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sábado, 31 de dezembro de 2011

Parada de inverno: Milan

Nocerino e Boateng se cumprimentam: o primeiro é agradável surpresa e o segundo é peça-chave no meio-campo do Milan, setor que tem decidido partidas para o rossonero (Getty Images)
Campanha
1ª posição. 16 jogos, 34 pontos. 10 vitórias, 4 empates, 2 derrotas. 35 gols marcados, 16 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 5, da 7ª à 11ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 10, da 7ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, da 2ª à 4ª rodada
Artilheiro: Zlatan Ibrahimovic, 11 gols
Fair play: 34 cartões amarelos, 2 vermelhos

Time-base
Abbiati; Abate, Thiago Silva, Nesta (Bonera), Antonini; Aquilani (Seedorf), van Bommel, Nocerino; Boateng (Seedorf); Ibrahimovic, Robinho.

Treinador
Massimiliano Allegri. Desde a temporada 2010-11, a fórmula é a mesma: Allegri não abre mão de um Milan que jogue no 4-3-1-2 e atue de forma bastante coletiva. Meio-campistas fazem um trabalho muito bom no meio-campo, formando um conjunto que defendia melhor no ano passado, mas que tem criado com eficiência ainda maior: o Milan tem o melhor ataque da competição com 35 gols, oito a mais que a Juventus. Bater de frente com Pato, no entanto, pode trazê-lo problemas diplomáticos muito difíceis de contornar, especialmente porque nos últimos anos, quando Silvio Berlusconi se afastou da presidência do clube para seguir sua carreira política, sua filha Barbara, namorada de Pato, representou sua voz dentro do clube. Pressionado, qualquer fracasso pode azedar ainda mais suas relações com a alta cúpula rossonera e afastá-lo do comando do time. Vencer é mais que necessário.

Destaque
Kevin-Prince Boateng. Quem diria que o "príncipe" ganês teria tanto destaque em Milanello? Hoje, o Milan joga bem quando Boateng aparece para o jogo. Trequartista no 4-3-1-2 de Allegri, ele é o termômetro de um time que tem Ibrahimovic como maior destaque individual e fazedor de gols (são 11 até agora), mas que depende muito da chegada de meio-campistas ao ataque. Desde a última temporada, Allegri prioriza bastante a participação dos meias na construção e finalização das jogadas e, realizando esta função, Boateng achou seu espaço. É por esta característica do esquema que, além dele, nomes como Seedorf, Aquilani e Nocerino tem tanta importância para a fluência de jogo do Milan. Aposentado precocemente por espontânea vontade da seleção de seu país, Boateng ainda pode se dedicar exclusivamente ao clube, uma grande vantagem para o Diavolo que, por exemplo, não vai precisar abrir mão dele em janeiro, quando ocorre a Copa Africana de Nações. No meio-campo, quem também está voando é Nocerino, maior pechincha e melhor custo-benefício de todo o mercado de verão. O ex-jogador do Palermo custou apenas 500 mil euros a Silvio Berlusconi e tem correspondido muito bem, substituindo Gattuso (afastado por um problema no olho) à altura e sendo frequentemente o melhor em campo. Além disso, é o vice-artilheiro do time, com seis gols.

Decepção
Alexandre Pato. O namorado de Barbara Berlusconi, filha do manda-chuva do clube não tem feito uma temporada que mereça elogios. Pato marcou apenas um gol no campeonato italiano e acumulou péssimas exibições, frequentemente embaralhando posições em campo com Ibrahimovic. O atacante já chegou a alfinetar Allegri publicamente, dizendo que "se ele quer que eu jogue melhor, deve me explicar como. Ancelotti fazia isso". O mal estar entre os dois (dizem as más línguas que a relação entre jogador e técnico é conturbada) já tem levado a especulações que cogitam uma venda multimilionária ao Paris Saint-Germain, que estaria disposto a pagar quase 50 milhões de euros por ele. O Milan não pensa em vendê-lo - sorte dele que é genro do dono do clube. Além de Pato, outro que não tem correspondido às expectativas é Mexès, que demorou demais de voltar de lesão sofrida quando ainda atuava pela Roma, na última temporada, e fez jogos ruins na reta final de 2011.

Perspectiva
Título. O elenco milanista é o mais forte da Serie A e, após se recuperar de um início de campeonato ruim, o time já se igualou em número de pontos à Juventus, dividindo a liderança. O futebol ainda não é o mesmo daquele demonstrado na última temporada, mas ao menos o ataque tem funcionado bem e é, de longe, o mais produtivo do torneio. Resta, agora, melhorar o desempenho da defesa: a da Juventus tem se saído melhor e, já que as duas grandes estão empatadas em pontos, levar menos gols pode ser o fiel da balança. Além disso, dosar bem a preocupação com campeonato e Liga dos Campeões pode ser o segredo para que o Milan garanta o bicampeonato, já que a Juve não joga competições continentais e deve ter menos desgastes físicos até o fim da temporada.

Parada de Inverno: Juventus

Na melhor temporada de sua carreira, Marchisio vira artilheiro e ajuda a Juve a brigar pelo título (Juventus.com)

Campanha
2ª posição. 16 jogos, 34 pontos. 9 vitórias, 7 empates, nenhuma derrota. 27 gols marcados, 11 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 12ª à 14ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 16, da 1ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 2, duas vezes. Da 4ª à 5ª rodada e da 7ª à 8ª rodada
Artilheiros: Alessandro Matri e Claudio Marchisio, ambos com 6 gols
Fair play: 31 amarelos, 2 vermelhos

Time-base
Buffon; Lichtsteiner, Barzagli, Bonucci, Chiellini; Vidal, Pirlo, Marchisio; Pepe, Matri, Vucinic (Del Piero).

Treinador
Antonio Conte. O ex-jogador e ídolo juventino voltou ao clube para tentar recuperar o lugar do time entre os grandes do futebol italiano, posto perdido por causa dos insucessos pós-calciopoli. Ele chegou em Turim com pouca experiência no currículo (apenas dois bons trabalhos na Serie B), mas muita identificação com a torcida e a promessa de colocar a Juve jogando para frente. O 4-2-4 do treinador, porém, não deu certo e, ao longo da temporada, Conte teve que se adaptar e mudar de esquema. Mostrando que não é homem de uma tática só, colocou a equipe em um 4-3-3, que às vezes muda para um 4-1-4-1, e deu consitência à Juventus: o time tem o segundo melhor ataque e a segunda melhor defesa da competição. Se a Juventus é o único time invicto na competição, os méritos são de Conte, que impôs seu estilo e não aceita jogar fazendo corpo mole.

Destaque
Claudio Marchisio. Depois de pelo menos dois anos executando papeis de coadjuvante, Marchisio finalmente consegue mostrar seu futebol e é o grande destaque da Juventus até aqui. Com boa técnica para tocar a bola e velocidade para conduzir o time ao ataque, o jogador é de extrema importância nas jogadas ofensivas da equipe. Os números não mentem: ao lado de Matri, Marchisio é o artilheiro do time, com seis gols. O veterano Pirlo também vem fazendo grande campeonato e surpreende até os mais otimistas. Ninguém esperava que o ex-milanista fosse voltar a jogar em nível tão alto e sua contratação a custo zero chegou a ser questionada antes do início do campeonato. Com passes açucarados, ele é o líder de assistência do time.

Decepção
Milos Krasic. É impressionante a queda de rendimento do sérvio neste ano de 2011. Durante a primeira parte da última temporada, Krasic era o grande nome da Juventus e todas as boas jogadas do time passavam por seus pés. A comparação com Nedved era constante e não era só por causa dos cabelos loiros. Desde o início deste ano, porém, o jogador é dono de uma curva descendente inexplicável. Ainda na temporada passada, seu desempenho caiu muito, mas a explicação podia ser o baixo rendimento coletivo da equipe. Nesta primeira metade de campeonato, porém, ele voltou a decepcionar. Com a chegada de Conte, as condições para ele recuperar seu bom futebol eram ideais: o técnico queria um ala bem ofensivo para atuar no seu 4-2-4 e apostou em Krasic. As péssimas atuações do sérvio, no entanto, fizeram com que Conte o sacasse do time e tivesse que mudar de esquema. Em algumas ocasiões, nem no banco Krasic ficou. Como diria o narrador Milton Leite, "Que fase!" 

