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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Mais que apenas defensores

GOLEIROS

Antes de tudo, o extremo defensor. O portiere (goleiro) é aquele que tem como função impedir que o outro time chegue ao principal objetivo do futebol: o gol. Talvez esta seja a única posição onde as culturas futebolísticas italiana e brasileira concordem plenamente. O primeiro goleiro de consagração mundial foi o espanhol Ricardo Zamora, titular de sua seleção entre as décadas de 1920 e 30. Contemporaneamente, destacava-se pela Squadra Azzurra e pela Juventus Gianpiero Combi, vencedor de cinco scudetti consecutivos pelo clube de Turim. Combi encontrou o espanhol nas quartas-de-final da Copa de 1934, quando a Itália precisou de dois jogos para bater a Espanha com um gol de Meazza. Após o embate, o caminho se abriu para a conquista do primeiro título mundial italiano, e ao fim do torneio Combi recebeu de Mussolini a taça Jules Rimet, como capitão do elenco.

Ainda no período de entre-guerras destacaram-se Carlo Ceresoli, Guido Masetti e Aldo Olivieri. Mesmo após a Segunda Guerra Mundial, a escola italiana de goleiros continuou garantindo bons nomes à seleção nacional, como Giorgio Ghezzi, Lucidio Sentimenti, Enrico Albertosi, Dino Zoff, Walter Zenga, Gianluca Pagliuca e, hoje, Gianluigi Buffon, titular no tetracampeonato italiano de 2006 e considerado por muitos o melhor goleiro do futebol atual.

Zamora e Combi cumprimentam-se em encontro na Copa de 1934

Mas nem só de defesas vivem alguns goleiros. Rogério Ceni possui 76 gols marcados em sua carreira, entre cobranças de falta e de pênaltis. O paraguaio José Luis Chilavert contabiliza 62, incluindo entre esses três gols anotados numa só partida contra o Ferro Carril Oeste, em seus tempos de Vélez. Menos conhecidos são os portieri-cannonieri na velha bota. Entre estes, o mais prolífico e talvez mais folclórico seja Lucidio Sentimenti, que marcou oito tentos em 510 partidas, todos de pênalti. Além do número, uma curiosidade particular: em duas partidas pela Juve ele atuou como atacante, na década de 40. Sentimenti também é o goleiro mais vazado da história da Serie A, com 545 gols sofridos em 443 jogos.

Antonio Rigamonti também anotou três vezes, sempre de pênalti, por Atalanta e Milan. Entre os casos mais recentes, Massimo Taibi salvou a Reggina da derrota frente à Udinese com um gol de cabeça nos últimos minutos da partida, em abril de 2001. Marco Amelia, em novembro passado, tornou-se o único goleiro italiano a marcar em uma competição internacional, aproveitando cobrança de falta de Passoni para empatar de cabeça partida contra o Partizan, em Belgrado, pela Copa UEFA. Por outro lado, Francesco Toldo, jogando pela Inter na quinta rodada da Serie A 2002-03, marcou o gol que garantiu o 1-1 aos 50' do segundo tempo, após falha de Buffon. Mas ao fim da partida os créditos ficaram para Christian Vieri.

Ainda sobre recordes, Sebastiano Rossi ficou sem levar gols por 929 minutos pela Serie A, no imbatível Milan do início da década de 1990. Contabilizando todas as séries, o recorde passa a Emmerich Tarabocchia, que passou 1791 minutos sem buscar a bola no fundo das redes, na temporada 1974-75. Um recorde mais pitoresco é de Giulio Nuciari, que só fez dezessete partidas na Serie A, por Milan e Sampdoria. Por outro lado, Nuciari sentou-se no banco de reservas por 333 vezes, sem entrar em campo.

DEFENSORES

O que conhecemos no Brasil por lateral é chamado de terzino na Itália, ou ainda difensore di fascia. A origem do nome remonta ao tempo em que eram denominados terzini os dois jogadores da "terceira linha", aqueles que formavam a primeira barreira frente ao goleiro no esquema da pirâmide de Cambridge, o 2-3-5. Nesta época, ganhou notoriedade a dupla uruguaia José Nasazzi e Ernesto Mascheroni, bicampeã olímpica. Na Itália, o terzino mais importante da época foi Eraldo Monzeglio, bandeira do Bologna. Hoje, apenas os dois defensores laterais são designados como tal.

