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terça-feira, 31 de julho de 2007

Calciomercato, episódio III

O tempo, que tende a se tornar cada vez mais escasso nesse sprint final do ano, é cada vez mais curto. Porém, o suficiente para fazer a entrega de algumas premiações referentes às últimas três semanas, com o perdão do atraso.

Troféu "Adriano na Fiorentina" de vai, mas volta logo
Marchisio no Empoli. O jovem mediano parece ser a pedra mais preciosa do elenco da Juventus, e talvez um empréstimo para um clube que disputará uma competição continental o ajude a ganhar uma boa experiência. É isso que faz a Juve, claramente. Marchisio, titular italiano sub-21, volta já na próxima temporada a Turim, provavelmente para ser uma das primeiras opções no meio de campo.

Troféu "Emerson na Juve" de romanista que sai às turras com a torcida
Chivu na Internazionale. A torcida da Roma, ano após ano, prova que tem dificuldades para lidar com perdas. A lealdade ao clube é considerado aspecto fundamental, e é nisso que pecou Chivu, ao recusar uma proposta do Real Madrid e forçar uma liberação para a Inter, maior rival romanista dos últimos dois anos. O romeno, que tinha tudo para deixar Roma como ídolo, acabou saindo pela porta dos fundos.

Troféu "Donati no Messina" de boa promessa que se perdeu
Foggia no Cagliari. A seleção italiana parecia questão de tempo quando o jovem esterno deixou o Ascoli para acertar seu retorno ao Milan. Na temporada 2005-06 fez um ótimo campeonato pelo time de Piceno, e de quebra foi convocado para a disputa do Europeu sub-21 de Portugal, de lembrança terrível para os azzurrini. Em Milanello durou apenas algumas semanas. Em agosto passado seguiu para a Lazio, e em janeiro foi emprestado à Reggina. Não se firmou em nenhum dos dois lugares, e agora reencontrará Giampaolo no Cagliari, para sua última chance. Jogador e técnico estiveram juntos no Treviso e no Ascoli. E é aí que reside as esperanças de um improvável ressurgimento.

Troféu "Baggio no Brescia" de quero um time pra mim
Vieri na Fiorentina. O Brescia de Mazzone buscava um líder dentro de campo, alguém para chegar e chamar o time de seu. Baggio precisava sair da Internazionale, onde não se firmara e, além disso, buscava voltar à Azzurra após dois anos. O codino fechou com os rondinelle, e os dois lados ficaram satisfeitos. A Fiorentina precisava de um punta de renome, aquele que substituiria Luca Toni, daria alguns toques na preparação dos jovens atacantes do clube e ainda garantisse uma boa venda de camisas. E Vieri queria voltar a uma competição internacional e provar que seu futebol vive. Bobo agora é viola. Mas é a torcida de Florença que não está muito feliz com isso.

Troféu "Eleftheropoulos no Ascoli" de que diabos faço eu no mundo?
De Lucia no Livorno. Eleftheropoulos, no alto de seus trinta anos, é aquele goleiro cujo currículo contém experiências invejáveis: de 2003 pra cá, não conseguiu ser titular em Olympiacos, Messina, Milan, Roma e Ascoli, e agora deve ser banco de Manninger no Siena. De Lucia, apenas 23 anos, também tem qualidade inquestionável. Revelado pelo Parma, só conseguiu uma dezena de partidas em cinco anos, pegando banco para o excêntrico Bucci. O jovem campanês já foi reserva até na Salernitana. E agora ruma para o Livorno de... Amelia. Pois é, e o Kalac tá no Milan.

Troféu "Ali Samereh no Perugia" de o futebol é uma benção
Hallfredsson na Reggina, Zarineh na Roma e Vanstrattan na Juventus. Nem passa pela cabeça criticar quem eu nunca vi jogar, mas atente aos fatos. O primeiro teve uma passagem de cinco dias pelo Lyn, da Noruega. O segundo, centravanti ítalo-iraniano, é uma revelação do Rieti, Serie C2. E o terceiro foi reserva no Ancona, quase rebaixado para a C1. Nem digo pela qualidade técnica, mas taí: o futebol é uma benção.

