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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

O ano de Ranieri: em 2010, a Roma foi o time que mais pontuou, consagrando o bom
trabalho de recuperação do treinador. Mas título que é bom... (Getty Images)

Neste ano, o QuattroTratti bateu seu recorde de postagens. Foram 388 textos durante 2010, média superior a um por dia. Nosso banco de dados também não parou de crescer: entre jogadores e técnicos, já são mais de 130 carreiras passadas a limpo, nomes que vão de Falcão a Maurizio Ganz. De janeiro até aqui, foram cerca de 180 mil visitas em nossas páginas, de acordo com projeções do Google Analytics. Agradecemos a todos por nos acompanhar neste ano e que 2011 seja um ano ainda melhor!


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Milan

Palmas para mim: Ibrahimovic, o solista que faltava ao Milan para disputar temporadas em alto nível e brigar pelo scudetto (Reuters)


Campanha
1ª posição. 17 jogos, 36 pontos. 11 vitórias, 3 empates, 3 derrotas. 29 gols marcados, 13 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 4, da 5ª à 8ª rodada e da 9ª à 13 rodada.
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 7, da 10ª à 16ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 3, da 2ª à 4ª rodada.
Artilheiro: Zlatan Ibrahimovic, 9 gols.
Fair play: 26 cartões amarelos, 1 vermelho.

Time-base
Abbiati; Abate (Bonera), Nesta, Thiago Silva, Antonini; Gattuso, Ambrosini, Pirlo; Boateng (Seedorf); Robinho, Ibrahimovic.

Treinador
Massimiliano Allegri. O treinador foi contratado no início da temporada com o respaldo de um ótimo trabalho no Cagliari e com a expectativa de colocar o Milan para jogar um bom futebol. A falta de grife e o fato de nunca ter dirigido um clube grande pesavam contra o toscano, visto por desconfiança pelos mais críticos. Pois bem, Allegri não só comeu o panetone como tem calado os críticos, com mais um ótimo trabalho. Ele preferiu barrar Ronaldinho após alguns excessos noturnos do brasileiro e decidiu, de vez, apostar em um time mais equilibrado, com apenas dois atacantes (Ibrahimovic e Robinho) e "falsos" trequartistas - geralmente Boateng e Seedorf - que também voltam para marcar. O resultado é um time compacto, que sofre poucos gols mesmo com laterais vulneráveis e um futebol ofensivo e agradável de ver.

Destaque
Zlatan Ibrahimovic. De volta a Itália após uma temporada abaixo da média e desentendimentos com Guardiola no Barcelona, o sueco pode vencer seu nono título nacional de maneira consecutiva - considerando os dois títulos da Juventus, cassados após o Calciocaos. Ibra é o talento individual que faltava ao Milan: decide jogos, faz gols (são nove, até agora), dá assistências (sete) e é, de longe, o melhor jogador do campeonato até então. Ibra ainda foi fundamental em jogos importantes, como contra a Inter, no qual fez o gol da vitória. Além do solista, o Milan conta com outras peças que tem jogado bem: Robinho está aproveitando o que seria, provavelmente, sua última chance num grande europeu e, com seis gols, é o vice-artilheiro do time ao lado de Pato. No meio-campo, destaca-se a volta de Gattuso a boa forma física e, consequentemente, à boa fase, e também as boas exibições de Boateng e Pirlo, que dão a fluidez necessária ao time. O goleiro Abbiati, titular em todos os jogos não obstante a contratação de Amelia, também tem feito boa temporada.

Decepção
Ronaldinho. O brasileiro terminou a última temporada em alta e muitos criticaram a escolha de Dunga de deixá-lo de fora da Copa do Mundo. Hoje, porém, Ronaldinho não vem bem: após algumas noitadas, foi barrado por Allegri, que optou por Boateng em seu lugar. Depois do acontecido, o brasileiro passou a entrar apenas no final das partidas e parece destinado a voltar ao Brasil, para defender o Grêmio. Amelia e Papastathopoulos, dupla vinda do Genoa, também foi elagada ao banco. O ex-goleiro do Livorno, tetracampeão mundial com a Itália, foi contratado para fazer sombra a Abbiati e parecia ter chances de tomar a vaga do calvo arqueiro, mas está passando a temporada inteira no banco de reservas. Já o defensor grego ofereceria uma opção a mais a Allegri na defesa e até começou a temporada fazendo parte do grupo que era convocado para os jogos, mas ultimamente não tem nem mesmo ficado no banco. Seu futuro parece ser longe do clube, assim como o de Ronaldinho.

Perspectiva
Scudetto. A essa altura do campeonato, não dá para não considerar que o Milan seja favorito ao título. O time vem jogando bem, tem o segundo melhor ataque da competição e a melhor defesa, ao lado da Sampdoria. Da própria equipe doriana, os rossoneri adquiriram o maior reforço do mercado de inverno: Antonio Cassano. Se Cassano, inegavelmente, adiciona qualidade técnica ao time, por outro lado pode causar problemas internos. Até o momento, o time tem cinco jogadores (Ibrahimovic, Robinho, Ronaldinho, Pato e Cassano) para apenas duas vagas. Se a competição já seria acirrada com jogadores com egos menos inflados, com estes nomes, o vestiário pode explodir. Pato, que está voltando de lesão, já avisou: quer ser titular contra o Cagliari. Todos estes problemas, no entanto, não passam de previsão que os adversários gostariam que se concretizasse, já que, tecnicamente, o Milan está muito bem e é o favorito para o título. Na Liga dos Campeões, o duelo contra o Tottenham promete ser equilibrado e o título não parece um objetivo muito realista. Porém, se mesmo quando a fase não era boa, o Milan se impunha na LC, não é impossível imaginar que o time consiga ir mais longe desta vez.

Parada de Inverno: Napoli

Cavani e Mazzarri, figuras de um Napoli sempre ao extremo. Falar em título pode parecer exagero, mas os azzurri irão brigar (Associated Press)


Campanha
2ª posição. 17 jogos, 33 pontos. 10 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 26 gols marcados, 17 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 9ª à 11 rodada e da 15ª à 17ª rodada.
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 1ª à 3ª rodada; 5ª à 7ª rodada; da 9ª à 11 rodada e da 15ª à 17ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 2, na 1ª e 2ª rodadas.
Artilheiro: Edinson Cavani, 10 gols.
Fair play: 42 cartões amarelos, 4 vermelhos.

Time-base
De Sanctis; Grava, P. Cannavaro, Campagnaro (Aronica); Maggio, Gargano, Pazienza (Yebda), Dossena; Lavezzi, Hamsík; Cavani.

Treinador
Walter Mazzarri. O toscano é - e não por acaso - o treinador da moda na Itália. Autor de seguidos bons trabalhos por Livorno, Reggina e Sampdoria, Mazzarri está elaborando sua obra-prima, em uma carreira de quase 10 anos. O esquema 3-4-2-1, montado por ele na equipe napolitana tem sido efetivo na medida em que tira o máximo do potencial de seus jogadores. A defesa, originalmente com três jogadores, rapidamente pode ser revertida para cinco jogadores, com o recuo de Maggio e Dossena. Por sua vez, Pazienza e Gargano trabalham como dois cães de guarda muito eficientes, na entrada da área, enquanto Lavezzi e Hamsík, normalmente próximos a Cavani, também podem voltar para fazer coberturas - o que pode fazer com que o time atue temporariamente em um 5-4-1. O esquema deixa o time bastante flexível, possibilitando que os jogadores saiam rapidamente em contra-ataque, uma das armas da equipe. Além disso, Mazzarri tem conseguido dar um formidável espírito de luta a seu time, que não desiste das partidas. Desde sua chegada, o Napoli incorporou este espírito e já fez 30 gols nos últimos 15 minutos de jogo, período já conhecido como Zona Mazzarri.

Destaque
Edinson Cavani. 2010 foi o ano da carreira do Caníbal, que concluiu a última temporada com 13 gols pelo Palermo e com boa participação na conquista do quarto lugar da seleção do Uruguai na Copa do Mundo. A valorização no mercado, que levou o Napoli a decidir pagar 18 milhões de euros por seu futebol tem sido recompensada. O uruguaio impulsionou o time para o topo da tabela, suprindo a falta de um matador, sentida nos últimos anos: é um dos artilheiros da Serie A e decidiu jogos no final (metade de seus gols foram marcados na Zona Mazzarri). Além disso, o atacante costuma voltar para ajudar no meio-campo, onde Hamsík às vezes passa despercebido, mas logo traz lampejos de decisão. Fechando o tridente ofensivo, Lavezzi continua habilidoso, mas está cada vez mais objetivo. Prova disso é que 21 dos 26 gols do time saíram dos pés do trio (10 de Cavani, 7 de Hamsík e 4 de Lavezzi). Merecem destaque ainda Gargano, uma formiguinha operária no meio-campo azzurro, e o zagueiro Grava, que, aos 33 anos, é um dos líderes do time e faz a melhor temporada de sua carreira.

Decepção
Christian Maggio. O lateral direito da Nazionale tem passado longe de ser decisivo, como foi na Sampdoria e em seus dois outros anos com a camisa napolitana. Se não chega a atrapalhar o time, Maggio faz temporada sem muito brilho, sem conseguir desenvolver seu bom potencial ofensivo como poderia. Ao menos, foi o autor de uma importante vitória contra o Palermo, na Zona Mazzarri. Outro jogador da linha defensiva napolitana que tem decepcionado é Santacroce. O ítalo-brasileiro chegou a ser titular do time com Edy Reja, dois anos atrás, mas sofreu com problemas físicos na última temporada e nunca mais teve destaque. Totalmente recuperado das lesões no joelho, o zagueiro mal tem saído do banco (atuou em apenas quatro partidas) e deve ser emprestado ao Lecce no mercado de reparação. Muito pouco para quem já tem 24 anos e foi descrito como um dos jovens que renovaria a defesa da seleção italiana.

Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. Ao menos por enquanto, o objetivo mínimo do clube dirigido pelo produtor cinematográfico Aurelio De Laurentiis deve ser uma vaga na elite do futebol europeu, perfeitamente plausível para um time que vem em grande fase e que ainda divide as atenções com a Liga Europa, que pode ser considerada seriamente como outra possibilidade de título nesta temporada. Sem pirotecnia, o diretor esportivo Giuseppe Bigon tem buscado reforços interessantes no mercado: para a defesa, o clube está interessado no colombiano Zapata, da Udinese, enquanto a imprensa ventila o nome de Criscito - o que mais parece apenas especulação. No meio-campo, o juventino Sissoko pode ser contratado para dar mais pegada ainda a um setor forte da equipe. Se a temporada já é a melhor do clube desde que Maradona deixou o San Paolo, no início da década de 1990, sem alarde, um passo após o outro, o Napoli tem potencial (e vontade) para ao menos brigar pelo scudetto. Mas, para isso, o time terá dois testes fundamentais já na volta do recesso: enfrentará Inter e Juventus em sequência.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Parada de inverno: Lazio

Hernanes chegou e rapidamente se sentiu em casa. Hoje é um dos líderes da surpreendente Lazio (AFP)

Campanha
3ª posição. 17 jogos, 33 pontos. 10 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 24 gols marcados, 16 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 5, da 5ª à 9ª rodada.
Maior sequência de derrotas: 2, da 10ª e 11ª rodada.
Maior sequência de invencibilidade: 8, da 2ª à 9ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 2, da 10ª e 11ª rodada e da 13ª e 14ª rodada.
Artilheiros: Hernanes e Floccari, 5 gols
Fair play: 25 amarelos, nenhum vermelho

Time-base
Muslera; Lichtsteiner, Biava, André Dias, Radu; Brocchi (Matuzalém), Ledesma, Mauri; Hernanes, Floccari; Zárate.

Treinador
Edoardo Reja. Prestigiado após ter sido fundamental na luta contra o rebaixamento, na segunda parte da última temporada, Reja começou 2010-11 vendo a Lazio fazer planos nada ambiciosos, já que faltava dinheiro e a folha salarial estava inchada. O cenário mudou quando as saídas de Carrizo, Dabo e Cruz reduziram a folha salarial e Kolarov, vendido ao Manchester City, rendeu 19 milhões de euros ao clube. Com esse dinheiro a Lazio contratou Hernanes, em volta de quem Reja montou seu time. Primeiro, o friulano testou o 4-3-1-2, com Hernanes atuando como trequartista, mas depois readaptou seu esquema de maneira diferente: recuou Floccari para a linha em que o brasileiro atua e isolou Zárate no ataque. Com um centroavante, provavelmente Santa Cruz, que está negociando com o clube, o esquema pode dar mais certo ainda.

Destaque
Hernanes. Contratado por 12 milhões de euros junto ao São Paulo para o início dessa temporada, o Profeta não sentiu a mudança de país, se adaptou muito rápido e hoje é o principal jogador da terceira colocada Lazio. Jogando como trequartista, Hernanes tem ido muito bem: ao jogar mais à frente do que estava acostumado, o brasileiro consegue ter mais chances de finalizar de fora da área, uma de suas especialidades, e fica próximo aos atacantes, colocando-os muitas vezes em boas condições para finalizarem as jogadas. Prova disso é que Hernanes é o artilheiro dos biancocelesti ao lado do atacante Floccari, com cinco tentos anotados, e também foi autor de quatro assistências, ficando atrás apenas do capitão Mauri, outro destaque do time. Mauri, por sua vez, recuperou o bom futebol de quando jogava por Brescia e Udinese - e de seu início em vestes laziali - e, com sete assistências e três gols, é quem dita o ritmo no meio-campo. Mereceu voltar à Nazionale e deve continuar a ser convocado por Prandelli.

Decepção
Fernando Muslera. O goleiro uruguaio já faz sua quarta temporada na Lazio e nunca foi unanimidade. É capaz de realizar belas defesas, mas as falhas nunca deixaram de aparecer. A boa campanha com o Uruguai na Copa do Mundo (mesmo com algumas falhas), deu esperanças de que ele se acertasse e finalmente deixasse a irregularidade de lado: o arqueiro foi destaque ao pegar dois pênaltis na épica batalha contra Gana, mas no último jogo do Mundial, a disputa do terceiro lugar contra a Alemanha, falhou duas vezes. Na Lazio, suas falhas mais grosseiras foram contra a Udinese, quando escorregou e deixou cabeçada fraca de Denis entrar, e quando, mau posicionado, empurrou cruzamento de Krasic contra as próprias redes no último minuto do jogo contra a Juventus, sendo responsável direto pela derrota na importante partida. Além de Muslera, outro que não consegue despontar é Foggia, relegado ao banco da equipe e prestes a ser emprestado em janeiro.

Perspectiva
Vaga em competições europeias. Hoje os laziali estão na terceira posição com três pontos a menos que o Milan, porém uma queda de rendimento do time pode acontecer naturalmente. Destaque do time, Hernanes praticamente não teve férias em 2010, o que significa que ele pode sofrer fisicamente no segundo turno. Além disso, ao voltarmos os olhos para elenco vemos fragilidades e a falta de opções em várias posições. Portanto brigar pelo scudetto, contra plantéis mais caros e que contam com mais alternativas como são os de Milan, Juventus, Roma e Inter não será tarefa fácil e a conquista de uma vaga na Liga dos Campeões, competição que não disputa desde 2007-08, já seria algo a se comemorar. A equipe ainda segue viva na Coppa Italia, onde enfrentará a Roma na próxima fase, e, caso derrote a rival, pode começar a sonhar com um título nessa temporada.

Parada de Inverno: Juventus

Em sintonia: Krasic e Quagliarella são os principais responsáveis pelo bom momento da Velha Senhora (AP Photo)

Campanha
4ª posição. 17 jogos, 31 pontos. 8 vitórias, 7 empates, 2 derrotas. 32 gols marcados, 17 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 9ª e 10ª rodada; 15ª e 16ª rodada.
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 13, da 5ª à 17ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 2, 1ª e 2ª rodada; 11ª e 12ª rodada.
Artilheiro: Fabio Quagliarella, 9 gols.
Fair play: 31 cartões amarelos e 1 vermelho.

Time-base
Storari; Sorensen (Motta), Bonucci, Chiellini, Grosso (De Ceglie); Krasic, Felipe Melo, Aquilani, Pepe (Marchisio); Del Piero (Iaquinta), Quagliarella.

Treinador
Luigi Del Neri. O técnico que levou a Sampdoria ao quarto lugar (e consequente vaga na fase preliminar da Liga dos Campeões), temporada passada, chegou a Juventus para reconstruir um time despedaçado. Se Ferrara e Zaccheroni lutavam com os esquemas para tentar encaixar Diego e Del Piero no mesmo time, Del Neri chegou se impondo e dizendo que os dois não jogariam juntos no seu 4-4-2. Com um trabalho bem feito junto à diretoria, Del Neri recolocou a Velha Senhora na disputa por posições mais altas na tabela. A reabilitação de Felipe Melo talvez seja o símbolo dessa reestruturação do time. O brasileiro foi considerado um dos piores jogadores da última temporada, tendo seu nome sempre ligado à violência desnecessária dentro de campo. Agora, tem importante papel tático e acumula apenas quatro cartões amarelos em 15 jogos.

Destaque
Milos Krasic. Maior contratação bianconera no mercado de verão (15 milhões de euros), o meia sérvio vem encantando os italianos com seu futebol técnico, rápido e objetivo. É o melhor jogador da equipe até aqui e principal ponto de ligação entre meio-de-campo e ataque. Suas investidas pela ala direita já lhe renderam quatro gols e cinco assistências. Mais à frente, Quagliarella também merece destaque. O atacante, que só chegou porque Di Natale recusou a proposta juventina, vem fazendo grande temporada, é artilheiro do time e titular indiscutível. E não podemos deixar de citar Aquilani. O ex-romanista chegou do Liverpool por empréstimo e rapidamente recuperou seu bom futebol. Não à toa voltou a ser convocado para a Nazionale.

Decepção

Amauri e Marco Motta. Há pouco mais de um ano, o atacante era disputado pelas seleções brasileira e italiana. Hoje, pouco ouvimos falar do ítalo-brasileiro. Ele jogou apenas 291 minutos antes de se machucar (de novo) e não marcou nenhum gol nesta Serie A. Durante todo o ano de 2010, balançou as redes apenas uma vez, considerando apenas o campeonato italiano. Os números estão todos contra Amauri e agora especula-se que ele pode ser incluído como peça de troca em uma negociação por outro atacante - provavelmente Gilardino. Enquanto isso, Marco Motta, que chegou no início da temporada como solução para a lateral direita, não chegou nem perto de convencer. Suas atuações bem abaixo da média logo o tiraram do time e até o garoto Sorensen, de apenas 18 anos, consegue ser mais regular. Para suprir essa deficiência, fala-se na aquisição de Glen Johnson, do Liverpool, ainda nessa janela de janeiro.

Perspectiva

Vaga na Liga dos Campeões e briga pelo título. Após a derrota para o Bari, na primeira rodada, Del Neri afirmou que essa Juve não pensava no scudetto, e sim na reconstrução de uma identidade. Quatro meses depois, o discurso mudou bastante. O técnico e seus jogadores já admitem que essa equipe pode e vai disputar o título. O desafio agora é parar de tropeçar diante dos pequenos e diminuir o número de empates. Apesar dos 13 jogos de invencibilidade (não perde desde o dia 23 de setembro), o número de empates é alto demais para quem quer vencer a competição. Ao lado do Parma, é o time que mais empatou (sete vezes). Com alguns reforços pontuais nesse mercado de janeiro, os bianconeri podem ficar ainda mais fortes e entrar de vez na briga. A principal aquisição deve chegar para o ataque. Dzeko, Gilardino, Osvaldo, Pazzini e Huntelaar são nomes em pauta, mas o atacante da Fiorentina parece a opção mais realista.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Parada de inverno: Roma

Abraço de alívio: Ménez convence e Borriello vence. Quem surge é Greco (Getty Images)

Campanha
5ª posição. 17 jogos, 29 pontos. 8 vitórias, 5 empates, 4 derrotas. 22 gols marcados, 20 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 9ª à 11ª rodada.
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade:7, da 7ª à 13ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 4, da 1ª à 4ª rodada.
Artilheiro: Marco Borriello, 7 gols.
Fair play: 39 cartões amarelos, 5 vermelhos.

