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domingo, 28 de dezembro de 2008

Como Inter e Milan (não) renovaram seus elencos

É um desafio bem considerável pedir para que alguém cite três jogadores de até 23 anos que tenham se firmado nos elencos de Internazionale e Milan, neste ano. Uma das inclusões mais louváveis, a de Luca Antonini no time de Carlo Ancelotti, tem apenas ares de jovem promessa: revelado no clube, começou a ser emprestado em 2001 e só nesta temporada, aos 26 anos, começou a ter chances – e tem correspondido.

O ano de 2008 não foi nada bom para os jovens em Milanello. Ao fim da temporada 2007-08, a torcida deu adeus ao francês Yoann Gourcuff, que passou dois anos tentando se firmar, e ao “predestinado” Alberto Paloschi, que estreou contra o Siena marcando um gol com apenas 18 segundos em campo. Nenhum dos dois teria espaço num elenco ainda mais envelhecido que o dos últimos anos, com as aquisições de Ronaldinho, Shevchenko e Zambrotta.

Para mensurar como a renovação no Milan anda atrasada, na primeira metade da temporada 2008-09 apenas três jogadores sub-23 entraram em campo pelo time: o lateral-direito Matteo Darmian, o meia Rodney Strasser e o atacante Alexandre Pato – sendo que só o brasileiro jogou por mais de meia hora. Ainda assim, não foi o ano de Pato. Durante 2008, somando campeonato, copa e copas européias, foram 17 gols em 42 partidas. Uma estatística longe de ser ruim, mas ainda distante da expectativa criada pelos 22 milhões de euros de Berlusconi.

Depois de um começo acima da média no Milan, sua fraca participação na campanha do Brasil na Olimpíada foi altamente prejudicial para sua seqüência. Além de, aparentemente, ter queimado um pouco de seu filme com Dunga, a chegada tardia à pré-temporada milanista atrapalhou seu início de temporada no mesmo instante em que lampejos de Ronaldinho decidiam algumas partidas e lhe tiravam espaço. Sem Cafu, Serginho e Ronaldo, até mesmo a adaptação de Pato em Milão foi mais complicada e nada ajudou o começo inconstante do time. Mas sua fantástica atuação nos 5 a 1 contra a Udinese, no último jogo do ano, dá provas de que Pato ainda está vivo. E não deve demorar a marcar seu território.

Darmian, entrando no segundo tempo dessa goleada sobre a Udinese, voltou a jogar pela Serie A, 19 meses depois de sua estréia. Capitão do time de juniores do Milan, o lateral italiano não encontrou espaço para ser aproveitado: acabou barrado por Antonini e um nada brilhante Zambrotta. Strasser, outro nome promissor do elenco primavera do clube, jogou apenas um par de minutos e voltou para a base. O Milan, aliás, não faz boa campanha no Campeonato Primavera e até mesmo o uruguaio Viudez tem decepcionado.

Quem está de fora, vem bem. Praticamente todos os jogadores emprestados pelo Milan às séries A e B vêm bem em seus clubes – o que não conta muito para que sejam aproveitados num futuro recente. Antonelli (lateral-direito, Parma), Perticone (zagueiro, Livorno) e Ardemagni (atacante, Triestina) fazem grandes temporadas. Abate (meia, Torino) e Paloschi (atacante, Parma) têm subido exponencialmente de rendimento. A nota infeliz fica por conta de Digão (zagueiro, Standard Liege), que se lesionou em setembro e só volta em março.

Do lado de lá de Milão, a grande promessa atendia por Mario Balotelli. Fenômeno na base do clube, foi também o único jogador da primavera a ter alguma real oportunidade sob o comando de Roberto Mancini. Supermario começou 2008 com o pé direito, com sete gols em seis jogos no Torneio de Viareggio, do qual a Inter saiu vencedora. Daí até o fim da temporada, foram sete gols em 15 partidas entre Serie A e Coppa Italia, nada mal para quem completaria 18 anos apenas em agosto.

Sem Mancini, Balotelli perdeu um pouco de espaço. Na atual temporada, o atacante completou oito jogos sem marcar gols na Serie A e no início de dezembro foi “rebaixado” ao elenco primavera da Inter para que pudesse compreender “a diferença entre a base e o profissional”, nas palavras de José Mourinho. Na partida contra o Treviso, marcou dois gols e logo voltou ao elenco principal. Mas sabe-se lá por quanto tempo. Ainda que o mecenas Massimo Moratti garanta sua permanência, a fila por suas prestações é longa, encabeçada por Bologna e Sampdoria.

Outro atacante sub-23 em compasso de espera no elenco nerazzurro é Victor Obinna, um dos principais jogadores do Chievo campeão da Serie B em 2007-08. Valorizado demais para continuar em Verona, retornou à Inter, que tentou repassá-lo a outro clube. Obinna chegou a fechar com o Everton, mas não conseguiu permissão trabalhista e permaneceu em Milão, mas de janeiro não deve passar. O atacante teria sido incluído numa proposta ao Genoa por Diego Milito e não raro é especulado pela Roma. Nos giallorossi marcou seu único gol com a camisa da Inter, nas seis partidas em que jogou.

Para variar, a Inter desperdiçou seus jovens por mais um ano. Daquela que talvez tenha sido a melhor fornada da era Moratti, apenas Balotelli teve oportunidades. Na hora ideal para aproveitá-la, o presidente gastou milhões de euros para contar com Mancini, Quaresma e Muntari, ao invés de pressionar pelo aproveitamento de seus jovens. Com isso, perderam espaço os lateral-direito Filippini, o zagueiro Mei, os meias Krhin e Bolzoni e os atacantes Ribas e Napoli. Sem contar quem já saiu do clube: o lateral-esquerdo Fatic (Vicenza) e os meias Filkor (Sassuolo) e Maaroufi (Twente). Ano após ano, a Inter não sabe o que fazer com os frutos de seu vivaio. E, infelizmente, 2009 não deve ser muito diferente.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Um castigo que pode fazer sorrir

O domínio do futebol inglês na Liga dos Campeões é cada vez mais notório. Tanto que falar sobre o tema é chover no molhado, citando que três dos quatro semifinalistas da última edição eram clubes da Inglaterra. Esse domínio faz o país ofuscar Itália e Espanha, as outras duas grandes forças nas competições européias.

Nesse sentido, o sorteio para as oitavas-de-final do torneio, realizado na última sexta-feira, pode ser tomado como um castigo. A Inter, soberana na Serie A, enfrentará o Manchester United. A Juventus, reconfigurada após as duas temporadas longe da Europa, irá encarar o Chelsea. E a Roma, encantadoramente instável, medirá forças com o Arsenal.

Mas é fato que nenhum dos confrontos aponta favoritismo para alguma das partes. O trabalho dos clubes italianos, então, será uma grande provação. Na disputa de melhor de três, se os ingleses baterem os times da bota, será a confirmação do quadro de hoje, que tem na Premier League times mais competitivos. Mas, como falamos de futebol, uma possível vantagem italiana não é descartada.

O Chelsea voltará a contar com Carvalho, Essien e Drogba. O Arsenal deve recuperar Eduardo da Silva, Touré, Walcott e Rosicky. E o Manchester não precisa da volta de Wes Brown para ser mais perigoso do que hoje, campeão mundial. Ainda que muito difíceis, são jogos acessíveis. E a chave para que a Itália tire um pouco da diferença em que hoje se encontra da Inglaterra.

Copa da Uefa
A Sampdoria abrirá a terceira fase da Copa da Uefa em casa, numa partida complicada contra o Metalist Kharkiv, do artilheiro brasileiro Jajá, ex-América-MG. O time é vice-líder da Premier League ucraniana, enquanto a Samp vem cambaleando na Serie A - mas só um dos dois lados tem Antonio Cassano. Missão mais tranqüila deve ter a Udinese, que enfrentará o Lech Poznan, líder da Orange Ekstraklasa, a primeira divisão polonesa. O atacante Robert Lewandowski, destaque do time, deve ser negociado na janela de janeiro e sua substituição imediata é improvável. Um problema é a fase horrível pela qual tem passado o time de Údine, em crise após um começo assombroso.

No grande confronto da fase, a Fiorentina encara o Ajax, que tenta assimilar a perda de seu artilheiro, Huntelaar. O time faz campanha não mais que razoável na Eredivisie, enquanto os viola se recuperaram de um início fraco na Serie A e após 17 rodadas finalmente se encontram no grupo de classificação para a LC. O Milan, favorito ao título da competição, não deve ter problemas para bater o instável Werder Bremen, em oitavo na Bundesliga, a não ser que Diego esteja em um de seus melhores dias. Ainda que Ancelotti esteja com dificuldades para escalar um time com tantas opções na frente e tantos desfalques no meio, o Milan possui gente o suficiente para aguardar por um lampejo de Ronaldinho, Kaká, Beckham, Pato e, claro, Inzaghi.

Agenda
Os jogos de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões serão nos dias 24 e 25 de fevereiro, já as partidas de volta estão marcadas para 10 e 11 de março. Na terceira fase da Uefa, ida em 18 e 19 de fevereiro e volta no dia 26.

Libor Kozák, a Lazio e o Campeonato Primavera

Aprendeu italiano, ganhou confiança, se ambientou, ouviu os conselhos do compatriota Rozehnal e encontrou seu lugar dentro de campo. Libor Kozák ia se convertendo num pequeno “flop” entre as contratações da Lazio para esta temporada, mas nas últimas semanas mostrou que pode, sim, fazer valer o investimento – especula-se que Claudio Lotito tenha pagado cerca de 1,3 milhão de euros pelos seus direitos e um contrato de cinco anos.

Kozák, classe '89, foi encontrado na Série B da República Tcheca. Centroavante no melhor estilo Luca Toni, marcou 18 gols em 29 partidas pelo SFC Opava e logo chamou atenção na seleção sub-19 de seu país, onde se tornou protagonista com três gols em quatro jogos. Na primavera da Lazio (ou juniores, em bom português), passou por uma adaptação até começar a deixar sua marca e apontar para o futuro ao lado de outros jovens talentos de Formello, como os defensores Alessandro Tuia e Davide Faraoni, o meia Antonio Cinelli e o atacante Ettore Mendicino.

Um dos maiores problemas na adaptação de Kozák foi sua inserção no ambiente laziale, com uma indecisão da comissão técnica em aproveitá-lo ou não no time principal. O tcheco começou a pré-temporada entre os profissionais, mas a pouca perspectiva de jogo o conduziu à base ainda em agosto. O retorno está previsto para depois da pausa de fim de ano, com Delio Rossi preparando-o para uma inserção em médio prazo – suas características bem diversas dos atacantes à disposição do técnico podem ajudá-lo a buscar espaço, ainda que seja muito cedo para colocá-lo na Serie A.

Desde que voltou a ser relacionado pelo técnico Roberto Sesena, o tcheco marcou quatro gols nos últimos cinco jogos (todos com vitória) da Lazio no Grupo C do Campeonato Primavera – o sprint deu à Lazio a liderança isolada na chave, com seis pontos à frente da Roma, líder até três rodadas atrás. Salernitana, Ascoli, Avellino, Fiorentina e, no último sábado, Ancona. A lista de vítimas do time não para de crescer e, ainda que apenas 11 dos 26 jogos do grupo tenham sido disputados, é difícil imaginar os biancocelesti longe das oitavas-de-final. Ótima chance para Kozák mostrar ao que veio.

Como é e como estão
O Campeonato Primavera, ou Troféu Giacinto Facchetti, é dividido em três grupos de 14 times, montados por critérios geográficos, representando todos os clubes das séries A e B do país. Para as oitavas-de-final, classificam-se os cinco melhores de cada grupo, além do melhor sexto colocado. Podem disputá-lo atletas entre 15 e 20 anos, mas a cada partida podem atuar até dois jogadores sem limite de idade. Na fase final, os “fuoriquota” não podem ter mais de 21 anos. A final da edição 2008-09 está marcada para 9 de junho. A atual campeã é a Sampdoria e o Torino é o maior vencedor da história, com oito conquistas, a última em 1992.

