Subscribe Twitter Facebook

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Quase inédito

Depois de ver sua Roma ser eliminada pelo Manchester United nos dois últimos anos, Bruno Conti deve ter respirado aliviado no sorteio dos grupos da Liga dos Campeões, ocorrido agora há pouco em Mônaco. Os giallorossi ficaram no grupo A, o mais brasileiro entre os oito da primeira fase. São dezesseis jogadores: dois no Chelsea, quatro no Bordeaux, três no CFR Cluj e mais sete na própria Roma - além, claro, do técnico Luiz Felipe Scolari e da cada vez mais provável chegada de Robinho aos blues.

Juve e Inter já venceram o troféu duas vezes; Fiorentina e Roma não passaram do vice

De seu grupo, a Roma só não tem histórico contra o romeno Cluj, estreante na fase final da Liga dos Campeões. Contra o Bordeaux, jogou as oitavas-de-final da Copa da Uefa 1990-91 e com um retumbante 5 a 0 no Olimpico não teve dificuldade para ir às quartas. Já contra o Chelsea, más lembranças. O último encontro oficial entre as equipes foi em 1965, pela primeira fase da extinta Copa das Feiras, na qual os ingleses eliminam com facilidade a Roma. As duas equipes também fizeram um amistoso em julho de 2004 que acabou se transformando numa batalha campal. O Chelsea venceu por 3 a 0, mas a partida ficou marcada pela briga entre Dacourt, Mexès, Kezman e Robben.

Gosto de reencontro também no grupo H: a Juventus terá pela frente o Real Madrid. As duas equipes já se enfrentaram dez vezes pela Liga dos Campeões. Em 1961-62, o Real tirou a Juve nas quartas-de-final, após uma vitória para cada lado e um play-off favorável aos espanhóis. Nos pênaltis, o Real repetiu o feito nas oitavas da temporada 1986-87. O Real também se deu melhor na final de 1997-98, disputada em Amsterdã: com um gol de Mijatovic, o venceu seu sétimo título da competição e se pôs à frente no confronto direto. Foi a vingança à classificação bianconera nas quartas da Liga de 1995-96, a qual a Juventus encerrou como campeã. No último confronto, em 2004-05, a Juve venceu os madrilenhos nas oitavas. Contra Zenit e BATE, a vecchia signora jamais jogou.

Ravanelli marcou no último título da Juventus na competição, em 1996

Mourinho teve motivos de sobra para comemorar o grupo B: contra Werder Bremen, Panathinaikos e o estreante Anorthosis, ultrapassar a fase de grupos na liderança é obrigação. A Inter cruzou com os alemães na fase de grupos da temporada 2004-05, vencendo no Meazza e empatando fora de casa. Os demais confrontos são inéditos, assim como todos os da Fiorentina. Os viola, que enfrentarão seu ex-artilheiro Luca Toni, não têm o que comemorar. Por pouco o reencontro já não foi feito na final da última Copa da Uefa, quando tanto Fiorentina quanto Bayern foram eliminados nas semifinais. Além das duas equipes, Lyon e Steaua completam o grupo F. A final desta edição está marcada para 27 de maio de 2009, em Roma.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Fique de olho: Fernando Forestieri

Fato: comparações com Alexandre Pato já encheram. É só alguém estourar bem antes do normal (ou nem isso) que já surge o nome do ex-colorado como base. Não que outras comparações, de um modo geral, sirvam para muita coisa senão para pressionar o atleta. Entretanto, essa relação de Fernando Forestieri com o jogador paranaense do Milan não surgiu por acaso. No êxtase das equipes italianas de tentar responder à equipe milanista com um jovem à altura do brasileiro, surgiu o nome do italiano que, na verdade, é tão sul-americano quanto Pato. Porém, ainda antes do mundo conhecer o garoto vindo de Pato Branco, Forestieri já era comparado com um explosivo e promissor conterrâneo: Lionel Messi.

Origens
Nascido em Rosário, bem como o craque e agora campeão olímpico do Barcelona, Forestieri começou a sua trajetória nas categorias de base do Newell’s Old Boys, em 2003. Entretanto, o Boca Juniors decidiu buscá-lo ainda no mesmo ano e, por simples U$50 mil, o filho de italianos assinou com a equipe de Buenos Aires. Lá, mesmo extremamente novo, Fernando fez o necessário para atrair a atenção de alguns clubes europeus com suas jogadas ágeis e explosivas. Em janeiro de 2006, com apenas 16 anos, o ítalo-argentino se envolveria então em uma polêmica que os Xeneizes se lamentam até hoje: outra perda de uma estrela em potencial. Depois do pai do jogador receber uma oferta de trabalho na Itália, seguida da proposta ao filho de atuar pela equipe Primavera do Genoa, a família Forestieri acabou se mudando para a bota.

Embolado em um monte de polêmicas contratuais envolvendo as duas equipes, sobre as quais não vale muito a pena se estender, Fernando só foi totalmente legalizado como um atleta do Genoa seis meses depois. Em julho de 2006, Forestieri disputou suas primeiras partidas com a camisa rossoblù, entrando em campo em alguns amistosos de pré-temporada. No final do ano, Fernando fez a sua estréia oficial com os Grifoni num jogo perdido de Copa da Itália contra o Empoli. Ainda com 16 anos, foi chamado para a seleção sub-17 da Itália, à qual se dirigiu com muita vontade, visto que era aquilo que ele e sua família desejavam. Para o jogador, morar na Itália era praticamente um símbolo de segurança, levando-se em conta que seu irmão havia sido baleado na Argentina anos antes.

Logo no início de 2007, Forestieri conseguiu provar o seu valor. Em seu primeiro jogo oficial na Serie B, na derrota de 2 a 1 ante o Pescara, marcou o gol de honra do Genoa, que o preparou devidamente para o Torneo di Viareggio (ou Coppa Carnevale), tradicionalíssima competição de base disputada na Itália. Neste mesmo torneio, jogado pouco mais de um mês depois de seu primeiro gol profissional, Fernando foi nada menos que o melhor jogador da copa, levando os rossoblù ao seu segundo título.

Siena e futuro
Rápido, arisco e habilidoso, Fernando Forestieri de fato lembrava Lionel Messi. Versátil que poderia atuar tanto pela esquerda quanto de meia avançado e segundo atacante, o ítalo-argentino não disputaria mais nenhuma partida oficial na temporada 2006/07. Valorizado, foi então cedido em co-propriedade ao Siena, clube que – em tese – seria um dos degolados da divisão máxima italiana. Sem ser titular da equipe, porém mantendo um papel importante de rotatividade e profundidade no elenco, a época 2007/08 projetou nacionalmente o garoto e, aí sim, surgiram as comparações com Alexandre Pato, vindas inicialmente de seu empresário. O rosarino ainda balançou as redes uma vez, logo contra a imbatível Inter, em casa. Não havia nada que reclamar do pequeno (1.72 m) atleta. Totalizou, então, oito partidas com a sub-17 italiana, marcando agradáveis cinco gols. Era hora de rumar para a sub-19.

Depois de atrair os holofotes de seu novo país com o Siena e marcar três gols em nove partidas com este mais novo degrau da base azzurra, Forestieri chegava motivado ao Europeu sub-19 da UEFA, realizado na República Tcheca. Vestindo a camisa dez, Fernando marcou o gol decisivo da passagem da seleção à final do torneio contra a Hungria, nas semifinais, curiosamente na única partida em que não começou jogando. De papel importante na competição – perdida na finalíssima contra a Alemanha – o ítalo-argentino tinha mais um motivo para criar altas expectativas. Após o torneio, foi completamente resgatado pelo Genoa, que, porém, o fez voltar ao Siena, desta vez por empréstimo.

O que esperar
Pelo mostrado até agora, Forestieri é um jogador no qual se pode depositar uma grande confiança. Muito ágil e difícil de ser marcado, é raro encontrar alguém que crie tamanha confusão nas defesas adversárias da Serie A com apenas 18 anos de idade. O empréstimo ao Siena – ou seja, seu retorno aos bianconeri - foi um movimento perfeito de mercado, pois o fará se desenvolver sem pressa e, principalmente, sem pressão. Lá, poderá seguir em processo de evolução constante para, quem sabe, chegar ao nível de outros sul-americanos tão jovens quanto. Enquanto isso não acontece – ou então se não acontecer – paramos nas comparações.

