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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

900 minutos em 9: 2ª rodada


Del Piero, Camoranesi, Trezeguet: com Diego tão iluminado, foi fácil ver o jogo do banco

Sampdoria, Juventus, Genoa e Lazio: um quarteto com seis pontos na ponta da Serie A, depois das duas primeiras rodadas do campeonato. A Lazio repete o bom início do ano passado, quando (junto da Atalanta) também fez 100% dos pontos. Na quinta posição está a Inter, que foi a dona do espetáculo de sábado, passeando sobre o Milan no dérbi local. Maicon aproveitou a presença da família no estádio para destruir Jankulovski pela lateral-direita, enquanto a dupla Eto'o-Milito se movimentou pelo que não tinha feito contra o Bari. O duelo se decidiu muito pelo tal cinismo da Inter e a falta de espírito do Milan após sofrer o gol. Mas Leonardo também tem boa parte da responsabilidade, ao enrolar meses para substituir um lesionado Gattuso. No post de ontem, os antecedentes, a partida em si e a repercussão do massacre. O sábado também viu o empate insosso entre Bari e Bologna, duas equipes fadadas à luta contra o rebaixamento.

Ainda lá embaixo, uma derrota complicada foi a que o Cagliari sofreu para o Siena, em pleno Sant'Elia: depois que Calaiò usou a cabeça duas vezes para marcar, Jeda descontou de pênalti, mas Reginaldo marcou outra vez usando a cabeça, sem nem sair do chão. Na próxima rodada, depois da pausa para as seleções, o Siena receberá a Roma e terá uma séria oportunidade para desconstruir de vez o ambiente giallorosso: Spalletti não engoliu bem o fato dos principais dirigentes do clube terem se reunido sem ele após a derrota para a Juventus e então passou mais de uma hora lavando roupa suja. Se não é um divórcio entre sociedade e técnico, ao menos é a maior das fraturas desde sua chegada à capital. Em campo, as arriscadas apostas de Spalletti se mostraram equivocadas, ao preterir Motta, Guberti e Vucinic em favor dos seus pupilos Cassetti, Taddei e Perrotta. O primeiro deu um gol para Diego e os outros dois deixaram o campo exaustos antes do fim do jogo, claramente sem condições físicas para um compromisso tão importante.

Falando em Diego, o brasileiro foi de novo o melhor em campo e deu para Ferrara sua quarta vitória em quatro jogos como treinador, enquanto Spalletti chega a sua 15ª derrota em 18 jogos contra a Juve. A defesa romanista já começa esburacada desde o meio-campo e dá sinais complicados: num intervalo de dez dias, por três vezes levou três gols. A lanterna temporária é um alarme merecido. Do outro lado de Roma, a Lazio é pura euforia. Em Verona, Cruz marcou duas vezes para virar o jogo sobre o Chievo. Pellissier, sempre ele, havia aberto o placar. A expulsão de Cribari no início do segundo tempo aumentou a pressão sobre os biancocelesti, mas não o suficiente para bater Muslera. Com um pouco menos de egoísmo nos pés de Zárate, é uma Lazio para abrir bem o campeonato e então poder mirar alto no segundo semestre. O próximo passo é frente à Juventus, grande encontro da terceira rodada.

A dupla de Gênova também começa em alta rotação. Depois de bater a Roma na estreia, o Genoa foi a Bérgamo e contou com um gol do zagueiro Moretti para bater a Atalanta de Angelo Gregucci - segunda derrota do treinador nerazzurro em sua temporada de estreia na Serie A. Os comandados de Gasperini atuaram de forma mais defensiva que o habitual e contaram com grandes defesas de Amelia (principalmente sobre Acquafresca) para sair de campo vitoriosos. De quebra, a partida ainda serviu para dar chance entre os titulares a alguns reservas rossoblù, como Tomovic, Fatic e Milanetto. Já a Sampdoria contou com uma noite mágica de Cassano e Castellazzi para bater a Udinese. Os blucerchiati abriram o placar após uma falha bisonha de Lukovic, que Pazzini não perdoou. E então Cassano teve para si os holofotes, com um lindo toque de calcanhar para o gol de Mannini e um belo chute de fora da área para anotar o terceiro. Mas provavelmente Marcello Lippi irá se ater ao pênalti perdido por Fantantonio. Di Natale descontou para os friulanos e se isolou na artilharia da Serie A, com três gols.

Na Fiorentina, Mutu assistiu do banco Jovetic decidir mais uma vez. No gramado em condições medonhas do Artemio Franchi, as melhores chances foram do time viola, geralmente com ou pelo montenegrino. Depois de acertar a trave, Jovetic desviou um chute de Santana para marcar o único gol da partida. O Palermo continuou atacando de cabeça erguida, mas as redes de Frey continuaram invioladas. Boa partida de Pastore, que parece cada vez mais adaptado ao time de um Zenga que, por sua vez, insiste que não há nenhum time melhor que o seu na Serie A. Que ele olhe com carinho pelo menos para os três primeiros parágrafos e agradeça por Kjaer ter salvado dois gols viola. No San Paolo, Quagliarella guiou seu time para a primeira vitória na temporada, com dois gols e uma bola no travessão depois de um belíssimo chute do meio do campo. Hamsík também foi às redes, passando por quatro defensores do Livorno antes de bater na saída do goleiro De Lucia. De nada adiantou o gol de Lucarelli, o primeiro desde seu retorno. No último jogo da rodada, a juventude do Parma afundou o Catania. Lanzafame (1987), Biabiany ('88) e Paloschi ('90) foram essenciais na fase ofensiva: o ex-Milan marcou um (seu segundo no campeonato) e deu uma assistência.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 2ª rodada, clique aqui.

Seleção da 2ª rodada
Amelia (Genoa); Maicon (Inter), Gamberini (Fiorentina), Moretti (Genoa), Kolarov (Lazio); Thiago Motta (Inter), Jovetic (Fiorentina), Diego (Juventus); Milito (Inter), Quagliarella (Napoli), Cassano (Sampdoria)

domingo, 30 de agosto de 2009

Massacre

O homem-dérbi: mais uma vez, Milito mostra sua força em clássicos

Quatro a zero. Mesmo que não tenha sido um placar igual ao do dérbi no qual o Milan aplicou uma sonora goleada por seis a zero nos rivais citadinos, na temporada 2000-01 (veja vídeo), a Inter pode se dar por vingada. Domínio absoluto, exceto nos primeiros minutos da partida, e um estilo de jogo muito interessante, com passes rápidos, muita movimentação entre os atacantes e jogo de equipe. Como disse o amigo Leonardo Bertozzi, estava "tão fácil que a Inter conseguia dar olé e ser objetiva ao mesmo tempo". Vamos a uma breve síntese do pré-jogo e da partida propriamente dita.

Antecedentes

Quando a tabela da Serie A foi divulgada e estava previsto que o primeiro clássico entre Milan e Inter seria disputado logo na segunda rodada, muito se falou sobre o fato de que ambas as equipes ainda não estariam preparadas para uma partida tão importante e tão cedo - antes mesmo do fechamento do mercado.

Por outro lado, com os resultados de pré-temporada, a Inter era colocada em vantagem sobre uma equipe rossonera que vinha de péssimos resultados. Acrescentando-se a isso ainda o fato de que os nerazzurri teriam uma estreia supostamente fácil contra o Bari, no Giuseppe Meazza, e poderiam abrir boa vantagem em relação ao próprio Milan, o clima era de que a campeã já largaria muito à frente da sua rival citadina nesta edição da Serie A.

Entretanto, após a primeira rodada, a moral dos dois times de Milão se inverteu. O Milan, que estava por baixo, venceu o Siena com boa exibição de Pato e Ronaldinho, enquanto a Inter jogou mal e quase perdeu para o Bari. A imprensa criticou muito José Mourinho por suas opções táticas e técnicas na partida da semana passada. Por fim, durante a semana, com toda a pressão do lado da Inter, para que recuperasse os pontos perdidos ante os biancorossi, muito se especulou sobre mudanças na equipe que o português mandaria a campo: a imprensa especulou até que Santon jogaria no meio-campo, enquanto o capitão Zanetti iria para o banco. A chegada de Sneijder, na sexta, e a possibilidade de que jogasse tornou a escalação da equipe um mistério ainda maior. A mistura de ingredientes picantes não poderia dar em outra coisa que não uma grande partida, realizada na noite de ontem.

Maicon sobe no banco de reservas e agradece o apoio dos tifosi

O jogo
Antes mesmo de o jogo começar, a primeira surpresa: Sneijder começaria jogando a partir do início, mesmo sem ter treinado uma vez sequer com a equipe. Mourinho declarou, após a partida, que o havia instruído através de SMS como enfrentar Pirlo. A partida começou com pressão rossonera, muito facilitada pela demasiada desatenção da Inter nas trocas de passes. Porém, com muita movimentação por parte de Thiago Motta, Sneijder e, principalmente, de Milito - que caía pelos dois lados e trocava de posição com Eto'o - os "visitantes" cresceram na partida e não sofreram mais sérias ameaças.

Aos trinta minutos, Zanetti iniciou uma rápida troca de passes na intermediária milanista. De primeira, Motta ajeitou para Eto'o, que, por sua vez, passou mais atrás para Milito. O argentino, que, ao lado de Pato, era o melhor em campo, foi, mais uma vez, decisivo em um dérbi: com frieza, percebeu a passagem de Motta nas costas da defesa adversária e rolou para que o brasileiro abrisse o placar.

Foi o mesmo Milito que, minutos depois, fez o segundo, cobrando pênalti. A jogada que originou o pênalti surgiu de um rápido contra-ataque iniciado por Maicon, em ótima noite, que lançou para Eto'o ser derrubado por Gattuso. Era jogada para expulsão, mas ele levou só amarelo. Porém, logo depois, após falta dura cometida sobre Sneijder, o meia rossonero foi expulso - antes que Seedorf o substituísse, por lesão.

A Inter chegaria ao terceiro gol pouco depois, novamente a partir de uma rápida jogada, iniciada por Maicon. Milito, apelidado de homem-dérbi após ter sido o primeiro na história a marcar uma tripletta no dérbi de Gênova, na última temporada, participou da tabela e deu mais uma assistência no jogo, desta vez para o mesmo Maicon marcar e explodir junto com a torcida. Quando a primeira etapa acabou, a impressão que ficou é que a Inter só não havia marcado pelo menos mais um gol por causa da boa exibição de Storari.

Para o segundo tempo, o Milan voltou com Ambrosini e Seedorf nos lugares de Borriello e Flamini, que estavam muito mal. Tão mal quanto Ronaldinho, que pouco criou e foi substituído por Huntelaar no meio do segundo tempo. Até então, a Inter se guardou e valorizou a posse de bola, buscando marcar mais gols com chutes de fora da área, embora Storari se mostrasse seguro. Porém, quando Stankovic tentou seu primeiro chute, o goleiro nada pôde fazer, senão observar a bola chacoalhando a rede com o golaço do sérvio. Muito identificado com o clube, Stankovic se emocionou muito com o gol marcado em mais um dérbi em que jogou bem.

