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quinta-feira, 31 de março de 2011

Jogadores: Ruud Gullit

Em sua primeira temporada, Gullit, melhor do mundo à época, ajudou o Milan a frear o Napoli de Maradona e vencer a Serie A (Getty Images)
O ano de 1974 era da seleção holandesa. Os torcedores viam aqueles jogadores trajando um uniforme laranja e jogando um futebol diferente desde a abertura da Copa, contra o Uruguai. À época, o filho de um holandês com uma imigrante do Suriname tinha 12 anos e via o mecanismo da equipe montada por Rinus Michels. Ruud Gullit – nascido Ruud Dil, com o sobrenome de sua mãe – cresceu ao lado de Johan Cryuff, fez história em seu país, na Itália, na Inglaterra, ganhou Bola de Ouro e virou sinônimo de engajamento político.

O gosto pelo futebol veio cedo. Aos 11 anos, Ruud já atuava pelo Meer Boys. Os insultos racistas que sofria na escola eram amenizados quando voltava para casa. Para ele, os dias não eram dias se não jogasse bola na ruas da zona oeste de Amsterdã com Frank Rijkaard.

Ele passou pelo DWS, onde entrou no raio das seleções de base holandesas, antes de parar no Haarlem por conta de uma rixa com o Ajax. Um dos treinadores das camadas de baixo dos Godenzonen queria contratá-lo, mas foi arrogante com o jovem atleta, por conta de suas origens. Assim, o jogador pediu ao seu pai para usar o sobrenome em sua camisa de jogo, ao invés de Dil, porque “não era um nome de jogador de futebol”.

No Haarlem, Gullit começou a ter destaque em nível nacional: foi o mais jovem jogador a estrear na Eredivisie, aos 16 anos, e foi eleito o melhor jogador da segunda divisão do país no ano seguinte, com apenas 18. Gullit fez 14 gols nesta temporada e repetiu a marca na seguinte, quando levou o clube à quarta posição do campeonato holandês, melhor em sua história e única vez que a equipe se classificou para uma competição europeia. Lá, Gullit também fez o que considera o seu melhor gol na carreira, contra o Utrecht, quando passou por quatro marcadores e pelo goleiro antes de marcar.

Três temporadas depois, seu segundo clube foi o tradicional Feyenoord,que o contratou porque os treinadores de Arsenal e Ipswich Town acharam que pagariam muito por uma aposta arriscada. Nos três anos que passou na equipe de Rotterdam, Gullit teve o prazer de conviver com Johan Cruyff, que fazia sua última temporada em 1983-84, o que proporcionou que o jovem aprendesse muito com o camisa 14 e ajudasse a levar o time ao título da Copa da Holanda – na qual foi artilheiro, com 9 gols – e à dobradinha, com o título da Eredivisie. Gullit marcou 15 gols, 13 a menos que o artilheiro Marco van Basten, com o qual dividia vestiários na seleção holandesa e dividiria na Itália, anos depois. Em 1984, Gullit foi eleito jogador holandês do ano.

O conhecimento aprendido com Cruyff foi mais uma lição para Gullit, adaptável ao conceito de Futebol Total. Por sua força física e técnica, o jogador conseguia fazer diversas funções em campo: começou como líbero, mas jogou também como meia, trequartista e segundo atacante. Tudo o que aprendeu com Cruyff, levou para o PSV, onde foi bicampeão nacional, nos dois anos em que passou no clube, jogando em todas as partidas.

Máquina de fazer gols, marcou 53 gols em um ano e recebeu uma série de honrarias, como a Chuteira de Ouro holandesa, a Bola de Ouro da France Football e o prêmio de Melhor do Mundo pela Fifa, os dois últimos em 1987, recebidos quando já havia sido contratado pelo Milan. No discurso de agradecimento ao prêmio mundial, Gullit dedicou o prêmio a Nelson Mandela, fato que causou estranheza à imprensa. O ato, entretanto, abriu um sorriso num momento conturbado na vida de Mandela, que, naquele ano, estava preso.

O jogador rastafári foi levado ao Milan por 13,5 milhões de liras, constituindo recorde, à época, para na história rossonera. A contratação de Silvio Berlusconi, que começava a incrementar seu investimento no clube, no segundo ano de sua presidência, visava suprir a saída de Ray Wilkins, vendido ao Paris Saint-Germain. Além de Gullit, foram contratados naquela temporada Carlo Ancelotti, Marco van Basten e Roberto Donadoni. Para adequar as peças que tinha à disposição, Arrigo Sacchi, inicialmente, colocou Gullit – rapidamente apelidado de Simba por sua cabeleira – à direita do ataque formado por Pietro Paolo Virdis e Marco van Basten. 
 
Na final europeia de 1990, Aldair tenta parar o avanço de Gullit à defesa benfiquista (Uefa)
Entretanto, a lesão de van Basten centralizou o posicionamento do meia, que marcou nove gols em sua primeira temporada em Milão, ajudando os rossoneri a vencerem o primeiro campeonato nacional em nove anos, justo sobre o Napoli de Maradona – uma conquista mais saborosa, segundo o holandês. Ele, em entrevista concedida em 2010, diz que se lembra perfeitamente das sessões de futevôlei que começavam 45 minutos antes de cada treinamento. O aperfeiçoamento em chutes sem-pulo e o domínio de bola no peito, suas características, foram frutos de treinos com requintes de brincadeira.

Gullit foi titular na seleção comandada por Rinus Michels na Eurocopa de 1988, conquistada pela Holanda, com grande exibição de van Basten. O capitão da Oranje, entretanto, teve parte de sua história no Milan interrompida por uma lesão nos ligamentos do joelho direito, em 1989, que lhe restringiu a duas partidas na temporada e quase lhe custou a participação na Copa de 1990. Bicampeão com a equipe milanista, quase invencível, da Copa dos Campeões, em 1988-89 e 1989-90, e da Supercopa Europeia e do Mundial Interclubes, em 1989 e 1990, jogou mais um ano sob tutela de Sacchi.

A mudança técnica para Fabio Capello não tirou o status de titular inquestionável do trequartista ao lado de Donadoni, Rijkaard e Evani. Até mesmo George Best tirou o chapéu para o rastafári: “ele tem todos os atributos. Ele é um jogador melhor que o Maradona. Você simplesmente não consegue derrubá-lo. Foi a mesma coisa com Pelé, Beckenbauer e Cruyff”. Sua grande fase, assim como a de seus companheiros holandeses do Milan, porém, não fizeram a seleção chegar ao título da Euro 1992, vencida pela Dinamarca dos irmãos Laudrup, que a eliminou nas semifinais.
 
Em Milão, foram tempos de Gullitmania (Interleaning)
Porém, nem os dois scudetti vencidos e duas Supercoppas Italianas após a chegada do treinador friulano foram capazes de fazer com que Gullit permanecesse em Milão até o fim de sua carreira. Nem mesmo a “Gullitmania”, que faziam os tifosi usarem perucas nas partidas em homenagem a Gullit, fizeram o jogador permanecer em Milanello. O holandês perdeu espaço com Capello após as chegadas de Dejan Savicevic, Zvonimir Boban, Jean-Pierre Papin e Gianluigi Lentini, apesar do ótimo futebol apresentado, e mudou-se para a Sampdoria, por empréstimo.

Era outro ambiente para Gullit, naquele outono de 1993. Sven-Göran Eriksson se tornou seu amigo, havia respeito mútuo e o time jogava um futebol “no stress”. O título da Coppa Italia carimbou a temporada impressionante do cabeludo: foi artilheiro da equipe com 15 gols, três a mais que o atacante Roberto Mancini. Ele voltou ao Milan em 1994, mas jogou apenas oito vezes antes de retornar à Gênova. Pela Laranja Mecânica, seu péssimo relacionamento com Dick Advocaat o fizeram abandonar a seleção pouco antes da Copa de 1994, já nos treinamentos preparatórios para o torneio.

O assédio na Itália voltou a fazer com que Gullit se sentisse espremido. Ele achava que todo esse amor dos torcedores o aprisionavam. “Uma vez, estava jantando em um restaurante e o dono perguntou se eu podia lhe fazer um favor. ‘Pode ir lá fora por um segundo?’. Eu respondi que gostaria de permanecer sentado, e comendo. Ele insistiu. Fui à porta do restaurante, acenei e sorri aos torcedores, e voltei para dentro. Isso não aconteceu apenas uma vez. Era repetitivo”.

Farto de todas essas exigências do futebol italiano e querendo escapar da confusão causada pelo fim de seu casamento com Cristina Pensa, não foi preciso tanta persuasão do Chelsea para tirá-lo da Sampdoria – de graça. Gullit achou seu lugar em Londres. Os fãs o louvavam, mas com respeito e sutileza. Ele podia ir ao Piccadilly Circus ou Soho sem incômodos. Dentro de campo, Glenn Hoddle recuou seu posicionamento para o centro do meio-campo. O entrosamento com seus companheiros, como Gianfranco Zola e Gianluca Vialli, foi rápido e o holandês foi nomeado, ao fim da temporada, como o 2º melhor jogador do ano. 
 
Holandês também passou pela Sampdoria, pela qual levantou um troféu (Wikipedia)
Nos Blues, Gullit acumulou as funções de jogador e treinador, na temporada seguinte, após a saída de Hoddle para a seleção inglesa, e conquistou o título da Copa da Inglaterra, sagrando-se primeiro treinador estrangeiro a vencer em solo britânico. Em 1997-98, Gullit não jogou e ficava apenas comandando a equipe, com bons resultados: o time encontrava-se na segunda colocação da Premier League e estava nas quartas de final da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa. Mesmo assim, acabou demitido por uma rixa com Ken Bates, dirigente do clube.

