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domingo, 28 de dezembro de 2008

Como Inter e Milan (não) renovaram seus elencos

É um desafio bem considerável pedir para que alguém cite três jogadores de até 23 anos que tenham se firmado nos elencos de Internazionale e Milan, neste ano. Uma das inclusões mais louváveis, a de Luca Antonini no time de Carlo Ancelotti, tem apenas ares de jovem promessa: revelado no clube, começou a ser emprestado em 2001 e só nesta temporada, aos 26 anos, começou a ter chances – e tem correspondido.

O ano de 2008 não foi nada bom para os jovens em Milanello. Ao fim da temporada 2007-08, a torcida deu adeus ao francês Yoann Gourcuff, que passou dois anos tentando se firmar, e ao “predestinado” Alberto Paloschi, que estreou contra o Siena marcando um gol com apenas 18 segundos em campo. Nenhum dos dois teria espaço num elenco ainda mais envelhecido que o dos últimos anos, com as aquisições de Ronaldinho, Shevchenko e Zambrotta.

Para mensurar como a renovação no Milan anda atrasada, na primeira metade da temporada 2008-09 apenas três jogadores sub-23 entraram em campo pelo time: o lateral-direito Matteo Darmian, o meia Rodney Strasser e o atacante Alexandre Pato – sendo que só o brasileiro jogou por mais de meia hora. Ainda assim, não foi o ano de Pato. Durante 2008, somando campeonato, copa e copas européias, foram 17 gols em 42 partidas. Uma estatística longe de ser ruim, mas ainda distante da expectativa criada pelos 22 milhões de euros de Berlusconi.

Depois de um começo acima da média no Milan, sua fraca participação na campanha do Brasil na Olimpíada foi altamente prejudicial para sua seqüência. Além de, aparentemente, ter queimado um pouco de seu filme com Dunga, a chegada tardia à pré-temporada milanista atrapalhou seu início de temporada no mesmo instante em que lampejos de Ronaldinho decidiam algumas partidas e lhe tiravam espaço. Sem Cafu, Serginho e Ronaldo, até mesmo a adaptação de Pato em Milão foi mais complicada e nada ajudou o começo inconstante do time. Mas sua fantástica atuação nos 5 a 1 contra a Udinese, no último jogo do ano, dá provas de que Pato ainda está vivo. E não deve demorar a marcar seu território.

Darmian, entrando no segundo tempo dessa goleada sobre a Udinese, voltou a jogar pela Serie A, 19 meses depois de sua estréia. Capitão do time de juniores do Milan, o lateral italiano não encontrou espaço para ser aproveitado: acabou barrado por Antonini e um nada brilhante Zambrotta. Strasser, outro nome promissor do elenco primavera do clube, jogou apenas um par de minutos e voltou para a base. O Milan, aliás, não faz boa campanha no Campeonato Primavera e até mesmo o uruguaio Viudez tem decepcionado.

Quem está de fora, vem bem. Praticamente todos os jogadores emprestados pelo Milan às séries A e B vêm bem em seus clubes – o que não conta muito para que sejam aproveitados num futuro recente. Antonelli (lateral-direito, Parma), Perticone (zagueiro, Livorno) e Ardemagni (atacante, Triestina) fazem grandes temporadas. Abate (meia, Torino) e Paloschi (atacante, Parma) têm subido exponencialmente de rendimento. A nota infeliz fica por conta de Digão (zagueiro, Standard Liege), que se lesionou em setembro e só volta em março.

Do lado de lá de Milão, a grande promessa atendia por Mario Balotelli. Fenômeno na base do clube, foi também o único jogador da primavera a ter alguma real oportunidade sob o comando de Roberto Mancini. Supermario começou 2008 com o pé direito, com sete gols em seis jogos no Torneio de Viareggio, do qual a Inter saiu vencedora. Daí até o fim da temporada, foram sete gols em 15 partidas entre Serie A e Coppa Italia, nada mal para quem completaria 18 anos apenas em agosto.

