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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tempo de experimentar

Prandelli, dividido: não quer fazer mais testes, mas não tem opção (Getty Images)

Nesta sexta-feira, a Itália volta a campo para esquecer os vexames recentes. Para além da derrota para a Costa do Marfim no amistoso de três semanas atrás, o fracasso na Copa do Mundo continua na memória do país. Na estreia pelas Eliminatórias da Euro 2012, a Nazionale vai a Tallin, jogar com a Estônia. Os destaques do time são o goleiro Pareiko, o armador Lindpere e o veterano centroavante Oper. Na próxima terça-feira, a seleção das Ilhas Faroé será a adversária, em Florença. O time passa por renovação e não contará com o atacante Jacobsen, que já marcou em Buffon.

Jogos fáceis, em tese. Mas vale lembrar os tropeços italianos em jogos oficiais nos últimos quatro anos. Nas Eliminatórias para a Copa, não dá para esquecer a vitória suada sobre o Chipre (3 a 2, com gol de Gilardino no último minuto) e o empate com a Irlanda (2 a 2, outro gol de Gilardino nos acréscimos). Para a Euro passada, chamou atenção o empate com a Lituânia (1 a 1). Além dos empates com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia, durante a Copa do Mundo.

Até por isso, Cesare Prandelli disse que vai evitar testes em seu segundo jogo como técnico azzurro: "Existem pontos em jogo, por isso não vamos fazer experimentos". Quer conseguir vitórias para marcar o início do ciclo. Sabe bem que, com um começo trôpego como foi o de Roberto Donadoni, pode ver abalada a confiança em seu trabalho.

Mas não é o que a convocação do técnico dá a entender. Entre os 23 jogadores, estão cinco que jamais haviam sido chamados (Antonelli, Bovo, De Silvestri, Gastaldello e Cigarini), além de mais três que ainda não jogaram com a camisa azzurra (Mirante, Viviano e Lazzari). Dos 15 restantes, outros cinco não chegaram a dez partidas, e o ponto crítico está na defesa.

Para o setor, Prandelli deve apostar na continuidade de Sirigu entre as traves, ainda que o goleiro do Palermo tenha se mostrado inseguro nas primeiras partidas da temporada. A linha defensiva deve contar com formação inédita: Cassani, Bonucci, Chiellini e Molinaro. Motta, mal contra a Costa do Marfim, não foi chamado. A dupla juventina na zaga foi muito bem contra o Bari e inspira confiança. No Stuttgart, Molinaro não travessa boa fase defensiva.

Sem Balotelli e Amauri, lesionados, Prandelli deve voltar ao 4-3-3. O meio-campo seria composto por De Rossi, Pirlo e um entre Palombo e Montolivo. Arriscado: De Rossi, capitão da equipe até o retorno do Buffon, ainda não está fisicamente bem. No ataque, falta combinar o parceiro para a dupla da Sampdoria. Nesta formação, Cassano e Pazzini têm vaga certa. A outra posição deve ficar entre Pepe e Rossi. Ou seja, é cedo para o treinador dizer que as experimentações já foram abandonadas.

O time de hoje, ainda em formação, é suficiente para bater Estônia e Ilhas Faroé. Mas estes são jogos que devem ser tratados com seriedade para, num futuro próximo, a base italiana estar pronta para desafios maiores. O elenco não é o mesmo, talentoso, de competições passadas. Receitar trabalho é clichê, mas não há outro caminho para os tetracampeões mundiais.

Os convocados
Goleiros: Mirante (Parma), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna)
Defensores: Antonelli (Parma), Bonucci (Juventus), Bovo (Palermo), Cassani (Palermo), Chiellini (Juventus), De Silvestri (Fiorentina), Gastaldello (Sampdoria), Molinaro (Stuttgart)
Meio-campistas: Cigarini (Sevilla), De Rossi (Roma), Lazzari (Cagliari), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pirlo (Milan)
Atacantes: Cassano (Sampdoria), Gilardino (Fiorentina), Pazzini (Sampdoria), Pepe (Juventus), Quagliarella (Juventus), Rossi (Villarreal)

Os mercenários

Sem pancadaria ou explosões, Aquilani e Ibrahimovic
esquentaram o mercado na Itália (Getty Images)


Tanto Alberto Aquilani quanto Zlatan Ibrahimovic não se deram bem em seus últimos desafios. O primeiro, ex-Roma e grande promessa italiana há tempos, continuou perseguido por problemas físicos e não se firmou num Liverpool decepcionante. O sueco, por sua vez, deixou a Inter almejando a Liga dos Campeões e, além de não tê-la conquistado, viu sua antiga equipe levantar o troféu máximo do continente europeu. Como se não bastasse, caiu diante dos nerrazzurri nas semifinais do torneio. Uma temporada depois, ambos estão de volta à Itália, mas não ao mesmo lugar de onde partiram: o meio-campista acertou com a Juventus, enquanto Ibra é o mais novo (e festejado) reforço do Milan.

Em Hollywood, que pouco se importa ou tem a ver com o futebol italiano, o filme Os Mercenários, lançado no meio de agosto, reuniu grandes nomes. Sylvester Stallone, Jet Li, Bruce Willis e até Arnold Schwarzenegger fizeram parte do elenco, numa produção que custou aproximadamente 80 milhões de dólares. Quem valeu (um pouco) mais que todo o filme foi Ibrahimovic: o Barcelona pagou sessenta e cinco em seu passe, e também cedeu Samuel Eto'o, avaliado em vinte. Já Aquilani foi uma negociação modesta, se comparada à do então interista: 20 milhões de euros tiraram-no da Roma para substituir Xabi Alonso nos Reds. Ao contrário dos dois jogadores, Mercenários parece dar retorno, não obstante o fato de ser mais um desses filmes cheios de pancadaria e explosões.

Embora o sueco seja conhecido por seu caráter questionável, não dá para negar a sua ligação com a Inter. Foi lá que, guiado por Roberto Mancini (e depois José Mourinho), encontrou-se na Itália; visto que suas duas temporadas na Juve não haviam convencido por completo. Em alguns momentos delicados, Ibra chegou a carregar a Inter nas costas, atingindo seu ápice na temporada 2008-09, quando marcou 25 gols e terminou artilheiro da Serie A. Seu time, porém, foi campeão nacional, algo que já havia virado (e continua sendo) rotina. Aí, vendo o Barcelona levar a tríplice coroa, o atacante não se segurou e rumou à Catalunha em busca do mesmo sucesso.

Seria injusto dizer que sua experiência blaugrana foi um fracasso total, mas é inegável que, caso tivesse obtido êxito, jamais encerraria seu ciclo assim; negociado da maneira que acabou sendo. Ibrahimovic foi emprestado gratuitamente ao Milan, com um direito de compra fixado em aproximadamente 30 milhões de dólares. Ou seja, em um ano, em uma temporada, a valoração do jogador caiu de quase 90 para 30 milhões. Se não representa uma queda absurda no mercado, é, então, no mínimo bastante estranho.

A relação de Aquilani com a Roma, se comparada com a aquela entre Ibra e Inter, era mais sentimental do que funcional: chamado de Príncipe em Trigoria, ele nasceu na capital e cresceu nas categorias de base do clube. Valorizado, sempre recebeu muita estima por parte dos torcedores e da mídia. Todavia, constantes problemas físicos atrapalhavam sua manutenção no elenco, e o meio-campista não era capaz de manter a titularidade. Considerado inegociável pela diretoria, foi vendido num momento em que os giallorossi precisavam de dinheiro, e ele de uma nova tentativa.

Os mesmos problemas acompanharam-no em Liverpool: Aquilani só reuniu condições de iniciar partidas no fim do primeiro turno. Como resultado, passou o pior ano de sua carreira na pior temporada do clube desde 1998-99, quando também não ganhou nada e terminou em sétimo. Seu empréstimo à Juve também foi gratuito, enquanto seu valor de compra caiu em quatro milhões de euros.

Classificar os dois jogadores como mercenários é um exagero oportunista. Não foi pelo dinheiro que Aquilani e Ibrahimovic decidiriam voltar à bota - até porque i soldi não são um problema para a dupla. Com a chegada de Roy Hodgson ao comando do Liverpool, o italiano não teve a paciência de esperar outra temporada na Inglaterra e, com cada vez mais pressa, corre para fazer seu nome no futebol - ainda longe da consagração. Não só: ele foi excluído da primeira convocação de Cesare Prandelli, e um retorno à Itália certamente pode facilitar sua vida na Nazionale.

O sueco também teve seus motivos: o péssimo relacionamento com Josep Guardiola é uma boa razão para buscar uma transferência. Não se pode negar, para Ibrahimovic, o rancor de ver seu principal objetivo ser conquistado pela equipe que ajudou a montar, e que, contudo, abandonou. Isso certamente lhe deu motivação para defender o Milan. Alguém duvida? Pois em sua apresentação, o orgulhoso atacante afirmou, sem mais nem menos, que antes dele a Inter não havia vencido nada. Também retrucou o capitão Zanetti, que havia dito não estar surpreso com o destino de Ibra. Vale lembrar que esse tipo de declaração não costuma sair da boca do argentino.

Ambos chegam em seus novos clubes com responsabilidade. Desde já considerados titulares, Aquilani e Ibrahimovic terão a meta de esquecer seus passados recentes em equipes rivais, fazer seus torcedores - que radicalmente mudaram de um ano para outro - também esquecerem, e aproveitar a oportunidade de reerguer suas carreiras. Ambos têm um objetivo em comum, que é acabar com a hegemonia interista (nacional e agora europeia). Às antigas torcidas caberá a tradicional vaia, mas quem sabe se de uma dessas traições não surgirá um amor hollywoodiano, nem tão caro e tampouco explosivo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

1ª rodada: Uma Inter humana

No papel, a Inter de Benítez mudou pouco. Mas ainda não convence (Getty Images)

Há oito dias, a vitória da Inter contra a Roma, na Supercoppa Italiana, veio em dois erros individuais da adversária. Na sexta-feira, os nerazzurri fizeram uma partida abaixo da crítica e perderam a Supercopa Europeia para o Atlético de Madrid. Pois a partida de hoje contra o Bologna, pelo fechamento da primeira rodada da Serie A, mostrou que há algo de errado no reinado da Internazionale. A atuação do segundo tempo no Renato Dall'Ara foi bem melhor do que a mostrada contra o Atlético, mas o tropeço para um Bologna imerso no caos será difícil de digerir pelos próximos dias. Nos últimos jogos, a Inter provou-se uma equipe humana, com falhas mais claras do que as dos anos anteriores.

