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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

10ª rodada: Vitória à francesa


Rocchi completa para fazer seu 100º gol pela Lazio: o time da capital vence, convence e se fixa entre os líderes da Serie A (Getty Images)


Se, no sábado, a Juventus reafirmou que voltou a colocar medo nos times grandes da Itália e está em busca de reocupar seu lugar, Lazio e Udinese não deixam por menos: as duas equipes, que já fizeram ótima temporada em 2010-11, continuam fortes e mostram que a classificação para a Europa, no ano passado, não foi à toa. Vice-líderes, um ponto atrás da própria Juve, as equipes foram o eestaque do domingo. Acompanhe o resumo da rodada.

Cagliari 0-3 Lazio
Se de um lado estava a maior surpresa do início da temporada italiana, do outro estava uma equipe que vem consolidando o trabalho bem feito por seu treinador e soma, agora, cinco vitórias e dois empates nas últimas sete partidas disputadas. O ótimo resultado veio contra um Cagliari que não havia sido derrotado até então no Sant’Elia e só tinha levado um gol nos confrontos em que fora mandante. Com Cissè  dividindo a armação de jogadas com o brasileiro Hernanes, os laziale dominaram toda a partida e não tardaram para chegar ao primeiro gol. O francês fez bela jogada pela esquerda e colocou ótima bola para Lulic abrir o placar. Poucos minutos depois, o atacante desceu novamente com qualidade e cruzou com precisão para Klose ampliar. 

A etapa final foi marcada por alguma pressão dos sardos, principalmente pelos pés de Cossu, melhor rossoblù em campo. Mas as poucas chances foram brecadas na falta de pontaria do Caglari, que ainda viu, aos 43 minutos, Rocchi sair do banco e aproveitar um rebote para marcar seu centésimo gol com a camisa laziale e o terceiro da equipe na partida. Mais uma ótima atuação dos comandados de Eddy Reja, que se consolidam cada vez mais como uma das forças da parte de cima da tabela nesta temporada.

Udinese 1-0 Palermo
Mais uma vez a força do Friuli fez a diferença para a Udinese. A quarta vitória em quatro jogos atuando em casa deu ainda mais respaldo para o time de Guidolin, que mesmo contra algumas previsões, faz uma Serie A irretocável e já se desenha como grande candidato ao título. Com a proposta de futebol rápido e ofensivo que se tornou característico do treinador, a Udinese partiu para o ataque e, apesar de não jogar bem, contou com a sorte e o faro de gol de Di Natale para vencer. Atacando muito, mas sem efetividade, os  bianconeri paravam em suas finalizações ruins e não chegavam ao primeiro gol. Mais do que isso, abriam espaço para que o Palermo conseguisse concretizar seu objetivo: contra-atacar. 

E foi assim que, após alguns sustos da defesa friulana, o time da casa abriu o placar. Di Natale, estragando a linha de impedimento do Palermo, finalizou depois da marca do pênalti para deixar a Udinese na frente. A vitória deixou o time do Friuli na segunda colocação da Serie A, com a mesma pontuação da Lazio, mas melhor nos critérios de desempate. Com apenas um ponto de distância da líder Juventus, a Udinese, cada vez mais, começa a sonhar com voos mais altos nesta temporada.

Parma 2-0 Cesena
Atuando em casa e contra o único time da Serie A que não venceu uma partida sequer, o Parma trazia consigo todo o favoritismo para enfrentar o Cesena. E se não transformou a vantagem teórica em muitos gols, os gialloblù ao menos conseguiram uma boa vitória e deixaram para trás a parte debaixo da tabela. Muito melhor em campo, o Parma começou bem e teve sua maior chance de abrir o placar com Giovinco, aos 35 minutos. O atacante, principal arma ofensiva do time, bateu pênalti que foi defendido por Antonioli e desperdiçou a oportunidade de colocar o Parma em vantagem. Mas não foi a penalidade perdida que desanimou os crociati. Muito superior ao adversário, a equipe da casa não perdeu muito tempo e, ainda na primeira etapa, chegou ao seu primeiro gol. Em jogada muito confusa dentro da área do Cesena, Paletta aproveitou o bate e rebate para marcar pela primeira vez na temporada e deixar seu time na frente. Se quando a igualdade aparecia no placar o Parma já era muito melhor, com a vantagem a desparidade só cresceu. 

Sem sofrer nenhuma ameaça do inoperante ataque bianconero, os gialloblù sequer tiveram tempo para se preocupar com sua defesa, a mais vazada da Serie A, ao lado da do Novara. O segundo gol aconteceu na metade da segunda etapa, com Lucarelli, que apenas completou boa jogada de Zaccardo. Com resultado obtido sem maiores dificuldades, o Parma começa a abrir uma distância segura da zona do rebaixamento, enquanto o Cesena continua nela, em último colocado, sem uma vitória sequer e com elenco razoável. Marco Giampaolo acabou demitido e deve ser substituído por Luigi De Canio, autor de belo trabalho no Lecce.

Bologna 3-1 Atalanta
Duas partidas dentro de uma só. Assim pode ser definido o duelo entre Bologna e Atalanta. Em um dos jogos mais emocionantes da rodada, os bolonheses aproveitaram o mando de campo, não se intimidaram com a pressão do adversário e obtiveram uma boa e importante virada no Renato Dall’Ara. Logo com 7 minutos de jogo os visitantes deram seu cartão de visitas e abriram o placar com gol do argentino Germán Denis. Desorganizado taticamente, os donos da casa demoraram para se organizar em campo e só após os 25 minutos começaram a equilibrar a partida. Aos poucos, porém, foram dominando todas as ações ofensivas e passaram a pressionar o adversário, que sucumbiu apenas nos momentos finais da primeira etapa: de pênalti o artilheiro Di Vaio garantiu a igualdade, marcando seu primeiro gol na temporada, depois de longo jejum.

Na volta dos vestiários, uma partida completamente diferente. Agressivos e apostando na velocidade, os rossoblù partiram para cima e não demoraram para chegar à virada. Um dos melhores em campo, Gastón Ramirez desempatou e colocou fogo no duelo. Os bolognesi, porém, não deixaram de dominar mesmo com a vantagem no placar. E foram recompensados com Loria, que marcou o terceiro e deu números finais à partida. Sem reação, coube à Atalanta se fechar para não levar mais gols e apostar apenas nos contra-ataques – tática falha e que não surtiu resultados.

Fiorentina 1-0 Genoa
Mesmo sem atuar bem e ainda demonstrando algumas falhas recorrentes das últimas partidas, a Fiorentina soube fazer valer seu mando de campo, bateu o Genoa pelo placar mínimo e chegou aos 12 pontos na tabela, fixando-se no bloco intermediário e não deixando os primeiros colocados escaparem muito. Em jogo que começou muito ruim tecnicamente, a Viola aproveitou sua melhor chance para sacramentar o placar e se fechar, contentando-se com os três pontos conquistados de maneira simples. Lazzari, articulador e melhor em campo, cumpriu bem seu papel e, escalado como trequartista, brilhou ao anotar o único gol do jogo, aos 41 minutos da primeira etapa. 

Depois de abrir o placar, porém, os donos da casa recuaram e mantiveram essa postura até o final do duelo. O Genoa, por sua vez, se recolheu à falta de qualidade técnica e, desorganizado em campo, não ofereceu perigo aos toscanos. O triunfo ainda garantiu mais do que a manutenção da Fiorentina no meio da tabela: confirmou um início de reação após um começo de Serie A ruim e manteve intacto o cargo do treinador Sinisa Mihajlovic, que vinha balançando e sendo contestado por torcedores nas últimas rodadas - inclusive ontem, quando venceu e foi ofendido até mesmo por cânticos racistas.

Siena 4-1 Chievo
A equipe do técnico Giuseppe Sannino soube fazer valer seu mando de campo e não deu chances ao Chievo na partida que abriu o domingo de jogos na Serie A. Com marcação muito forte no meio-campo, o Siena jogou na base da pressão e não teve muito trabalho para conseguir a boa vitória. A goleada começou a ser construída já no primeiro tempo, quando Mattia Destro abriu o placar aos 25 minutos. 

Após o gol inaugural, os bianconeri recuaram e seguraram o ímpeto, diminuindo o ritmo da partida. Não demorou, porém, para a pressão retornar com o começo do segundo tempo. E com mais um gol de Destro e outro de D’Agostino, o Siena já tinha confortável vantagem antes mesmo dos 20 minutos da etapa final. Relaxou e ainda viu Moscardelli descontar, em tento que não mudou nada no decorrer do duelo. Para coroar o bom começo de Serie A do time de Sannino, Calaiò ainda fez mais um e deu números finais ao jogo que deixou os toscanos em posição confortável no meio da tabela.

Lecce 1-1 Novara
Em jogo de desesperados, o Lecce perdeu grande chance de somar pontos para começar sua luta contra o rebaixamento e, diante de um adversário direto, não conseguiu vencer, em casa. Como esperado em um duelo entre dois dos últimos colocados, o nível técnico foi baixo e as poucas chances claras de gol e aconteceram ainda na primeira etapa. Mesmo sendo o pior mandante da Serie A, sem nenhuma vitória em casa até aqui, o Lecce começou animando seu torcedor e, principalmente através das bolas paradas, dominou as primeiras ações da partida. Oportunidade clara, porém, apenas aos 32 minutos. E Strasser não desperdiçou: abriu o placar e deu aos torcedores a esperança de que a primeira vitória em casa aconteceria. 