Como na semana anterior, ao fim da partida, a moral dos dois clubes rivais se inverteu. E, se isto vai mudar, só o tempo irá dizer. Como disse José Mourinho, "amanhã é outro dia". Porém, o torcedor da Inter terá mais tempo para se sentir superior, já que a próxima partida só vai acontecer daqui a duas semanas, por causa das Eliminatórias para a Copa de 2010.

sábado, 29 de agosto de 2009

Rivalidades: Derby di Sicilia

Torcida foi proibida de acompanhar últimos jogos da temporada 2006/2007

Não está entre os dérbis mais famosos da Itália. Não tem o número de títulos em jogo de Inter e Milan, o ódio mortal entre Roma e Lazio nem o apelo histórico de Juventus e Torino. Mesmo assim, um pouco negligenciado como boa parte do sul da bota, deixou marcas profundas e provocou debates sobre a violência no futebol italiano.

O dérbi siciliano que coloca frente a frente Palermo e Catania está fortemente ligado as raízes sulistas do país. Máfia, preconceito, disputas no tapetão. Tudo instável e imprevisível como o vulcão Etna.

O primeiro encontro nacional entre os rosaneri e os rossazzurri aconteceu em 1936, pela série B. Empate de 1 a 1. Após isso seguiram-se mudanças de nome, rebaixamentos e até dissoluções pela 2ª Guerra. O terceiro confronto em um campeonato nacional só aconteceu 1956, 20 anos após o primeiro embate. Justamente a instabilidade dos clubes fez com que as partidas na principal divisão do Calcio fossem raras. Em muitas temporadas jogaram em divisões distintas e ambos tiveram a falência decretada mais de uma vez.

Pela série A são 10 jogos com três vitórias para cada lado e quatro empates. Os resultados inexpressivos explicam a popularidade da Juve, maior torcida da região graças a migração dos moradores da ilha para o norte da Itália, na busca por emprego e melhores condições de vida.

Foi uma tragédia, porém, que colocou o Derby di Sicilia nos noticiários de todo o mundo. Em 2 de fevereiro de 2007, a morte do policial Felippo Raciti, após ser atingido por uma bomba caseira, provocou manifestações e debates sobre a violência entre torcedores rivais e polícia. O torneio nacional permaneceu algumas rodadas paralisado por ordem da Federação Italiana de Futebol e foi duramente criticado em todo mundo. Seus dirigentes foram obrigados a tomar medidas para conter a onda de violência, como a proibição de sinalizadores nos estádios e a venda de ingressos para torcedores organizados dos clubes visitantes, operações especiais para grandes clássicos.

Os incidentes quase custaram o rebaixamento ao Catania, que teve de jogar em campo neutro até o final do campeonato, sem torcida. A equipe sobreviveu graças a uma vitória sobre o Chievo na última rodada.

Outro ingrediente também deve apimentar o dérbi desta temporada. Walter Zenga trocou o Catania pelo Palermo no final do último campeonato. Grande responsável pela manutenção dos rossazzurri na Série A – recorde de 43 pontos da equipe na primeira divisão – o treinador deve ter uma recepção nada acolhedora por ter trocado o clube pelo maior rival.

Derby di Sicilia

Vitórias do Palermo – 23
Vitórias do Catania – 17
Empates – 36
Gols do Palermo – 88
Gols do Catania – 76

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Reencontros, goleada e transferências

Lei do ex possível: três craques enfrentarão seus antigos clubes

O dia de hoje foi bastante cheio para o futebol italiano. O fato mais importante, obviamente, foi o sorteio da Liga dos Campeões, que reservou aos clubes da Bota um gostinho de déjà vu. Começando pela Juventus, cabeça-de-chave do grupo A, que terá no Bayern de Munique, adversário de quatro temporadas atrás, seu principal concorrente à liderança do grupo, que também conta com Bordeaux e Maccabi Haifa.

A Fiorentina, que foi sorteada para o grupo E, enfrentará novamente o Lyon, que, na temporada 2008-09 levou a melhor sobre os toscanos, e conquistou a segunda vaga do grupo, abaixo do Bayern de Munique. Dessa vez o grupo viola também conta com um gigante europeu, o Liverpool, além dos húngaros do Debrecen. A esperança de Cesare Prandelli e companhia é se vingar dos lioneses e buscar a classificação através da segunda colocação. Um objetivo tão acessível quanto na última temporada, mas que uma Fiorentina mais experiente pode conseguir, aproveitando-se das saídas de Juninho e Benzema.

Inter e Milan, por sua vez, enfrentarão Barcelona e Real Madrid, o que significa que vários jogadores enfrentarão seus ex-clubes, com destaque óbvio para os que estavam em seus antigos clubes há algum tempo e mudaram de clube neste mercado: Ibrahimovic, Eto'o e Kaká. Porém, outros jogadores também compartilham a mesma situação: Maxwell, Thiago Motta, Huntelaar e Seedorf.

A Inter, sorteada no grupo F - o único formado totalmente por equipes campeãs de suas respectivas ligas - fará com o Barcelona um dos duelos mais esperados desta fase de grupos. O duelo deve servir como tira-teima para definir qual das duas equipes terminará esta fase na liderança, sem contar que deve ser o termômetro das duas (modificadas) equipes para o restante da temporada. Vale lembrar que o primeiro dos dois jogos será a estreia das duas equipes nesta edição da Liga dos Campeões, em partida a ser disputada no Giuseppe Meazza. Os ucranianos do Dynamo Kyiv e os russos do Rubin Kazan completam o grupo e deverão brigar por uma vaga na Liga Europa.

O Milan pode sorrir, mas não tanto. Se a principal briga deve ser com o Real Madrid, pela liderança do grupo C, o Marseille deve incomodar bastante. Reforçado para a disputa da Ligue 1, os Phoncées podem brigar ferrenhamente com os rossoneri, que podem compensar eventuais desníveis técnicos com a sua tradição. Impossível, neste emparelhamento, não ser nostáligco: Milan e Real Madrid, com sete e nove títulos, respectivamente, são os maiores vencedores da competição. Além do mais, Milan e Marseille fizeram a primeira e disputadíssima final da Liga dos Campeões em seu novo formato, no início da década de 90. Na ocasião, os marselheses sagraram-se os primeiros e únicos franceses a levar o principal título europeu.

Ainda tem mais
Logo após o sorteio da LC, começaram os jogos da Liga Europa. Jogando no Olímpico, a Roma despachou o Kosice com uma maiúscula apresentação e um placar com o qual os romanistas se habituaram nos últimos anos: 7-1, com direito a cinco a zero em vinte minutos de jogo, tripletta de Totti, ótima atuação de Alessio Cerci e à irônica restrição à saída dos torcedores do Kosice do Olímpico, logo após o quinto gol giallorosso, por medidas de segurança.

Lazio e Genoa, por sua vez, foram à Escandinávia, para defender as boas vantagens conseguidas nas partidas de ida, frente aos suecos do Elfsborg e aos dinamarqueses do Odense, respectivamente. Embora os biancocelesti acabassem derrotados por 1-0 e os rossoblù empatassem em 1-1, a classificação não dependeu de muitos esforços. Para o sorteio de amanhã, romanistas estão no pote 1, enquanto a Lazio está no 2 e o Genoa no 4.

Para completar o dia, de uma vez por todas, a principal notícia ligada ao mercado de transferências foi a confirmação dada por Wesley Sneijder de que é o mais novo trequartista da Inter. Entrevistado ao desembarcar no aeroporto de Milão, o holandês confirmou que vestirá nerazzurro a partir de amanhã, quando deverá ser apresentado em Appiano Gentile. Sneijder treinará pela primeira vez com seus novos companheiros, com o objetivo de integrar o elenco interista para o Derby della Madonnina, no sábado.

Para completar a série de boas notícias para os interistas, o clube conseguiu fechar os empréstimos de Obinna ao Málaga - este, na noite de ontem - e o de Rivas ao Livorno. Com um elenco enfim reduzido e com um trequartista, Mourinho deve trabalhar com mais tranquilidade para o grande duelo da rodada.

ATUALIZAÇÃO (no dia seguinte): Sneijder foi apresentado e jogará com a camisa 10. Falando em trequartista, o Livorno negociou Diamanti com o West Ham, em uma transação que deixou clara a falta de poder aquisitivo das equipes médias da Serie A.

Quanto à Liga Europa, os grupos foram sorteados e, como sempre, enorme equilíbrio na maior parte dos grupos. O Genoa não terá vida fácil: no grupo B, terá a companhia de Valencia, Lille e Slavia Praga. É uma grande oportunidade para entrar com força máxima na disputa e ver até aonde este promissor time é capaz de chegar. A Roma, por sua vez, deu sorte no sorteio e terá adversários mais acessíveis no grupo E: Basel, Fulham e CSKA Sofia. Para terminar, a Lazio também tem boas chances no grupo G, no qual terá a companhia de Villarreal, Levski Sofia e Red Bull Salzburg.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Brescia, com B de Baggio

A última vez do mítico Roberto Baggio foi em um Meazza lotado, com camisa rondinelle

A Serie B, que começou na última sexta-feira, tem o B do Brescia, que já estreou vencendo a Cittadella. O clube detém o recorde de participações totais no campeonato, que venceu três vezes. E, pelo menos até 2018, também será o time com mais participações consecutivas: 53 e 18, respectivamente. No Brasil, o time lombardo é famoso por ter sido a última casa de Roberto Baggio, Bola de Ouro em 1993.

Nascido da fusão entre US Bresciana, Victoria e Gimnasium, em 1911, a primeira camisa do Brescia tinha uma listra vertical alaranjada ao longo de seu tradicional azul. Quando vinha se firmando no cenário local, em 1916 o clube teve suas atividades esportivas paralisadas porque a cidade estava perto demais do fronte de Adamello, um dos principais focos de batalhas na 1ª Guerra Mundial. Naqueles anos, surgiria Trivellini, goleiro e capitão do time até 1930. Surgiria também um símbolo importante do time: a camisa azul com o V em branco na parte superior, para representar a vitória na guerra recém-concluída.

A camisa rondinelle sempre foi um capítulo à parte. O azul-marinho e o alaranjado eram as cores dominantes até o fim da primeira guerra, quando o azul da Casa de Savóia (também cor predominante da Seleção) se tornou padrão. Em 1948, o Brescia passou a usar uma camisa totalmente branca, com o azul só nos calções e nas meias - seria uma forte de mostrar o apoio à unificação do Estado italiano em torno da república. As mudança foram um padrão nos anos seguintes, e só em 1991 a camisa do Brescia passou a ser a que conhecemos hoje.

A inauguração do estádio Mario Rigamonti não deu muita sorte em suas primeiras décadas: os anos 50, 60 e 70 foram períodos negros na história do Brescia. Até 1956, o time jogava no autodenominado Stadium, de Via Naviglio, que passou três anos em obras de ampliação e melhorias que o fizeram ser reinaugurado com este nome em memória ao jogador bresciano que morrera no desastre de Superga. Mas o Rigamonti deve sair de circulação nos próximos anos, com o projeto do presidente Corioni de construir um novo centro esportivo na região do aeroporto de Montichiari.

