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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Urlando contro il cielo

Podem falar o que quiserem, tentar explicar o que quiserem. O Milan simplesmente não tem como justificar, com o elenco que possui, com o dinheiro que gasta, com os salários que paga, ficar de fora das oitavas-de-final da Copa da Uefa. Se isso fosse um podcast, nem saberia em qual das palavras da sentença anterior colocaria maior ênfase. Um time que investe em torno de 120 milhões de euros por ano somente com salários tem a obrigação futebolística, física, moral, financeira, mental, espiritual e metafísica de fazer, no mínimo, uma campanha muito memorável; digna. E por 'campanha digna' que se entenda uma eliminação roubada nas semifinais para um clube que disputava Liga dos Campeões, ou um vice-campeonato por um lance infeliz.

Com o empate de 1x1 em Bremen, na Alemanha, bastava ao clube rossonero um novo empate, desta vez sem gols e em casa, para se classificar. Até o pênalti convertido por Andrea Pirlo, o Werder realizava uma partida melhor, convicto sobre suas responsabilidades. Mesmo sob pressão, a equipe de (por enquanto) Carlo Ancelotti conseguiu ampliar o marcador com mais um belo gol de Alexandre Pato. Quando parecia tudo definido, o jogo se manteve de modo relativamente chato até Claudio Pizarro diminuir a diferença de cabeça, isso aos 68 minutos. Seiscentos segundos depois, eis que - assim como um ser humano normal não consegue aguentar os comentários de Silvio Lancellotti - o Milan não conseguiu aguentar a pressão imposta pelos alemães e, mais uma vez, Pizarro calou o San Siro.

Milan... E as pipas dos vovôs não sobem mais

Se a Inter tivesse cedido um empate de tal maneira, seria chamada de pipoqueira da Europa. Se a Roma tivesse cedido um empate de tal maneira, seria chamada de pipoqueira de sangue. O caso do Milan é diferente. Com a camisa que tem, com o ímpeto em decisões que tem, qualquer um sabe que não é um clube acostumado a afinar em situações complicadas. Seu buraco, portanto, não é necessariamente mais fundo ou mais raso, e sim outro. Os rossoneri não cederam o empate hoje porque falham em decisões ou porque o elenco é fraco e faltam investimentos.

Cederam o empate porque, deixando de lado a última conquista de Liga dos Campeões, a missão do Milan tem sido simplesmente envergonhar seu torcedor. Essa missão, contudo, tem literalmente custado muito caro. E, ao contrário de outras missões como "campanha digna de Milan na Serie A", tem obtido êxito.

Auf Wiedersehen.

Sutis diferenças

Nesta quinta, mais uma vez os clubes italianos tiveram mau desempenho na Copa UEFA. Dos quatro participantes do país (Milan, Fiorentina, Sampdoria e Udinese), apenas os friulanos seguirão na copa europeia. Se, em anos anteriores, clubes como Empoli, Palermo e Sampdoria preferiam a eliminação em nome de mais dedicação dos jogadores a objetivos na Serie A, neste ano a desculpa não pode valer para os eliminados: todos eles utilizaram pelo menos grande parte de suas equipes titulares em alguma das partidas da fase. Mais: na segunda perna do mata-mata, à exceção da Sampdoria (que, depois de perder para o ambicioso Metalist no Marassi, jogou a toalha e foi de time reserva), todas as outras equipes buscavam a classificação com time titular em campo.

A decepção maior é óbvia e vem do San Siro. Depois de abrir uma aparentemente tranquila vantagem de dois a zero, o Milan, em péssima jornada da dupla Maldini-Senderos, permitiu que Claudio Pizarro empatasse para o Werder Bremen, abreviando a campanha dos rossoneri no torneio - e a talvez enterrando de vez a Era Ancelotti no clube. Adriano Galliani, vice-presidente do clube, já havia declarado que a Copa UEFA não era o objetivo principal, mas não precisa ser muito inteligente para imaginar que toda a cúpula da associação está ainda mais furiosa com Carletto. Com o Scudetto cada vez mais impossível e a disputa pelas vagas diretas para a Liga dos Campeões tornando-se mais acirrada, o Milan já está de orelhas em pé com a aproximação de Genoa e Roma. O resto de temporada em Milanello promete muita tensão.

Ancelotti e Milan: o fim está próximo

Outro empate, desta vez na Amsterdam ArenA, pôs fim à campanha da Fiorentina no torneio. O um a zero no Ajax, com gol de Gilardino, levaria o jogo para os pênaltis (já que o time de Firenze havia perdido pelo mesmo placar no Artemio Franchi), mas, a cinco minutos do fim, a equipe holandesa empatou com o brasileiro Leonardo, eliminando os semifinalistas da edição anterior. Para o grupo e os torcedores, restam as lamentações pela derrota pelo placar mínimo em casa, quando os jogadores viola perderam um caminhão de gols.

Desde a chegada de Claudio Prandelli, o time tenta recuperar em campo sua grandeza, mas tem esbarrado em problemas psicológicos. Depois de dois anos seguidos de bom futebol, com classificações asseguradas com certa tranquilidade para Copa UEFA (com direito a eliminação apenas nas semifinais, quando o time não teve calma no duelo contra o Glasgow Rangers) e Liga dos Campeões, respectivamente, nesta temporada, parece que algo desandou. Nervosismo excessivo, como o verificado no duelo contra o Rangers, tem aparecido em jogos importantes, mesmo quando a equipe joga melhor que o adversário e domina a partida - como contra a Juventus, no Comunale de Turim, quando os visitantes por pouco saíram com a derrota.

Além disso, o time tem estado desatento, sobretudo defensivamente, até mesmo em partidas de menor importância - como contra Lecce e Chievo. Se o ataque vai bem (Gilardino e Mutu marcaram 26 gols na Serie A), a defesa tem assustado a torcida. Até mesmo o quase inquestionável Sébastien Frey falhou algumas vezes na temporada. Talvez a eliminação na Copa UEFA possa servir como um "sacode" e motivar os toscanos para os últimos meses de Serie A, já que nem mesmo a vaga na estreante Liga Europa está garantida; afinal, Cagliari, Atalanta, Palermo e Napoli não estão mortos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Review - Copa Viareggio 2009

Seguindo um modelo semelhante ao do ano passado, o review especial da Copa Viareggio – até então Torneo di Viareggio – vem para passar as informações sobre esta que é uma das competições de base mais tradicionais do mundo. Começando pelas decepções – seção da qual o Milan, parado na primeira fase, não foi citado pois as expectativas ao redor dos rossoneri já eram baixas – o especial também dá destaque aos semifinalistas do torneio. A Juventus, campeã pela sexta vez, tem um subtítulo dedicado à sua campanha. Tenha, mais uma vez, uma boa leitura.

Camisa 11, 8 gols: Daud levou a Juve à conquista do título em Viareggio

Decepções

Roma
Técnico: Alberto De Rossi.
Quando caiu: primeira fase.

D'Alessandro: o fracasso da Roma passou por suas atuações apagadas

“Disparado, o maior fiasco.” Exatamente assim, há pouco mais de um ano, começava a seção de decepções do Torneo di Viareggio. O mesmo início pode ser utilizado para descrever a mesma equipe e a mesma eliminação sofrível ainda na fase de grupos. A diferença, porém, veio no número de pontos: em 2009, os comandados de Alberto De Rossi conquistaram três após a vitória sobre o Aarhus, da Dinamarca, que acabou sendo o saco de pancadas do grupo 7. Os giallorossi, confiantes em Marco D’Alessandro, só puderam se lamentar após as impactantes derrotas por 3 a 0 para Reggina e Cisco Roma.