Cinco meses depois, acertou com o Newcastle para provar ao Chelsea que o errou em demiti-lo. Gullit adorou o time, a cidade e os torcedores. Mas ele errou em apenas uma coisa: deixou Alan Shearer no banco de reservas em um dérbi contra o Sunderland. Após a derrota, não deu outra: demissão.

Ruud Gullit ficou anos sem comandar um clube e retornou à função apenas em 2004, para treinar o Feyenoord, que concluiu o campeonato em uma decepcionante 4ª colocação. Dois anos depois, assumiu o Los Angeles Galaxy, mais uma vez sem sucesso e com relações difíceis com os jogadores, como Landon Donovan e Abel Xavier.

De cabelos cortados e barba aparada, tornou-se jornalista e era presidente do Comitê Organizador da candidatura de Holanda e Bélgica à sede da Copa do Mundo de 2018. Hoje, treina o Terek Grozny, da conturbada região chechena da Rússia.

Ruud Gullit
Nascimento: 1º de setembro de 1962, em Amsterdã (Holanda)
Posição: líbero, meia, meia-atacante
Clubes como jogador: Haarlem (1979-82), Feyenoord (1982-85), PSV (1985-87), Milan (1987-1993 e 1994), Sampdoria (1993-94 e 1994-95), Chelsea (1995-98)
Títulos como jogador: Segunda divisão holandesa (1981), 3 Eredivisie (1984, 86 e 87), Copa da Holanda (1984), 3 Serie A (1988, 92 e 93), 3 Supercoppa Italiana (1988, 92 e 94), 2 Copa dos Campeões (1989 e 90), 2 Supercopa da Uefa (1989 e 90), 2 Mundiais de Clubes (1989 e 90), Coppa Italia (1994), Eurocopa (1988)
Clubes como treinador: Chelsea (1996-98), Newcastle (1998-99), Feyenoord (2004-05), Los Angeles Galaxy (2007-08), Terek Grozny (2011-)
Títulos como treinador: Copa da Inglaterra (1997)
Seleção holandesa: 66 jogos e 17 gols

O futuro em jogo na Lega Pro

A torcida do Taranto espera, ansiosa, a chance de jogar os play-offs (Mondo Rossoblù)

Os campeonatos da Lega Pro estão em sua fase decisiva. Em menos de dois meses, conheceremos as cinco equipes promovidas (duas para a Serie B e três para a Prima Divisione) e os 20 clubes que disputarão acessos nos play-offs. Além disso, saberemos também quais os times que tentarão manter suas categorias nos play-outs e as cinco cidades que, na próxima temporada, verão seus representantes em categorias ainda mais baixas.

As certezas, por enquanto, resumem-se aos dois prováveis campeões da Prima Divisione, Gubbio e Nocerina, a algumas equipes que aparecem destacadas nas áreas de disputa do acesso - como Sorrento, Benevento, Atletico Roma e Pro Vercelli - e ao triste destino do Catanzaro, falido no começo do ano. Projetos ricos para o patamar da Lega Pro, como o de Hellas Verona, Cremonese, Spezia e Taranto, e campanhas surpreendentes, como as de Como, Bassano Virtus, Renate, Avellino e Milazzo, ainda estão longe de seus juízos definitivos, e garantem emoção até o final do torneio.

As incertezas se estendem, também, para as situações societárias dos clubes. Nas últimas semanas, a Comissão Disciplinar notificou mais de uma dezena de agremiações, por motivos diversos. Algumas delas são reincidentes, e podem ter problemas para a inscrição ou manutenção no próximo campeonato.

Prima Divisione - após 28 rodadas
Grupo A
Gubbio e Sorrento alternam bons e maus resultados, fazendo com que a diferença entre eles se mantenha na casa de oito a dez pontos, sempre a favor da equipe umbra. A Salernitana ultrapassou o Alesandria na zona de play-offs e o Hellas Verona, finalmente, alcançou o grupo dos melhores. A posição da equipe vêneta, porém, é vigiada de perto por muitos concorrentes: Lumezzane e Bassano Virtus, os mais perigosos, Reggiana e Ravenna, os mais instáveis, e o renovado Como, o mais surpreendente. Na parte de baixo, o Pavia "lidera" os play-outs e a Paganese deixou o Monza para trás.

Promoção direta: Gubbio (57 pontos)
Play-offs: Sorrento (49), Salernitana (44), Alessandria (43) e Hellas Verona (39)
Play-outs: Pavia (31), Sudtirol (29), Pergocrema (28) e Paganese (22)
Rebaixamento direto: Monza (21)
Penalizados pela CND: Gubbio (-1), Alessandria (-1), Como (-1), Lumezzane (-1), Spal (-1), Pergocrema (-1), Spezia (-2) e Salernitana (-4)

Grupo B
Após 21 rodadas, a Nocerina voltou a perder: seu algoz foi o Taranto, que, com os três pontos, garantiu-se por mais uma rodada nos play-offs. Apesar do revés, o time de Nocera Inferiore ainda conserva dez pontos de vantagem em relação ao Benevento e está a quatro vitórias da Serie B. O Foggia, de Zeman, que tem um jogo a menos, prepara o assalto à quinta posição. Na parte de baixo, o Gela entrou na área de play-outs e o Andria também voltou ao grupo dos piores. Poucas esperanças para a Cavese que, mesmo com um jogo por recuperar, não demonstra ter recursos para evitar a queda.

Promoção direta: Nocerina (62 pontos)
Play-offs: Benevento (52), Atletico Roma (46), Juve Stabia (45) e Taranto (45)
Play-outs: Gela (29), Andria (28), Foligno (27) e Viareggio (27)
Rebaixamento direto: Cavese (21)
Cavese, Barletta, Siracusa e Foggia têm um jogo a menos
Penalizados pela CND: Foggia (-2), Foligno (-2), Ternana (-2), Cosenza (-3) e Cavese (-6)

Seconda Divisione
Grupo A - após 28 rodadas
O Tritium desponta como favorito ao título após abrir quatro pontos de vantagem para a Pro Patria, e cinco em relação à Pro Vercelli. O FeralpiSalo' se mantém firme nos play-offs, onde o Renate roubou a posição do Lecco. O Savona ainda sonha com um lugar entre os melhores. Na parte de baixo, boa reação da Sanremese, que agora tem condições de lutar pela permanência nos play-outs. A lanterna está nas mãos do Mezzocorona.

Promoção direta: Tritium (49 pontos)
Play-offs: Pro Patria (45), Pro Vercelli (44), FeralpiSalo' (43) e Renate (41)
Play-out: Sacilese (21) e Sanremese (20)
Rebaixamento direto: Mezzocorona (17)
Penalizados pela CND: Virtus Entella (-1), Valenzana (-1), Tritium (-2), FeralpiSalo' (-2), Rodengo Saiano (-2), Savona (-4), Pro Patria (-4) e Canavese (-8)

Grupo B - após 24 rodadas
O Carpi mantém cinco pontos de vantagem para a Carrarese e está próximo do acesso. Nos play-offs, tudo em aberto: Chieti, Giaomense e San Marino são ameaçados pelo L'Aquila. Na parte de baixo, discreta reação da Villaidrese, que voltou a vencer após muito tempo.

Promoção direta: Carpi (54 pontos)
Play-offs: Carrarese (49), Chieti (37), Giacomense (36) e San Marino (36)
Rebaixamento direto: Villacidrese (12)
Penalizados pela CND: Giulianova (-4), Fano (-4), Sangiovannese (-10) e Villacidrese (-12)

Grupo C - após 24 rodadas
Latina e Trapani disputam a liderança ponto a ponto, com o segundo colocado em melhor momento. O Milazzo, aos poucos, se garante nos play-offs, onde Aversa Normanna e Sangiuseppese enfrentam o assédio de Avellino e Pomezia. Enquanto espera para saber o que será feito de seu título esportivo, o falido Catanzaro conquistou sua segunda (e, a essa altura, inútil) vitória.

Promoção direta: Latina (49 pontos)
Play-offs: Trapani (48), Milazzo (44), Aversa Normanna (41) e Sangiuseppese (41)
Rebaixamento direto: Catanzaro (4)
Penalizados pela CND: Trapani (-1), Vibonese (-1), Brindisi (-2), Campobasso (-2), Melfi (-3) e Catanzaro (-5)

Coppa Italia Lega Pro
Pela primeira vez em suas histórias, Juve Stabia (Prima Divisione) e Carpi (Seconda) decidirão a Coppa Italia Lega Pro. A equipe de Stabia de Castellamare eliminou o Pisa, campeão da edição 1999-00, com uma vitória interna por 2 a 0 e um empate externo por 1 a 1. Já o Carpi conseguiu a vaga diante da Nocerina, numa disputa emocionante: após a derrota em sua casa, por 1 a 0, a equipe emiliana reverteu o placar em Nocera Inferiore, vencendo por 2 a 1.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Jogo ruim, dia bom

Rossi aponta para o céu: atacante do Villarreal foi responsável pelo bom futebol visto em Kiev (Reuters)

O jogo não valia absolutamente nada, mas os italianos acabaram comemorando em dobro após a vitória da Squadra Azzurra diante da Ucrânia, em Kiev, por 2 a 0. Além de ver funcionar um time com sete jogadores que iniciaram a partida e não são considerados titulares, os azzurri ainda vibraram com os tropeços de Eslovênia e Sérvia em seus jogos pelas Eliminatórias da Euro 2012. Os resultados negativos dos países do Leste Europeu colocam a Nazionale muito mais próxima da classificação para competição.

