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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

27ª rodada: Líder com respeito

Ibra e Pato saltitam para comemorar mais um gol do Milan: os rossoneri deram um grande salto para conquistar o scudetto (Getty Images)


Nem de longe o duelo entre Milan e Napoli, nesta segunda-feira, lembrou as memoráveis partidas dos anos 80. Mas pela primeira vez em muitos anos o jogo entre rossoneri e azzurri esteve no centro das atenções da Serie A. Mais evidente do que a partida entre o líder do campeonato e o terceiro colocado - separados então por uma diferença de três pontos - apenas o (péssimo) desempenho do árbitro Gianluca Rocchi e seus dois auxiliares.

Jogando em casa e com a missão de espantar o fantasma da rival Internazionale, que
após vencer no domingo tomara a segunda posição do Napoli e encostava na tabela, o Milan surpreendeu e não tomou iniciativas no início da partida. Os visitantes, por sua vez, também evitaram atacar em demasia e a primeira etapa ficou marcada apenas por erros crassos da arbitragem. Após os 45 minutos iniciais quatro impedimentos haviam sido marcados de forma imprecisa - dois para cada time. O pior, porém, ainda estaria por vir.

Logo no início do segundo tempo uma confusão na área do Napoli originou a penalidade máxima que Ibrahimovic converteu para inaugurar o marcador. Após cruzamento na área do time partenopeu o defensor Aronica viu a bola esbarrar em seu braço, apesar de não ter nenhuma má intenção no lance. Os pedidos de pênalti desesperados dos rossoneri não renderam o Oscar de interpretação aos jogadores, mas fizeram com que Rocchi anotasse a infração e ainda concedesse o cartão amarelo ao jogador azzurro, despertando a ira de todo o time do Napoli.

A desvantagem no placar e os nervos à flor da pele após o lance polêmico fizeram com que os visitantes se perdessem dentro de campo. O suspenso Lavezzi, melhor coadjuvante para o astro Cavani, então, passou a fazer mais falta do que usualmente faria, tornando o Napoli uma presa fácil para o Milan. As sombras da
eliminação da Liga Europa para o Villarreal na última semana passaram então a afetar muito os napolitanos, que perdidos viram o time da casa ampliar com Boateng aos 31 minutos da etapa final.

A falta de criatividade do Napoli aliada à falta de tempo no cronômetro fez com que o tento de Boateng liquidasse o jogo e consolidasse o Milan na liderança da Serie A. E se o relógio não colaborou para uma reação napolitana, fez sobrar tempo para que Alexandre Pato ampliasse a vantagem e desse números finais ao duelo com um golaço.

Com o resultado o Milan mantém a primeira colocação do Italiano com 58 pontos, cinco a mais do que a nova vice-líder, a Internazionale. A arbitragem, é claro, foi polêmica, mas não desemerece a vitória maiúscula dos rossoneri, que agora ganha (ainda mais) força e respeito para caminhar até o título. Já o Napoli completa sua pior semana na temporada, acumulando uma eliminação dolorida na Liga Europa e uma derrota que esfria muito as chances de conquistar o scudetto.

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Seleção da 27ª rodada
Andújar (Catania); Nesta (Milan), Ranocchia (Inter), Britos (Bologna); Valiani (Parma), Boateng (Milan), Sneijder (Inter), Armero (Udinese); Sánchez (Udinese), Pato (Milan), Di Natale (Udinese). Técnico: Alberto Malesani (Bologna).

27ª rodada: Digno de Oscar

Espetacular. Queimando a língua deste colunista, a Udinese à Barcelona é a grata surpresa desta temporada (Getty Images)

O domingo prometia na Serie A. A noite italiana teria o jogo entre Sampdoria e Inter, importante para definir a briga pelo título. A Inter venceu e colocou pressão em Milan e Napoli, que jogam logo mais, mas a Udinese já havia chamado a atenção para si mais cedo. A humilhação para cima do Palermo, concorrente direto por uma vaga em competições europeias, deixou o claro o que muitos ainda pareciam não concordar: a Udinese, que joga o melhor futebol do Belpaese e tem o melhor ataque da competição ao lado da Inter, briga por uma vaga na Liga dos Campeões. Se a premiação da Academia não teve surpresas, no campeonato italiano, a Udinese já é, de longe, a surpresa da temporada. Queimou, entre outras, a língua deste colunista nas previsões de início de temporada. O Oscar pelo melhor futebol da Itália é do clube friulano.

Palermo 0-7 Udinese
Puro espetáculo. Sem forçar em nenhum momento, a equipe que pratica o melhor futebol na Itália, à Barcelona - o presidente Vittorio Pozzo é um grande admirador do futebol espanhol -, aproveitou que os jogadores do Palermo nem entraram em campo e aplicaram a maior goleada na Serie A desde quando a Roma venceu o Catania pelo mesmo placar, em 2006 - acompanhe outras estatísticas no excelente texto do Leonardo Bertozzi. Voando baixo, Sánchez e Di Natale - autores de quatro e três gols, respectivamente - não tomaram conhecimento dos defensores rosanero, que puderam apenas ficar perplexos. A expulsão de Bacinovic, no final do primeiro tempo, facilitou ainda mais as coisas para os friulanos, que já aplicava um sono 5 a 0 quando os times foram para os vestiários no intervalo. Na segunda etapa, a Udinese foi tirando o pé gradativamente e fez "apenas" mais dois, parando após a expulsão de Darmian, que deixava o Palermo com nove. Além dos destaques claros do time, vale a pena ressaltar a evolução de Armero, que tem carta branca para atacar, assim como Maicon na Inter. Dessa maneira, o colombiano cavou as duas expulsões do Palermo e participou ainda de outro gol. Hoje, é um dos melhores laterais esquerdos da Serie A.

Uma das notas mais negativas na atuação palermitana foi o desempenho de Sirigu, que deve ter deixado Cesare Prandelli preocupado. O goleiro falhou feio em dois gols e ainda sofreu um defensável. No final do jogo, não adiantou Delio Rossi obrigar seus jogadores a pedirem desculpas para a torcida e assumir toda a culpa pela humilhação: o presidente Maurizio Zamparini bradou que o treinador "destruiu seu time" e o exonerou, dando a Serse Cosmi a incumbência de dirigir o time até o fim da temporada. E com pressão redobrada: depois do 7 a 0, vai ter que ajeitar a defesa e pensar em conquistar uma vaga europeia, cada vez mais plausível para a Udinese e menos para o time siciliano.

Sampdoria 0-2 Inter
Espécie de asa negra para a Inter nos últimos dois anos, a Sampdoria fez uma de suas partidas mais dignas neste campeonato. O fato surpreendeu, não só pela má fase doriana, mas também porque Di Carlo experimentou um inédito 3-5-2, com Guberti ao lado de Maccarone no ataque. O esquema tático rendeu e teve em Poli, melhor doriano em campo, o grande destaque. O meia trabalhava bem a bola e chegou a chutar bola na trave no primeiro tempo.

A Inter, porém, tinha Sneijder. Mesmo quando a Inter passava por dificuldades, o holandês conseguia criar alguma chance, seja com passes precisos ou por chutes de fora da área. Foi chutando da entrada da área que ele apareceu para definir o jogo, com uma linda cobrança de falta que surpreendeu Curci e a barreira, que ainda reclamava com o árbitro. Eto'o, isolado durante boa parte do jogo, ainda aproveitou um belo lançamento de Stankovic para se reconciliar com os gols nos minutos finais, após um jejum de três jogos. A vitória deixa a Inter a apenas dois pontos do Milan e um ponto a frente do Napoli, colocando pressão na partidaça de logo mais, em San Siro.

Roma 2-2 Parma
Na 600ª partida de Totti com a camisa da Roma, nada de muito novo: o capitão marcou contra o Parma, sua vítima preferencial, e a Roma romou. Os giallorossi fizeram um bom primeiro tempo, contando com uma atuação interessante de seu capitão, repetindo a boa atuação de Gênova. A se destacar também o renascimento de Juan, que marcava um gol importante no momento do 2 a 0 parcial, e se reconciliava com a torcida. Já no final do jogo, a história mudou em cinco minutos, graças a duas combinações entre Valiani e Amauri. Em dois cruzamentos provenientes do esterno destro, o ítalo-brasileiro se desvencilhou sem muitas dificuldades da marcação e converteu dois gols - um com um sem-pulo de letra -, que derrubaram a Roma. Pizarro, metrônomo do meio-campo romanista e que vinha fazendo falta nos três meses que ficou afastado, acabou se lesionando novamente e deve desfalcar o time por 15 dias. Sem Pek, Totti e Vucinic, que foram substituídos, não deu para a Roma reagir nos dez minutos finais, mesmo com um a mais desde a expulsão de Paci.

Cagliari 1-0 Lazio
A partida não foi um primor. Mesmo visitante, a Lazio mandou no jogo por boa parte do tempo, mas não conseguiu concluir jogadas com facilidade, devido ao bom posicionamento dos defensores cagliaritanos e ao sumiço de Hernanes, ausente da partida. O Cagliari, que estava em dificuldade, saiu na frente graças a um bizarro gol contra de André Dias e, depois, também teve algumas chances de testar o goleiro Berni, principalmente na segunda etapa - quando o jogo ganhou em intensidade, com a Lazio saindo mais para o jogo e oferecendo o contra-ataque. Para a Lazio, sonhar com a Europa continua possível, graças à irregularidade de quase todos os rivais, exceção feita à brilhante Udinese. Com o resultado, o Cagliari começa a sonhar timidamente com voos mais altos, mas ainda passa apenas pela fase de ensaios. A temporada já é positiva o suficiente.

Catania 2-1 Genoa
Os nervos estiveram à flor da pele no ensolarado domingo siciliano, em partida que teve quatro expulsões - Augustyn, do lado dos donos da casa, e três do lado genoano: além de Criscito, por falta, o técnico Ballardini e Floro Flores, já substituído, foram expulsos por reclamação. Contribuíram para isso decisões dúbias da arbitragem de Giannoccaro, que validou um gol duvidoso de Floro Flores, para o Genoa, e outro duvidoso de Maxi López, para o Catania. Bergessio contou com a sorte para virar a partida, depois que seu chute desviou em Criscito e na trave para enganar Eduardo. Do outro lado, o goleiro Andújar teve mais sorte: depois de falhar no gol do Grifone, fez duas defesas importantes, impedindo que Rossi fechasse a partida ainda no primeiro tempo e também defendendo cobrança de pênalti de Miguel Veloso, para se redimir e garantir pontos preciosos para a equipe de Simeone, que respira na luta pela permanência na elite.

Brescia 2-2 Lecce
Bobeada do Brescia ou brava reação do Lecce? Um misto dos dois levou ao empate entre os dois times, que serviu muito pouco aos donos da casa, mas que acabou ficando de bom tamanho para o time do sul, que se mantém fora da zona de rebaixamento. Os salentini sofreram dois gols logo antes da metade do primeiro tempo, confirmando que não é por acaso que a defesa continua sendo a pior do torneio, com 48 gols sofridos, e é especialmente péssima em jogadas aéreas, forma como surgiram os gols de Caracciolo e Zoboli. O técnico Rizzo, que substituía o suspenso De Canio, ousou e mexeu ainda no primeiro temp: colocou Corvia em campo no lugar de Grossmüller, avançando o time. Mas a reação veio mesmo dos pés de Munari, o termômetro do time. O meia participou da ação do primeiro gol, de Corvia, e fez o segundo, após aproveitar a inocência da defesa lombarda, que não o acompanhou quando ele se inseria para receber cobrança de lateral batido por Mesbah. Defesa a melhorar também em Brescia, afinal, não adianta dominar o jogo inteiro contra um rival direto e desperdiçar um bom resultado por falta de atenção.

