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domingo, 31 de outubro de 2010

9ª rodada: Sempre azul

Na defesa, e subindo: esteio defensivo da líder Lazio, contra o Palermo
André Dias foi decisivo também no ataque (AP)
Com uma postura cada vez mais convincente de líder, a surpreendente Lazio fez sua quarta vítima seguida atuando longe de casa. Desta vez, foi o Palermo que não suportou o voo de um time muito bem armado, que tem uma base sólida na defesa e joga sem sofrer riscos. Com a vitória, são quatro pontos de vantagem sobre a atual campeã Inter. O azul de Nápoles e Gênova também seguem brilhantes. Lavezzi e Pazzini decidiram as partidas de Napoli e Sampdoria para manter os times na zona Uefa. Confira os jogos da nona rodada.

Palermo 0-1 Lazio
Os biancocelesti atravessaram sem maiores traumas um dos desafios mais complicados na luta pelo título: o Palermo, na Sicília. Com moral, o treinador Edy Reja garantiu aos torcedores que o time terminará ao menos entre os classificados para a Liga dos Campeões. E tem moral para tal: já são sete pontos de diferença sobre o Napoli, quinto colocado. Hoje, a vitória foi mais complicada do que o habitual. O Palermo começou no ataque e quase marcou com menos de um minuto de jogo, mas Muslera salvou ali o resultado. Pela esquerda, Balzaretti foi bem e empurrava Zárate para o campo de defesa. Até que, em uma bola parada, a Lazio marcou seu gol. Ledesma cobrou, André Dias acertou o ângulo de Sirigu.

E ficou nisso. Na pior partida de Ilicic desde sua chegada à Itália, o esloveno foi substituído por Hernández, que entrou bem nos 12 minutos em que esteve em campo antes de um problema muscular, mas não conseguiu incomodar uma Lazio muito compacta. Maccarone não correspondeu e a Lazio só se complicou por conta de um cartão vermelho infantil conquistado por Biava, que perderá o dérbi da próxima semana. Reja sacou Hernanes para segurar o resultado e entregou a partida para que o Palermo atacasse. Menos mal que Muslera manteve as boas exibições da temporada e segurou o placar com boas interveções. 

Bari 0-2 Udinese
Se a ponta de cima tem uma líder inesperada, a ponta de baixo também surpreende. Destaque da temporada passada, o Bari passa por maus bocados, é lanterna com méritos e terá dificuldades para superar a má fase. Ao contrário da Udinese, que começou o campeonato com quatro derrotas e agora conseguiu a quarta vitória seguida. A ressurreição do time passa por pés chilenos: Sánchez recuperou o ótimo futebol e marcou um golaço na tarde de hoje, mesmo jogando no comando de ataque; Isla está se reafirmando como ótimo titular pela faixa direita do campo. No Bari, a terrível campanha passa pela dificuldade em encontrar meias externos e beira o desespero testar Pulzetti e Salvatore Masiello na função. A temporada de Barreto também está bem abaixo da expectativa e o enésimo pênalti perdido pelo brasileiro é um bom exemplo da situação.

Brescia 0-1 Napoli
Na partida em que homenageava os 50 anos de Diego Maradona, o tempo não fez jus ao craque. Muito vento sem direção e chuva condicionaram o futebol apresentado em campo. Em um dos poucos lances lúcidos da partida, Lavezzi, um dos inúmeros "novos Maradonas" que surgiram nestes anos, aproveitou cruzamento de Hamsík para marcar o único gol. O lance aconteceu alguns segundos depois da melhor oportunidade do Brescia no jogo, uma bola na trave de Caracciolo e um quase-gol contra de Campagnaro. Destaque para um Napoli que venceu mesmo poupando os essenciais Cavani e Maggio. No Brescia, a quinta derrota seguida empurra o time para a beira da zona de rebaixamento. Num ambiente tão atribulado quanto o da cidade, a situação torna-se bem incômoda.

Cagliari 2-0 Bologna
Com a segunda vitória do Cagliari na temporada, pode-se dizer que o campeonato do clube sardo começa agora. Cossu vinha de más apresentações, mas recuperou o ótimo futebol contra o Bologna, jogando com menos obrigações defensivas. A primeira proeza foi lançar Nenê em um lance que obrigou Viviano a efetuar um milagre. Depois, distribuiu assistências empurrando o adversário para seu próprio campo. Mas só no segundo tempo é que saíram os gols, primeiro de Nenê e depois de Nainggolan, recém-convocado pela primeira vez para a seleção belga. O Bologna se postou defensivamente e só passou a atacar depois de sofrer o primeiro gol. Desta vez, apenas Di Vaio não foi suficiente. Na vice-lanterna da Serie A, já é hora de Alberto Malesani repensar certas escolhas. O papel de Ekdal e Ramírez, por exemplo, pode ser tão secundário?

Cesena 0-1 Sampdoria
Bastou que se jogassem três rodadas da Serie A para que a imprensa italiana batizasse o time de Massimo Ficcadenti como o "Cesena dos milagres". Seis rodadas depois, o time está na zona de rebaixamento e corre o risco de perder seu comandante. Além da queda vertiginosa no futebol da equipe bianconera, a falta de sorte também tem sido apontada como adversária. Contra a Sampdoria, o empate parecia justamente definido quando, nos acréscimos, um contra-ataque puxado por Marilungo tornou-se gol pelos pés de Pazzini. Uma vitória inesperada e bastante comemorada, afinal o clima no clube é de incertezas após o confronto entre Cassano e o presidente Garrone que pode fazer o atacante deixar o clube. É a hora ideal para o Cesena acordar: a faixa esquerda, com Nagatomo e Giaccherini, segue em ótima fase. Por aí deve passar qualquer ambição.

Parma 0-0 Chievo
Na pré-temporada, o Parma mostrava um time ofensivo, rápido, envolvente. Para deixar a zona de rebaixamento, protagonizou um jogo fraco e até teve as melhores oportunidades, mas não soube aproveitá-las. Espanta a titularidade incontestável do espanhol Marques, atacante veloz e habilidoso, mas de finalização precária. O Chievo propôs um jogo completamente físico, de defesa, força e contra-ataques rápidos, mas não teve chances reais de marcar e se salvou graças a grandes defesas de Sorrentino. É tempo de Pasquale Marino, no Parma, e Stefano Pioli, no Chievo, reverem alguns conceitos. Em um campeonato nivelado por baixo, há espaço para crescimento, basta se esforçar.

Catania 0-0 Fiorentina
No jogo que fechou a rodada, as emoções ficaram restritas aos oito primeiros minutos. Mutu, retornando depois de oito meses de suspensão, deu trabalho a Andújar. Depois, uma falta cobrada por Mascara causou preocupação a Frey. Mutu ainda teve um cabeceio perigoso perto da trave, mas não passou disso e a partida bem que poderia ter se encerrado com 82 minutos de antecedência. Defensivamente, o Catania tem crescido bastante com a confirmação do 4-1-4-1 com Biagianti na proteção da defesa, mas o ataque com Antenucci teve sérios problemas - Maxi López estava suspenso. Na Fiorentina, a indecisão tática fez Mihajlovic armar um 4-4-2 inédito, que pelo menos não lhe causou problemas. Aos trancos, os viola vão se afastando da zona de rebaixamento. Mas segue longe demais de atingir o potencial destrutivo que possui.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 9ª rodada, clique aqui.
Para relembrar os jogos de ontem, clique aqui.

Seleção da 9ª rodada
Storari (Juventus); Burdisso (Roma), Samuel (Inter), André Dias (Lazio); Felipe Melo (Juventus); Koman (Sampdoria), Cossu (Cagliari), Sánchez (Udinese), Vucinic (Roma); Del Piero (Juventus), Lavezzi (Napoli). Técnico: Edy Reja (Lazio)

9ª rodada: Juventus rediviva

Del Piero vibra: em seu provável último jogo no San Siro, superou Boniperti como maior artilheiro da Juventus na Serie A e aproximou a Velha Senhora do topo da tabela

Nas partidas antecipadas para as equipes que jogarão na Liga dos Campeões no meio da semana não faltou emoção. Em todos os três jogos que aconteceram entre sexta e sábado, a tônica foi o equilíbrio. Enquanto a Inter tentou se popuar ao máximo para o jogo contra o Tottenham, o Genoa forçou o ritmo e fez os nerazzurri correrem atrás. No sábado, a intesidade aumentou e a 9ª rodada pode marcar o retorno da Juventus à briga pelo título. Se jogar com o caráter de ontem, os bianconeri podem sonhar.

Milan 1-2 Juventus
A maiúscula vitória juventina em San Siro ganha maior significado pelo fato de que o time foi a campo sem dois de seus principais jogadores: Chiellini, um dos líderes do elenco se lesionou no aquecimento, e Krasic, melhor jogador da equipe no campeonato, estava suspenso. O Milan pressionou durante toda a partida e realizou um primeiro tempo muito intenso e centrado na figura de Ibrahimovic, que fez grande partida, marcou o solitário gol rossonero (seu primeiro contra a Juve) e obrigou Storari a se desdobrar durante os 90 minutos. Porém, apenas Ibrahimovic parecia ligado no jogo e o Diavolo fez uma partida abaixo da crítica, o que permitiu que a Juventus, mesmo fortemente atacada em momentos do jogo, como o início e o final do primeiro tempo ou o final da segunda etapa, não sentisse o baque.

Pela Juventus, destaque para a a postura do time na partida: com muita seriedade, os jogadores se portaram muito bem e resistiram ao constante perigo de Ibra, enquanto o Milan sofreu o baque do segundo gol e não conseguiu se recuperar. Individualmente, destacaram-se segurança de Storari e a ótima partida de Felipe Melo, que não deu chances para Pirlo criar. Com a cabeça no lugar, o brasileiro pode voltar a jogar no nível que atuava na Fiorentina e que o elevou à condição de volante da seleção.