A fase da seleção de Prandelli é muito positiva: até mesmo Montolivo tem entrado em sintonia com o restante do time, que tem assimilado o estilo de jogo do treinador. Depois das vitórias contra a Eslovênia e esta, de Kiev, a Squadra Azzurra já soma sete jogos de invencibilidade.


Voltando à partida contra a Ucrânia, o que se pode observar foi sucesso de reservas diante de um time que ainda terá que suar muito para não decepcionar sua torcida na próxima Euro, quando será sede ao lado da Polônia. Rossi e depois Matri, que entrou em seu lugar, não decepcionaram e foram os grandes responsáveis pela vitória dos visitantes.

Atuando basicamente em contra-ataques, a Itália, que teve Gilardino como capitão, viu no começo da partida praticamente uma reedição do monótono duelo entre os países na Copa de 2006. A situação só passou para um panorama melhor quando, aos 28 minutos da primeira etapa, Rossi utilizou sua arma mais letal. Após ser lançado em contra-ataque, o atacante abusou da velocidade e destroçou a defesa ucraniana, abrindo o placar para a Nazionale.

O gol do atacante do Villarreal, porém, acabou sendo um dos únicos lampejos de bom futebol no duelo. A Ucrânia, mesmo atrás no placar, não tinha forças e nem técnica suficientes para responder ao tento sofrido. Ao contrário do que se podia imaginar, os ucranianos pareciam satisfeitos com o placar e não agrediram a Itália de maneira efetiva em nenhuma oportunidade.

O jogo só esquentou novamente quando Giovinco entrou em campo e deu um bom dinamismo a Itália, que ainda que tivesse Montolivo fazendo outra vez uma boa partida. O jogo ganhou outros contornos quando, aos 30 minutos do segundo tempo, o zagueiro italiano Astori foi expulso por levar o segundo cartão amarelo. Com um a menos, a Itália se retraiu para manter o resultado e atraiu o adversário para seu campo de defesa. A tática fez com que, novamente em contra-ataque, puxado por Giovinco, os azzurri ampliassem o placar com Matri, decretando números finais à partida em Kiev.

Enquanto isso, Balotelli assiste tudo de fora da seleção, mais uma vez por indisciplina. Com Pazzini, Cassano, Rossi, Matri, Gilardino, Borriello, Giovinco e Quagliarella servindo como opções sérias para a Nazionale, quem precisa do indisciplinado Balotelli? Prandelli já jogou a responsabilidade de regeneração para o jogador e tem razão: a atual safra de atacantes italianos não permite concessões ao jogador do Manchester City.


Veja aqui as escalações e a ficha técnica do duelo.

Agora foi

Vendedora ajeita camisas: Totti é imutável, mas muita coisa deve mudar; principalmente nas vendas (AP Photo)

A Roma comprou seu direito de sonhar. Com a venda do clube para o estadunidense Thomas DiBenedetto, concretizou-se o anseio pela negociação que há anos lateja na cabeça dos torcedores. Os Sensi poderão, enfim, encerrar seu ciclo. Este, como bem narra Braitner Moreira, passou pelo ápice do scudetto até o momento soturno de dívidas estrondosas, criadas junto ao desejo afoito de se montar um grande time. Muito do que se falou sobre o futuro romanista foi descrito na coluna de Leonardo Bertozzi. Nesse espaço, portanto, valem algumas observações quanto aos pontos que devem ser visados na nova administração.

Midiaticamente falando, a Roma é um time morto. Até mês passado, o site oficial do clube era jurassicamente vergonhoso, carregando o mesmo desenho e conteúdo do início do milênio. Ainda que tenha sido reformulado, as alterações necessárias para deixá-lo a par de um mundo digital que tanto mudou - para si e para o resto da comunicação - são insuficientes. A loja oficial segue com a mesma fraqueza - algo absurdo para qualquer marca de extensão global.

O marketing não se salva: nestes anos recentes, foram raríssimas as investidas, inovações ou boas ideias que propagassem a equipe - tal qual a festa de oitenta anos da Roma, que reuniu vários ex-atletas e os juntou numa celebração que recontou a história do time e da cidade. Roma é um dos lugares mais populares do planeta, conhecida por seu charme e conteúdo histórico. O quanto disso é aproveitado em favor dos times da capital? Não que a falta de merchandising seja inoperância meramente romanista, mas fugir da responsabilidade de melhorá-lo não afasta seus problemas de visibilidade.

O tom de DiBenedetto é bem claro: o novo capo pretende reestruturar toda a parte midiática do clube, dando-lhe uma visibilidade muito maior se comparada à atual. Já se falou em novo patrocínio, novo site, pacotes turísticos e até em excursões pela América. Ele sabe que a questão de remontagem romanista vai muito além do campo - e de seu marcante estádio.

Ao falar sobre o estádio Olímpico - que ele é antiquado, muito distante do campo, afastado dos torcedores e que, por isso, não passa a vibração que a torcida produz -, DiBenedetto arranjou sua primeira polêmica. Davide Petrucci e Claudio Lotito, presidentes do Coni - Comitê Olímpico Nacional Italiano - e da Lazio, respectivamente, já retrucaram. Há muito, todavia, fala-se na construção de um novo estádio romanista, algo que converge com as críticas sofridas pelo Olímpico. De fato, a distância entre público e campo reduz o potencial impacto de uma das torcidas mais vibrantes do país.

Começando pelos aspectos extracampo, há também a parte mais importante; aquela que certamente fará os torcedores emanarem esperança. Os reforços, essenciais e inevitáveis, serão um fator crucial na reconstrução da Roma, como seriam na de qualquer equipe. Diante da dificuldade em contratar, os giallorossi, hoje, são o time mais velho da Serie A, e arrastam jogadores saturados como Doni, Perrotta, Juan e Taddei, todos longe de boa fase e acima dos trinta anos.

O fator Totti também pesa: com 34 anos, não é preciso ser presidente para saber que um título com o camisa dez valeria, para a torcida, muito mais do que vencer após sua aposentadoria. É certo que a presença do capitano apressará os movimentos de uma Roma já ansiosa. Com medidas coerentes dentro e fora das quatro linhas, essa é a oportunidade tão aguardada pelos romanistas de se abandonar o segundo escalão europeu. Agora é bola para o americano.

domingo, 27 de março de 2011

Jogadores: Francesco Toldo

No último suspiro da carreira, Toldo comemora título da Liga dos Campeões. Depois de brilhar na Fiorentina, o goleiro teve papel forte no vestiário da Inter (Getty Images)
Toldo sempre se aproveitou de seus 1,96m para executar defesas com enorme segurança. Além da boa estatura, o goleiro também mostrou ótimos reflexos e uma incrível capacidade de pegar pênaltis. Fora de campo, sempre foi um líder, que era muito querido pelos companheiros. Toldo passou por Milan, Verona, Trento, Ravenna, antes de jogar por Fiorentina e Inter, onde conquistou títulos e o respeito das torcidas.

O ex-goleiro iniciou a trajetória futebolística de uma das formas mais tradicionais possíveis: procurou as divisões inferiores de uma equipe da região que nasceu. Primeiro no USMA de Caselle e, depois, no Montebelluna, até aos 16 anos, se transferir para o Milan. Muito jovem, não foi aproveitado pelos rossoneri, que preferiram emprestá-lo. Primeiro para o Verona, onde era o terceiro goleiro. Depois, Toldo ganhou a oportunidade de ser titular no pequeno Trento, que jogava a Serie C2.

Na temporada 1991-92, os aquilotti não conseguiram o acesso à Serie C1, mas tiveram a segunda melhor defesa do campeonato, com apenas 24 gols sofridos. Toldo, que tinha apenas 20 anos, foi titular em todas as partidas e realizou um de suas melhores partidas justamente contra o Ravenna, que conseguiu o acesso e acabou o contratando. Na disputa da terceira divisão, o goleiro foi fundamental para a segunda promoção consecutiva dos giallorossi da Romanha, liderando uma das melhores defesas da competição.

As boas exibições o colocaram na Fiorentina, que havia caído para a Serie B. A equipe viola ficou apenas um ano na segunda divisão, já que teve Batistuta como artilheiro da competição e ainda contou com a melhor defesa, liderada por Toldo. Ao final da temporada 1993-94, o goleiro foi convocado para a seleção italiana sub-21, que disputou a Eurocopa da categoria, na França.

A campanha italiana, que teve Toldo como titular dos azzurrini, foi concluída com uma vitória contra Portugal, que tinha Luis Figo, João Pinto e Rui Costa. Foi defendendo a meta contra a geração de ouro portuguesa que Toldo conseguiu seu único título por alguma seleção italiana.

Toldo e Rui Costa foram destaques da Fiorentina na década de 1990 (Tumblr)
Em nível do clube, a primeira conquista do goleiro com os gigliatti foi a Coppa Italia 1995-96, com vitória na final sobre a Atalanta. A defesa comandada por Toldo novamente se destacou e sofreu apenas três gols na competição. No início da temporada seguinte, a Fiorentina ainda venceu a Supercoppa contra o Milan, graças a uma doppietta de Batistuta.

