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domingo, 31 de janeiro de 2010

22ª rodada, ao vivo!

Olá, amigos! Transmitimos mais uma rodada do Campeonato Italiano, ao vivo, aqui no blog.

Para comentar, use o chat abaixo. Neste domingo, foi a vez de transmitirmos o empate de Juventus e Lazio, por 1 a 1. Acompanhe-nos amanhã, no fechamento do mercado, pelo nosso Twitter, @quattrotratti.

Preview: Copa Viareggio 2010

Jovens da Juventus em festa, com o título do ano passado (torneoviareggio.it)

Pela 62ª vez, fevereiro verá a pacata Viareggio sediar um dos mais importantes torneios de categorias de base do mundo. Para alguns, a Copa Viareggio é a principal disputa sub-21 entre clubes de todo o mundo, inclusive. O torneio deste ano será disputado por jogadores nascidos a partir de 1990, sendo aceita a inclusão de dois fuoriquota que tenham nascido em 1989. Maior, esta edição volta a contar com 48 times: no total, serão 29 italianos e 19 do exterior, dos cinco continentes. A importância da Copa Viareggio pode ser medida pela seleção de jogadores que foram revelados no torneio, desde sua fundação. Uma seleção só com aqueles que ainda estão em atividade poderia ter Buffon; Burdisso, Nesta, Cannavaro, Zambrotta; De Rossi, Pirlo, Schweinsteiger; Totti, Amauri e Pandev.

Neste ano, dois brasileiros fazem sua estreia nos campos da Toscana: o tradicional Grêmio e o recém-nascido Leme. 2010 também marca o retorno do Viareggio, depois de uma década de ausência. Destes, ao menos o tricolor gaúcho entra para disputar o tão concorrido título. Para isso, o caminho conta com muita gente que chega forte no torneio, como Juventus, Inter, Sampdoria, Fiorentina, Roma, Milan e Atalanta. São duas chaves de seis grupos. Em cada um destes, se classifica o time de melhor campanha, junto dos dois melhores segundos colocados de cada chave. As 85 partidas da competição serão transmitidas para todo o mundo através do site da TV oficial do torneio com um custo de 19 euros, uma novidade em relação aos últimos anos. O que não muda é a principal sede do torneio: o Stadio dei Pini receberá um jogo por dia e continua com a grande final. A ideia de levá-la para o San Siro de Milão foi vetada pelo governo toscano.

Pelo terceiro ano consecutivo, vamos acompanhar o torneio. Confira aqui um preview do que se pode esperar da competição. Acompanhe os resultados pelo nosso Twitter e volte aqui para ver a repercussão dos jogos da Copa Viareggio. Boa leitura!

CHAVE A (por Rodrigo Antonelli)

Grupo 1
Juventus, Legia Varsóvia (Polônia), Vicenza e Livorno

Campeã da última edição de Viareggio, a Juventus chega forte mais uma vez e busca o quinto título da década para consolidar sua supremacia nesse início de século. Ano passado, o título veio em cima da Sampdoria, com destaque para o atacante somali Ayub Daud, artilheiro da competição. Agora, Daud joga a Serie B, pelo Crotone, por empréstimo. Esse ano, o time do técnico Luciano Bruni deve ser muito parecido com o que ele leva a campo no campeonato Primavera, o qual a Juve lidera. Alguns destaques do último torneio também devem jogar de novo, como o atacante Immobile e o meio-campista Marrone. Quem pode aparecer bem também é Filippo Boniperti, meio-campista de boa técnica e visão de jogo, Giuseppe Giovinco, também meia, e o atacante Libertazzi.

Inicialmente, o quarto integrante do grupo seria o Beijing Guon, da China, mas por causa de problemas médicos com três jogadores que contraíram a gripe suína, o time ficou proibido de sair do país. Assim, o Livorno entrou na sua vaga e deve disputar o segundo lugar do grupo com o Vicenza, que no ano passado colocou o Milan em sérias dificuldades no jogo da fase de grupos. Com isso, Livorno e Juve se encontrarão pela segunda vez em poucos dias. As duas equipes se enfrentaram no último dia 26, no empate de 2 a 2, pelo Campeonato Primavera. Os destaques da equipe são o atacante Simeoni e o meio-campista Moscati. Já os lanerossi de Vicenza não devem botar muito medo, pois fazem péssima campanha no campeonato Primavera, ocupando a última colocação de sua chave. O estrangeiro do grupo é o Legia Varsóvia, que faz sua estreia no dia 1, contra a Juve. O time polonês, no entanto, é fraco e deve apenas cumprir tabela.

Grupo 2
Internazionale, Jedinstvo (Sérvia), Combinado Serie D e APIA Leichhardt (Austrália)

Eliminada nas semifinais da última edição e campeã em 2008, a Inter está sempre entre as favoritas. Ano passado, os destaques do time comandado por Vicenzo Esposito foram os atacantes Destro e Napoli e a dupla de zaga Caldirola e Daminuta. Dessa vez, o time de Fulvio Pea, o novo comandante, não contará com Daminuta e Napoli, já emprestados para outras equipes, mas dois bons jogadores ocupam seus lugares. Na zaga, Donati vem mostrando segurança, e no ataque, o romeno Alibec desponta como parceiro ideal para Destro no ataque nerazzurro. Dos 28 gols marcados pela equipe no campeonato Primavera até agora, 14 saíram dos pés dos dois. O armador Stevanovic, que estreou sem muito sucesso na última edição, vem fazendo boa temporada e terá nova chance.

Dos estrangeiros, o APIA Leichhardt já é veterano na competição: será sua oitava participação consecutiva. O time australiano, no entanto, deve continuar com seu futebol de força física e fraca técnica e não deve ser uma ameaça aos italianos. Assim como o Jedinstvo, que estreia em Viareggio este ano, mas também não deve surpreender. Na segunda colocação, em tese, deve ficar mesmo o Combinado de jogadores que atuam pela Serie D, que teve uma baixa de última hora: o atacante Bernasconi não pôde mais ser inscrito porque foi cedido à equipe principal do Parma. Bonanno foi chamado para seu lugar. Anteriormente, o Combinado já tinha perdido Cesarini, pelo mesmo motivo: foi para a Sampdoria. Os destaques do combinado são os habilidosos Tirelli e Vaccaro, ambos meio-campistas.

Grupo 3
Torino, Maccabi Haifa (Israel), Bologna e LIAC New York (EUA)

O Torino é uma equipe de tradição em Viareggio e soma seis títulos, assim como a rival Juventus, mas seus anos de glória passaram há tempos. Dos canecos, quatro foram conquistados na década de 1980 e o último é de 1998. Mas na última edição, apesar de descrente, o caminho dos granata foi interrompido somente nas semifinais. No dérbi de Turim, o time caiu para a rival Juventus numa derrota de 3 a 1. Agora, o técnico Antonino Asta tenta igualar a boa campanha de Giuseppe Scienze, no ano passado. O zagueiro Benedetti, da seleção italiana sub-17, o atacante Comi e o meia Ippolito são as esperanças granata na competição.

Os israelitas do Maccabi Haifa devem disputar com o Bologna a segunda colocação do grupo. No ano passado, eles eliminaram a Fiorentina nas oitavas-de-final e só caíram para a Internazionale, na fase seguinte. Do lado rossoblù, merece atenção o jovem goleiro Venturi, figura constante nas seleções de base, assim como Tattini. Ponto negativo a se ressaltar é a forma como o Bologna tem perdido seus principais jogadores a preços baixos, nos últimos dois anos. Foi o caso de Pasi (Parma), Borini (Chelsea) e Albertazzi (Milan). Em princípio, os nova-iorquinos ficam de coadjuvantes nesse grupo.

Grupo 4
Sampdoria, Grêmio (Brasil), Siena e Nacional (Paraguai)

Finalista da última edição com o técnico Fulvio Pea, agora na Inter, a Sampdoria terá missão difícil nesta primeira fase de Viareggio. Neste que pode ser considerado o grupo da morte, o treinador Alfredo Aglietti aposta no talento do zagueiro Regini e dos meias Muratore, Rabiu e Rizzo, para igualar a campanha daquele time que revelou bons nomes, como o atacante Marilungo e o goleiro Fiorillo. Os dorianos chegam outra vez como favoritos, mas não podem bobear frente às boas equipes do Siena e do Grêmio. O elenco conta com boa parte dos vice-campeões do ano passado para ajudar nesse caminho e são os mesmos que ocupam a segunda colocação do seu grupo, no campeonato Primavera.

Grêmio e Siena não devem mesmo dar sossego para a cabeça-de-chave do grupo. O tricolor porto-alegrense chega com moral, após vencer o Brasileiro Sub-20 no último mês de dezembro e pode surpreender os blucerchiati. O zagueiro Saimon e o atacante Roberson, que já treinam com o time principal, são os destaques da equipe. Já o Siena tem um jogo coletivo muito forte e vem surpreendendo no campeonato Primavera, onde ocupa a terceira colocação em seu grupo, atrás apenas de Juventus e da própria Sampdoria. No elenco bianconero, quem merece citação é o goleiro búlgaro Ivanov. O Nacional faz sua estreia na competição e não deve incomodar muito os outros integrantes do grupo.

Grupo 5
Empoli, Kaposvari Rakoczi (Hungria), Mantova e Olbia

Há dois anos, vice-campeão. Na última edição, uma decepção das maiores, caindo já na primeira fase. Agora, é complicado dizer o que pode se esperar deste Empoli, que ocupa uma boa quinta posição em seu grupo no campeonato Primavera, mas que tem poucas mudanças em relação ao time do ano passado. Até o treinador é o mesmo, Ettore Donati. Para piorar, um de seus principais jogadores, o atacante Caturano: deixou o clube no meio de janeiro, para jogar a Prima Divisione pelo Esperia Viareggio. Nem o talento de Bianchi, Castellani e Nicolao deve levar o time muito longe. Na primeira fase, o que ajuda é o é o fraco grupo dos azzurri.

Os outros três integrantes são estreantes no litoral e não devem fazer muita resistência ao Empoli. O Olbia foi campeão nacional na categoria Giovanissimi, temporada passada, e por isso ganhou um pouco mais de notabilidade, mas tem um dos times mais jovens e inexperientes do torneio. Segundo Michele Ponsano, responsável pelo setor jovem do clube, a participação em Viareggio é uma grande conquista, ótima para que os jovens ganhem experiência, além de ajudar no crescimento da equipe. O Mantova deve sofrer com a falta de atacantes. Para piorar, o bom Coppiardi foi emprestado ao Feralpi Salò para ganhar experiência entre os profissionais. Já o time húngaro tem jovens promissores no elenco e pode fazer um bom papel. Quatro deles já jogam na primeira divisão húngara e têm bom prestígio. Fique de olho em Zoltán, Benjamin, Szabolcs e na estrela da equipe, Kornel.

Grupo 6
Palermo, Spartak Moscou (Rússia), Sassuolo e Pergocrema

Apesar do grupo equilibrado, os sicilianos do Palermo devem fazer jus à oportunidade como cabeça-de-chave e passar na primeira posição. Eliminado nas quartas-de-final do último torneio pela vice-campeã Sampdoria, o Palermo espera fazer campanha parecida desta vez, com o treinador Rosario Pergolizzi. No campeonato Primavera, ocupa a segunda colocação de sua chave, a mesma de Roma, Lazio e Napoli. O trio de ataque rosanero é o responsável por grande parte desta boa fase. Olho neles: Giovio, Mbakogu e Sorrentino.

