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domingo, 28 de setembro de 2008

A Roma respira

Espiridião Amin observa a comemoração dos romanistas

Roma 2-0 Atalanta - Panucci e Vucinic
O grande número de jogadores machucados dificultou a escalação da equipe. A derrota dura na última partida contra o Genoa, o clima ruim entre o staff médico e o comando da equipe. Problemas para enfrentar a Atalanta eram variados. A própria equipe de Bérgamo havia começado muito bem o campeonato e em caso de vitória estaria dividindo a liderança com a Lazio. Estaria.

Apesar das dificuldades, a equipe capitolina apresentou um ingrediente que parecia pouco presente nas primeiras apresentações. Vontade e confiança fizeram com que a vitória frente à Atalanta viesse fácil. Antes do fim do primeiro tempo os dois a zero no placar e a partida definida.

Os chutões na direção de Vucinic continuaram. A squadra até pressionava a saída da Atalanta e criava chances, mas não era perigosa o bastante para abrir o placar. Até que aos 17, Panucci - com um faro de gol totalmente desproporcional à sua função de lateral-zagueiro - abriu o placar com um chute que desviou antes de enganar Coppola.

A Atalanta não assustava. Com Doni vigiado de perto por Brighi e Mexès, havia muito mais segurança na defesa. Contando com Panucci, a Roma controlava a posse de bola.

Aos 31 minutos, o golpe de misericórdia. Boa jogada de Menèz que serve Vucinic. Com um giro o montenegrino amplia o placar e encerra as possibilidades da equipe nerazzurra.

O restante do jogo foi bastante fraco. A Roma pouco criava de concreto, e as poucas chances da Atalanta paravam nas péssimas conclusões de Floccari e Valdes.

O time ainda não está pronto. Juan, Totti, Júlio Baptista, De Rossi devem entrar logo na equipe. Pizarro dificilmente, já que Aquilani tem sido o principal nome da Roma nas últimas partidas. Mas a vitória era imprescindível para dar calma e não afastar tanto os giallorossi dos líderes.

Individualmente Brighi (discreto com a bola nos pés, mas bem na marcação de Doni), Aquilani (chamando a armação das jogadas e única mente ‘criativa’ do meio campo), Cicinho (muito bem na parte defensiva e nas antecipações, ainda criou perigo quando foi ao ataque) e Vucinic (pelo gol e pelo esforço de costume) se destacaram.

O abraço de Spalletti após a substituição de Vucinic deu o tom da partida. Spalletti com vários problemas (incluindo a sua fixação por um só esquema e pela insistência com alguns jogadores) deve ter pensado: “Obrigado Mirko. Salvou minha pele”.

Resta saber até quando.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Em obras. Mentira.

Perdemos duas semanas de futebol no blog e creio que seria justo haver um pedido de desculpas pela cara-de-pau. Não é a primeira, nem a segunda, e provavelmente nem a última vez que a inércia de postagens ocorre no QuattroTratti. Diante disso, este adolescente pseudo-ocupado se compromete a voltar, na próxima rodada, com o que não deveria ter parado. Porque desde a pausa do blog até agora já foram tantos assuntos diferentes que nem valeria mais a pena resgatar.

Curiosidade
Ronaldo, dia 22; Totti, dia 27 e Shevchenko, dia 29: eis três nomes que marcaram o calcio e fazem aniversário nessa mesma semana. Aliás, não só isso, também nasceram na mesma semana, visto que até o fim do mês o trio terá completado 32 anos. Além deles, Michael Ballack - que faz seus 32 hoje - compõe esse grupo futebolístico do mês de setembro.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Miss Italia

Amanhã tem jogo? É? Grande coisa.

http://www.gazzetta.it/appsSondaggi/pages/gazzetta/d_3282.jsp

Escolha a sua.

PS: Eco no "sua".

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Porque vencer bem é relativo

Se Lucas Leiva enchesse um petardo a 30 metros do gol e marcasse, contra a Bolívia, para depois ainda fazer mais um gol e dar a vitória ao Brasil, por 2 a 0, em casa, como seria a reação geral? Ele seria poupado de quaisquer críticas, teria seu lugar no grupo inquestionável por um período... E a seleção brasileira sofreria mais críticas, e em abundância. Porque vencer só por 2 a 0 uma outra equipe - que em todos os quesitos futebolísticos é absurdamente pior - não seria, jamais, o suficiente. Seria preciso jogar bonito, animar e inspirar a garotada juvena.