Cesena 1-0 Chievo
A vitória do Catania pouco antes da partida colocou pressão sobre Cesena e Chievo, em mais um dos jogos da rodada que valiam muito para definir a permanência das duas equipes na elite. A vitória importantíssima cesenática foi conquistada apenas nos últimos minutos, com a participação fundamental dos dois maiores destaques do time na Serie A. Três minutos antes do fim, Antonioli fez uma defesa difícil, em chute à queima-roupa de Gélson Fernandes. Já aos 90, Jiménez converteu pênalti duvidoso sobre Bogdani e não deu qualquer tempo de reação para os clivensi, que acumulam três derrotas nos últimos três jogos. Os três pontos conquistados servem para além de colocar os romanholos três pontos atrás de Parma e Lecce, últimos times fora da zona de rebaixamento, com 28 pontos: acalmam os ânimos depois de uma semana atribulada. A equipe de Verona, por sua vez, volta a correr perigo.

Bari 1-1 Fiorentina
Tropeço imperdoável para a Fiorentina e empate que pouco serve ao Bari, virtualmente rebaixado. Os biancorossi precisam recuperar 12 pontos em 11 rodadas, missão quase imossível para um time que não teve qualquer boa fase nesta temporada e que conta com boa parte dos titulares lesionados ou jogando abaixo do que jogaram em 2009-10. A Fiorentina saiu na frente com o 200º gol de Gilardino em sua carreira, mas relaxou e recuou demais, permitindo que os galletti dominassem a partida, embora as principais chances tenham surgido apenas depois de trapalhadas da zaga viola. No final da partida, o argelino Ghezzal, que voltou bem de longa lesão, marcou um golaço para um San Nicola quase vazio - e muito ver.


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

27ª rodada: Mais do mesmo

Di Vaio abraça Viviano após a vitória sobre a Juventus: o Bologna esteve tão a vontade em campo quanto seu goleiro (Getty Images)

Alguns anos atrás e o resultado seria absurdamente surpreendente. Em 2011, porém, apesar de não ser o mais esperado, não deixa nenhum torcedor boquiaberto. Apenas os bianconeri, que abrem sua boca mais uma vez para reclamar da apatia da Juventus, que pela segunda temporada consecutiva não oferece perigo nenhum aos outros grandes italianos, ficando cada vez mais afastada da luta pelo scudetto. A derrota para o Bologna, em Turim, porém, não muda nada as (nulas) chances de voltar a ser campeão. Mas deixa a Vecchia Signora em situação cada vez mais complicada na briga por vagas em competições europeias.

A partida começou com a equipe da casa tomando as maiores iniciativas. Na maior surpresa do início da partida, o volante brasileiro Felipe Melo foi o maior responsável pela articulação de jogadas da Juve, inclusive sendo o principal responsável pelas escassas chances de gol do time no início da primeira etapa. Ao Bologna restava se defender e esperar brechas para tentar, em um contra ataque, chegar ao gol bianconero.

O jogo, então, foi aos poucos perdendo seu clima inicial, transformando-se em um duelo sem muitas chances e jogado em ritmo muito mais lento do que em seu começo. Melhor para os rossoblù, que mantiveram o empate sem gols nos primeiros 45 minutos e puderam aproveitar o cansaço dos donos da casa para mudar a partida na segunda etapa.

A evidência de que o jogo seria totalmente diferente em sua segunda metade não demorou nada para aparecer. Logo aos três minutos o artilheiro Di Vaio recebeu bola na área e bateu na saída de Storari, abrindo o placar para os visitantes. Após sofrer o gol a Juventus se desesperou e passou a jogar de maneira totalmente desorganizada. O Bologna, por sua vez, aumentou ainda mais sua postura defensiva, passando a ser totalmente dependente das brechas cedidas para contra atacar.

De tanto insistir os rossoblù conseguiram um ótimo prêmio: Di Vaio, após contra ataque, fez mais um e sepultou de vez todas as chances bianconeri, aos 18 minutos. Se com um gol de desvantagem o time de Turim já se mostrava perdido, com o Bologna a frente por dois gols, a situação só piorou. Mais perdido que a equipe, apenas o tento que Luca Toni, sozinho, viu a zaga evitar em cima da linha. E que decretou, mais uma vez, o fim da linha para a Juve.

A derrota deixa a Juventus em uma desconfortável sétima colocação - ignorando as partidas que aconteceriam neste domingo. O complemento da rodada pode complicar ainda mais a briga bianconera por uma vaga em competições europeias. Já o Bologna mantém sua colocação intermediária na tabela, sem maiores aspirações, mas sem risco de ser rebaixado.

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jogadores: Giacomo Bulgarelli

Fiel como poucos a um clube de futebol, Bulgarelli virou mito em Bologna e ídolo máximo da cidade (Calciopro.com)
Alguns jogadores marcam suas passagens no futebol como atletas que defenderam apenas um clube, criando uma identificação gigantesca com a equipe em questão. Poucos, porém, somam a esse grande feito o fato de se tornarem muito mais do que ídolos dentro das quatro linhas. Adorado por toda uma cidade e tratado como heroi local, Giacomo Bulgarelli é um exemplo de jogador que foi muito mais do que apenas um ídolo dentro dos gramados.

Ainda garoto, no decorrer da década de 1950, Bulgarelli se mostrava diferenciado quando atuava nos campos de Portonovo di Medicina, pequena província de Bolonha. Muito melhor do que os garotos de sua idade, foi levado para a maior equipe da região, o Bologna, onde conseguiu cavar uma vaga na equipe de jovens. Sua inteligência dentro dos gramados o fez ser destacado rapidamente, ganhando sua primeira chance entre os profissionais com apenas 19 anos, em 1959.

O que poucos poderiam imaginar, porém, é que naquele 19 de abril de 1959 estava prestes a começar uma das mais intensas relações entre um jogador e um clube na história do futebol. A qualidade técnica fez de Bulgarelli um dos titulares e mais importantes jogadores dos rossoblù em pouco tempo, após apenas duas temporadas sendo lapidado para ter maiores condições de brilhar entre os profissionais.

Os dois anos de convivência com os profissionais e algumas presenças em jogos da Serie A fizeram de Bulgarelli um jovem pronto para mostrar todo seu potencial como titular. Mesmo antes de se firmar com a camisa do Bologna, chamou atenção e serviu pela primeira vez a Nazionale em 1960, quando foi um dos convocados para disputar os Jogos Olímpicos daquele ano, sediados em Roma. Apesar de não sair com a medalha de ouro, os italianos não fizeram feio diante de sua torcida e avançaram até a disputa do bronze, quando saíram de campo derrotados pelo ótimo time da Hungria.

Em 1961, primeiro ano no qual teve uma sequência considerável de jogos, sendo a maior parte deles como titular, o meio-campista foi um dos grandes destaques na conquista da já extinta Copa Mitropa daquele ano. A conquista do torneio internacional e sua participação nos Jogos de Roma o credenciaram como titular absoluto do time, condição que não seria alterada até o final de sua carreira. Os melhores momentos com a camisa do Bologna, porém, viriam apenas com o tempo. Enquanto isso, Bulgarelli se firmava como um dos principais jogadores da Itália, ganhando convocação para disputar a Copa do Mundo de 1962, no Chile.

O capitão do Bologna, em bastidores da seleção italiana (Youtube)
Na péssima campanha italiana em território chileno, com eliminação logo na primeira fase, Bulgarelli foi um dos poucos destaques e, com seus lampejos, anotou dois dos únicos três gols italianos na competição, saindo do Chile com o consolo de ser o artilheiro da Squadra Azzurra na Copa. O retorno para a Itália, porém, reservava a conquista daquele que foi o título mais importante de toda a carreira do meio-campista.

Já consagrado como um dos melhores meio-campista da Europa, Bulgarelli conseguiu consolidar para sempre sua presença como ídolo rossoblù ao levar o Bologna novamente à conquista de um scudetto, em 1964, ao lado de jogadores importantes como o compatriota Ezio Pascutti, o alemão Helmut Haller e o dinamarquês Harald Nielsen. O título que não vinha desde 1941, época na qual o clube ainda colhia os louros do ótimo time montado por Árpád Weisz, aconteceu em meio a um turbilhão emocional causado pela morte do então presidente da equipe, Renato Dall'Ara, que morrera apenas três dias antes de Bulgarelli, com a faixa de capitão, erguer o sétimo título italiano da história do time de Bolonha.

Bulgarelli e Haller com o scudetto no peito (giacomobulgarelli.it)
A conquista do scudetto marcou para sempre a história de Bulgarelli no Bologna. O meio-campista ainda viria a conquistar mais duas Coppa Italia com a camisa rossoblù, sendo leal ao time até sua última partida, disputada em 4 de maio de 1975, data na qual as seguidas lesões fizeram com que o capitão não suportasse mais atuar como profissional. Pela Nazionale, Bulgarelli disputou ainda a Copa de 1966, na trágica campanha italiana, que culminou uma uma eliminação precoce, com direito a derrota humilhante para a Coreia do Norte. Dois anos depois, em 1968, conquistou seu único título servindo a seleção, a Eurocopa daquele ano, mesmo sem ter disputado a fase final do torneio.

O jogador deixou o futebol em 1975, depois de 16 temporadas pelo time rossoblù e uma curta passagem (dois jogos) pelo Hartford Bicentennials, da recém-formada NASL, A liga norte-americana de futebol. Após se aposentar, Bulgarelli tentou a sorte fora das quatro linhas como diretor de futebol. Passou por Modena, Pistoiese, Catania, Palermo e pelo próprio Bologna, mas sem repetir o mesmo sucesso que tivera como meio-campista. Nos anos 1990 e 2000, também comentou partidas de futebol para redes de TV na Itália.

Trabalhar em outros clubes que não o Bologna não alterou em nada a devoção - termo que pode ser utilizado sem nenhum exagero quando se fala da relação do capitão com sua torcida - dos torcedores rossoblù. Sinal disso aconteceu 12 de fevereiro de 2009, data na qual o jogador faleceu. Foi neste dia que a cidade de Bolonha, pela primeira vez em sua história, declarou luto oficial devido ao falecimento de um atleta. Forma de agradecer a lealdade e as glórias conquistadas por Bulgarelli em 16 anos de lealdade a uma única camisa.

Giacomo Bulgarelli
Nascimento: 24 de outubro de 1940, em Portonovo di Medicina, Itália
Morte: 12 de fevereiro de 2009, em Bolonha, Itália
Posição: meio-campista
Equipes: Bologna (1959-1975) e Hartford Bicentennials (1975)
Seleção italiana: 29 jogos e sete gols
Títulos: 1 Serie A (1963-64), 2 Coppa Italia (1969-70 e 1973-74), 1 Copa Mitropa (1961) e 1 Eurocopa (1968)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eternas Promessas: Gianluigi Lentini

Lentini chegou ao Milan com status de jogador mais caro do mundo, mas nunca pagou o investimento (Empics)
Uma Liga dos Campeões, uma Supercopa da Uefa, três Campeonatos Italianos, três Supercopas da Itália e uma Serie B italiana. O currículo é de altíssimo nível, já o futebol... Bom, o futebol foi um dos mais vistosos do final da década de 80 e início da de 90. No entanto, o declínio da carreira de Gianluigi Lentini foi tão meteórico quanto sua ascenção. Alguns não devem nem conhecer o sobrenome do ala italiano que já ostentou o topo da lista de jogador mais caro da história do futebol.

