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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Jogadores: Antonio Conte

Capitão de uma poderosa Juve, Conte não teve o mesmo sucesso em azzurro (Tifo Bianconero)
Capitão e símbolo da vitoriosa Juventus da década de 90, Antonio Conte faz 40 anos nesta sexta-feira. Além de ter feito história nos campos, il Capitano foi também um dos grandes personagens nessa intertemporada, ao renovar como técnico o Bari no início de junho e apenas três semanas depois romper o contrato de forma consensual, por atritos com a direção do clube.

Formado nas categorias de base do Lecce, é pela equipe giallorossa que o meio-campista estreou pela Serie A com apenas 17 anos, em abril de 1986. Depois de alguma dificuldade para se afirmar na primeira divisão, Conte se converteu num dos pilares do Lecce que se manteve na Serie A por três anos seguidos, um verdadeiro líder em campo mesmo com a tenra idade.

Destacou-se de tal forma que fez Giovanni Trapattoni bancar sua contratação para a toda-poderosa Juventus, que buscava uma reformulação depois de resultados não muito bons nas últimas temporadas. Conte chegou em Turim no curso da temporada 1991-92 já mostrando ao que tinha vindo: não precisou de período de adaptação para se tornar titular e xodó da torcida.

Se Trapattoni o lançou, foi com Lippi sua afirmação como vencedor: foram com o treinador toscano suas três primeiras conquistas nacionais e o Mundial Interclubes. Com as saídas de Gianluca Vialli e Fabrizio Ravanelli em 1996, pouco depois de tal sucesso, Conte assumiu a faixa de capitão da Juventus, que carregaria no braço por cinco anos, até passá-la a Alessandro Del Piero. Nesse tempo, liderou o melhor meio-campo do mundo, com gente do calibre de Zidane, Davids, Di Livio, Tacchinardi e Deschamps.

Volante teve grande identificação com as cores juventinas
Se as relações com Lippi nunca foram perfeitas, ainda que sempre resolvidas internamente, com Carlo Ancellotti no banco Conte havia se tornado um líder insubstituível. Só perdeu a titularidade absoluta quando a idade avançou e Lippi retornou a Turim, ainda que continuasse sendo peça fundamental para a equipe. Conte deixou os campos no fim da temporada 2003-04, com 296 partidas, 28 gols e 15 títulos com a camisa bianconera.

Pela seleção italiana, Conte bateu duas vezes na trave, estando no grupo que perdeu a final da Copa do Mundo para o Brasil em 1994 e também no vice-campeão da Eurocopa de 2000 para a França. Ficou marcado nesta campanha pela linda bicicleta contra a Turquia, na estreia, mas acabou de fora da fase final depois de se lesionar numa falta dura de Gheorghe Hagi nas quartas-de-final. Com vinte partidas em azzurro, o sucesso na seleção ficou bem longe do que havia alcançado como bandeira por Lecce e Juventus.

Após pendurar as chuteiras, Conte passou um ano como assistente técnico no Siena e depois assumiu como treinador o Arezzo com a missão ingrata (e mal sucedida) de salvar o time da queda para a Serie C1. Em dezembro de 2007, foi contratado pelo Bari e acudiu a campanha desastrosa que vinha sendo feita com Giuseppe Materazzi. No ano seguinte, venceu a Serie B. Uma pena que o clube pugliese tenha preferido o experiente Gianpiero Ventura, que já deu o que tinha de dar ao futebol italiano. Conte fará falta ao Bari e à Serie A, pelo seu estilo ofensivo e direto de jogar, uma filosofia de jogo que poderia fazer bem a um campeonato cada vez mais estéril.

Antonio Conte
Nascimento: 31 de julho de 1969, em Lecce
Posição: meio-campista
Clubes: Lecce (1985-91), Juventus (1991-04)
Seleção italiana: 40 convocações, 21 partidas, 2 gols
Títulos: 5 Campeonatos Italianos (1995, 97, 98, 02, 03), 1 Copa da Itália (1995), 4 Supercopas Italianas (1995, 97, 02, 03); 1 Copa Uefa (1993), 1 Liga dos Campeões (1996), 1 Supercopa Uefa (1996), 1 Mundial Interclubes (1996), 1 Copa Intertoto (1999)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eto'o vale Ibrahimovic?

Ibra posa com a 9 blaugrana...

