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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Serie B: Ao ataque!

O brasileiro Barreto é destaque do Bari, líder da cadetta

As equipes da Serie B levam a sério o ditado futebolístico que diz que "a melhor defesa é o ataque". Enquanto apenas cinco dos vinte e dois clubes que disputam a série cadetta sofreram menos de vinte gols até a vigésima segunda rodada, os atacantes fazem a festa.

Encabeçando a lista de artilheiros, Daniele Vantaggiato trocou o Rimini pelo Parma na janela de janeiro. O ataque crociato, mesmo contando com nomes de Serie A à disposição do técnico Francesco Guidolin, marcou "apenas" 25 gols na competição. Vantaggiato deve agregar valor a uma equipe que já conta com nomes como Cristiano Lucarelli, Alberto Paloschi, Julio César León e Reginaldo. A chegada do capocannoniere fez com que alguns jogadores deixassem a equipe da Emilia-Romagna. De imediato, Matteini e Paponi foram repassados ao Rimini, que, de postulante a uma das vagas que levam a Serie A, passou a ser, nesta temporada, mero time de meio de tabela.

O Bari, treinado pelo promissor Antonio Conte, também aproveitou um atacante saído do Parma. Os líderes da competição contrataram o bielorusso Vitalii Kutuzov, que deve ser uma boa opção para segundo tempo. Depois de anos amargurando posições na parte de baixo da tabela, o time barese conta também com um dos jogadores de mais prestígio da Serie B. O brasileiro Barreto, vice-artilheiro da cadetta com 11 gols, chegou emprestado pela Udinese para recolocar o Bari na disputa pelo acesso a Serie A. Outras contratações importantes, como o volante De Vezze, ex-Livorno, deram mais consistência à equipe. Agora em janeiro o Bari parece ainda mais focado em seu objetivo: a Serie A, que não disputa há oito anos. O retorno de Lanzafame e a contratação de Edusei são sinais de que a ambição pode se concretizar.

Dentre os elencos mais capacitados para conseguir o acesso para a Serie A, ainda encontram-se Livorno e Brescia, treinados por Leonardo Acori e Nedo Sonetti, respectivamente. Os granata conseguiram manter boa parte do time que caiu na última temporada e está na ponta dos cascos. A dupla formada por Tavano (10 gols) e Diamanti (6 gols), ambos com nível para a Serie A, é uma das mais perigosas da competição. Pulzetti e Loviso, remanescentes do time que caiu, uniram-se a Rosi e Candreva, jovens meio-campistas cedidos por Roma e Udinese, respectivamente. Todos têm correspondido e são titulares absolutos da equipe. Além disso, a defesa livornese é a melhor do torneio, com apenas 14 gols sofridos.

O Brescia também conta com bons nomes na defesa, como o goleiro Viviano e os defensores Zoboli., Mareco e Zambelli. Na frente, Andrea Caracciolo, que já figurou em diversas convocações da Azzurra (como Tavano, do Livorno), vem em boa fase e leva muito perigo a qualquer defesa. Até agora, já marcou oito gols.

No entanto, o melhor ataque da competição é do pequeno Grosseto, sexto colocado. Eles são a essência da máxima que inicia este texto. Trinta e seis gols marcados rendem-lhes apenas três gols de saldo, já que a defesa levou trinta e três. Sansovini, artilheiro da equipe com nove gols, faz dupla com o austríaco Pichlmann, autor de outros sete. Mas, com um elenco tão desequilibrado, ficará difícil para a equipe comandada por Elio Gustinetti subir para a Serie A. O Empoli, um dos três times que caíram da Serie A na última temporada, mesmo que tenha mantido parte de seu time, tem em Francesco Lodi, contratado a Frosinone, o destaque da equipe, com 10 gols marcados. Outro destaque, em termos de artilharia, é o bomber Zampagna, que trocou o Vicenza pelo Sassuolo, no mercado de verão. A dupla Nassi e Mastronunzio, do Ancona, também merece citação: os atacantes dorici marcaram 19 dos 30 gols da equipe nesta Serie B.


Breve artilharia:
Daniele Vantaggiato (Parma) 13
Barreto (Bari) 11
Francesco Lodi (Empoli) 10
Cristiano Lucarelli (Parma) 10
Maurizio Nassi (Ancona) 10
Francesco Tavano (Livorno) 10
Salvatore Mastronunzio (Ancona) 9
Marco Sansovini (Grosseto) 9

Confira a classificação da Serie B e sua artilharia aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Chievo

Sorrentino tenta defender: o exército de um homem só

A campanha (até o fim de 2008)
20ª colocação. 17 jogos, 9 pontos. 2 vitórias, 3 empates, 12 derrotas. 9 gols marcados, 27 sofridos.

O time-base
Sorrentino; Malagò (Frey), Mandelli, Yepes e Mantovani; Luciano, Bentivoglio (Italiano), Pinzi e Marcolini; Langella (Esposito) e Pellissier.

O comandante
Domenico Di Carlo. O técnico assumiu o Chievo em novembro, na 11ª rodada, substituindo Giuseppe Iachini, campeão da Serie B na temporada passada. Iachini estreou com vitória, mas passou nove jogos sem ganhar na Serie A, comandou o time no naufrágio para o Padova na Coppa Italia e não resistiu e acabou demitido pelo presidente Luca Campedelli. Di Carlo, ex-Mantova e Parma, não começou bem, mas tem conseguido montar um time chato de lidar com a mesma base da Serie B passada e poucos reforços. O período posterior à pausa de inverno, então, serviu para levantar de vez a moral dos veronesi, que agora podem realmente sonhar com a salvezza. Um problema são os dois reforços que vieram do Catania no final do calciomercato: Colucci e Sardo estão bem longe de ser reforços de primeira divisão.

O herói
Stefano Sorrentino. O ex-goleiro do Recreativo Huelva não era um nome muito conhecido na Itália quando foi contratado pelo Chievo, no início da temporada e então já com 29 anos. Não era para menos, já que passou o auge da sua carreira no AEK de Atenas. Mas, à frente de uma defesa bem inconsistente (exceção para a boa temporada até o momento do zagueiro colombiano Yepes), Sorrentino tem se consagrado como um dos melhores goleiros da Serie A até o momento, o que inclusive gerou especulações de que o Milan estaria interessado em contratá-lo para concorrer com Abbiati. Não que queira dizer muito, para quem recentemente contou com Storari e Eleftheropoulos... mas vale a notícia.

O vilão
Kerlon. Tudo bem, este blogueiro confessa que a escolha podia recair em pelo menos outros dez outros jogadores do clube, e com todos os deméritos: Mantovani, Luciano e Marcolini lutaram com brios pelo título de pior jogador do time. Mas Kerlon jogou pouco demais (principalmente em quantidade) para o que dele se esperava quando, no Sul-Americano Sub-17 de 2005, levantou a bola em sua cabeça para fazer a "jogada da foca" que o traria reconhecimento mundial. Bem nas bases da seleção e do Cruzeiro, ainda não conseguiu marcar um gol como profissional - e teve mais de 30 jogos de oportunidade, em Minas Gerais. Mas saiu pela porta dos fundos da Toca da Raposa, perseguido pela torcida e por lesões, e o Chievo realmente acreditou que estava fazendo uma grande aposta. Furou.

A perspectiva
Livrar-se do rebaixamento. O time campeão da Serie B não sofreu muitas alterações, em nenhuma das duas janelas de mercado. A questão é que o que é bom na B, nem sempre funciona na A e o Chievo dessa temporada não é nem sombra do "Chievo dos milagres" comandado por Luigi Del Neri no início da década. Na virada do ano, o rebaixamento do time de Verona (aliás, que fase futebolística vive a cidade...) parecia questão de tempo. O Chievo conseguiu respirar com alguns bons resultados e um futebol bem razoável para quem ocupava a lanterna da competição, mas ainda é pouco. Uma salvezza com esse elenco marcaria uma versão 2.0 dos milagres do Chievo. Com chances de santificação para o ótimo goleiro Sorrentino, já que a linha defensiva do time é tão ridícula que um lateral-direito medíocre como Sardo chega do Catania como titular.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Reggina

E Campagnolo leva mais um: o goleiro mais vazado da Serie A

A campanha (até o fim de 2008)
19ª colocação. 17 jogos, 13 pontos. 3 vitórias, 4 empates, 11 derrotas. 15 gols marcados, 33 sofridos.

O time-base
Campagnolo; Cirillo, Lanzaro, Valdez, Costa (Santos); Vigiani, Barreto, Carmona, Barillà (Cozza); Brienza, Corradi.

O comandante
Giuseppe Pillon. O treinador vêneto chegou ao clube na segunda semana de dezembro, para substituir Nevio Orlandi. Este havia operado o milagre de salvar a Reggina do rebaixamento na temporada passada, mas não resistiu à péssima campanha no comando de um clube cheio de carências estruturais. A culpa de Orlandi, na verdade, foi a de aceitar treinar um elenco incompleto depois de cumprir sua missão. O presidente amaranto Lillo Foti havia dito que o técnico era "valor agregado do clube" e lhe propôs um retorno ao posto de olheiro, que ocupava até março passado. O experiente Pillon, então, foi contratado como traghettatore, como os italianos chamam os técnicos com missão de "bombeiro". Missão complicada, já que o mercado continua parado. Apenas o lateral-direito eslovaco Krajcik chegou à Calábria.

O herói
Bernardo Corradi. O ex-atacante de Chievo, Cagliari, Lazio, Valencia, Manchester City e Parma chegou desacreditado à Reggina, mas marcou mais da metade dos (poucos) gols anotados na campanha dos amaranto e se tornou o verdadeiro pilar do time, dentro de campo, já que o capitão Francesco Cozza passa por problemas de lesão crônicos que o tiram do gramado em uma a cada duas rodadas. Se (até certo ponto) vem resolvendo em campo, fora dele a questão é mais complicada. Ainda que com contrato somente até o próximo mês de maio, o artilheiro toscano se tornou um dos principais líderes do elenco, o que gerou uma certa guerra de egos com o interminável Cozza. Orlandi tomou partido do meia, o que descontentou o atacante, que iniciou negociações com o Bologna. Mas a chegada de Pillon parece ter recolocado nos eixos o vestiário calabrês.