Enquanto estas duas empatavam na estreia da competição e a Roma goleava o clube dinamarquês, não foi difícil pensar que desta vez os romanistas embalariam. Todavia, já no segundo confronto, bastou um gol de Iannazzo, aos sete minutos de primeiro tempo, para a Reggina desesperar a equipe rubro-amarela. Com menos de meia hora de jogo e 2 a 0 no placar – o qual ainda foi ampliado por Viola -, restou à Roma o pensamento na partida seguinte, contra o Cisco, para vencer e garantir sua qualificação. Contudo, mais uma vez o psicológico do time deixou a desejar: a expulsão do defensor Sebastian Mladen ainda no primeiro tempo foi suficiente para desestruturar a retaguarda e, na volta do intervalo, tomar três gols em trinta minutos.

Empoli
Técnico: Ettore Donati.
Quando caiu: primeira fase.

Vice-campeão da edição passada, o Empoli, desta vez, sequer passou da primeira fase. E, por pouco, não teve que disputar a vaga nas oitavas por sorteio. Após vencer o clube que acabaria como líder do grupo, Spartak de Moscou, na primeira rodada, os azzurri perderam o dérbi toscano para o Siena por 2 a 1, mesmo contando com um Pucciarelli inspirado. Na partida entre Empoli e Nacional, que ajudaria a decidir o rumo do grupo 5, contudo, houve um acontecimento curioso: até os 44 minutos do segundo tempo, a segunda vaga entre os quatro concorrentes seria disputada no sorteio entre as equipes toscanas. Isto porque, como dita o regulamento, é o modo de desempate para situações nas quais tanto o saldo de gols quanto o número de gols marcados é o mesmo.

Entretanto, para acabar com a empolgação de quem sonhava em ver bolinhas alterando o futuro do torneio, Cabrera – que havia entrado no primeiro tempo – balançou as redes no final de um jogo que contou com três expulsões; duas para os italianos e uma para os uruguaios. Infelizmente para os azzurri de Ettore Donati, Luca Hemmy, um dos principais nomes da campanha de 2008, só pode entrar em campo no jogo contra o Nacional devido a problemas físicos: o atacante pisou no gramado aos 15 minutos do segundo tempo e, mesmo assim, deixou o seu ao converter um pênalti nove minutos depois.

Fiorentina
Técnico: Alberto Bollini.
Quando caiu: oitavas-de-final.

Oito vezes campeã do torneio, a Fiorentina decepcionou quando exigida além de seu fraco grupo. O time de Alberto Bollini iniciou a competição com um empate por 1 a 1 contra o Dukla Praga. O gol viola, inclusive, foi marcado pelo brasileiro Jéfferson. Já na segunda rodada, no confronto contra o Pisa, uma vitória emocionante: após Tagliani abrir o placar e Taugourdeau empatar para a equipe da Serie B já próximo dos 40 minutos do segundo tempo, Giacomo Lepri, que tinha entrado em campo havia trinta minutos, não deu chances ao goleiro Sarti e garantiu três pontos à Fiorentina. Para fechar o grupo 8, uma convincente vitória por 5 a 0 sobre o New York Red Bulls confirmou a primeira posição e, consequentemente, a passagem de fase dos viola.

O fiasco veio logo na partida seguinte, contra o Maccabi Haifa, segundo colocado do grupo 2, que teve como líder a campeã Juventus. Em jogo truncado no qual pouco se pode ver de futebol, o placar fechado correspondeu às escassas situações de perigo. Na decisão por pênaltis, Tagliani e Lepri – os dois que haviam dado a vitória ao clube contra o Pisa – desperdiçaram suas cobranças. Os israelenses, impecáveis nas grandes penalidades, garantiram a própria vaga para as quartas de final, quando enfrentaram a Inter e caíram pelo placar de 3 a 0.

As semifinalistas (por Nelson Oliveira)

Marilungo: Golden Boy segue ensaiando comemoração na Primavera

Sampdoria (finalista)
Técnico: Fulvio Pea.
Destaques: Vincenzo Fiorillo (g), Vasco Regini (d), Guido Marilungo (a), Nicola Ferrari (a).

Credenciada como favorita graças aos títulos da copa e do campeonato da categoria, a Sampdoria passou pela primeira fase como um foguete: o atacante Guido Marilungo, congratulado ao fim do torneio como melhor jogador, com o prêmio “Golden Boy”, marcou o gol da vitória contra o Pakhtakor e outro, na vitória por dois a zero contra o Bologna. No entanto, a boa campanha do clube doriano não se resumia a Marilungo. Atrás, o goleiro Fiorillo e o defensor Regini (já integrados ao elenco profissional), além do versátil Perazzo, que atua como zagueiro e ala, davam segurança para que Mustacchio e Muratore abastecessem o ataque do time. Nicola Ferrari, que ganhou mais destaque no elenco primavera após o aproveitamento de Marilungo no elenco principal, se aproveitou disso e foi autor de quatro dos treze gols da equipe da Ligúria. Jogando mais fixo na área adversária, seu forte é o cabeceio – modo como marcou sua doppietta contra o Palermo, nas quartas-de-final. Foi também contra os rosaneri que Marilungo voltou a marcar. E foi um golaço, em uma jogada de habilidade e controle de bola que lembrou o estilo de Ibrahimovic. Deixou quatro adversários para trás, antes de empurrar para as redes. Aparentando ser um jogador de muito futuro, Walter Mazzari, técnico dos profissionais, já tem o atacante como opção para o banco. Parece questão de tempo pra que o atacante brilhe na Serie A. Por enquanto, ele vai consagrando sua já tradicional comemoração (foto) entre os primavera.

Ao avançar para as semifinais, a Sampdoria estava perto de conseguir um “tris” histórico: copa, campeonato e Viareggio. O emparelhamento formou um embate duríssimo: Inter x Sampdoria. Ambas com 100% de aproveitamento em Viareggio, as duas melhores divisões de base do país na atualidade se encontrariam, na partida que muitos acreditavam ser uma “final antecipada”. Melhor para os blucerchiati, que derrotaram a Inter por 2x1, em grande exibição não de seu forte ataque, mas de outro setor: a defesa. Neste jogo, os créditos foram para o goleiro Fiorillo e de sua linha de zaga, formada por Patacchiola, Perazzo e Regini. Na final, a Sampdoria tinha a chance de garantir o “tris” e, de quebra, desbancar a Juventus, que surpreende ao tomar a liderança do time de Gênova em seu grupo, no campeonato Primavera. Um resumo da final pode ser lido a seguir.

Inter
Técnico: Vincenzo Esposito.
Destaques: Vid Belec (g), Luca Caldirola (d), Cristian Alexandru Daminuta (d), Mattia Destro (a), Aiman Napoli (a).