Sem Krasic, coube a Martínez o papel de atuar pela faixa direita do meio-campo, papel que desempenhou muito bem até ser substituído, por lesão que o deixará dois meses parado. De Ceglie também saiu machucado (previsão de três meses de recuperação), e deu lugar para que Pepe atuasse, pela primeira vez, como lateral, função que poderá desempenhar mais vezes nesta temporada. Porém, nada se compara a um histórico Del Piero, que comandou o time na partida, fez seu oitavo gol contra o Milan na carreira e ultrapassou Giampiero Boniperti, para se tornar o maior artilheiro da Juventus na história do campeonato italiano.

Roma 2-0 Lecce
O que pensar de um ídolo que perde a cabeça e é expulso por um lance bobo na rodada anterior a um dérbi contra a Lazio? Pois bem, Totti perderá um dos jogos mais importantes para a Roma em toda a temporada por ter se desentendido com Olivera, num lance em que o uruguaio deixou a perna e que acabou em discussão, prontamente reprimida por Gervasoni, que expulsou os dois. A expulsão de Totti vem um momento complicado para a Roma, que faz campeonato abaixo das expectativas e vê sua maior rival fazer o melhor início de campeonato de sua história. Para Claudio Ranieri, talvez, seja mais fácil gerir o elenco para o dérbi sem Totti, que não vem bem: as conhecidas rusgas entre os dois tiveram seu ápice no último dérbi, quando Ranieri substituiu o capitão (e De Rossi) ainda no intervalo.

Contra o Lecce, a equipe capitolina entrou com postura de time que luta pela liderança do campeonato e fez uma ótima partida contra um adversário que não teve medo e também partiu para cima. O primeiro tempo foi bastante movimentado: o Lecce não se apequenou e teve várias chances no início da partida, com Corvia e Di Michele, enquanto a dupla formada por Borriello e Vucinic também funcionou bem e acertou a trave duas vezes. O goleiro Rosati fez ótima partida e evitou alguns gols romanistas até que, na metade do primeiro tempo, uma cabeçada de Burdisso (que havia salvado a Roma em cima da linha no primeiro tempo após erro de Juan) venceu o goleiro do Lecce. Os salentini até tentaram o empate, mas ainda mais desprotegidos na defesa, sofriam com contra-ataques romanistas. E foi em um deles que Vucinic, ex-Lecce, coroou sua ótima partida decidindo o jogo com um bonito gol, em chute cruzado.

Genoa 0-1 Inter
Na partida antecipada para a sexta-feira, a Inter não apresentou grande futebol e sofreu para bater um aguerrido Genoa. Em sua 200ª partida pela Serie A, Toni fez bom papel e atormentou Lúcio, num duelo físico que durou até o apito final e que rendeu muitas reclamações do zagueiro em relação ao posicionamento dos companheiros. Claramente jogando abaixo do que pode e pensando no Tottenham, a Inter fez partida no ritmo de um Sneijder em má fase e de um Eto'o apagado no Marassi. O camaronês chegou a perder um daqueles gols que não costuma desperdiçar, de dentro da área. O lado esquerdo funcionou bem defensivamente, com Santon e Coutinho, mas não teve o mesmo sucesso no ataque, enquanto Biabiany, apesar de um incrível gol perdido, jogou melhor do que em outras partidas.

Por sua vez, o Genoa atuou de maneira bastante aguerrida e compacta, não obstante um 4-5-1 reversível para 4-3-3 armado por Gasperini e com jogadores improvisados em algumas posições - como Rafinha jogando como atacante. A tática do técnico piemontês fez com que o meio-campo ficasse repleto de jogadores rossoblù, o que equilibrou o jogo e ainda deu aos mandantes algumas boas chances, com Toni e com Rossi, um dos melhores em campo. No fim das contas, o jogo acabou sendo decidido de uma maneira improvável, com gol de Muntari em um frango do goleiro Eduardo, que fez grande Copa e não tem ido bem na Ligúria. A vitória fez com que a Beneamata ultrapassasse o Milan e assumisse a vice-liderança, logo atrás da Lazio, mas não rendeu tantas comemorações: Cambiasso e Júlio César sofreram lesões musculares (somadas, lesões desse tipo já são 15 na Inter) e não enfrentam o Tottenham pela Liga dos Campeões na terça.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Jogadores: Renato Cesarini

Cesarini fez história como jogador e técnico da Juventus e ainda tem uma "zona" só sua (Senigallia)

De Ancona para Buenos Aires. Com nove meses de idade, o menino Renato Cesarini e seus pais chegavam à capital da Argentina. O primeiro emprego do ítalo-argentino foi no circo. Porém, pouco tempo passou até que Cesarini entrasse no Borgata Palermo, time amador do país. Ele tinha 19 anos quando conseguiu o acesso à primeira divisão do futebol argentino com a camisa do Chacarita Juniors.

Durante duas temporadas, Cesarini perambulou pela Argentina: jogou por Alvear, Ferro Carril Oeste e, novamente, Chicarita Juniors antes de rumar ao seu país de origem. À época, a Juventus já vivia seu primeiro período Agnelli. Edoardo, filho de Giovanni Agnelli, fundador da Fiat, assumiu a presidência do clube bianconero em 1923.

Quatro anos se passaram desde o último título nacional. A chegada de Cesarini, porém, mudou o panorama da equipe de Turim. O técnico Carlo Carcano tinha a disposição o trio lendário de defensores (Combi, Rosetta e Caligaris) e um efetivo ataque – entre eles Ferrari e Orsi, além do excepcional meia-ofensivo ítalo-argentino. A Roma de Rodolfo Volk e a Ambrosiana-Inter de Giuseppe Meazza não tiveram chances contra os bianconeri durante os cinco anos seguintes.

Os gols de Raimundo Orsi e Felice Borel ajudaram – e muito – nestes cinco scudetti no período de 1930 a 35. Os 50 tentos que Cesarini marcou pela Juventus criaram uma expressão utilizada até hoje. Em 1931, nos acréscimos de um jogo entre a Nazionale e a Hungria, ele marcou o gol da vitória da seleção italiana – daí vem a expressão “zona Cesarini”, correspondente àqueles minutos finais de uma partida. O notável meio-campista técnico da Juventus era especialista em estufar as redes em momentos decisivos.

Ainda na mesma década, o acidente aéreo que matou Agnelli culminou com a saída de Cesarini, Orsi, Ferrari, Caligaris e Rosetta (este na temporada seguinte). O fantasista retornou a Argentina e jogou por mais duas temporadas, no Chicarita Juniors e no River Plate, antes de se aposentar.

Se como jogador, Cesarini marcou história, como técnico não ficou para trás. Ele ingressou como treinador das divisões de base do River Plate, em 1938. Duas temporadas depois, já havia chegado ao banco de reservas do time principal, pelo qual conquistou três campeonatos nacionais comandando um tie que ficou conhecido como “A Máquina”.

Inquieto e com facilidade de transmitir o que pensava, ele voltou a Juventus em 1946, para uma passagem de dois anos sem muito sucesso. Após cerca de 10 anos na Argentina, Cesarini voltou a Turim em 1959 e levou a Juventus ao bicampeonato nacional e conquistou uma Coppa Italia. Foram os últimos títulos do treinador, que ainda voltou para a América Latina para encerra a carreira em 1968, pelo Huracán.


Renato Cesarini, o mestre dos mestres, como ficou conhecido, é nome de uma escola de futebol na cidade de Rosário. Dela, saíram jogadores como Javier Mascherano, Martín Demichelis e Santiago Solari. Em maio deste ano, Lionel Messi comprou 50% do clube rosarino.

Renato Cesarini
Nascimento: 11 de abril de 1906, em Senigallia
Morte: 29 de março de 1969, em Buenos Aires
Posição: meio-campo
Seleção argentina: 2 jogos e 1 gol
Seleção italiana: 11 jogos e 3 gols
Clubes como jogador: Borgata Palermo (1925), Chacarita Juniors (1925-28), Alvear (1928), Ferro Carril (1929), Juventus (1929-35), River Plate (1936-37).
Títulos como jogador: 5 Serie A (1931, 32, 33, 34, 35)
Clubes como treinador: River Plate (1938-46), Juventus (1946-48), Racing Club (1949), Banfield (1949), Boca Juniors (1950), categorias de base do River Plate (1950-58), Juventus (1959-61), Universidad de Mexico (1961-65), River Plate (1966), seleção argentina (1968), Huracán (1968).
Títulos como treinador: 3 Campeonatos Argentinos (1941, 42, 45), 1 Serie A (1959-60, 1960-61), 1 Coppa Italia (1959-60)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Trocas de comando na Lega Pro

Sorrento: sonhando com a Serie B (solosorrento.it)

Líderes “corsários” e lideranças roubadas na terceira e quarta divisões italianas. O último final de semana da Lega Pro marcou mudanças de comando em todos os grupos da categoria e, por ora, premia equipes que não despontavam como favoritas no início da temporada: Sorrento, Nocerina e Latina. Em compensação, na parte de baixo, algumas tristes realidades se confirmam, com especial destaque para o Catanzaro, que, de acordo com as últimas notícias, sequer possui recursos para as próprias instalações e viagens dos atletas.

O Sorrento aproveitou o passo em falso da Salernitana (derrotada em Bassano) para assumir a liderança. O Alessandria se recuperou da última derrota, e Spal e Reggiana estão em evolução. Cremonese e Hellas Verona – as duas equipes que teoricamente dominariam o campeonato – continuam irregulares. A Paganese entrou na área de risco, onde Ravenna e Monza disputam, ponto a ponto, a fuga da lanterna.

Promoção direta: Sorrento (19 pontos)
Play-offs: Salernitana (19), Alessandria (18), Spal (17) e Reggiana (16)
Play-outs: Bassano Virtus (11), Paganese (10), Monza (9) e Ravenna (8)
Rebaixamento: Como (8)

Grupo B: A Nocerina não perdoou os últimos maus resultados do Atletico Roma - parado na última rodada pelo Foggia de Zeman - e assumiu a ponta. Gela, Taranto e Benevento também poderiam liderar, mas falharam em suas casas. A Lucchese está em queda-livre e se aproxima das áreas de risco. O Barletta conseguiu um bom empate em Taranto, mas não abandonou o último lugar.

