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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O sorteio

Na próxima vez que participar de um sorteio, com certeza usarei a camisa do Milan - é impressionante a sorte que a equipe de Carlo Ancelotti tem com estes. Desta vez os rossoneri entraram no grupo de Benfica, Celtic (adversário das oitavas de final da CL passada) e Shakhtar Donetsk, formando o grupo D. Como de costume, os milanistas devem derrapar em algum jogo, causando expectativa negativa para muitos opositores, porém acabará passando sem dificuldades. Previsão: briga pelo título.

Já a Internazionale, no grupo G, se encontrou com o campeão holandês PSV, o campeão russo CSKA e o campeão turco Fenerbahçe. O que não significa muito, perto da campeã italiana. A não ser que haja uma grande catástrofe, a squadra de Roberto Mancini passará na primeira colocação sem enormes esforços. Previsão: briga pelo título.

A Roma, por sua vez, não pode bobear tanto e terá uma missão um pouco mais complicada. Até por ter um time relativamente mais fraco que Milan e Inter, tornando seu grupo mais difícil. Suas companhias? Manchester United e uma possível e esperadíssima vingança; Sporting, comandado pelo excelente João Moutinho; e o Dynamo Kiev, possível azarão. Previsão: pode chegar muito longe.

Já a Lazio não tem muito o que comemorar. Após eliminar o Dinamo Bucaresti, o time biancoceleste terá de enfrentar um grupo com Real Madrid, Werder Bremen e Olympiacos. A squadra de Delio Rossi deve brigar pela segunda colocação, porém este pode ser o grupo mais imprevisível, visto que, por mais que pareça, o Olympiacos não é galinha morta e o Real, imbatível - muito menos o Werder Bremen. Previsão: Acho que não é dessa vez, hein...

Confira como ficaram divididas as equipes na fase de grupos da Liga dos Campeões:

Grupo A: Liverpool, Porto, Olympique Marseille e Besiktas.
Grupo B: Chelsea, Valencia, Schalke 04 e Rosenborg.
Grupo C: Real Madrid, Werder Bremen, Lazio e Olympiacos.
Grupo D: Milan, Benfica, Celtic e Shakhtar Donetsk.
Grupo E: Barcelona, Lyon, Stuttgart e Rangers.
Grupo F: Manchester United, Roma, Sporting e Dynamo Kiev.
Grupo G: Internazionale, PSV, CSKA e Fenerbahçe.
Grupo H: Arsenal, Sevilla/AEK, Steaua Bucaresti e Slavia Praga.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Em nome de Rossi


"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo um milagre." Esta é uma das frases mais intrigantes de Albert Einstein, e cabe bem à forma com que a imprensa italiana fez o pré-jogo entre Dinamo Bucuresti e Lazio, no encontro da última fase preliminar da Liga dos Campeões. Enquanto vários comentaristas (este que vos escreve, inclusive) preferiam acreditar que não haveria milagre para colocar a Lazio na fase de grupos do torneio continental, a torcida biancoceleste resolveu apostar no improvável. E acabou vencendo.

A Lazio entrou em campo sem vários titulares, por problemas de contusão e de suspensão. Entre os que foram a campo, Stendardo teve de deixar o gramado ainda no primeiro tempo devido à deficiência de suas condições e Cribari jogou com proteção no nariz, devido a uma intervenção cirúrgica recente. Ainda por cima, durante a semana que antecedeu o jogo, chegou-se a cogitar a expulsão do clube da competição devido às manifestações racistas dos ultrà. Ao fim do primeiro tempo, o meio de campo apresentava muita dificuldade em fazer a transição para o ataque e os defensores estavam completamente vendidos nos contrastes com os velozes atacantes do Dinamo. E os nervos à flor da pele em todos os setores. Os romenos souberam anular os principais escapes laziali, e jogadores como Del Nero e Zauri não conseguiram dominar a bola com liberada em algum momento.

É nesse momento em que o bom técnico age. Mesmo sem qualquer alteração durante o intervalo, o time da Lazio retornou com outra postura. Sem nervosismo, mas com a cabeça em pé, pronto para lutar até o fim pela classificação. Dizem que um milagre só ocorre quando você o busca. E Năstase tratou de interver pelo bem dos italianos, cometendo um pênalti bobo em Rocchi logo no primeiro minuto da ripresa. A situação então se inverteu: o time da Lazio passou a ter posse de bola, inverter jogadas e tentar mais verticalizações. Por outro lado, o Dinamo não conseguia chegar mais nem nos contra-ataques puxados por Bratu. Em questão de tempo, a Lazio liquidou a partida com mais dois gols em noite inspirada da dupla Rocchi-Pandev e só passou a administrar.

Vale lembrar que as investigações sobre as movimentações racistas dentro do Stadio Olimpico ainda não foram encerradas. É verdade que tudo aponta para uma punição apenas financeira, mas uma reincidência pode ser fatal. No campo esportivo, a Lazio larga atrás de seus concorrentes. Seu elenco é reduzido e os titulares não possuem substitutos à altura. E vários jogadores importantes iniciam a temporada no departamento médico, o que invariavelmente prejudicará seus rendimentos a médio e longo prazo. Os três grandes reforços prometidos por Claudio Lotito serão fundamentais caso a Lazio busque não só chegar às oitavas-de-final da Liga dos Campeões, mas também tentar a classificação para a próxima temporada. Entre as opções mais prováveis, Kompany, Adriano, Stovini e Muslera.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Bentornato, calcio - parte III

Palermo 0-2 Roma
Além dos jogos abaixo, alguns outros agitaram a primeira rodada do torneio. Destaque para a Roma, que atropelou o Palermo em pleno Renzo Barbera após um primeiro tempo sensacional. O time rosanero chegou a incomodar no segundo tempo, mas a defesa liderada por Mexès e Doni se sobressaiu às inúmeras tentativas do time do estreante Colantuono. O novo técnico do Palermo, proveniente da Atalanta, esteve longe de fazer sua melhor jornada: entre seus erros, destaque para a escalação de Tedesco pela faixa esquerda do meio de campo. Suas alternativas do segundo tempo melhoraram o time, mas não o suficiente para fazer os giallorossi cair para uma onda de ataques desordenados. Entre os gols do jogo, destaque para o tirambaço de Aquilani, que fechou o placar a favor da Roma.

Fiorentina 3-1 Empoli
Em Florença, a Fiorentina também passeou sobre um Empoli perdido, no clássico da Toscana. Giacomazzi sucumbiu à pressão de substituir o argentino Almirón, enquanto Pazzini iniciou muito bem sua caminhada como o tão procurado dopo-Toni. Se a defesa baseada em uma marcação ininterrupta no meio de campo era o ponto-chave do Empoli da última temporada, Cagni já pode iniciar seus trabalhos em busca de uma maior compactação no meio - e o retorno do lesionado Moro pode ser um bom começo. No jogo, destaque para Mutu, lutador viola do começo ao fim. E não há como não falar de mais um golaço de outro jovem italiano: o gol da rodada é o de Montolivo, que usou muita técnica para encobrir Balli. Destaque também para a assistência de Vannucchi no fim do jogo, para Saudati. Mas o jogo já estava perdido.

Reggina 1-1 Atalanta
Um jogo que, apesar das várias oportunidades para ambos os lados, parecia destinado a não sair do zero. O sol a pino na Calábria certamente atrapalhou o nível da partida: apesar de várias chances para cada lado, más finalizações e assistências mal trabalhadas acabaram consumindo a paciência das duas partidas já na primeira rodada. Se a missão era lutar contra o rebaixamento, o jogo deste domingo serviu para acentuar esta preocupação. Destaque para o gol inacreditável que o estreante Joélson perdeu após um belo passe de Amoruso. O veterano atacante chegou a abrir o placar no fim do jogo, mas um pênalti muito mal marcado acabou dando o empate à Atalanta.

Siena 1-2 Sampdoria
A Sampdoria é outro time que tem convencido no início deste campeonato, e a bela atuação diante do Siena se junta aos bons resultados da pré-temporada e à vitória fora de casa contra o Hajduk, pelas eliminatórias da Copa da Uefa. A vitória no Artemio Franchi é um bom sinal que aponta o que o time deve conseguir até o fim da temporada, e repetir a classificação à Uefa passa realmente a ser meta muito atingível. A Samp entrou em campo com cinco desfalques, Cassano e Pieri inclusos na lista. O estreante Mazzarri adotou uma estratégia arriscada fora de casa, que deu certo graças à tarde brilhante do atacante Bellucci e ao poder de decisão do aeroplanino Montella, de volta ao time blucerchiato com um golaço. Além do resultado, a torcida da Samp pode se entusiasmar pelo futebol envolvente. E a do Siena pode esperar que o trio Frick-Maccarone-Chiesa faça o que dele é esperado: gols.

Confira a seleção Quattro Tratti da primeira rodada:
Doni (Roma), Oddo (Milan), Mexès (Roma), Criscito (Juventus), Modesto (Reggina); Aquilani (Roma), Montolivo (Fiorentina), Nedved (Juventus); Kaká (Milan); Bellucci (Sampdoria) e Trezeguet (Juventus).