Sem Mancini, Balotelli perdeu um pouco de espaço. Na atual temporada, o atacante completou oito jogos sem marcar gols na Serie A e no início de dezembro foi “rebaixado” ao elenco primavera da Inter para que pudesse compreender “a diferença entre a base e o profissional”, nas palavras de José Mourinho. Na partida contra o Treviso, marcou dois gols e logo voltou ao elenco principal. Mas sabe-se lá por quanto tempo. Ainda que o mecenas Massimo Moratti garanta sua permanência, a fila por suas prestações é longa, encabeçada por Bologna e Sampdoria.

Outro atacante sub-23 em compasso de espera no elenco nerazzurro é Victor Obinna, um dos principais jogadores do Chievo campeão da Serie B em 2007-08. Valorizado demais para continuar em Verona, retornou à Inter, que tentou repassá-lo a outro clube. Obinna chegou a fechar com o Everton, mas não conseguiu permissão trabalhista e permaneceu em Milão, mas de janeiro não deve passar. O atacante teria sido incluído numa proposta ao Genoa por Diego Milito e não raro é especulado pela Roma. Nos giallorossi marcou seu único gol com a camisa da Inter, nas seis partidas em que jogou.

Para variar, a Inter desperdiçou seus jovens por mais um ano. Daquela que talvez tenha sido a melhor fornada da era Moratti, apenas Balotelli teve oportunidades. Na hora ideal para aproveitá-la, o presidente gastou milhões de euros para contar com Mancini, Quaresma e Muntari, ao invés de pressionar pelo aproveitamento de seus jovens. Com isso, perderam espaço os lateral-direito Filippini, o zagueiro Mei, os meias Krhin e Bolzoni e os atacantes Ribas e Napoli. Sem contar quem já saiu do clube: o lateral-esquerdo Fatic (Vicenza) e os meias Filkor (Sassuolo) e Maaroufi (Twente). Ano após ano, a Inter não sabe o que fazer com os frutos de seu vivaio. E, infelizmente, 2009 não deve ser muito diferente.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Um castigo que pode fazer sorrir

O domínio do futebol inglês na Liga dos Campeões é cada vez mais notório. Tanto que falar sobre o tema é chover no molhado, citando que três dos quatro semifinalistas da última edição eram clubes da Inglaterra. Esse domínio faz o país ofuscar Itália e Espanha, as outras duas grandes forças nas competições européias.

Nesse sentido, o sorteio para as oitavas-de-final do torneio, realizado na última sexta-feira, pode ser tomado como um castigo. A Inter, soberana na Serie A, enfrentará o Manchester United. A Juventus, reconfigurada após as duas temporadas longe da Europa, irá encarar o Chelsea. E a Roma, encantadoramente instável, medirá forças com o Arsenal.

Mas é fato que nenhum dos confrontos aponta favoritismo para alguma das partes. O trabalho dos clubes italianos, então, será uma grande provação. Na disputa de melhor de três, se os ingleses baterem os times da bota, será a confirmação do quadro de hoje, que tem na Premier League times mais competitivos. Mas, como falamos de futebol, uma possível vantagem italiana não é descartada.

O Chelsea voltará a contar com Carvalho, Essien e Drogba. O Arsenal deve recuperar Eduardo da Silva, Touré, Walcott e Rosicky. E o Manchester não precisa da volta de Wes Brown para ser mais perigoso do que hoje, campeão mundial. Ainda que muito difíceis, são jogos acessíveis. E a chave para que a Itália tire um pouco da diferença em que hoje se encontra da Inglaterra.

Copa da Uefa
A Sampdoria abrirá a terceira fase da Copa da Uefa em casa, numa partida complicada contra o Metalist Kharkiv, do artilheiro brasileiro Jajá, ex-América-MG. O time é vice-líder da Premier League ucraniana, enquanto a Samp vem cambaleando na Serie A - mas só um dos dois lados tem Antonio Cassano. Missão mais tranqüila deve ter a Udinese, que enfrentará o Lech Poznan, líder da Orange Ekstraklasa, a primeira divisão polonesa. O atacante Robert Lewandowski, destaque do time, deve ser negociado na janela de janeiro e sua substituição imediata é improvável. Um problema é a fase horrível pela qual tem passado o time de Údine, em crise após um começo assombroso.

