Subscribe Twitter Facebook

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma vida, um time

Uma história em um só lugar.

Paolo Maldini: sua história também é a história do Milan

Em 1985, estreou com 17 anos sob o comando do lendário Liedholm, no Friuli. Em 1988, tinha 20 anos, era titular absoluto da lateral-esquerda do Milan e foi convocado pela primeira vez para a seleção. Em 1994, com 26 anos, defendeu a Itália contra Romário e Bebeto na final da Copa do Mundo. Um ano antes, tinha sido capitão da Nazionale pela primeira vez. Quatro anos depois, a comandava em campo sob a tutela de seu pai, Cesare. Em 2003, venceu a Liga dos Campeões sobre a Juve nos pênaltis. Em 2005, a perdeu da mesma forma para o Liverpool. Em 2007, se vingou dos ingleses. Ontem, fez sua 901ª partida pelo Milan, a última no San Siro.

Treze títulos nacionais, dez europeus e três mundiais. Jogador que mais atuou pelo Milan (901 jogos). Jogador que mais atuou na Serie A (647). Jogador que mais atuou em competições europeias (174). Jogador que mais atuou pela seleção italiana (126). Jogador que mais disputou finais de Liga dos Campeões (8). Autor do gol mais rápido numa final de LC (53'', em Istambul '05). Junto de Cesare, única dupla de pai e filho a vencer a LC como capitães com a mesma camisa (1963, 2003 e 2007).

Lenda viva, Paolo Maldini seria capaz de encher vários parágrafos que enumerem sua história. O empate contra a Udinese em 20 de janeiro de 1985 parece ter sido há uma eternidade. 900 partidas depois, é um recorde inalcançável, mais do que já era o de Franco Baresi e seus 719 jogos. No âmbito terreno, a partida contra a Roma valia muito para os dois times: giallorossi precisavam da vitória para se confirmar na Liga Europa e salvar pelo menos um pouco da temporada, rossoneri buscavam três pontos para não depender da última rodada em Florença arriscando a vaga direta na Liga dos Campeões e já poder anunciar o substituto de Carlo Ancelotti nesta semana.


Quando o melhor em campo pelo lado milanista é Favalli, algo está errado. Seedorf e Ronaldinho, que só entraram no segundo tempo, também fizeram boa partida. Mas muito pouco para enfrentar uma Roma que, finalmente, voltava a pôr o coração em campo sob o comando de Totti, Mexès e Riise. O jogo ficou em segundo plano nas notícias do dia e continuará assim por aqui: a vitória romanista foi incontestável, ainda que a arbitragem tenha gerado polêmica.

Polêmica maior ficou por conta de parte da Curva Sud milanista, que "homenageou" seu capitão de forma ridícula. No vídeo, há uma camisa de Franco Baresi, capitão do time até 1997 e uma faixa que diz "Obrigado, capitão: em campo, um campeão infinito, mas você faltou com o respeito a quem te enriqueceu". Enquanto isso, parte da torcida cantava que "Há só um capitão", enquanto Maldini os respondia, como fica bem claro pela leitura labial. Por mais que a maioria do estádio tenha aplaudido o camisa 3 em sua volta olímpica ao fim da partida, o episódio manchou as comemorações num daqueles dias que transformam homens em lendas - ou, no caso, de lendas em lendas aposentadas.

Essa parte da torcida não deve ter se esquecido das polêmicas de um ano atrás, quando Maldini demorou a renovar seu contrato por divergências salariais. Mas o Milan aumentou a oferta e prometeu para seu ano de despedida um grande time, com as chegadas de Shevchenko, Ronaldinho e Zambrotta e a permanência de Kaká. Na época, integrantes de torcidas organizadas o acusaram de falta de respeito com o clube. E, pelo que parece, também não engoliu uma entrevista de alguns meses atrás, na qual o capitão disparava contra as vaias que a torcida vinha direcionando ao time. Maldini reclamou que San Siro estava perdendo sua magia, com essas atitudes. A torcida, nesses casos, tem memória longa. E em entrevista pós-jogo, il capitano mostrou seu descontentamento com seu adeus com uma frase seca: "Sou orgulhoso de não ser um deles".


