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sábado, 30 de abril de 2011

Técnicos: Tommaso Maestrelli

Maestrelli comemorando mais uma vitória da Lazio, clube que conheceu o gosto de ser campeão italiano pela primeira vez sob o seu comando (lazialita)

Setenta e três anos. Esse foi o tempo que o torcedor da Lazio esperou para, a plenos pulmões, poder soltar o grito de campeão entalado na garganta. A equipe contava com uma dupla de atacantes que se dava muito bem, Garlaschelli e Chinaglia, mas o principal responsável pela conquista não entrava em campo. Seu nome era Tommaso Maestrelli.

Nascido em Pisa, o então menino Tommaso, filho de um operário da companhia ferroviária, deixou a cidade e, já em sua adolescência, ingressou no mundo do futebol nas divisões inferiores do Bari. Suas qualidades despertaram o interesse do técnico József Ging, que o promoveu a equipe principal com apenas 16 anos. Em 1939, fez sua estréia na Serie A com 16 anos e quatro meses, em uma derrota para o Milan por 3 a 1. Pouco depois conheceu Lina, com quem noivou.

A Itália havia entrado na Segunda Guerra Mundial e Tommaso foi chamado pelo exército para defender o país. Entretanto, o status de jogador lhe valia liberações temporárias, embora nem tudo tenha sido motivo de alegria já que o atacante não foi capaz de impedir a queda do time para a Serie B. Terminado o campeonato, foi enviado para lutar na Iugoslávia, onde sofreu um leve ferimento na perna e foi prisioneiro de guerra.

A guerra chegou ao fim e Maestrelli, já de volta a Bari são e salvo, realizou um de seus sonhos ao se casar com Lina em 1947. Titular absoluto e atravessando grande fase, foi convocado para a Olimpíada de Londres, em 1948. Ao chegar na Bota, transferiu-se para a Roma. O jogador também tinha proposta do Torino, mas o destino se encarregou de que ele não fizesse parte da equipe que sofreu um trágico acidente aéreo no ano seguinte.

Apesar de não ser titular no início, Maestrelli conseguiu aos poucos conquistar sua importância na equipe e chegou ao cargo de capitão dos giallorossi, em um dos períodos mais pobres de sua história. Após um período de seca de gols, foi defender a Lucchese em 1951, logo após a única queda da Roma para a Serie B. No clube rubronegro, o atacante foi alvo de investigação por suposto envolvimento em caso de combinação de resultados na partida entre Lucchese e Como. Deixou o time tendo marcado apenas um tento e voltou ao Bari, onde encerrou sua carreira em 1957, após ter jogado em divisões inferiores.

No mesmo ano, iniciou sua carreira fora dos gramados no cargo de auxiliar técnico no próprio Bari. Na temporada seguinte foi promovido a treinador principal, mas não teve sucesso e ficou à frente da equipe por apenas dez partidas. Saindo da Apúlia, o treinador foi para a Calábria, onde assumiu o Reggina, então na Serie C. Sob o seu comando o time conquistou a competição nacional e foi promovido para a Serie B em 1965-66. Em sua primeira participação no campeonato, a equipe ficou na 4ª colocação e bateu na trave do acesso a Serie A - apenas os três primeiros colocados, Venezia, Lecco e Mantova, subiram.

A partir de então o treinador não conseguiu obter resultados tão satisfatórios e participou de campanhas intermediárias até 1968, quando deixou o clube rumo ao Foggia. No primeiro ano com os pugliesi, viveu altos e baixos. Na Serie B, uma campanha que, exceto pela goleada por 4 a 0 aplicada sobre o Bari no dérbi regional, não empolgou. Na Coppa Italia chegou até a final, onde foi batido pela Roma. No ano seguinte, a equipe ficou na 2ª colocação, teve o melhor ataque da competição e alcançou o acesso a Serie A, embalada pelo jovem Luciano Re Cecconi. Entretanto, o clube nem esquentou seu lugar na elite e foi rebaixado. Em 7 de junho de 1971, Tommaso Maestrelli assinou contrato com a Lazio, que havia sido rebaixada à segunda divisão.

No início, não foi muito bem recebido pelo elenco, principalmente pelo atacante Chinaglia, mas, curiosamente, bancou a permanência do atleta quando começaram a circular rumores de sua saída. A equipe não tinha um plantel estrelado, tendo recebido apenas o reforço do meia Luigi Martini, mas foi o suficiente para terminar a Serie B na 2ª colocação e voltar à elite do futebol italiano.

Durante a temporada, o treinador achou uma forma de ganhar a confiança e simpatia do elenco. Nomeou Giuseppe Wilson como capitão - até hoje, o anglo-italiano é o capitão histórico laziale - e aproveitou-se de seu carisma para conseguir chegar ao restante do grupo. Mas ainda assim se desentendeu com o goleiro reserva Di Vincenzo e o dispensou, o que não foi aprovado por boa parte da torcida. O mundo dá voltas e o defensor do técnico nesta ocasião foi justamente Chinaglia.

Com os ânimos apaziguados, a equipe surpreendeu e chegou na terceira colocação da Serie A, tendo brigado pelo título até a última rodada, quando foi derrotado pelo Napoli, em casa. A equipe era uma exceção entre os times de Maestrelli, que até então sempre foram demasiadamente ofensivos, e terminou a competição como a dona da melhor defesa (16 gols sofridos em 30 jogos).

A Lazio iniciou a temporada 74 com o time praticamente igual ao do ano anterior, exceto por Vincenzo D’Amico, de 19 anos, como titular no ataque. O técnico pregou humildade no início da Serie A e disse que outras equipes eram melhores, mas não foi o que se viu no campeonato. Talvez nem o mais otimista dos torcedores aquilotti pensasse que o time poderia manter o nível apresentado no ano anterior: já no começo do returno, a equipe, juntamente com a Juventus, disputava a liderança da competição.

Maestrelli não deixou que a conturbada eliminação da Copa Uefa, para o Ipswich, da Inglaterra, abalasse o elenco e a disputa na competição nacional seguiu acirrada. Na 26ª rodada um susto: a equipe foi derrotada pelo Torino e podia ser ultrapassada pela Juventus, mas os bianconeri também sofreram revés diante da Roma e a Lazio pôde, na rodada seguinte, enfrentar o Foggia, ex-clube de Maestrelli, em jogo que valia o título.

A partida foi tensa e repleta de faltas duras, e uma delas garantiu o gol do título. De pênalti, Chinaglia marcou o único tento da partida e o estádio Olímpico explodiu de alegria: os biancocelesti se sagravam campeões italianos pela primeira vez na história. Além disso, a equipe teve novamente a melhor defesa da competição e Giorgio Chinaglia foi o artilheiro, com 24 gols. Re Cecconi, trazido do Foggia por Maestrelli, foi um dos destaques do time. Ao fim do campeonato, ele, Chinaglia e Wilson seriam convocados para defender a Itália na Copa do Mundo de 1974.

No início de 1975, uma trágica notícia. Após queixar-se de fortes dores abdominais, Maestrelli foi diagnosticado com câncer no fígado. Médicos optaram por uma cirurgia, mas a operação não foi bem sucedida e sua expectativa de vida era de apenas oito meses. A doença do treinador impediu que a Lazio defendesse seu título: quando os jogadores souberam do câncer, o time, que brigava pelo título, caiu de produção e terminou a Serie A na 4ª colocação.

Quando as esperanças pareciam chegar ao fim, um médico chamado Saverio Imperato consegue uma forma de recuperá-lo, com a temporada 1975-76 em curso. Assim, Tommaso Maestrelli retoma seu lugar no banco de reservas, no lugar do jovem Giulio Corsini, acompanha de perto a campanha da equipe e vê uma de suas apostas, Bruno Giordano, crescer exponencialmente, ajudando a Lazio a escapar do rebaixamento na última rodada.

Cansado e debilitado, desistiu da carreira de treinador e assumiu como gerente de futebol do clube. Para o seu antigo cargo, indicou o brasileiro Luís Vinício. Continuou desempenhando sua função até dezembro de 1976, quando faleceu. Como homenagem, o campo de treinamento das divisões de base da Lazio recebeu o seu nome.

Tommaso Maestrelli
Nascimento: 7 de outubro de 1922, em Pisa
Morte: 2 de dezembro de 1976, em Roma
Posição: atacante
Clubes como jogador: Bari (1938-48), Roma (1948-51), Lucchese (1951-53), Bari (1953-57)
Clubes como treinador: Bari (1963-64), Reggina (1964-68), Foggia (1968-71), Lazio (1971-75)
Títulos como treinador: Serie C (1964-65) e Serie A (1973-74)
Seleção italiana: 14 partidas e 1 gol

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Jogadores: Luis Suárez

Com passes magistrais e muita inteligência, Luisito Suárez é um dos maiores ídolos da história da Inter e até hoje é ligado ao clube
Quando José Mourinho comandou com maestria a Internazionale ao seu terceiro título europeu, na última temporada, quebrou um jejum que já perdurava por mais de quatro décadas. E foi justamente com a ajuda dos pés de Luis Suárez, ou apenas Luisito, que os nerazzurri haviam conseguido sua última Liga dos Campeões. E aquele não era um time qualquer: para muitos, o meio-campista espanhol fez parte do maior time de toda a história do clube, aquele conhecido como a Grande Inter. Habilidoso e muito inteligente com a bola nos pés, o jogador brilhou nos gramados italianos depois de fazer fama em toda a Europa vestindo a camisa de outro gigante, o Barcelona. Não por acaso, é um dos atletas mais vitoriosos de seu tempo.

