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terça-feira, 31 de maio de 2011

Review da temporada: Cesena

Mesmo com 26 anos, Parolo pode ser considerado uma das grandes revelações do campeonato. O meio-campista de força e boa técnica foi essencial para a permanência do Cesena na elite (Getty Images)

A campanha: 15ª colocação, 43 pontos. 11 vitórias, 10 empates, 17 derrotas
Ao final de 2010: 18ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado pelo Novara na terceira fase da Coppa Italia
O ataque: 38 gols, o quinto pior
A defesa: 50 gols
Time-base: Antonioli; Ceccarelli, Von Bergen, Pellegrino, Lauro; Caserta, Colucci, Parolo; Jiménez, Bogdani (Budan), Giaccherini
Os artilheiros: Luis Jiménez (9 gols), Erjon Bogdani (8) e Emanuele Giaccherini (7)
Os onipresentes: Francesco Antonioli (37 jogos), Marco Parolo (37) e Emanuele Giaccherini (36)
O técnico: Massimo Ficcadenti
O decisivo: Emanuele Giaccherini
A decepção: Alessandro Rosina
A revelação: Marco Parolo
O sumido: Davide Santon
Melhor contratação: Luis Jiménez
Pior contratação: Diego Cavalieri
Nota da temporada: 5

Após 19 anos longe da elite do futebol italiano, o Cesena voltou à Serie A e conseguiu cumprir sua meta na temporada de reestreia: permanecer por mais tempo entre os melhores. O início foi surpreendente (empate contra a Roma, no Olímpico, e vitória por 2 a 0 sobre o Milan, em casa), dando uma amostra de que seria um adversário duro - e, realmente foi, sobretudo para os grandes, contra os quais lutou muito e vendeu caro alguns pontos, conquistando outros. No entanto, a equipe passou a perder pontos importantes em casa e rondou a zona de rebaixamento, uma constante no campeonato. A partir da 8ª rodada, os bianconeri figuraram entre os cinco piores times da competição 31 vezes. Ou seja, em todas as rodadas restantes. Pela zona de rebaixamento, o time passeou 14 vezes.

A coisa só não foi pior porque alguns jogadores, como Antonioli, Giaccherini, Jiménez e Parolo, superaram as expectativas e renderam no máximo de suas capacidades. O primeiro foi um dos melhores goleiros do campeonato e nem seus 41 anos de idade impediram que realizasse grandes defesas - inclusive, barrou Diego Cavalieri, um dos maiores flops deste campeonato, que acabou rescindindo seu contrato após amargar a eterna reserva. Lá na frente, Giaccherini e Jiménez, que jogando mais avançado teve suas melhores atuações, se juntaram à Bogdani na artilharia do time e funcionaram sempre como motores para a equipe. No meio de campo, era a revelação Marco Parolo quem mandava. Revelação porque, apesar de seus 26 anos, o jogador ainda não tinha aparecido tão bem em fase nenhuma de sua carreira. Com bom porte físico, noção de marcação aguçada e passes de qualidade, foi peça essencial na caminhada até a salvezza e chegou a ser convocado por Cesare Prandelli para a seleção italiana. Interessa a Roma, Inter, Fiorentina e Genoa.

Enquanto isso, jogadores como Budan, Rosina e Santon ficaram bem aquém das expectativas e pouco ajudaram a equipe. O atacante Budan chegou no último dia de tranferências para ser o comandante do ataque bianconero, mas passou muito tempo lesionado, entrou em campo apenas 17 vezes e marcou um único gol na temporada. Mesma número e motivo de Rosina, que atuou apenas dez vezes. Não podemos deixar de citar o (esquecível) ex-lateral da Inter, Davide Santon. Apontado como possível grande revelação do futebol italiano nos últimos anos, o jogador ainda não conseguiu demonstrar seu potencial e só atuou 11 vezes em 2010-11. Para a próxima temporada, o time busca uma salvezza mais tranquila - como esta poderia ter sido, se Massimo Ficcadenti explorasse o total potencial do time. O treinador, que não seguirá no comando dos cavalos marinhos, até fez bom trabalho de vestiários, mas recusou-se a lançar jovens de bom potencial e quase colocou a permanência do time em risco.

Review da temporada: Bologna

Di Vaio, com gols e dedidação, e Malesani, com um esquema tático coeso, foram os destaques da positiva temporada do Bologna (Getty Images)

A campanha: 16ª colocação, 42 pontos. 11 vitórias, 12 empates, 15 derrotas.
Ao final de 2010: 14ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado pelo Napoli nas oitavas de final da Coppa Italia.
O ataque: 35 gols, o quarto pior.
A defesa: 52 gols, a quarta pior.
Time-base: Viviano; Casarini (Garics, Moras), Portanova, Britos, Rubin; Mudingayi, Pérez, Della Rocca; Ramírez (Ekdal); Meggiorini, Di Vaio.
Os artilheiros: Marco Di Vaio (19 gols), Gastón Ramírez (4), Henry Giménez e Miguel Ángel Britos (ambos com 3)
Os onipresentes: Marco Di Vaio, Emiliano Viviano (ambos com 38 jogos) e Miguel Ángel Britos (34 jogos)
Os técnicos: Paolo Magnani (1ª rodada) e Alberto Malesani (a partir da 2ª rodada)
O decisivo: Marco Di Vaio
A decepção: Andrea Esposito
A revelação: Gastón Ramírez
O sumido: René Krhin
Melhor contratação: Gastón Ramírez
Pior contratação: Riccardo Meggiorini
Nota da temporada: 6,5

A temporada do Bologna tinha tudo para ser desastrosa: a começar pela aparentemente inexplicável demissão de Franco Colomba um dia antes do início do campeonato. Fora de campo, um panorama de incerteza rondava o clube, imerso em uma crise de transferência para novos donos e sem dinheiro para pagar salários - ainda correu risco de ver rescindido o contrato de todos os jogadores. Por isso, três pontos foram deduzidos do Bologna, mas em campo a performance da equipe não diminuía - e os jogadores nem mesmo faziam corpo mole. Honrando a camisa rossoblù, Di Vaio e companhia deram seu máximo, sob as ordens de Malesani, que realizou o melhor trabalho de sua carreira e deve dirigir uma equipe maior - provavelmente o Genoa - na próxima temporada.