Promoção direta: Nocerina (21 pontos)
Play-offs: Atletico Roma (20), Gela (19), Taranto (18) e Benevento (18)
Play-outs: Viareggio (10), Andria (9), Ternana (9) e Siracusa (8)
Rebaixamento: Barletta (6)
Atletico Roma e Virtus Lanciano têm um jogo a menos.

Seconda Divisione

Grupo A (após nove rodadas): Depois de dois empates seguidos, o FeralpiSalo’ perdeu o primeiro lugar para a Pro Patria, que trouxe três pontos de Casale. As outras três equipes dos play-offs, Savona, Pro Vercelli e Tritium, vivem momentos de instabilidade, e dão esperanças ao Rodengo Saiano. Na lanterna, a Sanremese segue sem vitórias.

Promoção direta: Pro Patria (18 pontos)
Play-offs: FeralpiSalo’ (18), Savona (16), Pro Vercelli (15) e Tritium (15)
Play-out: Sacilese (6) e Casale (6)
Rebaixamento: Sanremese (5)

Grupo B (após oito rodadas): Carpi e Carrarese têm se alternado na liderança do grupo e, neste momento, a primeira está em vantagem (discreta). O San Marino segue crescendo, enquanto Giacomense e Chieti se detiveram. Paz de volta aos lares de Sangiovannese e Prato, que reencontraram a vitória após um bom tempo, enquanto um inferno profundo toma conta do Giulianova, com a equipe giallorossa ainda a flertar com a Serie D.

Promoção direta: Carpi (19 pontos)
Play-offs: Carrarese (18), San Marino (15), Giacomense (13), e Chieti (12)
Play-out: Fano (5) e Giulianova (5)

Grupo C (após oito rodadas): A última tomada de liderança foi protagonizada pelo Latina que superou o Sangiuseppese no número de vitórias. Trapani, Melfi e Pomezia continuam em bom ritmo. O Vigor Lamezia dá mostras de que atravessará um campeonato tranquilo, enquanto o Brindisi despenca na tabela. No fundo desta, poucas esperanças para Campobasso e, principalmente, Catanzaro – que atravessa um verdadeiro estado de calamidade financeira.

Promoção direta: Latina (18 pontos)
Play-offs: Sangiuseppese (18), Trapani (16), Melfi (14) e Pomezia (14)
Play-out: Campobasso (3) e Catanzaro (3)

Coppa Italia Lega Pro

A partir de 27 de outubro, as 24 equipes sobreviventes começam a lutar por uma vaga na terceira fase da Coppa Italia Lega Pro. Mais uma vez, serão jogos por eliminação direta, com partidas apenas de ida. Os confrontos são:

Pro Patria x Pro Vercelli
Cremonese x Monza
Bassano Virtus x Sudtirol
Viareggio x Pisa
Savona x Lucchese
Foggia x Barletta
Nocerina x Cavese
Juve Stabia x Taranto
Cosenza x Catanzaro
Carpi x Sambonifacese
Ternana x Atletico Roma
San Marino x Virtus Lanciano

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

8ª rodada: o voo da águia

Mauri aponta a direção e a Lazio segue; até agora, sempre para frente (Getty Images)

Uma rodada cheia de jogos realizados debaixo de chuva não poderia ser mesmo das mais quentes. O frio começa a chegar e o clima outonal italiano trouxe consigo, nesta oitava rodada, jogos mornos e com pouco destaque. Destaque mesmo para a intensidade de algumas partidas - como Inter-Sampdoria e Chievo-Cesena - e para a liderança da Lazio, seguida por um Milan que ultrapassou a rival Inter na tabela.

Chama a atenção também o equilíbrio dos times no campeonato. Nas primeiras rodadas, nenhum time disparou de verdade no campeonato ou existe um grupo de times fraquíssimos no fundo da tabela. Prova disso é que, até agora, nenhum técnico foi demitido no campeonato.
Para efeitos de comparação, a última vez que um treinador foi demitido após a 8ª rodada foi na temporada 2007-08, quando o Livorno demitiu Fernando Orsi. Teremos um recorde na história recente da Serie A?

Lazio 2-1 Cagliari

Após quase um terço do campeonato já ter passado, a Lazio continua na liderança. O voo da águia biancoceleste continua alto e parece cada vez mais longo: o time de Edy Reja tem unidade e mesmo em dias em que não joga tão bem, como neste domingo, acaba por vencer. Em duas jogadas de sorte, a líder do campeonato abriu dois a zero e teve tranquilidade para conduzir a partida, guiada por Mauri, transformado capitão e principal jogador do time no campeonato: o meia participou de nove gols do time no campeonato, com três marcados e mais seis assistências. A confiança tem motivo: desde o título da Serie A na temporada 1999-2000 a Lazio não lidera o campeonato isoladamente por três rodadas consecutivas.

Já estava tarde para o Cagliari reagir, mas um perigoso Matri quase estragou a tarde laziale. O atacante milanês diminuiu com uma potente cabeçada e ainda teve mais três chances claras para empatar, sobretudo de cabeça, colocando a Lazio no sufoco, embora a chance mais clara dos minutos finais tenha sido de Rocchi. Se o resultado fortalece Reja, Bisoli parece cada vez mais próximo de ser sacado do time sardo, imerso em problemas: Marchetti, excluído do time após alegar que desejava se transferir, move uma ação de rescisão de contrato contra o clube, enquanto o ataque, pouco produtivo, é muito dependente de Matri. Basta lembrar que o time passou em branco em cinco partidas - das quais, três empates em 0 a 0 - e que cinco dos oito gols do time são do ex-jogador do Milan. O mau desempenho ajuda a explicar o parco desempenho fora de casa: a última vitória fora de casa foi em 10 de janeiro, contra o Bologna.

Napoli 1-2 Milan
Resultado de duplo significado a favor do Milan: após 13 anos sem vencer em Nápoles, a equipe rossonera não só bateu os partenopei como ultrapassaram de vez a Inter na tabela da Serie A. O Diavolo fez boa partida no San Paolo e, desde o início, partiu para cima, com boas jogadas pelo lado direito. E quem iria acreditar que um dos grandes artífices da vitória seria Oddo? O lateral direito substituiu Antonini logo aos 12 minutos e foi responsável pelas duas assistências rubronegras da noite: a primeira, em troca de passes com Robinho, e a segunda, em ótimo cruzamento para uma cabeçada firme de Ibrahimovic.

O Napoli não se deu por batido. Time que desempenha bom futebol - um dos melhores da Serie A - o Napoli não se intimidou por sair atrás no placar e logo tentou o empate, sobretudo com Hamsík e Lavezzi, dois motorezinhos que obrigaram Abbiati e se desdobrar. Mas do que adianta ter um time tão incisivo no ataque se falta solidez defensiva? O time sofre muitos gols (foram 11, até aqui) e a cobertura dos volantes é falha, como mostra o gol de Robinho, numa jogada em que Pazienza foi facilmente iludido por uma troca de passes. O mesmo Pazienza ainda atrapalhou os planos do Napoli ao ser expulso por duplo toque de mão e nem mesmo o (esquisito) golaço de Lavezzi fez com que os azzurri voltassem ao jogo. Com um a mais, Allegri tirou Ibrahimovic e fortaleceu o meio-campo com Seedorf, numa substituição que garantiu o segundo lugar e a vice-liderança.

Inter 1-1 Sampdoria
Na primeira grande partida de Philippe Coutinho pela Inter, os nerazzurri acabaram desperdiçando uma ótima oportunidade de perseguir a líder Lazio de perto. e viram o Milan abrir dois pontos de vantagem Embora tenha mantido a invencibilidade caseira de 52 partidas - a última derrota foi em 26 de novembro, contra o Panathinaikos -, a Inter não teve o que comemorar: o empate contra uma Sampdoria que só tem duas vitórias no campeonato não foi um bom resultado. Desde 2006 a Inter não fica tão atrás da líder do campeonato. Numa noite de chuva, em que Sneijder esteve mal e Eto'o acabou praticamente anulado por Gastaldello, foram os jovens Coutinho e Biabiany que deram o ritmo. Porém, emobra tentassem muito e já pareçam ambientados a Inter, os franzinos esternos encontraram dificuldades para passar pela bem postada defesa doriana.

Por outro lado, os atacantes da Sampdoria também não tiveram vida fácil contra Lúcio e Samuel, fortíssimos no combate e na cobertura e, no caso do brasileiro, até mesmo no ataque. Prova disso é que o gol de Guberti saiu apenas de uma falha de Chivu, que perdeu bola para Cassano e revelou como a lateral esquerda é uma posição carente no elenco interista, já que o romeno tem destoado dos demais. Logo após o gol sofrido, a Inter subiu o ritmo e quase virou a partida, mas chegou a um merecido empate, após cruzamento de Coutinho e antecipação de Eto'o (sétimo gol na Serie A e 15º na temporada) ao goleiro brasileiro Júnior Costa, estreante na elite italiana.

Bologna 0-0 Juventus
Fica cada vez mais evidente a falta de um goleador nesta Juventus. A Velha Senhora, que estreava novo patrocinador no segundo uniforme, foi melhor do que o Bologna durante os 90 minutos e pressionou bastante, mas não conseguiu chegar ao gol. Não conseguiu seja porque Portanova tirou um gol feito de Quagliarella em cima da linha e também porque Viviano parou Iaquinta em cobrança de pênalti - punição muito mal marcada em simulação de Krasic, que será julgado pela federação italiana e pode até ganhar um gancho.

A se destacar na partida o fluxo de boas jogadas da Juventus, que tem se constituído como um time muito criativo, mas também irregular demais: a falta de continuidade de resultados já preocupa Del Neri, que não está satisfeito, embora a equipe bianconera esteja próxima de Inter e Milan na tabela. Do lado bolonhês, poucas mudanças da última temporada para a atual. O time de Alberto Malesani parece demais com aquele formado por Franco Colomba e, mesmo com algumas mudanças de peças, continua jogando de forma parecida e mantém uma defesa forte. Prova disso é que Inter e Juventus passaram em branco quando visitaram o Renato Dell'Ara.

