Subscribe Twitter Facebook

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

900 minutos em 9: 10ª rodada

Amauri foi um dos protagonistas da belíssima noite da Juve na goleada sobre a Samp (AP)


Após a décima rodada, a Inter segue na liderança da Serie A, após vencer o Palermo por 5 a 3, em duas pasrtidas emocionantes. Duas? Exatamente, porque o que se viu no Meazza foram dois tempos muito distintos. Na primeira etapa, os nerazzurri dominaram a partida com propriedade e chegaram a abrir quatro a zero, com ótimas atuações de Cambiasso, Stankovic, Eto'o e, especialmente, de Maicon e Balotelli. O brasileiro não tomou conhecimento do romeno Melinte (lateral direito improvisado na esquerda) e, contando com a ajuda de Stankovic e Eto'o, fazia daquele setor o mais perigoso da Inter. Balotelli, por sua vez, participou dos quatro gols da Inter antes de sair lesionado, no início do segundo tempo. Além de marcar dois gols (assim como Eto'o e Miccoli), Super Mario deu uma assistência e também sofreu um pênalti. No segundo tempo, ao passo que a Inter relaxou, Zenga mudou a equipe e o jogo quando tirou Melinte para colocar o atacante Abel Hernández, de apenas 19 anos. O uruguaio se movimentou muito bem e, ao lado do experiente Miccoli, deu muito trabalho para a defesa interista, que acabou sofrendo três gols em menos de vinte minutos, em má participação de Santon e duas falhas de Cordoba - que havia ido bem na última rodada. Depois disso tudo, a Inter ainda perdeu Eto'o por lesão, mas manteve-se calma para definir o resultado quando Maicon fez grande jogada individual e cruzou para Milito, de volta ao time, concluir para as redes.

Nos calcanhares da Inter segue a Juventus que, dessa vez, convenceu. Não é qualquer um que bate esta ótima Sampdoria com cinco gols, um feito parecido com o da Inter contra o Genoa, há duas rodadas. Já são 14 jogos de Del Neri contra a Juve: 13 derrotas e um empate. Ferrara manteve o 4-2-3-1 que usou contra o Maccabi Haifa pela Liga dos Campeões e o time ganhou muito, com Diego livre e fazendo ótima partida na criação. Giovinco foi bem pela esquerda e, pela direita, Camoranesi fez um de seus melhores jogos desde sua chegada em bianconero. A opção que parecia arriscada para confrontar uma Samp muito forte com Mannini e Ziegler pelas laterais, anulou completamente a dupla doriana, que sentiu a falta de Palombo na regência. Outro que ressurge é Amauri, com quatro gols nas últimas três partidas: mesmo com febre, marcou dois gols e deu uma assistência. Na defesa, Cannavaro provou sua lealdade a Lippi ao anular Cassano. Mas, ainda que a Juve tenha sido absurdamente superior, Rocchi errou feio ao não marcar um pênalti de Buffon sobre Ziegler quando o placar ainda estava no zero.

Desta vez, o lado rossoblù de Gênova pode ficar feliz. Após algumas semanas de má fase, a boa defesa do Genoa funcionou, dando segurança para que a equipe de Gasperini jogasse bem e vencesse a Fiorentina por dois a um. A partida foi muito disputada no meio-campo, e não teve muitas chances, embora tenha havido leve vantagem para os donos da casa, que contaram com atuações consistentes de Zapater e Rossi. Do lado viola, ironicamente, Jovetic foi muito mal e, após péssima fase, Montolivo foi o melhor viola em campo, com atuação participativa sobretudo ofensivamente: com seus chutes de longa distância e em jogadas construídas por ele, a Fiorentina esbarrou em Amelia algumas vezes. Se Amelia defendia bem, Sculli e Palladino se entendiam ainda melhor na frente. O primeiro gol do jogo nasceu quando o primeiro lançou para o segundo matar no peito e deslocar Frey com um toque de calcanhar. No segundo tempo, a Fiorentina chegou a empatar com Marchionni, mas o dia era mesmo do Genoa e Mesto logo deu números finais à partida, colocando o Genoa na sexta posição, um ponto à frente dos viola.

Quem quase entrou na zona de classificação para a Liga dos Campeões foi o Milan. Um "quase" que o Napoli sentiu bem durante 90 minutos da partida: o empate só saiu nos acréscimos do segundo tempo, num fim de jogo emocionante. O iníco fulminante do Milan, com Ronaldinho e Pato muito bem abertos pelos lados, garantiu dois gols em seis minutos. E então o Milan se acomodou em campo e deu espaço para o Napoli passar mais de uma hora chutando de onde dava - e de onde não dava. Mazzarri testou sua terceira opção tática em três jogos: um 4-2-3-1 que não deu lá muito certo, com Quagliarella nulo na frente e Lavezzi pela esquerda no meio-campo. O time rendeu bem mais depois que passou ao 3-4-3, apesar da inoperância de Dátolo pela meia-esquerda no segundo tempo. Aí foi "só" esperar o fim do jogo. Com a expulsão de Abate (pior em campo), o Napoli pressionou ainda mais e fez seus dois gols: uma bela bomba de Cigarini e um cabeceio para ressuscitar Denis. Mazzarri continua invicto no comando partenopeo, com sete pontos em três jogos. E poderia continuar com os 100%, não fosse a péssima arbitragem de Rizzoli que negou três pênaltis ao Napoli, um deles claríssimo. E não tomou atitude quanto ao laser que a torcida da casa apontava para os olhos de Dida e que agora vai custar 15 mil euros aos cofres do clube.

Quem dói nos olhos é a Roma, e que o diga Floro Flores. Em jogo equilibrado, a Udinese derrubou a equipe de Ranieri com dois gols de cabeça do atacante. É a terceira derrota seguida dos giallorossi, que haviam perdido para Livorno e Milan e não passam uma partida sem sofrer gol desde o dia 3 de maio, quando empataram em 0 a 0 com o Chievo. Os bianconeri foram cruéis no Friuli, vendo seu adversário pressionar e matando qualquer chance de reação em duas bolas paradas; cruzamentos de falta e escanteio, respectivamente. Os comandados de Pasquale Marino vinham - que coincidência - de três derrotas consecutivas. A cara da partida, equilibrada e de certa forma movimentada, mudou pouco quando a Udinese abriu o placar, bem como prosseguiu com o empate de De Rossi, que, por sinal, também saiu de cobrança de escanteio. Taddei foi expulso no início do segundo tempo, enquanto Basta levou o vermelho na reta final. Artilheiro do campeonato, Di Natale não marcou, mas chegou bem perto de um gol de placa ao tentar encobrir Doni, já no fim da partida. Quem voltou aos gramados foi Cicinho, fora desde março por conta de uma lesão no joelho direito.

Falando em times da capital em má fase, a síndrome do Olimpico continua afetando a Lazio. Nas 16 partidas jogadas em casa em 2009, os biancocelesti só venceram quatro (a última, em 23 de agosto, contra a Atalanta). O time de Ballardini segue em queda livre, não vence desde a segunda rodada e agora está a apenas um ponto da zona de rebaixamento. Não é à toa que Lotito já mandou nesta quinta-feira o elenco para se concentrar em Siena para a partida de domingo. Contra o Cagliari, foi um jogo sem emoção, muito travado no meio-campo, só com Matuzalém e Lazzari se sobressaindo no primeiro tempo. Depois do intervalo, a entrada de Mauri não foi o suficiente para fazer a torcida laziale jogar com o time. Sob vaias, Muslera deixou a cobrança de falta de Conti passar por baixo de suas pernas para que Matri marcasse o único gol do jogo. A Lazio, depois do bom começo de campeonato, é uma bomba prestes a estourar. Nenhum dos sete "dissidentes" (entre eles, Pandev, Ledesma e Stendardo) viajou para Siena e já se fala de um problema sério ligado a rescisões contratuais antecipadas, reinvidicações desses excluídos.

Por outro lado, o Parma continua sua campanha surpreendente. Para quem subiu com poucas expectativas, o quarto lugar é algo muito bom já na décima rodada. Dessa vez, o time de Guidolin bateu o bom Bari, que viu sua defesa desmoronar sem Salvatore Masiello e pela primeira vez na temporada levou mais de um gol em 90 minutos. Com o lateral em campo, foram só quatro gols sofridos em sete jogos. Contra o Parma, os de Bojinov e Paloschi ficaram barato. Quem também segue em boa fase é Serse Cosmi, que venceu seu segundo jogo desde que chegou para treinar o Livorno - ao contrário de Conte, que perdeu seu primeiro desde que assumiu a Atalanta. Mesmo com a dupla Lucarelli-Tavano de volta, quem decidiu foi o zagueiro Migliónico, que acertou um bom cabeceio depois de falha do goleiro Consigli.

O Livorno chegou a nove pontos, mesmo número do Bologna que, com a vitória na estreia de Colomba, pode sair logo da zona de rebaixamento. Sem Di Vaio, suspenso, aos poucos Adaílton vai fazendo seu o time rossoblù, com o terceiro gol em cinco jogos na temporada. Osvaldo e Viviano também deixaram sua marca: o ítalo-argentino aproveitando cruzamento de Lanna para ampliar e o goleiro defendendo todas as bolas importantes até ser furado por Calaiò, tarde demais. A vitória do Bologna não para os protestos que pedem a saída da presidente Menarini e ainda pôs a torcida nos calcanhares de Osvaldo, que na comemoração saiu provocando a curva bolonhesa. Mas a derrota do Siena derrubou Giampaolo, que deixa o time na lanterna da Serie A. A vice-lanterna é do Catania, que perdeu em casa para o Chievo.

Com a colaboração de Nelson Oliveira, Rodrigo Antonelli e Mateus Ribeirete.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 10ª rodada, clique aqui.

