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sábado, 29 de janeiro de 2011

Cortem as cabeças!

Louco, eu? Enrico Preziosi perde a paciência no comando do Genoa e toma decisões contestáveis, aparentemente sem planejamento (Getty Images)

Na semana em que se comemoram os 178 anos de nascimento do escritor Lewis Carroll, autor do psicodélico clássico infanto-juvenil Alice no País das Maravilhas, pouco ilustra tão bem o ambiente do Genoa como uma frase oriunda da obra do autor inglês. Quando Alice, em sua série de desventuras, encontra a egocêntrica e inconstante Rainha de Copas, logo a vê dando ordens contra soldados que haviam plantado, por engano, uma roseira branca em vez de uma vermelha: cortem-lhes as cabeças. No Genoa, o presidente Enrico Preziosi, dono da Giochi Preziosi, uma das maiores fabricantes de brinquedos do mundo, tem agido de maneira parecida: quando algo o desagrada minimamente, toma-se decisões radicais. Se jogadores não estão agradando, o presidente não dá tempo ao tempo e recorre ao mercado.

Quando a atual temporada se iniciava e os clubes se reforçavam com novos jogadores, a diretoria do Genoa foi muito elogiada. Protagonista no mercado de verão, o Grifone gastou cerca de 40 milhões de euros por reforços que se encaixavam no time. Se os problemas maiores eram a defesa e a falta de um matador no ataque, Preziosi e o diretor esportivo Stefano Capozzuca buscaram sanar os problemas. Trocaram Amelia por Eduardo, que vinha se destacando no gol do Braga e havia feito boa Copa do Mundo por Portugal. Para formar a defesa, mantiveram Ranocchia, não obstante o assédio da Inter, e ainda trouxeram Kaladze e Chico.

No ataque, embora tenha feito uma arriscada aposta em Toni, foram contratados o húngaro Rudolf (destaque do Debrecen) e Destro, uma das maiores promessas do futebol italiano. Preziosi ainda reforçou o meio-campo com Rafinha e Miguel Veloso. Se nem todas foram contratações de primeira linha, somadas a base que os rossoblù já tinha, era perfeitamente possível acreditar que o time iria brigar pelo objetivo primário da temporada: uma vaga em copas europeias. Meia temporada depois, o Genoa está apenas cinco pontos acima da zona de rebaixamento e deve ficar, no máximo, no meio da tabela.

Logo no início do campeonato, Preziosi já havia acenado com a possibilidade de cortar cabeças, depois que o time começou a tropeçar. A primeira cabeça cortada foi a do técnico Gian Piero Gasperini, que já estava no comando dos grifoni há quase cinco anos. Com Ballardini, o time não passou a jogar bem. Pelo contrário, continua não aproveitando o estádio Luigi Ferraris a seu favor e tem o segundo pior ataque da competição, com apenas 15 gols marcados - não fez gols em nove das 20 partidas disputadas. Preziosi achou por bem intervir intensamente no mercado mais uma vez.

Apenas em janeiro, Preziosi realizou nove operações em entrada e dez em saída, totalizando 26 transações de chegadas e 32 de saídas somando os dois mercados. No mercado de reparação, o presidente identificou o ataque como principal setor para ser reforçado, mas exagerou: dos atacantes que iniciaram a temporada, ficaram apenas Palacio, Destro, Jankovic e Boakye, enquanto foram negociados Toni (Juventus), Sculli (Lazio) e Palladino (Parma), jogadores que frequentemente eram titulares.

O exagero de Preziosi foi ainda maior na reposição: trouxe quatro atacantes de área - Paloschi, Floro Flores, Hallenius e Boselli. Como integrá-los em tão pouco tempo e fazê-los se entrosarem ao time? Por outro lado, como fica o moral dos jogadores que veem, cada vez mais, reforços chegando para disputarem vagas consigo? A concorrência pode aumentar: o Genoa está interessado no esloveno Valter Birsa (Auxerre) e ainda ainda pode fechar com Amauri antes de o mercado fechar. Nesta conjuntura, o clube pode emprestar Destro (um dos poucos jogadores que tem feito boas apresentações) a Lecce, Bologna ou Parma.

A situação é ainda mais surreal, como em Alice no País das Maravilhas, no que diz respeito ao que Preziosi pode fazer em respeito à situação dos goleiros do time. Preziosi chegou a cogitar a contratação de dois goleiros de uma só vez (Marchetti e Storari) para substituir Eduardo. Desde que chegou ao clube, o português decepciona: não é nem sombra do goleiro que foi na Copa do Mundo e já cometeu falhas incríveis, como a que deu vitórias à Inter e à Udinese. Se já não conta com o apoio da torcida, também entreou em descrédito com a direção, que havia cedido Amelia ao Milan para contar com o português. Nos últimos dias de mercado, é possível que haja, ainda, uma troca de Eduardo por Doni, encostado na Roma.

O que acontece, no fim das contas e com tantas mudanças, é que não se constrói continuidade. O ambiente atribulado, de pura impaciência e busca por resultados positivos, que impera dentro do clube faz com que Ballardini pouco insista nos mesmos jogadores. O Genoa não repetiu uma única escalação em 20 partidas. Apenas seis jogadores que foram titulares na primeira rodada deverão ser titulares amanhã - e o número pode diminuir ainda mais, com a inserção dos novos reforços e a provável saída de Eduardo. Como um time que tanto muda em uma única temporada pode conseguir o objetivo de se classificar para competições europeias?

Os torcedores rossoblù perderam a paciência, assim como os rivais dorianos, em uma crise poucas vezes vista nos dois clubes de Gênova. Irritados com a má fase do clube, setores da torcida ofenderam verbalmente Fabrizio Preziosi, filho do presidente, que prontamente ameaçou vender o clube, em meados de janeiro. A ameaça não passou de um blefe, mas o empresário claramente cansou de perder dinheiro com o clube, que não alcança os objetivos traçados.

Para que o Genoa ao menos possa entrar nos eixos, faria bem a Preziosi - e, consequentemente, a seus bolsos - controlar e planejar melhor os custos, além de cortar menos cabeças. Talvez seja este o caminho para que o Genoa retome o caminho que começou a construir duas temporadas atrás, com Milito e Thiago Motta, e deixe para trás os requintes de surrealismo que tem tomado o clube nesta temporada. Assim, quem sabe o País das Maravilhas passe a ter um significado mais próximo ao literal.

Jogadores: Angelo Di Livio

Di Livio ganhou tudo pela Juventus, mas foi em Florença que ele se tornou um ídolo (Federico De Luca)

No mundo do futebol tornou-se comum um jogador atuar por um clube que lhe dê mais dinheiro ou status. Definitivamente este não é o caso de Angelo Di Livio. O soldadinho de chumbo que conquistou a Europa com a Juventus ganhou fama de leal por seu comprometimento com a Fiorentina, quando não abandonou a equipe no momento mais difícil de sua história.

Di Livio nasceu em Roma, mas sequer entrou em campo pela primeira equipe giallorossa. Após subir da base com o título do Torneo di Viareggio em 1983, ele peregrinou pela Serie C1 por dois anos, vestindo as camisas de Reggiana e Nocerina. O meio-campista acertou com o Perugia, em 1988, e ajudou o time a conseguir a promoção à Serie C1. Os três gols marcados e as boas atuações naquela temporada fizeram com que os biancorossi investissem no jogador, que foi comprado em definitivo, mas passou apenas mais uma época no clube.

Ao fim daquele ano, Di Livio chamou a atenção do presidente Marino Puggina e se transferiu para o Padova. No clube padovano, Di Livio caiu no gosto dos cinco treinadores que o comandaram e atuou em 138 partidas na Serie B, durante os quatro anos que ficou no clube. Se não conseguiu a promoção para a primeira divisão com o clube, que bateu na trave duas vezes e terminou as competições na quinta colocação, Di Livio iria jogar a Serie A pelo clube mais vitorioso da Itália, a Juventus.

Giovanni Trapattoni pediu a contratação daquele meio-campista com extrema inteligência tática e que não parava de se movimentar um minuto sequer durante os jogos. O debute na Serie A, apesar de tardio – Di Livio já tinha 27 anos -, foi recompensado com quase todos os títulos de sua carreira em seis anos de Juventus. Seu primeiro ano em Turim, no entanto, começou com um mau presságio: sua estreia aconteceu diante da Roma, em setembro de 1993, em jogo perdido pela Juve. O resultado fez falta no fim do campeonato, pois a Velha Senhora ficou três pontos atrás do campeão Milan.

A sua história vitoriosa com a camisa bianconera começou na época seguinte. Marcello Lippi chegou para o lugar de Trapattoni e manteve Di Livio como titular. Indispensável, se tornou Il Soldatino (o soldadinho, em tradução literal) por ser aquele jogador leal que sempre se entregava em prol da equipe. “Este era o meu apelido da sorte. Todos me chamam assim, inclusive minha filha Alessandra”, disse Di Livio ao site TuttoJuve, em agosto de 2010.

A parceria com Ravanelli e Vialli rendeu todos os títulos possíveis em solo nacional (Serie A, Coppa Italia e Supercoppa) e a manutenção dos jogadores para a temporada seguinte foi vital para a conquista mais importante de sua carreira: a Liga dos Campeões da Europa. Ele, porém, entrou apenas no segundo tempo da final conquistada nos pênaltis contra o Ajax de Louis van Gaal.

