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terça-feira, 29 de novembro de 2011

13ª rodada: Niilismo futebolístico

Nos últimos anos, a Inter comemorou três scudetti ao bater o Siena. No domingo, após jogo tão horrendo, a vitória no último minuto até pareceu valer título... (Getty Images)
O domingo de Serie A não teve surpresa alguma. A única partida que saiu um pouco dos conformes aconteceu em Cesena, onde Adrian Mutu desencantou e fez o que a torcida bianconera esperava dele: gols e decisão. O Milan continua jogando bem e a Inter se arrasta, com péssimo futebol. Sem mais delongas, o resumo da rodada.

Siena 0-1 Inter
Niilismo é um conceito filosófico que, grosso modo, consiste na descrença absoluta. Em não acreditar em nada. A Inter desta temporada é claramente niilista: parece não acreditar em nenhum sistema de jogo ou modelo futebolístico. O time não tem ideias, joga muito mal e não sai do lugar. A partida contra o Siena é muito difícil de ser resumida porque praticamente nada aconteceu e os poucos lances de perigo pareceram surgir por acaso. Não houve uma única jogada de linha de fundo em toda a partida para que Pazzini ou Calaiò, este no Siena, pudessem aproveitar sua boa capacidade de cabeceio. A Inter teve 66% de posse de bola e, basicamente, tentou ataques centrais durante todo o jogo, mesmo atuando em um 4-1-4-1, com meias abertos. Para piorar, só chutou, com perigo, duas vezes no gol de Brkic. Em uma cobrança de falta frontal de Thiago Motta, e no último minuto, quando o jovem Castaignos, sumido do jogo, recebeu de Motta na entrada da área e chutou rasteiro no canto. Literalmente, uma vitória que caiu no colo e levou a equipe aos 14 pontos, com um jogo a menos, e para a 16ª colocação. O Siena segue com a mesma pontuação, em 13º.

Milan 4-0 Chievo
Zlatan Ibrahimovic e Antonio Nocerino deram um show para fechar a 13ª rodada. O trio tão elogiado do Chievo (Bradley, Rigoni e Luciano) não teve como parar o ímpeto rossonero no San Siro. Após um excelente espetáculo contra o Barcelona pela Liga dos Campeões, o que foi visto em Milão foi uma equipe em ótima forma para se credenciar à disputa pelo título, e que decidiu o jogo logono primeiro tempo. A vitória coloca o Milan na terceira posição do campeonato. Foi tudo muito rápido. E perfeito. Com menos de um minuto, Ibrahimovic já tinha acertado a trave. Aos 8, Thiago Silva marcou o primeiro e abriu a contagem. Ibra, duas vezes, e Pato fizeram a festa na Lombardia. O sueco, aliás, passou dos cem gols marcados na Serie A: são 101 em 196 partidas. Pellissier também procurava seu tento centenário, mas Amelia, substituindo Abbiati (machucado), não permitiu que outra façanha fosse realizada em San Siro. (Murillo Moret)

Palermo 2-0 Fiorentina
Futebol e matemática combinam? A seguinte equação, aqui, define: Palermo + Renzo Barbera = vitória. Os rosanero, juntamente com a Udinese, são os únicos times que conquistaram todos os pontos possíveis jogando em casa. Apenas um ponto do Palermo nesta Serie A foi conquistado longe de casa. A partida marcou o retorno de Delio Rossi à Florença - ele foi demitido pelo presidente Zamparini antes de a temporada começar. As baixas, porém, eram pesadas: Jovetic, Kroldrup, Kharja e Cassani não puderam jogar pela viola; Abel Hernández continua machucado e Balzaretti cumpriu suspensão. Nem a mudança técnica de Devis Mangia foi sentida no Renzo Barbera. O treinador tirou Tzorvas e Cetto do time. Benussi voltou a ganhar chance no gol, Migliaccio foi improvisado novamente na zaga e Acquah entrou no meio-campo. Se Mangia fez apostas incertas na defesa, provou "novo" ataque: puxou Ilicic para armar junto com Zahavi e liberou Miccoli entre os zagueiros. O esloveno deu boa assistência para o atacante marcar o primeiro e definiu o resultado final da partida no segundo tempo, de falta. A Fiorentina, que parou nas traves de Benussi, beira a zona do descenso e tenta se recuperar contra a Roma. O Palermo joga fora de casa, então as expectativas não são as melhores. (MM)

Cagliari 1-1 Bologna
Roberto Donadoni ganhou um "até logo!" do presidente Massimo Cellino. Massimo Ficcadenti também já foi demitido. Davide Ballardini chegou, mas o Cagliari piorou. O empate com o Bologna em 1 a 1 aumentou o jejum de vitórias para oito partidas - além da eliminação da Coppa Italia para o Siena, em casa. E foi no Sant'Elia que o técnico, sem Nenê e Biondini, viu o time melhorar um pouco com o retorno de Andrea Cossu. Gols só no segundo tempo: o primeiro, no entanto, foi de Marco Di Vaio, com contribuição de Conti. O atacante não marcava fora de casa há 18 jogos - ou oito meses, se preferir. O capitão cagliaritano se redimiu logo depois: sofreu pênalti de Cherubin, e ele próprio converteu. No fim, Ramírez teve a chance de decidir para o Bologna, mas desperdiçou e Ibarbo perdeu gol feito do outro lado. O resultado mantém as equipes nas 15ª e 17ª posições, respectivamente. No próximo domingo, o Bologna encara o Siena em casa, que também luta na parte de baixo da tabela. (MM)

Cesena 2-0 Genoa
O dérbi da Emília-Romanha ainda ecoa no Cesena. Os frutos colhidos na partida contra o Bologna ajudaram a conquistar a segunda vitória na Serie A. A missão, no entanto, era complicada: os cavalos marinhos começaram a rodada na última posição e enfrentariam o Genoa de Alberto Malesani, que havia se classificado às oitavas da Coppa Italia no meio da semana. O treinador, sem a presença de Antonelli (suspenso), mudou o sistema tático para 3-5-2 e apostou em Mesto e Rossi pelas alas. O que Malesani não contava era com Antonioli e Von Bergen em excelente forma na defesa. O goleiro de 42 anos, aliás, defendeu um lindo voleio de Merkel. Daniele Arrigoni apostou no mesmo time da última rodada, pois novamente via Ghezzal, Martínez, Colucci e Candreva indisponíveis. Com a zaga protegida, restou a Mutu fazer sua parte lá na frente, para surpreender. Só no segundo tempo, depois que Bogdani ganhou um pênalti na malandragem sobre Moretti, o romeno converteu com cavadinha - e abraçou o ex-companheiro Frey para se desculpar. O Genoa, impotente, nada fez e ainda levou mais um: Parolo carregou pela direita e achou Mutu, que de fora da área acertou um lindo chute no ângulo. Para um time no qual os atacantes não resolvia, foi uma bela reação. No Dino Manuzzi é só festa, mas próxima rodada tem jogo contra a Juventus, em Turim. O Genoa encara o Milan, na sexta-feira. (MM)

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Seleção da 13ª rodada
Buffon (Juventus); Thiago Silva (Milan), Silvestre (Palermo), Von Bergen (Cesena); Isla (Udinese), Vidal (Juventus), van Bommel (Milan), Ilicic (Palermo), Pepe (Juventus); Mutu (Cesena), Ibrahimovic (Milan). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

Como nos velhos tempos

Hamsík lamenta enquanto Bonucci vibra: o empate teve gosto de goleada para a Juventus (Gazzeta.it)

Mais de 20 anos foram deixados para trás para que Napoli e Juventus voltassem a fazer um jogo que chamasse todas as atenções na parte de cima da Serie A. Fazendo sua melhor campanha desde o escândalo do Calciopoli, a equipe de Turim viajou até o San Paolo para encarar o melhor time partenopeu nas últimas duas décadas. Ingredientes não faltavam para que o duelo, adiado em mais de duas semanas por conta das fortes chuvas que assolaram a Itália em novembro, fosse um dos melhores da temporada. E o empate em 3 a 3 mostrou que os dois clubes estão mais do que preparados para conseguirem o scudetto, mesmo que o Napoli caia muito no segundo tempo. Mais do que isso, mostrou que a Vecchia Signora voltou.

Logo de início, um jogo bastante movimentado. Com o San Paolo lotado, como tem sido praxe nesta temporada, o Napoli partiu para cima e, mesmo sem Cavani, lesionado, chegou bem perto do gol aos 16 minutos, quando Hamsík desperdiçou pênalti batido dentro do gol pela primeira vez, mas anulado e cobrado direto na trave na segundo oportunidade. Não tardou, porém, para que o próprio eslovaco colocasse os donos da casa na frente, aos 23. Muito melhor em campo, os partenopei ainda ampliariam na primeira etapa. Substituindo o artilheiro uruguaio, Pandev mostrou estrela e fez o segundo tento napolitano aos 40, depois de bola mal afastada por Pirlo. Pirlo, aliás, foi um grande fantasma na primeira etapa: mal fisicamente, cometeu o pênalti sobre Lavezzi de maneira boba e não ofereceu proteção à defesa.