O início, o crescimento e a seleção
Lentini nasceu em 1969 na pequena cidade de Carmagnola, província de Turim. Desde jovem o garoto mostrava boa desenvoltura com a bola nos pés e a velocidade acima da média o puxou para a lateral do campo. Nas categorias de base do Torino, melhorou seu jeito de bater na bola e os cruzamentos perfeitos para dentro da área se tornaram sua principal característica. Com apenas 17 anos de idade, fez sua estreia pela equipe principal do Torino. Foram 11 participações na Serie A de 1989-87 e mais 11 na do ano seguinte, antes de sair emprestado para o Ancona, da Serie B.

Foi jogando a segunda divisão nacional que o garoto explodiu. Lentini se firmou como titular absoluto do time (jogou 37 das 38 partidas do campeonato), fez quatro gols e foi um dos maiores destaques da liga mesmo com a modesta 13ª colocação alcançada pelo Ancona. Nesse meio tempo, o Torino fez péssima campanha na elite e acabou rebaixado para a Serie B. Lentini, então, voltou para o Torino e jogou mais um ano na divisão inferior. Dessa vez, contudo, foi campeão. Foi o primeiro título da carreira do jovem de então 21 anos. Nos anos seguintes, ele cresceu e apareceu. O Torino voltou à Serie A em grande forma e já no ano de seu retorno conquistou vaga para a antiga Copa da Uefa. Nessa campanha, Lentini entrou em campo 34 vezes e marcou cinco gols. As boas apresentações renderam-lhe sua primeira convocação para a seleção italiana. A estreia aconteceu no dia 13 de fevereiro de 1991, no empate em 0 a 0 com a Bélgica.

A temporada seguinte foi ainda mais brilhante para Lentini e para o Torino: com grandes atuações do ala, os granata chegaram na final da Copa da Uefa, depois de eliminar o Real Madrid nas semifinais, e terminaram em terceiro lugar no Campeonato Italiano, atrás apenas de Juventus e Milan. Na Serie A, foi um dos artilheiros, com cinco gols. Ficou atrás apenas de Enzo Scifo, que fez nove, e do brasileiro Walter Casagrande, que marcou seis vezes. Lentini fez mais gols do que o outro atacante do time na época: ninguém mais, ninguém menos que Christian Vieri.

No torneio europeu, a equipe italiana só não se sagrou campeã por causa do critério de gols fora de casa. No duelo contra o Ajax, a primeira partida terminou 2 a 2 em Turim e a segunda em 0 a 0, na Holanda. Lentini, porém, já tinha exportado seu nome em nível continental e se tornado um dos grandes jogadores da época. Tanto que no mercado de verão seguinte, despertou o interesse de grandes times europeus e foi responsável por briga ferrenha entre Juventus e Milan para ver quem levaria seu passe.

Foi o Milan do recém-chegado Silvio Berlusconi que ganhou. O presidente megalomaníaco desembolsou cerca de 19 milhões de liras italianas (algo em torno de 30 milhões de euros nos dias de hoje) e financiou a transferência mais cara que o futebol já vira. A quantia era tão fora dos padrões da época que o governo chegou a suspeitar de lavagem de dinheiro. Nunca nada foi provado. Fato é que Lentini encabeçou a lista de supertransferências por mais quatro anos, quando Alan Shearer se transferiu do Blackburn para o Newcastle por quantia equivalente a 35 milhões de euros, mas por apenas mais um jogou o grande futebol que custou tão caro.

Ele já chegou com credenciais de titular e estreou no time de Capello ao lado de estrelas como Costacurta, Baresi, Albertini, Rijkaard, Donadoni e Van Basten. Ao final da temporada, somava 30 participações e sete gols na Serie A, o título nacional, o título da Supercopa italiana e um vice-campeonato da Liga dos Campeões. A taça europeia ficou com o Olympique de Marseille.

O acidente e a queda
No verão do mesmo ano, contudo, um acidente de carro transformou a vida do atleta. O jogador viajava de Turim para Piacenza durante as férias, quando o pneu do seu Porsche furou e o fez colidir a uma velocidade de quase 200km/h. Lentini fraturou o crânio e ficou em estado de coma por mais de 24 horas. Só voltou aos gramados no final daquela temporada, mas nunca mais foi o mesmo. Adicionou a seu currículo ainda mais cinco títulos, sem, porém, participar efetivamente da campanha de nenhum deles. Até hoje o jogador tem mágoas com Capello, pelo fato de não ter permitido que jogasse na final da Liga dos Campeões contra o Ajax, em Viena, perdida pelos rossoneri. Segundo Lentini, em entrevista concedida à Mediaset, ele estava em forma e podia jogar.

Na temporada 1996-97, então, transferiu-se para a Atalanta por empréstimo. Sob o comando do técnico Emiliano Mondonico e ao lado de Filippo Inzaghi, Lentini apresentou lampejos do futebol de outrora e ajudou os nerazzurri a fazerem uma boa campanha. Assim, o ala despertou novamente o interesse do Torino, clube que o revelou. Os granata investiram cerca de 5 milhões de euros em seu retorno. Foram mais três anos vestindo as cores do Toro com alguma constância, mas sem muito brilho.

Em janeiro de 2001, prestes a completar 32 anos, Lentini passou para o Cosenza, que quase conseguiu ajudar à chegar a Serie A, em sua temporada de estreia. Dois anos mais tarde, o time passou por uma grande crise financeira que o fez ter que recomeçar da Serie D. Lentini , capitão do time e amado pela torcida, ficou e jogou pela equipe um ano ainda, antes de se transerir para o Canelli, para disputar apenas torneios regionais e receber modestos 2,5 mil euros mensais, ao lado do amigo Diego Fuser, ex-jogador de Lazo e Roma.

Jogando em meio a jogadores amadores, o ala se deu bem mesmo com a idade avançada: em quatro anos marcou 49 gols e conseguiu uma mudança para o Saviglianese, para jogar o Campionato di Promozione, que dá vagas na Serie D. Lá, foi artilheiro e permaneceu até 2009. Agora, com quase 42 anos de idade, ainda não pendurou as chuteiras. Joga a sexta divisão pelo Nicese. Ao lado, claro, do amigo Fuser.

Gianluigi Lentini
Nascimento: 27 de março de 1969, em Carmagnola, Itália
Posição: Ala
Clubes que defendeu: Torino (1986-88, 1989-92 e 1997-2000), Ancona (1988-89), Milan 1992-96), Atalanta (1996-97), Cosenza (2001-04), Canelli (2004-08), Saviglianesi (2008-09) e Nicese (2009-hoje)
Títulos: 3 Serie A (1992-93, 1993-94, 1995-96), 3 Supercopas da Itália (1992, 1993 e 1994), 1 Liga dos Campeões (1993-94), 1 Supercopa Europeia (1994), 1 Copa Mitropa (1991) e 1 Serie B (1989-90)
Seleções de base que defendeu: Itália Sub-21
Seleção italiana: 13 jogos

Originalmente para o Olheiros.

22ª rodada: Partida de (e para) recuperação


De Rossi abre o placar: com 17 minutos a menos, o canhoto Montella começa com o pé direito (Getty Images)

A Roma começou o jogo com um técnico e terminou com outro. Diante da paralisação da 22ª rodada por conta de neve excessiva, a partida de ontem foi iniciada numa cobrança de escanteio. Curiosamente, Vincenzo Montella, novo treinador romanista, adotou o esquema tático 4-2-3-1 que o sacrificou na época de Luciano Spalletti, substituindo o desgastado 4-3-1-2 de Claudio Ranieri. Doni, que chegou a ser terceiro goleiro nessa temporada, começou titular, deixando Júlio Sérgio no banco com Totti. Uma equipe ofensiva foi para cima do Bologna desde que a bola voltou a rolar, pressionando os mandantes através dos passes de Pizarro. O chileno, de volta à equipe depois de muito tempo parado, foi um dos melhores em campo.

Depois de algumas ocasiões, Casarini saiu jogando mal e perdeu a bola para Vucinic, que serviu De Rossi e viu a Roma abriu o placar. Ironicamente, o meia havia tocado a bola com a mão havia poucos minutos, quando já tinha cartão amarelo. De Rossi não recebeu o segundo cartão e apareceu livre na área para finalizar, aumentando a polêmica da partida. O panorama geral pouco mudou no segundo tempo, com o Bologna um pouco mais incisivo na busca pelo empate. Totti entrou no lugar de Borriello e foi bem, atuando de costas para o gol e distribuindo ótimos passes na faixa atacante (terá ele voltado à forma?).

Boas chances para os dois lados ocuparam a partida até seu fim, quando a defesa romanista, comandada por um Mexès inspirado (e desdentado após choque com Della Rocca), segurou-se apesar dos 14 gols sofridos nos últimos quatro jogos. Consertar a defesa já será um enorme passo para Montella, que começou fazendo-a atuar mais adiantada. As investidas laterais chamaram atenção contra o Bologna, visto que a Roma vinha abdicando cada vez mais destas. Uma vitória depois de quatro derrotas seguidas (Inter, Napoli, Genoa e Shakhtar) era tudo que Montella precisava para acalmar os ânimos de um ambiente deturpado e se ocupar com a ressurreição de uma Roma próxima de jogar a toalha.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O sonho acabou

Rossi corre para o abraço: foi o pé de um italiano que acabou com o sonho do Napoli de ter de novo a Europa a seus pés (LaRepubblica.it)

O Napoli bem que tentou, a torcida apoiou - até demais - mesmo com o jogo sendo fora de casa, o sonho ficou perto de se tornar real, mas o final da brincadeira não foi nada diverido para os partenopei. Depois de abrir o placar e ficar com a vaga nas oitavas de final da Liga Europa em suas mãos, o time azzurro sucumbiu diante do Villarreal e viu acabar seu sonho de conquistar novamente um título europeu. A última conquista continental, em 1989, veio justamente nesta competição, quando ainda era entitulada de Copa da Uefa.

Demonstrando clara preferência pela disputa do scudetto, o técnico Walter Mazzarri surpreendeu e começou a partida com Cavani, principal goleador do Napoli na temporada, no banco de reservas. Mascara, seu substituto natural, também ficou entre os suplentes, com Sosa surpreendentemente sendo colocado para iniciar a partida. A mudança, a princípio, surtiu efeito positivo nos azzurri. Logo aos 17 minutos da primeira etapa Hamsík, que havia sido o reserva da vez no jogo em San Paolo, abriu o placar e incendiou a torcida presente no Madrigal.

A euforia dos fãs napolitanos foi tanta que acabou excedendo os limites. Na hora de comemorar o gol, alguns torcedores caíram, por causa da fraglidade do alambrado que os separava do campo. O fato, que ainda poderá render punições ao Villarreal, ainda fez com que três fãs acabassem feridos, o que aumentou ainda mais a tragédia da eliminação. Veja as imagens aqui.

A queda do alambrado coincidiu com a queda de produção napolitana. Após dominar o jogo e abrir o placar, o desempenho partenopeu caiu e a virada espanhola aconteceu em questão de poucos minutos. Ainda no primeiro tempo, aos 43 minutos, o brasileiro Nilmar aproveitou bobeada de Cribari e empatou a partida. A igualdade no placar colocou fogo na partida, já que os napolitanos seguiam com a classificação em mãos, mas apenas pelos gols marcados fora de casa. A esperança, porém, foi dizimada logo em seguida, aos 45, pelo italiano Rossi. Com 2 a 1 no placar, o Villarreal aproveitou a esfriada do intervalo para tomar as rédeas da partida.

