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domingo, 28 de fevereiro de 2010

26ª rodada, ao vivo!

A 26ª rodada começa com pouca diferença de pontos entre Inter, Milan e Roma, que jogam no mesmo horário. Traremos informações sobre as partidas das três equipes aqui na nossa transmissão. Acompanhe também através do nosso Twitter.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fique de olho: McDonald Mariga

Mariga trocou o Parma pela Inter e agora é companheiro de Zanetti (Getty Images)

O queniano McDonald Mariga, de 22 anos, foi o pivô de um dos casos mais curiosos da janela de transferências de janeiro. Os dirigentes do Parma (seu clube à época) já haviam acertado todos os detalhes com o Manchester City, que pagaria 7 milhões de euros pelo meia. No entanto, a contratação desejada pelo técnico Roberto Mancini foi por água abaixo, já que um visto de trabalho foi negado, pelo fato de a seleção do Quênia ocupar a 98ª posição no ranking da FIFA. Não adiantou nem mesmo que o primeiro-ministro queniano tentasse interceder pelo jogador junto a Premier League.

Atenta ao fracasso do negócio entre crociati e citizens, a Inter, que procurava um meio-campista para preencher a saída de Vieira para o próprio Manchester City, não demorou para fechar negócio com Pietro Leonardi, diretor esportivo do Parma. A co-propriedade de Mariga foi acertada por três milhões de euros, metade do passe do atacante Jonathan Biabiany e o empréstimo de Luis Jiménez. Mariga tornou-se o primeiro queniano a atuar por um clube de ponta da Europa e sua contratação foi bastante festejada no Quênia, onde Mariga começa a ser visto como exemplo para os jovens e também para as autoridades que tratam do esporte no país.

A contratação do meia queniano também foi bem recebida em Milão. Massimo Moratti, presidente da Inter, declarou com bastante animação que a transferência "foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em janeiro". Mourinho também elogiou muito o jogador: comparou-o a Sissoko, mas ressaltou que Mariga ainda não é um "produto final" e que pode tornar-se um jogador "fantástico", já que possui grande potencial.

Do Quênia para a Itália, com escala na Suécia
Quando se fala no Quênia em termos esportivos, a primeira coisa que vem à cabeça é o atletismo, esporte no qual o país tem maior destaque. Na ex-colônia inglesa, em termos de popularidade e também de investimento, o futebol também está atrás do rúgbi e do críquete. O Quênia chegou a ser uma das maiores forças futebolísticas do Leste Africano mas, em 2004, uma interferência governamental na Federação Queniana paralisou o cenário do esporte no país. O episódio, tido como um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento do futebol profissional queniano, fez com que a Fifa banisse a seleção de participar de todas as competições internacionais até 2007. Foi nesse cenário que Mariga iniciou sua carreira.

Antes de se tornar profissional, McDonald Mariga fez parte dos Golden Boys, equipe juvenil da escola Kamukunji, da capital Nairóbi. O time sagrou-se campeão nacional em 2002 e 2003, e, além de Mariga, tinha em seu elenco Dennis Oliech, que hoje é atacante do Auxerre e da seleção queniana. Depois disso, Mariga passou pelos juvenis do Ulinzi Stars, do Pipeline e enfim chegou ao Tusker, uma das maiores equipes do país. Não demorou muito para que aparecesse o assédio dos empresários estrangeiros e Mariga se transferisse para o Enköpings, da terceira divisão da Suécia. Após um complicado ano de adaptação, transferiu-se para o Helsingborgs, da Allsvenskan, primeira divisão do país.

Após a fracassada temporada do clube em 2005, o clube investiu pesado e, além de Mariga, trouxe também o ídolo Henrik Larsson. Ambos foram peças-chave na boa campanha dos Di Röe naquele ano, levando o time ao quarto lugar no campeonato nacional e ao título da Copa da Suécia. Mariga fez 23 partidas e marcou quatro gols, embora seja um meia responsável mais pela contenção do que pelo ataque. Suas atuações lhe valeram as primeiras convocações para a seleção do Quênia, não obstante tivesse apenas 18 anos e não tivesse atuado por qualquer seleção de base. No ano seguinte, o meia só atuou em metade da temporada pelo Helsingborgs, mantendo a mesma regularidade de 2006 e, embora tivesse sido sondado pelo Portsmouth, acabou emprestado ao Parma, da Itália.

Sucesso no Tardini e a chegada na corte de Mourinho
Mariga chegou ao clube gialloblù e enfrentou dificuldades em sua primeira temporada, na qual teve a concorrência de Morrone, Dessena, Parravicini e Cigarini e acabou relegado ao banco, pelos técnicos Domenico Di Carlo e Héctor Cúper. Mariga estreou apenas na sétima rodada do campeonato e, na maior parte das 18 partidas que disputou na Serie A, entrou em campo por poucos minutos, na segunda etapa dos jogos. A temporada acabou com o rebaixamento do Parma, e, com a saída de Cigarini e Dessena, Mariga foi contratado em definitivo pelos emilianos e, na Serie B, teve enfim sua chance na equipe titular.

Na cadetta, Mariga sobrou no meio-campo do Parma vice-campeão. Na Serie B, o queniano mostrou, enfim, os atributos que lhe consagraram na Suécia: a força física privilegiada (1,88 de altura e 86 quilos) lhe possibilita efetuar a marcação no centro do campo e também avançar sobre a defesa adversária, numa característica corrida com passadas longas, responsável pela comparação a Vieira e Sissoko. Mariga mostrou ainda ter boa qualidade de passe e posicionamento, além da capacidade de chutar de fora da área: com duas bombas de fora da área, Mariga fez dois dos seus três marcados em 35 partidas pela Serie B. De volta a Serie A, uma lesão muscular na coxa em outubro (da qual ainda não está totalmente recuperado) reduziu sua participação no time de Francesco Guidolin a nove partidas, mas mesmo assim a Inter decidiu contratá-lo.

Pela Inter, Mariga já atuou em quatro partidas (três pela Serie A e uma pela Coppa Italia) e, tem sido utilizado sempre no segundo tempo, em consequência de sua contusão. Com tão pouco tempo em nerazzurro, Mariga - ou Big Mac, como é chamado pelo locutor Roberto Scarpini, do Inter Channel - suas prestações são animadoras. Fez uma ótima partida contra o Parma e também contra o Napoli, quando entrou no lugar de Muntari e deu ao meio-campo interista a consistência e tranquilidade que faltava quando o ganense estava em campo. O bom exemplo de Mariga parece estar sendo seguido por seu irmão mais novo, o meia Victor Wanyama, de 18 anos. Como seu irmão, Wanyama passou pelo Helsingborgs (agora atua pelo Germinal Beerschot, da Bélgica) e já acumula oito convocações para a seleção queniana.

Ficha técnica

Nome completo: McDonald Mariga Wanyama

Data de nascimento: 04/04/1987

Local de nascimento: Nairóbi, Quênia

Clubes que defendeu: Ulinzi Stars, Pipeline, Tusker, Enköpings, Helsingborgs, Parma, Internazionale.

Seleções de base que defendeu: nenhuma.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Jogadores: Christian Vieri

Vieri vestiu mais de uma dezena de camisas, mas se destacou mesmo com a da Inter (AP)

Desde muito jovem, Christian Vieri é acostumado a não ficar morando em uma mesma cidade por muito tempo. O motivo de suas mudanças, mesmo naquela época, sempre foi o futebol: Roberto Vieri, seu pai, era atacante - como ele viria a ser. Bobo nasceu em Bologna, mas com quatro anos já estava morando em Sydney, na Austrália. Ele acompanhava seu pai, que emigrou para atuar no Marconi Stallions, clube da numerosa comunidade italiana que vive na cidade.

Foi no país da Oceania que Christian Vieri deu os primeiros passos de sua carreira futebolística, aos 14 anos, como lateral esquerdo no mesmo clube em que seu pai jogara. Logo foi avançado para o ataque e voltou para a Itália, onde juntou-se ao Santa Lucia, da cidade de Prato. Porém, logo trocou de clube novamente: assinou com o Prato, clube em que seu pai foi ídolo, e fez parte da equipe de Giovanissimi.

Na temporada 1991-92, Vieri tinha 17 anos e já fazia parte do time Primavera da última boa equipe do Torino, que chegou a terceira posição da Serie A. Na mesma temporada, Vieri fez sua estreia na máxima divisão italiana. Vestindo granata, passou duas temporadas num mesmo clube, feito que só conseguiria repetir quando chegou a Inter, quase uma década depois.

Depois de deixar o Torino, Vieri rodou por três clubes da Serie B. Passou pelo Pisa sem deixar muitas saudades e transferiu-se para o recém-promovido Ravenna, onde, não obstante a pouca idade, foi titular e marcou 12 gols. Sua boa prestação não foi suficiente para salvar o time da queda para a antiga Serie C1 e ele se transferiu para o Venezia. O desempenho no clube vêneto, com 11 gols em 29 partidas, fez com que a Atalanta contratasse Bobo para disputar a Serie A, na temporada 1995-96.

Na elite, Vieri continuou mostrando as qualidades pelas quais seria reconhecido até o fim de sua carreira: o ótimo posicionamento, a estrela e o ótimo poder de finalização (seja com os pés ou com a cabeça). Mesmo na reserva da equipe de Bérgamo, Vieri marcou oito gols - mais que Pisani e Tovalieri, titulares. Juntamente com o uruguaio Paolo Montero, foi contratado ao fim da temporada pela Juventus, campeã europeia em 1996.

Na Juventus, Vieri foi importante, mas só ficou um ano (Goal.com)

Em Turim, Vieri deu o verdadeiro salto em sua carreira: contando com uma concorrência acirrada no ataque bianconero (Del Piero, Padovano, Boksic e Amoruso), Bobo marcou oito gols na temporada e foi artilheiro da equipe, ao lado de Padovano e de Del Piero. Ao fim da temporada, havia ajudado a levar o clube ao título da Serie A e ao vice da Liga dos Campeões, chegando a ser escalado como titular na final contra o Borussia Dortmund. Com 23 anos, estreou na seleção italiana em março de 1997, contra a Moldávia, mostrando sua estrela: marcou o milésimo gol da história da Squadra Azzurra.

