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segunda-feira, 31 de março de 2008

Mudaram as estações, nada mudou

Parte da mídia italiana (a romana, em especial) apontava um suposto "ajuste" de resultados. Com isso, a Lazio não ofereceria resistência aos comandados de Mancini no confronto válido pela Serie A e seria retribuída com uma vaga na final da Coppa Italia. Para quem esperava arranjos não tão raros no calcio, o resultado final foi um banho de água fria.

Aquilani contra Pisano: meia romanista só entrou no decorrer da ripresa

E a água podia estar gelada. Bastava à Roma bater o Cagliari, visitante assíduo da zona de rebaixamento. Mas o tabu continuará: a última vitória giallorossa na Sardenha foi em outubro de 1995. Totti entrou no sacrifício, mas, mesmo em péssimas condições físicas, foi o destaque de um time totalmente sem brilho, que não conseguia encurralar um Cagliari que abdicava do ataque.

Brighi teve papel inócuo. Não é sua característica armar o time de trás e nem possui técnica para tal - como exigia certo comentarista em uma transmissão. Méritos para Ballardini, que anulou a Roma ao pôr sua equipe para fechar a saída de jogo de Pizarro e deixar sempre dois homens sobre Francesco Totti. Brighi, por outro lado, sempre teve espaço para "trabalhar" a bola. Giuly, por sua e outra vez, foi marcado pela própria natureza em mais uma exibição lamentável como trequartista. Pior que ele, só Mancini, que não decide uma partida pelo menos desde janeiro e já suscita dúvidas quanto a seu comprometimento em campo durante a novela de sua renovação contratual.

O empate ficou de bom tamanho para uma Roma sem brilho e sem gana. E para um Cagliari que, certamente, não esperava um empate com a vice-líder nesta altura do campeonato. A longo prazo, porém, era o adeus ao scudetto. Afinal, a Lazio entregaria a partida a seguir, para a Inter.

Crespo: lei do ex funcionou, mas garantiu apenas o empate à líder

Uma forma engraçada, aliás, de mostrar-se vendida. Se Crespo logo abriu o placar aproveitando cruzamento rasteiro da direita, a partir daí a Inter parou em campo para ver Rocchi aproveitar outra falha de Burdisso para empatar. O argentino, aliás, é protagonista das piores partidas da Inter na temporada, como contra Liverpool e Juventus. A Lazio dominou a partida por completo e ainda acertou a trave de Júlio César duas vezes. Deixando um recado: o futebol italiano consegue se manchar por si mesmo. São desnecessárias tais falsas acusações da imprensa.

O título continua aberto. Mas, agora, com uma rodada a menos a se disputar. Tempo para a Roma refletir se apostará cegamente num campeonato que ainda pode alcançar ou se arriscará numa jornada sem volta na Liga dos Campeões. Ou ainda se priorizará somente o próximo jogo, não importando o adversário e a competição, e derrubando qualquer um que tinha a expectativa de algum bom planejamento em Trigoria.

Coppola pára Pirlo: partida excepcional do goleiro emprestado pelo Milan

Um pouco mais embaixo - do que deveria, até - está o Milan. E descendo. Ainda sem Kaká, o time não é nem sombra daquele que conquistou a Europa na última temporada. Pirlo perdeu um pênalti, defendido por Coppola, e ainda viu o árbitro Christian Brighi anular (com correção) dois gols de seu time. Mas o ótimo primeiro tempo da Atalanta, dominando um time psicologicamente morto, fez valer o resultado. Sem a boa fase da velha guarda, Paloschi parece sentir a pressão da promoção relâmpago para o time profissional. A vaga na próxima Liga dos Campeões, hoje, seria uma surpresa para uma equipe com 42% de aproveitamento em casa.

Para a vaga que parecia destinada ao Milan, três postulantes: a mais distante é a Sampdoria, que por outro lado atravessa o melhor momento. Dos cinco jogos em que Cassano esteve suspenso, a Samp saiu com 13 pontos. A Fiorentina, atual quarta colocada, perdeu para a Udinese e recolocou os friulani na briga, a apenas três pontos de diferença e vantagem no confronto direto. O time de Di Natale, um dos destaques do campeonato, vem de três vitórias seguidas na Serie A. O mesmo número de sucessos dos viola nas últimas seis rodadas, para efeito comparativo.

Se Lazio ou Catania chegarem à final da Coppa Italia, um entre estes quatro times que hoje miram a Liga dos Campeões ficará de fora até mesmo da Copa da Uefa. Façam suas apostas na enquete ao lado.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Paella com sabor de erVilla

Itália perdeu.
Mandou bola na trave, pressionou, teve gol anulado e perdeu. Até que não jogou tão mal, mas perdeu. Aliás, a Azzurra não era derrotada desde 22 de agosto de 2007, quando levou fumo da Hungria por 3 a 1. Normalmente, acontece o contrário - a Nazionale toma pressão, não cria, não chega com perigo e vence. Leva bola na trave, toma sufoco e ganha. Joga plasticamente pior que seu adversário, mas ganha. Tem, ou tinha, um poder de decisão crucial.

O meio-campo foi formado por Pirlo, De Rossi (e a magia da camisa dez), Camoranesi pela direita, Di Natale pela esquerda e Perrotta pelo meio. Santa Madonna, Batman! Cadê aquele trequartista cheio de classe? Do outro lado, sobrava técnica: o meio foi composto por Marcos Senna - como o '1' do 4-1-4-1, carregando o piano -, Xavi, Fábregas, Iniesta e David Silva. Na frente, el niño Torres. No banco, David Villa, que então decidiria a partida.

Chega a ser estranho bater o olho na defesa italiana: Panucci, Materazzi, Cannavaro e Grosso; dois ressuscitados. Além deles, há um em risco de carreira e outro que gosta de arriscar a carreira alheia. Porém, por incrível que pareça, não dá para afirmar que a retaguarda inicial foi mal: Panucci fez o que pôde, Grosso participou ativamente e garantiu mais ainda sua vaga na equipe. Materazzi demonstrou (de volta) o nítido declínio, e Cannavaro continua a quilômetros daquela Copa do Mundo. Nas alterações, Zambrotta foi nulo e Barzagli esteve perdido na hora daquele golaço.

iGolo!

O que é mais preocupante na Nazionale? Nem é a derrota em si, por mais clichê que pareça, e sim o fato de que será preciso tirar leite de pedras enormes, quadradas e desengonçadas. De quem se pode esperar um lampejo de criatividade e genialidade na equipe? Não serão Perrotta e Camoranesi que farão passes bonitos, assistências magníficas e construções dignas de craque. Pirlo, talvez, será forçado a incorporar esse cara, o dez. Mas como se pode jogar toda a responsabilidade de distribuição de jogo em um só criativo que atua atrás de outros trogloditas?

Del Piero e Totti podem não ter rendido o esperado na seleção, mas dispensar um fuoriclasse como o juventino, que sabe jogar de cabeça erguida e, conseqüentemente, criar situações especiais, não é uma boa idéia. Cassano, o gênio problemático, cairia como uma luva. Só que parece mais com aquelas luvas extremamente sujas, encardidas e mal-cheirosas encontradas nas ruas; aquelas que você só com uma lavagem milagrosa faria ser utilizável de volta. Entretanto, não deixa de ser o gênio que é, e provou nesta temporada como pode decidir e fazer a diferença quando tem vontade.

Vale ressaltar também a fase dos convocados e de possíveis substitutos:

DEFESA (Andrea Barzagli, Fabio Cannavaro, Fabio Grosso, Marco Materazzi, Massimo Oddo, Christian Panucci e Gianluca Zambrotta) - Panucci dá sinais de desgaste, Zambrotta não conseguiu se firmar no Barcelona, Materazzi tem feito uma temporada fraquíssima e Cannavaro tem caído cada vez mais de rendimento. Grosso recuperou sua posição que já parecia perdida e não deve sair do time, Oddo acerta tantos cruzamentos por temporada quanto números na Mega Senna. Barzagli, por sua vez, está pior que o... Barzagli. Quem se salva, como sempre, é Buffon, que prova cada vez mais ser o melhor goleiro do mundo.