Andrea Caracciolo (dir) é o principal nome do atual elenco do Brescia

Se confirmada, a construção do novo estádio deve colocar o nome de Corioni na história da cidade. Presidente do clube desde 1992, é com ele no comando que os biancoazzurri conseguiram os melhores resultados de sua história. O início foi complicado, com rebaixamento no primeiro ano, promoção no segundo, queda no terceiro, subida no quinto, de novo queda no sexto e promoção de vez em 2000. Foi quando Baggio chegou, recusando Arsenal e Real Madrid com uma cláusula de contrato interessante: se o técnico Carlo Mazzone fosse demitido, Baggio também estaria fora. O treinador durou três anos. O camisa dez, quatro.

O início dos anos 2000 foi qualquer coisa fantástica para o Brescia. A primeira vitória do século veio só na oitava rodada da temporada 2000-01, mas naquele campeonato os rondinelle fizeram uma ótima campanha de recuperação e terminaram em sétimo, melhor resultado da história do clube. E o ano seguinte só não foi melhor porque um Baggio espetacular, com oito gols nas nove primeiras rodadas, perdeu alguns meses graças a uma lesão no joelho direito. Mas a Serie B voltou logo na primeira temporada depois da despedida do Codino, de onde o Brescia ainda não conseguiu sair. Nos dois últimos anos, caiu nos play-offs para Albinoleffe e Livorno. E torce para que a atual temporada fuja da regra.

As temporadas
31 participações na Serie A, 53 na Serie B e 4 na Serie C.

Os títulos
Dos seis troféus oficiais conquistados pelo Brescia, metade vieram na década de 90: dois da Serie B (1992 e 1997) e uma Copa Anglo-Italiana (1994), único título internacional da história azzurra. Juntam-se a estes mais um título da segunda divisão (1965) e dois da terceira (1939 e 1985). Há também uma “Copa da Amizade Ítalo-Suíça” (1967).

Os rivais
Em Brescia, as maiores rivalidades do clube refletem as disputas com os habitantes da cidades rivais: por isso, Atalanta, Napoli, Roma e Hellas Verona são os principais adversários dos rondinelle. Pela forte amizade com a torcida do Milan, o tifo organizado bresciano também herdou a indisposição com grupos de Inter e Juventus. E não é nada agradável ser considerado inimigo pelos Ultras Brescia, grupo famoso por seus atos de vandalismo e violência.

Os brasileiros
Durante os 31 anos que os rondinelle passaram na Serie A, apenas três brasileiros vestiram sua camisa: o lateral-esquerdo Branco (50 jogos, 4 gols), ex-seleção brasileira, entre 1986 e 1988; o zagueiro Fábio Bilica (11j), ex-Grêmio, no primeiro semestre de 2003; e o meia Matuzalém (60j, 3g), atualmente na Lazio, entre 2002 e 2004. Fora da primeira divisão, foram mais três brasileiros no Brescia: o meia Anderson (2005-06, 7j), ex-Inter e Santos; o lateral-esquerdo Lima (2006-08, 58j, 3g), ex-Roma; e o zagueiro naturalizado Fabiano Santacroce (2005-08, 45j, 3g), hoje no Napoli.

Os selecionáveis
Sete jogadores vestiram a camisa da seleção italiana em quanto atuavam pelo Brescia. O goleiro Giuseppe Trivellini, que estreou aos 19 anos contra a Suíça em 1915, último jogo azzurro antes da 1ª Grande Guerra, é o recordista de presenças: 7 jogos. O selecionável mais recente foi o centroavante Andrea Caracciolo, que fez seu único jogo em novembro de 2004. Os outros são o zagueiro Daniele Bonera (3 partidas), o goleiro Giuseppe Peruchetti (2), o meia Giovanni Azzini (1), o atacante Virginio De Paoli (1) e o fantasista Roberto Baggio (1), em abril de 2004, num amistoso que marcou sua despedida da seleção. De Paoli, maior artilheiro da história do clube, faleceu na última segunda-feira aos 71 anos.

O onze histórico
Giuseppe Trivellini; Alessandro Chiodini, Maurizio Venturi, Gabriele Podavini; Evaristo Frisoni, Evaristo Beccalossi; Daniele Zoratto, Stefano Bonometti, Salvatore Giunta; Roberto Baggio, Virginio De Paoli. T: Renato Gei.

Quem mais jogou
Stefano Bonometti, 420 jogos

Quem mais marcou
Virginio De Paoli, 136 gols

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Brasileiros no calcio: Amoroso

Amoroso atuou por um Parma endinheirado, mas suas lesões limitaram seu sucesso à Udinese (Calcioweb)
Antes mesmo de estrear no futebol brasileiro, o jovem revelado nas categorias de base do Guarani já era campeão do mundo com a Seleção brasileira Sub-20. Foi só em 1994, após ser emprestado para o Verdy Kawasaki, ganhar dois Campeonatos Japoneses e voltar para o time de Campinas, que Amoroso estreou no Brasil. Naquele ano, o bugre conseguiu fazer boa campanha no Campeonato Brasileiro, chegando até à semifinal, quando foi eliminado pelo Palmeiras.


A eliminação, contudo, não manchou a grande campanha da equipe. E muito menos a de Amoroso, que, além de dividir a artilharia com Túlio Maravilha, computando 19 gols, ainda foi eleito o melhor jogador do campeonato pela Revista Placar. Em 1996, saindo do Guarani, o atacante vestiu as cores do Flamengo, onde permaneceu por apenas 3 meses, tempo suficiente para adicionar a seu currículo um Campeonato Carioca.

No mesmo ano, partiu para a Itália. Lá viveu três dos melhores anos da sua carreira, defendendo a Udinese. Inicialmente, dividiu as atenções com o outro atacante friulano, Oliver Bierhoff, mas logo mostrou seu trabalho e deixou as comparações de lado. A dupla foi muito importante para o sucesso da Era Zaccheroni, emplacando a artilharia da Serie A para os bianconeri por dois anos seguidos. 

Em 1997-98, o alemão, em sua última temporada no clube, antes de seguir para o Milan, marcou 27 gols, deixando para Amoroso a difícil missão de substituí-lo. O brasileiro nem sequer titubeou. Ainda no início da temporada já era exaltado por torcedores e imprensa, como bem exemplifica o título da matéria publicada no Corriere do dia 27 de setembro daquele ano: Amoroso faz esquecer Bierhoff. Ao final da disputa, o atacante também entrou para a galeria de capocannonieri, com 22 tentos marcados.

Vestindo a camisa da Udinese, o brasileiro foi artilheiro da Serie A (Ansa)
O sucesso foi tanto, que na temporada 1999-2000 a Parmalat desembolsou aproximadamente 30 milhões de euros para contar com o brasiliense em seu time, o Parma. Com uma das maiores transferências do mercado italiano naquele ano, juntamente com a aquisição de Vieri, por parte da Inter, os gialloblù chegaram a ser considerados candidatos ao título. No entanto, uma grave lesão afastou Amoroso dos campos por quase um ano. Foram apenas 16 jogos e 4 gols.

Na temporada seguinte, com o problema da lesão (aparentemente) superado, os torcedores renovaram suas esperanças e esperavam ver a agilidade, velocidade e força do artilheiro de volta. Mais uma vez se decepcionaram. Ainda com muitas dores no tendão de Aquiles, Amoroso jogou somente 23 vezes e marcou 7 gols. Terminava ali sua frustrante passagem pelo Parma, que vendeu os direitos federativos do atleta para o Borussia Dortmund, perdendo grande parte do dinheiro investido.

Na Alemanha, supreendentemente, conseguiu mais um momento de brilho: conquistou o título alemão de 2001-02 e a artilharia do campeonato. Depois disso, foram mais três temporadas instáveis no próprio Borussia e mais uma no Málaga, da Espanha. No velho continente, ainda teve uma brevíssima passagem pelo Milan, em 2006, quando fez apenas 4 partidas e marcou um gol, desempatando o clássico contra a Roma, nos acréscimos.

Antes disso, voltou para o Brasil e atuou no São Paulo, reeditando a dupla de sucesso do bugre: Amoroso e Luizão. Foi decisivo na conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes, marcando 18 gols, em 26 partidas disputadas pelo clube do Morumbi. Depois, assinou contrato com Corinthians, Grêmio e Aris Salônica (Grécia), todos rescindidos antes do término.

Pretendendo encerrar a carreira no mesmo clube que o revelou, o jogador assinou contrato com o Guarani, no final do ano passado, porém, com problemas no tornozelo direito, só fez uma partida pelo time, durante o Campeonato Paulista. O contrato foi rescindido e, agora que está recuperado da lesão, o atacante lamenta a falta de acordo para atuar novamente. Pelo jeito, essas são mesmo as últimas linhas da biografia do atleta.

Márcio Amoroso dos Santos
Nascimento: 5 de julho de 1974, em Brasília
Posição: atacante
Clubes: Guarani (1992, 1994-95, 2009), Verdy Kawasaki (1992-93), Flamengo (1996), Udinese (1996-99), Parma (1999-2001), Borussia Dortmund (2001-04), Málaga (2004-05), São Paulo (2005-06), Milan (2006), Corinthians (2006-07), Grêmio (2007) e Aris Salônica (2008)
Seleção brasileira: 20 partidas, 10 gols
Títulos: 2 Campeonatos Japoneses (1993, 1994), Campeonato Carioca (1996), Supercopa Italiana (1999), Campeonato Alemão (2002), Copa Libertadores da América (2005), Mundial de Clubes da FIFA (2005), Copa do Mundo Sub-20 (1993) e Copa América (1999)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

900 minutos em 9: 1ª rodada

Milito sofreu o pênalti que Eto'o converteu. Mas ainda é pouco para a dupla.

Mourinho tinha razão ao dizer que, contra o Bari, o jogo seria difícil. O que não fez o técnico português poupar seu time após o empate na estreia da tetracampeã italiana: "Em casa, se deve vencer". Com Materazzi formando dupla com Lúcio na zaga, a Inter se confirmou num 4-3-1-2 sem surpresas até metade do primeiro tempo, quando mudou para o 4-3-3 depois de Balotelli substituir Muntari, que se sentiu mal por causa do jejum de Ramadan. Do outro lado, um Bari sem os dois atacantes titulares, Meggiorini e Barreto, apostando na velocidade de Álvarez. No segundo tempo, a Inter se viu com quatro atacantes após a entrada de Quaresma. Ainda assim, o gol de Eto'o só saiu de um contestado pênalti sobre Milito. Quando parecia decolar, a Inter viu Kutuzov bater Júlio César para empatar. A Inter continua atrás de um trequartista. Mas nenhum deles pode fazer melhorar a movimentação de um time que pareceu meio avoado em sua estreia.

Resultado melhor teve o Milan. "Agora os especialistas vão dizer que eles são fantásticos e favoritos no dérbi", já disparou Mourinho para declarar aberto o jogo da 2ª rodada. Se a péssima pré-temporada tinha feito soar alarmes no Milan, a estreia rossonera em Siena deixou um suspiro de alívio - com ar brasileiro. Ainda que não tenha sido uma vitória fácil, os comandados de Leonardo finalmente tiveram um bom desempenho ofensivo, pelos pés de Ronaldinho e Pato. O último marcou duas vezes e ainda teve a chance de ampliar a partida no fim, de novo com assistência do camisa 80. Muitas palmas para a estreia de Thiago Silva, o melhor em campo. Que Dunga fique de olho: o Milan em boa fase só tem a ajudar sua seleção.

