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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

14ª rodada: Aproveitando os tropeços

Stankovic, Motta e Cambiasso devolvem sorriso à Inter: scudetto possível? (Reuters)

Se os jogos de sábado já foram bons para os times que queriam se aproximar da ponta da tabela, o domingo foi ainda melhor. Pelo menos para Inter e Palermo, que aproveitaram os tropeços de Milan, Lazio, Juventus e Napoli para se inserirem com mais força na ponta da tabela. No caso do Palermo, a rodada foi ainda mais positiva, já que a vitória no confronto direto contra a Roma foi conseguida com bastante superioridade. No caso da Inter, o resultado foi importante pois pode significar uma mudança nos rumos da temporada interista, pouco antes do decisivo jogo contra a Lazio e da viagem para o Mundial de Clubes. Confira o resumo dos jogos de domingo.

Inter 5-2 Parma
Um mês depois, a Inter voltou a vencer na Serie A. Dois meses depois, voltou a vencer em casa. E de goleada, mesmo sem Milito e Eto'o. O placar pode até indicar facilidade para vencer o jogo, mas não foi bem o que aconteceu. Na verdade, o Parma poderia ter saído do Giuseppe Meazza com melhor sorte: chutou mais vezes no gol (sete, contra seis da Inter), graças à boa atuação de Giovinco e ao instinto matador de Crespo, que marcou os dois gols e ainda acertou a trave, aproveitando a péssima atuação de um Materazzi cada vez mais próximo do fim da carreira.

Por outro lado, a Inter deu mostras de que a mentalidade vencedora ainda está presente: o time não se intimidou após o Parma ter saído na frente e logo virou o jogo para 3 a 1, com três assistências de Biabiany e dois lances de sorte de Stankovic. Depois, soube aguentar a pressão e, após uma boa mexida tática de Benítez no time, chegou aos gols de Thiago Motta e Stankovic, pela terceira vez. Se a vitória do domingo não foi tão tranquila, somada à classificação na Liga dos Campeões contra o Twente, serve para tirar alguma pressão do time em um momento crucial da temporada nerazzurra, com o Mundial de Clubes tão próximo. A recuperação da forma do meio-campo e dos jogadores lesionados será fundamental para o time em janeiro.

Palermo 3-1 Roma
Josip Ilicic. Em meados de 2010, quase ninguém conhecia este nome. O esloveno, que não foi convocado para a Copa pelo técnico Matjaž Kek, já pode ser considerado o principal reforço contratado pelo ex-diretor esportivo Walter Sabatini, após uma assistência e um gol contra a Roma - alcançando seis na temporada. Outro reforço foi o retorno de Miccoli aos gramados. O Romário do Salento marcou seu sétimo gol contra a equipe capitolina e, juntamente com Pastore e Ilicic, forma um tridente de respeito para o ataque da equipe rosanero, que persegue a classificação para a LC, com os mesmos 23 pontos que a Inter.

Se no duelo entre Pastore e Ménez, quem brilhou foi Ilicic, muito se deve também ao apoio vindo de trás. A ótima exibição da dupla Nocerino e Migliaccio foi fundamental para que o time da casa dominasse o meio-campo romanista, que contava com Fábio Simplício, que deixou o Palermo brigado com o presidente Maurizio Zamparini e cuja má atuação deve ter satisfeito o manda-chuva do time siciliano. Na Roma, muito sentida a ausência de Vucinic, cada vez mais fundamental na equipe de Claudio Ranieri. Com o momento nem um pouco brilhante pelo que passam De Rossi e Totti, as esperanças da Roma passam pelos pés voluntariosos do montenegrino.

Lazio 1-1 Catania
Na partida contra o Catania, ficou evidente que falta à Lazio um homem de área capaz de chamar o jogo para si. O muro montado pelo técnico Giampaolo frente ao goleiro Andújar dificultou a vida da Lazio, que viu um atacante já muito móvel como Zárate ter de sair de seu isolamento no comando do ataque para atuar na entrada da área. Não foi de surpreender que o gol de Hernanes e todas as chances dos biancocelesti no jogo tenham surgido a partir de chutes de fora da área, principalmente com o próprio atacante argentino. Zárate, a propósito, foi um dos melhores em campo e obrigou seu compatriota Andújar a fazer boas defesas.

Porém, a tarde era da defesa rossoazzurra: além de barrar a Lazio, foi o zagueiro Silvestre, em excelente temporada, que fez o gol que abriu o placar. O Catania ainda poderia ter saído com a vitória, se não tivesse desperdiçado um contra-ataque fulminante no último lance do jogo. De qualquer forma, os 18 pontos conseguidos até aqui são uma ótima marca para um Catania que dificilmente correrá tantos riscos de rebaixamento.

Udinese 3-1 Napoli
7 de fevereiro de 2010: a Udinese batia o Napoli no Friuli por 3 a 1, com uma tripletta de Antonio Di Natale, torcedor declarado do clube napolitano. Quase dez meses depois, o filme se repetiu, com mais um show do eterno atacante bianconero, que começou o campeonato devagar, mas já é vice-artilheiro da Serie A, com 8 gols - depois dos seis gols marcados contra Lecce e Napoli. Após um golaço de fora da área, o atacante de Nápoles marcou até um gol olímpico, contando com a colaboração de Hamsík - outro nome do jogo.

O eslovaco logo tratou de se redimir, com uma bomba de fora da área, mas esbarrou em ótima defesa de Handanovic, em cobrança de pênalti. Apesar das boas atuações de Armero e Isla pelas laterais, por pouco o Napoli não empatou: fora o pênalti desperdiçado por Hamsík, Cavani também perdeu uma chance incrível, estacionando o Napoli na zona de classificação para a LC. Melhor para a Udinese, que após prometer uma temporada de dificuldades, é uma das surpresas da Serie A. Méritos para o técnico Francesco Guidolin, em seu segundo bom trabalho consecutivo.

Cagliari 3-2 Lecce
As primeiras partidas de Donadoni pelo Cagliari não poderiam ser melhores: apesar da eliminação na desvalorizada Coppa Italia, o ex-técnico da seleção italiana já conseguiu duas vitórias frente ao time sardo - o mesmo número que Bisoli havia conseguido em 12 jogos. - e chega a confortáveis 17 pontos. Donadoni mantém a espinha dorsal do time, que joga junta há cerca de três anos, e os protagonistas ainda são os mesmos: Cossu e Matri. O artilheiro rossoblù, com oito gols no campeonato, marcou mais dois neste domingo (em lances à Milito, em boa fase), chama a atenção de outros clubes italianos e, de acordo com o presidente Massimo Cellino, fica no clube pelo menos até junho. No Lecce, não bastou uma tentativa de reação a partir de dois gols originados a partir de falhas da defesa do time da casa. A defesa segue como a pior do campeonato (28 gols sofridos em 14 rodadas) e uma série de maus resultados (cinco jogos sem vitória e apenas um ponto conquistado fora de casa) fizeram De Canio entregar o cargo, embora a diretoria confirme sua permanência como técnico há mais tempo no cargo na Serie A.

Brescia 0-0 Genoa
Se a partida entre Bologna e Chievo foi adiada pela nevasca que se abateu sobre a cidade emiliana, não teria sido de mau tom ter feito o mesmo em Brescia.Os dois times lutaram muito e até tentaram realizar um bom jogo para um público bastante reduzido, em decorrência da nevasca. No lamaçal nevado, foi o Brescia quem chegou mais perto da vitória, sempre com o bomber Caracciolo. Não fossem as intervenções precisas de Eduardo e uma bola salva por Mesto em cima da linha, as andorinhas teriam confirmado a primeira vitória na Serie A desde a já longínqua 4ª rodada.

Bari 1-1 Cesena
Fraca tecnicamente, a partida disputa no San Nicola só serviu para manter os dois times na zona de rebaixamento. Depois de um primeiro tempo muito pouco movimentado, o segundo tempo ganhou em emoção, sobretudo após o gol de pênalti marcado pelo Cesena, com Colucci, logo respondido por Caputo, que se antecipou à defesa bianconera. A impressão que dá é que se o Bari tivesse menos desfalques, teria mais condições de subir na tabela. A entrada de Rivas, que estava fora há muito tempo, foi apenas uma amostra que o time pode melhorar. No caso do Cesena, Ficcadenti poderia usar um pouco melhor o elenco que tem à disposição, recheado de jovens promessas e que não tiveram chances na Serie A. Outro que pode ajudar é o experiente atacante Budan, que estava fora por causa de uma séria lesão e estreou pelo clube romanholo neste domingo, quase conseguindo levar seu time à vitória.

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Seleção da 14ª rodada
Handanovic (Udinese); Balzaretti (Palermo), Silvestre (Catania), Camporese (Fiorentina), Vargas (Fiorentina); Stankovic (Inter), Ilicic (Palermo); Biabiany (Inter), Di Natale (Udinese), Robinho (Milan); Matri (Cagliari). Técnico: Marco Giampaolo (Catania).

sábado, 27 de novembro de 2010

14ª rodada: Um dia para se empatar

Macché? No melhor jogo de Robinho em rossonero, Ibrahimovic passou apagado
e o líder perdeu a chance de disparar na frente (Reuters)

A abertura da 14ª rodada terminou com dois empates. No Luigi Ferraris a Sampdoria segurou o líder Milan com relativa facilidade, enquanto no Olímpico de Turim a Juventus teve sérias dificuldades para conseguir o resultado frente uma corajosa Fiorentina.

Sampdoria 1-1 Milan
Ainda sem Cassano, afastado em definitivo pelo presidente Riccardo Garrone, Domenico Di Carlo apostou em um time de força e raça e em Marilungo na parceria com Pazzini. No Milan, que perdeu Pirlo por lesão, Ronaldinho continuou de fora e abriu espaço para Robinho. Atitute muito bem tomada por Massimo Allegri: o camisa 70 fez sua melhor atuação desde que chegou a Milão, marcou um gol e só não fez outro por milagre de Curci. A resposta da Samp veio dos pés de Pazzini, numa incrível prova da presença de área do camisa 10, cada vez mais importante para esta fase pós-Cassano.