Vendo que seu time apesar de jogar bem em parte da primeira etapa sentia a falta de seu matador, Mazzarri resolveu mudar no segundo tempo. Talvez apegado ao fato de que o Napoli venceu cinco das cinco partidas que Cavani começou no banco e virou titular, o treinador colocou o atacante uruguaio em campo. A mudança foi em vão e serviu apenas para quebrar o tabu que envolvia o artilheiro.

Sem conseguir levar muito perigo ao gol espanhol, o Napoli viu seu sonho acabar. A chance agora está na disputa do scudetto, que terá capítulo crucial na próxima segunda-feira, quando o time partenopeu viaja até Milão para encarar o líder Milan. Resta saber como estarão as cabeças napolitanas. Se não estiverem boas, podem rolar também no Italiano.

Amargo no final

Júlio César costuma salvar, mas desta vez entregou para o Bayern. Missão da Inter na Allianz Arena não será fácil (Associated Press)

Na tarde de ontem, a Inter era a última esperança de os clubes italianos conseguirem ao menos um resultado positivo nos jogos de ida da primeira fase de mata-mata nas competições europeias. Era, porque a Inter não jogou muito bem e ainda sofreu um gol nos acréscimos do segundo tempo, que pode determinar a queda da atual campeã da Liga dos Campeões logo nas oitavas da competição, frente ao Bayern Munique, que pode protagonizar a revanche da final passada. Na LC, todos os italianos precisarão de vitórias fora de casa para seguir em frente. Em tese, temos uma Europa cada vez menos italiana, como já vínhamos alertando.

O Giuseppe Meazza recebeu mais de 70 mil interistas dispostos a relembrar o último confronto entre Inter e Bayern, quando os italianos alcançaram o título da Liga dos Campeões, chegando à tríplice coroa. Porém, dessa vez a história foi diferente. Louis van Gaal armou os bávaros no 4-2-3-1, com Robben à direita e Ribéry à esquerda, prendendo os laterais interistas. Já Leonardo, não teve o inelegível Pazzini e o machucado Milito. Assim o treinador brasileiro prefiriu apostar no 4-3-2-1, deixando Eto’o isolado no ataque. Pandev poderia ser escalado ao lado do camaronês, mas por estar muito mal na temporada, ficou como opção no banco.

Foi a bola rolar para ficar claro o erro da opção de Leonardo. A Inter não mantinha a bola e com 20 minutos de jogo, os bávaros já tinham 60% de posse. Até aí, nada tão alarmante: a Inter estava acostumada a jogar nos contra-ataques e com toques rápidos, "desprezando" a posse de bola, mas com Eto'o muito isolado na frente, era difícil que isso pudesse acontecer.

A linha defensiva nerazzurra funcionava bem e evitava inserções de Robben e Ribéry. O Bayern assustava nos chutes de fora da área, executados por Luiz Gustavo, que fez grande partida. O Bayern dominava, mas a primeira grande chance de gol da partida foi italiana. Na ponta-direita Eto’o driblou Schweinsteiger e rolou para Cambiasso, que perdeu cara a cara com o goleiro Kraft.

A resposta bávara veio atráves de cruzamento da direita de Robben, que Ribéry desviou para acertar a trave. Lahm apoiava muito o holandês e a dupla dificultava a marcação no setor esquerdo da defesa nerazzurra. Mesmo sem merecer a vantagem, a Inter passou perto de abrir o placar novamente, na parte final do primeiro tempo. Chivu despachou bola do meio-campo e encontrou Lúcio na ponta-esquerda, que desviou direto para a área. Eto’o dominou vencendo a defesa e finalizou forte de canhota, mas novamente Kraft executou boa defesa e evitou que o placar saísse do zero.

No segundo tempo, outro personagem bávaro começava a buscar o protagonismo: Robben, chamou a responsabilidade e mostrou que ele poderia ser o caminho para a vitória do Bayern. E o holandês começou dando um cruzamento para Müller, que cabeceou ao lado do gol. Depois, foi a vez de Robben conduzir a bola da esquerda para a direita, de onde arrematou na trave de Júlio César.

As chances da Inter sempre tinham o mesmo caminho, Eto’o apoiado por Sneijder e eventualmente pelo lateral-direito Maicon. O jovem goleiro do Bayern Munique teve que aparecer em mais uma finalização do camisa nove nerazzurro e no rebote, Kraft ainda fechou o ângulo para Cambiasso, que bateu por cima do gol e desperdiçou mais uma ótima chance. Os problemas italianos aumentaram quando Ranocchia – novamente um dos melhores em campo com camisa da Inter -, saiu sentindo o joelho, que deve deixá-lo parado por 15 ou 20 dias. Leonardo colocou Kharja em campo, passou Chivu para zaga e Zanetti foi jogar na lateral-esquerda. Eto'o, no entanto, continuava muito isolado. Nem Pandev nem Coutinho entravam em campo para dar mais opções ao ataque em um jogo no qual um gol seria fundamental.

Os nerazzurri chegavam a criar e, no final dapartida, foram para cima, com ótimas oportunidades, que poderiam ter definido o jogo. Em um momento depressão abosluta, uma sequência de lances deixou o Bayern atônito: primeiro, Sneijder cobrou escanteio da direita e Thiago Motta acertou uma cabeçada muito forte, mas novamente Kraft estava lá para salvar o Bayern de Munique. Depois, a blitz nerazzurra continuou, com chutes de Eto'o e Kharja, que a defesa desviava para escanteio ou que Kraft se incumbia de defender.

Definitivamente não era dia da Inter. E ficou pior nos acréscimos. Ribéry virou o jogo para a direita, onde Robben dominou e foi levando para meio até arrematar forte de canhota. Júlio César falhou quando não podia e soltou as bolas no pé de Mario Gómez, que não vacilou e mandou para o gol. O alemão marcou seu sétimo gol nessa LC, chegando à artilharia ao lado de Anelka e Eto’o. Não houve mais tempo para que Leonardo mexesse no time, erro fatal, que pode ser explicado pela inexperiência do brasileiro.

Agora a Inter vai tentar buscar reverter a vantagem bávara na Allianz Arena. Leonardo, que julgou o resultado injusto, acha possível a vitória na Alemanha. Para isso, os nerazzurri precisarão de alguém para apoiar Eto’o, que isolado tem seu desempenho bastante prejudicado. Que a derrota sirva de lição para um time que já está acostumado a reverter situações complicadas, mas que desde a derrota para o Liverpool na mesma fase da LC, em 2008, não corre tanto risco de cair mais cedo na principal competição de clubes do mundo. A Itália torce por esta e pelas outras (improváveis) viradas.

Ficha técnica
Inter: Júlio César; Maicon, Ranocchia (Kharja), Lúcio, Chivu; Zanetti, Cambiasso, Thiago Motta; Stankovic, Sneijder; Eto’o. Técnico: Leonardo
Banco: Castelazzi, Materazzi, Nagatomo, Mariga, Coutinho, Pandev.
Bayern Munique: Kraft; Lahm, Tymoshchuk, Badstuber, Pranjic (Breno); Schweinsteiger, Luiz Gustavo; Robben, Müller, Ribéry; Gómez. Técnico: Louis van Gaal
Banco: Butt, Van Buyten, Ottl, Hamit Altintop, Kroos, Klose.
Árbitro: Viktor Kassai, da Hungria.
Gol: Gómez (Bayern Munique), aos 90.
Cartões amarelos: Zanetti, Sneijder e Thiago Motta (Inter) Ribéry e Luiz Gustavo (Bayern)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

26ª rodada: A vitória de Totti na derrota da Roma

Resignado, Ranieri não resistiu a mais um péssimo resultado e se demitiu.
O vestiário da Roma comemora (Getty Images)


Se uma derrota por 4 a 3 depois de estar vencendo por 3 a 0 e sofrendo os gols em 20 minutos não derrubasse Claudio Ranieri, nada mais o faria. Balançando no cargo há mais de um mês, o treinador romano não resistiu à má fase e preferiu se demitir, "pelo bem da Roma", time do qual é torcedor. Em seu lugar, entra Vincenzo Montella, ex-ídolo do clube, campeão nacional em 2001, autor de um poker contra a Lazio, amigo de Totti e treinador dos Allievi (sub-16). A demissão do romano e a escolha de seu substituto são vitórias pessoais para o capitão, que tinha um relacionamento muito conturbado com Ranieri e agora deve ter ainda mais influência e controle sobre o grupo. A rodada ainda teve vitórias dos quatro primeiros colocados e mais um vexame da Juventus.

Genoa 4-3 Roma

Depois de um primeiro tempo praticamente perfeito, a Roma acabou traída pelos jogadores que lhe davam a vitória. Ironicamente, no dia da queda de Ranieri, Totti fazia sua melhor partida em meses. Logo na primeira etapa, já havia cruzado duas bolas nas cabeças de Mexès e Burdisso, que marcaram 2 a 0 antes de 20 minutos de jogo. Totti continuou dando um show à parte e colocou outros colegas na cara do gol. Na segunda etapa, o capitão romanista fez o terceiro, em seu primeiro gol com bola rolando desde novembro. Um minuto depois, tudo caiu por terra.

Palacio, que já vinha levando perigo ao gol capitolino, aproveitou uma falha conjunta de Mexès, Burdisso e Julio Sergio para diminuir. Com a vantagem de dois gols, Ranieri tirou Simplício e colocou o time para frente, colocando Menez. A partir daí, a equipe romanista entrou em colapso. Floro Flores teve pelo menos três chances muito boas, mas o goleiro brasileiro da Roma vinha se redimindo de seus erros. O restante da defesa romanista, não: Paloschi, recém-entrado, fez o Genoa voltar de vez ao jogo, depois de mais uma falha de posicionamento da zaga da Roma. Outra falha deu a Palacio a chance de empatar o jogo, que Totti pode desempatar logo em seguida, mas, sem goleiro, chutou em cima de Criscito. O lateral ainda participou, juntamente com Palacio, do gol da virada, marcado por Paloschi, uma aposta feliz de Ballardini. Ao contrário da aposta de Ranieri em Menez, que acelerou sua demissão.

Chievo 1-2 Milan

Foi por pouco. O Milan não foi tão superior ao Chievo durante toda a partida, mas graças a um golaço de Pato, conseguiu três pontos importantes em uma rodada na qual os rivais diretos ao título também venceram seus jogos. A vitória milanista, no entanto, veio com polêmica. O gol de Robinho, no primeiro tempo, foi claramente irregular, já que o brasileiro dominou bola no braço, antes de concluir para o gol. Os rossoneri se mantinham no domínio da partida, com maior posse de bola e tranquilidade, mas não forçavam muito.

No segundo tempo, pouco mudou. Bogliacino entrou no lugar de Pulzetti e deu um pouco mais de vivacidade ao time, que tem um Constant absurdamente opaco, se comparado àquele que despertou o interesse de Milan e Inter no mercado de inverno. O malinês, no entanto, apareceu bem em um lampejo, quando cruzou muito bem para Gélson Fernandes marcar, de cabeça. Allegri, então, fez duas alterações que mudaram a partida: Pato entrou no lugar de um apagado Cassano, enquanto Boateng voltou ao time, substituindo um tímido Merkel. Boateng colocou o time mais para cima e Pato mostrou como tem sido matador nesta temporada: sua média de gols é de quase um gol por jogo - mais precisamente, um gol a cada 96 minutos. Tal sucesso tem gerado alguma insatisfação no atacante, que não quer ficar no banco. Como afirmamos em outra oportunidade, fazer Ibrahimovic, Robinho, Cassano e Pato coexistirem poderia ser um problema. Será agora o momento em que Allegri deverá resolvê-lo?

