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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Emilianos e romanholos em baixa

Saco de pancadas: é assim que Bologna, Cesena e Parma têm se sentido nesta temporada (CesenaCalcio.it)



Se a zona de rebaixamento pudesse ser representada por alguma região da Itália, ela seria a Emília-Romanha. Três semanas e quatro rodadas após o início do Campeonato, os três times da região somam, juntos, apenas quatro pontos e ocupam a zona da degola. Enquanto o Parma agradece Giovinco pelos únicos três pontos conquistados pelo time, o Cesena é quem está em pior situação: a equipe é a única que ainda não pontuou na competição e segura a lanterna. O Bologna, por sua vez, conquistou seu ponto solitário quando menos esperava, contra a Juventus. Veja breves análises sobre a situação de cada um dos times:

Cesena, 20º colocado (4 jogos e 4 derrotas)

Quando, no início da temporada, a diretoria do Cesena anunciou a contratação do treinador Marco Giampaolo e de jogadores como Mutu, Candreva, Martínez e Éder, a torcida bianconera se empolgou e achou que a atual temporada não seria tão conturbada como a passada, quando a equipe só escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. Se tomarmos como base as três primeiras partidas do time em 2011-12, porém, a perspectiva é bem desanimadora - mesmo com a tabela um tanto desfavorável. Com apenas dois gols marcados e uma defesa muito fraca (7 gols sofridos), o time ainda não conseguiu incomodar nenhum adversário e já vê Giampaolo pressionado a conseguir resultados nos próximos jogos.


A ausência do experiente goleiro Antonioli (machucado) deixa a defesa sem um ponto de referência e a zaga parece perdida em campo. Na linha de frente, Parolo, Candreva, Mutu, Martínez e Éder ainda não se entendem e a equipe pouco produz. Em certos momentos, o time parece jogar em função de Mutu, que, contudo, não vem fazendo boas partidas e não merece, nem deve receber essa responsabilidade. Nas próximas rodadas, o time enfrenta Chievo, em casa, e Fiorentina, fora, para tentar seus primeiros pontos na competição e salvar o emprego de Giampaolo.


Bologna, 19º colocado (4 jogos, 1 empate e 3 derrotas)
Com as contratações de Gillet, Diamanti e Acquafresca, todos esperavam um Bologna mais consistente para esta temporada. Com uma defesa muito vulnerável (9 gols sofridos) e o fracasso momentâneo da dupla Acqcuafresca-Di Vaio, no entanto, o time é muito irregular até aqui e conta com o pior saldo de gols da competição. Para piorar, a fase do capitão do time, que carrega os rossoblù nas costas há algum tempo, não é nada boa e ele já foi parar até no banco de reservas, episódio que aumentou o descontentamento da torcida com o técnico Pierpaolo Bisoli.


A imagem do treinador nunca foi das melhores diante da torcida e a paciência da diretoria também parece estar chegando ao fim. Com resultados muito ruins, incluindo derrota por 2 a 0 para o Lecce, em casa, Bisoli tem jogo chave para sua permanência em Bolonha, neste final de semana. O duelo contra a Udinese, fora de casa, pode ser seu último à frente do time, caso não consiga vencer. Para tentar os três pontos, ele deve escalar o time em um 4-2-3-1 com Giménez, Diamanti e Koné tentando dar volume de jogo à equipe e só Di Vaio no ataque.


Parma, 18º colocado (4 jogos, 1 vitória e 3 derrotas)

No final da temporada passada, Franco Colomba teve um grande rendimento com o Parma, somando quatro vitórias e dois empates nos últimos sete jogos, e salvou os crociati do rebaixamento. Nesta temporada, então, a ideia era que o treinador, já conhecendo o elenco e com alguns reforços em mãos, conseguisse manter o bom aproveitamento e deixasse os gialloblù em boas condições na tabela, sem correr muitos riscos. O plano, porém, não vem dando nada certo e o time se mostra extremamente dependente de Giovinco neste início de campeonato. Ele marcou os três gols da equipe até aqui e sua ausência é muito sentida dentro de campo, como aconteceu contra a Fiorentina, quando ele estava suspenso.


Apesar disso, o nome de Franco Colomba parece protegido e ainda não figura nos noticiários por conta de uma possível demissão. Os dois próximos desafios da equipe, todavia, podem abalar essa tranquilidade. Neste final de semana, a equipe recebe o equilibrado Genoa e uma derrota em casa, no jogo que coloca frente a frente o melhor ataque com a pior defesa da competição, não seria tão surpreendente. Na outra rodada, então, é hora de ir ao San Paolo enfrentar o embalado Napoli. Caso não conquiste mais pontos, Colomba pode começar a se preocupar.

Quem manda aqui somos nós

Palmas para o Padova: até agora, biancoscudati vão confirmando favoritismo e tem feito boas partidas na segundona (PadovaCalcio.it)

Depois de seis rodadas, a Serie B vai mostrando, desde cedo, alguns contornos que já eram esperados, contrariando a tendência de, normalmente, ser um torneio bastante equilibrado. Na frente, alguns dos times mais fortes da competição, como Padova, Brescia, Torino e Sampdoria estão invictos e tem mostrado um futebol interessante, confirmando as expectativas que demonstrávamos em nosso guia - veja aqui e aqui. O nível técnico do torneio está superior ao de temporadas recentes e, a cada rodada, ao menos um jogo movimenta a parte de cima da tabela. Hoje, por exemplo, Sampdoria e Torino se enfrentam no Marassi, às 16 horas.

O Padova (líder, 14 pontos), líder ao lado do Brescia, teve uma tabela complicada nos primeiros jogos, com um dérbi do Vêneto e partidas contra equipes da parte de cima da classificação, e se saiu muito bem. O jogo coletivo, em que o próprio conjunto é o destaque, vem funcionando muito bem. O Brescia, que tem a mesma pontuação, tem surpreendido pela forte defesa, que sofreu apenas dois gols, mas não tem um grande ataque, que sente a saída de Caracciolo. Pelo ambiente interno atribulado, ainda carrega certa desconfiança, mas pode lutar pelo acesso até o fim. Com a mesma pontuação e tendo sofrido apenas um gol a mais, está o Torino, que pode sofrer com a lesão de Guberti, que só deve voltar ano que vem.

Um pouco mais embaixo, a favorita Sampdoria (4ª, 12) não vem atropelando seus adversários e passa a sensação de que, naturalmente, ainda está se adaptando à nova realidade. A equipe de Gênova também teve tabela um pouco complicada (enfrentou Padova, Livorno e Grosseto, que estão na parte alta da classificação) e empatou seus três jogos mais complicados. Pozzi e Bertani formam ótima dupla de ataque e Piovaccari, artilheiro da última B, é ótima opção. Até agora, quem vem brilhando é Bertani, autor de cinco gols. Fechando a zona de play-offs, Grosseto (5º, 12) e Sassuolo (6º, 12), vem acumulando boa gordura. A maior surpresa é o próprio Sassuolo, que vem embalado pelos jovens atacantes Boakye e Sansone, emprestados por Genoa e Parma, e pela boa defesa.

Entre os times que estão colados na zona de classificação para os play-offs, Livorno (7º, 11) e Reggina (8ª, 10), são times que devem rondar por ali até o fim da temporada. A equipe da Calábria, até o momento, mostra mais credenciais do que o Livorno, até por ter um trio de ataque muito efetivo: Bonazzoli, Missiroli e Campagnacci marcaram quatro gols cada um. A defesa, no entanto, não está arrumada após as saídas de Acerbi, Campagnolo e Costa e, com nove gols sofridos, está entre as piores da competição. O Verona (8º, 10), que subiu da Lega Pro, é uma das surpresas da competição e dá mostras de que tem time para, no mínimo, se estabelecer no meio da tabela e permanecer na segundona com tranquilidade.

Um pouco mais para o meio da tabela, o Bari (10º, 8) ainda não se acertou e já está quatro pontos atrás do pelotão que disputaria os play-offs. Pior ainda vem o Empoli (13º) que somou apenas seis pontos mesmo com uma equipe forte, que conta com Tavano, artilheiro do torneio até o momento. Na mesma parte da tabela, o Pescara (9º, 9) caiu um pouco de produção após um ótimo início, com gols do atacante Immobile (emprestado pela Juventus) e tem margem de elhoramento. Por ali também, merece destaque o bom início do AlbinoLeffe (11º, 7), com ótima atuação do atacante Cocco (emprestado pelo Cagliari), com 5 gols.