Seleção da 10ª rodada
Dida (Milan); Maicon (Inter), Migliónico (Livorno), Chiellini (Juventus), Antonelli (Parma); Camoranesi (Juventus), Lazzari (Cagliari), Palladino (Genoa); Amauri (Juventus), Floro Flores (Udinese), Balotelli (Inter)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

10ª rodada, ao vivo!

Olá, amigos! Transmitiremos a rodada do Italiano ao vivo aqui no blog. Também nos acompanhe em nosso Twitter.

Para comentar, use o chat abaixo ou coloque a tag #qt em sua mensagem no Twitter. Nesta quarta, Napoli x Milan e Juventus x Sampdoria, a partir das 17h30.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista: João Paulo Marangon

Novembro de 2007. Menos de uma semana depois da morte de Gabriele Sandri, um dérbi romano recebeu muita atenção. No meio das discussões sobre se o futebol italiano deveria ou não parar, o time primavera da Roma perdia por 1 a 0 para a Lazio, quando um camisa 11 arrancou do meio-campo, passou por três, tabelou com Bianchini e bateu firme de dentro da área pra marcar um belo gol sobre Degré. O empate saiu dos pés de João Paulo Marangon, irmão mais novo do goleiro Doni, tradicionalmente meia-direito do time no 4-1-4-1 de Alberto De Rossi - este, pai do meia Daniele De Rossi.

O jogo terminou em 3 a 3 e fez o lado esportivo da cidade botar os olhos sobre João Paulo, autor de seu primeiro gol na Itália. Mas no fim, sua única oportunidade - por assim dizer - foi ficar no banco de reservas em uma partida contra o Torino, pela Coppa Italia. Sem chances com Spalletti, hoje João Paulo já estourou a idade para ficar no elenco primavera e agora treina separado na Roma, aguardando algum clube. Falamos com ele.

Você treinava em algum clube no Brasil, antes de ir para a Itália?
Comecei jogando no infantil do Paulista de Jundiaí e, aos 15 anos, fui para o juvenil do Ituano, clube pelo qual ainda guardo um grande carinho até hoje.

Como foi sua chegada à Roma? Quem te procurou para ser contratado?
Vim para Roma tirar minha cidadania italiana e depois voltar ao Ituano. Quando cheguei, um empresário me perguntou se eu queria fazer testes em alguns times médios da Itália e eu aceitei. Aí meu irmão interveio e disse que, já que eu estava aqui, devia tentar primeiro na Roma. No inicio me assustei com a ideia, mas fiz o teste com personalidade e acabei sendo aprovado.

Havia pressão no vestiário, pelo fato de você ser irmão do Doni e talvez estar lá só por isso?
Pelo contrário, meus companheiros sempre me falaram que eu nunca seria prejudicado pelos outros pensarem assim. Outros jogadores trouxeram parentes para Roma, o Mancini trouxe o primo, o Cicinho trouxe o sobrinho, mas infelizmente não tiveram a mesma sorte que eu. Parentesco aqui não conta nada, os meninos eram muito bons, mas aqui eles são exigentes e analisam muitas coisas.

Brasileiros estão indo cada vez mais cedo para a Europa. O Caio Werneck, por exemplo, foi para a Roma no ano passado com apenas nove anos. Compensa sair tão cedo do país?
Não compensa. Melhor crescer perto da família, além do mais o futebol brasileiro é especialista em criar jogadores. Aqui é difícil para começar, quase sempre tem que começar de baixo. No Brasil, se o menino for bom, com 16 anos está no profissional. Mas isso aqui é praticamente impossível, até nas divisões inferiores.

Na temporada 2007-08, pelo time de Alberto De Rossi, você costumava atuar mais aberto pelo lado direito, mas jogou também pela esquerda, e até de centroavante, pela falta de um bom nome na posição. Essas mudanças no posicionamento atrapalharam sua adaptação?
Nunca atrapalharam não. O Della Penna [meia-esquerdo, esteve com a Itália no último Mundial Sub-20] e eu combinávamos antes do jogo de trocar de lado sempre, aqui os pontas sempre ficam muito abertos mesmo. Mas eu prefiro jogar pela direita.

Nessa mesma temporada, você marcou um gol contra a Lazio num dérbi primavera. Deu pra sentir o reconhecimento da torcida, depois desse gol?
Demais, o dérbi aqui é muito importante até nas categorias de base. Os dérbis primavera, particularmente, passam na televisão. Muitas pessoas vieram me dar os parabéns. Aquele dia foi especial para mim, nunca o esquecerei.

As equipes da Serie A costumam emprestar os jogadores da base para as divisões menores - e a Roma também segue isso, historicamente. Você não chegou a estrear na primeira divisão, é tão complicado assim ser lançado direto?
Muito difícil, tem que dar a sorte de o clube estar com poucos jogadores no elenco, ou alguns machucarem, e eles terem de apostar em você porque não têm outra opção (risos). Eu tive a sorte de ficar no banco no jogo Torino 3x1 Roma, mas infelizmente não entrei. É a política deles.

Sob o comando de Spalletti, pouca gente da base teve chance real no time de cima. Curci, Bovo, Rosi e Okaka foram as excessões, em mais de quatro anos de trabalho. Falta uma ligação entre a base e os profissionais?
A Roma é uma equipe grande, aposta sempre em jogadores já formados, de seleção, experientes... Esses aí estavam no elenco, mas também nunca tiveram muitas oportunidades. Hoje, o Okaka e o Cerci são os únicos que estão aqui. Com isso, a Roma acabou perdendo ótimos jogadores: Amelia, Pepe e D'Agostino hoje estão na seleção, tem também o Galloppa e muitos outros.

Você já tem alguma negociação engatilhada pros próximos meses?
No momento estou na Roma, mas treinando separado. O Della Penna e eu estávamos assim, mas agora que ele voltou do Mundial Sub-20, resolveram dar a ele a oportunidade de treinar junto do elenco. Infelizmente, eu pouco vou, só quando tem alguém machucado. Gostaria de voltar ao Brasil sim, faz três anos e meio que estou fora, tenho muita saudade. Mas sou pouco conhecido no país, é difícil arrumar um clube. Meus representantes estão vendo algo para quando se abrir o mercado para os campeonatos que começam em janeiro. Mas aqui na Europa é mais fácil, sou mais conhecido.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

900 minutos em 9: 9ª rodada

Antes desacreditado, o Milan de Nesta venceu três partidas em oito dias (Getty Images)

A mais morna das nove rodadas disputadas nesta Serie A não teve nenhuma alteração nas três primeiras colocações da tabela, mas foi palco da confirmação da boa fase de Milan, Napoli, Palermo, Atalanta, Bari e Cagliari. O Genoa, por sua vez, continua a levar muitos gols e Gasperini está mais pressionado do que nunca. Lazio e Roma, então, seguem sem empolgar ninguém. Os giallorossi refugaram após o bom início com Ranieri e a Lazio está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento, com apenas duas vitórias em nove partidas.

A semana foi a melhor possível para o Milan. Após vencer a Roma de virada e os galáticos do Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu, em duas ótimas partidas de Alexandre Pato, os rossoneri mais uma vez venceram de virada pela Serie A. No Bentegodi de Verona, a semana de sonho dos milanistas parecia que ia acabar em pesadelo, quando o Chievo saiu na frente com um belo gol de Pinzi e continuou pressionando durante todo o primeiro tempo e o início do segundo. Pellissier perdeu duas chances muito boas, que poderiam ter matado o jogo. Mesmo sem o domínio da partida, o Milan levava perigo, obrigando Sorrentino a parar Pato, Ronaldinho, Seedorf e Inzaghi. O goleiro veronese só não conseguiu parar três cabeçadas: duas delas quando Borriello (que substituiu um pífio Huntelaar, candidato a Bidone d'Oro) acertou o travessão e acabou deixando Nesta livre para cabecear para as redes. A terceira veio já nos acréscimos, quando o ex-defensor da Azzurra (melhor rossonero da temporada) fulminou para as redes e marcou sua doppietta providencial. Minutos antes, Dida fez uma defesa fenomenal e importantíssima após cabeceio de Granoche, que só não o colocará na seleção da rodada porque Frey teve uma jornada fabulosa.

Em Florença, Frey roubou a cena na partida entre Fiorentina e Napoli, a mais disputada desta rodada. Ambas as equipes tiveram muitas chances durante a partida e embora a Fiorentina tivesse dominado o jogo por todo o segundo tempo, os lances de maior perigo foram dos azzurri. Inspirado, o goleiro viola começou a trabalhar no primeiro tempo, quando espalmou bomba de Maggio no primeiro minuto e ao fazer uma dupla defesa em chutes à queima-roupa de Lavezzi e Hamsik. Já no segundo tempo, o francês continuou evitando gols dos visitantes, sobretudo de Quagliarella. Frey venceu o atacante partenopeo até mesmo num pênalti bem cobrado pelo atacante da Azzurra, quando saltou no cantinho para evitar seu gol. No entanto, Frey nada pode fazer quando a defesa viola cochilou e permitiu que, pela segunda vez, Maggio marcasse o gol do Napoli no final do jogo. Mazzarri, expulso por reclamação, parece ter dado outro fôlego a esta equipe, que agora está na zona de classificação para a Liga Europa.

Em outro jogo que envolvia postulantes à zona das competições europeias, o Palermo venceu a Udinese. No início do jogo, os donos da casa tiveram azar com a lesão de Balzaretti. Blasi entrou no centro do meio-campo e Pastore foi deslocado para a ala esquerda, mas não deu muito certo. Em uma partida fechada, ambas as equipes tentaram jogadas pelas laterais e arriscaram muito de fora da área, exigindo boa participação dos goleiros Handanovic e Sirigu (outra vez escolhido em lugar de Rubinho). Sanchez e Di Natale tiveram boas chances em jogadas individuais, mas Migliaccio foi decisivo nas duas: na primeira, cometeu pênalti que o juiz não deu e, na segunda, recuperou-se para desarmar Di Natale, que já havia driblado Sirigu e estava frente ao gol aberto. O gol da vitória rosanera só poderia ter saído mesmo de um chute de fora da área. No fim do jogo, Bovo pegou um sem pulo após rebote da defesa friulana e contou com um desvio em Asamoah para dar os três pontos a seu time.

