Subscribe Twitter Facebook

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Fiorentina e o ultrapassado futebol moderno

Diego della Vale, em seu primeiro ano no comando da Fiorentina. O empresário entregou sua
carta de despedida nesta terça-feira (Ansa)

Por volta das 11 horas (horário de Brasília) de ontem, o então patrono e presidente de honra da Fiorentina, Diego della Valle, anunciava o fim de seu tempo à frente do clube. Fato que parecia impensável se considerada a paixão que ele e seu irmão, Andrea della Valle, dedicavam ao clube ao longo dos últimos oito anos. Mas que ganhou corpo por uma série de razões de importâncias distintas.

É possível dizer que o estopim para a decisão de Diego della Valle tenha sido um fato "menos importante". Na última semana, ele e Cesare Prandelli, treinador estimado que está há cinco anos no comando técnico do clube, entraram em atrito. O patrono ficou irritado com os fortes rumores que colocavam Prandelli como o técnico preferido para a próxima temporada pela Juventus - o clube mais odiado pelos torcedores da equipe de Florença. A ponto de della Valle dar um ultimato a seu treinador, por meio do diário La Gazzetta dello Sport: "Os contratos devem ser respeitados. Diga claramente se vai ou não para a Juventus". Para Prandelli, as palavras "soaram como uma dispensa", declaração também dada através da imprensa.

Na partida da última rodada (Fiorentina 4-1 Udinese), Prandelli encontrou o público do Artemio Franchi a seu favor. Conforme apurou o Corriere dello Sport em um dos grandes furos do jornalismo esportivo italiano nos últimos anos, della Valle interpretou o carinho dos torcedores como uma clara demonstração de oposição à diretoria. Oposição que já estaria sendo demonstrada desde a cessão de Felipe Melo à Juve: grande parte da torcida mostrava certa animosidade e acusava a família de não reinvestir os 20 milhões de euros recebidos pela operação. Pela primeira vez desde a chegada dos della Valle, o mercado viola era julgado ineficiente.

Mas por trás destes fatos existe uma razão mais importante para a decisão de Diego della Valle, esta importantíssima: o projeto da Cittadella Viola. Desde sua chegada à sociedade, os irmãos della Valle pregavam que o clube só seria viável se fosse auto-sustentável, e a construção da Cittadella Viola seria o grande transformador de sua realidade. A idéia era construir uma pequena cidade dentro de Florença, na qual tudo girasse em torno da Fiorentina, esportiva e comercialmente, com um novo estádio, hotéis, lojas, galerias de arte e de fotografias.

O projeto foi aclamado pelos empreendedores locais, que vislumbraram uma bem-feitoria que iria muito além do panorama esportivo, com a possibilidade de fomentação do turismo e atração de investimentos externos para a cidade. Para a prefeitura de Florença, porém, as coisas não estavam tão bem definidas. Os irmãos declaravam que o dinheiro para a compra do terreno sairia de seus próprio esforços. Mas a área que eles desejavam individualizar era uma, e a que a prefeitura disponibilizava, outra. Além disso, por ser a Cittadella Viola um projeto que mudaria significativamente parte de Florença, tornando-se parte integrante da cidade, os della Valle esperavam que a prefeitura local agilizasse negociações e trâmites burocráticos para viabilizar a construção. Sem sucesso.

Este nó jamais foi desfeito, e o projeto, que ainda pode decolar a qualquer momento, não saiu do papel. Este pode ter sido o misterioso motivo pelo qual o então presidente da Fiorentina, Andrea della Valle, tenha se demitido do cargo, em setembro de 2009, ainda que tenha se mantido em seus quadros societários. Na época, ele declarou que foi um ato para "agitar" o ambiente do clube. E se foi isso que fez com que o clube conquistasse a vaga na Liga dos Campeões, jamais saberemos.

Desenhou-se, enfim, um grande quadro, que misturou a frieza da política e dos negócios com a paixão esportiva por um clube, uma história e uma cidade. Variáveis distintas que, pelo menos na Itália, o futebol moderno ainda não consegue conjugar em harmonia. Num futebol de origens citadinas, como o italiano, em que os clubes nascem para representar cidades, as premissas básicas para sua constituição como empresas são inerentes à sua própria formação: a cidade em que nasce lhe dá procedência de marca; o público da cidade, seus torcedores em potencial, garante-lhe mercado; e os campeonatos em que participar, sejam de categorias mais ou menos importantes, dão a exata noção de concorrência. Uma empresa comum não precisaria de mais do que isso para se orientar ao lucro.

É inútil, porém, pensarmos em lucro ou mesmo subsistência no futebol italiano quando o que está em voga nas sociedades futebolísticas é o mero colaboracionismo patronal: os clubes que são constituídos como empresas cotadas na Bolsa raramente dão lucro a seus acionistas, mas dependem deles e de seus investimentos para sobreviverem. Trata-se mais de um mecenato esportivo do que da valorização de um verdadeiro ativo também estratégico.

A Cittadella Viola e o plano contínuo de investimentos, em tese, iriam nadar contra esta corrente. Mas todos sabemos que provocar mudanças tão drásticas num meio conservador como o futebol italiano não é das coisas mais fáceis: o simples fato de tirar a Fiorentina do Artemio Franchi para fazê-la jogar num estádio de propriedade, dentro de sua própria cidade (a Cittadella, não Florença), geraria um prejuízo incalculável para o governo local, seja pela perda da renda pelo uso do estádio municipal, seja por um risco de dissociação de clube e cidade... A criação de uma nova procedência que constituiria a Fiorentina como um fim em si próprio, e não uma bandeira de Florença para a Europa e o mundo.

Conjecturas políticas e especulatórias podem, ainda, não ter posto fim ao sonho de um projeto do gênero, mas esgotaram a paciência de Diego della Valle, para quem a paixão não pôde resistir a um flagrante mau negócio (de milhões não investidos e não lucrados, diga-se). E, neste panorama, bastou um pequeno mal entendido para que tudo ruísse. Em sua carta de despedida aos torcedores, ele foi claro ao dizer que eram inaceitáveis as manipulações de "quem quer jogar a torcida contra a sociedade", e pediu para que os torcedores estejam atentos às pessoas que usavam seu amor ao clube para justificar desejos e atos pessoais. Depois disso, passou o bastão para seu irmão, Andrea, presidente demissionário e ainda sócio do clube.

Diego della Valle levou a cidade de Florença a estado de total comoção com a simples menção de sua saída, anteontem, e chocou todo o ambiente com sua real desistência. Talvez o final triste do filme da Fiorentina de Vittorio Cecchi Gori, morta esportiva e financeiramente, passou pela cabeça de seus milhares de seguidores. Não seria para menos, afinal a squadra viola voltou a ser grande nas mãos dos della Valle. Adquirida em 2002 após o rebaixamento à Serie B e a falência, o clube conseguiu manter atividade ininterrupta, ainda que para isso tenha pagado o preço de ser inscrito no modesto campeonato da extinta Serie C2 (quarta divisão) e ter seu nome mudado para Florentia Viola, pois perdera os direitos sobre a marca. A ambição dos irmãos fez com que o processo de renascimento do clube se acelerasse: a Florentia Viola venceu a C2, recuperou seu nome original, teve aceito um pedido de repescagem para a Serie B e acabou para a Serie A, tudo isso em apenas duas temporadas.

Os della Valle também recolocaram a Fiorentina no mapa europeu. Ao todo, foram três classificações para a Liga dos Campeões (uma delas anulada, após punição por envolvimento de seus proprietários no Calciopoli) e uma para a antiga Copa da Uefa. Hoje, os viola buscam uma vaga na Liga Europa, que pode vir via campeonato ou Coppa Italia, competição na qual o clube disputa as semifinais. De acordo com o diretor esportivo do clube, o ótimo Pantaleo Corvino, a propriedade continua forte, com Andrea Della Valle no comando, a confirmação de Prandelli como técnico do clube (que veio apenas depois da saída do patrono Diego) e a equipe concentrada na busca de seus objetivos. Pode ser. Mas é outra crise societária que escancara o retrógrado ambiente do futebol italiano.

terça-feira, 30 de março de 2010

Subestimados do calcio: Simone Tiribocchi

Tiribocchi: desejado pelos pequenos da Itália por sua pontaria e por marcar
cerca de 10 gols por temporada (Getty Images)


Na Itália, poucos atacantes são disputados a tapa por clubes da metade de baixo da tabela da Serie A. Fazem parte deste grupo centroavantes que custam pouco (já que estes times não tem lá aquela saúde financeira) e que, principalmente, marcam cerca de 10 gols por temporada. Esta média passa longe de ter peso científico para garantir a salvezza, mas convenhamos que ter um jogador no plantel que seja capaz de marcar tal número de gols por campeonato é uma arma importante para os clubes que vislumbrar permanecer na elite do futebol italiano. Dentre estes atacantes, Simone Tiribocchi, da Atalanta, é um dos que se destaca.

Porém, Il Tir nem sempre fez parte deste grupo de jogadores. O jogador nascido no Lácio demorou a aparecer no cenário italiano e rodou por sete times antes de ganhar destaque verdadeiro. Tiribocchi iniciou sua carreira na Lazio, time de sua região, mas nem chegou a jogar pela equipe principal. Depois, rodou sem muito sucesso por Pistoiese, Empoli e Torino, chegando a ser peça importante no surpreendente acesso do pequeno Savoia da antiga Serie C1 para a Serie B. No entanto, o atacante permaneceu na Serie C1, para atuar pelo Benevento, que acabara de subir. Pelos stregoni, Tiribocchi marcou nove gols que lhe abriram as portas para acertar com o Siena, que retornava a Serie B após mais de seis décadas de ausência. Na sua primeira passagem pelo time toscano, o centroavante marcou oito gols e, enfim apareceu no espectro de contratações dos times da Serie A. Os dirigentes do Torino, que já o conheciam bem, logo asseguraram seu retorno ao Piemonte.

Novamente, sua passagem vestindo granata não foi satisfatória. De setembro a janeiro, o atacante só entrou em campo três vezes, sendo preterido por Marco Ferrante, Cristiano Lucarelli e Pinga. No mercado de inverno, Tiribocchi foi negociado com o Ancona, que militava na Serie B, onde também não teve tanto sucesso. Mesmo assim, o Siena decidiu apostar mais uma vez no atacante de cabeça raspada. A aposta se mostrou acertada: Il Tir marcou 16 gols e foi o artilheiro da equipe, sendo fundamental naquela que seria uma temporada histórica para os senese, já que os toscanos conquistaram o acesso para a Serie A pela primeira vez.