Naturalmente, o panorama da Serie B ainda pode mudar, não só porque o campeonato está apenas no início, mas também porque a segundona italiana é um campeonato muito parelho, mas o isso dificilmente deve atingir os pequenos Juve Stabia (19º, 3) e Gubbio (21º, 2), favoritos para cair. O Ascoli (lanterna, 0), conseguiu zerar a punição de sete pontos pelo envolvimento com o esquema de apostas ilegais, mas deve continuar na parte de baixo da tabela no restante do campeonato. O que surpreende é a péssima temporada do Vicenza (20º, 2) de Abbruscato.

Classificação parcial resumida
Promoção direta: Padova (14 pontos) e Brescia (14)
Play-offs: Torino (14), Sampdoria (12), Grosseto (12) e Sassuolo (12)
Play-out: Juve Stabia (3) e Vicenza (2)
Rebaixados: Gubbio (2) e Ascoli (0)

Artilharia
Tavano (Empoli) - 6 gols
Bertani (Sampdoria), Cocco (AlbinoLeffe), Dionisi (Livorno) e Immobile (Pescara) - 5

Classificação completa aqui.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O presidente é rock and roll

Chapéu de pescador, camisa dos Ramones e guitarra empunhada. Quando não está fazendo loucuras à frente do Cagliari, Massimo Cellino lidera os Maurilios (Quadrimensalmente)

Publicado também no Lado B do Futebol.

O Cagliari pode até ter começado bem a atual Serie A, com duas vitórias e um empate em quatro jogos, mas quem sempre é notícia é seu presidente, Massimo Cellino. Cellino é um presidente folclórico, acostumado a dar declarações polêmicas e a demitir treinadores a atacado - antes mesmo do início desta temporada, exonerou Roberto Donadoni por divergências em relação ao mercado, e chegou à 33ª troca de treinadores em 19 anos na presidência do clube.

Apesar da demissão do ex-jogador do Milan, ultimamente, Cellino tem ficado afastado das polêmicas, já que o time da Sardenha tem feito boas campanhas e caminha para uma estabilidade. Enquanto o ambiente cagliaritano vive momentos de tranquilidade e a tarefa mais urgente do presidente é a de proporcionar ao clube um novo estádio, particular, para abandonar o peculiar Sant'Elia - o "estádio dentro de outro estádio", segundo o jornalista Silvio Lancellotti -, Cellino tem tempo para se dedicar a sua maior paixão: a música.

O milionário sardo, como tantos outros cinquentões, é apaixonado por rock dos anos 70. Cellino é guitarrista e líder da banda I Maurilios, que faz covers de toda a sorte de rock que fez sucesso na década do rock de arena e dos experimentalismos. O repertório é uma espécie de best of de festa de casamento de um homem de meia idade roqueiro: tem Pink Floyd, Rolling Stones, David Bowie, Joe Cocker, Bob Dylan, Jimi Hendrix e, claro, uma versão de Hotel California, dos Eagles. No Youtube, dá para ver uma série de covers deles, como este, de Comfortably Numb, do Pink Floyd.

Normalmente, a banda se reúne para concernos beneficientes, como o do início do mês de setembro, quando Massimo Cellino convidou integrantes de algumas bandas de rock para tocarem na Sardenha. O presidente cagliaritano teve a seu lado gente do calibre de Don Airey e Ian Paice (respectivamente, tecladista e baterista do Deep Purple), Chris Salde (baterista do AC/DC) , Michael Schenker (ex-guitarrista dos Scorpions), Kee Marcello (guitarrista do Europe), Neil Murray (baixista do Whitesnake), entre outros músicos. Será que algum deles sequer imaginaria que um dia tocaria ao lado de um presidente de um time de futebol?

Cellino voltou a virar notícia na Itália nesta semana. Ele é a capa da revista Sport Week, publicada pelo mesmo grupo da Gazzetta dello Sport. No site do Cagliari dá para ver uma prévia da capa. Canastrão, hein?

Lado B
The Rolling Stones - Paint it black (Aftermath, 1966)Link

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dificuldade extra



Tá difícil? O Ibrahimovic resolve. Com um gol e uma assistência para Cassano (ao seu lado na foto), o sueco foi o melhor em campo nesta quarta (AFP)

O cenário era ideal para uma boa vitória do Milan: jogava em casa e enfrentava o Viktoria Plzen, time tecnicamente inferior. Mas os torcedores rossoneri não viram a teoria ser colocada em prática no San Siro. Allegri, que armou o seu tradicional 4-3-1-2, afirmou antes da partida que os três pontos seriam fundamentais para a briga pelo primeiro lugar do grupo, que deve ser protagonizada por Milan e Barcelona.

Os campeões tchecos se posicionaram em um 4-1-4-1 para tentar segurar o desfalcado time italiano. Foram sete ausências no time de Allegri, que pelo menos contou com a volta de Ibrahimovic, fundamental para a vitória. No início, a estratégia do Viktoria Plzen deu certo: segurou o Milan e surpreendeu em um contra-ataque nas costas de Abate, logo aos dois minutos. O susto precoce, não abalou a equipe da casa, que contava com Ibrahimovic disposto a decidir desde o princípio. O sueco jogava solto e Cassano ficava mais à frente. O camisa 99 foi o primeiro a parar no goleiro Cech, que fez grande exibição.

O volume de jogo rossonero não empolgava a torcida. Claramente se poupando, faltava ímpeto ao campeão italiano. Para completar a situação ruim para os italianos, o Viktoria, na maior parte do tempo, defendia com os 11 jogadores atrás da linha média. O 0 a 0 no primeiro tempo, com 60% de posse de bola, mostrava a passividade milanista, que apenas Ibra rompeu, em oportunidades que o goleiro Cech defendeu. Na segunda etapa, Ibrahimovic apareceu de vez. Primeiro, participou de jogada polêmica em que um pênalti foi assinalado. Ele mesmo bateu para fazer o 1 a 0. A tranqüilidade foi alcançada.

Os tchecos, que claramente estavam satisfeitos com o empate, tentaram buscar o empate, mas passaram longe de assustar Abbiati. Ibra apareceu novamente aos 66 minutos. O sueco recebeu lançamento e, com dois toques, deixou Cassano à vontade para marcar o 2 a 0. O resultado fez com que o Milan puxasse o freio de mão e sentasse sobre a vantagem. Chances de perigo não existiram mais a partir daí.

Mesmo jogando em ritmo lento, o Milan recheado de desfalques venceu o Viktoria Plzen. Resultado obrigatório para quem afirmar e deve pensar no primeiro lugar do grupo, que também tem o Barcelona na disputa, depois da previsível goleada aplicada sobre o BATE Borisov. O que valeu para os milanistas foi ver Ibrahimovic retornando de lesão já decidindo a partida. Agora o foco volta a ser o Italiano, onde domingo enfrentará a líder Juventus fora de casa, em jogo que promete muito.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Bem vindos de volta

Cavani soca o ar: em menos de dois anos, já fez 38 gols pelo Napoli (Reuters)

Sete anos depois e o San Paolo voltou a ferver completamente lotado. Quando, em 2004 a fanática torcida do Napoli lotou seu estádio para acompanhar a estreia do time na então Serie C1, a crise havia devastado os azzurri, que começavam sua reconstrução completa. Naquele 26 de setembro de 2004, empate em 3 a 3 com Cittadella e começo do caminho de volta. Trajetória que foi coroada hoje, 27 de setembro de 2011, quando os mesmos fãs que empurraram a equipe em busca do retorno à elite abarrotaram as arquibancadas napolitanas para acompanhar a volta do clube a um jogo da Liga dos Campeões em sua casa. Na verdade, na última vez que o San Paolo recebeu um jogo da maior competição de clubes europeia, o torneio ainda não havia se transformado no que é hoje.