A volta do intervalo, porém, mostrou uma Juventus mais acesa e com disposição de buscar o resultado. Logo aos três minutos Vidal fez boa jogada para que Matri fizesse seu quinto gol em nove jogos contra o Napoli na Serie A. O duelo, porém, não mudou muito a tônica. Os donos da casa dominavam as principais ações de jogo e voltaram a ampliar sua vantagem novamente com Pandev, inspirado em noite de Cavani. Aproveitando bote errado de Bonucci, o atacante colocou os napolitanos novamente em vantagem confortável, com belo voleio, e deixou a impressão de que os partenopei haviam matado a partida e mantido a invencibilidade na temporada diante de sua torcida. Ledo engano. Como não se via há anos, a Juve jogou com um dos maiores times do mundo que é e foi buscar o resultado.

Após boa jogada de Vucinic, Estigarribia aproveitou o buraco que se abriu pela segunda vez no lado direito da defesa napolitana, em noite ruim de Maggio e sem proteção oferecida por um dia opaco de Gargano e Inler, e diminuiu novamente para os visitantes, aos 27 minutos. Pressionando de forma eficaz o adversário, os bianconeri conseguiram o importantíssimo e improvável empate com Pepe, que na última rodada já havia sido o herói do time ao marcar o gol da vitória contra a Lazio. 

Após roubar a bola de Gargano, o esterno partiu em velocidade e com liberdade pelo mesmo setor em que surgiram os outros gols da Juve. Passou por marcadores que apareceram à sua frente e só parou quando estufou as redes de De Sanctis, incrédulo pelo empate levado. Mais do que ter se mantido invicta na Serie A, a Juve parece ter retomado o espírito vencedor que há muito não dava as caras em Turim. Para o Napoli, sobra o consolo da manutenção da invencibilidade em casa. E para todos, a sensação de que o jogo não deixou em nada a desejar para os velhos tempos de Maradona e Platini. 

domingo, 27 de novembro de 2011

13ª rodada: Campanha de campeã

No Olímpico, Juve mostrou que tem estrela de time campeão, superou a Lazio e chegou a quase 76% de aproveitamento na Serie A (Foto: LaPresse)

A 13ª rodada começou ainda na sexta-feira, com o bom jogo entre Udinese e Roma. Jogando em casa, a equipe de Di Natale ganhou, como de costume (tem 100% de aproveitamento em seus domínios nessa temporada), e assumiu a ponta da tabela momentaneamente. No sábado, então, Lazio e Juventus fizeram o jogo mais importante da rodada, que valia a liderança, e, mais uma vez, o time de Turim mostrou força diante de um adversário direto pelo título. Destaque também para o empate entre Atalanta e Napoli. Os resumos:

Lazio 0x1 Juventus
No jogo que valia a liderança do campeonato, Lazio e Juventus entreteram os mais de 60 mil torcedores que lotaram o Estádio Olímpico com partida intensa e veloz. Em início atrapalhado, a Juventus deixou a Lazio tomar conta do jogo e chegar com mais perigo, exigindo boa atuação de Buffon. No momento em que o time da casa era melhor, no entanto, Vucinic achou passe perfeito para Matri e a Juve encaixou ótimo contra-ataque, que acabou com Pepe colocando a bola no fundo das redes de Marchetti. O gol desestabilizou a Lazio, que deu chances de a Juve ampliar o placar. No segundo tempo, a partida continuou veloz e com chances para os dois lados, mas a defesa juventina suportou a pressão e não deixou o placar mudar. Assim, o time de Conte alcançou os 25 pontos e lidera mesmo com um jogo a menos. Jogo este que será recuperado já na terça-feira, contra o Napoli. O desafio de Conte será encontrar um substituto para o suspenso Marchisio. Com a derrota, a Lazio cai para a terceira posição e, dependendo do resultado de Milan x Chievo, pode cair mais uma colocação.

Veja o gol da partida.

Udinese 2x0 Roma

Como tem sido de praxe nesta temporada, os bianconeri venceram mais uma partida atuando em casa, novamente com gol de Di Natale e sem que a meta de Handanovic fosse vazada. Com a vitória por 2 a 0 sobre a Roma, os comandados de Guidolin mantiveram o aproveitamento de 100% como mandantes e continuam firmes na perseguição à Juventus. Para a equipe capitolina, a derrota constata a dificuldade que o time de Luís Enrique tem para vencer. Com Juan novamente começando uma partida como titular, depois de quase um mês fora do time, a Roma foi melhor nas primeiras ações da partida, principalmente com Lamela caindo pelas pontas. O argentino foi, inclusive, protagonista da jogada mais polêmica do primeiro tempo, quando foi derrubado na área e reclamou de pênalti não marcado. Revoltados, os romanos foram para o intervalo com um empate que, tomada a situação, parecia ser pouco. A Udinese só mudaria a postura com a segunda etapa já em andamento. A entrada de Fabbrini no meio deu mais mobilidade aos friulanos, que passaram a se comportar melhor do que uma Roma. O placar mudou aos 35, quando Di Natale fez o Friuli explodir. Já nos minutos finais, Isla aproveitou bobeira da defesa e sacramentou a vitória dos donos da casa. (Leonardo Sacco)

Veja os gols do jogo.

Atalanta 1x1 Napoli
Em Bérgamo, os artilheiros foram decisivos e construiram o placar do jogo. Enquanto a Atalanta entrou no usual 4-4-1-1, Mazzari manteve o Napoli no 3-4-2-1, mas executou o turnover, escalando um time misto, sem boa parte dos titulares. Assim, a Atalanta reafirmou sua força dentro de casa e procurou a vitória o jogo todo. O time de Colantuono, que ainda não perdeu em casa, foi seguro na zaga e viu Denis, mais uma vez, decidir lá na frente. O artilheiro do campeonato, com 9 gols, criou as principais chances nerezzurri e fez o gol do time, aos 18 do segundo tempo. Atrás no placar, Mazzari botou no jogo Maggio, Santana e Lavezzi e o Napoli foi para cima. Quando parecia não haver mais tempo e a torcida da casa já comemorava, então, Cavani (sempre ele) deixou o dele e empatou a partida. Foi apenas o segundo gol sofrido pela Atalanta no seu estádio nessa temporada. O time de Colantuono continua com ótima campanha e ocupa a quinta posição, enquanto o Napoli não engrena e permanece longe dos líderes, na oitava colocação.

Novara 2x1 Parma
O sábado marcou também o reencontro do Novara com a vitória, o que não acontecia desde o dia 20 de setembro. Mas não foi fácil. O time da casa saiu atrás no placar com um gol contra de Centurioni, aos 29 do primeiro tempo, e com um Parma melhor no jogo, aproveitando a velocidade de Biabiany e Valiani pelas pontas. Os gialloblù, contudo, não conseguiram ampliar o placar enquanto jogavam melhor e foram para o intervalo com apenas um gol na frente. No segundo tempo, o Novara acordou e foi para cima do Parma, com Rigoni e Rubino criando boas chances. Os dois, então, marcaram os gols da virada do time da casa. Aos 25, Rubino empatou, e aos 33, Rigoni virou, mudando o foco do time para a defesa. No final, o zagueiro Gemiti foi expulso, mas não influenciou no placar final da partida. Desse modo, o Parma continua a ser o único time da competição que ainda não empatou. São cinco vitórias e sete derrotas até aqui. Com a vitória, o Novara deixa a zona de rebaixamento.

Lecce 0x1 Catania
Enquanto isso, o Lecce continua em mau momento e chegou a sua quinta derrota em casa, tendo a pior campanha como mandante na competição. Em seis jogos no Via Del Mare, o Lecce perdeu cinco e empatou uma. Contra o Catania, o resultado negativo teve um sabor ainda pior para os donos da casa, que perderam o ponto apenas no último minuto de jogo, quando Barrientos abriu o placar. Para o Catania, foi a primeira vitória fora de casa na temporada. O problema do Lecce está no ataque: dos poucos nove gols marcados pela equipe até aqui, nenhum deles foi assinado por um atacante. Com a vitória, o Catania chega aos 17 pontos e já ocupa a sétima colocação. Do outro lado, o desespero do Lecce só aumenta: agora, o time é penúltimo colocado e tem duas partidas difíceis nas próximas rodadas, contra Napoli e Lazio.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Futebol atraente mesmo sem a vitória

Mesmo com golaço, Boateng lamenta chances perdidas (Yahoo)

Um duelo que apesar dos dois times estarem classificados valia muito, já que poderia definir a primeira posição do grupo H. Milan e Barcelona se enfrentavam em território italiano e fizeram um jogo de muitas emoções e, certamente, um dos mais empolgantes de toda a temporada até aqui. A vitória do Barcelona garantiu o primeiro posto para os espanhois e, mesmo que os rossoneri vencessem, ainda precisavam de um triunfo sobre o Viktoria Plzen, na última rodada, para ficar com a primeira colocação. 