No grupo A, a Juventus lidera com cinco pontos de folga sobre a Sampdoria. O time de Massimiliano Maddaloni não terá problemas para se classificar. O meia espanhol Yago Falqué, contratado junto ao Barcelona em julho, é o grande destaque do time e marcou três gols na última partida da Juve, contra o Grosseto. Alguns jogadores do elenco têm sido convocados para suprir as várias perdas por lesão do time de Ranieri. O lateral Lorenzo Ariaudo e o meia Luca Castiglia fazem sua última temporada pela primavera bianconera e podem ser aproveitados na próxima temporada.

A Samp começou bem no Grupo A, mas passou por uma crise em novembro que culminou numa manifestação de torcedores que pediam que a base blucerchiata não se espelhasse nos profissionais. O grupo é bastante jovem: do elenco campeão da temporada passada, só sobraram o técnico Fulvio Pea, o goleiro Vincenzo Fiorillo e os meias Mattia Mustacchio e Guido Marilungo, este último a grande promessa do vivaio do time. O candidato a surpresa do grupo é o Siena, que mostrou nos torneios de verão um time de futebol interessante, mas até hoje inconstante.

No grupo B, a Albinoleffe surpreende na liderança, um ponto à frente do Chievo. A ótima campanha dos azzurri, aliás, deu à Internazionale sua única derrota até agora no torneio. O atacante Giacomo Beretta, classe '92, assumiu a titularidade no decorrer do campeonato e é tido como a grande jóia da base do clube. No Chievo de Paolo Nicolato, outro atacante se destaca: Valerio Anastasi.

A Inter é a terceira do grupo B, mas conserva alguns nomes do time vice-campeão do torneio passado e campeão de Viareggio em fevereiro último, como o artilheiro Aiman Napoli e o goleiro esloveno Vid Belec. O zagueiro romeno Cristian Daminuta é uma grata surpresa. Quem decepciona bastante é o Milan. Pra quem busca uma renovação no grupo principal, a vice-lanterna num grupo acessível é uma notícia horrível na estréia do técnico Chicco Evani, meia do clube por treze temporadas e campeão com os allievi (sub-17) em 2007. Com um elenco considerado um dos mais fracos dos últimos anos, a crise em Vismara parece inadiável.

No grupo C, liderado pela Lazio, a Roma deve lutar até o fim pela liderança, apesar da recente queda de produtividade. Desde a vitória no dérbi da capital, foram três empates e uma derrota sob o comando de Alberto De Rossi, pai do ícone romanista Daniele De Rossi. A dupla romena Alex Pena (goleiro) e Sebastian Mladen (lateral-direito/zagueiro), contratada em julho com grande expectativa, se firmou entre os titulares sem dificuldades. Em mais uma boa fornada giallorossa, que apresenta um grupo bem consistente para compensar a falta de jogadores extraordinários, também têm se destacado o zagueiro Riccardo Brosco e o atacante Marco D'Alessandro. No Napoli, o norte-americano Vincenzo Bernardo é a grande esperança. Na Fiorentina, as coisas desandaram desde a lesão do brasileiro Jéfferson.

Saiba mais
A classificação completa do Campeonato Primavera você pode conferir no site oficial da Lega Calcio, clicando aqui. Já a tabela de jogos, você encontra neste link.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Eternas promessas: Rubén Ariel Olivera

Em junho de 2001, Luca Toni custava caro demais para uma aposta cega num centroavante trombador que vinha se destacando no modesto Vicenza. Para gastar numa opção ofensiva, a Juventus preferiu mirar em Rubén Olivera, jovem “fantasista” uruguaio que vinha se destacando no Danubio – clube que nos últimos anos já havia mandado à Itália Sosa, Zalayeta, Pellegrini, Carini, Chevantón e Recoba. De quebra, seria mais uma oportunidade para atravessar o mercado do rival Torino, que já havia mandado olheiros para observá-lo.

Após um ano de muita especulação na imprensa uruguaia e de um duelo entre Juventus, Inter e Barcelona pelo jovem, no início da temporada 2002-03 a Velha Senhora anunciava Olivera: dois milhões de dólares pelo empréstimo de um ano, mais a opção de compra por mais sete milhões ao fim deste período. Grande negócio para os dois times: um bom dinheiro para um Danubio emergente no cenário uruguaio e, em tese, uma ótima opção para uma Juve que sob o comando de Lippi montava aquele que seria o ataque mais completo do mundo com Salas, Trezeguet, Di Vaio, Salas e Del Piero.

Atuando nas costas dos atacantes do Danubio, Olivera se destacou com apenas 18 anos pela facilidade em controlar a bola e encontrar livres seus companheiros. A facilidade para chegar ao gol adversário (21 gols em 37 jogos pelo clube uruguaio, em pouco mais de um ano e meio) também eram características marcantes de alguém marcado por uma técnica que, se bem empregada em campo, poderia ter feito surgir um dos grandes jogadores da história do futebol uruguaio – como era a aposta de Alcides Ghiggia, quando de sua viagem para Turim.

O bendito início promissor
Crescido nas categorias de base do Danubio, Rubén Olivera fez suas primeiras apresentações na primeira divisão uruguaia já no fim de 2000 e não demorou a alcançar a titularidade – tanto que não demorou também a ser convocado pelas primeiras vezes para a seleção por Victor Púa, técnico habituado a contar com jovens em seus trabalhos. Sua estréia pela Celeste Olímpica foi justamente contra a Itália, em abril de 2001. Três meses depois se despediu do Danubio marcando de pênalti o gol de honra da goleada por 4 a 1 sofrida para o Nacional.

Apresentado à Juve, encontrava em Turim um ambiente propício a seu desenvolvimento. Além dos vários companheiros sul-americanos, tinha a confiança da comissão técnica e de Luciano Moggi, então diretor-geral do clube, que recusara propostas de Perugia e Reggina para o empréstimo de Olivera: “não o contratamos para cedê-lo em empréstimo a qualquer outra equipe. Estamos convictos de suas capacidades e posso assegurá-los que Olivera continuará conosco”, declarou no início da temporada 2002-03.

Em fevereiro de 2003, Moggi chegou o mais perto possível de sua aposta. Naquele mês, Olivera passou por uma semana de provações, jogando quatro partidas em apenas cinco dias, passando como protagonista do Torneio de Viareggio ao Old Trafford de Manchester. Em seu melhor dia, marcou os dois gols que eliminaram o até então favorito Santos da tradicional competição toscana, o primeiro num voleio após cruzamento de Brighi, até hoje considerado pelo próprio Olivera um de seus mais belos gols.

A tradicional queda
Mesmo com apresentações convincentes do ponto de vista individual, a confiança em Olivera não era lá muito grande. Muito porque, ainda que sua técnica fosse indiscutível, o uruguaio sempre apresentou problemas de ordens táticas, desde sua chegada à Itália. Acostumado a atuar com total liberdade numa liga menos competitiva, era claro que sentia a diferença ao substituir Nedved ou Del Piero no time principal e ter de correr pelos “senadores” da Juve.

Sem posição fixa no meio-campo do time de cima, quando atuava pela “primavera” da Juventus (como os italianos chamam o time de juniores) era utilizado como centroavante pelo técnico Gian Piero Gasperini: “não tem capacidade para jogar de meio-campista, mas é rápido e potente na grande área. Pra mim, sua posição é essa”, defendia o treinador até mesmo para Lippi, que continuou insistindo com Olivera como um dos centrais do meio-campo.

Num país que considera o trabalho tático tão importante quanto o técnico ou o físico, Olivera se mostrava perdido sempre que atuava pelo time principal. Em janeiro de 2004, foi emprestado ao Atlético de Madrid, onde teria uma maior liberdade para mostrar suas qualidades. O que não acabou ocorrendo pelas escassas oportunidades, apenas dois jogos em um semestre na Liga espanhola.

Com a chegada de Fabio Capello, Olivera finalmente encontrou oportunidades reais na Juve, na temporada 2004-05, ao ponto de colocar Del Piero no banco no decorrer daquela campanha, no ápice da teimosia de Capello contra o 10 alvinegro. Engessado como meia externo no 4-4-2 do técnico, Olivera era mais útil que Delpi pelos lados na falta de Nedved ou Camoranesi, mas ainda assim não muito prolífico.

Na verdade, Olivera chegou a ser decisivo sob o comando de Don Fabio: marcou o único gol da vitória da Juve sobre a Atalanta, em Bérgamo, e ainda marcou gols decisivos contra Fiorentina e Lazio. No início de 2005, parecia se reencontrar aquele jogador que havia ficado para trás no Uruguai. Primeira opção aos titulares do meio, com as várias partidas entre campeonato e copas, tornou-se praticamente um titular e recuperou até as convocações na seleção uruguaia, desta vez com Jorge Fossati.

Hoje em dia
Mas aquilo que parecia um salto de qualidade não durou muito tempo. Com o retorno de lesão de Camoranesi e as contratações de Giannichedda e Vieira, Olivera perdeu espaço e não foi utilizado sequer uma vez na temporada 2005-06. Na esperança de fazer na Serie B, em 2006-07, uma temporada de restauração, a Juve contratou Marchionni e Kapo e mandou o uruguaio para a Sampdoria.

O começo no Marassi foi muito bom, com o ótimo início na Copa da Itália. As três primeiras partidas prometiam uma temporada de protagonista, mas logo Olivera se revelou a pior contratação daquele ano em Gênova. O retorno à Juve só durou seis meses, até um empréstimo ao Peñarol pelo mesmo período. Os cinco gols em 14 jogos seguraram um pouco a moral do atacante, contratado pelo Genoa para a atual temporada.

Outro bom começo seguido de uma queda. Com a camisa do Genoa, voltou a ser utilizado como centroavante ao reencontrar Gasperini, seu técnico nos tempos da “primavera” de Juventus. O comandante assumiu o risco e apostou por conta própria. A boa pré-temporada não lhe ajudou a vingar. Quatro meses depois, nenhum gol na Serie A. E a certeza de uma promessa jamais cumprida.

Ficha técnica
Nome completo: Rubén Ariel Olivera da Rosa
Data de nascimento: 04/05/1983
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes que defendeu: Danubio-URU, Juventus, Atlético de Madrid-ESP, Sampdoria, Peñarol-URU e Genoa
Seleções de base que defendeu: Uruguai Sub-20 e Sub-17

sábado, 13 de dezembro de 2008

Ainda sobre o manto...

por Rodrigo Figueira:

Acabo de ver o (em potencial) novo uniforme da Seleção Italiana e ainda não encontro palavras para exprimir a minha revolta. Deveriam castrar o animal responsável por um desrespeito desses, para não deixar descendência.

Esse não é o uniforme de Maldini, de Baresi, de Baggio ou Totti, não é o uniforme de Facchetti, de Gigi Riva ou de Bruno Conti. Aquele short marrom – que parece ter saído do banheiro - é uma cusparada em cima da história da Azzurra. É um desrespeito a um dos maiores símbolos italianos.

Se querem encher o uniforme de palhaçadas para vender mais, que façam isso com a camisa reserva, ou que criem um terceiro uniforme, não me oponho a nada disso. Mas com a Maglia Azzurra não, desgraçados! A camisa italiana em azul real com shorts brancos era um estandarte, uma bastilha inexpugnável. Dava medo em todos. Essa camisa não! Essa camisa não dá medo em ninguém. Aliás, devia-se proibir a utilização de tons de bebê em uniformes de futebol.

De mais a mais, digo apenas que minha irritação vem não só da mudança do tradicional azul real, mas também da escolha das novas cores. É preciso que as pessoas de discernimento orientem os bobos alegres que hão de se empolgar com a novidade. É necessário que expliquem aos imbecis por que ninguém de caráter deve comprar essa camisa, por que ninguém deve dar dinheiro a esses desgraçados.

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Rodrigo é advogado, torcedor e nervosinho, não necessariamente nessa ordem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Les grandes équipe...

The Champions, tatatata!