Quem deve dar trabalho para o rosanero nesta primeira fase são os russos do Spartak, que participam de Viareggio pela quarta vez consecutiva. Na última edição, chegaram até as oitavas-de-final, quando perderam por 2 a 1, para a Reggina. Já Sassuolo e Pergocrema, os outros dois italianos do grupo, não têm expectativas de fazer grandes campanhas. Ainda assim, vale a pena olhar com atenção para suas equipes, que vez ou outra revelam bons jogadores.

CHAVE B (por Braitner Moreira)

Grupo 7
Fiorentina, Belasica (Macedônia), Cesena, Sambenedettese

Como sempre, a Fiorentina parte forte na busca de mais um título em Viareggio, que não vem desde 1992. Recordista em finais (15), com suas oito conquistas o clube viola também é o mais vencedor na história do torneio, ao lado do Milan. No ano passado, o bom time de Alberto Bollini caiu nas oitavas-de-final para o Maccabi Haifa. Desta vez, o comando é de Renato Buso, que na temporada passada foi campeão italiano pelos allievi do clube. Os resultados da temporada gigliata têm sido bem melhores que os do ano passado, mas Buso já deve sofrer três grandes perdas: o atacante Babacar e o armador Carraro só devem ser liberados por Prandelli na fase final do torneio, enquanto o goleiro Seculin nem será inscrito. Os destaques da equipe são o volante Di Tacchio, o zagueiro Masi e o atacante suíço Seferovic, recém-contratado artilheiro do Mundial Sub-17.

O estrangeiro do grupo é o Belasica, na terceira participação consecutiva em Viareggio. O time que revelou o atacante Pandev (Inter) tem colhido resultados até razoáveis em campo, mas sem atingir seu principal objetivo: negociar seus jogadores com os clubes italianos. O grupo ainda conta com outro antigo campeão de Viareggio: o Cesena, que venceu em 1990. Os cavalos marinhos não passaram da primeira fase no ano passado e ainda não têm grandes perspectivas. No 4-3-3 de Stefano Protti, o forte é o lado esquerdo com Petti, Rosseti e Tabanelli. Olho também no goleiro Teodorani, que tem ganhado espaço após uma experiência entre os profissionais. A Sambenedettese, como de costume, entrará em campo apenas para evitar humilhação. La Samba vive uma crise societária, está na sexta divisão profissional, e deve mandar para a Toscana um time bastante jovem liderado pelo lateral-esquerdo albanês Ghendj.

Grupo 8
Roma, Ventspils (Letônia), Reggina, Cisco Roma

O sorteio deste ano montou um grupo bem parecido com o de 2009. A única mudança é a entrada do Ventspils no lugar dos dinamarqueses do Aarhus. Um bom cenário para que a Roma de Alberto De Rossi busque sua vingança. Ano passado, os giallorossi falaram até em buscar seu quarto título, mas acabaram goleados por Reggina e Cisco Roma e caríam na primeira fase. O atual grupo de jogadores tem conseguido os melhores resultados recentes da base romanista e lidera seu grupo no campeonato Primavera, com 37 pontos em 15 jogos. Na sólida defesa, um dos ícones é Frasca, que nesta temporada atravessou dez jogos sem sofrer gols e vem tendo seu nome especulado no Palermo. Fique também de olho nos laterais Mladen (titular da sub-21 romena) e Sini (destaque italiano no Mundial Sub-17) e no zagueiro Malomo, capitão da companhia. Na frente, quem resolve é o camisa 7 Pettinari, que já estreou no time profissional marcando gol na Liga Europa.

Os letões foram convidados por influência de Nunzio Zavettieri, técnico italiano que assumiu os profissionais do time na temporada. Há expectativa de que o meia Gramovics e o atacante Visnakovs, titulares da seleção sub-21 da Letônia, viagem para Viareggio para fortalecer o time. A Reggina, que no ano passado caiu nas quartas-de-final para o Torino, continua apostando na sua força ofensiva para conseguir bons resultados. De quebra, foi o único time que conseguiu derrotar os jovens da Roma neste ano, com um gol de cabeça do bom húngaro Preklet, lateral-direito que tem sido adaptado ao meio-campo. O galã Picone é o ponto de referência amaranto no ataque. Já a Cisco Roma, tradicional celeiro da capital italiana, outra vez mandará uma forte equipe, ainda que dois anos abaixo do limite de idade. Os comandados de Roberto Mattioli vêm de nove vitórias seguidas em sua categoria e contam com o promissor camisa 10 Pradisi para continuar surpreendendo.

Grupo 9
Milan, Leme FC (Brasil), Esperia Viareggio, Guaraní (Paraguai)

No ano passado, o Milan confirmou as expectativas e não conseguiu nem passar da primeira fase em Viareggio. Somada à terrível campanha no campeonato Primavera, o setor do clube passou por reformulações e o comando do time foi entregado a Giovanni Stroppa, ex-atacante do clube. Os novos resultados têm sido satisfatórios e o maior campeão do torneio (ao lado da Fiorentina, com oito títulos) volta a apostar numa boa campanha no litoral toscano. Para isso, conta com gente que tem sido observada por Leonardo, como o lateral-esquerdo De Vito e os meias Strasser e Verdi. O zagueiro e volante Albertazzi, titular no último Mundial Sub-20, também chama atenção. Pela primeira vez desde a saída de Mauro Tassotti do comando dos rossonerini, em 2001, fala-se no aproveitamento sério dos jovens que estão sendo preparados pelo clube.

Logo em sua estreia, o Milan vai testar seu favoritismo num jogo contra um time jovem: o Leme. O tubarão da zona sul carioca é um clube-empresa fundado há menos de um ano pelo empresário italiano Omar Scafuro, que já cavou uma vaga para sua equipe logo num dos mais importantes torneios de categorias de base do mundo. Ano passado, seus juniores foram vice-campeões estaduais na terceira divisão do Rio de Janeiro. No grupo também estão os donos da casa, o Esperia Viareggio, de volta após uma década de ausência. Com duas falências nos últimos 20 anos, o clube foi refundado em 2003 e tem melhorado seus resultados, mas ainda corre por fora numa disputa por vaga na segunda fase do torneio. O Milan ainda medirá forças com mais um azarão, os paraguaios do Guaraní. O destaque dos aurinegros é o atacante Santander, com passagens no profissional e peça-chave da boa seleção sub-20 do Paraguai.

Grupo 10
Genoa, Dukla Praga (República Tcheca), Bari, Sol do Campo Grande (Paraguai)

Com uma boa campanha no campeonato Primavera, o Genoa, campeão no litoral em 2007, chega com boas pretensões para este ano ao apostar em seu setor ofensivo. Os grifoncini de Luca Chiappino ainda contam com a habilidade do italiano de ascendência egípcia El Shaarawi, jogador mais jovem na história a estrear na Serie A. Ao lado dele, deve jogar o ganês Boakyes: na última vez que a dupla foi formada, na semana passada, Boakyes anotou quatro vezes. Outro candidato à vaga é o recém-chegado Chinellato, contratado junto à Fiorentina, que já estreou no time deixando sua marca, contra o Cagliari. Fique de olho no goleiro Perin, que tem sido convocado para a seleção italiana sub-21 de Pierluigi Casiraghi.

Os grifoncini terão a companhia do Dukla Praga, time estrangeiro com mais títulos em Viareggio: seis. Mas o último deles veio em 1980, há trinta anos. Em 2009, a campanha dos tchecos foi boa e foram eliminados de forma invicta na fase de grupos. Desta vez, a preparação será parecida - incluindo aí a estadia na pensão de uma família toscana - e a meta é pelo menos passar de fase. O técnico Jaroslav Hynek deve lamentar a lesão de Jakubov, goleiro titular da equipe, que dá espaço a Vácha. O Bari de Pietro Maiellaro, que vem fazendo uma campanha surpreendente no campeonato Primavera, teve de devolver Yago à Juventus e assim perdeu muito de seu poder ofensivo. As expectativas ficam sobre o meia Galano. Sobre os paraguaios do Club Sol não foi possível encontrar informações.

Grupo 11
Atalanta, Anderlecht (Bélgica), Lazio, Pakhtakor (Uzbequistão)

Não há competição de base em que a Atalanta não chega, pelo menos, para alcançar as fases finais. Semifinalista de Viareggio em 2008, os nerazzurri sofreram com uma geração abaixo da média no último ano e após uma grande reformulação no início da atual temporada, novamente parte forte para buscar seu terceiro título no litoral toscano. No comando, Alessio Pala deixou o clube para assumir os profissionais da Pro Sesto e foi substituído por Walter Bonacina, ex-meia ídolo da torcida. Os resultados estão sendo ótimos: no campeonato Primavera, a Atalanta lidera o grupo B, com Inter e Milan. Os destaques do time são os atacantes Crnic, que defendeu a Eslovênia no último Europeu Sub-19 e Zaza, que já disputou Viareggio como titular, no ano passado.

No Anderlecht, o treinador Marc De Meyer deve apostar em Mukendi, congolês naturalizado belga e titular de sua seleção sub-18. O time, que foi lanterna de seu grupo no ano passado, ainda não tem muitas perspectivas. Por outro lado, outra vez a Lazio chega com fortes ambições, apesar da campanha irregular no campeonato Primavera. Nas oitavas-de-final de 2009, o time de Roberto Sesena (em sua sexta temporada no comando laziale) só caiu nos pênaltis para a Juventus, futura campeã. O lateral-esquerdo nigeriano Adeleke chegou há menos de um mês e já tem se destacado na equipe, que ainda conta com o bom zagueiro Luciani e o volante Capua. Sesena também deverá testar em Viareggio o recém-contratado Skourtis, ex-atacante do Olympiacos. Para fechar o grupo, os uzbeques do Pakhtakor devem continuar utilizando o torneio para testar os jovens a serem utilizados no time de cima. O atacante Azizov, assim como no ano passado, é a grande atração.

Grupo 12
Napoli, Kallon (Serra Leoa), Parma, Chivas Guadalajara (México)

No último grupo da competição, os italianos devem se precaver. Em especial o Napoli, campeão em 1975. O clube partenopeu não tem muita tradição nas disputas de categorias de base (nos últimos cinco anos, o Napoli só disputou Viareggio duas vezes e em ambas terminou na lanterna de seu grupo) e não deve ser desta vez que a história vai mudar. Ainda que o treinador Ivan Faustino aposte numa boa campanha, seu trabalho fica mais difícil sem o atacante Insigne, melhor jogador da geração napolitana, emprestado à Cavese pouco antes do início do torneio. Para substituí-lo, chegou Riccio, artilheiro da base da Juve Stabia. O Napoli tem investido na formação de jogadores nos últimos anos e já pensa em colher seus primeiros frutos. Por isso, Viareggio torna-se fundamental para estes jovens. Os destaques são os meio-campistas Liccardo e Maiello, prestes a serem promovidos ao time principal por Walter Mazzarri.

