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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Retorno para o returno

O final de semana marcou o início do returno da Serie A. O torneio, apontado desde seu início como uma das melhores ligas italianas dos últimos anos, decepcionou um pouco em seu primeiro semestre. O salto técnico em comparação à última temporada é evidente, mas o esperado equilíbrio ainda não chegou a todos os níveis. A disputa pela Copa da Uefa e pelo rebaixamento promete emoção, com pelo menos quatro equipes lutando pela - ou contra - as duas vagas abertas. Afinal, a primeira da Uefa deverá ficar para Fiorentina ou Udinese, o time que rodar na luta pela Liga dos Campeões. E somente um milagre tira do Cagliari a primeira das vagas para a Serie B.

Falando em Cagliari, os comandados de Ballardini protagonizaram a maior surpresa da 20ª rodada. Após bater o Napoli num San Paolo lotado, na estréia da competição, o Cagliari manteve-se como pedra no sapato do time de Reja. Como tem sido a tônica da equipe, a má pontaria do ataque abriu espaço para a pressão do Cagliari no final. Hamsík abriu o placar no início do segundo tempo e Gianello vinha fazendo grande partida - e contando com a ajuda da trave, por duas vezes. Até que Matri e Conti, nos acréscimos, viraram a partida. O Napoli se distancia-se da Uefa, enquanto o Cagliari fica a cinco pontos da Reggina, último time fora da zona de rebaixamento.

No sábado, a Sampdoria bateu o Siena em um jogo truncado, que marcou a estréia de Riganò no time de Beretta. Outro feito foi o retorno de Delvecchio à Samp, que estava fora por lesão há dois meses. Cassano marcou o gol da vitória no fim do primeiro tempo. Também por placar mínimo a Roma venceu o Palermo. Os giallorossi impuseram uma blitz e finalizaram - sem direção - por várias vezes. O carrinho de Rinaudo sobre Brighi, que resultou na contestada expulsão do defensor rosanero, acabou como fato chave na definição da partida. Apenas dois minutos depois, Taddei cobrou escanteio e Mancini cabeceou livre na segunda trave, na área que era coberta pelo defensor. Guidolin outra vez decepcionou na escalação, atiçando a ira do presidente Zamparini. A cereja no bolo foi a utilização do uruguaio Cavani como esterno, no segundo tempo.

Mancini: novamente, decidindo para a Roma

No domingo, Pato voltou a ser manchetes dos jornais italianos. De "Patômico", passou a "Patíssimo". Foram dele os dois gols que garantiram a vitória do Milan sobre o Genoa. No primeiro, Seedorf escorou para o prodígio brasileiro um cruzamento perfeito de Maldini, que finalmente recuperou a boa fase. No segundo, a insistência foi premiada com um pouco de sorte. Pato recebeu lançamento, tentou encobrir o goleiro Scarpi, mas não fez a bola subir o suficiente. Mesmo assim o goleiro italiano rebateu e a bola voltou para Pato botá-la para dentro. O namorado de Stephany Brito (alcunha que será recorrente, enquanto dure o affair) causou a expulsão de Rubinho, ao tentar encobrir o ex-goleiro do Corinthians fora da área e fazê-lo tocar com a mão na bola. É sua segunda expulsão na temporada, pelo mesmo motivo.

Em três jogos, os times não tiraram o zero do placar. O embate entre Catania e Parma, um destes, marcou dois retornos: a reestréia de Lucarelli em campos italianos e a recuperação de Budan, que estava lesionado desde setembro. O brasileiro Piá fez sua estréia pelos etnei. Outro 0-0 ficou entre Torino e Lazio. Os dois times, bastante abaixo das expectativas no campeonato, fizeram uma partida aberta e de grandes chances para os dois lados - Ballotta saiu como melhor em campo. Bianchi, outro estreante na rodada, foi expulso com apenas cinco minutos em campo: substituiu Rocchi no segundo tempo, mas levou dois amarelos e foi mais cedo para o vestiário. Rossi e Novellino balançam sempre mais em seus cargos.

Ballotta sobe com Stellone: goleiro criticado vive boa fase recente

A Udinese, já tradicional pedra no sapato da Inter, pode ter reaberto o campeonato. Após uma vitória na bacia das almas contra o Parma, os nerazzurri, desta vez, não tiveram tanta sorte. César foi expulso ainda no primeiro tempo, e Júlio César saiu como herói após salvar o time de um gol de Di Natale. A Udinese pecou bastante nas finalizações, podendo ter decidido o jogo em pelo menos um par de oportunidades. Cruz também perdeu uma chance clara após falha bisonha de Handanovic na saída de bola. A Inter de janeiro definitivamente não é a mesma do fim de 2007. Em três rodadas, reencontra a Roma. E aí sim ficará decidido se teremos um campeonato nos meses finais.

Após encarar o Livorno, a Fiorentina bateu o Empoli em mais um dérbi da Toscana. Os comandados de Malesani estão cada vez mais próximos da Serie B, enquanto os de Prandelli engataram a quinta marcha e abriram quatro pontos sobre a Udinese na luta pela vaga na Liga dos Campeões. Os gols de Mutu e Pazzini saíram só depois dos 40 minutos do segundo tempo. Pazzo, aliás, contou com a benevolência de Prandelli: o gol surgiu como recompensa após a insistência do técnico em mantê-lo em campo após outra má exibição coroada por impedimentos. A Atalanta também marcou dois gols na Reggina (Rivalta e Langella), mas sofreu o empate (Vigiani e Barreto). Pela primeira vez, o ataque Brienza-Stuani fardou pelo time amaranto, que enfrenta o Milan nesta quarta, por partida adiada.

Pazzini: gol, e só

No posticipo da rodada, o Livorno levou um balde de água fria ao perder em casa para a Juventus. O time de Camolese não perdia desde 28 de outubro, quando finalmente engrenou uma seqüência de invencibilidade e chegou a sonhar com vaga na Copa da Uefa. Trezeguet marcou duas vezes, Del Piero outra. No dia em que a dupla Tavano-Tristán não funcionou, coube ao albanês Bogdani descontar, marcando seu primeiro gol com a camisa granata.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pro Vercelli, relembrar é preciso

Quem hoje vê o malogrado time que há uma década briga para ficar na metade de cima da tabela da Serie C2 custa a crer que, este mesmo clube, ostenta tantos scudetti quanto outras equipes tradicionais, como Lazio, Fiorentina, Sampdoria e Napoli. Somadas. Com 7 títulos conquistados, a squadra da região de Piemonte é a 5ª maior campeã da história do campeonato italiano, empatada com Bologna e Torino.

Tudo começou em 1908, quando a Pro Vercelli se sagrou campeã da segunda divisão italiana pela segunda vez consecutiva - apesar do título conquistado em 1907, o clube continuou no escalão secundário - e, não satisfeita, abocanhou o título da primeira divisão no mesmo ano, de forma invicta, ajudada pela exclusão de vários times e desistência de outros, fazendo com que o campeonato se resumisse a três clubes: além dos leoni, Milanese e Andrea Doria eram os participantes. No ano seguinte, porém, todos os clubes se fizeram presentes na disputa e a Pro Vercelli, batendo Juventus, Torino, Genoa e Milanese, ratificou sua superioridade, conquistando o bicampeonato.

Em 1910, entretanto, os bianchi se desentenderam com a Internazionale sobre a data do jogo final e, desgostosos com a recusa dos milaneses na troca de data, foram a campo com o time de juniores do clube, perdendo a partida por 10 x 3. Como mais três scudetti vieram entre 1911 e 1913 - batendo Lazio e Venezia nas finais - esse fato impediu a Pro Vercelli de estabelecer o hexacampeonato consecutivo da primeira divisão, seqüência nunca conseguida na história do futebol italiano.

Jogadores da Pro Vercelli em 1921, ano do sexto scudetto


Após a pausa forçada pela 1ª Guerra Mundial, os leoni garantiram mais dois títulos, em 1921 e 1922. A partir daí, com a ascensão do profissionalismo e sem condições de competir contra a força de equipes de cidades maiores e mais ricas, a derrocada teve início. Ano após ano a colocação final da Pro Vercelli diminuía um ou dois postos, culminando com o esperado rebaixamento e a volta ao segundo escalão em 1935.
E só piorou: seis anos mais tarde, os piemontesi foram novamente rebaixados, dessa vez para a Serie C. Com a reestruturação do futebol italiano pós-2ª Guerra, foram resgatados de volta à B, o que não adiantou de muita coisa, já que três anos depois foram novamente rebaixados à Serie C e, 4 anos mais tarde, para a quarta divisão. Desde então a Pro Vercelli flutua entre quinta, quarta e terceira divisões, sendo rebaixada e promovida dentro de campo e nos tribunais várias vezes, incluindo uma queda para a absurda sétima divisão por problemas financeiros. Desde 1994 disputa a quarta divisão do campeonato italiano, a Serie C2.

Pro Vercelli, de branco, enfrentando o Mezzocorona pela Serie C2

Enfrentando times como Südtirol-Alto Adige e Rodengo Saiano, os bianchi seguem seu eterno calvário em busca das glórias de um passado que não volta mais. Mas sempre, ao vestirem a imponente camisa branca, sentirão o peso e o orgulho de envergarem a cruz de Savóia multicampeã da Itália. E isso, ninguém os irá tirar.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Torneo di Viareggio

Viareggio, cidadezinha da Toscana banhada pelo mar Lígure, é conhecida internacionalmente por seu carnaval, considerado por muitos o mais importante da Europa. Enquanto a festa toma as ruas, o Torneo di Viareggio, também chamado de Coppa Carnevale, é destaque nos noticiários esportivos. Porém não com a devida importância, como ocorre também com a Copa SP de Juniores. Reconhecido por CONI (Comitê Olímpico Italiano), FIGC (Federação Italiana de Futebol), FIFA e UEFA, 2008 verá a 60ª edição de um torneio que começou com dez equipes, representando quatro times e seis bares, entre estes o campeão Lencioni.

A partir de sua segunda edição, em 1949, o torneio se oficializou e ficou marcado pela exclusividade na inscrição de atletas sub-21 e pela participação de times estrangeiros: o hoje extinto tchecoslovaco Dukla Praha venceu seis vezes entre as décadas de 60 e 70. Em 1978, aliás, participou da competição um time de Pequim, representando o primeiro contato esportivo da China comunista com a Europa ocidental. Já em 1966 havia pisado em Viareggio o Burevenstnik, de Moscou, primeiro time soviético em campos italianos.