Perspectiva
Título. Fora da Liga dos Campeões e da Liga Europa, a Juventus tem todas as suas atenções voltadas para o Campeonato Italiano. E esse talvez seja o maior trunfo da Velha Senhora contra o atual campeão, Milan. A equipe de Milão tem um grupo mais forte, mas tem que se dividir entre Serie A e Liga dos Campeões, o que, de um modo ou de outro, desgasta mais os jogadores. Mas não é só isso. Até aqui, a equipe de Conte se mostrou mais sólida na defesa e sofreu menos gols do que o Milan. Se melhorar a pontaria e parar de empatar tantos jogos (é o time com mais empates na competição até aqui, sete), pode incomodar os rivais na busca pelo bicampeonato. As movimentações no mercado de janeiro podem ajudar a fortalecer o grupo. O principal objetivo do clube neste mercado, porém, é a dispensa de jogadores como Grosso, Amauri, Toni e Iaquinta.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Parada de inverno: Udinese

Mais do mesmo: nas asas e nos gols de Di Natale que a Udinese tem conseguido se superar e fazer seu grupo entrar para a História (Divulgação)  

Campanha
3ª posição. 16 jogos, 32 pontos. 9 vitórias,  5 empates, 2 derrotas. 20 gols marcados, 9 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 13ª à 15ª rodada
Maior sequência de derrotas: 1, na 9ª e na 12ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 7, da 2ª à 8ª rodada
Maior sequência sem vencer: 2, da 4ª à 5ª rodada
Artilheiro: Antonio Di Natale, 10 gols
Fair play: 30 amarelos, 2 vermelhos

Time-base
Handanovic; Danilo, Basta, Benatia (Domizzi); Armero, Asamoah, Pinzi, Isla; Torje (Floro Flores) e Di Natale

Técnico
Francesco Guidolin. Desde a última temporada, o treinador é o principal responsável por fazer com que a Udinese pratique aquele que é considerado o futebol mais bonito da Itália. Com um jogo rápido e de passes incisivos, os friulanos continuam vencendo e convencendo na maioria das partidas que disputam. O esquema, bastante sólido, fez com que Guidolin conseguisse suprir a sentida ausência de Alexis Sanchéz e continuasse dando boa munição ao artilheiro Di Natale, com jogadas rápidas pelas pontas. Dentro deste panorama, ainda tem como principal mérito o fato de estar mantendo o time de Údine no topo das duas competições que disputa com mais afinco: disputa a liderança na Serie A e está bem cotada na fase de mata-mata da Liga Europa.

Destaque
Antonio Di Natale. Não é surpresa que mais uma vez o experiente atacante seja o grande destaque da Udinese. Líder da equipe e também principal artilheiro friulano, Di Natale briga mais uma vez pela artilharia da Serie A. Seus gols, mais do que nunca, tem dado ao time a chance de lutar pelas primeiras posições, sendo muito mais decisivos do que nos últimos anos. Nos momentos em que a pressão aumenta e os jovens atletas parecem perdidos, o atacante tem chamado a responsabilidade e decidido partidas a torto e a direito. Sinal de sua capacidade foi a indicação entre os nomes da primeira lista divulgada pela France Football para a disputa da Bola de Ouro de 2011.

Decepção
Antonio Floro Flores. É consensual que o atacante nunca foi um primor técnico. Porém, é claro também que esperava-se mais dele após seu retorno de empréstimo. O jogador teve algumas chances ao longo do semestre, mas se mostrou sempre apático e com uma capacidade incrível de perder gols. O tempo longe do Friuli não mudou em nada a postura de Floro Flores dentro das quatro linhas, o que faz dele um jogador bastante dispensável no elenco de Guidolin. Para aqueles que esperavam que com o time engrenado o atacante pudesse fazer seus gols e cavar um lugar no grupo - principalmente com a saída de Alexis Sanchéz -, fica a sensação de que ele, mais uma vez, decepcionou.

Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. Apesar do bom futebol que já perdura pela segunda temporada seguida, é difícil imaginar que os friulanos tenham folêgo suificiente para brigar pelo scudetto. Seu futebol ofensivo e eficiente, porém, é mais do que suficiente para credenciar o time a lutar, pelo segundo ano consecutivo, por uma vaga na Liga dos Campeões. Para a torcida, a esperança de título fica dependente de tropeços improváveis de Juventus e Milan, que até o momento se destacam como candidatos únicos na busca pela taça. A vaga na competição continental, no entanto, é mérito mais do que reconhecido, fazendo com que o grupo de Guidolin possa, definitivamente, entrar na história do clube.

Parada de inverno: Lazio

Duas principais contrataçãos da temporada vivem momentos opostos: Klose é eficiente e decisivo, enquanto Cissé decepciona (Getty Images)


Campanha
4ª posição. 16 jogos, 30 pontos. 8 vitórias, 6 empates, 2 derrotas. 24 gols marcados, 13 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3,  da 6ª à 8ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 9, da 4ª à 12ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, 15ª, 16ª e 1ª rodada
Artilheiro: Miroslav Klose, 8 gols
Fair play: 25 amarelos, nenhum vermelho

Time-base
Marchetti; Konko, Biava, André Dias, Radu; Ledesma, Brocchi, Lulic; Hernanes; Cissé, Klose.

Treinador
Edoardo Reja. O técnico goriziano começou a temporada pressionado e chegou até a pedir demissão, que o presidente Claudio Lotito negou. Depois, fez as pazes com a torcida, mas continuou sendo contestado, muito pelas substituições equivocadas que fazia na equipe. Reja só ganhou totalmente a confiança do torcedor laziale quando venceu o dérbi contra a Roma. O treinador sofreu com as lesões de jogadores importantes: Mauri, Brocchi, Matuzalém e, mais recentemente, Konko e Marchetti, são exemplos. Ele alternou a equipe entre o 4-2-3-1 e o 4-3-1-2, mas chegou a usar o 3-5-2 em determinado momento. Reja viu sua equipe conseguir ótimos resultados fora de casa, mas tendo muitas dificuldades quando jogava no Olimpico de Roma.

Destaque
Miroslav Klose. Sem espaço no Bayern, o alemão optou pela Lazio, porque sabia que ali tinha espaço no time titular. E estava certo: chegou e mostrou ser a grande contratação da temporada. Foi dele o primeiro gol da Serie A 2011-12, contra o Milan. Marcou também, no último minuto, o gol da vitória contra a Roma, e mostrou que ainda tem lenha para queimar. Até aqui, foram oito tentos e três assistências no campeonato, a maioria decisivos. O alemão é, sem dúvida, o destaque e a esperança de gols da Lazio na temporada. Outro destaque foi Lulic, que, com a lesão de Mauri, entrou no time titular e não saiu mais. O bósnio fez boas partidas e ganhou a confiança de Reja, que o escalou não só no meio-campo, como também nas laterais; Lulic ainda marcou três gols. O zagueiro Diakité também evoluiu bastante e segurou as pontas enquanto André Dias ou Biava estavam lesionados, mostrando a segurança que não passava na temporada anterior.

Decepção
Djibril Cissé. O francês chegou à Lazio para formar, junto com Klose, o poderoso ataque da Lazio. Começou bem, marcando gol no empate contra o Milan. Mas este foi o único gol do Leão Negro na Serie A. Depois, Cissé entrou em uma má fase que dura até hoje: não conseguia fazer boas partidas, e, quando as fazia, a sorte não o ajudava. O atacante ainda ficou nervoso com alguns torcedores (chegando até a xingá-los no seu Twitter), se desentendeu com o técnico Reja e ficou no banco de reservam em algumas partidas. O que "salvou" sua campanha na equipe biancoceleste foram as cinco assistências na Serie A. Agora, com a parada de inverno, especula-se que ele possa sair da Lazio; o Auxerre, time que o revelou, demonstrou interesse, mas Cissé declarou que deseja permanecer em Roma, reencontrar o bom futebol e ser titular da equipe.


