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terça-feira, 28 de abril de 2009

Salvem a professorinha!

O último fim de semana da Serie A teve um detalhe interessante. Os quatro times que começaram a 33ª rodada nas primeiras colocações somaram apenas quatro pontos (vitória do Milan e empate da Juventus). Por outro lado, os quatro da rabeira, que devem mesmo ser os protagonistas da luta contra o rebaixamento nas últimas cinco rodadas do campeonato, juntos somaram dez pontos: o único tropeço veio da lanterna Reggina.

Em condições normais, os calabreses bem que poderiam se vangloriar do resultado obtido, mesmo jogando em casa. Segurar um empate com a Juventus na reta final do campeonato é um grande feito. E por pouco não foi mais, já que a Reggina ainda ficou duas vezes na frente do placar. O time que Nevio Orlandi reassumiu em janeiro finalmente achou um padrão e melhorou seu jogo nas últimas semanas. Ainda assim, a salvezza é quase miragem.

Mazzarri, hoje na Sampdoria, arquitetou a salvação da Reggina por três anos

Os amaranto têm feito milagre sobre milagre para se manter na Serie A desde que retornaram, em 2002. Nas três temporadas com o mago Walter Mazzarri, em especial, os resultados foram fantásticos para os padrões calabreses: um 10º lugar em 2004-05 e um 14º dois anos depois, mesmo perdendo 11 pontos pelo envolvimento no calciopoli - sem a penalização, terminaria o campeonato entre os oito primeiros. Mas, dessa história, não sobrou quase ninguém: o goleiro Campagnolo foi afastado no mês passado e os meias Vigiani e Cozza passaram meia temporada lesionados. Por outro lado, se foram Amoruso, Modesto, Mesto, Aronica, Bianchi...

E não foram substituídos a altura. As únicas contratações indiscutíveis tiveram custo ínfimo: o jovem chileno Carmona e o veteraníssimo Corradi, que já tem dez gols na temporada da Serie A e igualou seu recorde pessoal - já havia marcado dez vezes por Chievo (2001-02), Lazio (2002-03 e 2003-04) e Parma (2005-06). Por outro lado, o zagueiro Santos, o ala Sestu e o atacante Rakic, peças que seriam importantes para uma modesta Reggina, não conseguiram convencer. Das jovens apostas, esperava-se mais de Barillà (que marcou um dos gols contra a Juve) e, principalmente, dos atacantes Ceravolo e Stuani. Di Gennaro foi outro homem de frente subaproveitado, com poucas chances no time titular mesmo depois da bela partida contra o Milan, seu ex-time.

O clube calabrês segue na última posição desde a primeira rodada do returno, agora a três pontos do vice-lanterna Lecce. Derrotado na penúltima rodada pela Roma graças a um pênalti mal marcado sobre Júlio Baptista, nesse fim de semana os salentini bateram o Catania e evitaram perder o Torino de vista na fuga contra a Serie B. Sob o comando de Luigi De Canio desde o início de março, o time respondeu bem, mas ainda assim pode ser tarde demais. Um dos poucos destaques é o lateral-esquerdo Esposito, que deve trocar de camisa giallorossa e partir para a capital na próxima temporada.

Já com dez gols na Serie A, Corradi repete suas melhores marcas na competição

O Bologna, o melhor entre os piores, está a um ponto da salvação depois de protagonizar a maior zebra do fim de semana, com a vitória sobre o Genoa, que com a derrota caiu para a quinta posição. Um dos gols foi do ressuscitado Marco Di Vaio, artilheiro da Serie A e responsável por 21 dos 36 gols dos rossoblù na temporada. Sem ele, já seria tarde demais para o Bologna. O pior entre os melhores é o Torino, em campanha lamentável. As temporadas esquecíveis de Rosina, Corini e Sereni se misturaram com as especulações sobre a venda do clube para um suposto "mr. X" e o Toro não consegue se safar de vez da degola. Em sua pior campanha desde que voltou à Serie A, só não está em estado terminal por conta do belíssimo gol de Bianchi que valeu a vitória contra o Siena, no domingo.

Praticamente livres da Serie B estão Chievo e Siena. O campeão da cadetta passada correu sérios riscos, mas engatou um sprint a partir do fim do primeiro turno e já tem uma vantagem razoável para disputar de forma tranquila as rodadas finais. Já os bianconeri de Marco Giampaolo alternam grandes partidas com alguns apagões, mas têm jogado bonito e convencem ao ponto de já mostrarem total despreocupação a respeito do rebaixamento. A próxima rodada já tem poder de definição. O confronto direto entre Bologna e Reggina, sábado, pode derrubar de vez o time da Calábria. Nesse caso, os gialloblù ficariam em boa posição, aproveitando-se das missões espinhosas de Lecce, Torino e Chievo: respectivamente, Juventus, Fiorentina e Roma, todos fora de casa.

Referência ao título aqui.

sábado, 25 de abril de 2009

Crise em Turim

Há cinco partidas sem vencer, contando com a derrota para a Lazio no meio da semana, pela Coppa Italia, a Juventus mergulha em uma crise que acaba com a paciência dos tifosi e ainda tira de vez o time da briga por títulos essa temporada.

A última vitória do time de Turim aconteceu há mais de um mês na capital italiana. Foi na surpreendente goleada por 4 a 1 sobre a Roma, em pleno Olímpico. Com a boa vitória no dérbi, as esperanças se renovaram e os torcedores bianconeri mal podiam esperar pelo grande jogo ante à maior rival, Inter, dali a três rodadas. Porém, logo as esperanças se esvaíram. Já na rodada seguinte, contra o Chievo, em casa, o time de Ranieri tropeçou e conseguiu apenas um empate por 3 a 3, resultado que aumentava a vantagem da Inter para nove pontos e aproximava o rival Milan, diminuindo a diferença para cinco pontos.

Esse era só o início da queda de produção juventina. Na outra semana, os bianconeri foram a Genova e, em um jogo bem disputado, perderam de 3 a 2 para a equipe da casa com um gol no finalzinho de Raffaele Palladino. Como a Inter tropeçou em casa e conseguiu apenas um empate contra o Palermo, a desvantagem aumentou em apenas um ponto. Contudo, o Milan venceu novamente e encostou na classificação, ameaçando a segunda colocação da Juve: a diferença agora era só de dois pontos.

Então, no último sábado, dia 18, aconteceria, em Turim, o jogo do ano para o time do técnico Claudio Ranieri: o derby d’Italia. Com um resultado positivo, a Juve poderia recuperar a moral e terminar a temporada com a cabeça levantada, podendo até contestar a superioridade da Inter. Não foi o que aconteceu. Em um jogo em que a Inter mostrou ser, de fato, o melhor time da competição, com maior volume de jogo, melhor disposição tática e mais talentos individuais, a Juve só conseguiu o empate graças ao gol achado pelo checo Grygera, já nos acréscimos da partida.

