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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Liga Europa: Dever de casa

Iaquinta finalmente reencontrou sua forma física e ajudou a Juventus a arrancar
um empate do Manchester City, na Inglaterra (Getty Images)

Se a cartilha diz que para se dar bem em uma competição o time deve vencer em seu território e empatar fora, os italianos fizeram o dever de casa direitinho essa semana. Tanto na Liga dos Campeões (aqui e aqui), quanto na Liga Europa. Hoje, a Juventus, time de melhor ataque da Serie A, foi à Inglaterra enfrentar o Manchester City, que tem a melhor defesa da Premiere League, e saiu com um sorriso no rosto. A equipe de Turim, diferente do que ocorreu na primeira rodada, conseguiu se postar bem defensivamente e arrancou um bom empate na casa do adversário.


Com as ausências de Aquilani e Quagliarella, que não estão inscritos na Liga Europa por já terem jogado a competição esse ano pelos seus ex-times, Delneri foi obrigado a fazer algumas alterações. Para o meio, optou por Sissoko e Marchisio, deixando Felipe Melo no banco. E na frente, lançou sua única opção: Iaquinta. Por opção tática, insistiu no fraco Martínez para a ponta esquerda. O uruguaio ainda não conseguiu apresentar um bom futebol na Juventus, mas conta com o apoio do técnico, que deixa o (pouco) melhor Pepe na reserva.


O jogo começou com uma Juventus mais eficiente, bem postada em campo e levando perigo ao gol de Hart. Já na segunda oportunidade, aos 10', Iaquinta acertou um belo chute e abriu o placar. A equipe bianconera continuou melhor por mais alguns minutos, antes de deixar o City trabalhar a bola e começar a assustar. Aos 34', Barry acertou a trave de Manninger e mostrou como o gol estava amadurecendo. Ele veio logo em seguida, com Johson, que aproveitou bom passe de Touré.

Na segunda etapa, a Juve apresentou uma consistência defensiva não vista até agora. Bonucci e, principalmente, Chiellini foram muito bem no combate e afastaram o perigo. Sissoko também teve importante papel na contenção do forte meio de campo inglês e ainda apareceu bem ofensivamente no final do jogo, quando quase marcou um gol. Faltou mais intensidade ao ataque para que a Velha Senhora saísse com um resultado melhor. Martínez foi inoperante pela esquerda e Krasic não conseguiu aparecer bem como em outras oportunidades, pela direita. E, todos sabem, a chegada pelas pontas é essencial para que o 4-4-2 de Delneri seja efetivo no ataque.

Do outro lado, faltou ao técnico Roberto Mancini a sensibilidade de tirar Adebayor um pouco antes para colocar Tevez na posição em que rende mais: a de centroavante, jogando mais centralizado. Depois que ele fez a alteração, aos 30' do segundo tempo, seu time melhorou bastante. Foi mais ou menos no mesmo momento em que a Juve voltou a melhorar, com a entrada de Felipe Melo. Antes do final, Del Piero ainda teve uma grande oportunidade de desempatar a partida, em uma bela cobrança de falta que bateu no travessão de Hart.

O ponto fora de casa foi comemorado por técnico e jogadores juventinos, mas é bom lembrar que a situação não está tão tranquila assim. Por conta do péssimo resultado contra o Lech Poznan, a equipe soma só dois pontos e ocupa apenas a terceira colocação do grupo no momento.

Veja aqui os gols e o relato da partida.

Steaua Bucareste 3x3 Napoli
Na Romênia, aconteceu de tudo: briga entre torcidas, expulsão de jogador e agressão ao árbitro. Além de futebol, é claro. Em campo, o Napoli começou sendo humilhado pelo Steaua Bucareste. Aos 16', os partenopei já perdiam por 3 a 0, mostrando, mais uma vez, muita desatenção. O apagão napolitano só terminou aos 30', quando o atacante Kapetanos foi expulso, por agredir Santacroce. Com mais calma e um jogador a mais, o time de Mazzari conseguiu diminuir antes do intervalo. No segundo tempo, com as (tardias) entradas de Lavezzi e Hamsik, o time não saiu mais de perto da área romena. Hamsik e Cavani empataram o jogo, antes do apito final do árbitro, que logo foi cercado e agredido por jogadores do Steaua. Eles reclamavam dos oito minutos de acréscimo dado pelo juiz para repor o tempo que o goleiro romeno levou sendo atendido, mais as substituições. No final das contas, o jogo serviu para o Napoli mostrar sua força e poder de reação. E uma lição: Lavezzi e Hamsik não são nomes para o banco de reservas.

Veja o relato e os gols da partida.

Sampdoria 1x0 Debrecen
A Sampdoria também passou por dificuldades, mas conseguiu vencer o Debrecen em casa e acumular pontos importantes. Coincidentemente, ou não, o resultado positivo (que não ocorria desde a vitória contra a Lazio no dia 29 de agosto) veio na volta do time ao 4-4-2 que deu tão certo na temporada passada. O jogo marcou também o reencontro de Pazzini com o gol. O atacante fez de pênalti e garantiu a vitória blucerchiata, após um mês sem comemorar. Com o rodízio de jogadores aplicado por Di Carlo, Manini e Koman ocuparam as pontas do meio de campo, nos lugares de Semioli e Guberti, e não fizeram boa partida, o que, somada à apresentação apagada de Cassano, explica a fraca atuação ofensiva. Defensivamente o time foi bem: o goleiro Curci foi o melhor do jogo e a linha de quatro postada a sua frente também se comportou muito bem. Agora, a Samp ocupa o segundo lugar do grupo, com um empate e uma vitória.

Veja os melhores momentos e o gol da partida.

Palermo 1x0 Lausanne
Nem parece o mesmo time que abateu a Juventus em pleno Olímpico de Turim, semana passada. Na noite de ontem, o Palermo precisou de 80 minutos para marcar um gol e vencer o fraco time da segunda divisão suiça. Foi a única vez no jogo inteiro que o time rosanero conseguiu penetrar na defesa do Lausanne. Antes disso, apenas chutes de longe, quase sempre mal sucedidos. Migliaccio, depois de quatro meses afastado por lesão, foi o autor do gol e o melhor em campo. Pastore também teve uma boa participação, enquanto Miccoli ainda recupera sua forma. O próximo desafio do Palermo é contra o CSKA Moscou, dia 21 de outubro.

Veja o relato, os melhores momentos e o gol da partida.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Liga dos Campeões: Espetáculo, com E de Eto'o

Três gols marcados e passe para outro: o camaronês está voando (La Presse)

Já são 11 gols em nove partidas na conta de Samuel Eto'o essa temporada. Ou seja, mais de 68% de todos os tentos marcados pela Inter até aqui. A fase do camaronês é tão boa que os torcedores mal sentem a falta de Diego Milito, principal peça das conquistas recentes do clube. Hoje, contra o Werder Bremen, o camaronês anotou sua primeira tripletta com a camisa nerazzurra e, mais uma vez, ajudou a Inter a sair com a vitória.


Mas os méritos não são só de Eto'o. A maneira que o técnico Rafael Benítez postou a equipe hoje também é "culpada" pela vitória maiúscula do time de Milão. Com Biabiany e Philippe Coutinho pelas pontas do 4-2-3-1, a equipe jogou mais solta, com a bola no pé e soube agredir o adversário. Os únicos momentos de aperto do time da casa aconteceram ainda no início da partida, quando Hugo Almeida teve duas boas oportunidades. O time alemão sentiu muito os desfalques de Fritz, Naldo, Frings e Pizarro e tornou-se presa fácil.

Sem Milito e com Eto'o jogando mais perto do gol - da maneira que pede há tempos - , Sneijder pôde ocupar uma posição mais próxima do ataque e conseguiu fazer boa partida. O holandês marcou o terceiro gol da partida, após passe de Eto'o, e devolveu o presente mais tarde, deixando o camaronês na cara para fechar o placar. Destaque positivo também para os jovens Biabiany e Coutinho, que jogaram os 90 minutos e surpreenderam positivamente. Principalmente o brasileiro, sempre incisivo no ataque e cooperando bem com a parte defensiva, apesar de ter desperdiçado algumas chances.

No entanto, nem tudo são flores. O time, que já contava com cinco jogadores no departamento médico, ganhou mais dois problemas para o jogo contra a Juventus, no domingo: Júlio César e Lúcio saíram lesionados e são dúvidas. Com Samuel e Zanetti já machucados, os nerazzurri devem entrar com o sistema defensivo bem modificado. Hoje, Castellazzi e Santon os substituíram, o que deve se repetir na Serie A, caso se confirme a lesão dos dois. Assim, Chivu passa a compor o miolo da zaga com Cordoba, enquanto Santon fica na esquerda. Pandev pode voltar e ficar com a vaga que foi de Biabiany hoje.

A vitória dá moral à atual campeã, que não se saiu bem na estreia da Liga, contra o Twente, e passava por questionamentos quanto à verdadeira qualidade do time de Benítez, que ainda não tinha conseguido fazer apresentações consistentes como as do time campeão de Mourinho na temporada passada. Assim, o time assume a primeira posição do grupo e espera o jogo contra o Tottenham, no próximo dia 20.