Inter e Samp venceram com facilidade em jogos decididos no primeiro tempo, mantendo-se na liderança e na vice, respectivamente. Em dia histórico, Javier Zanetti completou 635 partidas na Serie A, igualando Giacinto Facchetti como segundo jogador na história com mais jogos pelos nerazzurri. Samuel e Stankovic, poupados, e Cambiasso, lesionado, não fizeram falta à Inter, que contou com boas atuações de Vieira e Córdoba. A estratégia de Mourinho era partir logo para o ataque para depois cozinhar o jogo e assim, a equipe fez dois gols logo no primeiro tempo, com um lance de sorte de Muntari e um belo gol de falta de Sneijder. Para os interistas, a se lamentar apenas o gol sofrido após pênalti inexistente em Plasmati, originado por uma falha de Júlio César.

Mais cedo no sábado, a Sampdoria não teve qualquer dificuldade para atropelar o Bologna, que estreava Franco Colomba como novo treinador. Ainda no primeiro tempo, com Cassano, Pazzini e Mannini jogando por música, saíram os quatro gols da vitória blucerchiata por quatro a um. Cassano participou com duas assistências, Pazzini com um gol e uma bela assistência e Mannini (uma das melhores contratações do mercado) fez dois gols. O Bologna também terá problemas para a próxima rodada, já que Di Vaio foi expulso. Quem sabe Osvaldo, que marcou o gol de honra rossoblù, possa substitui-lo dignamente. Por sua vez, a Juventus não deixou que Inter e Sampdoria escapassem, e terá a chance de assumir a vice-liderança no confronto direto contra a equipe de Del Neri na quarta, em Turim. Em boa partida de Diego (não tanto quanto as primeiras), os bianconeri derrotaram o Siena com um gol de Amauri e empurraram o Siena para a lanterna da Serie A. Marco Giampaolo deve ser demitido, enfim.

Na Sardenha, o Cagliari conquistou sua primeira vitória em casa contra um Genoa que parece não saber mais o que é vencer. Allegri deu ao brasileiro Nenê a primeira chance de começar entre os titulares e Gasperini, preocupado com sua defesa, escalou seu time com quatro zagueiros (Sokratis e Bocchetti nas laterais) e um meio-campo super físico (Rossi, Juric e Milanetto). Porém, todo o planejamento de Gasperson foi por água abaixo quando Juric se machucou ainda no início e Zapater entrou em seu lugar. Os rossoblù visitantes até chegaram a ficar duas vezes na frente no placar, com Mesto e Floccari, mas o Cagliari jogou melhor, teve espírito de reação e empatou duas vezes em lances polêmicos. O primeiro empate surgiu após jogada de pinball na área adversária, que Biondini concluiu para as redes. No entanto, houve muitas dúvidas se Agostini estava impedido quando recebeu lançamento de Cossu no início de tudo. No segundo empate, o mesmo Cossu chutou e a bola desviou na mão de Moretti. Não pareceu intencional, mas Gabriele Gava expulsou o defensor grifone por segundo amarelo. Nenê converteu e pouco depois, já no fim do jogo e com um a mais, o Cagliari chegou à vitória após gol de Lazzari. Mesmo com tantos incidentes, o Genoa não jogou bem e Gasperini começa a sentir sua batata assando.

Hoje, o Bari estaria classificado para a Liga Europa. No San Nicola, a mais nova vítima dos biancorossi foi a Lazio, que não vence desde a segunda rodada. Em um jogo no qual os mandantes dominaram francamente desde o início, o primeiro gol saiu após um belo lançamento de Almirón para conclusão de Barreto. A partir de então, Almirón e Donati venceram todos os duelos no meio-campo, permitindo que o Bari jogasse nos contra-ataques e explorando a velocidade de Alvarez . No segundo tempo, Meggiorini fez o segundo e sobrou tempo para a estreia do jovem e promissor Koman (destaque da Hungria no Mundial sub-20) e para a expulsão de Dabo. Ballardini, um tanto insatsfeito, disse que estava sendo difícil não contar com Pandev e Ledesma, afastados por não renovarem seus contratos. A outra surpresa da temporada, o Parma, acabou jogando mal contra a Atalanta e saiu derrotada do Atleti Azzurri d'Italia. A defesa crociata, que foi bem nas rodadas anteriores, acabou sentindo a ausência de Paci (gripado) e falhou muito - como nos gols de Tiribocchi e Peluso, além de outras duas chances claras para os donos da casa. Também houve espaço para um pênalti infantil cometido pelo experiente Panucci, que colocou a mão na bola em uma jogada despretensiosa. No entanto, é necessário dar méritos também para Antonio Conte, que não sabe o que é perder desde que sentou no banco nerazzurro, na quarta rodada.

E, quando menos se esperava, a Roma superou todas as expectativas e voltou a romar - verbo utilizado quando alguma coisa, geralmente o time giallorosso, deixa algum resultado escapar no último minuto ou não cumpre com as expectativas geradas. Um time em ascenção que jogava em casa contra o lanterna, que estreava o bom Serse Cosmi na função de treinador. Vitória certa. Ou não. Porque, como já sabemos, a Roma romou e sofreu o gol de um certo Tavano, recente ex-atacante que figura entre as piores contratações do clube na década, que deu a primeira vitória ao Livorno no campeonato. E não soube se aproveitar nem da expulsão infantil do goleiro De Lucia no início do segundo tempo. Vucinic e Perrotta perderam inúmeras boas chances, Faty não foi bem na armação, Taddei continua em sua péssima fase e o dia romanista foi pro saco em definitivo quando Pit fez sua estreia. Depois de três anos sem chances para o romeno, hoje o motivo ficou bem claro. No fim do jogo, Ranieri ainda declarou que sem Totti ficava difícil ganhar. Qual o problema, então?

Texto com colaboração de Braitner Moreira

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 9ª rodada, clique aqui.

Seleção da 9ª rodada
Frey (Fiorentina); Cordoba (Inter), Nesta (Milan), Bovo (Palermo); Maggio (Napoli), Padoin (Atalanta), Almirón (Bari), Cossu (Cagliari), Mannini (Sampdoria); Cassano (Sampdoria), Pazzini (Sampdoria).

domingo, 25 de outubro de 2009

9ª rodada ao vivo!

Olá, amigos! Nesta manhã de domingo acompanharemos ao vivo, aqui no blog, Siena x Juventus e Fiorentina x Napoli, jogos válidos pela 9ª rodada da Serie A. Também nos acompanhe em nosso Twitter.

Para comentar, use o chat abaixo ou coloque a tag #qt em sua mensagem no Twitter.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

900 minutos em 9: 8ª rodada

Stankovic, voltando a brilhar, brinca: e foi mesmo fácil derrotar o Genoa (AP Photo)

A Inter foi a grande beneficiada pelos resultados desta rodada. Primeiro, porque a Juventus empatou com a Fiorentina em casa, no primeiro jogo da rodada e, depois, por causa da acachapante goleada nerazzurra por cinco a zero sobre o Genoa, no Marassi. Com o empate da Sampdoria no domingo, a Inter abriu dois pontos de vantagem sobre a segunda colocada e quatro em relação a Juventus. O outro lado de Milão também está feliz, por que o Milan se aproximou da parte de cima tabela graças a uma ótima vitória de virada sobre a Roma, que contou com os resurgimentos de Pato e, sobretudo, Ronaldinho. Outras equipes que também também estão chegando são Parma, Bari e Palermo. Na parte de baixo da tabela, Napoli, Catania e Atalanta dão sinais de que podem começar a respirar ares melhores nas próximas semanas.

No jogo de Turim, emoção mesmo só na primeira metade do primeiro tempo. Jovetic e Vargas, melhores jogadores da viola na partida e na temporada, se aproveitaram da debilidade de Grygera na lateral direita para bolarem a jogada do gol e ataques durante toda a partida. O lado direito da defesa viola, supostamente guardado por Comotto, também oferecia espaço para os ataques da Juventus. Quinze minutos após o gol viola, o loiro Poulsen fez a torcida lembrar Nedved quando deu um passe fantástico para Iaquinta (que havia perdido dois gols incríveis) se redimir e dar belo passe para Amauri marcar seu primeiro gol desde fevereiro. Após o quarto jogo seguido sem vitória, Ferrara e a real qualidade do elenco da Velha Senhora começam a ser contestados. Os brasileiros Diego e Felipe Melo também: o ex-santista por ter caído de rendimento e Melo por ainda não ter se encaixado bem no esquema. Enquanto isso, Prandelli, que chegou a ser criticado no início da temporada, vai ganhando paz graças a supracitada dupla de canhotos, que acertaram seu 4-2-3-1.

A Inter, por sua vez, não teve nenhum trabalho para massacrar o Genoa. Sem Eto'o e Milito, esperava-se um jogo duríssimo, até mesmo com leve favoritismo a favor dos donos da casa. Porém, o gol de Cambiasso (com desvio de Modesto) logo no início foi um duro golpe nas pretensões rossoblù. Mourinho foi feliz ao escalar seu time em um 4-3-2-1, apostando em um meio-campo forte e ativo, que dominou o adversário. Mais à frente, o português confiou na dupla Sneijder-Stankovic logo atrás de Balotelli. O holandês fez sua melhor partida na Itália e participou de três dos cinco gols. Déki jogou muito bem e ainda marcou um golaço, ao responder a um erro de Amelia com um chute de primeira do meio-campo. Balotelli, meio nervoso no início, também fez boa partida, coroada com seu primeiro gol na temporada. Vieira (até ele) marcou o quarto e Maicon fechou a conta. Com 16 gols sofridos, o Genoa já tem a pior defesa do campeonato. Se não corrigir isto, Gasperini não levará seu time a lugar algum.