Ficha técnica
Nome completo: Fernando Martín Forestieri.
Data de nascimento: 15/01/1990.
Local de nascimento: Rosário, Argentina.
Clubes que defendeu: Genoa, Siena.
Seleções de base que defendeu: Itália sub-17 e sub-19.

Originalmente para o Olheiros.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Acabaram as Olimpíadas, né?

Quando era só o ídolo-mito-dono-semi-deus-capitão da Roma acertar a bola nas redes, eis que um travessão foi quase rachado por um petardo sem coordenação. Juan, comovido, devolveu a bola para as mãos do conterrâneo da equipe adversária e Zanetti, explosivo, deu o título (sic) à merecedora Internazionale.

---

- Primeiro tempo só da Inter. Após fazer 1 a 0 com Muntari, logo depois de uma tentativa de gol contra sem êxito de Mexès, a Roma se perdeu em campo. Com Perrotta e Aquilani totalmente deslocados e Baptista apagado, sobrou para Pizarro - e isso vale um registro histórico - comandar o time.

- Entretanto, o chileno com formato de barril poderia ter sido expulso ainda no primeiro tempo. Um pouco depois dos trinta minutos, já com amarelo, passou o rodo em Ibrahimovic e, se já não estivesse pendurado, com certeza o seria.

- Mancini, vaiadaço e sumido, não apareceu na partida. Será que ele sentiu pressão?

- Os visitantes acharam um gol na paulada de De Rossi. Após uma partidaça de Winning Eleven, o meio-campista encheu o pé com o quadrado a 30 metros da meta, tiando do arqueiro. Caso o momento espírita não caísse nos pés do capitan futuro, seria bem mais provável que a Inter ampliasse o marcador, tendo em vista as condições técnicas, psicológicas e físicas da partida.

- A Inter, num rebosteio inexplicável da defesa romanista, chegou ao segundo gol de forma absurda. Imagina se seu time, que disputa o campeonato Martelão Açougues 2008, toma um gol após lançamento de goleiro que chega diretamente ao atacante. Caso você fosse o responsável pela catástrofe, seria prontamente arrebentado. Como isso acontece com jogadores profissionais*?

- Os giallorossi foram para cima e, depois da entrada de Totti e Chuka Haneef Park Okaka, chegaram ao empate no finalzinho com uma sorte tremenda. Se o primeiro gol foi uma obra do Winning Eleven, o segundo foi - sem dúvidas - um bônus 4x do Pinball.

- Balotelli estava em campo com uma claríssima agressividade peculiar. O garoto, que entrou no segundo tempo e fez o segundo gol dos donos da casa, também levou amarelo por quase rasgar a camisa de Okaka Park.

- Cassetti foi outro que poderia muito bem ter sido enviado para o chuveiro mais cedo, pelo mesmo motivo de Pizarro: um amarelo e outra falta digna de tal.


Okaka subindo para cabecear e utilizando os braços

* - jogadores PRO-FIS-SIO-NAIS numa rádio CA-TÓ-LI-CA.

domingo, 24 de agosto de 2008

Olhando para trás

Anthony Vanden Borre, Salvatore Bocchetti e Sokratis Papasthopoulos. Em comum entre os três, o fato de serem defensores contratados pelo Genoa, na última janela de mercado, para a próxima Serie A. No time grifone a situação é mais clara, mas o investimento em jovens para o setor defensivo não deixa de aparecer também em outros clubes da primeira divisão italiana.

O belga, lateral-direito de origem, deve ser utilizado na direita pela zaga a três do técnico Gian Piero Gasperini. Sensação do Anderlecht por vários anos, Vanden Borre fechou com a Fiorentina na última temporada, mas jamais alcançou a titularidade, com apenas dois jogos durante sua passagem. Bocchetti foi titular da Itália na última Olimpíada, após se destacar pelo Frosinone na Serie B. E o grego Papasthopoulos, ou simplesmente Sokratis para a mídia e a torcida locais, chegou ä seleção neste ano após uma ótima temporada pelo AEK, de Atenas.

O trio terá a companhia de Domenico Criscito, prata-da-casa com seus direitos federativos ligados ä Juventus. "Mimmo" chegou ao clube em janeiro e logo conquistou seu lugar na defesa, que, pelo menos em tese, deve manter em 2008-09. O grupo de jovens terá a companhia do experiente Matteo Ferrari, recém-saído da Roma após não ter seu contrato renovado. O ex-zagueiro da seleção italiana chega para dar o toque de experiência necessário para equilibrar o setor, ponto fraco na equipe na última campanha.

O plano do Genoa rompe com o tradicionalismo vigente na Serie A que prega um enorme cuidado com as promessas dos clubes da primeira divisão. Com o imediatismo da torcida contornado fora do eixo dos gigantes italianos, o maior tempo de trabalho tido pelos técnicos com os jovens jogadores tende a crescer. Não só isso. A melhor condição para o desenvolvimento físico do jogador também é ponto fundamental dessa nova oportunidade que os jovens parecem ter conquistado para a próxima temporada.

Além do clube de Gênova, outros times “menores” também fazem algumas apostas interessantes para suas defesas. A principal delas recai sobre o lateral-direito colombiano Juan Camilo Zúñiga, já presença constante nas listas recentes de convocações de sua seleção e que tende a ocupar a vaga deixada pelo veterano Valerio Bertotto, freqüentemente utilizado como zagueiro nos últimos jogos deste ano. Sua chegada também mostra a decepção sobre Luca Rossettini, que chegou da base alvinegra mas ainda não conseguiu se firmar como opção confiável.

Alguns outros nomes devem se tornar comuns aos ouvidos dos torcedores mais atentos: o uruguaio Miguel Ángel Britos, contratado pelo Bologna junto ao Montevideo Wanderers; o dinamarquês Simon Kjaer, ex-Midtjylland e novo reforço do Palermo; o argentino Jonathan Bottinelli, revelado pelo San Lorenzo e contratado pela Sampdora; e o sérvio Dusan Basta, multicampeão com o Estrela Vermelha em seu país, com passagem por Copa do Mundo e candidato a surpresa na Udinese.

Se a última convocação da seleção italiana (a primeira de Lippi) gerou tanta controvérsia quanto aos nomes da defesa, estas novas chegadas podem ser um bom começo para que algo vingue e a seleção italiana retome sua condição de casa dos melhores defensores do mundo. Ou pelo menos recupere o orgulho nacional proveniente das boas defesas de seu campeonato nacional.

Escrito originalmente para o Olheiros.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Amarcord

A temporada italiana se abre oficialmente neste domingo, com o confronto entre Inter e Roma pela Supercoppa. Na decisão deste ano, o luto deve prevalecer do lado giallorosso, que perdeu seu presidente nesta semana. A última partida do time sem Franco Sensi no comando foi no longínquo 7 de novembro de 1993.

O confronto tem se tornado rotineiro entre as duas equipes, que disputarão a terceira Supercoppa seguida entre si como um tira-teima: em 2006, a Roma abriu 3 a 0 antes de levar a virada e ver o troféu continuar em Milão; em 2007, um pênalti cobrado por De Rossi vingou o time da capital.

Até a noite desta quinta-feira, o provável time a ser escalado por Mourinho passa por Júlio César; Maicon, Rivas, Burdisso, Maxwell; Zanetti, Cambiasso, Muntari (Stankovic); Figo, Ibrahimovic, Mancini. A Roma de Spalletti deve responder com Artur; Cicinho, Mexès, Juan, Tonetto (Riise); De Rossi, Pizarro; Perrotta, Aquilani, Vucinic; Júlio Baptista.

Para começar a nova temporada, vale enterrar de vez a passada, numa passada rápida por quem se destacou na Serie A 2007-08. Ou, em bom português, um balanço rápido com considerável atraso. Agradecimento especial ao pessoal que votou em cada uma das categorias - seus nomes seguem numa lista ao fim do post. E a Arthur Fujii, do blog Desenhos FC, que topou fazer a charge da seleção do campeonato.