Agora a crise mostrava a cara por completo. Os torcedores bianconeri começaram protestos no estádio e sobrou para Balotelli, o autor do gol nerazurro, vítima de xingamentos racistas. Por causa disso, a Juve perdeu um mando de campo e terá que jogar com os portões fechados contra o Lecce, no próximo dia 3. Além disso, com a terceira vitória consecutiva do Milan, a Juve acabava de perder a segunda colocação da Série A, empatada em pontos com o time de Milão, mas atrás no saldo de gols.

Para piorar a situação, o time do capitão Del Piero perdeu, na quarta-feira, a última esperança da temporada: a chance de disputar o título da Coppa Italia. A derrota por 2 a 1 para a Lazio esgotou a paciência dos tifosi bianconeri, que começaram a protestar antes mesmo do final do jogo, disparando contra jogadores, técnico e dirigentes. Sobrou até mesmo para o ex-zagueiro da squadra, Fábio Cannavaro, que pode voltar à equipe na próxima temporada e foi chamado de mercenário pelos torcedores. Porém, o mais contestado foi Ranieri, que ainda assim conta com o apoio dos dirigentes e acredita em sua manutenção para a próxima temporada.

E as causas da crise?

É claro que há um desgaste na relação entre torcedores e técnico, e talvez até entre técnico e jogadores, mas não podemos culpar Ranieri por tudo. Ele até surpreendeu algumas vezes essa temporada, escalando times mais agressivos, vez por outra. Não podemos esquecer que o time da Juventus não comporta muitos desfalques, como ocorreu nesse fim de temporada, afinal, o elenco não é tão bem dotado assim. O time principal dá conta do recado a maior parte do tempo, mas até mesmo pela alta média de idade, quando vai chegando o final da temporada, o desgaste e as contusões aparecem e obrigam o técnico a usar o banco de reservas e, assim, perder qualidade.

Talvez essas sejam algumas das razões da queda de produção da Juve nesse final de temporada, mas saberemos se sim ou não apenas no final da Série A, quando Ranieri prometeu “desabafar”. Hoje, na última coletiva antes do jogo contra a Reggina (amanhã às 10h, pela 33ª rodada), o técnico bianconero declarou que sabe bem o porquê da crise e que conhece o problema e a causa da mesma, mas que quer guardar isso pra si até o final do scudetto, pelo menos.

A Juve joga as últimas partidas do ano pensando apenas em reconquistar a segunda colocação do campeonato e diminuir um pouco a fúria da torcida. Para isso, luta por uma vitória amanhã contra a Reggina e pega o Lecce, no domingo que vem, sem, no entanto, esquecer da última decisão do ano, no dia 10, quando encara o Milan, em Milão.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sacode a poeira e dá a volta por cima

Quando, cerca de dois meses atrás, o Palermo foi humilhado em plena La Favorita pelo arquirival Catania, se esperava que a equipe rosanera entrasse em parafuso. A constante instabilidade interna e falta de credibilidade nos trabalhos dos treinadores, fomentadas pela conhecida impaciência do presidente Maurizio Zamparini, punha o cargo de Davide Ballardini em cima do telhado.

Uma série de fatores faziam crer que o calvo treinador seria demitido: no Derby della Sicilia a equipe jogou muito mal e foi derrotada por quatro a zero com direito a gol de Mascara do meio campo, ampliando uma já incômoda série de jogos sem vitória. Para piorar, os rosaneri, que semanas antes tinham empatado com a Reggina e perdido para a Juventus, visitariam a Fiorentina.

Surpreendentemente, Ballardini permaneceu no cargo e, sem fazer qualquer mudança tática na equipe, viu sua equipe obter um resultado fundamental para a recuperação. Com gols de Fábio Simplício e Fabrizio Miccoli, os sicilianos venceram por dois a zero no Artemio Franchi, acalmaram os ânimos da diretoria e iniciaram uma corrida rumo a disputa por uma vaga para a Liga Europa. Simplício e Miccoli, aliás, já há algum tempo são fundamentais para qualquer técnico que chegue para treinar a equipe de Boccadifalcco. Nesta temporada, o brasileiro marcou 8 gols, quase sempre atuando como trequartista (função na qual aprimorou seu futebol), enquanto o "Romário de Salento", fez 10.

Miccoli e Simplício: espinha dorsal do Palermo, desde o pré-Ballardini

Porém, o artilheiro da equipe é Edinson Cavani, com 13 gols. O atacante uruguaio, contratado após ter sido artilheiro do Sul-Americano sub-20 de 2007, demorou a se adaptar ao futebol italiano (apesar do golaço na estreia, contra a Fiorentina), mas hoje também é fundamental. Nas duas últimas temporadas, o Caníbal teve muitas dificuldades de conseguir jogar regularmente, pois enfrentava muitos concorrentes na posição: Di Michele, Brienza, Miccoli e, especialmente, Amauri.

Só com a saída do carapicuibano para a Juventus é que Cavani assegurou a titularidade, embora por linhas tortas: nesta temporada, o matador uruguaio deveria ser novamente opção de banco, já que o brasileiro Túlio de Melo havia sido contratado para ser titular. Porém, o ex-atacante do Le Mans não chegou a convencer o então técnico Stefano Colantuono (demitido após a primeira rodada da Serie A) e foi vendido para o Lille no último dia do mercado de verão, após passar apenas dois meses no clube. Só aí Cavani ganhou chances de verdade.

Cavani, Simplício e Miccoli são responsáveis por nada menos que 67,4 % dos 46 gols de toda a equipe. Após a vitória ante a viola, o Palermo ainda conseguiu outros resultados importantíssimos, como boas goleadas contra Lecce e Bologna, ambas equipes buscando a salvezza: nestas partidas, Cavani e Kjær jogaram muito bem e marcaram gols (3 e 2, respectivamente).

No entanto, o melhor resultado foi um empate heróico contra a Inter em 2x2, após um primeiro tempo desastroso, em péssima atuação de Nocerino e de toda a defesa palermitana - incluindo o promissor Kjær, que chegou a cometer um pênalti. Ibrahimovic e Balotelli marcaram dois gols para a Inter nos minutos iniciais do jogo - para a sorte dos visitantes, porque a Inter teve no mínimo mais três chances claras de marcar. Porém, com as entradas de Bresciano e Succi, a postura rosanera mudou completamente e a equipe empatou o jogo. Por pouco a Inter não sofreu a virada.

Uma surpresa: a paciência

Ballardini e Cavani são provas concretas para o presidente Zamparini, no sentido de que é necessário ter paciência, para que se se possa trabalhar com confiança e estabelecer um trabalho contínuo. Nesta temporada incomum em Boccadifalcco, em que a paciência tem sido a práxis, o Palermo pode voltar a obter uma vaga em competições europeias. A classificação para a Liga Europa pode vir com um pouco de esforço, afinal, na sétima colocação (com 49 pontos, a apenas três pontos da Roma), é possível conquistar a vaga. Porém, as boas fases de Cagliari e Lazio, respectivamente com 48 e 47 pontos, põem ainda mais pressão na equipe palermitana.