Troféu "Abeijón no Cagliari" de uruguaio que dominará a meiúca
Gargano no Napoli. Nem todo mundo banca o Napoli na parte de cima da tabela do próximo campeonato, mas eu estou bem perto de apostar nos partenopei como provável surpresa e candidato a uma vaga na Uefa. Uma das peças que faltavam era um bom mediano, com alto poder de marcação e um bom toque de bola. Gargano tem tudo para fazer um trio afinado com seus compatriotas Bogliacino e Amodio. Mas então surgiria um problema: o Napoli teria uma defesa muito bem guarnecida. Mas o meio, definitivamente, iria penar para exercer uma possível - e provável - pressão ofensiva no San Paolo.

Troféu "Lombardo na Sampdoria" de o bom filho à casa torna
Montella na Sampdoria. O aeroplanino, dono de salário astronômico na Roma, não seria titular na Cidade Eterna. Magoado com Spalletti, terá a missão de substituir Quagliarella no comando do ataque blucerchiato, com um gostinho especial: provar que sua experiência e sua classe poderiam ser úteis a uma Roma cheia de ambições, a despeito de seu péssimo condicionamento físico nas últimas temporadas. Montella jogou na Samp até 1999, quando foi contratado pela Roma por €25 milhões.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Lucarelli

 Lucarelli e os aplausos que não vieram (El País)

O título é esse. Depois de quatro anos servindo seu time do coração, Cristiano Lucarelli, já próximo de completar 32 primaveras, decidiu aceitar a interessante oferta do Shakhtar Donetsk no dia 13 de julho, assinando um contrato de três temporadas com a equipe ucraniana. Seu salário anual rodeará os 4 milhões de euros anuais, enquanto ao Livorno foram destinados entre 6 e 8 milhões de euros.

Em abril, Lucarelli havia discutido com o presidente do clube toscano, Aldo Spinelli. O artilheiro havia sido totalmente contrário à demissão do treinador Daniele Arrigoni e chegou a admitir publicamente que deixaria o clube ao final da temporada. Depois de insistência da torcida, porém, Cristiano dissera que decidiria o seu futuro no dia 6 de junho. Foi especulado por Fiorentina e Roma, mas declarou que ficaria no Livorno. Uma sensação de alívio pairava nos torcedores amaranto quando, de repente, o time dos brasileiros Elano, Jádson, Luiz Adriano, Brandão e Fernandinho chegou a um acordo com o Livorno. Os tifosi, desapontados, enviaram diversos hate-mails ao atacante através de seu site oficial.

Cristiano é comunista declarado, o que certamente já lhe fechou portas em outros clubes, talvez até na seleção. Ele, autor de mais de cem gols com a camisa do Livorno, também marcou mais que Inzaghi, Gilardino e Iaquinta nas últimas atuações da Nazionale. Mesmo assim, não foi à Copa do Mundo da Alemanha. Sua história com a seleção carrega um problema antigo: no Mundial sub-21, Lucarelli, após marcar contra a Moldávia, levantou sua camisa e, por baixo, mostrou a face de Che Guevara. Resultado? Multa e exclusão do torneio. O bomber só retornou à seleção em 2005, chamado por Marcello Lippi.

Lucarelli tatuou o escudo do Livorno em seu braço esquerdo, enquanto sua camisa  99 simboliza homenagem aos ultras Brigate Autonome Livornesi, fundados em 1999, de postura assumidamente esquerdista. Ele, que fez parte da fundação, nasceu em Livorno e se declara torcedor da equipe desde pequeno. Jogador que sabe fazer gols como poucos, Lucarelli fará falta à Serie A, e, principalmente, a seu ex-clube, que no momento conta com as incógnitas Francesco Tavano e Diego Tristán, a lutar contra o rebaixamento.

Palpite pessoal: Some do mapa até o final da carreira e então volta para o Livorno como herói, sem mágoas por parte da torcida. Ou passa um ano de intercâmbio e retorna para um clube maior da Itália.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Totti fora, e agora?