A equipe cresceu justamente quando as coisas pioravam no ambiente interno da sociedade, quando o novo presidente Massimo Zanetti, que havia sanado as contas, se afastou por falta de apoio da diretoria e da torcida. Nas 11 primeiras rodadas, ainda se habituando ao time, Malesani não tinha total conhecimento do potencial do time e experimentava muito, mas o quadro mudou a partir de dezembro, quando o time cresceu muito e conseguiu, até março, 12 resultados úteis (8 vitórias e 4 empates) em 15 jogos. A partir de então, quando a salvezza já estava garantida, com quase dez rodadas de antecedência, e já se chegava a pensar numa improvável classificação para a Liga Europa, o time cansou e sofreu brusca queda de rendimento: foram nove jogos seguidos sem vitória - e cinco derrotas consecutivas.

Tudo isso, no entanto, não apaga a temporada de superação e de bom futbol de um time que jogava em torno de Di Vaio, disparado o principal jogador do clube, com a ajuda do uruguaio Ramírez, de 20 anos, uma das maiores revelações do campeonato - e sondado por Inter e Udinese. Mais atrás, um meio-campo forte, com Pérez, Mudingayi e Della Rocca fazia o "trabalho sujo", enquanto a forte defesa composta por Britos e Portanova, além do goleiro Viviano, trazia segurança. Se mantiver a base, Pierpaolo Bisoli (ex-Cesena e Cagliari), já anunciado para a próxima temporada, terá a chance de fazer seu primeiro bom trabalho na elite do futebol nacional.

Review da temporada: Lecce

Hora de dar tchau: De Canio fez excelente trabalho no Lecce ao longo de dois anos, salvou a equipe do rebaixamento e terá outra oportunidade (Getty Images)

A campanha 17ª colocação, 41 pontos. 11 vitórias, 8 empates, 19 derrotas
Ao final de 2010 19ª colocação
Fora da Serie A Eliminado pela Udinese na quarta fase da Coppa Italia
O ataque 46 gols
A defesa 66 gols, a pior
Time-base Rosati; Tomovic (Donati), Gustavo, Fabiano (Ferrario), Mesbah (Brivio); Munari, Giacomazzi, Vives; Jeda (Corvia), Olivera; Di Michele.
Os artilheiros David Di Michele (8 gols), Daniele Corvia (6) e Jeda (5)
Os onipresentes Antonio Rosati (38 jogos), Djamel Mesbah (34) e Gianni Munari (34)
O técnico Luigi De Canio
O decisivo Rubén Olivera
A decepção Ignacio Piatti
A revelação Andrea Bertolacci
O sumido Souleymane Diamoutene
Melhor contratação Rubén Olivera
Pior contratação Carlos Grossmüller
Nota da temporada 5

Campeão da última Serie B, o Lecce não se deixou iludir e, desde o início da temporada, traçou o principal objetivo: fugir do rebaixamento. Para isso, assinou com 17 novos jogadores e apostou em alguns veteranos, como Chevantón, Olivera e Di Michele, e outros jovens, como Sini, Donati e Bertolacci. Entre os veteranos, cada um teve sua parcela de "culpa" pela salvação do Lecce: Chevantón, ídolo da torcida, não chegou para ser titular e entrava, normalmente, nos minutos finais do segundo tempo, mas fez gols importantes - como o que definiu a permanência -, enquanto Di Michele e Olivera compunham dupla forte, que fazia o ataque de um time que jogava de maneira ofensiva ser bastante perigoso - e efetivo.

Por outro lado, a defesa, que às vezes jogava com cinco atrás, foi muito mal e, com 66 gols sofridos, foi a mais vazada do campeonato. A maior revelação do time acabou sendo, ironicamente, um volante que também chega bem ao ataque: foi Bertolacci, emprestado pela Roma, que figurou entre os titulares algumas vezes, chegou a marcar uma doppietta contra a Udinese e passou segurança ímpar para um jogador de apenas 20 anos.
A permanência do técnico Luigi De Canio e de jogadores como Mesbah, Giacomazzi e Munari também foram de suma importância para a salvação do time: os meio-campistas inspiravam confiança no time e De Canio não se deixava abater, cobrando sempre o máximo de seus jogadores. Na lista de decepções, enquanto o argentino Piatti ficou longe de assumir sua prevista titularidade, enquanto Grossmüller não seguiu os passos de seus compatriotas e foi o único uruguaio a decepcionar.