A torcida italiana provou mais uma vez sua capacidade de estragar espetáculos. Algo que também ficou claro em Turim, no domingo. Uma lenda como Maldini merecia mais. Mesmo Spalletti confessou que, no vestiário, os romanistas não acreditavam na reação da torcida. Se toda unanimidade é burra, quem a faz assim escolheu ficar do lado da contestação.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Quattro titoli

Logo após a derrota do Milan ante a Udinese, por 2-1, a Inter sagrou-se campeã italiana pela quarta vez consecutiva. A derrota tem um sabor ainda mais amargo para o Milan e ainda mais doce para a Inter: o scudetto conquistado pelo clube de Via Durini foi o 17º de sua história, mesmo número de títulos do Milan. A vitória interista também serviu para Mourinho, que venceu o duelo de polêmicas particulares entre ele e Ambrosini. Em sua mais famosa coletiva, desde que chegou a Itália, o único técnico estrangeiro da Serie A disse que Milan, Juventus e Roma terminariam a temporada com “zero tituli”. Com o acerto da previsão do português, a expressão ganhou sentido real e deu origem a um dos cânticos mais entoados na partida de ontem.

Para completar, foi apenas a quarta vez na história que uma equipe conseguiu tal sequência, a primeira após o grande Torino da década de 40. A partir de agora, os nerazzurri podem começar a pensar se o clube vai estabelecer mais um recorde: apenas a Juventus da década de 30 foi pentacampeã consecutiva.

Os jogadores e o Meazza lotado: 17 scudetti

A festa
Às 22:30 (horário local) do sábado, assim que a partida em Údine terminou, começaram os festejos na concentração do clube, em Appiano Gentile. Após a visita do presidente Massimo Moratti, os jogadores seguiram para a Piazza D'Uomo, no centro de Milão, onde puderam se encontram com os torcedores. Sobrou espaço até para sorrisos de José Mourinho e resposta de Materazzi e Chivu a à faixa provocativa levantada por Ambrosini, dois anos atrás. Houve espaço até mesmo para lembrar de Adriano: no Giuseppe Meazza, alguns jogadores usaram camisas com o número 10, rememorando o jogador, que fez parte deste grupo tetracampeão.

Mesmo após uma noite levemente alcóolica, na noite seguinte a Inter atropelou o Siena, com gols de Cambiasso, Balotelli e Ibrahimovic. Jogando sem peso algum nas costas, ambas as equipes (já com seus objetivos conquistados) fizeram um "amistoso comemorativo", no qual houve pouca preocupação quanto a parte defensiva (principalmente entre os bianconeri) e homenagens do estádio a alguns jogadores. Figo, que deve se aposentar ao fim desta temporada, e teve importância por agregar experiência e por boas participações em momentos pontuais da campanha, foi o primeiro a ser substituído e ovacionado pelo público. Ibrahimovic pediu para deixar o campo, mas não foi atendido por Mourinho: Balotelli e até Júlio César foram os agraciados com o carinho do público. Ibra, no entanto, não precisava disso: foi aplaudido o jogo inteiro. Após o gol, o sueco se reconciliou com a Curva Nord (a qual tinha mandado calar a boca contra a Lazio), aplaudindo-a na comemoração.

Io: uno titolo.

Com o campeonato decidido, Mourinho ainda tem objetivos traçados (muito pessoais) para a equipe: terminar a Serie A com a melhor defesa e o melhor ataque da competição. Além disso, o técnico de Setúbal orientou a equipe para que privilegie Ibrahimovic em sua busca pela artilharia do campeonato - a qual ainda tem Di Vaio na liderança, com 23 gols. 'Ibra' tem um a menos.

