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segunda-feira, 30 de março de 2009

Davide Santon: atuando como um senador

No limite exato entre o prodígio e a promessa. Assim pode-se definir Davide Santon, titular absoluto da Internazionale desde sua estréia, no fim de janeiro, contra a Roma, pelas quartas-de-final da Copa da Itália. O jovem lateral pode ser considerado a maior revelação do time de Appiano Gentile nesta temporada e uma das maiores do futebol italiano nesta primeira década do século XXI. Santon tem desbancado o badalado atacante Mario Balotelli e vai assumindo o posto de maior destaque da base interista nos últimos anos. Se “SuperMario” enfrenta problemas psicológicos e grande concorrência para assumir a titularidade no ataque, Santon, que tem apenas Maxwell para oferecer concorrência (já que Chivu tem atuado como zagueiro, quando não está machucado), ganhou a posição depois de impressionar contra a Roma.


Tão logo José Mourinho assumiu o comando técnico da Internazionale de Milão, Santon chamou sua atenção: nas primeiras entrevistas como treinador do clube, Mourinho o elogiou bastante e argumentou muito sobre acreditar que a idade não é diferencial para a qualidade de um jogador. Assim, o primavera logo foi integrado à equipe principal nerazzurra, que disputaria amistosos de pré-temporada.

Primeiros passos


Formado pelo Ravenna, Santon chegou à Inter com apenas 14 anos. Na equipe emiliana, ele jogava como meio-campista, função que continuou a desempenhar em Milão por algum tempo, comprovando sua velocidade e habilidade. Quando fazia parte do elenco interista campeão da categoria Allievi (sub-16), o então meio-campista tinha a companhia de Luca Caldirola, outro jovem muito promissor, lateral-direito titular daquela equipe. Nessa condição, ambos recebiam suas primeiras convocações para a seleção italiana sub-17. Somente quando foram alçados para a equipe primavera, com 17 anos, Santon começou a ser aproveitado na posição que antes era ocupada por seu colega, agora jogando como zagueiro, mostrando que, na base da Inter, a versatilidade é algo trabalhado e importante.

Mesmo recebendo convocações para defender as seleções italianas menores, Santon não era o maior dos destaques interistas. Por motivos culturais do futebol, os jogadores de ataque têm mais notoriedade, mesmo na Itália – país marcado por uma cultura futebolística defensiva. Assim, na equipe primavera que chegou à final do campeonato, ele era apenas um coadjuvante, se comparado ao sucesso de Mario Balotelli e Aiman Napoli, artilheiros da equipe e, conseqüentemente, as duas principais referências de uma Inter ofensiva. Até mesmo jogadores que subiram para a Primavera na mesma época que ele, como o atacante Mattia Destro, eram mais estimados pela torcida.

Mesmo franzino, Santon tem se saído bem na marcação


Dessa maneira, toda a comunidade italiana ficou surpresa ao ouvir os muitos elogios feitos por Mourinho ao jovem “bambino” – maneira como o treinador se refere à Santon. Embora o desempenho pouco vistoso fosse preponderante, esse não foi o único motivo do espanto às declarações do português. Afinal de contas, já haviam outros jovens inseridos pouco a pouco por Roberto Mancini no time principal, como Francesco Bolzoni, Simone Fautario, Andrea Mei e, claro, Mario Balotelli. Por isso, se esperava que, naturalmente, estes jogadores ganhassem mais oportunidades, em vez de um jovem que, aparentemente, estava pulando etapas. Não foi o que aconteceu. Bolzoni está sempre entre os relacionados para as partidas, mas nunca joga. Balotelli é um caso a parte: quase estragou suas chances no time profissional ao bater de frente com Mourinho, sendo displicente nos treinamentos, indisciplinado em suas atitudes fora e dentro de campo, e exigindo jogar com freqüência (na Inter ou em outro clube). Logo após a estréia de Santon, que coincidia à época com o ápice da indisciplina do atacante palermitano, choveram perguntas a Mourinho. Os jornalistas perguntavam o que faltava em Balotelli e sobrava em Santon. Segundo o treinador português, Balotelli deveria seguir o exemplo do lateral-direito: trabalhar, ser disciplinado e não reclamar, ser “low-profile” fora de campo, para não sê-lo dentro das quatro linhas.

Nasce uma “bandeira”?

Quando foi alçado à equipe principal, Santon já era lateral-direito. Obviamente, com Zanetti e Maicon podendo atuar naquela posição, era de se imaginar que ele, mesmo elogiado, não iria receber oportunidades tão cedo. Santon foi relacionado para algumas partidas da Liga dos Campeões, mas não entrou em campo. Isso só aconteceu quando Mourinho percebeu que sua versatilidade poderia ser útil à equipe: mesmo sendo destro, o técnico de Setúbal resolveu testá-lo como lateral esquerdo, posição em que Maxwell não chegou a impressionar – sobretudo defensivamente.