O condicionamento físico, destaque do time nos últimos anos, parece ser o calcanhar de Aquiles nestes primeiros jogos. A falta de ritmo de jogo se mostra ainda mais clara, em casos assim. Que o diga Milito, que não é nem sombra daquele letal mesmo nos primeiros jogos do ano passado. Eto'o também sumiu da partida durante o primeiro tempo e só reviu a bola depois do intervalo. Para os planos de Benítez, o camaronês é fundamental. A defesa está bem mais alta do que foi com Mourinho e Mancini, para que o time fique mais compacto no meio-campo. O ritmo está mais lento, com um maior número de passes antes das finalizações. Assim, Eto'o ganha a responsabilidade de jogar mais próximo do gol.

Eto'o prometeu marcar 25 gols na temporada. A missão fica complicada com as duas chances perdidas no segundo tempo. Na primeira, recebeu grande passe de Philippe Coutinho e bateu da pequena área, mas Viviano defendeu no reflexo e mandou a bola no travessão. Na segunda, dois minutos depois, foi encontrado por Sneijder livre, na entrada da área. Mas se enrolou todo e acabou perdendo a bola para Britos, zagueiro em grande noite pelo Bologna. A Inter ainda teve duas grandes oportunidades, ambas com cobranças de falta de Sneijder: uma parou em defesaça de Viviano, a outra foi desviada por Portanova. Na Beneamata, destaque para Mariga, que entrou muito bem ao lado de Cambiasso.

Notável apresentação do Bologna, que entrou em campo com tanta pressão. Franco Colomba, treinador que salvou o time do rebaixamento na temporada passada, foi demitido no sábado. O presidente Sergio Porcedda, que assumiu o clube há alguns meses, alegou "desavenças" e mandou o técnico embora antes mesmo do início do campeonato. O treinador da Primavera rossoblù, Paolo Magnani, assumiu temporariamente. A moral do novo comandante é tão grande que, quando mandou Mudingayi (que fez excelente partida) sair, foi contido pelo capitão Di Vaio. O camisa 9 saiu correndo e impediu que o meio-campista belga deixasse o campo. A dupla, ao lado de Viviano e Portanova, foi o destaque de um time incansável. Nota negativa para Giménez, que perdeu dois gols fáceis no primeiro tempo.

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Seleção da 1ª rodada
Antonioli (Cesena); Nainggolan (Cagliari), Portanova (Bologna), Thiago Silva (Milan), Nagatomo (Cesena); Almirón (Bari), D'Agostino (Fiorentina); Giovinco (Parma), Guberti (Sampdoria), Ronaldinho (Milan); Pato (Milan). Técnico: Domenico Di Carlo (Sampdoria)

domingo, 29 de agosto de 2010

1ª rodada: A anti-Inter?

Ronaldinho foi o líder do envolvente Milan contra o Lecce.
Ele e Ibra farão do Milan a equipe anti-Inter? (Getty Images)

Esta edição da Serie A mal começou, mas após a grande exibição do Milan na goleada por 4 a 0 sobre o Lecce já gera uma pergunta: o Milan pode bater de frente com a Inter na briga pelo scudetto? Apesar da fraqueza do adversário, que ocasionalmente se posicionava mal defensivamente, o Milan praticou um futebol ofensivo e eficiente o que já pode ser considerado um dedo do técnico Allegri na formatação da equipe.

O talento individual dos jogadores também foi fator de desequilíbrio. Ronaldinho fez partida brilhante e participou de três dos quatro gols da Diavolo, com enfiadas de bola perfeitas. No comando do ataque, Pato fez bela partida, com muita movimentação e aproveitando as chances que teve. Destaque também para Seedorf, que ajudou bastante no ataque e teve a chance de também deixar o seu. Na verdade, o Milan poderia ter ido para os vestiários com uma vitória histórica ainda no primeiro tempo, tamanho o poder de criação que demonstrado. Com a aquisição de Ibrahimovic, não há dúvidas de que o poder ofensivo do time crescerá bastante e o ataque rossonero ficará a pé de igualdade com o da Inter.

Em um dos jogos mais aguardados da rodada, Fiorentina e Napoli ficaram no empate, em um jogo no qual cada equipe dominou um tempo. Na primeira etapa, os azzurri jogaram bonito como na última temporada e levaram muito perigo ao gol de Frey. O gol saiu logo no início, após cabeçada potente de Cavani, escalado como centroavante. O problema é que a bola bateu no travessão e quicou antes da linha do gol, configurando o primeiro gol irregular da temporada. Na segunda etapa, a Fiorentina logo reagiu e empatou com um lindo gol de D'Agostino, escalado como trequartista, devido à lesão de Jovetic. Montolivo, que também fez boa partida, chegava ao ataque para auxiliar D'Agostino e descolou ótimo passe para Gilardino, livre, concluir para a ótima defesa de De Sanctis, que teve boa atuação. No fim das contas, empate justo para duas equipes que jogaram bem, passaram boas impressões e ainda podem melhorar.

Má impressão passou a Juventus, que visitou o Bari com seis novas contratações no time titular e saiu derrotada, graças a um lindo gol de fora da área de Donati. Os dois times foram a campo no 4-4-2, mas os galletti levaram a melhor sobre a Velha Senhora, até por já estarem mais entrosados, com praticamente o mesmo time e o mesmo esquema da última temporada. No meio-campo, destaque para a dupla central formada por Almirón e Donati, que dominaram o setor e não deram qualquer chance para Felipe Melo e Marchisio - este último mais recuado e em partida muito apagada. Nas pontas, Krasic e Pepe, na primeira etapa, ajudaram na fase defensiva, mas criaram muito pouco. Na segunda etapa, Lanzafame e Martínez nada criaram e ainda permitiram que Álvarez e Ghezzal deitassem e rolassem, mas o time da Puglia não aproveitou as chances. A Juventus teve exibição melhor do que qualquer uma realizada no último ano - sobretudo defensivamente -, mas ainda tem muito a melhorar para almejar algo mais, com um conjunto de jogadores bons, mas nem um pouco espetaculares. Pareceu claro que falta um meia de ligação no time.

Entre os outros times que atuaram em competições europeias, o Palermo demonstrou muito cansaço frente ao Cagliari, num jogo que acabou sem gols. Os registas de ambas as equipes (Liverani e Conti) foram deixados de fora, o que permitiu qu os jovens Kasami e Nainggolan começassem a partida. Enquanto Kasami Outro que ficou de fora foi o goleiro Marchetti, que deve deixar o Cagliari até terça. Porém, os torcedores não sentiram falta do goleiro da Nazionale, já que Agazzi fez bom trabalho quando exigido, mesmo com o domínio rossoblù, devido ao cansaço palermitano. A Sampdoria, por sua vez, sofreu no primeiro tempo contra uma Lazio compacta, que viu uma boa estreia de Hernanes, mas conseguiu uma vitória importante, após a eliminação de cabeça erguida na Liga dos Campeões. No segundo tempo, Cassano empatou cobrando pênalti sofrido por Dessena, mas o grande destaque foi Guberti, que mostrou boa forma física e apareceu muito para o jogo. Dele foi o gol da vitória, após Muslera aprontar das suas e falhar feio, saindo mal após cobrança de escanteio.

Boa também a estreia do Parma, que também venceu em casa por 2 a 0, em jogo tranquilo contra o Brescia. Os méritos da vitória crociata vão para Giovinco, que tem a missão pessoal de explodir de vez para não se tornar uma eterna promessa, e fez partida brilhante. Primeiro, a Formiga Atômica deu um passe por cobertura para Bojinov abrir o placar. Ainda na primeira etapa, bateu a falta que acabou no gol de Morrone. O baixinho ainda fez grandes jogadas, que quase permitiram ao Parma ampliar a vantagem. Defensivamente, porém, alguns problemas: Caracciolo - e depois, Éder - deram trabalho aos defensores emilianos. Talvez, se Diamanti já estivesse em forma, o Brescia poderia ter tido melhor destino, o que é um alento para as próximas partidas. Em Verona, o Chievo venceu o Catania por 2 a 1, em uma partida que parecia um Itália x Argentina: nove italianos jogando pela equipe da casa e nove argentinos pela equipe siciliana. No fim das contas, os burros alados puderam comemorar os três pontos (gols de Moscardelli e, claro, Pellissier), mas devem ficar atentos à sua defesa, que perdeu Yepes para o Milan e mostrou desatenção na partida.

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Jogadores: Antonio Angelillo

Angelillo se destacou na Itália jogando pela Inter, mas conquistou
seus títulos vestindo as camisas de Milan e Roma (Wikipedia)
Argentino descendente de italianos, Antonio Angelillo fez história no futebol do país de seus ancestrais, onde defendeu cinco times e foi três vezes campeão como jogador. Mas na Argentina o rápido atacante já chamava atenção, inclusive sendo chamado de “o novo Di Stéfano”. Além de ter a facilidade de balançar as redes, Angelillo ajudava muito os companheiros em outros setores do campo, várias vezes recuperava bolas na defesa e armava contra-ataques.

O pontapé inicial da carreira ocorreu no Arsenal de Sarandí, onde o atacante passou três anos. Foi no Racing, contudo, que ele passou a se notabilizar. Em Avellaneda, pela primeira vez, encontrou Humberto Maschio, com quem formaria um histórico trio na seleção argentina, que disputou a Copa América de 1957, com o acréscimo de Omar Sívori. A passagem pelo Racing foi rápida e, em 1956, chegou ao Boca, logo sendo convocado para defender a seleção argentina.

Ao final da temporada, reencontrou Maschio e conheceu Sivori. Juntos, eles levaram a albiceleste ao título da Copa América e Angelillo foi o principal jogador, marcando ito vezes e dando muitas assistências para que Maschio fizesse nove. O trio recebeu o apelido de “Os anjos de cara feia” ou “O trio da morte”, pois quando a bola chegava em algum deles, provavelmente morria na rede. Após a conquista sul-americana, todos desembarcaram na Itália: Sivori na Juventus, Maschio no Bologna e Angelillo na Inter.