Precisando da vitória, o Milan começou o jogo pressionando a saída de bola, mas logo aos 13 minutos o Barcelona abriu o placar com um gol contra de van Bommel.  Gol contra aliás, que só serve para as estatísticas, pois o holandês cortou o cruzamento de Abidal e, se não cortasse, Xavi estava logo atrás para fazer o gol. O gol assustou o time italiano, que ficou sem reação por mais de cinco minutos, até Robinho perder uma chance frente a frente com o goleiro Valdés. Mas, no lance seguinte, o sueco Ibrahimovic, após receber belo passe de Seedorf, empatou o jogo com um toque na saída do goleiro espanhol. Mesmo com o empate sendo favorável, o Barça não deixou se abater e, instantes após o gol do Milan, chegou com perigo com Messi, que acertou a trave.

Enquanto o Milan errava vários passes, principalmente com Seedorf, o time catalão trabalhava a bola com toda a tranquilidade e toda facilidade características. Em uma dessas trocas de bola, Messi deixou Xavi na cara do gol. O meia se jogou, em um lance muito controverso, e o juiz Wolfgang Starke marcou pênalti para o Barcelona. Depois de tentar fazer a paradinha e levar cartão amarelo pelo gesto, Messi converteu a penalidade, na segunda chance, e colocou a equipe blaugrana na frente mais uma vez. O Milan bem que tentou empatar ainda antes do intervalo, mas sem muito ímpeto. Acabou tendo uma boa chance nos acréscimos do primeiro tempo, com Thiago Silva, mas foi só.

Na volta do intervalo, o Milan seguiu pressionando e acabou recompensado aos 8 minutos. Boateng aproveitou uma sobra de bola e, em jogada rápida, “entortou” Abidal e num chute forte, deixou tudo igual novamente. O gol de empate deu um novo gás ao time rossonero, mas nem dez minutos se passaram e o Barcelona voltou à frente novamente. Messi deu belo passe, no meio dos zagueiros  - um infográfico da Mediaset mostrou que ele só tinha 1,5 metro e 16º de abertura para realizar o passe -, para Xavi receber. O meia, assim como no lance do pênalti que originou o segundo gol, entrou no meio da defesa, mesmo cercado por quatro defensores.

O terceiro gol do Barcelona baixou os ânimos dos italianos. Ainda assim, Boateng tentava em esporádicos chutes, mas nada que assustasse o goleiro Valdés. Nem mesmo Pato, que entrou no lugar de Robinho, no intervalo, teve oportunidade de finalização. Apagadao em campo, o brasileiro procurou pouco o jogo e chegou a ser mais inefetivo em campo do que Robinho.

Se aproveitando das lançadas ao ataque, principalmente de Thiago Silva, o Barça assustava nos contra-ataques e quase marcou o quarto gol com Messi e depois com o ex-atacante da Udinese, Alexis Sánchez, mas no final, o resultado ficou mesmo no 3 a 2. Apesar da derrota, há de se destacar o bom futebol apresentado pelo Milan, que não teve medo do Barcelona e, mais do que na partida de ida, jogou de igual para igual contra a equipe catalã. Os esforços milanistas sobretudo no primeiro tempo, quando a equipe chegou a não dar espaços ao Barcelona, mostraram que a equipe está preparada para enfrentar qualquer outro time na Europa.

Estado de graça

Marca sempre Cavani: com um matador em estado de graça, o Napoli cresce nos grandes jogos e tem tudo para chegar às oitavas da Liga dos Campeões (Reuters)

Independentemente de esquemas táticos e adversários, o Napoli sempre conta com um jogador a mais quando enfrenta qualquer time no San Paolo. A mística do estádio o faz um dos maiores alçapões da Europa e, consequentemente, do mundo. Independentemente de marcadores e esquemas alheios, o Napoli sempre conta com um matador em alta com Cavani. Quando o estádio e o atacante resolvem funcionar juntos, dificilmente os partenopei são parados. Foi assim que a equipe de Walter Mazzarri deu um importante passo para se classificar na Liga dos Campeões ao bater o Manchester City, mostrando, mais uma vez, força nos principais jogos da temporada.

Como esperado, os milionários ingleses se postaram de maneira ofensiva mesmo jogando fora de casa. Existem aqueles que falaram em desrespeito, que os Citizens haviam esquecido que o Napoli é muito mais forte quando atua diante da sua torcida. Mas não, essa é a maneira de jogar dos comandados de Roberto Mancini e, diante dos partenopei, não seria diferente. E como no primeiro duelo entre as equipes, o jogo de ataque contra defesa foi constante, com os mandantes apostando principalmente nos contra-ataques buscando Cavani.

E foi em um escanteio obtido após ótimo chute de Inler que o atacante uruguaio abriu o placar, após cruzamento certeiro de Lavezzi. O gol de Cavani fez explodir um San Paolo que já fervia e empurrava bastante o Napoli tanto na hora de atacar quanto nas (muitas) horas de defender. Atordoado, o City piorou bastante e concedeu mais chances para os partenopei, que por sua vez não souberam aproveitá-las. Não demorou, então, para que os Citizens voltassem ao jogo, dominando em ações rápidas e com boas trocas de passes. Em uma delas, Balotelli jogou um balde de água fria na festa da torcida, empatando a partida após defesa de De Sanctis em bom chute de David Silva.

O gol sofrido só não surtiu um efeito completamente negativo para o Napoli pois pouco depois foi chegado o intervalo. Na volta dos vestiários, os jogadores azzurri foram levados ao campo com uma ensurdecedora festa da torcida. Foi a vez, então, de a torcida e Cavani formarem a dupla que sacramentaria a vitória italiana. Logo aos três minutos Lavezzi disparou e mais uma vez assistiu para o uruguaio, que bateu sem chances para Hart. Gol e mais festa no San Paolo. O Napoli, então, se fechou. Deixou de atacar com frequência, é verdade, mas ganhou o meio-campo e a partida, sobretudo com um muro chamado De Sanctis, que fez pelo menos três defesas complicadas e salvou o resultado. Assim, os napolitanos viram, então, a torcida festejar de maneira incansável e emocionante.

Embalado pelo hino da Liga dos Campeões entoado pelos fãs, os jogadores partenopei deixaram o campo com uma missão mais do que cumprida. Ultrapassaram o City na classificação e dependem apenas de si mesmos para obterem uma sonhada vaga na segunda fase. O próximo adversário, fora de casa, é o Villarreal, time que tem cinco derrotas em cinco partidas disputadas. O rival pela vaga será o City. A missão inglesa, nada fácil, consiste em secar os italianos e, mais do que isso, bater o Bayern de Munique, que sobrou nesse grupo A. (Leonardo Sacco)

Inter classificada
A viagem nerazzurra à Turquia, para enfrentar o Trabzonspor foi quase turística, apesar do frio que fazia na cidade banhada pelo Mar Negro. Quando entrou em campo ontem, a Inter já havia garantido a classificação para as oitavas de final, graças à vitória do Lille contra o CSKA, em Moscou. Faltava, ainda, garantir a primeira colocação no grupo B, que se confirmaria se a Inter não saísse de campo derrotada. E, preguiçosamente, foi o que aconteceu. O 1 a 1 em Trabzon não foi um primor, mas foi suficiente para que a Inter garantisse a liderança e, consequentemente, tenha sua vida facilitada nas oitavas, o que não vinha acontecendo.

Em campo, Ranieri optou por um 4-1-4-1, com Cambiasso à frente da defesa, Álvarez aberto pela direita e Zárate pela esquerda, com Stankovic e Zanetti pelo centro do meio-campo. Mesmo com menos volume de jogo pelo centro, devido à ausência de Sneijder, a Inter não ficou restrita a ataques pelos flancos, porque Zárate e, principalmente, Álvarez, centralizavam bastante o jogo. O ex-meia do Vélez, finalmente, tem aparecido bem após sua transferência para o futebol italiano. Depois de uma boa partida contra o Cagliari, Álvarez também jogou bem nesta quarta, fazendo um belo trabalho de cobertura e também na criação de jogadas. Foi através de uma iniciativa sua que a Inter chegou ao gol. Ele driblou um adversário, tabelou com Milito e concluiu para o gol, marcando seu primeiro com a camisa nerazzurra. Em um momento em que Sneijder está lesionado e só deve voltar em janeiro, é fundamental para a Inter que o argentino comece a aparecer e ganhar confiança.