Time-base
Júlio Sérgio; Cassetti, Burdisso (Juan), Mexès, Riise; Simplício (Pizarro), De Rossi, Brighi (Perrotta); Ménez; Totti (Vucinic), Borriello.

Treinador
Claudio Ranieri. Na temporada passada, quando substituiu Luciano Spalletti, Ranieri sacudiu a Roma. Numa volta por cima incrível, fez o clube brigar pelo título (e entregá-lo nas rodadas finais). Dessa vez, porém, a pré-temporada mal-feita, principalmente na parte física, levou o time a outro início de campeonato terrível. Preso a um 4-3-1-2 equilibrado, Ranieri conseguiu segurar as pontas e melhorar a situação. Hoje a Roma vence e não convence, mas vai subindo. O treinador romano soube recuperar o futebol de Mexès - esquecido há dois anos -, e aproveitar Fábio Simplício, reforço de utilidade inquestionável nesse primeiro turno. Também lançou Leandro Greco, atleta de 24 anos da base romanista que nunca havia ganhado muitas oportunidades. Diante das frequentes lesões de Pizarro, Perrotta e Taddei, Ranieri tem encaminhado, aos poucos, uma renovação de elenco - o mais velho da Serie A.

Destaque
Jeremy Ménez. Depois de muito tempo ciscando, o francês decidiu jogar. Desde que chegou em Roma, a expectativa criada em torno de si tem sido grande, mas nunca totalmente correspondida. Ménez aparecia e sumia num ciclo inconvincente, e, aos poucos, transformava a expectativa em dúvida. Nesta temporada, porém, ele, que tem sido o principal armador do time, vem em grande fase. Com ótimos dribles e bons passes - embora ainda um pouco egoísta - Ménez é o jogador mais criativo da equipe. Outro que agrada é Borriello: transferido no último dia do mercado, poucos imaginavam que se encaixaria tão bem e tão rapidamente. Seus gols não o fazem só artilheiro do clube, mas têm vindo na hora certa: até o momento, ele 'garantiu' 12 pontos à Roma.

Decepção
Adriano. Em seis meses na Itália, o atacante brasileiro se lesionou, não perdeu peso e não entrou em forma. Como consequência, também não entrou em campo. Insatisfeito com a condição de reserva - até fez cara feia e se recusou a entrar em campo contra a Inter -, Adriano se mostrou desapontado e, diz a imprensa, quis (ou quer) sair. O Imperador negou os boatos e deve permanecer, tentando cumprir com as palavras confiantes de quando desembarcou na capital, principalmente com o fato de "ainda dever à Itália". Outra decepção veio de Francesco Totti: o capitão tem sido previsível, insistente em jogadas saturadas, e vive um dos piores momentos de sua carreira. Não à toa, hoje tem que brigar por posição nos onze iniciais - o que já valeu esbravejos.

Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões e briga por título. Se o começo de campeonato foi desastroso, a irregularidade dos outros times ajudou. Em pouco tempo já foi possível ver a Roma na parte de cima da tabela, mesmo sem convencer. Ajuda o fato da equipe ter crescido nas grandes partidas: os giallorossi ganharam o dérbi contra a Lazio, bateram a Inter em casa e o Milan fora; só empatando com a Juventus, também fora. Pela primeira vez em anos a equipe de Ranieri tem elenco suficiente para aguentar mais de um campeonato. Há excesso de peças de reposição, fazendo com que, muitas vezes, atletas aproveitáveis sequer fiquem no banco - como é o caso de Cicinho e Júlio Baptista, esse último já negociado. Caso Adriano se recupere e Totti volte a mostrar futebol, a Roma ganha condições de brigar pelo título, minada por um meio-campo seguro e atacantes acima da média. Para isso, porém, é necessário ajeitar a defesa: a dupla Juan-Mexès sempre carrega dificuldades, enquanto a lateral-direita de Cassetti se tornou o ponto fraco do time.

Parada de inverno: Palermo

Pastore à frente, Ilicic ao fundo e comemoração: a foto é metáfora do Palermo desta temporada (Getty Images)

Campanha
6ª posição. 17 jogos, 27 pontos. 8 vitórias, 3 empates, 6 derrotas. 29 gols marcados, 22 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 12ª à 14ª rodada.
Maior sequência de derrotas: 2, da 2ª à 3ª e da 8ª à 9ª rodada.
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 4ª à 7ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 3, da 1ª à 3ª rodada.
Artilheiros: Javier Pastore e Josip Ilicic, 7 gols.
Fair play: 31 amarelos, nenhum vermelho.

Time-base
Sirigu; Cassani, Múñoz, Bovo, Balzaretti; Migliaccio, Bacinovic, Nocerino; Ilicic, Pastore; Miccoli (Pinilla).

Treinador
Delio Rossi. O treinador tem feito um trabalho excelente desde que chegou na Sicília. Se na Lazio sua postura não convencia - até porque nunca contou com um grande elenco à disposição -, dessa vez Rossi se consagra na maioria dos aspectos em que tocou. Ele não só se acostumou a lançar jovens, como também, desde que substituiu Zenga em novembro do ano passado, deu cara ao Palermo de forma a transformá-lo numa das equipes mais perigosas da Serie A. Boa parte dos méritos da campanha digna da última temporada, bem como o rendimento atual, passam pelas mãos de Delio Rossi. Nesta temporada, porém, tem sofrido severas críticas do presidente Maurizio Zamparini, que o acusa de ser pouco ousado. O mandatário rosanero não se conforma com a sexta colocação.

Destaque
Javier Pastore. Craque do time, Pastore se confirmou como uma das maiores revelações da Europa. Ao lado de Ilicic, outro jovem em grande fase, o argentino comanda um Palermo embalado e confiante em metas que há alguns anos seriam impossíveis. Habilidoso, técnico, explosivo e dotado de excelente visão de jogo: El Flaco possui muitas das características de um grande craque, além de ter mostrado notória evolução ao finalizar. A importância de Ilicic, que vale pelo menos dez vezes mais do que valia quando foi contratado, não deve ser subestimada: juntos os dois têm dado trabalho a qualquer defesa da Itália. É justo enaltecer a ótima temporada de estreia de Múñoz, bem como o surgimento de Bacinovic e a afirmação de Nocerino sob a batuta de Delio Rossi.

Decepções
Abel Hernández e Fabio Liverani. Assim como no Parma, as principais decepções não têm qualquer culpa de sua condição. Lesionados, Liverani e Hernández desfalcaram o Palermo em grande parte desse primeiro turno. O meia, estabilizado como regista do time, faz falta pela capacidade acima da média de realizar passes e lançamentos, além de manter um bom relacionamento com Delio Rossi, treinador que o havia comandado na Lazio. Sua lesão, porém, ajudou Bacinovic, jovem transferido junto ao Maribor que logo se confirmou titular da equipe. Abel Hernández, por sua vez, vê sua ascendente carreira ser freada em meses por lesão no joelho, perdendo um tempo importantíssimo de afirmação na Serie A. Ambos foram (e estão sendo) especulados por outras equipes, mas devem ficar ao menos até o fim da temporada. Não há duvidas que ainda tenham bastante a acrescentar ao Palermo. Outro que decepciona - mas deve sair - é Massimo Maccarone, que não conseguiu se firmar na equipe mesmo com a longa lesão do capitão Miccoli.

Perspectiva
Vaga em competição europeia. O Palermo tem totais condições de obter êxito: o elenco tem qualidade, está entrosado, confiante e raramente perde pontos em casa - só foi derrotado por Inter e Lazio. Com os retornos de Liverani e Hernández, ganha mais profundidade e opções de jogo. Vale lembrar que o time também não contou com Miccoli desde o início da temporada, e sua recuperação foi um fator primordial no anseio por objetivos maiores. Se Pastore e Ilicic seguirem como estão, vai ser difícil parar o ataque rosanero - o segundo melhor da competição, atrás do juventino. Ainda assim, é preciso se preocupar com a defesa, fator que há tempos preocupa o torcedor palermitano. Entre as mais vazadas da Serie A, requer uma nova organização, e pode tomar a própria contratação do jovem Muñoz como base para tal.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Inter

Eto'o agradece a Benítez por ter sido posicionado mais próximo ao gol. Mas fim da linha para o espanhol era inevitável, depois de maus resultados e polêmica (Reuters)

Campanha

7ª posição. 15 jogos, 23 pontos. 6 vitórias, 5 empates, 4 derrotas. 20 gols marcados, 14 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 2 à 4ª rodada.
Maior sequência de derrotas: 2, na 12ª e 13ª rodadas.
Maior sequência de invencibilidade: 6, da 6ª à 11ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 2, na 12ª e 13ª rodadas.
Artilheiro: Samuel Eto'o, 9 gols.
Fair play: 19 cartões amarelos, nenhum vermelho.

Time-base
Júlio César (Castellazzi); Maicon (Zanetti), Lúcio, Samuel (Córdoba), Chivu; Zanetti, Cambiasso, Stankovic; Pandev (Biabiany), Sneijder; Eto'o (Milito).

Treinador
Rafael Benítez, até a 15ª rodada. Leonardo, contratado na véspera de Natal. A direção da Inter fez uma aposta arriscada ao escolher Benítez como substituto de Mourinho: o espanhol é bom em construir equipes e não para dar continuidade a trabalhos. Além disso, é declarado desafeto do antigo treinador, que contava com total apoio dos jogadores. Querendo impor estilo próprio, Benítez logo implantou mudanças drásticas na preparação física e na forma de jogar do time, que passou a jogar com a defesa bastante avançada. O resultado de tudo: perda da Supercopa Europeia e fim do sonho de seis títulos na temporada, 48 lesões (musculares, em sua maioria), vulnerabilidade defensiva, time apático e péssimas atuações. Na Serie A, pouco mais de 50% de aproveitamento, nenhuma vitória nos jogos mais importantes (derrota para Milan, Roma e Lazio, empate contra a Juventus) e sétima posição no campeonato. Ainda caíram no colo de Benítez dois títulos conseguidos por herança de Mourinho, a Supercoppa e o Mundial de Clubes da Fifa, em Abu Dhabi - palco final da ópera que culminou em sua demissão. Há de se reconhecer também que a direção, preocupada em economizar, não renovou o time, o que deve acontecer na gestão de Leonardo, que começa nesta quarta.

