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sexta-feira, 30 de abril de 2010

As dez piores contratações da temporada

Felipe Melo e Diego no último bom momento da dupla: a vitória sobre a Roma, na segunda rodada.
Juntos, custaram à Juve 50 milhões de euros e muita dor de cabeça (AP)


Depois de falarmos das melhores contratações da temporada na postagem anterior, é hora dos flops, aquelas decepções que o mercado sempre acaba garantindo. Na lista, desde gente que chegou para resolver, como Diego e Huntelaar, até negociações inesperadas que acabaram realmente virando água, como a do alemão Hitzlsperger. Entre os dez, estão três nomes que naufragaram na Juventus e outros três no Napoli. Ainda há menções "honrosas" para Fiorentina, Genoa, Lazio e Milan - e sempre lembrando que é difícil escolher apenas dez entre as tantas contratações que deram errado. Sempre elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome, as cifras são do site Transfermarkt.

Marco Amelia, do Palermo para o Genoa, em troca com Rubinho
De reserva de Buffon na última Copa do Mundo, em 2006, a reserva do veterano Scarpi nas últimas rodadas do campeonato - a vida de Amelia já foi mais fácil, sem dúvidas. O goleiro romano chegou ao Genoa numa troca que não foi boa para ninguém. Os lígures perderam o titular Rubinho, o Palermo perdeu Amelia e os dois trocados mergulharam numa má fase inacreditável, tanto que o brasileiro foi emprestado ao agora rebaixado Livorno, apenas seis meses depois. Mas as expectativas maiores estavam sobre o goleiro da seleção italiana, que no Genoa sempre pareceu meio lento e fora de jogo, não conseguindo impor tranquilidade a uma defesa terrível: em seus 27 jogos pela Serie A, Amelia sofreu 42 gols, e pelo jeito já se despediu do clube. Recusou proposta do Fenerbahçe e é especulado em Tottenham, Fiorentina e Roma.

Luca Cigarini, da Atalanta para o Napoli, por €9,5 milhões
Para Roberto Donadoni, era a possível solução para o meio-campo partenopeu. Mas Cigarini não chegou a convencer e perdeu o status de intocável com a chegada de Walter Mazzarri, na oitava rodada. De lá pra cá, foram apenas cinco jogos como titular e nenhuma boa partida como aquela no empate heróico em 2 a 2 com o Milan, no qual marcou um dos gols já nos acréscimos. Jogando adiantado demais para seus padrões de regista, aquele que era apontado como o futuro Pirlo (e dele herdou até a camisa 21) sempre pareceu meio desligado, fazendo jogadas esporádicas. Não à toa, termina a temporada no banco, como reserva de Hamsík no 3-4-2-1 que deu os melhores resultados da gestão Mazzarri ao Napoli.

Diego, do Werder Bremen para a Juventus, por €24,5 milhões
Pelo Werder Bremen, a temporada de estreia de Diego foi marcada por 13 gols e 14 assistências em 33 partidas como titular absoluto. Em seu começo na Itália, só mesmo os passes para gol ameaçam salvar a temporada do brasileiro: foram 11, quase todos em bola parada, e mais cinco gols, em 31 jogos até então. Pouco demais para aquele que destruiu a Roma logo em sua segunda partida com a camisa da Juventus e depois naufragou junto do time. Diego merece a lista porque viu o time ser montado a seu redor, sendo um sonho da diretoria que exigiu sua presença ao ponto de demitir Claudio Ranieri antes mesmo do fim do campeonato passado, opositor ferrenho da contratação, nos bastidores do clube. Com o brasileiro em campo, o 4-3-1-2 com ele no centro das atenções era a obrigação de Ciro Ferrara, que morreu abraçado a um esquema que nunca funcionou, já que o ex-santista nem sempre correspondeu. E eis que o começo estrondoso deu espaço para vaias da torcida na pior temporada da Juventus nos últimos 50 anos.

Andrea Dossena, do Liverpool para o Napoli, por €4,25 milhões
A chegada de Dossena em janeiro, encostado no Liverpool, deveria resolver o eterno problema da lateral-esquerda no Napoli. Mas seu retorno à pátria, pelo menos até aqui, tem passado desatento. Só contra sua antiga Udinese é que Dossena jogou os 90 minutos. Em todas as outras sete partidas, entrou no decorrer do jogo. E quando entrou, a torcida já sabia o que esperar: um jogador disparando pela esquerda para fazer inúmeros cruzamentos longe do alvo. De resto, tornou-se figurinha carimbada no departamento médico partenopeu. Em pouco mais de três meses de clube, já foram quatro paradas por lesão, incluindo duas torções no tornozelo e o atual estiramento na coxa direita.

Fabio Grosso, do Lyon para a Juventus, por €2 milhões
Esqueça o lateral-esquerdo da seleção italiana campeã do mundo de 2006, com direito a gol histórico na semifinal contra a Alemanha. Desde então, o futebol de Grosso desapareceu. Depois de uma passagem ruim pela Inter e dois anos sem convencer pelo Lyon, chegou com moral na Juventus. E não deu certo, outra vez. Individualista, lento e fora de sintonia com o resto da defesa, nem no ataque conseguiu ser eficiente como em tempos cada vez mais distantes. Em suas costas, os adversários fizeram a festa e a torcida não perdoou, principalmente depois da falha que resultou no empate com o Livorno, na 23ª rodada. A temporada termina com De Ceglie titular e algumas inacreditáveis lamentações pela liberação de Molinaro para o Stuttgart. Ainda assim, Grosso continua na seleção italiana e deve ser o titular de Marcello Lippi no próximo Mundial. Mistério.

Thomas Hitzlsperger, do Stuttgart para a Lazio, por €550 mil
"O Martelo", como é conhecido na Alemanha, foi protagonista da transferência mais inesperada do mês de janeiro. Ex-capitão do Stuttgart, vinha atuando pela Bundesliga até pedir a rescisão de seu contrato em circustâncias até agora inexplicáveis. Notável pelas bombas de canhota e passes muito bem realizados, a desculpa era ser titular para chegar com ritmo à Copa do Mundo. Pelos Roten, fez 11 dos 17 jogos do primeiro turno. Na Lazio, apenas três, nenhum deles por inteiro. E ainda conseguiu o feito de ser substituído apenas 32 minutos depois de entrar numa partida em casa, perdida por 2 a 0 para o Bari. Sem grandes problemas físicos, o ápice da humilhação de Hitzlsperger no cenário italiano foi a risada de Edy Reja quando um jornalista do Bild pronunciou seu nome corretamente: "então é assim que se diz?". O diário alemão ainda explicou bem o impacto de seu compatriota na Itália. O mesmo de um fantasma.

Klaas-Jan Huntelaar, do Real Madrid para o Milan, por €15 milhões
Daquele atacante inteligente, decisivo, de boa finalização e cabeceio forte, sobraram apenas lampejos. Autor de 104 gols em 135 jogos nos seus três anos de Ajax (além de média de um gol a cada duas partidas pela seleção holandesa), Huntelaar demorou um bom tempo para desencantar com a camisa do Milan e só marcou na 14ª rodada, contra o Catania, três meses depois de sua estreia. Na ocasião, ficou seis minutos em campo e deixou dois gols. De lá pra cá, continuou entrando no final das partidas e só foi titular cinco vezes pela Serie A, geralmente perdido no jogo planejado por Leonardo, principalmente quando escalado pela direita do trio de ataque. A três rodadas do fim do campeonato, tem sete gols. Pouco demais para o homem que iria resolver os problemas do ataque rossonero.

Felipe Melo, da Fiorentina para a Juventus, por €25 milhões
Armador que saiu pelas portas do fundo do Grêmio rumo ao Mallorca, em 2005, Felipe Melo é um desses casos inesperados do futebol. Passou a jogar mais recuado na Espanha e chegou à Fiorentina fazendo o papel de um verdadeiro volante no 4-2-3-1 de Cesare Prandelli. O suficiente para garantir sua contratação pela Juventus a peso de ouro, preço exagerado por um jogador que ainda buscava a confirmação na Europa, apesar de já ser titular na seleção brasileira. Nesta temporada, arrumou encrenca com a torcida mais de uma vez e já saiu do Olímpico de Turim chorando e xingando, com um temperamento instável. "Um jogador que tanto dá cacetada quanto sai jogando de três dedos, com a mesma naturalidade", nas palavras do amigo Mozart Maragno. Este é Felipe Melo, protagonista do terrível pesadelo da Juve.

Cesare Natali, do Torino para a Fiorentina, por €2,8 milhões
Bom nas bolas aéreas, forte para se bater com os atacantes na grande área... e param por aí as qualidades notáveis de Natali, 31 anos, um dos zagueiros mais insossos da Serie A na década. E que conseguiu, num dos piores negócios do diretor esportivo Pantaleo Corvino, se transferir para uma Fiorentina na disputa da Liga dos Campeões. Natali nunca fez mais que o feijão-com-arroz na zaga, e nem sempre muito bem feito. Com habilidade próxima de zero, suas falhas no Torino e na Udinese ficaram ainda mais escancaradas com a camisa viola: deixa os adversários mais velozes passaram com facilidade e tem uma categoria ímpar para errar passes na saída de bola. Na emergência defensiva que viveu a Fiorentina no ano, ter um zagueiro tão pouco confiável não contribuiu em nada: nas 14 partidas com ele em campo, o time só venceu quatro.

