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terça-feira, 24 de junho de 2008

Com Lippi, com Aquilani?

A Itália encarou a Espanha sem Gattuso e Pirlo, neste domingo. Os dois haviam levado o segundo amarelo contra a França e de uma só vez deixado um buraco no meio-campo azzurro.

No 4-3-1-2 proposto de surpresa por Donadoni depois da queda para a Holanda, o simples seria colocar Aquilani no centro da linha de três, regendo o time com a proteção de Ambrosini e De Rossi - uma releitura do Milan dos últimos dois anos. Mas Donadoni não simplificou. Talvez acuado pelo forte meio-campo espanhol, centralizou De Rossi e optou por Aquilani pela direita. De Rossi, já figura carimbada na seleção, se saiu bem. Já o principino claramente sentiu o deslocamento.

Aquilani surgiu na Roma após se destacar na base como trequartista, um equivalente ao armador brasileiro. Também foi testado como meia externo e jogou até mesmo pela lateral numa partida em que a Roma atuou com três zagueiros. Aquilani só se firmou depois de um empréstimo à Triestina, do qual voltou como regista, um dos dois meias no 4-2-3-1 romanista.

Donadoni não marcou posição. Nem o recuou o suficiente para lhe dar a regência do jogo à Pirlo e nem o adiantou para lhe responsabilizar pela armação. Na prorrogação, Aquilani foi substituído por Del Piero e só não foi o pior em campo graças a um lamentável Toni. Mesmo com a provável troca de comando, Aquilani terá de receber atenção para não deixar a eliminação manchar sua promissora carreira na seleção principal. Que Lippi saiba aproveitar todo seu potencial.

domingo, 22 de junho de 2008

Infidelidade e incoerência?

No último dia dos namorados, um relacionamento já estremecido acabou de se desfazer: Davide Petrucci, classe '91, considerado o principal valor das categorias de base da Roma e apontado pela mídia européia como o sucessor de Francesco Totti, confirmou as expectativas e assinou um contrato profissional com o Manchester United.

Os diabos vermelhos ofereceram 120 mil euros por temporada, o máximo que um clube inglês pode dar por um menor de idade. Os giallorossi responderam com 1.600 euros por mês, o mínimo, e decidiram não aumentar a oferta para evitar problemas com outros garotos que haviam assinado por este valor, principalmente Brosco e D'Alessandro. Além do dinheiro, a Roma também acenou para Petrucci com a possibilidade de uma pré-temporada entre os profissionais já neste verão europeu. Não foi o suficiente para o garoto, de apenas 16 anos.

Também não foi o suficiente seguir o exemplo do Milan. Há um ano, Danilo Petrucci, classe '93, estava para ser dispensado, após quatro anos na base romanista. Mas o irmão mais novo de Davide ganhou uma nova chance de Bruno Conti, no último momento – a prova da verticalização de tal decisão foi o fato de Danilo não fazer sequer uma partida de titular na temporada, em sua categoria. E mesmo o irmão talentoso, Davide, perdeu a condição de titular, à medida que os boatos de uma transferência para o futebol inglês surgiam.

Petrucci não chegou a participar da reta final dos Allievi Nazionali, torneio nacional de jogadores sub-16, que a Inter acabou vencendo na última quinta-feira, após um considerável sprint: na primeira fase, a Roma havia feito uma campanha praticamente irretocável, com 23 vitórias e 74 gols de saldo em 24 partidas. Mas figuras influentes do clube, em especial Bruno Conti e Alberto De Rossi, optaram pelo afastamento do atacante, que marcou 14 gols em 19 jogos – e ainda assim fechou a temporada como o artilheiro dos Allievi.

Após três meses de conversas e especulações, Petrucci acabou confirmando a negociação, o que gerou revolta na Roma. O time da capital deverá ser indenizado em pouco mais de 250 mil euros pela transferência, pelo seu tempo de formação e presença nas seleções italianas de base. Quantia ínfima para mais um "novo Totti". E atitude incoerente a de Sir Alex Ferguson, como atacou Conti: "Se lamenta por Cristiano Ronaldo e depois faz a mesma coisa com Davide. É muito grave".

Ferguson realmente pecou pela falta de consistência em seus ideais. Para se defender das ofensivas do Real Madrid em busca de Ronaldo, o interminável técnico escocês chegou a citar o caso Mexès como um precedente para punir os madridistas, acusados de assediar o jogador. Mas Stefano Petrucci, o pai de Davide, optou por se encantar pela mística de Old Trafford: "Falei com Ferguson como se fosse um amigo. Sabe o que eles dizem de Davide? Que lembra Zidane".

