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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Só a Fiorentina salva

"Jovetic is everywhere!", disse o comentarista da ESPN internacional

A partida que parecia ser a mais difícil para os times italianos, nessa segunda rodada da Liga dos Campeões, foi a mais “simples". Jogando em Florença, ontem, contra o “todo poderoso” Liverpool, a Fiorentina fez sua melhor partida sob o comando de Cesare Prandelli e venceu por 2 a 0, quebrando a série negativa dos italianos contra os ingleses.

Com Fernando Torres muito isolado na frente, os viola não tiveram dificuldades para anular o atacante espanhol e dominar o primeiro tempo de jogo, atuando com organização e intensidade. A velocidade de Vargas e Marchionni, pelos lados, foi essencial para que a pressão dos mandantes desse certo, a boa partida de Zanetti, à frente da zaga, também, dando segurança ao time, mas quem decidiu mesmo foi Jovetic, que conseguiu uma doppietta, depois de tanto incomodar a defesa adversária. Aliás, o jovem montenegrino vem sendo a principal peça da Fiorentina na temporada, mesclando sua técnica, já conhecida, com um bom jogo de equipe, que não aparecia no último ano.

Os gols vieram aos 28 e aos 37, ambos antes do intervalo. No primeiro, Zanetti avançou com a bola dominada e deu belo passe para Jovetic marcar. No segundo, JoJo desviou chute cruzado de Vargas e enganou o goleiro Reina. Na etapa complementar, o Liverpool voltou mais agressivo e até conseguiu algumas oportunidades, mas Frey fez boas intervenções. Depois dessa pressão inicial, a Fiorentina voltou a dominar o jogo e não passou por muitos perigos. Os três pontos deixam os viola empatados com o Liverpool, na segunda colocação, atrás do Lyon, que já soma seis.

Na Rússia...
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Foi o sétimo jogo seguido sem vitória da Inter de Mourinho na Liga dos Campeões

Em situação oposta, ou seja, no desafio que parecia o mais fácil da rodada para os italianos, estava a Inter, que foi à Rússia enfrentar o Rubin Kazan. O que encontrou lá, no entanto, foi exatamente o oposto. Em um jogo em que já estava atrás no placar aos dez minutos, os nerazzurri mais uma vez mostraram instabilidade e só não saíram derrotados de Kazan por causa das boas defesas de Júlio César e do gol de Stankovic.

Enquanto o time da casa já estava com todo o gás, ligado na partida e atacando, os comandados de Mourinho pareciam nem ter entrado em campo ainda. Tanto é que, aos dez, após apagão defensivo da Inter, Dominguez partiu com a bola do meio-campo e, depois de driblar dois marcadores, abriu o placar. Não satisfeita, a squadra de Milão ainda demorou um pouco para entrar no jogo e só conseguiu superar o Rubin Kazan pouco antes do gol de empate, quando conseguiu manter a bola nos pés. Aos 27, então, depois de bom cruzamento de Maicon, Stankovic igualou o placar, de cabeça.

Dali pra frente, os nerazzurri conseguiriam controlar o jogo, apesar de algumas investidas perigosas dos mandantes, até os 15 minutos do segundo tempo, quando Balotelli tomaria o segundo amarelo e seria excluído do jogo. Depois, foram 30 minutos de ataque contra defesa, nos quais Lúcio e Cambiasso, os mesmos que cochilaram no primeiro gol, foram muito bem e fecharam os espaços. Somando-se a isso as grandes defesas de Júlio César, o time de Mourinho ainda saiu no lucro e agora soma apenas dois pontos no Grupo F, ficando atrás de Barcelona e Dínamo de Kiev.


*Amanhã, texto sobre a derrota do Milan para o Zurich, no San Siro, e o empate sem gols entre Juventus e Bayern, em Munique.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

900 minutos em 9: 6ª rodada

A sexta rodada foi pobre de gols (apenas 17) e cheia de empates (cinco). No jogos mais importante do fim de semana, ficou decidida a volta da Sampdoria à liderança da Serie A, após uma importante vitória sobre a Inter. A Juventus, que poderia retomar a ponta, tropeçou nos acréscimos contra o Bologna e viu três pontos garantidos escaparem por entre os dedos. Milan, Roma e Genoa seguem em crise, enquanto o Napoli respira. Destaque negativo para a arbitragem: houve seis lances cruciais em que os juízes tiveram influência negativa. Para completar a polêmica, Zdenek Zeman, nesta segunda-feira, lançou ataques fortes a Mourinho, Ferrara e Leonardo, tachando-os de medíocres e ironizando-os.

Pazzini e Cassano: o caminho do gol blucerchiato é sempre deles (Getty Images)

Sampdoria e Inter foi uma partida bem disputada, no apaixonante clima do estádio Luigi Ferraris, sem muitas chances de gols para ambos os lados. Ambas as equipes foram a campo armadas no 4-3-3, mas um jogo muito físico no meio-campo impedia que lances mais claros de gols fossem criados. Destaque para o jovem Poli, que jogou muito bem e não se intimidou com o experiente trio de meio-campo da Inter, formado por Zanetti, Cambiasso e Vieira. Lúcio, melhor zagueiro da temporada italiana até então, atuou muito bem e não perdeu o confronto com Cassano. Em um jogo assim, erros são implacáveis. E foi graças a um erro de Santon que a Sampdoria reassumiu a liderança da Serie A, com o gol solitário de Pazzini. A arbitragem merece um capítulo à parte: o árbitro Nicola Rizzoli teve um ótimo primeiro tempo, mas foi mal no segundo. Ele deixou de marcar pênalti de Santon em Poli e marcou falta inexistente de Maicon sobre Cassano, que valeu uma injusta suspensão ao brasileiro. Por outro lado, o trio de arbitragem acertou ao anular gol de Lúcio por impedimento. Luigi Del Neri vai fazendo um excelente trabalho com o aguerrido time blucerchati, mostrando que pode - e deve - incomodar os grandes. Pelo lado interista, Mourinho errou ao substiuir Balotelli, que estava bem no jogo, para comemoração de Castellazzi.

No dérbi toscano da rodada, o Livorno pressionou muito, mas acabou sendo derrotado pela Fiorentina. Mais uma vez, os amaranti jogaram de maneira envolvente, através dos pés de Candreva e Pulzetti, dando a ideia de que a posição na tabela é enganosa. Porém, não adianta se o time jogar bem e não conseguir marcar gols. Tavano e Lucarelli, experientes, passaram em branco mais uma vez. A Fiorentina esteve pressionada por um time que foi empurrado pela torcida que foi ao Armando Picchi e contou com duas boas defesas de Frey para sair com o bom resultado de Livorno. Saído do banco, Jovetic brilhou mais uma vez, porque deu mobilidade ao time e ainda converteu o pênalti sofrido por Gilardino. No Ennio Tardini, o Parma perdeu sua primeira partida em casa depois de mais de um ano, contra um Cagliari que parece em processo de recuperação. O nome do jogo foi Cossu, autor das duas assistências sardas: logo aos oito minutos, após o árbitro deixar de marcar pênalti em Biabiany, o trequartista cruzou para Jeda marcar. Já no segundo tempo, foi a vez de passar para Dessena, que também teve facilidade para girar e marcar contra seu antigo clube. Para o Parma, a derrota não custa tanto, já que os crociati acumularam certa gordura nas rodadas anteriores.

Quando a manchete é "Milan segura 0 a 0 contra Bari em San Siro", há alguma coisa errada. E, de fato houve: Leonardo mais uma vez mexeu na escalação rossonera e não obteve resultados. Huntelaar, contratado para ser o bomber do time, continua decepcionando bastante. Durante toda a partida, o Milan foi dominado pelos pugliesi e só não saíram com a derrota porque Storari estava, mais uma vez, inspirado. Pelo menos quatro defesas importantes foram realizadas pelo desacreditado goleiro rossonero, incluindo uma com o pé em chute de Meggiorini, após contra-ataque puxado por Barreto. O argentino Rivas, um dos melhores jogadores desta primeira parte de campeonato, humilhou Gattuso, que além de não ter conseguido marcá-lo durante o jogo, levou duas canetas e outros dribles. O goleiro Gillet ainda trabalhou duas vezes, mas se mostrou seguro nas finalizações de Ronaldinho e Abate. O fim de jogo não poderia ter sido outro: Milan vaiado e os biancorossi insatisfeitos pela chance desperdiçada, mas fortalecidos por não terem perdido nenhum jogo no Meazza nesta temporada.

No caso de Lazio e Palermo e Atalanta e Chievo, os empates não foram necessariamente bem vindos. No jogo do Olímpico, a Lazio foi melhor durante toda a partida, mas encontrou no goleiro Sirigu, substituindo Rubinho por opção técnica de Zenga, uma muralha quase intransponível. O jovem goleiro mostrou, em sua estreia na Serie A, que pode ser uma opção mais segura que Rubinho, que cometeu falhas grotescas. Grotescas como a de Muslera, que engoliu um frango em chute de Cavani. Menos mal para a Lazio que Zárate empatou logo depois. Em Verona, a história foi parecida: o Chievo dominou toda a partida e dando trabalho a Consigli, sobretudo com Pellissier. No entanto, Tiribocchi surpreendeu os donos da casa com um gol que teve a participação de Cristiano Doni. A equipe dona da casa apertou e logo conseguiu o empate com o incansável Pellissier, que aproveitou-se da indecisão de Bianco e Consigli para driblar o goleiro nerazzurro e empurrar para as redes.

No dia do aniversário de 33 anos de Totti, a Roma certamente não retribuiu a seu ídolo os inúmeros presentes que ele deixou em Trigoria, apesar de a Roma ter ganhado um ponto no colo e injustamente. Quem fez a festa primeiro foram os rossazzurri, que não poderiam deixar de marcar contra a pior defesa do campeonato (12 gols sofridos). O japonês Morimoto reencontrou a paz com a torcida após chances incríveis perdidas contra Atalanta e Lazio e fez seu terceiro na Serie A, aproveitando cruzamento desviado de Potenza. Sem padrão tático algum, os giallorossi sofreram pelo lado esquerdo com as investidas de Mascara (melhor em campo), que deram trabalho a Júlio Sérgio - sem culpa pela peneira romana. Já nos acréscimos, De Rossi decretou o injusto empate da equipe capitolina depois de um escanteio assinalado por parte de Massimiliano Saccani e seus auxiliares sem que a bola tivesse cruzado a linha. Toda a sequência, contestada pelos jogadores cataneses, ainda rendeu a expulsão de Delvecchio por reclamação.