O início no Belpaese foi bom: 16 gols em 34 jogos na primeira temporada. Porém, o melhor ficou para 1958-1959, com 33 gols em 33 partidas na Serie A – recorde para o Campeonato Italiano disputado por 18 equipes. Angelillo chegou aos 38 em todas as competições, recorde atingindo anteriormente por Giuseppe Meazza e igualado por Gunnar Nordahl - Eto'o, nesta temporada, chegou aos 37. Mas, mesmo marcando muitas vezes, Angelillo viu a Inter ficar apenas no terceiro posto na disputa, e não ganhou títulos no seu destino em nerazzurro.

Enquanto defendia a equipe de Milão, Angelilo teve problemas com a seleção argentina: a federação não permitia que jogadores que atuassem fora do país defendessem a albiceleste. Quem perdeu com isso foi a própria Argentina, que ficou sem o trio por aquele período. A Federação Italiana de Futebol agiu muito rápido: pesquisou o passado do atacante, descobriu a descendência italiana e convidou-o para fazer parte da Squadra Azzurra. Foram apenas duas convocações e dois jogos pela Nazionale, quando marcou um gol, contra Israel.

A relação com a Inter foi se deteriorando, principalmente, com o treinador Helenio Herrera. O problema de Angelillo era gostar muito da noite, o que acabou atrapalhando seu rendimento e resultou na sua saída para a Roma. 

Nos giallorossi, Angelillo se reinventou: passou a jogar no meio-campo, pensando mais o jogo. E foi com a camisa da Roma que ele conseguiu sua primeira taça, a Copa das Feiras de 1960-61. Em 1963-64 veio o segundo título, a Coppa Italia, com ótima campanha. A equipe capitolina fez 11 gols, sofreu apenas um e venceu cinco de suas sete partidas na competição.

Sormani, Angelillo e Schnellinger, todos ex-Roma, chegaram ao Milan em 1965 (Maglia Rossonera)
Em 1965, o argentino foi um dos reforços do Milan, juntamente com Karl-Heinz Schnellinger e Angelo Sormani. Na volta a Milão, fez péssima temporada e acabou liberado para o Lecco do brasileiro Sergio Clerici, em 1966-67. O time acabou caindo para a Serie B e Angelillo tentou se reencontrar em um período de testes no Napoli, onde jogava seu parceiro Sivori, que o recomendava à diretoria. Sem resultados satisfatórios após uma turnê de amistosos em que o próprio Sivori acabou se lesionando, ele voltou para os rossoneri. Em Milão novamente, o argentino conseguiu seu grande título por clubes: a Serie A. Porém, Angelillo pouco participou da conquista e jogou apenas três partidas. As estrelas do scudetto foram o “golden boy” Gianni Rivera e o artilheiro Pierino Prati.

Já em final de carreira, o ítalo-argentino jogou uma temporada pelo Genoa, na Serie B e pendurou as chuteiras após marcar cinco gols na competição, sem nunca ter disputado uma Copa do Mundo. Logo depois de deixar os gramados, Angelillo se tornou treinador e teve no Arezzo o seu maior sucesso: a conquista da Coppa Italia Serie C. Atualmente ele segue vivendo na Toscana e trabalha para a Inter, como observador na América do Sul. As chegadas de Córdoba e Javier Zanetti tiveram o dedo do ex-atacante.

Antonio Valentín Angelillo
Nascimento: 5 de setembro de 1937, em Buenos Aires, Argentina
Posição: Atacante
Clubes como jogador: Arsenal de Sarandí (1952-55), Racing (1955), Boca Juniors (1956-57), Inter (1957-61), Roma (1961-65), Milan (1965-66 e 1967-68), Lecco (1966-67) e Genoa (1968-69)
Clubes como treinador: Santa Maria degli Angeli, Montevarchi, Chieti (1972-73), Campobasso (1973-74), Rimini (1974-75), Brescia (1975-77), Reggina (1977-78), Pescara (1978-79), Arezzo (1980-84 e 1987-88), Palermo (1985-86), Mantova (1987), Avellino (1988-89), FAR Rabat (1989-90) e Torres (1991-92)
Títulos: Copa América (1957), Copa das Feiras (1960-61), Coppa Italia (1963-64), Serie A (1967-68) e Coppa Italia Serie C (1981-82)
Seleção argentina: 11 partidas e 11 gols
Seleção italiana: 2 partidas e 1 gol

1ª rodada: Lei do ex

Antonioli voltou ao Olímpico com show. Cavalieri continuará no banco? (Getty Images)

Neste sábado, a Serie A começou trazendo um show de jogadores que brilharam contra clubes nos quais já haviam atuado. No jogo que abriu o campeonato, o multirreforçado Genoa visitou a Udinese e, com uma postura diferente, embora sem demonstrar grande futebol, saiu com uma importante vitória do Friuli graças a uma puxeta estranha de Mesto, ex-Udinese. Os rossoblù foram a campo cheios de caras novas, entre as quais se destacaram Miguel Veloso e Zuculini. Nota negativa para Toni, que jogou mal e saiu lesionado ainda na primeira etapa.

Na equipe bianconera, destaque positivo para o chileno Sánchez, que segue demonstrando o bom futebol da Copa do Mundo. Nos últimos dias de mercado, a Udinese deve perder Inler para o Napoli e também deverá tentar resistir ao assédio da Inter por Asamoah. Tarefa vital para um clube que já perdeu dois pilares do meio-campo (Pepe e D'Agostino) e que deverá ter uma temporada sem muito brilho, lutando para ficar no meio da tabela.

No outro jogo da rodada, a Roma estreou decepcionando sua torcida no Olímpico, ao empatar sem gols contra o caçula Cesena. Destaque para o goleiro Antonioli, que foi titular da última Roma a conquistar o scudetto, em 2001, mas que desta vez impediu a vitória giallorossa, com uma exibição impecável. O quarentão fez pelo menos quatro defesas importantes, sobretudo no segundo tempo e na última chance do jogo, quando voou nos pés de Brighi. Um duro golpe para Diego Cavalieri, que saiu do Liverpool em busca de titularidade, mas já está preocupado. Pelo fato de Antonioli já ter quase 41 anos, pode ganhar chances e terá de aproveitá-las.

Apesar da noite inspirada de Antonioli, foi o Cesena quem teve as chances mais claras e esteve mais próximo da vitória. Jogando em um 4-3-3 que se tornava um 4-5-1, em fase defensiva, os romanholos apostaram nos contra-ataques, principalmente por meio do veloz e habilidoso Giaccherini, mas também através do promissor Schelotto, e tiveram três grandes chances: na mais clara delas, o chute de Nagatomo passou perto. Nas outras duas, Bogdani tornou ainda mais evidente porque o clube precisa contratar um centroavante até o fechamento do mercado, nesta terça.

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Inter superada

Cara feia para o vice. Inter perde Supercopa para o Atlético de Madrid e dá adeus
ao sonho de conquistar seis títulos no ano (Foto: Uefa)


A Inter entrou no campo do estádio Louis II, hoje, em Mônaco, para comprovar sua supremacia na Europa, levar o inédito título da Supercopa Europeia para Milão e erguer o quinto troféu seguido na temporada. Mas não foi o que aconteceu. Com gols de Reyes e Aguero, o Atlético de Madrid mostrou que não estava de brincadeira e levou o título para a capital espanhola.

As duas equipes iniciaram a partida com praticamente os mesmos times que jogaram as finais continentais. No Atlético de Madrid, Flores preferiu Godín à Antonio López. Na Inter, Benítez optou por Stankovic no lugar de Pandev. Talvez por isso tenha perdido um pouco de velocidade nos contra-ataques. O sérvio tinha que voltar para marcar quando a Inter não possuía a bola e não conseguia sair com tanta velocidade para o contra-golpe.

Em um primeiro tempo apático, sem muitas emoções de nenhum dos lados, notou-se uma diferença de postura em relação ao time de Mourinho. Antes, a Inter ficava sem a bola, apenas cercando o adversário e preparada para um contra-ataque fulminante. No primeiro tempo de hoje, ficou com mais posse de bola, mas sem eficiência nas ações. Cambiasso e Zanetti não se aproximavam muito do ataque e deixavam Eto’o e Milito isolados, uma vez que Sneijder não fez boa partida e quase não apareceu para o jogo.

No segundo tempo, o Atlético encurralou o time italiano desde os primeiros minutos e aos 17’ conseguiu abrir o placar. Reyes tabelou com Aguero na entrada da área e girou em cima de Maicon, antes de chutar forte no canto direito de Júlio César. Nesse momento, já notava-se a diferença de preparo físico dos dois times. Maicon e Chivu, nas laterais, não conseguiam mais acompanhar todas as jogadas. Lá na frente, Eto’o mostrava boa velocidade, mas Milito ainda está longe da boa forma da temporada passada.

Pouco após o gol, Benítez (des)trocou Stankovic por Pandev e viu pouca melhora. Aos 33’, tirou Sneijder e colocou o estreante Phillipe Coutinho, que não teve muita chance de mostrar seu futebol. Cinco minutos após sua entrada, Simão fez boa jogada pela esquerda, ganhou de Lúcio e cruzou para o meio da área. A bola ainda passou na frente de Júlio César e Samuel, antes de Aguero completar para as redes. Pandev ainda sofreu um pênalti antes do fim da partida, mas Milito perdeu. De Gea fez grande defesa e garantiu minutos finais tranqüilos para o colchoneros.

O Atlético soube se impor sobre o time de Benítez e mereceu o título, inédito para o clube. Já a Inter, dá mostras de que não é insuperável e de que Benítez não é Mourinho. Além de recuperar o preparo físico, o time vai ter que resgatar o espírito lutador tão marcante da temporada passada. Ainda assim, a equipe larga como franca favorita para o título da Serie A, que começa esse final de semana. Seu primeiro adversário é o Bologna, segunda-feira.

