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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Jogadores: George Weah

Weah foi o primeiro jogador africano a erguer a Bola de Ouro. Em Milão, conquistou dois scudetti (Wikipedia)
Excelente atacante com faro de gol, negro, embasamento político, craque do Milan. As palavras-chaves poderiam muito bem definir Ruud Gullit, mas se referem também a George Weah. O liberiano chegou ao Milan na metade da década de 1990 e, jogando pelo rossonero, foi o único jogador africano a ser eleito o melhor do mundo.

Weah cresceu ao lado dos avós. Era um aluno aplicado, apesar de saber do talento para jogar futebol. O menino de 15 anos entrou para o Young Survivors Clareton enquanto trabalhava em uma empresa de telecomunicações. O primeiro contrato profissional do jovem atleta foi proposto pelo Mighty Barrolle, time da cidade de Buchanan, no litoral da Libéria. O saldo foi positivo: sete gols em dez partidas. Em menos de dois anos, Weah já havia passado pelo Invincible Eleven, Africa Sports e Tonnerre Yaoundé, de Camarões, marcando gols e conquistando títulos e prêmios individuais.

A mudança para a Europa aconteceu em 1988. O motivo tem nome e sobrenome: Arsène Wenger. Técnico do Monaco há apenas uma temporada, o francês conquistou o campeonato nacional na época de estreia. Para reforçar o time campeão, Wenger quis a aquisição daquele tal de Weah, que sua rede de olheiros havia observado na África. Parte da história que construiu no continente negro foi repetida em terras napoleônicas, e o liberiano marcou seus gols e conquistou apenas um título no Principado. Em 1992, transferiu-se para o rico Paris Saint-Germain, de Raí e Ricardo Gomes, e ajudou os parisienses a conquistar quatro canecos quando ficou na capital, entre 1992 e 1995.

Depois de fazer história no melhor momento da história do PSG, Weah seguiu os passos de Abédi Pelé, outro dos maiores jogadores africanos de todos os tempos, que estava na Itália há um ano, no Torino. A Bota entrou na vida do liberiano quando ele tinha 30 anos. Na temporada de estreia em Milão o “Diamante Negro” ou “Rei Leão”, como era chamado, conquistou o scudetto, a Bola de Ouro (o atacante foi o primeiro africano a vencer o prêmio da France Football) e o troféu de melhor jogador do mundo pela Fifa. Substituindo Ruud Gullit, o atacante dotado de excelente forma física, velocidade e técnica, foi um dos protagonistas do título italiano ao lado de Baggio, Desailly e Albertini. Ele marcou onze gols dos 60 da Serie A 1995-96 - um dos mais bonitos foi na vitória por 1 a 0 sobre a Lazio.

A temporada seguinte já não foi boa para o coletivo. O Milan de Óscar Tabárez decepcionou - tanto que o uruguaio acabou substituído por Arrigo Sacchi - e ficou em 11º lugar na tabela do campeonato nacional. Mesmo assim, Weah balançou a rede em mais treze oportunidades. Esta foi a melhor época do liberiano, se contar apenas os números individuais. O gol marcado nos 4 a 1 contra o Verona foi um dos mais belos da história da Serie A.
Weah arranca para marcar golaço sobre o Verona (Trivela)
A adoração pelo atacante veio mesmo em 1998-99, com a conquista de mais um scudetto rossonero. Na primeira temporada de Alberto Zaccheroni, o diretor Silvano Ramaccioni trouxe Thomas Helveg e Oliver Bierhoff, dois jogadores de suma importância. No 3-4-3, Weah era titularíssimo ao lado do gigante alemão e de Zvonimir Boban ou Leonardo. Todos eram bem auxiliados por Helveg, Albertini, Ambrosini e Guglielminpietro. O título foi alcançado no centenário do clube e o atacante da Libéria praticamente concluía sua prolífica passagem em Milão.

Com uma idade mais avançada, o Milan sinalizou uma possível saída de Weah, no meio da temporada seguinte. E, assim, em janeiro de 2000, ele foi repassado por empréstimo ao Chelsea de Gianluca Vialli e, ao fim da temporada, foi vendido ao Manchester City. Em Manchester, Weah se tornou desafeto do treinador Joe Royle por ser substituído com freqüência e foi novamente vendido, desta vez retornando à França para atuar pelo Olympique de Marseille.

Liberiano fica ensandecido após marcar gol importante sobre a Juve (Interleaning)
O jogador ainda passou pelo Al-Jazira e quase levou a Libéria, da qual também era treinador e principal financiador, à Copa do Mundo de 2002. Nas Eliminatórias, sua seleção ficou apenas um ponto atrás da Nigéria e Weah não conseguiu sair da lista de grandes jogadores que nunca participaram de um Mundial. Em 2003, se aposentou, aos 37 anos. Seu filho, George Weah Jr., chegou a jogar nas categorias de base do Milan e pela seleção sub-20 dos Estados Unidos (Weah é casado com uma norte-americana e vive no país), mas não obteve sucesso na carreira até hoje.

Fora das quatro linhas, George Weah sempre foi reconhecido por realizar um trabalho humanitário. Ele mantém uma fundação que cuida de crianças em seu país natal, vitimizado por uma guerra civil durante as décadas de 90 e 2000. Weah também se candidatou à presidência da Libéria em 2005, mas não foi eleito.

George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah
Nascimento: 1º de outubro de 1966, em Monrovia, Libéria
Posição: atacante Clubes como jogador: Mighty Barrolle (1985-86), Invincible Eleven (1986-87), Africa Sports (1987), Tonnerre Yaoundé (1987-88), Monaco (1988-1992), Paris Saint-Germain (1992-95), Milan (1995-2000), Chelsea (2000), Manchester City (2000), Olympique de Marseille (2000-01) e Al-Jazira (2001-03)
Títulos: 2 Campeonatos Liberianos (1985-86 e 1986-87), Copa da Libéria (1985-86), 3 Copas da França (1991, 1992-93 e 1994-95), Campeonato Francês (1993-94), Copa da Liga Francesa (1995), 2 Serie A (1995-96 e 1998-99) e Copa da Inglaterra (1999-00) Seleção liberiana: 60 jogos e 22 gols

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ruínas de Roma

Luis Enrique nem olhou Totti saindo de campo. Precisa observar e aprender, caso contrário... (GettyImages)

A posse de bola no primeiro jogo não surtiu efeito. Chances criadas, chances desperdiçadas. Hoje, em 11 minutos, Perrotta já tinha marcado 1 a 0 para a Roma. O resultado levava para a prorrogação; mas os giallorossi redimensionaram o verbo "romar" - cunhado aqui no blog, em referência a algum vexame incrível - no espaço e no tempo, como disse o jornalista Pedro Venancio, e foi eliminado da Liga Europa após empate em casa com o Slovan Bratislava.

O forte ritmo italiano era ditado pelos jovens pés de Viviani e Caprari, e, por outro lado, Perrotta e Simplício davam certa experiência no meio-campo. No ataque, além de Caprari, Bojan jogava à esquerda e Totti no centro do 4-3-3. A Roma precisava de mais outro para definir a classificação no tempo normal, mas a
os 28 minutos da etapa final,Totti saiu para a entrada de Okaka - pelas imagens, "contentíssimo" - e a torcida respondeu: vaias para Luis Enrique.

Pouco após a saída do capitão, um gol de Stepanovsky, no segundo chute eslovaco a meta de Stekelenburg, obrigaria a Roma a fazer mais dois para não cair, vergonhosamente, frente a sua torcida. Vladimír Weiss, técnico adversário, foi taxativo: "a substituição de Totti foi um presente para nós". Ironicamente, Weiss era o técnico da Eslováquia que eliminou a Itália na fase de grupos da Copa do Mundo de 2010.

As lamentações após a queda na fase preliminar da Liga Europa foram muitas - e diversas -, no Olímpico. Luis Enrique foi ríspido com jornalistas que questionavam a substituição, Cassetti e Bojan preferiram culpar a falta de sorte, pois a bola não entrou; Perrotta afirmou que a torcida tem o direito de reclamar. Já Burdisso disse: "a substituição de Totti nos pegou de surpresa, mas o capitão entendeu bem (sic). Será um ano difícil". Difícil em todos os aspectos, a começar do próprio setor do argentino, a defesa, que foi mal na pré-temporada e, por isso, deve ganhar o reforço do dinamarquês Kjaer, do Woflsburg.

A tônica da Roma, no entanto, é parte do que o zagueiro declarou após o empate em 1 a 1 com o Slovan Bratislava. A mudança dos corpos diretivos e técnicos da equipe ligam-se em um ponto: Francesco Totti. Indispensável, intocável, Rei de Roma na Era Sensi. Majestade que vê sua coroa se afastar após o início da gestão de Thomas DiBenedetto, e dos diretores Claudio Fenucci, Franco Baldini e Walter Sabatini. Luis Enrique, com sua postura de dar mais espaço a jovens, tem o aval da direção, por enquanto, mas o novo presidente da Roma precisará de coragem para bancar a aposta no espanhol, caso os resultados continuem ruins. Por outro lado, é natural que um novo projeto comece com tropeços.

Se o projeto do treinador era trazer o Barcelona à Bota, ele começa a ruir como um monumento da Roma Antiga. De um lado há talentosas promessas, como José Angel, Bojan Krkic e Erik Lamela; do outro, veteranos infelizes. Daniele De Rossi reluta em renovar contrato, Pizarro não está contente com a reserva, Borriello, que está de saída, está chateado com Luis Enrique e Sabatini e Totti...

Bem, Totti fica infeliz sempre que senta no banco de reservas. E, convenhamos, deixar o campo para que Okaka entre em seu lugar para decidir a classificação do seu clube do coração, quando ele mesmo era o melhor do jogo, não é algo facilmente digerível. Por muito menos, aliás, o capitão já disparou contra Claudio Ranieri, que ainda tinha o salvo-conduto de também ser romanista. Em um clube que preza tanto a romanità, Luis Enrique pisa em ovos.
Romper com o ídolo do time logo de cara não é lá muito inteligente. E, quando uma decisão dessas acontece em nível continental, quem perde é o futebol italiano, que agora tem apenas cinco times vivos em competições europeias. No ranking de coeficientes da Uefa, França e até mesmo Portugal (!) começam a encostar perigosamente.

Sorteio da LC: Itália (quase) satisfeita

O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões, que aocnteceu hoje à tarde, trouxe, como de costume, motivos para alegria e chateações. O grande motivo de prazer geral é que a competição terá, na primeira rodada, o jogaço entre Barcelona e Milan - chance de vingança de Ibrahimovic contra o desafeto Guardiola -, que caíram no mesmo grupo, o H. Apesar de enfrentar o Barcelona, o Milan pode comemorar: está em um dos grupos mais simples da LC.