Fora do gramado, além da saída de De Canio
por achar que não pode continuar seu projeto em Lecce, após dois excelentes anos de trabalho - e que devem lhe render um bom clube na próxima temporada -, a presidência conseguiu manter em silêncio algo que anunciaria apenas ao fim da temporada: a família Semeraro, dona do clube e na presidência há 16 anos, colocou o time à venda. Agora, o futuro é incerto, mas a salvezza com uma rodada de antecedência foi um prêmio para a torcida, que respira aliviada e ganha mais um ano de bons jogos em seu estádio.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Review da temporada: Sampdoria

Mannini e Biabiany dão as mãos: não há nada para comemorar na péssima temporada da Sampdoria (Getty Images)

A campanha: 18ª colocação, 36 pontos, 8 vitórias, 12 empates e 18 derrotas. Rebaixada à Serie B
Ao final de 2010
: 8ª posição, 23 pontos, 5 vitórias, 8 empates e 3 derrotas
Fora da Serie A:
Eliminada na terceira fase de classificação para a Liga dos Campeões e na fase de grupos da Liga Europa, eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pelo Milan.
O ataque:
33 gols marcados, o segundo pior
A defesa:
49 gols sofridos
Time-base:
Curci; Zauri, Gastaldello, Lucchini (Volta), Ziegler; Guberti, Palombo, Tissone (Dessena, Poli), Mannini; Biabiany, Pozzi.
Os artilheiros:
Nicola Pozzi e Giampaolo Pazzini (6 gols) e Stefano Guberti (5)
Os onipresentes:
Stefano Guberti (36 jogos), Gianluca Curci (35) e Reto Ziegler (34)
Os técnicos:
Domenico di Carlo (até a 29ª rodada) e Alberto Cavasin (a partir da 30ª rodada)
O decisivo:
Stefano Guberti
A decepção:
Federico Macheda
A revelação
: Massimo Volta
O sumido:
Marco Padalino
Melhor contratação
: Massimo Volta
Pior contratação:
Jonathan Biabiany
Nota da temporada:
0

Com vocês, a grande decepção italiana na temporada. De time-sensação classificado com méritos à Liga dos Campeões a um rebaixamento mais do que merecido. Essa foi a Sampdoria na Serie A em 2010-11. Se no início do campeonato o clube blucerchiato era apontado como provável concorrente à boas colocações no campeonato italiano, uma parada de inverno desastrosa não só destruiu qualquer sonho dos torcedores como levou a equipe ao maior pesadelo possível: a volta à Serie B. Com uma defesa arrumada e que não foi o ponto fraco da equipe, sobrou ao setor ofensivo a culpa pelo fracasso. Um meio campo pragmático, sem criação alguma, muito pela má fase de Palombo e pelo absurdo desprezo a Poli, e um ataque sem suas principais peças de outrora foram o calcanhar de Aquiles de um time bagunçado dentro e fora das quatro linhas.

Sem Luigi Delneri, contratado para dirigir a Juventus após a ótima campanha no comando blucerchiato, a Sampdoria naufragou logo de cara. Perdeu a chance de disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões e só decepcionou mais ao cair ainda no início da Liga Europa. Na Serie A, os impressionante seis empates conquistados nas dez primeiras rodadas fizeram com que o time fosse para o segundo turno sem muitas chances de repetir a boa colocação da temporada anterior. Mal sabiam os torcedores, porém, que as saídas de Pazzini e Cassano somadas às infrutíferas contratações de Biabiany e Macheda, além da troca de Di Carlo pelo fraco Alberto Cavasin resultariam em apenas duas vitórias na segunda metade do torneio – foram impressionantes 12 derrotas. Não demorou para a ira do torcida recair sobre a família Garrone, dona do clube.

Com todas essas trapalhadas dentro e fora dos gramados, o rebaixamento acabou sendo muito mais do que merecido. Um final triste para uma torcida que esperava ver os belos tempos do final da década de 1980 e início da de 1990 de volta ao Luigi Ferraris. Afundada em uma grave crise administrativa, a Samp provavelmente perderá boa parte de seus principais jogadores e precisará se cuidar para manter uma base. A alternativa, porém, pode estar dentro do próprio clube, que possui uma das melhores divisões de base da Europa e já tem nomes incorporados ao time principal, como Zaza e Obiang, e outros que fizeram boa Serie B por outros times, como Soriano.

Review da temporada: Brescia

Os 12 gols de Caracciolo foram pouco para o Brescia alcançar a salvezza (Getty Images)

A campanha: 19ª colocação, 32 pontos. 7 vitórias, 11 empates e 20 derrotas
Ao final de 2010: 17ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado pelo Catania na quarta fase da Coppa Italia
O ataque: 34 gols, o terceiro pior
A defesa: 52 gols, a quarta pior
Time-base: Arcari (Sereni); Zébina, Bega, Zoboli; Zambelli, Hetemaj, Kone, Berardi; Diamanti; Éder e Caracciolo
Os artilheiros: Andrea Caracciolo (12 gols), Éder e Alessandro Diamanti (ambos com 6 gols)
Os onipresentes: Éder (35 partidas), Andrea Caracciolo (33) e Alessandro Diamanti (32)
Os técnicos: Giuseppe Iachini (até a 15ª rodada e a partir da 23ª) e Mario Beretta (até a 23ª) .
O decisivo: Andrea Caracciolo
A decepção: Éder
A revelação: Panagiotis Kone
O sumido: Davide Lanzafame
Melhor contratação: Alessandro Diamanti
Pior contratação: Jonathan Zébina
Nota da temporada: 3

Os prognósticos do início da temporada se confirmaram ao final dela e o Brescia não conseguiu seguir na Serie A, após o acesso em 2009-10. O orçamento era curto (apenas 13,5 milhões de euros de salário para a temporada) e as principais contratações ou demoraram a engrenar (Diamanti) ou, realmente, não cumpriram as expectativas (Éder). A boa largada, com uma derrota seguida de três vitórias dava impressão que os rondinelli conseguiriam escapar do rebaixamento, porém, com o decorrer da disputa, essa possibilidade foi se afastando. Jogando mal, não conseguiram inflamar a torcida, que logo colocou por terra a trégua com o presidente Gino Corioni, surgida após o acesso.