Com Trapattoni no comando, a Fiorentina alcançou a terceira posição da Serie A em 1998-98 e se classificou para a Liga dos Campeões, uma grande conquista que coroava o alto investimento do clube na década de 90. O último título do goleiro aconteceu em 2001, quando a Fiorentina venceu uma Coppa Italia, mesmo afundada em crise. Já sem o artilheiro argentino, o protagonismo ficava com Rui Costa, mas Toldo era um dos pilares do time e um dos mais queridos pela torcida florentina.

Na Nazionale, Toldo teve de se acostumar com a reserva, já que disputava posição com Buffon. Reserva imediato de Gigi, ele participou de três Eurocopas (1996, 2000 e 2004) e de duas Copas do Mundo (1998 e 2002). Convocado como terceiro goleiro para o Mundial de 1998, após a lesão de Peruzzi, Toldo viu novamente o azar agir contra um colega de posição. A lesão de Buffon pouco antes da Euro 2000 colocou Toldo como titular da equipe, treinada pelo lendário Dino Zoff.

A ausência de Buffon, no entanto, não enfraqueceu a seleção. Toldo vinha em grande fase - havia feito uma partida memorável contra o Arsenal na Liga dos Campeões 1999-2000 - e não decepcionou. Nas semifinais da Euro, contra a Holanda, Toldo teve atuação impressionante. Pegou um pênalti e teve outro cobrado em sua trave no tempo normal, concluído em 0 a 0, com a Itália com 10, após a expulsão de Zambrotta. Na disputa de penalidades, ele brilhou ao fazer duas defesas e garantir a Squadra Azzurra na final. Foi a primeira vez que a Itália se classificou nos pênaltis em toda a sua história. Contra a França, na finalíssima, não deu para a Nazionale.

Decisão de pênaltis na semi da Euro 2000 tiveram participação vital do goleiro (Coup Franc)
Toldo deixou a Fiorentina em 2001, após oito anos de clube, com a crise financeira que se abateu na sociedade e a levou a falência, tendo de recomeçar profissionalmente na Serie C2. O goleiro foi para a Inter, que vivia uma fase sem títulos e não ganhava nada desde a Copa Uefa de 1997-98. Toldo chegava com a responsabilidade de fazer a torcida esquecer de Pagliuca, que havia sido o último a marcar época sob as traves interistas.

Em 2002, o goleiro protagonizou um lance impressionante contra a Juventus, em partida válida pela Serie A. O camisa 1 interista marcou o gol de empate, no último lance da partida após confusão na área, dando justiça ao placar após pênalti mal marcado sobre Camoranesi, que Del Piero convertera. Dois anos depois, quando fez grande partida contra o Valencia, na Liga dos Campeões, a torcida da Inter rebatizou o estádio Mestalla de Praça de Toldo. A partir daí, não havia mais dúvidas que Toldo se tornaria ídolo.

A primeira taça em nerazzurro foi a Coppa Italia em 2004-05. Toldo, titular absoluto à época, só jogou as duas partidas da decisão contra a Roma, quando não sofreu gols. No início da temporada seguinte, foi campeão da Supercoppa, contra a Juventus, em sua última temporada como titular, quando já tinha 34 anos. Toldo perdeu o posto no ano do primeiro scudetto do pentacampeonato interista, vencido no tribunal, quando Júlio César assumiu a vaga.

Mesmo longe da equipe titular e recebendo algumas propostas para deixar a Inter, Toldo nunca pensou em abandonar os nerazzurri. O goleiro ainda aparecia quase sempre no onze inicial de partidas da Coppa Italia, mas nas últimas quatro temporadas, jogou por 35 vezes, apenas 12 na Serie A. Seu desempenho em campo caía, com a falta de ritmo de jogo, mas no vestiário, Toldo continuava influente.

Ao final da temporada 2009-10, que resultou na Tríplice Coroa da Beneamata, os indícios da aposentadoria do camisa um aumentaram. Finalmente, no dia 7 de julho, Toldo anunciou que penduraria as luvas em uma entrevista ao canal oficial da Inter. O ex-jogador continua vinculado à Inter, participando ativamente no projeto social do clube, o Inter Campus, e o representando em diversos eventos públicos.

Francesco Toldo
Nascimento: 2 de dezembro de 1971, em Padova, Itália
Posição: Goleiro
Clubes como jogador: Milan (1987-1993), Verona (1990-91), Trento (1991-92), Ravenna (1992-93), Fiorentina (1993-01) e Inter (2001-10)
Títulos: 5 Coppa Italia (1995-96, 2000-01, 2004-05, 2005-06 e 2009-10), 4 Supercoppa italiana (1996, 2005, 2006 e 2008), 5 Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Liga dos Campeões (2009-10) e 1 Campeonato Europeu Sub-21(1994)
Seleção italiana: 28 partidas e 15 gols sofridos

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vitória à brasileira

Thiago Motta aproveitou a chance que teve e deixou a Itália em situação confortável nas Eliminatórias para a Euro-2012 (Getty Images)

Sinal dos tempos globalizados: a Itália está em festa devido a um feito brasileiro. Pois foi com um gol do meio-campista Thiago Motta, brasileiro com dupla nacionalidade, que a Squadra Azzurra venceu a Eslovênia por 1 a 0 em jogo válido pelas eliminatórias da Euro-12. Os italianos, agora, têm uma confortável vantagem de seis pontos para os eslovenos, segundos colocados do grupo C. Essa foi a quarta vitória azzurra em cinco jogos disputados no classificatório - a partida restante terminou empatada.

A Nazionale entrou em campo com dois atacantes de ofício, cabendo a Cassano a função de se revezar entre a armação de jogadas e a chegada ao ataque para fazer o papel de segundo atacante ao lado de Pazzini. Com Motta, Aquilani e Montolivo completando o meio-campo, os italianos conseguiam boa ligação entre a defesa e o ataque e não permitiam ao adversário contra-atacar com frequência.

E mesmo realizando um primeiro tempo muito melhor do que o adversário, a Itália não conseguiu abrir o placar. O zero no marcador, porém, não fez com que o técnico Cesare Prandelli mexesse na equipe ao final da primeira etapa. Com a mesma formação e disposição, a Squadra Azzurra manteria seu domínio sobre o adversário nos primeiros minutos do segundo tempo, pecando ainda na finalização - principalmente as vindas dos pés de Pazzini, principal esperança de gols dos azzurri.

O panorama só mudaria após a saída de Mauri para a entrada de Nocerino, aos 18 minutos da etapa complementar. Mais ofensiva, a Itália abriu o placar em bela jogada entre o lateral Balzaretti e Thiago Motta. O ítalo-brasileiro e o italiano tabelaram com facilidade, formando a jogada que terminou, aos 28 minutos, com um belo chute do primeiro, que estufou as redes eslovenas e garantiu o placar final.

Após inaugurar o marcador os italianos recuaram de forma natural, dando mais espaços aos donos da casa e, deste modo, passando a atuar mais nos contra-ataques. Para melhorar esse tipo de jogada Prandelli apostou na entrada de Rossi no lugar de Cassano, dando mais velocidade na ligação entre a defesa e o ataque. Para reforçar a marcação do meio-campo, Marchisio foi colocado em substituição a Montolivo, que fez talvez sua melhor partida com a camisa da seleção. Gastando tempo e apostando nos contra-golpes, a Nazionale garantiu o placar favorável longe de seus domínios.

A situação italiana ficou bastante confortável com a vitória. Com folga na próxima rodada, a Itália volta a atuar pelas Eliminatórias apenas em 3 de junho, quando receberá a Estônia. Na outra partida do grupo realizada nesta tarde, a Irlanda do Norte foi superada pela Sérvia, que agora é terceira colocada da chave.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Jogadores: Marco van Basten

Um rei de mãos sujas: craque e lutador, van Basten dedicou sua classe ao Milan de Sacchi e Capello (Getty)
O futebol holandês foi devidamente apresentado ao mundo a partir da década de 1970, quando por duas Copas do Mundo consecutivas a Laranja Mecânica encantou os amantes do futebol. Marcada por não conquistar nenhum título, a seleção laranja viu essa sina não se cumprir apenas uma vez, depois que o esquadrão de Cruyff e Krol foi desmontado. No comando da Holanda que pela primeira e única vez levantou um trófeu, estava Marco van Basten.

Craque de técnica apurada e faro de gol poucas vezes visto na história do futebol, van Basten começou logo cedo sua carreira dentro do esporte. Mais alto do que a maioria dos meninos de sua idade, logo aos sete anos fazia parte do UVV, pequena equipe amadora de Utrecht, cidade na qual nasceu. Passou três anos por lá, sempre se destacando entre os garotos e chamando a atenção de outras equipes. O Elinkwijk, também daquela cidade, foi o responsável por notar o talento e apostar no jovem atacante.

Ainda nas ligas amadoras para jovens, van Basten passou a ser conhecido por ser um matador que conseguia construir suas jogadas a partir de dribles rápidos e desconcertantes. Não tardou para que o Ajax, um dos maiores clubes da Holanda, se interessasse por seu futebol. As categorias de base que anos antes haviam formado a espinha dorsal da Laranja Mecânica tinham em mãos, no começo da década de 1980, mais uma joia que encantaria o mundo.

A passagem entre os jovens do Ajax não durou muito e, com apenas um ano de clube, van Basten já fazia sua estreia entre os profissionais. No dia 3 de abril de 1982 o garoto entrou no decorrer de uma partida no lugar de ninguém menos do que o já veterano Cruyff, que via sua carreira dar os últimos suspiros. O peso da responsabilidade de ser o futuro do clube em nada pesou para o atacante, que logo em seu primeiro jogo anotou o seu primeiro gol. Ainda naquela temporada, figurando entre os reservas, anotaria mais nove vezes no Campeonato Holandês.