Logo quando foi sorteado por Bobby Charlton, no segundo pote, para ser adversário da equipe blaugrana, o Milan correu risco de formar um grupo da morte, juntamente a equipes como Manchester City e Borussia Dortmund. Só que Ruud Gullit, antigo ídolo rossonero, deu sorte para o clube quando selecionava as equipes do terceiro pote. Ao lado de Barça e Milan, completam o grupo adversários sem expressão, como o BATE Borisov, o mais fraco do pote 3, e o estreante Viktoria Plzen, da República Tcheca. Além de praticamente apenas treinar, contra os adversários do Leste Europeu, caso confirme o favoritismo, o Milan também não poderá enfrentar o Barcelona nas oitavas.

Entre os grandes clubes europeus, a Inter está entre as que mais pode sorrir pelos adversários que o sorteio lhe reservou. Cabeça-de-chave do grupo, o time de Milão enfrentará CSKA Moscou, Lille e Trabzonspor, que herdou a vaga do Fenerbahçe, eliminado pela federação turca por corrupção. Ainda em formação, o time de Gasperini terá a oportunidade de jogar contra adversários mais acessíveis na fase de grupos, o que deve ser benéfico para ir acertando o time com mais calma. Ironicamente, depois de perder o craque Eto'o para os russos do Anzhi, a equipe nerazzurra irá a Rússia, pela quarta vez em cinco edições da LC - em outras duas oportunidades, jogou justamente contra a equipe moscovita. Longas viagens não são desejadas na competição, mas a Inter costuma ter um bom retrospecto em solo russo. O Lille, campeão francês, é a segunda força do grupo, e deve enfrentar a concorrência do CSKA.

O Napoli, por sua vez, não teve a mesma sorte que as outras equipes italianas e caiu no grupo mais equilibrado da competição - o único formado por componentes das quatro principais ligas europeias e nenhum campeão de liga nacional na última temporada. Terá que suar muito para bater Bayern de Munique, Villarreal e Manchester City. Sorteios não são o forte do presidente De Laurentiis: no início do mês, ele não gostou de ver o seu time ter jogos difícieis nas rodadas que antecediam a Liga dos Campeões e abandonou os estúdios da Sky italiana durante a transmissão, esbrabejando contra tudo e todos. Hoje, teve ainda mais motivos para fazê-lo na cerimônia em Mônaco.

A equipe do sul se reforçou bastante, mas será queesses jogadores serão considerados pela diretoria suficientes para que os partenopei sigam adiante, pela força do grupo? É a última semana de mercado e o interesse da Inter por Lavezzi pode ser visto com novos olhos por De Laurentiis. Será melhor segurar o argentino ou vendê-lo para reforçar o time em outras posições? O presidente, que já demonstrava interesse por Giuseppe Rossi, do Submarino Amarelo, declarou que vai tentar contratá-lo.

Confira todos os grupos
Grupo A: Bayern de Munique, Villarreal, Manchester City e Napoli
Grupo B: Inter, CSKA Moscou, Lille e Trabzonspor
Grupo C: Manchester United, Benfica, Basel e Otelul Galati
Grupo D: Real Madrid, Lyon, Ajax e Dínamo Zagreb
Grupo E: Arsenal, Marseille, Olympiacos e Borussia Dortmund
Grupo F: Porto, Shakhtar Donetsk, Zenit e APOEL
Grupo G: Chelsea, Valencia, Bayer Leverkusen e Racing Genk
Grupo H: Barcelona, Milan, BATE Borisov e Viktoria Plzen

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O destino e suas ironias

Walcott corre para comemorar seu gol no Friuli: após marcar nas duas partidas, o atacante foi o grande carrasco da Udinese (Getty Images)

Um final triste e agonizante para o sonho da Udinese. A torcida fez sua parte e compareceu em peso ao Friuli, fazendo muita festa antes e durante a partida. O Arsenal faria seu primeiro jogo após as vendas de Fàbregas e Nasri pressionado por imprensa e torcedores. A Udinese queria transformar o sonho de chegar longe na Europa em realidade. Mas quis o destino que logo Antonio Di Natale, maior ídolo recente dos friulanos, fosse do céu ao inferno e ajudasse a decretar a eliminação dos bianconeri, derrotados em casa pelos Gunners por 2 a 1.

A partida começou com uma tônica diferente da que se imaginava. Sem prezar o resultado feito em Londres, o Arsenal partiu para o ataque e tentou logo de cara definir o jogo. Abdicando da defesa, os ingleses pressionaram e foram melhores nos primeiros minutos, sendo abafados apenas pela iniciativa friulana de partir para cima e também expor seus defensores. Com isso, a partida se tornou totalmente aberta e ótima para os apreciadores do futebol ofensivo. Sinal dessa forma de jogar é que com menos de dez minutos, os visitantes já haviam atacado com perigo em duas oportunidades e Di Natale já tinha tido um gol (bem) anulado.

Com ritmo muito forte, o duelo começou a pender mais para os friulanos, que dominavam as ações investindo principalmente em jogadas pelos lados do campo. E foi em uma delas que Di Natale cruzou e Armero subiu mal dentro da pequena área, desperdiçando ótima chance para os donos da casa. Na sequência, mais uma jogada pela lateral e, depois de bom cruzamento de Badu, o capitão friulano acertou a trave, acendendo de vez a torcida presente no Friuli.

E se a Udinese pressionava, o Arsenal aproveitava os contra-ataques para dar sustos nos italianos. Em um deles, aos 32 minutos, Gervinho fez ótima jogada e colocou a bola na área. Walcott, autor do gol londrino no primeiro jogo, dominou e bateu, forçando duas ótimas defesas consecutivas de Handonovic. Na sequência, mais velocidade dos friulanos e Pinzi levantou na área para Di Natale subir e cabecear com força para as redes, explodindo o Friuli e se colocando no céu.

Após o gol, os friulanos pressionaram muito nos últimos minutos da primeira etapa, acuando o Arsenal, que só fazia se defender. A tática, porém, não surtiu efeito e as equipes foram para os vestiários com um 1 a 0 no placar que levaria o duelo à prorrogação. A torcida, porém, cantava e festejava pelos ótimos 45 minutos que os bianconeri fizeram.

O segundo tempo, porém, começaria com uma mudança crucial no Arsenal: o volante Frimpong foi sacado e deu lugar ao mais ofensivo Rosicky. A partir daí, os visitantes começaram a ganhar o meio-campo e reverteram o domínio visto na primeira etapa. Aos nove minutos, Gervinho mais uma vez desceu muito bem e cruzou para Van Persie, suspenso no primeiro duelo, marcar e silenciar o Friuli. O baque do gol sofrido atordoou os donos da casa, mas a Udinese voltou a ter a posse de bola e logo se reestruturou com pênalti assinalado após a bola bater na mão de Vermaelen.

O que seria o retorno da Udinese ao jogo, porém, acabou surtindo efeito contrário. Di Natale bateu e o goleiro Szczesny fez defesa espetacular, jogando um balde de água fria na reação friulana. A perda da penalidade, além de murchar o clube italiano, fez com que os friulani jogassem no tudo ao nada, partido para o ataque. De forma desorganizada e atordoada, os bianconeri davam brechas para o Arsenal contra-atacar e mal assustavam o goleiro adversário.

O resultado de tanta abertura foi um gol que sepultou de vez as ambições da Udinese. Em rápido contra-ataque, Walcott invadiu a área, chutou sem chances para Handanovic e fez os friulani acordarem de seu sonho com um banho de água muito fria. Sem mais reações, coube aos donos da casa esperar o árbitro apitar e lamentar. O sonho da Udinese de avançar na Europa cresceu nos pés de Di Natale e, por ironia do destino, morreu com o capitão.

Guia da Serie A 2011-12, parte 2

Na segunda parte do nosso guia para a temporada, damos destaque a mais dez equipes que jogarão a Serie A 2011-12. Hoje, falaremos da dupla de Roma, que vem cheia de novidades, além do reforçadíssimo Napoli e da Udinese, que tenta ser a sensação da temporada mais uma vez. E, claro, também analisamos o campeão Milan, favorito ao bicampeonato. A primeira parte você pode ler aqui. Boa leitura!


Lazio
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (72698 lugares)
Em 2010-11: 5ª colocação
O cara: Hernanes (meio-campista, foto)
A promessa: Sani Emmanuel (atacante)
O técnico: Edy Reja (3ª temporada)
Principais reforços: Miroslav Klose (a, Bayern de Munique), Djibril Cissé (a, Panathinaikos) e Federico Marchetti (g, Cagliari).
Principal perda: Stefan Lichtsteiner (ld, Juventus)
O que falta: um zagueiro reserva e negociar jogadores para fazer caixa
Objetivo: vaga em competição europeia
Time-base (4-2-3-1): Marchetti; Konko, Biava, André Dias, Radu; Ledesma, Matuzalém (Cana); Cissé, Hernanes, Mauri; Klose.

Na última temporada, o time laziale ficou com a amarga sensação de que poderia ter feito mais. A equipe figurou na zona de classificação da Liga dos Campeões por praticamente todo o campeonato, mas no final teve de se contentar com a Liga Europa, o que já foi um grande feito, para uma equipe que nos últimos anos vinha mal. Com o moral renovado, hoje a Lazio mira efetivamente a conquista de uma vaga europeia e, para isso, a diretoria reforçou muito bem a equipe, que passa a ter mais opções em todas as posições.

Os reforços começam a partir do extremo defensor. No gol, Muslera, que nunca fora unanimidade, dá lugar ao sedento Marchetti, que quer provar que pode chegar novamente à seleção, se lhe for dada uma boa sequência de jogos. Na linha defensiva, novidades nas laterais: Konko chega do Genoa para substituir o regular Lichtsteiner, que saiu para a Juventus, e terá as sombras de Stankevicius e Scaloni. Do outro lado, a Lazio tem cinco opções (Radu, Lulic, Cavanda, Garrido e Zauri) e deverá se desfazer pelo menos dos dois últimos até o fim da janela. A defesa, com Biava e André Dias, continua sem substitutos a altura. No meio-campo, o recém-chegado Cana briga por uma vaga com Matuzalém, González e Brocchi., já que Ledesma é titular absoluto no novo 4-2-3-1 de Reja. Com isso, Hernanes ganha ainda mais liberdade para ajudar Mauri na criação das jogadas.

No ataque, Zárate está em rota de saída, após se desentender mais uma vez com Reja, enquanto Floccari procura novo time desde julho. A política para contratações no setor foi a de que “panela velha é que faz comida boa”. Os experientes Klose e Cissé são exatamente o tipo de jogador de que o time se ressentia na última temporada: aquele centroavante com faro de gol. Importante ter os dois ao lado de Sculli, Rocchi e Kozák, já que a temporada é longa e ambos já não são jovens. Com esse poderio, o time mostrou na vitória sobre o Rabotnicki por 6 a 0, pela Liga Europa, que vem forte. De acordo com o presidente Claudio Lotito, o objetivo é chegar ao título da competição europeia. Ao menos, a Lazio irá incomodar. (Anderson Moura)

Lecce
Cidade: Lecce (Apúlia)
Estádio: Via del Mare (33876 lugares)
Em 2010-11: 17ª colocação
O cara: Rubén Olivera (meia-atacante)
A promessa: Luis Muriel (atacante)
O técnico: Eusebio Di Francesco (1ª temporada)
Principais reforços: Júlio Sérgio (g, Roma), Moris Carrozzieri (z, Palermo) e Rodney Strasser (m, Milan).
Principal perda: Gianni Munari (m, Fiorentina)
O que falta: zagueiros titulares
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time-base (4-3-2-1): Júlio Sérgio; Tomovic, Carrozzieri, Esposito, Mesbah (Brivio); Strasser, Giacomazzi, Bertolacci; Di Michele, Olivera (Piatti); Corvia.