Após o bom início, foram 11 jogos sem vitórias, que acabaram resultando na dispensa de Iachini. Em oito rodadas, Mario Berreta não melhorou o futebol da equipe e, em uma das atitudes mais tétricas - e comuns - que tem rondado a Itália, Iachini retornou e o Brescia até melhorou um pouco. A equipe da Lombardia sofreu muito com o péssimo desempenho do ataque na primeira metade da temporada – apenas 15 gols em 19 jogos. No segundo turno, a produção ofensiva cresceu timidamente, muito pelo melhor rendimento de Caracciolo e Diamanti. O trequartista, grande investimento dos rodinelle para a temporada, demorou para se readaptar ao futebol jogado na Itália, mas fez seis gols e deu sete assistências, quase sempre para o Airone Caracciolo, autor de 12 gols. A defesa, mesmo bem protegida, falhava com constância e acabou como uma das piores do torneio.

Mareco e Éder, dois dos destaques da última Serie B, não repetiram a boa temporada, desta vez na elite, e pesaram no desempenho ruim da equipe da Lombardia. Mareco, ex-titular, jogou apenas oito vezes e quase não participou da campanha. O atacante Éder talvez seja o nome que mais sofreu com a troca de divisão: de artilheiro da Serie B pelo Empoli, após ser contratado pelo Brescia passou a ser utilizado menos como referência e mais como apoio a Caracciolo, marcando apenas seis gols, prejudicando bastante o desempenho do ataque. De bom neste opaco Brescia, apenas o surgimento de Kone, meia que veio do grego Iraklis por apenas 800 mil euros e deu certo, além da afirmação do finlandês Hetemaj. Para a Serie B, muita coisa mudará e medalhões como Diamanti, Baiocco, Zébina, Sereni e Caracciolo, além de Hetemaj, devem deixar a equipe. Mais espaço para jovens como Tassi, Nana e Leali seria importante para recomeçar.

Review da temporada: Bari

A partir desta segunda-feira, realizamos nosso tradicional review da Serie A italiana. Analisaremos a temporada de cada um dos times que disputaram o campeonato, apontando erros, acertos, destaques e decepções de cada equipe. A cada dia serão três postagens sobre o que de melhor e pior aconteceu na Serie A. Acompanhe através dos nossos feeds, do nosso Twitter e também do Facebook. Começamos a partir do lanterna Bari e vamos até o campeão Milan, sem esquecer, é claro, da seleção e dos melhores da temporada. Boa leitura!

Comemoração de gols no Bari foram coisa rara: o pior ataque da competição só funcionou após o rebaixamento e teve média de menos de um gol por jogo (Getty Images)

A campanha: 20ª colocação, 24 pontos. 5 vitórias, 9 empates e 24 derrotas
Ao final de 2010: 20ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado pelo Milan nas oitavas de final da Coppa Italia
O ataque: 27 gols, o pior
A defesa: 56 gols, a terceira pior
Time-base: Gillet; A. Masiello, Belmonte (Glik), Rossi, Parisi; Almirón, Donati, Gazzi (Bentivoglio); Álvarez (Huseklepp), Barreto (Rudolf), Ghezzal (Kutuzov).
Os artilheiros: Paulo Vitor Barreto (4 gols), Francesco Grandolfo e Gergely Rudolf (ambos com 3)
Os onipresentes: Andrea Masiello, Jean-François Gillet (36 partidas), Alessandro Gazzi e Massimo Donati (ambos com 31)
Os técnicos: Giampiero Ventura (até a 24ª rodada) e Bortolo Mutti (a partir da 25ª)
O decisivo: Jean-François Gillet
A decepção: Paulo Vitor Barreto
A revelação: Francesco Grandolfo
O sumido: Emanuel Rivas
Melhor contratação: Marco Rossi
Pior contratação: Paul Codrea
Nota da temporada: 1

Nesta temporada, o Bari deu um belo curso de como ser rebaixado com um elenco que tinha total capacidade de permanecer na Serie A. Após o mercado de verão, a equipe permaneceu praticamente a mesma que conquistou o recorde de pontos da história do clube e a décima posição na temporada anterior - saíram os zagueiros Bonucci, titularíssimo, e Ranocchia, que perdeu a segunda parte do campeonato lesionado. A defesa não se comportou muito bem, apesar de partidas seguras de Rossi e de Andrea Masiello, além do respeito imposto pelo goleiro e capitão Gillet, mas a inexistência de um matador foi o ponto crucial para o fracasso dos pugliesi. Sem o Barreto dos melhores dias, tanto Ventura quanto Mutti tentaram pelo menos quatro opções ofensivas diferentes. Faltou continuidade.