"Champions League: Os 5 motivos para tranquilizar Mourinho", essa é uma das principais matérias do site da Gazzetta, hoje, e que não deveria existir. Não deveria simplesmente porque a Inter tinha - e tem - time para sobrar na fase de grupos. Com a derrota fora de casa para o Werder Bremen - lembrando que as duas equipes haviam empatado na Itália - os comandados de José Mourinho ficaram na segunda colocação do grupo B, com 8 pontos, atrás do surpreendente Panathinaikos, com 10. Como citado na última postagem deste humilde blog, perder em casa para este Panathinaikos não fazia parte dos planos dos torcedores mais pessimistas. Além, claro, do empate em 1 a 1 contra o Anorthosis. Nas últimas três rodadas da fase de grupos, os nerazzurri somaram um ponto, o do empate supracitado.

A Juve, por sua vez, garantiu uma importante primeira colocação do grupo H ao empatar com o BATE. A classificação dos bianconeri até era previsível, tornando o fato de chegar à frente do Real Madrid o principal desafio (vencido) desta primeira fase. Agradeçam a Del Piero, o homem que acabou com os blancos em pleno Bernabeu e possibilitou à sua equipe dois sucessivos empates sem gols, mesmo com o Real vencendo nas mesmas duas últimas rodadas. Tem time e, principalmente, camisa para derrubar qualquer um de seus possíveis adversários nas oitavas-de-final, sendo o Chelsea aquele que os torcedores devem torcer para não estar na bolinha sorteada, dia 19.

A Roma, quem diria, recuperou-se da derrota vexaminosa contra o Cluj para superar o (superior) Chelsea. Em um grupo fraco cujos classificados eram previsíveis, vencer - por pouco - o Bordeaux na última rodada pode ter mudado completamente o rumo da competição dos giallorossi. Para uma equipe que parou nas quartas-de-final nos dois últimos anos, obter a classificação com a primeira vaga pode fazer com que desta vez seja diferente. A Roma pode se enfrentar com seus dois últimos adversários nas oitavas da Champions League, Lyon (2006/07) e Real Madrid (2007/08). Quem quer ser campeão não escolhe adversário, mas sorte no sorteio é fundamental.

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Possíveis adversários:

Roma (1ª A) - Sporting (2º C), Atlético de Madrid (2º D), Villarreal (2º E), Lyon (2º F), Arsenal (2º G) e Real Madrid (2º H).

Inter (2ª B) - Barcelona (1º C), Liverpool (1º D), Man. United (1º E), Bayern (1º F) e Porto (1º G).

Juventus (1ª H) - Chelsea (2º A), Sporting (2º C), Atlético de Madrid (2º D), Villarreal (2º E), Lyon (2º F) e Arsenal (2º G).

Lembrando que, nas oitavas, equipes do mesmo país não se enfrentam. Os clubes também não podem pegar o outro classificado de seu grupo.

Brighi usando o dedo como foco para provar seu estrabismo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Inter vs. Inter

A Inter é o time mais confuso e mais confiável da temporada italiana. Este paradoxo se explica com certa facilidade: os nerazzurri têm feito, na Liga dos Campeões, uma campanha sofrível. Se o sorteio parecia ajudar a equipe de Appiano Gentile, o desempenho da tricampeã italiana tem sido abaixo da crítica. Já na Serie A, a eficiência da equipe é praticamente incontestável (principalmente nas últimas rodadas), quando conseguiu vitórias complicadas ou esmagadoras, contra equipes fortes e concorrentes ao título. A Inter de Mourinho, na Serie A, é uma Inter à Juventus.


A Inter da Europa
Não importa que o Anorthosis Famagusta tenha sido um adversário mais duro do que o que se esperava. Os tropeços em casa contra Werder Bremen e Panathinaikos - empate e derrota, respectivamente - certamente não estavam nos planos do torcedor mais pessimista do clube. São apenas oito pontos, mas os milaneses estão com sorte: a classificação para a próxima fase foi garantida por antecipação graças ao empate entre cipriotas e alemães.

Mourinho não escondeu a insatisfação com o mau futebol apresentado na competição continental, mas logo tratou de por panos quentes na situação. "Não me agrada a nossa situação atual no grupo, mas a experiência diz que a verdadeira 'Champions' começa apenas em fevereiro", disse. Para os interistas, o que mais deve interessar é que, até fevereiro, o "Special One" deve ter mais tempo de preparar seu grupo para a disputa da competição.

"Um pouco mais de futebol na Europa", indica Muntari.

A Inter da Itália

Se na Europa, a Inter parece contar mais com a sorte do que com qualquer outra coisa, na Serie A a situação parece ser diferente. O time tem sido competente, mas há ocasiões em que a sorte ajuda - como na partida contra a Udinese, quando ela se apelidou Julio Cruz.

As duas últimas partidas foram muito importantes para a Inter. O time não vinha jogando bem no Giuseppe Meazza, mas as vitórias contra a Juventus e o Napoli foram obtidas com grande superioridade por parte da equipe da casa. Na partida de ontem, contra o forte Napoli de Lavezzi, Hamsik e Edy Reja, o resultado foi construído rapidamente, em apenas 25 minutos de jogo. Depois disso, a Inter cozinhou a partida, e, mesmo permitindo que o Napoli tivesse a posse de bola, poucas foram as chances claras de gols da equipe partenopea. Mais tarde, a derrota do Milan em Palermo confirmou que a Inter, com 33 pontos, está a seis pontos de vantagem dos rossoneri e da Juventus, empatados em segundo lugar, com 27.

Mourinho abriu mão do 4-3-3, em prol do retorno do 4-3-1-2, incansavelmente usado por Roberto Mancini, seu antecessor. Enquanto Mancini, Quaresma e Obinna começaram a freqüentar mais o banco, Stankovic e Muntari (pelo menos enquanto Vieira está lesionado) ganham espaço no onze inicial.

O sérvio, depois de duas temporadas apagadas, volta a ser elemento importante para a equipe interista. O ganense tem alternado momentos de altos e baixos durante as partidas, mas tem sido peça importante na ligação entre a defesa e o ataque. Lampard não veio, mas Mourinho descobriu em Muntari um jogador mais versátil que seu pupilo inglês. O número 20 tem feitos boas partidas, auxiliando Cambiasso na marcação e Stankovic no setor criativo da equipe. Além disso, atua como um autêntico box-to-box e muitas vezes aparece como elemento surpresa no ataque nerazzurro. Contra Juve e Napoli, a Inter venceu graças a seus gols, ambos em aparições dessa espécie.

Faltando apenas cinco rodadas para o fim do primeiro turno, a líder tem tudo para ampliar sua vantagem sobre os outros clubes, por ter uma seqüência mais tranqüila. Confira abaixo a tabela dos três primeiros colocados.

Inter: Lazio (F), Chievo (C), Siena (F), Cagliari (C) e Atalanta (F).
Milan: Catania (C), Juventus (F), Udinese (C), Roma (F) e Fiorentina (C).
Juventus: Lecce (F), Milan (C), Atalanta (F), Siena (C), Lazio (F).

domingo, 30 de novembro de 2008


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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nem toda implicância é cega

Quem me conhece sabe: eu implico bastante com Adriano. O nosso Adriano. O imperador. Às vezes subestimo, às vezes desvalorizo, às vezes desdenho. Ontem, depois do gol que sacramentou o 6-2 contra Portugal, veio-me à cabeça - pela incontável vez - a seguinte pergunta: por quê?

O cara não é ruim, lógico que não. Nunca foi. Assim como nunca foi craque, melhor do mundo, mito, gênio ou digno de pular vários nomes e entrar num livro chamado "A Magia da Camisa 10". Mas é útil, extremamente útil. Pode render muito, acrescentar demasiadamente à sua equipe. Basta ser utilizado corretamente.

Ou não.

Um jogador desses é aleijado de rico, não consegue andar de tanto dinheiro, transborda em mulheres, luxo, fama, o que quiser e que i soldi possam comprar. Custa tanto ser um pouco mais empenhado? É tão difícil assim seguir uma rotina, dura - ninguém está afirmando que ser jogador de futebol é a profissão mais fácil do mundo - todos os dias, almejando algo grande?

Ele pode chegar bem mais longe. Tem condições de voar mais alto. E sabe disso. Me deixa indignado alguém procrastinar tanto com uma situação na vida que quase todos os habitantes deste planeta gostariam de viver, de sentir, nem que fosse por um dia.

Enquanto continuar com esse cassano way of life, também continuará fazendo menos gols do que Panucci, por exemplo. E desperdiçando uma das maiores chances de qualquer vida profissional. Saudemos o imperador.

domingo, 16 de novembro de 2008

Cassano, o anti-herói italiano

A "cassanata" é um termo que qualquer italiano apaixonado por futebol conseguirá explicar em poucos segundos, mas ao mesmo tempo uma espécie de sentimento que nenhum dicionário saberá traduzir. Porque a "cassanata" acabou se tornando a marca registrada da carreira de Antonio Cassano, criada numa coletiva por Fabio Capello, então técnico da Roma e hoje comandante da seleção inglesa. Era novembro de 2002 e o técnico explicava sua exclusão de uma partida com o Perugia.

Hoje com 26 anos, Cassano é uma das figuraças do campeonato italiano. Mas quando o talento da Bari Vecchia marcou um golaço contra a Inter, com apenas 17 anos, esperava-se que dali saísse apenas futebol em alto nível. Ilusão. Segundo o próprio jogador, aquele gol serviu apenas para tirar um delinqüente do mundo. É o que Cassano declarou numa autobiografia a ser lançada nesta semana, na Itália. No ambiente do futebol, porém, o barês nunca deixou faltar emoção. Em campo ou fora dele.

O mês é dezembro de 1999. O motor é a ironia. Depois de ser barrado por peneiras da Internazionale por duas vezes, Cassano jogava pela primavera do Bari, mas já pensava em abandonar o sonho de ser jogador. Mas, com problemas ofensivos, o técnico Eugenio Fascetti arriscaria. E em sua segunda partida como profissional, Cassano se tornou tema do noticiário esportivo italiano ao marcar nos minutos finais o gol decisivo dos 2 a 1 sobre a Inter. Ao ser perguntado o que tinha pensado após marcá-lo, a resposta foi simples: "fiquei rico". Nada mal para quem havia passado a infância na miséria.

Com o gol marcado poucos dias antes da reabertura da janela de transferências, estava instaurada a guerra por Cassano. Que o Bari seguraria até junho de 2001, quando Franco Sensi, então presidente da Roma, o levou por um equivalente a 28 milhões de euros. Mesmo com a alta cifra, o atacante não se deixou iludir. Ao menos não na primeira oportunidade. Ao fazer juras de amor por Francesco Totti, o capitão passou a hospedá-lo em sua mansão em Casal Palocco.

Após várias boatos jamais esclarecidos, porém, Cassano acabou saindo da proteção de Totti. No vestiário romanista, causou intrigas com duas canetas. Ao passar a bola por baixo das pernas de Batistuta, num treinamento, disparou para o argentino: "agora é um velhinho". Para Aldair, foi ainda mais pesado: "está como sua mãe, sempre com as pernas abertas". O suficiente para colocá-lo contra os senadores do elenco e na mira do brasileiro, que por muito pouco não resolveu ali mesmo suas diferenças com o atacante.

Com um ano em Roma, Fantantonio já era figura discutida e discutível no ambiente capitolino. Logo em sua segunda temporada, entrou em atrito também com Capello, ao faltar a um treinamento sem algum pré-aviso. O técnico reclamou do egoísmo do jogador: "deve demonstrar querer ser ajudado. Não como jogador, mas como homem". O apelo não funcionou como deveria. Três semanas depois naquele mês de novembro, Cassano foi detido ao dirigir uma Mercedes 5000 sem habilitação e ultrapassar um sinal vermelho.

No março seguinte, Cassano seria convocado por um de seus maiores desafetos de toda a carreira, o técnico da seleção italiana sub-21, Claudio Gentile. Mas uma "lesão" acabou obrigando seu retorno à capital. A lesão foi uma escapada noturna com uma camareira do hotel onde estava alojada a seleção. Apenas uma entre centenas. Em sua autobiografia, Cassano declara ter se aventurado com algo entre 600 e 700 mulheres. Mas o resultado geralmente era bom. Em fevereiro de 2004, fez uma de suas melhores partidas da carreira, marcando dois gols na Juventus na vitória de 4 a 0 da Roma. Naquele dia, Cassano teria ficado até as seis da manhã com uma acompanhante.

