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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Com o pé direito

Amauri foi o homem do jogo, com dois gols, e ajudou a Juve a estrear com vitória (Foto: LaPresse)

A Juventus fez, ontem, sua primeira partida oficial da temporada 2010-11, em Dublin. O jogo contra o irlandês Shamrock Rovers, pela terceira fase preliminar da Liga Europa, foi um bom teste e já dá dicas de como o time de Del Neri deve jogar ao longo do ano. Os estreantes Storari, Motta, Bonucci, Lanzafame e Pepe iniciaram no time titular e fizeram boa partida.

A Juve começou muito bem e logo aos três minutos abriu o placar: Amauri fez bonita tabela com Diego e tocou na saída do goleiro Mannus. Diferente da temporada passada, contudo, o gol não acomodou o time de Turim. Diego, pelo meio, mostrou muita intensidade e foi o principal armador do time, com todas as bolas passando pelo seu pé. O brasileiro pecou apenas nas finalizações, quase sempre sem rumo. Pepe e Lanzafame, sempre trocando de lado, também mostraram muita disposição e chegaram com perigo pelas alas.

No início do segundo tempo, Martínez, outro recém-chegado, entrou no lugar de Lanzafame, mas não foi tão bem quanto o ex-jogador do Parma. Amauri, o melhor da partida, mostrou o bom preparo físico e quase marcou o segundo em jogada de velocidade. Ele ganhou do zagueiro na corrida e bateu na saída do goleiro, mas a bola acertou a trave. Minutos depois, Motta cruzou muito bem para o ítalo-brasileiro marcar o segundo gol. No final, Del Piero entrou no lugar de Diego e quase ampliou. O bom chute passou rente à trave esquerda do goleiro Mannus.

Na coletiva pós-jogo, o técnico Del Neri se mostrou satisfeito com o desempenho de seus comandados, mas lembrou que o time ainda tem muito a melhorar. Enalteceu a boa atuação da dupla Chiellini e Bonucci, mesmo que contra um adversário fraco, e disse que a principal característica desse time já se mostrou: volume de jogo e velocidade. Perguntado sobre a preferência por Diego no lugar de Del Piero, afirmou que o ídolo juventino achará seu lugar no time, mas que não receberá tratamento especial. O jogo de volta contra o Shamrock Rovers acontece na próxima quinta-feira, em Módena.

Mercado
Novamente sob o comando da Família Agnelli, que volta à presidência do clube após 48 anos, a Juventus já gastou mais de 35 milhões de euros nesse mercado de verão. Para alguns, Marotta, novo diretor esportivo do clube, ainda pensa como se estivesse na Sampdoria e contrata jogadores abaixo do nível da Juventus. Porém, o plano do ex-doriano pode ser o mais adequado para a Juve no momento. Depois de sua pior temporada em 50 anos, talvez seja a hora de montar uma equipe mais pé no chão e mais competitiva.

Até o momento, as contratações foram bem pensadas e suprem as posições mais carentes da equipe. Storari fez uma boa temporada pela Sampdoria, ano passado, e deve ser um bom substituto de Buffon, que vem de uma série de lesões, enquanto Manninger e Chimenti ficaram longe de agradar, quando requisitados. Para a problemática lateral direita, Motta estreou bem e, se não resolver o problema, pelo menos deve dar mais regularidade ao setor. Na zaga, o bom Bonucci chega para o lugar do veterano Cannavaro, que saiu para o Al-Ahli, dos Emiados Árabes Unidos. Junto com Chiellini, tem tudo para formar uma das melhores defesas do campeonato. Nas alas, Martínez, Pepe e Lanzafame são boas opções.

Por outro lado, nomes mais badalados do time, como Grosso, Camoranesi, Tiago, Giovinco e Trezeguet, estão sempre ligados à possíveis transferências. Nenhuma foi confirmada até agora, mas Del Neri já demonstrou que não pretende contar com alguns desses jogadores. Nem mesmo a permanência Diego está garantida. Na última semana, especulou-se muito sobre uma possível saída do brasileiro, tachado por Luciano Moggi, Arrigo Sacchi e mais críticos como "inapto para o futebol italiano", e Del Neri não hesitou em dizer que "ninguém é inegociável". Os momentos de maior turbulência, contudo, parecem ter passado e Diego deve sim ficar em Turim. Resta a Del Neri encontrar uma maneira de colocar Del Piero e o ex-jogador do Santos juntos no time.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jogadores: Alcides Ghiggia

Alcides Ghiggia: além do Maracanazo (AS Roma Ultras)
Na cabeça de qualquer fã de futebol, é impossível desassociar Alcides Ghiggia da Copa de 1950. Ao se ouvir o nome do uruguaio, as primeiras imagens que vêm à cabeça são de seu memorável chute cruzado à meta do goleiro Barbosa. Chute este que levou os brasileiros às lágrimas, e o alvoroço do Maracanã ao mais fúnebre silêncio. Discorrer sobre o impacto do lance é chover no molhado, e vale, aqui, abordar a sua passagem pela bota, iniciada três anos depois da final que o garantiu vida eterna na história do esporte.

Tendo iniciado sua carreira na década de 40, é bastante difícil saber ao certo como foi a vida profissional de Ghiggia antes de assinar com o Peñarol, em 1948. Lá, porém, ele se destacou: o clube, campeão nacional invicto de 49, formou a base da seleção na Copa do Mundo do ano seguinte. Dentre os titulares, cinco ou seis vinham dos aurinegros de Montevidéu. O ponta-direita ainda conquistaria os campeonatos de 51 e 53. No último título, sua presença foi bem menor. Espaço para lendas: uns dizem que Ghiggia foi agredido por brasileiros e que isso o tirou dos gramados por um tempo longo, e outros afirmam que ele batera num árbitro e, portanto, sofria punição. Fato é que Ghiggia aceitou a oferta da Roma e, ainda em 53, desembarcou na capital italiana.

De volta à Serie A depois de ter sofrido sua primeira e única queda em 51, a Roma queria retomar os sucessos da década anterior. Para isso, mudou sua casa para o recém reformado Estádio Olimpico, à época apelidado de Stadio dei centomila (Estádio dos cem-mil) devido à sua capacidade. Faltava futebol, porém, para fazer o clube brigar pelo scudetto. Eram poucos os jogadores de alto nível na equipe, sendo o habilidoso Ghiggia um deles. Além do uruguaio, Dino Da Costa e Giacomo Losi se notabilizavam neste período. O primeiro, atacante carioca, mantém recorde com Marco Delvecchio de maior número de gols no dérbi romano: nove. O ainda jovem Losi, por sua vez, passou toda a carreira com os giallorossi, nunca foi expulso e só contabiliza menos presenças que Francesco Totti na história do clube.

Alcides Ghiggia não teve problemas para se adaptar ao futebol italiano. Em 55, foi peça-chave na melhor campanha romanista da época: uma terceira colocação vantajosa para a equipe, que ainda não se via capaz de competir com Inter, Juventus e Milan. Nos seis campeonatos entre 50 e 55, cada um ganhou duas vezes. O ponta se firmou com facilidade, e, mantendo regularidade, foi convocado para defender a Seleção Italiana, ainda em 57. Ele, que havia deixado de disputar a Copa de 54 com o Uruguai graças ao veto da Roma, disputaria cinco partidas com a Nazionale. Curiosamente, o trio de ataque italiano era formado por três sul-americanos: Ghiggia, Schiaffino - seu ex-companheiro de Peñarol e Seleção Uruguaia - e Dino Da Costa, parceiro de Roma. A Itália, contudo, não conseguiu se classificar para a Copa de 58.

Mesmo com mais de trinta anos, Ghiggia se manteve como um pilar para a Roma. Estabelecido, chegou a ser o capitão da equipe em várias ocasiões. Sua principal conquista na capital veio em 61, após a contratação de Schiaffino: novamente jogando juntos, eles ajudaram o clube a vencer a Taça das Feiras, torneio continental que, hoje, grosso modo, equivaleria à Liga Europa. Ghiggia não parou por aí, e, na temporada seguinte, já com 35 anos, assinou com o Milan. Sentiu o gosto de ganhar um scudetto, embora só tenha entrado em campo quatro vezes. Depois de um ano em Milão, voltou ao Uruguai para defender o Danúbio, enquanto Schiaffino aproveitava para encerrar sua carreira. Alcides Ghiggia permaneceu jogando até 1968, quando pendurou a chuteira pouco antes de completar 42 anos.

Atualização: Ghiggia era o único sobrevivente do Maracanazo. Aos 88 anos, o autor de um dos momentos mais fortes da história do futebol, sofreu um ataque cardíaco e morreu, justamente no aniversário de 65 anos do seu maior feito: o dia em que calou 200 mil pessoas no Maracanã. Que descanse em paz.