Mas, assim como aconteceu quando ajudou o Savoia a ascender de divisão, Tiribocchi não acompanhou seu clube e permaneceu na série cadetta. Após encontrar o vício do gol, como dizem os italianos, o bomber aceitou mais uma vez o convite do Torino em defender as cores do clube, que acabara de cair. Na sua última temporada em granata, marcou seus primeiros gols pelo clube. No total, foram 11 gols - insuficientes para garantir o acesso do Toro.

Em 2004, porém, Tiribocchi ganhou a chance para estrear na Serie A. O atacante foi contratado pelo Chievo, que lutava contra o rebaixamento e foi importantíssimo para ajudar o time a se salvar do fantasma da segunda divisão. Il Tir dividia com Cossato o trabalho de ajudar Pellissier a fazer os gols que salvariam os gialloblù. Com cinco gols importantes - contra Lecce, Atalanta, Roma, Livorno e Messina -, Tiribocchi foi vice-artilheiro do time, que conseguiu a salvezza graças a um pontinho, naquele campeonato no qual apenas quatro pontos separaram o oitavo colocado do Bologna, que encabeçava a zona de rebaixamento.

No ano seguinte, o Chievo se classificou para a Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história, após Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio terem sido punidos com perda de pontos por manipulação de resultados. Tiribocchi marcou sete gols naquela campanha, incluindo tentos importantes contra Milan e Lazio, mas foi ofuscado por Amauri (novo titular ao lado de Pellissier) e Obinna, que concorria para ser a terceira opção do técnico Giuseppe Pillon para o ataque veronês. No ano seguinte o Chievo caiu para a Serie B, mas Il Tir só fez parte do elenco até janeiro, quando, não encontrando espaço em Verona, transferiu-se para o Lecce.

No Salento, um Tiribocchi mais experiente, mais oportunista e com um chute ainda mais calibrado fez a alegria da torcida giallorossa. Na reta final da Serie B, o artilheiro logo assumiu a titularidade, fez boa dupla ao lado de Osvaldo, e marcou 11 gols - incluindo duas triplette. Na temporada seguinte, 200708, Abbruscato substituiu Osvaldo como seu parceiro de ataque numa dupla que foi ainda mais efetiva e que, ao lado dos defensores Ângelo e Diamoutene, além dos meias Ariatti, Munari e Valdés, levou o clube do sul da Itália a conquistar seu quinto acesso a Serie A em quinze anos. Ao longo de toda aquela Serie B, Tiribocchi fez 17 gols e foi artilheiro do time com dois tentos a mais que seu companheiro. Uma (outra) vez de volta a elite do futebol italiano, Il Tir marcou 11 gols para o Lecce, que voltou a Serie B após ser o lanterna da competição, e foi um dos poucos a se salvarem na má campanha pugliese.

Cada vez mais presente na pauta de possíveis alvos de mercados das pequenas equipes da Serie A, sobretudo por causa de seu bom poder de finalização, Tiribocchi permaneceu na máxima divisão do futebol italiano para a atual temporada. A Atalanta preferiu fazer um mercado modesto, no qual se reforçou basicamente com jogadores provenientes de equipes que foram rebaixadas para a Serie B, como Barreto e Ceravolo, ex-Reggina, e Caserta e o próprio Tiribocchi, que foram contratados junto ao Lecce. A única contratação de peso para a temporada foi a de Robert Acquafresca, emprestado pelo Genoa. A princípio, Il Tir seria reserva do atacante titular da seleção sub-21 italiana, mas o Acquafresca não conseguiu mostrar nas primeiras rodadas do campeonato o que tinha feito em Cagliari para ser considerado um dos melhores atacantes do país.

Nas três primeiras rodadas, a Atalanta do técnico Angelo Gregucci não marcou um gol sequer e saiu de campo derrotada. Para piorar, só na sexta rodada é que um atacante do time marcou um gol. Foi, justamente Tiribocchi, que já havia tomado a vaga de Acquafresca como titular do time e a justificava jogo após jogo: após a estreia com gol do ex no empate contra o Chievo, Il Tir emplacou uma sequência fantástica de quatro jogos positivos e deixou o seu também no empate contra Milan e nas vitórias contra Udinese e Parma. O bomber é o artilheiro da Atalanta nesta Serie A, com oito gols que vem ajudando La Dea a permanecer viva na luta pela permanência na elite. Tiribocchi também marcou outros gols importantes, como um dos dois da vitória contra o Siena (adversário direto pela permanência na Serie A) ou o tento do sofrido empate em casa contra a Inter. A quatro pontos abaixo da Udinese, última equipes acima da zona de rebaixamento, a tarefa não é das mais simples para a equipe bergamasca, mas uma coisa é certa: Il Tir será fundamental nas últimas oito rodadas.

Simone Tiribocchi
Nascimento: 31 de janeiro de 1978, em Colleferro, Itália.
Posição: atacante
Clubes: Lazio (1994-95), Pistoiese (1995-96), Empoli (1996), Torino (1996-98, 2000-01 e 2003-04), Savoia (1998-99), Benevento (1999-2000), Siena (2000-01 e 2002-03), Ancona (2002), Chievo (2004-07), Lecce (2007-09), Atalanta (2009-hoje).

segunda-feira, 29 de março de 2010

900 minutos em 9: 31ª rodada

Festa pouca é bobagem: Roma tem o time mais equilibrado desde 2001 e, nessa temporada,
o sonho de scudetto está mais vivo do que nunca (LaPresse)


Para fechar a maratona de jogos dessa semana na Serie A, uma rodada decisiva para o futuro do campeonato. Roma e Inter fizeram o jogo que abriu a giornata, no sábado, e conseguiram a atenção até dos torcedores de outros times, que vibraram com a chance de ver um campeonato emocionante e competitivo novamente. Destaque também para mais um tropeço do Milan e para a boa vitória do Palermo, na disputa pela quarta vaga da Liga dos Campeões. Napoli e Juventus vêm logo atrás. Lá embaixo, ninguém venceu. Livorno e Siena empataram, vendo cada vez mais de perto a Serie B, enquanto Atalanta e Udinese foram derrotados e perderam a chance de se afastar da zona de rebaixamento. As últimas rodadas prometem.

Na capital, cerca de 70.000 torcedores lotaram o Estádio Olímpico para assistir ao jogo mais esperado do fim de semana. Roma (2ª colocada, 62 pontos) e Inter (1ª, 63) fizeram a melhor partida da rodada, como era de se esperar, e acrescentaram um pouco mais de emoção nesse campeonato que, finalmente, fica bom de acompanhar. O jogo começou com certo equilíbrio, mas o meio de campo bem montado por Ranieri já mostrava alguma superioridade. De Rossi e Perrotta, com ajuda de Ménez anulavam muito bem Sneijder, no meio, enquanto Riise não permitia qualquer investida mais perigosa de Maicon, pela direita. A velocidade das ações romanistas era o que mais incomodava o time da Inter, em um 4-4-2 que mais parecia um 4-3-3, com Ménez e Vucinic abertos pelos lados. Mas foi em uma jogada de bola parada que saiu o primeiro gol: falta cobrada no segundo pau, cabeçada fraca de Burdisso, falha de Júlio César e oportunismo do capitão De Rossi, para empurrar para as redes e coroar sua melhor partida na temporada. O nervosismo e a marcação mais forte tomaram conta do resto do tempo: foram quatro cartões amarelos. Um deles para o pendurado Zanetti, que não enfrenta o Bologna na próxima rodada. A suspensão deixa em 137 o número de partidas consecutivas disputadas pelo argentino na Serie A. O recorde é do goleiro Dino Zoff, com 332. Maicon, Lúcio e Eto’o também perderão a próxima partida, suspensos.


No segundo tempo, Mourinho arriscou e promoveu a entrada de Pandev no lugar de Stankovic, mudando do 4-3-1-2 para o 4-2-1-3, melhorando bem o jogo nerazzurro. Milito e Sneijder, para a Inter, e Toni, pela Roma, tiveram boas chances, antes do gol de empate interista, aos 65’, com Milito. Na jogada, a arbitragem abstraiu a posição irregular de Pandev e causou revolta. Para a sorte do árbitro, Luca Toni desempatou oito minutos depois e diminuiu o tamanho do erro. Foi em lance de puro oportunismo do atacante, que aproveitou chute cruzado de Taddei e chutou forte para o fundo do gol, no momento em que a Inter crescia no jogo. Sobrou tempo ainda para mais violência, cartões amarelos, trapalhagem do árbitro e a volta de Totti, sob os gritos de “O verdadeiro capitão” e “sem Totti, sem festa”. Além, é claro, da bola na trave de Milito, nos acréscimos, que tirou o fôlego de todos os romanistas, mas não a esperança de ver o time campeão novamente.


Já no último jogo da rodada, o Milan (3º, 60) bobeou mais uma vez e perdeu a chance de se manter encostado nos líderes, por causa do empate, em casa, com a Lazio (16ª, 33). Sem Ronaldinho, Leonardo optou por um 4-4-2 com Abate e Seedorf pelos lados e Borriello e Inzaghi na frente. A boa marcação e os contra-ataques bem montados do time de Reja, contudo, não deixaram o Milan chegar com muito perigo e tornaram a Lazio uma visitante indesejada. O gol rossonero só saiu porque Kolarov derrubou Famini dentro da área, aos 19 minutos, e o árbitro não titubeou para marcar o pênalti. Borriello cobrou e colocou o Milan na frente. O empate laziale não demorou muito a chegar: aos 31’, a zaga milanesa se atrapalhou e Lichtsteiner marcou, com oportunismo de atacante. No resto do jogo, se viu um Milan raçudo e com muita vontade de triunfar, mas a boa organização da Lazio impediu o êxito do time da casa. Faltou mais qualidade para a equipe de Leonardo, que perdeu sete pontos nos últimos três jogos e já vê a briga pelo scudetto se distanciar. Já a Lazio, saiu com um bom ponto e dá sinais de que o pior já passou, mostrando que a salvezza é só uma questão de tempo.


Dois pontos a sua frente está o Bologna (15º, 35), que nesse fim de semana perdeu para o Palermo (4º, 51), na Sicília, com direito a show do baixinho Miccoli, que marcou sua tripletta e já merece lugar na lista de Lippi. Os desfalques não foram problemas para o Palermo, que contou com grandes aprensentações de Goian e Hernandéz nos lugares de Kjaer e Cavani, respectivamente. Com meio de campo e ataque velocíssimos, não demorou muito para ficar em vantagem. O primeiro gol veio logo aos 10 minutos, depois de boa jogada individual de Miccoli, pela esquerda. O atacante acertou um belo chute cruzado, por debaixo das pernas de Britos e Viviano. Pouco mais tarde, o salentino voltaria a marcar, de pênalti. Mesmo com a boa vantagem no placar, os rosanero não diminuíram o ritmo e criaram boas oportunidades com Pastore, Liverani e (sempre ele) Miccoli. Mas quem chegou ao gol desta vez foi o Bologna, em boa cobrança de falta do brasileiro Adaílton. No segundo tempo, o time de Delio Rossi conseguiu controlar bem o resultado e matou o jogo aos 79’, em mais uma jogada que explorou a velocidade de Miccoli. A vitória consolida o Palermo como quarta força do campeonato e deixa o sonho da Liga dos Campeões cada vez mais próximo.