Veja o relato e os gols da partida aqui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Guia do Campeonato Italiano: Serie A 2010-11

Pentacampeã Inter venceu tudo em 2009-10. Alguém vai encarar? (Getty Images)

Neste sábado, a Serie A recomeça com algumas mudanças plásticas. Você verá uma câmera na saída dos vestiários durante o pré-jogo e menos replays de lances duvidosos. Em campo, na parte de cima, algo não muda: a Internazionale vai para seu terceiro treinador desde o calciopoli, mas parece não sentir. Rafa Benítez segurou a base de José Mourinho e manteve o superfavoritismo do clube. Se alguém parece em condições de incomodar o reinado nerazzurro, é a revivida Juventus, que contratou quase um time inteiro para ser titular. Roma e Milan correm por fora, cada qual com sua expectativa de mercado: há quem espere Burdisso, há quem espere Ibrahimovic.

Mas a Serie A continua um dos campeonatos mais disputados entre as grandes ligas. É impensável que haja um campeão com 100 pontos ou algum time que saia distribuindo goleadas, como é de praxe no futebol inglês ou espanhol. Para este ano, mais clubes continuaram se reforçando e vão causar ainda mais problemas para os quatro que dominaram a liga na última década. É o caso da Sampdoria, do Napoli, do Genoa, do Palermo, da Fiorentina, da Lazio. E dá para considerar vitória certa os jogos em Parma, Údine e Catânia? Confira o guia com os 20 clubes da Serie A e faça seus prognósticos. Já vai começar!

Atenção! Guia atualizado após o fechamento da janela de transferências, no dia 31 de agosto de 2010.


BARI
Cidade: Bari (Apúlia)
Estádio: San Nicola (58.270 lugares)
Em 2009-10: 10ª posição
O cara: Paulo Vitor Barreto (atacante)
A promessa: Marco D'Alessandro (meio-campista)
O treinador: Giampiero Ventura (2ª temporada)
Principal reforço: Abdelkader Ghezzal (atacante)
Principal perda: Andrea Ranocchia (zagueiro)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-4-2): Gillet; Raggi, Andrea Masiello, Rossi, Salvatore Masiello; Álvarez, Almirón, Donati (Pulzetti), Rivas; Ghezzal, Barreto

Se, na última temporada, o Bari surpreendeu e escapou do rebaixamento com folga e jogando um futebol atraente, desta vez deve ser diferente. Os galletti não conseguiram manter os ótimos Ranocchia e Bonucci, que formavam a forte defesa titular, e não realizaram uma reposição adequada. A defesa, que foi o ponto alto da equipe, agora está recheada de incógnitas: Andrea Masiello tem sido improvisado no centro, Raggi ainda não confirmou as expectativas em torno de si e o jovem Marco Rossi foi contratado por empréstimo após um ano sofrível na Sampdoria. Enquanto o time tenta a contratação de Rinaudo - de qualidade técnica discutível -, o alento no setor fica por conta do goleiro Gillet e do zagueiro Andrea Masiello, líderes do time.

Ventura deve manter o 4-4-2 com dois pontas rápidos, que deu certo na última temporada. Álvarez e Rivas serão os titulares, enquanto o jovem D'Alessandro, emprestado pela Roma, substitui Koman - que voltou para a Sampdoria - como aposta jovem do time para o setor. No centro do meio-campo, Almirón e Donati formam uma dupla aguerrida, mas que não tem tanta qualidade técnica. Isso pode abrir caminho para a inserção de Pulzetti no time titular, ou até mesmo forçar que Ghezzal e Barreto saiam mais para buscar jogo.

Até agora, os pugliesi passam a sensação de que se contentarão com a salvezza, venha ela como vier. Se o time titular não passa tanta confiança, as opções no banco são ainda mais escassas. Levando em consideração que as equipes que concorrem pela permanência na Serie A se reforçaram muito mais, não dá para traçar um cenário animador para os biancorossi. Terão de surpreender novamente. (Nelson Oliveira)

Atualização: o time não contratou zagueiros e Rinaudo foi para a Juventus.

BOLOGNA
Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)
Em 2009-10: 17ª posição
O cara: Marco Di Vaio (atacante)
A promessa: René Krhin (meio-campista)
O treinador: Franco Colomba (2ª temporada)
Principal reforço: Diego Pérez (meio-campista)
Principal perda: Adaílton (atacante)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-4-2): Viviano; Garics, Britos, Portanova, Esposito (Rubin); Buscè, Pérez, Mundingayi (Krhin), Ekdal; Di Vaio, Giménez.

Mais uma vez, o Bologna começa o campeonato pensando apenas em não cair. Como nas duas últimas temporadas, o time do Renato Dall'Ara não investiu muito - apesar da chegada de Sergio Porcedda como acionista majoritário do clube - e deve continuar sem perspectivas maiores. No mercado, a aposta foi em jogadores mais jovens. Além do meia René Krhin, promessa eslovena que estava na Inter, chegam também Ekdal, da Juventus, e Gavilán, atacante espanhol do Real Betis, campeão do Europeu Sub-17 de 2008, na Turquia.

Porém, os mais jovens chegam apenas para disputar posição. A base do time continua praticamente a mesma da que lutou para não cair na temporada passada e o técnico Franco Colomba terá muito trabalho. O conhecimento do elenco por parte do treinador pode ser de boa ajuda. Ainda assim, há quem garanta que ele balança no cargo: boatos na Itália dão conta que Leonardo, ex-Milan, foi convidado para assumir o comando do time, mas recusou. As muitas contratações são incógnitas, mas podem ajudar no longo campeonato. Destaque para os defensores Garics e Esposito.

Marco Di Vaio deve continuar como principal jogador da equipe. O artilheiro (12 gols na última temporada), no entanto, não vai ter com quem dividir as responsabilidades este ano, uma vez que o brasileiro Adaílton (11 gols) deixou o clube para defender o romeno Vaslui. Para seu lugar, chega Meggiorini, que fez bom campeonato com o Bari, temporada passada. (Rodrigo Antonelli)

Atualização: no último dia do mercado, o clube fez uma boa contratação ao acertar com o volante uruguaio Pérez, que deve ser titular.

BRESCIA
Cidade: Brescia (Lombardia)
Estádio: Mario Rigamonti (22.500 lugares)
Em 2009-10: 3º na Serie B
O cara: Andrea Caracciolo (atacante, foto)
A promessa: Panagiotis Kone (atacante)
O treinador: Giuseppe Iachini (2ª temporada)
Principal reforço: Alessandro Diamanti (atacante)
Principal perda: Andrea Rispoli (meio-campista)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (3-4-2-1): Sereni; Mareco, Bega, Martínez; Dellamano, Váss (Budel), Baiocco, Zambelli (Daprelà); Diamanti, Éder; Caracciolo (Possanzini)

Recém-promovido da Serie B, o Brescia volta à elite do futebol italiano após cinco temporadas distante. A última vez dos rondinelle na Serie A foi quando o ídolo Roberto Baggio ainda estava no time, em 2004. Finalmente de volta, deve lutar contra o rebaixamento até as últimas rodadas. O elenco é praticamente o mesmo que conseguiu o acesso, mas as contratações de Diamanti e Éder devem dar um toque de qualidade e ânimo extra.

O meia-atacante, ex-jogador do West Ham, volta à Itália após uma temporada fora do país. Antes de sair, fez grandes apresentações com a camisa do Livorno e, na temporada 2008-09, foi o principal responsável pelo acesso da equipe amaranto à Serie A. Agora, chega ao Brescia com ares de salvador, como foi Baggio entre 2000 e 2004, e dá esperanças de permanência na elite aos torcedores. O goleiro Matteo Sereni é outra boa contratação: após grandes temporadas no Torino, chega para fortalecer o sistema defensivo. É bom ficar de olho no lateral-esquerdo Daprelà, de 19 anos

Porém, enquanto Diamanti não entra em campo e chama a responsabilidade, o homem do time continua sendo Caracciolo. Artilheiro rondinelle na temporada passada, com 23 gols, o atacante é o xodó da torcida - mas chama atenção ainda não ter se firmado na Serie A. O brasileiro Éder, artilheiro da última Serie B pelo Empoli, com 27 gols, foi contratado para ajudar o bomber italiano e tem sua primeira chance na elite. A única baixa mais importante do time foi Andrea Rispoli, meio-campista que fez bons jogos na campanha do acesso e foi pretendido por Cagliari e Palermo, antes de acertar com o Parma. (Rodrigo Antonelli)

CAGLIARI
Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sant'Elia (23.486 lugares)
Em 2009-10: 16ª posição
O cara: Andrea Cossu (meio-campista)
A promessa: Lorenzo Ariaudo (zagueiro)
O treinador: Pierpaolo Bisoli (estreante)
Principal reforço: Robert Acquafresca (atacante)
Principal perda: Diego López (zagueiro)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-1-2): Agazzi; Pisano, Astori, Canini, Agostini; Biondini, Conti, Lazzari; Cossu; Matri, Acquafresca.

No último ano, o Cagliari entregou Cossu, Marchetti, Lazzari e Astori à seleção italiana. Nada mal para uma equipe que costuma ser apontada como candidata ao rebaixamento. Na temporada passada, o time começou voando, mas tropeçou no ambiente conturbado que o presidente Massimo Cellino costuma criar, perdeu o técnico Massimiliano Allegri e passou dificuldade nas últimas rodadas. O Cagliari encantou a Itália, mas caiu pelas tabelas e terminou bem perto da zona de rebaixamento.

Pois repetir a posição do torneio passado será motivo de comemoração para o novo Cagliari. O time será comandado por Pierpaolo Bisoli, ídolo do clube nos anos 90 e um dos técnicos mais promissores da nova geração. Ele fez milagres levando o Cesena da Lega Pro à Serie A em apenas dois anos. O ponto forte daquele time era a defesa, justamente o setor que deve ser reconstruído neste Cagliari. E o trabalho começa no gol: Agazzi e Pelizzoli devem disputar a posição que era de Marchetti, grande revelação dos últimos anos, que teria pedido para ser negociado e passou a ser perseguido pela torcida rossoblù.

