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domingo, 31 de julho de 2011

Um futuro preso ao passado

Artilheiro e ídolo em sua primeira passagem pela Sardenha, Suazo representa o passado que o Cagliari não larga para ter um futuro melhor (CalcioPro.com)

“Queremos dar a Europa de presente aos nossos torcedores”. Assim Andrea Cossu, principal jogador do Cagliari, sacramentou o grande objetivo do time para a temporada que está para começar. Uma resposta que surgiu do questionamento sobre o novo estádio da equipe, previsto para 2013 e anunciado nos últimos meses, uma obra que que é tida pela imprensa italiana, principalmente a da Sardenha, como o grande presente da diretoria para os fãs rossoblù. A ação da diretoria para modernizar o Sant'Elia, reformado para a Copa de 1990 e que, como costuma dizer o comentarista Silvio Lancellotti, é "um estádio dentro do outro", desperta em todos que estão envolvidos com os projetos sardos o sentimento de que o Cagliari pode ser o time do futuro.

Um panorama otimista que deverá encontrar muitos percalços para virar realidade, a começar pelo planejamento no presente. Se acredita que um estádio moderno é a solução para os problemas dentro de campo, a diretoria rossoblù dará com os burros n’água em pouquíssimo tempo. A formação de um time que acompanhe a qualidade do futuro campo de jogo é mais do que essencial e o Cagliari não começa tão bem assim suas movimentações no mercado. O ataque, setor mais carente do time, mostra bem algum contraste entre desejos e realidades. Se perdeu Matri de forma inevitável para a Juventus, a diretoria optou por não manter Acquafresca, que vinha de boa temporada, e acabou perdendo quase todas as suas referências ofensivas, ficando apenas com Nenê. E a substituição do matador é um dos dramas atuais do clube.

Apegada ao passado em meios aos planos de futuro, a diretoria se movimenta para sacramentar a praticamente garantida volta do (ex) artilheiro hondurenho David Suazo. Ídolo recente na Sardenha, o atacante vagou pelo futebol após deixar o Cagliari e nunca mais fez as pazes com o gol. Seu retorno soa mais como uma tentativa de resgatar o que já passou do que uma forma de montar um elenco com futuro – ou até mesmo um que possa almejar a Europa, como sonha Cossu. Contrasta, por exemplo, com as presenças dos jovens Moestafa El Kabir e Víctor Ibarbo, atacantes com pouca rodagem e sem experiência na Serie A, mas que ao que tudo indica são boas apostas da diretoria.

A chegada do hondurenho praticamente sela o destino dos dois garotos: deverão ser utilizados sem muita frequência, já que as fichas devem ser apostadas todas em uma possível – e difícil – recuperação de Suazo, um jogador que receberá um alto salário e dificilmente se contentaria com mais um ano de poucos minutos em campo. Uma situação complicada para o técnico Roberto Donadoni, que se posicionou contra a transferência do antigo ídolo e provavelmente será pressionado a não colocar no banco de reservas aquele que deverá ser a principal contratação e o mais experiente atacante do time. Ao mesmo tempo, Donadoni fica de mãos amarradas quanto a uma renovação que parece ser necessária no ataque.

Se conta com a principal estrela da equipe, Cossu, o meio-campo parece ser o setor mais próximo de atender às expectativas de uma renovação. O grande jogador do Cagliari já chegou aos 31 anos e dificilmente se manterá em alto nível por mais do que três temporadas. A diretoria, porém, agiu bem nos últimos anos e conta hoje com o belga Radja Nainggolan, revelação do clube na última temporada, e o uruguaio Pablo Ceppelini, destaque da seleção sub-20 de seu país, mas que, por concorrer com Cossu e Lazzari, fez poucos jogos vestindo rossoblù na última Serie A.

Ceppelini, no entanto, pode começar a aparecer mais no time principal. A venda de Lazzari para a Fiorentina pode ter sido o primeiro para dar mais espaço ao uruguaio e pode também render frutos para o reforço de outros setores. Para ajudar o capitão Cossu com experiência e até ser referência para os mais novos, pode chegar ainda o bom Marco Parolo, atualmente no Cesena e um dos desejos da diretoria para a temporada. A renovação do atleta com seu clube atual até 2013, porém, pode ser um empecilho importantíssimo para que os sardos concretizem a negociação.

Os quatro atletas promissores – que não são realidades ainda – não são suficientes para colocar em prática ambiciosos planos de consolidação da equipe entre os melhores – leia-se parte de cima da tabela – do futebol italiano. E é bom lembrar, também, que as categorias de base rossoblù não vão tão bem assim, participando mal de competições como o campeonato Primavera. Sinal de que o investimento para o time crescer não passa apenas por um novo estádio, mas por toda uma reestruturação do clube.

Falta ao Cagliari mais planejamento dentro das quatro linhas, enquanto as coisas parecem ir bem fora delas. Um novo e moderno campo de jogo, de propriedade não mais da prefeitura mas do próprio clube, pode ser um atrativo para a torcida, fundamental no almejado crescimento, e também pode fazer com que a equipe deixe de ter a obrigação de vender seus melhores atletas para clubes maiores, como tem feito nos últimos anos. Por outro lado, bons e jovens jogadores são essenciais para um time que sonha com um futuro muito melhor que o presente, mas vive preso a um passado que condena e não engrena. Uma missão difícil que poderá ter em Donadoni uma figura central. Resta saber se o treinador terá a coragem necessária para lançar na equipe principal jovens que parecem ter um bom futuro dentro do futebol.

sábado, 30 de julho de 2011

Jogadores: Jürgen Klinsmann

Jürgen Klinsmann (centro) fez história pela Inter, onde jogou ao lado de seus compatriotas Lothar Matthäus (à direita) e Andreas Brehme (à esquerda) por três temporadas (Uhlsport)
Jürgen Klinsmann deu seus primeiros passos rumo ao sucesso no futebol em Göppingen e, desde cedo, mostrava a afinidade com as redes que o faria brilhar na Inter. A facilidade de marcar gols ficou clara já aos nove anos, quando defendia o TB Gingen e marcou 106 vezes em uma temporada – 16 deles na mesma partida. Logo Klinsmann se mudou com seus pais para Stuttgart, onde dividia seu tempo como jogador de futebol nas catoegiras de base com o ofício de aprendiz de padeiro na padaria da família. Nos quatro anos em que defendeu o SC Geislingen, foram mais de 250 gols, que o levaram à seleção sub-16 da Alemanha Ocidental. Os números impressionantes o levaram para Stuttgarter Kickers e, dois anos depois, aos 16, ele assinou seu primeiro contrato profissional com a equipe.

Aos 18 anos, Klinsmann já era titular da equipe, na segunda divisão alemã. Na temporada 1983-84 foram 19 gols marcados, que o levaram ao Stuttgart, principal time da cidade. O jovem Klinsi impressionava por aliar a boa técnica com a raça e também por fazer gols de todas as formas. Além disso, era muito eficiente no cabeceio e também muito rápido: conseguia correr 100 metros em apenas 11 segundos.

Na primeira divisão alemã, Klinsmann seguiu marcando gols e, logo na primeira temporada, fez 15, sagrando-se vice-artilheiro da equipe. A temporada 1987-88 colocou o atacante de vez sob os holofotes, pois ele terminou a Bundesliga como artilheiro, com 19 gols. Assim, fez seu debute pela seleção alemã e foi eleito o melhor jogador alemão do ano. Para completar a ótima temporada, Klinsmann foi o melhor marcador da seleção alemã, que conquistou o bronze olímpico em Seul.

Antes de deixar a Alemanha, o atacante ajudou o Stuttgart a chegar à final da Copa Uefa, mas a equipe perdeu para o Napoli de Maradona, Alemão e Careca e ficou com o vice. Na temporada seguinte, o alemão reencontrou os azzurri, pois acertou com a Inter, treinada por Giovanni Trapattoni. Nos nerazzurri, que tinham acabado se vencerem a Serie A, Klinsmann encontrou Lothar Matthäus e Andreas Brehme, seus companheiros na seleção alemã, e logo ganhou seu primeiro troféu na carreira, mesmo sem entrar em campo: a Inter conquistou a Supercoppa italiana, batendo a Sampdoria. Em sua primeira Serie A, o alemão marcou 13 vezes e foi o artilheiro nerazzurro, mas a Inter não passou do terceiro posto, que garantia vaga na Copa Uefa de 1990-91. Mesmo assim, Klinsmann já era ídolo da torcida, pela sua grande forma e por rapidamente ter aprendido a falar italiano.