Se foi suplente na final da Europa, Di Livio jogou como titular na final do Mundial Interclubes conquistado pela Juventus, depois de vitória por 1 a 0 sobre o River Plate. Outra competição nacional que o centro-médio comemorou foi a Supercopa da Uefa, conquistada com um massacre sobre o Paris Saint-Germain: os bianconeri trucidaram os franceses, no Parc des Princes, e saíram vitoriosos por 6 a 1. No jogo de volta, 3 a 1 e mais um troféu internacional.

A diferença do Di Livio do Padova para o da Juventus era clara: o posicionamento, mais recuado, também influía na quantidade de gols marcados. O centro-médio ainda foi bicampeão italiano, mas contabilizou mais gols em um ano de Serie B do que em seis de Juventus. Nos títulos consecutivos de 1996-97 e 1997-98, ele balançou a rede apenas uma vez: contra o Vicenza, em casa, em março de 1997. O gol de empate marcado aos 36 minutos do segundo tempo contra o Bologna foi o último marcado com a camisa bianconera. A prorrogação de contrato nunca foi discutida e Di Livio, que gostaria de permanecer na Juventus, descobriu na Fiorentina a sua nova casa.

O ainda iniciante técnico Roberto Mancini nem cogitou deixá-lo no banco de reservas em sua primeira temporada pelo clube, que terminou a Serie A na sétima posição. Na época seguinte, porém, o jogador conquistou o seu primeiro título pelo clube florentino e o último da carreira: derrotou o Parma de Thuram, Cannavaro e Di Vaio na Coppa Italia.

Com a virada do século, no entanto, problemas societários começaram a assolar a Fiorentina. O Tribunal Civil de Florença iniciou o processo de falência contra o clube no verão de 2001. Gabriel Batistuta, Rui Costa e Francesco Toldo foram postos à venda, mas o clube estava em uma grave crise orçamentária: os jogadores não estavam recebendo salários e a crise inevitavelmente explodiu em campo, com a 17ª colocação e o rebaixamento.

A incapacidade de inscrição na Serie B por conta dos problemas financeiros levou o clube a decretar falência e pedir a refundação, a partir das divisões inferiores. Desta maneira, em agosto de 2002 foi fundada a Florentia Viola, que disputaria a Serie C2. Um dos jogadores que ficaram foi Di Livio, que decretou fidelidade ao clube e foi o capitão da equipe no inferno do futebol semiprofissional da Bota.

O ídolo viola ainda disputou uma Serie B e A pelo clube, que em apenas dois anos, já estava de volta à elite do futebol nacional, depois da compra do clube pelos irmãos Della Valle. Se aposentou aos 39 anos, dando sua contribuição em 12 jogos da Serie A, mas participando ativamente da reconstrução do clube fora das quatro linhas.

Pela seleção italiana, Di Livio soma 40 partidas internacionais e nenhum gol. Sua primeira convocação aconteceu em 1995, para partida contra a Eslovênia. Depois, o meia foi integrado à Squadra Azzurra nos Campeonatos Europeus de 1996 e 2000, além das Copas do Mundo de 1998 e 2002.

O ex-atleta ainda retornou à Roma, para treinar equipes de categoria de base do clube giallorosso de 2006 a 2008. Depois, juntou-se a Marcello Lippi no staff que viajou à Alemanha para a disputa da Copa do Mundo de 2010. Atualmente, Di Livio dirige a Scuola Calcio Angelo Di Livio, em Roma. Ele também trabalha como comentarista na Dahlia TV e na Teleroma 56.

Angelo Di Livio
Nascimento: 26 de julho de 1966, em Roma
Posição: meio-campista
Seleção italiana: 40 jogos
Clubes como jogador: Reggiana (1985-86), Nocerina (1986-87), Perugia (1987-89), Padova (1989-93), Juventus (1993-99), Fiorentina (1999-2005)
Clubes como técnico: juniores da Roma (2006-08)
Títulos como jogador: Torneo di Viareggio (1983), 3 Serie A (1994-95, 1996-97 e 1997-98), 2 Coppa Italia (1994-95 e 2000-01), 2 Supercoppa Italiana (1995 e 1997), Liga dos Campeões da Europa (1995-96), Supercopa da Uefa (1996), Mundial de Clubes (1996)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ascensão e queda em azul, vermelho e branco

Pazzini e Cassano estão fora da Sampdoria no mercado de inverno. Sem a dupla de ataque titular, a promessa é de mais dificuldades para a Sampdoria em 2010-11 (migliorblog.it)

A temporada 2009-10 foi praticamente perfeita para os torcedores da Sampdoria. Apesar de em nenhum momento a equipe ter se credenciado para lutar pelo scudetto, a campanha na Serie A foi boa como havia muito tempo não era. A quarta colocação ao final do campeonato colocou os blucerchiati novamente na Liga dos Campeões da Europa, competição na qual o time brilhou no início dos anos 90. O momento, então, era de festa.

A conquista no torneio continental, motivo de êxtase para os torcedores, aconteceu devido às ótimas combinações táticas encontradas pelo então treinador Luigi Del Neri. Com um meio-campo leve, com volantes saindo bem para chegar ao ataque, o técnico conseguiu municiar bem a dupla letal formada por Cassano e Pazzini - este último uma máquina de fazer gols na temporada. O panorama para a temporada seguinte era, portanto, de imensa esperança para que os tempos de glória e ascensão na Europa voltassem.

A decepção é azul
Mas a esperança dos torcedores blucerchiati não durou muito tempo. As saídas do diretor esportivo Giuseppe Marotta - responsável por contratar e manter os atletas - e de Del Neri para comandar a Juventus logo ao final da temporada era o primeiro indício de que dias mais difíceis batiam à porta do Luigi Ferraris. Se para o lugar de Marotta, foi contaratado Sergio Gasparin, a chegada de Domenico Di Carlo, que vinha de bom trabalho no Chievo, foi a solução encontrada pela diretoria para suprir a ausência do técnico que agora era bianconero - e que mal sabia que se tivesse ficado na Sampdoria talvez tivesse mantido o sucesso e evitado o fracasso momentâneo em Turim.

A ira da torcida não tardaria a acontecer com os resultados negativos que Di Carlo apresentou logo em sua chegada. Nas primeiras e mais importantes partidas do ano, queda na Liga dos Campeões diante do Werder Bremen, que há alguns anos já não apresenta mais o futebol que o fez ser campeão alemão no já quase distante 2004. A decepção dos blucerchiati foi inevitável: se sonharam chegar novamente nos pontos mais altos do torneio europeu, quase reverteram uma desvantagem de 3 a 1, mas acordaram nocauteados por um gol de Rosenberg nos acréscimos, que levou o jogo para a prorrogação e jogou um balde de água fria que Di Carlo e jogadores não conseguiram superar.

A falta de criatividade é branca
Mas por que um time que abocanhou um ótimo quarto lugar na Serie A meses depois sucumbiria na principal competição da temporada? Simples: a forma de jogar da equipe montada por Di Carlo, embora utilizasse o mesmo 4-4-2 de Del Neri, arrasou o que a Samp tinha de melhor. O modo como o meio-campo do time fluía, sempre ligando com facilidade e criatividade os atacantes de área, morreu com a chegada do novo treinador. Por motivos aparentemente não explicados, o técnico passou a utilizar o meio-campista Poli, uma das revelações da última Serie A e em franca evolução, como reserva, em prol da titularidade de Tissone - um reserva com o antigo técnico.

É claro que Poli não é a solução de todos os problemas blucerchiati. Mas é a amostra de tudo que assola o time de Gênova nesta temporada. A pobreza tática da equipe é gritante e tem reflexos claros dentro de campo: no primeiro turno da Serie A, o time empatou oito dos 18 jogos que fez - lembrando sempre que o clássico contra o Genoa foi adiado. O panorama é ainda pior se considerarmos que em quatro dos oito empates, o zero não saiu do placar. Uma situação evidente de falta de criatividade que nem mesmo Cassano, antes de ser afastado, conseguia resolver decentemente.

O ataque não era problema na época de Del Neri. Isso porque o meio-campo era leve e fluía. A má fase do capitão Palombo, que pouco tem chegado no ataque e atua mais como volante do que como regista, ajudando na criação, e entrada de Tissone no lugar de Poli travou as investidas rápidas, deixando Pazzini em condições para marcar em raras oportunidades. Desta maneira, a Sampdoria ficou refém de seu 4-4-2: sem grande variação de jogadas, sem a imprevisibilidade de Cassano, quase todas as jogadas criadas vem de cruzamentos de Guberti, Koman e Ziegler. Pazzini sabe como poucos como cabecear e desviar cruzamentos à área, mas poderia render mais, caso houvesse mais alternativas na equipe.

O retorno de Poli ao time titular não é a solução dos problemas blucerchiati. Mas pode ser o começo. É por meio do jovem meio-campo que Di Carlo poderá tentar retomar o estilo de jogo que levou a Sampdoria de volta à Europa. Evidentemente o tempo perdido pela falta de criatividade que o treinador implantou dificilmente será retomado nesta temporada. Voltar ao passado, porém, pode ser a chave para um futuro um pouco melhor dentro de campo para a Samp.

