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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os melhores da Serie A 2009-10

Titulares: Julio Sergio; Maicon, Lúcio, Samuel, Riise; Palombo, Pastore, Sneijder; Miccoli, Milito e Di Natale. Reservas: Storari, Cassani, Thiago Silva, Cambiasso, Pizarro, Jovetic e Ronaldinho. Técnico: Claudio Ranieri. Nestes nomes, está o que o campeonato italiano viu de melhor em termos de jogadores durante suas 38 rodadas. A equipe do Quattro Tratti votou para eleger a seleção da temporada recém-finalizada da Serie A, com direito a banco para sete suplentes. Confira cada um deles, nome a nome:

No país dos grandes goleiros, um coadjuvante brasileiro deu as caras de forma inesperada (Reuters)

Julio Sergio (Roma)
Jogos: 30
Gols sofridos: 29
Cartões: nenhum
Melhor partida: Fiorentina 0-1 Roma, 23ª rodada
Aquele que já foi tido como país dos melhores defensores do mundo pode rever seus conceitos. A começar do gol. Com Julio Sergio em campo, a Roma só saiu derrotada duas vezes em 30 partidas, uma marca notável para aquele que, sob o comando de Spalletti, era o "melhor terceiro goleiro do mundo". A briga com Doni pela titularidade só durou até um confronto com a Inter, quando o ex-reserva fechou a defesa, garantiu a vitória e o posto que hoje lhe rendeu uma renovação contratual até 2014 - nada mal para quem quase foi para o Grosseto, há dez meses. Mas não faltaram candidatos italianos ao posto de Julio Sergio, a bem da verdade. Menção honrosa para Storari (Sampdoria), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna) e Curci (Siena).

Maicon (Inter)
Jogos: 33
Gols: 6
Assistências: 11
Cartões: 7 amarelos, 1 vermelho
Melhor partida: Genoa 0-5 Inter, 8ª rodada
É fácil medir o atual estágio em que Maicon se encontra. Basta olhar para a seleção brasileira e perceber que não há clamor para que o fantástico Daniel Alves assuma seu lugar na lateral-direita do time de Dunga. O início de temporada de Maicon não foi bom, mas logo o ex-jogador do Cruzeiro se recuperou para se confirmar como um dos pilares do já histórico time de José Mourinho. Em sua quarta temporada na Serie A, esbanjou uma eficiência ofensiva até então desconhecida. E passou para trás seus concorrentes pelo posto, bem menos brilhantes, Cassani (Palermo) e Andrea Masiello (Bari).

Lúcio (Inter)
Jogos: 31
Gols: 1
Assistências: 3
Cartões: 4 amarelos, 1 vermelho
Melhor partida: Inter 0-0 Sampdoria, 25ª rodada
Como se ainda precisasse, foi contra a Sampdoria que o ex-zagueiro do Bayern de Munique mostrou a que veio. Com as duas expulsões do time nerazzurro ainda no primeiro tempo, Lúcio ficou sobrecarregado na defesa, mas se mostrou um gigante e ainda arriscou suas subidas ao ataque, é claro. Titular absoluto desde sua chegada a Milão, o brasileiro só ficou de fora quando esteve suspenso ou lesionado e se mostrou confiável para se tornar o espírito defensivo que faltava para a Inter. Especialmente quando esteve ao lado de...

Walter Samuel (Inter)
Jogos: 28
Gols: 3
Assistências: nenhuma
Cartões: 9 amarelos, 1 vermelho
Melhor partida: Inter 2-0 Milan, 21ª rodada
Ele jogou desde o início da temporada, mas parecia não animar, nem convencer. José Mourinho fez alguns testes por ali, mas logo o argentino provou a alcunha de The Wall (O Muro), recebida em seus tempos de Roma. Falando em Roma, foi a melhor temporada de Samuel desde que saiu da capital. Desta vez, praticamente não sofreu com problemas físicos - ao menos a partir de novembro - e foi eficiente por cima e por baixo, funcionando como referência para linhas de marcação. E chegando mais "firme", quando necessário. Notáveis as exibições de Thiago Silva (Milan), Gastaldello (Sampdoria), Yepes (Chievo), Burdisso (Roma) e Grava (Napoli).

John Arne Riise (Roma)
Jogos: 36
Gols: 5
Assistências: nenhuma
Cartões: 5 amarelos
Melhor partida: Juventus 1-2 Roma, 21ª rodada
Em outra temporada privada de grandes laterais, Riise ganhou fácil da pouca concorrência que teve. Foi incomodado, no máximo, por Mantovani (Chievo) e Salvatore Masiello (Bari). Ainda que não tenha dado qualquer assistência para gol, o norueguês recuperou com Ranieri seu bom futebol dos tempos áureos de Liverpool e parecia um garoto pelo lado esquerdo da Roma. Marcando com atenção de uma forma enferrujada e subindo com perigo ao ataque, Riise foi fundamental na caminhada que botou os giallorossi tão perto do título italiano.


Capitão pra toda a vida, Palombo foi o símbolo de uma eficiente Sampdoria (Getty Images)

Angelo Palombo (Sampdoria)
Jogos: 36
Gols: 2
Assistências: 2
Cartões: 6 amarelos
Melhor partida: Sampdoria 2-0 Fiorentina, 24ª rodada
O capitão doriano encarnou com perfeição a figura de regente do meio-campo de um time bem encaixado e que jogou de forma bastante eficiente durante quase todo a Serie A. Com Poli ou Tissone sempre a seu lado para segurar o tranco mais forte da marcação, desta vez Palombo ganhou mais responsabilidades ofensivas e pôde arriscar passes e lançamentos em profusão. Bom para a torcida da Sampdoria, que viu sua maior bandeira evoluir ainda mais numa temporada de final tão feliz.

Javier Pastore (Palermo)
Jogos: 34
Gols: 3
Assistências: 9
Cartões: 5 amarelos
Melhor partida: Genoa 2-2 Palermo, 30ª rodada
Com uma evolução ainda mais rápida que a de Palombo, Pastore não demorou a atravessar a linha que separa listas tão diferentes. Deixou de ser decepção para se tornar um dos grandes. Aposta alta de Zamparini, o argentino começou muito mal sua carreira em rosanero, mas contou com um fator determinante para a reviravolta: a contratação de Delio Rossi, que mandou Simplício para o banco e encaixou Pastore na armação do Palermo. Essencial na disputa pela vaga à Liga dos Campeões que bateu à porta, com belos chutes e passes milimétricos, o meia já é cortejado pelos gigantes europeus.

Wesley Sneijder (Inter)
Jogos: 26
Gols: 4
Assistências: 8
Cartões: 3 amarelos, 2 vermelhos
Melhor partida: Milan 0-4 Inter, 2ª rodada
Procura-se armador. A Inter entrou na temporada ainda sem a solução que José Mourinho tanto reclamava para sua equipe. Faltava um elo entre meio-campo e ataque, para dar ritmo ao jogo, e, claro, decidir partidas duras. Pois Sneijder chegou de imprevisto, como refugo do Real Madrid. E estreou menos de 24 horas depois de seu desembarque, justo num dérbi local, uma decisão que pareceu questionável até o apito inicial. Em campo, Sneijder mudou esta opinião e deu uma amostra do que seria sua temporada. Decidiu vários jogos truncados e tem muito da responsabilidade deste scudetto da Inter. Por isso chega à seleção, superando nomes como os de Cambiasso e Zanetti (Inter), Pizarro (Roma), Ambrosini (Milan), Jovetic (Fiorentina) e Rossi (Genoa).

Di Natale decidiu. Pegando de primeira, de segunda, de chapa, de bico, de frente, de costas... (AP)

Antonio Di Natale (Udinese)
Jogos: 35
Gols: 29
Assistências: 7
Cartões: 6 amarelos
Melhor partida: Udinese 4-2 Catania, 3ª rodada
Se os números de Di Natale já falam por si, imagine só ao colocarmos ao lado da produção ofensiva de toda a Udinese. Dos 54 gols do clube friulano, 36 saíram diretamente dos pés de seu capitão, feito notável para um time que demorou a se livrar do risco do rebaixamento e só o fez graças à inspiração do artilheiro da Serie A. Marcou três vezes contra Catania e Napoli, duas contra Parma, Roma e Bari e ainda deixou sua marca em mais 17 partidas, incluindo as oito últimas do campeonato. Se não fez chover, foi questão de detalhe.

Fabrizio Miccoli (Palermo)
Jogos: 35
Gols: 19
Assistências: 10
Cartões: 6 amarelos
Melhor partida: Palermo 3-1 Milan, 35ª rodada
Outro exemplo de domíno das ações do time. O Palermo marcou 59 gols no campeonato e 29 deles saíram dos pés de Miccoli, de forma direta. Nada mal para o experiente atacante, que fez sua melhor temporada na Serie A e foi muito pedido na seleção de Marcello Lippi. Na reta final que quase valeu ao Palermo uma vaga na Liga dos Campeões, o melhor jogador italiano da temporada fez nove gols em sete jogos e levou perigo até sofrer um rompimento no joelho direito, já na penúltima rodada do campeonato. Miccoli deve ficar fora dos gramados até meados de setembro.