Parma 0-0 Roma
Mais uma partida no horário do almoço italiano acabou sem gols, embora as duas equipes tenham jogado de maneira ofensiva. Mais uma vez, Ranieri escalou a Roma de uma maneira esquisita e mexeu de maneira polêmica no intervalo, substituindo Totti por Simplício, que entrou mal. A substituição, aliada a resultados inexpressivos só ajuda a criar mais tensão para o treinador, que vê seu cargo balançar mais do que nunca. Em campo, o chileno Pizarro mais uma vez dominou as ações, mantendo a Roma com a maior parte da posse de bola, embora Mirante poucos e sentisse ameaçado, graças a boa marcação feita por Paletta a Borriello.

Se a chuva esfriou o ritmo do jogo, pelo menos duas chance inacreditáveis de gol foram perdidas: a primeira, pelo espanhol Marqués, que sozinho, chutou por cima e perdeu gol feito para o Parma; e a segunda com Julio Baptista, que jogou durante quase todo o segundo tempo, pouco produziu e ainda perdeu a chance do jogo nos acréscimos. O jogo marcou também a volta de Giovinco, após um mês afastado por lesão. O time, que começou bem na Serie A sentiu sua falta nas últimas partidas e a lanterna do campeonato não parece ser o lugar mais apropriado para um time que começou bem na competição e que tem talento para fazer mais. Não dá para entender também a insistência de Pasquale Marino em deixar Candreva fora do time. Em condições normais, o ex-meia da Juventus tem lugar no meio-campo crociato.

Udinese 2-1 Palermo
Depois de um péssimo início de campeonato, quem imaginaria que a Udinese venceria três partidas seguidas? A mudança de rumo se deve ao espírito lutador desenvolvido pelos jogadores da equipe friulana, que venceu seus dois primeiros jogos - contra Cesena e Brescia - com gols no final. Curiosamente, a partida mais complicada foi a que a Udinese teve mais superioridade e venceu com mais tranquilidade. Méritos para Guidolin, que abdicou do 3-4-2-1 em prol do 3-4-1-2 e vai conseguindo permanecer no cargo, após uma ameaça tão severa.

O Palermo de Delio Rossi ainda não mostrou regularidade, mesmo nas partidas em que viu ótimas exibições de Pastore. O time ainda se ressente da ausência de Miccoli, não por seus gols (Pinilla e Maccarone já marcaram três cada), mas por seu espírito de liderança. O time é jovem e a falta de uma referência tão forte dentro das quatro linhas acaba atrapalhando em momentos mais complicados. Além disso, a defesa não tem encontrado segurança após a saída de Kjaer e já sofreu 12 gols no campeonato. Com a ausência de Bovo e a escalação do fraco Goian e com um Múñoz pouco adaptado, como foi na partida do Friuli, fica ainda mais complicado.

Genoa 1-0 Catania
Na (boa) estreia do brasileiro Raphael Martinho (ex-Paulista) no Catania, os visitantes fizeram uma boa partida e quase saíram do Marassi com um positivo empate. Na primeira etapa, o domínio foi todo dos etnei, que fizeram o goleiro Eduardo trabalhar bastante e sair de campo como um dos principais responsáveis pela vitória. Giampaolo acertou ao adiantar a marcação do seu time, neutralizando um Genoa que esbanjava experiência no meio-campo com Rossi e Milanetto, mas que não conseguiu ameaçar na primeira etapa, com Palladino (que voltava de lesão mas teve de ser substituído aos 23) e Mesto.

Tudo corria bem para os sicilianos, até que, no segundo tempo, o Genoa equilibrou o jogo e, após um cruzamento de Rafinha, Marco Rossi, polivalente, apareceu de surpresa e fez o gol do jogo. Mais três pontos que devem ser postos na conta do capitão rossoblù, que desde a Serie B tem desempenhado papel fundamental na equipe, mesmo aparecendo pouco e, nesta temporada, jogando menos.

Chievo 2-1 Cesena
A disputadíssima partida entre duas equipes que tem como objetivo a salvezza aconteceu, como outras tantas no outono italiano, debaixo de chuva. O campo pesado inibiu os mais técnicos, mas não impediu que um jogo intenso tomasse o campo do Marc'Antonio Bentegodi. Com a força de sua torcida, o Chievo foi para cima dos romanholos durante toda a partida, embora esbarrasse na dupla formada por Von Bergen e Benalouane, titular nos últimos jogos. O Chievo, sofrendo com a seca de três jogos sem gol do capitão Pellissier, acabou encontrando no esloveno Cesar uma arma secreta: o zagueiro, ótimo em jogadas aéreas, marcou seu segundo gol na Serie A e também levou perigo a Antonioli em outras oportunidades.

A intensidade do primeiro tempo, que acabou empatado em 1-1, não se repetiu, no entanto, na segunda etapa. A chuva esfriou a partida, que acabou decidida apenas no último minuto, quando Théréau aproveitou uma sobra na área cesenática para vencer Antonioli. Enquanto o Chievo vai somando pontos para se salvar, o Cesena perde, pela segunda vez nos minutos finais (a primeira havia sido contra a Udinese), a chance de conquistar um ponto importante contra rivais diretos na luta pela permanência na elite. Se tivesse somado estes pontos, o cargo de Ficcadenti estaria balançando muito menos.

Lecce 2-1 Brescia
A redenção de um jogador em um espaço de poucos minutos foi a chave para a virada do Lecce contra um adversário direto na briga contra o rebaixamento. Di Michele fazia boa partida, mas acabou desperdiçando um pênalti (mal marcado). Se, dizem por aí, pênalti inexistente não pode ser convertido, a justiça foi feita ao atacante minutos depois, quando, de voleio, ele marcou o gol da virada dos salentini, que alcançam os 11 pontos, dez dos quais foram obtidos no Via del Mare. Desde quando Vucinic, Tonetto e Cassetti faziam parte do bom time de Zeman em 2004-05 o Lecce não fazia início de campeonato tão bom.

Se o time da Puglia pode sorrir, o Brescia começa a se afundar numa crise de resultados. Não obstante Caracciolo tenha desencantado e marcado seu primeiro gol em 2010 cm a bola rolando (os outrs haviam sido de pênalti), as andorinhas acumularam sua quarta derrota consecutiva. Neste momento, difícil apontar um técnico tão ameaçado e, dias antes de enfrentar o Napoli, Iachini pode ser o primeiro técnico demitido na Serie A.

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Seleção da 8ª rodada

Viviano (Bologna); Oddo (Milan), Lúcio (Inter), Gastaldello (Sampdoria), Pasquale (Udinese); Mauri (Lazio), Donadel (Fiorentina), Pizarro (Roma); Coutinho (Inter), Floccari (Lazio), Di Michele (Lecce). Técnico: Massimiliano Allegri (Milan).

sábado, 23 de outubro de 2010

8ª rodada: Da lama à pista

Em momentos de crise, a solução pode vir de onde menos se espera. Donadel marcou
um lindo gol e tranquilizou a torcida viola no Artemio Franchi (Getty Images)
A Fiorentina tinha apenas uma vitória nos últimos sete jogos. A crise, que vinha de longa data, ganhou contornos ainda mais complicados na noite de ontem. Em um bar de Florença, Mutu teria brigado e quebrado o nariz de um garçom. Ex-ponto de referência da equipe, o romeno está suspenso desde o início do ano e deveria voltar ao time no próximo fim de semana. Pouco antes da partida com o Bari, Andrea Della Valle, acionista majoritário da Fiorentina, afirmou que a situação de Mutu será analisada e até terça-feira o clube deverá tomar uma posição. Em resumo, pode ser que o afastamento tenha se tornado um adeus definitivo.

Em campo, Sinisa Mihajlovic apostou na base dos últimos jogos para tirar a corda de seu pescoço. Manteve o 4-4-1-1 da partida passada e adicionou Pasqual e Montolivo ao time titular. O lateral havia sido barrado, mas voltou jogando bem. No meio-campo, o capitão viola foi ativo e cumpriu muito bem o papel de defender e atacar, ao lado de um Donadel que tem se tornado o ponto de referência da equipe. No Bari, Giampiero Ventura teve quase toda a equipe à disposição e seguiu no 4-4-2 que deu mais certo na temporada passada do que nesta.

O primeiro tempo foi de um só time. Com Montolivo em uma de suas melhores partidas na temporada, a Fiorentina teve facilidade para controlar o frágil meio-campo barês. Com Álvarez e Ghezzal nas laterais do meio-campo, o Bari perde bastante força física no setor: o hondurenho se limita demais à faixa direita, erra passes inacreditáveis e cruza muito mal, enquanto o argelino centraliza demais o jogo e não consegue dialogar com o lateral-esquerdo Salvatore Masiello, que acaba ficando isolado no setor. Ainda no Bari, a situação do argentino Rivas é preocupante. Destaque do campeonato passado, o habilidoso meia tem sérios problemas físicos e só atuou três vezes no campeonato, nunca por 90 minutos.

Ofensivamente nulo, o Bari só finalizou pela primeira vez no segundo tempo, quando já perdia o jogo. Donadel, que não marcava gols há dois anos e meio, acertou um belíssimo chute de fora da área e a bola ainda beliscou a trave depois de encobrir Gillet. Mesmo quando se desesperou, o Bari não conseguia chegar ao gol de Frey. A melhor chance do segundo tempo também foi da Fiorentina, em um contra-ataque puxado por Ljajic e transformado em gol por Gilardino. O gol de honra biancorosso só veio nos acréscimos, em escanteio com total liberdade para o cabeceio de Parisi.

Com Barreto e Almirón tão dispersos, é improvável que o Bari se mantenha muito distante do rebaixamento. A terceira derrota seguida fez o time ser alcançado pela Fiorentina, que até ontem era lanterna da Serie A e hoje dormirá na 11ª posição. Para os viola, é momento de aproveitar a chance de manter o embalo. Mutu ainda é incerteza, mas pode voltar no próximo jogo. Em seguida, será a vez dos retornos de D'Agostino, Zanetti e Felipe. Qualidade estará a disposição. Os resultados irão acompanhá-la?

