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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Rodada agridoce

Futebol da Inter tem sumido dia a dia (Ansa)
Após rodadas de ótimos resultados na Liga Europa, os times italianos tiveram uma rodada abaixo do esperado. Inter e Napoli, com os elencos mais fortes, voltaram a patinar na temporada e mostraram que o ano será longo para seus torcedores. Fiorentina e Torino, por sua vez, venceram novamente e encaminharam classificação para a fase de mata-mata da competição. Acompanhe o resumo da rodada.

Inter 0-0 Saint-Étienne
Tudo o que a Inter precisava era de uma vitória. E foi tudo o que a Inter não fez. Não adianta, qualquer seja o contexto, o time de Mazzarri não engrena. Deixa boas impressões, quando apresenta um futebol minimamente aceitável, apresentando alguma organização ofensiva, mas ainda dependendo de talentos individuais, e uma marcação mais agressiva, não dependendo tanto de goleiros e defensores para ter segurança. Mas parecem ser apenas espasmos. Na realidade, a Inter é um "time" - nem sempre o é na concepção da palavra - que não tem um jogo definido. Com um ano e meio, Mazzarri não é capaz de adequar os jogadores à sua ideia de jogo, mesmo com um mercado, o deste verão, focando em suas necessidades.

Assim, com um futebol chato e estéril, novamente tropeçou, dessa vez pela Liga Europa, onde vinha de quatro vitórias, 100% de aproveitamento na fase de grupos e liderança isolada. A liderança ainda existe, e dificilmente será perdida, mas a garantia de estar na próxima fase foi adiada, o que dá ainda mais dor de cabeça para o próximo mês, com mais uma data Fifa e o departamento médico lotado - dessa vez, M'Vila foi o "premiado" e deve ficar fora por um mês. Sobre o que aconteceu em San Siro, pouco a se destacar.

No 3-4-2-1 interista, o capitão Guarín foi a única peça capaz de produzir algo, com três chances criadas, mas nenhuma aproveitada por Icardi, Kuzmanovic e por ele próprio. O Saint-Étienne espelhou o time de Mazzarri, num 3-5-1-1, e basicamente se preparou para anular Kovacic, que aceitou a marcação adversária e pouco fez além de alguns dribles. Os alas Théophile e Tabanou superaram Mbaye e Dodô, enquanto Hamouma criou alguns espaços entre linhas, mas o time francês também pouco fez, bloqueado por boa atuação do trio Andreolli, Vidic e Juan Jesus, levando perigo apenas na cobrança de falta de Tabanou defendida por Carrizo. (Arthur Barcelos)

Young Boys 2-0 Napoli
Rafa Benítez decidiu fazer rodízio na equipe napolitana e pagou caro por isso em plena Suíça. Contra o Young Boys, em Berna, os azzurri jogaram sua pior partida na temporada, e viram a equipe aurinegra dominar as ações do jogo do início ao fim. O resultado, além de ruim, fez com que os ultrà napolitanos atacassem o ônibus do time ao final da partida, causando momentos de terror à delegação. Sorte de Higuaín e Albiol, que tiveram de ficar no estádio realizando exame antidoping e não passaram por isso.

Dentro de campo, a opção do técnico espanhol por Zapata e Michu no comando de ataque não deu certo, e apenas Mertens levou perigo ao gol adversário. Por outro lado, a defesa azzurra sofreu com Hoarau, constantemente procurado pelos armadores. No segundo tempo, o francês aproveitou liberdade demasiada concedida pela defesa italiana e abriu o placar. Com o 1 a 0, Benítez inseriu Hamsík, Callejón e Higuaín, mas a fase do primeiro e do último são péssimas e o Napoli só chegou ao gol (bem anulado) via Callejón. Já no final do jogo, em um contra-ataque, Bertone definiu a vitória dos donos da casa. Agora, as equipes dividem a liderança do grupo, com 6 pontos. (Nelson Oliveira)

PAOK 0-1 Fiorentina
Contra o adversário mais complicado do grupo, o PAOK, a Fiorentina mostrou mais uma vez que está “sobrando” na Liga Europa. Enquanto patina na Serie A, a Viola conseguiu sua terceira vitória na fase de grupos da competição europeia e encaminhou a vaga à fase final, que pode vir já na próxima rodada, quando enfrenta o mesmo time grego, dessa vez, no Artemio Franchi. Em Tessalônica, sem muito esforço, um gol de Vargas ainda na primeira etapa, definiu a vitória italiana.

O duelo teve amplo domínio da Fiorentina que logo aos seis minutos teve a chance de abrir o placar, mas Bernardeschi perdeu, sozinho na entrada da pequena área. Aos 38, Ilicic cruzou para Vargas, que precisou chutar duas vezes para vazar o goleiro Glykos. As chances se multiplicavam, mas a Viola não aproveitava. No final do jogo, levou certo sufoco, mas sem nem incomodar o goleiro Tatarusanu. (Caio Dellagiustina)
Torino 2-0 HJK Helsinki
Contra o adversário mais fácil da chave, o Torino não encontro dificuldades. Os finlandeses não foram páreo para a equipe italiana, que assumiu a liderança do grupo, com 7 pontos – Brugge e Kobenhavn tem 4, e o HJK, nenhum.

No primeiro tempo, só deu Torino. Molinaro, Vives e Amauri tiveram chances; Martínez sofreu pênalti não marcado e Amauri, novamente, teve gol regular invalidado. Porém, com um belo voleio, foi Molinaro que abriu o placar, já quando o jogo se encaminhava para o intervalo. Na volta para o segundo tempo, Amauri finalmente marcou um gol com a camisa granata, depois de um chute rasteiro indefensável. A se destacar, ainda, a boa atuação do goleiro Padelli, que estava afastado por questões técnicas. (NO)

Os 10 maiores ibéricos do futebol italiano

Espanhóis e portugueses quase sempre tiveram a sina de decepcionar quando chegavam à Velha Bota. Poucos jogadores oriundos da Península Ibérica conseguiram obter grandes resultados no futebol italiano, talvez por causa do estilo de jogo, talvez por problemas de adaptação – por isso, unimos as duas escolas em uma única lista. No total, 54 espanhóis e 48 portugueses jogaram na Serie A, e a maioria deles nem de longe convenceu. Boa parte foi contratada apenas para compor elenco, mas alguns que poderiam ser estrelas foram mal.

A lista de decepções é grande. O maior flop de todos é, sem dúvida, o meia espanhol Gaizka Mendieta, que chegou à Lazio por 48 milhões de euros – contratado ao Valencia, foi o sexto mais caro jogador do mundo, à época. O basco não jogou nada bem e fez apenas 20 partidas com a camisa celeste. Outros jogadores que foram mal, entre os espanhóis, são Iván Helguera (Roma), Iván De la Peña (Lazio), Javier Farinós (Inter), Javi Moreno (Milan), José Mari (Milan) e Bojan Krkic (Roma e Milan). Por outro lado, o meia Víctor Múñoz (Sampdoria) e o goleiro Pepe Reina (Napoli) foram bem quistos em seus anos italianos.

Já entre os portugueses, nenhum jogador decepcionou mais do que o meia-atacante Ricardo Quaresma, que também foi contratado a peso de ouro pela Inter, mas não rendeu nem um terço do esperado pela equipe de José Mourinho. Outros jogadores que passaram por fases negativas na Itália foram o atacante Paulo Futre (Reggiana e Milan), o defensor Abel Xavier (Bari e Roma), o zagueiro Jorge Andrade (Juventus) e o volante Costinha (Atalanta), que mal jogaram por seus clubes. O atacante Nuno Gomes (Fiorentina), o volante Maniche (Inter) e o lateral Dimas (Juventus), tiveram passagens regulares.

Alguns deles, porém, quebraram esse estigma e se tornaram ídolos na Serie A, como é o caso dos craques que o Quatro Tratti lista logo abaixo.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!
 
Observação: Hoje, 16 espanhois e cinco portugueses atuam por clubes italianos. Nenhum foi considerado neste ranking, pelo curto período defendendo seus clubes. Os maiores destaques falam castelhano e jogam em Nápoles, Turim, Milão e Florença: os meias Borja Valero e Joaquín (Fiorentina), os atacantes Fernando Llorente e Álvaro Morata (Juventus), o goleiro Diego López (Milan) e o atacante José Callejón (Napoli). Os espanhois de origem africana Keita Baldé (Lazio) e Pedro Obiang (Sampdoria) pedem passagem, assim como o português Bruno Fernandes (Udinese).

Tops 10 Ibéricos na Itália

10º - Josep Guardiola


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Brescia (2001-02 e 2003) e Roma (2002-03)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Depois de vencer praticamente tudo com o Barcelona, Pep decidiu rumar para a Itália em busca de uma nova aventura com o Brescia, treinado pelo folclórico Carlo Mazzone. O meio-campista, considerado um dos melhores de sua geração, continuou fazendo boas partidas e sendo sempre o dono da meia-cancha, graças a seu posicionamento e sua visão de jogo única. A boa temporada, entretanto, foi interrompida por uma punição de uma substância proibida, a nandrolona, detectada em um exame antidoping, que o afastou dos gramados por quatro meses. Anos depois, mesmo após ter cumprido a suspensão, Guardiola foi declarado inocente.

Após a experiência com o clube lombardo, Guardiola foi contratado pela Roma, mas não obteve sucesso na capital, jogando muito pouco. Retornou, então, ao Brescia, onde voltou a ser companheiro de Roberto Baggio, com quem dividiu a liderança do time e até a faixa de capitão em alguns momentos. Nos dois anos em que Baggio e Guardiola jogaram juntos, o time rodinelle conseguiu a segunda melhor classificação na história: um nono lugar em 2003.