Muita gente que se consagraria alguns anos depois, antes fez sucesso em Viareggio e suas cinco décadas de história. Giovanni Trapattoni, técnico da seleção italiana por seis anos, era titular do Milan bicampeão em 1959 e 60. Giancarlo Antognoni, para muitos o maior jogador da história da Fiorentina, foi contratado após destacar-se em Viareggio pela pequena Asti. Francesco Totti e Giuseppe Giannini, últimos dois grandes ídolos da Roma, fizeram sucesso também no litoral antes de se profissionalizar na capital.

O primeiro time brasileiro a disputar o torneio foi o Palmeiras, em 1983. Brasileiros, porém, não costumam se dar bem em Viareggio. A melhor participação de um time nacional foi a Sociedade Esportiva Irineu, de Joinville, interior de Santa Catarina, derrotado pelo Torino na final de 1998. No último ano, o Santos enviou time para a competição, mas caiu nas oitavas-de-final: classificou-se no grupo de Milan, Siena e A.P.I.A. Leichhardt, mas foi logo eliminado pela Sampdoria.

O Torneo di Viareggio em 2008 manterá o sistema do último ano: 48 times divididos em doze grupos. Classificam-se os primeiros de cada e os quatro melhores segundos colocados. O Genoa, atual campeão, abre o torneio contra o Tottenham, em 28 de janeiro. A final está prevista para 11 de fevereiro. Neste período, as competições juvenis italianas estarão suspensas para os 29 times italianos preparem-se para a competição frente aos 19 estrangeiros. Internazionale, Anderlecht, Sampdoria e Fiorentina são os times com mais chances, mas muita gente tradicional corre por fora. Não há perspectiva concreta de transmissão no Brasil.

Festa do título do Genoa, campeão de Viareggio em 2007

Grupo 1
Genoa (Itália), Tottenham (Inglaterra), A.P.I.A. Leichhardt (Austrália), Cisco Roma (Itália)

Os atuais campeões não devem encontrar muitos problemas para passar de fase. O Genoa, apesar do sucesso no ano passado, alterou o comando técnico: Luca Chiappino assumiu no lugar de Vincenzo Torrente. O atacante argentino Ledesma, remanescente do último título, é o principal nome da instável geração grifone que contará também com Martucci e Rondinara. As perspectivas não são lá muito animadoras e o terceiro título é bastante improvável.

O Tottenham tende a ser o grande rival pela vaga nas oitavas. Os spurs, que tiveram sua última boa fornada no início da década de 1990, quando revelou nomes como Campbell, Carr e Walker, fazem boa campanha na Premier Academy League. As maiores esperanças estão nos pés do armador Davis, de passagem pelas seleções inglesas sub-17 e sub-18. O A.P.I.A. vem apenas com a missão de melhorar seu retrospecto: no ano passado, três jogos, nenhum ponto, nenhum gol marcado e dez sofridos. A Cisco Roma, terceiro time da capital italiana, mandará um grupo mais jovem, com jogadores de até dezoito anos.

Grupo 2
Juventus (Itália), Pumas UNAM (México), International Allies (Gana), Massese (Itália)

Ultimamente, não dá para falar de Viareggio sem falar de Juventus. Nos últimos cinco anos, o time de Vinovo venceu três e foi vice-campeão de outro. A Juve vem em ritmo forte no campeonato Primavera, liderando seu grupo com folga. Após decepcionar em Viareggio, ano passado, ao cair nas oitavas-de-final para o Piacenza, o time volta a mirar a final: os meias Castiglia e Esposito, que já chegaram a treinar entre os profissionais, são os principais nomes da geração comandada por Vincenzo Chiarenza.

Lutando contra o possível domínio bianconero no grupo está o Pumas UNAM, que volta a representar o México após mais de uma década de ausência. O ofensivo lateral-direito Medina é a grande aposta, enquanto o talentoso – porém temperamental - meia Cabrera pode pôr tudo a perder. Já o Allies, pela primeira vez na competição, tende a repetir o feito dos senegaleses do Cambérène, ano passado, saindo sem marcar pontos. A Massese de Niccolai Giuliano deve apenas compor grupo: a última grande revelação do clube foi Chinaglia, atacante da Lazio na década de 1970.

Grupo 3
Milan (Itália), Belasica (Macedônia), Malaysian (Malásia), Cesena (Itália)

Os resultados recentes do Milan em sua base são algo preocupante para um clube tão estruturado desde suas categorias mais jovens. O time foi eliminado ainda na fase de grupos de Viareggio, ano passado. Nesta temporada, tem sofrido para se manter na luta pela classificação para as oitavas-de-final do campeonato Primavera. Alguns jogadores que disputarão Viareggio já estrearam pelo time principal, na Coppa Italia. O atacante Paloschi inclusive foi às redes contra o Catania. Decerto o Milan já formou gerações melhores e Filippo Galli terá problemas em ambicionar algo mais que passar das quartas-de-final. Pouco para quem já venceu o torneio por oito vezes.

O Belasica, de Strumica, estreará na competição. O clube, hoje na segunda divisão macedônia, é o berço do atacante Pandev, atualmente na Lazio. O Cesena, campeão de Viareggio em 1990 sobre o Napoli, revelou bons jogadores em seus tempos de Serie A, como Rizzitelli, Fontana e Ambrosini. A geração deste ano volta a prometer: na Coppa Primavera, de tiro curto, o time alcançou bons resultados, tirando a dupla Lazio e Roma da competição. Destaque para a sólida dupla de zaga formada por Ceccarelli e Del Vecchio. Do Malaysian Indian não foi possível colher informações.

Grupo 4
Atalanta (Itália), Újpest (Hungria), Midtjylland (Dinamarca), Sansovino (Itália)

A Atalanta é tida como um dos melhores celeiros de jogadores na Europa. Segundo um estudo de Coverciano, é o time que mais revelou jogadores para a Serie A. O time de Bérgamo tem dois títulos em Viareggio, o último em 1993, batendo o Milan. Na atual temporada, faz boa campanha no campeonato Primavera, e hoje estaria classificada para as oitavas-de-final do torneio. Com jogadores sem muita badalação, porém efetivos, esta Atalanta pode ir longe apostando em sua tradição em torneios juvenis. Alessio Pala comandará uma equipe traiçoeira, que atrai o adversário antes de desferir o golpe final, num jogo que não enche os olhos. O goleiro Andreoletti é o principal nome do time.

Os húngaros do Újpest são uma incógnita. Até o fechamento deste preview ainda não havia sido decidido se Korcsmár, da seleção húngara sub-21, será inscrito no torneio. O meia passou quinze dias em testes no West Ham, em dezembro, mas voltou para o Újpest, onde é titular. Caso confirme as expectativas e permaneça para a disputa do campeonato húngaro, seu substituto tende a ser Viktor Mundi, filho do técnico que comanda as categorias de base do clube. O Midtjylland é um clube jovem e tem conquistado seu espaço rapidamente. Em sua estréia em Viareggio, aposta na categoria do zagueiro Kjær, que atraiu a atenção do Liverpool há pouco tempo e no goleiro Weinkouff, titular em seguidas seleções de base dinamarquesas. O Sansovino, da Serie C2, deve ser o fiel da balança.

Grupo 5
Empoli (Itália), River Plate (Argentina), Cambérène (Senegal), CuoioCappiano (Itália)

O Empoli tem conseguido bons resultados em Viareggio. Foi campeão do torneio em 2000, revelando Marchionni, e vice em 2004. O time de Ettore Donati, porém, será bem diferente daquele que alcançou o terceiro lugar no último ano. O atacante Caturano, da seleção italiana sub-19, tende a receber os holofotes da mídia local. O também atacante Mchedlidze, georgiano, pode ser a surpresa do time. Ele já possui dois jogos pela seleção principal de seu país, tendo estreado contra a Itália. Contra a Escócia, marcou seu primeiro gol como profissional.

Os zagueiros Malacarne e Curuchet são os destaques do River Plate. O primeiro já fez experiências no Ajax, enquanto o segundo despertou o interesse do Atlético de Madrid e é capitão da seleção argentina sub-17. O goleiro Sand, titular da mesma seleção, completa o trio de ouro da defesa millionaria. Se a base deve ser o futuro de um River que não vem bem no time principal, não há hora melhor para provar a capacidade. O Cambérène, de péssima campanha no último ano, não havia anunciado sua lista de convocados até o fechamento desde preview. Mas uma perda já é real: Diakhaté, melhor jogador do time no torneio passado, foi contratado pela Fiorentina. O CuoioCappiano, que revelou Cristiano Lucarelli no início da década passada, completa o grupo.

Grupo 6
Roma (Itália), Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Siena (Itália), Ascoli (Itália)

A Roma encabeça o grupo da morte: por mais que as apostas apontem a passagem dos giallorossi, a tarefa será bastante complicada. O grupo comandado por Alberto De Rossi não consegue convencer no campeonato Primavera, e hoje estaria de fora da próxima fase. Talvez inspirado no time principal, os jovens romanistas fazem um jogo fluido e ofensivo quando estão com a bola; mas, sem ela, demonstra insegurança. O ponto forte do time é o meio-campo, com Unal e Massimo pelo centro e Della Pena e Marangon pelos lados. O último é o irmão mais novo do goleiro Doni.

O principal rival da Roma pela vaga deverá ser o Ascoli. O time tem um aproveitamento de mais de 80% no campeonato Primavera, liderando com folga o grupo onde a Roma passa sufoco. O zagueiro francês N’Siabamfumu e o atacante letão Gauracs fazem parte do novo projeto do Ascoli, que busca jovens talentos para reforçar o time desde a base. O vice-líder do grupo no campeonato Primavera é justo o Siena. Os garotos de Marco Baroni, em 2006, alcançaram a quarta colocação em Viareggio. O atacante Prandelli faz as vezes de artilheiro do time. O Shakhtar, até o encerramento do preview, não havia anunciado seus convocados para a competição.

Grupo 7
Vicenza (Itália), Sparta Praha (República Tcheca), Anderlecht (Bélgica), Pergocrema (Itália)

Se algum italiano não é aposta fácil, é neste grupo. Tradição em Viareggio não falta para o Vicenza, que venceu dois títulos e chegou a uma final, ainda em seus tempos de Lanerossi. A questão é que o próprio time mostra, ano após ano, que camisa não tem sido o suficiente. O Sparta Praha pode surpreender e até mesmo ficar à frente do Vicenza, pois os biancorossi não tiveram a sorte de encontrar o mesmo sorteio do ano passado.