Defensivamente, apesar de alguns apagões de Lucio, a Inter não chegou a sofrer tanto. O gol, de Altintop, saiu apenas porque um chute de fora da área desviou em Samuel e enganou Júlio César. No segundo tempo, o Trabzonspor, ainda lutando pela segunda vaga no grupo, que será definitivamente decidida em seu confronto contra o Lille, na França, pressionou bastante e acertou a trave, com Adrian, e teve algumas chances menos claras com Alanzinho e Kaplan. No segundo tempo, apostando em contra-ataques, Zárate teve duas chances para colocar a Inter novamente em vantagem, mas as desperdiçou. Menos mal que não foi necessário e que Claudio Ranieri só precisará pensar na LC a sério em fevereiro. No próximo jogo, contra o CSKA, deve dar rodagem aos mais jovens do elenco e àqueles que não tem tido oportunidades.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

12ª rodada: Até o último minuto

A Juventus não cansa de comemorar. Time chega a 73,3% de aproveitamento e lidera mesmo com uma partida a menos (Foto: LaPresse)

Dos dez jogos do fim de semana, seis só tiveram o placar definido após os 30 minutos do segundo tempo. Deles, quatro foram decididos apenas nos últimos cinco minutos do tempo regulamentar. Nesta rodada de decisões até o último minuto de partida, a Juventus foi a que se deu melhor e, com a derrota da Udinese e os empates de Lazio e Milan, voltou a liderança do campeonato mesmo com um jogo a menos. A Roma também somou três pontos e começa a se aproximar dos líderes. Enquanto isso, a briga lá embaixo vai ficando cada vez mais apertada, com as derrotas de Lecce e Novara e a vitória do Cesena. Vamos aos resumos:

Juventus 3x0 Palermo
Em Turim, a Juventus fez outra boa apresentação e derrotou o Palermo sem muitas dificuldades, continuando como único time invicto desta temporada na Serie A. No novo estádio, são quatro vitórias, dois empates e 14 gols marcados até o momento, números que mostram a força do time dentro de casa. Contra o Palermo não foi diferente e a Velha Senhora foi para cima. Em jogo movimentado, o primeiro tempo foi mais equilibrado, com a Juventus em busca do gol e o Palermo se aproveitando dos contra-ataques e exigindo boas defesas de Buffon em alguns lances, principalmente com Ilicic. Pepe inaugurou o placar após bom cruzamento de Chiellini e assim acabou a primeira etapa. No segundo tempo, então, os bianconeri continuaram a pressão e logo aos três minutos Matri ampliou. Aos 20, Marchisio, que mais uma vez foi um dos melhores da partida, deu números finais ao jogo. Mesmo após 22 dias sem jogar, o time de Conte mostrou ritmo de jogo e a já corriqueira organização e raça. Os dois próximos jogos, contra Lazio e Napoli (partida adiada da 11ª rodada) vão testar de vez o time que tem por objetivo o scudetto. Do outro lado, viu-se um Palermo que continua com problemas para jogar fora de casa (seis jogos e cinco derrotas como visitante até agora) e deve arrumar isso rapidamente se quiser sonhar com postos mais altos. (Rodrigo Antonelli)

Roma 2x1 Lecce
No Olímpico, o Lecce tentou apenas se defender e se deu mal, mesmo que a Roma tenha entrado com a 12ª formação diferente em 12 rodadas. A falta de uniformidade nas escalações de Luís Enrique não muda muito a forma de jogo da equipe e a alta posse de bola é uma constante. Nesse jogo, o time pressionou muito pelas alas, com Taddei e Rosi, que fizeram boas partidas, e teve em Gago o ponto de referência do meio de campo que faltara em alguns jogos. O argentino, inclusive marcou o segundo gol da equipe da capital, no início da segunda etapa. Antes dele, Pjanic tinha aberto o placar. Bertolacci diminuiu para o Lecce a 20 minutos do fim e sua equipe tentou ir para cima, mas não teve sucesso. O jogo marcou também o retorno de Totti aos gramados. Il Capitano fez uma partida razoável e ainda teve tempo de ver um belíssimo gol de Osvaldo ser anulado erroneamente. Com os três pontos, a Roma alcança a quinta colocação na tabela e encosta na Udinese, que tropeçou diante do Parma. O Lecce permanece na zona de rebaixamento e deixa claro que a luta contra a Serie B vai até o final da temporada. (Rodrigo Antonelli)

Parma 2x0 Udinese
Pela primeira vez no campeonato Giovinco não foi o principal nome de uma vitória do Parma. Contra a Udinese, os gialloblù fizeram sua melhor partida no campeonato, guiados, surpreendentemente, por Biabiany. O francês corria lá na frente, voltava para marcar e tracionava um time que não parecia ser capaz de vencer a Udinese. Pelo menos antes do jogo. Dentro de campo, a história foi outra e a equipe de Colomba de fato foi superior à Udinese de Guidolin, que não fez boa partida. Os gols saíram na etapa complementar, primeiro com o próprio Biabiany e depois com Giovinco, convertendo pênalti sofrido pelo francês. A veloz dupla de ataque deu três pontos ao Parma, que agora ocupa a sétima posição, e encheu de esperança os torcedores, que podem sonhar com mais vitórias do time, caso os dois continuem atuando bem como ontem. No caso da Udinese, a derrota lhe custou a liderança do campeonato. A recuperação pode vir contra a Roma, na próxima rodada. (Rodrigo Antonelli)

Siena 2-2 Atalanta
O gol na Zona Cesarini (aquele nos últimos minutos) voltou a aparecer na 12ª rodada e serviu para brecar a sempre surpreendente Atalanta. O beneficiado da vez foi o Siena, que conseguiu o empate contra o time de Bérgamo aos 42 minutos do segundo tempo, para conquistar um ponto importante na sua caminhada pela permanência na Serie A. A Atalanta entrou com o meio de campo desfalcado, pois Masiello e Cigarini estavam suspensos, mas ainda assim fez boa partida. O primeiro gol saiu logo aos 15 minutos, quando o argentino Denis, que vem fazendo grande campeonato, sofreu e converteu pênalti no goleiro reserva do Siena, Pegolo. Do outro lado, Consigli estava em tarde inspirada sob as traves da Atalanta e impediu que o Siena empatasse em diversas oportunidades. A dois minutos do intervalo, no entanto, Manfredini (que entrara há menos de cinco minutos) fez pênalti em Larrondo e D'Agostinho igualou o placar. No segundo tempo, a Atalanta não demorou para desempatar o jogo, sempre com Denis, que fez seu nono gol na competição e agora é artilheiro isolado. Daí para a frente, o time visitante só controlou o jogo e não viu o Siena ameaçar sua tranquilidade hora alguma. Exceto no final, quando Gazzi achou o gol de empate bianconero. No fim, o resultado foi bom para o Siena e deixou os torcedores da Atalanta com gosto amargo na boca. É bom lembrar, porém, que o time do técnico Colantuono teria impressionantes 19 pontos se não fosse a punição de -6 que sofreu antes do início do campeonato. Com time organizado e ofensivo, a equipe é a grande surpresa da Serie A até aqui. (Murillo Moret)

Bologna 0-1 Cesena
Na parte de baixo da tabela, o dérbi da Emília-Romanha teve o Cesena como vencedor e serviu para colocar mais fogo ainda na disputa pela salvezza. Agora, a diferença entre o primeiro time fora da zona de rebaixamento e a última colocação é de apenas quatro pontos. A partida no Renato Dall’Ara marcou a estreia com pé direito do técnico Daniele Arrigoni no comando dos Cavalos Marinhos: em 11 jogos, esta foi a primeira vitória do Cesena no campeonato. E o bom resultado deve colocar algumas questões na cabeça do novo técnico, uma vez que o time contava com cinco desfalques (Martínez, Colucci, Ghezzal e Djokovic lesionados e Candreva gripado) e, apesar disso, apresentou rendimento melhor do que em outros momentos. Montada em um 4-4-2, a equipe partiu para cima do time da casa, com Martinho e Ceccarelli pela pontas e Mutu e Parolo mais centralizados, mas esbarrou sempre no bom goleiro Gillet. O gol saiu só no final, quando Parolo acertou bonito chute de fora da área, para conquistar a primeira vitória de seu time na competição. Do lado do Bologna, a apatia dentro de campo pesou muito e a equipe chegou a sua segunda derrota seguida, batendo à porta da zona da degola. (Murillo Moret)

Genoa 1-0 Novara
Em outro jogo importante para a situação da parte de baixo da classificação, Genoa e Novara contemplaram os torcedores no Luigi Ferraris com um dos melhores jogos da rodada. Em dois lances, um para cada equipe, a bola só não entrou por conta do acaso. A expulsão de Antonelli no fim do primeiro tempo traçou os rumos do jogo para a segunda etapa: muita emoção, com os dois times em busca do gol. Apesar da movimentação, contudo, o gol só saiu no final também. Aos 41 minutos do segundo tempo, Miguel Veloso fez boa jogada e acertou belo chute de fora da área, superando o goleiro Fontana, que ficou tão nervoso que descontou a raiva dando chutes na trave. Com o resultado, o Genoa chega a 15 pontos e ocupa a décima colocação, enquanto o Novara alcança a sua oitava partida sem vencer e permanece na zona de rebaixamento, com só sete pontos. (Murillo Moret)