A provável saída de Marchetti se une à aposentadoria do zagueiro uruguaio Diego López, titular do clube desde 1998. Sem a dupla, a base perde em confiança e terá de contar com o renascimento de Pisano, talvez o melhor lateral-direito italiano da atualidade, mas que passou toda a temporada passada machucado. Para o lugar de López, Canini não deve causar problemas. Do meio para a frente, a base é a mesma que joga bem há alguns anos. Conti é o cérebro, Cossu dá a fantasia e Biondini carrega o piano enquanto Matri e Acquafresca dividem os gols, com a saída de Jeda. Para uma salvezza tranquila, é na trupe da frente que a torcida confia. (Braitner Moreira)

CATANIA
Cidade: Catânia (Sicília)
Estádio: Angelo Massimino (21.530 lugares)
Em 2009-10: 13ª posição
O cara: Maxi López (atacante, foto com Mascara)
A promessa: Fabio Sciacca (meio-campista)
O treinador: Marco Giampaolo (estreante)
Principal reforço: Alejandro Gómez (meio-campista)
Principal perda: Jorge Martínez (atacante)
Objetivo: ficar no meio da tabela
Time base (4-3-1-2): Andújar; Potenza, Silvestre, Spolli, Capuano; Izco, Biagianti, Llama; Gómez (Ricchiuti); Maxi López, Mascara

O time mais argentino da Serie A (são 12 jogadores do país, contra 11 italianos) terá bom desafio no início da temporada. Pelo que Marco Giampaolo mostrou na pré-temporada, o 4-3-3 tão comum nos últimos anos deve ser transformado em 4-3-1-2. Fato importante para isso foi a saída de Martínez para a Juventus e nenhuma contratação para substituí-lo. Com o uso de um jogador para armar as jogadas no meio-campo, Ricchiuti ganha espaço. Na temporada passada, o experiente trequartista foi bem quando jogou com mais liberdade. A mudança tática também abre espaço para Gómez, recém-contratado junto ao San Lorenzo como o "argentino da vez" do Catania.

Ainda que falte profundidade ao elenco siciliano, há de se destacar um dos melhores meios-de-campo de toda a Serie A, com Izco, Biagianti e Llama. O trio se destaca pela marcação, mas sai para o jogo com facilidade, o que auxilia bastante a armação de jogadas para o ataque. Na frente, o capitão Mascara continuará com a parceria com Maxi López, que chegou sem fazer barulho e marcou 11 gols jogando apenas meio campeonato. Segurar estes cinco nomes, até aqui, tem sido o grande trabalho do diretor esportivo Pietro Lo Monaco, que também conseguiu se livrar do alto salário pago ao romeno Dica, negociado com o Manisaspor.

Lo Monaco mantém sua rede de olheiros intacta. Além de Gómez, garantiu para o Catania um jovem brasileiro que passou batido por aqui: Raphael Martinho, lateral-esquerdo do Paulista de Jundiaí no último Campeonato Paulista. Rápido, forte, com chute forte de fora da área e bons dribles curtos, Martinho chega à Itália aos 22 anos e deverá se readaptar para que possa jogar no meio-campo e ser uma boa surpresa do time que sempre é apontado entre os favoritos à queda. Mas que sempre continua na primeira divisão. (Braitner Moreira)

CESENA
Cidade: Cesena (Emília-Romanha)
Estádio: Dino Manuzzi (23.860 lugares)
Em 2009-10: 2ª posição da Serie B
O cara: Emanuele Giaccherini (atacante)
A promessa: Ezequiel Schelotto (meio-campista)
O treinador: Massimo Ficcadenti (estreante)
Principal reforço: Luis Jiménez (meio-campista)
Principal perda: Massimo Volta (defensor)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-3): Antonioli; Schelotto, Von Bergen, Benalouane (Lauro), Nagatomo; Jiménez, Colucci, Parolo; Malonga, Budan (Bogdani), Giaccherini.

De volta à Serie A após 19 anos de ausência, os cavalos-marinhos fizeram um mercado curioso para tentar a permanência na elite do futebol nacional. A primeira ação foi assegurar a permanência do bom meia Schelotto, de 19 anos, destaque da última Serie B que foi vendido para a Atalanta, mas continuará emprestado ao clube. Além disso, fechou com bons nomes, como os promissores Tachtsidis e Ighalo - olho neles. Reforços importantes, como Diego Cavalieri, Appiah e Von Bergen vieram a custo zero. De fato, apenas o japonês Nagatomo, que jogou a Copa do Mundo (assim como Appiah e Von Bergen), custou algo aos cofres bianconeri.

No entanto, apesar do bom número de reforços na janela, os cesenáticos ainda poderiam investir melhor em duas posições carentes no elenco: a lateral-direita, que, após a saída do promissor Massimo Volta, terá o improviso de Ceccarelli; e o ataque, que, por enquanto terá o atabalhoado Bogdani como titular no comando. Nos últimos dias de mercado, fechar com um centroavante goleador poderá ser vital para as pretensões do clube.

Outro possível problema para o clube emiliano está no banco de reservas. Ficcadenti nunca realizou um trabalho que merecesse destaque e já correu risco de ser demitido antes mesmo do início da Serie A. Com a sombra do ótimo trabalho do ex-técnico Pierpaolo Bisoli, a paciência da diretoria pode acabar rapidamente, pondo em xeque uma temporada na qual o objetivo de permanecer na elite é real. (Nelson Oliveira)

Atualização: no último dia de mercado, o time fez diversas contratações, fechando com três prováveis titulares (Benalouane, Jiménez e Budan), além de promessas que podem ganhar espaço (Paonessa, Gorobsov e Fatic). Após a ótima estreia na Serie A, Antonioli deve permanecer como goleiro do time, deixando Diego Cavalieri no banco. Como o ex-goleiro da Roma tem quase 41 anos, a disputa pela vaga ainda está aberta.

CHIEVO
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (44.799 lugares)
Em 2009-10: 16ª posição
O cara: Sergio Pellissier (atacante, foto)
A promessa: Rodrigo (atacante)
O treinador: Stefano Pioli (estreante)
Principal reforço: Gélson Fernandes (meio-campista)
Principal perda: Mario Yepes (zagueiro)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-1-2): Sorrentino; Sardo, Andreolli (Mandelli) Morero, Mantovani; Luciano, Rigoni, Gélson Fernandes (Marcolini); Bentivoglio (Bogliacino); Moscardelli (Granoche), Pellissier

Com praticamente o mesmo time da temporada passada, o Chievo luta, de novo, para não cair. O zagueiro Andreolli e os meias Guana e Bogliacino chegam para compor elenco e tem boa chance na equipe titular. O último estreou pela Serie A com o Napoli, em 2005, e fez duas boas temporadas. Contudo, perdeu seu lugar no time nos últimos anos e agora tenta recuperar o bom futebol em Verona.

As principais perdas são o técnico Domenico Di Carlo e o zagueiro Mario Yepes. O primeiro partiu para a Sampdoria após salvar os burros alados do rebaixamento com alguma tranquilidade. O veterano colombiano Yepes vai para o Milan, tentar a sorte em um time grande. Sua saída deve ser a mais sentida pelo Chievo, uma vez que, junto com o goleiro Sorrentino, era o pilar do bem-sucedido sistema defensivo montado por Di Carlo.

Mas a manutenção da maior parte de suas principais peças é o ponto forte dos gialloblù. O capitão Pelissier deve continuar decidindo no ataque, enquanto o goleiro Sorrentino segura atrás. A permanência do lateral-esquerdo Mantovani e do meio-campista Bentivoglio também deve ser comemorada pelos torcedores. Méritos do diretor esportivo do clube, Giovanni Sartori, que há algum tempo vem mostrando personalidade nos bastidores. (Rodrigo Antonelli)

Atualização: após as contratações de última hora, indefinições no time titular. Gélson Fernandes e Andreolli são cotados para ganharem vaga entre os onze.

FIORENTINA
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.282 lugares)
Em 2009-10: 11ª posição
O cara: Alberto Gilardino (atacante)
A promessa: Haris Seferovic (atacante)
O treinador: Sinisa Mihajlovic
Principal reforço: Gaetano D'Agostino (meio-campista)
Principal perda: Massimo Gobbi (lateral-esquerdo)
Objetivo: vaga em competição europeia
Time base (4-2-3-1): Frey; De Silvestri, Gamberini, Kroldrup (Felipe), Pasqual; Montolivo, Zanetti; Marchionni (Cerci), D'Agostino, Vargas; Gilardino

Em Florença, começam novos tempos. Com a saída de Cesare Prandelli para treinar a Nazionale, os viola têm o desafio de andar com outras pernas. Foram cinco anos de um ótimo trabalho de recuperação do treinador, que recolocou a Fiorentina entre os grandes do futebol italiano. Agora, com o status do time já reconquistado, o sérvio Sinisa Mihajlovic assume o comando para voltar a disputar vaga em alguma competição europeia. Chega com as credenciais de um bom trabalho no Catania, na temporada passada.

Na teoria, o ex-zagueiro terá em mãos elenco praticamente igual ao que Prandelli tinha na última campanha: apenas Gobbi e Keirrison deixaram o time. Mas a lesão do decisivo Jovetic, que tem previsão para voltar apenas em março de 2011, e a suspensão de Mutu, que só termina no final de outubro, devem atrapalhar na montagem da equipe. Para completar, Ljajic também se lesionou na pré-temporada e pode perder o início do campeonato. Para a sorte do treinador, Vargas e Montolivo, que tinham seus nomes frequentemente ligados a transferências, vão continuar em Florença.

Para suprir a falta de Jovetic, o regista D'Agostino deve jogar mais avançado. Depois de uma grande temporada em 2008-09, o ex-meia da Udinese esperava uma transferência para algum grande clube europeu, mas teve suas expectativas frustradas. Acabou sumindo no ano passado e vai tentar recuperar a velha forma no Franchi. A expectativa fica por conta de Haris Seferovic, atacante suíço contratado no ano passado após ser campeão do Mundial Sub-20 de seleções, e que pode ter chances no time principal, devido à falta de atacantes de ofício no elenco. O senegalês Babacar também deve aparecer mais vezes. (Rodrigo Antonelli)

GENOA
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.703 lugares)
Em 2009-10: 9ª posição
O cara: Domenico Criscito (lateral-esquerdo, foto)
A promessa: Franco Zuculini (meio-campista)
O treinador: Gian Piero Gasperini (5ª temporada)
Principal reforço: Luca Toni (atacante)
Principal perda: Salvatore Bocchetti (zagueiro)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (3-4-3): Eduardo; Ranocchia, Dainelli, Moretti (Kaladze); Rafinha (Rossi), Zuculini (Milanetto), Miguel Veloso, Criscito; Palladino, Toni, Palácio

O presidente Enrico Preziosi resolveu abrir o bolso pra esta temporada, após uma em que os rossoblù fracassaram e viram a rival Sampdoria se classificar para a Liga dos Campeões. Neste ano, o objetivo do clube é atingir o mesmo feito blucerchiato e, para isso, mais de 40 milhões de euros foram gastos com reforços que devem ser titulares. Alguns ainda vieram a custo zero, como Ranocchia e Toni, e boas negociações foram feitas para amortizar os custos, especialmente com o Milan. O zagueiro Bocchetti também foi negociado com o Rubin Kazan, por 11 milhões de euros.