Alberto Aquilani, há sete anos, recusou uma oferta do Chelsea. Os blues ofereciam 120 mil euros líquidos por temporada, moradia, carro com motorista e passagens aéreas para que seus pais lhe visitassem em Londres. Na mesma época, Valerio Di Cesare, promessa da Lazio, optou pelo time inglês, nas mesmas condições. Aquilani, hoje, é uma das bandeiras da Roma. Di Cesare, antes apontado como o novo Nesta, rodou por Avellino, AlbinoLeffe e Catanzaro antes de se firmar no Mantova.

Nem sempre vale arriscar uma carreira por um projeto a curto prazo. Petrucci, de família romana e romanista, estava no vivaio giallorosso há seis anos e, quando mais se aproximou de estrear pelo seu time do coração, o deixou pelo maior algoz da história recente da Roma. Ainda na mira de Manchester e Arsenal estão os meias Stefano Pettinari e Giovanni Cristofari, de apenas quinze anos. É possível que ainda mais litígio venha por aí num futuro próximo.

Escrito originalmente para o Olheiros.net.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Fique de olho: Simon Kjaer

Em menos de uma semana, a torcida do Palermo se viu sem dois de seus principais jogadores de seu período de ouro: os selecionáveis Zaccardo e Barzagli partiram para o Wolfsburg, após uma temporada irregular pelo time rosanero. Suas liberações fazem parte de um projeto de reformulação de um elenco que decepcionou outra vez na Serie A e que tentará voltar aos holofotes na próxima temporada. Um dos carros-chefe da campanha de reforços é o dinamarquês Simon Kjaer. Mesmo com apenas 19 anos, o zagueiro já é apontado como o herdeiro da posição do antigo capitão Barzagli.

Não é difícil apostar em Kjaer, capitão na seleção dinamarquesa sub-19 e uma das grandes esperanças para a reafirmação do país no cenário continental. O camisa 4 se destacou pelo Midtjylland, vice-campeão nacional a ponto de ser apontado o talento do ano, no último mês de novembro. Mas a torcida dos lobos nem teve tempo para aproveitar sua nova jóia. Kjaer, além de ser a revelação da Superligaen, também fez um torneio acima da média pelo seu time, em Viareggio. O que praticamente carimbou seu passaporte para o futebol que conta.

Ascensão meteórica

Sempre destaque nas categorias de base de clubes e soluções, Kjaer estreou pelo Midtjylland em 30 de setembro de 2007, numa partida contra o Aarhus. Já presença constante na base dinamarquesa, despertou o interesse de gigantes do futebol europeu e teve seu nome fortemente ligado ao Liverpool. O ex-atacante Mikkel Beck, agente de Kjaer, soube aproveitar o momento em que Rafa Benítez enviou observadores à Dinamarca: "você percebe o quão especial este garoto é quando o Liverpool o vê e te diz que ele é bom o suficiente para jogar no time principal. Ele é especial como Messi, Rooney, Dos Santos. Lille e Monaco foram os primeiros a mostrar interesse, então o Real Madrid fez uma oferta muito melhor, mas que foi recusada. Ele vale muito mais".

Sua maturidade e seu ótimo porte físico serviram de trampolim para a seleção sub-19, mesmo com dois anos abaixo da idade-limite do selecionado. Per Andersen, técnico da base nacional, bancou a convocação do então garoto de 17 anos: "Simon, ano passado, foi promovido para a sub-19 um ano mais cedo, mas, apesar de sua baixa idade, se revelou um talento fantástico". Pela seleção sub-19, já são nove partidas como titular; pela sub-21, Kjaer também já fez sua estréia.

Sucesso na base escandinava, também não demorou a se firmar em seu clube. Durante a intertemporada, em janeiro último, viajou junto da base do Midtjylland para a disputa do tradicional torneio de Viareggio. Confirmou sua condição de estrela do elenco ao ser o melhor nome de uma campanha não muito convincente, na qual os dinamarqueses saíram com apenas uma vitória: contra o Sansovino, na qual o próprio Kjaer marcou seu gol, de pênalti. Sua boa participação num dos principais torneios de categorias de base do mundo avalizou sua contratação pelo Palermo, menos de quinze dias depois do fim do torneio.