A postura da equipe, porém, passou a ser cada vez mais defensiva, à medida que o goleiro Fontana, quase impenetrável naquela tarde, evitava que o Novara sofresse mais gols, e não tardou para que o desfalcado time novarês conseguisse chegar à igualdade. Ainda no primeiro tempo Rigoni deixou tudo igual ao cobrar pênalti e viu a partida praticamente terminar ali, aos 44 minutos da etapa inicial. Na metade final do jogo, só o que se viu foram jogadas mal trabalhadas e mais sofrimento para os torcedores de duas equipes que já se candidatam muito ao rebaixamento.

Clique aqui e veja todos os gols da rodada.
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Seleção da 10ª rodada
Fontana (Novara); Lichtsteiner (Juventus), Barzagli (Juventus), Nesta (Milan), Lulic (Lazio); Asamoah (Udinese), Aquilani (Milan), Marchisio (Juventus); Ramírez (Bologna); Ibrahimovic (Milan), Destro (Siena). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

10ª rodada: Travessuras, claro

"Uma Juventus de dar medo". Essa é a frase estampada ao lado da foto acima no site dos bianconeri, após vitória contra a Inter (Juventus.com)

Em fim de semana de Halloween, Juventus e Milan bateram às portas de Inter e Roma, respectivamente, e sequer fizeram a tradicional pergunta "Doces ou travessuras?". Venceram seus adversários dentro de suas casas e mostraram que já estão um passo à frente dos concorrentes na briga pelo scudetto. Ao lado da Udinese, que venceu o Palermo neste domingo, os dois se mostram mais entrosados que o resto e têm a segurança necessária para disputar um título. No mesmo dia, por exemplo, o Napoli (com cinco reservas, é verdade) perdeu para o Catania e deixou escapar a chance de encostar nos líderes. Vamos às análises:

Inter 1x2 Juventus
Em um Meazza lotado, a Juventus mostrou personalidade característica dos times de Antonio Conte e venceu mais uma partida difícil nesta Serie A. Milan, Fiorentina e, agora, Inter já foram vítimas da Velha Senhora que nada lembra aquela da temporada passada. Com grupo forte, o time de Turim se mostra cada vez mais forte para disputar o título. E isso passa muito pelos pés de Marchisio e Matri, melhores jogadores e artilheiros da equipe nesta temporada, com quatro gols cada. No clássico de sábado, ambos participaram ativamente dos dois gols juventinos. Marchisio, inclusive, marcou um deles, em boa aparição dentro da área.

Antes disso, Vucinic já havia aberto o placar e Maicon alcançado o empate para a Inter, aproveitando um dos poucos pontos fracos do time bianconero: a fragilidade pelo lado esquerdo. De Ceglie e Grosso não conseguem resolver por ali e é Chiellini quem vem jogando na lateral, sem muito sucesso também. Do lado da Inter, as coisas começam a se resolver também, apesar da derrota. O time fez sua melhor partida no campeonato e viu um bom Pazzini, que incomodou a defesa juventina todo o jogo. Na próxima rodada, os dois times têm desafios difíceis: a Juventus pega o Napoli, fora de casa, para tentar manter a liderança,e a Inter enfrenta o organizado Genoa, também fora.

Roma 2x3 Milan
Do outro lado de Milão, o momento é bem melhor. Com a vitória sobre a Roma, no Olímpico, o Milan chegou ao quarto triunfo consecutivo e já ocupa a quarta colocação na tabela, com 17 pontos. Após a derrota para a Juventus, na 6ª rodada, a equipe de Allegri não perdeu mais e alcançou a boa marca de 14 gols em quatro jogos, média de 3,5 por partida. Ibrahimovic continua sendo a principal peça da equipe e é responsável direto por essa boa campanha recente do clube. Em Roma, o time foi cirúrgico e aproveitou bem as chances que teve: chutou na meta de Stekelenburg quatro vezes e marcou três gols (dois de Ibrahimovic). Do outro lado, a Roma fez seu jogo, manteve a posse de bola, mas não conseguiu ser efetiva. As 23 finalizações a gol do time de Luís Enrique não foram suficientes para dar a vitória ao time da casa. Muito disso por conta do ataque muito novo e ainda inexperiente. Bojan e Borini não têm a tranquilidade necessária para os atacantes e pecam na hora de acertar o alvo. Os gialorossi perderam três dos últimos quatro jogos e na próxima rodada pegam o Novara, para tentar se recuperar.

Catania 2x1 Napoli
No Angelo Massimino, o Catania recebeu outro candidato ao título e se portou como grande. Bem organizada, a equipe de Montella dominou o Napoli e se aproveitou do fato de a equipe de Mazzari ter jogado sem cinco titulares. Em casa, o time ainda não perdeu nenhuma e já parou equipes como a Inter e a Juventus. No sábado, Cavani abriu o placar antes de o cronômetro marcar dois minutos e parecia que o Catania ia perder sua invencibilidade em casa. Contudo, não demorou muito para a equipe da casa impor seu ritmo e empatar o jogo, com Marchese, aos 25 minutos. Bergessio virou a partida logo no início da segunda etapa e deu tranquilidade para o time diminuir o ritmo e controlar o jogo, sem correr muitos perigos. Os três pontos conquistados já colocam o Catania em uma surpreendente quinta colocação, com 14 pontos, evidenciando bom trabalho de Montella. O Napoli tem os mesmos 14 pontos, mas tem pela frente dois desafios difíceis: primeiro contra o Bayern de Munique, pela Liga dos Campeões, e depois contra a Juventus, pela Serie A.

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domingo, 30 de outubro de 2011

O engenheiro do Napoli

Responsável pela contratação de Maradona e presente na fase mais gloriosa do Napoli, Corrado Ferlaino foi o presidente mais marcante na história do clube (Guardian)

Corrado Ferlaino é considerado um ser "folclórico" no futebol italiano, e quase um Deus na cidade de Nápoles. Surpreendeu toda a imprensa italiana quando, em 18 de Janeiro de 1969, se tornou o presidente do Napoli, destituindo, assim, a Família Lauro do topo da gestão do clube. Na época, ele era conhecido somente como um jovem engenheiro de poucas palavras. Hoje, é lembrado como um empreendedor decidido e astuto.

Desde o início de sua gestão, Ferlaino teve uma relação de amor e ódio com a torcida napolitana. Ódio esse que mais tarde seria esquecido pela grande maioria, devido ao seu temperamento forte e decidido, capaz de equilibrar o orçamento do clube. Em sua gestão, vendeu jogadores idolatrados pela torcida (um exemplo foi a venda de Dino Zoff), mas também fez aquisições importantes, como as de Giuseppe Savoldi, que foi comprado por uma quantia elevada para a época, Ruud Krol, o mentor da fabulosa seleção holandesa, e sobretudo, a compra de Diego Armando Maradona, que dispensa comentários, junto ao Barcelona.

O presidente mobilizou toda a cidade, inclusive os políticos, para conseguir a compra do argentino, considerada improvável, também por causa de sua má relação com os dirigentes do clube espanhol. Segundo algumas histórias, o presidente teria blefado, depositando um envelope vazio na federação italiana, onde deveria estar o contrato do jogador. A manobra foi pensada o clube ganhar tempo e conseguir levantar o dinheiro para a compra do argentino. Maradona chegou ao Estádio San Paolo em um helicóptero, aclamado pela torcida, que ainda custava a acreditar na contratação do craque.

Durante sua gestão, que durou até o ano 2000, salvos alguns intervalos, o Napoli viveu seus "Anos de Ouro". Foi com Corrado Ferlaino no comando que o time conquistou quase todos os títulos de sua história, incluindo dois scudetti e uma Copa Uefa, as maiores conquistas dos azzurri. Logo após assumir a presidência, recuperou o equilíbrio orçamentário do clube e, devido a esse feito, recebeu a "Estrela de Mérito Esportivo", dada pelo Comitê Olímpico Italiano.

O engenheiro foi também personagem de assuntos polêmicos, como a proteção que ele dava à Maradona, para este não ser flagrado no exame anti-doping. Anos mais tarde, ele explicou como ajudava o "Pibe de Oro" a burlar o exame: era usada uma espécie de bomba com a urina de outro jogador, que o argentino usava durante os exames, para, desta forma, não ser autuado pelo uso de cocaína. Após o exame, o jogador era liberado para usar a droga, mas devia estar "limpo" um dia antes do próximo exame. Certa vez, Maradona mentiu ao dizer que estava "limpo" e o resultado do exame deu positivo. O fato deixou claro o vício do jogador pelas drogas e culminou na sua saída do clube.