Catania 1-2 Chievo
O Chievo só tinha consquistado um ponto jogando fora de casa até aqui. Nesta rodada, então, deixou as estatísticas de lado e, organizadamente, correu atrás da primeira vitória em território alheio. E olha que do outro lado não tinha um adversário qualquer: o Catania não tinha perdido em casa até então e contabilizava 11 pontos ganhos dentro do Angelo Massimino. Com o trio Bradley, Rigoni e Luciano entrosado, o Chievo conseguiu parar o ágil Gomez e os donos da casa dependiam de chutes dos meio-campistas para atingir a meta de Sorrentino. No final do primeiro tempo, então, em vacilo de Spolli, Pellissier sofreu e converteu pênalti que abriu o placar. Sammarco aumentou aos 28 da etapa complementar. antes de Almiron descontar e dar números finais ao jogo. Com os empates de Napoli e Siena, o Chievo subiu quatro posições e está em oitavo lugar; Já o Catania continua sua fase descendente e é o 12º, acumulando a segunda derrota seguida. (Murillo Moret)

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Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Lichtsteiner (Juventus), Thiago Silva (Milan), Nastasic (Fiorentina), Zanetti (Inter); Parolo (Cesena), Gago (Roma), Marchisio (Juventus); Philippe Coutinho (Inter); Biabiany (Parma) e Denis (Atalanta). Técnico: Antonio Conte (Juventus)

domingo, 20 de novembro de 2011

12ª rodada: Brasileiros em alta

Thiago Motta e Philippe Coutinho marcaram e botaram a Inter de volta na trilha das vitórias, apesar de time ainda não apresentar bom futebol (Foto: Getty Images)

Após duas semanas de recesso, a Serie A está de volta e três jogos abriram a rodada, neste sábado, com boas atuações de brasileiros. A Inter voltou a vencer, em bom jogo de Philippe Coutinho, alcançou os 11 pontos e se distanciou um pouco da zona de rebaixamento. O Milan, por sua vez, apenas empatou com a Fiorentina, em Florença, e teve sua série de vitórias, que já durava cinco partidas, interrompida. A partida marcou a volta de Pato, que jogou apenas 20 minutos, mas conseguiu ser perigoso. Empate também entre Napoli e Lazio, em um dos principais jogos do final de semana. Vamos aos resumos:

Inter 2x1 Cagliari
Com lesão de Sneijder durante o aquecimento para o jogo, Ranieri teve que mudar seus planos poucos minutos antes do início da partida e se deu bem. Se o holandês, que deve perder também o jogo do meio de semana pela Liga dos Campeões, não vinha jogando seu melhor futebol nos últimos tempos, Philippe Coutinho o substituiu bem, foi importante para a Inter e ainda marcou um dos gols que deu a vitória à sua equipe. O outro gol da Inter foi de Thiago Motta, que se aproveitou de posição irregular para abrir o placar. O lance rendeu declaração irônica do técnico cagliaritano ao final do jogo: "No San Siro é difícil ver impedimentos". O argentinou Larrivey ainda diminuiu para o Cagliari, mas não foi suficiente. Apesar da vitória, a Inter ainda não apresenta bom futebol e é difícil imaginar esta equipe lutando pelo título. O time é muito lento e Pazzini quase não vê a bola. A boa atuação de Alvarez foi um dos poucos pontos positivos do jogo.

Clique para ver os gols da partida.

Fiorentina 0x0 Milan
Em Florença, o jogo foi polêmico e o time de Allegri não saiu nada satisfeito. Com maior domínio, um gol mal anulado e dois possíveis pênaltis não marcados, o Milan deixou de ganhar os três pontos, teve sua boa série de vitórias interrompida e perdeu a chance de assumir a liderança do campeonato. O time rossonero jogou como se estivesse em casa e chegou a ter 73% de posse de bola no primeiro tempo da partida. A Fiorentina, estreando Delio Rossi no banco, entrou em um 4-3-1-2 com algumas alterações, mas tudo que conseguiu foi se defender, sentindo muita falta de Jovetic, que não jogou por causa de uma lesão muscular. Destaque para a grande estreia do menino Nastasic (18 anos), que mostrou muita personalidade à frente do goleiro Boruc e ajudou o time a não tomar gols do Milan, que tem o melhor ataque da Serie A. Agora, Delio Rossi ganha uma semana para aprimorar seu time e o Milan começa a se preparar para o jogo contra o Barcelona, que vale a liderança do Grupo H, na Liga dos Campeões.

Veja os melhores lances da partida.

Napoli 0x0 Lazio
Desistindo de fazer rodízio nos jogos que antecedem a rodada da Champions League, Mazzari escalou o Napoli completo para enfrentar a Lazio, mas nem assim conseguiu vencer. O primeiro tempo foi fraco tecnicamente e o jogo ficou truncado e sem emoções. Na segunda etapa, então, o time da casa mudou de postura e o jogo melhorou muito. O Napoli pressionou com Lavezzi e Cavani, principalmente, mas viu o goleiro Marchetti em grande dia. Cavani chegou a marcar um gol, mas o juiz anulou, incorretamente, marcando impedimento. Sem Klose, Reja escalou Sculli ao lado de Cissè e a dupla de ataque não incomodou a meta napolitana hora nenhuma. Defensivamente, contudo, o time romano foi muito bem e conseguiu manter a invencibilidade fora de casa, mostrando a força da equipe, que continua forte na luta pelas primeiras posições. Assim, a Lazio alcançou os 22 pontos e a liderança momentânea do campeonato, enquanto o Napoli foi a 15 e ocupa apenas a sétima colocação.

Veja os melhores lances da partida.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pelo menos foi cedo

Iachini sem boné é um milagre. Pena que as últimas ações da Samp não foram lá de se tirar o chapéu... (Sampdoria.it)
A Sampdoria está em crise. Na sétima posição da Serie B, com 22 pontos em 15 jogos, fora até mesmo da zona de classificação para os play-offs de acesso para a elite, os blucerchiati dão mostras de que não conseguiram se adaptar à nova realidade. Para falar da situação do time, convidamos o colega Thiéres Rabelo, que mantém o blog Sampdoria BR para falar do assunto. Confira!

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A Sampdoria continua o mesmo enigma que foi na temporada passada, quando começou na Liga dos Campeões e terminou na Serie B: tem tudo em mãos para dar certo, mas sua direção insiste em escolhas inexplicáveis.

Neste domingo, a diretoria oficializou a demissão de Gianluca Atzori do cargo de treinador, após a derrota por 1 a 0 para o Vicenza, em Gênova. Estava escrita há várias rodadas e foi uma ação rápida da diretoria. Já no dia seguinte, a diretoria já anunciava o novo comandante, Giuseppe Iachini, campeão da Serie B de 2007-2008, com o Chievo, e responsável pela arrancada do Brescia na Serie B de 2009-2010, quando o time venceu 21 partidas em 42 rodadas e subiu para a Serie A, derrotando Cittadella e Torino nos play-offs finais.

No entanto, Iachini foi o plano B. Dois treinadores de maior expressão disseram não ao convite da diretoria blucerchiata: Luigi Del Neri, que levou a Samp à Liga dos Campeões em 2010, e Roberto Donadoni, ex-treinador da seleção italiana, que fez um bom trabalho no Cagliari no último ano. A pergunta que fica é: por que a diretoria preferiu fazer a arriscada aposta em Atzori no meio do ano, ao invés de investir pesado para trazer um treinador com maior currículo?

Este foi apenas um dos erros que a diretoria cometeu nesta temporada. Riccardo Garrone Jr., filho de Riccardo Garrone, assumiu o controle da sociedade logo após o rebaixamento. Seu primeiro erro foi não contratar um diretor geral. Desde que Giuseppe Marotta deixou Gênova e foi ser o diretor da Juventus, quase que todas as contratações do clube foram equivocadas, incluindo a dos treinadores Domenico Di Carlo e Alberto Cavasin, na temporada passada, que ajudaram muito no rebaixamento da equipe. Para a atual temporada, foi contratado apenas um diretor esportivo, Pasquale Sensibile, que fez ótimo trabalho no Novara - sua única experiência profissional. Ou seja, mais uma aposta.

Em seguida, foi feita a aposta em Atzori, que ainda não possui nenhum resultado de destaque em sua curta carreira. Nada além de levar Ravenna e Reggina aos play-offs das divisões de acesso, como a Prima Divisione e a Serie B, respectivamente, e um fracasso retumbante no Catania, já na elite. O ex-zagueiro  já começou mal seu trabalho em Gênova, passando aperto para vencer o Alessandria na primeira rodada da Coppa Italia. Foi uma vitória por 3 a 2 na prorrogação. Logo na fase seguinte, veio a eliminação na Coppa para o Empoli, fora de casa, após derrota por 2 a 1. O alerta vermelho deveria ter sido ligado aí.

Na Serie B, após dois empates preocupantes, o time conseguiu uma goleada de 6 a 0 contra o pequeno caçula Gubbio, que serviu para "enganar" a todos. Nos quatro jogos seguintes, duas convincentes vitórias fora de casa, ambas por 3 a 1 sobre Empoli e AlbinoLeffe. Mas, dentro de casa, um empate sem gols com o Grosseto e uma derrota para o Torino, por 2 a 1, resultados não exatamente inexplicáveis, mas que revelavam algumas deficiências do elenco. A partir destes tropeços, começou a derrocada.