Assim que começaram as férias, parecia que Ibrahimovic iria sair da Inter. Logo depois de uma negativa do clube e da dedicação do Barcelona para tirar Villa do Valencia, parecia que ia ficar - já tinha até escolhido a camisa 10 -, mas, no fim das contas, o fuoriclasse acabou se transferindo mesmo para o Barcelona. Após as negativas do presidente do Deportivo La Coruña ao Barça, que queria o lateral Filipe Luís, os blaugrana voltaram a negociar com a Inter, para ter Maxwell. Foi aí que ressurigiram as negociações por Ibrahimovic. A negociação que levou o sueco para a Espanha leva à Inter Samuel Eto'o e mais cerca de 45 milhões de euros. A pergunta é: quem saiu ganhando?

Indubitavelmente, ambos os times ganham sangue novo no elenco, buscando novos objetivos. Eto'o queria sair do Barcelona e Ibrahimovic já havia declarado que também gostaria de mudar de ares. O valor oferecido, considerando a contrapartida técnica (de nível mundial, diga-se), foi praticamente irrecusável, principalmente quando se considera que Ibra poderia não jogar com a mesma vontade pela Inter. Tecnicamente, Ibrahimovic é um jogador capaz de tirar coelhos da cartola, sozinho. Em quantos jogos a Inter jogou mal, mas, "Ibracadabra!", e o sueco decidiu, num passe de mágica?

Eto'o, por sua vez, não faz mágica sozinho - pelo menos com tanta frequência quanto Zlatan. O camaronês é, sem dúvidas, um dos melhores centroavantes do mundo, mas seu estilo de jogo necessita de meias inteligentes, para que o municiem e o coloquem em velocidade contra as defesas adversárias. Hleb seria contratado para ser esse jogador, mas o bielorrusso parece preferir uma volta ao Stuttgart. Dessa forma, sobram Stankovic e, improvisando um pouco, Motta e Muntari para fazerem esta função. Quaresma é outro que pode ser "o assistente" de Eto'o, mas sua fase não é das melhores faz tempo. Com parte do dinheiro obrido na negociação, é provável que a Inter busque um jogador com mais fantasia, de características mais ofensivas que Stankovic, que atue entre os meias e os atacantes, como um autêntico trequartista. Os nomes mais ligados à Inter atualmente são o de Antonio Cassano, Wesley Sneijder e Marek Hamsik.

... e Eto'o com a 9 nerazzurra

O legado de Ibrahimovic e uma Inter renovada (e mais forte?)
Ibrahimovic foi - e ainda é - o principal ídolo da Inter deste início do século XXI. Ele foi o principal jogador desta Inter que conseguiu o tetracampeonato consecutivo. Para dizer o que Ibra significou à Inter, não encontrei melhores palavras do que as ditas por Lucas Camacho, interista e dono de uma comunidade dedicada ao clube no orkut:

"À sua chegada, muito se falou sobre seu temperamento explosivo, sua falta de compromisso e profissionalismo com os times em que jogou como argumento contrário a sua contratação, e confesso, isso sucitou muitas dúvidas em todo torcedor, inclusive neste que vos fala. No entanto, o que vi foi um Zlatan extremamente concentrado: Pouco se falava dele fora de campo, dentro de campo o que se via era muito empenho e muito profissionalismo, seja com os companheiros, seja com a torcida e seu time. Aos poucos ele ia conquistando o coração de cada torcedor, até mesmo daqueles mais céticos e ranzinzas. Sou testemunha do que Zlatan fez com um deles: O transformou de seu detrador a seu maior defensor. Ter presenciado esta mudança mostra o quanto este homem mexeu com sua torcida.

Aos poucos as dúvidas foram sendo respondidas. Em seu primeiro ano, um pouco inconstante ainda: Foi discreto na metade de sua primeira temporada, decisivo na outra metade. O que se viu nas duas temporadas seguintes foi um desfile de absoluta categoria, força e genialidade: aquele era o Ibra que todos esperavam ver em campo, com grandes jogadas, grandes gols e lances que faziam o torcedor sonhar dentro do estádio. Teve grandes parceiros a disposição, mas era ele o "puro sangue" do time. Os três scudettos que conquistou tiveram sua marca registrada, tiveram sua cara, sua genialidade impressa em cada detalhe. O que vimos em Parma, um ano atrás, foi a melhor prova disso: Ibra entra no sacrifício e decide o jogo para a Inter, assim como o fez tantas e tantas vezes, levando as alturas todo e qualquer torcedor. A história não poderia ter sido diferente se Zlatan Ibrahimovic tivesse no meio: pura classe em um só jogador.