Essa goleada foi o último grande feito do time sob o comando de Capello. Com 22 anos e muita responsabilidade nas costas, teria sido Cassano o maior responsável pelo pedido de demissão relâmpago do técnico Rudi Völler, incapaz de domá-lo nos vestiários. Com Luigi Del Neri não foi melhor e bastou um mês até que Cassano fosse afastado do elenco após uma briga entre técnico e jogador no intervalo de uma partida com o Cagliari. A declaração da administradora-delegada Rosella Sensi dava o tom: "não podemos sacrificar o trabalho de um grupo de profissionais por apenas um jogador. Mas Cassano fica na Roma, não falamos em venda".

Afinal, problemático ou não, Cassano resolvia em campo e era um patrimônio do clube. E bastaram duas rodadas para que fosse reintegrado ao elenco de forma sofrível, já sem apoio do grupo e da torcida. Sem mostrar ânimo em campo e sempre culpando os técnicos, o jogador viu Spalletti lhe retirar o posto de vice-capitão do time. O recém-chegado comandante também não foi perdoado: "você não está treinando mais aqueles pernas-de-pau da Udinese. Isso aqui não é a sua casa, é a minha!".

Na Roma, Cassano durou até janeiro de 2006, quando saiu por apenas cinco milhões de euros para o Real Madrid. Ficasse até junho na capital, o prejuízo financeiro seria ainda maior. O grande pretexto para sua venda foi a não-renovação contratual, já que Cassano exigia da sociedade o mesmo salário de Totti – algo impensável dentro do ambiente romanista. O Peter Pan viveu amor e ódio em seus melhores dias na Roma. Que a faixa de capitão na Sampdoria saiba conter seus ímpetos de forma mais duradoura.

(originalmente para o Olheiros.net)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bola na rede ou na televisão?

*Originalmente para o blog da revista Lupa, da Faculdade de Comunicação da UFBa. Até o Braitner foi entrevistado. :P

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A distribuição de informação multimídia na rede, o streaming, não é nenhuma novidade, principalmente depois do processo de popularização do serviço de banda larga. É possível assistir a vídeos e ouvir músicas sem precisar baixá-los para seu computador. Todos nós conhecemos Youtube e rádios online. O processo não é novo.

Particularizando à esfera do futebol o uso desse recurso, podemos perceber que o streaming é útil tanto para torcedores quanto para jornalistas esportivos, pois o torcedor tem o direito de escolher qual jogo irá ver e em qual horário (alguns programas permitem que os jogos sejam gravados). Há muito tempo os direitos autorais dos campeonatos de futebol (especialmente o Campeonato Brasileiro) são polarizados por poucas emissoras de televisão - que muitas vezes transmitem o mesmo jogo, no mesmo horário. Jogos mais importantes ficam reservados aos canais de tv a cabo e ao sistema pay-per-view.

No campo das tvs a cabo, também há discrepâncias: a SKY tem exclusividade pelos direitos de transmissão dos jogos mais importantes do Campeonato Espanhol apenas para quem pagar pelos jogos. O canal aberto da Bandeirantes, por exemplo, só transmite jogos do Italiano em video tape, enquanto o fechado BandSports transmite partidas ao vivo. Os contratos estão ainda mais caros e disputados ferrenhamente pelas empresas. Por outro lado, ver um jogo na televisão é cada vez mais complicado. Braitner Moreira, um dos fundadores do QuattroTratti, site especializado em futebol italiano, comenta sobre o problema. "Geralmente os comentaristas da televisão estão mal informados sobre as equipes ou há muita propaganda. Nas transmissões do Esporte Interativo (franquia que transmite jogos estrangeiros) há uma a faixa horizontal onipresente que pede o envio de mensagens SMS ou ainda a entrada ao vivo, em vários momentos, da garota-propaganda de uma das marcas que anunciam no canal".

"Mãe, tô na rede, beijos"

Leonardo Bertozzi, colunista da revista Trivela e criador do Futebol Europeu.com.br, admite a importância da ferramenta para a cobertura de campeonatos estrangeiros, pelo fato de haver possibilidade de escolha de ver a partida que o espectador realmente deseja assistir: "Acho que para quem escreve sobre campeonatos não cobertos pela grande mídia, é uma ferramenta importante. Pode servir também para dar uma cobertura mais específica sobre jogos menos midiáticos em grandes campeonatos: muitas vezes os horários de jogos mais importantes coincidem com jogos menos concorridos, que também merecem cobertura".

Mas nem tudo são flores para as transmissões online. O Rojadirecta, hospedeiro de links de streaming e um dos sites mais conhecidos para quem assiste jogos online enfrentou batalhas judiciais contra a detentora espanhola dos direitos de transmissão da Liga espanhola. O site venceu a batalha, abrindo precedentes para que outros usuários consigam transmitir de suas casas jogos da televisão via Internet. Portais como o Justin.tv funcionam como o Youtube: usuários disponibilizam canais (diferentemente do Youtube, estes são ao vivo) para toda a rede., no esquema P2P (usando o próprio navegador de Internet, sem intermédio de programas). Embora grande parte deste tipo de site tenha surgido da clandestinidade, existem sites de streaming legalizados, como o site de apostas bet365.com ou a Terra TV. No bet365.com, basta se cadastrar e ver as partidas, também em P2P. A empresa disponibiliza uma versão do site em português, mas as transmissões são sempre feitas em língua inglesa.

Ainda há outros problemas: muitos sites transmitem jogos em baixa qualidade, o que pode fazer o torcedor escolher ver o jogo na televisão. Outro fator de afastamento pode se constituir no fato de que a maior parte dos streamings ainda é realizado em língua estrangeira. Há poucos internautas que disponibilizam canais em português. "A má qualidade às vezes me faz ir pro jogo da tv mesmo. Em qualidade baixa, tenho muito que querer aquele jogo. Mesmo assim, graças ao streaming, na última temporada só perdi dois jogos do meu time", afirma Braitner Moreira.

O que está em jogo é a (anacrônica da forma como é conduzida) discussão sobre direitos autorais na Internet, onde a propriedade privada e intelectual é algo ainda mais fluido e contraditório.

Baixe programas de streaming aqui: Sopcast, TVAnts, TVUPlayer.

As fotos do hóquei são melhores, mas nem cabem na postagem. Quem quiser conferir, olha aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A lama, um ano depois

O 11 de novembro de 2007 jamais será esquecido dentro do futebol italiano. Neste dia, na região de Arezzo, um disparo da polícia acabou matando Gabriele Sandri, torcedor da Lazio. Ainda de ressaca pelas polêmicas no caso do assassinato do policial Filippo Raciti dentro do estádio do Catania, a Itália viu seu futebol na lama. Fato que hoje passa despercebido para um observador mais desatento, já que a Serie A passa por uma fase empolgante.

Fora das quatro linhas, vale lembrar a inoperância da justiça criminal do país, vergonhosamente lenta. O acontecimento só não foi completamente arquivado porque a mídia italiana mantém a cobertura aquecida com algumas notas mensais, como a missa desta terça-feira na Piazza Balduina, de Roma. No caso Sandri (relembre aqui), a indignação pública foi bem mais forte do que qualquer ação aguardada: quase nenhuma resposta para as várias perguntas.

Os estádios se mantêm cheios de problemas, com um observatório vetando as viagens de torcedores em situações potencialmente críticas. Uma das poucas idéias com chance de vingar em curto prazo só foi colocada em prática no último dia 2. Não houve venda de bilhetes para Milan x Napoli, e só entrou no San Siro os portadores da carteirinha Cuore Rossonero, uma espécie de documento de identificação da torcida rossonera. Com essa medida, o governo italiano cogita inclusive acabar com o ingresso, em longo prazo.

Mas o torcedor comum, aquele sem uma carteirinha que oficializa sua condição de apaixonado pelo futebol, se afasta cada vez mais dos campos. Seja como refém da violência ou da burocracia. Realidade bem conhecida no Brasil. A ameaça de paralisação do último campeonato não parece ter sido dura o suficiente para fazer com que autoridades e órgãos responsáveis se dedicassem a segurar a situação de forma mais efetiva. E o futebol italiano, que por muito pouco não entrou na maior crise de sua história, passou incólume. Se isso foi bom, só o tempo dirá.

Quanto a Sandri, o agente Luigi Spaccarotella admitiu a responsabilidade em sua morte. Mais um motivo para a indignação, já que nenhum procedimento disclipinar foi aberto para investigar o caso.

Falando em caos...
Esta terça-feira também foi um dia importante para o possível desfecho das investigações sobre o Moggiopoli, crise que estourou em 2006 e culminou no rebaixamento da Juventus para a Serie B. O promotor Luca Palamara fez o requerimento das penas: seis anos de reclusão para Luciano Moggi (ex-diretor geral da Juve), cinco para Alessandro Moggi (ex-diretor da Gea, sociedade de procuradores esportivos) e três e meio para Franco Zavaglia (ex-administrador delegado da empresa. Francesco Ceravolo (ex-diretor das categorias de base da Juve) e Davide Lippi (empresário, filho do técnico da seleção italiana) também tiveram suas prisões requeridas. As sentenças devem sair em janeiro.

domingo, 9 de novembro de 2008

A grande geração perdida

A primeira divisão da Lega Pro italiana – equivalente à terceira divisão profissional do país – é liderada pelo Arezzo, que tem como titular na lateral-esquerda um jovem de história interessante. Fabrizio Grillo, 21 anos, foi o primeiro entre os defensores italianos a ser batizado de "novo Alessandro Nesta". Desta época até hoje, muita coisa mudou. E sua posição em campo foi apenas uma delas.

O romano possuía total crédito dentro do ambiente da Lazio, sendo considerado por muitos a grande jóia do vivaio do clube, no início da década. Em junho de 2001, venceu o campeonato dos Giovanissimi, uma categoria acima de sua idade, batendo na final a Roma. Após um empate sem gols, foi de Grillo o pênalti decisivo para o título laziale. Tudo normal, até que dois meses depois o então zagueiro fechasse contrato com os giallorossi.

A decisão da Lazio em não renovar com Simone Grillo, seu irmão mais velho, fez com que houvesse uma forte ruptura entre o garoto e a sociedade. O que também acabou respingando como uma certa ingerência entre as promessas daquela geração. Dos onze titulares do time campeão, a Lazio perdeu cinco. O primeiro foi Fabrizio Grillo, que aceitou a proposta da arqui-rival Roma após ser assediado por meia Itália.

Zagueiro bastante técnico, com boa saída de jogo, Grillo passou duas ótimas temporadas pelos giallorossi, atuando sempre com bons resultados em categorias superiores. Até ser parado por uma séria lesão em seu joelho, no verão de 2003. Seu futebol nunca foi o mesmo. Afastado dos times titulares da base romanista, saiu do círculo da seleção italiana e deixou o clube em janeiro de 2007, sem jamais ter estreado pela Serie A. Negociado na época com a Sambenedettese, jamais se firmou, mas hoje recomeça bem pelo Arezzo e tem tempo para ver sua carreira ser salva.

Tarefa mais complicada terá outro representante da geração, o forte meio-campista Fabrizio Mineo, mais um que deixou a Lazio para fechar com a Roma. Após vários anos como coadjuvante no vivaio giallorosso, em 2006 foi liberado para o Treviso, onde nem chegou a jogar. Um ano depois, foi parar no Manfredonia, onde não convenceu. Em julho, chegou à Juve Stabia, onde vê do banco o calvário do time na zona de rebaixamento da Lega Pro.