Melhor jogador: Zlatan Ibrahimovic (Inter)
Na falta de Ibrahimovic, ficou óbvia sua importância. Nos doze jogos (a maioria no fim do segundo turno) em que o sueco ficou de fora, a Inter teve um aproveitamento de 66,7% de seus pontos e permitiu uma perigosa aproximação da Roma. Na prática, a "Ibradependência" toma o lugar da famigerada "Tottidependência". Nos treze jogos sem o capitano romanista em campo, a Roma jamais foi derrotada e conseguiu 79,5% de seus pontos - curiosamente, aproveitamento maior que o da Inter com o sueco. Por sorte, Ibra retornou na última rodada, após dois meses parado: marcou os dois gols da vitória sobre o Parma, rebaixou o adversário e garantiu o scudetto para a Inter. Alessandro Del Piero (Juventus) e Daniele De Rossi (Roma) também foram citados.

Melhor técnico: Cesare Prandelli (Fiorentina)
Foi um ano de altos e baixos para Prandelli. Na temporada em que perdeu sua esposa Manuela, gravemente doente desde 2004, o técnico viola comandou pela primeira vez uma campanha rumo à Liga dos Campeões (ou pelo menos a primeira vaga que não foi retirada com as punições pós-calciopoli) após três temporadas superando expectativas em Florença. Com mais três anos de contrato, Prandelli ultrapassou de vez a fase de expectativas, já é realidade e figura entre os técnicos mais badalados do cenário nacional. Walter Mazzarri (Sampdoria), Luciano Spalletti (Roma) e Davide Ballardini (Cagliari) também foram citados.

Melhor contratação: Marek Hamsík (Napoli)
Revelação: Marek Hamsík (Napoli)
Eleito a revelação e a melhor contratação da temporada, dá para ter uma noção do bom futebol apresentado pelo eslovaco Hamsík, que veio do Brescia em junho por €5,5 milhões de euros. Meia técnico, tem no passe e nos lançamentos seu ponto forte. Ambidestro, também bate muito bem pro gol e se movimenta bem pelo meio-de campo. Chegou já convencendo e renovou seu contrato até 2013. Na categoria de "melhor contratação", também foram mencionados Marco Borriello (Genoa), Antonio Cassano (Sampdoria), Gökhan Inler (Udinese), Alexandre Pato (Milan), Juan (Roma), Luis Jiménez (Inter) e Pablo Osvaldo (Fiorentina). Na de "revelação", também tiveram votos Mario Balotelli (Inter), Sebastian Giovinco (Empoli), Robert Acquafresca (Cagliari) e Gökhan Inler (Udinese).

Pior contratação: Tiago (Juventus)
Se em algum momento a votação chegou perto de uma unanimidade, foi nesta categoria. Apenas cinco votantes do nosso colégio eleitoral não escolheram o meia português que custou absurdos €13 milhões para não fazer sequer uma partida decente - votos destinados para Almirón (também da Juventus) e um trio do Milan: Ibrahim Ba, Emerson e Ronaldo.

Decepção: Milan
Na categoria aberta para jogadores e times, sobrou pra muita gente. O Milan, quinto colocado na Serie A e relegado à disputa da Copa da Uefa, venceu a votação, que ainda teve, outra vez, Tiago (Juventus) e Ronaldo (Milan). O Palermo, que desta vez contou com Amauri por toda a temporada, também foi mencionado mais de uma vez. A Lazio e o Torino também foram escolhidos pelos votantes. Entre os outros jogadores, dois romanistas: Mauro Esposito e Mancini.

Surpresa: Siena
Totalmente aberta, eis a mais indefinida das categorias. O Siena contou três dos 19 votos para vencer. Entre os times, Sampdoria, Napoli, Fiorentina e Cagliari. Entre os jogadores, Antonio Cassano (Samp), Marco Borriello (Genoa), Sebastian Giovinco (Empoli), Julio Cruz (Inter) e até mesmo Alessandro Del Piero (Juventus). Até a "indefinição até a última rodada" teve seu voto.

Seleção do campeonato
De pé
Júlio César (Inter), Panucci (Roma), Gamberini (Fiorentina), Juan (Roma), Vargas (Catania), De Rossi (Roma).

Agachados
Cambiasso (Inter), Cassano (Sampdoria), Del Piero (Juventus), Mutu (Fiorentina), Ibrahimovic (Inter).

Reservas
Frey (Fiorentina), Zanetti (Inter), Zapata (Udinese), Hamsík (Napoli), Doni (Atalanta), Di Natale (Udinese) e Borriello (Genoa).

Votantes
Cassiano Ricardo Gobbet (Trivela)
Dassler Marques (Olheiros, Máquina do Esporte)
Eder Fantoni (Loucos pelo Calcio)
Gian Oddi (iG, A Bola na Bota)
Gustavo Vargas (Olheiros)
Filipe Lima (Blog do Filipe Lima)
Henrique Moretti (Fanáticos por Copa)
Leonardo Bertozzi (Trivela, Futebol Europeu)
Marcus Alves (Olheiros)
Michel Costa (Além das Quatro Linhas)
Roberto Piantino (Mercado Futebol)
Rodolfo Moura (Calcio Serie A)
Silvio Lancellotti (ESPN Brasil)
Ubiratan Leal (Trivela, Balípodo)
e a equipe do blog.

PS: o título do post remete a um filme dirigido pelo genial Fellini, na década de 70. Com um quê de autobiográfico, Amarcord deriva de "a m'arcord", que no dialeto romanholo significa "io mi ricordo", ou simplesmente "eu me recordo".

Praticidade

O nome do blog não é lá muito fácil, a gente admite. Então para você, leitor, que tanto se esforça para lembrar quantas letras T possui nosso endereço, nada melhor que uma incrível facilidade.

Nada de RSS, coisa do passado. Basta colocar seu e-mail na coluna aí da direita e receber, na praticidade de sua caixa de mensagens, todas as novas postagens do blog. A gente posta aqui e chega pra você junto do pãozinho, no máximo até as nove da manhã do dia seguinte. E sem spam.

É magia? É feitiçaria? Não, é tecnologia!

domingo, 17 de agosto de 2008

Luto

Adeus a Franco Sensi, histórico presidente da Roma, morto na noite deste domingo, aos 82 anos. Sensi estava internado há quatro dias no hospital Agostino Gemelli, na tentativa de se recuperar de problemas respiratórios.

Francesco Sensi (29 de julho de 1926 - 17 de agosto de 2008)

Sensi chegou ao comando da Roma em novembro de 1993, ao alcançar o controle acionário da sociedade. Além de presidente do clube da capital, foi por muitos anos nome importante da economia italiana, como empreendedor nos campos petrolífero e editorial. Há alguns meses, foi homenageado pela Università degli Studi di Roma com o prêmio "Ética no Esporte", um reconhecimento a seus valores no comando do clube giallorosso.

Ao futebol italiano, Sensi deixa os resquícios de uma vida cheia de batalhas e ideais, muitas vezes encaradas sozinhas, sem medo ou arrependimentos. À Roma, um scudetto inesquecível. Pois, mais que um presidente, Franco Sensi era um apaixonado por seu time de infância. Em 93, assumiu um clube cadavérico, o salvou da falência e transformou numa bandeira da luta contra o sistema Moggi.

Nos últimos anos, sua filha Rosella substituiu o pai nas questões financeiras, como administradora delegada do clube. Durante os quase 15 anos da gestão Sensi, maior da história do time capitolino, a Roma conquistou um campeonato italiano (o terceiro de sua história), duas copas e outras duas supercopas. Não é a perda de um clube, mas sim a de todo o futebol.

Um ano para se esquecer

No Olheiros, a cobertura do futebol masculino na Olimpíada de Pequim.

--

Uma derrota merecida e uma eliminação justa, que não dá margem para chorar por um gol mal assinalado para o adversário. Assim a Itália deixa os Jogos Olímpicos. Após decepcionar no Europeu Sub-21 do ano passado, o time italiano conseguiu bons resultados e, aos poucos, se colocou entre os favoritos do torneio. As sólidas exibições na fase de grupos, mesmo que contra as frágeis Coréia do Sul e Honduras, também serviram para elevar a moral e firmar o time de Casiraghi como potencial medalhista.

Giovinco se lamenta: individualismo acabou atrapalhando contra a Bélgica

Mas de nada adiantou tal favoritismo. E nem jogar com um gol e um homem a mais desde os 18 minutos do primeiro tempo. Porque a partir daí a Bélgica passou a jogar com o coração e a Itália se perdeu. Cinco minutos depois, Hauron empatou o jogo com um gol fantasma, que Cigarini havia tirado em cima da linha; e antes mesmo do intervalo uma Itália perdida viu Mirallas bater Viviano e pôr a Bélgica na frente. O vestiário fez bem para os azzurrini, que aceleraram e avançaram contra a defesa belga, mas ainda assim gastou metade do segundo tempo para alcançar o empate, novamente com Rossi, de pênalti. Mais que o suficiente para recuar o time e dar espaço para a Bélgica recuperar sua vantagem com Dembélé, que bateu rasteiro para Viviano aceitar.