9º - Rui Barros

 
Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Juventus (1988-90)
Títulos conquistados: Coppa Italia (1989-90) e Copa UEFA (1989-90)
Prêmios individuais: Jogador português do ano (1988)

O baixinho de 1,59m surgiu nas categorias de base do Porto e, após um ou outro empréstimo, conseguiu se firmar no time profissional, sendo elemento determinante para a conquista da dobradinha Campeonato-Copa na temporada de 1987-88, além de vencer também o Mundial Interclubes e a Supercopa Europeia. Foi aí que ele despertou o interesse da Juventus que, à época, contratou-o por 7,5 bilhões de liras.

Na Juve treinada por Dino Zoff, continuou a boa fase e marcou quinze gols em seu primeiro ano como bianconero. Inteligente e velocíssimo, Rui Barros sempre encontrava espaço para penetrar na área adversária e raramente desperdiçava chances na cara do gol, tendo um comportamento de centroavante frente aos goleiros. Na temporada seguinte, conquistou mais uma dobradinha -- a Coppa Italia e a Copa UEFA -- mas despediu-se da Velha Senhora ao final da época, vítima de uma reformulação no clube. Passou ainda por Monaco e Olympique de Marselha antes de retornar ao Porto, onde foi pentacampeão nacional e encerrou a carreira.

8º - Sérgio Conceição


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Lazio (1998-2000 e 2004), Parma (2000-01) e Inter (2001-03)
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000), Coppa Italia (1999-2000 e 2003-04), Supercoppa Italiana (1998), Recopa UEFA (1998-99) e Supercopa UEFA (1999)
Prêmios individuais: nenhum

Após se destacar também no Porto e ser eleito melhor jogador do Campeonato Português em 1998, Conceição desembarcou na Itália, contratado pela Lazio milionária do seu xará Cragnotti, Em sua primeira partida oficial pelo novo clube, marcou, nos acréscimos do segundo tempo, o gol que deu aos romanos o título da Supercoppa contra a Juventus em Turim. Daí para o português cair nas graças da torcida foi um passo. O treinador Sven-Göran Eriksson lhe confiou a faixa direita do meio-campo, onde ele viveu duas temporadas fantásticas, conquistando, ao todo, cinco títulos.

Em 2000, porém, o camisa 7 foi envolvido na negociação que levou o artilheiro Hernán Crespo para a Lazio e rumou para o Parma. Em solo emiliano, disputou uma temporada discreta, partindo para a Inter ao final do campeonato. Permaneceu por dois anos em Milão, onde não conseguiu muito espaço, também devido a uma lesão. Em 2003, retornou à Lazio, mas deixou novamente o clube cinco meses depois, quando foi cedido ao Porto.

7º - Paulo Sousa



Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Juventus (1994-96), Inter (1998-99) e Parma (2000)
Títulos conquistados: Serie A (1994-95), Coppa Italia (1994-95), Supercoppa Italiana (1995) e Liga dos Campeões (1995-96)
Prêmios individuais: nenhum

Paulo Sousa jogou no Benfica e no Sporting, dois dos maiores clubes de Portugal, antes de chegar à Juventus, em 1994. Viveu dois anos gloriosos na equipe bianconera, fazendo parte do time que venceu Campeonato, Copa e Supercopa em 1995. Titular e peça importante do meio-campo na formação de Marcello Lippi, o camisa 6 formava um trio de qualidade com Antonio Conte e Didier Deschamps.

Mas o ápice de Sousa na Juve viria em sua segunda temporada, com a conquista da Liga dos Campeões sobre o Ajax. Repetiu o feito com o Borussia Dortmund no ano seguinte e retornou para a Itália em 1998, agora para defender as cores da Inter. O jogador, porém, não repetiu o sucesso de sua primeira passagem pela Velha Bota, pois já vinha sofrendo com muitas lesões e não se firmou em Milão, sendo cedido ao Parma após um ano, mas permanecendo apenas meia temporada com os gialloblù.

6º - Joaquín Peiró


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Torino (1962-64), Inter (1964-66) e Roma (1966-70)
Títulos conquistados: Serie A (1964-65 e 1965-66), Coppa Italia (1968-69), Copa dos Campeões (1964-65), Copa Intercontinental (1964 e 1965)
Prêmios individuais: artilheiro da Coppa Italia (1963-64)

Nascido na capital espanhola, Joaquín Peiró (à direita, na imagem) se destacou ainda muito jovem no Atlético de Madrid, onde conquistou a Recopa Europeia de 1962, contra a Fiorentina, marcando inclusive um gol em cada partida da final. Quase imparável devido à sua grande velocidade, o ponta-esquerda despertou o interesse do Torino. Com a equipe granata, Peiró fez uma primeira temporada fraca, mas em seguida recuperou o bom futebol, tanto que foi cedido à Inter de Helenio Herrera, em 1964. Em Milão, encontrou seu compatriota Luis Suárez (à esquerda na foto) e fez parte da Grande Inter que venceu uma Copa dos Campeões duas Copas Intercontinentais e duas Serie A.

Na semifinal do torneio europeu, o espanhol foi personagem de um lance curioso: enquanto o goleiro do Liverpool quicava a bola no chão para ganhar tempo, o camisa 9, espertamente, roubou-a com o pé esquerdo e só teve o trabalho e empurrá-la para as redes vazias. Apesar de muita reclamação, o gol foi validado. O lance foi decisivo para a classificação da Beneamata à final, já que os ingleses haviam vencido o jogo de ida e a Inter conseguiu a virada. Apesar das boas atuações, a concorrência no elenco interista era forte. Na época, ainda não se realizavam substituições durante as partidas, e havia uma regra em que as equipes italianas só podiam utilizar dois estrangeiros por jogo – na Inter, o espanhol Suárez e o brasileiro Jair da Costa eram titulares. Assim, o hispânico decidiu rumar para a Roma em 1966. Com a camisa giallorossa, Peiró voltou a ter grandes momentos, como a Coppa Italia de 1969, que venceu praticamente sozinho. Chegou a ser capitão da equipe da capital, onde permaneceu por quatro anos até encerrar a carreira.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Parma (1994-96 e 2005-08) e Lazio (1998-2005)
Títulos conquistados: Serie A (1999-2000), Coppa Italia (1999-2000 e 2003-04), Supercoppa Italiana (1998 e 2000), Copa UEFA (1994-95), Recopa UEFA (1998-99) e Supercopa UEFA (1999)
Prêmios individuais: nenhum

Fernando Couto já era um colosso da defesa do Porto quando, em 1994, foi contratado pelo Parma, equipe que à época batia de frente com os grandes da Itália. O defensor de cabelos fartos e boa estatura tinha também um ótimo senso de posicionamento, o que fazia dele uma grande arma no jogo aéreo, tanto defensiva como ofensivamente. Logo em seu primeiro ano com os emilianos, conquistou a Copa UEFA, mas na temporada seguinte não conseguiu manter o nível e, em 1996, foi cedido ao Barcelona.

Após duas temporadas na Espanha, Couto retornou à Velha Bota, agora para defender a Lazio, que o contratou junto com Iván De La Peña – que se tornaria um dos inúmeros flops espanhóis no futebol italiano. No clube biancoceleste, o português fez parte de uma das melhores defesas da Europa, tendo como companheiros atletas do calibre de Nesta e Mihajlovic. Em sete temporadas com a águia sobre o peito, o beque conquistou sete títulos, incluindo um scudetto. Apesar de ter ficado marcado por alguns momentos de descontrole, foi capitão no final de sua passagem. Retornou ao Parma em 2005 e se aposentou após três temporadas.

4º - Luis del Sol


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Juventus (1962-70) e Roma (1970-72)
Títulos conquistados: Serie A (1966-67), Coppa Italia (1964-65) e Eurocopa (1964)
Prêmios individuais: nenhum

Revelado pelo Betis e com ótimos momentos no Real Madrid (pelos Merengues, venceu a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental), Del Sol passou na Juventus a maior parte da sua carreira. Cobrindo todos os espaços do meio-campo com muito fôlego, o espanhol era o grande "motor" da Vecchia Signora e o principal responsável pela distribuição do jogo. Uma espécie de regista à moda antiga. Em oito temporadas no Piemonte, foi bastante regular, jogando sempre em alto nível. Apesar de tudo, venceu apenas um scudetto e uma Coppa Italia, pois o período da Juve não era dos melhores. Ademais, a Serie A tinha, à época, o domínio da Inter, com algumas inserções do Milan.

Aos 35 anos, passou a defender as cores da Roma, onde jogou por duas temporadas. Ainda que a sua idade fosse avançada, Del Sol manteve uma boa condição física e não decepcionou na capital, conquistando os torcedores da Maggica e a braçadeira de capitão.

3º - Rui Costa


Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Fiorentina (1994-2001) e Milan (2001-06)
Títulos conquistados: Serie A (2003-04), Coppa Italia (1995-96, 2000-01 e 2002-03), Supercoppa Italiana (1996 e 2004), Liga dos Campeões (2002-03) e Supercopa UEFA (2003)
Prêmios individuais: nenhum

Descoberto ainda criança por Eusébio, Rui Costa passou por todas as etapas das categorias de base do Benfica, onde jogou até 1994, até ser comprado pela Fiorentina. Dotado de uma técnica finíssima, era o principal responsável por municiar o artilheiro Batistuta. Com a Viola, o Maestro conquistou duas Coppa Italia e uma Supercoppa, além de levar o time à Liga dos Campeões. Depois da saída de Batigol, em 2000, jogou sua última temporada com a braçadeira de capitão, conquistado a sua segunda copa nacional. Foi vendido para tentar salvar (sem sucesso) a Fiorentina da falência. Até hoje, é um dos 20 maiores artilheiros da história do clube.