Zlatan não só nos deu títulos, mas nos trouxe a alegria de sonhar novamente, sonhar com um futuro grandioso para a nossa Inter. É com sua venda, e com a chegada de Samuel Eto'o que a Inter se prepara pra este passo, mas o princípio de tudo jamais deve ser esquecido, e passa por Zlatan Ibrahimovic este início. Quem o viu em campo com seu número 8, quem sonhou com suas jogadas geniais, com seus gols e sua vontade jamais esquecerá, e nem deve o fazer. Espero viver por muito tempo para contar aos que não viram quem foi Zlatan Ibrahimovic, o mítico nº8."

A saída de Ibra, como afirma Lucas Camacho, pode ser mais um passo para que o clube mantenha sua atual hegemonia na Serie A e possa buscar o título da Liga dos Campeões. O retorno econômico da venda de Ibrahimovic pode ajudar na construção de um time ainda mais equilibrado e reforçado em outras posições. Porém, alguns setores do time ainda tem jogadores em excesso, que devem sair até o final da janela, como contrapartida técnica em alguma nova negociação ou até mesmo por empréstimo. O mercado do clube de Milão ainda não está encerrado, pelo menos para saídas.

A política de contratações do clube nesta temporada é consciente e todos os novos contratados são jogadores de experiência e que devem ajudar a Inter a ter mais tranquilidade e frieza nos momentos difíceis. Milito e Motta, assim como Lúcio, já se mostraram muito entrosados com o resto da equipe no dérbi contra o Milan, disputado em Boston pelo World Football Challenge, vencido pela Inter por fáceis 2-0, com doppietta de Milito. Amanhã, contra o Monaco, será a vez de Eto'o estrear.

Para completar, as principais contratações do clube, Eto'o e Lúcio são jogadores de nível mundial, que, ainda por cima, estão mordidos e querendo se superar: Eto'o já chega substituindo Ibra como estrela do time e com status de uma das estrelas da Serie A, com objetivo de fazer a Inter chegar mais longe na Liga dos Campeões. Lúcio, por sua vez, após ser dispensado por Louis van Gaal, quer mostrar ao mundo que ainda é um dos melhores zagueiros em atividade na Europa. Cada vez mais se observa a participação de Mourinho, na construção de um novo time, chegando ao ponto de o sisudo português afirmar que "é o time que eu queria". Pelo menos no papel, esta é uma Inter mais equilibrada e, potencialmente, mais forte.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Técnicos: Alberto Zaccheroni

Depois dos ótimos anos na Serie A, Zaccheroni sumiu dos campos

Depois de demitir Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras não sossegou em busca de um treinador até "efetivar" Jorginho. Se Muricy Ramalho sempre foi a primeira opção, um boato vindo de sabe-se lá onde chamou atenção por sua singularidade: Alberto Zaccheroni. A especulação talvez esteja ligada às origens italianas do Palmeiras, mas abre as portas para um fato: Zaccheroni está sempre sem clube, é sempre uma hipótese e sempre está disponível.

Livorno, Bari, Palmeiras, os turcos do Trabzonspor, os espanhóis do Racing, um clube chinês, um outro japonês e um árabe: pelo jeito, todos querem Zaccheroni. Mas ele nunca é contratado. A paixão pelo filme Forrest Gump, certa vez revelada ao Corriere dello Sport, deve ter algum motivo. Zac tem três grandes feitos em sua carreira: a recuperação do alemão Oliver Bierhoff, a classificação inédita da Udinese para uma Copa da Uefa e um scudetto por um Milan que vinha de dois anos medíocres. E só.

Os desastres, por outro lado, não são poucos. Daquele que no ápice da carreira poderia ser tomado como o sucessor de Capello, dez anos depois de seu único título na carreira quase não há traços. Alberto Zaccheroni foi um técnico revolucionário e conseguiu sair da quinta divisão para a Liga dos Campeões com seu inseparável 3-4-3. Durante esse tempo, fez história colocando a Baracca Lugo na Serie C1, o Venezia na B e arquitetando um Cosenza que começou a B com nove pontos de penalização e quase foi promovido para a A.