O vilão

Bruno Cirillo. Revelado pelo próprio clube, Cirillo voltou para a Reggina no meio da última temporada, na tentativa de ser o esteio da péssima defesa amaranto. Nos últimos jogos de 2007-08, na hora do aperto, deu certo. Mas começando em 2008-09 com pré-temporada e planejamento (ainda que mal feito), o jogador negou fogo. Sem laterais-direito no elenco, Valdez começou quebrando o galho daquele lado, mas não foi nada bem. Cirillo, então, foi deslocado. Também não deu muito certo, mas Vigiani, única alternativa decente para a posição, tem rendido bem como esterno destro e não valia o risco. Orlandi, acredite, não tinha opção melhor. Enquanto Cirillo, e isso vimos em campo, não tinha trabalho pior.

A perspectiva
Livrar-se do rebaixamento. A Reggina, definitivamente, tem um dos três piores elencos da Serie A. Nos últimos dois anos, se livrou do rebaixamento graças a trabalhos miraculosos de Mazzarri e Orlandi, mas o fato é que o plantel não era tão medonho assim. Além do conjunto, é bem provável que os amaranto tenham também o pior time, depois da saída de quatro dos melhores titulares das salvezze: Aronica, Mesto, Modesto e Amoruso. Dos bons valores do time, restaram apenas um baleado Cozza e os ainda inexperientes Barreto, Ceravolo e Stuani. Com um mercado inativo e sem dinheiro em caixa para aventuras, talvez seja esperar demais que um raio caia pela terceira vez no mesmo lugar.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Lecce

Giacomazzi comemora: finalmente o uruguaio recuperou seu futebol perdido

A campanha (até o fim de 2008)
18ª colocação. 17 jogos, 14 pontos. 2 vitórias, 8 empates, 7 derrotas. 14 gols marcados, 24 sofridos.

O time-base
Benussi; Polenghi, Stendardo, Fabiano, Esposito; Ariatti, Zanchetta (Munari), Caserta; Giacomazzi; Castillo (Cacia), Tiribocchi.

O comandante
Mario Beretta. O técnico se mantém firme no comando dos giallorossi, apesar do difícil começo de temporada. Beretta chegou ao Lecce no início da temporada, para substituir Giuseppe Papadopulo, que subiu com o time, mas não teve seu contrato renovado. No currículo de Beretta, duas salvezze consecutivas com o Siena, a última com números heróicos: a melhor campanha do clube em sua história na Serie A. Agora no comando dos salentini, depois do bom começo, foram doze jogos consecutivos sem vitória, três meses a fio. O suficiente para o Lecce mergulhar na zona de rebaixamento - mas 2009 começou melhor, com uma ótima vitória em Florença. E Beretta segue firme.

O herói
Guillermo Giacomazzi. O uruguaio chegou ao Lecce em 2001, junto de seu compatriota Chevantón e logo se firmou como importante membro do elenco giallorosso. A temporada 2004-05 serviu para o consagrar de vez como grande bandeira e melhor jogador do time, com cinco gols em 34 partidas - um número considerável para quem, até então, atuava mais como regista do que propriamente como trequartista. Giacomazzi assinou com o Palermo em janeiro de 2007, mas em um semestre não conseguiu sequer fazer uma partida de titular. Na temporada passada, já no Empoli, viu-se dividido entre lesões e apresentações sofríveis no rebaixamento dos toscanos. De volta ao Lecce desde julho, recuperou a braçadeira de capitão para comandar o time em seu renascimento na Serie A. E viu seu futebol renascer junto, agora escalado de forma mais ofensiva por Beretta, quase como um atacante.

O vilão
Daniele Cacia. O atacante chegou ao Lecce com muita pompa, mesmo depois de decepcionar em um semestre como figurante vestindo a camisa da Fiorentina. Comprado por três milhões de euros (a co-propriedade), esperava-se que Cacia começasse logo a fazer aquilo que tanto fazia pelo Piacenza, na Serie B: gols a rodo. O problema é que o artilheiro teve problemas para encontrar a melhor forma física e o argentino Castillo começou a temporada em melhores condições, assumindo o ataque ao lado de Tiribocchi, já ambientado no time. Cacia então acabou às margens do time titular e demorou a ter reais oportunidades. Mas, quando teve, decepcionou. Pela expectativa criada a seu redor, é o vilão salentino nesta temporada.

A perspectiva
Livrar-se do rebaixamento. O time do Lecce que costuma entrar em campo é praticamente o mesmo que conseguiu a promoção para a Serie A na última temporada, com a excessão de três ou quatro jogadores. Até por isso, esperava-se bem menos desse time, que deu muito trabalho nos jogos contra os grandes, com derrotas mínimas para Juventus e Inter, vitória sobre a Fiorentina e empates com Milan e Lazio. Se não falta superação e conjunto, falta ainda aquele fator de desequilíbrio nos confrontos diretos, sempre parelhos. Com um pouco mais de capricho, especialmente no setor ofensivo (o segundo pior ataque da Serie A, só à frente do Chievo), os salentini não devem ter muita dificuldade para se safar de um retorno à Serie B. A salvezza está nos pés de Tiribocchi, Cacia e Castillo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ah, o mercado.

Com 100 milhões de libras esterlinas (R$ 336 milhões) você pode comprar uma cidade ou um estado, ou ainda um país. Pode comprar a dignidade de muita gente, ou ainda 33 600 000 000 (33.6 bilhões) de balas de um centavo. Mas dificilmente pode comprar Kaká. Porque - sendo chato e sem graça ou não - ele tem alguma coisa na cabeça. Trocar o Milan por um clube semelhante a uma recém vencedora de loteria na 25 de março seria besteira.

Ricardo Izecson dos Santos Leite - ou Kaká para os menos íntimos - ainda almeja ser capitão do clube rossonero. Ele sabe, porém, que está atrás de Maldini, Ambrosini e talvez até de Gattuso. Para tanto, deverá permanecer mais alguns anos se quer ver seu sonho realizado. Utilizando um discurso extremamente clichê, há coisas mais importantes que o dinheiro, até porque este já nem faz tanta diferença para Kaká - ou alguém duvida que ele tenha garantido o pão de toda a geração Leite?

Deixando a lamentável infâmia de lado, o City precisará encontrar outro brinquedo legal em sua 25 de março.

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Saiu o boato (ou seria notícia?) de que Roma e Inter poderiam negociar uma troca entre o meio-campista Alberto Aquilani e Mario Balotelli. O romano - um tanto de promessa, um tanto de realidade, nem tanto de certeza - poderia exigir de seu clube quatro milhões de euros anuais para permanecer em Trigoria, valor fora da realidade giallorossa e totalmente aceitável para o clube de Moratti. SuperMario, uma das maiores promessas dos últimos anos e que vem passando por problemas disciplinares com o treinador Mourinho, ganha pouco menos de um milhão por ano, quantia tranquila para a Roma.

O primeiro nunca deixou a desejar, porém não chegou a se firmar completamente em momento algum da carreira, por mais que futebol não tenha faltado. O segundo, que até então demonstrava ser um fenômeno, tem esbarrado nos exigentes treinamentos do técnico português (ou então na própria falta de profissionalismo). Perdendo espaço no elenco, Balotelli - de apenas 18 anos - é tratado como inegociável pela Inter. Entretanto, será inviável, nas condições atuais, manter tanto o promissor atacante quanto José Mourinho por muito tempo.

Dificilmente algo vá se concretizar, mas - caso a negociação aconteça - será uma das mais interessantes e arriscadas (para ambos os lados) da Serie A nos últimos tempos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Torino

Corini e Rosina contra a Inter: nome não entra em campo

A campanha (até o fim de 2008)
17ª colocação. 17 jogos, 15 pontos. 4 vitórias, 3 empates, 10 derrotas. 18 gols marcados, 29 sofridos.

O time-base
Sereni; Colombo, Natali, Di Loreto (Pratali), Pisano; Diana, Säumel (Barone), Paolo Zanetti; Rosina; Bianchi, Amoruso.

O comandante
Walter Novellino. Gianni De Biasi começou a temporada no Torino, mas caiu no início de dezembro para o retorno de Novellino, que havia sido demitido nas últimas rodadas do campeonato passado. Em sua segunda passagem pelos granata, De Biasi jamais conseguiu encontrar um esquema de jogo para o time, e nem mesmo definir seus titulares. Variando o módulo entre 4-3-1-2, 4-4-2 e até mesmo uma espécie desordenada de 4-3-3, foi bastante atrapalhado pela queda de rendimento de Rosina que, se ainda é o ponto de desequilíbrio do time, vem mostrando menos a cada temporada. Novellino assumiu o time, logo foi parar na zona de rebaixamento e terá um trabalho ingrato. Se não salvar o Toro, será demitido. Se salvar, deve ver o clube negociado - e ser demitido do mesmo jeito. Especula-se que o Torino deva ser vendido em breve por uma cifra entre 40 e 60 milhões de euros e passar por uma extensa reformulação técnica.

O herói/o vilão
Alessandro Rosina. É ele o principal jogador do time. Mas esperava-se muito mais de Rosinaldo. Como foi o melhor granata em campo em várias partidas, o camisa dez leva para si tanto o título de herói quanto o de vilão da temporada. Porque mesmo se Rosina já decidiu mais e em maior qualidade, os poucos momentos de lucidez do Torino na temporada passam por seus pés. E, vá lá, pelos de Amoruso. Quando não esteve às voltas com problemas físicos, o jogador também foi um pouco atrapalhado pela desorganização tática do time e pela dificuldade crônica que De Biasi tinha para encontrar o melhor lugar escalá-lo - uma releitura da primeira passagem do técnico pelo clube, aliás. Está cada vez mais claro que Rosina já deu ao Toro o que tinha de dar. O problema é que, se o trequartista não for o artífice da terceira salvezza consecutiva, arrisca sair pela porta dos fundos.