Porém, Vieri não continuou na Velha Senhora na temporada seguinte. O clube recebeu uma proposta milionária e o centroavante transferiu-se para o Atlético de Madrid, que havia sido comprado dois anos antes pelo político Jesús Gil e brigava pelo título espanhol.

A primeira experiência estrangeira de Vieri foi um sucesso: apesar de ter passado por alguns problemas físicos, Vieri marcou 24 gols em 24 partidas e venceu o troféu Pichichi, dado ao artilheiro da competição – quatro destes gols foram marcados em uma única partida; mas o poker contra a Salamanca foi incapaz de evitar a derrota por 5 a 4. Suas atuações convenceram o técnico Cesare Maldini a convocá-lo para a Copa de 1998. Vieri foi titular da seleção italiana e marcou cinco gols em cinco partidas no torneio, até a Itália cair nos pênaltis para a França, dona da casa, nas quartas-de-final.

Primeira experiência do artilheiro no exterior foi boa e acabou com chamado à Copa (VN Express)
Mais uma vez, porém, o sucesso não faz com que Vieri fique no mesmo clube por mais de uma temporada. A Lazio, enriquecida com a presidência de Sergio Cragnotti e pela parceria com a Cirio, repatria o bomber italiano. Na temporada 1998-99, Vieri marcou 14 gols que levaram os biancocelesti ao segundo lugar na Serie A (com um ponto a menos que o Milan) e também um dos gols da vitória da equipe capitolina sobre o Mallorca, na final da Recopa Europeia. Ao fim da temporada, Vieri se transferiria mais uma vez, para permanecer muito tempo sem trocar de camisa.

Após passagem de sucesso pela Lazio, Inter de Pagliuca foi o destino do jogador (Tumblr)
A Inter contratou o camisa 32 da Lazio com o intuito de contar com uma dupla de ataque implacável formada por ele e Ronaldo. No entanto, a parceria em campo foi vista poucas vezes, devido a lesões de ambos os jogadores. E, a bem da verdade, ambos eram vistos mais vezes juntos nas boates de Mlão do que em campo. Durante os anos em que esteve em Milão, Vieri só deixava o time titular em caso de lesão, pelo menos até a última temporada.

Neste período, teve vários parceiros no ataque: Ronaldo, Recoba, Roberto Baggio, Zamorano, Crespo, Martins, Cruz e Adriano. Chegou a ser artilheiro da Serie A por duas vezes - em uma delas, no campeonato de 2002-03, fez 24 gols em 23 partidas. Neste mesmo ano, Vieri foi o autor dos quatro gols (um poker, como dizem os italianos) da vitória interista sobre o Brescia.

Os números do atacante na Inter são muito bons. Os 123 gols em 190 partidas pelo clube fizeram Materazzi coroar Vieri, consagrado como um dos de maiores marcadores da história nerazzurra e o principal goleador da Era Massimo Moratti, até então. Nos anos de Inter, era nome certo na seleção italiana.

Bobo perdeu a chance de vestir a camisa azzurra na Eurocopa de 2000 por causa de uma lesão, mas esteve presente na Copa de 2002, realizada conjuntamente por Coreia do Sul e Japão. Após marcar quatro gols no torneio, tornou-se (ao lado de Paolo Rossi e Roberto Baggio) o maior artilheiro da Squadra Azzurra em mundiais, com nove tentos. Com 23 gols em 49 partidas vestindo azul e branco, Vieri é também o nono maior artilheiro da história da seleção.

Vieri podia ter pinta de grosso, mas é o maior artilheiro da Itália em Copas (Sportskeeda)
Porém, a Inter passava por um período complicado e não vencia títulos: chegou perto no fatídico 5 de maio de 2002, quando perdeu para a Lazio e deixou escapar o scudetto e também quando caiu nas semifinais da Liga dos Campeões em 2003. O único título do atacante em nerazzurro foi conquistado em seu último ano no clube: a Coppa Italia da temporada 2004-05, já sob a gestão de Roberto Mancini. No fim da temporada, o atacante rescindiu seu contrato e gerou polêmica ao acertar com o Milan. Na saída do clube, o atacante abriu um processo contra o presidente Massimo Moratti, alegando que foi espionado através de escutas telefônicas feitas pelo clube.

Desde que deixou o clube de Via Durini, a carreira de Vieri desandou. Supostamente em depressão e vestindo rossonero, o atacante marcou apenas dois gols, até ser negociado com o Monaco, da França, após um semestre. Na França, a presença do centroavante ficou marcada pelos cada vez mais constantes problemas físicos, que o reduziram sua participação a apenas 11 partidas pelo clube monegasco. Em junho, Vieri assinaria com a Sampdoria, clube pelo qual seu pai fez mais sucesso na carreira.

Transferência de Vieri ao Milan chateou interistas (Getty)
Porém, o atacante não chegou nem perto dos feitos de seu pai: ainda em agosto, rescindiu seu contrato pelos recorrentes problemas físicos, para depois assinar um contrato anual com a Atalanta. Em Bérgamo, Vieri ganharia apenas pelos gols marcados pelo time em que despontou na Serie A. Sua estreia ocorreu apenas em abril de 2007 e, no mês seguinte, Bobo marcou um gol antológico: chutando de primeira do meio-campo, encobriu o goleiro Manninger na vitória por 3 a 1 sobre o Siena. No total, foram apenas dois gols em sete jogos.

Por incrível que pareça, na temporada seguinte, Vieri ainda ganharia uma chance na Fiorentina, que brigava por vaga na Liga dos Campeões e pelo título da Copa da Uefa. Em Florença, Bobo não decepcionou e fez uma temporada bastante regular. Vindo sempre do banco, marcou nove gols e foi responsável por algumas assistências, ajudando o time a conquistar a quarta posição na Serie A e a chegar às semifinais da competição europeia.

Vieri comemora gol pela Fiorentina, seu último clube de destaque (Tutto Mercato Web)
Foi o último bom momento do bomber, que chegou a voltar à Atalanta (contestado pela torcida, que não queria sua volta) antes de perder completamente a forma física e declarar que havia encerrado a carreira. Depois de ter parado, Vieri foi sondado por Botafogo de Ribeirão Preto e Boavista-RJ, mas preferiu continuar fora das quatro linhas. Melhor assim, para assegurar um fim de carreira menos melancólico para quem se acostumou a decidir partidas com tantos tentos: foram 265 gols em 522 partidas oficiais.

Christian Vieri
Nascimento: 12 de julho de 1973, em Bologna (Itália).
Posição: atacante
Clubes: Prato (1989-90), Torino (1990-92), Pisa (1992-93), Ravenna (1993-94), Venezia (1994-95), Atalanta (1995-96; 2006-07 e 2008-09), Juventus (1996-97), Atlético de Madrid (1997-98), Lazio (1998-99), Inter (1999-2005), Milan (2005-06), Monaco (2006), Sampdoria (2006), Fiorentina (2007-08).
Seleção italiana: 49 partidas, 23 gols.
Títulos: 2 Coppa Italia (1992-93 e 2004-05), Campeonato Europeu sub-21 (1994), Supercopa da Europa (1996), Copa Intercontinental (1996), Serie A (1996-97), Recopa (1998-99).

Subestimados do calcio: Cristiano Doni

Num período quinzenal, o Quattro Tratti discorrerá sobre alguns nomes peculiares da Serie A: trata-se de uma lista de grandes jogadores subvalorizados no cenário nacional e internacional. Cristiano Doni dá a largada na seção, chamada de Subestimados do calcio.

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Doni: porta-voz de um time que não fala alto (L'Eco di Bergamo)

Quem acompanha a Serie A sabe faz tempo que Cristiano Doni merece atenção extra. Hoje beirando a aposentadoria - e, mesmo assim, em alto nível - o meio-campista é figura carimbada em qualquer lista de nomes ilustres do futebol italiano. Ídolo da Atalanta, cuja camisa foi comparada por ele ao uniforme do Super-Homem, é difícil entender por que nunca recebeu oportunidade numa grande equipe. Melhor para os nerazzurri, que contam com um atleta qualificado, capitão, bandeira e até cidadão de honra de Bérgamo.

Doni nasceu em Roma, e seu início de carreira não foi nada empolgante. Ao invés da capital, ele cresceu em Verona, e iniciou sua trajetória profissional no Modena, em 1991 - clube no qual não se destacou. Rodou por Rimini e Pistoiese - foi titular em ambos - até chegar no Bologna, em 94, e aí sim ganhar certa projeção. Com os rossoblù, foi titular de um time em ascensão, que foi primeiro colocado na terceira e segunda divisão, alcançando assim a elite do futebol italiano. Cristiano, porém, mantendo uma relação ruim com o então treinador Renzo Ulivieri, preferiu se transferir, assinando com o Brescia.

Novamente na Serie B, ele foi protagonista pela primeira vez. Treinado por Edoardo Reja, consolidou-se como peça chave num time que também subiu. Assim, a temporada 1997-98 seria a primeira de Doni na divisão máxima. A equipe rondinelle, contudo, começou mal, e logo nas primeiras rodadas viu seu técnico pedir demissão, enfrentando um ano conturbado que terminou em rebaixamento. O meia decidiu mudar de ares novamente, vendo na Atalanta a melhor oportunidade para um recomeço. Na segunda divisão, não se sobressaiu sob os comandos de Bortolo Mutti.

As coisas realmente mudaram na temporada 1999-00, com Giovanni Vavassori. Cristiano Doni se tornou referência técnica na Atalanta, comandando quase todas as ações ofensivas do clube, que conseguiu a promoção. Polivalente e técnico, foi o artilheiro nerazzurro, com 14 gols. Outra temporada como protagonista lhe rendeu participação na Nazionale de Giovanni Trapattoni. Foi à Copa do Mundo 2002 e, após esta, só viria a ser lembrado em outras duas ocasiões. A equipe atalantina, depois de ser carregada nas costas por Doni, não resistiu na Serie A e caiu na temporada 2002-03. Com espaço perdido na seleção, era a hora de Maradoni buscar um salto de qualidade.

Seu salto, contudo, não foi tão alto assim. Ele assinou com uma Sampdoria recém-promovida, que acabou tendo um papel positivo ao arrancar boas atuações contra grandes equipes e terminar na oitava colocação. O bom trabalho de Walter Novellino seguiu na temporada seguinte, e a Samp chegou à quinta posição. Nos seus dois anos de blucerchiato, Doni ocupou principalmente a faixa esquerda do meio-campo. Perdeu espaço, porém, graças a problemas no joelho direito, que o acompanharam durante sua passagem por Gênova. Na sua segunda temporada, revezou com Max Tonetto, que vinha de boa passagem pelo Lecce. Cristiano Doni totalizou 48 partidas e 11 gols pela Sampdoria.