Ferlaino saiu de cena em 1993, quando vendeu todas as suas ações no clube. Pouco depois, voltou a presidência e assumiu o Napoli em crise, abarrotado de dívidas. Viu o time cair para a Serie B em 1997/98, e voltar à elite do futebol italiano dois anos depois. Em seguida, surgiu um novo sócio: Giorgio Corbelli, que comprou 50% das ações do clube. Logo depois, Salvatore Naldi também se tornou sócio. Depois de uma série de polêmicas, recursos e contra-recursos, Corbelli e Naldi compraram as ações de Ferlaino, e assumiram o controle total da sociedade.

A partir daí, o engenheiro deixou o mundo do futebol, excluindo-se uma breve passagem como presidente do Ravenna. Até hoje, no entanto, continua dando suas opiniões sobre o time, fato que o torna ainda mais querido entre os napolitanos. É, sem dúvida, uma das maiores figuras do futebol italiano. Apaixonado por automobilismo, chegou até a competir na categoria e foi também aviador. Atuando nos bastidores, mas nunca muito discreto, Corrado Ferlaino tornou-se parte do folclore do futebol de Nápoles e da Itália.

sábado, 29 de outubro de 2011

Brasileiros no Calcio: Dino Sani

Integrante de uma geração dourada, tanto no Milan quanto  na seleção brasileira, Dino Sani teve boa passagem pela  equipe rossonera (Wikipedia)

Volante classudo e de uma geração gloriosa, o brasileiro Dino Sani deu o ar da graça nos gramados italianos, depois de se consagrar em clubes brasileiros e vencer uma Copa do Mundo com a seleção de 1958, mesmo que como reserva. Contemporâneo e companheiro de craques como Cesare Maldini, Giovanni Trapattoni, Gianni Rivera, Alcides Ghigghia e Amarildo, Dino jogou pelo Milan entre 1961 e 1964 e conquistou um scudetto e uma Liga dos Campeões pela agremiação rossonera. 

Com baixa estatura, Dino tinha como grandes características a marcação e a roubada de bola. Atuava como um verdadeiro cão de guarda da defesa e tinha facilidade para sair jogando. Em tempo de jogadores mais franzinos, Sani aproveitou-se de seu genótipo mais robusto para se sobressair e impor respeito ao adversário. Somada a isso sua agilidade, visão de jogo privilegiada, capacidade de trabalhar em grupo e bom chute, Dino conoquistou, primeiro, os gramados de São Paulo, depois os da Argentina, e, mais tarde, os da Itália. 

Começando sua carreira profissional no Palmeiras no ano de 1950, Sani foi negociado com o XV de Jaú em 1951 e pouco depois com o Comercial, onde despontou para o futebol em alto nível em 1953. As boas atuações renderam-lhe uma vaga no São Paulo Futebol Clube, que procurava um substituto para Bauer, ídolo do time. Pela equipe do Morumbi, Dino conquistou um Campeonato Paulista e permaneceu até 1959. Atuou ao lado de grandes jogadores, como Canhoteiro, De Sordi, Mauro, José Poy e Zizinh.

Reserva na campanha do primeiro título mundial brasileiro em 1958, na Suécia, em função de uma lesão antes do terceiro compromisso de sua seleção na Copa, o volante apenas acompanhou a consagração de nomes como Zito, Zizinho, Pelé, Garrincha, Vavá, Zagallo, Bellini, entre outros. Ainda assim, recebeu boa proposta após a Copa e foi tentar a sorte no Boca Juniors. Na Argentina, permaneceu por dois anos, já caracterizado por sua marcação impecável, posicionamento ímpar e passes precisos. Trabalhou na equipe xeneize ao lado de Antonio Rattín, bandeira boquense dos anos 1950 e 60

Depois da passagem por Buenos Aires sem títulos, mas com bom futebol, Dino partiu para a Itália para defender as cores do Milan. Estreou pelos rossoneri no dia 12 de dezembro de 1961, em grande vitória contra a rival Juventus (5 a 1) e logo caiu nas graças da torcida milanista e do então treinador, Nereo Rocco. O brasileiro foi campeão da Serie A já na sua primeira temporada, em campanha onde os pupilos de Rocco obtiveram 24 vitórias, cinco empates e cinco derrotas.

Caminhada essa que teve vitórias memoráveis sobre os grandes rivais, Inter e Juventus. No primeiro turno, o bom time do Milan venceu o dérbi de Milão por 4 a 2 e bateu a Juventus por 5 a 1. A outra vitória contra o time de Turim, no returno, também foi incontestável: 4 a 2. Com cinco pontos de vantagem sobre os rivais nerazzurri de Helenio Herrera, Giacinto Facchetti e Sandro Mazzola, o Milan não encontrou muitas dificuldades para obter o scudetto, com bom aproveitamento dentro e fora de casa.

A era de sucesso milanista prosseguiu até a época seguinte, quando a equipe de Maranello conquistou seu primeiro título europeu, em 1963. Naquela campanha, o time de Dino deixou pelo caminho o US Luxembourg, o Ipswich, Galatasaray e o Dundee, antes do desafio contra o Benfica do lendário Eusébio. A partida épica em Londres terminou em 2 a 1 para os italianos, com dois gols de José Altafini, o Mazzola. Sani foi titular na decisão e um dos pilares do grupo vencedor.

Em 1964, então, ele voltou ao Brasil, já com condição física longe do ideal, aos 32 anos. Encerrou sua carreira no Corinthians, onde levantou sua última taça: a do Torneio Rio-São Paulo de 1966. Dois anos depois, se aposentou e começou carreira de treinador no próprio Corinthians, substituindo Osvaldo Brandão. Com trabalhos notáveis no Internacional (tricampeão gaúcho em 1971, 72 e 73) e no Peñarol (bicampeonato uruguaio em 1978 e 79) perdurou na profissão até 1991, quando se desligou definitivamente do esporte. Não sem antes revelar nomes como Rivellino, Paulo César Carpegiani e Jorge Mendonça.

Dino Sani
Nascimento: 25 de maio de 1932, em São Paulo, Brasil
Posição: Volante
Pela seleção brasileira: 15 jogos e 1 gol
Clubes como jogador: Palmeiras (1950-51), XV de Jaú (1951), Comercial (1952-53), São Paulo (1954-1959), Boca Juniors (1959-1961), Milan (1961-1964), Corinthians (1964-1966)
Clubes como técnico: Internacional (1971-1973), Goiás (1974), Palmeiras (1975), Coritiba (1976), Peñarol (1977-1980), Flamengo (1981), Fluminense (1982), Internacional (1983-84), Boca Juniors (1984), Seleção do Catar (1989-90), Grêmio (1991)
Títulos como jogador: Campeonato Paulista (1957), Copa do Mundo (1958), Serie A (1961-62), Liga dos Campeões (1962-63), Torneio Rio-São Paulo (1966)
Títulos como treinador: Campeonato Gaúcho (1971, 72, 73), Campeonato Uruguaio (1978, 79)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Balotelli e Mancini: combinação quase perfeita

 O abraço de Balotelli em Mancini: um agradecimento, pelo técnico ter sido o primeiro a acreditar e, até hoje, não ter desistido dele (Getty Images)

Quando Balotelli deixou a Inter no final da temporada 2009-10 por quase 30 milhões de euros foram poucos os que criticaram sua venda. À época, Supermario era um jovem promissor reserva, mas que tinha diversos problemas extracampo. Enquanto jogava pelos nerazzurri, chegou a vestir a camisa do Milan em um programa de televisão  e nunca fez questão de negar sua torcida pelo lado rossonero de Milão. A leitura era de que os interistas estavam se livrando de um problema.

Em Manchester, quem aprovou a contratação de Balotelli foi o treinador Roberto Mancini, homem que lançou o jovem na equipe profissional da Inter, aos 17 anos. Cenário perfeito para a redenção. Porém, na primeira temporada, o italiano não se deu tão bem na Inglaterra. Os problemas extracampo continuaram a segui-lo e, dentro das quatro linhas, Balotelli também não alcançava bons resultados. Um dos momentos mais marcantes de Supermario na temporada foi a expulsão infantil no jogo que eliminou os citzens da Liga Europa, fato que irritou muito até seu protetor, Mancini.

Mas o técnico italiano não desistiu e apostou em seu compatriota de novo para a atual temporada, pois, mesmo que a relação de ambos seja cercada de especulações, nenhum dos dois assumiu ter problemas com o outro. Para variar, contudo, Balotelli quase desperdiçou esta chance também. Na pré-temporada nos Estados Unidos, o camisa 45 protagonizou lance ridículo, que deixou Mancini irado, provocando a sua substituição imediata. Para complicar mais a situação de Supermario, o Manchester City contratou Agüero para o ataque.

O panorama para Balotelli só começou a mudar quando Tévez deixou claro seu desejo de sair dos citzens. A partir daí, o argentino, que terminou 2010-11 como artilheiro da Premier League e do City, deixou de ser titular e, depois, sumiu até do banco de suplentes. Pouco tempo deopis, veio a grande chance para o atacante italiano. Mancini optou pela mudança tática dos sky blues e abandonou o 4-2-3-1 em prol de um 4-4-2, abrindo espaço para a presença de um outro atacante ao lado de Agüero. A alteração do modo de jogar, além de beneficiar o atacante italiano, fez com que o time aumentasse a sua produção.