MEIO-CAMPO (Massimo Ambrosini, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Alberto Aquilani, Daniele De Rossi, Simone Perrotta e Mauro Camoranesi) - Perrotta fez temporada muito inconstante e nem se firmou ao certo, além de estar corporalmente mal, precisando de descanso. Ambrosini não consegue manter a mesma eficiência de temporada passada. Gattuso sofre com problemas físicos e Pirlo nem lembra aquele da Copa. De Rossi tem se firmado cada vez mais, é verdade, mas seu companheiro de time - Aquilani - não consegue as oportunidades que merece, tanto em sua equipe quanto na Azzurra. Camoranesi, apesar de sua limitada técnica, fez por justiça a sua posição. Rosina e Montolivo não são lembrados, e Totti, por pior que tenha sido, faz falta.

ATAQUE (Marco Borriello, Antonio Di Natale, Fabio Quagliarella, Vincenzo Iaquinta e Luca Toni) - Quagliarella não conseguiu explodir com a expectativa que havia sido criada à sua volta. Inzaghi demonstra nítido declínio e Gilardino continua sendo a incógnita Gilardino; aquele que "fica sumido o jogo inteiro, mas quando você menos espera... Continua sumido". Luca Toni se mantém como artilheiro nato e praticamente perdeu a chance de ser acompanhado pelos supracitados Cassano e Del Piero. Iaquinta, quem diria, faz por merecer a sua vaga. Além disso, seria injustiça criticar as chamadas de Di Natale e Borriello. Haveria coerência, principalmente, em uma chance para Giuseppe Rossi, mas infelizmente esta não ocorrerá.

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Será a Euro o fim da geração campeã mundial?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Aberto, mas nem tanto

Quatro pontos de vantagem, que, na prática, tornam-se cinco. Sem o spareggio, aqueles jogos de desempate em caso de mesma pontuação entre dois times, se Inter e Roma terminarem a Serie A lado a lado, o scudetto continuará em Milão. Os nerazzurri lideram com folga o primeiro critério de desempate, o confronto direto (empate em casa, goleada no Olimpico).

O momento romanista, mesmo com a derrota no dérbi da capital, há uma semana, é sensivelmente melhor. Enquanto a Inter enxergava na Liga dos Campeões o grande objetivo do ano do centenário, a Roma, mesmo ambiciosa em suas declarações, na prática não passava de uma franco-atiradora na competição européia. A Inter caiu, a Roma ficou. E a autoconfiança seguiu o mesmo rumo, nas duas cidades.

Mancini observa: perder o título lhe custará o cargo; ganhá-lo, talvez

Mas, num acesso de ironia dos deuses do futebol, tudo indicava o contrário. Sim, a Inter caíra para o Napoli e vencera a Reggina a duras penas, porém a vitória sobre o Palermo parecia o retorno da luz que guiaria o time tranqüilamente em direção ao tricampeonato italiano. Até a adoção do racionamento de futebol. O empate chorado com o Genoa e a derrota para a Juventus (com direito a olé no San Siro) derrubou o que restava da tranqüilidade em Via Durini. Nas últimas cinco rodadas, a Inter fez sete pontos - no mesmo período, o ex-lanterna Cagliari somou dez. A Roma, doze.

É bastante agradável dizer que a luta pelo scudetto está aberta, até porque desde o fim da temporada 2005-06 não havia mais briga por liderança, na prática. Mas ainda é complicado apontar que a última rodada desse ano repetirá a daquele, com dois times protagonizando a caça pelo título. E apontar a Roma como favorita absoluta ao título, como têm feito alguns profissionais, é falta de respeito para com o público. É tão escandaloso como dizer que a Juventus ainda luta por ele. Na prática: são 24 pontos em disputa. A Juve teria de conseguir dez a mais que a Inter e ainda manter o passo da Roma para vencer duas vezes em dia de derrota giallorossa.

Vucinic: ótima fase do montenegrino será fundamental para o sprint final

Haja o que houver, a Inter ainda é favorita: tem quatro pontos de vantagem, saldo positivo no confronto direto e pelo menos duas datas a mais de descanso, por ter sido eliminada na LC. A Roma, com dois jogos de alto risco a mais, frente ao Manchester United, ainda carregará o fardo de ter um elenco bem mais curto. Mesmo que não faltem peças para a montagem do time na reta final, alguns jogadores-chave inevitavelmente já sentem o peso de uma longa temporada sem reposição, vide De Rossi e Totti.

A tabela da Roma, no papel, é realmente mais fácil que a da Inter. Mas certas partidas são armadilhas potenciais, como aquelas contra Sampdoria e Udinese, fora de casa. Com um time bem inferior a estes, o Siena goleou a Roma na Montepaschi Arena. O título está aberto porque a diferença entre líder e vice caiu sete pontos em um mês. E a Roma precisará que o abril da Inter seja tão despedaçado quanto março, ao ponto de poder considerar apenas um tropeço a mais a derrota para a Lazio.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Informações: cores

No italiano, o plural em palavras masculinas é indicado quando há alteração da última letra – de o para i -, ao contrário do nosso idioma, quando em geral adicionamos a letra s. Também há casos de palavras masculinas terminadas em e que são alteradas para i. Exemplo: calciatore juventino – calciatori juventini. Já nas palavras femininas, faz-se a alteração de a para e. Exemplo: squadra azzurra – squadre azzurre. Isso, claro, em teoria. Afinal, existem palavras - como trequartista -, que terminam em a, mas são masculinas.

Há também alguns casos de plural irregular, como ocorre com os viola, denominação inalterada da Fiorentina. Além dela, também os amaranto, os rosanero e os granata não se movem. O Quattro Tratti formou uma pequena relação de equipes da Serie A quanto às suas cores e denominações:

Alabardato/i - Triestina.
Amaranto – Livorno, Reggina.
Azzurro/i – Empoli, Napoli.
Biancoceleste/i – Lazio.
Bianconero/i – Juventus, Siena, Udinese, Cesena, Ascoli.
Biancorosso/i – Bari.
Blucerchiato/i – Sampdoria.
Gialloblù – Parma, Chievo, Modena.
Giallorosso/i – Roma, Lecce, Messina.
Granata – Torino.
Nerazzurro/i (ou neroazzurro/i) – Inter, Atalanta.
Rosanero – Palermo.
Rossazzurro/i (ou rossoazzurro/i) – Catania.
Rossoblù – Cagliari, Genoa, Bologna.
Rossonero/i – Milan.
Viola – Fiorentina

Até o apito final

Delio Rossi comemorando o gol da vitória

Lazio 3-2 Roma - Taddei; Pandev, Rocchi; Perrotta e Behrami
Perder um derby da cidade eterna é como perder um título. Ser derrotado após um tropeço da líder Intermazionale então, tem um gosto ainda mais amargo. Foi o que aconteceu no duelo desta última quarta entre Roma e Lazio.

Assim como em boa parte da temporada, a Roma mais uma vez viu um resultado positivo - considerando que a Lazio havia jogado melhor boa parte da partida e que a Inter também tinha empatado – ir por água a baixo nos minutos finais. A derrota por 3 a 2 para os celesti serviu para mostrar que, o que falta para uma Roma mais vencedora, passa menos pela qualidade técnica do seu futebol, e mais pelos fatores psicológicos do seu vestiário.

As derrotas históricas de 7 a 1 para o Manchester, e 4 a 3 de virada para a Inter, exibem um elenco que muitas vezes não sabe jogar com o resultado favorável. Contra a Lazio, após o empate no gol de Perrotta, mais uma vez a Roma mostrou imprecisão. Totti e Vucinic desperdiçaram contra-ataques perigosos por não tocarem a bola. Aquilani deu bicicleta de costas para a área, do meio de campo, e a equipe foi castigada por um gol após Doni e Juan assistirem à bola atravessar a pequena área e sobrar nos pés de Behrami que só empurrou para as redes.

A equipe não parece conseguir aplicar o ‘cinismo’ tradicional de Juventus e Inter, em segurar resultados magros até o fim. Seja por buscar muito o gol, ou por abdicar-se do direito de atacar, não existe um equilíbrio quando a Roma detêm a vantagem em um jogo importante.

Outro ponto que parece ter influência direta no futebol dos giallorossi é seguir a onda da imprensa. Depois das derrotas para Siena, e o empate contra a Inter, o futuro da equipe na Serie A e na Champions League era profetizado como trágico pela (exagerada) mídia italiana. Duas vitórias frente ao Real Madrid e pronto. Era novamente o melhor futebol da Itália. Pelo menos até ontem. O grande problema é a squadra embarcar nos comentários da imprensa e deixar que isso influencie seu rendimento dentro de campo. No derby da última temporada, a equipe também havia entrado como favorita. Levou uma sacolada de 3x0 para não se esquecer.