Alcides Ghiggia
Nascimento: 22 de dezembro de 1926, em Montevidéu.
Morte: 16 de julho de 2015, em Montevidéu.
Posição: ponta-direita.
Clubes: Peñarol (1948-53), Roma (1953-1961), Milan (1961-1962) e Danubio (1961-1968).
Seleções: Uruguai (12 jogos, 4 gols) e Itália (5 jogos, 1 gol).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Renovações

Enquanto o Milan renova com seus veteranos, a Inter rejuvenesce seu elenco (Associated Press)

Que o futebol italiano está longe de ser um dos que mais investem em jovens promessas já é sabido por quem acompanha as postagens do Quattro Tratti. Esta mentalidade ainda é arraigada na Itália, embora pouco a pouco alguns clubes comecem a trabalhar mais intensamente com jogadores mais jovens e alguns deles se destaquem.

Nesta pré-temporada, as movimentações de marcados chamam a atenção para a forma com alguns clubes tratam a questão. Para seu elenco principal, o Milan fechou as contratações de Marco Amelia (28 anos) Mario Yepes (34) e Sokratis Papastathopoulos (22), levando a média de idade do elenco a 29,1 anos - um número relativamente alto.

Um número que a diretoria do clube parece não querer diminuir, já que renovou os contratos dos veteranos Pippo Inzaghi (37, contrato até 2011), Christian Abbiati (33, até 2013), Massimo Oddo (34, até 2012) e Gianluca Zambrotta (33, até 2012). Início de trabalho pouco animador para Massimiliano Allegri, que costumava tirar leite de pedra no Cagliari, mas sempre contou com elencos jovens. Uma outra questão que pode ser levantada é a qualidade do grupo que está sendo construído neste momento em Milanello.

Na Milão nerazzurra, a média de idade também não é baixa: atinge 28,58 anos, considerando as novas contratações e excluindo os que não ficarão no elenco interista para a disputa da atual temporada. Porém, a política da Inter no que diz respeito a manutenção de seu elenco parece diametralmente oposta àquela exercida por Silvio Berlusconi, Adriano Galliani e Ariedo Braida no clube rossonero. Embora alguns "senadores" tenham renovado com o clube na última temporada e Diego Milito (31) deva acertar novo contrato até 2014, o clube tem investido mais fortemente na formação de novos jogadores desde a gestão de José Mourinho. Neste período, surgiram jogadores como Davide Santon (19), Rene Krhin (20), Vid Belec (20) e Mattia Destro (19, emprestado nesta semana ao Genoa). Isto sem falar em Mario Balotelli (19), uma das maiores revelações do futebol nacional nos últimos anos.

Além de começar a fortalecer ainda mais suas divisões de base, a Inter também tem feito contratações que levam em consideração a margem de crescimento dos jogadores. Entre as últimas contratações da Inter, apenas o goleiro Luca Castellazzi (35) é veterano. Para posições em que o elenco tem jogadores mais experientes, como no próprio gol e na defesa, a Inter se prepara para o futuro: o goleiro Emiliano Viviano (25), um dos destaques do Bologna, é de propriedade do clube, e pode ser integrado ao elenco em casos de necessidade. Na defesa, além de Santon, a Beneamata acertou com Marco Faraoni (19), proveniente da Lazio e com passagens pelas seleções italianas de base; Simone Benedetti (18), do Torino e da Azzurra sub-18. além de Andrea Ranocchia (22), destaque pelo Bari em duas temporadas e um dos jovens zagueiros mais cotados para serem convocados por Cesare Prandelli na renovação da seleção italiana. Ranocchia, porém, ficará emprestado ao Genoa por uma temporada.

No meio-campo, McDonald Mariga (23) já havia sido contratado na última temporada, enquanto o brasileiro Philippe Coutinho (18) dá uma opção interessante a Sneijder para os próximos anos, caso confirme seu talento. Para o ataque, Jonathan Biabiany (22), formado no vivaio do clube, foi trazido de volta ao clube após uma temporada muito satisfatória no Parma e ganhará oportunidades com Rafa Benítez. Se a Inter olha para o futuro e diversifica seu elenco, percebendo que deve haver renovação, o Milan parece conservar um passado que se torna cada vez mais sombrio para o presente do clube.

Técnicos: Osvaldo Bagnoli

Osvaldo Bagnoli: o gênio rústico (ilfoglio.it)

Bagnoli nasceu em 1935, em Milão, e começou a dar seus primeiros chutes nas equipes locais, como um jogador de meio-campo ofensivo, até chegar à equipe juvenil da então Ausonia Milano, atual SS Ausonia 1931. Suas atuações chamaram a atenção do Milan, onde chegou, em 1955, para depois vencer o scudetto e a Copa Latina, na temporada 1956-57. Depois disso, fez sua carreira como um jogador de nível discreto, e sua maior glória foi participar da campanha que devolveu a Serie A à Spal, da cidade de Ferrara, na temporada 1964-65. Encerrou a carreira na pequena Verbania, na Serie C, em 1973.

Ajudado pelos amigos dirigentes da equipe do Piemonte, ele passou dos gramados ao comando do banco de suplentes quase imediatamente. O início de sua nova carreira aconteceu nas categorias de base da Solbiatese, onde ficou por um ano. Transferiu-se para o Como, também para ser o técnico da equipe juvenil e, posteriormente, auxiliar técnico; foram três temporadas de trabalho pelo clube comasco antes do grande salto de qualidade.

Rimini, o sucesso de Fano e a glória, em Cesena
Em 1977, Bagnoli chegou a Rimini para, finalmente, ser o treinador de uma equipe principal. O time se preparava para defender pelo segundo ano seguido sua posição na Serie B, conquistada entre mil dificuldades. A salvezza veio apenas na última partida (empate por 1x1, fora de casa, contra a Sambenedettese) e Bagnoli não foi reconfirmado no comando do clube biancorosso. Transferiu-se, então, para Fano, baixando duas categorias: da Serie B para a C2.

No Marche, Osvaldo se reencontrou com a vitória e soube dar um sonho à cidade com a vitória do campeonato e o acesso à C1, um categoria que o clube não alcançava desde 1948. Seu trabalho foi reconhecido e, mais uma vez, Bagnoli foi para a Serie B, dessa vez para treinar o Cesena, que tinha um projeto ambicioso de retornar à Serie A, três anos após seu último rebaixamento. Na primeira temporada, o acesso foi negado por apenas um ponto mas, na temporada seguinte, o Cesena conseguiu o terceiro lugar e a promoção após a histórica vitória contra a Atalanta, deixando para trás até a scudettata Lazio.

Nos tempos de Verona, Bagnoli orienta Briegel (Eurosport)
Nove anos em Verona: o scudetto e a Europa
Ao final da Serie B de 1980-81, Bagnoli era amado em Cesena, e a confirmação de seu nome para comandar a equipe na Serie A era certa. Ele, porém, preferiu aceitar uma oferta do Hellas Verona, permanecendo na cadetteria. O clube tinha muitos problemas estruturais e conseguira sua permanência na categoria apenas na última rodada.

O que parecia uma loucura, Bagnoli entendeu como a oportunidade de construir um trabalho desde o início. Com paciência e observação, ele montou as bases de uma equipe que - ninguém desconfiava - seria histórica: o goleiro Garella foi contratado à Sampdoria; o centroavante Antonio Di Gennaro estava entre os dispensados da Fiorentina, após uma passagem pelo Perugia; o lateral-esquerdo Penzo não encontrara lugar no Brescia e, ao mesmo tempo em que aguçava o olhar, Osvaldo Bagnoli dava oportunidade a jogadores que já estavam no clube a mais tempo, como o líbero Tricella. O resultado foi imediato: o Hellas Verona surpreendeu e conquistou a Serie B.

Bagnoli havia iniciado um ciclo. A equipe continuou sendo potencializada com "reforços alternativos" e os resultados foram acontecendo: logo na temporada de reestreia na Serie A, o seu Verona chegou a um inédito quarto lugar, obtendo a classificação para a Copa da Uefa. Os gialloblù também conquistaram o vice-campeonato da Coppa Italia, fato que se repetiria na temporada seguinte. Em 1984-85, a perícia de Bagnoli foi incrementada pelos investimentos do presidente Champian: a equipe recebeu os atacantes Hans-Peter Briegel e Elkjaer Larsen, alemão e dinamarquês, respectivamente.

Em um campeonato rico, em que as equipes eram conhecidas como "Juventus de Platini" ou o "Napoli de Maradona", o time que liderou da primeira à última rodada foi o Verona de Bagnoli, um time que buscava fazer as coisas com simplicidade, como o próprio Bagnoli declarou, anos mais tarde, à Gazzetta dello Sport. A liderança foi mantida até que, em 12 de maio de 1985, contra a Atalanta, Bagnoli conheceu a glória e confirmou o histórico scudetto. Campeão e aclamado, Bagnoli teve muitos convites de trabalho em outros lugares, mas preferiu ficar em Verona, onde ainda conseguiu mais uma classificação para a Copa da Uefa, em 1986-87. Na ocasião, o Verona chegou até as quartas de final e foi eliminado, por um detalhe, pelos alemães do Werder Bremen.