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Liga Europa: Italianos em baixa

A torcida esperou 21 anos para ver de novo um grande jogo internacional
no San Paolo, mas o placar não saiu do 0 a 0. (Foto: LaPresse)


No desafio mais esperado dos últimos anos de sua história, o Napoli não alcançou a vitória. Contra um Liverpool muito organizado em campo, os azzurri não conseguiram furar o bloqueio e tiveram que se contentar com mais um empate na Liga Europa. Já é o terceiro, em três jogos pela competição.

Enquanto Mazzari mandou a campo seus melhores jogadores, Hodgson escalou seu time com muitas mudanças em ralação à equipe titular. Gerrard e Torres ficaram na Inglaterra e Fábio Aurélio, Joe Cole e Maxi Rodríguez iniciaram a partida no banco de reservas. A aposta do treinador inglês nos seus jovens suplentes deu certo: o Liverpool foi superior quase que o tempo inteiro e saiu da Itália com o ponto que queria. Em momento algum o Napoli apresentou o bom futebol que o coloca na quarta posição do campeonato italiano. O time pareceu nervoso em campo.

O azzurro não conseguia jogar pelo meio, congestionado pelos reds, e nem as fortes jogadas pelas alas, com Hamisk e Lavezzi, estavam dando certo. Só Cavani manteve o alto nível e levou algum perigo ao gol adversário. O goleiro De Sanctis foi o melhor da partida pelo lado napolitano. O empate só não ficou pior para o Napoli porque o Utrecht também não conseguiu vencer o Steaua Bucarest no outro jogo do grupo (confira classificação). Destaque negativo para os torcedores ultrà que agrediram ingleses na madrugada de ontem. Três envolvidos foram presos.

Veja os melhores momentos do jogo aqui.

Salzburg 1x1 Juventus
Quem também chegou ao terceiro empate em três jogos pela Liga Europa foi a Juventus. O resultado coloca os bianconeri apenas na terceira colocação de seu grupo, atrás de Manchester City e Lech Poznan (veja classificação). A situação é preocupante para o time de Turim, que não tem muito o que fazer para mudar o time, uma vez que Aquilani e Quagliarella não podem jogar a Liga Europa, Grygera se machucou e deve ficar pelo menos um mês parado, e Del Piero e Amauri não encontram seu melhor futebol. Krasic, poupado ontem no primeiro tempo, continua sendo o único diferencial da Velha Senhora.

A primeira etapa de ontem em Salzburg foi péssima para a Juve. O time da casa, sob o comando do bom Mendes, dominou facilmente seu adversário, deu trabalho para Manninger, que, surpreendentemente foi muito seguro e decisivo, e encontrou o gol aos 36', com Svento. O time de Delneri só entrou no jogo a partir da entrada de Krasic, no início do segundo tempo. O sérvio mostrou toda a sua disposição e habilidade e logo aos 2' empatou o jogo. Três minutos mais tarde, deixou Del Piero na cara para marcar, mas o capitão não acertou o alvo. Martínez pela ala é um desastre e fragiliza demais o 4-4-2 de Delneri. A dependência de Krasic é séria e se a equipe quiser chegar longe na competição europeia, a diretoria vai ter que fazer boas contratações no mercado de janeiro.

Veja os melhores momentos e os gols da partida aqui.

Palermo 0x3 CSKA Moscou
Em casa, o Palermo perdeu para um CSKA fulminante e também ficou para trás no seu grupo (veja classificação). O atacante Doumbia foi o homem do jogo. Deu velocidade e eficiência ao ataque russo e ainda marcou os primeiros dois gols do time. O terceiro, de Necid, serviu só para afundar ainda mais os rosanero. Quando, aos 22', Vagner Love errou pênalti e Pastore acertou lançamento perfeito para Hernandéz quase marcar parecia que as coisas melhorariam para o time siciliano. Mas nada feito. O CSKA continuou melhor e alcançou o gol poucos minutos depois. A escolha de Delio Rossi de colocar Darmian na lateral esquerda e avançar Cassani se mostrou errada e o time russo se aproveitou disso e fiz boas jogadas pelo lado direito do ataque. Pastore fez um bom primeiro tempo e foi um dos principais jogadores do time, para variar. Mas na segunda etapa esqueceu de jogar, se pôs contra o juiz e acabou expulso. O CSKA alcançou sua sétima vitória seguida e ainda não tomou gol na Liga Europa.

Veja os melhores momentos e os gols da partida aqui.

Metalist 2x1 Sampdoria (Mateus Ribeirete)
Os blucerchiati até saíram na frente, mas a felicidade durou pouco. A virada chegou através de dois jogadores brasileiros: Taison - que ainda viria a ser expulso - e Cleiton Xavier. Quando Konan abriu o placar, após belíssima triangulação pela direita, com pouco mais que meia-hora de jogo, um resultado cômodo era esperado. Embora o Metalist também pressionasse, via-se uma Sampdoria tranquila e bastante perigosa através de Cassano e Marilungo. Palombo e Pazzini, poupados para o jogo de domingo contra a Inter, não faziam falta até a defesa abrir e Taison chutar de fora da área, empatando a partida. Logo após o intervalo, Pozzi quase fez, e alguns minutos depois Taison foi expulso, o que aumentou ainda mais as esperanças da Samp. Quem cresceu, entretanto, foi a equipe ucraniana, que não sofreu dominação e achou o gol da virada num voleio de Cleiton Xavier, após bom cruzamento do também brasileiro Edmar. Di Carlo ainda realizou as três alterações, mas não obteve sucesso. Os italianos, curiosamente perdidos em campo, sequer ameaçaram a meta adversária. A situação do grupo não é das melhores: com a derrota, a Sampdoria, com quatro pontos, vê os ucrianos chegarem a seis e encostarem no PSV, com sete.

Veja os melhores momentos e os gols da partida aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Liga dos Campeões: como sempre, Eto'o

Outra vez, Eto'o se confirma como melhor jogador do mundo pós-Copa (Reuters)

Já virou rotina nesta temporada ver Eto'o decidir os jogos da Inter. Contra o Tottenham foi assim. O camaronês fez dois e deu duas assistências, chegando a 12 tentos e quatro passes decisivos na temporada. Mas num final de jogo desastroso, quase que a tranquila vitória nerazzurra ficou pelo caminho.

Benítez escalou a Inter no habitual 4-2-3-1. Com Milito ainda se recuperando de lesão, Eto'o foi escalado como centroavante, função desempenhou bem contra o Cagliari. O Tottenham tentou encaixar um 4-4-1-1, mas ficou apenas na tentativa, pois o início em alta velocidade da Inter destruiu o esquema dos Spurs. O camaronês começou a decidir a partida logo cedo, ao passar a bola para Zanetti fazer o primeiro gol aos dois minutos, o 20º dele em 15 anos de clube. Mas o lance que realmente decidiu a partida foi o pênalti que Gomes cometeu sobre Biabiany. O goleiro brasileiro foi expulso e Eto'o o fez o segundo gol dos nerazzurri na cobrança.

Com o gol de Stankovic, a Inter alcançava impressionantes 3 a 0 logo aos 14 minutos do primeiro tempo. Philippe Coutinho se comportava como um "senador" e os comandados de Rafa Benítez já começavam a tirar o pé, pois a partida estava praticamente decidida. A Inter ficava com a bola, sem deixar que o Tottenham ameaçasse o gol defendido por Júlio César. Coutinho coroou a boa partida com a assistência para o quarto gol, anotado por Eto'o. Não restava mais dúvidas, o jogo estava resolvido: 4 a 0, em casa, com um jogador a mais, controle da posse de bola e adversário entregue. 

Mas o Tottenham tinha Bale, o meia-externo pela esquerda, e a Inter inexplicavelmente atuava com o time muito avançado, mas sem visar o gol, deixando a defesa exposta sem nenhuma necessidade. Foi no contra-ataque que os ingleses complicaram o jogo. Bale marcou aos sete minutos, mas o gol não serviu para alertar a Inter. O time de Benítez seguiu com as linhas muito adiantadas, dando muito espaço para as descidas em velocidade dos Spurs. O Tottenham só voltou a aproveitar o burraco do lado direito da defesa nerazzurra nos minutos finais, quando o galês fez outros dois gols.

A vitória apertada por 4 a 3 após o jogo estar praticamente ganho mostra que a Inter ainda está longe de ter a força defensiva que tinha com Mourinho. Benítez gosta de atuar com a linha de defesa mais avançada, porém na Inter essa alternativa não tem trazido bons frutos. Valeu por Eto'o, que a cada dia está mais à vontade vestindo nerazzurro - e, na falta dele, tem sido o que Milito foi na última temporada.

Clique aqui para ver o relato e os gols da partida.

texto de Pedro Spiacci

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Liga dos Campeões: bombardeio merengue

Foram 22 chutes a gol do Real Madrid. Oito só de Cristiano Ronaldo, melhor da partida.
Para a "sorte" do Milan, apenas dois entraram. (Foto: Getty Images)

Os 80 mil espectadores presentes no Santiago Bernabéu hoje viram jogo de um time só. Os donos da casa, postados em um 4-2-3-1 bem compacto e eficiente, foram os donos da partida o tempo inteiro e praticamente não deixaram o Milan jogar, em um dia muito pouco inspirado de Ronaldinho, Pato e Ibrahimovic. Cristiano Ronaldo e Ozil, por outro lado, fizeram grande partida. e decidiram. Com o triunfo merengue, José Mourinho alcança sua quarta vitória sobre o Milan em seis jogos. Todas as outras foram quando ainda comandava a Inter.

Os donos da casa começaram imprimindo um ritmo alucinante que o Milan em momento algum conseguiu acompanhar. Com apenas 15 minutos de bola rolando, o jogo já estava decidido a favor do Real Madrid: Cristiano Ronaldo marcou de falta, em falha da barreira milanista, e Ozil ampliou, com chute que desviou em Bonera antes de entrar. A grande velocidade dos dois meio-campistas assustou a zaga rossonera, desfalcada de Thiago Silva. Bonera, atrapalhado, não fez boa partida e evidencia o velho problema do time, que não tem um bom zagueiro substituto.