A Lazio por sua vez, sem maiores pretensões no campeonato - pois a equipe está longe de uma vaga na Copa da Uefa e sem risco de rebaixamento - atuou como os verdadeiros gladiadores romanos. Perdendo após um gol de sorte da Roma, não entregou os pontos e conquistou uma vitória importante; mais pelo significado que pelo planejamento no restante da temporada. Uma pena o time atuar com essa vontade em apenas algumas partidas. Com um elenco regular, a vontade poderia ser o fator de superação para uma melhor posição na tabela.

Para crescer, a Roma deve se adaptar à cobrança do ‘jogo bonito’ pela imprensa, assim como deve ter mais atenção às partidas em que o resultado favorável parece já consolidado. Numa batalha, enquanto você ignorar as condições e a capacidade de combate do inimigo, estará completamente despreparado. Caso o clube não compreenda a velha máxima ‘o jogo só acaba quando o juiz termina’, a temporada da Roma é que pode não terminar nada bem.

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QuattroTratti e Olheiros:

Carlos Tévez (por Mateus Ribeirete) - Aqui.
Emir Faccioli (por Braitner Moreira) - Aqui.

terça-feira, 18 de março de 2008

Faltam dez...

Iaquinta marcou o único gol da partida

Cagliari 3-0 Torino - Jeda, Acquafresca, Acquafresca
Após a goleada de 3 a 0 frente ao Torino, e a derrota do Empoli para a Atalanta, o torcedor do Cagliari poderia até se empolgar. Poderia. Faltando dez partidas para o fim do campeonato, a equipe está cinco pontos atrás do primeiro clube da zona de rebaixamento. Para piorar ainda tem pela frente Roma, Milan, Internazionale e Fiorentina. Os três pontos perdidos no tapetão, e até agora mal explicados, farão falta. Um ano de azar para o clube da ilha.

Fiorentina 3-1 Genoa - Santana, Mutu, Pazzini; Masiero
Mutu retornou da contusão no joelho que o deixou parado por quase um mês. Coincidência ou não, a Fiorentina voltou a vencer, entrou para o grupo de acesso à Champions League (graças também à vitória da Roma sobre o Milan), e voltou a jogar bem. A chave para o sucesso dos viola parece cada dia mais passar pelos pés do Romeno e pela cabeça de Prandelli.

Juventus 1-0 Napoli - Iaquinta
Com alguns desfalques como Zebina, Camoranesi e Legrottaglie, a Juventus entrou em campo buscando uma vitória para consolidar a terceira posição. Ao maior estilo vecchia signora, a equipe bateu o Napoli com um gol de Iaquinta, aos 42 minutos do segundo tempo. A squadra que chegou a 80% de aproveitamento dentro de casa caminha segura a uma vaga para a UCL. Em um ano que não se esperava muito da Juve, sua torcida tem motivos para sorrir.

Inter 2-1 PalermoVieira; Materazzi (contra); Jiménez
A Roma havia vencido o Milan no dia anterior, diminuído a diferença para três pontos. A Inter acabara de ser eliminada pelo Liverpool na Champions League e um ‘vai-não-vai’ do técnico Roberto Mancini conturbara um ambiente já desgastado. Palco perfeito para uma tragédia e reviravolta no campeonato? Que nada. Jogando em casa os milaneses venceram o Palermo por 2 a 1 com grande atuação do francês Vieira. Mas como uma confusão nunca é suficiente para os nerazzurri, após ser substituído aos 31 minutos da segunda etapa, Ibrahimovic não cumprimentou o técnico Mancini e ainda disparou uma série de ofensas ao comandante. Mais um para a longa lista de desafetos do treinador.

Outros resultados da rodada: Atalanta 4-1 Empoli, Livorno 1-1 Parma, Reggina 4-0 Siena e Sampdoria 3-1 Catania.

Brasileiros no calcio: Humberto Tozzi

Em semana de dérbi capitolino, Roma se destaca na mídia esportiva italiana. Geralmente, com vários brasileiros. Para se ter uma idéia, a última vez em que nenhum brasileiro esteve em campo num Lazio-Roma foi em 24 de outubro de 1993. De lá pra cá, nos 32 jogos posteriores, o país teve ao menos um representante em campo – no jogo do primeiro turno, foram cinco. Mas, na cidade eterna, a Roma é quem tende a consagrar mais nomes.

Dezessete brasileiros jogaram a Serie A pela Lazio, vinte e dois pela Roma. Porém, é mais fácil recordar-se daqueles que envergaram a camisa giallorossa, como Falcão, Cerezo e Aldair. Do lado de Santa Cornelia, os nomes mais representativos são os do lateral/meia César e da dupla Niginho e Ninão, da década de 1930. Mas dois habilidosos brasileiros travavam disputa interessante no fim da década de 1950: Dino da Costa e Humberto Tozzi. O primeiro passou para a posterioridade como o maior artilheiro da história do clássico na Serie A, com nove gols, marca só igualada por Marco Delvecchio, em 2003. Já o segundo raramente é lembrado pela torcida.

Humberto nasceu no Rio de Janeiro e foi revelado pelo São Cristóvão. Aos 19 anos, já estava no Palmeiras. Polivalente, jogava no meio e no ataque, formando a temida linha Liminha, Humberto, Ney, Jair e Rodrigues Tatu. Numa trajetória meteórica, foi artilheiro de sua primeira competição, o Paulistão de 53, e acabou convocado para a Copa do Mundo de 1954. Humberto ainda ficaria no Parque Antarctica por mais dois anos, com a artilharia de outro campeonato estadual, até sair para a Lazio, onde a habilidade e a velocidade se aliaram a uma perigosa armadilha, a indiciplina causada pela distância do lar.

Em pé: Djalma Santos, Gérson, Brandãozinho, Nílton Santos, Veludo e Bauer
Agachados: Julinho Botelho, Humberto Tozzi, Baltazar, Didi e Maurinho

Na Itália, Humberto virou Tozzi. Logo conquistou a titularidade, mas os gols demoraram a sair. Só em sua segunda temporada veio a consagração. A marca de sete gols em 25 partidas na Serie A era mais baixa que a do último ano, mas a Coppa Italia compensou. Em nove jogos, saíram dez gols, dois deles em uma ocasião especial: Humberto Tozzi enfrentou Dino da Costa sete vezes, mas só saiu vitorioso na partida do dia 21 de junho de 1958, derrubando a então favorita Roma - os 3x2 sobre a maior rival praticamente garantiram o ingresso laziale às quartas-de-final. Após passar por Marzotto, Juventus e Fiorentina, os gols do artilheiro converteram-se no primeiro título da história do clube.

Em 1958-59, atingiu seu recorde pessoal na Serie A, ao anotar 14 gols. Na temporada seguinte, mesmo quando passou a demonstrar sua insatisfação com a vida longe do Brasil, manteve a titularidade. Apenas sombra do prolífico atacante, Tozzi marcou seu último gol pela Lazio em dezembro de 1959, mas só se despediu sete jogos depois, numa derrota para a Inter de Angelillo. Em fevereiro retornou ao Palmeiras, após renunciar a um contrato milionário na Lazio e a uma transferência para o Torino. De volta, conquistou a Taça Brasil de 1960, mas deixou o time na metade do ano seguinte. Jogaria ainda em Olaria, Fluminense e Portuguesa antes de encerrar sua carreira.

Ficha técnica

Nome: Humberto Barbosa Tozzi
Nascimento: Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1934
Falecimento: Rio de Janeiro, 17 de abril de 1980
Na Itália: Lazio (104 jogos, 44 gols)
Outros clubes: São Cristóvão, Palmeiras, Olaria, Fluminense e Portuguesa
Seleção brasileira: 7 jogos, 1 gol

segunda-feira, 17 de março de 2008

Estrela do técnico... ou não

mateus diz:
por que Aquilani perdeu posição p/ Pizarro de volta?
Braitner diz:
porque jogou bem.

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Roma 2-1 Milan - Kaká; Giuly, Vucinic
E assim começaria o duelo. Os mandantes, esperançosos, esperavam vencer os milanistas para pressionar a isolada Inter na liderança.

Com uma pequena lesão imprevista de Mexès, quem tomou seu lugar no miolo de zaga foi o veterano Panucci. Os visitantes, por sua vez, trocaram Bonera pelo não menos veterano Favalli. Spalletti optaria então por Mancini ao invés do iluminado Vucinic. Cicinho também ganhava vaga na lateral direita com a contusão de Cassetti e o improviso de Panucci. No Milan, também retornava Clarence Seedorf; ainda fora de forma mas esbanjando técnica. Além disso, Alberto Aquilani - cada vez mais destaque -, perdia a vaga para o chileno Pizarro.