Se você tem seu time tão abatido pela Bélgica em campo, mesmo que forte e com lampejos de inspiração, merece sair. Em momento algum parecia que a Itália buscava uma vaga nas semifinais, tamanha apatia do time de Casiraghi. A impassibilidade do técnico no banco se refletiu em campo e Nocerino foi um dos poucos a destoar do sono italiano. A Itália subestimou um adversário justamente no caminho mais fácil para a final, provando que a sorte não deve ser desperdiçada. Um pouco mais de experiência em campo provavelmente auxiliaria nesse quesito, mas Rocchi, o único jogador acima dos 23 anos, foi cortado por lesão durante essa semana.

Casiraghi não teve coragem de tirar um dos três intocáveis: Giovinco, Rossi e Montolivo. Todos decepcionaram, desta vez. Giovinco queria jogar sozinho, Montolivo jamais entrou em campo e Rossi errou todos os gols que não vieram de pênaltis. A defesa deu o espaço que ainda não tinha aberto em toda a primeira fase e deu total liberdade a Dembélé e viu Mirallas vencer as principais disputas. Até mesmo Viviano, sempre destaque por sua discrição em campo, poderia ter evitado ao menos um dos gols dos diabos vermelhos – e, claro, o papelão no fim do jogo, quando agrediu Mirallas.

Viviano se desentende com Mirallas ao fim do jogo: desequilíbrio azzurro

Héctor Baldassi, mesmo em mais uma de suas miseráveis arbitragens, não pode ser culpado. No gol "fantasma" que deu o empate à Bélgica, o erro foi mais de seu auxiliar que dele próprio. Se tivesse entrado em campo com más intenções, como chegou a reclamar parte da torcida e deu a entender Casiraghi em sua coletiva, Baldassi não teria marcado dois pênaltis para a Itália e nem expulsado Vermaelen logo no início do jogo. O público italiano parece ter entendido: numa enquete do diário Gazzetta dello Sport, apenas 9,3% dos mais de 14 mil votantes culpam o árbitro pela eliminação. Mais da metade preferem culpar "o time inteiro, que não disputou o jogo com a seriedade necessária".

Se na Euro o time nunca entusiasmou, a queda na Olimpíada parece ainda mais dura. Porque passar pela Bélgica parecia mera formalidade e a torcida já aguardava uma final contra Brasil ou Argentina. Para o azar do futebol italiano, seus jogadores também já estavam com a cabeça longe. E agora é Casiraghi quem tem sua cabeça posta a prêmio. Bom para a base italiana, que não veria mal a chegada de algum técnico com mais personalidade em seu banco. Mas para a Itália recuperar seu espaço nos torneios de base, serve menos política e mais futebol.

domingo, 10 de agosto de 2008

Frutos do calcio

Ainda sobre os Jogos Olímpicos, mesmo longe da seleção italiana, alguns jogadores que estão aparecendo e fazendo gols já são figurinhas conhecidas no futebol italiano.

Eis a lista:

Lavezzi - Importante jogador do Napoli, marcou o gol da vitória da Argentina contra a Austrália.

Pato - Com boa presença na área e cabeceio consciente, abriu caminho para a goleada brasileira.

Ronaldinho Gaúcho - Apesar de eu ainda não o enxergar totalmente como um jogador da Serie A, o reforço da equipe de Milão finalmente apareceu nos Jogos, com 2 gols.

Obinna - O nigeriano, que jogou temporada passada pelo Chievo, abriu o placar contra o Japão.

Tá esquentando...

Brasil e Argentina são francos favoritos ao título olímpico em Pequim. Pelo menos é o que a maioria esmagadora da imprensa acredita. Não é, entretanto, um palpite infundado, uma vez que ambas equipes possuem muita qualidade e jogadores com grande habilidade individual. Verdade também que o Brasil pode ser considerado 'menos favorito', principalmente pela imprensa doméstica, em grande parte pelo histórico na competição.

Os verde-amarelos vêm com uma tradição negativa de amarelar nas olimpíadas. Querendo admitir ou não, é fato. Não obstante, além da desconfiança de sempre fica também a velha esperança do "agora vai!". A imprensa, por outro lado, já se encontra com menos ceticismo quanto às chances argentinas. Os hermanos vêm em busca do bi e contam com jogadores decisivos, que por sinal mostraram seu valor logo no primeiro jogo.

Mas peraí?! Por que esse mala ta escrevendo tudo isso se o assunto do blog é o Calcio?

Relaxem, minha inatividade no blog ainda não me fez esquecer qual é o carro-chefe daqui. Apenas iniciei assim para mostrar que podemos ver algum paralelismo entre a seleção italiana e as já supra-citadas no decorrer dessa competição. Apesar de chegar com menos badalação nas Olimpíadas, a equipe italiana mostra um desempenho que agrada. Como já apontado aqui pelos meus companheiros de QT, o selecionado da bota tem potencial e jogadores já detentores de uma boa experiência na Serie A.

A primeira grata surpresa olímpica (nem tão surpreendente assim pra quem acompanhou a Serie A 07/08) foi a chabucada de Giovinco, que abriu o placar contra Honduras. Mas fora as prestações individuais, os comandados de Casiraghi em conjunto se saíram muito bem. A defesa mostra segurança, principalmente com as boas atuações dos mediani, que em bastante ajudaram os zagueiros.

Vale relembrar que os dois adversários já enfrentados pela Itália não eram lá tremenda ameaça: Honduras e Coréia do Sul. Mas o placar de 3-0 em ambas partidas deixa o elenco satisfeito e já classificado para a 2ª fase. Veremos agora como os garotos (excluam Rocchi) se portarão diante de Camarões, teoricamente o adversário mais forte do grupo. Apesar de não alcançar ainda a condição de "A Favorita" (e também de não passar todos dias depois do Jornal Nacional), a Itália mostra que parece estar pronta para maiores desafios na competição.

sábado, 9 de agosto de 2008

Quando ficar quieto é a melhor opção


Mentiroso e caluniador! Caluniador e mentiroso... Canalha!

A temporada era 2005/06. Um excelente - ou craque - Del Piero, já veterano, voava. Quem amarrava suas asas como a quem prendia uma calopsita num poste de alta tensão era o carrancudo Fabio Capello. O titular? Zlatan Ibrahimovic. Um jovem mala joga 10 no maior estilo "arrase no Winning Eleven". Como avisado anteriormente, a temporada era a de 2005/06, mais especificamente no primeiro turno e, portanto, eu tinha apenas 13 anos.

Os 13 anos são, oficialmente, a entrada na adolescência. Nesta fase, mal vista por muitos (e justamente, na grande maioria dos casos), é aquela na qual o ser que domina um corpo mirrado e cheio de espinhas quer se afirmar no mundo. Uns, como eu, passam por síndromes de underground. E no undergroundismo de preferir um time italiano - no caso, a Roma - você - no caso, eu - quer mostrar que tem opinião, que sabe do que está falando. Ouve e toma como base, na sua televisão (sic) que ainda está acostumada a transmitir Bob Esponja, até os comentários de quem pronuncia co-te-jo e acha que isso é elegante.