Mas não foi só a superioridade técnica que ficou clara na tarde de hoje. Fisicamente, o Real Madrid se mostrou muito mais preparado também. Bem compactado no meio e com Khedira e Xabi Alonso muito bem no combate, poucas vezes o time de Mourinho perdeu uma disputa com o envelhecido meio milanista, composto por Gattuso, Pirlo e Seedorf. Os rossoneri pecaram também na hora da recomposição da defesa, uma vez que não acompanhavam a velocidade merengue. A pouca entrega dos homens de frente na ajuda à defesa ainda é grande problema para Allegri.

Outro grande problema do técnico é essa dependência dos bons momentos de Ronaldinho e Ibrahimovic. Quando um dos dois não vai bem, o time cai bem de qualidade. Hoje, a situação foi ainda pior. Nenhum deles conseguiu se impor sobre a boa marcação madrilenha e Pato não recebeu bons passes. Pepe e Ricardo Carvalho anularam os dois atacantes sem dificuldades, enquanto Ronaldinho, sem criatividade, ficou preso na intermediária. O gaúcho, aliás, estava sendo observado por Mano Menezes, nas tribunas. O técnico da seleção brasileira não viu uma boa apresentação do atacante, mas deve ter saído satisfeito com o bom rendimento do lateral Marcelo, pelo lado merengue. Sob o comando de Mourinho, o ex-fluminense melhorou muito defensivamente e continua chegando bem ao ataque.

Com a derrota, o Milan deixa o Ajax, que venceu o Auxerre hoje por 2 a 1, encostar na tabela. Ambos têm quatro pontos agora, enquanto o Real dispara na liderança do grupo, com nove. No dia 3 de novembro, Milan e Real voltam a se enfrentar, dessa vez no San Siro. Difícil imaginar que o time de Allegri, mesmo que jogando em casa, consiga superar os espanhóis. A não ser que as coisas mudem muito de figura em três semanas.

Clique aqui para ver o relato e os gols da partida.

Vexame
Na capital italiana, a Roma perdeu a chance de afastar a crise, ao ser derrotada pelo Basel. Em um primeiro tempo bem equilibrado, a equipe suiça não se intimidou e, organizada, chegou bem ao ataque algumas vezes. Os dois gols do Basel saíram pela faixa esquerda do campo, onde Riise não fez boa partida. A ausência de Juan, o melhor contra o Genoa, também foi sentida. Por opção de Ranieri, o zagueiro brasileiro ficou de fora e a defesa gialorossa ficou fragilizada. Saldo no primeiro tempo: Roma 1x2 Basel.

Na volta para a segunda etapa, a equipe romanista finalmente começou a se impor e agredir o adversário. Durante 20 minutos, Taddei, Totti e Borriello deram trabalho à defesa suiça, que conseguiu se segurar. Depois, o ritmo diminuiu e as coisas ficaram mais fáceis para o Basel, que teve Yapi como melhor jogador. As investidas ofensivas da Roma não passavam de bolas alçadas à área, sempre sem sucesso. Aos 48', Cabral fez bela jogada individual e matou o jogo: 3 a 1. O resultado complica a vida romanista na Liga dos Campeões. A equipe de Ranieri ocupa a última colocação, com os mesmos três pontos de Cluj e Basel. O Bayern disparou na liderança e soma nove, agora.

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Chora, viola

Após sete jogos, Gilardino só marcou dois gols na Serie A. É sua
pior média desde que chegou a Florença (Getty Images)

Não há como negar: a saída de Cesare Prandelli para a seleção italiana balançou a Fiorentina, que perdeu o treinador que liderou o projeto europeu do clube nos últimos cinco anos. Com influência dele, os viola conseguiram contratar e segurar jogadores com potencial para atuar nos gigantes europeus, como o goleiro Frey, os meias Montolivo e Vargas e os atacantes Gilardino, Mutu e Jovetic. Para não falar da participação em duas Ligas dos Campeões.

O sérvio Sinisa Mihajlovic assumiu uma equipe quase idêntica à da temporada passada. De relevante, só perdeu o lateral-esquerdo Gobbi, mas recebeu Boruc, D'Agostino e Cerci. O suficiente para que o clube retomasse a busca pela Liga dos Campeões, certo? Mas eis que as lesões de Jovetic e D'Agostino e a interminável suspensão de Mutu (que voltará na nona rodada) derrubaram as expectativas do time. Ao ponto de, sete rodadas após o início do campeonato, o sinal vermelho já estar ligado em Florença.

Desde 1977-78 a Fiorentina não começava tão mal a Serie A. Naquela campanha, atuações espetaculares do goleiro Galli no fim da temporada fizeram o time escapar do rebaixamento na última rodada. Mesmo em uma época em que mudar de treinador era atitude mais rara, Carlo Mazzone durou doze jogos. Se mantiver o ritmo de quatro derrotas em sete jogos, Mihajlovic não terá tanto tempo de manobra. Com o projeto da Cittadella Viola (centro comercial, artístico e esportivo nas mediações de Florença) oficialmente abandonado, o estresse da família Della Valle não demorará a recair sobre os ombros do técnico.

Em campo, é difícil explicar por que a Fiorentina segura a lanterna da competição. A única vitória até aqui foi contra o Parma, hoje vice-lanterna. O pilar da catástrofe viola é a sequência de lesões do elenco. Na última partida, foram cinco desfalques importantes que permitiram à Sampdoria de Cassano virar o jogo nos últimos 15 minutos. Jogando sem importantes líderes, às vezes parece faltar a personalidade e a raça demonstrada nas temporadas anteriores - e é aí que parece faltar o pulso de Mihajlovic, que há dois meses havia prometido a classificação para a Liga dos Campeões.

A nova realidade em médio prazo é alcançar 40 pontos e se livrar das chances de rebaixamento. Para isso, será fundamental uma boa participação no mercado de janeiro. Na última intervenção do diretor esportivo Pantaleo Corvino nas transferências, a manutenção da base parecia decisão acertada, apesar da insistência de outros clubes em pagar caro por alguns jogadores de Florença. Hoje, parece claro que o grupo se desmotivou bastante após a queda para o Bayern de Munique na Liga dos Campeões, temporada passada. Mesmo no comando de Prandelli, a Fiorentina chegou a ficar sete jogos sem vencer. Apostar cegamente no retorno do romeno Mutu, 31 anos, que não joga desde janeiro, é no mínimo arriscado.

Ainda mais difícil é apostar que jovens inexperientes possam resolver as principais deficiências do elenco. O lateral-esquerdo Gulan (21 anos) e o atacante Babacar (17) não aguentaram a pressão e podem ser emprestados já em janeiro. O meia-atacante Ljajic (19) tem chamado atenção, mas é cedo demais para que um garoto viciado em chocolate e PlayStation possa assumir a responsabilidade ofensiva da equipe.

Falar em reformulação completa depois de apenas sete rodadas pode parecer precipitado, mas vale lembrar que esta é a mesma espinha dorsal que vem penando desde a queda para o Bayern de Munique. Ali, ficava claro que um ciclo se encerrava, algo que se evidenciou com a saída de Prandelli - mas alguns "senadores" viola continuaram no elenco, ainda que insatisfeitos por não terem sido negociados. Com um vestiário cheio de jogadores difíceis de lidar, Mihajlovic tem encontrado dificuldades. As tentativas de tirar a responsabilidade do grupo a cada coletiva pós-tropeço já beiram o desespero.

Dentro de campo, o treinador sérvio segue perdido. Tentou manter o 4-2-3-1 consagrado por Prandelli, mas os resultados foram ruins e ele logo passou para o 4-3-3 que lhe deu os melhores resultados no surpreendente Catania da temporada passada. Voltou ao esquema de Prandelli antes de inventar o 4-4-1-1 que não convenceu contra a Sampdoria, com Santana improvisado no centro do meio-campo. Mas se um Andrea Della Valle à beira da erupção ainda não demitiu Mihajlovic, um motivo existe: hoje, há alguém muito melhor que ele disponível no mercado?

Originalmente para a Trivela

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

7ª rodada: dia de show

A Juventus tinha Amauri, Quagliarella, Aquilani e até Krasic. Mas quem
cobrou o pênalti, acredite, foi Felipe Melo (Getty Images)

Duas goleadas fecharam a sétima rodada: Juventus e Palermo passaram com facilidade por Lecce e Bologna para se manterem na zona de classifcação para a Liga Europa. Outra grande exibição foi feita por Cassano, que nos últimos minutos de jogo empurrou a Fiorentina para a lanterna da Serie A. Para chover no molhado, há de se elogiar outro belo gol de Eto'o, artilheiro da Serie A, ao lado de Cavani. Confira o que aconteceu nos oito jogos do domingo.

Cagliari 0-1 Inter
Na partida do horário de almoço, a temperatura alta no termômetro deve ter influenciado o público do Sant'Elia, que insistia com coros rascistas sempre que Eto'o, Biabiany ou Maicon pegavam na bola. Com três minutos, o árbitro Paolo Tagliavento ameaçou encerrar o jogo e a torcida interrompeu o show de horrores. Bom para a Inter, que passou a controlar o jogo sem sentir falta dos sete lesionados que habitam seu departamento médico. Aos 39 minutos, Eto'o completou um lindo drible sobre Astori antes de bater de esquerda, sem chance para Agazzi. O Cagliari tentou o empate com boas jogadas de Cossu para Nenê e Matri, mas Júlio César garantiu o resultado. No segundo tempo, bastou aos nerazzurri controlar o jogo para alcançar os 14 pontos do "brasileiro" Milan.

Juventus 4-0 Lecce
Sob a égide do capitão Del Piero, que no segundo tempo alcançou os 178 gols de Giampiero Boniperti com a camisa da Juventus, os bianconeri continuam subindo de produção. Não foi difícil bater o Lecce, excessivamente corajoso, que foi a Turim em um 4-3-3 suicida que não previa uma partida tão ruim de Jeda e Olivera. Os meio-campistas centrais do 4-4-2 de Luigi Delneri, ponto fraco até aqui, desencantaram. Aquilani marcou pela primeira vez desde que voltou à Itália e Felipe Melo converteu um pênalti discutível ao cobrar à Loco Abreu. Krasic continuou espalhando medo na defesa giallorossa e deu o passe para Quagliarella ampliar. No segundo tempo definido, sobraram apenas aplausos. Primeiro para Felipe Melo, substituído. Depois para Del Piero, que precisou de apenas quatro minutos em campo para marcar o dele e fechar o jogo - com a quinta assistência para gol de Krasic no campeonato.