Veja o relato e os gols da partida
aqui.

Liga dos Campeões: Sempre ele

Ibrahimovic marcou de novo: cinco gols em seis jogos com o Milan (La Presse)

Para enfrentar o Ajax, ontem, e tentar esquecer as fracas partidas da semana que passou, (aqui e aqui) Allegri deixou de lado o 4-4-2 para testar o 4-3-1-2, com Seedorf fazendo a função de trequartista e abastecendo Robinho e Ibrahimovic no ataque. Ronaldinho, único do time a ter participado de todas as partidas até ontem, foi poupado e ficou no banco durante todo o jogo.

A intenção do técnico era dar mais equilíbrio a um time muito bom do meio para frente, mas que não cumpria bem suas funções de marcação. Flamini e Zambrotta voltaram ao time e mal apareceram. Ainda assim, a estratégia de Allegri parece ter dado certo. Com o time mais compacto, o Milan se comportou bem defensivamente e conseguiu um importante ponto fora de casa, mesmo que o Ajax tenha ditado o ritmo do jogo durante quase todo o tempo.

Na primeira parte, o time de Jol fez boa partida e chegou bem à meta de Abbiati. O gol holandês saiu em grande jogada individual de Suarez, pela esquerda. O uruguaio canetou o veterano Nesta, antes de tocar para El Hamdaoui marcar. Pouco depois, Robinho teve chance para empatar, mas perdeu o gol mais feito da partida, após belo passe de Seedorf, um dos principais homens do jogo. O brasileiro já havia tido uma boa oportunidade antes, que Stekelenburg defendeu, e ainda perderia outra mais tarde, quando, impedido, recebeu sozinho e mandou por cima da meta.

As chances perdidas encobrem o fato de Robinho ter se movimentado bem e aparecido melhor do que em outros jogos. Falta acertar o gol. Quem resolveu, mais uma vez, foi o sempre decisivo Ibrahimovic. O sueco recebeu bom passe de Seedorf, dominou no peito e bateu forte para marcar o gol de empate contra seu ex-time. A outra grande chance do Milan no jogo viria também dos pés de Ibra, já no segundo tempo. Ele driblou o zagueiro holandês e deixou Boateng livre para fazer, mas Stekelenburg fez belíssima defesa.

Ponto positivo para o esquema tático testado ontem, que conseguiu diminuir os espaços e alcançar alguma consistência defensiva, apesar dos erros no meio de campo continuarem constantes. O time não cedeu no final do jogo, quando foi muito atacado, e ainda teve chances de vencer. De negativo, fica a dependência de Ibra, que pode ser um empecilho para o time manter a regularidade ao longo da temporada. Pato volta ao banco de reservas ainda neste final de semana, pela 6ª rodada de Serie A, e pode ser a solução para esse problema, caso consiga continuidade.

Roma 2x1 Cluj
Enquanto isso na capital, o time de Ranieri passou por dificuldades para vencer o fraco Cluj. Em jogo ruim tecnicamente, os gols saíram apenas depois da metade do segundo tempo. Mexes aproveitou escanteio para abrir o placar, Borriello fez belíssimo gol após lançamento de De Rossi e Rada diminuiu para o time romeno, que ainda acertou duas bolas na trave durante a partida. Totti só não recebeu um presente de grego um dia após seu aniversário por causa da sorte de Lobont, que já estava vencido nas duas ocasiões.

O jogo escancara a fragilidade dos gialorossi, que deixaram seus torcedores com o coração na mão até o final do jogo, depois do gol de Rada. A entrada de Adriano no lugar de Menez também não foi uma boa opção do técnico, uma vez que o brasileiro ainda está fora de forma e mais atrapalhou do que cooperou para a melhora do time. Totti teve bons momentos, com passes e lançamentos acima da média, mas ainda não alcançou seu gol nessa temporada. Borrielo foi o destaque do jogo, mesmo que só tenha entrado no meio do segundo tempo. O golaço do atacante foi seu terceiro em seis jogos pela Roma. A vitória serve para dar um pouco de tranqüilidade ao turbulento clima na capital. Foi a segunda vitória seguida do time.

Veja o relato e os gols das partidas de Milan e Roma.
Relembre os jogos das equipes na primeira rodada da Liga dos Campeões: Milan 2x0 Auxerre e Bayern de Munique 2x0 Roma.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Jogadores: Armando Picchi

Picchi, que talvez seja até hoje o melhor intérprete da função de líbero,
cumprimenta Pelé, melhor jogador de todos os tempos (InterFC.it)

Armando Picchi morreu em 27 de maio de 1971, após uma luta tão rápida quanto intensa contra um câncer. Mesmo assim, teve tempo para escrever uma bonita história no futebol italiano quando atuou pela Internazionale, que então era comandada por Helenio Herrera e ficou conhecida como Grande Inter.

O defensor começou a carreira no Livorno, time da cidade onde nasceu. Ficou lá até 1959, quando saiu para passar uma temporada na SPAL. Naquela temporada, os biancazzurri estrearam na Serie A e conseguiram o quinto lugar, melhor resultado na história do clube disputando a primeira divisão.

Assim que chegou à equipe nerazzurra, Helenio Herrera pediu a contratação de Picchi. À época, a Inter pagou 24 milhões de liras (equivalente a 13 mil euros atuais) mais o passe de três jogadores. Mal sabia que começava ali o período de glórias de um dos maiores times da história do futebol. Herrera introduziu ali o catenaccio, então consagrado na Itália pela Triestina e pelo Padova de Nereo Rocco. Picchi foi fundamental para o acerto do esquema dentro de campo.

Ele chegou ao clube como lateral-direito, mas Herrera viu em Picchi grande capacidade de marcação e espírito de liderança, então o mudou de posição, montou a equipe no 3-1-3-3 e formou uma das defesas mais marcantes e vitoriosas da Inter. Picchi atuava como homem da sobra e Tarcisio Burgnich e Giacinto Facchetti completavam o tridente defensivo da Grande Inter. O toscano se tornou o capitão da equipe no período e fez parte de um esquadrão praticamente imbatível - entre 1960 e 1967, venceu três títulos italianos e quatro internacionais.

Na seleção italiana, o líbero não teve muitas chances e o técnico Edmondo Fabbri o deixou fora da Copa do Mundo de 1966. Quando enfim começava a ter uma boa sequência, em 1968, sob o comando de Ferruccio Valcareggi, quebrou a bacia durante uma jogo pelas Eliminatórias da Eurocopa e decidiu abandonar a Nazionale. Fez apenas 12 partidas em azzurro.

Pela Serie A, em 1º de junho de 1967, Picchi entrou em campo para fazer sua 257ª partida com a camisa da Internazionale. Ele ajudou a equipe a vencer o Mantova, por 1 a 0, e então se transferiu para o Varese, para atuar por dois anos até encerrar a carreira. No último ano em biancorosso, atuou também como técnico, mas não evitou o rebaixamento do time, que caiu para a segunda divisão por apenas um ponto. Desanimado, Picchi pendurou as chuteiras aos 33 anos e tentou ser treinador.

Saiu do Varese para o Livorno que o havia revelado e fez uma campanha memorável ao tirar o time da zona de rebaixamento da Serie B e deixá-lo na nona posição. O sucesso repentino o levou à Juventus. Aos 35 anos, Picchi era o treinador mais novo da Serie A. Comandou a equipe por 29 jogos antes de descobrir um tumor na coluna vertebral e morrer poucos dias depois, em 1971. No dia de seu enterro, o comércio de Livorno fechou mais cedo e a cidade parou. Em 1990, o estádio Ardenza passou a levar o nome de um dos grandes nomes da história labronica.

Armando Picchi
Nascimento: 20 de junho de 1935, em Livorno
Morte: 26 de maio de 1971, em Sanremo
Posições: lateral-direito/líbero
Clubes como jogador: Livorno (1954-59), SPAL (1959-1960), Inter (1960-67) e Varese (1967-69)
Títulos como jogador: 3 Serie A (1963, 65, 66), 2 Ligas dos Campeões (1964, 65), 2 Copas Intercontinentais (1964, 65)
Clubes como treinador: Varese (1968-69), Livorno (1969-70) e Juventus (1970-71)
Seleção italiana: 12 jogos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Jogadores: Claudio Gentile

Na Copa de 1982, Gentile não aliviou ao marcar Zico (AllSport)
Claudio Gentile tornou-se um dos grandes ídolos da Juventus. Lá, somou quase 300 jogos e ganhou 11 títulos. Ganhou a reputação de ser um jogador duro, que não amolecia em divididas. A fama o colocou na oitava posição do ranking do jornal inglês The Times que escolheu os atletas mais rudes de todos os tempos. Ironicamente, Gentile significa "gentil", em italiano.

O futuro jogador chegou à Itália aos oito anos, vindo da Líbia. Sua carreira começou na equipe juvenil do Varese e em 1971, aos 18 anos, foi emprestado ao Arona, da Serie D. Na temporada seguinte, Gentile retornou à Lombardia e se tornou titular. Em 1972-73, o time biancorosso, que havia sido rebaixado no ano anterior, encerrou a Serie B na sexta posição.