Diego Milito (Inter)
Jogos: 35
Gols: 22
Assistências: 6
Cartões: 2 amarelos
Melhor partida: Milan 0-4 Inter, 2ª rodada
A Inter venceu por apenas um gol de diferença em oito de suas 24 vitórias na Serie A. Em seis desses jogos, Milito marcou e foi decisivo. Inclusive na última rodada, um empate duro com o Siena que ia passando o título italiano para a Roma até que o argentino deixasse sua marca. Isso para não falarmos de tantas outras partidas pela Serie A - ou pela Liga dos Campeões, o que fugiria do foco da escolha. Como na partida contra o Milan, logo na segunda rodada, quando os rossoneri chegaram com certo favoritismo e foram dizimados com um gol e duas assistências do príncipe nerazzurro. Estreando em um grande clube aos 30 anos, Milito deitou e rolou. O trio de ataque da seleção ficou à frente de muita gente que também fez sua parte, como Ronaldinho (Milan), Cossu (Cagliari), Vucinic (Roma), Maxi López (Catania) e Pazzini (Sampdoria)

Criticado por onde passa, Ranieri encontrou em sua Roma um bom porto seguro (Reuters)

Claudio Ranieri (Roma)
Numa Roma em queda livre, Ranieri chegou inspirando pouca confiança. Uma de suas poucas "qualidades" em Trigoria era exaltada pelos mais fanáticos torcedores: é romano e romanista. Pois o treinador não demorou a entrar no ambiente do clube e soube esconder sua equipe de uma imprensa que havia se mostrado nociva nas últimas temporadas, mostrando um bom desprendimento com jornalistas mais durões. Em suas mãos, os giallorossi sonharam com um improvável scudetto e mostraram um futebol tão eficiente quanto o que tinham com Capello, há uma década.

Reservas: Storari (goleiro, Sampdoria), Cassani (lateral-direito, Palermo), Thiago Silva (zagueiro, Milan), Cambiasso (meia, Inter), Pizarro (meia, Roma), Jovetic (meia, Fiorentina) e Ronaldinho (atacante, Milan)
Melhor jogador: Diego Milito (Inter)
Revelação: Javier Pastore (Palermo)
Melhor contratação: Diego Milito (Inter)
Pior contratação: Felipe Melo (Juventus)

sábado, 29 de maio de 2010

Especial: As 15 revelações da Serie A 2009-10

Sirigu, do Palermo, desbancou o brasileiro Rubinho e foi titular do Palermo na temporada (Getty Images)

O Campeonato Italiano tem mudado um pouco no que diz respeito a revelar jovens jogadores. Cada vez mais, atletas de pouca idade aparecem frequentemente como titulares e até mesmo como jogadores importantes para seus times, casos de Marek Hamsík (Napoli), Alexandre Pato (Milan), Mario Balotelli (Inter), Javier Pastore (Palermo) e Emiliano Viviano (Bologna). Na atual temporada, muitos jogadores que surgiram de vez para o cenário internacional já haviam rodado por times de menor expressão, casos de Salvatore Sirigu, goleiro do Palermo e Antonio Candreva, da Juventus.

Para mudar esta mentalidade, destacam-se os trabalho de equipes que investem cada vez mais no futebol de base. A Atalanta está entre as maiores reveladoras de talentos do futebol europeu, e é a equipe que mais revela jogadores no futebol italiano, embora isto não se reflita muito no seu futebol profissional. Após a chegada de José Mourinho, a Inter tem investido pesadamente no seu setor juvenil, cada vez mais profisionalizado. Sampdoria, Fiorentina, Palermo, Roma, Milan e Juventus - esta última bicampeã da Copa Viareggio - também tem seguido a tendência, o que tem feito que jogadores italianos acabem sendo mais frequentemente levados aos elencos profissionais de suas equipes, quebrando uma tradição vigente há muito no país.

Entre os profissionais, algumas equipes tem a tradição de incorporarem jogadores mais novos a seu time elenco principal até mesmo antes desta nova tendência, como a Udinese. Porém, se os friulanos fracassaram em 2009-10, ganharam destaque as apostas de Bari, Cagliari, Palermo e Parma, equipes nas quais mais de um jovem talento se solidificou e assumiu a titularidade, ajudando seus clubes a realizar campanhas interessantes no campeonato.

Pela terceira vez, o Quattro Tratti realiza parceria com o Olheiros, especializado na cobertura do futebol das divisões de base e no acompanhamento de jovens jogadores sobre os quais gira a expectativa de que surjam como novas estrelas do futebol mundial. Abaixo, acompanhe quais foram as 15 melhores revelações da Serie A e por quê. Boa leitura!

Nome: Davide Astori
Idade: 23
Posição: zagueiro
Clube: Cagliari
Em sua segunda temporada no Cagliari, Astori foi o ponto de segurança da defesa rossoblù, ajudando a proteger a meta defendida por Marchetti. Neste ano, o jovem lombardo desbancou o capitão Diego López e assumiu a titularidade ao demonstrar muita garra e boa técnica. Além disso, é bom em antecipações e jogadas aéreas - marcou dois gols após bola parada nesta Serie A. Cedido em co-propriedade pelo Milan há dois anos, chegou a ser vinculado a uma volta ao clube rossonero. Porém, nas recentes negociações entre as diretorias para a liberação do técnico Massimiliano Allegri para o clube de Milão, Astori pode ser envolvido na transação, de forma que continue a evoluir na equipe da Sardenha.

Nome: Khouma El Babacar
Idade: 17
Posição: atacante
Clube: Fiorentina
O mais jovem jogador presente neste especial já é comparado a Drogba, Weah e Balotelli, por possuir muita força física (1,88m e 83 kg) combinada com habilidade. O senegalês Khouma El Babacar chegou a Itália em 2007, para defender o Pescara, mas logo impressionou os olheiros da Fiorentina. Depois de vencer, em 2009, o campeonato nacional da categoria Allievi com os viola, foi integrado ao time principal por Cesare Prandelli. Logo em sua estreia, com 16 anos, marcou contra o Chievo na Coppa Italia e se tornou o mais jovem jogador da história do clube a ter feito um gol. Em apenas quatro partidas disputadas pela Serie A, o atacante mostrou boa movimentação pelos lados do campo, assim como bom cabeceio e alguma frieza. Em seu único gol no torneio, contra o Genoa, Babacar conseguiu deixar Bocchetti (pré-convocado por Marcello Lippi para a Copa do Mundo) acuado, aproveitou uma bobeira do defensor e, com calma, bateu na saída do goleiro. Com tal perspectiva de crescimento, Babacar conseguiu ofuscar Keirrison, que fez tanto quanto ele com o dobro de oportunidades.

Nome: Jonathan Biabiany
Idade: 21
Posição: atacante
Clube: Parma
Depois de ótima temporada jogando na Serie B pelo Modena, Biabiany foi emprestado pela Inter para o Parma, que buscava construir um grupo que mesclasse a experiência de alguns jogadores com a adição de jovens promissores. O francês logo se destacou contra a própria Inter, ao dificultar a vida de Santon puxando contra-ataques de muita velocidade, correndo a quase 30 km/h. Na equipe parmiggiana, que fez bom campeonato, Biabiany atuou em 29 partidas, nas quais demonstrou versatilidade (pode jogar tanto como ponta quanto primeiro atacante) e um estilo de jogo bastante vertical. Driblador, é costumeiramente perigoso quando tem espaço para ir para cima da defesa com rapidez. Em janeiro, o Parma exigiu que a Inter cedesse sua co-propriedade, na transação que portou McDonald Mariga a Appiano Gentile, o que mostra como impressionou no Tardini. No mercado de verão, poderá retornar ao time de Milão para ocupar a vaga de um desvalorizado Quaresma.

Muito seguro e lembrando Chiellini, Bonucci foi um dos pontos altos do Bari (Getty Images)

Nome: Leonardo Bonucci
Idade: 23
Posição: zagueiro
Clube: Bari
Bonucci só despontou nesta temporada, após quatro temporadas como profissional. Revelado nas categorias de base da Inter, o zagueiro ganhou o Campionato Primavera numa equipe que tinha Mario Balotelli. Depois, de duas temporadas jogando na Serie B por Treviso e Pisa, foi envolvido na negociação que levou Thiago Motta e Milito do Genoa para a Inter. Porém, o zagueiro teve sua primeira chance verdadeira na elite num Bari que parecia fadado ao rebaixamento, mas que surpreendeu a todos. O canhoto Bonucci, que fez uma sólida dupla com o igualmente jovem Ranocchia, revelou-se um zagueiro seguro, muito bom nas jogadas aéreas e também no combate corpo a corpo, por sua boa física. Após a grande temporada, o zagueiro é comparado a Chiellini, por causa de suas características físicas, mas também técnicas. O bom campeonato lhe valeu as primeiras convocações para a seleção italiana, na qual estreou em março, em partida contra Camarões. Pela seleção, deve estrear também em uma Copa do Mundo, pois deve fazer parte da lista final de Lippi para o torneio. Bonucci também não deve permanecer na Puglia após o Mundial: existem grandes possibilidades de que se concretize uma transferência para a Juventus ou um retorno para a Inter, seu time do coração.