Sendo preparado para assumir a titularidade aos poucos, van Basten foi bicampeão holandês sem participar efetivamente das conquistas. As participações, mesmo que escassas, porém, deram confiança ao jovem atacante, que em seu terceiro ano como profissional alcançou a vaga de titular, conquistando também o posto de artilheiro da Eredivisie daquele ano, vencido pelo Feyenoord, com impressionantes 28 gols feitos em apenas 26 partidas disputadas. A impressionante marca rendeu a van Basten sua primeira chance na seleção principal da Holanda. A estreia, em 7 de setembro de 1983, não teria gols do atacante, que só marcaria em seu segundo jogo, no clássico local contra a Bélgica.

No auge da carreira, ninguém parava van Basten (Interleaning)
Fazer gols, então, virou um hábito mais do que comum para van Basten, que ainda foi artilheiro do campeonato local por mais três vezes consecutivas, sem no entanto conseguir se sagrar campeão em nenhuma dessas oportunidades. Pelo Ajax, o atacante ganhou ainda três Copas da Holanda e uma Recopa Europeia. A Chuteira de Ouro conquistada na temporada de 1985-86, quando anotou 37 gols em 29 jogos, o credenciou definitivamente como um dos melhores jogadores do mundo à época. A consagração, porém, ainda demoraria alguns anos para acontecer.

Encantado com o futebol do holandês, o Milan foi a equipe responsável por tirar o jogador do Ajax, em 1987. A chegada de van Basten depois de uma pagamento de 2 milhões de liras daria início a uma nova era no time de Milão, recém-comprado por Silvio Berlusconi. O histórico Milan que era comandado pelo então "novato" Arrigo Sacchi e contava com Baresi, Maldini e também com outros dois holandeses, Gullit e Rijkaard, marcaria para sempre a história do futebol como uma das equipes mais vitoriosas de todos os tempos.

A primeira temporada na Itália, porém, não foi das mais felizes para van Basten. Apesar de conquistar o scudetto com o Milan, o atacante sofreu com as lesões e participou de apenas 19 jogos, marcando escassos oito gols. A desconfiança, porém, foi deixada de lado logo ao final daquela temporada, quando o matador foi o grande craque da Eurocopa de 1988, disputada na então Alemanha Ocidental. Artilheiro com cinco gols e melhor jogador da competição, van Basten foi essencial para o título holandês, único conquistado pelos holandeses até hoje, marcando inclusive um dos gols mais bonitos da história do futebol na final diante da União Soviética.

Devidamente recuperado, van Basten voltou ao Milan para ser referência. Atuando como atacante fixo e municiado por Gullit, Donadoni e Ancelotti, o matador voltou a marcar os gols de sempre e foi essencial para a conquista do bicampeonato da Copa dos Campeões em 1988-89 e 1989-90, sobre Steaua Bucareste e Benfica. Em 1989-90, van Basten marcou 32 gols na temporada - 19 na Serie A e 9 na Copa dos Campeões, incluindo dois na final contra os romenos -; na temporada seguinte repetiu os números na Itália e atingiu a artilharia do campeonato, dando o título para o Milan frente ao Napoli de Maradona, Careca e Giordano.

Os dois troféus, que renderam ao Milan o apelido de L’Invincibile, foram responsáveis por espantar qualquer dúvida sobre o rendimento de van Basten fora da Holanda, tendo sido ele um elemento essencial para as duas conquistas. A grande participação na conquista da Eurocopa de 1988 e da Copa dos Campeões na temporada que começou logo em seguida colocaram o atacante no patamar mais alto que um jogador poderia conquistar individualmente: o de vencedor da Bola de Ouro, da revista France Football, por duas vezes consecutivas.

O rei e seus fieis escudeiros: van Basten foi o grande líder do Milan multicampeão de Sacchi, e faturou títulos coletivos e prêmios individuais, como a Bola de Ouro (Interleaning)
Com essas credenciais, o atacante ainda seria essencial para a conquista da Copa Intercontinental contra os paraguaios do Olímpia, em 1990, quando não marcou, mas participou de dois gols rossoneri. Já depois da saída de Sacchi - que, dizem os boatos, não se dava bem com o holandês - e com Fabio Capello no comando, van Basten foi importante para mais dois scudetti milanistas: em 1991-92, o atacante marcou contra a Inter e realizou três triplettas, chegando a 25 gols marcados, que lhe valeram a artilharia.

Na temporada seguinte, 1992-93, van Basten passava por fase exuberante: chegou ao ponto de fazer quatro gols contra o Napoli, em pleno San Paolo, e outros quatro contra o IFK Gotemburgo, na já renomeada Liga dos Campeões. No decorrer desta última temporada, foi eleito novamente melhor jogador do mundo em 1992 – desta vez pela Fifa e também pela France Football, fato alcançado apenas por Cruyff e Michel Platini, àquela altura. A brilhante carreira de van Basten, porém, seria interrompida de forma lenta a partir de 1993. Logo após ganhar a Bola de Ouro, o atacante fez cirurgia no tornozelo, que o afastou dos gramados por quatro meses e meio. Ainda voltou a tempo de disputar a final da Liga dos Campeões, conquistada pelo Olympique de Marseille, de Völler e Desailly.

Em junho, o jogador voltou a se operar para tentar voltar a campo. Dois anos de luta contra seu próprio corpo foram suficientes para que van Basten desistisse: não tinha mais condições de jogar futebol e, assim, abandonou a carreira de profissional com apenas 30 anos, idade que para muitos é aquela na qual o jogador atinge sua maturidade técnica. Seu jogo de despedida, em 1995, emocionou todos os espectadores na partida válida pelo Torneio Silvio Berlusconi. Sem mais condições de jogar, van Basten ficou longe de qualquer relação formal com o futebol por quase uma década.

Um dos últimos atos do mitológico atacante aconteceu diante do Marseille (Interleaning)
Após muito apelo popular, o lendário atacante retomaria seu contato com o esporte em 2004, quando após passagem como treinador das categorias de base do Ajax foi chamado para ser técnico da seleção holandesa. A queda de produção que rendeu aos holandeses a ausência na Copa de 2002 era o principal motivo para o apelo a van Basten, considerado o único que poderia devolver à Laranja o futebol ofensivo que a consagrara em décadas passadas.

O trabalho de van Basten ao longo de quatro anos rendeu à Holanda um retorno à Copa, em 2006, quando o time laranja sucumbiu diante de Portugal em uma das partidas mais violentas daquele Mundial, que terminou conhecida como Batalha de Nuremberg. A eliminação teoricamente precoce não custou o cargo ao ex-jogador, que ainda classificou o time para a Euro de 2008, disputada na Áustria e na Suíça. Após uma primeira fase avassalora, com três vitórias em três jogos em um grupo que contava com a campeã mundial Itália e a vice França, os holandeses caíram novamente na segunda fase, dessa vez diante da surpreendente Rússia.

O último ato de van Basten como treinador foi uma passagem apagada pelo Ajax entre 2008 e 2009, que terminou após o time não obter vaga na Liga dos Campeões. O prestígio do ex-jogador, entretanto, segue alto, e caso Bruno de Carvalho vença as eleições para a presidência do Sporting, depois de amanhã, o holandês será anunciado como novo comandande da equipe lisboeta.

Marco van Basten
Nascimento: 31 de outubro de 1964, em Utrecht, Holanda
Posição: atacante
Clubes: Ajax (1982-1987) e Milan (1987-1993)
Títulos: 4 Serie A (1987-88, 1991-92 e 1993), 4 Supercopas Italianas (1988, 1992, 1993 e 1994), 3 Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90, 1993-94), 2 Mundiais Interclubes (1989, 1990), 2 Supercopa Europeia (1989, 1990 e 1994), 3 Campeonatos Holandeses (1982, 1983 e 1985), 3 Copas da Holanda (1982-1983, 1985-1986, 1986-1987), 1 Eurocopa (1988) e 1 Recopa Europeia (1986-87)
Seleção holandesa: 58 jogos e 24 gols

terça-feira, 22 de março de 2011

Jogadores: Alessandro Costacurta

Costacurta ganhou tudo - ou quase tudo - em sua carreira do lado vermelho e preto de Milão (Getty Images)

São 458 jogos pela Serie A, totalizando 661 partidas com a camisa do Milan. Alessandro Costacurta é o terceiro jogador com maior número de jogos oficiais disputados com a camisa rossonera, atrás apenas de Paolo Maldini (832) e Franco Baresi (719). O zagueiro, que se aposentou aos 41 anos, foi mais um produto da base milanista que venceu tudo em quase três décadas de carreira.

Costacurta ingressou no vivaio rossonero no ano de 1979, aos 13. Com certo sucesso nas divisões inferiores do Milan – ainda mais após a conquista da Copa Primavera -, subiu à equipe principal na temporada 1985-86. Entretanto, Billy, como é conhecido em razão de sua paixão pelo basquete norte-americano, não atuou e foi emprestado para ganhar experiência no Monza. Após 30 partidas na antiga Serie C1, voltou ao Milan na primeira temporada de Arrigo Sacchi no comando técnico do time.

O zagueiro fez sua estreia na Serie A contra o Verona, em outubro de 1987, em partida vencida com gol solitário de Pietro Paolo Virdis. O titular Filippo Galli, porém, relegou Costacurta ao banco de reservas, proporcionando ao então zagueiro da seleção sub-21 apenas sete presenças na campanha do título nacional rossonero, primeiro da Era Silvio Berlusconi.