Destaque
Samuel Eto'o. O camaronês é um dos poucos pontos positivos nesta Inter dizimada por lesões e que não tem jogado bem. Os nove gols marcados até agora, quase metade do total de gols do time, são fruto do posicionamento diferenciado a que o atacante foi submetido por Benítez após declarar publicamente que gostaria de jogar mais próximo ao gol e também pelas lesões de Milito, que o fizeram naturalmente assumir a centroavância da equipe. Em um time que tem tantos jogadores lesionados, quem permanece em campo por mais tempo merece destaque. Dessa maneira, Lúcio merece ser lembrado, por não ter saído de campo por um minuto sequer e ter levado apenas um cartão amarelo em 15 partidas.

Decepção
Diego Milito. Enquanto Eto'o faz ótimo campeonato, Milito sucumbe em atuações muito ruins, influenciadas por um condicionamento físico abaixo do normal. Até agora, o Príncipe marcou apenas três gols na temporada (contra Lecce e Bari, as duas piores defesas da Serie A) e chegou a ensaiar algumas reações, mas sempre foi impedido pela má sorte e pelo azar. Após a ótima atuação contra o Seongnam, no Mundial de Clubes, e com mais tempo para atingir boa forma física, o torcedor nerazzurro espera que o atacante volte a jogar bem em 2011. Outro que vem bem abaixo do esperado é Sneijder, clamorosamente excluído da lista final de três jogadores para a Bola de Ouro 2010. O holandês não tem sido brilhante como na última temporada e também tem contado com o azar: até agora, na Serie A, passa em branco e, mesmo cobranças de falta muito bem batidas não tem entrado. A recuperação dos dois será fundamental para a recuperação da Inter.

Perspectiva
Voltar à briga pelo scudetto e título da Liga dos Campeões. Se na LC, uma nova etapa começa a partir das oitavas contra o Bayern de Munique, na Serie A não é muito diferente. Os nerazzurri estão 13 pontos atrás do Milan, mas tem dois jogos a menos bastante acessíveis, contra Fiorentina e Cesena. Além disso, a chegada de Leonardo deve renovar os ânimos do elenco, que não apoiava Benítez. Uma nova preparação física, muito semelhante a de Mourinho também pode ajudar a diminuir as lesões do elenco, que deve ser reforçado com o retorno de todos os titulares, a chegada de Ranocchia - provável titular da defesa, ao lado de Lúcio - e de, possivelmente, mais um meia e um atacante. O perfil de Leonardo, bastante conciliador, deve fortalecer as relações entre o treinador e o elenco, que ficaram rachadas na primeira parte da temporada. Fato é que o desempenho da Inter piorar é algo praticamente impossível.

Parada de inverno: Sampdoria

 Cassano e Sampdoria: cada qual no seu canto, sozinho e cabisbaixo (Getty Images)

Campanha
8ª posição. 16 jogos, 23 pontos. 5 vitórias, 8 empates, 3 derrotas. 18 gols marcados, 13 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 7ª à 10ª e da 12ª à 15ª rodada..
Maior sequência sem vencer: 5, da 2ª à 6ª rodada.
Artilheiro: Giampaolo Pazzini, 6 gols.
Fair play: 28 amarelos, nenhum vermelho.

Time-base
Curci; Zauri, Gastaldello, Lucchini, Ziegler; Koman (Semioli), Palombo, Tissone, Guberti (Mannini); Cassano (Marilungo), Pazzini.

Treinador
Domenico Di Carlo. Embora seu trabalho no Chievo tenha sido animador, em Gênova Di Carlo tem enfrentado nítidas dificuldades na montagem de jogo. Ao pegar um time já ajeitado por Delneri, o novo treinador sofreu com a eliminação na Liga dos Campeões e, principalmente, com a perda de Cassano, craque do time. Se a defesa vai muito bem - é a menos vazada, ao lado da milanista - o mesmo não se pode dizer do setor ofensivo. São claras as dificuldades em fazer o jogo fluir na frente, apesar do esquema aberto no 4-4-2 que chegou a encher os olhos em alguns momentos da temporada passada.

Destaques
Stefano Lucchini e Daniele Gastaldello. A dupla de zaga, fundamental no sucesso blucerchiato da temporada passada, vai muito bem. Considerando os anos recentes da Serie A, são poucas as duplas tão eficientes quanto essa, cujo momento já havia sido reconhecido por Cesare Prandelli em Agosto, quando convocou Lucchini e Gastaldello para a Nazionale. Entrosados, seguros por baixo e por alto, os defensores têm sido o pilar dessa Sampdoria. Ziegler também merece elogios: suas subidas pela esquerda chamam a atenção pela ousadia. Ao melhorar na defesa, o lateral suíço confirma a melhor fase de sua carreira e, com o contrato próximo do fim, já interessa a diversos clubes na Europa.

Decepção
Antonio Cassano. Depois de anos se mostrando tranquilo e evoluído, o barês chutou o balde. Ao ofender (no mais baixo calão) o capo Riccardo Garrone, Cassano jogou fora toda a credibilidade que vinha construindo recentemente. Mesmo implorando para voltar, o atacante foi cortado da Samp e já assinou com o Milan. Não bastasse a precoce eliminação na Liga dos Campeões e o futebol desmotivado, a explosão causada por Cassano prejudicou ainda mais um grupo em má fase, que acabou eliminado da Liga Europa logo na primeira fase. Ele, enquanto principal e mais valioso jogador do clube, mostrou que, embora brilhante tecnicamente, algum parafuso ainda custa a se fixar em sua cabeça.

Perspectiva
Vaga na Liga Europa. Todo o otimismo com que a Sampdoria entrou no campeonato se foi, restando agora uma possibilidade de Liga Europa e, mais provavelmente, alguma posição intermediária na tabela. Ainda assim, as ambições mais altas do início da temporada, a adaptação ao pós-Cassano e as possíveis alterações de elenco na parada de inverno fazem o clube ter como meta uma vaga europeia. Para isso, é preciso que Palombo volte a jogar o que sabe, Guberti mostre alguma regularidade e Pazzini continue marcando seus gols. Contando com uma defesa exemplar, é possível que a equipe viúva de Cassano reduza a disparidade com relação à temporada passada e dispute algum torneio continental outra vez.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Parada de inverno: Udinese

Guidolin e Di Natale: alívio e motivos para sorrir (Getty Images)

Campanha
9ª posição. 17 jogos, 23 pontos. 7 vitórias, 2 empates, 8 derrotas. 21 gols marcados, 21 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 4, da 6ª à 9ª rodada.
Maior sequência de derrotas: 4, da 1ª à 4ª rodada.
Maior sequência de invencibilidade: 6, da 5ª à 10ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 5, da 1ª à 5ª rodada.
Artilheiro: Antonio Di Natale, 10 gols.
Fair play: 34 cartões amarelos, 2 vermelhos.

Time-base
Handanovic; Benatia, Domizzi (Coda), Zapata; Isla, Inler, Asamoah, Armero; Pinzi; Sánchez, Di Natale.

Treinador
Francesco Guidolin. Qualquer mérito no crescimento dessa Udinese passa pelas mãos do treinador trevisano. Se o início foi difícil e tudo se encaminhava ao buraco - foram quatro derrotas nas quatro primeiras partidas - a Udinese teve sua defesa ajeitada para dar início a uma recuperação louvável. Guidolin, que havia subido com o Parma e deixado-o em posição confortável na Serie A, soube usar seus limões para fazer limonada. A temporada de Pinzi é reflexo disso: desvalorizado, o meia voltou de empréstimo do Chievo, e agora, beirando os 30 anos, se encontrou em campo, atuando atrás dos atacantes. Ataque que, por sua vez, Guidolin nem precisou tocar: Di Natale continua em forma exímia, enquanto Sánchez confirmou-se como uma das principais revelações da Serie A, avaliado em cerca de 25 milhões de euros.

Destaque
Antonio Di Natale. Artilheiro do campeonato ao lado de Cavani, ele ainda é o cara. Há seis anos em Udine, é incrível como Totò rende em alto nível. Com a mesma sagacidade e o mesmo oportunismo de um garoto, cabe aos bianconeri o agradecimento ao atacante por não ter assinado com a Juventus. Também há novos destaques nessa Udinese: Benatia vai muito bem em sua primeira temporada com o clube, enquanto Armero tem crescido bastante na ala esquerda. Ainda assim, o maior destaque é Di Natale, principalmente se acompanhado de Sánchez, cujo futebol evoluiu demais de uma temporada para outra, após a boa Copa do Mundo feita pelo chileno. Não há dúvidas de que a dupla garante um nível bem mais alto à equipe.

Decepção
Germán Denis. Depois de não convencer no Napoli, Denis chegou em Udine buscando afirmação. Barrado por Sánchez e Di Natale, porém, o argentino nem ciscou. Atrás de Floro Flores, ele é apenas o quarto nome no ataque friulano. Se sua transferência para a Itália animou, Denis vai se fechando num círculo nada empolgante acerca de seu futuro. Outro que vai se estabilizando em negativo é Pasquale: o lateral, tido há anos como promissor, chegou para ser titular na temporada passada, mas perdeu a posição para Lukovic. Com a venda do sérvio para o Zenit, Pasquale, hoje com 28 anos, teve o tapete puxado por Armero, cada vez mais dono da posição.

Perspectiva
Campanha digna. E por 'digna' se entenda sem sustos, com prestações agradáveis e incomodando as equipes à sua frente. A recuperação da Udinese surpreendeu bastante, visto que havia iniciado a temporada diante de uma falta de ambição grotesca. Ao contrário da época passada, na qual entrou pensando alto e despencou, dessa vez o clube não formou qualquer meta clara. Sendo assim, dificilmente brigará por vaga na Liga Europa, levando-se em conta a forte concorrência nas posições mais altas. Embora esteja tirando o melhor de alguns jogadores, Guidolin não tem um elenco muito extenso à disposição - ainda mais se não segurar Sánchez, fortemente desejado pela Inter. Terminar impondo respeito é um baita lucro para um time abatido, que aí sim poderá rever seus objetivos.