Outras duas defesas que vão mal são a de Napoli e Genoa. Porém, hoje, os azzurri tiveram falhas na defesa e saíram com uma valiosa vitória por 2 a 1 ante o Siena, enquanto os rossoblù perderam em Údine por 2 a 0, mas sem demérito de seus defensores. O Napoli ganhou graças a dois polêmicos gols de Hamsik (cinco tentos na Serie A): o primeiro após Dátolo ter derrubado Vergassola antes de lhe assistir com um passe de cabeça e o segundo graças a uma penalidade duvidosa marcada pelo árbitro Valeri, por toque de braço de Brandão. Na verdade, o zagueiro estava próximo demais para ter qualquer intenção de ter feito isto deliberadamente. Porém, as falhas defensivas continuaram aparecendo: há deixa espaços demais na defesa, sobretudo nas costas dos alas. Foi recebendo um lançamento nas costas de Maggio que Maccarone fez o gol bianconero. Não tão bem esteve a arbitragem, que após marcar corretamente um impedimento de Lavezzi quando ele saíra frente a frente com Curci, deixou de marcar pênalti claríssimo de Jajalo em Maggio. A arbitragem também falhou em Údine, quando Trefoloni não deu um pênalti claríssimo para os visitantes, antes de a Udinese sair na frente. Domizzi tocou com a mão na bola, e foi punido pelo juiz com um amarelo, que assinalou fata fora da área, quando era claro que o defensor estava dentro. É justo lembrar que Trefoloni foi o mesmo que apitou muito mal Inter-Napoli. Em uma partida de poucas ocasiões, o erro da arbitragem foi crucial para afirmar a Udinese na parte alta da tabela, graças a um fantástico Di Natale. Minutos depois, Totò iniciou uma triangulação com Sanchez e abriu o placar. Pepe, perto do fim, recebeu belo passe de Corradi e sacramentou o resultado com um chute rasteiro e indefensável. A pressão já ronda o elenco do Genoa, que está a três partidas sem vencer e precisa recuperar o terreno perdido.

Porém, a equipe que realmente deixou de ganhar terreno foi a Juventus. Atuando em casa contra o Bologna, a Vecchia Signora fez um a zero no primeiro tempo com Trezeguet, após boa jogada de - pasmem - Zebina. Viviano mais uma vez se destacou, até mais que Buffon. O goleiro bianconero chegou até a falhar frente a Di Vaio, mas Chiellini salvou a pele do companheiro em cima da linha. Camoranesi, que voltou a jogar bem, quase matou a partida minutos depois, ao acertar uma cabeçada na trave, mas foi o Bologna quem garantiu um ponto precioso na briga pela salvezza. Adaílton se aproveitou da desatenção de Giovinco e Molinaro para completar um cruzamento e vencer Buffon. Na próxima rodada, a briga pela liderança entre Inter e Juventus deve esquentar. A Juve enfrenta o Palermo na Sicília, enquanto a Inter recebe uma embalada Udinese. E a Sampdoria deve continuar líder, já que é favorita para vencer o Parma no Ferraris.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 6ª rodada, clique aqui.

Seleção da 6ª rodada:
Storari (Milan); Lúcio (Inter), Chiellini (Juventus), Astori (Cagliari); Mannini (Sampdoria), Dessena (Cagliari), Cossu (Cagliari), Hamsik (Napoli), Rivas (Bari); Mascara (Catania), Di Natale (Udinese).

domingo, 27 de setembro de 2009

Técnicos: Helenio Herrera

O dono da bola: Herrera foi o maior técnico da história interista (Inter.it)

Quase 12 anos depois de sua morte, Helenio Herrera ainda é muito influente no futebol mundial. Em um duelo entre os dois maiores times que treinou, então, não pode passar em branco. Semana passada, na batalha entre Inter e Barcelona, pela primeira rodada da Liga dos Campeões, o mestre do catenaccio foi mais uma vez lembrado, e foi o time de Milão que resgatou os ensinamentos do franco-argentino. Jogando atrás, mesmo com o mando da partida, os nerazzurri seguraram (com eficiência) os comandados de Josep Guardiola, que não conseguiram furar a proteção interista nem com a ajuda de seus três atacantes e seus impressionantes 67% de posse de bola.

Nascido em Buenos Aires, em 1910, Herrera mudou-se ainda criança para o Marrocos, onde seus pais buscavam uma vida melhor. Na colônia, HH, como ficou conhecido, se adaptou ao estilo de vida francês e começou sua carreira, em 1928, jogando pelo Roches Noires Casablanca, time da cidade em que vivia. Ali, ainda jogou no Racing Casablanca, antes de se mudar para Paris e se naturalizar francês.

Foi lá que Herrera construiu sua humilde carreira de jogador. Como zagueiro, passou por diversos clubes, mas nunca saiu do país. Eram tempos difíceis: na França, jogou de 1932 até 1945, quando a Segunda Grande Guerra assolava o continente. Com o fim da guerra e a opção pelo lado externo das quatro linhas, começando sua carreira de treinador, no entanto, sua sorte foi outra. HH tornou-se um dos mais prestigiados técnicos do futebol mundial e ficou marcado pela importância que alcançou no jogo tático.

Sua primeira experiência no banco de reservas foi por um time da periferia de Paris, o Puteaux, mesmo time em que encerrou sua carreira de jogador. Antes de encerrar a temporada pelo clube, transferiu-se para o Stade Français, de onde saiu, sem conquistar nenhum título, no ano de 1948. Foi quando recebeu uma proposta do Atlético de Madrid e começou seus tempos de glória como treinador.

Na Espanha, começou treinando o Real Valladolid, apesar de ter assinado contrato com o Atlético. O acordo com o time de Madri era o seguinte: primeiramente, passar por um clube de menor expressão, para ganhar experiência. Depois, assumir o time da capital. A fase de experimentações não durou muito. Depois de uma boa temporada em Valladolid, assumiu o Atlético e fez sua estréia já no campeonato de 1949-50, no qual não decepcionou dirigentes e nem torcida: foi campeão, ganhando o terceiro campeonato nacional da história do clube. Na temporada seguinte, conseguiu o primeiro e único bicampeonato do Atlético de Madrid.

Depois disso, passou por Málaga e Deportivo La Coruña em menos de duas temporadas, e Sevilla, onde permaneceu até 1956. Disso tudo, só aproveitou a passagem por La Coruña, na qual descobriu Luis Suárez, ponta esquerda que levaria consigo para o Barcelona e para a Inter, posteriormente. Por impedimentos contratuais não pôde treinar nenhum time espanhol de 1956 a 1958, período em que se dedicou ao Belenenses, de Portugal. Quando seu contrato com o Sevilla terminou, então, voltou para a Espanha, dessa vez para treinar o todo poderoso Barcelona.

Na Catalunha, começou as transformações que o tornaram famoso. Levou os exercícios espirituais de Inácio de Loyola para os treinamentos e começou as chamadas concentrações, que não eram usadas na época. Treinando o Barça de Kubala, Evaristo e Luis Suárez, seu jogador de confiança, conquistou já em seus dois primeiros anos o bicampeonato espanhol, somando quatro em sua carreira. Colocou também na galeria de troféus do Barcelona uma Copa do Rei e duas Copas das Feiras, que, por sinal, foram essenciais para a sua contratação pela Inter de Milão, em 1960. A história é de que o então presidente nerazzurro, Angelo Moratti, se encantou pelo treinador argentino na derrota do seu time para o Barça, nas quartas de final da Copa daquele ano.



Herrera e sua fórmula do sucesso
A Grande Inter e o catenaccio
Ao mesmo tempo em que treinava a seleção espanhola, foi para Milão por um salário estratosférico: 45 milhões por temporada, sem contar as premiações. Levou junto o meia esquerda Luis Suárez, que tornou-se símbolo daquela Inter, sendo um dos jogadores de escape daquele ferrolho azul e preto. A divisão de trabalhos entre a Fúria e o clube italiano não rendeu bons resultados para nenhum dos lados: então, em 1962, Herrera decide sair da seleção da Espanha, dedicando-se exclusivamente à Inter. Aparentemente, deu certo. Na temporada daquele mesmo ano, conquistou seu primeiro scudetto, iniciando uma carreira vitoriosa na que se tornaria a Grande Inter.

Na Itália, teve que largar o futebol vistoso e ofensivo que aplicava no Barcelona. Foi aprimorando o catenaccio, inventado pelo austríaco Karl Rappan e levado à Itália por Nereo Rocco, que Herrera se consagrou e montou um dos melhores times da década de 1960. Sua grande jogada foi recuar um jogador para fazer a função de líbero e jogar atrás dos três zagueiros. Coube a Armando Picchi fazer esse papel naquela Inter, lembrando que é função do líbero adiantar-se e equilibrar o meio de campo, quando seu time está com a posse da bola.

À frente do sistema defensivo, jogava ainda um volante, ou mediano, com a função de ligar o jogo entre defesa e meio-campo. Era um dos jogadores mais fortes fisicamente, já que era o que mais corria no time. Ao seu lado, jogava um meia esquerda, que tinha a responsabilidade de fazer o jogo da equipe inteira fluir, com passes e lançamentos precisos. Era o melhor do mundo de 1960, Suárez, que ocupava essa posição no time de Herrera. Do outro lado, o meia direita se tornava uma espécie de segundo atacante e era encarregado de puxar os contra-ataques da equipe. Existia, ainda, os dois alas, que compunham o meio de campo, mas cuja função verdadeira era atacar pelo flancos, fazendo companhia para o centroavante.

Assim, ficava completo o esquema que fez a Inter chegar aos três scudetti, às duas Ligas dos Campeões e às duas Copas Intercontinentais. Se elevava também Herrera, que também é lembrado por ter sido um dos primeiros técnicos a usar substancialmente dos artifícios psicológicos para motivar seus atletas e confundir os adversários. Uma história que ficou famosa foi a de que ele teria punido um de seus jogadores por ter falado “Vamos jogar em Roma” ao invés de “Vamos ganhar em Roma”. Esse seu modo de tratar os jogadores também servia para inflamar os torcedores e, por isso, tem seu nome ligado à criação das torcidas ultra, muitas vezes.

Um Herrera pouco feliz após dérbi contra a Lazio

Ainda treinou a Roma, de 1968 a 1973, quando conquistou seus últimos títulos: uma Copa da Itália (1968-69) e uma Copa Anglo-italiana (1972). Em sua passagem pelo clube da capital, não teve muito sucesso, porém, nos dérbis contra a Lazio – venceu três dos cinco primeiros, mas não conseguiu nenhum triunfo entre 1970 e 1973, quando a Roma fez campanhas medianas.

Antes de se aposentar, por problemas de saúde, ainda teve uma breve passagem pela Inter, a convite do presidente Ivanoe Fraizzoli, pelo Rimini e pelo Barcelona, novamente. Seus problemas cardíacos, no entanto, não o deixavam continuar à beira do campo e HH decide se aposentar, em 1981. “Il Mago”, como era chamado pelos seus jogadores, em tempos de Inter, morreu dia 9 de novembro de 1997, em Veneza, aos 87 anos.