No grande confronto da fase, a Fiorentina encara o Ajax, que tenta assimilar a perda de seu artilheiro, Huntelaar. O time faz campanha não mais que razoável na Eredivisie, enquanto os viola se recuperaram de um início fraco na Serie A e após 17 rodadas finalmente se encontram no grupo de classificação para a LC. O Milan, favorito ao título da competição, não deve ter problemas para bater o instável Werder Bremen, em oitavo na Bundesliga, a não ser que Diego esteja em um de seus melhores dias. Ainda que Ancelotti esteja com dificuldades para escalar um time com tantas opções na frente e tantos desfalques no meio, o Milan possui gente o suficiente para aguardar por um lampejo de Ronaldinho, Kaká, Beckham, Pato e, claro, Inzaghi.

Agenda
Os jogos de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões serão nos dias 24 e 25 de fevereiro, já as partidas de volta estão marcadas para 10 e 11 de março. Na terceira fase da Uefa, ida em 18 e 19 de fevereiro e volta no dia 26.

Libor Kozák, a Lazio e o Campeonato Primavera

Aprendeu italiano, ganhou confiança, se ambientou, ouviu os conselhos do compatriota Rozehnal e encontrou seu lugar dentro de campo. Libor Kozák ia se convertendo num pequeno “flop” entre as contratações da Lazio para esta temporada, mas nas últimas semanas mostrou que pode, sim, fazer valer o investimento – especula-se que Claudio Lotito tenha pagado cerca de 1,3 milhão de euros pelos seus direitos e um contrato de cinco anos.

Kozák, classe '89, foi encontrado na Série B da República Tcheca. Centroavante no melhor estilo Luca Toni, marcou 18 gols em 29 partidas pelo SFC Opava e logo chamou atenção na seleção sub-19 de seu país, onde se tornou protagonista com três gols em quatro jogos. Na primavera da Lazio (ou juniores, em bom português), passou por uma adaptação até começar a deixar sua marca e apontar para o futuro ao lado de outros jovens talentos de Formello, como os defensores Alessandro Tuia e Davide Faraoni, o meia Antonio Cinelli e o atacante Ettore Mendicino.

Um dos maiores problemas na adaptação de Kozák foi sua inserção no ambiente laziale, com uma indecisão da comissão técnica em aproveitá-lo ou não no time principal. O tcheco começou a pré-temporada entre os profissionais, mas a pouca perspectiva de jogo o conduziu à base ainda em agosto. O retorno está previsto para depois da pausa de fim de ano, com Delio Rossi preparando-o para uma inserção em médio prazo – suas características bem diversas dos atacantes à disposição do técnico podem ajudá-lo a buscar espaço, ainda que seja muito cedo para colocá-lo na Serie A.

Desde que voltou a ser relacionado pelo técnico Roberto Sesena, o tcheco marcou quatro gols nos últimos cinco jogos (todos com vitória) da Lazio no Grupo C do Campeonato Primavera – o sprint deu à Lazio a liderança isolada na chave, com seis pontos à frente da Roma, líder até três rodadas atrás. Salernitana, Ascoli, Avellino, Fiorentina e, no último sábado, Ancona. A lista de vítimas do time não para de crescer e, ainda que apenas 11 dos 26 jogos do grupo tenham sido disputados, é difícil imaginar os biancocelesti longe das oitavas-de-final. Ótima chance para Kozák mostrar ao que veio.