Em Údine, partida opaca dos donos da casa, que não puderam contar com Di Natale para o início da partida e acabaram sendo as primeiras vítimas da Atalanta de Antonio Conte. Depois de três empates consecutivos, a primeira vitória nerazzurra foi suficiente para tirar a equipe da zona de rebaixamento. A se destacar a participação de De Ascentis, que há poucas semanas atrás estava sem contrato, após não renovar com a mesma Atalanta: em seu primeiro jogo como titular desde seu retorno, marcou um golaço de fora da área e deu uma assistência. O chileno Valdés também marcou um belíssimo gol de longe e Tiribocchi vai ganhando a vaga de titular do time, após marcar seu segundo gol. Acquafresca, que ficará fora por um mês, que se cuide.

Outro time que venceu pela primeira vez nesta rodada foi o Catania, que passou pelo Cagliari por dois a um. Atzori escalou o time com algumas surpresas: Morimoto, Biagianti e Andújar foram poupados, e começaram no banco. No gol, estreou Campagnolo, ex-Reggina, e na linha, o time foi a campo num 4-3-3, com Ricchiuti pela esquerda, Martínez pela direita, Mascara no centro. Em um jogo corrido, mas em que pouco se finalizou (apenas cinco vezes, três gols e uma na trave), Ricchiuti, 31 anos, marcou seu primeiro gol na Serie A ao fim do primeiro tempo. Logo depois, numa das raras chances criadas pelos visitantes, Dessena respondeu pegando de bicicleta cruzamento de Marzoratti, arrancando aplausos no Massimino. O meio-campo do Cagliari não jogou bem, com exceção do ex-jogador do Parma, que tem se salvado nesta má campanha de até então. Cossu, um dos pilares rossoblù, não entrou em campo. Allegri demorou demais para fazer substituições, deixando, por exemplo, um apagado Matri até o finalzinho do jogo. Já Atzori foi perfeito nas substituições, e o time foi outro após as entradas de Morimoto e Biagianti. Investindo em cruzamentos na área adversária (foram 30 no total), o Catania deu números finais à partida após Morimoto lançar para Martínez marcar seu segundo nesta Serie A.

Lazio e Sampdoria, o jogo mais aguardado da manhã de domingo teve no árbitro Daniele Orsato o maior destaque, pelo lado negativo. Sua arbitragem pífia foi criticada, com razão, depois da partida tanto por Ballardini, que reclamou de pênalti em Zárate, quanto por Del Neri, que também reclamou dois pênaltis. Num dos lances, Pazzini foi atingido fortemente por Muslera e teve de ser levado ao hospital. Mas, falando de futebol, a Lazio contou com o retorno de Brocchi, que não atuava desde a primeira rodada. Mas foi a Samp quem saiu na frente após ótima jogada de Cassano dentro da área, terminada em uma troca de passes entre Pazzini e Padalino, e um belo cabeceio do atacante doriano. Dois minutos depois, Matuzalém respondeu chutando de primeira um cruzamento de Rocchi antes de a bola cair. Ainda sobrou tempo para Padalino e Baronio serem bem expulsos, aliviando um pouco a barra de Orsato. Nos dez minutos finais, Cassano acertou o travessão, e os donos da casa tiveram três chances defendidas por Castellazzi: duas com Cruz e uma com Mauri. Pelo demonstrado no domingo, esta Samp não é mesmo favorita ao título.

A vitória do Palermo sobre o Livorno também teve problemas de saúde como foco principal. Rubinho ganhou nova chance como titular rosanero só porque Sirigu está gripado. Durante o jogo Pastore saiu por conta de uma febre e Tavano por problemas musculares. Porém, o lance de maior gravidade aconteceu quando o colombiano Rivas bateu a cabeça no chão e ficou desacordado. Ele foi levado ao hospital e passa bem. As saída de Tavano e Rivas proporcionaram as entradas de Danilevicius e Candreva, que mudaram o jogo momentaneamente. O atacante lituano esteve mais ativo que Tavano e Candreva ajudava Pulzetti no meio campo. Do próprio Pulzetti saiu o chute originário do gol, desviado por um impedido Danilevicius. Zenga, que manteve o mesmo esquema que deu a vitória aos rosaneri contra a Juventus, não viu seu time atrás no marcador por muito tempo, já que Miccoli logo empatou. A tática do ex-treinador do Catania se mostoru mais uma vez fundamental quando Balzaretti, ala esquerdo, virou o jogo graças a cruzamento de Cassani, ala direito.

No Bentegodi de Verona, o Bari mostrou novamente que joga melhor fora de casa e venceu o Chievo por dois a um. A vitória começou a ser construída cedo, quando Almirón marcou de cabeça. Depois disso, Sorrentino não trabalhou muito e muito menos Gillet, muito bem defendido pelos jovens Ranocchia e Bonucci. Ranocchia, aliás, teve sua atuação coroada pelo gol que marcou para ampliar o placar, que seria reduzido logo depois, com Bogdani, que se antecipou a Bonucci pela única vez no jogo. O resultado não preocupa tanto o Chievo, mas dá muita moral para o Bari, que chegou a 11 pontos e, ao lado de Inter e Fiorentina, tem a melhor defesa da Serie A, com apenas cinco gols sofridos. O ataque biancorosso por sua vez, preocupa: apenas oito gols marcados (por oito jogadores diferentes) e pouco destaque para Barreto e Meggiorini. O Parma também vai subindo na tabela sem encontrar dificuldades. Com Dzemaili e Bojinov escalados nos lugares de Mariga e Biabiany, a equipe não perdeu qualidade, como contra a Lazio. Criando muito com Galloppa e Dzemaili, os ducali chegaram mais uma vez foi uma vitória sem sustos, ante a um Siena cambaleante, que jogou com um a menos durante a maior parte do jogo, desde a expulsão de Fini por agressão a Morrone. O gol da vitória, marcado por Bojinov (impedido), foi pouco frente às chances criadas pelos gialloblù, que as desperdiçaram ou esbarrarm em Curci. O Siena por sua vez, não deve continuar com Giampaolo para o restante da Serie A.

Que o jogo só acaba quando termina nós já sabemos, mas o Napoli deu um belo exemplo desta máxima hoje, ao virar a partida contra o Bologna nos acréscimos. Na estreia de Walter Mazzarri, ex-Sampdoria, foram dois ex-jogadores blucerchiati que deram a vitória aos partenopei: Quagliarella e Maggio. Jogando de maneira veloz e agressiva, em oposição à apatia da era Donadoni, houve grande entendimento entre Quagliarella e Lavezzi, com boas participações de Dátolo, Gargano e Hamsik. Nem o belo gol de falta de Adaílton, solitária chance rossoblù até que Quagliarella empatasse o jogo aos 68 minutos, abalou os azzurri, que pressionaram e erraram muito. Destaque para os goleiros, que trabalharam bem: Viviano, o jogo inteiro, e De Sanctis, em milagre cara a cara com Di Vaio. Lavezzi, que superou desentendimentos na semana e foi o melhor em campo, também perdeu um gol cara a cara após disparar com velocidade desde a sua intermediária até o gol adversário. Porém, El Pocho se redimiu, ao achar Maggio livre na grande área para definir o resultado. Será que veremos um outro Napoli daqui para frente? O Bologna permanece o mesmo, flertando - e entrando - na zona de rebaixamento.

No último jogo da rodada, o Milan suspirou de alívio. Com grande atuação de Pato, com participação especial de Ronaldinho, os rossoneri viraram o jogo após saírem atrás no marcador graças a uma falha incrível de Thiago Silva, que errou o recuo de bola e deu chance para Ménez marcar. A Roma teve várias chances de ampliar sua vantagem no primeiro tempo, mas Dida, que substituiu Storari, fez boas defesas. Thiago Silva, pior defensor da rodada ao lado de Burdisso, chegou a cometer pênalti em Ménez, mas Rosetti não marcou. No segundo tempo, com Inzaghi em campo, o Milan voltou com postura mais agressiva. Não demorou muito para que o Milan dominasse a partida e empatasse o jogo, graças a um pênalti claro cometido por Burdisso sobre Nesta. Ronaldinho, que converteu a penalidade, acertou um lançamento genial minutos depois, deixando Alexandre Pato sozinho para virar a partida. O atacante, que já havia abusado da velocidade por outras duas vezes para puar contra-ataques perigosos, foi, sem dúvida o nome do jogo. Pela primeira vez em muito tempo, o Milan saiu merecidamente aplaudido de campo. Pelo menos nesta semana, Leonardo não corre riscos.

Texto com a colaboração de Braitner Moreira.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 8ª rodada, clique aqui.

Seleção da 8ª rodada
Castellazzi (Sampdoria); Maggio (Napoli), Ranocchia (Bari), Bonucci (Bari), Vargas (Fiorentina); Stankovic (Inter), Sneijder (Inter), De Ascentis (Atalanta); Balotelli (Inter), Pato (Milan), Ronaldinho (Milan).

sábado, 17 de outubro de 2009

8ª rodada, ao vivo!

Olá, amigos! Pela segunda vez, transmitiremos a rodada do Italiano ao vivo aqui no blog. Também nos acompanhe em nosso Twitter.

Para comentar, use o chat abaixo ou coloque a tag #qt em sua mensagem no Twitter.

- Domingo (Lazio 1x1 Sampdoria, Catania 2x1 Cagliari e Milan 2x1 Roma):



- Sábado (Juventus 1x1 Fiorentina, Genoa 0x5 Inter):



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Azzurragate

Fato é que não é qualquer seleção que leva três de Gilardino, numa Copa do Mundo (Getty Images)

Em 15 minutos, Gilardino marcou três gols para salvar a Itália de um vexame frente ao Chipre, em Parma. O suficiente para Lippi "dungar" e disparar contra o público que vaiou durante o jogo. Ora, se não se pode vaiar uma seleção campeã mundial que chega aos 30 minutos do segundo tempo levando 2 a 0 do Chipre... Mesmo que em campo estivessem os reservas (do time considerado titular, só começaram jogando Cannavaro e, vá lá, Gilardino), é preocupante que quem deveria buscar uma vaga no grupo para a Copa não tenha conseguido mostrar serviço.