Palermo 4-1 Bologna
No Renzo Barbera, o show foi de Pastore e Ilicic, como tem se tornado hábito. O time não vencia em casa desde 24 de abril, então a dupla tratou de encerrar o discurso logo no início do jogo. Onipresente, o argentino chutou forte e marcou um golaço para abrir o placar e marcar seu quarto gol no campeonato. O esloveno, "invejoso", também fez o quarto dele no campeonato com um míssil que Viviano aceitou. Com o jogo decidido no intervalo, já que o Bologna insistia em não ameaçar, o Palermo atacava para a torcida. Pinilla aproveitou cruzamento de um Balzaretti em ótima fase e Bacinovic transformou em gol o belo lançamento de Nocerino. Em dia de um Palermo tão espetacular e eficiente, o gol de honra do incansável Di Vaio passou batido.

Bari 0-2 Lazio
"Agora faltam 24 pontos para a salvezza". Essas foram algumas das palavras de Reja após a vitória que manteve seu time na ponta da tabela da Serie A, com 16 pontos. Mas é difícil acreditar que essa Lazio lute apenas para não cair. Esse bom começo de temporada dá esperanças muitos maiores a seus torcedores. O bom resultado veio graças à boa aplicação tática do conjunto laziale e ao cada vez mais consistente meio de campo do time, liderado pelos talentosos Hernanes e Mauri. Os dois aparecem muito bem na frente, mas também são essenciais para que a marcação funcione bem do meio para trás. Aliás, Reja é só elogios ao seu time nesse sentido. Até o atacante Floccari, que marcou um dos gols da partida (o outro foi de Hernanes), tem voltado para ajudar na contenção. Já o Bari foi muito lento e previsível, sem conseguir penetrar na defesa da Lazio. A entrada de Castillo, aos 17' do segundo tempo, mudou um pouco isso, mas não foi suficiente para alterar o placar da partida.

Catania 1-1 Napoli
E o Napoli continua sem perder fora de casa. Dessa vez, o time de Mazzari foi ao Angelo Massimino arrancar um empate do Catania e conquistar ponto importante para permanecer na quarta colocação do campeonato. Cavani, sempre ele, marcou para o time napolitano. Com seis gols, o uruguaio divide e artilharia da Serie A com Eto'o. Lá atrás, De Sanctis foi o homem mais importante e salvou pelo menos três gols sicilianos. Hamsík não foi bem e ainda não reencontrou o grande futebol da temporada passada. Já o Catania, merecia sorte melhor. Os rossoblù tomaram conta das ações a maior parte da partida, mas não foram felizes na hora de finalizar. Gomez, pela direita, incomodou muito Dossena e fez grande partida. Foi premiado com seu primeiro gol em território italiano. Maxi López também foi bem, só faltou jogar mais perto do gol.

Sampdoria 2-1 Fiorentina
Em Gênova, Cassano continua sendo o cara. Em Florença, a situação fica cada vez pior. Ontem, o gol de Marchionni logo aos 6' iludiu os torcedores viola, que chegaram a acreditar em uma sorte melhor. Mas a má fase não passou e agora a Fiorentina ocupa a última colocação na tabela, fato que não ocorria há 32 anos. Com muitos jogadores lesionados (D'Agostino, Jovetic, Montolivo, Mutu e Zanetti), o técnico Mihajlovic não consegue ajeitar seu time, que ainda não apresentou bom futebol essa temporada. Para piorar, Vargas saiu machucado no meio da partida. Frey foi bem: segurou o bombardeio blucerchiato até os 36' do segundo tempo, quando Ziegler acertou grande cobrança de falta. Um minuto depois, Cassano recebeu bom lançamento de Marilungo para marcar outro belo gol. Fantantonio foi o melhor do jogo e colocou a Samp na sétima colocação.

Brescia 0-1 Udinese
Foi no seu único chute a gol que a Udinese conseguiu, finalmente, sair da lanterna. A 400ª vitória da história bianconera na Serie A já parecia que não viria, quando Corradi, de cabeça, marcou o gol salvador. O técnico Guidolin ficou satisfeito com o resultado, mas admitiu que seu time não mereceu a vitória, uma vez que os friulanos pouco agrediram o Brescia. Di Natale não chega nem perto da eficiência da temporada passada, quando foi artilheiro, e pouco acrescenta ao time até aqui. Ao Brescia faltou pontaria. O time até conseguia chegar ao fundo, mas os cruzamentos eram todos tortos. Destaque positivo para a estreia de Zebina, que foi bem na parte defensiva, e Koné, que criou pelo menos três chances de gol e foi o motivo da superioridade do Brescia na maior parte do jogo.

Cesena 1-1 Parma
No dérbi da Emília-Romanha, o lateral-direito Zaccardo roubou as atenções. Foram dele o gol que empatou a partida e as acusações que fizeram a direção do Cesena pedir desculpas públicas poucas horas depois do apito final. O tetracampeão mundial acusou a torcida de ameaçar sua família, que estava na tribuna, após o defensor ter comemorado o gol apontando para eles. Na tabela, o pesadelo do Parma é maior que o do Cesena, que finalmente deixou de perder: os crociati estão na vice-lanterna, numa queda espantosa de rendimento após o começo animador. Em campo, Giaccherini causou estragos por alguns minutos e isto gerou o gol do albanês Bogdani, mas parou por aí o espetáculo.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 7ª rodada, clique aqui.

Seleção da 7ª rodada
De Sanctis (Napoli); Zaccardo (Parma), Samuel (Inter), Juan (Roma); Krasic (Juventus), Hernanes (Lazio), Pastore (Palermo), Aquilani (Juventus); Alexandre Pato (Milan), Borriello (Roma), Cassano (Sampdoria). Técnico: Delio Rossi (Palermo).

Colaborou Rodrigo Antonelli

sábado, 16 de outubro de 2010

7ª rodada: tranquilidade antes da Champions

Em noite inspirada, Pato e Ibrahimovic ajudaram a dar a vitória ao Milan,
dias antes do duelo decisivo de Madrid (Associated Press)



Na rodada que precede uma série de duelos importantes pela Liga dos Campeões, Milan e Roma fizeram o dever de casa e podem pensar nos duelos da terça com muito mais tranquilidade. O Milan dorme pelo menos esta noite na liderança provisória da Serie A, ganhando muita moral antes de fazer um dos duelos mais aguardados fa fase de grupos da LC, visitando o Real Madrid de José Mourinho e Kaká no Santiago Bernabéu.

Já a Roma enfrentará o Basel, no Olímpico, esperando espantar a má fase também na competição continental. Na Serie A, a vitória sobre um decepcionante Genoa fez o time respirar e sair da zona de rebaixamento, ao alcançar oito pontos. Os rossoblù é que correm o risco de terminarem a rodada rondando a zona de degola.

Milan 3-1 Chievo
Alguns dirão que o Diavolo venceu graças ao talento e a ginga do futebol brasileiro. Claro que os brasileiros tiveram papel fundamental na vitória rossonera (ótima partida de Ronaldinho, dois gols de Pato e mais um de Robinho) mas é mais correto destacar que o Milan levou a melhor sobre um aguerrido Chievo graças ao seu quarteto de talento (afinal, Ibrahimovic também fez grande partida) e ao técnico Massimiliano Allegri, que escalou o time no 4-3-1-2 vitorioso em Parma, com Ronaldinho atuando como trequartista. Ibrahimovic foi o homem por trás dos dois gols de Pato no primeiro tempo, com duas assistências, ajudando o brasileiro, em franca evolução, a marcar um golaço e aproveitar uma defesa desprevinida para alcançar, aos olhos do técnico Mano Menezes, a vice-artilharia da Serie A, com quatro gols.

Porém, o Milan correu mais riscos do que o necessário diante da boa equipe de Verona e, não à toa, Abbiati foi um dos destaques da partida. O malinês Constant levou perigo durante os 90 minutos (contrabalanceando a ineficácia de Bogliacino e Bentivoglio), aproveitando-se de buracos deixados por Zambrotta. Na segunda etapa, o gol dos clivensi aconteceu graças a uma de várias jogadas aéreas que revelam a falta de equilíbrio no time e que levaram perigo a Abbiati, quando Cesar desviou de cabeça, a bola resvalou em Ibrahimovic e morreu no fundo das redes.

A partir de então, o Chievo cresceu no jogo e foi a vez de Allegri mudar a partida. Seedorf, mal em campo, deixou o campo para a entrada de Boateng, que, ao lado de Robinho (substituindo Pato), ajudaram a povoar o meio-campo e contiveram o ímpeto da equipe visitante até o fim da partida. Se, entre as boas notícias para o Milan destacam-se mais uma boa partida dos jogadores talentosos do time - com direito ao primeiro gol de Robinho como a camisa rossonera -, o ponto negativo foi a lesão de Thiago Silva, que não deve viajar para Madrid e deve ser substituído por Bonera.

Roma 2-1 Genoa
Jogando frente a milhares de torcedores no Olímpico, a Roma quase sofreu mais do que o necessário para vencer o Genoa. Numa partida entre dois times irregulares, pouco se pode apreender em relação ao futuro que terão no campeonato: uma vitória aqui, outra derrota ali e um empate acolá é, até agora, a tônica de Roma e Genoa, que não conseguiram emplacar dois resultados positivos em sequência até agora.

Dentro de campo, os giallorossi foram superiores em toda a partida, graças a um ótimo trabalho desempenhado por Pizarro no meio-campo e por Totti, mais a frente. A boa atuação da dupla fez com que a Roma criasse boas chances ao longo de toda a partida e chegasse a abrir 2 a 0 no início do segundo tempo, praticamente sacramentando o resultado. Só que o Genoa cresceu no jogo e toda a superioridade que a Roma havia construído quase foi por terra nos minutos finais. Toni e Criscito já haviam tido ótimas chances antes do intervalo, mas foi o húngaro Rudolf que quase recolocou o Genoa na partida, com um gol e um forte chute no travessão.