Perspectiva
Vaga em competição europeia. Após ficar de fora da Liga dos Campeões desta temporada, por causa dos gols marcados fora de casa no confronto direto com a Udinese, a Lazio briga novamente para enfim voltar a maior competição de clubes do mundo. E, muito provavelmente, os biancocelesti disputarão a vaga com a Udinese, de novo, uma vez que a equipe está dois pontos à frente, na terceira posição, e também deve lutar para ficar por ali. Só que desta vez a Itália tem uma vaga a menos na Liga, o que torna a vida da Lazio mais difícil. Caso a vaga na Liga dos Campeões não venha, a Lazio se contentará com a Liga Europa, que já disputa nesta temporada, e se classificou, sofridamente, para a fase de dezesseis avos de final, onde enfrenta o Atlético de Madrid.

Parada de inverno: Inter

Milito consola Pazzini: ataque da Inter funcionou mal na primeira parte da temporada e é a chave para a recuperação da equipe de Milão em 2012 (Reuters)

Campanha 
5ª posição. 16 jogos, 26 pontos. 8 vitórias, 2 empates, 6 derrotas. 22 gols marcados, 19 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 4, 15ª e 16ª rodadas e mais dois jogos atrasados, da 1ª e 11ª rodadas
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade:
4, 15ª e 16ª rodadas e mais dois jogos atrasados, da 1ª e 11ª rodadas
Maior sequência sem vencer: 3, da 2ª à 4ª rodada
Artilheiro: Diego Milito, 4 gols
Fair play: 27 amarelos, 3 vermelhos

Time-base
Júlio César; Zanetti (Maicon), Lucio, Samuel (Ranocchia), Nagatomo; Cambiasso; Álvarez, Thiago Motta, Sneijder (Stankovic), Obi (Zárate); Pazzini (Milito, Forlán).

Treinador
Gian Piero Gasperini, da 2ª à 4ª rodada; Claudio Ranieri, da 5ª em diante. No breve período em que Gasperini esteve no comando (?) da Inter, desastre: o piemontês não conseguiu convencer ninguém com seu 3-4-3 ortodoxo e logo foi demitido por uma diretoria que não o apoiava por completo. Ranieri, por sua vez, tem se saído um bom bombeiro: apagou o incêndio da gestão anterior e tem como maior feito o ajuste da defesa nerazzurra, que chegou a ser a mais vazada da competição. Sem Sneijder, montou duas linhas de quatro jogadores (às vezes com Cambiasso mais recuado, em um 4-1-4-1) e resolveu o problema. Nos últimos sete jogos, a Inter só levou três gols e somou 18 pontos em 21 possíveis, alcançando a parte alta da tabela. O time ainda precisa jogar bem, principalmente na perspectiva de que o dérbi contra o Milan acontece daqui a duas rodadas.

Destaque
Ninguém. Apesar da recuperação nas últimas rodadas, é difícil apontar um destaque individual no lado azul e preto de Milão. A defesa em ido bem, mas as atuações não tem enchido os olhos da torcida. O time, envelhecido, ainda sente o peso da idade contra equipes mais velozes, e tem dificuldades para atacar quando Maicon ou Sneijder não jogam (na prática, nesta metade de temporada, quase sempre). Prova disso é que Milito, em má fase, é artilheiro da equipe com quatro gols - três deles marcados nas primeiras cinco rodadas. Nagatomo e Álvarez demoraram para aparecer, mas na reta final de 2011 ajudaram o time a conseguir pontos valiosos, diminuindo um pouco a dependência interista a Sneijder e Maicon. É preciso, agora, de regularidade.

Decepção
Diego Forlán. Dentre todas as decepções da Inter na temporada, o uruguaio é a que mais se faz notar porque ele foi o homem contratado para substituir Samuel Eto'o e dar classe ao time. No entanto, nos oito jogos que fez - ficou machucado em metade das partidas disputadas -, fez apenas um gol e pareceu completamente desconectado do resto do time, que, por sua vez, produziu muito pouco ofensivamente sem Sneijder. O ataque, de maneira geral, tem ido mal: se, com Leonardo, o time marcava bastante, nesta temporada as ausências de Maicon e Sneijder durante boa parte desta metade de campeonato comprometeram o desempenho do setor, já que Álvarez só agora parece começar a se adaptar e Obi e Zárate não deram conta do recado. Pazzini e Milito, que já não vivem boa fase, ficaram isolados e foram ainda mais atrapalhados. A pausa de natal deve ajuda o time a treinar com mais calma e a iminente volta de Sneijder será fundamental.

Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. É o objetivo mínimo dado a Claudio Ranieri. Agora, a equipe está seis pontos atrás da zona de classificação ao torneio, mas terá uma boa chance de se aproximar mais no início do ano vindouro: terá cinco partidas em casa em sete disputadas em janeiro e poderá contar com um Forlán em melhor forma e um Sneijder recuperado. Além disso, a diretoria irá agir no mercado e deve trazer reforços, principalmente para o setor de meio-campo, o mais envelhecido e que mais desgastes sofre durante os jogos. Contando com isso, a Inter pode ter um 2012 mais feliz e ao menos conquistar uma vaga na LC. E, se não terminar entre os três, o baque nas finanças pode ser forte.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Parada de inverno: Napoli

Muito mais do que um artilheiro: Cavani tem sido tão decisivo para o Napoli que começa a ser santificado pela fanática torcida (Uefa.com)

Campanha
6ª posição. 16 jogos,  24 pontos. 6 vitórias,   6 empates,  4 derrotas.  29 gols marcados, 18 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, da 2ª à 3ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 11ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 10ª à 13ª rodada
Artilheiro: Edinson Cavani, 9 gols
Fair play: 28 amarelos, 1 vermelho

Time-base 
De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Aronica; Maggio, Gargano (Dzemaili), Inler, Zúñiga (Dossena); Hamsík, Lavezzi; Cavani.

Treinador
Walter Mazzarri. Um dos principais responsáveis pela formação do elenco, o técnico tem esquema tático definido e sabe fazer o time render mesmo quando alguns de seus principais jogadores não possuem condições de jogo ou estão sendo poupados. Com isso, Mazzarri tem conseguido manter o time no pelotão de frente da Serie A ao mesmo tempo em que faz campanha histórica na Liga dos Campeões. Sempre com um atacante isolado e com meio-campistas que alternam perfeitamente entre a marcação e os avanços, o treinador fez do Napoli um time bastante eficiente e que dificilmente é batido – principalmente quando atua no San Paolo - e que joga muito bem nos grandes jogos. Garantido no cargo, não deve sofrer nenhum tipo de ameaça mesmo com uma eventual queda na Liga dos Campeões, uma vez que tem créditos de sobra com o presidente Aurelio De Laurentiis.

Destaque
Edinson Cavani. Se na última temporada o jogador já havia caído nas graças da torcida, devido aos (muitos) gols marcados, neste ano as coisas estão ainda melhores para o uruguaio. Com uma precisão impressionante na hora de balançar as redes, tem se destacado agora não só pela quantidade de vezes que marca, mas pela importância de seus gols. Com eles, levou o Napoli à fase de mata-mata da Liga dos Campeões e passou a ser venerado pelos torcedores. Na Serie A, apesar de ter sido poupado em alguns jogos do time, já tem nove tentos marcados e, como era esperado, briga pela artilharia. Sua importância para os partenopei é tão grande que Cavani é responsável por nada menos do que um terço dos gols marcados pelo time no Italiano. Logo atrás dele, o "Pocho" Lavezzi continua fazendo grandes atuações e contrabalanceia um Hamsík um pouco menos brilhante. Ademais, Inler e Pandev tem se mostrado duas contratações acertadas.
 