Helenio Herrera
Nascimento: 10 de abril de 1910, em Buenos Aires
Clubes: Puteaux (1944-45), Stade Français (1945-48), Real Valladolid (1949), Atlético de Madri (1949-52), Málaga (1952), Deportivo La Coruña (1953), Sevilha (1953-56), Belenenses (1956-58), Barcelona (1958-60 e 1979-81), Inter de Milão (1960-68 e 1973-74), Roma (1968-73), e Rimini (1978-79)
Seleções: Seleção Espanhola (1959-62) e Seleção Italiana, como auxiliar técnico (1966-67)
Títulos nacionais: 4 Campeonatos Espanhóis (1949-50, 1950,51, 1958-59 e 1959-60), 3 Campeonatos Italianos (1962-63, 1964-65 e 1965-66), 1 Copa do Rei (1958-59) e 1 Copa da Itália (1968-69)
Títulos internacionais: 2 Ligas dos Campeões (1963-64 e 1964-65), 2 Copas Intercontinentais (1964 e 1965), 2 Copas das Feiras (1958 e 1960) e 1 Copa Anglo-italiana

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

900 minutos em 9: 5ª rodada

Inter, de Milito e Maicon, divide a liderança com a Juventus (Getty Images)

Uma das rodadas mais quentes do campeonato teve vários grandes jogos disputados na mesma hora. Esse fato, péssimo para a televisão e para quem quer ver bons jogos de futebol, deve se repetir na décima rodada. A quinta rodada viu a Inter bater o Napoli com facilidade e chegar à liderança pela primeira vez nesta Serie A, dividindo-a com a Juventus, que empatou com o Genoa no melhor e mais disputado jogo do meio de semana. Ainda tivemos a derrota da ex-líder Sampdoria para uma Fiorentina em recuperação, um jogo cheio de lama e lambanças em Palermo, mais uma derrota do Milan e o sétimo gol de Di Natale, a manutenção da boa fase do Parma e dois empates insossos, em zero a zero. Vale ressaltar que foi uma rodada recheada de lances de impedimentos em jogadas de velocidade, uns marcados e outros não. Em Milão, Údine, Palermo e Gênova aconteceram lances assim.

Em Milão, parecia difícil para a Inter a tarefa de vencer o Napoli e sonhar com a liderança. No entanto, a resposta para parte da questão foi dada em cinco minutos, quando a equipe nerazzurra já havia aberto dois a zero, com Eto'o e um belo de Milito, que recebeu em posição de impedimento o passe de um veloz Maicon. Com a tranquilidade de quem tem a partida definida, Stankovic e Cambiasso dominaram o meio-campo, atuando como jogavam na época de Mancini: Stankovic como uma espécie de regista, enquanto Cambiasso aparecia mais próximo aos atacantes. O Napoli, combalido, pouco fez: Quagliarella mal apareceu no jogo. Porém, os azzurri diminuíram com Lavezzi, graças a uma desatenção da zaga interista. A outra parte de Milão segue em crise: a derrota para a Udinese é um resultado normal, mas não com um futebol tão opaco, que faz até mesmo o sereno Leonardo ficar angustiado. Pato precisa chamar um pouco mais o jogo, porém sem ser egoísta. O Milan de quarta não foi o histórico clube rossonero, mas apenas a quinta vítima de Di Natale, que contou com uma bela jogada do chileno Isla para marcar seu sétimo gol na temporada.

No empate por três a três entre Palermo e Roma, que teve lugar no encharcado campo do Renzo Barbera, após um dilúvio, houveram lances bizarros e jogadas de gênio. Rubinho errou feio em dois dos gols que sofreu, fazendo a torcida ficar com saudades de Amelia e Zenga ruborizar. Mais uma vez, o arqueiro falhou nas bolas alçadas na área - uma terminou em gol. O brasileiro ainda decepcionou quando, a cinco minutos do fim do jogo, cedeu o empate à Roma ao cometer um pênalti bobo sobre Okaka, que Totti converteu. A Roma pode chorar também: o trabalho de Ranieri encontra dificuldades no nível tático, já que o time está mal distribuído taticamente. Só isso explica o fato de os giallorossi terem levado um gol trinta segundos após marcar seu tento. Por outro lado, as duas equipes ainda podem comemorar algo: a Roma, pelo pontinho que caiu do céu e, os palermitanos, pela partidaça de Miccoli. O capitão rosanero foi o motorzinho do time, caindo pelos dois lados da defesa romanista. Dessa forma, participou dos três gols da equipe - um de sua autoria. Por pouco não marcou outro, depois que deixou Júlio Sérgio para trás e chutou, mas viu a bola parar na poça d'água. Sua sorte foi que o tétrico Burdisso fez lambaça e deu um gol de presente para Budan.

Em Firenze, a derrota da então líder chegou em má hora para os dorianos, já que pode ser problemática para a moral no jogo de sábado, contra a Inter, atual líder. No Artemio Franchi, não se ouviu falar em Cassano. A Sampdoria até criou chances, algumas muito boas, que deram trabalho para Frey, mas estas foram jogadas da dupla Mannini-Pazzini. Já a Fiorentina se recuperou do chocolate que levou da Roma com uma boa vitória e grande atuação da dupla formada por Jovetic e Vargas, numa das poucas vezes que o 4-2-3-1 de Prandelli foi mesmo eficiente, muito por causa de Vargas, autor da assistência para o gol de Gilardino. Mas o destaque da partida foi o montenegrino, que barrou Mutu mais uma vez e teve grande atuação, recompensada com um gol, deixando claro que está seguindo um bom caminho para sua afirmação como grande jogador.

Segue surpreendendo positivamente o Parma montado no 3-5-2 por Francesco Guidolin: pelo que vem mostrando, os crociati devem passar longe do rebaixamento. Jogando com uniforme gialloblù clássico, o Parma foi a campo com time misto, já que gente como Paci, Panucci, Paloschi e Biabiany ficaram de fora. Seus substitutos entraram bem e participaram dos dois gols da vitória por dois a um. Zenoni levou perigo em cruzamentos e deu o passe para Bojinov, outro reserva, sofrer pênalti, convertido pelo perigoso bomber Amoruso. Antes, o búlgaro também marcou um golaço, após cruzamento de Dzemaili, que fez a ligação entre o meio-campo e o ataque. Jogando muito mal, a Lazio só conseguiu marcar um gol porque Zárate converteu pênalti assinalado pelo árbitro Velotto, por falta inexistente sobre Cruz. Até então, a equipe capitolina tem alternado momentos de bom futebol com outros de total opacidade. O principal problema até agora é a defesa inconsistente, que sucumbe à má fase de Cribari, os problemas físicos de Siviglia e a inexperiência de Diakhité.

No San Nicola, a evolução demonstrada pelo Cagliari na rodada anterior deu resultado contra os biancorossi. Em jogo muito equilibrado, o Bari apostava novamente em seus jogadores de flanco, Rivas e Alvarez, enquanto os sardos tiveram em Cossu, Dessena e Lazzari suas principais armas, sempre com chutes da entrada da área. Mas, em uma das únicas vezes que o Cagliari conseguiu entrar na área adversária, aos 78, Jeda recebeu passe de Dessena e cruzou para o ex-cruzeirense Nenê marcar seu primeiro gol na Serie A, contando com falha de Ranocchia.

Mais ao norte, no Renato Dall'Ara, jogo entre desesperados: Bologna e Livorno com a necessidade de conquistar pontos importantes sobre um rival na luta contra o rebaixamento, fizeram um jogo sem grande nível técnico e com poucas jogadas criadas. Em um dos muitos cruzamentos, Portanova marcou um gol que quase fez contra o Milan e, numa sobra, Vigiani acertou o travessão com um chute da entrada da área. Em outro bate-rebate, Di Vaio marcou seu primeiro gol na temporada e salvou (por enquanto) emprego de Giuseppe Papadopulo. Pelo lado amaranto, já há indícios de saídas: o treinador Gennaro Ruotolo deve ser demitido, enquanto as boas exibições de Candreva, que assumiu a posição de Diamanti, negociado com o West Ham, já chamam a atenção de Juventus e Inter.

As duas partidas que terminaram em zero a zero (Siena-Chievo e Atalanta-Catania), não tiveram muitas emoções. Na Toscana, o Siena se viu dominado pelos veroneses durante toda a partida. Só valem comentários duas bolas na trave para cado lado: Codrea contou com uma falha de Sorrentino e por pouco não comemorou o gol bianconero, enquanto Pellissier cabeceou com propriedade, mas deu azar ao observar a bola tocar na trave quando todos os adversários já haviam sido batidos. Em Bérgamo, a Atalanta conquistou seu primeiro ponto, já de técnico novo: Antonio Conte, ex-Bari. Porém, o jogo ficou marcado pelo confronto entre as torcidas e pela expulsão do treinador nerazzurro, quando reclamou de um toque de mão (existente) do goleiro Andújar fora da área, nos minutos finais. Com a qualidade apresentada por ambas as equipes, será tarefa dura subir na tabela.

Encerrando a rodada, um dos jogos mais esperados da rodada: em um jogo no qual a defesa do Genoa se comportou mal, a primeira chance clara acabou em gol: Iaquinta marcou, após jogada iniciada por um Marchisio que se consolida cada vez mais na meia bianconera. Com uma defesa muito bem postada, a Juventus reduziu as chances do Genoa em tiros de média distância, fazendo um bom trabalho de marcação sobretudo pelos flancos, interditados por Grygera e Grosso. Porém, o lateral-esquerdo da Juventus começou a perder terreno para o esterno rossoblù ainda no primeiro tempo, graças à desatenção que permitiu a Mesto, dez centímetros mais baixo, concretizar a gol um belo cruzamento de Sculli. No segundo tempo, a defesa dos donos da casa continuou preocupando: Iaquinta teve outras duas boas oportunidades desperdiçadas e um gol corretamente anulado por impedimento. Não seria o último: perto do fim da partida, Trezeguet estava impedido quando tocou para Chiellini marcar. Tanta facilidade para entrar na defesa do Genoa não era encontrada na última temporada, quando o time sofreu apenas 39 gols. Nesta, já são oito. O último, com uma falha generalizada: a defesa parou e deixou Trezeguet marcar e festejar com mais três companheiros livres. Por enquanto, as falhas defensivas são compensadas com a eficiência no ataque e o espírito guerreiro. Antes de levar o empate no fim, o Grifone virou com uma testada potente do valente Crespo, após mais uma jogada de Mesto sobre Grosso.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 5ª rodada, clique aqui.

Seleção da 5ª rodada:
Frey (Fiorentina); Maicon (Inter), Kroldrup (Fiorentina), Chiellini (Juventus), Vargas (Fiorentina); Stankovic (Inter), Marchisio (Juventus); Mesto (Genoa), Jovetic (Fiorentina), Miccoli (Palermo); Bojinov (Parma).

domingo, 20 de setembro de 2009

900 minutos em 9: 4ª rodada

Totti marca dois e dá uma assistência, só para calar as críticas de Ranieri (Reuters)

A "rodada do cinismo" foi aberta no sábado no San Paolo, em jogo que só acabou sem gols por pouco, já que não faltaram chances para Napoli e Udinese - e, para este resumo não se alongar, elas podem ser vistas nos melhores momentos do jogo. Os partenopei mandaram no jogo, e tiveram oportunidades clamorosas, como as perdidas por Zúñiga, Quagliarella e Hamsik. Lavezzi e Dátolo tiveram destaque na partida, criando tudo o que acontecia do lado azzurro e dando muito trabalho para Handanovic, que fez excelente partida. Houve um gol para os visitantes, que seria o sétimo de Di Natale na competição, mas foi mal anulado pelo trio de arbitragem. Saccani e seus auxiliares viram impedimento do atacante, em um lance confuso na área: na verdade, o desvio que fez a bola sobrar para Totò foi feito por Santacroce. Para os napolitanos, fica o consolo de que a equipe já demonstra padrão de jogo, mas precisa de mais competência nas finalizações.