Nome: Antonio Candreva
Idade: 23
Posição: meio-campista
Clube: Livorno/Juventus
Dentre os jogadores citados neste especial, Candreva talvez seja o que menos mereça o título de promessa. Pelo contrário, o jogador já se encaminha para ser uma realidade do futebol italiano. Em uma temporada e meia jogando pelo Livorno, emprestado pela Udinese, o trequartista destacou-se demais: primeiro, ajudou os amaranto a subirem para a Serie A. Na elite, atuou em todos os jogos do primeiro turno e foi o principal jogador do time quando os labronici estavam fora da zona de rebaixamento, destacando-se com ótima movimentação, chutes perigosíssimos e bons passes. Surgindo como um dos melhores meias da Itália, o romano chegou a ser convocado para a seleção e também conseguiu um empréstimo para a Juventus. Em Turim, chegou a jogar na posição de Diego, sua função de origem, mas costumou atuar mais recuado, preocupando-se mais com funções de marcação e permitindo também uma melhor saída de bola para os bianconeri. Na má fase da Juventus, Candreva não manteve as ótimas atuações, mas pelo menos não decepcionou, como mostra o golaço contra o Siena. De qualquer forma, se não permanecer no clube, deve ter cadeira cativa na Udinese.

Nome: Albin Ekdal
Idade: 20
Posição: meio-campista
Clube: Siena
O meia sueco não conseguiu espaço na Juventus e acabou emprestado ao Siena, para adquirir experiência. Ekdal fez parte do elenco principal da Velha Senhora na última temporada, mas não teve grandes oportunidades. Pela equipe Primavera da Juve, era peça fundamental e acabou participando da campanha do título na Copa Viareggio. Na Toscana, por sua vez, o meio-campista teve o espaço que precisava para se desenvolver e foi titular do meio-campo bianconero, com 26 partidas disputadas e um gol marcado contra a Inter, quando apareceu de surpresa e fez. Versátil, Ekdal pode excutar diferentes funções do meio-campo: forte fisicamente, pode ser aproveitado para proteger a defesa ou com liberdade para aparecer mais próximo da área adversária, pois tem boa técnica e é um jogador inteligente. Na Robur, destaque também para o croata Mato Jajalo, dono de um potente tiro com o pé direito e de inteligência na criação de jogadas.

Acostumado a deixar zagueiros na saudade, Abel Hernández fez sete gols na Serie A (Getty Images)

Nome: Abel Hernández
Idade: 19
Posição: atacante
Clube: Palermo
O jovem atacante uruguaio combina seu estilo driblador e habilidoso com a objetividade daqueles que querem entrar para a história. Na Serie A, poucos jogadores tem o estilo deste uruguaio que se espelha no brasileiro Ronaldo: veloz e muito hábil com a bola nos pés, Abel Hernández finaliza bem e pode jogar aberto pelos flancos no ataque e também como segundo atacante. Com apenas 19 anos, Abel Hernández ainda precisa se desenvolver melhor fisicamente, mas já é a primeira opção no banco do Palermo. Saindo do banco rosanero em boa parte dos jogos, marcou sete gols no campeonato e vitimou boas equipes, como Lazio, Genoa, Inter, Milan e Fiorentina. Contra esta última, Abel realizou sua melhor partida da temporada e, em apenas 45 minutos em campo, decidiu o jogo com lindas jogadas e dois gols.

Nome: Vladimir Koman
Idade: 21
Posição: meio-campista
Clube: Bari
O esterno da Hungria já era visto há cerca de três anos como uma das maiores esperanças do futebol daquele país do Leste Europeu, que tem revelado bons talentos nesta década. Formado nas boas categorias de base da Sampdoria, foi peça fundamental em dois títulos nacionais para os dorianos e passou um ano emprestado ao Avellino, da Serie B. Nesta temporada, ganhou sua primeira chance na elite com o Bari. No 4-4-2 bem definido de Gian Piero Ventura, podia jogar em qualquer um dos lados do meio-campo, mas se firmou jogando 16 partidas sempre aberto pela esquerda, posição na qual teve pelo menos três outros concorrentes. Destro de origem, não teve dificuldades em jogar por ali, tendo conseguido manter o nível de Rivas e Allegretti, mas dando um toque a mais de classe e de cadenciamento do jogo. Sua verve goleadora também foi colocada à mostra: na Serie A, marcou dois gols, aparecendo sempre de surpresa pelo setor. No Mundial sub-20 de 2009, foi capitão e principal jogador da ótima seleção húngara que ganhou o bronze, graças a sua performance e seus cinco gols, alcançando a vice-artilharia do torneio. Na próxima temporada, deve ser utilizado pela Samp, com a qual ainda tem contrato.

Nome: Rene Krhin
Idade: 20
Posição: meio-campista
Clube: Inter
O esloveno começou a temporada sendo alçado ao time principal por José Mourinho, mas acabou não jogando tanto quanto se esperava. Campeão da Copa Viareggio de 2008, Krhin estreou na seleção de seu país antes mesmo de estrear pela equipe principal da Inter: a única vez que entrou em campo foi contra a Inglaterra, em setembro de 2009. Na semana seguinte, teve seu grande momento no clube. Após ter acabado de entrar no segundo tempo, construiu toda a jogada do segundo gol da Inter contra o Parma, num misto de velocidade, força e consciência tática. Depois, acabou se lesionando e perdeu espaço no time, sobretudo após a contratação de Mariga, reduzindo sua participação a cinco jogos na temporada. O fato de a Inter ter precisado de todos os titulares na reta final do campeonato também diminuiu suas chances de entrar em campo, mas o que mostrou foi suficiente para lhe garantir um empréstimo para uma equipe da primeira divisão na próxima temporada. Se não for cortado e permanecer na lista da Eslovênia para a Copa, suas chances aumentam.

Nome: Davide Lanzafame
Idade: 23
Posição: meia-atacante
Clube: Parma
Apesar de ser um dos mais rodados entre os jogadores deste especial, Lanzafame só teve papel de destaque na Serie A nesta temporada. Depois de estrear na Juventus, foi emprestado ao Bari e, pela segundona, marcou 10 gols em temporada na qual foi titular. Promissor, estreou na primeira divisão pelo Palermo, mas, genioso, não tinha bom ambiente nos bastidores. Só após um novo estágio no Bari é que recebeu uma nova chance na elite, com o Parma de Francesco Guidolin, que bancou a aposta. O jogador se destaca, em primeiro lugar, pela sua versatilidade, já que pode jogar pelos flancos no meio-campo ou em qualquer posição no ataque. De uma maneira muito parecida com a qual Antonio Di Natale atua, Lanzafame é habilidoso, ambidestro e se posiciona muito bem, com a vantagem de ser mais alto e saber cabecear bem. A boa temporada no Parma, com sete gols marcados (quatro nas duas últimas rodadas, dois contra a Juventus), já colocou o jogador na mira da própria Juve e da Udinese, que será treinada por Guidolin.

Nome: McDonald Mariga
Idade: 23
Posição: meio-campista
Clube: Parma/Inter
Comparado a jogadores da linhagem de Patrick Vieira e Mohammed Sissoko, pela força física aliada a boa técnica, McDonald Mariga não jogou tanto em 2009-10, mas já é considerado um dos mais promissores volantes da Serie A. No Parma, teve papel preponderante na última temporada, ajudando o Parma a conquistar o acesso para a elite. No campeonato recém-concluído, uma lesão muscular mais séria impediu o queniano de disputar boa parte do primeiro turno, quando os crociati tiveram seu melhor momento. Mesmo assim, José Mourinho decidiu levá-lo para a Inter em janeiro para substituir Vieira, de saída para o Manchester City. Na equipe nerazzurra, foi reserva, mas atuou em 13 jogos nos quais o técnico precisou de mais marcação no meio-campo, mostrando-se útil em suas especialidades: força física e qualidade nas roubadas de bola. Bom finalizador, especialmente em médias e longas distâncias, o queniano chegou também a marcar um gol pelo clube, contra a Atalanta. No Quênia, mesmo com a pouca idade, já é considerado o maior nome do futebol nacional em toda a história.

Ao lado de Palombo, Poli tem evoluido e deve figurar na seleção italiana nos próximos anos (Getty Images)

Nome: Andrea Poli
Idade: 20
Posição: meio-campista
Clube: Sampdoria
Mais um jogador construído nas divisões de base da Sampdoria, Poli fez parte da equipe campeã da Coppa Italia e do Campionato Primavera da categoria, antes de fazer ótima temporada no Sassuolo, na Serie B concluída em maio de 2009. De volta ao time genovês, assumiu a titularidade absoluta, atuou em 31 partidas do campeonato e formou com Palombo uma das melhores duplas de centrocampistas da Itália, tornando-se uma realidade do futebol nacional. Com muita personalidade, Poli revelou-se um jogador eficiente no combate corpo a corpo, muito inteligente no posicionamento e capaz de aparecer com perigo mais próximo a área, já que é um bom finalizador. Aprendendo com o excelente Palombo, o meio-campista foi um dos pontos altos da equipe, que conseguiu se classificar para a Liga dos Campeões e, se continuar evoluindo desta maneira, tem futuro certo na seleção italiana.