Bentornato, calcio - parte II


Internazionale 1-1 Udinese
"Crônica de uma morte anunciada" - apesar do time milanês ter jogado em casa, muito longe do que é capaz, diga-se de passagem, era previsível o empate da Udinese. Pode soar oportunismo, porém desde a expulsão do goleiro Júlio César o limitado time de Quagliarella não deu sossego, pressionando sempre, mesmo sem muita qualidade. Até que, muito perto do fim, uma bola alçada na área castiga os nerazzurri e Córdoba tem o azar de marcar contra, definindo o jogo com um gosto amarguíssimo para a squadra de Roberto Mancini. Já na temporada passada os bianconeri foram uma pedra no sapato interista, visto que o então time do atrapalhado Iaquinta interrompeu a seqüência de vitórias da Inter.

Genoa 0-3 Milan
Ambrosini consegue, mesmo tendo uma qualidade altamente questionável, firmar-se cada vez mais no time do Milan. E foi de cabeça que o preferido de Ancelotti abriu o placar para, em seguida, ver Kaká marcar duas vezes e seguir com sua fase explêndida. Os rossoneri podem (e devem) aguardar ansiosamente pelo retorno de Ronaldo, jogador que já provou que, em forma e disposto, é fora de série. Enquanto isso, Gilardino continua NÃO repetindo suas atuações excelentes pelo Parma. Talvez a equipe milanesa tenha sido um pouco favorecida pela arbitragem contra o Genoa, mas é injustiça dizer que os milanistas conquistaram três por isso. Destino do Genoa? Difícil, brigará para não retornar de onde acabou de chegar, mas depende da condição de certos jogadores meio incógnitas como Fabiano Rodrigues, Gasparetto, Di Vaio, León e Bovo.

Parma 2-2 Catania
(Silvio Baldini x Domenico Di Carlo)
Primeiramente, vamos ao jogo: dramático e acirrado até o fim, as equipes realizaram um duelo épico e emocionante no estádio Ennio Tardini. Logo aos 12 minutos, Morimoto abriu o placar para o Catania e, 16 minutos depois, foi a vez do Parma chegar às redes com Pisanu. O empate parecia bom para ambas as equipes até que, aos 43 minutos, o defensor Rossi virou para a equipe de Domenico Di Carlo. Jogo definido? Longe disso, no minuto seguinte a squadra comandada pelo chutador Silvio Baldini chegou ao empate com Baiocco, selando o resultado.

O lado mais cômico e que chamou atenção foi o de Baldini, que chutou a zona glútea de seu colega Domenico di Carlo após uma acalorada discussão com o árbitro da partida. O técnico do Catania acabou suspenso até 30 de setembro e terá de pagar uma multa de €15 mil. Aqui, o vídeo do lance:

Bentornato, calcio

Após o que pareceu uma eternidade, começa mais uma temporada da Serie A italiana, a qual está longe de ser previsível. Pode ser muito cedo para termos um julgamento concreto sobre os times e suas reais capacidades no torneio, porém alguns panoramas e expectativas já podem ser apontados.

Lazio 2-2 Torino
No jogo da estréia ficou bem perceptível que o ataque da Lazio continua bastante perigoso, graças a Rocchi e Pandev, dois jogadores muito conscientes. Podem não ser fenomenais, mas o bom entrosamento entre os dois foi comprovado no segundo gol laziale, quando Rocchi mostrou não ter esquecido como definir uma jogada com bola no pé. É complicado apostar numa colocação tão boa quanto a da temporada passada também nesse campeonato, mas a Lazio não pode ser menosprezada de forma alguma. Pelo lado granata, Rosina está num patamar bem elevado em relação aos demais, com um potencial enorme de evolução sendo comprovado a cada dia. O Torino, ao contrário da campanha do ano passado, não deve lutar contra o rebaixamento. A sociedade de Turim reforçou-se bem, com algumas interessantes contratações: o experiente Corini, o australiano Grella e o ex-artilheiro do Ascoli (não que isso seja lá muito mérito), Bjelanovic.

Juventus 5-1 Livorno
A volta da Juventus, à primeira vista, pode parecer fulminante, principalmente se observado apenas o placar final. Entretanto, quem acompanhou o jogo suportou até a metade do segundo tempo um jogo pouco empolgante, com a Juventus melhor tecnicamente, mas longe de ser um primor do futebol. Trezeguet mostrou mais uma vez seu lado oportunista, e Iaquinta na sua estréia mostrou que "atrai" gols, comemorando de uma forma bem descontraída "seu" segundo gol, em que um chute de Nedved desviou em suas nádegas e tirou completamente o goleiro da jogada. O time do Livorno começou mal o campeonato, com a saída do eficaz e ídolo Lucarelli, é de se esperar que o time enfrente uma temporada conturbada. Resta em Tavano a esperança de gols amaranto, se ele recuperar o desempenho que tinha no Empoli pode vir a se firmar de vez como um bomber do calcio.

Napoli 0-2 Cagliari
O Napoli por sua vez voltou para a Serie A desapontando sua fervorosa torcida, que esperava dos partenopei um bom desempenho e a vitória dentro de casa. O Napoli até criou boas chances, mas não conseguiu finalizar com precisão, terminando o jogo sem nenhum gol contra um time que não é dos mais fortes no campeonato italiano. Como o ataque do Cagliari vai se comportar nessa temporada uma vez que sua maior revelação e esperança foi pra Inter, continua uma incógnita, porém o meio de campo rossoblù promete um bom desempenho. Foggia, Parola e Fini garantem um bom entrosamento entre si, todos faziam parte daquele histórico Ascoli de 04/05 também comandado por Giampaolo. Este conta agora com Daniele Conti, filho do lendário Bruno Conti, para fechar sua linha de meio-campo junto aos três "ex-Ascoli". Esse interessante meio campo aliado à vinda do centroavente Acquafresca, que pode repetir esse ano seu ótimo desempenho na Serie B da temporada passadam, pode render ao Cagliari bons resultados.

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Antonio José Puerta Pérez
26 de novembro de 1984 - 28 de agosto de 2007.


Chaswe Nsofwa
22 de outubro de 1978 – 29 de agosto de 2007

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Serie A 2007-08

Complicado dizer o que esperar de um campeonato que promete ser o mais equilibrado dos últimos anos. E ainda mais complexo analisá-lo equipe por equipe. Um mercado razoavelmente movimentado, mas não com transações milionárias - a tônica do calcio pré-calciopoli. Desta vez, as equipes buscaram o reforço certo para o lugar certo, muitas vezes fazendo apostas interessantes. Perdas para mercados do exterior também ocorreram, mas nada que manche o campeonato.

Deixamos o lançamento do nosso guia para a véspera do início do campeonato, para tentarmos analisar de forma mais factível as capacidades de cada clube. Bom proveito!

por Braitner Moreira, Guilherme Daroit e Mateus Ribeirete

ATALANTA
Cidade: Bérgamo
Região: Lombardia
Estádio: Atleti Azzurri d'Italia, 24.642 lugares
Temporada passada: 8ª colocação
O técnico: Luigi Del Neri
A estrela: Cristiano Doni, meia
A esperança: Tiberio Guarente, meia A dúvida: Antonio Langella, meia
O time base: Coppola, Rivalta, Talamonti, Carrozzieri, Bellini; Ferreira Pinto, De Ascentis, Tissone, Langella; Doni; Zampagna.

Difícil esperar da Atalanta algo que não a fuga do rebaixamento nesta temporada. A rainha dos provinciais perdeu três de seus titulares, além de Colantuono, técnico engenheiro da última boa campanha. Cristiano Doni vai para sua sexta temporada pelo clube bergamasco, se somadas suas duas passagens. Mas isso não dá qualquer tranqüilidade para a torcida, já que as relações do jogador com a diretoria ainda estão estremecidas.

Ruggeri, presidente da Atalanta, ainda busca no mercado pelo menos mais dois nomes. O volante português Costinha é o favorito, e Franceschini deve fechar até o fim da semana. Luigi Del Neri foi o escolhido para comandar o jovem elenco e tentar aproveitar no time principal alguns jogadores em ascensão, como Guarente, Cappelli e Marconi. O antigo allenatore do Chievo assinou um contrato de apenas um ano, continuando sua trajetória descendente. Ele deve postar a Atalanta em um 4-4-1-1, e outra opção seria manter o 4-4-2 que fez sucesso no Chievo do início da década, avançando o polêmico Langella. Para isso, Del Neri terá de contar com uma enorme boa vontade de Doni. Afinal, o jogador teria de se sacrificar bastante para cobrir o setor esquerdo em uma linha de quatro no meio-campo. [BM]

CAGLIARI
Cidade: Cagliari
Região: Sardenha
Estádio: Sant'Elia, 23.486 lugares
Temporada passada: 16ª colocação
O técnico: Marco Giampaolo
A estrela: Daniele Conti, meia
A esperança: Joaquin Larrivey, atacante
A dúvida: Pasquale Foggia, meia O time base: Fortin, Ferri, Canini, Bianco, Del Grosso; Foggia, Parola, Conti, Fini; Acquafresca, Larrivey.