Em um mercado bastante articulado, o Genoa trabalhou primeiramente em corrigir os erros do ano anterior, como a instabilidade da defesa e os problemas com goleiros irregulares como Amelia e Scarpi. Neste sentido, Eduardo, Rafinha e Ranocchia devem se tornar pilares do clube, protegidos por meio-campistas polivalentes como Miguel Veloso e Zuculini, este emprestado pelo Hoffenheim para ganhar mais experiência. A ausência de um matador no lado vermelho e azul de Gênova, tão sentida com o desempenho ruim de Crespo e Acquafresca, deve ser resolvida com Toni.

Por não disputar competições europeias nesta temporada e ter um elenco tão extenso e cheio de nomes de relevo, o Genoa começa a temporada como candidato a incomodar as grandes equipes por uma vaga na Liga dos Campeões. Porém, a insistência de Gasperini em escalar o time no 3-4-3, ignorando as características dos jogadores à sua disposição, pode atrapalhar. Talvez este Genoa funcionasse melhor no 4-3-3 ou no 4-2-3-1, devido à centralidade de Toni no esquema e a presença de volantes fortes. (Nelson Oliveira)

INTERNAZIONALE
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.074 lugares)
Em 2009-10: Campeã da Serie A, da Coppa Italia e Liga dos Campeões
O cara: Wesley Sneijder (meio-campista)
A promessa: Nwankwo Obiora (meio-campista)
O treinador: Rafa Benítez (estreante)
Principal reforço: Phillipe Coutinho (meio-campista)
Principal perda: Mario Balotelli (atacante)
Objetivo: título
Time base (4-2-3-1): Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu; Zanetti, Cambiasso; Pandev, Sneijder, Eto'o; Milito

A Inter larga novamente como franca favorita ao título da Serie A, com grande vantagem sobre as outras equipes. Enquanto as rivais atuaram mais intensamente no mercado de transferências, a Beneamata fez apenas três contratações pontuais, para dar mais profundidade ao elenco e renová-lo. Agora, os esforços de mercado consistem em desinchar um plantel que ficou maior com a volta de jogadores que estavam emprestados.

O time titular é exatamente o mesmo da última temporada, mas houve algumas mudanças táticas e de postura, implantadas pelo técnico Rafa Benítez, que estreia na Inter o trabalho mais importante da carreira, com a pressão de manter o caminho vencedor cristalizado por José Mourinho. Na sua nova Inter, Pandev e Eto'o trocaram de lado na linha de três que apoia Milito. Sneijder ainda é o cérebro do time, principalmente agora que Eto'o tem liberdade maior para jogar mais próximo ao gol, como desejava.

No meio-campo, Cambiasso voltou a jogar mais avançado, o que, na vitória sobre a Roma na Supercoppa, deixou o meio-campo interista mais vulnerável. Devolver, através de reposicionamento, a capacidade que El Cuchu tem de se multiplicar, é o primeiro problema que Benítez tem que resolver. Outra novidade no setor é o nigeriano Obiora, que fez boa pré-temporada, foi incorporado ao elenco principal e pode surpreender ao longo da campanha. Devido ao avanço de Cambiasso, os nerazzurri atuam com maior posse de bola e marcação mais avançada. Se o time montado por Mourinho jogava muito sem a posse da bola, o de Benítez não: costuma tê-la bastante e ataca com agressividade. É um time projetado para conquistar seis títulos em 2010 e chegar ao inédito hexacampeonato da Serie A. Qualquer resultado distinto pode ser considerado fracasso. (Nelson Oliveira)

JUVENTUS
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico (27.500 lugares)
Em 2009-10: 7ª posição
O cara: Giorgio Chiellini (zagueiro, foto)
A promessa: ninguém
O treinador: Luigi Delneri
Principal reforço: Milos Krasic (meio-campista)
Principal perda: Diego (meio-campista)
Objetivo: disputar o título
Time base (4-4-2): Storari (Buffon); Motta, Bonucci, Chiellini, De Ceglie; Krasic, Felipe Melo (Sissoko), Marchisio (Aquilani), Pepe; Del Piero (Quagliarella), Amauri

Há menos de uma semana para o fechamento do mercado, a Juventus ainda investe para tentar apagar a má impressão que deixou na temporada passada. Para isso, sofreu mudanças dentro e fora de campo. A família Agnelli retomou o poder do clube com o cuidado de não cometer os mesmo equívocos da última diretoria. A contratação do diretor esportivo Giuseppe Marotta e do técnico Luigi Delneri, ambos ex-Sampdoria, para gerir as contratações do clube foi um dos principais acertos até aqui. Com um mercado muito eficiente, a Velha Senhora chega forte para, pelo menos, pegar vaga na Liga dos Campeões.

As contratações de Bonucci, Aquilani, Krasic, Pepe, Martínez e Quagliarella, fortaleceram bastante o elenco. O primeiro deve formar uma das melhores zagas do campeonato, ao lado de Chiellini, e fazer a torcida ultrapassar o trauma da última temporada com Cannavaro. Aquilani pode ser peça-chave do meio-campo, caso se livre das lesões. E Krasic cai como uma luva no esquema de Delneri. Com a saída de Diego, a Juve perde uma ótima opção, mas ganha cerca de 18 milhões de euros para pagar os investimentos que fez.

Hoje, faltaria apenas um zagueiro (fala-se do francês Benalouane) e um lateral-esquerdo para completar o elenco. Mas não é só. O time ainda tenta se livrar de alguns jogadores, como Trezeguet e Camoranesi, para reduzir o número de atletas e o gasto com altos salários. Ponto negativo para a falta de promessas. Os jogadores da base que tinham algum potencial foram todos emprestados. É o caso de Immobile, por exemplo, destaque juventino na última Copa Viareggio, cedido ao Siena. (Rodrigo Antonelli)

Atualização: Benalouane foi contratado pelo Cesena. Rinaudo acabou acertando com a Velha Senhora.

LAZIO
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (72.698 lugares)
Em 2009-10: 12ª posição
O cara: Hernanes (meio-campista)
A promessa: Libor Kozák (atacante)
O treinador: Edoardo Reja (2ª temporada)
Principal reforço: Hernanes (meio-campista)
Principal perda: Aleksandar Kolarov (lateral-esquerdo)
Objetivo: vaga em competição europeia
Time base (3-4-1-2): Muslera; Biava, André Dias, Radu; Lichtsteiner, Brocchi (Matuzalém), Ledesma, Garrido; Hernanes; Zárate, Floccari (Rocchi)

Indiretamente, o dinheiro do sheik Mansour, que abastece o Manchester City, pôs fogo no mercado da Lazio. O time trabalhava com objetivos mais modestos, quando os citizens pagaram 16 milhões de libras para levar Kolarov. Supervalorizado, o lateral sérvio foi liberado e encheu os cofres do clube romano. Com o dinheiro, o presidente Claudio Lotito e o diretor esportivo Igli Tare bancaram a renovação de Ledesma, o lateral-esquerdo espanhol Garrido e, principalmente, o brasileiro Hernanes. Os 12 milhões de euros pagos pela Lazio ao São Paulo seriam inacreditáveis, até alguns meses atrás. O atacante paraguaio Roque Santa Cruz deve ser o próximo reforço.

Apesar das contratações, ainda falta alguma alternativa válida a Lichtsteiner, na direita. A opção seria o uruguaio Pintos, mas a mudança na lei de extracomunitários (agora, cada time só pode contratar um que venha do exterior, por ano; antes, eram dois) bloqueou a transferência e seu futuro ainda é incerto. Ponto positivo da janela de transferências é a limpeza pela qual passa o vasto elenco biancoceleste: quase um time inteiro já foi embora, puxado pelos altos salários de Cruz, Dabo e Carrizo.

Se o título da Lazio na última temporada foi ajudar a Inter a ultrapassar a Roma na reta final da Serie A, desta vez a torcida vai exigir mais. Uma boa campanha passa pela ótima defesa montada por Reja nas últimas rodadas e que foi mantida. Há que se trabalhar o individualismo de Zárate, que não joga bem há alguns meses, e pode parar no banco. No mais, é se agarrar em Hernanes, uma das grandes contratações da temporada europeia. Com tanta pressão nos ombros, é saber se o brasileiro repetirá suas melhores atuações com a camisa do São Paulo. Desta vez, jogando mais adiantado, nas costas dos atacantes do time. (Braitner Moreira)

LECCE
Cidade: Lecce (Apúlia)
Estádio: Via del Mare (33.876 lugares)
Em 2009-10: campeão da Serie B
O cara: Guillermo Giacomazzi (meio-campista, foto)
A promessa: Tore Reginiussen (zagueiro)
O treinador: Luigi De Canio (3ª temporada)
Principal reforço: Javier Chevantón (atacante)
Principal perda: Guido Marilungo (atacante)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-1-2): Rosati; Rispoli (Vives), Gustavo, Ferrario (Reginiussen), Mesbah (Brivio); Munari, Giacomazzi, Grossmüller; Piatti; Jeda (Corvia), Chevantón

O Lecce vai precisar de sorte para se manter na Serie A. Com várias caras novas no time, deposita sua confiança no uruguaio Chevantón, antigo ídolo que, longe do melhor momento da carreira, volta ao clube depois de seis anos fora. Quem ganha responsabilidade é Corvia, que pode se livrar da sina de eterna promessa e mostrar que tem nível para a Serie A - o primeiro desafio é vencer a concorrência do experiente Jeda O principal responsável por fornecer apoio ao ataque deve ser Piatti, ao menos no início. O argentino tem uma passagem mal-sucedida pelo Saint-Étienne e não inspira tanta confiança.