Como é e como estão
O Campeonato Primavera, ou Troféu Giacinto Facchetti, é dividido em três grupos de 14 times, montados por critérios geográficos, representando todos os clubes das séries A e B do país. Para as oitavas-de-final, classificam-se os cinco melhores de cada grupo, além do melhor sexto colocado. Podem disputá-lo atletas entre 15 e 20 anos, mas a cada partida podem atuar até dois jogadores sem limite de idade. Na fase final, os “fuoriquota” não podem ter mais de 21 anos. A final da edição 2008-09 está marcada para 9 de junho. A atual campeã é a Sampdoria e o Torino é o maior vencedor da história, com oito conquistas, a última em 1992.

No grupo A, a Juventus lidera com cinco pontos de folga sobre a Sampdoria. O time de Massimiliano Maddaloni não terá problemas para se classificar. O meia espanhol Yago Falqué, contratado junto ao Barcelona em julho, é o grande destaque do time e marcou três gols na última partida da Juve, contra o Grosseto. Alguns jogadores do elenco têm sido convocados para suprir as várias perdas por lesão do time de Ranieri. O lateral Lorenzo Ariaudo e o meia Luca Castiglia fazem sua última temporada pela primavera bianconera e podem ser aproveitados na próxima temporada.

A Samp começou bem no Grupo A, mas passou por uma crise em novembro que culminou numa manifestação de torcedores que pediam que a base blucerchiata não se espelhasse nos profissionais. O grupo é bastante jovem: do elenco campeão da temporada passada, só sobraram o técnico Fulvio Pea, o goleiro Vincenzo Fiorillo e os meias Mattia Mustacchio e Guido Marilungo, este último a grande promessa do vivaio do time. O candidato a surpresa do grupo é o Siena, que mostrou nos torneios de verão um time de futebol interessante, mas até hoje inconstante.

No grupo B, a Albinoleffe surpreende na liderança, um ponto à frente do Chievo. A ótima campanha dos azzurri, aliás, deu à Internazionale sua única derrota até agora no torneio. O atacante Giacomo Beretta, classe '92, assumiu a titularidade no decorrer do campeonato e é tido como a grande jóia da base do clube. No Chievo de Paolo Nicolato, outro atacante se destaca: Valerio Anastasi.

A Inter é a terceira do grupo B, mas conserva alguns nomes do time vice-campeão do torneio passado e campeão de Viareggio em fevereiro último, como o artilheiro Aiman Napoli e o goleiro esloveno Vid Belec. O zagueiro romeno Cristian Daminuta é uma grata surpresa. Quem decepciona bastante é o Milan. Pra quem busca uma renovação no grupo principal, a vice-lanterna num grupo acessível é uma notícia horrível na estréia do técnico Chicco Evani, meia do clube por treze temporadas e campeão com os allievi (sub-17) em 2007. Com um elenco considerado um dos mais fracos dos últimos anos, a crise em Vismara parece inadiável.

No grupo C, liderado pela Lazio, a Roma deve lutar até o fim pela liderança, apesar da recente queda de produtividade. Desde a vitória no dérbi da capital, foram três empates e uma derrota sob o comando de Alberto De Rossi, pai do ícone romanista Daniele De Rossi. A dupla romena Alex Pena (goleiro) e Sebastian Mladen (lateral-direito/zagueiro), contratada em julho com grande expectativa, se firmou entre os titulares sem dificuldades. Em mais uma boa fornada giallorossa, que apresenta um grupo bem consistente para compensar a falta de jogadores extraordinários, também têm se destacado o zagueiro Riccardo Brosco e o atacante Marco D'Alessandro. No Napoli, o norte-americano Vincenzo Bernardo é a grande esperança. Na Fiorentina, as coisas desandaram desde a lesão do brasileiro Jéfferson.

Saiba mais
A classificação completa do Campeonato Primavera você pode conferir no site oficial da Lega Calcio, clicando aqui. Já a tabela de jogos, você encontra neste link.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Eternas promessas: Rubén Ariel Olivera

Em junho de 2001, Luca Toni custava caro demais para uma aposta cega num centroavante trombador que vinha se destacando no modesto Vicenza. Para gastar numa opção ofensiva, a Juventus preferiu mirar em Rubén Olivera, jovem “fantasista” uruguaio que vinha se destacando no Danubio – clube que nos últimos anos já havia mandado à Itália Sosa, Zalayeta, Pellegrini, Carini, Chevantón e Recoba. De quebra, seria mais uma oportunidade para atravessar o mercado do rival Torino, que já havia mandado olheiros para observá-lo.