Acostumado a desperdiçar oportunidades, Supermario finalmente agarrou a chance e vem fazendo ótimo campeonato. Balotelli tem cinco partidas na Premier League e já marcou cinco vezes (tem mais um gol na Carling Cup), só perdendo para Agüero (nove) e Dzeko (oito) na lista de artilheiros dos citzens. Outro ponto positivo é o auto-controle do jogador, que nesses cinco jogos só recebeu um cartão amarelo, número impensável em outros tempos.

A grande vitória da dupla italiana em solo inglês nesta temporada veio no último final de semana, no Old Trafford, contra o Manchester United. O 6 a 1 é maior goleada da história do dérbi, empatada com outra vitória do City, que ocorreu em 13 de janeiro de 1926. Balotelli formou a dupla ofensiva com Agüero, marcou dois gols e provocou a expulsão de Evans, que mudou a história da partida. Mancini, que já foi muito criticado, passeou sobre Sir Alex Ferguson e não deixou seu time aliviar o ritmo em momento algum. 

A grande atuação deu espaço para Balotelli protestar também. Na semana que antecedeu o jogo, “Balo” foi envolvido em mais uma polêmica: teve seu nome ligado a incêndio em sua casa – fato já esclarecido. Após abrir o placar do jogo, então, o polêmico jogador mostrou camisa que usava por baixo do uniforme, perguntando: “Porque sempre eu?”. O atacante acha que é perseguido pela imprensa e quer que sua vida pessoal saia das capas de jornais. Para isso, uma boa solução é repetir grandes atuações como a do fim de semana passada e ajudar seu time no campeonato. Agora, o City está cinco à frente dos rivais, boa vantagem em um campeonato que tem como característica chave o equilíbrio entres os ponteiros.

Mas nem tudo são flores para a dupla italiana...
Na Liga dos Campeões, Mancini não consegue fazer o City render o mesmo e o clube encontra-se em situação delicada. Os citzens já perderam pontos em casa para o Napoli, que hoje é o rival direto pela segunda colocação do grupo A da competição e vêem sua classificação ameaçada. Em três jogos, o time conquistou apenas quatro pontos e ocupa a terceira colocação do grupo A, um ponto atrás do Napoli e três atrás do líder Bayern de Munique.

Para Balotelli, a LC 2011-12 ainda é apenas um sonho, uma vez que ainda não entrou em campo na competição. Mas sua hora está chegando. O treinador já mostrou ter muita confiança em seu compatriota: “Ele é o Mario. Ele é louco, mas eu o amo porque ele é uma boa pessoa”. Balotelli poderá aparecer na competição nas rodadas decisivas e, julgando pela forma recente do número 45 sky blue, o treinador deverá passar a amar ainda mais o seu louco compatriota.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

9ª rodada: Recuperando a grandeza

Palmas para Matri e para a Juventus: o matador faz gols, cresce na competição e leva a Velha Senhora à liderança da Serie A (Getty Images)
Desde antes o Calciocaos, a Juventus não era líder isolada da Serie A. Hoje, com 16 pontos, a Velha Senhora voltou ao topo da Itália graças ao bom trabalho de Antonio Conte, mas também às grandes prestações de Pirlo, Marchisio e Matri. Contra a Fiorentina, nesta terça, a Juve fez seus 45 melhores minutos na temporada e mostrou, talvez de uma vez por todas, que é candidatíssima ao título. Quem também vem forte é o Napoli, que espantou a má fase ao vencer a Udinese e mostrar vocação para jogos entre protagonistas: foi a terceira vitória no terceiro confronto entre cachorros grandes. Olho também no Milan, que recuperou terreno e vem embalado por um Cassano de pés certeiros: já são sete assistências nesta temporada. Confira o resumo da rodada.

Juventus 2-1 Fiorentina
A Arena Juventus estava cheia para empurrar o time bianconero rumo à vitória - resultado que não era conseguido há duas rodadas - num dos jogos de maior rivalidade na Bota. Antonio Conte espelhou a Juve no 4-3-3 da Fiorentina, que não vencia há quatro partidas. O retorno de VIdal foi essencial para um primeiro tempo quase impecável taticamente. Mais recuado, o chileno ajudou na saída de bola com Pirlo e Marchisio e a Juve pressionava demais na marcação. Bonucci aproveitou a zaga mal posicionada para fazer 1 a 0, e, se os desarranjos da Fiorentina prosseguiram, a Juventus, dona da etapa inicial, não conseguiu matar o jogo. 


No segundo tempo, Gilardino entrou em campo e Jovetic, que passou a atuar fora da área, cresceu e empatou no segundo tempo, após excelente jogada. A Fiorentina crescia, mas Matri acabou com a farra viola ao decretar a vitória com passe de Pepe. Na próxima rodada, Mihajlovic terá de vencer o Genoa para manter seu cargo, já que os Della Valle já cogitam substitui-lo com Rossi ou Delneri. Já a Juventus, líder isolada, viaja para Milão para pegar a Inter, no Derby d'Italia. (Murillo Moret)

Napoli 2-0 Udinese
Em uma das poucas partidas da rodada que não terminou com igualdade no placar, o Napoli mostrou, novamente, força nos jogos grandes: bateu a Udinese, que só havia sofrido um gol no campeonato, brecou o adversário e se manteve a dois pontos da Juventus. Sem poder contar com seu artilheiro e capitão Antonio Di Natale, os friulanos foram ao San Paolo para não perder. Melhor nas articulações, os azzurri não demoraram muito para abrir o placar. Após boa jogada de Cavani, Lavezzi não teve trabalho para estufar as redes de Handanovic, voltando a marcar no San Paolo após quase um ano. Os napolitanos ainda conseguiram ampliar antes do intervalo, tornando o segundo tempo bastante monótono. Quem marcou foi Maggio, que venceu o duelo com Armero não só no gol, mas em todo o jogo. Amortecida pelo empate da Lazio, a queda da Udinese deixou o time do Friuli com 15 pontos e na vice-liderança. (Leonardo Sacco)

Milan 4-1 Parma
Depois da boa apresentação contra o Lecce, no final de semana, o atual campeão conseguiu mais uma boa vitória, contra o Parma, e parece ter entrado de vez na disputa. Com 14 pontos, o Milan fica apenas dois atrás da líder Juventus e começa a assustar. O nome do jogo foi Nocerino, que marcou três gols e fez boa partida. No time titular só porque Allegri decidiu fazer um rodízio nesta rodada, o ex-jogador do Palermo surpreendeu com atuação acima da média e boas inserções ofensivas - estas, uma marca da gestão Allegri, bem aproveitadas com uma das principais qualidades do meio-campista. O outro gol rossonero foi de Ibrahimovic, que está em grande forma. Do lado do Parma, o gol de honra foi, claro, de Giovinco. Neste jogo, o técnico Colomba escalou um time sem centroavante (só com Giovinco e Valdés na frente) e não teve sucesso. Assim, os gialloblù sentem dificuldade para engrenar na competição. (Rodrigo Antonelli)

Lazio 1-1 Catania
Um vacilo que custou a liderança. Assim pode ser definido o empate entre Lazio e Catania, em Roma. Atuando em casa e podendo assumir a liderança da Serie A, os laziale fizeram, mesmo com Hernanes no banco, um bom primeiro tempo. Logo aos 17 minutos abriram o placar com o artilheiro Klose e passaram para sua torcida a impressão de que a primeira colocação poderia ser obtida e com goleada. Mas o Catania cresceu no jogo e obrigou Marchetti a fazer duas ótimas defesas. No segundo tempo, já com Hernanes em campo, a Lazio continuou rateando, assim cono Stankevicius, que falhou feio e permitiu que Bergessio empatasse. Depois, a Lazio até melhorou com a entrada de seu principal articulador, mas não finalizou com qualidade e jogou fora a chance de ser líder. Com os mesmos 15 pontos da Udinese, o time da capital fica a um da Juve e da liderança, que ficou para outra rodada, talvez quando se comporte com um pouco menos de inconstância. (LS)

Atalanta 1-1 Inter
Se passaram apenas oito rodadas e a Inter reclama muito: foram cinco pênaltis contra os nerazzurri - quatro deles bastante duvidosos. Ontem, contra a Atalanta, o bandeira Ghiandai assinalou penalidade após um corpo a corpo entre Chivu e Marilungo, mas a defesa de Castellazzi (que substituiu Júlio César, machucado) na cobrança de Denis deu números mais justos ao placar. As reclamações da Inter, porém, não podem apagar o fato de que Chivu, após duas ótimas partidas como zagueiro, foi o pior em campo em Bérgamo (falhou no gol de empate de Denis), e que Ranieri não mexeu bem no time ao tirar Sneijder, autor do gol, e colocar Pazzini. Dessa forma, a equipe perdeu a armação e ficou limitada a jogadas de Zárate e cruzamentos de Maicon - num deles, Milito perdeu gol incrível. O empate, todavia, só deve ser mal visto em perspectiva à partida de sábado, contra a Juventus. A Atalanta sempre dificulta contra sua rival lombarda jogando em casa e vive boa fase. Não fossem os seis pontos deduzidos pela punição por participação no escândalo de apostas ilegais, os bergamascos seriam vice-líderes, com 15 pontos.