Inter 1-0 Cagliari

Leonardo e Donadoni jogam para vencer. Prova disso é que nenhum deles empatou qualquer partida no campeonato até agora. No Giuseppe Meazza, a escrita continuou, com uma vitória da Inter que parecia facilmente assegurável quando Ranocchia marcou um gol polêmico, impedido, depois de chute de Kharja, e com desvio de Canini. O Cagliari foi para o jogo decidido a pressionar os nerazzurri e marcava muito forte, mas a Inter fez uma partida primorosa no que diz respeito ao quesito toque de bola, pelo menos no primeiro tempo: passe de bola muito bom, inversões de jogo e muitas recuperações de bola, sobretudo de Motta e Ranocchia - o último, melhor em campo, mais uma vez.

Aparentemente, o time, acostumado aos tempos de Mourinho, joga melhor no 4-2-3-1, que voltou a ser utilizado hoje, para privilegiar o futebol de Pandev, que jogando aberto pelos lados, voltou a jogar bem, depois de meses de má fase. A partir da metade do segundo tempo, porém, Leonardo poupou Eto'o e Motta, colocando Stankovic e Cambiasso em campo, que não entraram bem. A perda do domínio no meio-campo fez com que o Cagliari fosse para cima e quase chegasse ao empate. Se os três pontos foram valiosos para a Inter, a vontade de segurar o resultado a todo custo tirou Maicon da visita à Sampdoria, na próxima semana, depois que o lateral ganhou amarelo por perda de tempo.

Parma 2-2 Cesena
No final do jogo, o Cesena lamentou mais do que o Parma pelo empate que não serviu a nenhuma das duas equipes na luta contra o rebaixamento. Os cesenáticos estiveram na frente do placar por duas vezes depois de erros dos crociati, com gols de Rosina e Sammarco, mas cederam o empate e continuam na zona de rebaixamento, com 22 pontos.

Palladino salvou, por enquanto, o cargo de Pasquale Marino no Parma, mas o treinador pode ser demitido a qualquer momento, para dar lugar a um entre Walter Zenga, Franco Colomba e Serse Cosmi. O clima é tenso em Parma e vários jogadores foram alvo de contestação da torcida. Logo ao lado, na Romanha, a situação é pior: torcedores ultrà fazem constantes ameaças ao presidente Igor Campedelli, pedindo a cabeça de Massimo Ficcadenti, e já atiraram uma bomba na loja do clube. O mandatário do clube reagiu fortemente, ameaçando vender todos os jogadores e não inscrever o clube no próximo campeonato, seja na Serie A ou B. Ingredientes nada benvindos em qualquer momento, principalmente quando o time precisa de apoio da torcida para tentar deixar a parte de baixo da tabela.

Napoli 1-0 Catania
Dividindo as atenções entre Serie A e Liga Europa, o Napoli foi a campo com um time misto, no jogo que envolvia as duas equipes do sul e alguma rivalidade. Com menos de 10 minutos de jogo, o Catania mostrava que iria para cima e já havia acertado a trave, com Schelotto. O Napoli respondeu, mas Cavani perdeu cobrança de pênalti e o jogo permaneceu empatado até Zúñiga aproveitar sobra e marcar seu primeiro gol na Serie A. O Napoli gerenciava bem a partida e, mesmo que os Elefantes pressionassem bastante, faziam partida madura. No final do jogo, o Catania tentou empatar de maneira desesperada, mas os partenopei não perderam a calma e conseguiram segurar um importante resultado, uma rodada antes da partida-chave contra o Milan, em San Siro e sem Lavezzi, suspenso por três partidas por uma cusparada em Rosi, da Roma.

Lecce 2-0 Juventus
Quando parecia que ia engrenar, a Juventus voltou a causar decepção para a grande torcida bianconera. O jogo começou muito mal para a Velha Senhora, quando Buffon foi expulso aos 12 minutos, por tentar evitar gol de Di Michele interceptando bola com a mão fora da área. A expulsão do goleiro ocasionou também a saída de Krasic, enfraquecendo o time no meio-campo. A partir daí, o Lecce impôs um domínio sobre a maior campeã italiana que talvez nunca tenha sido visto na história. Os salentini marcaram o primeiro com Mesbah e colocaram a Juventus na roda. O segundo, depois do intervalo, com Bertolacci, foi apenas consequência, e assegurou os três pontos para o Lecce, que chega aos 27 e fica quatro acima do Brescia, o 18º colocado. Na Juventus, início de crise: o presidente Andrea Agnelli criticou duramente a postura dos jogadores em campo e devem haver cobranças ainda nesta semana.

Bologna 1-0 Palermo
A disputa entre os dois goleiros da seleção foi honrada: ambos fizeram grande primeiro tempo e conseguiram impedir gols dos adversários. Se Viviano fez grande defesa após cabeçada de Bovo, Sirigu colocou para escanteio um chute traiçoeiro de Ramírez. Na segunda etapa, o Bologna cresceu no jogo, depois que García (improvisado na ala esquerda) foi expulso, mas só conseguiu definir o placar aos 89, com um gol de cabeça de Paponi, depois de um cruzamento de Rubin, melhor em campo. O improviso de García, pela falta de laterais no elenco, quando Cassani e Balzaretti não podem jogar, como nesta partida, deve custar caro a Rossi. Seu emprego está ameaçado e sua experiência em rosanero pode acabar ainda nesta semana. Na direção contrária, Malesani vai realizando o melhor trabalho de sua carreira em um Bologna que já está praticamente confirmado na próxima Serie A.

Lazio 1-0 Bari
A rodada foi boa para a Lazio. Com a vitória sobre o Bari no Olímpico e os tropeços de Roma, Palermo, Juventus e Udinese, o time abriu quatro pontos para o quinto colocado e se tranquilizou ao menos por uma rodada na briga pela Liga dos Campeões. Em campo, Hernanes travou um duelo particular contra Gillet. Logo aos seis minutos, o Profeta aproveitou bom passe de Sculli e, de primeira, abriu o placar. Depois, armando quase todas as jogadas dos aquilotti e arriscando bons chutes a gol, esbarrou no goleiro belga, em tarde inspirada. No segundo jogo de Bortolo Mutti no comando do time barês, os jogadores parecem ainda sem muita atitude de jogo: por mais que seu capitão mantivesse a partida aberta, com boas defesas, não conseguiam construir jogadas. Acabou ficando fácil para a Lazio, que, até agora, vai segurando as pontas e não caiu bruscamente de rendimento. Uma vaga em alguma das competições europeias parece possível. Em Bari, infelizmente, mais um evento de violência: Donati, Rivas e Rossi foram fisicamente agredidos por torcedores ultrà, em mais um desserviço ao futebol.

Udinese 0-0 Brescia
O "Barcelona da Itália", como vem sendo chamada a Udinese, ficou longe de parecer a equipe catalã neste domingo e perdeu a chance de conseguir mais tranquilidade na briga pela Liga Europa, com os tropeços de Palermo, Roma e Juventus. Sem Sánchez, suspenso, Guidolin teve de escalar o tanque Denis no comando do ataque e o time perdeu sua característica principal, a velocidade. O bom posicionamento defensivo do Brescia, marca registrada do time desde o retorno de Iachini ao comando, segurou os friulanos, que perderam os avanços de Armero graças à boa partida de Zambelli. O defensor ainda salvou um chute de Denis em cima da linha no final do jogo, garantindo um importante ponto para o Brescia uma semana antes da partida-chave pela salvezza contra o Lecce. Os brescianos ainda tiveram a sorte de o árbitro Bergonzi ter reconhecido um erro e ter voltado atrás na marcação de um pênalti inexistente para a Udinese.

Fiorentina 0-0 Sampdoria
Depois de uma série de bons jogos, a Fiorentina voltou a decepcionar sua torcida e ficou em um empate chocho contra a Sampdoria. Sem muitas ideias, a equipe viola nem parecia aquela que deu uma canseira na Inter na quarta-feira e que virou uma partida difícil contra o Palermo fora de casa. Durante toda a partida, Gilardino chutou apenas uma bola no gol defendido por Curci. Fora isso, a Fiorentina criou pouquíssimo e saiu vaiada de campo, pela falta de iniciativa. Melhor para a Sampdoria e, principalmente para Di Carlo, que ganha sobrevida após um ponto importante e inesperado, que acabou com a série de cinco derrotas consecutivas em jogos fora de casa.

Para resultados, escalações, classificação e estatísticas da 26ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 25ª rodada, clique aqui.

Seleção da 26ª rodada
Gillet (Bari); Santacroce (Napoli), Ranocchia (Inter), Criscito (Genoa), Rubin (Bologna); Mesbah (Lecce), Hernanes (Lazio), Hamsík (Napoli); Totti (Roma), Palacio (Genoa), Paloschi (Genoa). Técnico: Davide Ballardini (Genoa).

Prévia: Inter x Bayern Munique

Na decisão da última Liga dos Campeões, ninguém parou Milito, que deu o título para a Inter. Agora, os nerazzurri tentarão passar pelo Bayern sem o argentino (Getty Images)

Nesta quarta-feira, Inter e Bayern Munique entram em campo para o sexto jogo oficial entre as equipes válido por competições da Uefa. Porém, nenhuma outra partida foi tão histórica quanto a última que valeu a Tríplice Coroa para a Inter, fato inédito na história do clube e de todo o futebol italiano. A reedição da final, no entanto, terá uma série de elementos diferentes, principalmente para o lado italiano.

Naquele 22 de maio de 2010, no Santiago Bernabéu, a Inter contou com um Diego Milito inspirado. Os dois gols contra os bávaros, com direito a um drible que entortou o zagueiro Van Buyten, encerraram a melhor temporada da carreira do Príncipe, que hoje vive um inferno astral e está de fora ao menos da partida de ida, por causa da enésima lesão em 2010-11. No banco de reservas, ninguém "especial". Nada de José Mourinho, agora é a vez de Leonardo, que estreia pelo clube na Liga dos Campeões, tentando ao máximo espelhar algumas características do português no relacionamento com o grupo. Pelo campeonato nacional, seu método tem funcionado, mas ainda é incerto se os jogadores reagirão bem à pressão da LC. Por fim, a própria Inter vive situação diferente: não é mais o único protagonista da Serie A. Na verdade, voltou para o rol do protagonismo apenas neste ano, com uma arrancada espetacular que devolveu a Beneamata à briga pelo título.

Para o confronto, contaremos com a ótima colaboração de Pedro Venancio, responsável pela coluna semanal sobre futebol alemão na Trivela. Confira a prévia de Inter x Bayern Munique e confira depois o que aconteceu na partida. Boa leitura!