O melhor jogo da rodada foi disputado no Marassi, entre Genoa e Roma. O empate sem gols ao fim do primeiro tempo é suficiente para enganar um observador desatento, já que cada lado teve duas ótimas oportunidades. No segundo tempo, Criscito abriu, Taddei e Totti responderam, Zapater e Biava decidiram. No ataque grifone, os novos argentinos Crespo e (no segundo tempo) Palácio estrearam muito bem. Ironicamente, os melhores jogadores do lado romanista foram os zagueiros Burdisso e Andreolli: respectivamente, um que havia chegado há 24 horas e outro que sairá em outras 24. Um Genoa com ares de Liga dos Campeões. Uma Roma no aguardo do bom condicionamento físico de Taddei, De Rossi, Riise e, principalmente, Doni.

Voltemos à corrida de verdade pelo título, onde a Juventus usou seu tradicional 1 a 0 para bater o Chievo. Di Carlo surpreendeu ao não surpreender: pôs em campo dez dos titulares que seguraram a Vecchia Signora em abril passado. Já Ferrara optou bem por Salihamidzic no lugar do medonho Molinaro, na lateral esquerda. O gol da Juve saiu de uma falta cobrada por Diego e cabeceada por Iaquinta no início do jogo. O Chievo chegou a pressionar, mas não o suficiente para ameaçar de verdade Buffon. Enquanto isso, o Napoli sofria a primeira decepção de sua temporada ao ser derrotado para um "Palermo de scudetto", nas palavras de Walter Zenga, que já lançou Pastore como titular na meia-direita. No Napoli, os dois que lutam pela vaga na lateral-direita foram decisivos: Maggio entregou o primeiro gol rosanero, enquanto Zúñiga cometeu o pênalti para o segundo. Hamsík marcou o de honra.

O dérbi do Appennino, que abriu o campeonato no sábado, foi prejudicado pelo forte calor de Bolonha. Mas Portanova fez pelo Bologna uma estreia maiúscula, assim como Viviano, autor de um milagre duplo sobre Gilardino. Já a Fiorentina deixou a desejar e só funcionou com a entrada de Mutu no segundo tempo: o romeno foi bem e empatou o jogo que estava indo para o ralo com o gol de Osvaldo. Em Roma, Rocchi aprevoitou lançamento de Foggia para marcar o único gol da morna vitória biancoceleste sobre a Atalanta. Mas o time se mostra mais compacto que o do ano passado e pode ser uma boa surpresa. Os próprios Rocchi e Foggia, além de Baronio, foram os destaques. Ledesma, De Silvestri e Pandev continuam de fora.

No Friuli, só nos acréscimos é que a Udinese se safou da derrota. O ponto ganho pelo empate em 2 a 2 com o recém-promovido Parma pode ser comemorado, pelo que o time mostrou em campo. A boa estreia de Panucci pelos crociati só não foi melhor por conta de um pênalti cometido sobre Di Natale, autor dos dois gols da Udinese. Também nos acréscimos, a Samp decidiu a partida com o Catania, na Sicília: a expulsão do zagueiro polonês Augustyn foi determinante. Entre Livorno e Cagliari, 0 a 0. Mesmo com as boas atuações de Diamanti e Larrivey, os goleiros De Lucia e Marchetti é que decidiram.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 1ª rodada, clique aqui.

Seleção da 1ª rodada
Viviano (Bologna); Burdisso (Roma), Thiago Silva (Milan) e Gastaldello (Sampdoria); Rossi (Genoa), Juric (Genoa), Diego (Juventus) e Foggia (Lazio); Pato (Milan), Cavani (Palermo) e Di Natale (Udinese).

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Preview: Serie A, parte 2

Segue a segunda parte do preview da Serie A, que terá sua primeira rodada neste fim de semana. Assim como na temporada passada, o campeonato 2009-10 terá transmissão de RAI, ESPN, Sportv, Gazeta e Esporte Interativo. A novidade é a entrada da TV Cultura, que substitui a Band como parceira do Esporte Interativo e transmitirá uma partida por domingo, sempre ao vivo. Para ler a primeira parte do nosso preview, clique aqui.

O Napoli de Hamsík, pronto para tomar o lugar do Milan de Ronaldinho

Lazio
A casa: Estádio Olímpico (Roma, 72.698 lugares)
O cara: Mauro Zárate (atacante)
A promessa: Ettore Mendicino (atacante)
O técnico: Davide Ballardini (desde 06/2009)
Competição europeia: Liga Europa
Principais reforços: Julio Cruz (atacante), Eliseu (meia) e Roberto Baronio (meia)
Principal perda: David Rozehnal (zagueiro)
Na temporada passada: 10º lugar
Objetivo: Vaga na Liga Europa.
Time-base (4-3-1-2): Muslera; Lichtsteiner, Siviglia, Diakité, Kolarov; Brocchi, Baronio, Dabo (Mauri); Matuzalém (Foggia); Rocchi, Zárate.

Sobrou pouco para a Lazio gastar no mercado, ao torrar quase 27 milhões de euros só para manter Matuzalém e Zárate no elenco biancoceleste. Os dois jogadores haviam chegado por empréstimo na última temporada, convencido, e o presidente Lotito não pôde arriscar perdê-los em alguma negociação demorada. Até por isso, pouca gente chegou: basicamente, o português Eliseu e o veterano argentino Julio Cruz.

Com a chegada do bom Ballardini, a Lazio mira um campeonato melhor do que o do ano passado e a vitória contra a Inter na Supercoppa é um bom augúrio. Baronio voltou de empréstimo e se encaixou muito bem na pré-temporada e Rocchi parece ter de vez se recuperado de lesão. Um problema está em Pandev e Ledesma, afastados há semanas e ainda não negociados.

Livorno
A casa: Estádio Armando Picchi (Livorno, 19.238 lugares)
O cara: Francesco Tavano (atacante)
A promessa: Antonio Candreva (meia)
O técnico: Gennaro Ruotolo (desde 05/2009)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Cristiano Lucarelli (atacante), Mirko Pieri (lateral-esquerdo) e Cristian Raimondi (meia/lateral)
Principal perda: Massimo Loviso (meia)
Na temporada passada: 3º lugar na Serie B
Objetivo: Fugir do rebaixamento.
Time-base (4-3-1-2): De Lucia; Raimondi, Perticone, Migliónico, Pieri; Pulzetti (Candreva), Moro, Bergvold; Diamanti; Tavano, Lucarelli.

O futuro do Livorno está ligado aos últimos dias de mercado, quando as infinitas especulações sobre o ótimo Diamanti cessarão. Se ele ficar, o Livorno pode fugir do rebaixamento. Mas, se sair, é complicado esperar que o time comandado por Ruotolo consiga se manter na Serie A. Mesmo com o retorno de Lucarelli para seu doce lar, algo que pode se revelar uma faca de dois gumes.

A defesa amaranto vai ser uma dor de cabeça à parte: o bom De Lucia não é suficiente para segurar os deslizes da dupla de zaga, que não deve ter laterais de boa marcação para auxiliá-la. Candreva, grande promessa da base da Udinese, fará mais uma temporada no Livorno. Olho nele.

Milan
A casa: Estádio Giuseppe Meazza (Milão, 81.389 lugares)
O cara: Massimo Ambrosini (meia)
A promessa: Tabaré Viudez (atacante)
O técnico: Leonardo (desde 06/2009)
Competição europeia: Liga dos Campeões
Principais reforços: Klaas-Jan Huntelaar (atacante), Oguchi Onyewu (zagueiro) e Flavio Roma (goleiro)
Principal perda: Kaká (m, Real Madrid)
Na temporada passada: 3º lugar
Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões.
Time-base (4-3-1-2): Roma (Abbiati), Zambrotta, Nesta (Onyewu), Thiago Silva, Jankulovski; Gattuso, Pirlo, Ambrosini; Ronaldinho; Pato, Huntelaar.

Ter perdido uma pá de jogos na pré-temporada aumentou muito a pressão sobre o Milan, tanto que Leonardo teve de abandonar até sua vontade de escalar o time num 4-3-3, ao menos por enquanto. Mas as críticas abafam um fato incontestável: no papel, este Milan realmente está abaixo daquele dos últimos anos, mas não é assim tão ruim quanto pintam, e nem tão bom quanto pensa (ou quer fazer pensar) Berlusconi.

Perder Kaká, Maldini e Ancelotti, três grandes bandeiras, de uma só vez, pode não ser tão fatal. Aos poucos, o time deve se renovar de dentro para fora, reaproveitando peças de dentro de Milanello. Nesta fez uma pré-temporada convincente, Thiago Silva finalmente poderá estrear, Abate deve ter uma chance real e toda a direção e comissão técnica apostará em Ronaldinho até o fim. Pode mesmo não ser suficiente para continuar na Liga dos Campeões e certamente não será para conquistá-la. Mas a camisa do Milan continua a mesma.

Napoli
A casa: Estádio San Paolo (Nápoles, 76.824 lugares)
O cara: Marek Hamsík (meia)
A promessa: Erwin Hoffer (atacante)
O técnico: Roberto Donadoni (desde 03/2009)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Morgan De Sanctis (goleiro), Fabio Quagliarella (atacante), Juan Zúñiga (lateral-direito) e Luca Cigarini (meia)
Principal perda: Daniele Mannini (meia)
Na temporada passada: 12º lugar
Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões.
Time-base (3-5-2): De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Contini; Zúñiga, Gargano, Cigarini, Hamsík, Vitale (Maggio); Lavezzi, Quagliarella.

Se o Napoli corresponder às expectativas criadas na apresentação do elenco para a temporada, conquista o título com rodadas de antecedência. Numa exibição em um barco, digna de Hollywood, o farfante presidente Di Laurentiis pôde se orgulhar do que seu dinheiro fez embarcar em Nápoles: De Sanctis, Campagnaro, Zúñiga, Cigarini e Quagliarella. Meio time para ser titular e recolocar os napolitanos no mapa do futebol europeu.

Um grande time que começou a ser construído desde a contratação de Donadoni, em março, quando a Serie A já havia ido por água abaixo. Para fechar o elenco, o técnico ainda pediu um lateral-esquerdo, mas ouviu do presidente que o comprasse com seu próprio dinheiro. A ala deve ser um problema se Donadoni colocar por ali Zúñiga e jogar da janela os nove milhões gastos em sua contratação. Com Milan e Roma convalescentes, é o ano perfeito para o Napoli sonhar em voltar para a Liga dos Campeões.

Palermo
A casa: Estádio Renzo Barbera (Palermo, 36.871 lugares)
O cara: Fabrizio Miccoli (atacante)
A promessa: Javier Pastore (meia)
O técnico: Walter Zenga (desde 06/2009)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Rubinho (goleiro), Nicolás Bertolo (meia), Javier Pastore (meia)
Principal perda: Roberto Guana (meia)
Na temporada passada: 8º lugar
Objetivo: Vaga na Liga Europa.
Time-base (4-3-1-2): Rubinho; Cassani, Kjaer, Bovo (Goian), Balzaretti; Bresciano, Simplício (Bertolo), Nocerino; Pastore; Cavani, Miccoli.

