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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Especial: Ranking das transferências

Ele voltou! Luca Toni, ídolo da Fiorentina, acertou volta ao clube em que teve mais sucesso nos últimos minutos da janela italaia e foi uma das contratações mais inesperadas da janela (Football Wallpapers)
Depois de longos dois meses, acabou. A janela de transferências de verão está encerrada e, com seu fim, já podemos analisar que equipes se reforçaram melhor. Em um mercado no qual a Itália perdeu ótimos jogadores, como Ibrahimovic, Thiago Silva, Lavezzi, Borini e até mesmo a promessa Nastasic, alguns times parecem começar a temporada enfraquecidos, como Milan e Udinese. Outros, como Fiorentina, Inter e Roma, são vistos com outros olhos, após as contratações bem feitas. A Juventus, que fez ótimo mercado, evoluiu e ainda é o time a ser batido. Abaixo, confira as nossas análises, com notas para a ação de cada uma das equipes no mercado. E, para ter uma visão detalhada de quem chegou e de quem saiu de cada equipe, acesse nossa página de mercado. Boa leitura!

Fiorentina, 9
A ordem era renovar os ânimos do elenco e o objetivo foi cumprido à risca e a equipe subiu de patamar: de time que brigava pelo rebaixamento, em 2011-12, esta Fiorentina brigará no topo da tabela. A família Della Valle resolveu investir e montou um elenco pratcamente novo, sob as ordens do promissor Vincenzo Montella, um bom comandante para a renovação. A expectativa é que a viola, renovada por contratações interessantíssimas, consiga brigar por uma vaga na Liga dos Campeões e, ao contrário da temporada passada, jogue um bom futebol, encantando a torcida. Só entre os que ao menos frequentavam o time titular, deixaram a equipe Gamberini, Vargas, Montolivo, Kharja, Cerci, Kroldrup, Natali, Boruc, Amauri e Behrami, além de Lazzari, emprestado à Udinese. E, no último dia do mercado, o ótimo zagueiro Nastasic deixou a equipe rumo ao Manchester City, que ofereceu 12 milhões de euros. Irrecusável para um zagueiro de apenas 19 anos.

Se quase um time inteiro deixou o Artemio Franchi, os gigliatti até exageraram: 18 novos contratados formarão o elenco que disputará a atual temporada. Centrada no jovem craque Jovetic, a equipe dá espaço a outros bons jovens, como os zagueiros Roncaglia, Savic e Hegazy - que serão comandados por Gonzalo Rodríguez, também recém-chegado -, além do meia Cuadrado. O meio-campo, por outro lado está recheado de experiência: chegaram o leão de chácara Migliaccio, o polivalente Llama e os "intelectuais" Valero, Pizarro e Aquilani, que sabem o que fazer com a bola, pois são jogadores muito tático e, além de tudo, excelentes passadores. Para o gol, o nível foi mantido com a chegada de Viviano, candidato a ídolo. Ídolo como Luca Toni, que surpreendentemente fechou com a equipe nos últimos minutos da janela, retornando com um salário de apenas 500 mil euros para a temporada. O veterano atacante, de 35 anos, chega após as complicações com Berbatov, e briga pela titularidade com El Hamdaoui, ex-Ajax, "9"do elenco.

Juventus, 8
Campeã italiana, a Juventus reforçou ainda mais o seu elenco, ampliando a distância entre ela e a grande maioria das outras equipes italianas. No entanto, pelo segundo ano consecutivo, a Velha Senhora não conseguiu fechar com o tão sonhado atacante de nível mundial e, em termos de competitividade para a Liga dos Campeões, ainda está atrás dos rivais. Para comandar o ataque, a Juve sondou Dzeko, depois van Persie, chegou a negociar com Berbatov... e ficou com o contestadíssimo Bendtner. Para a Serie A, pode ser suficiente, mas e para jogar a Champions?

As outras contratações juventinas, no entanto, foram acertadíssimas. A contratação mais festejada foi a de Giovinco, que brilhou muito no Parma e retornou a Turim para dar fantasia à equipe. No entanto, as duas contratações que podem ser mais úteis são as vindas da Udinese. Do Friuli, o clube trouxe os ótimos Isla e Asamoah para dar mais vigor ao seu já combativo e criativo meio-campo. Para o setor mais forte do time, a Juve ainda trouxe a promessa Pogba, que não deve ter tantas chances, mas, em termos de futuro, foi uma bela compra. Outra promessa que a Juve garantiu, já pensando na aposentadoria de Buffon, foi o ótimo goleiro Leali, de apenas 19 anos, que jogará esta temporada emprestado à Virtus Lanciano, da Serie B. Chegaram, ainda, de graça, os brasileiros Rubinho e Lucio. O primeiro será terceiro goleiro e nem deve jogar, enquanto o segundo, se conseguir se readaptar com rapidez a uma defesa com três zagueiros, pode se inserir bem na defesa bianconera, a melhor de 2011-12 em toda a Europa.

Inter, 8
Renovar o elenco com qualidade e se desfazer de jogadores mais velhos e com altos salários eram os principais objetivos da Inter no mercado. De quebra, a equipe ficou muito competitiva e aparece como principal concorrente à Juventus pelo scudetto. A média de idade diminuiu consideravelmente com as aposentadorias de Córdoba e Orlandoni e saídas de Forlán, Lucio, Maicon e Júlio César - sem contar a economia em salários, em torno dos 50 milhões de euros. 