Os azzurri farão sua estreia contra o Kallon, de Serra Leoa. Lembra deste nome? O ex-atacante da Internazionale comprou o clube de sua cidade natal em 2002 e intercedeu para a estreia dele em Viareggio na tentativa de quebrar a tradição de más campanhas de times africanos no torneio. Outro que tenta surpreender é o Parma, que vem mal no campeonato Primavera (21 pontos em 14 jogos), mas tem subido de rendimento nas últimas rodadas e priorizará o torneio toscano. Um grande problema para o time de Tiziano de Patre está no departamento médico, que conta com três de seus titulares lesionados: De Vitis, Traoré e Berselli. O meia-atacante Pasi, elogiado por Roberto Mancini e recém-saído de forma polêmica do Bologna, deve fazer sua estreia em gialloblù durante a competição. Ao Chivas, representante mexicano, cabe a missão de fazer esquecer o vexame protagonizado pelo Pumas em 2009. O técnico Manuel Martínez garante que o time viaja motivado para a Itália. Olho no volante Arriaga, líder da equipe.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Jogadores: Ciro Ferrara

O Ferrara que os torcedores gostavam de ver, dentro das quatro linhas (Gazzetta.it)
Recém demitido do cargo de treinador da Juventus, Ciro Ferrara está marcado pela péssima passagem no comando do clube, onde acumulou pífias campanhas no Campeonato Italiano e na Liga dos Campeões. O que os furiosos torcedores juventinos de agora não podem esquecer é que foi esse mesmo Ferrara que, quando jogador, ajudou o time a vencer cinco scudetti (sem contar o revogado de 2004/05) da história recente do clube, entre outros títulos.

Nascido em Nápoles, em 1967, Ferrara começou sua carreira de jogador cedo, atuando pelas categorias inferiores do Napoli. Estreou no time profissional com apenas 18 anos, na mesma temporada em que chegava à equipe Diego Maradona. Sorte do jovem partenopeo, que se tornaria grande amigo de um dos maiores jogadores do mundo e ainda faria parte daquele Napoli vencedor do final da década de 80.

Nessa temporada, o Napoli foi 8º colocado. Ciro ainda não era titular. Na temporada seguinte, começou a aparecer mais no time principal: 3ª colocação para os azzurri. Em 1987, finalmente, a equipe estava bem arrumada, com grande poderio ofensivo, composto por Maradona, Carnevale e Careca, e com a defesa consistente, tendo Ferrara e Francini no miolo. Assim, veio o histórico scudetto. O primeiro do Napoli e do sul da Itália. No mesmo ano, Ferrara ainda acrescentou um título da Coppa Itália ao seu currículo.


Começava ali a era de ouro do azzurro. Pela frente, ainda viria mais um scudetto e uma Copa da UEFA, o primeiro título europeu napolitano. Na final, contra o Stuttgart, Ferrara marcou, após passe de Maradona. Em 1992, herdou a faixa de capitão do argentino, que declarou: “Uma vez eu disse que Ferrara era o melhor defensor do mundo. Não sei se é verdade, mas eu achava que sim. Lhe quero muito bem, foi o melhor amigo que deixei no Napoli”. Com a saída de Dieguito, o Napoli saiu um pouco de cenário e Ferrara logo partiu, junto com Lippi, para a Juventus.


Um jovem Ferrara ostenta a Copa Uefa vencida pelo Napoli (Uefa)
Estreou vestindo bianconero na temporada 1994/95 e já em seu primeiro ano lá venceu mais um Campeonato Italiano, o terceiro de sua carreira, e uma Coppa Itália. Homem de confiança de Lippi, Ferrara se tornou um dos principais jogadores daquela Juventus campeã, junto com Roberto Baggio, Gianluca Vialli e o jovem Del Piero. No ano seguinte, veio o título mais importante: a Liga dos Campeões, vencida sobre o Ajax, nos pênaltis.

A ideia juventina era continuar sendo o maior da Europa e para isso chegaram Inzaghi, Zidane e Davids. O sonho europeu, no entanto, foi por água abaixo dois anos seguidos, em duas derrotas nas finais, para Borussia Dortmund e Real Madrid. A supremacia na Itália, contudo, consolidou-se, com o título dos dois Campeonatos Italianos, no mesmo período. Assim, Ciro já contabilizava cinco scudetti e um currículo invejável.
Porém, sua sorte na seleção italiana não era a mesma. Estreou com a camisa azzurra em 1987 e apesar de ter participado do Europeu de 1988, das Olimpíadas no mesmo ano e da Copa do Mundo de 90, sua passagem pela seleção não é tão memorável. Isso porque se machucou na véspera do Europeu de 1996 e logo antes da Copa da França, em 98, perdendo as melhores chances que tinha para brilhar na seleção. Com isso, acumulou apenas 49 partidas pela azzurra, sem somar nenhum gol.

Mas suas glórias pela Juve ainda não tinham acabado. Titular absoluto da zaga bianconera, Ferrara venceu ainda mais dois títulos nacionais, chegando à incrível marca de sete scudetti. Isso, sem contar o título revogado da Juve de 2004/05, que foi a última temporada do partenopeo como jogador profissional. Foram 247 jogos vestindo a camisa do Napoli e mais 253 pela Vecchia Signora.


Ídolo de ambos os times, Ferrara encerrou sua carreira como jogador, mas continuou trabalhando com futebol. Já em 2005, entrou para a comissão técnica da azzurra de seu amigo Lippi. Em 2006, foi campeão mundial com a seleção e logo assumiu o cargo de treinador do setor jovem da Juve, onde permaneceu até maio de 2009, quando assumiu o comando da equipe principal. O resto da história todo o mundo conhece.


Ciro Ferrara

Nascimento: 11 de fevereiro de 1967, em Nápoles
Posição: zagueiro

Clubes: Napoli (1984-94) e Juventus (1994-2005)

Seleção italiana: 49 jogos, nenhum gol

Títulos: 7 Campeonatos Italianos (1986-87, 1989-90, 1994-95, 1996-97, 1997-98, 2001-02 e 2002-03), 2 Copas da Itália (1986-87 e 1994-95), 5 Supercopas Italianas (1990, 1995, 1997, 2002 e 2003) 1 Liga dos Campeões (1995-96), 1 Copa da UEFA (1988-89), 1 Supercopa da UEFA (1996), 1 Copa Intercontinental (1996) e 1 Copa Intertoto (1999)

Segredos de campeã

Nos bastidores, Oriali e Branca trabalham para fazer a Inter crescer (Inter.it)

No início da semana, perguntei retoricamente aqui no blog qual seria o segredo que a Inter tem, para vencer e ser tão superior às outras equipes italianas. Fazendo um esforço analítico, é possível perceber o que mudou na sociedade nerazzurra nos últimos anos para que dezessete anos sem um scudetto sequer fossem deixados para trás por uma das melhores equipes italianas da história. Se a Inter alcançar seu objetivo, o iminente pentacampeonato consecutivo será histórico: apenas a Juventus dos Agnelli foi penta, na década de 30. A alcunha de Grande Inter é dada para a equipe de Helenio Herrera, que na década de 60 levantou duas Copa dos Campeões e três scudetti. Mas será que os feitos da Inter atual não são tão históricos quanto os da Inter capitaneada por Giacinto Facchetti?

Comparações à parte, ao contrário do que muita gente possa pensar, a fase vencedora dos nerazzurri não começa a existier apenas por causa do escândalo do CalcioCaos, que condenou e enfraqueceu Milan e Juventus, que dominavam o a Serie A no início dos anos 2000. Seria injusto não reconhecer que, de fato, o rebaixamento da Juventus foi importante para a arrancada interista, já que as dificuldades financeiras da Velha Senhora foram fundamentais para que a Inter contratasse Vieira e Ibrahimovic - que viria a se tornar o principal jogador da equipe na década. Por outro lado, também seria injusto não perceber que mudanças estruturais já vinham sendo feitas no clube mesmo antes do escândalo de manipulação da arbitragem.

A área técnica
Estas mudanças referem-se à política de contratações do clube, justamente ridicularizada no final dos anos 90 e início dos 2000. Mudanças graduais ocorreram para que o clube começasse a deixar de derramar rios de dinheiro por medalhões longe do auge físico, apostas, jogadores medianos ou desconhecidos. Se hoje a Inter é a única grande italiana saudável financeiramente, isso se deve boa parte à mudança de postura no que diz respeito a contratações. Os responsáveis por esta guinada são Gabriele Oriali, bandeira do clube nas décadas de 70 e 80 e atualmente consultor de mercado e representante do elenco principal, e principalmente a Marco Branca, que passou pela Inter na década de 90 como atacante e retornou em 2003 para dirigir a área técnica e negociar diretamente por jogadores. A aposta em gente que conhece os bastidores do clube fez com que o presidente Massimo Moratti interferisse menos nas contratações e na parte técnica de maneira geral.

As estratégias de mercado nem sempre foram idênticas ao longo destes seis anos e meio em que a dupla tem atuado em conjunto. O período de 2003 até 2005 ainda conservava características dos mercados anteriores, mas com leves mudanças. A grande virada começou a se dar a partir do momento em que Branca trouxe Cambiasso, em 2004, e Figo e Samuel no ano seguinte. Cambiasso e Figo vieram a custo zero, enquanto Samuel veio a um baixo preço. Esta seria a tônica dos anos seguintes: gastar menos.

Ao longo de toda a trajetória da dupla, podem ser identificadas três grandes tendências de mercado: a contratação de jogadores que se destacam no cenário nacional (Cruz, Stankovic, Adriano, Samuel, Pizarro, Chivu, Mancini, Milito e Pandev); estrelas de campeonatos menos badalados (van der Meyde, Júlio César, Maicon, Maxwell, Quaresma) e o maior interesse sobre jovens jogadores (Santon, Balotelli, Khrin e Arnautovic). No fim das contas, apesar de algumas contratações que deram errado (não que tenham sido contratações equivocadas), como van der Meyde, Davids, Pizarro, Mariano González e Mancini, se pode avaliar positivamente o trabalho de Branca e Oriali: na atual equipe titular da Inter, apenas Zanetti não foi contratado pela gestão. Entre os reservas, só Toldo, Cordoba e Materazzi são remanescentes de anos anteriores.

Além disso, o presidente também deixou de interferir na escolha do time titular, como acontecia frequentemente quando pedia (publicamente, inclusive) que os treinadores escalassem o uruguaio Álvaro Recoba, tratado como seu filho. Com Branca e Oriali, as escolhas cabem, obviamente, ao atual treinador. A intermediação na área técnica profissionalizou mais a sociedade, que enfim permitia que os treinadores tivessem a possibilidade de desempenhar trabalhos a médio e longo prazo, com menor pressão. Foi assim com Roberto Mancini e tem sido com José Mourinho, durante os cinco anos que a Inter domina a Serie A. A Juventus, última campeã antes da Inter, teve cinco técnicos no mesmo período.

Em campo
Roberto Mancini e José Mourinho, os dois técnicos que a Inter teve neste período, também merecem créditos. Mancini é o primeiro dos responsáveis por restabelecer a mentalidade vencedora desta Inter. Muito bom na parte tática, o técnico de Jesi montou o 4-3-1-2 que possibilitou a Stankovic atingir a melhor fase de sua carreira, jogando como primeiro trequartista e depois na linha de três homens. Outro achado do treinador foi aproveitar o máximo de Maicon nas subidas ao ataque com o máximo de velocidade, cobertas por Zanetti, escalado no meio-campo para cobrir os avanços do brasileiro. Mancio também acertou ao escalar Cambiasso no centro do meio-campo, um pouco mais atrás na linha de três. O argentino por vezes subia ao ataque como elemento surpresa. Na frente, Ibrahimovic vinha de dois anos opacos na Juventus, mas recolocou a carreira nos trilhos com três anos fantásticos na Inter.