Nome: Daniele Ragatzu
Idade: 18
Posição: atacante
Clube: Cagliari
Ragatzu é a jóia do vivaio da equipe do estádio Sant'Elia. O atacante estreou ainda em 2009, fazendo parte do grupo de jogadores revelados por Massimiliano Allegri quando este treinava a equipe sarda. Em seu batismo de fogo, não decepcionou e chegou a marcar um gol contra a Fiorentina. Porém, o jogador só ganhou verdadeiras oportunidades na atual temporada, na qual atuou em oito partidas, com dois gols marcados: o primeiro deles, contra o Milan, acertando um belo chute no ângulo de Dida. O segundo, frente ao Bologna, mostrou que Ragatzu, além de ser habilidoso e veloz, também sabe finalizar de fora da área. Além disso, o atacante frequentou as seleções sub-16 e sub-17 da Itália por três anos, nos quais fez 21 partidas e nove gols. Se ainda não ganhou chances na seleção sub-21, deve ser questão de tempo: com as prováveis saídas de Matri e Larrivey, o baixinho deve ganhar mais oportunidades na próxima temporada, quando poderá se tornar mais um jogador nascido em Cagliari a ganhar o carinho da torcida, depois de Pisano e Cossu.

Nome: Andrea Ranocchia
Idade: 22
Posição: zagueiro
Clube: Bari
Ao lado de Bonucci, Ranocchia formou uma das duplas de defesa mais sólidas de toda a Serie A, em sua segunda temporada emprestado pelo Genoa ao Bari. Menos técnico e mais alto (1,95m) do que seu companheiro de defesa, Ranocchia se destaca por ser excepcional nas bolas aéreas, se tornando uma arma dos biancorossi inclusive no ataque: na Serie A, fez dois gols após cobranças de escanteio. Como características técnicas, ainda possui muita liderança em campo e, forte fisicamente, desempenha bom trabalho de marcação individual, enquanto Bonucci faz a cobertura. Tal configuração de defesa é semelhante a do Manchester United, na qual Ferdinand desempenha o papel de Bonucci e Vidic o de Ranocchia. Uma lesão no joelho no meio do campeonato, porém, tirou suas chances de ir a Copa do Mundo, já que era cotado para receber uma convocação. O Genoa pode aproveitá-lo para corrigir os recorrentes problemas que acometeram sua defesa neste ano, mas é mais provável que seja negociado com clubes maiores. Assim como Bonucci, pode pintar na Inter.

Nome: Salvatore Sirigu
Idade: 23
Posição: goleiro
Clube: Palermo
Após duas temporadas interessantes em Cremonese e Ancona, o goleiro sardo foi incorporado a equipe do Palermo, para ser reserva do recém-contratado Rubinho. O brasileiro falhou demais em seus primeiros jogos em rosanero, o que permitiu a Sirigu ter uma chance. Walterino, como foi apelidado em referência ao próprio Zenga, estreou na Serie A contra a Lazio e, em partida incrível, realizou pelo menos seis defesas fundamentais, decidindo o jogo com muita segurança e reflexos acima da média, o que lhe valeu o título de melhor em campo. Desde então, não deixou a titularidade da equipe siciliana, mantendo exibições do mesmo nível que aquela da estreia no Olímpico e constituindo-se em um dos pilares da ótima campanha palermitana nesta temporada. Foi convocado no fim de fevereiro para a seleção italiana pela primeira vez e está na pré-lista de Marcello Lippi para a Copa do Mundo, na qual disputa vaga de terceiro goleiro com o experiente De Sanctis.

Texto de Nelson Oliveira, publicado também no Olheiros.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Review da temporada: Inter

Na 700ª partida de Zanetti pelo clube, Inter fecha temporada histórica com Tríplice Coroa (Getty Images)

A CAMPANHA
1ª colocação, 82 pontos. 24 vitórias, 10 empates, 4 derrotas. Campeã da Serie A e classificada para a próxima Liga dos Campeões.
FORA DA SERIE A Campeã da Supercopa Italiana contra a Roma, campeã da Coppa Italia sobre a Roma e campeã da Liga dos Campeões sobre o Bayern de Munique.
O ATAQUE 75 gols, o mais positivo.
A DEFESA 34 gols, a melhor defesa.
OS ARTILHEIROS Diego Milito (22 gols), Samuel Eto'o (12) e Mario Balotelli (9).
OS ONIPRESENTES Júlio César (38 jogos), Javier Zanetti (37) e Diego Milito (35).
O TÉCNICO José Mourinho
QUEM DECIDIU Diego Milito
QUEM DECEPCIONOU Davide Santon
QUEM SURGIU Rene Krhin
QUEM SUMIU Ricardo Quaresma
MELHOR CONTRATAÇÃO Diego Milito
PIOR CONTRATAÇÃO Marko Arnautovic
NOTA DA TEMPORADA 10

Em termos de conquistas, a temporada recém-concluída (veja um resumo detalhado da temporada interista aqui) entra para a história do clube como a mais gloriosa. A conquista da Tríplice Coroa é inédita para uma equipe italiana e foi, também, merecida. Embora tenha tropeçado bastante entre o fim de fevereiro e o início de abril e chegado a perder, naquele momento, a liderança da Serie A para a Roma, a Beneamata ganhou o 18º scudetto de sua história nos detalhes, fazendo valer a mentalidade vencedora desenvolvida por José Mourinho. Na Liga dos Campeões, o merecimento foi ainda maior: a virada sobre o Dynamo Kiev, nos minutos finais, foi o ponto de mudança de postura no torneio. A partir daí, foram mais sete vitórias em oito jogos, destacando-se os embates contra Chelsea, Barcelona e Bayern de Munique. A força das conquistas só demostraram que o técnico português conseguiu também aplicar tal mentalidade em solo internacional, após uma década em que o time se apequenou frente aos rivais. No fim das contas, a derrota para a Lazio na Supercoppa italiana não chegou a ser sentida.

No grupo coeso formado por Mourinho, todos os setores tiveram destaque. No ataque, Diego Milito foi o homem da tripletta e o matador que a equipe precisava após a saída de Ibrahimovic,. Il Principe foi responsável por 30 gols na campanha - muitos deles fundamentais, como nas decisões da Coppa Italia, da Serie A e a doppietta na final da LC. Eto'o, por sua vez, ofereceu cancha e determinação, ocupando função tática importante no 4-2-3-1 implantando pelo técnico de Setúbal. No meio-campo, enquanto Cambiasso se multiplicou por dois para proteger a defesa, Sneijder supriu com maestria a carência de criatividade que acometeu o setor por alguns anos, aparecendo como um dos principais jogadores do time e um dos melhores da temporada. Para completar, Lúcio e Samuel fizeram uma dupla de zaga aguerrida e muito sólida, auxiliada pela experiência de um Zanetti que envelhece como vinho e de um Maicon ainda mais efetivo no ataque. Júlio César também teve grandes momentos - como no segundo dérbi contra o Milan e as partidas contra o Barcelona -, mas sofreu com uma incostância excessiva para um goleiro de seu nível. Para a sorte da seleção brasileira, fechou a temporada em alta.

Para a próxima temporada, a Inter já encontra problemas para a próxima temporada. A saída emocionada de Mourinho para o Real Madrid (que pode levar outros jogadores, como Maicon) deve fazer o clube ir ao mercado, para tentar uma (difícil) substituição à altura. No momento, há poucos nomes disponíveis na praça e os concorrentes parecem ser Mihajlovic - que já vestiu nerazzurro e conhece a estrutura do clube - e Capello, sob contrato com a Federação Inglesa. As dificuldades que o clube pode enfrentar para manter-se no topo já são alvo de debate, sobretudo porque não é possível garantir certamente que a mentalidade vencedora persistirá, em caso de menores motivações após temporada tão prolífica. Pelo menos, o clube deve abocanhar cerca de 70 milhões de euros somando contratos e premiações a partir da conquista da Tríplice Coroa, podendo capacitar melhor seu elenco e estrutura interna. Se assim for, a Inter larga mais uma vez na frente dos rivais, em busca do sexto scudetto consecutivo.