Escapando do rebaixamento por pouco na temporadas, o Lecce resolveu mudar para esta temporada. A começar pelo técnico. Luigi De Canio, grande responsável pela manutenção da equipe na Serie A, percebeu que a sociedade não lhe ofereceria garantias para continuar seu projeto (a família Semeraro deixou o clube após 16 anos à sua frente), e dá lugar a Eusebio Di Francesco. Rosati abandonou a meta dos giallorossi e assinou com o Napoli, mas o time não perdeu em qualidade graças a chegada de Júlio Sérgio, emprestado pela Roma.

Além da chegada do brasileiro, o clube fechou outros reforços para a defesa, que foi a mais vazada do último campeonato. O zagueiro Carrozzieri, que só disputou uma partida nos últimos dois anos (estava suspenso por uso de cocaína) e Esposito, que jogou pouco pelo Bologna, devem ser os titulares, o que não leva alento algum à torcida. O meio-campo, no entanto, deve ser o setor mais forte do time, com o capitão Giacomazzi e os bons jovens Bertolacci (que retorna após longa negociação com a Roma) e Strasser, emprestado pelo Milan.

Para o setor criativo, Olivera deve continuar dando as cartas quando voltar de lesão e, ao lado de Piatti, deve ter muito trabalho, já que Munari, peça fundamental da última temporada, deixou o clube rumo à Fiorentina. Jeda e Chevantón deixaram a equipe, Cacia deve ser negociado, e as opções para o ataque são, além de Olivera e Piatti, que chegam mais de trás, Corvia, Di Michele e o jovem Muriel, destaque da Colômbia no Mundial sub-20, que pode dar o que falar. A seu favor, os salentini tem o rejuvenescimento da equipe, que conta agora com diversos jogadores abaixo dos 25 anos. Nas rodadas finais, se o time precisar daquela correria a mais, um melhor preparo físico pode fazer a diferença. (AM)

Milan
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (82995 lugares)
Em 2010-11: campeão
O cara: Thiago Silva (zagueiro, foto)
A promessa: Stephan El Shaarawy (meia-atacante)
O treinador: Massimiliano Allegri (2ª temporada)
Principais reforços: Philippe Mexès (z, Roma), Taye Taiwo (le, Marseille) e Stephan El Shaarawy (m, Padova).
Principal perda: Andrea Pirlo (m, Juventus)
O que falta: a rigor, elenco completo. Por capricho, um meia, o tal "Mister X"
Objetivo: título
Time base (4-3-1-2): Abbiati; Abate, Nesta (Mexès), Thiago Silva, Taiwo; Gattuso, van Bommel, Seedorf (Ambrosini); Boateng; Pato (Robinho), Ibrahimovic.

Inter sem Eto'o, com técnico e esquema novo, Juventus idem. Se fosse apenas pelos rivais, o Milan já começaria a temporada como favorito, por ser o único a não apresentar grandes mudanças desde 2010-11. As novidades dos rivais realmente ajudam a equipe de Milanello, que também se tornou mais forte, mexendo pouco no elenco, sem gastar quase nada. Mexès e Taiwo, reforços que devem fortalecer ainda mais a melhor defesa do último campeonato, foram contratados a custo zero. El Shaarawy, uma das grandes revelações do futebol italiano, valeu o investimento de cerca de 10 milhões de euros e aumenta o poder de fogo de um setor que já era forte com Ibrahimovic, Pato, Robinho e Cassano, e ainda terá o retorno do veterano Inzaghi, que estava lesionado.

A fórmula para conquistar o bicampeonato seguirá a mesma. Allegri não mexeu no esquema tático da equipe e contará com a mesma espinha dorsal da última temporada. Thiago Silva continua sendo o pilar da defesa rossonera, e agora terá como objetivo fazer uma grande Liga dos Campeões. Assim como Ibrahimovic, que começou a pré-temporada voando e deseja não repetir o desempenho do último ano, quando fez um excelente primeiro turno e caiu demais em 2011. No meio-campo, Seedorf jogará de vez na função de Pirlo, ajudando um Boateng em franca evolução a armar as jogadas.

Muito se falou durante a pré-temporada que o Milan contrataria um meio-campista que atuasse pela esquerda. O Mister X, como ficou conhecido, diziam, poderia ser Ganso, Hamsík e até Montolivo. No fim das contas, com o elenco quase fechado, ele deve ser mesmo Aquilani, que há três anos quase não joga bem. O Diavolo tenta negociar um empréstimo com opção de compra, para limitar os riscos de um potencial fracasso do jogador. Convenhamos, se Seedorf e Boateng mantiverem o nível da última temporada, quem precisa de Aquilani? (Nelson Oliveira)

Napoli
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (76824 lugares)
Em 2010-11: 3ª posição
O cara: Edinson Cavani (atacante)
A promessa: Federico Fernandez (zagueiro)
O treinador: Walter Mazzarri (3ª temporada)
Principais reforços: Gökhan Inler (v, Udinese), Miguel Ángel Britos (z, Bologna) e Blerim Dzemaili (m, Parma).
Principal perda: Michele Pazienza (v, Juventus)
O que falta: um reserva para Cavani
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (3-4-2-1): De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Britos (Aronica); Maggio, Dzemaili (Gargano), Inler, Dossena; Lavezzi, Hamsík; Cavani

Repetir o sonho que virou realidade na última temporada. Essa é a missão mais do que possível do Napoli na Serie A que começa. Dividindo seu tempo tempo entre o Italiano e a Liga dos Campeões, os partenopei terão em 2011-12 a responsabilidade de manter o ótimo nível que levou a equipe de volta à disputa das primeiras posições e, principalmente, à Europa. Com uma atuação quase impecável no mercado, os azzurri parecem garantir no papel o posto de time que irá incomodar os grandes na disputa pelo título, condição que assumira no final de década de 1980 e que há tempos já não dava as caras no clube sulino. Um momento absurdamente especial para a fanática torcida napolitana.

Sobre a atuação no mercado, é destaque a contratação do meio-campista Gökhan Inler. Um dos pontos vitais para a ótima campanha da Udinese em 2011-12, o suíço chega com status de estrela e condição para melhorar a já consistente chegada dos partenopei ao campo de ataque, sobretudo por causa da parceria com o conterrâneo Dzemaili, que chega do Parma para lutar por uma vaga de titular. Quando Gargano ou Donadel estiverem em campo, serão mais responsáveis por carregar o piano no meio-campo, e o "leão" Inler poderá – e deverá – usar seu fôlego quase que inesgotável para ser praticamente um terceiro elemento na armação da equipe ao lado de Hamsík e Lavezzi, que terão ainda mais possibilidade de apoiar o matador Cavani nas chegadas ofensivas. Uma arma que eleva ainda mais as chances napolitanas na Serie A e que deverá dar ao time algum horizonte mais longínquo na Europa.

E se reforçou o elenco em alto nível, o Napoli também garantiu a manutenção de peças-chave que foram bastante cobiçadas no mercado – Hamsík em destaque. Agora, com a saída de Eto'o para o Anzhi, a Inter tenta contratar Lavezzi, mas o presidente Aurelio De Laurentiis faz jogo duro: só vende o argentino se o clube de Milão pagar sua cláusula, avaliada em 31 milhões de euros. Resta agora saber até onde as cobranças por uma nova temporada em alto nível atrapalharão o Napoli. É sabido que o time tem muitas condições de se manter no topo, disputando inclusive o scudetto, como fez em boa parte da última temporada. Mas a pressão por bons resultados crescerá muito e caberá a Mazzarri, que vai se consagrando como um dos grandes técnicos do Belpaese, e aos jogadores mais experientes do elenco segurar a bronca de uma torcida e uma imprensa que não se contentarão mais somente em não fazer feio, como vinha sendo praxe: o Napoli investiu e tem time para fazer bonito em 2011-12. (Leonardo Sacco)

Novara
Cidade: Novara (Piemonte)
Estádio: Silvio Piola (10106 lugares)
Em 2010-11: 3ª colocação da Serie B
O cara: Marco Rigoni (meio-campista, foto)
A promessa: Andrea Mazzarani (meia-atacante)
O treinador: Attilio Tesser (3ª temporada)
Principais reforços: Massimo Paci (z, Parma), Takayuki Morimoto (a, Catania) e Pablo Granoche (a, Chievo)
Principal perda: Cristian Bertani (atacante)
O que falta: time completo. Eventuais novos reforços apenas em janeiro.
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-1-2): Ujkani; Morganella, Paci, Dellafiore, García; Giorgi, Porcari, Rigoni; Mazzarani; Granoche (Jeda; Meggiorini), Morimoto.

Após 55 anos ausente o Novara está de volta à Serie A, mas se para a Serie B de 2010-11 o clube apostou na manutenção da base campeã da Lega Pro Prima Divisione no anterior, desta vez, os principais jogadores não vestirão azzurro no retorno do clube. Com o segundo melhor ataque da última Serie B, os piemonteses acabaram vendo o Bertani, artilheiro do time na Serie B com 17 gols, transferir-se para a Sampdoria e González, vice-artilheiro, transferiu-se para o Palermo, depois de ter assinado com os rosanero em janeiro.

Para cobrir as baixas no setor, os azzurri foram ao mercado e trouxeram quatro reforços com alto risco de investimento - até por isso, três deles chegam por empréstimo. Jeda vem do Lecce; Granoche, do Chievo; Meggiorini, do Genoa e apenas Morimoto ex-Catania, chega em co-propriedade. Em comum, todos os reforços para o ataque não fizeram uma boa Serie A em 2010-11 e, ao todo, marcaram sete vezes – quatro deles, anotados por Jeda. Os quatro brigarão pelas duas vagas do ataque, no 4-3-1-2 armado por Attilio Tesser, o técnico desde a campanha da Lega Pro Prima Divisone, em 2009-10. Ainda no setor ofensivo, o meia Mazzarani chega da Udinese por empréstimo e deve colaborar com o ataque, pois na última Serie B, jogando pelo Modena, marcou nove vezes.