No outro jogo do sábado, pode-se ver a primeira equipe a se valer do cinismo típico dos campeões: a Juventus marcou seu primeiro gol com Iaquinta, aos oito minutos de jogo, após cruzamento de Camoranesi. O ítalo-argentino, aliás, foi muito bem e dele saiu também a assistência para o gol de Marchisio, além de um chute perigosíssimo à meta defendida por De Lucia. Do lado amaranto, Candreva deu tanto trabalho quanto deu ao Milan, fazendo um duelo interessantíssimo com Buffon. Gigi, aliás, foi o melhor em campo, salvaguardando os três pontos da Vecchia Signora com quatro defesas espetaculares.

O Luigi Ferraris foi, novamente, palco de um grande Cassano, na goleada da Sampdoria por 4 a 1 sobre o Siena. Fantantonio, o pilar da equipe blucerchiata, teve a primeira chance do jogo logo no início, ao entrar em diagonal na área do Siena, mas Curci defendeu. O ex-goleiro da Roma, no entanto, teve apenas este momento de brilhantismo, já que poderia ter sido mais firme em três lances que originaram gols. Cassano, por sua vez, foi decisivo, ao participar de três dos quatro gols: o primeiro, com assistência para o terceiro gol de Mannini no campeonato. O ex-jogador do Napoli, aliás, caiu como uma luva no 4-4-2 de Del Neri, se juntando a Cassano e Pazzini como jogador-chave desta equipe. As duas outras participações do barese foram em chutes que fizeram Curci soltar a bola nos pés do suíço Padalino, autor de dois gols muito parecidos.

A alegria dos dorianos nesta rodada foi ainda maior porque a outra equipe de Gênova, que lhes acompanhava na ponta da tabela, tropeçou feio. Jogando contra o Chievo em Verona, sem Moretti e Zapater, poupados, Criscito, suspenso e alguns titulares no banco, o Genoa já perdia por 2 a 0 com sete minutos de partida, com gols de Marcolini (pênalti) e Bogdani, após indecisão entre Bocchetti e Amelia. Floccari chegou a diminuir de pênalti no segundo tempo, mas a defesa seguia mal: Amelia já tinha dado um susto no time antes do gol de desconto e falhou novamente no terceiro gol, com mais uma indecisão. Floccari, sempre ele, ainda desperdiçou um pênalti nos acréscimos. Mal resultado para os rossoblù logo antes de enfrentar a Juventus, na quinta.

O Catania recebeu a Lazio no Massimino, um campo em que, tradicionalmente, a Lazio não se sai bem. O Catania largou na frente graças a um gol do uruguaio Martínez, que deu trabalho durante toda a partida. Os laziale, cansados após o jogo de quinta, contra o Red Bull Salzburg, demonstraram futebol opaco durante toda a partida e só conseguiram o empate após jogada individual de Foggia. O esterno cruzou na medida para Julio Cruz, desmarcado por falha da defesa etnea, cabecear paras as redes. No entanto, os donos da casa só não venceram e saíram da zona de rebaixamento porque Lichtsteiner tirou um gol feito de Morimoto, que demorou de concluir uma joagada feita por Martínez.

Outro que segue na zona de rebaixamento é o Cagliari, que recebeu a Inter no Sant'Elia. Os rossoblù foram a campo com a expectativa de obter a primeira vitória na Serie A. Allegri prometera um Cagliari "inconsequente", já que nada tinha a perder e o que viesse seria lucro. O primeiro tempo refletiu bastante a postura adotada pelos rossoblù: eles partiram para cima da tetracampeã e dominaram a partida, com maior posse de bola e atividade ofensiva intensa de Cossu e Dessena. A Inter, por sua vez, se contentou apenas com a volta de Cambiasso, um chute de Stankovic e um pênalti cometido por Maicon, que Jeda converteu. Porém, no segundo tempo o cinismo da Inter não tardou a aparecer e quem mudou o jogo foi Diego Milito: o primeiro gol surgiu após bobeada de Canini, que levou um tranco limpo de Eto'o, deixando o argentino livre para empatar. A virada veio em cinco minutos, após um lançamento longo de Stankovic, que Il Principe completou com um toque alto. O Cagliari seguiu pressionando, sempre com Dessena, Cossu, Matri e Jeda, mas esbarrou em grande partida de Cordoba e Lúcio. A Inter, cínica como a Juventus, vai se estabelecendo na parte mais alta da classificação, enquanto o jogo de hoje mostra que o Cagliari tem potencial para sair da zona de rebaixamento.

Parma e Palermo fizeram uma partida morna no Tardini. Logo no primeiro tempo, os donos da casa saíram na frente com gol de Zaccardo, ex-Palermo, após falta cobrada por Lanzafame. Zenga escalou seu time com três volantes (Bertolo, Blasi e Nocerino), com Pastore e Simplício abertos e apenas Cavani no ataque, mas pecou pela escolha, já que Mariga e Galloppa dominaram facilmente o desarrumado meio-campo rosanero. No segundo tempo, os visitantes voltaram com Miccoli e uma postura mais ofensiva, mas não foi suficiente para empatar a partida, pois Mirante fez três boas defesas e a dupla de zaga Paci e Panucci esteve bem postada.

O Bari, outra equipe que veio da Serie B e está fazendo sucesso na máxima série, não se acanhou com a tradição da Atalanta. Muito pelo contrário, se aproveitou da fragilidade da equipe nerazzurra para aplicar uma sonora goleada por 4 a 1. Os primeiros gols dos barese no San Nicola tiveram participação fundamental do brasileiro Barreto (um gol, uma assistência e um pênalti perdido) e dos pontas Alvarez e Rivas, que dão muito trabalho com sua velocidade e determinação. O outro gol da equipe biancorossa foi de Donati, após estranho cruzamento de Meggiorini, camisa 69. Por outro lado, é inegável que o bom elenco da Atalanta está desmotivadíssimo e rendendo muito menos do que dele se esperao resultado se explica também por isso. Angelo Gregucci, que não tem nenhum bom trabalho no currículo, não deve permanecer no cargo.

A terceira das grandes equipes italianas também foi cínica nesta rodada. Jogando mal contra o Bologna, no San Siro, o Milan saiu com a vitória graças a um solitário gol de Seedorf, que coroou a semana após sua bela atuação contra o Marseille. O time escalado por Leonardo começou o jogo com Abate na lateral direita e Seedorf como trequartista. Ronaldinho? Nem no banco. Com dificuldades de vencer a boa linha defensiva do Bologna, liderada por Portanova e Lanna, o Milan não criou muitas chances. Entretanto, o gol rossonero poderia ter saído logo no início, quando Pato serviu Gattuso na grande área, mas o meia bateu por cima do gol de Viviano. No segundo tempo, antes do gol do meia holandês, Pato acertou a trave e Inzaghi jogou por cima do gol um presente dado por Andrea Raggi, que destoou do resto da zaga. A propósito, o gol de Seedorf, surgiu de uma jogada em seu setor. Depois do gol, Pippo Inzaghi perdeu mais duas chances, esbarrando em Viviano e na trave. Porém, por pouco os bolonheses não saíram com o empate no fim do jogo: Storari defendeu muito bem uma bomba de Mingazzini e uma cabeçada de Portanova não entrou por centímetros. Vitória magra que valeu, para Adriano Galliani, tocar a música da Liga dos Campeões no vestiário, após o jogo.

No Olímpico, no jogo que fechou a rodada, Totti, que jogou com a mesma liberdade e na mesma posição de sempre, calou Ranieri. No meio da semana, o recém-chegado treinador romanista chegou a dizer publicamente que um jogador da qualidade de Totti precisava se reinventar, buscar novas formas de jogo. Incentivado pelos tifosi, Totti foi o líder de uma Roma que engoliu uma inexistente Fiorentina desde o primeiro minuto. Aos 25, Vucinic conseguiu um pênalti, ao tentar driblar Gamberini e ver o defensor viola cortar a bola com a mão. O capitão converteu e, em menos de quinze minutos, a Roma já marcara outros três gols, dois de Totti: o primeiro, anulado por impedimento polêmico; o outro, validado, foi uma bomba de dentro da área, quando, desmarcado, ele aproveitou a sobra de um escanteio. O terceiro gol giallorosso surgiu de uma jogada trabalhada entre as duas bandeiras do time: De Rossi trocou lançamentos com Totti, antes de cabecear para as redes de um inconsolável Frey. No segundo tempo, de poucas emoções, a se destacar a partida madura do jovem Okaka e as falhas defensivas da defesa romanista. As falhas quase permitiram a Gilardino marcar três gols no fim do jogo, mas, no fim das contas, o bomber viola marcou apenas um, após erro de passe de Perrotta.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 4ª rodada, clique aqui.

Seleção da 4ª rodada:
Buffon (Juventus); Cordoba (Inter), Paci (Parma), Portanova (Bologna); Padalino (Sampdoria), Camoranesi (Juventus), De Rossi (Roma), Candreva (Livorno); Cassano (Sampdoria), Milito (Inter), Totti (Roma).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Abaixo das expectativas

Lúcio e Samuel foram bastante seguros, apesar dos constantes ataques do Barça

Cercado de expectativas, o duelo entre Inter e Barcelona não chegou a cumprir as promessas de uma grande partida, com Eto'o e Ibrahimovic mordidos. Quem aguardava um jogo cheio de emoções, teve de se contentar com uma partida em que pouquíssimas chances claras de gol aconteceram, para ambos os lados.

O Barcelona teve, no total, 67% da posse de bola, segundo dados da UEFA. Porém, o domínio espanhol não surtiu efeito, já que a Inter esteve impecável em termos defensivos. Os catalães tinham a bola, mas não conseguiam criar jogadas tão incisivas, já que a Inter fechava os espaços. Porém, o catenaccio montado por José Mourinho não funcionou tão bem no primeiro tempo, quanto no segundo. Na primeira etapa, Ibrahimovic, Messi e Daniel Alves tiveram algumas boas chances e o meio-campo dos donos da casa ainda estava um tanto desligado, sobretudo Muntari, em má noite. Porém, todo o quarteto de zaga nerazzurro fez boa partida, em especial Lúcio e Samuel, que quase não perderam duelos para o atacante sueco, que foi pouco vaiado, e apenas no primeiro tempo. Messi e Henry, as pontas do tridente, foram praticamente anulados por Chivu e Maicon, respectivamente.

Em termos de ataque, Milito e Eto'o tentavam resolver sozinhos, já que Sneijder pouco aparecia e Muntari estava nulo. Maicon, preocupado com Henry, não subiu ao ataque tanto quanto costuma, mas foi uma das poucas válvulas de escape dos nerazzurri. A partida de hoje revelou virtudes e problemas a serem corrigidos por Mourinho. A mentalidade do elenco parece cambiada e vencedora. Hoje, a Inter saiu de campo satisfeita por ter conseguido fazer o que pretendia: segurar o Barcelona. Porém, a ideia do técnico de Setúbal era vencer os espanhóis através de contra-ataques, que não foram encaixados com tal competência.

Outras evidências claras são que Cambiasso faz muita falta ao time e que a Inter ainda está desentrosada, por motivos naturais. O argentino, que está próximo de se recuperar totalmente de uma lesão, é peça-chave no esquema milanês, porque se posiciona muito bem entre a linha de defesa e os meio-campistas, sendo também capaz de dar fluência ao jogo. Thiago Motta, apesar da boa partida contra o Milan, ainda não se adaptou a seu novo time e deve ser sacado da equipe titular assim que El Cuchu tiver condições de jogo.