Dá para ir bem?

O jovem zagueiro tem uma ótima impulsão, mas também é inteligente jogando pelo chão. Apesar da boa estatura, também é ágil e apresenta boa técnica em ambos os pés. Apesar de ter fechado sua contratação há quatro meses, o Palermo pediu para Kjaer fosse liberado apenas em julho, após terminar uma temporada pelo Midtjylland. Com tal ação, o clube italiano pretendeu minimizar os efeitos do baque da transferência e dar mais tempo para que o zagueiro ganhe experiência como titular.

Apesar de ser considerado esperança por grande parte da torcida e da mídia, alguns ainda apontam sua contratação como arriscada. Não pelo ato em si, mas pela expectativa que o cerca. Kjaer, segundo o técnico Stefano Colantuono, realmente chega para assumir a titularidade – deverá ter a seu lado o também jovem Andrea Raggi, da seleção olímpica italiana. O técnico deixou de lado a inexperiência do dinamarquês e, em sua coletiva de apresentação, preferiu destacar sua maturidade. Assim mesmo, a falta de algum nome mais experiente lá atrás pode ser um ponto fraco do time, já que o único defensor acima dos 30 anos no elenco é o mediano Giuseppe Biava e as especulações em torno de um novo zagueiro para o Palermo têm sumido da imprensa.

Apostar num time inexperiente pode ser uma armadilha para o Palermo, que está longe de ter o extracampo mais calmo da Itália. As interferências do presidente Maurizio Zamparini no futebol do clube, seja diretamente ou através de declarações ácidas à imprensa, já derrubaram bons projetos. E, até meados de junho, o Palermo faz uma das melhores campanhas de mercado no país, reforçando seus pontos críticos. Mas para um campeonato habituado a jogadores mais experientes, é provável que uma defesa tão jovem seja observada com desconfiança. Até porque Zamparini estará sempre presente para aterrorizar seus próprios jogadores.

Ficha técnica

Nome completo: Simon Kjaer
Data de nascimento: 26/03/1989
Local de nascimento: Forsvar, Dinamarca
Clube atual: Palermo
Clubes que defendeu: Horsens-DIN e Midtjylland-DIN
Seleções de base que defendeu: Dinamarca sub-18, sub-19 e sub-21

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Ainda vai?

Não é impossível que a Itália se classifique para as quartas-de-final da Euro. Se a Holanda levar a sério o jogo contra a Romênia, talvez "baste" vencer a França, na próxima segunda. O caso é que o empate contra a mesma Romênia deixa uma sensação estranha. Não só pelas intermináveis discussões anti-arbitragem.

Ah, Itália...

Braitner: Dois jogos, nenhuma vitória, só um ponto. Pouco pra Itália, muito pra Donadoni.

Mateus: Panucci tem muita estrela, incrível. Aliás, segunda vez que ele salva a pele do Donadoni... Lembra contra a Escócia?

Braitner: O gol da classificação, em Glasgow. E agora, o gol da empate. É demais esperar que um defensor resolva sempre com gols, não? Por mais que esteja sempre marcando, tá longe de ser sua função... Então a gente conclui que tem algos de errado no time do Donadoni. Assim mesmo, no plural.

Mateus: É, ao menos houve algum progresso. Ao contrário do que alguém do SporTV comentou - "não precisava mudar tanto, o time tá bem agora". O amigão só esqueceu que o time tava bem justamente porque tinha mudado.

Braitner: A defesa é essa. Mas finalmente a Itália chega em uma grande competição com muitos problemas na parte de trás. Buffon, de longe o melhor italiano em campo, deve sofrer um bocado com isso. A melhor opção na lateral direita, Panucci, é a salvação da zaga. Com isso, Zambrotta, aquele mesmo que largou seu futebol em Berlim há dois anos, ganha sua vaga fácil. Do outro lado, Grosso não tá tão mal quanto o planejado. No centro, Chiellini é mesmo a melhor opção pra fazer dupla com Panucci. Materazzi e Barzagli não deveriam sequer ter estreado nessa Euro. Donadoni apostou hoje num 4-3-1-2, Perrotta na ligação. É melhor que o 4-3-3 a que o time tava se habituando?

Mateus: Ele apostou?

Braitner: Um all-in. Sacou cinco jogadores, mudou o módulo, meteu todas as fichas pra dentro.