Se o cenário já era digno de roteiro de filme antes mesmo de a bola rolar, após o início do duelo o que viu foi o final perfeito para a história. Armado por Walter Mazzarri com seu esquema habitual, o Napoli jogou sua melhor partida na temporada e bateu o Villarreal por 2 a 0, gols de Hamsík e Cavani. Pressionando o adversário espanhol desde o começo da partida, os partenopei puderam, pelo menos por 90 minutos, vingar a eliminação diante dos amarillos na Liga Europa da última temporada.

Muito melhor no começo da partida, o Napoli criava chances e simplesmente dominava todas as ações, atuando sempre em seu campo de ataque e fazendo a bola rodar de modo que os espanhóis, em pouco tempo, se encontraram completamente envolvidos pelos partenopei. Restou, então, esperar para que a tática surtisse efeito. E apoiado pela força da torcida, não tardou para que os azzurri abrissem o placar. Em belo cruzamento de Lavezzi, a bola passou por Zapata e sobrou para Hamsík, que fuzilou o goleiro Diego López e fez explodir o San Paolo. A vantagem no placar fez do Napoli ainda mais superior dentro de campo.

E a abertura do placar não mudou em nada o estilo de jogo dos napolitanos. Mantendo a pegada dos primeiros 18 minutos, os donos da casa conseguiram retomar a posse de bola logo após a saída do Villarreal após o gol sofrido. A perda de posse inesperada fez com que a defesa amarela permitisse a infiltração de Lavezzi, melhor jogador em campo até então. Com velocidade, o argentino foi parado apenas com falta – e dentro da área. Cavani partiu para a cobrança e fez seu 38º gol com a camisa azzurra. O uruguaio também superou o brasileiro Cané e se tornou o maior artilheiro napolitano em competições continentais, com 9 gols.

Na segunda etapa, um esperado recuo dos donos da casa tornou o jogo morno. Apostando nos contra-ataques, o Napoli ainda chegou à área adversária em algumas oportunidades, mas sem nenhum destaque. Aos espanhóis, coube a missão de atuar no desespero e, também como esperado, tal tática não surtiu efeito. Os partenopei, agora, partem para o pior desafio de seu grupo: enfrentarão agora o poderoso Bayern de Munique. Um teste de fogo para o Napoli, até agora a grata surpresa italiana na Liga. (Leonardo Sacco)

No front russo...
Dois jogos e duas vitórias para Claudio Ranieri. Quem diria que apenas colocar os jogadores em suas posições de origem faria tanta diferença? No gramado sintético do Luzhniki, a Inter fez, contra o CSKA Moscou, uma partida parecida com a de Bolonha: pouco intensa, com segurança nos setores e, principalmente, cirúrgica. Em ambos os jogos, a Beneamata abriu vantagem, recuou e sofreu o empate, mas mostrou segurança para marcar os gols que lhe dariam a vitória quando quisesse. Uma segurança de um time acostumado com vitórias.

A superioridade nerazzurra no primeiro tempo foi fundamental para a vitória. Com menos de 25 minutos de jogo, a Inter já vencia por 2 a 0, com gols de Lucio e Pazzini, em duas jogadas que surgiram pelo lado direito. No setor, Nagatomo fez ótima partida e apagou o início opaco nesta temporada. Quem ainda não afastou as desconfianças foi Júlio César, que depois de fazer ótima defesa em chute de Dzagoev, não pulou em uma cobrança de falta do meio-campista e permitiu que o CSKA diminuísse.

No segundo tempo, a Inter recuou bastante e se limitou a fazer contra-ataques - não exatamente para definir a partida, mas para segurar a bola no campo adversário. Álvarez, que já vinha demonstrando lentidão para armar as jogadas de ataque, se dedicou ainda mais à defesa, mostrando que pode ser mais útil na linha de três no meio-campo do que sendo trequartista. Para a função, Philippe Coutinho se mostrou mais capacitado.

Muito seguro na defesa durante o decorrer do jogo, Lucio não conseguiu, porém, evitar que Vágner Love o fintasse e, com um chute no canto, empatasse a partida. No lance seguinte, a Inter partiu com força para o ataque e, após receber lançamento de Cambiasso, Zárate matou no peito e fez seu primeiro gol com a camisa interista. No final do jogo, tanto Ranieri quanto Massimo Moratti elogiaram a postura da equipe, que ao menos nos dois primeiros jogos da gestão do treinador romano, se não convenceu tecnicamente, ao menos volta a passar segurança.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

5ª rodada: Economia de gols

Osvaldo marcou e deu à Roma sua primeira vitória neste campeonato (Getty Images)

Em campeonato que começou com média de gols bem alta, a quinta rodada deixou a desejar. Nos dez jogos deste fim de semana, as redes balançaram apenas 17 vezes e três partidas sequer saíram do 0 a 0. A culpa é dos goleiros.: em tarde inspirada, Agazzi (Cagliari), Handanovic (Udinese) e Tzorvas (Palermo) fecharam as metas e não deixaram passar nada. Destaque também para a Roma, que venceu a primeira, para a Juventus, que mesmo com o empate permanece na liderança, e para a Atalanta, que continua surpreendendo. Vamos aos resumos dos sete jogos de domingo:

Parma 0x1 Roma
Jogando no Ennio Tardini, a Roma finalmente conseguiu vencer sob o comando de Luís Enrique. Os três pontos valem muito para o treinador, que agora pode respirar mais aliviado, mas ainda dizem pouco sobre o que esta equipe pode render. Jogando em ritmo lento, o time continua tendo muita posse de bola, mas não consegue converter isso em perigo à meta adversária. O primeiro tempo é de se esquecer e só a partir da segunda etapa é que a partida começou a ficar interessante. Com os dois times dispostos a mudar o placar, o jogo ficou mais aberto e logo aos cinco minutos a Roma aproveitou: o lateral Rosi fez boa jogada pela direita e cruzou na cabeça de Osvaldo, que só teve o trabalho de tirar do goleiro. Daí para frente, os giallorossi melhoraram e até esboçaram momentos de bom futebol, com troca de passes rápida e agressividade. Mas o placar não mudou mais: a vitória dá à Roma mais tranquilidade para continuar o trabalho e mostra ao Parma que o caminho não será fácil, se depender exclusivamente de Giovinco. A curiosidade é que as três equipes da Emília-Romanha seriam rebaixadas se o campeonato acabasse hoje. Além do Parma, Bologna e Cesena começaram mal.

Catania 1x1 Juventus
Na Sicília, o jogo foi bem movimentado e teve um dono em cada tempo. Nos primeiros 45 minutos, foi o Catania de Montella que dominou a partida, com organização tática e velocidade. Gómez deitou e rolou pelo lado esquerdo da zaga juventina e, além de fazer o cruzamento para o primeiro gol, teve chances de ampliar o placar, pelo mesmo setor. As fracas atuações de Grosso na lateral levam os torcedores a se questionarem o porquê de Conte ter liberado Ziegler, que dificilmente estaria rendendo menos que Grosso ou De Ceglie por ali. As atuações de Chiellini também continuam bem abaixo da média e preocupam. Mais uma vez, foi ele quem errou no gol adversário, marcado por Bergessio. O contestado Barzagli é quem vem dando o mínimo de consistência à defesa bianconera. Lá na frente, a opção de Conte por só um atacante não deu certo e o time só melhorou quando Pepe entrou no lugar de Elia, que estreou mal, e a chuva brecou a velocidade do Catania. Krasic marcou o gol de empate e, finalmente, voltou a mostrar um pouco do bom futebol de um ano atrás. O que fica claro é que, apesar de líder, a Juventus ainda tem muito a melhorar e que o Catania está no caminho certo para fazer um campeonato sem riscos.

Atalanta 2x1 Novara
A Atalanta é a maior surpresa do campeonato até aqui. Com 83,3% de aproveitamento, o time seria o líder desta Serie A caso não tivesse começado a disputa com -6 pontos. E não é à toa: a equipe de Colantuono é a que mostra melhor futebol e mais regularidade neste campeonato. Jogando de forma compacta e veloz, os nerazzurri dominaram a partida inteira e viram seus melhores homens, Schelotto e Cigarini, marcarem os gols do time da casa. Quando tudo já parecia decidido, porém, o jogo mudou de figura. Aos 44 minutos do segundo tempo, Porcari achou um gol para o Novara e reacendeu a partida. Logo depois, Granoche marcou o gol de empate, mas o juiz marcou impedimento duvidoso e anulou o lance, para o alívio dos quase 25 mil torcedores presentes no Atleti Azzurri d'Italia. Fato é o Novara entrou no campeonato desacreditado e cotado para ocupar lugar cativo na zona de rebaixamento, mas vêm jogando melhor do que esperava-se e merece estar longe da degola, por enquanto. A Atalanta deve conseguir ter um ano tranquilo.