O primeiro tempo foi de ritmo altíssimo, com um Milan forte no meio-campo que empurrava os blucerchiati contra o próprio gol. A pressão durou até o intervalo, pois o time demorou a encontrar a vantagem, em um ótimo passe de Ibrahimovic para Robinho. Vencendo, os rossoneri abriram espaço e passaram a ser atacados. Mostraram a fragilidade do lado direito da defesa, onde Abate marcava com dificuldades. Nesta, em um dia ruim, não foi capaz de segurar Gastaldello em um escanteio. O zagueiro adversário o antecipou e a bola do empate parou nos pés de Pazzini. Para o Milan, dois pontos a menos que poderiam significar a fuga na liderança.

Juventus 1-1 Fiorentina
Poucos minutos depois de o Milan abrir espaço para quem o perseguia, a Juventus não foi capaz de vencer, mesmo jogando em casa. Continua a sete pontos do líder, quando todos esperavam uma vitória relativamente fácil sobre uma Fiorentina com seis titulares lesionados - e os viola ainda perderiam outros dois por lesão, no decorrer da partida. Apesar disso, por mais de uma hora Donadel e Vargas fizeram partidas memoráveis, atacando sempre que possível e parando os avanços do sérvio Krasic. O resultado disso foi a vantagem dos visitantes por quase todo o jogo, só limada por uma cobrança de falta a sete minutos do fim.

Os viola abriram o placar aos quatro minutos, com um cruzamento forte de Vargas que Motta desviou contra o próprio gol. A partir daí, a partida viu dois protagonistas: o zagueiro Camporese, 18 anos, segunda partida como profissional e muita personalidade, e o goleiro Boruc, fundamental em finalizações de Iaquinta, Chiellini e uma cobrança de falta habitualmente mortífera de Del Piero. Mas foi numa falha do arqueiro polonês que a Juventus conseguiu o empate, quando Pepe partiu sozinho pela esquerda e cavou uma falta que ele mesmo converteu. A partida ficou quente e a Velha Senhora continuou no ataque durante os cinco minutos de acréscimos, quando a Fiorentina já tinha perdido o zagueiro Felipe, expulso após uma entrada violenta em Krasic. De nada adiantou. Os bianconeri chegam, assim, a dez partidas de invencibilidade na Serie A. Mas hoje foi dia de lamentar dois pontos perdidos, não de comemorar o ponto conquistado.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Brasileiros no calcio: Taffarel

A grande cena da carreira de Taffarel, na final da Copa de 1994, é um dos momentos mais tristes da Nazionale (Getty Images)
O jovem Cláudio sonhava em ser militar, por influência da família, e não queria de maneria alguma seguir os passos do pai, que trabalhava como agricultor em Santa Rosa, no interior do Rio Grande do Sul. Mas Taffarel começou cedo e logo foi fazer uma peneira no Internacional. Lá ficou decidido que seria goleiro. Desde cedo, dava sinais de que se tornaria um dos grandes. Já no segundo ano jogando pelo Internacional, em 1987, recebeu a Bola de Prata da Revista Placar de melhor goleiro do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte repetiu e ampliou o feito, sendo também o melhor jogador do Brasileirão.

A transferência para o Parma ocorreu logo após a Copa do Mundo 1990, sediada na Itália, na qual o Brasil foi até as oitavas-de-final. Taffarel desbravou o mercado italiano para goleiros brasileiros, que hoje estão muito presentes nos clubes italianos. Mas a vida italiana não foi fácil para ex-goleiro do Internacional. Na equipe gialloblù, foi titular entre 1990 e 1992, mas depois da chegada do colombiano Asprilla, o Parma esgotou o espaço para estrangeiros. O clube optou por deixar Taffarel de fora.

Em Parma, o brasileiro se destacou e ficou entre os melhores do mundo na posição (Tumblr)
O goleiro brasileiro falou sobre esse momento em entrevista à revista Trivela, em abril de 2009: “Comecei bem no Parma, mas o clube precisava de um peso maior lá na frente. Com a chegada de Asprilla, o time esgotou sua cota de estrangeiros e fiquei sem espaço”. E Taffarel deixa claro que entendeu a escolha. “Achei natural, tanto que deixei uma marca lá e acabei voltando no final da carreira”.

À época, Taffarel chegou a disputar um campeonato de igreja em Reggio Emilia, onde foi campeão. Assim chamou a atenção da Reggiana, equipe da cidade, que o contratou. Lá, foi titular no jogo contra o Milan, que segurou o time na Serie A, e realizou uma atuação incrível, com grandes defesas, que mantiveram o 1 a 0 no placar para a sua equipe. Mesmo sem vir de uma grande sequência de jogos nos dois anos que antecederam ao Mundial, Taffarel foi titular da seleção brasileira que venceu a Copa de 1994. E nos Estados Unidos foi destaque da final decidida nos pênaltis contra a Itália, ao defender a cobrança de Massaro - e dar sorte com os erros de Baresi e Baggio.

Após o Mundial, Taffarel voltou a esbarrar na limitação de estrangeiros, o que fez com que ele voltasse ao Brasil para jogar pelo Atlético Mineiro. No Galo, foi convocado para mais uma Copa, e novamente foi titular, pegou pênaltis (nas semifinais frente a Holanda), mas acabou com o vice-campeonato. Após a dura derrota para os franceses, Taffarel abandonou a seleção e retornou à Europa. Desta vez o destino seria o Galatasaray, na Turquia. Vestindo a camisa do time turco conquistou seu grande título continental, a Copa Uefa de 2000, fazendo contra Henry uma defesa incrível na final.

Taffarel integrou time histórico da pequena Reggiana, em uma das poucas participações da equipe na elite (Wikipedia)
Para terminar a carreira, voltou ao Parma. Nos três anos que ficou no time gialloblù antes de abandonar as luvas, Taffarel compôs o elenco que tinha Frey como goleiro titular. O brasileiro ainda teria mais uma aventura italiana, não fosse um “sinal divino”. Ele viajava até Empoli para assinar contrato com o time da cidade, mas no meio da estrada seu carro repentinamente falhou e depois de algumas tentativas de fazer com que ele funcionasse, Taffarel ficou convencido de que isso havia sido o aviso de Deus para ele parar de jogar. O goleiro desceu do carro e avisou aos dirigentes do Empoli que não jogaria mais e ali se aposentou.

Depois, foi ser preparador de goleiros e auxiliar técnico no Galatasaray, mas depois de pouco mais de três meses voltou ao país natal. No retorno ao Brasil se tornou empresário de atletas e, por fim, participou como olheiro da comissão técnica da seleção brasileira no Mundial de 2010. Hoje, agencia jogadores.

Cláudio André Mergen Taffarel
Nascimento: 8 de maio de 1966, em Santa Rosa (RS)
Posição: goleiro
Clubes como jogador: Internacional (1985-90), Parma (1990-93), Reggiana (1993-94), Atlético Mineiro (1995-98), Galatasaray (1998-2001) e Parma (2001-03)
Títulos: Copa do Mundo (1994), Copa América (1989 e 97), Copa Conmebol (1997), Recopa Europeia (1993), Coppa Italia (1992 e 2002), Campeonato Turco (1999 e 2000), Copa Uefa (2000), Copa da Turquia (1999 e 2000) e Campeonato Mineiro (1995)
Seleção brasileira: 101 jogos

Técnicos: Carlo Mazzone

Figura carimbada na Velha Bota, Mazzone aposentou-se em 2006 (1000 Cuori Rossoblù)
Mazzone tem, hoje, 73 anos. Neste tempo, treinou 12 clubes em 38 anos de carreira, tempo suficiente para ter comandado suas equipes em 1.211 partidas. Sua carreira como jogador foi respeitável, mas não gloriosa. Começou na década de 1950 a atuar pelas categorias de base da Roma, onde era zagueiro. Em 1958 chegou a jogar pela equipe principal giallorossa em duas oportunidades, mas no ano seguinte foi emprestado à Spal, na qual disputou a Serie A, e teve também uma breve passagem pelo Siena. Em 1960, foi contratado pelo Ascoli. Vestiu bianconero em mais de 200 partidas e assumiu a braçadeira de capitão.

Em 1968, ainda como jogador, recebeu do presidente Costantino Rozzi a chance de comandar a equipe por dois jogos após a saída do ex-técnico, Evaristo Malvasi. Em 1970, assumiu o time de forma definitiva e, em três temporadas, levou o Ascoli da Serie C para a Serie A. Em 1974, salvou a equipe do rebaixamento e no ano seguinte foi contratado pela Fiorentina, na qual ficou por três temporadas e conquistou uma Copa Anglo-Italiana Em 1979, aceitou o desafio de manter o recém-promovido Catanzaro na Serie A e foi bem sucedido por duas temporadas. Voltou ao Ascoli e, por cinco anos, teve a honra de não ser rebaixado com a equipe.

No fim dos anos 1980, passou por Bologna, Lecce e Pescara. Em 1991, fez ótima campanha com o Cagliari e terminou na sexta posição da Serie A, classificando a equipe sarda para a Copa Uefa. Tal feito o levou para Roma, onde tomou uma decisão pela qual os torcedores giallorossi agradecem até hoje. Mazzone foi o responsável por promover o capitão Francesco Totti à equipe principal e transformar o ex-centroavante da base em trequartista.

Apesar da passagem na Roma ter sido marcado pelos resultados fracos, Mazzone se tornou ídolo da torcida por conta do jeito apaixonado e turrão de guiar o time. Depois da experiência, teve uma segunda passagem pelo Cagliari, assumiu o Napoli por apenas quatro partidas e voltou ao Bologna em 1998. Com um inspirado Signori no ataque, a equipe conquistou a Copa Intertoto e foi bem na Coppa Italia e na Copa Uefa.