E então, eis que um belo dia o ser mirrado e de espinhas que vos escreve se pseudo-revolta. Pseudo-revoltar-se, aliás, é um dos atos comuns na adolescência. E aí, querendo defender a tradição de um dos mitos da Serie A - confusamente chamada de calcio -, além de querer se mostrar acima da média de fãs virtuais e "modinha" do mundo, decide dar a própria opinião, ou algo parecido com isso. Aproveitando-se da má fase do jogador, popstar, ferinha, narigudo e sueco, ele - ou seja, eu - abre a boca.
"Esse Ibrahimovic é uma enganação! Só joga no Winning Eleven, sério! Vive daquele gol dele - 'o do ano' (cara de menosprezo) - pelo Ajax! Enganador! Sério, muito mentira."
Apesar de não poder finalizar o texto de forma tocante e, portanto, sem palavras, vale destacar que na mesma temporada - e no mesmo turno - o sueco narigudo ainda destroçaria, ao lado do carrancudo Fabio Capello, a Roma do falastrão Totti. O Stadio Olimpico se calou no que seria um 4 a 1 histórico na casa dos giallorossi, praticamente vingando os 4-0 da temporada 2003/04. Estes cotejos, aliás, já foram reportados aqui. Calei a boca e até hoje engulo provocações sobre a besteira de ter falado demais.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A nova ambição genovesa

Nas aulas de história, sempre se ouve falar que Gênova era uma cidade muito importante como entreposto comercial e que era a terra do visionário navegador Cristóvão Colombo. A mentalidade revolucionária do conterrâneo parece ter influenciado as diretorias de Genoa e Sampdoria neste período entre-temporadas. Há algum tempo, os dois clubes não lembravam de perto seus esquadrões vitoriosos. Ambos os clubes encaravam uma condição de assíduos freqüentadores da Serie B até pouco tempo e o Derby della Lanterna nunca mais havia sido disputado na divisão máxima italiana. A Sampdoria pouco lembrava aquela comandada por Vialli e Mancini, campeã italiana em 90-91. Os blucerchiati conseguiram sua promoção apenas na temporada 2002-03, enquanto seus rivais citadinos ostentavam o peso de ser um clube nove vezes campeão italiano que disputava a série cadetta. Na última temporada, enfim, os grifone trouxeram sua tradição de volta a Serie A. Então, neste mercado de verão, as duas diretorias parecem ter renovado suas ambições. Em mercados interessantes, os dois clubes prometem mais combatividade na temporada que está quase se iniciando. E, como sempre, o Luigi Ferraris promete ser um aliado importantíssimo para os donos da casa. As visitas ao Marassi devem ser ainda mais duras para os grandes clubes – e um terror para os menores.

Abaixo segue uma rápida análise dos dois clubes e suas movimentações de mercado até 07/08. Você pode conferir todo o mercado italiano aqui.

Legenda:
Empréstimo
[Retorno de empréstimo]
[Transferência definitiva após empréstimo]

Sampdoria: fantasista e bomber para o ataque

Chegam:
30/06 - [Massimo Bonanni (m, Itália) - Bari]
30/06 - [Francesco Virdis (a, Itália) - Ravenna]
30/06 - [Salvatore Foti (a, Itália) - Messina]
30/06 - [Fabrizio Cacciatore (d, Itália) - Foligno]
30/06 - [Daniele Padelli (g, Itália) - Pisa]
01/07 - [Antonio Cassano (a, Itália) - Real Madrid]
03/07 - Marius Stankevicius (d, Lituânia) - Brescia
09/07 - Marco Padalino (m, Suíça) - Piacenza
10/07 - Daniele Dessena (m, Itália) - Parma
21/07 - Bruno Fornaroli (a, Uruguai) - Nacional (URU)
21/07 - Nicola Ferrari (a, Itália) - Sassuolo

Saem:

30/06 - [Antonio Mirante (g, Itália) - Juventus]
30/06 - [Vincenzo Montella (a, Itália) - Roma]
30/06 - [Ikechukwu Kalu (a, Nigéria) - Bellinzona]

01/07 - Nikola Gulan (m, Sérvia) - Sampdoria
01/07 - Sergio Volpi (m, Itália) - Bologna
01/07 - Christian Maggio (m, Itália) - Napoli
01/07 - Fabrizio Cacciatore (d, Itália) - Triestina
01/07 - Cristian Zenoni (d, Itália) - Bologna
08/07 - Alessandro Bastrini (d, Itália) - Sassuolo
11/07 - Leonardo Martín Migliónico (d, Uruguai) - Livorno
22/07 - Matteo Lanzoni (d, Itália) - Bari
28/07 - Danilo Soddimo (m, Itália) - Ancona
05/08 - Daniele Padelli (g, Itália) - Avellino
05/08 - Vladimir Koman (m, Hungria) – Avellino

Provável time base (3-5-2): Castelazzi; Campagnaro, Lucchini, Accardi; Stankevicius, Sammarco, Palombo, Dessena, Pieri; Cassano, Fornaroli.

A Sampdoria já vinha se erguendo a algum tempo, sob o comando de Walter Novellino - disputou a Copa UEFA em 2005-06 e conseguiu classificação para a edição 2007-08 -, mas foi apenas com outro Walter, o Mazzari, que a Samp encontrou seu melhor futebol, alcançando mais uma vez a classificação para a Copa UEFA. Para esta temporada, o clube assegurou importantes reforços. O primeiro deles foi a permanência de Cassano, contratado em definitivo após empréstimo ao Real Madrid. Se mantiver as boas atuações que lhe renderam participação na Euro 2008, o fantasista barese continuará a ser o principal jogador da Samp.

Seu companheiro de ataque deve ser o bomber uruguaio Fornaroli, contratado para suprir a vaga de centroavante mais fixo, que ficaria deficiente com a volta de Montella para a Roma. El Tuna, que marcou 15 gols em 26 partidas pelo Nacional de Montevideo, deve ser a referência ofensiva da equipe na disputa da Serie A, a menos que a Sampdoria acerte com Suazo ou Crespo, ambos em baixa na Inter e já especulados no clube.

Cassano: "Minha Samp é from hell"

Apesar de ter perdido o experiente meio-campista Volpi para o Bologna, e Maggio, um dos melhores terzini sinistri da última Serie A, para o Napoli, os genoveses não têm muito com o que se preocupar. Dessena, mesmo em baixa pelas más atuações na última temporada, deve assumir uma das vagas no meio-campo, enquanto Pieri deve ser o substituto de Maggio, embora com menos qualidade. O suíço Ziegler também pode fazer esta função. Como consolo, Stankevicius deve dar maior possibilidade de variação de jogadas, tornando o lado direito mais útil ofensivamente que na última temporada.

Conciliar duas competições é sempre uma tarefa difícil, e praticamente impossível quando se tem um elenco limitado em algumas posições. Resta saber se o clube pretende levar a disputa continental a sério. Para levá-la a sério, faltam dois defensores e pelo menos uma opção no ataque, já que as boas revelações da Primavera campeã italiana de 2007-08 sae concentram no meio-campo – como, por exemplo, o húngaro Koman, emprestado ao Avellino - e no ataque.

Genoa: ambição e deslize

Chegam:
30/06 - [Gianluca Pegolo (g, Itália) - Mantova]
30/06 - [Andrea Masiello (d, Itália) - Bari]
30/06 - [Stefano Botta (m, Itália) - Cesena]
30/06 - [Giuseppe Greco (a, Itália) - Rimini]
30/06 - [José Mamede (m, Portugal) - Salernitana]
01/07 - Francesco Modesto (d, Itália) - Reggina
01/07 - Davide Di Gennaro (m, Itália) - Milan
01/07 - Andrea Gasbarroni (m, Itália) - Parma
01/07 - Abdelkader Ghezzal (a, França) - Crotone
01/07 - Giuseppe Biava (d, Itália) - Palermo
01/07 - Salvatore Bocchetti (d, Itália) - Frosinone
01/07 - Fernando Forestieri (a, Itália) - Siena
01/07 - Francesco Renzetti (d, Itália) - Lucchese
01/07 - Salvatore Aurelio (a, Itália) - Cesena
01/07 - Alessandro Potenza (d, Itália) - Fiorentina
02/07 - Giandomenico Mesto (d, Itália) - Reggina
03/07 - Raffaele Palladino (a, Itália) - Juventus
08/07 - Andrea Gasbarroni (m, Itália) - Parma
12/07 - Diego Polenta (d, Uruguai) - Danubio
12/07 - Andrea Ranocchia (d, Itália) - Arezzo
22/07 - Rubén Olivera (m, Uruguai) - Juventus
23/07 - Steve Pinau (d, França) - Monaco
28/07 - Mariano Stendardo (d, Itália) - Messina
28/07 - Nicolás Domingo (m, Argentina) - River Plate
28/07 - Magnus Troest (d, Dinamarca) - Parma
01/08 - Sokratis Papastathopoulos (d, Grécia) - AEK
06/08 - Matteo Ferrari (d, Itália) - Roma