E hoje, depois de tanto disse-me-disse, Francesco Totti finalmente despediu-se oficialmente da Seleção Italiana. Se Totti nunca mostrou na Azzurra a técnica que exibiu na Roma, nunca faltou vontade. Mesmo sem condições físicas decentes, teve papel-chave na Copa passada, ajudando a decidir pelo menos três jogos. E ainda foi fundamental no vice-campeonato da Eurocopa de 2000, quando confirmou sua titularidade no time azzurro.

Ao contrário da decisão de Zidane, que voltou a tempo para classificar a Seleção Francesa para a última Copa do Mundo, a de Totti aparenta ser definitiva. A não ser que il capitano esteja tinindo ao ao fim da temporada - o que é improvável, já que o mesmo se declarou exausto nas últimas rodadas do calcio -, deve mesmo acompanhar a Euro de casa. Entre os defeitos de Totti não está o apreço a uma boa novela, ou a necessidade de fazer média com quem comanda. E isso às vezes causa um bom constrangimento com gente como Riva e Platini.

Pergunto: fazer um grande sacrifício por uma seleção sem qualquer perspectiva como é a de Donadoni, sendo perseguido pela imprensa do norte a cada má atuação? Ou ser ídolo incondicional da torcida romanista, apoiado em qualquer decisão, e ainda descansando ao menos duas vezes por mês?

Fico com a segunda opção. E vocês?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Missão: rebaixamento

Se fosse um tradicional arcade, a primeira fase da missão de Massimo Cellino estaria concluída. Após o presidente do Cagliari tremer de medo ao ver seu clube terminar o campeonato na 16ª colocação, com as idas e vindas de Giampaolo, ele parece finalmente entregar os pontos.

Para entender o ponto de vista, basta lembrar que, de 2001 até o início dessa janela de transferências, o Cagliari contava com um dos mais respeitados tridentes de ataque do calcio. Com Langella na esquerda, Esposito pela direita e Suazo pelo centro, os isolani conseguiram o acesso para a Serie A e, mais importante, garantiram sua permanência até o ponto de sonhar com uma vaga para a Copa Uefa na temporada 2004-05. Zola foi importante? É claro. Tanto na temporada do acesso quanto na da 11ª colocação na série máxima. Mas a verdade é que o tridente Langella, Esposito e Suazo esteve presente antes da chegada e depois da saída do veterano ídolo italiano.

Langella, que ainda tinha mais um ano de contrato, foi vendido para a Atalanta. De gênio difícil, o canhoto chegou a ter oportunidades com Lippi na Azzurra. Bastante forte e veloz, Langella sempre preferiu dar os gols a Suazo a marcar os seus próprios tentos. Mas nessa temporada alternou discussões com o técnico Giampaolo com algumas lesões que o tiraram por várias vezes de campo. Esposito foi negociado com a Roma. O napolitano passou todo o segundo semestre da temporada afastado por lesão, mas mesmo assim apareceu em uma das convocações de Donadoni. Ambidestro e voluntarioso, é, por enquanto, a contratação mais impactante da Roma.

Se os dois dificilmente jogavam, o herói solitário que salvou quase que sozinho o clube da Sardenha do rebaixamento foi Suazo. O hondurenho não fez a melhor de suas temporadas, mas manteve uma média de gols alta o suficiente para evitar uma queda e para manter o interesse dos grandes italianos em seu futebol. Após longa novela em Milão, fechou com a Inter. Suazo deixa o Cagliari, aliás, como o segundo maior artilheiro da história do time, atrás apenas do lendário Gigi Riva. Forte, com ótimo posicionamento e boas finalizações, tem tudo para dar dor de cabeça a Mancini na formação do ataque interista. Assim como já dá dor de cabeça à torcida do Cagliari.

Afinal de contas, se estava ruim com eles, será pior sem eles. O clube perde de uma vez suas três maiores bandeiras, e agora parece estar fadado a depender dos gols de Matri, Acquafresca e Bruzzone. Em resumo, irá torcer para que Larrivey, revelação argentina proveniente do Huracán, consiga resolver logo em sua estréia na Europa. Caso contrário, uma das três vagas para a próxima Serie B tem dono.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Auguri!