Decepção
Salvatore Aronica. Um dos jogadores que mais comete faltas dentro do elenco napolitano, o zagueiro não tem passado segurança para os seus companheiros e tem sido vítima de constantes falhas. Se nunca foi um primor técnico como jogador, compensava sua falta de habilidade com muita raça. Nesta temporada, porém, as coisas tem sido um pouco mais difíceis para Aronica: suas falhas estão aumentando em ritmo gradual e são responsáveis pela maioria dos gols sofridos pelo time. Reflexo desta situação é o fato de que o jogador, em algumas vezes, foi deixado no banco de reservas por Mazzarri.
 
Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. O elenco do Napoli tem qualidade suficiente para brigar pelo scudetto. A chegada do chileno Vargas, destaque da Universidad de Chile, só fortalece uma equipe que já vinha se destacando tanto na Itália quanto na Europa. O título, porém, é difícil porque o time já vê os líderes a uma distância considerável. Além disso, todas as atenções napolitanas estão voltadas para os duelos contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões. Assim, fica dificil colocar o time na briga pelo troféu, apesar da significativa melhora de elenco que a equipe passou desde a última temporada, quando se destacou, mas não teve fôlego suficiente para chegar ao final da Serie A na briga pelo scudetto.

Parada de inverno: Roma

Na Roma, o jovem Lamela aparece bem e desenha um bom futuro para o time (Goal.com)
Campanha
7ª posição, 24 pontos. 16 jogos, 7 vitórias, 3 empates e 6 derrotas, 21 gols marcados, 19 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, três vezes. Da 5ª à 6ª rodada, da 11ª à 12ª e da 16ª à 1ª
Maior sequência de derrotas: 2, duas vezes. Da 9ª à 10ª rodada e da 13ª à 14ª
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 3ª à 6ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, duas vezes. Da 2ª à 4ª rodada e da 13ª à 15ª rodada
Artilheiro: Pablo Osvaldo, 7 gols
Fair play: 28 cartões amarelos, 5 vermelhos


Time base
Stekelenburg; Taddei, Burdisso, Heinze, José Ángel; De Rossi, Pjanic, Gago (Perrotta); Totti, Osvaldo, Lamela (Bojan).

Treinador
Luis Enrique. O espanhol chegou do Barcelona B como aposta. Imediatamente cobrado para implantar um pouco da filosofia blaugrana no plantel romanista, o espanhol teve problemas no início da Serie A. A equipe não engrenava: apesar de ter um padrão de jogo definido, com muita posse e toque de bola, o time não conseguia agredir o adversário e, consequentemente, não fazia gols. Não bastasse a ineficácia ofensiva, Luis Enrique deslocou muitos jogadores de suas posições originais e até a 10ª rodada abusou do arrojo nas formações, além de tentar desafiar o poder de Totti nos vestiários. O empate contra a Juventus (em uma boa apresentação) e a vitória contra o Napoli, fora de casa, parecem ter dado novo fôlego para o treinador, que esteve por um fio de perder o seu emprego antes mesmo de completar um semestre no cargo.

Destaque
Erik Lamela e Pablo Osvaldo. Os dois brigões precisaram de certo tempo para aparecer como estrelas desta nova Roma. O primeiro, lesionado, só entrou em campo contra o Palermo, na 8ª rodada, marcando o gol solitário dos romanistas contra os rosanero. Já o atacante italiano de origem argentina demorou para engrenar boa sequência de gols, mas conseguiu e agora é o artilheiro do time, tendo balançado as redes sete vezes. No desequilíbrio que foi esta primeira metade de Serie A para a Roma, os dois demonstraram que têm muito talento e devem ajudar para que esta campanha não seja mais uma de lamentações para os torcedores. Mesmo porque Lamela é um dos mais talentosos desta nova geração argentina e Osvaldo é um atacante com faro de gol e que pode aparecer em momentos importantes. Unindo a boa movimentação de Lamela e a presença de área de Osvaldo, o ataque giallorosso fica forte. Na parte defensiva, quem se destaca é De Rossi, que chegou a atuar como zagueiro em boa parte dos jogos e foi muito bem. Na zaga ou na volância, é o jogador mais regular da equipe.

Decepção
Miralem Pjanic. O bósnio estourou no Lyon em meados de 2009 e no Gerland foi se notabilizando como jogador interessante para o futuro. A sua contratação pela Roma animou os que pediam criatividade para o meio de campo, setor que há muito tempo não mostra nada de diferente. Nos seus primeiros passos dados na Itália, porém, Pjanic apontou que ainda carece de tempo para se adaptar ao jogo desejado por Luis Enrique e que as atuações espetaculares que fazia na França por enquanto são só lembranças. Ansioso e pouco participativo, erra muito e só não amarga o banco por falta de opções melhores - Pizarro passou boa parte da temporada lesionado. Juan e Kjaer, cheios de problemas físicos, também tem jogado muito abaixo da média. A perspectiva é que as apostas vinguem quando a Roma se estabelecer na tabela. Afinal, enquanto a gangorra for o espelho do desempenho giallorosso, fica difícil exigir grandes atuações de alguém.

Perspectiva
Vaga na Liga Europa. Com o investimento pesado de Thomas Di Benedetto, a Roma era uma das candidatas ao scudetto na pré-temporada. Contudo, querer resultados imediatos com um time recém-formado é praticamente impossível no futebol atual, ainda que seja tendência transformar clubes em simples caixas registradoras. Difícil imaginar que um time com tantas derrotas e empates nesta primeira metade de Serie A consiga se recuperar e brigar pelo título ou por uma vaga na Liga dos Campeões. Ao que tudo indica, dentro da irregularidade apresentada, a Liga Europa será o destino da Roma para a temporada 2012-13. A não ser que o presidente coloque a mão no bolso de novo e traga bons reforços neste mês de janeiro. Casemiro, meia do São Paulo, é um dos alvos.

Parada de Inverno: Catania

Com grupo unido, Catania vem fazendo bom campeonato e, dependendo das movimentações no mercado de inverno, pode surpreender (Getty Images)
Campanha
8ª posição. 16 jogos, 22 pontos. 5 vitórias, 7 empates, 4 derrotas. 20 gols marcados, 23 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, da 11ª à 12ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 7ª à 10ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, da 4ª à 6ª rodada
Artilheiro: Francesco Lodi, 4 gols
Fair play: 41 amarelos, 1 vermelho

Time-base
Andújar; Bellusci, Legrottaglie, Spolli; Gómez, Almirón, Delvecchio, Lodi, Marchese; Maxi López, Bergessio.

Treinador
Vicenzo Montella. Após passagem mediana pela Roma, na temporada passada, Montella chegou ao Catania sob desconfiança, mas rapidamente conquistou o apoio da torcida. Sob seu comando, o Catania joga em um 3-5-2 que diverte. Nos 16 jogos até aqui, só em dois a equipe não marcou gols. Com o sólido grupo formado pelo treinador, a oitava posição não é uma surpresa. O time tem personalidade e, não à toa, venceu jogos contra Napoli e Inter, por exemplo. O meio de campo que marca e sai para o jogo com qualidade é o ponto alto. Méritos de Montella, que tem usado bem as peças que tem em mãos e está se revelando um dos melhores técnicos da nova geração. O grande problema dos rossazzurri até aqui é o alto número de empates: foram sete, o que o torna o time que mais empatou na competição, ao lado da Juventus. 

Destaque
Francesco Lodi. Além de artilheiro do time, Lodi é o homem de referência no meio de campo etneo. O jogador é muito importante nas chegadas ao ataque: com classe, ele não é um mediano que apenas protege a zaga. Seu bom toque de bola ajuda o time a sair jogando com qualidade e, além disso, é fulminante nas bolas paradas - dois de seus gols foram em cobranças de falta perfeitas. Ao seu lado, Almirón também vem fazendo bom campeonato. Mais à frente, o argentino Alejandro Gómez surpreende e já é tido como uma das grandes promessas para a próxima temporada, caso continue no clube. Menção honrosa para os atacantes Bergessio e Maxi López também.