Há ainda a possibilidade de o sétimo colocado conquistar uma vaga, caso Juventus ou Inter vençam a Copa da Itália. Porém, os planos do presidente são mais ambiciosos: Zamparini quer a classificação para a Liga dos Campeões. A oito pontos do Genoa, o objetivo estabelecido pelo dono do clube é muitíssimo complicado de ser alcançado, faltando apenas seis rodadas para o término do campeonato. Resta saber se, caso o time não se classifique para a LC, um novo surto de impaciência faça com que Ballardini perca seu emprego e um novo treinador tenha que começar tudo do zero (mais uma vez).

Jovens promessas, grandes negócios

Com a saída de Amauri, Cavani ganhou espaço e já marcou 13 gols

Mesmo sendo um clube endinheirado para os padrões italianos, o Palermo não é o tipo de agremiação que costuma relutar muito na hora de vender seus jogadores. O clube contrata jogadores de times e centros menores, os revela para o futebol e colhe os frutos pela revelação em forma de vendas. É a lógica que sustenta os negócios rosaneri. Afinal, parte da receita gerada para as contratações é oriunda da venda de outros jogadores. A diretoria gastou cerca de 50 milhões de euros em contratações para esta temporada, mas este valor foi impulsionado pela venda de jogadores-chave para a equipe, como Amauri, Zaccardo e Barzagli e outros menos importantes, mas que foram bem vendidos (casos de Rinaudo, Brienza e Mariano González).

Seguindo este modelo, o Palermo conseguiu boas opções aos jogadores vendidos e é difícil não pensar que terá de vender alguns de seus destaques desta temporada, caso queira investir em mais reforços. Cavani conseguiu substituir Amauri a altura e faz uma temporada impressionante para um jogador de 22 anos que atua na Itália - lembrando que, no país, a inserção de jovens jogadores nos elencos profissionais é bastante adiada - e já é alvo do West Ham.

Porém, outra peça do elenco chama mais a atenção de outros clubes: a do zagueiro Simon Kjær, de 20 anos recém completados. Contratado ao Midtjylland, da Dinamarca, após ter sido eleito o melhor sub-19 de seu país natal e ter se destacado no Torneio de Viareggio de 2008, o jovem zagueiro dinamarquês foi inserido pouco a pouco na equipe e só conquistou a titularidade no returno da Serie A. Apesar de atuar ao lado de jogadores pouco técnicos, como Bovo e Carozzieri, o jovem tem se mostrado mais seguro que Barzagli e Zaccardo, seus antecessores na zaga palermitana. Não à toa já é sondado por Juventus, Inter e Milan.

Além disso, outros jogadores mais experientes do elenco continuam tendo seus nomes envolvidos em especulações quanto a sua saída, como Amelia, Miccoli e Simplício. todos com quase 30 anos. Se surgirem propostas interessantes por eles, talvez seja oportuno fazer caixa com suas vendas e contratar outros mais jovens, para que o modelo da gestão possa continuar. Para o torcedor fica a esperança que, se houver desmanche, que seja planejado.

sábado, 18 de abril de 2009

Pode carimbar

Depois de empatar em 1-1, no Derby d'Italia com a Juventus, no Comunale de Turim, a Inter precisa de muitos poucos passos para alcançar o tetracampeonato - inédito na sua história. Como a distância entre as duas equipes se manteve em 10 pontos e faltam apenas seis rodadas e 18 pontos possíveis, só uma hecatombe tira este título do clube de Via Durini. Como disse o Gian Oddi, no A Bola na Bota, neste jogo "a Inter enfrentou sua principal concorrente no Italiano, jogou melhor, provou mais uma vez que é mais time e que seu título é incontestável".

Chiellini e Ibrahimovic resumem a rivalidade entre as equipes

O dérbi
Claudio Ranieri mandou a campo o 4-4-2 e a equipe que se esperava. Porém, não pôde contar com Amauri para o banco de reservas, porque o atacante não se recuperou a tempo para a partida. José Mourinho, por outro lado, inovou na escalação e na tática: o técnico de Setúbal optou por uma defesa mais física e experiente, com Zanetti e Chivu nas laterais, Cordoba e Samuel no centro da zaga. Santon, que não teve desempenho tão satisfatório na lateral direita, acabou indo para o banco. Mourinho testou um 4-1-4-1, com Cambiasso atuando atrás da linha de meias formada por Stankovic, Muntari, Figo (que começou a partida) e Balotelli. A frente deles, Ibrahimovic.

Após dez minutos bastante equilibrados, a Inter teve a primeira chance do jogo: Balotelli recebeu passe de Ibrahimovic, livrou-se de dois defensores e bateu rasteiro. Se não fosse o leve desvio de Buffon e a rapidez de Tiago, ao cortar a bola em cima da linha, a equipe nerazzurra teria saído na frente logo no início da "big match".

O primeiro tempo seguiu equilibrado. A Juventus teve algumas chances não muito claras com Iaquinta e Del Piero. Porém, a chance mais clara para os bianconeri esteve nos pés de Marchionni, que após receber passe açucarado, adiantou demais a bola e viu Júlio César crescer a sua frente. A Inter ainda teve uma chance semelhante com Figo, e outras através de Samuel e Stankovic, em chutes que não assustaram muito Buffon. A propósito, na mesma semana do jogo, o titular da Azzurra afirmou que Júlio César está em melhor momento que ele, apimentando mais o clima para a partida.

Buffon defendeu quase todas. Quase.

No início do segundo tempo, a Inter voltou pressionando a dona da casa e Buffon precisou mostrar serviço. Em dez minutos, o goleiro juventino teve de defender um forte chute de Stankovic e uma potente cabeçada de Ibrahimovic.

Foi através de uma jogada iniciada por Stankovic e 'Ibra' que saiu o gol da Inter. Após escanteio batido por Del Piero, a defesa da Inter roubou a bola e iniciou a jogada. Com muita inteligência e habilidade, Ibrahimovic tabelou com o sérvio e logo estava desmarcado. Aproveitando a velocidade de Muntari (que fez boa partida), o artilheiro do campeonato fez o lançamento e assistiu Balotelli receber sozinho na área para fuzilar Buffon, aos 19 do segundo tempo. Foi o sexto gol do baby nerazzurro nesta Serie A.

A partir de então, o jogo esquentou. A Inter continuou a manter o controle da partida, embora Marchionni tenha perdido uma chance idêntica a do primeiro tempo logo após o gol interista. Os três pontos pareceram ainda mais próximos da Inter quando Tiago foi expulso por agredir Balotelli, aos 30 minutos do segundo tempo. Depois disso, a Inter ainda criou duas jogadas perigosas: Buffon teve de se esticar para defender um chutaço de Stankovic (que jogou bem, favorecido pelo esquema) e um arremate de Cruz. Por todas as defesas decisivas, após a partida, Mourinho afirmou que o goleiro da Juve foi o melhor em campo.

O jogo ainda contou com um lance polêmico: com boa chance de chutar para gol, Ibrahimovic pareceu ter sido puxado por Legrottaglie na área. Na seqüência da jogada, a Juventus obteve um escanteio, decisivo para o placar. Giovinco, que deu novo gás para a equipe da casa, cobrou o córner e Grygera, sozinho na área adversária, empatou o jogo. Apesar de muito comemorado, o gol de empate não deve alterar o panorama do campeonato. Pelo contrário: se o Milan vencer o Torino amanhã, se iguala em número de pontos a Juventus. Com um dérbi entre as duas equipes a ser disputado em Milão daqui a três rodadas, os rossoneri têm grandes possibilidades de terminarem esta Serie A na segunda colocação.