Os outros três jogadores que abandonaram o barco partiram para o Reino Unido, sem final feliz. O atacante Michele Gallaccio foi levado por Claudio Ranieri com apenas 16 anos para o Chelsea, onde chegou cercado de expectativas e apenas uma certeza: a pressão de ser italiano num clube renovado por jogadores do país. Cinco anos depois, Gallaccio fechou com o Guidonia, da Serie D (relativa à quinta divisão). Pela Pro Vasto, temporada passada e pelo mesmo campeonato, foram três gols em 19 jogos. Incrivelmente pouco para quem já foi tido como herdeiro natural de Gianfranco Zola.

O goleiro Alessandro Cosimi e o zagueiro Giordano Pellegrino assinaram contrato com os escoceses do Livingstone, em dezembro de 2002. Mas a aventura britânica durou pouco, apenas quatro meses. A dupla chegou pressionada pela direção do clube, que os profissionalizou e mandou ao time principal com apenas 17 anos. Mas um episódio em que não limparam as chuteiras de dois argentinos do time titular antes de uma partida acabou sendo a chave para suas punições e posterior afastamento.

Os dois deixaram a Lazio sem dar qualquer satisfação. Sem contratos profissionais, se desvincularam do clube biancoceleste em busca do sonho das libras fáceis. E, no fim de março de 2003, a dupla deixava Edimburgo e voltava à Itália após renunciar a um contrato profissional de 1.600 libras por semana até 2005. Dinheiro jamais visto por Cosimi e Pellegrino, que também não conseguiram encontrar patrocinadores e escolas na região, como havia prometido o clube.

A questão é que a Lazio, municiada pelos novos regulamentos da FIFA, pediu indenização pelos dois jogadores após liberar a transferência para o Livingston: 60 mil libras esterlinas por cabeça. Os escoceses, que não esperavam ter de pagar mais do que a metade do pedido, acabou descontando nos jovens, e viram no episódio das chuteiras um bom momento para afastá-los. O goleiro, hoje, defende a meta da Ostiamare no campeonato Eccelenza (sexta divisão). O zagueiro atua pela Fanfulla, uma divisão acima.

Abalada por uma crise financeira que mais tarde se mostraria bastante danosa, a Lazio acabou perdendo não só suas grandes estrelas. Mas aquelas em potencial logo se tornaram estrelas cadentes no cenário futebolístico. Criados com confiança dentro da sociedade, provavelmente teriam oportunidades reais num futuro não tão distante. Mas perdida pela promessa de dinheiro rápido, a realidade do quinteto até aqui foi a falta de continuidade na carreira. Decepcionante para aquela que muitos apostavam ser a melhor geração da história recente do clube.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Fique de Olho: Viudez

Viudez: por que ele?

Quando os uruguaios Mathías Cardacio e Tabaré Viudez foram anunciados como novos reforços do Milan para a temporada 2008/09, muito se perguntou. Não sendo duas estrelas do futebol sul-americano, os dois promissores atletas causaram estranheza por desembarcarem em Milão tão precocemente. As dúvidas eram – e são – as mesmas: por que eles, logo eles, foram levados a Milanello? O que se pode esperar de ambos? Quem, de fato, são os dois? Na (atrasada) política de renovação do clube rossonero, com certeza os dois jogadores não vieram por acaso. E este texto, dedicado ao mais jovem da dupla, tenta explicar alguns porquês.

O início

Também conhecido como Chaio, Tabaré começou a sua curta carreira em um dos clubes de sua cidade natal, o Defensor Sporting. Na equipe quatro vezes campeã da Primera División Uruguaya (Primeira Divisão Uruguaia), Viudez conseguiu, em menos de um ano, saltar para um dos maiores clubes do mundo, o Milan. Em seu time de formação, estreou já na Copa Libertadores, em março de 2007, na partida contra o Deportivo Pasto. Passados quatro meses, teve a chance de entrar em campo na liga nacional, contra o Rampla Juniors, após substituir Mauro Vila nos minutos finais. Vestindo a camisa dez da seleção sub-20, Viudez cobria as posições de meio-campista ofensivo e atacante. Chaio estreou na mesma com apenas 18 anos, em julho de 2007, no Mundial sub-20 do qual sua seleção caiu na fase seguinte, contra os Estados Unidos.

Baixo e rápido, com 164 centímetros, Viudez chamou a atenção nos meses seguintes, durante o Apertura. Num total de 10 partidas – cuja maioria foi partindo do banco de reservas – balançou as redes do Cerro em setembro de 2007, no que seria seu primeiro e único gol na competição. Já no Clausura, Chaio acabou por atuar em todos os jogos de sua equipe, marcando dois gols nas duas primeiras partidas. A partir daí, não seria mais possível vê-lo com quaisquer olhos, devido à sua ascensão marcante em tão pouco tempo. Ainda seria, em abril de 2008, campeão do Uruguai, após playoff contra o Peñarol. No total, marcou seis gols profissionais em um ano de carreira. Ano este que foi suficiente para atrair o poderoso Milan.

No final de julho de 2008, Viudez foi oficialmente negociado pelo clube comandado por Carlo Ancelotti. Junto dele, também foi levado Mathías Cardacio, cuja pretensão é a de transformar em um substituto de Andrea Pirlo no futuro. Segundo a ESPN italiana, o valor do duplo negócio foi de aproximadamente 4.5 milhões de euros. Ainda segundo o veículo, a negociação ocorreu por conta do procurador Daniel Fonseca, ex-atacante de Juventus, Roma e Napoli. Com meros 18 anos, Tabaré Viudez já atingia um ponto almejado pela esmagadora maioria dos jogadores de futebol. Após alguns dias e frases emocionadas e empolgadas, Chaio entrou em campo durante o amistoso dos rossoneri contra o Manchester City, na pré-temporada.

Em campo e o que esperar

Viudez, bem como inúmeros outros baixinhos no mundo do futebol, compensa a baixa estatura com habilidade. Partindo para cima dos adversários com explosão, Tabaré não tem muitas características de um jogador artilheiro, e sim de um ágil assistente. Na Itália, claro, só rapidez e habilidade não bastarão. Para se consagrar na Serie A – o que, se acontecer, não deverá ocorrer em curto prazo –, ainda será necessário haver uma forte adaptação física e mental com o jogador. Fatores estes que só poderão ser alcançados com oportunidades em campo.

Para o desenvolvimento do meia-atacante, talvez seu destino seja aquele de ser emprestado a alguma equipe menor e também disputar algumas partidas da Coppa Italia, para crescer sem pressa e, claro, pressão. Logicamente, Viudez não será titular do Milan agora, e, portanto, nem valeria a pena discutir questões relacionadas à tática atual adotada pelo clube. De qualquer jeito, este quesito não deve atrapalhá-lo em sua trajetória: podendo ser aproveitado em posições avançadas do meio-campo, Chaio também poderia atuar como esterno e, claro, atacante.

Ainda é cedo para afirmar que o uruguaio é o futuro craque de sua seleção ou de sua equipe, mas, se tiver pelo menos parte da rapidez de crescimento que teve no Defensor, não vai demorar muito para se ouvir bastante sobre Viudez. Enquanto isso não ocorre, basta seguir os passos do atleta que no início de 2007 não era conhecido por ninguém, enquanto na metade de 2008 já fazia parte de um dos maiores clubes da história.

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Ficha técnica

Nome completo: Tabaré Uruguay Viudez Mora
Data de nascimento: 08/09/1989
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes que defendeu: Defensor Sporting, Milan
Seleções de base que defendeu: Uruguai Sub-20

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Originalmente para o Olheiros.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Roma reage

'Também quero pular no montinho', grita Spalletti

Maradona treinador da Argentina. Estados Unidos elegendo um democrata, negro, liberal e com nome muçulmano. Dagoberto jogando bem pelo São Paulo, e a Roma ganhando do Chelsea de 3 a 1 com Perrotta, Pizarro e Brighi no meio campo?
Alguém pode me explicar o que está acontecendo com o mundo?

domingo, 26 de outubro de 2008

Quem tem boca vaia Roma

O último ponto conquistado por uma equipe romana na Serie A veio de um empate da Lazio com o Lecce, no último dia 4, com um gol sofrido de Simone Inzaghi no último minuto. De lá pra cá, dois jogos e duas derrotas para cada lado. Se quando a bola rolou para o início da Serie A a Roma prometia bastante, não demorou para que a Lazio colocasse em si os refletores. Os celestes seguraram a ponta do campeonato até a sexta rodada. A atual forma do time, há três jogos sem vencer, empurrou a Lazio para a 7ª colocação, muito pouco para quem era apontada por muitos a possível surpresa do campeonato.

Outubro parece ser o mês do inferno astral laziale. Neste mês, Zárate ainda não marcou gols e de quebra viu o time conquistar apenas um dos nove pontos disputados. Ainda em outubro, mas na temporada passada, foram três derrotas em quatro jogos, inclusive no dérbi. Mesmo há dois anos, quando o time conseguiu a classificação para a Liga dos Campeões, foram apenas dois pontos também em quatro partidas.

A lesão de Tommaso Rocchi, sofrida durante os Jogos Olímpicos, parece ser mais séria que o previsto. Seu retorno aos campos acabou sendo forçado na pré-temporada e a cura total de uma lesão que agora parece crônica está cada vez mais distante. Matuzalém, grande contratação do clube para a temporada, só fez dois jogos, também por problemas físicos. Mesmo problema para Cribari, Meghni, Foggia e Radu. Mas vale lembrar que estes desfalques não atrapalharam a boa largada do time na temporada: Delio Rossi já fez jogar o que tem em mãos, resta saber como fazê-lo retomar o caminho na luta pela Europa. Uma vitória em Verona, nesta quarta, é essencial. Antes que seja muito tarde.

No lado giallorosso da capital, é difícil explicar o buraco negro em que se meteu a Roma. Os motivos são tantos, tão diversos e por vezes tão etéreos, que elencá-los é um risco. Não um risco de erro, mas o risco de esquecer algum outro mais importante. A Roma apresenta algumas falhas crônicas, notadas há vários meses e jamais resolvidas. O excesso de confiança virou excesso de debilidade, mas o time se mantém com os sete reis da Roma Antiga na barriga, sem luta alguma em campo.

A Roma pós-ressurreição com Bruno Conti tem se baseado num grupo forte e unido, que se conhece bem e distribui seus passes por previsão. Mas o quinteto de meio já não é mais De Rossi, Pizarro, Taddei, Perrotta e Mancini em grande fase, e já faz um bom tempo. E, quem diria, a falta do último é bastante notada, mesmo com a chegada de Ménez e Júlio Baptista. Pelo simples motivo de Spalletti não ter alguma carta na manga, um plano B. Tudo indica que o técnico toscano, cedo ou tarde, vai morrer abraçado com seu 4-2-3-1 que já dava sinais de exaustão na última temporada e já deveria ter sido enterrado nesta.

Contratações como Riise, Júlio Baptista e Ménez tinham muito a contribuir para o time logo em suas chegadas. Mas é praticamente impossível encaixá-los nas funções previstas pelo imutável esquema de Spalletti. Na prática, Ménez não irá existir enquanto Vucinic for titular. Júlio Baptista continuará como náufrago onde quer que atue. E Riise vai se manter à deriva atuando de forma tão recuada num time de natureza tão ofensiva. Por outro lado, Loria conseguiu superar qualquer crítica do início da temporada e atingir o impossível: fazer a torcida sentir a falta de Ferrari.

A única pressão que caiu é a de ser o melhor futebol na Itália. Já é claro para todos que o ciclo de Spalletti se encerrou. Desta vez, sem volta. O vestiário romanista parece sempre mais rachado, o time não mostra vontade em campo e as escolhas técnicas são cada vez mais discutíveis. Para quem começou o campeonato desafiando o trio de ferro italiano, estar a um ponto da zona de rebaixamento é um pesadelo bem incômodo. Para acordar o time, talvez não reste outra alternativa que não sacrificar o arquiteto de um time que encantou a Itália. Mas que tem desencantado não só seus torcedores, mas também seus inúmeros admiradores. Queira ou não, é o fim da linha para Spalletti.

Futebol de primeira na segundona

O meia Francesco Lodi foi o principal destaque da boa campanha do Frosinone na última Serie B italiana. Ao negociá-lo com o Empoli na última janela de transferências, os canários receberam por completo o passe de um coadjuvante que se converteria, de forma inesperada, no grande destaque da equipe na atual temporada: o brasileiro Éder, 21 anos.