Nesta segunda-feira, o quarto título mundial da squadra azzurra faz seu primeiro aniversário. No dia nove de julho do ano passado, Zidane abria o placar em cobrança de pênalti, Materazzi empatava de cabeça, e os dois se confirmavam na condição de protagonistas quando o francês acertou o peito do italiano. E, na disputa de penais, o único a falhar foi Trezeguet - garantindo para a Itália um título que não vinha desde 1982. Um ano depois, é hora de conferir como foi a temporada dos quadricampioni.

Entre os goleiros, Buffon foi o de temporada mais regular. Continuou a defender a Juventus, mesmo com várias propostas para deixar a Serie B, e tornou-se o pilar da instável defesa bianconera. Mesmo tendo pela frente Boumsong e Kovac em temporadas calamitosas, Gigi garantiu para a Juve bons resultados em jogos apertados. E nem a tripletta de Serafini conseguiu macular seu ano. Já a temporada mais marcante foi a de Peruzzi. Mesmo lutando contra lesões, o goleiro da Lazio esteve presente na maioria dos jogos do time, sempre com participações fundamentais. Peruzzi ainda liderou a defesa menos vazada da Serie A, que ajudou a garantir à sua Lazio uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Sempre desafiando as leis da física, um dos maiores goleiros da década se aposentou no fim da temporada, aos 37 anos. E a temporada mais quente foi a de Amelia. Em novembro, marcou de cabeça um gol nos minutos finais para empatar a partida contra o Partizan, pela fase de grupos da Copa da Uefa. Em janeiro, comprou briga com Aldo Spinelli por conta de sua renovação contratual, e acabou afastado do time titular por mais de um mês. Tecnicamente, também não foi uma grande temporada para o goleiro de Frascati, que dificilmente continuará no Livorno para a próxima.

Os quatro campeões provenientes do Palermo definitivamente não tiveram uma temporada inesquecível. Zaccardo manteve-se como titular rosanero, mas não repetiu suas boas atuações que o levaram à Copa. Passou, aliás, a ser aproveitado na função de zagueiro na maioria das partidas do Palermo, graças à boa temporada de Cassani na lateral direita. Formou dupla com o também campeão Barzagli. Este último seguiu a risca a fase do time. Foi muito bem até janeiro, mas caiu de produção, junto de todo o grupo, a partir da lesão de Amauri. Já Barone deixou o clube em agosto, rumo ao Torino. Se no Palermo encantou a Itália ao tornar-se um dos melhores medianos do país, pelo Toro foi uma completa decepção, junto de todo o time granata. Sua maior conquista da temporada foi, sem dúvidas, o casamento com a ex-Miss Itália Carla Duraturo. Outro que deixou o Palermo foi o lateral Grosso, ainda durante a Copa. Importantíssimo na Alemanha, ao marcar um gol nas semifinais e sofrer um pênalti nas oitavas, custou seis milhões de euros ao cofre da Inter, sem jamais mostrar a que veio. Mal técnica e fisicamente, atuou em apenas nove partidas completas. E acaba de ser apresentado no Lyon, sem deixar saudade.

O melhor jogador da Copa, Cannavaro, também não teve vida fácil em Chamartín. Chegou ao Real Madrid com as bênçãos de Capello, o que acabou se tornando um fator incômodo em sua relação com a torcida. Começou mal a temporada, mas terminou por cima, com o título espanhol e boas atuações no sprint madridista. Outro representante bianconero que partiu para a Espanha foi Zambrotta. Atuando pelo Barcelona, o lateral não conseguiu reeditar suas atuações na Juventus e na Seleção Italiana e já aparece ligado a especulações de um possível retorno à Itália. Camoranesi, se pudesse seguir seu próprio rumo, também teria saído. Permaneceu na Serie B contra sua vontade, alternando excelentes exibições com outras nada convincentes. Mesmo assim, tem uma proposta do clube e deve renovar até 2011. Já Del Piero fez uma temporada fantástica, terminando como capocannoniere da Serie B, com lindos lances e belos gols. Durante o campeonato, alcançou a marca dos 200 gols e das 500 presenças com a camisa da Juventus, gravando seu nome na categoria dos imortais.