Fazendo história e inimizades

Supermario comemora: cada vez mais importante para a Inter

Balotelli já começa a fazer história contra a Juventus. Com apenas 18 anos de idade e pouco mais de um ano de carreira, o palermitano já coleciona três gols marcados contra a rival. Curiosamente, todos foram marcados no Comunale de Turim. Na última temporada, em sua estréia em dérbis, Balotelli fez dois gols, jogando pela Copa da Itália. Desta vez, Supermario marcou um gol mais importante, com o peso de poder ter sacramentado o título desta Serie A para a Inter.

Jogando pelas pontas, assim como contra a Roma, Balotelli atuou muito bem. É nessa posição que ele deve ser utilizado por Mourinho daqui para frente, já que foi nessa função que ele mais deu bons frutos. Porém, Balotelli ainda precisa ajudar mais na marcação. Mourinho já avisou e ele parece ter recebido bem o recado do treinador.

Hoje, além do gol, ele participou de várias jogadas da equipe visitante, criando, e finalizando, como na primeira chance do jogo, que Tiago tirou quando a bola já ia passando da linha do gol. O que impressiona é que, tão jovem, assumiu postos estratégicos na equipe, como o de cobrador oficial de escanteios e faltas que devam ser cruzadas na área.

Os gols e sua postura arrogante em campo tem lhe feito ganhar antipatia dos adversários. Legrottaglie mesmo reclamou hoje de sua postura em campo, como fez a bandeira romanista Bruno Conti, após o empate em 3-3 no Meazza. Mesmo assim, a postura de Balotelli não justifica os cantos racistas entoados contra ele por grupos de torcedores da Juventus e da Roma. Assim como fez com o clube capitolino, a Lega Calcio deve tomar a atitude culturalizada pelo futebol e que não resolve nada: aplicar uma multa na Juventus pelo mau comportamento de seus torcedores.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nascido no Brasil, cresciuto in Italia

Muito se tem falado sobre Amauri e suas relações nacionalistas. Por qual seleção ele deveria atuar; Itália ou Brasil? Qual é a sua verdadeira pátria? Ele se sente brasileiro ou italiano? O que nos esquecemos de perguntar, contudo, é em como ele foi parar lá. Amauri, bem como inúmeros outros “Decos” ao redor do mundo, transferiu-se para outro país quando ainda atuava pelas categorias de base, ou pelo menos tinha idade para tal. Este especial, dedicado aos brasileiros desconhecidos ou mal-sucedidos que acabam partindo cedo para a Itália, aborda as questões de como, quando e por que estes recebem a oportunidade de jogar na bota.

Se alguns se assustam quando vêem jogadores como Taddei, Mancini, Doni, Felipe Melo e Maicon indo tão longe no futebol italiano é porque estes não causaram boa impressão – ou nem tão boa – por aqui. Alguns atletas, entretanto, sequer puderam causar alguma impressão. Algo que raramente poderia acontecer no passado – Altafini, por exemplo, chegou ao Milan com apenas 20 anos; entretanto, defendeu unicamente o time principal – hoje não é tão complicado se ver caras desconhecidas crescendo na terra da pizza. Amauri, claro, é o nome do momento. Nascido na pequena Carapicuíba, chamou a atenção dos olheiros do Bellinzona após realizar um bom Torneo di Viareggio, em 2000, com o Santa Catarina Clube. Logo no início do ano seguinte já fecharia com o Parma e, após anos de experiências diversas com juniores e profissionais, firmou-se no Chievo, no Palermo e, quem diria, é atleta da poderosa Juventus de Turim. Ou seja, seu currículo é praticamente todo “made in Italy”, ou melhor, fatto in Italia.

Dos exemplos acima, nenhum brasileiro “lado b” chegou a atuar pelas categorias de base dos clubes italianos. Quem são, então, aqueles que defendem as equipes de juniores, como as do Primavera? Pois, afinal, já não só é possível, como não é difícil encontrar os que cresceram futebolisticamente na Itália, recebendo a educação de lá, e que se adaptaram ao país desde cedo. Se antes um jogador só se transferia para concretizar seu sucesso, hoje muitos deles já se moveram para começar a dar sinais de qualquer tipo de sucesso.

Amauri em "sou feio, mas sou a moda"

Apostas recentes

Jeffe e Felipe Mattioni até jogaram pelos times principais de Paraná e Grêmio, respectivamente. O segundo até parecia já se firmar na lateral-direita do clube, criando uma boa expectativa acerca de seu potencial. O que ninguém discorda é que nenhum dos dois conquistou seu lugar no Brasil, firmou-se por aqui. Longe disso. Jeffe fechou contrato com a Fiorentina após o seu vínculo expirar com a equipe paranaense. Nesta, disputou pouco mais de 20 partidas em dois Brasileiros. Na Itália, alterna-se entre os times base e principal da squadra. Disputou a Copa Viareggio com os Viola, onde entrou em campo duas vezes e marcou um gol. Teve sua presença abreviada por conta de uma fratura na mandíbula ainda na segunda rodada. Jeffe fechou com o clube por cinco anos após seu contrato expirar com o Paraná - ele havia sido especulado por Sampdoria e Parma.

Mattioni, por sua vez, desembarcou em Milão para já servir a equipe principal. Tanto ele quanto Jeffe alternam entre as categorias, sem, no entanto, receber oportunidades com o time titular, por assim dizer. O gaúcho entrou em acordo com os rossoneri após assinar um contrato de empréstimo com direito de compra por parte dos milanistas. Ele havia sido fortemente sondado pela Juventus. Estreou em um amistoso contra o Rangers, em fevereiro. Seu procurador, o italiano Mino Raiola, também levou Kerlon à Itália. Outro atleta que, por sinal, não atuando com o grupo de elite do Chievo, marcou presença na categoria de base italiana.

Mattioni e Nosferatu

Ainda na Fiorentina se tem o lateral-direito Alex Costa. Baiano, 20 anos, Alex ironicamente começou sua carreira no Lokomotiv Plovdiv, da Bulgaria, e foi então emprestado ao clube toscano no início de 2007. Adquirido no ano seguinte, segue como elemento brasileiro na base viola. Outro baiano que marcou presença na base italiana foi o defensor Fabiano Santacroce, cada vez mais firme no Napoli. Este, porém, mal se aplica ao texto, tomando-se em conta o fato de que praticamente só foi parido no Brasil. Já o meia Filipe Ribeiro, saído do Vasco da Gama com apenas 18 anos, tentou a sorte na Fiorentina, ou melhor, em sua categoria Primavera. Sem sucesso e após sofrer com grave lesão no joelho, tratou-se no centro médico da Roma, por onde permaneceu e agora faz parte da equipe principal, mesmo raramente recebendo oportunidades.