O "Anjo loiro" entra em campo pela Inter contra o Stuttgart, clube em que se destacou (Goal.com)
Ao final da temporada, Klinsmann ficou na Itália durante as suas férias, mas por um bom motivo: a Copa do Mundo. O atacante interista marcou três gols e foi titular, ao lado de Rudi Völler, da Alemanha que se sagraria campeã do mundo pouco após a reunificação que veio com o fim da Guerra Fria. Klinsmann teve participação fundamental, ao jogar grande partida na revanche alemã contra a Holanda, nas oitavas de final, quando foi único atacante após a expulsão de Völler - que se desentendu com Frank Rijkaard - e mesmo assim marcou um gol e conseguiu ser a referência ofensiva do time - o outro gol da vitória por 2 a 1 foi de Brehme. Na final contra a Argentina, sofreu a falta que deixou os portenhos com dez em campo, e, novamente, Brehme foi fundamental ao fazer o gol do título.

Na volta à Inter, a dupla continuou tendo sucesso e a Inter conquistou a Copa Uefa 1990-91. Klinsmann, que havia marcado três vezes durante a campanha, jogou as duas partidas finais contra a Roma, não brilhou, mas viu seu compatriota Matthäus decidir e reafirmar a importância alemã naquele time. Na Serie A, nova terceira colocação, com 14 gols do atacante alemão, que marcou dois a menos que Matthäus, mas ficou entre os melhores marcadores da temporada.

O almoço do campeão tedesco (Interleaning)
A temporada 1991-92 foi a pior para Klinsmann, que havia renovado contrato até 1994, e para a Inter, que já não contava mais com o comando de Trapattoni. O alemão marcou viveu grande jejum ao longo do primeiro turno e marcou o primeiro apenas em 1º de dezembro, em dérbi contra o Milan que acabou empatado em 1 a 1. Depois disso, Klinsmann até melhorou, mas marcou apenas mais seis vezes no campeonato e a Beneamata ficou com a oitava colocação. O atacante deixou a Itália, com 123 partidas e 40 gols de quase todas as formas em nerazzurro (veja todos aqui), comemorando sempre de maneira explosiva.

Ele acabou se transferindo para o Monaco e passou duas temporadas na França, onde voltou a marcar muitos gols, recuperando a posição de titular perdida para o laziale Karl-Heinz Riedle, com a má fase vivida na última temporada em Milão. Após a boa passagem pela França, em que ajudou o Monaco a chegar às semifinais da Liga dos Campeões, Klinsi disputou o Mundial de 1994, quando marcou cinco vezes - incluindo um golaço contra a Coreia do Sul - e mesmo com a queda alemã nas quartas, ante a Bulgária, foi eleito o jogador alemão do ano mais uma vez.

Depois da Copa, o alemão foi para o Tottenham e logo recebeu críticas de jornalistas, que o acusavam de ser cai-cai. Em sua estreia, na vitória por 4 a 3 sobre o Sheffield Wednesday, marcou e comemorou com um irônico mergulho. Com humor e grandes prestações, o alemão alcançou o sucesso no clube londrino. Foram 21 gols na Premier League e 30 no total, que levaram os jornalistas a o elegerem o melhor jogador do campeonato. Fora de campo, Klinsi deu ainda mais certo: vendeu mais de 150 mil camisas. O grande desempenho levou Klinsmann de volta para a Alemanha, ao Bayern de Munique.

Klinsmann liderou os bávaros em gols nas duas temporadas em que ficou por lá e venceu mais dois títulos. Primeiro a sua segunda Copa da Uefa, quando alcançou a artilharia e o recorde de gols em uma edição da competição, com 15 – número batido na última temporada por Falcão García, do Porto. O segundo foi a Bundesliga de 1996-97, novamente sob o comando de Trapattoni, quando também marcou 15 vezes.

Pela Nationalelf, Klinsmann foi capitão e artilheiro da seleção, com três gols, na Eurocopa de 1996, disputada na Inglaterra, e sagrou-se campeão do torneio depois do vice em 1992. É um dos quatro jogadores a ter marcado em três edições cosnecutivas do torneio. Após a Copa de 1998, quando voltou a anotar três gols, sendo, ao lado de Ronaldo, os únicos jogadores a marcarem mais de três em três edições consecutivas do Mundial. Com isso, atingiu 11 em Copas, apenas dois a menos que Gerd Müller, e aposentou-se da seleção, com um total de 108 partidas disputadas e 47 gols marcados.

Antes da Copa do Mundo, Klinsmann teve ainda uma passagem inócua pela Sampdoria, em 1997, mas jogou apenas oito vezes e marcou dois gols pelos blucerchiati, que o emprestaram para o Tottenham. No retorno aos Spurs, ajudou o clube a escapar do rebaixamento e, após a Copa do Mundo de 1998, abandonou o futebol e se mudou para os Estados Unidos, onde viveria com sua esposa, a modelo Diana Chin. Em 2003, Klinsmann ainda voltou a jogar por um curto período no Orange Country Blue Star, clube semi-profissional norte-americano.

Rara comemoração de Klinsi com a camisa doriana (Italy Soccer)
Um ano depois de pendurar definitivamente as chuteiras, Klinsmann retornou à Alemanha para assumir o comando da seleção, e recebeu muitas críticas, que só acabaram com o bom desempenho na Copa de 2006, quando a anfitiriã ficou com o terceiro posto. Após dois anos sem treinar, assumiu o Bayern em 2008, e mesmo fazendo bom trabalho, foi demitido por diferenças com a direção. Em 2010, Klinsi passou a atuar como comentarista dos canais ESPN e do alemão, RTL, onde participou da cobertura da última Copa. Nesta sexta (29), o ex-atacante assumiu o comando da seleção norte-americana e tem a chance para retomar a sua trajetória como técnico.

Jürgen Klinsmann
Nascimento: 30 de julho de 1964, em Goppingen, Alemanha
Posição: atacante
Clubes como jogador: TB Gingen (1973-74), SC Geislingen (1974-78, Stuttgarter Kickers (1978-84), Stuttgart (1984-89), Inter (1989-1992), Monaco (1992-94), Tottenham (1994-95 e 1997-98), Bayern de Munique (1995-97), Sampdoria (1997) e Orange County Blue Star (2003)
Carreira como técnico: Seleção alemã (2004-06), Bayern de Munique (2008-09) e Seleção norte-americana (2011)
Títulos: Supercoppa Italiana (1989), 2 Copa Uefa (1990-91 e 1995-96), Bundesliga (1996-97), Copa do Mundo (1990) e Eurocopa (1996)
Seleção alemã: 108 partidas e 47 gols

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Técnicos: Luigi Radice

Apesar da inconstância, Gigi Radice proporcionou momentos mágicos
a algumas torcidas, em especial a do Torino (L'Unità)
Nas décadas de 50 e 60, o bom jogador de defesa começou a ser definido como aquele que parava o atacante por bem ou por mal. A técnica ainda era necessária, mas intimidação e força tornavam-se atributos cada vez mais imprescindíveis. Nesse cenário, Luigi Radice nasceu para o futebol.

Ainda muito jovem, ingressou no vivaio do Milan, em 1953. Apesar da idade, demonstrava vigor e disposição de sobra. A comissão técnica rossonera percebeu que toda essa gana poderia ser útil para o time principal e o rapaz foi incorporado ao elenco profissional por ninguém menos que o lendário treinador húngaro Béla Guttmann. No primeiro time, a concorrência por uma vaga de titular com Cesare Maldini chegava a ser desleal e, desta forma, Radice participou de apenas uma partida na conquista do scudetto de 1957.

Para não ver um de seus promissores jogadores encostado, a diretoria milanesa o emprestou à Triestina e Padova, entre 1959 e 1961. Logo após o seu retorno, Radice esteve presente na maioria dos compromissos da equipe na conquista do título italiano em 1962 e fez parte do grupo italiano que foi à Copa do Mundo. Na temporada seguinte, fez parte da vitoriosa campanha da equipe na Copa dos Campeões, que culminou no título, sobre o Benfica. Jogou até 1965, quando sofreu grave lesão no joelho e se viu obrigado a parar com apenas 30 anos.

Após quatro temporadas, iniciou sua carreira como técnico aos 34 anos. Seu primeiro clube foi o Monza, então na Serie B, no qual ficou por apenas alguns meses. Alguns anos se passaram e a partir de então, Luigi começou a apresentar trabalhos mais sólidos. Comandou o Treviso, que se saiu bem na extinta Serie C e, em 1973 levou o Cesena para a Serie A, pela primeira vez na história do clube romanholo. Seu trabalho foi reconhecido e a Fiorentina solicitou sua competência. Passou apenas um ano em Florença e, sob o seu comando, a equipe ficou na 6ª colocação da Serie A. Em 1975, teve uma passagem relâmpago pelo Cagliari e logo após chegou ao Torino.