No Milan, porém, foi onde Rui Costa conquistou seus maiores títulos, jogando tão bem quanto em Florença. Apesar de marcar poucos gols, o lisboeta compensava com suas assistências sempre na medida para os atacantes. Ao todo, foram impressionantes 65 passes para gol em sua passagem pelo rossonero, com o qual chegou ao topo da Itália e da Europa. Na conquista da Liga dos Campeões, em 2003, se destacou por ter dado todas as assistências na goleada por 4 a 0 sobre o Deportivo La Coruña, em plena Espanha, e por ter efetuado lindo lançamento, de 60 metros, para Shevchenko violar as redes do Real Madrid. O craque foi ofuscado por Kaká em seus últimos dias de Milan, mas é lembrado até hoje como um dos grandes camisas 10 que passaram pelo Diavolo.

2º - Luís Figo


Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Inter (2005-09)
Títulos conquistados: Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08 e 2008-09), Coppa Italia (2005-06) e Supercoppa Italiana (2005, 2006 e 2008)
Prêmios individuais: inserido na seleção da Copa do Mundo de 2006 e na lista Fifa 100

Figo chegou à Inter em 2005 após cinco temporadas no Real Madrid e sob muita expectativa. Afinal, quem era Figo? Um multicampeão, que conquistou quase todos os títulos que disputou, e com uma Bola de Ouro e o prêmio de melhor do mundo pela Fifa. Um dos maiores craques dos tempos recentes do futebol, que chegava na Itália para um desafio no final de sua carreira – quando chegou a Milão, tinha 32 anos. No entanto, a trajetória italiana de Figo poderia ter começado bem antes. Em 1995, quando atuava pelo Sporting, ele assinou contrato com Juventus e Parma, o que gerou uma disputa judicial e o impedimento de que ele firmasse por qualquer clube italiano em dois anos. O português fechou com o Barcelona, fez história na Catalunha, passou ao Real Madrid e o resto é história.

Em Milão, o português começou com a corda toda. Venceu na primeira temporada, a Supercopa, a Coppa Italia e, após as sentenças do Calciopoli, viu a Inter ficar também com o scudetto. Na temporada seguinte, a Inter perdia a Supercopa para a Roma por 3 a 0. Na prorrogação, depois que a Beneamata havia conseguido milagroso empate, um gol do português, de falta, definiu o título. No entanto, Figo dividia a titularidade com Vieira e Stankovic, e quase deixou a equipe rumo à Arábia Saudita, o que fez a torcida, no último jogo de 2006-07, demonstrar todo o carinho pelo jogador, pedindo que ele batesse um pênalti contra o Torino e a sua permanência. Figo teve seus desentendimentos com o técnico Roberto Mancini, que, junto a algumas lesões (a mais grave, em falta violenta de Nedved, em tenso dérbi contra a Juventus), atrapalharam seu rendimento. Um dos episódios mais famosos foi quando ele se recusou a entrar em campo em uma partida contra o Liverpool. A chegada de José Mourinho, em 2008, foi um dos motivos da permanência do camisa 7, que, apesar de tudo, ainda tinha seus momentos brilhantes. Sua técnica refinada e visão de jogo acima da média, aliada a uma grande precisão nos passes e chutes, ajudaram a Inter a conquistar quatro de seus cinco scudetti consecutivos. Hoje, Figo permanece ligado aos nerazzurri, como dirigente.




Posição: meio-campista
Clubes em que atuou: Inter (1961-70) e Sampdoria (1970-73)
Títulos conquistados: Serie A (1962-63, 1964-65 e 1965-66), Copa dos Campeões (1963-64 e 1964-65) Copa Intercontinental (1964 e 1965) e Eurocopa (1964)
Prêmios individuais: nenhum

Contratado pela Inter após vencer o prêmio Bola de Ouro no Barcelona, Suárez reencontrou na Itália seu ex-treinador Helenio Herrera. Chegando com a pompa de ser o jogador mais caro do mundo, à época, ele foi protagonista da Grande Inter que conquistou a Europa e o mundo duas vezes. Em nerazzurro, o espanhol foi reinventado pelo "Mago" Herrera, que o colocou para jogar mais recuado, como regista. Seu futebol não perdeu a qualidade e, na verdade, Suárez mostrou grande inteligência e habilidade para se adaptar em um momento já avançado na carreira – tinha 26 anos. Seus lançamentos longos eram uma grande arma para os contra-ataques quando se tinha na frente jogadores como Jair da Costa, Sandro Mazzola e Mario Corso.

Até hoje considerado um dos melhores da sua posição, Luis Suárez defendeu a Inter por nove temporadas e totalizou mais de 300 presenças com a camisa da Beneamata, marcando 58 gols. Ao todo, conquistou sete títulos com a equipe de Milão, e bateu na trave na Serie A de 1964, quando a Inter perdeu o scudetto na partida de desempate, contra o Bologna de Bulgarelli, Nielsen e Haller. Passou à Sampdoria em 1970 e por lá permaneceu por três anos, mas, já aos 35 anos, não mais tinha o brilho de outrora. Após encerrar a carreira, chegou a ser técnico da Inter por três ocasiões, e também treinou os juvenis do Genoa e os profissionais de outros times italianos, como Cagliari, Spal e Como, antes de dirigir a seleção espanhola. Suárez ainda foi dirigente da Inter nos anos 1990, nos primeiros anos da gestão de Massimo Moratti.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Regras não escritas

Sem chance: Buffon apenas observa o chute de Kasami que deu a vitória ao Olympiacos (Foto: Pegaso)
Talvez você não saiba, mas existem algumas regras não escritas no Manual de Futebol da Juventus em Competições Europeias. Fase de grupos ou eliminatória, não importa: a Juve vai fazer um péssimo primeiro tempo, vai jogar a vida no segundo e os goleiros adversários serão os melhores atletas da partida. Na Grécia, o time bianconero deu 18 chutes, Roberto pegou tudo e o Olympiacos venceu por 1 a 0.

Em 13 minutos de jogo, Buffon fez quatro defesas. Ele nada pode fazer na finalização de Kasami, ex-Palermo. Morata, Pogba, Vidal, Marchisio, Tévez. Todos tentaram na etapa final. Todos pararam em Roberto, que fazia intervenções atrás de intervenções para salvar uma vitória do Olympiacos. A partida no Georgios Karaiskakis marcou a quinta derrota em seis partidas da Juve longe da sua arena em competições continentais. 

O que ficou evidente no confronto diante os gregos foram duas coisas: o funcionamento dos jogadores alas e Pirlo. Lichtsteiner e Asamoah fizeram partida bem aquém das expectativas - exceto no primeiro tempo, quando todos os jogadores estavam tomando um café ou fazendo outra atividade além de jogar futebol. Independentemente da tática escolhida por Max Allegri, seja 3-5-2, 4-3-1-2 ou 4-3-3, os bianconeri são inteiramente dependentes das alas. A eficiência ofensiva passa pelos pés de Lichtsteiner e Asamoah (ou Evra).

Pirlo, por sua vez, não fez uma boa partida desde que retornou de lesão. Contra o Olympiacos, errou mais passes que de costume, falhou no lance que decretou o resultado final do jogo e saiu no segundo tempo após errar bizarramente a enésima cobrança de falta no jogo. Parte da mídia italiana começou a especular que o regista tem jogado mal como uma forma de punir o técnico que o dispensou do Milan.

A mesma perda de momento atingiu, também, Arturo Vidal. Ele continua correndo uma barbaridade, porém, está longe de ser aquele meio-campista sensação do futebol europeu na temporada passada - Llorente é outro que procura, mas não acha o bom futebol. Por outro lado, apesar de tudo, Morata ganhou moral com Allegri e pode começar o jogo de domingo contra o Palermo.

A situação da Juventus na Liga dos Campeões ainda não é preocupante. Na 3ª colocação do Grupo A, com três pontos, a equipe volta a encarar o Olympiacos e Atlético de Madrid, vice-líder, em Turim; único jogo fora da Itália será contra o Malmö (último colocado, porém, com a mesma quantidade de pontos) 

O ex-técnico Arrigo Sacchi, comentarista da emissora Mediaset Premium, afirmou após o jogo que as equipes italianas ainda jogam como há 40, 50 anos. Além disso, ele declarou que o que importa para a maioria dos italianos é vencer rivais históricos ou vê-los perder; melhorar o futebol nacional é deixado de lado. Duras, as críticas?

Liga dos Campeões, 3ª rodada
Olympiacos 1-0 Juventus

Olympiacos: Roberto, Elabdellaoui, Botía, Abidal e Masuaku; Mariatis, Ndinga, Milivojevic e Kasami (90' Giannoulis); Domínguez (85' Fuster); Mitroglou (69' Afellay). T: Míchel

Juventus: Buffon, Ogbonna (77' Pereyra), Bonucci e Chiellini; Lichtsteiner, Vidal, Pirlo (57' Marchisio), Pogba (87' Giovinco) e Asamoah; Tévez e Morata. T: Massimiliano Alegri

Gol: 35' Kasami

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Aula alemã, parte 2

Pela segunda vez na temporada, alemães aplicam 7 x 1 em tradicional escola do futebol mundial. Vítima desta terça-feira foi a Roma, em casa, pela Liga dos Campeões; pelo menos equipe ainda depende só de si para classificar

Que Brasil e Itália têm muito em comum todo mundo sabe. Povo extravagante, desigualdade social, corrupção... e um futebol que vive do passado. Mas quem poderia imaginar que um 7 x 1 humilhante, também contra alemães, entraria para a lista de semelhanças entre as duas nações? Pois aconteceu. Em casa (!), para 70.544 torcedores verem, a Roma sucumbiu diante do Bayern de Munique, nessa terça-feira, e repetiu o vexame sofrido pelo Brasil na Copa do Mundo. Uma derrota que, certamente, não é só dos romanistas. Quando o time de melhor futebol do país na temporada leva uma goleada dessas, o buraco é mais embaixo. O 7 x 1 é um resultado que abre uma ferida e coloca em xeque (mais uma vez) todo o futebol italiano, que se apequenou em nível continental nos últimos anos.