Zenga chegou com pompa ao Palermo, jogando para a torcida ao dizer que a meta do time seria conquistar o título italiano. E, quando se fala torcida, se fala em Zamparini, vulcânico presidente que tem como hobby demitir treinadores a seu bel prazer. Zenga fez um ótimo trabalho no rival Catania e chega respaldado.

Seu grande problema deve ser Simplício, caso este fique. De peça-chave da equipe, o brasileiro deve ir para o banco se os argentinos Pastore e Bertolo cumprirem as expectativas. No gol, a troca entre Amelia e Rubinho deve mudar pouca coisa, na prática. Na frente, com um Cavani já totalmente adaptado à Itália, o Palermo pode realmente sonhar alto: uma vaga na próxima Liga Europa e não mais que isso.

Parma
A casa: Estádio Ennio Tardini (Parma, 27.906 lugares)
O cara: Christian Panucci (zagueiro)
A promessa: Jonathan Biabiany (atacante)
O técnico: Francesco Guidolin (desde 09/2008)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Daniele Galloppa (meia), Christian Panucci (zagueiro/lateral) e Valeri Bojinov (atacante)
Principal perda: Marco Rossi (zagueiro)
Na temporada passada: 2º lugar na Serie B
Objetivo: Fugir do rebaixamento.
Time-base (4-3-3): Mirante, Zenoni, Panucci, Lucarelli (Paci), Castellini; Morrone, Mariga, Galloppa; Bojinov, Paloschi, Biabiany (Coppola).

Depois do vice-campeonato na Serie B, o Parma de Ghirardi retorna com ambições em médio prazo, mas para isso terá antes de se safar de voltar de onde veio. O goleiro, problema crônico do time nos últimos anos, deve ter uma solução com a chegada de Mirante. Na linha, Guidolin já tinha o elenco em suas mãos e agora terá trabalho para encaixar nomes que chegam para o time titular.

O veterano Panucci deve ser utilizado na zaga para evitar desgastes físicos desnecessários, enquanto na frente Bojinov e Paloschi (de empréstimo renovado) são os únicos com vaga garantida. O promissor Biabiany faz Guidolin cogitar um esquema com três atacantes nos jogos em casa, mas a postura geralmente deve ser mais defensiva, com a entrada dos dois bons meias ex-Siena, Galloppa e Coppola.

Roma
A casa: Estádio Olímpico (Roma, 72.698 lugares)
O cara: Francesco Totti (atacante)
A promessa: Stefano Okaka (atacante)
O técnico: Luciano Spalletti (desde 06/2005)
Competição europeia: Liga Europa
Principais reforços: Stefano Guberti (meia)
Principal perda: Christian Panucci (zagueiro/lateral)
Na temporada passada: 6º lugar
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time-base (4-4-2): Doni; Motta (Cicinho), Mexès, Juan, Riise; Taddei, De Rossi, Pizarro, Guberti (Ménez); Vucinic, Totti.

Pelo que foi demonstrado na pré-temporada (e a Roma retomou os trabalhos antes de qualquer outro time da Serie A), Totti, Juan, Taddei e Ménez parecem totalmente recuperados dos problemas físicos que os afastaram de tantos jogos no campeonato passado. Em especial o capitão romanista, que faz um trabalho de pré-temporada completo pela primeira vez nos últimos cinco anos e teve atuações em ótimo nível nas preliminares da Liga Europa.

Com o mercado paralisado pela falta de dinheiro e pelos boatos de venda do clube, a Roma só deve contratar na última semana de janela. Até agora, só dois reforços: Guberti, um dos melhores da última Serie B, e Ménez. Mal escalado como meia externo na temporada passada, o francês jogou muito bem nos amistosos de julho e agosto, atuando mais centralizado, sua posição original. No ritmo da Roma, sem ideias claras para gastar o dinheiro de Aquilani, não deve passar muito disso. Ainda assim, é um trabalho sólido que pode, sim, fazer os giallorossi retornarem à Liga dos Campeões.

Sampdoria
A casa: Estádio Luigi Ferraris (Gênova, 36.743 lugares)
O cara: Antonio Cassano (atacante)
A promessa: Guido Marilungo (atacante)
O técnico: Luigi Del Neri (desde 06/2009)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Daniele Mannini (meia), Franco Semioli (meia) e Fernando Tissone (meia)
Principal perda: Gennaro Delvecchio (meia)
Na temporada passada: 13º lugar
Objetivo: Vaga na Liga Europa.
Time-base (4-3-2-1): Castellazzi; Stankevicius, Lucchini, Gastaldello, Zauri; Semioli (Mannini), Palombo, Sammarco (Tissone); Bellucci, Cassano; Pazzini.

O sonho blucerchiato de retornar à Liga Europa no próximo ano tem nome: Antonio Cassano. Ainda com chance de perder um entre Palombo e Sammarco nos próximos dias, a Samp tem um elenco fraco para disputar de verdade um posto mais alto no campeonato. Mas os titulares têm um bom nível e o ataque comandado por Cassano promete bastante com o retorno de Bellucci e a continuidade de Pazzini.

Para acomodar o trio ofensivo, Del Neri mostra-se disposto a abandonar o seu fiel 4-4-2 que fez milagre através dos anos e cobrar mais do trio de meio-campo que contará com um de seus pupilos favoritos, Semioli. Não só o treinador terá de se habituar: depois de anos com Mazzarri e Novellino, a própria Samp terá de relembrar como é funcionar uma defesa com quatro jogadores.

Siena
A casa: Montepaschi Arena (Siena, 15.373 lugares)
O cara: Simone Vergassola (meia)
A promessa: Mato Jajalo (meia)
O técnico: Marco Giampaolo (desde 05/2008)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Michele Paolucci (atacante), Michele Fini (meia) e Reginaldo (atacante)
Principal perda: Juan Zúñiga (lateral-direito)
Na temporada passada: 14º lugar
Objetivo: Fugir do rebaixamento.
Time-base (4-3-3): Curci; Rossettini, Terzi, Brandão, Del Grosso; Fini, Vergassola, Parravicini (Codrea); Reginaldo, Paolucci, Maccarone.

O Siena de Giampaolo jogou e encantou na temporada passada. O castigo por isso não demorou a surgir e o time perdeu três de seus jogadores mais importantes: Zúñiga, Kharja e Portanova – este último, sob protestos clamorosos da torcida. Numericamente, Gerolin reforçou seu elenco se reforçou bem. Mas sem pensar em suas reais necessidades.

A espetacular venda do lateral colombiano não lhe garantiu um substituto e os bianconeri também não possuem uma opção válida ao trequartista marroquino. Por outro lado, o ataque e o meio estão recheados de jogadores de nível e até características semelhantes. O trabalho de Giampaolo é sólido e deve segurar o Siena mais uma vez na Serie A. Mas não há dúvidas de que a missão será bem mais complicada, dessa vez.

Udinese
A casa: Estádio Friuli (Údine, 41.652 lugares)
O cara: Gaetano D'Agostino (meia)
A promessa: Ergün Berisha (meia)
O técnico: Pasquale Marino (desde 06/2007)
Competição europeia: nenhuma
Principais reforços: Bernardo Corradi (atacante), Piermario Morosini (meia) e Fabián Orellana (atacante)
Principal perda: Fabio Quagliarella (atacante)
Na temporada passada: 7º lugar
Objetivo: Vaga na Liga Europa.
Time-base (4-3-3): Handanovic; Isla (Ferronetti), Zapata, Felipe, Pasquale; Inler, D'Agostino, Asamoah; Pepe, Floro Flores, Di Natale.

A sétima posição na Serie A passada mascara a campanha decepcionante da Udinese, que viu um sprint final salvar um pouco de sua honra. A Liga Europa é mais uma vontade do que um objetivo real, porque dessa vez a Udinese realmente começa atrás de seus rivais, com um chamuscado Marino em seu comando. Sem Quagliarella, Floro Flores herdou a posição, mas a desconfiança fez o clube buscar Corradi para ser um porto seguro.

O assédio a D'Agostino e Di Natale, que ficaram no Friuli mesmo depois de terem declarado vontade de sair, pode atrapalhar o futebol da dupla – assim como aconteceu com Zapata, Felipe e Inler nos anos anteriores. Mas se os recém-chegados Orellana e Caruso convencerem, a Udinese merece felicitações eternas por tanta competência no exterior.

Preview: Serie A, parte 1

Depois de tanta espera e de movimentações de um mercado tortuoso e que segue indefinido para a maior parte das equipes italianas, a Serie A está de volta a partir deste sábado, com Bologna x Fiorentina. Assim como para a Serie B, o Quattrotratti montou um preview do campeonato, dividido em duas partes. A segunda parte entra amanhã. Recomendamos também o guia da revista Trivela, dividido em quatro partes, que foi produzido pelo amigo Leonardo Bertozzi. Para ver o preview da Serie B, clique aqui (parte 1) e aqui (parte 2).


Corsa a due: Inter e Juventus são as grandes favoritas ao título da Serie A

Atalanta
A casa: Estádio Atleti Azzurri d’Italia (26.393 lugares)
O cara: Cristiano Doni (trequartista)
A promessa: Ivan Radovanovic (meia)
O técnico: Angelo Gregucci (desde 06/2009)
Competição europeia: Nenhuma
Principais reforços: Robert Acquafresca (atacante), Edgar Barreto (meia) e Paolo Bianco (zagueiro).
Principal perda: Sergio Floccari (atacante)
Na temporada passada: 11º lugar.
Objetivo: Meio da tabela.
Time-base (4-4-1-1): Consigli; Garics, Talamonti, Manfredini, Bellini; Ferreira Pinto, Barreto, Guarente, Padoin; Doni; Acquafresca.

Quem estava acostumado a ver a Atalanta jogar um futebol vistoso sob a batuta de Luigi Del Neri pode ter má impressão do time este ano. Angelo Gregucci, contratado para seu lugar, ainda não apresentou trabalhos consistentes – seu melhor trabalho levou o Vicenza à modesta 12ª posição na Serie B.

Por outro lado, o mesmo esquema tático dos tempos de Del Neri deve ser mantido, e com jogadores melhores. Floccari e Cigarini deram lugar a Acquafresca e Barreto, mais técnicos. Para o banco chegaram boas opções, como Caserta, Tiribocchi e Bianco. Para completar, o ótimo Guarente renovou e deve ser o termômetro do bom meio-campo nerazzurro.

Bari
A casa: Estádio San Nicola (58.270 lugares)
O cara: Barreto (atacante)
A promessa: Andrea Ranocchia (zagueiro)
O técnico: Giampiero Ventura (desde 06/2009)
Competição europeia: Nenhuma
Principais reforços: Riccardo Meggiorini (atacante), Edgar Alvarez (meia) e Leonardo Bonucci (zagueiro).
Principal perda: Stefano Guberti (meia)
Na temporada passada: Campeão da Serie B.
Objetivo: Escapar do rebaixamento.
Time-base (4-4-2): Gillet; Masiello, Ranocchia, Bonucci, Parisi; Alvarez, De Vezze (Allegretti), Gazzi, Langella; Barreto, Kutuzov.

Recém-campeão da Serie B, o time da Puglia ainda parece que está na serie cadetta: a diretoria adquiriu jogadores de bom nível para uma Serie B, mas de qualidade inferior à que é necessária para disputar uma Serie A. Na verdade, os maiores esforços de mercado concentraram-se em garantir a permanência do atacante brasileiro Barreto, que, apesar de seu belo campeonato, não impressionou um ano antes, quando jogou pela Udinese, na série máxima.