Chievo 2x1 Genoa
Quem também surpreende neste início de temporada é o Chievo, que venceu o Napoli na rodada passada e ontem conseguiu boa vitória contra o embalado Genoa, assumindo a terceira colocação na tabela. A organização defensiva é o ponto forte do time de Di Carlo e moldou o ritmo do primeiro tempo, com o Genoa girando a bola e tentando, sem sucesso, furar o bloqueio do Chievo, que optou pelo contra-ataque rápido para levar algum perigo aos genoveses. A partida só mudou no segundo tempo, quando o bom Jorquera conseguiu, com um belo passe, superar a defesa amarela e colocar Palacio na cara do gol. O argentino não desperdiçou e colocou o Genoa na frente. Imediatamente, Di Carlo trocou Cruzado por Moscardelli e colocou seu time no ataque. A expulsão de Dainelli, após cometer pênalti em Pellissier, abriu ainda mais o jogo. O próprio Pellissier errou a cobrança e se recuperou minutos mais tarde, fazendo o gol de empate do Chievo. Com um a menos, o Genoa segurou o empate até o último minuto do jogo, quando Moscardelli aproveitou bom cruzamento de Sardo e deu a vitória ao time da casa, sendo decisivo pela segunda vez seguida.

Siena 3x0 Lecce
O Siena desta temporada vinha mostrando um futebol regular e boa solidês defensiva, mas com problemas para marcar gols. Na primeira vitória bianconera da temporada, então, essa fraqueza foi deixada para trás e o time conseguiu uma grande vitória contra o Lecce. Destaque para o técnico Sannino, que soube poupar os jogadores certos nesta semana de três rodadas, e escalou um time bem organizado neste domingo. O maior acerto do treinador foi colocar o jovem Mattia Destro na equipe titular. O atacante revelado pela Inter fez ótima partida e foi essencial para o bom desempenho do time de Siena. Ele abriu o placar, deu passe para um dos gols de Calaiò, outra boa surpresa, e foi responsável pelos dois cartões amarelos que expulsaram Esposito. O Lecce, por outro lado, não pôde contar nem com os bons momentos de Bertolacci, que foi mal no jogo, e fez sua pior partida no campeonato. A zona de rebaixamento já bate à sua porta.

Cagliari 0x0 Udinese
No Sant'Elia, os goleiros foram os grandes nomes da partida. Agazzi, pelo lado do Cagliari, impediu gols de Di Natale, Torje e Asamoah. Handanovic, do outro lado, não deu chances para a boa linha de frente rossoblù, formada por Cossu, Thiago Ribeiro e Nenê. No calor da sardenha, a boa forma física das duas equipes ficou evidente e deixou o jogo truncado. As defesas quase sempre se saíram melhor que os ataques e o 0 a 0 foi um resultado justo. Assim, o Cagliari chegou aos sete pontos e deu mostras de que a temporada não deve ter grandes emoções. A Udinese permanece invicta na competição e colada na ponta da tabela. O próximo desafio da Udinese é em casa, contra o Bologna, enquanto o Cagliari vai ao Via Del Mare enfrentar o Lecce.

Lazio 0x0 Palermo
Em Roma, a Lazio mereceu a vitória, mas não conseguiu superar a organização palermitana e o goleiro Tzorvas. Mais vertical desde o início do jogo, o time de Reja chutou 24 vezes, entre bolas que acertaram ou não a meta e aquelas que pararam na linha defensiva do Palermo. Além disso, os biancocelesti tentaram 38 cruzamentos, que nem Klose, nem Cissé conseguiram converter em gol. Méritos, é claro, dos rosanero, que mostraram boa solidez defensiva e organização tática. Os contra-ataques com Hernández e Pinilla levaram algum susto ao gol de Marchetti, mas não passou disso. Para tentar voltar a vencer, os dois times terão tarefas difíceis na próxima rodada: o Palermo recebe o Siena, em casa, e a Lazio vai à Florença enfrentar a Fiorentina.

Clique aqui para ver todos os gols da rodada.
Para relembrar a 4ª rodada, clique aqui.
Relembre os jogos de sábado aqui.
Para resultados, escalações e estatísticas da 5ª rodada, clique aqui.

Seleção da 5ª rodada
Tzorvas (Palermo); Domizzi (Udinese), Migliaccio (Palermo), Behrami (Fiorentina); Schelotto (Atalanta), Cambiasso (Inter), Delvecchio (Catania), Gomez (Catania); Cerci (Fiorentina), Destro (Siena), Calaiò (Siena). Técnico: Giuseppe Sannino (Siena).

sábado, 24 de setembro de 2011

5ª rodada: Quem poupa, ganha?

É pra você, Gasp: Pazzini começa jogando pela Inter, faz gol e ajuda equipe a vencer na estreia de Claudio Ranieri (Getty Images)

Claudio Ranieri chegou à Inter com uma simples prerrogativa: fazer o simples. E, em sua estreia, a Inter voltou a jogar da maneira mais adaptada aos jogadores que compõem seu elenco e chegou à primeira vitória na temporada, com um bom 3 a 1 sobre o Bologna, fora de casa, mesmo jogando com pouca intensidade.

Sem oito jogadores, mas contando principalmente com o desfalque de Sneijder, Ranieri armou a Inter em um 4-4-2 com Coutinho e Obi abertos pelos lados. Para compensar a falta do holandês, Cambiasso avançava um pouco mais, enquanto Forlán, que fazia dupla com Pazzini, voltava para buscar jogo. Foi assim que o uruguaio acertou um belo chute na trave, mas também quando a Inter abriu o placar, com Pazzini. Foi exatamente com uma jogada de movimentação dos três deu origem ao primeiro gol nerazzurro.

No segundo tempo, a Inter recuou um pouco, principalmente depois que Ranieri tirou Coutinho e colocou Jonathan. O Bologna até chegou ao empate depois de um pênalti duvidoso, convertido por Diamanti, mas a Inter não pareceu se abalar. Jogando como se confiasse que a vitória chegaria, ao contrário do jeito atônito de abordar as partidas, quando Gasperini treinava a equipe, o meio-campo cresceu, com a boa participação de Cambiasso e de Muntari, que entrou bem no segundo tempo.

A entrada de Milito, no lugar de Forlán, deu mais profundidade à equipe e alfinetou, novamente, Gasperini: com os dois em campo, a Inter marcou mais dois gols - com Milito, de pênalti, e Lúcio, de cabeça - e fechou o resultado. Para o Bologna, uma vitória contra a Inter parecia improvável - o time não vence a equipe de Milão desde 2002 -, mas Bisoli corre riscos. O time pareceu sem ideias e não confirmou a evolução após a boa partida contra a Juventus.

Ritmo lento
Poupando energias para os jogos da Liga dos Campeões, neste meio de semana, Milan e Napoli fizeram partidas quase soporíferas contra Cesena e Fiorentina, respectivamente. Jogando em casa, o Milan deu sorte e logo abriu o placar, quando Seedorf cruzou bola fechada na área, mas Ravaglia, adiantado, aceitou. Dali para frente, poucas oportunidades. O Cesena, primeiro com Candreva e depois com Éder, levou perigo aos donos da casa, mas não conseguiu chegar ao gol. Se Taiwo, que estreava pelo Milan após lesão, recebesse um merecido segundo cartão amarelo, talvez a história fosse diferente, até poque Allegri mexeu bem na segunda etapa, retirando o nigeriano, mas também ao substituir El Shaarawy por Aquilani, reforçando o meio-campo. Com o resultado, o Milan consegue sua primeira vitória, enquanto o Cesena, que teve tabela difícil, ainda é a única equipe do campeonato que não pontuou.