Já o Anderlecht tem tradição em investir na própria base e de lá tirar jogadores para dominar o cenário belga. O ano do centenário não é diferente, e as ambições passam por Viareggio, jamais conquistado. No ano passado, o time caiu nas semifinais para a Roma e adiou o sonho do time de René Peeters. Neste ano, as apostas recaem sobre os meias Ciza e Hamdan e o atacante norueguês Snorrason. O outro representante italiano do grupo é o Pergocrema, cujo único grande feito foi revelar Attilio Lombardo no início da década de 1980.

Grupo 8
Sampdoria (Itália), Guaraní (Paraguai), Parma (Itália), Benevento (Itália)

A Sampdoria retomou sua boa fase nos principais torneios juvenis: no último ano, chegou até as quartas-de-final em Viareggio e foi vice-campeã do campeonato Primavera. Nesta temporada, faz ótima campanha no torneio e no fim de fevereiro decidirá uma vaga nas semifinais da Coppa Primavera com a Fiorentina, na qual saiu em vantagem. Os doriani, comandados por Fulvio Pea, têm no meia-esquerda húngaro Koman seu principal jogador. O goleiro Fiorillo e o habilidoso atacante ítalo-americano Ferrari também são destaques da ótima geração da Sampdoria, que tem quatro títulos de Viareggio em sua história.

O Guaraní sai direto da Copa Santiago para o carnaval italiano: no torneio disputado no interior do Rio Grande do Sul, os legendarios terminaram na quarta colocação, ao cair para o Grêmio nas semifinais e perder para o Cruzeiro na disputa pelo terceiro lugar. Destacaram-se os irmãos William e Robert Santacruz. O Parma, vice-campeão em 1996, corre por fora na luta pela vaga nas oitavas: destaque para o goleiro Corradini e o meia Galli, ambos da seleção italiana sub-19, e o artilheiro Prijović, da seleção sérvia da mesma categoria. O simpático Benevento, por outro lado, não deve incomodar ninguém e manter-se apenas representando a cidade das bruxas.

Grupo 9
Fiorentina (Itália), Interblock Ljubljana (Eslovênia), New York Stars (Estados Unidos), Sambenedettese (Itália)

A Fiorentina é, ao lado do Milan, o time com maior número de conquistas na competição: oito títulos, cada. E neste ano volta a mirar o título, nas mãos do técnico Alberto Bollini. O goleiro Seculin, destaque no Alto Adige, foi contratado nos últimos dias, estreou neste sábado e deve ser titular em Viareggio. No elenco, há muitos jogadores que habitualmente treinam entre os profissionais viola, como Tagliani, Hable e Lepiller. Mas a grande estrela é o atacante Di Carmine, que inclusive já marcou gol na Copa da Uefa. A Fiorentina deve passar com tranqüilidade da fase de grupos.

O primeiro representante esloveno da história da competição, a Interblock Ljubljana, já sem chance de título no campeonato local, liberará quatro jogadores profissionais para o time que disputará Viareggio. O técnico Dragana Skočića contará com Rozman, Rujović, Salkić e Gerić na tentativa de assalto à vaga nas oitavas-de-final. O New York Stars, não federado à MLS, retorna na tentativa de apagar a má impressão criada no ano passado, quando levou oito gols do Genoa em um jogo e despediu-se na lanterna. Já a Sambenedettese entrará em campo para evitar um vexame, e para isso contará com uma dezena de jogadores de San Benedetto del Tronto.

Grupo 10
Torino (Itália), Spartak Moscou (Rússia), Rimini (Itália), Castelnuovo (Itália)

Ótima defesa e péssimo ataque: eis o Torino que entrará em campo em busca de seu sétimo título na competição - o último saiu em 1998, e depois disso os rivais da Juve já venceram por três vezes, para desespero dos granata. Giuseppe Scienza deverá apostar na presença solitária de Lo Bosco no ataque, de forma a garantir a solidez defensiva que tem sido marca desse Torino no campeonato Primavera. Na ligação, deverá estar o ágil francês Malonga, já na equipe principal.

O Spartak deve apostar suas fichas no meia Grigoriev, que disputou o último Europeu sub-17 pela seleção russa. No ano passado, os russos chegaram até as quartas-de-final e só caíram para o futuro campeão Genoa na prorrogação. O Rimini de Luca Righetti, decepção no campeonato Primavera, deverá se apoiar no zagueiro Nanni, capitão, na base do clube desde 2001. As esperanças de gol estarão nos pés (e na cabeça) do centroavante De Vincenzi. O toscano Castelnuovo se dará por satisfeito apenas por disputar a competição graças à geografia: a cidade fica a pouco mais de uma hora de carro de Viareggio.

Grupo 11
Internazionale (Itália), Olympiacos (Grécia), Reggina (Itália), Piacenza (Itália)

Na Inter, os principais nomes do último ano amadureceram e se uniram a novas promessas. A prolífica dupla de ataque Balotelli-Napoli é o carro-chefe de um time equilibrado e com bons jogadores em todos os setores, como o lateral-esquerdo montenegrino Fatić e o meia húngaro Filkor. Os dois últimos já estrearam por suas seleções nacionais. Os nerazurri, comandados por Vincenzo Esposito, estão na linha de frente dos times que buscam o título em Viareggio, que não vem desde 2002. O atacante Balotelli, aliás, é um dos grandes candidatos a craque da competição: em seu primeiro jogo como titular na equipe principal da Inter, marcou dois gols, contra a Reggina.

O Olympiacos não deve oferecer muita resistência ao time de Via Durini. O lateral Papadopoulos é o nome mais conhecido do elenco grego, já tendo jogado seis partidas pela liga grega, entre os profissionais. A Reggina, que vem com má campanha no campeonato Primavera, deve manter seus bons jovens elegíveis para Viareggio no time principal, como Montiel e Ceravolo. O técnico Roberto Breda apostará no habilidoso atacante romeno Khoris e no rápido húngaro Szatmári. Já o Piacenza conta com os gols de Bruni para tentar surpreender e voltar a se classificar para as oitavas, como no ano passado.

Grupo 12
Lazio (Itália), Pakhtakor (Uzbequistão), Novara (Itália), Combinado Serie D (Itália)

A Lazio, aos trancos e barrancos, tem feito boa campanha no campeonato Primavera. O time é liderado em campo por Tuia, zagueiro já comparado a ninguém menos que Nesta. No meio-campo, quem desequilibra é Mancini, mas qualquer semelhança com o atual técnico da Inter é mera coincidência. Em novembro, Mancini marcou três gols no dérbi da Primavera e ganhou destaque: o único a alcançar o feito até então havia sido Bruno Giordano. Os biancocelesti podem surpreender.

O Pakhtakor, que domina o cenário do futebol uzbeque, volta para Viareggio após estrear na competição no ano passado. O torneio deverá servir para a observação dos jovens do clube, que retorna das férias nas próximas semanas. O Novara contará com o goleiro Magnani e o lateral Casetta, ambos especulados recentemente na Fiorentina. Já o combinado da Serie D reunirá os melhores jovens daquela que é relativa à quinta divisão italiana, apenas com jogadores amadores, comandados por Agenore Maurizi.

Braitner Moreira e Mateus Ribeirete, originalmente para o Olheiros.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Quartas-de-final, parte 2

Lazio 2-1 Fiorentina - Kolarov, Behrami; Pazzini
A Lazio foi a campo com o que tinha de melhor e, embalada também pelo anúncio do reforço de Bianchi, logo abriu o placar. Aos 19 minutos do primeiro tempo, Kolarov marcou um belo gol ao mandar um pataço do meio da rua em cobrança de falta, acertando o canto esquerdo da meta de Lupatelli, que nem viu a bola. Menos de um minuto depois, Behrami recebeu um lançamento em profundidade dentro da área e aumentou o placar, finalizando por entre as pernas do goleiro da Fiorentina.

Os biancoazurri tinham o jogo nas mãos, dominando completamente as ações quando, em seu melhor momento no jogo, sofreram o gol. Aos 39', Pazzini recebeu ótimo cruzamento de Mutu e, livre na área, concluiu de primeira, tirando do alcance de Muslera, que estava com a visão encoberta. Com o gol a viola se atirou ao ataque no segundo tempo e perdeu duas chances claríssimas com o mesmo Pazzini, mais uma com Osvaldo e a esperança de empatar o jogo. O jogo de volta será no dia 30, em Florença.

Time laziale faz festa após golaço do jovem lateral Kolarov

Inter 2-2 Juventus - Cruz (2x); Del Piero, Boumsong
Em Milão, o confronto entre os dois gigantes começou - e terminou - mal para Burdisso. Ao ver Del Piero entrando livre pra fazer o gol, o argentino não pensou duas vezes e encarnou o espírito de seu companheiro de zaga, Materazzi, rachando o italiano ao meio e sendo expulso logo aos 8 minutos do primeiro tempo. Com um jogador a mais, os bianconeri até esboçaram uma pressão, mas nada de interessante aconteceu em nenhuma das duas metas.

Já no segundo tempo, a estrela de Julio Cruz brilhou. Em dois cruzamentos para a área, o argentino marcou mais dois tentos para sua conta. O primeiro de cabeça, após péssima saída de Belardi, substituto de Buffon, e o segundo com um desvio de direita em meio a dois zagueiros da Juve. A equipe de Turim então resolveu acordar e foi pra cima, conseguindo o primeiro gol aos 80', com um chutaço de primeira de Delpi quase de dentro da pequena área, após receber cruzamento de Trezeguet. Quase no fim, o renegado - e, imaginava-se, vendido - Boumsong empatou o jogo, completando de cabeça o escanteio cobrado da direita por Palladino. E assim acabou o confronto, que será decidido também no dia 30, em Turim.

Mercado de (real) inverno

Ainda não muito movimentado, os grandes golpes de mercado são apenas psicológicos, por enquanto. Nenhum negócio muito quente, faz valer o inverno italiano. A grande surpresa do calciomercato nesta semana foi a contratação de Rolando Bianchi pela Lazio. Os biancocelesti atravessaram as negociações entre o atacante e o Torino e confirmaram a chegada do atacante de 24 anos, herói da salvezza da Reggina na temporada passada. Após seis meses no Manchester City, não se firmou, e, fora dos planos de Sven-Göran Eriksson, foi emprestado com valor fixado em cerca de €11 milhões.