Genoa 2-1 Roma
Jogando em casa, o Genoa voltou a vencer depois de quatro jogos e conseguiu ultrapassar a própria Roma na tabela, alcançando os 12 pontos e a sétima colocação. Com o time organizado em campo, o Genoa conseguiu equilibrar a partida e dividir a posse de bola com a Roma, sobretudo no segundo tempo. Aos 38 minutos de jogo, quando a Roma chegara a ter quase 70% da posse e era melhor em campo, o ataque genovês fez boa troca de passes e Jankovic abriu o placar. Foi a primeira vez na temporada que a Roma levou um gol ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, o time de Luís Enrique se lançou ao ataque e levou perigo ao gol de Frey algumas vezes, mas o goleiro estava em noite inspirada. O gol de empate romanista saiu a sete minutos do fim, com Borini. Nos acréscimos, porém, em desatenção defensiva, principalmente de Stekelenburg, o time da capital sofreu o gol que deu números finais ao jogo: Veloso cruzou, Merkel cabeceou e Kucka desviou para o fundo das redes. Presente para Malesani, que atingiu as 200 vitórias em sua carreira como técnico. (RA)

Chievo 0-1 Bologna
Atuando fora de casa, o Bologna é forte: todos os pontos dos emilianos foram conquistados fora de seus domínios. No Bentegodi, não foi diferente: conseguiu vencer o Chievo e deixou para trás a zona de rebaixamento. Se não fez uma partida brilhante, a equipe de Stefano Pioli, que fez bom trabalho em Verona na última temporada, resistiu a um adversário que criou muito, mas estava com a mira ruim. Após segurar o Chievo por 45 minutos, o Bologna se lançou ao ataque no começo da segunda etapa e foi recompensado com gol do artilheiro Acquafresca. Com a inesperada e importante vantagem no placar, os visitantes se fecharam ainda mais e conviveram por quase 40 minutos com a pressão dos donos da casa, que tiveram na falta de pontaria e de qualidade no passe fator decisivo para a derrota. Fora da zona de degola, o Bologna respira e vai mais aliviado para as próximas partidas. Derrotado, o Chievo não marca um golzinho há quatro partidas... (LS)

Cesena 1-1 Cagliari
Na tentativa de se manter como uma das surpresas desta Serie A, o Cagliari visitou o Cesena e voltou para casa com um empate amargo e injusto. Melhor em campo, o time da Sardenha não apresentou o bom futebol das últimas rodadas, até pela fraca partida de Nainggolan, mas mesmo assim se postou de maneira mais incisiva mesmo atuando longe de seus domínios. Com a proposta de apenas se defender, o Cesena viu o adversário abrir o placar logo aos 20 minutos da primeira etapa, com Nenê, de pênalti. E apesar de continuar melhor após abrir o placar, o rossoblù viu Candreva deixar tudo igual após outra cobrança de penalidade – essa muito mais discutível. Mesmo sem a vitória, o Cagliari se manteve no pelotão de frente e chegou aos 13 pontos na tabela – apenas três a menos do que a líder Juventus. Ótimo trabalho de Ficcadenti, o que deve fazer a família Campedelli, dona do Cesena, se perguntar porque o liberou no fim do campeonato e contratou um decepcionante Giampaolo, que não tem feito o time deixar a lahterna. O suíço foi expulso e não estará no banco na visita a Parma. (LS)

Novara 1-1 Siena
A partida entre dois dos caulas desta Serie A acabou com um placar injusto: o Siena impôs seu jogo e dominou quase toda a partida, até que o gol de Gemiti, nos minutos finais, deu sobrevida a um Novara que mostra suas claras limitações e vai iniciando uma queda de produção. Depois de abrir o placar logo no início, com um gol de Calaiò, que enfim vai fazendo gols na Serie A, em sua quarta temporada na elite do futebol italiano, os toscanos apenas administraram o jogo, com a experiência de quem passou seis temporadas na primeira divisão. O empate não foi de todo mal para o Siena, que está no meio da tabela com 10 pontos. Já o Novara abre a zona de rebaixamento, com 6. Attilio Tesser pensa em alternativas, mas não tem muitas opções para mudar a situação do time. Vai ter que se contentar com a garra demonstrada nessa quarta.


Palermo 2-0 Lecce
Nem parecia o Palermo que fora derrotado por Milan. Nem parecia também o Lecce do primeiro tempo impecável contra a equipe de Milão. No Renzo Barbera, o time rosanero fez uma de suas melhores apresentações na Serie A. O primeiro gol saiu com Pinilla, de pênalti, depois que Tomovic derrubou Abel Hernández na área. O uruguaio, melhor em campo, também marcou o segundo na etapa final. O resultado foi pouco para o que o Palermo criou. Com Cetto recuperado de lesão, Migliaccio voltou ao meio-campo e atuou ao lado de Acquah e Barreto no setor - o paraguaio, aliás, voltou a jogar bem após uma série de partidas irregulares -, que tinha Ilicic na armação. Na função, o esloveno foi bem, assim como seu compatriota, Bacinovic, que não vinha sendo aproveitado por Mangia. Ele estreou na temporada hoje e foi responsável tanto por segurar o Lecce no momento em que a equipe do Salento era mais perigosa e quase chegava ao empate quanto para iniciar a jogada do segundo gol. Na próxima rodada, o Palermo tem confronto difícil no Friuli contra a Udinese, enquanto o Lecce pega o Novara, em casa. (MM)

Seleção da 9ª rodada
Castellazzi (Inter); Maggio (Napoli), Barzagli (Juventus), Campagnaro (Napoli), Balzaretti (Palermo); Nocerino (Milan), Marchisio (Juventus); Lavezzi (Napoli), Cassano (Milan), Hernández (Palermo); Matri (Juventus). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Agora vai, Torino?

 Rolando Bianchi tem cinco gols e é um dos responsáveis pela boa campanha do Torino, que começa a ver a Serie A mais de perto (Torino.it)

Após 11 rodadas da Serie B, o equilíbrio na busca pelo acesso começa a aparecer. No topo da tabela, assim como na última temporada, um time já se destaca e vai deixando o resto para trás: o Torino, com 26 pontos. Se mantiver o ritmo, a equipe de Turim dificilmente será alcançada pelos rivais. Logo atrás, porém, a briga é forte e entre o segundo e o oitavo colocado a diferença é de apenas seis pontos. Na luta contra o rebaixamento, o  Ascoli (22º, 2 pontos) segura a lanterna sem perspectivas de soltá-la, mas, a partir do Vicenza (21º, 7),  a disputa é parelha.

Os granatas, atuais líderes da competição, vêm de uma temporada em que passaram muito perto da classificação para os play-offs de acesso e este ano não querem deixar a vaga escapar. O experiente treinador Giampiero Ventura, que foi contratado esta temporada com o objetivo de levar o time de volta à Serie A, é cauteloso e não quer deixar que a boa campanha iluda seus jogadores: “a Serie B se vence ganhando de times pequenos, não apenas superando a Sampdoria”. O aprendizado, contudo, só vem na prática. Nesta segunda-feira, o Torino perdeu para o Gubbio (19º, 10) e viu sua distância para o Padova, segundo colocado, diminuir de seis para três pontos, evidenciando a importância das vitórias contra os pequenos.

Ventura arma o Torino em um 4-4-2, com os meias-externos tendo bastante liberdade para atacar e encostar na dupla composta por Bianchi e Ebagua. O camisa nove e capitão do Toro lidera a equipe e já tem cinco gols marcados na competição. A consistência defensiva do time também chama a atenção. Os granatas só tiveram a sua meta vazada seis vezes no campeonato. Além da boa linha defensiva, que conta com Ogbonna, zagueiro constantemente chamado por Prandelli para a seleção italiana, o segredo do Torino é ficar muito com a bola nos pés, tendo a maior posse de bola da Serie B.

O Padova (2º, 23), ex-líder, e o Pescara (3º, 22) são os melhores perseguidores do Torino. Os biancoscudati, que entraram na competição entre os favoritos, mostram um time bem equilibrado e têm em seus atacantes, Cacia e Ruopolo, a certeza de gols – cada um já marcou quatro vezes nesta segundona. De forma muito diferente, o Pescara surpreende com futebol vistoso e que diverte. O time de Zdenek Zeman marca e sofre muitos gols: tem o melhor ataque da competição e a defesa está entre as seis piores. Recentemente, analisamos com mais detalhes a campanha dos biancazzurri.

Ainda na zona de play-off estão Sassuolo (4º, 21), um time que faz poucos gols, mas tem a segunda melhor defesa da Serie B; Reggina (5º, 20), que tem Missiroli (seis gols), Ceravolo e Ragusa (cinco) liderando o segundo melhor ataque da disputa; e a Sampdoria (6º, 18), que ainda não embalou e, por enquanto, é tida como decepção. O time genovês foi o que mais gastou e é o que tem a maior folha salarial da segunda divisão italiana, afinal, e não consegue  vencer. Nas últimas cinco partidas, venceu só uma vez. A esperança blucerchiata está em Bertani (seis gols) e Pozzi (cinco), que, juntos, já marcaram mais da metade dos gols do time. Mais atrás, Grosseto (7º, 17), Bari (8º, 17), Brescia (9º, 16), Livorno (10º, 15) e Varese (11º, 15) vigiam os passos da Samp. A briga pelo acesso está longe de ser definida, mas, como no ano passado, já se desenha para ser bastante complicada até as últimas rodadas.