Orientado por Mourinho para não subir muito ao ataque, Santon jogou bem e não saiu mais da equipe. Além disso, mesmo franzino, tem se saído bem nas funções de marcação que lhe são atribuídas. Em sua maior provação, em um jogo que poderia trazer muitas dificuldades para si, ele teve sua melhor atuação como defensor. Encarregado de marcar Cristiano Ronaldo, nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões, o “bambino” se saiu muito bem, sobretudo na partida disputada no Giuseppe Meazza.

Santon encara Ronaldo: o 'bambino' ganhou pontos com Mourinho

Cerca de um mês antes, após seu segundo jogo pela Serie A, Giuseppe Baresi (assistente de Mourinho e ex-coordenador das divisões de base nerazzurri) disse que o jovem parecia um senador – termo usado na Itália para designar os jogadores mais experientes da equipe. Em um time como a Inter, a ascensão de um lateral-esquerdo, formado no clube, só poderia lembrar um mito de sua história: o capitão Giacinto Facchetti, da Inter campeã mundial na década de 60. As boas atuações do “garoto-senador” o fizeram ser cogitado por Marcello Lippi para uma vaga na Azzurra, comparando-o a Maldini quando jovem. A partir disso, José Mourinho o proibiu de dar entrevistas, para que o sucesso não subisse a cabeça.

Parece ter dado certo: Santon continuou a jogar bem (inclusive nas partidas importantes, como o dérbi de Milão) e ganhou mais confiança para subir ao ataque. Na vitória contra o Lecce, um dos gols surgiu de cruzamento seu. Contra a Fiorentina, Ibrahimovic o deixou livre na pequena área, mas seu gol foi negado pelo goleiro Sébastien Frey. Ganhando ainda mais confiança e contando com a admiração de Mourinho e de gente forte no clube, Santon é daqueles jogadores que tem tudo para fazer história no clube, como Bergomi, Facchetti e Zanetti – todos laterais. O sucesso de Santon (e também o de Balotelli) na Inter é fundamental para que a diretoria aproveite mais os talentos de seu vivaio – que conta com uma geração aparentemente afortunada.

Ficha técnica

Nome completo: Davide Santon

Data de nascimento: 02/01/1991

Local de nascimento: Porto Maggiore, Itália

Clubes que defendeu: Ravenna, Internazionale

Seleções de base que defendeu: Itália Sub-20, Sub-17 e Sub-16

sábado, 28 de março de 2009

O problema Cassano

No último domingo, dia 22, Marcello Lippi anunciou os convocados para os jogos contra Montenegro e Irlanda, pelas Eliminatórias Européias para a Copa de 2010. Foram três novidades na lista do técnico italiano: o zagueiro Bocchetti, o lateral Motta e o atacante Pazzini. Apesar dos três novatos na seleção azzurra, o fato que mais repercutiu na imprensa italiana foi a não-convocação do atacante blucerchiato Antonio Cassano.

Em enquete do site La Gazzetta Dello Sport, com mais de 40 mil votantes, 80% dos internautas votaram a favor da convocação de Cassano, mas mesmo assim Lippi foi contra a corrente e não chamou o ex-romanista, que já marcou oito gols na Série A e é considerado um dos melhores atacantes da temporada, por boa parte da imprensa. Curiosamente, Pazzini, seu companheiro de ataque na Sampdoria, foi o escolhido para substituir Luca Toni, lesionado, e, com certeza, Cassano é um dos principais responsáveis por essa convocação, já que vem fazendo uma boa temporada e vem chamando a atenção não só para si, como também para o resto da squadra e, principalmente, para seu companheiro de ataque.


Durante a semana, Cassano declarou que Lippi tinha prometido convocá-lo, caso estivesse jogando bem, e não foi o que aconteceu. Logo começou a troca de farpas e, agora, o atacante preterido pela Juventus deve estar mais distante ainda da seleção, pois é exatamente esse seu comportamento extracampo que o técnico azzurro condena. Desde o quarto título mundial, em 2006, Marcello Lippi conta com a confiança dos jogadores campeões e pretende continuar com um grupo tão unido quanto aquele, e para isso não conta com Cassano no seu elenco.

Aqui no Brasil, estamos acostumados a situações parecidas. Não nos contentamos apenas com vitórias, gostamos de ver a seleção jogando bem acima de tudo. Porém, não é essa a preocupação principal dos técnicos, que, prezando pelo bem-estar do grupo, não chamam os jogadores aclamados pela torcida. É mais ou menos assim que Lippi pensa. Cassano pode ser bom para o futebol, mas não necessariamente para a Itália.

Assim, Lippi pode estar perdendo não só a oportunidade de se tornar o treinador que conseguiu domar o craque, mas também a chance de arrumar o ataque italiano, que ainda sente a falta de Totti. Contudo, Marcello Lippi parece não se abalar e diz que não vai ceder à pressão da imprensa e da torcida, até porque provavelmente vai ganhar as duas próximas partidas das Eliminatórias e continuar na primeira colocação do Grupo 8.

