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domingo, 30 de novembro de 2008


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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nem toda implicância é cega

Quem me conhece sabe: eu implico bastante com Adriano. O nosso Adriano. O imperador. Às vezes subestimo, às vezes desvalorizo, às vezes desdenho. Ontem, depois do gol que sacramentou o 6-2 contra Portugal, veio-me à cabeça - pela incontável vez - a seguinte pergunta: por quê?

O cara não é ruim, lógico que não. Nunca foi. Assim como nunca foi craque, melhor do mundo, mito, gênio ou digno de pular vários nomes e entrar num livro chamado "A Magia da Camisa 10". Mas é útil, extremamente útil. Pode render muito, acrescentar demasiadamente à sua equipe. Basta ser utilizado corretamente.

Ou não.

Um jogador desses é aleijado de rico, não consegue andar de tanto dinheiro, transborda em mulheres, luxo, fama, o que quiser e que i soldi possam comprar. Custa tanto ser um pouco mais empenhado? É tão difícil assim seguir uma rotina, dura - ninguém está afirmando que ser jogador de futebol é a profissão mais fácil do mundo - todos os dias, almejando algo grande?

Ele pode chegar bem mais longe. Tem condições de voar mais alto. E sabe disso. Me deixa indignado alguém procrastinar tanto com uma situação na vida que quase todos os habitantes deste planeta gostariam de viver, de sentir, nem que fosse por um dia.

Enquanto continuar com esse cassano way of life, também continuará fazendo menos gols do que Panucci, por exemplo. E desperdiçando uma das maiores chances de qualquer vida profissional. Saudemos o imperador.

domingo, 16 de novembro de 2008

Cassano, o anti-herói italiano

A "cassanata" é um termo que qualquer italiano apaixonado por futebol conseguirá explicar em poucos segundos, mas ao mesmo tempo uma espécie de sentimento que nenhum dicionário saberá traduzir. Porque a "cassanata" acabou se tornando a marca registrada da carreira de Antonio Cassano, criada numa coletiva por Fabio Capello, então técnico da Roma e hoje comandante da seleção inglesa. Era novembro de 2002 e o técnico explicava sua exclusão de uma partida com o Perugia.

Hoje com 26 anos, Cassano é uma das figuraças do campeonato italiano. Mas quando o talento da Bari Vecchia marcou um golaço contra a Inter, com apenas 17 anos, esperava-se que dali saísse apenas futebol em alto nível. Ilusão. Segundo o próprio jogador, aquele gol serviu apenas para tirar um delinqüente do mundo. É o que Cassano declarou numa autobiografia a ser lançada nesta semana, na Itália. No ambiente do futebol, porém, o barês nunca deixou faltar emoção. Em campo ou fora dele.

O mês é dezembro de 1999. O motor é a ironia. Depois de ser barrado por peneiras da Internazionale por duas vezes, Cassano jogava pela primavera do Bari, mas já pensava em abandonar o sonho de ser jogador. Mas, com problemas ofensivos, o técnico Eugenio Fascetti arriscaria. E em sua segunda partida como profissional, Cassano se tornou tema do noticiário esportivo italiano ao marcar nos minutos finais o gol decisivo dos 2 a 1 sobre a Inter. Ao ser perguntado o que tinha pensado após marcá-lo, a resposta foi simples: "fiquei rico". Nada mal para quem havia passado a infância na miséria.

Com o gol marcado poucos dias antes da reabertura da janela de transferências, estava instaurada a guerra por Cassano. Que o Bari seguraria até junho de 2001, quando Franco Sensi, então presidente da Roma, o levou por um equivalente a 28 milhões de euros. Mesmo com a alta cifra, o atacante não se deixou iludir. Ao menos não na primeira oportunidade. Ao fazer juras de amor por Francesco Totti, o capitão passou a hospedá-lo em sua mansão em Casal Palocco.

Após várias boatos jamais esclarecidos, porém, Cassano acabou saindo da proteção de Totti. No vestiário romanista, causou intrigas com duas canetas. Ao passar a bola por baixo das pernas de Batistuta, num treinamento, disparou para o argentino: "agora é um velhinho". Para Aldair, foi ainda mais pesado: "está como sua mãe, sempre com as pernas abertas". O suficiente para colocá-lo contra os senadores do elenco e na mira do brasileiro, que por muito pouco não resolveu ali mesmo suas diferenças com o atacante.