Christian Panucci: outra vez, e literalmente, o salvador da pátria

Mateus: Aquilani ainda de fora... Reserva na Roma e na Azzurra.

Braitner: Na Roma, a desculpa era de que ele nunca se recuperava de uma lesão crônica. Na Itália, isso não pode existir. Montolivo estava entre os pré-convocados. E inteiro.

Mateus: Cassano precisa da titularidade e vice-versa. Ele muda a cara do jogo, faz passes geniais, dribles mirabolantes e todas essas coisinhas legais que dizem que não existe na Itália. Quem eu cortaria é Camoranesi. Nunca fui seu fã quando "jogava muito", quanto mais agora. Atualmente, entre o argentino e Taddei, até escolheria o segundo.

Braitner: Hoje ele saiu no fim do jogo. E entrou Ambrosini, talvez para segurar o resultado, quem sabe. As rádios italianas tocaram Buonanotte all'Italia enquanto ele entrava no gramado. Eu faria meu meio com Aquilani, Pirlo e De Rossi; Cassano na ligação, como hoje.

Mateus: Segurar o resultado? Eu entendi como um meio para liberar mais Cassano, Quagliarella e Pirlo. Claro que entender Donadoni dá medo.

Braitner: Ele, aliás, tá com essa mania de liberar Pirlo. Até mesmo a equipe da Esporte Interativo já entendeu que Pirlo só rende quando joga recuado. Mas Donadoni insiste.

Mateus: Até nem o culpo muito por isso, ao menos nessa situação. Liberar Pirlo é como uma emergência pra quem não tem um trequartista na equipe... Ou ao menos um TREQUARTISTA - em letras garrafais - confiável. Aquilani, na Roma, desapontou em tal posição. Del Piero já o fez inúmeras vezes pela Azzurra, motivo pelo qual foi crucificado injustamente. Perrotta, com esquema e jogadores diferentes, não conseguiria render o que rende na capital.

Braitner: Ele tem Rosina, Giovinco, talvez até Montolivo. Que, claro, não foram convocados. Talvez Donadoni tenha confiado demais num sistema que foi por água abaixo logo depois do primeiro jogo. Não existem muitas alternativas.

Mateus: Considerei só os convocados... E eu também não levaria Giovinco, por mais impressionante que tenha sido sua temporada. Rosina, quem sabe. Não é um craque, mas faz a função com muita qualidade, pelo menos.

Gianluigi Buffon: o melhor italiano em campo, defendeu um pênalti em Mutu

Braitner: O time nem é ruim, longe disso. E os dois jogos da Itália foram bem emocionantes. Falta o que, então?

Mateus: Mas não é porque foram emocionantes que foram bons, oras. De grande nível, ao menos. Mas concordo, tá bem longe de poder ser considerada ruim. É melhor que o da já subestimada Romênia, pelo menos.

Braitner: Faltou criação, até por conta dessa falta de um trequartista nato. Faltou Toni, aquele que sobrava no Bayern. Faltou sorte, quando Lobont agarrou tudo. Da arbitragem, melhor não falar.

Mateus: Mas é melhor falar do Zambrotta. Madonna mia!

Braitner: É melhor nem falar do Zambrotta, na verdade. O horário não permite.

Mateus: Então deixa pra falar disso tudo depois do jogo da França, que por sinal tá perdendo agora. Me fala uma coisa... você torce pra Itália?

Braitner: Tenho uma simpatia que não chega a virar torcida. Mas é inegável que, com a ajuda de Donadoni, a gente poderia ficar mais tempo falando da Euro aqui no blog.

Mateus: A Itália me lembra o nariz do Delpi: é grande, respeitável e experiente. A meta é chegar no nariz do Chiellini: enorme, temível e renovado.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Donna Coni

Nojento. E nem é o gesto...

domingo, 8 de junho de 2008

Em cartaz

Amanhã, às 15h45 no horário de Brasília, a Itália fará a sua estréia na Euro 2008 contra a Holanda. Disso você já deve saber. O que você com certeza não sabe é da rivalidade extrema e até violenta criada pelas duas seleções. Tal fato animalesco deve-se à forte e escandalizante declaração do comandante italiano Roberto Donadoni, que causou estardalhaço e quase parou o torneio. Os jornais mais importantes do mundo e que dirigem algum espaço à competição consideraram a fala do técnico da Azzurra como ofensiva e desrespeitosa. Você pode conferí-la abaixo:

"Estou confiante"*
Donadoni, Roberto - 08/06/2008.