A Lazio também confirmou na tarde desta sexta-feira a chegada do meia Mathias Cardaccio, do Nacional de Montevidéu. O uruguaio, de passaporte comunitário, disputou o último mundial sub-20 por sua seleção e teria custado cerca de €2 milhões ao bolso de Lotito. A Roma também aposta no futuro - porém mais distante. Bruno Conti confirmou a chegada a custo zero de dois jovens romenos, após vencer a concorrência com o Chelsea: Alex Pena, goleiro, 18 anos, passagem pelas seleções de base locais, e Sebastian Mladen, zagueiro, 16 anos. O último é também capitão da seleção romena sub-16. Pena lutará com Delfino pela titularidade na primavera romanista, Mladen será integrado aos allievi.

Rolando Bianchi: inadaptado na Inglaterra, retorna à Itália com moral

Mas o que não falta é gente se despedindo da capital. Adnan Polat, vice-presidente do Galatasaray, anunciou a chegada de Ahmed Barusso ao clube por empréstimo de seis meses. O ganês, sem espaço na Roma, se integrará ao clube turco após a disputa da Copa Africana de Nações. Seu compatriota Sammy Kuffour, uma das maiores decepções recentes do calcio, treinava à parte desde que retornara do Livorno, em julho. Kuffour fará exames médicos no Ajax e deve ser anunciado como reforço nos próximos dias. Mauro Esposito deve ser outro a se despedir, rumo ao Napoli.

A Atalanta reforçou o ataque com a chegada de Michele Paolucci, em empréstimo da Udinese. O atacante de 22 anos chega para cobrir o buraco deixado por Riccardo Zampagna, negociado com o Vicenza após discutir com Del Neri. Também na luta pela Copa Uefa, o Catania anunciou o brasileiro Piá, que tem seus direitos vinculados ao Napoli, mas estava no Treviso. Para seu lugar, na Serie B, chega Arturo Lupoli, da Fiorentina. O Estudiantes confirmou a negociação com os etnei de seu lateral Pablo Alvarez, 23, por cerca de €1 milhão. Já na luta contra o rebaixamento, o Cagliari fechou com Luca Capecchi, ex-Ravenna, para a reserva de Storari. E Giampaolo refutou retornar ao time, apesar das manifestações recentes da torcida.

Tiago: decepção na Juve, deve retornar para o futebol inglês

O Monaco entrou em acordo com a Juventus por Sergio Almirón. O argentino ficará emprestado ao clube do principado por seis meses e poderá ser contratado em definitivo por €8 milhões. Também a França parece ser o destino do zagueiro Jean-Alain Boumsong. Autor do gol de empate contra a Inter na última quarta-feira, a proposta do Lyon já foi aceita e falta apenas acertar a data oficial para sua apresentação. Outro que pode deixar Turim é o português Tiago, rumo ao Tottenham. Mohamed Sissoko, do Liverpool, deve ser seu substituto, enquanto a zaga mantém suas opções em aberto após o não da Sampdoria seguido à investida bianconera em Lucchini. Rival da Juve na luta pela Liga dos Campeões, a Fiorentina promete ir às compras após liberar Vanden Borre para o Genoa e Balzaretti para o Palermo. O time de Zamparini ainda busca o empréstimo de Lucas Leiva, do Liverpool, na tentativa de retomar a ambição dentro do campeonato.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Mudança de comportamento

"Esta noite devíamos vencer e infelizmente não conseguimos. Por sorte agora ainda teremos muitas partidas, não vejo a hora porque estamos fazendo tantos sacrifícios e trabalhando muito, não é fácil jogar a cada três dias. Já neste domingo deveremos enfrentar a partida com mentalidade vencedora: entrar em campo para vencer todas porque agora os empates já não bastam." A mentalidade que pede Kaká é a mesma que esteve em campo contra o Napoli, na estréia de Alexandre Pato, e fez o Milan retomar a busca por uma vaga na Liga dos Campeões. E que, num piscar de olhos, parece ter desaparecido.

Atalanta 2-1 Milan - Langella, Tissone; Gattuso
Um estádio sem torcida recebeu a partida que conta pela 12ª rodada da Serie A, mas paralizada na data graças à tentativa de invasão de campo da torcida bergamasca após os incidentes que culminaram na morte de Gabriele Sandri. Nas tribunas, a ausência foi de Ivan Ruggeri, presidente da Atalanta, operado na terça-feira após sofrer um aneurisma cerebral. No gramado, Gilardino preteriu Ronaldo e - surpresa - Bonera foi escalado no lugar de Oddo na tentativa de segurar o forte lado esquerdo do time de Bérgamo. O Milan, sempre no comando, abriu o placar com uma bola que sobrou para Gattuso dentro da grande área após uma seqüência de três escanteios. E a seguir perdeu uma sucessão de gols, em uma delas com Pato livre na frente de Coppola.

Bellini pára Pato: o eterno lateral da Atalanta foi decisivo

Bonera voltou a decepcionar, porém, ainda no primeiro tempo. Langella surgiu livre em suas costas após genial cabeceio de Doni e bateu de direita, sem chances para Kalac. A partida disputada no meio-campo tornava opaca a participação dos principais jogadores milanistas - Seedorf foi o grande nome do primeiro tempo. No início do segundo tempo, Doni deixou o campo com uma suspeita de contratura muscular (posteriormente não confirmada) para a entrada de Simone Inzaghi. A Atalanta pouco ameaçava, mas se apoiava nas grandes atuações de seus jogadores de defesa, em especial Carrozzieri e Tissone. E Pato, após outra apresentação abaixo da média, deixou o campo para a entrada de Ronaldo.

Langella saiu para a entrada de De Ascentis, com a missão de segurar de vez o empate; Ancelotti respondeu com Oddo no lugar de Bonera. A pressão descontrolada do Milan acabou premiando as escolhas de Del Neri: a Atalanta desceu num rápido contra-ataque e, aos 23 minutos, Inzaghi esperou que Kalac saísse do gol para que Tissone, sozinho na grande área, recebesse seu passe para a virada. O argentino ainda acertaria a trave cinco minutos depois, enquanto a equipe rossonera, totalmente desequilibrada, via o primeiro de seus três jogos recuperados escapar por entre os dedos. Se Ancelotti comemorou a queda prematura da Coppa para que o time se focasse nesses jogos, a derrota pode ser decisiva para qualquer sonho que mire a elite européia nos próximos meses. Até porque não parece provável algum grande golpe de mercado nos próximos dias.

Pelos confrontos de ida das quartas-de-final da Coppa Italia:

Sampdoria 1-1 Roma - Ziegler; Vucinic
Após perder o embate da Serie A, finalmente Cassano reencontrou a Roma. Escalado por Mazzarri desde o primeiro minuto, não obstante a opção do técnico por dar ritmo a alguns reservas, Peter Pan foi o grande nome da partida, não importa o ponto de vista. Desequilibrou a defesa adversária com bons passes, pôs a mão na bola antes de Sala marcar um gol posteriormente invalidado, sofreu a falta que custou a Mexès uma expulsão prematura e entrou sobre Tonetto de forma discutível, acendendo uma discussão em campo. Já Spalletti, ainda lutando contra contra lesões de alguns de seus jogadores-chave, optou por poupar apenas Taddei, Pizarro e Doni. No lugar do chileno, Aquilani desde o primeiro minuto.

Mesmo com a expulsão do francês aos 18 minutos, a Roma manteve o passo e chegou a encontrar a trave com Panucci. No segundo tempo, porém, a Samp fez jus a sua superioridade e chegou a dominar por alguns momentos, como no gol do suíço Ziegler, que avançou pela esquerda e bateu em diagonal para outra falha no currículo de Curci. Os giallorossi empataram pouco depois, com um grande gol de Vucinic após lançamento de Mancini. Chances de vitória para ambos os lados marcaram a partida que, pelas circunstâncias, tornou-se bom resultado para a Roma. Detalhe apenas para a formação defensiva do time para o retorno, no Olimpico: com Juan lesionado e Mexès e Ferrari suspensos, tudo aponta para a escolha de uma dupla inédita, Andreolli-Panucci.

Panucci disputa com Cassano: o barês incomodou a defesa romanista

Udinese 3-2 Catania - Ferronetti, Pepe (p), Felipe; Izco, Martínez
Os times protagonizaram um jogo cheio de alternativas. Os bianconeri, apesar de contar com apenas três de seus titulares habituais, buscavam uma vitória para esquecer o amargo fim da partida contra o Milan e buscar uma semifinal de prestígio - seja com Roma ou Sampdoria. Já os etnei, após surpreenderem o mesmo Milan há uma semana, viram em campo um turnover forçado na defesa, graças às suspensões de Sardo, Terlizzi e Sottil e a lesão de Sabato.

Os sicilianos terminaram o primeiro tempo em vantagem. Ferronetti abriu o placar para a Udinese após cobrança de falta pela esquerda, mas três minutos depois a defesa friulana cortou mal um escanteio, nos pés de Izco, que concluiu bonito de média distância. De cabeça também a virada do Catania, com Martínez antecipando-se a Chimenti. Em sérias dificuldades, Marino pôs em campo Pepe e Quagliarella, e sobre o segundo o árbitro marcou um pênalti após falta de Martínez. Pepe cobrou com categoria e reempatou a partida por mais cinco minutos, até que Felipe anotasse o seu, com liberdade na área após desvio de Inler em escanteio. Os torcedores da Udinese respiram fundo com o resultado, mas os dois gols permitem ao Catania sonhar mais alto.

Amanhã, um apanhado das movimentações do mercado italiano ocorridas nesta semana e um resumo dos confrontos da outra chave da Coppa: o empate entre Inter e Juve e a vitória da Lazio sobre a Fiorentina.