A vergonha é vermelha
A queda precoce na Liga dos Campeões e o péssimo desempenho dentro de campo, por incrível que pareça, não foram os fatos que mais incomodaram os torcedores da Samp. A torcida está irritada com a administração da diretoria, ilustrada pelas ações de mercado do presidente Riccardo Garrone. Nem o mais pessimista doriano imaginaria que a Sampdoria terminaria a temporada com Maccarone, Macheda, Pozzi e Biabiany disputando as duas vagas no time titular, que eram de Cassano e Pazzini, já chamados de novos "gêmeos dos gols" em referência à dupla formada por Mancini e Vialli, fundamental na conquista do único scudetto da história do clube, no início dos anos 90.

Cassano (4 gols) e Pazzini (6), juntamente com Guberti (5), concentram 15 dos 20 gols marcados pela Sampdoria na Serie A. Se a média é baixa (igual a um gols por partida), imaginar que os responsáveis por metade deles deixaram o clube no mercado de janeiro faz pensar que o clube passa por um momento de redimensionamento de objetivos, talvez ligado a uma falta de interesse de Garrone em continuar na presidência. A falta de ambição é tal que o presidente achou melhor negociar com a Atalanta o promissor atacante Marilungo, de 21 anos, para ajudar a equilibrar as finanças do clube - que, a bem da verdade, investe muito pouco em contratações.

Além disso, a iminência do adeus de Ziegler em fim de contrato, sem render um centavo ao clube, desmontam quase toda a base que fez sucesso com Del Neri - sobram Gastaldello, Palombo e Guberti. Tal redimensionamento certamente foi percebido por Cassano e Pazzini, que não pensaram duas vezes antes de se transferirem para Milan e Inter, respectivamente, onde deverão prosseguir suas carreiras de sucesso, alternando inicialmente entre o time titular e o banco de reservas, mas frequentemente entrando em campo e tendo papel de importância.

As reposições, é claro, aconteceram, como a chegada ilustre de Macheda para o ataque, mas não parecem suficientes. O laziale Macheda, que chega do Manchester United para ter mais minutos de jogo, e a aquisição de Maccarone foram as fracas respostas dadas pela diretoria, mas parecem insuficientes para colocar a Sampdoria novamente nos trilhos. Podem, inclusive, queimar a carreira dos jogadores - principalmente do primeiro, que após ter tido algumas chances na Inglaterra e ter marcado gols importantes, aposta todas as suas fichas em deslanchar na carreira profissional na equipe de Gênova.

Macheda ganha, agora, status de salvador de uma pátria que parecia consolidada, mas que agora está em plena reconstrução. Tão cedo, aos 19 anos, terá de dar uma prova de maturidade, assim como Giuseppe Rossi, emprestado pelo mesmo Manchester United ao Parma em 2007 e grande responsável por evitar o rebaixamento dos gialloblù. Maccarone, por sua vez, ganha a grande oportunidade da carreira aos 31 anos. Depois de salvar o Siena do rebaixamento em cinco temporadas e decepcionar no Palemo, terá a missão de fazer gols que podem ajudar a Sampdoria a não aprofundar sua crise societária.

A bagunça é blucerchiata
O resumo da ópera é dramático. A Sampdoria tinha tudo para estar entre os melhores times da Serie A, lutando novamente por uma vaga na Liga dos Campeões, competição na qual também poderia ter ido mais longe.

Hoje, vive situação oposta por sua bagunça dentro e fora dos campos. Obviamente, o mais prejudicado acaba sendo o torcedor, que passou da esperança ao desespero em menos de um ano. O resultado? Revolta por parte da torcida, que já xingou diretoria, treinador e agora passa a focar sua ira nos jogadores. O caso é tão extremo que o capitão Palombo, há quase dez anos no clube, virou o novo judas da equipe para alguns torcedores após abraçar o "traidor" Cassano ao final do duelo com o Milan pela Coppa Italia. Sinal de que a bagunça na Sampdoria está longe do fim. Assim como tristeza de quem veste azul, vermelho e branco.


Colaborou Nelson Oliveira

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coppa Italia: semifinais definidas

Em apenas cinco minutos Pato marcou dois gols e tranquilizou o Milan para o resto da partida (LaPresse)
Sampdoria 1-2 Milan
Com 20 jogadores lesionados ao todo (12 do Milan e oito da Samp), os treinadores foram obrigados a entrar com o time modificado e a estrear as novas contratações. Do lado genovês, Di Carlo não contava com Pozzi, nem Pazzini e optou por colocar o estreante Maccarone ao lado de Macheda. No Milan, Allegri voltou a escalar Thiago Silva no meio de campo, entre os holandeses Van Bommel e Merkel, promoveu a estreia de Emanuelson, como trequartista, e poupou Ibrahimovic e Cassano, dando lugar a dupla Robinho e Pato no ataque.

Mas não foi porque estava com o time quase todo reserva que o Milan teve dificuldades. Muito pelo contrário. Os rossoneri foram soberanos em grande parte da partida e logo aos 22 minutos já estavam com o jogo praticamente definido. Graças a boa apresentação de Pato, que se sente mais à vontade sem a companhia de Ibrahimovic. Ontem, foram dois belos gols. No primeiro, recebeu toque de cabeça de Thiago Silva. No segundo, aproveitou assistência de Emanuelson, que não sentiu o peso da estreia e fez boa partida, se adaptando rapidamente ao time. O veterano Van Bommel não foi tão bem quanto o companheiro, mas também estreou bem e já mostrou ser um novo líder dentro de campo.

Enquanto isso, os blucerchiati sofreram com o mal que assola a equipe a temporada inteira: a falta de ousadia. O primeiro chute a gol dos donos da casa só aconteceu aos 25 minutos, quando o Milan já estava vencendo por 2 a 0 e recuou, chamando o adversário para seu campo. E nem assim os dorianos conseguiram ser muito perigosos. O primeiro tempo foi todo do Milan. Só na segunda etapa o time de Di Carlo cresceu e conseguiu incomodar um pouco. Logo no início, Guberti diminuiu a diferença no placar. Mas parou por aí. Destaque para a entrada de Cassano em campo: o ex-jogador da Samp entrou sob vaias do estádio inteiro, mas não tirou o sorriso do rosto. Ironia típica de Fantantonio. Agora, o Milan pega o Palermo nas semifinais da Coppa.

Napoli 0x0 Inter, 4-5 nos pênaltis
No outro jogo do dia, Napoli e Inter fizeram boa partida no San Paolo. O primeiro tempo ficou marcado pelo equilíbrio. Os donos da casa tinham maior domínio territorial, mas a Inter ficava mais com a bola nos pés e trocando passes no meio-campo. De destaque, apenas o gol anulado de Cavani, aos 12, após erro feio de Maicon, e belíssima defesa de De Sanctis em tentativa de Cambiasso, aos 40. No segundo tempo, porém, o equilibriu sumiu e os mais de 40 mil torcedores presentes se animaram com o bom momento do Napoli. Stankovic se machucou e deu lugar a Mariga. Cambiasso passou a fazer as vezes de trequartista. Do outro lado, Mazzari trocou Zuniga por Dossena para dar sangue novo ao time. Cannavaro, Pazienza e Hamsik (duas vezes) perderam boas chances para os napolitanos. Em uma delas, Ranocchia salvou em cima da linha. Boa partida também de Córdoba, que jogou de regista e conseguiu tapar bem os buracos.

Na prorrogação o panorama não mudou: o Napoli tentou com Campagnaro, Lavezzi e Zuniga, mas a Inter defendeu-se com Lúcio Castelazzi e Zanetti. Superado o bombardeio, os nerazzurri tiveram mais tranquilidade e ficaram com a vaga, após cobranças de pênaltis. Lavezzi foi o único a errar. Mas o Napoli não sai de cabeça baixa: mostrou que é um time difícil de ser batido e que não desiste fácil. Teve chances de desclassificar a atual campeã até o último momento. A Inter, por outro lado, foi sólida defensivamente, mas viu um ataque pouco operante na ausência de Milito e com um Eto'o apagado. Pazzini chega na hora certa. Agora, a Inter espera o vencedor de Juve-Roma, que acontece logo mais, às 17h45.

Juventus 0-2 Roma
Em Turim, uma Juve bem desorganizada não deu trabalho para a Roma quase nenhuma vez. No primeiro tempo, os gialorossi foram cautelosos e mais observaram o jogo do que foram para cima. A estratégia de Ranieri de botar Vucinic e Ménez bem abertos nas alas deu certo: assim, Simplício e Perrotta infiltravam bem pelo meio e Pepe e Martínez ficavam sem ação pelas suas partes do campo. Para piorar a situação juventina, Felipe Melo e Sissoko formavam o meio-campo, excluindo qualquer esperança de criatividade. Um chute de Vucinic e um de Del Piero foram os únicos a merecer lugar nos melhores momentos. Primeiro tempo bem fraco.

Na segunda etapa, então, os técnicos mudaram. Del Neri colocou Krasic no lugar do inoperante Amauri e empurrou Martínez para fazer companhia a Del Piero no ataque. Ranieri tirou Menez e botou Borriello, mudando o esquema tático para o 4-3-3, com o tridente Taddei-Borriello-Vucinic. E a partida de fato melhorou. Logo em sua primeira aparição, Krasic fez boa jogada pela direita e assustou a defesa romanista. Defesa essa que passava insegurança no início da temporada, mas que agora se mostra sólida o suficiente para dar tranquilidade ao resto do time. Pouco depois, Pepe se machucou e Del Neri teve que mudar a tática de novo: Iaquinta entrou e Martínez voltou para a ala.