Para completar, o técnico Antonio Conte – um dos principais responsáveis pelo futebol eficiente que levou o time de volta para a primeira divisão – não ganhou substituto à altura, já que o novo técnico Giampiero Ventura estava à frente do Pisa, rebaixado para a Lega Pro. Sem Lanzafame e Guberti e apenas com Barreto e algumas promessas, será uma temporada difícil para os biancorossi.

Bologna
A casa: Estádio Renato Dall’Ara (38.279 lugares)
O cara: Marco Di Vaio (atacante)
A promessa: Gabriele Paonessa (atacante)
O técnico: Giuseppe Papadopulo (desde 04/2009)
Competição europeia: Nenhuma
Principais reforços: Emiliano Viviano (goleiro), Andrea Raggi (zagueiro) e Roberto Guana (meia).
Principal perda: Sergio Volpi (meia)
Na temporada passada: 17º lugar.
Objetivo: Escapar do rebaixamento.
Time-base (3-5-2): Viviano; Raggi (Moras), Terzi, Britos; Valiani, Mutarelli (Mudingayi), Guana, Tedesco, Bombardini; Osvaldo, Di Vaio.

Com um time pouco modificado em relação ao da última temporada, o objetivo do Bologna ainda é o mesmo: permanecer na elite e novamente com Di Vaio como principal esperança de salvação. Os felsinei também deverão confiar no entrosamento e em um meio-campo de pegada, embora pouco criativo – apenas Valiani e Bombardini tem tal perfil.

Quanto aos mais jovens, Osvaldo e Raggi terão a chance de mostrar que não são foguetes molhados e o goleiro Viviano terá a primeira chance na Serie A, substituindo o experiente Antonioli, de saída para o Cesena. Olho também no atacante Paonessa, que volta de gravíssima lesão.

Cagliari
A casa: Estádio Sant’Elia (23.486 lugares)
O cara: Federico Marchetti (goleiro)
A promessa: Daniele Ragatzu (atacante)
O técnico: Massimiliano Allegri (desde 05/2008)
Competição europeia: Nenhuma
Principais reforços: Nenê (atacante), Simone Barone (meia) e Lino Marzoratti (lateral)
Principal perda: Robert Acquafresca (atacante)
Na temporada passada: 9º lugar.
Objetivo: Meio da tabela.
Time-base (4-3-1-2): Marchetti; Pisano, López, Canini, Agostini; Lazzari (Barone), Conti, Biondini; Cossu, Jeda, Nenê.

Apesar de ter perdido apenas duas peças do time titular, é possível que a turma do Cagliari chegue ao fim do campeonato achando que tenha perdido muito: saíram Fini – o melhor assistente da última Serie A – e o cada vez mais consolidado Acquafresca, artilheiro da equipe. Se no meio-campo Lazzari pode substituir Fini com a mesma competência e fantasia, o brasileiro Nenê ainda desperta dúvidas. Artilheiro no Nacional da Ilha da Madeira, mas um fracasso no futebol brasileiro, o ex-cruzeirense ganha uma boa chance no futebol italiano, que tem sido palco para a consagração de brasileiros pouco badalados.

Porém, sempre é bom lembrar que o Cagliari da última temporada não dependia apenas de Fini e Acquafresca. Bem montado por Allegri, raramente a equipe ia a campo com alterações no onze inicial. O bom-meio campo formado por Lazzari, Conti, Biondini e Cossu – eventualmente com o experiente Barone – deve ser o ponto forte do time.

Catania
A casa: Estádio Angelo Massimino (23.420 lugares)
O cara: Takayuki Morimoto (atacante)
A promessa: Giuseppe Bellusci (zagueiro)
O técnico: Gianluca Atzori (desde 06/2009)
Competição europeia: Nenhuma
Principal reforço: Mariano Andújar (goleiro), Pablo Barrientos (meia) e Gennaro Delvecchio (meia)
Principal perda: Albano Bizzarri (goleiro)
Na temporada passada: 15º lugar.
Objetivo: Meio da tabela.
Time-base (4-3-3): Andújar; Potenza, Spolli, Silvestri, Capuano; Biagianti, Carboni, Delvecchio; Martínez, Morimoto, Mascara.

Tachado de provável time ioiô quando subiu para a Serie A há quatro temporadas, o Catania tem encontrado cada vez mais estabilidade em seu ambiente. É provável que nem a saída do técnico Walter Zenga nem do goleiro Bizzarri atrapalhe as ambições do time de permanecer mais uma temporada. Atzori é discípulo de Zenga e deve manter o mesmo esquema tático.

Com os jogadores trazidos neste mercado, o Catania pode dar um salto de qualidade, se afirmando cada vez mais como um time de Serie A. Andújar foi uma contratação de peso, enquanto Barrientos e Delvecchio devem ser os encarregados de municionar o ataque, comandado pelo ótimo Morimoto.

Chievo
A casa: Estádio Marcantonio Bentegodi (44.799 lugares)
O cara: Sergio Pellissier (atacante)
A promessa: Simone Bentivoglio (meia)
O técnico: Domenico Di Carlo (desde 11/2008)
Competição europeia: Nenhuma
Principais reforços: Luca Ariatti (meia) e Pablo Granoche (atacante)
Principal perda: Antonio Langella (meia)
Na temporada passada: 16º lugar.
Objetivo: Escapar do rebaixamento.
Time-base (4-3-1-2): Sorrentino; Frey, Morero, Yepes, Mantovani; Luciano, Rigoni, Ariatti; Pinzi; Bogdani, Pellissier.

O Chievo deve reservar ao conjunto suas esperanças em conseguir a salvezza. Com um time quase idêntico ao da última temporada, os maiores esforços dos clivensi se concentraram em evitar a saída dos principais jogadores e em contratar Frey e Sorrentino em definitivo, para manter uma defesa forte, contando ainda com Yepes.

Porém, a dedicação excessiva em manter a base do time fez com que os “burros voadores” trouxessem apenas reforços oriundos da Serie B, como Ariatti, um dos destaques do rebaixado Lecce. Enquanto isso, Pellissier segue como esperança de gols de um time que deve batalhar muito para chegar a seu objetivo.

Fiorentina
A casa: Estádio Artemio Franchi (47.282lugares)
O cara: Alberto Gilardino (atacante)
A promessa: Samuel Di Carmine (atacante)
O técnico: Cesare Prandelli (desde 06/2005)
Competição europeia: Liga dos Campeões.
Principais reforços: Marco Marchionni (meia), Cristiano Zanetti (meia) e Cesare Natali (zagueiro)
Principal perda: Felipe Melo (meia)
Na temporada passada: 4º lugar.
Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões.
Time-base (4-2-3-1): Frey; Comotto, Gamberini, Natali, Pasqual; Kuzmanovic (Zanetti), Montolivo; Marchionni, Mutu, Vargas (Jovetic); Gilardino.

Com a má fase do Milan e a crise da Roma, a Fiorentina surge, teoricamente, como a terceira força da Itália. Porém, a equipe viola ainda conta com diversos problemas em todos os setores: o banco viola está longe de estar à altura do time titular, que ainda tem algumas lacunas, como na lateral-direita e no miolo de zaga, além, é claro, da enorme lacuna técnica após a saída de Felipe Melo.

O mercado não segue muito bem, visto que, para o lugar do brasileiro, chegou o juventino Cristiano Zanetti, que se lesiona com frequência. Marchionni e Natali são apenas razoáveis e Castillo é fraquíssimo. Por este prisma, pode ser a temporada de afirmação de Jovetic, que deve incomodar o peruano Vargas por uma vaga na faixa esquerda do campo. Ainda há tempo para a equipe bem treinada por Cesare Prandelli buscar reforços, para brigar com mais força com Milan, Roma, Napoli e Genoa.

Genoa
A casa: Estádio Luigi Ferraris (36.743 lugares)
O cara: Salvatore Bocchetti (zagueiro)
A promessa: Stephan El Shaarawi (atacante)
O técnico: Gian Piero Gasperini (desde 07/2006)
Competição europeia: Liga Europa
Principais reforços: Rodrigo Palacio (atacante), Hernán Crespo (atacante) e Emiliano Moretti (zagueiro)
Principal perda: Diego Milito (atacante)
Na temporada passada: 5º lugar.
Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões e boa campanha na Liga Europa.
Time-base (3-4-3): Amelia; Sokratis, Bocchetti, Moretti; Rossi, Zapater, Kharja, Criscito; Palacio, Crespo, Palladino.

Pela segunda temporada consecutiva, o Genoa perdeu boa parte de seus titulares, após grande desempenho em campo. Porém, como em 2008/09, é bem possível que os grifoni não sintam os efeitos de tantas perdas – Rubinho, Ferrari, Motta e, sobretudo, Milito – já que as estratégias de mercado foram muito inteligentes.

Quase um novo time inteiro de bons jogadores (Amelia, Esposito, Tomovic, Moretti, Zapater, Kharja, Floccari, Palacio, Crespo) foi contratado para disputar com maiores ambições a Serie A e a Liga Europa, sem déficit de qualidade entre titulares e reservas do 3-4-3 muito bem definido de Gian Piero Gasperini, um dos melhores treinadores de toda a Itália.

Inter
A casa: Estádio Giuseppe Meazza (81.389 lugares)
O cara: Júlio César (goleiro)
A promessa: René Khrin (meia)
O técnico: José Mourinho (desde 06/2008)
Competição europeia: Liga dos Campeões.
Principais reforços: Samuel Eto’o (atacante), Diego Milito (atacante), Thiago Motta (meia) e Lúcio (zagueiro)
Principal perda: Zlatan Ibrahimovic (atacante)
Na temporada passada: Campeã.
Objetivo: Título da Serie A e da Liga dos Campeões.
Time-base (4-3-1-2): Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu (Santon); Zanetti, Muntari (Cambiasso), Thiago Motta; Stankovic; Eto’o, Milito.

Mesmo com a saída de Ibrahimovic, a Inter agregou cancha ao elenco com as contratações de Motta, Milito e, sobretudo, de Lúcio e Eto’o. Dessa maneira, os nerazzurri continuam favoritos ao pentacampeonato e com chances reais de ir longe na Liga dos Campeões.

O estilo de jogo interista na pré-temporada foi de toques rápidos e alguma velocidade. No entanto, a falta de um trequartista pode tornar as jogadas previsíveis e é a principal fraqueza nerazzurra até agora. Desde já, a Inter conta com dois atacantes goleadores e uma defesa muito forte – dois setores que tem se entrosado com facilidade. Cambiasso, lesionado, deve ser um desfalque importante nas primeiras rodadas.

Juventus
A casa: Estádio Olímpico de Turim (27.500 lugares)
O cara: Gianluigi Buffon (goleiro)
A promessa: Lorenzo Ariaudo (zagueiro)
O técnico: Ciro Ferrara (desde 05/2009)
Competição europeia: Liga dos Campeões
Principais reforços: Diego (meia), Felipe Melo (meia) e Fabio Cannavaro (zagueiro)
Principal perda: Pavel Nedved (meia)
Na temporada passada: Vice-campeã.
Objetivo: Título e boa campanha na Liga dos Campeões.
Time-base (4-3-1-2): Buffon; Grygera, Cannavaro, Chiellini, Molinaro; Camoranesi, Felipe Melo, Marchisio (Sissoko); Diego; Amauri, Del Piero.