A temporada até aqui
Inter: É possível dividir a temporada interista em duas: a primeira parte, com Rafael Benítez, e a segunda, com Leonardo, a partir de 2011. Com o treinador espanhol, a Inter venceu a Supercopa da Itália e o Mundial de Clubes da Fifa, mas decepcionou na Liga dos Campeões, ficando em segundo lugar em um grupo no qual era favorita, e também na Serie A, quando terminou 2010 na sétima colocação, 14 pontos atrás do Milan. A chegada de Leonardo veio acompanhada de reforços e deu um novo ânimo ao time, que venceu nove das últimas onze partidas no campeonato italiano e, chegou à terceira colocação com 50 pontos, tendo reduzido a vantagem dos rossoneri para cinco pontos. O (alto) número de lesões que acometeu o elenco na primeira parte da temporada diminuiu e titulares, como Júio César, Maicon, Thiago Motta e Sneijder, voltaram à boa forma e o time passou a jogar melhor. O time tem sofrido muitos gols, mas a volta de Lúcio, que deve jogar ao lado de Ranocchia, pode fortalecer a Inter para o confronto.

Bayern Munique:
Prejudicado pelo fato de que nove jogadores do elenco foram titulares de suas seleções na Copa do Mundo e voltaram em condições físicas abaixo do ideal, o Bayern Munique teve um mau início de temporada na Bundesliga, mas se recupera aos poucos. A equipe ocupa atualmente a terceira posição, com 42 pontos, três a menos do que o vice-líder Bayer Leverkusen e 13 a menos do que o líder Borussia Dortmund, virtual campeão. Na Liga dos Campeões, a história foi bem diferente: os bávaros se classificaram em primeiro lugar do Grupo E com 15 pontos em seis jogos, sem muitas dificuldades. A única derrota foi para a Roma, por 3 a 2, na penúltima rodada. Na pausa de inverno da Bundesliga, o técnico Louis van Gaal se livrou de jogadores experientes como Demichelis e Van Bommel, e rejuvenesceu o elenco com a compra de Luiz Gustavo. A volta de Robben e Ribéry de lesão e o bom momento vivido por Mario Gómez fortalecem os bávaros para o confronto.

Pontos fortes
Inter: A chegada de Leonardo levou a Inter de volta a módulos táticos aos quais os jogadores estão mais acostumados, depois de uma época de experiências mal-sucedidas de Benítez. Assim, a Inter voltou ao 4-3-1-2, com variações táticas que frequentemente a levam a atuar em uma espécie de 4-2-3-1, com Eto'o entrando em diagonal na área a partida esquerda e com a aproximação de um meia a Sneijder. Desde a chegada do novo treinador, o poder de fogo do time melhorou consideravelmente, com a aproximação dos meias aos atacantes, devolvendo à Inter uma melhor distribuição da autoria dos gols: os 27 que a Inter fez durante dois meses da gestão de Leonardo foram marcados por dez joagdores diferentes. Eto'o, no entanto, continua sendo o artilheiro do time, com 27 gols na temporada - seis na LC, maior marcador desta edição. No mais, os pontos fortes desta Inter continuam sendo quase os mesmos da Inter de Mourinho: defesas importantíssimas de Júlio César, os arranques de Maicon e a inventividade de Sneijder.

Bayern Munique: Desde 2009, quando assumiu o cargo, o técnico Louis van Gaal priorizou a montagem de uma equipe ofensiva que atua no 4-2-3-1, com jogadores técnicos e capazes de desequilibrar. Os laterais, Lahm e Luiz Gustavo, e os volantes, Schweinsteiger e Pranjic – ou Ottl -, sabem tratar a bola com carinho e sobem bem ao ataque se necessário. Mas o grande trunfo da equipe é a linha de três meias formada por Robben, Ribéry e Thomas Müller, que dispensa apresentações. Com a recuperação dos dois primeiros e a volta da boa fase de Müller, o ataque cresce muito, e isso pode ser comprovado nos últimos cinco jogos do certame nacional, quando o time marcou 15 gols. O centroavante Mario Gómez, trazido a peso de outro junto ao Stuttgart, parece já ter se recuperado da má temporada em 2009-10 e é o artilheiro da Bundesliga com 18 gols marcados e vice da Liga dos Campeões, com seis, empatado com Messi.

Pontos fracos
Inter: Ao contrário do time que enfrentou o Bayern na final da última edição da LC, esta Inter não é fortíssima na defesa. Desde a chegada de Leonardo, a equipe não levou gols em apenas três partidas, embora Lúcio só tenha jogado uma única vez ao lado de Ranocchia, que tem características semelhantes às de Samuel. A volta do brasileiro, aliada à excelente fase do italiano, pode ajudar a Inter a recuperar um setor que tem sido vulnerável demais para um time que precisa somar o maior número de pontos possíveis para encostar no Milan e que deve evitar sofrer gols em jogos eliminatórios. Outro dificuldade que a Inter passa é não ter um parceiro ou substituto adequado à Eto'o no momento. O único outro atacante disponível é Pandev, uma vez que Milito, lesionado, continua atravessando sua via crúcis e Pazzini está inelegível para jogos da Liga dos Campeões. A ausência de outras alternativas, combinada à má fase do macedônio, deve fazer Leonardo apostar pela primeira vez em sua gestão em um esquema "árvore de natal", com Stankovic e Sneijder dando suporte à Eto'o, isolado na frente. Pandev começará no banco e dificilmente terá poder de entrar em campo para mudar o panorama da partida.

Bayern Munique: Louis van Gaal enxergou pouco antes da pausa de inverno da Bundesliga o que já parecia óbvio desde a temporada passada: Van Buyten e Demichelis não passavam segurança nem ao mais otimista dos torcedores bávaros e já faziam hora extra no time titular. O primeiro, humilhado por Diego Milito na final da Liga dos Campeões de 2009-10, foi para o banco de reservas, enquanto o segundo acabou sendo negociado com o Málaga. O técnico holandês, porém, ainda não conseguiu ajustar o setor. Um dos titulares é Holger Badstuber, que já não é mais utilizado na lateral esquerda há algum tempo. A outra posição é disputada pelo ex-são paulino Breno, que voltou a receber oportunidades, e pelo ucraniano Tymoshchuk, volante de origem que geralmente dá conta do recado quando escalado na função. Ainda assim, o setor não é totalmente confiável, como foi visto na derrota para o Köln por 3 a 2, jogo em que os bávaros começaram vencendo por 2 a 0.

Expectativas
Inter: Desta vez, o duelo é mais equilibrado do que o da final de 2010, sobretudo porque se a Beneamata não parece mais impecável, o Bayern terá Ribéry, que além de seu talento habitual, pode forçar Maicon a não ir muito ao ataque. Para se sair bem contra o Bayern, servirá à Inter um belo trabalho dos volantes - Zanetti pela direita e Cambiasso pela esquerda -, que ajudarão os laterais a marcarem as investidas de Ribéry e Robben. O capitão da Inter terá papel ainda mais fundamental, porque deverá cobrir as frequentes subidas de Maicon. A correria do lateral brasileiro é, também, uma metáfora do próprio momento atual pelo qual passa a equipe nerazzurra: desde janeiro o time está envolvido em uma maratona de jogos disputados sempre em alta intensidade, com o intuito de correr atrás do tempo perdido com Benítez na primeira parte da temporada. O desejo de repetir a tripletta conquistada na última temporada existe e a arrancada construída com um ótimo retrospecto deve servir como uma motivação a mais para vencer o cansaço dos últimos meses. Basta ver como Sneijder, Maicon e Júlio César retornaram a campo após suas lesões.

Bayern Munique: Ao contrário da final do ano passado, quando as expectativas eram todas direcionadas a Robben enquanto Ribéry estava suspenso, o Bayern Munique parece uma equipe bem mais sólida e experiente. A afirmação de Thomas Müller na Copa do Mundo faz com que ele seja observado de outra maneira pelos adversários, assim como acontece com Mario Gómez, que em 2009-10 era reserva do hoje lesionado Ivica Olic e tem crescido na temporada. O apoio de Lahm pelo lado direito e os avanços de Schweinsteiger pelo meio também ajudam na composição de um time que pratica um futebol vertical e objetivo. A grande incógnita fica por conta do desempenho do setor defensivo, que ainda não foi testado contra atacantes como Samuel Eto’o e de fato está longe de passar a confiança necessária aos torcedores do clube. Na teoria, porém, é um duelo mais equilibrado do que o de 2009-10 e os bávaros, pela boa campanha na primeira fase e recuperação na Bundesliga, tem bons motivos para estar confiantes.

Prováveis Escalações
Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Ranocchia (Córdoba), Chivu; Zanetti, Thiago Motta, Cambiasso; Stankovic (Pandev), Sneijder; Eto'o.

Bayern Munique: Kraft; Lahm, Tymoshchuk, Badstuber, Pranjic; Schweinsteiger, Luiz Gustavo (Ottl); Robben, Thomas Müller, Ribéry; Mario Gómez

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Preview: Copa Viareggio 2011

O juventino Immobile, melhor jogador da última Copa Viareggio, comemora gol na final contra o Empoli. E a Juve vai forte em busca do tri (Virgilio)

A litorânea Viareggio vai concluindo os últimos preparativos para sua tradicional festa de Carnaval, ao passo que receberá a 63ª edição da Copa Viareggio - conhecida informalmente como Coppa Carnevale, pela época de sua realização. Uma das maiores competições sub-21 do mundo, a Copa Viareggio já revelou ao mundo jogadores como Buffon, Maldini, Zambrotta, Schweinsteiger, Prosinecki, Batistuta, Pandev, Cassano e muitos mais.

Esta edição, que tem início hoje (21), com 12 partidas, contará com 48 equipes divididas em duas chaves com seis grupos. Em cada um destes, se classifica o time de melhor campanha, junto dos dois melhores segundos colocados de cada chave. Podem jogar jovens nascidos a partir de 1991, além de dois fuoriquota, nascidos até 1990. Pela primeira vez em sua história, Viareggio receberá também a Copa Viareggio Júnior, torneio realizado para jogadores com menos de 15 anos, que integram a categoria Giovanissimi.

Desta vez, nenhuma equipe brasileira estará presente em Viareggio. Entre os 48 clubes participantes, 31 são italianos e outros 17 representam países dos cinco continentes. Na disputa do torneio, saber quais são os favoritos não é nenhuma surpresa: muito dificilmente o título do torneio deve sair do grupo dos maiores formadores de jovens jogadores no país, que inclui Juventus, Inter, Milan, Roma, Fiorentina, Atalanta e Sampdoria. Lazio, Empoli, Genoa e Varese, com boas campanhas no Campeonato Primavera, podem aprontar e aparecer como surpresas.

Pelo quarto ano consecutivo, vamos acompanhar o torneio, em parceria com o Olheiros, site especializado na cobertura do futebol das categorias de base. Confira aqui um preview do que se pode esperar da competição. Acompanhe os resultados pelo nosso Twitter e volte aqui para ver a repercussão dos jogos da Copa Viareggio. Boa leitura!

CHAVE A (Pedro Spiacci)

Grupo 1
Juventus, Club Brugge (Bélgica), Varese e LIAC New York (Estados Unidos)

A Juventus, bicampeã consecutiva do torneio, vai para Viareggio forte em busca do tri. O técnico Giovanni Bucaro, que assumiu a equipe em julho de 2010 no lugar de Luciano Bruni, que se foi para a base da Sampdoria, terá em mãos uma equipe recheada de bons talentos. No Campeonato Primavera, a equipe é a terceira colocada em seu grupo, quatro pontos a menos que o líder Genoa. A defesa tem Camilleri, com passagens na equipe principal e seleções sub-16 e sub-17 da Itália. O atacante Libertazzi, um dos mais jovens no elenco, também já passou pela base da Squadra Azzurra é certeza de gols, ao lado de Giannetti, que já estreou na Serie A e tem oito gols no Campeonato Primavera. Olho também no meia Giandonato, frequentemente convocado para jogos com o time profissional, que faz boa dupla com o meia austríaco Büchel.