Os problemas são muito parecidos com os do Brasil: política conturbada nos clubes e na Federação, falta de renovação técnica, má formação e uso da base, gestões atrapalhadas, entre outros. E, para piorar, a reabertura da discussão não deve acontecer, como foi com os brasileiros. A mesma Roma já tomou de 7 x 1 na Liga dos Campeões, em 2007, contra o Manchester United, e preferiu empurrar o vexame para baixo do tapete. O técnico Rudi Garcia, pelo menos, começou bem - melhor que Felipão - o pós-desastre. Em coltiva, ele admitiu que errou ao montar o time. Não falou em apagão e disse que deveria ter entrado com o time muito mais fechado para enfrentar o poderoso Bayern. 

Garcia também errou ao não mudar o time logo. Aos 30 minutos, o placar já marcava 4 a 0 para os alemães e a Roma continuava a mesma em campo. Qualquer mudança nesses momentos é bem vinda, para tentar reanimar a equipe. Ashley Cole não poderia continuar em campo de jeito nenhum. Arjen Robben deitou e rolou em cima do veterano lateral-esquerdo. O holandês fez dois gols, deu 100 toques na bola - sem ser desarmado quase nunca -, completou 65 dos 69 passes que tentou, cruzou duas vezes e criou seis chances claras de gol. 

Xabi Alonso (que partida!), Lahm e Gotze faziam a bola rodar com velocidade. Totti apenas assistiu ao massacre, de longe, e pouco tocou na redonda. A primeira etapa terminou com um castigante 5 x 0 no placar. Na volta do intervalo, claro, os visitantes diminuíram o ritmo e a Roma até alcançou seu gol de honra, com Gervinho, completando cruzamento de cabeça. Mas Ribery e Shaqiri ainda fizeram mais dois antes do fim para dar números finais (e impressionantes) ao jogo. 

Hora certa
Como os brasileiros já perceberam, uma derrota dessas - apesar de dolorosa - não é apocalíptica. A Seleção Brasileira não deixou de existir, nenhum torcedor morreu de desgosto e o escrete nacional já até conseguiu vencer a Argentina de Messi, depois daquele histórico 7 x 1. Para a Roma, os prejuízos devem ser ainda menores. Os giallorossi perderam na hora que podiam. Uma derrota contra o Bayern já era esperada e não deve afetar muito o objetivo da equipe de passar às oitavas de final. 

Isso porque o Manchester City - que acumula mais romadas do que a própria Roma na Champions - tropeçou de novo e a segunda colocação continua na mão dos italianos. Ou seja, os giallorossi dependem apenas de si para se classificar à próxima fase. Apesar da goleada desta terça, a equipe tem apresentado o segundo melhor futebol do grupo e tem sim condições de se classificar. Basta não deixar o psicológico afetar tanto. A notícia ruim é que o próximo jogo já é contra o Bayern de novo, dessa vez na Alemanha, no dia 5 de novembro. Esse duelo promete.

FICHA DO JOGO
Roma
De Sanctis; Torosidis, Manolas, Yanga-Mbiwa, Cole (Holebas); Nainggolan, De Rossi, Pjanic; Gervinho, Totti (Florenzi), Iturbe.
Técnico: Rudi Garcia

Bayern de Munique
Neuer; Bernat, Jerome Boateng, Benatia, Alaba; Lahm, Xabi Alonso; Robben, Muller (Rafinha), Goetze (Shaqiri); Lewandowski (Ribery).
Técnico: Pep Guardiola

Gols: Robben, aos 9 do 1º tempo; Goetze, aos 23; Lewandowski, aos 25; Robben, aos 30; Müller, de pênalti, aos 35 do 1º tempo; Gervinho, aos 20 do 2º tempo; Ribery, aos 34; e Shaqiri, aos 35 do 2º tempo.
Amarelos: Iturbe, Torosidis e Nainggolan; e Bernat.
Árbitro: Erikssen (Suécia)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

7ª rodada: Corrida a dois

Sassuolo segurou a Juventus e fez a festa da Roma, que volta a encostar na líder (Repubblica)
A temporada mal começou, mas apenas Juventus e Roma parecem credenciadas à disputa do scudetto. Nesta rodada, a Juventus tropeçou e permitiu que a Roma se reaproximasse, mas a distânca para o restante das equipes aumentou. Afinal, as demais concorrentes da Velha Senhora e da Loba capitolina oscilam demais. Vejam, por exemplo, Fiorentina e Inter sofrendo para ficar no meio da tabela, ou o Napoli, que não dá garantias à sua torcida. A Lazio, após início ruim, vem melhorando, mas ainda patina em momentos importantes das partidas. Sampdoria e Udinese, de bom início de temporada, têm suas limitações, e obviamente não pensam em scudetto. O Milan, de Inzaghi, até o momento, é a equipe mais credenciada ao terceiro posto, pois propõe futebol ofensivo – marca e gols na mesma proporção, o que pode ser problemático a longo prazo. Tudo isso reforça que esta edição da Serie A deve viver a mesma dicotomia do ano anterior. Acompanhe o resumo da 7ª rodada.

Sassuolo 1-1 Juventus
No duelo da líder contra o lanterna, a zebra - quem diria - cruzou o caminho da Juventus. Foram seis rodadas sem um tropeço sequer da Velha Senhora (18 pontos disputados e 18 conquistados), antes que o pequeno Sassuolo aparecesse para atrapalhar, pela primeira vez no campeonato, a caminhada determinada da Juve rumo ao tetracampeonato. Em casa, o time de Di Francesco conseguiu segurar um empate heróico e somou mais um ponto na classificação (agora são quatro), deixando a última posição na tabela. A Juve, por sua vez, perdeu os 100% de aproveitamento e permitiu reaproximação da vice-líder Roma, que venceu o Chievo – o time romano já chegou aos 18 pontos, apenas um abaixo da equipe de Turim.

O atacante Zaza foi quem abriu o placar, logo aos 13 minutos de jogo: primeiro, ele chutou forte em bola tocada dentro da área, mas viu Bonucci tirar em cima da linha. Na sequência do lance, teve outra chance e não desperdiçou, chutando forte no ângulo de Buffon. A Juve não demorou para empatar. Aos 19, Pogba acertou belo chute cruzado da entrada da área e fez 1 a 1. Nos outros 70 minutos de jogo, a Juve pressionou pela virada, mas, em tarde muito pouco criativa, esbarrou nas boas defesas de Consigli. Agora, a Velha Senhora se prepara para encarar o Olympiacos, quarta-feira, pela Liga dos Campeões. (Rodrigo Antonelli)

Roma 3-0 Chievo
O técnico Rudi Garcia deu folga para Gervinho e Florenzi por conta da partida diante o Bayern de Munique, pela Liga dos Campeões. Dificuldade para a Roma? De forma nenhuma: os giallorossi definiram o resultado final em 30 minutos, com o primeiro gol aos 4. Pjanic chutou cruzado e Destro deu um peixinho para completar à rede. Depois do próprio Destro falhar na conclusão, em lance posterior, o Chievo entrou no jogo. A equipe da casa pressionou e... sofreu contra-ataque mortal. Totti achou Ljajic atrás da defesa, e o atacante bateu no ângulo, sem chances para Bardi.

A partida foi definida com gol de pênalti de Totti. Dainelli puxou o capitão da Roma pelo pescoço, dentro da área, e o atacante converteu com categoria. Foi o 64º tento da marca da cal de Totti. Durante o segundo tempo, a equipe da casa permaneceu melhor e só não marcou mais gols porque Bardi fechou a baliza em duas boas oportunidades de Destro. A derrota manteve o Chievo na zona de rebaixamento e confirmou a queda do técnico Eugenio Corini. Rolando Maran, ex-Catania, assumiu o time. (Murillo Moret)

Verona 1-3 Milan
Mesmo a realidade sendo a Liga dos Campeões, se o Milan sonha com o scudetto, vencer em Verona era fundamental, uma vez que a Juventus tropeçou no lanterna Sassuolo. O adversário não seria moleza. Com os mesmos 11 pontos, Verona e Milan ocupavam sexta e quarta colocações, colados na Sampdoria, primeira equipe com a vaga na principal competição europeia. A histórica rivalidade entre as duas torcidas deixava a partida ainda mais tensa. Em campo, porém, o equilíbrio ficou de lado e a equipe milanista foi amplamente superior e dominante, além de contar com uma grande atuação de Honda, autor de dois gols e, agora, referência dessa equipe em reconstrução.

No primeiro gol, o japonês apenas observou a pixotada do zagueiro brasileiro Rafael Marques, que “espanou” o cruzamento de Abate e colocou contra as próprias redes. Minutos depois, Honda recebeu belo passe de El Shaarawy e tocou no canto alto do goleiro Rafael para ampliar. Toni e Jankovic até tentaram diminuir, mas pararam nas boas defesas de Abbiati. No segundo tempo, o camisa 10 recebeu outro grande passe em profundidade e tocou na saída do arqueiro dos butei. O Verona ainda diminuiu com Nico López, mas uma reação já era impossível. (Caio Dellagiustina)

Inter 2-2 Napoli
No último jogo do domingo, milaneses e napolitanos fizeram um confronto marcado pelo equilíbrio e pelas poucas chances criadas ao longo de toda a partida, com exceção dos minutos finais – todos os quatro gols do jogo aconteceram nos últimos 15 minutos de bola rolando. A partida, sem grandes destaques, reforçou que Inter e Napoli não devem lutar pelo título, que novamente deve ser uma disputa reservada apenas a Juventus e Roma.