Juan Camilo Zúñiga, do Siena para o Napoli, por €8,5 milhões
O mais atento torcedor do São Paulo talvez se lembre de Zúñiga, promissor lateral-direito que estreou na seleção colombiana com apenas 19 anos. Na Libertadores de 2008, teve duas boas atuações contra o tricolor paulistano. Bastou uma temporada na Itália para mostrar seus dotes ofensivos. Forte fisicamente, habilidoso, driblador e de bons cruzamentos, chegou a negociar com Genoa e Lazio antes de acertar com o Napoli. Mas não fez bom negócio. O clube partenopeu já contava com Maggio na posição e o selecionável italiano não abriu espaço para que Zúñiga tivesse oportunidades reais. Assim, acabou jogando pela esquerda em várias partidas, pela falta de opções por aquele lado. Não foi nada bem e ainda espera para jogar em sua posição original. Nem que seja em outro lugar: já se fala de uma possível ida para a Udinese.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As dez melhores contratações da temporada

Pandev, Thiago Motta e Sneijder comemoram: a Inter foi ao mercado e reconstruiu sua espinha dorsal.
Entre as dez melhores compras, quatro vestem nerazzurro - e podia ser mais... (Getty Images)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Serie A investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas duas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quattro Tratti selecionou os melhores e piores negócios. Entre os dez destaques, quatro jogadores da Internazionale, líder da Serie A e finalista da Liga dos Campeões e da Coppa Italia. Se os nerazzurri dominavam na Itália, mas sentiam a falta de competitividade em âmbito continental, certamente a adição do quarteto foi essencial para que os últimos cinco jogos do time na temporada possam garantir três títulos. Na seleção, ainda há espaço para Bari, Catania, Napoli, Palermo, Parma e Roma. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Leonardo Bonucci, do Genoa para o Bari, por €2 milhões em co-propriedade
Alto, forte fisicamente, sério, com bom senso de marcação e antecipação, o zagueiro completará 23 anos neste sábado - com uma impressionante guinada na carreira. Na temporada passada, disputou metade da Serie B com o Treviso e a outra metade com o Pisa, emprestado pela Inter. E os dois times acabaram rebaixados à Lega Pro. Mas Bonucci se destacou assim mesmo e acabou no Genoa, como parte na negociação que envolveu Milito e Thiago Motta. A aventura lígure durou só dois dias, até a saída para o Bari. Sob o comando de Gian Piero Ventura, formou uma forte dupla com Ranocchia no primeiro turno do campeonato, até seu parceiro se lesionar. Até aqui, fez todas as partidas do Bari na Serie A, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: uma convocação para a seleção italiana às portas da Copa do Mundo e especulações que o ligam a transferências para Juventus, Inter, Manchester City e Bayern de Munique.

Nicolás Burdisso, da Inter para a Roma, em empréstimo gratuito
A emergência na defesa romanista chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Até que a boa relação entre as diretorias de Inter e Roma se transformasse num empréstimo de resultado inesperado. Se Burdisso nunca havia convencido nos seus cinco anos em Milão, de cara assumiu a responsabilidade na capital e foi um dos poucos comandados de Luciano Spalletti a se salvar na primeira rodada da Serie A, uma derrota para o Genoa, logo se tornando titular absoluto do time. Detalhe: estreou menos de 24 horas depois da assinatura de seu contrato. Dos 35 jogos até aqui pela Serie A, o argentino só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça "com o coração na ponta da chuteira", nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, a Roma só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Burdisso jogou sob o comando de Claudio Ranieri. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Morgan De Sanctis, do Sevilla para o Napoli, por €1,7 milhão
Entre os pontos fracos deste cada vez mais ambicioso Napoli, o gol sempre esteve em destaque nos últimos anos. Para a atual temporada, a solução saiu barata e livrou a torcida dos insossos Iezzo e Gianello: De Sanctis, 33 anos, terceiro goleiro da seleção italiana, finalmente de volta ao país após passagens complicadas na Espanha e na Turquia. Com experiência, reflexos apurados e boa saída do gol, deu uma tranquilidade defensiva que há muito tempo não era percebida em Nápoles, principalmente com a chegada de Walter Mazzarri e o retorno ao esquema com três zagueiros. Em sua melhor fase, entre novembro e janeiro, De Sanctis defendeu três pênaltis e levou só seis gols em onze partidas.

Samuel Eto'o, do Barcelona para a Inter, envolvido na venda de Ibrahimovic
Jogador mais bem pago na Itália, Eto'o chegou à Inter como moeda de troca na transferência de Ibrahimovic ao clube catalão, na prática. Vá dizer isto hoje em dia. Se o sueco destruia as defesas da Serie A e sumia na Liga dos Campeões, o camaronês marcou 12 gols e deu quatro assistências no torneio nacional. A torcida bem que poderia lamentar, não fossem as atuações taticamente perfeitas no mata-mata europeu, sendo essencial contra Chelsea e Barcelona. Em campos domésticos, seus gols foram decisivos contra Parma, Napoli, Palermo, Roma e Lazio. Eto'o não dá espetáculo e chegou a esquentar banco quando voltou da Copa Africana de Nações. Mas, com ele, a Inter aparenta ter o tão famoso "algo mais" para garantir aquela tão sonhada taça de Madrid - e ainda manter a hegemonia dentro de casa.

Daniele Galloppa, do Siena para o Parma, por €2 milhões em co-propriedade
Ambidestro, o romano se revelou um volante de técnica apurada por Ascoli e Siena, até ser chamado ao Parma para a grande chance de sua carreira. Ainda que sob o comando de Francesco Guidolin tenha sido escalado mais recuado e com maiores obrigações defensivas do que estava acostumado, conseguiu se destacar e manter as convocações esporádicas para a seleção italiana, ainda que continue com poucas chances de disputar a próxima Copa do Mundo. Com contrato até 2014, já consegue impor o ritmo de jogo e desarma com naturalidade. Nada mal para quem foi praticamente expulso da Roma pelo diretor esportivo Daniele Pradè, há menos de três anos. Estaria na mira de Fiorentina, Genoa e Inter para a próxima temporada.

Maxi López, do FC Moscou para o Catania, por €3 milhões
O Grêmio bem que tentou, a Lazio chegou a anunciar, mas o Catania é quem apostou alto - e se deu bem. Os 3 milhões de euros que Maxi López custou aos cofres do clube na última quinzena de janeiro já devem se multiplicar em breve: o Napoli teria oferecido 16 milhões para contar com o argentino a partir de agosto, mas o Catania não aceitou, exigindo pelo menos 20. Há quem diga que o Milan também esteja interessado. Pudera: menos de uma semana depois de chegar, estreou como titular na 22ª rodada e desde então fez as 14 partidas do Catania na ótima fase do time na Serie A. Já foram três assistências e nove gols, o primeiro destes contra uma Lazio que pagou caro por ter desistido de sua contratação na última hora.

Lúcio, do Bayern para a Inter, por €7 milhões
Escorraçado do Bayern por Louis van Gaal, Lúcio terá a grande chance para sua desforra na final da Liga dos Campeões, em 22 de maio. Nem bem chegou e o capitão da seleção brasileira já assumiu a titularidade, se firmando ao decorrer do campeonato ao lado do argentino Samuel. Com a dupla em forma e contando com a ótima estrutura defensiva criada por José Mourinho, provaram o óbvio: lá atrás, o jogo não precisa ser bonito, mas eficiente. Um verdadeiro líder dentro de campo, com presença forte, desarme duro e cada vez mais confiável, Lúcio foge de muitos adjetivos para se encaixar em apenas um: o zagueiro que a Inter precisava.

Diego Milito, do Genoa para a Inter, por €25 milhões
Só aos 30 anos é que Milito chegou a um grande clube, algo curioso para o futebol dos dias de hoje. Mas como chegou. A Inter encheu os cofres do Genoa para contar com o matador argentino e fez um negócio melhor do que o esperado. Na primeira rodada da Serie A, um empate com o Bari, Milito deu o passe para o gol de Eto'o. Nos 4 a 0 sobre o Milan, uma semana depois, deixou o dele e ainda forneceu duas ótimas assistências para Thiago Motta e Maicon. Faltando três rodadas para o fim do torneio, é seu vice-artilheiro, com 20 gols. Com bom domínio de bola, dribles secos na grande área e ótimas finalizações, o príncipe nerazzurro é um atacante difícil de se parar. E tem sido decisivo também na Liga dos Campeões, com três assistências e quatro gols, um por fase. Vai repetir a dose na final?

Javier Pastore, do Huracán para o Palermo, por €7 milhões
Em julho, Walter Sabatini, diretor esportivo do Palermo, fez duas apostas no mercado argentino. Entre Bertolo e Pastore, foi o segundo (que também era desejado pelo Real Madrid) quem rendeu melhor em curto prazo e logo em outubro figurou numa lista da Uefa que o colocava entre os sete jogadores mais promissores do mundo. Começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção com a chegada de Delio Rossi, no fim de dezembro, que implantou o 4-3-1-2. Fazendo a ligação com o ataque, recordou a muitos o início de Kaká com a camisa do Milan. Mas com um trunfo a mais, o pé esquerdo calibrado. Bate bem pro gol de fora da área, faz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Fábio Simplício foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima temporada de Pastore.

Wesley Sneijder, do Real Madrid para a Inter, por €15 milhões
Para encerrar a lista, outro armador de classe refinada, no melhor do mitificado "estilo holandês". Com chutes fantásticos de fora da área, Sneijder tem se confirmado como um dos maiores cobradores de falta da atualidade, com tiros secos e bem direcionados. De quebra, o baixinho ainda organiza muito bem o jogo, segura a bola e muitas vezes dita o ritmo dos companheiros. Que diga o Milan, que foi vítima de uma grande partida do holandês logo em sua estreia, um dia depois de sua contratação. Somando Liga dos Campeões e Serie A, são sete gols e 11 assistências em 34 jogos. E a cereja do bolo pode ser na final em Madri, na frente de uma torcida que lhe disse adeus pela porta dos fundos.

Catenaccio para italiano ver

Mourinho sorri, consciente de que construiu esta Inter que derrotou o Barcelona de Guardiola (Reuters)

Costuma-se dizer por aí que não se pode ensinar o padre-nosso ao vigário, mas José Mourinho mostrou aos italianos como se executa um verdadeiro catenaccio. Muito tempo depois da Grande Inter de Helenio Herrera, bicampeã europeia em 1964 e 1965, os nerazzurri voltam a ter grande dimensão europeia valendo-se da tática imortalizada pelo técnico argentino: defender-se com grande abnegação tática e ocupando todos os espaços possíveis. Trinta e oito anos depois de ser derrotada pelo Ajax de Johann Cruijff na final da Rotterdam, a Inter está de volta a uma final da Liga dos Campeões. Uma vitória que fez até mesmo o frio Balotelli chorar.