O Varese é líder do grupo A no Campeonato Primavera, pouco à frente da tradicional Inter, e conta com o ambidestro meia-central Alessandro Scialpi, presença certa na sub-19 italiana. No ataque biancorosso, o atacante Giuseppe De Luca, autor de 14 gols no campeonato. Dá, também, para dizer que o Varese é o Brasil em Viareggio - são, ao todo, quatro brasileiros no time: o goleiro Vinícios Belenzier e os meias Thiago, André Bassi, Daniel Ferreira e Renan Wagner - este, ex-Inter. As perspectivas para Viareggio são boas, mas da Bélgica vem uma ameaça aos italianos.

O trabalho de base do Club Brugge é famoso e, no Campeonato Belga sub-19, a equipe lidera e constantemente cede seus atletas para as seleções de base do país. No ataque, Bram Leroy, de apenas 17 anos, é uma das esperanças e o defensor Van Steenkiste, com extensa carreira na seleção sub-17, é um dos líderes da linha defensiva. O combinado de jogadores que jogam no estado de Nova Iorque chega como zebra. Ano passado os nova-iorquinos saíram sem marcar ponto algum. Os grandes nomes são Taras Frankivskyy, defensor ucraniano que tem dois gols e quatro assistências nos oito jogos dessa temporada na NCAA, e Tamás Kemény, goleador húngaro emprestado pelo Honved apenas para a participação no torneio.

Grupo 2
Atalanta, Estrela Vermelha (Sérvia), Cesena e Sambenedettese

Em competições de base, a Atalanta tem grande tradição e já venceu duas vezes a Copa Viareggio, embora a última conquista tenha ocorrido em 1993. O ex-jogador Walter Bonacina, que assumiu o controle dos nerazzurri no ano passado, levou a equipe até a semifinal, quando acabaram eliminados, perdendo para a campeã Juventus. No Campeonato Primavera, a equipe ocupa a quarta colocação em sua chave e, para mais uma vez brigar pelo título, a Atalanta aposta no meia da sub-19 italiana Nadir Minotti, que costuma marcar muitos gols, auxiliado por Baselli e Monacizzo. No ataque, o argentino Pieroni e o italiano Gatto também devem contribuir com gols.

O grupo ainda conta com outro ex-campeão do torneio, o Cesena, vencedor em 1990. No ano passado, os cavalos marinhos caíram nas oitavas de final e, fazendo campanha ruim no Campeonato Primavera, dificilmente deve seguir em frente no torneio. Os destaques do time são os meias Cica e Moscatiello. A Sambenedettese, que passa por grande crise e está na sexta divisão do futebol italiano, virá com a equipe muito jovem e mais uma vez não deve alcançar a segunda fase. O Estrela Vermelha volta à competição, depois de três anos de ausência - na última participação, os sérvios foram eliminados na primeira fase. É outro time a apostar na baixa média de idade e que não deve incomodar os rivais.

Grupo 3
Torino, Anderlecht (Bélgica), Lazio e Grasshopper (Suiça)

Com muita tradição em Viareggio, somando seis títulos, o Torino entra como favorito no grupo. Nas últimas duas disputas, eliminações nas quartas de final e semifinal. A boa campanha no Campeonato Primavera também deixa os granata esperançosos. O meia-ofensivo Umberto Miello, presença certa na sub-19 de Daniele Zoratto, é o homem responsável pela criação de jogadas para a dupla de ataque composta por Comi e Pinelli, que somam 17 gols no campeonato.

De Roma vem a Lazio, eliminada na primeira fase em 2010. Porém, ao contrário do que ocorreu no ano passado, os laziali chegam à competição vindos de boa campanha no Campeonato Primavera. Outra mundança está no banco de reservas: Roberto Sesena deixou o comando da equipe, que agora tem Alberto Bollini como técnico. O destaque da Lazio é o trequartista Ceccarelli, de forte presença ofensiva. Na frente, o atacante Cinque é o artilheiro do time no campeonato nacional, com 8 gols.

Os belgas chegam à Itália buscando passar para a segunda fase, o que não acontece desde 2007. O atacante Nathan Kabasele de apenas 17 anos, já passou pela equipe principal do Anderlecht e é a esperança de gols. Assim como Lukaku – estrela que estaria apta para participar de Viareggio, mas que já integra o time de cima desde a última temporada –, é belga com ascendêcia congolesa. O Grasshopper vem com muitos jogadores do sub-21 da equipe, que está em terceiro lugar na terceira divisão do Campeonato Suiço. O atacante marfinense Ariel Abed Dakouri é o artilheiro da equipe na competição e o goleiro Raphael Spiegel esteve com a Suiça no título mundial sub-17 em 2009. De qualquer forma, os favoritos às vagas são mesmos os italianos, neste que pode ser considerado o grupo da morte do torneio.

Grupo 4
Inter, APIA Leichhardt Tigers (Austrália), Esperia Viareggio e Combinado Serie D

A Inter mais uma vez chega à Viareggio entre as equipes favoritas para a conquista. Fulvio Pea, que já foi campeão com a Sampdoria e ano passado levou os nerazzurri apenas até as oitavas de final, segue no comando. A equipe é recheada por pequenas estrelas dos juvenis, com diversos jogadores que frequentemente são convocados pelas seleções italianas de base, como os defensores Benedetti e Faraoni, além dos laterais Natalino e Biraghi e o volante Crisetig. O trequartista brasileiro Daniel Bessa, que tem sido escalado por Pea como esterno no ataque, em seu 4-3-3, é um dos nomes que podem aparecer.

O meio-campo também tem outros talentos, como o italiano Romanò, em boa fase, o tcheco Jirásek, um dos principais nomes de sua geração no país de Nedved, e o promissor austríaco Knasmüllner, contratado ao Bayern Munique em janeiro. No ataque, mais um selecionável: Dell'Agnello é artilheiro do grupo B do campeonato Primavera, com 11 gols e tem treinado com o elenco profissional. A provável ausência de Alibec, que foi agregado ao time principal depois da lesão de Milito, pode ser sentida: o atacante romeno já marcou 10 gols no campeonato e certamente faria uma boa dupla ao lado do italiano.

Os donos da casa também fazem parte da quarta chave. O clube passou por duas falências nos últimos 20 anos e foi refundado em 2003. Porém não deve ser ameaça ao time de Milão, pois vem de péssima campanha no ano passado, quando perderam todos os jogos, marcaram apenas um gol e sofreram 11. Se o time de cime ainveste em jovens que se destacaram na competição, como o goleiro Pinsoglio, que jogou bem na Juventus no torneio do último ano, a equipe Primavera aposta no zagueiro Gigli, ex-Parma.

Os australianos do Apia Leichhardt vem para a sua nona participação consecutiva no torneio, mas novamente não devem ameaçar os rivais italianos. Na disputa de 2010, a grande surpresa foi o Combinado da Serie D italiana, que chegou até a semifinal, quando foram eliminados nos pênaltis pelo Empoli. O Asti, terceiro colocado em seu grupo na Serie D, é o único clube a ceder dois atletas. São eles: o atacante Amedeo Celeste e o defensor Vasile Mogos. O combinado tem boas chances de chegar mais uma vez à segunda fase, como conseguiram nos últimos três anos.

Grupo 5
Empoli, Spartak Moscou (Rússia), Reggina e Poggibonsi

Vice-campeão na última edição e vice-líder de seu grupo no Campeonato Primavera, o Empoli é mais uma equipe que chega forte na Copa Viareggio e não deve ter dificuldades para vencer o grupo. O treinador segue sendo Ettore Donati e no ataque, Manuel Pucciarelli, vice-artilheiro dos azzurri no ano passado, também segue fazendo parte do plantel primavera. Além disso, foi contratado para a disputa do torneio o argentino Laurito, da Udinese, uma das boas promessas da base do clube friulano há anos, que tem 11 gols no campeonato da categoria. O uruguaio Gastón Brugman, é outra peça importante para a construção de gols.

Mesmo vinda de uma ótima primeira fase em 2010, a Reggina não deve ser uma ameaça aos atuais vice-campeões. Muitos jovens revelados no bom vivaio do clube subiram para o time principal para esta temporada e o elenco de juvenis atual não vem bem: ocupa apenas a sétima colocação em seu grupo no Campeonato Primavera.

De Moscou vem o Spartak, que vai para a sua quinta participação consecutiva na competição. A equipe chega credeciada pelo título do Campeonato Russo de Juniores em 2010. Aleksandr Kozlov de 17 anos, foi o artilheiro dos moscovitas com 12 gols e já passou pelo plantel principal. Além disso, o pequeno (1,70m) atacante conta com várias passagens pelas seleções de base russas. O Poggibonsi deve apenas fazer figuração.

Grupo 6
Sampdoria, Vicenza, Virtus Entella e Dukla Praga (República Tcheca)

Campeã em quatro oportunidades e dona de uma das melhores categorias de base do país, a Sampdoria não tem feito jus aos títulos conquistados em suas últimas participações em Viareggio. O vexame de 2010, quando foi lanterna de seu grupo com apenas um ponto conquistado em três jogos, faz com que a equipe atue neste ano na tentativa de evitar que o pior aconteça novamente. Levando em conta a campanha no campeonato Primavera, na qual figura na sexta colocação em seu grupo, com 27 pontos em 17 jogos feitos, a chance de não repetir o fiasco do ano passado é considerável.

Para isso, o técnico Luciano Bruni deve apostar em um meio-campo forte, que conta com nomes como Rizzo, Muratore, Krsticic e Obiang, de 18 anos, nascido na Guiné Equatorial, mas com nacionalidade espanhola - seleção pela qual já brilha nas categorias de base. O ataque, que não tem funcionado tão bem no campeonato nacional (o artilheiro é o meia Krsticic), pode ter Zaza, membro do time principal que daria o ar da graça novamente, após defender a Atalanta no ano passado. Além dele, outra esperança de gols é o centroavante argentino Icardi, contratado junto ao Barcelona no último dia da janela de transferências.

E apesar da péssima campanha blucerchiatti em 2010, a esperança italiana no grupo parece estar mesmo nas mãos do time de Gênova. Isso porque os outros dois representantes da Itália não são dos mais efetivos. O Vicenza pena na Primavera, com míseras três vitórias conquistadas em 15 partidas disputadas, enquanto o modesto Virtus Entella, equipe de tradição quase nula, deve figurar como coadjuvante na competição. O cenário, então, é ideal para os tchecos do Dukla Praga, time estrangeiro com mais títulos no torneio: seis. Assim, os tchecos poderão aproveitar o mau momento das outras equipes do grupo para, quem sabe, fisgar uma vaga nas oitavas de final. (Leonardo Sacco)

CHAVE B (por Leonardo Sacco)

Grupo 7
Roma, Jedinstvo (Sérvia), Taranto e Midtjylland (Dinamarca)

Tricampeã em Viareggio, a Roma não consegue desde 1991 estar no lugar mais alto do pódio. As campanhas recentes das equipes de base giallorossi, no entanto, têm animado bastante os fãs do time, que se deu bem com o sorteio das chaves. Liderando seu grupo no Campeonato Primavera, com 43 pontos ganhos em 18 partidas disputadas, o time da capital vai para Viareggio com moral extra: derrotou, neste sábado, a rival Lazio por 7 a 1. A equipe tem em seu meio-campo criativo uma grande arma para vencer jogos.