Encerrado seu contrato, o meia recebeu propostas de alguns times da Itália, mas preferiu tentar a sorte na Espanha. Ele assinou com o Mallorca de Héctor Cúper por dois anos, e não convenceu. Ao invés de levantar o nível do time, como feito na Atalanta, Doni - que ainda sofria com o joelho - somou pouco ao já fraco Mallorca, um candidato sério ao rebaixamento daquela temporada. Cúper foi demitido; os bermellones se mantiveram na primeira divisão, e o romano não quis cumprir seu contrato até o fim. Pagou sua multa rescisória e voltou ao clube em que cresceu e fez crescer.

Seu retorno dificilmente poderia ter sido melhor. Cristiano Doni se consagrou como um dos maiores atletas da história da Atalanta, permaneceu como titular absoluto e líder do grupo, voltou a ser destaque na Serie A e ganhou o título de cidadão de honra de Bérgamo, pela primeira vez concedido a um jogador de futebol. Hoje, ele é o sétimo atleta que mais vestiu a camisa do clube, e o maior marcador de sua história, com 100 gols em partidas oficiais - número atingido nessa temporada. Se em sua ausência de três anos a equipe oscilou entre divisões, com Maradoni os bergamascos se mantiveram no meio da tabela, sem grandes sustos.

Dono de uma técnica refinada, aliada a uma visão de jogo acima da média, bom porte físico e um passe apurado com as duas pernas, Cristiano Doni teve potencial para chegar muito mais longe em sua carreira. Equipes como Fiorentina, Lazio e Roma poderiam muito bem ter apostado em seu nome, anos atrás, sem quaisquer custos de transferência. Pode-se então, por comodismo, culpar o destino, que quis dar a um clube pequeno uma estrela intocável. Desfrutam os atalantinos, que poderão fazê-lo até o fim desta temporada, quando seu vínculo com o clube termina.

Cristiano Doni
Nascimento: 1º de Abril de 1973, em Roma.
Posição: meio-campo.
Clubes: Modena (1991-92), Rimini (1992-93), Pistoiese (1993-94), Bologna (1994-96), Brescia (1996-98), Atalanta (1998-03 e desde 2006), Sampdoria (2003-05), Mallorca (2005-06).
Seleção italiana: 7 jogos, 1 gol.

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Curiosidade: Bepi, tradicional cantor bergamasco, gravou, com seu grupo Il Bepi & The Prismas, uma música em homenagem ao meio-campista. O resultado, que pode ser ouvido aqui, conta com a participação de Doni. Se você não entendeu palavra alguma, não se assuste; a canção é trovada no dialeto bergamasco.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Menos um italiano

Ninis foi o nome do jogo, em Roma: além de marcar o seu, o grego ainda sofreu o pênalti e deu o passe para os gols de Cissé (AP/LaPresse)

Assim como na última quinta-feira, a Roma sentiu falta do seu capitão e viu mais uma vitória por 3 a 2, e de virada, do Panathinaikos. Com isso, os giallorossi deixaram a vaga para as oitavas-de-final da Liga Europa escapar e esquentaram ainda mais a luta pelo terceiro lugar no ranking da UEFA, que dá direito a quatro vagas na Liga dos Campeões. Agora, a Alemanha, atual quarta colocada, tem dois representantes na competição (Werder Bremen e Wolfsburg) e pode passar a Itália no ranking, que conta só com a Juventus, que passou do Ajax, após empate por 0 a 0. Na Liga dos Campeões, a Itália mantém suas chances com Fiorentina, Inter e Milan, enquanto os alemães tem Stuttgart e Bayern de Munique.

No Olímpico de Roma, os pouco mais de seis mil torcedores gregos presentes no estádio viram uma virada devastadora do seu time sobre os romanos, em apenas seis minutos. Antes disso, o jogo ia muito bem para os mandantes, que abriram o placar logo aos onze minutos, em cobrança de falta de Riise. O resultado classificava os italianos e tudo ocorria conforme o script: a Roma vencendo, sem tomar muitos sustos e o tempo passando.

No entanto, aos 40’, apagão total do time giallorosso e reviravolta na partida. De Rossi cometeu falta ingênua sobre o bom Ninis, dentro da área, e o juiz marcou o pênalti. Cissé empatou. Logo depois, Cassetti tentou afastar o perigo, com a cabeça, mas deixou a bola nos pés de Ninis, que chutou forte e contou com pequena ajuda de Doni, para virar o jogo. Três minutos mais tarde, o decisivo Ninis viu Cissé partir sozinho pela direita e deu belo passe para o francês driblar Doni e ampliar o placar. Os 3 a 1 deixaram a Roma muito distante da vaga, já que seriam necessários quatro gols para eliminar os gregos.

No intervalo, Ranieri trocou Brighi por Julio Baptista e o brasileiro mostrou, mais uma vez, porque não deve ser convocado para a Copa. A atuação pífia só estressou os romanistas e ajudou a transparecer a Pizarro-dependência do time, que raramente faz boas apresentações na ausência do chileno. Vucinic também não foi bem e a má fase de De Rossi continua. Apesar de ter sido o autor do gol que definiu o placar do jogo, o capitão giallorosso não mostrou o bom futebol que o tornou ídolo. Agora, resta à Roma concentrar suas forças na Serie A, enquanto o Panathinaikos segue na competição e enfrenta o Standard Liége, pelas oitavas-de-final.

Em Turim...
...a Juventus empatou em 0 a 0 com o Ajax e garantiu sua vaga na próxima fase do torneio, já que tinha vencido os holandeses por 2 a 1 no jogo de ida, em Amsterdam. Mesmo podendo perder pelo placar mínimo, os bianconeri tomaram a iniciativa e agradaram os 16.441 torcedores presentes no Olímpico, fazendo um bom primeiro tempo.


Diego, Sissoko e De Ceglie, além do capitão Del Piero, apareceram muito bem e deram algum trabalho para o goleiro Stekelenburg. O brasileiro voltou a atuar bem na armação, como se espera; Sissoko marcou e chegou com perigo à frente, quando necessário; e De Ceglie e Delpi fizeram boas investidas pelas laterais. A melhor chance dos holandeses veio das mãos do goleiro Manninger (substituindo Buffon, que fica um mês parado), que saiu errado do gol e deu a chance para Verthongen marcar. Mas nada aconteceu e a boa atuação do austríaco não foi prejudicada por essa falha.

No segundo tempo, o ritmo do jogo caiu bastante e o Ajax até conseguiu ficar com mais posse de bola e dominar o meio campo, mas não conseguiu converter isso em chances de gol. O time de Zaccheroni jogou apenas para segurar o resultado e o fez bem, sem correr muitos riscos. De positivo, fica o fato de o time não ter tomado gol: fazia doze partidas que isso não ocorria. O destaque negativo foi para o atacante Amauri, que saiu lesionado ainda na primeira etapa. Agora, a Juve pega o Fullham, com partida de ida marcada para dia 11 de março, na Itália.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pós-jogo: Inter 2x1 Chelsea

Milito deixa Terry no chão para marcar o primeiro gol do jogo (Globo.com)

Texto de André Vince, do Ortodoxo e Moderno.

Em um bom jogo na Itália, a Inter saiu na frente do Chelsea na briga pela vaga na próxima fase da Liga dos Campeões. Em um jogo onde o Chelsea teve a bola nos pés e atacou quase o tempo todo, a equipe de José Mourinho soube aproveitar as chances que teve e saiu de campo com uma boa vantagem para o jogo de volta em Stamford Bridge. Enfrentando dificuldades para escalar a equipe devido aos vários desfalques, os Blues não conseguiram converter a superioridade na posse de bola em gols e terão que jogar muito no próximo confronto se quiserem seguir na luta pelo título. Já a Inter, com sua legião de brasileiros, conseguiu anular os ataques ingleses e viu em Lúcio o grande nome do jogo.

Com fama de retranqueiro, Ancelotti surpreendeu ao levar o Chelsea a campo num 4-3-3 com Malouda jogando como lateral esquerdo. A ofensividade da equipe deixou as portas abertas para que a Inter pudesse abrir o placar logo aos dois minutos de jogo, com Milito, que aproveitou a boa jogada da equipe pela esquerda e bateu na saída de Cech. A partir do gol, o que se viu foi um jogo de ataque contra defesa. A Inter recuou e o Chelsea passou a frequentar o campo de ataque até o fim do primeiro tempo em busca do empate. Em cobrança de falta aos 14 minutos, Drogba acerta a trave e quase marca. A inoperância de Lampard no meio campo dificultou a vida da equipe que levou pouco perigo à meta de Júlio César a partir daí.

A primeira etapa ainda deixou os atacantes africanos em evidência. Drogba tentou da entrada da área e quase marcou um golaço, mas a bola foi para fora. Eto’o, muito apagado, apareceu de frente para o gol após cruzamento de Milito e furou feio, perdendo a chance de ampliar o marcador. Aos 45, um lance que o Chelsea poderá lamentar e reclamar caso seja eliminado: um pênalti de Samuel em Kalou que o árbitro não marcou.

A segunda etapa começou assim como acabou a primeira, ingleses no ataque e italianos se defendendo. A insistência dos Blues foi recompensada logo aos 6 minutos, quando Kalou recebeu de Ivanovic e bateu colocado no canto esquerdo de Júlio César para empatar a partida. O gol de empate pareceu acordar a Inter que finalmente entrou em capo. Aos 9 do segundo tempo Cambiasso acertou um bonito chute da entrada da área e marcou o gol que daria a vitória a sua equipe.

Após levar o segundo gol, o Chelsea ficou meio perdido em campo mas aos poucos foi voltando ao ataque e obrigando a Inter a recuar e confiar nos contra-ataques puxados por Balotelli, que substituiu Thiago Motta. Sem Petr Cech, que saiu machucado aos 14 minutos, e muito cansado em campo, o time inglês seguiu buscando o segundo gol até o fim mas, assim como na primeira etapa, sem levar muito perigo à meta da equipe do carrancudo Mourinho. A Inter vence por 2 a 1 e vai para o jogo da volta podendo empatar para seguir na competição.