A Roma chegou ao primeiro gol logo depois. Rossi deu belo passe para Vucinic, nas costas de Motta (que mais tarde também saiu lesionado), receber tranquilo e chutar bonito no canto de Storari. A desorganização bianconera aumentou com o nervosismo e Júlio Sérgio não teve mais com o que se preocupar. A Juve reclamou de um suposto pênalti em Del Piero, mas não passou disso. Taddei matou o jogo com outro bonito gol. Assim, a única chance de título da Juve na temproada foi por água abaixo, junto com O projeto de reinserimento da família Agnelli no futebol. Fora da Liga Europa também, só resta a Serie A para a Velha Senhora, que tem adversários fortes na briga por vaga em liga europeia. E o mercado de inverno não dá boas perspectivas de melhora. Agora, a Roma enfrenta a Inter nas semifinais. Os dois times fizeram cinco das últimas seis finais de Coppa Italia. Os jogos acontecem no dia 20 de abril e 11 de maio.

Palermo 0-0 Parma, 5-4 nos pênaltis
No jogo de terça-feira, o Palermo se deu melhor sobre o Parma e garantiu vaga nas semifinais, para enfrentar o Milan. No primeiro tempo, pouca emoção. Os donos da casa foram um pouco melhor, mas sem muitas oportunidades reais de gol. Do segundo tempo em diante, jogo bem melhor. O Palermo foi para cima e perdeu inúmeras chances. Pastore e Ilicic fizeram grande partida e divertiram os torcedores presente no Renzo Barbera, mas a bola não entrou. Decisão apenas nas cobranças de pênaltis, onde o jovem paraguaio Martínez, de 17 anos, finalizou a série e colocou os rosanero na próxima fase. Valiani foi quem errou pelo lado gialloblù.

Mais um lento fim do Catanzaro

Dezembro de 2010: há meses sem receber, os jogadores do Catanzaro sentaram-se em campo. Apenas um dos atos de uma longa agonia (marinaonline.com)

Pela segunda vez em cinco anos, as bandeiras giallorosse baixaram e, nas imediações do estádio Nicola Ceravolo, em Catanzaro, sente-se apenas o tremular daquelas brancas: por uma opção consensual do seu grupo de acionistas – justamente as pessoas que deveriam trabalhar pelo futuro – o Catanzaro Calcio está falido.

Foi o fim de uma longa série de absurdos e ingerências que, de agosto de 2010 para cá, jogaram na lama o nome do glorioso clube calabrês. E mais um duro golpe na estima de seus torcedores e da cidade, que mal haviam se refeito da quebra e desfiliação de 2006, e agora torcem para que o título esportivo do clube seja salvo e se possa recomeçar a vida no próximo campeonato da Serie D.

Problemas antigos
Engana-se quem pensa que os problemas do futebol catanzarese emergiram a partir da falência de cinco anos atrás: fazer futebol profissional em Catanzaro se tornou uma tarefa hercúlea desde o início dos anos 1990. O clube, desde então pessimamente administrado, ficou mais de uma década imerso na antiga Serie C2, alternando más campanhas a derrotas nos play-offs.

Em 2006-07, após três anos de ausência (pontuados por duas repescagens: uma para a antiga C1, outra para a Serie B) o Catanzaro retornou à quarta divisão com uma nova sociedade. Os resultados, porém, ainda eram os de sempre: parcas nona e décima colocações, nos primeiros anos, e mais uma derrota nos play-offs, na temporada 2008-09.

A derrota definitiva
A temporada 2009-10 foi traumática para o Catanzaro. Em meio a grandes incertezas societárias, o clube por pouco não se inscreveu no campeonato de Seconda Divisione. Conseguiu, de última hora e foi penalizado em três pontos por irregularidades administrativas.

Um começo conturbado que preparava terreno para um final ainda mais decepcionante: após comandar a classificação na maior parte do torneio, o Catanzaro foi superado pela Juve Stabia, nas últimas rodadas, perdendo a promoção direta. Nos play-offs, a equipe giallorossa superou o Barletta para depois repetir a triste sina dos últimos anos, sendo derrotada pela Cisco Roma (atual Atletico Roma).

Pior do que a derrota foi a certeza que, desta vez, a esperança dos torcedores tinha sido realmente traída: mais de 4000 deles haviam se deslocado de Catanzaro rumo ao modesto estádio Flaminio, em Roma, para o primeiro jogo da final e voltaram para casa com uma derrota por 4 a 0 na bagagem. Após esse jogo, os ultrà do clube publicaram um comunicado radical, em que pediam uma propriedade sólida ou a falência. Pareciam adivinhar o futuro.

O fim
O enésimo fracasso dos últimos anos condenou a propriedade do Catanzaro. Financeiramente, além de seus próprios problemas, o clube sentiria o impacto do verão de sangue da Lega Pro, que transformou o campeonato da Seconda Divisione em um “parente menos pobre” da Serie D.

De agosto de 2010 até agora, o Catanzaro não encontrou um só minuto de paz. Negociações e projetos para a compra do pacote societário do clube foram pensados e desfeitos com o mesmo desinteresse que se usaria para com um time de paróquia. Nesse meio tempo, o Catanzaro viu toda a sua estrutura ser comprometida: sem dinheiro para pagar contas básicas, o clube não conseguia oferecer alojamento, roupas limpas, ou mesmo água quente para seus atletas, que – claro – também não recebiam salários.

Semana a semana, o Catanzaro ia a campo para evitar derrotas, mas muitas vezes não conseguia. Chegou a conquistar três pontos (fruto de três empates) mas teve seu esforço reduzido a nada pela punição por irregularidades administrativas. No último dezembro, fartos de tanto desrespeito, seus jogadores protestaram sentando-se no gramado, enquanto o jogo contra o Pomezia acontecia; dias depois, a sociedade não efetuaria o depósito de recapitalização. Virtualmente falido, o Catanzaro estudou abdicar das partidas fora de casa, o que lhe renderia uma nova desfiliação. Deu-se remédio à situação no último dia 21, quando a assembleia societária do clube decidiu pelo processo de falência.

Dois dias depois, a equipe, composta por juniores, desceu ao gramado do velho, e hoje semideserto, estádio Ceravolo, onde foi facilmente abatida pelo líder Latina. Após a partida, o técnico catanzarese, Tonino Aloi, amargurado, fez a mais dura de todas as constatações: “O nível do campeonato é muito baixo. Bastariam uns poucos reforços para que o Catanzaro pudesse se salvar”.

Em livre interpretação de suas palavras: mais uma grande história do futebol italiano foi interrompida, e irremediavelmente manchada, pela indiferença de quem espera um negócio seguro – com a torcida que tem, o título do Catanzaro, na Serie D, vale muito – e não se importa com os sentimentos e a fé de toda uma cidade. Triste.

Mais recordes negativos na Lega Pro

Mais forte também pesicologicamente: Gubbio foi punido, mas deu a resposta em campo (gubbiofans.it)


2010-11 está sendo, de fato, a temporada dos recordes negativos para a Lega Pro. O primeiro deles aconteceu na última semana: entre revisões e novos casos, o número de clubes penalizados com perda de pontos pela Comissione Nazionale Disciplinare (CND) subiu para inacreditáveis 26 - 12 na Prima Divisione e 24, na Seconda.

Para alguns articulistas do calcio, esta medida reestabelece a verdade das disputas. Em nossa opinião, porém, não passa de um falseamento: uma clara indicação de que muitas sociedades da categoria não estão completamente sãs, e que o pedido do presidente Mario Macalli, de reestruturar a Serie C como um campeonato único e regionalizado, deve ser aprovado e posto em prática imediatamente.

O outro recorde, também triste, pertence ao Catanzaro, o clube que mais rápido abriu falência durante um campeonato em curso na nova Lega Pro. O glorioso clube giallorosso teve seu destino traçado por sua própria assembléia societária, que preferiu a falência - e a possibilidade de resgate do título esportivo - à desistência do campeonato e uma possível desfiliação. O clube calabrês, assim, chega à segunda quebra em menos de cinco anos.

Prima Divisione - após 21 rodadas
Grupo A: Nada parece abalar o Gubbio: punido na quarta-feira e vencedor no domingo, o time umbro ainda foi beneficiado pela derrota do Sorrento e abriu cinco pontos de vantagem na liderança. Spal, Alessandria e Reggiana perderam oportunidades valiosas de se isolarem nos play-offs e assistem à perigosa aproximação do Bassano Virtus. Hellas Verona e Cremonese começam a apresentar bons resultados e, aos poucos, sonham com algo melhor na competição. A punição de dois pontos foi fatal para o Spezia, que agora está no limite dos play-outs. Também punidos, Pergocrema e Como têm como consolo o fato da Paganese não demonstrar poder de reação.