Após um ano de muita especulação na imprensa uruguaia e de um duelo entre Juventus, Inter e Barcelona pelo jovem, no início da temporada 2002-03 a Velha Senhora anunciava Olivera: dois milhões de dólares pelo empréstimo de um ano, mais a opção de compra por mais sete milhões ao fim deste período. Grande negócio para os dois times: um bom dinheiro para um Danubio emergente no cenário uruguaio e, em tese, uma ótima opção para uma Juve que sob o comando de Lippi montava aquele que seria o ataque mais completo do mundo com Salas, Trezeguet, Di Vaio, Salas e Del Piero.

Atuando nas costas dos atacantes do Danubio, Olivera se destacou com apenas 18 anos pela facilidade em controlar a bola e encontrar livres seus companheiros. A facilidade para chegar ao gol adversário (21 gols em 37 jogos pelo clube uruguaio, em pouco mais de um ano e meio) também eram características marcantes de alguém marcado por uma técnica que, se bem empregada em campo, poderia ter feito surgir um dos grandes jogadores da história do futebol uruguaio – como era a aposta de Alcides Ghiggia, quando de sua viagem para Turim.

O bendito início promissor
Crescido nas categorias de base do Danubio, Rubén Olivera fez suas primeiras apresentações na primeira divisão uruguaia já no fim de 2000 e não demorou a alcançar a titularidade – tanto que não demorou também a ser convocado pelas primeiras vezes para a seleção por Victor Púa, técnico habituado a contar com jovens em seus trabalhos. Sua estréia pela Celeste Olímpica foi justamente contra a Itália, em abril de 2001. Três meses depois se despediu do Danubio marcando de pênalti o gol de honra da goleada por 4 a 1 sofrida para o Nacional.

Apresentado à Juve, encontrava em Turim um ambiente propício a seu desenvolvimento. Além dos vários companheiros sul-americanos, tinha a confiança da comissão técnica e de Luciano Moggi, então diretor-geral do clube, que recusara propostas de Perugia e Reggina para o empréstimo de Olivera: “não o contratamos para cedê-lo em empréstimo a qualquer outra equipe. Estamos convictos de suas capacidades e posso assegurá-los que Olivera continuará conosco”, declarou no início da temporada 2002-03.

Em fevereiro de 2003, Moggi chegou o mais perto possível de sua aposta. Naquele mês, Olivera passou por uma semana de provações, jogando quatro partidas em apenas cinco dias, passando como protagonista do Torneio de Viareggio ao Old Trafford de Manchester. Em seu melhor dia, marcou os dois gols que eliminaram o até então favorito Santos da tradicional competição toscana, o primeiro num voleio após cruzamento de Brighi, até hoje considerado pelo próprio Olivera um de seus mais belos gols.

A tradicional queda
Mesmo com apresentações convincentes do ponto de vista individual, a confiança em Olivera não era lá muito grande. Muito porque, ainda que sua técnica fosse indiscutível, o uruguaio sempre apresentou problemas de ordens táticas, desde sua chegada à Itália. Acostumado a atuar com total liberdade numa liga menos competitiva, era claro que sentia a diferença ao substituir Nedved ou Del Piero no time principal e ter de correr pelos “senadores” da Juve.

Sem posição fixa no meio-campo do time de cima, quando atuava pela “primavera” da Juventus (como os italianos chamam o time de juniores) era utilizado como centroavante pelo técnico Gian Piero Gasperini: “não tem capacidade para jogar de meio-campista, mas é rápido e potente na grande área. Pra mim, sua posição é essa”, defendia o treinador até mesmo para Lippi, que continuou insistindo com Olivera como um dos centrais do meio-campo.