A perspectiva
Livrar-se do rebaixamento. Melhor falar da falta de perspectivas que assola o Torino. Desde que voltou à Serie A, o Toro nunca conseguiu emplacar: na temporada 2006-07 ficou na 16ª colocação, e na seguinte terminou em 15º. Muito pouco para um clube de tamanha tradição, o que deve marcar o fim da linha para o presidente Urbano Cairo. O publicitário comprou o clube em 2005, mas não tem capital suficiente para atender às reinvidicações da torcida e apenas com muito custo tem conseguido segurar Rosina, maior bandeira recente do clube. Ao lado do diretor esportivo Mauro Pederzoli, tem feito contratações lastimáveis, sem jamais entender que os vários medalhões que têm desembarcado em Turim não conseguem dar corpo a uma equipe competitiva. Empresários de Turim têm mostrado interesse em comprar o clube e tentar devolvê-lo a um lugar de maior prestígio em nível nacional. Mas, para estas perspectivas se concretizarem, a salvezza deve vir em primeiro plano. E a tarefa não será nada fácil.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Bologna

Todos sobre Di Vaio: assim se resume o Bologna desta Serie A

A campanha (até o fim de 2008)
16ª colocação. 17 jogos, 15 pontos. 3 vitórias, 6 empates, 8 derrotas. 19 gols marcados, 27 sofridos.

O time-base
Antonioli; Zenoni, Terzi, Moras, Lanna; Mingazzini (Marchini), Volpi, Mudingayi; Valiani; Di Vaio, Adaílton (Bernacci).

O comandante
Sinisa Mihajlovic. O ex-assistente de Roberto Mancini na Inter estreou na Serie A com uma tarefa complicadíssima: livrar o tradicional Bologna da queda para a Serie B. Ao assumir uma equipe que tinha o péssimo retrospecto de seis pontos em dez rodadas (com direito a oito derrotas), Mihajlovic mudou algumas peças do seu time. Primeiramente, tirou o fraquíssimo e violento Marchini da lateral direita do time, readaptando-o ao meio-campo. Dessa forma, optou por um entre Terzi e Zenoni, para preencher a lateral direita. Dessa forma, o time ganhou mais na saída de bola, já que o burocrático Marchini só servia para conter avanços ofensivos dos adversários. Em sete jogos no comando dos rossoblù, Sinisa ainda está invicto, mas conquistou apenas uma vitória: uma sonora goleada ante o Torino. Este desempenho já lhe rendeu o apelido de Mr. X (o "X" caracteriza o empate, na Itália). O sempre polêmico Mihajlovic também se envolveu em um atrito com José Mourinho, relativo a Adriano. Sua carreira no banco de reservas começou tal qual seu término de carreira em campo: apimentada.

O herói
Marco Di Vaio. Ninguém esperava que Di Vaio ainda conseguisse atuar em alto nível. Desde 2005, acumulando flops sucessivos por onde passou (Valencia, Monaco e Genoa), a contratação do bomber foi vista por desconfiança inclusive por mim, aqui no Quattro Tratti. No entanto, Di Vaio assumiu para si a função de marcar gols para evitar a queda do Bologna. Na vitória por 5-2 sobre o Torino, marcou uma tripletta. Responsável por 12 dos 19 gols da equipe em 2008, inegável afirmar que, sem Di Vaio, o Bologna estaria em situação pior: em 16º lugar, o clube está a apenas um passo de adentrar a zona de rebaixamento. Sem Di Vaio, e sem as mudanças empreendidas por Mihajlovic, difícil imaginar que o Bologna ainda buscasse chances para respirar.

O vilão
Davide Marchini. A precipitada expressão "quem joga em várias posições, não executa bem nenhuma delas" é válida para Marchini. Lateral direito, homem de conteção no meio-campo e até mesmo podendo atuar aberto no meio-campo, ocupando o lado direito em uma linha de quatro, Marchini não executa bem nenhuma das funções. Contra a Inter, no Meazza, conseguiu levar um baile do até então decepcionante Ricardo Quaresma. Não tê-lo sacado do time talvez seja um dos erros na recente gestão de Mihajlovic, visto que há jogadores de melhor qualidade no elenco, como Migazzini, Zenoni e o brasileiro Coelho.

A perspectiva
Livrar-se do rebaixamento. Um time limitado, que conta com poucos jogadores que podem desequilibrar individualmente, como Volpi e Di Vaio, além do apenas esforçado Mudingayi, o Bologna terá de lutar bastante para salvar-se da queda. Consciente das deficiências do elenco, a diretoria pretende se mover no mercado. Mutarelli, ex-Lazio, deve ser anunciado assim que resolver um imbróglio com os biancocelesti. Rivas e Dacourt, ambos da Inter, são nomes que estão sendo ligados ao clube nas especulações de janeiro e que podem ser úteis. Para jogar no ataque, ao lado de Di Vaio, Corradi, Pazzini, Balotelli e Bonazzoli interessam. A chegada de reforços pode ajudar a equipe rossoblù, mas a salvezza, se acontecer, será por um triz.

Parada de inverno: Siena

Giampaolo: mais uma salvezza para o curriculum?

A campanha (até o fim de 2008)
15ª colocação. 17 jogos, 19 pontos. 5 vitórias, 4 empates, 8 derrotas. 13 gols marcados, 18 sofridos.

O time-base
Curci; Zúñiga, Rossetini (Ficagna), Portanova, Del Grosso; Vergassola, Codrea, Galloppa; Kharja; Maccarone, Ghezzal (Frick).

O comandante/O herói
Marco Giampaolo. Temporada de estréia em Siena, mas com experiência em tirar o máximo de times medianos, Giampaolo vai dando identidade ao Siena deixado por Mario Berretta (demitido em julho). O treinador apenas deixa de mandar a campo os jogadores que escolheu como titulares quase fixos, salvo algum imprevisto originado por lesões. Assim, como Edoardo Reja, do Napoli, consegue tirar o máximo de seu time graças ao entrosamento de seus comandados. A partir de uma defesa sólida, o mister monta seu esquema. Jogando no Artemio Franchi, o Siena sofreu apenas quatro gols nesta temporada, graças a ótimos desempenhos de Gianluca Curci (surpreendendo, depois de anos horrorosos na Roma), Juan Zúñiga (um dos melhores estreantes desta Serie A), Daniele Portanova (em sua melhor temporada, depois de quatro anos na squadra bianconera), Luca Rossettini (fazendo boa dupla com Portanova) e de Cristiano Del Grosso (bruxinho do treinador, desde os tempos de Cagliari). Daniele Gallopa e Houssine Kharja, ambos ex-jogadores da Roma, também estão em temporada acima da média, assumindo, a partir da efetivação de Giampaolo, funções diferentes das que antes assumiam. Galloppa marca mais e raramente perde jogadas pelo lado esquerdo. Kharja, como trequartista, tem se saído bem, embora o ataque não esteja correspondendo. Hoje o Siena deixou de ser uma equipe que pouco acrescenta a Serie A. Tudo isto por causa de Giampaolo.

O vilão
Massimo Maccarone. Nesta temporada, apenas dois gols em quinze partidas. Desempenho pífio, principalmente se comparado à última temporada, quando Maccarone tinha treze gols acumulados, ao término da competição. Dificilmente Big Mac alcançará esta marca na atual Serie A. Ghezzal, seu companheiro de ataque mais constante, até agora não conseguiu mostrar na elite do futebol italiano o potencial que demonstrava no Crotone, equipe em que disputou a Lega Pro. No entanto, não obstante à má fase dos principais atacantes da equipe, as opções de banco à disposição de Giampaolo também não têm se mostrado de confiança. Frick, às vésperas de pendurar as chuteiras, também está em má fase, assim como Calaiò. O treinador também não parece disposto a lançar mão de Fernando Forestieri. A promessa ítalo-argentina coleciona apenas onze minutos em campo, nesta edição da Serie A. Provavelmente o Siena investirá sobre o mercado.

A perspectiva
Salvezza. Uma boa defesa e um ataque problemático é uma equação que deve resultar em mais um turno difícil, em que a equipe poderia alcançar status mais seguro na competição. Resultados magros (vitórias, derrotas ou empates) devem continuar sendo a tônica da equipe. Embora Giampaolo tenha conseguido montar um ferrolho classicamente italiano, os problemas ofensivos podem fazer com que o Siena perca pontos preciosos, em jogos nos quais o treinador resolva optar por lançar a equipe ao ataque, se a defesa puder plenamente dar conta do recado. Dessa forma, os Robur podem correr mais perigo do que imaginavam.

Parada de inverno: Sampdoria

Cassano: nem ele tem conseguido colocar a Sampdoria nos trilhos

A campanha (até o fim de 2008)
14ª colocação. 16 jogos, 19 pontos. 5 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 15 gols marcados, 18 sofridos.

O time-base
Castellazzi; Accardi, Gastaldello, Lucchini; Padalino, Delvecchio, Sammarco, Francheschini, Pieri; Bellucci, Cassano.

O comandante
Walter Mazzarri. Repetindo a mesma tática da última temporada, Mazzarri não tem conseguido o mesmo resultado. O setor de criação perdeu muito com as saídas de Sergio Volpi e Christian Maggio. Os jogadores contratados para dar fluência às jogadas ofensivas do time não têm correspondido, como o lituano Stankevicius, os italianos Dessena e Pieri e o suíço Padalino. Mesmo assim, Mazzarri peca em insistir no mesmo esquema, que tem se mostrado falho: mesmo com Cassano no time, o ataque marcou apenas 15 gols. É a hora de experimentar algo novo: há opções no banco e outros jogadores devem chegar para compor o elenco blucerchiati.

O herói
Antonio Cassano. Mantendo o bom nível da última temporada, Cassano é um dos poucos que se salvam, nesta temporada abaixo da média do time do Marassi. Rejeitado por Marcello Lippi, técnico da Azzurra, Il Gioiello di Bari Vecchia tem tentado levantar o time, dedicando-se tanto quanto na temporada passada. Com apenas cinco gols, já é artilheiro da equipe nesta Serie A. O desempenho pode parecer dos menos vistosos, mas Peter Pan joga praticamente sozinho nesta Samp. Seus companheiros de ataque não tem ajudado: Bellucci, o titular, sempre foi apenas voluntarioso, com alguns lampejos. Bonazzoli, bomber clássico, não se encontra em boa fase. O uruguaio Fornaroli atuou por apenas 70 minutos: contratado como aposta para o futuro, atravessa um presente infrutífero.

O vilão
Daniele Dessena. A última temporada, pelo Parma, não credenciava Dessena a uma transferência para um clube que disputaria Copa UEFA. Ao lado de Cigarini, formou a dupla que prometia ser uma das maiores esperanças de sucesso do Parma de Tommaso Ghirardi. O meia da Samdoria parece estar se convertendo num foguete molhado: após a decepcionante temporada pelos crociati, Dessena atravessa fase horrorosa também no time genovês. Atuações sem brilho, expulsões bobas e sumiços em jogos fáceis não é exatamente o que se espera de um jovem de futuro brilhante. No entanto, Dessena - de apenas 21 anos - ainda tem certo tempo para provar que pode jogar em alto nível. Como Cigarini (que também vem mal pela Atalanta), tem que "dar a volta por cima antes que seja tarde".