Nascido em La Coruña, Luisito começou a trilhar sua carreira no futebol no Deportivo. Ainda com 14 anos, foi incorporado às categorias de base do time, onde passou quatro anos amadurecendo. Tido como uma das maiores promessas da equipe da Galícia para a década de 1950, o jovem faria sua estreia como profissional com apenas 18 anos, enfrentando logo de cara o poderoso Barcelona. A personalidade demonstrada logo de cara e contra um adversário poderoso rendeu frutos rápidos ao meio-campista: sua inteligência dentro dos gramados o destacava dos demais jogadores e sua passagem pelo clube de La Coruña durou apenas um ano, tempo suficiente para que o próprio Barcelona, seu primeiro adversário profissional, o contratasse.

Jovem e com um grande potencial, Suárez chegou ao Barcelona com o status de promessa. Não tardou, porém, para que o jogador se destacasse e conseguisse uma vaga de titular em um time que contava com craques como Evaristo de Macedo, Ladislao Kubala e Sándor Kocsis. A formação desse esquadrão seria coroada apenas quatro anos após a chegada de Luisito, que por ser o cérebro da equipe ganhou, na Catalunha, a alcunha de Arquitecto.

Com a responsabilidade de ditar o ritmo dos catalães, o jogador participou de duelos memoráveis contra o Real Madrid de Ferenc Puskás, que começava a fazer história com suas conquistas continentais. Se na Europa o domínio era blanco, à parte o bicampeonato barcelonista na Copa das Feiras, em 1958 e 1960, na Espanha os blaugranas se destacavam, sobretudo a partir de 1958, com a chegada do técnico Helenio Herrera. Dessa forma, o Barça conquistou o bicampeonato espanhol, em 1959 e 1960, e também uma Copa da Espanha, em 1959 - segunda de Suárez pelo clube, juntamente com a de 1957.

A grande sequência do Barcelona no fim da década de 1950 rendeu a Luisito a Bola de Ouro e o título de melhor jogador europeu do ano, algo que hoje se assemelharia à honraria de melhor jogador do mundo. Naquele momento, Suárez tinha 216 jogos e 122 gols pela equipe blaugrana e era cobiçado por meia Europa. Todo esse status despertou o interesse da Internazionale, que transformou, em 1961, Suárez no jogador mais caro da história até então.

Para tirá-lo do Barça e cumprir o desejo de Herrera - desde 1960 no clube de Milão -, o presidente Angelo Moratti desembolsou nada menos do que 250 milhões de liras italianas, valor muito acima dos vistos na época em ne
gociações futebolísticas. O investimento, porém, não demorou para mostrar ter valido a pena. Um dos preferidos de HH, o espanhol não demorou para ser essencial na equipe que ficaria conhecida em todo o mundo como a Grande Inter, que tinha Sandro Mazzola, Giacinto Facchetti, Tarcisio Burgnich, Mario Corso, Jair da Costa e Angelo Domenghini.

O Arquiteto ganhou tudo com a camisa da Inter (Tumblr)
Naquela Inter, Luisito Suárez não jogava da mesma maneira que no Barcelona. Herrera transformou o antigo mezz'ala em regista e conseguiu grande sucesso: jogando atrás da linha de meias, El Arquitecto foi o primeiro regista de destaque do futebol italiano, sendo o responsável pela armação de jogadas daquele time, muitas vezes fazendo lançamentos de mais de cinquenta metros para que os pontas, Mazzola, Jair, Corso e Domenghini, chegassem aos gols.

O domínio da Grande Inter começaria ainda na Itália, em 1963, quando a Internazionale garantiu o scudetto da temporada e, deste modo, vaga na Copa dos Campeões do ano seguinte. Na competição europeia, Luisito e a Inter continuaram a fazer história, garantindo o bicampeonato nos anos de 1964 e 1965 - anos nos quais os italianos garantiram também mais uma Serie A e outros dois Mundiais Interclubes. Para finalizar a série de títulos que marcaria a equipe para sempre, ainda seria obtida mais uma Serie A, em 1966, fechando um dos ciclos mais vitoriosos já vistos no futebol italiano. Nos anos de Inter, Suárez não voltou a ser eleito melhor jogador da Europa, mas estava entre os melhores: ficou em segundo em 1961 também em 1964, "amargando" o terceiro posto no ano seguinte.

Ainda na fase da Grande Inter, Suárez cravou de vez seu nome na história do futebol mundial ao ser um dos principais nomes da Espanha na conquista da Eurocopa de 1964, disputada em solo espanhol. Mesmo sem marcar nenhum gol na competição - que à época era disputada ao longo de anos e tinha fase final com menos times do que hoje - o meio-campista interista foi considerado o principal nome espanhol, destacando ainda mais seu nome mundialmente. Assim como aconteceu com a Internazionale, a Fúria também demoraria para reconquistar o torneio no qual Luisito foi destaque, só levantando o troféu novamente em 2008.

De volta à Inter, Suárez seguiu sua trilha na Itália com o status de ídolo nerazzurro e ficou no clube até 1970. Três anos antes, a derrota na final da Copa dos Campeões para o Celtic marcava o fim do ciclo nerazzurro, que culminou na saída de Herrera para a Roma em 1968 e na venda do clube, que passou das mãos de Moratti para Ivanoe Fraizzoli. Mesmo assim, Suárez permaneceu como bandeira do clube por outros dois anos, ao lado de Facchetti, Burgnich, Bedin, Mazzola e Domenghini, até se transferir para a Sampdoria, que costumava ocupar o meio da tabela naquela época.

Em Gênova, não voltou a ter o mesmo destaque de outrora, se retirando do futebol depois de apenas três temporadas, nenhuma marcada pela conquista de títulos. Sua inteligência dentro dos campos em toda a carreira, porém, lhe rendeu a chance de ser treinador. De maneira polêmica, começou justamente no Genoa, grande rival da Samp, treinando a Primavera. No ano seguinte, porém, voltou ao clube em que fora idolatrado, a Inter.


Espanhol ainda teve curta passagem pela Sampdoria (Tumblr)
Em sua primeira passagem como treinador pelo clube, na temporada 1974-75, concluiu o campeonato apenas na 9ª posição. Treinando uma equipe que ainda tinha Mazzola e Faccheti, além de Roberto Boninsegna, mas que era recheada de jovens - entre os quais, apenas Ivano Bordon e Gabriele Oriali ganhariam destaque no clube -, reconheceu que não deveria ter aceitado o emprego naquele momento, em que ele também era inexperiente.

Dirigiu ainda a Sampdoria, além de SPAL, Como e Cagliari em divisões inferiores, antes de retornar à Espanha, para treinar o Deportivo La Coruña. Luisito Suárez treinou ainda a seleção espanhola sub-21, conquistando o Campeonato Europeu da categoria em 1986, seu único título como treinador. Depois, ainda passou pela seleção principal de seu país e a treinou na Copa de 1990, sem grandes resultados. Sempre ligado à Inter, aceitou ser treinador interino por duas oportunidades, em 1992 e 1995 e, até hoje, trabalha como olheiro no clube.

Luis Suárez Miramontes
Nascimento: 2 de maio de 1935, em La Coruña, Espanha
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Deportivo La Coruña (1953-1954), Barcelona (1954-1961), Internazionale (1961-1970) e Sampdoria (1970-1973)
Clubes como treinador: Genoa Primavera (1973-74), Inter (1974-75. 1992 e 1995), Sampdoria (1975), Spal (1975-76), Como (1976-77), Cagliari (1977-78), Deportivo La Coruña (1978-79), Espanha Sub-21 (1980-82), Espanha (1988-91) e Albacete (1994).
Títulos como jogador: 2 Ligas Espanholas (1958-59 e 1959-60), 3 Serie A (1962-63, 1964-65 e 1965-66), 2 Copas da Espanha (1956-57 e 1958-59), 2 Copas das Feiras (1955-58 e 1958-60), 2 Liga dos Campeões (1964 e 1965), 2 Mundiais Interclubes (1964 e 1965) e Eurocopa (1964)
Títulos como treinador: Campeonato Europeu sub-21 (1986).
Seleção espanhola: 32 jogos e 14 gols

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Técnicos: Enzo Bearzot

Enzo Bearzot, o homem que tirou a seleção italiana de uma seca de 44 anos (AFP)
“O futebol parece ter-se tornado uma ciência, ainda que nem sempre exata. Mas, para mim, antes e acima de tudo, trata-se de um jogo”. Em uma ideia, este é Enzo Bearzot, uma carreira futebolística como volante antes de uma longa estrada como técnico de seleções italianas. Como jogador, seu melhor resultado foi uma convocação para a seleção, em 1955. Como técnico, se consagrou pelo recorde de jogos como ct azzurro (104 partidas), pelo título inesperado na Copa de 1982 e por seu “extraordinário altruísmo”, na descrição de Gaetano Scirea.

Em 1964, depois de encerrar a carreira de jogador – na qual teve passagens por Torino, onde foi ídolo, Inter e Catania –, começou como auxiliar de Nereo Rocco no Torino. O vencedor de duas Copas dos Campeões pelo Milan seria o grande professor de Bearzot. A experiência no Prato, da Serie C, durou só uma temporada. A partir daí começou a fase que consagraria o treinador em âmbito mundial, primeiro na equipe sub-23, depois na principal. No comando da Squadra Azzurra, duraria nove anos: três Copas do Mundo, uma Eurocopa e uma Olimpíada.