Promoção: Gubbio (42 pontos)
Play-offs: Sorrento (37), Spal (33), Alessandria (33) e Reggiana (31)
Play-outs: Pavia (24), Pergocrema (22), Como, (21) e Monza (19)
Rebaixamento: Paganese (13)
Lumezzane e Salernitana têm um jogo a menos
Penalizados pela CND: Gubbio (-1), Alessandria (-1), Pergocrema (-1), Como (-1), Lumezzane (-1), Spal (-1), Spezia (-2) e Salernitana (-2)

Grupo B: Não fosse um pequeno tropeço contra o Benevento, na penúltima rodada, a Nocerina teria dez pontos de vantagem para o Atletico Roma. Em todo caso, a diferença de oito pontos, visto o futebol que se joga em Nocera, parece inalcançável e a equipe progride como um trêm rumo à Serie B. Após um longo período, o Taranto retorna aos play-offs, às custas do Foggia de Zeman, e da partida adiada da Virtus Lanciano. A Ternana voltou a ficar próxima dos play-outs, onde Pisa e Foligno dão sinais de recuperação. Abatida pela perda de muitos pontos, a Cavese lamenta a lanterna.

Promoção: Nocerina (48 pontos)
Play-offs: Atletico Roma (40), Benevento (39), Juve Stabia (32) e Taranto (30)
Play-outs: Viareggo (22), Foligno (22), Pisa (22) e Barletta (19)
Rebaixamento: Cavese (17)
Virtus Lanciano e Viareggio têm um jogo a menos
Penalizados pela CND: Foggia (-1), Foligno (-1), Ternana (-1) e Cavese (-7)

Seconda Divisione
Grupo A - após 19 rodadas: Mergulhada e uma profunda crise societária (e, incrivelmente, não-punida), a Pro Patria se mantém na liderança e vê todos os seus rivais diretos desperdiçarem pontos preciosos. A Sambonifacese mira os play-offs de perto, o Savona, à distância. Nenhuma novidade na parte de baixo, com a Sanremese sempre mais viciada em derrotas e a caminho da Serie D.

Promoção: Pro Patria (40 pontos)
Play-offs: Tritium (35), Pro Vercelli (34), Lecco (33) e FeralpiSalo' (30)
Play-out: Mezzocorona (12) e Casale (11)
Rebaixamento: Sanremese (9)
Penalizados pela CND: Virtus Entella (-1), Valenzana (-1), Tritium (-2), FeralpiSalo' (-2), Rodengo Saiano (-2), Savona (-4), e Canavese (-5)

Grupo B - após 17 rodadas: Carpi e Carrarese continuam ignorando os demais competidores e estão separados por uma vitória em seu "torneio particular". Giacomense e Chieti seguem em boa forma nos play-offs, ao lado do Poggibonsi - que foi derrotado na última rodada. Na parte de baixo, as penalizações põem Fano e Sangiovannese em risco, e reduzem a quase nada as esperanças de permanência do Villacidrese, agora cinco pontos atrás do Giulianova.

Promoção: Carpi (37 pontos)
Play-offs: Carrarese (34), Giacomense (27), Chieti (26) e Poggibonsi (25)
Play-out: Giulianova (13) e Villacidrese (8)
Penalizados pela CND: Fano (-2), Sangiovannese (-8) e Villacidrese (-10)

Grupo C - após 17 rodadas: O Latina reagiu à punição com uma vitória; o Trapani, com derrota. O Pomezia continua surpreendendo e está cada vez mais próximo de uma classificação para os play-offs, aolado de Sangiuseppese e da repescada Aversa Normanna. Lágrimas de sangue para o Catanzaro: falido, em meio ao desinteresse geral, e com seus poucos pontos suprimidos à base de penalizações, o clube já está rebaixado, e deverá escalar juniores até o fim do torneio.

Promoção: Latina (38 pontos)
Play-offs: Trapani (32), Pomezia (30), Sangiuseppese (29) e Aversa Normanna (27)
Rebaixamento: Catanzaro (0)
Penalizados pela CND: Latina (-1), Trapani (-1), Melfi (-1) e Catanzaro (-3)

Coppa Italia Lega Pro
Já estão definidos os semi-finalistas do torneio. Assim como na temporada passada, as vagas ficaram com três clubes da Prima Divisione e um da Seconda. Os confrontos de ída acontecerão em 23 de fevereiro: o Pisa (que luta pelo bicampeonato) recebe a Juve Stabia, enquanto a Nocerina vai visitar o Carpi. No dia 16 de março, as equipes farão o caminho inverso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O apelão

Ibrahimovic corre: quem é que alcança? (Getty Images)

Zlatan Ibrahimovic faz gols de direita, de esquerda e de cabeça. Dribla, protege e passa. Chuta forte, com técnica e precisão. Além de artilheiro, também distribui assistências. Pode ser mala, mas também é brigador. Ganhou todas as cinco temporadas que disputou na Serie A, com Inter e Juventus - os dois em bianconero foram revogados. Por onde passou, o sueco fez diferença, mesmo em 2006, no que foi provavelmente seu pior momento na Itália, quando deixou a desejar em Turim. Já foi artilheiro (2009) e eleito não só melhor estrangeiro como melhor jogador da competição. Cansou de ser considerado o maior jogador de seu país e fez parte do time do ano da Uefa em duas oportunidades.

Seu currículo individual fica ainda mais impressionante se levarmos em conta toda a sua carreira. No Ajax por três temporadas, ganhou duas vezes (2002 e 2004), sendo vice-campeão em 2002 por um ponto de diferença. Em Barcelona, onde ficou por apenas uma temporada e de onde partiu disparando críticas a Guardiola, outro campeonato nacional. Mesmo no Malmö FF, há dez anos, na única temporada em que disputou por inteiro (sem subir da base, como em 1999, ou ser transferido, como em 2001), ficou com o vice. Contabilizando os scudetti com a Juventus, Ibrahimovic não sabe o que é terminar uma temporada sem ser campeão desde 2003.

Pensar por que o sueco é tão implacável leva a uma resposta simplória: basicamente, ele joga muito. Ainda assim, é difícil levantar nomes que mantenham um nível tão alto com regularidade tão assombrosa em campeonatos nacionais. Na Serie A, por exemplo, nem Totti e Del Piero, maiores símbolos da Itália na história recente de seu futebol, emplacaram alguma sequência de tamanha irredutibilidade - principalmente por motivos físicos. Shevchenko, por sua vez, foi letal por muito tempo; decisivo em quase todo fim-de-semana, mas ganhou um só scudetto. Talvez Nedved, incrível na Lazio e na Juventus, possa ser levando em conta, e, indo mais longe, Robby Baggio, que voava em campo aos 35 anos.

Todavia, pensar em alguém mais decisivo que Ibrahimovic leva tempo. Talvez Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais completos que o planeta já viu - que chorem os saudosistas -, e Messi, praticamente um sobre-humano. Esses sim, dois atletas capazes de, em lampejos, ganhar vários jogos por conta própria (claro, sem desmerecer as fortes equipes que defendem). É assim com Ibra: nessa temporada, seus gols foram essenciais nas vitórias contra Genoa, Napoli e Inter, bem como nos empates contra Udinese e Lecce. São oito pontos na conta do sueco, que ainda abriu o placar contra o Cesena, na rodada passada.

Sem esses oito pontos (em apenas meia época), o Milan estaria brigando por vaga na Liga dos Campeões, talvez aspirando ao título numa condição de sorte. Embora seja possível relativizar o que esses tentos representam - afinal o insucesso das partidas é meramente hipotético - uma coisa é certa: não se pode relativizar Ibrahimovic. O sueco venceu com a Juventus, convenceu com a Inter e mudou a cara desse Milan, clube que não vê o troféu da Serie A desde 2004. Era ele quem faltava - e é bom não duvidar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

21ª rodada: O melhor futebol da Serie A é do Friuli

O melhor futebol da Itália aparece a partir do jogo rápido, técnico e coletivo da Udinese. Jogo tão envolvente que freia até a arrancada da Inter (Getty Images)

Em rodada que favoreceu especialmente o Milan, foi a Udinese quem brilhou. Os friulanos encurralaram a Inter e não deram qualquer chance para que a atual pentacampeã italiana saísse do Friuli e mantivesse a invencibilidade desde que Leonardo foi contratado. Nos outros jogos da rodada, o Napoli não teve dificuldades para bater o Bari e continuar na perseguição ao Milan, enquanto a Lazio sucumbiu ao Bologna de Di Vaio e Juventus e Sampdoria tropeçaram nas próprias pernas em um jogo de baixo nível técnico. Confira o resumo da 21ª rodada.

Udinese 3-1 Inter
No melhor jogo da rodada, a Udinese mostrou que não deve ser descartada na briga por uma vaga nas competições europeias. Após um início de campeonato que trazia perspectivas assustadoras, com a tímida atuação no mercado e cinco tropeços consecutivos, Francesco Guidolin acertou o time, com um esquema que chega a lembrar o do Napoli, com três zagueiros e alas incisivos - no time de Údine, Isla e o ex-palmeirense Armero, que vivem grande fase. No ataque, Sánchez e Di Natale fazem combinação perfeita e evidenciaram a Leonardo os problemas defensivos que a Inter vive: desde o final de outubro, o time não passa um jogo sem sofrer gols. Com a suspensão de Córdoba, Ranocchia será titular contra o Palermo e pode assumir de vez a posição, ao lado de Lúcio, que precisa de um companheiro mais fixo na área para desenvolver melhor seu futebol.