A perspectiva
Meio da tabela e oitavas-de-final na Copa UEFA. A temporada da Sampdoria vai se convertendo em um anti-clímax. A campanha na última temporada rendeu bons frutos e se esperava que o trabalho continuasse a ter um ritmo estável. No entanto, a perda de Maggio e Volpi surtiu efeito indesejado na equipe. Alguns jogadores que chegaram para substituí-los não deram certo, caso de Dessena, ou não tinham qualidade suficiente para assumir a titularidade de um time que jogaria Copa UEFA e lutaria por vagas na Europa - caso de Padalino. Agora, com a chegada de Andrea Raggi e a iminente chegada de mais um atacante, a Samp deveria buscar entrosamento para a próxima temporada. Na Copa UEFA, o time de Gênova disputará com o Metalist Kharkiv, da Ucrânia, uma vaga para as oitavas-de-final. A equipe eslava, que conta com a presença do brasileiro Jajá (ex-América-MG), deve oferecer bastante resistência.

Parada de inverno: Cagliari

Fini e Acquafresca: espinha dorsal da equipe

A campanha (até o fim de 2008)
13ª colocação. 17 jogos, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates, 8 derrotas. 19 gols marcados, 21 sofridos.

O time-base
Marchetti; Pisano, Bianco, López, Agostini; Fini, Conti, Biondini; Cossù; Acquafresca, Jeda.

O comandante
Massimiliano Allegri. Responsável pela subida do pequeno Sassuolo para a Serie B, Allegri mostra que também pode fazer bons trabalhos na máxima divisão do país. Num ambiente conturbado de trabalho, por causa das loucuras do presidente Massimo Cellino, o treinador toscano surpreende, em seu primeiro trabalho num clube da Serie A. Ninguém esperava que o Cagliari desse trabalho nesta temporada, mas, voilà, a equipe promete permanecer na elite mais uma vez.

O herói
Michele Fini. Líder em assistências na Serie A, com sete, no total, o meia é o jogador mais importante do Cagliari na temporada, por mais que Acquafresca e Jeda marquem seus gols e que Bianco e Marchetti estejam em ótima fase, ajudando na parte defensiva e garantindo pontos importantes. É pelos pés de Fini, que deverá deixar o clube rossoblù ao fim da temporada, que todas as bolas passam.

O vilão
Joaquín Larrivey. O atacante argentino vai se convertendo em um verdadeiro flop na Sardenha. Pela segunda temporada consecutiva, o ex-Huracán não consegue demonstrar o mesmo futebol que ajudou a levar o clube portenho à primeira divisão de seu país. Larrivey e Alessandro Matri, ambos em má fase, são as opções de ataque com as quais Allegri precisará apostar caso os titulares Acquafresca e Jeda não possam entrar em campo. Talvez por isso, a diretoria rossoblù recuse tanto os pedidos da Inter para ter Acquafresca de volta.

A perspectiva
Meio da tabela. O bom trabalho de Allegri parece que será suficiente para que o time acumule gordura e permaneça na Serie A. A volta do defensor Michele Canini, lesionado por toda a primeira parte da temporada, deve dar mais consistência à defesa. Presença constante em todas as seleções de base italianas, o defensor da equipe sarda, perdeu a titularidade graças à lesão sofrida. A boa fase de López e Bianco, dupla de zaga titular no momento, torna difícil que o azzurrini consiga a vaga de volta. Dessa forma, Allegri deve contar com pelo menos uma boa opção defensiva no banco. Fini e Jeda, buscando transferir-se para outros clubes, devem se dedicar ainda mais. Acquafresca, cotado para fazer parte do elenco da Inter na próxima temporada, também deve trabalhar dobrado, para conseguir jogar na atual campeã da Itália. Contra a Inter, no jogo que abriu o ano de 2009, ele deixou o seu.

Parada de inverno: Udinese

Marino: treinador está com a corda no pescoço

A campanha (até o fim de 2008)
12ª colocação. 17 jogos, 22 pontos. 6 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 25 gols marcados, 26 sofridos.

O time-base
Handanovic; Ferronetti (Motta), Coda, Domizzi, Lukovic; Isla, Inler, D’Agostino; Pepe, Quagliarella, Di Natale.

O comandante
Pasquale Marino. Em sua segunda temporada no comando da Udinese, o ex-treinador do Catania continuou com o 4-3-3 kamikaze, que tinha funcionado na temporada passada. A fórmula seguiu a mesma: futebol aberto, com muitos gols marcados e sofridos. No entanto, as graves lesões de Cristián Zapata e Felipe, jogadores importantes para o funcionamento deste organismo, desestabilizaram o time: Coda e Domizzi não estão mal, mas a zaga titular é mais segura. Além disso, o capitano Totò Di Natale tem sido acometido por pequenas, mas constantes lesões. Se a Udinese no início da temporada, liderava a Serie A, agora acumula oito jogos sem vitórias e amarga a 12ª colocação. Até agora Marino não encontrou uma solução e vê seu cargo subir no telhado.

O herói
Gaetano D’Agostino. É certo que Di Natale, quando joga, é fundamental para o clube bianconero, mas o mais regular dentre os jogadores da equipe é a ex-promessa da Roma. D’Agostino enfim mostra ao mundo um pouco do que se esperava dele, quando surgiu no clube de Trigoria. Cobrindo buracos no meio-campo, suprindo a pequena queda de rendimento do suíço Gökhan Inler, e dando a equipe a criatividade necessária para marcar gols, o regista é um dos principais jogadores desta Udinese. Segundo o site Alice Sport, D’Agostino é o líder em divididas vencidas, com 58 desarmes. Além disso, já participou de oito gols da equipe, com três tentos marcados e cinco assistências efetuadas. Há três temporadas em Friuli, esta é a melhor temporada. Dizem por aí que seu desempenho resultará numa transferência para a Juventus, no fim da temporada.

O vilão
Fernando Damián Tissone. Trazido para a Udinese, que comprou a totalidade de seu passe, dividido com a Atalanta, o argentino não tem conseguido fardar pela equipe friulana. Ao sair da de Bérgamo, credenciado como um dos principais responsáveis pela boa campanha do clube nerazzurro, e com a perspectiva de formar o tridente de meio-campistas da squadra friulana, ao lado de D’Agostino e Inler, Tissone não correspondeu logo de cara: muito tempo lesionado ou afastado por decisões técnicas, viu o chileno Isla assumir a titularidade. Recentemente, o jogador parece não pensar mais em seu futuro em Údine: suas atenções se concentram em uma provável mudança para o sul da Itália, para jogar no Napoli.

A perspectiva
Briga por vaga na Liga Europa e quartas-de-final da Copa UEFA. Os bianconeri estão há apenas cinco pontos da zona que classifica para a Liga Europa, mas não será tarefa simples desbancar as equipes que se encontram à sua frente. No entanto, devido aos recentes péssimos resultados – com direito de derrota em casa para o Chievo, graças a gol contra de Felipe em sua estréia stagionale – é obrigação do time jogar com mais dedicação. Encarando a situação com mais frieza, esta dedicação deve se concentrar na Copa UEFA e na Copa Itália. Ambas são competições em que o time teve bons resultados até o momento. Este desempenho faz crer que a Udinese pode chegar bem, se estiver confiante e souber mostrar sua real qualidade, escondida durante os últimos oito jogos.

Parada de inverno: Roma

Brighi: de desconhecido a homem de confiança de Spalletti, em seis meses

A campanha (até o fim de 2008)
11ª colocação. 16 jogos, 23 pontos. 7 vitórias, 2 empates, 7 derrotas. 21 gols marcados, 23 sofridos.

O time-base
Doni; Cicinho (Cassetti), Mexès, Juan, Riise; Perrotta (Taddei), De Rossi, Brighi; Baptista, Vucinic; Totti.

O comandante
Luciano Spalletti. Desde 2005 no clube, parecia que o técnico ia ter vida curta, assim como seus quatro antecessores. Mas sua Roma cresceu a partir da saída de Cassano e ganhou uma solidez não vista desde os tempos do scudetto com Fabio Capello, fazendo limonada com as frutas que tinha à disposição - e nem sempre limões. Depois de um período de incertezas no início da temporada, Spalletti finalmente abandonou o 4-2-3-1 que fazia bonito para apostar num 4-3-2-1 que encaixa melhor as peças do elenco. Mesmo com as sucessivas lesões e a dificuldade dos novos reforços em se adaptar ao jogo do time, o técnico florentino manteve sua moral em alta com a direção da Roma e retribuiu com a liderança do grupo A na Liga dos Campeões e uma série de cinco vitórias que tirou os giallorossi das proximidades da zona de rebaixamento.

O herói
Matteo Brighi. A estrela de Brighi brilhou mais na Liga dos Campeões que na Serie A, e talvez fosse mais justo apontar Totti como o herói do primeiro turno do time no campeonato. Afinal, foi com o retorno do capitano aos campos que o time se encontrou em campo e voltou a vencer. Mas Brighi é o símbolo de uma Roma que se renovou de dentro para fora, utilizando seus próprios jogadores e o próprio treinador, ao invés de se desesperar depois de um começo desastroso. Escalado como interno sinistro desde o advento do 4-3-2-1 de Spalletti, fez algumas partidas memoráveis, como as duas últimas da fase de grupos da LC, contra Cluj e Bordeaux. Na casa dos romenos, marcou dois gols e também anotou contra os franceses. Tempo de bola acertado, boa qualidade no passe e pouca vaidade em campo: foi Brighi o ás na manga romanista.

O vilão
Cicinho. O brasileiro faz sua temporada mais desastrosa desde que deixou Ribeirão Preto para se consagrar como um dos laterais mais populares do Brasil. Mas pelo jeito a saudade da pátria não faz bem para o pequeno Cícero, que a mata ouvindo a dupla sertaneja Victor e Léo. Quando parecia se acertar com o time, marcou um gol contra na partida com o Bologna e viu sua moral despencar ainda mais em Trigoria. Só é difícil apostar em sua saída repentina porque Cicinho custou caro e não deve sair por qualquer preço. Improvisado como o meia pela direita no 4-3-2-1, até que o brasileiro não decepcionou, mas saiu disparando que preferia voltar à lateral. onde jamais rendeu como nos tempos de Atlético Mineiro, São Paulo e, vá lá, mesmo de Real Madrid. Não adianta: essa temporada serviu como afirmação do flop de Cicinho com a camisa romanista.

A perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada e chegar à final desta. Com a campanha decepcionante na Serie A, a Roma priorizará a Liga dos Campeões assim que precisar dividir suas atenções, mas sem se descuidar tanto no torneio nacional - hoje, os giallorossi estão a nove pontos do Napoli, quarto colocado, que tem uma partida a mais. A competição europeia tem um sabor especial nesta temporada, já que no mês de maio o Olimpico voltará a sediar sua final e a Roma poderá disputá-la pela segunda vez em casa. Com o provável retorno de Totti para as oitavas frente ao Arsenal, a ótima fase atravessada por Vucinic, De Rossi e Brighi e o constante crescimento de Riise, a Roma tem condições de chegar mais longe na Liga dos Campeões, dessa vez. Desde que não encontre o Manchester United nas quartas, é claro.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Palermo

Miccoli e Simplício: fundamentais para Zamparini não ensandecer de vez

A campanha (até o fim de 2008)
10ª colocação. 17 jogos, 23 pontos. 7 vitórias, 2 empates, 8 derrotas. 21 gols marcados, 21 sofridos.

O time-base
Amelia; Cassani, Carrozzieri, Bovo, Balzaretti; Nocerino, Liverani, Bresciano; Simplício; Miccoli, Cavani.

O comandante
Davide Ballardini. Como não poderia deixar de ser, o presidente rosanero Maurizio Zamparini começou o campeonato com a corda toda e logo demitiu seu primeiro técnico. Stefano Colantuono caiu depois da derrota por 3 a 1 contra a Udinese, na primeira rodada do campeonato e foi substituído por Ballardini, engenheiro da salvezza do Cagliari na última temporada. Logo na estreia, uma vitória sobre a Roma deu moral. No início de outubro, os 2 a 1 sobre a Juventus fizeram com que Zamparini lhe renovasse seu contrato até 2011. Mas todo mundo sabe que, na vida real, Ballardini não aguenta no cargo até lá.

O herói
Fabrizio Miccoli. Com a camisa dez do Palermo, Miccoli finalmente encontrou sua casa futebolística. Na última temporada, fez um grande ataque com Amauri. Nesta, não deixou seu nível cair jogando ao lado de Cavani - ainda que o uruguaio não tenha o nível do brasileiro. Na atual Serie A, o "Romário do Salento" é o principal jogador e começou a temporada com quatro gols nos quatro primeiros jogos, levando consigo a braçadeira de capitão quando Liverani não atua. Outro que vem em boa fase é Fábio Simplício, que na última temporada não empolgou, mas nessa já marcou três gols e deu cinco assistências, atuando mais avançado, no papel de trequartista.

O vilão
Marco Amelia. Chutou, entrou. Segundo as estatísticas do Corriere dello Sport, o ex-goleiro do Livorno sofre um gol a cada três bolas que vão em direção à meta do Palermo. Sorte do time é que a zaga vem bem afinada: Carrozzieri superou todas expectativas e é especulado como reforço do Milan ainda em janeiro, enquanto Bovo finalmente reencontrou o futebol que havia perdido nas categorias de base da Roma. Amelia custou seis milhões de euros e só mantém a posição graças ao nome que ganhou em seus primeiros anos de Livorno e pela difícil relação entre o técnico e seu reserva imediato, Alberto Fontana, que ainda não engoliu a reserva e deve deixar o clube o mais breve possível. A única grande atuação de Amelia na temporada foi contra o Milan, jogo em que inclusive parou um pênalti cobrado por Ronaldinho.

A perspectiva
Vaga na Liga Europa. Ballardini tem trabalhado nesta janela de transferências para fazer seu o elenco herdado de Colantuono. O lateral Raggi já foi liberado para a Sampdoria, o goleiro Fontana deve sair tão logo receba proposta oficial de outro clube, o atacante Lanzafame foi enviado de volta ao Bari e o zagueiro Dellafiore está sendo negociado com o Torino. E agora mira contratações, como Pazzini (Fiorentina), Konko (Sevilla), Motta (Udinese) e Bentivoglio (Chievo). O Palermo começou a Serie A em todo o vapor e chegou a estar na zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas deixou o ritmo cair e vai precisar se superar como visitante se quiser voltar à Europa: a única vitória fora da Sicília foi na sexta rodada, contra a Juve. Para isso, cabem contratações, principalmente para o ataque. O time titular tem se acertado, mas não tem opções ofensivas para algum imprevisto com a dupla Miccoli e Cavani. Mchelidze não é mais que uma promessa, enquanto o medíocre Succi faz hora extra no clube desde que chegou.

Dois que jogam sozinhos

No jogo que encerrou a rodada de domingo, Roma e Milan atuaram no 4-3-2-1, esquema popularmente conhecido na Itália como "árvore de Natal". No comando do ataque dos dois times, Vucinic e Pato. O montenegrino abriu a partida com um belo gol, se aproveitando de cruzamento de Riise. Depois, o brasileiro começou 2009 da mesma forma que terminou o último ano, usando suas jogadas individuais para virar a partida. Vucinic respondeu a Pato de cabeça, numa falha de Abbiati, e ficou nisso.

Pelo jeito, voltou à moda dizer que o centroavante joga sozinho, nesse tipo esquema. Balela. Vucinic sempre teve a companhia de Júlio Baptista e até mesmo de Riise, que com um Brighi mais contido pôde avançar bem e fazer sua melhor partida com a camisa romanista até então. E Pato, enquanto o Milan tinha a posse de bola, contava com a companhia de Ronaldinho e Kaká. O estreante Beckham teve dois ou três lampejos, mas sua estreia não foi nada de inesquecível. Mas perdoem os leitores, mas não é dessa vez que o blog vai ocupar vários parágrafos para tratar do Spice Boy.

Beckham comemora com Pato: estreia razoável do medíocre ponta-direita

Porque a Roma, segundo a ESPN, "atuou mais formalmente que o Milan" na estreia de Beckham, "um ponta-direita medíocre com muito marketing pessoal". Numa das transmissões mais lamentáveis da história recente daquela que se orgulha de ser a referência de futebol internacional na TV brasileira, sobraram comentários, digamos, desafortunados daquele que também é tratado como referência no que diz respeito a futebol italiano.

Silvio Lancellotti tem história no jornalismo brasileiro. Esteve na equipe de lançamento da revista Veja, chefiou a redação da Istoé e dirigiu a Vogue. Mas foi com futebol internacional que se consagrou, começando com uma coluna semanal na Folha de S. Paulo ainda na década de 80, antes mesmo de sua popularização no país, e depois como comentarista do calcio por Record, Bandeirantes e Manchete. Lancellotti já passou por sete Copas do Mundo e cinco Olimpíadas. Mas foi derrotado pela globalização.

Baptista, Vucinic e De Rossi: advogados do futebol formal da Roma

O excesso de informação que Lancellotti transmite durante as partidas e programas em que trabalha lhe rende uma bagagem cheia de falhas. O linguajar rebuscado e cansativo também tem contaminado suas transmissões, assim como a dependência do acompanhamento online da Gazzetta dello Sport. O ponto alto são suas histórias, no mínimo, desconfiáveis - para não tratar daquelas sabidamente falsas. O interesse da Juventus em Acosta (então destaque do Náutico), o gato do argentino Batistuta, a pesca de tubarões do ex-goleiro Sebastiano Rossi, o casamento dos manda-chuva romanistas Rosella Sensi e Daniele Pradè, suas ligações para a esposa de Del Piero, o patrocínio da Lazio por uma instituição educacional chamada Pro Evolution Soccer...

O presente do autor do livro Honra ou Vendetta, que está sendo adaptado para estrear como novela da Rede Record em março, tem manchado seu passado. E o futuro deve seguir pelo mesmo caminho, depois de mais um dos comentários recalcados de Lancellotti sobre o Spice Boy: "Vou chamar de David enquanto ele não prova ser Beckham". E já é tarde demais para colocar um volante para segurar o que resta.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Atalanta

Floccari: aos trancos e barrancos, se afirmou como artilheiro do time

A campanha
9ª colocação. 17 jogos, 24 pontos. 7 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 21 gols marcados, 19 sofridos.

O time-base
Coppola; Garics, Talamonti, Manfredini, Bellini; Ferreira Pinto, Guarente, De Ascentis (Valdés), Padoin; Doni; Floccari.

O comandante
Luigi Del Neri. Para suprir a perda de Tissone, peça fundamental na montagem do meio-campo de seu time, o técnico friulano reformulou o módulo da última temporada abandonando um pouco de suas tradições. Para recuperar um pouco da força perdida no meio, os esterni Ferreira Pinto e Padoin têm centralizado bastante o fluxo de jogo da Atalanta, isso quando o treinador não opta por Valdés para fechar pela esquerda. Com menos cruzamentos, Floccari e Doni têm sido melhor aproveitado no comando de ataque e as jogadas laterais ficaram restritas às incursões de Garics pelo lado direito e jogadas de bola parada. Estas últimas costumam ser forte arma dos times de Del Neri, mas nessa temporada têm deixado a desejar.

O herói
Sergio Floccari. Vieri foi contratado para marcar os gols da Atalanta, mas é Floccari o novo xodó da torcida bergamasca. O atacante estava às margens do elenco no fim da última temporada e chegou a acertar sua saída para o Palermo, mas Del Neri exigiu sua permanência. Fez bem. Floccari vem em grande forma nesta temporada, com oito gols e duas assistências em 17 partidas, a mesma marca do campeonato passado com cinco meses ainda a se jogar. O artilheiro tem se destacado pelos gols em partidas importantes, e já deixou sua marca contra Inter, Milan, Napoli e Roma. A fase é tão boa que Floccari já foi especulado como possível reforço dos giallorossi ainda em janeiro. Olho nele.

