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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Garotos prodígios: Daniele De Rossi

Reproduzo aqui o texto que vai ao ar ainda hoje no Olheiros, sobre Daniele De Rossi. Mais tarde, uma resenha sobre a última rodada da Liga dos Campeões.

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Daniele De Rossi: O futuro capitão

Com personalidade, meia romanista tem encurtado caminhos


"Se dependesse só de mim, estaria pronto para amanhã de manhã assinar um contrato por mais cinco, dez anos, talvez até o fim de 2030. Não me imagino com outra camisa." Com frases assim Daniele De Rossi, apenas 24 anos, tornou-se o segundo nome de uma Roma que joga por espetáculo. Não só na importância dentro de campo, mas também na relação entre jogadores e torcida. Como bom romano e romanista, De Rossi possui lealdade e carisma aliados a uma boa dose de personalidade e vontade dentro de campo. Temperos indispensáveis para um ídolo capitolino.

Mas talvez nem todos pensem assim. Não por falta de informação, mas sim pela péssima qualidade da mesma ao ser transmitida pelo locutor "oficial" na Copa do Mundo. Ao acertar uma cotovelada em Brian McBride, o narrador foi enfático: "é o jogador mais violento do futebol mundial." Prova da ignorância intrínseca entre a rede-mãe e o futebol internacional.

É só o filho do técnico?

De Rossi foi levado para as categorias de base da Roma aos 14 anos, quando se destacava como atacante nos giovanissimi da Ostiamare, time amador da capital italiana. O responsável pelo traslado foi seu pai, Alberto, técnico dos allievi romanistas. Ocasião mais que propícia para os comuns boatos de que só o nepotismo levara até lá o jogador. Mas não demorou muito para o calvário de Daniele virar passado. Com apenas dezoito anos já havia disputado quatro jogos pelo time principal e marcado dois gols, estatística surpreendente para um jogador desta idade na Itália. Os gols, aliás, têm marcado sua história. Logo em sua estréia na squadra Azzurra, contra a Noruega, pelas Eliminatórias para a Copa de 2006, De Rossi só precisou de quatro minutos em campo para decretar a vitória da Nazionale.

Na temporada 2002-03, com apenas dezenove anos, De Rossi já era figura recorrente na equipe principal. Contrariando a tradição giallorossa de emprestar seus jovens promissores para que ganhem experiência em divisões inferiores, Capello o fez estrear pela Serie A, em janeiro de 2003. Mesmo com grandes estrelas no elenco, o time não conseguia convencer. Por outro lado, colegas experientes como Tommasi, Fuser, Emerson e Lima auxiliaram no processo de adaptação ao plantel principal. Cada vez mais recuado e melhorando à vista dos olhos, foi na temporada seguinte que Daniele se consagrou, substituindo Dacourt em momentos difíceis. Mesmo jogando bem, naquele ano a Roma cairia para o Milan tanto no campeonato quanto na copa.

Ascensão meteórica

Mesmo com o time sempre beirando o rebaixamento após as perdas de Emerson, Samuel e Capello, na temporada 2004-05, De Rossi foi o grande ponto de equilíbrio da equipe. Com apenas 21 anos, Daniele ajudou a dupla Totti-Montella a manter sua Roma na série máxima. Se não conseguia se firmar com Voeller nas primeiras rodadas, logo agarrou as oportunidades com Del Neri e transformou-se, no fim da temporada, em homem de confiança de Conti.

Para o próximo ano, sem o sufoco do rebaixamento e sob a batuta de um emergente Spalletti, o jovem romano podia mirar um futuro melhor. Com a lesão de Tommasi, o técnico de Certaldo o efetivou como titular absoluto da formação capitolina, e De Rossi tornou-se um dos líderes da equipe, ao ponto de, na falta de Totti e Panucci, endossar pela primeira vez a faixa de capitão em março de 2006, num encontro da Copa da Uefa frente o Middlesbrough. Ironicamente, a Roma venceu a partida, porém não se classificou. Mas Daniele se manteve na mídia ao marcar, quatro dias depois, um gol de cabeça contra o Messina após ajeitar a bola no braço. O árbitro Bergonzi havia validado o lance, mas foi advertido pelo próprio De Rossi, que pediu a anulação do mesmo.

Coroando sua temporada, Daniele guiou o time na busca das onze vitórias consecutivas na Serie A, recorde até então. Das onze partidas, o capitão Totti esteve fora de seis, inclusive da última, um dérbi contra a Lazio em fevereiro de 2006. No mesmo ano, De Rossi foi escolhido o melhor jogador jovem da competição, batendo Pasquale Foggia e Raffaele Palladino na disputa final. A temporada 2006-07 lhe garantiu afirmação definitiva tanto em cenário nacional quanto internacional. Seu temperamento distinto uniu-se a um trabalho físico especial criado pelos preparadores Bertelli e Franceschi. Formando dupla com Pizarro, Daniele provou sua inteligência tática e dinamismo, tornando-se o protótipo do meio-campista moderno. Comemorou ainda, no fim da temporada, a Coppa Italia sobre a Internazionale. Além da Supercoppa, no mês seguinte, com um gol seu, de pênalti, em pleno Giuseppe Meazza.

O próximo passo, indubitavelmente, é herdar a faixa de capitão que hoje pertence a Francesco Totti. Em Roma, o capitão sempre exerce uma influência notável. De Rossi tem consciência deste fato: "não digo que deve ser obrigatoriamente nascido em Roma, e Panucci é uma esplêndida exceção. Mas se é romano e romanista, melhor... Talvez porque sempre penso em Di Bartolomei, Giannini, ou ainda Totti". E o destino, segundo a imprensa da capital, já estaria até traçado: em julho de 2010, quando se encerra o contrato do atual capitão, Totti passaria a braçadeira a De Rossi antes de assumir um lugar na direção do clube. A última vez em que um romano herdou a faixa de outro foi em 1934, quando Ferraris IV a transmitiu para Bernardini.

Vitórias na seleção

Pela seleção italiana sub-21, De Rossi venceu o Europeu da categoria, em 2004, como titular absoluto do time de Gentile. No mesmo ano veio a medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas, bem como a estréia – e posterior afirmação – com a seleção principal. Com a confiança de Lippi, partiu como titular no Mundial de 2006, até que o infortúnio com McBride lhe custasse quatro rodadas de suspensão. Mas seu retorno ocorreu em grande estilo, quando, na final do torneio, entrou no lugar de Francesco Totti e converteu um dos pênaltis que garantiram o título azzurro sobre a França.

Hoje, além de presença constante no grupo de Donadoni, Daniele herdou a camisa dez de Totti, feito raro para meio-campistas de características defensivas. Como prova de sua liderança também na squadra Nazionale, coube a De Rossi capitanear o time misto da Itália que enfrentou a África do Sul em um amistoso, outubro último. De Rossi, assim, tornou-se apenas o sexto romanista da história a endossar a braçadeira de capitão. Tudo isso com apenas 24 anos. Chamá-lo de futuro capitão é, mais que tudo, apostar no presente.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Retornando das "férias"

Retomamos, hoje, os trabalhos no blog.

Se, por um lado, a falta de futebol na Itália pode ser considerada uma desculpa, por outro o encontro em Curitiba entre três dos quatro que aqui escrevem - ou entre os três dos três que aqui têm escrito - serviu para capitalizar este sumiço.

Com um entrosamento ainda melhor, a equipe está de volta. Com uma agradável surpresa em breve e outra já amadurecendo.