No primeiro tempo, viu-se uma partida extremamente equilibrada, com um Milan protegido e que, com sucesso, não deixava espaços para os mandantes; os quais tentavam, em vão, abrir o placar. As principais situações de gol no primeiro tempo vieram de uma falsa bicicleta de Mancini, uma cabeçada fraca de Kaká e um chute mal direcionado de Totti. Já no segundo tempo...

...As coisas mudam, visto que Seedorf se iluminaria e faria o mesmo com a partida: distribuindo bons passes, conseguiu dar ótima chance para Kaká finalizar e Doni espalmar muito bem. Logo depois, a Roma tomaria banho de água fria: com 11 minutos de segundo tempo, foi a vez de Oddo subir e cruzar da direita para um Kaká totalmente desmarcado colocar categoricamente a bola no gol.

E aí, a suposta estrela do treinador: Luciano Spalletti, ciente da inoperância da equipe, sacaria um terrível Mancini e o inferior Pizarro para entradas de Vucinic e Aquilani, respectivamente. Além disso, Taddei também deixaria campo para entrada de Giuly. Do lado rossonero, Seedorf não agüentaria os 90 minutos e seria trocado por Emerson. Ah, e se você xingou Ancelotti de retranqueiro, é uma boa hora para pedir desculpas. O holandês acabara de voltar de lesão, como já mencionado. Antes disso, o Milan havia perdido uma chance mortal de acabar com a partida: Seedorf chegaria cara-a-cara com Doni, mas, em uma finalização ruim, desviaria a bola no goleiro, fazendo com que a mesma perdesse forças e possibilitasse a chegada de Cicinho. O lateral a isolaria, salvando um gol certo.

E então uma galerinha do barulho resolveu aprontar altas confusões nos perímetros do gol milanista: um lançamento da direita encontraria Totti impedido, mas o capitão romanista não participa da jogada. Tudo ótimo, até que a defesa erra ao alivar a bola, que sobra para Perrotta na direita da grande área; o meio-campista não bobeou (ah, bobeou sim - errou o primeiro toque) e na segunda tentativa serviu um Giuly que havia percorrido toda a faixa da direita para chegar ao meio da área: o francês acertou um voleio lindo, e, de canela, enganou Kalac.

Somente três minutos depois, aos 36 de segundo tempo, De Rossi faria um lançamento espetacular para o cada vez mais adaptado esterno sinistro Vucinic receber em posição legal, e, no maior estilo Montella, concretizar tranqüilamente para o gol. Ainda daria tempo para Kaká se contundir e ser trocado por Paloschi. Mais do que isso, Ancelotti forçou também uma entrada de Gilardino no lugar de Ambrosini. Chuveiradas na área romanista e uma falta próxima da área assustariam o felicíssimo torcedor giallorosso, que já nem contava com a virada.

This is Montenegro!

- Perrotta pode ter desfrutado de posição irregular no primeiro gol. Resta saber se a bola que chegou a ele foi um toque de Aquilani ou da defesa milanista.
- Partida monstruosa de Daniele De Rossi, que anulou o que pôde e ainda fez um lançamento maravilhoso para o gol de Vucinic.
- Pato, isolado, pouco conseguiu render. Conseguiu reproduzir uma meia-lua desconcertante em Juan e cumpriu bem com sua função, mas sem grande destaque.
- Apesar do gol, não foi uma partida digna de Kaká. Estranhamente, é raro vê-lo jogando o que sabe contra a Roma.

sábado, 15 de março de 2008

Alô, mundo real

A Udinese ainda sonhava com uma vaga na Liga dos Campeões. A Lazio, com uma na Copa da Uefa. Mas a realidade chamou de volta os times. Após o jogo, o time de Friuli pelo menos se livrou da instalação definitiva de uma crise; o da capital, de qualquer ameaça virtual de rebaixamento.

Mudingayi levanta Inler: meia laziale travou jogo friulano

Rossi optou por deixar Pandev, pendurado, no banco, visando o dérbi capitolino da próxima quarta-feira. Em seu lugar, às costas de Bianchi e Rocchi, quem ganhou a vaga foi Meghni. Mauri manteve-se afastado pelo técnico. Marino optou pela experiência de Zapotocny na zaga para substituir o suspenso Zapata e lançou outra vez o trio Pepe-Quagliarella-Di Natale no comando de ataque.

Uma Lazio compacta, de jogo fluido e objetivo, dominou a Udinese sem dificuldades no primeiro tempo. Difícil mesmo foi encontrar o caminho do gol. Rocchi o trilhou friamente ao ser lançado por Ledesma na grande área, mas a partir daí Handanovic foi barreira intransponível. Na ripresa, Meghni deixou o campo para a entrada de Vignaroli e a Lazio se perdeu por tempo suficiente para que Ferronetti se aproveitasse de escanteio de Pepe para empatar. Perto do fim da partida, Handanovic falhou pela primeira vez, chegando atrasado numa bola de Ledesma. O que tinha tudo para ser uma boa vitória biancoceleste tornou-se pesadelo quando Di Natale se antecipou a Cribari após passe de Pepe e fez um belo gol sobre Ballotta.

Meghni pressiona Lukovic: cena constante no primeiro tempo

O mesmo Pepe, nome da partida, mandou para fora a melhor chance do jogo, já nos acréscimos, ao receber de Floro Flores e conseguir errar um gol aberto. Com nove pontos nos últimos dez jogos, é uma Udinese de nível preocupante a que tentará segurar sua vaga na Copa da Uefa - talvez até mesmo sem D'Agostino, que hoje saiu lesionado e será reavaliado na segunda-feira. Com quinze pontos no mesmo período, é uma Lazio que demorou a acordar e não pode apenas colocar a culpa na sorte. Afinal, é complicado sonhar alto quando não se consegue duas vitórias consecutivas em nenhum momento da competição, após 28 rodadas.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O dia do fico

Fernando Torres marcou o 26° gol na temporada

Inter 0-1 Liverpool - Fernando Torres
Quando um casamento está ‘mal das pernas’, prestes a acabar, geralmente é a fagulha mais forte, acendida por uma crise de ciúmes, uma briga ríspida que coloca um ponto final no relacionamento.

A eliminação era se não uma certeza, pelo menos apontada como muito provável pelos especialistas esportivos. Com a vantagem de 2 a 0 no jogo de ida, bastava ao Liverpool segurar o sufoco interista ou marcar um gol, forçando a equipe de Milão a balançar as redes quatro vezes. Porém, o que se seguiu após a expulsão (discutível) de Burdisso aos 59', o gol de Fernando Torres aos 62' e a conseqüente derrota pode prejudicar ainda mais a equipe nerazzurra.

Que os vestiários do Appiano Gentile nunca foram um recanto de paz e harmonia não é novidade para ninguém. Adriano não conseguiu se recuperar e voltou ao Brasil, brigas num elenco que parece pouco coeso. E agora, mais surpreendentemente, o anúncio do fim da era ‘Mancini’ na Inter.

Um treinador sempre é o ponto de referência de um grupo. Sobre ele recai o louro da vitória, assim como o amargo da derrota. Nos grandes clubes a luz incide maior, mais forte. Não bastou então o bi (bastante próximo tri) campeonato italiano, nem os aplausos da torcida, ou a justificativa de que havia do outro lado um ‘copeiro’ Liverpool. Ao final de Internazionale zero, Liverpool um, o técnico Roberto Mancini disse, com ares de mártir, que ficaria somente até o fim desta temporada. A declaração, que dias depois mudou de tom (agora a vontade é ficar até o fim do contrato), causou mal-estar num ambiente que já não cheira bem.

Pessoas de dentro do clube e ex-jogadores criticaram a postura do treinador de ‘abandonar o barco’ faltando 11 rodadas, como Gianfelice Facchetti - filho do craque -, e Oriali. A imprensa italiana agitou-se. Nomes como Mourinho, Lippi e Prandelli foram ventilados para seu lugar.

Moratti, como sempre, tratou de colocar panos quentes. Conversou com o técnico e voltou à imprensa com a certeza. Mancini fica. Se vencer o Italiano com autoridade ganha força para trabalhar como quer no clube. Livra-se dos desafetos e pode sonhar com um ganho significativo de peças no elenco, para no ano seguinte, tentar a menina dos olhos da torcida e do presidente, a Champions League. Volta para os braços do povo como herói.