Logo atrás, vem o Napoli (5º, 48), que venceu de novo e promete brigar até o final por essa vaga. A vítima da vez foi o Catania (14º, 35), que, no entanto, deu trabalho ao time da casa. O primeiro tempo napolitano, assim como no jogo de meio da semana, contra a Juve, foi bem fraco, com um time que dominava, mas não levava perigo ao gol de Andujar. A boa marcação do time de Mihajlovic, com Mascara e Martinez voltando para ajudar, tem grandes méritos nisso. Só no segundo tempo o time da casa acordou e melhorou o jogo. Tanto é que logo no início da etapa complementar, aos seis, Paolo Cannavaro aproveitou bobeada da zaga rossaazzurri e marcou seu primeiro gol vestindo as cores do Napoli na Serie A. Depois, mais três ou quatro chances claras, nas quais Andujar fez boas defesas. No fim, um pouco de tensão. Maggio caiu e colocou a mão na bola. Os sicilianos pediram pênalti, o juiz não marcou e ainda deu cartão amarelo para Delvecchio, por reclamação. Bravo, Mihajlovic reclamoi e foi expulso. Final agitado para um jogo agitado. Pelo menos no segundo tempo.


Também na disputa pela quarta vaga na Liga dos Campeões, vêm Juventus e Sampdoria, com os mesmos 48 pontos. A Juve (6ª, 48) jogou com casa vazia (apenas 5.000 torcedores), em protesto dos torcedores, e bateu a Atalanta (18ª, 28), com gol decisivo de Felipe Melo, no final. No time titular de Zaccheroni, Candreva e Diego recuperaram suas vagas no meio, e Del Piero e Trezeguet reeditaram o ataque de sucesso de alguns anos atrás. Il capitano abriu o placar, em cobrança de falta perfeita, como nos velhos tempos. Foi seu nono gol na temporada, primeiro de falta e sétimo na Serie A. Alguns minutos depois, Diego sentiu dores musculares e foi substituído. Voltou Giovinco, há tempos sem chances. Partida regular do Formiga Atômica. No final do primeiro tempo, a defesa errou uma linha de impedimento e deixou Amoruso sozinho para marcar o gol de empate. Já são 18 partidas consecutivas que a Juve sofre pelo menos um gol. No segundo tempo, a Atalanta voltou bem melhor e tomava as iniciativas, principalmente com Valdes. Só na segunda parte da etapa, a Juve voltou a causar algum perigo, com a velocidade de Giovinco e a inteligência de Del Piero, que, aos 37’, cruzou na cabeça de Felipe Melo. O brasileiro não desperdiçou e na comemoração pediu, mais uma vez, desculpas para a torcida. E por mais que não tenha sido uma grande partida dos bianconeri, a vitória veio em boa hora: já eram três partidas sem vencer e a vaga na LC ficando cada vez mais longe. Para a Atalanta, que até fez uma boa partida, continua a complicada briga contra o rebaixamento.


Já a Sampdoria (7ª, 48) apenas empatou com o Cagliari (12º, 40), em Gênova, e se afastou um pouco do Palermo, na luta pela vaga na LC. A desilusão veio no final do jogo, quando o brasileiro Nenê marcou para o Cagliari e empatou o jogo. Antes disso, parecia tudo ótimo para os dorianos, que tinham marcado logo aos três minutos, com Guberti. Nesse meio tempo, jogo morno, com algumas boas jogadas da dupla Pazzini e Cassano, que dessa vez não conseguiu decidir, como nas últimas duas partidas. E apesar do empate e da péssima campanha nas últimas sete rodadas (apenas dois pontos), o Cagliari chegou aos 40 pontos, número necessário para fugir do rebaixamento, segundo matemáticos. Quem também se aproxima da marca é o Chievo (13º, 38), que empatou sem gols com o Parma (11º, 42), em casa. Apesar do placar sem gols, foi um jogo movimentado, com um tempo para cada time. No primeiro, pressão do Chievo, com boa marcação e chegadas perigosas de De Paula. No segundo, o Parma mostrou mais qualidade e dominou a maior parte do tempo. Melhor oportunidade em cobrança de falta de Zaccardo.

Enquanto isso, a Udinese (17ª, 32) continua em maus lençóis lá embaixo. Na partida contra a Fiorentina (8ª, 44), ontem, levou quatro gols e permaneceu na incômoda 17ª posição. A partida começou com coro da torcida aplaudindo o técnico Cesare Prandelli, que no meio da semana discutiu com o presidente Della Valle e interpretou suas palavras como uma demissão ao final da temporada. Em campo, um jogo bem movimentado. A Fiorentina muito incisiva, com sua grande comissão de frente (Santana, Vargas, Jovetic e Gilardino) e a Udinese sem se deixar abalar pela pressão e saindo bem pelos lados, com Pepe e Sanchez. No final do primeiro tempo, então, o placar justo: 1 a 1. Vargas marcou de falta e cinco minutos depois Pepe empatou, em cruzamento rasteiro de Di Natale. No segundo tempo, porém, a força friulana não foi a mesma. O cansaço visivelmente chegou mais cedo e os viola se aproveitaram disso. Gilardino, Santana e Jovetic marcaram e sacramentaram a grande vitória, no Artemio Franchi. Prandelli tem seu nome ligado à Juventus já e cogitado também na Seleção, para depois da Copa, mas Pantelao Corvino, responsável pela área técnica do clube, garantiu sua permanência, depois da vitória de ontem.

A derrota só não foi pior para a Udinese porque os três times que estão atrás não venceram. Além da Atalanta, já citada acima, Siena (19º, 26) e Livorno (20º, 25) também não passaram de seus adversários e se vêem cada vez mais perto da Serie B. Os bianconeri enfrentaram o Genoa (9º, 44), em casa, em um calor que prejudicou o ritmo da partida. A primeira bola perigosa saiu apenas aos 30’, dos pés de Criscito, mas Curci, um dos melhores da partida, fez boa defesa. No segundo tempo, mais Curci: Gasperini mandou seu time ao ataque e o goleiro bianconero defendeu como pôde. Empate péssimo também para o Genoa, que poderia ter ido a 46 pontos e ter ficado mais perto da zona de classificação da Liga Europa. Situação parecida com a do Bari (10º, 43), que também poderia ter se aproximado da zona-LE, mas apenas empatou com um time da zona de rabaixamento, o Livorno. O jogo foi na casa do lanterna e o time do técnico Ventura começou vencendo, com um gol meio sem querer de Allegretti, aos 24 minutos. O empate veio só no final do segundo tempo, com Tavano, que ainda desperdiçou uma chance antes do apito final. Fora os gols, poucos lances de perigo, em um jogo fraco. Para se salvar, o Livorno precisa marcar, no mínimo, 15 pontos dos 21 que ainda estão em disputa.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 31ª rodada, clique aqui. Para ver todos os gols, aqui.

Seleção da 31ª rodada
Gillet (Bari); Lichtsteiner (Lazio), Cannavaro (Napoli), Migliaccio (Palermo), Cassetti (Roma); De Rossi (Roma), Bertolo (Palermo); Santana (Fiorentina), Jovetic (Fiorentina), Vucinic (Roma); Miccoli (Palermo)

sábado, 27 de março de 2010

Com bad boy no seu time...


Relação entre Mourinho e Balotelli sempre foi conflituosa, mas atingiu seu auge (Reuters)

Durante esta semana, Mario Balotelli azedou ainda mais suas relações com José Mourinho e, pela primeira vez, a cúpula diretiva da Inter afirma categoricamente que está ao lado do treinador português. A torcida interista, por sua vez, já estava do lado de Mourinho havia muito tempo: nos últimos jogos, várias faixas têm sido carregadas por torcedores do time com dizeres anti-Balotelli. O atacante não joga desde que ficou de fora da lista de convocados para o jogo de volta contra o Chelsea, mesmo após ter ido bem na partida de ida e ter feito boa exibição contra a Udinese.

Nenhuma novidade, claro, já que problemas disciplinares foram os motivos de mais uma exclusão. Porém, ao invés de tentar melhorar sua reputação, Balotelli a desgasta cada vez mais: numa entrevista para o programa satírico Striscia La Notizia, o atacante disse que Mourinho não teve méritos na vitória do time contra o Chelsea e, para completar, vestiu uma camisa do Milan com seu nome. O ato foi a gota d'água para os torcedores, que há algum tempo já não o chamam mais de SuperMario, e o apelidaram de PierMario - em referência a Pier Silvio Berlusconi, filho de Silvio Berlusconi, que, por sua vez, elogiou o atacante da Beneamata após as imagens do programa de tevê. Depois que passou a ser agenciado por Mino Raiola (mesmo empresário que forçou a saída de Ibrahimovic da Inter e que tem atritos com Mourinho), parece claro que Balotelli também quer forçar sua saída.

Dessa maneira, o atacante italiano está perdendo o período mais importante da equipe na temporada: além de não ter estado presente contra o Chelsea, não enfrentou Palermo, Livorno e Roma. Também deve ficar de fora da lista de jogadores que enfrentará o CSKA Moscou, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões. A Inter terá uma maratona de jogos daqui para frente, com três por semana: assim como nesta, as próximas três semanas terão partidas nas quartas, pela LC e pela Coppa Italia. A Inter parece cansada, física e mentalmente - ajudam a interpretar os sete cartões amarelos no jogo de hoje.

Com a derrota no Olímpico, a Inter vê sua vantagem frente à Roma diminuir para apenas um ponto. Mourinho terá o desfalque de Eto'o para a partida contra o Bologna, Milito e Sneijder não estão 100% em forma e Pandev não passa pela melhor das fases. Será que Balotelli deve ser reintegrado ao grupo? O italiano já mostrou que tem poder de decisão, mas resta saber se o clube manterá a punição e se ele será esperto para deixar picuinhas de lado e assumir erros para, se não se arrepender verdadeiramente, aproveitar mais uma boa chance, como um profissional.

A longo prazo, fica também a pergunta: por mais que o jogador seja talentoso, vale a pena manter alguém tão instável e rebelde no grupo? Balotelli deixou de ser intocável para Moratti, mas enquanto o fim da temporada não chega, prescindir dele em um momento como esse pode ser fatal.


Título em referência ao Rap dos Bad Boys, eternizado pela dupla Romário e Edmundo.