Decepção
Mariano Andújar. Apesar do bom momento do trio defensivo, composto por Bellusci, Legrottaglie e Spolli, o Catania sofre muitos gols (23 até aqui). Muito disso pode ser colocado na conta do goleiro Andújar, que está longe de seus melhores momentos e não passa segurança aos companheiros. Suas falhas já comprometeram importantes pontos à equipe. Lanzafame e Ledesma, que também já passaram por momentos melhores na carreira, figuram como decepções pelo pouco tempo que estiveram em campo até aqui (275 e 112 minutos, respectivamente). Os dois podem estar de saída neste mercado de meio de temporada. Além deles, Suazo continua em decadência e só entrou em campo em três partidas neste campeonato.

Perspectiva
Tudo depende muito do que vai acontecer neste mercado de janeiro. Maxi López é o mais assediado e sua permanência é muito importante para Montella conseguir continuar o bom trabalho. Milan, Fiorentina e Atlético de Madrid são alguns dos interessados em sua contratação. Bons jogadores que compõem o elenco também têm seus nomes ligados à transferências de inverno. Paglialunga, Ricchiuti e Sciacca, que tem jogado pouco, por exemplo, podem deixar o clube. Assim sendo, a atuação da diretoria neste período vai ser essencial para definir quais as ambições do Catania para o resto da temporada. Com a manutenção da maioria dos jogadores, a torcida pode esperar um time rondando a zona de classificação para a Liga Europa até o final. Caso contrário, não pode esperar nada mais que uma posição intermediária na tabela. Ultrapassar os 46 pontos e a 13ª colocação, no entanto, já significaria o melhor campeonato da história do clube.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Parada de inverno: Palermo


Migliaccio se reinventou na zaga e fez partidas acima da média em seu retorno ao meio-campo. Mas o Palermo precisa de mais, muito mais... (Getty Images)

Campanha
9ª posição. 16 jogos, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 18 gols marcados, 20 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, da 7ª à 8ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 4ª à 6ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 14ª à 1ª rodada (adiada)
Artilheiro: Fabrizio Miccoli, 4 gols
Fair play: 38 amarelos, 3 vermelhos

Time-base
Tzorvas; Pisano, Silvestre, Migliaccio (Cetto), Balzaretti; Acquah, Barreto, Bertolo, Ilicic; Miccoli, Pinilla.

Treinador
Devis Mangia, até a 16ª rodada; Bortolo Mutti, a partir da 1ª (adiada). O presidente Maurizio Zamparini já fez duas vítimas neste primeiro semestre da temporada 2011-12. O campeonato nem tinha começado e Stefano Pioli foi demitido. Na 16ª rodada, depois de eliminação para o Siena na Coppa Italia e derrota no clássico contra o Catania, Devis Mangia foi o dispensado da vez. Mutti retorna ao Palermo após a competição de 2001-02. Na primeira e única partida, mudança no posicionamento tático: sai o 4-4-2, fixo de Mangia, e entra o 4-3-2-1, encaixando Alvarez ao lado de Ilicic na armação enquanto Zahavi se recupera de lesão.

Destaque
Giulio Migliaccio. O volante se reinventou na posição de zagueiro durante grande parte do campeonato. A lesão de Mauro Cetto ainda na pré-temporada fez com que Devis Mangia improvisasse o jogador ao lado de Matías Silvestre, contratado junto ao Catania, ao invés de colocar Mantovani, que chegou do Chievo para ser zagueiro - ele atuou como lateral-esquerdo nos últimos anos e hoje é reserva de Balzaretti. Migliaccio comprometeu o Palermo em poucos jogos – na vitória contra a Inter, por exemplo -, mas depois mostrou segurança. A recuperação do zagueiro fez com que o volante fosse deslocado para o meio, tirando a posição de titular incontestável do irregular Della Rocca. Com Mutti, parece que Migliaccio dará as cartas defensivamente, como fazia em 2010-11, ao lado de Barreto, e Mantovani voltará a jogar na zaga.

Decepção
Armin Bacinovic. O ponto de desequilíbrio rosanero na última temporada foi Javier Pastore. O tripé defensivo, no entanto, também foi enaltecido: ao lado de Nocerino e Migliaccio, o esloveno achado no Maribor, Bacinovic, foi um verdadeiro cão-de-guarda. Porém, ele sumiu nesta temporada. Simplesmente desapareceu, considerado descartável por Mangia. Ele fez nove jogos, seis como titular. Mutti pode retomar a mentalidade de Delio Rossi e pensar no esloveno com uma alternativa a Barreto. Futebol para isso, Bacinovic tem. Outra decepção é Ignacio Lores, revelação do Defensor e Uruguai sub-20. A promessa não engrenou nem mesmo com as lesões de Abel Hernández e Eran Zahavi e a pequena queda de produção de Josip Ilicic.

Perspectiva
Sem competições europeias na próxima temporada. O vice-campeonato da Coppa Italia na última época não vai se repetir. Sendo assim, sem vaga na Liga Europa, uma vez que através da Serie A será difícil conquistar a vaga. Os mais de 40 milhões de euros recebidos pela venda de seu melhor jogador, Javier Pastore, ao Paris Saint-Germain, não foram revertidos em peças-chave à equipe. Os rosanero sentem falta de um lateral-direito competente depois de um primeiro semestre fraquíssimo de Pisano. Além disso, Aguirregaray, que joga na posição e que apoiava e marcava com eficiência no Peñarol, teve pouquíssimas chances. Outro setor prejudicado foi o ataque. Sem os passes e, principalmente, os gols de Pastore, o Palermo tem média de 1,1 gol por partida e, até o jogo contra o Novara, na última rodada, não havia marcado sequer um gol fora de casa - até hoje a equipe não venceu fora do Renzo Barbera. Seu artilheiro é Miccoli, com um tento a mais que Abel Hernandéz. Lutar por posição intermediária na tabela é o que o time de Zamparini fará. Sonhar com algo mais é difícil e depende de pontos conseguidos fora de seus domínios.

Parada de Inverno: Genoa

Rodrigo Palacio já vai para a segunda temporada de completo protagonismo no Genoa (AP Photo)

Campanha
10ª posição. 16 jogos, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 19 gols marcados, 24 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, da 3ª à 4ª rodada
Maior sequência de derrotas: 2 (duas vezes), da 5ª à 6ª rodada e da 13ª à 14ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 2ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, da 5ª à 8ª rodada
Artilheiro: Rodrigo Palacio, 6 gols
Fair Play: 39 amarelos, 3 vermelhos

Time-base
Frey; Mesto, Kaladze (Granqvist), Dainelli, Moretti (Antonelli, Kaladze); M. Rossi, Miguel Veloso, Kucka (Merkel); Jorquera (Constant); Palacio, Pratto (Caracciolo).
 
Técnico
Alberto Malesani, da 1ª à 16ª rodada; Pasquale Marino, daqui para frente. Nas 16 rodadas em que esteve à frente do Genoa, Malesani optou, na maioria das vezes, pelo 4-3-1-2 e, em algumas situações, pelo 3-5-2 (na realidade, um 5-3-2 sem a bola), com objetivo de liberar Mesto e Rossi pelas alas. Porém, mesmo com um elenco que tem boas alternativas ofensivas, o treinador não conseguiu montar uma equipe com um ataque efetivo e, para piorar, a defesa tem um rendimento ainda pior: está entre as quatro mais vazadas da Serie A 2011-12. Malesani acabou demitido após a vexatória derrota por 6 a 1 contra o Napoli, na última rodada antes do recesso. Para a sequência da disputa chega Pasquale Marino, conhecido por montar seus times quase sempre em um 4-3-3 super-ofensivo. A defesa deve continuar sofrendo muitos gols, mas a esperança é de que o ataque comece a funcionar.