Os reforços não são craques, mas são ótimos jogadores e, sobretudo, funcionais, como Silvestre, Palacio e mesmo o "brucutu" Mudingayi. Sem Maicon, a Inter deve apostar as fichas nas subidas do ótimo lateral esquerdo Álvaro Pereira, contratado junto ao Porto. Para o gol, a Inter contratou Handanovic, melhor goleiro da Serie A nos últimos anos, e não deve sentir falta de Júlio César. Com a volta de Coutinho e a vantajosa troca de Pazzini por Cassano, o poder de fogo da equipe ficou tão grande que nem foi necessário contratar um reserva para Milito.

Roma, 7,5
Para atender às demandas da filosofia de jogo ofensiva de Zdenek Zeman, a Roma investiu no mercado buscando qualidade. A principal contratação foi a do atacante Destro, de boa temporada pelo Siena. Ele, que já faz parte da seleção italiana, deve ser favorecido pela ofensividade da equipe e é candidato a contratação da temporada na Serie A. Além dele, a Roma ainda trouxe dois meio-campistas incansáveis para o meio-campo: Tachtisidis (ex-Verona) e Bradley (ex-Chievo), fundamentais para o jogo de muita movimentação zemaniano. Quem também deve contribuir muito é Balzaretti, liberado pelo Palermo.

Na defesa - que deve sofrer muitos gols, pois não é preocupação de Zeman -, uma boa contratação: a de Leandro Castán, do Corinthians. Piris, do São Paulo, também pode ajudar a dar algum equilíbrio na defesa, já que é um bom marcador. Outros dois nomes que chegam do Timão (Marquinhos e Dodô) são promessas e devem jogar bem pouco. No mercado em saída, a Roma foi bem e se livrou de jogadores mais velhos e de salários altos, como Juan, Kjaer, Cassetti, Cicinho e Pizarro, além de vários que não corresponderam com a camisa giallorossa, como Bojan, Borriello, Rosi, Greco e José Ángel. Dos mais velhos, apenas Perrotta e Júlio Sérgio (que não aceitou a rescisão de contrato), ficaram. Entre os que podem fazer falta estão Borini, negociado com o Liverpool, Gago (que não continuou após o empréstimo do Real Madrid e foi para o Valencia), e até mesmo o voluntarioso Simplício. Os promissores Bertolacci, Vivianoi e Crescenzi também poderiam contribuir, mas foram ganhar experiência em equipes onde há mais espaço.

Napoli, 7
O grande golpe do mercado napolitano aconteceu no último dia do mercado. Não foi nenhuma contratação, mas o anúncio da renovação do contrato de Cavani até 2017 - e com multa rescisória de cerca de 60 milhões de euros. É verdade, Lavezzi, uma das pontas do ótimo tridente de outras temporadas foi vendido ao Paris Saint-Germain por 26 milhões, mas, apesar de sua qualidade e poder de decisão, quem talvez faça mais falta seja o volante Gargano. Primeiro porque o argentino já tem substitutos: o chileno Vargas, que decepcionou nos seus primeiros meses de Itália, mas pode voltar a ser aquele jogador da Universidad de Chile; e também o fantasista Insigne, que foi muito bem no Pescara (marcou 16 gols e foi a válvula de escape da equipe) e já está sendo cotado para a seleção italiana. Sem falar em Pandev, que tem outras características, mas pode ser importante para a equipe. 

Gargano, por sua vez, é um operário do meio-campo e tem um preparo físico invejável: corre o jogo todo tanto para roubar bolas quanto para armar jogadas. Obviamente, o Napoli pode se adaptar e jogar de outra forma, com a chegada de Behrami, um jogador mais lento, mas até o momento ele vinha sendo bem importante para o futebol que Walter Mazzarri fazia sua equipe jogar. A equipe ainda reforçou sua defesa com o sólido Gamberini, que deve ganhar a vaga de Aronica na trinca defensiva. Bruno Uvini deixa dúvidas por sua incostância, mas pode evoluir jogando na Itália e é uma promessa. O clube ainda foi bem ao contratar reforços pontuais, como o polivalente Mesto (a rigor, substituto de Maggio, mas pode fazer qualquer função nas alas) e o meia-atacante El Kaddouri, destaque do Brescia na última Serie B.

Parma, 7
A equipe emiliana pode surpreender mais uma vez, sobretudo pelo mercado inteligente. É verdade que Giovinco, o grande craque do time, acabou vendido à Juventus, mas a verba que chegou com a sua liberação foi reinvestida adequadamente. Só para o ataque, que também perdeu Floccari (retornou de empréstimo à Lazio), o Parma trouxe Amauri (de boa passagem pelo Tardini dois anos atrás), que pode garantir um bom número de gols e Pabón, destaque do Atlético Nacional, da Colômbia. Como opção, Belfodil, promessa francesa que estava no Parma, tem seu valor, enquanto Ninis chega para jogar pelos lados e dar uma alternativa ao jogo de velocidade de Biabiany.