A luta contra o rebaixamento deve seguir a mesma tendência. Se não bastassem as dificuldades dentro de campo, o Ascoli (22º, 2) perdeu nove pontos por problemas e erros administrativos de seus mandatários e continuam na lanterna. O Vicenza (21º, 7) só não está pior porque o atacante Abbruscato está em boa forta: é dono de cinco gols na Serie B – a metade da produção do ataque de sua equipe. O Empoli (20º, 8) também não vai bem e é o último da zona de rebaixamento, mesmo com Tavano em alta, sendo um dos vice-artilheiros da competição, com sete gols.

À frente, quem vê a zona de descenso de perto são Gubbio (19º, 10) e AlbinoLeffe (18º, 10), do também vice-artilheiro Cocco. Com a mesma pontuação e já fora da área de play-out estão Modena (17º, 10), que viverá seu centenário em 2012 e sonhava em brigar pela promoção à Serie A; Juve Stabia (16º, 10), que dá sinais de recuperação, pois conquistou quatro de suas cinco vitórias nos últimos cinco jogos; e Nocerina (15º, 10), time que não sabe o que é vencer há quatro jogos. Em todos os setores da tabela, portanto, o equilíbrio do campeonato fica claro.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Agnelli, o insensível

Mãos dadas só para a foto. Presidente da Juventus anunciou a saída de Del Piero no fim da temporada e surpreendeu torcida e imprensa (Juventus.it)

Logo mais, às 16h45 de Brasília, Juventus e Fiorentina entram em campo para abrir a 9ª rodada da Serie A e tentar voltar a vencer no campeonato - a Juve não ganha há duas rodadas e o jejum da Fiorentina já é de quatro jogos. O duelo já rendeu jogos históricos e gols antológicos, como o de Del Piero em 1994, que ficou marcado como um dos mais bonitos de sua carreira (vídeo abaixo). Lembro especificamente deste lance, porque o capitão juventino foi protagonista de uma polêmica na semana passada e este post será exatamente sobre ela.


Na última terça-feira, durante uma assembleia de acionistas da Juventus, o presidente Andrea Agnelli anunciou que "o único elo entre as diversas casas da Juve é Del Piero, que quis permanecer conosco por mais um ano para aquele que será o seu último em bianconero. A ele dedicamos um grande aplauso". Assim, Agnelli comunicou, de forma "sutil", a saída do maior ídolo da história do clube, ao lado de Michel Platini e Giampiero Boniperti. Del Piero é o jogador que mais gols marcou com a camisa da Juventus (285). Del Piero ajudou o time a ser um dos maiores do mundo na década de 1990, ao levantar taças da Itália, da Europa e do mundo. Del Piero foi aplaudido de pé por torcidas de todo o continente. Entre elas, as de Real Madrid e Manchester United. Enfim, Del Piero merecia mais respeito.

Não importa se a decisão foi tomada pelo próprio capitão, por Agnelli ou em conjunto. O anúncio deveria ter sido feito pelo próprio jogador, de outra maneira. A atitude do presidente não caiu bem nem entre os torcedores da Velha Senhora nem entre os jornalistas. Em seus editoriais, alguns jornais italianos criticaram a postura de Agnelli e cobraram maior respeito ao ídolo. Del Piero defende as cores do clube de Turim há 18 anos, venceu 17 competições e sempre foi um capitão exemplar. Nas últimas três temporadas, esteve mais no banco de reservas do que em campo e nem por isso procurou encrenca.

Claramente política, uma vez que parte da diretoria pressiona pela saída de Del Piero há pelo menos duas temporadas, a decisão e, principalmente, o modo como ela foi anunciada, foi precipitada. Agora, o temor que a torcida tem de ver seu grande ídolo usando a camisa de um rival pode se tornar realidade. Rumores já colocam que o Milan estaria interessado em levar o atacante. 

O destino mais provável, claro, não é esse, e sim que ele vá jogar em um centro menor, para ganhar dinheiro e divertir países que não têm muita tradição no futebol - ou que o Padova, de sua cidade natal, o contrate para disputar a Serie A, caso suba. Mas tudo isso poderia ter sido evitado com uma simples proposta da Juventus, como aconteceu com Gianluca Pessotto e Pavel Nedved, por exemplo, que foram trabalhar nos bastidores do clube. O jeito vai ser a torcida juventina aproveitar ao máximo a última temporada de Del Piero em Turim e torcer para que ele entre em campo mais vezes.

Os números de Del Piero na Juventus
682 - Número de partidas que ele jogou desde que chegou ao clube, em 1993.
285 - Total de gols festejados pelo atacante, maior artilheiro da história da Juventus.
19 - Número de temporadas que ele jogou pela Juve, um recorde.
17 - É o número de títulos que ele acumulou neste 18 anos, incluindo 5 scudetti, 1 Liga dos Campeões e 1 Mundial de Clubes.
10 - Temporadas em que ele foi o capitão do time. Outro recorde.

8ª rodada: Das mortes e ressurreições

Ninguém segura o homem! Boateng entrou em campo após o intervalo e virou o jogo para o Milan, que encosta no pelotão de cima da tabela (Reuters)
Vida e ironia são duas palavras inseparáveis. O domingo de futebol na Itália começava com uma péssima notícia para o esporte local: em Sepang, na Malásia, o jovem motociclista Marco Simoncelli, uma das grandes promessas da Moto GP havia morrido em um grave acidente, depois que caiu e foi atropelado por Colin Edwards e Valentino Rossi, seu grande amigo. Todos os jogos da rodada tiveram um minuto de silêncio e o Sic, milanista de coração, foi homenageado em todos os estádios da Itália. Seu Milan parecia que não honraria sua morte e ia sendo goleado pelo Lecce, até que Boateng mudou a história do jogo no segundo tempo e fez o Milan ressurgir. A Inter de Valentino Rossi também se recuperou, assim como a Roma. Udinese e Atalanta continuam fazendo campanhas excepcionais. Sem mais delongas, acompanhe o resumo da rodada, antes que a 9ª jornada comece, nesta terça, com Juventus-Fiorentina. (Nelson Oliveira)

Lecce 3-4 Milan
Como podem dois times trocarem de alma após um simples intervalo? Tudo bem, na primeira etapa o Lecce não foi bem um rolo compressor, mas soube se aproveitar bem da péssima partida rossonera. No meio-campo, Ambrosini deu tanto espaço quanto Giacomazzi precisava para ser o nome do Lecce na primeira etapa, participando de dois gols. Allegri tirou o capitão Ambrosini e Robinho na segunda etapa, fazendo entrar Boateng e Aquilani, o que mudou o jogo. O ganês foi o grande nome da partida, marcando três gols - dois com tiros fortes de fora da área, quando o meio-campo salentino o deixou livre para jogar em sua posição. Quem também cresceu foi Cassano, irreconhecível na primeira etapa, mas ativo na segunda, participando de um dos gols de Boateng e do de Yepes, que definiu a partida. O Milan, agora, tem 11 pontos, quatro menos que a líder Udinese, mas com uma virada espetacular dessas, a primeira vez que o Diavolo virou um 3-0 em sua história, ganha moral para as próximas rodadas. (NO)

Inter 1-0 Chievo
A Inter conseguiu uma proeza - e não foi vencer o Chievo, que fez partida sólida. Pela primeira vez em todo o ano solar de 2011, a equipe conseguiu passar duas partidas consecutivas sem sofrer um gol e saiu da zona de rebaixamento, ao chegar a 7 pontos. Méritos para Claudio Ranieri, que pouco a pouco vai acertando o time defensivamente, curiosamente sem Ranocchia e Samuel, mas com Chivu no centro da defesa, ao lado de Lúcio. Jogando como zagueiro, o romeno recupera sua melhor fase, vivida no Ajax, na Roma e na própria Inter, quando fez dupla com Samuel antes da chegada do ex-capitão da seleção brasileira. Contra o Chievo, ele foi um dos melhores em campo, ao lado de um incisivo Maicon e de Sneijder, que deu organização e segurança ao time. Sneijder, assim como Thiago Motta - autor do gol interista, depois de cobrança de escanteio do holandês - eram desfalques importantes e agora que Ranocchia, Samuel e Poli estão prontos para voltar, a tendência é que o time cresça de produção. E precisará, já que enfrenta a Juventus no sábado. (NO)
Cagliari 0-0 Napoli 
O jogo zerado da rodada aconteceu no Sant'Elia. Aberto, ele foi: o Cagliari fez uma exibição melhor do que a do modorrento empate sem gols com o Siena, na rodada passada, e o Napoli também jogou para frente, mesmo poupando Inler, Maggio e Hamsík. Na equipe dona da casa, se Thiago Ribeiro jogou aquém do esperado, Nenê infernizou os três defensores napolitanos - Campagnaro, Fernández e Aronica -, mas De Sanctis fez o seu trabalho com louvor. A irritação de Lavezzi, que jogou as caneleiras contra à parede quando foi substituído por Hamsík, mostra bastante a frustração do Napoli, que não tem conseguido decolar na Serie A e permanece na 5ª colocação, com 11 pontos. O Cagliari, com um surpreendente trabalho de Ficcadenti, está uma posição acima.