Review da temporada: Roma

Como um bom vinho chileno, El Pek continua melhorando com o passar dos anos (Reuters)

A CAMPANHA
Vice-campeã, 80 pontos. 24 vitórias, 8 empates, 6 derrotas. Classificada para a fase de grupos da Liga dos Campeões
FORA DA SERIE A Vice-campeã da Coppa Italia e eliminada na segunda fase da Liga Europa pelo Panathinaikos
O ATAQUE 68 gols, o segundo melhor
A DEFESA 41 gols, a terceira melhor
OS ARTILHEIROS Francesco Totti e Mirko Vucinic (14 gols) e Daniele De Rossi (7)
OS ONIPRESENTES John Arne Riise (36 jogos), Mirko Vucinic (34) e três jogadores (33)
OS TÉCNICOS Luciano Spalletti (até a 2ª rodada) e Claudio Ranieri (a partir da 3ª)
QUEM DECIDIU David Pizarro
QUEM DECEPCIONOU Doni
QUEM SURGIU Julio Sergio
QUEM SUMIU Marco Motta
MELHOR CONTRATAÇÃO Nicolás Burdisso
PIOR CONTRATAÇÃO Bogdan Lobont
NOTA DA TEMPORADA 8

Os cinco pontos perdidos para o Livorno serão lamentados por algum tempo. Os outro cinco para a Sampdoria, também. Talvez não mais que o empate sofrido para o Cagliari nos acréscimos de um jogo que era vencido por 2 a 0. Mas, sob as mãos de Claudio Ranieri, a Roma conjurou um pequeno milagre para confirmar seu 12º vice-campeonato desde o scudetto vencido em 2001, somando Serie A, Coppa Italia e Supercoppa. Os números podem indicar uma certa estagnação, mas o resultado acabou sendo um sério avanço para as expectativas da temporada giallorossa - havia muita gente que duvidasse até de uma classificação para a Liga dos Campeões. A pré-temporada não inspirou confiança. Luciano Spalletti fez que ia, mas ficou para a disputa da Liga Europa. No mercado, recebeu apenas Burdisso e Guberti, apesar de perder Aquilani e Panucci. Na melhor das expectativas, confiou na recuperação total de Totti, Juan e Taddei.

Duas rodadas e duas derrotas depois na Serie A, o técnico surpreendeu e pediu demissão. Ranieri assumiu e terminou o campeonato como treinador de melhor aproveitamento. Apesar do começo trôpego, o romano teve muitos dos méritos da reconstrução de um time desmotivado e complexado, utilizando os mesmo recursos que Spalletti tinha em mãos. Mandou Doni para o banco e "revelou" Julio Sergio, que logo se tornou o melhor goleiro da temporada italiana. Na defesa, ressuscitou Burdisso e Cassetti e aprimorou a fase ofensiva de Riise. Mas o essencial se deu no meio-campo, onde Pizarro fez seu melhor ano desde que chegou à Itália. Nos sete jogos sem El Pek em campo, foram 52% de aproveitamento, contra 74% de quando o chileno foi titular. Fundamental nas triangulações, nos lançamentos e nos passes rápidos, Pizarro esbanjou experiência e foi o mais regular romanista, eclipsando um De Rossi instável em grandes partidas.

No setor ofensivo, Vucinic fez sua melhor temporada em Roma, e Totti também se superou. Os 14 gols de cada um demostra a importância da dupla para a campanha que levou a disputa pelo scudetto até a última rodada. O capitão fez seu menor número de partidas (23) pela Serie A desde 1994-95, mas marcou bastante e deu ótimos passes, além de ter sido um trator nas partidas que disputou pela Liga Europa. Já o montenegrino foi titular absoluto e inquestionável, tanto pela esquerda no 4-2-3-1 quanto no comando de ataque nos dias de 4-3-1-2 ou 4-4-2. Numa Roma que voltou a jogar in memorian, prevendo as próximas movimentações de si mesma, o trabalho anima para o próximo ano, novamente com Ranieri. Mas o elenco já tem a segunda média de idade mais elevada do campeonato e terá de se reformular bastante para, pelo menos, continuar incomodando a Internazionale. E agora, com Adriano.

Review da temporada: Milan

Ronaldinho cumprimenta Leonardo: o gaúcho foi bem mais oitenta do que oito (Getty Images)


A CAMPANHA 3ª colocação, 70 pontos. 20 vitórias, 10 empates e 8 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminado pelo Manchester United nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Eliminado pela Udinese nas quartas de final da Coppa Italia
O ATAQUE 60 gols, o terceiro melhor
A DEFESA 39 gols, a terceira melhor
OS ARTILHEIROS Marco Borriello (14 gols), Alexandre Pato e Ronaldinho (ambos com 12)
OS ONIPRESENTES Ronaldinho (36 partidas), Andrea Pirlo (34) e Thiago Silva (33)
O TÉCNICO Leonardo
QUEM DECIDIU Ronaldinho
QUEM DECEPCIONOU Gianluca Zambrotta
QUEM SURGIU Thiago Silva
QUEM SUMIU Gennaro Gattuso e Filippo Inzaghi
MELHOR CONTRATAÇÃO nenhuma
PIOR CONTRATAÇÃO Klaas-Jan Huntelaar
NOTA DA TEMPORADA 5,5

Um Milan fraco. Time sem laterais, presidente intrometido, contratações que não dão certo, atletas em decadência, embora há anos se diga que o clube precisa renovar seu elenco... Já não se esperava que os rossoneri equivalessem seus arquirrivais no campeonato. Entretanto, o que se viu foi uma disparidade enorme entre as duas equipes. Tanto na tabela - algo claro na diferença de 12 pontos -, quanto nos confrontos diretos - derrotas por 4 a 0 e 2 a 0 para a Inter. Não só: houve também uma grande diferença mental. Se o Milan de anos atrás assustava, esse não põe medo em ninguém. Quando chegou perto de brigar pelo título, deixou várias oportunidades passarem, sem qualquer ameaça de reação. Enquanto isso, a outra parte da cidade comemorava com um time avassalador.

Tudo ia de mal a pior enquanto Leonardo não encaixava um padrão tático para a equipe. Uma reação se deu após a virada contra a Roma, na oitava rodada. Até que, pouco tempo depois, Nesta, Thiago Silva, Ronaldinho e Pato já faziam uma temporada exímia. O Milan deu sinais de que poderia chegar lá, mas caiu de produção. Foi difícil manter o ritmo num ano em que Zambrotta, Gattuso, Seedorf e Inzaghi não tiveram qualquer inspiração. Se o primeiro coleciona decepções desde o pós-Copa, os outros três sempre foram importantíssimos ao elenco. Gattuso começou lesionado e, por ter perdido espaço com Leonardo, até ameaçou sair. Inzaghi, por sua vez, não chegou perto de seus momentos iluminados, nos quais simplesmente achava gols cruciais. Mesmo assim, porém, o atacante renovou com o clube por mais um ano.

Problemas também vieram de fora: o Milan não se reforçou em nada com seus supostos reforços de mercado. Huntelaar foi um completo fracasso, Onyewu se lesionou e, assim como o goleiro Roma, sequer entrou em campo na Serie A. Nem Beckham deu sorte: depois de uma dezena de partidas, também se contundiu e ficou de fora da Copa do Mundo. Aliás, as lesões não deixaram de perseguir Nesta - interrompido após retorno de alto nível aos gramados - e Pato - outro elemento de qualidade freado por problemas físicos. E vale lembrar: Favalli chegou a ser titular, por algumas rodadas, neste Milan. Se o defensor foi ruim no ápice da sua carreira, é difícil crer que com 38 anos possa levantar o nível de um time que sonha em conquistar títulos.

Mas nem tudo são podres. Ronaldinho foi um verdadeiro fuoriclasse, e calou até os mais céticos a seu respeito. O gaúcho, adaptado no lado esquerdo de ataque do 4-3-3, não só marcou gols como distribuiu assistências. Borriello, por sua vez, fez o que pode na frente e, com uma reta final inspirada, foi o artilheiro do time na Serie A. Thiago Silva aguentou o tranco de substituir Maldini, se entendeu bem com Nesta, e, em sua primeira temporada em um grande campeonato europeu, deixou claro, para quem ainda tinha dúvidas, que tem qualidade. Dida também brilhou: despedindo-se do clube, fez bom segundo turno ao se firmar no onze inicial. Há muito a se aprimorar para a próxima temporada, porém. A começar pelos lados do campo, completamente inoperantes com os desgastados Oddo, Zambrotta e Jankulovski, e os fracos Antonini e Abate. Quem sabe Berlusconi decida abrir a mão com o (ainda indefinido) novo treinador, se é que tem tanto dinheiro para isso: já se fala em uma possível venda de 30% das ações do clube para a Gazprom, empresa petrolífera de Roman Abramovich.

Review da temporada: Sampdoria

Pazzini e Cassano, dupla decisiva dos gols de uma Euro-Samp como há muito não se via (Reuters)

A CAMPANHA 4ª colocação, 67 pontos. 19 vitórias, 10 empates, 9 derrotas. Classificada para a terceira fase preliminar da Liga dos Campeões
FORA DA SERIE A Eliminada na quarta fase da Coppa Italia pelo Livorno
O ATAQUE 49 gols
A DEFESA 41 gols, a terceira melhor
OS ARTILHEIROS Giampaolo Pazzini (19 gols), Antonio Cassano (9) e Daniele Mannini (5)
OS ONIPRESENTES Giampaolo Pazzini e Reto Ziegler (37 jogos) e Angelo Palombo e Daniele Mannini (36)
O TÉCNICO Luigi Del Neri
QUEM DECIDIU Antonio Cassano
QUEM DECEPCIONOU Marco Padalino
QUEM SURGIU Andrea Poli
QUEM SUMIU Daniele Franceschini
MELHOR CONTRATAÇÃO Daniele Mannini
PIOR CONTRATAÇÃO Nicola Pozzi
NOTA DA TEMPORADA 8,5

Depois de um começo ambicioso e avassalador com um Cassano em estado de graça, a Sampdoria entrou nos holofotes do campeonato com seu jogo fluido, talvez o mais bonito desde que o 4-4-2 hermético de Luigi Del Neri chegou à primeira divisão, há quase uma década. Com Mannini e Padalino (ou Semioli ou Ziegler) de meias externos bem ofensivos no suporte a Pazzini e Cassano, a produção dos blucerchiati sempre foi muito grande, ainda que os pecados na finalização tenham "decidido" alguns jogos, o que gerou certa apreensão para o Luigi Ferraris. Afinal, a queda de rendimento da dupla de ataque na virada do ano coincidiu com a lesão de Castellazzi, que vinha fazendo uma temporada muito boa no gol.