Subindo e descendo a Serie A há tempos, o Lecce depende - e muito - do sucesso de seus reforços. Donati, Sini, Brivio e Reginiussen são garotos emprestados por outros clubes, sendo difícil bancar suas afirmações, quanto mais de imediato. As apostas vêm de atletas sem contrato, como Grossmüller e Olivera, além do já citado Chevantón. Olivera, por sinal, é figura carimbada na Serie A, que, porém, nunca se estabilizou na Itália. O elenco não é grande e conta com vários nomes que, por sua vez, não demonstraram grande coisa em momento algum da carreira.

Na possibilidade otimista de os reforços se encaixarem e as incógnitas se firmarem, o Lecce pode almejar um campeonato sem grandes sustos. Se os medalhões renderem, é possível que, numa mistura de experiência com juventude, o time dê trabalho. Olivera e Chevantón precisam recuperar o futebol e, confiando na constância de Giacomazzi, guiar os nomes inexperientes. É a única forma de os giallorossi se firmarem na divisão de elite. (Mateus Ribeirete)

MILAN
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.074 lugares)
Em 2009-10: 3ª posição
O cara: Ronaldinho (atacante)
A promessa: Alexander Merkel (meio-campista)
O treinador: Massimiliano Allegri (estreante)
Principal reforço: Zlatan Ibrahimovic (atacante)
Principal perda: Marco Borriello (atacante)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-1-2): Amelia (Abbiati); Sokratis (Zambrotta), Thiago Silva, Nesta, Antonini; Flamini (Boateng), Pirlo, Ambrosini; Ronaldinho, Ibrahimovic, Pato.

O Milan começa a temporada com poucas ambições, após um mercado tímido, levando em conta as necessidades do clube. Contratações em definitivo de baixo custo ou empréstimos revelam a falta de vontade ou a crise nas finanças do presidente Silvio Berlusconi. Entre os nomes que chegaram no verão europeu, três vêm do Genoa: Sokratis - contratação mais cara do mercado rossonero, por 7 milhões de euros -, Amelia e Boateng, que foi contratado pelos grifoni e repassado em seguida. Contratações funcionais, é verdade - sobretudo porque Abbiati, Zambrotta e Gattuso estão envelhecidos e longe da forma física ideal -, mas pouco vistosas.

Sendo assim, o Milan aposta na capacidade do técnico Massimiliano Allegri e na habilidade de Ronaldinho. Allegri, acostumado a tirar leite de pedra no Cagliari, pode levar o Milan a voos um pouco mais altos, sobretudo se apostar nos jovens que sabe gerir tão bem. Assim, contratações que fogem à política recente do Milan, como Sokratis e Boateng, tem o claro dedo no treinador, que também deve utilizar os jovens Strasser e Merkel - este, destaque da pré-temporada. É de se esperar que o bom futebol praticado pelo Milan na última temporada continue com Allegri, já que foi sob seu comando que o Cagliari fez bonito por dois anos.

Dentro de campo, o brasileiro deve atuar um pouco mais recuado: por ordem de Berlusconi, o time deve começar a temporada com dois atacantes mais fixos (Pato e Borriello), apoiados pelo brasileiro, líder em assistências da última Serie A. Caso a negociação por Ibrahimovic se concretize nos últimos dias da janela e o sueco vista a camisa rossonera, o Milan deve ganhar muito em termos de qualidade e, sobretudo, motivação. Alguém duvida que Ibrahimovic vai querer ser campeão italiano pelo Milan, desbancando a Inter após uma temporada tão vitoriosa do seu antigo clube? (Nelson Oliveira)

Atualização: Ibrahimovic foi contratado e será a referência do time. No último dia da janela, Huntelaar foi vendido ao Schalke 04 e Borriello transferiu-se para a Roma. Robinho também foi contratado e deve ser reserva, como mostramos aqui.

NAPOLI
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (76.824 lugares)
Em 2009-10: 6ª posição
O cara: Marek Hamsík (meio-campista, foto)
A promessa: Raffaele Maiello (meio-campista)
O treinador: Walter Mazzarri (2ª temporada)
Principal reforço: Edinson Cavani (atacante)
Principal perda: Fabio Quagliarella (atacante)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (3-4-2-1): De Sanctis; Grava, Cannavaro, Campagnaro; Maggio, Gargano, Blasi, Dossena; Lavezzi, Hamsík; Cavani

As boas vitórias sobre o Elfsborg nos play-offs da Liga Europa provam o que disse Walter Mazzarri. A meta seria jogar bonito, encurralando o adversário e atacando sempre que possível. O técnico chegou ao clube no decorrer da temporada passada e não demorou a implantar seu estilo combativo e incansável: com ele, foram 13 pontos conquistados nos dez minutos finais dos jogos. Desta vez, Mazzarri teve tempo de planejar a equipe junto do diretor esportivo Riccardo Bigon. Foram embora algumas das indicações de seu antecessor, Roberto Donadoni, que não deram certo: Cigarini, Dátolo e Hoffer, além de Denis.

Outro que só durou um ano foi o napolitano Quagliarella, que chegou para ser ídolo, mas acabou decepcionando. Ainda que tenha marcado vários gols no segundo semestre, não justificou o alto investimento - e agora jogará pela Juventus. Com a saída, encerraram-se as especulações sobre qual dos craques do time iria parar no banco, com a chegada de Cavani. A principal opção ofensiva ao trio Hamsík-Cavani-Lavezzi será o veterano Lucarelli, que estava no Livorno. Lavezzi, aliás, fez grandes jogos na pré-temporada e parece recuperado das lesões musculares que o atrapalharam recentemente.

Para alcançar a meta do presidente Aurelio Di Laurentiis e chegar à Liga dos Campeões, o Napoli precisará de uma defesa à altura do ataque. O ótimo De Sanctis dá segurança no gol e os três zagueiros titulares vêm na melhor fase da carreira - resta saber se Aronica estará à altura, quando necessário. O principal problema do meio-campo era a falta de combatividade, e para isso o Napoli buscou Blasi de volta, ao Palermo. Para não deixar Hamsík sem concorrência, o clube deve anunciar em breve a chegada de José Sosa, do Bayern. (Braitner Moreira)

Atualização: Sosa foi contratado e pode ganhar uma vaga no time titular, em caso de necessidade de maior criação. Yebda, volante argelino do Benfica, também chega com potencial para ser titular. Dumitru, da sub-19 italiana, foi emprestado pelo Empoli e pode despontar.

PALERMO
Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (37.619 lugares)
Em 2009-10: 5ª posição
O cara: Fabrizio Miccoli (atacante)
A promessa: Ezequiel Múñoz (zagueiro)
O treinador: Delio Rossi (2ª temporada)
Principal reforço: Massimo Maccarone (atacante)
Principal perda: Simon Kjaer (zagueiro)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-3-1-2): Sirigu; Cassani, Múñoz (Glik), Bovo, Balzaretti; Migliaccio, Liverani, Nocerino; Pastore; Miccoli (Maccarone), Hernández

Na temporada passada, o Palermo ciscou uma vaga na Liga dos Campeões. Desta vez, deverá ter mais dificuldade para repetir o excelente ano que passou. Além de largar com Miccoli lesionado, perdeu os titulares Kjaer e Cavani, que, embora substituídos, devem inicialmente fazer falta ao time. Três zagueiros jovens - Glik, García e Múñoz - foram trazidos para repor a transferência do dinamarquês. Já Abel Hernández, vindo de boa temporada, tende a se consolidar de vez no ataque rosanero. Interessante a chegada de Maccarone: nome importante da Serie A há anos, tem qualidade de sobra para ser um reserva mais do que útil.

Sirigu, Cassani, Liverani, Nocerino e Miccoli já defenderam a seleção italiana, enquanto Bovo, Balzaretti e Migliaccio atuaram pelas categorias de base da Nazionale. É um ponto interessante a ser notado no elenco do Palermo: ainda que não haja craques, é difícil questionar a qualidade da maioria de seus jogadores. Mas faltam peças de reposição, especialmente no meio-campo - algo crucial em um campeonato longo. Não há ninguém no time capaz de substituir Liverani, grande distribuidor de bolas, e muito menos Miccoli, que gosta de chamar o jogo para si nos momentos complicados. É difícil, por exemplo, confiar em Pinilla, que estreia na Serie A após um ano bom no Grosseto, como esperança de gols.

Aposta que vingou foi Javier Pastore. Ele, que pela primeira vez disputa algum torneio continental, inspira um otimismo ainda maior do que na temporada passada, tendo em vista sua adaptação e a experiência adquirida. A defesa, quando superar a perda de Kjaer, deve seguir em bom nível, embora precise de mais cuidado com as subidas de Cassani e Balzaretti: os laterais, ofensivos por natureza, costumam deixar espaços indesejados. O ataque requer um Miccoli iluminado para manter o ritmo da temporada passada. Ele, que vinha comendo a bola, não pôde fazer a pré-temporada com o grupo e só voltará em outubro. (Mateus Ribeirete)

Atualização: o brasileiro João Pedro (Atlético-MG) fechou com o clube de Palermo e é uma das promessas do time, ao lado dos eslovenos Bacinovic e Ilicic, contratados nos últimos dias da janela junto ao Maribor.

PARMA
Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (23.486 lugares)
Em 2009-10: 8ª posição
O cara: Hernán Crespo (atacante, foto)
A promessa: Sebastian Giovinco (meio-campista)
O treinador: Pasquale Marino (estreante)
Principal reforço: Fernando Marqués (meio-campista)
Principal perda: Davide Lanzafame (atacante)
Objetivo: ficar no meio da tabela
Time base (4-3-3): Mirante; Zaccardo, Paci (Paletta), Lucarelli, Antonelli; Morrone, Dzemaili (Galloppa), Candreva; Paloschi (Marqués), Bojinov (Crespo), Giovinco

Mesmo em fim de carreira, Crespo pode ter papel essencial para este Parma. Há jogadores de potencial destacável no elenco, como Antonelli, Galloppa e Paloschi, e a experiência de um campeão pode contar muito para ajudá-los - dentro e fora de campo - a atingir melhores desempenhos. Antonelli já vinha ganhando a titularidade do transferido Castellini. Quem fará falta por alguns meses é Galloppa, meio-campista de bom toque e capacidade de organização, mas que começará a temporada lesionado e só deverá voltar no fim do ano. Paloschi terá mais espaço com as perdas de Biabiany e Lanzafame, além de outra chance de provar que está pronto para a Serie A.