Outro problema que ficou claro na Inter é a falta de um substituto para Milito. Pandev não vive um bom momento e já começa a ser contestado pelos torcedores. Mesmo que Domizzi, Zapata e Benatia tenham feito partida muito boa, Eto'o ficou fora do jogo o tempo inteiro - a bem da verdade, apenas Stankovic buscou algo na Inter e, além do gol que abriu o jogo, poderia ter feito o segundo, não fossem duas defesas de Handanovic. Ciente disto, a diretoria interista já busca um nome que deve ser contratado na última semana de mercado (fala-se em Luís Fabiano, Matri, Pazzini ou Di Vaio). A Udinese, por sua vez, não tem preocupações: o time joga bonito e só pode pensar para cima. O objetivo inicial, a salvezza, nem deve ser mais questão no clube, que deve conseguir segurar Sánchez e Inler deverão ao menos até o fim da temporada. No ataque, Di Natale - eleito melhor jogador italiano de 2010 no Oscar do Calcio - segue artilheiro da Serie A, com 15 gols. E, é bom lembrar, a Europa é logo ali.

Milan 2-0 Cesena
Mais uma vez, Ibrahimovic foi decisivo para a vitória do líder do campeonato, que tem quatro pontos de vantagem sobre o Napoli. Inspirado, o sueco foi a alma do time rossonero, que encontrou um Cesena disposto a lutar até o fim pelo resultado e um Antonioli disposto a estragar a noite de seu antigo clube. A blitz do Milan no primeiro tempo só conseguiu vencer o experiente goleiro cesenático quando Ibrahimovic pressionou o zagueiro Pellegrino, que chutou a bola contra as próprias redes e marcou seu segundo gol contra em oito dias - o outro havia sido contra a Roma.

Até os 92 minutos, quando Ibrahimovic marcou o segundo, a partida pareceu decidida: por mais que o Milan atacasse, Robinho, que fez boa partida como trequartista, desperdiçava chances que poderiam ter feito falta ao Diavolo. O Cesena também tentou ir para cima do líder, sobretudo com Schelotto e Malonga, que dão outra alma ao time. Ficcadenti, que tem pagado por não dar espaço aos jovens, recebeu clara mensagem de que, para lutar contra o rebaixamento, a força dos talentos à disposição será fundamental. O Milan, por sua vez, comemora a derrota da Inter e o fato de que a pressão está cada vez mais do lado azul e preto de Milão.

Bologna 3-1 Lazio
Sempre com Di Vaio, o Bologna continua conquistando bons resultados nesta temporada, que é a mais tranquila do clube nos últimos anos, ao menos dentro de campo. Se nos bastidores, os problemas societários são inúmeros e já custaram três pontos de penalização aos rossoblù, quando o assunto é futebol, o Bologna de Malesani merece méritos. Não fossem os três pontos deduzidos, ocuparia a nona posição, com 28 pontos. Contra a Lazio, além da doppietta decisiva e de outros incômodos mais do capitão, brilhou também a estrela de Viviano, que conseguiu manter o resultado positivo frente a Floccari. Méritos para Malesani também ao acertar o meio-campo da equipe, que nos últimos anos sofreu com a falta de criatividade, mas que sobrevive graças a jovialidade de Ramírez, Ekdal e Cesarini.

A derrota laziale deve repercutir ainda nas próximas semanas. Na confusão generalizada que rendeu três jogos de suspensão a Zárate (e dois a Giménez, do Bologna), André Dias foi expulso e ficará de fora da partida contra a Fiorentina, no Olímpico. A ausência de um dos titulares na zaga não traz bons presságios para os romanos, que costumam sofrer mais gols sem que Dias ou Biava estejam em campo. Logo após a expulsão do brasileiro, por exemplo, Biava errou feio e cedeu a Di Vaio a chance de decidir a partida. Sem Zárate na frente por tanto tempo (e fora da partida contra o Milan), Hernanes vai ter que se desdobrar para manter viva a impressão de que a Lazio pode se manter viva na briga pelo scudetto ou por uma vaga na Liga dos Campeões.

Bari 0-2 Napoli
De um lado a euforia do Napoli, que mesmo tendo perdido provisoriamente a vice-liderança para a Roma, convive todos os dias com o sonho de voltar à Liga dos Campeões. Do outro, um Bari desesperado e que parece cada vez mais conformado com o rebaixamento que fica cada vez mais iminente. Apesar de certa pressão em cima dos visitantes azzurri devido à perda da segunda posição, a tarefa de recuperá-la foi bastante tranquila em um duelo de praticamente um time só.

Sem maiores dificuldades, os napolitanos apenas cadenciaram a partida e esperaram o momento certo para definí-la, tornando-a um tanto quanto sofrível tecnicamente para seus espectadores. Com Lavezzi abrindo o placar após desviar bola na pequena área e Cavani completando o marcador, a equipe de Nápoles venceu por 2 a 0, voltou à segunda colocação e afundou ainda mais os biancorossi, que penam na última colocação, quatro pontos atrás do vice-lanterna Brescia. O técnico Gian Piero Ventura não tem conseguido acertar o time e já colocou o cargo à disposição. Mesmo que um novo técnico chegue e peça reforços, é a última semana de mercado e talvez seja tarde demais. (Leonardo Sacco)

Sampdoria 0-0 Juventus
Na volta de Del Neri ao Luigi Ferraris contra o ex-time, jogo fraco tecnicamente e muitas contusões: Traoré, Lucchini, Pazzini e Pozzi saíram de campo machucados. Com Pepe no ataque (Del Piero estava gripado e entrou só no segundo tempo), a Juventus não aproveitou os tropeços de Lazio e Inter e caiu para a sexta posição, deixando Milan, Napoli e Roma se distanciarem ainda mais. A Samp, por sua vez, permanece na zona intermediária da tabela, que parece ser sua sina nesta temporada, pela falta de ousadia de Di Carlo. O primeiro tempo foi de se esquecer. Esteve mais para um gol-a-gol do que para uma partida de futebol. Lançamentos longos e chutões para o alto não deixaram o jogo fluir.

No segundo tempo, alguma melhora. Logo no início, Pazzini desperdiçou chance ímpar e Del Neri trocou Krasic por Del Piero. Apesar de terem perdido a velocidade do sérvio, os bianconeri melhoraram um pouco. Bem pouco. O jogo continuou morno até os 40 da etapa final, quando a Juventus acordou e partiu para cima. Foram pelo menos três investidas pergiosas e, na última delas, Del Piero perdeu gol incrível. A vitória foi para o espaço e agora a Velha Senhora tem que ficar de olho no retrovisor, que já reflete Palermo e Udinese se aproximando. Na próxima rodada, jogo-chave com os friulanos, em Turim. E a briga pela Europa fica cada vez melhor. (Rodrigo Antonelli)

Chievo 0-0 Genoa
Nos últimos tempos, ao menos uma partida por rodada na Serie A tem sido abaixo da crítica. Não por acaso, elas costumam envolver ou Chievo ou Genoa, que estão empatados com 24 pontos e veem a zona de rebaixamento se aproximar. Os clivensi não vencem há oito partidas e já buscam alternativas no mercado para amenizar os problemas: Pulzetti, meia do Bari, e Uribe, artilheiro do último Campeonato Colombiano pelo Once Caldas.

Já o Genoa parece totalmente perdido: o ambiente do clube está caótico e a gestão de Preziosi parece próxima do fim. Ballardini, que começou bem no comando do time e conseguiu duas vitórias consecutivas, já vê seu cargo balançar: os grifoni tem jogado pior do que sob o comando de Gasperini e tem dificuldades claras de marcar gols. Em 20 partidas disputadas (o dérbi contra a Sampdoria foi adiado por causa de uma nevasca), em nove o time não balançou as redes. Ir ao mercado com tanta sede ao pote e aparentemente sem muitos critérios não parece ser a solução. A contratação de Floro Flores que o diga.

Fiorentina 1-1 Lecce
Não fosse o terceiro pênalti perdido por Di Michele em três cobranças no campeonato, a Fiorentina poderia ter amargado uma inconveniente derrota em casa, que a aproximaria da zona de rebaixamento. O Lecce fez um primeiro tempo muito superior ao dos donos da casa, que vinham de cinco vitórias em casa e confirmou a boa fase, depois de vitória contra a Lazio e um empate positivo contra o Milan. Com a sequência, os salentini deixam a zona de rebaixamento, com 20 pontos - um a mais que o Cesena. A Fiorentina, por sua vez, continua apresentando futebol opaco, mas deve ganhar um pouco mais de qualidade à medida que Montolivo for recuperando a forma física.