Com crédito após uma ótima temporada, Ventura permaneceu no cargo por mais tempo do que deveria. Após sua saída, Mutti deixou de usar sempre o esquema 4-4-2 e experimentou o time no 4-3-1-2 e no 4-3-3, mas não conseguiu mudanças muito expressivas - exceto uma pequena melhora de performance, mas não de resultados. Para isso, falaram mais alto o mau desempenho de gente que foi fundamental na última temporada, como o já citado Barreto e Almirón, que viveu problemas com a torcida. As lesões de Rivas e de Ghezzal por boa parte do campeonato também acabaram prejudicando o time, que não teve uma alternativa confiável pelo flanco esquerdo por muito tempo.

No final das contas, o rebaixamento foi muito merecido - no total, o time passou 30 rodadas na zona de rebaixamento, tendo a adentrado na 9ª rodada para não mais sair. O Bari marcou em apenas metade das partidas do campeonato, teve média de menos de um gol por jogo e só chegou a realizar mais de dois gols em oito encontros. A falta de poder de reação da equipe também pode ser verificada diversas vezes, como quando os biancorossi engataram duas sequências de cinco derrotas e uma outra de seis, além de duas sequências de 12 jogos sem vencer. A única boa notícia foi a revelação, na última rodada, do jovem atacante Francesco Grandolfo, de 19 anos, autor de 18 gols no campeonato Primavera e de três na Serie A. Vivendo uma grave crise financeira, talvez seja a hora de o clube recomeçar a partir dos jovens.

O técnico Antonio Conte

Conte fez bons trabalhos na Serie B, com Bari e Siena. Será o suficiente para se sair bem na divisão de elite do futebol italiano? (Getty Images)

Em entrevista ao site Goal.com, em 2006, Antonio Conte deixou a modéstia de lado e afirmou: "A pergunta não é se eu vou treinar a Juventus, e sim quando isso acontecerá. Não tenho a menor dúvida de que isso ocorrerá. É só uma questão de tempo". Dito e feito. Ídolo da última era de ouro da Juve, quando venceu tudo o que podia vestindo a faixa de capitão bianconero, Conte assinou com o clube e será apresentado nesta terça-feira, 31 de maio. O desafio não é simples: recolocar a Velha Senhora entre os grandes da Itália e da Europa, após a pior temporada do time nos últimos 20 anos.

Mas quem é o treinador Antonio Conte? O jogador nós já conhecemos: atuou pela Juventus entre 1992 e 2004, venceu cinco scudetti, uma Liga dos Campeões, uma Copa da Uefa, um Mundial, uma Coppa Italia, entre outros, e se tornou um dos maiores ídolos da história recente do clube. O técnico, porém, está em início de carreira e ainda desperta desconfiança. Ele começou sua carreira à frente do banco de reservas em julho de 2006, quando assumiu o Arezzo, na Serie B. Seus primeiros resultados foram muito ruins e já em outubro foi demitido. Em março de 2007, ainda na mesma temporada, ele voltou ao comando do clube e conseguiu emplacar uma série de cinco vitórias consecutivas e dois empates, que quase salvou o time do rebaixamento.

A boa arrancada despertou o interesse do Bari, que em dezembro de 2007 contratou o técnico para tirar o time da zona de rebaixamento da Serie B. No comando biancorosso, o sucesso foi meteórico: com facilidade, livrou o time da degola e, já no ano seguinte, sagrou-se campeão da segunda divisão. O acesso fez com que Conte recebesse propostas de times da Serie A e assinasse com a Atalanta, em setembro de 2009. Seu início no time ficou abaixo das expectativas e, por conta de problemas com a torcida organizada, deixou o comando da equipe em janeiro de 2010. Após três meses parado, então, foi contratado pelo Siena (já rebaixado naquela Serie A), para começar um trabalho que colocaria os bianconeri de volta na elite do futebol italiano.

Em três anos, Conte conseguiu um campeonato e um vice-campeonato da Serie B e são com essas credenciais que ele chega à Juventus. Para a maior parte da imprensa especializada, é a hora certa para o técnico dirigir um time de tradição da Serie A e mostrar se ele é realmente a revelação que muitos imaginam. Na segunda divisão, o segredo por trás de seus triunfos estava na tática hiperofensiva que gosta de usar.

O 4-4-2 de Conte é, na verdade, um 4-2-4. E ele não esconde isso: "Sou o único que joga com um 4-2-4. Eu quero quatro atacantes em linha. Comigo, os alas devem atuar muito à frente", declarava ainda nos tempos de Arezzo. Uma tática muito ofensiva que, contudo, não deixa o setor defensivo desprotegido. Para que o esquema funcione, Conte escala a defesa em linha, com laterais plantados, e o miolo do meio-de-campo com dois homens centralizados (um fazendo o papel de cão de guarda e o outro como regista, distribuindo mais o jogo).

Foi assim no Bari, no Siena e até na Atalanta. Na campanha do título do Bari, em 2009, Lanzafame e Guberti eram os alas que subiam até a linha de fundo, enquanto Gazzi e De Vezze ficavam centralizados no meio-campo. No Siena que acabou de ser vice-campeão da Serie B, Vergassola e Bolzoni ocupavam o miolo do meio-de-campo e liberavam as alas para Reginaldo e Brienza ou Troianello atacarem. Até mesmo em sua curta passagem pela Atalanta, que durou apenas 13 jogos, Conte usou o esquema: Valdés ocupava o flanco esquerdo e Ceravolo (ou Madonna) subia pelo lado direito.

Uma provável escalação da Juve de Conte

A efetividade do sistema está na pressão constante sobre o adversário e na ocupação dos espaços do campo. Para isso, o bom condicionamento físico do time é essencial. Na Juventus, Conte já teria peças para montar o time nesse esquema mesmo sem muitas contratações (ver acima). No miolo da zaga, Chiellini e Bonucci (ou Barzagli) podem trazer bastante segurança, com Ziegler (ou De Ceglie) na lateral esquerda e Sorensen na direita. Uma opção seria escalar Bonucci e Barzagli no centro e colocar Chiellini na esquerda, para assegurar um lateral postado.