A “Era Bearzot” começou logo depois da Copa de 1974, mas viu seu sinal amarelo quando o grupo não conseguiu se classificar para a Euro '76. Já o sinal verde surgiu na Copa seguinte: apesar do quarto lugar em 1978, os críticos foram quase unânimes ao afirmar que a Itália jogava o melhor futebol do torneio vencido pela Alemanha. Algo que aconteceria de novo na Euro seguinte, disputada na própria Itália, em 1980.

O técnico do tri italiano e seu inseparável cachimbo (FourFourTwo)
Desde o início, Bearzot planejava modernizar o futebol engessado por Herrera. E tinha no futebol-total holandês sua maior inspiração. Na defesa, logo lançou um jovem Scirea, líbero com bons dotes ofensivos, que depois se tornaria uma lenda italiana. O meio-campo conheceu Tardelli, lateral de origem que era defensor e atacante, à medida que o time precisasse. O ataque passou por Bettega e Graziani para que a pouca mobilidade não travasse seu projeto. Tudo muito bonito e com dois quartos lugares honrosos. Até que, a seguir, veio sua obra prima: Espanha '82.

Apesar dos elogios, o orgulho de Bearzot estava à prova e o título era a meta de seu trabalho, ainda que seus ideais tivessem de ser sacrificados. No caminho para a Copa, o bom futebol havia sumido e os resultados não empolgavam tanto. O jogo italiano chegava perto da mediocridade e a imprensa pedia a cabeça do técnico. Isso fez com que o torneio começasse com a adoção (pela primeira vez entre os italianos) do silenzio stampa, imposto pelo treinador para que todo o elenco não pudesse falar à imprensa - uma forma de vingar as ferozes críticas dos jornais italianos à sua Nazionale.

A campanha anti-Bearzot durou pelo menos até a histórica partida em que Paolo Rossi marcaria três gols contra o Brasil de Zico, depois de tirar do páreo a Argentina de Maradona. E fazer de todo o resto somente história. Do mundo que sabe que Rossi é um dos maiores carrascos da história do futebol brasileiro, nem todos conhecem seus dois anos de suspensão que se encerraram pouco antes da Copa. E nem que Bearzot o bancou no time titular contra tudo e todos até que o camisa nove fosse ovacionado contra o hoje decantado time de Telê Santana.

O torneio terminou com um título que finalmente voltava à Itália, depois de 44 anos. Uma vitória do grupo, pela capacidade de gestão que possuía Bearzot - no melhor estilo imortalizado no Brasil pela "família Scolari" de 2002. Mas também uma vitória técnica e tática herdada de Nereo Rocco e Fulvio Bernardini, posta em prática por Enzo Bearzot. Um homem forte demais para o dia-a-dia do futebol italiano, que logo tratou de colocá-lo às suas margens.

Itália '82
Tecnicamente, o time tricampeão mundial não chegava aos pés de Argentina e Brasil, as equipes mais espetaculares daqueles anos. Mas sua eficácia era maior. Zoff, com seus 40 anos, fazia milagres entre as traves para se consagrar o melhor goleiro daquele Mundial. Não bastasse, tinha à sua frente a dupla de laterais Gentile-Cabrini fechando a defesa com Scirea e Collovatti ou o jovem Bergomi. No meio, o incansável Oriali suportava os ótimos Tardelli, Conti e Antognoni. O ataque com Rossi e Graziani, quem diria, era o ponto fraco. Mas quem estava em Madri naquele 11 de julho de 1982 nem percebeu isso.

Pós-tri
Depois da sua única conquista como treinador (e que conquista!), Bearzot seguiu comandando a Itália, uma vez que tinha contrato até 1990. Mas como não conseguiu a classificação para a Euro 1984 e a Itália foi eliminada nas oitavas do Mundial de 1986, o técnico se demitiu. E, na verdade, aposentou-se da carreira de treinador. Entre 2002 e 2005, comandou o setor técnico da Federação Italiana de Futebol – FIGC.

O histórico treinador morreu em 21 de dezembro de 2010, exatos 42 anos após a morte de Vittorio Pozzo – técnico bicampeão mundial com a Squadra Azzurra, e segundo com mais jogos pela seleção. Em seu funeral, teve caixão carregado por jogadores e membros da comissão técnica de 1982. Uma homenagem mais que merecida a um mito do esporte.

Todos os heróis do tri compareceram ao funeral do mestre (Ansa)
Enzo Bearzot
Nascimento: 26 de setembro de 1927, em Aiello del Friuli
Morte: 21 de dezembro de 2010, em Milão
Carreira como jogador: Pro Gorizia (1946-48), Inter (1948-51 e 1956-57), Catania (1951-54) e Torino (1954-56 e 1957-64)
Carreira como treinador: Prato (1968-69), Seleção Italiana Sub-23 (1969-75), Seleção Italiana (1977-1986)
Título: 1 Copa do Mundo (1982)

Mais técnicos
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Jogadores: Mario Rigamonti

Rigamonti corta bola no último jogo da seleção italiana antes da tragédia de Superga: não deixou, no entanto, de ser um dos maiores campeões do futebol nacional (Sport Vintage)

Foi em 4 de maio de 1949 que uma tragédia área entrou para a história como um dos maiores desastres envolvendo uma equipe de futebol em todos os tempos. Quando o Fiat G212CP da Avio Linee Italiane voltava com todo o elenco do Torino para Itália após duelo contra o Benfica, em Portugal, e se despedaçou após choque com a Basílica de Superga, começava o maior luto da história do futebol italiano - e talvez do mundial. Entre as 31 vítimas do acidente, estava Mario Rigamonti, um defensor que fez história no time granata, marcando o futebol italiano com a equipe que ficou conhecida como a Grande Torino.

Ainda muito jovem, Rigamonti ingressou nas categorias de base do Brescia, maior time da cidade onde nascera. Seu posicionamento defensivo acima da média o fez ser destaque entre os jovens da sua idade. Com apenas 19 anos, deixou os jovens rondinelli para ingressar em outra base: a do Torino, equipe pela qual se consagraria como profissional. Sua trajetória, porém, não foi das mais simples possíveis. Após a transferência para o time de Turim, o jovem retornaria ao time de sua cidade-natal para só assim dar início à sua carreira entre os profissionais.

Pelo Brescia, fez sua estreia em 1944, ano no qual o futebol dividia as atenções com a II Guerra Mundial - sendo, obviamente, deixado de lado na maioria das vezes. Com 22 anos, assumiu logo de cara a posição de titular, se destacando sempre por atuar como um meio-campista com muito poder de destruição e uma ótima chegada de apoio ao ataque - algo comum nos jogadores de defesa do meio-campo no futebol moderno -, desempenhando como poucos a função que viria a ser conhecida como mediano. Com classe e inteligência, ficou no time que o revelou por apenas uma temporada.

Com o mundo respirando os ares do final da Guerra, em 1945, Rigamonti teve rápida passagem pelo Lecco, clube pelo qual nem atuou apenas no campeonato de guerra da Lombardia. No mesmo ano, porém, faria a mudança que marcaria para sempre sua carreira - e também sua vida: retornou ao Torino, pelo qual passara ainda sem ser profissional, e aproveitou a volta do foco ao futebol após o final dos conflitos bélicos para se destacar no cenário europeu e mundial. Comandado por Luigi Ferrero, o Torino começaria no primeiro Italiano disputado após a Guerra, na temporada 1945-46, a fazer história.

Com Rigamonti sendo peça essencial ao equilíbrio defensivo do time, a equipe de Turim conquistaria o primeiro scudetto disputado no pós-Guerra. Com fórmula diferente da vista atualmente, o torneio foi disputado com dois grandes grupos, dos quais saíram os classificados para um grupo final, do qual faziam parte oito times que se enfrentaram em turno e returno para definir o grande campeão. Com 11 vitórias e 43 gols marcados em 14 partidas disputadas, o Torino sagrou-se campeão e deu início a uma época de dominação no futebol italiano.

Rigamonti ainda seria essencial para a conquista de mais três scudetti consecutivos, que fariam do Torino a equipe-sensação de toda a Europa. Dominante e sem adversários à altura na Itália, os granata passaram a ser convidados para atuar contra times de outros países, uma vez que ainda não existiam torneios internacionais como a Liga dos Campeões.

Foi na volta de um desses amistosos, contra o Benfica, em Portugal, que o Grande Torino foi desfeito de forma trágica, com o desastre de Superga. Rigamonti falecia, então, com apenas 27 anos, com o status de ser um dos grandes responsáveis pela força e pelo futebol jogado pelo Torino, ao lado de tantos outros que faleceram no acidente aéreo, como Valerio Bacigalupo, Giuseppe Grezar, Romeo Menti, Ezio Loik, Guglielmo Gabetto e Valentino Mazzola.

A morte prematura de toda aquela geração abalou a seleção italiana, que, em meados de 1947 havia chegado a contar com 10 titulares provenientes do Torino e que, às vésperas da Copa de 1950, tinha nos granata a base de sua seleção. Rigamonti, por exemplo, disputou apenas três partidas pela Nazionale e encerrou sua participação em jogo contra a Espanha. Por causa da Segunda Guerra, a Squadra Azzurra entrou em campo apenas dez vezes enquanto ele era jogador e o impediu de solidificar o posto de herdeiro natural de Carlo Parola que gente de todo o país lhe atribuía.

Como forma de homenagem póstuma aos jogadores daquele Torino, muitos tiveram seus nomes utilizados para batizar estádios por toda a Itália. Rigamonti foi um deles: um mês após a tragédia aérea, o Lecco nomeou seu estádio com o nome do ex-jogador, enquanto apenas em 1959,
dez anos após a tragédia aérea, o Brescia também lhe concedeu a mesma homenagem e mudou o nome de sua sua casa para Mario Rigamonti.