Mais uma cara brasileira na Roma é João Paulo Marangon, irmão do goleiro Doni. Atualmente emprestado ao Virtus Lanciano, fazia parte do meio-campo do grupo Primavera romanista. E falando em irmãos mais novos, claro, tem-se o de Kaká; Digão. O zagueiro de 23 anos atuou pelas categorias de base da Sampdoria e do próprio Milan, clube com o qual ainda tem contrato, apesar de, hoje, estar emprestado ao Standard de Liège. Outro gaúcho se aventurando na Itália é o atacante Paulo – ou Paulinho – Betanin. Transferido do Juventude para o Livorno em 2004, com 18 anos, fez parte dos times de base e principal do clube amaranto, onde ainda atua. Rodrigo Defendi, zagueiro saído do Cruzeiro e que chegou a defender Udinese e Roma nas equipes Primavera, hoje atua pelos alviverdes da Avellino.

Pizza de feijão

Nem sempre as coisas dão certo para os jovens brasileiros na Itália. Guilherme do Prado, 27, por exemplo, é um dos jogadores que não obtiveram tanto sucesso na bota. Ao ser transferido da Portuguesa para o Catania, em 2002, alternou entre os grupos júnior e principal do clube, onde acabou não se firmando. Também não o fez em Perugia, Fiorentina, Spezia e Mantova. Hoje defende o Pro Patria, clube da Serie C1, o que não é muito bem o sonho de um boleiro do mundo moderno. Do Prado foi o segundo brasileiro a vestir a camisa do Pro Patria. O primeiro, Robson Toledo, meio-campista que ainda joga pela equipe, é outro exemplo de insucesso. Após alinhar com a Primavera de Perugia e Lugano, chegou a fechar com a Udinese. Toledo passou longe de se garantir e, atualmente com 27 anos, tem no currículo mais de sete passagens sem prestígio por clubes distintos.

Homônimo ao exemplo supracitado, o meia-esquerda Guilherme Siqueira, 22 anos, também não goza de muito êxito em território italiano. Chegou à Inter na temporada 2005-06 e fez parte do grupo Primavera da equipe. Não deu muito certo e foi emprestado à Lazio, onde também não se acertou. Atuou, ainda, dois anos pela Udinese, quando conseguiu alguns jogos com a categoria máxima na Serie A. Para continuar na busca de seu lugar, foi emprestado ao Ancona, da Serie B, onde tenta reverter a situação negativa em que se meteu. Adaílton, que já foi tema de um texto aqui no Olheiros, chegou à Itália com 20 anos graças ao Mundial Sub-20 de 1997. Foi jogado às pressas no grupo principal com a expectativa de um futebol absurdo, o qual não veio. Posteriormente, atuou com a Primavera do Parma para se adaptar ao calcio. Hoje com 32 anos e uma carreira grandemente italiana, pode-se afirmar que nunca rendeu o que se esperava.

Se os mencionados aqui definitivamente não vingaram, as projeções também podem não ser as mais otimistas para os atletas do intertítulo acima. Defendi, Marangon e Digão não se firmaram nos clubes grandes e terão de provar seu valor com experiências breves em equipes de menor expressão, enfrentando uma paciência alheia sempre mais curta. Kerlon dá cada vez mais pinta de eterna promessa e Alex Costa não parece atrair a atenção necessária para si. Jeffe, por sua vez, sofre com uma concorrência fortíssima no ataque da Fiorentina e muito provavelmente passará pelo mesmo processo dos três primeiros, sendo emprestado para algum clube inferior.

A tendência Caio Werneck

Levar um adolescente do Brasil para a Itália para servir as categorias de base desta – ou seja, servir basicamente como plano futuro - ainda não é fato tão corriqueiro. Os italianos não pegaram o costume de abusar das contratações precoces, optando por, sempre que possível, apostar naquilo que é menos aposta, isto é, mais certo e seguro para o presente. Inclusive chegaram a perder uma quantidade razoável de talentos recentes, como Macheda, Rossi e Petrucci. Portanto, ainda não é comum encontrar tantos brasileiros crescendo para estourar ou falhar na Serie A. Amauri, depois de tantos anos de grosseria, é uma exceção a algo que nem pode ser chamado de regra. A situação, claro, muda com o tempo, e quem sabe quantos casos como o de Caio Werneck - garoto de 9 anos recentemente adquirido pela Roma – não haverá dentro de alguns anos.

Caio, 9: nova tendência?

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Também no Olheiros.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um bom filho a casa entorta

Pepe (centro) e D'Agostino comemoram. Pela Udinese

Sem o passado do Milan, o presente da Inter e o futuro da Juventus, a Roma não só vive um péssimo momento como não inspira otimismo para o futuro.

Os problemas de hoje

Sua categoria de base não tem funcionado muito bem, seu departamento médico consegue competir com o próprio elenco, seu principal jogador e ídolo está desgastado, seu treinador parece - mais uma vez - ter seu ciclo naturalmente encerrado, seus esquemas já não funcionam, a equipe não possui mentalità vincente, seu psicológico é fraquíssimo. Entre os jogadores, Aquilani nunca se concretiza, Menez teima em se jogar ao chão, Vucinic vive de lampejos, Julio Baptista tem dias em que não consegue dominar a bola, Mexès continua se enfezando nos momentos cruciais e Juan nunca é presença garantida.

Pelo lado financeiro, tem-se uma situação na qual não é possível contratar craques e nem errar nas apostas. Uma opção seria jogar as fichas em jovens de talento, como um Lavezzi, por exemplo, que custou ao Napoli pouco mais da metade da quantia gasta em Baptista. Como a visão de mercado da Roma é indubitavelmente limitada, somando-se ao fato da base continuar deixando a desejar, resta, portanto, a contratação de jogadores de nível mediano, ou então de nível mais alto, porém em decadência. Riise, Cicinho, Perrotta, Baptista e Pizarro são exemplos de um ou de outro. Outros medianos, como Cassetti, Doni, Tonetto e Taddei, vieram após fim de contrato com seus clubes anteriores.

Baptista: sinal positivo ou mais um mediano que não deu certo?

Moneytalks

Muito dinheiro foi desperdiçado nos últimos anos. Olivier Dacourt, volante grotesco, custou quase 10 milhões de dólares; Mido, o egípcio brigão, também. Cassano saiu a preço de banana graças à proximidade do fim de seu contrato e o mesmo motivo reduziu bastante os valores de Chivu e Mancini. O primeiro, inclusive, deu prejuízo à Roma, bem como o barês. Isso prova que tais desacertos não são coisa antiga. Porque não estamos contando, claro, uma das piores negociações de todos os tempos, aquela de Fábio Junior - o "novo Ronaldo" - por 19 milhões de dólares. O problema é que a Internazionale pode se dar ao luxo de trazer Quaresma e Mancini sem sucesso, o Milan tem grana para gastar com ex-jogadores e se arrepender; a Roma não.