Após a confirmação de um período de superioridade interista na Itália, os objetivos do clube dirigido por Massimo Moratti devem ser mais ambiciosos, buscando competir em todas as competições disputadas, assim como era a postura do Chelsea de José Mourinho. Mourinho falou claramente, na coletiva antes do jogo contra o Siena, que quer um zagueiro, dois meias e um atacante. Mas a lista pode crescer, já que uma reformulação no elenco é esperada. Jogadores mais experientes, como Crespo, Cruz, Vieira e Materazzi, além de Quaresma, Mancini, Burdisso, Obinna e Jiménez devem deixar o clube.

Pensando em repor essas peças, Mourinho já acenou com a proposta de inserir alguns jogadores saídos da Primavera no time principal, apostando numa fórmula que tem dado certo com Balotelli e Santon. Até o momento, fala-se que os preferidos do treinador são o goleiro Belec, o defensor Caldirola, os meias Khrin e Obi, além do atacante Destro. A ideia do português é montar uma equipe forte e condizente com as leis da UEFA para a Liga dos Campeões (que prevê a participação de oito jogadores formados nas categorias de base do próprio clube na lista submetida à entidade). Além disso, alguns jogadores mais rodados devem ser adicionados no elenco, como o argentino Milito. Nesse caso, ao que tudo indica, a negociação está praticamente fechada.

domingo, 17 de maio de 2009

Emoção até o final

Há tempos a Coppa Italia não tinha tanta importância como esse ano. Nos últimos quatro anos, Inter e Roma dominaram totalmente a copa e fizeram todas as finais, ficando com dois títulos cada uma. Finalmente, nessa temporada a competição deixou de ser apenas um prêmio de consolação para a equipe que deixou escapar o scudetto ou a cerejinha do bolo para a que o venceu.

Dessa vez, qualquer que fosse o vencedor, o título seria muito comemorado por jogadores, comissão técnica, dirigentes e torcedores. Lazio e Sampdoria jogavam ali o trabalho de toda uma temporada, já que não tinham, nem têm mais pretensões na Serie A. Mas esse não é o único ponto em comum entre as duas equipes. As duas passaram por momentos bons e ruins ao longo da temporada. As duas têm na frente seus melhores jogadores: Cassano e Zárate. As duas têm bravos treinadores, que, no entanto, estão com a corda no pescoço e não sabem se temporada que vem estarão empregados ou não.

Com todos esses ingredientes não poderia ser diferente: Lazio e Sampdoria fizeram um grande jogo, que só acabou com uma decisão de pênaltis. Os biancocelesti demoraram menos de 5 minutos para abrir o placar: com uma boa jogada individual de Mauro Zárate, a Lazio fez 1 a 0, logo de início. E mesmo com a vantagem no placar, o time de Roma não se intimidou e ainda teve boas oportunidades de ampliar, mas Castellazzi fez boas defesas. Aos 31 minutos, no entanto, a dupla dinâmica blucerchiati, Cassano e Pazzini, entrou em ação e empatou o jogo para a Sampdoria. Cassano cruzou na entrada da área e, após a cabeçada de Stankevicious, Pazzini completou para o gol.

No segundo tempo, o jogo continuou corrido, com os dois times procurando a vitória e, apesar da superioridade do time da capital, permaneceu o empate. Já na prorrogação, o jogo foi morno. Era perceptível o cansaço das equipes e o medo de levar um gol.

Então, pênaltis. Logo na primeira cobrança, Antonio Cassano errou e decepcionou a minoritária torcida blucerchiati presente no estádio. A disputa se igualou na segunda tentativa, quando Rocchi acertou a trave esquerda do goleiro Castellazzi. O placar continuou empatado até a última cobrança, levando a decisão para as séries alternadas, onde, no sétimo pênalti, o tão criticado Mulsera voltou a se destacar, defendendo a penalidade de Hugo Campagnaro.

Venceu a equipe que, ao longo da temporada, mostrou um melhor futebol. A Lazio procura mais o jogo e jogando com velocidade se sai muito bem, já a Samp tem menos qualidade e joga mais com a raça e a parte física avantajada de seus jogadores.