Como vocês devem saber muito bem, não é a mesma coisa na Itália. De Rossi, claro, arrancou vários elogios e puxações-de-saco - sendo até comparado com o craque inglês Steven Gerrard. Mas a visão de vencer 'somente' por 2 a 0 a Geórgia não foi alvo de críticas duras, puxões de orelha ou vudus de Lippi. Óbvio, também não foi nenhum motivo de orgulho avassalador ou de um otimismo fervoroso, mas lá - e hoje nem entrarei no mérito se isso é bom ou ruim - não há nenhum esquartejamento (senti)mental para resultados semelhantes.

Claro que morrer em campo para vencer as Ilhas Faroé com gol de Inzaghi, ou então depender de Di Natale - nos acréscimos - para derrotar o Chipre, é abusar.

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- E dá-lhe Amauri. Marcello Lippi teceu elogios ao neojuventino e disse que, antes de qualquer outra coisa, é preciso que o (até agora) brasileiro resolva os imbróglios referentes à sua naturalização. Alguma dúvida de que ele terá ao menos algumas chances com a camisa da Azzurra? Já diria qualquer mala pseudo-engraçadão, "Dunga: perdeu, playboy".

- Curioso foi o fato abordado por Luca Toni, após a partida, que só aumenta uma polêmica altamente discutida: "Se ganhamos, eu joguei mal. Se perdemos, culpa minha. Quando caímos na Euro, o responsável fui eu. Estou cheio disso. (...) Se jogasse na Juventus ou no Milan, com certeza seria melhor tratado". Francesco Totti, para citar só um exemplo, fazia críticas semelhantes abertamente. O romanista, já aposentado da seleção, ainda afirmou que o mesmo preconceito com romanos - nas palavras dele - suceder-se-ia com De Rossi e Aquilani.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Rapidinhas

Apesar de tomar um gol a sete minutos do fim da partida, a Itália sub-21 garantiu o suficiente empate de 1-1 para passar à fase mata-mata da (pré) Euro 2009 de mesma categoria, a qual será disputada no meio de outubro, ainda sem confrontos definidos. As partidas serão realizadas em turnos de ida e volta, enquanto a fase final do torneio - no meio do ano que vem - contará somente com oito equipes. Quem marcou o gol dos Azzurrini foi o lateral Marco Motta, da Udinese.

Lembra da seleção dos desocupados? Agora ela tem um reforço a menos (sic). Cristiano Lupatelli, arqueiro, fechou com o Cagliari, onde provavelmente será reserva. Por quê? Porque Lupatelli faz parte do seleto grupo de jogadores cuja posição é GOLEIRO RESERVA, como o uruguaio Carini, o grego Eleftheropoulos e Roger (ex-São Paulo, Santos e Botafogo). Ah, e o tal do Recoba fechou com o Panionios, da Grécia.

Depois de vários boatos quanto ao que possa ser o novo treinador do West Ham, cujos nomes mais fortes eram aqueles dos italianos Roberto Donadoni, Gianfranco Zola e Paolo Di Canio (sim, o fascista), adivinhe... mais boatos! Só que, desta vez, mais fortes e específicos: Zola, o cara que fez todos os neo-torcedores do Chelsea apoiarem os Blues ("eu torço desde a época do Zola!"), deve fechar com o clube em breve. Ainda na Inglaterra, tanto Times quanto Daily Telegraph sustentam que o Arsenal - ou Wenger - está tentado pela jovem estrela da Juve, Sebastian Giovinco.

Francesco Totti, lembra dele? Pois é, il capitano já está treinando normalmente com o grupo e poderá entrar em campo contra o Palermo. Taddei também deverá ter condições de jogo, enquanto Perrotta permanece de molho. Mudando um pouco de assunto, mas sem sair de Trigoria, a bola da vez é Aquilani: "Nunca rejeitei nenhuma oferta da Roma", afirmou o meio-campista. Para quem não sabe, a renovação contratual do garoto-nem-tão-garoto-assim tem sido uma encheção desgastante nos últimos meses.