Parada de Inverno: Chievo

Granoche, Pellissier e Constant comemoram: Chievo deve
permanecer mais um ano na Serie A (Getty Images)


Campanha
10ª posição, 17 jogos, 21 pontos. 5 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. 19 gols marcados, 19 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 1ª e 2ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 11ª à 13ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 9ª à 12ª rodada
Artilheiro: Sergio Pellissier, 6 gols
Fair Play: 48 cartões amarelos e 1 vermelho.

Time-base
Sorrentino; Frey (Sardo), Andreolli, Cesar, Mantovani; Rigoni, Fernandes (Bentivoglio), Marcolini; Constant (Bogliacino); Moscardelli, Pellissier.

Treinador
Stefano Pioli. Depois de um grande trabalho que quase levou o modesto Sassuolo ao acesso para a Serie A, Pioli chegou ao Chievo com a missão de substituir Domenico di Carlo, que fez bom trabalho temporada passada e salvou os burros alados do rebaixamento. Até aqui, o desempenho de Pioli não deixa nada a desejar. O técnico continuou com o 4-3-1-2 do ano passado e conseguiu manter o bom rendimento da defesa mesmo com a saída de Yepes, pilar da campanha anterior. E, por enquanto, o desempenho dos gialloblù é melhor do que se imaginava: para quem começou o campeonato pensando em não ser rebaixado, a décima colocação está de bom tamanho.

Destaque
Kevin Constant. O trequartista é uma das grandes revelações da temporada italiana e vem fazendo bons jogos, sendo uma das principais armas dos gialloblù. Com sua velocidade e boa técnica, é essencial na hora de encaixar o contra-ataque e colocar os companheiros na cara do gol. Seus chutes de fora da área também levam perigo à meta adversária. Não podemos deixar de citar o atacante e capitão Sergio Pellissier, artilheiro do time e jogador mais importante do time de Verona há alguns anos. Nessa temporada, está fazendo boa dupla com Davide Moscardelli, experiente atacante de quase 31 anos que estreou na elite nesta temporada e tem se saído bem. O estilo dos dois encaixou bem e eles são responsáveis por 10 dos 19 gols marcados pela equipe até agora.

Decepção
Simone Bentivoglio. O meio-campista começou o campeonato no time titular, mas suas atuações bem abaixo da média o tiraram da equipe, para dar lugar a Constant, que rapidamente ganhou a vaga. Agora, ele está mais para jogador de segundo tempo, que entra no decorrer da partida para dar gás novo ao time, embora não seja bem isto o que esteja fazendo. Outro que decepcionou foi o zagueiro Morero, ex-titular que jogou só 94 minutos essa temporada. No seu lugar, o zagueiro esloveno Bostjan Cesar vem se destacando. Além de seguro na retaguarda, o defensor já marcou dois gols nessa campanha.

Perspectiva
Meio da tabela. Pelo que fez até aqui, o risco de rebaixamento parece ter ficado para trás. Com a defesa bem arrumada e o meio-de-campo compacto e preparado para contra-atacar, o Chievo conquistou grandes resultados - como as vitórias sobre Inter e Napoli e empates com Roma e Juventus, e deve se livrar do rebaixamento antes da última rodada. Mas não dá para sonhar com muito mais do que isso. A Liga Europa está logo ali, mas tem times mais bem preparados e com elencos superiores para conseguir as vagas. A manutenção do elenco nesse mercado de janeiro vai ser importante para manter o ritmo. Entre os mais assediados estão o guineense Constant (que interessa a Genoa e Milan) e o lateral esquerdo Mantovani, que desde o ano passado vem fazendo boas atuações e pode parar no Napoli.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Genoa

Ranocchia: até quando neva, o defensor não dá folga para os atacantes. Sua venda para a Inter deverá ajudar o time a se reforçar em várias posições (Getty Images)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 13 gols marcados, 15 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 11ª e 12ª rodadas.
Maior sequência de derrotas: 2, 9ª e 10ª rodadas.
Maior sequência de invencibilidade: 2, 11ª e 12ª rodadas; 14ª e 15ª rodadas.
Maior sequência sem vencer: 4, da 2ª à 5ª rodada.
Artilheiro: Luca Toni, 3 gols.
Fair play: 32 cartões amarelos, 1 vermelho.

Time-base
Eduardo; Rafinha, Dainelli, Ranocchia, Criscito; Rossi, Milanetto, Miguel Veloso; Kharja; Mesto (Rudolf), Toni.

Treinador
Gian Piero Gasperini, até a 10ª rodada. Davide Ballardini, a partir da 11ª rodada. A cega insistência de Gasperini no módulo 3-4-3 não trouxe resultados satisfatórios para os quase 40 milhões de euros investidos pelo presidente Enrico Preziosi na busca de uma vaga em competições europeias. A iminente demissão do treinador que há mais tempo dirigia um clube na Itália (quatro anos e meio) tem sido positiva para o Genoa. Ballardini abdicou do 3-4-3 e tenta readaptar os jogadores a novos esquema táticos (experimentou o 4-3-3, mas tem privilegiado o 4-3-1-2), mas tem encontrado dificuldades, devido às características de alguns jogadores, que jogam pelos lados do campo. Preocupa, ainda, o mau desempenho em casa: o caldeirão do Marassi não tem funcionado positivamente, os jogadores tem sentido a pressão da torcida e o time já tropeçou cinco vezes em casa - duas só com o novo treinador. O trabalho de Ballardini é árduo: qual a medida para não rachar o elenco com a exclusão de alguns jogadores que não servem a seu esquema ou readaptá-lo? E, ainda, como garantir a estabilidade da equipe?

Destaque
Andrea Ranocchia. Após duas ótimas temporadas no Bari, o zagueiro retornou a Gênova com a certeza de que jogaria na Inter um dia. Negociado com os nerazzurri em copropriedade em julho, permaneceu no Marassi e foi titular em todos os jogos da campanha rossoblù, ajudando a defesa a se tornar a quarta menos vazada do torneio. Depois de sua estabilidade ajudar a resolver os problemas defensivos que assolaram o time na última temporada, a Inter deve tê-lo já em janeiro, para substituir Samuel, que só voltará no próximo campeonato. Destaca-se ainda a onipresença de Criscito, que esteve em campo durante todos os minutos jogados na temporada e, como tem se afirmado cada vez mais como um dos líderes do time, ao lado de Rossi, deve ficar, mesmo com o interesse de Bayern e Zenit.

Decepção
Luca Toni. O péssimo desempenho do ataque do time é o grande ponto negativo do Genoa já há algum tempo: desde a última temporada a equipe não tem um matador e, nesta temporada, o ataque só não tem números piores que os de Bari, Cesena e Brescia, que lutam contra o rebaixamento. Toni foi contratado para suprir esta carência, mas marcou apenas três gols, o que revela também os riscos de sua contratação após um ano não tão brilhante por Bayern e Roma. Outro jogador que merece destaque negativo é o goleiro Eduardo, contratado após ótima temporada pelo Braga e uma Copa do Mundo acima da média por Portugal. Sorte dos grifoni que a linha de defesa vem bem: o bracarense não passa segurança e tem falhado demais, o que já faz o clube procurar por substitutos - fala-se em Marchetti, encostado no Cagliari. Quem também decepciona é Palladino, jogador de inegável capacidade técnica, mas que não consegue se firmar, seja por irregularidade ou por lesões. O toscano deve ser negociado com o Parma, juntamente com Modesto, em troca de Paloschi e Antonelli.

Perspectiva
Vaga na Liga Europa. Apesar de toda a desorganização tática e do ataque improdutivo, ainda dá para o Genoa conquistar o objetivo mínimo de chegar a uma competição europeia nesta temporada. Para isso, a recuperação de alguns lesionados será fundamental: Jankovic e Chico retornaram na reta final de 2010 e devem adicionar mais profundidade ao elenco, assim como Palacio, que retornará em janeiro. Outro que deve voltar é Sculli, ídolo da torcida e que deve dar mais alma ao time, sobretudo nos jogos em casa. Com as iminentes saídas de Ranocchia, Palladino e Modesto e as chegadas de Paloschi e Antonelli, o time vai se ajustando a Ballardini e a uma defesa com quatro jogadores. A saída de Ranocchia deve dar mais espaço a Kaladze e a Moretti, além de possibilitar a chegada de Antonelli (lateral esquerdo que pode ser titular, caso Criscito vá para o centro da zaga ou uma opção a mais ao time) e Paloschi, o vice-Toni. A se definir ainda se o atacante Hallenius, autor de um dos gols mais bonitos do ano e contratado em setembro junto ao Hammarby, será incorporado ao time agora. O mercado permanecerá ativo: o presidente Preziosi promete contratar pelo menos mais um meia - ou Biagianti (Catania) ou o eslovaco Kucka (Sparta Praga), que disputou a Copa do Mundo.

Parada de Inverno: Catania

Bom desempenho de Silvestre é reflexo da boa defesa montada por Giampaolo (Getty Images)

Campanha

12ª posição. 17 jogos, 21 pontos. 5 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. 14 gols marcados, 18 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, da 15ª à 16ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 2ª à 5ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 5ª à 8ª rodada
Artilheiro: Maxi López, 3 gols
Fair play: 29 amarelos, 2 vermelhos

Time-base
Andújar; Potenza, Silvestre, Spolli, Capuano (Álvarez); Biagianti; Gómez, Izco (Carboni), Ledesma (Ricchiuti), Mascara; Maxi López.