Destaque
Rodrigo Palacio. O ex-jogador do Boca Juniors é, mais uma vez, o maior destaque em Gênova. O camisa 8 grifone é o artilheiro da equipe na Serie A, com seis gols, e também lidera o Genoa em assistências, com quatro passes decisivos. No ano passado, durante todo o campeonato foram nove gols e oito assistências. Se a situação do ataque da equipe já é ruim, sem Palacio o panorama seria muito pior. Além do atacante argentino, o volante Miguel Veloso, em sua segunda temporada na Itália, parece adaptado. Neste ano, participou dos 16 jogos da equipe no campeonato, contribuiu com dois gols e, mesmo atuando na marcação, só recebeu dois cartões amarelos. O meia-atacante chileno Jorquera vem tendo bom desempenho e é a surpresa rossoblù. O goleiro Frey, apesar de sofrer muitos gols, também tem feito ótimas atuações.

Decepção
Kévin Constant. O veloz trequartista chegou ao Genoa por aproximadamente sete milhões de euros, credenciado de uma boa campanha na última temporada com o Chievo. Mesmo encontrando o 4-3-1-2, com que estava acostumado a atuar em Verona, o guineense não se saiu bem e não conseguiu se firmar entre os titulares rossoblù. Porém a opção de Malesani de usá-lo mais atrás e não como meia-atacante (função que exerceu bem no clube anterior) atrapalhou bastante seu desempenho, que esteve bem abaixo da expectativa criada. Com o novo treinador, a esperança é que Constant reencontre seu melhor futebol e honre o valor que foi investido para a sua contratação. O malinês lidera uma série de flops do mercado grifone: desde a escassez de gols de Zé Eduardo e Caracciolo (apenas o italiano marcou; e o brasileiro só jogou quatro partidas) ao não-aproveitamento de Ribas (artilheiro da última segundona francesa pelo Dijon), ao barramento do talentoso esloveno Birsa e às poucas partidas do zagueiro Bovo, que era capitão do Palermo e não tem nem mesmo fardado rossoblù.

Perspectiva
Meio da tabela. O sonho europeu parece fadado a mais uma vez ser adiado. Já são 12 pontos de desvantagem em relação ao sexto posto, que dá vaga à Liga Europa. Porém, o presidente Enrico Preziosi parece ainda não ter desistido de alcançar a classificação à uma competição europeia. Logo após a chegada do novo treinador ele prometeu: “Ou Boriello, ou Gilardino ou Amauri. Um deles será nosso atacante na segunda parte do campeonato”. Se os grifoni realmente conseguirem trazer um deles, com certeza terão um ataque poderoso e uma ótima opção para atuar centralizada no tridente ofensivo de Marino. Mas, se o presidente ainda sonha com a vaga na Liga Europa, ele deve voltar seus olhos à defesa, que também precisa de ajustes - não apenas reparados através do mercado, mas pelo posicionamento tático.

Parada de Inverno: Atalanta

 Germán Denis comemorando um gol: cena comum nos primeiros 16 jogos da Atalanta na Serie A 2011-12 (EFE)

Campanha
11ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 6 vitórias, 8 empates, 2 derrotas. 23 gols marcados, 19 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 3ª à 5ª rodada
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 7, da 11ª à 1ª rodada (que foi adiada e jogada no final do ano)
Maior sequência sem vencer: 5, da 12ª à 16ª rodada
Artilheiro: Germán Denis, 12 gols
Fair play: 44 amarelos, nenhum vermelho

Time-base
Consigli; Masiello, Manfredini, Lucchini, Peluso; Schelotto, Cigarini, Padoin, Bonaventura; Maxi Moralez; Denis.

Treinador
Stefano Colantuono. O romano vai para a sua segunda temporada no comando dos nerazzurri, após liderar a equipe na campanha campeã da Serie B 2010-11. O esquema utilizado pelo comandante é o 4-4-1-1, formação que prioriza a proteção à defesa. Nesta temporada, mesmo sendo o foco da formação tática, a retaguarda não se destaca e já foi vazada 19 vezes - é apenas a décima melhor. O ataque é o quinto mais positivo, muito por mérito de Denis, autor de 12 dos 23 gols do time. O relativo êxito ofensivo deve ser dividido com o comandante, que potencializa o desempenho do atacante argentino, o isolando no ataque, fazendo com que ele seja o alvo principal das jogadas dos companheiros. Como os números mostram, a opção tem dado resultado. Além disso, o treinador tem lidado bem com o elenco e, na Serie A 2011-12, 25 jogadores já entraram em campo pelo menos por um minuto.

Destaque
Germán Denis. No início da temporada, foi Maxi Moralez que chegou do Vélez com moral e como principal investimento da Atalanta para a Serie A 2011-12, mas, até aqui, é o atacante argentino que tem chamado mais atenção pelo desempenho. O camisa 19 marcou 12 dos 23 gols da Atalanta no campeonato e tem balançado as redes de qualquer forma: pé direito, perna esquerda, de cabeça e de pênalti. Com o desempenho, Germán Denis foi lembrado por Alejandro Sabella para substituir o contundido Agüero nas primeiras rodadas das Eliminatórias da Copa de 2014. Hoje, o camisa 19 nerazzurro lidera a tabela de artilheiros da Serie A ao lado do badalado Ibrahimovic. A forma impressionante com que Denis se apresenta apagou um pouco a contribuição de Moralez, mas o trequartista também vai bem e lidera o time em assistências, com dois passes decisivos, e é vice-artilheiro da Atalanta, com quatro gols. Schelotto e Cigarini, por sua vez, tem recuperado o bom futebol e estão no radar de Cesare Prandelli para futuras convocações para a Nazionale. No meio-campo, a fartura de boas opções (além dos dois, Padoin, Bonaventura e, na reserva, Carmona, Caserta, Ferreira Pinto e Brighi) tem feito com que a Atalanta jogue bem e não sofra as consequências do envolvimento de Cristiano Doni (e, talvez, do clube) no escândalo das apostas ilegais.

Decepção
Simone Tiribocchi. O atacante, bastante identificado com a torcida nerazzurra e artilheiro do título da segunda divisão, na última temporada, com 14 gols, perdeu espaço com a chegada de Denis. Pouco utilizado por Colantuono, o camisa 90 participou de apenas três jogos e marcou só um gol. A esperança de todos em Bérgamo era que o experiente jogador pudesse contribuir com a equipe, marcando muitas vezes e também com a sua experiência dentro de campo, mas isso não vem acontecendo. As lesões também atrapalharam o desempenho de Tiribocchi até aqui e a pouca utilização do jogador pode tirá-lo do clube já na janela de transferências de janeiro. Uma troca com o Cesena por Bogdani foi especulada nos últimos dias. No coração da torcida, no entanto, a grande decepção é Cristiano Doni, outrora maior ídolo da história da equipe: ele foi suspenso por três anos por participação no escândalo de apostas ilegais e, depois de ter jurado inocência, admitiu que comandava o esquema que prejudicou a Atalanta, punida com a perda de seis pontos nesta Serie A.

Perspectiva
Meio da tabela. Se a Atalanta não tivesse largado o campeonato com seis pontos negativos, chegaria à parada de inverno na zona de classificação para a Liga Europa. Porém, com os pontos perdidos, o time está mais atrás e fica difícil pensar em muito mais do que uma temporada tranquila e sem perigos de rebaixamento. Colantuono sabe disso: “Estamos em situação na tabela melhor do que os prognósticos mais otimistas apontavam”, afirmou após vitória por 4 a 1 sobre o Cesena. Durante o campeonato, além do goleador Denis, o destaque tem sido o ótimo desempenho como mandante: em oito jogos dentro de casa, foram quatro vitórias, quatro empates, 11 gols marcados e apenas cinco sofridos. A força dentro do estádio Atleti Azzurri D’Italia, onde as bancadas têm média de 18.267 presentes por jogo, deve seguir sendo fator fundamental para os nerazzurri seguirem com tranqulidade o caminho até a Serie A 2012-13.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Parada de Inverno: Chievo

É assim: com raça e firme na marcação, Hetemaj é o destaque do Chievo no primeiro semestre de Serie A (Getty Images)

Campanha

12ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 5 vitórias, 5 empates, 6 derrotas. 13 gols marcados, 18 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, da 4ª à 5ª e 11ª à 12ª rodada
Maior sequência de derrotas: 3, da 8ª à 10ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 4ª à 7ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 6ª à 10ª rodada
Artilheiros: Sergio Pellissier e Davide Moscardelli, 3 gols
Fair play: 36 amarelos, 1 vermelho

Time-base
Sorrentino; Frey, Andreolli (Morero), Cesar, Jokic; Sammarco (Rigoni), Bradley, Hetemaj; Théréau; Moscardelli (Paloschi), Pellissier.