Outras perdas importantes foram as de Jonathan e Mariga, que estavam emprestados pela Inter. No entanto, o diretor Tommaso Ghirardi agiu bem no mercado, ao repor bem a saída do queniano com Acquah, do Palermo, e, principalmente, com o bom Parolo, do Cesena, que tenta reencontrar seu melhor futebol. Rosi, substituto de Jonathan, não foi uma boa contratação, mas ao menos chegou a custo zero e permitiu que a equipe reforçasse mais sua defesa, que está envelhecida. Para renovar o setor, chegaram os promissores Fideleff e MacEachen. Benalouane, que teve boas temporadas no Saint-Étienne, mas foi mal no Cesena, muda de cidade na Emília-Romanha para ser opção no banco, ao lado de Santacroce, contratado em definitivo após empréstimo do Napoli.

Chievo, 7
Normalmente, o Chievo está envolvido em muitas transações no mercado - geralmente pequenos negócios e com jogadores mais jovens. A tendência se manteve, mas dessa vez a equipe foi um pouco mais ousada e fez um mercado interessante. Se bem gerida, a equipe pode até ficar entre os 10 primeiros colocados na Serie A. As únicas vendas importantes foram a de Bradley para a Roma e a de Acerbi para o Milan, prontamente revertidas em dois reforços para cada setor. Para a zaga, chegaram Papp e Farkás, que foram bem na campanha do Vaslui na última Liga Europa, e, para a volância, chegaram o experiente Guana e a promessa Cofie, de boa temporada pelo Sassuolo. 

Na negociação que levou Bradley à Roma, os clivensi ainda ficaram com o habilidoso meia-atacante Stoian, candidato a ser um dos melhores jovens da Serie A. Os burros alados ainda garantiram a permanência de Paloschi e melhoraram seu poder de fogo, com a contratação do experiente Di Michele, que estava no Lecce, e do malinês Samassa, vindo do Valenciennes. Quem pode se tornar o segundo ponto de referência da equipe, logo atrás do capitão Pellissier, é Marco Rigoni, que foi contratado por empréstimo após ser um dos poucos a se salvarem na campanha do Novara. Quem sabe, com esse conjunto, o Chievo deixe de ser uma equipe insossa?

Sampdoria, 6,5
De volta à Serie A, a Sampdoria contratou pouquíssimo e também se desfez de poucas peças. Primeiro, porque manteve boa parte da equipe que havia sido rebaixada para a segundona para a tentativa de retorno imediato à elite e, segundo, porque não chegou a vender suas principais estrelas - apenas as emprestou. Palombo, que volta da Inter, originalmente fora dos planos, não foi negociado e talvez ganhe sua chance. Tecnicamente, ao lado de Poli, que também retornou após um ano na equipe de Milão, é o melhor dos meias da equipe. O setor ainda foi fortalecido com a chegada de Maresca e de Estigarribia, que deve ser titular na ponta esquerda do 4-4-2 de Ferrara.

Se o jogo pelos lados deve ser forte durante o ano blucerchiato, a equipe acertou em buscar o lateral esquerdo Poulsen, do AZ Alkmaar e da seleção dinamarquesa. Muito bom no apoio e razoável marcador, pode ser um dos pontos forte da equipe. Para o ataque, Ferrara aposta as fichas na permanência de Pozzi, que fez 19 gols na última Serie B, mas nunca foi muito bem na elite. A chegada de Maxi López e a contratação de Éder em definitivo não devem ser suficientes para que a equipe seja uma máquina de fazer gols.

Cagliari, 6,5
Tradicionalmente, o Cagliari se mexe muito pouco nas janelas de transferências. O orçamento modesto do time não permite grandes loucuras e a equipe só parte para o mercado em caso de venda de alguma peça do elenco. Nesta janela não foi diferente e a equipe se preocupou apenas com duas coisas: garantir a permanência de jogadores que estavam emprestados, como Dessena, Eriksson e, sobretudo, Pinilla, e em repor as saídas do zagueiro Canini para o Genoa, do lateral esquerdo Agostini, em fim de contrato (assinou com o Torino, depois), e do meia Rui Sampaio para a Olhanense. Por isso, chegaram Rossettini, do Siena, o brasileiro Danilo Avelar, do Karpaty, e Casarini, do Bologna. Pouco, mas suficiente.

A diretoria ainda agiu tentando ampliar um pouco as opções para Massimo Ficcadenti na defesa e, para isso, trouxe o experiente lateral esquerdo Smit e o jovem e promissor zagueiro Camilleri. A grande contratação, no entanto, é o retorno do atacante Sau de empréstimo à Juve Stabia. Ele foi vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols, e deve ser titular da equipe, que teve justamente no ataque ineficiente a maior deficiência na temporada 2011-12.

Lazio, 6
A janela de transferências foi praticamente uma formalidade para a Lazio. A equipe romana mal se mexeu no mercado e também não perdeu jogadores - apenas emprestou jovens, liberou atletas que não vinham jogando e, dentre os que integraram o elenco principal, só emprestou Garrido ao Norwich. Em suma, o time é quase o mesmo da temporada passada. O que não é exatamente bom, pensando que a torcida exigia um salto de qualidade para que os biancocelesti pudessem brigar pela Liga dos Campeões. A bem da verdade, a equipe já faz demais ao incomodar as grandes e conseguir classificação para a Liga Europa. Com o técnico Vladimir Petkovic o destino não deve ser diferente do do que a equipe teria se Edy Reja tivesse sido mantido.