Será Giampaolo o nome a ser beatificado na Sardenha, caso o Cagliari consiga a salvezza. O técnico montou o Ascoli sensação em 2005-06 e voltará a comandar um meio de campo com Foggia e Fini pelas laterais, além de Parola centralizado. No lugar de Guana, que comandava as ações defensivas do Ascoli, ele contará com Daniele Conti, oitava temporada no Cagliari, primeira como capitão. O filho de Bruno Conti tem se especializado em cobranças de falta nos últimos anos, e deve ser uma das principais armas do Cagliari, também no setor ofensivo.

E este meio será fundamental. Canini e Del Grosso se destacam em uma defesa instável. E o ataque, sem o trio Langella-Suazo-Esposito, causa arrepios. Para seus lugares, vieram três jovens promessas, de Rimini, Huracán e Treviso. Se algum dos três vingar, o clube pode esperar fugir do rebaixamento com relativa facilidade. O problema é que a mensagem do presidente Cellino para a torcida é bem clara: o elenco está fechado, já que o dinheiro deverá ser investido na reformulação do Sant'Elia, um custo estimado de €25 milhões. E cabe a pergunta: vale mais um estádio de ponta ou a permanência na Serie A? [BM]

CATANIA
Cidade: Catania
Região: Sicília
Estádio: Angelo Massimino, 20.806 lugares
Temporada passada: 13ª colocação
O técnico: Silvio Baldini
A estrela: Gionatha Spinesi, atacante
A esperança: Ezequiel Llama, meia
A dúvida: Davide Baiocco, meia
O time base: Bizzarri, Silvestri, Terlizzi, Stovini, Vargas; Edusei, Baiocco, Tedesco, Llama; Mascara, Spinesi.

Quem apostou no Catania após o ótimo primeiro turno do ano passado se decepcionou muito. Os etnei chegaram a figurar na zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas o rendimento do time tornou-se trágico após a morte do policial Filippo Ratici no derby da Sicília e a conseqüente interdição do Angelo Massimino. De estádio reaberto e novas boas opções no plantel (a única perda sensível foi a do atacante Corona), o Catania começa razoavelmente bem sua trajetória pela salvezza.

Baldini substitui Marino no comando do time, o que pode ser benéfico numa luta contra o rebaixamento, já que é perigosa a predileção do segundo por escalar uma equipe altamente ofensiva em clubes modestos. O novo treinador do Catania deve pôr em campo um 4-4-2 como o que usava nos tempos de Palermo. O simpático Baldini é conhecido pela forma com que trabalha os jovens por onde passa, mas essa característica deve passar despercebida. Com poucas exceções, o elenco do Catania é bastante experiente e suas peças já tem um bom entrosamento entre si. Mesmo assim, parece ser pouco para a difícil temporada que se segue. [BM]

EMPOLI
Cidade: Empoli
Região: Toscana
Estádio: Carlo Castellani, 19.847 lugares
Temporada passada: 7ª colocação
O técnico: Luigi Cagni
A estrela: Ighli Vannucchi, meia
A esperança: Claudio Marchisio, meia
A dúvida: Guillermo Giacomazzi, meia
O time base: Balli, Raggi, Vanigli, Marzoratti, Tosto; Moro, Marchisio; Buscè, Giacomazzi, Vannucchi; Saudati.

Administrar a Copa Uefa com a Serie A: será esse o desafio do Empoli de Luigi Cagni a partir desse fim de semana. Tem se tornado constante a derrocada de clubes modestos quando estes tentam conciliar a conquista da Europa com sua afirmação no cenário nacional. Caso interessante ocorreu com o Livorno, na última temporada. Enquanto o presidente Spinelli pedia para o time ser logo eliminado na Copa Uefa para poder concentrar suas forças na liga, um colérico Amelia reclamava da posição do polêmico dirigente. Afinal, o time não almeja, durante toda a temporada, uma vaga em competição européia? Questão difícil de resolver.

Mesmo após perder Lucchini, seu capitão, e Almirón, seu principal jogador, as perspectivas do clube azzurro ainda são boas. A defesa tem ótimas peças para rápidas reposições, o que é fundamental para o jogo baseado nos contra-ataques, chave do esquema de Cagni. O meio de campo também possui qualidade, porém Giacomazzi é uma grande incógnita. O jogador, segundo as coletivas do técnico, chega para substituir Almirón, mas as características do uruguaio são bem diferentes. Por outro lado, Moro e Buscè tiveram participações fundamentais na última campanha, enquanto o habilidoso Vannucchi é simplesmente o brasiliano d'Italia. Boa oportunidade para os jovens emprestados por Juventus (Marchisio, Giovinco, Piccolo) e Milan (Pozzi, Antonini, Abate) ganharem experiência em alto nível. [BM]

FIORENTINA
Cidade: Florença
Região: Toscana
Estádio: Artemio Franchi di Firenze, 47.282 lugares
Temporada passada: 6ª colocação
O técnico: Cesare Prandelli
A estrela: Adrian Mutu, atacante
A esperança: Zdravko Kuzmanovic, meia
A dúvida: Christian Vieri, atacante
O time base: Frey, Ujfalusi, Dainelli, Gamberini, Pasqual; Donadel, Montolivo, Jorgensen; Mutu, Pazzini, Semioli.

"Basta de Toni. Agora eu sou o titular." São estas palavras de Pazzini que, tecnicamente, marcam o início da temporada viola. Muito porque mostra a mudança de personalidade do jovem toscano nos últimos meses. Quando Toni se lesionou, temporada passada, Prandelli declarou que Pazzini não estava completamente pronto para substituí-lo justamente por que faltava confiança. E sua participação será fundamental na meta do clube: chegar pela primeira vez à Liga dos Campeões. A Fiorentina tem uma das melhores linhas de defesa do calcio. Frey foi o melhor goleiro do último campeonato, e Gamberini também se destacou. As freqüentes subidas de Pasqual são equilibradas por Ujfalusi, que dificilmente avança.

O meio de campo é bastante diversificado. De cães de caça, como Donadel a jogadores altamente técnicos, como Montolivo. O ataque liderado pelo romeno Mutu, de volta à boa fase, também tem potencial para causar estragos. Para trazer a famigerada profundidade ao plantel, chegaram inúmeras promessas, como Vanden Borre, Osvaldo, Lupoli e Hable. Além do eterno Vieri, que chegou com as bênçãos dos irmãos Della Valle e foi vaiado em sua apresentação. Transformar um ótimo plantel em uma máquina de bons resultados será o trabalho de Prandelli. Mas dessa vez, graças à pressão de torcida e imprensa, em curto prazo. [BM]

GENOA
Cidade: Gênova
Região: Ligúria
Estádio: Luigi Ferraris, 36.603 lugares
Temporada passada: 3ª colocação na Serie B
O técnico: Gian Piero Gasperini
A estrela: Marco Rossi, meia
A esperança: Papa Waigo, atacante
A dúvida: Marco Borriello, atacante
O time base: Rubinho, Bovo, De Rosa, Bega; Rossi, Paro, Milanetto, Fabiano; Papa Waigo, Di Vaio, Adaílton.

O Genoa retorna à Serie A após doze longos anos nas séries inferiores. Após a promoção na Serie B, Pastorello preferiu manter a base do time da última temporada, e bancou poucas novas contratações. Em sua primeira temporada, o técnico Gasperini deve pôr em campo seu módulo de jogo favorito, um 3-4-3 com poder de tornar chata qualquer promessa de bom jogo.

O ponto forte da equipe são suas opções ofensivas. Além dos prováveis três titulares, os grifoni ainda têm Borriello e Sculli - jogadores que lutariam pela titularidade na maioria dos times da Serie A. Dois jovens promissores deixaram o clube, e devem deixar saudades. O ótimo zagueiro Criscito reforçará a nova Juventus, enquanto o meia ítalo-argentino Forestieri tentará ser lapidado por Mandorlini no Siena. [BM]

INTERNAZIONALE
Cidade: Milão
Região: Lombardia
Estádio: San Siro, 82.955 lugares
Temporada passada: Campeã da Serie A
O técnico: Roberto Mancini
A estrela: Zlatan Ibrahimovic, atacante
A esperança: Luis Jiménez, meia
A dúvida: Adriano, atacante
O time base: Júlio César, Maicon, Córdoba, Materazzi, Chivu; Zanetti, Vieira, Cambiasso; Stankovic; Ibrahimovic, Crespo.

Os nerazzurri dispõem de um plantel fantástico, que pode contar com goleiro reserva de qualidade e atacantes que seriam titulares na grande maioria dos times do mundo. A começar pelo arqueiro, já que muitos quebram a cabeça na hora de escolher entre Toldo e Julio César (Carini deixou o time de Milão e rumou ao Real Murcia), sua defesa conta com um jogador excepcional, Chivu, laterais pelo menos úteis, Maicon, Maxwell e Coco (este último já uma incógnita), e zagueiros no mínimo competentes como Samuel, Materazzi, Burdisso e Córdoba. Além da chegada do colombiano Rivas, conhecido como Tyson pelo seu modo carinhoso de jogar (deve adaptar-se facilmente a Materazzi).