Totti foi outro trequartista a brilhar. Sempre pela sua Roma, alcançou a artilharia da Serie A com seis gols de vantagem sobre Lucarelli, o segundo colocado. Fez ótimas partidas, marcou gols históricos e deu passes antológicos, guiando o time a uma improvável classificação para as quartas-de-final da Liga dos Campeões. De Rossi confirmou as condições de melhor volante italiano em atividade e de bandeira romanista, sendo o único marcador de ofício no meio de campo romanista. E Perrotta provou sua importância ao time atuando como um verdadeiro playmaker. Com ele, o time vencia e convencia, como contra Inter, Lyon e Milan. Sem ele em campo, não foram poucas as vezes em que o futebol giallorosso simplesmente não encontrava um rumo. Um bom exemplo é o desastre de Old Trafford.

Gattuso e Pirlo mantiveram a regularidade daqueles que há seis anos formam uma das melhores duplas do calcio. Várias vezes poupados na Serie A, foram fundamentais na campanha do Milan na Liga dos Campeões, que era o que realmente valia na temporada rossonera. Ressonante foi a decepção com Gilardino, que mais uma vez pôs em dúvida o investimento do clube em seu futebol. Com uma média de 0,36 gols por partida, não lembra, nem de longe, o prolífico atacante que era no Parma. Envolto em lesões, Nesta praticamente não entrou em campo pela Serie A, e chegou a ficar quatro meses afastado, a partir de dezembro. Pela CL, porém, alcançou a perfeição contra Manchester, Bayern e Liverpool. E mostrou à torcida milanista que, em forma, ainda é um dos melhores zagueiros do mundo. Já Inzaghi, rodada a rodada, dava mostras de que sua carreira já chegava ao fim. Marcou apenas dois gols em vinte jogos pelo campeonato, enquanto pela Europa decidia o título em favor do Milan. Se o físico não o ajudou nos últimos meses, a sorte se manteve apurada.

Quatro clubes tiveram apenas um representante no elenco campeão. Toni, na Fiorentina, chegou a declarar, no pós-Copa, que pretendia deixar o clube e assinar com a Inter. Mas permaneceu com a camisa viola, manteve o faro de gol e lutou pela artilharia da Serie A até uma lesão crônica no metatarso tirá-lo de combate nas rodadas finais da competição. Toni se despede da Fiorentina rumo ao Bayern com 47 gols anotados em apenas duas temporadas. Iaquinta também se envolveu em algumas novelas, sendo diversas vezes "negociado" com Milan e Roma. Assim como Toni, porém, continuou na Udinese, mantendo uma boa média de gols antes de ser negociado com a Juventus. Oddo começou a temporada como capitão da Lazio, mas a terminou como titular do Milan na final contra o Liverpool. Teve um ótimo primeiro turno com a equipe celeste e atuou muito bem nas partidas decisivas da CL. E fechou esta como sua melhor temporada desde que saiu do Verona.

Materazzi merece um parágrafo à parte. Principal figura do título mundial, atingiu seu auge neste ano, aos 33 anos. Titular da Inter e da Seleção, marcou gols de cabeça, de bicicleta, de pênalti, de falta. Com direito a cinco gols nas últimas cinco partidas da Inter pela Serie A. Se sozinho não foi capaz de fazer a Inter passar pelo Valencia na Liga dos Campeões, ao menos teve atuações seguras em todas as partidas disputadas. Enfim, nos surpreende cada vez mais, se firmando na condição de neo-estrela.

sábado, 7 de julho de 2007

Calciomercato, episódio II

Graças ao sucesso do episódio piloto, a nossa série quinzenal ganha hoje mais um capítulo. E a bomba nessas duas últimas semanas foi não haver bomba alguma. O que se viu foi nos noticiários carcamanos foi o ressurgimento das intermináveis, cansativas e nada prolíficas novelas do verão italiano. Quem acompanha o desenrolar do mercado nos sítios locais certamente não suporta mais ler algumas expressões-chave do noticiário marrom, como verso, su, nel mirino e già è. Anota aí: Kaká já é do Real. Cicinho fechou com a Roma. Shevchenko voltou pro Milan. Beppe Rossi escolheu a Fiorentina. Pato é da Inter. E a Juventus irá recepcionar Lampard nos próximos dias.