A Samp demorou um pouco, mas se reassentou bem. Méritos também do capitão Palombo, grande bandeira da equipe, que vai para sua primeira Copa do Mundo. Verdadeiro construtor do jogo doriano, ainda foi muito bem na marcação e parecia se multiplicar em campo, sempre na companhia de Tissone ou Poli - este último em grande ano de estreia na Serie A. No mercado de inverno, o diretor esportivo Giuseppe Marotta foi buscar Storari e Guberti, que logo assumiram papéis importantes. O ex-goleiro do Milan fez defesas sensacionais e o ex-romanista chegou a colocar Mannini no banco de reservas em algumas oportunidades. A coroação do trabalho foi a gestão do caso Cassano, que chegou a negociar com a Fiorentina (e teve no Brasil quem desse a contratação como certa...) e depois ficou no clube, mas passou alguns jogos afastado logo no momento em que a Samp começou a se recuperar, rumo à vaga na Liga dos Campeões.

Com uma campanha espetacular na reta final, com seis vitórias nos últimos sete jogos - incluindo uma sobre a então líder Roma a quatro rodadas do fim da Serie A, - a Sampdoria conseguiu o acesso para a fase preliminar da Liga dos Campeões na última rodada do campeonato, voltando à Europa principal quase duas décadas depois de sua última aparição. Um dos problemas a se corrigir é o elenco curto, que teve sorte de não sofrer com lesões graves em seus principais nomes. Além de provar que Gasparin (ex-Udinese) e Di Carlo (Chievo) podem substituir à altura Marotta e Del Neri, que foram para a Juventus.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Review da temporada: Palermo

No Palermo, é Miccoli e mais 10: a vaga na LC não foi conquistada, mas passou bem perto (Getty Images)

A CAMPANHA 5ª colocação, 65 pontos. 18 vitórias, 11 empates, 9 derrotas. Classificado para a Liga Europa
FORA DA SERIE A Eliminado nas oitavas-de-final da Coppa Italia pela Lazio
O ATAQUE 59 gols
A DEFESA 47 gols
OS ARTILHEIROS Fabrizio Miccoli (19 gols), Edinson Cavani (13) e Abel Hernández (7)
OS ONIPRESENTES Mattia Cassani (37 jogos), Antonio Nocerino, Fabrizio Miccoli e Simon Kjaer (ambos com 35)
O TÉCNICO Walter Zenga (até a 13ª rodada) e Delio Rossi (a partir da 14ª)
QUEM DECIDIU Fabrizio Miccoli
QUEM DECEPCIONOU Dorin Goian
QUEM SURGIU Abel Hernández e Salvatore Sirigu
QUEM SUMIU Manuele Blasi
MELHOR CONTRATAÇÃO Javier Pastore
PIOR CONTRATAÇÃO Rubinho
NOTA DA TEMPORADA 8,5

Se a temporada palermitana começou sob grandes expectativas após a contratação do técnico Walter Zenga do rival Catania, não dá para não dizer que foi um fracasso. O próprio Zenga começou seu trabalho dizendo que o Palermo brigaria pelo título, mas acabou deixando o clube após um empate em casa no dérbi siciliano, quando o clube ocupava a 12ª colocação. Num dos raros casos em que trocar de técnico faz bem, Maurizio Zamparini acertou com Delio Rossi, que mudou o esquema tático e deu jeito no time, colocando-o na briga pela Liga dos Campeões até a última rodada, quando a Sampdoria garantiu sua classificação. Em termos de pontos e objetivos, foi a melhor campanha da história do clube.

No ano do Palermo, destaca-se o forte desempenho em casa: se fora de casa as coisas não iam tão bem, no Renzo Barbera, o Palermo fechou o campeonato invicto, tendo conseguido aproximadamente 70% da totalidade dos pontos em seus domínios. Na crescente do time a partir da chegada de Delio Rossi e especialmente no segundo turno, os créditos vão sobretudo para um Fabrizio Miccoli injustamente esquecido por Marcello Lippi, mesmo que tenha marcado 13 de seus 19 gols no torneio na fase final da competição. Abel Hernández e Cavani, uruguaios, também mercem menção: o primeiro evoluiu demais em respeito a última temporada e apareceu como um dos melhores sub-20 da Serie A. Já o segundo continua marcando gols, mas poderia fazer mais, caso aproveitasse as chances que tem. O toque de genialidade no meio-campo foi de Pastore, que pouco sentiu os efeitos da transferência para a Europa e se estabilizou como um dos grandes trequartistas do futebol italiano, merecendo a convocação para disputar a Copa do Mundo com a Argentina.

Quem perdeu a posição para a entrada do argentino foi Fábio Simplício. O brasileiro chegou até a ser recuado para continuar jogando, mas depois que negociou com Inter e Roma (deve assinar com esta última em fim de contrato), perdeu crédito com o presidente Zamparini, que o definiu como traidor, mesmo que o jogador se despedisse às lágrimas. Na defesa, destaque para a sólida temporada dos laterais: enquanto Balzaretti mantinha seu bom nível, Cassani se confirmou como um dos melhores laterais-direitos do país, podendo estar na Copa do Mundo com a Itália. Outro que integra a pré-lista italiana é Sirigu, que tomou a posição de Rubinho no gol rosanero e apareceu como um dos melhores goleiros do torneio. Já Kjaer não fez sua melhor temporada, mas estará na África do Sul com a Dinamarca. Com tanta gente representando o clube no Mundial, difícil imaginar que o Palermo não perderá jogadores importantes. Pelo menos Delio Rossi foi confirmado para a próxima temporada.

Review da temporada: Napoli

Hamsik puxa Lavezzi: faltou empurrar o time inteiro (Getty Images)

A CAMPANHA 6º colocado, 59 pontos. 15 vitórias, 14 empates e 9 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminado pela Juventus nas oitavas-de-final da Coppa Italia
O ATAQUE 50 gols
A DEFESA 43 gols
OS ARTILHEIROS Marek Hamsik (12 gols), Fabio Quagliarella (11) e Ezequiel Lavezzi (8)
OS ONIPRESENTES Morgan De Sanctis (38 jogos), Marek Hamsik (37), Walter Gargano (36)
O TÉCNICO Roberto Donadoni (até a 7ª rodada), Walter Mazzarri (a partir da 8ª)
QUEM DECIDIU Marek Hamsik
QUEM DECEPCIONOU Fabio Quagliarella
QUEM SURGIU Christian Maggio
QUEM SUMIU Fabiano Santacroce
MELHOR CONTRATAÇÃO Morgan De Sanctis
PIOR CONTRATAÇÃO Juan Camilo Zúñiga
NOTA DA TEMPORADA 6

Uma temporada que termina com um enganoso saldo positivo para o Napoli. Após o fraco início com Roberto Donadoni (7 pontos em 7 jogos), os partenopei conseguiram ajeitar a casa com Walter Mazzarri, chegando a ter possibilidades concretas de chegar à Liga dos Campeões. A vaga, porém, escapou conforme a queda de rendimento da equipe no segundo turno. Apesar de ter encaixado uma ótima sequência de 15 rodadas de invencibilidade, a reta final pesou. O Napoli chegou a passar oito partidas seguidas sem vencer, da 22ª à 29ª rodada. Se de um modo geral a squadra afrouxou, ao menos teve méritos de, em nove jogos, acumular um total de 13 pontos conseguidos nos 10 minutos finais: a vitória contra a Juve, em Turim, e os empates contra Milan e Roma fazem parte dessa lista.

A falta de consistência na tabela certamente não é culpa de Hamsik. O eslovaco é um verdadeiro dínamo no meio-campo e, de novo, tomou conta desse Napoli. Cada vez mais líder, agora foi também o principal goleador da equipe na Serie A. Uma joia na Itália, sobre a qual resta saber até quando resistirá às sedentas propostas do mercado. O único que atuou mais do que ele foi o estreante De Sanctis, que, quem diria, deu total segurança à meta dos napolitanos; algo não atingido com Iezzo, Gianello, Navarro ou Bucci. O clube viu um Lavezzi aquém de seu próprio potencial, atrapalhado por algumas lesões. Maggio, porém, surpreendeu, e se firmou na ala-direita, despertando interesse de outros times. Alguém lembra de Santacroce? Pois é, o zagueiro ítalo-brasileiro lesionou, em tempos diferentes, os dois joelhos, e passou quase um ano afastado. Ele só entrou em campo quatro vezes nessa edição do campeonato.