O primeiro tempo no Giuseppe Meazza foi bastante equilibrado, com ferrenha disputa no meio-campo. Porém, foi a Inter que teve as melhores chances: Icardi bateu por cima do gol e Hernanes acertou a trave. Os nerazzurri, porém, não voltaram tão bem do intervalo e viram Insigne acertar a trave logo aos 4 da segunda etapa. Menos criativa, a Inter viu o Napoli crescer, e até pode comemorar as más atuações de Hamsík e Higuaín – em outras condições, os azzurri poderiam ter sorrido. Porém, amargaram o empate por duas vezes. Saíram na frente com Callejón, que contou com erro de um decadente Vidic para abrir o marcador. A Beneamata chegou ao empate três minutos depois, com um recém-entrado Guarín. Nos acréscimos, a zaga da Inter parou e Callejón completou, de primeira, bom lançamento de David López. Mas, na sequência, em outra jogada aérea, Hernanes se inseriu bem para aproveitar cruzamento de Dodô e impedir a terceira derrota consecutiva do time da casa. (Nelson Oliveira)

Fiorentina 0-2 Lazio
Até o primeiro gol da partida, a Lazio criou três chances; a Fiorentina, uma. Apesar do melhor jogo laziale, Neto teve de trabalhar em apenas uma oportunidade. Aos 35 minutos, Biglia recebeu de Candreva e assistiu Djordjevic para marcar. O sérvio marcou o 5º gol em três jogos, mas mais importante foi que a Viola sofreu o primeiro tento em casa na temporada. O goleiro da Fiorentina parou Lulic, na sequência, e Candreva quando a defesa falhou.

Aquilani quase marcou um dos gols mais bonitos da temporada italiana. Uma finalização de bicicleta, após falta cobrada por Pizarro, que parou na trave. Ao contrário do primeiro tempo, a Viola foi melhor na etapa final, mas nem Bernardeschi, nem Cuadrado conseguiram empatar. Se Mati Fernández conseguiu travar a finalização de Candreva em um contra-ataque da Lazio com vantagem numérica, o time visitante definiu o resultado também em contra-golpe, com Lulic, após nova assistência do meia da seleção italiana. Enquanto Candreva e Djordjevic são decisivos para a subida de produção da Lazio na temporada, a Fiorentina sofre com as ausências de Rossi e Gómez e não ajusta seu futebol. É a decepção da temporada. (MM)

Cagliari 2-2 Sampdoria
Na Sardenha, Cagliari e Sampdoria fariam um jogo da concórdia. Para começar, a partida seria dedicada às vítimas de uma enchente em Gênova, e também seria o encontro de Zeman com seu discípulo Mihajlovic – o checo treinou o ex-zagueiro sérvio na Lazio, nos anos 90. O grande número de amarelados e uma expulsão deu a entender que a partida foi uma guerra, mas passou longe disso. Era apenas muita vontade de vencer, de ambos os lados. No final, nem o Cagliari conquistou sua primeira vitória em casa nem a Samp aproveitou a chance de ficar apenas dois pontos atrás da Juve. Hoje, os dorianos ocupam a 3ª posição, com 15 pontos, e os sardos a 17ª, com 5.

O primeiro tempo foi dos visitantes. Os blucerchiati jogaram melhor e abriram logo 2 a 0. O primeiro veio após lançamento de Palombo, que Gabbiadini, espertamente, desviou com leveza para as redes, enganando o goleiro Cragno. O segundo, mais belo, foi uma bomba de Obiang de fora da área. Na volta para a segunda etapa, o Cagliari melhorou com as entradas dos jovens Donsah e Caio Rangel. Porém, foram decisivos para a virada o pênalti de Cacciatore em Ibarbo e a consequente expulsão do defensor. O lateral Danilo Avelar converteu a cobrança e, minutos depois, deu a assistência para Sau deixar tudo igual. Empate com gosto de derrota para Mihajlovic, segundo o próprio, que prometeu pagar um jantar a seu tutor, Zeman. (NO)

Torino 1-0 Udinese
Depois de começo ruim, o Torino dá sinais de recuperação. Além de apresentação consistente contra a Udinese, o time de Ventura chegou à segunda vitória e à parte intermediária da tabela. Uma resposta que vem em bom momento, considerando que os granata também estão na Liga Europa e têm boas condições de avançar. Para a Udinese, um tropeço que viria mais cedo ou mais tarde. Stramaccioni tem um bom time e condições de incomodar, e não deve se abater por uma partida ruim.

Contando com boas exibições de Vives, Quagliarella, Molinaro e Bruno Peres, além de seu sistema defensivo quase sempre seguro, o Torino dominou a partida, mesmo sem a posse de bola e território, criando mais que o dobro de chances da Udinese e fazendo Karnezis trabalhar duro. Depois de duas boas oportunidades suas, Vives, volante e capitão, desviou para Quagliarella mais uma vez executar a lei do ex, como contra Fiorentina e Napoli. Foi o quarto gol do atacante nos últimos quatro jogos – apenas um dos gols do Torino no campeonato não foi marcado por ele. (Arthur Barcelos)

Atalanta 1-0 Parma
Não foi fácil, mas a Atalanta finalmente conseguiu acabar com a sequência negativa que já durava quatro jogos (foram quatro derrotas nas últimas rodadas). Com gol de Boakye, aos 44 minutos do segundo tempo, os nerazzurri somaram três pontos e se livraram de afundar para a zona de rebaixamento, graças a um erro defensivo do Parma, que agora segura a lanterna da competição. A equipe de Donadoni perdeu a sexta no torneio (quarta seguida) e tem só três pontos. Ainda assim, o técnico permanece no cargo e diz confiar em sua equipe: "Temos que arregaçar as mangas", disse, após a partida, lamentando o erro defensivo e reclamando dos desfalques de seu time.

O resultado foi merecido para a Atalanta, que buscou mais o jogo e, mesmo sem muita qualidade, agrediu o adversário mais vezes. Apático em campo, o Parma fez um primeiro tempo apenas razoável e não mostrou nada de bom na segunda etapa, só esperando o tempo passar, com o objetivo de levar um ponto para casa. Do outro lado, Colantuono ousou nas substituições - colocou Baselli, Boakye e Bianchi no segundo tempo - e colheu os frutos por deixar o time mais ofensivo. O gol no final teve participação direta de Bianchi e Boakye e deixou a equipe de Bérgamo mais tranquila na tabela, na 14ª posição, com sete pontos, três à frente da zona da degola. (RA)

Palermo 2-1 Cesena
Mais um confronto entre times que vieram da Serie B, e enfim o Palermo venceu sua primeira no campeonato. Muito inconsistente, o time de Iachini chegou a mostrar algumas boas coisas, mas os três pontos jamais haviam sido conquistados até esse final de semana. Mas também vieram com muito drama e emoção, com gol da vitória aos 91 minutos de jogo.

Sempre com Vázquez e Dybala, o Palermo foi superior desde a primeira etapa. Mas os gols só vieram mesmo através da bola parada – inclusive o de empate do Cesena. O primeiro veio aos 33, quando Dybala trocou passes com Vázquez após escanteio curto, recebeu de volta e acertou belo chute da entrada da área. O empate, aos 61, veio em cobrança de pênalti convertida por Rodríguez. A virada, já nos acréscimos da segunda etapa, veio em escanteio cobrado por Dybala e cabeceio preciso do estreante González, destaque da Costa Rica na Copa do Mundo. (AB)

Genoa 1-1 Empoli
A polêmica da rodada ficou para o jogo da segunda-feira. O Genoa vencia até os 33 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro artilheiro Tonelli usou a mão para empatar o jogo, num daqueles típicos lances que geram discussões infinitas de mão na bola ou bola na mão. Apesar da raiva pós-jogo, sobretudo de Gasperini, nem mesmo os jogadores rossoblù reclamaram acintosamente, pois não notaram o que havia acontecido no lance – Maccarone desviou de cabeça e Tonelli usou o braço para anotar o gol. O resultado manteve as duas equipes no meio da tabela e evitou com que os genoveses se aproximassem dos times mais bem colocados.

O Empoli começou melhor o jogo, dando trabalho à defesa rossoblù. As ações ofensivas mudaram de lado quando Gasperini alterou o esquema, deixando Perotti e Falqué mais perto de Matri, e Rincón com mais liberdade. E o gol não demorou a sair. Após cruzamento de Edenílson, Matri escorou e Bertolacci acertou belo chute de fora da área. A equipe genovesa dominou o confronto, mas não conseguiu ampliar. Numa das poucas chances, o Empoli chegou ao gol irregular. (CD)

Relembre a 6ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Consgili (Sassuolo); Benalouane (Atalanta), Yanga-Mbiwa (Roma), Alex (Milan); Callejón (Napoli), Candreva (Lazio), Danilo Avelar (Cagliari), Honda (Milan); Quagliarella (Torino), Totti (Roma), Dybala (Palermo). Técnico: Stefano Pioli (Lazio).

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Jogadores: Hernán Crespo

Com passagem extensa pela Itália, Crespo fez história e, no Parma, viveu seu auge e se despediu do futebol (Sports.ru)
Na última década, Crespo foi um dos melhores centroavantes do mundo e passou a maior parte dos 21 anos de carreira balançando as redes na Itália. Aliando força e técnica como poucos, o argentino marcava gols de todas as formas e, por isso, conquistou títulos, muitas vezes anotando em decisões. Por ser parecido com Jorge Valdano, ganhou um apelido de peso: Valdanito. Nascido em Florida, a 15 quilômetros de Buenos Aires, Crespo foi um fervoroso torcedor do San Lorenzo na infância, mas começou a carreira no River Plate e, por isso, sofreu muito quando teve que encarar a equipe do coração. 

Paixão tem muito a ver com a trajetória de Crespo e, aos 13 anos, ele entrou na academia de futebol do River Plate, o primeiro passo para apaixonar os Millonarios. A carreira no Monumental de Nuñez foi intensa. No ano de estreia na equipe principal, 1993, veio o título Apertura do Campeonato Argentino, que foi repetido em 1994 e 1996. Mas o grande motivo do amor da torcida é um só: a conquista da Copa Libertadores, o último grande ato do Valdanito na Argentina.