Mario Rigamonti
Nascimento: 17 de dezembro de 1922, em Brescia, Itália
Falecimento: 4 de maio de 1949 em Turim, Itália
Posição: defensor e mediano
Times: Brescia (1944), Lecco (1945) e Torino (1945-1949)
Títulos: 4 Serie A (1945-46, 1946-47, 1947-48 e 1948-49)
Seleção italiana: 3 jogos.

Um campeão matemático e três virtuais na Lega Pro

Nocera Inferiore festeja o retorno da Nocerina à Serie B. Outras três equipes estão perto de subir (Mosca)

32 anos depois, o sonho se tornou realidade: a Nocerina venceu em Foggia e está matematicamente promovida à Serie B. A festa nas arquibancadas do velho Zaccheria atravessou a Apúlia e ganhou toda Nocera Inferiore, que passa a ser a segunda representante da província de Nápoles no dito calcio che conta. Na próxima semana, outras três equipes podem escrever seus nomes no rol dos vencedores: Gubbio, na Prima Divisione, e Tritium e Latina, na Seconda, estão a poucos pontos de confirmar os títulos de seus grupos, a três e duas rodadas do fim de seus campeonatos, respectivamente.

Nos bastidores, a Comissão Disciplinar continua aplicando punições às sociedade irregulares. Na Prima Divisione, o Foligno já tem quatro pontos a menos, enquanto Salernitana e Cosenza chegaram a seis perdidos. Na Seconda, Giulianova, Sangiovannese e o falido Catanzaro tiveram mais um ponto descontado, Pro Patria, Brindisi e Melfi, três.

Prima Divisione, após 31 rodadas
Grupo A
Falta apenas uma vitória para que o Gubbio do diretor técnico Luigi Simoni, ex-técnico da Inter na década de 90, retorne à Serie B, após 64 anos de sua primeira (e única) passagem. Ainda sonhando em reabrir o campeonato, o Sorrento já está garantido nos play-offs. O Alessandria se classificará com quatro pontos a mais, enquanto o Verona se aproveitou da enésima penalização imposta à Salernitana e pulou para o quarto lugar. As duas equipes têm a concorrência da Reggiana pelas vagas restantes entre os melhores. Na parte de baixo, Spezia e Cremonese reagem e o Ravenna se vê ameaçado pelos play-outs, que seguem sem novidades. Cada vez mais entregue, o Monza segue na lanterna, agora quatro pontos distante da chance de permanência.

Promoção direta: Gubbio (62 pontos)
Play-offs: Sorrento (55), Alessandria (49), Hellas Verona (45) e Salernitana (44)
Play-outs: Pavia (35), Pergocrema (31), Sudtirol (29) e Paganese (29)
Rebaixamento direto: Monza (25)
Penalizados pela CND: Gubbio (-1), Como (-1), Lumezzane (-1), Spal (-1), Pergocrema (-1), Alessandria (-2), Spezia (-2) e Salernitana (-6)

Grupo B
Em 90 minutos, 32 anos ficaram par trás: no estádio Zaccheria, de Foggia, um gol de Pomante garantiu o título e o acesso matemático à Nocerina. É a consagração de um trabalho tão competente quanto surpreendente, já que a equipe rossonera tinha sido uma das inúmeras repescadas para recompor a categoria, no início da temporada. Nos play-offs, se o Benevento já tem sua vaga assegurada, Juve Stabia, Atletico Roma e Taranto estão a uma vitória da classificação. Na parte de baixo, Lucchese, Barletta, Pisa e Gela ainda precisam de pontos para que confirmem permanência na próxima edição da Prima Divisione. A Ternana está muito próxima dos play-outs, onde as novidades são as novas penalizações de Cosenza e Foligno. Lanterna e quatro pontos distante do penúltimo lugar, a Cavese tem poucas chances de se salvar.

Promoção direta: Nocerina (68 pontos)
Play-offs: Benevento (56), Juve Stabia (51), Atletico Roma (50) e Taranto (50)
Play-outs: Andria (33), Cosenza (32), Viareggio (30) e Foligno (29)
Rebaixamento direto: Cavese (25)
Penalizados pela CND: Foggia (-2), Ternana (-2), Foligno (-4), Cosenza (-6) e Cavese (-6)

Seconda Divisione
Grupo A, após 32 rodadas
O Tritium reconstruiu a vantagem que tinha sobre a Pro Vercelli - agora acompanhada pelo FeralpiSalò - e está a uma vitória de conquistar seu primeiro acesso à Prima Divisione. Pro Patria (mais uma vez penalizada) e Renate estão perto de garantirem suas vagas nos play-offs - para o desespero do Lecco, que voltou à categoria com a "obrigação" de, no mínimo, disputar o acesso. Na parte de baixo, Sacilese e Sanremese continuam na faixa de play-out, mas se veem ameaçadas pelo Mezzocorona, que reage para evitar o rebaixamento direto.

Promoção direta: Tritium (56 pontos)
Play-offs: Pro Vercelli (51), FeralpiSalo' (51), Pro Patria (49) e Renate (47)
Play-out: Sacilese (25) e Sanremese (24)
Rebaixamento direto: Mezzocorona (23)
Penalizados pela CND: Virtus Entella (-1), Valenzana (-1), Tritium (-2), FeralpiSalo' (-2), Rodengo Saiano (-2), Savona (-4), Pro Patria (-7) e Canavese (-8)

Grupo B, após 28 rodadas
Carpi e Carrarese continuam dsputando o acesso ponto a ponto. San Marino, L'Aquila e Chieti disputam com o Prato as três vagas restantes para os play-offs. Na parte de baixo, os severamente penalizados Fano e Sangiovannese lutam para conquistar suas permanências matemáticas, enquanto o Villacidrese, que tambem sofreu muitos prejuízos nos bastidores, esforça-se para forçar a disputa do play-out.

Promoção direta: Carpi (61 pontos)
Play-offs: Carrarese (59), San Marino (45), L'Aquila (45) e Chieti (44)
Rebaixamento direto: Villacidrese (15)
Penalizados pela CND: Carpi (-1), Giulianova (-3), Fano (-4), Villacidrese (-12) e Sangiovannese (-13)

Grupo C, após 28 rodadas
O Latina está a menos de uma vitória do acesso à Prima Divisione, categoria que falta à cidade desde 1981. Trapani e Milazzo já estão garantidos nos play-offs; Avellino, Aversa Normanna e Sangiuseppese disputam as duas vagas restantes. Na parte de baixo, o falido Catanzaro deu mais uma confirmação de seu amadorismo: novamente punido, o clube, ainda que não falisse, estaria matematicamente rebaixado à Serie D.

Promoção direta: Latina (61 pontos)
Play-offs: Trapani (55), Milazzo (53), Avellino (49) e Aversa Normanna (47)
Rebaixamento direto: Catanzaro (5)
Penalizado pela CND: Trapani (-1), Matera (-1), Campobasso (-2), Vibonese (-2), Brindisi (-5), Melfi (-6), Catanzaro (-8) e Pomezia (-16)

Coppa Italia Lega Pro
Após vencer em Carpi, a Juve Stabia repetiu a dose em Castellammare di
Stabia
e conquistou sua primeira copa nacional. Foi a segunda vez que a taça, disputada desde a temporada 1972-73, foi para a região da Campânia - antes da Juve Stabia, o Sorrento a conquistara, em 2008-09, contra a Cremonese.

De volta ao profissionalismo
Perugia, Mantova e Cuneo estão de volta: as três equipes garantiram antecipadamente os títulos de seus grupos na Serie D e jogarão na Seconda Divisione em 2011-12. Falidos no final da última temporada, peruginos e virgilianos reagiram imediatamente - o Perugia, inclusive, venceu a Coppa Italia Dilettanti - enquanto os piemonteses de Cuneo festejam o retorno ao profissionalismo após três temporadas entre os amadores.

Também estão próximos de retornar Treviso, Borgo a Buggiano, Santarcangelo e Arzanese, que têm, respectivamente, seis pontos de vantagem sobre Venezia, Pontedera, Rimini e Pomogliano, a duas rodadas do final. Aprilia e Bacoli Sibilia (Grupo G), e Ebolitana e Forza e Coraggio (Grupo I) disputam o acesso ponto a ponto. Os novo campeões se enfrentarão pelo Poule Scudetto, o título máximo amador, atualmente em posse do Montichiari.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Brasileiros no Calcio: Zé Maria

Cigano do futebol, Zé Maria encontrou seu lugar na Itália, onde foi ídolo do Perugia (Sky)
O começo da década de 1990 foi especial para a Portuguesa. Sempre jogando nas elites do futebol paulista e brasileiro, o time do Canindé foi responsável por revelar alguns dos craques que desfilaram pelos gramados brasileiros da época. Entre eles, um lateral-direito ganhava destaque pela eficácia com a qual atacava e defendia, lembrando os laterais clássicos do futebol, nas linhas de quatro zagueiros que ficaram famosas na década de 1960. Zé Maria fez história com a camisa do Perugia, na Itália, e hoje se considera praticamente um italiano, tamanha sua identificação com o país. Mas antes de brilhar na Serie A, o jogador suou nos gramados brasileiros.

Em uma época na qual a Lusa costumava disputar títulos, Zé Maria foi lançado como uma das grandes esperanças para o futuro. Destaque das categorias de base, estreou entre os profissionais em 1991, com apenas 18 anos. A falta de maturidade, porém, fez com que o lateral não repetisse as atuações que fizeram dele um dos destaques lusitanos na campanha do título da Copa São Paulo daquele mesmo ano. A solução encontrada pela diretoria do time paulistano, então, foi emprestá-lo para clubes de menor expressão. Em 1993, após não se firmar como titular na Portuguesa, Zé Maria foi emprestado para o Sergipe, no qual obteve maior destaque. Na sequência, passou um ano na Ponte Preta, de mais tradição, e também foi bem.