Saem:
01/07 - Marco Borriello (a, Itália) - Milan
01/07 - Abdoloulay Konko (d, França) - Sevilla
01/07 - Cesare Bovo (d, Itália) - Palermo
01/07 - [Andrea Masiello (d, Itália) - Bari]
01/07 - [Manuel Coppola (m, Itália) - Siena]
01/07 - Alessandro Di Maio (d, Itália) - Lucchese
01/07 - Giacomo Cotellessa (m, Itália) - Lucchese
01/07 - Emmanuel Jorge Ledesma (m, Argentina) - Queens Park Rangers
02/07 - Fernando Forestieri (a, Itália) - Siena
09/07 - Julio Cesar León (m, Honduras) - Parma
09/07 - Danilo Russo (g, Itália) - Pergocrema
09/07 - Paolo Facchinetti (m, Itália) - Pergocrema
09/07 - Michele Tarallo (a, Itália) - Pergocrema
10/07 - Gleison dos Santos (d, Brasil) - Reggina
11/07 - Francesco Renzetti (m, Itália) - Albinoleffe
12/07 - Giacomo Cotellessa (m, Itália) - Sangiovannese
13/07 - Andrea Ranocchia (d, Itália) - Bari
20/07 - Fabiano (m, Brasil) - Reggina
22/07 - Matías Masiero (m, Uruguai) - Pisa
23/07 - Diogo Tavares (a, Portugal) - Frosinone
25/07 - Alessandro Lucarelli (d, Itália) - Parma
29/07 - Magnus Troest (d, Dinamarca) - Parma
31/07 - Thiago Pires (d, Portugal) - Potenza
31/07 - José Mamede (m, Portugal) - Potenza
04/08 - Giuseppe Greco (a, Itália) - Pisa
04/08 - Silvano Raggio Garibaldi (m, Itália) – Pisa

Provável time (3-4-3): Rubinho; Bocchetti, Ferrari, Criscito; Mesto, Milanetto, Rossi, Modesto; Gasbarroni, Olivera, Palladino.

O leitor deve ter se cansado ao ver a excessiva movimentação rossoblù neste mercado de verão. Muito se justifica pelo grande número de jogadores emprestados ou em co-propriedade, que participaram de negociações, mas não é tudo. O Genoa se demonstra bastante ambicioso até agora. As saídas de Konko, Borriello, Bovo, Gleison e abiano permitiram ao clube trazer Palladino, Modesto, Gasbarroni, Mesto e Bocchetti, pretendidos por outros clubes, mas que aportaram em Genoa. Todos devem ser titulares no ofensivo 3-4-3 de Gasperini.

A defesa certamente é o ponto mais forte do time, excetuando a escassez de goleiros. Rubinho é fraquíssimo, Scarpi e Lanza não inspiram confiança. Pelo menos a linha de três defensores é boa; muitas opções de qualidade e outras de muito potencial. Papasthatopoulos (ufa!), Criscito e Bocchetti são alguns dos jovens defensores mais cobiçados da Europa, embora dois deles devam ser ofuscados pelo superestimado Potenza e pelo fraquíssimo Ferrari. Aliás, a contratação do ex-Roma foi um deslize da diretoria, que vinha contratando muito bem: Ferrari, além de contratação desnecessária, pois já havia muitas opções para a posição no elenco, deve ser titular pela experiência, mesmo sendo inferior tecnicamente aos outros e provável autor de pataquadas ao longo da Serie A. Deve ter ficado na cabeça da diretoria sua boa passagem em 97-98, quando era apenas em jovem recém-saído da Primavera interista. Ferrari no miolo de zaga e Rubinho no gol pode gerar problemas para os grifone.

Quanto ao meio-campo, Mesto e Modesto devem dar bastante saída de bola pelos lados, enquanto Milanetto e Rossi ajudam a fazer um meio-campo de muita pegada. Paro, Domingo e Di Gennaro são outras opções muito interessantes e que tem possibilidade de ganhar a vaga ao longo da competição.


Ferrari: "Como seria melhor sem a bola..."

O ataque ainda gera desconfianças. Palladino é uma boa contratação e terá a chance de provar que ainda pode vingar para o futebol. Na outra ponta, Gasbarroni vem credenciado por ter sido uma das poucas boas coisas no Parma rebaixado em 2007-08. Mas, por outro lado, as outras opções para o ataque são bastante contestáveis. O Genoa também foi buscar um uruguaio para ser seu goleador. Rubén Olivera (ex-Sampdoria) vem emprestado pela Juventus e será outro que terá chance de provar algo. Até hoje o carequinha não vingou na Itália. O decadente Marco Di Vaio deverá ser negociado – o Olympiacos parece ter feito uma oferta oficial. O argentino Figueroa, o brasileiro Wilson (ex-Corinthians) e o italiano Sculli completam a lista de avantes. Se dependerem desses três últimos nomes, a torcida do Genoa terá motivo para ter pesadelos.

Embora tenha alguns problemas a corrigir, o Genoa pode surpreender. Não disputam competição européia nenhuma e já estão treinando na Áustria há cerca de três semanas. Uma vaga na UEFA pode ser um objetivo real, mas a falta de nomes de frente e goleiro confiáveis pode fazer com que o sonho desapareça.

domingo, 3 de agosto de 2008

Preview Olimpíada-08: Itália

No Olheiros, a cobertura do futebol masculino na Olimpíada de Pequim.

--

Maior vencedora da história do Europeu Sub-21, com cinco títulos conquistados nos últimos dez disputados, a Itália ainda não consegue repetir na Olimpíada o que faz nos gramados europeus. A única medalha de ouro da história azzurra foi conquistada ainda no período de Mussolini, em Berlim-36. Além dessa ocasião, a Itália só esteve no pódio duas vezes, em ambas para receber o bronze olímpico: na ainda mais distante Amsterdã-28 e nos últimos jogos, em Atenas-04.

Com a exceção da conquista na Grécia, quando o bronze chegou de forma inesperada, a Itália tem colecionado decepções nos últimos Jogos. Na década de 1990, com duas ótimas gerações sob o comando de Cesare Maldini, duas desilusões: em Barcelona-92, a Itália caiu para os donos da casa; em Atlanta-96, com Pagliuca, Nesta e Lucarelli, o time conseguiu a proeza de cair ainda na fase de grupos. O pódio só chegou há quatro anos, com um elenco que tinha Ferrari e Pelizzoli como jogadores acima dos 23 anos. Os comandados de Claudio Gentile, então, conseguiram o bronze ao bater o Iraque na disputa do terceiro lugar, após cair para a Argentina nas semifinais.

Depois da surpresa em Atenas, o objetivo deste ano é retornar ao pódio. Se possível, em seu topo. Pierluigi Casiraghi levou para a China um elenco de qualidade indiscutivelmente superior àquele de 2004. Nem mesmo o fato de apenas um fuoriquota (como os italianos chamam os jogadores acima do limite dos 23 anos) estar entre os convocados diminui as expectativas sobre os azzurrini. Ninguém na Itália discute que Brasil e Argentina estão um passo adiante, mas a conquista do ouro é vista como algo realizável.

A imprensa local, aos poucos, vai passando da completa suspeição a uma confiança moderada. Mas antes de falar de qualquer hipótese de medalha, é lugar comum citar a dupla sul-americana como inalcançável. Marco Mensurati, do diário romano Repubblica, dá o tom: “o elenco de convocados da Argentina, com Agüero, Messi, Mascherano e Riquelme, parece uma piada. Ou ainda o Brasil de Ronaldinho, que é praticamente o mesmo do Playstation. Então, no fim, é melhor doar-se completamente, fechar os olhos e sonhar.”

Classificação complicada, preparação tranqüila

A Itália se classificou para os Jogos deste ano na bacia das almas. A Uefa determinou que o Europeu Sub-21 de 2007 serviria como pré-olímpico, classificando para Pequim os quatro semifinalistas do torneio, composto por dois grupos com quatro seleções cada um. Como a Inglaterra, uma das semifinalistas, disputa a Olimpíada sob a bandeira do Reino Unido, a última vaga foi decidida num playoff entre os dois terceiros colocados em seus grupos. Portugal e Itália não saíram do zero no tempo normal e os azzurrini acabaram levando a vaga nos pênaltis.

A má campanha no Europeu, porém, não serve de parâmetro para o time atual. Dos titulares no torneio, seis estouraram a idade limite e deixaram o time após a classificação, entre eles Aquilani e Chiellini. A preparação para a Olimpíada, então, teve seu pontapé inicial em 5 de fevereiro deste ano, num amistoso contra a Holanda, atual campeã européia da categoria. A Itália venceu por 2 a 1, com gols de Osvaldo e Rossi.