Treinador

Marco Giampaolo. Contratado para dirigir o clube nesta Serie A após a saída de Mihajlovic, o toscano logo perdeu Martínez para a Juventus e teve de utilizar Goméz, contratado junto ao San Lorenzo, para cobrir a lacuna. A equipe não atua mais no 4-3-3, do ano anterior: no princípio da temporada Giampaolo testou o 4-3-1-2, apostando na dupla de ataque composta por Maxi López e Mascara, mas acabou se rendendo ao 4-1-4-1, fortalecendo bastante o meio-campo e fazendo com que o ídolo rossazzurro tenha mais liberdade pelo lado esquerdo. Mesmo assim o Catania ainda não se encontrou na Serie A, embora tenha uma forte defesa. Falta constância: o time conseguiu empates fora de casa contra Lazio e Milan, mas chegou a ser goleado por 3 a 0 pelo Cagliari.

Destaque
Matías Silvestre. O defensor argentino de 26 anos é o grande líder da linha defensiva dos rossazzurri, que vem chamando a atenção na campanha: foram apenas 18 gols sofridos nessa Serie A e seis partidas sem sofrer gols. O camisa 6 foi o jogador que mais entrou em campo pelo Catania na temporada 2009-10 e continua sendo campeão de presença, tendo sido titular em todos os jogos, sem ter ao menos sido substituído. O argentino ainda extrapola o papel de líder e principal jogador da linha defensiva etnei, contribuindo também com o ataque: marcou dois gols na competição, na vitória sobre o Cesena e no empate contra a Lazio, número que o coloca como um dos vice-artilheiros do time no Campeonato Italiano. Merecem destaque ainda o goleiro Andújar e o meio-campista Biagianti, duas das peças fundamentais do time.

Decepção
Maxi López. O argentino chegou à Itália no meio da temporada passada, marcou onze gols e foi um dos principais responsáveis na arrancada que levou a equipe ao décimo terceiro lugar, despertando a cobiça de grandes clubes. Em 2010-11, no entanto, La Barbie caiu de produção e marcou apenas três tentos nos 15 jogos que esteve em campo. O número não chama a atenção, ao contrário daqueles que se referem aos cartões: já recebeu seis amarelos e chegou a ser expulso na partida contra o Bari, o que o faz o jogador mais indisciplinado dos rossazzurri. Além dele, o japonês Morimoto tem se apagado após temporadas promissoras e acabou relegado ao banco, jogando ainda menos que Antenucci, que voltou de empréstimo após uma boa temporada no Ascoli, da Serie B. Tantos problemas ofensivos resultam em apenas 14 gols na Serie A, o quinto pior ataque do campeonato.

Perspectiva
Permanência na Serie A. Se o Catania costumava ser tido como um dos favoritos ao rebaixamento assim que retornou à Serie A, parece que o time vai se consolidando como equipe da elite do futebol italiano. Marco Giampaolo tem conseguido variar bem o esquema entre o 4-3-1-2 e o 4-1-4-1, embora a indecisão se dê por causa do fraco desempenho ofensivo do time. A defesa vem mostrando força, mas se a produção ofensiva seguir da forma como está, a salvezza não será um objetivo tão fácil de ser alcançado. A expectativa é que Maxi López coloque a cabeça no lugar e reencontre os gols da última temporada. Aliás, os rossazzurri confiam na recuperação de todo seu ataque: além da forma de Maxi López, Mascara e Morimoto foram operados e voltam já em janeiro. A equipe siciliana tem elenco para se manter na Serie A pelo quinto ano consecutivo, porém uma contratação para o ataque ajudaria a missão a ficar mais fácil.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Cagliari

Quase sempre Matri: com oito gols, atacante é a alma deste Cagliari, que pode mais (Getty Images)

Campanha
14ª posição. 17 jogos, 20 pontos. 5 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 19 gols marcados, 16 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 13ª e 14ª rodada
Maior sequência de derrotas: 2, 7ª e 8ª rodada; 11ª e 12ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 1ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 3ª à 8ª rodada
Artilheiro: Alessandro Matri, 8 gols
Fair play: 32 cartões amarelos.

Time-base
Agazzi; Pisano (Perico), Canini, Astori, Agostini; Nainggolan, Conti, Biondini; Cossu; Matri, Nenê (Acquefresca)

Treinador
Pierpaolo Bisoli, até a 12ª rodada. Roberto Donadoni, a partir da 13ª. Em 12 jogos à frente do Cagliari, o jovem Bisoli conseguiu apenas três vitórias e logo perdeu seu emprego. Com Roberto Donadoni no comando, a equipe alcançou as mesmas três vitórias em bem menos tempo. Mas não se pode tirar o mérito de Bisoli por ter conseguido ajeitar a defesa sarda. Nas grandes campanhas que fez com o Cesena nas duas últimas temporadas (levando o time da Lega Pro à Serie A em apenas dois anos), o setor defensivo era o ponto forte da equipe, assim como tem sido no Cagliari, time que mais venceu divididas no campeonato, segundo estatísticas da Virgilio Sport. Não à toa, o Cagliari tem a quinta melhor defesa da competição, com apenas 16 gols sofridos. A missão de Donadoni, agora, é melhorar a parte ofensiva, que conta com a estrela do time.

Destaque
Alessandro Matri. Artilheiro do time, com oito gols, Matri é o homem que decide. Até porque seu companheiro de ataque, Acquafresca, contratado para dividir essa responsabilidade com ele, não está em boa fase e perdeu lugar para Nenê, que cumpre seu papel regularmente. Destaque positivo também para o belga Nainggolan, essencial para o bom funcionamento do meio-campo do time. Tão essencial quanto Conti, líder do time e sempre decisivo: além de suas funções de marcação, já marcou três gols nesse ano. Quem demorou um pouco a aparecer, mas tem voltado a ganhar destaque é Cossu, cérebro do time e líder em assistências nesta edição da Serie A, com 9 passes para gol. A melhora do time com Donadoni é nítida e, talvez, a parte ofensiva se saia melhor.

Decepção
Lorenzo Ariaudo e Robert Acquafresca. O jovem zagueiro era tido como a grande promessa da Juventus e muitos pensavam que ele ia estourar nesta temporada, em que se transferiu ao Cagliari em definitivo. No entanto, a solidez da dupla Canini e Astori mal dá chances para ele se mostrar e o que poderia ser uma boa temporada para desabrochar acaba sendo mais uma no banco de reservas. Enquanto isso, o atacante Acquafresca retornou ao clube com status de grande contratação, mas não reencontrou o bom momento vivido duas temporadas atrás, quando foi artilheiro do time. O camisa nove marcou apenas um gol essa temporada e agora divide sua titularidade com o brasileiro Nenê (quatro gols). Quem também não consegue ser titular é o habilidoso Lazzari, por questões táticas. Tido como jogador de segundo tempo, o meia quer mais minutos de jogo para convencer Prandelli a continuar o convocando para a seleção e deve ser negociado em janeiro, assim como o goleiro Marchetti, afastado pelo presidente Cellino.

Perspectiva
Meio da tabela. Com a saída do técnico Massimiliano Allegri, o Cagliari entrou na disputa sabendo que seria difícil algo mais do que a salvezza, o que, aparentemente, acontecerá com certa tranquilidade. Donadoni começou bem seu trabalho, a defesa está arrumada e jogadores importantes como Cossu estão reencontrando a boa forma. Um reforço para o meio-campo chegará (com as prováveis vendas de Lazzari e Marchetti, além do empréstimo de Pinardi) e deve adicionar profundidade ao elenco. Com um pouco mais de sorte, o time pode disputar posições mais acima na tabela. Para isso, deve alcançar uma regularidade ainda não vista nesse campeonato. Pode estar começando agora: Donadoni tem cinco jogos à frente da equipe, com três vitórias e duas derrotas. O aproveitamento, portanto, é de 60%, maior que o da Roma, quinta colocada.

Parada de Inverno: Bologna

Massimo Zanetti (à direita), o novo presidente, chega para salvar o natal
e a temporada rossoblù (Foto: LaPresse)
Campanha
14ª posição. 17 jogos, 20 pontos. 5 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. 16 gols marcados, 23 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 14ª e 15ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 4ª à 7ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 5ª à 9ª rodada
Artilheiro: Marco Di Vaio, 9 gols
Fair play: 40 cartões amarelos e 1 vermelho.

Time-base
Viviano; Garics, Portanova, Britos, Rubin; Cesarini, Pérez (Buscè), Mudingayi, Ekdal; Giménez (Meggiorini, Ramírez), Di Vaio.

Treinador
Paolo Magnani, na 1ª rodada. Alberto Malesani, a partir da 2ª rodada. Magnani, treinador da equipe Primavera, comandou o time apenas na primeira rodada porque o ex-técnico Franco Colomba fora demitido um dia antes do início do campeonato. A partir da segunda, Malesani tomou as rédeas da equipe e vem fazendo um bom trabalho até aqui. Apesar da crise societária pela qual o clube passou durante todo esse semestre, Malesani conseguiu manter seus jogadores focados e os cinco pontos acima da zona de rebaixamento já podem ser considerados uma vitória. Além de manter a forte defesa, que já era destaque no ano passado, o técnico acrescentou um bom poder de reação e mais garra a seu conjunto.

Destaque
Marco Di Vaio. Sempre ele. O atacante de 34 anos é ídolo em Bolonha e sua importância para o clube é indiscutível. Dos 16 gols marcados pela equipe até agora, nove saíram de seus pés. Mas não é só dentro de campo que o artilheiro é essencial para o time. Fora das quatro linhas, Di Vaio também é líder e agrega o grupo. Foi através do capitão que os jogadores cobraram legalmente o pagamento dos cinco meses de salários atrasados, no auge da crise interna rossoblù. Nem assim o time fez corpo mole e o Bologna conseguiu largar a lanterna e sair da zona de rebaixamento antes do recesso. Graças também ao zagueirão Britos, que, além de fazer grande campeonato lá atrás, também marcou gols importantes para os emilianos. Antes da chegada do novo presidente, a venda de Britos no mercado de janeiro era tida como certa, para pagar as dívidas do clube. Agora, talvez o zagueiro ganhe uma sobrevida em Bolonha.

Decepção
Andrea Esposito. O lateral, que já foi convocado para a seleção italiana, foi uma das poucas contratações que chegou não só para compor elenco, e sim para melhorar a equipe e jogar no time titular. No entanto, o que se viu foi Matteo Rubin roubando a cena e deixando Esposito no banco. Decepciona também o pouco aproveitamento dos jovens, que foram a principal aposta no mercado. O atacante espanhol Gavilán não teve nenhuma chance até agora e o meia esloveno René Khrin, que chegou da Inter, só entrou em campo duas vezes. Os mais bem aproveitados são o ex-juventino Ekdal, que já tem dez participações no campeonato, mas sem muito brilho, e o uruguaio Ramírez, que tem feito boas partidas.