"QUESTA È SPARTA!" - Foi praticamente isso que disse Marcello Lippi, o cara que fez Zaccardo, Barzagli e Barone serem campeões do mundo, na data de hoje. O c.t da Azzurra afirmou que sua seleção está pronta para sofrer, e que o objetivo - agora - é evoluir, tendo em vista as ausências e condições físicas do elenco. Aliás, já que a super equipe do QuattroTratti perdeu a chance de falar do super jogo da super Itália contra o super Chipre, vale bastante a pena ler o texto do super Bertozzi, na Trivela, sobre a partida.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ainda sobre o mercado

Nesta semana, a equipe do Quattrotratti traz até você uma análise do mercado de verão na Itália. Usando como base o tradicional ranking com cinco elementos, dividimos as contratações em quatro categorias. As duas primeiras são destinadas às melhores e às piores contratações efetuadas pelos clubes da Serie A. As outras duas? Segredo até sua publicação, só para fazer charme.

As melhores contratações

Alberto Gilardino (Fiorentina)
Dentre os jogadores recém-adquiridos pela Fiorentina, reforçada para a disputa da Liga dos Campeões, chama a atenção o nome de Gilardino. Flop no Milan, onde não conseguiu repetir as grandes atuações dos tempos de Parma, e perdeu até mesmo sua vaga na Azzurra, Gila chegou por um preço relativamente baixo – apenas € 14 milhões – e com o aval de Cesare Prandelli, técnico com o qual viveu sua melhor fase. O reencontro com o treinador e com um futebol parecido com o que se jogava naquele Parma pode fazer com que ele volte a jogar bem. Auxiliado por Montolivo, Vargas, Jovetic e Mutu, Gilardino é, desde já, candidato a capocannoniere da Serie A.

Olof Mellberg (Juventus)
Para reforçar sua contestada defesa, a Juventus trouxe do Aston Villa um dos mais experientes jogadores da Europa. Com o peso de três Euros e duas Copas do Mundo disputadas, o sueco Olof Mellberg chegou, a custo zero, para ajudar a acertar uma defesa central remendada, com mais uma contusão de Jorge Andrade e com a deficiência técnica de Legrottaglie. Ao lado de Chiellini, deve formar uma das melhores duplas de zaga da Europa.

Diego Milito (Genoa)
O modo inusitado de como foi depositado o contrato do argentino Diego Milito dá uma amostra de como sua contratação era importante para o clube grifone. A chegada de Milito foi a cereja no bolo do excelente mercado do Genoa – um dos mais interessantes do país. Faltava ainda um centroavante e um dos melhores do mercado foi trazido. Depois de uma prolífica passagem pelo Zaragoza, quando chegou a ser o terceiro colocado da Chuteira de Ouro, Milito está de volta ao Genoa, com a expectativa de que repita sua primeira passagem pelo clube, quando teve uma média de 0,55 gol por partida.

Andriy Shevchenko (Milan)
Quando um ídolo retorna ao clube em que deixou sua marca, as expectativas sempre são muito grandes. Não precisamos enumerar as muitas qualidades de Sheva, todos já as conhecem. O que importa é que sua volta ao Milan, por empréstimo, é um dos sinais de que o clube pretende reassumir com rapidez os mais importantes lugares na Serie A, depois de uma temporada opaca. Mesmo após dois anos de más atuações pelo Chelsea, a chegada de Shevchenko anima qualquer torcedor rossonero e preocupa qualquer zagueiro da Serie A.

Juan Vargas (Fiorentina)
Depois de uma excelente temporada, enquanto destaque da lateral esquerda do Catania, o peruano Vargas foi cobiçado por alguns dos maiores clubes da Europa, como Milan, Real Madrid e Juventus. Acabou sendo contratado pela reemergente Fiorentina, por € 12 milhões. Muito rápido, driblador e com excelentes qualidades ofensivas, Vargas dá um grande upgrade no setor, que, antes de sua chegada, contava apenas com Gobbi (meia improvisado na função) como titular, e Pasqual - cada vez mais esquecido - na reserva.