Chamou a atenção da Udinese. Em Friuli, Zac passou três anos no comando de um time de belíssimo futebol e resultados cada vez mais positivos. Em sua última temporada no Friuli, conseguiu uma terceira colocação com o tridente Poggi-Amoroso-Bierhoff que lhe pôs nos holofotes do futebol italiano. Era o homem certo para o Milan, que vinha de dois péssimos anos depois de uma década de triunfos. Apesar das críticas constantes de Berlusconi a seus métodos e estilo de jogo, logo em sua primeira temporada veio o surpreendente scudetto sobre Lazio e Fiorentina. O único título da carreira foi o divisor de águas.

Desde então, a carreira de Zaccheroni desandou. Berlusconi não perdia a oportunidade de cutucar o esquema com três defensores e a queda traumática na segunda fase de grupos da Liga dos Campeões 2000-01 para Deportivo La Coruña e Galatasaray serviu de motivo para sua demissão ao vivo ainda com a Serie A em curso. Meses depois, o treinador teve outra ótima oportunidade: substituir Dino Zoff no banco da Lazio. Mas a eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões e a humilhante goleada sofrida para a Roma por 5 a 1 lhe garantiram a carta de demissão por Sergio Cragnotti.

Após mais de um ano desempregado, na temporada 2003-04 chegou na Inter com a missão de reerguer a Inter que naufragara com Héctor Cúper. No seu time de coração, começou com uma sequência entusiasmante de vitórias, mas depois colecionou eliminações: Liga dos Campeões, Copa da Uefa e Coppa Italia, além de uma modesta quarta colocação na Serie A. Outra demissão no currículo, desta vez por Massimo Moratti. E, pela segunda vez seguida, seria substituído por Roberto Mancini.

Só voltaria a treinar entre setembro de 2006 e fevereiro de 2007, quando comandou o Torino em seu centenário, mas acabou demitido pela falta de resultados depois de um bom começo. Nunca mais voltou a algum banco, muito pela presunção de sempre exigir um salário alto demais e recusar propostas de clubes médios, ao invés de seguir o exemplo de Trapattoni, que aceitou o desafio de comandar Fiorentina e Cagliari nos anos 90 depois de ter vencido tudo. E assim Alberto Zaccheroni caiu no esquecimento. E só o calciomercato é que consegue trazê-lo à tona.

Alberto Zaccheroni
Nascimento: 1 de abril de 1953, em Meldola
Clubes: Cesenatico (1983-85), Riccione (1985-87), Boca San Lazzaro (1987-88), Baraccia Lugo (1988-90), Venezia (1990-93), Bologna (1993-94), Cosenza (1994-95), Udinese (1995-98), Milan (1998-01), Lazio (2001-02), Inter (2003-04), Torino (2006-07)
Título: 1 Campeonato Italiano (1999)

domingo, 26 de julho de 2009

Copa Anglo-italiana

Franco Cordova, capitão da Roma, levanta o primeiro título itailano na competição, em 1972

Idealizada por Gigi Peronace, manager italiano transferido para a Inglaterra nos anos 50, para aproximar o futebol inglês e italiano, a Copa Anglo-italiana* foi posta em prática no ano de 1970, aproveitando a reivindicação do Swindon Town por não poder participar da Copa das Feiras (atual Liga Europa).

Como vencedor da Copa da Liga Inglesa, o time de Swindon teria o direito de participar da competição européia, no entanto, como previsto em regulamento, apenas times da primeira divisão poderiam fazê-lo, colocação que o clube não ocupava no futebol inglês. Para evitar maiores brigas, a UEFA juntou-se à FA e à FIGC e criou a Copa Anglo-italiana, agradando não só o time da terceira divisão inglesa, que conquistaria um pouco da visibilidade que queria na Europa, como também torcedores e dirigentes que já pediam o início da Copa.

Porém, a competição nunca fez muito sucesso. Na primeira edição, em 1970, foi disputada por seis times italianos (todos da Série A) e seis ingleses (4 da primeira divisão, 1 da segunda e 1 da terceira). O regulamento, confuso, fazia com que chegassem a final o melhor time de cada país e, assim, definiu-se o confronto Napoli x Swindon Town, que é marcado por ter sido a primeira final de campeonato suspensa por causa da violência entre torcedores. O jogo foi suspenso pelo árbitro, aos 79 minutos, depois que torcedores do Napoli invadiram o campo em protesto à derrota que o time sofria, por 3 a 0. O tumulto, porém, não parou por aí: pedras, pedaços de madeira e até cadeiras eram atiradas em campo, deixando alguns feridos, além de algumas brigas entre ingleses e italianos. Começava ali um histórico de brigas recorrente no torneio.