Se perder, aí uma hecatombe cairá sobre Milão e outro técnico terá que reconduzir o clube à missão de se tornar maior do que a squadra pensa ser hoje. Afinal que Internazionale vive apenas de ‘regionalle’?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Quatro homens (e uma mulher) e outro segredo

Na abertura do mercado de quase-início-de-outono, vencemos a concorrência da Gazzetta para garantir duas contratações para nossas fileiras: Renan Rodrigues, prestes a se formar em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo; e Marina Piantino, da Universidade Estadual de Minas Gerais.

Além de esbanjar conhecimento sobre futebol italiano, dentro ou fora de campo, os dois ajudam a repor a saída de Guilherme Daroit, um dos fundadores do blog, atualmente calouro de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E abrandam a falta de tempo desse que aqui escreve, agora na Universidade de Brasília.

Ok, chega de escola. Voltemos ao calcio. Renan estréia em breve, falando sobre a queda da Inter na Liga dos Campeões.

terça-feira, 11 de março de 2008

Três homens e um segredo

Em breve, novidades no blog.

Em tempo: Héctor Cúper deve ser oficializado como novo treinador do Parma.

domingo, 9 de março de 2008

Sempre Spalletti

Spalletti, enquanto técnico da Roma, está à frente de nomes que fizeram história das mais variadas formas. De Capello, mentor do terceiro scudetto, a Shäffer, comandante do longínquo título da década de 1940. De Bianchi, que, ao contrário de sua passagem pelo Napoli de Maradona e Careca, não conseguiu mais que uma Coppa na capital, a Zeman, que, por sua vez, não colecionou títulos, apenas inúmeras batalhas que reacenderam uma rivalidade com a Juventus.

Pelo menos é o que dizem os (até a noite deste domingo) 5.398 romanistas que responderam à enquete "O maior técnico da história da Roma?" no site do quotidiano da torcida giallorossa, Il Romanista. À frente do técnico de Certaudo, apenas Liedholm, arquiteto do segundo scudetto e do vice-campeonato da Liga dos Campeões, ex-comandante de Falcão, Di Bartolomei e Conti.

Em que pese a favor do atual comandante, logicamente, os bons resultados recentes. O time de Spalletti pode ser azeitado ou previsível. E está mais do que provado que a análise depende mais da boa ou má vontade após algum resultado importante. A Roma que encanta a Europa nesta semana é a mesma que, há quinze dias, enfrentava sérios problemas de auto-confiança e parecia sempre mais próxima de alguma reformulação em seu elenco.

Totti e Aquilani: presente baseado no passado e no futuro

Se as impressões são efêmeras, é fato que a Roma com Spalletti obteve resultados acima das expectativas quando da contratação do técnico. Outro fato é que o caminho para que alguma conquista relevante nesta temporada torne-se armadilha - refreando assim um bom mercado no próximo verão europeu ou retardando treinamentos com alternativas táticas viáveis - é o mais fácil de ser trilhado.

Uma prova concreta daquele que traçou o simples e não foi feliz está em Milão. O ano de transição, sempre tão temido e atrasado, caiu como um baque e já é sentido no Milan. Outra vez, a dupla Berlusconi-Galliani deu velhos limões a Ancelotti, que os acolheu de bom grado e sem qualquer chiadeira. Ruim para Kaká, que se vê ilhado no meio da instabilidade que abate o time rossonero e faz aquela que provavelmente é sua pior temporada desde que chegou à Itália.

Mesmo assim, saiu dos seus pés a suada vitória sobre o Empoli, na Toscana. O brasileiro cruzou para Ambrosini marcar o segundo e anotou o terceiro, aproveitando-se de cruzamento de Paloschi. Pato também marcou: seu sexto gol na Serie A, em dez partidas. Gourcuff e Oddo, outra vez, provaram que não são nem sombra dos jogadores que eram em Rennes e Lazio, respectivamente. Já os azzurri, com as melhores chances no jogo, perderam Malesani, expulso, e viram sua luta contra ao rebaixamento ficar ainda mais preocupante - justo numa de suas melhores partidas no campeonato.

Ibrahimovic: maior craque do ano do centenário alcançou a vice-artilharia

Já a Inter bateu a rebaixável Reggina no jogo do centenário e manteve os seis pontos de vantagem sobre a Roma. Outra vez, a vitória foi creditada às contas de Júlio César e do árbitro Christian Brighi, que encontrou um pênalti inexistente para que Ibrahimovic abrisse o placar num momento em que os comandados do estreante Nevio Orlandi eram superiores. Em situação mais delicada que a dos amaranto, apenas o Cagliari, que levou a virada do Catania, no Angelo Massimino.

O Livorno também se complicou após perder o dérbi político com a Lazio. A extrema-direita bateu a extrema-esquerda com gols da dupla Rocchi-Pandev e encheu de esperanças o presidente Lotito, que declarou esperar ainda mais do time, mesmo antes do fim do campeonato. Uma boa seqüência, quem sabe, pode salvar o pescoço de Delio Rossi em junho. Outro time tradicional ensaia uma volta por cima ao apagar das luzes: Barone marcou o gol solitário da vitória do Torino sobre a Atalanta.

Da luta pela Europa, a Udinese desceu um degrau. Ao empatar com o Palermo, os friulani praticamente sepultaram suas chances de voltar à Liga dos Campeões no próximo ano. Caminho inverso fez a Juve, que, após uma má seqüência de resultados, reencontrou a vitória no Marassi. Em partida perfeita de Grygera (um gol, uma assistência e várias intervenções fundamentais na defesa), os comandados de Ranieri bateram o Genoa e voltaram a mirar uma situação mais cômoda na tabela.

Grygera: desta vez, quem decidiu foi o discutido defensor tcheco

Afinal, Maccarone cobrou falta com perfeição no fim do dérbi toscano e garantiu a vitória do Siena sobre a Fiorentina. Os viola, ainda na quarta colocação, ficam somente um ponto a frente do Milan, e quatro atrás da Juventus. Já o Siena se livra, pelo menos por enquanto, do bolo que deve lutar até o fim contra a queda. Este seleto grupo é integrado pelos seis últimos colocados do campeonato, e seu membro mais badalado se complicou de vez: o Parma caiu em casa para a Sampdoria e só não está na zona de rebaixamento por levar vantagem no confronto direto com o Empoli.

A Serie A retorna no próximo fim de semana, com a partida-chave entre Roma e Milan, no Olimpico. Até lá, as atenções estão voltadas para a Inter, que revê o Liverpool nesta terça para o retorno das oitavas-de-final da Liga dos Campeões.

sábado, 8 de março de 2008

Excelente, mas sabe aquela sensação...

de que poderia ter feito mais?

por Daniel Babalin

Fiorentina
2-0 Everton - Kuzmanovic, Montolivo
Pois é. Exatamente isso que os jogadores, dirigentes e sobretudo torcedores da Fiorentina devem estar pensando após a partida pelas oitavas-de-final da Copa Uefa.

Jogo tranqüilo para a equipe italiana, que controlou-o inteiro, criando várias oportunidades de gol - porém desfrutando delas apenas duas vezes. Primeiro com Kuzmanovic num disparo à média distância, e depois com o talentoso garoto Montolivo, num belo chute após a assistência de Jorgensen. Os dois gols saíram no 2º tempo, mas antes disso Howard já havia feito um milagre, salvando um tento que seria de Vieri, cara-a-cara, e defendido um petardo de Montolivo no começo da etapa complementar.

O time inglês só esboçou alguma tentativa de sair do domínio viola quando o fantasista Mikel Arteta entrou no lugar de Osman, aos 11 minutos da segunda etapa. Entretanto, tal esboço não foi suficiente para ameaçar efetivamente os mandantes.

Comemoração: cena deveria ter se repetido mais vezes

Com esse resultado, o time de Florença tem uma boa vantagem para o jogo de volta, a ser realizado no dia 12 de março. Todavia, fica a sensação de que o confronto já poderia estar decidido, houvessem caprichado um pouco mais diante do gol.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Rapidinhas

De volta com elas, já esquecidas.

"Segura a empolgação aí, fera!" - É o que deveria ser dito a Francesco Totti, que declarou almejar a conquista da Serie A e da Champions League.

"Renovar? Mas o Sheva tá tão carente..." -
Foi o que pensou Silvio Berlusconi, ao ter cogitado a volta do atacante ao Milan. "Adebayor e Drogba são excelentes, mas quero o seu retorno. Além disso, retorna Borriello" - declarou ao Corriere.