No meio-campo, Felipe Melo poderá ser um bom cão de guarda, caso repita as boas atuações da temporada que passou - ou então Inler, da Udinese, ou Fernando, do Porto, nomes especulados pela imprensa. Marchisio é a opção para deixar a faixa central mais solta. Pirlo deve ser o armador, mas a torcida espera que o ex-milanista reencontre seu bom futebol, perdido há algum tempo. Para as alas, Krasic é o nome perfeito para a direita. Na esquerda, porém, as fracas atuações de Pepe colocam um ponto de interrogação na posição. Fala-se na chegada de Sánchez, da Udinese, o que resolveria o problema. No ataque, há opções, apesar da incessante procura por nomes de maior peso por parte da diretoria. Del Piero, Matri, Quagliarella e Toni se encaixam bem na posição.

Não há garantia de que a escolha de Conte para o comando do time é a certa, mas que é uma boa aposta poucos negam. O ex-jogador sabe o tamanho da Juventus e carrega consigo uma mentalidade que falta ao clube há alguns anos. Ele já avisou: "Não suporto jogadores que sorriem após uma derrota", lembrando de cenas comuns ao longo das últimas temporadas. Com a equipe fora das competições europeias, o treinador terá tempo para se dedicar exclusivamente ao campeonato italiano e o primeiro passo é exatamente este: recolocar a Velha Senhora entre os grandes do futebol da bota. É esperar para ver.

domingo, 29 de maio de 2011

Para recomeçar

Leonardo comemora o primeiro título de sua carreira e terá chance de recomeçar. Primeiro desafio da temporada que vem será bater o Milan, na Supercopa italiana (Reuters)

O último jogo da temporada do futebol italiano teve um quê de recomeço tanto para Inter quanto para Palermo. A vitória nerazzurra por 3 a 1, que valeu o sétimo título da Coppa Italia para o time de Milão, o quarto em sete anos, foi o primeiro da carreira do técnico Leonardo, que ganhará a chance de começar do zero um novo projeto.

Com o Olímpico de Roma quase completamente pró-Palermo, que levou cerca de 40 mil torcedores ao estádio, a Inter teve muitas dificuldades de jogar na primeira etapa, tendo encontrado os rosanero bastante fechados, muito bem postados em campo pelo técnico Delio Rossi, que armou um meio-campo forte na marcação. Por outro lado, a defesa da Inter estava desatenta e permitiu que Hernández e Pastore ficassem sozinhos na cara do gol.

Ainda no primeiro tempo, um fato mudou a história do jogo: Goian saiu lesionado e deu lugar a Carrozzieri, que havia passado dois anos suspenso por uso de cocaína, e estava sem ritmo de jogo. Logo após sua entrada, o Palermo, que era melhor em campo, errou saída de bola, quando Múñoz passou na fogueira para Acquah, e possibilitou que a Inter saísse na frente. Thiago Motta roubou a bola e, na sobra, Sneijder, com um belo passe, achou Eto'o, aberto pela esquerda e entrando em diagonal, da maneira como Leonardo o havia escalado.

Consciente de que o Palermo poderia empatar o jogo, Rossi ousou e, no início da segunda etapa, tirou o jovem Acquah e colocou Miccoli. O Romário do Salento logo testou Júlio César: cabeceou sozinho e o brasileiro voou como um gato, em sua terceira participação fundamental no jogo - antes, tinha se saído bem em duas oportunidades sobre Hernández, já após o intervalo. O Palermo buscou a reação de todas as formas, mas a Inter segurava bem o resultado, defendendo-se muito melhor do que na primeira etapa. No Palermo, faltava apoio dos meio-campistas à dupla de ataque.

Novamente, quando o Palermo era melhor e o meio-campo interista não encostava em Eto'o, que se tornou centroavante após a substituição de Pazzini por Pandev, e ficou muito isolado, a Inter, cínica, parecia matar o jogo, quando aumentou a vantagem com um gol fotocopiado. O Palermo errou saída de bola, Sneijder tocou e Eto'o, em diagonal, bateu no contrapé de Sirigu. O camaronês encerra a temporada com 37 gols marcados, seu recorde na carreira, mas um a menos que Giuseppe Meazza, Gunnar Nordahl e Antonio Angelillo, detentores do recorde italiano. Eto'o poderia ter igualado a marca, mas uma cobrança de falta sua explodiu no travessão.

Perto do fim do jogo, uma jogada levou todo o estádio à loucura: Zanetti, quase 38 anos, aos 40 minutos do segundo tempo, deu uma arrancada de 50 metros e ganhou na corrida de todos os adversários. Na sequência, Sneijder quase marcou um golaço, mas Sirigu fez ótima defesa. Pouco depois, após um erro de Morganti, que encerrava sua carreira como árbitro, o Palermo colocou emoção no jogo. O juiz não percebeu saída de bola antes de cruzamento de Balzaretti, cortado por Ranocchia para escanteio. Múñoz aproveitou a enorme desatenção do setor defensivo da Inter e cabeceou sozinho para diminuir.