Perspectiva
Permanência na Serie A. Desde o início do campeonato, essa sempre foi a missão do time de Renato Dall'Ara. O clube não fez muitas contratações e a base é a mesma que fugiu do rebaixamento no final da temporada passada. Quando Sergio Porcedda comprou o time, no início do semestre, parecia que as coisas melhorariam, mas não foi o que aconteceu. A crise no clube se agravou, o time perdeu um ponto nos tribunais e a falência começava a se tornar realidade. Ainda assim, o rendimento do time em campo não caiu muito e a equipe respira um pouco longe da zona de rebaixamento há algumas rodadas. Com a apresentação do novo presidente Massimo Zanetti, ontem, os problemas internos devem diminuir e os jogadores poderão se concentrar mais em salvar o time de 101 anos do descenso.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Fiorentina

Muito com o que se preocupar: Mihajlovic não consegue acertar o time e tem que se acostumar com a corda no pescoço (Foto: Getty Images)
Campanha
15ª posição. 16 jogos, 19 pontos. 5 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 16 gols marcados, 17 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, da 2ª à 3ª rodada e da 6ª à 7ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 8ª à 10ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 1ª à 4ª rodada
Artilheiro: Gilardino, 5 gols
Fair play: 40 cartões amarelos e 4 vermelhos.

Time-base
Frey (Boruc); De Silvestri (Comotto), Kroldrup, Gamberini, Pasqual; Donadel (D'Agostino), Montolivo; Santana (Marchionni), Ljajic (Mutu), Vargas; Gilardino.

Treinador
Sinisa Mihajlovic. Difícil acreditar que o sérvio esteja à frente do time viola até agora. Isso porque desde a quarta rodada do campeonato os jornais já manchetavam "Após mais um resultado ruim, Mihajlovic balança na Fiorentina". Balança, mas não cai. Talvez porque não haja técnicos muito melhores do que ele disponíveis no mercado. Porém, seu trabalho este ano é, de fato, questionável. Para um time que pretendia disputar vaga nas competições europeias, a 15ª colocação não é nada satisfatória. Sem contar a vexatória última colocação, 'conquistada' após a sétima rodada. É fato também que o número de lesões em jogadores importantes atrapalhou nessa jornada (Jovetic, craque do time, só deve voltar em março), mas é claro que está na hora de Mihajlovic decidir seu esquema (só nesse ano já tentou o 4-2-3-1, o 4-3-3 e o 4-4-1-1) e colocar esse time para jogar. Ainda há tempo.

Destaque
O reencontro de Marco Donadel, vice-capitão, com o bom futebol talvez seja o maior destaque dessa Fiorentina, que tem pouco a comemorar, por enquanto. Na ausência do capitão Montolivo, lesionado em boa parte da temporada, Donadel assumiu as responsabilidades e exerceu importante papel de liderança. As boas apresentações e consistência de Santana também merecem ser lembradas, assim como as do goleiro Boruc, que apareceu bem quando requisitado. E se o suiço Seferovic não apareceu bem como prevíamos, o Kaká do leste, como é conhecido o jovem Ljajic, vem se confirmando como promessa que vingará. Versátil táticamente, o meio-campista sérvio conquistou seu espaço no time titular e já tem 12 participações e dois gols no campeonato. O jovem zagueiro Michele Camporese estreou na Serie A neste ano e também apareceu muito bem, fazendo, inclusive, ótima apresentação contra a Juventus.

Decepção
As decepções são muitas. O zagueiro Felipe começou a temporada com esperanças de ser titular, mas não conseguiu aproveitar as oportunidades que teve e pode estar de saída no mercado de inverno. Comotto também conta com a antipatia da torcida, por conta da série de erros defensivos que acumula. Nem mesmo os intocáveis Vargas e Gilardino são unanimidade. Se a média de gols do atacante não está tão boa quanto outrora, as exibições do peruano também estão abaixo da expectativa, atrapalhadas por um mau condicionamento físico. Sem contar o baixo aproveitamento do técnico Mihajlovic no comando da equipe. Para quem prometeu classificação para a Liga dos Campeões no início do campeonato, as coisas estão bem fora dos trilhos.

Perspectiva
Meio da tabela. Pelo número de pontos que separam o time da zona de classificação para a Liga Europa (apenas oito), ainda é possível sonhar. Contudo, o mau futebol apresentado até aqui não anima nem os torcedores mais fanáticos. A missão agora é levar o campeonato até o fim sem grandes sustos e se preparar melhor para a próxima temporada. Não podemos deixar de ressaltar que, para um time que vinha se consolidando como grande da Itália novamente e conquistado duas classificações consecutivas para a Liga dos Campeões, a temporada é um retrocesso. Talvez esteja na hora de pensar na renovação do elenco, que parece já ter atingido seu auge e, com a saída de Prandelli do comando da equipe, já representa um momento de entressafra. Algumas contratações agora no mercado de janeiro podem ajudar na transição, que Mihajlovic tem tido dificuldades em guiar.

Parada de inverno: Parma

Zaccardo: hoje ele é o cara, mas tem do que reclamar (Getty Images)

Campanha
16ª posição. 17 jogos, 19 pontos. 4 vitórias, 7 empates, 6 derrotas. 14 gols marcados, 20 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 11ª e 12ª rodadas.
Maior sequência de derrotas: 2, 5ª e 6ª rodadas.
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 11ª à 13ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 9, da 2ª à 10ª rodada.
Artilheiro: Hernán Crespo, 6 gols.
Fair play: 33 cartões amarelos, 2 vermelhos.

Time-base
Mirante; Zaccardo, Lucarelli, Paletta (Paci), Antonelli; Valiani, Morrone, Gobbi; Candreva, (Marqués), Crespo, Giovinco (Bojinov).

Treinador
Pasquale Marino. O início de campeonato foi desastroso, mas as coisas parecem ter se ajeitado. Diante da ausência de Galloppa, principal organizador da equipe, Marino teve de recorrer a alternativas para fazer o Parma funcionar. Dzemaili, Giovinco, Candreva e Fernando Marques: todos foram testados em posições diferentes, ainda que próximas do 4-3-3 do treinador siciliano. Ele não tocou em Morrone, principal carregador de piano do time, e fez do limitado Gobbi um atleta essencial ao esquema, também por conta de sua versatilidade. Embora os jovens não decepcionem, são as figuras carimbadas da Serie A que dão a cara do time de Marino, como se vê pela presença constante dos citados Gobbi e Morrone, além de Valiani, Lucarelli, Paci e Crespo.

Destaque
Cristian Zaccardo. A experiência fez muito bem ao defensor: se aquele lateral de Bologna e Palermo ainda era um tanto estabanado, hoje Zaccardo é um dos melhores do país em sua posição. Líder e confiante na defesa, ele tem dominado o setor direito do campo com subidas consistentes, o que lhe garantiu um interesse inesgotável da Juventus. Candreva não decepcionou, ao passo que ainda falta brilho para Giovinco. Fernando Marqués, chegado sob desconfiança, mostrou-se bastante útil, mesmo sendo claras as suas limitações. No ataque, Crespo merece menção honrosa, considerando sua inequívoca postura de matador. Ainda assim, quem mais tem se destacado é Zaccardo, que há tempos merece ter seu gol contra na Copa da Alemanha esquecido.

Decepções
Daniele Galloppa e Alberto Paloschi. A decepção ficou com uma dupla por um simples motivo: nenhum dos dois têm culpa em não demonstrar desempenho. Acontece que tanto Galloppa quanto Paloschi se lesionaram logo no início da temporada, e até o momento praticamente não entraram em campo (o atacante jogou 22 minutos contra o Brescia, na estreia, e só). O meia, motor do time na época passada e motivo do interesse de clubes maiores, faz uma falta tremenda ao Parma. Grande organizador de jogo, a ausência de Galloppa é uma das principais razões por este Parma brigar para não cair. Paloschi, por sua vez, vai à sua segunda temporada afetada por contusões, o que faz questionar até que ponto o físico do atacante de apenas vinte anos não o comprometerá no futuro. Com ambos em campo e, principalmente, em forma, os crociati certamente pensariam mais alto.

Perspectiva
Não levar sustos. Das equipes na parte de baixo da tabela, à exceção de uma Fiorentina fora dos trilhos, o Parma é a que mais tem condições de se recuperar. O grupo de Marino carrega um potencial acima da média, mesclando a juventude de nomes que buscam afirmação com a experiência de atletas estabilizados. Para dar gás, entretanto, é necessário que os garotos - ou ao menos os mais jovens - se destaquem mais. Candreva, Giovinco, Dzemaili e Antonelli - esse já titularíssimo -, todos em contextos diferentes, precisam dar o ritmo de um Parma simples e renovado, que com alguma sorte ainda brigaria por vaga na Liga Europa.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Parada de Inverno: Brescia

Ataque inoperante: com apenas 12 gols marcados em 17 jogos
fica difícil permanecer na elite (Foto: Getty Images)
Campanha
17ª posição. 17 jogos, 15 pontos. 4 vitórias, 3 empates, 10 derrotas. 12 gols marcados, 21 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 2ª à 4ª rodada
Maior sequência de derrotas: 5, da 5ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 2ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 11, da 5ª à 15ª rodada
Artilheiro: Caracciolo, 5 gols
Fair play: 41 cartões amarelos e 1 vermelho.

Time-base
Sereni; Zébina (Zambelli), Dallamano, Bega, Martínez; Baiocco, Kone, Hetemaj; Diamanti, Eder; Caracciolo.