Apenas o zagueiro Ciani chega para assumir vaga na equipe titular, considerando a instabilidade de André Dias, O meio-campista Ederson e os atacantes Floccari, Sculli e Foggia, que retornam após empréstimo, apenas irão compor elenco. O maior esforço de mercado laziale foi a negociação que garantiu a renovação do empréstimo do meia Candreva. Pouco, mas a aposta na manutenção da base e no entrosamento da equipe será válida, se a torcida e a diretoria não exigirem demais.

Genoa, 6
Sempre negociando a atacado, o Genoa de Enrico Preziosi esteve envolvido em cerca de 100 transações no mercado de verão. São tantos jogadores no cartel da equipe, que muitos chegam nem a vestir o azul e vermelho lígure. Desta vez, o Genoa teve como grandes méritos reduzir o seu grande elenco, se livrando de refugos como Birsa, emprestado ao Torino, e Zé Eduardo, que rumou ao Siena. Vários outros jogadores que não fizeram parte do elenco da última temporada e retornarvam de empréstimo acabaram negociados, o que deixou a equipe com os cofres mais cheios para investir melhor.

As principais chegadas, devido às saídas de Palacio e Gilardino (Inter e Bologna, respectivamente) estão no ataque: o promissor Immobile, artilheiro da Serie B, disputará uma vaga de titular com Borriello, que volta a Gênova, onde viveu sua melhor fase no futebol, emprestado pela Roma. Além deles, apenas (para o Genoa, acreditem, é pouco) cinco outros contratados devem brigar por vagas no time titular: os zagueiros Canini (ex-Cagliari) e Velázquez (ex-Independiente), e os meias Bertolacci (ex-Roma), Vargas (ex-Fiorentina) e Tõszér (ex-Genk). Ferronetti, Melazzi e o brasileiro Anselmo (ex-São Caetano) são opções de banco para De Canio. Em tese, as saídas que podem fazer falta são as de Palacio e Miguel Veloso (Dynamo Kyiv), já que eram os principais nomes do time, e Mesto (Napoli), pela falta de um lateral direito à sua altura. No entanto, o Genoa tem elenco para ficar no meio da tabela e não dar sustos na sua torcida mais uma vez.

Catania, 6
A saída do diretor esportivo Pietro Lo Monaco fez com que o Catania fosse mais comedido no mercado de verão. Normalmente, o executivo tinha boa visão para contratar promessas - principalmente sul-americanas -, mas dessa vez os etnei ficaram mais preocupados em assegurar a permanência dos principais jogadores. Permanecem, portanto, o maestro do time, Lodi, responsável direto por cerca de um terço dos gols da equipe na última campanha, e Gómez, o toque de velocidade da equipe, que se caracterizou por fazer rápidas transições entre defesa e ataque. Do elenco principal, além dos que estavam emprestados, saiu apenas Llama, em empréstimo para a Fiorentina.

No mercado em entrada, apenas dois nomes chamam a atenção: o de Rolín, que disputa uma vaga no centro da zaga ou na lateral esquerda do esquema do estreante Rolando Maran, e Lucas Castro, que fez boa temporada com o Racing. Os dois não devem ser titulares, ao contrário de Andújar, que apesar de ter insultado a diretoria, em janeiro, retorna para ser titular, à frente de Frison. Quem também está de volta é o atacante Morimoto, em busca de redenção após três péssimas temporadas. Para maior segurança, faltou ao Catania contratar um goleador, já que Bergessio dificilmente ultrapassará a cota de 10 tentos no ano e não tem um reserva prolífico.

Torino, 6
No último dia de mercado, o Torino ainda buscava completar o seu elenco com um lateral esquerdo, um meia ofensivo, um volante e um atacante. Os planos ficaram pela metade: chegaram apenas o lateral Agostini e o meia Birsa. Eles se juntam a uma série de jogadores experientes e medianos, como Santana (ex-Napoli), Brighi (ex-Roma), Gazzi (ex-Siena) e Rodríguez (ex-Cesena), como reforços pontuais de uma equipe que tenta permanecer na primeira divisão. A grande contratação foi o seguro goleiro Gillet, que chegou do Bologna, seguido pelo meia-atacante Sansone, autor de 20 gols na Serie B. Cerci, que foi contratado junto à Fiorentina, também é um nome nome, mas sua irregularidade pode pesar. A seu favor, conta o fato de que será treinado por Gian Piero Ventura, que o fez crescer no Pisa, quando tinha menos de 20 anos.

O maior feito do mercado granata foi, no entanto, segurar o defensor Ogbonna, pretendido pelo Napoli. Destaque do time e membro da seleção italiana, o descendente de nigerianos pode ser o fiel da balança na manutenção do equilíbrio defensivo caso o forte meio-campo formado pelos novos contratados não segurar a barra. No mercado em saída, inclusive, o Toro perdeu pouquíssimos jogadores que possam lhe fazer falta. Antenucci e Surraco, que foram bem na Serie B, nunca se deram bem na elite - prova disso é que continuaram na segundona após o acesso da equipe de Turim.