As piores contratações

Arthur (Roma)
Quando no elenco do seu time há um goleiro que não é unanimidade, o que você acha que deveria acontecer? A contratação de um bom reserva, pelo menos, certo? Não foi assim que pensou a diretoria da Roma. Para a reserva de Doni – que evoluiu muito nos últimos tempos, é verdade – chegou, proveniente do Siena, o brasileiro Arthur. Embora tenha sido contratado junto ao Siena, Arthur não tem experiência na Serie A: na última temporada, ele jogou no Cesena, rebaixado para a Lega Pro. Só para lembrar, Arthur também fracassou no Cruzeiro e no Coritiba.

Gianluca Curci (Siena)
Outra negociação contestável (e que também envolve um goleiro, Roma e Siena) foi a contratação de Curci para suprir a saída de Alexander Manninger para a Juventus. Curci foi titular da seleção sub-21 italiana por algum tempo, mas nunca convenceu a ninguém em Roma. Inseguro, já cometeu algumas falhas que custaram pontos preciosos aos giallorossi. Como substituição a um bom goleiro como Manninger - que foi um dos pilares do time durante dois anos -, o Siena poderia ter se esmerado mais. Com certeza havia melhores goleiros disponíveis.

Marco Di Vaio (Bologna)
Mesmo que tenha estreado marcando um gol importantíssimo contra o Milan, em San Siro, a contratação de Di Vaio pelo Bologna suscita dúvidas. Como um jogador que estava praticamente encostado desde 2005 pode ser titular de uma equipe da Serie A? O atacante nunca repetiu em nenhum lugar a fase que teve no Parma. Pelo contrário, com o passar dos anos, foi decaindo. Chegou até mesmo a ser terceira opção no Genoa, em detrimento a utilização de bondes como Figueroa e Sculli. O pior é que Daniele Arrigoni parece contar com Di Vaio para ser seu titular, mesmo com o promissor Massimo Bernacci no time.

Matteo Ferrari (Genoa)
Embora o Genoa tenha feito um grande mercado, a chegada de Ferrari é emblemática. O clube se reforçou muito na defesa e trouxe nomes muito promissores, como Bocchetti e Papastathopoulos. Por outro lado, Ferrari traz experiência e chega para assumir a titularidade. Num campeonato complicado como a Serie A, a experiência conta e vale muito, mas nem todo jogador experiente é sempre bem vindo. Autor de inúmeras pixotadas, o ítalo-argelino tem altas probabilidades de comprometer o sistema defensivo grifone. Para amenizar a situação, as opções no banco são vastas e de qualidade.

Luciano Zauri (Fiorentina)
Se a Fiorentina contratou muito bem, no geral, o empréstimo de Zauri pode ser considerado uma bola fora da direção viola? Em tese, sim. Zauri não vem em boa fase há algum tempo, o que facilitou sua transferência. Jogador importante da Lazio das últimas cinco temporadas, nem mesmo sua experiência foi suficiente para que a diretoria laziale decidisse mantê-lo: as boas exibições dos jovens De Silvestri, Radu e Kolarov contrastaram com suas más atuações. Em Florença, disputará com o também contestável Comotto a titularidade da lateral direita. Por conta disso, este setor é o mais vulnerável do time.

sábado, 6 de setembro de 2008

SuperMario

Lippi afirmou que Balotelli ainda não está pronto para a seleção principal. Minha pergunta é: quem está? Será que Gilardino, que não conseguiu se firmar no Milan e tenta uma reabilitação na Fiorentina, está mais apto do que o atacante da Inter? Será que Iaquinta, que acima de tudo continua sendo o Iaquinta, tem mais condições de defender a Itália do que Balotelli?

Há jogadores jovens que se queimam com oportunidades precoces. SuperMario já provou, e várias vezes, que o mesmo não acontece com ele. Ao invés de se queimar, Balotelli explode - e já deixou isso bem claro. Adaptou-se à pressão forte nas suas costas e, principalmente, à Serie A. A maioria dos jovens italianos se tornam fiascos quando passam para o profissional. Como Daniele Corvia, por exemplo, que fazia chover no Primavera da Roma, e hoje é o que é.