Sempre lembrando da importância de sua participação. Dê seu pitaco em nossas postagens, vote nas enquetes, mande e-mails com sugestões e críticas... Afinal, mais que qualquer outra coisa, o legal daqui é o fato de escrevermos para quem entende de verdade e busca boa informação.

Saluti!

Milan na Europa, mas nem tanto

Fechando, enfim, a enquete "Após este começo claudicante, até onde chega o Milan?", não se pode dizer que o resultado é surpreendente. Praticamente 40% entre os 26 votantes apostaram que o time terminará a temporada classificado para a Copa da Uefa, inclusive este que vos escreve. Este mau início de campeonato provavelmente fará diferença em maio, quando terá fim um dos melhores torneios dos últimos anos, pelo menos em emoção.

Se o título já é praticamente utopia, a vaga para a Liga dos Campeões é possível, com um pouco de sorte. Afinal de contas, o sprint terá de começar mais cedo que o do ano passado - a vitória sobre o Cagliari é um bom início, aliás. Porém convencer em San Siro o mais breve possível é questão de honra.

Se Roma, Inter e Juventus não devem abrir mão da vaga para a próxima Liga, cabe ao Milan, além de fazer sua parte, esperar que tanto Fiorentina quanto Udinese, que têm jogado um futebol ofensivo e convincente, tropecem em suas próprias pernas. É possível, mas não é provável. Mas vale lembrar que, para um clube com um departamento de marketing que trabalha tão bem, uma temporada apenas na segunda competição da Uefa poderia tornar-se um problema crônico. O que faz do Mundial de Clubes prioridade. Pelo menos para o pescoço de Ancelotti.

Confira o resultado final da enquete:

1. Copa da Uefa (38%, 10 votos)
2. Liga dos Campeões (26%, 7 votos)
3. Zona do agrião (15%, 4 votos)
4. Scudetto (11%, 3 votos)
5. Serie B (7%, 2 votos)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Mesmo calcio, outro caos

Torcedores sempre se encontram pelas auto-estradas italianas em dia de jogo. Por conta da proximidade das cidades, ir de automóvel, na maioria das vezes, é a maneira mais simples de se chegar ao estádio adversário. Como ocorre há décadas, torcedores de Juventus e Lazio se encontraram na região de Arezzo. Os laziali seguindo para Milão, os juventini descendo para Parma. Muitas vezes, as provocações descambam para brigas de pequenas proporções, assim como a que ocorreu neste domingo. Um policial atirou duas vezes. Na primeira, para cima, tentando dispersar os arruaceiros. Na segunda, acertou o dj Gabriele Sandri, laziale, 28 anos, jamais ligado a algum movimento ultra. Alegou ter atirado sem querer, enquanto corria. A recomendação é de ter a arma guardada no coldre, após o primeiro disparo. Intencional ou não, o estrago já está feito. Na família de Sandri, na família do policial... e, outra vez, no futebol italiano.

Sandri: 28 anos, mais uma vítima da violência no calcio

Polícia versus torcedores
O episódio que culminou na morte do inspetor Filippo Raciti no dérbi siciliano entre Catania e Palermo, em fevereiro último, foi mais um entre os vários incidentes envolvendo torcida e polícia na Itália. Porém se eternizou por 250 ultrà catanesi iniciaram um embate com as forças de ordem, numa guerrilha urbana sem precedentes dentro de um estádio. Um amistoso da Itália contra a Romênia que ocorreria três dias depois foi cancelado, mas o campeonato recomeçou normalmente. Apenas o Catania foi obrigado a jogar de portões fechados em campo neutros (Lecce, Cesena e Rimini) até o fim do campeonato.

Ações foram tomadas, o que se questiona é a efetividade das mesmas a longo prazo. Esporte e segurança continuaram a ser trabalhados de forma separada, e os stewards continuaram de mãos atadas. Estes últimos são membros de força de guarda contratados pelos times mandantes, para auxiliar na administração de seus estádios em dia de jogo, sem porte de arma ou poder de voz de prisão. Talvez nem isso adiantasse. A guerrilha foi instaurada em Roma, Milão, Taranto e Bérgamo na noite de ontem, contra policiais, civis e instituições. Mais de quarenta policiais foram feridos numa "aliança" inesperada entre as torcidas de Roma e Lazio. Por mais inapta que seja a polícia, o comportamento dos ultrà chegou a um ponto ridículo.

Questão ultra e ineficácia governamental
Difícil encontrar um adjetivo melhor que palhaçada, para este caso. O torcedor que vai a campo tem direito a assistir o jogo pelo qual pagou, torcendo, gritando, incentivando, vaiando. Mas nenhum pode tirar do outro este direito, como fizeram parte dos ultrà da Atalanta, na partida contra o Milan. Bellini e Doni ainda tentaram, sem sucesso, convencer esta parte da torcida de que os outros estádios estavam com situação normalizada, e só no Atleti Azzurri ocorria tal manifestação. A morte de um torcedor - por mais lamentável que seja - não é motivo para o cancelamento de uma partida que ocorrerá menos de uma hora depois. Faixas pedindo por justiça, cantos de luto, minuto de silêncio... Sempre há várias alternativas válidas. Encerrar uma partida já iniciada é um ato grosseiro, que mostra até onde chegam os tentáculos das organizadas italianas.

Talvez o mais certo, mesmo que não o mais agradável, seja dar os pontos da partida ao Milan, além de punir a Atalanta por outros jogos. Já se antecipando aos fatos, Ivan Ruggeri, presidente do clube bergamasco, anunciou, com uma declaração polêmica, que sua curva estará fechada: "se não resolve o Estado, eu o faço." E deu um bom exemplo de como é o relacionamento dos torcedores organizados com as autoridades. Ao ser questionado pela Sky, disse que falar com o comando dos ultrà "é como falar com um muro." O observatório da Federcalcio anunciou, também hoje, que o programa para o cadastramento dos torcedores será acelerado, o que dará uma nova configuração às torcidas. Pelo menos na teoria.

Repetir o modelo inglês no combate à violência, algo tão discutido no Brasil e na Itália, pode esbarrar nas questões culturais do país. Porém continua sendo um projeto com bastante crédito no qual se inspirar. Difícil é aguardar que, a curto prazo, os campos italianos voltem a estar lotados. Mesmo que a violência seja controlada, a péssima infra-estrutura da maioria dos estádios continuará coibindo a presença do "torcedor comum".

Paralisação do campeonato
Eis o ponto mais crítico entre as reações que se seguiram ao homicídio de Sandri. Antonio Matarrese, presidente da Lega Calcio, deixou clara em sua declaração como seriam delicadas as conversas a favor de uma paralisação: "peço aos expoentes do calcio para cogitarem a possibilidade de suspender o campeonato por algumas semanas." Entenda-se por estes expoentes as equipes que estão em competições européias (as duplas de Roma e Milão, além da Fiorentina) e a Juventus. Além do fato de que uma longa paralisação atrapalharia o desempenho destes times em âmbito europeu, a possível revisão dos contratos de patrocínio e dos direitos televisivos.