Mourinho deverá corrigir o problema do desentrosamento gradualmente. O sistema defensivo não parece ter sentido a entrada de Lúcio, que se adaptou completamente ao time. Eto'o e Milito estão se entendendo direito, e devem chegar ao automatismo em pouco tempo. É interesante notar também que o argentino parece melhor adaptado ao clube que o camaronês, maior aposta da Inter para a temporada e, por isso, tem brilhado um pouco mais que o ex-jogador do Barcelona. Porém, quando se fala de desentrosamento, o caso mais grave é de Sneijder, que só treinou com seus companheiros durante uma semana inteira, por causa dos compromissos com as seleções nacionais, e ainda está meio alheio ao resto do elenco.

Portanto, as expectativas já se renovam para o jogo de volta entre as equipes, no Camp Nou, quando a Inter já deverá ter um time mais entrosado e Ibrahimovic deverá estar mais acostumado ao estilo de jogo de seus novos companheiros.

Ih, Itália...
Na primeira rodada da Liga dos Campeões, só o Milan de Inzaghi conseguiu vencer, na terça-feira. Também na terça, a Juve deixou a vitória escapar e tropeçou no Bordeaux. Na quarta, além do empate entre Inter e Barcelona, a Fiorentina também entrou em campo: a cotovelada de Gilardino em Toulalan no fim do primeiro tempo fez o atacante viola ser expulso, ficando de fora da próxima partida, contra o Liverpool. O castigo veio com Pijanic e o Lyon venceu pela contagem mínima.

Nos três confrontos Itália x França da rodada, equilíbrio total: uma vitória para cada lado e um empate. Longe de ser um bom augúrio para os times da Serie A.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Começou!

Sem Diego para organizar o jogo bianconero, o gol de Iaquinta não foi suficiente para assegurar a vitória...

Dois italianos estrearam hoje na Liga dos Campeões: Juve e Milan. O primeiro, jogando em casa, conseguiu apenas um empate (1 a 1) diante do campeão francês, o Bordeaux, já o segundo esqueceu os maus resultados da Serie A e venceu por 2 a 1 o Olympique de Marseille, na França. Resultados fora do esperado, considerando os 100% de aproveitamento da Juve na temporada e os resultados pouco expressivos de Leonardo no comando do Milan até agora.

Em Turim, Ciro Ferrara confirmava poucos minutos antes do jogo: Tiago entraria no lugar de Camoranesi e Giovinco ficaria com a vaga do contundido Diego. Camoranesi vinha mal e já merecia banco mesmo, mas Tiago conseguiu fazer menos do que o ítalo-argentino e praticamente não tocou na bola. Já Giovinco era a substituição certa, não tinha outro. Sem Del Piero, também contundido, o Formiga Atômica se torna o primeiro, e único, substituto de Diego. Soma-se a isso a ausência de Chiellini, que cumpria suspensão pelo cartão vermelho levado contra o Chelsea, na temporada passada. Essa foi a Juventus que entrou em campo contra o Bordeaux, hoje.

Eram desfalques certos e substitutos já conhecidos. Nada que abalasse o clima de favoritismo que reinava nos alpes. O esquema também era o mesmo: 4-3-1-2. A principal diferença entre a Juve 100% da Serie A e essa que entrou em campo hoje estava no “1” do esquema. Pelo nacional, Diego atuou dois jogos completos e mais metade contra a Lazio, antes de sair contundido: foram três vitórias. Hoje, na Liga, Giovinco teve que substituir o brasileiro: e a história foi outra. Foi aí que o roteiro desandou. O esperado era que o jovem e habilidoso selecionável substituísse bem Diego, no entanto, a forte marcação de Diarra praticamente não deixou o baixinho jogar.

E quando deixou, ficou claro que não há uma peça de reposição com as características de Diego. Por mais que Giovinco seja um bom jogador, de habilidade e rapidez, seu jogo difere do do brasileiro, que cadencia mais a partida e distribui bem a bola. Com o jovem italiano em campo a equipe joga diferente, perde em organização no meio. O Formiga Atômica tem um estilo de jogo mais vertical, no qual arranca em direção ao gol, sem abrir pelos cantos e servir os companheiros.

Com isso, a criação juventina ficou prejudicada. Tanto foi assim que quem deu a assistência para o gol de Iaquinta foi Cannavaro, mostrando muita categoria. Gol esse que saiu só aos 18 do segundo tempo, depois de 60 minutos fracos em termos de futebol. O time de Turim mantinha a posse de bola, mas não chegava com perigo ao gol adversário. Já o campeão francês, acomodado com o resultado, não fazia muito esforço para incomodar os donos da casa.

Foi assim até a inauguração do placar. Com a Velha Senhora na frente, o jogo ficou mais aberto e oportunidades apareceram. Não demorou muito para o Bordeaux empatar o jogo, com um gol de Plasil (em impedimento), e voltar ao esquema anterior: defender para contra-atacar. A partir daí, os comandados de Ferrara se lançaram ao ataque, abrindo espaço e tornando o jogo melhor para os espectadores. Foram algumas boas defesas de Buffon (para variar) e algumas chances perdidas pela Juve, principalmente pelos pés de Poulsen, além de uma bola no travessão de Marchisio. Mas o placar não saiu do 1 a 1.

Enquanto isso em Marselha...
...Inzaghi comemorava seu 68º gol em torneios europeus. Com a doppietta de Pippo, o Milan garantiu seus três primeiros pontos, no grupo C, em jogo decidido pelos veteranos. Além do atacante, brilhou também Seedorf, ao ser escolhido por Leonardo para a função de trequartista, colocando Ronaldinho no banco. A escolha do treinador mostrou-se eficiente já nos primeiros 45 minutos de jogo, nos quais o Milan dominou a partida. Seedorf dirigiu muito bem o jogo, inclusive dando os passes para os gols de Inzaghi.

... já os dois de Pippo Inzaghi foram. Com as duas assistências de Seedorf, é claro

Ao contrário do que se desenhava no início do ano, a equipe de Leonardo não esteve mais jovem hoje. O time era planejado para ter Ronaldinho armando e Huntelaar fazendo os gols, mas quem fez a bola rolar foram os veteraníssimos Seedorf e Inzaghi. No primeiro gol, o holandês cruzou para o Super Pippo marcar, em posição irregular não assinalada pelo bandeira. Com uma defesa bem armada, fechando os espaços, o Milan conseguiu segurar o resultado até o fim do primeiro tempo.

Porém, no segundo tempo, a equipe dirigida por Deschamps voltou melhor e, logo aos 4 minutos, empatou o jogo. Cheyrou cobrou falta na área e o argentino Heinze subiu para igualar, por baixo das pernas de Storari. Com mais posse de bola, o time francês dominava a partida. Cheyrou e Niang davam trabalho no meio campo e só foram parados depois que Leonardo decidiu trocar Ambrosini por Gattuso, que conseguiu diminuir a intensidade da dupla.

Mal até nos contra-ataques, o Milan achou um gol. Aos 28, Zambrotta fez a bola passar pelos pés de Seedorf mais uma vez, que com um belo passe de trivela deixou Inzaghi frente a frente com Mandanda, de novo, para computar mais um. Foi o seu 48º gol em Ligas dos Campeões, sendo 41 deles pelos rossoneri. Assim, o time de Milão conquistou três pontos importantíssimos fora de casa.

Esse não foi o melhor Milan já visto, claro. Mas em relação a outras partidas desse ano, com certeza foi o melhor. Então, resta a Leonardo enxergar isso e continuar com o esquema, barrando o melhor do mundo de 2004 e 2005. Amanhã é a vez de Inter e Fiorentina estrearem. O time de Florença vai à Lyon enfrentar o ex-time de Juninho Pernambucano, e a Inter recebe o Barcelona em casa, no jogo mais esperado da rodada.

900 minutos em 9: 3ª rodada

*texto escrito em parceria com Mateus Ribeirete.

Genoanos brilham no Marassi e parecem em condições de brigar forte na temporada

A terceira rodada ficou marcada pela continuidade da dupla de Gênova nas primeiras colocações, além da ascensão da Inter, recuperando o terreno perdido na primeira rodada, com o empate ante o Bari. No sábado, porém, Lazio e Juventus, que lideravam o campeonato, se enfrentavam para definir qual das duas squadras manteria 100% de aproveitamento e seguiria na liderança da Serie A. O Olímpico foi palco de um primeiro tempo agradável e cheio de lances de perigo para ambos os lados. Um pouco mais para a formação biancoceleste, é verdade, que chegou a ter um gol anulado: Mauri marcou, mas o juiz viu falta de Cruz sobre Legrottaglie, bastante contestada pela mídia italiana. No segundo tempo, porém, a Juventus saiu na frente, com gol do uruguaio Cáceres, que acabara de entrar. No finalzinho da partida, Trezeguet fez o segundo gol bianconero, após Muslera ter dado rebote em um forte chute de Amauri. Se a Juventus seguiu com 100% de aproveitamento, a Lazio jogou bem sem Zárate e mostrou que pode surpreender.

Um pouco antes, no primeiro jogo da rodada, o Livorno teve várias chances de sair com a vitória sobre o Milan durante toda a partida, principalmente em chutes de longa distância de Candreva, bem defendidos por Storari, ou com a inacreditável cabeçada para fora de Lucarelli, na pequena área. Ronaldinho, mais uma vez omisso, foi vaiado pela torcida quando substituído por Pirlo. O azzurro, aliás, esquisitamente escalado como ponta, foi autor da mais clara chance de gol rossonera, numa cobrança de falta que acertou o travessão. O jogo só terminou empatado porque, no último minuto, Pulzetti foi egoísta e não passou a bola para Candreva, livre na grande área. A se destacar também o amadorismo da diretoria livornese, ao mandar a campo jogadores com nomes escritos erradamente em suas camisteas: Candreva virou “Cadreva” e Perticone virou “Petricone”. Além disso, a partida foi atrasada em alguns minutos porque Mozart estava sem documentação e foi preciso buscá-la no hotel.

O outro lado de Milão, ao contrário, teve motivos para comemorar. Após um primeiro tempo amarrado e em que a equipe, liderada por Zanetti, cometia erros no ataque e encontrava dificuldades de vencer a linha defensiva do Parma, com destaque para o experiente Panucci e ao goleiro Mirante. No segundo tempo, com a entrada de Balotelli no posto de Thiago Motta, a Inter voltou com postura mais agressiva e mais vontade de matar o jogo e se poupar para o embate contra o Barcelona. Saíram do prodígio nerazzurro os dois gols da equipe: no primeiro, um toque simples para Eto'o vencer Mirante com um belo chute da entrada da área. No segundo, após contra-ataque puxado pelo jovem esloveno Khrin, que estreava na Serie A, SuperMario cruzou na medida para Milito se redimir dos erros cometidos ao longo da partida. Pelo lado do Parma, apenas Biabiany levou perigo à defesa adversária, mostrando muita velocidade.