Treinador
Giuseppe Iachini, até 15ª rodada. Mario Beretta, a partir da 16ª. Iachini foi o técnico responsável por devolver o Brescia à elite do futebol italiano, após cinco temporadas longe. Com essas credenciais, começou o campeonato deste ano com tranquilidade e surpreendeu nas primeiras rodadas, quando os rondinelle chegaram a ocupar a segunda colocação da tabela. Após a quarta rodada, no entanto, o time desandou e a sequência de 11 jogos sem vitórias derrubou o técnico. Para seu lugar, chegou Mario Beretta, que, apesar de não ter mostrado nenhum trabalho consistente até agora (durou só dois meses no PAOK e menos de um no Torino, seus dois últimos clubes), nunca foi rebaixado na Serie A e estreou bem à frente do Brescia. Já é possível notar uma melhora no time.

Destaque
Matteo Sereni. O goleiro chegou após duas grandes temporadas no Torino e está conseguindo manter a boa fase este ano na Serie A. Os 21 gols sofridos até aqui podem ir contra essa afirmação, mas, acredite, poderia ser pior. As grandes defesas do veterano de 35 anos estão salvando o Brescia de goleadas e já o colocam, para alguns especialistas, como um dos melhores goleiros da competição até aqui. Quem também merece destaque é o jovem grego Panagiotis Kone, que chegou para ser uma boa opção no banco, mas que conquistou a titularidade e já acumula 15 participações em 17 jogos.

Decepção
O ataque. Com a aquisição de Diamanti e Éder para fazer companhia ao ídolo Caracciolo, os biancoazzurri esperavam que a pontaria melhorasse e ajudasse o time a se manter na Serie A. Porém, o setor ofensivo é o principal problema da equipe, por enquanto. Com apenas 12 gols marcados, o Brescia tem o terceiro pior ataque da competição. O brasileiro Éder, artilheiro da Serie B pelo Empoli na temporada passada, com 27 gols, só conseguiu balançar as redes uma vez até aqui. Diamanti, atuando mais recuado, até vem fazendo boas partidas, mas a bola não entra. Foram só duas comemorações. E Caracciolo, o homem-gol do time, não passou de cinco tentos. A recuperação do bom momento desses jogadores vai ser essencial para definir a permanência ou não do time na Serie A.

Perspectiva
Salvezza. Com 15 pontos e fora da zona de rebaixamento apenas pelos critérios de desempate, fica difícil sonhar com outra coisa. O Parma, time imediatamente acima do Brescia na tabela, tem quatro pontos de vantagem e mais qualidade. Talvez a demora na demissão do ex-técnico Iachini (que se sustentou no comando mesmo após uma sequência de cinco derrotas) tenha atrapalhado o desenvolvimento do time. Na série de 11 jogos que o Brescia ficou sem vencer, foram apenas três empates. Ou seja, três pontos conquistados em 33 disputados. Agora, Beretta tem a missão de resgatar o ânimo dos jogadores e melhorar o desempenho da equipe fora de casa. Em sete partidas fora de seus domínios, o time sofreu seis derrotas (venceu apenas o Chievo, em Verona).

Parada de Inverno: Cesena

No ataque, Bogdani passa longe do que se pode chamar de artilheiro. Enquanto ele for titular, o Cesena terá enormes dificuldades em buscar a salvezza (Getty Images)

Campanha

18ª posição. 16 jogos, 11 pontos. 4 vitórias, 3 empates, 9 derrotas. 11 gols marcados, 20 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 2ª e 3ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 3, da 4à 6ª rodada e da 8ª à 10ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 1ª à 3ª rodada
Maior sequência sem vencer: 7, da 4ª à 10ª rodada
Artilheiro: Erjon Bogdani, 4 gols
Fair play: 32 cartões amarelos e 4 vermelhos.

Time-base
Antonioli; Ceccarelli, Von Bergen, Pellegrino (Benalouane), Nagatomo; Appiah, Colucci, Parolo; Schelotto (Jiménez), Bogdani, Giaccherini.

Treinador
Massimo Ficcadenti. O treinador chegou a balançar no cargo após a queda de rendimento que se seguiu ao ótimo início de campeonato da equipe romanhola, mas permanece com moral. O que surpreende em sua gestão é ter mudado radicalmente algumas peças em relação ao trabalho de Pierpaolo Bisoli, que subiu com o time. Malonga foi destaque na Serie B, mas está encostado no time, assim como diversos jovens contratados no mercado de verão. O maior mérito do treinador é, até agora, a estruturação do combativo meio-campo formado por Appiah, Parolo (na mira de Fiorentina e Palermo) e o capitão Colucci, que protege a boa defesa bianconera.

Destaque
Francesco Antonioli. O veteraníssimo arqueiro de 41 anos mostra que envelheceu como vinho. Sua estreia na Serie A, contra a Roma, que defendeu por quatro anos, foi apenas a primeira mensagem a Diego Cavalieri, que acabou sendo relegado a sua reserva durante o resto do primeiro turno, devido a sua excelente forma e defesas elásticas para um goleiro envelhecido. Além disso, merece destaque também o meio-campo da equipe, em especial Parolo, um dínamo na função de marcar. Quem também merece destaque é o japonês Nagatomo, que chegou a Itália em julho após boa Copa do Mundo e já se tornou um dos grandes jogadores do time, responsável por auxiliar o baixinho Giaccherini (mais um destaque) a dar velocidade ao lado esquerdo do time, muito leve e perigoso.

Decepção
Gabriele Paonessa. O meia-atacante crescido no Bologna surgiu como uma das boas revelações da safra /87 do futebol italiano, mas até agora não despontou entre os profissionais. Deixado de lado no Parma, acabou emprestado ao clube romanholo para ganhar oportunidades, mas apenas foi convocado para dois jogos e nem mesmo estreou. A impressão que passa é que Ficcadenti deixa os jovens de lado: Fatic, Ighalo, Rodríguez e Malonga tem poucos minutos de jogo, enquanto o próprio Paonessa e Tachtisidis nem mesmo estrearam. Bogdani, com apenas quatro gols em 16 jogos é decepção apenas para os torcedores ou alguém esperava que um atacante que fez apenas cinco gols entre 2007 e 2010 poderia garantir a salvezza?

Perspectiva
Permanência na Serie A. Escapar do rebaixamento é possível para este Cesena, que precisa, claramente, de um reforço no ataque. Bogdani e Budan são atacantes muito pesados e não estão adequados ao estilo de jogo da equipe, baseado em velocidade e nas arrancadas de Giaccherini. Aí está, então, um erro de Ficcadenti: não seria melhor apostar em jovens jogadores que se adequam ao estilo do time, como Malonga, Ighalo e Paonessa? Enquanto Bogdani for titular e Budan for seu reserva imediato, o Cesena sofrerá com a falta de gols. Sem um atacante que garanta pelo menos 10 gols na temporada fica muito difícil permanecer na elite.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Parada de inverno: Lecce

Chevantón: sem camisa, sem calma e sem futebol (Getty Images)

Campanha
19ª posição. 17 jogos, 15 pontos. 4 vitórias, 3 empates, 10 derrotas. 16 gols marcados, 34 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 4, da 11ª à 14ª rodada.
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 4ª à 6ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 7, da 9ª à 15ª rodada.
Artilheiro: David Di Michele, 4 gols.
Fair play: 38 cartões amarelos, 4 vermelhos.

Time-base
Rosati; Rispoli (Donati), Gustavo, Fabiano, Giuliatto; Vives (Munari), Giacomazzi, Mesbah; Olivera, Piatti (Grossmüller); Di Michele.

Treinador
Luigi De Canio. Se a ideia era contar com um ataque perigoso, De Canio logo se decepcionou. Corvia continua não correspondendo, enquanto Chevantón sequer apareceu e Ofere não emplacou. Por conta disso, o treinador acabou recuando um de seus atacantes, e hoje reveza entre o 4-4-1-1 e o 4-3-2-1. De Canio tem o mérito de montar uma boa linha de volantes, mas que não pode fazer muito em frente à defesa fraquíssima. Reginiussen sequer entrou em campo, enquanto Sini mal o fez. Donati só começou a ganhar espaço recentemente numa linha defensiva desprovida de qualquer regularidade e entrosamento. Esses são os pontos (negativos) que mais chamam atenção na montagem de De Canio.

Destaque
David Di Michele. Apesar dos 34 anos, ele ainda é perigoso. Depois de ajudar o clube na reta final da campanha que levou o Lecce à divisão de elite, Di Michele assumiu mais responsabilidades. Experiente, o atacante é figura carimbada na Serie A, sendo quem finaliza a grande maioria das jogadas da equipe. Num time que carece de qualidade em todos os setores, o atacante - que já vestiu a camisa da seleção italiana -, faz a sua parte. Dotado de técnica acima da média e conservando certa agilidade, Di Michele é motivo de segurança para um Lecce bastante inconfiável. Quem também apareceu foi Ignacio Piatti, cada vez mais titular, mesmo após início discreto.

Decepção
Javier Chevantón. Até o momento, nada do ídolo se sobressair. A decadência é nítida na carreira do uruguaio, que há anos não firma uma boa sequência. Se voltar ao clube em que se consagrou deu ânimo aos torcedores, esse primeiro turno serviu para desconsolá-los. Não bastasse o início prejudicado por lesão, Chevantón, em uma de suas quatro partidas na Serie A, agrediu Ziegler, xingou o árbitro e ainda atirou a camisa em sua direção. Como resultado, levou um gancho de cinco jogos e ficou ainda mais distante de se redimir. O atacante ainda não marcou nessa Serie A, e hoje não é mais titular de um time que busca se virar com Di Michele lá na frente.

Perspectiva
Permanência na Serie A. Para isso, é preciso, antes de mais nada, ajeitar a defesa. Disparado na condição de pior do campeonato (foram 34 gols sofridos; a segunda pior levou 26), o Lecce depende de um conserto urgente para ter condições de pensar mais alto. O meio-campo tem peças aproveitáveis: Giacomazzi ainda é o porto seguro da equipe, enquanto Mesbah toma conta de qualquer articulação ofensiva, sendo o atleta mais participativo do elenco. No ataque as coisas dependem de Di Michele, embora Olivera tenha alguns lampejos de grande jogador. Com certo potencial e bastante experiência, ficar na divisão máxima não é uma meta absurda para o Lecce, e sim questão de detalhes. O potencial, contudo, é limitado, e em nada pode ajudar se continuar adormecido numa experiência que também pode ser só velhice.