Ainda assim, Gentile se destacou e acabou vendido à Juventus. Meio-campista marcador, o jovem não teve chances na equipe titular porque disputava a posição com o capitão Giuseppe Farino. Acabou recuando e se adaptou para jogar na lateral-esquerda. O scudetto quase veio em sua primeira temporada em bianconero, mas a Velha Senhora terminou o campeonato dois pontos atrás da campeã Lazio.

O sucesso chegou junto do presidente Giampiero Boniperti. Ele se livrou do atacante Masiello e trouxe Scirea, da Atalanta, para a defesa. Com Zoff, Gentile, Furino e os artilheiros Damiani e Anastasi, a Juventus encerrou a temporada 1974-75 dois pontos à frente do Napoli, erguendo seu 16º scudetto. Com a chegada de Antonio Cabrini, em 1976, Gentile mudou novamente de posição. Ele chefiou a lateral-direita da Juventus nas conquistas da Serie A e Copa Uefa em 1977.

Juve dos anos 1970 teve Gentile e Bettega (Sky)
Convocado para a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, a Nazionale derrotou os albicelestes por 1 a 0 com atuação exemplar de Gentile, que anulou o artilheiro Mario Kempes. A equipe acabou com o quarto lugar, após ser derrotada pelo Brasil. No Mundial seguinte, na Espanha, ele teve o trabalho de marcar dois dos melhores jogadores da competição: Zico e Maradona.

Taxada como lendária, a marcação perfeita sobre o futuro craque do Napoli também foi dura. Sobre o argentino, Gentile disse que "Futebol não é para bailarinas". Apesar das faltas duras, o lateral foi expulso apenas uma vez durante sua carreira - e por colocar a mão na bola durante uma partida da Copa dos Campeões.

Em 1978, também não aliviou para Roberto Dinamite (JB Scalco)
Antes de pendurar as chuteiras, ele jogou por mais três temporadas na Fiorentina e uma no Piacenza. Fora das quatro linhas, Gentile se tornou treinador da equipe sub-21 da Itália. Foi campeão europeu com a equipe que revelou De Rossi, Palombo e o artilheiro da competição, Gilardino. Ele também conduziu os azzurrini ao terceiro lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Dois anos depois, não conseguiu a classificação para a segunda fase do Campeonato Europeu e foi demitido por Guido Rossi, então comissário extraordinário da federação italiana.

Claudio Gentile
Nascimento: 27 de setembro de 1953, em Trípoli (Líbia)
Posição: lateral-direito
Clubes como jogador: Arona (1971-72), Varese (1972-73), Juventus (1973-1984), Fiorentina (1984-87), Piacenza (1987-88)
Títulos como jogador: 6 Serie A (1975, 77, 78, 81, 82, 84), 2 Coppa Italia (1979, 83), 1 Copa Uefa (1977), 1 Recopa Europeia (1984), 1 Supercopa Uefa (1984), 1 Copa do Mundo (1982)
Seleção italiana: 71 jogos e 1 gol

5ª rodada: Definindo perfis

Vucinic salta e dá à Roma sua primeira vitória: reação ou sorte? (Getty Images)

A quinta rodada da Serie A marcou a primeira derrota de Rafa Benítez na competição, justamente para uma Roma que ainda não havia vencido. Outro tabu foi quebrado pela Fiorentina, que não vencia desde março. Com os resultados do fim de semana, a Lazio divide a liderança com a Inter. E a Roma continua na zona de rebaixamento. Entre os dois times da capitais, apenas cinco pontos separam 15 posições na tabela.

Roma 1-0 Inter
As duas equipes costumaram realizar confrontos emocionantes e cheios de gols nos últimos anos, mas também com muito nervosismo. Desta vez, apenas o nervosismo entrou em campo e Emidio Morganti teve de distribuir cartões amarelos para acalmar os ânimos. Stankovic fez outra boa partida no Olímpico, como de costume, e, além de ter acrescentado técnica a um meio-campo que sentiu a partida apagada de Sneijder, foi quem mais levou perigo a Lobont, numa noite em que as defesas cumpriram bem seu papel.

A emoção só veio mesmo aos 47 minutos do segundo tempo, quando Vucinic, de peixinho, antecipou-se a Lúcio - sua única falha no jogo - para fazer o gol da vitória da Roma, seu terceiro contra a Inter na carreira. O gol do montenegrino diminui a crise giallorossa, apesar de Adriano ter se recusado a entrar em campo e Totti tenha saído nervoso. Na Inter, além do prejuízo da derrota apesar de não ter jogado mal, Milito sentiu um estiramento e dificilmente enfrentará o Werder Bremen, na Liga dos Campeões. Eto'o, egoísta demais na partida de ontem, deve assumir o comando do ataque no jogo da quarta-feira. (Nelson Oliveira)

Milan 1-0 Genoa
Se este Milan foi projetado para ser fantástico e dar show, o resultado em campo ainda está abaixo do esperado. Robinho estreou como titular, por causa de lesão de Pato - mas, quando Ronaldinho não faz boa partida, o time cai muito de produção e fica limitado a um jogo mais físico. Prova disso é que o melhor em campo neste sábado foi Gattuso, que fez sua melhor partida em anos, aliando um inesperado bom condicionamento físico à sua vontade habitual. Porém, este Milan realmente tem jogadores que decidem: uma mostra disso foi o gol do Diavolo, que nasceu de ótimo lançamento de Pirlo para que Ibrahimovic completasse, antecipando-se a Dainelli e Ranocchia com um toquinho do seu pé 47 - como pontuou Arrigo Sacchi. Do lado do Genoa, fica o alento de ter feito uma boa partida. O grifone levou algum perigo ao gol de Abbiati e ainda viu o goleiro Eduardo realizar boa partida, após um início de campeonato bastante inseguro. (Nelson Oliveira)

Cesena 1-4 Napoli
Vai chegando ao fim o encanto do ex-líder Cesena, e boa parte da culpa é de Cavani. O uruguaio, que começou no banco, entrou no segundo tempo, participou do primeiro gol e fez outros dois dignos de craque. A goleada foi napolitana, mas os donos da casa largaram na frente com Parolo, já na etapa complementar, após falha feia de Cribari. Se o Napoli até havia dominado no primeiro tempo, só concretizou seus esforços após as entradas de Gargano e Cavani. Com saídas fulminantes, foi com tudo para cima do Cesena, que, embora tenha resistido com Antonioli e o travessão, não se segurou. O ataque deixou claro que pode funcionar muito bem e, se encaixado, tem condições de ser um dos mais perigosos da Itália. Cavani chegou ao seu quinto gol e é, ao lado de Eto'o, artilheiro da Serie A. Ao Cesena não serve desespero: por mais que tenha sido goleado em casa, sofreu por inspirações repentinas do adversário, e sua partida até então não deve ser descartada. Notável que Ficcadenti tenha repetido a equipe titular pela quinta vez seguida.

Fiorentina 2-0 Parma
Ironicamente, a primeira vitória da Fiorentina na Serie A teve a presença de Cesare Prandelli, seu ex-treinador. Nas tribunas do estádio, ele viu os viola dominarem um Parma inofensivo, que não contou com o lesionado Giovinco. A Fiorentina exerceu pressão desde o início: com boas triangulações, chegava com perigo à meta de Mirante. O Parma, por sua vez, limitava-se a chutes de longa distância, escancarando sua dificuldade de criação. O resultado foi construído no segundo tempo: um pênalti, cobrado por Ljajic, e um chute desviado de De Silvestri garantiram os três pontos aos donos da casa, que ainda não convencem. Embora tenha atacado sempre, a Fiorentina de Mihajlovic - que ainda não conta com Jovetic e Mutu - demonstra claras limitações. Converter chances em gols ainda é tarefa árdua, e a maneira com que os desta partida saíram ajuda a evidenciá-lo. Os crociati sofreram sem Giovinco, fato que havia sido anunciado no meio de semana, quando o meia saiu contundido durante a partida contra o Lecce.

Sampdoria 0-0 Udinese
Se Cassano não faz magia, a Sampdoria pouco faz. O problema voltou a assombrar a Samp, que, sem qualquer inspiração, chegou a ser dominada em casa pela Udinese, a qual ficou com seu primeiro ponto no campeonato. Partida interessante fez Pinzi, mais adiantado que o usual, auxiliando o ataque. De seus pés saíram algumas chances de gols, todas paradas por Curci - ou quase isso. Porque quando Di Natale o encobriu, Zauri, já próximo à linha, apareceu para tirar a bola e evitar um vexame blucerchiato. Palombo, assim como Cassano, não teve espaço, e este é um dos fatos que dão certo ânimo à Udinese: o time foi ótimo na marcação, e ainda conseguiu criar chances. Começa a demonstrar, embora com atraso, aquilo que é óbvio: não pode brigar para não cair, como até o momento tem feito, ao permanecer isolada na lanterna. A Sampdoria não vence desde a primeira rodada, e custa a se encontrar nas variações táticas de Di Carlo.