Em 1990, em mais um dos detalhes cíclicos da vida de Bagnoli, seu Verona foi a Cesena para jogar a permanência na Serie A. Justamente contra a primeira equipe que o guiou à máxima série, Osvaldo reencontrou a cadetta, após uma derrot magra. Foi o fim de uma era à frente do Verona, que durou nove anos.

O treinador em seu segundo grande trabalho, à frente de um Genoa que chegou à Europa (Genoa CFC)
Genoa, Inter e anos finais
Após seu último jogo pelo Verona, Bagnoli foi contratado pelo Genoa para construir uma outra fábula na província. Guiado pelo atacante Aguilera e contando com grandes valores, como o lateral brasileiro Branco e o meia Bortolazzi, o seu grifone foi o melhor do pós-guerra e conquistou à inédita classificação à Copa da Uefa. Na primeira vez em que o Genoa chegava à Europa, o clube realizou sua melhor campanha, alcançando as semifinais. A equipe de Bagnoli eliminou Real Oviedo, Dinamo Bucareste, Steaua Bucareste e o Liverpool, com uma histórica vitória por 2 a 1, em Anfield Road. Nas semifinais, o time de Bagnoli parou no Ajax, que se sagraria campeão.

Mais uma vez, a capacidade de Bagnoli em fazer muito com poucos recursos tinha ficado evidente. Isto chamou atenção da Internazionale, que vinha de uma péssima temporada em 1991-92, duas temporadas após scudetto conquistado com um time repleto de alemães como Jürgen Klinsmann, Andreas Brehme e Lothar Matthäus, treinado por Giovanni Trapattoni.

Bagnoli deveria levar a experiência de seu passado vencedor e também um pouco de paciência, já que os nerazzurri haviam desfeito seu bloco alemão de sucesso e contavam com uma equipe mediana. Sem grandes investimentos, o começo foi difícil e os resultados não apareceriam até que Osvaldo revolucionasse a equipe, deixando de lado os medalhões e apostando em suas conhecidas soluções "alternativas": a partir de janeiro de 1993, a Inter engrenou, conquistou o vice-campeonato da Serie A e a classificação para a Copa da Uefa.

Para a temporada seguinte, a diretoria da Inter resolveu realizar grandes esforços econômicos ao contratar, entre outros jogadores, o talentoso Dennis Bergkamp. Porém, o time não engrenou e, após apenas seis jogos, Bagnoli foi demitido. O tempo deria razão mais a Osvaldo que à Internazionale que, apesar de ter sido campeã da Copa da Uefa, ficou a apenas um ponto do rebaixamento para a Serie B.

Depois dessa má experiência, Bagnoli resolveu deixar a carreira de treinador e não desenvolveu mais nenhuma atividade ligada ao futebol. Deixou o seu estilo simples e direto de trabalho, que é melhor definido pelas palavras de Candido Canavò, histórico editor-chefe da Gazzetta dello Sport, escritas um dia após o Hellas Verona ter conquistado o scudetto, em 1985: "[...] um grande maestro no banco. Se queremos, mesmo, achar um segredo, procuremos neste Osvaldo Bagnoli, personagem tímido, rústico e amável, que não inventou o "futebol dos marcianos", mas geriu sua obra de arte como se gere uma fábrica sã: conceitos e trabalho, trabalho e conceitos. E um pouquinho de coragem no momento certo".

Osvaldo Bagnoli
Nascimento: 3 de julho de 1935.
Equipes: Solbiatese (1973-74), Como (1974-1977), Rimini (1977-78), Fano (1978-79), Cesena (1979-81), Verona (1981-90), Genoa (1990-92) e Inter (1992-94).
Títulos: 1 Serie C2 (1979-79), 1 Serie B (1981-82) e 1 Serie A (1984-85).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mercado: as primeiras movimentações

Para continuar vencendo, Inter acertou com Rafa Benítez. Dará certo? (Getty Images)

O mercado, em anos de Copa do Mundo, só começa mesmo a esquentar após o fim do torneio, já que os clubes utilizam o maior palco do mundo para observar possíveis contratações. Se na Itália o mercado ainda está frio no que diz respeito às transferências de jogadores, o de técnicos já ferveu. Antes mesmo da Copa, dez clubes contrataram novos treinadores para esta temporada, incluindo o trio de ferro formado por Inter, Juventus e Milan - além da Sampdoria, que jogará a Liga dos Campeões.

Na multicampeã Inter, Rafael Benítez foi contratado para o lugar de José Mourinho com a expectativa de manter o trabalho do treinador português. Benítez não exercerá a função de manager, como na Inglaterra, e, como será apenas treinador de campo, as contratações ainda seguem a cargo de Marco Branca, diretor esportivo. Quanto ao estilo de jogo, não se deve esperar mudanças: o novo treinador da Inter já declarou, em sua primeira coletiva, que não deve fazer nenhum tipo de revolução, como aconteceu no Liverpool.

O técnico espanhol começou seu trabalho nesta segunda-feira, com um número reduzido de atletas, incluindo os novos contratados: o goleiro Castellazzi (que substitui o aposentado Toldo), o meia Philippe Coutinho e o atacante Biabiany. Ainda existe indefinição sobre a permanência de Maicon e de Balotelli, que não receberam propostas adequadas economicamente, segundo o presidente Massimo Moratti. Entre possíveis contratações, Mascherano, Palombo e Schweinsteiger são os únicos nomes ligados ao clube no momento.

Entre os clubes grandes italianos, o que mais se mexeu no mercado até agora foi a Juventus. Para tentar recuperar-se após a pior temporada da Velha Senhora em 50 anos, a nova diretoria bianconera, com a família Agnelli novamente no comando, fechou com o técnico Luigi Del Neri logo após o fim da Serie A, prometendo uma italianização ainda maior de seu elenco. Até agora, com cerca de 35 milhões de euros gastos em contratações, a promessa tem sido cumprida: dos seis jogadores que já aportaram na pré-temporada em Pinzolo, cinco são italianos.

O goleiro Storari foi contratado para oferecer uma opção mais confiável ao time em caso de ausência do capitão Buffon. Na verdade, deve ser titular da Juve na primeira parte da Serie A, já que Gigì deve estar sem condições de jogo por causa da cirurgia de hérnia de disco que realizou. Na defesa, Motta deve ser o titular de uma lateral-direita que tem causado problemas para o clube nos últimos anos, enquanto Bonucci substituirá Cannavaro e formará com Chiellini a dupla de zaga que também deve ser titular na seleção italiana. Para formar o 4-4-2 de Del Neri, os esternos Pepe e o uruguaio Martínez foram contratados junto a Udinese e Catania, respectivamente, e concorrem a vagas no time titular. Lanzafame, que retorna à Juventus após passagens por Palermo, Bari e Parma, também pode fazer a função de meia aberto pelo lado esquerdo do campo. Por outro lado, Camoranesi e Trezeguet podem deixar o clube.

Enquanto a Juventus se mexeu bastante, Milan e Roma seguem a tendência dos outros clubes e permanecem tímidas. Os rossoneri fecharam com o técnico Massimiliano Allegri, um dos melhores da nova geração, mas até agora não é possível imaginar como ele trabalhará com um elenco tão pouco renovado. Até o início de julho, foram contratados apenas o zagueiro Yepes e o goleiro Amelia (em substituição ao veterano Dida) e especula-se que Ronaldinho possa deixar o clube rumo a um desafio no Brasil ou em outro país europeu. O ambiente romanista, por sua vez, não é o melhor para contratações, neste momento. Embora a família Sensi ainda esteja no comando do clube, o consórcio Unicredit busca compradores para o clube em médio prazo. Com os problemas financeiros, em Trigoria a ordem é vender para depois comprar. Fábio Simplício e Adriano são exceções: foram contratados a custo zero.

No pelotão intermediário, a Sampdoria está mais preocupada em assegurar a permanência de suas estrelas do que em, efetivamente, contratar novos jogadores. Em caso de classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, Cassano, Pazzini e Palombo devem permanecer e, só aí, o diretor esportivo Sergio Gasparin deve invesitr no mercado. Até agora, os blucerchiati só realizaram reposições: com a saída de Del Neri, o clube acertou com o técnico Domenico Di Carlo, do Chievo, e, com as transferências dos goleiros Storari e Castellazzi, Curci foi contratado. Outra manobra de mercado foi a contratação em definitivo do atacante Pozzi, que estava cedido pelo Empoli. O Genoa, por sua vez, fez duas contratações de relevo: após negociar Floccari em definitivo com a Lazio e emprestar Amelia ao Genoa, os grifoni acertaram a contratação de Luca Toni e do goleiro Eduardo, um dos destaques da seleção portuguesa na Copa do Mundo. Outro jogador que se destacou na Copa do Mundo e jogará na Itália na próxima temporada é o lateral japonês Yuto Nagatomo, contratado por empréstimo pelo caçula Cesena.