A época 1988-89 foi iniciada com a conquista da Supercopa Italiana. Billy, por sua vez, começava a cavar sua vaga como titular do Milan, tomando a posição de Galli. Aos 23 anos, Costacurta já era campeão italiano, da Supercopa e, ao final da temporada, após vencer o Steaua Bucareste, da Romênia, venceu a Copa dos Campeões.

Os triunfos do Milan de Arrigo Sacchi e dos holandeses não pararam. Desta forma, Costacurta continuou sendo um jogador campeão. Com um posicionamento impecável, o zagueiro, agora sim, era titular indispensável do clube. A inteligência tática e a ótima técnica foram dois dos fatores que levaram Azeglio Vicini a buscar Costacurta para compor o elenco da Nazionale.

Em 1989-90, se o scudetto não veio, Baresi levantou novamente a “Orelhuda”: os milanistas conquistaram o bicampeonato da Copa dos Campeões ao vencer o Benfica, em Viena. Além disso, o colombiano Atlético de Medellín não foi páreo na decisão da Copa Intercontinental. O Barcelona treinado por Johan Cruyff? Perdeu o título da Supercopa Européia para o Milan.

Billy marcou apenas cinco gols - três na Serie A - em toda sua carreira vitoriosa. O primeiro deles veio exatamente naquela temporada de 1989-90, exatamente no Derby della Madonnina, no qual o Milan venceu a Inter por 3 a 1. Quando Sacchi trocou os rossoneri pela seleção, Fabio Capello chegou para continuar o trabalho antigo e Costacurta continuou como peça importante na Squadra Azzurra e no Milan.

A defesa formada juntamente com Mauro Tassotti, Franco Baresi e Paolo Maldini fez com que o zagueiro conquistasse quatro títulos nacionais (três consecutivos a partir de 1991-92 e outro em 1995-96), uma Liga dos Campeões (1993-94), uma Supercopa da Europa (1994) e 3 Supercoppas Italianas (1992 a 1994). Pela seleção italiana, Costacurta foi convocado para a Copa de 1994 e disputou seis partidas, ficando de fora da final perdida nos pênaltis contra o Brasil.

Costacurta, agora vice-capitão do time, conquistou ainda mais um título nacional, ao lado de Paolo Maldini e Luigi Sala, na equipe treinada por Alberto Zaccheroni em 1998-99, depois de duas temporadas de entressafra. Uma nova entressafra atingiu a equipe, que passou três anos trocando de técnico: primeiro, Fatih Terim, depois Cesare Maldini e, por último, Carlo Ancelotti. Anos antes, Costacurta tinha sido titular na Eurocopa de 1996 e na Copa de 1998, quando deixou a seleção definitivamente, com 59 partidas disputadas.

Já aos 33 anos, começam as críticas para com a velha guarda. Alguns davam como certa a aposentadoria iminente de Billy, Maldini, Sebastiano Rossi e Demetrio Albertini, que jogavam cada vez menos – à exceção do capitão. Os rumores em relação à Costacurta aumentaram na época 2001-02, quando o Milan não procurou o jogador para renovar o contrato.

Descontente com a atitude rossonera, Costacurta decidiu ir para os Estados Unidos para fazer mestrado em Economia, jogar, talvez, mais um ano na Major League Soccer e ganhar milhões de dólares. Porém, o Milan estava com escassez de zagueiros por conta de lesões antes da estreia na Liga dos Campeões, o que levou Adriano Galliani a chamar Billy para viajar à Itália e renovar contrato. O fim da história? Outro título europeu conquistado pelo Milan em 2003, sobre a Juventus.

Costacurta jogou até os 41 anos, se tornando o jogador de linha mais velho a atuar pela primeira divisão italiana. Ademais, também foi o mais velho a marcar na Serie A, contra a Udinese, de pênalti, superando a marca de Silvio Piola – que persistia desde 1954. O zagueiro conquistou, no total, sete campeonatos nacionais, ficando atrás apenas de Giuseppe Furino e Giovanni Ferrari, vencedores de oito scudetti.

Billy não ficou longe de Milão depois que encerrou a carreira em 2006-07. Ele colaborou com Carlo Ancelotti e Mauro Tassotti no comando técnico do Diavolo. Em 2008, com a licença profissional da Uefa em mãos, iniciou sua carreira como treinador, que, até hoje, durou apenas 14 partidas com o Mantova.

Alessandro Costacurta
Nascimento: 24 de abril de 1966, em Jerago con Orago
Posição: zagueiro
Seleção italiana: 59 partidas e 2 gols
Clubes: Milan (1986 e 1987-2007) e Monza (1986-87)
Títulos: 7 Serie A (1987-88, 1991-92, 1992-93, 1993-94, 1995-96, 1998-99, 2003-04), 5 Supercoppa Italiana (1988, 1992, 1993, 1994, 2004), 1 Coppa Italia (2002-03), 5 Liga dos Campeões (1988-89, 1989-90, 1993-94, 2002-03, 2006-07), 4 Supercopa da Uefa (1989, 1990, 1994, 2003), 2 Copas Intercontinentais (1989, 1990)

segunda-feira, 21 de março de 2011

30ª rodada: Temos um campeonato

Pazzini avisa: só dois pontos, Milan. Confronto direto da próxima rodada será o dérbi de Milão mais importante dos últimos anos (Getty Images)

Os mais confiantes torcedores da Inter já imaginavam chegar ao dérbi com a possibilidade de ultrapassar o Milan. Agora, o sonho virou realidade: o tropeço rossonero na tarde do sábado deixou a Inter com a faca e o queijo na mão para se aproximar da liderança e apimentar ainda mais o dérbi de Milão, que acontece na próxima rodada, mas em duas semanas - o campeonato para por uma semana, devido à data Fifa. Ao contrário do que prevíamos rodadas atrás, não é só a dupla de Milão que briga pelo título: o Napoli reagiu e está três pontos atrás do Milan. Um pouco mais atrás, a Udinese tem seis pontos a menos, mas com um futebol vistoso e objetivo, pode tirar a diferença.

A 30ª rodada teve ainda mais um capítulo da lenta agonia da Sampdoria e o reencontro da Juventus com a vitória sob a batuta do maestro Del Piero. Em Florença, outro craque teve destaque: Francesco Totti ultrapassou a marca dos 200 gols pela Serie A - todos, obviamente, pela Roma. A meta do Pupone é ultrapassar Roberto Baggio, quinto maior marcador da história da Serie A, que tem 205 - quatro a mais que ele. Abaixo, acompanhe conosco tudo o que aconteceu na rodada.

Inter 1-0 Lecce
Depois de uma partida tão desgastante contra o Bayern Munique, no meio da semana, para que se cansar novamente? Claramente cansada e, porque não, preguiçosa, a Inter jogou em ritmo lento contra o Lecce, mantendo a bola sempre no ataque, mas sem conseguir furar o bom bloqueio salentino, que colocou em evidência o jovem Bertolacci, pérola de 20 anos, emprestada pela Roma. No segundo tempo, o sexto gol de Pazzini com a camisa nerazzurra garantiu mais tranquilidade à equipe, que cozinhou a partida e garantiu os três pontos. A vitória deixa a Inter a apenas dois pontos do Milan e dá, pela primeira vez no campeonato, a oportunidade para que a equipe tome a liderança.

Para o dérbi, na próxima rodada, Leonardo não contará com Lucio, que cumprirá suspensão por ter colocado a mão na bola de maneira infantil. Em virtude da má fase de Córdoba e da falta de ritmo de Materazzi, o técnico pode apostar em uma dupla de zaga formada por Ranocchia e Chivu. O romeno fez uma boa partida neste domingo e viveu seus melhores momentos em Milão jogando no centro da defesa, ao lado de Samuel.

Fiorentina 2-2 Roma
O dia de Totti em Florença quase foi ofuscado por um nome muito improvável, se pensarmos no cenário que sacudia os bastidores da equipe viola dois meses atrás. Mutu, aos 20 minutos, recebeu passe de Vargas e, com uma bela jogada individual, abriu o placar. Pouco depois, Comotto fez pênalti em Riise e deu a chance para que Totti marcasse seu 200º gol no Artemio Franchi, o primeiro realizado no estádio em toda sua carreira. Mesmo assim, a Fiorentina continuava melhor: a volta de Vargas deu uma nova dinâmica ao time, que atacava bem e tinha vantagem territorial sobre a Roma. Mutu voltou a aparecer no fim da primeira etapa, quando ajeitou de cabeça para Gamberini colocar o time da casa na frente.

Totti, porém, vive sua melhor fase em anos. Logo após a volta dos times para o segundo tempo, o capitão aproveitou cruzamento de Riise e chutou forte, cruzado, sem chance para o goleiro Boruc. A Fiorentina continuava melhor, mas também levava azar: Mutu e Vargas acertaram o travessão uma vez cada. No banco, Mihajlovic, que desenvolveu forte ligação com a Lazio nos anos em que jogou lá, vivia o jogo como um dérbi e sofria com o azar. Para piorar, a rival Juventus vencia e se distanciava um pouco mais. No fim das contas, no "dérbi" do Franchi, Totti levou a melhor - assim como no dérbi real, da semana passada.