A contratação de Mourinho mostrava que o clube de Via Durini buscava dar um passo além, no quesito mentalidade vencedora - sobretudo em âmbito europeu. Se em nível continental, o português ainda não foi capaz de revolucionar a forma de a Inter jogar, é inegável que em solo italiano, a Inter é cada vez mais superior. Trabalhando principalmente na parte psicológica, Mourinho faz os jogadores atuarem de forma diligente, como se lutassem apenas pelos resultados positivos. A contratação de jogadores como Eto'o, Milito e Sneijder enfatiza tanto o aspecto de jogadores determinados quanto o de jogadores de nível mundial, capazes de decidir partidas.

Para completar, Mourinho solicitou que fossem feitos investimentos no centro de treinamento da equipe, em Appiano Gentile. Foram construídos novos e mais modernos campos de treinamento, inclusive para as divisões de base, outro foco de Mourinho desde que chegou a Milão. Pensando no futuro, o clube trabalha cada vez mais forte nas divisões de base. A equipe Primavera foi campeã do Torneio de Viareggio em 2008, contando com jovens como Davide Santon e Mario Balotelli, contratados antes da profissionalização. A inserção dos principais destaques da equipe Primavera no elenco principal, feita por Mourinho, também faz parte das trabsformações que tem sido feitas nos últimos anos.

Para este ano, o clube acertou com Fulvio Pea, que treinou a Primavera da Sampdoria na campanha campeã em Viareggio, em fevereiro passado, e é um dos melhores gestores de talentos do país. Atualmente, a Inter tem uma das divisões de base mais fortes do país e segue investindo: hoje foi anunciada a contratação do nigeriano Nwankwo Obiorah, defensor da seleção sub-18 de seu país. Dessa forma, ampliando cada vez mais seu processo de profissionalização, a Inter permanece à frente das sociedades rivais.

Confira as contratações mais importantes da Inter nos últimos anos
Cruz, van der Meyde, Stankovic e Adriano (2003/4); Davids, Solari, Cambiasso, Burdisso, Verón (2004/5); Samuel, Figo, Santon, Pizarro e Júlio César (2005/6); Maicon, Maxwell, Crespo, Balotelli, Vieira, Ibrahimovic, Grosso, Dacourt, Mariano González e César (2006/7); Chivu, Rivas, Jiménez, Khrin, Suazo e Pelé (20007/8); Mancini, Muntari e Quaresma (2008/9); Milito, Thiago Motta, Lúcio, Arnautovic, Eto'o, Sneijder e Pandev (2009/10).

Trocar faz bem

Mazzarri tirou o Napoli do caos para colocá-lo na briga por Liga dos Campeões (Getty Images)

Quando a Juventus confirmou a demissão de Ciro Ferrara, a Serie A atingiu um índice altíssimo. São dez os times que trocaram de comando técnico - metade dos participantes do campeonato. De quebra, foi estabelecido um recorde na Serie A, que até agora só havia visto mudança em nove times, em três temporadas: 2004-05, 2006-07 e 2007-08. Ao contrário do pensamento habitual, que prevê que troca de técnico geralmente é um recurso que abala e atrapalha o rendimento da equipe em médio prazo, as mudanças têm sido muito bem sucedidas na Itália. Só a Udinese viu seu aproveitamento cair com um novo treinador.

Duas das mudanças mais bem sucedidas se deram no Napoli e no Palermo. No time partenopeu, Donadoni fazia uma temporada destrosa e pagava pela bagunça societária que reinava em Nápoles desde a saída de Edy Reja e a entrada definitiva do presidente Aurelio Di Laurentiis nos holofotes. Caiu com um aproveitamento horrível para as pretensões do clube e levou consigo o experiente diretor-geral Pierpaolo Marino. Um bom trabalho de Mazzarri parecia impraticável. Mas il Mago engatou uma sequência de invencibilidade desde sua chegada e já são 14 jogos da Serie A sem perder. Para isso, tem contado com a grande subida de rendimento de Maggio e De Sanctis em suas mãos. Outro trunfo foi Grava, lateral-direito coadjuvante nos últimos anos que tem feito ótimas partidas como zagueiro. Por outro lado, Hamsík se perdeu um pouco jogando mais adiantado e a próxima missão de Mazzarri é recolocá-lo nos eixos do time. A vaga na Liga dos Campeões não é mais só um sonho.

Quem passou a sonhar com esta vaga é o Palermo. Nada mal para um time que começou o campeonato ouvindo seu técnico falar em disputa por título e o viu demitido 12 rodadas depois, com os rosanero numa modesta 11ª posição. Zenga, que trocara o Catania pelo maior rival, sofreu ao apostar em jogadores (Migliaccio, Bertolo, Pastore) fora de suas posições. Rubinho, que chegou para substituir Amelia no gol, também foi medonho. Delio Rossi chegou e já conseguiu, com quatro jogos a menos, o mesmo número de pontos que Zenga. Confirmou publicamente a titularidade do jovem Sirigu entre as traves, reencontrou a melhor posição de Fábio Simplício, montou uma defesa sólida com os laterais Cassani e Balzaretti em grande fase e, principalmente, pôde confiar em Miccoli nos grandes jogos. Agora na quinta posição, o Palermo tem tudo para voltar a uma competição europeia.

Outra grande recuperação após troca de comando é a da Roma. Spalletti, no comando de um time viciado e prepotente, pediu demissão depois de duas derrotas e, de longe, viu o ambiente romanista mudar demais. Aquele mesmo time que parecia lutar apenas para ficar na parte de cima na tabela, já fala em alcançar pelo menos uma das vagas diretas na Liga dos Campeões. A vontade e mentalidade em campo é a mesma dos tempos vitoriosos de Fabio Capello, algo impensável há alguns meses. Ranieri, notadamente romano e romanista, não teve um começo espetacular. Mas teve muito do mérito ao reformar um time usando os mesmos jogadores que Spalletti tinha em mãos: no gol, deu espaço a Julio Sergio, que colocou Doni no banco e se confirmou entre os melhores da Serie A. Na defesa, ressuscitou Juan e Cassetti e continuou aprimorando a fase ofensiva de Riise. No meio-campo, um indispensável Pizarro mostra seu melhor futebol desde que chegou à capital.

As subidas de Bologna e Catania também chamam atenção. Há dois meses, estavam entre os mais prováveis rebaixáveis, mas tornaram-se outros ao mudar o comando. A presidente Menarini confirmou Papadopulo como técnico para a temporada durante os difíceis tempos de vendas e desvendas de seu clube para o albanês Rezart Taçi. Por sorte, não persistiu no erro por muito tempo e apostou em Colomba, que tem trabalhado muito o aspecto físico do time. Assim, recuperou o artilheiro Di Vaio e o zagueiro Britos, já desejado por meia Serie A. Colomba também tem pontos por ter apostado no argentino Giménez. Nos dois últimos jogos do time, foi o melhor em campo. Já Mihajlovic deu um jeito na defesa de seu Catania. Spolli mostrou a que veio e, aos 26 anos, Potenza tem recuperado como lateral-direito o futebol que lhe dera a fama de ser um dos melhores de sua geração. Nota positiva também para o bom aproveitamento do uruguaio Martínez, que havia sumido na temporada passada. O Catania ainda está na zona de rebaixamento, mas talvez não continue lá por muito tempo. Confira as estatísticas:

Napoli
Roberto Donadoni: 7 pontos em 7 jogos - média de 1 ponto por jogo
Walter Mazzarri: 30 pontos em 14 jogos - média de 2,1 pontos por jogo

Palermo

Walter Zenga: 17 pontos em 12 jogos - média de 1,3 ponto por jogo
Delio Rossi: 17 pontos em 8 jogos - média de 2,1 pontos por jogo

Roma
Luciano Spalletti: nenhum ponto em 2 jogos - média de 0 ponto por jogo
Claudio Ranieri: 38 pontos em 19 jogos - média de 2 pontos por jogo

Catania
Gianluca Atzori: 9 pontos em 15 jogos - média de 0,6 ponto por jogo
Sinisa Mihajlovic: 10 pontos em 6 jogos - média de 1,7 ponto por jogo

Livorno
Gennaro Ruotolo: 3 pontos em 8 jogos - média de 0,4 ponto por jogo
Serse Cosmi: 18 pontos em 13 jogos - média de 1,4 ponto por jogo

Bologna
Giuseppe Papadopulo: 6 pontos em 8 jogos - média de 0,8 ponto por jogo
Franco Colomba: 17 pontos em 13 jogos - média de 1,3 ponto por jogo

Atalanta
Angelo Gregucci: nenhum ponto em 4 jogos - média de 0 ponto por jogo
Antonio Conte: 13 pontos em 13 jogos - média de 1 ponto por jogo
Bortolo Mutti: 4 pontos em 3 jogos - média de 1,3 ponto por jogo

Siena
Marco Giampaolo: 5 pontos em 10 jogos - média de 0,5 ponto por jogo
Marco Baroni: 1 ponto em 3 jogos - média de 0,3 ponto por jogo
Alberto Malesani: 7 pontos em 8 jogos - média de 0,9 ponto por jogo

Udinese
Pasquale Marino: 18 pontos em 16 jogos - média de 1,1 ponto por jogo
Gianni De Biasi: 2 pontos em 4 jogos - média de 0,5 ponto por jogo

Média de pontos dos outros treinadores
José Mourinho (Inter): 2,3 por jogo
Leonardo (Milan): 2 por jogo
Ciro Ferrara (Juventus): 1,6 por jogo
Massimiliano Allegri (Cagliari): 1,6 por jogo
Gian Piero Gasperini (Genoa): 1,5 por jogo
Cesare Prandelli (Fiorentina): 1,5 por jogo
Luigi Del Neri (Sampdoria): 1,4 por jogo
Gian Piero Ventura (Bari): 1,4 por jogo
Francisco Guidolin (Parma): 1,4 por jogo
Domenico Di Carlo (Chievo): 1,3 por jogo
Davide Ballardini (Lazio): 1 por jogo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Coppa ainda importa

Balotelli vira para a Inter nos minutos finais e elimina a Juventus (Gazzetta dello Sport)

Inter e Juventus levaram a sério o confronto pela Coppa Italia e foram a campo com boa parte dos titulares. Nenhum jogador em campo fazia parte do grupo dos reservas que nunca jogam, à exceção de Toldo, que é o titular do gol nerazzurro na competição. O jogo foi emocionante até o fim, quando Balotelli, sempre decisivo contra a Juventus, fez o gol de mais uma virada da Inter. Prova de que, quando há clássicos a Coppa ainda vale alguma coisa. Para a Juventus, valia mais ainda. A Coppa era a chance para os bianconeri levantarem um título na temporada, para reduzir os estragos da péssima Serie A e da queda na Liga dos Campeões. Porém, a temporada deve passar em branco para a equipe de Turim.

A Juventus começou a partida com mais posse de bola, e sempre no campo de ataque, ainda que a partida fosse em Milão. Com a pressão, logo a Juve saiu na frente: Diego driblou Cambiasso na entrada da área e chutou desprentesiosamente, mas Toldo engoliu um frango antológico. O experiente goleiro parecia fora de ritmo e ainda deu um susto na torcida, quando errou um tempo de bola, num cruzamento simples. Com isso, os jogadores da Velha Senhora começaram a testar chutes de fora da área, mas o florentino se recuperou e mostrou segurança até o fim do confronto.