Atalanta, 6
Em seu mercado, a Atalanta deu preferência por manter a base da boa campanha que fez em 2011-12 e segurou os principais jogadores, como Denis e Cigarini - o primeiro, contratado em definitivo junto à Udinese, e o segundo, após renovação de empréstimo junto ao Napoli. O time titular permanece praticamente o mesmo da última temporada e os reforços foram pontuais, com o intuito de dar mais profundidade ao elenco e, também, para ocupar os lugares das três saídas mais importantes - o volante Brighi, que pouco jogou, e os atacantes reservas Tiribocchi e Gabbiadini. Deve ser suficiente para um campeonato sem sustos.

Na defesa, Stendardo foi contratado em definitivo junto à Lazio e o setor foi fortalecido com a chegada do argentino Matheu e, principalmente, do lateral esquerdo Brivio, de ótima temporada pelo Lecce. No meio-campo, Biondini chega emprestado pelo Genoa para dar qualidade no passe e na marcação. As melhores novidades, no entanto, estão mais à frente: Moralez enfim tem um reserva - Troisi, ex-Kayserispor, e da seleção astraliana -, enquanto Parra e De Luca são boas aquisições. Especialmente o segundo, que é um dos melhores sub-21 do país, como o negociado Gabbiadini.

Udinese, 5,5
A fórmula de comprar jogadores promissores e revendê-los a preços altos parece não ter dado certo nesta temporada. Depois de vender Zapata, Inler e Sánchez em 2011-12, desta vez a Udinese negociou outra boa parte de sua base - Isla e Asamoah com a Juventus e Handanovic com a Inter - e, até o momento, os novos contratados são vistos com desconfiança. A equipe jogou mal nas três partidas da temporada, sem repetir a mesma filosofia de jogo bonito das últimas temporadas. Alguns dos mais criticados nesses jogos - Willians e Maicosuel - chegaram nesta janela em Údinese. Claro, os jogadores podem melhorar e surpreenderem até mesmo quem, aqui no Brasil, tinha dúvidas de seu potencial. No entanto, os olheiros da Udinese podem, simplesmente, ter cometido erros de avaliação em alguns casos. Erros como o não-aproveitamento de Cuadrado, que brilhou no Lecce e foi emprestado à Fiorentina.

Além dos ex-jogadores do Flamengo e do Botafogo, os principais reforços da Udinese nesse mercado são goleiro Brkic, que retornou de bom empréstimo ao Siena para assumir a titularidade, o colombiano Muriel, que estava no Lecce e é candidato a alar as viúvas de Sánchez, o promissor esterno Faraoni, ex-Inter, e Allan, do Vasco, que chega para substituir Isla. Dos brasileiros, talvez seja o que mais chances tem de vingar, por ter características muito semelhantes às do jogador negociado. A falta de consistência no meio-campo fez com que, no penúltimo dia do mercado, a Udinese contratasse Lazzari, da Fiorentina, um jogador de boa técnica e que pode ajudar a resolver o problema. No ataque, que viu Torje e Floro Flores serem emprestados ao Granada, chegou o sueco Ranégie, de 28 anos. Aposta estranhíssima, já que ele nem era o principal jogador do Malmö. Uma amostra de que os friulanos estão um pouco perdidos.

Milan, 5
A palavra para o Milan é redimensionamento - ou existe alguma outra para explicar a tentativa de contratação de Zé Eduardo para repor saída de Ibrahimovic e lesão de Pato? Foram 11 as saídas de jogadores do elenco principal - incluindo, aí, nomes como Ibrahimovic, Thiago Silva, Gattuso, Nesta, Seedorf e Cassano -, e as contratações não atenderam as expectativas da torcida. O mercado rossonero foi muito confuso, vide as inexplicáveis chegadas de Constant e Bojan, em baixa no Genoa e na Roma. Até chegaram bons nomes, como os zagueiros Acerbi e Zapata, mas substituir Thiago Silva - e mesmo um Nesta bem fisicamente - é praticamente impossível para qualquer um. 

No ataque, Pazzini pode muito bem reeditar a ótima dupla com Montolivo - outra boa contratação - e fazer muitos gols, mas dificilmente decidirá jogos como Ibrahimovic. De Jong pode dar ao Milan uma pegada semelhante à de van Bommel, necessária a um meio-campo que se pretende ofensivo, mas também não chega para resolver. Allegri pode até formar um time consistente, de operários, mas dificilmente terá tempo para isso.

Bologna, 5
Perder três dos quatro principais jogadores do time é motivo para se preocupar. Sobretudo quando as reposições, quando feitas, estão cercadas de dúvidas. As saídas do goleiro Gillet, do meia-atacante Ramírez e do goleador e capitão Di Vaio devem ser sentidas - principalmente a do uruguaio, que não foi substituído. Para o gol, chega o instável Curci, que estava encostado na Roma e não é nem sombra do ótimo Gillet, que trocou os felsinei pelo caçula Torino. Gilardino está em má fase técnica e, ao contrário de Di Vaio, não pode ser considerado uma garantia de gols - assim como o mediano Acquafresca e o recém-contratado Gabbiadini, que precisará de tempo de adaptação e minutos para mostrar seu potencial. Pelas ações de mercado, é possível que a equipe atue cada vez mais no 3-4-1-2, com Diamanti como único armador de ofício - a não ser que Pioli avance Taïder ou utilize Pasquato, Abero ou Riverola ao lado do trequartista italiano.