A partida de hoje já seria histórica "apenas" por isso, mas a forma como os nerazzurri se classificaram ante o Barcelona impõe ainda mais peso a conquista: jogando com um a menos desde os 28 minutos do primeiro tempo, quando Thiago Motta foi expulso de maneira - no mínimo - rigorosa, a equipe treinada por José Mourinho foi perfeita em sua estratégia. Durante toda a duração da partida, o muro montado por Mourinho e extremamente bem executado pelos jogadores restringiu, a parte o gol de Piqué, no fim da partida, a participação de Júlio César a apenas uma defesa mais complicada, quando desviou para escanteio um chute de Lionel Messi na primeira etapa. Neste sentido, essenciais as participações de Milito e Eto'o atuando como laterais, impedindo que o Barcelona pudesse encontrar uma nesga de espaço vazio. Para o jogo de ontem, em específico, a lesão de Pandev, no aquecimento, mudou a forma de jogar do time, que talvez nem atuasse tão fechado com o macedônio em campo, mas a entrada de Chivu e a expulsão de Motta forçaram o recuo mais acentuado dos nerazzurri, aos quais Mourinho chamou de "time de heróis que derramaram sangue" em prol da classificação.

A Inter desta temporada tem mostrado, em boa parte dos jogos, que tem a capacidade de ser atacada a exaustão, oferecendo muito poucas oportunidades para seus adversários, já que deixa poucos espaços para que a bola seja trabalhada pelos adversários. No restante do jogo, a ocupação de espaços por parte dos jogadores do time italiano foi tão intensa que o Barcelona, mesmo com 75% da posse total de bola no jogo não conseguia levar perigo real ao gol defendido por Júlio César.

No fim da partida, Mourinho deu uma declaração curiosa, mas que demonstra uma boa leitura do estilo de jogo de ambas as equipes: "eu não queria ter a posse de bola, porque quando o Barcelona rouba a bola, meu time perde o posicionamento. Como eu não queria isto, nós a deixávamos com eles". Digno de um discípulo do mago Helenio Herrera, com quem Mou já é comparado pelo presidente Massimo Moratti e até mesmo pela imprensa italiana. Com os meios de comunicação, a relação sempre conflituosa está atualmente em estado de graça pela classificação interista para a final da LC. Mourinho e a Inter, altamente antipatizados por Roma e Milan, já receberam elogios dos rivais após a classificação. Jogadores do passado interista logo se apressaram em elogiar o português.

Por mais que negue, Mourinho foi contratado pelo presidente Massimo Moratti para fazer o clube voltar a ser temida na LC. E, neste aspecto, o técnico de Setúbal já está ciente dos seus feitos: está consciente de que a Inter voltou a ser grande na Europa, independentemente do resultado da final do Santiago Bernabéu. A mentalidade vencedora da Inter no campeonato italiano se ampliou em solo nacional e também se mostra presente em solo continental, pela primeira vez em muito tempo. Dessa maneira, as possibilidades de conquistar a Tríplice Coroa pela primeira vez na história do clube são boas, levando-se em conta que a equipe está extremamente focada nas três competições - LC, Serie A e Coppa Italia. Qualquer resultado obtido pela equipe não manchará o fantástico trabalho feito por Mourinho, que passa desde contratações certeiras de jogadores a um excelente trabalho psicológico para a construção de um aplicado jogo tático e coletivo.

Se, na estratosférica vitória interista, Mourinho pode ter saído como o principal artífice e vencedor, certamente há também o principal perdedor do lado blaugrana. A transferência de Ibrahimovic para o Barcelona, em troca de Eto'o e mais 45 milhões de euros, fomentou uma grande discussão sobre qual dos times sairia ganhando. Após as semifinais da LC, não há muito mais o que discutir: a vitória de Moratti, Branca e Oriali no mercado de verão foi consolidada. Embora esteja sendo mal escalado por Josep Guardiola como centroavante mais fixo e marcado alguns gols importantes na competição (contra Stuttgart e Arsenal), em três jogos contra os nerazzurri na competição, o atacante sueco foi nulo e, para completar, foi substituído nas duas partidas das semifinais por ineficácia.

Enquanto Ibrahimovic fracassa no Camp Nou, Eto'o brilha na Inter de uma forma inesperada. O atacante chegou para marcar gols, mas tem se destacado por um incansável espírito de equipe. Na partida de Barcelona, o "Rei Leão" chegou ao ápice de seu sacrifício tático pelo time ao atuar como um lateral-esquerdo. No 4-2-3-1 de Mourinho, o camaronês desempenha uma função mais cerebral e mais preocupada com a marcação e no trabalho de bola: se na Catalunha ele era o homem-gol, Milito foi eleito para desempenhar este trabalho na Inter. Além disso tudo, Eto'o assume função de liderança na equipe e foi o responsável pelo gol da vitória em Stamford Bridge, contra o Chelsea.

Com a moral em alta após a classificação contra o poderoso Barcelona e a calorosa recepção feita por cinco mil torcedores, às duas e meia da manhã, no aeroporto de Malpensa, a Inter visitará a Lazio pela Serie A e terá a primeira chance de título na temporada: ainda no Olímpico de Roma, enfrentará a Roma na final da Coppa Italia. A chance de "zero tituli" ainda existe, mas que esta é a melhor Inter em muitos anos, não há dúvidas: para os torcedores que tanto sofreram no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, sonhar tão alto agora é possível.

Barcelona 1-0 Inter
Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Touré, Piqué, G. Milito (Maxwell); Busquets (Jeffrén), Xavi, Keita; Messi, Ibrahimovic (Bojan), Pedro.
Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti; Chivu, Cambiasso, Thiago Motta; Sneijder (Muntari); Eto'o (Mariga); Milito (Cordoba)
Árbitro: Frank De Bleeckere, da Bélgica.
Gol: Piqué, aos 39' do segundo tempo.
Cartões amarelos: Pedro (Barcelona); Thiago Motta, Júlio César, Chivu e Muntari (Inter).
Cartão vermelho: Thiago Motta, aos 28' do primeiro tempo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

900 minutos em 9: 35ª rodada

Tristeza romanista: após tropeço, scudetto depende (principalmente) da Lazio (Getty Images)

Após a ótima vitória no Dérbi de Roma, na última rodada, o título da Roma (2ª colocada, 71 pontos), parecia muito bem encaminhado. Porém, tudo foi por água abaixo por causa de Giampaolo Pazzini e sua Sampdoria (4ª, 60), que aplicaram uma virada espetacular para cima dos giallorossi e devolveram a liderança para a Inter (1ª, 73) - não sem antes gerar um descontentamento por parte dos romanistas com o árbitro Antonio Damato, que, a parte as reclamações, apitou bem. Em campo, a equipe de José Mourinho volta a ser favorita ao inédito pentacampeonato consecutivo, a apenas três rodadas do fim do campeonato, e comemora uma semana dourada, na qual derrotou o Barcelona pela Liga dos Campeões e passou a sonhar com a Tríplice Coroa.

Jogando para um Olímpico lotado e em festa, a Roma começou o jogo com muita velocidade, apoiada pela sua numerosa torcida. Em campo, a equipe aproveitava uma série de desatenções da zaga doriana: primeiro, após jogada ensaiada, Juan quase marcou de bicicleta; depois, abriu o placar com Totti, que completou cruzamento de Vucinic. A Roma continuou pressionando, aproveitando-se da fragilidade do lado direito da zaga doriana, mas esbarrava no azar e em grande atuação do goleiro Storari. Para o segundo tempo, a Sampdoria voltou mais compacta no meio-campo após a saída de Poli e a entrada de Tissone. Substituição que deu certo e mostrou efetividade quando permitiu que Cassano chamasse toda a marcação para o lado direito da zaga romanista e cruzasse para Pazzini, livre, cabecear firme para empatar. A equipe capitolina voltou a pressionar muito, mas recaía sobre seu nervosismo e encontrava um Storari cada vez mais estratosférico, que fez pelo menos quatro defesas difíceis e fundamentais: em cabeçada à queima-roupa de Toni; saindo heoricamente nos pés de Vucinic e até mesmo num canudo de Riise. No fim do jogo, já sem Cassano, Mannini armou ótimo contra-ataque e cruzou para Pazzini, de carrinho, marcar uma dolorosa doppietta para os romanos, que emudeciam em pleno Olímpico e viam a Inter reassumir a ponta.

Só restou a Cassano e companhia respeitar a dor giallorossa e não comemorar demais o grande feito, sobretudo após a vitória do Palermo (5º, 58) sobre o Milan (3º, 64). No Renzo Barbera, as duas equipes fizeram uma partida extremamente aberta e empolgante de se ver. Partida que parecia definida com menos de 20 minutos, já que os rosanero abriram dois gols de diferença, primeiro com Bovo - após falha coletiva da defesa do Milan - e depois com o ótimo Abel Hernandez, que aproveitou falha incrível de Oddo (improvisado como zagueiro) e fez o segundo. O Milan não desistiu e até deu bastante trabalho ao goleiro Sirigu durante o restante do primeiro tempo, até diminuir com Seedorf - após bom passe de Ronaldinho - aos 54. Porém, a reação rossonera durou pouco: menos de 15 minutos depois, Miccoli recebeu passe de Liverani na grande área e teve toda a calma do mundo para pensar e chutar no ângulo de Dida, chegando aos 17 gols na temporada. Se não fosse o baiano, teria sido mais: demonstrando ótimos reflexos para um goleiro de sua idade, Dida evitou gol certo de Pastore pouco depois. Após a geração de Grosso, Toni, Corini, Barone, Barzagli e Zaccardo, quatro anos atrás e, assim como hoje, antes de uma Copa do Mundo, o Palermo conta com nomes em ótima fase, como Pastore, Miccoli, Abel Hernandez e Sirigu, que pode classificar o time para a LC. Na semana que vem, em casa, os sicilianos recebem a Sampdoria no jogo mais importante da rodada, confronto direto para a cobiçada vaga europeia.