Num país que considera o trabalho tático tão importante quanto o técnico ou o físico, Olivera se mostrava perdido sempre que atuava pelo time principal. Em janeiro de 2004, foi emprestado ao Atlético de Madrid, onde teria uma maior liberdade para mostrar suas qualidades. O que não acabou ocorrendo pelas escassas oportunidades, apenas dois jogos em um semestre na Liga espanhola.

Com a chegada de Fabio Capello, Olivera finalmente encontrou oportunidades reais na Juve, na temporada 2004-05, ao ponto de colocar Del Piero no banco no decorrer daquela campanha, no ápice da teimosia de Capello contra o 10 alvinegro. Engessado como meia externo no 4-4-2 do técnico, Olivera era mais útil que Delpi pelos lados na falta de Nedved ou Camoranesi, mas ainda assim não muito prolífico.

Na verdade, Olivera chegou a ser decisivo sob o comando de Don Fabio: marcou o único gol da vitória da Juve sobre a Atalanta, em Bérgamo, e ainda marcou gols decisivos contra Fiorentina e Lazio. No início de 2005, parecia se reencontrar aquele jogador que havia ficado para trás no Uruguai. Primeira opção aos titulares do meio, com as várias partidas entre campeonato e copas, tornou-se praticamente um titular e recuperou até as convocações na seleção uruguaia, desta vez com Jorge Fossati.

Hoje em dia
Mas aquilo que parecia um salto de qualidade não durou muito tempo. Com o retorno de lesão de Camoranesi e as contratações de Giannichedda e Vieira, Olivera perdeu espaço e não foi utilizado sequer uma vez na temporada 2005-06. Na esperança de fazer na Serie B, em 2006-07, uma temporada de restauração, a Juve contratou Marchionni e Kapo e mandou o uruguaio para a Sampdoria.

O começo no Marassi foi muito bom, com o ótimo início na Copa da Itália. As três primeiras partidas prometiam uma temporada de protagonista, mas logo Olivera se revelou a pior contratação daquele ano em Gênova. O retorno à Juve só durou seis meses, até um empréstimo ao Peñarol pelo mesmo período. Os cinco gols em 14 jogos seguraram um pouco a moral do atacante, contratado pelo Genoa para a atual temporada.

Outro bom começo seguido de uma queda. Com a camisa do Genoa, voltou a ser utilizado como centroavante ao reencontrar Gasperini, seu técnico nos tempos da “primavera” de Juventus. O comandante assumiu o risco e apostou por conta própria. A boa pré-temporada não lhe ajudou a vingar. Quatro meses depois, nenhum gol na Serie A. E a certeza de uma promessa jamais cumprida.

Ficha técnica
Nome completo: Rubén Ariel Olivera da Rosa
Data de nascimento: 04/05/1983
Local de nascimento: Montevidéu, Uruguai
Clubes que defendeu: Danubio-URU, Juventus, Atlético de Madrid-ESP, Sampdoria, Peñarol-URU e Genoa
Seleções de base que defendeu: Uruguai Sub-20 e Sub-17

sábado, 13 de dezembro de 2008

Ainda sobre o manto...

por Rodrigo Figueira:

Acabo de ver o (em potencial) novo uniforme da Seleção Italiana e ainda não encontro palavras para exprimir a minha revolta. Deveriam castrar o animal responsável por um desrespeito desses, para não deixar descendência.

Esse não é o uniforme de Maldini, de Baresi, de Baggio ou Totti, não é o uniforme de Facchetti, de Gigi Riva ou de Bruno Conti. Aquele short marrom – que parece ter saído do banheiro - é uma cusparada em cima da história da Azzurra. É um desrespeito a um dos maiores símbolos italianos.