No San Paolo, o Napoli até teve momentos em que poderia marcar, mas teve pouca calma na hora de definir as jogadas. Nem mesmo com o tridente ofensivo de volta, reforçado por Pandev na etapa final, conseguiu superar a defesa florentina. Em contrapartida, a Fiorentina chegou a ser mais perigosa, em um dia em que Cerci e Jovetic estavam inspirados. O ponto conseguido fora de casa leva a equipe viola aos 7, coroando um início de campeonato promissor e improvável.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

4ª rodada: Tom equilibrado

"O que posso fazer?" Palacio, tão pedido por Gasperini na Inter, aproveitou bobeiras da defesa do Catania e foi o grande nome da vitória do Genoa (EFE)

Não tem mais time com 100% de aproveitamento no campeonato italiano. Após apenas três rodadas disputadas, o equilíbrio já é o grande destaque da temporada, e é provável que ele continue presente em grande parte da Serie A. Entre os grandes, quem vem bem é a Juventus, que lidera ao lado de Udinese e Genoa. Enquanto isso, as equipes de Milão ainda não conseguiram vencer jogo algum. Veja como foram os jogos de quarta e quinta.

Genoa 3-0 Catania
No dia em que Gian Piero Gasperini foi demitido da Inter, o jogador mais pedido por ele no mercado foi o destaque da rodada. O argentino Palacio, que já vinha de um gol e uma assistência nas duas primeiras rodadas, destruiu um frágil Catania, que sucumbiu a duas incríveis falhas da defesa ainda na primeira etapa. Além da boa forma de Palacio, o segredo do Genoa está no meio-campo, no qual Jorquera se encaixou como uma luva, mas que também tem a recuperação de forma de Miguel Veloso, outro fator fundamental para a vitória no Marassi.

Milan 1-1 Udinese
Mesmo jogando no San Siro, a Udinese parecia em pleno Friuli. Uma amostra de que o time de Francesco Guidolin consegue manter o padrão de jogo mesmo sem Inler, Zapata e Sánchez, enquanto o Milan tem um pouco mais de dificuldades, sem Ibrahimovic e Boateng. Na Udinese, Badu fez ótima partida na volância, e novamente Di Natale foi o maior causador de perigo para Abbiati, que falhou feio no terceiro gol do artilheiro na competição, mas que se redimiu com duas ótimas defesas no segundo tempo. Em dia ruim de Aquilani e Seedorf, quem chamou a responsabilidade no Milan foi Cassano, que fez boa partida e foi o autor do passe para El Shaarawy, substituto de Pato - o brasileiro se lesionou e para por um mês. Sem Ibrahimovic e Pato para as próximas rodadas, os rossoneri tentarão a recuperação no campeonato com um ataque mais leve. Quem pode ganhar oportunidade é o veterano Inzaghi.

Juventus 1-1 Bologna
A Juventus lidera o campeonato, mas ficou com a sensação de que poderia ter aberto mais vantagem sobre os adversários. O destaque juventino foi, mais uma vez, o maestro Pirlo, renascido em Turim: todas as bolas passam por ele. Saiu assim o gol (irregular) de Vucinic, que prejudicou seus companheiros com uma tola expulsão ainda na primeira etapa. O Bologna voltou a fazer uma partida digna e o ponto fora de casa, com a boa contribuição do goleiro Gillet, ajuda Bisoli a manter seu emprego, frente a uma sequência complicada. O técnico teve méritos pelo resultado, ao colocar Ramírez no time titular, coexisitindo com Diamanti, no 4-4-1-1. A nota negativa do jogo foi o tapa que um torcedor juventino deu na cabeça de Di Vaio, quando os jogadores do Bologna comemoravam o empate. Como fazer arquibancadas próximas aos gramados se existem atitudes assim?

Chievo 1-0 Napoli
O Chievo está se especializando em ser a asa negra de Walter Mazzarri e do Napoli. Nos últimos três jogos, os clivensi venceram todos. Ontem, o técnico napolitano utilizou seu bom banco de reservas e poupou sete titulares, incluindo o tridente ofensivo, indo de encontro à tendência da última temporada, quando pouco renovava o fôlego da equipe. Não deu certo. Inefetivo no ataque, mas por outro lado pouco testado na defesa, o Napoli se contentaria com o fraco empate, até que Fideleff, em sua estreia, falhou feio e permitiu que Moscardelli fizesse o gol da primeira vitória do clube de Verona no campeonato. Jogando em casa, contra a Fiorentina, os titulares do Napoli devem voltar a campo.

Fiorentina 3-0 Parma
Sem Gilardino, que se lesionou e só volta em seis semanas, o homem-gol é justamente um jogador que passou muito tempo lesionado. Jovetic, convertido em líder do time após passar um ano parado, voltou a marcar (e fez dois) pela primeira vez desde 28 de março de 2010. Quem também vem em momento muito positivo é Cerci, que foi bancado por Mihajlovic, mesmo mantendo algumas divergências com o treinador, e com o gol de ontem somou o nono nas últimas nove partidas. Mas nem tudo é festa na Fiorentina: Montolivo continua sendo perseguido pela torcida e pode deixar o time ainda em janeiro, enquanto De Silvestri fez partida muito tímida - os ataques apareciam apenas pelo lado esquerdo, com Vargas - e Cassani deve voltar ao time. O Parma, sem Giovinco, é quase nulo. Mas olho também na defesa, que já sofreu oito gols e é a pior do campeonato.

Cesena 1-2 Lazio
Em um momento turbulento, a Lazio voltou a vencer, embora isso não aplaque a raiva da torcida contra Edy Reja. O treinador aproximou Cissé e Klose, ao alterar o esquema tático, passando de um 4-2-3-1 para um 4-3-1-2, e conseguiu a virada, no segundo tempo, amplamente dominado pela equipe romana. O Cesena, por sua vez, ainda não somou um único ponto e Giampaolo já começa a ser contestado. Assim que abriu o placar, no início do jogo, com Mutu, os cavalos-marinhos recuaram demais e permitiram que os visitantes fossem para cima. Falta mais ousadia ao Cesena.

Lecce 1-2 Atalanta
Se não tivesse começado o campeonato com pontos negativos, a Atalanta estaria liderando o campeonato, juntamente com Genoa, Juve e Udinese. Os sete pontos somados pelos bergamascos - que já deixam a equipe com pontuação positiva - são uma bela amostra de que a sensação da temporada deve vir de Bérgamo. Bem arrumado taticamente por Colantuono e com um centroavante como Denis, que começou voando, o time tem potencial para fazer uma temporada tranquila. Principalmente se continuar conseguindo vitórias fora de casa contra concorrentes diretos na briga contra o rebaixamento.

Palermo 3-2 Cagliari
Um Palermo devastante no primeiro tempo foi suficiente para bater um Cagliari muito disperso. A vitória dos rosanero começou com menos de um minuto de jogo, quando Zahavi fez um golaço de fora da área. Miccoli foi o nome do jogo, com uma assistência para Bertolo e um gol de falta - este último com colaboração do inseguro Agazzi. O Palermo chegou a assustar sua torcida, ao cair muito de produção no segundo tempo e permitir uma reação cagliaritana nos minutos finais, com nova falha do goleiro Tzorvas, já contestado. Agora, Palermo e Cagliari tem a mesma pontuação na tabela: seis pontos.