Tudo perfeito para a Inter, que venceu a Atalanta (18ª, 34) por 3 a 1 no jogo que abriu a rodada assistiu de camarote a derrota dos rivais. Mesmo assim, os meneghini ainda passaram por sustos: logo aos 7 minutos, Materazzi dormiu no ponto e permitiu que Tiribocchi abrisse o placar para os visitantes. O atacante ainda perdeu grande chance em seguida e o defensor poderia ter sido expulso por agredir Ferreira Pinto, embora o árbitro Daniele Orsato não tenha visto o lance. Foi a partir daí que apareceu a figura de Sneijder: o holandês achou Milito com um lançamento longo que Bianco não conseguiu cortar, dando ao atacante apenas o trabalho de encobrir Coppola com um pallonetto para marcar seu 20º gol no torneio. Sneijder seguia mandando no jogo e, após uma triangulação sua com Eto'o, Mariga recebeu na grande área para virar o jogo e marcar seu primeiro pelo clube. Para a segunda etapa, a Inter voltou sem o meia - que sentiu um estiramento na coxa e preocupa para a partida contra o Barça - e cadenciou a partida. A Atalanta até teve chances com Guarente e Manfredini, mas foi a Inter que marcou, quando Chivu acertou chute de fora da área para marcar seu primeiro gol após a lesão na cabeça que o deixou afastado por dois meses. Outro destaque positivo na Inter foi Arnautovic, que disputou ótimos 15 minutos e, enfim, mostrou seu valor para a torcida.

Na briga pela Liga Europa, a Juventus (6ª, 54) foi a única equipe a vencer e pode comemorar os tropeços dos rivais. No Olímpico de Turim, os bianconeri impuseram um 3 a 0 sobre o Bari (12º, 43), que nada mais objetiva neste campeonato. Após um péssimo primeiro tempo, em que atuou muito nervosa por conta do clima tenso provocado pelas manifestações (violentas, por vezes) de torcedores do clube, a equipe juventina voltou a campo na segunda etapa com outra postura, a partir das entradas de Candreva e Iaquinta nos postos de Camoranesi e Amauri. O atacante, aliás, decidiu o jogo: logo deixou o dele, após receber lançamento de Diego, cortar Gillet e tocar para o gol. Depois, sofreu penalidade, que foi convertida por Del Piero, e colocou a cereja no bolo após desviar para as redes um cruzamento de Candreva. Após passar longo período afastado por lesão e em jejum de gols desde setembro, foi um ótimo retorno aos gramados para o bomber, que, como Pazzini e Miccoli, demonstrou a Marcello Lippi que quer ir para a África do Sul. Com a vitória, a Juve deixou para trás o Napoli (7º, 53), que pressionou o Cagliari (14º, 42) durante os 90 minutos, mas não conseguiu vencer o muro chamado Marchetti. Ótima prestação para o goleiro da Nazionale, que passou por uma queda de rendimento ao longo da temporada, mas mostra fortes sinais de recuperação conforme vai se aproximando a convocação de Lippi para o Mundial. Menos mal para o Napoli que a final da Coppa Italia, disputada entre Inter e Roma, dá a chance de que o sétimo colocado do campeonato participe da próxima Liga Europa.

Em Florença, a Fiorentina (10ª, 46) abandonou todas as chances de classificação para a Liga Europa após sofrer muito e perder em casa para o Chievo (11º, 44). Nenhum outro adjetivo pode definir a partida que não "atípica": em 38 minutos, os viola já haviam efetuado todas as substituições. Todas relativas a defensores e todas elas por lesões: Felipe, aos 10; Gamberini, aos 16; e Comotto, aos 38. Assim, os donos da casa sofriam com o ataque clivensi, que exigiu de Frey atenção redobrada. Na segunda etapa, a Fiorentina buscou o gol de maneira desesperada, mas o goleiro Sorrentino estava inspirado. Até mesmo pênalti ele defendeu, quando Vargas desobedeceu a ordem de cobradores do time e telegrafou o canto em que iria bater, o que deve lhe valer uma multa aplicada pelo clube. Desanimada, a Fiorentina pouco teve a fazer para segurar os contra-ataques gialloblù, que abriram o placar com Pellissier e fecharam com Sardo, para garantir a salvezza matemática.

Tropeço também para o Genoa (8º, 48), que saiu na frente da Lazio (16ª, 40), mas levou a virada ainda no primeiro tempo e praticamente deu adeus às chances de conseguir mais uma classificação para uma competição europeia. Não adiantaram a esperteza de Milanetto e o bom chute de Palacio, que abriram o placar: a desatenção da defesa rossoblù - segunda pior do campeonato, com 57 gols sofridos - custou caro nos dois gols da Lazio. No primeiro, André Dias subiu sozinho e cabeceou firme para as redes de Scarpi - antecipando o que estaria por vir em sua ótima partida em fase defensiva, cortando várias bolas pelo alto. Sete minutos depois, outra bola levantada na área do Genoa e trapalhada da defesa, que não cortou bem a bola e permitiu que Floccari tocasse em diagonal e vencesse o goleiro adversário. Rocchi ainda acertou a trave, antes que a Lazio segurasse o jogo e conseguisse uma vitória fundamental na briga pela salvezza, praticamente garantida. Agora, quem diria, o scudetto da Roma está nas mãos da rival, que enfrenta a Inter na semana que vem e, se dependesse da vontade de seus torcedores, entregaria o jogo para ver o rival longe do título deste ano e, de quebra devolveria a provocação que Totti comandou ao fim do dérbi da última semana. Edy Reja, técnico biancoceleste (que foi expulso no domingo), garante que seu time entra para vencer. Se suas palavras são apenas discurso, saberemos apenas no fim de semana que vem.

Muito perto de escapar do rebaixamento está também o Bologna (17º, 39), que derrotou o Parma (9º, 46) no dérbi emiliano e está a apenas uma vitória de garantir a permanência na Serie A. O Parma começou melhor no jogo, apostando na velocidade de Biabiany como chave para garantir um bom resultado fora de casa e manter as poucas esperanças de classificação para a Liga Europa. Foi o próprio atacante francês que colocou os crociati em vantagem, mas a expulsão justa de Zaccardo minutos depois colocou tudo a perder. Numa partida em que vários jogadores já haviam atuado pela equipe adversária, é óbvio que um a lei do ex valeria: Di Vaio aproveitou o espaço deixado pela expulsão do campeão mundial com a Squadra Azzurra em 2006 e desviou cruzamento de Buscè para empatar. No segundo tempo, o mesmo Di Vaio virou a partida, aproveitando falha do jovem zagueiro Gigli, estreante na Serie A. Menos mal para o Parma que a superioridade numérica e moral dos felsinei não foi transformada em outros gols graças a uma boa prestação do goleiro Mirante. Mas, o importante para o Bologna foi ter vencido um jogo fundamental, afastando a série de sete partidas sem vitória e recuperando o moral após o empate sofrido nos acréscimos no último jogo, contra a Udinese. Na próxima rodada, os rossoblù visitarão a Atalanta no spareggio que pode definir a sobrevivência na elite do futebol italiano por mais um ano.

Fim da linha para Livorno (20º, 29) e Siena (19º, 30). Com os três pontos do Bologna, foi confirmado o rebaixamento matemático da equipe treinada por Gennaro Ruotolo, que acordou tarde demais. Em uma de suas melhores partidas na temporada, jogou para um Armando Picchi praticamente vazio e venceu por 3 a 1 o Catania (15º, 40) treinado por Sinisa Mihajlovic, com direito a golaço de Bellucci e réplica do argentino Maxi López, em lindo voleio. A vitória de Pirro só não foi mais melancólica porque o ídolo Cristiano Lucarelli anunciou que não permenecerá no clube para a disputa da Serie B e deverá encerrar a carreira em outro clube por conta de divergências com a diretoria. No caso do Siena, a derrota por 4 a 1 contra a Udinese (15ª, 42) não chegou a decretar oficialmente o rebaixamento da equipe, mas não deixa esperanças para o clube toscano, após sete temporadas consecutivas na elite do futebol italiano: se o Bologna conseguir apenas mais um ponto nos jogos que restam, Maccarone e companhia estarão rebaixados. Já a Udinese pode dedicar a salvezza a Di Natale, autor de 25 gols até agora nesta temporada. Na partida de domingo, Totò marcou um, mas o destaque foi Simone Pepe, que não fez grande temporada mas deve estar presente na lista de convocados de Marcello Lippi para a Copa do Mundo.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 35ª rodada, clique aqui.

Seleção da 35ª rodada
Storari (Sampdoria); Zanetti (Inter), Bovo (Palermo), André Dias (Lazio), Radu (Lazio); Pepe (Udinese), Sneijder (Inter), Pastore (Palermo); Miccoli (Palermo), Iaquinta (Juventus), Pazzini (Sampdoria).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Jogadores: Sandro Mazzola

Com a habilidade herdada do pai, Sandro Mazzola (centro) tornou-se uma das peças chaves da Grande Inter de Helenio Herrera (Sportskeeda)
Dono de um dos sobrenomes mais importantes do futebol italiano, Alessandro Mazzola, filho de Valentino, estreou na Serie A em uma situação, no mínimo, curiosa: no famoso dérbi em que a Juve venceu a Inter por 9 a 1, dia 10 de junho de 1961. Nessa ocasião, o presidente nerazzurro Angelo Moratti mandou a equipe Primavera ir a campo, em protesto contra decisões da Figc que, em seu ver, prejudicavam o time de Milão. O único gol da Inter foi marcado exatamente por Mazzola, de pênalti. Foi também a partida de despedida de Giampiero Boniperti, ídolo juventino.

Desde que entrou para os times de base da Inter, o jovem que viu o pai morrer no Desastre de Superga com apenas seis anos de idade já estava rodeado de expectativas. O sobrenome, claro, pesava. Mas Alessandro - ou Sandro, como passou a ser chamado poucos anos mais tarde - soube lidar bem com isso e traçou uma carreira muito vitoriosa em dos clubes mais importantes da Europa. Foi atuando de interno (ou mezz’ala) que Sandro conquistou seu lugar na memória dos interistas.