Como já mencionado, os giallorossi não têm a mesma visão de um Villarreal, por exemplo, que se não é brilhante, é, no mínimo, bastante eficaz. O submarino amarelo conseguiu trazer inúmeras promessas - principalmente sul-americanas - e ainda lucrar consideravelmente, chegando a um claro crescimento, garantindo assim, como consequência, presente e futuro. A questão principal deste texto é: até que ponto alguns erros do passado não comprometem - e muito - a Roma de hoje e de amanhã? O próximo ponto a ser analisado é a categoria de base. Será que ela deixou tanto a desejar assim?

Mancini e outro dedão positivo: lucro para a Roma, luxo para a Inter

O bom filho a casa entorta

Marco Amelia, Cesare Bovo, Damiano Ferronetti, Daniele Galloppa, Gaetano D'Agostino, Daniele Conti e Simone Pepe - o que todos estes têm em comum? Sua formação. Todos eles saíram das categorias de base da Roma. Se não são craques, sua utilidade, pelo menos, não tem muita discussão. E dos jogadores citados, somente D'Agostino não nasceu na província de Roma. Algo valioso para uma agremiação cuja torcida valoriza tanto a origem de seus ídolos, vulgo bandeiras.

Amelia talvez tenha passado pela situação mais infeliz. Romanista assumido, cansou de declarar seu amor à equipe e sua vontade de vestir a camisa do clube do coração. O goleiro, entretanto, nunca jogou oficialmente pelos giallorossi. Quando estes foram campeões da Itália, em 2001, Amelia - ainda muito jovem - era somente a terceira ou quarta opção para o gol. Sem chances de se tornar titular, mesmo a Roma se mantendo com goleiros inconfiáveis, tentou sua sorte no Livorno e, lançado por Roberto Donadoni, aproveitou suas oportunidades na temporada 2002/03. Desde então não decepcionou, sendo o terceiro goleiro da Itália na Copa do Mundo de 2006. Transferido para o Palermo, viu-se, mais uma vez, distante da capital. Tivesse ele permanecido e recebido as devidas chances, sucedendo Antonioli, provavelmente Pelizzoli e Zotti não teriam matado a torcida do coração. Doni, por sua vez, nem seria contratado.

Na zaga e laterais, Bovo e Ferronetti podem passar longe de excelentes nomes, mas sem dúvida nenhuma compensariam muito mais que os bizarros Traianos Dellas e Abel Xavier, que passaram recentemente pelo clube; e o atual reserva de imediato Simone Loria. Provavelmente mais do que o mal-sucedido Matteo Ferrari também. Bovo até recebia certo afeto da torcida e parecia se desenvolver como jogador. Sua decisão de co-propriedade, contudo, teve proposta maior do Palermo, que se assegurou do defensor. Passados os problemas físicos, Bovo, hoje, parece ter enfim se firmado no futebol. Ferronetti nunca recebeu oportunidades decentes em Roma e, hoje na Udinese, não só brigou por posição com Marco Motta - ironicamente agradando a todos na Roma - como mostrou-se versátil nos dois lados do campo. Ambos já serviram as seleções italianas de base.

Galloppa é um caso que chega a beirar o absurdo: talento indiscutível no Siena, mostrou-se um meio-campista de bom nível para a Serie A; foi, inclusive, nome certo para retornar à Roma em definitivo. A equipe rubro-amarela inacreditavelmente trocou a metade de seus direitos por Simone Loria; um desastroso zagueiro com mais de 30 anos, nenhuma passagem por grandes equipes e sequer alguma qualidade em campo. D'Agostino sofreu com a concorrência no forte grupo de 2003/04 e, após mostrar belo serviço no empréstimo ao Messina, foi adquirido pela Udinese, depois de mais um vacilo romanista. Lá foi recuando, se encontrou e mostrou que suas presenças nas seleções de base também não foram por acaso.

Filho do ídolo Bruno Conti, Daniele tinha tudo para fazer como os Maldini e manter a dinastia no clube. Entretanto, foi praticamente mandado embora com a chegada de Fabio Capello para virar ídolo no Cagliari. Versátil, organizador e líder, seria - ou teria sido -, sem dúvidas, peça no mínimo importante para o meio-campo romanista. Na atual temporada, fez um golaço no seu ex-clube em pleno Stadio Olimpico. O feito valeu um close repentino em Bruno Conti, que só pôde fazer cara de desaprovação. Já Simone Pepe, que assim como todos os outros serviu as seleções menores, tem sido um dos nomes do ataque convocado por Marcello Lippi. Encontrou-se nos lados do campo e mostrou que não deveria substituir Luca Toni ou Iaquinta em Palermo e Udinese, respectivamente, e sim desempenhar uma outra função.

Daniele Conti persegue Totti: lado errado, talvez

Antes nunca do que tarde

Perder estes talentos, negociá-los a preços medíocres e forçar o clube a buscar soluções de fora para o que poderia ter vindo de dentro comprometeu e continuará comprometendo toda a estrutura romanista. Seja no campo financeiro, dentro das quatro linhas ou na composição de um time completo com peças de reposição. Ter apostado em nomes ora terríveis ora simplesmente mal-sucedidos custou muito caro à Roma. Mais caro, talvez, do que o dinheiro jogado no lixo com a aquisição de Fábio Jr., há mais de dez anos. E que ninguém duvide que a mesma situação acima possa ocorrer com Aleandro Rosi, Stefano Okaka e, principalmente, Alessio Cerci. Veremos nós. Ou nossos filhos.

domingo, 12 de abril de 2009

A competência é vermelha e azul

A chance de que algum time passe pela experiência de, em apenas quatro anos, jogar a terceira divisão de seu país e a mais importante competição de seu continente é muito reduzida. Até mesmo com a recente cultura futebolístico-empresarial, na qual milionários ambiciosos compram clubes pequenos para transformá-los em equipes-empresa competitivas. Na Itália, o Genoa está bem próximo de contrariar as possibilidades: após a demonstração de força com a vitória sobre a Juventus, a squadra rossoblù se afirma como favorita à vaga (inédita) para a Liga dos Campeões, reocupando a quarta posição. Mais: a derrota da Roma no clássico capitolino separou por oito pontos os grifoni da sexta colocada, praticamente confirmando que, na próxima temporada, a equipe genoana deve jogar ao menos a Liga Europa.

Ci pensa Motta! Futebol do meia é resumo do renascimento grifone

A receita do sucesso passa basicamente pela mescla de três fatores. O primeiro deles foi a aposta bem sucedida em jogadores mais experientes ou desacreditados por possuírem qualidade técnica questiovável. São os casos de Biava, Ferrari, Sculli, e dos brasileiros Thiago Motta e Rubinho: apesar de todas as críticas que receberam em suas carreiras, os cinco fazem temporadas praticamente impecáveis.

Rubinho ajuda a confirmar a boa fase dos goleiros brasileiros na Itália, e, desde a Serie B, apresenta nítida evolução em comparação à sua passagem pelo Corinthians. À sua frente, Ferrari nem parece o mesmo defensor inseguro e capaz de cometer falhas incríveis (como as que marcaram sua passagem pela Roma), enquanto Biava faz temporada superior a sua primeira na máxima divisão do país, pelo Palermo. Completando o trio de italianos em boa fase, Sculli, crescido no vivaio da Juventus e parte da seleção italiana que garantiu o bronze olímpico em Atenas (2004), tem sido tão útil quanto versátil: atuando como meia ou atacante pelos lados do campo, ele já marcou oito gols nesta Serie A, apresentando tardiamente - já tem 28 anos - o que se esperava de seu futebol.