Salernitana-Ancona, jogo adiado valendo a liderança do grupo B da Serie C1, hoje ocorreu normalmente. Mas os jogos deste fim de semana pelas séries B e C foram adiados para data ainda a confirmar. A Serie A já previa recesso por conta do encontro da Azzurra com a Escócia, pelas Eliminatórias da Eurocopa. É impossível, hoje, saber o que esperar. Além das perdas financeiras e esportivas, uma suspensão do campeonato "por algumas semanas", como pediu Matarrese, pode gerar um aperto no fim do calendário, com o campeonato se encerrando muito próximo à Euro. Já uma "decisão exemplar", nas palavras da ministra das políticas juvenis e das atividades esportivas Giovanna Melandri, poderia acarretar, em última instância, um rompimento unilateral das relações entre a Federcalcio e os principais clubes. Uma liga alternativa à federação não seria uma ocorrência impossível, nessa situação.

domingo, 11 de novembro de 2007

A Europa sorri

A cada rodada, a amargura de um. Desta vez, o sol nasceu para todos. Na rodada européia dessa semana, o único italiano que saiu de campo sem comemorar vitória foi a Roma - e, ainda assim, praticamente se garantiu na próxima fase. O Manchester United já anunciou que escalará os reservas nos próximos jogos, e como os giallorossi, além de três pontos a mais, possuem vantagem no confronto direto, a vaga deve ser selada já na próxima rodada, caso o time confirme o favoritismo e bata o Dinamo, mesmo na Ucrânia. A última chance será contra o United, no Olimpico. Situação mais complicada está do outro lado da cidade eterna, mas pelo menos desta vez a classificação depende apenas da Lazio. Ou das orações de algum benzedeiro carcamano, porque, mesmo com o segundo lugar em seu grupo, conseguir uma classificação com um sem-número de lesionados é um feito incrível. Os laziali, na seqüência, encaram o Olympiacos em casa e o Real Madrid no Bernabéu.

Em Milão, as duas classificações devem sair em questão de tempo. O Milan lidera o grupo e, com uma vitória sobre o decepcionante Benfica na rodada, praticamente se garante em primeiro. O último jogo é contra o Celtic, no San Siro. Já a Inter, que parecia se complicar no início do torneio, venceu suas últimas três partidas e basta empatar com o Fenerbahçe, na próxima rodada, para praticamente assegurar sua classificação. Um outro empate, porém contra o PSV, na Holanda, é o suficiente para os nerazzurri alcançarem as oitavas. Um degrau abaixo, na Copa Uefa, a Fiorentina terá dois jogos para vencer um e se garantir na fase final - AEK, em Atenas, e o azarão tcheco Mladá Boleslav em casa. Se depender do que o time tem mostrado na competição, mesmo com time misto, a meta será a final no City of Manchester.

Shakhtar Donestk 0-3 Milan
Sete brasileiros entre os titulares das duas equipes, mas uma bola na trave de Ambrosini, no primeiro tempo, foi o máximo de emoção da partida antes do intervalo, com domínio do Shakhtar. Mas a entrada do talismã Inzaghi, durante o segundo tempo, outra vez ajudou o Milan a deixar o tédio de lado - e em alto estilo. Vale lembrar que, nos dias anteriores à partida, Pippo havia trocado farpas com Ancelotti pela imprensa, questionando o banco nas últimas semanas. Com seus dois gols na partida gélida em Donetsk, porém, Inzaghi chegou aos 62 gols na Liga dos Campeões, igualando-se a Gerd Müller como recordista do torneio.

Inzaghi: com a doppietta, bomber se eterniza na história da Liga

Lucescu sacou Lewandowski minutos antes do jogo, optando por Hubschman. Porém foi a surpresa de Ancelotti que causou mais efeito. Serginho na lateral esquerda atacou com eficiência, mesmo deixando a defesa desguarnecida em algumas oportunidades. E o italiano novamente se superou nas substituições: ao sacar o (desta vez) inócuo Gilardino a favor de Inzaghi, Ance garantiu a vitória. Seu primeiro gol surgiu dos pés de Pirlo, que desarmou Fernandinho e lançou para Pippo na grande área matar o goleiro Pyatov. E foi Inzaghi que serviu de pivô para Kaká ampliar, pouco depois. Já nos acréscimos, o brasileiro retribuiu o favor e, com o gol escancarado, preferiu tocar para que Pippo atingisse seu recorde com dois gols, olhem só, de pé direito. O Shakhtar sempre esteve com mais volume de jogo. Mas o Milan e seu artilheiro, na Europa, são inconfundíveis.

Lazio 2-1 Werder Bremen
A Lazio - surpresa! - ainda está viva na Liga. Delio Rossi, antes do jogo, pediu a seus comandados uma partida disputada com o coração e com o orgulho, para tentar curar as mágoas dos três maus resultados anteriores. E os aquilotti venceram merecidamente, numa partida em que dominaram por completo. Seja pela vontade contagiante de Rocchi, pela noite mágica de Meghni ou pelos desarmes certeiros do sempre regular Ledesma. E pensar que o coração do torcedor laziale deve ter ficado na mão quando o nervosismo do time garantiu três cartões antes dos dez minutos principais.

Rocchi: recuperado de última hora, de volta às redes do Olimpico

Sem Pandev, Rossi optou por Makinwa. No papel, um time parecido com o da última temporada. Se não fossem os faltosos três dos principais representantes daquela espinha dorsal: Peruzzi, Siviglia e Mauri. Em seus lugares, vontade de vencer. Postura provada no primeiro gol de Rocchi, quando o punta praticamente dividiu com o goleiro Wiese para pegar o rebote de seu pênalti falhado. O segundo tento saiu num lançamento de 50 metros de Meghni para Rocchi vencer a zaga do Werder na corrida e anotar sua dopietta. No fim do jogo, Cribari ainda fez pênalti em Diego e foi expulso. O meia também levou vermelho ao querer iniciar briga em campo. Vitória na batalha, problemas para a guerra: a suspensão de Cribari e a lesão de Zauri se unem aos intermináveis problemas na formação do elenco laziale.

Inter 4-2 CSKA Moscou
Pouca torcida para acompanhar a Inter no Giuseppe Meazza. E sofrer, antes de comemorar. Primeiro, graças aos erros da defesa nerazzurra e a Vágner Love; depois, graças à dobradinha Ibrahimovic-Cambiasso. Pela primeira vez na Liga, Mancini pode escalar sua linha defensiva titular, com Maicon, Córdoba, Samuel e Chivu - considerando a longa lesão de Materazzi, claro. Sem Figo e Stankovic, Zanetti e Samuel fizeram o setor externo. E Crespo retomou seu lugar no ataque de forma inócua, até a entrada de Cruz, que mudaria a história do jogo. No CSKA, Akinfeev finalmente retornou à equipe, atrás de três zagueiros. Na frente, o trio Daniel Carvalho, Jô e Vágner Love.

Zanetti e Cambiasso: outra ótima apresentação da dupla, sempre regular

O primeiro gol russo pegou a Inter de surpresa e fez os comandados de Mancini seguirem atônitos até o segundo. Mas a passagem de Love à frente de Córdoba foi o último motivo de comemoração do CSKA. Até porque Ibrahimovic precisou de apenas um minuto para desviar cobrança de falta de Chivu. E mais outro minuto até que Cambiasso recebesse de Maicon na grande área para empatar o jogo. A Inter ainda pressionaria durante o resto do primeiro tempo, então Gazzaev sacou Jô para trancar sua equipe. Não esperava, claro, pela entrada do giardinero Cruz. Com duas assistências do argentino após passes de Chivu, Ibra e Cambiasso fecharam a partida a favor dos italianos mais internacionais que já se teve notícia. Com um pé nas oitavas.