Jogadores: Giuseppe Signori

Giuseppe Signori, artilheiro de 188 gols na Serie A, brilhou no Foggia, Bologna e, principalmente, na Lazio, que capitaneou por anos (GQ Italia)
Gols. Era isso que Giuseppe Signori trazia para os times em que jogava. O veloz atacante, dono de uma das pernas esquerdas mais afiadas que o futebol italiano já viu, fez história entre o final dos anos 80 e o início dos anos 2000. A bola parada também era uma arma praticamente mortal para Beppe. Além das ótimas cobranças de falta, Signori tinha um estilo peculiar de bater pênaltis: não tomava distância superior a três passos da bola e, normalmente, não falhava.

Antes de se profissionalizar, Giuseppe Signori passou três anos nos juvenis da Inter, até ser dispensado por ser baixo. O atacante não desistiu e iniciou a carreira no AlbinoLeffe, de Bérgamo. Muito jovem, Beppe ajudou a equipe no acesso à Serie C2, marcando cinco vezes em oito jogos. Porém, no ano seguinte, os lanieri voltaram à Divisão Interregionale – o quinto nível do futebol italiano, à época.

Depois de mais uma temporada como titular na Lombardia, Signori se transferiu ao Piacenza, time pelo qual venceu a antiga Serie C1, mesmo sem ser titular. Após um ano sem sucesso pelos lobos, acabou emprestado ao Trento, onde também não conseguiu marcar muitos gols. Na volta à equipe biancorossa, na Serie B, foi titular, mas acabou rebaixado. Signori acabou sendo negociado com o Foggia, recém-promovido à Serie B, e, aí, sua carreira mudou: no sul da Itália, o atacante começou a aumentar a sua média de gols. Trabalhando junto com o treinador Zdenek Zeman, que privilegiava o jogo ofensivo e armava a equipe no 4-3-3, com o ótimo tridente ofensivo composto pelo próprio Signori, além de Baiano e Rambaudi.

Signori (centro), entre Baiano e Rambaudi no Foggia (Regista Blog)
Na primeira temporada, Signori marcou 14 gols e, na temporada 1990-91, com mais 11 gols do atacante, os satanelli conseguiram o acesso para a Serie A, que ficou conhecido como o “Milagre de Foggia”. Em seu debute na principal divisão do futebol italiano, Signori marcou novamente 11 gols na primeira das três ótimas temporadas dos rossoneri na elite. O bom desempenho lhe garantiu a primeira convocação para a Nazionale e também uma transferência para a Lazio, em 1992. Logo na segunda partida vestindo o azzurro da Itália, contra a Irlanda, o atacante marcou. A seleção se tornaria rotina para ele.
Os aquilotti receberam muito bem o centroavante e sua retribuição veio em campo. Em sua primeira partida, contra a Sampdoria, no estádio Luigi Ferraris, ele anotou uma doppietta, em um empate por 3 a 3. A temporada na equipe da capital foi ótima e Signori sagrou-se artilheiro da Serie A com 26 gols, o maior número alcançado por ele na carreira. Seus gols conduziram os laziali ao quinto posto, que garantiu a vaga na Copa Uefa, quinze anos após a última participação capitolina em competições europeias, quando a equipe ainda tinha o artilheiro Bruno Giordano. A partir de então, Signori tornou-se o líder da equipe.

Na competição continental, a Lazio treinada por Dino Zoff não teve sucesso, mas no campeonato italiano, a Lazio chegou à quarta colocação e Beppe, autor de 23 gols, chegou mais uma vez à artilharia, o que lhe garantiu vaga na seleção italiana de Arrigo Sacchi, que foi aos Estados Unidos disputar a Copa do Mundo de 1994.

Vestindo a camisa 20, Giuseppe Signori participou de seis partidas na campanha italiana, mas foi empregado por Sacchi como atacante em apenas uma oportunidade, tendo sido mais utilizado como meio-campista, embora tenha feito 48 gols em 56 partidas pela Lazio ao longo de dois anos. Por jogar fora de posição, acabou se desentendendo com o treinador nas semifinais, contra a Bulgária, e não entrou em campo na final, contra o Brasil. Depois do Mundial, o atacante laziale jogou apenas mais seis vezes com a Squadra Azzurra e como ocorreu nos Estados Unidos, não conseguiu balançar as redes, finalizando sua história na seleção em 1995, com 28 jogos e sete gols.

Para a Serie A de 1994-95, a Lazio contratou Zeman e, assim, a parceria entre o atacante o treinador foi reeditada - assim como aquela com Rambaudi, que chegou com o treinador. Signori novamente liderou os aquilotti e seus 17 gols contribuíram para o time ficar com o melhor ataque da competição e também ser vice-campeão italiano, além de chegar às semifinais da Coppa Italia e às quartas de final da Copa Uefa. Foi a melhor temporada da Lazio desde o título italiano de 1973-74, conquistado por Tommaso Maestrelli. A idolatria da torcida ao camisa 11 era tamanha que, em 1995, ele chegou a ter uma transfrência confirmada para o Parma, mas a enorme revolta da torcida fez com que a diretoria voltasse atrás nessa decisão.

O artilheiro respondeu em campo ao apoio da torcida e, na temporada 1995-96, com 24 gols na Serie A, foi novamente o artilheiro, ao lado do barês Igor Protti, levando a Lazio no terceiro posto. Porém, o desempenho não foi capaz de convencer Sacchi e o jogador ficou de fora da Euro 1996. Com a saída de Zeman e a volta de Zoff, no meio da temporada 1996-1997, a Lazio passa por uma reformulação e Signori, no entanto, continua como capitão e principal jogador.

Na temporada seguinte, a contratação de Sven-Göran Eriksson na temporada 1997-98 trouxe reforços como Vladimir Jugovic, Matías Almeyda e Roberto Mancini, mas limita os espaços de Signori, cada vez mais relegado ao banco, no esquema tático de Eriksson. Signori “comemora” seu primeiro título com a Lazio nesta temporada: o camisa 11 marcou seis vezes na campanha campeã da Coppa Italia, mas ficou de fora da reta final, já que optou por ser emprestado para a Sampdoria, vendo seu espaço diminuir após a contratação do ex-doriano Mancini. A passagem pelos blucerchiati foi rápida e sem destaque, mas o atacante acabou não retornando à Lazio: estava pronto para respirar novos ares.

Ao final da temporada, Beppe se transferiu para o Bologna, onde reencontrou a titularidade e voltou a marcar gols em grande quantidade. Assim, ele ajudou os rossoblù na reta final da Copa Intertoto, que valeu a classificação para a Copa Uefa, competição na qual Signori marcou seis gols.

Última vez que Signori jogou em alto nível foi pelo Bologna (Il Post)
Um dos jogadores mais representativos da época que Francesco Guidolin treinou a equipe emiliana, Giuseppe Signori disputou seis campeonatos italianos com o Bologna e, nesse período, marcou 67 gols. Dessa forma, o atacante chegou a marca de 188 gols em toda a sua carreira na Serie A, o que lhe garante o oitavo posto entre os maiores artilheiros da história da competição, com a melhor média da história.

Antes de pendurar as chuteiras, Beppe fez amistosos na China com a camisa do Milan, em 2004, e depois passou uma temporada na Grécia, com o Iraklis Thessaloniki. Seu último clube foi o húngaro Sopron, onde também passou apenas um ano. Dois anos após a sua última experiência na Serie A, o eterno artilheiro encerrou a carreira oficialmente.

Giuseppe Signori seguiu ligado ao futebol. Primeiro foi comentarista da RAI, onde começou na Copa de 2006. Em 2008, o ex-atacante tentou a carreira de consultor administrativo no Ternana, mas entrou em litígio com a direção do clube, pródiga em polêmicas, e voltou ao trabalho de comentarista, ao qual se dedica até hoje, fazendo parte da equipe esportiva da Mediaset Premium.

Giuseppe Signori
Nascimento: 17 de fevereiro de 1968, em Alzano Lombardo, Itália
Posição: Atacante
Clubes: Inter (1981-84), AlbinoLeffe (1984-86), Piacenza (1986-89), Trento (1987-88), Foggia (1989-92), Lazio (1992-97), Sampdoria (1998), Bologna (1998-04), Iraklis (2004-05) e Sopron (2005-06)
Títulos: Serie C1 (1986-87), Serie B (1990-91), Coppa Italia (1997-98), Copa Intertoto (1998) e Serie B (1990-91)
Seleção italiana: 28 partidas e sete gols

Jogadores: Dino Zoff

Dino Zoff é o único jogador italiano campeão europeu e mundial com a Seleção (Interleaning)
Filho de uma dona de casa e um trabalhador rural, Dino Zoff sempre ouviu que é com trabalho que as coisas acontecem. “Trabalhar” era o verbo de seu pai, Mario, que saía para a lavoura todo dia cedo e voltava só depois do sol se pôr. Quando conseguiu melhorar de vida e passou a trabalhar em uma oficina, na pequena Mariano Del Friuli, o jovem Dino já o ajudava, com pouco mais de dez anos de idade. E assim foi pautada a vida do jovem que realizou seus sonhos e se tornou um dos melhores goleiros do mundo: com muita dedicação e trabalho.

Desde criança, Dino queria ser jogador de futebol. Mas não era como os outros meninos da sua idade, que pensavam em ser como Giuseppe Meazza, Valentino Mazzola ou Giampiero Boniperti, artilheiros. Dino sempre quis ser goleiro. Sua diversão era ficar debaixo das metas, evitando os gols. Porém, sempre tratou o desejo como uma fantasia, se dedicando sempre aos estudos e à oficina, deixando o futebol só para as horas vagas.

Só aos 15 anos, quando a família já tinha uma renda maior e um padrão de vida melhor, Zoff pôde se dedicar ao futebol. Atuando pelo Marianese, pequeno clube da cidade, o garoto tinha alguma chance de aparecer, para olheiros de diversos times. Giuseppe Meazza e Renato Cesarini estão na lista dos olheiros que passaram pela cidade e descartaram o jovem goleiro. Seu futuro como mecânico estava praticamente certo, até que Comuzzi olhou, gostou e levou o menino para a Udinese, em 1961.

A estreia na Serie A foi no mesmo ano, dia 24 de setembro. O técnico Bonizzoni lançou o menino no jogo contra a Fiorentina e Zoff tomou nada mais, nada menos que cinco gols. Até hoje se recorda: “Alguns dias depois fui ao cinema e no intervalo tinha o quadro Settimana Incom. Fizeram-me ver de novo os cinco gols e eu me encolhi na poltrona, com vergonha”, disse a um jornal local, alguns anos depois.