O Siena recebeu a Roma e, na primeira meia hora de jogo, abriu o placar. Maccarone entortou Mexès e deixou os bianconeri na frente. A virada só veio no fim, quando o mesmo Mexès, na área, e Riise, de falta, aos 89 minutos, marcaram. O destaque na estreia de Claudio Ranieri foi sua escalação bizarra: Burdisso começou na lateral esquerda. Taddei foi meia por este mesmo lado, enquanto Perrotta ocupou a direita. Não bastasse, Pizarro foi o jogador mais próximo do único atacante, Totti. A cara do time só mudou com a entrada de Vucinic. Andreolli, Cerci e Okaka, os poucos jovens aproveitáveis da equipe, sequer foram relacionados - o que vai contra as declarações de Rosella Sensi de uma "linha verde" romanista logo na apresentação de Ranieri. Porém, a partida fica marcada pelo comportamento da torcida do Siena, que entoou coros ofensivos a Daniele De Rossi. Estes tinham como tema o sogro do jogador, assassinado em agosto do ano passado.

A Sampdoria, por sua vez, segue vencendo: no duelo fora de casa contra a Atalanta, contou com uma atuação impecável de Castellazzi, que, aos 34 anos, tem merecido uma lembrança nas listas de Marcello Lippi. Em partida equilibrada, o gol da vitória surgiu de - adivinha só - bela jogada de Cassano para finalização precisa de Mannini, que tem se mostrado de grande ajuda ofensiva à dupla Cassano-Pazzini. A Atalanta, apesar de chegar à terceira derrota seguida, criou inúmeras chances - acertando a trave duas vezes.

Em Udine, um nome: Antonio Di Natale. O atacante da seleção realizou uma tripletta, virando a partida para os bianconeri, que perdiam por 2 a 1. O Catania, que começou na frente com um chute de Morimoto completamente desviado e avançou no placar com Mascara, de pênalti, não conseguiu segurar o início privilegiado. Di Natale chegou ao sexto gol em três atuações. O Bologna, que havia empatado suas duas partidas, perdeu em casa para o Chievo. Os visitantes dominaram o primeiro tempo inteiro. No segundo, contudo, a equipe rossoblù cresceu na partida, mas não o suficiente para encostar no placar. O time de Di Vaio e Osvaldo desperdiçou chances por desatenção e até displicência.

Em Florença, bastou um cruzamento certeiro de Vargas para Gilardino definir a partida contra o Cagliari. A squadra de Massimiliamo Allegri "lidera" o grupo de rebaixamento, com um ponto. A Fiorentina, por sua vez, pode se focar na Liga dos Campeões. Em La Favorita, o Palermo recebeu o Bari, em partida que começou com 20 minutos de atraso, devido a alagamentos no campo. Já com sol, o Bari abriu o placar logo aos dois minutos de jogo, com Allegretti, que aproveitou a colaboração da trave e do goleiro Rubinho, após chute do hondurenho Álvarez. Durante o resto da partida, só deu a equipe treinada por Walter Zenga, que chegou a colocar quatro atacantes em campo. A carga dos donos de casa esbarrava em boa atuação do jovem zagueiro Ranocchia e em chances claras perdidas por Pastore e Miccoli. Budan, saído do banco, também precisou de mais de uma chance para, só nos acréscimos do segundo tempo, deixar tudo igual.

Por fim, Genoa e Napoli protagonizaram o melhor jogo da rodada: mesmo levando o primeiro dos três cartões vermelhos, os rossoblù reagiram e viraram a partida que teve placar inaugurado pelo implacável Hamsik, após bela assistência de Quagliarella. O árbitro Tagliavento expulsou Criscito ainda no primeiro tempo. Antes do intervalo, porém, Campagnaro - ex-Sampdoria - fez falta dentro da área e, sendo último homem, também deixou o campo mais cedo. Floccari bateu e empatou. A virada veio no segundo tempo, quando Mesto, num golaço de longa distância, e Crespo - saído no banco - marcaram para os donos da casa. Kharja ainda converteu outra penalidade máxima no fim da partida, sofrida por Palacio - outro que começou como reserva e mostrou serviço. Foi, por sinal, outra infração de último homem e que, portanto, causou outra expulsão; desta vez a de Aronica.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 3ª rodada, clique aqui.

Seleção da 3ª rodada
Castellazzi (Sampdoria); Cáceres (Juventus), Biava (Genoa), Ranocchia (Bari);
Mesto (Genoa), Candreva (Livorno), Baronio (Lazio), Mannini (Sampdoria); Amauri (Juventus), Di Natale (Udinese).

sábado, 12 de setembro de 2009

Fique de olho: Alberto Paloschi

Mesmo com boas partidas na equipe principal, Paloschi não foi aproveitado pelo Milan e transferiu-se para o Parma, na temporada passada

Destaque no time de sua cidade, o Cividatese, Paloschi foi comprado pelo Milan para fazer parte do seu elenco júnior. Com apenas 16 anos e boas apresentações, o atacante milanês logo chegou à seleção sub-17 da Itália, em 2006, pela qual disputou 9 partidas e marcou 4 gols.

Pelo Milan, conquistou o título nacional da categoria organizado pela FIGC, o Campeonato Allievi, ao final da temporada 2006-07. Na boa campanha dos rossoneri, Paloschi se destacou por marcar 23 gols ao longo do campeonato e, principalmente, por ter sido o responsável pela grande vitória sobre o Genoa, na final, quando alcançou uma tripletta.

Seis meses depois, ao mesmo tempo em que era convocado pela primeira vez para a seleção sub-19, estrearia pelo time principal na derrota para o Catania, pela Copa da Itália. Apesar do péssimo jogo do time de Ancelotti, Paloschi foi bem e deixou seu gol. Então, foi relacionado para intertemporada de inverno rossonera, em Dubai, e no jogo de volta da Copa, entrou no segundo tempo do jogo para marcar mais uma vez. O gol solitário do garoto, no entanto, não foi suficiente para garantir o time na próxima fase da competição. Com o Milan eliminado, Paloschi voltou para a Primavera do Milan, onde marcou 9 gols.

Sem Kaká, Gilardino e Alexandre Pato a sua disposição, Ancelotti decidiu promover o garoto novamente e colocá-lo no banco de reservas para a partida contra o Siena, na Serie A. Quando entrou em campo, no lugar de Serginho, não precisou de mais de 18 segundos para mostrar a que veio: com um belo chute cruzado, foi o autor do gol na vitória milanesa.

Ao final do jogo, o técnico rossonero o classificou como “o predestinado”, dando a impressão de que agora, depois de 3 gols em 3 partidas pela equipe principal, o Milan aproveitaria o garoto. Não foi o que aconteceu. O time de Milão fez jus à sua fama e não apostou em sua própria revelação. Após o final da temporada, o atacante, ainda com 18 anos, foi vendido para o Parma.

Antes de fazer sua estreia vestindo gialloblù, disputou o Europeu sub-19 de 2008, na República Tcheca, no qual os italianos alcançaram o vice-campeonato, após derrota por 3 a 1 para a Alemanha. No mesmo ano, enquanto fazia boas partidas pelo Parma na Serie B, seria convocado para a Seleção Sub-21, pelo técnico Pierluigi Casiraghi.

No fim da temporada 2008-09, com o Parma de volta à divisão máxima do futebol italiano e 12 gols marcados, Paloschi foi disputar o Europeu Sub-21, na Suécia. Mais uma vez os alemães foram os carrascos da seleção italiana, eliminando os azzurrini nas semifinais. Dessa vez, contudo, o atacante do Parma não teve muitas oportunidades, entrando em campo apenas uma vez.

O jovem voltou a chamar atenção esse início de temporada, quando marcou nas duas primeiras partidas do Parma na Serie A e, logo em seguida, fez o gol italiano na derrota para a seleção do País de Gales, sexta-feira retrasada, dia 4. Paloschi ostentava a média de um gol por partida até a última terça-feira, quando os azzurrini venceram a seleção de Luxemburgo, pelas Eliminatórias do Europeu Sub-21 de 2011.

O ano começou muito bem para o garoto, mas agora precisa mostrar maturidade e aguentar a pressão sobre seu nome para deixar de ser promessa e virar a realidade em que o time do Milan não apostou, lá atrás. Alcançar uma regularidade na Serie A e fazer uma boa campanha com o limitado time de Parma é a principal meta desse ano. Assim, talvez volte a um grande clube para alavancar sua carreira. Só não precisa ter pressa. Com seus poucos 19 anos, ainda tem muito tempo para estourar.

Alberto Paloschi
Nascimento: 4 de janeiro de 1990, em Chiari
Posição: atacante
Clube profissional: Parma (desde 2008)
Seleções de base: Itália Sub-17 (9 jogos); Itália Sub-19 (11 jogos); Itália Sub-20 (1 jogo); e Itália Sub-21 (7 jogos)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Preview: Liga dos Campeões 2009-10

A Inter aposta no sucesso de Eto'o na Liga dos Campeões para furar sua fila que dura décadas

Em sua 55ª edição,
a Liga dos Campeões da Uefa terá em 2009-10 uma temporada especial. Estes números sempre mudam, mas a primeira frase de uma prévia de LC pode ser sempre o mesma: é inegável a atração do maior torneio de clubes do mundo. Com o título do Barcelona em maio passado, a Espanha chegou a 12 conquistas, uma a mais que Itália e Inglaterra. Ao mesmo tempo que italianos e ingleses lutarão para empatar a disputa, a versão 2.0 do Real galáctico fará de tudo para vencer a LC em casa, já que a final está prevista para o Santiago Bernabéu. Como se precisasse de um motivo assim para o Barcelona lutar pelo bi.

A partir de 15 de setembro, terça-feira, a Itália entrará em campo para defender seus 11 títulos: sete pelo Milan e dois por Juventus e Inter. A Fiorentina, uma vez vice-campeã, passou do play-off qualificatório e também estará na fase de grupos. Mas, pelo menos no papel, a única equipe do país que realmente entra na luta pelo título é a de José Mourinho, reforçada e mordida depois da queda para o Manchester United nas oitavas-de-final da temporada passada. Ainda que Milan e Juve jamais possam ser totalmente descartados.

Este ano, além da tradição com os canais ESPN (exclusividade na TV fechada), o Brasil terá mais opções para assistir os jogos: às terças, a transmissão é da TV Esporte Interativo; às quartas, a Rede Globo tem os direitos, mas, como só tem obrigação contratual de exibir semifinais e final, até lá irá repassá-los à parceira Band. Os jogos de quarta-feira também serão transmitidos ao vivo e on-line pelo Globoesporte.com. Confira uma pequena prévia da fase de grupos, com destaque para os de presença italiana:

GRUPO A
Se a temporada do Bayern começou mal, os bávaros logo voltaram a todo vapor para o mercado e fecharam a contratação de Robben, que promete fazer uma grande dupla com Ribéry pelos flancos. Os comandados de van Gaal são os favoritos à classificação para as oitavas, ao lado da Juve, mas o Bordeaux pode surpreender. Os italianos têm 100% de aproveitamento sob o comando de Ciro Ferrara e a contratação de Diego e Felipe Melo para o meio-campo bianconero deu alternativas fantásticas para o treinador. Se falar de uma defesa comandada por Buffon é chover no molhado, o luxo fica no ataque: dois entre Del Piero, Amauri, Trezeguet e Iaquinta sempre começarão do banco. O atual campeão francês também vem em grande fase e reencontrou o futebol de Gourcuff e Cavenaghi, agora peças-chave do esquema de Laurent Blanc. Ao Maccabi Haifa resta tentar ganhar pontos em casa para o trauma não ser grande demais.