O setor de marcação do time, no entanto, ganhou bons reforços. O volante Mudingayi saiu, mas foi bem substituído com as contratações de Pazienza e Guarente. O clube ainda fechou com Kone, que estava emprestado pelo Brescia, e retornou para a equipe no último minuto da janela. Os três, juntos, e principalmente Guarente, se estiver em boa forma física, podem fazer com que o clube deixe de ser refém do temperamental Pérez. Na defesa, a chegada de Natali melhora o setor, que também terá o brasileiro Roger Carvalho. Como falamos, Curci não é confiável, e os dois devem ter responsabilidade dobrada. Ou triplicada, já que o Bologna substituiu o regular Raggi, na ala direita, pelo fraco Motta. Na estreia, contra o Chievo, o jogador emprestado pela Juventus já deu mostras de que será o ponto mais vulnerável do time.

Palermo, 4,5
Mais uma vez, o Palermo faz um mercado modestíssimo. Muitas das contratações que não deram certo em anos anteriores, em ocasiões nas quais o planejamento foi ruim, acabaram sendo negociadas ou emprestadas. Outros, como Viviano, Della Rocca, Balzaretti e Silvestre atraíram o interesse de equipes maiores (Fiorentina, Roma e Inter) e foram liberados por Maurizio Zamparini. Já o caso de Migliaccio, vice-capitão da equipe, foi diferente: Giuseppe Sannino não contaria com ele e o liberou para empréstimo à Fiorentina. Em suma, apenas Hernánez, Ilicic e Miccoli restaram, entre os melhores jogadores do elenco. 

A reposição foi modesta tanto em número - o que, para o Palermo, é um feito - quanto em qualidade. Se contratou pouco, porque o elenco já era extenso, os rosanero não se preocuparam em elevar o nível da equipe, para que ela brigasse por uma vaga europeia. O zagueiro Von Bergen, o goleiro Ujkani, o volante Arévalo e o meia Brienza são nomes razoáveis, mas insuficientes para fazer o time brigar na metade de cima da tabela - a não ser que o competente Sannino tenha a tranquilidade necessária para fazer um ótimo trabalho, como fez no Siena. Dybala, atacante argentino do Instituto, é uma aposta interessante e pode ganhar chances ao lado ou na ausência de Miccoli.

Siena, 4
O Siena começou a temporada com seis pontos negativos e já precisaria se desdobrar para evitar o rebaixamento. Com o mercado cheio de apostas arriscadas, precisará de um fôlego extra. O calcanhar de Aquiles da equipe deve ser o ataque, que perdeu o eficiente Destro e ganhou Zé Eduardo, autor de nove partidas e nenhum gol pelo Genoa, em 2011-12. O brasileiro foi anunciado no último dia da janela, juntamente com outros quatro novos contratados, o que, no caso da Robur, mostra a falta de planejamento. Entre esses quatro, está Rosina, que tenta resgatar sua carreira na Itália após quase sumir no Zenit de Luciano Spalletti. Para isso, terá de perder muito peso, já que está fora de forma. Principalmente porque terá de substituir Brienza, que jogou 36 dos 38 jogos no último campeonato e com muita constância. 

A saída do goleiro Brkic não será sentida, já que Pegolo vinha o substituindo bem, quando estava lesionado. À sua frente, muitas dúvidas: Rossettini foi negociado com o Cagliari e Terzi pegou gancho de três anos e meio por envolvimento no escândalo de apostas. Devem ser substituídos por dois entre Felipe, Paci e Dellafiore, que não inspiram confiança, assim como Contini. Neto, que fez bom campeonato português pelo Nacional, e Martínez, que se destacou no Racing, são boas apostas, mas apenas isso. No meio-campo, muitas indefinições e outras apostas que trazem poucas garantias. Valiani, ex-Parma, e Rubin, ex-Bologna e Torino, chegam para ocupar as alas no novo 3-5-2 de Serse Cosmi. Para o setor, também brigam por vagas Rodríguez, ex-Belgrano, e Campos, ex-Granada. O treinador vai ter trabalho para entrosar tantos novos e medianos jogadores. Ele já conseguiu milagres algumas vezes, mas terá êxito agora?

Pescara, 4
A equipe do Abbruzzo premete fortes emoções nesta temporada. Não as mesmas emoções que dava aos torcedores, na Serie B, quando gols a favor e contra eram frequentes, mas o time treinado por Zdenek Zeman raramente perdia. Os golfinhos perderam o técnico e muitos dos principais jogadores (Insigne retornou ao Napoli e Immobile, Koné, Sansovini e Verratti se transferiram, respectivamente, para Genoa, Varese, Spezia e Paris Saint-Germain) e fez apostas muito arriscadas. Desde o técnico Giovanni Stroppa, que teve apenas um trabalho na terceira divisão, às contratações feitas sobretudo para o ataque. Immobile, Sansovini e Insigne marcaram, juntos, 60 gols - dois terços do total - e foram substituídos por incógnitas. Como Abbruscato, de números modestos, e Celik e Vukusic, que nunca atuaram na Itália. A aposta mais segura entre os atacantes, para se ter noção, é o brasileiro Jonathas, ex-Cruzeiro, que fracassou no AZ Alkmaar e só desabrochou em sua segunda temporada no Brescia, quando fez 16 gols na Serie B. Convenhamos, é muito pouco.