Permaneceu em Udine por dois anos, mas sem agradar muito. Em 1963, então, Bonizzoni transferiu-se para o Mantova e bancou o garoto. Zoff tinha novos ares, a confiança do treinador e um lugar entre os 11 iniciais. Era o que ele precisava. Em Mantova, encontrou tranquilidade e amadureceu. Com a ajuda dos companheiros, que chamava de família, cresceu e apareceu: clubes grandes queriam sua contratação. E depois de quatro anos já era hora de um novo passo. O Milan era o candidato mais forte para levar Zoff de volta à Serie A, mas foi o Napoli, no último minuto, que fechou sua contratação.

Seu primeiro ano em Nápoles foi o melhor. O time que contava com Altafini, Sivori, Panzanato, Montefusco, Bianchi, entre outros, disputou o título até o final. O burburinho na cidade era enorme, os dirigentes confiavam demais na vitória e os torcedores também, mas o scudetto acabou ficando com o Milan. As chances de algum título, então, foram só diminuindo e Zoff mantinha seu currículo em branco. Mesmo assim, os anos vestindo azzurro foram importantíssimos para que o goleiro conseguisse a tão sonhada oportunidade na seleção.

Sua estreia foi no dia 20 de abril de 1968, na Eurocopa. A má fase de Albertosi fez com que o técnico Ferruccio Valcareggi trocasse o titular da meta já no meio da competição. Zoff agarrou a oportunidade e ajudou a Itália a chegar ao título europeu. Foi também o primeiro de sua carreira. O êxito na Eurocopa garantiu seu lugar entre os convocados para a Copa do México, em 1970, mas a vaga de titular continuou com Albertosi. Do banco, viu sua Itália cair para o Brasil, na final.

Numa das quatro vezes que enfrentou o Brasil, Zoff deu de cara com Pelé (Interleaning)
Enquanto isso, acabava seu ciclo no Napoli. Depois de cinco temporadas e grandes apresentações chegava a hora de Zoff fazer história. E nada melhor que um ambiente com futuros craques como era aquele da Juventus para isso. Eram tempos de renovação na Velha Senhora e Bettega, Causio, Anastasi e Capello estavam naquele grupo. Zoff era o veterano do time, no auge de seus 30 anos, com a experiência e a segurança que aquele time precisava para vencer. Foram 11 temporadas de muito sucesso no comando do gol bianconero.
Já na temporada de 1972-73, sua primeira por lá, venceu o Campeonato Italiano, no título que considera o mais importante de sua passagem por Turim: “Tinha Causio, Haller e Bettega. A velocidade junto com a habilidade, a classe misturada ao dinamismo. Depois chegou gente como Benetti e Boninsegna, que aumentaram a força física e a experiência do grupo, mas aquela primeira Juve permanece no meu coração”.

Nos anos seguintes, vieram mais cinco scudetti, duas Copas da Itália, uma Copa da Uefa e muitos recordes. Foram 570 jogos na Serie A, tornando-se o maior participante do campeonato até então (hoje, Maldini, com 647 jogos, e Pagliuca, com 592, estão na sua frente) e o que mais disputou jogos de maneira consecutiva: 332, no total. É também o segundo do ranking de goleiros que ficaram mais tempo sem tomar gol na Serie A: 903 minutos. Sebastiano Rossi, do Milan, é o primeiro da lista, com 929 minutos.

Entre os grandes da história: Zoff também liderou fortíssima defesa da Juve por uma década (Frickfoot)
Zoff fez parte de alguns importantes ciclos juventinos. Jogou com Cabrini e Tardelli, depois com Platini e Boniek, e, claro, fez parte da Era Trapattoni. Na Juve, tornou-se mito e ganhou o apelido de SuperDino. Aposentou-se em 1983.

Foram também seus anos de glória pela seleção, participando de três Copas do Mundo como titular: 74, 78 e 82. Na primeira, o fracasso da eliminação ainda na primeira fase. Na segunda, o carrasco brasileiro novamente, na derrota que valia o terceiro lugar. E na terceira, finalmente a revanche sobre o Brasil e o título. Nesses anos de seleção acumulou também números importantes: foram 1143 minutos sem tomar gols, entre setembro de 1972 e junho de 1974. Ao todo, foram 14 anos de seleção, nos quais conquistou o mundo e tornou-se um dos mais importantes goleiros da história. Seus 112 jogos vestindo azzurro só foram superados por Cannavaro (127) e Maldini (126).

Fora das quatro linhas
Depois da aposentadoria, assumiu o posto de treinador de goleiro da Juventus, entre 1983 e 1986. Nos dois anos seguintes foi técnico da Seleção Olímpica, que chegou às semifinais dos Jogos de Seul, eliminada pela posterior campeã União Soviética. Depois da boa campanha olímpica, então, assumiu o comando da Juventus, onde conquistou a Copa da Uefa e a Copa da Itália de 1990. 

Depois, passou para a Lazio, onde alternou momentos de treinador e presidente. Comandou também a seleção italiana, no vice-campeonato da Eurocopa de 2000. Após uma outra passagem apagada pela Lazio, em 2001, treinou apenas mais um time: a Fiorentina, em 2005. Agora, descansa em casa e vê seu nome sondado por alguns times, vez ou outra.

Dino Zoff
Nascimento: 28 de fevereiro de 1942, em Mariano Del Fruili, Itália
Posição: goleiro
Clubes: Udinese (1961-63), Mantova (1963-67), Napoli (1967-72) e Juventus (1972-83)
Seleção italiana: 112 jogos
Títulos como jogador: 6 Campeonatos Italianos (1973, 1975, 1977, 1978, 1981 e 1982), 2 Copas da Itália (1979 e 1983) 1 Copa da Uefa (1977), 1 Eurocopa (1968) e 1 Copa do Mundo (1982)
Títulos como treinador: 1 Copa da Itália (1990) e 1 Copa da Uefa (1990), ambos pela Juventus

quinta-feira, 25 de março de 2010

900 minutos em 9: 30ª rodada

Com Milito poupado, Eto'o decidiu. Com direito a golaço de bicicleta e comemoração... estranha (Reuters)

A maratona desta semana da Serie A teve o segundo de seus três episódios na quarta-feira, com uma de suas rodadas completas - a bem da verdade, só Napoli x Juventus ficou para quinta-feira. Para quem está em boa fase, como Roma, Lazio e Atalanta, a sequência não poderia ser melhor até aqui: os três foram os únicos a vencer suas duas últimas partidas. Livorno, Cagliari, Bologna e Juventus lamentam as derrotas com poucos dias de diferença. Mas quem mais se prejudicou nos últimos dias foi o Milan, que tropeçou nas próprias pernas, só conseguiu um dos seis pontos e já é dado como carta fora do baralho na luta pelo scudetto. Bom para a Roma. E melhor ainda para a líder.

A Inter (1º lugar, 63 pontos) havia tropeçado no Palermo no último sábado, mas não teve grandes problemas para bater em casa um Livorno (20º, 24) que ainda não venceu no returno e se manteve na lanterna isolada. Quem decidiu foi o camaronês Eto'o, que não vinha tão bem na temporada, mas mudou sua sorte com o gol sobre o Chelsea, em Londres e quebrou um jejum de 258 minutos sem gol nerazzurro no Giuseppe Meazza. Ontem, marcou duas vezes no primeiro tempo: primeiro após receber passe de Thiago Motta e concluir com bom chute de direita, depois numa ótima bicicleta em cruzamento de Pandev. Depois do intervalo, mais Motta: Maicon puxou o ataque pela direita e tocou para o camisa 8, que devolveu para o lateral na cara do gol. 3 a 0 num jogo tranquilo que serviu para Mourinho dar uma revitalizada em seu elenco. Chivu voltou aos campos depois de quase três meses e foi bem. Outro que recuperou o bom futebol foi Zanetti, que há quatro anos não perde uma só partida da Serie A e voltou para o meio-campo com o retorno de Chivu. Boa notícia para uma Inter que se desgastou pouco em um jogo lento e já foi para os vestiários pensando no jogo do próximo sábado, contra a Roma (3º, 59).



Os giallorossi viajaram ao Renato Dall'Ara e sofreram bem mais para bater o Bologna (15º, 35) por 2 a 0 e alcançar a marca de 20 jogos de invencibilidade no campeonato. Com o time cada vez mais completo, desta vez a Roma só não teve Juan e Totti, que já devem retornar ao onze titular no sábado. O jogo foi bem aberto no primeiro tempo, mas ninguém conseguiu marcar. Viviano e Julio Sergio impediram boas chances, enquanto a má pontaria definiu o resto. Na volta do intervalo, De Rossi precisou de três minutos para bater de longe e Riise desviar para o gol na entrada da grande área. A partir daí, Claudio Ranieri poupou Vucinic e Ménez, pendurados, e colocou Júlio Baptista e Cerci em seus lugares. Pois o camisa 24 fez uma boa jogada para o brasileiro matar o jogo e dar um tempero especial para o embate de sábado. Porque o time da capital continua atrás do Milan na tabela, mas vive grande fase e já sonha em fazer Francesco Totti o único romanista da história a vencer duas vezes a Serie A.

O Milan (2º, 59) se afastou bastante do sonho do scudetto ao cair no Ennio Tardini para o Parma (10º, 41). Nos primeiros 45 minutos, os comandados de Leonardo nada criaram e foram facilmente dominados pelo time da casa, que inclusive viu Crespo acertar uma bola no travessão logo no início da partida. Depois do intervalo, bem que os rossoneri melhoraram um pouco. Mas ainda assim levaram o único gol da partida, com Bojinov indo às redes já perto dos acréscimos. Valiani recebeu nas costas de Antonini, avançou livre e bateu: Abbiati deu rebote e o búlgaro definiu a partida. Pouco depois, o Milan ainda perdeu Pirlo expulso, desfalque importante para o jogo contra a Lazio. Papelão de um time que se colocou na briga pelo scudetto e arrisca não aguentar sequer mais algumas rodadas na perseguição à Inter.

A disputa pela última das vagas da Liga dos Campeões segue ainda mais quente: só cinco pontos separam o Palermo (4º, 48) do Genoa (8º, 43). Os dois se enfrentaram na partida mais polêmica de quarta-feira e ficaram no empate: 2 a 2. Com Miccoli poupado, foi Abel Hernández quem abriu o placar para os visitantes, se aproveitando de um sonolento Tomovic. Bocchetti empatou de cabeça, Pastore fez um golaço para recolocar os rosonero à frente. A partida parecia fechada aos 45 do segundo tempo, mas só aí a emoção começou: Kjaer foi expulso, Sirigu fez milagre em bola de Milanetto, Balzaretti deixou o campo machucado e, aos sete minutos de acréscimo, Sirigu derrubou Criscito na grande área. Pênalti que Kharja converteria para fechar o placar e deixar um gosto amargo na boca do Palermo, que viu seu presidente Maurizio Zamparini decretar silêncio à imprensa.