Palermo 2-2 Lecce
Um dos melhores jogos da rodada. As duas equipes saíram para o jogo, mas quem teve mais sorte foi o Lecce, num chute incrível de Giacomazzi. Os visitantes passaram a dominar a partida, e ampliaram com meio minuto de segundo tempo. Se o Lecce poderia ter matado a partida pouco tempo depois, quem chegou ao gol foi o Palermo, dando início a uma dessas reações clássicas de dois a zero. Quando o jogo já se mostrava morno, Pinilla deu esperanças aos rosanero. O que se viu diante da pressão dos mandantes foi uma defesa extremamente perdida: o Lecce, tão bem postado no primeiro tempo, passou a se desesperar. Aos 48 minutos, Maccarone, aproveitando rebote de Pastore - que havia recebido a bola inexplicavelmente sozinho -, consolidou o empate de um Palermo que ainda não venceu em casa, em três partidas. Faltou cabeça para o Lecce, que poderia ter conseguido uma vitória incrível, mas que agora estaciona nos cinco pontos.

Catania 1-1 Bologna
Um gol de pênalti e outro contra não costumam sintetizar alguma partida muito feliz. O empate ficou com gosto de derrota para o Catania, que criou mais chances e poderia ter saído com os três pontos. Maxi López, ainda sem engrenar no campeonato, perdeu gol feito, enquanto Mascara acertou o travessão quando o placar já apontava um a um. Quem saiu na frente foi o Bologna, que sequer chegou perto da meta adversária durante a partida. Nem seu pênalti foi bem sucedido: Di Vaio perdeu, Andujar espalmou e o veterano conseguiu pegar o rebote. Destaque para o gol contra de Britos, que saltou para aliviar a bola, mas realizou uma espécie de voleio invertido e matou Viviano.

Chievo 0-1 Lazio
O placar foi magro, mas só deu Lazio. Os celestes pressionaram do início ao fim e teriam feito mais, não fossem as chances perdidas por Zárate e Hernanes. Ao menos foi o argentino quem marcou, acabando com uma seca que havia iniciado em fevereiro. Apresentação fraquíssima do Chievo, semelhante à de duas rodadas atrás, quando perdeu para o Brescia pelo mesmo placar, também em casa. Curiosamente, o clube de Verona tem melhor retrospecto como visitante: já são duas derrotas em casa, enquanto venceu seus dois jogos fora. A Lazio começa a pensar em seus objetivos, pois resta saber se a equipe é capaz de - no momento líder ao lado da Inter - se segurar nas primeiras posições da tabela. O fato de Zárate voltar às redes é um bom passo para fazê-lo.

Bari 2-1 Brescia
Partida sempre aberta, que contou com várias jogadas individuais de qualidade. Bari e Brescia fizeram um jogo movimentado, em que ambos visavam à vitória. Os donos da casa não acertavam seus passes na frente, e na primeira triangulação ofensiva bem sucedida abriram o placar com Rivas. Se Diamanti vinha liderando a boa campanha dos rondinelle, sua lesão acabou não atrapalhando tanto. Koné, o substituto, foi um dos melhores em campo, e até fez um belíssimo gol, que empatou o jogo. O placar fez o Brescia se animar com a partida - e a possibilidade de assumir a liderança, caso conseguisse os três pontos. Depois de pressionar e acertar o travessão, todavia, a equipe viu o brasileiro Barreto entortar sua defesa e sofrer pênalti, ainda no início do segundo tempo. Ele mesmo converteu e depois disso pouco se fez.

Juventus 4-2 Cagliari
A goleada da Velha Senhora é a cereja que faltava ao bolo do sérvio Krasic, um dos poucos que tem se salvado na campanha irregular do time. O meia externo marcou três vezes para coroar a grande atuação contra um Cagliari que não se entregou. Com o resultado, a Juve chega ao melhor ataque da competição (12 gols) e a pior defesa (9, ao lado de Udinese e Roma). Também ficou a três pontos da líder Inter. Na tarde do domingo - que será de eleições no Brasil -, as duas equipes jogam. Quem disse que o campeonato já estava definido de antemão?

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 5ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 4ª rodada, clique aqui.

Seleção da 5ª rodada
Sereni (Brescia); André Dias (Lazio), Lucchini (Sampdoria), Juan (Roma); Rispoli (Lecce), Krasic (Juventus), Gattuso (Milan), Mauri (Lazio); Pastore (Palermo); Vucinic (Roma), Cavani (Napoli). Técnico: Walter Mazzarri (Napoli)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Amor e ódio

Protagonistas no derby d'Italia, Juventus e Inter têm as maiores torcidas da Itália.
E são, também, os times mais antipáticos do país (Getty Images)

Em um dos hits da música italiana em 1962, Rita Pavone se perguntava "por que no domingo você me deixa sempre sozinha para ir ver futebol?". Hoje, a história é outra. Quatro em cada dez mulheres já dizem torcer por alguma equipe, segundo pesquisa realizada pela Demos. No geral, 52,2% dos italianos têm um time do coração, número que subiu nos últimos cinco anos, apesar das dificuldades que vive o futebol local. Também aumentou a quantidade de "torcedores militantes", aqueles que respiram o esporte. Algo esperado: a política italiana beira a falência e parte da sociedade vive em crise de identidade, então para algum lado há de se correr.

O escândalo do calciopoli, em 2006, tirou da Juventus uma vaga na Serie A, dois títulos nacionais, muito moral, e vários jogadores importantes. Mas poucos torcedores. Em cinco anos, a representatividade da torcida bianconera caiu apenas três pontos percentuais. Hoje, mais de 9 milhões de italianos têm a Juventus como time. Provando que a antipatia está ao lado de quem vence, a Velha Senhora não é mais a equipe mais odiada. Em 2005, 24,4% dos torcedores do país tinham sérias restrições à Juve. Agora, o número está em 13,3% e é menor do que a Inter - que é "a nova Juventus", segundo o sempre ácido Maurizio Zamparini, presidente do Palermo.

A multicampeã Inter é quem mais se aproxima da Juventus. A pesquisa mostra que suas fileiras crescem, enquanto as do Milan caem. Há cinco anos, a torcida do Milan era quase 60% maior que a da Inter. Agora, os nerazzurri têm 20% a mais de torcedores. Fora do trio de ferro, as torcidas de Napoli e Roma têm crescido bastante. Os giallorossi beiram o 75% de crescimento em apenas cinco anos. Quase 1 milhão de novos adeptos. Um dos fatores que explica este aumento de torcidas é a proximidade de mais pessoas ao futebol. Em resumo, a Inter não rouba torcida do Milan, apenas tem sido mais atraente que o rival.

É politicamente que pode ser encontrada a melhor explicação para este boom da torcida da Internazionale. A pesquisa indica que, apesar de ter torcida em todo o país, o clube tem ganhado forte identificação com a Liga Norte, partido político que defende a independência da Padânia, aquele trecho mais rico do norte da Itália. Com tantas vitórias, os leghisti veem na Inter a melhor bandeira para sua causa. Do outro lado, a torcida da Roma é predominantemente de esquerda e centro-esquerda, uma possível reação à tradicional direita da Lazio. A Juventus tem torcida mais centrista, sem grande identidade política. O que reflete a maior parte do país, diga-se de passagem.

As maiores torcidas
1. Juventus (29%)
2. Internazionale (17,4%)
3. Milan (14,1%)
4. Napoli (9,2%)
5. Roma (7,4%)
6. Cagliari (2,1%)
6. Fiorentina (2,1%)
8. Bologna (1,7%)
Outros times: 14,8%
Torcem apenas para a seleção italiana: 2,2%

Gráficos e comparações
Veja aqui os dados completos da pesquisa. Em italiano.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

4ª rodada: O senhor é meu Pastore

Autor de um gol e uma assistência, Pastore indica o futuro do Palermo (Getty Images)

Se ontem foi o dia dos artilheiros, a noite de hoje teve a assinatura do talentoso Pastore. Talvez o rosanero tenha jogado com vontade extra, motivado pela convocação da seleção argentina. Ou ainda pelo passo atrás que a Juventus deu no ano passado, quando esteve próxima de contratá-lo, mas mudou de ideia. O jovem foi o nome da partida que provou que Delneri tinha mesmo razão. Esta ainda não é uma Juve pronta para disputar o scudetto.

Juventus 1-3 Palermo
Criticado pelo presidente Maurizio Zamparini por poupar alguns titulares, desta vez Delio Rossi só deixou Abel Hernández no banco. A defesa, ponto crítico deste Palermo, voltou à formação ideal, com Muñoz ao lado de Bovo. Na frente, Pastore ganhou mais liberdade com a entrada do esloveno Ilicic no lugar de Hernández. Com um atacante a menos para municiar, o argentino passou a jogar bem adiantado, caindo mais pela esquerda do que o habitual.

Com a mudança, Pinilla teve a primeira oportunidade como titular rosanero. Começou o jogo muito bem: na primeira oportunidade, chutou para a defesa de Storari, que rebateu nos pés de Pastore. O argentino ia entrando na área e abriu o placar. No lance, ficou clara a dificuldade defensiva desta Juventus, pois Bonucci chegou tarde no lance e Chiellini nem fez menção de procurar a bola. Não à toa, o time só conseguiu vencer uma vez no campeonato, justamente a temerária Udinese. Contra o Palermo, só se salvaram Krasic, Del Piero e, vá lá, Felipe Melo.