Napoli 2-1 Cagliari
Quem diria que o Napoli voltaria à briga pelo scudetto depois de ser goleado pelo Milan e ver o artilheiro Cavani atravessar um jejum de gols? Com a vitória na partida que fechou a 30ª rodada, a equipe partenopea está com 59 pontos, três a menos que os rossoneri, e volta a sonhar com o título. Na próxima rodada, os napolitanos enfrentam a Lazio, em casa, com o objetivo de manter a primazia na disputa pela terceira colocação, que dá vaga direta para a Liga dos Campeões, mas de olho também no duelo de Milão, que acontece um dia antes.

De qualquer forma, o time vai precisar jogar um pouco mais. Se, por um lado, Cavani marcou duas vezes - uma de pênalti e outra com um belo pallonetto, após passe de Hamsík - e deixou para trás um jejum de seis semanas, o primeiro tempo foi muito estudado e não teve chutes a gol de ambas as partes. O capitão Cannavaro também deu bobeira no gol de Acquafresca, que acabou com quase 800 gols de invulnerabilidade napolitana em casa e lembrou que a defesa azzurra costuma ter alguns apagões.

Udinese 2-0 Catania
O melhor futebol da Serie A também pode brigar pelo título. O tropeço do Milan e a vitória bianconera - menos brilhante do que o habitual, mas que vale três pontos da mesma maneira - diminuiu a distância entre as duas equipes para seis pontos. Seis pontos nunca são simples de serem recuperados, mas alguém duvidaria que este time é capaz disso? Seria o primeiro título de uma equipe de província desde 1985, quando o Verona surpreendeu e ficou com o scudetto. Para tal, a Udinese, que segue invicta em 2011, terá pela frente uma série de provas de fogo: joga, em casa, contra Roma, Lazio e Milan, além de visitar Napoli e Fiorentina.

Ontem, a Udinese não contou com um desempenho brilhante de Sánchez e de Di Natale, mas contou com os dois para fecharem a partida - Inler havia feito o primeiro, com um belo chute: o chileno sofreu pênalti e Totò converteu, alcançando os 25 gols no campeonato. No Catania, a ordem era apenas aproveitar caso os friulanos permitissem. O time tem se saído mal fora da Sicília e terá, na próxima rodada, o dérbi contra o Palermo, a ser disputado no Massimino. Por isso, Simeone preferiu poupar Maxi López, pendurado, por 45 minutos. Uma vitória no dérbi é fundamental para os objetivos dos rossazzurri: o time chegaria a 35 pontos e ganharia moral para os últimos jogos da Serie A.

Juventus 2-1 Brescia
O que fazer quando seu time joga a melhor partida em meses e mesmo assim é vaiado o tempo inteiro pela torcida? A Juventus não fez uma grande partida, mas teve uma performance positiva, ao menos em relação ao que vinha produzindo. Del Neri, alvo das maior parte das vaias, desta vez deixou Toni no banco e escalou Del Piero como titular. O capitão, que sempre que joga dá outra cara ao time, correspondeu. Orientações aos companheiros, raça e pura técnica foram o mote da prestação de Ale, que apareceu no momento mais difícil do jogo, quando seu time precisava.

Antes disso, a Juventus havia aberto o placar com Krasic, ressurgido depois de ter feito sua última boa partida em dezembro de 2010, contra a Lazio. Um erro coletivo da defesa juventina fez com que o baixinho Éder empatasse logo depois, subindo entre Chiellini, Bonucci e aproveitando saída desajeitada de Buffon. A partir daí, Pepe e Marchisio eram os melhores bianconeri em campo, mas a Juventus tinha dificuldades de sair para o jogo e ainda encontrava um Éder atormentador. Foi necessário que Del Piero marcasse um golaço para que os ânimos se acalmassem e, com a expulsão de Mareco, para que cessassem de vez. Resta saber se Del Neri aprendeu, de uma vez por todas, a lição que Delpi tem lhe tentado ensinar desde o início da Serie A: a Juve só melhora quando ele for titular.

Sampdoria 0-1 Parma
No Marassi, Samp e Parma realizaram uma partida que fez jus à fase recente dos dois times. Os blucerchiati vivem a pior fase entre os times da Serie A, ao lado do Bari, e conquistaram apenas um ponto nos últimos seis jogos, com quatro derrotas consecutivas em casa. A fase é tão ruim que os dorianos conseguiram ser derrotados em casa por um Parma que somou apenas quatro pontos em oito jogos, em uma partida com muito poucas emoções. O gol de Zaccardo, no segundo tempo, foi suficiente para dar uma mexida nos brios da Samp, que chegou a perder pênalti: Maccarone isolou.

Os acontecimentos desta tarde em Gênova só refletem como a equipe parece sem confiança. Alberto Cavasin se esgoelou no banco de reservas e não conseguiu mudar a postura de um time cheio de bons valores, mas que não forma um conjunto digno de permanecer na elite. No Parma, que atingiu os 32 pontos e ultrapassou a adversária deste domingo, Marino precisa corrigir certo nervosismo e indisciplina do time, que é um dos três mais indisciplinados do campeonato e , com sete expulsões, lidera no quesito.

Bologna 1-1 Genoa
O duelo rossoblù da rodada foi, de fato, uma partida na qual nenhuma das equipes mereceu vencer. Ambos os times estão no meio da tabela e já não tem mais grandes ambições na temporada - o Bologna até poderia pensar em Liga Europa, mas o tropeço, aliado às vitórias de Palermo e Juventus, deve ter desfeito os planos. A partida valeu pelo gol de número 131 de Di Vaio, na Serie A, um dos tentos mais irregulares do campeonato - o atacante claramente ajeitou a bola com o braço antes de concluir para o gol. A se destacar também a participação de Della Rocca, uma das revelações tardias do futebol italiano - o meia tem 23 anos, mas rodou sem sucesso por quatro clubes e nem iria ser utilizado, não fosse Malesani.

Menos mal, para a partida, que o Genoa igualou com Dainelli, que fez seu primeiro gol com a camisa dos grifoni. Os visitantes foram melhores no primeiro tempo, mas Floro Flores não conseguiu nenhuma oportunidade muito clara para testar Viviano. No segundo tempo, Malesani até colocou o time para frente, numa espécie de 3-4-1-2, e o Bologna melhorou, mas não o suficiente para tomar a vantagem. De qualquer forma, os dois times - com 40 e 39 pontos, respectivamente - já podem se considerar virtualmente como participantes da próxima edição da Serie A.

Bari 1-2 Chievo
Após o ótimo resultado obtido contra o Milan, o Bari regrediu no confronto direto contra o Chievo. Jogando em casa, os galletti foram melhores que os clivensi, mas falhas individuais de alguns jogadores e do árbitro Gervasoni derrubaram a equipe. A história poderia ser diferente, caso Huseklepp houvesse feito 1 a 0, cara a cara com Sorrentino. Também seria, se Codrea não se envolvesse em trapalhadas com Rossi e Almirón e o Chievo conseguisse marcar dois gols, com os bombers Pellissier e Moscardelli, sem ao menos ter sido perigoso durante os noventa minutos.

O erro de Gervasoni ocorreu ainda no primeiro tempo, quando Gélson Fernandes poderia ter sido expulso depois de cometer pênalti em Bentivoglio, convertido por Ghezzal. Se o Chievo de Pioli - expulso por reclamação no fim da partida - respira um pouco, o Bari está cada vez mais condenado à Serie B - e já articula contrato com Pierpaolo Bisoli, ex-Cesena e Cagliari. Os biancorossi ainda tem cinco confrontos diretos (três em casa) para tirar desvantagem de 12 pontos em nove partidas. Vencer estes jogos é a única escapatória.

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Seleção da 30ª rodada
Sirigu (Palermo); Isla (Udinese), Benatia (Udinese), Chivu (Inter), Vargas (Fiorentina); Migliaccio (Palermo), Hamsík (Napoli); Del Piero (Juventus), Totti (Roma), Mutu (Fiorentina); Cavani (Napoli). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).

30ª rodada: Tropeço decisivo

Apático, Milan perde para o Palermo e vê Inter, Napoli e Udinese encostarem na briga pelo título (La Presse)


A um final de semana do dérbi de Milão, o time de Allegri perdeu para o Palermo e reabriu totalmente o campeonato. Agora, a principal rival na corrida pelo scudetto, a Inter, está apenas dois pontos atrás e com o clássico ainda a jogar. Logo atrás vem o Napoli, que torce por um empate entre os dois para (re)entrar de vez na briga e tentar tirar o título de Milão. No outro jogo de sábado, a Lazio venceu o Cesena e conquistou pontos importantes na disputa por vaga em competições europeias. Veja análises dos jogos abaixo.

Palermo 1x0 Milan
Sem Ibrahimovic, suspenso, Allegri apostou na inédita dupla de ataque Cassano-Pato, com Seedorf fazendo as vezes de trequartista, e se deu mal. Fantantonio parece nunca ter entrado em campo e Pato, apesar de ter tentado um pouco mais, não foi bem e ainda saiu lesionado, tornando-se dúvida para o dérbi da semana que vem. Do lado do Palermo, o esquema de Cosmi, priorizando a defesa e com apenas um atacante, deu certo e o gol de Goian logo no início deixou o time mais tranquilo para o resto da partida. Os três pontos em casa salvam a pele do técnico Cosmi por mais algum tempo.
O único gol do jogo saiu em apagão defensivo do Milan. Após cobrança de escanteio, os defensores rossoneri apenas observaram a bola passar por três palermitanos diferentes antes de encontrar o fundo das redes. E, como se nada tivesse acontecido, o Milan continuou apático no jogo e poucas vezes levou perigo ao gol de Sirigu na primeira etapa. Muito disso por conta da má partida do trio mais avançado: Seedorf até demonstrava disposição, mas não acertava os passes necessários e não contava com a colaboração de Cassano e Pato, que pouco se movimentaval. Enquanto isso, os rosanero aproveitavam para acionar o contra-ataque veloz, com Pinilla, Pastore e Ilicic. Van Bommel esteve mal na partida e proporcinou algumas boas penetrações do time da casa.