Éder havia terminado a última temporada muito bem, com grandes jogos contra Cesena, Treviso e Piacenza. Mas Silvio Baldini não quis aproveitá-lo na reconstrução do Empoli recém-rebaixado, preferindo apostar em Daniele Corvia, uma das maiores enganações da história recente do futebol italiano.

Depois de um surgimento relâmpago no Criciúma, por muito pouco não foi parar no Cruzeiro, graças às boas relações entre os presidentes dos dois times. Éder estreou no profissional do time catarinense na última rodada do Brasileirão de 2004, contra o Coritiba, quando seu time já estava rebaixado. No ano seguinte, foi lançado no Catarinense e ia bem até fraturar o ombro direito. Na volta, fez três gols que ajudaram o clube a garantir o título estadual. Na Série B, segurou a titularidade e marcou mais seis vezes, até ser negociado com o Empoli.

Com apenas 18 anos, foi inserido no time primavera do Empoli, mas ainda assim fez algumas partidas entre os profissionais – estreou contra a Lazio, em pleno Olímpico de Roma. Sem chances concretas para demonstrar seu valor, Éder acabou cedido ao Frosinone como contrapartida na negociação de Lodi. E a melhor forma de alegrar os torcedores ao herdar a posição de um artilheiro é simples: marcar gols.

Chutes potentes, precisos, cabeceios, jogadas de velocidade. Éder surpreendeu o público brasileiro ao ser incluído por Dunga na lista dos 35 pré-convocados para os últimos Jogos Olímpicos. E surpreendeu o público italiano após retornar ao Frosinone após as férias. Depois de dez rodadas, já são seis gols, todos marcados de formas diferentes. O brasileiro forma uma ótima dupla de ataque com Dedic e tem crescido do ponto de vista físico e tático, algo fundamental para quem tem uma técnica tão refinada e tanto altruísmo no futebol italiano.

Se mantiver esse rendimento até o fim da temporada, o brasileiro definitivamente se tornará a grande estrela da equipe e o número dez que leva nas costas deve colocá-lo na agenda de vários clubes da Serie A. Ou mesmo na do Empoli, que já pôde perceber o que é que perdeu.

Ainda na Serie B...
- Sem chance em Inter e Roma, o zagueiro Marco Andreolli, 22, finalmente encontrou seu porto seguro: o Sassuolo, líder da Serie B com 19 pontos em dez rodadas. Apontado como uma das grandes promessas da posição no país, o camisa 28 jamais havia engatado uma seqüência de partidas. Logo em sua primeira temporada como titular, suas atuações têm sido elogiadas pela imprensa italiana e um retorno para uma Roma com emergências defensivas, já em janeiro, não seria absurdo.

- Outro zagueiro que tem se destacado é Nicholas Giani, 22, pedra fundamental na zaga do Vicenza, vice-líder e melhor defesa do torneio. Após algumas temporadas girando por empréstimo em clubes menores como Cremonese e Pro Patria, o zagueiro da Inter finalmente se encontrou e vem mostrando os motivos de ser apontado uma das grandes promessas da base nerazzurra, alguns anos atrás.

- Na outra ponta da tabela, têm decepcionado o atacante francês Jonathan Bibiany, 20, e o meia-direita romano Massimiliano Marsili, 21, ambos titulares do lanterna Modena. Esperava-se bastante do primeiro, que há dois anos era cotado para reforçar o Arsenal de Wenger. Já o segundo, mais um dos bons meias da geração primavera-05 da Roma, está apenas cumprindo tabela na Serie B enquanto espera por alguma chance no time giallorosso.

domingo, 19 de outubro de 2008

Tudo (quase) do mesmo jeito

Daiane dos Santos agita a galera no show do intervalo

Até o final da tarde de hoje o Napoli era líder da Serie A depois de 16 anos. Não é mais porque uma Inter avassaladora atropelou, por 4x0, o esboço de time montado por Luciano Spalletti, num jogo que deve ter trazido más lambranças ao torcedor giallorosso. O resultado e o jogo foram muito parecidos com a última partida realizada entre os dois times no Olímpico, pela Serie A, em que a Inter aplicou outra sonora goleada, com gol marcado no início. Daquela vez, por 4x1.

O brilho

Se daquela vez houve muita discussão sobre se a supremacia da Inter em campo não foi conseqüência da expulsão precoce (e correta) de Giuly, dessa vez não houve dúvidas: foi um verdadeiro massacre, do início ao fim. Com Ibrahimovic, Maicon e Cambiasso em excelente noite, os raros esforços de Vucinic e Totti foram pouco - principalmente quando Júlio César estava muito bem colocado e com reflexos apurados. As duas melhores chances da Roma no jogo esbarraram no goleiro brasileiro.

Pelo lado nerazzurro, o setor criativo esteve muito bem. Maicon foi bastante acionado, e pôde dialogar com Ibrahimovic, Quaresma e Obinna. Riise não conseguiu combater e foi muito prejudicado pela falta de mobilidade do esquema de Spalletti. Não aparecia ninguém para ajudar. Resultado: por aquele setor saíram três dos quatro gols interistas.

Obinna, estreando como titular pela Inter, desempenhou seu papel com muita personalidade: até marcou gol. Prestigiado por Mourinho, sua escalação foi uma grande surpresa. O gol marcado e a seqüência de jogos deve transformar Crespo em sexta opção de ataque. Mourinho já tinha avisado: "quero trabalhar com 21 homens de linha e mais três goleiros". O elenco da Inter excede este número em cinco.

Ibrahimovic deitou e rolou hoje. Marcou sua primeira doppietta na temporada, deu belos passes e ainda poderia ter saído de campo com mais gols, se a Inter não tivesse pecado na conclusão de algumas jogadas. O sueco já havia declarado que em três meses com Mourinho aprendeu mais futebol do que com todos os outros técnicos que já o haviam treinado antes. De fato, parece ser verdade: ele vive a melhor fase da carreira, de longe. Cada vez mais fuoriclasse. Se não dá para ser Bola de Ouro este ano, se mantiver o ritmo, é fortíssimo candidato.

A apatia

Juan e Loria foram pífios. Se o brasileiro tinha problemas físicos e foi escalado no sacrifício, o problema do zagueiro ex-Siena é técnico. Loria não pode ser reserva imediato de um time que briga (ou brigava, dada a má fase) por Liga dos Campeões. A calamidade da defesa romanista é obra de uma péssima estratégia de mercado. Há apenas quatro zagueiros no elenco. Spalletti e a diretoria da Roma comeram mosca - pela segunda temporada consecutiva.

Totti, escalado no sacrifício, nada pôde fazer. Talvez tivesse sido mais inteligente ter entrado com Ménez e ter lançado o capitano na segunda metade do jogo. Aquilani e De Rossi, as outras crias da base de Trigoria, foram nulos. Stankovic, Muntari e - especialmente - Cambiasso engoliram o meio-campo capitolino.

O que se espera é a queda de Spalletti. Mas quando? A paciência da família Sensi é grande, mas talvez o jogo contra o Chelsea, em Stamford Bridge, na quarta-feira, possa ser a última chance do carequinha. Os blues são favoritos, mas caso a Roma apronte, Spalletti pode ter mais uma sobrevida no cargo.

Roma-Inter 0-4

Gols: 5, 47 Ibrahimovic, 54 Stankovic, 56 Obinna.

Roma: Doni; Cicinho, Loria, Juan, Riise; De Rossi, Aquilani; Taddei (75 Okaka), Perrotta (77 Brighi), Vucinic; Totti (67' Menez).
Substitutos: Arthur, Pizarro, Tonetto, Montella, Menez, Brighi, Okaka.
Treinador: Luciano Spalletti.

Inter: Julio Cesar; Maicon, Cordoba, Chivu, Zanetti; Stankovic (78 Dacourt), Cambiasso, Muntari; Obinna, Ibrahimovic (82 Cruz), Quaresma (69 Mancini).
Substitutos: Toldo, Cruz, Adriano, Dacourt, Samuel, Mancini, Balotelli.
Treinador: José Mourinho.

Cartões Amarelos: Vucinic, Chivu.

Árbitro: Nicola Rizzoli (Bologna).

Novo líder, muita gente nova

Para variar, neste sábado a Juventus se apresentou de forma desastrada, conduzida por um técnico confuso com poucos atletas (e idéias) à sua disposição. E como tem sido padrão nas últimas semanas, não foi o suficiente. Desta vez, a Juve caiu para um Napoli em alta rotação, finalmente líder da Serie A após 16 anos longe do primeiro lugar.

A versão 2008-09 do Napoli de Edoardo Reja tem voado baixo e passa por três pilares: o capitão e zagueiro Paolo Cannavaro, o atacante argentino Ezequiel Lavezzi e o meia eslovaco Marek Hamsík. Se o ditado inglês diz que a tabela de uma competição jamais mente, o fato de os partenopei virarem o primeiro dia da sétima rodada na liderança isolada é algo notável.

Falar de Lavezzi é chover no molhado. O campeão olímpico se lesionou no início da temporada, mas voltou com grandes apresentações e hoje disputa com Amauri e Gilardino o posto de melhor atacante da Serie A. Contra o Benfica, pela Copa da Uefa, sua falta foi bastante sentida pelo Napoli, que acabou caindo na competição continental. Por uma ótica otimista, o time pelo menos terá folga de rodadas infra-semanais, enquanto os rivais por vaga na Liga dos Campeões se desgastarão nestas datas. Porque, sim, este Napoli lutará por uma das quatro vagas na CL.

Para isso, a chave é Marek Hamsík. Se Lavezzi brilha, Hamsík faz o trabalho sujo de forma surpreendente plástica. Como interno pela esquerda no 3-5-2 napolitano, tem ganhado cada vez mais liberdade no plano de jogo de Reja, mas não deixa de compor o meio e dar combate, mostrando uma maturidade inesperada para alguém de 21 anos recém-completados. Quando chega à frente, é decisivo: é o artilheiro do time na temporada, com seis gols, quatro na Serie A.

Hamsík se tornou a jóia rara que todo mundo quer comprar. Em entrevista à ESPN em agosto, Walter Novellino, ex-técnico do Torino, disse que preferiria o eslovaco em seu time a Ronaldinho. Se os granata não puderam garantir o sonho de Novellino, os rivais locais da Juve tentarão levá-lo a todo custo: Hamsík deverá ser a grande disputa nas próximas janelas de transferência, até porque o Napoli não precisa de dinheiro em curto prazo, graças aos altos investimentos da família proprietária do clube.

Se o time se mantiver embalado até janeiro, especula-se que Aurelio Di Laurentiis investirá muito para buscar uma vaga na Liga dos Campeões. O presidente napolitano nunca escondeu seu interesse por investimento em promessas e deve manter esta política. Daniele Galloppa, destaque do Siena e titular da seleção na última Olimpíada, é especulado como sucessor em médio prazo de Hamsík. Para o ataque, fala-se do artilheiro uruguaio Abel Hernández, apenas 17 anos, do Peñarol. E o primeiro candidato a "novo Lavezzi" tende a ser Diego Buonanotte, 20 anos, do River Plate.

Lavezzi e Hamsík foram as grandes apostas que vingaram na última temporada. Para os próximos meses, o Napoli deve colocar mais dois outros nomes na agenda dos gigantes europeus: o zagueiro ítalo-brasileiro Fabiano Santacroce e o esterno Luigi Vitale. Santacroce chegou ao clube em janeiro e logo se firmou como titular. Nessa temporada, vem bem, mas peca pelo excesso de cartões: já são duas expulsões em apenas sete jogos. Crescido na Lombardia, esteve presente na última convocação de Lippi e deve ter oportunidades reais nos próximos meses.

Já Vitale é a grande surpresa da temporada partenopea. O clube tentou vários jogadores da posição para seu elenco e chegou a fechar com a Fiorentina a contratação de Pasqual, mas o jogador rompeu a negociação sem maiores explicações. Gente experiente como Dragutinovic, Magnin, Tonetto, e até Birindelli foi especulada. Mas o Napoli não fechou com ninguém, afastou o até então titular Savini e Reja topou fazer a aposta arriscada: não improvisar na ala-esquerda e dar a posição ao garoto de 20 anos.