O empate fez bem a todos que ainda sonham com a quarta vaga na Liga dos Campeões. Principalmente para quem acabou tropeçando, como a Sampdoria (5º, 47). Com Cassano de volta à sua Bari, os blucerchiati começaram a partida contra os donos da casa (9º, 42) no ataque. E foi o talento da casa que marcou contra o time que o revelou: Samp 1 a 0 e um Cassano que nem fez menção em comemorar. A partir daí, o Bari passou a jogar bem melhor e quase empatou com Barreto, que encobriu Storari mas viu a bola parar num desvio decisivo de Gastaldello. No segundo tempo, jogando mais pelas laterais, os jogadores de Gian Piero Ventura viraram o placar. Primeiro com Meggiorini aproveitando falha da defesa doriana em cruzamento de Belmonte e depois com Barreto de cabeça. Pouco antes, Accardi tinha salvado um gol certo do brasileiro, que havia encoberto Storari.

Quem mais comemorou os dois últimos resultados foi o Napoli (6º, 45), que hoje bateu a Juventus (7º, 45) em casa após mais de um mês sem vitória. Os dois times ficam a três pontos da zona-LC, mas os comandados de Alberto Zaccheroni se mantêm numa crise que não parece ter fim. Num primeiro tempo sonolento, só o gol de Chiellini salvava os bianconeri em outra partida terrível. Depois do intervalo, tudo mudou e a Juve chegou à 11ª derrota na Serie A, sua pior marca desde 1961-62: Zébina derrubou Quagliarella na área, um pênalti bobo que Hamsík acertou no travessão. Mas o eslovaco empataria o jogo pouco depois, cabeceando cruzamento do mesmo Quagliarella. Papéis invertidos para o segundo gol, no qual foi o homem do queijo a marcar em levantamento de Hamsík. No final, o golpe final partenopeu, agora com um Lavezzi que sairia ovacionado, nos acréscimos, por um San Paolo que ainda sonha.

Sonho bem mais palpável do que é para a Fiorentina (11º, 41), que viu sua boa série positiva se encerrar com uma derrota para o Catania (14º, 35), cada vez mais longe da zona de rebaixamento. Ainda que o 1 a 0 para os etnei não mostre bem o que foi todo o jogo. Mascara abriu o placar em cruzamento de Izco com menos de um minuto de partida, antes mesmo da maioria dos jogos da noite começarem. Da metade do primeiro tempo até o fim, só os viola atacaram, em mais um boa apresentação de Jovetic. Mas Andújar esteve ainda melhor e nem as boas chances de Kroldrup, Santana e Montolivo entraram. Nos acréscimos, o goleiro argentino ainda venceria o atacante montenegrino outra vez. Outro time que comemora uma salvezza praticamente certa é o Chievo (13º, 37), que segurou fácil a Udinese (17º, 32) num empate sem gols no Friuli e por pouco não saiu com a vitória após duas boas oportunidades de Pinzi. Nem parecia que Di Natale havia recebido no início da partida uma homenagem a seus 76 gols que o fizeram o maior artilheiro da história do clube. O Chievo só lamenta a partida do zagueiro Yepes, que fez outra grande exibição e assinou hoje com o Milan um contrato que se inicia em julho.

Quem também vai se distanciando do pesadelo chamado Serie B é a Lazio (16º, 32), que venceu a segunda seguida e abriu quatro pontos de vantagem sobre a zona da degola. O time de Edy Reja interrompeu a boa fase do Siena (19º, 25), que só não levou uma goleada graças a mais uma boa partida de seu goleiro, Curci. Um redivivo Lichtsteiner abriu o placar matando de esquerda um cruzamento de Mauri e Cruz fechou o 2 a 0 na primeira vez em que pegou na bola, com 15 segundos em campo após ter substituído Zárate. Para fechar a rodada, a Atalanta (18º, 28) continua suspirando, com os seis pontos em quatro dias. La Dea não teve muitas dificuldades para bater um Cagliari (12º, 39) que perdeu Dessena expulso aos 15 minutos de partida. Boas as apresentações de Valdés e Padoin no meio-campo e de Tiribocchi no ataque. A má notícia fica por conta de Bellini, que se lesionou e pode ficar até três rodadas fora de combate.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 30ª rodada, clique aqui.

Seleção da 30ª rodada
Andújar (Catania); Lichtsteiner (Lazio), Bonucci (Bari), Burdisso (Roma), Balzaretti (Palermo); Valdés (Atalanta), Galloppa (Parma), Thiago Motta (Inter); Pastore (Palermo); Quagliarella (Napoli), Eto'o (Inter)

terça-feira, 23 de março de 2010

Vergonha ainda deixa marcas

Primeiro grande escândalo na Itália completa hoje 30 anos: jogadores fraudaram resultados em partidas das séries A e B e foram presos em imagens ao vivo para todo o país.

Originalmente para o Correio Braziliense.

Carrasco do Brasil em 1982, Paolo Rossi foi suspenso por dois anos no primeiro calcioscomesse (Abril)

Itália, início da década de 1980. Era comum a alguns atletas apostar dinheiro no resultado de partidas nas quais eles mesmo participavam. Um tipo de aposta absurda para os princípios esportivos: para favorecer o resultado apostado, não havia qualquer garantia de que o jogador desse o melhor de si nos jogos de sua equipe.

Uma polêmica instigante, claro. Mas que jamais havia alcançado dimensões relevantes até 1º de março daquele ano. O hortifrutigranjeiro romano Massimo Cruciani costumava fazer suas apostas na loteria esportiva e fornecia alimentos a um restaurante de Roma conduzido por Alvaro Trinca, que tinha contato com alguns jogadores da Lazio. Estes atletas convenceram a dupla a apostar em algumas partidas da Serie A que já teriam seus resultados previamente combinados.

Mas nem todas as previsões foram confirmadas e Cruciani, assim, perdeu centenas de milhões das velhas liras – ou centenas de milhares de euros, em moeda de hoje. Sem o dinheiro, o comerciante apresentou naquele dia de março uma queixa à Procuradoria da República afirmando ter sido enganado. Mudava ali o futebol italiano.

Sete clubes foram envolvidos nas investigações e no dia 23 daquele mês, os oficiais agiram. Depois da 24ª rodada da primeira divisão, às 17h, carros da Polícia e da Guarda da Finança (uma polícia especial italiana subordinada ao ministro de Economia e Finanças) entraram com algemas em vestiários para cumprir ordem de prisão. Entre os levados para a capital, alguns nomes ilustres.

No total, foram 13 jogadores detidos: Pellegrini (Avellino), Girardi (Genoa), Cacciatori, Giordano, Manfredonia, Wilson (Lazio), Merlo (Lecce), Albertosi, Morini (Milan), Magherini (Palermo), Casarsa, Della Martira e Zecchini (Perugia). Além destes, foram intimados Paolo Rossi (Perugia), Dossena, Savoldi (Bologna) e Damiani (Napoli). As imagens foram ao ar, ao vivo, durante o 90º Minuto, programa de grande audiência da RAI, a TV estatal italiana.

Faltavam apenas três meses para a disputa da Eurocopa, que teve a própria Itália como sede. Artemio Franchi, então presidente das federações italiana (FICG) e europeia (Uefa), pediu demissão do cargo nacional. A credibilidade do país estava bastante afetada e a opinião pública estava atônita ao ver a Squadra Azzurra desfalcada de Giordano e Rossi, fundamentais para o setor ofensivo, mas em cárcere temporário.

Uma Itália incrédula perguntava se tudo aquilo era verdadeiro. Montesi, um meio-campista da Lazio que nunca se afirmaria por conta de problemas no joelho direito, confirmou ao diário La Repubblica: "verdadeiríssimo". Não havia mais para onde fugir e mesmo Trinca e Cruciani acabaram presos. Contatado por telefone pela reportagem, em um primeiro momento Trinca confirmou estar envolvido, mas depois afirmou não saber do que tratava o assunto e recusou-se a falar.

Todos foram logo liberados da prisão, mas só em 23 de dezembro é que o inquérito foi concluído, com uma absolvição geral por falta de sustentação de fatos. Até aqueles anos, a fraude esportiva realmente não era um crime e a justiça não reconheceu o golpe contra Trinca e Cruciani, os apostadores clandestinos. Apenas o último, aliás, acabou condenado a pagar uma pequena pena pecuniária.

Grandes foram rebaixados
As investigações foram longas e as primeiras sentenças em âmbito esportivo partiram da FIGC, no fim de abril. Milan e Lazio foram rebaixados para a Serie B da temporada 1980-81 e Avellino, Bologna, Perugia, Palermo e Taranto começaram os campeonatos do ano seguinte com cinco pontos a menos. Em junho, mesmo após as apelações, todos os envolvidos acabaram punidos. Felice Colombo, presidente do Milan, foi suspenso até o fim da vida. Entre os jogadores, as penas variaram entre seis anos (Pellegrini, do Avellino) a três meses (Colomba, do Bologna, e Damiani, do Napoli).

Em um só golpe, o futebol italiano perdera sua credibilidade e entusiasmo. Na temporada seguinte, o Milan venceria a Serie B com relativa facilidade, mas acabaria rebaixado de novo em 1982, desta vez por "méritos" estritamente esportivos. Voltaria à Serie A em 1983, junto da Lazio. O Perugia, que começou com cinco pontos a menos na primeira divisão em 1980-81, acabaria rebaixado. Paolo Rossi, suspenso por dois anos, voltou aos campos a tempo de disputar apenas três partidas da Serie A 1981-82, agora com a Juventus, mas acabou convocado por Enzo Bearzot para o Mundial. Marcou seis gols no título italiano, metade deles contra o Brasil, na tragédia de Sarriá.

Somente com a conquista da Copa do Mundo de 1982 é que o país recuperou a estima pelo esporte. Com a vitória, a FICG também anulou a suspensão de todos os envolvidos no escândalo, salvando assim carreiras como as de Albertosi, Giordano, Wilson e Savoldi. A Itália ainda sofreria com outros dois duros casos de manipulação de resultados, primeiro em 1986 e depois em 2006.

As algemas não voltariam aos campos, mas para muitos italianos aquela traição fez-se encerrar ali uma paixão. A primeira vez que o programa dominical do país nos últimos 80 anos se aproximava de uma farsa.

Novas suspeitas
O empate em 1 a 1 entre Chievo e Catania, neste domingo, está sob suspeita de armação. É o que insinuou o diário inglês The Sun. Saiba mais clicando aqui.

Fique de olho: Kwadwo Asamoah

Com grande poder de marcação e qualidade na saída de bola, Asamoah conquistou
seu espaço
na Udinese no fim da temporada passada (New Press/Getty Images)

Originalmente para o Olheiros.