Ficha técnica
Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti; Cambiasso, Thiago Motta (Balotelli), Stankovic (Muntari), Sneijder; Eto’o (Pandev), Milito.
Chelsea: Cech (Hilário); Ivanovic, Ricardo Carvalho, Terry, Malouda; Mikel, Lampard, Ballack; Kalou (Sturridge), Drogba, Anelka.
Árbitro: Manuel Mejuto González (ESP)
Cartões amarelos: Thiago Motta e Milito (Inter); Kalou (Chelsea)

Veja também
Bayern de Munique 2-1 Fiorentina
Milan 2-3 Manchester United

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Prévia: Inter x Chelsea

Mourinho e Ancelotti: técnicos em foco no duelo desta quarta (101 Great Goals)


Inter e Chelsea nunca se enfrentaram por uma competição europeia, mas o duelo desta quarta será bastante familiar, já que José Mourinho e Carlo Ancelotti conhecem muito bem seus adversários. Carletto treinou o Milan por oito anos, levando os rossoneri a dois títulos da Liga dos Campeões e uma Serie A, enquanto a Inter patinava em quatro destes anos. Mourinho, por sua vez, ficou no Chelsea por três anos, levantou seis títulos - por duas vezes a Premier League - e, entre o time titular que deve enfrentar a Inter, apenas Ivanovic, Zhirkov e Anelka não foram treinados pelo técnico de Setúbal. Nesta quarta, as duas equipes se enfrentam no primeiro dos jogos do mais aguardado e parelho duelo das oitavas-de-final, que decidirá qual delas continua na briga pelo tão sonhado título europeu.

Como já foi feito na prévia de Milan x Manchester United, contaremos com a ótima colaboração dos parceiros do blog Ortodoxo e Moderno, especializado na Premier League. Confira a prévia de Inter x Chelsea e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Quem escreve sobre os Blues é André Vince.

A temporada até aqui
Inter: Na Serie A, a soberania da Inter continua praticamente intacta. Os nerazzurri lideram com cinco pontos de vantagem sobre a Roma e ainda tem a melhor defesa e o melhor ataque da competição. O miolo de zaga nerazzurro é bastante sólido, enquanto Júlio César recomeçou a aparecer bem após a vitória sobre o Milan no último dérbi. No ataque, Eto'o ainda não deslanchou, mas Milito e Sneijder tem se mostrado jogadores amplamente decisivos. Com a saída de Ibrahimovic, Mourinho começou a apostar com mais força no jogo coletivo, apoiado na versatilidade de Zanetti, Sneijder, Pandev, Muntari e Stankovic. A mudança de estilo melhorou o futebol da equipe, que perdeu apenas dois jogos no campeonato italiano e ainda demonstrou força ao vencer o Milan por duas vezes, golear Genoa e Cagliari e passar por situações adversas, como a virada histórica contra o Siena e o empate heróico contra a Sampdoria, neste sábado. Na Liga dos Campeões, a equipe também conseguiu uma virada histórica contra o Dynamo Kiev, mas ficou marcada por se apequenar contra o Barcelona. Postura que, se repetida contra o Chelsea, pode trazer problemas.

Chelsea: A chegada de Ancelotti deu nova vida ao time. Até aqui, o Chelsea tem mostrado a força de seu elenco. Mesmo com a ausência de dois de seus principais nomes – Essien e Drogba – durante a Copa Africana de Nações a equipe não decepcionou e seguiu na liderança da Premier League. A não contratação de reforços na última janela de transferência demonstra o bom momento. Pela Liga dos Campeões, os Blues passaram pela primeira fase invictos, com 4 vitórias e 2 empates, e se credenciaram ao título. A equipe só não esperava enfrentar logo a Inter, treinada pelo ex-técnico do Chelsea, Mourinho, e dona de um dos grandes elencos do futebol mundial. Com Didier Drogba em grande fase e decidindo muitos jogos a favor de sua equipe, a equipe inglesa parte para esse duelo em grande fase e com uma enorme chance de avançar.

Pontos fortes

Inter: A saída de Ibrahimovic, principal jogador meneghino durante anos, foi assimilada com naturalidade e, ironicamente, o time passou a jogar melhor sem ele. Sem o sueco, mas com Eto'o, Milito, Pandev e Sneijder (encaixados perfeitamente a equipe), a Inter apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente com o meio-campo a rombo (4-3-1-2) ou no 4-3-3, com Sneijder mais recuado. A ênfase no conjunto é algo bastante prezado por Mourinho, que trabalhou para construir uma mentalidade coletiva e de sacrifício por pontos sempre valiosos. O resultado se verifica em campo: os jogadores parecem cada vez mais determinados a buscar resultados, deixando de lado as situações adversas e a apatia que permeava o time de anos atrás. Quanto aos setores da equipe, destacam-se a defesa e o ataque. Júlio César dá a segurança de sempre a Lúcio e Samuel, muito fortes nas jogadas aéreas e que deixaram passar apenas cinco gols em lances deste tipo, mas que marcaram três vezes de cabeça. Na parte ofensiva, destacam-se as arrancadas de Maicon, as cobranças de falta e a visão de jogo privilegiada de Sneijder e o poder de decisão de Milito e Eto'o, dois excelentes finalizadores.

Chelsea: O ponto forte da equipe na temporada tem sido a coesão de seu conjunto. Uma equipe com defesa sólida e ataque eficiente, sem deixar de lado a competência de seu meio de campo. Tantas qualidades assim tornariam difícil destacar um ponto em especial. Difícil, mas não impossível. Drogba tem sido o diferencial da equipe na temporada. O marfinense tem feito muitos gols decisivos e dado várias vitórias à equipe. Até aqui, o atacante tem sido o destaque da equipe e o grande nome do elenco. Mas quando se fala em Chelsea não podemos deixar de fora o capitão Terry. Mesmo com os problemas extracampo recentemente, o zagueiro segue sendo o melhor do mundo na posição. Seguro no desarme e eficiente – a seu modo – no ataque. A equipe conta também com um grande goleiro que, mesmo não vivendo um grande momento pode decidir uma partida. Essien é sempre seguro no meio campo. Desarma, arma e ataca com grande eficiência e é o motor da equipe. Lampard, Anelka e até mesmo o contestado Malouda também são nomes que podem ajudar a equipe nesse difícil duelo.

Pontos fracos
Inter: O time de Mourinho costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os nerazzurri estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Partidas como as duas contra o Barcelona ou contra o Napoli, há duas semanas, mostram que os jogadores da Inter não estão acostumados a este cenário. Outra fraqueza da equipe sobressai quando Sneijder sofre uma forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores para partir para cima do adversário, a Inter perde em velocidade e fica praticamente neutralizada quando o holandês é bem vigiado. Parte disso se deve ao fato de que o lado esquerdo de seu meio-campo fica bastante vulnerável (ofensiva e defensivamente) quando Thiago Motta ou Muntari ocupam o setor. Com Stankovic em campo ou escalada com três atacantes, a Inter pode sofrer um pouco menos com este problema.

Chelsea: Numa equipe com tantas qualidades e repleta de grandes valores é difícil detectar um ponto fraco. Mas até aqui, o que tem prejudicado a equipe é a inconsistência de suas atuações. Capaz de aplicar goleadas históricas – com fez nos 7 a 2 contra o Sunderland, pela Premier League – os Blues também são donos de tropeços contra equipes de menor expressão – como no empate em casa contra o APOEL, pela Liga dos Campeões. A lateral direita é outro ponto que preocupa. O lesionado Bosingwa faz falta e deixa o setor dependente de Ivanovic, zagueiro improvisado, que vem dando conta na defesa mas é fraco no apoio ao ataque.

Expectativas
Inter: José Mourinho busca usar a seu favor o fato de conhecer muito bem o ambiente interno e boa parte dos jogadores do Chelsea, embora os jogadores do time inglês também devem imaginar como a Inter está se preparando para o confronto. O jogo de sábado, contra a Sampdoria, no qual a Inter entrou em campo com vontade em excesso, é um bom exemplo de que os nerazzurri estão tratando o duelo como se fosse o jogo de suas vidas. Porém, os jogadores tiveram de se desdobrar para se defender com dois a menos e podem ter cansado. O ambiente nerazzurro segue atribulado, mesmo que a equipe não esteja falando com a imprensa desde sábado, por ordem do presidente Massimo Moratti. Por conta de toda a problemática de sábado, o clube recebeu uma pesada multa e ainda viu Cambiasso, Muntari serem suspensos por dois jogos e Mourinho por três. Júlio César ainda é o favorito para jogar, mas virou dúvida após sofrer um leve acidente de carro. Mourinho agora deve trabalhar para que as complicações não tirem o foco da preparação e do importante jogo do Giuseppe Meazza.

Chelsea: A equipe de Ancelotti passou pela primeira fase da Liga dos Campeões com facilidade e se mostrou uma das favoritas à conquista da competição. Com a força de sua equipe e a experiência de seus jogadores tem tudo para passar pela equipe italiana nesse confronto. Nesse primeiro jogo, na Itália, a tarefa vai ser duríssima, pois enfrentarão um adversário também muito forte e com jogadores com grande poder de decisão. Promete ser um grande jogo, em que prever um resultado é praticamente impossível. Se as duas equipes jogarem o que têm jogado até aqui esse promete ser um jogo imperdível. Difícil arriscar um favorito mas, embora veja o Chelsea com ligeira vantagem para a classificação, nessa partida acredito que não consiga a vitória. O fato de jogar em casa pode favorecer a Inter e levá-la à vitória. Um palpite? Empate.

Prováveis escalações
Inter: Júlio César (Toldo); Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti; Stankovic, Cambiasso, Muntari (Motta); Sneijder; Eto'o, Milito.