Atzori chegou ao time com o discurso de preferir usar o esquema 3-5-2, mas poucas vezes o fez. Ele começou a temporada com um 3-4-3 gasperiniano, sem meias de criação, com dois volantes e dois alas. Após as chegadas de Bentivoglio e Foggia, que poderiam jogar ou abertos pelos flancos ou mais próximos dos atacantes, o técnico começou a variar entre as formações citadas anteriormente e acrescentou um 4-4-2 às opções. 

Depois de tudo, parece ter perdido completamente a noção. Passou a deixar no banco jogadores-chave da equipe, como Padalino, Obiang, Foggia e até mesmo o capitão Palombo, que praticmente abdicou da Euro 2012 pela seleção italiana e optou por continuar na equipe mesmo tendo mercado entre as equipes de médio e até grande porte da Itália. Atzori cavou sua própria sepultura, através da incompetência.

Garrone Jr., apesar de estar colhendo os frutos dos erros que ele mesmo cometeu, pelo menos agiu rápido, demitindo Atzori ainda no primeiro turno. Ponto para a diretoria, que, ao contrário da temporada passada, insistiu com Di Carlo até que as coisas se tornassem irreversíveis. Agora, chega Iachini, que se não é o melhor dos treinadores e nem foi a primeira opção do time, ao menos tem experiência suficiente na Serie B, com a vantagem de ter um elenco de Serie A em mãos. Além disso, a Samp tem uma torcida que lota o estádio em todos os jogos, mais do que metade dos times de Serie A. Os ingredientes necessários estão na mesa, basta que Iachini seja um bom cozinheiro e faça a Samp chegar aonde quer.

Procura-se criatividade


É bom observar bem, Prandelli: afinal, está difícil achar a criatividade italiana, não é? (Getty Images)

Foi o jogo recente com maior grau de dificuldade para a Itália. Diante da sensação do futebol mundial pós-Copa do Mundo, os italianos sofreram e se despediram de 2011 com uma derrota que não acontecia desde 2006. Atuando em Roma, revés por 1 a 0 para o Uruguai e, de quebra, final de uma sequência invicta em seus domínios que durava havia cinco anos. Pior que isso, porém, foi a constatação de que a criatividade italiana deverá ser o fator que gerará as maiores dores de cabeça para Cesare Prandelli até a Euro-2012.

Com Balotelli mais uma vez entre os titulares, a esperança azzurra estava toda concentrada em mais uma boa atuação do atacante. O adversário, porém, era muito maior do que os que haviam sido batidos – com certa dificuldade, é bom frisar – no passado mais recente. Se não vinha atuando bem desde a maiúscula vitória sobre a campeã mundial Espanha, a Nazionale sofreu com o poder uruguaio. Atuando com velocidade, a Celeste não demorou para impor seu jogo e abrir o placar: não eram marcados nem quatro minutos quando Fernandez recebeu cruzamento e venceu Buffon, astro da noite ao entrar pela 112ª vez em campo pela Itália, deixando pra trás ninguém menos do que a lenda Dino Zoff.

O placar adverso, apesar de assustar, poderia ser considerado completamente normal tendo em vista que o Uruguai vem praticando futebol vistoso e vencedor recentemente. Poderia, mas não foi devido às ausências mais do que sentidas do lesionado Forlán, do poupado Luis Suárez e de Loco Abreu, que preferiu não viajar à Roma para ajudar seu Botafogo. A Celeste que vencia a Itália logo de cara estava toda desfigurada e transformava uma eventual vitória italiana praticamente em obrigação. Sabendo disso, Prandelli mandou seus comandados ao ataque e iniciou um bombardeio na zaga – também desfalcada – do adversário.

Com Osvaldo de titular do ataque – no único teste feito, em clara tentativa de agradar a torcida local – a Itália chegava ao campo adversário com muitos jogadores, mas pouca criatividade. Balotelli, apagado, não ajudou como na partida anterior e, com isso, escancarou a falta de um armador na Nazionale. Montolivo, mais uma vez atuante como trequartista, foi nulo também por mais uma vez. O jogador da Fiorentina, que mostra a cada partida não parecer ter ombros suficientes para carregar a armação italiana, sofreu com a boa marcação uruguaia, demonstrando também falta de recursos na hora de se livrar da defesa. Pior para a Squadra Azzurra, que ainda viu Muslera fazer uma série de boas defesas em investidas italianas.

E se já estava desfalcado, o Uruguai ainda passou os últimos dez minutos de jogo sem Alvaro Pereira, expulso após entrada de Pepe – que, por sua vez, havia entrado em campo na tentativa desesperada de Prandelli de atacar o adversário. E mesmo com uma a mais, a Itália seguiu sem fazer gols e viu sua invencibilidade em casa ruir. Resultado ruim em partida boa para que os italianos estejam cientes de que o caminho até uma boa campanha na Euro-12 é longo e cheio de percalços. Na competição europeia, os italianos caíram no pote 2 do sorteio, ao lado de Alemanha, Inglaterra e Rússia. Confira abaixo todos os potes do torneio:

Pote 1 (cabeças-de-chave): Polônia (país-sede), Ucrânia (país-sede), Espanha e Holanda
Pote 2:  Itália, Alemanha, Inglaterra e Rússia
Pote 3: Croácia, Grécia, Portugal e Suécia
Pote 4: Dinamarca, Irlanda, França e República Tcheca

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Classificações curtas nos campeonatos da Lega Pro

No capricho: Ternana não perde o passo e conserva o primeiro lugar do seu grupo na Prima Divisione (Tutto Lega Pro)
Ainda que estejam visivelmente nivelados por baixo, os campeonatos da Lega Pro estão muito mais equilibrados que os da última temporada. Por enquanto, as únicas "fugas" acontecem nos grupos A da Prima e Seconda Divisione, onde, respectivamente, Ternana e Taranto travam uma disputa particular pela liderança, e o Casale tem três pontos de vantagem sobre dois concorrentes diretos.

Nos bastidores, as punições continuam em ritmo acelerado: somadas as sanções pelo escândalo Last Bet, já são 24 clubes punidos (14 na Prima e dez na Seconda Divisione) e 68 pontos descontados. Em âmbito societário, novidades nas casas de Piacenza, que tem uma nova propriedade; Como, que pode ser adquirido por um consórcio da própria cidade; e Savona, que caminha para um programa de acionariado popular - semelhante aos desenvolvidos recentemente em Mantova e La Spezia.

Atropelamento: Cremonese mostra futebol de categoria superior chega à ponta da tabela (cremonaonline.it)

Prima Divisione, após 12 rodadas

Grupo A
Separados por menos de uma vitória, Ternana e Taranto disputam ferozmente a liderança do grupo. A vantagem ainda é dos umbros, que têm sequências de bons resultados dentro e fora de casa. Nos play-offs, o Tritium segue surpreendendo, em companhia de um ótimo Lumezzane e do Sorrento, que não corresponde à condição de favorito. Pro Vercelli (outra formação badalada) e Pisa estão cada mais perto do grupo dos melhores. Como e Carpi estão em baixa, e o Avellino segue seu campeonato de "meia-tabela". Na parte de baixo Foggia e Monza reagem, enquanto Spal e Pavia desabam para a faixa de play-outs, ao lado de Viareggio e do inerte Benevento. Na lanterna e sem pontuação, o Foligno desponta como provável rebaixado.

Promoção direta: Ternana (27 pontos)
Play-offs: Taranto (25), Tritium (21), Lumezzane (21) e Sorrento (20)
Play-outs: Benevento (10), Spal (10), Pavia (8) e Viareggio (5)
Rebaixamento direto: Foligno (0)
Penalizações: Taranto, Como, Foggia e Viareggio (-1); Sorrento, Reggiana e Spal (-2); Foligno (-4); e Benevento (-6)

Grupo B
A Cremonese mostra um futebol de Serie B e, com oito vitórias em 12 jogos, chega merecidamente à liderança do grupo. Empatado em pontos com a equipe de Cremona, o Lanciano abre os play-offs, seguido pelo (repescado e) surpreendente Sudtirol, a recém-promovida Carrarese e o ainda favorito Frosinone. Mesmo irregulares, Barletta e Siracusa ainda miram um lugar entre os classificados. Spezia e Portosummaga não conseguem decolar. Triestina e Piacenza, que davam sinais de recuperação, agora estão em queda-livre, junto com o ex-líder Pergocrema. Nos play-outs, a novidade é a chegada do Andria, que faz companhia a Latina, Prato e Bassano Virtus. Ainda último, o FeralpiSalò demonstra melhoras e pode deixar a incômoda posição já na próxima rodada.