O vilão
Luca Cigarini. Grande contratação da temporada, a co-propriedade de Cigarini custou cinco milhões de euros aos bolsos da família Ruggeri, mas o jogador só esteve em campo seis vezes pela Serie A, pelas mais variadas lesões. A última deve fazê-lo voltar aos campos apenas em fevereiro. Antes não tivesse feito nem isso pelo clube. O ex-regista do Parma esteve sempre fora de forma, cometeu faltas excessivas e errou muitos passes - isso quando conseguia pelo menos manter a bola em seus pés. Muito pouco para aquele que até pouco tempo atrás era o herdeiro de Pirlo. Mas Del Neri garante que ainda confia em Cigarini e o jogador terá de volta a camisa de titular assim que se recuperar de lesão. Ótima chance para aproveitar a baixa pressão e tentar dar a volta por cima antes que seja tarde.

A perspectiva
Um lugar tranquilo no meio da tabela. Del Neri e seus comandados podem até mirar uma vaga na Liga Europa, mas é uma missão praticamente impossível. Não pelo elenco da Atalanta em si, mas pelos outros postulantes. Das sete vagas em competições internacionais em jogo, difícil que Inter, Juventus, Milan, Napoli e Fiorentina não se garantam. E Roma, Lazio, Genoa e Catania são mais estáveis que esta boa Atalanta, que em casa causa problemas, mas ainda não mostra tanta força longe de Bérgamo. Os tropeços frente aos frágeis Chievo, Reggina e Torino farão falta na fase final. Para manter o ritmo na metade final do campeonato, o elenco conta com a recuperação daqueles que passaram maior parte do torneio no departamento médico, como D'Agostino, Cerci, Cigarini e Vieri.

Parada de inverno: Catania

Zenga: o técnico-revelação da Serie A já caiu nos braços da torcida

A campanha
8ª colocação. 17 jogos, 25 pontos. 7 vitórias, 4 empates, 6 derrotas. 18 gols marcados, 20 sofridos.

O time-base
Bizzarri; Silvestre, Terlizzi, Silvestri, Sabato (Sardo); Izco, Biagianti, Carboni, Tedesco; Paolucci (Martínez), Mascara.

O comandante
Walter Zenga. Depois de decepcionar como técnico em Romênia, Turquia, Emirados Árabes e Sérvia, ninguém esperava muito do ex-goleiro da Inter. Mas Zenga chegou ao Catania em abril, salvou os etnei de um iminente rebaixamento e teve seu contrato renovado. Começou 2008-09 com uma sequêntcia fenomenal: nos cinco primeiros jogos, três vitórias, um empate contra a Juventus e uma derrota para a Inter. Nessa última, o Catania partiu na frente até levar a virada com dois gols contra. Zenga é ousado e muda o time ainda no primeiro tempo, se necessário, não se prendendo a algum módulo tático. Izco, por exemplo, já jogou de lateral, meia e atacante. Tirando Bizzarri, Ledesma e Mascara, ninguém tem titularidade fixa. Ganha o torcedor, que pela primeira vez em muito tempo pode sonhar em não assistir à reta final de um cavalo paraguaio. E o público como um todo, com um futebol legal de se assistir.

O herói
Albano Bizzarri. Depois de um ótimo começo no Racing de Avellaneda, que o levou ao Real Madrid, a carreira de Bizzarri parecia destinada ao ocaso. O goleiro argentino chegou ao Catania no início da última temporada, mas passou grande parte dela com problemas familiares em seu país ou no banco do insosso Polito. Com a saída de Silvio Baldini, Bizzarri ganhou espaço por alguém que entende do traçado e foi efetivado como titular por Walter Zenga. A escolha mostrou-se acertada e, mantendo a forma, o argentino é forte candidato a melhor goleiro da Serie A. Também vale citar Giuseppe Mascara, sempre efetivo com a 7 do Catania. Contra o Torino, marcou sua primeira tripletta na Serie A - um dos gols, de falta, que ganhou repercussão internacional por Plasmati ter abaixado o calção para desviar a atenção do goleiro Sereni.

O vilão
Nicolae Dica. Um dos grandes ídolos da história recente do Steaua Bucareste, o romeno chegou com pinta de craque ao Angelo Massimino. Com experiência na seleção, recebeu um contrato de quatro anos e não demorou a marcar seu primeiro gol com a camisa do Catania, num jogo da Coppa Italia em Pádova. Mas ficou nisso. Diz-se que Dica não conseguiu se ambientar no ambiente siciliano e é fato, pelo menos, que em suas poucas chances em campo jamais conseguiu entrar no espírito do time de Zenga. Sempre disperso, não voltava para compor o combativo meio-campo e logo perdeu espaço para jogadores de mais presença como Biagianti e Carboni. Mas um novo "vilão" deve ser escolhido em julho, já que RonalDica não passa de janeiro.

A perspectiva
Vaga na Liga Europa, ex-Copa da Uefa. Os últimos três anos transformaram em tradição um Catania de bom início e posterior queda. Depois de sete jogos na atual temporada, o time era o segundo colocado, apenas dois pontos atrás da Inter. A partir daí o futebol diminuiu, mas a vitória maiúscula contra a Roma, na última rodada de dezembro, deu uma sobrevida ao time na tentativa de alcançar a Europa pela primeira vez. Para isso, os etnei contam com um elenco bem nivelado, que permite um turn over sem grandes perdas. O zagueiro Stovini deve retornar no fim do campeonato, voltando a formar com Terlizzi uma das melhores duplas de zaga da Serie A, ainda que pouco badalada. Na frente, espera-se mais de Martínez, que depois do grande início na temporada anterior, vem numa assombrosa queda de rendimento. Mas sua opacidade está sendo bem quebrada por dois jovens que vingaram, finalmente: Paolucci e Morimoto, após alguns anos de indefinição, finalmente mostram porque são dignos de aposta.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Lazio

Foggia pula em Pandev: com Rocchi lesionado, o macedônio trabalhou dobrado

A campanha
7ª colocação. 17 jogos, 27 pontos. 8 vitórias, 3 empates, 6 derrotas. 26 gols marcados, 22 sofridos.

O time-base
Carrizo; De Silvestri, Siviglia, Rozehnal, Radu; Lichtsteiner, Ledesma, Brocchi, Mauri; Pandev, Zárate.

O comandante
Delio Rossi. O técnico terminou o ano da mesma forma como começou a temporada: contestado pela torcida. O presidente Claudio Lotito garante total apoio a Rossi, mas não foram raras as vezes em que surgiram na imprensa italiana nomes de possíveis substitutos no comando laziale - o último deles foi Diego Simeone. Há duas temporadas, Rossi fez milagre ao levar uma Lazio mediana à Liga dos Campeões, mas já faz hora extra na capital, já que não parece ser capaz de tirar o máximo de um elenco que tem melhorado bastante a cada janela de transferências. Problemas internos com alguns dos líderes do elenco, indecisão tática e quebra de resultados. Não vai ser difícil explicar sua saída, caso ocorra.

O herói
Goran Pandev. O mais fácil seria apontar Zárate, mas o argentino foi o reflexo desta Lazio, de início fulminante e queda acentuada de rendimento. Quando os biancocelesti mais precisaram, Zárate se mostrou o dono de um time que nunca possuiu. Porque esta Lazio é do macedônio Pandev, que tem crescido a cada ano de forma constante e já é um dos melhores atacantes do cenário europeu. Em 2008, foram 40 jogos e 16 gols, além das assistências. Com apenas 25 anos, Pandev já deixou para trás o jogador instável que era e joga com garantias tanto de trequartista quanto de seconda punta. Tudo isso por apenas 450 mil euros por temporada, uma pechincha.

O vilão
Stefano Mauri. Desde que deixou a Udinese, é a pior fase de Mauri. O jogador iniciou na Lazio de Rossi improvisado como trequartista e surpreendeu com ótimas prestações, ao ponto de ser constantemente pedido na seleção italiana. Mas o bom passado ficou para trás. Há pouco menos de um ano, o jogador foi afastado do time titular por problemas internos nunca revelados que culminaram também em má fase técnica. Enquanto parte dos gossip italianos apostam num envolvimento do jogador com a filha do técnico, outra parte aposta que Mauri foi o líder da ala contrária a Rossi dentro do elenco. Com todos os desfalques por lesões no meio-campo laziale, Mauri voltou a ser utilizado, seja como esterno no 4-4-2 ou interno no 4-3-1-2, mas está longe de reeditar suas melhores atuações. E, salvo um grande imprevisto, deixa a Lazio ao fim da temporada pela porta dos fundos.

A perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. No papel, o time titular da Lazio é muito bom, mas faltam algumas definições e mesmo opções aos onze iniciais. Siviglia é soberano na zaga, mas não tem mais fôlego para disputar toda a Serie A como titular. A seu lado, Rozenhal tem se adaptado, mas Cribari e Diakité fazem um torneio pífio. Na lateral-esquerda, Radu não vem mal, mas falta mais espaço para o sérvio Kolarov. No meio, problemas variados causam problemas na montagem da equipe - os pessoais de Mauri, os físicos de Matuzalém, os psicológicos de Foggia, os técnicos de Brocchi. Mutarelli e Mudingayi, negociados em julho, fazem falta. Mas o tridente Pandev, Zárate e Rocchi pode dar uma felicidade além de uma vaga na Liga Europa, agora que o capitão retorna da lesão que o tirou de praticamente todo o início da temporada.

Parada de inverno: Genoa

Milito: il Principe recuperou seu prestígio em Gênova

A campanha
6ª colocação. 17 jogos, 29 pontos. 8 vitórias, 5 empates, 4 derrotas. 24 gols marcados, 17 sofridos.

O time-base
Rubinho; Biava, Ferrari, Criscito; Rossi, Juric, Motta, Modesto; Sculli, Milito, Palladino (Gasbarroni).

O comandante
Gian Piero Gasperini. Aos poucos, o técnico grugliasco tem se firmado como uma das grandes revelações nos bancos italianos, apesar da idade já avançada. Ex-professor de tática no curso de treinadores da federação taliana, assumiu o Genoa em 2006 e de lá para cá coleciona apenas bons resultados, que começaram com a promoção para a Serie A. O Genoa desta temporada é um time sólido, que consegue complicar os grandes. Gasperini lança jovens e deacreditados sem muita frescura e arrisca taticamente sem se complicar. O panchina d'argento deste ano, que o premiou como segundo melhor técnico da temporada, está em boas mãos.