A Itália joga logo mais, às 16h45, contra a seleção montenegrina e no dia da mentira, 1º de abril, enfrenta a seleção da Irlanda. Os próximos jogos das eliminatórias são só em junho, quando saberemos se Cassano será manchete por causa da sua convocação ou por, mais uma vez, ter ficado de fora da lista.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Avisa lá que eu vou

Cassano e Mancini no Marassi: oficial e definitivo em julho?

Roberto Mancini avisou que volta a treinar um clube em julho. Ele não disse onde trabalhará, mas falou sobre ter saudades do futebol. Mancio ainda tem três anos de contrato com a Inter, o que significa que, se algum clube quiser que a ex-bandeira da Sampdoria ocupe o posto de treinador, terá que pagar uma altíssima multa recisória à sociedade nerrazzura - a menos que Massimo Moratti, presidente do clube, o libere do contrato. Nos últimos meses se falou muito sobre Mancini treinando o Chelsea ou o Manchester City e até mesmo em um provável retorno a Inter por obrigação contratual, em caso de fracasso de Mourinho. No momento, esta última alternativa parece improvável, já que Moratti declarou que deve manter o português no comando da equipe. Com a paixão que a ex-bandeira da Sampdoria vestiu a camisa blucerchiata e com os elogios feitos a Cassano, não deve surpreender se o treinador substituir Walter Mazzarri na Samp.

Tudo isso aconteceu durante o "derby da solidariedade", organizado por Sampdoria e Gênova para arrecadar fundos para o tratamento do ex-jogador Stefano Bogonovo, acometido por esclerose amiotrópica lateral, uma doença degenerativa.

Ficha técnica do jogo:
Sampdoria 1x1 Genoa. Gols: 19' p.t. Lombardo, 36' s.t. (rig.) Nappi.
Sampdoria: Pagliuca, Mannini, Lucchini, Vierchowod, Lanna, Lombardo, Sammarco, Bonetti I., Franceschini, Mancini, Cassano. Pellegrini, Invernizzi, Nicolini, Pedone, Ganz, Casagrande, Pari. Allenatore: Luigi Cagni.
Genoa: Tacconi, Rossi, Torrente, Ferrari, Criscito, Eranio, Ruotolo, Bortolazzi, Sculli, Nappi, Skuhravy. Caneo, Ferroni, Fiorin, Gasperini, Manicone, Caccia, Briaschi, Onofri. Allenatore: Osvaldo Bagnoli.
Árbitro: De Marco di Chiavari.

domingo, 22 de março de 2009

Turbulência viola

Com contratações de peso no início da temporada (Vargas, Gilardino, Felipe Melo) e a manutenção de suas principais peças, a Fiorentina almejava muito mais do que uma modesta quinta colocação a essa altura do campeonato. Atrás de Inter, Juve, Milan e Genoa, os viola estão mais uma vez pressionados. Depois de um começo de temporada ruim, o time de Florença conseguiu se acertar e vinha fazendo uma boa campanha, mas depois de três resultados negativos - um empate (Reggina) e duas derrotas (Palermo e Inter) – os torcedores voltaram a criticar não só o técnico Prandelli, como também os jogadores, pedindo mais raça. Até o presidente Della Valle, que raramente se pronuncia, já veio a público cobrar sua equipe. Após a derrota em casa para o Palermo, Della Valle disse que “é intolerável que joguem sem o coração” e cobrou mais atitude de seus jogadores, apostando em uma recuperação nas próximas duas ou três rodadas.

Montolivo abre bem os olhos em busca de explicações para a má fase

Há quem diga que o principal responsável por essa queda de produção seja Montolivo, que atravessa uma má fase, bem diferente da vivida por ele na temporada passada. O meia de bom passe, com boa visão de jogo e muita criatividade é muitas vezes comparado a Pirlo por causa do seu estilo de jogo e é fundamental para o bom funcionamento do meio-campo viola, que, mesmo com o bom (e surpreendente) aproveitamento de Jorgensen na função de regista, não consegue alcançar as boas atuações passadas.

O próprio Montolivo, quase sempre lembrado por suas declarações presunçosas e arrogantes, admite que passa por uma fase ruim e que não está no auge da sua forma física, mas mesmo assim confia na evolução da equipe e até na classificação para a Liga dos Campeões, e para isso, pede mais humildade aos companheiros. Contudo, para não perder o costume, protesta sutilmente quanto à posição em que vem jogando, à esquerda no meio campo a rombo e diz que se jogasse mais centralizado seu futebol apareceria mais. “Mas se o técnico quer que eu jogue assim, não tem problema”, lembra.

O dinamarquês Jorgensen tem surpreendido no papel de regista do time

Mas é injusto botar toda a culpa em cima do ex-atalantino. Outros jogadores importantes, como Gilardino, Mutu e Gamberini parecem não chamar a responsabilidade nos momentos decisivos e a Fiorentina acaba sempre se dando mal nesses compromissos. E foi exatamente o que aconteceu semana passada contra a Inter. Um bom resultado era essencial para a permanência na quarta colocação da Serie A, mas os viola falharam mais uma vez e agora têm que se recuperar.