A decepção ficou por conta de Quagliarella. O atacante não foi uma negação, e até recuperou sua temporada, que havia começado mal. O problema é que o ex-Udinese chegou com pinta de craque e solução dos problemas da equipe. Não vingou por completo e, portanto, ainda está devendo. A contratação totalmente mal-sucedida foi Zúñiga, mal-aproveitado na ala-esquerda durante a temporada praticamente inteira. Fato é que se a Liga Europa não está de mau tamanho para o Napoli, saber que poderia ter alcançado a Liga dos Campeões - claro objetivo inicial - causa certo desânimo. O sonho fica para a próxima temporada, que já começa com Mazzarri - e um contrato renovado até 2013.

Review da temporada: Juventus

Chiellini foi o único que se salvou na péssima temporada juventina (AP/La Presse)

A CAMPANHA 7ª colocação, 55 pontos. 16 vitórias, 7 empates, 15 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminada na fase de grupos da Liga dos Campeões, nas oitavas-de-final da Liga Europa e nas quartas-de-final da Coppa Italia
O ATAQUE 55 gols
A DEFESA 56 gols
OS ARTILHEIROS Alessando Del Piero (9 gols), David Trezeguet (7) e Vincenzo Iaquinta (6)
OS ONIPRESENTES Diego (33 jogos), Giorgio Chiellini (32) e Amauri (30)
O TÉCNICO Ciro Ferrara (até a 21ª rodada), Alberto Zaccheroni (a partir da 22ª)
QUEM DECIDIU Giorgio Chiellini
QUEM DECEPCIONOU Felipe Melo
QUEM SURGIU Ciro Immobile
QUEM SUMIU Sebastian Giovinco
MELHOR CONTRATAÇÃO Martin Cáceres
PIOR CONTRATAÇÃO Fabio Grosso
NOTA DA TEMPORADA 3

Recapitulando: na temporada passada, a Juventus terminou o campeonato na segunda colocação; Pavel Nedved se aposentou e foi a única grande baixa do time; chegaram os "bons" Cannavaro, Felipe Melo, Grosso e Diego; e o mercado bianconero, lógico, foi considerado um dos melhores da Itália. Com isso, todos apostavam que o time de Turim seria o único capaz de estragar a festa da Inter, já que diminuira a distância qualitativa entre os dois elencos. Dez meses depois, a Juve é a maior decepção do campeonato e também o time com mais problemas internos na Serie A. Desde 1962 a Velha Senhora não terminava um campeonato com 15 derrotas. Para piorar, o time ficou de fora da próxima Liga dos Campeões e quase não se classificou para a Liga Europa. Nas competições continentais, derrotas incríveis para Bayern de Munique e Fulham marcaram as quedas da Velha Senhora.

Muitos colocam a culpa em Ciro Ferrara, que foi aprovado precocemente para um dos cargos de maior pressão do futebol italiano. Em hora nenhuma o técnico conseguiu impor um padrão de jogo ao time e começou a ser contestado muito cedo, tumultuando o ambiente de trabalho bianconero. Alberto Zaccheroni assumiu sua posição pouco depois da metade da temporada e também não conseguiu ajeitar o time. Então fica claro que o problema não foi só o comando. O que aconteceu com o bom futebol de Diego e Felipe Melo? E com os gols de Amauri? Cannavaro também não mostrou o bom futebol que o levou ao topo do mundo, sendo uma sombra do jogador que foi. Sem muito esforço, a lista de decepções aumenta: Grosso, Camoranesi, Trezeguet e outros mais.

Grosso, por exemplo, perdeu até seu lugar na seleção que vai à Copa por causa do péssimo rendimento. Outros bianconeri também perderiam, caso Lippi fosse menos paternalista com os jogadores do clube. No fim das contas, só Chiellini se salvou: sempre seguro, o zagueiro é um dos motivos para a Juve não ter perdido, também, a vaga para a próxima Liga Europa. Para o futuro, Ciro Immobile é uma das grandes esperanças. O menino de apenas 20 anos foi o grande destaque da Juve bicampeã do Torneio de Viareggio, com 10 gols marcados. Por agora, a ordem é esquecer essa temporada e reestruturar a equipe. As mudanças começaram de cima, com a volta da família Agnelli à presidência do clube, a contratação de Giuseppe Marotta para a direção geral e de Luigi Del Neri para o comando do técnico da equipe. Muitas dispensas e contratações ainda devem acontecer antes do início da próxima temporada.

Review da temporada: Parma

Biabiany e Lanzafame, Crespo e Morrone: misturar juventude e experiência foi a aposta (Getty Images)

A CAMPANHA
8ª colocação, 52 pontos. 14 vitórias, 10 empates, 14 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminado pelo Novara na terceira fase da Coppa Italia
O ATAQUE 46 gols
A DEFESA 51 gols
OS ARTILHEIROS Valeri Bojinov (8 gols), Davide Lanzafame (7) e Jonathan Biabiany (6)
OS ONIPRESENTES Antonio Mirante (37 jogos), Cristian Zaccardo e Daniele Galloppa (34) e Alessandro Lucarelli (33)
O TÉCNICO Francesco Guidolin
QUEM DECIDIU Daniele Galloppa
QUEM DECEPCIONOU Hernán Crespo
QUEM SURGIU Davide Lanzafame e Jonathan Biabiany
QUEM SUMIU Alberto Paloschi
MELHOR CONTRATAÇÃO Daniele Galloppa
PIOR CONTRATAÇÃO Luis Jiménez
NOTA DA TEMPORADA 7

De volta a Serie A após um período sabático na segunda divisão, o Parma parece não ter sentido os efeitos da queda e teve seu melhor desempenho no torneio em seis anos. Parte do sucesso se deve ao trabalho feito por Tommaso Ghirardi e Pietro Leonardi, respectivamente presidente e administrador-delegado do clube, responsáveis pela contratação da espinha dorsal do time: Mirante, Zaccardo, Galloppa, Biabiany e Lanzafame, por exemplo. Francesco Guidolin, que assumiu o time no meio da campanha na cadetta, merece ser elogiado pelo bom trabalho, no qual soube avaliar bem as características de seus jogadores para propor um time sem tantos titulares absolutos, encaixáveis tanto no 5-3-2 quanto no 4-3-3.

No primeiro turno, melhor momento do time nesta Serie A, os crociati contaram com um Galloppa que jogava muito bem e chegou a ser testado por Marcello Lippi, e fecharam 2009 na quarta posição. Porém, a partir de janeiro, sofreram uma natural queda de produção que se alongou demais e colocou em risco o cargo de Guidolin. A paciência da diretoria com o treinador foi recompensada com uma melhora de rendimento, baseada sobretudo no crescimento de Mirante, Biabiany e Lanzafame, que rendeu um inesperado oitavo lugar a apenas três pontos atrás da Juventus, que se classificou para a Liga Europa. Talvez tenha faltado ao time um matador, já que Paloschi se lesionou gravemente e nenhum entre Amoruso e Crespo conseguiu suprir esta carência.

Numa temporada em que brilharam as estrelas de jovens jogadores, destaca-se também a boa participação dos mais experientes. Panucci honrou sua carreira enquanto fez parte do grupo, enquanto Zaccardo retornou a Itália em grande estilo, em temporada que lhe colocou entre os melhores zagueiros do campeonato e ainda revelou uma verve artilheira: foram cinco gols na competição. No meio-campo, enquanto Morrone justificou o posto de capitão, Jiménez - que não é tão velho, mas tem uma carreira consolidada -, decepcionou ao ponto de conseguir ser expulso três vezes em quatro meses. Com um trabalho promissor, o Parma não deve voltar a correr os mesmos riscos de rebaixamento dos últimos anos. Sem Guidolin, que acertou com a Udinese, e podendo negociar Biabiany e Lanzafame, o Parma deve seguir a mesma estratégia desta temporada, muito provavelmente apostando em Pasquale Marino, ex-técnico da mesma Udinese.

Review da temporada: Genoa

Com defesa bagunçada, o Genoa sofreu gols demais e não conseguiu repetir
a
boa campanha da temporada passada (AP Photo)

A CAMPANHA 9ª colocação, 51 pontos. 14 vitórias, 9 empates, 15 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminado na fase de grupos da Liga Europa e nas oitavas-de-final da Copa da Itália
O ATAQUE 57 gols
A DEFESA 61 gols, a segunda pior
OS ARTILHEIROS Rodrigo Palácio (7 gols), Giuseppe Sculli (6 gols), Giandomenico Mesto e Marco Rossi (ambos com 5)
ONIPRESENTES Giuseppe Sculli (37 jogos), Giandomenico Mesto (36) e Omar Milanetto (32)
O TÉCNICO Gian Piero Gasperini
QUEM DECIDIU Giuseppe Sculli
QUEM DECEPCIONOU Marco Amelia
QUEM SURGIU Ivan Fatic
QUEM SUMIU Robert Acquafresca
MELHOR CONTRATAÇÃO Rodrigo Palácio
PIOR CONTRATAÇÃO Robert Acquafresca
NOTA DA TEMPORADA 4,5

Até o recesso de fim de ano, aqui mesmo no blog considerávamos que o Genoa ainda tinha alguma chance de chegar à Liga dos Campeões, se conseguisse se focar no campeonato e achar uma formação inicial mais fixa. Não foi o que aconteceu. Gasperini continuou com problemas para montar o time e os grifone não conseguiram repetir a grande campanha da temporada anterior, quando conquistaram a vaga para a Liga Europa. Durante todo a Serie A, o maior problema do técnico esteve no sistema defensivo, que não conseguiu se encontrar - e não contou com os melhores momentos de Bocchetti e Amelia.