A defesa também recebeu reforços, que chegam com status de titular. Paci (d, Parma) e Dellafiore (d, Parma) deverão formar o novo miolo de zaga. Na lateral-esquerda, García, emprestado pelo Palermo larga na frente na briga pela titularidade da posição. No setor, a predominância de ex-jogadores do Palermo continua, já que o goleiro segue sendo o albanês Ujkani e o jovem suíço Morganella, continua como dono da lateral-direita. No meio-campo, o camisa dez Rigoni e Porcari ganham a companhia de Giorgi (m, Ascoli). O volume de contratações, apesar de grande, não enche os olhos de ninguém - a saída do diretor técnico Pasquale Sensibile, que foi para a Sampdoria, se faz notar nesse ponto. Mesmo sem contratar grandes nomes, Sensibile fazia milagres e resta saber agora se seu substituto, Mauro Pederzoli, terá os mesmos resultados. Ao menos, o técnico Attilio Tesser já esperava não trabalhar com estrelas. Salvar o Novara será um grande feito. (Pedro Spiacci)

Palermo
Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36349 lugares)
Em 2010-11: 8ª posição
O cara: Fabrizio Miccoli (atacante)
A promessa: Ignacio Lores (meia)
O treinador: Stefano Pioli (1ª temporada)
Principal reforço: Matías Silvestre (z, Catania), Mauro Cetto (z, Toulouse) e Eran Zahavi (m, Hapoel Tel Aviv)
Principal perda: Javier Pastore (m, Paris Saint-Germain)
O que falta: um goleiro titular e um substituto de peso para Pastore
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (3-4-2-1): Benussi; Cetto, Silvestre, Mantovani; Cassani, Migliaccio, Nocerino, Balzaretti; Ilicic, Zahavi; Hernández (Miccoli).

Após ter uma das piores defesas da última temporada, os primeiros passos da diretoria do Palermo tiveram o intuito de melhorar a retaguarda. Depois de não continuar o vínculo com o técnico Delio Rossi, o clube siciliano fechou com o técnico Stefano Pioli, comandante do Chievo, que teve uma das cinco defesas menos vazadas do campeonato. O presidente Maurizio Zamparini ainda deu o aval para a contratação de uma nova defesa: chegam Mantovani, do Chievo, Cetto, xerifão do Toulouse, e Silvestre, o zagueiro-artilheiro do Catania. Em contrapartida, saíram Bovo (Genoa), Goian (Rangers), Darmian (Torino), García (Novara), Carozzieri (Lecce), Andjelkovic (Ascoli) e Sirigu (Paris Saint-Germain). O vice-capitão Cassani ainda pode rumar à Fiorentina. Pioli está servido de reservas para as alas de Cassani (se ficar) e Balzaretti. Pisano fez boa temporada pelo Varese e Lores, nascido em 1991, tem um estilo mais ofensivo, é canhoto e pratica dribles curtos.

As mudanças, entretanto, estão saindo pela culatra. O clube ainda não achou substituto para Sirigu (espera fechar com Sorrentino, do Chievo) e continua sofrendo na defesa: sofreu gols até mesmo do semiamador Trapani e outros três do Fenerbahçe, em amistoso. Apesar de tantas mudanças na defesa, a lacuna que o Palermo mais deve sentir é a de Pastore, vendido ao PSG por 43 milhões de euros. Na última temporada, um entre Miccoli, Pinilla ou Hernández jogavam isolados na frente e as aproximações de Pastore eram fundamentais. Agora, o israelense Eran Zahavi, ex-Hapoel Tel Aviv, um meia rápido, incisivo, destro e que finaliza bem a curta e média distância, terá de fazer esse trabalho, ao lado de Ilicic. Entretanto, o novo contratado pode levar um tempo para se adaptar ao futebol italiano e o time dependerá muito do esloveno.

O dinheiro ganho com a venda de Pastore ainda não foram reinvestidos, se é que serão, já que o Palermo sempre foi um clube revendedor. Antes, quando tinha o bom Walter Sabatini como responsável pelo mercado, o Palermo contratava bons jovens. Agora, com Sean Sogliano, espera-se que os resultados sejam ao menos parecidos. O clube tem contratado promessas, como Zahavi e Lores, além de olhar para divisões inferiores, de onde contratou González (ex-Novara, que assinou em janeiro e foi integrado ao grupo em junho). Olho também Um dos que pode se tornar a promessa do time – ao lado de Lores – é Ádám Simon, volante húngaro de 21 anos. Ele jogou em todas as seleções de base de seu país (sub-17, 19, 20 e 21) e foi vice-campeão do Mundial Sub-20 de 2009. Teve um gol eleito como o mais bonito do campeonato húngaro de 2010-11. De qualquer forma, a eliminação para o Thun nas eliminatórias para a Liga dos Campeões fez Pioli abrir os olhos: erros não serão tolerados. Com um pouco de sorte, o Palermo pode até chegar à uma competição européia. (Murillo Moret)

Parma
Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (23486 lugares)
Em 2010-11: 12ª colocação
O cara: Sebastian Giovinco (atacante)
A promessa: Fabio Borini (atacante)
O treinador: Franco Colomba (2ª temporada)
Principais reforços: Jaime Valdés (m, Sporting), Jonathan Biabiany (a, Sampdoria) e Matteo Rubin (le, Parma)
Principal perda: Amauri (a, Juventus)
O que falta: um atacante de peso
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-2): Mirante; Zaccardo, Paletta, Lucarelli, Rubin; Biabiany, Morrone, Galloppa, Valdés; Giovinco e Crespo (Pellè).

A permanência do técnico Franco Colomba no banco foi o primeiro acerto da diretoria neste mercado, junto com a manutenção de Giovinco no time. O bom trabalho do treinador no final da última temporada, salvando os crociati da degola, mereceu o apoio da diretoria e pode dar uma boa sequência ao time. Para reforçar a equipe que passou por maus bocados no campeonato passado, então, as movimentações de mercado foram bem planejadas, pensando em um equilibrio maior do time: chegam três jogadores de defesa, três meio-campistas e três atacantes. Jaime Valdés, Fabiano Santacroce, Jonathan Biabiany, Fabio Borini e Matteo Rubin foram as principais aquisições.

Para fortalecer a faixa defensiva, chegam Santacroce, Brandão e Rubin, que veio do Torino e já deve assumir a posição na lateral esquerda do time. No meio, Morrone e Galloppa devem continuar compondo o miolo, enquanto Biabiany e Valdés são os novos nomes para as alas. O jovem francês vem de uma temporada decepcionante na Sampdoria e espera reencontrar o bom futebol que não aparece há dois anos, quando ainda estava no próprio Parma. Do lado oposto, a aposta é no chileno Valdés, de 30 anos. O jogador, ex-Atalanta, fez uma boa temporada com o Sporting Lisboa, no ano passado, e deve dar mais qualidade ao time. No ataque, a formação deve continuar a mesma: Giovinco e Crespo. Desta vez, contudo, o veterano argentino vai ter que lutar para manter a posição, uma vez que Pellè e o jovem Fabio Borini chegam para fazer sombra ao atacante. No entanto, o Parma não descarta a volta de Amauri ou até mesmo a contratação de um outro atacante para ser titular.

O jovem Borini, inclusive, pode ser uma boa surpresa deste campeonato. Aos 20 anos, o jogador volta à Itália depois de boa experiência no futebol inglês. Lá, ele passou pela academia de jovens do Chelsea e depois atuou pelo Swansea City, time que alcançou o acesso para a Premier League de forma muito rápida. No ano passado, o italiano aproveitou bem todas as chances que teve no time titular: em apenas nove partidas, marcou seis gols, mostrando seu talento. Os mais otimistas já começam a compará-lo com Giuseppe Rossi, jogador italiano de maior sucesso no exterior nos últimos anos. Ainda assim, os torcedores gialloblù não podem se empolgar muito. Uma posição intermediária na tabela deve ser mesmo o destino do time. (Rodrigo Antonelli)

Roma
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73261 lugares)
Em 2009-10: 6ª posição
O cara: Francesco Totti (atacante, foto)
A promessa: Gianluca Caprari (meio-campista)
O treinador: Luis Enrique (1ª temporada)
Principais reforços: Erik Lamela (m, River Plate), Bojan Krkic (a, Barcelona) e Maarten Stekelenburg (g, Ajax)
Principal perda: Mirko Vucinic (a, Juventus)
O que falta: um zagueiro e um atacante
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-3): Stekelenburg; Cicinho (Cassetti), Burdisso, Juan, José Ángel; De Rossi, Perrotta, Pizarro; Lamela, Totti, Bojan.

Falta pouco mais de uma semana para o fim do mercado, e a Roma permanece uma incógnita. Agora sob propriedade norte-americana, o clube da capital corre atrás de reforços para fechar o plantel e se desfazer de nomes considerados dispensáveis pela nova equipe técnica. Para o comando, a aposta em Luis Enrique é arriscada: novato, ele só dirigiu o Barcelona B, e desembarca na Itália seguindo a moda de tentar transportar o futebol blaugrana para outros cantos do mundo.

O elenco só conta com três zagueiros (Burdisso, Heinze e Juan), todos acima dos trinta anos, e por isso tenta-se a todo custo fechar com Simon Kjaer, ex-Palermo. Na lateral direita, Cicinho e Cassetti, também sobre os trinta, alternarão no lado oposto ao de José Ángel, único lateral esquerdo de ofício até o momento. O meio-campo permanece quase o mesmo, com o reforço de Erik Lamela, promessa argentina, enquanto o ataque espera contar com a agilidade de Bojan Krkic, pedido imediato de Luis Enrique. Ainda se fala em alguns reforços para ambos os setores.

Pela primeira vez em anos, a Roma pode começar a temporada com a certeza de um goleiro confiável, sob as mãos de Stekelenburg. Francesco Totti, por sua vez, terá que se readaptar: a mudança na alta cúpula retira alguns privilégios do atacante, cuja situação já não é tão confortável. As perdas de Mexès, Riise, Ménez e Vucinic farão falta de início, mas todas, por seus motivos particulares, não demorarão a cicatrizar. Tentando se renovar radicalmente, aquele que era o time mais velho da Serie A passada busca um recomeço apostando em juventude e agilidade, mas tudo ainda é muito nublado. (Mateus Ribeirete)

Siena
Cidade: Siena (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (15373 lugares)
Em 2010-11: vice-campeão da Serie B
O cara: Simone Vergassola (meio-campista)
A promessa: Mattia Destro (atacante)
O treinador: Giuseppe Sannino (primeira temporada)
Principais reforços: Gaetano D’Agostino (m, Fiorentina), Alessandro Gazzi (m, Bari) e Daniele Mannini (m, Sampdoria)
Principal perda: Francesco Caputo (atacante)
O que falta: um meio-campista
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-4-2): Brkic; Belmonte, Rossettini, Contini, Del Grosso; Mannini, Vergassola, D’Agostino, Sestu; Calaiò, Destro.