Na Fiorentina, a ordem também é vender para depois comprar. Mutu não deve ficar no clube por conta do alto salário, enquanto Vargas deve ser negociado para que o time se reforce em outras posições. Frey e Montolivo também são candidatos a deixar a sociedade viola e, para isto, o time se antecipou: foram contratados o meia D'Agostino - que pode jogar com o ex-regista da Atalanta, mas também pode substitui-lo - e o goleiro Boruc. Parece mesmo o início de um novo ciclo para o time de Florença, que também teve de trocar de técnico, já que Cesare Prandelli assumiu a Azzurra. Sinisa Mihajlovic, que fez ótimo trabalho no Catania, chega com a missão de conduzir uma reformulação importante no elenco.

Reformulação que também deve ocorrer no Palermo, que costuma negociar seus principais jogadores nas janelas de transferências. Desta vez, Simplício e Bresciano saíram em fim de contrato para a Roma e Lazio, enquanto Kjaer foi negociado com o Wolfsburg por 12 milhões de euros. O próximo a deixar La Favorita é o atacante Cavani, que parece muito próximo de um acerto com o Napoli. Até agora, o clube rosanero faz novas apostas: contratou o polonês Glik, 22 anos, para substituir Kjaer, além do lateral direito Darmian, 20, do Milan, e do meia suíço Kasami, 18, que devem ser inseridos no time pouco a pouco. Para o ataque, Abel Hernández deve ser titular no lugar de Cavani, enquanto Pinilla e Maccarone, novos contratados, oferecem boas opções para o banco. Se nenhuma das contratações realizadas pelo Palermo e pelos outros clubes chega a encher os olhos, não é novidade: agosto será o mês em que os clubes sairão às compras.

domingo, 11 de julho de 2010

Os estrangeiros do futebol italiano na Copa do Mundo

Huntelaar e Sneijder amargam o vice-campeonato mundial com a Holanda:
o que de pior e melhor a futebol italiano apresentou nesta Copa (Associated Press)



Durante o mês da Copa do Mundo, o Quattro Tratti reduziu suas atividades por causa da competição, mas não deixou o trabalho de lado. Além de acompanharmos a prematura desclassificação da Itália e projetarmos o amanhã da Nazionale, também ficamos de olho no desempenho dos jogadores que atuam no país de Cannavaro, Totti, Zambrotta (ah, Itália!).

Ao todo, excluindo os 23 escolhidos por Marcello Lippi para o grupo italiano que foi à África do Sul, 56 atletas estrangeiros que jogam no futebol italiano foram convocados para defender as seleções de seus países na Copa do Mundo. Ou 59, se considerarmos alguns casos, como o de Victor Obinna (Nigéria e Málaga, emprestado pela Inter), Julio César De León (Honduras e Torino, cortado na véspera da estreia) e Bostjan Cesar (Eslovênia e Grenoble, contratado pelo Chievo no mês de maio).

Desta forma, trazemos uma análise completa da participação dos jogadores que atuaram pelas seleções nacionais de seus países, com um pequeno resumo do desempenho de cada um e estatísticas. Os atletas que não foram citados ou pouco jogaram ou nem entraram em campo no torneio.

Uruguai
Quem atua na Itália: Fernando Muslera (Lazio), Martín Cáceres (Juventus), Walter Gargano (Napoli) e Edinson Cavani (Palermo)

Fernando Muslera
Partidas jogadas: 7
Total de minutos em campo: 660
Gols sofridos, assistências e cartões: 8 gols sofridos
Nota: 5
Comentário: Conseguiu passar a fase de grupos sem sofrer gols, mas a partir das oitavas-de-final, falhou em cinco dos oito gols sofridos pelos uruguaios - nas oitavas, quartas e decisão de 3º lugar. Por outro lado, foi o herói da classificação para as semifinais, ao defender duas penalidades contra Gana.

Martín Cáceres
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 180
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo.
Nota: 5
Comentário: Jogou as duas partidas na lateral-esquerda, onde não foi bem. Esteve nervoso contra os holandeses e não conseguiu parar Müller na decisão de 3º lugar.

Walter Gargano
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 103
Gols, assistências e cartões: nenhum.
Nota: 5,5
Comentário: Foi preterido por Óscar Tabárez no meio-campo para acomodar outros bons volantes, como Pérez e Arévalo, mas marcou muito quando requerido. Fez ótima partida contra a Holanda, ao lado dos dois outros marcadores.

Edinson Cavani
Partidas jogadas: 6
Total de minutos em campo: 553
Gols, assistências e cartões: 1 gol marcado
Nota: 6
Comentário: Até as quartas-de-final foi ofuscado por Suárez e ajudou mais na marcação que no ataque. Porém, fez uma partida de muita movimentação contra a Holanda e jogou bem contra Alemanha, quando marcou seu único gol no Mundial.

Argentina
Quem atua na Itália: Mariano Andújar (Catania), Walter Samuel (Inter), Nicolás Burdisso (Roma), Mario Bolatti (Fiorentina), Javier Pastore (Palermo) e Diego Milito (Inter)

Walter Samuel
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 113
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5
Comentário: Teve dificuldades contra os nigerianos na estreia porque tinha de cobrir muitos espaços na zaga albiceleste. Teve uma lesão muscular na segunda partida e ficou de fora do resto da participação argentina na Copa.

Nicolás Burdisso
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 342
Gols, assistências e cartões: 1 assistência
Nota: 5
Comentário: Não teve grandes dificuldades na primeira fase e, em sua estreia, deu um passe de cabeça para gol de Higuaín contra a Coreia do Sul. Contra a Alemanha, nas quartas, sucumbiu junto com o setor defensivo argentino e não evitou dois gols por seu setor.

Mario Bolatti
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 98
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Não teve nenhum grande teste na Copa. Entrou no fim da partida contra a Coreia do Sul e foi titular contra a Grécia, quando os argentinos, praticamente classificados para as oitavas, apenas cozinharam o jogo.

Javier Pastore
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 36
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5
Comentário: Entrou no fim de todas as partidas que disputou, para segurar a bola no ataque contra a Grécia e para tentar alguma coisa contra a Alemanha, quando o jogo já estava decidido. Não foi brilhante, mas ganhou experiência e deve fazer parte da seleção nos próximos anos.

Diego Milito
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 91
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4,5
Comentário: Milito teve apenas dez minutos de futebol contra a Nigéria e uma partida como titular contra a Grécia, ocasião na qual a Argentina foi preguiçosa e quase não construiu jogadas de gol. Esteve apagado, mas poderia ter recebido mais chances de Maradona, pela boa fase.

Nigéria
Quem atua na Itália: Victor Obinna (Inter, emprestado ao Málaga)

Victor Obinna
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 72
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4
Comentário: Ao lado de seus companheiros de seleção nigeriana, pouco fez na Copa do Mundo. Um primeiro tempo mediano contra a Argentina e só.

Grécia
Quem atua na Itália: Vangelis Moras (Bologna), Sokratis Papastathopoulos (Genoa) e Alexandros Tziolis (Siena)

Vangelis Moras
Partidas jogadas: 1
Total de minutos em campo: 90
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4,5
Comentário: Jogou apenas contra a Argentina e teve boa atuação frente aos atacantes sul-americanos. Mas cometeu uma trapalhada com o goleiro Tzorvas e quase comprometeu.

Sokratis Papastathopoulos
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 127
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Teve dificuldades jogando como zagueiro contra a Nigéria e foi o escolhido para sair para a entrada do atacante Samaras, quando o time nigeriano ficou com 10 jogadores em campo. Contra a Argentina, grudou em Messi no primeiro tempo e foi bem.

Alexandros Tziolis
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 720
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5,5
Comentário: Fez uma estreia muito ruim contra a Coreia do Sul, jogo em que errou muitos passes. Se redimiu contra a Nigéria, quando foi um dos melhores em campo e chutou forte no lance que deu origem ao gol da vitória. Saiu por cima.

Estados Unidos
Quem atua na Itália: Oguchi Onyewu (Milan)

Oguchi Onyewu
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 170
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 3,5
Comentário: Fora de forma por causa de uma grave lesão sofrida em 2009, Bob Bradley bancou sua titularidade assim mesmo. Ficou na média contra a Inglaterra, mas foi desastroso contra a Eslovênia e falhou em um gol. Acabou sacado do time.