Cambiasso trabalhava por dois, já que Thiago Motta parecia perdido na marcação. Com isso, o meio-campo bianconero levava vantagem, graças a boa partida de Diego e Sissoko. A Inter não jogava bem e buscava os contra-ataques, contando com Sneijder e Pandev, ligados no jogo, enquanto Balotelli tinha trabalho contra Cannavaro e Chiellini. Maicon e Balotelli tiveram as melhores chances, mas erraram por falta de tranquilidade: o brasileiro, sozinho, bateu por cima do gol de Buffon, enquanto o italiano não escolheu o melhor momento para chutar. O lateral brasileiro teve chance pelo lado direito, mas seu cruzamento tocou na mão de Felipe Melo. Os nerazzurri reclamaram, mas o árbitro Antonio Damato mandou seguir.

No segundo tempo, a Inter voltou com vontade de reverter o resultado e iniciou uma blitz logo nos primeiros minutos. Balotelli crescia no jogo e, num cruzamento seu, Pandev quase conseguiu completar para as redes. Logo depois, Supermario bateu forte, mas a bola foi para fora. No entanto, a Juventus esteve mais perto do segundo: primeiro, Diego arrematou com perigo, de fora da área, e depois, num escanteio, Chiellini ganhou no alto e acertou a trave. Poucas chances claras surgiram até o empate da Inter, aos 72. Milito, entrado no lugar de Cambiasso faltando trinta minutos para o fim do cotejo, achou Balotelli, na direita, com um bom passe. O italiano chutou forte para a defesa de Buffon, que deu rebote. Na sobra, Felipe Melo cometeu falta dura em Maicon, perfeita posição para a cobrança de Sneijder. O holandês cobrou, mas o gol foi de Lúcio: a bola desviou na barreira e sobrou para o zagueiro completar para as redes, pressionado por Chiellini.

Como a prorrogação na Coppa nunca é algo desejável, por conta dos compromissos das equipes na Serie A, o jogo ganhou nova vida. Candreva logo tentou um chute de longa distância, mas Toldo estava ligado. Mourinho deu liberdade para Santon, que arrancou, cortou Cannavaro e bateu para fora. Em jogada semelhante, Milito chutou para a defesa do goleiro bianconero. Milito teve outras duas chances claras, mas foi bloqueado por Chiellini em ambas.

A Inter pressionava mais e, aos 89, conseguiu o gol da vitória. Motta, adiantado por Mourinho após a entrada de Muntari no lugar de Pandev, trocou passes com Sneijder e chutou forte, da entrada da área. Buffon espalmou e a bola sobrou para Balotelli, que se aproveitara de uma falha grotesca de Grosso, que nem marcava nem prestava atenção na linha de impedimento. Quarto gol na conta de Balotelli contra a Juventus, sua principal vítima. Desta vez, o gol de Balotelli deve ter sido o tiro de misericórdia no cargo de Ciro Ferrara, que deve, enfim, ser demitido nas próximas horas.

Resultados das quartas-de-final
Fiorentina 3x2 Lazio
Roma 1x0 Catania
Milan 0x1 Udinese
Inter 2x1 Juventus

Eternas promessas: Luigi Sartor

Sartor contra Weah: jogar em Juve, Inter e Roma não significou nada (Fifa.com)

Luigi Sartor começou com o pé esquerdo: em sua estreia pela Juve, aos 17 anos, ele marcou um gol contra no goleiro Peruzzi. Foi a sua única partida na Serie A. Na Champions League, entrou em campo e foi o atleta mais jovem da história da Juventus a atuar na competição. Nascido em Treviso e oriundo das categorias de base do Padova, o lateral-direito já atuava pela seleção sub-17. Com bom porte físico e boa noção defensiva, Sartor tinha tudo para se firmar no futebol italiano - o qual, na temporada seguinte, veria um garoto Panucci ganhar lugar no poderoso Milan.

Foi cedido à Reggiana, mas, em seis meses - nos quais disputou só cinco partidas -, surgiu o Vicenza, da Serie B, em dezembro de 1994. O lateral, que já defendia a seleção sub-21, mas precisava se firmar no cenário nacional -, logo se transferiu, e ajudou a equipe a subir para a divisão de elite logo de cara. Foi lá que Sartor também jogou de zagueiro - e com êxito. Titular na lateral direita em suas duas primeiras temporadas, cobriu a saída do sueco Björklund no centro da defesa. Na temporada 96/97, jogando na zaga, ajudou os Lanerossi a conquistar a única Coppa Italia da história do clube.

Antes do inédito título, porém, o defensor havia ganhado uma outra competição importante: o Europeu sub-21, na Espanha, com a Itália. Luigi Sartor foi reserva de, adivinhem só, Christian Panucci. Aquele elenco também contava com Buffon, Cannavaro, Nesta, Tommasi, Delvecchio e Totti. Alguns meses depois, também disputou as Olimpíadas com o grupo sub-23. Este, porém, decepcionou, não passando da primeira fase. As participações internacionais nas seleções de base, somadas ao bom desempenho com o Vicenza, valorizaram o atleta, que assinou com a Inter na temporada 1997/98, aos 22 anos de idade.

Foi como jogador da Inter que o lateral vestiu a camisa da seleção maior pela primeira vez, pouco antes da Copa do Mundo 98. Com os nerazzurri, Sartor conquista uma Copa Uefa - a segunda de sua carreira - e, mesmo sem se firmar, interessou ao Parma, para o qual se transferiu. Vale lembrar que, à época, os gialloblù eram um time de ponta no país e ocupavam as primeiras posições da Serie A. Sua primeira temporada no clube, porém, foi altamente comprometida por problemas físicos: só disputou 13 partidas em um ano. Já 1998/99 rendeu bons frutos: o Parma levou a Coppa Italia e a Copa Uefa.

Luigi Sartor, porém, não conseguiu em momento algum ser unanimidade. Mesmo sendo sua passagem mais longa por algum clube - quatro anos - ele não foi capaz de se impor num elenco de nível alto. Àquela época, o Parma pode contar com Thuram, Cannavaro e Sensini só na defesa. O lateral trevisano jogou, nessas quatro temporadas, o que um titular jogaria em duas. Em parte por lesões e em parte por falta de competência, Sartor já se encaminhava para o inglório rol das eternas promessas do esporte.

Apesar disso, surgiu a Roma, em 2002, para fechar com o jogador. Ele iria à capital para compor elenco e ser reserva do onipresente Panucci. Lá, Sartor teve poucas oportunidades, e, quando em campo, nunca mostrou grande impacto. Pelo contrário, o lateral foi tão ineficiente que chegou a ser largado no elenco, chegando a contabilizar zero atuação em seis meses. Posteriores empréstimos a Ancona e Genoa não salvaram o atleta, que continuava, além de tudo, sendo atrapalhado por contusões.

Quando seu contrato com a Roma expirou, em 2005, Sartor foi à Hungria para defender o Sopron. Um ano depois, assinou com o Hellas Verona e continuou sofrendo com lesões: em uma temporada, foram somente sete partidas disputadas. No início de 2008, novamente desvinculado, reforçou a Ternana, e, aos 33 anos, passou, ironicamente, por uma das melhores fases da sua carreira. Na Prima Divisione, o lateral disputou quase todos os jogos da equipe, ajudando a garantir a permanência do clube na terceira divisão do país. Luigi Sartor jogou mais meia temporada, arrumou mais uma lesão no joelho e hoje está sem clube.

Nascimento: 30 de janeiro de 1975, em Treviso.
Posição: lateral-direito.
Clubes: Juventus, Reggiana, Vicenza, Inter, Parma, Roma, Ancona, Genoa, Sopron-HUN, Verona, Ternana.
Títulos: 3 Coppa Italia (Vicenza e Parma, duas vezes); 1 Supercoppa (Parma); 3 Copa Uefa (Juventus, Inter, Parma); Europeu sub-21 (Itália).
Seleções de base: Itália sub-17, sub-18, sub-21 e sub-23.

Deu zebra no San Siro

A Udinese nem usou o tradicional uniforme listrado em preto e branco, mas surpreendeu o Milan e
tornou-se a única zebra das quartas-de-final (Getty Images)


E o Milan voltou a decepcionar. Depois da derrota para a Inter na rodada do fim de semana pela Serie A, os rossoneri entraram em campo como favoritos para conquistar a vaga nas semifinais da Coppa e recuperar um pouco da moral. Porém, o que se viu em Milão foi uma Udinese muito mais aguerrida e organizada.

O time misto do Milan, com Bonera e Kaladze na zaga, não foi capaz de segurar o ímpeto da equipe de De Biasi, que atuando no 4-3-3 dominou a partida do início ao fim. Os três homens de frente friulani - Sanchez, Floro Flores e Di Natale - criaram diversas oportunidades e só não mataram o jogo ainda no primeiro tempo porque Abbiati voltou muito bem aos gramados, fazendo grandes defesas. Com atuação muito segura da zaga, o goleiro Handanovic não foi requisitado nenhuma vez na primeira etapa.

No segundo tempo, o Milan esboçou uma reação, nos primeiros minutos. Inzaghi e Huntelaar tiveram duas oportunidades, mas o gol de Isla, logo aos 11 minutos, esfriou os ânimos rossoneri. Sanchez recuperou a bola na direita e fez boa jogada dentro da área, rolando para a chegada de Inler, que chutou forte e cruzado, para marcar seu primeiro gol na temporada. A partir daí, a Udinese voltou a dominar a partida, mantendo a posse de bola e procurando espaços para marcar o segundo gol e matar o jogo. O gol não veio, mas a inércia do Milan não ofereceu perigo nenhum. Vaga merecida para o time de Udine.

Agora, os bianconeri enfrentam a Roma, classificada antes de ontem, nas semifinais, que são disputados em duas mãos. A primeira será no Olímpico de Roma, dia 3 de fevereiro. Para completar as quartas-de-final, tem Inter e Juve, hoje. O vencedor pega a Fiorentina, por uma vaga nas finais.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Brasileiros no Calcio: Dunga

Implacável na marcação, Dunga tornou-se ídolo também na Itália, jogando pela Fiorentina (Wikipedia)
Nascido no interior do Rio Grande do Sul, na década de 1960, Carlos Caetano Bledorn Verri começou sua carreira de jogador cedo, atuando pelos times juniores do Internacional. Por causa da baixa estatura e porte físico não muito avantajado até os 15 anos, passou a ser chamado de Dunga (um dos anões da fábula da Branca de Neve) pelos seus companheiros. O garoto cresceu, tornou-se símbolo de força e garra, mas o apelido permaneceu.

Chegou ao time profissional do Inter no ano de 1980, atuando mais à frente, como homem armador e com boa visão de jogo. Porém, foi como volante que tornou-se um dos principais meio-campistas daquela década. No sul, Dunga conquistou dois campeonatos gaúchos antes de partir para a maior cidade do país, onde jogou por Corinthians e Santos. Lá, não conquistou títulos, mas se firmou como grande volante e confirmou presença na Seleção Brasileira, que teve esse período marcado como “Era Dunga”.

Suas boas atuações por Corinthians, Santos e Seleção chamaram a atenção da Fiorentina, que já em 1987 comprou seu passe. Com o número de estrangeiros já no limite, a viola emprestou Dunga primeiro para o Vasco e depois para o Pisa, onde, em apenas uma temporada, tornou-se ídolo. Entre os anos de 1983 e 1990, o time da cidade da torre inclinada se revezou entre primeira e segunda divisão. A chegada de Dunga deu uma esperança aos torcedores, que lotaram o aeroporto da cidade na sua chegada, mas tudo que o capitão conseguiu foi livrar o time presidido por Romeo Anconetani do rebaixamento e mostrar que merecia vestir uma camisa de mais peso.