Depois de fazer algumas boas contratações, a Juventus diminuiu a distância de qualidade para a Inter, sobretudo montando um meio-campo técnico e físico ao mesmo tempo. Felipe Melo e Sissoko – que ficará afastado dos gramados por algumas rodadas – devem formar uma dupla de volantes muito forte, perfeita para que Diego jogue com liberdade e mostre tudo o que sabe.

Chiellini e Cannavaro devem dar conta do recado na defesa, porém os bianconeri ainda tem graves problemas nas laterais, com opções pouco incisivas, como Cáceres e Grygera, ou de má qualidade, como Molinaro e Zebina.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Porque sorte também conta

Gilardino: 26 gols em 45 jogos pela Fiorentina. Na hora do aperto, é sempre com ele.

O lance decisivo para colocar a Fiorentina na fase de grupos da reformulada Liga dos Campeões veio no dia 7 de agosto, com o sorteio dos play-offs que decidiriam as últimas cinco vagas para "não-campeões". Os viola poderiam encontrar Arsenal, Lyon ou Stuttgart, mas foram colocados para medir forças com o Sporting, atual força secundária num país de um time só.

A sorte continuou ativa nesta terça-feira, no primeiro jogo de verdade de um time italiano na temporada (veja aqui os melhores momentos). Prandelli manteve a formação que deu tão certo no fim da temporada passada, um 4-2-3-1 com os recém-contratados Zanetti e Marchionni já como titulares no meio-campo. Do outro lado, Paulo Bento pôde contar com as permanências de João Moutinho e Miguel Veloso, de longe os melhores reforços dos leões.

A Fiorentina segurou a vitória no primeiro tempo, graças a um gol de Vargas depois de ótima inversão de Gilardino e a defesas de Frey que salvou pelo menos dois gols. O Sporting dominava com uma pá de gente no ataque, mas era a Fiorentina quem liderava. Um lance em especial chamou atenção: Gamberini acertou soco em Liédson, mas saiu só com amarelo. No mesmo lance, Vukcevic também saiu advertido por ter entrado na briga generalizada. O montenegrino lamentaria o fato no segundo tempo, quando tirou a camisa para comemorar o gol de empate e acabou sendo expulso num ato totalmente infantil e passível de punição.

Os portugueses não recuaram com um a menos, mesmo que merececem estar com dois a mais: além das polêmicas do último parágrafo, Dainelli ainda deveria ter sido expulso no início do segundo tempo, mas o fraco árbitro húngaro Kassai pôs a mão no bolso para dar o segundo amarelo e voltou sem nada na mão. O Sporting ainda virou com um chutaço de Miguel Veloso, mas um gol ainda mais espetacular de Gilardino, que matou no peito e não esperou a bola cair para bater bem de trivela, empatou a partida. No finalzinho, Jovetic ainda esbarrou em Rui Patrício ao perder a chance de botar os viola na frente. Mas a sorte esteve lá: a Fiorentina encontrou um árbitro reticente, um adversário inócuo e conseguiu um bom resultado mesmo com a péssima partida de Marchionni, Mutu e Montolivo. Em Florença, basta um empate sem gols. Por enquanto, mais do que suficiente.

Sporting 2x2 Fiorentina
SPORTING (4-3-1-2): Rui Patrício; Pedro (56' Pereirinha), Polga, Carriço, André Marques (68' Caneira); João Moutinho, Miguel Veloso, Vukcevic; Matías Fernández; Hélder Postiga (82' Djaló), Liédson. T: Paulo Bento.
FIORENTINA (4-2-3-1): Frey, Comotto, Gamberini, Dainelli, Gobbi; Zanetti, Montolivo (81' Donadel); Marchionni, Mutu (63' Jovetic), Vargas; Gilardino. T: Prandelli.
Árbitro: Viktor Kassai
Gols: 7' Vargas; 58' Vukcevic, 66' Miguel Veloso, 79' Gilardino
Expulsão: 59' Vukcevic

Jogos de ida dos play-offs
Terça-feira, 18: Celtic 0x2 Arsenal, Kobenhavn 1x0 APOEL, Sheriff 0x2 Olympiacos, Sporting 2x2 Fiorentina e Timisoara 0x2 Stuttgart.
Quarta-feira, 19: Levski Sofia 1x2 Debrecen, Lyon 5x1 Anderlecht, Panathinaikos 2x3 Atlético de Madrid, Red Bull Salzburg 1x2 Maccabi Haifa e Ventspils 0x3 Zürich

Frescura


Marcello Lippi, treinador da Seleção Italiana, ao ser perguntado sobre que equipe se sagraria campeã da Serie A neste ano, respondeu que, no seu prognóstico, a Juventus fica com o título. José Mourinho não gostou, e, acostumado a distribuir declarações polêmicas, afirmou ser uma grande falta de respeito o comentário do companheiro de profissão.

Para o português, é a primeira vez que um técnico de seleção - dotado de "grande responsabilidade institucional" - aposta no sucesso de uma equipe. "É normal que jornalistas, dirigentes e o treinador da Juventus afirmem isso, mas não o responsável pela seleção", afirmou o interista.

Não terá sido uma grande frescura de Mourinho? Em sua contrarresposta, o italiano afirmou que lamenta pela interpretação de Mou. "Dou um monte de entrevistas; desta vez apenas respondi secamente a uma pergunta direta - 'quem vence o campeonato?' - e disse o que tinha em mente. Não se pode falar meia palavra...".

O treinador nerazzurro conseguiu fazer uma tempestade em copo d'água em cima de um mero prognóstico. Em meio a várias declarações pertinentes - outras nem tanto -, o interista às vezes se demonstra como uma pessoa muito facilmente ofendida. É de se duvidar que haveria alguma reclamação sobre "responsabilidade institucional" caso Lippi tivesse respondido Inter.

Grande frescura. Ou não?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Preview: Serie B, parte 2

Brienza (esq) ficou para a Serie B, enquanto Rosina se mandou

Segue a segunda parte do preview da Serie B, que começa nesta sexta-feira, 21. A primeira parte, com os outros onze concorrentes, você confere clicando aqui.

Lecce
A casa: Estádio Via del Mare (Lecce, 33.876 lugares)
O cara: Guillermo Giacomazzi (meio-campista)
A promessa: Marino Defendi (atacante)
O técnico: Luigi De Canio (desde 03/2009)
Principal reforço: Alan Pierre Baclet (a, Arezzo)
Principal perda: Andrea Esposito (d, Genoa)
Na temporada passada: 20º lugar na Serie A, rebaixado
Objetivo: vaga na Serie A

Para tentar corrigir um pouco os erros dos últimos anos, quando o diretor esportivo Guido Angelozzi não poupou catástrofes no mercado do Lecce, dessa vez a sociedade optou por algo incomum na Itália: Luigi De Canio foi confirmado como treinador mesmo com o rebaixamento e ganhou um contrato de quatro anos que lhe faz também “manager”, com mais liberdade do que jamais teve algum treinador no clube pugliese. O começo foi complicado, mas necessário para conter a cara folha de pagamentos do clube. De uma vez, meio time titular se foi: Esposito (Genoa), Ariatti (Chievo), Caserta e Tiribocchi (Atalanta) e Castillo (Fiorentina). E Cacia e Edinho devem ser os próximos. Mas a base com Schiavi, Giacomazzi e Diarra parece suficiente para, pelo menos, se classificar para os play-offs de promoção. A eles se unem a dupla de ataque francesa Bergougnoux (Toulouse) e Baclet (Arezzo) – o primeiro, um foguete molhado histórico do Lyon; o segundo, um desconhecido que marcou quatro vezes em sua estreia pela Coppa Italia e quebrou o recorde de gols em um só jogo com a camisa dos salentinos.

Mantova
A casa: Estádio Danilo Martelli (Mântua, 14.844 lugares)
O cara: Jacopo Balestri (lateral-esquerdo)
A promessa: Alessandro Lambrughi (zagueiro)
O técnico: Michele Serena (desde 06/2009)
Principal reforço: Davide Carrus (m, Empoli)
Principal perda: Filippo Cristante (d, Ancona)
Na temporada passada: 13º lugar
Objetivo: ficar no meio da tabela

O Mantova fará sua quinta temporada seguida na Serie B, desde que voltou à serie cadetta. O problema é que suas campanhas têm caído, ano após ano, e o último 13º lugar foi até um presente para a inconstância demonstrada. Por mais que a meta declarada seja o retorno à Serie A, na qual o Mantova não está presente desde 1972, é complicado apostar nisso. O rejuvenescimento do elenco virgiliano já é um bom começo, com as saídas de Godeas (Triestina), Corona (Taranto) e Cristante (Ancona), de custo-benefício bem duvidoso. A contratação de Carrus (Empoli), bom meio-campista experiente na Serie B, foi um ótimo golpe de mercado sobre os rivais. Mas a verdade um time que ainda não tem um atacante no mínimo medíocre no elenco (o melhorzinho é o recém-contratado Malatesta) a menos de uma semana para o início do campeonato não pode convencer ninguém. E a goleada sofrida para o Chievo na Coppa Italia não é um bom presságio.

Modena
A casa: Estádio Alberto Braglia (Modena, 20.507 lugares)
O cara: Armando Perna (zagueiro)
A promessa: Aiman Napoli (atacante)
O técnico: Luigi Apolloni (desde 01/2009)
Principal reforço: Carlo Luisi (m, Ascoli)
Principal perda: Jonathan Biabiany (a, Parma)
Na temporada passada: 15º lugar
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

As três temporadas passadas viram um Modena desesperado contra o rebaixamento até as últimas rodadas. Esta não vai ser diferente. Mesmo sem dinheiro em caixa, os canários perderam uma pá de jogadores sem ganhar nada em troca, como Frezzolini, Bolaño, Gemiti e Longo. A aposentadoria do veterano lateral Cardone também não foi nada comemorada. Ao menos o técnico continua o mesmo, o ex-zagueiro do Parma Luigi Apolloni, que fez milagres no returno da temporada passada para salvar o time da queda para a Lega Pro. Ainda assim, o Modena é uma incógnita, já que deve ceder também o centroavante Bruno nos próximos dias. O jeito é apostar em jovens que chegam emprestados por clubes da Serie A: Rickler e Diagouraga (Chievo), Bianco (Juventus) e Alfonso, Daminuta e Napoli (Inter). Nomes bem promissores, mas ainda verdes para uma missão tão complicada.