O meio campo tem Vieira e Cambiasso, ambos a nível mundial; e Dacourt, é, Dacourt, que é bom em... deixar os torcedores com os cabelos que nem os seus - ainda não me conformo como a Inter pode ter cedido Pizarro e optado pelo francês. Ah sim, pode-se contar também com o deslocado capitano Javier Zanetti, um jogador fantástico. Por falar em fantástico, tem-se também Luís Filipe Madeira Figo, um veterano que esbanja qualidade, somado ainda às presenças de Solari, Jiménez e do retornado César, trazendo profundidade ao elenco. Claro, não pode-se esquecer de um dos destaques mais recentes da Internazionale, Dejan Stankovic, que conquistou por méritos seu lugar ao sol. Essa Internazionale briga por calcio e Liga dos Campeões. [MR]

JUVENTUS
Cidade: Turim
Região: Piemonte
Estádio: Olimpico di Torino, 27.168 lugares
Temporada passada: Campeã da Serie B
O técnico: Claudio Ranieri
A estrela: Alessandro Del Piero, atacante
A esperança: Domenico Criscito, zagueiro
A dúvida: Jean-Alain Boumsong, zagueiro
O time base: Buffon, Grygera, Andrade, Criscito, Chiellini; Camoranesi, Almirón, Tiago, Nedved; Del Piero, Trézéguet.

Antes temida por todos os times da Europa e do mundo, com uma infinidade de jogadores TOP do futebol mundial e jogo nada empolgante, porém vencedor, a Vecchia Signora terá de reconquistar seu prestígio e respeito perdidos por Moggi e cia. Com a contratação de bons jogadores, a nova velha senhora já dá um passo considerável em busca desse objetivo. Embora ainda munida de ruindades como Zebina, Legrottaglie e Boumsong, a equipe bianconera melhorou astronomicamente seu plantel, comparado com o da temporada anterior (e é fácil de entender o porquê) porém ainda está longe daquele time que massacrava quem encontrasse pela frente por 1x0 e era campeão da Serie A ano sim, ano não.

É um time ainda distante daquele campeão, e não deve conseguir repetir o sucesso daquele time. Porém, contando com bons nomes como Salihamidzic, Iaquinta, Palladino, Nocerino e outros na reserva e com rivais não tão fortes na disputa da Serie A, pode e deve conseguir uma das vagas para a próxima UCL, e, quem sabe, voltar a ser a velha senhora de sempre. [GD]

LAZIO
Cidade: Roma Região: Lácio
Estádio: Olimpico di Roma, 82.922 lugares
Temporada passada: 3ª colocação
O técnico: Delio Rossi
A estrela: Stefano Mauri, meia
A esperança: Lorenzo De Silvestri, zagueiro
A dúvida: Marco Ballotta, goleiro
O time base: Ballotta, Scaloni, Diakité, Stendardo, Zauri; Mundigayi, Mutarelli, Ledesma; Mauri; Pandev, Rocchi.

A Lazio começa o campeonato como uma das maiores incógnitas. A base ofensiva do time é a mesma que encantou a Itália, com Rocchi no comando e Mauri surpreendendo a todos com belas atuações como trequartista. O que deve causar calafrios é a estrutura defensiva. A começar do goleiro. Segue a novela envolvendo a contratação de Carrizo, mas a Lazio ainda não conseguiu convencer o River Plate a liberar seu arqueiro, faltando apenas uma semana para o fechamento do mercado. O time chegou a negociar com Diego e Amelia, mas tudo aponta para a inacreditável titularidade de Ballotta - é difícil confiar a meta a um goleiro de 43 anos que nunca foi mais que mediano. O miolo de zaga biancoleste também pode causar boas dores de cabeça: Cribari deve ficar um mês parado, e o veterano Siviglia nem participou da pré-temporada por uma lesão muscular.

Além dos problemas, é na próxima quarta-feira que a Lazio joga seu destino. Cair para o Dinamo Bucuresti na fase eliminatória da Liga dos Campeões definitivamente não está no projeto da temporada, e pode ser um trauma a ser carregado. Mas, caso se classifique para a fase de grupos do torneio continental, Lotito já prometeu três reforços. Classificando-se ou não, esses três jogadores seriam essenciais para dar ao elenco laziale a profundidade necessária para conservar o time na luta pelas quatro primeiras colocações. Afinal, na última temporada nenhum dos titulares chegou a ficar de fora por mais de quinze dias. Sentar-se e rezar para que isso aconteça novamente é abusar da sorte. [BM]

LIVORNO
Cidade: Livorno
Região: Toscana
Estádio: Armando Picchi, 19.801 lugares
Temporada passada: 11ª colocação
O técnico: Fernando Orsi
A estrela: Francesco Tavano, atacante
A esperança: Alfonso De Lucia, goleiro
A dúvida: Diego Tristán, atacante
O time base: De Lucia, Balleri, Knezevic, Galante, Pasquale; Antonio Filippini, Pulzetti, Gianniccheda, Emanuele Filippini; Tavano, Tristán.

Se existe um purgatório, é lá que está o Livorno. Não por ter sido enviado para expiação por alguma força suprema, mas sim por seu fanfarrão presidente, Aldo Spinelli. A torcida amaranta encara esta temporada com um medo velado, reflexo dos tempos de tranqüilidade que ficaram pra trás, junto de Lucarelli. Se o bomber saiu, muito dessa conta pode ser creditada ao presidente. De demissão de técnicos a pedidos de eliminação, tudo saiu de sua boca. Inclusive algumas “denúncias” de insurgimento que afetaram diretamente Lucarelli e Amelia, então as duas grandes bandeiras do time.

O Livorno desta temporada é outro, mas se é melhor só o tempo vai dizer. Fernando Orsi, que a pouco tempo atrás era apenas auxiliar técnico na Lazio, assumiu o comando clube. Ou melhor, servirá de fantoche às vontades de Spinelli. A temporada de indecisões começa no gol, já que Amelia pode ir em definitivo para o banco, graças à chegada do bom De Lucia. E termina na comissão de frente. Tavano, Tristán e Dhorasoo são apostas bastante arriscadas. Ambos jogavam o fino da bola dois ou três anos atrás, e é neles que está a esperança toscana. O que está longe de tranqüilizar alguém. [BM]

MILAN
Cidade: Milão
Região: Lombardia
Estádio: San Siro, 82.955 lugares
Temporada passada: 4ª colocação
O técnico: Carlo Ancelotti
A estrela: Kaká, meia
A esperança: Yoann Gourcuff, meia
A dúvida: Marek Jankulovski, lateral esquerdo
O time base: Dida, Oddo, Nesta, Kaladze, Jankulovski; Gattuso, Pirlo, Seedorf; Kaká; Inzaghi, Ronaldo.

Manter uma base vitoriosa, mas envelhecida? Ou apostar numa renovação em larga escala? Ano após ano, é com essa dúvida que começa a pré-temporada do Milan. E sempre a escolha é a primeira. O envelhecimento do Milan pode causar grandes estragos na campanha nacional do time, mas em âmbito continental todos aprenderam, mesmo que na marra, a não duvidar daquilo que vem de Milanello. Afinal, disputar com força máxima 13 partidas com um bom intervalo entre si é bem mais confortável que entrar pra vencer os 38 jogos da Serie A. Mesmo guardando as comparações quanto ao nível de cada um dos times participantes.

Em tese, esta será a última temporada de dinossauros do calibre de Cafu, Serginho e, claro, Maldini. Além de possivelmente a derradeira em alto nível de nomes como Seedorf e Inzaghi. Mesmo que o Milan não possa ser descartado em qualquer competição que dispute, está sendo desenhado um ano de transição para os rossoneri. Gente muito nova está chegando, como os atacantes Alexandre Pato (Internacional), Mitja (Nafta Lendava) e Coppiardi (Mantova), todos com 18 anos ou menos. Em campo, Ancelotti deve alternar o 4-3-2-1 que venceu a última CL com um 4-3-1-2, de forma a aproveitar mais algum atacante. No último caso, Seedorf deve perder posição. [BM]

NAPOLI
Cidade: Nápoles
Região: Campânia
Estádio: San Paolo, 60.240 lugares
Temporada passada: 2ª colocação na Serie B
O técnico: Edoardo Reja
A estrela: Mariano Bogliacino, meia
A esperança: Marek Hamsík, meia
A dúvida: Gennaro Iezzo, goleiro
O time base: Iezzo, Grava, Cannavaro, Contini; Gargano, Hamsík, Montervino, Bogliacino, Rullo; Lavezzi, Calaiò.

O impacto de um redimensionamento pode causar estragos a um clube. E o Napoli quer evitar ser um exemplo. Há duas temporadas, o time disputava a Serie C1, após decretar falência. Nos últimos 24 meses, foi campeão do grupo B da terceira divisão e segundo colocado na última Serie B, atrás apenas da Juventus. No comando, sempre Edoardo Reja. O técnico friulano dificilmente abre mão do esquema de três zagueiros, e uma defesa bem guarnecida será indispensável para o clube, dono de uma torcida fanática que costuma lotar o mítico San Paolo, que finalmente retorna à Serie A após seis anos.