Uma boa oportunidade para reencontrar a vitória e conseguir um pouco de calma durante a semana é o jogo desse domingo, contra o Siena, no dérbi toscano. Os bianconeri estão apenas na 15ª posição e na rodada passada levaram uma verdadeira sacolada do Milan. Nesse momento, Prandelli afirma que o apoio da torcida é essencial e por isso quer “reascender o Franchi” e envolver o adversário. Afinal, dos dez últimos jogos do campeonato, seis são em casa. E fazer o dever de casa será fundamental para decidir quem se classifica ou não para a Liga dos Campeões.

domingo, 15 de março de 2009

A Primavera

Em 1962, o Campionato Cadetti, torneio nacional de juniores na Itália, dava lugar ao Campeonato Primavera (Campionato, em italiano). O Cadetti, inaugurado em 1957 com o título da Lazio, já não havia tido seus jogos finais disputados em seus dois últimos anos por falta de tempo. O Campeonato Primavera, então, vinha para se firmar como a liga dos juniores, similar à Serie A, a qual, por sua vez, já adotava o formato de pontos corridos desde a temporada 1929-30. Disputada até hoje, não é difícil chegar à conclusão de que a competição realmente deu certo. Este especial tem a função de explicar tudo sobre o expressivo e até essencial torneio para a base italiana.

O que, quando e onde

Desde 1969, o Campeonato Primavera é disputado entre clubes da primeira e da segunda divisão. As equipes podem utilizar jogadores que tenham pelo menos 15 e no máximo 20 anos. Entretanto, dois atletas acima do limite etário podem ser usados por jogo. Estas duas exceções, porém, são alteradas na fase de mata-mata, quando só é permitida a utilização de dois jogadores com no máximo 21 anos. A divisão dos 42 clubes é feita em três grupos com 14 equipes cada. Já a divisão destes grupos é realizada por conta da localização dos times na Itália, ou seja, dependem de suas regiões. Como exemplo, Juventus-Torino, Milan-Internazionale e Roma-Lazio caem nos mesmo grupos, invariavelmente se enfrentando logo na primeira fase.

Após partidas de ida e volta, as cinco melhores equipes de cada grupo, mais a melhor sexta colocada, formam as oitavas-de-final do torneio. As classificadas seguem em mata-mata na fase chamada de Final Eight, desta vez de um turno só, até o fim da competição. O campeão fatura o troféu Giacinto Facchetti, nomeado em homenagem ao ex-defensor interista, falecido em 2006 com 64 anos. O vencedor, assim como acontece no profissional, ainda disputa a Supercoppa Primavera – existente desde 2004 –, enfrentando sempre o ganhador da Coppa Italia Primavera. Esta última, por sua vez, engloba as mesmas 42 equipes do Campeonato, com a diferença de ser sempre disputada no formato mata-mata, com turnos de ida e volta. Foi posta em prática pela primeira vez na temporada 1972-73, com a Inter levantando o caneco.

Albo d’oro

Depois do oito vezes campeão Torino, Inter e Roma são as equipes que mais venceram o Primavera, com seis conquistas cada uma. Ultimamente, o destaque ainda é dado à Internazionale, desta vez com a companhia da Sampdoria. A primeira conquistou a Coppa Italia Primavera em 2006 e o campeonato em 2007, além da conquista de Viareggio em 2008. A Samp, por sua vez, faturou a copa, o campeonato e a supercopa em 2008. Quem sempre merece destaque é a Juventus: a Vecchia Signora venceu a copa em 2004 e em 2007, o campeonato em 2006 e a supercopa em 2006 e 2007. Não fosse o bastante, ganhou também Viareggio em 2003, 2004, 2005 e neste ano.

Destaques

Mario Balotelli é um caso à parte no futebol. O garoto de apenas 18 anos e potencial futebolístico inquestionável foi peça chave no elenco interista campeão na temporada 2006-07, marcando, inclusive, um gol na final. Não bastasse, também arrebentou em Viareggio no ano seguinte. Super Mario é só um dos nomes que já chamavam a atenção antes de atuar com a equipe principal. Sebastian Giovinco, uma das principais esperanças para o futuro do futebol italiano, foi eleito o melhor jogador da fase final no Campeonato Primavera de 2006, do qual saiu campeão com a Juventus. Claudio Marchisio e Domenico Criscito também fizeram parte da conquista. Já Raffaele Palladino, hoje no Genoa, começou a atrair holofotes quando, também pela Juventus, marcou 20 e 21 gols nas temporadas 2002-03 e 2003-04, respectivamente.