Não consigo ver como prejudicial uma possível convocação de Mario - que por sinal estreou com gol na sub-21 contra a Grécia - para a seleção principal. Ele não é como a maioria, nem fisicamente, nem psicologicamente e muito menos tecnicamente. Não seria necessário convocar Balotelli e lançá-lo como titular da Azzurra, apesar de que - particularmente - acho que daria conta. Mas começar relacionando o atacante seria uma ótima iniciativa.

Talvez este seja o protecionismo citado no texto anterior, ou talvez Lippi só esteja esfriando o assunto para não ser cobrado depois. O treinador ainda comentou que, para ele, seria melhor deixar de chamar o atacante filho de ganeses como SuperMario, ou então fenômeno. Só que, querendo ou não, isso não vai parar. Porque, acima de qualquer outra coisa, SuperMario é um fenômeno.

Uma Serie A para velhos?

Deixando os eufemismos de lado, quem nunca ouviu algum comentário (futebolístico) como “a Itália é um país de velhos”? Tal maneira de se referir aos tetra campeões mundiais não surgiu por acaso. Querendo ou não, é fato que há um protecionismo elevado no país com relação aos seus jovens no futebol. São raros os jogadores que surgem e ganham espaço muito cedo, como tem sido com Mario Balotelli, da Inter. Em outros casos, como o ocorrido com Nicola Ventola – hoje no Torino –, o surgimento precoce não convém com o futebol posteriormente apresentado, transformando-se num fiasco total. Nem Alessandro Del Piero, grande bandeira e um dos maiores jogadores da história da Juventus, foi titular absoluto tão cedo: somente na temporada 1997/98, com 24 anos, o atacante se firmou na equipe bianconera.

A política
O que Sebastian Giovinco, Paolo De Ceglie, Robert Acquafresca e Alessio Cerci têm em comum? Os dois primeiros ganharam projeção na temporada passada, emprestados respectivamente a Empoli e Siena, e agora atuam juntos pela Juventus. O terceiro, apesar de jogador da Inter, foi emprestado ao Cagliari tanto na temporada passada quanto na atual. O último, nome famoso nas seleções de base da Itália, destacou-se emprestado ao Pisa para agora ser repassado à Atalanta, apesar de vinculado à Roma. Tal movimento de mercado, de emprestar um jovem para adquirir experiência e continuidade em uma equipe menor, é comum nos grandes times. O mesmo aconteceu com Foggia, repassado a diversos clubes, e Okaka, que agora terá sua primeira real chance com a Roma, após um ano no Modena.

Também são poucos os nomes que tentam a sorte fora da Itália. Andrea Russotto, mais por imbróglio empresarial do que por qualquer outra coisa, ainda é jogador do Bellinzona, da Suíça. Giuseppe Rossi, nascido nos Estados Unidos e formado no Parma, passou por Manchester United, Newcastle e agora defende o Villarreal, sendo um dos bem raros exemplos de jovens italianos cuja consagração (ou algo semelhante) vem fora do país. Graziano Pellè, que com 23 anos já defendeu cinco equipes e – assim como Rossi – é figurinha carimbada das seleções menores, disputa agora a sua segunda temporada com o AZ, da Holanda.

O que se passa é que, apesar da letargia em lançar garotos, muitos clubes italianos ainda valorizam bastante a nacionalidade de seus jogadores. Para comprovar isto, basta ver que não havia atletas atuando fora do país no elenco que faturou a Copa do Mundo, em 2006. Ou seja, a permanência dos italianos na sua terra ainda é um elemento cultural, por mais que, atualmente, casos como os de Toni, Cannavaro, Grosso e agora Oddo tentem mudar a maré.

Então por que as grandes equipes demoram tanto para investir em um jovem talento? Não é tão complicado elaborar uma conclusão. Paloschi, por exemplo, poderia receber um maior apoio do Milan para esta temporada. Mas seria vantajoso para o clube, olhando pelo lado econômico e psicológico, barrar Inzaghi, Pato, Borriello ou até Ronaldinho? Talvez não completamente com o terceiro, mas são atletas que, se estão vestindo a camisa rossonera, estão esperando oportunidades o tempo todo.