Do grupo campeão no ano passado sobraram vários remanescentes, embora a maior parte deles fosse reserva em 2008. Homens de confiança do técnico Vincenzo Esposito, o goleiro Belec, o zagueiro Caldirola, os meias Khrin, Gerbo e Obi, além dos bons atacantes Napoli e Destro, assumiram a responsabilidade e foram os jogadores mais importantes da equipe nerazzurra durante o torneio. Entre os novatos, Mei, Daminuta e Stevanovic (este último contratado em janeiro, estreando pela Inter em Viareggio) buscavam afirmação. Na primeira fase, a Inter confirmou o favoritismo e passou com facilidade por Queens Park Rangers (2x1), Palermo (1x0) e APIA Leichhardt (4x1), mesmo mudando algumas peças a cada jogo. Em seu 4-4-2, Esposito prefere deixar um atacante mais fixo, acompanhado por outro mais habilidoso. Assim, Bocalon era titular absoluto, enquanto Napoli e Destro – artilheiros e melhores jogadores da Inter no campeonato Primavera – disputavam a outra vaga. Destro, mesmo saindo do banco na maioria das vezes, foi o artilheiro da equipe, com três gols, seguido por Napoli, com dois.

Mattia Destro, da Inter, mudava o jogo quando vinha do banco

Nas oitavas, a Inter teve pela frente um adversário mais duro: o Vicenza, semifinalista da última edição. Os comandados de Esposito venceram por 3x1, jogando bem contra uma equipe que contava com Ortolan e Maaroufi (ex-Inter), mas não com Forestieri, integrado ao time principal. Nesta partida, destaque para um belo gol num tiro de falta, a trinta metros do gol, feito pelo zagueiro Daminuta (tido como herdeiro de Chivu). Nas quartas-de-final, a Inter não tomou conhecimento do Maccabi Haifa – único sobrevivente estrangeiro em Viareggio após a vitória ante a Fiorentina – e aplicou um sonoro 3x0. A confiança era alta, mas o adversário da semifinal não poderia ser pior: a Sampdoria, de Guido Marilungo. Mesmo eliminada após esbarrar na forte defesa da “Samp”, e saindo do torneio sem o bicampeonato, a participação da Inter em Viareggio acabou sendo positiva: mostrou que tem um trabalho de base consolidado, sob a batuta de Vincenzo Esposito, e que pode revelar jogadores para o elenco principal. Basta lembrar que Giuseppe Baresi, auxiliar de Mourinho, comandava o vivaio do clube até pouco tempo atrás. Deste modo, Balotelli e Santon podem ganhar a companhia de Belec, Mei, Daminuta, Destro e Napoli, todos acompanhados de perto por Mourinho.

Torino
Técnico: Giuseppe Scienza
Destaques: Rolandone (m), Suciu (m), D’Onofrio (a).

Surpreendente. O adjetivo pode definir a campanha do Torino em Viareggio. Desacreditado em nosso preview por estar fazendo má campanha no campeonato Primavera italiano, o Torino contou com um caminho relativamente fácil, se comparado com as outras semifinalistas. Tendo caído num grupo fácil, o time passou invicto por Belasica, Bari e Independiente de Santa Fé. Ainda assim, o caminho, aparentemente fácil, não foi tranquilo: as vitórias sobre Belasica e Bari foram conseguidas com muito custo, graças a gols marcados pelo atacante D’Onofrio. Contra o Bari, por exemplo, a vitória magra surgiu depois de uma cobrança de pênalti convertida pela revelação granata.

Nas fases eliminatórias, o “Toro” continuava muito dependente da dupla Suciu-D’Onofrio. Nas oitavas-de-final, contra o surpreendente time sub-18 da Cisco Roma, a equipe de Turim venceu os romanos por 3x1, com dois gols marcados pelo bomber granata. Só nas quartas-de-final, o Torino teria uma prova de fogo; enfrentaria a Reggina, que havia se classificado no mesmo grupo que a Cisco Roma e também contava com uma dupla que estava fazendo sucesso no carnaval italiano: o meia-atacante Viola e o centroavante Ianazzo. Em uma partida tensa, em que a Reggina esteve duas vezes à frente – com dois tentos assinalados por Ianazzo –, o Torino empatou com Avanzi e, mais uma vez com D’Onofrio. Nos pênaltis, deu Torino (6x3), mas o time seguiria para fazer um dérbi nas semifinais sem dois jogadores importantes, o goleiro Gomis e o meia Rolandone.

D’Onofrio, que tinha o mérito de ter marcado em todas as partidas disputadas no torneio até então, desapareceu no dérbi, quando todo o time teve um apagão, sem a presença dos dois suspensos. O bom desempenho em Viareggio traz esperança para o restante do campeonato Primavera e até mesmo para a equipe profissional, que pode apostar em Suciu e D’Onofrio para escapar do rebaixamento.

A campeã

Juventus
Técnico: Massimiliano Maddaloni.
Destaques: Daud (a), Immobile (a), Marrone (m), D’Elia (d), Ariaudo (d).

A primeira partida da Juventus na competição, contra o Maccabi Haifa, acabou sendo um reflexo de todo o torneio da equipe bianconera. Os motivos? Vitória convincente e gols de Ayub Daud. O meia-atacante da Somália realizou os dois tentos da Vecchia Signora na vitória por 2 a 0. No confronto seguinte, contra o Parma, a mesma situação da estreia: vitória e gol de Daud. A Juve, pressionando desde o início e movida pelo tridente ofensivo Daud-Immobile-Esposito, ditou o ritmo do jogo, que permaneceu com placar fechado até os 30 minutos do segundo tempo. Para fechar a fase de grupos, os bianconeri, já classificados, entraram em campo com uma equipe praticamente toda reserva contra o Frosinone. O goleiro Sperduti, em jogada atrapalhada de escanteio, marcou um gol contra, abrindo o placar para a Juventus. Mal houve tempo para comemorar, visto que cinco minutos depois Cardinali já igualaria – e fecharia – a contagem.

Nas oitavas-de-final, um encontro igual ao de 2008: na mesma fase, Juventus e Lazio se enfrentaram. Naquela ocasião, porém, os laziali haviam levado a melhor. Logo no início da partida, Daud, mais uma vez, deixou o dele, aproveitando-se de bate-rebate na grande área para concluir de perna esquerda. A Juve teve duas chances claras de ampliar o marcador, mas quem chegou às redes foi a Lazio: o zagueiro Tuia, batendo pênalti, deixou tudo igual. Com 20 minutos de segundo tempo, em mais um bate-rebate na área romana, o também zagueiro De Paolo colocou os bianconeri na frente mais uma vez. A Lazio ainda empataria novamente, levando a decisão da vaga para os pênaltis. Após Cavanda desperdiçar uma cobrança alternada, os juventini conseguiriam então se vingar do confronto do ano passado, passando para as quartas de final do torneio.

No confronto entre as duas equipes alvinegras, quem saiu na frente foi o Siena, em cabeçada de Larrondo. Quando a apatia juventina em campo parecia levar a um resultado desagradável para o grupo de Maddaloni, mais uma vez a estrela de Daud brilhou. A dois minutos do fim do primeiro tempo, após grande falha do goleiro Ivanov, o meia-atacante, em outro momento de grande oportunismo, só teve o trabalho de completar para o gol. E sua doppietta veio logo aos quatro minutos de segundo tempo. A Juventus deslanchou e, dois minutos depois, fez mais um com Marrone. Ainda deu tempo de Giannetti descontar para o Siena aos 90’. Nas semifinais, o dérbi de Turim garantiria a Vecchia Signora na final. Esta provavelmente foi a vitória menos empolgante da campanha bianconera: fora os gols, pouquíssimas chances foram criadas durante o jogo. Uma Juventus fria e calculista, com dois de Immobile e um de Daud, chegava à final da Coppa Viareggio 2009 para enfrentar a Sampdoria.