Os preparativos continuaram com o torneio de Toulon, disputado no fim de maio. Mesmo sendo o único grande teste para os azzurrini antes dos Jogos, o fato de ser disputado logo ao fim da temporada européia fez com que Casiraghi optasse por poupar Montolivo e Rossi, duas peças-chave da equipe que haviam passado por um ano desgastante. As lesões de Cerci e Pozzi também causaram dor de cabeça na montagem do time. Ainda assim, a classificação para as semifinais veio com tranqüilidade: na primeira fase, vitórias de 2 a 0 sobre a Costa do Marfim, 2 a 1 na Turquia e 2 a 0 nos Estados Unidos.

Em sua quarta partida em oito dias, a Itália sentiu o ritmo e sofreu para passar do Japão, na semifinal. Após o empate sem gols, a vaga na final chegou nos pênaltis. Na decisão, Osvaldo marcou o único gol da partida contra o Chile, garantindo para a Itália um título inédito que serviu para aumentar a confiança na seleção. Até por isso, a reta final da preparação foi antecipada e o elenco se concentrou em Coverciano ainda sem a convocação definitiva, em 8 de julho.

O último amistoso antes da Olimpíada, um empate em 1 a 1 com a Romênia no último dia 22, serviu para mostrar o bom poder ofensivo da dupla Giovinco e Rossi. Ao fim da partida, Casiraghi anunciou a lista final de convocados, que três dias depois viajou para Qinhuangdao, para finalizar os preparativos. O ex-atacante da seleção italiana assumiu o cargo em julho de 2006, após Gentile fracassar no Europeu Sub-21 daquele ano, e teve tempo para dar sua cara ao time. Tal fato aumenta a pressão para um bom resultado em Pequim: “a Olimpíada será, para nós, como uma Copa do Mundo”, declarou recentemente Giancarlo Abete, presidente da FIGC, a federação local.

Lidando bem com a ausência das estrelas
Apesar dos poucos jogos, o bom período de treinamentos garantiu uma interessante solidez tática ao time. Casiraghi arma sua Itália num 4-3-2-1 que varia entre 4-3-1-2 e 4-3-3. O provável onze titular em Pequim deve ter a defesa formada por Viviano no gol, De Silvestri e De Ceglie nas laterais, Coda e Criscito na zaga. O trio de meias dificilmente fugirá de Cigarini, Nocerino e Montolivo.

Se no torneio de Toulon Nocerino atuou centralizado como um primeiro volante à brasileira, há também a hipótese de vê-lo cobrir mais a lateral, deixando para Montolivo o cargo de armar o jogo pelo centro, como um regista. Na prática, o meia da Fiorentina jogaria de forma parecida com a de Pirlo no Milan. Mais à frente, Rossi e Giovinco ficam no suporte a Rocchi. No início da partida contra a Romênia, o laziale comandou o ataque com os dois jovens abertos nas pontas. É uma variação interessante no jogo da equipe.

Uma alternativa viável no setor ofensivo seria o ítalo-argentino Osvaldo, autor do gol do título em Toulon e surpreendentemente não convocado. O rápido entrosamento entre Rossi e Giovinco pode fazer com que os azzurrini superem bem sua falta. Em caso de fracasso, porém, o atacante da Fiorentina será um fantasma para Casiraghi, que ainda assim possui boas opções no ataque: Acquafresca vem de uma temporada acima da média do Cagliari e bons jogos pela seleção sub-21 e a velocidade de Abate é uma ótima opção para jogos pelas laterais.

Caso Montolivo fique realmente pelo setor esquerdo, a marcação por este lado tende a preocupar. De Ceglie é um lateral que sobe com freqüência e não raro deixa a defesa desguarnecida. Em entrevista à Gazzetta dello Sport antes do embarque para Qinhuangdao, Casiraghi relembrou a Copa de 94 para apontar outro fator que pode atrapalhar a caminhada italiana. O calor e a umidade no período dos Jogos deverão ser comuns ao que o técnico experimentou nos Estados Unidos.

Único jogador do elenco a atuar fora da Itália, Rossi é a esperança de gols. O baixinho tem passagem em todas as seleções de base do país e vem de uma ótima temporada pelo Villarreal. Giovinco, seu companheiro de armação, foi eleito o melhor jogador de Toulon e um dos poucos a se salvar na campanha que rebaixou o Empoli. Montolivo deve ter um papel menos vistoso, mas de importância vital.

A questão dos fuoriquota gerou discordância no país. Em janeiro, Casiraghi entrou em atrito com Gianni Petrucci, presidente do CONI, o comitê olímpico italiano, ao declarar que não levaria jogadores acima dos 23 anos para os Jogos. O plano inicial de Petrucci e Abete era contar com as principais bandeiras do país no torneio, Del Piero, Maldini e Totti, mas a indisposição dos clubes em liberar seus jogadores tornou-se um problema difícil de lidar.

Como é habitual na Itália, a política levou a melhor sobre as escolhas técnicas e Casiraghi se viu obrigado a levar um fuoriquota, enquanto a ala “burocrata” não pôde contar com seus nomes favoritos. Quando Inzaghi não foi convocado para a Eurocopa, seu nome era dado como certo na convocação para a Olimpíada, mas tudo indica que o Milan tenha agido nos bastidores para evitar sua convocação. Sobrou para Rocchi, escolhido após uma reunião entre Casiraghi, Zola, Abete e Petrucci. O capitão da Lazio marcou 59 gols pela Serie A em suas quatro temporadas pelo time romano.

Curtas
- ELE NÃO DORME NO PONTO…
Giuseppe Rossi. O atacante do Villarreal era o artilheiro da equipe na Liga Espanhola até ser obrigado a parar por causa de uma lesão no tornozelo, sendo fundamental no vice-campeonato do submarino amarelo. Antes da boa campanha espanhola, chegou ao Parma na metade de uma campanha desastrosa, a tempo de marcar nove gols em um semestre e livrar os emilianos do rebaixamento. Titular das seleções de base italianas desde 2003, Rossi tem a considerável marca de 16 gols em 39 partidas e não deve sentir a pressão de disputar a Olimpíada.

- LONGE DO QUE SONHEI UM DIA…
Daniele Dessena. Sempre alvo de especulações que o ligavam a Inter, Juventus e Milan, após surgir muito bem no Parma, Dessena era homem de confiança de Casiraghi no início de sua gestão. Mas a última temporada viu o futebol do meia afundar junto do de seu time. Com bons desarme, passe e finalização, certa vez foi definido por Giancarlo De Sisti, comentarista da RAI, como “um Perrotta que consegue finalizar”. De titular indiscutível a opção de banco, um ano de diferença.

- O DUNGUINHA…
Antonio Nocerino. Revelado pela Juventus, o meia rodou através de empréstimos por boa parte da Serie B antes de ter sua chance na velha senhora. Nocerino compensa sua técnica não muito refinada com muita vontade em campo. Sua liderança sobre os companheiros também é sentida tanto dentro quanto fora dos gramados. Dedicado e temperamental, não foge de divididas nem de discussões. Envolvido na negociação com Amauri, acabou repassado ao Palermo, onde foi acolhido por entusiasmo pela torcida.

- O CRAQUE DOS MEUS SONHOS…
Riccardo Montolivo. Crescido na prolífica base da Atalanta, Montolivo sempre carregou muita expectativa nas costas e, por vezes, parecia prestes a desandar. Negociado com a Fiorentina, conquistou a titularidade no fim de 2006, mas demorou a ser indiscutível na formação viola. Meia de classe, inteligência tática e visão de jogo, Montolivo está próximo de seu ápice físico e seu rendimento ganhou bastante com isso. Iniciou o ano com grandes exibições em partidas decisivas, esteve bastante próximo de uma convocação para a última Eurocopa e foi escolhido por Prandelli como capitão da equipe para esta temporada.