Ao lado de Francescoli, Crespo formou o ataque do River e foi artilheiro da equipe na disputa continental, com dez gols. O centroavante foi decisivo na fase mata-mata e teve a grande emoção de eliminar o clube do coração, nas quartas de final, com dois gols anotados. Na decisão, frente ao América de Cali, os argentinos perderam por 1 a 0 fora de casa e precisavam de dois gols para a conquista. O Valdanito apareceu e fez o necessário: 2 a 0 e o placar mostrava Crespo duas vezes. 

A precocidade também foi vista na caminhada pela seleção. Em 1995 foi convocado pela primeira vez e, no ano seguinte, foi artilheiro e ganhou a medalha de prata na Olímpiada de Atlanta. Com o segundo lugar nos Estados Unidos, Crespo se despediu do River Plate e foi encontrar o Parma, o “seu amor italiano”, como declarou em recente entrevista. Por oito bilhões de liras, chegou aos crociati, que já começavam a receber investimentos da Parmalat, gigante do setor de laticínios.

No Parma da Parmalat, o Valdanito se concretizou entre os craques da posição e ganhou três títulos. A temporada 1998-99 foi especial, com duas conquistas. Na Coppa Italia, na final contra a Fiorentina, apareceu com um gol em cada partida, e garantiu a taça ao Parma. Na Copa Uefa, Crespo foi muito importante, durante a campanha, marcou seis vezes e foi o vice-artilheiro gialloblù. Na decisão contra o Olympique de Marseille, foi do argentino o gol que abriu o caminho para a vitória tranquila por 3 a 0. Assim que começou a temporada seguinte, mais um título, a Supercoppa sobre o Milan e, de novo, o camisa nove apareceu com gol importante. 

No período italiano, além do sucesso pelos clubes, Crespo se consagrou com a camisa albiceleste, que defendeu em três Copas do Mundo. Em 1998, na França, fez parte do grupo, e era reserva de outro destaque da Serie A, Batistuta – jogou apenas uma partida. Quatro anos depois, na Coreia do Sul e Japão, ainda alternativa a Batigol, participou de três jogos e conseguiu seu primeiro gol em mundiais. Ter os dois ótimos centroavantes no período foi um privilégio, mas trouxe problemas para os técnicos. Afinal, normalmente, um era reserva do outro e a pressão para tê-los em campo ao mesmo tempo sempre foi muito grande. 

Sem Batistuta, em 2006 na Alemanha, Crespo foi o titular, jogou quatro partidas e marcou três vezes. Porém, a Argentina parou na anfitriã, nas quartas de final. Com isso, a geração, que contou com o auge do camisa nove, não conseguiu o imaginado tricampeonato mundial. No ano seguinte, o Valdanito se aposentou da seleção albiceleste, com 64 partidas e 35 gols, que o colocam como terceiro maior artilheiro da história do país, logo à frente de Maradona, mas atrás de Messi e Batistuta. 

Depois de ganhar tudo, o Parma não conseguiu voltar a vencer e os investimentos foram diminuindo. Por isso, ao final da temporada 2000-01, a equipe não rejeitou uma oferta de 35 bilhões de libras da Lazio por Crespo. O negócio envolveu 16 milhões em dinheiro e os jogadores Sergio Conceição e Matías Almeyda. Na capital italiana, o centroavante fez parte de outro time histórico e ficou ainda maior no cenário futebolístico mundial.

Apesar da escalação estrelada, os laziali só venceram a Supercoppa italiana e não conseguiram repetir o sucesso da temporada anterior, quando conseguiram a dobradinha, vencendo Serie A e Coppa Italia. A culpa com certeza não foi de Crespo, afinal o centroavante argentino acrescentou muito à equipe e, no Campeonato Italiano, conseguiu a artilharia com 26 gols, em uma edição na qual a Lazio ficou apenas no terceiro lugar. No grande foco da equipe em 2000-01, a Liga dos Campeões, eliminação frustrante na segunda fase de grupos da disputa. 

Cercado de lesões e em um clube que já começava a sofrer com problemas financeiros, o Valdanito acabou se transferindo em 2002. Desta vez, a nova casa seria Milão, na Inter, que havia perdido Ronaldo e precisava desesperadamente de outro anotador de gols. Foram 26 milhões de euros mais o passe de Corradi investidos no argentino. A partir daí, Crespo viveu uma fase complicada. Seguia com potencial enorme, mas, muitas vezes, as lesões impediam que este nível de futebol fosse apresentado em campo. Os números dele pela Inter provam isso: em 2002-03, jogou apenas 30 vezes e marcou 16 gols. Na Liga dos Campeões teve grande destaque e, com nove gols, ajudou a Inter a chegar nas semifinais, quando caiu contra o Milan.

Apesar do desempenho interessante, os custos eram altos para não tê-lo sempre em campo. Por isso, os nerazzurri aceitaram uma alta proposta (quase 17 milhões de libras) do Chelsea. Na Inglaterra, o atacante argentino repetiu o que havia feito na Inter e não conseguir empolgar os Blues. Havia um grande problema, Crespo tinha ido à Londres sem a esposa e a filha, que escolheram ficar em Milão, pois já estavam bem adaptadas à vida italiana. O resultado é que, na capital inglesa, o Valdanito sempre ficou dividido entre o futebol e a preocupação com a família, que estava longe.

Com a chegada de Mourinho e Drogba ao clube, o treinador logo identificou que este problema afetava o seu atacante e, agora, com outro jogador para posição de alto nível, Crespo foi liberado e pode voltar à Milão, desta vez, para vestir rossonero. Pedido especialmente por Carlo Ancelotti, o Valdanito conseguiu marcar dez gols na Serie A e dois na final da Liga dos Campeões 2004-05, que teve a incrível conquista do Liverpool.

Sem títulos, mas, com algumas aparições decisivas, Mourinho pediu e o argentino voltou à Londres mais motivado e com a consciência de que poderia fazer melhor. Apesar do ambiente favorável, Crespo conseguiu apenas 13 gols na temporada e novamente ficou devendo. Porém, a volta ao Chelsea ao menos rendeu outros dois títulos para a carreira: uma Supercopa da Inglaterra e a Premier League, primeira liga nacional conquistada no Velho Mundo. 

Ainda com contrato com o Chelsea, Crespo voltou à Inter, mas, desta vez, entre 2006-09, ganhou quase tudo com o clube – cinco títulos. No primeiro ano, o argentino foi fundamental, com 14 gols, que ajudaram no título da Serie A 2006-07. Aos poucos, o Valdanito foi perdendo relevância nos nerazzurri, que, neste período, tiveram Ibrahimovic como grande homem de área.

Depois da saída de Milão, Crespo jogou seis meses pelo Genoa e encerrou a trajetória italiana onde começou, no Parma, em 2012, após mais dois anos e meio de serviços ao clube. A última passagem pelos crociati aumentou a identificação dele com o clube e fez com que fechasse sua carreira parmense com 200 partidas e 94 gols, média próxima de um gol a cada dois jogos vestindo gialloblù. Até hoje, Crespo é o maior artilheiro da história do Parma em jogos da Serie A. Com 153 gols pelo Campeonato Italiano, o argentino ainda é um dos 25 maiores goleadores da história do torneio – ocupa a 23ª posição.

O ex-centroavante estudou para se tornar treinador e, hoje, é técnico das categorias de base do Parma. Em recente entrevista ao canal oficial do clube, Crespo deixou clara a sua filosofia: “a coisa mais importante para estes garotos é que se tornem homens que tenham respeito pelo clube, que deu esta oportunidade a eles”. Nos crociati e na cidade, existe apenas um sonho: Crespo conseguir repetir o sucesso de dentro das quatro linhas fora delas. 

Hernán Jorge Crespo 
Nascimento: 5 de julho de 1975, em Florida, Argentina 
Posição: atacante 
Clubes: River Plate (1993-96), Parma (1996-00 e 2010-12), Lazio (2000-02), Inter (2002-03 e 2006-09), Chelsea (2003-04 e 2005-06) Milan (2004-05) e Genoa (2009-10). 
Títulos: Apertura Campeonato Argentino (1993, 1994 e 1996), Jogos Pan-americanos (1995) Copa Libertadores (1996), Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999, 2000, 2004, 2006 e 2008), Serie A (2006-07, 2007-08 e 2008-09), Copa Uefa (1998-99), Supercopa da Inglaterra (2005) e Premier League (2005-06) 
Seleção argentina: 64 jogos e 35 gols

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Os 10 maiores uruguaios do futebol italiano

O Uruguai é um país pequeno e pouco populoso. Cerca de metade de seus 3,5 milhões de habitantes moram na capital, Montevidéu. Olhando sob essa perspectiva, impressiona o fato de os charrúas revelarem tantos jogadores ao longo dos tempos e de terem dois títulos mundiais, dois ouros olímpicos no futebol e mais 15 Copas América. E, ao longo da história, alguns jogadores uruguaios que tiveram sucesso internacional passaram pela Itália.

Ao todo, 137 jogadores do Uruguai atuaram na Serie A – o terceiro país mais representado no campeonato, atrás de Brasil e Argentina. Os primeiros uruguaios a chegarem na Itália aportaram na Bota nos anos 1930. Eram oriundi, filhos e netos de italianos. O pioneiro foi o meia Francisco Fedullo, que foi jogar no Bologna. Outros charrúas se juntaram a ele e formaram uma colônia uruguaia vencedora. Fedullo, juntamente ao meia Miguel Andreolo e os atacantes Rafael Sansone e Héctor (depois rebatizado Ettore) Puricelli, foram destaques de uma equipe que se sagrou quatro vezes campeã naquela década. O maior Bologna da história teve marca uruguaia.