Dunga, entre van Basten e Ancelotti (Interleaning)
No ano seguinte, então, o Cucciolo (nome do anão Dunga, em italiano) transferiu-se para Florença. Aquele time de 1988-89 era jovem e tinha peças bem interessantes: na defesa, o goleiro Landucci tinha na sua frente Battistini, Carobbi, Hysén e Celeste Pin; Dunga, Mattei, Cucchi e Di Chiara formavam o meio de campo; no ataque, a dupla que ficou conhecida como B2, Baggio e Borgonovo. A equipe fez grandes partidas em casa, como a memorável vitória sobre a Inter, líder invicta do campeonato até então, mas foi muito inconstante fora. Mesmo assim, conseguiu a classificação para a Copa da Uefa.

Com uma boa temporada da equipe viola e as brigas de Dunga com o técnico Eriksson, reivindicando mais liberdade criadora, parecia certa sua saída para a Juventus, que abordava o brasileiro e Baggio. No entanto, a troca de comando no time fez com que Dunga permanecesse. Bruno Giorgi comandou a equipe na temporada de 1989-90, levando o time à 13ª colocação da Serie A e ao vice-campeonato da Copa da Uefa. Dunga era o grande nome do time, juntamente com Baggio.

Foi a única temporada do treinador à frente da equipe. Com o fim da Copa do Mundo e o fiasco da seleção brasileira, Lazaroni mudou-se para a Itália para comandar o time toscano. Dunga estava queimado no Brasil, pois havia se tornado símbolo daquela seleção retranqueira da Copa de 1990, mas a mudança na presidência da sociedade, que fora comprada pelo cineasta Mario Cecchi Gori parecia um bom cenário para o brasileiro se recuperar. O novo presidente exigiu que Dunga fosse o capitão do time e Lazaroni assim o fez, porém começava ali o fim da passagem de Dunga por Florença.

Naquela temporada de 1990-91, Dunga ainda teve bons momentos, chegando até a usar a camisa 10 viola em algumas partidas, mas a equipe não conseguiu mais do que uma 12ª colocação no campeonato. No ano seguinte, a mesma coisa. E Vittorio Cecchi Gori, que ocupava a presidência por problemas de saúde do pai, Mario, comprou briga com Dunga e assinou contrato com mais um estrangeiro, estourando o limite e deixando claro que não queria mais Dunga no time. Dunga saiu brigado de Florença e terminou aquela temporada jogando pelo rebaixado Pescara. Foi sua última passagem por clubes italianos.

O capitão do tetra passou pelo Pescara antes de ir jogar na Alemanha (Soccer Nostalgia)
Depois disso, Dunga jogou no Stuttgart, onde recuperou o bom futebol e seu lugar na seleção, que dessa vez cumpriu seu trabalho na Copa: trouxe a taça para casa. Capitão do tetra, Dunga voltou a ser ídolo no Brasil. Em 1995, trocou o futebol alemão pelo japonês, onde conquistou dois campeonatos nacionais pelo Júblio Iwata e novamente virou ídolo. Em 1998, foi o capitão da seleção vice-campeã do mundo na França e no ano seguinte voltou para o Internacional, onde encerrou a carreira, em 2000.

Agora, Dunga sofre no cargo de treinador da seleção brasileira. Assumiu depois da decepção de 2006, sob muitas suspeitas e taxado de inexperiente. No entanto, vem fazendo um bom trabalho e foi eleito o terceiro melhor técnico de seleções ano passado, pela Federação Internacional de História e Estatística de Futebol (IFFHS). E assim continua sua contestada e vitoriosa carreira.

Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga

Nascimento: 31 de outubro de 1963, em Ijuí (RS)
Posição: volante
Clubes: Internacional (1980-84 e 1999-2000), Corinthians (1984-85), Santos (1986), Vasco (1987), Pisa (1987-88), Fiorentina (1988-1992), Pescara (1992-93), Stuttgart (1993-95) e Júbilo Iwata (1995-98)
Títulos: 2 Campeonatos Gaúchos (1982 e 1983), Campeonato Carioca (1987), 2 Campeonatos Japoneses (1997 e 1998), Campeonato Sul-Americano Sub-20 (1983), Copa do Mundo Sub-20 (1983), Torneio Pré-Olímpico (1984), 2 Copas América (1989 e 1997), Copa do Mundo (1994) e Copa das Confederações (1997)
Seleção brasileira: 96 partidas, 7 gols 

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Jogo de um só time

De Rossi, outra vez capitão, marcou o gol solitário da partida contra o Catania (AP Photo)

Ainda que a reação do Catania nas últimas semanas seja notável, não dava para esperar que os rosazzurri fizessem frente à Roma, no estádio Olímpico. Até porque Mihajlovic já havia avisado que a prioridade do time é a Serie A e, para o jogo das quartas-de-final, poupou seis de seus titulares. Para montar um time desfigurado, inclusive avançou o zagueiro polonês Augustyn, em temporada lastimável, para o centro do meio-campo de seu 4-3-3. Morimoto, destaque da equipe na temporada, também foi desviado de sua posição original, mas sem sucesso. Na Roma, os testes de Ranieri deram espaço a Doni, Okaka, Ménez e Motta - este último, provavelmente, em sua despedida rumo ao Manchester City.

Em outro grande jogo de Riise, Pizarro e Taddei, sem dúvida os jogadores que mais cresceram após a chegada de Ranieri, a Roma não teve dificuldades para pôr o Catania na roda. Os dominaram os primeiros dez minutos e chegaram a colocar a Roma em dificuldades, mas a partir daí os giallorossi dominaram até o fim. De um lado, Doni não chegou a fazer defesas. Do outro, o goleiro Campagnolo defendia todas as tentativas que iam a gol. Campagnolo foi (junto da péssima pontaria do ataque romanista, é claro) o grande responsável pela disputa não ter se convertido em goleada.

No intervalo, o domínio da Roma ganhou um reforço: a entrada de Cerci no lugar do inoperante Ménez, objeto misterioso que não conseguia dar sequência a seus lances. E, enquanto o time pressionava, as condições só foram melhorando. As expulsões merecidas de Bellusci e Augustyn (a segunda em cinco meses na Sicília) fizeram qualquer estatégia virar água e assim a Roma chegou a seu único gol, aos 29 minutos: Cerci puxou bem da direita e tocou para Okaka, que dominou e rolou para De Rossi marcar. Os giallorossi ainda tiveram mais quatro boas chances, enquanto o Catania sequer corria para buscar o empate. Nas semifinais, a Roma enfrenta o vencedor da partida entre Milan e Udinese. A Fiorentina também já está entre os quatro, aguardando quem passar entre Inter e Juventus.

Lega Pro se aproxima de reta decisiva

Alívio: Isola Liri deixa a zona play-out e mantém esperança de permanecer na Seconda Divisione

Faltando apenas 13 rodadas para o final de seus campeonatos, a Lega Pro aos poucos vai revelando quais os felizadors que se moverão pela pirâmide social das "profundezas" do futebol italiano, para baixo e para cima.

A 21ª rodada foi marcada por fugas dos líderes e mudanças de comando nas tabelas. Na parte de baixo, alguns clubes se esforçam para dar um novo fim a sentenças que, pelo menos por enquanto, parecem definitivas. Segue a indefinição quanto às datas dos jogos atrasados: Arezzo x Lumezzane (1ª Divisione A) e Canavese x Feralpi Salò (2ª Divisione A).

Confira a situação de todos os torneios da terceira e quarta divisões da Itália:

Prima Divisione - Grupo A
Novara (47 pontos) ainda lidera com cinco pontos de vantagem. Cremonese (42), Varese (40), Benevento (39) e Arezzo (37) estariam classificados para os play-offs. Viareggio (21), Como (21), Lecco (20) e Pergocrema (17) integram a zona play-out. A Paganese (15) segue sempre na lanterna.

Prima Divisione - Grupo B
Hellas Verona (38) cessou os tropeços para abrir três pontos de vantagem para a Reggiana (35). Pescara (34), Portosummaga (33) e Ravenna (32) também jogariam os play-offs, hoje. Na zona play-out estão Cavese (22), Foggia (22), Real Marcianise (21) e Pescina (21). O Potenza (20) é o último colocado.

Seconda Divisione - Grupo A
Spezia (37 pontos) conservou a liderança. Pavia (36), Südtirol-Alto Adige (36), Rodengo Saiano (34) e Alghero (33) estão na zona dos play-offs. Na zona zona play-out, as mesmas equipes de sempre, só com posições mudadas: Villacidrese (22), Olbia (20), Valenzana (20) e Pro Belvedere (15). Convicta na lanterna, a Pro Sesto (11) venceu, mas tem pouca esperança.

Seconda Divisione - Grupo B
Lucchese (46) voa, livre, com oito pontos à frente. Fano (38), Prato (37), San Marino (36) e Gubbio (34) estão na zona play-off. Bellaria (23), Carrarese (22), Giacomense (20) e Poggibonsi (18) estão na área de play-outs. A Colligiana (16) segue na lanterna.

Seconda Divisione - Grupo C
Catanzaro (45) lidera com um ponto de vantagem para a Juve Stabia (44). Cisco Roma (40), Gela (38) e Brindisi (34) estariam nos play-offs. Scafatese (22), Vico Equense (18), Vibonese (18) e Noicattaro (14) estão na zona de play-outs, enquanto o Igea Virtus (10) é sempre o último colocado e já sente os ares da Serie D.

ArrivederC!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

900 minutos em 9: 21ª rodada

A decepção de Ronaldinho é a cara do Milan, que deve sentir o baque do dérbi (AP Photo)

Como era de se esperar, o grande jogo da rodada foi mesmo o dérbi de Milão. O bom futebol do Milan nos últimos jogos contrastava com uma Inter que vencia suas partidas com futebol pouco empolgante. Toda a resenha esportiva girava em torno de Ronaldinho, melhor do time nas últimas rodadas, que poderia colocar o Milan de vez na briga pelo scudetto. Porém, o fuoriclasse brasileiro foi apenas discreto frente uma Inter que entrou determinada a abrir nove pontos de vantagem do próprio Milan, e que, desde o primeiro minuto, não deu descanso a sua rival. Logo aos 10 minutos, Milito abriria o placar, que Pandev fecharia com um golaço no segundo tempo. Ainda houve espaço para duas expulsões (Sneijder e Lúcio), pênalti defendido por um renascido e determinante Júlio César, além de muita polêmica em relação a arbitragem e comemorações extremadas dos interistas, que seguem cada vez mais favoritos ao pentacampeonato. Para conferir nosso resumo aprofundado da partida, basta clicar aqui.

Outro clássico que marcou a rodada foi o embate entre Juventus e Roma. No jogo do turno, Diego havia feito sua melhor partida com a camisa bianconera, o que custou a cabeça do técnico Luciano Spalletti. Desta vez, o brasileiro foi bem anulado por De Rossi e companhia e é o pescoço de Ciro Ferrara que corre perigo. A bem da verdade, o ex-zagueiro da Juve só não caiu por falta de melhores opções. Com Toni lesionado aos dois minutos de jogo, Totti entrou em campo e fez sua parte na decisão. A Juve dominava a partida e abriu o placar com Del Piero, mas o capitão romanista respondeu com um pênalti muito bem cobrado. Depois, coube a Riise decidir o jogo. Num contra-ataque, o norueguês cavou a expulsão de Buffon e ainda marcou de cabeça, nos acréscimos, o gol da virada, num cruzamento perfeito de Pizarro. Com o resultado, a Roma chegou a 38 pontos e está a dois do vice-líder Milan. Já a Juve continua em queda livre e é a sexta colocada, a quatro de distância da zona de classificação para a Liga dos Campeões.