A partida, no entanto, acabou sendo decidida por conta do duelo dos ex entre Borriello e Toni. Quem acabou levando a melhor foi o romanista, que fez ótima partida e acertou duas bolas na trave, mas também marcou o primeiro gol da partida, após desviar cruzamento de Totti, e deu assistência para o gol de Brighi, que substituía De Rossi - lesionado. Toni, por sua vez, acabou bem marcado pela defesa da Roma e só teve sucesso quando fugiu a seu estilo, saiu da área e, com um lindo passe de calcanhar, serviu Rudolf na jogada do gol de honra dos grifoni. Após o gol, Ranieri, cauteloso, fortaleceu a marcação no meio-campo com as entradas de Simplício e Castellini no lugar de Perrotta e Pizarro. Conhecido por não fazer grandes alterações, o técnico romano acabou acertando e conseguiu segurar um resultado que, se não foi brilhante, ao menos afasta a Roma das últimas posições.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 7ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 6ª rodada, clique aqui.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lega Pro: Entre sonhos e decepções

Desespero e pouco jogo: imerso em problemas que vão além do campo, o Ravenna já deve se preocupar com a Seconda Divisione (Fotoexpress)


Sonhos de glória e realidades frustrantes se alternam nos campeonatos da terceira e quarta divisões italianas. Enquanto Salernitana e Carrarese vivem a surpreendente euforia de comandarem seus campeonatos (expectativa jamais pensada, no início da temporada), praças tradicionais como Ravenna, Terni, Casale, Como, Sanremo, Giulianova e Catanzaro já não sabem a quais santos devem confiar suas agonias. Nestas cidades, a temporada esportiva tem sido obscura e seus times, afogados em problemas que ultrapassam as quatro linhas, não tem grandes perspectivas de melhora.


Prima Divisione – após oito rodadas

Grupo A: Em meio a inúmeros problemas societários, a Salernitana conseguiu chegar ao primeiro lugar após vencer a Spal, em Ferrara, aproveitando-se, também, do tropeço interno do Alessandria. A Reggiana subiu, a Cremonese caiu um pouco mais e o Hellas Verona se recuperou em cima de um Ravenna desfigurado, sem comando e identidade, na vice-lanterna. Não menos problemático, o Como chegou à lanterna.

Promoção direta: Salernitana (16 pontos)
Play-offs: Alessandria (15), Spal (14), Sorrento (13) e Reggiana (13)
Play-outs: Bassano Virtus (8), Pavia (8), Spezia (7) e Ravenna (7)
Rebaixamento: Como (6)

Grupo B: Em plena Roma, o Atletico perdeu seus 100% de aproveitamento ao cair diante do Nocerina, que entrou na zona para play-offs. Taranto, Benevento e Gela seguem em marcha contínua de resultados, enquanto o Lanciano se deteve. O Foggia de Zeman segue divertindo e, aos poucos, começa a alcançar melhores lugares na tabela, embora ainda não ocupe posição que leve a classificação nem mesmo para os play-offs. Reação do Pisa, que venceu duas seguidas e deixou a zona de rebaixamento. No confronto direto, o Siracusa devolveu a lanterna ao Barletta.

Promoção direta: Atletico Roma (18 pontos)
Play-offs: Taranto (16), Benevento (16) e Gela (15) e Nocerina (15)
Play-outs: Viareggio (8), Ternana (8), Cavese (6) e Siracusa (6)
Rebaixamento: Barletta (4)

Seconda Divisione – após sete rodadas

Grupo A: O FeralpiSalo’ continua comandando o campeonato: nesta rodada, o clube recuperou a liderança, perdida para um Savona que não saiu do empate contra a Sambonifacese. A Pro Patria continua lutando fortemente pela liderança, enquanto a Pro Vercelli se deixou alcançar pelo Tritium. O Lecco reagiu e deixou a zona de risco para Casale e Renate. Pior que eles, só a Sanremese, ainda sem vitórias e última colocada.

Promoção direta: FeralpiSalo’ (16 pontos)
Play-offs: Pro Patria (15), Savona (14), Pro Vercelli (11) e Tritium (11)
Play-out: Casale (5) e Renate (3)
Rebaixamento: Sanremese (3)

Grupo B: A Carrarese venceu o confronto direto contra o Carpi e assumiu a liderança. Bem atrás dos dois, San Marino, Giacomense e Chieti, seguidos de um aguerrido Poggibonsi têm se esforçado para continuar na briga. O Giulianova continua sem se entender: construído para ser um dos destaques da categoria, está afundado em uma crise de identidade e ocupa a última posição.

Promoção direta: Carrarese (17 pontos)
Play-offs: Carpi (16), San Marino (12), Giacomense (12), e Chieti (11)
Play-out: Fano (5) e Giulianova (5)

Grupo C: Uma série de tropeços do então líder Brindisi foi plenamente aproveitada pelo Sangiuseppese, que retomou o primeiro lugar. Latina e Trapani se recuperaram dos últimos maus resultados e o Matera, que venceu a segunda partida seguida, está em crescimento. Pesadelo infinito em Catanzaro, com o time de casa que conheceu mais uma derrota e voltou à lanterna, ao lado de outro sulista, o Campobasso.

Promoção direta: Sangiuseppese (15 pontos)
Play-offs: Latina (14), Trapani (13), Brindisi (13) e Matera (12)
Play-out: Campobasso (2) e Catanzaro (2)

Observação: Atletico Roma e Virtus Lanciano (Prima Divisione), e Latina e Pomezia (Seconda) têm um jogo a menos.

Coppa Italia Lega Pro
A maior parte das disputas do primeiro turno eliminatório da Coppa Italia Lega Pro aconteceram na última quarta-feira (13). Entre os resultados mais surpreendentes estão as eliminações de Lumezzane (atual campeão), FeralpiSalo’, Spal e Reggiana, e a passagem de turno do Catanzaro (que conquistou sua primeira vitória oficial em toda a temporada). Veja aqui resultados, o emparelhamento e a tabela completa da competição.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Jogadores: Roberto Sensini

O capitão Sensini beija a Copa da Uefa conquistada em 1999 (Europaenjuego)


Segurança. Esta é a palavra exata para definir um dos melhores zagueiros que já passaram pelo futebol italiano: Roberto Néstor Sensini. Embora fosse argentino, incorporou perfeitamente o espírito de seriedade e comprometimento tático exigido na Itália, somados ainda à gana de sempre vencer e à paixão que os portenhos já carregam de berço. Pode-se dizer que Sensini era mais que o famoso “zagueiro zagueiro”, na verdade, ele era muito mais que isso. Era o porto seguro dos times pelo qual passou, um atleta que emanava confiança a seus companheiros.

“Boquita” não começou tão cedo sua carreira como jogador profissional. Fez sua estréia pelo Newell’s Old Boys aos 20 anos, em uma partida em que a equipe venceu o Boca Juniors por 3 a 0 em plena Bombonera. Lá o zagueiro ficou por três temporadas, até se transferir para a Udinese e dar início a uma história de glórias na Itália.

Já em seus primeiros anos na Europa, Sensini se destacava em uma irregular Udinese, inclusive marcando gols, mas infelizmente, o time que contava também com o artilheiro Abel Balbo e o espanhol Ricardo Gallego, não permitia que o argentino disputasse títulos de fato. Após defender a equipe de Údine por quatro temporadas, o zagueiro foi então, defender o emergente Parma.

Na Emília-Romanha, ao lado de nomes como Dino Baggio, Gianfranco Zola, Faustino Asprilla e Fernando Couto, Sensini conquistou seu primeiro título pelo Parma em 1995, quando a equipe gialloblù bateu a toda poderosa Juventus, que contava com Roberto Baggio, na final da Copa da UEFA.

Em 1999, agora como um dos pilares da equipe, Sensini começa a atingir o ápice de sua carreira. O Parma já contava com estrutura e investimentos suficientes para montar o que, para muitos, foi a melhor equipe de sua história. Tendo como componentes da retaguarda o goleiro Gianluigi Buffon e os defensores Lilian Thuram, Fernando Couto, Fabio Cannavaro e o próprio Sensini, o time sofreu pouquíssimos gols e contou com o faro de gols de Crespo e Chiesa pra conquistar dois títulos: a Copa da Uefa e a Coppa Italia.

Em 2000, o zagueiro se transferiu para a Lazio, que vinha de um vice-campeonato italiano, e fez parte da equipe que tirou os biancocelestes de uma fila de 26 anos sem o scudetto. Desta vez, Sensini foi destaque do time ao lado de seus compatriotas Almeyda e Simeone, que formavam um fortíssimo paredão a frente da meta de Marchegiani.

Após passar pela melhor fase de sua carreira, Sensini voltou ao Parma, onde jogou por uma temporada e, por fim, escolheu a Udinese, seu primeiro clube na Itália, para encerrar sua carreira, mantendo futebol de alto nível até 2006. Fez seu último jogo contra a Roma, aos 39 anos e dois meses, e é, até hoje, o estrangeiro mais velho a disputar uma partida da Serie A.

Pela seleção argentina, a história de Sensini também é longa. Apesar de ter atuado em "apenas" 59 partidas, número baixo considerando seu currículo, o zagueiro disputou três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998) e conquistou a medalha de Prata dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.

Depois de pendurar as chuteiras, Sensini iniciou a carreira de treinador na Udinese. Teve uma breve passagem pelo Estudiantes e atualmente é o treinador do Newell’s Old Boys, onde conduz a equipe em boa campanha do Campeonato Argentino, com chances de título.

Roberto Néstor Sensini
Nascimento: 12 de outubro de 1966, em Arroyo Seco, Argentina
Posições: zagueiro e volante
Clubes: Newell's Old Boys (1986-89), Udinese (1989-94), Parma (1994-99), Lazio (1999-2000), Parma (2001-02), Udinese (2002-06)
Títulos: 1 Campeonato Argentino (1988), 1 Serie A (2000), 2 Coppa Italia (1999, 2002), 2 Copa Uefa (1995, 99)
Seleção argentina: 59 jogos.