As passagens com futebol em alto nível pelo Nordeste e pelo interior de São Paulo credenciaram o lateral para voltar para a Lusa e disputar posição. Mais maduro, Zé Maria não teve dificuldades para assumir a titularidade na equipe, ganhando destaque em dimensão nacional. Seu bom futebol rendeu uma transferência para o Flamengo, onde ficou finalmente conhecido em todo o Brasil.

Contratado pelo rubro-negro em 1996, conquistou um Campeonato Carioca, mas destacou-se mesmo com a seleção brasileira, com a qual obteve o título do torneio pré-olímpico e a medalha de bronze na Olimpíada de 1996, em Atlanta. Seu bom futebol continuou em destaque, apesar da escassez de títulos no Rio de Janeiro e, com isso, o jogador deixou o Rio de Janeiro para sua primeira aventura internacion
al, sendo contratado, ainda naquele ano, pelo Parma.

Zé Maria chegou à Itália em uma época de bonança dos gialloblù, que com a ajuda da Parmalat montavam times com astros do quilate de Buffon, Cannavaro, Thuram, Zola e Crespo. O lateral-direito brasileiro, então, chegou para disputar posição com o francês, já consagrado em nível internacional como um dos melhores da posição. Com o time indo muito bem dentro de campo - terminou a Serie A daquele ano na segunda colocação, atrás apenas da Juventus de Zidane e Del Piero -, Zé Maria não era titular absoluto.

Buscando ainda mais continuidade, para continuar no giro da seleção brasileira, ele transferiu-se para o recém-promovido Perugia, em 1998, após atuar em 56 oportunidades em duas temporadas na equipe de astros formada pela Parmalat. Na seleção brasileira, era reserva de Cafu, fez parte do elenco que venceu a Copa das Confederações de 1997, mas não pode comemorar tanto: acabou ficando de fora da Copa do Mundo de 1998 porque foi mal na Copa Ouro meses antes.

Sua primeira passagem pelos grifoni, porém, foi fadada ao fracasso que parecia perseguir Zé Maria na Itália. Em meia temporada, teve raras oportunidades de atuar e voltou a viver situação delicada, que já vivera no início de sua carreira. Para recuperar seu melhor futebol, voltou ao futebol brasileiro. Seu destino foi o Vasco, clube que defendeu até junho de 1999 e no qual teve boas exibições, chegando a ganhar o Torneio Rio-São Paulo.

No mesmo ano, transferiu-se para o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari para, finalmente, desembarcar, em 2000, no Cruzeiro, último clube que defenderia antes de ser chamado novamente para integrar o elenco do Perugia. Com o futebol revigorado pela passagem no Brasil, o lateral-direito finalmente conseguiria atingir seu ápice na Europa.

Com atuações mais constantes, Zé Maria retomou os bons tempos de Portuguesa e passou a ser uma peça-chave do Perugia do presidente Luciano Gaucci e voltou à seleção brasileira, tendo sido titular no fracasso na Copa das Confederações de 2000, última oportunidade em que vestiu a amarelinha. Dedicou-se, então, inteiramente ao Perugia, que fez campanhas consistentes na Serie A no começo dos anos 2000, alcançando posições no meio da tabela. Entre elas, destaque para o oitavo lugar em 2002, que credenciou o time a disputar a então Copa Intertoto no ano seguinte.

Na extinta competição europeia, os umbros conseguiram a classificação para a Copa Uefa, mas o sonho europeu durou pouco e acabou na terceira fase do torneio, diante do PSV, que eliminou os grifoni após empate em 0 a 0 na Itália e vitória por 3 a 1 na Holanda. Zé Maria, porém, foi um dos destaques da campanha do Perugia. Destaque esse que se repetiria no ano seguinte, na fatídica campanha que resultou no rebaixamento do time para a Serie B. Suas constantes boas atuações, porém, lhe renderam uma transferência para a Inter, aos 31 anos.


Lateral teve passagem discreta pela Inter, mas conquistou títulos (Fantagazzetta)
No time de Milão, Zé Maria voltou a ter menos chances, sendo integrado ao elenco principalmente por sua experiência. Fez parte do elenco que conquistou, em 2005 e 2006, o bicampeonato da Coppa Italia, além do scudetto de 2006, originalmente conquistado pela Juventus, mas passado para os nerazzurri devido ao escândalo do Calciocaos. Ou seja, a passagem pela Inter rendeu ao lateral-direito seus únicos títulos como profissionais nos clubes pelos quais passou no futebol europeu.

Em 2006, já sem nenhuma chance de atuar na equipe nerazzurra depois da tímida participação na temporada anterior, o brasileiro voltou a peregrinar pelo futebol, passando pelo Levante, da Espanha, e por um período de testes que não resultou em contratação no Sheffield United, da Inglaterra, antes de voltar à Lusa em 2008.

Seu retorno ao time que o revelou, porém, não foi dos melhores. Após divergências com a diretoria da equipe paulistana, logo voltou para a Itália, onde encerrou a carreira atuando pelo pequeno Città di Castello. Após se aposentar, passa então a se concentrar no desejo de se tornar treinador, iniciado no Don Bosco, time de jovens que tem ligação direta com o Perugia, no qual Zé Maria havia sido ídolo. Para melhorar seu desempenho e começar a trabalhar com profissionais, voltou à Inter, na qual realizou estágio com José Mourinho, que faz muitos elogios ao aspirante a treinador.

As palavras de Mourinho abriram as portas do Città di Castello, time pelo qual havia se retirado como jogador. Em apenas uma temporada, o ex-jogador aproveitou para aprimorar seus conhecimentos, fazendo boa campanha na Serie D que seu clube disputou. Depois disso, deixou a equipe e assumiu, no início dessa temporada, o Catanzaro, clube que vive crise societária enorme na Lega Pro e teve de anunciar falência. Hoje, Zé Maria está à procura de um novo clube.

José Marcelo Ferreira
Nascimento: 25 de julho de 1973, em Oeiras, Brasil
Posição: lateral-direito
Clubes como jogador: Portuguesa (1991-1993, 1995 e 2008), Sergipe (1993), Ponte Preta (1994), Flamengo (1996), Parma (1996-1998), Perugia (1998-1999 e 2000-2004), Palmeiras (1999), Vasco (1999), Cruzeiro (2000), Internazionale (2004-2006), Levante (2006-2007) e Città di Castello (2008-2009)
Clubes como treinador: Città di Castello (2009-10) e Catanzaro (2010).
Títulos: Campeonato Sergipano (1993), Campeonato Carioca (1996), Torneio Pré-Olímpico (1996), Copa América (1997), Copa das Confederações (1997), Torneio Rio-São Paulo (1999), Copa do Brasil (2000), Copa Intertoto (2003), Serie A (2005-06), 2 Coppa Italia (2004-05 e 2005-06) e Supercoppa Italiana (2005)
Seleção brasileira: 46 jogos e dois gols

terça-feira, 26 de abril de 2011

34ª rodada: Dos vereditos formais e informais

Robinho embala o scudetto: mis quatro pontos e o
Milan confirma o título matematicamente (Getty Images)

Se a luta pela primeira colocação (e o título) está praticamente encerrada, a disputa pelas vagas em competições europeias ainda reserva grandes emoções. Foi o que a 34ª rodada nos mostrou neste sábado. Com a derrota para a Inter, a Lazio se distanciou de uma vaga direta para a Liga dos Campeões e agora vai ter que lutar para manter a quarta colocação, uma vez que Udinese e Roma vêm logo atrás de olho na vaga. Em Turim, a Juventus cedeu empate para o Catania no fim e viu a Roma abrir três pontos de diferença na briga pela Liga Europa. Na corrida por fora vem o Palermo, que venceu o Napoli em grande partida e passa a ter um pouco de esperança.

E, na parte de baixo da tabela, temos o primeiro veredito da Serie A: o Bari é o primeiro clube rebaixado nesta temporada e deve ser acompanhado pelo Brescia, que foi derrotado pelo virtual campeão Milan. Lecce, Sampdoria, Cesena, Catania e Parma brigam para evitar que o rebaixamento para a série cadetta.

Brescia 0-1 Milan
Sem Gattuso, Ibrahimovic e Pato, o Milan foi ao Mario Rigamonti para enfrentar o Brescia, em "partida crucial para decidir o título", nas palavras do técnico Massimiliano Allegri. Cassano e Robinho compuseram o ataque rossonero, que perdeu muitas chances de marcar na primeira etapa. Do outro lado, Iachini escalou seu time com força máxima para tentar surpreender o Milan e ficar vivo na luta pela salvezza em um (aparentemente) ofensivo 4-3-1-2. O que se viu na primeira etapa, no entanto, foi um Brescia muito mais preocupado em defender do que em atacar.

No segundo tempo, então, a história mudou. Logo no início, Éder teve chance de marcar e desperdiçou. O bom momento continuou com Diamanti e Caracciolo, que quase colocaram o Brescia em vantagem. Naquele momento do jogo, Milan precisou contar com a trave e, novamente, com intervenções fundamentais de Abbiati para segurar o 0 a 0. Aos 37 minutos, Zébina errou feio e deu a bola do jogo para os visitantes: Cassano iniciou o contra-ataque e tocou para Robinho marcar e colocar a outra mão no título, mudando a história de um campeonato que parecia, ainda que de leve, ser reaberto novamente. Agora, a distância para o segundo colocado é de oito pontos. Só falta mesmo levantar a taça, o que pode acontecer já na próxima rodada. Basta a Inter não ganhar do Cesena, fora, e o Milan vencer o Bologna, no San Siro.

