserva, Klose superou tudo isso e novamente foi um homem importante para a Lazio. Agora de forma especial, sendo artilheiro do elenco que levou o clube romano para a Liga dos Campeões depois de oito anos. Com média de 53 minutos por jogo, ainda assim fez 13 gols e deu 7 assistências, e contribuiu com seu poder de decisão e oportunismo. Além disso, deu muito trabalho sem a bola, auxiliando na marcação e criando espaços para Candreva e Felipe Anderson.

Bang, bang: Toni foi matador outra vez pelo Verona
Luca Toni
Idade: 38 anos (26 de maio de 1977)
Posição: atacante
Clube: Verona

Klose é um senhor centroavante, maior artilheiro da história da Copa do Mundo, mas Toni também impõe respeito. E a reviravolta na sua carreira representa muito disso. Forte, dominador e oportunista, nunca perdeu essas características, apesar dos constantes problemas físicos e poucos minutos quando passou por Roma, Genoa, Juventus, Al Nasr e Fiorentina. Quando seu contrato com os viola terminou, lhe ofereceram um cargo na diretoria, e o grandalhão desengonçado hoje responde com 42 gols em 72 partidas, mais do que qualquer outro nas últimas duas temporadas do campeonato. Só nesta foram 22 e o título de artilheiro com Icardi. O grande fator do Verona se sustentar no meio da tabela.

Antonio Di Natale
Idade: 37 anos (13 de outubro de 1977)
Posição: atacante
Clube: Udinese

207 vezes Di Natale. Um exemplo de profissional e ser humano, Di Natale também é um grande artilheiro, mesmo que o contexto nem sempre tenha sido o mais propício. Em 2014-15 ele marcou 14 gols, e foi o principal nome do decepcionante time de Stramaccioni. Com isso, Totò atingiu a incrível marca de 207 gols na Serie A por Empoli e Udinese, superando Roberto Baggio e alcançando um sonho do seu pai, que infelizmente não pode ver o filho superar um dos maiores jogadores da história do futebol italiano.

Menções honrosas
Goleiros: Buffon (Juventus), Bizzarri (Chievo), De Sanctis (Roma), Rafael (Verona) e Sorrentino (Palermo)
Defensores: Burdisso (Genoa), Vidic (Inter), Evra (Juventus), Stendardo (Atalanta), Barzagli (Juventus) e Gobbi (Parma)
Meio-campistas: Mauri (Lazio), Keita (Roma) e Palombo (Sampdoria)
Atacantes: Palacio (Inter), Maccarone (Empoli), Totti (Roma), Brienza (Cesena) e Denis (Atalanta)