Roma 1-0 Palermo
23. É o número de jogadores utilizados por Luis Enrique desde que chegou a Roma. E, neste domingo, foi um estreante que definiu a partida. Um erro de Migliaccio, mais uma vez improvisado na defesa, deixou Lamela em posição para marcar o gol do jogo, com um chute, de esquerda, que não deu chance para Tzorvas. A superioridade do mandante foi visto apenas aí. Tzorvas foi pouquíssimo exigido; Stekelenburg, não. Zahavi e Hernández infernizaram Juan, que voltava de lesão, e também Burdisso, e o holandês salvou a Roma. Sem competições internacionais na temporada, Mangia parece que ainda não decidiu qual o time perfeito do Palermo. No meio-campo, ora joga Acquah, ora Bertolo ou Ilicic, mais recuado. A força de vontade do técnico parece emperrar um sistema que o presidente Mauricio Zamparini não aprecia e já contesta.

Udinese 3-0 Novara 
Com dois gols e uma assistência de Di Natale, a Udinese não teve problemas para passar pelo Novara, mostrar sua força e assumir a liderança do campeonato. Isso tudo em menos de 50 minutos de jogo, uma vez que ídolo bianconero marcou o terceiro gol da partida ainda aos quatro minutos da etapa final e deu a tranquilidade necessária para sua equipe poder diminuir o ritmo e esperar o tempo passar. Sempre no 3-5-1-1, o time de Guidolin é muito equilibrado e não à toa tem o melhor saldo de gols da competição: até aqui, balançou as redes adversárias dez vezes e sofreu apenas um gol. Contra o Novara, não foi diferente. O trio Benatia-Danilo-Domizzi cercou muito bem a área de Handanovic e coube aos rápidos Armero e Asamoah lançar o time ao ataque. Com o preciso (e agora artilheiro) Di Natale no ataque, o trabalho fica completo. A Udinese é merecidamente líder e o Novara vê a zona de rebaixamento ficar cada vez mais perto. (Rodrigo Antonelli)

Bologna 0-2 Lazio
Quem também aproveitou o tropeço da Juventus foi a Lazio, que foi a Bolonha e voltou para a capital com três pontos e a vice-liderança na mala. Desfalcado de Mauri, Brocchi e González, Reja escalou o bósnio Lulic na meia esquerda e não se arrependeu. Lateral de origem, Lulic fez ótima partida, contribuiu nas investidas ofensivas da Lazio e ainda deixou o seu, após rebote do goleiro. O outro gol foi contra, de Acquafresca, que desviou a bola após cobrança de escanteio de Hernanes. O brasileiro, inclusive, saiu de campo machucado e não deve jogar contra o Catania, nesta quarta-feira. Mesma situação de Matuzalém. Para o Bologna, a partida serviu como lição para Pioli, que venceu na estreia, mas que tem que abrir os olhos e trabalhar duro, pois o time que tem em mãos não tem muito a oferecer. A primeira missão é tentar vencer em casa depois de oito meses. Para isso, Di Vaio precisará terminar seu jejum.
(RA)

Parma 1-2 Atalanta
Jogando fora, a Atalanta deu continuidade a sua grande campanha e venceu o Parma. Se não fossem os seis pontos descontados por conta da punição, o time de Colantuono já teria 14 pontos no campeonato e ocuparia a segunda colocação na tabela, ao lado da Lazio. O argentino Maxi Moralez foi o nome do jogo, marcando os dois gols da equipe bergamasca. No primeiro, iniciou e completou um contra-ataque veloz dos visitantes e no segundo finalizou boa troca de passes do ataque nerazzurro. O Parma ainda descontou com o ex-jogador da Atalanta, Valdés, mas nada adiantou. Assim, os gialloblù, que vinham de duas boas vitórias contra Genoa e Napoli, dão uma freada e têm missão difícil na próxima rodada, contra o Milan, no San Siro. (RA)


Siena 2-0 Cesena
Na briga entre os candidatos ao rebaixamento, o Siena se deu bem: fez a lição de casa no Artemio Franchi e bateu o Cesena por 2 a 0. Os mandantes marcaram um gol em cada etapa: saíram na frente com um gol de Pablo González, aos 10 minutos, e Calaiò marcou o segundo logo após o intervalo. Aliás, o atacante italiano marcou três dos últimos quatro gols bianconeri. Apesar da colocação (13º), Giuseppe Sannino formou um sólido sistema defensivo: Brkic foi vazado quatro vezes nesta Serie A - somente a Udinese sofreu menos gols. Do lado dos cesenáticos, Giampaolo pode culpar os desfalques. Ele não pode escalar Colucci, Comotto, Martínez, Martinho e Mutu - este último, suspenso. O ponto forte foi a atuação de Antonio Candreva, que apesar do erro no gol de Calaiò, foi o único jogador com lampejos no sonolento Cesena.

Seleção da 8ª rodada
Marchetti (Lazio); Maicon (Inter), Danilo (Udinese), Chivu (Inter), Lulic (Lazio); Schelotto (Atalanta), Boateng (Milan), Merkel (Genoa); Moralez (Atalanta), Jovetic (Fiorentina); Di Natale (Udinese). Técnico: Alberto Malesani (Genoa).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

8ª rodada: Perdendo pontos

Matri foi bem, mas a Juventus não. Seus dois gols não foram suficientes para dar a vitória ao time de Turim (LaPresse)
Mais uma vez a Juventus deixou de ganhar pontos importantes na sua briga pelo título italiano. Em sete jogos, o time de Turim já empatou quatro vezes e é o líder do campeonato neste quesito. A equipe de Conte já não tinha conseguido vencer o Bologna, em casa, e Chievo e Catania, fora, e já não é mais o primeiro da competição. Neste sábado, como o próprio técnico da equipe avaliou, "foram mais dois pontos perdidos", contra o Genoa. Para quem quer vencer o scudetto, esse não é o aproveitamento desejado. Pelo mesmo caminho, segue a Fiorenina, que também não vem aproveitando suas chances e acaba perdendo pontos importántes.

Juventus 2x2 Genoa
Sob os olhares de sua torcida, a Juventus enfrentou o Genoa e, mais uma vez, não conseguiu vencer por conta de suas próprias falhas. A Velha Senhora esteve à frente no placar duas vezes, mas nos momentos decisivos não conseguiu segurar o resultado. Jogando no 4-4-2, o time se mostra frágil no meio de campo, por causa dos alas que jogam muito avançados, e não defende com segurança. A ausência de Vidal pesa muito e a equipe já deve voltar ao 4-1-4-1 ou 4-3-3 nesta terça, contra a Fiorentina. O destaque positivo foi o bom retorno de Matri ao time titular. O atacante foi o melhor juventino em campo e, além de marcar os dois gols bianconeri, mostrou disposição, voltou para buscar jogo e levou perigo ao gol de Frey em algumas oportunidades.

Do lado do Genoa, o ex-milanista Merkel fez boa partida e deu velocidade para o time contra-atacar. Foi dos pés dele que saiu o primeiro gol dos rossoblù, ainda no primeiro tempo: o cazaque naturalizado alemão partiu pela esquerda e cruzou para Rossi aproveitar falha de Chiellini e marcar. Na segunda etapa, o time de Malesani continuou organizado em campo e não se deixou desestabilizar quando levou o segundo gol. Aos 40 minutos da etapa final, então, Caracciolo empatou de novo e deu números finais à partida. Na próxima rodada, que já começa nesta terça-feira, o Genoa recebe a Roma, em casa, enquanto a Juve enfrenta a Fiorentina, em Turim.

Fiorentina 2x2 Catania
Em Florença, o jogo foi muito parecido com o de Turim: o time da casa começou vencendo, levou o gol de empate, conseguiu ficar à frente no placar de novo e, no final, sofreu o gol que deu números finais à partida. Já são quatro rodadas sem vitória da Fiorentina e o técnico Mihajlovic balança no cargo. Parte da torcida chegou a gritar o nome de Delio Rossi, enquanto o treinador sérvio esbravejava à beira do campo e era expulso pelo árbitro. Antes disso, Jovetic - fundamental ao time, envolvido em seis dos oito gols viola; com quatro marcados - tinha alegrado os presentes com dois belos gols e arrancadas que lembravam as do auge de Mutu. A outra notícia boa foi a volta de Gilardino aos gramados, no final do jogo. Mas não passou disso. O time viola não jogou bem e Montolivo continua rendendo abaixo da média enquanto atua à frente dos zagueiros. Mihajlovic parece não assistir aos jogos da seleção italiana, que tem o jogador em grande forma como trequartista ou mesmo jogando nas alas.