Sua boa habilidade, com dribles rápidos e bons passes, chamou a atenção desde seus primeiros anos na base do clube lombardo. Por isso, Giuseppe Meazza fez questão de acompanhar sua carreira desde o início e pedir o lançamento do rapaz no time principal. Isso ocorreu efetivamente na campanha vitoriosa de 1962-63, quando o clube sagrou-se campeão italiano. Foi a primeira temporada em que Sandro apareceu com regularidade na equipe de Helenio Herrera, com 23 presenças e 10 gols. Inesquecível, ainda, a estreia de Mazzola em um dérbi de Milão: marcou seu primeiro com apenas 13 segundos, recorde na história do confronto. Era predestinado.

Começavam ali os melhores anos da história interista. Com o catenaccio aprimorado por Herrera depois de sua chegada à Itália, a equipe nerazzura alcançou patamares altíssimos em termos técnicos e táticos. Com o argentino no comando, venceu os scudetti de 1963, 1965 e 1966, e as Copas dos Campeões de 1964 e 1965, elevando o time a um nível inédito em sua história. Essa equipe é lembrada até hoje como a Grande Inter.

O craque ergue a "orelhuda", em 1964 (Passione Calcio)
Nessa formação, Sandro Mazzola exercia função importantíssima, ao lado do inesquecível Luis Suárez. Enquanto Suárez ocupava a meia-esquerda, se encarregando dos passes e lançamentos para o jogo da equipe fluir, Mazzola chegava mais pelo lado direito do campo, se preocupando em puxar os contra-ataques, essenciais para um esquema defensivo. Mazzola também aparecia como segundo atacante em muitas das oportunidades, o que explica seu bom número de gols.

Foi com essa liberdade de atuar tanto no meio quanto mais próximo da área que Sandro acumulou 160 gols em sua carreira. Dois deles, especiais. Mazzola abriu e fechou o placar da partida contra o Real Madrid, na final da LC de 1964. No primeiro, um chutaço de fora da área, no segundo, um lance de oportunismo de centro-avante - veja os vídeos. 

Pela Inter, Mazzola conquistaria ainda mais um Campeonato Italiano: o de 1971. Dessa vez, sem Herrera no comando e já em um esquema diferente, com a faixa de capitão no braço. Nesse mesmo ano, ficou em segundo lugar na eleição de Bola de Ouro da revista France Football, atrás apenas de Johan Cruijff. Com a faixa de capitão no braço, quase conquistou a Europa outras duas vezes. A primeira, em 1967, na final perdida para o Celtic, em Lisboa, no jogo tido como o ocaso da Grande Inter. A outra, em 1972, quando o Ajax de Cruijff ficou com o bicampeonato, em Roterdã.

Mazzola, capitão em um jogo histórico, mas fatídico para os nerazzurri (Pinterest)
Na seleção, também fez história. Participou da conquista da Eurocopa de 1968 e do vice-campeonato na Copa de 1970, no México, além dos Mundiais de 1966 e 1974. Nesse período, acumulou 70 presenças e 22 gols vestindo o azzurro da seleção. Quando se aposentou era o segundo colocado no ranking de jogadores que mais vezes vestiram a camisa italiana e o quinto no ranking de gols marcados.

Na Copa de 1970, uma curiosidade: o técnico Ferruccio Valcareggi acreditava que Sandro Mazzola e Gianni Rivera, do Milan, não poderiam jogar juntos na mesma equipe e lançou a solução que chamou de “stafetta”, cada um jogava um tempo. Somente durante os oito minutos finais da decisão contra o Brasil é que os dois atuaram juntos, causando protestos de torcedores italianos até hoje.

Apesar das disputas, Mazzola e Rivera eram amigos (Interleaning)
Sandro encerrou sua carreira em 1977 e trocou os campos pelos bastidores imediatamente, estreando como dirigente da Inter. Ficou no posto entre 1977 e 1984, antes de ir para o Genoa cumprir a mesma função. Em 1995, voltou a Inter, para o cargo de diretor esportivo, comandando as contratações do clube. Trabalhou ainda no Torino, de 2000 a 2003, também como dirigente, mas foi sua última experiência na área. Agora Sandro Mazzola é comentarista de uma televisão italiana. 


Alessandro Mazzola
Nascimento: 8 de novembro de 1942, em Turim, na Itália
Posição: meio-campista
Clubes: Inter de Milão (1960-1977)
Seleção italiana: 70 jogos, 22 gols
Títulos: 4 Campeonatos Italianos (1963, 1965, 1966, e 1971), 2 Ligas dos Campeões (1964 e 1965), 2 Mundiais de Clubes (1964 e 1965) e 1 Eurocopa (1968)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pós-jogo: Inter 3x1 Barcelona

Milito e Maicon jogaram como nunca para aproximar a Inter da final em Madrid (Reuters)


O dia 20 de abril de 2010 já pode ser escrito na história da Inter. Se alguém ainda duvidava que os nerazzurri tinha deixado para trás o medo da Liga dos Campeões ao passar pelo Chelsea, nas oitavas-de-final, não tem mais como não acreditar. Ontem, José Mourinho demonstrou novamente que foi a contratação mais acertada da Era Moratti. Conhecedor de muitos canteranos do Barcelona ou, pelo menos, da forma como se criam craques em La Masia, Mou, estrategista que é, preparou de forma muito inteligente a primeira partida destas semifinais. Assim, sua Inter jogou muito bem contra o Barcelona e impôs aos blaugrana a primeira derrota por mais de um gol de diferença desde a chegada de Josep Guardiola ao comando técnico do clube. Com Lionel Messi e Xavi anulados por Thiago Motta, Wesley Sneijder e Esteban Cambiasso, a Inter chegou ao 3 a 1 final e deu um passo importantíssimo rumo a final do torneio, que será disputada no Santiago Bernabéu, em Madrid.

A ausência de medo da competição já podia ser notada na escalação proposta por Mourinho. Assim como contra o Chelsea, o técnico de Setúbal ousou e escalou uma Inter ofensiva contra os temidos campeões europeus. Mas o ímpeto ofensivo da equipe interista não ficou apenas no papel. Em jogo aberto, os italianos partiram pra cima no primeiro tempo e tiveram duas ótimas chances com Milito: na primeira, teve boa chance de ficar cara a cara com Victor Valdés após ótimo passe de Sneijder, mas um impedimento foi marcado de maneira equivocada. Na segunda vez, o atacante não aproveitou rebote do goleiro em chute de Samuel Eto'o e chutou torto.

Logo depois, aos 19 minutos, o Barcelona deu um banho de água fria nos nerazzurri e abriu o placar, com gol de Pedro. Maxwell recebeu passe de Xavi pela esquerda, ganhou na corrida de Cambiasso e cruzou para o centro da área, para quem viesse de trás. O atacante espanhol encontrou a defesa da Inter desorganizada - no único erro da partida - e chutou rasteiro, sem chances para Júlio César. Porém, os jogadores não desanimaram e continuaram a partir para cima. Aos 26, Goran Pandev, que havia trocado de lado com Eto'o e estava do lado esquerdo, tocou bem para Diego Milito bater do bico da pequena área, mas o chute do argentino não foi tão bem colocado e a bola foi para fora.

Quatro minutos depois, surgiu a jogada do empate e o número 22 da Inter se recuperou. Eto'o recebeu de Maicon pela direita e cruzou para Pandev, que estava no centro da área. Porém, Milito se desmarcou de Gerard Piqué e tomou a frente do macedônio e, fazendo o pivô, girou e tocou para Sneijder, que, livre frente ao gol por erro de marcação de Daniel Alves. Sem pressão, ficou fácil para o holandês vencer o goleiro catalão. O Barcelona ainda tentou reagir no restante do primeiro tempo, mas foi parado graças a boas participações de Júlio César e Lúcio sobre Zlatan Ibrahimovic.

A Inter voltou ligada para o jogo na segunda etapa e logo virou a partida, com o segundo golaço de Maicon em menos de uma semana. Porém, ao contrário daquele contra a Juventus, o de ontem foi um gol de equipe. Thiago Motta, em partida primorosa, roubou bola de Messi próximo a grande área nerazzurra, o que possibilitou um contra-ataque rápido dos donos da casa. Javier Zanetti tocou para Pandev, que avançou com velocidade e deixou dois marcadores para trás, concluindo sua participação no lance com um belo passe em profundidade para Milito, que teve a calma suficiente para dominar a bola e esperar a chegada do lateral brasileiro, que ganhou de Seydou Keita na velocidade e deslocou Valdés com um toquinho de direita.

Depois do gol da virada, o Barcelona até tentou o empate, mas era pouco efetivo. E, quando conseguia, lá estava Júlio César, que, pouco tempo atrás, havia falhado feio contra Roma e Fiorentina na Serie A, mas se recuperava no principal jogo da temporada até então. Primeiro, o brasileiro havia defendido um dos raros chutes de Messi, mas a grande defesa do jogo veio depois, quando o goleiro realizou um verdadeiro milagre em cabeçada de Sergio Busquets. O meia catalão não precisou saltar e cabeceou sozinho, mas o brasileiro espalmou muito bem e ainda sofreu falta na continuação do lance, quando iria defender mais uma. Ibrahimovic ainda teve a única chance real contra sua antiga equipe, mas Júlio César fez boa defesa em seu chute cruzado.

Aos 16 minutos, a Inter chegaria ao terceiro gol, inimaginável para muita gente antes que as equipes entrassem em campo. Pedro iria sair jogando na intermediária barcelonista, mas Thiago Motta agiu rapidamente e, com um carrinho perfeito, desarmou o canterano. Depois, o brasileiro tocou para Eto'o cruzar bem para Sneijder, novamente deixado livre por Daniel Alves, cabecear. O holandês concluíra para o gol, mas a má pontaria para a finalização se converteu em passe para Milito (que parecia um pouco adiantado) completar, também de cabeça, sem chances para Valdés. Logo após o gol, prevendo uma goleada histórica, Guardiola substituiu Ibrahimovic por Eric Abidal. Como esperado, o sueco foi muito vaiado pela torcida da Inter, que ainda encontrou espaço para ironizá-lo: no fim da partida, um garotinho segurava um cartaz que dizia "Ibra queria ganhar a Champions, mas errou o time!", em referência óbvia ao fato de que o Barcelona pode ser eliminado pela Inter.