Com as brigas entre torcidas, as mudanças de regulamento e o desinteresse dos clubes, a Copa parou de ser disputada em 1973, na sua quarta edição, e apenas um clube italiano se sagrou vencedor: a Roma, de Sergio Santarini. Com gols de Capellini, Scaratti e Zigoni, os gialorossi venceram o Blackpool por 3 a 1, na final.

Na tentativa de reerguer o torneio, decidiu-se que ele voltaria a ser disputado em 1976, só que dessa vez apenas por times semiprofissionais, das terceiras divisões inglesa e italiana. Essa edição da copa foi a primeira a adotar a contagem de três pontos para a vitória, no cenário internacional. Dessa vez a competição sustentou-se por mais tempo e só deixou de ser disputada de novo em 1986. Nesse período, teve quatro nomes diferentes: Copa Anglo-italiana semiprofissional, Copa Alitalia, Copa Talbot e Copa Gigi Peronace. Alitalia e Talbot foram os patrocinadores entre 1978 e 1981, por isso deram nome à competição. E Gigi Peronace foi uma homenagem ao idealizador, que morreu no final de 1980.

Diferentemente do ocorrido anteriormente, essa Era da copa foi totalmente dominada pelos italianos, que venceram 10 dos 11 títulos disputados. Só o Sutton United, em 1979, conseguiu parar os italianos. Dentre os vencedores estão Udinese, Triestina, Modena e Piacenza.

Na temporada 1992-93, o torneio foi restaurado com profissionais e foram convidados a participar oito times da Série B (os quatro descendentes da Série A e os quatro melhores que não conseguiram o acesso no ano anterior) e oito da segunda divisão inglesa, nos mesmo moldes. As finais foram todas disputadas em Wembley, mas mesmo assim os italianos obtiveram mais títulos: 3x1, com Cremonese, Brescia e Genoa pontuando para os italianos, enquanto o Notts County computou o ponto de honra inglês.

O fim definitivo do torneio aconteceu na temporada 1995-96, depois do título rossoblù, por causa do baixo interesse do público, da mídia, dos próprios clubes, que jogavam com seus times reservas, e da dificuldade de encaixar datas no apertado calendário europeu. Bom para os italianos, que saíram por cima, em uma época que o futebol da península ainda se mostrava bem superior ao britânico.

*Obs.: Não confundir com a Liga Anglo-italiana, disputada nos anos de 1969, 1970, 1971, 1975 e 1976 apenas pelos vencedores da FA Cup e da Coppa Italia.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Messina, o cometa siciliano

A torcida que lotava o San Filippo na última passagem do time pela Serie A...

Pra quem estava na Serie A até 2007, deve ser algo estranho entrar em campo pela Serie D, relativa à quinta divisão italiana. Messina é uma das maiores cidades italianas, com capacidade de garantir um time em uma das duas primeiras divisões. Ao menos em tese. Com mais de 28 milhões de euros em dívidas, o clube foi excluído da Serie B em julho de 2008 e só e em cima da hora é que a FIGC permitiu que o Messina disputasse a Serie D na temporada passada, 2008-09.

Mas se uma coisa não deu as caras nesta temporada, foi futebol. O Messina se viu refém de empresários, canetadas e indecisões. Em novembro, foi decretada sua falência e em março o clube foi comprado pelo romano Alfredo Di Lullo das mãos da família Franza, proprietária desde 2003 e patrona da melhor fase da história do clube, mas que não fez esforços para salvar o Messina da realidade em que se meteu hoje. Evitar o rebaixamento da Serie D já foi um grande esforço. A partir de setembro, os biancoscudati recomeçarão de muito baixo. Onde já estiveram.

Fundado em 1900 por Alfredo Marangolo, a primeira partida de um Messina dividido entre italianos e ingleses foi um dérbi com o Palermo perdido por 3 a 2. Em cima do mesmo rival, os giallorossi venceram seu primeiro troféu, a Whitaker Challenge Cup, em 1905. O futebol de Messina vinha em ritmo forte e parecia ganhar espaço, mas foi devastado pelo terremoto que atingiu a cidade em 1908 e matou mais de 100 mil pessoas. No ano seguinte, após os traumas, o Football Club Messina foi reaberto pelo inglês Arthur Barret.