Porém, o caso mais emblemático e simbólico da reação grifone é o de Thiago Motta. A ex-promessa do Barcelona, com passagem sofrível pelo Atlético de Madrid é, na opinião deste colunista, o mais importante jogador da equipe da Ligúria: excelentes exibições de Motta foram fundamentais para que o Genoa conquistasse pontos valiosos, como o conseguido no Giuseppe Meazza, ante a Inter. Além disso, cresceu em momentos decisivos e marcou seis gols para os rossoblù, inclusive em momentos cruciais de afirmação da equipe, como no sábado, quando marcou sua dopietta contra a Juventus, clube o qual o Genoa não vencia havia 14 anos. Por possuir dupla nacionalidade (brasileira e italiana), o meia chegou até a ser cogitado para a seleção italiana - embora depois se tenha percebido que ele não poderia jogar pela Azzurra, pois já tinha participado da Copa Ouro, atuando pelo Brasil.

Construindo para o futuro

"Mas como assim Milito não é o jogador grifone mais importante nesta temporada?", pode se perguntar o leitor. O argentino é o segundo motivo de sucesso do Genoa nesta temporada. Contratado pela segunda vez na gestão do presidente Enrico Preziosi (a primeira tinha sido quando o clube do Marassi jogava a Serie B), "o Príncipe" foi uma das principais negociações da janela de verão em toda a Itália e demonstrou que o Genoa teria grandes ambições para esta temporada. As saídas de Bovo, Konko e, principalmente, Borriello, não afetaram o modo de jogar do time, que continuou a atuar sob o 3-4-3 compacto e ofensivo do técnico Gian Piero Gasperini. Assim, com moral de Bola de Ouro, Milito encontrou um time organizado para jogar para ele e não está decepcionando: marcou 16 gols até este momento.

No entanto, neste momento nevrálgico para a conquista da vaga inédita para a Liga dos Campeões, o bomber argentino tem deixado a desejar: passando por um momento abaixo da média, Milito se lesionou quando viajou até a América do Sul para defender a seleção argentina. Mas sua ausência não tem sido tão sentida, já que os atacantes da equipe têm dado conta do recado.

Além de Sculli, outros jogadores desacreditados em suas ex-equipes, como Palladino, Jankovic e Olivera (este em menor grau), encontraram no Marassi um treinador que lhes fez tirar o máximo de seu futebol. Gasperini, tentando cobrir as ausências de Milito, tem utilizado um esquema em que os três atacantes variam muito de posição. Foi a partir dessa mobilidade que Palladino, ex-Juventus, apareceu no centro da área bianconera para marcar o gol da vitória do time da casa.

Gasperini pode estar recolocando o Genoa na trilha do sucesso

Gasperini, "Panchina d'Argento" (segundo melhor treinador da última temporada italiana), é um técnico motivador, que está conseguindo fazer sua equipe jogar sem badalação e com muita modéstia. O fato de ter sido treinador das categorias de base da Juventus por nove temporadas lhe possibilitou trabalhar essas características, afinal, trabalhar com jovens requer muito mais cuidado e atenção psicológica.

Acostumado a trabalhar com promessas, o piemontês pediu a contratação de jogadores em processo de amadurecimento e com muito potencial, como os supracitados Jankovic e Palladino. Além deles, os defensores Bocchetti e Papastathopoulos, e os laterais Vanden Borre e Criscito têm feito grande temporada: a defesa do Genoa é a terceira melhor de toda a Serie A, com 29 gols sofridos. Na próxima temporada, o treinador pode apostar ainda nos defensores Ranocchia e Troest, que ainda estão vinculados ao clube rossoblù e são boas opções dos elencos de Bari e Parma, líderes da Serie B. Ligados ao Genoa ainda estão o meia Raggio Garibaldi, emprestado ao Pisa e um dos melhores jogadores italianos no Europeu sub-17, além do jovem meia El Shaarawy, que é presença constante na Azzurra sub-17 e já tem freqüentado a equipe principal.

Se a classificação for mesmo alcaçanda, a margem para o renascimento do clube, que já foi nove vezes campeão da Serie A, é enorme. Com um ótimo técnico, uma grande geração e dinheiro na conta (seja por boas vendas de jogadores e carnês ou pela conquista da vaga), o Genoa pode sonhar com um futuro brilhante, como o seu passado.

sábado, 11 de abril de 2009

Dérbi do coração

No intervalo do dérbi romano, o técnico giallorosso Spalletti e o diretor esportivo biancoceleste Tare foram expulsos pelo árbitro Emidio Morganti. O episódio é uma boa mostra do que foi a partida de sábado, nervosa e de pouco espetáculo. Muito coração para pouca razão. Mas com o 4 a 2 para as águias, as portas da Europa se reabrem para a Lazio, enquanto a Roma as fecha por falhas próprias - não só neste jogo, mas numa sequência interminável de tropeços nas próprias pernas.

Daniele De Rossi: a alma romanista se lamenta após vexame

A Roma largou estranha, com a insistência de Spalletti no que não havia dado certo na última temporada: um 4-2-3-1 com improvisações nos flancos. Brighi entrou pela direita, Baptista pela esquerda, e o time pareceu perdido enquanto esteve assim. Melhor não seria o brasileiro ao lado de Perrotta às costas de Totti, num módulo que deu certo e garantiu ao menos um bom fluxo de jogo enquanto durou nesta temporada? Já Delio Rossi não inventou para montar a Lazio num 4-4-2 em que a alta liberdade concedida a Foggia pela esquerda era equilibrada com a presença de Brocchi por aquele lado.

A diferença na preparação, principalmente psicológica, se mostrou em quatro minutos. Foi o tempo para Pandev e Zárate abrirem o jogo para a Lazio soterrar uma Roma que começou perdida e só se encontrou com o gol de Mexès, num rebote de dentro da área. A Roma terminou melhor o primeiro tempo, mas o nervosismo nas conclusões parava nas mãos ou na trave direita de Muslera. A defesa laziale, aliás, fez uma grande partida, com destaque para um Siviglia em grande fase que parou Totti de modo formidável.

Na frente, Foggia e Zárate fizeram suas a partida. O argentino voltou a jogar bem e talvez tenha feito sua melhor partida desde que chegou à capital. Enquanto o italiano deu mais uma prova de que merece as atenções de Lippi. Do outro lado, De Rossi parecia o único sóbrio do time. Se nunca havia marcado gol em um dérbi, agora o fez na pior das oportunidades: alma do time, foi o único a lutar do início ao fim contra adversários e um pouco de azar. E contra os próprios companheiros. Como Doni, que tem em sua conta pelo menos um pouco de cada um dos quatro gols levados. Se o segundo laziale é também responsabilidade de Brighi, vale a nota de que a Roma só se manteve no jogo enquanto o meia esteve em campo.