Treinador
Domenico Di Carlo. O Chievo é o time mais previsível da Serie A e o técnico Di Carlo não esconde sua preferência pelo 4-3-1-2. A 12ª posição nesta parada de inverno mostra uma equipe coesa principalmente no meio-campo, mas com falhas sobretudo do lado esquerdo da zaga, onde o lateral Jokic não consegue substituir Mantovani à altura, e no ataque. Na defesa, Bostjan Cesar fez bom campeonato no ano passado, ao lado de Andreolli, mas agora mostra futebol bem aquém daquele: afobado e lento. A presença de três meio-campistas à frente da zaga deu novo ânimo ao Chievo. Bradley, contratado exatamente para "encorpar" o meio, ajuda bastante defensivamente e foi o principal responsável pela reconstrução do setor. No ataque, Pellissier e Moscardelli dividem a artilharia, com apenas três gols cada; Théréau e Paloschi têm dois. Pouquíssimo. Não à toa, o ataque é o terceiro pior da competição, com apenas 13 gols marcados. 

Destaque
Perparim Hetemaj. O jogador vindo do Brescia ocupa bem a faixa esquerda do campo e tem ótima média de desarmes, com cotação de mais de 75% de acerto por partida. O finlandês entrosou rapidamente com Bradley e Sammarco, formando o melhor setor do Chievo na temporada. Além disso, Hetemaj faz boas investidas ofensivas, apesar de não ter balançado as redes ainda, e ajuda Théréau na armação das jogadas. Outro destaque é Luca Rigoni, também no meio-campo. Aos 27 anos, o reserva não brinca e mantém a média dos titulares, quando entra.

Decepção
Rinaldo Cruzado. O trequartista comprado junto ao Juan Aurich era a principal esperança de aumentar os passes decisivos para Pellissier, mas ainda não convenceu. Está certo que o peruano se machucou em novembro e ficou um mês fora, mas ele já não era titular e havia perdido a posição para Théréau. Kamil Vacek também decepciona até aqui. As constantes convocações para a seleção da República Tcheca fizeram com que o volante fosse cotado à disputar posição de forma ferenha com Hetemaj e Luciano. Porém, foi ele sair do time que o Chievo melhorou de rendimento.

Perspectiva
Lutar por posição intermediária na tabela. A briga pelo rebaixamento parece que foi colocada de lado. A equipe que Di Carlo tem em mãos é suficiente para pensar em uma posição no meio da tabela. A manutenção de Hetemaj e Bradley é o suficiente para dar o dinamismo que o Chievo precisa para rodar a bola e tentar furar a defesa adversária. Contudo, os gialloblù podem (e precisam) se mexer no mercado. A primeira tarefa é segurar Alberto Paloschi, que o Novara tanto quer para jogar ao lado de Meggiorini. A segunda é procurar um atacante com bom poder de finalização, para acabar com o mau momento do ataque, que ficou sem marcar gols em sete dos 16 jogos.

Parada de Inverno: Parma

O dono do time. Responsável direto por mais e metade dos gols da equipe, Giovinco é o homem que mantém o Parma longe da zona de rebaixamento (Goal.com)

Campanha
13ª posição. 16 jogos, 19 pontos. 5 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 21 gols marcados, 26 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, 6ª à 7ª rodada
Maior sequência de derrotas: 2, duas vezes, da 4ª à 5ª rodada e da 8ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 15ª à 1ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 13ª à 1ª rodada
Artilheiro: Sebastian Giovinco, 7 gols
Fair play: 31 amarelos, 1 vermelhos

Time-base
Mirante; Zaccardo, Lucarelli, Paletta, Gobbi; Valiani, Morrone, Galloppa, Modesto; Giovinco; Biabiany (Floccari).

Treinador
Franco Colomba. No comando do time desde a parte final do último campeonato, quando salvou a equipe do rebaixamento, Colomba começou a atual temporada com moral e conquistou, junto à diretoria, alguns importantes reforços para esta Serie A. Biabiany, Valdés e Floccari foram os principais, além da permanência de Giovinco. A temporada, que caminhava para ser mais tranquila, contudo, começou com uma derrota devastadora para a Juventus, na estreia (4 a 1), e é marcada pela irrgularidade do time, que ainda não conseguiu engatar uma boa sequência de vitórias. Muito disso por conta da desatenção do time, que explica porque a defesa dos bons Mirante, Lucarelli e Paletta é a terceira pior do campeonato, com 26 gols sofridos. O verdadeiro desafio de Colomba para a segunda metade do campeonato é consertar o ataque, que depende muito dos gols de Giovinco, que, porém, não é um goleador.

Destaque
Sebastian Giovinco. O formiga atômica é o principal responsável pela posição confortável que o Parma ocupa neste momento do campeonato. O ex-juventino tem participação direta em mais de metade dos gols da equipe até aqui, tendo balançado as redes sete vezes e dado quatro passes para gol. Sua boa técnica e velocidade ditam o ritmo do meio-campo gialloblù. Além disso, Giovinco leva perigo ao gol adversário em bolas paradas. Outro que merece destaque é o francês Biabiany, que entrou em campo nas 16 rodadas do campeonato e tem sido a válvula de escape ao Formiga Atômica. Em Parma, reencontrou o bom futebol que o levou à Inter e nem parece o bidone da última temporada. Além deles, só Mirante e Zaccardo também jogaram todos os jogos.

Decepção
Sergio Floccari. O atacante chegou da Lazio para reforçar o ataque que tinha apenas Crespo como ponto de referência, mas não consegue se estabelecer. Com apenas 10 presenças e dois gols marcados até aqui, seu rendimento está bem abaixo do que Colomba previa e por isso o técnico tem apostado em uma linha ofensiva sem centroavante. Fato é que isso está atrapalhando o time. Não adianta ter um bom meio de campo, com alas que chegam bem ao ataque, se não há uma referência no meio da área para colocar a bola para dentro. Giovinco está conseguindo tapar bem o buraco, com gols importantes, mas não pode-se esperar que ele atinja marca de goleador ao fim da competição. Se Floccari reencontrasse seu faro de gol e voltasse a marcar, ajudaria muito. No último domingo, contra o Lecce, deu esperanças à torcida  de que pode melhorar.

Perspectiva
Meio de tabela. O Parma tem elenco razoável e, salvo excepcionalidades, não deve lutar contra o rebaixamento. Sonhar com algo acima da 10ª posição, no entanto, também parece um pouco demais. Assim, o time de Colomba deve mesmo perambular pela zona intermediária da tabela e incomodar, vez ou outra, os times que lutam por algo. Acabar com os apagões do time e encontrar um atacante que faça gols deve ajudar o técnico a ter um futuro mais tranquilo e chegar às férias sem maiores preocupações. No mercado de janeiro, um atacante e um volante são prioridades.