Bayern de Munique (Alemanha)
O estádio: Allianz Arena (69.901 lugares)
O craque: Franck Ribéry
O treinador: Louis van Gaal
Avaliação: 4 estrelas
Início de temporada: pela Bundesliga, 4j, 1v, 2e, 1d
Melhor resultado na LC: quatro títulos (1974, 75, 76, 01)

Juventus (Itália)
O estádio: Olimpico (27.500 lugares)
O craque: Alessandro Del Piero
O treinador: Ciro Ferrara
Avaliação: 4 estrelas
Início de temporada: pela Serie A, 2j, 2v
Melhor resultado na LC: dois títulos (1985, 96)

Bordeaux (França)
O estádio: Chaban Delmas (34.327 lugares)
O craque: Yoann Gourcuff
O treinador: Laurent Blanc
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Ligue 1, 4j, 3v, 1e; venceu o Trophée des Champions sobre o Guingamp
Melhor resultado na LC: semifinalista (1985)

Maccabi Haifa (Israel)
O estádio: Kiryat Eliezer (14.000 lugares)
O craque: Yaniv Katan
O treinador: Elisha Levy
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela Ligat Al, 2j, 2v; eliminou Glentoran, Aqtöbe e Salzburg nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: 3º lugar na fase de grupos (2002)

GRUPO B
O Manchester United não deve ter problemas para passar do grupo - ou é isso que espera, caso o time queira mostrar a mesma força depois de perder Cristiano Ronaldo. O Wolfsburg deve ser uma boa pedra no sapato, enquanto jogar na casa de CSKA e Besiktas pode ser uma dor de cabeça.

Manchester United (Inglaterra)
O estádio: Old Trafford (76.212 lugares)
O craque: Wayne Rooney
O treinador: Alex Ferguson
Avaliação: 5 estrelas
Início de temporada: pela Premier League, 4j, 3v, 1e; perdeu o Community Shield para o Chelsea
Melhor resultado na LC: três títulos (1968, 99, 08)

CSKA Moscou (Rússia)
O estádio: Luzhniki Stadium (78.000 lugares)
O craque: Igor Akinfeev
O treinador: Juande Ramos
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Premier-Liga, 20j, 10v, 3e, 7d
Melhor resultado na LC: 3º lugar na fase de grupos (2005, 07)

Besiktas (Turquia)
O estádio: BJK Inönü (32.145 lugares)
O craque: Matías Delgado
O treinador: Mustafa Denizli
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Süper Lig, 4j, 1v, 3e; perdeu a TFF Super Cup para o Fenerbahçe
Melhor resultado na LC: 3º lugar na fase de grupos (2004)

Wolfsburg (Alemanha)
O estádio: Volkswagen Arena (30.000 lugares)
O craque: Grafite
O treinador: Armin Veh
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Bundesliga, 4j, 2v, 2d; perdeu a DFB-Supercup para o Werder
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

GRUPO C
O Milan entra na Liga dos Campeões para tentar reeditar seu último título (2007) e provar que camisa vence, sim, torneios de mata-mata. Mas passar do grupo C (único com três campeões da LC, 17 títulos em jogo) será uma tarefa bem delicada. Leonardo pediu várias contratações, delas só recebeu Huntelaar, e mesmo depois de uma boa reformulação ainda tem um grupo envelhecido em suas mãos. O ressurgir de Nesta e a afirmação de Thiago Silva são as ótimas notícias do início da temporada, enquanto Ronaldinho se reafirma como incógnita. O maior rival italiano será o Real Madrid, que fez apostas nada modestas em busca de sua décima conquista: por uma delas, será a primeira vez que Kaká enfrentará um ex-time. O Olympique, de Niangna e Ben Arfa, além dos reforços Morientes, Brandão e Lucho González, também será um rival complicado. O Zürich é um reles azarão.

Milan (Itália)
O estádio: San Siro (80.018 lugares)
O craque: Alexandre Pato
O treinador: Leonardo
Avaliação: 4 estrelas
Início de temporada: pela Serie A, 2j, 1v, 1d
Melhor resultado na LC: sete títulos (1963, 69, 89, 90, 94, 03, 07)

Real Madrid (Espanha)
O estádio: Santiago Bernabéu (80.354 lugares)
O craque: Kaká
O treinador: Manuel Pellegrini
Avaliação: 5 estrelas
Início de temporada: pela Liga BBVA, 1j, 1v
Melhor resultado na LC: nove títulos (1956, 57, 58, 59, 60, 66, 98, 00, 02)

Olympique de Marselha (França)
O estádio: Vélodrome (60.031 lugares)
O craque: Mamadou Niang
O treinador: Didier Deschamps
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Ligue 1, 4j, 2v, 2e
Melhor resultado na LC: título (1993)

Zürich (Suíça)
O estádio: Letzigrund (25.000 lugares)
O craque: Johan Vonlanthen
O treinador: Bernard Challands
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela Super League, 8j, 3v, 3e, 2d; eliminou Maribor e Ventspils nos playoffs da LC
Melhor resultado na LC: duas semifinais (1964, 77)

GRUPO D
Se não chega a ser um grupo da morte, é um dos mais equilibrados: se o APOEL é uma incógnita das grandes, os outros três times devem jogar forte pelas duas vagas. O Porto já venceu a LC nesta década, enquanto o Chelsea está desesperado para ganhá-la. A ótima linha de frente do Atleti pode encantar.

Chelsea (Inglaterra)
O estádio: Stamford Bridge (42.055 lugares)
O craque: Frank Lampard
O treinador: Carlo Ancelotti
Avaliação: 4 estrelas
Início de temporada: pela Premier League, 4j, 4v; venceu o Community Shield sobre o Manchester United
Melhor resultado na LC: vice-campeão (2008)

Porto (Portugal)
O estádio: Dragão (50.399 lugares)
O craque: Hulk
O treinador: Jesualdo Ferreira
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Liga Sagres, 3j, 2v, 1e; venceu a Supertaça sobre o Paços de Ferreira
Melhor resultado na LC: dois títulos (1987, 04)

Atlético de Madrid (Espanha)
O estádio: Vicente Calderón (54.851 lugares)
O craque: Sergio Agüero
O treinador: Abel Resino
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Liga BBVA, 1j, 1d; eliminou o Panathinaikos nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: vice-campeão (1974)

APOEL Nicosia (Chipre)
O estádio: GSP Stadium (22.859 lugares)
O craque: Chrysis Michael
O treinador: Ivan Jovanovic
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela First Division, 1j, 1d; eliminou EB/Streymur, Partizan e Kobenhavn nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

GRUPO E
Dois anos depois, Lyon e Fiorentina voltam a se enfrentar. Dessa vez, os franceses largam um pouco na frente, mesmo depois que (ou até porque) perderam a hegemonia no futebol local. As saídas de Benzema e Keita poderiam ser uma boa dor de cabeça, mas o Lyon soube usar bem o dinheiro que entrou: de uma vez, chegaram Cissokho, Michel Bastos, Lisandro López e Gomis. Já a Fiorentina, sem muita grana à disposição, perdeu Felipe Melo para poder fazer mercado, mas ainda não se encontrou em campo nesse início de temporada e vê um Mutu psicologicamente perdido. Será a grande chance para Prandelli ter sua pior campanha como treinador viola. A dupla deve lutar pela segunda vaga, já que a primeira é de Benítez e seu Liverpool, agora com Aquilani marcando a presença italiana na terra da Rainha. Já o Debrecen é sério candidato. A deixar a Europa com seis derrotas em dezembro.

Liverpool (Inglaterra)
O estádio: Anfield (45.362 lugares)
O craque: Steven Gerrard
O treinador: Rafa Benítez
Avaliação: 5 estrelas
Início de temporada: pela Premier League, 4j, 2v, 2d
Melhor resultado na LC: cinco títulos (1977, 78, 81, 84, 05)

Lyon (França)
O estádio: Gerland (41.044 lugares)
O craque: Jérémy Toulalan
O treinador: Claude Puel
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Ligue 1, 4j, 3v, 1e; eliminou o Anderlecht nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: três quartas-de-final (2004, 05, 06)

Fiorentina (Itália)
O estádio: Artemio Franchi (47.282 lugares)
O craque: Adrian Mutu
O treinador: Cesare Prandelli
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Serie A, 2j, 1v, 1e; eliminou o Sporting nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: vice-campeã (1957)

Debrecen (Hungria)
O estádio: Oláh Gábor Út (10.200 lugares)
O craque: Zoltán Kiss
O treinador: András Herczeg
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela Soproni Liga, 4j, 3v, 1d; venceu a Szuperkupa sobre o Honvéd; eliminou Kalmar, Levadia Tallinn e Levski Sofia nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

GRUPO F
Eto'o x Barcelona, Ibrahimovic x Inter. O reencontro já será na próxima quarta-feira e começa bem intenso, com as provocações do sueco de que a Inter só voltou a vencer quando contou com ele. Enquanto Guardiola venceu tudo o que disputou até agora como treinador, a Mourinho cabe a missão de devolver a Europa à Internazionale. A dupla não deve ter problemas para se classificar no grupo, ainda que os perigosos Rubin Kazan (líder e provável campeão russo) e Dinamo Kiev (com o retorno de Shevchenko) não sejam galinhas mortas. A dupla do Genoa Milito-Motta caiu como uma luva no 4-3-1-2 de Mourinho, e Sneijder parece ser o próximo a se encaixar no esquema do português. Se o ataque é mortal, a defesa com base na seleção brasileira também é fantástica, com Júlio César, Maicon e Lúcio.

Barcelona (Espanha)
O estádio: Camp Nou (98.772 lugares)
O craque: Lionel Messi
O treinador: Josep Guardiola
Avaliação: 5 estrelas
Início de temporada: pela Liga BBVA, 1j, 1v; venceu a Supercopa sobre o Athletic; venceu a Supercopa da Uefa sobre o Shakhtar
Melhor resultado na LC: três títulos (1992, 06, 09)

Internazionale (Itália)
O estádio: San Siro (80.074 lugares)
O craque: Júlio César
O treinador: José Mourinho
Avaliação: 5 estrelas
Início de temporada: pela Serie A, 2j, 1v, 1e; perdeu a Supercoppa para Lazio
Melhor resultado na LC: dois títulos (1964, 65)

Dinamo Kiev (Ucrânia)
O estádio: Lobanovsky Dynamo (16.900 lugares)
O craque: Andriy Shevchenko
O treinador: Valery Gazzayev
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Premier-Liha, 6j, 5v, 1e; venceu a Superkubok sobre o Vorskla Poltava
Melhor resultado na LC: três semifinais (1977, 87, 99)

Rubin Kazan (Rússia)
O estádio: Central Stadium (30.133 lugares)
O craque: Sergei Semak
O treinador: Gurban Berdiyew
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Premier-Liga, 20j, 13v, 4e, 3d
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

GRUPO G
Com o Sevilla de cabeça-de-chave, era improvável que o grupo tivesse algum bicho-papão. Até por isso, todos ansiosos por Rangers x Unirea, certo? A péssima fase do futebol escocês pode engolir o Rangers e fazê-los entregar de bandeja as duas vagas para Sevilla e Stuttgart.