No retorno à Serie A, o Siena não terá um dos principais responsáveis pelo feito O técnico Antonio Conte, que foi para a Juventus, foi substituído por Giuseppe Sannino, estreante na elite do futebol italiano. Ele também fez uma ótima campanha na Serie B e terminou o campeonato na 4ª posição com o Varese, recém-promovido da terceirona, classificando-se para os play-offs, mas eliminado pelo Padova. Apesar de ser o novato da vez, Sannino terá bons jogadores para cumprir o objetivo bianconero: permanecer na primeira divisão. Para ajudá-lo na tarefa, o treinador trouxe com ele duas peças que trabalharam com ele no Varese: Pesoli, zagueiro, e Grossi, meio-campista.

Zeljko Brkic chega emprestado junto a Udinese e será o goleiro titular. Na defesa, Rossettini e Del Grosso permanecem, enquanto Belmonte retorna de empréstimo ao Bari para ocupar a lateral direita, e Contini chega para jogar ao lado de Rossettini, no miolo. O Siena continua apostando no jogo pelos lados, que lhe garantiu o acesso e, para isso, fez uma ótima contratação ao fechar com Mannini, ex-Napoli e Sampdoria. Do lado esquerdo, no entanto, a qualidade não é a mesma com Sestu, que tem sido titular no setor, e Gazzi pode assumir o posto. O centro do meio-campo deve ser uma garantia, já que o capitão Vergoassola e o novo contratado D'Agostino são bons de combate e de chegada ao ataque.

No comando do ataque, chance para Destro, excelente promessa formada na Inter e emprestada pelo Genoa. O jovem de 20 anos ganha a primeira oportunidade como titular numa equipe profissional depois de ter sido artilheiro nos Giovanissimi (sub-15) da Inter em 2005-06, vice-artilheiro dos Allievi (sub-16), no ano seguinte, e também na categoria Primavera (sub-20) em 2008-09, quando também conquistou a Copa Viareggio. A seu lado, jogará Calaiò, que depois de ser apontado como uma das boas promessas do futebol nacional, fez ótima temporada na Serie B e marcou 18 gols. Em divisões inferiores, sempre fez bastante gols, mas na elite, o máximo que atingiu foi com o mesmo Siena, em 2009-10, quando marcou 8. Para escapar do rebaixamento, o Robur precisará de mais. (MM)

Udinese
Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli (41652 lugares)
Em 2010-11: 4ª posição
O cara: Antonio Di Natale (atacante, foto)
A promessa: Diego Fabbrini (meio-campista)
O treinador: Francesco Guidolin (2ª temporada)
Principais reforços: Danilo (z, Palmeiras), Diego Fabbrini (m, Empoli) e Antonio Floro Flores (a, Genoa)
Principal perda: Alexis Sánchez (a, Barcelona)
O que falta: um zagueiro, um meia ofensivo e um atacante.
Objetivo: vaga em competição europeia
Time base (4-1-4-1): Handanovic; Ekstrand, Danilo, Benatia, Domizzi; Agyemang-Badu; Isla, Pinzi, Asamoah, Armero; Di Natale.

Sensação da Itália na última temporada, a Udinese começa sua caminhada em 2011-12 com a dura missão de se manter entre os melhores mesmo tendo sido alvo da voracidade de outras equipes durante o mercado de transferências. Suas duas perdas mais sentidas, Aléxis Sánchez para o Barcelona e Gökhan Inler para o Napoli, dificilmente serão repostas com a mesma qualidade imediatamente, fazendo com que o bom treinador Francesco Guidolin altere um pouco o modo de jogar da equipe friulana. No campo dos reforços, o clube espera a definição da fase preliminar da Liga dos Campeões para ir ao mercado de acordo com sua perspectiva e, até agora, contratou poucos jogadores, como o zagueiro brasileiro Danilo, que chegou do Palmeiras e assumiu a condição de titular do time logo de cara. Fabbrini e Floro Flores, outras peças que deverão ser utilizadas ao longo da temporada, apenas voltaram após boa passagem por Empoli e Genoa, respectivamente.

Dentro de campo a Udinese perderá muito sem a velocidade de Sánchez. Sem ninguém no elenco pronto e com qualidade equiparável, a solução encontrada por Guidolin foi isolar o artilheiro e capitão Antonio Di Natale no ataque, reforçando a defesa que agora deverá atuar com quatro homens e dando mais liberdade para que Armero e Isla funcionem como pontas nos botes ofensivos, municiando o atacante. Não parece ser muito, mas a tática deu resultados na primeira partida oficial dos friulanos no ano – e talvez uma das mais importantes na temporada. Apesar da derrota em Londres para o Arsenal, os bianconeri se portaram bem e o ala colombiano foi um dos destaques da equipe, sempre criando ótimas chances de gol. Para o lugar de Inler, a situação é mais tranquila, com Agyemang-Badu se firmando no time titular e, com sua boa marcação, liberando mais as boas subidas de Asamoah. Como opções, o time de Údine aposta em Abdou Sissoko (irmão do ex-Juventus) e Doubai, duas promessas que custaram, juntas, apenas 4 milhões de euros. Espera-se que sejam mais duas pérolas, como as que costumam ser descobertas pela eficiente rede de olheiros friulana.

Para tentar suprir a saída de Sánchez, Guidolin deverá utilizar ao longo da temporada, de maneira gradual, o bom meio-campista Diego Fabbrini. Após boa temporada no Empoli, o jogador, cuja característica é de partir para cima dos marcadores em velocidade, chega ao Friuli para ser uma das esperanças de renovação do time. Enquanto não é totalmente maduro, porém, ficará no banco de reservas, assim como Neuton, jovem lateral brasileiro que foi titular diante do Arsenal, mas que deverá perder sua vaga para Domizzi. Um panorama animador de um time que terá que lutar este ano não só contra as saídas, mas também contra a pressão de torcedores e imprensas que querem em 2012 resultados tão bons quanto os colhidos em 2011. Uma eventual classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, no entanto, deve fazer com que o time se reforce bem na última semana de mercado. (LS)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O inferno e o céu no Friuli

Apesar da vantagem no placar para o Arsenal, melhor momento e futebol da Udinese, além do apoio da torcida, poderão fazer a diferença (Getty Images)

O futuro estará em jogo no Friuli.Quando Udinese e Arsenal colocarem suas equipes em campo, o sonho friulano baterá de frente com o desespero londrino. Se na Itália o desejo de jogar pela segunda vez uma fase de grupos da Liga dos Campeões move os jogadores bianconeri, na Inglaterra a vontade de afastar de vez a crise trazida com as saídas de Cesc Fàbregas e, agora, Samir Nasri é o combustível para os Gunners. Depois de uma vitória dos londrinos por 1 a 0 na primeira partida – esta dominada amplamente pelos friulanos – o passaporte de continuidade na mais importante competição de clubes do mundo terá finalmente um destino.

Do lado da Udinese, a probabilidade é que a equipe que atuou na última semana seja completamente mantida. Com isso, Neuton, que falhou no primeiro gol dos ingleses, deverá ter mais uma chance na lateral. Deste modo, é praticamente certo que o treinador Francesco Guidolin deverá manter a formação defensiva que fez do setor o mais criticado após o primeiro duelo. Os zagueiros Danilo e Benatia, além do lateral Ekstrand serão a retaguarda para o goleiro Handanovic, um dos melhores em campo e responsável direto pelo placar magro.

Setor de destaque pelo lado friulano, o meio-campo é a grande aposta de Guidolin para conseguir a vitória por dois gols de diferença, essencial para a classificação de forma direta. Pablo Armero, maior arma ofensiva dos bianconeri na segunda etapa da primeira partida, terá mantida a sua liberdade para subir ao ataque, tendo a função de partir em velocidade e, principalmente, arriscar chutes de fora da área, sua especialidade. Para liberar o colombiano, novamente Isla deverá se preocupar mais com a defesa, assim como Badu, que, deste modo, deverá liberar as subidas de Asamoah e Pinzi.

Mas a grande esperança friulana está novamente nos pés de Antonio Di Natale. Maestro, artilheiro e capitão da Udinese, o jogador será a grande referência para o time, concentrando a responsabilidade de manter calmos os muitos jovens bianconeri que estarão em campo e, ao mesmo tempo, assumindo a função de marcar os tão esperados gols – perdidos das mais diversas maneiras na primeira partida. Com essa tônica, pautada principalmente na esperança, a equipe do Friuli deverá partir para cima do Arsenal apostando também em sua torcida, convocada há tempos para comparecer de forma massiva naquela que é tratada como a partida do ano.

E se na Itália o sentimento é de esperança, não se pode dizer a mesma coisa dos ingleses. Muito afetados pelas atuações ruins nas primeiras rodadas da Premier League, o Arsenal joga contra a Udinese a sua reconstrução. Sem Fàbregas e Nasri, o time perdeu sua criatividade no meio-campo e se perdeu dentro das quatro linhas. Uma situação incômoda que é agravada pelo jejum de títulos dos londrinos, que não são campeões desde 2005, e pela pressão da torcida por grandes reforços – que por sua vez só deverão ser procurados se o clube avançar na Liga dos Campeões. A novidade em relação à primeira partida será o retorno do atacante Robin van Persie, que virou referência após as transferências do espanhol e do francês, assumindo inclusive o posto de capitão do time.

Um time-sensação em busca de um sonho contra uma grande equipe que se esfacela aos poucos. É assim que o Friuli se faz como palco máximo para Udinese e Arsenal, assumindo a face de inferno e céu ao mesmo tempo. Um jogo quetanto para italianos como para ingleses valerá um horizonte melhor no futuro e a definição das ambições de ambos na temporada, que poderá ser um fracasso já em seu início. São as últimas horas para a Udinese acordar e saber se viverá seu sonho ou um pesadelo.

Escalações
Udinese: Handanovic; Ekstrand, Danilo, Benatia, Neuton; Badu; Isla, Asamoah, Pinzi, Armero; Di Natale. Mesma escalação do jogo em Londres.
Arsenal: Szczesny; Sagna, Djourou, Vermaelen, Jenkinson; Song, Frimpong; Walcott, Ramsey, Gervinho; Van Persie.

Guia da Serie A 2011-12, parte 1

Na última temporada, o Milan levantou a taça. Para 2011-12, busca o bicampeonato e larga na frente dos rivais (Getty Images)

Neste sábado, dia 27, está previsto o pontapé inicial da Serie A 2011-12, com o dérbi toscano entre Fiorentina e Siena. Se o campeonato irá, de fato, começar neste fim de semana, saberemos ao longo dos próximos dias, já a primeira rodada pode ser adiada em virtude de uma possível greve dos jogadores, caso um desacordo entre seu sindicato e os clubes acerca do contrato coletivo ainda permaneça até sábado. Inicie ou não, o campeonato deste ano deve ser marcado novamente pela disputa entre os times de Milão. O Milan continua como favorito, já que precisava de poucos ajustes e acabou mantendo a base, e larga na frente de uma Inter ainda em formação.