Os laziale comemoram o título e aproveitam para provocar a rival Roma: "Io campione. Tu zero titoli"


A vitória da Lazio

Para a Lazio, o quinto título da Coppa Italia significa sair do hall dos coadjuvantes e ter, finalmente, uma nova chance. Desde o colapso da Círio e o fim dos investimentos de Sergio Cragnotti, em 2004, a crise se instalou em Roma. Agora, com o primeiro título depois que Cláudio Lolito assumiu o controle do time, os biancocelesti tem a chance de armar uma boa equipe e se firmar entre os principais times da Serie A, mesclando os jovens, como Zárate, com jogadores mais experientes e formando uma equipe competitiva. Porém, ainda há dúvidas quanto a permanência do técnico Delio Rossi para a temporada que vem. Ele chegou a declarar que se a Lazio perdesse esse título não permaneceria mais no time. Agora é esperar para ver.

Ainda assim, o título é muito importante para a squadra se reerguer e, principalmente, para o presidente laziale, que está no comando do time desde 2004 e até agora não tinha vencido nada. Lolito é contestado, vez por outra, mas tem méritos no seu trabalho e agora tem algo a mostrar a seus opositores.

A derrota blucerchiata

Já para o time de Gênova, a decepção é total. O time do técnico Walter Mazzari, que no ano passado lutou pela vaga na Liga dos Campeões até as últimas rodadas, não conseguiu se destacar no campeonato italiano e perdeu a última chance de salvar a temporada. Depois de um 2007-08 surpreendente, todos esperavam mais de uma Sampdoria com Cassano em boa forma, por isso a derrota nos pênaltis para a Lazio dói tanto.

Alguns apontam Mazzari pelo fracasso dessa temporada. O técnico que temporada passada conseguiu encaixar um time que tinha facilidade tanto para atacar, quanto para defender e que jogava um futebol envolvente, mesmo sem grandes destaques individuais, não conseguiu repetir a dose essa temporada e insistiu em um 3-5-2, que muitas vezes não fazia bem à equipe. Sem uma identidade, o time parecia entrar no jogo “toca pro Cassano que ele resolve”, algumas vezes. Com isso, o cargo do jovem treinador está em perigo e provavelmente será ocupado por alguém mais experiente.

A decepção blucerchiata ao final das cobranças de pênalti

Agora resta às duas equipes completar a tabela da Serie A e começar a planejar o verão. Enquanto a Lazio anseia pelo início da nova temporada, onde concentra boas expectativas, resta à Sampdoria esquecer essa temporada e tentar formar um time melhor para o próximo semestre.

domingo, 10 de maio de 2009

Bari volta à Serie A

Depois de oito anos fora da Serie A, o Bari, uma das equipes mais tradicionais da Itália voltará a disputar a série máxima do país, após a derrota por um a zero do Livorno ante a Triestina, nesta sexta-feira. Com 28 participações em 77 edições do calcio che conta, a última temporada dos galletti na primeira divisão corresponde a temporada de afirmação de Antonio Cassano, "Il Gioiello di Bari Vecchia". Com a queda para a Serie B na temporada 2000-2001, o clube, que já estava em crise, precisava sanar suas dívidas. Dessa maneira, o presidente Vincenzo Matarrese acabou vendendo o maior talento do clube para a Roma, por 30 milhões de euros.

Tifosi biancorossi lotam as arquibancadas do San Nicola: é Serie A!

Os moradores da Puglia, região localizada na parte sul do país, estiveram acostumados, nas últimas décadas, a participações de equipes pugliesi na Serie A, como o próprio Bari, o Lecce e até mesmo o Foggia. Após a crise econômica do Bari, no entanto, o bom desempenho de uma equipe da região aconteceu quando o Lecce fez duas boas campanhas, nas temporadas 2003-04 e 2004-05. Porém, o clube mais representativo da região é mesmo o Bari, que tem maior torcida e joga em uma grande arena. O estádio San Nicola, que tem capacidade para cerca de 58 mil pessoas é um dos maiores da Itália e deve servir como trunfo na campanha dos pugliesi, nos moldes do San Paolo de Nápoles. Além do mais, os baresi devem ser o único clube da província na Serie A, já que o Lecce não deve alcançar a salvezza.