O Pescara tem o elenco com menos jogadores com experiência na elite. Ao menos, se o ataque foi reformulado, a base da defesa foi mantida, e os promissores Romagnoli e Capuano continuam. O setor ainda ganhou o reforço dos experientes Terlizzi e Modesto e dos promissores Cosic e Crescenzi. O meio-campo, seguindo o exemplo da defesa, ganhou em experiência - mas pouco em qualidade - com as contratações dos volantes Colucci e Blasi, e também foi reforçado com jogadores habilidosos e de boa perspectiva, como o islandês Bjarnasson, o colombiano Quintero e o eslovaco Weiss (candidato a principal jogador do time, ao lado de Caprari, contratado junto à Roma em janeiro). Debaixo das traves, sai o medianíssimo Anania para a chegada de Perin, uma das revelações da posição no futebol italiano. Perin estará em evidência, já que certamente será muito exigido ao longo do ano.

Primeiro passo, com a sorte ao lado

As bolinhas foram favoráveis às equipes italianas no sorteio desta quinta (AP Photo)
O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões foi generoso com os clubes italianos. Milan e Juventus, por diferentes motivos, poderiam temer confrontos complicados de cara, mas não foi bem isso que aconteceu. As duas únicas equipes do Belpaese na competição - lembrando que a Udinese foi eliminada na terceira fase preliminar - tem grandes chances de se classificarem para as oitavas de final. Neste texto, vamos falar brevemente sobre cada um dos adversários dos italianos nos grupos.

Um dos cabeças-de-chave no sorteio, o enfraquecido Milan torcia para não encontrar, por exemplo, Manchester City, Paris Saint-Germain e Borussia Dortmund, respectivamente nos potes 2, 3 e 4, o que poderia "invalidar" a posição dos rossoneri no sorteio. No entanto, os adversários que a equipe enfrentará no Grupo C são acessíveis, tal qual na Champions 2006-07, quando o Diavolo entrava cheio de dúvidas por causa do envolvimento no Calciocaos. Desta vez, os adversários são Zenit (Rússia), Anderlecht (Bélgica) e Málaga (Espanha). O Milan é a principal força do grupo e estreia em casa, no dia 18, contra o Anderlecht, adversário mais tranquilo da chave.

A equipe russa, treinada pelo italiano Luciano Spalletti, de boas passagens por Udinese e Roma, foi campeã nacional e é a maior ameaça ao Milan, por ser a equipe mais qualificada tecnicamente da chave. Também será um obstáculo importante a longa viagem até a fria São Petesburgo. O Anderlecht, campeão belga, estava no grupo do rossonero em 2006-07 e, depois de sofrer para se classificar ante o AEL Limassol, do Chipre, não deve ser adversário complicado. Já o Málaga, quarto colocado da Liga espanhola, tem bons valores e passou bem pelo Panathinaikos na fase preliminar, mas não conta mais com grandes investimentos do xeque Abdullah Al Thani. Seu desempenho deve ser a maior incógnita do grupo.

A Juventus, campeã italiana, teve mal desempenho nas suas últimas participações em competições continentais e ficou um ano ausente do palco europeu. Assim, seu coeficiente era suficiente apenas para que a equipe ficasse no pote 3. Apesar de as chances de a Velha Senhora ter um grupo difícil serem altas, os adversários no grupo E são acessíveis. O principal concorrente pela primeira vaga no grupo é o campeão Chelsea, que se reforçou muito, com as chegadas de nomes como Hazard e Oscar. É a grande força do grupo, e se a Juventus se classificar em segundo no grupo, não será surpresa. Na última participação da Juve em mata-mata da LC, em 2008-09, foi justamente contra o Chelsea que a equipe caiu, nas oitavas de final. É justamente contra os Blues que a Juve estreia, no dia 19 de setembro, em Londres.

O Shakhtar Donetsk, recheado de brasileiros, é a terceira força do grupo e vem de boas campanhas na LC. O bom futebol de jogadores como Willian, Fernandinho, Douglas Costa, Srna, Mkhitaryan e a maior experiência na competição em relação a esta Juve, poderão fazer com que os italianos tenham vida dura. Já o Nordsjaelland, campeão dinamarquês pela primeira vez na última temporada, é o azarão do grupo e dificilmente consegue vaga até mesmo para a Liga Europa. Curiosidade: na equipe, joga Andreas Laudrup, filho de Michael Laudrup, que jogou quatro anos na Juventus, entre 1985 e 1989. Mais nostalgia do que dificuldades.

Confira abaixo todos os grupos da Liga dos Campeões 2012-13 e, aqui, as datas dos jogos das equipes italianas.