Talvez esquecer um Inzaghi – que ainda por cima fatura 4 milhões de euros por ano – para apostar em um aspirante Paloschi também poderia gerar polêmicas internas. Basta ver o recente caso da Inter, cujo registro na Liga dos Campeões não inclui Crespo, e sim Balotelli. Logo em seguida à lista dos elegíveis para a competição, já surgiram rumores fortes sobre uma possível saída do atacante argentino da equipe. Agora, Paloschi passará um ano adquirindo ritmo e experiência no Parma, atuando na Serie B, sem gerar qualquer tipo de pressão ou risco ao Milan.

Lógico, há atletas que acabam sendo prejudicados com um protecionismo excessivo, mas também existem vários exemplos de jogadores que tiveram tempo e calma necessários para crescer futebolisticamente. Enquanto não se vê a necessidade de recorrer aos jovens, estes podem militar na desvalorizada Coppa Italia, ou então em equipes menores, para só assim provar o seu valor. E este valor provado ainda deve ser muito maior do que aquele dos atletas renomados à sua frente para chegar à titularidade.

Exemplos vivos
Reza a lenda que Alberto Aquilani é um dos melhores jovens meio-campistas da Europa na atualidade. Pois bem, ele completou 24 anos no último mês de julho. Um excelente jogador que evolui aos poucos ou simplesmente protecionismo excessivo? Neste caso, a segunda opção. O romano e romanista, oriundo das categorias de base do clube, até hoje não conseguiu se firmar na equipe da capital. Desde 2005/06 com um papel de profundidade no elenco, após voltar do período de um ano emprestado à Triestina, Aquilani ainda não conseguiu deslanchar, mesmo tendo demonstrado potencial de sobra para tal. Será que com 21 anos, quando estava bem atrás do caneludo Dacourt por uma vaga na equipe, ele não tinha capacidade para merecer reais e concretas oportunidades, adiantando então a sua explosão?

Alessandro Rosina passou três anos no Parma, clube que o revelou. Jogos impressionantes, partidas memoráveis, lugar ao sol? Nada disso. Nas três longas temporadas no time, somente um total de 25 partidas, número praticamente desprezível para alguém que hoje é um dos destaques da Serie A, ainda que no Torino. No período passado com a equipe parmigiana, Mutu, Appiah, Nakata, Marchionni e até Adriano vestiram a mesma camisa, o que acabou comprometendo – e muito – a sua regularidade. Depois de uma temporada emprestado ao Verona, “Rosinaldo” acertou com um Torino que, muito graças a ele, retornou à divisão de elite do país. Foi só jogando pelo clube granata que o meia-atacante conseguiu oportunidades reais na seleção sub-21, visto que, quando militava no Verona, fez parte do grupo campeão mundial da categoria em 2004 sem entrar em campo.

É, porém, mas, todavia...
Fabrizio Miccoli chegou à Juventus com 24 anos, na temporada 2003/04. Sua missão? Dar conta de substituir o fisicamente prejudicado Del Piero sem fazer o clube sentir a falta de seu principal ídolo. Obviamente, não deu certo. Claro que 24 anos não é uma idade que indica inexperiêcia, mas talvez, se o atacante que hoje defende o Palermo tivesse recebido mais calma para se firmar aos poucos, teria obtido muito mais êxito no clube. Nicola Ventola, na Inter, tinha simplesmente que passar por Ronaldo e Vieri, ambos ainda sem problemas físicos e mentais.

Ivan Pelizzoli, que até os 23 anos demonstrava grande potencial em sua terceira temporada na Roma, fracassou em seu quarto ano na capital, recebendo culpa excessiva num time medíocre que chegava a utilizar Dellas e Abel Xavier como dupla de zaga. Hoje, no ostracismo, defende o Lokomotiv Moscou, da Rússia. Todos são exemplos de que, se tivessem recebido menos pressão e mais calma de todos os lados, muito provavelmente estariam em situações bem mais gratificantes.