Sporting 2-2 Roma
"
Un grande maestro, grandi ricordi, ciao Barone!" - assim cantava a torcida romanista a plenos pulmões, antes da partida de Lisboa, na qual a Roma subiu com faixas negras em luto por Liedholm. Ainda sem Totti, jogo de vida ou morte para o futuro de Roma e Sporting na competição. Além do capitano, os giallorossi ainda entraram sem Taddei, Aquilani, Panucci e Tonetto, lesionados. Pelas laterais, Cicinho e Cassetti, improvisado. Na linha de três do meio, Mancini, Perrotta e um sempre deslocado Giuly, pela esquerda. À Roma bastava um empate, para o Sporting só a vitória interessava. E o caminho romanista parecia se tornar límpido após o golaço de Cassetti, de fora da área, antes dos cinco minutos. Apenas parecia.

Juan, Doni e Mexès: romanistas incrédulos após falha no primeiro gol

Outra vez a Roma considerou vencida uma partida com apenas um gol de diferença, e entregou o campo ao adversário. E os leões logo encontraram o empate: Juan não conseguiu cortar um cruzamento baixo da direita, Mexès antecipou-se mal a Doni e o lance terminou com os dois no chão e uma bola nas redes, por Liédson, anotando seu centésimo gol com o clube português. A pressão do Sporting durou toda a partida, mas só deu resultado no segundo tempo, quando Izmailov recebeu um escanteio rápido para cruzar para Liédson, novamente, antecipar-se a Juan e firmar a virada. Encolhida e assustada, a Roma praticamente não voltou a atacar. Mas a sorte esteve do lado giallorosso. Nos últimos minutos, Pizarro chutou com violência e a bola ainda bateu na cabeça em Polga antes de enganar o goleiro Tiago e confirmar o empate. Com gosto de vitória, apesar do péssimo futebol apresentado.

Fiorentina 6-1 Elfsborg
Prandelli, poupando seus jogadores para a continuidade da Serie A, surpreendeu ao escalar a Fiorentina pela primeira vez na temporada num 4-4-2. Semioli foi recuado, e compôs a dupla de esterni com Jorgensen, primeira partida de titular após a grave lesão que o tirou dos gramados por quatro meses. Os dois fizeram grande exibição. Outro a surpreender positivamente foi Vanden Borre, utilizado na lateral direita. Aliás, difícil encontrar alguém que não vá bem quando o time vence com cinco gols de diferença. Prova disso é Osvaldo, o mais apagado do time, dono de uma assistência incrível para Vieri marcar em seu melhor estilo centravanti logo aos cinco minutos.

Vieri: outro gol europeu coloca, em definitivo, Bobo de volta à grande fase

Mas o de Vieri foi apenas o segundo gol, Jorgensen já havia marcado após cruzamento de Semioli. A Fiorentina, então, guardou na barriga o instável Prodi (na falta de um rei...) e o gol de Ishizaki, para o Elfsborg, aproveitando falha de Balzaretti, por pouco não causou mais problemas. Prandelli deve ter sido claro no intervalo: a partida viola recomeçaria a todo vapor, durando os 45 minutos seguintes. Donadel ampliou com um tirambaço, e o poker veio com Kroldrup, desviando falta de cabeça. Ao fim do jogo, Jorgensen fez sua doppietta pessoal e ainda deu espaço para o jovem Di Carmine marcar seu primeiro gol como profissional. E a Fiorentina segue firme na Uefa. Se é time misto, está sempre quente.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Liedholm eterno

Valdemarsvik, 8 de outubro de 1922
Cuccaro Monferrato, 5 de novembro de 2007

(La Reppublica)

*Leia também: Jogadores - Nils Liedholm

Liedholm foi jogador e técnico. Com a bola nos pés, formou ao lado de seus compatriotas Nordahl e Gren o trio Gre-No-Li, responsável pelas grandes conquistas do Milan no início da década de 1950. Pela seleção sueca, marcou o primeiro gol da final da Copa de 1958, contra o Brasil de Pelé e Garrincha, feito do qual sempre se orgulhou. Dono de uma extraordinária visão de jogo e com um toque de bola perfeito, Liedholm contava que, certa vez, todo o estádio se surpreendeu ao vê-lo errar um passe - coisa que não ocorria há dois anos.

Como técnico, foi tão ou mais importante do que como jogador. Pelo Milan, conquistou o décimo scudetto da história do clube, na campanha que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de Baresi. Pelo Verona, guiou o clube de volta à Serie A; e fez o mesmo pelo Varese. Pela Fiorentina, foi o responsável pela contratação de Antognoni, junto ao Asti, da Serie C e por montar a base do time que bateria o Milan na final da Coppa em 1975. Pela Roma, venceu o segundo scudetto do clube, implementou uma nova mentalidade ao calcio e tirou o clube do antigo status de Rometta.

Liedholm ao centro, acompanhado de Falcão e Cerezo (Pagine Romaniste)
Apaixonado por carros e vinhos, em 1989 deixou a squadra giallorossa para cuidar de sua vinícola na Alessandria, mas voltou ao banco por duas vezes: em 1992, para uma tentativa mal-sucedida de salvar o Verona do rebaixamento e em 1997, para substituir Bianchi no comando da Roma, também ameaçada pela serie cadetta. Sempre bem humorado, em uma entrevista à Guerin na década de 80 disse que sua maior qualidade era não contar mentiras. Mas que seu maior defeito era não conseguir fazer com que acreditassem nisso.

Em sua coluna de hoje no Zero Hora, Falcão contou um pouco de seu relacionamento com o barone, bem como uma curiosidade sobre jogadores librianos: "Liedholm gostava de dizer que os melhores jogadores da história eram do signo de Libra: ele mesmo, Pelé, Maradona e este seu pupilo. Não sou dos mais crentes em astrologia, mas é uma honra integrar esta turma". Para ler a coluna por completo, clique aqui. Para os com italiano afiado, aqui está uma coletânea de frases no Il Romanista.

Prova de sua importância está nas homenagens prestadas por Juventus e Inter. Liedholm não foi crucial apenas para a história de Milan e Roma. Com ele e por ele, o calcio iniciou sua renovação.

Junto de Berlusconi, em visita ao Papa João Paulo II (Gazzetta)

Batendo cabeças

11ª rodada, o fim de semana dos empates. Sete jogos em dez terminaram sem um vencedor. Bom para a Fiorentina, que subiu para a segunda posição. E péssimo para a Lazio, que vê uma classificação européia cada vez mais distante - e a zona de rebaixamento, por sua vez, sempre mais próxima.


Milan 0-0 Torino
Lucro, somente nas bilheterias. A torcida do Milan compareceu em peso no San Siro para ver o time, novamente, ficar no quase. Méritos para a defesa liderada pelo capitão Comotto, que faz um ótimo início de temporada e já tem seu retorno especulado na Roma. Também destaque para o goleiro Sereni, que no último ano não foi utilizado na Lazio, mas que neste tem se tornado peça fundamental do time de Novellino. Di Michele, finalmente estreando ao lado de Rosina, pouco trabalho deu a Dida.

Ambrosini: se nem o mito milanista tem marcado no San Siro...

Com Oddo e Jankulovski lesionados, Ancelotti foi obrigado a pôr em campo Cafu e Favalli. As jogadas laterais do Milan, já incomuns, praticamente se extinguiram. Kaká, em mais uma noite desinspirada, praticamente não causou problemas à defesa granata, ao contrário de Pirlo, melhor rossonero em campo. Inzaghi ainda entrou no segundo tempo da partida, mas a maldição do San Siro continua em pé: agora são seis jogos em casa sem vitória pela Serie A. Ou oito, se contarmos os dois últimos da temporada 2006-07.