Os sicilianos poderiam reagir, mas acabaram ficando nervosos quando Morganti deu cinco minutos de acréscimo - queriam mais - e Delio Rossi acabou expulso. Na sequência, Múñoz também foi expulso por cometer falta sobre Milito. O Príncipe ainda foi responsável por definir o jogo, em uma espécie de renascimento. Mais uma vez, o Palermo perdeu bola quando ia saindo para o jogo, desta vez com o capitão Cassani, e Pandev cruzou para que o argentino, livre, fechasse a conta e colocasse a coccarda no peito da Inter.

Para aqueles que consideravam que o título da Inter na Coppa serviria apenas como consolação, o Palermo deu uma boa resposta, valorizando a partida com um ótimo futebol. Sua torcida também deu espetáculo, fzendo muito barulho e cantando demais para incentivar o time, que poderia vencer seu primeiro título nacional. Mesmo com o segundo vice de sua história, a equipe saiu de cabeça erguida e em meio a muitas lágrimas, por ter feito uma partida corajosa e por, provavelmente, dar adeus a alguns nomes importantes. O primeiro deles é Miccoli, que chegou ao clube em 2007 e, desde então, foi o principal jogador - e, normalmente, capitão - do time, que deve transferir-se ao Lecce, seu clube do coração. O outro é Delio Rossi, que chorou muito após ter sido ovacionado pelos 40 mil rosanero no Olímpico e não deve renovar contrato.

Na Inter, o título foi comemorado como se fosse um scudetto ou uma Champions, dando um sinal claro: o time não está cansado de vencer. A comemoração foi longa, contou com declarações de permanência de Eto'o e Milito para 2011-12, presença de Massimo Moratti e ainda teve Materazzi aprontando com o comentarista Giampiero Galeazzi, da Rai: o zagueiro encheu a taça de água e deu um banho no jornalista. O dia foi especial porque a Coppa Italia comemorava, também os 150 anos da unificação italiana, e ofereceu uma outra taça - além da que foi dada pela conquista -, levantada por Materazzi. Festa especial também para Stankovic, que conquistou o quinto título da competição - um a menos que Roberto Mancini, recordista.

Com o primeiro título de sua carreira como treinador, Leonardo tem o ponto ideal para começar do zero. O brasileiro, que chegou a 21 vitórias em 32 partidas pelo clube, não conta com nenhuma contestação da diretoria, que o vê em totais condições de ser treinador no ano que vem. Leo ficará e terá como primeiro jogo oficial da próxima temporada, a Supercopa italiana, em Pequim, contra o Milan. Um desafio emocional e técnico, visto que Leonardo ainda não ganhou nenhum dérbi em sua carreira. A próxima temporada começará à toda.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cereja sem bolo

Leonardo trocou o Milan pela Inter e viu sua ex-equipe comemorar. Agora o jeito é recomeçar à sua maneira (Getty Images)

"Leonardo, homem de m****!", eis algo que até um ano atrás não se poderia imaginar entoado por algum setor milanista. Pois Gattuso e Abate, na festa após o empate com a Roma, trataram de cantar a frase em alto e bom som. Junto a torcedores animados com o título, não faltaram celulares que registrassem o momento. Sem entrar no mérito de sua necessidade ou deselegância, o gesto expõe a derrocada de Leonardo no lado rubro-negro de Milão. Pois se antes o brasileiro era ídolo de longa data, tornar-se ofensa escancarada de outro atleta respeitado não é lá uma condecoração das mais desejáveis.

Leonardo rejeitou a Roma sob justificativa de amor ao Milan. Suas motivações pessoais, entretanto, não resistiram à oportunidade de treinar a Internazionale. Diante do relacionamento desgastado com Silvio Berlusconi no período em que comandou os rossoneri, o brasileiro planejou uma vingança própria: vencer o capo com a camisa arquirrival. E ele foi bem: ajeitou uma Inter confusa sob o comando de Rafael Benítez e aumentou bastante o aproveitamento da equipe. Todavia, bom não foi o bastante, e o ex-lateral e meia acabou a temporada assistindo à conquista do scudetto por parte de seus ex-companheiros.

Sem o bolo de comemoração, resta ao treinador uma cereja de consolo: ao eliminar a Roma nas semifinais da Coppa Italia, basta à Inter derrotar o Palermo para conquistar sua oitava coccarda. Diante disso - um possível fim de temporada mais alegre e menos desgastado com o título milanista -, será possível reestruturar uma equipe que passou por claro choque comportamental na troca de José Mourinho por Rafa Benítez, e que, portanto, não ofereceu muitas escolhas ao ex-jogador, procurado pelo clube após o Mundial Interclubes.

Para tanto, o voto de confiança declarado por Massimo Moratti é importantíssimo. Confirmado para a próxima temporada, o brasileiro terá a chance de começar a Inter do seu jeito, aproveitando-se do ambiente conquistado desde sua chegada, além do desempenho interista sob seu comando. Vale lembrar que até o dérbi de Milão, e, principalmente, até a derrota para o Parma - ambos em abril, bem como a queda na Liga dos Campeões -, os nerazzurri ressurgiram como candidatos ao título. É justo que o brasileiro possa iniciar uma temporada como treinador; fazer parte de seu planejamento.

Se houve especulações sobre uma possível troca de comando, a confirmação de Leonardo lhe dará tempo e oportunidade necessárias para, pela primeira vez, começar um trabalho em definitivo. Pois se a contratação da parte nerazzurra foi no meio da temporada e, não só, também à sombra de um onipresente José Mourinho; no Milan ele nunca pode se sobrepor. Confiante no potencial do 'Judas interista' e no que ele demonstrou em sua nova vida milanesa, a mensagem que Moratti passa é simples: "fica, vai ter bolo".