O gol contra de Perazzo aos 13 minutos de jogo deu a famosa “sorte de campeão” à Juve. Desestabilizando a Sampdoria, que foi forçada a se lançar ao ataque, sobrou espaço nas laterais. E, do mesmo lado esquerdo em que havia surgido a jogada do primeiro gol, D’Elia, em belo lance individual, foi à linha de fundo e deixou a bola em cima da linha para Immobile aumentar o placar. Querendo mais, logo na volta do segundo tempo, Daud – da esquerda e de esquerda – conseguiu acertar um chute magnífico que sacramentaria a partida. A Samp ainda diminuiria com Di Leva, em uma falta totalmente desviada na barreira. Immobile, aproveitando-se de recuada bizarra para o goleiro, tomou a bola e fechou o placar, aos 47 minutos de segundo tempo.

O número de gols de Daud – oito – é uma equivalência ao recorde de Giacomo Banchelli, então na Fiorentina, em 1992. Tanto ele quanto Immobile, nascidos em 90, não devem ter muitas oportunidades na equipe principal tão cedo. Do grupo campeão de Viareggio, aquele mais próximo de atuar pelo time de cima é Albin Ekdal, meio-campista sueco, que já treina com os mesmos. Outros jogadores, como Castiglia, Esposito e Vecchione também já serviram os profissionais. Em 94, a única vez na década de 90 em que a Juventus faturou Viareggio, Alessandro Del Piero fazia parte da equipe. Já nas conquistas recentes, nomes como De Ceglie, Criscito, Marchisio e Giovinco foram lançados.

Esta é, naturalmente, a hora de dar o tempo certo aos garotos e esperar pelos resultados profissionais da vitoriosa base juventina.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Faixas encomendadas

Como manda a tradição, o dérbi de Milão não esperou domingo para começar. Já na terça-feira era o principal tema esportivo do país, com o 'silenzio stampa' decretado por Massimo Moratti dali ao fim da partida. O chefão interista estava insatisfeito com a cobertura das principais emissoras televisivas do país, em especial com uma das tradicionais imitações de Teo Teocoli na Domenica Sportiva.


Mourinho e Ancelotti, por outro lado, continuaram sendo personagens. O ápice da semana foi quando o português não desistiu de sua tática de fazer bons amigos na Itália e tomou os títulos recentes de Inter e Milan como exemplo para dizer que só o melhor time vence o campeonato, enquanto não é sempre o melhor que vence a Liga dos Campeões.

À parte das polêmicas, e antes do jogo de fato, as duas torcidas se uniram em torno de Paolo Maldini. O capitão milanista disputou no domingo o seu 56º e provavelmente último dérbi, o 42º na Série A. Para efeito comparativo, o interista com mais clássicos contra o Milan é Giuseppe Bergomi, com 44 partidas. As imagens de Maldini saudando o público do San Siro, em especial a torcida nerazurra que levara faixas como "20 anni da rivale, ma sempre um avversario leale" (20 anos como rival, mas sempre um adversário leal), foi talvez a nota mais bela da noite.

Maldini: últimas lembranças do dérbi não serão as ideais para o milanista

Em campo, um Maldini baleado não foi suficiente na defesa. Kaladze esteve em uma péssima noite, enquanto Jankulovski simplesmente abstraía o fato de possuir responsabilidades defensivas. No meio-campo, Ambrosini foi o melhor em um espaço que tinha Beckham, Pirlo, Seedorf e Ronaldinho para se destacar. Então, ainda que Maldini tenha conseguido anular Ibrahimovic por quase todo o jogo, não faltou espaço para (todos) os outros jogadores da Inter.

O Milan chegou a dominar o início da partida, mas simplesmente não sabia o que fazer com a bola. A Inter, por outro lado, partia logo para o ataque e buscava a finalização a todo custo. E isso fez a diferença. Um carrinho milimétrico de Ambrosini tirou um gol de Stankovic que a torcida nerazzurra já comemorava, mas ainda assim foi a Inter que abriu o placar, com o polêmico gol de Adriano.

Após ser cabeceada, a bola bateu no braço do atacante e mudou totalmente de direção para enganar Abbiati e entrar no gol – polêmica suficiente para alimentar algumas semanas de mesa-redonda na Itália. O toque é inquestionável, assim como é difícil crer que o lance foi intencional. Então é complicado entender porque a procuradoria da Federação Italiana pediu julgamento ao caso, que precisava de uma resolução só em campo: gol assinalado por Roberto Rosetti e fim de papo.

Nos dois gols, o Milan esteve estático enquanto a Inter atacava se aproveitando de duas faltas despretensiosas na intermediária. No primeiro, os rossoneri assistiram ao cruzamento de Maicon, enquanto no segundo ninguém viu Stankovic descendo livre pela direita para receber um passe de peito de Ibrahimovic, o único lance de genialidade do sueco na partida.

Alexandre Pato ainda tentou empatar a partida, apenas com a companhia dos gritos de Inzaghi, mas foi muito pouco. A linha defensiva da Inter estava em uma noite soberba, bem como Muntari, que não permitiu que Beckham realmente entrasse em campo. Se a profecia de Mourinho de que "em fevereiro se verá a verdadeira Inter" se cumprir, as portas estão mais que abertas para uma temporada de caça ao Manchester United em duas partidas.

A Inter terá tempo suficiente para poder pensar na Liga dos Campeões, inquestionavelmente seu maior objetivo. Os nove pontos de vantagem sobre a Juventus e os 11 sobre o Milan tiram quase todo o risco de uma troca de liderança nas 14 rodadas finais. Na temporada passada, a Inter viu 11 pontos de vantagem sobre a Roma virarem poeira e o título ser decidido só na rodada final, mas o fato é que neste ano não há um adversário direto e presente para a Inter, como havia sido a Roma dos últimos dois anos.

Enquanto a disputa da Série A passada se concentrava claramente nos dois times, até agora não ficou claro quem será o 'anti-Inter' da temporada, Juve ou Milan. No domingo, a Inter demonstrou sua superioridade sobre um Milan sempre mais desgastado. Ainda que tecnicamente inferior, taticamente a solidez interista impressiona após um tempo de relativa indefinição. O preparo físico do time também parece ter chegado a seu nível mais alto – e quem tem de marcar as subidas de Maicon que o diga.

Na outra lateral, o jovem Santon foi uma ótima aposta de Mourinho. Com apenas 18 anos, mandou para o banco o brasileiro Maxwell e desde sua estreia contra a Roma, há pouco menos de um mês, não há muito que dizer além de que é alguém que veio pra ficar. Na coletiva de imprensa depois do dérbi, Santon deu sua primeira entrevista como profissional, já que o treinador o havia proibido de concedê-las, numa tentativa de preservação. No melhor estilo Mourinho, os jornalistas presentes ouviram um "desfrutem essa ocasião, porque até a próxima se passarão entre dois e três meses".

Leia mais

A coluna completa, nesta terça-feira, na Trivela. Além do dérbi, um pouco sobre a ressurreição do Torino e a vexatória derrota da Roma para a Atalanta.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Naufrágio napolitano

Com apenas um ponto conquistado nos últimos cinco jogos disputados, já tem quem defenda a queda de Edoardo Reja, há quatro anos no comando do Napoli. Ainda que possua uma boa parcela de culpa pelos resultados recentes da equipe, não é só por Reja que os partenopei se encontram nesta situação, após o ótimo início de temporada.