Parada de inverno: Fiorentina

Jovetic tem sido a saída mais prática para a Fiorentina sair da má fase (Goal.com)
Campanha
14a posição, 16 jogos, 18 pontos, 4 vitórias, 6 empates, 6 derrotas. 15 gols marcados e 15 sofridos.
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: -
Maior sequência de invencibilidade: 2, da rodada 7 à 8
Maior sequência sem vencer: 5, da rodada 5 à 10
Artilheiro: Stevan Jovetic, 7 gols
Fair play: 33 amarelos, 1 vermelho

Time-base
Boruc; De Silvestri (Cassani), Gamberini, Natali, Pasqual; Behrami, Montolivo, Lazzari; Cerci (Gilardino), Jovetic, Vargas.

Treinador

Sinisa Mihajlovic, da 2ª à 11ª rodada. Delio Rossi, da 12ª em diante. É difícil atribuir a um treinador a fase nebulosa que vive a Fiorentina na Serie A. Sem um grande desmanche no seu elenco e com algumas contratações de renome no cenário italiano, a viola sofre para manter a regularidade, ocupando apenas posições intermediárias na tabela, flertando com o descenso. Mihajlovic apareceu na última temporada como uma boa opção, mas se desgastou muito rápido e há tempos não tinha o elenco em mãos. Até a 11ª, enquanto esteve no comando, a Fiorentina venceu apenas três de seus compromissos, o que mostra a apatia e o desânimo que tomou conta do plantel. Delio Rossi chegou acolhido pela torcida e logo em suas primeiras partidas no comando deu para perceber uma mudança de postura do time. O bom momento, porém, durou pouco e os resultados ainda não aparecem. A equipe segue sem um padrão de jogo, já que Rossi prefere o 4-3-1-2, mas precisa aproveitar a grande fase de Cerci e escalar a equipe em um 4-3-3. Destaque para o eletrizante empate contra a Atalanta, no qual a equipe vencia por 1 a 0, sofreu a virada a menos de dez minutos do fim e, por fim, conseguiu empatar a partida. 

Destaque
Stevan Jovetic. De longe, o montenegrino é o que mais se destaca no time de Florença. Elétrico, é daqueles que resolve sozinho, seja com um passe, com um gol ou em uma jogada individual de velocidade. Ele já balançou as redes sete vezes no campeonato e é o principal goleador da equipe, uma vez que Gilardino passa por má fase e anda longe das metas adversárias. Se Delio Rossi quer tirar o time da lama, é em Jovetic que deve se espelhar. A evolução do jovem é espantosa: com maturidade acima da média para sua idade, o jovem decide e já é líder do time. Além disso, renovou seu contrato até 2016 e pode ajudar a equipe a reconquistar seu lugar entre os grandes da Itália, perdido desde a saída de Cesare Prandelli. Todavia, um só homem não basta.

Decepção
Riccardo Montolivo e Alberto Gilardino. Parecem um reflexo deteriorado de anos passados. O meia, ex-capitão do time, ainda não se encontrou em campo e vive a pior temporada de sua carreira. Coincidentemente ou não, a má fase vem desde o fracasso italiano no Mundial de 2010. Perdido e desconcentrado, abandonou o papel de protagonista no elenco e tem desaparecido nos momentos em que é necessário. Perseguido pela torcida, pode deixar o clube em janeiro ou, no máximo, em junho, quando seu contrato acabar. Já o atacante alterna entre momentos de craque e perna de pau, perdendo gols incríveis com mais frequência do que costumava balançar as redes. Com apenas dois gols até aqui, Gilardino terá que voltar a fazer gols se quiser parar de ouvir protestos da torcida, já sem paciência. Ou mesmo irá a outro clube: o Genoa está interessado.

Perspectiva
Meio de tabela. A Fiorentina terá de se contentar com nada. Não dá para apostar em uma classificação para a Liga Europa e seria desastroso demais imaginar algo abaixo do 14º posto. Os muitos jogos sem vitória podem custar caro na reta final e cada ponto que vai pelo ralo é um motivo a mais para que o sinal de alerta se acenda no Artemio Franchi. Já é a segunda temporada que a agremiação violeta se encontra em apuros, causando certa indignação por aceitar a crise como parte do ambiente. Em questão de plantel, certamente não é um candidato para permanecer em zonas inferiores da tabela. Isso, é claro, se conseguir resistir ao assédio do mercado de janeiro e mantiver o elenco.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Parada de inverno: Cagliari

Daniele Conti comemora mais um gol: com o meio-campista como artilheiro, o Cagliari tem sofrido para balançar as redes (TheFootballPhotos.com)

Campanha
15ª posição. 16 jogos, 18 pontos. 4 vitórias,  6 empates, 6 derrotas. 12 gols marcados, 17 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 2, da 2ª à 3ª rodada
Maior sequência de derrotas: 3, da 10ª à 12ª
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 5ª à 9ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 7ª à 11ª rodada
Artilheiro: Daniele Conti, 3 gols
Fair play: 34 amarelos, 0 vermelhos
 

Time-base

Agazzi; Pisano, Ariaudo (Astori), Canini, Agostini; Nainggolan, Conti, Ibarbo (Biondini); Cossu; Thiago Ribeiro e Nenê (Larrivey)

Técnico
Massimo Ficcadenti, até a 11ª rodada; Davide Ballardini, da 12ª em diante. O melhor para o Cagliari talvez fosse ter ficado com Roberto Donadoni, que fez boa campanha no último campeonato, no comando da equipe. Antes do início da temporada, porém, ele foi demitido por conta de divergências com o presidente do clube, Massimo Cellino. Deste modo, Massimo Ficcadenti assumiu o cargo e até conseguiu fazer bons jogos no início da temporada. No entanto, a sequência de cinco rodadas sem vencer, mesmo com bons jogos, entre o dia 15 de outubro e 5 de novembro, derrubou o técnico, sem muitas explicações. Ballardini foi chamado às pressas e não conseguiu melhorar o time: acumula apenas cinco pontos conquistados em seis jogos. Não será surpresa se o Cagliari trocar de treinador mais uma vez ainda neste campeonato, se estabelecendo entre os que não têm planejamento e lutam contra o rebaixamento.

Destaque
Daniele Conti. O meio-campista tem sido um dos raros destaques do Cagliari nesta temporada. Sem muitos holofotes, é artilheiro da equipe com três gols marcados, colaborando ainda com outras duas assistências. Em um ataque inoperante, que só balançou as redes 12 vezes no campeonato, fica clara a importância do meio-campista. Com essa participação, o jogador é não só o destaque da equipe até aqui, como também o principal articulador de jogadas do time, uma vez que Andrea Cossu caiu muito de rendimento e não lidera mais o meio de campo rossoblù, como outrora. A contratação de Ibarbo, ao menos, tem dado mais opções ao time.

Decepção
Andrea Cossu. Chamado de Xavi da Sardenha tamanha sua importância para o time nos últimos anos, o meio-campista faz sua pior temporada com a equipe cagliaritana. Sem nenhum gol e nenhum passe decisivo até o momento, está sumido e faz raras apresentações regulares. Sem as boas atuações de seu principal jogador, o Cagliari tem sofrido principalmente para chegar ao ataque, como evidenciam os números: o time tem o segundo pior poder de fogo da competição, com apenas 12 gols marcados. Só o candidatíssimo ao rebaixamento, Cesena, é pior (oito gols). Se a equipe nunca almejou brigar por nada, poderia pelo menos estar mais tranquila caso Cossu, como nos últimos anos, se destacasse na hora de parar a bola e organizar o meio-campo do time.

Perspectiva
Fugir do rebaixamento. Na melhor das hipóteses, o Cagliari repetirá a última temporada e conseguirá se estabilizar no meio da tabela, após um segundo turno regular. A perspectiva real, porém, coloca o time lutando contra o rebaixamento até o final, se as péssimas atuações recentes persistirem. Ballardini terá um turno inteiro para dar um choque em seus jogadores e fazer com que a zaga, tão eficiente no início da temporada, e o meio-campo voltem a funcionar. Os atacantes Larrivey, Ibarbo, Nenê e Thiago Ribeiro não são de altíssimo nível, mas se as bolas chegarem mais açucaradas, certamente conseguirão melhorar o rendimento ofensivo do time. Piorar não dá.