Argélia
Quem atua na Itália: Djamel Mesbah (Lecce) e Abdelkader Ghezzal (Siena, transferido ao Bari no fim do torneio)

Abdelkader Ghezzal
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 40
Gols, assistências e cartões: 2 cartões amarelos e 1 vermelho
Nota: 2
Comentário: Na estreia contra a Eslovênia, saiu do banco e foi expulso após somar dois cartões amarelos em 15 minutos. Ainda jogou contra os Estados Unidos, mas pouco fez.

Eslovênia
Quem atua na Itália: Samir Handanovic (Udinese), Jasmin Handanovic (Mantova), Bojan Jokic (Chievo), Bostjan Cesar (Grenoble, contratado pelo Chievo) e Rene Krhin (Inter)

Samir Handanovic
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 3 gols sofridos
Nota: 6
Comentário: Assim como na Udinese, foi extremamente seguro e um dos pontos altos na boa campanha do time esloveno. Fez ótimas defesas especialmente contra a Inglaterra e foi um dos melhores goleiros da primeira fase.

Bojan Jokic
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 2 cartões amarelos
Nota: 4,5
Comentário: Não fez grande competição, justificando que o lado mais forte do time esloveno era o direito. Foi discreto, mas um dos gols dos Estados Unidos surgiu por seu setor.

Bostjan Cesar
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Fez boas partidas contra Inglaterra e Argélia, com muita presença e bons cortes de bola. Porém, falhou num dos gols norte-americanos no empate entre as seleções.

Austrália
Quem atua na Itália: Mark Bresciano (Palermo, transferido para a Lazio no início de julho) e Carl Valeri (Sassuolo).

Marco Bresciano
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 132
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5,5
Comentário: Entrou no time após a goleada sofrida contra a Alemanha e ajudou muito no setor de criação.: quase todas as jogadas passaram por seu pé contra Gana e Sérvia. Na partida contra os africanos, participou do primeiro gol dos Socceroos, cobrando falta rebatida por Kingson.

Carl Valeri
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 246
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Numa seleção cheia de descendentes de italianos, pouco se notou a presença de Valeri em campo. Jogador de marcação, ocupava muitos espaços, mas não teve destaque.

Sérvia
Quem atua na Itália: Aleksandar Lukovic (Udinese), Aleksandar Kolarov (Lazio) e Dejan Stankovic (Inter)

Aleksandar Lukovic
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 164
Gols, assistências e cartões: 3 cartões amarelos e 1 vermelho
Nota: 5
Comentário: Apesar da indisciplina, mostrou bom nível técnico no centro da defesa sérvia, tirando muitas bolas e se arriscando no ataque. Porém, foi expulso no fim do jogo contra Gana, na estreia, e foi um dos responsáveis pela derrota.

Aleksandar Kolarov
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 180
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Apesar de ser forte no apoio, não correspondeu às expectativas e decepcionou, juntamente com a seleção de seu país. Teve bom papel na defesa, mas fez Copa apagada.

Dejan Stankovic
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4,5
Comentário: Escalado um pouco mais recuado por Radomir Antic para ajudar no setor defensivo, Stankovic não rendeu bem na função. Apagado, esteve distante de ajudar sua seleção a conseguir uma vaga nas oitavas.


Gana
Quem atua na Itália: Kwadwo Asamoah (Udinese), Sulley Muntari (Inter), Stephen Appiah (Bologna) e Dominic Adiyiah (Milan)

Kwadwo Asamoah
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 480
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 7,5
Comentário: Sempre muito perigoso, Asamoah foi um dos principais jogadores de Gana na Copa do Mundo. Reflexo de um time jovem, bem organizado e ofensivo, sempre subia ao ataque, criando chances com passes, cruzamentos e chutes a gol. Aposta certa da Udinese, é mais um que se valorizou muito pelo torneio que realizou.

Sulley Muntari
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 134
Gols, assistências e cartões: 1 gol marcado
Nota: 5,5
Comentário: Perdeu a vaga no time titular para o jovem André Ayew, mas costumava entrar no segundo tempo quando a coisa estava feia para Gana. No jogo em que começou como titular, no empate contra o Uruguai, jogou bem e fez o gol dos Estrelas Negras chutando de fora da área.

Stephen Appiah
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 105
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5,5
Comentário: Sem condições físicas de iniciar as partidas por conta de lesões crônicas, foi usado como arma de segundo tempo por Milovan Rajevac. Pouco fez em duas das três partidas, mas foi importante na pressão de Gana contra o Uruguai, na prorrogação.

Dominic Adiyiah
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 33
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4,5
Comentário: Melhor jogador do último Mundial sub-20, mostrou personalidade na prorrogação contra o Uruguai e mostrou que tem mesmo futuro, mas efetuou mal sua cobrança, na decisão por pênaltis.

Holanda
Quem atua na Itália: Wesley Sneijder (Inter) e Klaas-Jan Huntelaar (Milan)

Wesley Sneijder
Partidas jogadas: 7
Total de minutos em campo: 652
Gols, assistências e cartões: 5 gols, 1 assistência e 1 cartão amarelo
Nota: 8,5
Comentário: Foi o jogador que atua na Itália que teve o melhor desempenho na competição. Vencedor da Bola de Prata e um dos artilheiros do torneio, com cinco gols, foi o principal jogador da campanha holandesa e decidiu uma série de jogos para a Oranje. Na final, esteve um pouco sumido, mas quase decidiu o jogo com um lindo passe para Robben.

Klaas-Jan Huntelaar
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 48
Gols, assistências e cartões: 1 gol
Nota: 4,5
Comentário: Mesmo com as más atuações de van Persie, não ganhou a confiança do técnico para ser titular em nenhuma partida - nem mesmo contra Camarões, quando a Holanda já estava classificada. Acabou marcando um gol, contando com rebote em um chute de Robben.

Dinamarca
Quem atua na Itália: Simon Kjaer (Palermo, transferido para o Wolfsburg em julho), Per Kroldrup (Fiorentina) e Christian Poulsen (Juventus)

Simon Kjaer
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 246
Gols, assistências e cartões: 2 cartões amarelos
Nota: 4,5
Comentário: Não fez boa competição. Não conseguiu organizar a bagunça da defesa dinamarquesa e ainda cometeu muitas faltas. Contra Camarões, participou do primeiro gol ao fazer um lindo lançamento de 50 metros.

Per Kroldrup
Partidas jogadas: 1
Total de minutos em campo: 56
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 3
Comentário: Reserva da seleção, foi escalado para substituir o suspenso Kjaer contra o Japão e teve muito trabalho. Na pior partida da Dinamarca no torneio, teve muito trabalho com Keisuke Honda e ainda fez a falta que originou o gol de Yasuhito Endo.

Christian Poulsen
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 4
Comentário: O volante da Juventus teve muito trabalho nesta Copa. Jogador de muita marcação, acabou exagerando na força algumas vezes e, mesmo assim, não conseguiu ajudar sua defesa. Falhou feio no gol de Camarões na vitória de seu time por 2 a 1.

Japão
Quem atua na Itália: Takayuki Morimoto (Catania)

Camarões
Quem atua na Itália: Samuel Eto'o (Inter)

Samuel Eto'o
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 2 gols marcados
Nota: 6
Comentário: Foi o único a tentar alguma coisa na seleção camaronesa, que não tem feito boas apresentações nos últimos anos. Foram dele os dois gols dos Leões na Copa do Mundo.

Paraguai
Quem atua na Itália: Edgar Barreto (Atalanta)

Edgar Barreto
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 111
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5
Comentário: Não sentiu a falta de ritmo de uma temporada em que mal entrou em campo pela Atalanta. Correu bastante, mas confirmou o baixo potencial criativo do meio-campo paraguaio.

Eslováquia
Quem atua na Itália: Martin Petras (Cesena) e Marek Hamsík (Napoli)

Marek Hamsík
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 357
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Jogou fora de posição durante toda a Copa do Mundo e perdeu a chance de aparecer mais. Sua única boa partida foi justamente contra a Itália, quando criou grandes oportunidades para a Eslováquia e foi um dos melhores em campo.

Brasil
Quem atua na Itália: Júlio César (Inter), Doni (Roma), Maicon (Inter), Lúcio (Inter), Juan (Roma), Thiago Silva (Milan), Júlio Baptista (Roma) e Felipe Melo (Juventus)

Júlio César
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 450
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5
Comentário: O goleiro da Seleção pouco foi exigido durante a Copa, evido ao bom trabalho feito pelos defensores, mas chegou a fazer algumas boas defesas contra Portugal. Contra a Holanda, cometeu falha boba no gol de Sneijder, fechando a temporada irregular.

Maicon
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 450
Gols, assistências e cartões: 1 gol marcado
Nota: 6
Comentário: Defensivamente, fez uma grande Copa do Mundo, marcando muito e sendo um poço de segurança na defesa brasileira. Porém, apesar de ter marcado contra a Coreia do Norte, faltou aparecer mais no ataque com velocidade, como costuma fazer.