A primeira promoção para a Serie A veio só em 1963, com o Messina campeão da Serie B. A primeira partida em casa na primeira divisão foi vitoriosa, um 2 a 0 sobre o Lanerossi Vicenza no estádio Giovanni Celeste. E a salvezza veio na última rodada, com um empate em 0 a 0 com o Modena, que salvou os biancoscudati e empurrou para a Serie B os canários. O ano seguinte foi mais complicado, e por fim o clube não conseguiu se manter na A.

...é a mesma que pediu a cabeça do presidente Franza, que se afastou em março passado

O choque foi forte e o Messina acabou caindo para a Serie C, três anos depois. O retorno à segunda divisão veio só em 1986, 18 anos depois, sob o comando de Franco Scoglio e a presidência de Salvatore Massimino, Em campo, estava Salvatore Schillaci. O ciclo que viu o Messina reencontrar a Serie B e chegar bem próximo da A encerrou-se com brigas familiares pelo comando da sociedade, que não foi inscrita a tempo para a temporada 1993-94.

Na Serie D, o Messina continuou o purgatório e foi novamente rebaixado em 1997, o que deu à Peloro a condição de principal representante da cidade. Com a queda rival, foi renomeada FC Messina Peloro e é a que acompanhamos nos últimos anos. Sob a presidência de Pietro Franza, em 2001 o clube voltou à B e três anos depois conseguiu sua segunda promoção para a Serie A. Foram três anos de festa na cidade, animados pela inauguração do San Fillippo, em 2004: na estreia do estádio pela primeira divisão, o Messina bateu a Roma por 3 a 2 na disputa giallorossa.

A temporada 2004-05 entrou para os anais como melhor campanha da história do clube: o sétimo lugar foi marcado por vitórias sobre Milan, Inter e Roma e uma luta por vaga na Copa da Uefa até a última rodada. Depois de bater na trave da Europa, o Messina começou a enfrentar problemas fiscais e só foi inscrito na A após vencer recurso na justiça. Em 2006, foi salvo na bacia das almas porque a Juventus teve todos os seus pontos retirados no escândalo de manipulação de resultados. Mas em 2007 segurou a lanterna até o fim do campeonato, em direção a essa crise que parece infindável.

As temporadas
5 participações na Serie A, 32 na Serie B, 33 na Serie C e 9 na Serie D.

Os rivais
Como bom clube siciliano, as disputas mais acaloradas são as com Catania e Palermo. Também há uma certa rivalidade com os calabreses Reggina e Catanzaro. Contra o Catania, são 18 vitórias e 27 derrotas em 68 jogos de campeonato. No dérbi com o Palermo, o Messina só venceu nove das 42 partidas – os rosanero levaram a melhor em 16 delas.

Os brasileiros
Rafael, um lateral-direito habilidoso do Goiás. Conhece? Pois é, o ex-jogador de Flamengo e Fluminense é o brasileiro que mais marcante da história do Messina. Entre 2004 e 2007, atuou em três dos cinco campeonatos de Serie A que o clube disputou em sua história, com 46 jogos e quatro gols, um deles contra a Internazionale. Só mais dois brasileiros vestiram a camisa giallorossa: o meia Renato Bondi (ex-Atlético-PR e Londrina, 11 jogos em 2005-06) e o atacante Amauri (hoje na Juventus, 23 jogos e quatro gols em 2002-03).

Os selecionáveis
Só dois jogadores do Messina já jogaram na seleção italiana. Totò Schillaci tinha acabado de deixar o clube rumo à Juventus quando foi convocado pela primeira vez. E os biancoscudati tiveram de esperar até novembro de 2004 para ter seu primeiro jogador na Nazionale: o lateral-esquerdo Alessandro Parisi, atualmente no Bari, fez sua única partida pela seleção dentro do San Filippo. No ano seguinte, foi a vez do meia Carmine Coppola fazer dois jogos em uma turnê de amistosos do time de Lippi nos EUA.

O onze histórico
Marco Storari; Niccolò Napoli, Agostino Maglio, Angelo Stucci, Alessandro Parisi; Constantino Lo Bosco, Salvatore Sullo, Carmine Coppola; Salvatore Schillaci, Renato Ferretti, Arturo Di Napoli. Técnico: Bortolo Mutti.