Os líderes do campeonato só esboçaram uma reação depois que Pato saiu machucado e deu lugar a Robinho, que em sua primeira jogada colocou Flamini em condições de marcar. A partir daí, Sirigu passou a ser mais importante, mas ainda assim foi o Palermo que teve as melhores chances de marcar. Ilicic, Pinilla e até Hernandéz, que entrou a apenas dois minutos do fim, não ampliaram o placar por pouco. A vitória tranquiliza um pouco o ambiente siciliano, que vinha de mal a pior, depois de cinco derrotas seguidas do Palermo. Do lado rossonero, o segundo tropeço seguido não teve perdão e os concorrentes já encostaram perguntando "E aí, Milan, o fôlego acabou?". Parece que sim...

Lazio 1x0 Cesena
No Olímpico, a Lazio jogou para se recuperar da derrota no dérbi da última semana e não teve grandes problemas frente ao Cesena. O argentino Zárate, em ascensão, abriu o placar logo aos dois minutos, com belo chute de canhota no ângulo do goleito Antonioli. A partir daí, a equipe de Reja se posicionou um pouco mais atrás, chamando o Cesena para o jogo e partindo para o contra-golpe. Os visitantes sentiram muita falta do lesionado Rosina, responsável pela ligação entre meio de campo e ataque. Jimenez e Malonga não se aproximavam e Bogdani ficava muito isolado na frente.

A situação só melhorou para os bianconeri na segunda etapa, quando Ficcadenti trocou Bogdani pelo ala Ceccarelli e Malonga passou a fazer as vezes de centroavante. Chegando pelas pontas, com Ceccarelli e Santon, que fez boa partida, o Cesena passou a chegar mais ao ataque e reabriu o jogo. A falta de qualidade lá na frente, porém, não deixou que passasse disso. Muslera não teve que fazer grandes intervenções. Se quiser escapar do rebaixamento, esse é o principal obstáculo a ser superado pelos romagnoli. A Lazio, por sua vez, abre quatro pontos de vantagem para a rival Roma e ganha um pouco de folga na disputa por vaga europeia.

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sábado, 19 de março de 2011

Jogadores: Luís Oliveira

Muitos gols, clubes e pouco reconhecimento: esse pode ser um resumo da carreira de Luís Oliveira, que ainda hoje joga nas ligas inferiores da Sardenha (visitmuravera.it)
Ele jogou ao lado de Edmundo e Gabriel Batistuta em um dos melhores times que a Fiorentina montou em seu passado recente. Foi também um dos jogadores que desembarcou na França em 1998 para disputar a Copa do Mundo. Já anotou mais de 100 gols desde que desembarcou na Itália para atuar no futebol local. E mesmo todas essas conquistas ao longo de sua carreira não fazem de Luís Airton Barroso de Oliveira, ou apenas Oliveira, um jogador conhecido pela mídia ou pela torcida do Brasil - mesmo sendo ele natural de São Luís, capital do Maranhão.


Personagem de uma história que se repete com certa frequência no futebol brasileiro, Oliveira deixou o Brasil muito cedo atraído por propostas do exterior. Filho do ex-jogador Zezico, que fez fama atuando pelo Moto Clube, do Maranhão, o atacante conseguiu sua primeira chance no futebol aos 15 anos, quando ingressou nas categorias de base do Tupan, pequeno clube de seu estado natal. A habilidade do garoto impressionou olheiros do belga Anderlecht, que não hesitou em levá-lo para se desenvolver em suas categorias de base.

Após três anos trabalhando com toda a estrutura oferecida pelo clube belga, Oliveira finalmente ganhou uma chance entre os profissionais de seu time. Tido como uma das grandes joias entre os jovens jogadores, o atacante não decepcionou e logo conseguiu um lugar no time titular. Com sua posição conquistada, passou a se tornar um dos ídolos dos Mauves devido aos gols feitos, mostrando sempre o faro de artilheiro que o marcaria durante toda sua carreira. Seu auge no Anderlecht aconteceria em 1991, quando foi uma das peças-chave da conquista do campeonato belga.

A idolatria da torcida do Anderlecht por Oliveira e seus gols decisivos renderam duas conquistas pessoais para o jogador: o convite para se naturalizar belga e defender a seleção local e a chance de embarcar para a Itália, de onde recebera proposta para atuar no Cagliari. Com cidadania belga e jogando em um grande centro, o atacante estreou na seleção, continuou com a fama de artilheiro e logo conquistou a torcida rossoblù.

Estreia de Oliveira na Serie A foi pelo Cagliari (Interruzioni)
Em quatro anos na Sardenha, Oliveira ajudou o time a fazer boas campanhas na Serie A. O auge aconteceu na primeira, mesmo com alguns litígios com Carlo Mazzone por causa de seu corte de cabelo. Em 1992-93, a equipe, que também tinha Enzo Francescoli, Gianluca Festa, Gianfranco Matteoli, José Herrera e Francesco Moriero, ficou na 6ª posição, garantindo uma vaga na Copa Uefa. No ano seguinte, fazendo dupla de ataque com o panamenho Dely Valdés, ajudou o time a chegar às semifinais do torneio, quando o time caiu para a futura campeã Inter.

Os 42 gols anotados pelo atleta nos quatro anos que passou na Sardenha foram suficientes para render uma transferência para um clube maior. Após realizar ótima campanha na Serie A, garantindo lugar na edição seguinte da Liga dos Campeões, além de se sagrar campeã da Coppa Italia, a Fiorentina foi a responsável por adquirir os direitos do jogador, em 1996.

A passagem de Lulù pela viola foi marcada por duas temporadas muito boas, com um bom futebol apresentado e gols importantes anotados. Assim que chegou, conquistou a Supercoppa, seu primeiro título em solo italiano. Depois, ficou no quase na Recopa 1996-97 e na Coppa Italia 1998-99. Passando por uma das melhores fases da carreira, Oliveira era presença constante na seleção belga e chegou a ser convocado para a Copa de 1998, realizada na França.

Quem lembra de Oliveira na Itália costuma associá-lo à Fiorentina, onde viveu boa fase (Goal)
Com a crise financeira que ia se aproximando de seu auge, os dirigentes da equipe florentina começaram a desmontar o plantel montado em torno dos craques Batistuta e Rui Costa. Oliveira, após três anos e 26 gols marcados em 94 jogos foi negociado novamente, voltando para o Cagliari em busca de repetir o sucesso de outrora.

A boa passagem registrada na Sardenha no começo dos anos 90, porém, não se repetiu pela segunda vez e Oliveira, então, passou a ser um cigano do futebol italiano. Depois de fracassar em sua segunda passagem pelo Cagliari, o brasileiro foi negociado com o Bologna, que à época disputava a permanência na Serie A. Com apenas um gol feito com a camisa rossoblù, o atacante nunca mais voltaria a ter uma chance na primeira divisão italiana. Sua queda, porém, não foi tão acentuada como pode parecer. A chegada ao Como, então na Serie B, trouxe de volta os gols, mas não o interesse de times maiores.


Apesar de não poder retornar à primeira divisão, Oliveira passou a ser visto como uma esperança para clubes das divisões inferiores. A boa passagem pelo Como culminou no título da Serie B e na artilharia de Lulù, que marcou 23 gols, mas o atacante se desentendeu com a diretoria e acertou transferência para o Catania, último clube no qual passou mais de um ano. Apesar de não conseguir levar os etnei à elite, o belga marcou mais de 30 gols, mantendo o faro de artilheiro apurado, e passou a ser apelidado de Il Falco, pela forma como comemorava os gols.

Algumas partidas abaixo da média, porém, levaram o atacante a ser barrado. Depois, brigou com a torcida que antes o apoiara e o tratava como xodó. O desentendimento com o presidente Luciano Gaucci marcou o fim da linha para Oliveira, que acabou negociado com o Foggia, então na Serie C1.

A partir daí a vida de Oliveira não teve mais dias tranquilos. As mudanças constantes fizeram com que o jogador passasse ainda por Venezia e Lucchese, antes de retornar para a Sardenha, terra de sua esposa e de seus filhos. Na ilha, o jogador defendeu Nuorese e Derthona, pequenos clubes de divisões inferiores da Itália. Em 2009, chegou ao Muravera, para disputar a Eccellenza Sarda, liga semi-profissional da Sardenha, exercendo o duplo papel de treinador e jogador do time. Hoje, ainda faz parte do elenco da equipe, mas também se dedica a seu centro esportivo, inaugurado com seu nome.

Luís Oliveira

Nascimento: 24 de março de 1969, em São Luís, Brasil
Posição: atacante
Clubes: Anderlecht (1988-1992), Cagliari (1992-1996 e 1999-2000), Fiorentina (1996-1999), Bologna (2000-2001), Como (2001-2002), Catania (2003-2004), Foggia (2004-2005), Venezia (2005), Lucchese (2005-2006), Nuorese (2006-2008), Derthona (2008-2009) e Muravera (2009-hoje)
Títulos: 2 Copas da Bélgica (1987-88, 1988-89), Supercopa da Bélgica (1987), Campeonato Belga (1991), Supercoppa Italiana (1996) e Serie B (2001-02)
Seleção belga: 31 jogos e sete gols