Lúcio
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 450
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 5,5
Comentário: Líder da defesa brasileira, o capitão mostrou o de sempre: muita força, garra e vontade, mas sem a mesma segurança. Fez ótimas partidas contra Portugal, Costa do Marfim e Chile, mas falhou no gol da Coreia do Norte e não soube acalmar os ânimos dos companheiros na eliminação frente a Holanda.

Juan
Partidas jogadas: 5
Total de minutos em campo: 450
Gols, assistências e cartões: 1 gol marcado e 1 cartão amarelo
Nota: 6
Comentário: Foi o melhor zagueiro do Brasil na Copa, assim como em 2006. Contra o Chile, jogou muito bem e marcou um gol, além de ter feito partidas acima da média contra Holanda e Coreia do Norte. Contra Portugal, por sua vez, jogou muito mal.

Felipe Melo
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 291
Gols, assistências e cartões: 1 assistência, 1 cartão amarelo e 1 vermelho
Nota: 3
Comentário: Felipe Melo fez uma Copa de extremos. De bom, um lindo passe para o gol de Robinho contra a Holanda e uma partida calma contra Costa do Marfim, quando não se envolveu no clima de pancadaria da partida. Porém, falhou ao não acompanhar Drogba no gol de honra dos Elefantes e, contra Portugal e Holanda, perdeu a cabeça: trocou agressões com Pepe e foi o grande vilão da eliminação brasileira ao pisar Arjen Robben e ser expulso, após falhar nos dois gols da Oranje.

Julio Baptista
Partidas jogadas: 1
Total de minutos em campo: 82
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 2
Comentário: Como se esperava, o reserva da Roma não conseguiu substituir Kaká à altura contra Portugal. Pouca movimentação, nenhuma criatividade e muitas trombadas.

Suíça
Quem atua na Itália: Stephan Lichtsteiner (Lazio), Reto Ziegler (Sampdoria), Gökhan Inler (Udinese) e Marco Padalino (Sampdoria)

Stephan Liechtsteiner
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 6
Comentário: Muito forte na defesa, Lichtsteiner foi um dos melhores jogadores da seleção suíça na Copa do Mundo. Contra a Espanha, marcou muito as subidas de Andrés Iniesta e impediu várias jogadas da Fúria.

Reto Ziegler
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Assim como Liechtsteiner, foi muito bem contra a Espanha, evitando os avanços dos pontas de La Roja. Porém, contra o Chile, sofreu muito com as caídas de Alexis Sánchez pelo seu lado, ponto mais vulnerável da defesa. Assim como o todo time suíço, pouco foi ao ataque.

Gökhan Inler
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5,5
Comentário: O capitão foi um dos melhores jogadores da seleção suíça no torneio, mas faltou ser mais presente nas horas decisivas. Na vitória contra a Espanha, foi o responsável por anular Xavi, mas nos outros jogos ficou restrito apenas à (boa) marcação, quando poderia sair para o jogo. Contra um adversário mais fraco, como Honduras, deveria colocado em prática uma de suas especialidades, os chutes à distância.

Honduras
Quem atua na Itália: Edgar Álvarez (Bari), Julio Cesar de León (Torino, cortado de última hora) e David Suazo (Genoa).

Edgar Álvarez
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 180
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 4,5
Comentário: Sempre uma boa opção para quem precisa de velocidade, Álvarez fez um jogo interessante contra a Suíça, partindo sempre para cima de Ziegler. Contra o Chile, teve de marcar Beausejour, pegou pouco na bola e errou muitos passes.

David Suazo
Partidas jogadas: 2
Total de minutos em campo: 171
Gols, assistências e cartões: 1 cartão amarelo
Nota: 5
Comentário: Lesionado, não enfrentou o Chile. Apesar da falta de ritmo por causa da lesão e por ter jogado pouco por Inter e Genoa na temporada, apareceu bastante contra a Suíça e criou algumas chances de perigo.

Chile
Quem atua na Itália: Mauricio Isla (Udinese), Carlos Carmona (Reggina) e Alexis Sánchez (Udinese)

Mauricio Isla
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 332
Gols, assistências e cartões: 1 assistência
Nota: 6
Comentário: O jogador da Udinese estreou muito bem contra Honduras, com uma assistência para o gol de sua seleção e um dos melhores desempenhos individuas da rodada. No resto da competição, esteve bem na defesa e ainda arriscou alguma coisa no ataque. Alto potencial de evolução para o lateral direito de 22 anos.

Carlos Carmona
Partidas jogadas: 3
Total de minutos em campo: 270
Gols, assistências e cartões: 2 cartões amarelos
Nota: 5,5
Comentário: Cão de guarda à frente da defesa chilena, Carmona marca muito forte e tem boa noção de posicionamento. Manteve a média em todas as partidas, mas precisa ser um pouco menos faltoso. Tem futebol para deixar a Reggina e deve mudar de clube ainda neste mercado: Fiorentina e Lazio monitoram sua situação.

Alexis Sánchez
Partidas jogadas: 4
Total de minutos em campo: 335
Gols, assistências e cartões: nenhum
Nota: 7
Comentário: O jovem Sánchez foi o principal jogador do Chile na Copa do Mundo. Muito rápido e habilidoso, todas as jogadas de perigo de La Roja passavam por seus pés. Porém, gosta de segurar demais a bola e, assim como o time chileno, perdeu gols demais. Poderia ter sido incluído na lista da Fifa para Melhor Jogador Jovem, mas foi preterido por Giovani dos Santos, do México.

A lenta agonia da Lega Pro

A fanática torcida da Salernitana é uma das que corre o risco de ver o clube ficar sem campeonato (ultrasalerno.it)

Em nosso último artigo sobre a Lega Pro, traçamos um panorama do desastre que se anunciava na categoria. E, embora se tratasse de uma morte anunciada, era complicado pensar que se tornaria tão violenta e abrangente quanto o que se viu: praticamente 40% dos clubes da terceira e quarta divisões acabaram sugados por este turbilhão.

Casos sem solução
Não houve esperanças para Rimini, Gallipoli, Mantova, Pescina, Itala San Marco, Monopoli e Scafatese, que desaparecem do futebol profissional. Dentre eles, apenas o Rimini parece ter futuro definido: o clube retomará as suas atividades na Serie D (quinta divisão). Os demais ainda dependem das complexas negociações que o futebol de sociedades exige e, caso a elite do futebol amador não seja possível, o torneio de Eccellenza (sexta) uma possibilidade a todos – com exceção do Monopoli, que, segundo os comentários da imprensa local, poderia recomeçar, na melhor das hipóteses, do campeonato de Promozione (sétima).

De 30 junho a 7 de julho, algumas situações foram resolvidas, e muitas outras regrediram ou se mostraram evidentes. A Covisoc (entidade que rege as contas dos clubes profissionais) foi severa em seu julgamento e, baseada em diversos motivos, negou temporariamente a inscrição a 26 clubes. Na Prima Divisione, a decisão da entidade afetou Arezzo, Cavese, Cremonese, Figline, Foggia, Real Marcianise, Salernitana, Spal, Triestina e Viareggio. Na Seconda Divisione, as equipes que tiveram o registro negado foram Alghero, Cassino, Chieti, Fondi, Gavorrano, Legnano, Manfredonia, Olbia (decretou falência), Paganese, Potenza, Prato, Pro Vasto, Pro Vercelli, Sangiovannese, Sangiustese e Villacidrese.

Operação resgate
A maior surpresa desta relação é a Cremonese, uma das propriedades mais ricas da Lega Pro. É provável que, como já aconteceu com muitos clubes em anos anteriores, a exclusão seja revertida com tranquilidade e sem qualquer penalização – ou um sinal de que os três anos seguidos de grandes investimentos, que não foram seguidos pelo acesso à Serie B, estejam “gritando” por justiça. A situação também parece quase resolvida para a Triestina, que apresentava estabilidade na Serie B e deverá administrar problemas financeiros com jogadores e funcionários. No caso do Chieti, que retorna ao futebol profissional após anos entre amadores, um problema de adaptação do estádio Guido Angelini impediu uma boa avaliação da Covisoc. Mas o clube conta com o apoio da Prefeitura e a inscrição não corre risco, segundo a sociedade.

De acordo com o site Calciopress.it, as situações mais graves (excluído o Olbia, que já anunciou o fim de suas atividades) são as de Alghero, Cassino, Cavese, Figline, Legnano, Manfredonia, Potenza, Real Marcianise, Salernitana, Sangiustese, Sangiovannese e Villacidrese. Os demais clubes podem encontrar soluções para seus casos, mas provavelmente serão esportivamente punidos com o desconto de pontos.