A subida para a Serie A é fruto de um trabalho competente do promissor técnico Antonio Conte e de uma política de contratações inteligente ao longo dos últimos anos, baseada na mescla de jogadores experientes, como De Vezze, Parisi e Stellini, além daqueles que estão buscando afirmação, como Kamata, Guberti e o brasileiro Barreto. Emprestado pela Udinese, principal jogador da equipe biancorossa, vice-artilheiro do campeonato, com 20 gols, foi o principal jogador desta campanha, e cresceu muito com a chegada do meio-campista Guberti, emprestado pelo Ascoli. A propósito, este é o principal problema dos baresi: como manter estes jogadores emprestados para a campanha na Serie A?

Paci e Barreto: duelo deve se repetir na Serie A da próxima temporada

A segunda vaga
O tropeço do Livorno foi fundamental para definir não apenas o primeiro clube a assegurar vaga para a próxima Serie A, mas também para quase sacramentar o Parma como o segundo classificado direto desta Serie B. A situação dos crociate é extremamente confortável, já que a equipe precisa de apenas um ponto, em nove possíveis, para se livrar dos play-offs. Assim como aconteceu com o Bari, o trabalho do treinador da equipe foi importantíssimo para a campanha do clube. Em Parma, Francesco Guidolin conseguiu estabelecer um clima calmo dentro de uma sociedade que havia frequentado o hall das poderosas Sete Irmãs do futebol italiano na década de 90 e que agora se via na Serie B.

A tranquilidade no ambiente de trabalho favoreceu o desenvolvimento do futebol de jovens como Mariga e Paloschi, que demonstraram evolução durante a temporada. O experiente Cristiano Lucarelli, por outro lado, não fez temporada brilhante e teve sua estrela ofuscada por Vantaggiato, contratado ao Rimini no meio da temporada e autor de 17 gols na temporada. Assim como o Bari, o Parma deve ter dificuldade em assegurar a permanência de seus principais jogadores. Porém, o momento é de dizer benvenutti!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

De tirar o fôlego

Histórico. Só essa palavra pode definir o último Derby della Lanterna, realizado no estádio Marassi, na noite do domingo passado. Desde que o Genoa voltou a Serie A, na temporada 2007-08, este foi o mais aguardado encontro entre os grifoni e a Sampdoria, já que ambas as equipes começaram esta edição do calcio com mais ambições que na última temporada. Com ambas as equipes em alta (o Genoa por estar buscando uma vaga na Liga dos Campeões e a Sampdoria por estar na final da Copa da Itália), se esperava um jogo acirradíssimo. Foi o que aconteceu. Mais do que isso: a vitória convincente do Genoa, por 3-1, colocou o nome do atacante Diego Milito na história do dérbi como o primeiro jogador a marcar três gols no duelo.

Primeiro tempo
Com apenas três minutos de jogo, Pazzini foi responsável pela primeira ocasião de gol: após receber passe de Cassano, o camisa 10 deu um drible seco em Criscito, mas bateu por cima do gol. Cassano, 20 minutos depois, também chutaria uma bola sobre o gol defendido por Rubinho. Foram as únicas chances claras de gol da equipe blucerchiata no primeiro tempo, já que o Genoa desempenhou grande esforço defensivo, às vezes mais rispidamente, como em falta de Criscito sobre o "talentino di Bari Vecchia", que rendeu um cartão amarelo ao ala grifone.

Com tanta marcação e quando a "Samp" era melhor em campo, o Genoa se aproveitou de sua primeira chance no jogo. Assim que Palladino e Milito apareceram no jogo, armando uma tabelinha, a equipe rossoblù quase abriu o placar, em tiro do atacante argentino da entrada da área, obrigando Castellazzi a ceder escanteio. Na seqüência, "Il Principe" não perdoou: após cabeçada de Biava, apenas resvalou a bola para o fundo das redes da equipe adversária.