Napoli 1-1 Reggina
Jogo que marcou o retorno do interminável Renzo Ulivieri à Serie A. O novo comandante da Reggina, em substituição a Ficcadenti, conseguiu um ótimo resultado no San Paolo. O Napoli só conseguiu o empate nos acréscimos do segundo tempo, com o pocho Lavezzi, melhor partenopeo em campo, anotando seu primeiro tento no estádio. A Reggina, que pediu falta em Campagnolo no lance, havia aberto o placar com um gol de cabeça de Vigiani após escanteio de Hallfredsson. Campagnolo, aliás, parou todas as oportunidades agudas do Napoli com boas defesas. Inclusive um pênalti de Calaiò, que tirou a bola do cobrador oficial Domizzi para mandar em suas mãos.

Ainda festejando a vitória sobre a Juve, o Napoli caiu dentro do San Paolo

A Reggina, porém, ainda não venceu no campeonato. E a permanência do ídolo Cozza no banco durante toda a partida causou alguns constrangimentos nas entrevistas pós-jogo. O Napoli, por outro lado, com apenas cinco pontos nas seis últimas partidas, vê o sonho de retornar à Europa cada vez mais distante. Mesmo assim não convém duvidar de um time que tem um jogador do nível de Lavezzi em tão boa fase.

Juventus 1-1 Inter
O retorno do derby d'Italia ocorreu em grande estilo. Se não um jogo de grande qualidade técnica, ao menos uma partida bastante disputada. Ranieri armou sua Juve no ataque, e sua alta linha defensiva pôs o ataque nerazzurro em nove impedimentos apenas no primeiro tempo. A mesma defesa, porém, foi pega em contrapé num lançamento de César para Cruz abrir o placar. Com Iaquinta começando no banco, a Juventus viu um retorno do 4-4-2, com Nedved e Palladino nos flancos. Já Mancini optou por Zanetti no centro, com a dupla Chivu e César do lado esquerdo; Maicon e Figo pelo direito.


Julio Cruz abriu o placar e anotou seu sexto gol sobre Buffon

Quente em campo e fora dele. A partida se iniciou com quinze minutos de atraso após o ônibus da Inter ter sido atingido por ovos e latinhas de torcedores da Juventus. Três torcedores bianconeri ainda foram detidos antes do jogo por iniciar coros contra Ibrahimovic. O sueco, aliás, foi visto como alvo também por quem estava em campo. Pará-lo era questão de honra, e Chiellini o fez em grande estilo. A Juve, porém, só conseguiu o empate num chute de Camoranesi desviado na defesa, após Palladino debulhar Grygera nos dribles pela esquerda.

A arbitragem ainda falhou na não-marcação de dois pênaltis, um sobre Del Piero e outro sobre Cruz. Mas destaque para o fair play de Ranieri. O árbitro Rocchi deu um cartão amarelo para Júlio César, que estaria retardando o recomeço da partida. Mas Ranieri informou ao quarto árbitro que o goleiro estava apenas esperando a bola, que não chegava, e o cartão foi cancelado. Ranieri, definitivamente, ainda não entrou no clima dos grandes clássicos.

Lazio 0-1 Fiorentina
Em pleno Estádio Olímpico de Roma, a Lazio mostrou novamente um time frágil, e sem o mesmo brilho do ano passado, quando fez uma campanha digna da vaga conquistada na CL, sobretudo na reta final do campeonato. Resta à torcida biancoceleste torcer por uma semelhante retomada nessa temporada também, pois só assim para espantar os fantasmas que rondam a equipe de Delio Rossi.
Não pode-se dizer porém que o jogo foi feio, ou que a Lazio fez uma partida terrível, pelo contrário, a partida foi bem equilibrada, tendo sida decidida numa falha individual de Ballotta. O goleiro de 43 anos da equipe romana tentou evitar um escanteio após um recuo de cabeça do Cribari, mas não contava com o oportunismo de Pazzini, que estava no lugar certo na hora certa. O atacante não teve dificuldade nenhuma em roubar a bola praticamente da mão do arqueiro, e empurrar pra dentro do gol.
Ambas equipes não estavam no seu máximo, o time viola começou sem Vieri, e sem Mutu. Já a Lazio ainda continua desfalcada sem Mauri, que faz uma falta enorme ao time da capital.
Vergonhoso ter que ressaltar que novamente a Curva Nord foi protagonista de um episódio lamentavel, gritando coros xenófobos contra o jogador romeno Adrian Mutu. [DB]

Parma 2-2 Siena
A equipe parmegiana não conseguiu fazer valer o fator 'casa' e deixou o Siena empatar a partida após ter a vantagem no placar duas vezes. No primeiro tempo gols de Corradi e De Ceglie, e na segunda parte gols de Matteini e Galloppa.
Num embate entre duas equipes próximas do fim da tabela, o Parma foi o time que começou buscando o resultado, apertou desde o primeiro tempo e abriu o placar aos 23' após boa jogada do brasileiro Reginaldo, mas 10 minutos mais tarde faria diferença a qualidade de Locatelli que com um magnífico lançamento deixou De Ceglie na cara do gol, e o ex-juventino mandou pras redes com um bom chute de esquerda.
No segundo tempo, fizeram-se sentir as alterações dos técnicos. Di Carlo lançou em campo o Matteini pelo Parma, e foi justamente ele quem colocou a equipe novamente em vantagem. Mandorlini foi para o tudo ou nada, e colocou em campo Bucchi e Frick para formar o tridente ofensivo, e obteve resultados. A equipe bianconera ficou mais ofensiva, e acreditando até o final chegou ao empate com um chute de Galloppa, ex-Roma, desviado no meio do caminho. [DB]

Catania 1-2 Atalanta
Ci pensa Langella! Com dois gols em dois minutos, o esterno sinistro nerazzurro conseguiu colocar a Atalanta em posição privilegiada. Com 18 pontos, a equipe comandada por Del Neri já ocupa a sexta posição na tabela. O Catania ainda se vê em regular campanha, visto que a squadra de Baldini tem 14 pontos e localiza-se ao lado de Milan, Genoa e Sampdoria na nona posição.
No jogo, nada de muito inesperado quando, aos 24 minutos, a Atalanta conseguiu um pênalti a seu favor - totalmente inesperado quando Cristiano Doni desperdiçou-o e, ainda no 0 a 0, lamentou-se da grande oportunidade perdida. O primeiro tempo permanecera sem gols.
No segundo período, um jogo mais agitado que, após 13 minutos do retorno do intervalo, teve o seu primeiro tento: Antonio Langella, recebendo cruzamento de Doni na direita, consegue estar totalmente sozinho para finalizar a gol e abrir o placar. Dois minutos depois, de novo Doni acha Langella, que, de novo, conclui para as redes do Stadio Angelo Massimino.
Para desespero do time de Bergamo, aos trinta e nove minutos de segundo tempo, Spinesi, sempre ele, acerta um gran destro e emociona a partida. Porém, não foi o suficiente para os donos da casa recuperarem o marcador e saírem de campo derrotados.