Roma 1-1 Siena
Sob os olhares atentos do presidente DiBenedetto, a Roma não conseguiu mostrar o futebol que o técnico Luis Enrique planeja e, mais uma vez, "romou" jogando em casa. Como bem pontuou @footballitalia, no Twitter, "ver a Roma é como assistir ao Barcelona em câmera lenta e sem os gols". A equipe até consegue tocar bastante (não à toa teve quase 70% da posse de bola), mas na hora de finalizar ainda é muito burocrática. Nem a notável melhora de Totti dentro de campo ajudou os giallorossi a serem mais verticais. O Siena entrou com estratégia bem definida e, mesmo com o rodízio realizado por Sannino, conseguiu cumprir bem sua função tática. Os bianconeri se defendiam com oito jogadores e apostavam nos contra-ataques, sempre com a velocidade de Brienza. De tanto insistirem, alcançaram o gol no final, depois que Vitiello aproveitou rebote de bola que Rossi chutou na trave. Resultado merecido para o Siena, que foi muito mais perigoso no segundo tempo e viu a Roma sair vaiada do Olímpico, mesmo com as mudanças vistas em campo. (Rodrigo Antonelli)

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Seleção da 4ª rodada
Gillet (Bologna); Vitiello (Siena), Kaladze (Genoa), Lisuzzo (Novara), Vargas (Fiorentina); Miguel Veloso (Genoa), Rigoni (Novara), Pirlo (Juventus); Palacio (Genoa), Denis (Atalanta), Jovetic (Fiorentina). Técnico: Attilio Tesser (Novara).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

4ª rodada: Vida clichê

Moratti faz cara feia: Gasperini, sua quinta opção como técnico no mercado, dará lugar a outro técnico tampão. Um ano e meio atrás, time comemorava tripletta (Getty Images)

Esta terça-feira, 20 de setembro de 2011, foi um dia absolutamente histórico para a Inter. Não só porque Javier Zanetti chegou a marca de 757 jogos pelo clube, ultrapassando Giuseppe Bergomi como o jogador que mais vestiu a camisa do clube. Esta terça marcou, também, o dia em que a Beneamata igualou a péssima marca da temporada 1983-84, quando somou apenas 1 ponto nos primeiros cinco jogos da temporada. Gian Piero Gasperini deixa a equipe com o pífio aproveitamento de aproximadamente 6,67%, sem uma única vitória em jogos oficiais. Depois de ser demitido pelo Genoa no início de 2010-11, Gasp vê sua temporada encerrar-se mais cedo outra vez.

Contra o Novara, a Inter voltou ao 3-4-3 e, novamente, jogou muito mal. Enquanto Castaignos e Forlán nada criavam no ataque, Chivu aprontava das suas na defesa. Samuel e Pazzini viam tudo do banco. A incoerência de Gasperini deixava Álvarez, contratação mais cara do mercado nerazzurro, e Muntari, um jogador que passou de descartável a ás na partida contra a Roma, nas tribunas. Massimo Moratti foi taxativo ao final da partida: "Gasperini não me pareceu ter o controle do grupo".

Gasp, assim como Rafa Benítez, não conseguiu dominar o vestiário difícil e cheio de senadores da equipe de Milão e nem fazê-los acreditar por muito tempo em suas concepções táticas. Cambiasso, assim como com Benítez, por quem não nutria o mais nobre dos sentimentos, faz partidas muito abaixo da crítica - e ontem foi flagrado ordenando a Ranocchia que formasse uma defesa a quatro, à revelia do técnico. Está deslocado no esquema ou fazendo corpo mole? Fato é que os jogadores do elenco sempre renderam mais jogando como José Mourinho lhes pedia. O sucesso de Leonardo - embora tenha tido problemas defensivos - se deveu ao mesmo motivo.

Não foi por falta de aviso. Com Benítez, a Inter já havia sucumbido às mudanças táticas, quando o treinador chegou ao clube tentando, de maneira dogmática, implantar sua filosofia de jogo. Cabe aqui levantar uma questão: até que pontos os jogadores podem ter tanto poder dentro de um clube de futebol? O afastamento de Gabriele Oriali, ex-jogador com status de ídolo no clube e que dois anos atrás era responsável pelo mercado, mas também por "fazer o meio-campo" entre jogadores, técnico e direção se mostra fundamental para o atual estado de crise interna do clube.

O Novara, que nada tinha a ver com isso, entrou no seu campo de grama sintética do estádio Silvio Piola motivadíssimo por poder realizar novamente uma partida da Serie A em casa. Os azzurri engoliram a Inter: Rigoni, Mazzarani, Morimoto e Meggiorini incorporaram Xavi, Iniesta, Villa e Messi e, frente a uma Inter que jogava como uma equipe provinciana, perdida em todos os sentidos. Até mesmo o normalmente calmo Ranocchia perdeu a cabeça em diversos momentos e acabou expulso por cometer pênalti em Morimoto.

A Inter, agora, tem de olhar para frente. Como Moratti declarou que usaria a madrugada desta quarta para se decidir - para bom entendedor, negociar com um substituto -, convém imaginar o perfil do treinador que a Inter quer para substituir Gasperini. Em um mercado (não apenas interno, mas em todo o futebol europeu) esvaziado, fala-se em opções caseiras, como a de efetivar Luís Figo, em parceria com o auxiliar Giuseppe Baresi, ou até de trazer ex-jogadores interistas, como Walter Zenga e até Roberto Baggio, que assim como Figo nunca treinou um clube.

O favorito, segundo a mídia especializada italiana, seria Claudio Ranieri. Uma aposta arriscadíssima, não só pelas claras limitações do romano em seu último trabalho, pela Roma, mas também porque muitos jogadores são mourinianos e Ranieri é um dos grandes rivais do português, já tendo sido ridicularizado por ele... assim como Benítez. Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Outra alternativa é Delio Rossi, mas surgem com menos força os nomes de Roberto Donadoni e de Quique Sánchez Flores.

Para Gasperini, este outro ano de férias forçadas - e remuneradas -, que poderia ser um sonho para tantos profissionais, lhe constrange a rever seus dogmas. Gasperini, apesar de sua péssima passagem por Appiano Gentile, tem sido um dos bons técnicos da nova geração italiana, mas acabou alçado muito cedo a uma grande equipe, assim como Allegri e Conte, pela má fase dos principais treinadores do Belpaese - já falamos sobre isso aqui.

Embora seja uma "vítima do sistema" e possa até reclamar de não ter sido completamente apoiado pela sociedade em termos táticos, sobretudo com a ação no mercad, até que ponto vale ser tão inflexível com sua filosofia de jogo e não adaptar-se às peças que tem à disposição? Caso continue tentando levar a cabo sua concepção de como jogar futebol à força bruta, como se estivesse tentando provar a todos, de maneira pretensiosa, que é um mago do esporte, estará fadado a treinar equipes pequenas e médias. Assim como Zdenek Zeman. E tem gente que recusa a existência de uma vida tão clichê.

Veja todos os gols da partida aqui.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

3ª rodada: Cavanismo

Vem, gente: Cavani, já elevado a santo em Nápoles, comandou os azzurri na grande virada sobre o Milan e faz a cidade sonhar (Getty Images)

No fim de semana chuvoso, principalmente no norte da Itália, o Milan tomou um banho de água fria na visita ao San Paolo. Pela primeira vez em 30 anos, as equipes de Milão e Roma não vencem as duas primeiras partidas na Serie A. Atualmente, a atual campeã (assim como Inter, Lazio e Roma) estão cinco pontos atrás de Juventus e Napoli, concorrentes ao título, e também de Cagliari e Udinese, que também mantém os 100% de aproveitamento. Falar em inversão de tendência no futebol italiano é prematuro, mas milaneses e romanos precisarão de respostas rápidas para convencerem suas torcidas de que a Serie A 2011-12 não será decepcionante. Elas poderão ser dadas a partir desta terça-feira, quando a 4ª rodada do campeonato terá início.

Napoli 3-1 Milan
Três vezes Cavani. Muito se falou sobre o verdadeiro estado de graça que tomou conta do atacante uruguaio na última temporada e surgiram dúvidas sobre a repetição de uma temporada tão gloriosa. Contra o Milan, sua primeira tripletta da temporada - a quinta em sua carreira italiana - suprimiu os questionamentos. Adorado em Nápoles, Cavani é comparado a Maradona, já foi elevado a Messias e deve ser, mais uma vez, o ponto alto da equipe, que está ainda mais forte após a chegada de reforços como Inler e também Dzemaili, uma ótima opção para o segundo tempo. Mesmo tendo iniciado a partida sem uma postura correta e, até por isso, ter saído atrás no marcador, quando Aquilani fez de cabeça, o Napoli mostrou uma vontade "mazzarriana" e logo empatou o jogo. Daí para dominar a partida foi um passo, sobretudo por apostar na velocidade contra um meio-campo milanista bastante envelhecido. Na imprensa italiana já se questiona: o Milan voltou a sentir a Ibra-dependência?