Um dos bons trabalhos de Mazzone foi à frente do Cagliari (Cagliari Calcio)
Em 2000, chegou ao Brescia e encontrou na equipe um devotado Baggio, que recusou propostas de gigantes da Espanha e Inglaterra por pensar que, atuando na Itália, teria maiores chances de disputar a Copa do Mundo de 2002. Como de hábito, "Carletto" segurou sua equipe na elite do futebol italiano com unhas e dentes e chegou a disputar a final da Copa Intertoto, na qual o Brescia foi derrotado pelo Paris Saint-Germain na disputa de pênaltis.

Em 2003, já no fim de sua passagem pelo clube rondinelle, Mazzone protagonizou uma cena inusitada, que demonstra o nível de comprometimento e paixão com que dirigia suas equipes. Após estar perdendo para a Atalanta por 3 a 1, Baggio tinha a chance de empatar o jogo nos minutos finais e assim o fez. Em um momento de êxtase (e um pouco de destempero), Mazzone atravessou o campo correndo e foi até a curva onde estava a torcida bergamasca para desabafar.

Depois de passar pelo Bologna pela terceira e última vez, o treinador chegou ao Livorno para substituir Roberto Donadoni e ficou a frente dos amaranto até 2006, quando se aposentou, aos 69 anos. Em 2009, o técnico do Barcelona, Josep Guardiola, convidou Carlo Mazzone, com quem trabalhou no Brescia, para assistir à final da Liga dos Campeões. Vitorioso, dedicou a conquista ao ex-comandante.

Carlo Mazzone
Nascimento: 19 de março de 1937, em Roma
Clubes como jogador: Roma, Spal, Siena e Ascoli
Clubes como treinador: Ascoli, Fiorentina, Catanzaro, Ascoli, Bologna, Lecce, Pescara, Cagliari, Roma, Cagliari, Napoli, Bologna, Perugia, Brescia, Bologna e Livorno
Títulos: 1 Copa Anglo-Italiana (Fiorentina, 1975)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Liga dos Campeões: Emprego a salvo

Cambiasso foi o autor do gol que salvou o emprego de Benítez e colocou a Inter nas oitavas-de-final da
Liga pela sétima vez consecutiva (Foto: AP/La Presse)
Durante a semana, especulou-se que Cambiasso teria ligado para o presidente Moratti para pedir a contratação de um outro técnico para o lugar de Benítez (veja). Curiosamente, foi o próprio Cambiasso que tirou a corda do pescoço do técnico espanhol, ontem. O gol salvador serviu também para classificar a Inter para as oitavas-de-final da Liga com uma rodada de antecedência, injetando um pouco de tranquilidade ao contubardo ambiente interista.

O jogo começou com uma Inter decidida a vencer. Para salvar seu emprego, Benítez escalou o time em um 4-2-3-1, com Eto'o na ala esquerda (como nos tempos de Mourinho) e Pandev centralizado no ataque. O esquema, porém, parecia mais um 4-4-2 na maioria do tempo, uma vez que Sneijder ficou mais livre para encostar no ataque e jogar na mesma linha de Pandev. E a estratégia deu certo. Logo aos três minutos, o holandês chegou bem dentro da pequena área, mas desperdiçou gol incrível. 

A Inter dominava o jogo e teve pelo menos mais três boas chances com o próprio Sneijder e Pandev. Os gols perdidos fizeram falta mais tarde, e os torcedores nerazzurri provavelmente se perguntaram se Eto'o (autor de 18 gols na temporada) perderia aquelas oportunidades. Provavelmente não, mas dessa vez o camaronês estava jogando longe da área. Depois disso, o Twente se encontrou na partida e sufocou a Inter nos últimos 15 minutos do primeiro tempo. Por pouco o time holandês não marcou e abriu o placar. Castelazzi apareceu muito bem em um chute forte de Janssen, aos 30'.

O time de Benítez só se reencontrou após a volta do intervalo. O nervosismo dos 15 minutos anteriores deu espaço a uma pegada mais forte e um time mais concentrado. Eto'o se sacrificando na esquerda, Zanetti e Stankovic incansáveis na marcação e até Biabiany correndo ainda mais que o usual foram peças essenciais para que a Inter alcançasse e segurasse o resultado até o fim do jogo. Além de Cambiasso, á claro, autor do gol da classificação. O apito final tirou suspiros de alívio dos torcedores presentes no San Siro e fez com que Moratti agradecesse o fim do jogo fazendo o sinal da cruz, nas tribunas.

Apesar do sufoco, os números Benítez na Liga dos Campeões são melhores do que os de Mourinho. Nas cinco primeiras partidas, o novo comandante somou dez pontos, enquanto o técnico português alcançou apenas seis na temporada passada e oito na anterior. O ponto fraco de Benítez é o campeonato nacional, onde seu time não vence desde o dia 29 de outubro, quando superou o Genoa. A esperança de torcedores e diretoria é que a classificação antecipada acabe com o mau momento do time. 

Mas a Liga ainda não acabou para a Inter. Na próxima rodada, contra o Werder, o time ainda com o que se preocupar. Para alcançar a primeira colocação do grupo, não pode perder e tem que torcer para o Tottenham não vencer o Twente (veja tabela). O sorteio pode ser cruel para quem ficar com a segunda vaga: Barcelona, Real Madrid, Chelsea e Manchester United são possíveis adversários para as oitavas.

Clique aqui para ver o relato e os gols da partida.
Para relembrar os jogos de Roma e Milan, clique aqui.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Liga dos Campeões: Dois em um

Com apenas um ingresso, os torcedores presentes no estádio Olímpico viram dois jogos bem diferentes. No segundo deles: Roma 3-0 Bayern (Fotos: Getty Images e La Presse)

Na capital italiana, a Roma entrou em campo sob olhares de desconfiança: por opção de Ranieri, Totti começou a partida no banco e desagradou parte da torcida. Borriello foi o titular, ao lado de Vucinic. Mudanças também na defesa e no meio. A dupla de zaga foi formada por Mexes e Burdisso, com Juan no banco, e, no meio de campo, Greco teve mais uma chance. Do lado do Bayern, os problemas foram muitos. Sem Van Bommel, Olic, Robben e Klose, o técnico Van Gaal teve que entrar com um time bem modificado e só pôde contar com seis jogadores no banco de reservas.

Ainda assim, a partida começou com o time alemão muito bem e uma Roma perdida em campo. Velozes e habilidosos, Müller e Ribéry tomaram conta do meio de campo e atormentaram a defesa romana o primeiro tempo inteiro. A pressão resultou em gol aos 33 minutos, quando o francês deu bom passe para Mário Goméz abrir o placar. Falha de marcação do lateral Cassetti, que deixou o atacante se antecipar e chutar. Seis minutos mais tarde, mais uma bobeada na zaga: em frente à área, Ménez recuou na fogueira para De Rossi, que não conseguiu dominar, e Müller aproveitou para colocar Goméz mais uma vez na cara do gol. O atacante não desperdiçou e ampliou. Foi o décimo gol sofrido pela Roma nessa edição da Liga. E a média só não está pior porque o árbitro não viu o pênalti de Brighi em Ribéry, antes do fim do primeiro tempo.

A equipe gialorossa só começou a jogar de fato depois do intervalo. Ranieri tirou Greco, muito inseguro na primeira etapa, e colocou Simplício, que deu melhor ritmo ao meio de campo do time da casa. O primeiro gol da reação saiu logo no início, após grande jogada de Ménez. O francês pegou a bola ainda no seu campo de defesa, arrancou em velocidade e ainda deu um drible da vaca em Demichelis, antes de cruzar para Borriello, aos trancos e barrancos, marcar o gol que inflamaria a torcida no Olímpico. O atacante foi muito bem na segunda etapa. Voltou para ajudar na marcação e roubou bolas importantes.

Com o apoio vindo das arquibancadas foi mais fácil para o time da casa se impor e mudar o jogo totalmente de lado. Aos 30', Ranieri trocou Brighi por Totti e o time passou a pressionar mais ainda. Seis minutos depois, Vucinic fez belo lançamento para Riise cruzar e De Rossi marcar. Em má fase, esse foi o único momento de brilho do jogador na partida. O gol da virada ficou por conta do capitão. Totti lançou Borriello na área e o atacante sofreu pênalti. Depois de cobrança convertida, o clássico dedo na boca e delírio total dos torcedores. A virada heróica coloca a Roma a um passo das oitavas-de-final: um empate contra o Cluj na última rodada já garante a vaga. Embalado, o time não perde uma partida desde o dia 19 de outubro, quando perdeu para o Basel.

Clique aqui para ver o relato e os gols da partida.

Auxerre 0x2 Milan
Enquanto isso, na França, o Milan carimbava seu passaporte para a segunda fase da competição. O time de Allegri entrou muito organizado taticamente, com Gattuso, Ambrosini e Flamini no meio e Seedorf fazendo as vezes de trequartista, atrás de Ibrahimovic e Robinho. Ronaldinho comçou a partida no banco de reservas. No primeiro tempo, o time italiano se preocupou mais em segurar o ímpeto do Auxerre do que atacar. E o fez muito bem. Abbiati fez uma boa partida e deu segurança à zaga. Para tentar aproveitar os espaços e encaixar um contra-ataque, Robinho foi a principal peça. O brasileiro se movimentou bem e conseguiu dar algumas alternativas para o time, que, contudo, não conseguiu alcançar o gol.

No segundo tempo, o time saiu um pouco mais para o jogo e chegou mais perto do gol. As descidas de Zambrotta e, principalmente, Abate tiveram papel importante na maior pressão dos rossoneri. Com Ibrahimovic voltando um pouco mais e procurando jogo as coisas ficaram mais fáceis. Aos 19', Seedorf tentou lançar Robinho, mas Dudka intercepetou. O problema é que o corte do zagueiro se transformou em um belo passe para Ibra bater sem chances para o goleiro. Com o 1 a 0 no placar, o Milan passou a tocar bola e tentar sair no contra-ataque. O Auxerre não levou mais muito perigo. Ainda deu tempo de Allegri tirar Ibrahimovic e colocar Ronaldinho, que, em seu primeiro lance, marcou um bonito gol, após bela jogada de Robinho, pela direita. A vitória do Milan foi convincente e agora o último jogo, contra o Ajax, serve só para cumprir tabela.