Milito comemora o tris: o único da história do dérbi

Após o gol, o Genoa cresceu em campo e a dupla Pazzini-Cassano quase não tocou mais na bola, graças a excelente marcação efetuada por toda o sistema de defesa grifone, especialmente dos jovens Bocchetti e Criscito. Isto acabou tornando o jogo da Sampdoria extremamanete previsível, porque, excluindo-se Cassano, não há mais jogadores criativos no elenco. A linha de cinco jogadores que forma o meio-campo não é nem um pouco técnica e priva a equipe de variação de jogadas, sobretudo quando o Peter Pan está bem marcado. Mesmo assim, a Sampdoria empatou, nos acréscimos da primeira etapa. Palombo, que bate bem de fora da área, arriscou uma finalização (único jeito de atravessar a barreira rossoblù), a bola rebateu na zaga e sobrou para Campagnaro (impedido) empatar.

Segundo tempo
Novamente a Sampdoria começou melhor: nos primeiros cinco minutos, em cobrança ensaiada de falta, Cassano lançou Lucchini, que cruzou para Sammarco - sozinho - bater por cima do gol de Rubinho. No entanto, o Genoa não se abateu e manteve a partida equilibrada. Após a entrada de Delvecchio, no posto de Sammarco, a Sampdoria perdeu a calma: o jogador pugliese entrou muito nervoso, cometendo faltas violentas e despreocupado com a partida. Delvecchio foi responsável pelo segundo gol do Genoa, ao chutar uma bola em cima de Criscito, que deu uma assistência involutária para Milito empurrar para as redes, aos 73 minutos. Mais uma vez, porém, tratava-se de um gol irregular: o matador argentino estava impedido, para desgraça do bandeirinha Roberto Romagnoli, que errara pela segunda vez na partida.

Daí em diante o nervosismo se abateu sobre as duas equipes e o número de ceclamações e cartões amarelos cresceu. Cassano, revoltado pela marcação intensa que sofria, reclamou com Morganti e recebeu amarelo. Nos últimos cinco minutos, a tensão cresceu: com a "Samp" indo pra frente em busca do empate, qualquer jogada se tornava alvo de reclamações. Após tentativa de cavar um pênalti, Pazzini foi empurrado pelo zagueiro Ferrari, dando início a uma confusão generalizada. Ferrarri foi expulso, mas os ânimos não se acalmaram: três minutos depois, nova confusão e Thiago Motta e Campagnaro foram expulsos.

Com menos jogadores em campo e com a Sampdoria toda no ataque, o Genoa tinha a chance de matar um jogo, mesmo com nove jogadores. Após escanteio batido pela equipe blucerchiata, Rossi roubou uma bola e lançou Palladino, que, junto a Milito, partiram sozinhos do meio-campo até o gol de Castellazzi. Para coroar sua partida e a de seu companheiro, o ex-atacante da Juventus serviu Milito, que marcou a tripletta histórica.

O resultado, se não faz a Sampdoria desanimar para enfrentar a Lazio no estádio Olímpico, na final válida pela Copa da Itália, serve como mais uma injeção de ânimo para o Genoa atingir seu objetivo: a vaga na Liga dos Campeões. A Fiorentina, que, a despeito da acachapante vitória frente a Roma, duas semanas atrás, tem jogado mal, vai ter de abrir os olhos mais uma vez. Lesionado no dérbi, o zagueiro Biava será desfalque dos grifoni para a reta final do campeonato. No entanto, o Genoa não deve perder em qualidade: o promissor Sokratis Papastathopoulos atuou bem quando foi requisitado (até marcou dois gols na temporada de estreia no Calcio) e deve substitui-lo a altura. A promessa é de uma disputa ainda mais quente neste último mês de Serie A.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Superga 60 anos

Dezessete horas e cinco minutos do dia 4 de maio de 1949. O avião que transportava elenco e comissão técnica do famoso Grande Torino colidiu com a fachada da Basílica de Superga, nas proximidades de Turim. Voltando de Lisboa - onde haviam disputado um amistoso contra o Benfica -, os 31 presentes, dentre os quais 10 já haviam feito parte dos 11 titulares da Azzurra, faleceram. Quatro vezes campeã consecutiva, a squadra rumava à sua quinta conquista quando o desastre ocorreu. Foi a primeira equipe a conquistar scudetto e Coppa Italia na mesma temporada, em 1943.