Com o Barcelona mais fechado pelo lado esquerdo, mas precisando de gols para melhorar sua situação, a Inter passou a atuar mais na base dos contra-ataques. Em falta da entrada da área, Messi finalmente apareceu, obrigando Júlio César a fazer boa defesa. O Barcelona continuava pressionando, mas a defesa bem fechada da Inter impedia que o Barcelona jogasse com passes rápidos, como costuma fazer. Aos 40 do segundo tempo, Sneijder ficou cara a cara com Valdés e teve a chance de marcar o quarto gol da Inter, mas um domínio errado estragou a jogada. Logo depois, Piqué ficou com uma sobra de bola numa cobrança de escanteio, chegou a passar por Júlio César, mas Lúcio cortou sua finalização em cima da linha. Daniel Alves ainda pediu pênalti de Sneijder, mas foi punido pelo árbitro Olegário Benquerença por simulação. Amarelos também para o capitão Carles Puyol e Dejan Stankovic, que não poderão jogar a partida de volta.

Dos problemas e dos méritos
Outros que também poderão não jogar a partida de volta são Maicon e Mario Balotelli. O primeiro se chocou violentamente com Messi, quebrou um dente e terá de ser operado, deixando dúvidas sobre se a recuperação até quarta-feira será satisfatória. Já Balotelli substituiu Milito, que se sacrificou pelo time e saiu com câimbras, e não correspondeu. Enquanto todo o time trabalhava defensivamente para evitar um gol do Barça, o atacante fazia corpo mole e não valorizava a posse de bola. Vaiado pela torcida, se irritou e atirou sua camisa no gramado quando Benquerença apitou o fim do jogo e, segundo Ibrahimovic, quase apanhou de Marco Materazzi nos vestiários.

O ato, definido pelo presidente Massimo Moratti como "suicídio público" deve render ao atacante uma multa altíssima, mas pelo menos por hora, não significa que o atacante não jogará mais pelo clube. O presidente Moratti afirmou que gostaria de continuar vê-lo integrado ao grupo, já que a equipe está na reta final da temporada e precisa contar com todo o elenco, e é até possível que ele fique no clube mesmo com tantos problemas disciplinares, já que é querido pelo mandatário do clube. O ato também não passou em brancas nuvens para outros membros da comunidade interista: Balotelli foi repreendido por jogadores, técnico e até mesmo pela diretoria da Inter e deve receber uma alta multa.

Hoje, no lançamento do livro do ex-jogador Stefano Borgonovo, Balotelli mostrou-se infantil ao, mais uma vez, não aprender com seus erros e ignorartudo que aconteceu ontem. Lembrando um certo Robinho, afirmou que "está pronto para ser o melhor do mundo" e ainda declarou que está do lado de Ibrahimovic, que disse que Materazzi deveria tê-lo deixado em paz. Parece mais do que claro que não há mais clima para o jogador no clube, embora Moratti insista em blindá-lo.

O Barcelona chegou a reclamar da arbitragem, mas não reclamou da viagem de 10 horas que teve de ser feita de ônibus, por causa do fechamento de boa parte dos aeroportos europeus após a erupção do vulcão Eyjafjallajökull. Para o jogo de volta, na semana que vem, a Inter pode perder por até um gol de diferença. Ou até dois, caso marque mais de um gol no Camp Nou, que deverá estar lotado com quase 100 mil pessoas. Mourinho, que também está mais do que acostumado com o ambiente no estádio do Barcelona, começa a ver renderem de verdade os frutos de seu conturbado trabalho. Faltando apenas sete jogos para o fim da temporada (seis, caso a Inter seja eliminada pelos catalães), a equipe nerazzurra pode ter o gostinho de conquistar a Tríplice Coroa: LC, Serie A e Coppa Italia.

Neste momento, antes mesmo de a temporada acabar, há de se reconhecer o fantástico trabalho de José Mourinho, um homem ambicioso, que não tem medo de terminar a temporada com "zero tituli" e arrisca o que pode para vencer todos. Um homem que, pouco tempo atrás, era desvalorizado por seus críticos por não encontrar um esquema tático próprio e usar o de Roberto Mancini, seu antecessor. Agora, com um time desenhado taticamente por ele; com jogadores que atuam de acordo com seu perfil, dedicando-se inteiramente a um jogo de sacrifício pelo coletivo; e, por fim, com um fantástico trabalho psicológico nos bastidores, não há dúvidas de que é o português o grande responsável pela construção desta nova Inter, preparada para brigar em três campeonatos distintos e até o último minuto.

Confira aqui a entrevista (em italiano) de José Mourinho após a partida. Confira também o resumo do jogo feito pelo Quatro Tiempos.

Inter 3x1 Barcelona
Inter: Júlio César; Maicon (Chivu), Lúcio, Samuel, Zanetti; Cambiasso, Thiago Motta; Pandev (Stankovic), Sneijder, Eto'o; Milito (Balotelli).
Barcelona: Valdés; Daniel Alvez, Puyol, Piqué, Maxwell; Xavi, Busquets; Keita; Messi, Ibrahimovic (Abidal); Pedro.
Árbitro: Olegário Benquerença, de Portugal.
Gols: Sneijder, Maicon e Milito (Inter); Pedro (Barcelona).
Cartões amarelos: Eto'o e Stankovic (Inter); Busquets, Puyol, Piqué, Keita e Daniel Alves (Barcelona).

Brasileiros no Calcio: José Altafini

O Mazzola brasileiro conquistou as torcidas do Brasil e da Itália com seus gols (Getty Images)

José João Altafini é, muito provavelmente, o brasileiro de maior sucesso em gramados da velha bota na história. Filho dos italianos Gioacchino Altafini e dona Maria Marchesoni, Altafini nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, e, com o futebol, voltou à terra dos pais para se consagrar. Não sem antes se tornar ídolo também no Brasil.

Iniciou sua carreira jogando pelo Atlético Piracicabano, maior clube da cidade, mas antes mesmo de completar 17 anos já tinha contrato assinado com o Palmeiras. O garoto chegava a um clube que não conquistava nenhum título desde a Taça Rio de 1951. Uma única partida vestindo alviverde foi o suficiente para dar esperança aos palmeirenses de que aquele jejum estava perto de acabar. Na sua estreia no Campeonato Paulista de 1957, no Palestra, Altafini marcou os cinco gols da vitória por 5 a 2 contra o Noroeste. Sete dias depois fazia sua estreia pela seleção brasileira.

Agora, o atacante já deixara de ser José ou Altafini. Era Mazzola. Depois de mostrar sua intimidade com a bola e o apurado faro de gol, um dirigente saudosista do antigo Palestra Itália viu em Altafini a imagem de Valentino Mazzola, craque italiano da década de 1940, e assim o apelidou. No Brasil, poucos sabem quem é Altafini, mas se perguntar por Mazzola, ouvirá boas histórias. Como a daquele Santos 7-6 Palmeiras, em 1958, que matou cinco torcedores do coração tamanha a emoção do jogo. Mazzola marcou dois.

Na Copa do Mundo de 1958, não havia dúvidas de que tinha que ser titular da seleção. E assim o fez. Pelo menos no início. A estreia foi boa, com dois gols no 3 a 0 contra a Áustria, mas o que Mazzola não esperava era que surgisse um tal de Pelé. Ao longo da competição, perdeu a vaga para o moleque do Santos e viu, do banco, o show daquela seleção que trouxe o primeiro título mundial para o Brasil. Foi o primeiro contato de Mazzola com o futebol europeu. O suficiente para convencer alguns clubes italianos a tentar sua contratação.

De volta ao Brasil, chegou a acertar sua transferência para a Roma, mas uma oferta extraordinária levou-o para o Milan. Mazzola deixou aos cofres palmeirenses cerca de 25 milhões de cruzeiros, valores jamais vistos no Brasil da época. Foram 114 partidas e 85 gols pelo clube da capital paulista, números que o tornaram ídolo por aqui. Mas a partir daí, sua história era na Itália.

Maior brilho e conquistas de Altafini foram pelo Milan (Trivela)
Lá, deixou de ser Mazzola e voltou a ser Altafini. Em sua primeira temporada pelo Milan, marcou 28 gols em 32 jogos e só não foi artilheiro da competição porque o interista Angelillo fez 33, estabelecendo um recorde que dura até hoje. Porém, os 28 gols botaram Altafini na história do clube milanês logo em seu primeiro ano por lá: foi o jogador que mais vezes marcou pelo Milan em um Campeonato com 18 equipes, além de, é claro, ter conquistado seu primeiro scudetto.

O grande desempenho abriu as portas da nazionale para ele. Estreou na azzurra em 1961, nas eliminatórias para a Copa de 1962. Hoje em dia, conta se arrepender da escolha: “Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi justamente ter trocado de camisa na Copa do Chile. Joguei pela Itália e vi meus ex-colegas de seleção levarem para a casa a segunda Copa”. A campanha italiana naquela Copa foi desastrosa, sendo eliminada ainda na primeira fase.

Naquele mesmo ano, porém, Altafini já tinha se sagrado mais uma vez campeão italiano e dessa vez conquistara a artilharia do torneio, com 22 gols. Depois da Copa, mais uma temporada para o ítalo-brasileiro não esquecer: o Milan venceu sua primeira Liga dos Campeões, com Altafini alcançando a impressionante marca de 14 gols em nove partidas, sagrando-se artilheiro da liga. Na final de Wembley, contra o Benfica, marcou os dois gols da vitória rossonera, para fechar com chave de ouro. Os dois títulos nacionais mais a Liga dos Campeões botaram o Mazzola brasileiro no hall da fama do Milan. Altafini encerrou sua passagem pelo clube em 1965, computando 205 jogos e 120 gols.

Em 1965 desembarcou em Nápoles, para compor, ao lado do argentino Omar Sívori, o ataque do Napoli. A boa dupla levou o azzurro napolitano a algumas boas colocações seguidas no campeonato nacional, incluindo o vice-campeonato de 1967-68, mas o único título conquistado foi o da Copa dos Alpes, em 1966. Altafini vestiu a camisa azul 180 vezes antes de se transferir para a Juventus, em 1972.