Exaltação após o segundo gol.
"Venho de um ano complicado, cheguei na Atalanta para me relançar. No Cagliari, jogava de punta, aqui, como esterno, devo correr mais e dar uma mão à defesa. Assim, quando consigo marcar é mais gratificante. No início, tive algumas dificuldades, com o passar do tempo consegui mais minutos em campo e as coisas melhoraram. Está indo tudo bem, o mérito é de toda a equipe".
Langella, 30 anos, o herói da partida, à Gazzetta dello Sport. [MR]

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Momento Band

Interrompemos nossa transmissão habitual para anunciar três novos endereços na web, todos na nossa coluna direita.

O primeiro é o retorno de Gian Oddi às postagens depois de um mês. Coordenando a operação de reforma do iG, ele deixa a Placar para dar uma nova cara ao A Bola na Bota, provavelmente o primeiro blog dedicado exclusivamente ao calcio em língua portuguesa. Só nos resta esperar que o ritmo de atualizações se mantenha constante - tanto por aqui quanto por lá, aliás.

Novidade é a cobertura do futebol feminino por Mozart Maragno, no Futebol das Mulheres. Blog de destaque a partir da goleira norte-americana Solo, comentado por quem entende do assunto de verdade e tem insistido em pedir apoio (haja eufemismo!) da CBF para que essa talentosa geração brasileira não passe em branco nos torneios internacionais.

Outra aposta na rede é o Olheiros, portal dedicado com exclusividade às categorias de base. Na ótima equipe, Dassler Marques, Marcus Alves, Gustavo Vargas, Maurício Vargas, Mozart Maragno, Nuno Almeida, Rafael Reis e Leandro Guimarães. Mensalmente, aliás, este que vos escreve fará uma aparição em alguma das seções. Na minha estréia, a Fique de Olho aborda não só o futebol, mas também as controvérsias envolvendo o jovem Russotto. Confira um aperitivo da coluna:

Em âmbito nacional, Andrea Russotto é uma das maiores esperanças para o futuro da Squadra Azzurra. A seu lado estão nomes mais conhecidos, como Daniele Dessena (Parma) e Giuseppe Rossi (Villarreal-ESP). Revelado no vivaio da Lazio, talvez Russotto pudesse ter encontrado um caminho menos tortuoso na carreira. E "talvez", no futebol italiano, quase sempre dá idéia de algum fator extracampo. Não foi diferente com o jovem romano.

Destacando-se pelos giovanissimi da Lazio e pelo selecionado sub-16, Russotto foi contatado pela Gea, sociedade de empresários italianos ligados ao futebol, como Alessandro Moggi e Andrea Cragnotti. Por sua notável influência na área, a Gea assistia a mais de 150 nomes nas duas primeiras divisões italianas, com direito a nomes do nível de Nesta, Materazzi e Mancini (nota: após o Moggiopoli, há pouco mais de um ano, a Gea se desintegrou e hoje cada um de dos empresários cuida pessoalmente de seus clientes). Ir contra a Gea aos quinze anos, porém, era como desistir da carreira de jogador profissional. E por muito pouco Russotto não teve esse destino.

Para lê-la por completo, é só clicar aqui.

Mas já?

Fechando, enfim, a enquete "Entre os jogadores com chances frente à África do Sul, qual você gostaria de ver nas Eliminatórias da Euro '08?", o resultado, confesso, me surpreendeu. Entre os cinco nomes, Montolivo foi eleito com mais de 40% dos votos.

Um dos pilares da Fiorentina (e apenas 22 anos!), o meia de Caravaggio tem se consagrado no meio-de-campo a três armado por Prandelli. Com uma técnica apurada, bons passes e lançamentos, e uma visão de jogo acima do normal, Montolivo também tem se dedicado bastante à marcação num esquema ultra-ofensivo para os padrões do calcio. Talvez sua maior falha, hoje, seja a sua finalização a gol.

Por melhor que seja a fase, porém, difícil acreditar numa aposta a longo prazo de Donadoni nas atuais circunstâncias. Até porque é complicado esperar que Montolivo estreie com força total na Azzurra. E mais ainda aguardar paciência de quem está com a corda no pescoço.

Confira o resultado final da enquete:

1. Riccardo Montolivo (41%, 7 votos)
2. Cristiano Lucarelli (23%, 4 votos)
3. Alessandro Rosina, Giorgio Chiellini, Stefano Mauri (11%, 2 votos cada)

domingo, 4 de novembro de 2007

Cavar a própria cova.

Pipocar, amarelar, entregar, tremer... gírias e adjetivos do futebol perfeitamente encaixáveis com aquele time que, há tempos, joga um futebol agradável, ofensivo e bonito... e não ganha nada expressivo.
A Roma provou, mais uma vez, que o fator mentalidade, ou simplesmente camisa, é diferencial em um campeonato de futebol, principalmente naqueles de pontos corridos. A squadra comandada por Luciano Spalletti consegue encantar e envergonhar seus próprios torcedores em períodos recordes de tempo. Abaixo, um breve resumo do porquê deste post.

Roma 2-2 Juventus
IV giornata
domingo - 23.09.2007

Clássico aguardado, emocionante do início ao fim, como não poderia deixar de ser. A Juve abre o placar em contra-ataque fulminante e cruzamento de Iaquinta para Trezeguet. Pouco tempo depois, Francesco Totti se livra de Criscito no jogo de corpo e, com tranqüilidade, finaliza para o gol de Buffon. Ainda no primeiro tempo, depois de jogada embolada da direita para o centro e vários rebotes, Francesco Totti novamente deixa o seu e vira o placar para os giallorossi. O Stadio Olimpico explode e seus torcedores também. No segundo tempo, Cicinho comete pênalti besta em Nedved. Ansiedade e expectativa cercaram o rigore de Del Piero, que, assim como sua partida, foi péssimo, isolando a bola. O lance daria mais confiança ainda à Roma. Jogo definido? Era o que parecia, até que, aos 88 minutos, Cicinho consegue a proeza de uma reversão lateral. Um lance aparentemente inofensivo, que culminou no cruzamento e cabeçada de Iaquinta, de costas para o gol, encobrindo o goleiro Doni. Rebosteio total da defesa, que deixou o ex-Udinese subir sozinho.

Iaquinta se antecipa com facilidade e encobre goleiro Doni.

Fiorentina 2-2 Roma
V giornata
quarta-feira - 26.09.2007

Impossível dizer que seria um jogo fácil, tanto para os mandantes, que não perdem em sua casa desde outubro do ano passado, quanto para os visitantes, que haviam perdido a defesa invicta e os 100% de aproveitamento na rodada anterior. A Roma inicia muito bem, e, aos dezenove minutos, abre o placar com Mancini. A vantagem só duraria cinco minutos, porque Gamberini diminuiria para os viola. Ainda no primeiro tempo, Giuly, em boa jogada romanista, põe os giallorossi de novo à frente no marcador. Até que, aos 38 minutos de segundo tempo, Ferrari faz isso:

Christian Vieri, no ápice de sua forma, corta para o meio, e Ferrari, zagueiro titular da Azzurra, sabendo que tomaria o gol pelo oportunismo e capacidade física do atacante, força uma falta fora da área para salvar a pátria, mesmo sabendo que seria expulso por ser o último homem. Verdade? Não. Christian Vieri, aos trancos e barrancos, corta para sua perna esquerda e perde um pouco do ângulo, enquanto isso, a defesa vinha se recompondo do outro lado da área. Ferrari, em um colapso de... Ferrari, comete uma infração totalmente desnecessária, que custaria nada menos que mais dois pontos à sua equipe.