Com um ano em Roma, Fantantonio já era figura discutida e discutível no ambiente capitolino. Logo em sua segunda temporada, entrou em atrito também com Capello, ao faltar a um treinamento sem algum pré-aviso. O técnico reclamou do egoísmo do jogador: "deve demonstrar querer ser ajudado. Não como jogador, mas como homem". O apelo não funcionou como deveria. Três semanas depois naquele mês de novembro, Cassano foi detido ao dirigir uma Mercedes 5000 sem habilitação e ultrapassar um sinal vermelho.

No março seguinte, Cassano seria convocado por um de seus maiores desafetos de toda a carreira, o técnico da seleção italiana sub-21, Claudio Gentile. Mas uma "lesão" acabou obrigando seu retorno à capital. A lesão foi uma escapada noturna com uma camareira do hotel onde estava alojada a seleção. Apenas uma entre centenas. Em sua autobiografia, Cassano declara ter se aventurado com algo entre 600 e 700 mulheres. Mas o resultado geralmente era bom. Em fevereiro de 2004, fez uma de suas melhores partidas da carreira, marcando dois gols na Juventus na vitória de 4 a 0 da Roma. Naquele dia, Cassano teria ficado até as seis da manhã com uma acompanhante.

Essa goleada foi o último grande feito do time sob o comando de Capello. Com 22 anos e muita responsabilidade nas costas, teria sido Cassano o maior responsável pelo pedido de demissão relâmpago do técnico Rudi Völler, incapaz de domá-lo nos vestiários. Com Luigi Del Neri não foi melhor e bastou um mês até que Cassano fosse afastado do elenco após uma briga entre técnico e jogador no intervalo de uma partida com o Cagliari. A declaração da administradora-delegada Rosella Sensi dava o tom: "não podemos sacrificar o trabalho de um grupo de profissionais por apenas um jogador. Mas Cassano fica na Roma, não falamos em venda".

Afinal, problemático ou não, Cassano resolvia em campo e era um patrimônio do clube. E bastaram duas rodadas para que fosse reintegrado ao elenco de forma sofrível, já sem apoio do grupo e da torcida. Sem mostrar ânimo em campo e sempre culpando os técnicos, o jogador viu Spalletti lhe retirar o posto de vice-capitão do time. O recém-chegado comandante também não foi perdoado: "você não está treinando mais aqueles pernas-de-pau da Udinese. Isso aqui não é a sua casa, é a minha!".

Na Roma, Cassano durou até janeiro de 2006, quando saiu por apenas cinco milhões de euros para o Real Madrid. Ficasse até junho na capital, o prejuízo financeiro seria ainda maior. O grande pretexto para sua venda foi a não-renovação contratual, já que Cassano exigia da sociedade o mesmo salário de Totti – algo impensável dentro do ambiente romanista. O Peter Pan viveu amor e ódio em seus melhores dias na Roma. Que a faixa de capitão na Sampdoria saiba conter seus ímpetos de forma mais duradoura.

(originalmente para o Olheiros.net)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Bola na rede ou na televisão?

*Originalmente para o blog da revista Lupa, da Faculdade de Comunicação da UFBa. Até o Braitner foi entrevistado. :P

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A distribuição de informação multimídia na rede, o streaming, não é nenhuma novidade, principalmente depois do processo de popularização do serviço de banda larga. É possível assistir a vídeos e ouvir músicas sem precisar baixá-los para seu computador. Todos nós conhecemos Youtube e rádios online. O processo não é novo.

Particularizando à esfera do futebol o uso desse recurso, podemos perceber que o streaming é útil tanto para torcedores quanto para jornalistas esportivos, pois o torcedor tem o direito de escolher qual jogo irá ver e em qual horário (alguns programas permitem que os jogos sejam gravados). Há muito tempo os direitos autorais dos campeonatos de futebol (especialmente o Campeonato Brasileiro) são polarizados por poucas emissoras de televisão - que muitas vezes transmitem o mesmo jogo, no mesmo horário. Jogos mais importantes ficam reservados aos canais de tv a cabo e ao sistema pay-per-view.