Teoricamente, há a divisão entre o terzino marcatore, destinado mais à marcação e com raras subidas ao ataque, e o terzino fluidificante, que arma o jogo com mais freqüência e não raro deixa descoberta a defesa por seu lado. Entre aqueles que têm como principal objetivo a defesa, destacaram-se Tarcisio Burgnich, Francesco Rocca e Sebastiano Nela. Já entre os com propensão ofensiva, Giacinto Facchetti, Antonio Cabrini e Gianluca Zambrotta fizeram história, em especial o primeiro, considerado o desbravador do ataque entre os terzini italianos. Porém, com a evolução do futebol, essa separação deu lugar a uma maior objetividade no tratamento dos jogadores da posição. Alguns mais recentes, como Christian Panucci, Paolo Maldini e Giuseppe Bergomi, dividem bem as funções entre defesa e ataque, ao ponto de ser, muitas vezes, adaptados à posição de defensor central.

Facchetti, um dos maiores jogadores da história da Inter

Defensores centrais, estes, que só surgiram após a modificação da regra do impedimento, em 1925. Com esta alteração bastariam dois adversários entre o gol e o lançador, ao invés de três, como pregava a regra anterior. Herbert Chapman, com seu esquema WM, adaptou a velha pirâmide com o recuo de um dos jogadores de meio para a posição de stopper, com a função de marcar um dos atacantes adversários de forma individual. Mario Rigamonti foi o principal stopper da história italiana, tendo participado de quatro temporadas pelo Grande Torino e falecido na tragédia de Superga. Hoje, o estádio de Brescia lhe presta homenagem nominalmente. Também se destacaram Pietro Vierchowod e Claudio Gentile. No calcio atual, a denominação não é mais popular, porém continua sendo utilizada por muitos para designar algum defensor que faça marcação individual.

A partir dos anos 1950, a figura do libero também foi incluída no calcio. Assim como o líbero da forma que conhecemos no Brasil, entre suas tarefas está a de orientar a organização da defesa, posicionando-se atrás dos dois stoppers para servir como última alternativa defensiva entre os jogadores de linha. No caso de pressão ofensiva de seu time, cabe ao libero adiantar-se, participando assim das investidas e reequilibrando quantitativamente o meio de campo. O primeiro grande líbero da história do calcio foi o livornese Armando Picchi, capitão da Grande Inter, que hoje cede seu nome ao estádio de sua cidade. Gaetano Scirea e Franco Baresi também se tornaram referência da posição. Outros jogadores iniciaram a carreira como meio-campistas, mas tornaram-se liberi com o decorrer da carreira, como o alemão Lottar Matthäus e o ex-capitão romanista Agostino Di Bartolomei.

Di Bartolomei, líbero no segundo scudetto romanista, de 1983

No calcio moderno, com o advento das defesas em linha, as funções de stopper e libero se fundiram na de difensore centrale, o zagueiro na forma em que conhecemos. Fabio Cannavaro tornou-se o primeiro defensor italiano a vencer a Bola de Ouro, em 2006. Outros nomes recentes da posição são considerados destaques mundiais, como Ciro Ferrara e Alessandro Nesta. Pela proximidade de seu próprio gol, geralmente são os defensores centrais os que marcam autoreti (gols contra) com maior freqüência. Quem se notabilizou no imaginário popular foi Comunardo Niccolai, autor de alguns indefensáveis atuando pelo Cagliari. Mas o verdadeiro "recordista" da Serie A é Riccardo Ferri, autor de oito gols contra em quinze temporadas por Inter e Sampdoria. Mesmo assim, não alcançou os 25 tentos do jamaicano Frank Sinclair, que se notabilizou no Chelsea.

4 Comentários:

G. Moritz disse...

Sem desmercer os blogueiros, mas o que mais me chamou a atenção no post foi o topete do Facchetti.
Perfeito mesmo durante o chute, aja brilhantina.

Professor Howdy disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Dassler Marques disse...

Bela iniciativa, como te disse.

Vi outro dia aquele tal de Zoff..
pegava pouco, viu?

abraço tchÊ

Filipe Lima disse...

Comentei na comunidade, volto a comentar aqui: você é um fenômeno, cara!

Você só pode ter adulterado sua data de nascimento, mandarei o STJD fazer uma investigação sobre isso!

Meus sinceros parabéns, Braitner! Sou seu fã!

Continue estudioso e, como bem lembra o Bindi, humilde!

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