Enfim, seguimos para nossa premiação. Que retornará no próximo dia 21.

Troféu "Ibrahimović na Inter" de não adianta negar
Esposito na Roma. Em ambos os casos os clubes chegaram a emitir comunicados em seus sítios oficiais negando as contratações. Quando os nerazzurri fizeram isso, gastaram quinze dias para fechar com Ibra. Já os giallorossi levaram apenas sete dias para contratar Esposito, após negar com veemência qualquer negociação. Ótima contratação romanista, de um jogador ambidestro, técnico, versátil e bem menos temperamental que boa parte dos titulares do time.

Troféu "De Ascentis no Torino" de tentativa de ressuscitar mortos
Scaloni na Lazio. Passou a jogar em nível de seleção liechsteiniana em suas últimas temporadas no La Coruña, além de alcançar passagens realmente frustrantes em West Ham e Racing Santander. Mas pelo jeito Lotito não se preocupou com o passado recente do argentino - além de poder disputar a Liga dos Campeões, Scaloni fechou um contrato de cinco anos com a Lazio. Certas pessoas nascem iluminadas, fazer o quê?

Troféu "Mido na Roma" de entrando numa fria maior ainda
Giacomazzi no Empoli. O atacante egípcio chegou na Roma para substituir o ídolo Delvecchio, e para isso teve de jogar fora de posição. Giacomazzi encontrará no Empoli um desafio parecido. Com a saída de Almirón em favor da Juventus, o uruguaio, nas palavras do técnico Luigi Cagni, vem para substituir o argentino. Mas, para efeito comparativo, Giacomazzi era para o Lecce o que Vannucchi é para o Empoli. Alguém citou uma possível inadaptação?

Troféu "Júnior no Siena" de brasileiro que muda mal de clube
Reginaldo no Parma. O atacante teve uma boa temporada de estréia na Fiorentina, ao ponto de ser especulado como titular na equipe durante a próxima temporada. E motivos não faltavam, já que Prandelli não dá mostras de querer alterar o plano de jogo viola, mesmo com a saída de Toni e as propostas que insistem em aparecer por Mutu. Porém Reginaldo surpreendeu e partiu para um incandescente Parma. Por mais que o time possa engrenar na gestão de Ghirardi, não deixa de ser uma transferência no mínimo discutível. Até porque a Fiorentina já larga como uma das favoritas para uma vaga na Liga dos Campeões, enquanto o Parma terá de se virar como pode para livrar-se da Serie B.

Troféu "Simonetta na Arezzo" de promessa de CM que não deu certo
Toledo no Ravenna. Pois bem, após seis anos o clube emiliano volta à Serie B, e o presidente Gianni Fabbri resolveu apostar em quem decide de verdade... pelo menos no Championship Manager. Sim, este Toledo é aquele mesmo ponta-direita que fez história no Catanzaro nas versões mais antigas do jogo. Após vagar sem rumo na Itália, o paulista reencontrou seu futebol no Taranto, da Serie C1, quando foi um dos melhores jogadores do campeonato. Além disso, esteve presente na primeira fase da Coppa, quando o Taranto eliminou o Catania, da Serie A. Frosinone, Cesena e Perugia disputavam o jogador, mas a Udinese, dona de seus direitos federativos, preferiu o repassar para o Ravenna. Tá certo, ele chega com panca. Mas pra quem jogava na seleção brasileira nos managers da vida, ser contratado por um clube recém-promovido para a Serie B não é lá grande coisa.

Troféu "D'Agostino na Udinese" de promessa de CM que deu certo
Meghni na Lazio. Como você nunca ouvia falar dele fora de seu manager, achava que o francês do Bologna nunca ia vingar, certo? Pois é, junte-se a mim. Após um bom começo no Bologna, incluindo participação fundamental no título giovanissimi, sub-17, o sucesso subiu à cabeça de Meghni e tudo indicava que sua promissora carreira não iria decolar. Mas a partir de 2003 Carlo Mazzone alterou o destino do jogador, trabalhando psicologicamente Meghni, com extremo cuidado. Após uma passagem discreta pelo Sochaux, da Ligue 1, o jovem voltou para o clube rossoblù para ser o destaque do Bologna na temporada. E agora, é a mais nova contratação da Lazio.