Nos anos 1970, o dérbi de Turim ganhou belas nuances graças ao
confronto tático entre Trapattoni e Radice (Wikipedia)
Apesar de sua força na Itália, é inegável que apenas os mais otimistas torcedores granata sonhavam que a equipe possa chegar próximo ao apogeu que viveu na década de 1940. Acometido por uma tragédia de enorme infelicidade, o Toro nunca conseguiu se recuperar do golpe sofrido no dia 4 de maio de 1949, na tragédia de Superga. Mas, desde então experimentou algumas vezes o doce sabor da vitória. E o responsável pela maior delas foi Luigi Radice.

Como era de se esperar, a mentalidade do Radice técnico era similar a do jogador. Primeiro era necessário não levar um gol, para a partir de então poder atacar. Deslocou o zagueiro Roberto Salvadori para a lateral-esquerda com o intuito de dar ainda mais segurança à defesa e montou o miolo da retaguarda com Nello Santin e Roberto Mozzini. Todo o time marcava muito e sob pressão, em todas as zonas do campo. Tendo encaixado o ferrolho da equipe, Radice não tinha muito com o que se preocupar na parte ofensiva, já que a equipe contava com uma dupla infernal: Pulici e Graziani.

O campeonato pareceu um sonho. A equipe não chegava a dar show, mas mostrava uma eficiência espantosa. Em apenas três das trinta partidas da Serie A a equipe sofreu dois ou mais gols. Em casa, o time ficou invicto e teve espantoso aproveitamento de 97%: 14 vitórias e 1 empate. E, para a total felicidade dos tifosi, a equipe saiu vitoriosa nos dois clássicos contra a Juventus. Um título irretocável, indiscutível. Vinte e sete anos depois, o Torino era novamente o melhor time da Itália e Radice recebeu o prêmio Seminatore D’oro, como melhor treinador da temporada. Até hoje, é o único treinador a ter levado o Torino ao scudetto após a tragédia de Superga.

O herói da torcida granata permaneceu no clube até 1980 e, nas demais equipes comandadas, não logrou êxito. Em 1980, assumiu um Bologna penalizado após o escândalo Totonero e fez campanha acima da média para, em 1982, manchar seu currículo ao fazer parte da campanha que levou o Milan, ainda enfraquecido após o rebaixamento dois anos antes, por envolvimento no mesmo escândalo, de volta para a Serie B. Passou por Bari e Inter antes de retornar ao Torino em 1984, ficando na equipe até 1989. Logo no ano de reestreia, uma ótima campanha levou a equipe ao segundo lugar na Serie A, atrás da competente zebra Verona.

Em 1988, chegou à final da Copa Italia, onde foi superado nos pênaltis pela Sampdoria. Gigi participou de campanhas que levaram Torino e Bologna ao descenso, tendo um parêntese muito positivo com a Fiorentina. O time fazia campanha surpreendente e ocupava a vice-liderança, até que Radice se desentendeu com o presidente Vittorio Cecchi Gori e foi demitido - a equipe viola cairia bruscamente de rendimento e acabaria rebaixada. Em 1996, voltou ao Monza, clube em que havia iniciado sua carreira como técnico e subiu com a equipe para a Serie B. Um último e tímido raio de alegria na carreira de um guerreiro que, tanto como jogador quanto técnico, parece ter chegado ao sucesso antes da hora.

Luigi Radice
Nascimento: 15 de janeiro de 1935, em Cesano Maderno
Posição: zagueiro
Clubes como jogador: Milan (1953-59), Triestina (1959-60), Padova (1960-61), Milan (1961-65)
Clubes como treinador: Monza (1969-70), Treviso (1970), Cesena (1972-73), Fiorentina (1973-74), Cagliari (1975), Torino (1975-80), Bologna (1980-81), Milan (1981-82), Bari (1982-83), Inter (1983-84), Torino (1984-89), Roma (1989-90), Bologna (1990-91), Fiorentina (1991-93), Cagliari (1993), Genoa (1995-96), Monza (1996-98)
Títulos: Serie A (1957, 1959, 1962, 1976), Copa dos Campeões (1963)
Seleção italiana: 5 jogos

Podcast: Cheiro de fumaça no ar

O Palermo foi o primeiro time italiano a entrar em campo, oficialmente, pela temporada 2011-12. Nesta última quinta-feira (28), recebeu o Thun e empatou em 2 a 2. E olha que o jogo foi na Sicília!

O time suíço esteve na frente do placar duas vezes, e os rosanero só conseguiram empatar no finalzinho, com uma cobrança de falta magistral de Miccoli. A temporada nem bem começou e já tem gente que saiu chamuscada… É só dar o play no nosso podcast piloto e conferir.

Comigo, está Braitner Moreira, do Tripletta:

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Invasões "bárbaras"

Contratado pela Juventus, o chileno Vidal é um dos principais extracomunitários a chegarem à Itália, que tem mercado aquecido para a temporada (Juventus.com)

Estamos todos de acordo”, disse Carlo Tavecchio, vice-presidente da Federcalcio. No dia 6 de julho, a Federação Italiana (FIGC) anunciou que os clubes da primeira divisão podem contratar dois jogadores extra-comunitários a partir desta temporada. Novamente. Porque apenas em 2010-11 que a entidade havia, como forma de tentar valorizar o mercado local, limitado o limite a apenas uma contratação de estrangeiro por clube.

A partir de agora, a cada temporada, um clube pode comprar dois jogadores extracomunitários (ou seja, aqueles de países que não pertencem à União Europeia e que não tenham passaporte de algum dos países membros da comunidade europeia) vindos do exterior, desde que outros dois extracomunitários sejam negociados com clubes também de fora do país na mesma janela. Clubes que não tenham superado o limite de dois extracomunitários podem contratar sem precisar negociar outros atletas.

O motivo alegado pelos cartolas foi que os clubes italianos se tornarão mais competitivos, como alegaram oo presidente da Lazio, Claudio Lotito, e o presidente da Lega Serie A, Maurizio Beretta. A entrada de mais estrangeiros é um fator que também pode contribuir – e muito – para um novo pensamento em competições europeias. O desempenho dos times italianos nas últimas temporadas chegou a ser medíocre, principalmente na Liga Europa.

Para se ter uma noção, o último título da competição de segundo escalão europeia foi do Parma, em 1999. O descaso com o torneio é um dos principais motivos da perda de pontos importantíssimos no coeficiente Uefa. A queda só não foi tão grande devido ao título da Inter em 2009, que adiou a perda da quarta vaga para a Liga dos Campeões na última temporada. A vaga já foi perdida e apenas três italianos se classificarão para a próxima LC.

O fechamento do mercado não ia, milagrosamente, resolver os inúmeros problemas do futebol italiano. A decisão foi uma tentativa de valorizar o mercado interno e fomentar o investimento na formação de novos jogadores, mas também foi de encontro à história do futebol italiano, feito também por estrangeiros (ainda que alguns oriundi) como Omar Sivori, Hidetoshi Nakata, Diego Maradona, John Charles e Zico, e até mesmo ao cenário sociopolítico mundial. Além disso, foi exatamente na “temporada perdida” que se viu o crescimento e valorização de dois excelentes extracomunitários: Alexis Sánchez e Yuto Nagatomo. Como imaginar que o lucro de quase 60 milhões de euros obtido pela Udinese, que contratou Inler, Zapata e Sánchez (os dois últimos são extracomunitários) por menos de 2 milhões pode ser ruim para o futebol italiano?

A reabertura, no entanto, não veio em hora tão oportuna. Se não foi tão às pressas quanto no ano passado, teria sido mais interessante se fosse dado o ok ainda em meados de fevereiro ou março. Os clubes pensariam com antecedência seus movimentos para comprar e vender jogadores. No entanto, o mercado italiano já está aquecido. De acordo com a Gazzetta dello Sport, até o presente momento, foram realizadas 33% mais negociações em relação ao mesmo período da última janela de verão - e o número deve aumentar, graças à liberação ao segundo extracomunitário. Com isso, os grandes clubes - e os menores que tem boa rede de olheiros, como Genoa, Udinese e Palermo, podem avançar sobre o mercado exterior.