Promoção direta: Cremonese (21 pontos)
Play-offs: Virtus Lanciano (21), Sudtirol (20), Carrarese (19) e Frosinone (19)
Play-outs: Latina (12), Andria (11), Prato (9) e Bassano Virtus (9)
Rebaixamento direto: FeralpiSalo' (9)
Andria e Bassano Virtus têm um jogo a menos
Penalizações: Carrarese e Virtus Lanciano (-1); Siracusa (-3); Piacenza (-4); e Cremonese (-6)


Casale vence com regularidade e tenta escapar na liderança (casalecalcio.it)

Seconda Divisione, após 13 rodadas

Grupo A
O Casale se aproveitou dos passos em falso da concorrência para reassumir a liderança e "fugir" na tabela. O Treviso se mantém na área de promoção, com o Rimini, que abre os play-offs, em seus calcanhares. Os estreantes Cuneo e Santarcangelo fecham o grupo dos melhores, ao lado da Giacomense. Na zona de play-out, um choque de ex-favoritos: de um lado o Mantova em crise, e de outro o Alessandria em franca recuperação. Na faixa de rebaixamento direto, Valenzana e Lecco ensaiam reações, ao passo que a Pro Patria, dizimada por uma penalização severa, já vê de perto o futebol amador.

Promoção direta: Casale (29 pontos) e Treviso (26)
Play-offs: Rimini (26), Cuneo (23), Santarcangelo (19) e Giacomense (19)
Play-outs: Mantova (14) e Alessandria (13)
Rebaixamento direto: Valenzana (10), Lecco (8) e Pro Patria (4)
Penalizações: Montichiari (-1); Savona e Alessandria (-2); e Pro Patria (-13)

Grupo B
Perugia e Paganese se alternavam na liderança, ameaçados pelo Catanzaro. Mas foi o L'Aquila que, surpreendentemente, superou os três e assumiu a ponta, fazendo sonhar sua pequena cidade. A formação perugina segue na zona de acesso. Nos play-offs, destaque para o Vigor Lamezia, que continua fazendo um campeonato brilhante, bem além de suas possibilidades. O mesmo não se pode dizer do irregular Giulianova, que atravessa um novo período de baixa e já vê seu posto ameaçado pelo Chieti. Fano e Melfi se enfrentariam no play-out, e Ebolitana, Milazzo e Celano jogariam na próxima Serie D.

Promoção direta: L'Aquila (30 pontos) e Perugia (29)
Play-offs: Catanzaro (27), Paganese (26), Vigor Lamezia (25) e Giulianova (23)
Play-outs: Fano (12) e Melfi (12)
Rebaixamento direto: Ebolitana (12), Milazzo (12) e Celano (5)
Penalizações: Aversa Normanna e Ebolitana (-1); Isola Liri e Campobasso (-2); Mefi (-4); e Fano (-5)


Revanche: derrotada nos play-offs da última temporada Pro Vercelli elimina Pro Patria da Coppa Italia (fcprovercelli.it)

Coppa Italia Lega Pro
Para a próxima fase da Coppa Italia Lega Pro, estão classificados os seguintes times: Lumezzane, Lecco, Tritium, Pro Vercelli, Treviso, Carpi, Spal, Reggiana, Piacenza, Alessandria, Spezia, Cuneo, Pisa, Perugia, Ternana, Virtus Lanciano, Foggia, Benevento, Latina, Fondi, Andria, Paganese, Trapani e Catanzaro. O destaque foi a vitória da Pro Vercelli, que se vingou da Pro Patria devolvendo a eliminação nos play-offs da última temporada.

Na próxima etapa do torneio, os 24 sobreviventes serão divididos em 12 chaves de eliminação direta, com partidas apenas de ida. Em seguida, os novos vencedores formarão quatro grupos de três clubes cada, dos quais sairão quatro semifinalistas que lutarão pelo título.

domingo, 13 de novembro de 2011

Jogadores: Bruno Conti

Ao todo, Conti jogou 15 temporadas pela Roma. Nesse tempo, conquistou um scudetto e cinco Copas Italianas, se tornando um dos maiores ídolos da história do clube (Getty Images)
Ponta esquerda dos mais elétricos, Bruno Conti foi um dos pilares da era mais gloriosa da história da Roma, que entre 1980 e 1991 venceu um Campeonato Italiano e cinco Copas da Itália. Ao lado de ídolos como Antognoni e Oriali, Conti fez história e até hoje deixa os torcedores romanistas com saudades. Nascido em Nettuno, nas adjacências da capital, Conti foi símbolo de uma geração quase toda revelada no Olímpico. Rápido, habilidoso e letal, encantava até mesmo os seus rivais, com o seu estilo arrojado de jogo.

Iniciando sua carreira profissional em 1973, ele jogou na Roma por duas temporadas, mas nunca conseguiu convencer. Sem se firmar, então, partiu, por empréstimo, para o Genoa, que estava na Serie B. Pelos grifoni, Conti teve boa sequência e ajudou a equipe a retornar à elite do futebol italiano, acumulando boas atuações e começando a aparecer como promessa. Assim, voltou à Roma em 1976 gerando muita expectativa. Com time fraco, no entanto, os gialorossi não conseguiram fazer boa campanha nos campeonatos de 1976-77 e 1977-78, terminando ambos no meio da tabela. A má fase romanista afetou também o futebol de Conti, que não conseguiu se firmar no time titular e acabou voltando para o Genoa, em 1978, e novo por empréstimo.

Desta vez, a passagem por Gênova foi curta e Conti voltou para a Roma já em 1979. Sob o comando técnico de Ferruccio Valcareggi, o time agora contava com Tancredi, Di Bartolomei, Ancelotti e Pruzzo. Logo na temporada da volta de Conti à Serie A (no campeonato de 1979-80), a equipe não foi muito longe e terminou em um desanimador sétimo lugar. A competição, contudo, serviu como fase de amadurecimento para a Roma, que na temporada seguinte foi atrás de alguns bons talentos para compor o seu elenco. A conquista da Coppa Italia no final daquela temporada, contra o Torino, nos pênaltis, mostrou o que a Roma poderia fazer.

A chegada de Falcão ao Olímpico foi crucial para o início de uma fase inesquecível. Conti agora era referência no grupo romanista e sua presença na ligação entre o meio e o ataque foi providencial na campanha do vice-campeonato italiano em 1981, apenas dois pontos atrás da líder Juventus. Após anos sem incomodar, a Serie A de 1981-82 representaria a consolidação da Roma como competidora ao scudetto durante quase toda a década de 80. Nesse meio tempo, o Mundial da Espanha em 1982 serviu para colocar o nome de Conti na galeria dos maiores craques italianos com o título da squadra azzurra.

Após a derrota para a Itália na semifinal, Falcão e Zico disseram que estava difícil competir com o meio-campo italiano naquela tarde de  5 de julho de 1982 em Barcelona. Antognoni, Oriali, Tardelli e Conti de fato não deram espaço para os brasileiros em nenhum momento. O próprio Falcão, conhecedor das principais artimanhas de Conti, companheiro de clube, reconhecia que o pequeno era um jogador difícil de ser parado ou desarmado. E assim se fez até a caminhada para o título, com direito a assistência do romanista para o terceiro gol da finalíssima diante da Alemanha.

Dominar o mundo pela seleção foi o maior feito de Conti em sua carreira. Mas ainda lhe faltava ser campeão italiano. Na sequência do tricampeonato mundial pela Itália, a Roma voltou às manchetes com o seu segundo scudetto, conquistado em 1983 com quatro pontos de vantagem sobre a arquirrival Juventus. O título também credenciou os romanistas a participarem da Liga dos Campeões. De pronto, os pupilos de Nils Liedholm, o Barão, alcançaram a fase final. Passando por Göteborg, CSKA Sofia, Dynamo Berlin e Dundee United, a Roma teria um último desafio em pleno Olímpico, contra o temível Liverpool.

A derrota veio e até hoje as cicatrizes daquele fatídico 30 de maio de 1984 são visíveis no sentimento do romanista ao redor do planeta. O 4 a 2 para os ingleses na decisão (Conti perdeu a sua cobrança, para alegria de um Grobelaar dançante e que testou os nervos dos italianos debaixo meta dos Reds) selou a maior e mais dolorosa derrota da história do clube da cidade eterna. Dez anos depois, na mesma data, o capitão romanista Di Bartolomei se suicidou com um tiro no peito, na cidade de San Marco di Castellabate, nunca tendo superado o dia inglório em que viu a taça da Europa ser levantada por outra equipe que não a sua, diante de sua torcida.

A última glória enquanto Conti ainda reinava absoluto na meia cancha romanista foi a já rotineira Coppa Italia, em cima da Sampdoria, em 1991. Alguns dias depois a Curva Sud faria sua última saudação ao jogador, a lenda que por tanto tempo vestiu a camisa 7 giallorossa. O 23 de maio de 1991 ficou conhecido pelos lados de Roma como o Bruno Conti Day. 

Após a aposentadoria e, até os dias de hoje, Bruno Conti trabalha na Roma: foi treinador de equipes de base e também coordenou o setor juvenil. Em 2004-05, em um dos momentos mais complicados da história recente da Roma, foi o quarto treinador da equipe principal na temporada, e conseguiu levar a equipe à Copa Uefa através do vice-campeonato da Coppa Italia. Depois, voltou a comandar as categorias de base. Um de seus maiores desgostos é ver seu filho, Daniele Conti, costumar marcar gols contra a Roma sempre que enfrenta o clube em que se formou, mas no qual nunca teve oportunidades.