Troféu "Gnocchi no Parma" de contratação de cineasta
Dhorasoo no Livorno. Dhorasoo é aquele mesmo. Aquele que negou bola no Milan. Que estava sem clube desde outubro, após criticar Guy Lacombe para o L'Equipe e ser dispensado. E, acima de tudo, que lançou recentemente na França um documentário que contava os bastidores dos Bleus na última Copa do Mundo. Normal, se não fosse pelo fato de que nem a Federação nem Domenech autorizaram qualquer divulgação das imagens feitas no local. Se, pela França, ajudou a desmontar um quadrado mágico, agora ajudará a compor o quadrado do Livorno. Dhorasoo se unirá a Fiore, Tavano e Lucarelli no setor ofensivo amaranto. E todos são titulares, até que Fernando Orsi tenha coragem de sacar alguém. Em resumo, até que alguém se lesione.

Troféu "Carini na Inter" de venho para a eterna reserva
Eleftheropoulos no Siena. Depois de se destacar no Olympiacos, sempre campeão grego, partiu para um novo desafio. Em 2003, seguiu para o Messina, onde foi reserva de Storari. Pelo pouco que atuou, chamou a atenção do Milan, que o contratou para ser opção à Dida. Não durou nem um mês em Milanello. Repassado à Roma, não desbancou nem Doni nem Curci. E no Ascoli só atuou depois que Pagliuca saiu. E agora fecha com o Siena. Bem, o destaque bianconero da temporada foi Manninger. Dá pra prever alguma coisa?

Troféu sem nem comparações de não sei onde jogo
Cozza na Reggina. Juro que tentei fazer alguma comparação, mas foi impossível. Peço até que me corrijam se errado, mas o talentoso Cozza é o jogador que mais trocou um clube por outro que me lembro. Em 1999, Ciccio fechou com a Reggina, e, em janeiro de 2005, com o Siena. Até aí tudo bem. Mas o Siena o emprestou em julho do mesmo ano para a Reggina, e, após um ano, decidiu aproveitá-lo. Mais uma temporada se passa, e Cozza resolve deixar o Siena em favor da Reggina, claro. Depois dizem que não é possível ter mais de um amor.

Troféu "pessoal do Iraty no Santos" de barca de um clube no outro
Tombesi, Fabiano, Pascali e Wilson no Parma. Todos esses vêm da Carpenedolo, clube que ficou em sexto lugar em sua chave da Serie C2. E qual o diferencial de cada um deles? O fato de Tommaso Ghirardi ser o presidente das duas sociedades não deve ser apenas uma coincidência.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Novela da terra do Drácula

Sou um exímio admirador das qualidades do defensor Cristian Chivu, tanto é que já grafei seu nome e número em uma camisa do Ajax de 2002, comprada ainda na infância. Ele tem tudo para se destacar em meio a zagueiros botinudos e grossos. Dono de uma técnica refinada, sabe sair jogando com perfeição, joga de cabeça erguida, pode atuar na lateral e até fazer um bico de volante. Poderia tranquilamente ser um meio-campista.

Ele chegou à capital italiana para disputar a temporada 2003/04, após uma boa passagem pelo Ajax de Van der Vaart e Ibrahimovic, clube que defendia desde 1999. O romeno foi transferido por uma verba de 18 milhões de euros, um preço considerável - Chivu era visto como zagueiro com enorme potencial e se destacava pela versatilidade. O então camisa 4 acabara no time certo: a Roma esbanjava potencial com Antonio Cassano no seu ápice, e a equipe chegaria ao vice-campeonato italiano, atrás do Milan de Shevchenko.

O tempo passou e Chivu atravessou algumas turbulências, assim como conquistou torcedores e fãs - formou uma dupla de zaga fantástica com o francês Philippe Mexès. Entretanto, assim como a consagração, vieram também outras ofertas, faraonicamente mais tentadoras que a da Roma, que, não por opção e sim por necessidade, se limita a pagar 2,5 milhões de euros por ano. Isso virou uma novela que, após mais de um mês, ainda não se encerrou.