Bonucci perdeu praticamente todas quando ficou frente a frente com Pastore, mas houve apresentação pior na defesa bianconera. Improvisado na lateral-esquerda, Grygera jamais subiu ao ataque e sofria cada vez que Pinilla resolvia jogar em suas costas. Na direita, Motta vai se mostrando mais tímido do que no início da temporada e só passou a atacar quando a causa já estava perdida. Defensivamente, é o mesmo que deixou os romanistas de cabelos em pé. Em sua principal falha do jogo, deixou Pastore sozinho com Storari, mas foi salvo pela trave. Em outro lance, deixou o mesmo Pastore passar e finalizar para defesa de Storari, que espalmou para onde chegava Ilicic: 2 a 0.

O gol de Bovo, em cobrança de falta da intermediária, quase fechou a noite que marcou a quinta vitória seguida do Palermo sobre a Juventus. Afinal, quase passou batida a resposta de Iaquinta, de cabeça em cruzamento de Motta. Com o resultado e o belo futebol apresentado, o Palermo deixa a crise para trás. O meio-campo de Nocerino, Migliaccio e Pastore ganhou muita qualidade com os eslovenos Bacinovic e Ilicic e a tendência é que os rosanero entrem na briga por vaga da Liga dos Campeões. Afinal, Miccoli está voltando...

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 4ª rodada, clique aqui.
Ontem, foram disputados os outros jogos da rodada. Para saber mais, clique aqui.

Seleção da 4ª rodada
Frey (Fiorentina); Cassani (Palermo), Andreolli (Chievo), Criscito (Genoa), Chivu (Inter); Pastore (Palermo), Hernanes (Lazio), Hetemaj (Brescia); Di Vaio (Bologna), Pellissier (Chievo), Eto'o (Inter). Técnico: Giuseppe Iachini (Brescia).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

4ª rodada: O despertar dos artilheiros

Contra o Bari, Milito desencantou. E não só ele: Di Natale, Gilardino, Maxi López,
Ibrahimovic e Crespo também marcaram pela primeira vez na temporada (Reuters)

O decepcionante começo de temporada de Milito criava diversos boatos. O maior deles, criado justamente pelo seu empresário, dizia que o atacante estava com "saudades de José Mourinho" e poderia seguir para o Real Madrid. Contra o Bari, o argentino marcou dois gols, ajudou a colocar a Inter isolada na ponta já na quarta rodada do campeonato e mudou a rota de sua temporada. Entre os artilheiros adormecidos, só Maxi López e Crespo também tiveram bons motivos para comemorar.

Inter 4-0 Bari
Depois de 360 minutos de jogo, o campeonato finalmente reencontra sua líder habitual. Contra o Bari, Eto'o marcou duas vezes e Milito outras duas. Nada mal para um time que suspirou aliviado logo aos 22 segundos de jogo, quando Almirón acertou uma bola na trave. A defesa do Bari não é nem sobra da que foi na temporada passada, principalmente a partir da improvisação de Pulzetti na lateral-direita. Por ali, Eto'o fez a jogada para Milito marcar pela primeira vez depois da final da Liga dos Campeões. No melhor jogo da temporada nerazzurra até aqui, a goleada foi construída com facilidade: depois do toque infantil de mão de Angella, no jogo com a Udinese, foi a vez de Rossi jogar vôlei na área. E não demorou para que Lúcio fosse derrubado na área. Com os dois pênaltis de Eto'o, a Milito só coube fechar o placar em um contra-ataque letal.

Lazio 1-1 Milan
A cena mais bela no Olímpico ocorreu antes do início do jogo: foi a primeira vez que a águia da Lazio levantou voo e passeou pelo estádio antes de uma partida, algo que se tornará habitual a partir de agora. Dentro de campo, o time surpreendeu em um inédito 4-2-3-1, com Cavanda na lateral-direita e os retornos de Foggia e Floccari. O 4-3-3 do Milan apareceu com um novo experimento: com Robinho longe das melhores condições, Boateng foi (mal) improvisado no ataque e Gattuso ganhou posição no meio-campo. Ibrahimovic foi essencial e marcou o gol rossonero em uma falha de Muslera na saída do gol. O empate surgiu em um dos inúmeros bons lances de Hernanes, definitivamente adaptado à Lazio. O Milan continua sofrendo bastante em suas laterais, o que é provado a cada rodada. Além disso, domina os jogos com facilidade, mas não sabe o que fazer com a bola. Quando Ronaldinho não joga bem, como hoje, fica de pés atados.

Brescia 2-1 Roma
Claudio Ranieri tem dito que milagres como os da última temporada são difíceis de acontecer. Em um time sem seis titulares, é de se esperar que os problemas para se chegar ao céu sejam ainda maiores. Sem tanta gente, o técnico tem recorrido até a Cicinho e Júlio Baptista, que haviam sido afastados no início da temporada. Pois o lateral brasileiro conseguiu se sair melhor que Rosi, atual (e provável ex-) dono da posição, que arriscou a expulsão em dois lances e falhou no primeiro gol do time da casa. O time vive uma crise inédita nos últimos anos e perdeu a partida e os nervos para um Brescia que alcançou a segunda posição na Serie A. O jogo foi decidido com o gol de Hetemaj e em um pênalti mal marcado de Mexès sobre Éder - o lance custou a expulsão do francês, que saiu incontrolável de campo. Na próxima rodada, a Roma enfrenta a Inter - provavelmente sem Julio Sergio, que se lesionou hoje. Milagres estão cada vez mais difíceis?

Napoli 1-3 Chievo
O meio-campista Constant vinha fazendo uma boa partida em sua estreia na Serie A. O Napoli abriu o placar com o capitão Cannavaro, mas o guineense logo deu o passe para o capitão Pellissier empatar, com um golaço. Mas Stefano Pioli o tirou de campo e colocou Gelson Fernandes, que vinha de atuações ruins pelos burros alados. E foi justamente de Fernandes o segundo gol, que desastabilizou o Napoli e permitiu a falha absurda de Cannavaro para o terceiro. A opção de Walter Mazzarri em manter os titulares da vitória sobre a Sampdoria é bem mais questionável. O time logo se cansou e, em casa, se entregou ao Chievo.

Catania 2-0 Cesena
Depois de dormir na liderança, o Cesena acordou assustado e não conseguiu se encontrar em campo para reverter os dois gols de um Catania cada vez mais latino: dez argentinos entre titulares e banco. E é claro que os gols foram albicelestes, de Silvestre e Maxi López. O artilheiro rosazzurro da última temporada marcou pela primeira vez contra o time que ainda não tinha sofrido gols. Tal como o Napoli, o Cesena sentiu o cansaço: Ficcadenti escalou o mesmo time titular nas quatro rodadas até aqui.

Lecce 1-1 Parma
Para o outro atacante que reencontrou o gol, bastou uma oportunidade. Crespo só tocou na bola uma vez, aproveitando cruzamento de Angelo, e empatou a partida. O gol do Lecce foi feito pelo estreante Jeda, 100 jogos pela Serie A e primeiro pelo Lecce, o único brasileiro a marcar nos nove jogos do dia. Piatti e Giacomazzi foram decisivos para que o Lecce segurasse o jogo por tanto tempo. Para a sorte dos giallorossi, Giovinco foi substituído no intervalo com um desconforto muscular - era o melhor em campo até então.

Genoa 1-1 Fiorentina
Intensidade não quer dizer qualidade. Genoa e Fiorentina provaram isso e continuam em situação delicada, ambos com risco de perder os treinadores nos próximos dias. Quem mais balança é Sinisa Mihajlovic, que só não viu a Fiorentina perder a terceira seguida por conta de uma espetacular atuação de Frey e de um gol de Gilardino. O atacante da Nazionale aproveitou cruzamento de Vargas que Mesto desviou contra o próprio gol, de costas, mas o próprio Mesto se redimiu transformando em gol uma boa tabela com Miguel Veloso. O Genoa bem que tentou a virada, mas sempre parou em Frey. Não se surpreenda se o primeiro técnico a cair na temporada for o de alguma das duas equipes.

Cagliari 0-0 Sampdoria
Sem Cassano, poupado para o fim de semana, as melhores chances ficaram nos pés e na cabeça de Pazzini, que não conseguiu furar o bloqueio do bom goleiro Agazzi. De nada adiantou a ofensividade do surpreendente 4-2-1-3 armado por Pierpaolo Bisoli. O jovem Ragatzu e o brasileiro Nenê, improvisados pelos lados, não foram bem. É o terceiro empate sem gols do Cagliari na Serie A, em quatro jogos. Na única partida em que sofreu gols, marcou cinco vezes na Roma.

Bologna 2-1 Udinese
Continua o inferno da Udinese, quatro jogos e quatro derrotas, que se preparou mal para o campeonato e paga em campo por suas falhas. Também paga pelo ambiente ruim nos vestiários, com as discussões entre Di Natale, dono do time, e Francesco Guidolin, técnico recém-chegado e que já pode sair. O capitão insiste em jogar no comando do ataque, mas continua deslocado pelo lado direito. Foi ali que surgiu o gol friulano e parecia que o inferno estava com os dias contados. Mas Di Vaio deu o passe para um gol e fez o outro - mais um nos acréscimos, assim como contra a Roma. Impressiona o poder de reação do Bologna, algo comum em times comandados por Alberto Malesani.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eternas promessas: Renato Buso

Início de carreira meteórico... e só. Buso surgiu no final dos anos 80,
mas jamais conseguiu se firmar (Getty Images)

Com 15 anos, Renato Buso começava na carreira profissional. Aos 16, estava em um time grande e disputava a Serie A. Antes mesmo de chegar à maioridade, ostentava um scudetto no currículo. O jovem garoto do norte da Itália tinha tudo para consolidar a grande carreira, mas mudanças constantes de time minaram suas chances aos poucos e, hoje, quase ninguém lembra de seu nome.