Um bom filho à casa tonta

"Um cargo de dirigente? Um dia chegará." - Roberto Baggio, il codino, sobre a Inter.

"Satisfeito com o segundo lugar? Jamais." - Trezeguet mostrou seu pensamento grande e disse que suas ambições são as mesmas da torcida, sempre buscando a primeira colocação - "Até por razões pessoais; não tenho mais 24 anos" - declarou o bomber à Gazzetta dello Sport.

"Mais um ano? Quem sabe..." - Paolo Maldini... Pois é, Maldini...

Baseado em fato Real

Bandeira: seu erro absurdo deu muito mais emoção à partida

Real Madrid 1-2 Roma - Taddei; Raúl; Vucinic
Tanto se critica, e com considerável razão, as freqüentes ausências de Aquilani e Cicinho no plantel titular da Roma. Curiosamente, logo ontem, Luciano Spalletti optou por lançá-los a campo. Inevitável o fato de que as alterações causariam certa estranheza para quem já esperava ver em campo Panucci retornando na lateral-direita e a enceradeira David Pizarro no meio. Essa seria só uma pequena de outras surpresas da noite.

Logo no início, pressão do Real Madrid, que foi respondida com dois chutaços de Aquilani: o primeiro, carimbando a trave; e o segundo, logo em seguida, forçando Casillas a fazer uma grande defesa. O jogo seguia tenso, com duas equipes nervosas oscilando em seus lances de perigo. O que se via, ou melhor, o que se viu o tempo inteiro foi um Real sem ataques laterais, visto que na direita havia um limitadíssimo Michel Salgado e na esquerda o defensivo Heinze. Alguns erros de passes entre ambos os times comprovavam o estado de nervosismo e ansiedade presente. O intervalo veio e com ele a indefinição romanista: forçar um gol e correr o risco de sofrer outro ou se defender sem arriscar-se?

Finalmente inspirados, os giallorossi foram grandes no segundo tempo: após início equilibrado com uma falta de Julio Baptista do travessão, a partida seguia a mesma; cautela por parte italiana e tentativas mal-sucedidas por parte espanhola, que começava a ficar mais nervosa. Conforme o tempo passava, a Roma se tranqüilizava um pouco mais com a situação, e viu que não seria uma missão impossível sair de Madrid com uma vitória. Spalletti sacou o inoperante Mancini para fazer jogar um bizonhamente calmo Vucinic. O montenegrino correspondeu com muito, muito mais do que se esperava.

Pouco depois de sua entrada, o jogador acertou o travessão após bom passe de Tonetto. Em seguida, sua meia-lua em Pepe faria com que o luso-brasileiro levasse o segundo cartão amarelo, deixando sua equipe com dez jogadores em campo e totalmente desnorteada. Como resultado, os comandados de Spalletti chegavam cada vez mais perto em meio a buracos sempre mais freqüentes. Até que, com 28 minutos de segundo tempo, Tonetto acertou um cruzamento (!) e Taddei, com um lampejo de Crespo, antecipou-se muito bem e cabeceou perfeitamente, abrindo o placar. Jogo definido? Até parecia, mas Robinho acertou passe para Raúl, totalmente impedido, empatar a partida somente dois minutos depois.

Aí, tudo se incendiou: Roma virou um deus-nos-acuda, Spalletti se mexeu no banco, Robinho queria levar a bola para casa e tudo foi desesperador. Porém, mesmo assim, o Real sentiu muita falta de seus numerosos desfalques: Sneijder, Nistelrooy, Robben, Sergio Ramos e Marcelo. Com uma equipe limitada, um a menos e descontrole, nada se conseguiu senão vários chutões esbarrados e escanteios cobtidos. Melhor para os romanistas, que viram Panucci cobrar falta da direita na cabeça do iluminado Vucinic, que já nos acréscimos classificou a Roma e fez seu quarto gol na competição. No lance, uma falta de entendimento entre Casillas, que foi seco e passou da bola, e a defesa, que deixou o então esterno sinistro cabecear.

Vucinic e maracugina: combinação vitoriosa

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Parabéns a Luciano Spalletti, que fez a equipe aprender com os catastróficos 1-7 da temporada passada e melhorar grandiosamente sua postura em campo. Além disso, acertou nas alterações: Vucinic mudou a partida, Panucci cobriu a defesa e ainda cruzou para o segundo gol, e Pizarro... bem, ele acertou.

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Interessante é ver como alguns jogadores dividiram opiniões: Cicinho, por exemplo, teve uma das melhores notas do Corriere della Sera (7) e uma atuação muito elogiada. Totti, por sua vez, rachou conclusões: uns dizem que Capitano simplesmente não fez nada, enquanto outros defendem que o camisa 10 cumpriu a sua função tática muito bem, jogando com experiência e prendendo a bola com calma na frente, mesmo jogando sozinho. Mancini, entretanto, não agradou a ninguém e atuou de forma decepcionante, principalmente pelo fato de se esperar do brasileiro sempre uma jogada habilidosa, partindo para cima e resolvendo. Outro que decepcionou foi Perrotta, que não conseguiu ser importante ofensivamente e está fora do próximo jogo nas quartas-de-final devido a mais um cartão.

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Já faz vinte anos desde a última vez em que o Real Madrid eliminou uma equipe italiana no torneio. Foi contra o Napoli, aquele de Maradona, pelos dezesseis avos de final da ainda Copa dos Campões da Europa.

E a quarta vez seguida em que a equipe pára nas oitavas-de-final. Suas últimas eliminações foram para Bayern (2006/07), Arsenal (2005/06) e Juventus (2004/05).

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Lamentável observar determinada área esportiva de uma grande rede, conhecida por todos no país, errar grafias e situações tão simples em tantos - quase todos -, jogos. Singular se transforma em plural (time giallorossi - equivalente a dizer "time rubro-amarelos" aqui), Tonetto virou "Tolletto" e "Tonnetto", Perrotta virou "Perrota". O segundo gol do Roma, aquele no cruzamento de Panucci, agora veio da esquerda, e o impedimento claro e comprovado virou somente posição duvidosa.

É cada vez mais complicado confiar na credibilidade de um site em que o Milan é líder isolado da Serie A por três vezes, Gattuso levou cabeçada de Zidane na final da Copa do Mundo, revistas espanholas se tornam italianas e Doni consegue ter a capacidade milagosa de sofrer gols sem nem entrar em campo, como já publicado.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Perugia, milagroso ou profano?

No último domingo a, hoje centenária, Internazionale perdeu a sua invencibilidade no campeonato da Serie A para o Napoli, após várias rodadas. Na temporada passada, tudo caminhava para um título invicto da mesma Inter, quando foi batida pela Roma em Milão após mais de 30 rodadas sem derrota. E você, sabe qual foi a primeira equipe a terminar uma Serie A invicta? Milan, Juve, Roma, Inter? Nada. Foi o Perugia - óbvio, essa é uma coluna sobre o Perugia- em 78/79. O "Perugia do Milagre", como ficou conhecido, foi vice-campeão naquela temporada, com 19 empates em 30 jogos, perdendo o título para o Milan.

Fundado em 1905, os biancorossi tinham como maiores feitos, até então, três títulos da Serie C (1933/34, 1945/46, 1966/67), um da Serie B (1974/75), um da Copa Rappan, obscuro torneio europeu esquecido até pela Uefa, um ano antes do miracolo, e a vitória sobre a Juventus na última rodada, dando ao Torino o título de 1975/76, último dos granata. Após tal feito, porém, só desgraças se abateram sobre o clube.

Com o eterno carrasco brasileiro Paolo Rossi em sua rosa na temporada posterior, a invencibilidade caiu contra o mesmo Torino, pelo jeito não muito grato, com uma derrota em casa por 2x0. Terminariam o campeonato de 1979/80 na 10ª colocação e eliminados na segunda fase da Copa da Uefa, e sem Rossi, suspenso por envolvimento com a máfia da loteria esportiva italiana. Em 1980/81, o desastre: 15ª colocação na Serie A e o rebaixamento para a Serie B, apenas dois anos após assolar a Itália com o seu milagre.