A Juventus pensava apenas em Michel Bastos, mas aproveitou a brecha e gastou 10,2 milhões de euros para contratar o chileno Arturo Vidal, podendo ainda partir em busca do brasileiro para dar opções para o flanco esquerdo no 4-4-2 de Conte. O Milan já contratou Taiwo e até pode se mover para contratar Ganso, embora tivesse que negociar um entre Thiago Silva e Alexandre Pato para chegar até o santista, algo impensável. A Inter contratou Álvarez e Jonathan, ambos com passaporte comunitário, e estaria interessada em Casemiro e Guarín. A Roma, por sua vez, fechou com os estrangeiros Bojan, Stekelenburg, José Ángel, Heinze, Négo (comunitários) e a promessa argentina Erik Lamela, este sim extracomunitário.

Até agora foram contratados 46 estrangeiros, dentre os quais, onze extracomunitários. O Genoa foi o clube que mais contratou estrangeiros, sete, seguido pelo Palermo, com seis. São cinco novos brasileiros: Danilo e Neuton (Udinese), Jonathan (Inter), Rômulo (Fiorentina) e Zé Eduardo (Genoa) - todos comunitários. Mais até do que nos tempos do Império Romano, a Península Itálica está sendo invadida por estrangeiros e, como no início da formação do povo italiano, mais do que destruir a cultura nacional (neste caso, a futebolística), os estrangeiros tendem a diversificar práticas e auxiliar na busca pela renovação e renascimento do futebol italiano.

Curiosidade: 221 jogadores brasileiros já disputaram a divisão da elite do futebol italiano. Tudo começou com Arnaldo Porta, oriundo, que foi defender o Verona no longínquo ano de 1914. Outros seguiram o conterrâneo na década de 30 antes mesmo da conquista da Copa do Mundo: Amílcar, Castelli, Del Debbio, Niginho, Ninão e Rizzetti para a Lazio e Fernando Guidicelli para o Torino. Na temporada passada, 42 brasileiros estavam no grupo de atletas que disputaram a primeira divisão.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Onde jogará Sneijder?

Cada vez menos incógnita de mercado e incógnita tática: Sneijder deve permanecer na Inter e Gasperini estuda como utilizá-lo (Associated Press)

A chegada de Gian Piero Gasperini acendeu automaticamente especulações quanto ao futuro de Wesley Sneijder na Inter. O treinador, de fato, não costuma usar um jogador responsável pela ligação entre meio-campo e ataque e, em seus trabalhos no Crotone e no Genoa, nunca utilizou um trequartista. Logo, para a mídia italiana, o holandês havia se tornando homem de mercado e a Inter poderia negociá-lo para reforçar o time com jogadores mais baratos. Málaga, Manchester City e Manchester United estariam dispostos a pagar até 40 milhões de euros pelo jogador. Dias depois da apresentação de Gasperini, no entanto, Sneijder foi declarado "incedível".

Em sua primeira entrevista, Gasperini descartou que seu esquema tático preferido, o 3-4-3 - que não abandonou mesmo quando sua situação piorou em Gênova e acabou sendo demitido -, seria obrigatoriamente implantado na Inter. De acordo com o treinador piemontês, a ideia é montar uma equipe capaz de jogar em diversos esquemas táticos não apenas ao longo da temporada, mas até mesmo em uma mesma partida. Com as peças que tem à disposição, não parece nenhum plano mirabolante. Mas e quanto à Sneijder?

Até agora, a Inter realizou três amistosos em sua pré-temporada em Pinzolo, contra um combinando semiamador trentino, Mezzocorona e Cremonese - duas vitórias por 6 a 1 e outra por 4 a 1, respectivamente. Nas três partidas, Sneijder começou como titular e agradou Gasperini. Contra o combinado do Trento, Sneijder atuou em sua posição original, dando suporte a Eto'o e Pazzini, em um 3-4-1-2, mas acabou substituído por lesão ainda na primeira etapa.

Nas outras partidas, o holandês foi recuado para a linha de quatro jogadores no meio-campo e passou a atuar como regista, dando suporte à marcação, mas sendo o responsável por criar jogadas e, de vez em quando, chegar mais próximo ao ataque. Contra o Mezzocorona, o holandês marcou um gol e, contra a Cremonese, ficou os 90 minutos em campo, jogando bem e arrancando elogios de Gasperini: "Sneijder está interpretando muito bem a função, é um valor agregado", afirmou. Enfrentar times tão inferiores tecnicamente não é um teste definitivo, obviamente, e apenas em jogos mais dispendiosos, sobretudo nos quais a Inter for realmente atacada, pode-se ter uma ideia mais clara de como Sneijder está se adaptando à nova função.

Nos próximos dias, a Inter enfrentará adversários mais competitivos (Galatasaray, no domingo, e Celtic e Manchester City, no fim de semana seguinte), antes da disputa do primeiro título, a Supercopa italiana, que será jogada em Pequim, contra o Milan. Caso tudo corra bem, será no mínimo irônico assistir um Sneijder atuando à Pirlo, no meio-campo interista.

Clique para ampliar e veja duas possíveis escalações da Inter para a temporada 2011-12: Inter de Gasperini promete grande movimentação e Sneijder no centro do projeto

terça-feira, 19 de julho de 2011

Thriller napolitano

De Laurentiis e o "leão" Inler em espécie de passo de dança: o presidente não vai parar (de investir) até ser suficiente (Calciopro)

Na última semana, o Napoli anunciou seu maior reforço para a Liga dos Campeões, o suíço Gökhan Inler, que foi contratado junto à Udinese por cerca de 18 milhões de euros. O novo reforço chegou arrasando em sua inusitada apresentação (veja o vídeo ao fim do texto), muito festiva: além de Inler, o clube apresentou, em um transatlântico. o novo uniforme azzurro e o novo patrocinador, a MSC Crociere, empresa de cruzeiros napolitana. Já idolatrado em Nápoles, Inler ganhou até homenagem. O famoso cantor napolitano Luca Sepe, que já fez paródias para Maradona, Lavezzi e Cavani, aprontou mais uma e a partir de Thriller, de Michael Jackson, gravou Acchiapp 'a Inler, que deve se tornar hit no San Paolo.

Pomposo, como os clipes e produções de Michael Jackson, o mercado do Napoli ganhou, rapidamente, reforços pontuais e contornos de superprodução, mas com orçamento reduzido. Segundos dados do Transfermarkt, até o presente momento desta janela de transferências, a sociedade partenopea é a que mais gastou com contratações, em toda a Europa - considerando aí os 16 milhões de euros acertados com o Palermo, no início da temporada passada, para a obrigatória compra de Cavani.

São quase 59 milhões de euros gastos e apenas 12,5 arrecadados, um prejuízo nítido, levando em consideração que o presidente Aurelio De Laurentiis não venderá nenhuma das estrelas do tridente azzurro. Problemas para o fair-play financeiro da Uefa? De forma alguma, pois como explica detalhadamente o blog Swiss Ramble (em inglês), o Napoli é um dos times que mais tem lucrado no futebol italiano e tem conseguido balanços positivos anualmente. Além disso, a participação na Liga dos Campeões já trouxe o patrocínio da MSC, e também levará ao menos 40 milhões de euros aos cofres do clube, que pode levar mais em caso de resultados positivos e passagem de fase na competição. Para o ano seguinte, quando acaba o contrato com a Macron, o Napoli pode ganhar o patrocínio da Adidas, disposta a pagar 40 milhões de euros para vestir os azzurri por cinco temporadas.

Os napolitanos ainda tem o mérito de terem evitado gastos nesta temporada, por mais que os números possam parecer dizer o contrário, adicionando qualidade ao plantel, sem que o elenco fosse necessariamente ampliado. Entre saídas e entradas relevantes, o Napoli tem, até agora, apenas um atleta a mais que na última temporada. Entre os jogadores que estavam fora dos planos de Mazzarri, o Napoli conseguiu negociar Cribari com o Cruzeiro e emprestar Santacroce (Parma) e Vitale (Bologna). O clube também não arcará mais com os altos salários de Yebda, Pazienza e Blasi (este último tinha o quinto maior salário do elenco e só jogou 80 minutos na última Serie A). A venda em definitivo de Quagliarella à Juve ainda rendeu 10,5 milhões de euros. O clube ainda deverá negociar jogadores que retornaram de empréstimo e tem mercado, como Rinaudo, Bogliacino, Cigarini e Mannini.