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Ok, depois da babaquice acima que foi extremamente útil para encher lingüiça, vamos aos verdadeiros e pertinentes fatos preparatórios para o jogo de amanhã, que marcará um reencontro entre as duas ex-lendas do Milan e hoje no comando de suas respectivas seleções.


Quais são os desfalques?
Depois da lesão de Cannavaro - prontamente substituído por Gamberini -, nenhum. Após um susto no joelho há três dias, Panucci está recuperado e pronto para entrar em campo. Camoranesi, que havia sofrido uma forte dor de cabeça ontem, também estará apto para a partida.

Qual deve ser a escalação?
Depende. Não há muitas certezas. Do grupo abaixo, só uma insanidade mental de Donadoni mudaria o trio mais ofensivo da equipe. Outra opção improvável seria a entrada de Chiellini na zaga. Se Zambrotta não alinhar, será a primeira vez que nenhum dos jogadores do "trio Vannucci" (Cannavaaaaaro, Toooootti, Zambroooootta) participa de uma partida com a Azzurra. A braçadeira de capitão passará a ser usada - e muito bem representada - pelo arqueiro Buffon.

Itália (4-3-2-1): Buffon; Panucci (Zambrotta), Barzagli, Materazzi, Zambrotta (Grosso); Pirlo, Gattuso, De Rossi (Ambrosini); Camoranesi, Di Natale; Toni.

Com Panucci, a defesa ficaria mais protegida, porém o setor ofensivo perderia qualidade com os cruzamentos rifados do terzino romanista, bem como na falta de apoio a Camoranesi. No miolo de zaga, a fase ruim (e longa) de Materazzi preocupa. A fase de Barzagli - esta desde nascença -, também é motivo de desconfiança. Na faixa central do gramado, seria desmotivante não ver De Rossi de titular. Além de ser mais completo que o utilíssimo e subestimado Ambrosini, o novo camisa 10 realizou em 2007/08 a melhor temporada de sua vida.

E o adversário?
Sem Robben, machucado (pleonasmo?), e com a condição física precária de Van Persie - que deve começar no banco - é provável que seja o grosso batalhador Kuyt a iniciar jogando. Lembrando que a Holanda já havia perdido Ryan Babel, lesionado antes do início da competição. O meio está bem representado com Van der Vaart e Sneijder, mesmo não tendo Seedorf e Van Bommel à disposição no torneio. A dúvida fica na escalação do multi-uso De Jong na posição brasileiramente conhecida como volante.

Holanda (4-2-3-1): Van der Sar; Ooijer, Heitinga, Mathijsen, Van Bronckhorst; De Zeeuw (De Jong), Engelaar (De Jong), Sneijder, Van der Vaart, Kuyt (Van Persie); Van Nistelrooy.

O que se pode esperar de Cassano nessa Euro?
Hahahahaha, essa foi boa! Próxima...

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* - Ao menos a parte da declaração é séria, clique aqui.

15 revelações da Serie A - 2007/08

Escrito originalmente para o Olheiros. Para ler o texto todo, clique aqui.

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Não é algo corriqueiro surgir uma grande revelação na Itália. Proteções excessivas, cuidados freqüentes e escassas oportunidades são só alguns dos motivos que levam os garotos a, mesmo esbanjando potencial, serem contidos pelo tempo. São muito raros os pequenos fenômenos, como Balotelli - de ainda 17 anos -, surgirem e estourarem com tamanha rapidez. O processo mais comum nessas situações é, como feito com Alberto Aquilani há três anos, o jogador ser emprestado a uma equipe menor para retornar mais maduro e experiente. Para comprovar tal proteção e demora – que muitas vezes é benigna -, basta ver que de todos os nomes dessa relação não há sequer um italiano convocado para a seleção principal, muito menos para poder pensar em disputar a Euro 2008.

Antes de citar alguns nomes e torneios, é importante explicar as categorias dos campeonatos de base na Itália: há os Allievi Nazionali, que englobam os jogadores de até 16 anos, e o grupo Primavera, que enquadra atletas de até 20 anos. Tomando conhecimento destes termos, fica mais fácil analisar os saltos de qualidade que alguns jogadores atingem. Para um participante da categoria Primavera estourar entre os profissionais é muito difícil e incomum. São poucos os casos de um jogador que, após uma emergência na equipe principal, saia da base para arrebentar na Serie A. Por isso que Balotelli e Paloschi impressionam tanto pela personalidade na divisão de elite. Nem o craque Del Piero, por exemplo, teve aparições de tamanho impacto tão cedo assim.