Elenco
GOLEIROS
Andrea Consigli (Atalanta) - 27/01/1987
Emiliano Viviano (Brescia) - 01/12/1985

DEFENSORES
Salvatore Bocchetti (Genoa) - 30/11/1986
Andrea Coda (Udinese) - 25/04/1985
Domenico Criscito (Genoa) - 30/12/1986
Paolo De Ceglie (Juventus) - 17/09/1986
Lorenzo De Silvestri (Lazio) - 23/05/1988
Marco Motta (Udinese) - 14/05/1986

MEIO-CAMPISTAS
Ignazio Abate (Torino) - 12/11/1986
Luca Cigarini (Atalanta) - 20/06/1986
Daniele Dessena (Sampdoria) - 10/05/1987
Claudio Marchisio (Juventus) - 19/01/1986
Riccardo Montolivo (Fiorentina) - 18/01/1985
Antonio Nocerino (Palermo) - 09/04/1985

ATACANTES
Robert Acquafresca (Cagliari) - 11/09/1987
Sebastian Giovinco (Juventus) - 26/01/1987
Tommaso Rocchi (Lazio) - 19/09/1977
Giuseppe Rossi (Villarreal-ESP) - 01/02/1987

Eternas Promessas: Mourad Meghni

Originalmente escrito para o Olheiros.

---

Meghni: o Zizou pequeno demais
Apelidado de "pequeno Zidane", meia da Lazio ainda não convence.

Mourad Meghni, ou “petit Zidane” (pequeno Zidane) – mesmo apelido dado a Yohan Gourcuff e a tantos outros franceses com qualquer parentesco argelino – tem se consolidado cada vez mais nos gramados do velho continente. Engana-se quem pensa que essa consolidação é como um dos jovens de maior potencial da Europa, ou então como grande destaque de alguma equipe. Meghni, que um dia chegou a ser grotescamente comparado com o dono da camisa 10 de seu país na última Copa do Mundo, firma-se somente como mais uma eterna promessa do futebol.

Habilidoso, ágil e com um estilo de jogo repleto de dribles, Meghni se destaca no Centro Técnico Nacional Fernand Sastre, ou simplesmente Clairefontaine. Localizada a 50 km de Paris, esta associação – licenciada pela Federação Francesa de Futebol – seleciona somente os mais fortes prodígios da Île-de-France, uma das regiões administrativas do país. Thierry Henry, Nicolas Anelka, William Gallas, Abou Diaby e Louis Saha são alguns dos nomes criados neste mesmo local. Seguindo a rotina diária local, que consistia em duas horas de treino para aprimoramentos técnicos e físicos, Meghni acaba chamando a atenção do Bologna, com 16 anos de idade.

Bologna e torneios de base

Meghni, no grupo liderado pela dupla Le Tallec e Sinama-Pongolle, consegue chegar ao vice-campeonato do Europeu sub-16 de 2001, organizado pela Uefa (cujo limite etário, hoje, é de 17 anos). Os franceses, após passarem pela Rússia e atropelarem a Inglaterra de Routledge, são barrados na final pela estrela de Fernando Torres. Após a competição, com apenas recém-completados 16 anos de idade, o filho de um argelino com uma portuguesa é levado pelo Bologna, tradicional equipe da Serie A italiana. À época – mais precisamente na temporada 2001/02 – um time que batalha para chegar à Copa da Uefa.

Como normal e esperado para qualquer garoto de sua idade, Meghni não entra em campo pela equipe principal na sua primeira temporada pelo Bologna. Atuando na categoria Primavera, encontra-se com a geração campeã do Allievi Nazionali (sub-16 da Itália) do ano anterior. Após pouco mais de dois meses na bota, surge a oportunidade de maior relevância em toda a sua carreira, até hoje: o Mundial sub-17 de 2001, disputado em Trinidad e Tobago.

Seguindo a fase fantástica atravessada pela seleção francesa – então campeã da Copa do Mundo, em 1998; e da Euro, em 2000 – os garotos não fazem por menos. Com os inspiradíssimos Sinama-Pongolle (artilheiro e craque da competição), Le Tallec e Meghni – este dono da camisa dez – a França conquista o cobiçado título após deixar para trás Brasil, Argentina e uma poderosa Nigéria. Atuando num 3-5-2 que contava com Meghni de meia-avançado, os franceses vencem cinco de suas seis partidas, balançando as redes cinco vezes contra o Japão e outras cinco contra os Estados Unidos. Depois deste vitorioso torneio que, sem dúvidas, várias oportunidades se abrem para "petit Zidane" (no alto de seus 180 cm, o ‘pequeno’ referiu-se sempre à sua idade).

O flop

Na temporada seguinte, Meghni tem a chance de estrear na Serie A italiana: em uma partida já perdida contra o Milan, o francês entra em campo pela primeira vez com a equipe principal. Até o fim de 2002/03, o meia acaba jogando 8 partidas e marcando dois gols, ainda sendo considerado como uma das principais promessas de seu país. No ano seguinte, com incompletos 20 anos, Meghni não passa de 12 partidas com o Bologna na Serie A, sem marcar nenhum gol. O número baixo de atuações não serve para desmotivar o garoto, visto que sua reputação do torneio sub-17 ainda lhe dá créditos para buscar a titularidade. Vale lembrar também que são raros os casos de titularidade absoluta com tão baixa idade na Itália.

O declínio inegável, porém, chega com a temporada 2004/05: o Bologna, após uma nada empolgante 12ª colocação no ano anterior, termina a Serie A na 18ª posição e, conseqüentemente, cai para a Serie B. Os três gols em 17 jogos do “petit Zidane” de nada adiantaram para fazer os rossoblù retornarem à divisão que não disputavam desde 1995. Os dribles do francês já não são tão eficazes, as jogadas de efeito perdem o brilho e seus passes não são tão precisos. Outro ponto crítico de Meghni é a sua inconstância, fator decisivo para a falta de firmação do jogador.

Depois de uma declaração extremamente infeliz, na qual Meghni se diz muito superior ao nível da Serie B italiana, o francês é emprestado a uma equipe de sua terra natal, o Sochaux. Lá, ainda atuando como um meia-avançado de velocidade e explosão, simplesmente não consegue – mais uma vez - explodir. Jogando por um time cheio de limitações e mostrando um futebol igualmente limitado, inconstante e ineficiente, já se forma como uma longa promessa. Completa, ao fim da temporada 2005/06, somente 16 partidas, sem balançar as redes. Retorna ao Bologna e disputa 35 partidas na Serie B, naquela que acaba sendo – mesmo sem muito brilho – a sua melhor época na carreira.

Lazio, futuro e os outros

No início da temporada 2007/08, confirma-se a negociação da co-propriedade de Meghni com a Lazio. Por aproximadamente 2,5 milhões de euros, o jogador veste a camisa azul-celeste por, no mínimo, um ano. E, infelizmente para o francês, mais um ano em que seu futebol não convence. Não se torna uma decepção completa, porém o peso de eterna promessa já o persegue inquestionavelmente. Sem marcar nenhum gol sequer, Meghni teve seu ápice na partida contra o Werder Bremen, pela Champions League, na qual contribui com uma decisiva assistência para o gol da vitória de Tommaso Rocchi.

Vale destacar, também, que Meghni não falha sozinho. Tomando como base a sua geração - cujos sucessos na base criam altas expectativas - tanto Le Tallec quanto Sinama-Pongolle não conseguem se firmar até hoje. Os dois, que por sinal formavam uma entrosadíssima dupla no Le Havre e nas categorias menores da seleção, não correspondem às esperanças do passado. O primeiro, contratado pelo Liverpool na mesma época do segundo, rodou emprestado por clubes franceses e Sunderland, até fechar - em definitivo - com o Le Mans. Já Sinama-Pongolle terá agora, provavelmente, sua última grande chance: após ser flop no Liverpool e emprestado ao Blackburn, o atacante se reergue, mostrando um grande potencial no Recreativo, transferindo-se para o Atlético de Madrid. O habilidoso atacante brigará por uma vaga no ataque colchonero na próxima temporada.

Com 24 anos de idade, aquele que foi comparado com Zinedine Zidane jamais arrebentou. Sua vantagem, porém, é o tempo. Por mais que tenha desperdiçado boas chances, ainda haverá muitas outras. É indubitável o fato de que Meghni, hoje, é uma eterna promessa. Todavia, se por algum dia o francês conseguir ser o mesmo daquele torneio sub-17 que o credita até hoje, terá muita lenha para queimar. O próximo conjunto de chances virá nesta temporada, levando-se em conta que a co-propriedade entre o time romano e o bolonhês foi renovada por mais um ano.

---

Ficha técnica
Nome: Mourad Meghni.
Data de Nascimento: 16/04/1984.
Local de Nascimento: Paris, França.
Clubes que defendeu: Bologna, Sochaux e Lazio.
Seleções de base que defendeu: França sub-15 e 16, sub-17, sub-21.