Siena 0-1 Juventus
"Ano passado não teríamos vencido". Foi com estas enfáticas palavras que Antonio Conte definiu a importância do resultado juventino na Toscana. O treinador está correto: sua Juventus tem dado mostras de que está muito mais organizada que as de Ranieri, Ferrara, Zaccheroni e Del Neri e já parece habituada com o projeto de recuperação da autoestima e do "estilo Juve". O Siena não foi um adversário fácil. Com Mannini e D'Agostino, ofereceu dificuldades para a Juventus e equilibrou as ações na maior parte do jogo. Para a Juventus, foi preciso que uma jogada em velocidade pelo lado direito, bastante característica de seu 4-4-2, e a presença de um atacante "de raça" como Matri, selasse a vitória e colocasse a equipe na ponta da tabela. A se destacar, também, as ótimas partidas de Barzagli e Pepe, dois patinhos feios em meio a um mundo de jogadores contratados pela Juve nesta temporada.

Udinese 2-0 Fiorentina
Três vitórias em uma semana. Esse é o saldo da Udinese, que chegou até a ser contestada pela torcida quando perdia em casa, para o Rennes, na Liga Europa - antes de virar o jogo. Contra uma Fiorentina com poucas ideias, a equipe de Údine construiu o resultado logo no primeiro tempo, em duas jogadas fortuitas: primeiro com cobrança de pênalti de Di Natale, após um toque de mão de Gamberini, e depois quando Isla aproveitou tabela involuntária com Montolivo para chutar forte. Além da derrota, a Fiorentina também lamenta a contusão de Gilardino, que se chocou com Handanovic e ficará 6 semanas parado. Azar paara Mihajlovic, que teve pouco tempo para observar como a equipe se comportaria com Gilardino e Silva no comando do ataque de um 4-3-1-2, ao invés do 4-3-3 proposto ontem e na estreia, contra o Bologna. O atacante da seleção italiana deve voltar apenas depois da 11ª rodada e Silva terá boa chance para deixar para trás a primeira passagem, fracassada, pelo futebol italiano.

Lazio 1-2 Genoa
A Lazio, apesar de ter começado a temporada empolgando seu torcedor, pelo mercado que fez e pelo bom futebol apresentado, já apresenta sintomas de crise. A torcida, que nunca apoiou muito o técnico Edy Reja, vaiou muito a equipe após a derrota de virada para o Genoa e o treinador apresentou seu pedido de demissão - prontamente negado pelo presidente Claudio Lotito. Convém um pouco mais de paciência ao torcedor, já que a partida foi parelha e a Lazio teve chances, desperdiçadas por Cissé e Klose, mesmo em dia pouco brilhante de Hernanes. Do lado genoano, boa a mudança tática de Malesani logo após o intervalo, quando trocou Constant (mal em campo e protagonista de grande chance desperdiçada) pelo chileno Jorquera, mais um achado de mercado da equipe lígure. No 4-3-1-2, comandado pelo trequartista, o Genoa atacou com facilidade e aproveitou a má partida do lateral-esquerdo, ainda em adaptação, para construir as jogadas dos dois gols, marcados por Palacio e Kucka.

Bologna 0-2 Lecce
O confronto entre duas das equipes que mais demonstraram mau futebol na primeira rodada foi positivo para o Lecce, na medida em que conseguiu uma vitória improvável contra um concorrente direto na briga anti-rebaixamento. No campo molhado do Renato Dall'Ara, destacaram-se o lateral colombiano Cuadrado, que normalmente defende mal, mas que roubou muitas bolas e ainda participou bastante do ataque, tendo sido o responsável por iniciar as jogadas dos dois gols dos visitantes. No meio-campo, Obodo, Giacomazzi e Grossmüller não ofereceram a mínima chance de criação para o Bologna, também perdido mais atrás, com uma defesa lenta. Pierpaolo Bisoli, em sua segunda passagem por um clube da Serie A, já se vê em dificuldade: após as duas derrotas, terá de fazer sue Bologna arrancar pontos em uma sequência complicada, com adversários como Juventus, Inter e Udinese.

Atalanta 1-0 Palermo
Nas duas primeiras rodadas do campeonato italiano, poucos times jogaram com tanta vontade quanto a Atalanta. Movidos pela vontade de começar bem o campeonato e deixar para trás a punição de 6 pontos, por envolvimento no escândalo de manipulação de resultados, os jogadores nerazzurri multiplicam-se por dois. Contra o Palermo, em um jogo sem grandes emoções e atrapalhado pela chuva - o árbitro Andrea De Marco teve de interromper a partida por mais de 30 minutos no segundo tempo, por conta do dilúvio -, fez a diferença a presença de Denis, centroavante que faltava à equipe. O argentino aproveitou ótimo passe de Bonaventura e fez o que dele se espera, ainda que tenha contado como pequena falha de Tzorvas. No Palermo, não deu certo o 4-4-2 de Mangia, já que Ilicic e Zahavi - que substituiu um apagado Álvarez - têm como característica jogarem centralizados.

Parma 2-1 Chievo
Cada vez mais, este Parma é dependente de Giovinco. Os três gols dos crociati no campeonato foram marcados pelo Formiga Atômica e sua expulsão, por dois amarelos em menos de dez minutos, ambos por conduta antidesportiva, deve pesar na visita dos emilianos à Florença, nesta quarta. O restante do elenco tentará demonstrar que "Giovinco-depedência" é um termo forte demais, mas mesmo contra uma equipe mais limitada, como o Chievo, o Parma sofreu para conseguir o resultado. Os três pontos só foram consumados nos minutos finais, quando um empate parecia acontentar ambas as equipes e os visitantes eram até melhores no jogo, após a entrada de Paloschi e com inserimentos de Hetemaj.

Catania 1-0 Cesena
Jogando pela segunda vez consecutiva em casa, o Catania mais uma vez não realizou uma partida agradável para quem assistia, mas, ao contrário do empate contra o Siena, desta vez conseguiu um bom resultado. Em uma partida sem grandes emoções, a vitória dos rossoazzurri foi conquistada graças a gol de Maxi López em cobrança de pênalti discutível, sofrido por um personagem inusitado: o meia Delvecchio, que não iria ser aproveitado pela equipe da Sicília na temporada. Ele acabou ficando e entrou em campo substituindo o lesionado Sciacca, mesmo sob vaias da torcida. Além de conseguir o pênalti, não fez mais nada. Assim como o ataque do Cesena, praticamente inefetivo neste campeonato, mesmo com bons nomes no elenco. Marco Giampaolo, técnico dos bianconeri e ex-treinador do Catania, ainda reclamou de pênalti não marcado sobre Parolo no fim do jogo.

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Relembre os jogos do sábado aqui.
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Seleção da 3ª rodada
De Sanctis (Napoli); Isla (Udinese), Barzagli (Juventus), Kjaer (Roma), Agostini (Cagliari); De Rossi (Roma), Inler (Napoli); Cuadrado (Lecce), Cossu (Cagliari), Jorquera (Genoa); Cavani (Napoli). Técnico: Walter Mazzarri (Napoli).

domingo, 18 de setembro de 2011

3ª rodada: Empregos mantidos...

...pelo menos por enquanto. O empate em Milão deve segurar Luís Enrique e Gasperini por mais algum tempo no banco (Ansa/LaPresse)

Inter 0x0 Roma
Ao longo da semana, muito se falou de uma provável demissão do técnico perdedor no duelo entre Inter e Roma. Com o empate sem gols deste sábado, porém, Gasperini e Luís Enrique devem se sustentar nos cargos por mais algum tempo e ganham, ao menos, mais uma chance à frente de suas equipes. No caso do romanista, as possibilidades desse tempo se estender são maiores. O time da capital mostrou boa evolução em relação às últimas partidas e a corda no pescoço de Luís Enrique parece estar um pouco mais frouxa agora.

A situação de Gasperini, por outro lado, é cada vez pior. Sua equipe não consegue mostrar padrão de jogo e o treinador parece não saber o que fazer para mudar isso. Contra a Roma, mais uma vez substitui mal e irritou a torcida, que viu seu time ser dominado pelos visitantes em pleno Meazza. A entrada polêmica de Muntari no lugar de Forlán, aos 34 minutos do segundo tempo, provocou vaias da torcida e apequenou as ambições nerazzurri na partida, mostrando o contentamento de Gasperini com o empate, resultado que acabou com uma série de 13 vitórias consecutivas da Inter em seus domínios na Serie A.