Porque o "grupo", principal conceito no trabalho de Lippi, parece cada vez mais fechado. Em seus jogos como comandante italiano pós-Euro, foram chamados 48 jogadores para 19 partidas - dez das Eliminatórias, seis amistosos e três pela vergonhosa eliminação na Copa das Confederações. Na sua estreia, em agosto de 2008, Barzagli e Bonera faziam a zaga ainda no mostruoso 4-3-3 que Lippi herdara de Donadoni, com atacantes tortos pelas pontas. Contra a Irlanda nesse sábado, último jogo com titulares, a seleção pelo menos já mostra algum padrão. Ainda que isso não seja um elogio, longe disso: a única boa solução prática encontrada no ano foi Pirlo como trequartista.

No papel, os "números" do 4-2-3-1 do time de Lippi são os mesmos do Brasil de Dunga. O que mostra bem a diferença na forma em que os dois últimos campeões mundiais enfrentarão a próxima Copa. A dupla de volantes da Itália tem mais qualidade, mas só. As laterais brasileiras, com Maicon/Elano ou Daniel Alves pela direita, e André Santos/Robinho ou Nilmar pela esquerda, estão muito à frente das italianas com Zambrotta/Camoranesi e Grosso/Di Natale ou Iaquinta. Para não falar no ataque. Dá pra comparar a boa fase de Gilardino nos últimos dias com a boa fase de Luís Fabiano nos últimos meses?

No confronto com a imprensa, por outro lado, Lippi e Dunga vão por caminhos opostos. O brasileiro tem pegado mais leve nas últimas coletivas, enquanto o italiano perdeu de vez a paciência e, inseguro, resistente e irônico, não cansa de dar patadas nos jornalistas que insistem em pedir o óbvio: Cassano. Não que Lippi deva dar ao barês a camisa dez e a faixa de capitão de seu time. Mas é incrível o fato do jogador ainda não ter conseguido sua chance de dar a volta por cima vestido de azzurro, assim como já fez em blucerchiato.

Lippi defende que mudou a seleção. Mudou, de fato. Mas nem deu pra perceber. O 4-3-3 virou um 4-2-3-1 que adianta Pirlo e segura mais De Rossi, além de explorar menos a técnica de Camoranesi - o que é bom. Ainda assim, muito pouco para uma seleção completamente desmontada depois da queda prematura na Copa das Confederações. O grupo também passou a conviver com alguns novos nomes: Marchisio, Santon, Marchetti, D'Agostino, Bocchetti, Criscito. Mas só o primeiro deve chegar com reais chances de titularidade à Copa.

No caso de Cassano, a maior prova de que não dá simplesmente para descartar um talento numa Copa do Mundo foi dada pelo próprio Lippi. Em 2006, um Totti em frangalhos (que deve voltar ao grupo na próxima convocação) fez gol e deu quatro assistências, participando diretamente de cinco dos 12 gols da Itália no torneio. Como Lippi vai com seus próprios campeões, a Itália terá de esperar que a boa fase recente de Totti continue nos próximos meses. Porque talento e juventude não é a prioridade nos pensamentos do treinador, como alertou Arrigo Sacchi.

Quem vai, quem tá indo, quem ficou...
Dos 48 convocados por Lippi nesses 14 meses, nem todo mundo ainda planeja viajar para a África do Sul. Até porque 13 jogadores já estão praticamente garantidos na lista final de 23 para a Copa e ainda tem gente não-convocada que pode surgir de surpresa. De quebra, das dez vagas restantes, só oito são para jogadores de linha. O blog preparou uma lista dos "copáveis" italianos, em escala de 1 a 5.

5 - Só lesão ou algum outro desastre tira o pessoal daqui da Copa
Goleiro: Buffon (Juventus)
Defensores: Cannavaro (Juventus), Chiellini (Juventus), Grosso (Juventus), Legrottaglie (Juventus), Zambrotta (Milan)
Meias: Camoranesi (Juventus), De Rossi (Roma), Gattuso (Milan), Marchisio (Juventus), Pirlo (Milan)
Atacantes: Gilardino (Fiorentina), Iaquinta (Juventus)

4 - Largam na frente na disputa pelas vagas restantes, se a fase estiver boa
Goleiros: Marchetti (Cagliari), De Sanctis (Napoli)
Defensores: Gamberini (Fiorentina), Santon (Inter)
Meias: Palombo (Sampdoria), Pepe (Udinese)
Atacantes: Di Natale (Udinese), Rossi (Villarreal-ESP)

3 - Estão bem recentemente e correm por fora: podem aparecer de surpresa
Defensores: Criscito (Genoa)
Meias: D'Agostino (Udinese)
Atacantes: Quagliarella (Napoli), Pazzini (Sampdoria)

2 - Se arrebentarem até o fim da temporada, quem sabe. Mas é complicado...
Goleiro: Amelia (Genoa)
Defensor: Bocchetti (Genoa)
Meias: Aquilani (Liverpool-ING), Marchionni (Fiorentina), Montolivo (Fiorentina)

1 - Já assinaram o pacote em alta definição para acompanhar a Copa em casa
Goleiros: Curci (Siena)
Defensores: Barzagli (Wolfsburg-ALE), Bonera (Milan), Cassani (Palermo), Cassetti (Roma), Dossena (Liverpool-ING), Esposito (Genoa), Motta (Roma)
Meias: Biagianti (Catania), Brighi (Roma), Foggia (Lazio), Galloppa (Parma), Maggio (Napoli) Perrotta (Roma)
Atacantes: Floccari (Genoa), Mascara (Catania), Pellissier (Chievo) Toni (Bayern de Munique-ALE)

Há também quem ainda não foi convocado. Mas sempre tem gente pedindo e não duvide se um (ou dois...) deles aparecer na lista final:
Defensores: Moretti (Genoa), Nesta (Milan)
Meia: Mannini (Sampdoria)
Atacantes: Amauri (Juventus), Cassano (Sampdoria), Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan), Totti (Roma)

E, para quem não entendeu o título, é só clicar aqui.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Convocação de Lippi marca retorno de Totti à Azzurra

A notícia é fictícia, mas só por enquanto. Depois da troca de carinhos via imprensa entre o treinador e o atleta - que completou 33 anos no mês passado -, é mais que evidente a vontade dos dois em trabalhar juntos na seleção italiana novamente.

O jogador romanista decidiu se afastar da Azzurra logo após a Copa do Mundo. Oficialmente por motivos físicos, muito se questiona sobre até que ponto o fato de Roberto Donadoni ter assumido a seleção influenciou na decisão de Totti. Desde o retorno de Lippi, portanto, tem se especulado sobre a volta do atacante romano. O c.t. não havia até então demonstrado publicamente tanta disposição em realizá-la, embora não houvesse em momento algum parado de elogiar o jogador.

Agora, com a campanha nas Eliminatórias praticamente encerrada, a hipótese ganha ainda mais força. O capitão da Roma não atua com a camisa da seleção desde a final da Copa e, por conseguinte, não teve que suar para garantir a Itália na África do Sul, o que talvez cause - e com razão - certo desconforto no grupo. Fato é que este mesmo grupo necessita com certa urgência de criatividade.

Antonio Cassano, um dos poucos fuoriclassi nascidos na Bota, parece cada vez mais distante de uma convocação, por mais que já há tempos esteja atuando de forma agradabilíssima aos olhos de qualquer fã de futebol. Totti acaba sendo, como consequência das seguintes cortadas no barês e da notória ausência de Del Piero, que há mais de um ano não é chamado para defender a Nazionale, a esperança para um salto de qualidade na parte técnica da Itália.

Lippi treina Totti: cena deve se repetir em breve

O pós-Copa

Na temporada 2006/07, posterior à Copa, o romanista não só se firmou como homem de referência no ataque - função que vinha desempenhando desde 2005/06, com a chegada de Luciano Spalletti à capital -, como foi Chuteira de Ouro da Europa com 26 gols em 35 partidas. Nas duas temporadas seguintes, os números de atuação e gols caíram (25 j - 14 g; 24 j - 14 g, respectivamente). Problemas físicos de fato atrapalharam o passado recente do jogador, que, há alguns meses, pela primeira vez em anos, conseguiu realizar uma pré-temporada completa com o clube.

Aparentemente em condições de defender Roma e Itália ao mesmo tempo, adicionando a precariedade técnica dos nomes atuais e a voz do povo - Carlo Mazzone e até Giancarlo Abate, presidente da FIGC se mostraram favoráveis ao retorno do jogador -, é questão de tempo para a notícia fantasiosa do título se tornar realidade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Azzurrini perdem, mas saem aplaudidos

Cena comum no jogo: o juiz colombiano, Oscar Ruiz, mandou quatro para fora (Getty Images)

Com três gols marcados em plena prorrogação, Itália e Hungria fizeram na tarde de hoje uma das partidas mais emocionantes do Mundial Sub-20, até agora. Ao final dos 120 minutos de jogo, foram os húngaros que se deram melhor e asseguraram a vaga para as quartas de final da competição, onde enfrentarão a seleção de Gana.

Não era mesmo o dia dos azzurrini. Como se não bastasse o gol tomado logo aos dois minutos de jogo, os comandados de Rocca ainda fizeram uma partida ruim e só conseguiram marcar o tento de empate, para levar a partida para a prorrogação, aos 37 do segundo tempo. Mas por que, então, saíram do estádio sob o coro de “Itália, Itália!”?

A resposta é fácil: os egípcios se renderam ao espírito de luta dos italiano, que, mesmo com um a menos em campo, não desistiram e alcançaram o empate, por duas vezes. Primeiro, no tempo regulamentar, quando Mazzotta fez um bonito gol e recolocou os azzurrini no jogo. Depois, na prorrogação, quando Bonaventura empatou, menos de um minuto depois da Hungria fazer 2 a 1.