Outro caso à parte é o de Antonio Cassano: enquanto arrebentava pelo primavera do Bari, tornou-se uma aposta do treinador Eugenio Fascetti para o time principal. Depois de marcar um gol na Inter logo em sua segunda partida profissional – no meio da temporada em que o Bari se sagraria campeão primavera –, Cassano não jogou mais com os menores e se firmou como um dos destaques da Serie A. Em 1993, um garoto habilidoso e muito técnico, vindo do Padova, levava a Juventus a mais uma conquista do Campeonato Primavera: Alessandro Del Piero, ao lado de eternas promessas como Christian Manfredini e Fabrizio Cammarata, foi o principal responsável pelo título. Não por acaso, teve a chance de alinhar com o time principal já na mesma temporada.

Del Piero: início impactante na primavera juventina

Já Gennaro Gattuso não fica atrás, pelo contrário. Bicampeão primavera pelo Perugia, em 96 e 97, neste último ano foi um dos maiores destaques do torneio. Ringhio (ou Rino) fez o suficiente para interessar ao Rangers, que o contratou a custo zero após inúmeras polêmicas sobre sua vontade em permanecer na Itália. Um dos mais assombrosos desempenhos em toda a base italiana, porém, veio com Roberto Baggio. Na temporada 1982-83, com o grupo primavera do Vicenza, Robby marcou 46 gols em 48 partidas disputadas.

Nem só de flores...

Valeri Bojinov era um cara interessante, futebolisticamente falando. Ágil, goleador e muito jovem, surgiu em um promissor Lecce. Disputou o Campeonato Primavera 2001-02, do qual foi essencial ao elenco rubroamarelo. Também atuou na temporada seguinte, quando sua equipe se sagrou campeã (fato que ocorreria também em 2003-04). Ganhou suas chances com os profissionais e soube aproveitá-las. Hoje no Manchester City, enquanto batalha contra problemas físicos, não consegue passar da classificação de promessa, bem como não o fez na Fiorentina e na Juventus.

Bojinov: atacante não conseguiu repetir atuações da Primavera

A Roma, por sua vez, é especialista em “foguetes molhados”: Alessandro Simonetta e Daniele Corvia, supostamente dois atacantes que garantiriam o futuro romanista, fracassaram por completo. Outro que era estimado ao ponto de ser comparado com Totti – tudo graças à categoria primavera – foi Alessio Cerci, hoje emprestado à Atalanta e buscando se firmar no futebol profissional.

Allievi e outros

Um degrau abaixo do Primavera está o Campeonato Allievi. Este, por sua vez, enquadra os atletas de até 16 anos das equipes. Até a temporada retrasada, inscreviam-se na competição os clubes das séries A e B que desejassem. Já no ano passado, a regra foi alterada para a inclusão, se houver interesse, de times que disputem até a Serie D. Estes mesmos times também disputam o Campeonato Juniores Nazionali, direcionado especificamente à quarta divisão. Outro torneio destinado aos atletas entre 15 e 20 anos é o Dante Berretti – homenagem a um ex-presidente da FIGC, a Federação Italiana. Desconhecido e de relevância questionável, não representa tanto quanto o Campeonato Primavera, por exemplo.

Para os jogadores sub-15, há também o Campeonato Giovanissimi Nazionali. Com as mesmas condições de participação de clubes dos Allievi, é disputado junto à Copa Giovanissimi. Sendo mais um com essa faixa etária, o Campeonato Giovanissimi Dilettanti não tem restrições de equipes e, por ser um torneio menor, é disputado regionalmente na Itália para só posteriormente haver uma fase nacional. Dos nomes de maior expressão da atualidade, Daniele De Rossi e Alberto Aquilani fizeram parte dos allievi da Roma vencedores em 1999, enquanto Francesco Totti levantou o caneco em 1993.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mourinho: ele não é mais especial?

Depois da eliminação da Inter nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões, frente ao Manchester United no Old Trafford, o tablóide inglês Daily Mirror estampou em sua capa uma frase entoada em tom provocativo pelos torcedores devils, nas arquibancadas do "Teatro dos Sonhos": Mourinho, você não é mais especial (em inglês, com trocadilho: "You're not Special any Mour). A frase é clara referência a Special One, apelido cunhado pelo técnico português em sua passagem pelo Chelsea. A provocação dos torcedores mancunianos foi levada a sério por muita gente na Itália. Contratado para dar o título da Liga dos Campeões ao clube nerazzurro, o fracasso na competição tem naturais consequências: Mourinho começou a ser questionado por suas capacidades enquanto treinador.