Buso jogou por toda a juventude no Montebelluna, pequeno time da cidade de Treviso. As boas atuações na Serie C2 (quarta divisão) e o porte físico avantajado levaram-no ao time primavera da Juventus aos 15 anos de idade. O jovem de boa técnica, chutes fortes e jogo aéreo acima da média tinha todas as características para ser um grande atacante e logo subiu para o time principal, comandado por Giovanni Trapattoni.

As aparições no banco de reservas acrescentaram um scudetto ao currículo antes mesmo de Buso completar 17 anos, mas a estreia só aconteceria na temporada seguinte. Sob o comando de Rino Marchesi, ele entrou em campo contra a Fiorentina. Tinha 16 anos e substituiu o ídolo Michel Platini, que não jogaria aquela partida. O jogo terminou 1 a 1, com boa movimentação do estreante.

Apenas uma semana depois, marcaria seu primeiro gol na Serie A. Dessa vez, Platini estava em campo e Buso realizaria dois sonhos de uma vez: marcar com a camisa da Juventus e jogar ao lado do ídolo que tantas vezes vira brilhar pela televisão. Ele entrou no lugar de Briaschi, quase no final do jogo, mas teve tempo de marcar um dos cinco gols da goleada sobre o Ascoli. Ao final da temporada, acumulava 18 partidas e dois gols, contando campeonato e Coppa Italia.

O bom trabalho deu esperanças ao jovem garoto de Treviso: Platini se aposentou ao final da temporada e Buso teria chances no time titular no ano seguinte. Em tese. A Juventus acabou acertando com o galês Ian Rush, ídolo do Liverpool. Buso estava preparado para passar mais outra temporada no banco, mas Rush se machucou na pré-temporada e perdeu o início do campeonato. O garoto teve a chance de ganhar espaço, mas o baixo aproveitamento de gols nunca o deixou passar de mero coadjuvante. Foram 30 presenças e três gols na temporada 1987-88, baixíssimo número para um atacante. Especialistas da época alegavam que faltava personalidade ao rapaz.

Na temporada seguinte, com a saída de Rush, outro atacante de peso chegou para atrapalhar a vida de Buso na Velha Senhora. Mas Alessandro Altobelli também sofreu com problemas físicos e, mais uma vez, Buso teve a chance de se impor. Mais uma vez, sem sucesso. Foram sete gols em 30 aparições. No fim da temporada, Buso foi usado como moeda de troca para o time de Turim tirar Roberto Baggio da Fiorentina. Deixou a Juventus sem nunca ter provado o porquê de ter sido comprado pelo clube com apenas 15 anos de idade.

Em Florença, as coisas não mudaram muito. Pouco decisivo, acumulou 49 partidas e nove gols durante as duas temporadas em viola. Único momento de destaque foi o gol de empate contra o ex-time na final da Copa Uefa de 1990. Com apenas 21 anos, então, Buso começou a mudar de posição em campo. Virou trequartista, depois recuou ainda mais, para o meio, e passou até pela ala. Junto com a instabilidade dentro de campo, as inúmeras transferências tomaram conta de sua carreira.

Seu último momento de brilho aconteceu no Europeu Sub-21 de 1992. Buso fez o gol de empate contra a poderosa União Soviética ainda na fase de grupos e ajudou a Itália a avançar à fase de mata-mata. Jogou bem nos jogos eliminatórios e foi peça importante para aquela conquista. Marcou dois gols nas semifinais contra a Dinamarca e um na final contra a Suécia, o que lhe garantiu a artilharia do torneio. Depois passou por Sampdoria, Napoli, Lazio, Piacenza, Cagliari e Spezia, antes de encerrar a carreira. Porém,
Buso nunca se consolidou e jamais alcançou a seleção principal. Hoje, é treinador do time primavera da Fiorentina e espera que suas promessas não tenham o mesmo futuro que ele teve.

Originalmente para o Olheiros.

Ficha técnica
Nome: Renato Buso
Data de nascimento: 19/12/1969
Local de nascimento: Treviso, Itália
Clubes que defendeu: Montebelluna, Juventus, Fiorentina, Sampdoria, Napoli, Lazio, Piacenza, Cagliari e Spezia
Seleções de base que defendeu: Itália sub-21 e sub-23

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

3ª rodada: Novidades e clichês na ponta da tabela

Cada vez mais perto do gol, Eto'o assume a condição de
goleador da Inter e amortiza a má fase de Milito (Reuters)


Assim como nos jogos do sábado, os jogos de domingo da terceira rodada não foram dominados pelos mandantes. Entre eles, apenas o surpreendente Cesena venceu, para alcançar o topo da tabela, acompanhado da Inter, cercada de desconfianças, mas que pouco a pouco parece recuperar seu espírito vencedor das últimas temporadas. A virada conquistada no segundo tempo só não foi mais acachapante que a do Napoli, que precisou de apenas três minutos para virar contra a Sampdoria no Luigi Ferraris. Ainda houve, claro, espaço para polêmicas arbitrais e para a trapalhada dos árbitros em alguns jogos, que condicionaram alguns resultados e geraram muitas reclamações.

Palermo 1-2 Inter
Esta vitória da Inter foi daquelas conseguidas com o coração. A Beneamata, que começa a dar bons sinais a seu torcedor, fez uma boa partida, ainda que Pastore e os neocontratados Ilicic e Bacinovic oferecessem muitas dificuldades no meio-campo. Milito perdeu alguns gols que talvez não perderia se estivesse em forma, mas está claramente em recuperação: se movimentou muito, apareceu para o jogo e ainda foi o autor da assistência para Eto'o marcar um dos seus dois gols. O camaronês, aliás, é a alma da Inter neste início de temporada: jogando mais próximo ao gol, é o artilheiro da Serie A, com três gols, e já fez seis na temporada - mais que qualquer jogador das séries A e B.

O Palermo, por sua vez, perdeu a primeira em casa desde a o dérbi da Sicília contra o Catania, acontecido de 9 de março de 2009. O início de campeonato para os rosanero é complicado: apenas um ponto em três jogos colocam o time na parte de baixo da tabela, mas o futebol apresentado tem sido bom. Pastore continua ditando o ritmo do time, que vem jogando bem, mas não está conseguindo vencer. A visita a Turim nesta quarta promete, já que a Juventus está em crescimento, mas o Palermo - sedento por vitória - tem surpreendido a Velha Senhora em seus domínios nos últimos anos.

Roma 2-2 Bologna
Mais uma vez, a Roma teve a vitória nas mãos, mas desperdiçou nos minutos finais. O placar poderia ter sido outro, por causa do alto número de bolas na trave - duas para a Roma e uma para o Bologna -, além dos gols perdidos pelos bolonheses Paponi e Di Vaio. Apesar do bom primeiro tempo, com gol de Borriello, que estreava no Olímpico com a camisa giallorossa, a Roma sofreu com as lesões de Cassetti e De Rossi, e acabou se perdendo no jogo quando recuou, após o gol contra de Rubin. O lateral direito Rosi acabou sendo o vilão do jogo, ao permitir que Di Vaio se antecipasse duas vezes e marcasse os gols do empate. No fim das contas, a Roma continua sem vencer na temporada, soma apenas um ponto em nove possíveis e Ranieri já vê a corda em seu pescoço, uma semana antes da partida contra a Inter, no Olímpico.

Udinese 0-4 Juventus
Uma Juventus recheada de ex-jogadores da Udinese não teve a menor dificuldade para atropelar a frágil equipe friulana, neste duelo bianconero, o que requer cuidado ao dizer que a Juventus está de volta. Dois dos ex-jogadores marcaram gols e tiveram reações diferentes: enquanto Quagliarella marcou um golaço e se reservou a não comemorar, Iaquinta foi vaiado pela torcida e, quando realizou seu gol, comemorou de maneira provocativa e provocou a ira do presidente Vittorio Pozzo. Porém, o nome do jogo foi Krasic, que justifica seu status de principal reforço do clube no mercado: muito incisivo nas infilitrações pelo lado direito, foi autor de duas assistências. Marchisio, autor de um golaço, também jogou muito bem, aparecendo bastante no apoio ao ataque. A se lamentar, pelo lado da equipe de Údine, o brusco redimensionamento pelo qual a equipe está passando desde a última temporada. Enfraquecido e pouco ambicioso, o time do Friuli ainda não conquistou nenhum ponto na temporada e lutará contra o rebaixamento até o fim do campeonato. Neste sentido, a vitalidade de Inler e Di Natale será fundamental.