Sem estrutura
A Lega Pro contabilizou o maior de seus recordes negativos ao ver quase 30% dos pedidos de inscrição de suas equipes serem negados, ainda que temporariamente. Um percentual que, se somado aos oito clubes que já não haviam conseguido o aval da federação, sobe para assustadores 40% entre as 90 equipes que espalhadas pela duas divisões da categoria. Fruto de um grave problema estrutural.

A Serie B, agora administrativamente separada e festejada como Serie Bwin, está entregando à Lega Pro clubes em difíceis situações econômicas. Nos últimos anos, muitos deles chegaram praticamente “mortos” à terceira divisão do futebol italiano. Para a próxima temporada, Mantova, Gallipoli e Salernitana (a última, mesmo que não entre em bancarrota) engrossarão a estatística que já viu a falência de quatro sociedades recém-rebaixadas nos últimos três anos.

A própria Lega Pro já provou, mais de uma vez, que não está pronta para promover clubes verdadeiramente fortes à Serie B. Basta pensar que em 2008-09, a Pro Patria, que havia falido com o campeonato em andamento, esteve a um gol de subir no spareggio contra o Padova. No mesmo ano, o Gallipoli conquistou o acesso às portas da falência e não fez mais que atrapalhar a disputa da serie cadetta. Isto acontece porque a Lega Pro não consegue elencar quais são seus clubes mais saudáveis. É possível que Legnano e Sangiovannese, que ficaram próximos de subir para a Prima Divisione (o primeiro, inclusive, chegou à final dos play-offs) hoje estejam à beira da falência? Ora, o problema não pode ter surgido e se agravado desta forma em pouco mais de um mês. Mesmo caso do Arezzo, que chegou às semifinais dos play-offs de acesso à Serie B.

Fragilidade da Serie D
Entre os clubes previamente excluídos, à parte o caso do Chieti, já se encontram dois times provenientes da Serie D 2009-10: Fondi e Gavorrano. Outros dois clubes que disputavam a máxima série amadora duas temporadas atrás, Pro Vasto e Villacidrese, também estão ameaçados. Não há critérios para aceitar quais clubes podem atuar no amadorismo nacional, e menos ainda para estabelecer quais entre estes poderão, de fato, disputar campeonatos profissionais.

A Serie D é uma categoria fraca e dita nacional, mas que separa os campeões regionais de Eccellenza em grupos, no máximo, interregionais. O maior exemplo da fragilidade da iniciativa é o caso da Real Casertana: o novo clube seria formado a partir da transferência do título esportivo da Real Marcianise para a cidade de Caserta, que possui equipe na Serie D. Até hoje, nada se fez de concreto e os dois clubes correm o risco de desaparecerem juntos. Se nem o título esportivo de uma sociedade profissional foi o suficiente para dar prestígio àquela amadora, recompor uma eventual baixa quantitativa de clubes da Seconda Divisione com o método das repescagens é ilógico.

Possíveis soluções
Como na Lega Pro o caráter nacional é apenas ilusório, a disputa deveria ser regionalizada ao extremo, subdividida em grupos menores formados a partir de um total de participantes também menor. É urgente a criação de um sistema de redimensionamento severo, que não apenas rebaixe ou exclua equipes, mas qualifique as divisões italianas em profissionais ou amadoras de acordo com critérios estruturais e patrimoniais, não só dos clubes, mas de suas cidades.

Também é fundamental que exista cooperação entre as diversas ligas italianas – Lega Serie A, Lega Serie B, Lega Pro e LND –, que estão ramificadas em blocos de interesses particulares sem se darem conta de que o movimento divisional desqualificado enfraquecerá, em médio ou longo prazo, as categorias mais elevadas. E o futebol italiano tem provado que há urgência quanto ao tema.


Até o momento de publicação deste texto, Arezzo, Manfredonia, Pro Vasto e Legnano haviam declarado oficialmente suas desistências.

Horas após o post, Cassino, Alghero, Potenza e Real Marcianise também foram oficialmente excluídos. Os três primeiros devem recomeçar as atividades entre os amadores. O time de Marcianise pode ficar parado por uma temporada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O amanhã da Itália

Balotelli marca no Euro Sub-21 e comemora com Criscito:
o lateral do Genoa foi à Copa, Supermario não (Skysports)


Publicado também no Olheiros.

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Não é de hoje que as jovens promessas do futebol italiano encontram dificuldades para se estabelecerem no elenco principal das equipes pelas quais atuam. Em janeiro de 2009, já comentávamos no Quattro Tratti que não adianta ter boas gerações de jovens se os clubes - e, consequentemente, a seleção - não rompam com a desconfiança com suas promessas e permitam que as promessas do país ganhem alguma rodagem. Anunciávamos que isto poderia trazer problemas para a Azzurra.

Deu no que deu: vexame na Copa do Mundo, com um grupo envelhecido, no qual apenas três jogadores que participaram do Europeu sub-21 em 2009 foram convocados por Marcello Lippi, enquanto um bom número de jogadores jovens e talentosos ficaram de fora. Só para comparar, Joachim Löw convocou para a seleção alemã seis jogadores que participaram do mesmo torneio: quatro são titulares, além de Thomas Müller, que não participou da campanha.

Na Itália, carência de qualidade técnica nos jovens que são formados não é um problema, apesar de muitos alegarem que o fato de 15% dos jovens contratados pelas equipes de base do país sejam estrangeiros. As últimas gerações reveladas pelos clubes do país disputaram campeonatos bastante parelhos, nos quais Atalanta, Sampdoria, Inter, Milan, Juventus, Roma, Palermo e Genoa tem ganhado destaque, com a construção frequente de boas equipes, que formam a base das seleções sub-21, sub-19 e sub-17. A Itália também é sede da Copa Viareggio, torneio internacional em que participam jogadores de até 20 anos (e mais dois de 21) e no qual existe supremacia dos clubes italianos.

Desta forma, o que falta é a ousadia dos clubes de optarem por assumir o risco de apostar em promessas, em lugar de apostarem em peças tão experientes. Quando este obstáculo foi rompido, os clubes colheram bons frutos: por exemplo, Andrea Poli fez ótima temporada de estreia na Serie A com a Sampdoria, enquanto Mario Balotelli - apesar das polemicas - já marcou mais gols na carreira do que Alessandro Del Piero e Francesco Totti marcaram, quando tinham sua idade.

A confirmação de Cesare Prandelli como técnico da seleção principal até 2014 favorece a utilização de jogadores mais novos, já que o lombardo não tem o mesmo receio de apostar na juventude como outros treinadores. Porém, a renovação não deve ter como base principal jogadores sub-23: deverão formar o cerne da nova Itália os mais jovens do grupo que Lippi levou à África do Sul - como Giorgio Chiellini, Claudio Marchisio, Domenico Criscito e Riccardo Montolivo. Também devem ser inseridos outros jogadores com idade entre 23 e 30 anos - como Salvatore Sirigu, Andrea Lazzari, Marco Biagianti, Alessandro Matri e Antonio Cassano -, pincelada com outros menos rodados, como Davide Santon, Poli e Balotelli.

Nota da seleção: 7,5
Necessidade de renovar: 5
O que deve melhorar na base: A desconfiança dos clubes do país quanto aos jovens e sua pouca utilização faz com que muitos cheguem "verdes" ao elenco principal. Outro problema é o fato de comunicação entre as categorias de base e a seleção principal, que raramente alça os melhores da base ao time principal.
Retrospecto recente: Copa (eliminada na fase de grupos), Europeu Sub-21 (eliminada nas semifinais pela Alemanha), Mundial Sub-20 (eliminada nas quartas-de-final pela Hungria, Europeu Sub-19 (caiu na primeira fase de classificação para o torneio), Mundial Sub-17 (eliminada nas quartas-de-final pela Suíça) e Europeu Sub-17 (caiu nas semifinais para a Alemanha)
Cinco promessas: Andrea Poli, Mario Balotelli, Davide Santon, Alberto Paloschi e Ezequiel Schelotto.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pílulas da Copa do Mundo

A Holanda de Sneijder está a um passo da final e o interista pode ganhar a Bola de Ouro Fifa (Getty Images)

Com as atenções voltadas para a Copa do Mundo e com a precoce eliminação italiana da competição, é natural que o ritmo de postagens no Quattro Tratti caia um pouco até o fim do Mundial. Ao final da Copa, no próximo domingo, traremos uma compilação com uma avaliação do desempenho de cada jogador que atua na Itália e participou da Copa do Mundo da África do Sul. Por enquanto, seguem algumas pílulas sobre a competição.

Wesley Sneijder
O fantasista da Inter é o principal jogador da Holanda nesta Copa e já é apontado - ao lado de David Villa - como o principal concorrente de Lionel Messi para o prêmio de melhor jogador do mundo. As glórias conquistadas na grande temporada com a Inter, na qual foi uma das referências do time que levantou a Tríplice Coroa, com oito gols marcados, seis assistências na Liga dos Campeões e outras muitas na Serie A, ainda não findaram.