Clique aqui para ver o relato e os gols da partida.

Para relembrar a 4ª rodada da Liga dos Campeões, clique aqui e aqui.

domingo, 21 de novembro de 2010

13ª rodada: Irreconhecíveis

Com camisa esverdeada, a Lazio parou no Parma. Apresentação irreconhecível
de Hernanes (esquerda), na pior partida dele no campeonato até aqui (AP Photo)

Contra o Parma, Edy Reja mudou bastante o time titular da Lazio que vinha dando certo no campeonato. Não se deu bem. Rafa Benítez escalou o que podia, nas atuais condições médicas da Inter. Não se deu bem. A ex-líder e atual pentacampeã fizeram partidas irreconhecíveis e voltaram a decepcionar. Com os resultados, o líder Milan abriu três pontos sobre a Lazio e ensaia a primeira fuga com destino ao scudetto. Confira os jogos de domingo:

Chievo 2-1 Inter
Duas derrotas seguidas, nove pontos abaixo do líder Milan, 12 pontos abaixo da campanha conquistada até a mesma 13ª rodada do campeonato passado, incontáveis lesionados. Este é o atual quadro da Inter, irreconhecível perto daquela grande equipe campeã europeia de meses atrás. Contra um Chievo bem armado na defesa e que apostava nos contra-ataques, o time de Rafa Benítez jogou nervoso, de forma confusa e não conseguiu reverter no campo a falha de Santon que permitiu que Pellissier abrisse o placar - pela Serie A, é o quinto gol do capitão clivense contra a Inter. A cabeçada à Zidane de Eto'o no esloveno Cesar é um bom resumo do atual momento nerazzurro. Até mesmo aquele que marcou 16 dos 25 gols da Inter nesta temporada está com os nervos à flor da pele. E o emprego de Benítez, é claro, balança. A Inter tem 20 pontos em 13 rodadas, mesmo número do Palermo, que gasta cinco vezes menos que a equipe de Massimo Moratti.

Parma 1-1 Lazio
Quem acompanhou o forte início da temporada laziale se surpreenderia bastante com Hernanes aberto pela direita, Floccari recuado para o meio-campo, Zárate como centroavante e Matuzalém dividindo a linha de marcação com Brocchi. Mas foi assim que Edoardo Reja escalou o time contra o Parma - e pagou pelos erros que cometeu. O meio-campo biancoceleste foi facilmente dominado pelo time de casa e só no segundo tempo conseguiu deixar a pressão de lado. Foi este buraco no meio-campo que permitiu que Ângelo recebesse a bola sem problemas e cruzasse na cabeça de Crespo. O empate da Lazio surgiu num escanteio que Antonelli desviou contra o próprio gol depois de cabeceio de Floccari. De nada adiantou atacar tanto após o intervalo. O segundo tempo foi bastante intenso e com várias oportunidades para a vice-líder do campeonato, mas Floccari, Hernanes e Zárate falharam nas melhores chances.

Genoa 0-2 Juventus
O noticiário pré-partida garantia que Krasic seria poupado por Luigi Delneri. Longe da melhor forma física, seria arriscado escalar o sérvio na partida das 12h30 (horário italiano). Mas Krasic entrou em campo e voltou a ser decisivo. Tão decisivo quanto as traves, acertadas quatro vezes pela bola - duas pela Juve e duas pelo Genoa. As do time bianconero entraram mesmo assim, enquanto as da equipe rossoblù foram bombas que ricochetearam e pararam longe do gol. A Juventus abriu o placar com um chute desviado por Dainelli e convertido ao bater nas costas de Eduardo, e definiu o resultado com uma ótima disparada de Krasic pela direita que culminou na enésima falha do goleiro português na temporada. Com o resultado, a Velha Senhora chegou a nove jogos de invencibilidade na Serie A e se consolidou na quarta colocação.

Brescia 1-2 Cagliari
Treze meses depois, Roberto Donadoni está de volta à Serie A. O ex-treinador de Livorno, seleção italiana e Napoli foi contratado para o lugar do jovem Pierpaolo Bisoli, que não resistiu aos resultados ruins. A estreia foi boa mesmo no gramado encharcado do estádio Mario Rigamonti. Caracciolo sofreu e converteu o pênalti que colocou o Brescia em vantagem no primeiro tempo. E o time da casa ainda teve várias oportunidades para definir o reultado, sem sucesso. No contra-ataque permitido por um escanteio mal cobrado pelo Brescia, Cossu pôs Matri na frente de Sereni e mudou a história da partida. Três minutos depois, Conti acertou de muito longe para matar a partida e, quem sabe, a passagem de Giuseppe Iachini pelo Brescia: são sete derrotas e dois empates nos últimos nove jogos dos rondinelle.

Cesena 1-2 Palermo
A vitória do Palermo em Cesena pode se tornar a grande virada para o campeonato rosanero. A equipe de Delio Rossi, depois de tantos altos e baixos por motivos que foram de lesões a arbitragem, parece finalmente ter encontrado uma continuidade fundamental para mirar o alto. A cereja no bolo foi o retorno de Miccoli às redes em uma partida praticamente perfeita do baixinho de Salerno. O esloveno Ilicic segue em grande fase e marcou o quinto gol dele no campeonato ao desviar de calcanhar um cruzamento do lateral-esquerdo Balzaretti. Também pela esquerda, do outro lado, Nagatomo cruzou para o empate de Bogdani. O gol da vitória palermitana veio com o ótimo chute de Miccoli, o melhor em campo. E assim o Palermo alcançou 20 pontos no campeonato, mesmo número da atual pentacampeã Inter.

Lecce 2-3 Sampdoria
A grande partida de superação do Lecce não foi suficiente para segurar o ímpeto de Pazzini, que havia marcado apenas um só gol em todo o campeonato e hoje anotou três. O primeiro em falha conjunta de Rosati e Fabiano e o segundo após pênalti sofrido por Marilungo, pouco depois de Chevantón ser expulso por agredir Ziegler. Di Michele e Diamoutene conseguiram o empate, mas aos 43 minutos Dessena encontrou Pazzini para o terceiro gol do artilheiro. Um bom dia para esta ótima prova do camisa 10: o presidente blucerchiato Riccardo Garrone garantiu, pouco antes da partida, que Cassano não voltará a jogar pela Sampdoria.

Catania 1-0 Bari
O zagueiro Terlizzi marcou o gol da partida, mas antes dele, aos 37 minutos do segundo tempo, todo o sistema ofensivo do Catania parou no goleiro Gillet, único ponto de equilíbrio do Bari, cada vez mais lanterna. As 15 finalizações mal sucedidas até o gol de Terlizzi fizeram Maxi López perder a cabeça e ser expulso por reclamação. Pelo Bari, nenhuma das sete finalizações precisaram ser defendidas por Andújar. As intermináveis lesões no elenco biancorosso vetaram sete titulares de Giampiero Ventura e o ataque foi o mais prejudicado. Com o hondurenho Álvarez improvisado por ali, é complicado esperar mais que apenas erros. Para as estatísticas: o Catania ainda não perdeu em casa, nos 18 jogos que fez no Angelo Massimino em 2010.

Napoli 4-1 Bologna
Na partida noturna que encerrou a rodada, o Napoli exagerou no primeiro tempo, se segurou no segundo e não encontrou dificuldades para bater este caótico Bologna, que tem salários atrasados, pode perder três pontos no campeonato caso se comprovem irregularidades financeiras e parece correr até mesmo risco de falência. O time partenopeu precisou de apenas dois minutos para começar a goleada, com Maggio, que não comemorou para se queixar das críticas recebidas recentemente. Sob chuva forte, Hamsík marcou duas vezes e Meggiorini descontou, mas parou neste suspiro a retomada do Bologna. Cavani fechou o placar, se igualou a Eto'o na artilharia da Serie A e recolocou o time a cinco pontos do líder Milan.

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Seleção da 13ª rodada
Abbiati (Milan); Paci (Parma), Chiellini (Juventus), Andreolli (Chievo), Balzaretti (Palermo); Krasic (Juventus), Ménez (Roma), Hamsík (Napoli); Ibrahimovic (Milan), Pazzini (Sampdoria), Pellissier (Chievo). Técnico: Claudio Ranieri (Roma)

13ª rodada: Dia de magia

No final de semana marcado pela sétima estreia de Harry Potter, Ménez
e Ibrahimovic abusaram da magia (AP Photo)

Foram três gols no sábado, pela abertura da Serie A. Dois destes, verdadeiras pérolas que saíram dos pés de Ménez e Ibrahimovic. Gols importantes para manter o Milan na liderança e empurrar a Roma, pela primeira vez na temporada, à zona de classificação para a Liga dos Campeões.

Roma 2-0 Udinese
Continua a escalada da Roma. Com a vitória de ontem, os giallorossi chegaram a sete jogos de invencibilidade e à terceira posição temporária na tabela. Nada mal para um time que há um mês estava em plena crise e cogitava demitir Claudio Ranieri. Contra a Udinese, o treinador romano poupou Vucinic, Pizarro e Mexès para o confronto com o Bayern de Munique, pela Liga dos Campeões. Sem opções no meio-campo, manteve a confiança em Greco, que esteve na lista de dispensa do início da temporada, mas ficou e tem se afirmado como ótima opção. No primeiro tempo, as emoções vieram com poucos chutes a gol e com um gol fantástico de Ménez, que passou por dois adversários antes de marcar.

Depois do intervalo, o gol de Borriello pareceu matar o jogo, o que fez Francesco Guidolin lançar Sánchez e Denis em campo. O chileno acertou a trave e o argentino teve um gol injustamente anulado nos acréscimos. No lado romanista, as substituições serviram para que o estádio pudesse ovacionar o autor dos dois gols e dar uma enésima chance a Júlio Baptista e marcar o retorno de Adriano aos gramados, após dois meses. A festa da Roma só não foi maior por causa da expulsão de Burdisso, posto para fora após discutir com Domizzi.