O jogador já descartou a Roma para renovação (nota - em seu site oficial há uma enquete perguntando para que clube o internauta gostaria que Chivu se transferisse, com três opções disponíveis - a Inter, o Real Madrid e o Barcelona, que lidera.). Ofertas de dinheiro e outras moedas de troca (como Giuly, Motta e Sylvinho) surgiram por parte do Barcelona. Todas rejeitadas pela Roma.

O defensor chegara a um acordo salarial com a Internazionale, porém o mesmo não ocorreu entre os clubes pelo fato do time de Totti querer mais, o que acarretou na aceitação da oferta Madrileña e madridista, que oferecera 18 milhões de euros, o mesmo preço pago pelo jogador. Tudo encaminhado e certo? Não, neste mais recente capítulo, Chivu rejeitou os blancos alegando que só aceitará caso os mesmos cubram a oferta da Inter - O jogador declarou hoje que caso contrário ficará na Itália - seja para defender a Roma por mais um tempo ou para rumar a Milão.

E por que a Roma quer vendê-lo?
Seu contrato expira em 2008 - como o jogador rejeitou a renovação proposta pela Roma, ou ele é vendido agora por um preço digno, ou sai por alguma quantia ínfima no meio da temporada, ou, pior ainda, de graça no final da temporada. O clube da capital já se reforçou com o brasileiro Juan, vindo do Bayer Leverkusen por seis milhões de euros, um terço do preço do romeno. Os próximos capítulos ainda estão meio embaçados, havendo a possibilidade de Massimo Moratti ter combinado com Cristian a rejeição do contrato proposto pelo Real, fazendo com que a Roma seja forçada a aceitar a proposta da Inter, anteriormente rejeitada.

Chivu, vindo da terra do Drácula (este era da Valáquia, província histórica da Romênia), com certeza deu uma mordida na Roma.

domingo, 1 de julho de 2007

Doni ou Coni?

Uns acham que seleção é momento, outros, uma soma de qualidade e história. E quanto a Doni?

Em alguma data de 2001, o Corinthians, precisando de um substituto para o goleiro Dida, reforçou-se com uma revelação. O desconhecido Doniéber, vindo do Botafogo de Ribeirão Preto, teria uma missão espinhosa pela frente: fechar o gol de um time já acostumado com glórias. A pressão, portanto, não poderia ser maior. Depois de um início muito conturbado, oscilando entre elogios de Leão - grande enaltecedor das qualidades do arqueiro -, e o clima de ódio com a torcida, Doni se firmou. Ao ajudar o clube na conquista do Paulista de 2003, conseguiu acalmar seus opositores e e pensar em voos maiores. Ele, animado, já pensava em seleção.

No início de 2004, Émerson Leão, ainda treinador do Santos, conseguiu que o time da Vila propusesse um contrato a Doni, que logo aceitou. O goleiro chegou assim como saiu: vaiado. Doni nunca teve clima para jogar lá. Precisaria de ritmo e confiança, o que não foi possível diante da fortíssima implicância da torcida. Depois de pouco tempo ele já se despedia do Santos, rumando a Belo Horizonte para defender o Cruzeiro. Defendeu o clube até 2005, quando, após tomar 26 gols em seis jogos, transferiu-se para o Juventude de Caxias.

O declínio de sua carreira já era nítido. No mesmo ano, Antônio Carlos Zago, ídolo da Roma, ingressaria no Juventude com sua experiência e, após algum tempo, faria um contato pra lá de surpreendente: recomendou o goleiro à diretoria romanista, que lhe ofereceu um contrato no último dia do mercado de verão de 2005. Ninguém acreditou. Uma nova vida, uma nova oportunidade: Doni segurou por um tempo a reserva do inexperiente Curci, até ter sua chance justamente no explosivo dérbi capitolino, para daí então não sair mais.

Chegou a Copa América, e, com ela, o nome de Doni na lista da Dunga. Embora tenha causado espanto àqueles que só lembram da infelicidade do arqueiro no Brasil, quem o viu em Roma sabe que sua convocação foi um prêmio merecido.