Para seus lugares, o clube agiu bem. Quatro das 11 contratações feitas foram de graça: Lucarelli (que ficou em definitivo, após o fim do contrato com o Parma), Colombo (Triestina, chega para ser terceiro goleiro), além de Donadel e Santana (ambos da Fiorentina), que chegam para a reserva, reforçar, o meio-campo da equipe. O argentino Santana ocupará o posto de vice-Lavezzi, que teve Zúñiga improvisado em boa parte da última temporada. Na reserva, ao lado de Mascara (contratado em janeiro), será responsável por dar um pouco de folga ao argentino e também a Hamsík, raramente poupados por Mazzarri ao longo de 2010-11.

Os únicos reservas que custaram algo aos bolsos de De Laurentiis foram Dumitru, contratado em definitivo após empréstimo ao Empoli, o zagueiro Fernández, do Estudiantes, e o goleiro Rosati, destaque do Lecce, opção muito mais confiável em relação ao ex-reserva Iezzo, embora De Sanctis quase nunca fique de fora. Por nove milhões de euros, o Napoli contratou um dos principais jogadores do Bologna, o zagueiro Britos, que deverá ser titular ao lado de Cannavaro e Campagnaro, reforçando um setor que já tinha os experientes Grava e Aronica, além da promessa Ruiz.

Pelo mesmo valor, o companheiro de Inler no centro do forte meio-campo azzurro será Dzemaili. Os dois jogaram juntos durante um ano e meio pelo Zürich, conquistando o bicampeonato suíço e transferências para mercados centrais da Europa, e reeditarão a dupla de sucesso. Dzemaili teve três excelentes anos na Itália, por Torino e Parma, e demorou para chegar a um clube de maior porte. Inegavelmente, as contratações representam um enorme acréscimo técnico no setor, que tinha Pazienza e Yebda (ou Gargano), jogadores que tinham menos presença ofensiva do que a dupla suíça, que preserva a boa marcação, mas é mais qualificada no toque de bola e ainda tem como arma os chutes de longa distância.

Na apresentação da equipe para a temporada, nesta segunda-feira, Walter Mazzarri elogiou a postura azzurra no mercado. De fato, o Napoli interpretou bem as novas necessidades, com a participação em três frentes diferentes, e tem dado fortes sinais à torcida, sobretudo ao segurar Hamsík: não deve reduzir as forças em nenhum torneio. O elenco está quase fechado. Falta, ainda, desfazer-se dos jogadores excedentes e também um reserva para Dossena, na ala esquerda. Um reserva mais gabaritado para Cavani, ainda que Dumitru e Lucarelli tenham permanecido, poderia ser importante, sobretudo na Liga dos Campeões. De qualquer forma, dificilmente o renascimento napolitano, planejado por De Laurentiis quando comprou o clube, sete anos atrás, será interrompido de forma trágica como o retorno planejado pelo Rei do Pop. Polêmico, como costuma ser, De Laurentiis poderia, como Michael Jackson, instigar os adversáros com um provocativo beat it.

Confira, na Trivela, todas as transferências do mercado italiano. E, abaixo, a apresentação de Inler.

sábado, 16 de julho de 2011

Brasileiros no calcio: Dino da Costa

Pela Roma, Dino da Costa foi o primeiro brasileiro artilheiro da Serie A e conquistou a Copa Uefa (iG)
Se não fosse Dino da Costa, o seu sucessor Didi talvez não tivesse feito tanto sucesso no Botafogo. Oriundo do juvenil alvinegro, o meia-atacante debutou com 17 anos na equipe profissional e formou um ataque formidável ao lado de Garrincha e Luis Vinícius – conhecido na Itália como Luis Vinício - no início da década de 1950. Dino da Costa foi o primeiro brasileiro a se tornar artilheiro da Serie A.

Nunca da Costa havia marcado tantos gols. No Campeonato Carioca de 1954, conquistado pelo Flamengo, ele fez 24 em 26 jogos e sagrou-se artilheiro da competição. Ao todo, pelo clube da estrela solitária, Dino jogou 167 partidas e marcou incríveis 144 gols – até hoje, é o décimo maior artilheiro da história botafoguense. Ele jogava tanto na meia, quanto no ataque, mas gostava mais da segunda posição. Quando a equipe fez uma excursão pela Europa, em 1955, alguns olheiros da Roma deram o aval da transferência. Como o filho do motorista de trólebus carioca tinha descendência italiana, ele foi vendido ao clube da capital e naturalizado. Outro jogador botafoguense também permaneceu na Europa após a excursão. Vinícius foi contratado pelo Napoli.

A estreia de Dino da Costa foi com o pé direito: gol na vitória por 4 a 1 sobre o Lanerossi Vicenza em 18 de setembro de 1955. O técnico György Sarosi aproveitava o brasileiro no meio-campo ao lado de Egisto Pandolfini. O uruguaio Alcides Ghiggia e o francês de origem húngara István Nyers faziam as pontas, enquanto o grandalhão Carlo Galli afunilava dentro da área. A formação levou à equipe ao sexto lugar na Serie A. A temporada seguinte foi a melhor de Dino da Costa na Itália. Sarosi adiantou Da Costa para o ataque ao lado de Gunnar Nordahl. Sem Galli e Nyers, Ghiggia foi recuado para uma linha de três no meio-campo com Paolo Pestrin ao centro e Severino Lojodice na esquerda. Apesar da má campanha no torneio nacional (14ª posição), Da Costa foi o artilheiro da temporada com 22 gols.

Durante sua primeira passagem pela Roma, o meia-atacante conquistou outros “prêmios” individuais. Ele, por exemplo, é o artilheiro máximo do dérbi de Roma, com 12 gols: nove na Serie A (empatado com Marco Delvecchio), dois na Coppa Italia e um na Coppa Zenobi. Dino da Costa chegou a marcar o 13º, mas ele foi assinalado como contra do zagueiro Francesco Janich, em 1960. Até hoje da Costa é lembrado como terror do goleiro laziale Roberto Lovati, falecido em março deste ano. O ítalo-brasileiro também é o maior artilheiro giallorosso contra o Napoli: cinco tentos.

A ascensão na equipe da capital fez com que a comissão técnica da seleção italiana formada por, entre outros, Angelo Schiavio e Alfredo Foni, chamasse o jogador para a Nazionale. A primeira e única aparição com a camisa azzurra foi contra a Irlanda do Norte, em 1958. Bastava um empate para a Itália se classificar ao Mundial na Suécia. Ele fez gol, mas a seleção perdeu por 2 a 1.

Dino da Costa começou a perder posição na Roma com a chegada da “máquina de gols” Pedro Manfredini, jovem goleador que havia marcado 28 gols em 39 jogos pelo Racing de Avellaneda. Assim, o ítalo-brasileiro foi emprestado à Fiorentina, clube no qual venceu seu primeiro título na Europa. Voltando a atuar mais recuado, já que a presença do artilheiro Kurt Hamrin era vital ao clube, contribuiu na conquista da Coppa Italia e da Recopa. Ele marcou oito gols em 30 jogos no time de Florença.

O retorno à Roma foi breve, mas com outro título: o da Copa das Feiras, versão anterior da Copa Uefa, sobre o Birmingham. Cinco jogos depois, Dino da Costa se transferiu para a Atalanta. Ele era importantíssimo ao time de Ferruccio Valcareggi e, na segunda temporada em Bérgamo, já sob o comando de Paolo Tabanelli, o meia-atacante ajudou na conquista da única Coppa Italia dos nerazurri, mas não jogou a final contra o Torino, vencida por 3 a 1.

Com 31 anos, o jogador foi se aventurar na Juventus de Omar Sívori. Durante três temporadas, ele só disputou uma como titular - a de 1964-65. Com a camisa bianconera, foram apenas 11 gols daquele jogador que, anos antes, havia sido artilheiro da Serie A. Antes de encerrar a carreira, Dino da Costa atuou pelo Hellas Verona, na Serie B, e foi treinador-jogador no Ascoli, na terceira divisão.

Dino da Costa
Nascimento: 1º de agosto de 1931, no Rio de Janeiro
Posição: meio-campista e atacante
Seleção italiana: 1 jogo e 1 gol
Clubes como jogador: Botafogo (1951-55), Roma (1955-60 e 1961), Fiorentina (1960-61), Atalanta (1961-63), Juventus (1963-66), Hellas Verona (1966-67), Ascoli (1967-68)
Clubes como técnico: Ascoli (1967-68)
Títulos como jogador: 3 Coppa Italia (1960-61, 1962-63, 1964-65), Recopa Europeia (1960-61) e Copa das Feiras (1960-61)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rompendo com o passado

Último a chegar a um grande time, Gasperini deve mudar estilo de jogo da Inter, aplicando um futebol ofensivo, como deve ser o de Milan, Juventus, Roma e Napoli (Getty Images)

Não é mais segredo para ninguém que a Itália tem perdido espaço e prestígio entre as grandes ligas de futebol mundial. Os problemas são muitos: maus resultados em competições europeias; altos impostos que diminuem o poder de competição dos clubes por jogadores de outras ligas; falta de diversificação de ações de marketing que façam os clubes aumentarem suas receitas; estádios ultrapassados e sem estrutura adequada; os ultrà e, por fim, falta de diversificação tática. Ao menos em relação a este último ponto, as grandes equipes do futebol italiano parecem prontas para dar um basta.