Além dos garotos apontados no texto, vale destacar também a participação de outros dois jovens (menos jovens do que os nomes a seguir). A menção é para Gökhan Inler - da Udinese -, e Walter Gargano - do Napoli -, ambos classe 84, que desembarcaram na Itália nesta temporada para impressionar os nativos da velha bota. Há também casos de jogadores que decepcionaram, ou que ao menos esperava-se mais, cada qual com suas razões. Daniele Dessena, uma das principais jóias do Parma, realizou um campeonato muito aquém das expectativas. Vitorino Antunes e Marco Andreolli, da Roma, sofreram por falta de oportunidades; o máximo obtido foi quando o primeiro alinhou algumas vezes na Coppa Italia, enquanto o segundo também batalhou contra as lesões, sendo inclusive cedido ao Vicenza por empréstimo.

Vale mencionar também, claro, alguns calciatori da Serie B; como Francesco Lodi (classe 84), nome freqüente de qualquer seleção de base italiana, que deu vísiveis sinais de melhora em relação à forte expectativa sobre suas costas: em sua segunda temporada pelo Frosinone, o meio-campista balançou a rede vinte vezes em 40 partidas. Alessio Cerci (classe 87), chamado de “Henry do Valmontone” e volta e meia comparado a Francesco Totti, foi emprestado da Roma ao Pisa para brilhar na posição de meia-direita. O romano Andrea Russotto (classe 88), mais uma vez, fez um grande ano pelo Treviso, clube pelo qual seu destaque rende diárias especulações de transferências. Simone Bentivoglio (classe 85), meio-campista das seleções de base vinculado à Juventus, também merece ser lembrado por suas efetivas prestações pelo Chievo.

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domingo, 1 de junho de 2008

Será que agora vai?

Após "apenas" três anos na Serie B, o cheio de história Bologna está de volta à Serie A. Esse apenas deve-se ao fato de que das duas outras vezes em que o Bologna deixou a série máxima do futebol italiano, ele acabou caindo para a terceira divisão, e teve o seu retorno adiado por no mínimo cinco anos. Desta vez, porém, foi diferente. Depois de ter ficado na 18ª colocação (perdeu no desempate contra o Parma) na temporada 04/05, o time emiliano fez boas campanhas na Serie B, quase chegando entre os qualificados para o playoff nos dois anos seguintes (8º e 7º lugares). E conseguindo na temporada atual a sua volta à elite de forma direta, sem precisar do playoff.

O fato consolidou-se neste domingo, após a vitória por 1-0 contra o Pisa, com gol de Marazzina (aquele mesmo) - um dos pilares da campanha rossoblù. Foi seu 23º gol na stagione, desta vez, diante de um estádio completamente lotado, relembrando os tempos de glória da squadra. Três rodadas antes, o time estava praticamente desacreditado na briga pela ascensão direta, após perder por 3-0 para o Grossetto e ocupar a 4ª colocação. Mas para satisfação dos torcedores, a squadra venceu suas últimas três partidas e pôde comemorar sossegada.

Comemoração essa que continuou após o jogo, na Piazza Maggiore. O ônibus do time parou por lá e teve direito até a entoação de coros por parte dos jogadores junto à torcida. Felizmente, tal comemoração foi pacífica, diferentemente de quando o Bologna retornou à Serie A anteriormente, em 1996. Fica apenas o problema do lixo e das centenas de garrafas pelo chão, uma vez que bebida é o que não faltou. Resta agora a dúvida se o Bologna vem para ficar de vez na Serie A: tradição para tal o time tem, com 7 Scudetti, sendo o 5º time com mais títulos nacionais (empatado com Torino e Pro Vercelli). A outra equipe com ascensão já garantida é o Chievo.

Lecce, Albinoleffe, Brescia e Pisa disputam a útima vaga no playoff.