Quando o extracampo vai a campo

Prejudicada pela má composição de seu grupo, a Aversa Normanna ficou fora dos play-offs (aversacalcio.it)

No último final de semana, 12 clubes da Seconda Divisione (quatro por grupo) retomaram seus sonhos de acesso com a disputa dos play-offs, enquanto outros dois, Sanremese e Sacilese, integrantes do Grupo A, começaram suas lutas contra o desenso no play-out. E, à parte os resultados, foi inevitável pensar em quais confrontos teríamos caso os campeonatos da categoria apresentassem tabelas realmente saneadas: como em temporadas anteriores, as disputas da Lega Pro foram falseadas, e suas classificações finais foram construídas a base de sentenças e penalizações nos bastidores.

Um exemplo sobre todos: no Grupo C, o Pomezia, um dos muitos clubes repescados no início da temporada, somou 45 pontos em campo, fruto de 11 vitórias e 12 empates. Em sua caminhada, chegou a ser um sério candidato à vaga nos play-offs, a ponto de derrotar duas vezes a Aversa Normanna, que terminou a temporada em sexto lugar, a quatro pontos da classificação. Nas últimas semanas do campeonato, descobriu-se que este mesmo Pomezia obteve sua participação na Seconda Divisione com documentação irregular, que incluiu números falsos de balanço. Inicialmente, o clube foi punido com a perda de 16 pontos. Depois, decidiu-se pela desclassificação e rebaixamento automático à Serie D.

Bom para o Catanzaro, falido desde janeiro e rebaixado em campo, que terá a chance de retomar sua história entre os profissionais, ruim para a Aversa Normanna, que após fazer grandes esforços, viu-se sem a possibilidade de reaver os pontos perdidos ante uma equipe irregular e agora pode apenas assistir a Sangiusepese (quinta colocada) disputar uma vaga na Prima Divisione. E este foi apenas um dos casos que levam a Lega Pro a mais um triste recorde: ao longo da temporada, mais de 130 pontos foram deduzidos como penalizações aos clubes participantes de seus campeonatos.

Não se discute a aplicação das penalidades, que foram feitas coretamente. O que causa embaraço é, justamente, que elas devam ser aplicadas, em um esforço de corrigir o sistema de disputa, que privilegia estruturas viciadas pelo amadorismo que norteia as gestões de muitos clubes da categoria. É absurdo que um clube como o Catanzaro se salve da Serie D após ter corrido o risco de ser desfiliado, pois planejava desistir dos jogos fora de casa para "economizar".

Também não é possível que uma sociedade como a Pro Patria, que, mais uma vez, atuou por grande parte do campeonato com uma equipe construída ao arrepio de suas possibilidades financeira, esteja na disputa por uma vaga na Prima Divisione. O fato de o clube de Busto Arsizio, como tantos outros, estar nos play-offs mesmo após sofrer penalizações não indica mérito esportivo algum, mas o despreparo de quem os aceitou na disputa.

Este é um dos temas que deverão estar na pauta do mais novo projeto de reforma da Lega Pro, que planeja reduzir o total de clubes de 90 (85 nesta temporada) para 76 e incentivar ainda mais a utlização de jovens valores. No aguardo por novidades, espera-se igualmente que o campo corrija os enagnos da liga do presidente Mario Maccali.

Seconda Divisione, Grupo A
Play-offs (ída): Renate 1x1 FeralpiSalò; Pro Patria 5x2 Pro Vercelli.
Play-out (ída): Sanremese 2x1 Sacilese.

Seconda Divisione, Grupo B
Play-offs (ída): L'Aquila 3x2 Prato; San Marino 0x1 Carrarese.

Seconda Divisione, Grupo C
Play-offs (ída): Avellino 2x0 Milazzo; Sangiuseppese 1x1 Trapani.


Na Prima Divisione, o Hellas Verona é um dos poucos clubes que não sofreu penalizações técnicas (Fotoexpress)

No próximo domingo, a Prima Divisione começará a conhecer seus outros dois promovidos (um por grupo) e quatro rebaixados - dois em cada chave. Também aqui, o falseamento da disputa é evidente. No Grupo A, apenas o Hellas Verona se mostra em sintonia com as regras, enquanto o Sorrento manda seus jogos em um estádio precário, aceito por meio de liminares, o Alessandria deixou de pagar salários por boa parte da temporada e a Salernitana viveu em situação falimentar durante todo o campeonato.

Situações graves, também, envolvendo a maioria das oito equipes que disputam os play-outs. No Grupo A, o Pergocrema já enfrentou problemas e foi punido durante a temporada, e o Ravenna foi condenado à disputa após perder sete pontos por uma tentativa de fraude esportiva no jogo contra o Lumezzane. A partida aconteceu em 14 de abril, mas a sentença só foi instituída três dias antes da rodada final do campeonato. No Grupo B, só o Viareggio não enfrentou problemas com os tribunais: Cosenza, Ternana e Foligno sofreram com penalidades e, juntos, tiveram 12 pontos descontados ao longo da disputa.

Prima Divisione, Grupo A
Play-offs: Sorrento x Hellas Verona e Alessandria x Salernitana
Play-outs: Südtirol x Ravenna; Monza x Pergocrema

Prima Divisione, Grupo B
Play-offs: Benevento x Juve Stabia e
Taranto x Atletico Roma
Play-outs: Cosenza x Viareggio e Ternana x Foligno