Na derrota para o Palermo, neste domingo, ficou ainda mais claro: falta pulmão para o Napoli. Principalmente por três fatores que agem interligados. Enquanto a maioria das equipes atravessa neste momento o ápice de sua rendimento físico, o Napoli já está desgastado por ter começado a temporada pelo menos um mês antes dos rivais, por estar envolvido nas Copas Intertoto e Uefa.

Reja passa por fase de maior contestação desde que chegou a Nápoles

Com isso, o Napoli sofre em outro ponto: a falta de um elenco suficientemente extenso e com qualidade para suportar uma temporada que todos já sabiam que seria pesada. Mannini, Pazienza, Rinaudo e Aronica, juntos, custaram mais de 20 milhões de euros, mas nunca estiveram à altura dos titulares quando entraram em campo. Os problemas físicos de Bogliacino e Montervino também causam a saturação das peças-chave do elenco: Denis fez 26 partidas oficiais nesta temporada, seguido por Hamsík, Maggio, Blasi, Contini (23) e Lavezzi (22).

E, mesmo com tanto dinheiro investido, ainda faltou no elenco um goleiro confiável. Iezzo e Gianello já provaram diversas vezes que não passam de jogadores medianos, com sérias limitações em momentos importantes. De quebra, ambos se encontram lesionados. O argentino Navarro tem seguido pelo mesmo caminho. A emergência no gol é tamanha que o Napoli fez ressurgir Bucci, no alto de seus 40 anos e 330 gols sofridos em 278 partidas na Série A.

Mas a principal contestação a Edoardo Reja é realmente a falta de rotatividade entre os jogadores que entram em campo. Ainda que nenhum dos titulares tenha feito um número desumano de partidas, praticamente todos estão em seu limite, já sem pernas para correr pelos outros. Nesse cenário, o argentino Dátolo chega como titular inquestionável antes mesmo de estrear.

O questionado 3-5-2 que o time usava há anos foi abandonado nas últimas rodadas em favor de um 4-3-1-2, o que acabou se tornando uma armadilha. Maggio e Vitale são mais meias externos que propriamente laterais, o que fez a mudança gerar um buraco na defesa napolitana. Quando algum zagueiro é improvisado pelos lados, como o foi Aronica contra o Palermo, o resultado tem sido horroroso.

Contra o Palermo, no último domingo, outra vez Lavezzi esteve praticamente só

A queda nas quartas-de-final da Copa Itália para a Juventus, na última quarta-feira, não é exatamente um presente. A sequência ruim chegou a tal ponto que Reja vive sua pior crise de resultados desde que assumiu o clube. O treinador terá de se dedicar a um extenso trabalho psicológico para tentar salvar o resto da temporada: depois da derrota na Sicília, Blasi, Contini e Lavezzi estavam tão aturdidos que não conseguiam sequer conceder entrevistas.

Se a crise de nervos não terminar no próximo sábado contra o Bologna, não é de se duvidar que alcance o presidente De Laurentiis. Ainda que seja pouco provável que Reja caia ainda nesta temporada, apenas a classificação para alguma copa europeia pode salvar seu pescoço em maio. Porque a lista de treinadores especulados para o futuro do Napoli já é extensa e vai de Mancini a Giampaolo.

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A coluna completa, nesta terça-feira, na Trivela. Além do Napoli, aborda a quebra de rendimento de Zárate e sua Lazio, a supremacia da Roma no confronto de domingo contra o Genoa e a convocação de Lippi para a partida contra o Brasil.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Preview: 61ª Copa Viareggio

Para a 61ª edição do tradicional torneio de juniores de Viareggio, sua organização anunciou várias mudanças. A começar por sua denominação: agora falamos da Copa Viareggio – Torneio Mundial de Futebol. Em sua programação, uma redução de 48 para 40 equipes, separadas em dez grupos divididos em duas grandes chaves. Para a segunda fase, passam os vencedores de cada um dos grupos, mais os três melhores segundos das chaves A e B. Ainda foram cortadas a decisão do terceiro lugar e a eventual repetição da final, em caso de empate. Com as alterações, o torneio ganha em equilíbrio e garante um tempo maior de repouso aos jogadores entre as partidas do mata-mata.

Reconhecida por CONI (Comitê Olímpico Italiano), FIGC (Federação Italiana de Futebol), FIFA e UEFA, na Copa Viareggio deste ano poderão ser inscritos garotos nascidos entre 1989 e 1993, mais dois “fuoriquota” de 1988. No total, serão 40 times participantes, representando 15 países dos cinco continentes com 960 jogadores inscritos. O juramento deste ano será lido por Raffaele Palladino, vencedor em Viareggio com a Juventus em 2003 e 2004 e hoje no Genoa sob o comando de Gian Piero Gasperini, técnico das duas conquistas.

Em 2008, a Inter foi campeã com show de Balotelli nos jogos decisivos

Viareggio é um bom prefácio de carreiras: basta pensar que o indelével Trapattoni era titular no Milan bicampeão em 1959 e 60. Dos craques que brilharam na Serie A nos últimos anos, também não foram poucos os que deixaram antes sua marca no litoral: Giannini, Baggio, Maldini, Batistuta, Del Piero, Totti, Pirlo, De Rossi. Além de Amauri, personagem dos noticiários nos últimos meses. O atacante disputou Viareggio em 2000, pelo Santa Catarina, e encantou marcando três gols. Foi contratado pelos suíços do Bellinzona e iniciou sua carreira internacional.

O Brasil também está nas páginas de Viareggio, ainda que sem nenhuma conquista. O Palmeiras foi o primeiro representante do país na competição, em 1983, mas a melhor campanha brasileira foi a da modesta Sociedade Esportiva Irineu, de Joinville, vice-campeã em 1998. A última participação brasileira no torneio foi com o Santos, eliminado nas oitavas-de-final pela Sampdoria, em 2007. Falando em história, o primeiro campeão do torneio, em 1948, representava um bar local: o Lencioni. A partir deste ano, a Coppa Carnavale, como também ficou conhecida, globalizou-se e se consagrou como disputa de juniores. Foi em Viareggio, aliás, o primeiro contato esportivo entre a China comunista e a Europa ocidental, quando um time de Pequim disputou o torneio, em 1978.

Em 2007, o Genoa virou pra cima da Roma na final para faturar o bi

A Internazionale, atual campeã, abrirá o torneio no dia 9 de fevereiro, contra o Queens Park Rangers, time da segunda divisão inglesa com sotaque italiano, já que tem Flavio Briatore como presidente. Até a final, programada para o dia 23, os campeonatos Primavera e Allievi estarão suspensos para que os clubes italianos se dediquem ao torneio. Os nerazzurri largam na frente, mas Roma, Lazio, Genoa e Sampdoria também chegam fortes. Uma novidade é a transmissão: além da difusão para a Itália, a RAI transmitirá dois jogos por dia, on-line, em seu site. Confira a seguir um preview dos times que disputarão o torneio.

CHAVE A

Grupo 1
Internazionale (Itália), Queens Park Rangers (Inglaterra), Palermo (Itália), APIA Leichhardt (Austrália)

Campeã de Viareggio no ano passado, a Inter é favorita para repetir a dose. Mesmo com o veto de Mourinho à participação de Balotelli, melhor jogador do torneio em 2008, o time continua forte. Pelo seu grupo no campeonato Primavera, são treze vitórias e apenas nove gols sofridos em 15 partidas. Santon, lateral-esquerdo que tem atuao pelo time principal nas últimas rodadas da Serie A, deve ser utilizado na fase final da competição. A defesa é um ponto alto do time, com Belec no gol e a afinada dupla Mei-Daminuta na zaga – o último é tido como o herdeiro de Chivu. O ataque vem bem na temporada, com os habilidosos Destro e Napoli e o centroavante Bocalon. Na meia-esquerda do 4-4-2 de Vincenzo Esposito, um jovem talento em grande fase: Antonio Esposito tem sido comparado ao golfinho Flipper por sua agilidade e pode ser o ponto de desequilíbrio na falta de um verdadeiro organizador ao time nerazzurro.