Chelsea: Cech; Paulo Ferreira (Ivanovic), Ivanovic (Ricardo Carvalho), Terry, Zhirkov; Essien, Lampard, Ballack, Malouda (J. Cole); Anelka e Drogba.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

900 minutos em 9: 25ª rodada

Inter não aceitou a boa arbitragem de Tagliavento e decretou silêncio à imprensa (Getty Images)

A rodada deste fim de semana começou a todo vapor, mas a água... Ok, a péssima piada com Acquafresca, autor dos dois primeiros gols de sábado, será evitada. Mas o fato é que o centroavante chegou muito bem ao Genoa (9º lugar, 38 pontos), deixou suas primeiras marcas e é peça-chave nesta subida de rendimento dos grifoni neste mês de fevereiro. Contra a Udinese (16º lugar, 24 pontos), a tarefa do Genoa não foi das mais difíceis. Depois de um bom começo do time friulano, aos 30 minutos Sculli acertou o cantinho de Handanovic, que fez um milagre que ficou pela metade. No rebote, Acquafresca mandou para as redes em seu melhor estilo. Na volta do segundo tempo, mais Acquafresca: agora derrubado por Coda na grande área, converteu bem o pênalti. A Udinese viu suas esperanças minguarem quatro minutos depois, com a expulsão de Zapata. E não foi preciso nem mais cinco minutos para que Palácio mandasse às redes um cruzamento em ótima jogada de Sculli. O Genoa agora está só a três pontos na zona de classificação para a Liga dos Campeões e poderá contar com o importante retorno de Kharja na próxima rodada, depois de alguns meses afastado por lesão. Já a Udinese, em crise perene, afastou Gianni De Biasi e chamou de volta Pasquale Marino, que retornou irônico após dois meses: "não é fácil livrar-se de mim".

E o sábado só esquentou na outra partida do dia, na qual a Inter (líder, 55) recebeu uma Sampdoria (7º, 40) em grande fase recente desde Cassano deixou o time titular, primeiramente afastado por Luigi Del Neri, e agora por lesão. Com o empate sem gols, os blucerchiati chegaram a 14 pontos nas seis rodadas do returno, marca que só fica atrás daquela da Roma, que fez 16. Em campo, o que se viu foi um pequeno milagre da Inter numa partida tensa com a Sampdoria. O time de José Mourinho esteve com nove jogadores por quase uma hora a partir das justas expulsões de Samuel e Córdoba e assim mesmo segurou o placar contra uma Samp estéril, que não conseguiu levar muito perigo. O empate só não pode ser ainda mais comemorado porque Eto'o perdeu um gol incrível no fim do segundo tempo, após grande jogada de Pandev. Em campo, um trio argentino confirmou-se como espinha dorsal da ainda favoritíssima ao título ao fazer outra partida espetacular: Zanetti, Cambiasso e Milito. Mas foi fora das quatro linhas que a partida pegou fogo. Depois do segundo vermelho, Mourinho cruzou os pulsos em sinal de protesto para que toda e qualquer câmera de TV o filmasse. E não só uma vez. Outro enfurecido era Muntari, que só não partiu para cima do árbitro Tagliavento porque foi segurado no banco. Ao fim do jogo, o presidente Massimo Moratti desceu aos vestiários e decretou silêncio à imprensa. Só isso mesmo para evitar que o pós-jogo ficasse ainda mais quente do que já havia sido a semana anterior, na qual Mourinho disparou contra metade dos técnicos da Serie A, de Zaccheroni a Mazzarri.

O domingo começou bem corrido na capital italiana. Às 2h da madrugada, ladrões entraram na casa de Mexès, que estava concentrado para a partida contra o Catania (17º, 24). O francês, que começaria como titular a partida que daria à Roma (2º, 50) a marca de sete vitórias seguidas na Serie A, ficou em casa com a esposa e os filhos. Bastou um gol de Vucinic, livre na área em escanteio cobrado por Ménez, para que o Catania se entregasse. Bem montados defensivamente, os etnei não se deixaram envolver para o cada vez mais encardido time de Claudio Ranieri, que também não deu espaço em seu campo. Doni, de volta à titularidade durante a lesão de Julio Sergio, só esteve sozinho com Maxi López por duas vezes: na primeira, o driblou com facilidade; na segunda, fez grande defesa quando o argentino já estava impedido. No meio-campo, já começa a preocupar o futebol mostrado por De Rossi, abaixo de seu nível habitual há alguns jogos. Ménez, por outro lado, já é caso para se dar como perdido. De qualquer forma, agora a cinco pontos de distância da Inter, a Roma já pode sonhar com o scudetto pela primeira vez na temporada. Ainda que Ranieri se recuse a dizer esta palavra.

Quem também volta à disputa pelo título é o Milan (3º, 48), que bateu o Bari (11º, 32) mesmo jogando num San Nicola lotado. Com uma partida a menos que os rivais, os rossoneri pegam a Fiorentina na quarta-feira, no Artemio Franchi, e podem ultrapassar a Roma caso vençam. Seria uma ótima forma de recuperal a moral abalada com a derrota para o Manchester United e tudo o que ela representou no ambiente do clube. Neste domingo, o time teve dificuldades contra um Bari muito recuado, montado por Gian Piero Ventura para explorar os contra-ataques laterais em cima de Abate e Bonera. Ainda que o Milan tivesse a bola, eram os donos da casa quem estavam melhor, dentro de seu plano de jogo. Até que Bonera fizesse um pênalti claro em Barreto que o árbitro Gava deixou passar, assim como uma falta duríssima de Abate em Rivas. Daí pra frente, o Bari acusou o golpe e o Milan pôde dominar. Ambrosini e Gattuso formaram ótima dupla no meio, dando mais liberdade para Pirlo armar e Ronaldinho decidir: no fim do primeiro tempo, lançamento para belo voleio de Borriello; no segundo, um chute que virou rebote para Pato fechar o placar. Barreto até que teve seu pênalti no final, mas parou nas mãos de Abbiati, que garantiu o 2 a 0 pros comandados de Leonardo.

A rodada também serviu para recolocar a Juventus (4º, 41) na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Os bianconeri foram ao Renato dall'Ara e bateram o Bologna (14º, 28) por 2 a 1 numa partida difícil e movimentada, valendo a Alberto Zaccheroni sua terceira vitória consecutiva (duas pela Serie A, uma pela Liga Europa) como técnico da Juve, outra com um Del Piero em grande fase e desta vez com o retorno da defesa com quatro jogadores. Já Franco Colomba vê encerrada a sequência de seis rodadas de invencibilidade de seus rossoblù. Logo com quatro minutos de jogo, Diego abriu o placar pegando um rebote duplo de Viviano, primeiro sobre ele, depois sobre Amauri. Ainda no primeiro, o brasileiro ainda acertou a trave e foi respondido por Adaílton, que mandou uma bola no travessão. Depois do intervalo, o Bologna voltou melhor e surpreendeu com o empate de Buscé nas costas de Buffon. Surpreendeu mais ainda ao ver Giménez perder, inacreditavelmente, um gol aberto após calcanhar de Zalayeta: o uruguaio acertou a terceira trave do jogo. O terceiro gol ficou por conta de Candreva, que recebeu um ótimo passe do capitão Del Piero (que teria ajeitado a bola com a mão, segundo os donos da casa) para virar o jogo e marcar pela primeira vez na Serie A. Outra nota positiva da tarde foi o retorno de Camoranesi aos gramados, nos minutos finais.

Com a vitória, a Juve ultrapassou um decepcionante Napoli (5º, 40), que não passou de um empate sem gols contra o Siena (20º, 17), na Toscana. Os azzurri não vencem desde 24 de janeiro, algo temeroso a esta altura para um time que tem pretensões tão altas. Nas seis últimas partidas, aliás, quatro terminaram empatadas, algo que tem sido bem comum sob o comando de Walter Mazzarri. Frente ao lanterna, a força ofensiva do Napoli parou numa verdadeira barricada armada por Alberto Malesani. O que no papel era um 4-1-4-1 fazia o Siena se defender com no mínimo seis jogadores a cada vez que o adversário ia ao ataque, numa atuação especial da dupla de zaga Cribari e Pratali, contratada em janeiro - assim Quagliarella chegou a seu 47º dia sem marcar gols e nem adiantou Lavezzi retornar aos campos para meia hora de jogo depois de um mês. Durante toda a partida, foram apenas três oportunidades reais de gol: uma de Hamsík, outra de Hoffer e a última por Rosi. Na próxima rodada, o Napoli receberá a Roma para dar a verdadeira dimensão de seus sonhos. E o Siena encontrará o Livorno para um confronto direto que lhe pode valer o último suspiro.

O Renzo Barbera foi palco para a vingança de Delio Rossi, em sua segunda partida e primeira vitória contra a Lazio (15º, 25) desde que deixou o clube da capital. O Palermo (6º, 40) entrou com alguns desfalques importantes, como os de Cavani e Simplício, mas fez um ótimo primeiro tempo e chegou à sétima vitóra consecutiva em casa, ficando a um só ponto da zona-LC. No 4-3-1-2 referendado por Rossi, foi Hernández quem substituiu seu compatriota Cavani, com febre na noite antes da partida. E não deixou a desejar, com um lindo gol logo no primeiro minuto, após lançamento de Nocerino. Com a defesa alta, a Lazio passou a criar mais perigo, até que o goleiro Muslera parasse Miccoli com um pênalti enquanto o baixinho puxava contra-ataque - e o cartão amarelo ficou barato. Miccoli converteu e foi importante para manter o Palermo no ataque: Sirigu só fez sua primeira defesa aos 40 minutos de jogo. Depois do intervalo, os biancocelesti voltaram melhor, mas foram castigados com a retribuição de Hernández para Nocerino marcar. Kolarov ainda fez o de honra, tarde demais. Fim de papo, Palermo 3 a 1 numa Lazio em frangalhos.

A coisa só não ficou pior para a Lazio porque ninguém do pelotão traseiro conseguiu vencer. Nem mesmo o Livorno (18º, 23), que foi para o intervalo do ensolarado dérbi toscano com a Fiorentina (10º, 34) com vantagem no placar. O 2 a 1, de virada, fez a Fiorentina voltar a vencer, algo que não acontecia desde 10 de janeiro. E ainda fez as pazes de Gilardino com o gol, algo que não acontecia há sete jogos. Desde o primeiro tempo, o time de Cesare Prandelli jogou avançado. Mas as primeiras chances foram do Livorno: aos sete minutos, um travessão de Lucarelli. Aos 36, uma falta da intermediária cobrada por Rivas e que atravessou a barreira antes de morrer nas redes de Frey. A entrada de Ljajic no intervalo pôs os viola à frente, no jogo e no placar. Vargas empatou com um chutaço de fora da área desviado em Rivas, sempre o colombiano. Pouco depois, o mesmo Rivas seria expulso por reclamar de uma falta em Moro não concedida por Celi. Na bagunça, ficou barato para Vargas, que acertou uma cabeçada em Marchini. De volta ao jogo, Gilardino decidiu em um cruzamento do peruano que havia conseguido um tempo extra na partida.