Esta é, também, a temporada de fogo de Giovinco: ou o meia-atacante mostra que é tudo aquilo que dele se espera, ou então entra de cabeça no rol das eternas promessas. A situação dele é semelhante à de Bojinov no ano passado. O búlgaro, que também vinha de empréstimo, se firmou e foi contratado em definitivo. Em caso do Formiga Atômica mostrar serviço, quem ganha é o Parma, que terá uma opção interessantíssima no seu ataque. Marqués, a quem a definição de eterna promessa não é injusta, é um dos principais reforços de um time que não dispõe dos mesmos fundos da época de ouro da Parmalat.

Outra aposta válida é Feltscher, lateral das divisões de base da seleção suíça, que deve começar na reserva do recuperado Zaccardo. A dupla de zaga é limitada, mas carrega um importante entrosamento, enquanto o capitão Morrone vem de boas temporadas há tempos. Pasquale Marino, que comandou grandes ascensões individuais enquanto treinador da Udinese - como as de Pepe e D'Agostino -, precisará tirar o melhor de peças em fases incógnitas da carreira. Obtendo sucesso, os gialloblù serão candidatos a uma vaga na Liga Europa, embora uma posição confortável seja o destino mais próximo e realista. (Mateus Ribeirete)

Atualização: Galloppa lesionou-se gravamente e só retorna aos campos em janeiro - provavelmente recuperando sua posição, no lugar de Dzemaili. Para suprir esta carência, o time contratou Candreva, da Udinese.

ROMA
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olimpico (72.698 lugares)
Em 2009-10: 2ª posição
O cara: Francesco Totti (atacante)
A promessa: Aleandro Rosi (lateral-direito)
O treinador: Claudio Ranieri (2ª temporada)
Principal reforço: Marco Borriello (atacante)
Principal perda: Luca Toni (atacante)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-1-2): Julio Sergio; Cassetti, Burdisso (Mexès), Juan, Riise; De Rossi, Pizarro, Perrotta; Menéz (Totti); Vucinic, Totti (Borriello)

Qualquer ambição da Roma é travada em um fator crucial: dinheiro. Com a sociedade oficialmente à venda, o mercado desta temporada tem sido ainda mais econômico que os anteriores, já limitadíssimos. Vivendo de contratações sem custo, os giallorossi juntaram ao elenco o lateral-esquerdo Castellini (que substitui Tonetto na reserva de Riise) e os brasileiros Fábio Simplício e Adriano. Chegou também o zagueiro Guillermo Burdisso, irmão de Nicolás, que defendeu o clube na temporada passada e ainda é tentado pela Roma, que negocia incessantemente com a Inter pela transferência.

O sucesso da equipe depende de três fatores principais: com a dificuldade clara em retomar Burdisso, caberá a Mexès um retorno à forma antiga. O francês, que já jogou em nível altíssimo, tem sido lento e nervoso, e não faz sombra ao defensor completo de anos atrás. Totti é, ainda, o craque do time; suas atuações seguem excelentes, mas esbarram na frequência. Embora as médias de gols e assistências sejam altas, o capitão joga pouco e se lesiona demais. Outro que pode mudar a cara da equipe é Adriano. É a chance do Imperador recuperar a carreira internacional - ou então se afundar de vez.

Diante da dificuldade em se reforçar, a Roma poderá reutilizar alguns nomes: Rosi, Okaka e até Cicinho, todos voltando de empréstimo, devem receber oportunidades. O primeiro tem sua grande chance, pois retorna de temporada interessante no Siena e, adaptado à função de lateral-direito, só tem o limitado Cassetti à frente. Menéz precisa confirmar sua evolução, enquanto Vucinic, se mantiver a forma dos últimos meses, pode se tornar o principal jogador da equipe. Pizarro e De Rossi são pilares no meio-campo, ao lado de um Perrotta decadente que deve perder a posição em breve. No gol, Julio Sergio se firmou e está bons passos à frente de Doni e Lobont. (Mateus Ribeirete)

Atualização: Borriello foi contratado, demonstrando a desconfiança do clube em Adriano - e deve ser peça-chave do elenco, revezando com Ménez, à medida que o time entrar em campo no 4-3-1-2 (com o francês) ou no 4-2-3-1 (com o italiano). Burdisso acabou ficando na equipe, após longa negociação, e deve ser titular no lugar de Mexès.

SAMPDORIA
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.743 lugares)
Em 2009-10: 4ª posição
O cara: Antonio Cassano (atacante, foto)
A promessa: Guido Marilungo (atacante)
O treinador: Domenico Di Carlo (estreante)
Principal reforço: Gianluca Curci (goleiro)
Principal perda: Luca Castellazzi (goleiro)
Objetivo: vaga em competição europeia
Sampdoria (4-4-2): Curci; Zauri, Gastaldello, Lucchini, Ziegler; Semioli (Mannini), Palombo, Poli, Guberti; Pazzini, Cassano

A saga da Sampdoria na Liga dos Campeões durou apenas duas partidas. O torcedor mais pessimista irá se agarrar ao jogo de Bremen para defender que a Samp desta temporada não é nem sombra daquela que encantou o país na Serie A passada. O torcedor mais otimista irá se agarrar ao jogo de Gênova para defender que a Samp desta temporada tem, pelo menos, o mesmo brilho daquela. Só o tempo poderá dizer quem tem razão, especialmente dentro de um campeonato que, em tese, tem mais times para brigar na parte de cima da tabela.

Sem Giuseppe Marotta, autor de verdadeiros prodígios no mercado doriano nos últimos anos, viu-se pouca movimentação na parte blucerchiata de Gênova. Os maiores esforços foram para manter Storari, Guberti e Zauri, mas apenas os dois últimos permaneceram. No gol, Storari deixou o time após fim de empréstimo, o ídolo Castellazzi foi para a Internazionale e a Sampdoria buscou Curci, um dos arqueiros italianos mais instáveis da década. Sem qualquer outra saída de importância, a diretoria preferiu investir para manter a boa base, livrando-se (ao menos por enquanto) de investidas sobre Palombo, Pazzini, Poli e Cassano.

Para manter o nível do último ano enquanto se divide com uma Liga Europa de sabor amargo, a Sampdoria apostará em jovens que foram bem na temporada passada, como os zagueiros Volta e Rossini, que se destacaram por Cesena e Sassuolo. Mas a principal esperança para o futuro, com um pé no presente, é o artilheiro Marilungo, homem-gol do Lecce campeão da Serie B. Outros retornos importantes são os de Dessena (Cagliari) e Koman (Bari). Se Domenico Di Carlo conseguir fazer com que a equipe mantenha a abordagem vitoriosa que aprendeu com Delneri, será uma Samp para se manter nos trilhos - e, quem sabe, continuar à frente do rival Genoa. (Braitner Moreira)

Atualização: na lateral-direita, Stankevicius, que voltou do Sevilla, foi negociado com o Valencia. O clube ainda trouxe de volta Zauri, da Lazio.

UDINESE
Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli (41.652 lugares)
Em 2009-10: 15ª posição
O cara: Antonio Di Natale (atacante)
A promessa: Emmanuel Agyemang-Badu (meio-campista)
O treinador: Francesco Guidolin (estreante)
Principal reforço: Germán Denis (atacante)
Principal perda: Simone Pepe (atacante)
Objetivo: ficar no meio da tabela
Time base (4-3-3): Handanovic; Isla (Cuadrado), Zapata, Domizzi, Pasquale; Inler, Asamoah, Pinzi; Sánchez, Di Natale, Floro Flores

E ele ficou. Di Natale, tentado e quase anunciado pela Juventus, deu sua palavra à Udinese e decidiu não se mover. Escolha importantíssima para o clube, que perderia bastante sem o artilheiro absoluto da Serie A passada. Os friulanos já sentirão a falta de dois nomes relevantes: Pepe e D'Agostino. O primeiro - este sim negociado com a Juve - era opção segura no ataque; o segundo, embora tenha feito péssima temporada 2009-10 depois de não ser liberado para negociar com equipes maiores, havia reencontrado um futebol de nível altíssimo em Údine.

Neste ano, as ambições são um pouco menores. Após o fiasco na temporada passada, a equipe precisa reassumir a condição de incômoda. Sua posição foi a pior de todas as suas campanhas desde que subiu à Serie A, em 1995. A Udinese, que por anos vinha aliando jogadores de alto potencial com entrosamento, desandou em 2009. O fato foi ainda pior se considerarmos que o clube até sonhava em alcançar alguma vaga na Liga dos Campeões. O otimismo vem do banco: quem tem a missão de reerguer o clube é Francesco Guidolin, que não só promoveu como montou um Parma surpreendente para a primeira divisão.

Em campo, é impossível reduzir o destaque de Di Natale, que, mesmo em idade avançada, atravessa a melhor fase de sua carreira. Candreva, versátil e buscando afirmação, é um ótimo reforço para o time, que conta com um crescente Isla em seu lado direito. Sobem as responsabilidades de Asamoah no meio-campo: ele, que era reserva de D'Agostino, ganhou a posição no decorrer da temporada passada e agora deve se firmar de vez. O ataque, mesmo sem Pepe, tem qualidade: Floro Flores e Sánchez são nomes algo acima da média. Passado o susto da possível saída de Di Natale, resta à Udinese um recomeço mais que possível. (Mateus Ribeirete)

Atualização: a falta de ambição da Udinese nesta temporada fez Candreva, que reforçaria bastante o meio-campo do time, deixar a equipe rumo ao Parma. Pinzi, que retornou de empréstimo ao Chievo, deve assumir sua vaga, enquanto o atacante Denis (que, lesionado, volta em outubro) acabou sendo o maior reforço do time. O recomeço na Udinese não parece mais tão possível assim.