Ah, os árbitros... parte dois

Inter 3-2 Parma - Cambiasso; Cigarini, Gasbarroni; Ibrahimovic (p), Ibrahimovic
Após Cambiasso abrir o placar, dava-se a impressão de que viria mais uma vitória tranqüila da Internazionale. Ou não. Muito aplicado tanto tática quanto tecnicamente, o Parma conseguiu chegar a um justo empate, e, principalmente, muito próximo da vitória, após cobrança de falta de Gasbarroni e falha de Júlio César. O panorama mudava de lado, e então parecia que os nerazzurri sofreriam sua primeira derrota na competição. Até que, com mais ou menos 45 minutos de segundo tempo, um chute na sobra da área pinga no chão e Fernando Couto, único defensor no local (Bucci fora do lance), jogou-se de cabeça para tirar a bola das redes. Resultado? Pênalti para os donos da casa, pois, segundo o árbitro após consulta com assistente, o zagueiro interceptou com o braço. Dúvidas até agora, com direito a vários replays - é fácil culpar um bandeira que dificilmente poderia tirar conclusões certeiras em um lance tão rápido e interpretativo. Fato é que o ocorrido gerou muita polêmica na Itália, principalmente sobre um possível favorecimento à Inter. Mas o favorecimento em si foi presente no primeiro tempo, quando Córdoba cometeu pênalti claro em Corradi. Ah, Ibra converteu a infração e ainda virou o jogo depois.

Palermo 2-3 Siena - Amauri; Locatelli, Maccarone; Miccoli (p); Loria
Um dos jogos mais emocionantes da rodada começou com um gol logo aos quatro minutos, marcado pelo brasileiro - e futuramente oriundo - Amauri, de cabeça após cobrança de falta vinda da direita. Até aí, a impressão que se dava era de uma vitória fácil do Palermo, o que não aconteceu. Somente um minuto depois, a bola foi alçada na área rosanera, a zaga se atrapalhou toda e Locatelli não desperdiçou a sobra em sua frente. Em outro cruzamento, dessa vez da direita, o Siena conseguiu virar a partida com boa escorada ao gol de Maccarone - isso tudo com dez minutos de jogo. Mais cinco minutos se passaram e Loria cometeu um pênalti extremamente infantil em Guana; Miccoli bateu e acertou o travessão. Depois do intervalo, outro pênalti: aos 34 minutos de jogo, uma falta cobrada em frente ao gol bateu no braço levantado de Maccarone, e de nada adiantou reclamar. Miccoli não desperdiçou a oportunidade dessa vez, e, incendiando o estádio, foi mais um a quebrar a cara quando Loria, em outro cruzamento lateral, cabecear de longe e surpreender Fontana, dando três pontos valiosíssimos ao Siena.

Lazio 2-2 Napoli -
Hamsík; Ledesma, Pandev; Hamsík
O Napoli começou fulminante: já com cinco minutos de partida, uma boa jogada pela esquerda permitiu a finalização do garoto Hamsík, que pegou Ballotta no contrapé e abriu o placar para os visitantes. Vinte minutos depois, uma preciosa bola sobrou fora da área e Ledesma, com um excelente chute de perna esquerda, acertou um belíssimo gol, empatando a partida. Não demoraria mais que cinco minutos para Goran Pandev, após receber bom passe da esquerda, concluir bem às redes, virando o jogo para os donos da casa, e, até então, lavando a alma dos celestes. Até o final da partida, o que se via era uma grande participação do criticado Ballotta, que conseguia salvar sua equipe várias vezes. Ledesma ainda acertou a trave em precisa cobrança de falta, que poderia ter matado a partida ali. Entretanto, o destino foi cruel, e depois de tanta insistência, o mesmo Hamsík empatou o jogo em seu lance final para um Napoli que já contava com um jogador a menos, visto que Blasi havia recebido seu segundo cartão amarelo três minutos antes. Foi o terceiro gol do eslovaco no Stadio Olimpico, porque no primeiro turno já havia feito um gol na Roma. Polêmicas com o árbitro e seus longos acréscimos colocaram tensão no clima da partida após o apito final.

Roma 2-0 Catania - Giuly, De Rossi (p)
Ao contrário do avassalador 7 a 0 na temporada passada, desta vez a Roma teve certas dificuldades para bater o Catania em casa. Ainda no primeiro tempo, Taddei chutou muito bem de esquerda, a bola bateu na trave, e, no rebote, um Giuly bem-posicionado só encostou para as redes. Ainda eram os donos da casa que dominavam, porém os sicilianos chegavam aos poucos, ameaçando vez ou outra o goleiro Doni. Já no segundo tempo, o protagonista Taddei foi para cima da defesa e sofreu um pênalti. De Rossi, provavelmente traumatizado com sua pífia tentativa de cucchiaio, encheu o pé e garantiu a vitória romanista.

Reggina 2-0 Cagliari - Brienza, Cozza
Excelente estréia de Franco Brienza: o ex-palermitano conseguiu abrir o placar com um grande sem-pulo de perna esquerda - isso já no segundo tempo - aos 69 minutos de jogo, mais precisamente. Resultado que não era nada exceto necessário para a Reggina. Para sacramentar o caixão rossoblù, Cozza acertou um petardaço de direita na entrada da área, que chegou a bater no travessão antes de balançar as redes. O Cagliari está desde 30 de setembro sem vencer, e vê cada vez mais o pesadelo do rebaixamento se tornar realidade.

Livorno 1-0 Empoli - Tavano (p)
Derbys são derbys. E não foi na sua 200ª partida comandando alguma equipe na Serie A que Malesani, técnico do Empoli, conseguiu a vitória. Sua equipe, explorando bem os ataques laterais, começou melhor em campo e seu gol 'amadurecia' aos poucos. O lance de maior destaque do primeiro tempo foi com Saudati, que, recebendo excelente passe do também excelente Vannucchi, chegou perto do gol e bateu no canto. Amelia, muito bem posicionado, conseguiu salvar sua squadra. Já no segundo período, a bola foi alçada na área e o árbitro Antonio Damato assinalou pênalti de Pratali em Vidigal. Francesco Tavano, sempre ele, bateu firme em meia-altura e marcou o único gol da partida. O Empoli ainda continuou pressionando fortemente e obrigou Amelia a fazer mais algumas grandes defesas. Outros lances de pressão não foram suficientes para tirar a vitória dos comandados de Camolese, que, quem diria, já estão na 13ª posição.

Udinese 0-1 Milan - Gilardino
Ka-Pa-Ro
: o trio brasileiro do Milan não conseguia furar a protegida retaguarda da Udinese. Possível pênalti lá, outro ali, e a partida continuava muito equilibrada. Os donos da casa, como não são bobos, conseguiam vez ou outra chegar próximos de abrir o placar. Os milanistas, organizados em campo mas sem grandes oportunidades, forçavam aos poucos com um grande esforço ofensivo. Kaká não conseguia liberdade, mas tentava ao máximo construir o jogo - ao contrário dos comentários de Silvio Lancellotti -, o qual afirmava que o camisa 22 foi extremamente mal, um exagero. A partida se encaminhava para um placar fechado quando, em um ato de extrema infelicidade, Obodo tentou sair driblando da defesa e perdeu a bola para Pato, que rapidamente tocou para Kaká, que em grande passe de calcanhar, serviu Gilardino; o violonista, em posição duvidosa, não perdoou.

Juventus 0-0 Sampdoria
Uma Juve inoperante até conseguia criar lances incisivos de gol, mas, quando o fazia, desperdiçava. Marchionni conseguiu perder um gol feito, quase embaixo da trave - daqueles que, em pelada de fim de semana, sacramenta uma briga. Além disso, Trezeguet carimbou o travessão ainda no primeiro tempo. Ainda antes do intervalo, Maggio cabeceou na trave, o que teria deixado a partida mais emocionante, pelo menos. Até aí, era a vecchia signora quem dominava a partida. Depois do intervalo, o ritmo bianconero caiu bastante, especialmente com a entrada de Iaquinta no lugar de Del Piero. Nada de muito especial na partida, que acaba com a Juve de olho nas quartas-de-final da Coppa Italia contra a Inter.

Recapitulando os lances que geraram polêmica no calcio durante o conturbado final de semana:

- Em Florença, dois pênaltis suspeitíssimos marcados em Mutu, sendo o segundo simplesmente ridículo.
- Gol anulado da Atalanta, e, 30 segundos depois, gol do Genoa.
- Pênalti não marcado de Córdoba em Corradi.
- Pênalti marcado após suposto toque com o braço de Fernando Couto.
- Polêmica nos acréscimos entre Napoli e Lazio. Gol de empate, marcadou por Hamsik, saiu aos 49 minutos, e logo depois foi encerrada a partida.
- Possível pênalti não marcado em Di Natale, no jogo entre Udinese e Milan.
- Possível impedimento de Gilardino no gol da vitória do Milan.
- Pênalti marcado em toque com o braço possivelmente intencional no jogo entre Palermo e Siena.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Brasileiros no calcio: Fabiano

Fabiano Lima Rodrigues, 28 anos, lateral esquerdo, conhecido apenas por Fabiano, ou ainda Fabiano Rodrigues, é hoje jogador do Genoa e esquecido por muitos brasileiros. Para quem não se lembra, ele foi um dos destaques da bela equipe do Atlético Paranaense montada por Geninho que foi campeã brasileira em 2001, jogando num entrosado 3-5-2. Com esta formação, a capacidade de ataque do então jovem lateral pôde ser utilizada, e tal temporada foi uma ótima vitrine para o jogador. Foi dele o chute de fora da área na final do Campeonato Brasileiro de 2001, contra o São Caetano, no Anacleto Campanella, cujo rebote foi empurrado para o gol por Alex Mineiro e deu a vitória.

Após a conquista do Brasileirão, ele continuou outra temporada no Atlético, antes de se transferir para o São Paulo em 2003, onde não teve um rendimento tão memorável. Participou de 37 jogos, marcando apenas 1 gol, contra o Corinthians. Sub-aproveitado no tricolor paulista, que passava por uma fase conturbada, sofrendo de constante pressão dos torcedores e imprensa, foi emprestado para o Perugia, onde começaria sua história na Itália: participou da temporada 2003-04 antes de ser transferido definitivamente para o Fenerbahçe-TUR. Fez apenas uma temporada na Turquia, e voltaria para o Brasil em 2005, para jogar novamente no futebol paulista, dessa vez pelo rival de seu ex-time, o Palmeiras.

Novamente, chegou para jogar num time que passava por momento delicado, e outra vez sobre forte criticismo da torcida. Resultado: mais uma temporada mediana, sem muito sucesso e sem a mesma boa impressão causada no início de sua carreira. Não obstante, por estar numa equipe de maior visibilidade no futebol brasileiro, de novo despertou interesse de clubes europeus, e foi contratado junto ao Arezzo, time que disputava então a Serie B italiana. Tendo feito boas apresentações, foi procurado pelo Genoa, time também da Serie B no momento, mas com um potencial mais forte, e uma história mais gloriosa.