O herói
Diego Milito. O artilheiro argentino é o melhor exemplo para o ditado "o bom filho à casa torna". Após a queda do Zaragoza para a segunda divisão espanhola, Milito não quis saber das investidas de outros clubes e só se preocupou em voltar para o Genoa, que também se esforçou para contar com o argentino de volta em uma ambiciosa campanha de reforços. Com quatro gols nos quatro primeiros jogos, já marcou 12 vezes e divide com Gilardino e Di Vaio a artilharia da Serie A. Como não podia deixar de ser, já é apontado como o próximo investimento de Moratti para o ataque da Internazionale. Pelo menos até aqui, il Principe é a grande contratação da temporada italiana. E não deve ser revendido, garante o presidente Enrico Preziosi, que pagou 12 milhões de euros no verão europeu e jura não aceitaria nem mesmo o dobro disso.

O vilão
Ruben Olivera. Mesmo depois de seu fracasso na Sampdoria, o Genoa insistiu em apostar no atacante uruguaio, que parecia ter recuperado seu futebol na breve passagem de seis meses no Peñarol. Mas o bom futebol ficou no Uruguai, pra variar. Olivera enganou bem na pré-temporada, com ótimas exibições jogando no comando de ataque do 3-4-3 grifone, mas ficou às margens do elenco após a chegada de Milito. Com Sculli em grande forma e um Palladino com a confiança de Gasperini, não sobra muita coisa para Olivera além de desistir de vez de tentar vencer na Serie A.

A perspectiva
Vaga na Liga Europa, ex-Copa da Uefa. Parece pouco para quem investiu tanto, mas não é. Ainda mais para quem voltou à Serie A apenas na temporada passada e já se reafirmou como dor de cabeça perene aos que visitam o Luigi Ferraris lotado. Mesmo no dérbi, onde não vencia há sete anos, o Genoa voltou a sorrir com um gol do xodó Milito. A defesa do time foi totalmente reformada depois da última temporada e o goleiro Rubinho ganhou mais segurança com a chegada de Ferrari, refugo da Roma que ganhou confiança e retomou sua boa fase como líbero entre vários zagueiros ainda jovens. Manter a campanha da atual temporada até o fim já vale: Gasperini trabalha em longo prazo e terá tempo de sobra.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Parada de inverno: Napoli

Hamšík: fazendo a cabeça partenopea e de outros clubes

A campanha
5ª colocação. 17 jogos, 30 pontos. 9 vitórias, 3 empates, 5 derrotas. 25 gols marcados, 16 sofridos.

O time-base
Iezzo; P. Cannavaro, Santacroce, Contini; Maggio, Blasi, Gargano, Hamšík, Mannini; Lavezzi, Denis.

O comandante
Edoardo Reja. Desde a Serie C treinando o Napoli, Edoardo Reja se caracteriza por uma coisa: não costuma inventar. Seu estilo faz com que o torcedor possa dizer a escalação da ponta da língua, sempre no 3-5-2, com dois esterni. Sem abusar do turnover, pelo menos quando não julga necessário (ou seja, quando o time disputa apenas uma competição e ainda está na metade da temporada), o treinador manda a campo o que tem de melhor à disposição, Assim, Edy Reja dá padrão de jogo à sua squadra, constituindo as bases do que é mais forte na equipe biancoceleste: entrosamento e regularidade.

O herói

Marek Hamšík. O meia eslovaco é a figura representativa do renascimento do futebol biancoceleste. Com muita aplicação tática, dedicação a camisa que veste, sem esquecer a eficiência ofensiva e a técnica, Hamšík é o dono da faixa central do meio-campo. Meio-campista completo, ele é a referência do time: todas as jogadas são iniciadas - e muitas são finalizadas - por ele. Seu grande poder de decisão pode se verificar pela grande quantidade de gols e assistências realizadas por ele no campeonato: respectivamente, sete e três. O sucesso de Hamšík já despertou o interesse de gigantes da Europa, como o Chelsea. Seu contrato dura até 2013 e ele já declarou não querer sair.

O vilão
Andrea Russotto. Se nenhum dos titulares ou dos reservas imediatos desafina, o posto de vilão fica para uma decepção. Emprestado pelos suíços do Bellinzona, o trequartista da seleção azzurrini ainda não mostrou na Serie A o porquê de receber elogios no Treviso. Na squadra da região do Vêneto, chegou a ser sacado do time titular pelo técnico Diego Bortoluzzi, no fim da temporada. Mesmo assim, Russotto chegou ao Napoli rodeado de expectativas, que não tem feito cumprir. No esquema de Reja, não cabe um trequartista clássico, mas Russotto, classe '88, pode também jogar como regista ou no meio-campo, que se encaixam na cultura tática do treinador. Visto que a estrela do time é apenas um ano mais velho que ele, se não está jogando freqüentemente, o motivo é técnico. Enquanto isso, pairam dúvidas sobre o futuro do garoto: uma promessa que ainda vai vingar ou um foguete molhado?

A perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. Eliminado precocemente da Copa UEFA, por um Benfica que não fez bonito na competição, o Napoli tem todo o ano de 2009 para concentrar suas forças na Serie A. A se julgar pelo ritmo dado pelas boas fases de nomes como Hamšík, Lavezzi, Maggio e Santacroce, a briga pela vaga na Champions League deve seguir acirrada até o final. Entretanto, dois fatores podem atrapalhar a equipe partenopea: o desgaste físico de fim de temporada e a falta de ritmo dos reservas, em comparação com os titulares. Ainda assim, mesmo que o Vesúvio entre em erupção, o Napoli deve ficar pelo menos com a vaga para a Liga Europa (ex-Copa UEFA.) Em outra frente, a desvalorizada Coppa Italia, competição em que o Napoli enfrentará Juventus ou Catania nas quartas-de-final, pode ser o caminho mais curto para chegar à Liga Europa e levar um título ao San Paolo, há tanto tempo sem receber troféus.

Parada de inverno: Fiorentina

Gilardino renasce: "quem disse que eu era um flop?"

A campanha
4ª colocação. 17 jogos, 32 pontos. 10 vitórias, 2 empates, 5 derrotas. 25 gols marcados, 14 sofridos.

O time-base
Frey; Comotto, Gamberini, Kroldrup (Dainelli), Vargas; Montolivo, Felipe Melo, Kuzmanovic; Santana; Mutu, Gilardino.

O comandante
Cesare Prandelli. O treinador italiano que mais encanta, por aplicar um futebol ofensivo, continua seu bom trabalho na Fiorentina. Lutando mais uma vez por uma vaga na Liga dos Campeões, Prandelli optou, em algumas partidas da Serie A, em usar um 4-3-3. Mutu, deslocado para a ponta-esquerda, não se deu bem na nova função. Assim como Mourinho, reconheceu que o 4-3-1-2 caía melhor no time, porque poderia tirar o melhor da dupla Mutu e Gilardino, assessorados por Santana, Montolivo ou Jovetic.

O herói
Alberto Gilardino. Contratado ao Milan por 14 milhões de euros, a expectativa para a reunião de Gilardino e Prandelli era grande. Esperava-se que o treinador conseguisse recuperar o futebol do atacante, perdido em algum treinamento realizado em Milanello. Além de íntimo do técnico, Gilardino já havia sido companheiro de Mutu, por uma temporada, no Parma. Até agora, Gila tem feito valer cada centavo gasto em sua contratação: é cannoniere da Serie A, ao lado de Milito e Di Vaio. Várias doppiette e gols fundamentais contra Juventus, Genoa, além de um golaço contra o Catania fazem parte de seu repertório na temporada. Necessário fazer menções também a dois jogadores. O primeiro é Adrian Mutu: ele faz com Gilardino uma dupla tão mortífera quanto Pandev e Rocchi faziam na Lazio. Esteve uma parte da temporada apagado, mas continua voluntarioso e marcando gols importantíssimos. Mesmo caso de Montolivo: gols marcados ante Sampdoria e Udinese, dois adversários complicadíssimos, salvam a pele do "playmaker" viola, que ainda está jogando uns poucos degraus abaixo do que pode.

O vilão
Giampaolo Pazzini. A contratação de Gilardino já dava a entender que o atacante formado no vivaio da Atalanta não estava agradando em Firenze. Se na última temporada Pazzini só era titular por falta de opções confiáveis, como atestava o Quattro Tratti, hoje o atacante, famoso pela tripletta marcada na reinauguração de Wembley, é figura constante em especulações: acredita-se que Genoa, Sampdoria, Palermo e Napoli gostariam de contar com a desgastada promessa. Almirón, Osvaldo e Pasqual são outros jogadores que estão devendo futebol.

A perspectiva
O zagueiro Alessandro Gamberini disse à Gazzetta dello Sport, nesta segunda-feira, o seguinte: "Nosso objetivo é a quarta vaga para a Champions League e o título da Copa UEFA". Consciente da capacidade da equipe, Gamberini traçou objetivos extremamente palpáveis Com a recuperação de alguns jogadores influentes, como Dario Dainelli (capitão) e Martin Jørgensen (vice-capitão), a viola deve ganhar mais forças para a disputa das duas competições. Basta lembrar que a defesa da Fiorentina, mesmo que Prandelli precise escalar o reserva Krøldrup, é a terceira melhor da Itália. Com a plena recuperação do companheiro de Gamberini, o excelente goleiro Sébastien Frey deve ganhar ainda mais tranqüilidade. Do outro lado do campo, a grande fase de Mutu e Gilardino (que juntos marcaram 18 dos 25 gols da squadra na Serie A) dá à Fiorentina ainda mais credenciais para atingir o que pretende.

Parada de inverno: Milan


Kaká e Ronaldinho: melhores momentos do Milan surgem da dupla

A campanha
3ª colocação. 17 jogos, 33 pontos. 10 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 28 gols marcados, 18 sofridos.

O time-base
Abbiati; Zambrotta, Kaladze, Maldini, Jankulovski; Ambrosini, Pirlo, Seedorf; Kaká, Ronaldinho; Pato.

O comandante
Carlo Ancelotti. Sem abrir mão de seu esquema “árvore de natal”, Carletto tem encontrado dificuldades para mantê-lo. Durante a temporada, devido a lesões que acometeram peças-chave do elenco, como Andrea Pirlo, o 4-3-2-1 rossonero ficou bastante prejudicado. Se é por Pirlo que passam quase todas as ações ofensivas do Milan, quando ele está lesionado e em má fase, Seedorf, Kaká e até mesmo Ambrosini ficam sobrecarregados. Mesmo com a abundância de bons nomes ofensivos – lista incrementada com a chegada de David Beckham –, Ancelotti não consegue fazer o Milan jogar bem. Com a chegada do inglês, o ex-técnico do Parma terá outra dor de cabeça: precisará saber se alguém será sacado do time titular para dar lugar ao Spice Boy.