Padova
A casa: Estádio Euganeo (Pádua, 32.336 lugares)
O cara: Massimiliano Varricchio (atacante)
A promessa: Matteo Darmian (zagueiro)
O técnico: Carlo Sabatini (desde 01/2009)
Principal reforço: Vincenzo Italiano (m, Chievo)
Principal perda: Bogdan Patrascu (m, Piacenza)
Na temporada passada: vice-campeão do Grupo A da Lega Pro
Objetivo: ficar no meio da tabela

Depois de conseguir a vaga na Serie B vencendo os play-offs de seu grupo na Lega Pro, o Padova de Sabatini tem feito um ótimo mercado no verão, praticamente se afastando dos graves riscos de rebaixamento que costumam afetar quem acaba de subir. A única perda considerável foi a do meia romeno Patrascu, que quis voltar ao Piacenza. Por outro lado, vários bons valores chegaram sem que o time precisasse gastar quase nada: Soncin (Ascoli) irá reforçar o ataque, enquanto Italiano (Chievo) comandará o meio-campo biancoscudato depois que o Padova atravessou a negociação do jogador com o Torino. A defesa, ponto fraco do último ano, foi muito reforçada, com destaque para o goleiro Aglardi (Palermo), o zagueiro brasileiro César (Chievo) e o lateral-esquerdo Renzetti (Albinoleffe). Já o ponto forte dos patavinos deve continuar sendo o ataque: a dupla ofensiva formada por Rabito e Varricchio marcou 19 gols na temporada pessada pela Lega Pro.

Piacenza
A casa: Estádio Leonardo Garilli (Piacenza, 21.608 lugares)
O cara: Tomás Guzmán (atacante)
A promessa: Tommaso Bianchi (meio-campista)
O técnico: Fabrizio Castori (desde 07/2009)
Principal reforço: Bogdan Patrascu (m, Padova)
Principal perda: Luigi Riccio (m, Sassuolo)
Na temporada passada: 10º lugar
Objetivo: ficar no meio da tabela

O presidente Fabrizio Garilli prometeu um novo redimensionamento para as ambições do clube, que até pouco tempo atrás entrava na Serie B com pretensões mais altas do que só fazer um campeonato estável. Sem tanta ambição, Stefano Pioli abandonou o barco e a direção do Piacenza resolveu apostar no experiente Castori, ex-Salernitana e Cesena. Da mesma forma, os lobos perderam seu capitão, Riccio, que preferiu seguir Pioli no Sassuolo. Ogoleiro Cassano, melhor da posição na última Serie B, foi negociado com a Reggina. Mas o ataque com Moscardelli, Graffiedi e o paraguaio Guzmán continua sendo perigoso e Patrascu, que retorna para jogar sua sétima temporada com a camisa biancorossa, promete uma boa dupla com o belga Nainggolan no meio-campo. O time em si não é fraco, mas falta profundidade no elenco, algo que todo brasileiro já entende depois de seis anos com pontos corridos por aqui. A chegada de tantos jogadores jovens de uma vez, como o zagueiro Tonucci (Cesena), liga o sinal amarelo. Amarelo como o Verona, que eliminou o Piacenza sem piedade na primeira partida da Coppa Italia.

Reggina
A casa: Estádio Oreste Granillo (Reggio Calabria, 27.454 lugares)
O cara: Franco Brienza (atacante)
A promessa: Daniel Adejo (meio-campista)
O técnico: Walter Novellino (desde 06/2009)
Principal reforço: Antonio Buscè (m, Empoli)
Principal perda: Edgar Barreto (m, Atalanta)
Na temporada passada: 19º lugar na Serie A, rebaixada
Objetivo: título

Após sete anos seguidos na Serie A, os calabreses retornam à Serie B para bater e voltar: salvo bombas nos últimos dias de mercado, a Reggina tem o melhor elenco e é o time a ser batido nesta temporada. A primeira prova de fogo foi superada com sucesso, com o time eliminando o Brescia da Coppa Italia. O destaque deve ser o meio-campo, reformulado sob o olhar de Novellino e que deve alinhar Buscè, Volpi, Carmona e Pagano em linha – com a exceção do jovem titular da seleção chilena, todos recém-chegados. Com o trabalho clínico no mercado, que também convenceu Bonazzoli a descer de divisão para voltar à Calábrio e ao comando de Novellino, nem mesmo as saídas de Vigiani (Bologna), Barreto (Atalanta) e Corradi (Udinese) tendem a atrapalhar. Dois brasileiros desconhecidos por aqui devem ter papel importante no time amaranto: o zagueiro Santos começa como titular e o atacante Joelson deve ser a primeira alternativa ao indiscutível Brienza. Olho no meia nigeriano Adejo. E, vá lá, em Novellino, mestre em tirar de seus comandados menos do que eles podem dar.

Salernitana
A casa: Estádio Arechi (Salerno, 37.425 lugares)
O cara: Luca Fusco (zagueiro)
A promessa: Danilo Soddimo (meio-campista)
O técnico: Fabio Brini (desde 04/2009)
Principal reforço: Ciro Polito (g, Catania)
Principal perda: Giovanni Marchese (d, Chievo)
Na temporada passada: 14º lugar
Objetivo: vaga na Serie A

Na temporada passada, a Salernitana teve a segunda melhor média de público da Serie B, com 11.441 torcedores por partida, atrás somente do campeão Bari. No encontro contra o próprio Bari em Salerno, aliás, o público de quase 23 mil pessoas supera até mesmo a média da Juventus na primeira divisão. É com essa força que o clube granata vai buscar um campeonato tranquilo, que sirva de base para objetivos mais ambiciosos em curto prazo. Para essa limonada, Brini terá em suas mãos bons limões, como os meias Carcuro (Crotone), Soddimo (Sampdoria) e Cozza (Reggina), o goleiro Polito (Catania) e o atacante Caputo (Bari). O peruano Merino, recuperado de uma grave lesão, pode ser um importante ponto de desequilíbrio. Atrás, continua firme a segurança do capitão Fusco, um dos sete jogadores a atingirem a marca dos 200 jogos com essa camisa. Com um pouco de sorte, é uma Salernitana para jogar suas fichas num play-off e mirar o terceiro acesso para a Serie A em sua história.

Sassuolo
A casa: Estádio Alberto Braglia (Modena, 20.507 lugares)
O cara: Riccardo Zampagna (atacante)
A promessa: Attila Filkor (meio-campista)
O técnico: Stefano Pioli (desde 06/2009)
Principal reforço: Luigi Riccio (m, Piacenza)
Principal perda: Andrea Poli (m, Sampdoria)
Na temporada passada: 7º lugar
Objetivo: vaga na Serie A

O Sassuolo comandado por Andrea Mandorlini foi a sensação da Serie B passada, com um futebol vistoso que ficou apenas a quatro pontos dos play-offs de acesso logo em seu primeiro ano na segundona. Para a temporada atual, Mandorlini passou o cargo para Pieoli, que terá a missão espinhosa de manter a linha de trabalho e dar ao ambicioso presidente Carlo Rossi uma histórica promoção para a Serie A. Para assumir o lugar dos jovens Andreolli e Poli, únicos titulares que deixaram o time após o fim de seus empréstimos, Minelli (Triestina) e Riccio (Piacenza) chegam para dar um toque de experiência. Também chegam os meias Quadrini (Treviso), Romano (Siena) e Filkor (Inter) e os zagueiros Rossini (Udinese) e Gorzegno (Brescia). Na frente, a dupla Noselli-Zampagna garante os gols: juntos, marcaram 27 vezes em 2008-09. Assim como na temporada passada, os neroverdi irão mandar seus jogos em Modena.

Torino
A casa: Estádio Olímpico (Turim, 27.500 lugares)
O cara: Matteo Sereni (goleiro)
A promessa: Dominique Malonga (atacante)
O técnico: Stefano Colantuono (desde 06/2009)
Principal reforço: Massimo Loviso (m, Livorno)
Principal perda: Alessandro Rosina (m, Zenit)
Na temporada passada: 18º lugar na Serie A, rebaixado
Objetivo: título

O Torino volta à Serie B com a obrigação de lutar pelo título, mas o fato é que os granata são ainda uma grande incógnita. Depois de três temporadas tétricas na primeira divisão, o diretor esportivo Rino Foschi finalmente acertou com um bom técnico, Colantuono, que fez bom trabalho nos últimos anos por Atalanta e Palermo. Mas a sequência de trabalho não foi lá muito agradável, com sérias dificuldades de contratação para suprir as saídas de jogadores até então importantes: Rosina, Abate, Natali, Barone, Di Loreto, Corini, Stellone... As poucas entradas foram a do inseguro zagueiro Loria (Roma), os bons meias Belingheri (Ascoli) e Loviso (Loviso) e o retorno de Di Michele, que volta depois de empréstimo ao West Ham. O fantasista terá a companhia do centroavante Bianchi, que refutou qualquer hipótese de deixar o clube rumo à Serie A. Um time que pode sonhar em subir de primeira, se Sereni e Dzemaili contrariarem as previsões e continuarem vestindo a mesma camisa.

Triestina
A casa: Estádio Nereo Rocco (Trieste, 32.454 lugares)
O cara: Emiliano Testini (meio-campista)
A promessa: Riccardo Brosco (zagueiro)
O técnico: Luca Gotti (desde 06/2009)
Principal reforço: Rocco Sabato (d, Catania)
Principal perda: Riccardo Allegretti (m, Bari)
Na temporada passada: 8º lugar
Objetivo: vaga na Serie A

Se um bom time começa por um bom goleiro, a Triestina larga bem. Agazzi fez ótimos jogos na temporada passada e barrou o experiente David Dei. A ambição é a palavra-chave dos biancorossi, que fecharam com Luca Gotti, ex-técnico da seleção italiana sub-17 e das categorias de base de Milan, Reggina e Palermo. Ele poderá trabalhar com bons nomes que já passaram por sua mão, com os empréstimos que a Triestina conseguiu do zagueiro Brosco (Roma) e dos meias Siligardi (Inter) e Corvetto (Udinese). Para suprir saídas importantes, como as de Minelli, Allegretti, Rullo e Granoche, também chegaram bons jogadores, entre eles o lateral-esquerdo Sabato (Catania) e a veloz dupla Sedivec e Godeas, ambos ex-Mantova e o último capaz de garantir aquela “quota de 10 gols” de que os italianos tanto gostam. A temporada já começou bem: pela Coppa Italia, os alabardati eliminaram o Cagliari, se vingando de seu algoz na última edição.

Vicenza
A casa: Estádio Romeo Menti (Vicenza, 17.163 lugares)
O cara: Alessandro Sgrigna (meio-campista)
A promessa: Stefano Botta (meio-campista)
O técnico: Rolando Maran (desde 06/2009)
Principal reforço: Fabiano (m, Genoa)
Principal perda: Piermario Morosini (m, Udinese)
Na temporada passada: 6º lugar
Objetivo: ficar no meio da tabela

Rumo à sua nona temporada consecutiva na Serie B, o Vicenza de tantas glórias em seus tempos de Lanerossi não tem uma ambição maior do que não dar sustos a sua torcida. Por isso não é animadora a queda para a Cremonese, da Lega Pro, logo em sua primeira partida pela Coppa Italia. Dos quatro titulares do meio-campo na boa temporada passada, só Sgrigna continua, pelo menos até que os clubes da Serie A interessados em seu futebol tirem-no da serie cadetta. Morosini, um dos melhores da última Serie B, foi contratado pela Udinese, enquanto Raimondi e Bottone retornaram para Livorno e Torino, respectivamente. A defesa, liderada pelo zagueiro Zanchi e pelo goleiro Fortin, continua sendo o ponto forte. Já o ataque precisará se encontrar com a ajuda do jovem Litteri (Inter) e de uma aposta cara e arriscada, o croata Bjelanovic (Pisa).