De Foggia a Quagliarella

Na temporada 2005-06, uma das maiores revelações européias foi o esterno Pasquale Foggia. Formado nas categorias de base do Milan, Foggia já tinha uma longa trajetória pelas seleções amadoras italianas. No modesto Treviso, havia assumido a condição de titular aos 17 anos e assim permanecido por três anos. No último destes, foi comandado por Marco Giampaolo. Negociado com o Empoli, o franzino Foggia não conseguiu se firmar na Serie A e parecia fadado ao fracasso. Até o Ascoli de Giampaolo investir em seu empréstimo junto ao Milan, em 2005.

Nesta mesma época, Fabio Quagliarella já era tido como uma promessa perdida. Revelado pelo Torino, nunca conseguiu seu espaço na equipe principal. Foi preterido até mesmo na Fiorentina, então na Serie C2, que o dispensou na metade da temporada. De volta ao Toro, foi peça-chave do time no retorno à Serie B, mas Quagliarella teve de sair junto da primeiro proposta, graças às frágeis condições financeiras dos granata. A Udinese pagou e o emprestou para o Ascoli.

Mesmo com tudo apontando para o desastre, Marco Giampaolo montou um time baseado em dois jovens de apenas 22 anos. Uma aposta bem arriscada, mas que no fim deu certo. O simpático Ascoli passou de rebaixável a sensação e terminou o campeonato à frente de clubes tradicionais como Udinese e Sampdoria, fora o futebol chamativo. O futuro dos dois, é claro, voltaria a prometer.

Quagliarella foi chamado de volta pela Udinese, mas logo metade de seu passe foi negociado com a Sampdoria. Depois de um início claudicante, durante a temporada o "homem do queijo" deu a volta por cima com belas jogadas e vários golaços. Ao fim da temporada, a Udinese o resgatou para outro começo complicado e conseqüente afirmação. Efetivado no centro do ataque friulano, Quagliarella reencontrou os gols e o bom futebol, chegando à seleção de Donadoni.

Já Foggia até voltou para o Milan com uma certa pompa, mas foi negociado com a Lazio durante a pré-temporada. Indisciplinado, foi repassado à Reggina em janeiro e no fim da temporada já era considerado grande decepção. Até que Giampaolo voltasse à cena. Emprestado ao Cagliari, os problemas extra-campo continuaram pipocando, mas, dentro deste, foi peça-chave de uma salvezza inesperada, chegando a lutar por vaga na seleção italiana. Foggia ainda pertence à Lazio e seu futuro é uma incógnita. Mas já surgiram as especulações de que Giampaolo será seu técnico - pela quarta vez.

Na próxima temporada, o técnico comandará o Siena, e Foggia já é apontado como possível reforço do clube toscano. Uma das principais surpresas do campeonato, o Siena deixou de lado alguns dos "senadores" e apostou em sangue novo, com resultados superando as expectativas. Rossettini foi uma grata surpresa do time, De Ceglie convenceu atuando pela faixa esquerda e Galloppa liderou um forte meio-campo. O último, de passagem apagada no Ascoli, ainda tem metade de seu passe pertencente a Roma e não seria de surpreender se já em setembro fardasse em giallorosso. Sua performance nos Jogos Olímpicos, para o qual sua convocação é dada como certa, será crucial para seu futuro.

Outro nome fácil para Pequim é o de Riccardo Montolivo. O único da lista de pré-convocados de Donadoni a ser cortado, o regista bergamasco deverá aproveitar o período da Euro como descanso para as Olimpíadas. Na verdade, seu nome só surgiu entre os possíveis 23 graças aos problemas físicos de gente como Aquilani e Perrotta, que corriam risco de ser cortados. Montolivo teve outro grande ano pela Fiorentina e suas intervenções na Copa da Uefa foram fundamentais. No 4-3-2-1 proposto por Casiraghi, deverá atuar como Pirlo o faz no Milan, protegido por Nocerino e um entre Dessena e Galloppa.

Apesar da tenra idade, Montolivo deverá dar um bom toque de experiência à equipe: já calejado, o meia viola tem mais de 120 partidas pela Serie A. Por outro lado, o ponto de desequilíbrio da seleção é o comando do ataque. Osvaldo tem sido utilizado mais recuado, Acquafresca subaproveitado e Pellè confirmou as expectativas de quem esperava um foguete molhado. O que pode fazer com que ninguém menos que Inzaghi seja um dos três fuoriquota em Pequim. Para quem ficou de fora da Euro, ter a chance de um ouro olímpico que não vem desde 1936 seria uma despedida importante da camisa azzurra.

*Originalmente para o Olheiros.