Palermo e Queens Park Rangers devem lutar pela segunda posição no grupo. Os rosanero, terceiro colocados no grupo C do campeonato Primavera, contrataram dois jogadores para estrear em Viareggio: o lateral-direito Pellegrini, ex-Treviso, e o zagueiro Sabatucci, ex-Cisco Roma, este último seguido por clubes espanhóis na última janela de transferências. A dupla se unirá ao meia-direita Cappelletti e ao lateral-esquerdo Siragusa, destaques do time comandado por Rosario Pergolizzi. No QPR, vice-líder do torneio under-18 inglês, o destaque vai para o meia Balanta, que estava emprestado ao Wycombe no primeiro semestre, mas será utilizado no time principal do QPR após Viareggio. Já os australianos do APIA Leichhardt provavelmente ficariam satisfeitos caso quebrem a tradição de deixar Viareggio sem pontuar e marcar gols.

Grupo 2
Juventus (Itália), Maccabi Haifa (Israel), Parma (Itália), Frosinone (Itália)

Um dos “fuoriquota” escolhidos pela Juventus para Viareggio é o meia Vecchione, que voltou aos campos na última semana após romper os ligamentos do joelho na turnê do time principal pela Ásia, em maio passado. Logo em seu retorno, marcou um dos gols que garantiu à Juve uma vaga nas semifinais da Copa Primavera. No campeonato da categoria, os bianconeri lideram o grupo A com quatro pontos de vantagem sobre o Empoli, segundo colocado. Mas a boa campanha italiana não pode subir à cabeça, já que nos últimos dois anos a Juve caiu nas oitavas-de-final de Viareggio enquanto liderava com folga seu grupo. O principal jogador do time treinado por Massimiliano Maddaloni, que estréia nesta temporada no comando juventino, é o zagueiro Ariaudo, já utilizado por Ranieri em algumas partidas do profissional. O meia sueco Ekdal também deve voltar do time de cima para ter chances em Viareggio.

O israelense Maccabi Haifa volta ao torneio após ficar de fora no ano passado. Em sua última campanha, em 2007, surpreendeu ao bater a favorita Fiorentina em plena Toscana. Kayal Biram, destaque do time na oportunidade, disputará Viareggio pela segunda vez. O armador tem uma história curiosa: apesar de jogar por um time judeu, é declaradamente muçulmano. No Parma, em inferno astral desde a falência da Parmalat, a maioria das esperanças estão depositadas no meia Galassi, nome certo nas convocações da seleção italiana sub-18. O atacante Canalini, ex-Modena e Piacenza, é a esperança de gols. Já o Frosinone, pela primeira vez em Viareggio, entra como azarão. O time não faz boa campanha no grupo C do campeonato Primavera e é apenas o 11º entre 14 equipes. Para piorar, o zagueiro e capitão Del Duca lesionou a clavícula e estará de fora nas próximas semanas.

Grupo 3
Torino (Itália), Belasica (Macedônia), Bari (Itália), Independiente de Santa Fé (Colômbia)

Mal das pernas no campeonato Primavera, o Torino parte sem muitas esperanças para Viareggio. Ainda que deva fazer valer a condição de cabeça-de-chave do grupo, não é de se esperar que os granata cheguem muito longe: nas últimas dez partidas disputadas pelo sub-20 torinese, foram apenas duas vitórias. A dupla de meias Rolandone e Suciu e o goleiro Gomis, que costumam treinar entre os profissionais, são a grande esperança dos comandados de Giuseppe Scienza. O lateral-esquerdo Ogbonna disputaria o torneio, mas foi mantido por Novellino no time profissional, que busca de forma desesperada fugir do rebaixamento para a Serie B.

O Belasica, de Strumica, faz sua segunda participação em Viareggio. No ano passado, mesmo no grupo do Milan, o time por muito pouco não passou da primeira fase. A equipe, atualmente na segunda divisão macedônica, tem como maior feito em sua história a descoberta do atacante Pandev, hoje na Lazio. O Bari treinado por Pietro Maiellaro, ídolo do clube no fim da década de 80, deposita suas esperanças no atacante Perez e no zagueiro Fiorentino. Já o Independiente de Santa Fé mandou apenas 17 jogadores da Colômbia para a Itália, apesar de reconhecer Viareggio como o torneio júnior de clubes mais importante do mundo. Entre os que viajaram, estão o zagueiro Villarraga e os meias irmãos Cristian e Adersson Quiñones.

Grupo 4
Sampdoria (Itália), Pakhtakor (Uzbequistão), Bologna (Itália), Rimini (Itália)

Segunda colocada no Grupo A, o mais equilibrado do campeonato Primavera, a Sampdoria chega bem à Viareggio. Na última partida do time antes do torneio, os blucerchiati derrotaram o Siena fora de casa para ultrapassá-los na tabela. A boa fase do time treinado por Fulvio Pea não é de hoje: na temporada passada, a Samp fez dobradinha vencendo o campeonato e a copa da categoria. Uma conquista em Viareggio daria ao clube um “tris” histórico. Com um time bem físico e praticamente a mesma base da última temporada, os dorianos levarão para o litoral jogadores que têm sido observados por Mazzarri em treinamentos com os profissionais, como o goleiro Fiorillo e a dupla de atacantes Mustacchio e Marilungo.

O uzbeque Pakhtakor, em sua fase final de pré-temporada, deve utilizar Viareggio para observar os jovens que podem ser utilizados pelo profissional em 2009, à exemplo do que tem feito nos últimos dois anos. A principal promessa é o meia-atacante Azizov. E o grupo terá logo em sua primeira partida um dos dérbis da Emilia-Romagna: Bologna x Rimini. Os primeiros retornam a Viareggio após mais de dez anos de afastamento e apostam no meia Casarini, já com quatro partidas na Serie A. O defensor Di Benedetto, recém-chegado ao clube, deve fazer sua estréia. O Rimini, com péssimos resultados no último ano, deve manter a escrita em 2009. Quem deve se livrar de uma decepção é o volante marroquino Karim Bari, que tem ganhado espaço na equipe nos últimos meses.

Grupo 5
Empoli (Itália), Spartak Moscou (Rússia), Siena (Itália), Nacional (Paraguai)

Outro dérbi, desta vez um toscano: a partida na segunda rodada entre Empoli e Siena reserva alguma rivalidade. As duas equipes vêm bem no grupo A do campeonato Primavera, nas segunda e quarta colocações, respectivamente. No ano passado, em Viareggio, o Empoli foi vice-campeão, enquanto o Siena não se safou do grupo com Ascoli, Roma e Shakhtar e caiu ainda na primeira fase. Mas são poucos os remanescentes da ótima campanha azzurra do último ano: ficaram o atacante Caponi, o meia Caroti e o técnico Ettore Donati. Parece pouco para quem se despediu de Pelagotti, Iacoponi, Pizza e, principalmente, Caturano. Mas as boas atuações de gente como o goleiro D’Oria e o lateral-esquerdo Tonelli têm sido a tônica de uma defesa bastante sólida quando exigida.