Faltavam quatro rodadas para o fim da temporada e os adversários do Torino - declarado campeão em seguida - escalaram suas categorias de base nos confrontos contra a equipe granata. O memorável time começou com a presidência de Ferruccio Novo, em 1939, quando este começou a reforçar o clube. Não por acaso, Valentino Mazzola, principal craque do elenco, deu o nome de Ferruccio a um de seus filhos, nascido em 1945. Mazzola, por sinal, era "meio time; a outra metade era todo o resto", segundo o companheiro Mario Rigamonti, também morto no acidente. De seu sobrenome surgiu o apelido do ítalo-brasileiro José Altafini, homenageado pela torcida do Palmeiras.
Torino (2-3-5): Bacigalupo; Ballarin, Maroso; Grezar, Rigamonti, Castigliano; Menti, Loik, Gabetto, Mazzola, Ossola.
Técnico: Leslie Lievesley (Egri Erbstein como diretor técnico).
Vale lembrar do contexto histórico em que se situava o Torino: avassalador na avassalada Itália, uma das perdedoras da Segunda Guerra Mundial. Guerra esta que, por sinal, parou uma das temporadas no calcio, 1943/44. Motivo de orgulho no país, chegou a fazer uma passagem pelo Brasil em 1948, quando atuou contra Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e São Paulo. Um momento curioso se sucedeu quatro dias após o desastre: o Corinthians, atuando contra a Portuguesa, vestiu o uniforme grená do Torino e destinou a renda do jogo às famílias das vítimas.

As glórias:

5 títulos italianos: 42/43, 45/46, 46/47, 47/48 e 48/49.
Pontuação máxima na tabela: 65 pontos (1947/48).
Vitória em casa com maior placar: 10-0 Alessandria (1947/48).
Vitória fora de casa com maior placar: 7-0 Roma (1945/46).
Vitórias em casa: 19 de 20 (1947/48).
Números de pontos conquistados em casa: 39 de 40 (1947/48).
Número de gols marcados: 125 (1947/48).
Recorde de jogadores na seleção italiana: 10 - 11/05/47 - Itália 3-2 Hungria.

Dez anos depois do desastre, o Torino cairia para a Serie B. Os granata só levantariam o caneco da Serie A outra vez em 1976. Na década de 90, o clube viveu alternando entre as divisões, bem como até a metade dos anos 2000. Em 2005/06, conseguiu ascender à divisão de elite, onde ainda permanece lutando para não cair. E foi este Torino - o qual briga pela própria permanência -, que, 60 anos depois do ocorrido - ontem -, homenageou aquele que foi um dos maiores times da história. Torcedores, dirigentes, jogadores e aspirantes participaram de um evento, no local fatídico, para relembrar o Grande Torino. Alessandro Rosina, capitão vaiado por alguns torcedores, leu o nome de todos os que se foram em 1949.


Mais fotos aqui.

---

Nota: link e glórias retirados do Grande Blog do Birner.

domingo, 3 de maio de 2009

De olho na Europa

Depois de uma modesta 14ª colocação na temporada passada, nem os mais otimistas torcedores do Cagliari contavam com um posto tão alto a essa altura do campeonato. Os rossoblù chegaram ao fim da 33ª rodada na sétima posição e apenas 3 pontos atrás da sexta colocada Roma, que ocupa a última vaga para a Copa da Uefa da próxima temporada.

O desempenho dos cagliaritani não é tão bom desde a temporada 1992-93, quando conseguiram a sexta colocação do nacional e se classificaram para a Copa, a sua última participação em ligas européias. Naquela temporada o time era comandado por Carlo Mazzone, que tinha no ataque suas principais peças: Luis Oliveira, o brasileiro naturalizado belga, e o uruguaio Enzo Francescoli.