Atenções voltadas a Mourinho: ele estará pressionado até o fim desta Serie A

Desde os primeiros jogos da Inter nesta temporada, os jornalistas italianos comparam a Inter treinada pelo português ao time tricampeão treinado por Roberto Mancini, seu antecessor. Divergências e brigas com a imprensa a parte, Mourinho ocasionalmente tentou afastar as comparações. Ao contrário de Mourinho, nós as fazemos. Comparando o desempenho nerazzurro nesta temporada com o da anterior (levando-se em conta 27 rodadas disputadas), o que se vê é um equilíbrio numérico muito grande entre as duas equipes. O aproveitamento da equipe de Mancini supera a de Mourinho por apenas um ponto. Ao se acrescentar o fato de que esta temporada da Serie A tem revelado o melhor nível e o maior equilíbrio entre os clubes na era pós-Calciopoli, é plausível afirmar que a posição de "Mou" é mais confortável que a de Mancini no mesmo período. Em outro cenário, se a comparação de desempenho for feita com o Manchester United, que tem sobrado em relação às outras grandes equipes inglesas, a Inter de Mourinho tem apenas dois pontos a menos, com o mesmo número de rodadas disputadas.

Semelhanças e diferenças

Há ainda mais similaridades entre o trabalho dos dois técnicos citados. Ainda sob o comando de Mancio, a Inter foi eliminada em um onze de março, mesma data da eliminação desta temporada. Naquele mesmo dia onze, após a derrota contra o Liverpool no Giuseppe Meazza, Mancini pedia demissão - negada pela diretoria do clube em seguida. Era o estopim de uma crise regada a problemas de relacionamento entre o treinador de Jesi e alguns jogadores experientes do elenco, além do natural desgaste de quatro temporadas de resultados inexpressivos e mau futebol apresentado pela equipe na Liga dos Campeões.

Aparentemente, Mourinho não tem seu cargo ameaçado. Na verdade, o português parece ter dado outra cara a Inter, ao estabelecer uma mentalidade diferente para a equipe. Diferentemente dos outros anos, o time que saiu vencido de Manchester o fez com a cabeça erguida: o resultado um pouco dilatado engana, já que a Inter teve duas bolas na trave e três outras grandes ocasiões de gol. Outro ponto positivo para Mourinho na gerência psicológica da equipe é sua relação com os jogadores. Ela é diametralmente oposta a construída por seu antecessor: disciplinador e paternalista, Mourinho ainda não perdeu o controle do elenco, mesmo encontrando a insatisfação de "macacos velhos", como Crespo e Vieira, chateados por não serem escolhas tão constantes do técnico de Setúbal. Mourinho tem conseguido ajeitar os graves problemas disciplinares de Adriano e Balotelli. O caso Adriano, por exemplo, foi conduzido de maneira patética pela comissão técnica anterior.

Por outro lado, há quem diga que o trabalho de Mourinho é apenas uma continuação do trabalho do ex-atacante laziale. Meia verdade. De fato, o esquema implantado por Mancini continua sendo utilizado, com modificações na função de alguns jogadores. Após a chegada de Mourinho, Cambiasso passou a desempenhar menos funções ofensivas. Na última temporada, o volante argentino marcou oito gols, contrastando com os escassos dois tentos desta temporada. El Cuchu deixou de fazer infiltrações-surpresa nas zagas adversárias, para ser utilizado como um marcador mais fixo, o que acabou fortalecendo a defesa, mas deixou o ataque carente de jogadas inesperadas. Mourinho se defende: ao ser questionado se ele já tinha pensado em usar Cambiasso como trequartista, reagiu dizendo que o argentino exerce função única na execução de tarefas defensivas, e por isso não poderia sobrecarregá-lo ao atribuir mais tarefas. Por outro lado, Maicon ganhou ainda mais liberdade com o atual treinador interista, avançando com velocidade ao ataque com muita eficiência.

Mas nem tudo são flores: em termos de esquema, Mourinho não conseguiu criar uma identidade comum entre ele e o time, mesmo que a Inter lidere a Serie A com certa folga e merecimento. A adaptação do módulo tático de Mancini se deu contra sua vontade inicial, após o fracasso do 4-3-3 e de Quaresma e Mancini, suas indicações. Estes fracassos constituem-se como as grandes derrotas de Mourinho na Inter, até agora. Até mesmo Muntari, que chegou no verão e fez uma grande primeira metade de Serie A, pode ter uma primeira temporada fracassada na Inter, já que tem jogado muitíssimo mal desde a virada do ano. Com a queda de produção do meia ganense, o futebol de Stankovic também tem se apequenado. Explica-se: os dois jogadores se ajudam muito na produção das jogadas ofensivas da equipe de Appiano Gentile, por não serem playmakers de origem.

Domingo, contra a Fiorentina, a Inter voltará a campo, almejando dar mais um passo em direção ao quarto scudetto consecutivo. Com a confiança possivelmente abalada, pode acontecer de ser dado um passo em falso. Até que ponto o fantasma da eliminação da Liga dos Campeões pode emular a última temporada e atrapalhar a líder do campeonato na busca pelo título até os minutos finais? Com mais pressão em seus ombros, Mourinho terá de provar mais uma vez que é especial também fora das quatro linhas, em um de seus maiores trunfos: a motivação de jogadores.

quinta-feira, 12 de março de 2009

London loves... The way people just fall apart*

Totti e o Olimpico choram: sonho de reencontro na final se foi

Duas equipes baleadas se enfrentavam. Desfalcadas, desfiguradas e, portanto, incompletas, brigavam por uma vaga nas quartas-de-final de um torneio que provavelmente nem a melhor entre ambas venceria, ou melhor, vencerá. A Roma, apagadíssima na Inglaterra e empolgada na Itália, caiu fora. Nas últimas duas temporadas, os giallorossi chegaram às quartas-de-final, quando perderam para o Manchester United. Desta vez - a primeira como líder de seu grupo - sucumbiu perante a um Arsenal mais bem preparado.