O modelo de futebol desenvolvido pelo Barcelona conquistou admiradores em todo o mundo e também na Itália. Udinese e, em menor proporção, Napoli, Milan e Inter jogaram de maneira ofensiva na última temporada, conquistando resultados positivos. A valorização de um modelo importado também tem muito a ver com o fato de que técnicos consagrados do Belpaese, como Marcello Lippi e Fabio Capello estão desvalorizados por causa de maus trabalhos nos últimos anos.

Carlo Ancelotti, após um ótimo ano de estreia no Chelsea, também foi muito contestado após um 2010-11 decepcionante - assim como Claudio Ranieri, que vinha conquistando respaldo no país após bons trabalhos. Giovanni Trapattoni, por sua vez, caminha para o final da carreira. Cesare Prandelli e Luciano Spalletti, valorizados nos últimos anos e optantes de um futebol um pouco mais vistoso, preferem seguir com experiências mais interessantes financeiramente, na seleção italiana e no Zenit.

Com isso, o futebol italiano se renova, não só em nomes, mas também em mentalidade. Na última temporada, nenhum treinador dos vinte clubes que jogaram a Serie A haviam conquistado um campeonato italiano. Neste ano, o único vencedor é Max Allegri, campeão com o Milan. O treinador rossonero, por sinal, pode ter dado o pontapé para a mudança de mentalidade dos grandes clubes: depois de ótimo trabalho, com um futebol bonito, pelo Cagliari, o livornês topou assumir o Diavolo, em sua primeira grande chance no futebol, apenas dois anos depois de treinar o Sassuolo, na Lega Pro.

O caminho de Allegri é semelhante ao dos outros três técnicos que assumiram o comando dos outros grandes italianos que devem brigar pelo scudetto. É o primeiro trabalho de peso de Gian Piero Gasperini, que chegou à Inter após três anos no Crotone (na Lega Pro) e três anos e meio no Genoa, e também de Antonio Conte, que chega à Juventus com respaldo de ídolo, mas que só fez bons trabalhos na Serie B, com Bari e Siena. Mais inexperiente ainda é Luis Enrique, novo técnico da Roma, único técnico estrangeiro nesta Serie A (Sinisa Mihajlovic, radicado na Itália há 20 anos não entra na lista), que treinou o Barcelona B por três temporadas antes de chegar a Trigoria para, literalmente, importar o jeito blaugrana de conceber o futebol.

Por mais que seja possível vencer sem dar show, como mostram a Juventus de Fabio Capello ou a Inter de José Mourinho, a nova geração de bons treinadores italianos pensa em divertir os torcedores. O campeonato italiano provavelmente mais técnico e empolgante de se ver dos últimos anos pode ser, também, a chance de o futebol italiano começar a retomar espaço em nível continental, à medida em que os clubes comecem a, de maneira conjunta, realizarem campanhas positivas nas competições europeias. Resta saber se a paciência dos dirigentes italianos, que nunca foi muito grande, será suficiente para bancar um projeto de renovação deste calibre, que demanda tempo e, necessariamente, encontrará percalços.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jogadores: Jaap Stam

Stam marca Ronaldinho quando jogou pelo Milan. Na Itália, o zagueiro conquistou apenas dois títulos (Icons)

Jakob Stam nunca foi um zagueiro que exalava técnica, muito menos faro de gol. Em toda sua carreira, foram pouquíssimos. O careca com estilão escandinavo e cara de mau, entretanto, fez sucesso na Europa ao atuar pelo Manchester United na época do treble (três títulos em uma temporada), e também teve passagem positiva por Lazio e Milan. Ele chegou a ser eleito um dos melhores defensores do Velho Continente e, para muitos, da última década.

Stam nasceu em Kampen, leste da Holanda. Uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Ele gostava de futebol desde criança, mas nunca havia sonhado em se tornar profissional. Nem mesmo quando ingressou nas categorias de base do DOS Kampen, time local. Jakob era o menor da equipe, mas com 16 anos começou a crescer desenfreadamente como em um filme de ficção-científica. O técnico Theo De Jong pediu para que o jogador fizesse um teste no Zwolle. Aprovado com louvor, Jakob – ou Jaap – Stam fez seu debute como profissional em agosto de 1992. Até chegar ao PSV, em 1995, ele ainda passou pelo Cambuur e Willem II. Os títulos da Copa e Liga da Holanda o fizeram ingressar na seleção holandesa, onde ficou até 2004.

O sonho de jogar pelo Manchester United se concretizou em 1998. O clube inglês pagou 10,6 milhões de libras, valor recorde para a época, para tirar o zagueiro da Holanda. Alex Ferguson dizia que a defesa era “Stam mais algum outro”. Os três títulos na temporada 1998-99 (além do Mundial de Clubes sobre o Palmeiras) deram status de grande para o já gigante Jaap Stam. Ele foi eleito duas vezes o melhor zagueiro da Liga dos Campeões e um dos melhores da década no Campeonato Inglês. O holandês desarmava o contra-ataque rival que estava para nascer como poucos faziam e era impecável na marcação um-contra-um. Não à toa, Johan Cruijff descreveu Stam como “a zaga de um homem só”.

Dentro de campo, ele ganhou muitos apelidos. O Destróier Holandês, A Besta e O Paredão de Kampen foram os mais comuns. Muitos deles por seu biótipo. Porém, fora dos gramados, Jaap Stam era dócil: muito ligado à família, procurava não se envolver em polêmicas e nem gostava da fama. Em 2002, o Manchester United o colocou à venda. Três hipóteses foram levantadas: em primeiro lugar, o diário Daily Mirror fez uma crítica sensacionalista de “Head to Head”, a auto-biografia de Stam. Nela, afirmaram que o zagueiro criticava David Beckham, Edgar Davids e Filippo Inzaghi. O holandês também teria escrito que Ferguson iniciou as negociações para contratá-lo junto ao PSV sem a permissão do clube holandês.

Ferguson, por outro lado, deu versão diferente: Stam tinha um problema crônico no tendão de Aquiles e precisou operar em 2000-01. Como o retorno foi abaixo do esperado, o clube aproveitou a boa relação com a Lazio, que havia acabado de lhe vender Verón e havia feito uma proposta de 16,5 milhões de libras pelo zagueiro de 29 anos. Mais recentemente, o jornalista Simon Kuper escreveu no livro “Uma Revolução no Futebol” que no início da década de 2000 os europeus começaram a investir dinheiro e pessoas na análise de dados. Ou seja, estudavam quantos quilômetros tal jogador corre durante uma partida ou quantos desarmes faz, por exemplo. Segundo o britânico, Stam foi negociado por causa das estatísticas: ele estava roubando uma quantidade menor de bolas e, assim sendo, sua carreira estava em declínio.

Entretanto, não era bem assim: o menor número de desarmes era fruto de um bom posicionamento. Paolo Maldini fazia um desarme a cada dois jogos, de acordo com o estudo. Para o lugar de Stam no Manchester, Fabio Cannavaro foi cogitado, mas Ferguson quis investir em Laurent Blanc, de 35 anos, que estava na Inter. O zagueiro holandês não queria ter saído da Inglaterra. O sonho dele era permanecer por mais quatro anos e atuar nos Estados Unidos ou voltar ao seu país. Mas como a Itália era sua única opção, assinou vínculo por quatro temporadas na equipe galática do presidente Sergio Cragnotti. O salário era de 2,25 milhões de libras por ano. Com Zaccheroni, Stam jogou pouco, pois foi pego no doping por uso de nandrolona em outubro de 2001 após a partida entre Atalanta e Lazio. Ele foi o segundo jogador laziale a ser suspenso por estes motivos em menos de um ano – o outro foi Fernando Couto.

Na temporada seguinte, sob o comando de Roberto Mancini, melhorou bastante. Ele fez 28 jogos, sendo alguns deles na lateral-direita. A preferência do treinador era atuar com Stam ao lado de Couto, mas outra lesão motivou a entrada de Mihajlovic no time titular. Com a camisa da Lazio, o zagueiro conquistou apenas um título: a Coppa Italia em 2003-04. O 4 a 2 sobre a Juventus encerrou a passagem do Destróier pela Lazio. Ele estava a caminho de Milão.