Roma 4-4 Napoli
VIII giornata
sábado - 20.10.2007

Já dizia todo mundo, errar uma vez é humano, persistir no erro é burrice. E a Roma não só foi burra uma vez, como o fez por três vezes. Com o Stadio Olimpico vazio por conta de medidas de segurança, o Napoli fulminantemente abre o placar com Lavezzi, aos dois minutos. Aos trinta, Pizarro sofre pênalti claríssimo e Totti converte. No final do primeiro tempo, Perrotta, em posição duvidosa mas legal, vira o jogo para os romanistas. Voltam as equipes para a segunda etapa, e, junto delas, o primeiro erro romanista: Com quarenta segundos de jogo, a defesa não se acerta e, na dificuldade de isolar a bola, a mesma sobra para Hamsik, em partidaça, empatar a partida. Seis minutos depois, De Rossi arrisca um chute a trinta metros do gol, e Iezzo, em péssima noite, aceita um peru: 3 a 2 para a Roma. Aí vem o segundo pecado, doze minutos depois, Gargano acerta um petardo 'nem tão petardo assim' e Curci aceita. Aos oitenta minutos, uma falta contestável dá a chance dos giallorossi ampliarem: Pizarro enche o pé e conta com pequeno desvio da defesa para matar Iezzo. A Roma aparentemente mataria a partida. Aí, para surpresa geral da nação (ou não), Zalayeta aproveita-se de cruzamento em uma falta na linha de fundo e põe a bola nas redes, demonstrando excelente impulsão. Mais um balde de água fria para a squadra da capital.


O serviço da partida.

Empoli 2-2 Roma
XI giornata
domingo - 04.11.2007

Inacreditável, se ambas as equipes se enfretassem duzentas vezes, seria mais provável a Roma vencer duzentas e uma. Jogando com um time misto e, mesmo assim, de forma muito fácil, os giallorossi abrem o placar com Giuly, após receber bom passe de Pizarro. Com muita, muita, muita facilidade quando apertava, a Roma chegou ao segundo gol com Brighi, após jogada fantástica de Mancini pela esquerda. Na volta do intervalo, Spalletti, ativando seu modo estou com medo, tira de campo o francês para dar lugar a Tonetto, concentrando mais a marcação e, teoricamente, liberando Cicinho. O tempo passava e os únicos lances emocionantes eram as briguinhas entre Mancini e Raggi, esse segundo que injustamente não foi expulso de campo. Aos sessenta e nove minutos de jogo, Vannucchi, sempre ele, acerta um tirambaço e Doni fica parado, um golaço que daria nova vida à partida. Mais que isso, a Roma insistia em perder gols fáceis, criando facilmente oportunidades incríveis. De gota d'água, Vucinic entrou cara-a-cara com o goleiro Bassi (pela segunda vez), e, com grande chance de cortar e sair de frente para o gol vazio, preferiu chutar terrivelmente para fora. Crônica de uma morte anunciada para um time que, ao levar o jogo com total displicência, permitiu ao Empoli grande chance de pontuar. E o pior aconteceu. Aos noventa e três minutos, em falta muito duvidosa, Giovinco, naquele famoso "chutou ou cruzou?", acertou as redes do absurdamente mal-posicionado Doni. Dois a dois, talvez a pior ducha de água fria, levando-se em conta a diferença ocêanica de nível entre os dois times.

E assim, desperdiçando oito pontos, a Roma segue em terceiro lugar, aguardando o derby d'Italia à tarde entre Juventus e Internazionale. Neste exato momento, poderia ocupar a liderança isolada, até com certa folga em relação aos demais.

Tudo culpa do horário de verão [2]

Peço desculpa pela ausência e pela demora, mas é tudo culpa do horário de verão...(e da rodada ser no meio da semana... e da semana de provas na faculdade... e zás-zás... foi sem querer querendo.)

Eis aqui um breve relato das partidas da 10ª rodada do campeonato italiano. (prometo em breve um relato um pouco mais detalhado sobre o grande Derby del Cupolone)

Atalanta 2-2 Cagliari
Doni salva. Mais uma vez Cristiano Doni resolve os problemas para o time nerazzurro, marcando um belo gol, após o time visitante estar duas vezes à frente no marcador. Cagliari bem que se esforçou, mas um empate já não foi um mal resultado, o time respira (mais ou menos) aliviado, fora da zona de rebaixamento. Atalanta por sua vez conseguiu um pontinho importante, que deixa a equipe na zona de classificação pra Copa Uefa, acima de times como Palermo, Napoli e Milan.

Fiorentina 1-0 Napoli
Belíssimo jogo em Artemio Franchi, duas equipes bem estruturadas, e com um bom sistema ofensivo. Participações boas também dos defensores, destaque para Cannavaro pelo Napoli, e para um sempre ótimo Frey pela Fiorentina, responsáveis pelo placar zerado no primeiro tempo. Vieri também merece destaque, fez seu primeiro jogo como titular depois de 2 anos amargando bancos, e foi justamente ele que fez o gol da vitória, recompensando a confiança nele depositada pelo técnico Prandelli.

Inter 4-1 Genoa
Ao contrário do Milan, a Inter vem se dando muito bem no Giuseppe Meazza, e desta vez não foi diferente. 4 gols, vitória convincente sobre um 'não-tão-fraco' Genoa. A Inter abriu 2-0, e no segundo tempo o gol do Genoa diminuindo pro 2-1 não chegou a incomodar a equipe nerazzurra que logo em seguida fez o terceiro acabando com o que restava da esperança dos grifoni.

Juventus 3-0 Empoli
Eis outro time que não bobeia em casa, principalmente contra times que não são lá tão expressivos. A temporada de caça à Inter continua. E a vecchia signora, tanto pelo peso da camisa e da história, como pelo espírito vencedor e qualidade do elenco tem forças pra brigar até o fim. Marcadores? Trezeguet, Trezeguet, Trezeguet.

Palermo 1-1 Parma
Mesmo fora de casa, o time do Parma conseguiu mostrar muita personalidade, e após abrir o placar se fechou muito bem atrás, diminuindo o espaço para as jogadas do time da casa. Este por sua vez não fez uma partida brilhante, e saiu no lucro de ter conquistado o empate no finalzinho com Amauri convertendo uma penalidade máxima.

Reggina 1-3 Livorno
Reggina tentou até apelar pra superstição, e entrar com uma camisa diferente em busca da sua primeira vitória no campeonato. Nada feito, quem conseguiu a primeira vitória foi o Livorno, com boa atuação do jovem goleiro Amelia, que segurou o ímpeto inicial da equipe de Reggio Calabria. O primeiro tempo terminou empatado, e na segunda etapa um gol contra rendeu o goleiro Campagnolo que nada pôde fazer e viu seu time perder mais uma.

Sampdoria 0-5 Milan
Resultado mentira. Doppietta do Gilardino novamente é igual a uma mentira. Para uma análise mais completa vide post do Braitner especial sobre o Milan.

Siena 1-1 Catania
Honestamente, o Catania é um time que vem me surpreendendo positivamente neste campeonato, após um começo meio turbulento, a equipe conseguiu somar seus pontinhos e esse jogo não foi diferente. Maccarone disperdiçou um pênalti novamente, e viu o promissor time bianconero se aproximar da zona de risco do campeonato, mesmo apresentando um futebol justo.