No campo das tvs a cabo, também há discrepâncias: a SKY tem exclusividade pelos direitos de transmissão dos jogos mais importantes do Campeonato Espanhol apenas para quem pagar pelos jogos. O canal aberto da Bandeirantes, por exemplo, só transmite jogos do Italiano em video tape, enquanto o fechado BandSports transmite partidas ao vivo. Os contratos estão ainda mais caros e disputados ferrenhamente pelas empresas. Por outro lado, ver um jogo na televisão é cada vez mais complicado. Braitner Moreira, um dos fundadores do QuattroTratti, site especializado em futebol italiano, comenta sobre o problema. "Geralmente os comentaristas da televisão estão mal informados sobre as equipes ou há muita propaganda. Nas transmissões do Esporte Interativo (franquia que transmite jogos estrangeiros) há uma a faixa horizontal onipresente que pede o envio de mensagens SMS ou ainda a entrada ao vivo, em vários momentos, da garota-propaganda de uma das marcas que anunciam no canal".

"Mãe, tô na rede, beijos"

Leonardo Bertozzi, colunista da revista Trivela e criador do Futebol Europeu.com.br, admite a importância da ferramenta para a cobertura de campeonatos estrangeiros, pelo fato de haver possibilidade de escolha de ver a partida que o espectador realmente deseja assistir: "Acho que para quem escreve sobre campeonatos não cobertos pela grande mídia, é uma ferramenta importante. Pode servir também para dar uma cobertura mais específica sobre jogos menos midiáticos em grandes campeonatos: muitas vezes os horários de jogos mais importantes coincidem com jogos menos concorridos, que também merecem cobertura".

Mas nem tudo são flores para as transmissões online. O Rojadirecta, hospedeiro de links de streaming e um dos sites mais conhecidos para quem assiste jogos online enfrentou batalhas judiciais contra a detentora espanhola dos direitos de transmissão da Liga espanhola. O site venceu a batalha, abrindo precedentes para que outros usuários consigam transmitir de suas casas jogos da televisão via Internet. Portais como o Justin.tv funcionam como o Youtube: usuários disponibilizam canais (diferentemente do Youtube, estes são ao vivo) para toda a rede., no esquema P2P (usando o próprio navegador de Internet, sem intermédio de programas). Embora grande parte deste tipo de site tenha surgido da clandestinidade, existem sites de streaming legalizados, como o site de apostas bet365.com ou a Terra TV. No bet365.com, basta se cadastrar e ver as partidas, também em P2P. A empresa disponibiliza uma versão do site em português, mas as transmissões são sempre feitas em língua inglesa.

Ainda há outros problemas: muitos sites transmitem jogos em baixa qualidade, o que pode fazer o torcedor escolher ver o jogo na televisão. Outro fator de afastamento pode se constituir no fato de que a maior parte dos streamings ainda é realizado em língua estrangeira. Há poucos internautas que disponibilizam canais em português. "A má qualidade às vezes me faz ir pro jogo da tv mesmo. Em qualidade baixa, tenho muito que querer aquele jogo. Mesmo assim, graças ao streaming, na última temporada só perdi dois jogos do meu time", afirma Braitner Moreira.

O que está em jogo é a (anacrônica da forma como é conduzida) discussão sobre direitos autorais na Internet, onde a propriedade privada e intelectual é algo ainda mais fluido e contraditório.

Baixe programas de streaming aqui: Sopcast, TVAnts, TVUPlayer.

As fotos do hóquei são melhores, mas nem cabem na postagem. Quem quiser conferir, olha aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A lama, um ano depois

O 11 de novembro de 2007 jamais será esquecido dentro do futebol italiano. Neste dia, na região de Arezzo, um disparo da polícia acabou matando Gabriele Sandri, torcedor da Lazio. Ainda de ressaca pelas polêmicas no caso do assassinato do policial Filippo Raciti dentro do estádio do Catania, a Itália viu seu futebol na lama. Fato que hoje passa despercebido para um observador mais desatento, já que a Serie A passa por uma fase empolgante.

Fora das quatro linhas, vale lembrar a inoperância da justiça criminal do país, vergonhosamente lenta. O acontecimento só não foi completamente arquivado porque a mídia italiana mantém a cobertura aquecida com algumas notas mensais, como a missa desta terça-feira na Piazza Balduina, de Roma. No caso Sandri (relembre aqui), a indignação pública foi bem mais forte do que qualquer ação aguardada: quase nenhuma resposta para as várias perguntas.