Quem também se complicou na parte de baixo da tabela foi a Atalanta (19º, 21 pontos), que parou na ótima defesa do Chievo (12º, 32) e alcançou sua sexta derrota em 12 jogos em casa. O único gol da partida foi do capitão Pellissier, que teve seu chute desviado em Garics antes de ver a bola entrar nas redes de Consigli. Em campo, Mimmo Di Carlo optou por um time diferente: Frey de volta à lateral-direita, De Paula estreando no ataque e Morero e Rigoni barrando Mandelli e Bentivoglio. Já a Atalanta não conseguiu substituir o capitão Bellini à altura e penou com Amoruso no ataque, com Tiribocchi no banco. Para fechar a rodada, o Cagliari (8º, 38) bateu o Parma (13º, 30) e já vê a Europa como um sonho mais palpável. Se vencer a Udinese na quarta-feira, em jogo adiado da 17ª rodada, ultrapassaria a Juve para entrar na zona-LC. Para os sardos, os gols de mais uma vitória convincente foram de Zaccardo (contra) e Matri. Já os gialloblù podem ter se despedido de Francesco Guidolin, que barrou Galloppa da partida, só ganhou dois pontos nas últimas nove rodadas e já estaria com a cabeça a prêmio.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 25ª rodada, clique aqui.

Seleção da 25ª rodada
Storari (Sampdoria); Zanetti (Inter), Dainelli (Fiorentina), Cribari (Siena), Vargas (Fiorentina); Cambiasso (Inter), Nocerino (Palermo), Candreva (Juventus); Hernández (Palermo), Acquafresca (Genoa), Ronaldinho (Milan)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As marcas de Moratti e Mourinho

Muitas vezes mais torcedor que presidente, Moratti completa 15 anos no comando da Inter (OleOle)


Nesta quinta-feira, dia 18 de fevereiro, Massimo Moratti completou 15 anos como presidente da Inter. Em 1995, Ernesto Pellegrini (presidente nerazzurro desde 1984) concluiu a venda do clube para o filho de Angelo Moratti - dono da Beneamata na década de 60, época mais gloriosa do clube, quando Helenio Herrera e seu catenaccio levaram a Inter ao bicampeonato da Copa dos Campeões. Ironicamente, no início da mesma temporada 1994-95, a tríade formada por Antonio Giraudo, Luciano Moggi e Roberto Bettega começava a ter sucesso na Juventus que dominaria a Serie A por cerca de uma década, contrastando com os seguidos fracassos do time de Moratti.

Os primeiros anos de sua presidência foram cercados de expectativas. Chegaram jogadores como Zanetti, Paul Ince, Roberto Carlos, Zamorano e Djorkaeff. Porém, a primeira grande contratação da Era Moratti foi Ronaldo, que estava arrebentando no Barcelona. O primeiro título veio logo: o título da Copa da Uefa, conquistado sobre a Lazio em 1998. Foi o único título até a Coppa Italia da temporada 2004-2005. Entre os dois títulos, muitos problemas foram registrados e marcaram a gestão de Massimo Moratti até o scudetto que tirou a Inter de uma fila de 17 anos.

A Inter do fim dos anos 90 e do início dos anos 2000 ficou conhecida como o time do quase, da diretoria que não tinha paciência com os técnicos (na temporada 1998-99, o clube teve quatro treinadores diferentes e Moratti chegou a se demitir, mas permaneceu no cargo). Sobretudo, a diretoria da Inter ficou conhecida porque contratava - e vendia - muito mal. Nestes anos, técnicos como Marcello Lippi não deram certo a equipe meneghina, pela qual passaram jogadores do naipe de Georgatos, Gresko, Milanese, Domoraud e Sixto Peralta. Por outro lado, Pirlo, Seedorf e Roberto Carlos deixaram o clube em negociações que depois se mostraram nada vantajosas para os nerazzurri. Até a sorte estava "contra" o clube de Via Durini: Ronaldo, a estrela da companhia, lesionou o joelho gravemente por duas vezes.

A todo este cenário desastroso, se somou ainda a perda do título da Serie A na temporada 2001-02, na qual a Inter chegou a última rodada precisando vencer a Lazio no Olímpico de Roma para levantar o tão esperado scudetto, mas perdeu por 4 a 2, entregando o título para a Juventus e levando Ronaldo às lágrimas. Nem mesmo bons resultados como os da temporada 2002-03, na qual a Inter caiu para o Milan nas semifinais da Liga dos Campeões e concluiu a Serie A na segunda posição, atrás dos mesmos rivais citadinos, eram vistsos como satisfatórios. Em janeiro de 2004, Moratti abriu mão da presidência do clube em favor de Giacinto Facchetti, bandeira do clube e capitão daquela Inter campeã na década de 60, transformado no primeiro ex-jogador interista a assumir a presidência do clube. Em setembro de 2006, Cipe faleceu por causa de um câncer no pâncreas e Moratti, que havia se tornado presidente de honra da sociedade, retornou a presidência efetiva. Desta vez, Moratti assumia o cargo máximo do clube com uma nova perspectiva: sua Inter caminhava para ser a equipe a ser batida na Itália, posição que ocupa até hoje, caminhando para seu quinto título em sequência.

Mourinho: há oito anos sem perder em casa
Após o movimentado e polêmico empate por 0 a 0 contra a Sampdoria, em casa, Mourinho completa oito anos sem perder uma partida sequer de um campeonato nacional nos domínios de cada clube que treinou. A última derrota do português aconteceu quando ele ainda treinava o Porto: na ocasião, os portistas perderam por 3 a 2 para o Beira-Mar em pleno Estádio do Dragão.

25ª rodada, ao vivo!

Nesta rodada, transmitiremos Inter x Sampdoria, neste sábado, e, no domingo, às 11 horas, faremos Juventus x Bologna, também ao vivo. Acompanhe usando a janela abaixo ou através do nosso Twitter.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Review: Copa Viareggio 2010

Immobile (camisa branca, à esquerda) foi o principal jogador da Juve campeã (Getty Images)

Assim como em 2009, a Copa Viareggio deste ano terminou com o título da Juventus. O bicampeonato, sétimo título dos bianconeri na competição, foi justo: a equipe treinada por Luciano Bruni foi mesmo a melhor do torneio carnavalesco. A equipe Primavera da Juve passou fácil pelo seu grupo e, até chegar a final contra o Empoli, eliminou Cesena, Sassuolo e Atalanta nos mata-matas, alcançando a marca de 19 gols realizados e apenas três sofridos (contra o Cesena, nas oitavas, e contra o Empoli, na final). Os prêmios individuais também recaíram sobre os jogadores juventinos. Carlo Pinsoglio foi eleito como melhor goleiro da competição, enquanto o centroavante Ciro Immobile, que já era titular da equipe de 2009, marcou dez gols e bateu o recorde de oito tentos realizados numa mesma edição da Copa - do também juventino Daud (2009) e do viola Banchelli (1992). De quebra, Immobile venceu o prêmio Golden Boy, dado ao melhor jogador da competição.

A 62ª edição da Copa Viareggio também foi recheada de surpresas. A Atalanta está empatada com o Milan na lidrança de seu grupo no Campeonato Primavera, mas o desfalque do atacante Zaza dificultou as coisas para os nerazzurri. Com um ataque no qual apenas Gabbiadini se destacou, mas possuindo uma boa defesa - reforçada com a contratação do finlandês Toivomäki -, surpreendeu que os bergamascos atingissem as semifinais do torneio, principalmente depois de eliminar as fortes equipes da Inter, nas oitavas, e do Palermo, nas quartas. No duelo nerazzurro contra a Inter, a vitória veio apenas nos pênaltis, quando o capitão Donati desperdiçou sua cobrança. Após eliminar um time recheado de talentos como Stevanovic, Alibec, Destro, Crisetig, Donati e Obiorah, a Atalanta ganhou moral para enfrentar o Palermo de Adamo, Laribi, Temperino, Giovio e Mbakogu, que havia goleado o surpreendente Sassuolo por 6 a 0 na fase de grupos. A vitória de La Dea sobre os rosanero foi definida apenas na prorrogação, graças a um gol de falta de Gabbiadini. Porém, as melhores ocasiões do jogo foram do Palermo, que poderia ter decidido o jogo com Mbakogu, que, frente a frente com o goleiro Rossi, chutou para fora. A Atalanta teve bastante sorte e coração para eliminar duas das equipes cotadas para rivalizar com a Juventus pelo título, mas foi pouco para passar pela própria equipe Primavera da Velha Senhora na semifinal. Gabbiadini teve quatro chances incríveis, mas esbarrou no goleiro Pinsoglio e no próprio nervosismo.

Na outra semifinal, mais uma equipe surpreendente brigou para chegar à final, mas foi derrotada pelo Empoli, nos pênaltis. Trata-se do Combinado da Serie D, que se classificou para a fase eliminatória como uma das melhores segundas colocadas. Nas oitavas, a vitória improvável sobre a boa equipe do Genoa, nos acréscimos, já era suficiente para colocar o time formado por jogadores das divisões inferiores italianas no hall das surpresas de Viareggio, mas o time foi mais além: eliminou o Torino do romeno Suciu nos pênaltis e só parou no Empoli. Na boa campanha do combinado, destacam-se o meia Tirelli, o atacante D'Angelo, o zagueiro Benci e o goleiro Forte.

Quanto ao supracitado Genoa, a classificação se deu em um grupo complicado, contra Bari e Dukla Praga, mas as ausências de Aleksic e Gucher nas oitavas atrapalharam o desempenho rossoblù. Mesmo assim, o bom grupo de jogadores, no qual também destacam-se El Shaarawy, Ragusa, Boakye, Polenta e Chinellato, tinha totais condições de passar para as quartas e decepcionou. A Sampdoria, uma das favoritas ao título, caiu ainda mais cedo: acabou eliminada na primeira fase. Desclassificação que pode ser atribuída ao fato de que os dorianos tenham caído no grupo da morte e tenham se recusado a jogar novamente a partida contra o Nacional parada no meio por causa da temperatura congelante que obrigou três jogadores a serem internados em hospitais da região.