Para o Catania, por outro lado, o ponto é de grande valia e mantém a série invicta do time, que não perde há quatro rodadas. O trabalho de Montella é bom e o treinador mostrou que conhece a equipe. Na segunda etapa, trocou Catellani por Bergessio e mudou o ritmo da partida, colocando o Catania para cima e proporcionando uma boa partida para quem assistia. Assim, alcançou o empate aos 38 minutos do segundo tempo, com Maxi López, sempre decisivo. O próximo desafio é contra a Lazio, em Roma, e será um bom teste para o time, que já acumula dez pontos no campeonato.

Para resultados, escalações e estatísticas da 8ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 7ª rodada, clique aqui.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fazendo bonito na Europa

Guidolin arriscou, colocando o time na defesa e partindo em contra-ataques, mas estratégia deu certo. Udinese está na ponta do complicado grupo I (Getty Images)
 Se na temporada 2010-11 a Itália foi a grande decepção das competições europeias, neste ano as coisas parecem caminhar para um desfecho um pouco mais animador. Se a Serie A está cada vez mais desvalorizada no mercado externo e os times grandes têm sofrido para vencer dentro dela em 2011-12, na Europa a situação italiana vai muito bem. Depois das vitórias de Internazionale e Milan e o bom empate do Napoli na Liga dos Campeões, a Udinese entrou em campo no Friuli e fez bonito diante da sua torcida, batendo o forte time do Atlético de Madri por 2 a 0.

Apoiado por sua torcida, o time friulano só partiu com tudo para o ataque diante da melhor equipe de sua chave no início do jogo. Abusando das jogadas de Armero, a Udinese concentrou seu jogo pelas laterais e viu Floro Flores - que substituiu o poupado Di Natale, com algumas dores musculares - perder dois gols incríveis antes mesmo de o relógio chegar aos 20 minutos. Todo o folêgo inicial, porém, foi se dissipando com a melhor dos espanhois, que com postura mais organizada passaram a barrar os ataques bianconeri e truncaram a partida no meio-campo, fazendo com que a primeira etapa terminasse sem gols.

A entrada de Reyes no Atlético melhorou a movimentação espanhola e fez com que os visitantes passasem a criar mais chances de gol. Mais confortável, o time alvirrubro partiu para cima e passou a deixar espaços em sua defesa. Apesar da facilidade para armar contra-ataques, a Udinese só apostava em Armero, enquanto Isla via o jogo do banco, e mal chegava ao gol adversário. O caminho natural para o jogo seria um empate sem gols, mas já beirando os 45 minutos da etapa final, Benatia aproveitou desvio de Fabbrini após cobrança de falta e abriu o placar, fazendo explodir o Friuli.

A perda do ótimo ponto que seria conquistado fora de casa fez os madrilenhos se desesperarem. Desorganizado, o Atlético partiu para o ataque na base do desespero e abriu ainda mais brechas para os friulanos. E em contra-ataque puxado por Badu aos 48 minutos, Floro Flores finalmente fez o dele. Questionado pelos torcedores durante toda a partida, o atacante aproveitou o contra-golpe e não teve dificuldades para selar o triunfo e colocar a Udinese na ponta do Grupo I, com sete pontos. 

Mais uma vez, os méritos de Guidolin, que mesmo correndo o risco de poupar jogadores em todos os três jogos da fase de grupos, mantém o elenco coeso e competitivo. Líder da Serie A e líder do grupo mais complicado na Liga Europa, a Udinese ainda é o melhor time italiano em atividade.

Quem faz feio
Em um grupo acessível, a Lazio se vê em grandes dificuldades de prosseguir na competição. A equipe de Roma tem desprezado fortemente a Liga Europa e, até agora, jogando sempre com time misto (ou quase inteiramente reserva), perdeu para o Sporting e conseguiu apenas dois empates, contra os frágeis Vaslui e, nesta rodada, contra o Zürich, por 1 a 1. Enquanto isso, os portugueses do Sporting venceram todos os seus jogos, somam 9 pontos, e já estão classificados, a Lazio tem apenas dois pontos, ao lado dos outros rivais do grupo.

Na Suíça, a Lazio se ressentiu novamente da ausência de Klose, que sentia algumas dores e foi deixado de fora, assim como Brocchi. Mauri, com problemas físicos desde o início da temporada, também não jogou. Com tantas baixas importantes, a Lazio até saiu na frente, com Sculli, mas levou o empate no minuto seguinte, quando Nikci marcou. Sem Klose, a equipe parece outra e nem mesmo Cissé e Hernanes conseguem resolver. No meio-campo, uma péssima partida de Cana fez com que os suíços equilibrassem o jogo contra uma equipe tecnicamente superior. 

Depois de tantos tropeços, a Lazio ainda tem o segundo turno e duas partidas em casa, além de uma visita a Romênia, para enfrentar o Vaslui, e tem chance de seguir em frente. Resta saber se o time tem interesse de continuar na Europa. Se sim, é hora de acordar.


Zemanlândia está de volta

Quer ver muitos gols e se divertir com futebol? Assista a um jogo do Pescara (Sport24ore)  
Com 23 gols marcados e 17 sofridos em dez jogos, o Pescara de Zdenek Zeman é o time que proporciona os melhores jogos da Serie B, ou até do país, atualmente. O estilo ofensivo do treinador redimensionou os objetivos do clube, que montou uma equipe para passar a competição sem muitas emoções e alcançar uma posição mediana na tabela, mas que agora ocupa a quarta colocação e tem chances reais, pelo menos por enquanto, de acesso à Serie A. "Campanha sem emoções", como imaginado pelos diretores do time no início da temporada, é uma frase que não combina com os ideiais do tcheco Zeman, porém.

Adepto do 4-3-3 com três atacantes bem avançados (e não dos falsos 4-3-3, como o 4-3-1-2 ou o 4-5-1), o técnico é conhecido por montar times que oscilam demais e não se preocupam muito com a defesa. Ou seja, tanto podem aplicar belas goleadas, quanto tomar "chocolates", para usar um jargão futebolístico. Esses altos e baixos foram usados para comparar as equipes de Zeman a passeios de montanha russa e cunhar o termo Zemanlândia, ainda no início da década de 1990, quando o jogo do Foggia hora divertia e hora nauseava seus torcedores, como um parque de diversões.

Quase duas décadas depois daqueles anos históricos do clube, que subiu da terceira para a primeira divisão em apenas três temporadas e conquistou fama internacional, a Zemalândia parece estar reaparecendo agora, em Pescara. Em dez jogos pela Serie B, os biancoazzurri de Pescara somam 19 pontos, apenas um a menos que o segundo colocado Padova: até aqui, foram seis vitórias, um empate e três derrotas. Além disso, o time tem o melhor ataque da competição (23 gols marcados) e a quarta pior defesa (17 sofridos). Em nenhum jogo, a equipe deixou de marcar pelo menos um gol.

Para isso, a preparação física é ponto fundamental dos times de Zeman. Escaladas para atacar do início ao fim do jogo, as equipes têm que estar em grande forma física sempre, preparadas para ir à frente em bloco e voltar rapidamente para marcar. E, nesse quesito, o Pescara tem se saído muito bem. Com média de idade bem baixa (23,3 anos), a equipe não deve ter muitas dificuldades para chegar ao fim da competição ainda com fôlego. Os três principais jogadores do time têm menos de 22 anos: Marco Verratti, Ciro Immobile e Lorenzo Insigne.

Verrati, 18 anos, é o camisa 10 e motor da equipe. Com seus 1,65m de altura e apenas 60kg, tem a agilidade necessária para avançar com velocidade, escapar dos marcadores e colocar um dos atacantes cara a cara com o goleiro adversário. Criado nos viveiros do próprio Pescara, Verratti já teve seu nome ligado a alguns grandes clubes da bota e defende também a Seleção Sub-19 da Itália. Apesar disso, ainda oscila um pouco e passa insegurança em alguns momentos. Com mais tempo de jogo, deve ganhar experiência e se tornar um grande jogador.

Mais à frente, Ciro Immobile, de 21 anos, é quem decide. Goleador e melhor jogador da Coppa Viareggio 2010, o jovem juventino é uma das grandes promessas do futebol italiano há pelo menos três anos. O que lhe impede de voar mais alto é a Juventus, clube que detém seus direitos. O time de Turim não quer integrar o jogador à equipe, mas também não o vende para clubes maiores. Por empréstimo, ele já passou por Siena e Grosseto. Nesta temporada, é o artilheiro da Serie B, com oito gols, e, se continuar assim, será difícil segurá-lo mais uma vez no fim do Campeonato: vai ser a hora de a Juventus pegar ou largar.

Ao seu lado no ataque, Lorenzo Insigne, 20 anos, também vem fazendo bom campeonato. Na última temporada, ele trabalhou com Zeman e ganhou a confiança do treinador após marcar 19 gols na Prima Divisione. Se a juventude é um dos pontos mais fortes do time, contudo, há sempre o perigo de os jovens não suportarem eventuais pressões e o rendimento da equipe cair. Não é algo muito comum nas divisões inferiores, mas se a imprevisibilidade estivesse fora de questão, não seria um time de Zeman, não é verdade? Porque o futebol muda, mas alguns ideais não. Assim é Zdenek Zeman.