As apostas para avançar na competição estão na sólida defesa – que contará mais uma vez com o consistente Frascatore, um dos destaques romanistas em 2010 – e nos meio-campistas Montini e Ciciretti - este, camisa 10 do time e comparado a Daniele De Rossi - que funcionam como elementos surpresa nos avanços ao ataque, setor dominado por Florenzi, autor de 9 gols no Campeonato Primavera. Na defesa, lamenta-se a perda do romeno Mladen, que era um dos destaques do time e foi negociado com o Rapid Bucareste para estrear entre os profissionais.

Sem muitas tradições no futebol de base italiano, o Taranto é o outro representante do país-sede no grupo 8. A falta de talentos significativos no time – que sequer está disputando o Campionato Primavera – faz com que as apostas envolvendo a equipe não estejam entre as mais animadoras. Panorama bom para a Roma, que ainda terá pela frente os sérvios do Jedinstvo, que na última edição do torneio voltaram para casa com três derrotas em três partidas e nada menos do que 12 gols sofridos, participação que credencia a equipe a ser o provável saco de pancadas do grupo. O dinamarquês Midtjylland, que já revelou nomes aproveitados na Itália, como Magnus Troest e Simon Kjaer, completa o grupo, com boas chances de classificação para a próxima fase.

Grupo 8
Fiorentina, Lecce, Club Nacional (Paraguai) e Newcastle (Inglaterra)

Maior campeã em Viareggio ao lado do Milan, com oito títulos conquistados, a Fiorentina vem forte para acabar com um jejum que já dura 18 anos – na conquista do último título, em 1992, parte do elenco atual sequer havia nascido. Entre as apostas viola, que figura na quinta colocação de seu grupo no Campeonato Primavera, com 32 pontos em 17 jogos, está o atacante Carraro, que mesmo jogando pelos lados do ataque, soma 12 gols na Primavera e vem sendo, aos 18 anos, um dos grandes nomes das categorias de base da equipe.

Olho também no goleiro Seculin e no meia Taddei, ambos da seleção sub-21 italiana, e nos atacantes ganeses Salifu e Acosty, além de Seferovic, campeão mundial sub-17 com a Suíça em 2009 e pérola do time. O ótimo defensor Camporese, que já atuou em todas as seleções de base italianas, não deverá atuar. Já conquistou um lugar no time principal da Fiorentina e dificilmente volta a vestir a camisa da Primavera.

O caminho para a classificação, porém, não estará nada fácil. Destaque para o Club Nacional, do Paraguai, que reeditará na fase de grupos o duelo com a Fiorentina, que valeu, em 2010, a classificação dos italianos para as quartas de final do torneio. O grupo ainda contará com o Lecce, que não participou da edição passada e não vai tão bem assim no campeonato nacional, no qual figura apenas na oitava colocação em seu grupo, com sete derrotas em 17 disputas. Fique de olho nos atacantes Falcone e Caio, de 18 anos, destaques deste time ao lado do goleiro Bibba, já convocado para a seleção sub-18 da Itália.

Fechando a chave, o Newcastle, da Inglaterra, não conta com muita tradição em torneios das categorias de base, mas promete não decepcionar em solo italiano. Aos ingleses deve restar uma eventual disputa de segunda vaga com o Nacional, deixando a liderança para a Fiorentina e a lanterna do grupo para o Lecce.

Grupo 9
Milan, Nagoya Grampus (Japão), Stabaek (Noruega) e Sassuolo

Oito vezes campeão e um dos times mais fortes e tradicionais das categorias de base na Itália – e também no mundo. Esse é o panorama inicial do Milan, que entretanto não vive um bom momento com sua equipe de jovens. Destaques de 2010, quando o time caiu logo nas oitavas, como Strasser e Merkel, hoje começam a brilhar na equipe principal.

A quinta colocação em seu grupo no Campeonato Primavera, com apenas 29 pontos nos 17 jogos feitos, é reflexo de que as coisas não vão tão bem assim em San Siro. Em um grupo fácil, porém, os rossoneri não deverão encontrar dificuldades, principalmente se o meio-campista Marco Fossati, principal nome do time aos 18 anos, seguir atuando como tem feito em suas aparições mais recentes, quando costuma aliar belas jogadas de armação com gols decisivos. No ataque, Simone Andrea Ganz, filho do ex-atacante Maurizio Ganz, é a esperança de gols: é o artilheiro do time, com 8 gols. Para a competição, foi contratado em janeiro o atacante Valotti, do AlbinoLeffe, que também tem 8 gols no Campeonato Primavera. Olho também no lateral direito Albertazzi, nos meias Hottor e Santonocito e no atacante Beretta.

Os comandados de Giovanni Stroppa, porém, não deverão enfrentar muitos problemas em seu grupo, formado apenas por equipes sem muitas tradições. Do Japão, o Nagoya Grampus, adversário do Milan na estreia, traz ao torneio mais apelo de mídia no Oriente do que uma equipe que realmente possa causar problemas em termos técnicos.

Não tão mais forte é o Sassuolo, que em 2010 surpreendeu e caiu nas quartas de final diante da poderosa Juventus. Se não vai bem no Campeonato Primavera, na qual já foi derrotado em oito dos 17 jogos que fez até aqui, o time da província de Modena contará com os gols do bom atacante Vignali, de 19 anos, e com a fragilidade dos adversários para tentar cavar novamente seu lugar entre os oito melhores de Viareggio. Por fim, os noruegueses do Stabaek possivelmente disputarão apenas quem será o menos pior contra o Nagoya, não oferecendo maiores problemas para os italianos da chave.

Grupo 10
Genoa, Parma, Città Marino Calcio e Nordsjaelland (Dinamarca)

Com um histórico recente animador, que envolve um título conquistado em 2007, o Genoa chega à Viareggio tentando apagar a campanha ruim que fez em 2010, quando caiu logo nas oitavas de final diante do Combinado Serie D, equipe bastante inferior. E para tentar o tricampeonato, o time rossoblù contará com um elenco que vem se destacando no Campeonato Primavera, liderando seu grupo com 38 pontos em 17 partidas, tendo sido derrotado apenas em três oportunidades.

A venda do letal atacante Zigoni, que aos 19 anos já acumula passagens por Milan e seleções de base da Itália para o Frosinone, clube no qual atua pela equipe profissional, dá mais espaço para que o ganês Boakye possa aparecer, mas possivelmente diminui o poder de fogo do time. A defesa também está bem servida com o bom goleiro Perin, presença constante nas convocações de base da Itália, e do habilidoso e seguro zagueiro uruguaio Polenta, um dos destaques da Celeste Olímpica no último Sul-americano sub-20.

Outra força do grupo é o Parma, que apesar de nunca ter conseguido um título em Viareggio, costuma aparecer com força no torneio. Em 2011 um dos destaques dos parmiggiani é brasileiro. Convocado por Ney Franco para o Sul-americano sub-20, no qual o Brasil foi campeão, o meio-campista Zé Eduardo, revelado pelo Cruzeiro, carrega aos 19 anos a missão de comandar o meio-campo gialloblù na tentativa de brigar com o Genoa pela primeira vaga do grupo. Outros nomes importantes do time são os meias De Vitis e Ristovski, além do atacante Bernasconi. Feltscher e Nwankwo também podem ser "emprestados" pela equipe principal para a disputa do torneio, sobretudo em caso de classificação para os mata-matas.

A chave ainda terá o italiano Città Marino Calcio, equipe sem tradição na Itália, e o dinamarquês Nordsjaelland, que irá ao torneio com uma equipe mista, formada pelos jogadores mais novos do seu time sub-21 e por jogadores do sub-19 e aparece como azarão na briga por uma vaga. Olho no defensor Gundelach, que faz parte da seleção sub-19 dinamarquesa, e no atacante Gytkjaer.

Grupo 11
Palermo, Émergence Brera (Gabão), Lumezzane, Prato

Se não conta com muita tradição nas competições de categorias de base, o Palermo deverá aproveitar a fragilidade dos adversários de seu grupo para, quem sabe, chegar mais longe do que na boa e surpreendente campanha de 2010, quando os rosanero chegaram às quartas de final, caindo para a Atalanta. A campanha recente, no entanto, não reflete as atuações em Viareggio no ano passado: com sete derrotas nos 17 jogos que já fez no Campeonato Primavera, o time é apenas o sexto colocado em seu grupo na competição.

Entre os destaques da equipe, estava o brasileiro João Pedro, ex-Atlético Mineiro, que foi emprestado para o Vitória de Guimarães. O posto de destaque fica, então, com o atacante paraguaio Celso Daniel Jara Martinez, que é visto como uma das grandes joias da equipe pelos diretores mais importantes do clube e ajudou o time principal a chegar às semifinais da Coppa Italia. Outro jogador importante é o volante ganês Acquah, que tem sido convocado para partidas pelo time principal.

Para fazer frente ao favorito do grupo, logo de cara, estará o Émergence Brera, time do Gabão sobre o qual não foi possível encontrar qualquer informação. No entanto, se o adversário do Palermo na estreia em Viareggio seguir a tradição da escola africana de revelar bons atletas, fica ligado o sinal de alerta para os rosanero, mesmo que o Gabão não seja o maior pólo formador de atletas da África. O Lumezzane, outro italiano no grupo, apesar de não disputar muitas competições relevantes nas categorias de base, chega para tentar cavar uma vaga como segundo colocado, enquanto o Prato, também da Itália, entra na competição como uma das equipes mais frágeis do torneio.

Grupo 12
Napoli, Siena, Kallon (Serra Leoa), Spezia

Após muitas campanhas frustrantes em Viareggio – dentre as quais, o costume era ficar sempre com a última colocação de seu grupo –, o Napoli chega ao torneio tentando ao menos repetir a campanha de 2010, quando caiu nas oitavas de final – a queda para o Sassuolo não foi bem digerida, mas já foi um avanço em relação às edições anteriores. O time partenopeu, porém, ainda patina na sua falta de tradição nas categorias de base, fato que pode atrapalhar o rendimento ao longo da competição.

Ocupando a quarta posição em seu grupo na Primavera, os azzurri têm como sua principal arma os gols do atacante Alessandro De Vena, um dos responsáveis por manter o time no topo, com 10 gols na temporada. Um outro jogador importante, que tem experiência no time principal napolitano, é o do meia Raffaele Maiello, titularíssimo no setor. Existe ainda a possibilidade de que Dumitru, sensação da seleção sub-21 italiana e reserva de Cavani, participe do torneio nas fases finais, em caso de classificação. O objetivo em Nápoles é claro: preparar os jovens para brilhar na equipe de cima – e para isso, uma boa colocação em Viareggio é essencial.

Outra força do grupo é o Siena, equipe que figura com os mesmos 30 pontos que o Napoli na chave em que ambos figuram na Primavera. As semelhanças não param por aí, com os bianconeri também sofrendo com a falta de tradição nas categorias de base. A missão é evitar o vexame do ano passado, quando não passou nem para a segunda fase da competição – perdeu a vaga para o Club Nacional, o do Paraguai, em um grupo que também contava com o Grêmio. O destaque do time é o zagueiro artilheiro Checchi, de 20 anos, que marcou seis gols no campeonato nacional da categoria.

Novamente no caminho do Napoli estará o Kallon, de Serra Leoa, equipe que se destacou em 2010 pela péssima campanha, sem vitórias e com 10 gols sofridos em três jogos, e pelo fato de ser propriedade de Mohammed Kallon, ex-atacante da Inter, que batizou o clube com seu nome. Fechando a chave está o Spezia, que dificilmente terá forças para buscar a classificação.