Desde então, o time da ilha de Sardenha desempenhou apenas papéis coadjuvantes no futebol italiano, chegando a ter duas passagens pela Série B. A primeira durou só uma temporada, a de 1997-98, e a segunda, mais longa, durou de 2000-01 até 2003-04.

Agora os rossoblù têm, novamente, a chance de disputar uma vaga na Copa da Uefa. E devem isso, em grande parte, ao estreante na Série A Massimiliano Allegri. O jovem comandante assumiu o time no início dessa temporada, após receber o prêmio Panchina D’Oro de melhor técnico da Série C, pelo ótimo trabalho feito no comando do Sassuolo, no ano anterior. Contornando bem o ambiente conturbado de Cagliari, Allegri conseguiu resultados surpreendentes e vem fazendo uma temporada bem acima do esperado.

O calouro da Serie A: Massimiliano Allegri

A vitória sobre a Juventus, em Turim, ou até mesmo o fantástico empate com a Sampdoria, na rodada passada, são exemplos da ótima campanha que faz o time de Cagliari. Em um dos melhores jogos do domingo passado, os rossoblù começaram perdendo por 2 a 0, mas logo mostraram para seus torcedores que esse não é o Cagliari de tempos atrás e provaram sua força com uma grande virada em cima dos blucerchiati, que só não perderam o jogo por causa de um gol de Cassano, no fim, garantindo o 3 a 3.

De fato, Massimiliano Allegri é a grande revelação desse time, mas não podemos tirar o mérito dos jogadores, que se empenham e demonstram vontade de defender a equipe, devolvendo aos torcedores o prazer de assistir uma partida. O grupo cagliaritani não tem grandes talentos individuais, mas funciona muito bem em equipe. É o caso dos experientes Conti, Lopez e Agostini, que formam uma defesa consistente e segura ou mesmo de Pisano e Cossu, que são essenciais para o bom funcionamento do meio-campo rossoblù. Porém, as peças que se destacam nesse 4-3-1-2 montado por Allegri estão nos extremos do time. De um lado, o goleiro Federico Marchetti, que além de ser muito bem dotado tecnicamente, ainda contagia o time com um espírito campeão. Do outro, os atacantes Acquafresca e Jeda fazem a diferença. Os dois juntos já balançaram as redes 21 vezes até agora, totalizando mais da metade dos gols feitos pela equipe.

No entanto, nem tudo são flores em Cagliari. Para a próxima temporada, seus principais jogadores já são pretendidos por outros clubes. O brasileiro Jeda está na mira da Roma, Marchetti é pretendido por Juve e Milan e Acquafresca já tem contrato assinado com a Inter, sem saber, porém, se vestirá a camisa nerazurra já na temporada que vem. Essa dúvida do time de Milão poderia até ajudar na permanência do jogador em Cagliari, que ao invés de firmar um novo acordo com Fiorentina, Palermo, Genoa ou Udinese, poderia simplesmente continuar no Cagliari, onde já está adaptado ao ambiente.

Jeda e Acquafresca comemoram um dos gols contra a Juve
A solução pode vir da base. Na última Primavera, jogadores como Burrai, Pani, Sau e, principalmente, Daniele Ragatzu apareceram muito bem. O menino de ouro rossoblù, que teve a oportunidade de estrear no time principal com apenas 16 anos, já faz parte do elenco desde o ano passado. O importante agora é trabalhar bem o psicológico do garoto, sem pular etapas e perceber o momento certo de colocá-lo na equipe titular. Ragatzu é um atacante bem interessante, de boa técnica e pode ser uma peça muito importante para o futuro do Cagliari.

Em busca da vaga na Copa da Uefa, o Cagliari enfrenta o Palermo logo mais, fora de casa e torce contra a Roma, adversária do domingo que vem, dia 10, no Comunale Sant’Elia. Dois jogos decisivos para os cagliaritani, que podem se distanciar do Palermo e afundar a Roma de vez na crise, praticamente assegurando a tão desejada vaga.