Udinese 2-1 Torino
Udinese vem confirmando as especulações de poder ser uma quinta, ou quarta força no campeonato. Em boa parte por méritos próprios mas também com uma ajudinha do Milan, que não está fazendo jus a sua história. Floro Flores marca seu primeiro gol nessa temporada e comprova que pode ser uma alternativa interessante para o ataque zebbrette, só não marcou mais porque Sereni fez uma partida memorável, se desdobrando para tentar conter as finalizações dos friulani.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Vai e vem e volta e volta e vai e vem

Diria bem José Simão: "buemba, buemba! Milan em crise!" Porque uma goleada surpreendente não traz de volta a chance de um bom planejamento. Mesmo que seja sobre a Sampdoria, mesmo que seja no Marassi.

No fim de agosto, este que vos escreve apostou numa fase de transição para o Milan, mesmo com dezenas de especialistas apontando o contrário. Mas, queira ou não, os maus resultados deste início da temporada tiveram a honra de inaugurar o prólogo desta fase. Não vencer nenhuma das cinco primeiras partidas do campeonato jogadas no San Siro é feito digno de nota. A última vez em que isso ocorreu foi na temporada 1981-82 (empates com Fiorentina, Como e Genoa; derrotas para Juventus e Inter). E, naquele ano, o Milan terminou a Serie A rebaixado.

Um mau auguro? Claro que não. As coincidências só chegam até o fato de o Milan contar com nomes do nível de Tassotti, Collovatti, Baresi, Maldera e Evani em seu elenco, todos campeões indiscutíveis, assim como os titulares de hoje. A partir daí vale lembrar que o prazo de reação do Milan foi bastante menor. Naquela época, apenas dezesseis equipes disputavam a série máxima. Ou seja, o Milan deste ano tem oito jogos a mais para se recuperar, além de mais equipes de menor nível para vencer. Se o que não falta hoje são campeões, sobra experiência. Por mais que esta seja sempre bem-quista, há sempre um equilíbrio a ser buscado. Ter dezesseis jogadores acima dos 30 anos num elenco com 26 atletas definitivamente não é o caminho.

Maldini: contra Empoli e Roma, dois jogos abaixo da crítica

Desastre anunciado? Longe disso. Até porque, mesmo com todas as declarações apontando para o outro lado, a meta do Milan para esta temporada jamais foi o scudetto, mas sim repetir a façanha na Liga dos Campeões e garantir vaga na próxima edição do torneio. Elenco pra isso, inexiste. Há, somente, um time - com pouquíssimas opções efetivas, cada vez mais reduzidas por questões médicas.

O ponto principal, hoje, é a Serie A. Inter e Roma estão bastante à frente do Milan, tanto na questão de plantel quanto na de efetividade do plano de jogo. Juventus, Fiorentina e até mesmo Udinese têm se apresentado bem mais confiáveis do que o elenco comandado (talvez em sua última temporada) por Ancelotti. O título, passadas apenas dez rodadas, já é trabalho hercúleo. E o sprint terá de ser fantástico para que o Milan recupere-se ao ponto de chegar à Liga da próxima temporada. Qualificação para a Copa da Uefa, considerando um grupo que custa cerca de €120 milhões apenas com salário dos jogadores profissionais, é um prejuízo incalculável nos níveis técnico e financeiro. E apostar todas as fichas em Pato e Ronaldo para o returno é, no mínimo, masoquismo.

Confira um breve resumo das quatro últimas partidas do Milan:

Milan 0-1 Empoli (21 de outubro)
Ponto de partida da crise milanista. Ser vaiado pela própria torcida no San Siro era algo que o eterno capitão Maldini não via desde a década de 90. Sem Kaká, Ancelotti cedeu às críticas e optou por dois atacantes em campo, Inzaghi e Gilardino. Sem consistência no meio de campo, o Milan tornou-se presa fácil para um Empoli bem armado e jogando em fuga à serie cadetta. Maldini, que não jogava desde a final em Atenas, recuperou a titularidade ao lado de Nesta. Destaque para Buscé, que com muita correria não deixou o Empoli sentir falta do capitão Vannucchi, lesionado. E também para o interminável portiere Balli, que, em ótimo dia, não permitiu nenhum gol dos rossoneri. O gol saiu no segundo tempo, com Saudati cabeceando cruzamento de Marianini pela direita após falha de Maldini no corte.

Gilardino: contra Shakhtar e Sampdoria, muita vontade e quatro gols

Milan 4-1 Shakhtar Donetsk (24 de outubro)
Kaká de volta, grande jogo do brasileiro, dobradinha Gilardino-Seedorf, com dois gols para cada. O encontro milanista com o Shakhtar serviu para mostrar como não é difícil a equação do time. Num bom dia de Kaká, Pirlo e Nesta, o trio transforma a água de Milão em vinho das melhores távolas. A facilidade encontrada pelo Milan a chegar ao gol de Pyatov foi incrível, não deixando espaço para o bom time do Shakhtar causar maiores problemas. Lucarelli reencontrou a torcida do Livorno no San Siro - não foram poucos os "infiltrados" com a camisa amaranta entre a torcida do Shakhtar. Esse é o verdadeiro Milan, certo?

Milan 0-1 Roma (28 de outubro)
Errado. Porque não há um Milan verdadeiro nesta temporada. A Roma, mesmo sem Totti, passou pelos rossoneri no San Siro sem tomar conhecimento. A dupla Juan-De Rossi não permitiu que Kaká vencesse sequer uma jogada e o Milan, outra vez, passou incólume em casa. A Roma pressionou o Milan durante todo o primeiro tempo, em especial com um lado direito bastante consistente formado por Cicinho e Mancini. Brighi desarmou Pirlo no meio de campo e abriu para o ex-lateral do Real Madrid tabelar com Mancini e cruzar na medida para um cabeceio indefensável de Vucinic. Palmas para os brasileiros da Roma, todos muito bem na partida. Ao contrário dos do Milan, onde apenas Dida se destacou: sem ele, havia espaço para goleada giallorossa.

Kaká: sem ele, talvez reste apenas fé ao torcedor rossonero

Sampdoria 0-5 Milan (31 de outubro)
Jogo de dois extremos, com a Samp dominando todo o primeiro tempo e o Milan envolvendo os blucerchiati no segundo. Sem Cassano, polemicamente lesionado na última rodada, e Campagnaro suspenso, Mazzarri contou com um problema de última hora: Mirante teve de ser poupado, a favor de Castelazzi. Na frente, Sammarco e Bellucci dando apoio a Montella. No Milan, Ancelotti optou por Bonera e Serginho de terzini, enquanto Brocchi venceu a disputa com Emerson pelo lugar do suspenso Ambrosini. Na frente, Gilardino com Kaká e Seedorf logo atrás. Todos os gols saíram no segundo tempo, quando o Milan, finalmente, convenceu. Kaká recebeu de Gilardino logo no primeiro minuto para abrir o placar, e pouco depois o atacante recebeu cruzamento de Serginho para ampliar. Gilardino conseguiu a doppietta aproveitando-se de trapalhadas da defesa da Samp, e Seedorf fechou o placar com um gol e um passe para Gourcuff.

Para o Milan, um pouco de oxigênio. O time reencontra o Torino, no sábado, em casa. No último encontro entre os dois, Gilardino chegou a mandar pra fora um pênalti, com a partida terminando em 0-0. Da última vez que o Milan venceu o Toro, porém, Inzaghi foi às redes três vezes num 6-0 fulminante. Naquela oportunidade, no longínquo outubro de 2002, a linha defensiva era composta por Dida, Simic, Nesta, Maldini e Kaladze. E cinco anos depois...