Elenco em mãos para a salvezza, Edy Reja tem. Além do time consistente que conseguiu a promoção, chegaram vários bons nomes que têm tudo para se firmar. Destaque para o eslovaco Hamsík, ex-Brescia, dono de técnica refinada e especialista em cobrança de faltas e pênaltis. Outra boa promessa é o atacante argentino Lavezzi, conhecido pelos dribles desconcertantes nos tempos de San Lorenzo, e que marcou uma tripletta logo em sua segunda partida, pela Coppa Italia. O ataque ainda conta com o cannoniere Calaiò e recebeu o reforço de Zalayeta. Contini chega para a defesa, ponto fraco do time. Se bem trabalhado, os partenopei lutarão por vaga nas copas européias. [BM]

PALERMO
Cidade: Palermo
Região: Sicília
Estádio: Renzo Barbera, 37.242 lugares
Temporada passada: 5ª colocação
O técnico: Stefano Colantuono
A estrela: Amauri, atacante
A esperança: Bosko Jankovic, meia
A dúvida: Fabrizio Miccoli, atacante
O time base: Fontana, Zaccardo, Barzagli, Rinaudo, Pisano; Diana, Simplício, Migliaccio, Jankovic; Miccoli, Amauri.

O ambiente parece ter melhorado em La Favorita, após a queda definitiva de Guidolin. Pelo menos por enquanto. A campanha passada foi frustrante pela forma como foi obtida. As lesões de Amauri e Corini foram cruciais para a queda exponencial de rendimento. O capitano foi para o Torino, junto de Di Michele. Porém Amauri volta a iniciar uma Serie A com a camisa rosanera, com a chance de provar que pode sim ter nas costas a responsabilidade de carregar o Palermo.
O time será comandado pelo romano Colantuono, arquiteto da última boa campanha da Atalanta.

Na pré-temporada ele deu mostras de que deve utilizar seu tradicional 4-4-2 em linha, com Simplício e Migliaccio formando um meio bastante pegador, enquanto Diana e Jankovic ficam encarregados de fazer as jogadas laterais para Amauri ou Cavani. Se Miccoli estiver em campo, deve voltar mais pelo flanco direito, chamando o jogo para si. O baixinho ainda não convenceu na Itália, mas vem de boa passagem no Benfica. Caso Miccoli mantenha a tradição, deve esquentar banco em favor de Cavani. [BM]

PARMA
Cidade: Parma
Região: Emília-Romanha
Estádio: Ennio Tardini, 29.050 lugares
Temporada passada: 12ª colocação
O técnico: Domenico Di Carlo
A estrela: Gene Gnocchi, "meia"
A esperança: Luca Cigarini, meia
A dúvida: Luca Bucci, goleiro
O time base: Bucci, Zenoni, Falcone, Paci, Castellini; Dessena, Cigarini, Morrone; Gasbarroni, Budan, Reginaldo.

Caso os torcedores crociati pudessem escolher um jogador para manter no Ennio Tardini, é certo que o escolhido seria Giuseppe Rossi. Mas como o United se recusou a reemprestar Beppe, a renovação mais badalada foi a de Gene Gnocchi, comediante cinqüentenário que teria ajudado a aliviar a pressão nos vestiários do Parma na reta final da última temporada. Nesta temporada, ao contrário da última, Gnoccão deve finalmente entrar em campo por alguns minutos.

Di Carlo assume o Parma após um ótimo longo trabalho no Mantova, e deve implantar um 4-3-3 com dois pontas abertos. Graças a uma sensível recuperação no caixa, cada setor do time ganha um novo titular com as boas chegadas de Falcone, Reginaldo e Morrone. Eles devem ser importantes para dar consistência aos promissores Dessena, Ferronetti e Cigarini, das seleções de base italianas. A tarefa mais ingrata de Di Carlo deve ser administrar o ego de Morfeo, que pode perder sua vaga no time graças ao futebol rápido a ser implantado com base em um meio de campo incansável. [BM]

REGGINA
Cidade: Régio Calábria
Região: Calábria
Estádio: Oreste Granillo, 27.454 lugares
Temporada passada: 14ª colocação
O técnico: Massimo Ficcadenti
A estrela: Francesco Cozza, meia
A esperança: José Montiel, meia
A dúvida: Nicola Amoruso, atacante
O time base: Campagnolo, Lanzaro, Valdez, Aronica, Modesto; Vigiani, Cascioni, Tognozzi; Cozza; Amoruso, Joélson.

Se comparada à missão da Reggina na última temporada, esta nem pode ser considerada tão difícil. Mas a situação pode se complicar um pouco graças à perda de jogadores fundamentais à espinha dorsal do time, caso de Bianchi e Tedesco, além do técnico Walter Mazzarri. O jovem Ficcadenti assume o comando amaranto. Por outro lado, alguns bons nomes reforçam o clube por preços módicos. A começar por mais um atacante brasileiro desconhecido do grande público: José Joélson, destaque da AlbinoLeffe na última Serie B. Da serie cadetta também chega o zagueiro Valdez, com status de titular. Mas a contratação mais importante é, sem dúvida, o retorno do trequartista Cozza, após mais uma passagem pelo Siena.

O esquema de Ficcadenti, aliás, terá em Cozza seu termômetro. Com três jogadores com a missão de parar o jogo adversário, que não têm muitos recursos em termos ofensivos, o ataque do time periga não engrenar. Se isso ocorrer, o técnico pode optar pela entrada do paraguaio Barreto. O meia canhoto foi um dos poucos destaques da seleção guarani na Copa América, o que fez a Reggina lhe tirar dos confins de Nijmegen. Ele encontrará na Calábria seu compatriota Montiel, que chega para provar seu valor após ser pouco aproveitado na Udinese. [BM]

ROMA
Cidade: Roma
Região: Lácio
Estádio: Olimpico di Roma, 82.922 lugares
Temporada passada: Vice-campeã
O técnico: Luciano Spalletti
A estrela: Francesco Totti, atacante
A esperança: Alberto Aquilani, meia
A dúvida: Cicinho, lateral direito
O time base: Doni, Panucci, Mexès, Juan, Tonetto; De Rossi, Pizarro; Giuly, Taddei, Mancini; Totti.

Dando sequência ao ótimo trabalho de Luciano Spalletti, que tirou o reino de Totti da penumbra e o levou de volta ao seu lugar de direito, finalmente os giallorossi aparentam ter um elenco consistente para brigar pelo título na Serie A e, quem sabe, ir ainda mais longe na Champions League. Com as chegadas de Giuly, Cicinho, Juan, Esposito e a volta de Aquilani e Vucinic de suas incontáveis lesões e Brighi de incontáveis empréstimos, o leque de opções do sem-cabelo aumenta consideravelmente, podendo cobrir lesões e suspensões com bons jogadores, sem precisar apelar à fantástica primavera romanista. A saída traumática de Chivu deve ser sentida no início de temporada, ainda mais com a lesão do beque da seleção brasileira, mas nada que comprometa.

Como sempre, a Roma vem com seu 4-5-1, com dois esternos e o capitano e agora artilheiro, Francesco Totti, fazendo a função de centroavante. Na defesa, Doni é absoluto, até por seu reserva não ser lá muito confiável. Panucci, mesmo com a contratação de Cicinho, não deve perder sua vaga de titular, até porque tapa qualquer buraco que deixarem por ali, jogando de zagueiro e lateral-esquerdo quando precisa. Mexés, agora viúvo de Chivu, ganha companhia de Juan, formando uma zaga de respeito. Fecha a linha o eficiente Tonetto, se conseguir se manter inteiro. Na meiuca, seguem De Rossi e Pizarro, agora com sombras no banco de reservas. O francês Giuly toma a vaga de Taddei como esterno, e tem como missão aprender a finalizar e errar menos gols feitos. Mancini faz a outra ponta e Taddei, Perrotta e Aquilani brigam pela quinta vaga no meio-campo. A vaga na UCL só escapa por hecatombes nucleares e o título está mais próximo do que jamais esteve após 2001. [GD]

SAMPDORIA
Cidade: Gênova
Região: Ligúria
Estádio: Luigi Ferraris, 36.603 lugares
Temporada passada: 9ª colocação
O técnico: Walter Mazzarri
A estrela: Sergio Volpi, meia
A esperança: Salvatore Foti, atacante
A dúvida: Vincenzo Montella, atacante
O time base: Castellazzi, Lucchini, Sala, Accardi; Volpi; Maggio, Palombo, Delvecchio; Cassano, Montella, Bellucci.

Se a Sampdoria entrar em campo com a escalação acima, será o único clube italiano a escalar apenas jogadores nacionais. O clube blucerchiato começa a temporada disposto a retornar a alguma competição européia, e nem a traumática perda de Quagliarella deve ser capaz de alterar a rota da Samp. Novellino já estava desgastado com a torcida e com os principais nomes do elenco, como Volpi e Delvecchio. Para seu lugar, chega Mazzarri, diretor cinematográfico que comandou a última campanha da Reggina.

Ao lado da diretoria, Mazzarri arquitetou o elenco baseando-se em seu esqueleto tático, uma espécie de 3-1-3-3 com Volpi atrás dos três meias, no papel de regista. Lucchini chega com a responsabilidade de ser o xerife de uma defesa instável, enquanto Mirante fará sombra às falhas de Castellazzi. O ataque da Samp é de botar medo – na teoria. Cassano arma as investidas pela direita, Bellucci pela esquerda, e Montella é o referencial. Mas na prática, isso pode falhar. Cassano tem uma técnica incrível, mas não tem maturidade para usá-la a seu favor. Bellucci retorna à Serie A sem nunca ter convencido na serie massima. E Montella não consegue entrar em forma há dois anos. O trabalho de Mazzarri será fazer o papel entrar em campo. [BM]

SIENA
Cidade: Siena
Região: Toscana
Estádio: Artemio Franchi di Siena, 15.725 lugares
Temporada passada: 15ª colocação
O técnico: Andrea Mandorlini
A estrela: Simone Vergassola, meia
A esperança: Paolo De Ceglie, meia
A dúvida: Enrico Chiesa, atacante
O time base: Manninger, Bertotto, Portanova, Loria, Grimi; Vergassola, Galloppa, De Ceglie; Frick; Chiesa, Maccarone.