Sevilla (Espanha)
O estádio: Ramón Sánchez Pizjuán (45.500 lugares)
O craque: Luís Fabiano
O treinador: Manolo Jiménez
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Liga BBVA, 1j, 1d
Melhor resultado na LC: quartas-de-final (1958)

Rangers (Escócia)
O estádio: Ibrox Stadium (51.082 lugares)
O craque: Nacho Novo
O treinador: Walter Smith
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Premier League, 3j, 3v
Melhor resultado na LC: semifinalista (1960)

Stuttgart (Alemanha)
O estádio: Mercedez-Benz Arena (55.896 lugares)
O craque: Aliaksandr Hleb
O treinador: Markus Babbel
Avaliação: 3 estrelas
Início de temporada: pela Bundesliga, 4j, 1v, 2e, 1d; eliminou o Timisoara nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: oitavas-de-final (2004)

Unirea Urziceni (Romênia)
O estádio: Tineretului (7.000 lugares)
O craque: Iulian Apostol
O treinador: Dan Petrescu
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela Liga I, 5j, 3v, 1e, 1d; perdeu a Supercupa para o Cluj
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

GRUPO H
Como tem sido de praxe nos últimos anos, mais um grupo totalmente abordável para o Arsenal. Os ingleses, que só possuem três ingleses (e sete franceses) no elenco, começaram a temporada a todo vapor e não devem ter problemas. Olympiacos e AZ devem travar uma boa luta pela segunda vaga do grupo.

Arsenal (Inglaterra)
O estádio: Emirates Stadium (60.355 lugares)
O craque: Cesc Fàbregas
O treinador: Arsène Wenger
Avaliação: 4 estrelas
Início de temporada: pela Premier League, 3j, 2v, 1d; eliminou o Celtic nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: vice-campeão (2006)

AZ Alkmaar (Holanda)
O estádio: DSB Stadion (17.150 lugares)
O craque: Moussa Dembélé
O treinador: Ronald Koeman
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Eredivisie, 5j, 4v, 1d; venceu o Johan Cruijff Schaal sobre o Heerenveen
Melhor resultado na LC: estreante na fase de grupos

Olympiacos (Grécia)
O estádio: Karaiskakis Stadium (33.334 lugares)
O craque: Antonios Nikopolidis
O treinador: Temuri Ketsbaia
Avaliação: 2 estrelas
Início de temporada: pela Ethniki Katigoria, 1j, 1v; eliminou Sheriff e Slovan Bratislava nos play-offs da LC
Melhor resultado na LC: quartas-de-final (1999)

Standard Liège (Bélgica)
O estádio: Maurice Dufrasne (30.030 lugares)
O craque: Steven Defour
O treinador: László Bölöni
Avaliação: 1 estrela
Início de temporada: pela Jupiler League, 5j, 1v, 4e; venceu a Supercopa Belga sobre o Genk
Melhor resultado na LC: semifinalista (1962)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Preview: Liga Europa 2009-10

Na última vez em que venceu o torneio, Crespo marcou na final pelo Parma

Tentaram de tudo com a Copa da Uefa, que durou 39 anos e nunca foi um completo sucesso. Verdadeiro "lado C" europeu até a extinção da Recopa Europeia, em 1999, só depois daí é que conseguiu se tornar uma competição de segunda linha. O fato da Liga dos Campeões aceitar o ingresso até dos quartos colocados de Espanha, Inglaterra e Itália enfraquecia a competição - e mais financeiramente que tecnicamente. Nos dois últimos anos, foi possível ver semifinalistas entrando com time reserva para poupar seus titulares para seus campeonatos domésticos.

Com uma pseudo-recauchutada, a Liga Europa foi lançada. A principal alteração foi a exinção da Copa Intertoto e o inchaço das fases preliminares, com todos os países (exceto Liechstestein, Andorra e San Marino) tendo direito a pelo menos três vagas. Já a fase de grupos perdeu seu caráter amador ao espalhar seus 48 times em 12 grupos de quatro, ao invés dos grupos com cinco times enfrentando-se só em jogos de ida. Ainda que continue longe do prestígio da Liga dos Campeões, um título é sempre um título. E os três representantes italianos (Genoa, Lazio e Roma) têm bons motivos para não relegar a primeira LE ao segundo plano.

O Shakhtar, campeão da última Copa da Uefa, caiu na terceira preliminar da Liga dos Campeões e terá chance de defender seu título se chegar à final de Hamburgo, em 12 de maio. A fase de grupos será aberta na próxima quinta-feira, dia 17. Os canais ESPN transmitirão o torneio na TV fechada, enquanto na aberta os direitos são da RedeTV. Confira uma pequena prévia da fase de grupos, com destaque para os de presença italiana:

GRUPO A
Ajax (Holanda), Anderlecht (Bélgica), Dinamo Zagreb (Croácia) e Timisoara (Romênia)

Holandeses e romenos partem como favoritos: os primeiros, pela tradição; os últimos, pela boa fase recente. O Anderlecht é uma incógnita depois da humilhação sofrida pelo Lyon e parte como azarão, dessa vez.
Craque do grupo: Luis Suárez (Ajax)
Favoritos: Ajax e Timisoara

GRUPO B
Valencia (Espanha), Lille (França), Slavia Praga (República Tcheca) e Genoa (Itália)

O grupo da morte. Ainda que seja complicado prever um retorno do Slavia a seus melhores dias, não são poucas as chances de Valencia ou Genoa dar um adeus prematuramente à Europa no caso de algum tropeço bobo. Gasperini, revelação da temporada passada, perdeu meio time e trouxe outro inteiro de um campeonato para outro. E seu Genoa só mudou para melhor, como já tinha acontecido há um ano atrás. A largada com duas vitórias na Serie A é qualquer coisa de fenomenal para um time que havia se habituado a estar longe dos holofotes, nos últimos anos. Com opções no mesmo nível dos titulares, o Genoa não deve ter problemas para conciliar Itália e Europa.
Craque do grupo: David Villa (Valencia)
Favoritos: Valencia e Genoa

GRUPO C
Hamburgo (Alemanha), Celtic (Escócia), Hapoel Tel-Aviv (Israel), Rapid Viena (Áustria)

Os alemães comemoram o sorteio sem dificuldades. Basta evitar algum tropeço com o Celtic para vencer o grupo sem dificuldade, mesmo poupando alguns titulares. O Hapoel corre por fora na luta pela segunda vaga.
Craque do grupo: Zé Roberto (Hamburgo)
Favoritos: Hamburgo e Celtic

GRUPO D
Sporting Lisboa (Portugal), Heerenveen (Holanda), Hertha Berlim (Alemanha), Ventspils (Letônia)

No pote 3 do sorteio, o Hertha causava um certo temor, depois substituído por um alto desconforto para seus colegas de grupo. No papel, luta contra o Sporting pela primeira posição do grupo. Na prática, é bom ter cuidado na Holanda.
Craque do grupo: João Moutinho (Sporting)
Favoritos: Sporting e Hertha

GRUPO E
Roma (Itália)
, Basel (Suíça), Fulham (Inglaterra), CSKA Sofia (Bulgária)

A Roma teve suas últimas quatro campanhas europeias encerradas por ingleses: Boro, ManUnited e Arsenal. O Fulham será um bom tira-teima. Se um dos dois tropeçar, os suíços podem surpreender. Totti, Juan, De Rossi, Vucinic, Doni, Mexès... Na verdade, não faltam jogadores top de linha para a Roma, mas o banco continua sendo um problema para essa temporada, já que lesões são qualquer coisa de comum em Trigória. A mudança de comando depois do início desastroso de temporada só não põe tudo a perder porque esse "tudo" já havia sido perdido há mais tempo. Se se encontrar em campo, apesar dos problemas, é um time para lutar pelo título.
Craque do grupo: Francesco Totti (Roma)
Favoritos: Roma e Fulham

GRUPO F
Panathinaikos (Grécia), Galatasaray (Turquia), Dinamo Bucareste (Romênia), Sturm Graz (Áustria)

Um dos grupos mais equilibrados tem potencial perigoso - e não de um bom jeito. Os três favoritos têm torcidas apaixonadas que já cruzaram a linha da violência e ainda há o tenso encontro entre turcos e gregos.
Craque do grupo: Giorgos Karagounis (Panathinaikos)
Favoritos: Panathinaikos e Galatasaray

GRUPO G
Villarreal (Espanha), Lazio (Itália), Levski Sofia (Bulgária), Red Bull Salzburg (Áustria)

O grupo de mais fácil definição: espanhois em primeiro e italianos em segundo, enquanto os outros se preocupam apenas em evitar o vexame de sair sem alguma vitória sequer. Ballardini chegou à Lazio com a missão de continuar um trabalho que, críticas e perseguições à parte, vinha sendo bem conduzido por Delio Rossi. Logo em sua estreia, o título da Supercoppa sobre a Inter dá uma boa moral para a continuidade do trabalho laziale, com 100% de aproveitamento nas duas primeiras rodadas da Serie A. Olho no renascer de Baronio, atuando bem como regista nesse início de temporada.
Craque do grupo: Giuseppe Rossi (Villarreal)
Favoritos: Villarreal e Lazio

GRUPO H
Steaua Bucareste (Romênia), Fenerbahçe (Turquia), Twente (Holanda), Sheriff (Moldávia)

O Twente joga para ser a zebra do grupo, na tentativa de começar aquela batida história de time jovem se estabelecendo no cenário europeu. Para isso, deve surpreender na Romênia, já que a fase do Fener está tão boa quando o time no papel.
Craque do grupo: Alex (Fenerbahçe)
Favoritos: Steaua e Fenerbahçe

GRUPO I
Benfica (Portugal), Everton (Inglaterra), AEK Atenas (Grécia), BATE Borisov (Bielorrússia)

Ainda que o instinto logo aponte os dois favoritos do grupo, não dá para simplesmente descartar AEK e BATE. Até porque o andar da Premier League pode fazer o Everton jogar com reservas cedo demais.
Craque do grupo: Mikel Arteta (Everton)
Favoritos: Benfica e Everton

GRUPO J
Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Club Brugge (Bélgica), Partizan Belgrado (Sérvia), Toulouse (França)

Quem não queria estar neste grupo? O último campeão da Copa Uefa larga bem na frente dos adversários, que devem se bater muito pela outra vaga. Partizan e Toulouse parecem ter alguma vantagem sobre os belgas.
Craque do grupo: Jádson (Shakhtar)
Favoritos: Shakhtar e Partizan

GRUPO K
PSV Eindhoven (Holanda), Kobenhavn (Dinamarca), Sparta Praga (República Tcheca), Cluj (Romênia)

Ainda que a fase do PSV não seja das melhores em qualquer competição que entre nos últimos anos, é impossível esperar sua queda prematura. O Cluj, mesmo reformulado depois da surpresa do ano passado, pode surpreender.
Craque do grupo: Balázs Dzsudzsák (PSV)
Favoritos: PSV e Kobenhavn

GRUPO L
Werder Bremen (Alemanha), Austria Viena (Áustria), Athletic Bilbao (Espanha), Nacional da Madeira (Portugal)

É tentador dizer que o Nacional vai se classificar, depois que os portugueses eliminaram o Zenit. Mas os russos não tiveram um bom verão europeu, na verdade. A aposta fica mesmo conservadora.
Craque do grupo: Mesut Özil (Werder)
Favoritos: Werder e Athletic