A primeira posição deste grupo, aliás, ficou com os paraguaios do Nacional, que sucumbiram à Fiorentina nas oitavas. Os viola, aliás, também tinham uma das equipes mais gabaritadas de Viareggio, formada por vários jogadores com experiência na equipe profissional, como o goleiro Seculin, o lateral Agyei, meia Di Tacchio e os atacantes Carraro, Acosty Badu e Babacar. Tornando a equipe ainda mais forte, Seferovic, artilheiro do Mundial sub-17, vencido pela sua Suíça, foi agregado de última hora à equipe de Renato Buso, para disputar a fase eliminatória. Em seu grupo, a Fiorentina foi soberana e contou com ótimas atuações de Di Tacchio e Carraro, para classificar-se sem sustos na primeira posição. Porém, mesmo com a presença de Seferovic entre os titulares, o time jogou mal contra o Empoli e, numa dia de desatenções de sua defesa, perdeu por 2 a 1 no duelo toscano. Não adiantou nem mesmo o gol do brasileiro Ryder, já que o goleiro Addario - uma das revelações do torneio - foi protagonista de mais uma grande atuação.

Falando em decepções, outra vez a Roma deixou sua marca em Viareggio. Os comandados de Alberto De Rossi, que fazem ótima campanha no Campeonato Primavera, sofreram para se classificar em seu grupo e só conseguiram o feito na última rodada, ao bater os rivais locais da Cisco Roma. As lesões atrapalharam bastante o elenco giallorosso, que não pôde levar o goleiro Frasca para o litoral e ainda jogou com os ótimos Mladen e Sini no sacrifício depois da estreia na competição. Nas oitavas-de-final, veio a queda para o futuro vice-campeão Empoli: depois de um empate sem gols no tempo normal, o zagueiro Antei perdeu o pênalti decisivo. Neste jogo, ficou bem clara a falta que faz Pettinari, autor de quatro gols na fase de grupos, mas suspenso para as oitavas por conta de um cartão amarelo discutível recebido contra a Cisco. Quem caiu na mesma fase foi o Milan, que também sofreu com a falta daquele que foi seu principal jogador nos primeiros jogos: o atacante Beretta, que havia chegado do Albinoleffe no início da temporada. Ele marcou três vezes contra Leme e Esperia Viareggio, mas sentiu uma lesão e só entrou na partida contra o Torino nos dez minutos finais. Outro que deixou boa impressão foi o meia serra-leonês Strasser.

O Torino bem que eliminou o Milan, mas não foi muito longe e caiu logo nas quartas-de-final, para o combinado da Serie D. Os granata não tiveram problemas para passar do grupo 3 e bateram Maccabi Haifa, Bologna e LIAC New York. Na partida com os garotos da quinta divisão, porém, o que estava dando certo desandou e o atacante Comi passou a partida apagado. No fim, foi substituído e nem participou da disputa de pênaltis que eliminaria o time de Turim: ele já havia convertido dois durante o torneio e Di Pietro, que entrou em seu lugar, desperdiçou sua cobrança. O zagueiro Benedetti, como previsto, foi o grande destaque da campanha do time de Antonino Asta. Outro time que não passou das quartas-de-final, mas saiu como uma das grandes surpresas positivas da competição, foi o Sassuolo, que estreou no grupo 6 batendo o Pergocrema (3 a 1), levou uma sonora goleada do Palermo (6 a 0), mas surpreendeu ao vencer o Spartak Moscou pelo placar mínimo. Nas oitavas, os neroverdini tiraram o Napoli nos pênaltis ao ver a estrela adversária, Liccardo, desperdiçar a cobrança decisiva. Nas quartas, o time não resistiu à Juve e caiu pelo placar mínimo. Ainda assim, compensa ficar de olho no goleiro Gallinetta, formado na base da Inter, forte fisicamente e bom no jogo aéreo.

O Brasil também foi representado em Viareggio, pelo Grêmio e pelo Leme. Nenhum dos dois se classificou para as oitavas-de-final, mas o tricolor gaúcho deixou boa impressão. Com a base campeã do Campeonato Brasileiro Sub-20, o time sofreu com as baixas temperaturas e com o gramado sintético presente em dois de seus jogos (derrota para o Nacional por 1 a 0 em Chiavari e empate sem gols em Siena, contra o time da cidade). Na única partida que fez em gramado natural, desbancou a favorita Sampdoria por 3 a 1, com gols de Fogaça, Pessalli e Stum. O camisa 10 Pessalli, meia-atacante, foi o grande destaque gremista no torneio e deve subir em breve para os profissionais. Olho também no lateral-direito Gabriel Spessato. Os cariocas do Leme são uma grande incógnita. Não fizeram uma campanha vexatória, longe disso: após estrear levando 4 a 0 do Milan, se vingou batendo o Guaraní paraguaio por 3 a 2 e ainda humilhou o Esperia Viareggio, dono da casa, numa vitória por 3 a 0. Só no saldo de gols é que o time da zona sul ficou de fora da segunda fase da competição. Amaral, com quatro gols, foi o artilheiro da equipe - ainda que não exista qualquer jogador com este sobrenome entre os incritos para a competição. Procurada pela reportagem, a direção do clube não foi encontrada no telefone entregue pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

Voltando lá pra cima, palmas para um Empoli que surpreendeu mesmo sem tendo perdido durante janeiro o principal jogador do time, o atacante Caturano. Num grupo 5 bastante tranquilo, os azzurrini não tiveram dificuldades para alinhar três vitórias fáceis contra Kaposvari (4 a 2), Mantova (1 a 0) e Olbia (um acachapante 9 a 0 mesmo jogando com o time misto, com três gols de Castellani, dois de Shekiladze e outros dois de Pucciarelli). Nas oitavas, o poder ofensivo do Empoli minguou contra a Roma, mas uma ótima partida do goleiro Addario, decisivo na disputa de pênaltis, selou a sorte do time de Ettore Donati. Após passar também pela Fiorentina nas quartas (2 a 1), de novo a cobrança de pênaltis foi responsável por recolocar os azzurrini nos trilhos. Ao passar pelo Combinado da Serie D depois dos tiros de 9 metros com outro show de Addario, que defendeu duas bolas, e se classificar para a final, o Empoli só caiu para a Juventus. O maior destaque da campanha do time foi mesmo Addario, que completou 19 anos no dia da final e, até ter Immobile pela frente, só havia sofrido um gol em seis partidas. O torneio também mostrou que o time toscano poderá colher alguns bons frutos num futuro próximo, como o atacante Dumitru, o meia Pucciarelli e a dupla de zaga formada por Tonelli e Alderotti.

A campanha da campeã
A Juventus era a cabeça-de-chave do fraco grupo 1, que também tinha Livorno, Vicenza e Legia Varsóvia (Polônia). Os bianconeri justificaram o amplo favoritismo no grupo e ganharam todas as partidas de goleada, sem sofrerem um gol sequer. A partida de estreia, contra o Legia, foi a mais complicada. Embora Immobile, de cabeça, tenha feito o primeiro gol dele em Viareggio com dois minutos de jogo, os poloneses tiveram um pênalti a seu favor, que o bom goleiro Pinsoglio defendeu. Logo depois, o mesmo Immobile anotou sua doppietta, cobrando penalidade. Quando o sólido volante Marrone foi expulso, as coisas complicaram, mas o zagueiro Alcibiade definiu o placar. Nas goleadas contra Vicenza e Livorno por 4 a 0, destaque para o meia Belcastro, boa revelação da Juventus, que foi autor de três gols. Immobile marcou mais um e, poupado, ainda deu espaço para o reserva Fischnaller marcar três.

Na fase eliminatória, o ataque bianconero continuou funcionando de maneira formidável. Nas oitavas, o Cesena caiu para a Juve sem impor grandes dificuldades. O nome do jogo foi, mais uma vez, Ciro Immobile, autor dos três gols da equipe. Nas quartas, a Juventus marcou com Belcastro no primeiro tempo e segurou o resultado contra um Sassuolo que se dava por satisfeito de chegar até as quartas. A partir da semifinal contra a Atalanta, cresceu a estrela do espanhol Yago, resgatado de empréstimo ao Bari para cobrir lacunas em caso de lesão na equipe principal da Juve e também para jogar a Copa Viareggio. Quando os nerazzurri estavam melhor em campo e Gabbiadini já havia obrigado Pinsoglio a fazer grandes defesas, o meia aproveitou uma falha da defesa para marcar o primeiro. O segundo veio no segundo tempo, quando Immobile marcou seu terceiro gol de pênalti no torneio.

Na final, a Juventus contou novamente com a dupla para aplicar o 4 a 2 no Empoli. A Velha Senhora chegou a estar com uma vantagem de quatro gols no placar, graças a um belíssimo gol de falta de Yago e a uma tripletta de Immobile, que mostrou ter potencial para se tornar um excelente atacante de área: tem bom posicionamento, finaliza bem com os pés e com a cabeça, além de ter sorte. Sem tirar os méritos desta excepcional Juventus, uma parecela de responsabilidade pelo placar elástico se deve às falhas do goleiro Addario, que fez bom torneio, mas prejudicou sua equipe na final, ao falhar em dois dos gols do centroavante juventino. Se, entre os jovens campeões do último Torneio de Viareggio não houve aproveitamento na equipe principal, será que neste momento de crise, a Juventus dará chances a jovens como Immobile, Belcastro, Yago e Marrone?

Texto em parceria com Braitner Moreira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A diferença que faz um capitão

De um lado, o capitão Del Piero foi essencial para que Amauri marcasse os dois gols da Juve... (Reuters)

Dos 32 times vivos na disputa pelo troféu da Liga Europa, dois são italianos. Ambos têm capitães importantes em sua história, verdadeiras bandeiras que ainda fazem a diferença. Juventus e Roma provaram isso hoje. Enquanto os bianconeri contaram com mais outra grande atuação de um Alessandro Del Piero em grande fase para bater o Ajax por 2 a 1, em Amsterdã, os giallorossi devem ter lamentado a ausência de Francesco Totti na derrota de virada para o Panathinaikos por 3 a 2, em Atenas.