Em janeiro último, o jovem Kwadwo Asamoah apareceu em nível internacional, após integrar a seleção dos melhores jogadores da Copa Africana de Nações, disputada em Angola. O vice-campeonato coroou a grande apresentação do ganense de apenas 21 anos. Asamoah ganhou também o troféu de jogador fair play da competição, depois de uma boa atuação na derrota contra o Egito, na final.

Os prêmios, contudo, não espantam. Pelo menos não aos que acompanham mais de perto o futebol italiano. O meio-campista apareceu muito bem para o público da bota no ano passado, quando fez uma grande segunda parte de temporada pela Udinese. Asamoah impressionou e já é alvo de grandes clubes, como a Juventus, desde o último mercado de verão.

Kwadwo começou a levar o futebol mais a sério em 2005, quando passou a integrar o setor jovem do Kaaseman FC, clube que disputa a primeira divisão nacional, em Gana. Não demorou muito para que passasse para um clube de maior porte. O Liberty Professionals é um time novo, fundando em 1997, mas que alcançou altos patamares rapidamente. Jogadores como Essien, Gyan Asamoah, Sulley Muntari, entre outros, passaram por lá antes de fazer sucesso na Europa. Em 2008, fez parte do grupo que disputou, em casa, a Copa Africana de Nações. Não entrou em campo, mas ganhou experiência e adicionou a seu currículo uma medalha de bronze da mais importante competição africana. Na seleção, herdou a camisa 10, que é tradicionalmente usada pelos grandes jogadores do Black Stars. Já bordaram o número nas costas jogadores como Abdul Razak, Abedi Pelé e, mais recentemente, Stephen Appiah.

Ainda em 2008, o garoto Kwadwo chamou a atenção do Bellinzona, clube suíço que adquiriu o passe do jogador e logo o repassou para o Torino, por empréstimo. Na Itália, chegou sob olhares desconfiados de torcedores que nunca o tinham visto jogar e não sabiam ao certo se ele era um trequartista ou um mediano ofensivo. Asamoah não chegou a jogar no Torino e, depois foi repassado a Udinese. em Apesar de poder fazer parte do time Primavera, o jovem de 20 anos recém completados chegava para compor o elenco principal e não o time da base, como alguns apostavam. Demorou pouco mais de cinco meses para que Kwadwo Asamoah deixasse de ser uma incógnita e mostrasse o que era capaz.

Em janeiro de 2009, finalmente, ganhou uma oportunidade de verdade, com Pasquale Marino, e não decepcionou. A má fase de Gokhan Inler fez com que o treinador apostasse no jovem ganense. Grande cartada. A estreia de Asamoah na Serie A aconteceu dia 11 de janeiro, nos últimos 20 minutos do empate contra a Sampdoria. No domingo seguinte, iniciou a partida entre os 11 titulares e não abandonou mais o posto, chegando a marcar seu primeiro gol vestindo alvinegro, na vitória contra a Fiorentina. No fim das contas, compôs o meio campo bianconero com muita eficiência e tornando-se uma das grandes revelações daquele campeonato.

Atuando como box-to-box, com grande poder de marcação, habilidade para sair jogando, velocidade e boa visão de jogo, Asamoah ajudou a dinamizar o estilo de jogo da Udinese, ao lado dos chilenos Isla e Sanchez. Agradou tanto, que, ao final da temporada, o clube friulano fez valer seu direito de compra e adquiriu o passe do ganense, junto ao Bellinzona, pela bagatela de 800 mil euros. Nesse pequeno espaço de tempo, Kwadwo mostrou o grande jogador que poderia se tornar e valorizou sua marca consideravelmente. Hoje, já vale cerca de 15 milhões de euros. A ascenção meteórica lhe rendeu comparações com compatriotas de peso, como Michael Essien e Stephen Appiah, com a vantagem de ser mais habilidoso que os dois.

Continuidade
Nesta temporada, manteve a titularidade e exerce função importante no meio de campo friulano. Na penúltima rodada do Campeonato Italiano, inclusive, Asamoah marcou seu primeiro gol da temporada, ajudando a Udinese a vencer o Palermo por 3 a 2, em um forte chute de fora da área. A demora para computar seu primeiro tento evidencia um ponto fraco: não é goleador. Cabem nos dedos das mãos os gols de sua carreira: três pela Udinese, dois pela seleção sub-17, quatro pela seleção sub-20 e um pela seleção principal. Seus fortes chutes de esquerda, no entanto, freqüentemente se tornam rebotes para gols, tornando-se uma boa arma.

Por isso o jogador chama atenção. Principalmente no futebol italiano, onde meio campistas velozes e habilidosos como ele estão em falta. Juventus e Inter, além de times médios da Inglaterra não tiram o olho do jogador, que, com certeza, fará uma boa apresentação pela seleção de Gana, na Copa do Mundo. Sua vaga está garantida.

Kojo Kwadwo Asamoah
Nascimento: 09 de dezembro de 1988, em Accra (Gana)
Local de nascimento: Accra (Gana)
Clubes: Liberty Professionals, Bellinzona, Torino e Udinese
Seleções: Sub-17, Sub-20 e Principal

segunda-feira, 22 de março de 2010

Se for pro gol, me chama que eu vou

Pazzini, um dos melhores da surpreendente Samp, corre por fora por uma vaga na Copa (Reuters)

A 80 dias para a Copa do Mundo, a Serie A ainda tem nove rodadas até seu fim. Pouco tempo para alguém tirar de Antonio Di Natale o posto de maior goleador italiano da competição: o atacante da Udinese tem atuado mais centralizado nesta temporada, no 4-3-3 proposto por Pasquale Marino. Mesmo que a campanha friulana seja sofrível até aqui, imagine só sem os 21 gols que Di Natale já anotou até aqui na temporada. Só contra a Roma, na derrota por 4 a 2 neste fim de semana, foram mais dois. O argentino Diego Milito, que também marcou na última rodada, vem logo atrás, com 17. O próximo italiano da lista é Alberto Gilardino, que brigou para cobrar um pênalti nos 3 a 0 da Fiorentina sobre o Genoa e chegou aos 14 tentos no certame.

Pois Di Natale e Gilardino vão à Copa. O último ainda luta por um posto de titular, apesar de não ter rendido bem desde que Marcello Lippi retomou o comando da Nazionale - com Roberto Donadoni como técnico, Di Natale era indispensável para a seleção. Já Gilardino tem crescido nos últimos jogos e tende a ser titular no provável 4-3-1-2 a ser escolhido por Lippi. Mas há quem corra por fora na convocação. Um deles é o quarto na lista de artilheiros da Serie A 2009-10, Giampaolo Pazzini. Com Cassano a seu lado durante boa parte do campeonato, o camisa 10 faz sua melhor temporada da carreira e chegou a 13 gols na competição.

Outro que sonha com a vaga de centroavante na próxima Copa do Mundo, e talvez tenha ainda mais chances que Pazzini, é o agora romanista Luca Toni. Querido por Lippi, o camisa 30 tem bons números desde que voltou ao futebol italiano, em janeiro: já tem quatro gols na Serie A, um a cada 3,5 finalizações. Toni tem atuado muito bem na Roma como um verdadeiro aríete, derrubando defesas bem postadas. O gol que abriu o placar contra a Udinese foi uma boa prova de seu trabalho, achado por um atacante em ótima fase. O artilheiro, encostado no Bayern de Munique, voltou à Itália porque sonhava com a Copa. Mesmo parado por mais de um mês desde que chegou à capital, mostrou que o sonho é possível. Se mantiver o ritmo, é complicado que Lippi não recorra a um de seus velhos conhecidos que tanto valoriza.

Até hoje, foram 16 campeonatos da Serie A disputados antes das participações italianas na Copa do Mundo. Em 11 destes, o artilheiro foi italiano (ou jogaria pela Squadra Azzurra, como o brasileiro José Altafini). Em 1961-62, quando Altafini saiu capocannoniere, dividiu a honra com Milani, da Fiorentina. Desses 12 artilheiros, oito foram à Copa do Mundo. Se considerarmos o melhor italiano em cada tabela de goleadores, foram 11 convocações entre os 17. E ainda há Christian Vieri, que disputou a Copa de 1998 após ser artilheiro da Liga Espanhola na única temporada em que atuou pelo Atlético de Madrid. A mensagem não pode ser mais clara: para sonhar, é preciso marcar.

Toni briga com a defesa da Udinese: pode não ser lá muito jeitoso, mas faz seus gols (Getty Images)

Artilheiros italianos da Serie A que foram à Copa seguinte:
1933-34: Felice Borel (Juventus), 31 gols
1937-38: Giuseppe Meazza (Ambrosiana-Inter), 20 gols
1961-62: José Altafini (Milan), 22 gols
1969-70: Luigi Riva (Cagliari), 21 gols
1973-74: Giorgio Chinaglia (Lazio), 24 gols
1977-78: Paolo Rossi (Lanerossi Vicenza), 24 gols
1993-94: Giuseppe Signori (Lazio): 23 gols
2005-06: Luca Toni (Fiorentina): 31 gols

Artilheiros italianos da Serie A que não foram à Copa seguinte:
1961-62: Aurelio Milani (Fiorentina), 22 gols
1981-82: Roberto Pruzzo (Roma), 15 gols
1985-86: Roberto Pruzzo (Roma), 19 gols
2001-02: Dario Hübner (Piacenza), 24 gols

Maiores goleadores italianos em torneios pré-Copa com artilheiros estrangeiros:
1949-50: Alberto Galassi (Fiorentina), 24 gols - não-convocado
1953-54: Adriano Bassetto (Atalanta), 17 gols - não-convocado
1965-66: Sandro Mazzola (Inter), 19 gols - convocado
1989-90: Roberto Baggio (Fiorentina), 17 gols - convocado
1997-98: Roberto Baggio (Bologna), 22 gols - convocado

*O título da postagem foi eternizado por Dirceu Maravilha, atual narrador da Rádio Record-SP. Dirceu narrou pela Bandeirantes por duas décadas e ganhou fama por seus bordões. "Se for pro gol, me chama que eu vou!" foi só o mais marcante de tantos. O torcedor mais atento vai se lembrar dele também nas transmissões da Liga dos Campeões pela Rede Mulher.