Milan 1-0 Fiorentina
Tradicional palco para desilusões da Fiorentina, o time viola não decepcionou no primeiro terço de jogo: jogou um bom futebol, tentou sufocar o Milan dentro da casa rival, agiu bem pelas laterais e impediu que Robinho e Ibrahimovic pudesse ter a bola. A melhor chance até poucos minutos antes do intervalo foi da Fiorentina, com Ljajic. Até que Ibrahimovic resolvesse que era tempo de aparecer, aos 44 minutos. O sueco recebeu na área um cruzamento ruim, ajeitou a bola de costas para o gol e anotou uma acrobática bicicleta para deixar Boruc perplexo.

No segundo tempo, a linha verde de rejuvenescimento da Fiorentina manteve espaço com a estreia do zagueiro Camporese, 18 anos. O Milan passou a dominar o jogo e não deu tanto espaço para os viola, que só voltaram a causar problemas com Ljajic, que aos 38 minutos perdeu uma ótima chance de bater Abbiati, o melhor em campo. Apear da queda no segundo tempo, será uma semana para Florença chorar mágoas: Sinisa Mihajlovic reclamou bastante da expulsão de Kroldrup e do pênalti não marcado de Zambrotta sobre Cerci.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Jogadores: Renato Gaúcho e Andrade

Renato Portaluppi e Andrade: maior parte do tempo em Roma foi passada no banco de reservas (Tumblr)
Embora escrita por vencedores, a história também conta com seus desafortunados. Tratando-se de futebol italiano, por exemplo, Renato Gaúcho e Andrade são dois. Em 1988 eles saíram juntos do Flamengo e assinaram com a Roma, equipe que defenderam por uma temporada lastimável.

Andrade ganhou de tudo no Flamengo: estaduais, Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial Interclubes. Renato não deixou por menos: com o Grêmio, faturou uma Libertadores e um Mundial, além de campeonatos estaduais e, no mesmo rubro-negro de Andrade, um Brasileiro. A expectativa que cercava os dois jogadores - um experiente, outro explosivo - animou a Itália, que almejou vivenciar uma época de ouro para os brasileiros em Roma. Fracasso total.

Portaluppi e Andrade passaram por problemas distintos: se um era demasiado lento, outro foi 'esperto' demais. O meio-campista desembarcou na capital aos 31 anos e teve sérias dificuldades com seu físico. Lento, muito lento, recebeu dos torcedores o apelido inglório de moviola. Seu episódio mais famoso em Roma foi um escorregão: colocado em campo por Nils Liedholm numa partida contra o Dynamo Dresden, pela Copa Uefa, Andrade atuou alguns minutos, deslizou na neve e desabou. Logo foi substituído pelo sueco. Ao todo, jogou nove míseras partidas com os giallorossi na Serie A.

Renato, por sua vez, forçou a barra. A vida noturna na Itália se mostrava irresistível para o atacante, que até começou bem - três gols em cinco jogos na Coppa Italia - mas não demorou para desabar. Além da Coppa, seu único gol foi marcado contra o Nuremberg, na Copa Uefa, em partida na qual terminaria expulso. Na Serie A foram 23 jogos e nenhuma rede.

Embora acuse de boicote os ex-companheiros Massaro e Giannini - sobre o qual disse não ter condições de jogar na terceira divisão do futebol brasileiro - a credibilidade de Portaluppi nunca foi alta. O que pensar de um atleta que, recém-chegado, afirma "mais que os defensores, suas mulheres devem ficar de olho aberto comigo"?

Comparado com Gullit na sua transferência, Renato voltou lembrado como um mero playboy: por viver em noitadas e cercado de mulheres, recebeu o apelido de Púbis de Ouro (Pube d'Oro), em uma brincadeira com o apelido de Maradona, El Pibe de Oro. Durante a temporada, o então presidente Dino Viola declarou publicamente o seu arrependimento por ter fechado com Renato e não com Müller, que se destacava no São Paulo e fechara com o Torino.

O retorno de ambos ao Brasil, entretanto, foi bem mais feliz. Em campo ou treinando, Andrade e Portaluppi se estabeleceram no futebol nacional, sem chegar perto do período soturno que viveram na capital italiana. Ao contrário daqui, contudo, os dois certamente não entraram para um rol de vitoriosos na Itália.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Jogadores: Luigi Meroni

O George Best italiano (direita) foi ídolo no Torino e morreu aos 24 anos após acidente automobilístico (Rai)
"Quando você vai a campo, meu amor, alguns pensamentos e dores são transformados em um show de mágica." Este é um trecho da música Chi si recorda di Gigi Meroni?, da banda italiana de folk rock Yo Yo Mundi. Em 15 de outubro de 1967, uma cidade chorava a morte do habilidoso ala de 24 anos.

No norte de Milão, 22 anos antes, era Luigi Meroni quem chorava a morte do pai. Ele começou a jogar futebol em um pequeno pátio de 60 metros quadrados. Foi o Como quem deu a primeira chance no mundo da bola para o jogador. Dois anos na equipe foram suficientes para que a velocidade, a técnica e o controle de bola de Meroni fossem vistos com bons olhos por outro clube, o Genoa.

Ele fez apenas 15 jogos em sua primeira temporada na equipe que havia retornado à Serie A na temporada anterior. A Genoa ficou à beira do abismo, encerrando a época com apenas um ponto a mais que o Napoli, primeiro clube a ser rebaixado. Na última rodada daquele campeonato, Meroni foi chamado para um teste anti-doping. Ele se recusou a fazer o exame. Resultado: suspensão das cinco primeiras rodadas da Serie A 1963-64. Este contratempo, porém, não ofuscou a temporada do ala: seis gols em 27 jogos e uma decente 8ª colocação ao fim da temporada.

Foi aí que apareceu o Torino na vida de Meroni. A diretoria do Genoa era contra a venda do jogador, mas 450 milhões de liras (cerca de R$ 540 mil, em dinheiro atual) levaram o atleta a Turim. À direita do time de Nereo Rocco, ele aterrorizava os defensores adversários com dribles desconcertantes em velocidade – Meroni era especialista em fintar entre as pernas, o famoso "rolinho". 

O estilo e habilidade levaram o italiano a ser comparado com a então promessa norte-irlandesa George Best, futura lenda do Manchester United e lhe valeram o apelido de  "La Farfalla Granata", ou "A Borboleta Grená". 1967 foi o ano em que o jogador marcou o memorável gol que ajudou o Torino a derrotar a Inter de Helenio Herrera. Fazia quase três anos que os nerazzurri não perdiam no Giuseppe Meazza.

Estilo boêmio fora de campo marcou carreira de Meroni (Tifo Toro)
Não era só dentro de campo que Meroni marcava presença. Fora dele, o jogador estava presente nas conversas sobre moda. Ele usava roupas fora de época, óculos de sol grandíssimos e cabelo coberto com chapéus extravagantes. O cabelo, aliás, virou uma obsessão nacional quando ele foi convocado por Edmondo Fabbri para a Seleção B. O técnico pediu para o jogador cortar as madeixas, e Meroni ficou furioso por ter de fazê-lo. Em 1965, Fabbri o chamou novamente para representar a Nazionale, agora em uma partida eliminatória para a Copa do Mundo. O treinador pediu o mesmo. Meroni recusou e, em entrevista coletiva, disse: "Espero jogar apesar do cabelo comprido".

Durante o verão de 1967, a arquirrival Juventus ofereceu a exorbitante quantia de 750 milhões de liras (pouco mais de R$ 910 mil) pelo jogador, então com 24 anos. Astronômica para o momento, a transferência seria realizada, não fosse pelos torcedores granata. Eles protestaram contra a venda nas ruas e em frente às mansões de Orfeo Pianelli, presidente do Torino, e Gianni Agnelli, mandatário bianconero.

Dois meses depois, em 15 de outubro, Meroni foi convencido pelo amigo e zagueiro do Torino Fabrizio Poletti a celebrar a vitória recém-conquistada sobre a Sampdoria por 4 a 2 com suas namoradas. O clima festivo subiu à cabeça do ala, que iria pedir Cristiana Uderstadt em casamento. 

Ao atravessar a rua para chegar a um bar, Meroni deu um passo para trás para se esquivar de um carro que vinha à sua direita, mas outro veículo vinha da esquerda. Poletti foi atingido pelo Fiat Coupé, mas de raspão. Meroni foi jogado para o outro lado da rua e depois atingido por um Lancia Appia que o arrastou pelo chão por 50 metros. A ambulância ficou presa no tráfego pós-partida e Meroni não resistiu as fraturas nas pernas, bacia e crânio.

Mais de 20 mil pessoas assistiram ao funeral do craque do Torino. Prisioneiros de uma cadeia da cidade se juntaram para mandar uma coroa de flores para Meroni. O padre Don Francesco Ferraudo disse à multidão que ele "não era apenas corpo, músculos e nervos... Mas também gênio, bondoso, corajoso, compreensivo e generoso". No dia seguinte, as manchetes resumiam a morte do jogador. "Toda Turim chorou".

Meroni, a "Borboleta Grená" (Sphera Sports)
O mundo dá voltas
Attilio Romero foi eleito presidente do Torino em 2000. Filho de um médico rico, há 33 anos tinha um corte de cabelo parecido com o de Meroni. Aliás, até parecia fisicamente com o jogador. Era ele quem dirigia o Lancia Appia daquela fatídica noite. A chegada de Romero à cadeira do mandatário expôs o clube a críticas de fãs que atribuíam ao presidente a responsabilidade do incidente que tirou a vida do elegante ala da camisa 7.

No 40º aniversário do falecimento de Meroni foi colocado um monumento no local onde ocorreu o acidente. Além disso, foram dedicados a ele vários livros e mensagens de clubes de futebol. A memória de um jogador que poderia ter se tornado um dos grandes da história italiana permanece inalterada.