Alguns podem dizer que foi mero coadjuvante de outras estrelas de sua época, que nunca teve as glórias mais desejadas pelo seu clube. Sobre Conti, um certo craque brasileiro proferiu as seguintes palavras: "Ele é o mais forte dos que vi neste Mundial (da Espanha em 1982), é o verdadeiro brasileiro desta Copa. Penso que nunca nascerão mais jogadores como este". Fosse qualquer fulano por aí, a oração não faria tanto sentido. É bem verdade que Pelé já errou em muitos pitacos dados, mas neste em especial, o Rei do futebol acertou.

Bruno Conti
Nascimento: 13 de março de 1955, em Nettuno, Itália
Posição: Meia, ponta esquerda
Clubes como jogador: Roma (1973-75, 1976-78, 1979-91), Genoa (1975-76, 1978-79)
Clubes como treinador: Roma (2004-05)
Títulos como jogador: 1 Copa do Mundo (1982) 1 Serie A (1982/83) 5 Coppa Italia (1980, 81, 84, 86, 91)
Seleção italiana: 47 jogos e 5 gols

sábado, 12 de novembro de 2011

A Itália de Balotelli?

Balotelli é abraçado após seu gol: a ascensão do jogador em campo torna a Itália mais forte (Reuters)

Balotelli é daquele tipo de jogador que não se vê muitas vezes. Em um futebol no qual a imagem do bom moço é muito mais quista e bem vista, o atacante do Manchester City se destaca por seu futebol incisivo e, em muitas vezes, pelas polêmicas nas quais se mete. E desde que foi destaque no clássico de Manchester pelos gols marcados, vem chamando ainda mais a atenção do mundo. Na oportunidade, ao marcar pela primeira vez, mostrou uma camisa com os dizeres “Why always me?” (Por que sempre eu?, em português). Parecia querer uma explicação para aqueles que vem mais seu comportamente explosivo do que seu futebol diferenciado. Na partida contra a Polônia, atuando pela Itália, Super Mario deu mais um passo para ser tido por todos mais como jogador e menos como problema.

Classificada para a Euro-12, a Itália enfrentou a Polônia em seu primeiro amistoso preparatório. Com a espinha dorsal de seu time definida, Cesare Prandelli voltou a fazer testes apenas na defesa. Ao lado de Ranocchia, Chiellini e Criscito, promoveu a primeira partida de Abate pela Nazionale. Além disso, optou por um ataque mais leve, com Balotelli e Pazzini, formando pela primeira vez em sua gestão uma linha ofensiva sem Rossi ou Cassano – este último afastado por problemas de saúde. E as mudanças deram certo. Com seus atacantes flutuando entre os dois lados do campo e mudando constantemente de posição, a Squadra Azzurra confundiu a defesa polonesa e chegou facilmente às investidas na frente.

Contra uma Polônia que apostava na defesa forte e nos contra-ataques, a Itália dependia de seu apagado meio-campo para chegar ao gol adversário. Montolivo, mais uma vez como trequartista, foi figura nula e dificultou as coisas no início da partida. A situação só melhorou quando Pazzini e Balotelli passaram a atuar com mais entrosamento e, consequentemente, confiança. E foi justamente em uma jogada confiante que o atacante do City abriu o placar aos 30 minutos, acertando belo chute no ângulo de Szczesny. Na comemoração de seu primeiro gol pela Azzurra, Super Mario beijou a camisa e mostrou ter dado um passo importante para sua consolidação no plantel que Prandelli deverá levar à Euro.

Sem restrições quanto ao número de substituições, a partida acabou virando, no segundo tempo, um laboratório para o técnico italiano. Logo de cara, De Rossi e Pirlo foram sacados para as respectivas entradas de Pepe e Thiago Motta. A Itália, então, passou a atuar de forma mais incisiva, no 4-3-3. E, neste novo esquema, não tardou para que os azzurri fechassem o placar da partida. Em boa jogada de Balotelli, com participação de Pepe, Pazzini colocou para dentro aos 15 minutos da segunda etapa e selou de vez a boa partida da dupla de ataque italiana. Ao final da partida, Ranocchia cometeu pênalti desperdiçado por Blaszczykowski.

Se não teve um meio-campo tão participativo quanto nas últimas partidas, a Itália saiu de campo com dois alentos: o raro funcionamento da dupla de ataque e aquele que pode ter sido um começo para Balotelli, cada vez menos problema, cada vez mais solução. Se Super Mario colocar sua cabeça no lugar, deverá ser peça fundamental na caminhada azzurra pelo título europeu. E então passará a se perguntar por que sempre ele… que decide partidas a torto e a direito com seu futebol ofensivo e alegre. E em pouco tempo o atleta do Manchester City poderá dar à Itália algo que lhe tem faltado desde a Copa de 2006: um atleta com potencial de ataque capaz de decidir partidas. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Balla, balla...

Ficcadenti pode apenas olhar para o futuro: foi demitido por puro capricho do presidente Cellino (Getty Images)
Ballare, em italiano, significa dançar. E, na dança dos técnicos, Davide Ballardini sempre está presente, como estepe, pronto para ser contratado por um time desesperado. Desta vez, o técnico romanholo chega ao Cagliari - que está na décima posição, com 13 pontos - e fazia um campeonato mais do que digno, sob o comando de Massimo Ficcadenti. Poderia parecer anormal, se não fosse na Itália. Entre os campeonatos de ponta da Europa, o italiano é o que tem maior média de demissões de treinadores. Apenas nesta temporada, seis times já mudaram de treinadores, com apenas 10 rodadas disputadas. É um misto de falta de planejamento e falta de paciência.

No caso do Cagliari, o motivo da demissão de Ficcadenti tem nome e sobrenome: Massimo Cellino. O excêntrico presidente cagliaritano demite treinadores como troca de roupa. Na presidência do clube desde 1991, já trocou de treinador 21 vezes - fora os retornos daqueles que ainda tinham contrato com o clube. Cellino é tão incongruente que chegou a demitir Massimiliano Allegri - o mesmo que seria campeão pelo Milan, no ano seguinte - porque o time já havia se salvado do rebaixamento e passou por um período de cinco jogos sem vitória. 

Antes do início deste campeonato, demitiu Roberto Donadoni, que havia feito ótima campanha na temporada anterior, por divergências quanto ao projeto técnico. E agora demitiu Massimo Ficcadenti, um treinador que está longe de ser dos melhores, mas que vinha fazendo um dos três melhores trabalhos em 2011-12. Ficcadenti, coitado, agora não poderá mais treinar outra equipe italiana neste campeonato e ainda corre o risco de ser contatado mais uma vez por Cellino e voltar ao cargo, já que ainda tem contrato com os sardos. Ballardini, por sua vez, vai para sua terceira passagem no clube após seis anos. Se não deu certo antes, por que daria agora?

A outra demissão que aconteceu nesta semana já vinha sendo cantada há tempos. Sinisa Mihajlovic comeu o pão que o diabo amassou, em Florença. Ele, que é um dos técnicos mais jovens da Itália, vinha fazendo o que podia com um elenco mediano, pincelado com um ou outro ótimo jogador, em meio a uma crise societária. Entre os principais jogadores do clube, apenas Jovetic não manifestou desejo de deixar a viola - e até renovou contrato até 2016, no fim de outubro. 

O capítulo Montolivo era outro problema à parte: o capitão havia perdido a braçadeira por declarar que queria deixar a Fiorentina e era vaiado pela torcida em todos os jogos que aconteciam em casa, no Artemio Franchi. Mihajlovic pedia encarecidamente que os torcedores não vaiassem Montolivo e a equipe, de maneira geral, porque isso atrapalhava a concentração dos jogadores e trazia problemas extracampo para dentro do gramado, o que comprometia a performance. Como parte deles reagiu? Parou de vaiar o ex-capitão e direcionou as críticas ao sérvio, que foi vítima até mesmo de coros racistas e xenofóbicos. A diretoria não parecia apoiá-lo completamente, o que foi confirmado com a demissão desta semana. Atualmente, a Fiorentina ocupa a 13ª colocação, com 12 pontos.

A Fiorentina talvez saia até ganhando tecnicamente, já que o substituto de Mihajlovic é Delio Rossi, um dos técnicos mais experientes do país, reconhecido por levar times médios - ou de elenco mediano, como a Lazio da métade desta década - a fazer ótimas temporadas. Rossi é um treinador que não faz distinções entre a vontade de ir bem seja no campeonato seja na Coppa Italia, única chance de título para a imensa maioria das equipes do Belpaese. Esta valorização pode ser importante para que a Fiorentina volte a conquistar um título após pouco mais de dez anos. Se é que Rossi vai resistir à crise societária, disfarçada pela alta diretoria - e, agora, ampliada pelo veredito que condena Andrea Della Valle a um ano de cadeia, por envolvimento no Calciopoli - e não será demitido no meio do caminho. Afinal, na Itália, não importa o que esteja acontecendo: a culpa é sempre do treinador.