Após a disputa da Eurocopa de 2004 e o anúncio de que se aposentava da seleção, Stam assinou com o Milan. Ele voltou a jogar preferencialmente no miolo da zaga, ao lado de Alessandro Nesta. Cafu corria pela direita, enquanto Maldini capitaneava o time na lateral-esquerda. Aliás, esta foi a defesa da final da Liga dos Campeões 2004-05, quando o Milan ficou com o vice após levar empate do Liverpool em minutos e ser derrotado nos pênaltis, na histórica final de Istanbul.

O zagueirão holandês ainda ficou um ano no Milan, jogando quase sempre como titular. No final da temporada 2005-06, ele preferiu retornar para a Holanda por motivos familiares, e acabou negociado com o Ajax por 2,5 milhões de euros. Jogou uma temporada no Ajax antes de anunciar a aposentadoria em outubro de 2007. Stam passou pela Inglaterra e aceitou a proposta de ser olheiro do Manchester United na América do Sul. Exerceu a função pouco menos de um ano. O holandês foi técnico interino do Zwolle em 2009-10 e, desde então, é o treinador assistente da equipe.

Jakob Stam
Nascimento: 17 de julho de 1972, em Kampen (Holanda)
Posição: zagueiro/lateral-direito
Seleção holandesa: 67 jogos e 3 gols
Clubes como jogador: Zwolle (1992-93), Cambuur Leeuwarden (1993-95), Willem II (1995), PSV Eindhoven (1996-98), Manchester United (1998-2001), Lazio (2001-04), Milan (2004-06), Ajax (2006-07)
Clubes como treinador: Zwolle (2009-10 – interino)
Títulos: Copa da Holanda (1995-96 e 2006-07), Supercopa da Holanda (1996, 97, 98, 2006 e 07), Liga Holandesa (1996-97), 3 Campeonato Inglês (1998-99, 1999-00 e 2000-01), Copa da Inglaterra (1998-99), Liga dos Campeões (1998-99), Mundial de Clubes (1999), Coppa Italia (2003-04), Supercoppa Italia (2004)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Brasileiros no Calcio: Casagrande

Casagrande chegou à Itália para atuar no Ascoli, mas conquistou título pelo Torino (Placar)
Um artilheiro rock’n’roll. Com seu estilo de roqueiro, muitas polêmicas fora dos gramados e um faro de gol apuradíssimo dentro deles, Walter Casagrande Júnior marcou época no futebol. Se não esteve entre os melhores do mundo, Casão – como foi apelidado pela torcida do Corinthians – quebrou paradigmas ao mostrar habilidade fora de comum para seus 1,91m e ainda colecionou títulos pelos clubes que passou, mesmo sempre envolvido em confusões e problemas fora dos gramados.

Destaque das categorias de base do Corinthians, Casagrande foi alçado para os profissionais ainda aos 17 anos, em 1980. Sua permanência no Alvinegro, porém, não seria muito longa no começo de sua carreira. O atacante mostraria, em 1981, afinidade com confusões. Ao se desentender com o lendário técnico Oswaldo Brandão o jovem foi enviado para o Caldense, pequena equipe de Minas Gerais, na qual permaneceu durante um ano, tempo considerado ideal pelo clube paulista para o amadurecimento do jogador.

O amadurecimento necessário para que Casão estourasse foi visto logo de cara, em 1982, quando o atacante foi essencial para ao lado de Sócrates liderar o Corinthians na conquista do Paulista daquele ano, feito que ainda seria repetido em 1983. O período, porém, ficou marcado mais pela revolução feita por aquele grupo de jogadores que integravam o plantel do Timão do que pelos títulos em si. Com o Brasil na busca pelo final da ditadura, Casagrande foi, além de essencial na caminhada dos títulos, um dos líderes do movimento que ficou conhecido como Democracia Corinthiana.

E se foi nesse período que o atacante mostrou toda sua consciência ao utilizar o apelo do futebol para lutar pela democracia, foi também aquele no qual Casagrande era visto frequentemente na noite paulistana. O envolvimento do jogador com drogas era notícia constante na imprensa e mesmo com os títulos Casão acabou deixando o Corinthians mais uma vez por empréstimo, mais uma vez devido aos seus problemas extracampo. O destino da vez, porém, seria maior do que o do início de sua carreira e o jogador acabou sendo emprestado para o grande rival São Paulo.

No Tricolor, Casão teve bons momentos atuando em uma posição diferente da sua original. Pelo fato de o time paulista já contar com Careca para a função de matador, Casagrande foi realocado na meia-direita, atuando como um falso ponta-de-lança. Seu bom desempenho pelo São Paulo chamou novamente a atenção do Corinthians, que em 1985 o trouxe de volta para seu elenco. A passagem, porém, seria curta mais uma vez. Não tardou e o atacante foi vendido para o Porto, clube no qual alcançou talvez suas maiores glórias como jogador.

Já gabaritado pelas experiências nos times paulistas e pela participação como reserva na Copa do Mundo de 1986, Casagrande chegou à Europa credenciado para ser um dos destaques do time português. E apesar da ótima campanha do Porto naquela temporada de 1986-87, festejada pelo título da Copa dos Campeões da Europa, o atacante brasileiro não caiu nas graças da torcida. Suas sequenciais lesões e as já conhecidas noitadas fizeram com que o jogador ficasse sem o carinho dos fãs apesar dos títulos conquistados, forçando uma nova transferência.

Casagrande (de perfil) jogou a final da Copa Uefa (TorinoFC)
Foi com essa nova movimentação que Casão finalmente passou a ter estabilidade no futebol. Em 1987, Costantino Rozzi, então presidente do Ascoli, decidiu investir no brasileiro para tentar alavancar seu clube na Serie A. Os planos, porém, não foram tão bem sucedidos, com os bianconeri sempre brigando apenas contra o rebaixamento, terminando quase sempre o campeonato em posições intermediárias. A dedicação de Casagrande, porém, fez com que nem o rebaixamento para a Serie B em 1989-90 fosse suficiente para que a torcida desgostasse de si. Sua boa passagem pelo Ascoli, com três temporadas na primeira e mais uma na segunda divisão, e 38 gols no total, renderam boa fama ao jogador na Itália, garantindo uma transferência para um clube maior.

Com quatro anos de futebol italiano, Casagrande foi para o Torino em 1991 para viver seus melhores momentos na Itália. Em sua primeira temporada viu os granata, treinados por Emiliano Mondonico, obterem a terceira posição na Serie A, com ele marcando gols bastante importantes. Casão demorou para se acertar em Turim e passou por um jejum de gols. Porém, guardou o melhor para jogos importantes. Fez gols contra Sampdoria, Milan e, melhor ainda, marcou dois sobre a Juventus na vitória no dérbi local, em um dos últimos triunfos do time grená sobre a sua maior rival.

Casão também fez gols importantes no mata-mata da Copa Uefa, competição na qual o Toro chegou à final. Entre os gols mais importantes, destacam-se os decisivos contra AEK, Real Madrid e dois na partida de ida, em casa, no 2 a 2 contra o Ajax. Na volta, o 0 a 0 e os gols fora de casa deram o título aos holandeses.

Em seu segundo ano em Turim conseguiu seu primeiro título no Belpaese, a Coppa Italia. Já combalido por lesões, porém, perdeu espaço para outro cabeludo – o atacante Andrea Silenzi, recém-contratado – e preferiu voltar ao Brasil para iniciar seus últimos anos como profissional.

Sua volta aconteceu com uma transferência para o Flamengo, no qual ficou apenas um ano e não conquistou nada. Depois de passar em branco pelo Rubro-Negro, fez sua última passagem pelo Corinthians, passando posteriormente por Paulista de Jundiaí e São Francisco, pequeno clube pelo qual se aposentou. Após a aposentadoria continuou ligado com o futebol e com a noite. Até hoje é comentarista da TV Globo, tendo passado recentemente por sérios problemas de saúde causados por conta da dependência química.