Abrindo a rodada dupla da quinta-feira, Alberto Zaccheroni teve um problema de última hora para montar sua Juventus. Como Cáceres, que tem sido utilizado na direita, teve de ficar de fora, sua ausência abriu espaço para a entrada de De Ceglie na esquerda. Não fez sentido? Pois Zac improvisou Sissoko pela direita de seu 3-4-1-2, puxou Marchisio para o centro e deu a vaga na ala esquerda para De Ceglie. Na defesa, Zébina ganhou outra chance de 45 minutos, já que acabou substituído por Grygera no intervalo depois de uma partida não muito memorável.

Com um time bem mais consciente do que sua média na temporada, a Juventus já se mostra bem mais compacta nas mãos de Zaccheroni. Pode até se "vangloriar" de algo que não existia na gestão de Ciro Ferrara: variação tática. O time saiu do 3-4-1-2, foi para o 4-3-1-2 e para o 4-4-1-1 sentindo pouco as mudanças. Marcou forte, impôs um ritmo mais lento e contou com o poder decisivo dos homens de frente. Não parecia que esta se tornaria a realidade do jogo, quando Diego (em noite apagada) cobrou mal uma falta aos 16 minutos, o que permitiu a Suárez puxar um contra-ataque letal que culminou no gol de Sulejmani. Mas Delpi mostrou suas credenciais aos 31, quando alinhou um toque de calcanhar a uma caneta antes de tocar para De Ceglie que, de primeira, cruzou na cabeça de Amauri.

O empate mostrava bem o que era o jogo e os dois lados tinham boas chances. Diego tinha tido boa oportunidade de marcar pouco antes, em bola de Del Piero, mas Vertonghen e Suárez responderam. Com uma defesa alta, a Juve ainda sofria com os contra-ataques do Ajax, fato alterado no segundo tempo. Com Grygera na lateral-direita, o time de Turim pôde recuar um pouco e trabalhar melhor. Até que o capitão Del Piero acertasse um belíssimo cruzamento para Amauri, no meio da área, virar o jogo aos 12 minutos. Uma noite de gala da dupla, que teve tantos momentos complicados no decorrer da temporada, mas que pelo menos desta vez dormirá tranquila. De Jong ainda teve pelo menos mais quatro boas oportunidades e poderia ter empatado, virado, goleado. Mas o dia era preto e branco. E nem o vermelho de Salihamidzic, nos acréscimos, pôde mudar esta realidade.

...Do outro, nem para comemorar o gol de Vucinic o capitão De Rossi parecia muito feliz (Reuters)

Na Grécia, o vermelho continuou em alta por algum tempo, desta vez no bom início da Roma. Logo aos 13 minutos, Riise enviou um de seus tradicionais tirambaços, que desta vez balançou a trave direita de Tzorvas. Aos 28, enquanto o Panathinaikos ia aumentando seu domínio sob a égide do ótimo Ninis, meia-direita de apenas 19 anos, a Roma marcava seu primeiro gol: um belíssimo cucchiaio de Vucinic, que recebeu, parou a bola na entrada da área e encobriu Tzorvas, que nem teve tempo para se levantar. Dez minutos depois, Julio Sergio sentiu o púbis e deu lugar a Doni, no golpe que ajudaria a definir a partida. Se na frente a Roma sentia demais a falta do capitão Totti, substituído por um invisível Júlio Baptista, no meio era De Rossi, il capitan futuro, quem deixava a desejar. No gol, Doni mostraria depois do intervalo porque agora é banco incontestável na capital.

A sorte do time da casa (ou uma competência inacreditável por parte de Nikos Nioplias, treinador dos prasini) deu as caras no segundo tempo. Atrás no placar, Nioplias sacou o volante Katsouranis aos 19 minutos para colocar Salpingidis. Em sua primeira bola, o atacante empatou a partida ao pegar um rebote, livre na pequena área, enquanto Doni só observava. O lateral-esquerdo Spiropoulos ainda derrubaria o recém-entrado Cerci na área para que Pizarro convertesse um pênalti, mas a mão de Nioplias se fez rever pouco depois. Aos 39 minutos, Christodoulopoulos substituiu Ninis e empatou de novo logo na primeira vez em que pegou na bola: uma bela puxeta que passou sob as pernas de um já atônito Doni, que nada pôde fazer quando Burdisso deixou Cissé subir sozinho cinco minutos depois para virar o jogo e decretar o fim de uma invencibilidade romanista que já durava 20 jogos.

Na próxima quinta-feira serão realizados os jogos de volta. A Juventus recebe o Ajax, enquanto o Panathinaikos joga em Roma. O favoritismo ainda está do lado italiano: é quase impossível esperar a vitória holandesa, já que Suárez, capitão da equipe, está suspenso para o confronto; já os gregos terão de superar a ótima campanha romanista dentro do estádio Olímpico para poder sonhar com o empate que os levariam para as oitavas-de-final da Liga Europa.

Pós-jogo: Bayern de Munique 2x1 Fiorentina

Sozinho (até demais), Klose marcou o gol da vitória do Bayern (SkySports)

Em situação oposta à do rival, que vinha de uma série invicta de doze jogos, a Fiorentina desembarcou em Munique totalmente desacreditada, por causa da péssima fase no último mês no Campeonato Italiano. Críticos, torcedores e até Robben, um dos craques bávaros, insinuaram que a vitória do Bayern viria fácil. No entanto, o que se viu no estádio Olímpico de Munique foi um equilíbrio inesperado.

Em campo, os viola não sentiram muito a ausência de Gamberini e Zanetti, marcaram bem a saída de bola e não sofreram muito perigo durante grande parte do primeiro tempo. Marchionni e Vargas seguraram bem os bons Ribéry e Robben, pelos lados. Os goleiros não trabalharam muito e o único lance de verdadeiro perigo aconteceu já nos acréscimos da etapa inicial, quando Robben tocou para Ribéry ser derrubado por Kroldrup, dentro da área, e a bola sobrar para Gómez empurrar para as redes. O árbitro norueguês, Ovrebo, porém, cometeu sua primeira trapalhada e não observou a lei da vantagem, anulando o gol e marcando o pênalti. Na cobrança, Robben abriu o placar e salvou a pele do juizão.

No segundo tempo, a Fiorentina voltou atacando e logo aos cinco minutos conseguiu o empate, em uma cobrança de escanteio que acabou nos pés de Kroldrup, dentro da pequena área. O bom resultado colocou o time italiano mais atrás e explorando os contra-ataques. Jogando melhor, parecia que os viola conseguiriam a virada a qualquer momento, mas com o tempo o Bayern recuperou o domínio do meio campo e voltou a ser perigoso.

Aos 20, Van Gaal trocou Gómez e Muller por Klose e Olic, tornando o time ainda mais ofensivo. O 4-4-2 inicial já era um 4-2-4, com Ribéry e Robben atacando o máximo que podiam pelas pontas. Para piorar a situação viola, Gobbi foi expulso a 18 minutos do fim, em mais um lance polêmico da arbitragem. Alguns alegam que não era falta para vermelho direto.

Mais do que nunca, era um jogo de ataque contra defesa. E os comandados de Prandelli agüentaram muito bem a pressão. Até o último minuto, pelo menos, quando a arbitragem chamou mais atenção do que devia, novamente. Robben, sempre ele, chutou, Frey espalmou, Olic tentou de cabeça e a bola foi parar na cabeça de Klose, que deu números finais ao jogo. O problema é que o atacante alemão estava quase dois metros impedido.

O erro grotesco do juiz dificulta a missão viola na partida de volta, dia 9 de março, em Florença, mas não tira as esperanças da equipe. O resultado foi melhor do que se esperava para a Fiorentina e o gol marcado fora de casa foi muito importante, já que agora uma vitória simples (1 a 0), garante a vaga italiana nas quartas-de-final. Confronto aberto.

Bayern de Munique 2-1 Fiorentina
Bayern: Butt; Lahm, Van Buyten (Contento), Demichelis, Badstuber; Robben, Schweinsteiger, Van Bommel, Ribéry; Gomez (Klose), Muller (Olic)
Fiorentina: Frey; De Silvestri, Natali (Pasqual), Kroldrup, Gobbi; Bolatti, Montolivo (Donadel); Marchionni, Jovetic (Felipe), Vargas; Gilardino
Árbitro: Ovrebo, da Noruega
Cartões amarelos: Van Bommel e Klose (Bayern); De Silvestri, Marchionni e Vargas (Fiorentina)
Cartão vermelho: Gobbi (Fiorentina)


Veja também
Milan 2-3 Manchester United

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Seconda Divisione: rodada completa na Lega Pro

Esperança: após uma falência traumática, Spezia procura voltar para a Prima Divisione,
onde sua trajetória foi interrompida (UltrasSpezia.it)


Após a parada no primeiro final de semana de fevereiro, a Seconda Divisione da Lega Pro voltou à carga no último domingo, dia 14, para completar a 23ª rodada dos campeonatos da categoria. Em contagem regressiva (agora faltam apenas 11 rodadas), os grupos já definem quais times brigarão por cima ou por baixo, até o final das competições das “profundezas” do futebol italiano.

Confira a situação de todos os torneios da quarta divisão da Itália:

Lega Pro Seconda Divisione: 23ª Rodada

Seconda Divisione - Grupo A
O Spezia (40 pontos) perdeu, mas conservou a liderança. Rodengo Saiano (38), Alto Adige (38), Alghero (37) e Pavia (37) estão na zona dos play-offs. Na zona play-out, as mesmas equipes de sempre, só com posições mudadas: Valenzana (24), Villacidrese (22), Olbia (21) e Pro Belvedere (21). Nove pontos distante dos play-outs, a Pro Sesto (12) está praticamente rebaixada.

Seconda Divisione - Grupo B
A Lucchese (49) perdeu em Celano, mas ainda tem nove pontos de vantagem na liderança. Fano (40), San Marino (39), Prato (39) e Gubbio (37) estão na zona play-off. Pro Vasto (24), Bellaria (24), Carrarese (23) e Poggibonsi (21) compõem os play-outs. A Colligiana (17) se complica seriamente para poder sair da lanterna.

Seconda Divisione - Grupo C
O Catanzaro (51) lidera com três pontos de vantagem para a Juve Stabia (48). Cisco Roma (42), Gela (39) e Brindisi (38) também estariam nos play-offs. Scafatese (25), Vico Equense (19), Vibonese (19) e Noicattaro (17) estão nos play-outs, enquanto o Igea Virtus (11) não consegue sair do último lugar e já pode relembrar seus tempos de Serie D.

ArrivederC!