Com 34 anos, Altafini já não vivia mais o auge de sua forma física. Ainda assim, foi peça importante na conquista dos scudetti de 1973 e 1975. Se a explosão do atacante não era mais a mesma, a grande técnica e inteligência ainda eram. Altafini soube se adaptar e foi um dos primeiros a se destacar como calciatore part-time, daqueles que entram no decorrer da partida para mudar a história do jogo. Naquela Juve, teve a oportunidade de jogar ao lado de grandes nomes, como Zoff, Gentile, Scirea, Causio, Capello e Bettega. Encerrou sua passagem pelo futebol italiano em 1976, igualando a marca de Meazza para ocupar a terceira colocação do ranking de artilheiros da história da Serie A: 216 gols. Na frente, apenas Piola (274) e Nordahl (225).

Altafini encerrou sua carreira na Suíça, onde atuou por dois times, sem alcançar grandes feitos. Hoje em dia, vive em Turim e é um dos mais famosos comentaristas esportivos da Itália, tanto que emprestou sua voz para o jogo Pro Evolution Soccer 2009, na versão italiana. Bom para o público italiano, que pode ouvir e se encantar com histórias de um jogador que fez história em dois países de tradição ímpar no futebol mundial.


José João Altafini
Nascimento: 24 de julho de 1938, em Piracicaba, São Paulo
Posição: atacante
Clubes: XV de Piracicaba (1954-56), Palmeiras (1956-58), Milan (1958-65), Napoli (1965-72), Juventus (1972-76), Chiasso (1976-79) e Mendrisio (1979-80)
Seleção brasileira: 8 jogos, 4 gols
Seleção italiana: 6 jogos, 5 gols
Títulos: 4 Campeonatos Italianos (1959, 1962, 1973, e 1975), 1 Liga dos Campeões (1963), 1 Copa dos Alpes (1966) e 1 Copa do Mundo (1958)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lega Pro reserva desfechos surpreendentes

Farão história? Portosummaga assume a liderança do Grupo B da Prima Divisione
e depende só de si para chegar à Serie B (portogruarosummaga.it)


Com apenas três rodadas para o final, os campeonatos da Lega Pro guardam apenas duas certezas de acesso. A primeira delas é o Novara, que subirá para a Serie B com apenas mais um ponto. A outra é a Lucchese, que precisa de apenas mais dois pontos para abandonar a Seconda Divisione.

Tudo mais está indefinido e, provavelmente, as coisas se resolverão apenas na última rodada. Para ajudar o clima de incerteza, as más condições de tempo impediram que quatros jogos da Seconda Divisione acontecessem: Villacidrese x Feralpi Salo’, Valenzana x Alghero e Olbia x Carpenedolo (Grupo A); e Igea Virtus x Aversa Normanna (Grupo C).

Confira a situação de todos os torneios da terceira e quarta divisões da Itália:
Prima Divisione - Grupo A
O Novara (66 pontos) está a um ponto de disputar seu 30º campeonato da Serie B. Disputariam play-offs Cremonese (57), Arezzo (55), Varese (55) e Benevento (49). Viareggio (33), Pergocrema (32), Lecco (31) e Pro Patria (29), hoje, jogariam os play-outs. A Paganese (27) tem chances reais de evitar o rebaixamento direto.

Prima Divisione - Grupo B
Nos critérios de desempate, o Portosummaga (52) roubou a liderança do Hellas Verona (52), mas ainda há a concorrência com o Pescara (52). Reggiana (46) e Ternana (46) completariam, hoje a lista dos clubes que jogariam os play-offs. Tentando evitar o rebaixamento, Andria (36), Foggia (36), Giulianova (32) e Pescina (31) fariam os sofridos play-outs. Definido, há algum tempo, o rebaixado do grupo: o Potenza (31) caiu por irregularidades financeiras.

Seconda Divisione - Grupo A
O Alto Adige (56) lidera este grupo provisoriamente, já que o Feralpi Salo’ (53) tem um jogo a menos.. Entre os dois clubes se encontra o Spezia (55), que hoje iria aos play-offs juntamente a Alghero (52) e Pavia (51). Na zona play-out, estão Olbia (34 e um jogo a menos), Mezzocorona (33), Villacidrese (31 e um jogo a menos) e Pro Belvedere (25). A Pro Sesto (20) reagiu muito tarde e dificilmente escapará do rebaixamento.

Seconda Divisione - Grupo B
A Lucchese (63) faliu quando estava na atual Prima Divisione e, dois anos depois, apenas dois pontos a separam do reencontro com sua história. San Marino (55), Fano (52), Sangiovannese (48) e Bassano Virtus (47) estão na zona play-off, enquanto Sacilese (35), Poggibonsi (30), Bellaria (29) e Carrarese (29) jogariam os play-outs se o campeonato acabasse hoje. A Colligiana (28) ainda tem boas chances para conseguir a salvezza.

Seconda Divisione - Grupo C
O grupo, que parecia definido, está reaberto após a derrota da líder Juve Stabia (66). O Catanzaro (64) ainda tem boas chances para ultrapassar a equipe da Campânia, enquanto Cisco Roma (59), Barletta (52) e Siracusa (51) devem jogar os play-offs. Lutando para não cair estão Aversa Normanna (34 – um jogo a menos), Noicattaro (31), Vibonese (26) e Vico Equense (23). A Igea Virtus (11 – um jogo a menos) está condenada: cairá caso perca mais um jogo.

Coppa Italia Lega Pro – Final
O Lumezzane foi eliminado cedo na Coppa Italia, mas está a um passo de conquistar a Coppa Lega Pro. No jogo de ida, no estádio municipal de Lumezzane, o Lume derrotou o Cosenza por 4x1 e, na partida de volta, no dia 28 de abril, poderá perder por até dois gols de diferença que, ainda assim, leva o troféu.

ArrivederC!

Jogadores: Valentino Mazzola


Nas palavras do escritor Gianpaolo Ormezzano, "Valentino jogava no Torino, juntava o Torino e era o próprio Toro" (EPA)

Valentino Mazzola foi um dos jogadores mais completos da história do futebol italiano. Talvez o rumo que tomou o mundo da bola fosse diferente, caso não tivesse ocorrido o Desastre de Superga, em 1949, quando Mazzola morreu junto com todo o time do Grande Torino. Com certeza a sala de troféus do clube granata estaria mais cheia, muito provavelmente a Itália teria feito uma apresentação bem melhor na Copa de 50 e talvez, só talvez, o Real Madrid não teria ganho as cinco primeiras Ligas dos Campeões.

Aquele era o melhor time italiano da década, quiçá da Europa, e Mazzola era um de seus principais jogadores. Polivalente, com grande habilidade e forma física bem acima da média, Valentino antecipou a ideia de jogador universal. É consenso geral de quem viu Mazzola em ação que ele era um jogador à frente de seu tempo. Seu comprometimento e paixão com a bola nos pés o tornavam diferente, em um futebol que não era tão profissional como o de hoje.

Nascido na província milanesa de Cassano d’Adda, em 1919, Valentino não teve uma infância fácil. Seu pai morreu cedo e ele teve que deixar a escola para trabalhar e ajudar a mãe com as despesas de casa. Não por isso deixou de se divertir: conciliava seu trabalho com o futebol. Jogava pelas equipes menores da cidade, até ser contratado por um time de fábrica, o Alfa Romeo Milano, que disputava a Serie C nacional.

Não demorou muito para que um time da Serie A prestasse atenção no garoto e levasse-o para a divisão maior do futebol italiano. Foi o Venezia que assinou com o jovem de 20 anos recém-completados. No mesmo ano, chegava ao clube outro garoto: Ezio Loik, que formou dupla inseparável com Valentino até o fim de suas carreiras. Juntos, levaram o Venezia ao maior título de sua história, a Copa da Itália de 1941. Conseguiram, ainda, fazer com que o time chegasse a uma inédita terceira colocação na Serie A de 1942.

Mazzola e a camisa "scudettata" do Torino (Storie di Calcio)
Foi o suficiente para convencer Ferruccio Novo, então presidente do Torino, que aqueles dois tinham que estar na squadra vencedora que ele montava. O único problema é que a Juventus já tinha um acordo verbal com o Veneza para assinar com Mazzola. Ferruccio resolveu o imbróglio oferecendo duzentas mil liras a mais e mais dois jogadores para o clube do vêneto. O resto da história é conhecido: o time de Turim assinou com Valentino e Loik, venceu todos os Campeonatos Italianos disputados até 1949, formou um dos maiores times da Europa naquela década e tornou-se a base da seleção italiana.

Como capitão do Toro, Mazzola alcançou grandes números. Foram 123 gols em 195 partidas disputadas, sendo 29 só na Serie A de 1946-47, quando se sagrou artilheiro da competição. No ano seguinte, ajudou o Torino na fantástica campanha do tetra, quando a equipe venceu o scudetto com 16 pontos de vantagem para o segundo colocado, somando 125 gols marcados e apenas 33 sofridos. Lembrando que na época a vitória valia apenas dois pontos.

Mazzola só não foi maior porque jogou em tempos de guerra. Por causa da Segunda Guerra Mundial, dois campeonatos nacionais e duas Copas do Mundo não ocorreram, diminuindo sua história na seleção nacional para apenas 12 jogos e quatro gols. Uma pena um dos maiores jogadores italianos de todos os tempos não ter um título mundial no currículo. Mesmo assim, Mazzola entrou para a história e povoa a memória dos fanáticos por futebol, com grandes histórias.

Em 1947, o Torino terminou o primeiro tempo do jogo contra a Roma perdendo por 1 a 0. Há relatos de que no intervalo Mazzola teria perguntado para seus companheiros se eles queriam ver como o futebol deve ser jogado. O jogo terminou 7 a 1 para o time de Turim. Isso explica a frase de Enzo Bearzot anos mais tarde: “O maior jogador italiano de todos os tempos foi Valentino Mazzola. Ele era um homem que podia carregar um time todo em suas costas”.