Sampdoria 1-2 Napoli
Na noite do domingo, o Marassi parecia o San Paolo. Agressivo como nas últimas partidas, o Napoli pressionou a Sampdoria durante toda a partida (no primeiro tempo, foram seis escanteios nos primeiros 20 minutos), com um meio-campo muito alto e que chegava frequentemente ao ataque. Hamsík e Lavezzi, pilares da equipe, fizeram grande partida, mas Cavani, isolado no ataque, tinha dificuldades de furar o bloqueio doriano. Com dificuldades de contra-atacar, a Sampdoria se concentrava em Cassano que, numa única jogada, parecia decidir o jogo: o cruzamento para Pozzi, a 15 minutos do fim, resultou num ingênuo pênalti de Cannavaro, convertido pelo próprio Fantantonio, que chegou à artilharia do campeonato ao lado de Eto'o. Porém, o Napoli, que sempre leva as partidas até o limite, precisou de apenas três minutos para virar a partida: numa jogada ensaiada, Gargano passou para Hamsík aparecer na área blucerchiata para empatar. Depois, Cavani se antecipou a Lucchini e completou cruzamento de Lavezzi, que também chegou à artilharia da Serie A. Se o uruguaio mantiver a boa fase, o Napoli terá achado seu homem-gol e, com tanta garra, poderá sonhar com algo mais no campeonato.

Cesena 1-0 Lecce
Embora a tabela indique o Cesena como líder do campeonato, ao lado da Inter, o clube romanholo fez uma partida decisiva para a salvezza contra o Lecce e mostrou força, ao vencer mesmo com 10 em campo desde o primeiro tempo. O árbitro Gianluca Rocchi se atrapalhou todo e, ao invés de mostrar cartão para Nagatomo, acabou expulsando o capitão Colucci, o que acabou provocando revolta de jogadores e torcida, motivo pelo qual o primeiro tempo terminou aos 46 - e não aos 49, como o árbitro indicara. Na segunda etapa, o Lecce não conseguiu articular seu jogo contra uma boa defesa do Cesena, e surgiram as estrelas de Nagatomo e Giaccherini, no forte lado esquerdo da equipe, e também de Schelotto, no lado direito - inclusive, já se fala na Itália da possibilidade de que Giaccherini e Schelotto podem receber convocação para a Nazionale de Prandelli. Porém, a grande surpresa da equipe até agora é um improvável Bogdani, que tem feito boas partidas e marcado gols como nunca. Na vitória de ontem, ele fez um bonito gol, colocando a bola no canto da meta defendida por Rosati.

Parma 1-1 Genoa
As duas equipes fizeram uma partida pouco agradável sob o ponto de vista do espetáculo, mas muito quente sob o aspecto da arbitragem, que acabou condicionando o andamento de toda a partida. Primeiro, o árbitro Nicola Rizzoli acertou ao anular um gol de Bojinov (impedido), mas falhou ao não expulsar Zaccardo, que colocou a mão na bola acintosamente dentro da área. Pênalti claro, que Toni cobrou e converteu, para chegar a seu primeiro gol com a camisa do Genoa. A não expulsão de Zaccardo tornou-se ainda mais polêmica porque o lateral direito empataria a partida para o Parma na segunda etapa, aproveitando-se de uma saída em falso de um inseguro Eduardo, que, depois da boa Copa, não fez uma única partida consistente. No fim das contas, a impressão é que Gasperini não consegue dar regularidade a sua equipe, muito pouco confiável. A paciência do presidente Preziosi não é tão grande assim, sobretudo depois de tantos investimentos, e o técnico que há mais tempo comanda uma equipe na Serie A - cinco temporadas - é um dos que correm risco de demissão neste início de temporada.

Chievo 0-1 Brescia
Após ter estreado com derrota, o Brescia ensaia uma recuperação e surpreende. A vitória contra o difícil Palermo em casa deu moral ao time de Giuseppe Iachini, que conseguiu um grande resultado contra o ex-líder do campeonato. O nome da partida foi o trequartista Diamanti, que retornou ao futebol italiano para tentar chegar à Nazionale. Responsável por toda a criação dos rondinelle, além de ter marcado um golaço de falta e ter ditado o ritmo do jogo, foi o homem que levou mais perigo ao gol de Sorrentino - com passes e jogadas improvisadas, como a tentativa de encobrir o goleiro clivensi. O Chievo, também escalado no 4-3-1-2, não conseguiu jogou bem e foi refém justamente por causa de seu trequartista. Bentivoglio não entrou na partida e nem mesmo após a entrada de Bogliacino para lhe auxiliar, subiu de produção: ausente do jogo, ainda perdeu chances claras frente a Sereni.

Bari 0 -0 Cagliari

A primeira partida do domingo, realizada às 12h30 locais (7h30 em Brasília), careceu de grandes emoções, muito por causa do forte calor em Bari. Os jogadores terminaram a partida exaustos e Massimo Cellino, presidente do Cagliari, anunciou que fará proposta para acabar com as partidas disputadas neste horário, se o contrato com a TV permitir.Se a alta temperatura diminuiu as possibilidades de uma partida agradável entre duas das equipes mais ofensivas do campeonato, pior para o Bari, que teve duas boas chances com Almirón e Ghezzal, não aproveitou e agora visitará a líder Inter no Giuseppe Meazza, nesta quarta. O Cagliari jogará em casa, mas também não terá vida fácil: pega a Sampdoria.

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Seleção da 3ª rodada
Júlio César (Inter); Grava (Napoli), Silvestre (Catania), Bonucci (Juventus); Krasic (Juventus), Boateng (Milan), Mauri (Lazio), Diamanti (Brescia); Lavezzi (Napoli), Eto'o (Inter), Di Vaio (Bologna). Técnico: Marco Giampaolo (Catania).

domingo, 19 de setembro de 2010

3ª rodada: Solução caseira

Com faro de gol, Kozák marcou pela primeira vez na Serie A (Getty Images)

A abertura da terceira rodada da Serie A não fez bem aos mandantes. Em Florença, os viola começaram bem, mas acabaram dominados pela Lazio e saíram de campo vaiados. Em Milão, um Milan inerte foi dominado pelo Catania e só se livrava da pressão quando Ronaldinho ou Ibrahimovic inventavam algo pelo ataque do time. Neste sábado, velhos conhecidos ou boas promessas se mostraram mais decisivo do que os recém-chegados.

Fiorentina 1-2 Lazio
Como a Lazio não conseguiu contratar o atacante paraguaio Santa Cruz, Edoardo Reja teve de segurar o jovem Kozák. A meta era fazê-lo treinar entre os profissionais e mandá-lo em empréstimo, em janeiro, mas o plano deve mudar. Kozák já havia entrado bem contra o Bologna, na semana passada. Hoje, foi decisivo e marcou o gol que decidiu a partida. A jogada foi criada por Mauri, que só não saiu para a Sampdoria por interferência direta do presidente laziale Claudio Lotito. Também foi de Mauri o lance que gerou o primeiro gol, uma ótima assistência para Ledesma que, por sua vez, passou seis meses afastado na temporada passada e finalmente se reintegrou à equipe.

Entre os novatos, Hernanes vai provando ser um jogador diferenciado para a Serie A. Mas atua adiantado demais e, quanto mais próximo jogar do gol, menos irá tocar na bola. Para a Lazio, que busca tanto crescimento, talvez fosse mais interessante ter o brasileiro mais recuado e participativo. Na Fiorentina, a crise bate à porta. A equipe não vence desde 28 de março, quando bateu a Udinese, pela 31ª rodada do campeonato passado. Pode ser interessante dar mais espaço ao jogo bem trabalhado no meio-campo. Contra a Lazio, Montolivo e Zanetti foram praticamente inexistentes, Ljajic não teve mais que lampejos de bom futebol e nenhuma das tentativas de Vargas em jogar sempre de primeira acabou dando certo.

Milan 1-1 Catania
O Milan causou furor com as contratações para seu ataque. Mas voltou a decepcionar pela Serie A e precisou de um gol do interminável Inzaghi para arrancar um empate com o Catania. Robinho foi vetado pelo departamento médico do clube rossonero pouco antes do jogo, o que abriu espaço para o centroavante entrar como titular no tridente composto por Ronaldinho, à esquerda, e Ibrahimovic, à direita. Com tanta qualidade, a abordagem do Milan ao jogo é que entra em questão. Apesar de dar sinais de que decidirá a partida a qualquer momento, não é o que acontece. Até por isso, a torcida já escolheu Boateng como novo ídolo: com um físico acima da média, o ganês corre, se sacrifica no meio-campo e repetiu a boa atuação contra o Auxerre.

Marco Giampaolo alterou o esquema do Catania para o San Siro. Deixou o 4-3-1-2 e escolheu o 4-4-1-1, sacrificando Mascara pela esquerda do meio-campo. Na frente, solitário, Maxi López se debatia com Nesta para permitir que a equipe siciliana atacasse. Na primeira oportunidade, o lateral-esquerdo Capuano ficou livre e chutou de primeira a 35 metros do cantinho de Abbiati, um golaço que abriu o placar. Justiça feita à proposta de Giampaolo de pressão em todo o gramado e rápidos contra-ataques, lição que o Cesena havia ensinado na rodada passada. O antídoto, Massimiliano Allegri ainda terá de buscar.