Inter 2-1 Lazio
Em uma das partidas mais esperadas do dia, na qual a Lazio poderia igualar o número de pontos da Inter e aquecer a disputa por vaga direta na Liga dos Campeões, foram os donos da casa que se deram melhor. Mas não foi fácil: logo aos 21 minutos, Júlio César fez pênalti em Mauri e foi expulso. Zárate bateu e deixou a Lazio em vantagem. Com um a menos, Leonardo foi obrigado a mexer no seu time e o fez bem: Milito foi o escolhido para dar lugar ao goleiro Castellazzi e, assim, o time passou a jogar em um 4-4-1 que deu solidez ao meio-campo, com Sneijder defendendo pelo lado esquerdo. Faltava conseguir algum espaço para atacar.

E aí a Lazio ajudou. Com um a mais em campo e a vantagem no placar, o ritmo dos biancocelesti caiu. A Inter conseguiu sair um pouco para o jogo e, de falta, Sneijder empatou, já no final do primeiro tempo. Na segunda etapa, a Lazio voltaria a ajudar os donos da casa: Biava escorregou feio em lançamento de Zanetti e não conseguiu segurar Eto'o, que marcou o gol da virada. Ainda teria tempo para expulsão de Mauri, por falta em Nagatomo, cada vez mais titular, e algumas oportunidades de gol não aproveitadas. Com a vitória, a Inter voltou à vice-liderança do campeonato, uma vez que o Napoli perdeu para o Palermo. A Lazio perdeu grande chance de se consolidar na briga por vaga direta na Liga dos Campeões e agora tem que se preocupar com os que vem atrás.

Palermo 2-1 Napoli
Enquanto isso, o Palermo cresce com o retorno de Delio Rossi e confirma a boa fase: o time voltou a jogar bem e está invicto nos quatro jogos que jogou desde a volta do treinador. Com isto, a Liga Europa vai se aproximando e pode chegar através da Coppa Italia ou, quem sabe, através da sétima colocação na Serie A. O Palermo vai se aproveitando dos tropeços juventinos e, com 50 pontos na tabela, está apenas três atrás da Juve e a seis de distância da Roma, sexta colocada.

Jogando em casa, o time de Delio Rossi tomou um susto logo no início, quando Cavani, ex-palermitano, marcou de pênalti. Mas foi só um susto. Depois disso, o Palermo desempenhou um jogo coletivo e proporcionou que Pastore ficasse mais livre de responsabilidades e voltasse a apresentar bom futebol. Assim, como um meio-campo compacto, o time rosanero passou a dominar a partida e viraram ainda no primeiro tempo, com Balzaretti e Bovo. Delio Rossi ainda foi expulso, por reclamar veementemente por expulsão de Pazienza. Na etapa complementar, o Napoli não conseguiu se levantar e o Palermo continuou pressionando. Hernández perdeu duas boas oportunidades de ampliar. Não fizeram falta. Depois do adeus à briga pelo scudetto, na rodada passada, o Napoli pareceu desanimado em campo, mas dificilmente ficará de fora da próxima Liga dos Campeões.

Udinese 0-2 Parma
A vitória fora de casa contra o Napoli pareceu apenas um lapso da Udinese, que vive um momento ruim. Amauri, ao contrário, vive quase estado de graça: em 11 jogos pelo Parma, marcou sete gols e recolocou a carreira nos trilhos. Em Údine, foi fundamental: marcou o primeiro com menos de 15 minutos de jogo e complicou a vida dos friulanos, que ficaram com um a menos em campo a partir dos 21 minutos do primeiro tempo, quando Inler foi expulso pelo segundo cartão amarelo.

Montado em 4-4-2 eficiente, com defesa consistente e preparado para contra-atacar, o Parma foi melhor e mereceu a vitória. Zaccardo e Lucarelli foram muito bem na parte defensiva, Modesto se movimentou bem pelo meio e, claro, Amauri foi decisivo, fechando o placar quase no fim do jogo - novamente em posição duvidosa. A vitória dá alguma tranquilidade ao Parma, que está apenas três pontos acima da zona do rebaixamento, mas que, se mantiver o bom futebol jogado nas últimas duas partidas, deve se salvar da Serie B. Já a Udinese, se mantém a apenas um ponto da Lazio na briga pela última vaga para a LC, mas agora vê a Roma encostando e o futebol caindo. Sem Inler nos próximos dois jogos, a situação pode ficar pior.

Bari 0-1 Sampdoria
No jogo dos desesperados, a Sampdoria conseguiu uma vitória mínima e agora pode respirar fora da zona de rebaixamento por pelo menos uma semana. O Bari, por outro lado, deu adeus à Serie A após duas temporadas, mesmo com um elenco superior ao de outras equipes na disputa do campeonato. Com o clube imerso em problemas financeiros, a diretoria pediu aos jogadores que adiem o recebimento de seus salários. A crise deve fazer com que boa parte do elenco não seja mantido para a disputa da Serie B, diminuindo as chances de retorno imediato à elite. Angustiada, a torcida implora para que novos investidores assumam o time, no lugar de Antonio Matarrese.

Em busca da vitória a qualquer custo, os blucerchiati partiram para cima dos donos da casa desde o início. Cavasin contou com a volta de Gastaldello ao centro da zaga voltou a usar o 4-4-2. O gol da vitória veio só no segundo tempo, com Pozzi, de pênalti, livrando os dorianos de um jejum de 817 minutos sem marcar gols fora de casa - o último havia sido com Pazzini, contra o Lecce, na última vitória da equipe fora de seus domínios. Na próxima rodada, a Samp tem mais um jogo contra rival direto na briga pela salvezza: recebe o Brescia, em Gênova, e contará com o desfalque de Poli, suspenso.

Bologna 0-2 Cesena
Outro time que vem de um bom momento é o Cesena, que já acumula quatro jogos sem perder e está conseguindo manter uma distância de segurança para a zona de rebaixamento. No dérbi da Emília-Romanha contra o Bologna, que já não tem pretensões neste campeonato, o time de Ficcadenti conseguiu uma importante vitória. No primeiro tempo, as duas equipes estavam apáticas e pouco movimentaram o jogo. O Cesena estava melhor na partida, dominando as ações e com mais posse de bola, mas sem levar verdadeiro perigo ao gol de Viviano. Só na segunda etapa o jogo mudou de figura.

Logo aos 3 minutos, Giaccherini mostrou seu lado oportunista e aproveitou o rebote de Viviano no chute de Jiménez. O atacante ainda importunaria o goleiro da Nazionale em pelo menos mais três ocasiões. Com o domínio do jogo, o Cesena relaxou um pouco e deixou o Bologna avançar. O time só voltou a acordar depois que quase sofreu o gol de empate. Aos 39, então, Malonga acabou com a aflição e ampliou. O Bologna ainda teve gol anulado, mas o resultado não se alterou mais. O Cesena está cada vez mais perto da salvação e com méritos: nas últimas nove partidas, venceu quatro e empatou quatro. Já o Bologna não vence há cinco jogos, desde que alcançou os 40 pontos, cota supostamente necessária para permanecer na elite, e se acomodou. Mas, nesta edição da Serie A, 40 pontos podem não ser suficientes para escapar da degola.

Roma 1-0 Chievo
Com o tropeço dos rivais que estão na frente (Lazio e Udinese) e atrás (Juventus) na tabela, a Roma pode voltar a sonhar com uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Agora, quatro pontos separam o time da última vaga da LC e três o distanciam da Juventus, o que tira um pouco da pressão de ficar de fora também da Liga Europa. Em metáfora com uma corrida, os giallorossi já podem tirar os olhos do retrovisor e acelerar em busca de melhores colocações. Para isso, porém, não podem se contentar com o futebol jogado neste fim de semana e, principalmente, vão ter que melhorar a pontaria.

O gol da vitória saiu logo no início: quatro minutos após o apito inicial, De Rossi deu bom passe para Perrotta marcar, em jogada que começou nos pés de Totti. Mas poderia ter sido muito mais. Só no primeiro tempo, Vucinic perdeu pelo menos três chances claras de ampliar o resultado, em boas jogadas do capitão Totti, que novamente fez boa partida sob o comando de Montella. Por sorte, o adversário era o Chievo e esses gols perdidos não fizeram falta. Contra Bari, Catania, Milan e Sampdoria, nas quatro últimas rodadas do campeonato, podem fazer e decidir a classificação ou não para a maior competição europeia.

Genoa 4-2 Lecce
Se a Sampdoria conseguiu sair da zona de rebaixamento, deve agradecer o Genoa, que venceu e freou o bom momento do Lecce, que tinha conquistado sete pontos nos últimos três jogos. No jogo com mais gols da rodada, três jogadores marcaram duas vezes cada: de Floro Flores e Palacio para o Genoa e de Di Michele para o Lecce. Para enfrentar o Genoa fora de casa, De Canio escalou seu time com três zagueiros e cinco meio campistas, deixando nos pés de Jeda e De Michele a responsabilidade dos gols. O plano deu certo pela metade. Di Michele de fato fez boa partida e colocou duas bolas pra dentro, mas a defesa voltou a vacilar, como no início do campeonato.