Se querem encher o uniforme de palhaçadas para vender mais, que façam isso com a camisa reserva, ou que criem um terceiro uniforme, não me oponho a nada disso. Mas com a Maglia Azzurra não, desgraçados! A camisa italiana em azul real com shorts brancos era um estandarte, uma bastilha inexpugnável. Dava medo em todos. Essa camisa não! Essa camisa não dá medo em ninguém. Aliás, devia-se proibir a utilização de tons de bebê em uniformes de futebol.

De mais a mais, digo apenas que minha irritação vem não só da mudança do tradicional azul real, mas também da escolha das novas cores. É preciso que as pessoas de discernimento orientem os bobos alegres que hão de se empolgar com a novidade. É necessário que expliquem aos imbecis por que ninguém de caráter deve comprar essa camisa, por que ninguém deve dar dinheiro a esses desgraçados.

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Rodrigo é advogado, torcedor e nervosinho, não necessariamente nessa ordem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Les grandes équipe...

The Champions, tatatata!

"Champions League: Os 5 motivos para tranquilizar Mourinho", essa é uma das principais matérias do site da Gazzetta, hoje, e que não deveria existir. Não deveria simplesmente porque a Inter tinha - e tem - time para sobrar na fase de grupos. Com a derrota fora de casa para o Werder Bremen - lembrando que as duas equipes haviam empatado na Itália - os comandados de José Mourinho ficaram na segunda colocação do grupo B, com 8 pontos, atrás do surpreendente Panathinaikos, com 10. Como citado na última postagem deste humilde blog, perder em casa para este Panathinaikos não fazia parte dos planos dos torcedores mais pessimistas. Além, claro, do empate em 1 a 1 contra o Anorthosis. Nas últimas três rodadas da fase de grupos, os nerazzurri somaram um ponto, o do empate supracitado.

A Juve, por sua vez, garantiu uma importante primeira colocação do grupo H ao empatar com o BATE. A classificação dos bianconeri até era previsível, tornando o fato de chegar à frente do Real Madrid o principal desafio (vencido) desta primeira fase. Agradeçam a Del Piero, o homem que acabou com os blancos em pleno Bernabeu e possibilitou à sua equipe dois sucessivos empates sem gols, mesmo com o Real vencendo nas mesmas duas últimas rodadas. Tem time e, principalmente, camisa para derrubar qualquer um de seus possíveis adversários nas oitavas-de-final, sendo o Chelsea aquele que os torcedores devem torcer para não estar na bolinha sorteada, dia 19.

A Roma, quem diria, recuperou-se da derrota vexaminosa contra o Cluj para superar o (superior) Chelsea. Em um grupo fraco cujos classificados eram previsíveis, vencer - por pouco - o Bordeaux na última rodada pode ter mudado completamente o rumo da competição dos giallorossi. Para uma equipe que parou nas quartas-de-final nos dois últimos anos, obter a classificação com a primeira vaga pode fazer com que desta vez seja diferente. A Roma pode se enfrentar com seus dois últimos adversários nas oitavas da Champions League, Lyon (2006/07) e Real Madrid (2007/08). Quem quer ser campeão não escolhe adversário, mas sorte no sorteio é fundamental.

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Possíveis adversários:

Roma (1ª A) - Sporting (2º C), Atlético de Madrid (2º D), Villarreal (2º E), Lyon (2º F), Arsenal (2º G) e Real Madrid (2º H).

Inter (2ª B) - Barcelona (1º C), Liverpool (1º D), Man. United (1º E), Bayern (1º F) e Porto (1º G).

Juventus (1ª H) - Chelsea (2º A), Sporting (2º C), Atlético de Madrid (2º D), Villarreal (2º E), Lyon (2º F) e Arsenal (2º G).

Lembrando que, nas oitavas, equipes do mesmo país não se enfrentam. Os clubes também não podem pegar o outro classificado de seu grupo.