Na mesma época, campeões mundiais pelo Uruguai em 1930 também jogaram na Itália, como Pedro Petrone, que fez sucesso na Fiorentina, e o artilheiro Héctor Scarone, que conviveu com lesões e a idade avançada, mas teve papel digno por Inter e Palermo. Campeões em 1950, Alcides Ghiggia e Juan Alberto Schiaffino também foram estrelas da Serie A e abriram caminho para vários outros compatriotas. A maioria deles, coadjuvantes raçudos, que se doaram por suas equipes, mas outros com um brilho a mais, como Enzo Francescoli, Álvaro Recoba e Edinson Cavani. Escolhemos os 20 maiores conforme os critérios abaixo.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "Top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no Top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 20 Uruguaios na Itália
11. Diego López; 12. Miguel Andreolo; 13. Rafael Sansone; 14. Francisco Fedullo; 15. Héctor Scarone; 16. Diego Pérez; 17. Carlos Aguilera; 18. Javier Chevantón; 19. Darío Silva; 20. Marcelo Zalayeta.

10º - Pedro Petrone


Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Fiorentina (1931-33)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1931-32) 

Fundada em 29 de agosto de 1926, a Fiorentina só disputou a Serie A pela primeira vez na temporada 1930-31. Para essa ocasião para lá de especial o time queria uma contratação de impacto e acertou em cheio. Ídolo do Nacional de Montevidéu três vezes artilheiro do Campeonato Sul-americano, Pedro Petrone também fez parte da campanha do título uruguaio na Copa de 1930, embora não tenha sido titular graças a forte concorrência de Cea, Castro e Scarone. Antes disso, tinha feito parte da Celeste bicampeão olímpica, em 1924 e 1928, e também havia faturado duas vezes a Copa América. Com esse extenso currículo, ele se tornou o primeiro estrangeiro da história do time toscano. E o primeiro jogador a marcar um gol no estádio Artemio Franchi (à época, Giovanni Berta). sua trajetória na Itália começou e se concluiu com sucesso: sua grande velocidade, técnica e, principalmente, tiro potente e preciso, fizeram-no ser amado em Florença.

A Viola ficou em uma honrosa 4ª colocação em sua temporada de estreia e Petrone foi o artilheiro do campeonato ao lado de Angelo Schiavio, do Bologna, com 25 gols. Contra o Pro Patria o atacante deixou uma tripletta e contra o Modena anotou um poker (quatro gols). Na temporada seguinte, Petrone, centroavante de origem, foi deslocado para jogar mais pelo lado direito, mas ainda assim acabou a temporada como o artilheiro da equipe, com 12 gols. Jogar na ala destra não agradava o jogador, que acabou se desentendendo com o técnico Hermann Felsner. Multado com a perda do salário por um mês e afastado da equipe, Petrone fugiu para o Uruguai e teve o contrato rescindido meses depois. Na época ele já estava atuando novamente pelo Nacional, onde se aposentaria um ano depois.

9º - Daniel Fonseca


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Cagliari (1990-92), Napoli (1992-94), Roma (1994-97), Juventus (1997-2001) e Como (2002-03)
Títulos: Copa América (1995), Supercoppa Italiana (1997), Serie A (1997-98) e Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: nenhum

O caminho rumo à Itália já estava no destino de Daniel Fonseca antes mesmo do seu nascimento, em Montevidéu. Neto de italianos, o garoto foi à Velha Bota depois de apenas dois anos jogando nos profissionais do Nacional. A primeira parada foi no Cagliari, onde Daniel chegou junto com seu compatriota Francescoli. Atuando na meia-esquerda, Fonseca marcou oito gols na primeira temporada e nove na segunda. Desenvolvendo-se a passos largos, o jovem precisava de um desafio maior e trocou a Sardenha pela Campânia. No Napoli, sete gols nas dez primeiras partidas e um feito que entrou para a história: cinco gols na vitória contra o Valencia, na Copa Uefa.

Fonseca teve dois anos muito bons em Nápoles (ao todo, foram 31 gols em 58 jogos; 16 no primeiro ano e 15 no segundo) e viveu outra mudança. Dessa vez, para a capital. Na Roma, o homem-gol era Abel Balbo, mas apesar de diminuir seus encontros com a rede adversária Daniel foi muito bem nos três anos em que ficou por lá. O primeiro caneco, no entanto, só veio em sua primeira temporada na Juventus, o scudetto 1997-98. O ritmo em Turim não foi o mesmo de outrora, porém. Fonseca foi titular só na primeira temporada e nem entrou em campo em 1999-2000 por causa de uma lesão. Na temporada seguinte, entrou em campo só duas vezes, o que o fez rescindir o contrato com os bianconeri em 2001. Um ano depois, com passagens apagadas por River Plate e Nacional, ainda voltou à Itália para se aposentar no Como, onde também mal foi utilizado.



Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Bologna (1938-44), Milan (1945-49) e Legnano (1949-51)
Títulos: 2 Serie A (1938-39 e 1940-41)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1938-39 e 1940-41)

Em um longínquo tempo em que o Bologna levantava troféus, o clube rossoblù contou com um uruguaio que ajudou e muito na conquista de dois scudetti. Quando chegou a Itália, em 1938, Ettore ainda era mais conhecido como Héctor e vinha do modesto Central Español. O Bologna havia conquistado dois títulos em três anos, com uma trupe uruguaia, formada por Francisco Fedullo, Rafael Sansone e Miguel Andreolo, mas precisava de uma renovação. Em seu primeiro ano na Itália, Puricelli foi o homem mais avançado do ataque, que contava ainda com os pontas Biavati e Reguzzoni. O time marcou 53 gols, levou o scudetto e o uruguaio terminou como um dos artilheiros da competição, com 19 tentos. O Bologna abusava da boa estatura do matador e gols de cabeça viraram rotina. Não à toa, Ettore ganhou o apelido de 'testina d'oro'.

Todo esse sucesso repentino rendeu sua primeira e única convocação para a seleção italiana, pela qual o 'oriundo' marcou um gol contra a Suíça. Em 1941 o feito de dois anos antes se repetiu: título para o Bologna e artilharia para Puricelli, agora com 22 gols. Em 1945, quando o goleador Aldo Boffi deixou o Milan, os rossoneri o substituíram com Puricelli. Embora o uruguaio continuasse uma máquina de fazer gols, tendo sido o artilheiro da equipe por três anos consecutivos, a equipe sempre bateu na trave e o atacante deixou a Lombardia sem nenhum troféu. Na reta final de sua carreira como jogador, Puricelli fez dupla com outro Ettore, o Bertoni, e juntos eles levaram o modesto Legnano para a Serie A. Em 1955, o título que faltou ao atacante no Milan chegou, mas nessa conquista Puricelli não contribuiu com gols; ele era o técnico da equipe.



Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Atalanta (1992-96) e Juventus (1996-2005)
Títulos: 4 Serie A (1996-97, 1997-98, 2001-02 e 2002-03), 3 Supercopas Italianas (1997, 2002 e 2003), Supercopa Uefa (1996), Copa Intercontinental (1996) e Copa Intertoto (1999)
Prêmios individuais: nenhum

Cria do Peñarol, Paolo Montero foi um dos maiores bad boys que o futebol italiano já viu. Com polêmicas extracampo e também dentro das quatro linhas. Seu primeiro clube na Itália foi a Atalanta de Marcelo Lippi, mas foi na Juventus que o zagueiro brilhou. Levado por Lippi ao Piemonte, Montero passou nove anos em Turim e foi importante no período em que esteve no estádio Delle Alpi.

Quando não estava distribuindo pontapés a atacado, Montero também sabia ser um zagueiro de boa técnica. Embora a maioria lembre dele apenas por um recorde que até hoje nunca foi superado na Serie A (16 dos 21 cartões vermelhos que ele recebeu na Itália foram pelo campeonato nacional) também é importante dizer que Montero venceu dez títulos em seus anos de Juventus, incluindo quatro scudetti. Formando uma defesa para lá de sólida com Ciro Ferrara, o zagueiro peleador também chegou a três finais da Liga dos Campeões, ficando com o vice-campeonato em todas as ocasiões.

6º - Rubén Sosa


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1988-92) e Inter (1992-95)
Títulos: Copa Uefa (1993-94) e Copa América (1995)
Prêmios individuais: nenhum

De altura mediana e sempre parecendo estar alguns quilos acima do peso, o atarracado atacante podia até não ter pinta de craque, mas mudava a opinião dos desavisados com poucos minutos ao lado da bola. Rubén Sosa foi um ótimo jogador e teve belos anos jogando na Itália. Vindo do Zaragoza, clube espanhol no qual fez três boas temporadas, o atacante chegou na Lazio em 1988 e apesar do temperamento um tanto quanto volátil se deu bem com Paolo Di Canio – pelo menos dentro de campo. Foram quatro anos na capital e muitos gols, mas a equipe laziale nunca chegou a disputar um título nesse período (a melhor participação na Serie A foi uma 9ª colocação). Sosa então se mudou para a Inter de Milão.

Já em sua primeira temporada na Lombardia, Sosa foi o grande nome da campanha do vice-campeonato italiano. O uruguaio foi o artilheiro da equipe, com 20 gols, ofuscando Salvatore Schillaci, que tinha muitos problemas físicos. No ano seguinte, a campanha na Serie A não foi boa (a Inter escapou do rebaixamento por apenas um ponto, nas rodadas finais), mas Sosa ajudou com uma tripletta, virando a partida contra o Parma com duas bombas de fora da área. Depois de três anos de muitas bolas na rede, o atacante deixou o clube com uma Copa Uefa no currículo: foi dele o passe para o holandês Wim Jonk marcar o gol do título, contra o Casino Salzburg – atual RB Salzburg. Só não dá pra dizer que sua passagem foi perfeita graças as várias discussões com o gênio Dennis Bergkamp, que teve passagem pouco célebre por Milão.