Em tese, a terceira força italiana neste ano é a Juventus, bastante reforçada, que não jogará nenhuma competição europeia e se dedicará inteiramente ao campeonato. Um pouco mais atrás, o Napoli se reforçou bastante e deve, ao menos, incomodar o pelotão de cima, brigando novamente por uma vaga na Liga dos Campeões. Uma Roma com novo dono e uma Lazio com moral revigorada também devem aparecer com destaque, enquanto a Udinese buscará surpreender mais uma vez, com seu futebol bonito. No pelotão intermediário, Genoa, Cesena e Cagliari prometem vida dura a qualquer visitante que adentrem seus domínios.

Faltando pouco mais de uma semana para o fim do mercado, muita água ainda deve rolar. O Milan pode garantir, depois de tantas especulações, seu Mister X, para jogar no meio-campo e a saída de Eto'o para o Anzhi pode abrir espaço para Tévez, Lavezzi ou Forlán na Inter. A Juventus pode completar seu elenco com um zagueiro e um meia-esquerda, enquanto a Roma quer um goleador. Haverá, ainda, alguma bomba de última hora, que nem o tablóide mais fofoqueiro e inventivo especulava? Faça suas apostas e confira a primeira parte do guia Quattro Tratti da Serie A 2011-12!

Atalanta
Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24642 lugares)
Em 2010-11: campeã da Serie B
O cara: Simone Padoin (meio-campista, foto)
A promessa: Nadir Minotti (meio-campista)
O treinador: Stefano Colantuono (2ª temporada)
Principais reforços: Andrea Masiello (ld, Bari), Stefano Lucchini (z, Sampdoria) e Maximiliano Moralez (m, Vélez)
Principal perda: Cristiano Doni (m, suspenso por apostas ilegais)
O que falta: mais reforços no ataque
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-4-1-1): Consigli; Masiello, Capelli, Lucchini, Peluso; Padoin, Barreto, Carmona, Bonaventura; Moralez; Marilungo (Tiribocchi).

A regularidade foi a marca da Atalanta campeã da Serie B 2010-11. Os nerazzurri retornaram à Serie A com facilidade e contaram com boas participações dos experientes Cristiano Doni e Simone Tiribocchi, que marcaram 12 e 14 gols respectivamente, durante a campanha campeã. O elenco, que já era bom, parecia suficiente para buscar a permanência. Porém, os orobici foram uma das equipes que tiveram o nome envolvido com o escândalo de manipulação de resultados e apostas, que estourou na pré-temporada, e começa a Serie A com seis pontos negativos. A pontuação é reversível, mas o que mais pode afetar o time é a suspensão do capitão Doni por três temporadas e meia. A bandeira do time, exemplo para todos, fará falta dentro e fora das quatro linhas.

O elenco campeão foi praticamente mantido. Além da manutenção da base, os nerazzurri contrataram bem. O principal nome desembarca na Itália vindo da Argentina: Maxi Moralez, que exerce a mesma função de Doni e se destacou no Vélez, na Libertadores e também no título do Clausura, ambos em 2011. O argentino deve ser o trequartista do 4-4-1-1 armado por Stefano Colantuono. A defesa, uma das melhores da última Serie B, recebeu reforços que chegam com o status de titulares. Masiello veio do rebaixado Bari para assumir a lateral-direita e Lucchini deixou a também rebaixada Sampdoria e deve ser um dos titulares no centro da zaga. O ataque, por sua vez, precisa ser reforçado, já que saíram quatro jogadores (Doni, Amoruso, Ruopolo e Ceravolo), e as negociações por Denis se arrastam há semanas. Gabbiadini e Marilungo, duas promessas, darão conta do recado? O experiente Tiribocchi, que é daqueles jogadores que sempre garantem 10 gols por temporada, deve ajudar.

Os orobici ainda contam com os selecionáveis Carlos Carmona (Chile) e Edgar Barreto (Paraguai), jogadores polivalentes, que marcam e também lidam bem com a bola. Os dois devem oferecer ajuda a Padoin, meia que se destacou ao lado de Guarente, nas últimas campanhas da Atalanta na Serie A, e que deve ser o ponto de referência da equipe, na ausência de Doni. O meio-campo promete ser um setor forte e com muitas opções: Schelotto e Caserta, ambos ex-Cesena, foram contratados e, juntamente o brasileiro Ferreira Pinto, dão profundidade ao elenco. As categorias de base do clube continuam bem e alguns dos destaques da equipe Primavera, treinada por Walter Bonacina, devem ajudar na composição do bom elenco profissional, que já tem alguns formados no clube, como o vice-capitão Bellini, o goleiro Consigli, o meia Bonaventura e os já citados Padoin e Gabbiadini. Com dedicação, a manutenção na divisão de elite italiana é plenamente possível. (Pedro Spiacci)

Bologna
Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39444 lugares)
Em 2010-11: 16ª colocação
O cara: Marco di Vaio (atacante)
A promessa: Federico Rodríguez (atacante)
O treinador: Pierpaolo Bisoli (1ª temporada)
Principais reforços: Jean François Gillet (g, Bari), Alessandro Diamanti (m, Brescia) e Robert Acquafreca (a, Cagliari)
Principal perda: Emiliano Viviano (g, Inter)
O que falta: pelo menos um zagueiro
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-1-2): Gillet; Crespo, Antonsson, Portanova, Morleo; Perez, Mudingayi, Della Rocca; Diamanti (Ramírez); Di Vaio, Acquafresca.

A temporada do Bologna começou com uma bela mancada durante o mercado: por causa de um erro do diretor geral do clube, Stefano Pedrelli, que errou no preenchimento de papéis de co-propriedade, o clube perdeu o goleiro Emiliano Viviano - um dos melhores jogadores do time na temporada passada e goleiro da seleção italiana- para a Inter de Milão. O erro foi tão tosco que o próprio Pedrelli pediu demissão após o episódio. Para piorar, a contratação de Pierpaolo Bisoli para o lugar do ex-técnico Alberto Malesani também não foi recebida com muita empolgação pelos torcedores, que já começavam a imaginar um futuro nada animador para o time nesta temporada.

Com experiência limitada treinando na Serie A (apenas alguns meses mal-sucedidos no Caglairi, temporada passada), Bisoli se apoia na reputação que construiu em divisões inferiores, como o histórico duplo acesso conquistado pelo Cesena, da Lega Pro à Serie A, em dois anos. O treinador está sem trabalhar desde novembro de 2010, no entanto, e é uma aposta arriscada. Talvez seu único trunfo esta temporada seja a proximidade com a diretoria desde o início do mercado e, o que parecia caminhar para uma temporada de muitos desastres, tomou um rumo mais esperançoso após as contratações de Gillet, Diamanti e Acquafresca.

O ex-goleiro do Bari vem de grandes atuações e deve ser um bom substituto para Viviano. Mais à frente, Diamanti e Acquafresca são promessa de maior companhia para o ídolo Di Vaio, herói do clube nos últimos anos. O meio-campista Diamanti traz mais criatividade e técnica para um setor do campo que contava apenas com o talento do jovem Gastón Ramírez - que deve sair até o final da janela de tranferências, se chegar uma oferta de 15 milhões de euros. Acquafresca pode ser uma boa opção para dividir os gols com Di Vaio, que na última temporada marcou 19, mais da metade do total de gols que a equipe computou: 35. Será que está chegando ao fim a Di Vaio dependência? (Rodrigo Antonelli)

Cagliari
Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sant'Elia (23486 lugares)
Em 2010-11: 14ª posição
O cara: Andrea Cossu (meio-campista, foto)
A promessa: Pablo Cepellini (meio-campista)
O treinador: Massimo Ficcadenti (1ª temporada)
Principais reforços: Thiago Ribeiro (a, Cruzeiro), Víctor Ibarbo (m, Atlético Nacional) e Albin Ekdal (m, Juventus).
Principal perda: Andrea Lazzari (meio-campista)
O que falta: um atacante com experiência de Serie A.
Objetivo: ficar no meio da tabela
Time base (4-3-1-2): Agazzi; Perico (Pisano), Astori, Canini, Agostini; Nainggolan, Conti, Biondini (Ekdal); Cossu; Nenê (Ibarbo), Thiago Ribeiro.

Nada pode ser tranquilo no Cagliari. Após lutar contra as últimas posições na primeira metade da Serie A na última temporada, o time parecia ter se encontrado sob o comando de Roberto Donadoni, grande destaque da equipe na reta final do campeonato. Quando se pensava que o treinador teria paz e respaldo suficiente para trabalhar dentro e fora dos gramados, a surpresa. Em mais uma decisão intempestiva, o presidente Massimo Cellino demitiu o técnico e trouxe para seu lugar Massimo Ficadenti, que em 2011 realizou bom trabalho ao manter na primeira divisão o caçula Cesena. Começará um trabalho do zero e terá algum trabalho após as movimentações de mercado.

Para reforçar o time, muito se especulou sobre o retorno do (ex) artilheiro David Suazo, que teve seus dias áureos jogando justamente com a camisa rossoblù. Depois de o site oficial do clube colocar o atleta no elenco sardo, mais uma reviravolta da pré-temporada e o hondurenho acabou se tornando reforço do Catania. Para seu lugar – e o de Robert Acquafresca, que retornou ao Bologna após o término de seu empréstimo – foi contratado o ex-cruzeirense Thiago Ribeiro. Encantado com a proposta que julgou como “irrecusável”, o atacante brasileiro se tornou a grande contratação do time para a temporada, posição que lhe dá automaticamente o dever de retribuir em campo. As sombras de El Kabir e Ibarbo, duas promessas que também chegaram no mercado de verão, pesarão muito, mas o Cagliari pode se complicar porque entre os atacantes, apenas Nenê, que não é exatamente um goleador, tem experiência no campeonato italiano.

A falta de um atacante ambientado à Itália deve fazer com que Cossu tenha ainda mais responsabilidade em carregar o time - principalmente após a saída de Lazzari, que deixou o clube para atuar pela Fiorentina. A proposta de jogo do Cagliari, porém, não deverá mudar muito em relação à que foi apresentada na última temporada. O meio-campo com pegada e bom passe de bola seguirá sendo comandado pelo capitão, que terá liberdade para se movimentar, já que às suas costas, um séquito de jogadores polivalentes, como Biondini, Nainggolan e Conti, estará a sua disposição. O setor ainda foi reforçado por Ekdal, bom meia sueco. O objetivo de Ficcadenti é conseguir a salvezza com antecedência, mas evitar que o time caia de produção após o objetivo, como nas últimas temporadas. Mas que ele tome cuidado: o perigo em Cagliari parece morar muito próximo, dentro da sala de um excêntrico e imprevisível presidente. (Leonardo Sacco)

Catania
Cidade: Catania (Sicília)
Estádio: Angelo Massimino (20266 lugares)
Em 2010-11: 13ª posição
O cara: Maxi López (atacante)
A promessa: Keko (meia-atacante)
O técnico: Vincenzo Montella (1ª temporada)
Principais reforços: David Suazo (a, Inter), Mario Paglialunga (v, Rosario Central) e Davide Lanzafame (a, Palermo)
Principal perda: Matías Silvestre (z, Palermo)
O que falta: um atacante goleador e um substituto para Silvestre
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time-base (4-3-3): Andújar; Álvarez, Spolli, Bellusci, Capuano; Paglialunga, Biagianti, Lodi; Gómez, Maxi López, Suazo.