Sneijder é um dos poucos craques que brilharam durante 2009-10 e mantém o alto nível na África do Sul: se boa parte dos grandes jogadores não fizeram a diferença para suas seleções, a campanha da Holanda tem sua marca. Com Arjen Robben indisponível no início da Copa, o interista decidiu os primeiros jogos para sua seleção e, mesmo após a volta do ponta do Bayern de Munique, continua sendo o principal jogador holandês no torneio: fez os gols decisivos contra Eslováquia e Brasil, é um dos vice-artilheiros da Copa (com quatro gols) e já foi eleito como melhor em campo por três vezes no torneio.

Caso leve a Holanda ao título mundial e alcance um feito que três fantásticas gerações da Oranje - a de Johan Cruyff e Johan Neeskens; a de Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard; e a de Dennis Bergkamp, dos irmãos De Boer e van der Sar - não conseguiram, Sneijder entra em outro patamar na história do futebol de seu país. Com o fracasso da Argentina de Messi e com a consagração com seu clube, já é taxado como favorito ao primeiro prêmio unificado entre Fifa e France Football de melhor jogador do mundo, que será concedido no dia 10 de janeiro de 2011: o Bola de Ouro Fifa.

Felipe Melo, Kaká e Júlio César
Dentre os jogadores com alguma ligação com a Itália, Felipe Melo, Kaká e Julio Cesar foram os brasileiros que mais tiveram algum destaque -mais negativo que positivo - nesta Copa do Mundo. O juventino Felipe Melo não fez um torneio péssimo, mas, assim como Fabio Cannavaro, falhou em três gols sofridos por sua seleção: deixou Didier Drogba livre no gol de honra da Costa do Marfim e falhou em dois cruzamentos pelo alto que originaram os gols da Holanda na derrota que eliminou o Brasil. Se, no primeiro tempo, tinha achado Robinho entre os zagueiros laranjas com um lindo lançamento rasteiro, que deu origem ao gol que abriu o placar, deu vexame na segunda etapa, ao pisar Robben e ganhar um cartão vermelho típico de seu destempero - não é à toa que, na Itália, Felipe é conhecido como Felipe "Meno" (menos, em tradução literal), por ocasionalmente deixar seu time com um jogador a menos.

O ex-milanista Kaká não chegou bem na Copa do Mundo. Também encontra-se numa fase difícil e parece ter trocado de papel com Sneijder. Enquanto o holandês passou por maus bocados no Real Madrid e, após sua transferência para a Inter, é apontado como um dos grandes meio-campistas do futebol mundial, o brasileiro deixou Milão rumo a uma experiência fracassada de um ano em Chamartín. A Gazzetta dello Sport, em artigo, traz um paralelo interessante sobre a situação dos dois meias. Irá José Mourinho recuperar o futebol de Kaká, como fez com Sneijder?

Júlio César, por sua vez, não foi muito exigido durante toda a Copa do Mundo. Afinal, o sistema defensivo "italiano" - à exceção de Michel Bastos - sempre foi considerado como um dos melhores da atualidade no futebol de seleções. No entanto, sua falha no gol de empate holandês não foi incomum para o Júlio César da temporada 2009-10: mesmo com os títulos da Inter, o goleiro não realizou temporada incostante pela Beneamata. Fechou a temporada em alta, mas contrastou grandes defesas com falhas bobas em momentos importantes, como em uma das partidas decisivas da temporada, contra a Roma. Sinal de stress?

Argentina
Assim como aconteceu com a seleção brasileira, a eliminação da Argentina evidenciou todas as falhas cometidas pelo técnico Diego Armando Maradona no comando da seleção albiceleste, desde a convocação do grupo que iria para a África do Sul até algumas escolhas dentre os 23 escolhidos. Na fraca defesa, a perda de Walter Samuel por lesão foi significativa e mostrou que a ótima temporada de Nicolás Burdisso pela Roma não foi suficiente para que El Padroncito se tornasse uma opção do mesmo nível que The Wall. Na lateral-direita, as péssimas exibições de Jonás Gutiérrez e Nicolás Otamendi já eram esperadas e demonstraram o peso da ausência de Javier Zanetti na convocação de Maradona. Se o capitão nerazzurro, ótimo defensor, ocupasse a posição, provavelmente seria mais difícil que três dos quatro gols da Alemanha nas quartas-de-final fossem originados por aquele setor.

Além disso, as subidas de Zanetti poderiam ajudar a preencher uma lacuna no meio-campo da seleção argentina, que, quando Juan Sebastián Verón não estava em campo, perdia em toque de bola, já que Ángel di María e Máxi Rodríguez são jogadores muito verticais e não é o forte de Javier Mascherano cadenciar o jogo. Assim, o excluído Esteban Cambiasso, que sabe trabalhar com a bola nos pés, poderia ajudar a cumprir esta função, e também seria útil para proteger melhor a região em frente à defesa. Poderia ainda jogar improvisado como zagueiro, função que desempenhou com maestria na Inter de José Mourinho. Porém, Maradona acreditava que um time voltado apenas para o ataque seria suficiente para vencer uma Copa do Mundo. Não é.

Quanto ao ataque albiceleste, menos condenável foi a opção por Gonzalo Higuaín como titular, na vaga que poderia ser ocupada por um Diego Milito em grande fase. Mais jovem, o atacante do Real Madrid também realizou boa temporada no Real Madrid e sempre contou com a confiança do técnico, enquanto Milito entrou no grupo formado por Don Diego apenas no meio das Eliminatórias sul-americanas para a Copa. Apesar dos quatro gols marcados, Higuaín não fez grande competição: três de seus gols foram contra a Coreia do Sul, na única partida em que jogou realmente bem. No restante da competição, perdeu um caminhão de gols na estreia contra a Nigéria e fez partidas apagadas contra México e Alemanha. Milito, em fase tão exuberante, teve apenas dez minutos de futebol contra a Nigéria e uma partida como titular contra a Grécia, ocasião na qual a Argentina pouco estava interessada em construir um resultado expressivo. Muito poucas chances para um atacante que decidiu tudo para a Inter nesta temporada e que dificilmente jogará outra Copa do Mundo: em 2014, terá 35 anos.

Por outro lado, no que diz respeito aos jogadores que atuam na Itália, Maradona merece crédito por dar chances a Javier Pastore, do Palermo, que saiu do banco e atuou em três partidas do Mundial. Cancha importante para um jogador que, se confirmar o brilhante futuro que está construindo em La Favorita, deve ser titular da seleção argentina por muitos anos.

Edinson Cavani e Fernando Muslera
Na ótima campanha uruguaia, Edinson Cavani é apenas um figurante. O atacante do Palermo ganhou a posição de Ignacio Gonzalez na segunda rodada da Copa e, a partir de então, a Celeste Olímpica passou a jogar bem. Porém, não porque o atacante nascido na cidade de Salto tenha revolucionado a forma de jogar do time, mas porque o técnico Óscar Tabárez recuou Diego Forlán e o descobriu como trequartista nato e consolidou ainda mais a importância do atacante do Atlético de Madrid no time. O ótimo desempenho de Luis Suárez, parceiro de ataque, também contribui para o ofuscamento de Cavani, que, tímido, acertou apenas três chutes nos gols adversários e tem se destacado mais por ajudar a equipe uruguaia na ocupação de espaços e atribuições defensivas. Com a suspensão de seu companheiro de ataque por um toque de mão que evitou um gol de Gana, Cavani pode assumir o comando do ataque e espera marcar seu primeiro gol no Mundial, contra a defesa da Holanda. Atualmente, após duas boas temporadas no Palermo, o atacante está valorizado e, com a Copa do Mundo em curso, está decidindo seu futuro: negocia com Tottenham, Wolfsburg e Inter.

Entre os outros uruguaios que atuam na Serie A e estão no elenco de Tabárez para a Copa (além de Cavani, fazem parte do grupo Martín Cáceres, Walter Gargano e Fernando Muslera), apenas o goleiro Muslera é titular, confirmando a má safra de goleiros do país sul-americano. Irregular, o goleiro da Lazio foi uma das surpresas da primeira fase, ao superá-la sem sofrer gols, mas a partir da fase eliminatória, mostrou duas de suas facetas, conhecidas para quem acompanhou as últimas temporadas dos aquilotti: a insegurança e, paradoxalmente, o bom desempenho nos momentos decisivos. Nas oitavas-de-final, Muslera falhou ao tentar interceptar um cruzamento no gol de empate da Coreia do Sul, e, nas quartas, aceitou um chute de Sulley Muntari, à longa distância, no gol que abriu o placar para Gana. Porém, nos pênaltis, parou duas cobranças de jogadores ganenses e garantiu a classificação do Uruguai para as semifinais, 40 anos depois de sua última participação nesta fase.