Na Toscana, o Napoli visitou o Livorno com dois grandes desfalques: Lavezzi (lesionado) e Quagliarella (suspenso). Com poucos lances de perigo, a vitória azzurra se definiu em três lances. Primeiro, Maggio acertou um lindo chute, à van Basten, nos acréscimos do primeiro tempo. Já no segundo tempo, De Sanctis hipnotizou mais um atacante e defendeu o segundo pênalti na semana, este cobrado por Lucarelli. No fim da partida, o goleiro De Lucia foi expulso por colocar a mão na bola fora da área. Após o apito final, a situação do Livorno se complicou um pouco mais, já que o técnico Serse Cosmi anunciou sua demissão, alegando divergências com o presidente Spinelli. Lucarelli afirmou que não houve surpresas para o elenco e que alguns jogadores já sabiam que ele se demitiria. O clube pode contratar Dan Petrescu, Nedo Sonetti ou Zdenek Zeman.

Logo atrás do Napoli está o Palermo, invicto há sete rodadas e com um espetacular retrospecto defensivo: levou apenas três gols nos últimos oito jogos. Os rosanero precisaram apenas de metade do jogo para matar uma Fiorentina irreconhecível, que até o início da partida tinha a melhor defesa do campeonato (ao lado de Inter e Milan). O protagonista foi o jovem atacante uruguaio Hernández, que marcou duas vezes no primeiro tempo, a primeira de cabeça e a segunda com assistência de Pastore - em sua melhor partida desde que chegou ao Renzo Barbera. Depois do intervalo, Hernández foi substituído pelo croata Budan, que fechou o placar em 3 a 0. Na única boa chance da Fiorentina durante o segundo tempo, Sirigu, em ótima temporada de estreia, parou bem Jovetic. O resultado empurra os viola para a nona posição, cada vez mais longe da zona-LC.

A rodada garantiu a alegria dos times de Gênova. Tanto Sampdoria quanto Genoa venceram suas partidas, o que não acontecia desde a 3ª rodada. Mas a maior vitória foi de Luigi Del Neri, que nos 3 a 2 sobre a Udinese, arriscou bastante ao excluir Cassano da viagem para o Friuli sem declarar seu real motivo para tal. Assim, recolocou nos trilhos esta Samp que não vencia há dois meses. A Udinese fez um bom primeiro tempo e foi para o intervalo em vantagem no placar, com direito ao 13º gol de Di Natale na temporada. Mas, no retorno, Pozzi e Semioli aproveitaram-se da bagunça defensiva alheia para virar o placar. Os friulani, a bem da verdade, têm bons motivos para reclamar um pênalti não marcado no fim do jogo. Mas o resultado é duro: agora, a Udinese está apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, pronta para confirmar sua pior campanha na Serie A desde o rebaixamento de 1994. E, se Lippi pode ficar feliz pela temporada em chiaroscuro de seu desafeto Cassano, já deve abrir os olhos para a péssima fase de seu pupilo Simone Pepe.

Enquanto a Samp chegou à 10ª posição, com 30 pontos, o Genoa agora é o oitavo colocado, com 31 e só dois atrás da zona de classificação para a Liga Europa. O time entrou bem com bem contra a Atalanta e conseguiu uma vitória à argentina. Palácio (com um belo gol por cobertura) e Crespo (de cabeça), no primeiro tempo, anotaram o 2 a 0 que não saiu do placar. Palmas para Gasperini, que barrou Juric, Sculli e Fatic, não improvisou ninguém desta vez e, em contrapartida, viu seu time garantir uma partida tão consistente quanto as do Genoa do início do campeonato. Mas a grande notícia do jogo foi a Atalanta, que é outro time sob o comando de Bortolo Mutti e com o reforço do uruguaio Chevantón, que entrou muito bem no decorrer da partida. Os bergamascos ainda estão na vice-lanterna, a três pontos da salvezza. Um objetivo cada vez mais concreto para uma equipe que está subindo bastante de rendimento.

Junto dos nerazzurri de Bérgamo (17 pontos), também estão na zona de rebaixamento Siena (13) e Catania (19). No empate por 1 a 1 com o Cagliari, o Siena confirmou que a sorte definitivamente não está a seu lado. Os lanternas fizeram um ótimo primeiro tempo (Maccarone foi o destaque) e até abriram o placar no segundo, com Calaiò impedido. Mas os sardos não precisaram de mais de um minuto para empatar, com o décimo gol de Matri na Serie A. Com o empate inútil, enquanto o banco de Malesani já começa a esquentar, o Cagliari, que podia ter ultrapassado a Juventus com uma vitória, vê o sonho europeu um pouco mais longe. No Catania, por outro lado, a fase é boa com Mihajlovic e o time confia em deixar a zona da degola já na próxima rodada, no confronto direto com a Udinese. Contra um Parma sem cinco titulares, os etnei viveram seu dia M: o 3 a 0 foi construído nos gols de Mascara, Martínez e Morimoto - e o primeiro ainda perdeu um pênalti. Incrível a queda do Parma, que só conseguiu um ponto nos últimos cinco jogos.

Ainda na parte debaixo da tabela, o Bologna continua sua fuga e já é o 14º colocado. A ótima fase de Giménez (dois gols neste domingo) tem guiado o time na luta contra a Serie B. Com a vitória de 2 a 1 sobre o Bari, os rossoblù chegaram à marca de sete pontos em sete dias, espantando a sombra de um rebaixamento que já parecia questão de tempo. Sem o goleiro Viviano, lesionado por um mês, Colombo não teve muito trabalho com o ataque pugliese e deixou entrar o único chute periogoso em direção a suas redes, do brasileiro Barreto, em marcando em sua sétima partida consecutiva. Com o resultado, o Bologna ultrapassou a Lazio, numa temporada de crise perene e que agora vê a zona de rebaixamento a apenas dois pontos de distância. O time não se recuperou da queda para a Fiorentina na Coppa Italia e nem da goleada para a Atalanta na rodada passada e, em campo, é um time desatento, que parece incapaz de evoluir. Contra o Chievo, Stendardo abriu o placar com um gol de Stendardo em escanteio de Baronio, mas os vênetos empataram com P ellissier, que não marcava desde 27 de setembro. Na próxima semana, o duelo entre Lazio e Juve deve ser determinante: para os dois times, a "chance" de transformar o desastre em pesadelo.

Texto com a colaboração de Nelson Oliveira

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 21ª rodada, clique aqui.

Seleção da 21ª rodada
Júlio César (Inter); Maggio (Napoli), Juan (Roma), Samuel (Inter), Riise (Roma); Zanetti (Inter), Pizarro (Roma), Migliaccio (Palermo); Hernández (Palermo), Pandev (Inter), Giménez (Bologna).

Hellas Verona, o último campeão provincial

Em defesa da cidade: o clube mais popular de Verona tenta retribuir o amor de sua gente


O nobre decaído mais amado da Itália
Quando, em 17 de maio de 2008, no acanhado campo de Busto Arsizio, província de Varese, mais de 5 mil torcedores do Hellas Verona ocuparam os pouco mais de 7 mil lugares do estádio, ninguém mais teve dúvidas de que aquele clube, que tinha sido campeão italiano e agora jogava a permanência na então Serie C1, estava vivo – por mais que o campo desse outra sentença.

Só agora, quase três anos depois desse histórico (ainda que triste) jogo, o Hellas Verona reuniu as condições necessárias para tentar sair da Lega Pro. Foi determinante a contratação do diesse Nereo Bonato - o homem por trás do milagre esportivo que levou o Sassuolo da antiga C2 à Serie B. Bonato, por enquanto, está sabendo potencializar os resultados modestos da temporada 2008/09, em que o Hellas Verona ficou na 7ª posição. Hoje, o Verona lidera o grupo B da 1ª Divisione, e conta com um bom elenco para tentar o retorno à Serie B.

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O Hellas Verona nasceu, simplesmente, Hellas, pois seu fundador - Corrubolo - era professor de língua grega e batizou o clube em homenagem à nacional helênica. Suas cores, desde sempre, são o amarelo e o azul, presentes no brasão da cidade de Verona. Era um tempo em que o futebol vêneto engatinhava, em comparação ao que se fazia no Piemonte, na Lombardia, e na Ligúria. Na década de 1910, o Hellas se funde com o Verona, e nasce, assim, o Hellas Verona. Mais tarde, na década de 1920, devido à questão de quem usaria o estádio municipal, o Hellas Verona, coroado pela gente de Verona como a equipe da cidade, fundiu-se com a Scaligera e o Bentegodi (então seu maior rival, mas preterido pelo público da cidade): assim, nasce o Verona.

Com o profissionalismo, o Verona é admitido na Serie B, em 1929-30. Retrocede à Serie C em 1941, e de lá retorna, em 1943. A primeira promoção para a Serie A aconteceu em 1956/57; uma emoção que durou apenas uma temporada. De volta à Serie B, o Verona absorve uma pequena equipe da cidade que fora promovida da Serie C; chamava-se Hellas. Nasce, assim, o Verona Hellas. O Verona voltaria à Serie A em 1967/68, e cairia apenas em 1973/74, para voltar já na temporada seguinte. Em 1975/76, o clube consegue seu primeiro grande sucesso: a final da Coppa Italia, em que foi derrotado pelo Napoli (4x0).


É interessante observar que, poucos anos antes (1971) nasceriam as Brigate Gialloblù, o grupo de ultra' mais famoso do Verona e, durante anos, um dos maiores da Itália. A final da Coppa Italia, contra o Napoli, foi célebre, não só pelo que representou no terreno de jogo: estavam em disputa ideologias territoriais (o Norte contra o Sul) e políticas, sendo a gente do Napoli orientada para a esquerda - contando, na época, inclusive, com amizade e apoio dos torcedores da Roma, uma vez que a final fora realizada no estádio Olímpico - e aquela do Verona adepta da extrema direita; há quem diga, inclusive, que o nome Brigate Gialloblù foi inpirado nas Brigate Nere, de Mussolini (fato este, porém, que não impediu a seus membros fomentar uma grande amizade com os ultra' da Fiorentina, desde sempre de postura esquerdista).