Na verdade, a partida de hoje poderia facilmente ser divida em duas. E a linha divisória seria exatamente o primeiro gol italiano. Antes dele, era um jogo normal, no qual a Hungria se defendia e tentava matar o jogo no contra-ataque, enquanto a pouca criatividade italiana não levava muito perigo ao gol de Gulacsi. Parecia que aquele placar magro, conquistado ainda no início do jogo, levaria a seleção do leste europeu para a próxima fase, até que Mazzotta marcou e transformou totalmente o jogo. A partir dali, se tornaria um duelo para ficar marcado na história do torneio.

O(s) jogo(s)
Em sua primeira investida ofensiva no jogo, com menos de um minuto, a Hungria já tinha conseguido um pênalti. Gentili, voltando de lesão, puxou Nemeth na área e o juiz não perdoou: falta e cartão amarelo. Na cobrança, Koman inaugurou o placar para os húngaros e computou o gol mais rápido desse Mundial.

Alguns minutos depois, Gentili falhou mais uma vez e deu a chance de Nemeth marcar o segundo. O atacante do Liverpool chutou forte e obrigou Fiorillo a fazer grande defesa. Passado o susto, a seleção italiana se recompôs e começou a atacar, tendo suas melhores oportunidades nas cobranças de escanteio do romanista Della Penna. Mas nada muito animador: fim do primeiro tempo.

No intervalo, Rocca trocou Misuraca por Eusepi, para dar um ponto de referência melhor para seu time. Funcionou, a Itália jogou no campo adversário o tempo inteiro, mas ainda corria perigo nos contra-ataques. A situação piorou aos 71 minutos, quando Gentili (sim, de novo ele) puxou Nemeth (idem) na entrada da área e recebeu o segundo amarelo. Com as três substituições já queimadas, o técnico azzurrini não pôde arrumar o time e os contra-ataques húngaros se tornaram ainda mais perigosos. Por sorte, uma das mudanças de Rocca tinha sido Bonaventura no lugar de Della Penna: o jogador da Atalanta entrou bem e deu passe preciso para Mazzotta empatar, aos 82.

Começava ali um novo jogo: a seleção da bota perderia mais um jogador de defesa, Bini, por falta dura em Koman; e o juiz cooperaria com a emoção, expulsando injustamente Szekeres, cinco minutos depois, quando Mustacchio simulou uma cotovelada no rosto. Não obstante, expulsou ainda os dois técnicos, por reclamação.

Na prorrogação, os italianos tentaram fazer o tempo passar. Cada chance de cair no chão era devidamente aproveitada e, por isso, o primeiro tempo foi pouco jogado. No segundo, (mais uma vez) Nemeth recebeu sozinho e driblou Fiorillo, para fazer 2 a 1. Contudo, a alegria da Hungria durou pouco: no minuto seguinte, Bonaventura apareceu de novo para resolver. Dessa vez com um gol, em um chute cruzado que Gulacsi não segurou.

Aos 115 minutos, o ultimo zagueiro italiano, Albertazzi, foi expulso, deixando ainda mais espaço para os húngaros. E, claro, Nemeth estava lá para aproveitar. O atacante recebeu em velocidade e deu números finais ao placar. Os garotos italianos ainda tentaram uma reação, mas com dois a menos e em tão pouco tempo não foi possível reverter o 3 a 2. Agora, a seleção de Rocca volta para o velho continente com um resultado esperado e com a moral lá em cima.
.
Itália x Hungria
ITÁLIA (4-2-3-1): Fiorillo; Bini, Gentili, Albertazzi, Mazzotta; Calderoni, Raggio Garibaldi (66’ Romizi); Della Penna (57’ Bonaventura), Mazzarani, Mustacchio; Misuraca (45’ Eusepi). Técnico: Rocca.
HUNGRIA (4-4-2): Gulacsi; Korcsmar (35’ Takacs), Szekeres, Szabo, Debreceni; Koman, Zambo, Kiss (42’Futacs) , Goszotonyi; Nemeth, Simon (14’ Dudas). Técnico: Egervari.
Árbitro: Oscar Ruiz (Colômbia)
Gols: 2’ Koman (U), 82’ Mazzotta (I), 112’ Nemeth (U), 113’ Bonaventura (I), 117’ Nemeth (U).
Amarelos: Albertazzi (I), Bini (I), Koman (U), Kiss (U), Duda (U), Szabo (U), Takacs (U).
Vermelhos: 71’ Gentili (I); 83’ Bini (I); 89’ Szekeres (U), Rocca (I) e Egervari; 115’ Albertazzi.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Napoli à deriva

É de se assustar mesmo, Donadoni... (GettyImages)

A vitória do Napoli contra o Siena, na sexta rodada, se fez mais por orgulho e nervos do que por esquemas e jogadas. Pouco depois do jogo, caiu o diretor geral Pierpaolo Marino. Na rodada seguinte, uma queda fácil demais para a Roma ainda em construção abalou demais as estruturas e, pronto, lá se foi também Donadoni, depois de 18 jogos e apenas quatro vitórias - aproveitamento de 33,3%. Em resumo, aquele bom clichê: o treinador não conseguiu fazer o Napoli ser mais do que um amontoado de jogadores que caberiam em qualquer outro clube italiano.

Fato é que Donadoni não pôde fazer muito. Foi o cara errado, na hora errada. O ex-treinador da Seleção Italiana e do Livono se notabilizou por trabalhos com equipes motivadas, pautadas no extracampo. Mas não se esperava que o ambiente partenopeo degringolasse de vez com a saída de Edoardo Reja. Incontrolável, o presidente Aurelio Di Laurentiis trouxe para si os holofotes desde a apresentação da atual temporada.

Quando comprou um Napoli alquebrado por cerca de 25 milhões de euros, há cinco anos, o produtor cinematográfico de alguns sucessos de Monicelli, Benigni, Lynch e Almodóvar admitia que o futebol não era seu mundo. Para isso, entregava o controle esportivo do clube às mãos de quem entendia do traçado. Como ao próprio Marino, campeão italiano com o Napoli nos tempos de Maradona e com três décadas de experiência. Ou a Edy Reja, ainda que seu pescoço tenha passado por uma dezena de cordas antes da degola. Com a dupla, o clube precisou de apenas quatro anos para sair da Serie C1 e retornar à Europa.

Com o sucesso napolitano, De Laurentiis resolveu que seu clube seria... seu. E passou a ser personagem frequente no noticiário esportivo, ainda que conheça muito pouco de futebol e "tenha muito o que aprender", segundo Donadoni. Como bom homem de cinema, criou um protagonista que exigia sua condição, numa das melhores reedições dos folclóricos Zamparini (Palermo) e Spinelli (Livorno). De Laurentiis fez-se, então, presidente, diretor, treinador e até jornalista. Deu errado, é claro.

De Laurentiis: a Aurelio o que é de Aurelio (Sport Magazine)

A queda de Pierpaolo Marino, um dos melhores diretores esportivos do futebol italiano, é de difícil explicação. Com sua ajuda, o Napoli se valorizou mais de 1000% em apenas cinco anos e hoje é avaliado em pelo menos 300 milhões de euros. Muito disso por boas ações do ex-diesse do clube: contratações baratíssimas, como as de Santacroce, Gargano, Hamsík e Lavezzi se supervalorizaram em períodos mínimos. Pelos dois últimos, o clube teria inclusive recusado propostas cinco vezes maiores que seus preços de compra.

Na prática, a dupla argentina Navarro e Denis foi o maior tiro n'água de Marino nesses anos. Pode-se falar também de Dátolo, mas o meia continua com boas apresentações por sua seleção e foi claramente subutilizado na "era Donadoni". A falha nas contratações desta temporada devem ser mais debitadas na conta do presidente, aliás. Por exemplo, a necessidade de um lateral-esquerdo era absurda, mas De Laurentiis avisou que, se o treinador quisesse, ele que comprasse. Enquanto isso, chegava o colombiano Zúñiga por módicos nove milhões de euros para disputar posição com Maggio ao mesmo tempo em que o clube liberava Mannini e Vitale.

Com um elenco desequilibrado, Donadoni não foi capaz de muita coisa. Zúñiga e Dátolo se revezaram (mal) pela esquerda do 3-5-2, enquanto o meio-campo excessivamente leve (com Cigarini de regista um pouco atrás de Gargano e Hamsík) dava pouco combate e sentia falta, quem diria, de Blasi. Na frente, Quagliarella jogou sempre fora de sintonia enquanto tenta se adaptar a uma posição que não é a sua. Walter Mazzarri, arquiteto da salvação da Reggina e bom artífice da Sampdoria em cinco anos de Serie A, tentará alavancar o time na melhor chance de sua carreira. Para isso, terá a seu lado Riccardo Bigon (jovem diretor esportivo, recém-chegado da Reggina) e Gian Paolo Montali (ex-treinador da seleção italiana de vôlei e novo responsável pela direção técnica do clube).

A questão para o Napoli é saber se será possível trabalhar com tranquilidade. Porque a onipotência não leva a nada no futebol. E De Laurentiis irá aprender isso, cedo ou tarde.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deu zebra!

Mustacchio derrubou os espanhóis com sua doppietta

Boas expectativas. Decepção. Surpresa. Assim podemos dividir os três momentos diferentes dos azzurrini nesse Mundial Sub-20, realizado no Egito. Antes de seu início, as perspectivas eram muito boas, por causa da grande campanha no último Europeu Sub-19, no qual alcançaram o vice-campeonato.

Durante o Mundial, ausências como as de Alberto Paloschi, Davide Santon, Federico Macheda, Fernando Forestieri e Mario Balotelli, principalmente, mostraram um time não tão bem preparado assim para fazer uma boa campanha. A seleção passou para a fase seguinte aos trancos e barrancos, acumulando apenas uma vitória, um empate e uma derrota, para se classificar na terceira colocação do Grupo B, atrás de Egito e Paraguai.