O Lecce chegou a estar na frente no placar por duas vezes no jogo, porém, os gols de Floro Flores e Palacio não deram sossego aos giallorossi: o primeiro tempo acabou em 2 a 2. Na segunda etapa, os dois atacantes rossoblù não demoraram para matar a partida. Palacio fez aos 9 minutos e Floro Flores aos 17. O Lecce não desistiu e continuou procurando o gol, sem sucesso. A missão de De Canio agora é manter o time focado no objetivo final e ão deixar que este resultado afete as próximas atuações. A equipe vem de boas apresentações e tem chances reais de fugir do rebaixamento. Está na zona de rebaixamento, mas tem o mesmo número de pontos que a Sampdoria: 35.

Juventus 2-2 Catania
Em Turim, a Juventus levou o empate nos 15 últimos minutos de jogo. Del Piero já tinha marcado dois e alcançado mais um recorde com a camisa da Juventus: com 283 gols anotados pela Velha Senhora, o capitão se tornou o jogador com mais tentos assinalados por um único time italiano na história, superando os 282 de Giuseppe Meazza pela Inter. Pena, para os bianconeri, que o recorde não veio junto com uma vitória e que a classificação para a Liga Europa parece distante. O Catania, por outro lado, somou ponto importante na briga contra o rebaixamento graças a Gómez e Lodi, que, assim como contra o Lecce, acertou cobrança de falta perfeita, desta vez no último minuto dos acréscimos.

O jogo ficou marcado por decisões contestáveis do árbitro Mauro Bergonzi. No primeiro gol da Juventus, assinalou pênalti que só ele viu. No segundo do Catania, foi muito rigoroso ao marcar falta de Felipe Melo. Ainda assim, o resultado foi justo. A Juventus mais uma vez não soube segurar a vitória e deixou o Catania pressionar. O resultado praticamente tira qualquer possibilidade que Del Neri ainda tinha de permanecer no comando do time na próxima temporada e as estranhas trocas de Del Piero e Matri por Pepe e Toni em momento que o time depende de contra-ataques não devem mais irritar a torcida a partir de agosto. O que parecia impossível está cada vez mais perto: piorar a pífia campanha da temporada passada.

Cagliari 1-2 Fiorentina
Na única partida que realmente não valia nada em termos de classificação, Cagliari e Fiorentina prometiam uma partida parca em emoções. E foi assim na primeira etapa: jogo soporífero, que só teve o primeiro chute a gol nos acréscimos, quando Cerci marcou 1 a 0. Quando os times voltaram a campo após o intervalo, a partida ganhou alguns minutos de emoção, quando Cossu empatou aos 30 segundos, mostrando que o Cagliari não queria passar vergonha frente a sua torcida.
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Por outro lado, a equipe viola seguia as orientações de Mihajlovic, que queria somar três pontos por orgulho pessoal. Outro gol de Cerci, cinco minutos depois do empate cagliaritano, deram números finais à partida, por mais que os donos da casa tentassem, timidamente, vencer a defesa visitante.

Colaborou Rodrigo Antonelli

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Seleção da 34ª rodada
Abbiati (Milan); Nagatomo (Inter), Bovo (Palermo), Criscito (Genoa), Balzaretti (Palermo); Nocerino (Palermo), Parolo (Cesena), Sneijder (Inter); Palacio (Genoa), Amauri (Parma), Giaccherini (Cesena). Técnico: Delio Rossi (Palermo).

sábado, 23 de abril de 2011

Brasileiros no calcio: Aldair

Aldair marca o laziale Riedle em um clássico de 1991-92, logo após a conquista da Coppa Italia (Blog Idman Yurdu)
Durante a década de 90, o Brasil começou a se especializar na prática de revelar zagueiros de grande nível para o futebol internacional. A tradição recente, que perdura até hoje, teve início com Aldair, que desenvolveu sólida carreira na Roma durante 13 anos. A lealdade e personalidade, além do bom futebol, deram a Pluto o status de ídolo do clube.

Antes de passar a integrar o elenco romanista, Aldair integrou o time profissional do Flamengo entre 1985 e 1989, ganhando projeção internacional e transferindo-se para o Benfica, no fim da década. Na equipe rubronegra, capitaneada por Zico, começou a demonstrar elegância, tranquilidade e garra acima da média e foi campeão do campeonato Carioca e do Brasileirão. 180 partidas depois da estreia, foi negociado com o Benfica, para substituir seu ex-companheiro Mozer, vendido ao Olympique de Marseille. Sob comando de Sven-Göran Eriksson, ele foi campeão português e vice da Liga dos Campeões – parou no Milan de Sacchi, Costacurta, Maldini, Rijkaard, van Basten e Gullit.

A ascensão meteórica na carreira fez com que Aldair, já integrante da seleção brasileira, fosse convocado por Sebastião Lazaroni para a Copa do Mundo de 1990. Assistiu do banco de reservas a eliminação para a Argentina nas oitavas de final do Mundial. O zagueiro que nem jogou a competição de seleções, entretanto, permaneceu na Itália: foi a última aquisição do presidente Dino Viola. A Roma comprou Aldair por aproximadamente 3,75 milhões de euros, em valores atuais.

Sucesso pela Roma fez com que a camisa 6 de Aldair fosse aposentada (Tumblr)
Em Roma, ganhou o apelido de Pluto, pela semelhança com a personagem da Disney, e viveu os melhores momentos da carreira. O primeiro título em giallorosso foi conquistado na temporada de seu debute, ainda sem Zago e Cafu, mas com Berthold e Carboni. Na Coppa Italia, a Roma eliminou o Foggia, Genoa, a Juventus de Roberto Baggio e o Milan “invencível”, que foi derrotado graças a gol contra de van Basten. Na decisão contra a Sampdoria campeã italiana,com Mancini e Vialli, vitória no Olímpico por 3 a 1 e empate em 1 a 1, fora. Nem mesmo o gol contra de Aldair na partida de volta tirou o brilho do brasileiro no título, o único na década de 90. No ano seguinte, a Roma foi freada na Copa Uefa pela Inter de Berti: o marcador agregado na final foi de 2-1 para os nerazzurri.

Mesmo com a fase negativa vivida por uma Roma sem títulos, Aldair mantinha a titularidade com maestria. Por isso, foi convocado por Carlos Alberto Parreira para o lugar de Mozer, machucado às vésperas da Copa do Mundo de 1994. Pluto formou a zaga do tetra com Márcio Santos após lesão de Ricardo Rocha na estreia do Mundial. O setor defensivo do Brasil foi impecável na competição - levou apenas três gols - e Aldair acabou integrando a seleção da Copa.

O senso de posicionamento e marcação para reter a bola no contra-ataque adversário dava o suporte defensivo necessário para que Cafu, contratado em 1996, apoiasse bastante. Não era incomum ver Aldair, já capitão da equipe romana, “brincando” com a bola na zaga para sair da marcação e sair jogando com a bola dominada. A chegada de Zdenek Zeman em 1997-98 fez com que a Roma ficasse mais vulnerável defensivamente, por causa do esquema desbalanceado do treinador, e Aldair acabava tendo dificuldades demais. A idade também ia chegando e o zagueiro perdia velocidade. Perdeu, também, a faixa de capitão, cedida voluntariamente para Francesco Totti, que começava a se tornar o principal jogador da equipe.

Pela seleção brasileira, o zagueiro ainda venceu a Copa América em 1997 e foi vice-campeão mundial em 1998, antes de anunciar a aposentadoria em 1999. No entanto, Pluto teria mais algumas chances em amistoso e foi convocado para jogos das Eliminatórias Sul-Americanas de 2000. A volta, no Maracanã, foi uma lástima: falhou grotescamente no gol do Uruguai, em um empate por 1 a 1, e decretou definitivamente o fim de uma era com a camisa amarela.

Na Roma, as contratações de Fabio Capello e de Walter Samuel deram mais solidez à defesa, mas fizeram com que Pluto começasse a esquentar o banco de reservas. Na temporada do terceiro scudetto romanista, em 2000-01, por exemplo, ele fez apenas 15 partidas da Serie A, enquanto o argentino participou de 31. Em 2002, aos 36 anos, chegou a ouvir o então presidente Franco Sensi dizer que era velho demais para continuar no elenco. Aldair se irritou e tentou provar dentro de campo que ainda era capaz de continuar no time ao fazer 17 jogos na temporada.

Mas o fim estava mesmo próximo. Ao fim da temporada de 2003, no dia 2 de junho, Aldair fez sua despedida da Roma. O Aldair Day levou 40 mil espectadores ao Olímpico. A renda de 492 mil euros foi doada ao Fome Zero. Para homenagear os 13 anos de serviços prestados aos giallorossi, foram convidados atletas como Dunga, Leonardo e Serginho; isso, claro, além de jogadores da Roma como Cafu, Candela, Balbo, Totti, Giannini e Bruno Conti. O jogo acabou empatado em 3 a 3; Pluto marcou duas vezes e ouviu elogios de Capello, que disse que ele foi um dos defensores mais completos com quem trabalhou. Aldair foi ovacionado pelos tifosi em sua volta olímpica na última de suas 415 partidas com a camisa da Roma.

De saída da Roma após 13 anos, Aldair passou pela Serie B em 2003-04 e encerrou a carreira no Genoa. O jogador repensou a aposentadoria em 2005, quando atendeu um pedido de sua esposa para defender o Rio Branco, do Espírito Santo, por apenas dois jogos. Em 2007, o amigo Massimo Agostini o convidou para jogar pelo Murata, de San Marino, onde ainda hoje atua profissionalmente, prestes a completar 46 anos de idade.