Luigi Meroni
Nascimento: 23 de fevereiro de 1943, em Como
Morte: 15 de outubro de 1967, em Torino
Posição: ala
Seleção italiana: 6 jogos e 2 gols
Clubes como jogador: Como (1960-62), Genoa (1962-64), Torino (1964-67)
Títulos como jogador: Coppa Italia (1967-68)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Lega Pro: Bastidores vão a campo

Projeto? O presidente Giovanni Martinelli (esquerda) demitiu o treinador
Giuseppe Giannini. Hellas Verona recomeçará do zero (Fotoexpress)

Bastidores em destaque, nas terceira e quarta divisões italianas. A Comissão Nacional Disciplinar (CND) usou mão de ferro e combateu com perda de pontos as equipes que apresentaram irregularidades no ato de inscrição para os campeonatos. A tendência é que o panorama se agrave ainda mais, já que o Covisoc (orgão que verifica a situação financeira dos clubes) passará a fazer vistorias trimestrais. Um esforço louvável para que os clubes obriguem-se a ter equilíbrio, mas que também pode vir a falsear as competições em curso.

Outra faceta dos bastidores revela a total falência de outro dos projetos mais ricos da categoria: derrotado em Salerno, o Hellas Verona resolveu demitir o técnico Giuseppe Giannini, que chegou a Verona aclamado como novo Cesare Prandelli e deixou o cargo desprestigiado por todos. Agora, o clube scaligero se vê às voltas com a necessidade de reiniciar o trabalho com um novo treinador (Andrea Mandorlini) e um elenco caro e insuficiente – assim como Cremonese, Juve Stabia e Giulianova.

Prima Divisione, após 12 rodadas

Grupo A: Aqui, as punições da CND interferiram diretamente na tabela, entregando ao Sorrento a liderança que seria da Salernitana, que derrotou o abastado Hellas Verona e derrubou seu treinador. A Reggiana foi clamorosamente parada no dérbi contra o Ravenna. A Cremonese, equipe construída para vencer o campeonato, foi derrotada pelo Como. O Monza continua sendo um bom anfitrião para os adversários e a Paganese despencou para a lanterna.

Promoção direta: Sorrento (23 pontos)
Play-offs: Salernitana (21), Spal (20), Reggiana (19) e Alessandria (19)
Play-outs: Bassano Virtus (12), Como (12), Monza (12) e Ravenna (11)
Rebaixamento: Paganese (10)
Spezia e Ravenna têm um jogo a menos
Penalizados pela CND: Spal (-1) e Salernitana (-2)

Grupo B: A Nocerina perdeu a chance de desesperar ainda mais a Lucchese, contra quem recolheu apenas um ponto, mas contou com tropeços de todos os seus adversários diretos. A novidade é a volta do Virtus Lanciano para os play-offs, após um período difícil. Os cinco pontos de desconto custaram caro à Cavese, que voltou aos play-outs, mesmo em franca recuperação. Na lanterna, o Barletta continua distribuindo pontos a seus adversários.

Promoção direta: Nocerina (25 pontos)
Play-offs: Benevento (22), Atletico Roma (21), Gela (19) e Virtus Lanciano (18)
Play-outs: Lucchese (12), Ternana (12), Cavese (11) e Viareggio (10)
Rebaixamento: Barletta (8)
Atletico Roma, Juve Stabia, Ternana e Foligno têm um jogo a menos
Penalizados pela CND: Foggia (-1), Foligno (-1) e Cavese (-5)

Seconda Divisione

Grupo A, após 11 rodadas: A Pro Patria tenta a fuga na liderança, mas ainda é vigiada de perto por FeralpiSalò, Tritium e Pro Vercelli. A Sambonifacese se aproveitou dos vacilos (e da penalização) do Rodengo Saiano e roubou sua posição. Sacilese e Casale seguem no play-out e a Sanremese ainda não venceu.

Promoção direta: Pro Patria (24 pontos)
Play-offs: FeralpiSalo’ (22), Tritium (21), Pro Vercelli (21) e Sambonifacese (16)
Play-out: Sacilese (7) e Casale (6)
Rebaixamento: Sanremese (5)
Penalizados pela CND: Canavese (-2) e Rodengo Saiano (-1)

Grupo B, após dez rodadas: Fim (momentâneo, ao menos) do equilíbrio entre Carpi e Carrarese, com os primeiros que abrem seis pontos de vantagem na liderança. O San Marino empatou duas vezes seguidas e perdeu a chance de avançar mais. Recuperação do L’Aquila, mau momento para o Chieti e pesadelo infinito em Giulianova, que vê seu time ainda na lanterna da competição.

Promoção direta: Carpi (25 pontos)
Play-offs: Carrarese (19), San Marino (17), Giacomense (15), e L’Aquila (15)
Play-out: Villacidrese (7) e Giulianova (6)
Penalizados pela CND: Sangiovannese (-4) e Villacidrese (-5)

Grupo C, após dez rodadas: Antes sós na disputa pela liderança, Latina e Sangiuseppese ganharam a companhia do surpreendente Pomezia, que se mostra uma equipe de vértice em seu primeiro campeonato profissional. Na parte de baixo, tudo penaliza o Catanzaro: não bastasse o caos técnico e societário, o clube ainda teve um ponto deduzido na classificação.

Promoção direta: Latina (22 pontos)
Play-offs: Sangiuseppese (21), Pomezia (20), Trapani (19) e Melfi (15)
Play-out: Isola Liri (5) e Catanzaro (2)
Penalizado pela CND: Catanzaro (-1)

Coppa Italia Lega Pro
Os dez classificados para o terceiro turno eliminatório foram definidos: Pro Vercelli, Monza, Bassano Virtus, Pisa, Lucchese, Foggia, Nocerina, Juve stabia, Cosenza, Carpi, Atletico Roma e San Marino. Agora, essas equipes serão dividas em quatro chaves, de três equipes cada, para definir os semi-finalistas do torneio.

domingo, 14 de novembro de 2010

12ª rodada: Ibrahimolíder

Ibrahimovic venceu oito dos últimos dez títulos nacionais que disputou. Não
é novidade que esteja, mais uma vez, decidindo (Getty Images)

Na grande partida da rodada, o sueco foi decisivo ao sofrer e converter um pênalti infantil cometido por Materazzi. Nas outras, não faltaram destaques ofensivos. Pastore e Di Natale destruíram Catania e Lecce, respectivamente. Pela vice-líder Lazio, Zárate finalmente desencantou e foi essencial. Saiba mais sobre os jogos deste domingo:

Inter 0-1 Milan
Ibrahimovic jamais havia marcado contra um ex-time. Bastou vestir a camisa do Milan para quebrar o encanto: marcou um na Juventus, outro na Inter. O gol de hoje não vale o título da temporada, mas é uma bela injeção de confiança para os rossoneri, que nos últimos anos não passaram de coadjuvantes na disputa nacional. Desta vez, a expectativa é tanta que Adriano Galliani disse que a vitória de hoje levará o time ao título italiano. Agora é esperar para ver. Em campo, tudo se resolveu rapidamente. Aos cinco minutos do primeiro tempo, Ibrahimovic soltou uma bomba para converter o pênalti cometido por uma falta ingênua de Materazzi.

Rafa Benítez planejava um 4-3-1-2, mas logo teve que desistir por conta da lesão muscular de Obi. Bom para a Inter, que ficou mais agressiva com a entrada de Philippe Coutinho, mas não chegou a causar tanto perigo. Ao brasileiro, falta ser mais incisivo e decidir lances com maior facilidade. Milito é mais um dos que saíram por conta de uma lesão muscular - e Pandev é outro que atuou melhor que o titular, inclusive causando a expulsão de Abate. O Milan dominou o primeiro tempo e marcou seu gol por conta da bobeira de um zagueiro que há meses não jogava como titular (e que saiu lesionado durante o jogo, se vale a novidade). A Inter teve posse total de bola nos 30 minutos finais, mas nem fez cócegas em Abbiati. Manter o scudetto no peito será tarefa difícil.

Lazio 2-0 Napoli
Depois de duas derrotas seguidas, a Lazio recuperou o rumo e voltou a vencer. Concentrada e agressiva, chamou a responsabilidade de atacar no estádio Olímpico, algo que evitava fazer até então. Bastaram 14 minutos até o primeiro gol, de Zárate, o melhor em campo. Boa aposta de Reja, o argentino atuou pelo centro do ataque. Há muito tempo não jogava por ali, há muito tempo não era tão decisivo. Como se tornou habitual, o Napoli se incendiou após levar o gol, mas a má partida de Cavani rompeu todas as esperanças. No segundo tempo, Zárate reapareu com uma linda assistência para Floccari. A Lazio vira a rodada na segunda posição, mantendo o rival partenopeu afastado das posições mais altas da tabela.

Palermo 3-1 Catania
Falava-se que Maurizio Zamparini pretendia vender o Palermo. A vitória no dérbi pode ter feito o patrono rosanero mudar de ideia: apesar dos tropeços, o projeto dele funciona no clube. Contra o Catania, o show de Pastore devolveu calma ao ambiente. O Flaco marcou os três gols do time e não deu chances a um Catania que até lutou - e acreditou numa reação após o gol de Terlizzi -, mas que não conseguiu parar a ótima dupla de armação formada pelo argentino e por Ilicic.

Sampdoria 0-0 Chievo
Os blucerchiati continuam sofrendo pela falta de Cassano. Desde que ele foi afastado, a Sampdoria só marcou um gol, com um Pazzini bem distante do artilheiro da temporada passada. O empate sem gols caiu bem para os dois times, que esbanjaram falta de técnica numa das piores partidas do ano. Mas é melhor para o Chievo, que jogou fora de casa sem o capitão Pellissier e deu outra prova de sua solidez defensiva. No fim da partida, cerca de 50 torcedores da Samp protestaram contra o presidente Riccardo Garrone. É a primeira vez, em oito anos, que isto acontece.