Sem poder contar com Cicinho, Cassetti, Mexès, Panucci, De Rossi e Perrotta, os romanistas tiveram que confiar em jogadores que não estavam - e não estão - nas suas condições ideais. Juan, Pizarro e Totti voltavam de lesão e jogariam no sacrifício. E assim, no sacrifício, o zagueiro brasileiro permaneceu a primeira meia hora em campo, acertando carrinhos com maestria e marcando um gol. Provavelmente porque, quando logo aos cinco minutos sentiu sua lesão, Juan decidiu dar o máximo no curto tempo em que jogaria. Até o final da partida, deu tempo de Pizarro ser atendido três vezes fora de campo, Totti usar uma armadura no joelho digna de Cavaleiros do Zodíaco e Taddei se contundir, tendo sua presença descartada para o jogo deste domingo contra a Sampdoria.

E os giallorrossi, quem diria, conseguiram empolgar. Em um daqueles dias que não se repetem com muita frequência, era totalmente nítida a raça e disposição dos jogadores da Roma. Entregando-se ao máximo - Riise, por exemplo, jogou (e muito) como zagueiro depois da saída de Juan - conseguiram levar a partida até a disputa de pênaltis. Nesta, após começarem na frente com Doni pegando a cobrança de Eduardo da Silva, viram o sonho de disputar novamente a final de uma Liga dos Campeões em casa ir por água abaixo quando Max Tonetto, o sétimo a cobrar, mandou a bola para Londres. Detalhe: na final de 1984, no Stadio Olimpico, contra o Liverpool, os romanistas também começaram na frente, pois Steve Nicol desperdiçou o primeiro chute dos Reds.

O que chamou atenção, porém, foi a cobrança de Mirko Vucinic: em um chute simplesmente bizarro, o montenegrino conseguiu ser responsável por um dos pênaltis mais patéticos da história recente do futebol. Em entrevista após a partida, afirmou que não consegue nem explicar o que foi aquilo... E é bom que nem tente. Completou afirmando que teve vontade de "quebrar tudo"; o que, diga-se, também é bom que nem tente.

A Roma, desta vez, sai de cabeça erguida. Pode não significar nada em termos de resultado, mas a equipe - que há dois anos teve sua dignidade abandonada após tomar 7x1 do Manchester United em Old Trafford - demonstrou sinais de que tem condições de ser maior do que é. Pecou, ontem, pela temporada que não lhe foi e não é, de um modo geral, nada agradável; também pela péssima atuação em Londres. Conhecida por entregar jogos e sofrer apagões em situações teoricamente confortáveis, a Roma, pelo menos ontem, mostrou que pode conseguir respeito.

Mesmo que esse respeito não possa conseguir nada.

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* - Trecho da música London Loves, da banda Blur, ícone do Britpop. Ou, caso você não conheça, aquela que fez a introdução do Fifa 98 com Song 2. Ou, caso você mesmo assim não conheça, aquela com "Woo hoo!".

quarta-feira, 11 de março de 2009

Donadoni no Napoli

O Milan de Arrigo Sacchi, do início da década de 90, é considerado um dos melhores times da história do futebol. Muito porque praticava um jogo em que abusava da inteligência para fazer valer sua técnica. Prova disso é que, do meio pra frente, todo mundo virou treinador: Colombo (Montebelluna, da Serie D), Evani (primavera do Milan), Ancelotti (Milan), Van Basten (Ajax-HOL), Rijkaard (ex-Barcelona-ESP), Gullit (ex-Chelsea-ING) e Donadoni (agora no Napoli).

Nessa passagem pelo Milan, Sacchi sempre se orgulhou por ter trabalhado com jogadores de grande personalidade e caráter. E essas duas características são o alicerce do trabalho de Roberto Donadoni, técnico da seleção italiana na última Euro e com uma passagem fantástica pelo Livorno. Donadoni deixou a Nazionale um pouco queimado. Afinal, herdar o trabalho campeão do mundo com Lippi e entregá-lo com uma eliminação nas quartas-de-final da Eurocopa não é o que de melhor se espera.