As grandes dúvidas na pré-temporada do Siena eram quanto às permanências do capitão Vergassola e do interminável Chiesa. Após o “dia do fico”, Mandorlini passou a montar o elenco em torno dos dois, e deverá dar à torcida bianconera um time bastante reestruturado do ponto de vista tático, algo utópico no comando de Arrigoni. Um possível impedimento para o trabalho do técnico é justamente Chiesa, que passou em branco na última Serie A, sem ter jogado sequer 90 minutos em nenhuma partida. Entre outros remanescentes, destaque para o goleiro Manninger, talvez a principal peça da salvezza.

Para esta temporada, Mandorlini continuará apostando em seu ofensivo 4-3-3. Sem dinheiro, o Siena não trouxe nomes para animar a torcida, mas deverá dar oportunidades para dois jovens se firmarem pelo seu setor esquerdo: Grimi e De Ceglie. Ainda no meio, Galloppa pode ser a opção para armar o jogo com mais qualidade, enquanto a entrada do romeno Codrea no lugar de um dos atacantes deve ocorrer quando o time atuar fora de casa. Numa balança desfavorável, repetir a 15ª colocação do ano passado já será digno de comemoração. [BM]

TORINO
Cidade: Turim
Região: Piemonte
Estádio: Olimpico di Torino, 27.168 lugares
Temporada passada: 17ª colocação
O técnico: Walter Novellino
A estrela: Alessandro Rosina, meia
A esperança: Dominique Malonga, atacante
A dúvida: David Di Michele, atacante
O time base: Sereni, Comotto, Natali, Di Loreto, Lanna; Corini; Rosina, Barone, Lazetic; Ventola, Bjelanovic.

O Toro há de, no mínimo, levantar as mãos aos céus e agradecer por ter tirado o fantástico Alessandro Rosina do domínio de Parma e Verona, não fosse por ele a equipe de Turim não estaria nesse guia agora e seria mais fácil achá-lo na Gazzetta dello sport, na página 'Serie B'. O trequartista corre, dribla e passa com uma qualidade ímpar. Rosina é, de fato, um dos maiores talentos italianos dos últimos anos e por isso merece um parágrafo só para ele.

O experientíssimo Corini foi uma contratação absurdamente qualificada, "Il Genio" joga de cabeça erguida e consegue servir seus companheiros com maestria, mesmo com 37 anos tende a ajudar muito a equipe granata, que também se reforçou com o suspenso Di Michele, uma incerteza que só poderá entrar em campo em novembro devido a apostas ilegais. A equipe também conta com o "feijão-com-arroz" Barone, um jogador chega longe de ser craque, porém pode ser (muito) útil no meio campo comandado pelo "Piccolo Principe" Rosina. [MR]

UDINESE
Cidade: Údine
Região: Venezia-Giulia
Estádio: Friuli, 40.919 lugares
Temporada passada: 10ª colocação
O técnico: Pasquale Marino
A estrela: Antonio Di Natale, atacante
A esperança: Fabio Quagliarella, atacante
A dúvida: Giandomenico Mesto, lateral-direito
O time base: Handanovic, Mesto, Coda, Zapata, Felipe; Pinzi, Obodo, D'Agostino; Quagliarella, Floro Flores.

Roma? Juventus? Manchester? Que nada, o jogador que teve seus 15 minutos de fama (90, na verdade) Fabio Quagliarella ingressou na equipe de Udine para reforçar o ataque bianconero após a perda de Vincenzo Iaquinta outra squadra bianconer, a de Ranieri. O que para uns pode significar se livrar de um poste e, para outros, significa perder uma grande referência na frente. "Quagliabella" ou "Quagliagol" vem de uma boa temporada com a Sampdoria, time pelo qual marcou 13 gols no Calcio e, sem dúvidas, é a grande esperança de um time que busca fazer igual à temporada 2004/05, chegando à Liga dos Campeões, tarefa difícil para Pasquale Marino.

Se fosse para definir a Udinese em uma palavra, escolheria incógnita. O potencial de certos jogadores é indiscutível, assim como outros podem carregar nas costas o título de eternas promessas e estão tendo suas chances de provar o contrário nesta temporada; D'Agostino é um deles - sempre muito esperado, o jogador revelado pela Roma nunca conseguiu estourar - mesmo colecionando presenças pela nazionale sub-21. Quem sabe agora, ao lado de jogadores úteis como Obodo, Pinzi e Quagliarella, o trequartista possa embalar. Outro nome é Raffaele De Martino, presença não rara nas convocações sub-21 da Itália, o volante também é revelado pela Roma, porém "fugiu" do time e assinou com o Bellinzona em 2004, retornou ao seu país na temporada 2005/06 com o Treviso e agora busca seu lugar ao Sol na Udinese. [MR]

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Super Roma - mega Inter

Depois de uma batalha aguerrida no estádio San Siro, o time romanista, comandado por Totti e De Rossi, demonstrou uma pequena superioridade diante da Internazionale. As duas equipes não utilizaram suas formações principais e trataram de usar escalações mistas, seja devido a desfalques, suspensões ou opções físicas.

A Internazionale, mandante e favorita, estava desfalcada de Adriano, por causa de dores nos glúteos (!), além da perda do lateral Maicon, suspenso. Ambos jogadores brasileiros. A dona da casa entrou em campo com o oficialmente estreante Cristian Chivu - numa situação quase inimaginável há um ano atrás - e o medonho Olivier Dacourt, conhecido por sua perseguição aos tornozelos alheios. Também em campo o hondurenho Suazo, cuja velocidade faz sê-lo difícil de se capturar pelas câmeras. Fico imaginando como seria se Obafemi Martins ainda estivesse nesse time - os olhos humanos não seriam capazes de acompanhar tanta sagacidade.

O time giallorosso teve sua defesa desmantelada pelas lesões de Juan e Ferrari. Talvez por falta de experiência, Luciano Spalletti tenha preferido optar por Panucci na zaga ao invés de Andreolli, que pode contar nos dedos suas atuações na Serie A. No meio campo, Pizarro nem foi relacionado para o jogo e, indo um pouco mais à frente, Mancini ficou no banco ao lado de jogadores como Rosi e Nonda, provando o quão desfalcado estava o time da capital. Ambas as squadre eram somente um esboço do que vem por aí na temporada.

O ponto em quero chegar é a profundidade do elenco interista: apesar da derrota causada por um gol de pênalti, por sua vez causado por uma atuação bizarra de Burdisso, os nerazzurri dispõem de um plantel fantástico, que pode contar com goleiro reserva de qualidade e atacantes que seriam titulares na grande maioria dos times do mundo. A começar pelo arqueiro, já que muitos quebram a cabeça na hora de escolher entre Toldo e Julio César (Carini deixou o time de Milão e rumou ao Real Murcia), sua defesa conta com um jogador excepcional, Chivu, laterais pelo menos úteis, Maicon, Maxwell e Coco (este último já uma incógnita), e zagueiros no mínimo competentes como Samuel, Materazzi, Burdisso e Córdoba. Além da chegada do colombiano Rivas, conhecido como Tyson pelo seu modo carinhoso de jogar (deve adaptar-se facilmente a Materazzi).

O meio campo tem Vieira e Cambiasso, ambos a nível mundial; e Dacourt, é, Dacourt, que é bom em... deixar os torcedores com os cabelos que nem os seus. Ah sim, pode-se contar também com o deslocado capitano Javier Zanetti, um jogador fantástico. Por falar em fantástico, tem-se também Luís Filipe Madeira Figo, um veterano que esbanja qualidade, somado ainda às presenças de Solari, Jiménez e do retornado César, trazendo profundidade ao elenco. Claro, não pode-se esquecer de um dos destaques mais recentes da Internazionale, Dejan Stankovic, que conquistou por méritos seu lugar ao Sol.

O ataque é, na teoria, um dos melhores do mundo - são poucos, quase ninguém, os que podem dispôr de jogadores utilíssimos como Suazo e Ibrahimovic, artilheiros como Crespo e Cruz e bons vendedores de figurinha como Adriano e Recoba, este último quase formado em medicina. Roberto Mancini deverá optar por duas táticas, uma, clássica, com o 4-4-2 em teórica linha, com Stankovic mais um em cada lado, junto de Vieira e Cambiasso no núcleo centro-campista. A outra opção é uma já conhecida do treinador, o 4-3-1-2, com 3 mais atrás do meio-campo, ajudando na marcação e dando mais liberdade para o trequartista.