Udinese 4-0 Lecce
Di Natale definiu a partida a favor da Udinese no primeiro tempo. Marcou três vezes, com destaque para a colaboração de Sánchez, fundamental desde que se encaixou no esquema de Francesco Guidolin. No final, Floro Flores marcou o quarto gol em claro impedimento e Handanovic ainda parou um pênalti de Di Michele. O Lecce chegou à marca de 22 gols sofridos em 12 partidas. Destes, 19 foram sofridos nas sete partidas fora da casa. Continua a caça da Udinese às posições mais altas da tabela: com o resultado, o time já está na oitava colocação.

Bologna 1-0 Brescia
Como sempre, gol de Marco Di Vaio. Pela sétima vez na temporada, o agora vice-artilheiro da Serie A deixou a marca dele. A torcida no Renato Dall'Ara já havia começado a perder a paciência e dedicar as primeiras vaias ao campo quando o capitão rossoblù parou, girou e mandou no cantinho do gol de Arcari, ainda beliscando a trave. Com o resultado, o Brescia sensação do início da temporada (e páreo duro para a Juventus na rodada passada) foi parar na vice-lanterna e o Bologna de Alberto Malesani deixou a zona de rebaixamento.

Bari 0-1 Parma
No jogo dos desesperados, foi o Parma quem se saiu melhor. Méritos do técnico Marino, que, sabendo que não tem um grande ataque, montou o time se preocupando em defender bem. O gol saiu, aos 33', dos pés de Candreva, destaque do time até aqui. Os gialloblù contaram com um pouco de sorte também: já nos acréscimos do primeiro tempo, o juiz marcou um pênalti para o Bari, que desperdiçou a chance de empatar com Parisi. No segundo tempo, o nervosismo tomou conta do time da casa e o Parma não teve grandes problemas para segurar o resultado. Masiello e Donati ainda foram expulsos antes do fim da partida. Agora, o Parma respira um pouco, com 14 pontos, enquanto o Bari continua na última colocação.

Cagliari 0-1 Genoa
No Sant'Elia, o Cagliari não teve muita sorte e continua com um pé na zona de rabaixamento. Apesar de terem jogado melhor a partida inteira, com mais atitude e a procura do gol, os donos da casa não foram efetivos nas hora de finalizar. Quando o faziam direito, esbarravam em um Eduardo muito inspirado. O melhor jogador do Genoa na partida. E se faltou melhor sorte ao Cagliari, isso não foi problema para o Genoa. O famoso ditado "quem não faz, leva" esteve ao seu lado e Ranocchia marcou, para aproximar o Genoa da zona de classificação europeia. Ao final da rodada, as boas atuações recentes do zagueiro foram premiadas com a convocação de Prandelli para os amistosos dessa semana. É a primeira vez que ele é chamado para a seleção principal. Assim, Ballardini chega a sua segunda vitória em dois jogos pelo time genovês, algo que nem os mais otimistas imaginavam.

Colaborou Rodrigo Antonelli

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Seleção da 12ª rodada
Handanovic (Udinese); Lichtsteiner (Lazio), Nesta (Milan), Mexès (Roma), Ranocchia (Genoa); Miguel Veloso (Genoa), Aquilani (Juventus), Pastore (Palermo); Ibrahimovic (Milan), Di Natale (Udinese), Zárate (Lazio). Técnico: Delio Rossi (Palermo)

12ª rodada: propaganda enganosa

Juventus e Roma: olhando para cima sem subir (Getty Images)

A abertura da 12ª rodada contou com uma Fiorentina atuando no limite. Juventus e Roma, por sua vez, ficaram num empate tão doce quanto azedo para ambos.

Juventus 1-1 Roma
Propaganda enganosa em Turim: o ótimo início de jogo empolgou os espectadores, que viram uma partida em nível decrescente. Se a Juve logo partiu pra cima, bastaram alguns minutos para os romanistas se situarem e contra-atacarem. Totti e Ménez comandaram as ações ofensivas, enquanto Sorensen e Chiellini mostraram uma segurança exímia. Os bianconeri foram regidos por um Aquilani inspirado no seu primeiro confronto contra a ex-equipe. Também ameaçava Pepe, outro ex-Roma, perigoso nas arrancadas. Vucinic, quem mais vem decidindo a favor de seu time, dessa vez pouco apareceu. Depois de abrir o placar com um belíssimo chute de Iaquinta, a Juventus passou a dominar o jogo, mas viu Totti bater falta e a bola atingir o braço de Pepe, gerando um pênalti bastante questionável. O empate durou até o fim da partida, cujo segundo tempo desprovido de emoções esfriou quaisquer expectativas.

A valer da atuação deste sábado, os problemas na defesa da Juve estão praticamente resolvidos. Bonucci e Chiellini foram demasiado seguros, cobertos por um Sorensen impecável. Traoré, que substituiu Grosso no intervalo, também entrou com qualidade. No outro lado, entretanto, permanecem os mesmos problemas físicos: a Roma, tal qual na maioria das partidas em que disputou nessa temporada, parou na reta final do jogo, num fato que teve a contribuição de Ranieri. O treinador sacou Totti - quem mais organizava e mantinha a posse de bola no ataque - e lançou Borriello, que pouco teve oportunidades de aparecer. Destaque para Ménez, que confirma sua boa fase e parece ter superado de vez a irregularidade que o perseguiu em seus primeiros momentos na capital.

Desfalcadas, Juventus e Roma sentiram falta de seus indisponíveis: a ausência de Krasic limitou bastante o perigo que a Vecchia Signora tinha a oferecer, enquanto os giallorossi, travados, lamentaram a criação de jogo que Pizarro deveria proporcionar. Na defesa romanista, Mexès foi bem, enquanto Cassetti teve atuação desastrosa, substituído por um Rosi não mais produtivo. As maiores ameaças da Juve vieram mesmo dos ex-Udinese: Pepe, Iaquinta e Quagliarella, aproveitando-se do melhor jogo de Aquilani até então. Se o resultado não agrada nenhuma das equipes, também não é motivo para desespero: a ambição de ambas não deixa de ser o scudetto, neste que é o campeonato mais imprevisível dos últimos anos.

Fiorentina 1-0 Cesena
Partida definida com o oportunismo de Gilardino. O golaço à Playstation do atacante foi o único tiro certeiro de uma Fiorentina insistente em furar o bloqueio do organizado Cesena. Com sérias dificuldades na criação, os viola, naturalmente atrapalhados pela ausência de Montolivo - além de D'Agostino, sem condições de disputar toda a partida -, ainda viram Mutu sair contundindo, podendo voltar só no ano que vem. A vitória veio num lance isolado em que o titular Cerci - agora vai? - contou com um desvio da defesa para fazer a bola chegar a Gilardino.

Ofensivamente os visitantes nada conquistaram senão algumas ciscadas com Jiménez. O 4-3-3 bastante recuado de Ficcadenti se mostrou seguro atrás, com dois pontas (Jiménez e Giaccherini) ajudando muito na cobertura. Se este Cesena certamente não chegará longe como ameaçou nas primeiras rodadas, ao menos segue com qualidades aproveitáveis em partidas difíceis. A Fiorentina, por sua vez, consegue sua segunda vitória em três partidas, e tenta engatar de vez uma recuperação que compense o péssimo início de campeonato.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

11ª rodada: O colorido agora é outro

O vermelho e preto do Milan é novo dono do topo da tabela. Muito disso por conta da dupla Ibra e Pato, que marcou 11 dos 20 gols da equipe no campeonato (Foto: AP/La Presse)

Em uma rodada que começou com pouca emoção e quase nenhum gol (foram apenas dois nos 45 minutos iniciais), o Milan venceu o Palermo e assumiu a liderança da Serie A, que era da Lazio desde a sexta rodada. Enquanto isso, Inter e Juve desperdiçaram a chance de encostar ainda mais nos líderes e apenas empataram com Lecce e Brescia, respectivamente. Chance que o Napoli não deixou escapar: com gol de Lavezzi, já nos acréscimos, o time derrotou o Cagliari fora de casa e pulou para a terceira posição. Destaque também para o jogo cheio de gols entre Fiorentina e Roma, que segue na zona de classificação para competições europeias. Confira os jogos da 11ª rodada.

Milan 3-1 Palermo
No San Siro, os primeiros minutos da partida foram bem intensos. Com um meio de campo bem modificado, mas equilibrado, o Milan conseguiu ficar com a posse da bola e levou perigo ao gol de Sirigu pelo menos três vezes nos 15 primeiros minutos. Gattuso, suspenso, e Pirlo, poupado, deram lugares a Flamini e Ambrosini, enquanto, um pouco mais à frente, Seedorf fez o papel do trequartista, atrás de Pato e Ibrahimovic. Ronaldinho ficou no banco e sequer entrou no decorrer da partida. Do lado rosanero, foi Miccoli que ficou no banco. O técnico Delio Rossi escalou o time no 4-3-2-1, com Pastore ao lado de Ilicic e apenas Pinilla na frente, e decepcionou os que queriam ver a dupla Miccoli e Pastore atuando junta. A tática deu boas opções para o time, que atacava bem com três ou mais jogadores, mas também se recompunha com rapidez. Ainda assim, foi o time do Milan que saiu para o intervalo em vantagem. Pato aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou para o gol, marcando seu sexto no campeonato e se isolando na artilharia da equipe.