O primeiro não conseguiu mostrar a regularidade da temporada passada. Talvez por causa da insegurança de seus companheiros de zaga, Biava e Moretti. Biava, aliás, foi parar na Lazio no mercado de inverno. Amelia foi ainda pior. Contratado junto ao Palermo depois de uma temporada acima da média, não conseguiu repetir as boas atuações em Gênova, teve problemas de comportamento e viu uma provável convocação para a Copa do Mundo ir por água abaixo. O romano chegou até a perder a titularidade para o veterano Scarpi. Na parte ofensiva, Acquafresca não chegou nem perto do atacante que foi temporada passada e fez a torcida lembrar dos bons tempos de Milito no comando da artilharia.

Com isso, os gols da equipe ficaram bem divididos entre vários jogadores. Dos 59, apenas nove vieram dos atacantes. Sendo sete deles de Rodrigo Palácio, que fez boa temporada atuando pela direita do tridente de ataque rossoblù e alcançou a artilharia do time. Outra grande parte ficou por conta dos incansáveis Sculli, Rossi, Mesto e Palladino, que foram também os melhores jogadores da equipe genovesa. No fim das contas, os torcedores ficaram um pouco decepcionados com a campanha do time, mas há de se concordar que não é todo ano que aparecem Thiago Motta e Milito para decidir.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Review da temporada: Bari

Muito seguro na marcação, Leonardo Bonucci foi o grande nome dessa boa campanha do Bari (Getty Images)

A CAMPANHA 10ª colocação, 50 pontos. 13 vitórias, 11 empates, 14 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminado na terceira fase da Copa da Itália, pelo Empoli
O ATAQUE 49 gols
A DEFESA 49 gols
OS ARTILHEIROS Paulo Barreto (14 gols) e Edgar Álvarez, Riccardo Meggiorini e Sergio Almirón (ambos com 5)
ONIPRESENTES Leonardo Bonucci (38 jogos) e Jean François Gillet e Edgar Álvarez (ambos com 37)
O TÉCNICO Gian Piero Ventura
QUEM DECIDIU Leonardo Bonucci
QUEM DECEPCIONOU Antonio Langella
QUEM SURGIU Andrea Ranocchia
QUEM SUMIU Daniele De Vezze
MELHOR CONTRATAÇÃO Leonardo Bonucci
PIOR CONTRATAÇÃO Marco Pisano
NOTA DA TEMPORADA 7

Campeão da Serie B na temporada passada, o Bari chegou à divisão máxima do futebol italiano pela porta dos fundos, jogando fora a organização construída na temporada do título. A tentativa de venda para empresários norte-americanos foi mal sucedida e o técnico da ascenso, Antonio Conte, foi demitido. O mais lógico era pensar que esse time estava fadado a lutar contra o rebaixamento. Mas para a alegria dos torcedores pugliesi, as coisas tomaram outro rumo. A chegada do desacreditado Gian Piero Ventura fez muito bem ao grupo e, com um conjunto muito forte, o Bari fez campanha regular, alcançou a inédita marca de 50 pontos na Serie A e conseguiu escapar do rebaixamento, dez rodadas antes do fim do campeonato.

Muito disso se deve ao forte sistema defensivo montado pelo técnico genovês. Ventura apostou em dois jovens para o miolo da zaga e se deu muito bem: juntos, Bonucci e Ranocchia mostraram muita personalidade e boa técnica, destacando-se e chegando a figurar entre as menos vazadas do torneio. O primeiro jogou todas as partidas da Serie A. Já o segundo se machucou no meio da temporada, mas foi bem substituído por Andrea Masiello, quando necessário, empurrando Belmonte para a lateral. Destaque também para Barreto, que se recuperou da má fase do primeiro turno e acabou como artilheiro do time, com 14 gols (o índice poderia ter sido melhor se o brasileiro não tivesse desperdiçado cinco dos nove pênaltis que cobrou).

Enquanto isso, Langella, que tinha chegado do Chievo para dar um salto de qualidade no ataque galletti, não conseguiu se firmar hora alguma e foi deixado de lado pelo técnico Ventura: depois de um tempo, não foi mais relacionado nem para o banco de reservas. Outros que também não conseguiram engrenar foram Sestu e Pisano, contratados na janela de inverno para melhorar o elenco, mas que nada acrescentaram. Nada disso manchou a grande campanha do time da Puglia, que se mostrou a grande revelação do campeonato.

Review da temporada: Fiorentina

A expressão de Vargas representa a temporada da Fiorentina: decepção total (Associated Press)

A CAMPANHA 11ª colocação, 47 pontos. 13 vitórias, 8 empates, 17 derrotas
FORA DA SERIE A Eliminada pela Inter nas semifinais da Coppa Italia e nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique.
O ATAQUE 48 gols
A DEFESA 47 gols
OS ARTILHEIROS Alberto Gilardino (15 gols), Stefan Jovetic e Marco Marchionni (ambos com 6) e Juan Manuel Vargas (5)
OS ONIPRESENTES Sébastien Frey, Riccardo Montolivo e Alberto Gilardino (todos com 36 jogos)
O TÉCNICO Cesare Prandelli
QUEM DECIDIU Stefan Jovetic
QUEM DECEPCIONOU Adrian Mutu
QUEM SURGIU Khouma El Babacar
QUEM SUMIU Keirrison
MELHOR CONTRATAÇÃO Marco Marchionni
PIOR CONTRATAÇÃO Cesare Natali
NOTA DA TEMPORADA 5

Ficou no quase. A temporada da Fiorentina decepcionou à medida que prometeu demais até certo momento, mas acabou de maneira melancólica, com uma derrota para um Bari desinteressado e cheio de reservas. Mais esquisito ainda foi o fato de que suas estrelas tiveram boas atuações ao longo do ano. Sébastien Frey, se não foi brilhante, ao menos manteve o ótimo nível. Vargas se afirmou como um dos melhores meias externos da Itália, enquanto Montolivo recuperou a boa forma e, com a braçadeira de capitão, tornou-se um dos grandes líderes da equipe. No ataque, Gilardino continuou marcando seus gols e Jovetic, por sua vez, apareceu de vez para o cenário mundial, após exibições de alto nível na Liga dos Campeões, quando atropelou o Liverpool e deu trabalho ao Bayern de Munique.

O desempenho na competição foi o ponto alto da equipe de Florença, que eliminou os Reds e se classificou em primeiro lugar em um grupo difícil, para depois deixar a competição de cabeça erguida nas oitavas, eliminada pelo finalista Bayern após duas grandes atuações e um erro arbitral classificado pela própria sociedade como "roubo". Conciliar a disputa continental com a Serie A foi trabalhoso para os viola, que tropeçaram muito, inclusive em casa - sete das 17 derrotas foram no Artemio Franchi. Ao fim da temporada, duas coisas se mostraram claras: a saída de Felipe Melo não teve reposição à altura, assim como a solidez defensiva ficou comprometida com a saída de Dainelli e a lesão de Gamberini, cujo desfalque por dois meses cruciais foi um golpe para as ambições do clube. Cristiano Zanetti e Natali não suportaram o tranco e decepcionaram, assim como Keirrison. O ex-palmeirense não teve sucesso como vice-Gilardino em seu primeiro ano de empréstimo à Fiorentina e conseguiu ser ofuscado por Babacar, atacante senegalês nascido em 1993 e já comparado a Drogba, Weah e Balotelli.

Com o fiasco na Serie A e a desclassificação na LC, a Fiorentina só poderia se agarrar à Coppa Italia para salvar a temporada, já que a mera classificação para a final valeria uma vaga na próxima Liga Europa. Ainda assim, a equipe viola não repetiu a ótima atuação do campeonato frente à Inter e saiu derrotada no jogo decisivo, em casa. Para completar a temporada esquecível, muitos problemas extracampo destruíram o ambiente gigliato. Entre o segundo doping da carreira de Adrian Mutu, os problemas societários que envolviam a troca de presidência e possível venda do clube, e também a possibilidade que o técnico Cesare Prandelli deixasse Florença, é difícil apontar qual fator foi mais prejudicial. O treinador, desde 2005 envolvido nos projetos do clube, será, de acordo com a Gazzetta dello Sport o novo técnico a Squadra Azzurra após a Copa. Gente importante, como Frey e Vargas, também tem o nome ligado a transferências para longe da Toscana, neste iminente fim de ciclo viola.