Já pelos rossoblù, participou ativamente da ótima campanha de 2006-2007, que promoveu o clube italiano de origens inglesas de volta à Serie A. Hoje, está praticamente esquecido pelas torcidas paulistas, sendo lembrado principalmente pelos torcedores do Atlético-PR que viram nele potencial e um rendimento notável, de alto nível. Apesar desta falta de reconhecimento em solo brasileiro, Fabiano conseguiu se manter bem no futebol e hoje é um dos primeiros nomes deste time do Genoa, titular absoluto no esquema 3-4-3 bem ofensivo do Gasperini, voltando a atuar como um ala, onde tem mais liberdade para atacar, apesar de não ser como muitos laterais brasileiros totalmente ofensivos e sem grandes preocupações na retaguarda.

Fabiano, com a camisa do Genoa: lá, ele se firmou

sábado, 19 de janeiro de 2008

Ah, os árbitros...

Fiorentina 2-1 Torino - Vieri (p); Grella; Mutu (p)
Uns culpariam a fase ruim; outros, o azar ocasional. Outros simplesmente prefeririam dizer que foi pura incompetência do Torino, que cada vez mais se aproxima da zona da degola. Fato é que, tendo sido este um dia extremamente singular ou não, os granata não contavam, e talvez nem deveriam contar, com a oportunista sorte viola. Mas seria exagero dizer que foi somente isso que decidiu a partida a favor da equipe de Cesare Prandelli.

No primeiro tempo, via-se uma partida monótona e com uma Fiorentina mais determinada a abrir o placar - chegando algumas vezes perto de sair do zero. Em uma das ocasiões, Santana forçou Sereni a fazer uma bela defesa. Pouco depois, Vieri obrigou o experiente goleiro a espalmar uma paulada de fora da área para escanteio. Além disso, os donos da casa chegaram em uma outra patada de Vieri, dessa vez em cobrança de falta, que passou perto da trave. Tudo parecia encaminhado para o placar fechado no intervalo - até que, aos 45 minutos e partindo pela esquerda -, Mutu entrou na área e foi ao chão após carrinho de Di Loreto. Pênalti duvidosíssimo e altamente contestado, porém convertido por Bobo Vieri, que conseguiu seu 200º gol na Itália.

Vieri; porque não é todo dia que se chega aos 200

Voltando do intervalo, o Torino conseguiu chegar ao empate com 14 minutos: Corini cobrou para o meio da área a falta que parecia distante, Bjelanovic escorou de cabeça para a direita, e, de surpresa, Grella foi quem chegou para finalizar às redes, transformando mais uma derrota esperada em um bom resultado para os visitantes. Após o empate, a maior chance da Fiorentina foi uma cabeçada em cobrança de escanteio vinda da esquerda, que obrigou Sereni a fazer uma excelente defesa. Aos 32 minutos, quando era a Fiorentina quem pressionava porém sem êxito, Lanna tentou uma recuada ridícula de cabeça para trás, Mutu se antecipou e recuperou a bola, indo em direção ao gol. Após ter entrado na área, bastou o mínimo e delicado, quase inexistente toque, para o romeno desabar e outro pênalti duvidoso ser marcado. Nesse caso, não seria nada exceto justo penalizar o atacante com o cartão amarelo por simulação. Em todo o caso, o próprio camisa dez cobrou, e, com um belo cucchiaio, fechou a vitória dos viola, que agora ocupam a quarta colocação, dois pontos à frente da Udinese.

Genoa 2-1 Atalanta - Doni (p); Borriello, Figueroa
Um dia totalmente infeliz para o torcedor bergamasco: porque ver o time jogar melhor, abrir o placar, ter um gol duvidoso anulado que sacramentaria a vitória, e, logo em seguida, tomar a virada - tudo isso em campo adversário -, não é muito agradável. Ainda no primeiro tempo a Atalanta mandou duas bolas na trave: Uma em um chute a longa distância de Floccari, e outra vinda de uma potentíssima cobrança de falta de Cristiano Doni. Até os trinta minutos iniciais o jogo era dominado pelos nerazzurri. Rivalta e Sculli ainda acabaram se envolvendo em forte dividida, levando o primeiro ao hospital.

Na volta do intervalo, um jogo bem mais equilibrado já era disputado: Sculli quase abriu o placar de cabeça, mas Coppola praticamente realizou um milagre. O que parecia um gol amadurecido do Genoa desabou quando, aos 70 minutos de jogo, Konko cometeu uma infração extremamente infantil dentro da área: Cristiano Doni não perdoou e fez um a zero para a equipe visitante. Gasperini, necessitado por gols, trocou Sculli por Figueroa logo em seguida. Aos 76 minutos de jogo, aconteceriam dois fatos em um curtíssimo período de tempo que mudariam todo o rumo da partida: Gol anulado de Floccari, aparentemente bem marcado pelo auxiliar. O problema é que nem deu tempo dos atalantinos reclamarem que, trinta segundos depois do acontecido, Borriello surgiu na cara do gol para empatar a peleja e encher de esperanças os rossoblù. Ainda foi possível, aos 88 minutos de jogo, a virada - vinda com o bomber argentino Figueroa, que marcou de cabeça após cobrança de escanteio, e, na celebração, homenageou o irmão morto há anos atrás em um acidente automobilístico, explodindo assim o Luigi Ferraris. Para completar a tarde infeliz da Atalanta, nada mais nada menos que a terceira bola da equipe bateu na trave após cabeçada de Muslimovic.

Comovente homenagem de Figueroa, o qual deu três pontos à sua equipe

Novidades

Como dito no fim do último ano, as novidades no QuattroTratti mantém-se de pé. A coluna da última segunda-feira, sobre Nicola Ventola, marca o início de postagens temáticas a serem feitas semanalmente.

Serão quatro temas por mês: Ventola estreou a seção que falará sobre algumas promessas mal cultivadas ou subaproveitadas nos campos italianos; o personagem de fevereiro será Francesco Coco. Neste dia 21, Fabiano, atual lateral-esquerdo do Genoa, abre a discussão que mostrará os dois lados de uma moeda muitas vezes tratada somente pelo seu lado mais valioso: a saga dos jogadores brasileiros que se aventuraram na Itália, de Falcões a Vampetas.

Para a última segunda-feira do mês estarão reservados os percalços de times que se perderam durante os anos, pelos mais variados motivos. A Pro Vercelli, sete vezes campeã nacional no início do século passado e distante da Serie A desde 1935, terá a mais que merecida "honra" de ser tratada no próximo dia 28. Já os meses serão abertos com um toque nostálgico: a partir de 4 de fevereiro, toda primeira semana verá a análise de alguma partida histórica com a assinatura do calcio. A começar do confronto de volta entre Milan e Real Madrid, pelas semifinais da Copa dos Campeões 1988-89.

Aproveito para agradecer em nome de toda a equipe a atenção de quem tem sempre lido, comentado, interagido. Um público crescente que entende e exige qualidade, acima de tudo. Que o ano seja pródigo para leitores e editores.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Coppa Italia, um dia histórico

Parem tudo. Hoje é um dia daqueles memoráveis, que você poderá contar com a boca cheia de orgulho para seus filhos e netos. O motivo? Aos dez minutos do segundo tempo entre Lazio e Napoli, em pleno San Paolo, ele - o atacante menos atacante do mundo - o histórico camisa 17 albanês Igli Tare deixou o seu. E, acima de tudo, seu tento valeu a classificação para os celestes.

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Napoli 1-1 Lazio - Tare; Domizzi
O placar do primeiro jogo apontava um vantajoso 2 a 1 para a equipe romana, que teve um gol anulado logo na primeira etapa após posicionamento irregular de Mutarelli na rede balançada por Behrami. De um modo geral, os laziali jogavam bem melhor que um perdido Napoli. Quase que, aos 32 minutos do primeiro tempo, Igli Tare abriu o placar. Porém, foi pouco tempo depois do retorno das equipes para a ripresa, mais precisamente aos 10 minutos, que o albanês aproveitou bom cruzamento e cabeceou perfeitamente para o gol.

Faltando trinta minutos para o fim do jogo, quem apareceu definitivamente foi o argentino Lavezzi. O Napoli melhorava com o tempo e seu gol ia amadurecendo: Entre os minutos 31 e 34, Calaiò acertou a trave, e Zalayeta, o travessão. Um minuto depois, o mesmo Zalayeta chutou, Muslera rebatou e Domizzi deu esperanças aos donos da casa. Um final emocionante, tendo Sosa tentado desesperadamente um gol que levaria o jogo à prorrogação. Curiosamente, após a partida o presidente De Laurentiis criticou o técnico Reja. "Se você quer vencer um time como a Lazio, não deve jogar assim" - afirmou o cartola. "Partida perfeita" - rebateu o exagerado treinador. Os comandados de Delio Rossi enfrentarão a Fiorentina na próxima fase da Coppa.

Inter 3-0 Reggina - Crespo, Cascione (contra), César
O que seria a atração do jogo, a estréia do português Maniche, não ocorreu devido ao meio-campista não ter sido inscrito a tempo para a partida. Dos mais experientes interistas em campo, estavam César, Burdisso, Solari, Stankovic e Crespo. Curiosamente, no banco ficou Filippo Mancini, filho do treinador nerazzurro. Embora no meio de tantos novatos, foi Crespo quem abriu o placar aos 34 minutos do primeiro tempo, após chute de fora da área com a perna direita - lembrando o jogo de ida, diga-se de passagem. Já no final do primeiro tempo, mais precisamente aos 45 minutos, Balotelli chutou e Cascione empurrou, sem querer, para a própria meta, aumentando a vantagem interista.

Os números do primeiro tempo denunciaram o jogo: treze finalizações dos donos da casa, enquanto os visitantes tiveram insignificantes duas. No segundo tempo, o paizão liberou a entrada do filho no lugar de Crespo, que atuou como esterno sinistro, fardando a camisa de número 17 e sendo mais um de um definitivo turnover milanês. Ainda deu tempo de Luca Tognozzi perder um gol feito que diminuiria a vantagem - e que de nada adiantaria, lógico. Entretanto, foi o brasileiro César quem marcou, nos minutos finais da partida, com um eficiente chute de perna esquerda. Agora, os nerazzurri duelarão com a Juventus pelas quartas-de-final.

Baixe aqui as fichas completas do retorno das oitavas-de-final da Coppa.