Exceções
Se falta maturidade para Cassano, sempre sobrou futebol para ele. Não por acaso apelidado de Peter Pan, o atacante marcou um gol antológico, ainda aos 19 anos, na poderosa Internazionale, atuando pelo Bari. Com 20, já brigava por posições numa Roma que possuía Batistuta, Delvecchio e Montella, enquanto que com 22 era titular absoluto e insubstituível da equipe. Desde a seleção sub-16 na Azzurra, destacou-se precocemente por um potencial assustador, uma notável coragem em jogos importantes e, claro, pelo extracampo.

Tudo isso, óbvio, convém com o fato de que o Bari era um time presente entre o meio e o final da tabela da Serie A. Se tivesse começado na Juventus, por exemplo – e lógico que isto são só suposições – muito provavelmente só teria tido um papel relevante na equipe na idade em que já conquistava a torcida romanista. Foi o único jogador a conquistar duas vezes o relevante prêmio “Oscar del calcio” de melhor jovem da temporada, pela AIC (Associazione Italiana Calciatori).

Alberto Gilardino e Daniele De Rossi não poderiam ser deixados de lado. O primeiro, eleito melhor jovem da Serie A pela AIC em 2003/04 e melhor jogador de todo o campeonato na temporada seguinte, estourou cedo no Parma. O segundo, ídolo incontestável dos romanistas, conseguiu brigar por vaga com Emerson, puxar o tapete do fraco Dacourt e desbancar o limitado, porém muito respeitado, Tommasi.

Os dois foram os jogadores mais novos do elenco campeão do mundo em 2006: Gilardino, que completou 24 anos durante a competição, marcou um gol contra os Estados Unidos; enquanto De Rossi, então com 22, cometeu a imbecilidade de acertar McBride com o cotovelo, na mesma partida. Ambos, entretanto, viveram momentos bem distintos: o atacante, depois de arrebentar e ganhar projeção continental com o Parma, não conseguiu se firmar no Milan e, agora, tem nova chance na Fiorentina de Cesare Prandelli, que o havia treinado nos gialloblù. O meio-campista, por sua vez, consagrou-se defendendo a equipe do coração e já é considerado o herdeiro natural de Totti na equipe.

Originalmente para o Olheiros.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Desocupados FC

Por Gazzetta Dello Sport.

Em parênteses o último clube do selecionado.

Desocupados (4-3-1-2): Bucci (Parma) / Bertotto (Siena), De Rosa (Genoa), Galante (Livorno), César (Inter) / Appiah (Fenerbahçe), Tacchinardi (Brescia), Thiago Motta (Atl. Madrid); Fiore (Modena) / Recoba (Torino); Ronaldo (Milan).
Treinador: Roberto Mancini (Inter).
Banco: Lupatelli (Fiorentina), Manitta (Messina), Gatti (Modena), Giannichedda (Livorno), Giampà (Modena).

A matéria original aqui.

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De todos os mencionados, a sua maioria faz parte de um grupo que já perdeu o pique, ou seja, dificilmente voltaria, ou voltará, a render o que já conseguiu um dia. Bertotto, Tacchinardi, Fiore, Recoba, Giannichedda e Giampà, por exemplo. Há incógnitas como César, Thiago Motta e, principalmente, Ronaldo. Se o primeiro começou bem a temporada passada mas demonstrou inconstância, o segundo nunca passou grande confiança, enquanto não há a mínima necessidade de comentários sobre o terceiro. Ok, fui bonzinho em chamar o Motta de incógnita.

Vale mencionar o "reencontro" de Galante e Ronaldo. Não lembrou de nada? O defensor, que por sinal foi o mesmo que levou tapas de Totti na temporada retrasada, comentou que, nas noitadas, o fenômeno era ele. Ambos atuaram juntos na Inter e, a princípio, mantêm amizade até hoje. Fabio Gatti, promessa do Perugia no início do século, completou 26 anos em 2008 e se confirmou como um foguete molhado, apesar de uma temporada considerável no Napoli há dois anos. Quem deve durar menos neste time é Appiah, cujo nome foi ligado a vários clubes, inclusive à própria Juventus, squadra defendida pelo meio-campista antes de jogar no Fenerbahçe.

PS: Sou só eu ou alguém mais acha que Cafú deveria estar nesse grupo? Esquecido mesmo, de fato, foi o Ljungberg, sem contrato desde que acertou sua rescisão com o West Ham.