Para não dizer que foi de todo ruim, o jogo serviu para acabar com a sequência negativa da Inter e a opção pelo 3-5-2, ao invés do 3-4-3 ou do 4-3-3 utilizados nas últimas partidas, se fez mais eficiente. As partidas contra Novara e Bologna, nas próximas rodadas, podem ajudar Gasperini a ajeitar o time e ganhar um pouco mais de fôlego. A Roma de Luís Enrique, por sua vez, sai do clássico com mais moral. A equipe conseguiu tocar bem e manter a posse de bola, soube utilizar os alas e foi consistente defensivamente. De Rossi fez grande partida e pode estar reencontrando seu bom futebol, perdido há tempos. Falta arrumar o ataque, que não tem funcionado bem com Osvaldo, Totti e Borini.

Veja os melhores lances da partida clicando aqui.

Cagliari 2x1 Novara
Duas vitórias em duas partidas e a temporária primeira colocação na tabela. O início de campeonato do Cagliari é para ninguém botar defeito. Os comandados de Ficcadenti venceram a Roma, no Olímpico, na rodada passada e neste sábado conseguiram uma boa vitória contra o Novara, em casa. O 4-3-1-2 da equipe tem funcionado e jogadores como Pisano, Conti, Cossu e até Thiago Ribeiro têm rendido bem. O ex-cruzeirense, inclusive, foi o melhor jogador da partida: além do gol que abriu o placar, o brasileiro participou com boa movimentação e deu trabalho à defesa adversária.

Do outro lado, a equipe piemontesa até exibiu organização tática, mas a pouca qualidade técnica fragiliza muito o time, que tentou partir para cima do Cagliari em determinado momento do jogo, mas que esbarrou em suas próprias limitações. Em momento nenhum, os sardos se sentiram ameaçados e conduziram a partida com tranquilidade. Larrivey fez 2 a 0, já no final do segundo tempo, e Morimoto deu números finais à partida, no Sant'Elia. Na próxima rodada, o Cagliari enfrenta o Palermo, na Sicília, para tentar manter a boa fase.

Clique e veja os gols do jogo.

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sábado, 17 de setembro de 2011

Surpresas conduzem a Lega Pro

Bom começo: com duas vitórias e um empate, Vigor Lamezia se destaca na Seconda Divisione (Facebook Vigor Lamezia 1919)

Pontos de ouro para a permanência? Ou sinal de que se pode sonhar mais alto? Ainda é cedo para dizer, mas as impressões deixadas pelas "pequenas" foram mais que positivas nas primeiras rodadas da Lega Pro. Destaques para os líderes Como, Pergocrema (Prima Divisione) e Casale (Seconda), e para boa parte dos times recém-promovidos, que já figuram nas partes altas das tabelas. Os campeonatos seguem amanhã (18).

Nos bastidores, o rigor da Comissão Naciona Disciplinar (CND) já se faz sentir, com sanções administrativas e esportivas para Foligno e Siracusa, na Prima Divisione; e Savona, Alessandria, Pro Patria, Fano e Melfi, na Seconda: 13 clubes punidos e 33 pontos descontados ao todo, somadas as sentenças do recente escândalo Last Bet.

Tendência invertida: mirando a permanência, Como vence duas e lidera o Grupo A da Prima Divisione (La Provincia di Como)

Prima Divisione, após duas rodadas
Grupo A
Nada a fazer para os badalados Sorrento e Pro Vercelli: por enquanto, quem dá as cartas é o Como, que venceu seus dois primeiros jogos praticando um futebol de excelente nível (para a categoria). 100% de aproveitamento também para o Taranto, que paga, porém, seu ponto de penalização. Pisa e o estreante Carpi completam os play-offs. Inícios medianos para Avellino, Spal, Ternana e Monza. Na parte de baixo, destaque para o Benevento, que já "quitou" os seis pontos descontados na pré-temporada.

Promoção direta: Como (6 pontos)
Play-offs: Taranto (5), Sorrento (4), Pisa (4) e Carpi (3)
Play-outs: Pro Vercelli (1), Benevento (0), Lumezzane (0) e Reggiana (-1)
Rebaixamento direto: Foligno (-1)
Penalizações: Taranto (-1), Viareggio (-1), Foligno (-1), Reggiana (-2) e Benevento (-6)

Grupo B
Os favoritos sucumbiram às surpreendentes Pergocrema, Lanciano, Barletta e à debutante Trapani, únicas equipes do grupo com 100% de aproveitamento. Nos critérios de desempate, melhor para a equipe de Crema, que lidera - e soma pontos importantes para sua permanência. Mesmo com um jogo a menos, a também recém-promovida Carrarese já figura nos play-offs. Inícios ruins para Siracusa, penalizada, e Spezia, Sudtirol, Prato e Bassano Virtus, que ainda não venceram. Entre os rebaixados da Serie B, uma vitória para Triestina, Frosinone e Piacenza, e duas derrotas para o Portosummaga. A Cremonese busca outra vitória para zerar seu "saldo devedor".

Promoção direta: Pergocrema (6 pontos)
Play-offs: Virtus Lanciano (6), Barletta (6), Trapani (6) e Carrarese (3)
Play-outs: Prato (0), Portosummaga (0), Bassano Virtus (0) e Piacenza (-1)
Rebaixamento direto: Cremonese (-3)
Penalizações: Siracusa (-2), Piacenza (-4) e Cremonese (-6)
Carrarese e Cremonese têm um jogo a menos

Com a punição do Alessandria, Casale comanda seu grupo na Seconda Divisione (casalecalcio.it)

Seconda Divisione
Grupo A, após duas rodadas
Punido pela Comissão Disciplinar, o Alessandria deixou a liderança para o scudettato Casale, que mostrou mais acertos que erros. Nos play-offs, os surpreendentes Giacomense e Valenzana têm a companhia do Treviso, bem em sua reestreia profissional. Retornos, por enquanto, regulares para Mantova e Rimini, que têm uma vitória cada. Lecco, Renate e Poggibonsi ainda não disseram a que vieram, assim como o Cuneo, campeão amador da última temporada. Penúltima, a Sambonifacese já dá sintomas de Serie D. Penalizada (como sempre) por irregularidades, a Pro Patria é última.

Promoção direta: Casale (6 pontos)
Play-offs: Alessandria (4), Giacomense (4), Valenzana (4) e Treviso (4)
Play-outs: Renate (1) e Poggibonsi (1)
Rebaixamento direto: Cuneo (1), Sambonifacese (0) e Pro Patria (-2)
Penalizações: Savona (-1), Alessandria (-2) e Pro Patria (-3)

Grupo B, após três rodadas
Vinda da Prima Divisione, a Paganese joga em ritmo de categoria superior e lidera com 100% de aproveitamento. Nos play-offs, os surpreendentes Campobasso e Vigor Lamezia - que, inicia bem pela segunda temporada seguida - têm como companheiros os estreantes Arzanese e Perugia. Catanzaro, Aversa Normanna, Chieti, Ebolitana, Isola Liri e Giulianova partiram confusamente. Milazzo e Melfi, dois dos melhores times da última temporada, decepcionam e ocupam as últimas posições, ao lado da matrícula Aprilia.

Promoção direta: Paganese (9 pontos)
Play-offs: Campobasso (7), Arzanese (7), Vigor Lamezia (7) e Perugia (6)
Play-outs: Celano (1) e Vibonese (1)
Rebaixamento direto: Aprilia (0), Milazzo (0) e Melfi (-1)
Penalizações: Fano (-2) e Melfi (-2)

Coppa Italia Lega Pro
Em meio a um anonimato generalizado - inclusive por parte de suas praças participantes - a Coppa Italia Lega Pro definiu as 21 equipes classificadas em sua fase de grupos: Cuneo, Valenzana, Renate, Pro Vercelli, Cremonese, Lecco, Spal, Treviso, Virtus Entella, Gavorrano, Perugia, Bellaria, San Marino, Ternana, chieti, Aprilia, Fondi, Andria, Paganese, ebolitana e Catanzaro. Na próxima fase, essas sobreviventes vão se unir às 27 participantes (já eliminadas) da TIM Cup, formando 24 chaves de eliminação direta.