O Siena mantém no comando Marco Baroni, semifinalista em Viareggio em 2006. Com um futebol vistoso e ofensivo, mas algo inconstante, o time voltará a contar com os gols do centroavante Larrondo - nesta temporada o argentino foi agregado ao time profissional, mas dará o ar da graça no litoral italiano. O seu parceiro de ataque deve ser o veloz Kouko. O Spartak, eliminado pela Atalanta nas oitavas-de-final no ano passado, conta com o baixinho Sovetkin no meio de campo para surpreender e buscar a classificação. Já os paraguaios do Nacional, tradicional celeiro de jogadores do país, devem se contentar com a figuração no grupo.

CHAVE B

Grupo 6
Milan (Itália), Pumas (México), Vicenza (Itália), Cesena (Itália)

Semifinalista no ano passado, o Vicenza perdeu o posto de cabeça-de-chave e caiu no grupo do Milan. Mas podia ser bem pior, já que os rossoneri atravessam um dos piores momentos de sua história na base, seja na qualidade de jogadores (não) revelados ou ainda na questão de resultados. Décimo entre 14 equipes em seu grupo no campeonato Primavera, a fase atual é complicada demais para apostar que o Milan supere a campanha do ano passado, quando caiu nas quartas-de-final mesmo com a boa fase do atacante Paloschi. O time comandado pelo ex-jogador Alberigo Evani deve contar com o marroquino Ennasry, contratado mês passado junto ao Venezia para melhorar os resultados de uma equipe que só venceu três de seus 15 jogos até então no campeonato da categoria. Viudez, titular do Uruguai no Sul-Americano Sub-20, deve retornar a tempo da segunda fase. Enquanto isso, o serra-leonês Strasser terá de segurar a bronca no meio-campo.

Os universitários do Pumas voltam a Viareggio depois de segurar um empate com a Juventus na estréia do torneio do ano passado. O Vicenza, semifinalista do último ano, mudou bastante o time sob o comando de Angelo Gregucci: o meia Ortolan, destaque biancorosso em 2008, estourou a idade limite. Agora, as esperanças ficam nos pés do ex-interista Maaroufi e do ex-juventino Essabr. O argentino Forestieri, que marcou um belo gol contra a Inter pela Serie A, temporada passada, pode aparecer caso o time avance de fase. O Cesena, campeão de Viareggio em 1990, caiu nas quartas-de-final do último ano. Neste, o meia Porcelli é a principal esperança.

Grupo 7
Roma (Itália), Aarhus (Dinamarca), Reggina (Itália), Cisco Roma (Itália)

Enquanto Spalletti deixava de lado seu 4-2-3-1 no time principal, Alberto De Rossi confirmava o esquema na base romanista, que têm meias externos para fazer bem a função: Tortolano pela direita e, principalmente, D’Alessandro pela esquerda. Depois da decepção na temporada passada, os giallorossi começaram 2008-09 a todo vapor, mas caíram de rendimento nas últimas semanas. Ainda assim, as perspectivas para Viareggio, título que não vem desde 1991, são muito boas. D’Alessandro vive fase espetacular e o time ainda tem nomes que entusiasmam, ao contrário da geração do ano passado: destaque para os defensores Mladen e Brosco e o meia Massimo. O goleiro croata Sugar, contratado no fim de janeiro, pode fazer sua estréia na competição, assim como o meia Buono, ex-Lecce.

O Aarhus conta com o lateral-direito Krabbe, com passagem nas seleções de base dinamarquesas, além do atacante Høegh, perseguido por Chelsea e Inter na última janela de transferências e tido pela equipe de observadores dos blues como maior talento do país em sua geração. A Reggina, em quarto lugar no grupo C do campeonato Primavera, aposta em seu ataque, que marcou 39 vezes em 16 partidas, melhores números da competição. O meia-atacante Viola é o artilheiro e principal jogador da equipe. Na Cisco Roma, que novamente vai entrar com um time sub-18 no torneio sub-21, os destaques estão nas laterais: Paglia e De Santis. O técnico será Mario Apuzzo, que há dois anos comandou a equipe em Viareggio e foi eliminado pela Roma na última rodada da fase de grupos. A chance de vingança, outra vez, estará na última partida do grupo.

Grupo 8
Fiorentina (Itália), Dukla Praha (República Tcheca), Pisa (Itália), New York Red Bulls (Estados Unidos)
A Fiorentina, maior vencedora da história de Viareggio, com oito conquistas (mesmo número do Milan), entra outra vez forte no torneio. E com uma aposta arriscada: o atacante El Babacar, prodígio da base do clube, com apenas 16 anos, mas com um físico assombroso e grande potência no chute. E o senegalês, claro, já é comparado com o interista Balotelli. O time de Alberto Bollini, que faz campanha razoável no campeonato Primavera, tem ainda mais dois nomes em que a torcida viola aposta bastante: o zagueiro Masi e o atacante Jéfferson, ex-Paraná, ambos requisitados no time profissional. Além do atacante, a base da Fiorentina ainda tem outro brasileiro, o lateral-direito Alex, revelado pelo búlgaro Lokomotiv Plovdiv.

Os viola encaram o Dukla Praha, estrangeiro com mais vitórias em Viareggio. Mas a última conquista das seis conquistas dos tchecos veio há quase trinta anos, em 1980. De lá pra cá, a equipe foi fechado, refundado, e atualmente milita na segunda divisão do país. Quem comandará o Dukla na Itália será ninguém menos que Josef Masopust, ex-meia da seleção tchecoslovaca e Bola de Ouro europeu em 1962. O time entrará reforçado com jogadores de outros clubes tchecos, como Sparta Praha, Slovan Liberec e Viktoria Plzen. Estratégia parecida com a do New York Red Bulls, que pegou emprestado do Napoli (que não disputa Viareggio esse ano) o talentoso meia da seleção italiana Vincenzo Bernardo, só para o torneio. O Pisa, que fará com a Fiorentina mais um dérbi toscano, corre por fora.

Grupo 9
Atalanta (Itália), Midtjylland (Dinamarca), Novara (Itália), Combinado Serie D (Itália)

Semifinalista no ano passado, a Atalanta terá dificuldades para repetir a boa campanha em Viareggio nesta temporada. Com um grupo bem mais jovem e menos talentoso que o de 2007-08, os bergamascos atravessam sem empolgar no campeonato Primavera. O experiente Alessio Pala comandará a Atalanta em seu enésimo torneio juvenil e terá de contar muito com a tradição do clube para chegar longe: segundo um estudo de Coverciano lançado no último ano, é o clube que mais revela jogadores para a Serie A. O ataque com Gabbiadini e Zaza, 17 anos cada, é o principal ponto promissor da equipe, jovem demais para ambicionar muito em Viareggio.

Ainda assim, o time de Bérgamo não deve ter muita dificuldade na primeira fase. O Midtjylland volta ao carnaval italiano depois de estrear no último ano revelando o zagueiro Kjaer, logo negociado com o Palermo. O goleiro Weinkouff, de boa passagem pelas seleções de base dinamarquesas, continua no time. O Combinado da Serie D estará presente em Viareggio pela quarta vez, desta vez comandado por Roberto Polverelli. Os 24 convocados saíram de uma lista inicial com 105 jovens amadores que jogam na Serie D, equivalente à quinta divisão italiana. Na temporada passada, os garotos da D só caíram para o Cesena nos pênaltis, nas oitavas-de-final. O goleiro Fanti, o meia Vianello e o atacante Kouko são os tidos como os principais nomes do elenco. Já o Novara entra como franco-atirador.