Quem mais jogou
Salvatore Schillaci, 224 jogos.

Quem mais marcou
Renato Ferretti, 90 gols.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Jogadores: Gennaro Ruotolo

Gennaro Ruotolo, de ídolo histórico do Genoa a treinador do Livorno

A cidade de Gênova passou por um ótimo momento no início dos anos 90, com a Sampdoria campeã italiana em 1991 e o Genoa semifinalista da Copa da Uefa em 1992. Pelo lado dos grifoni, que haviam estado na Serie B até 1989, esses anos serviram para a consagração de um jovem campanês revelado pelo Sorrento.

Contratado junto à Arezzo, em 1988, Gennaro Ruotolo era tido como a principal revelação da Serie B e com esse cartaz chegara ao Genoa que mirava o retorno à primeira divisão, da qual estava longe desde 1984. Logo em seu primeiro ano pelo clube, Ruotolo assumiu a titularidade do Genoa campeão da Serie B.

No time comandado por Osvaldo Bagnoli, a liderança e a personalidade de Ruotolo ajudaram a fazer vingar um jovem meio-campo, com Eranio, Bortolazzi e Onorati. O ápice da carreira do meia foi mesmo naqueles anos, com um quarto lugar na Serie A, melhor campanha lígure desde 1942, e a semifinal na Copa da Uefa, batendo o Liverpool pelo caminho. Nessa temporada, também foi convocado para três jogos com a seleção italiana, num dos quais fez seu único jogo em azzurro, contra a Dinamarca.

Mesmo num Genoa oscilante, Ruotolo foi a grande bandeira da gestão Spinelli à frente do clube e sempre recusou propostas melhores para poder permanecer na cidade na qual tinha conseguido tanta identificação. Em 1996, ajudou o time a vencer seu último troféu internacional, marcando três vezes contra o Port Vale em Wembley pela final do Torneio Anglo-Italiano. No total, foram 35 gols anotados em 403 partidas pelo Genoa, ao longo de 14 temporadas – seis pela Serie A, oito pela B.

Só deixou o Genoa em 2002, para seguir para o Livorno de Spinelli, então na Serie C1. Um ano e meio no banco o fizeram experimentar uma aventura saudita de quatro meses no Al-Ittihad, da qual saiu campeão nacional. De volta à Toscana, foi peça chave do Livorno promovido para a Serie A, com 41 partidas jogadas do alto de seus 38 anos. Assim, voltou para a Serie A na temporada 2004-05, após exatos dez anos de sua última aparição.

Em 2006-07, voltou para o Sorrento, clube que o havia revelado. Mesmo com 40 anos, ajudou com o que o clube voltasse à Serie C1. Em 2008, fez algumas partidas no campeonato campanês da Promozione (sétima divisão) pela Massa Lubrense, mas a carreira profissional agora era passado.

E futuro. No verão seguinte foi convidado para ser auxiliar de Leonardo Acori no Livorno e no fim de maio assumiu o comando técnico do time, pelo qual conseguiu mais uma promoção para a Serie A, comandando o clube amaranto em seis jogos. Pouco para convencer o comitê executivo da FIGC a dá-lo uma licença para treinar na primeira divisão sem a formação necessária em Coverciano. A mesma licença concedida para Leonardo nas mesmas condições, num claro exemplo de medidas diferentes entre os grandes clubes e os provinciais. Vittorio Russo será seu "tutor" na aventura na Serie A.

Gennaro Ruotolo
Nascimento: 20 de março de 1967, em Santa Maria a Vico
Posição: meio-campista
Clubes: Sorrento (1984-86, 06-07), Arezzo (1986-88), Genoa (1988-02), Livorno (2002-03, 03-06), Al-Ittihad (2003) e Massa Lubrense (2008)
Seleção italiana: 3 convocações, 1 partida
Títulos: 1 Campeonato Italiano Serie B (1989), 1 Campeonato Saudita (2003), 1 Campeonato Italiano Serie C2 (2007); 1 Torneio Anglo-Italiano (1996)

domingo, 12 de julho de 2009

Um caminho a passos curtos

O futebol italiano passa por tempos de crise e essa não se restringe à renovação necessária da seleção nacional ou a escândalos envolvendo grandes clubes. Na última década, constatou-se uma queda de 25% no público do calcio, enquanto na Inglaterra e na Alemanha houve um aumento de quase 20%, no mesmo setor. Um dos motivos para essa queda de popularidade é a falta de cuidado com os estádios do país, que ao invés de atrair o público, o espanta, graças ao desconforto e a pouca segurança.