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Seleção da 21ª rodada
Viviano (Bologna); Yepes (Milan), Bovo (Palermo), Domizzi (Udinese); Giovinco (Parma), Ekdal (Bologna), Inler (Udinese), Armero (Udinese); Di Natale (Udinese), Di Vaio (Bologna), Ibrahimovic (Milan). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).

domingo, 23 de janeiro de 2011

21ª rodada: O dia dos mandantes

Totti marcou seu 249°gol com a camisa gialorossa e ajudou a Roma a encostar ainda mais nos líderes (Getty Images)

Nas três primeiras partidas da 21ª rodada, partidas movimentadas e domínio dos mandantes. A Roma venceu e alcançou, momentaneamente, a segunda colocação. O Parma voltou a ganhar, após duas derrotas, com a ajuda de dois ex-juventinos. E o Palermo chegou à sexta vitória seguida no Renzo Barbera com gol de zagueiro. Confira o resumo dos jogos:

Roma 3x0 Cagliari

Na Capital, Roma e Cagliari fizeram jogo bem movimentado e agradaram os cerca de 27 mil torcedores presentes no Estádio Olímpico. Os 3 a 0 do placar, no entanto, não significam superioridade romanista. A partida foi muito disputada na maior parte do tempo e teve até momentos em que os cagliaritanos comandaram as ações. A falta de pontaria dos visitantes e o bom aproveitamento giallorosso decidiram a favor da Roma.

No primeiro tempo, sem Ménez e Vucinic, foram os ídolos De Rossi e Totti que se destacaram pelo lado romanista. O primeiro marcou forte e chegou bem ao ataque em pelo menos duas oportunidades. O segundo foi importante nas ações ofensivas e marcou, de pênalti, seu 249 gol pela Roma. Cossu foi o nome mais importante do Cagliari na partida, distribuindo bem o jogo e colocando os companheiros em chance de marcar.

Na segunda etapa, Donadoni surpreendeu e não colocou Matri. O Cagliari dominou dominou os primeiros 20 minutos, mas esbarrou na boa partida da zaga gialorossa, liderada por Méxes, em grande noite. Depois, Vucinic e Ménez entratam e ajudaram a Roma a recuperar a posse de bola e sair um pouco do sufoco. Perrotta, após cobrança de escanteio de Totti, e Ménez, em bonita jogada, fecharam o placar. Os três pontos colocaram a Roma momentaneamente na segunda colocação, a apenas três pontos do Milan, que joga no final da tarde contra o Cesena. Destaque negativo para Conti, Canina e Nainggolan, que levaram cartões amarelos e desfalcarão o Cagliari contra o Bari, na próxima rodada.

Parma 2x0 Catania

Na estreia de Simeone no comando do Catania, a equipe siciliana fez boa partida, mas não conseguiu vencer. Com um bom volume de jogo, proporcionado principalmente por Mascara e Sciacca, o Catania chegou com perigo ao ataque algumas vezes, mas não aproveitou nem com Gomez, nem com Maxi López. Assim, o destaque ficou para a dupla de ex-juventinos Candreva e Giovinco, os jogadores mais incisivos do Parma na partida e que saíram premiados com um gol cada.

Ironicamente, os donos da casa só marcaram quando as chances de mais perigo eram do Catania. No primeiro tempo, o equilibrio prevaleceu até no placar: 0 a 0. Na segunda etapa, o Catania começou mais ousado, mas depois do gol de Candreva (que já havia tentado mais duas vezes) desacelerou um pouco. Giovinco aproveitou para matar a partida em golaço de falta, fazendo a Juve, agora sem muitas opções no ataque, lamentar seu empréstimo. O gol garantiu a vitória dos emilianos, após duas derrotas seguidas. O alento para o Catania é que a equipe já melhorou sob a batuta de Simeone e logo deve reencontrar o caminho.

Palermo 1x0 Brescia

O golaço de falta de Bovo, aos 41' do segundo tempo, garantiu a sexta vitória seguida do Palermo dentro de casa. Garantiu também os três pontos à equipe que mais mereceu. O Brescia entrou para se defender e poucas vezes procurou o jogo. Exemplo disso é que o melhor jogador bresciano na partida foi o goleiro Arcari, que apareceu muito bem pelo menos quatro vezes. A melhor oportunidade foi com Caracciolo, no segundo tempo. O atacante fez boa jogada pela esquerda e acertou o travessão de Sirigu. Fora isso, foi bem anulado por Muñoz a partida inteira.

No lado palermitano, a disposição de Nocerino, Pastore e Miccoli deu trabalho ao time do Brescia durante toda a partida. Porém, foi com o zagueiro Bovo que ficou a responsabilidade de definir o jogo, em cobrança de falta no final. Ele pediu para bater no lugar de Miccoli, o baixinho deixou e não se arrependeu. Belo gol, que não deixa os times da frente escaparem. Com 34 pontos, os rosanero continuam na briga por competição europeia, enquanto os 18 do Brescia não tiram-no da zona de rebaixamento.

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Jogadores: Walter Zenga

Considerado como um dos grandes goleiros do futebol italiano, Zenga foi ídolo na Inter, ganhou prêmios individuais, e também conquistou quatro títulos com os nerazzurri (Interleaning)
Walter Zenga marcou época na Itália entre os anos 80 e 90 por ser um goleiro seguro e de ótimos reflexos. A sua agilidade lhe garantiu o apelido pelo qual ficaria marcado para sempre na história do futebol italiano: “Homem-aranha”.

Nascido em Milão, aos dez anos ingressou nas categorias de base da Inter, pela qual permaneceu durante oito anos. Quando ganhou idade para se juntar aos profissionais, os nerazzurri passaram a emprestá-lo a times de divisões inferiores, já que Ivano Bordon era o titular absoluto na baliza nerazzurra e assim ele teria poucas oportunidades de entrar em campo.

Foram quase quatro anos longe da Inter. Neste período, Zenga passou por Salernitana, Savona e Sambenedettese, clubes pelos quais disputou Serie B, C1 e C2. Foi na Samb que conseguiu mais sucesso, alcançando a titularidade, e que passou mais tempo: duas temporadas. Na primeira delas, ajudou o time a conseguir o acesso à Serie B e no ano em que disputou a segunda divisão, foi um dos jogadores mais importantes da campanha que teve boa defesa e levou o time ao bom oitavo lugar, uma conquista para o pequeno clube marchegiano.

O Homem-aranha estava pronto. A volta para casa ocorreu em 1982, mas Zenga só assumiu a posição de titular no ano seguinte, quando sua carreira decolou. Em 1984, ele recebeu sua primeira convocação para a seleção italiana sub-21. Na Squadra Azzurra principal, a primeira oportunidade veio apenas em 1986, quando estreou contra a Grécia e depois não mais saiu da seleção: no fracasso italiano na Copa do México, naquele mesmo ano, Zenga era terceiro goleiro.

Pela Inter, o goleiro faturou duas Copas Uefa (Interleaning)
Depois de ganhar o posto na baliza nerazzurra e as primeiras convocações à Nazionale, Zenga buscou títulos. O scudetto foi o que veio primeiro, em 1989. O “Homem-Aranha” liderou a defesa menos vazada do campeonato, ajudando a Inter a chegar a conquista com 11 pontos de vantagem sobre o Napoli, o segundo colocado. A Supercoppa de 1989 também foi erguida por Zenga. Com o bom desempenho, ele foi pela primeira vez eleito o melhor goleiro do mundo pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), conquista que repetiu nos dois anos seguintes.
Zenga e o prêmio da IFFHS (Uhlsport)
Mesmo com títulos tão importantes, as conquistas que mais ficaram marcadas na carreira do goleiro foram as duas Copas Uefa conquistadas pela Inter no início dos anos 90. No primeiro título europeu, em 1990-91, ele atuou nas 12 partidas da campanha e viu o alemão Matthäus ser decisivo. Em 1993-94, Zenga também jogou todas, em um ano que foi complicado para a Inter e que coloca o segundo título da Copa Uefa como ainda mais importante. Naquela temporada os nerazzurri tiveram grandes dificuldades na briga contra o rebaixamento na Serie A, que só foi evitado com grande dificuldade.

Após 20 anos de Inter e 473 presenças, Zenga deixou o clube com o fim da presidência de Ernesto Pellegrini, que daria lugar a Massimo Moratti depois de anos de vacas magras, para jogar na Sampdoria. Depois que deixou o clube de Milão, o goleiro também nunca mais foi convocado para a seleção. Pela seleção da Itália, Zenga disputou dois Mundiais – um como titular - e uma Eurocopa.

Destaque de uma Inter recheada de craques mas que costumava ficar no quase e estava ofuscada pelo destaque do rival Milan à época, Zenga também não conseguiu nenhum título com a seleção nacional. Mesmo sem glórias com a camisa azul, participou como titular da boa campanha italiana na Copa de 1990, quando a Squadra Azzurra terminou em terceiro lugar.

Zenga teve história na seleção. Aqui, celebra em 1990 (Interleaning)
Na Samp, passou duas temporadas – as últimas na Serie A - que se revelaram recheadas de problemas físicos e falta de continuidade. Ainda jogou a Serie B pelo Padova em 1997, antes de se aventurar na incipiente Major League Soccer norte-americana, juntamente com Donadoni. Nos Estados Unidos, defendeu o New England Revolution como jogador e estreou na carreira de treinador no clube da Nova Inglaterra.

Hoje, segue a carreira no banco de reservas e, sempre que há crise na Inter, é cogitado para o cargo de treinador da equipe, pela grande identificação com o clube do qual é torcedor. Zenga, no entanto, não tem conseguido grande destaque na nova profissão e segue carreira com altos e baixos, com melhores resultados conquistados no Leste Europeu.