Grupo 10
Genoa (Itália), Anderlecht (Bélgica), Lazio (Itália), Racing Club de Bobo-Dioulasso (Burkina Faso)

Escolhido como cabeça-de-chave, o Genoa deu o azar de encontrar a Lazio logo na fase de grupos. Sob o comando de Roberto Sesena, há cinco anos no banco do time de Formello, os biancocelesti vêm voando no campeonato Primavera. Outra vez, a Lazio tem uma boa geração na base com chance de fazer ótimos resultados em longo prazo – resta ver como serão lançados no time de cima. O primeiro passo já foi dado: Sevieri, Sciamanna, Ricci e Luciani assinaram contratos até 2013, nos últimos dias. Cinelli, considerado o futuro do meio-campo laziale, até 2012. Além de todos, há ainda o atacante Mendicino, artilheiro absoluto do campeonato Primavera até aqui e candidato à artilharia também em Viareggio.

Falando em gols, o Genoa aposta nos de El Shaarawi, atacante italiano de ascendência egípcia, jogador mais jovem defender pelo clube na Serie A, com menos de 16 anos e dois meses. Entre os comandados por Luca Chiappino, também se destacam o zagueiro uruguaio Polenta e o goleiro Raggio Garibaldi, irmão do meia vice-campeão europeu sub-17 com a Itália há um ano. No Anderlecht, habituée do torneio, René Peeters continua como treinador. Os destaques do time são o meia Suárez e o atacante Servaes. Do Racing Club de Bobo-Dioulasso, de Burkina Faso, não foi possível colher informações.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sem muita fantasia

Nesta temporada, o 4-3-1-2 tem se mostrado como o esquema tático mais popular entre os treinadores da Serie A. É bastante provável que o sucesso deste esquema tático tenha relação ao tricampeonato da Inter de Roberto Mancini, que se consagrou jogando assim durante praticamente todas essas três temporadas. Hoje, a maior parte dos clubes que disputam a Serie A contam com um jogador que possa exercer a função de trequartista no elenco. Inter, Fiorentina, Roma, Lecce, Cagliari, Palermo, Siena, Atalanta e Torino (os dois últimos atuam sob um 4-4-1-1) jogam com um homem posicionado logo atrás dos atacantes. Segundo a Gazzetta dello Sport, até Carlo Ancelotti pensa em usar o 4-3-1-2 para conseguir encaixar Ronaldinho, que tem freqüentado o banco de reservas após a chegada de Beckham. No entanto, poucos deles se enquadram no conceito de fantasista.

Doni e Stankovic: dois trequartisti bem-sucedidos

É hora da revisão
Até José Mourinho, que chegou a Inter declarando que não gostava da Inter de Mancini e iria utilizar dois pontas e um centroavante, teve de repensar o que iria fazer em seu primeiro ano no time de Appiano Gentile. Tendo de engolir suas palavras, Mourinho lançou mão de uma equipe completamente "manciniana" em estilo tático. Dessa forma, Stankovic recuperou seu futebol (esquecido há dois anos) e voltou a ser um dos jogadores mais importantes da Inter, com quatro assistências. Com certa dose de classe e muita disposição - inclusive para marcar - Stankovic tem características semelhantes a Muntari, que joga em uma posição que ele próprio pode desempenhar.

Mesmo assim, o sérvio não é o principal responsável por propiciar as chances de gol da Inter. Jogadores que atuam pelos lados do campo, como Maicon, Muntari e Ibrahimovic (em suas conhecidas flutuações pelos lados do campo) apareceram com mais importância que o trequartista durante a temporada. Ainda: nos jogos em que a atual campeã enfrentou dura marcação efetuada na entrada da área (como contra Sampdoria e Torino), as dificuldades encontradas foram muitas, por causa da má performance de Il Draco.

Luciano Spalletti também precisou rever seus conceitos. Fidelíssimo a um 4-2-3-1 que não funcionava mais como antes, o técnico toscano agora passeia pelo 4-3-2-1 e, especialmente nas últimas partidas, também pelo 4-3-1-2. No passado, a Roma poderia contar com Totti exercendo o "1" com bastante "fantasia". Hoje, Pizarro, Perrotta e Aquilani concorrem à vaga, com clara predileção do técnico pelo chileno (a quem já conhece desde os tempos de Udinese). Outro postulante à função é Júlio Baptista. Com todos o elenco em totais condições, aliás, o brasileiro tende a assumir a vaga, às costas de Totti e Vucinic.

Até que nem tão fantasista assim
Stankovic não é o único dos trequartisti que precisa desempenhar funções defensivas com alguma freqüência. Fábio Simplício, do Palermo, e Giacomazzi, do Lecce, também precisam fazê-lo. Ambos com formação defensiva, foram adaptados para uma função mais ofensiva e cerebral, por possuírem boa qualidade no passe. Enquanto o uruguaio foi o herói salentino no primeiro turno, Simplício é peça fundamental no Palermo desde que chegou ao clube, em 2006. Nesta temporada, o ex-jogador do São Paulo já fez cinco gols e deu outros cinco passes açucarados para que seus companheiros empurrassem a bola para as redes adversárias. Depois de duas temporadas como estrela no Parma e mais duas na Sicília, o estigmatizado brasileiro faz por merecer uma oportunidade real na Seleção.

Mas nem sempre os trequartisti são os responsáveis diretos para que o jogo de suas equipes flua. No Cagliari e na Fiorentina, por exemplo, os principais assistentes são Fini (10 - maior marca nesta edição da Serie A) e Montolivo (4), que jogam normalmente pelos lados da linha de três do meio-campo.

No entanto, os casos são diferentes: pela equipe rossoblù, Cossu - o trequartista - também tem jogado muito bem, contribuindo com sete assists. Na equipe da Toscana as coisas são completamente diferentes: enquanto Cesare Prandelli não utilizou dois pontas, Santana foi o trequartista, sem muito sucesso. Nesta semana o argentino acabou se lesionando e deve ficar de fora durante o resto da temporada. Montolivo, então, foi promovido pelo técnico viola à trequartista da equipe. Com isso, a Fiorentina ganha nesta posição, mas perde na linha de trás: Gobbi deve assumir a vaga deixada pelo meia da Azzurra. No Siena acontece algo parecido: Kharja é o trequartista, mas o lateral-direito Zúñiga é o principal vetor criativo da equipe.

A essência
Desta forma, talvez apenas dois jogadores da Serie A podem receber o título de fantasista, pelo seu estilo de jogo: Cristiano Doni e Alessandro Rosina. No entanto, apenas um deles tem brilhado, com jogadas surpreendentes. Doni, mais uma vez, é o principal jogador da Atalanta - embora Floccari ganhe cada vez mais espaço. Do alto dos seus quase 36 anos, o ídolo nerazzurro é um dos poucos remanescentes de uma escola que teve Roberto Baggio como uma das principais figuras nos anos 90. Rosina, por outro lado, é um jogador de lampejos (cada vez mais raros). Contra a Inter, no último fim de semana, fez uma de suas melhores atuações nos últimos tempos. A posição do Torino na tabela, além do parco futebol demonstrado por toda a equipe, reflete sua fase.

No final das contas, a pergunta é: o quanto a mudança dos pré-requisitos atuais para que um jogador exerça a função de trequartista pode contribuir positivamente para o futebol dessas equipes?