Veja relato e gols da vitória da Lazio e do empate no San Siro.
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sábado, 18 de setembro de 2010

Técnicos: Nereo Rocco

O treinador que fundou o mito do defensivismo italiano (Sicilia Informazioni)
A carreira de Nereo Rocco como jogador não havia sido exatamente brilhante. Com passagens por Triestina, Napoli e Padova, entre 1929 e 1942, ele disputou 287 partidas na Serie A e marcou 69 gols. Foi chamado uma vez para a Nazionale, em 1934, mas ainda assim tornou-se um dos grandes ídolos da história da Triestina. Não demorou para que voltasse ao time alabardato.

Em 1947, Rocco estreou como treinador, comandando a Triestina na Serie A. Ele introduziu no futebol italiano o esquema que a seleção suíça havia consagrado na década de 1930: o catenaccio, que consiste em um sólido sistema defensivo com a introdução de um homem na sobra na defesa - anos anos depois, este foi chamado de líbero.

Neste esquema, Rocco levou a equipe ao vice-campeonato nacional, atrás apenas do Grande Torino. Ainda hoje, o melhor resultado alabardato na primeira divisão. Três anos depois, por divergências com a diretoria, ele deixou a equipe e foi treinar o Treviso.

Mas a história de Rocco era ligada ao clube e ele retornou, em 1953. Ficou apenas um ano e saiu para o Padova. Neste ano, lançou aquele que seria um dos grandes zagueiros da história, Cesare Maldini. Em Pádua, onde ficou sete anos, Rocco voltou a fazer história. Primeiro, colocou a equipe na Serie A e, em 1958, levou o clube ao terceiro lugar da competição. Em 1961, foi convidado a ser técnico do Milan.

Rocco, Cesare Maldini e a primeira Copa dos Campeões do Milan (Storie di Calcio)
Com um sistema defensivo muito forte, com Maldini, Trapattoni e Pelagalli, venceu a Serie A logo em sua estreia. Na temporada seguinte, ao bater o Benfica por 2 a 1, com dois gols de Altafini, o Milan também foi campeão da Copa dos Campeões. Mas Rocco não ficou para disputar o Taça Intercontinental: brigou com a diretoria, deixou o Milan após o título e foi para o Torino.

No clube granta, treinou Gigi Meroni e foi protagonista dos melhores resultados do Toro na Serie A desde o time que encantou a Itália nos anos 1940. Em 1967, um acidente tirou a vida Meroni. No mesmo ano, Rocco foi recontratado pelo Milan.

Ele conquistou outro scudetto e uma Recopa Europeia, em 1968, e uma Copa dos Campeões e um Intercontinental, no ano seguinte. Após deixar a equipe outra vez, em 1973, dirigiu a Fiorentina por uma temporada antes de encerrar a carreira.

Rocco e seu indefectível chapéu, que lhe conferia ar mafioso (Città Celeste)
Tido o pai do catenaccio, Rocco dizia que a única equipe que realmente praticara o sistema de maneira correta fora o Padova. Para ele, o restante dos times apenas se defendia muito bem. Estava criada a base na qual muitos técnicos do futebol italiano se inspiraram.

O principal pupilo foi Helenio Herrera, técnico da Grande Inter dos anos 1960, em uma época na qual as equipes rivalizavam em campo, mas seus grandes ícones eram amigos fora dele – assim como os dois técnicos nutriam simpatia entre si, os capitães Gianni Rivera e Sandro Mazzola também eram amigos.

Herrera, da Inter, e Rocco, do Milan, em divertidíssima reunião (Sky)
Quatro anos após abandonar o futebol, Rocco faleceu, em 1979, na mesma Trieste em que nasceu. Até 2006, o técnico deteve a primazia de treinador com mais partidas no comando de clubes da Serie A: foram 787, até que Carlo Mazzone chegasse a 795 e o ultrapassasse, em 2006.

Nereo Rocco
Nascimento: 20 de dezembro de 1912, em Trieste
Morte: 20 de fevereiro de 1979, em Trieste
Clubes como técnico: Triestina (1947–50 e 1953-54), Treviso (1950–53), Padova (1954–61), Milan (1961–63), Torino (1963–67) Milan (1967–73) Fiorentina (1974–75)
Títulos: 2 Campeonatos Italianos (1961-62 e 1967-68), 2 Copa dos Campeões (1962-63 e 1968-69) 1 Taça Intercontinental (1968), 1 Recopa Europeia (1967-68) e 2 Copas da Itália (1971-72, 1972-73)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lega Pro: Um lugar para a capital brilhar

Irresistível, Atletico Roma venceu todos seus quatro jogos (calciociscoroma.it)

Acostumada a dividir atenções entre Roma e Lazio, a capital da Itália vai se relembrando da terceira força da cidade. A Cisco se reformulou e tornou-se, há alguns meses, Atletico Roma. O time vinha de um bom resultado, a promoção para a Prima Divisione. Sob a nova alcunha, lidera o grupo B com 100% de aproveitamento e futebol de categoria superior. Contratações como a de Roberto Baronio (ex-Lazio) e Mauro Esposito (ex-Roma), reforçam este paradigma.

Além da Cidade Eterna, Ferrara, Lucca e Vercelli também têm bons motivos para sorrir. As duas primeiras vêem suas equipes, Spal e Lucchese, assumindo posições de destaque em seus grupos na Prima Divisione, enquanto a última, há um bom tempo privada de alegrias, tem a Pro Vercelli no topo da tabela da Seconda Divisione.

Prima Divisione – após quatro rodadas

Grupo A: A Spal confirma as expectativas e se mostra mais inteira a cada jogo. O Lumezzane perdeu os pontos da vitória contra o Alessandria por ter escalado um jogador irregular, e agora é vice-líder. Salernitana e Ravenna seguem em bom ritmo. Cremonese e Verona demonstram instabilidade, ao passo que Spezia e Reggiana podem dar início a boas reações.
Promoção direta: Spal (10 pontos)
Play-offs: Alessandria (8), Salernitana (7), Pavia (7) e Ravenna (6)
Play-outs: Pergocrema (4), Bassano Virtus (4), Gubbio (4) e Monza (2)
Rebaixamento: Südtirol (2)

Grupo B: O Atletico Roma lidera com pontuação plena e demonstra um jogo digno de Serie B. A Lucchese perdeu os 100% de aproveitamento com o bom empate conquistado em Andria. Foligno, Lanciano e Viareggio seguem surpreendendo e o Foggia de Zeman prossegue em seu futebol de espetáculo, ainda que nem sempre consiga os melhores resultados. A Ternana se recuperou em cima do Pisa, que segue sem vencer em seu retorno à Prima Divisione. O Siracusa é a única equipe da categoria que ainda não pontuou.
Promoção direta: Atletico Roma (12 pontos)
Play-offs: Lucchese (10), Foligno (8), Virtus Lanciano (7) e Viareggio (7)
Play-outs: Ternana (4), Pisa (2), Cavese (2) e Barletta (1)
Rebaixamento: Siracusa (0)

Seconda Divisione – após três rodadas

Grupo A: A Pro Vercelli se confirma como equipe de ponta para a categoria, ao lado da recém-rebaixada Pro Patria. Rodengo Saiano e Canavese, por enquanto, são as surpresas do grupo, ao passo que Sanremese, Lecco e Casale decepcionam.
Promoção direta: Pro Vercelli (7 pontos)
Play-offs: Rodengo Saiano (7), Pro Patria (6), FeralpiSalò (6) e Canavese (4)
Play-outs: Lecco (2) e Virtus Entella (1)
Rebaixamento: Casale (1)

Grupo B: O recém-promovido Carpi assumiu o comando da tabela, graças aos vacilos de San Marino e Sangiovannese. Guiada pelo experiente meio-campista Corrent, a Carrarese está obtendo destaque inesperado neste início de campeonato. O Giulianova segue em crise, sem vitórias.
Promoção direta: Carpi (7 pontos)
Play-offs: Carrarese (7), San Marino (6), Sangiovannese (6) e Giacomense (5)
Play-out: Villacidrese (1) e Celano (1)

Grupo C: Na rodada em que mudou seu nome para Sangiuseppese, o Neapolis perdeu a liderança, agora nas mãos do Brindisi. O Pomezia continua em grande ritmo, fazendo o Lácio sonhar. Crise interminável para o Catanzaro, que perdeu todos os jogos até agora e mostra problemas que vão muito além do campo de jogo.
Promoção direta: Brindisi (9 pontos)
Play-offs: Vigor Lamezia (7), Latina (7), Pomezia (7) e Sangiuseppese (6)
Play-out: Fondi (1) e Catanzaro (0)

Coppa Italia Lega Pro

Os 21 classificados da Fase Preliminar foram Pro Vercelli, Tritium, Pro Patria, Carpi, Montichiari, Bassano Virtus, Sambonifacese, Viareggio, Savona, Pisa, Foggia, Giulianova, Fondi, Barletta, Nocerina, Matera, Aversa Normanna, Sangiseppese, Siracusa, Trapani e Villacidrese. Agora, estas equipes vão se juntar aos 27 times da Lega Pro que disputaram a Coppa Italia para um confronto de eliminação direta, com jogos apenas de ida. O sorteio será realizado em data a definir.