Como desgraça pouca é bobagem, após 6 anos lutando pelo acesso, sem êxito, foi rebaixada para a Serie C2 - equivalente à 4ª divisão - pela justiça, por problemas fiscais. Depois de dois anos, então, conseguiu subir para a 3ª divisão, vencendo um dos grupos da C2. Na C1, mais quatro anos no purgatório, sem conseguir a vaga para a Serie B. Nesse momento, em 1991, Luciano Gaucci compra o clube, mas falaremos dele mais pra frente. Em 1993, o que já dava ares de "novo milagre" finalmente aconteceu. Com o 2º lugar no seu grupo na C1, o Perugia teve de disputar o spareggio contra o Acireale, vencendo os sicilianos e garantindo o acesso à Serie B. Venceu, mas não levou. Pra variar um pouco, mais um infortúnio na vida biancorossa: de novo com problemas fiscais, a justiça determina que o clube continue na Serie C1. Mas, um ano depois, o Perugia fica em primeiro no campeonato e, enfim, retorna à Serie B.

No segundo ano na B, após um ano de reestréia razoável, o 3º lugar em 1995/96 e a tão sonhada volta à Serie A, mais de 15 anos depois da temporada invicta, que já nem era mais exclusiva do Perugia - o Milan repetiu o feito em 91/92. Porém, novamente, tudo deu errado e os biancorossi voltaram à segunda divisão, após um decepcionante 16º lugar na Serie A de 1996/97. No melhor estilo ioiô, então, conseguiram o 4º lugar na Serie B em 1997/98 e garantiram o acesso no spareggio, dessa vez sem problemas com a justiça e, de quebra, se "vingando" do Torino, seu adversário na disputa.

Consolidado na Serie A, surge de vez a figura de Gaucci, já citado dono do clube. Ex-vice presidente da Roma, Luciano passou a dar sinais de sua completa fanfarronice: demitiu o coreano Ahn, por ter feito o gol que eliminou a Azzurra da Copa de 2002; contratou o filho do ditador líbio, que nem jogou direito pelo clube; tentou inscrever uma mulher para jogar com os homens; contratou Ben Johnson, velocista canadense que perdeu suas medalhas olímpicas por correr dopado, para auxiliar na preparação física da equipe, entre outras. Em 2004, o auge: o Perugia conquista a Copa Intertoto, torneio de pré-temporada que dá vagas na Copa da Uefa, onde os biancorossi não passaram da terceira fase. E, como nada é tão ruim que não possa piorar, mais um rebaixamento viria naquele ano.

Chegava então o ano do centenário do clube, 2005. O 4º lugar na Serie B e a derrota no play-off para o - sempre ele - Torino já pareciam motivos suficientes para o fracasso do clube no seu aniversário, mas o castigo era muito maior. A Associazione Calcio Perugia S.p.A. decretou falência ao fim da temporada, tendo que ser refundado sob o nome de Perugia Calcio S.r.l. e rebaixado para a C1, de novo.

Depois de dois anos sem sucesso na C1 sob novo nome e escudo, com dois 6º lugares consecutivos, o Perugia se encontra em 6º lugar - oh! - na atual temporada, sem dar pinta de que possa subir para a Serie B ao fim da temporada. Nessa vida toda cheia de desgraças e castigos, só um novo milagre mesmo para trazer o clube de volta ao convívio dos grandes.

terça-feira, 4 de março de 2008

No meio do caminho tinha uma pedra...

Não era bem uma pedra, e sim uma bola... de neve.

Milan 0-2 Arsenal - Fábregas, Adebayor (ou quase isso)

E assim acaba a desgastada desculpa de um time desgastado. Após uma temporada pífia, independentemente da classificação ou não para a Champions League em quarto lugar, o Milan deixou milhares de dúvidas nas cabeças de quaisquer pessoas que viram a equipe jogar na temporada. O que fez o time rossonero nesta stagione? Passou por médios e baixos, às vezes baixos e muito baixos, mas qual foi o ponto alto de 2007/08? A estréia do trio 'Ka-Pa-Ro', que acabou com um perigoso Napoli? Provavelmente, e só. Campanha pífia na Coppa Italia, pífia na Champions League - contando que muitos esperavam dos milanistas o bicampeonato -, e uma pífia campanha na Serie A.

O time de Berlusconi, mesmo estando em quarto lugar, é a equipe que mais torra dinheiro com salários no Calcio. Por ano, os ainda atuais campeões europeus gastam 120 milhões de euros para pagar 1 milhão a Digão, 3.2 para o eterno reserva Emerson, 1.8 para Simic, 1.5 para Brocchi, 2 para Favalli, Serginho e Cafu e assim por diante. A Inter, por sua vez, gasta 110 milhões, enquanto Juve gasta 96.9 e, aí sim uma diferença astronômica, vem a Roma com 59.02. A Fiorentina, hoje 4 pontos na frente dos milanistas e na zona de classificação para a Champions League do ano que vem, paga 30 milhões a seus jogadores. Ou seja, os viola gastam quatro vezes menos que o Milan.

Para o jogo de hoje contra o Arsenal, os rossoneri, ainda não excomungados já que o torneio europeu servia como desculpa e escapatória para os problemas nacionais, mudaram a sua tática vitoriosa da temporada passada. Quando atuava no 4-3-2-1 "árvore de natal", Carlo Ancelotti protegia a defesa o suficiente para não sofrer do coração atrás e ainda conseguir liberar um inspirado Kaká. Hoje, quando foi divulgada a notícia de ausência de Seedorf por lesão, surgiu uma dúvida: o esquema permaneceria o mesmo, com algum meio-campista pouco utilizado tentando fazer a função do holandês? Ou, como muitos defendem, entrar-se-ia com um time teoricamente mais ofensivo, que teria como principal defesa o ataque? Tanto eu quanto você sabemos que Carletto força na teimosia. É realmente difícil acreditar que o treinador tenha escalado Inzaghi no lugar de Seedorf por pura e confiável vontade. Será que alguns veículos de imprensa ou outros pseudo-magos da tática se aquietarão? Ou Ancelotti é realmente um simples e covarde retranqueiro?

Daqui a um, dois anos, diremos nós que o título da Champions League 2006/07 atrasou e conseqüentemente atrapalhou o futuro do Milan? O consagrado troféu foi o bônus, agora virá o ônus: um time vencedor que provou que não se deve menosprezar uma equipe já dita como passada, desgastada, velha, e que deu a volta por cima e ganhou o maior campeonato do planeta. Por outro lado, tal título acomodou um time já acomodado, que se adaptava com declarações absurdas de dirigentes utopicamente iludidos, como se a equipe fosse intocável, impecável e vencesse quando quisesse. Quem pára, deixa-se ultrapassar, e por isso o Milan, estacionado com um carro dos anos 70 cujo motor ainda funcionava, foi deixado para trás por um renovado veículo inglês de peças francesas.

Por incrível que pareça, a eliminação hoje poderá, no futuro, não ter sido nada perto do que tende a acontecer. O Milan perdeu várias chances de iniciar uma renovação no tempo certo, sem pressa. Agora, com vários jogadores inconfiáveis e com prazo de validade expirado, as ilusões de Galliani ("não precisamos de ajustes") hão de ceder, às pressas, ao que há muito já é pedido. E, pelo menos desta vez, ao contrário da infelicidade tática, a voz do povo deve ajudar. Mudanças drásticas e rápidas demais devem ocorrer, levando a equipe a um desentrosamento incômodo. Para os tifosi, basta agora torcer para o time chegar à Champions League no quarto lugar. Caso isso não aconteça, é bom rezar para aquele Cara que faleceu com uma idade semelhante à média do elenco milanista: 33 anos.

Sem legenda

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Quanto ao desgaste, eis aqui uma relação etária da equipe elaborada por mim:

Nascidos em 1978 - Têm ou terão 30 anos até final de 2008:

4-Kakha Kaladze (27/02)
8-Gennaro Ivan Gattuso (09/01)

Nascidos em 1977 - Têm ou terão 31 anos até final de 2008:
18-Marek Jankulovski (09/05)
23-Massimo Ambrosini (29/05)

Nascidos em 1976 - Têm ou terão 32 anos até final de 2008:
99-Ronaldo Nazário (22/09)
32-Christian Brocchi (30/01)
5-Emerson Da Rosa (04/04)
10-Clarence Seedorf (01/04)
44-Massimo Oddo (14/06)
13-Alessandro Nesta (19/03)

Nascidos em 1975 - Têm ou terão 33 anos até final de 2008:
17-Dario Simic (12/11)

Nascidos em 1974 - Têm ou terão 34 anos até final de 2008:
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Nascidos em 1973 - Têm ou terão 35 anos até final de 2008:
1-Dida (07/10)
34-Ibrahim Ba (12/11)
9-Filippo Inzaghi (09/08)

Nascidos em 1972 - Têm ou terão 36 anos até final de 2008:
19-Giuseppe Favalli (08/01)
16-Zeljko Kalac (16/12)

Nascidos em 1971 - Têm ou terão 37 anos até final de 2008:
27-Serginho (27/06)

Nascidos em 1970 - Têm ou terão 38 anos até final de 2008:
2-Marcos Cafu (07/06)

Nascidos em 1969 - Têm ou terão 39 anos até final de 2008:
29-Valerio Fiori (27/04)

Nascidos em 1968 - Têm ou terão 40 anos até final de 2008:
3-Paolo Maldini (26/06)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Jogos históricos: Roma-Juventus

Suprindo, com atraso de um dia, a ausência do Braitner.