Os estádios se mantêm cheios de problemas, com um observatório vetando as viagens de torcedores em situações potencialmente críticas. Uma das poucas idéias com chance de vingar em curto prazo só foi colocada em prática no último dia 2. Não houve venda de bilhetes para Milan x Napoli, e só entrou no San Siro os portadores da carteirinha Cuore Rossonero, uma espécie de documento de identificação da torcida rossonera. Com essa medida, o governo italiano cogita inclusive acabar com o ingresso, em longo prazo.

Mas o torcedor comum, aquele sem uma carteirinha que oficializa sua condição de apaixonado pelo futebol, se afasta cada vez mais dos campos. Seja como refém da violência ou da burocracia. Realidade bem conhecida no Brasil. A ameaça de paralisação do último campeonato não parece ter sido dura o suficiente para fazer com que autoridades e órgãos responsáveis se dedicassem a segurar a situação de forma mais efetiva. E o futebol italiano, que por muito pouco não entrou na maior crise de sua história, passou incólume. Se isso foi bom, só o tempo dirá.

Quanto a Sandri, o agente Luigi Spaccarotella admitiu a responsabilidade em sua morte. Mais um motivo para a indignação, já que nenhum procedimento disclipinar foi aberto para investigar o caso.

Falando em caos...
Esta terça-feira também foi um dia importante para o possível desfecho das investigações sobre o Moggiopoli, crise que estourou em 2006 e culminou no rebaixamento da Juventus para a Serie B. O promotor Luca Palamara fez o requerimento das penas: seis anos de reclusão para Luciano Moggi (ex-diretor geral da Juve), cinco para Alessandro Moggi (ex-diretor da Gea, sociedade de procuradores esportivos) e três e meio para Franco Zavaglia (ex-administrador delegado da empresa. Francesco Ceravolo (ex-diretor das categorias de base da Juve) e Davide Lippi (empresário, filho do técnico da seleção italiana) também tiveram suas prisões requeridas. As sentenças devem sair em janeiro.

domingo, 9 de novembro de 2008

A grande geração perdida

A primeira divisão da Lega Pro italiana – equivalente à terceira divisão profissional do país – é liderada pelo Arezzo, que tem como titular na lateral-esquerda um jovem de história interessante. Fabrizio Grillo, 21 anos, foi o primeiro entre os defensores italianos a ser batizado de "novo Alessandro Nesta". Desta época até hoje, muita coisa mudou. E sua posição em campo foi apenas uma delas.

O romano possuía total crédito dentro do ambiente da Lazio, sendo considerado por muitos a grande jóia do vivaio do clube, no início da década. Em junho de 2001, venceu o campeonato dos Giovanissimi, uma categoria acima de sua idade, batendo na final a Roma. Após um empate sem gols, foi de Grillo o pênalti decisivo para o título laziale. Tudo normal, até que dois meses depois o então zagueiro fechasse contrato com os giallorossi.

A decisão da Lazio em não renovar com Simone Grillo, seu irmão mais velho, fez com que houvesse uma forte ruptura entre o garoto e a sociedade. O que também acabou respingando como uma certa ingerência entre as promessas daquela geração. Dos onze titulares do time campeão, a Lazio perdeu cinco. O primeiro foi Fabrizio Grillo, que aceitou a proposta da arqui-rival Roma após ser assediado por meia Itália.

Zagueiro bastante técnico, com boa saída de jogo, Grillo passou duas ótimas temporadas pelos giallorossi, atuando sempre com bons resultados em categorias superiores. Até ser parado por uma séria lesão em seu joelho, no verão de 2003. Seu futebol nunca foi o mesmo. Afastado dos times titulares da base romanista, saiu do círculo da seleção italiana e deixou o clube em janeiro de 2007, sem jamais ter estreado pela Serie A. Negociado na época com a Sambenedettese, jamais se firmou, mas hoje recomeça bem pelo Arezzo e tem tempo para ver sua carreira ser salva.