900 minutos em 9: 29ª rodada

Tudo bem com a Sampdoria no campeonato, mas o mesmo não se pode dizer da Juventus (Getty Images)

A 29ª rodada da Serie A pode ser considerada atípica: a Roma foi a única equipe do pelotão de cima a não romar. A Inter (líder, 60 pontos) visitou o Palermo (4º, 47) e conseguiu um pontinho suado. A equipe nerazzurra jogou melhor no primeiro tempo, pressionou muito, mas esbarrou em dia pouco inspirado de Sneijder - que não enfrentará o Livorno, na quarta. Milito acertou a trave logo nos primeiros minutos e, pouco depois, abriu o placar logo no primeiro tempo, em pênalti de Bovo sobre Lúcio. Cavani achou espaços entre os zagueiros da Inter, se desmarcou para receber passe de Miccoli e empatar para o Palermo, com chute rasteiro. Os rosanero levavam perigo em contra-ataques, com o ótimo tridente formado por Pastore, Miccoli e Cavani, mas a defesa da Inter conseguia cortar, embora com muita dificuldade. Na segunda etapa, a equipe de La Favorita contra-atacou ainda mais e levou mais perigo, embora o atacante uruguaio tenha perdido gols demais. O resultado sela a pior sequência da Inter desde a temporada 2004-05: apenas 8 pontos em 7 jogos (1 vitória, 5 empates e 1 derrota), mas deixou a impressão de que o time voltou a se focar na Serie A. Mourinho já avisou: o Milan não terá mais chances para aproveitar.

Se a Inter não chegou a tropeçar, já que jogou fora de seus domínios contra um adversários complicado, o Milan (2º, 59) perdeu a chance de ultrapassar a rival e assumir a liderança da Serie A. O Napoli (8º, 42) começou melhor, comandado pela rapidez de Lavezzi, que deixou a envelhecida defesa milanista para trás diversas vezes. Em uma delas, El Pocho levou a bola para a linha de fundo e cruzou para a área, onde Campagnaro estava para se aproveitar de uma trapalhada de Abbiati, Oddo e Thiago Silva para empurrar a bola para o gol vazio. No meio-campo, Pazienza fazia o trabalho sujo e ainda auxiliava no ataque, mas os partenopei não conseguiram segurar a vitória momentânea. O Milan empatou com Inzaghi, que cabeceou desmarcado na grande área e completou cruzamento de Ronaldinho. No segundo tempo, o Milan cresceu e se aproveitava eventualmente das exibições nervosas dos zagueiros azzurri e da desatenção de alguns de seus meias, mas não chegava a assustar De Sanctis. Mancini, que havia entrado ainda no primeiro tempo no lugar de Pato (que se lesionou novamente) até jogou com regularidade e quase fez o irônico gol que levaria os rossoneri a ultrapassarem a Inter. A Roma (3ª, 56) tem mostrado que pode brigar sério pelo scudetto. A vitória contra a Udinese (16ª, 31), aproveitando os empates de Inter e Milan aproximou de vez os giallorossi da disputa pelo título, principalmente se considerarmos que sua tabela é ligeiramente mais simples que a dos seus rivais e ainda joga contra a Inter em casa. Na vitória por 4 a 2 do sábado, os méritos vão para Ménez (em sua melhor partida pela equipe capitolina, de longe) e a Vucinic, que estava com um pé calibradíssimo: todos os seus chutes levaram perigo a Handanovic, que não conseguiu evitar sua tripletta, marcada por seus chutes precisos. O outro gol da vitória romanista foi de Toni, que abriu o placar. A Udinese diminuiu com Di Natale, que chegou a 21 gols na Serie A, mas volta a correr riscos, seis pontos acima da zona de rebaixamento.

A Sampdoria (5ª, 47) voltou a vencer a Juventus (6ª, 45) após quinze anos: desde 1995, quando Roberto Mancini ainda jogava no Marassi. Desta vez, dominou amplamente a Juventus, confirmando que briga com força com o Palermo pela última vaga na LC. Com a lesão de Pozzi, Cassano voltou de vez ao time titular e mostrou sua importância. Atuando mais próximo ao gol, como um atacante puro, Cassano comandou quase todas as ações dos blucerchiati e chegou perto de marcar até mesmo de cabeça. Mas o gol da vitória surgiu quando ele estava a 25 metros de distância do gol defendido pelo quarentão Chimenti. Cassano percebeu o terceiro goleiro da Juventus adiantado, e chutou, vendo-o espalmar a bola para dentro das próprias redes. Por incrível que pareça, Chimenti foi o melhor bianconero na partida, com defesas importantes, e a responsabilidade direta pelo resultado acabou fazendo-o socar uma mesa de raiva, o que lhe custou uma lesão no quinto metacarpo. No meio-campo, Del Piero e Diego sucumbiram a um Poli em evidência, enquanto Iaquinta - e depois Trezeguet - sequer ofereceram perigo à defesa doriana. Felipe Melo foi relagado ao banco. Torcedores exibiam faixas para Zebina, dedicando-lhe a frase "Zebi... no". Este é o retrato desta Juventus, que antecipou a concentração para o jogo de quarta contra o Napoli após a semana em que foi eliminada da Liga Europa e que "avisou" que o clube pode ficar fora de todas as competições continentais da próxima temporada. Chiellini e Buffon foram reintegrados ao grupo após lesão e terão trabalho em dobro para tranquilizar o time em campo.

No Artemio Franchi, a Fiorentina (9ª, 41) contou com um super Jovetic para passar sem dificuldades pelo Genoa (7º, 42). A eliminação de cabeça erguida nas oitavas da Liga dos Campeões foi bem assimilada e elevou o moral viola, que, mesmo atrás na classificação, pode ser apontada como favorita a uma das vagas na Liga Europa. Contra a defesa mais vazada do campeonato, o gol saiu cedo, graças a ótima triangulação entre Pasqual, Gilardino e Gobbi, concluída com um toque de letra de Santana. Jovetic participava de quase todas as jogadas de perigo da Fiorentina, e ainda testava Amelia com chutes de fora da área. O montenegrino sofreu pênalti de Criscito no primeiro tempo, mas não deu. Na segunda etapa, porém, o fantasista foi derrubado por Amelia e, aí sim, a penalidade foi concedida. Gilardino cobrou e marcou seu 14º gol da Serie A, embora JoJo seja o cobrador oficial do time. Depois, a Fiorentina fechou o placar com um gol do senegalês Babacar, que barrou Keirrison e se aproveitou de falha de Bocchetti para marcar seu primeiro gol no campeonato, aos 17 anos.

O empate por 1 a 1 entre Bari (11º, 39) e Parma (12º, 38) mostrou que ambos os times ficarão no meio da tabela. Cada time jogou melhor um tempo: no primeiro, o Parma levou mais perigo, sobretudo com Jiménez, que obrigou Gillet a fazer duas ótimas defesas. Mas o gol saiu mesmo após uma arrancada de Zenoni, que cruzou para a área e contou com o desvio de Belmonte contra suas próprias redes. Pelo lado pugliese, Meggiorini sempre levava perigo e chegou a acertar a trave duas vezes (uma em cada tempo). Os donos da casa já haviam dominado a partida, mas esbarravam no azar e na defesa fechada do Parma. Até que Andrea Masiello partiu com a bola dominada, driblou dois defensores do Parma, tabelou com Kamata e marcou o gol capolavoro de empate, a cinco minutos do fim. Chievo (13º, 36) e Catania (15º, 32) também empataram em 1 a 1. Pellissier precisou de cinco chances claríssimas, com direito a gols perdidos cara a cara com os goleiros (primeiro, Andújar, e depois Kosicky) e bola na trave, antes de abrir o placar. Depois disso, o Catania passou a atacar e conseguiu o empate com Máxi López, após cobrar pênalti (inexistente) sofrido por ele mesmo. Se o jogo foi morno e o empate agradou a todos, o resultado foi colocado em suspeita pelo The Sun. O tablóide inglês suspeita de manipulação de resultados, porque uma empresa do país suspendeu as apostas neste resultado, por causa de um número suspeito de apostadores. Os dirigentes de ambos os times negam.

A Lazio (17ª, 29), por sua vez, conseguiu um ótimo resultado enquanto visitante. A vitória por 2 a 0 veio na bobeada do Cagliari (10º, 39), que teve os desfalques de Cossu e Astori e decidiu reembolsar sua torcida após o tropeço. Os sardos pareciam desligados no jogo e logo sofreram o primeiro gol. Mauri - melhor laziale em campo - tocou para Rocchi, que se livrou de Marzoratti e abriu o placar. Lazzari, que substituía Cossu, obrigou Muslera a fazer uma grande defesa após chute forte de longa distância, mas a Lazio foi superior e matou o jogo ainda no primeiro tempo, quando Floccari não encontrou dificuldades para passar entre Dessena e Agostini e bater na saída de Marchetti. Resultado que dá uma injeção de ânimo para a Lazio na reta final do campeonato e que avisa ao Cagliari as limitações de seu elenco, que sonhava em chegar à uma competição europeia. Dos quatro últimos, só o Livorno (20º, 24) perdeu. E justamente no confronto direito contra a Atalanta (18ª, 25), que ultrapassou os amaranto na classificação. Os nerazzurri não deram a mínima chance a Lucarelli e companhia: desde o início, uma Atalanta repleta de desfalques colocou os visitantes contra as cordas. Chevantón obrigou Rubinho a fazer um milagre logo aos 13 minutos, mas Padoin pegou o rebote e abriu o placar. Valdés e Ferreira Pinto atacavam pelas pontas com agressividade, enquanto Padoin e Guarente atuavam com constância no centro do meio-campo. Como um verdadeiro regista, o próprio Guarente foi o autor dos passes que levaram aos gols da Atalanta na segunda etapa. Primeiro, deu um passe açucarado para o uruguaio Chevantón marcar o segundo; depois, cobrou falta perfeita para que Ferreira Pinto decidisse o resultado.

Enquanto o Livorno parece rendido e a Atalanta mostra sobrevida, o Siena (19º, 25) dá um exemplo de superação. Após ser dado praticamente como rebaixado, a chegada de Alberto Malesani balançou os brios da equipe, que contam com um quase sempre determinante Massimo Maccarone. Na vitória contra o Bologna (14º, 35), Maccarone esteve sumido, mas Curci garantiu a vitória senese. O goleiro começou pegando um chute à queima-roupa de Adaílton, que milagrosamente ainda tocou no travessão e voltou para as mãos do goleiro. No segundo tempo, depois que Larrondo - garoto argentino, aposta de Malesani para o jogo - havia ganhado no alto de Mudingayi para abrir o placar, com seu primeiro gol na Serie A, Curci cresceu para cima de Giménez e acabou defendendo seu chute. Resultado importante para a formação bianconera e nada assustador para o Bologna, que está tranquilo na luta pela salvezza e ganhou o reforço de Di Vaio, que retornou de lesão.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 29ª rodada, clique aqui.

Seleção da 29ª rodada
Curci (Siena); Kjaer (Palermo), Manfredini (Atalanta), Gastaldello (Sampdoria); Poli (Sampdoria), Montolivo (Fiorentina), Guarente (Atalanta); Ménez (Roma), Jovetic (Fiorentina), Cassano (Sampdoria); Vucinic (Roma).