A Roma, em contrapartida, se reforçou muito bem diante das necessidades do time, trazendo Ahmed Barusso para médio-defensivo suplente, e Ludovic Giuly e Esposito, que podem atuar em qualquer lugar dos mais ofensivos de seu esquema. O clube ainda garantiu Andreolli, uma aposta na defesa, Brighi, que trará mais experiência ao meio-campo, e os retornos provavelmente temporários de Kuffour, Nonda e Alvarez. Cicinho deve desembarcar na cidade eterna dentro de alguns dias; além do brasileiro, a equipe ainda deve se reforçar com mais um lateral, e entre as possibilidades está Modesto. Se o jogo rápido e entrosado dos romanistas for mantido, o que provavelmente acontecerá, a Roma há de ser temida.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

La Nuova Signora

Nada de favoritismo para a conquista da Serie A e da UCL. Nada de contratações bombásticas de Vieira, Ibrahimovic, Emerson e outros. Nada de técnicos indiscutíveis. É, os tempos são outros pelas bandas bianconeras de Turim.

Após o escândalo do ano passado do qual saiu como principal culpada, a Juventus deu um passeio pelo purgatório da Serie B e, após clássicos contra Frosinone, Crotone, Albinoleffe e afins, conquistou o título com um pé nas costas, garantindo sua volta à Serie A. Porém, apenas a divisão e alguns jogadores serão os mesmos da época pré-CalcioCaos.

Antes temida por todos os times da Europa e do mundo, com uma infinidade de jogadores TOP do futebol mundial e futebol nada empolgante porém vencedor (e como!), agora a Vecchia Signora terá de reconquistar seu prestígio e respeito perdidos por Moggi e cia. Ltda.

Com a contratação de bons jogadores, a nova velha senhora(sim, eu sei que o trocadilho é infame e batido, mas inevitável) já dá um passo considerável em busca desse objetivo. Embora ainda munida de ruindades como Zebina, Legrottaglie, Boumsong e Zalayeta, a equipe bianconera melhorou astronomicamente seu plantel, comparado com o da temporada anterior(e é fácil de entender o porquê) porém ainda está longe daquele time que massacrava quem encontrasse pela frente por 1x0 e era campeão da Serie A ano sim, ano não.

Comparando com o último time campeão da Serie A:

Saiu o multicampeão e nada simpático Capello e entrou Ranieri, que não deixa de ser uma aposta após seu sucesso no milagre da salvação do Parma e relativo fracasso em Chelsea e Atletico de Madrid.

Buffon continua firme e forte no time titular, e não podia ser diferente.

No lugar antes ocupado pelos tetracampeões do mundo Cannavaro e Zambrotta, além de Thuram e Zebina, estarão lá os bons Grygera, Andrade, Criscito e Chiellini, que, embora muito melhores que a linha de defesa campeã da Serie B, ainda devem muito aos defensores do último scudetto. Bom, ao Zebina não.

No meio, seguem Camoranesi e o dois anos mais velho Nedved, agora companheiros de Tiago e Almiron ao invés de Emerson e Vieira. Mesmo panorama da defesa: Bons, mas não tanto quanto os seus antecessores de 05/06, porém melhores que os campeões da Serie B.

No ataque, Del Piero e Trezeguet seguem desde sempre como titulares, tirando o hiato em que Ibrahimovic botou o ídolo maior dos juventinos no banco, por opção de Capello.

Ou seja, é um onze ainda distante daquele campeão, e não deve conseguir repetir o sucesso daquele time. Porém, contando com bons nomes como Salihamidzic, Iaquinta, Palladino, Nocerino e outros na reserva e com rivais não tão fortes na disputa da Serie A, pode e deve conseguir uma das vagas para a próxima UCL, e, quem sabe, voltar a ser a velha senhora de sempre.


PS: Grato ao Canassa pela ajuda.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Coisas de Roma

Em Roma, como os romanos. O provérbio, provavelmente criado por Santo Ambrósio no século IV, é antigo, porém sempre válido. Certa vez, ao Corriere della Sera, Paulo Roberto Falcão o parafraseou com propriedade: "na Roma, como os romanistas". Para os ídolos em potencial da Cidade Eterna, não basta bom futebol. Como bons romanos - e romanistas - é a lealdade, aliada a uma boa dose de personalidade, que costuma criar os verdadeiros mitos.

Falcão explicou a teoria. A festa comemorativa dos 80 anos do clube, realizada há alguns dias,, comprovou-a. Graças à simbiose entre cidade e clube, romanos e romanistas como Giannini, Tancredi, Di Bartolomei e Totti tornam-se ídolos pelo que representam. Cabe àqueles que vêm de fora adaptar-se e correr atrás, assim como fizeram Krieziu, Falcão, Pruzzo e Aldair. Além de, é claro, evitar atritos com uma torcida apaixonada, porém irredutível. Afinal de contas, é totalmente dispensável sair como Emerson, Cassano, Capello, e, agora, Chivu.

Para torcedores de Barcelona, Milan ou Chelsea, um ótimo mercado é aquele no qual seu time contrata mais uma ou duas estrelas, e ainda preenche o grupo com alguns jogadores que seriam titulares na maioria dos outros clubes de sua liga. Mas o sonho de mercado da torcida romanista se apresenta bem mais simples nessa janela, até pelas recentes dificuldades financeiras da sociedade. O caminho da felicidade seria manter os titulares, trazer cinco ou seis peças de reposição para garantir um elenco mais farto, e, se possível, trazer alguma grande promessa.

A saída de Chivu, que poderia ser um desastre, considerando-se o nível técnico, tornou-se um favor à torcida. O romeno já possuía desde o início do mês um substituto a altura, Juan, e tudo indica que esta será a única saída de algum titular nessa janela de negociação. Contando com o dinheiro do novo patrocínio da Wind, Pradè e Spalletti deverão buscar ao menos mais dois reforços, com cerca de quinze milhões de euros a mais em caixa para a fase final do calciomercato. A transferência de Modesto é dada como certa pela mídia romana, e Dedé teria se tornado outra opção para a lateral esquerda. Outra opção que voltou a ser cogitada, com o retorno de um caixa razoável, é a contratação de Cicinho. O brasileiro não está em lua-de-mel com o novo treinador do Real Madrid, Bernd Schuster, e pode aparecer como substituto a longo prazo do já veterano Panucci. E ainda cobriria uma possível venda de Cassetti para o Monaco, como foi especulada pela imprensa francesa na última semana.

Outras opções interessantes, porém pouco prováveis, seriam a vinda de um volante ou um atacante. Um volante, hoje, seria o mais importante para o grupo. Tal jogador evitaria o recuo de Taddei, Perrotta ou Aquilani para a posição, caso seja necessário no decorrer da longa temporada. Hoje, o elenco só teria De Rossi, Pizarro, Brighi e Barusso para duas vagas, sendo que o último se recupera de lesão e Brighi ainda pode ser envolvido em alguma negociação. É visível a preferência da torcida pela chegada de um atacante, mas, como Spalletti garante que o esquema tático da próxima temporada será o mesmo desta, dificilmente um outro centroavante reforçará o plantel. O elenco já conta com Totti e Vučinić, além de Zarineh, promessa vinda da Serie C2.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Pré-temporada que assusta... ou não?

As principais squadras do Calcio têm decepcionado nos seus amistosos, disputados para adaptar o elenco e recuperar a forma física. A Juventus caiu diante do renovado Newcastle - em sua terceira partida no St. James Park, é a terceira derrota da vecchia signora. Os gols foram marcados por Albert Luque e Carroll. Após isso, no primeiro dia de agosto, o time de Del Piero acabou por perder para um Hamburg muito melhor preparado fisicamente e pronto para a Intertoto - o gol foi marcado por Choupo-Moting.



A Roma, viúva de Chivu, foi pisoteada pelo Borussia Dortmund na Alemanha por um placar de quatro tentos a zero e um show de supremacia física por parte da equipe amarela. Depois de apanhar dos alemães, a equipe comandada por Luciano Spalletti empatou com o Bayer Leverkusen em dois a dois e foi à Inglaterra para duelar com um West Ham também em adaptação, abrindo o placar com o francês e um dos reforços Ludovic Giuly. Porém a equipe giallorossa tomou a virada e saiu de campo derrotada. Em um daqueles jogos "só faltava essa" o time romano, com uma escalação B ou C, derrotou o Frosinone por 1 a 0 com gol do nada mais que veloz Edgar Alvarez.


O Milan perdeu hoje para o Real Bétis na comemoração do centenário do clube espanhol, o gol foi marcado de pênalti pelo chileno Mark González - penalidade esta sofrida pelo brasileiro Rafael Sóbis e, por falar em brasileiros, da 'legião' verde-amarela em Milão atuaram Cafu, Serginho e Kaká - Dida deu lugar a Storari no segundo tempo e Ronaldo ainda se recupera de lesão. No dia 3 de agosto, a equipe milanista havia perdido para o PSV nos pênaltis pelo "Torneio de Moscou" após um persistente zero a zero - os rossoneri escalaram a equipe titular para o primeiro tempo, efetuando diversas alterações para o segundo.