Walter Casagrande Júnior
Nascimento: 15 de abril de 1963, em São Paulo, Brasil
Posição: atacante
Clubes como jogador: Corinthians (1980-81, 1982-83, 1985-86 e 1994), Caldense (1981), São Paulo (1984), Porto (1986-87), Ascoli (1987-1991), Torino (1991-1993), Flamengo (1993), Paulista de Jundiaí (1995) e São Francisco (1996)
Títulos: 2 Campeonatos Paulistas (1982, 1983), 1 Liga dos Campeões (1986-87) e 1 Coppa Italia (1993)
Seleção brasileira: 19 jogos e oito gols

segunda-feira, 11 de julho de 2011

C'è Cannavaro, c'è capitano

Exatamente cinco anos após levantar o tetra com a Itália, o capitão Cannavaro anuncia
aposentadoria

Fabio Cannavaro foi destaque de um Napoli que ia mal das pernas na década de 90; líder de uma defesa fortíssima no melhor Parma da história, que conquistou um vice-campeonato da Serie A, uma Copa Uefa, uma Coppa Italia e uma Supercopa italiana; viveu auge da carreira na Juventus de Fabio Capello, que teve títulos revogados pelo Calciocaos, e 13 anos como titular e oito anos como capitão da seleção italiana, detendo o recorde de 79 partidas como capitão pela Squadra Azzurra. Capitão do tetacampeonato. Melhor jogador do mundo em 2006, pela Fifa e pela France Football. E, a partir deste sábado, 9 de julho, em que se comemoravam os cinco anos do título na Alemanha, o capitão da conquista encerrava sua carreira, com quase 38 anos.

Manchas na carreira? Até 2009, apenas uma acusação por doping (veja o polêmico vídeo aqui) e uma passagem apagada pela Inter. Assim poderia ser resumida a carreira de Cannavaro até retornar para a Juventus, em 2009 - como resumimos aqui. Cannavaro poderia ter terminado a carreira por cima, mas desde 2009, viu seu rendimento cair. Tétrico em uma das piores Juventus da história, Cannavaro foi o jogador-símbolo do fracasso da seleção italiana na Copa de 2010: ainda capitão, era o homem forte de Marcello Lippi junto à imprensa, e defendia o técnico de qualquer crítica em relação ao time envelhecido italiano. Fora de forma, falhou nos três jogos da Itália no Mundial, e foi responsável direto pela (esperada) eliminação. Depois, no Al Ahli, dos Emirados Árabes, continuou dando vexame, como lembra o Braitner Moreira.

Tudo isso,no entanto, não tem foi suficiente para arranhar de maneira profunda a imagem do capitão. Alguns erros estratégicos e falta de bom senso em alguns momentos de sua carreira não apagam a memória dos que o viram jogar e, na metade da primeira década deste século, enxergavam Cannavaro como um dos grandes zagueiros que o futebol italiano produziu. Na Copa do Mundo de 2006, no auge de sua carreira, foi protagonista, com desarmes impecáveis, velocidade e força, além de um senso de posicionamento absurdo (veja vídeo com seus melhores momentos). Cannavaro conitnuará ligado ao futebol, como dirigente na equipe de Dubai, como afirmou em sua entrevista de despedida à Gazzetta dello Sport. Mas, para sempre, será lembrado como o capitão do tetra.


Trecho do comercial da campanha Write The Future, veiculada pela Nike em 2010, em que Cannavaro aparece como herói após evitar um gol. A música cantada no vídeo por Bobby Solo, traz os versos utilizados para intitular a postagem - em português, "é Cannavaro, é o capitão". Veja todo o spot aqui.

domingo, 3 de julho de 2011

Jogadores: Enzo Francescoli

Depois de fazer história pelo River Plate, Francescoli, um dos maiores jogadores uruguaios de todos os tempos, entrou na galeria de craques do Cagliari (Cagliari Calcio)
Fisicamente muito parecido com Sylvester Stallone, Enzo Francescoli fez história nos anos 80 e 90, mas ao contrário do ator, jamais se destacou pela força. Com bom repertório de dribles, facilidade para trocar passes e instinto artilheiro, o uruguaio foi um dos atacantes mais completos de sua época. Por ser muito habilidoso, muitas vezes, “El Principe” acabou sendo recuado para jogar como meia e também deu conta do recado. Além disso, Francescoli também era especialista em cobranças de falta e era bom cabeceador.

Desde pequeno, Enzo Francescoli foi torcedor do Peñarol, mas em seus 14 anos de carreira jamais realizou seu sonho de defender o carbonero. Em seu país natal, “El Principe” só defendeu o Montevidéu Wanderers, de onde partiu para o River. Sua contratação chegou a ser questionada, mas logo na primeira temporada com os millonarios, chegou à seleção uruguaia, mostrando todas as suas qualidades. Pela celeste olímpica, “El Maestro” venceu a Copa América, marcando uma vez na final, vencida contra o Brasil.

Antes de se transferir para a Europa, Francescoli ganhou e foi artilheiro de um Campeonato Argentino, com 25 gols. A porta de entrada no velho continente foi a França, no Racing Club de Paris. Em 1987, Francescoli adicionou outra Copa América a seu currículo. Após três anos na capital francesa, o uruguaio se transferiu para o Olympique de Mareseille, onde virou ídolo. Jogando apenas uma temporada, “El Principe” encantou os torcedores do OM. Um deles era especial: Zidane, que diz ter se inspirado no estilo de jogo do uruguaio e homenageou o ídolo ao nomear seu primogênito como Enzo. Em Marselha, ele venceu o Campeonato Francês, marcando 11 vezes. 

O único ano em Marselha fez o uruguaio ficar marcado na história do clube. De lá, Francescoli parte para a sua segunda Copa, na Itália e após os uruguaios terem caído para a Itália, nas oitavas, no Mundial, o camisa dez celeste em 1990 acabou ficando no Belpaese. O destino foi a Sardenha, para defender o Cagliari, que tinha acabado de retornar para a Serie A, com Claudio Ranieri no comando, e também contratou seus compatriotas Daniel Fonseca e José Herrera.

O príncipe Enzo diante de seu compatriota, o interista Rubén Sosa (Cagliari Calcio
Em seus dois primeiros anos no time rossoblù, Francescoli, já mais experiente, começa a se reinventar: joga mais recuado, como trequartista, e assume o posto de craque do time. Nos dois anos, ajudou a equipe a somar, em ambas s temporadas, 29 pontos, suficientes para livrá-la do rebaixamento. Em seu último ano no Cagliari, com Carlo Mazzone, o time cresceu e terminou na sexta colocação, que valia vaga na Copa Uefa. O uruguaio marcou sete vezes na Serie A – seu maior número jogando na Itália.

Francescoli, no entanto, não viveria a segunda parte do renascimento do Cagliari na década de 90. Ao final do campeonato, o uruguaio se transferiu para o Torino, campeão da Coppa Italia na última temporada e vice-campeão da Copa Uefa na anterior. Pela equipe granata, foi vice-campeão da Supercopa italiana e chegou às semifinais da Coppa Italia, atuando como titular na campanha que levou o Toro ao oitavo posto na Serie A. Ao final da temporada, o uruguaio voltou ao River Plate. Voltar a vestir a camisa branca e vermelha fez bem à Francescoli: o River conquista o Apertura de forma invicta, e El Principe, com 12 gols, foi o artilheiro do torneio. 

Segundo e último clube do uruguaio na Itália foi o Torino (Tumblr)
Com a taça na bagagem, ele foi defender e conquistar com a sua seleção mais uma Copa América. Desta vez, jogando em casa e, novamente, derrotando o Brasil na final. Porém, o grande ano da carreira ainda estava por vir. Em 1996, além de mais um Apertura, onde novamente marcou 12 vezes, veio a tão sonhada conquista continental: uma campanha quase perfeita na Libertadores, com apenas duas derrotas, deu a taça para o capitão Francescoli e seus companheiros, entre eles, o à época jovem, Crespo, que faria história no futebol italiano.

Antes de se aposentar, o uruguaio ainda conquistou mais um Apetura, um Clausura e a Supercopa sul-americana. Títulos que o deixam para sempre na história dos millonarios. A adimiração da torcida do River Plate por “El Principe Millonario”, pode ser medida pela sua despedida, que emocionou o Monumental de Núñez.

Enzo Francescoli
Nascimento: 12 de novembro de 1961, em Montevidéu, Uruguai
Posição: Meia-atacante
Clubes como jogador: Montevidéu Wanderers (1980-82), River Plate (1983-86 e 1994-97), Racing Club Paris (1986-89), Olympique de Marseille (1989-90), Cagliari (1990-93) e Torino (1993-94).
Títulos: Copa América (1983, 1987 e 1995), Campeonato Argentino (1985-86), Apertura (1994, 1996 e 1997), Clausura (1997), Campeonato Francês (1989-90), Taça Libertadores (1996) e Supercopa sul-americana (1997)
Seleção uruguaia: 73 partidas e 17 gols