Após o conhecimento do adversário das oitavas de final, então, a decepção começou a ganhar corpo e a contaminar os discursos dos especialistas, já que os azzurrini enfrentariam ninguém mais, ninguém menos que os espanhóis, detentores da melhor campanha do torneio até o momento, com 100% de aproveitamento, 13 gols pró e nenhum contra.

E foi aí que veio a surpresa: na última segunda-feira, os comandados de Francesco Rocca fizeram um grande jogo contra a seleção espanhola e, aproveitando a superioridade numérica obtida ainda no primeiro tempo, conseguiram a inesperada classificação para as quartas de final do torneio.

O jogo
Com as duas seleções muito cautelosas, pensando mais na marcação, o primeiro tempo foi bem morno. A Espanha teve mais posse de bola, mas não conseguiu chegar com perigo ao gol de Fiorillo quase nenhuma vez. Já a Itália, adotando um 4-2-3-1, foi mais perigosa e explorou bem o lado esquerdo, com Mustacchio e Mazzarani. A expulsão de Botia, aos 27, do lado da fúria, ajudou ainda mais os azzurrrini, que, no entanto, não conseguiram estrear o placar.

Já no segundo tempo, a história foi outra. As duas seleções entraram muito mais ousadas e o jogo correu de maneira surpreendente. Os espanhóis pareciam ter esquecido que estavam com um jogador a menos e se lançaram ao ataque sem pudor. A zaga italiana, liderada por Albertazzi, jogador das categorias de base do Milan, no entanto, suportou bem a pressão e chegou bem ao ataque, quando necessário.

Foi assim no primeiro gol, aos 56, quando Crescenzi tocou para Mazzotta puxar o contra-ataque e tocar para Mazzarani, que deu belo passe para Mustachio abrir o placar. Com os espanhóis tendo que correr atrás do prejuízo, o segundo gol italiano não demorou a sair: Crescenzi lançou na área e, após bobeada da zaga vermelha, Mazzarani não desperdiçou.

Com um homem a mais e dois gols de vantagem no placar, o jogo parecia sob o controle dos azzurrini, mas o pênalti infantil cometido por Albertazzi (logo ele, destaque da primeira fase) recolocou a seleção espanhola no jogo, aos 68, quando Aaron Niguez converteu com categoria. O gol reacenderia o jogo e a seleção espanhola, de tanto insistir, conseguiria a chance do empate, em outra penalidade máxima marcada pelo juiz, aos 84.

Aaron partiu para a cobrança novamente, mas dessa vez foi Fiorillo quem se deu melhor, defendendo a cobrança do espanhol. Para acabar com qualquer esperança espanhola, então, Mustacchio bateu cruzado, aos 86, para definir o placar: 3 a 1.

A boa surpresa animou a imprensa italiana, que agora já fala de “grandíssimos nomes” e mostra uma seleção que vai dar o que falar. Nas quartas de final, a Itália enfrenta a Hungria, que venceu a República Tcheca nos pênaltis, hoje de tarde. O jogo é sexta-feira, às 15h.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

900 minutos em 9: 7ª rodada

Inter de Stankovic volta à liderança: em sete rodadas, ninguém ficou na ponta por duas seguidas (AP)

A sétima rodada foi a primeira de campeã para a Inter de Mourinho. Em uma partida bastante complicada contra a Udinese, a vitória chegou no finalzinho, mesmo com todos os problemas defensivos: sem Maicon, um cansado Zanetti fez a lateral-direita. Na zaga, Lúcio repetiu a atuação infrasemanal contra o Rubin e não fez boa partida, após o ótimo começo de campeonato. Por outro lado, Stankovic tem subido o nível jogando pela esquerda do meio-campo a rombo, apoiando Sneijder na armação das jogadas: foi autor de um golaço e foi o melhor da partida. Uma temporada redentora do sérvio, após a má fase interminável da passada. O gol de Stankovic veio para empatar uma partida encardida depois de mais um gol de Di Natale (seu nono na Serie A), dessa vez depois de bom passe de Inler. Os nerazzurri chegaram a reclamar dois pênaltis sobre Balotelli, mas a arbitragem se livrou nos acréscimos do segundo tempo, quando Sneijder aproveitou para, na sequência, cruzar/chutar no canto de Handanovic. A má notícia fica por conta de Milito, substituído com 30 minutos de jogo e que deve ficar um mês parado. Desfalque certo contra o Genoa, seu ex-clube. Eto'o não marcou, mas deu duas assistências. Será suficiente?

O bom resultado nerazzurro no sábado pôs a Inter numa liderança provisória que se confirmou no domingo, após os tropeços de Sampdoria e Juventus. Os blucerchiati, até então líderes, não passaram do empate contra o impressionante Parma de Guidolin. De candidato ao rebaixamento, a cada rodada o Parma tem feito bem mais do que as declarações de seu presidente no início do campeonato, de que o Parma jogaria apenas para não voltar à Serie B. Num dia ruim de Cassano (anulado pela marcação pesada dos defensores crociati), foi Mannini quem deu o passe pro gol de Pazzini. O empate saiu em chute rasteiro de Galloppa, que foi o melhor em campo e gerou um questionamento da Gazzetta dello Sport: não seria já a hora de Lippi convocá-lo? Mas para a Samp também faltou sorte: Mazzoleni não marcou pênalti claro sobre Pazzini e Mariga tirou em cima da linha uma bola de Poli.

Sorte não pode ser a desculpa da Velha Senhora. Bastava vencer para chegar pela primeira vez à liderança, desde que retornou à Serie A após o escândalo que a rebaixou à segundona. Mas esbarrou num ótimo Palermo que, se jogasse sempre assim, fatalmente seria mesmo da scudetto. Com Migliaccio recuado quase como um zagueiro, Cassani e Balzaretti foram liberados pelas laterais num falso 3-4-1-2. A defesa rosanera não teve muitos problemas para anular o ataque da Juve, em mais uma grande jornada de Kjaer. O trio de frente também fez uma grande partida: Pastore desencantou e deu assistência para Cavani anotar o primeiro, enquanto Miccoli deu o passe para o segundo, de Simplício. O baixinho, outra vez, destruiu a Juve, última invicta a cair. Já a seca de Amauri continua firme: seu último gol foi há quase oito meses, em 15 de fevereiro. Falta de gols foi mesmo um problema em campo. Porque se o Palermo não tivesse perdido tantas chances, 2 a 0 ia ter sido pouco.

O Genoa fecha a zona de classificação para a Liga dos Campeões. O time não tomou conhecimento da festa de centenário do Bologna, com direito a bela camisa comemorativa, e enfim voltou a vencer. Resultado importante para recuperar a moral antes do desafio frente à líder Inter, na próxima rodada. Mas a expulsão de Mesto, um dos melhores da temporada, não é a melhor notícia possível para o confronto. Na vitória por 3 a 1, Gasperini mexeu de novo no time e contou com outra boa atuação de Floccari e Kharja, que já tinham feito bom papel contra o Valencia no meio de semana. Apesar do domínio grifone, deu tempo para a lei do ex se confirmar: Di Vaio converteu pênalti cometido por Tomovic, depois de ter acertado a trave.

Três partidas não saíram do zero, e com isso a Roma é o único time a ter marcado gols em todas as rodadas: os giallorossi chegaram a 14 gols, melhor ataque da Serie A junto de Inter e Genoa. Mas o gol sofrido pelo estreante Lobont foi o 13º da equipe no campeonato, que também possui a pior defesa, ao lado do Napoli, que caiu na rodada justamente para os comandados de Ranieri. Com a derrota, Donadoni dará lugar a Mazzarri no comando do time a partir da próxima rodada Os partenopei bem que saíram na frente, com um frango de Lobont em chute de Lavezzi, mas a virada romanista saiu sob o signo de Totti. Com sua doppietta, ele chegou à vice-artilharia do campeonato (6 gols) e a seu 184º gol na Serie A, alcançando Batistuta como o oitavo maior artilheiro da história. Mesmo com a vitória, continuam os problemas médicos na Roma, antes e durante a partida: com quase meio time lesionado, Ranieri ainda perdeu dois durante o primeiro tempo e Totti passou o segundo tempo no sacrifício.

Voltando às partidas zeradas: a primeira delas foi logo na abertura da rodada, no encontro entre Bari e Catania. As duas melhores chances foram dos donos da casa e Kutuzov mandou uma delas na trave, mas foi o Catania que dominou a partida - ainda que não tenha se esforçado muito para fazer mais que isso. Os etnei continuam na zona de rebaixamento, sem vencer. O dérbi toscano entre Siena e Livorno não saiu do zero graças a De Lucia, que defendeu bem um pênalti de Maccarone. Com Marchini expulso ainda no primeiro tempo e sem o ótimo Candreva, o Livorno só se defendeu. E bem. Giampaolo está em rota de colisão com a direção do Siena por conta do mercado de entrada feito contra sua vontade. Para fechar, o terceiro jogo em branco foi em Florença, mas por um erro de Brighi, que não marcou um gol claro de Gilardino. Nas duas boas chances de Foggia, a Lazio não conseguiu furar Frey, que não leva gols a quase sete horas em partidas oficiais.

O Chievo continua encantando, numa reedição mais modesta do Chievo dei Miracoli, obra de Del Neri no início da década. Os dois gols de Marcolini saíram de lances truncados e botaram o time na zona de classificação para a Liga Europa em mais um bom trabalho de Domenico Di Carlo. Milagre mesmo fez o goleiro Consigli, que parou um Milan que pressionou demais, mesmo sem fazer boa partida - principalmente após a expulsão duvidosa de Radovanovic. Para responder à Tiribocchi, Ronaldinho marcou seu primeiro gol na temporada depois de matar no peito um lançamento de Nesta. Leonardo ganhou sobrevida, mas avisou que é um treinador como outro qualquer e que não voltará à direção do Milan, se for demitido. Mas não importa a ameaça, é cada vez mais claro que sua saída é questão de tempo.