200 de Totti e a batalha das Termópilas

A batalha das Termópilas foi aquela em que, durante uma das guerras médicas, trezentos espartanos sob o comando de Leônidas I (tá certo, com a companhia de mais 5 mil aliados de outras polis gregas) enfrentaram um milhão de persas liderados por Xerxes, no desfiladeiro grego de mesmo nome. Apesar da disparidade, conta-se que os gregos geraram mais de 800 mil baixas antes de serem totalmente aniquilados. Se não venceram, ao menos retardaram o avanço persa e permitiram a salvação de Atenas a longo prazo.

Roma 4-0 Torino - Mancini, Totti (2), Giuly
Os onze de Turim também tentaram parar o exército de Roma: não eram apenas outros onze, mas também os cerca de trinta mil torcedores que não fizeram silêncio nas tribunas e na Curva Sud. Para a Roma se classificar, eram necessários dois gols, se Doni passasse incólume. Para Totti chegar a seus duzentos gol com a camisa romanista, também era necessário dois. Com o capitano no banco, tudo parecia mais difícil. Com Vucinic no comando do 4-2-3-1 de Spalletti, o time perdeu pelo menos cinco grande chances de abrir o marcador no primeiro tempo.

Doni antecipa Recoba: goleiros garantiram resultado no primeiro tempo

A Roma fazia o jogo, Sereni as defesas. No segundo tempo, Taddei deu lugar a Giuly. O que parecia a perdição romanista converteu-se na salvação da partida. Totti também sacou Vucinic nos primeiros minutos da ripresa para que a missão persa da Roma se concretizasse. Enquanto isso, os onze do Toro se fecharam atrás da linha da bola, para retardar a abertura do placar e, quem sabe, beliscar a vaga.

Aos quatorze minutos Perrotta interceptou um passe errado de Lazetic e verticalizou para Giuly correr sem interrupção, até tocar para Mancini, livre, abrir o placar. Dois minutos depois, Pizarro lançou pra Giuly dar outra assistência, dessa vez para Totti comandar a explosão no Olimpico. E bastou mais dez minutos para a pressão romanista dar o golpe de misericórdia num Toro perdido, que fazia Novellino se desesperar no banco: Lanna derrubou Mexès na área e Totti completou as missões: os 200 do capitano estavam garantidos, junto da batalha do Olimpico. Nos últimos minutos, a Roma fechou as contas com um golaço de Giuly, com direito a drible desconcertante sobre Lanna e Sereni antes de conclusão de canhota.

Totti deixa o Olimpico saudado pela torcida inflamada

O gol de número 200 na carreira de Totti (contabilizando apenas aqueles com a camisa de sua Roma) vem num momento em que o time busca se reafirmar a curto prazo, tanto no cenário nacional quanto no internacional. O feito do maior ídolo da história do clube pode dar um gás extra, mas por pouco tempo. A partir daí caberá à própria Roma alcançar seu próprio objetivo. Sempre com Totti, é claro.

Confira os outros resultados desta quarta-feira, pela Coppa Italia:

Palermo 0-1 Udinese - Floro Flores
O ex-atacante do Arezzo selou a classificação da Udinese no último minuto de jogo - o confronto de ida havia terminado com um empate sem gols. Ambos os times alinharam com formações reservas: apenas três titulares no Palermo e outros três na Udinese. Continua o inferno astral do time de Zamparini.

Fiorentina 2-0 Ascoli - Pazzini (2)
Decepção no campeonato, Pazzini reencontrou as redes contra o Ascoli, único time da Serie B nas oitavas-de-final da Coppa. O atacante aproveitou duas falhas de Cioffi para marcar seus tentos, com direito a golaço saindo da ponta esquerda em direção a Bremec. A partida marcou as estréias de Mazuch e Cacia com a camisa viola, que encontrará Napoli ou Lazio nas quartas.

Catania 1-1 Milan - Vargas; Palloschi
A escalação do Milan, com apenas um titular em campo, mostrou a prioridade do torneio para os comandados de Ancelotti. O Catania soube gerir a vantagem com seu time titular, e enfrentará a Udinese na próxima fase. Bom para o Milan, que se livra das datas da Coppa para se concentrar nos jogos atrasados da Serie A.

Sampdoria 4-0 Cagliari - Bonazzoli (2), Sala, Palombo
Com um pé na Serie B, o Cagliari poupou dez titulares para o jogo. Mazzarri, que até então tinha anunciado a formação principal, mudou os planos e mandou a campo vários jogadores que se recuperavam de lesão, entre eles Bonazzoli, que não marcava há nove meses após lutar contra lesões nos joelhos. As quartas-de-final finalmente marcarão o retorno de Antonio Cassano ao Olimpico, contra a Roma.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Mercado e um pouco de silêncio

Alguém mais desatento poderia se perguntar se o mercado italiano estava realmente aberto. Até esta segunda-feira, a maior bomba era a do atacante Cacia, deixando o Piacenza em favor da Fiorentina. Mas o Parma confirmou o que todos sabiam, mas ninguém esperava: Lucarelli é o novo camisa nove do time.

O bomber tornou-se em agosto o primeiro italiano a jogar pela liga ucraniana, ao ser contratado por €8 milhões pelo Shakhtar Donetsk. E nunca escondeu o motivo da transferência: em sua primeira coletiva disse que o salário era importante, mas dispensável. O que interessava era jogar em alguma antiga república soviética - é amplamente conhecida a paixão de Lucarelli pelo comunismo. Após a experiência, a prova de que dinheiro não era mesmo a questão: o ex-ídolo do Livorno aceitou uma redução salarial de mais de 50% para fechar com o Parma já que a vontade, desta vez, era voltar para a Itália. Ghirardi pagou €5,7 milhões pelos direitos de Lucarelli, que certamente será titular da formação gialloblù para livrar de vez o time de qualquer fantasma do rebaixamento.

Lucarelli apresentado por Tommaso Ghirardi, presidente do Parma

A outra contratação esperada a de Maniche. Se por um momento parecia ter esfriado, o português finalmente foi apresentado na Inter com a camisa 28 e já treinou com o preparador físico do time. Nesta quarta-feira será realizada sua coletiva oficial, mas Maniche já mostrou estar satisfeito em chegar ao novo clube: "estou orgulhoso de ser outro português neste grupo que está demonstrando ser fortíssimo. Figo me falou tanto da Inter, me disse que aqui será como estar em uma grande família e que me adaptarei muito bem num grupo maravilhoso."

Maniche, vencedor da Liga dos Campeões em 2004 pelo Porto, poderá ser inscrito para a fase final do torneio deste ano. Após sair de Portugal, passou sem sucesso por Dínamo de Moscou, Chelsea e Atlético de Madrid - de quebra colecionando confusões na Rússia e na Espanha. Seu empréstimo dura até junho e a Inter poderá contratá-lo em definitivo pagando €6 milhões. Uma aposta de leve risco, porém necessária para um time que tem perdido alguns jogadores na posição por lesão.

Roberto Mancini posa com Maniche na galeria de troféus da Inter

O silêncio ficou por conta da Lazio. Após alguns jornais terem "antecipado" a queda de Delio Rossi, o presidente Claudio Lotito se revoltou. A notícia foi tomada como uma tentativa de desestabilização do ambiente e foi anunciado de forma oficial o rompimento entre clube e imprensa. Até segunda ordem, somente Lotito pode falar pela Lazio, e entrevistas e coletivas foram canceladas. Para a partida contra o Napoli, pela Coppa Italia, Diakité, Meghni, Firmani, Mudingayi e Rocchi estão fora por lesão, enquanto Makinwa desfalca pela presença na Copa Africana de Nações. Parecia impossível, mas a Lazio ainda tem potencial para se complicar.

"I'll be there for you...

...cause you're there for me too." (Crane/Kauffman/Willis)

Bastava à Juve uma vitória simples para passar de fase na Coppa Italia. Mas não faltou suor e lágrimas na classificação bianconera para as quartas-de-final, onde provavelmente encontrará a Inter. Se em campo ficou à mostra que a Juventus mantém-se perdida taticamente, também ficou claro que o elenco está fechado entre si, e com Ranieri. O taticismo nunca foi o forte do técnico romano, mas, sempre que o elenco lhe deu apoio, os resultados surgiram - até por isso suas melhores fases foram enquanto comandava planteis mais modestos.

Time comemora gol de Nedved, quando tudo parecia fácil

A partida parecia se encaminhar para um jogo-treino nos primeiros minutos. Aos quatro, Marchionni recebeu lançamento, driblou Antonini na grande área, e bateu de esquerda. Aos dez, o mesmo Marchionni finalizou e a bola sobrou para Nedved ampliar. A partir daí a soberba tomou conta do time, que outra vez se perdeu dentro de campo, como já havia sido contra o Catania. Nedved, com liberdade para se movimentar por todo o campo, não tinha o setor esquerdo coberto com eficiência em suas saídas, o que acabou gerando um buraco na região.

O terror da Juve logo veio com a torção no joelho de Chiellini, que deve ficar pelo menos um mês afastado. Em seu lugar, entrou Boumsong, fazendo sua primeira partida na temporada. Se ele era o terror da torcida na Serie B quando tinha ritmo de jogo, até mesmo Del Piero viu-se apreensivo enquanto Boumsa entrava no gramado. Com o meio-campo perdido, dois cruzamentos de Abate poderiam ter posto tudo a perder. No primeiro, Antonini se antecipou a Zanetti; no segundo, foi Pozzi quem chegou antes de Grygera para fechar o primeiro tempo com um empate.

Iaquinta, dois gols e um pênalti sofrido, puxa a comemoração

No segundo tempo, o sempre inócuo Tiago deu lugar a Salihamidzic, o que não melhorou de início a produtividade da velha senhora. Mas Piccolo permitiu que Iaquinta finalizasse com tranqüilidade dentro da grande área para pôr de novo a Juve em vantagem. O empate chegou em dois minutos, quando Vannucchi aproveitou o salseiro instaurado na defesa para cruzar para Pozzi fazer de cabeça. De volta ao 4-4-2 (e desta vez de forma perceptível), Nedved cruzou e a bola desviou em pelo menos dois jogadores antes de sobrar para Iaquinta assinar a doppietta.