Walter Zenga
Nascimento: 28 de abril de 1960, em Milão (Itália)
Posição: goleiro
Clubes como jogador: Inter (1970-78 e 1982-94), Salernitana (1978-79), Savona (1979-80), Sambenedettese (1980-82), Sampdoria (1994-96), Padova (1996-97) e New England Revolution (1997-99)
Clubes como treinador: New England Revolution (1998-99), Brera (2000-01), National Bucaresti (2002-03), Steaua Bucaresti (2004-05), Estrela Vermelha (2005-06), Gaziantepspor (2006-07), Al-Ain (2007), Dinamo Bucaresti (2007), Catania (2008-09), Palermo (2009) e Al-Nassr (2010)
Títulos como jogador: 1 Serie A (1988-89), 1 Supercoppa (1989), 2 Copa Uefa (1990-91 e 1993-94).
Títulos como treinador: 1 Campeonato Romeno (2004-05), 1 Campeonato Sérvio-montenegrino (2005-06) e Copa da Sérvia e Montenegro (2005-06)
Seleção italiana: 58 jogos e 21 gols sofridos

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Jogadores: Gianluca Vialli

Gênio e gêmeo: entrosamento com Mancini na Samp rendeu apelido de Gêmeo do Gol para Vialli (Eurosport)
Quando Roberto Baggio correu para bater - e desperdiçar - o pênalti que deu ao Brasil o tetracampeonato mundial, em 1994, provavelmente Gianluca Vialli era o único italiano que não torcia para a Squadra Azzurra. Deixado de lado pelo então treinador da Nazionale, Arrigo Sacchi, após problemas pessoais entre ambos, o goleador que marcou época na Sampdoria e na Juventus era declarado torcedor brasileiro na Copa do Mundo organizada pelos Estados Unidos. Sem dúvida o episódio mais complicado da vitoriosa carreira de um dos mais letais atacantes italianos de todos os tempos.

Carreira essa que começou muito cedo. Com a vida voltada para o futebol, Vialli foi descoberto pelo pequeno Pizzighettone, que deu a primeira chance, em 1973, ao garoto com então nove anos. A inteligência no posicionamento e o faro apurado para marcar gols fizeram da criança um fenômeno das categorias de base do time biancoazzuro da Lombardia. Não demorou para que uma equipe consideravelmente maior se interessasse pelo futebol de Vialli. A ida para a Cremonese, em 1978, marcou o início da trajetória do atacante como profissional. Caminhada essa que começaria dois anos mais tarde, aos 16 anos, quando a equipe de Cremona deu a primeira oportunidade ao jovem atleta entre os profissionais.

A titularidade com a camisa grigiorossa não demorou a acontecer, fazendo de Vialli uma das peças-chave da equipe na busca pelo acesso à Serie A. Após três anos lutando (bateu na trave em 1983), a Cremonese conseguiu, em 1984, a conquista da vaga para a primeira divisão, comandado pelos pés do já destacado Vialli, autor de dez gols naquela temporada. O destaque na boa campanha do time de Cremona naquele ano despertou o interesse de clubes maiores, dando início à fase mais vitoriosa de sua carreira com a transferência, ao final daquela temporada, para a Sampdoria.

Chegando em Gênova, Vialli formou uma das duplas de ataque mais famosas do final da década de 1980 e início da de 1990. Ao chegar na Sampdoria, o atacante deu de cara com um dos mais letais atacantes da história dos blucerchiati, Roberto Mancini. O entrosamento imediato entre os dois e a forma como ambos faziam com que suas características em campo se complementassem rendeu à dupla o apelido de Gemelli del gol - Os Gêmeos do Gol, em tradução literal.

A dupla de "gêmeos" formada por Vialli e Mancini levou a Samp à fase mais gloriosa de toda sua história. Destruindo defesas rivais, os atacantes começaram a alcançar as glórias logo em 1985, quando os blucerchiati conquistaram pela primeira vez a Coppa Italia - também o primeiro título de expressão conquistado por Vialli. O sucesso no torneio nacional ainda seria repetido pela equipe em 1988 e 1989, quando os títulos valeram à Sampdoria a classificação para a Copa dos Campeões Europeus, torneio que reunia os campeões nacionais de toda a Europa.

A grande consagração de Vialli - e consequentemente de toda a Sampdoria -, no entanto, aconteceria apenas em 1991. Com os "gêmeos" comandando o ataque e o brasileiro Toninho Cerezo no comando do meio-campo, os blucerchiati chegaram ao primeiro - e até o momento único - scudetto de sua história. A participação do atacante na conquista foi essencial, uma vez que Vialli terminou a histórica campanha como grande artilheiro da Serie A, com 19 gols marcados.

Atacante muito técnico, Vialli não teve carreira tão longa na seleção italiana (Interleaning)
Todo o sucesso com a camisa da Sampdoria, é claro, rendeu a Vialli o passaporte para ingressar na Squadra Azzurra. A primeira convocação aconteceu ainda no início do sucesso, em 1985, quando o atacante estreou pela Itália em jogo contra a Polônia. O primeiro gol viria apenas no ano seguinte, contra Malta, em partida válida pelas eliminatórias da Eurocopa de 1988. 

Curiosamente, Malta seria também, em 1992, o último adversário que Vialli enfrentaria defendendo a Nazionale. A curta trajetória na seleção (como seu gêmeo Mancini) foi fruto do já citado desentendimento com o Sacchi, treinador que conduziu a Itália no início da década de 1990. Ao afirmar que torcia pelo sucesso do Brasil, o jogador irritou o técnico, que parou de convocá-lo e o impediu de disputar sua segunda Copa do Mundo - Vialli participou do fracasso italiano em 90, jogando em casa.

A rápida e conturbada passagem pela seleção, no entanto, não fez com que o prestígio e a fama de matador de Vialli fossem abalados na Itália. Todo o sucesso na Sampdoria fez com que o atacante virasse alvo dos gigantes italianos e dentre os interessados, foi a Juventus que venceu a concorrência pelo atacante, em 1992. Avaliada como a maior transação da história até então, a chegada de Vialli atraiu todos os holofotes para a Vecchia Signora.

Logo após sua chegada, a Juve ficou conhecida em toda a Europa por aquele que acabou sendo considerado como um dos maiores trios de ataque do continente. Ao lado de Roberto Baggio e Fabrizio Ravanelli, Vialli formou o ataque que marcou época e recebeu o apelido de Tridente. Com essa formação os bianconeri levaram logo em 1992 a Copa da Uefa - atual Liga Europa - e conseguiram, em 1995, levar para Turim o scudetto e a Coppa Italia no mesmo ano. A temporada em questão só não foi perfeita porque o Parma acabou com o sonho do bicampeonato da Copa da Uefa ao vencer a Juventus na grande final - jogo que ficou marcada para Vialli, que anotou na partida um dos mais belos gols de sua carreira.

Baggio, Ravanelli e Vialli fizeram a Juve ter um dos melhores ataques da Europa (Twitter)
O momento máximo de Vialli com a camisa bianconera, no entanto, ainda estaria para acontecer. Dando sequência à série de partidas que encantavam na Europa, a Juventus conseguiu atingir seu ápice em 1996. Foi neste ano que Vialli, como capitão da Vecchia Signora, conduziu o time ao título da Liga dos Campeões da Europa, vencendo a final diante do Ajax de Van der Sar, Davids e Kluivert. Com a hegemonia europeia consolidada pelo Juve e uma carreira brilhante consolidada, Vialli foi brilhar pela primeira vez longe da Itália.

Mais experiente, Vialli deixou a Juventus e rumou para a Inglaterra, onde passou a defender as cores do Chelsea. Já sem o mesmo pique dos tempos áureos, o atacante continuava deixando sua marca e conquistando títulos. Os três anos que passou em Londres o marcaram como um dos grandes ídolos da história dos Blues antes da chegada dos dólares de Roman Abramovich, em 2003. De 1996 a 1999, anos nos quais esteve no Reino Unido, Vialli conquistou sete títulos: duas FA Cup, duas Carling Cup e duas Community Shield, além de uma Supercopa Europeia.

Italiano acumulou funções de jogador e treinador no Chelsea (Talksport)
Aos 35 anos, já sem forma física suficiente para continuar brilhando, Vialli abandonou o futebol como jogador e passou a se dedicar à tentativa de ser treinador. Sem a mesma habilidade que tinha com os pés com a prancheta nas mãos, o goleador não se deu bem no banco de reservas, tendo treinado o próprio Chelsea (em 1998 e 1999 exerceu as funções de treinador e jogador) até o ano 2000, quando mudou para o Watford, também da Inglaterra, no qual não obteve sucesso e ficou até 2002. Desde então, abandonou a carreira de treinador.

Gianluca Vialli
Nascimento: 9 de julho de 1964, em Cremona
Posição: atacante
Clubes: Cremonese (1980-1984), Sampdoria (1984-1992), Juventus (1992-1996) e Chelsea (1996-1999)
Carreira como treinador: Chelsea (1998-2000) e Watford (2000-2002)
Seleção italiana: 59 jogos e 16 gols
Títulos: 2 Serie A (1990-91 e 1994-95), 4 Coppa Italia (1984-85, 1987/88, 1988-89 e 1994-95), 2 Recopa da Europa (1989-90 e 1997-98), 1 Liga dos Campeões da Europa (1995-96), 1 Copa da UEFA (1992/93), 2 Copa da Inglaterra (1996-97 e 1999-00), 1 Copa da Liga Inglesa (1997-98) e 2 FA Community Shield (1998 e 2000)