Otimismo. Vindo de uma de suas melhores campanhas na história da Serie A (13ª colocação), o time siciliano manteve a base da última temporada e almeja chegar, pela primeira vez, a uma competição europeia. Entre as saídas, só uma deve ser realmente sentida pela equipe. O capitão Matías Silvestre transferiu-se para o arquirrival Palermo em negociação que rendeu ao Catania o atacante Lanzafame e sete milhões de euros. Lanzafame não foi o único reforço de utilidade duvidosa para o ataque. O hondurenho David Suazo, que chegou a treinar com o Cagliari, assinou com os elefantes, mesmo sem jogar uma partida oficial há mais de um ano.

Morimoto, que após ótima chegada enfrentou uma brutal descendente, rumou ao recém-promovido Novara. Na retaguarda, além de Silvestre, Terlizzi também saiu, o que deixa claramente uma lacuna no setor, que, a princípio, não parece preocupar a direção. A contratação de Vincenzo Montella, que apenas conduziu a Roma durante três meses na última temporada, é pra lá de temerária. Se na capital o treinador ao menos conhecia os meandros do clube e tinha o aval do amigo Totti, na Sicília terá em mãos um time limitado, com objetivos diferentes, mas ao menpos uma sociedade com boa estrutura, até mesmo se comparada a equipes grandes.

A chegada do novo treinador ao comando da equipe, no lugar de Simeone, deu uma freada no êxodo de argentinos ao clube, mas não completamente. O volante Mario Ángel Paglialunga, vindo do Rosario Central, é uma aposta da diretoria e chega sem muitas credenciais. Assim como o habilidoso Keko, presença constante nas seleções de base da Espanha, que chega por empréstimo do Atlético de Madrid. Outro reforço para o meio-campo é a volta de Pablo Barrientos, que estava emprestado ao Estudiantes de La Plata. A equipe luta ainda para, até o final da janela, manter Maxi López, que interessa a Fiorentina. Caso ele saia, terá de buscar mais um atacante na janela nos últimos dias e o mercado dos rossoazzurri não parece dos mais ambiciosos... (Anderson Moura)

Cesena
Cidade: Cesena (Emília-Romanha)
Estádio: Dino Manuzzi (23860 lugares)
Em 2010-11: 15ª posição
O cara: Marco Parolo (meio-campista, foto)
A promessa: Roope Riski (atacante)
O treinador: Marco Giampaolo (1ª temporada)
Principais reforços: Adrian Mutu (a, Fiorentina), Antonio Candreva (m, Parma) e Éder (a, Brescia).
Principal perda: Luis Jiménez (m, Al Ahli)
O que falta: um zagueiro e, talvez, um atacante reserva
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-3): Antonioli; Comotto (Ceccarelli), Von Bergen, Rossi, Lauro; Parolo, Colucci, Candreva; Éder, Mutu, Giaccherini.

Surpresa da última temporada, o Cesena parte para o atual campeonato com muito mais força do que terminou o anterior. A começar pelo fato de que se livrou de altos custos de manutenção com o gramado do estádio Dino Manuzzi, castigado pelo frio na região, instalando grama artificial. Também fizeram uma boa troca no banco de reservas, substituindo Massimo Ficcadenti por Marco Giampaolo, um treinador que tem um trabalho mais sólido e que costuma privilegiar um meio-campo forte, ideal para as peças que tem. Outro trunfo foi a renovação com o meio-campista Parolo, peça-chave no esquema do técnico anterior e provavelmente ainda mais importante no de Giampaolo. Se deixar o clube nos dias finais da janela, o jogador pelo menos deixará uma quantia em torno de 10 milhões de euros nos cofres romanholos. A faixa central ainda ganhou o importante reforço de Candreva, provável titular, e de Guana e Raphael Martinho, que já conhecem o treinador de outras épocas e renderam bem com ele.

A defesa, setor que costuma ser bem trabalhado pelo treinador de origem suíça, também ganhou reforços: com a saída de Pellegrino, grande ponto de instabilidade da equipe, o Cesena contratou Rossi, que fez campanha positiva com o Bari, e deve negociar o atacante Bogdani, extracomunitário, para que o uruguaio Rodríguez (Peñarol) seja adquirido. Para as laterais, Comotto e Ceccarelli oferecem versatilidade, por jogarem em ambos os lados, mas mais um lateral esquerdo no plantel não seria exagero. Mais atrás, Antonioli será titular, com 41 anos de idade, e ainda não tem um reserva à altura, embora o mercado esteja em seus últimos dias.

A atual diretoria também investiu para reforçar o ataque e bancou das contratações de risco: a de Éder, que não foi bem com o Brescia, e a de Mutu, jogador de alto salário que, apesar de ter talento inconstestável e marcar gols, é uma bomba-relógio. Se o tridente ofensivo do 4-3-3 de Giampaolo deve funcionar pelos lados, com Giaccherini (se não sair para a Juventus), Malonga e Rennella, o Cesena pode acabar dependendo demais do romeno para marcar gols. Ao invés de ir ao mercado, a solução pode estar em casa: o finlandês Riski, de 21 anos, tem capacidade suficiente para ser lançado de vez ao time principal. Apesar de ser um time com algumas lacunas, o Cesena larga na frente de seus rivais e tem tudo para garantir a permanência na elite pelo segundo ano consecutivo. (Nelson Oliveira)

Chievo
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (42160 lugares)
Em 2010-11: 11ª posição
O cara: Stefano Sorrentino (goleiro)
A promessa: Alberto Paloschi (atacante)
O treinador: Domenico Di Carlo (1ª temporada)
Principais reforços: Perparim Hatemaj (m, Brescia), Rinaldo Cruzado (m, Juan Aurich) e Alberto Paloschi (a, Milan)
Principal perda: Kévin Constant (m, Genoa)
O que falta: um bom atacante reserva
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base: Sorrentino; Acerbi, Cesar, Andreolli; Luciano (Sardo), Hetemaj, Rigoni, Cruzado, Jokic; Pellissier, Paloschi.

A diretoria do Chievo tentou manter os titulares da temporada passada e conseguiu, quase que inteiramente - perdeu apenas Constant para o Genoa e Mantovani para o Palermo. O novo técnico Domenico Di Carlo vai trabalhar com poucos jogadores que chegaram para entrar no time. Acerbi fez sua adaptação no Genoa e deve jogar como zagueiro pela direita, enquanto Hetemaj, peça-chave no esquema do Brescia, entra no lugar de Marcolini, transferido ao Padova, e dividirá o meio-campo com Rigoni e o recém-chegado Cruzado, do Juan Aurich, substituto de Constant.

A equipe pode sentir a mudança tática. Na última época, com Stefano Pioli, o Chievo costumava atuar no 4-3-1-2, com uma pequena variação para o 4-3-3. Constant foi um achado para jogar aberto pela esquerda, mas foi vendido ao Genoa. Se o Chievo sempre foi um dos times mais simples de montar, em toda a elite, Di Carlo, que já treinou praticamente o mesmo elenco dois anos atrás, recuou para o 3-5-2, arrumou a defesa com Acerbi no lugar de Mantovani e aposta na velocidade de Luciano e Jokic nos contra-ataques. Luciano, aliás, tenta se reerguer após um 2010-11 decepcionante.

Na frente, o artilheiro Sergio Pellissier terá novo companheiro: Alberto Paloschi. Apontado como o novo goleador do Milan, nunca comprovou a fama e, aos 21 anos, ganha nova chance. Alguns jovens chegaram para completar o elenco, como o lateral-esquerdo Ivan Fatic. A perda de Bogliacino pode ser sentida no começo do trabalho de Di Carlo, principalmente pela mudança tática, mas Cruzado tem experiência para arrumar o meio-campo. Sorrentino, sondado pelo Palermo, pode sair nos últimos dias da janela e o clube investiu em Puggioni, da Reggina, como possível substituto. E é a partir desses dois pontos que o castelo scaligero pode ruir. (Murillo Moret)

Fiorentina
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (45809 lugares)
Em 2010-11: 9ª posição
O cara: Stefan Jovetic (meia-atacante, foto)
A promessa: Matija Nastasic (zagueiro)
O treinador: Sinisa Mihajlovic (2ª temporada)
Principais reforços: Andrea Lazzari (m, Cagliari), Houssine Kharja (m, Genoa) e Matija Nastasic (zagueiro)
Principal perda: Sébastien Frey (g, Genoa)
O que falta: um goleador, em caso de saída de Gilardino
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-3-1-2): Boruc; De Silvestri, Gamberini, Natali (Camporese), Pasqual; Behrami, Montolivo, Vargas; Lazzari (Kharja); Gilardino, Jovetic.

Claramente, a Fiorentina atravessa um período sabático. Desde a saída de Cesare Prandelli, em 2010, o discurso é de renovação, a começar pelo banco de reservas. Sinisa Mihajlovic é um dos treinadores da nova geração e, depois de uma temporada no clube, começa a implantar sua política de vez. Não fez força para segurar os jogadores mais experientes do time: seis titulares (Frey, Comotto, Donadel, Santana, D'Agostino e Mutu) deixaram o time neste mercado e, entre eles, apenas D'Agostino rendeu algo ao clube - apenas 110 mil euros. Outros jogadores importantíssimos ainda podem sair nos últimos dias da janela de transferências. Cerci, Vargas, Montolivo e Gilardino foram alvo de especulações durante todo o mercado e pelo menos o atacante deve deixar o clube, rumo ao Genoa. Montolivo, que fez birra para sair, deve acabar ficando, mesmo sem a faixa de capitão, que perdeu para Gamberini.

A renovação do elenco, no entanto, parece acelerada e perigosa demais. Os florentinos contrataram reforços apenas para o meio-campo e se Lazzari foi uma ótima contratação e Kharja compõe bem o elenco, o que dizer de Rômulo (ex-Atlético Paranaense)? Munari, outra contratação para o setor, é um bom jogador para times que lutam contra o rebaixamento e não para um que jogou Liga dos campeões dois anos atrás. Para o ataque, Gilardino deve ser substituído por Floccari ou Maxi López, atacantes que não estão à sua altura e que nem de longe enchem os olhos da torcida. Um forte sinal de redimensionamento, que passa pelo fato de o presidente Andrea Della Valle não sentir o apoio da prefeitura da cidade para a realização de seus ambiciosos planos, que envolvem (ou envolviam) a construção de uma cidadela que girasse em torno do clube, para diversificar a fonte de renda.