Aldair Nascimento dos Santos
Nascimento: 30 de novembro de 1965, em Ilhéus
Posição: zagueiro
Clubes: Flamengo (1985-89), Benfica (1989-90), Roma (1990-2003), Genoa (2003-04), Rio Branco-ES (2004-05) e Murata (2007-hoje)
Títulos: Campeonato Carioca (1986), Campeonato Brasileiro (1987), Campeonato Português (1989), Coppa Italia (1990-91), Serie A (2000-01), Supercopa italiana (2001); 2 Copa América (1989 e 1997), Copa do Mundo (1994), Copa das Confederações (1997), Campeonato Sanmarinês (2007-08)
Seleção brasileira: 93 jogos e 4 gols

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um pouco mais complicado

Emanuelson vibra após marcar: seu gol tirou o Milan de uma situação ainda mais complicada (AP Photo)

Líder da Serie A com folga e, para muitos, virtual campeão italiano de 2011, o Milan não terá a mesma vida fácil para conquistar o título da Coppa Italia. O favoritismo na partida de ida das semifinais, diante do Palermo, não foi confimado e deixou os comandados de Massimo Allegri em situação um tanto quanto embaraçosa. Jogando com time misto - o principal foi poupado para a disputa do Italiano - os rossoneri empataram em 2 a 2 com os rosanero e, para piorar o fato de não ter vencido, saiu do San Siro com dois gols do adversário na bagagem, fato que pode decidir a classificação.

Suspenso na Serie A, Ibrahimovic foi a principal estrela milanista em campo. Basicamente todas as jogadas do time de Milão passavam ou terminavam nos pés do sueco, referência para seus companheiros. A tática não demorou para dar certo e, logo aos 4 minutos do primeiro tempo, o atacante aproveitou cruzamento de Oddo para abrir o placar. Com a vantagem no marcador o time da casa relaxou e logo passou a ser dominado pelo adversário, que sem maiores aspirações na Serie A, foi a campo com o que tinha de melhor.

Na base da insistência, aproveitando as falhas de um Milan misto, o Palermo conseguiu chegar ao empate do mesmo modo que os donos da casa: através de sua principal estrela. O argentino Pastore recebeu ótimo lançamento e, já dentro da área, bateu com a bola a meia altura para empatar o duelo. E com a igualdade no placar, o Palermo continuou tomando as rédeas do jogo, atrás de uma virada que inverteria o aparente favoritismo do duelo, mas que confirmaria um retrospecto recente favorável ao time palermitano. Contando com o jogo de quarta, são 13 partidas disputadas entre as duas equipes nos últimos seis anos, com apenas quatro vitórias do Milan.

A iniciativa dos rosanero, mesmo jogando fora de casa, foi crucial para o desenvolvimento do restante da partida. Logo aos oito minutos da etapa final o domínio do Palermo foi premiado com a virada, que veio com um golaço do uruguaio Abel Hernández. O jogador sul-americano recebeu bola quase na linha de fundo, dentro da área, e, surpreendendo a todos, bateu direto para o gol rossonero, acertando um belo chute do ângulo milanista. A virada sofrida acendeu o Milan, que desde que abrira o placar era dominado pelo adversário.

A desvantagem no placar fez com que Allegri abrisse mão de poupar algumas de suas estrelas. Com o adversário na frente, o treinador colocou em campo Robinho e Emanuelson, dando muito mais velocidade e posse de bola ao Milan. A tática proposta pelo técnico toscano funcionou e, mesmo com certa demora, o empate veio. O tento que igualou o marcador, inclusive, veio pelos pés do holândes, que apenas teve o trabalho de finalizar uma bela jogada de Ibrahimovic, melhor em campo pelos milanistas, e dar números finais ao duelo.

Ao Milan sobram duas considerações após o empate em 2 a 2 com o Palermo: se na Serie A a vida está fácil, a situação é contrária com a obrigação da vitória na semifinal da Coppa Italia; também é destaque a diferença que Ibra faz para o time, dando ainda mais esperanças aos torcedores para quando a suspensão do jogador terminar. Aos rosanero sobra a esperança de ter jogado melhor do que um adversário que parece mais interessado em outra competição, além de uma vantagem considerável já conquistada.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jogadores: Joe Jordan

Joe Jordan julga que a sua melhor decisão na carreira foi se transferir para a Itália, onde será lembrado pela temporada 1982-83 no Milan (Telegraph)
Antes de ser vitíma da ira de Gattuso no confronto entre Tottenham e Milan pela Liga dos Campeões, o auxiliar técnico dos Spurs fez parte de um momento difícil na história milanista. Longe de ser um centroavante técnico, o canhoto Joe Jordan foi símbolo de um momento em que a equipe estava na segunda divisão e buscava recuperação, anos antes da chegada de Silvio Berlusconi à presidência.

Nascido na Escócia, Joe Jordan deixou a escola cedo para aprender a ser projetista. Porém, aos 15 anos ele ingressou no Blantyre Victoria, time da categoria júnior em seu país. Mas, a carreira nos juniores durou pouco, pois aos 17 anos ele se profissionalizou no Greenock Morton. Em 1970, ele se transferiu para a vizinha Inglaterra para defender por oito anos o forte Leeds United.

No começo de sua trajetória, a perda de dois dentes lhe rendeu um apelido que ficou para sempre. Em inglês Jaws, remetendo ao título do filme “Tubarão”, na Itália se transformou Lo Squalo, com o mesmo significado em italiano. No seu primeiro clube na terra da rainha, Joe Jordan venceu o Campeonato Inglês de 1973-74, quando marcou sete vezes nos 25 jogos que disputou e acabou jogando a Copa do Mundo pela seleção escocesa.

Em 1975, a sua equipe acabou derrotada pelo Bayern de Munique, na final da Liga dos Campeões, por 2 a 0. Três anos depois, o clube passou por declínio financeiro e se viu obrigado a negociar Jordan com o Manchester United, que pagou 350 mil libras pelo atacante, à época, um recorde em transferências entre clubes ingleses. Nos três anos que vestiu a camisa dos Red Devils, foi sempre titular e marcou 37 gols em mais de 100 partidas, embora o clube tenha vencido apenas uma Copa da Inglaterra neste período.

Ao fim de sua participação na equipe mancuniana, o escocês deixou a Terra da Rainha para acertar com o Milan, embora fosse apenas a terceira opção dos rossoneri. Dada a impossibilidade de contratar Zico e o belga Jan Ceulemans, foi Jordan o escolhido pela diretoria do Milan, que buscava a recuperação logo após subir da Serie B - à qual tinha sido condenado por um escândalo de manipulação de resultados, em 1980.

Na primeira temporada vestindo rossonero, junto ao restante do time, teve desempenho bastante fraco, marcando apenas dois gols na Serie A. Na Copa Mitropa, competição continental já extinta e que era disputada pelos campeões da segunda divisão de Itália, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia, o Milan conseguiu destaque. Na partida mais importante da competição, contra os líderes Vítkovice, no San Siro. O 3 a 0 deu o título aos italianos e o terceiro gol foi anotado por Jordan de pênalti. O jovem capitão Baresi executaria a cobrança, mas a torcida pediu que o escocês batesse e ele marcou. Quatro dias depois, o Milan retornaria à Serie B.

Na disputa da segunda divisão, Jordan, já inteiramente dedicado ao Milan, após sua aposentadoria da seleção escocesa, pela qual foi o único a marcar gols em três copas diferentes (1974, 1978 e 1982), foi fundamental. Em 30 partidas, Lo Squalo anotou dez gols e demonstrou muita raça, tendo sido, ao lado de Baresi, Tassotti, Battistini e Serena, um dos principais jogadores da equipe que novamente conquistou a Serie B e retornou à elite. Por isso, foi incluído na lista dos 110 jogadores mais importantes da história do Diavolo.

Jordan atuou pelo Milan nas séries A e B (The Times)
Ao invés de seguir junto aos rossoneri, Jordan se transferiu para o Verona, com objetivo de fazer o trabalho sujo dentro da área e ser um constante incômodo aos defensores adversários. Na Copa Uefa, principal competição para os gialloblù na temporada 1983-84, a eliminação na segunda fase decepcionou. No campeonato italiano, apenas o oitavo lugar e um mau desempenho individual, que encerrou a carreira italiana de Jordan, que ficou de fora da surpreendente campanha scaligera no ano seguinte, quando surpreenderiam e conquistariam o título italiano.

Na reta final de sua carreira na Inglaterra, Jordan defendeu o Southampton por três temporadas até perder o posto de titular na equipe e sair. O escocês deixou os gramados após um ano no Bristol City, onde já passou a ser treinador. O seu melhor trabalho como comandante foi feito na Escócia, no Heart of Midlothian, onde chegou a ser vice-campeão nacional.

Depois do bom trabalho, Jordan ainda teve uma experiência no Stoke City, mas se destacou mesmo como auxiliar técnico - posto que ocupa atualmente. Harry Redknapp o conheceu no Portsmouth em 2005 e a parceria segue até hoje no Tottenham, mesmo nos momentos mais difíceis, como quando Gattuso o segura forte pelo pescoço.

Joe Jordan
Nascimento: 15 de dezembro de 1951, em Cleland, Escócia
Posição: Atacante
Clubes como jogador: Greenock Morton (1968-70), Leeds United (1970-78), Manchester United (1978-81), Milan (1981-83), Hellas Verona (1983-84), Southampton (1984-87) e Bristol City (1987-88)
Clubes como treinador: Bristol City (1988-90 e 1994-97), Heart of Midlothian (1990-93) e Stoke City (1993-94)
Títulos: Campeonato Inglês (1973-74), Serie B (1982-83) e Copa Mitropa (1981-82)
Seleção escocesa: 52 partidas e 11 gols