Em 1981/82, na Serie B, chega a Verona o técnico Osvaldo Bagnoli, que inciou uma era de ouro no clube. Na sua reestréia na máxima série, em 1982/83, o clube consegue uma inédita vaga na Copa da UEFA, e sua segunda final de Coppa Italia, desta vez perdendo o centrino para a Juventus. Na temporada seguinte, mais uma final de Coppa, e mais um vice-campeonato, agora para a Roma, de Falcão. Em 1984/85, o Verona Hellas venceu o tão sonhado scudetto, liderando da primeira à última rodada. Elkjaer, aclamado nas arquibancadas como "prefeito" de Verona, marcou o gol (penúltima rodada: empate em 1x1, com a Atalanta, em Bérgamo) que fez do Verona a única equipe de uma cidade não-capital de região a ser campeã nacional e participar da Copa dos Campeões (atual Champions League). Ainda nos anos 1980, o Verona conseguiu mais uma classificação para a Copa da UEFA (1986/87) antes de cair para a Serie B, em 1989/90 e enfrentar um período de decadência, marcado por uma falência e acessos seguidos de rebaixamentos


Em 1998/99, o então presidente Pastorello (o personagem mais odiado da história do clube, por suas operações ilícitas) traz o técnico Prandelli, que surpreende a cidade e a Itália ao levar o Verona ao título da Serie B, para ficar na série máxima até 2001/02, a última temporada do time na elite. Antes de cair para a atual Lega Pro, o clube viveu seis temporadas anônimas na Serie B. No primeiro ano de Lega Pro, o fantasma de um novo rebaixamento foi exorcizado apenas no último minuto dos play-outs, contra a Pro Patria. Com a passagem de propriedade para Martinelli, o Verona parece pronto a se reinventar e voltar a viver dias de mais esperança.

As temporadas
24 na Serie A, 49 na Serie B e 5 na Serie C/Lega Pro.

Os rivais
Por ter conquistado muitos sucessos além dos confins regionais, o Hellas Verona possui rivais em toda a Itália; uns, claro, mais ferrenhos que outros. No Vêneto, a rivalidade citadina com o Chievo é ofuscada pelos derbys com o Vicenza. Os jogos com Padova e Venezia também geram grande expectativa, embora tenham acontecido pouco, nos últimos anos. Nas demais regiões, o Hellas Verona ostenta rivalidades históricas com Napoli, Genoa, Brescia, Atalanta, Juventus, Milan, Roma, Cesena e Reggina.

Os brasileiros
Os jogadores brasileiros sempre tiveram grande espaço no Hellas Verona. Basta lembrar que Arnaldo Porta, que jogou entre as décadas de 1910 e 1930 é, até hoje, o maior artilheiro do clube. O primeiro dos mais famosos brasileiros do Verona, porém, foi o camisa 10 Dirceu Guimarães (ex-Coritiba), que participou da temporada 1982/83. O último tupiniquim de sucesso foi o atacante Adaílton, atualmente no Bologna. Atualmente, são três os brasileiros do Verona: o goleiro Rafael (ex-Santos e São Bento), o meia Farias e o atacante Jorginho.

Os selecionáveis
O primeiro scaligero azzurro foi o atacante Virgilio Levratto, ainda nos anos 1920. Recordamos, também: o zagueiro, Luigi De Agostini, o meia Pietro "Pierino" Fanna, o atacante Giuseppe "Nanu" Galderisi, o líbero Roberto Tricella, e o defensor Massimo Oddo.

O onze histórico
Claudio Garella; Roberto Tricella, Wladyslaw Zmuda, Thomas Berthold e Anthony Seric; Damiano Tommasi, Hans-Peter Briegel, Antonio Di Gennaro e Pietro Fanna; Preben Elkjaer Larsen e Adrian Mutu. Técnico: Osvaldo Bagnoli.

Quem mais jogou
Luigi Bernardi, meio-campista, 337 partidas.

Quem mais marcou
Armando Porta, atacante, 74 gols.

Colaborou com este texto: Ubiratan Leal

É penta?

A Inter de Júlio César, "renascido" no derby, comemora: já é penta? (Reuters)

Um craque tem de decidir jogos importantes. Esta máxima manjada do futebol foi repetida inúmeras vezes esta semana, quando o assunto era o Derby della Madonnina. Mais especificamente, quando se falava sobre a postura que Ronaldinho deveria ter contra a Inter, caso pretendesse ser convocado por Dunga para a Copa do Mundo. Comparando as fases recentes das duas equipes e, claro, considerando que a fase do camisa 80 é a melhor desde que deixou Barcelona, se via um leve favoritismo para o Milan.

Mas Ronaldinho não jogou bem e nem chegou a fazer papelão. Chamou o jogo, foi participativo e chegou a levar perigo ao gol de Júlio César por duas vezes. O pênalti perdido no fim, que o goleiro interista defendeu com maestria, não apaga sua atuação mediana. No entanto, apesar de os holofotes estarem voltados para o Milandinho, quem brilhou jogava com a camisa nerazzurra. Primeiro Milito e, depois, Pandev, marcaram os gols da vitória da Inter, em um jogo de arbitragem bastante controversa. A Inter foi mais forte por todo o jogo, abriu nove pontos da rival citadina e tem caminho livre para conquistar o penta e pensar na Liga dos Campeões.

Prêambulos, fábula e controvérsias arbitrais
Havia algum tempo que o derby de Milão valia tanto. Desta vez, se o Milan vencesse, entraria de vez na briga pelo Scudetto - e poderia empatar em número de pontos com a Inter, caso saísse vencedora da partida atrasada que fará contra a Fiorentina. A semana que antecedeu o derby-scudetto foi bastante silenciosa, ao contrário das últimas vezes. Jogadores, treinadores e dirigentes evitaram polêmicas e jogaram no silêncio, fazendo com que todo o burburinho da imprensa se concentrasse em Ronaldinho e nas dúvidas quanto aos lesionados. Enquanto Muntari e Thiago Motta conseguiram se recuperar, do lado interista, Stankovic ficou de fora. Uma grande perda para os mandantes da partida, já que o sérvio costuma jogar bem contra o Diavolo. O Milan também teve um desfalque importante: Nesta, principal jogador da defesa rossonera foi dúvida até momentos antes do jogo, mas, assim como Pato e Zambrotta, ficou de fora.

Desde os primeiros movimentos, a Inter mostrou que queria jogo e, principalmente, queria provar que o favoritismo era dela, a líder do campeonato. Logo aos dois minutos, Sneijder acertou a trave de Dida, quando resolveu experimentar um chute forte de longa distância. Pouco depois, o goleiro fez um milagre frente ao holandês, que chutou à queima-roupa após dominar uma sobra de arremate de Pandev. Aos 10 minutos, no lance de perigo seguinte, foi do macedônio o lançamento que deu origem ao primeiro gol do jogo, marcado por Milito. Pandev girou e lançou Il Principe, que ganhou na corrida de Abate e finalizou cruzado, sem chances para Dida. A dupla voltaria a infernizar a defesa rossonera quatro minutos depois, mas o baiano evitava um desatre.

Naquele momento, a Inter dominava o meio-campo. Cambiasso e Zanetti faziam o "trabalho sujo" de evitar com que Pirlo, Beckham e Ronaldinho criassem, enquanto Sneijder se movimentava bastante e era o melhor em campo. No Milan, Gattuso estava completamente perdido em campo, como no derby do primeiro turno, e os três supracitados jogadores de criação da equipe alçavam bolas na área, na tentativa de encontrar Borriello. Bastante isolado, o atacante foi neutralizado por Samuel (em grande fase) durante todo o primeiro tempo. Porém, aos 28 minutos, o árbitro Gianluca Rocchi começou a aparecer.

Em uma de suas tradicionais arrancadas, Lúcio caiu após um carrinho de Ambrosini. O árbitro lhe mostrou um cartão amarelo por simulação e, em seguida, um vermelho a Sneijder, que aplaudia ironicamente a decisão de punir o zagueiro brasileiro. Em casos como este, muitos árbitros preferem advertir os aplausos com um cartão amarelo, mas Rocchi foi, no mínimo, rigoroso. O Milan também reclamaria do árbitro de Firenze pouco depois, quando Ronaldinho tentou encobrir Maicon, mas a bola tocou na mão do brasileiro - que estava na altura de sua orelha. Com um a mais, a equipe de Leonardo deixava a posição de atacada para tornar-se atacante. Só que a defesa da Inter seguia sólida, sem perder nenhum lance.

Berlusconi comemora em nerazzurro

Materazzi ousa e comemora a vitória usando máscara de Berlusconi (Reuters)

Para o segundo tempo, Leonardo decidiu pressionar ainda mais e sacou Gattuso, que deu lugar a Seedorf. Logo aos dois minutos, o holandês conseguiu se inserir entre os zagueiros da Inter para cabecear com força, para a excelente defesa de Júlio César. Foi a primeira defesa do brasileiro, que começaria a se destacar na partida a partir deste lance. O Milan continuava pressionando da mesma forma que no primeiro tempo: sem conseguir colocar a bola no chão por causa da falta de espaço que os volantes da Inter impunham, Pirlo e Beckham seguiam lançando e cruzando em busca de um solitário Borriello, que começava a levar um pouco mais de perigo ao gol nerazzurro. Mas a Inter não desistia de atacar. Contando com a velocidade de Pandev, a frieza de Milito e a inteligência de ambos, os meneghini tiveram duas chances em contra-ataques e chegaram a acertar a trave, com o ex-laziale, que se encaixou perfeitamente ao esquema armado por José Mourinho. Já se fala que o técnico de Setúbal estuda reutilizar o 4-3-3, para encaixá-lo na equipe, ao lado de Milito e Eto'o.

Quando a Inter voltou a dominar o jogo, mesmo com inferioridade numérica, Maicon aproveitou que Favalli efetuava um carrinho duro e cavou uma falta próxima da entrada da área. Na falta de Sneijder, Pandev foi o encarregado de cobrar a infração e o fez com primor, de um jeito muito parecido ao estilo que seu companheiro, especialista neste tipo de cobrança, costuma bater na bola. Ponto para Mourinho, que num golpe de sorte decidiu manter o atacante mais alguns minutos em campo, em detrimento de Motta, que estava pronto para entrar na beira do gramado. Após a comemoração, Pandev foi substituído e aplaudido pelos tifosi. Daí para frente, a equipe milanista se abateu, embora Leonardo ainda acreditasse no resultado, ao apostar em Huntelaar. Decisão contestada pela torcida, já que Inzaghi estava disponível.

Porém, já nos acréscimos, o holandês quase reabriu a partida, quando dificultou a vida de Júlio César com um belo voleio. No lance seguinte, Rocchi marcaria pênalti para o Milan. Ronaldinho chutou e a bola explodiu no braço de Lúcio, que recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Tanto o pênalti quanto a expulsão foram bastante contestadas pelos jogadores da Inter, que alegavam a falta de intenção do defensor em cortar a bola de maneira irregular. De fato, Lúcio estava muito próximo de Ronaldinho no momento em que a bola toca em seu braço. A excepcional defesa de Júlio César na cobrança de Ronaldinho coroou a partida do goleiro, que pela primeira vez na temporada decidiu uma partida para sua equipe. Fazendo uma stagione apenas mediana, o titular da Seleção "escolheu" o derby para brilhar e voltar a ser importante em Appiano Gentile.

Maicon ainda perderia uma chance claríssima para marcar o terceiro, mas ficou por isso mesmo. Suficiente para Materazzi brincar e vestir uma máscara de Silvio Berlusconi, dono do Milan, para comemorar. Suficiente também para fazer Mourinho sorrir e até mesmo pedir com veemência, durante o jogo, para que os torcedores saudassem a equipe e comemorassem a vitória. Suficiente até para provocar o rival, indicando um seis com os dedos, fazendo alusão ao número de gols que sua Inter fez no Milan nesta temporada. O mesmo Mourinho não fugiu da polêmica e insinuou que o árbitro estava intencionado a fazer a Inter perder, ao dizer que "só perderíamos se ficássemos com seis jogadores; venceríamos até com sete". No fim das contas, a história é a mesma: a Inter continua muito mais sólida que as outras equipes da Serie A e só perde o título para ela mesma. Qual o segredo para ser tão superior às outras equipes da Itália?