Neste ritmo, Jovetic tende a ser rapidamente alçado de vez ao posto de líder do time - hoje é vice-capitão. Não há dúvidas de que o montenegrino, prestes a completar 22 anos, é um jogador mais maduro que a média entre os de sua idade (ter capitaneado o Partizan aos 18 anos é uma amostra disso), mas até mesmo para ele é um baque ter jogado em um time que quase se classificou para as quartas de final de uma Liga dos Campeões e que hoje tem objetivos tão distintos. Um agravante: Jovetic, é bom lembrar, passou um ano sem jogar por conta de uma grave lesão no joelho. De uma maneira ou de outra, o espaço para jovens como Camporese, uma das gratas surpresas da última temporada, ou Babacar, Agyei, Nastasic e Salifu. Até por isso, surpreende o fato de que Carraro, maior talento do vivaio do clube, tenha sido emprestado ao Modena, da Serie B. Coerência, pelo visto, anda em falta em Florença. (NO)

Genoa
Cidade: Gênova (Liguria)
Estádio: Luigi Ferrraris (36.685 lugares)
Em 2010-11: 10ª posição
O cara: Rodrigo Palacio (atacante)
A promessa: Alexander Merkel (meio-campista)
O treinador: Alberto Malesani (1ª temporada)
Principais reforços: Sébastien Frey (g, Fiorentina), Valter Birsa (m, Auxerre) e Kévin Constant (m, Chievo)
Principal perda: Domenico Criscito (le, Zenit)
O que falta: um centroavante
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (4-3-1-2): Frey; Rossi, Dainelli, Kaladze (Bovo), Antonelli; Miguel Veloso, Seymour, Constant; Birsa; Palacio, Pratto.

Para a temporada 2010-11, o presidente Enrico Preziosi abriu os cofres da equipe genovesa visando colocá-la na zona europeia, mas o Genoa não alcançou a sonhada vaga à Liga Europa. A decepção não impediu que a mesma estratégia fosse adotada para este ano e, novamente, os grifoni se movimentaram muito no mercado de transferências, como de praxe. Preziosi contratou muito também pelo fato de que o time negociou muitos jogadores, especialmente na defesa: Konko jogará na Lazio; Rafinha retorna à Alemanha para jogar no Bayern; Criscito foi para o Zenit por 11 milhões de euros e Eduardo voltou ao seu país natal, para jogar no Benfica, mas não deixará saudades na Itália.

As novidades do Genoa também começam na retaguarda. Frey chega da Fiorentina para assumir a camisa 1 e dar a segurança que faltou ao português na última temporada. O defensor sueco Granqvist chega do Groningen para compor o elenco, enquanto Bovo chega do Palermo para disputar a titularidade. Ainda no setor defensivo, o volante Seymour chega da Universidad de Chile. O meio-campo também recebeu Constant (Chievo), Jorquera (Colo-Colo), Birsa (Auxerre) e Merkel (Milan). Para o ataque chegam dois jogadores da América do Sul: Zé Eduardo (Santos) e Pratto (Boca), que pode ser uma ótima opção para jogadas aéreas, com seu 1,92m, mas também é um jogador veloz. Os dois atacantes, por outro lado, nunca jogaram na Europa e podem sentir a sombra de Floro Flores, que retornou à Udinese após marcar 10 gols pelo Genoa no returno da última temporada. Novidade também no comando técnico: Alberto Malesani chega após livrar o Bologna do rebaixamento e deve colocar em prática o 4-3-1-2, que deu certo na Emília

Entre os que seguem no clube, Palacio, que marcou nove vezes e ainda cedeu oito assistências, é a o destaque. Mesmo com diversas especulações acerca de sua saída, o argentino é a principal esperança da torcida, que não decepcionou na última temporada e garantiu aos rossoblù a sexta melhor média de público da Serie A. Na reta final do mercado, o clube genovês ainda tentará fechar com Gilardino, que seria o grande reforço para a temporada, e o atacante que pode garantir ao clube os gols necessários para almejar algo mais que o meio da tabela. A vaga na Liga Europa via Serie A é objetivo do Genoa, mas o treinador Alberto Malesani garante que também não desprezará a disputa da Coppa Italia, onde estreou com difícil vitória sobre a Nocerina. (PS)

Inter
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (82995 lugares)
Em 2010-11: 2ª posição
O cara: Wesley Sneijder (meio-campista, foto)
A promessa: Davide Faraoni (ala)
O treinador: Gian Piero Gasperini (1ª temporada)
Principais reforços: Ricardo Álvarez (m, Vélez), Jonathan (ld, Cruzeiro) e Luc Castaignos (a, Feyenoord).
Principal perda: Samuel Eto'o (a, Anzhi)
O que falta: dois meio-campistas e dois atacantes, um deles, de nível mundial.
Objetivo: título
Time base (3-4-3): Júlio César; Ranocchia, Lúcio, Samuel; Maicon, Cambiasso, Sneijder, Zanetti; Pandev, Pazzini (Milito), Álvarez.

Indefinição. É esta a palavra que vem acompanhando a Inter desde a saída de José Mourinho, há pouco mais de um ano. No último mês, a palavra anda mais na boca dos interistas, primeiro porque Gian Piero Gasperini começou a treinar a equipe no 3-4-3, mesmo sem peças adaptadas ao esquema, o que provoca alguma instabilidade durante os jogos até hoje, principalmente quando o treinador realiza muitas mudanças táticas no decorrer das partidas, como costuma. Ainda competitiva, a Beneamata alternou boas com péssimas atuações na pré-temporada, o que acendeu o alarme laranja. Fato é que, faltando pouco mais de uma semana para o fechamento do mercado, a Inter perdeu Eto'o, um de seus craques, e precisa, segundo seu treinador, de pelo menos três reforços - quatro, caso o camaronês saia.

Nessa perspectiva, o lado nerazzurro de Milão larga atrás do Milan. Se já era uma equipe em formação quando ambos se enfrentaram na Supercoppa, os reforços que devem chegar nesta semana precisarão de ainda mais tempo de adaptação do que o restante do grupo, ainda pouco ambientado às ideias do novo treinador - lembrando que boa parte do time titular estava na Copa América e teve férias prolongadas. É natural que nas primeiras rodadas da Serie A a Inter oscile muito, mas se a falta de automatismo vier acompanhada de tropeços, a batata de Gasperini deve começar a assar e ele deve ser pressionado a mudar o esquema tático da equipe. Por enquanto, ele experimenta de tudo, em busca do time ideal: desde Sneijder como regista a Zanetti como zagueiro pela direita.

Mesmo com tantas indefinições, o maior trunfo da Inter é manter a mesma base há anos, o que significa que Júlio César, Lúcio, Maicon, Zanetti, Cambiasso, Sneijder e Pazzini/Milito ainda tem a mesma importância para o elenco. Entre as saídas desta temporada, a de Eto'o deve ser sentida enormemente, afinal, o atacante era um dos líderes do time, resolvia muitos jogos sozinho e marcou 37 gols na última temporada. Sua substituição, no entanto, deveria ser bem planejada e terá de ser feita às pressas. A renovação nerazzurra, no entanto, tem sido bem feita e, neste ponto, Gasperini, que trabalhou por quase uma década na base da Juve, é enfático: quer utilizar mais jovens. Para isto, aposta na boa pré-temporada de Castaignos (contratado antes de sua chegada), trouxe de volta o zagueiro Caldirola, que estava no Vitesse, da Holanda, e integrou os alas Faraoni e Crisetig, além do atacante Alibec, ao time principal. Álvarez e Jonathan, um pouco mais velhos, também se ambientaram bem e podem ajudar a dar gás a um time de veteranos que lutará para voltar a conquistar a Serie A. (NO)

Juventus
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41000 lugares)
Em 2010-11: 7ª colocação
O cara: Milos Krasic (ponta-direita)
A promessa: Manuel Giandonato (meio-campista)
O treinador: Antonio Conte (1ª temporada)
Principais reforços: Andrea Pirlo (m, Milan), Arturo Vidal (m, Bayer Leverkusen) e Mirko Vucinic (a, Roma)
Principal perda: Felipe Melo (v, Galatasaray)
O que falta: um zagueiro
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-4-2): Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Ziegler (De Ceglie); Krasic, Vidal, Pirlo, Marchisio; Matri, Vucinic.

Na Juventus, começa mais uma temporada de recuperação, depois do segundo sétimo lugar em duas temporadas. Em agosto passado, o objetivo era apagar a má impressão deixada na temporada 2009-10, quando o time conseguiu a classificação para os play-offs da Liga Europa apenas porque Inter e Roma, finalistas da Coppa Italia, jogariam a Liga dos Campeões. Desta vez, o vexame a ser esquecido é ainda maior: pela primeira vez em 20 anos os bianconeri estão de fora de uma competição europeia (excluindo da conta os dois primeiros anos pós-Calciopoli). Para tentar voltar a ser grande, a primeira ação da diretoria foi demitir Luigi Delneri, técnico da última campanha. Na hora de contratar um novo, no entanto, a ambição parou nas dificuldades do mercado e a torcida teve que se contentar com o nome de Antonio Conte.

O treinador chega com o status de ex-jogador e ídolo do clube e com o respaldo de dois bons trabalhos na Serie B, com Bari e Siena, que voltaram à elite mostrando um futebol bonito e ofensivo. Como o próprio técnico já afirmou, seu esquema preferido é o "4-2-4", um 4-4-2 com alas que jogam bem avançados, explorando as jogadas pela linha de fundo. Para se adequar melhor ao estilo do novo comandante, a diretoria foi às compras e trouxe Pirlo, Pazienza, Ziegler, Lichtsteiner, Vidal e Vucinic. Nos últimos dias do mercado, o diretor esportivo Giuseppe Marotta ainda espera fechar com um zagueiro e, se possível, com mais um meia que jogue pela esquerda. O brasileiro Felipe Melo é um dos poucos que sai, mas nem pode ser considerado uma grande perda, uma vez que foi por desejo do clube. Até o fim do mercado, Marotta ainda deverá tentar encontrar destino para alguns jogadores que não entram nos planos, como Grosso e Grygera.

O principal reforço é o chileno Arturo Vidal, ex-jogador do Bayer Leverkusen. Aos 24 anos, o meio-campista fez uma boa temporada na Alemanha e tem idade para render bons frutos ao clube por alguns anos. Com muita força e posicionamento acima da média, deve fazer boa dupla com Pirlo, no miolo do meio de campo. Pirlo, aliás, é outra agradável novidade em Turim. Se conseguir recuperar o bom futebol de alguns anos atrás, o ex-milanista vai ser o meio-campista habilidoso e armador que há muito tempo a Juve não vê. Jogando uma vez por semana, como nesta temporada, tem tudo para render bem. Mas e nos próximos anos (ele tem três anos de contrato, ganhando um alto salário), o investimento valerá a pena? Mais à frente, Vucinic pode formar um forte ataque com Matri, saindo mais da área. Os problemas nas laterais devem ser resolvidos com a chegada dos bons Lichtsteiner e Ziegler. O foco completo para a Serie A deve ajudar o clube, que conta também com o trunfo de um novo estádio, que deve diversificar o acúmulo de renda. (RA)