O herói
Ronaldinho. De herói a vilão no Barcelona, no Milan, Ronnie voltou a assumir o posto de destaque positivo. Se ainda não está em sua melhor forma física e nem se espera que repita as atuações fantásticas de 2005-06, o camisa 80 tem feito boas partidas pelo Milan e garantido pontos importantes. Poucos meses depois de começar a vestir a camisa rossonera, Ronaldinho já trouxe algumas alegrias para a torcida, como o gol da vitória no dérbi de Milão, na quinta rodada. A vitória por 3-0 contra a Sampdoria, no San Siro, também contou com a marca de Ronnie, que marcou uma doppietta e jogou bem, levando perigo em outras ocasiões ao gol defendido por Castellazzi. Nessas partidas, a dupla Kaká e Ronaldinho foi fundamental para obter as vitórias. No entanto, a presença de Ronaldinho parece ofuscar um pouco o futebol de Kaká, que não tem jogado tanto quanto nas últimas temporadas. O atual melhor do mundo da FIFA já declarou ainda não ter se acostumado a jogar ao lado de seu compatriota.

O vilão
Andriy Shevchenko. Sheva já foi o principal jogador do Milan por várias temporadas consecutivas. Depois de seu fiasco no Chelsea, esperava-se que no Milan, onde foi ídolo por tanto tempo, recuperasse o bom futebol. Foi nossa aposta, ao fim do mercado de verão. Ledo engano: apenas dois jogos iniciados como titular e um Shevchenko irreconhecível – até mesmo para quem o acompanhou apenas em Stamford Bridge. Problemas físicos e, principalmente, um assustador declínio técnico fazem com que o ucraniano seja um dos maiores flops da temporada. Mas ainda há esperança para Sheva. Nesta semana, Ancelotti afirmou que ele obteve muitos progressos na parada de inverno. Esperemos.

A perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões e título da Copa UEFA. Nove pontos atrás da Inter, e com muitos problemas a serem resolvidos (entre eles, o crônico problema de envelhecimento da equipe), o Milan não deve brigar por título. A vaga na LC parece realidade mais próxima, embora não seja uma barbada. Fiorentina, Napoli e uma galopante Roma surgem como principais adversários aos rossoneri nessa disputa. Na frente européia, se o Milan levar a Copa UEFA a sério, é o maior candidato ao título. O já conhecido poder de decisão nos mata-matas e a tradição do time de Via Turati podem ser o maior trunfo do clube que terá, como alguns dos maiores adversários ao título, o Zenit, o Manchester City, o Aston Villa e a já conhecida Fiorentina.

Parada de inverno: Juventus

Amauri e Del Piero: a lesão de Trezeguet não prejudicou a Juve

A campanha
2ª colocação. 17 jogos, 36 pontos. 11 vitórias, 3 empates, 3 derrotas. 30 gols marcados, 13 sofridos.

O time-base
Manninger; Grygera, Legrottaglie (Mellberg), Chiellini, Molinaro; Marchionni, Sissoko, Marchisio, Nedved; Del Piero, Amauri.

O comandante
Claudio Ranieri. Ameaçado de perder seu cargo mais uma vez, no início da temporada, Ranieri teve muito trabalho para prosseguir. Seja devido a grande quantidade de lesões que assola o elenco ou a más escolhas que fez no início da stagione, o treinador bianconero só conseguiu acertar a mão no meio do primeiro turno, após a vitória no dérbi de Turim. A grande vantagem de Ranieri é seu bom trabalho com os jovens do elenco, o que garante que promessas como Marchisio, Ekdal e De Ceglie não se sintam pressionadas ao entrar em campo. Entre os citados, apenas Marchisio demorou a mostrar seu futebol nesta temporada.

O herói
Amauri. O impasse relativo a qual nacionalidade escolher parece ter melhorado o futebol do novato bianconero. O atacante, natural de Carapicuíba, tem sido a peça fundamental da Juventus na temporada. Com 11 gols marcados, o bomber não tem feito os torcedores lamentarem a lesão sofrida pelo então titular David Trezeguet, em setembro. Contando com a boa ajuda de um Alessandro Del Piero envelhecido como um bom vinho e de um meio-campo com a segurança proporcionada por Mohammed Sissoko, o brasileiro tem vencido o teste de fazer sucesso em um clube grande. Amauri, que já vinha de temporadas acima da média no Chievo e no Palermo, faz, na Juventus, sua melhor temporada na Serie A.

O vilão
Mauro Camoranesi não tem deixado saudades. Convivendo com lesões desde o início da temporada, o ítalo-argentino já não demonstrava ser o mesmo jogador de alguns anos atrás. Burocrático desde que a Juve subiu da série cadetta, participou de apenas quatro jogos nesta Serie A, sem muito brilhantismo. Marchionni, seu substituto, não é nenhuma Brastemp, mas tem sido mais incisivo que El Cholo. Com 32 anos e com a provável continuidade de seu futebol opaco, a Juventus deve se apressar em achar um substituto para o tetracampeão, no mercado que se iniciará em julho.

A perspectiva
Lutar pelo título e quartas-de-final da Liga dos Campeões. Embora Buffon tenha participado de apenas dois jogos completos nesta Serie A, o austríaco Alexander Manninger fez um belo primeiro turno. Dessa forma, a segunda melhor defesa e segundo melhor ataque da Serie A, só superados pelos números da Inter, é da Juventus, que se coloca como principal adversária dos nerazzurri ao título da competição. Porém, para tentar reverter a vantagem de seis pontos adquirida pela Inter, a Juventus tem que apresentar um futebol um pouco mais consistente. O time de Ranieri parece perder o foco em alguns momentos, como na derrota em casa para o Palermo, por 2-1. No entanto, a Juventus não sofre derrotas desde o revés contra a Inter, em novembro, o que mostra que o time tem bala na agulha. Na Liga dos Campeões, o duelo equilibrado contra o Chelsea deve ser o termômetro para o futuro de uma das duas equipes no torneio continental.

Parada de inverno: Inter

A melhor Serie A dos últimos anos está parada até a semana que vem. Antes disso, durante esta semana - um pouco atrasado, é verdade - o Quattro Tratti disponibilizará, como no ano passado, um pequeno raio-x das campanhas dos vinte times da Serie A até o momento, diariamente, a começar da líder Inter.


INTER

Ibrahimovic sorri: absoluta, a Inter se aproxima do tetra

A campanha
1ª colocação. 17 jogos, 42 pontos. 13 vitórias, 3 empates, 1 derrota. 31 gols marcados, 11 sofridos.

O time-base
Júlio César; Maicon, Cordoba, Samuel, Maxwell; Zanetti, Cambiasso, Muntari; Stankovic; Ibrahimovic, Cruz.

O comandante
José Mourinho. Desde que aportou em Appiano Gentile, o técnico português enfrentou muitos problemas com a cobertura jornalística feita na Itália e, em especial, com a indisciplina de Adriano. No início de seu trabalho, insistindo em implantar o 4-3-3, só depois de algum tempo é que o Special One percebeu quanto o esquema se mostrava infrutífero . A equipe jogava mal, apesar de conseguir resultados. A partir do momento em que trouxe de volta o conhecido 4-3-1-2, adotado durante a era Mancini, Mourinho conseguiu dar consistência à equipe, aproveitando o melhor de jogadores como Stankovic e Maicon, que, no módulo anterior ficavam muito limitados à marcação. O grande mérito do treinador, até agora, foi fazer com que a Inter jogasse com grande espírito de equipe, nesta primeira parte da temporada. Uma amostra da coletividade é a quantidade de interistas que marcaram gols nesta Serie A: 11, ao total. Contratado por Massimo Moratti para dar uma Liga dos Campeões ao time
nerazzurro, Mourinho não conseguiu que a Inter tivesse uma boa primeira fase na competição européia. Num grupo bastante fácil, a classificação foi suada e em segundo lugar. O técnico de Setúbal disse que a verdadeira Inter aparece em fevereiro. Será?

O herói
Zlatan Ibrahimovic. Mesmo que Cruz, quando jogue, ainda marque seus gols heróicos; Stankovic tenha recuperado sua boa forma e Maicon seja peça fundamental no elenco
nerazzurro, Il Genio merece menção especial. O sueco, que já estava jogando muito na temporada passada, se encontra no ápice de sua forma. Com 10 gols marcados no campeonato, Ibra é o motor da Inter na Serie A: participa ativamente dos jogos, contribuindo com movimentação, passes açucarados e gols importantes. Sozinho, decide jogos para a equipe de Via Durini, como marcando uma série de doppiette ante Roma, Palermo e Chievo, ou com grande partida contra a Lazio. Depois de algum tempo sem ter candidatos reais à Bola de Ouro, os torcedores da Internazionale podem sonhar em ter o melhor do mundo em seu elenco.

O vilão
Ricardo Quaresma. Contratação mais cara feita pela Inter na temporada, o português chegou como grande aposta de Mourinho para brilhar em uma das pontas de seu 4-3-3. Porém, antes mesmo de o esquema preferido do seu compatriota fracassar, Quaresma não demonstrava bom futebol. Embora Mourinho insistisse no jogador, como para provar que a saída do promissor Pelé poderia ser positiva, o ex-portista não correspondia em campo. A decadência da tática favorita do treinador interista fez com que o
winger começasse a freqüentar, cada vez mais, as tribunas do Giuseppe Meazza. Para completar, Quaresma estreou na Serie A sendo eleito Bidone d’Oro.

A perspectiva
Scudetto e título na Liga dos Campeões. Se o título italiano parece ser conseqüência da manutenção da ótima vantagem de seis pontos sobre a Juventus – através da continuidade da postura da equipe e das boas apresentações no campeonato –, para lutar pelo título da LC, a Inter precisa fazer diferente. O segundo lugar, conseguido a duras penas, no fácil grupo B depositou uma pulga atrás das orelhas de toda a comunidade interista. Duelar com o Manchester United, atual campeão, pode ser vantajoso para a equipe de José Mourinho – que já declarou ter gostado muito do sorteio. Caso passe pelos Red Devils, a Inter deve ganhar bastante confiança para o resto do torneio. No entanto, a meta mais realista, a princípio, é passar das oitavas.