Na Itália, os estádios mais novos são aqueles da Copa do Mundo que o país sediou, em 1990. E os únicos dois que foram inteiramente construídos foram o San Nicola, em Bari, e o Delle Alpi, de Turim. Todos os outros passaram por reformas apenas. Então, considerando a inconstância do Bari na elite do futebol italiano e que o Delle Alpi já foi demolido para a construção de um novo em seu lugar, é notável a carência de bons estádios na Serie A há muito tempo.

É claro que há bons estádios, como o San Siro, o Olímpico de Roma e ainda o San Filippo, na Serie B, mas a maioria ainda deixa a desejar se comparada a outros estádios europeus. Até mesmo o Olímpico de Roma, que passou por reformas recentes para receber a final da Liga dos Campeões, tem os seus defeitos, como a pista de atletismo, que atrapalha a visão dos torcedores, mas garante o auxílio financeiro do CONI (Comitê Olímpico Nacional Italiano).

Já na Inglaterra, os clubes investiram mais de 3,2 bilhões de euros, nos últimos 15 anos, em stadium facilities, ou seja, conforto para o torcedor, e suas receitas com estádio mais que dobraram. E é exatamente esse conforto que os estádios italianos não oferecem. Na maioria deles, o torcedor tem dificuldade de acesso, fica longe do campo, por causa das pistas de atletismo presentes em quase todos, não tem boa alimentação, nem higiene e a segurança ainda é falha. Com isso, os torcedores preferem ficar no conforto de suas casas e assistir os jogos pela televisão, sem correr risco nenhum.

A solução são as badaladas arenas multiuso. Nelas unem-se jogo de futebol com compras, atraindo os tifosi e suas famílias não só para assistir a uma partida do seu time, como também para usufruir de outros serviços do estádio, como restaurantes e shoppings, gerando mais renda. Outra característica dessas modernas arenas é o tamanho, sempre pensado de acordo com a média de público de cada clube. De nada adianta um estádio enorme, com 70 ou 80 mil lugares e alto custo de manutenção, se ele nunca atinge sua capacidade máxima.

Os primeiros passos
O antigo Delle Alpi foi um exemplo de estádio colossal, que mesmo sendo um dos mais novos do país, já era ultrapassado em termos de conforto. Não a toa foi demolido e está em processo de reconstrução. Os seus 69.041 lugares passam a ser só 40.200, garantindo estádio cheio quase toda rodada. E agora, a distância da arquibancada para o campo será de apenas 8,85 metros, contra os 50 metros do anterior.

Além disso, o projeto prevê oito restaurantes, 24 bares, 34 mil metros quadrados de área comercial e 4 mil vagas de estacionamento, adequando-se aos mais elevados padrões europeus. O custo aproximado da nova casa bianconera é de 150 milhões de euros, que serão pagos com ajuda de parceiros, como a Sportfive, que negociará os naming rights, direito cedido a uma empresa de dar o seu nome ao estádio, e a Nordiconad, que comandará a área comercial do estádio. Será a primeira grande arena particular da Itália, abrindo caminho para novos projetos.

A inauguração do novo Delle Alpi está prevista para 2011

Outros times já se manifestaram a favor de projetos e investimentos próprios, como a Fiorentina, Lazio, Inter, Palermo, Roma, Sampdoria, Udinese e possivelmente o Cagliari. Os blucerchiati foram os primeiros a apresentar um projeto, mas aguardam uma posição do governo, que alega que a construção de uma arena é o último dos problemas da região, sem perceber, no entanto, que talvez ela seja a solução para muitas carências sociais.

O Palermo foca seus argumentos na utilização diária do estádio, pelos habitantes da região, e no aumento do turismo que ele poderia trazer. Em Udine, é estudada uma reestruturação da cobertura e das funções do estádio, sendo o comércio que este pode abrigar o ponto principal. Lazio e Roma já têm projetos, mas ainda não têm lugar definido para a inserção do mesmo.

O importante é que a modernização já começou e os clubes estão se preocupando em acompanhar esse ritmo, que vai fazer muito bem ao calcio, carente de bons estádios há muito tempo. É um passo fundamental para a recuperação do público e a reestruturação do tradicionalíssimo futebol italiano.