Em Nápoles desde 2005, fez apenas uma partida pela Serie B na campanha que levou o time de volta à primeira divisão. Na última temporada, foi emprestado ao Lanciano e jogou como titular a péssima campanha que rebaixou o time na Serie C1. Foi confirmado no Napoli por declarada falta de opção, mas fez bons jogos internacionais contra Panionios e Vllaznia e ganhou a confiança do técnico, que lhe permitiu estrear na Serie A contra a Roma, em pleno Olímpico. Se rarearam as especulações sobre um lateral-esquerdo, o responsável é o próprio Vitale. Casiraghi tem o observado nas últimas rodadas e uma convocação para a Itália sub-21 é mais do que esperada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Giallorossi que encantam!(?)

Não desmerecendo os outros jogadores envolvidos na partida, porém é evidente que aqueles da Roma que desta participaram, Itália - Montenegro, roubaram os holofotes. Ok, tudo bem, exceto por Perrotta, que, se roubou alguma coisa, foi um monte de docinhos na concentração. O meio-campista ex-Chievo já esteve mais em forma...

Italia 2-1 Montenegro - Aquilani 8', 29' ; Vucinic 19'

O jogo em si começou a todo o vapor, e a Itália desperdiçou boas chances nos primeiros 5 minutos, porém aos 8' Di Natale aproveitou a falha de um zagueiro montenegrino para invadir a área e chutar/cruzar; o goleiro não conseguiu defender/cortar o cruzamento, e a bola sobrou na 'meiuca' para Aquilani marcar de scivolata.

Montenegro, apesar de frágil na defesa, não se intimidou, e poucos minutos depois, chegou ao empate em jogada de contra-ataque em grande velocidade. Jovetic tocou para Mirko Vucinic, que deu um 'carreirão' da metade do campo até a área adversária, deixando Chiellini para trás, antes de chutar por baixo de Amelia. Este não pode ser culpado, mesmo tendo tomado um gol que, creio eu, Buffon não tomaria. Vucinic voltou a balançar as redes em Lecce, cidade que o projetou no futebol italiano, após boa visão do seu compatriota Jovetic, que procura agora também conseguir seu espaço no calcio pela Fiorentina.

No que veio a ser a sua melhor partida pela seleção, AA (Alberto Aquilani e não Alcóolatras Anônimos, muito menos Army Ant*) ainda marcou outro gol. Quem vier a ver apenas os gols da partida, pode não achar que sua atuação foi esplêndida, uma vez que estes não foram as pinturas que já vimos ele fazer. Não obstante, sua partida foi muito boa. Jogando de trequartista num 4-2-3-1, Alberto teve uma boa movimentação e conseguiu trazer a criatividade ofensiva que há tempos não se via na Azzurra. Teve sua partida indicada como uma das melhores de sua carreira pelos críticos italianos, sendo comparada à sua atuação em Madri, contra o Real pela última Champions League.

A noite só não foi mais giallorossa por caprichos. Aos 18' do segundo tempo, numa jogada toda capitolina, Aquilani cruzou e De Rossi cabeceou, mas a bola foi na trave. Minutos depois, Vucinic cobrou falta que passou a centímetros do gol de Amelia. A dúvida que fica agora é: será que os figurões conseguirão manter o nível no próximo domingo, contra a Inter, dando alguma esperança de reação para a Roma?

Ah, e vale relembrar que, apesar do pouco futebol apresentado ultimamente, Lippi chega ao 30º jogo consecutivo sem derrota pela seleção.

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* Assistir a episódio 13, da 1ª temporada de 'The Big Bang Theory' caso não tenha entendido a piada.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Itália que dá sono

Se o campeonato italiano voltou aos holofotes do mundo esportivo e só perde em audiência para a Premier League, a seleção de Marcelo Lippi está bem longe de empolgar. Jogando em Sofia, na Bulgária, a ‘jovem azzurra’ não saiu do empate em 0 a 0 com os donos da casa.
O jogo foi chato. Chato não, chatíssimo. E nem a volta de Gilardino e as chances para Montolivo, Dossena e Pepe movimentaram a partida.
Pode até ser ruim para quem espera um belo jogo de futebol, mas Lippi não deve estar dando muita importância, já que a seleção lidera o grupo com 7 pontos. Então deixo a pergunta para o leitor.

Qual a última bela partida que você assistiu da seleção italiana?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Garotos prodígios: Júlio César

Originalmente para o Olheiros.

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Cobrindo melhor que qualquer toldo

Aproveitar oportunidades na vida pode ser considerado como um dom. No futebol, lógico, não é diferente. Hoje, Júlio César, com seus quase 30 anos – apesar de parecer mais novo – poderia facilmente ser definido como um desses atletas que souberam agarrar as chances obtidas. E desde cedo, muito cedo, o arqueiro já demonstrava seu potencial embaixo das traves. Ainda com 16 anos, Júlio César foi titularíssimo da seleção brasileira sub-17 na Copa do Mundo de mesma categoria no Equador, terminada com um vice campeonato.

Nascido em Duque de Caxias e flamenguista desde criança, o goleiro começou a jogar pelo seu clube do coração ainda com 12 anos. Sempre causando boas impressões na base, não demorou muito para que Júlio César subisse à categoria profissional da equipe para fazer sombra ao já experiente Clemer. A sorte do jovem arqueiro era o azar, ou incompetência, do titular do rubro-negro: enquanto o reserva crescia, Clemer dava claros sinais de inconstância e criava desconfiança em muitos dos mais otimistas torcedores. Júlio César festejou, ainda que do banco de suplentes, uma Copa Mercosul (1999) e dois Estaduais (1999 e 2000).

Conforme as chances surgiam, Júlio as agarrava com muita segurança. Prata da casa, xodó da torcida, jovem e muito promissor, não foi difícil conseguir apoio dos mais distintos lados. Durante a Copa João Havelange, em 2000, o flamenguista chegava aos poucos à titularidade. Em 2001, ainda antes de completar 22 anos, já era titular absoluto do clube da Gávea. No mesmo ano, conquistou um Campeonato Carioca e a extinta Copa dos Campeões. Depois de ser o camisa 1 do time que o revelou e ídolo da torcida, o próximo passo era, inevitavelmente, chegar à seleção principal.

Enquanto o Flamengo já não empolgava tanto, seu arqueiro, por sua vez, continuava a brilhar. Em 2002, quatro meses antes da Copa do Mundo, Júlio César foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Como um terceiro goleiro de Luiz Felipe Scolari, o flamenguista faria sombra então a Marcos e Dida. Esperançoso de disputar o mundial de Coréia e Japão, o segundo reserva de Marcos no elenco penta-campeão foi, entretanto, Rogério Ceni. Entrevistado pela Placar em fevereiro de 2002, Júlio foi claro e certeiro: “vou comendo pelas beiradas, ainda sou muito novo”.

Copa América

Após um 2003 sem glórias, no qual o rubro-negro terminou na oitava colocação do Campeonato Brasileiro, o nome do camisa 1 continuava firme e forte como um dos principais da equipe, apesar de algumas falhas. O ano de 2004, porém, mudaria para sempre a trajetória futebolística do jogador. Em julho, o flamenguista recebeu a convocação mais determinante de sua história, aquela para disputar a Copa América como titular do grupo de Carlos Alberto Parreira.

Nas semifinais da competição, atuando contra o Uruguai, Júlio César pegou o último pênalti dos celestes, batido por Vicente Sánchez, e deu a vaga à final ao Brasil. Contra os rivais argentinos, no último jogo do torneio, o arqueiro flamenguista parou a primeira penalidade dos adversários, cobrada por Andrés D’Alessandro. Grande mérito da conquista, então, seria inevitavelmente seu. Já não era possível para o rubro-negro da Gávea segurar seu prata da casa até mais do que o fim daquele ano, quando o atleta se transferiu para o Chievo, da Itália, no que correspondia à metade da temporada 2004/05 neste país.

A Inter

Após passar seis meses sem entrar em campo no Chievo, a Internazionale adquiriu o passe do jogador. Muito se fala que o acordo, na verdade, já estaria feito, e os nerazzurri só não o haviam comprado antes devido ao limite de extra-comunitários no elenco. Independentemente, Júlio César desembarcava em Milão com um objetivo muito complicado: barrar o experiente, consagrado, titular e cheio de credibilidade Francesco Toldo. Trazido na confiança do então treinador Roberto Mancini, o brasileiro não decepcionou.

Os números não mentem, e basta analisá-los para compreender o quão rápida foi a ascensão de Júlio César na Itália. Toldo, na temporada 2004/05, disputou 30 partidas de Serie A com a Inter. Após a chegada de Júlio, o italiano entrou em campo apenas 8 vezes na mesma competição, durante a temporada seguinte. As oportunidades do brasileiro vieram com uma excelente preparação de pré-temporada para 2005/06, aliada à já citada confiança de Roberto Mancini e os excelentes resultados obtidos em campo. Em pouquíssimo tempo, o homem que havia barrado o experiente Clemer deixava para trás outro respeitado – e bem melhor – goleiro. Vale lembrar que Toldo ainda estava no grupo da Seleção Italiana que disputou a Euro 2004.

Bastou essa mesma temporada para que Júlio César se confirmasse como um dos arqueiros da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2006, sem entrar em campo na competição. Depois do campeonato, continuaria como titular absoluto da Inter, e aumentaria de 29 para 32 o seu número de presenças na Serie A. Só não entrou em campo na Coppa Italia devido ao tradicional rodízio de goleiros do país. O mesmo se sucederia na temporada seguinte: em 2007/2008, Júlio aumentou em mais três o número de presenças e, de novo, não participou do vice-campeonato da Coppa graças ao revezamento embaixo das traves causado pela cada vez mais baixa importância dessa competição.

É incrível pensar que, no tapetão ou não, o brasileiro simplesmente não conhece outra sensação senão a de vencer o campeonato italiano. Desde 2005/06 na equipe, a Inter faturou – por coincidência ou não – todos os scudetti com o brasileiro defendendo sua meta. E mais: os nerazzurri venceram a única Coppa em que ele entrou em campo. Indiscutivelmente como titular absoluto, já começa a se consagrar na Itália, e de lá não deve sair tão facilmente. Firme e forte como, quem diria, o principal goleiro da poderosíssima Internazionale, Júlio César comeu pelas beiradas e - já não tão novo, mas com tempo de sobra - ninguém duvida de seu posto com a camisa 1 do Brasil na África do Sul, em 2010.

Ficha técnica:

Nome completo: Júlio César Soares Espíndola.
Data de nascimento: 03/09/1979.
Local de nascimento: Duque de Caxias (RJ), Brasil.
Clubes que defendeu: Flamengo, Chievo-ITA, Inter-ITA.
Seleções de base que defendeu: Brasil sub-17, sub-20.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Garotos prodígios: Juan Manuel Vargas

Com 25 anos completados nesta última semana, o lateral-esquerdo Juan Manuel Vargas superou o preconceito da posição e é considerado o melhor jogador peruano da atualidade. O valor pago pela Fiorentina ao Catania por seu passe, estipulado na casa dos 12 milhões de euros, o tornou o jogador peruano de transferência mais cara da história, superando atacantes do calibre de Pizarro e Farfán.

Alto e forte, Vargas atua por qualquer função pelo lado esquerdo: na defesa ou no meio, tanto em posições ofensivas quanto defensivas. Mesmo geralmente escalado como terzino, como o lateral da forma que conhecemos é chamado dentro da terminologia italiana, El Loco se destaca pelos bons dribles, cruzamentos e chutes a gol. Seus lances em bola parada também são perigosos. Com personalidade, suas subidas pelo lado esquerdo tendem a causar estrago a defesas mais desavisadas. Porém, até pela facilidade no campo ofensivo, não é raro que Vargas deixe suas costas desprotegidas e expostas ao contra-ataque adversário.