Ferruccio e Sandro, que também viraram jogadores, carregam foto do pai, Valentino (Old School Panini)
Valentino Mazzola fez sua última partida dia 3 de maio de 1949, na vitória por 4 a 1 contra o Benfica, em Portugal. Marcou um dos gols. Na volta para a Itália, o avião que levava os jogadores se chocou com a Basílica de Superga, nas proximidades de Turim, e matou todos os tripulantes. Mas sua herança para o futebol não ficou apenas na memória ou nos escritos. Valentino deixou no mundo dois filhos, Ferruccio, em homenagem ao presidente que o levou ao Torino, e Sandro. O segundo todos conhecem: o ídolo da Inter da década de 1960, Sandro Mazzola. Vocês relembram um pouco da carreira dele quinta-feira, aqui no blog.


Valentino Mazzola
Nascimento: 26 de janeiro de 1919, em Cassano d’Adda, na Itália
Posição: atacante
Clubes: Alfa Romeo (1938-39), Venezia (1939-42) e Torino (1942-49)
Seleção italiana: 12 jogos, 4 gols
Títulos: 5 Campeonatos Italianos (1943, 1946, 1947, 1948 e 1949) e 2 Copas da Itália (1941 e 1943)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prévia: Inter x Barcelona

Na fase de grupos, Ibrahimovic sofreu com a defesa interista. Messi também sofrerá? (Associated Press)


O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões marcava o decantado reencontro de Samuel Eto'o e Zlatan Ibrahimovic com seus antigos companheiros de time e torcidas. Pois bem, a competência de Inter e Barcelona e, mais uma vez o sorteio, colocou Eto'o e Ibrahimovic frente a frente a suas ex-equipes pela segunda vez só nesta temporada. Mas, desta vez, não será um "mero" confronto da fase de grupos. Este jogo vale muito mais: o camaronês pode provar ao Barcelona que fez mal em negociá-lo, enquanto Ibrahimovic pode mostrar a Inter que precisava mesmo deixar o Giuseppe Meazza para conseguir brilhar em âmbito continental. Além dos duelos particulares, está em jogo a classificação para a final do torneio e o provável status de favorito para a final.

Se classificará a renovada Inter de José Mourinho, que aprendeu a jogar na LC ou o implacável e mágico Barcelona comandado por Xavi e Lionel Messi? Para a prévia desta empolgante semifinal, contaremos com a ótima colaboração de Victor Mendes, do blog Quatro Tiempos, especializado no futebol da Espanha. Confira a prévia de Inter x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui
Inter: Com a atenção voltada a Liga dos Campeões, o rendimento na Serie A caiu e a Inter venceu quatro vezes nos últimos dez jogos, deixando escapar uma larga vantagem que tinha para a Roma, nova líder da Serie A. Os nerazzurri, que costumavam ser perseguidos na tabela, se veem pela primeira vez em muito tempo na situação oposta e prometem levar a disputa pelo título até a última rodada. A vitória no dérbi contra a Juventus, aberta com um golaço de Maicon, anima os interistas para a disputa de mais um objetivo na temporada: o título da LC. Não obstante a queda de rendimento na Serie A, esta é a mais sólida temporada nerazzurra nos últimos anos, já que a equipe de José Mourinho, que merece boa parte dos créditos por isso, está disputando três títulos até este momento. Além de estar nas semifinais da LC e estar apenas um ponto atrás da Roma na Serie A, a Inter jogará a final da Coppa Italia.

Barcelona:
Na Liga BBVA, o Barça é líder da competição com quatro pontos de vantagem para o Real Madrid. Só perdeu uma partida durante o campeonato inteiro, tem a melhor defesa e o artilheiro da competição, Messi. A vitória sobre o Real Madrid, há duas semanas, parece ter dado um ânimo a mais pro Barça. A partir da segunda metade da temporada, Guardiola passou a mudar a tática do time, do 4-1-2-3 para o 4-2-1-2, com Messi vindo de trás de Pedro e Ibrahimovic. No último jogo pela Liga, o Barça jogou o derby barceloní e sofreu para sair do Cornellà-El Prat com um ponto e a tática voltou a ser o 4-1-2-3. Mas, contra a Inter, o esquema a ser utilizado por Guardiola, deve ser o novo. Desde a vitória contra o Schalke 04, pelas quartas da temporada 07/08, o Barça não ganha fora de casa na fase final da LC. Desde lá, foram seis jogos e seis empates. A ambição de Pep e de todo o time era conquistar uma nova tríplice coroa, mas o Barça acabou eliminado da Copa del Rey, contra o Sevilla, em janeiro. Na última partida da Champions, os blaugrana arrasaram o Arsenal, no Camp Nou, com 4 gols do genial Lionel Messi.

Pontos fortes
Inter: A grande novidade desta LC tem justamente a ver com a campanha da Inter. Após muitas temporadas jogando de maneira medrosa na principal competição europeia, José Mourinho conseguiu transformar a mentalidade dos jogadores nerazzurri. As partidas contra o Chelsea, nas quais a Inter jogou com a faca nos dentes e com enorme inteligência tática já começam a ser identificadas como um divisor de águas na história recente do clube. Parte destes méritos se deve também a mudança feita pelo técnico no esquema tático da equipe, que encontrou no 4-2-3-1 seu módulo mais equilibrado e eficiente. A chance de parar Lionel Messi está no bom desempenho da defesa interista em jogos importantes. Apesar de alguns deslizes contra Roma e Fiorentina, o conjunto de defesa da Inter se portou muito bem contra Milan, Juventus, Chelsea e contra o próprio Barcelona, no primeiro dos jogos das duas equipes na fase de grupos da LC. Messi deverá ser marcado diretamente por Zanetti e Samuel, dois ejogadores experientes e seus companheiros de seleção.

Barcelona: O ataque do Barça não é tão avassalador como o da temporada passada, mas mesmo assim, continua passando medo aos adversários. Messi vem fazendo uma temporada genial e é o artilheiro da Liga BBVA (26 gols) e da LC (8 gols), além de ser o líder de assistências da Liga BBVA (9 assistências). Ibrahimovic vive de altos e baixos, mas tem a confiança da torcida: ele marcou gols em todos os jogos de maior importância para o Barça na temporada (em que disputou), além de, pela primeira vez na carreira, ter marcado gols nas fases decisivas da Champions. Pedro foi uma aposta de Guardiola que deu certo. Ele marcou pelo menos um gol nas seis competições que o Barça disputou na temporada 09/10 e foi o herói das conquistas da Supercopa da UEFA, fazendo o gol do título no último minuto da prorrogação, e do Mundial, quando marcou aos 44 minutos do segundo tempo o gol de empate. Contra a Inter, pela 5ª rodada da fase de grupos, fez sua melhor partida pelo Barça e deixou a sua marca. E ainda tem a brilhante dupla de meio campo Xavi, o maestro, e Iniesta, o motor do time, que não jogará a ida e ainda é dúvida pra volta.

Pontos Fracos
Inter: A Inter chegou em um momento complicado e crucial na temporada: jogando três competições diferentes e passando por altos níveis de stress, é muito complicado manter a concentração. Até agora, Mourinho e sua comissão técnica tem conseguido sucesso em focar o grupo para as partidas da LC, torneio ao qual a Inter parece totalmente dedicada. Porém, o cansaço mental é forte e tem feito o time errar um pouco mais do que de costume, vide o empate contra a Fiorentina no último sábado. Claro, o peso de atuar em três frentes diferentes não cansa apenas o cerébro, mas também o corpo. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Por outro lado, os jogadores também não deram tanta chance para o treinador ousar um turnover mais radical ao caírem de rendimento e permitirem a aproximação - e depois ultrapassagem - da Roma. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Barcelona pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo.

Barcelona: Talvez a defesa do Barcelona seja o ponto “menos forte” do time. A temporada de Piqué é muito boa, mas a de Puyol vem sendo um pouco abaixo da média. O capitão já chegou a fazer partidas impecáveis, como as duas contra o Real Madrid, mas vem falhando demais, principalmente nesta segunda metade da temporada. Abidal faz sua melhor temporada desde que chegou ao clube azulgrená, porém, de um tempo pra cá, vem se lesionando com frequência e, dependendo de como estiver, poderá ser reserva na ida. O titular então seria Maxwell, que apoia muito bem, mas é fraco defensivamente. O brasileiro tem certas dificuldades em marcar jogadores velozes, vide Walcott, no Emirates, e poderia ser um ponto positivo, caso jogue, pra Inter.

Expectativas
Inter: Em momento crucial na temporada, a comunidade interista deseja a conquista da tríplice coroa, que só pode ser conquistada pela própria Inter ou pelo Bayern de Munique. Nos poucos jogos que restam na temporada, a Inter pode ser campeã de tudo ou terminar com zero tituli, para usar uma expressão popularizada por José Mourinho. Como a Coppa Italia não é muito valorizada e a tabela nos últimos quatro jogos da Serie A não é difícil, reservando os esforços em secar a Roma, a Inter deve apostar tudo nos dois confrontos contra o Barcelona. Por mais que os catalães sejam favoritos por todo o futebol que tem mostrado nos últimos anos, a Inter já mostrou que é possível eliminar o time favorito no confronto e que é possível parar Messi. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia.

Barcelona: O que anima (e muito) o Barça é o fato de a final da LC ser realizada no estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu. Uma conquista do Barça no campo do maior rival entraria para história da rivalidade entre Barcelona e Madrid. Além disso, o Barcelona tentará, se chegar a final, quebrar a marca de que nenhum time consegue ganhar dois títulos consecutivos do campeonato desde o Milan do fim da década de oitenta, que abocanhou os títulos de 1988-89 e 1989-90. Nos últimos três confrontos entre nerazzurri e blaugranas, o Barcelona venceu duas vezes e houve um empate: Barcelona 5 a 0 Inter, na temporada 2007-08 pelo Trofeu Joan Gamper - com um gol de Thiago Motta, hoje jogador interista -; Inter 0 a 0 Barcelona, pela primeira rodada da fase de grupos da atual LC, e Barcelona 2 a 0, pela quinta rodada.

Prováveis escalações
Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti; Thiago Motta (Stankovic), Cambiasso; Pandev, Sneijder, Eto'o; Milito.

Barcelona: Victor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Maxwell (Abidal); Busquets (Touré), Xavi, Keita; Messi, Ibrahimovic, Pedro.