Tarefa mais complicada terá outro representante da geração, o forte meio-campista Fabrizio Mineo, mais um que deixou a Lazio para fechar com a Roma. Após vários anos como coadjuvante no vivaio giallorosso, em 2006 foi liberado para o Treviso, onde nem chegou a jogar. Um ano depois, foi parar no Manfredonia, onde não convenceu. Em julho, chegou à Juve Stabia, onde vê do banco o calvário do time na zona de rebaixamento da Lega Pro.

Os outros três jogadores que abandonaram o barco partiram para o Reino Unido, sem final feliz. O atacante Michele Gallaccio foi levado por Claudio Ranieri com apenas 16 anos para o Chelsea, onde chegou cercado de expectativas e apenas uma certeza: a pressão de ser italiano num clube renovado por jogadores do país. Cinco anos depois, Gallaccio fechou com o Guidonia, da Serie D (relativa à quinta divisão). Pela Pro Vasto, temporada passada e pelo mesmo campeonato, foram três gols em 19 jogos. Incrivelmente pouco para quem já foi tido como herdeiro natural de Gianfranco Zola.

O goleiro Alessandro Cosimi e o zagueiro Giordano Pellegrino assinaram contrato com os escoceses do Livingstone, em dezembro de 2002. Mas a aventura britânica durou pouco, apenas quatro meses. A dupla chegou pressionada pela direção do clube, que os profissionalizou e mandou ao time principal com apenas 17 anos. Mas um episódio em que não limparam as chuteiras de dois argentinos do time titular antes de uma partida acabou sendo a chave para suas punições e posterior afastamento.

Os dois deixaram a Lazio sem dar qualquer satisfação. Sem contratos profissionais, se desvincularam do clube biancoceleste em busca do sonho das libras fáceis. E, no fim de março de 2003, a dupla deixava Edimburgo e voltava à Itália após renunciar a um contrato profissional de 1.600 libras por semana até 2005. Dinheiro jamais visto por Cosimi e Pellegrino, que também não conseguiram encontrar patrocinadores e escolas na região, como havia prometido o clube.

A questão é que a Lazio, municiada pelos novos regulamentos da FIFA, pediu indenização pelos dois jogadores após liberar a transferência para o Livingston: 60 mil libras esterlinas por cabeça. Os escoceses, que não esperavam ter de pagar mais do que a metade do pedido, acabou descontando nos jovens, e viram no episódio das chuteiras um bom momento para afastá-los. O goleiro, hoje, defende a meta da Ostiamare no campeonato Eccelenza (sexta divisão). O zagueiro atua pela Fanfulla, uma divisão acima.

Abalada por uma crise financeira que mais tarde se mostraria bastante danosa, a Lazio acabou perdendo não só suas grandes estrelas. Mas aquelas em potencial logo se tornaram estrelas cadentes no cenário futebolístico. Criados com confiança dentro da sociedade, provavelmente teriam oportunidades reais num futuro não tão distante. Mas perdida pela promessa de dinheiro rápido, a realidade do quinteto até aqui foi a falta de continuidade na carreira. Decepcionante para aquela que muitos apostavam ser a melhor geração da história recente do clube.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Fique de Olho: Viudez

Viudez: por que ele?

Quando os uruguaios Mathías Cardacio e Tabaré Viudez foram anunciados como novos reforços do Milan para a temporada 2008/09, muito se perguntou. Não sendo duas estrelas do futebol sul-americano, os dois promissores atletas causaram estranheza por desembarcarem em Milão tão precocemente. As dúvidas eram – e são – as mesmas: por que eles, logo eles, foram levados a Milanello? O que se pode esperar de ambos? Quem, de fato, são os dois? Na (atrasada) política de renovação do clube rossonero, com certeza os dois jogadores não vieram por acaso. E este texto, dedicado ao mais jovem da dupla, tenta explicar alguns porquês.

O início

Também conhecido como Chaio, Tabaré começou a sua curta carreira em um dos clubes de sua cidade natal, o Defensor Sporting. Na equipe quatro vezes campeã da Primera División Uruguaya (Primeira Divisão Uruguaia), Viudez conseguiu, em menos de um ano, saltar para um dos maiores clubes do mundo, o Milan. Em seu time de formação, estreou já na Copa Libertadores, em março de 2007, na partida contra o Deportivo Pasto. Passados quatro meses, teve a chance de entrar em campo na liga nacional, contra o Rampla Juniors, após substituir Mauro Vila nos minutos finais. Vestindo a camisa dez da seleção sub-20, Viudez cobria as posições de meio-campista ofensivo e atacante. Chaio estreou na mesma com apenas 18 anos, em julho de 2007, no Mundial sub-20 do qual sua seleção caiu na fase seguinte, contra os Estados Unidos.