No segundo tempo o jogo ficou ainda mais movimentado, mas dessa vez era o Palermo que levava mais perigo ao gol adversário. Pastore não estava no melhor de seus dias e deixou o time logo aos sete minutos, dando lugar a Miccoli, que deu mais mobilidade e ação aos sicilianos. A pressão deu certo e Bacinovic empatou o jogo, aos 18'. De olho nos três pontos, Delio Rossi sacou Pinilla e botou Maccarone, mas o atacante pouco fez. Do outro lado, Allegri mostrou a falta de prestígio de Robinho e colocou Inzaghi no lugar de Pato, que, de novo, saiu machucado. O veterano, no entanto, também se machucou (exames confirmaram que ficará fora do resto da temporada) e aí sim Robinho teve sua chance. Dessa vez, aproveitou: depois que Ibrahimovic já tinha marcado o segundo gol rossonero, o ex-santista participou efetivamente do terceiro, no qual iniciou e concluiu a jogada. Os visitantes reclamaram muito da arbitragem do árbitro Banti, que deixou de marcar um ou dois pênaltis para o Palermo e não assinalou a posição ilegal de Ibra no lance do terceiro gol milanista. Reclamações à parte, o Milan aproveitou o tropeço da Lazio e pulou para a ponta da tabela, acumulando 23 pontos, um a mais que a concorrente, e agora chega com a moral elevada para o clássico de domingo, contra a Inter.

Cagliari 0-1 Napoli
Quem também aproveitou o tropeço dos adversários para conquistar algumas posições foi o Napoli. Jogando no Sant'Elia, Mazzarri confirmou a volta de Aronica, Maggio, Dossena e Lavezzi desde o início da partida, deixando Cavani no banco de reservas, mas não viu um bom jogo em campo. Bem fraca tecnicamente e com poucas emoções, a partida só foi decidida aos 49 do segundo tempo, quando Cavani aproveitou sobra, puxou contra-ataque rápido tocou para Lavezzi marcar, com um belo chute, seu quarto gol nas últimas cinco partidas. O uruguaio entrou apenas no segundo tempo e, mais uma vez, se mostrou essencial para a equipe. O resultado confirma os bons resultados do time fora de casa: são quatro vitórias e dois empates até aqui. Na próxima rodada, mais um importante compromisso longe de seu estádio: enfrenta a Lazio.

Roma 3-2 Fiorentina
Se em Cagliari o jogo foi ruim e faltou emoção, em Roma a situação foi bem diferente. Em uma partida de cinco gols, o time da casa foi melhor a maior parte do tempo e garantiu sua quarta vitória seguida, mantendo a boa curva de ascensão. A aposta de Ranieri em Ménez como trequartista do 4-3-1-2 vem dando certo e o francês não está decepcionando: mais uma vez, foi um dos grandes nomes da partida. Apareceu muito bem no segundo gol romanista, de Borriello. Antes disso, o brasileiro Fábio Simplício já tinha aberto o placar. Com o 2 a 0, a Roma diminuiu um pouco o ritmo e a Fiorentina conseguiu diminuir com Gilardino. Perrotta voltou a alargar a vantagem, depois, e D'Agostino diminuiu novamente aos 44' com um belo gol de ex, mas já era tarde demais para uma reação. A vitória no dérbi, domingo passado, parece ter ampliado o fôlego gialorosso, que há pouco tempo tinha Ranieri na corda bamba. O objetivo é manter o bom momento na próxima rodada, quando a equipe vai à Turim enfrentar a Juve.

Cesena 1-0 Lazio
No lado biancoceleste da capital, parece que os efeitos da derrota no clássico ainda não passaram. A Lazio foi pressionada pelo Cesena a partida inteira e em poucas ocasiões levou perigo ao gol de Antonioli. Talvez a bola de Foggia no travesão tenha sido a única real oportunidade do time romano. A equipe sentiu muita falta de Hernanes e Mauri e pouco criou. A falta de experiência também pesou. Já perto do fim da partida, o técnico Reja pedia para seu time esfriar a partida e assegurar o ponto fora de casa, mas sem sucesso. Resultado: o Cesena alcançou seu gol aos 40' da segunda etapa, com Parolo, e conquistou os três pontos que dão um pouco de tranquilidade para a equipe, que, graças à derrota do Bologna, termina a rodada fora da zona de rebaixamento. Na próxima rodada, a Lazio recebe o Napoli, em Roma, para tentar se reabilitar dessas duas últimas derrotas. O Cesena vai à Florença enfrentar a Fiorentina.

Lecce 1-1 Inter
No estádio Via del Mare, o Lecce mostrou sua força dentro de casa e manteve a invencibilidade. Até aqui, são três vitórias e dois empates em seu território, ou seja, 11 pontos dos 12 conquistados pela equipe no campeonato, o que pode ser o caminho para a salvezza gialorossa. O time de De Canio foi premiado pelo seu esforço coletivo e pela boa atuação de Rosati, que fez defesas importantes, e Olivera, autor do gol e dono de um passe de classe no meio de campo. Do lado interista, destaque para o retorno de Santon e Milito, que fizeram boa partida. Em alguns momentos do jogo, o atacante argentino lembrou o bom e "velho" Milito, aquele da temporada passada. Mas no final perdeu uma chance que poderia ter dado os três pontos à atual campeã. A próxima rodada será importantíssima: com uma vitória no dérbi de Milão, o time de Benitez iguala a pontuação do Milan. Uma derrota, contudo, abre uma diferença de seis pontos entre os dois. E o momento atual, sem dúvidas, é melhor para o Milan. A confiança dos nerazzurri está na volta de Júlio César, Stankovic e Sneijder.

Brescia 1-1 Juventus
No Mario Rigamonti, o empate entre Brescia e Juve foi o mais justo. Em um jogo bom, ambas as equipes buscaram o gol e fizeram um jogo agradável de assistir. Com um time bem montado, os donos da casa dominaram o primeiro tempo e tiveram algumas chances de abrir o placar. A combinação de dois jogadores rápidos (Hetemaj e Baiocco) e um que dita o ritmo do jogo (Cordova), no meio de campo, deu boa mobilidade ao time, que ainda tinha os técnicos Diamanti e Éder atuando atrás do veterano Caracciolo. Diamanti chegou pelo menos três vezes com perigo e ainda marcou o gol (e que golaço) de empate dos donos da casa. Foi o melhor da partida. Quem também apareceu muito bem foi Quagliarella, sempre com perigo. O artilheiro da Juve na Serie A acertou uma na trave, antes de abrir o placar. O cruzamento para o gol foi de Fabio Grosso, que voltou na rodada passada, depois de seis meses parado, e, surpreendentemente, foi bem até agora. Krasic ainda faz falta.

Genoa 1-0 Bologna
Na estreia de Davide Ballardini no Genoa, mudanças já puderam ser verificadas no futebol da equipe da Ligúria. Um time muito mais compacto, montado pelo ex-técnico de Palermo e Lazio num óbvio 4-3-3, foi muito mais incisivo e jogou com mais velocidade do que na era Gasperini. Dessa maneira, os grifoni colocaram o Bologna contra as cordas durante os 90 minutos e só não chegaram ao gol com rapidez por causa de um excelente Viviano, sempre com defesas fundamentais. No meio-campo, Milanetto e Veloso fizeram partida interessante, equilibrando bem as funções de marcação e apoio ao ataque e, não por menos, foram os melhores do time da casa em campo. Pecado por Viviano foi não ter alcançado o bonito chute de Milanetto, a 10 minutos do fim, que tirou o zero do placar e fez o Bologna ir ao ataque. Tarde demais.

Chievo 0-0 Bari
Chievo (um ponto em dois jogos) e Bari (nenhum ponto em cinco partidas) fizeram um dos piores jogos desta Serie A, muito em virtude das péssimas condições do gramado do Bentegodi, que receberá o jogo de rúgbi entre Itália e Argentina no sábado. Ontem, o Bari foi a campo com um time desfigurado e cheio de jogadores Primavera no banco e conseguiu segurar o resultado, somando o primeiro ponto em seis partidas, muito embora o Chievo não tenha se esforçado tanto para chegar à vitória. Mais prejudicial do que o próprio resultado foram as lesões de Andreolli e Kutuzov, que podem ficar de fora dos jogos de domingo.

Catania 1-0 Udinese
Partida terminada em 1 a 0, cujo gol saiu numa jogada de escanteio. Reflexo ideal do nível técnico fraquíssimo apresentado no Angelo Massimino. A Udinese, sem Di Natale, raramente ameaçou a meta de um Catania igualmente em dificuldades. Máxi López, centro-avante dos donos da casa, sequer teve chance de aparecer, tal qual o principal finalizador do outro lado do campo, Denis. López, porém, deu a vitória aos rossazzurri numa cabeçada certeira, após escanteio cobrado por Mascara. Guidolin ainda lançou Floro Flores - que entrou bem - e Corradi, tão inutilizado quanto Denis. Ledesma e Pasquale (no banco) ainda foram expulsos no fim do jogo, bem como o próprio Guidolin. O Catania respira depois de passar um mês e meio sem vencer, enquanto a Udinese tem sua ascensão freada. As duas equipes têm 14 pontos.

Parma 1-0 Sampdoria
No fechamento da rodada, Bojinov salvou a pele de Pasquale Marino. Com um gol nos minutos finais da partida, o búlgaro deu sobrevida ao treinador, decidindo outro jogo de nível questionável. Sob uma névoa intensa - digna de um entardecer no Alfredo Jaconi - uma Sampdoria desprovida de qualquer brilho só ameaçou quando Pazzini bateu falta na trave, no início do segundo tempo. A lacuna que deixa Cassano é inegável: até o momento, a Samp tem mantido uma irregularidade capaz de cortar qualquer ambição e foi incapaz de atingir duas vitórias seguidas. Ao Parma restou um gol sofrido depois de atuação protagonizada pelo esforço, e tão somente isso. Os três pontos afastam os crociati da lanterna, mas ainda mantêm o clube ao lado de Bologna, Cesena, Brescia e Cagliari nas últimas posições, com 11 pontos, à frente apenas do Bari, com nove.

Colaborou Pedro Spiacci

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Seleção da 11ª rodada
Viviano (Bologna); Zébina (Brescia), Yepes (Milan), Mexès (Roma), Miguel Veloso (Genoa); Ambrosini (Milan); Ménez (Roma), Olivera (Lecce), Diamanti (Brescia); Lavezzi (Napoli), Quagliarella (Juventus). Técnico: Massimo Ficcadenti (Cesena).