Mauro Zárate: comemoração interminável após o segundo gol

A Roma aceitou a derrota com apatia no segundo tempo e a torcida se irritou bastante com a postura do time. Os jogadores romanistas foram para a curva sul lançar suas camisas e foram mandados para o vestiário com muitas vaias - os únicos jogadores "preservados" foram as bandeiras Totti e De Rossi. A Roma segue na sexta colocação, há oito pontos do Genoa, que provou estar vivo na luta pela LC ao bater a Juventus. Já a Lazio segue em nono, mas só dois pontos atrás do Palermo (sétimo), voltando a sonhar com uma vaga na Liga Europa.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A história se repete

O Werder Bremen está prestes a confirmar a fama de carrasco de italianos. Já eliminou o Milan nessa Copa da Uefa e abriu uma boa vantagem contra a Udinese, no jogo de ontem (dia 9). Graças a um gol de Quagliarella, nos últimos minutos do jogo, a Udinese mantém a esperança de classificação para as semi-finais. Os alemães venceram o jogo em casa por 3 a 1 e podem perder por até um gol de diferença, na Itália, quinta-feira que vem.

Os bianconeri fizeram uma primeira etapa razoável, apesar do gol de Diego, aos 34 minutos, e no segundo tempo foram muito discretos, principalmente no ataque, e acabaram tomando mais dois gols (Diego, de novo, e Hugo Almeida). Já os alemães conseguiram mostrar sua força ofensiva e o porquê de Diego ser pretendido por tantos clubes. O fantasista de Bremen fez uma partida consistente, distribuindo bem o jogo e ainda marcando dois gols, sendo o segundo deles um golaço.

Depois de levar o segundo gol, os friulani se abriram mais e foram ao ataque, mas não era a noite do atacante Quagliarella, que mesmo atuando livremente pela esquerda não teve um bom rendimento e errou muitos gols. É verdade que foi ele quem marcou o gol salvador, no final da partida, mas o resultado poderia ter sido melhor, caso o atacante tivesse aproveitado melhor as chances que teve.

Com essa derrota, pode estar caindo o último representante italiano em competições européias, esse ano. Depois das três eliminações na Liga dos Campeões e a derrota do Milan para o próprio Werder, na Copa da Uefa, pode estar chegando a vez da Udinese, comprovando a má fase do futebol italiano.

Os próximos jogos dos bianconeri são no sábado, pela Série A, e na quinta-feira, pela Copa da Uefa, contra Reggina e Werder, respectivamente. Sem mais pretensões no calcio, onde ocupa apenas a 14ª colocação, o time do técnico Marino vai fazer de tudo para passar às semi da Copa e não ser obrigado a acabar precocemente a temporada.

Diego na mira da Juve

O namoro da Juve com o meio-campista brasileiro é antigo. Desde o final da última temporada o time de Turim já mostrava interesse no bom futebol do jogador do Werder Bremen. Essa semana o assunto voltou à tona e Diego já falou que aprecia bastante a Série A italiana e que jogaria com muito prazer no time de Ranieri, sem, no entanto, confirmar a que ponto está a negocioação. O técnico bianconero, por sua vez, já aprovou a contratação do brasileiro e disse que seria uma boa peça para a próxima temporada.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dando um tempo

Adriano, em entrevista coletiva, anunciou que iria parar de jogar futebol por tempo indeterminado. Como defendi dias atrás, creio que seria o melhor para sua carreira, momentaneamente. No entanto, ele me surpreendeu, ao dizer que não estava depressivo (embora Marco Aurélio Cunha, presidente do São Paulo diga que seu caso é psiquiátrico), mas que sumiu porque se sentia "infeliz e pressionado na Itália". A segunda parte já era sabida: no Brasil ele se sente bem e acolhido, especialmente na Vila Cruzeiro.

No fim das contas, seu sumiço serviu para mostrar que ele quer sair da Inter a todo custo, mesmo dizendo que Moratti se comporta como um pai. Após essas declarações e ainda projetar seu futuro no futebol brasileiro, sua situação no clube italiano deve ficar ainda mais insustentável. Havia maneiras mais interessantes de mostrar isso para a direção nerazzurra. Mais: seu sumiço só seria justificável se ele estivesse mesmo em depressão.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Seu reino por um divã

Mais uma vez julgado: os problemas extracampo minam o futebol do "Imperador"

É impossível contar quantos problemas de ordem disciplinar e/ou psicológica Adriano teve nos últimos quatro anos. Desde a morte de seu pai, o atacante vive uma fase de muita inconstância, tanto em termos sentimentais quanto futebolísticos. Esperado em Appiano Gentile (centro de treinamentos da Inter) nesta quinta, para surpresa - e tristeza - do treinador José Mourinho, Adriano não apareceu. Mourinho fez questão de afirmar que o caso "não é de indisciplina, mas de algo pior".

Desde que saiu do estádio Beira-Rio, na quarta-feira, o Imperador não aparece publicamente. A partir de então, começaram a circular boatos de diversos temas e teores: falou-se sobre infelicidade de Adri em relação a sua condição de reserva no clube e na Seleção; de sua participação em festas organizadas por traficantes cariocas; depressão causada por ruptura com a namorada (após uma festa de 12 horas na companhia de modelos e travestis) e até mesmo que estivesse morto. Gilmar Rinaldi, empresário do atacante nerazzurro (até então, já que a Gazzetta afirma que a relação entre os dois anda fria), falou apenas que Adriano "está com problemas pessoais, mas que estão sendo resolvidos" e que "está com a família". Até mesmo a CBF divulgou uma nota oficial confirmando o que disse Gilmar Rinaldi, para evitar mais especulações.

Parece claro que os nervos do bomber estão em frangalhos. Mesmo depois de ter recebido ajuda de Roberto Mancini e de sua comissão técnica, mas não ter correspondido em campo, ele recebeu nova chance - desta vez dada por José Mourinho. Adriano jogou bem em alguns jogos e foi decisivo contra Sampdoria e Milan (sua grande partida na temporada), porém não parece se encontrar: qualquer coisa é motivo para baixar seu moral.

Às vésperas da Copa do Mundo, parece improvável que ele tenha condições psicológicas de ser titular em algum clube, condição essencial para lutar por uma vaga no grupo brasileiro que irá para a África do Sul. No entanto, antes de buscar esta vaga, creio que o Imperador necessita estar focado em recuperar seu psicológico abalado: talvez fosse o caso de se afastar dos holofotes da mídia (que parecem fazer-lhe tão mal) e até mesmo ficar um período afastado do futebol, para fazer um tratamento psicológico (e talvez psiquiátrico) intensivo. Este final de temporada poderia ser o ponto de partida.

Atualização: a ex-namorada de Adriano declarou nesta terça, ao diário Extra, que ele não se sente mais feliz com o futebol e só se sente o Imperador quando está na Vila Cruzeiro, onde nasceu e cresceu. Em entrevista coletiva, Gilmar Rinaldi afirmou que o atacante ficará no Rio de Janeiro por tempo indeterminado.