5º - Álvaro Recoba


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1997-98 e 1999-2007), Venezia (1999) e Torino (2007-08)
Títulos: 2 Serie A (2005-06 e 2006-07), 2 Coppa Italia (2004-05 e 2005-06), 2 Supercopas Italianas (2005 e 2006) e Copa Uefa (1997-98)
Prêmios individuais: nenhum

O ex-presidente da Inter, Massimo Moratti, sempre se notabilizou por ser um dirigente/torcedor. O mandatário gostava de estar próximo ao elenco e nessa rotina de convivência direta com os atletas adotou um uruguaio para ser seu xodó: Álvaro 'Il Chino' Recoba. Não é exagero dizer que Recoba foi um dos jogadores mais técnicos que já vestiram a camisa da Inter, mas não basta ser habilidoso para ter sucesso. Na primeira temporada em Milão, Recoba teve o azar de ter que dividir as atenções com Ronaldo. Porém, ele ofuscou a estreia do Fenômeno: a Inter perdia para o Brescia por 1 a 0, quando Recoba entrou na parte final do jogo. Com oito minutos em campo, mandou uma bomba no ângulo. Outros cinco minutos depois, com outro chute a quase 30 metros do gol, marcou de falta e definiu o placar. Meses depois, marcou um gol do meio-campo contra o Empoli.

No entanto, Recoba não era regular, e após um ano e meio em Milão, foi emprestado ao Venezia, com ótimos resultados: 11 gols, várias assistências e nada de rebaixamento para os Leoni. Recoba se destacou por ter feito três sobre a Fiorentina e, na penúltima rodada, por ter feito um golaço justo sobre a Inter, salvando os venezianos. O Chino acabou voltando para a Inter, dessa vez para ficar. O uruguaio conseguiu espaço em um time que contava com Ronaldo, Vieri, Zamorano e Baggio. Foram 25 gols entre 1999 e 2001, ano em que Recoba foi o jogador mais bem pago do mundo, cortesia de Moratti. Mas, a partir de então, a carreira do jogador virou uma montanha-russa. Quando estava livre das lesões e dentro de um peso aceitável Recoba fez ótimos jogos, mas esses requisitos ficaram cada vez mais raros. Além disso, o relacionamento com o técnico Roberto Mancini nunca foi bom. O canhotinho deixou a Inter em 2007, com sete títulos, uma penca de golaços, e ainda passou pelo Torino antes de se despedir da Velha Bota.



Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Cagliari (1990-93) e Torino (1993-94)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Inserido na lista Fifa 100

Era uma vez um menino chamado Zinédine Zidane. Quando criança, o pequeno Zizou já sabia que queria ser jogador de futebol. Culpa da genética, dos deuses e também de um uruguaio que inspirou o já adolescente sonhador: Enzo Francescoli. O pupilo acabou superando o mestre, mas se dizem que Zidane era tão elegante que poderia jogar de terno e gravata, Francescoli foi a grande inspiração para o 'jeito de se vestir' do francês. Francescoli chegou na Itália vindo de um título francês com o Marseille. Pouco depois de disputar a Copa do Mundo no Belpaese, em 1990, o meia fechou com o Cagliari. Não é exagero dizer que o atleta era muita areia para o caminhão do time sardo, mas mesmo sendo um dos jogadores mais técnicos do campeonato, Enzo não foi brilhante em suas primeiras temporadas, principalmente porque jogava mais recuado na nova equipe, atuando não como o homem do último passe, mas como o idealizador do início das jogadas.

Na Serie A 1992-93, Francescoli retomou sua grande forma e liderou o Cagliari à sexta colocação e uma consequente classificação para a Copa Uefa, o suficiente para ser lembrado até hoje como um dos principais jogadores da história do clube. No ano seguinte, os rossoblù chegariam às semifinais europeias, mas Francescoli não estava mais lá para ajudar a equipe a passar pela Inter, que se sagraria campeã. Foi para o norte italiano e ainda jogou uma temporada no Torino, que tinha em seu elenco os compatriotas Marcelo Saralegui e Carlos Aguilera. Francescoli teve boas atuações na Coppa Italia, competição em que a equipe grená foi até as semifinais, quase repetindo o título do ano anterior. E, mesmo depois de sair de Turim, os caminhos do meia e da cidade se cruzaram novamente, já que Enzo estava no River Plate que perdeu para a Juventus no Mundial de Clubes de 1996.



Posição: ala
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1953-61) e Milan (1961-62)
Títulos: Copa das Feiras (1960-61) e Serie A (1961-62)
Prêmios individuais: nenhum

Três anos depois de calar duzentas mil pessoas no Maracanã, Alcides Ghiggia, um dos maiores vilões da história do Brasil e presença certa nos pesadelos de nossos avôs foi jogar na Itália e pela Itália. Ídolo do Penãrol, o ponta-direita foi para a Roma em 1953, mas o elenco giallorosso não ajudava muito. Além de Ghiggia, apenas Dino da Costa – que só chegou em 1955 – era jogador acima da média. A melhor colocação do uruguaio obtida vestindo as cores romanistas, porém, aconteceu logo antes da chegada do ítalo-brasileiro: segunda posição em 1954-55.

Embora tenha ficado marcado por um gol, Ghiggia não fez muitos em seus anos na Cidade Eterna. Para uma época em que os pontas começavam a se preocupar com funções defensivas, o uruguaio estava à frente do seu tempo, fazendo isso há alguns anos. Sempre foi um jogador de muita inteligência tática acima de tudo e suas subidas mais geravam cruzamentos do que remates. Em sua quarta temporada na Roma, Ghiggia se tornou o capitão da equipe romana e, como Juan Schiaffino, também trocou o azul celeste do Uruguai pela Azzurra, seleção que defendeu cinco vezes – sem conseguir ajudar a classificá-la para a Copa de 1958, porém. Dois anos depois, preterido pelo jovem Alberto Orlando, foi a vez de trocar também de clube, mas não sem antes voltar a jogar com seu ex-companheiro de 1950, Schiaffino, e vencer a Copa das Feiras. Aos 35 anos foi para o Milan, jogou apenas quatro partidas, mas enfim conheceu o sabor de conquistar um scudetto antes de voltar ao país natal.

2º - Edinson Cavani


Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Palermo (2007-10) e Napoli (2010-13)
Títulos: Coppa Italia (2011-12) e Copa América (2011)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (2012-13), Time do Ano da Serie A (2010-11, 2011-12 e 2012-13), Artilheiro da Coppa Italia (2011-12) e Futebolista Estrangeiro do Ano da Serie A (2012-13)

O Uruguai passou alguns anos sem um atacante de nível, mas quando a maré mudou, mudou da água para o vinho. A Celeste passou a ter a sua disposição Diego Forlán, Luis Suárez e um dos grandes goleadores que a Serie A teve na história recente: Edinson Cavani. O garoto de 20 anos chegou ao Palermo em 2007, após belo Sul-Americano Sub-20, mas teve dificuldades de adaptação no início. Na primeira temporada foram poucos gols, é verdade, já que o bomber do time era Amauri. Mas, depois de aprender a balançar as redes com o paulista, aí sim Cavani desandou a marcar. Aliás, não só balançou muito as redes como também ajudou Fabrizio Miccoli a fazer o mesmo, mostrando ser um atacante completo. Os dias de Sicília chegaram ao fim com uma honrosa 5ª colocação na Serie A, mas o uruguaio foi ainda melhor no Napoli, tornando-se em pouco tempo um dos maiores nomes da história azzurra.

Lá ele formou um tridente ofensivo de muito respeito com Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsík, e nem de longe o atacante que agora voava baixo nos campos italianos lembrava o menino mirrado que pouco recebia oportunidades na infância por causa do físico. Em três temporadas, o Matador foi artilheiro partenopeu em todas elas, foi eleito para o time do ano da Serie A e colaborou com duas classificações napolitanas à Liga dos Campeões. Além de balançar as redes constantemente, a identificação com os azzurri ficou tão forte que torcedores inventaram uma "religião" chamada Cavanismo. Todos os gols e assistências foram recompensados e Cavani não deixou os azzurri de mãos abanando. Se na Celeste Olímpica Cavani foi protagonista no título da Copa América, no Napoli ele levantou pelo menos a Coppa Italia 2012, além de cravar a artilharia da Serie A do ano seguinte. O mínimo que um casamento tão bonito merecia. Meio a contragosto, deixou Nápoles por uma oferta obscena do Paris Saint-Germain. Cavani é o terceiro maior artilheiro da história napolitana e, com 104 tentos em 138 partidas, é dono da melhor média de gols entre os jogadores azzurri.



Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Milan (1954-60) e Roma (1960-62)
Títulos: 3 Serie A (1954-55, 1956-57 e 1958-59), Copa Latina (1956) e Copa das Feiras (1960-61)
Prêmios individuais: nenhum

Aqui no Brasil, parece que Ghiggia sentou à cabeceira da mesa e acabou pagando a conta do Maracanazo sozinho, mas a vitória do Uruguai sobre o Brasil no fatídico Mundial de 1950 foi por 2 a 1, e quem marcou o outro gol celeste foi tão ou mais importante para nossos vizinhos que o ponta-direita. Juan Alberto Schiaffino foi tudo que um jogador de meio-campo pode ser e mais um pouco. Depois de 18 títulos com a camisa do seu amado Peñarol, 'Pepe' foi para o Milan após a Copa de 1954, sendo na época o jogador mais caro da história. chegou para substituir Gunnar Gren, peça importante nos rossoneri. Fatos justificados pela versatilidade de seu repertório: um meio-campista com habilidade e visão de um camisa 10, mas inteligência tática e garra de um volante.

O Milan de Schiaffino, Lorenzo Buffon, Niels Liedholm, Cesare Maldini e Gunnar Nordahl marcou época e o uruguaio conquistou três scudetti – o último deles já ao lado de José Altafini e tendo Gianni Rivera como pupilo. Sua idolatria era tamanha que quando o Rubro-Negro decidiu negociar o uruguaio, a torcida não aceitou bem – Rivera, pouco depois, mostraria que o Diavolo tinha substituto à altura. Os protestos não surtiram efeito e Schiaffino foi defender a Roma, que já queria contratá-lo desde 1957, quando chegou a conversar com o jogador. Na Cidade Eterna, ficou por dois anos – já jogando como líbero – e conquistou a Copa das Feiras antes de se aposentar.