Brighi usando o dedo como foco para provar seu estrabismo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Inter vs. Inter

A Inter é o time mais confuso e mais confiável da temporada italiana. Este paradoxo se explica com certa facilidade: os nerazzurri têm feito, na Liga dos Campeões, uma campanha sofrível. Se o sorteio parecia ajudar a equipe de Appiano Gentile, o desempenho da tricampeã italiana tem sido abaixo da crítica. Já na Serie A, a eficiência da equipe é praticamente incontestável (principalmente nas últimas rodadas), quando conseguiu vitórias complicadas ou esmagadoras, contra equipes fortes e concorrentes ao título. A Inter de Mourinho, na Serie A, é uma Inter à Juventus.


A Inter da Europa
Não importa que o Anorthosis Famagusta tenha sido um adversário mais duro do que o que se esperava. Os tropeços em casa contra Werder Bremen e Panathinaikos - empate e derrota, respectivamente - certamente não estavam nos planos do torcedor mais pessimista do clube. São apenas oito pontos, mas os milaneses estão com sorte: a classificação para a próxima fase foi garantida por antecipação graças ao empate entre cipriotas e alemães.

Mourinho não escondeu a insatisfação com o mau futebol apresentado na competição continental, mas logo tratou de por panos quentes na situação. "Não me agrada a nossa situação atual no grupo, mas a experiência diz que a verdadeira 'Champions' começa apenas em fevereiro", disse. Para os interistas, o que mais deve interessar é que, até fevereiro, o "Special One" deve ter mais tempo de preparar seu grupo para a disputa da competição.

"Um pouco mais de futebol na Europa", indica Muntari.

A Inter da Itália

Se na Europa, a Inter parece contar mais com a sorte do que com qualquer outra coisa, na Serie A a situação parece ser diferente. O time tem sido competente, mas há ocasiões em que a sorte ajuda - como na partida contra a Udinese, quando ela se apelidou Julio Cruz.

As duas últimas partidas foram muito importantes para a Inter. O time não vinha jogando bem no Giuseppe Meazza, mas as vitórias contra a Juventus e o Napoli foram obtidas com grande superioridade por parte da equipe da casa. Na partida de ontem, contra o forte Napoli de Lavezzi, Hamsik e Edy Reja, o resultado foi construído rapidamente, em apenas 25 minutos de jogo. Depois disso, a Inter cozinhou a partida, e, mesmo permitindo que o Napoli tivesse a posse de bola, poucas foram as chances claras de gols da equipe partenopea. Mais tarde, a derrota do Milan em Palermo confirmou que a Inter, com 33 pontos, está a seis pontos de vantagem dos rossoneri e da Juventus, empatados em segundo lugar, com 27.

Mourinho abriu mão do 4-3-3, em prol do retorno do 4-3-1-2, incansavelmente usado por Roberto Mancini, seu antecessor. Enquanto Mancini, Quaresma e Obinna começaram a freqüentar mais o banco, Stankovic e Muntari (pelo menos enquanto Vieira está lesionado) ganham espaço no onze inicial.

O sérvio, depois de duas temporadas apagadas, volta a ser elemento importante para a equipe interista. O ganense tem alternado momentos de altos e baixos durante as partidas, mas tem sido peça importante na ligação entre a defesa e o ataque. Lampard não veio, mas Mourinho descobriu em Muntari um jogador mais versátil que seu pupilo inglês. O número 20 tem feitos boas partidas, auxiliando Cambiasso na marcação e Stankovic no setor criativo da equipe. Além disso, atua como um autêntico box-to-box e muitas vezes aparece como elemento surpresa no ataque nerazzurro. Contra Juve e Napoli, a Inter venceu graças a seus gols, ambos em aparições dessa espécie.

Faltando apenas cinco rodadas para o fim do primeiro turno, a líder tem tudo para ampliar sua vantagem sobre os outros clubes, por ter uma seqüência mais tranqüila. Confira abaixo a tabela dos três primeiros colocados.

Inter: Lazio (F), Chievo (C), Siena (F), Cagliari (C) e Atalanta (F).
Milan: Catania (C), Juventus (F), Udinese (C), Roma (F) e Fiorentina (C).
Juventus: Lecce (F), Milan (C), Atalanta (F), Siena (C), Lazio (F).