A Lazio venceu o Panathinaikos pelo placar de 2 a 1 em clima de festa pelas comemorações de oitenta anos do ex-goleiro Bob Lovati. No time biancoceleste de 1955 o arqueiro venceu uma Coppa Italia. Porém, antes disso, nos dias 2 e 4 respectivamente, a equipe liderada por Delio Rossi perdeu para Arsenal e Atlético de Madrid no "Torneio de Amsterdã" - os gols da equipe inglesa foram marcados por Bendtner e Eduardo da Silva, já a Lazio marcou com Pandev - contra o time espanhol os gols foram feitos por Braulio, Luis García e Reyes - Mauri honrou a equipe romana.


Troféu Birra Moretti
Napoli, Juventus e Internazionale - jogos de 45 minutos divididos em dois tempos de 22h30min com um pequeno intervalo de 5 minutos entre os períodos.
No primeiro jogo, a Juve derrotou o Napoli por um a zero com gol marcado por Del Piero.
No segundo, a equipe de Roberto Mancini venceu os napolitanos por um placar de dois a zero, Stankovic e o "pantera negra" Suazo deram a vitória à Inter.
No terceiro, este já entre o clube de Turim e o atual portador do Scudetto, ambos os clubes optaram por não escalar a grande maioria dos titulares, principalmente a Inter que, com gol de César(!) conquistou o preparatório troféu Birra (cerveja, em italiano) Moretti.

O porquê da desvantagem.
A maioria dos times italianos começou sua preparação física com um determinado atraso em relação às outras ligas, além do quê, com novas contratações, é necessário um maior tempo de adaptação do plantel - tempo que ainda não foi dado para tais clubes se aprontarem para a temporada 2007/08 - não que equipes de outras ligas não tenham se reforçado, mas se houve um atraso de início, também há de ser mais lento tal entrosamento. Compartilho da opinião de que a grande maioria (pra não dizer todos) dos resultados preparatórios pouco refletem na temporada em si, visto que há muito tempo ainda para corrigir todos os erros possíveis. Ainda temos o Troféu TIM, Inter-AZ Alkmaar, Trofeo Mero (Ravenna, Parma e Brescia), Empoli-Parma, Trofeo Berlusconi (Juve-Milan), Fiorentina-Athtletic Bilbao, Palermo-Zaragoza, Trofeo Joan Gamper (Inter-Barcelona) e o amistoso Roma-Juventus para fechar a pré-temporada.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Preparar, apontar...

A Lega Calcio anunciou na tarde de hoje os jogos antecipados e atrasados das duas primeiras rodadas da Serie A. Os anticipi da primeira rodada serão Lazio-Torino e Juventus-Livorno. A primeira antecipação era óbvia, pois a Lazio iniciará sua disputa por uma vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões no dia 28 (terça-feira), contra o Dinamo Bucareste. O posticipo da rodada será Palermo-Roma.

Na segunda jornada, Empoli-Inter entra como o único anticipo de sábado, enquanto Sampdoria-Lazio jogam mais tarde, no domingo. Milan-Fiorentina será disputado na segunda-feira, já que a Lega aceitou o pedido dos dirigentes rossoneri para adiar o encontro: o clube encontrará o Sevilla na sexta-feira, 31, pela disputa da Supercopa Européia, em Montecarlo.

Mantém-se para esta temporada, então, o padrão da anterior. Sete jogos ocorrerão ao mesmo tempo no domingo, enquanto outros três serão disputados em horários diferentes, como forma de preservar os interesses da Sky Italia, que detém exclusividade da transmissão local da próxima temporada. Confira o calendário das duas primeiras rodadas, horários de Brasília:

1ª rodada
25 de agosto (sábado)
13h, Lazio-Torino
15h30, Juventus-Livorno

26 de agosto (domingo)
10h, Fiorentina-Empoli
Genoa-Milan
Internazionale-Udinese
Napoli-Cagliari
Parma-Catania
Reggina-Atalanta
Siena-Sampdoria
15h30, Palermo-Roma

2ª rodada
1º de setembro (sábado)
15h30, Empoli-Internazionale

2 de setembro (domingo)
10h, Atalanta-Parma
Cagliari-Juventus
Catania-Genoa
Livorno-Palermo
Roma-Siena
Torino-Reggina
Udinese-Napoli
15h30, Sampdoria-Lazio

3 de setembro (segunda-feira)
13h, Milan-Fiorentina

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Calcio tipo exportação

Semana após semana, a Serie A tem perdido para o exterior alguns nomes interessantes. Não só de estrangeiros que militavam na velha bota, como Muntari ou Zoro, mas também de jogadores nacionais. O começo, nessa temporada, veio com a confirmação da saída de Toni para o Bayern, antes mesmo da abertura da janela de verão. O problema é que não são só os veteranos que têm deixado o campeonato - grandes promessas também estão saindo daquele que até pouco tempo era o destino dos sonhos dos grandes jogadores.

O êxodo não é de hoje. Claro que sempre houve casos de jogadores italianos fora do país, mas sempre casos esparsos, como Zola no Chelsea, Vieri no Atlético de Madrid, Gattuso no Rangers ou Roma no Monaco. O problema é que após o calciopoli o balanço começou a ser bastante desfavorável: mais italianos começaram a deixar suas equipes. O fato está presente, e tudo o que temos de buscar são os fatores que levaram a isso.

O calciopoli ocasionou uma incontestável queda do nível e da visibilidade do torneio, mas não é só isso. As possibilidades salariais dos grandes (e nem tão grandes) clubes da Espanha e da Inglaterra tem aumentado exponencialmente, ao contrário dos bigs italianos. Os dois torneios "concorrentes" ainda possuem estádios praticamente lotados, craques oriundos de todos os cantos do planeta e um marketing que atinge até os países menos favorecidos da Ásia. A queda do nível da Serie A, somada a uma grande perda de visibilidade, com a queda da Juventus e as sucessivas punições a clubes tradicionais, também se tornou pedra no sapato do mercado italiano. A Espanha, como se precisasse, ainda encanta com seu estilo de vida. É importante lembrar, aliás, da alta carga tributária italiana, que consome uma razoável fatia do rendimento dos calciatori.

Além do mais, clubes do leste europeu, que têm dinheiro proveniente de negócios tão limpos quanto estranhas privatizações ou crime organizado, hoje podem sonhar mais alto que pelo menos 80% dos clubes da primeira divisão italiana. Perder nomes velhos de guerra que poderiam lutar pela titularidade de qualquer equipe italiana, como Abbiati e Lucarelli, nem é o grande problema. O que é estranho é a perda de três jovens talentos.

Rolando Bianchi, jovem atacante ambidestro, liderou a incrível campanha que salvou do rebaixamento a Reggina, na última temporada. Valorizado, sempre disse que sua prioridade era permanecer no calcio. Mas nenhum clube italiano dispôs-se a gastar vários milhões de euros numa promessa a ser lapidada. O Manchester City entrou na jogada e levou o atacante bergamasco, que receberá um salário de €1,8 milhões por ano. Para efeitos comparativos, o mesmo que Daniele De Rossi recebe na Roma. Graziano Pellè, jóia da nazionale sub-21, também acertou sua saída, mas não para algum centro maior: o AZ Alkmaar, terceira força do futebol holandês, pagou €6 milhões ao Lecce para tirar do país mais outra promessa. E o pior: nenhum clube italiano ao menos cogitou sua contratação.

O caso mais incrível é o de Giuseppe Rossi. Seppe jogava pelas categorias de base do Parma e pela nazionale sub-17 até ser contratado pelo Manchester United por apenas €300 mil. Em janeiro, voltou ao clube crociate e liderou sua salvação, livrando o Parma do rebaixamento na última rodada. Apesar do físico franzino, a velocidade e a inteligência mostradas em campo fez lembrar o início da carreira de Del Piero. O Parma queria contratá-lo em definitivo, os irmãos Della Valle, da Fiorentina, também pareceram perto de anunciá-lo. Napoli, Milan, Juve, Inter e Roma também disseram estar de olho em Joe Red. Mas Ferguson era irredutível: Rossi seria aproveitado em Old Trafford. E acabou vendido ao Villarreal, por €10 milhões. Se sua carreira na Inglaterra não parecia ter um bom futuro, era obrigação moral dos clubes italianos repatriá-lo - ainda mais por este preço. Ele brilhará na Espanha e perderemos a chance de vê-lo em campo numa temporada extraordinária.

O caso ainda está longe de ser crítico como na França ou na Holanda, mas já é um início preocupante. Confira os italianos que estão nos clubes de primeira divisão das outras quatro grandes ligas européias:

Alemanha
Luca Toni (atacante, Bayern).

Espanha
Antonio Cassano (atacante, Real Madrid), Bruno Cirillo (zagueiro, Levante), Christian Abbiati (goleiro, Atlético de Madrid), Damiano Tommasi (meia, Levante), Emiliano Moretti (lateral, Valencia), Enzo Maresca (meia, Sevilla), Fabio Cannavaro (zagueiro, Real Madrid), Gianluca Zambrotta (lateral, Barcelona), Giuseppe Rossi (atacante, Villarreal), Morgan De Sanctis (goleiro, Sevilla), Stefano Sorrentino (goleiro, Recreativo).

França
Fabio Grosso (lateral, Lyon), Flavio Roma (goleiro, Monaco).

Grã-Bretanha
Bernardo Corradi (atacante, Manchester City), Carlo Cudicini (goleiro, Chelsea), Massimo Donati (meia, Celtic), Rolando Bianchi (atacante, Manchester City).