Abandono prematuro
Vargas chegou às categorias de base do Universitario (um dos três grandes clubes do cenário peruano) em 1995, aos 12 anos, já se lançando como um dos mais destacados meias dos cremas. Ainda na base, alguns anos depois, ganhou uma oportunidade "real" ao ser negociado com o Unión Minas. A chance, porém, logo se transformou em uma decepção: o jovem nunca viajou para a província, sempre treinando entre os juvenis do time no interior de Cerro de Pasco. Com a má situação econômica e esportiva do clube, decidiu se afastar do time e acabou atrasando sua estréia na Primera División.

Decepcionado com a falta de apoio dos dois times, Vargas decidiu deixar o futebol e se voltar apenas aos estudos. Até conhecer, em 2001, César Gonzáles, conhecido técnico da base peruana, que pretendia contar com o jogador para a seleção nacional sub-20 que jogaria em 2003 o Sul-Americano da categoria no Uruguai. A única condição imposta por Gonzáles era que ele voltasse a jogar por algum clube para assim ter alguma continuidade e poder demonstrar suas reais condições.

Dessa forma, decidiu retornar ao Universitario. Se o primeiro semestre de 2002 não foi promissor para o lateral, após passar treinando despercebido no meio da constelação do clube merengue, a chegada do técnico Oswaldo Piazza acabou sendo um divisor de águas em sua carreira. Com uma crise financeira agravada pela falta de resultados, os jogadores do time entraram em greve e os dirigentes optaram por lançar logo a geração, na qual estava Juan Vargas.

Começando a carreira de vez
Sua estréia seria no Estádio Monumental, contra o Cienciano. Mesmo com a derrota de La U para o adversário, Vargas deixou sua marca ao atuar com personalidade e raça, além de anotar um dos gols de honra de seu time, que ao fim do ano seria considerado por muitos torcedores como o mais belo gol da temporada. Ao mais novo queridinho da torcida, nem a saída de Piazza abalou sua moral dentro do clube.

O próximo treinador, o uruguaio Ricardo Ortíz, apostou em Vargas como titular para a Libertadores de 2003. O time decepcionou e caiu ainda na primeira fase, mas o lateral se tornou o único porto seguro de um time descontrolado emocionalmente e tecnicamente fraco. Mesmo na ressaca da queda continental, César Gonzáles cumpriu a promessa e levou Vargas para o Sul-Americano Sub-20. Mesmo com bons jogadores como Guevara, Farfán e Rodríguez, a seleção peruana passou despercebida e voltou logo para casa.

O ano de 2004 foi o melhor de sua carreira. Sempre regular, cavou tanto uma transferência como um lugar na seleção, mesmo com apenas 21 anos. Paulo Autuori tentava com Hidalgo e Vílchez, mas o bom momento de Vargas fez com que o técnico brasileiro apostasse nele para as partidas contra Bolívia e Paraguai. Mesmo sem repetir o ótimo futebol do Universitario, seus jogos regulares o mantiveram nas convocatórias até o fim das Eliminatórias, tanto no comando de Autuori como no de Ternero.

Finalmente no exterior
No ano de seu centenário, o Colón de Santa Fe buscou reforços em toda a América Latina e acabou fechando com Vargas, que não tardou a convencer a torcida sabalera com suas projeções e bombas de fora da área. Logo em seu primeiro ano, marcou quatro gols, um deles antológico, ao driblar seis jogadores nunca vitória em Almagro. Outro tento importante foi marcado de falta, empatando o jogo com o Boca Juniors em plena Bombonera - e o menino mostrava personalidade e técnica.

Vargas também marcou presença no Clausura de 2006, mas uma proposta irrecusável vinda da Inglaterra não auxiliou em sua continuidade no futebol argentino. No fim das contas, o lateral disse não ao Portsmouth e seguiu para o Catania, recém-promovido à Serie A italiana, preferindo o desafio de atuar no futebol que havia acabado de vencer o título mundial.

Não demorou a alcançar a titularidade logo nas primeiras rodadas, mas em sua temporada seguinte atingiu um de seus melhores momentos como profissional. Principal válvula de escape de um time de poucos recursos, foi peça-chave do Catania que chegou às semifinais da Coppa Italia e se salvou do rebaixamento na última rodada marcando golaços como o que veio depois de um lindo chute de primeira contra o Milan.

Os gols marcados nas Eliminatórias para a Copa de 2010 contribuíram também para sua valorização – em especial aquele que garantiu ao Peru um empate contra o Brasil. Na mira de Real Madrid, Juventus, Roma e Milan, acabou optando pela Fiorentina, onde teria um papel mais importante. Se o mau início de campeonato viola pode atrapalhar sua adaptação, por outro lado Vargas já provou que não precisa de muito tempo para conseguir seu espaço. Pelo bem da Fiorentina e da seleção peruana, onde é o maior ídolo e referência nos últimos tempos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Nunca na história desse país

Nem só de uma noite memorável de Ibrahimovic, do retorno de Adriano aos gols, da virada de um promissor Genoa sobre o Napoli ou dos tropeços de Juventus, Roma e Milan viveu a sexta rodada da Serie A, neste fim de semana. Para o espectador brasileiro, ficou marcado o fim de semana mais, digamos, calcistico de sempre. Não acho que exista um banco de dados sobre o tema, mas sete das dez partidas da rodada puderam ser acompanhadas - e de forma oficial - do Brasil, seis delas ao vivo. Um número praticamente insuperável, se considerarmos um campeonato estrangeiro num fim de semana eleitoral.

Os dois jogos de sábado, os anticipi, foram transmitidos ao vivo por pelo menos quatro opções. O posticipo de domingo deu cinco opções aos espectadores. Na hora "cheia" do almoço dominical, quatro das sete partidas puderam ser acompanhadas sem que o torcedor brasileiro recorresse a alguma transmissão de baixa qualidade em polonês ou russo, nos fóruns e sites especializados nesse tipo de "serviço".

Com a entrada da Sportv na jogada após a liberação para os canais ESPN da Copa do Brasil no próximo triênio, agora a Serie A pode ser vista em seis meios diferentes (veja abaixo). A questão é o material humano, que muitas vezes se mostra claramente incompetente na cobertura de um campeonato estrangeiro. Ou mesmo na de futebol por si só.

Se no canal da Globosat todos os times são masculinos (vide "o Roma", "o Fiorentina") por cartilha antiga, na TV Esporte Interativo o excesso de marketing torna evidente a falta de profissionalismo de grande parte das "pessoas públicas" da emissora, aquelas que aparecem para os telespectadores. Um bom exemplo foi a transmissão de Fiorentina x Genoa, em 27 de setembro, um jogo sem tanto apelo comercial e mesmo assim a todo momento interrompido por alguma inserção paga. Sem contar a faixa horizontal onipresente que pede o envio de mensagens SMS. Ou ainda a entrada ao vivo, em vários momentos, da garota-propaganda de uma das marcas que anunciam no canal dando seus pitacos sobre a partida.

Há mais opção, porém a qualidade tem deixado a desejar. Nas transmissões de hoje, graças às informações (muitas vezes erradas) passadas adiante sem qualquer cuidado, a omissão tornou-se uma bênção. Confira suas opções para acompanhar a Serie A:

Band
Onde assistir: rede aberta, parabólica.
O que é: a TV Bandeirantes surgiu no final dos anos 60, com o projeto de expansão do Grupo de João Saad. Hoje, chega a 86% da população brasileira. Tendo se consagrado entre os anos 80 e 90 como o "Canal do Esporte", a Band tem história no segmento. Foi a pioneira na transmissão do campeonato italiano no país e hoje tem no torneio seu único produto de futebol internacional.
O que, como e quanto pode transmitir: recebe um jogo por fim de semana, geralmente aos domingos, graças à parceria com a Topsports, que comprou a faixa entre as 12h e as 14h do dia, o que faz com que raramente alguma partida seja transmitida ao vivo. Mas, por conta do bom relacionamento entre as duas empresas, podem haver excessões, como neste fim de semana: o jogo na Sardenha foi transmitido enquanto ocorria.
Neste fim de semana: Cagliari x Milan.

Bet365
Onde assistir: internet (acima de 750kbps, preferencialmente).
O que é: o Bet365 é uma das maiores empresas britânica de apostas e pertence a Peter Coates, presidente do Stoke City. Possui os direitos de transmissão online de alguns campeonatos: o italiano e a Copa da Uefa são suas grandes bandeiras. Os jogos são narrados em inglês.
O que, como e quanto pode transmitir: tem os direitos de exibição por streaming de cinco jogos por rodada, exclusivamente ao vivo. Em rodadas infrasemanais, geralmente transmite três partidas.
Neste fim de semana: Lazio x Lecce, Inter x Bologna, Chievo x Fiorentina, Juventus x Palermo e Cagliari x Milan.

ESPN
Onde assistir: Sky, NET, DirecTV, TVA, Telefónica, MaisTV.
O que é: lançada em 1995, a ESPN Brasil foi a primeira emissora da ESPN criada fora dos Estados Unidos e se destaca no jornalismo esportivo nacional. A ESPN Internacional pertence à Disney e está presente em 34 redes internacionais e em 190 países fora dos EUA.
O que, como e quanto pode transmitir: tem os direitos de exibição de até cinco jogos por rodada, seja ao vivo ou em VT. Além disso, pode escolher a exclusividade de uma destas partidas, impedindo que Esporte Interativo e Sportv transmitam dérbis, por exemplo. Tal cláusula não é válida para Rai e Bet365.
Neste fim de semana: Lazio x Lecce, Genoa x Napoli e Juventus x Palermo (Internacional); Inter x Bologna e Cagliari x Milan (Brasil).

Rai International
Onde assistir: Sky, NET, DirecTV, TVA.
O que é: também lançada em 1995, o braço internacional da Rai transmite mundialmente uma seleção dos programas das emissoras da Itália, além de produções originais para estrangeiros ou italianos que vivem fora do país. Através de três satélites, alcança os cinco continentes.
O que, como e quanto pode transmitir: geralmente, exibe quatro partidas por rodada da Serie A, sempre ao vivo: duas no sábado e duas no domingo, além de uma partida da Serie B. No caso de rodadas infrasemanais, por este motivo, só pode transmitir um dos jogos.
Neste fim de semana: Lazio x Lecce, Inter x Bologna, Juventus x Palermo, Cagliari x Milan.

Sportv
Onde assistir: Sky, NET, TVA, Telefónica.
O que é: lançado como Top Sport, os canais SporTV têm se dedicado a cobertura de eventos nacionais - mesmo muitas vezes de forma monopolística. Com 17 anos de estrada, lideram a audiência da categoria. Transmitem a Serie A pela primeira vez nesta temporada, ao receber o campeonato como contrapeso à perda da exclusividade nos direitos da Copa do Brasil no triênio 2009-11.
O que, como e quanto pode transmitir: duas partidas por rodada, seja ao vivo ou em VT. Transmite a segunda e a quarta opções de jogos feitas pela ESPN. Na prática, a ESPN veta a exibição de uma de suas cinco partidas na Sportv, que tem direito à escolha de uma outra. O processo se repete mais uma vez, para que o canal "escolha" seus dois jogos.
Neste fim de semana: Lazio x Lecce e Inter x Bologna.

TV Esporte Interativo
Onde assistir: parabólicas, redes e cabos nas principais cidades, NET, TVA.
O que é: o Esporte Interativo é a plataforma de transmissão esportiva criada em 2004 pela TopSports. Em pouco tempo, contruiu a maior programação ao vivo de esportes da TV aberta brasileira e, por bem ou mal, a maior rede SMS-TV do segmento no país. Em 2007, foi criada a TV Esporte Interativo, de distribuição gratuita nacional.
O que, como e quanto pode transmitir: três partidas por rodada, seja ao vivo ou em VT. O primeiro veto da ESPN também vale aqui, funcionando como aquele da Sky sobre algumas das partidas do campeonato espanhol. Uma destas três partidas é repassada para a Band, mas também exibida no canal.
Neste fim de semana: Inter-Bologna, Siena-Roma, Cagliari-Milan.