Roma 4-0 Juventus
Roma e Juve é, com certeza, um dos jogos mais quentes do Calcio depois dos derbys. Os giallorossi, historicamente rancorosos, sempre guardaram certo desgosto pela equipe que muitas vezes fora supostamente favorecida pelos árbitros na Itália. Os romanistas vinham embalados, pois agradavam os torcedores com um futebol inesquecível comandado por Totti e Cassano. Montella, lesionado, praticamente não participaria da temporada que culminou em um vice-campeonato para a squadra da capital. A situação não era diferente na 20ª rodada da Serie A, quando os times se encontrariam: a Roma, após quase terminar um turno invicta, havia perdido para Milan e Brescia somente, e desde então permanecera isolada na segunda colocação.

Do lado bianconero, uma notícia ruim: Del Piero, lesionado, não jogaria. Aliás, as contusões atrapalharam-no durante a temporada inteira. Os comandados de Marcello Lippi, assim como os romanos, só haviam perdido duas vezes na competição. Curiosamente, este foi o último clássico com Emerson, Zebina e Capello pela Roma. Inclusive, na partida seguinte pela temporada 2004/05, um 2-0 a favor da mandante Juventus, os dois calciatori começaram em campo: Zebina foi substituído no segundo tempo, enquanto Emerson foi expulso com 89 minutos de jogo. Outra curiosidade: na batalha anterior à abordada aqui, ainda no primeiro turno, a Roma havia empatado com a Juve somente aos 86 minutos, com gol de .... Zebina! O placar final foi 2-2, tendo Di Vaio (doppietta) e Chivu marcado os outros tentos da partida.

Ainda no início de jogo, escanteio para o time da capital, a bola sobra e ... quer algo mais surpreendente que o lamentável Dacourt, com um chute na entrada da área, fazer um belo gol em Gianluigi Buffon? Pois é, quase inacreditável. Um pouco por relatar e um pouco por desmerecer, admito, mas havia um Panucci impedido no meio da área que pode ter atrapalhado a visão do arqueiro juventino (este, por sua vez, nem reclamou). Um primeiro tempo amarrado e tenso, cujo outro grande lance foi uma pancada de Totti no travessão.

No segundo tempo, a Roma deslanchou: com 12 minutos, Cassano sofreu pênalti e Totti converteu, batendo no limite entre o 'impecável' e 'para fora', visto que a bola bateu na trave e entrou. Três minutos depois, Montero recebeu seu segundo cartão amarelo e foi expulso, acabando com o que sobrava de uma Juve esperançosa. Os mandantes cresciam cada vez mais, e, com 29 minutos do segundo tempo, Cassano recebeu cruzamento desviado na direita e completou para o gol, matando Buffon. Não fosse o bastante, o barês, nome da partida, ainda fez sua doppietta após lindo cabeceio em cruzamento de Mancini. Nas comemorações, voaram camisas e até bandeiras de escanteio.

Temporada (rodada): 2003/04 (20ª).
Data: 08/02/2004.
Gols: Dacourt (13'); Totti (57' - pênalti), Cassano (74') e Cassano (89').
Local (público): Stadio Olimpico di Roma (73.325).
ROMA (4-4-2): Pelizzoli; Zebina, Samuel, Chivu, Panucci; Mancini, Emerson, Dacourt (De Rossi, 95'), Lima; Totti (D'Agostino, 93') e Cassano (Carew, 91').
Suplentes: Zotti, Candela, Tommasi, De Rossi, Carew, D'Agostino, Delvecchio.
Treinador: Fabio Capello.
JUVENTUS (4-4-2): Buffon; Thuram, Legrottaglie, Montero, Zambrotta; Camoranesi (Appiah, 71'), Conte (Tudor, 62'), Tacchinardi, Nedved; Di Vaio (Miccoli, 45') e Trezeguet.
Suplentes: Chimenti, Ferrara, Tudor, Pessotto, Maresca, Appiah, Miccoli.
Treinador: Marcello Lippi.
Árbitro: Pierluigi Collina.
Cartões: Samuel e Cassano (Roma); Montero (vermelho - dois amarelos), Camoranesi e Conte (Juventus).

Totti provoca Tudor: cena que virou símbolo da partida

Roma 1-4 Juventus - Quem ri por último...
Ri também, oras. E a Vecchia Signora não teve a mínima piedade para se vingar dos romanistas quase dois anos mais tarde. Com show de um então sumido Ibrahimovic, a Juve sapecou quatro gols em uma desmontada Roma, em pleno Stadio Olimpico. Neste caso, as situações eram bem distintas daquelas mostradas na goleada romanista: a Juventus, como sempre, vinha brigando pelo título e buscava manter a liderança. A Roma, por sua vez, ainda estava abalada, desestruturada e em fase de reconstrução, guiada por Luciano Spalletti.

Surpreendentemente, no primeiro tempo a Roma pressionava muito mais: com um 4-4-2 que alternava para um 4-2-3-1 conforme ocorriam subidas de Perrotta pela direita e recuo de Totti pelo meio, os romanistas iniciaram com tudo, e, por pouquíssimo, não abriram o placar com chute de Taddei, grande jogada de Montella e cabeçada de De Rossi. Tudo parecia que o primeiro tempo acabaria de placar fechado, mas em rebosteio geral da defesa, Nedved entrou na área para ganhar de Panucci na cabeça após cruzamento de Zambrotta e fazer 1 a 0, com 46 minutos. Nitidamente, os donos-de-casa se abateram demais; e iam para o vestiário com uma ducha de água fria.

Aí sim, no retorno, só deu Juve: muito mais equilibrada tanto em campo quanto fora dele, os bianconeri ampliaram com outro apagão da zaga mandante: Ibrahimovic, recebendo lançamento de Emerson em contra-ataque, saiu no mano-a-mano com o ganês Kuffour e deixou-o no chão, chegando na cara de Doni e estufando as redes. Apenas dois minutos depois, Zambrotta teve espaço suficiente para colocar na cabeça de um Trezeguet totalmente sozinho dentro da área, que fez o seu sem precisar de esforço, transformando um dia infeliz em goleada. E, passados mais três minutos, mais um blackout, e mais uma vez fatal: Perrotta perdeu a bola no meio-campo, o que bastou para Nedved servir Ibrahimovic; o sueco avançou e viu Trezeguet no centro da grande área, que só teve trabalho de empurrá-la para o gol.

Um minuto depois, Montella chegaria cara-a-cara com Abbiati, mas Thuram o derrubaria, cometendo pênalti e levando cartão vermelho, fato que fez com que a Roma diminuísse e fechasse o pesado placar.

Temporada (rodada): 2005/06 (12ª).
Data: 19/11/2005.
Gols:
Nedved (45+1'); Ibrahimovic (58'), Trezeguet (60'), Trezeguet (63') e Totti (67' - pênalti),
Local (público): Stadio Olimpico di Roma (42.175).
ROMA (4-4-2): Doni; Panucci, Kuffour, Mexès, Cufré (Álvarez, 80'); Perrotta, De Rossi (Nonda, 62'), Dacourt (Tommasi, 77'), Taddei; Totti e Montella.
Suplentes: Curci, Bovo, Álvarez, Kharja, Aquilani, Tommasi, Nonda.
Treinador:
Luciano Spalletti.
JUVENTUS (4-4-2): Abbiati; Zambrotta, Thuram, Cannavaro, Chiellini; Camoranesi, Emerson, Vieira, Nedved (Mutu, 93'); Ibrahimovic (Del Piero, 82'), Trezeguet (Kovac, 66').
Suplentes: Chimenti, Kovac, Pessotto, Blasi, Giannichedda, Del Piero, Mutu.
Treinador: Fabio Capello.
Árbitro: Gianluca Paparesta.
Cartões: Mexès, Perrotta, Dacourt (Roma); Cannavaro, Vieira, Thuram (vermelho direto), Nedved (Juventus).

Um abraço nada carinhoso para a Roma