Ao terço final, Pratali deixou o campo após sofrer um golpe na cabeça, ficando o Empoli com dez. A Juve se aproveitou e pôs pressão até que Tosto, improvisado na zaga, derrubasse Iaquinta em um pênalti infantil. Delpi converteu e a partir daí o jogo inexistiu. Pozzi chegou a perder uma chance ao cabecear livre, e Salihamidzic se esforçou para errar um gol facílimo. A classificação será comemorada com ares não muito festivos: Chiellini se junta a Jorge Andrade e Zebina no departamento médico e Grygera deverá voltar a ser improvisado na zaga ao lado de Legrottaglie nas próximas semanas. Sorte da Juventus que o mercado ainda está aberto.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eternas promessas: Nicola Ventola

Ventola: perspectiva inversamente proporcional ao resultado
Ontem, era sombra de Ronaldo; hoje, de Bjelanovic

Em ocasião rara, defendendo (e marcando) pela Inter (Panorama)
Diferente do Brasil, onde vários jogadores debutam e estouram com uma média de idade baixíssima, na Itália há uma maior proteção com os jovens da primavera, isto é, aqueles das categorias de base do clube. Tanto é que, da seleção campeã mundial em 2006, apenas três jogadores tinham até 24 anos – O terceiro goleiro Amelia, do Livorno, o volante De Rossi, da Roma, e o atacante Gilardino, do Milan. Normalmente, quando um inexperiente já surge na equipe principal, o faz por numerosas ausências no plantel titular ou um potencial exorbitante que deve ser necessário ao time.

Ou seja, não é a qualquer momento que um grande jogador rouba um lugar de outro mais experiente apenas pelas exibições amadoras. Para testar os calciatori e ao mesmo tempo não queimá-los, as equipes optam por emprestá-los a clubes mais fracos e/ou de divisões inferiores, acumulando assim adaptação e experiência no futebol profissional. Foi assim que Alberto Aquilani, hoje com papel importantíssimo na Roma, conseguiu o seu lugar na equipe principal – retornando de empréstimo da Triestina. Bem como ocorrido com o jurássico Costacurta, no Milan. Na temporada 1986/87, o defensor foi emprestado ao Monza, quando disputou trinta partidas e retornou para se eternizar em Milão.

Porém, não foi com tanta cautela assim que surgiu Nicola Ventola, atacante ágil e de bom porte físico. Com apenas 16 anos e meio, acabou estreando pela Serie A italiana na derrota do seu Bari contra a Fiorentina pelo placar de 2 a 0, em Florença, no dia 11 de novembro de 1994. Nascido em Grumo Appula, o jogador só viria a disputar essa mesma partida na temporada 1994/95, graças a desfalques, entre outros, do atacante Igor Protti, da então equipe visitante. Já na temporada seguinte, pelo mesmo Bari, o centro-avante entrava aos poucos e agradava a torcida com o curto tempo que tinha – tendo disputado apenas sete partidas e sem ainda balançar as redes. O que não o ajudou muito foi o fato dos bareses caírem para a segunda divisão.

No entanto, uma troca de treinadores no clube fez com que mudasse também a atitude em relação ao jovem atacante. Após a saída do comandante Giuseppe Materazzi, pai do defensor nerazzurro Marco Materazzi, o Bari fechou com Eugenio Fascetti. Sem muitas escolhas, o atual comentarista televisivo acabou liberando o garoto para a equipe titular. Não demorou muito para que Ventola conquistasse os corações esperançosos dos biancorossi. Militando freqüentemente na Serie B, onde conseguiu juntar 29 presenças, Nicola conseguiu marcar dez gols e despertar o interesse de equipes maiores. Comandada por suas finalizações e por outra então promessa chamada Marco Di Vaio, a equipe baresa conseguiria então chegar à quarta colocação, e, conseqüentemente, à Serie A novamente.

Na divisão de elite, Ventola dava cada vez mais sinais de amadurecimento, porém problemas físicos e concorrências pelo seu posto fizeram-no disputar apenas 8 partidas, balançando as redes duas vezes. Ainda como uma das maiores promessas do Calcio, na temporada seguinte o atacante de 1.85m conseguiu uma lucrativa e importante transferência para a Internazionale de Ronaldo. O que viria a ser uma negociação para alavancar o jogador e transformá-lo de mera promessa em um dos maiores atacantes italianos tornou-se um dos maiores fiascos do Calcio.

Atuando em uma Inter totalmente instável, que teve três treinadores em apenas dois anos, Nicola disputou 21 partidas e marcou seis gols. Nem o seu tento contra os futuros campeões europeus do Manchester United bastou para que se firmasse na equipe. Com a chegada de Christian Vieri, vindo da Lazio pelo equivalente a 48 milhões de euros, Ventola perderia espaço e seria emprestado ao Bologna. Lá, passaria a temporada 1999/2000 em branco, apesar de ter jogado 14 partidas.

Nome freqüente nas seleções italianas de base, Ventola venceria com os azzurrini o Europeu sub-21, ao lado de jogadores como De Sanctis, Ferrari, Gattuso, Pirlo, Perrotta, Abbiati, Coco e Spinesi. No torneio, deixaria o seu na vitória contra a Turquia, por 3 a 1. Nicola foi também convocado para as Olimpíadas de Sidney, em 2000, tendo ficado ao lado de seu ex-companheiro de Bari, Gianluca Zambrotta. Na Austrália, o barês não conseguiu marcar. No total, o atacante teve 21 jogos e 8 gols pela seleção sub-21.

Até aqui, poderia se dizer com certa razão que o atacante só não havia estourado por questões de tempo, oportunidade e paciência, além de algumas lesões que o haviam atrapalhado. Passado outro ano com o ataque da Inter cheio e tantas outras trocas de treinador, Ventola é então emprestado à Atalanta, mais uma vez na Serie A. Em Bérgamo, municiado pelo excelente Cristiano Doni, Nicola se recuperaria e faria dez gols em 28 partidas, mantendo-se como uma importante promessa para o futebol italiano. De volta à Inter, em 2001/02, ele novamente seria pouco aproveitado e entraria em campo somente 16 vezes, marcando quatro gols.

Perder gols com a camisa da Atalanta era cena comum
para Ventola: nesta foto, Doni lhe dá uma força (Eco di Bergamo)
O declínio total
A paciência com il talento di vecchia Bari já esgotava-se, quando, para acabar de vez com qualquer esperança do atacante, a ainda conturbada Inter se reforçaria com nada mais nada menos que Hernán Crespo, vindo de uma excelente passagem de dois anos na Lazio, e Gabriel Batistuta, que vinha por empréstimo após se desgastar na Roma. Além disso, a equipe já contava com um mais amadurecido Mohammed Kallon, o habilidoso e incisivo Álvaro Recoba e o sempre matador Christian Vieri. Ataque numeroso que já havia perdido Ronaldo para o Real Madrid. O resultado de todo esse inchaço para Ventola, que, ainda por cima foi novamente atrapalhado por problemas físicos, foi uma temporada sem sequer entrar em campo.

O destino de Nicola não poderia ser outro senão sair, ou ao menos passar um tempo fora, daquela equipe que não conseguiria espaço jamais. E foi assim que o Siena, time que até então contava com Taddei e os campeões mundiais Roque Júnior e Júnior, levou-o por empréstimo. E, por incrível que pareça, nem lá Ventola conseguiu se firmar - os toscanos contavam com os já experientes Chiesa e Tore Andre Flo para suas posições mais ofensivas, além de Lazetic. Lá, o barês marcou apenas quatro gols em 28 partidas, já firmando a sua imagem de eterna promessa. Os bianconeri e os interistas não chegaram a nenhum acordo de compra e, pela terceira vez, o atacante encaminhava-se a Milão.

Sua última chance? De maneira alguma. O elenco havia mudado, porém o inchaço ofensivo continuava o mesmo, com o ágil Obafemi Martins, o promissor Van der Meyde, o ascendente Adriano, os remanescentes Recoba e Vieri e o não menos matador Júlio Cruz. Mais seis meses sem pisar nos gramados oficialmente e Ventola foi então cedido por empréstimo ao Crystal Palace, na Premier League inglesa. Perseguido por problemas físicos, o barês só disputaria três partidas em meia temporada, marcando um gol. Sua imagem como uma eterna promessa já estava fadada, e seu futuro, indefinido.

De volta à Itália, Nicola retornaria à Atalanta, disposto a jogar a Serie B para tentar uma já não tão aguardada recuperação. Enchendo de argumentos aqueles poucos que afirmavam que o atacante não passava de um jogador de segunda divisão, Ventola marcaria quinze gols em 35 jogos disputados, um número agradável para quem vinha de um grave infortúnio físico na Inglaterra e vários mentais na Itália, visto que não deve ter sido muito agradável nunca ter se obtido uma grande seqüência. Com ele, os Bergamascos conseguiriam a promoção à Serie A. Lá, na temporada 2006/07, mais uma vez tendo uma oportunidade na primeira divisão, o barês teria então uma última chance para se recuperar. Não passou de uma pequena contribuição de seis gols em 29 partidas, não convencendo mais uma vez e consolidando definitivamente que não poderia ter sido tudo aquilo que se esperava.

Presente e futuro
Concretamente um fiasco, Ventola então acabaria assinando um contrato de dois anos com o Torino, time com um forte meio-campo para municiá-lo, com il genio Corini, o campeão mundial Barone e il piccolo principe Rosina. Passados seis meses, il talento di vecchia Bari não conseguiu assegurar sua posição nos onze iniciais da equipe granata, principalmente agora com o retorno de David Di Michele, que antes havia sido suspenso por apostas ilegais. No total, disputou inexpressivas 14 partidas, marcando três gols. Por enquanto, seu jogo mais importante foi pela Coppa Italia, na primeira fase, contra o Rimini, quando começou jogando, atuou 47 minutos e abriu o placar para uma dificílima vitória por 3 a 2.

Impossível dizer que, nem com a competência de Ibrahimovic e a sorte de Inzaghi, o barês vá fazer jus a toda expectativa gerada em seu início de carreira. Hoje, aos 29 anos, ele ainda tem um bom tempo para jogar e render muito mais, porém nada comparado ao que se aguardava de um jogador que chegou a disputar posição com Ronaldo. Entretanto, é valido dizer que, caso consiga se firmar em algum clube, como pode acontecer agora com o Torino, Ventola tem a chance de se transformar, ou permanecer, um bom e muito útil jogador, atuando na função básica mas não tão simples de empurrar a bola para o gol. O que Nicola precisa, acima de tudo, é se firmar.

Artigo originalmente escrito para o Olheiros, projeto parceiro do QuattroTratti.