Texto com a colaboração de Nelson Oliveira.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 7ª rodada, clique aqui.

Seleção da 7ª rodada
Consigli (Atalanta); Zaccardo (Parma), Rivas (Livorno), Kjaer (Palermo); Stankovic (Inter), Pastore (Palermo), Marcolini (Chievo), Galloppa (Parma), Zapater (Genoa); Totti (Roma), Miccoli (Palermo)

domingo, 4 de outubro de 2009

7ª rodada, ao vivo!

Acompanhamos os jogos deste domingo pela 7ª rodada da Serie A, com atenção especial para Atalanta x Milan e Roma x Napoli. Para rever o que foi escrito, é só aguardar os três segundos. Nesta segunda-feira, o resumo da rodada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A (quase) vingança dos perseguidos

Entre os não-perseguidos, Amelia foi o destaque do Genoa na partida (Reuters)

Com gols de Kharja e Floccari, o Genoa incomodou muito o Valencia em pleno Mestalla, no jogo mais movimentado da segunda rodada da Liga Europa. Para quem estava há 17 anos longe de competições europeias, a derrota por 3 a 2 para um clube que só não foi à Europa uma vez nos últimos dez anos está longe de ser uma zebra. A surpresa é a forma com que esse "EuroGenoa" se comportou no match clou do grupo. A dupla artilheira é a mais contestada do atual grupo rossoblù e, como diria o outro, aproveitou a partida para mostrar sua voglia di riscatto.

Sem vários jogadores importantes (Criscito, Biava, Palácio, o capitão Rossi), a defesa continuou batendo cabeça. Enquanto Moretti se firma como ótimo substituto de Ferrari pelo centro, Sokratis e Bocchetti tiveram sérios problemas para fazer funcionar a marcação com os meias externos que lhes cobririam, em especial pela direita, com o grego se complicando com Tomovic durante boa parte do jogo - já o italiano pareceu ingênuo em pelo menos um lance decisivo. Falando em ingenuidade, o pênalti cometido por Esposito no fim do jogo foi a cereja do bolo na má fase recente da defesa grifone.

O Genoa deu trabalho, mas mesmo assim não conseguiu se aproveitar do principal defeito do Valencia, decantado rodada após rodada na Liga Espanhola: os problemas de cobertura na lateral, com Miguel pela direita, e, principalmente, Mathieu pela esquerda. Mesto, escalado por Gasperini pela direita no tridente ofensivo do 3-4-3, fez uma de suas apresentações mais opacas das últimas semanas, ao invés de fazer a festa nas costas de Mathieu. Com liberdade, Mata também se soltou por aquele lado e o Genoa viu a partida sair de controle. Já pela esquerda, Palladino (em seu primeiro jogo como titular na temporada) não fez nem cócegas nas subidas de Pablo Hernández.

Os grifone, definitivamente, perderam a partida pelas laterais. Porque era só cruzar ali na área, onde o goleiro César estava longe de sua melhor noite "aérea". Ainda assim, a derrota não tira moral do Genoa, em evolução na temporada e ainda favorito a uma das vagas para a próxima fase. Com os resultados de hoje, Lille e Valencia chegam aos quatro pontos, enquanto o Genoa continua com três. O Slavia já cai fora da disputa, com duas derrotas de largada.

Os búlgaros dão passagem
A Lazio viajou para Sófia, para enfrentar o Levski. Goleou com show de Meghni. Para a capital romana, a búlgara mandou seu CSKA. Que a Roma bateu com dois gols em três minutos. No primeiro, Motta tocou para Okaka bater à Inzaghi, no limite do impedimento. Já o segundo gol foi um clássico da "Primeira Roma Spallettiana": em bola levantada por Pizarro, Perrotta anota pegando do jeito que ela veio. Em seu 12º jogo na temporada, foi a primeira vez em que os giallorossi não sofreram gol. Juan fez grande partida e tende a formar uma dupla afinadíssima com Burdisso, quem diria? Na sequência da Serie A, se a Roma vencer seus três próximos jogos, pode dar um bom motivo para a demissão de três treinadores: Donadoni (Napoli), Leonardo (Milan) e Ruotolo (Livorno).

Melhor ainda foi a vitória da Lazio, comandada pela fênix chamada Baronio. Afastado do elenco, emprestado para a Serie B, escalado junto com o time primavera... o regista passou de tudo antes de se tornar o metrônomo desse bom time que Ballardini vem formando. De quebra, faz lembrar um pouco a última temporada de Liverani em biancoceleste. Outro que jogou muito na goleada por 4 a 0 foi o argelino Meghni, numa de suas melhores atuações dos últimos meses. Zárate e Rocchi fizeram boa dupla no ataque laziale e o sub-20 Perpetuini foi bem, mesmo improvisado na lateral-esquerda. Tudo bem que não poderia ser diferente numa vitória tão sonora, mas um par de milagres operados entre as traves por Bizzarri mostram que a Lazio é que soube fazer seu o jogo. Com a confirmação da boa exibição contra o Palermo, a Fiorentina pode esperar um adversário encardido na sequência da Serie A. E o grupo na Liga Europa, a confirmação de um favoritismo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Complicado, Milan...

Zambrotta lamenta a falta de sorte, no último minuto: bola na trave

Ontem, foi a vez de Juventus e Milan entrarem em campo. E, enquanto o empate obtido fora de casa pelos bianconeri ficou dentro do esperado, a derrota dos rossoneri, no San Siro, com certeza não estava nos planos. Nem a volta a seu “habitat” ou a presença de Pippo Inzaghi em campo foram suficientes para assegurar um bom resultado para o time de Milão. A apresentação, contudo, não foi das piores.

Com Seedorf jogando logo atrás de Pato e Inzaghi, o time de Leonardo começou bem, aliando técnica e velocidade e imprimindo um bom ritmo aos visitantes. Porém, antes dos 10 minutos de jogo, após uma cobrança de escanteio, o Zürich já estava na frente, com gol de letra de Tihinen. O Milan, então, foi ao ataque do jeito que pôde e conheceu a boa defesa Suíça, que, bem organizada, conseguiu anular quase todas as investidas dos poucos criativos meio campo e ataque rossonero. Mesmo assim, o time milanês deu bastante trabalho ao goleiro Leoni, que apareceu para salvar a pátria pelo menos três vezes, só no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, Ronaldinho e Zambrotta foram as novidades, no lugar de Seedorf e Flamini, respectivamente. Com os dois em campo, recuperou-se um pouco da organização e o Milan chegou ao gol adversário com mais facilidade, exigindo mais do goleiro suíço. Mas nem a boa entrada de Ronaldinho, abrindo espaços e criando boas oportunidades para os atacantes, resultou em gol. Pato e Inzaghi cansaram de perder oportunidades na frente e o Zürich aproveitou bem os contra-ataques, tendo duas ou três chances claras de definir o placar. A sorte também não estava do lado do Milan dessa vez: aos 50 minutos do segundo tempo, Zambrotta fez boa jogada na entrada da área e chutou colocado de esquerda. A bola caprichosamente tocou a trave, sob o olhar torcedor do goleiro Leoni.

Com a derrota em casa, o Milan perde a vantagem que conseguiu na França, semana retrasada, quando venceu o Olimpique de Marseille e fica a três pontos do líder Real Madrid, na segunda colocação. E o próximo desafio do ameaçado Leonardo, na Liga, é exatamente contra o time de Kaká, no dia 21. A diretoria que se prepare para ouvir os protestos.

Na Alemanha...


A dura marcação juventina segurou o empate, em terras germânicas
.
A Juventus foi a Munique, ontem, sabendo que um empate já seria um bom resultado, mas caso conseguisse “beliscar” um gol e sair com a vitória, melhor, pois assim recuperaria os dois pontos “perdidos” contra o Bordeaux, dentro de casa, na primeira rodada. A estratégia era se defender com segurança e sair com velocidade nos contra golpes. Para isso, o técnico Ciro Ferrara decidiu iniciar o jogo já com Diego, atrás da dupla Iaquinta e Trezeguet. Mas a pressão dos alemães foi intensa e o time de Turim mal conseguiu jogar, no primeiro tempo.

Com Ribéry e Robben jogando pelas pontas, além de Muller e Schweinsteiger chegando de trás, a defesa liderada pelo goleiro Buffon teve bastante trabalho, no primeiro tempo, mas se mostrou bem segura, apesar da ausência de Cannavaro. A melhor chance foi de Ribéry, aos 19, depois de belíssima jogada em cima de Chiellini e Grygera. O francês driblou os dois e, ao invadir a área, tentou marcar por cima de Buffon, que só olhou e sorriu, depois de se certificar que a bola tinha saído.

A velocidade de Diego e Camoranesi para buscar o gol não apareceu e as raras oportunidades foram desperdiçadas pela pouco inspirada dupla de ataque. O jogo só ficou mais fácil para a Juve no segundo tempo, depois que o holandês Robben saiu lesionado e deu lugar a Olic, que não atingiu o bom aproveitamento do companheiro. Até Ribéry, que vinha muito bem, caiu de rendimento na segunda etapa e juntou-se a Klose, quase não aparecendo. A entrada de Poulsen, no lugar de Diego, ajudou a deixar o jogo mais truncado, já que assim o time ficou mais recuado, deixando só Camoranesi chegar a frente.

A verdade é que a boa atuação defensiva do time de Ferrara levou um importante ponto para os Alpes e agora, na terceira colocação do grupo, os bianconeri se preparam para receber o Maccabi Haifa, no próximo dia 21. O único resultado que interessa é a vitória, para terminar o primeiro turno na zona de classificação.

Para ver sobre os jogos de terça, com a vitória da Fiorentina sobre o Liverpool e o empate da Inter com o Rubin Kazan, clique aqui.