13 vitórias em 23 jogos não foram suficientes para segurar Donadoni na Azzurra

A pressão sobre seu trabalho foi tanta que muitas vezes seus acertos passavam batidos. Se muitas vezes as convocações (e, portanto, as escalações) davam vários motivos para crítica, seu trabalho extracampo foi bem decente. Donadoni chegou referendado por Guido Rossi e Demetrio Albertini, que apostavam em sua seriedade para manter ao menos a seleção italiana imune à lama dos escândalos que assolavam o futebol local naquela época. Também teve de gerenciar as saídas de Nesta e Totti da Squadra Azzurra firmando nomes como os Chiellini, Aquilani e Quagliarella e, de quebra, recuperando Panucci, Ambrosini, Di Natale.

No Livorno, os acertos foram incontáveis. Basta falar da oitava colocação em 2004-05 (com Lucarelli artilheiro da Serie A) e do sexto lugar em 2005-06 (após as decisões que tiraram pontos de Juventus, Fiorentina e Lazio). E que o time era o quinto colocado na temporada seguinte, já na 23ª rodada, quando o farfante presidente Spinelli resolveu criticar o elenco: provando que não aceita interferências em seu trabalho, Donadoni logo pediu demissão.

O trabalho no difícil ambiente de Livorno deve servir como experiência para o que o aguarda em Nápoles, onde o contrato lhe prevê até 2011. O ambiente futebolístico em Castelvolturno é bem complicado em momentos difíceis, tanto que ter segurado Edy Reja até a última terça-feira foi um feito e tanto. Ainda que estivesse óbvio que no comando do time estava alguém que já fazia hora extra, com dois pontos conquistados nas últimas nove rodadas e a última vitória no longínquo 11 de janeiro.

Em 160 jogos no Napoli, Reja conseguiu 56,5% de aproveitamento

Donadoni deve dar mudar bastante o jogo partenopeo. Ao contrário da segurança de Reja, deve entrar em campo um time bem mais ofensivo, de pressão no adversário e contra-ataques fulminantes. Amante declarado do 4-3-3, o técnico deve manter o 4-4-2 que vinha sendo utilizado pelo menos no próximo domingo, no embate contra a Reggina na Calábria. Depois, o esquema com três atacantes deve se firmar a partir de sua estreia no San Paolo, contra o Milan. Com isso, e ainda teoricamente, Hamsík e Dátolo fariam uma dupla sólida pela esquerda, enquanto pela direita Blasi daria mais liberdade para Lavezzi no suporte a Denis, que ainda deve gols.

Com um esperado choque de gestão, o caminho até o fim da temporada deve ser bem melhor do que aquele vinha sendo trilhado sob a batuta de Reja. Assim, a vaga na Copa da Uefa volta a ser um objetivo bem razoável. Com tempo, espaço e liberdade, Donadoni deve dar caldo. Porque dinheiro e ambição não falta à sociedade de Aurelio De Laurentiis.

terça-feira, 10 de março de 2009

Juve bem, mas Chelsea passa

Sete pontos atrás da líder Internazionale no campeonato, a Juventus entrou em campo hoje com a difícil missão de vencer o Chelsea e tirar a invencibilidade de Guus Hiddink no comando do time inglês, pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Para isso, Ranieri optou por um time mais ofensivo, escalando Trezeguet e Iaquinta logo à frente de Del Piero. O empate de 2x2 no Olímpico, no entanto, não foi suficiente para dar a classificação ao time de Turim.

Saída precoce de Nedved em seu último jogo na LC derrubou esquema juventino

Depois de uma bela partida, com direito a baixa logo no início – Nedved saiu contundido aos 13, - bola que entrou (para os ingleses), mas não entrou (para os italianos) em cobrança de falta de Drogba, expulsão e pênalti, a Vecchia Signora deu adeus ao sonho de reconquistar o mais importante torneio europeu, depois de 13 anos. Foram dois banhos de água fria: nos acréscimos do primeiro tempo, com o gol de Essien, e o aos 35 do segundo, quando Drogba completou para o gol um cruzamento de Belletti.

A torcida juventina, contudo, não ficou totalmente decepcionada e soltou o grito de “grazie ragazzi” ao final da partida no Olímpico. Mostrando que a eliminação perante os ingleses não é uma vergonha. Muito menos nas circunstâncias na qual ocorreu, com um time que lutou até o fim, apresentando um bom futebol mesmo com um jogador a menos, e mostrou mais poder ofensivo do que muitos imaginavam Ranieri ser capaz de escalar.

Leva-se de positivo desse jogo essa postura de Ranieri, sem medo do adversário e lançando o time à frente; e a demonstração de que alguns jogadores “velhos”, como gostam de atacar alguns torcedores, ainda podem ser úteis ao time se mesclados com os jovens, como Giovinco, que hoje entrou muito bem na partida e mudou o ritmo do jogo.

Essien empata a partida pela primeira vez, ao fim do primeiro tempo

O problema é que, mais uma vez, as chances da Juve encerrar a temporada sem um título de expressão são grandes, já que o scudetto se encaminha, pela quarta vez seguida, para as mãos da equipe nerazzurra. Resta agora a torcida por uma virada sobre a Lazio na Coppa Italia, dia 22 de abril, para que os bianconeri não acabem a temporada com as mãos abanando.