Baixo e rápido, com 164 centímetros, Viudez chamou a atenção nos meses seguintes, durante o Apertura. Num total de 10 partidas – cuja maioria foi partindo do banco de reservas – balançou as redes do Cerro em setembro de 2007, no que seria seu primeiro e único gol na competição. Já no Clausura, Chaio acabou por atuar em todos os jogos de sua equipe, marcando dois gols nas duas primeiras partidas. A partir daí, não seria mais possível vê-lo com quaisquer olhos, devido à sua ascensão marcante em tão pouco tempo. Ainda seria, em abril de 2008, campeão do Uruguai, após playoff contra o Peñarol. No total, marcou seis gols profissionais em um ano de carreira. Ano este que foi suficiente para atrair o poderoso Milan.

No final de julho de 2008, Viudez foi oficialmente negociado pelo clube comandado por Carlo Ancelotti. Junto dele, também foi levado Mathías Cardacio, cuja pretensão é a de transformar em um substituto de Andrea Pirlo no futuro. Segundo a ESPN italiana, o valor do duplo negócio foi de aproximadamente 4.5 milhões de euros. Ainda segundo o veículo, a negociação ocorreu por conta do procurador Daniel Fonseca, ex-atacante de Juventus, Roma e Napoli. Com meros 18 anos, Tabaré Viudez já atingia um ponto almejado pela esmagadora maioria dos jogadores de futebol. Após alguns dias e frases emocionadas e empolgadas, Chaio entrou em campo durante o amistoso dos rossoneri contra o Manchester City, na pré-temporada.

Em campo e o que esperar

Viudez, bem como inúmeros outros baixinhos no mundo do futebol, compensa a baixa estatura com habilidade. Partindo para cima dos adversários com explosão, Tabaré não tem muitas características de um jogador artilheiro, e sim de um ágil assistente. Na Itália, claro, só rapidez e habilidade não bastarão. Para se consagrar na Serie A – o que, se acontecer, não deverá ocorrer em curto prazo –, ainda será necessário haver uma forte adaptação física e mental com o jogador. Fatores estes que só poderão ser alcançados com oportunidades em campo.

Para o desenvolvimento do meia-atacante, talvez seu destino seja aquele de ser emprestado a alguma equipe menor e também disputar algumas partidas da Coppa Italia, para crescer sem pressa e, claro, pressão. Logicamente, Viudez não será titular do Milan agora, e, portanto, nem valeria a pena discutir questões relacionadas à tática atual adotada pelo clube. De qualquer jeito, este quesito não deve atrapalhá-lo em sua trajetória: podendo ser aproveitado em posições avançadas do meio-campo, Chaio também poderia atuar como esterno e, claro, atacante.

Ainda é cedo para afirmar que o uruguaio é o futuro craque de sua seleção ou de sua equipe, mas, se tiver pelo menos parte da rapidez de crescimento que teve no Defensor, não vai demorar muito para se ouvir bastante sobre Viudez. Enquanto isso não ocorre, basta seguir os passos do atleta que no início de 2007 não era conhecido por ninguém, enquanto na metade de 2008 já fazia parte de um dos maiores clubes da história.

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Ficha técnica

Nome completo: Tabaré Uruguay Viudez Mora
Data de nascimento: 08/09/1989
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes que defendeu: Defensor Sporting, Milan
Seleções de base que defendeu: Uruguai Sub-20

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Originalmente para o Olheiros.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Roma reage

'Também quero pular no montinho', grita Spalletti

Maradona treinador da Argentina. Estados Unidos elegendo um democrata, negro, liberal e com nome muçulmano. Dagoberto jogando bem pelo São Paulo, e a Roma ganhando do Chelsea de 3 a 1 com Perrotta, Pizarro e Brighi no meio campo?
Alguém pode me explicar o que está acontecendo com o mundo?