Grupo A
Porto
Dynamo Kiev
PSG
Dinamo Zagreb

Grupo B
Arsenal
Schalke 04
Olympiacos
Montpellier

Grupo C
Milan
Zenit
Anderlecht
Málaga

Grupo D
Real Madrid
Manchester City
Ajax
Borussia Dortmund

Grupo E
Chelsea
Shakhtar Donetsk
Juventus
Nordsjaelland

Grupo F
Bayern Munique
Valencia
Lille
BATE Borisov

Grupo G
Barcelona
Benfica
Spartak Moscou
Celtic

Grupo H
Manchester United
Braga
Galatasaray
Cluj
Na Liga Europa...
O sorteio da segunda maior competição continental europeia, que aconteceu nessa sexta, teve sabor doce para Inter e Napoli, agridoce para a Lazio e amaríssimo para a Udinese. Enquanto as primeiras terão grupos tranquilos, a equipe biancoceleste de Roma jogará chave equilibrada. Já os friulanos deram muito azar e, após terem sido eliminados pelo Braga nos play-offs da Liga dos campeões, caíram no grupo mais difícil da competição.

No Grupo A, a Udinese precisará jogar muito bem para se classificar. O Liverpool, é bem verdade, vem dando vexame em competições europeias e na Premier League, mas tem muita tradição e bons jogadores. É a grande força do grupo, seguido pelo rico Anzhi, de Samuel Eto'o. Fechando a chave, o Young Boys, da Suíça, é uma equipe organizada e, apesar de ser o azarão do grupo, não deve ser menosprezada.

Logo depois, no Grupo F, aparece o Napoli, que terá como adversários o PSV, da Holanda, o Dnipro, da Ucrânia, e o AIK, da Suécia.A briga é, claramente, com a equipe holandesa pelo primeiro lugar, com leve favoritismo para os azzurri. Contra ucranianos e suecos, deve pesar  longa viagem e o fato de duas partidas acontecerem em lugares frios, onde o risco de lesões musculares é grande.

A Inter, após dois sustos nas fases preliminares, deu sorte de novo. Cabeça-de-chave do grupo H, a equipe de Milão continuará sua campanha europeia contra equipes de menor escalão e, novamente, terá adversárias do Leste Europeu. Os nerazzurri já passaram por Croácia e Romênia e, desta vez, viajarão para a Sérvia, onde enfrentarão o Partizan e, mais longe ainda, enfrentarão o Rubin Kazan, na Rússia, e o Neftchi Baku, no Azerbaijão. Vale o discurso feito para o Napoli: as viagens longas para locais frios serão obstáculos consideráveis. Melhor não dar sopa para o azar, sobretudo contra o Rubin Kazan, segunda força do grupo.

Já a Lazio está no grupo J, ao lado de Tottenham, da Inglaterra, Panathinaikos, da Grécia, e Maribor, da Eslovênia. O favoritismo é inglês, embora os Spurs não tenham levado a competição a sério nas últimas vezes que a disputou, como, por exemplo, na última temporada. Só que a Lazio tem a mesma postura e, desta vez, se quiser seguir em frente, terá de dar importância à Europa League. Por isso, o Panathinaikos, em meio à crise grega tem chances de incomodar. O mesmo vale para o Maribor, tecnicamente inferior.

Confira os grupos:

Grupo A
Liverpool
Udinese
Young Boys
Anzhi

Grupo B
Atlético de Madrid
Hapoel Tel-Aviv
Viktoria Plzen
Acadêmica

Grupo C

Olympique de Marseille
Fenerbahçe
Borussia Mönchengladbach
AEL

Grupo D
Bordeaux
Club Brugge
Newcastle
Marítimo

Grupo E
Stuttgart
Kobenhavn
Steaua Bucareste
Molde

Grupo F
PSV
Napoli
Dnipro
AIK

Grupo G

Sporting
Basel
Genk
Videoton

Grupo H
Inter
Rubin Kazan
Partizan
Neftchi Baku

Grupo I
Lyon
Athletic Bilbao
Sparta Praga
Hapoel Kiryat Shmona

Grupo J
Tottenham
Panathinaikos
Lazio
Maribor

Grupo K
Bayer Leverkusen
Metalist Kharkiv
Rosenborg
Rapid Viena

Grupo L
Twente
Hannover
Levante
Helsingborg

Riscos desnecessários

Com emoção ou sem emoção, interistas? (Getty Images)
Quando o então treinador do time Primavera interista, Andrea Stramaccioni, assumiu o comando técnico da equipe principal, substituindo Claudio Ranieri após a derrota no Derby d’Italia, contra a Juventus, por 2 a 0, a Inter, nas nove rodadas restantes da Serie A, surpreendeu em alguns jogos com seu poder de recuperado. Fato que até rendeu alguns trocadilhos com o sobrenome do técnico nerazzurro, como “Strareazione”.

E já desde seus trabalhos nas categorias de base de Roma e Inter, Stramaccioni ficou conhecido por seus times renderem, em alguns momentos, “fortes emoções” aos torcedores. Foi assim durante toda a campanha vitoriosa da Inter na NextGen Series, a “Champions League sub-19”. A esquecível temporada 2011-12 se foi, mas o gosto por fortes emoções, pelo visto, não. Só que o caminho é inverso agora.

Contra o Hadjuk Split, no primeiro jogo oficial da temporada no “novo” Giuseppe Meazza - que ganhou novo gramado -, após tranquila vitória por 3 a 0 na Croácia, a Beneamata entrou relaxada em campo e sofreu até o apito final, perdendo a partida por 2 a 0, mas se classificando no final. Nesta quinta-feira, o time enfrentado foi outro, mas a história se repetiu.

Após outra vitória tranquila fora de casa, por 2 a 0, agora contra os romenos do Vaslui, mais um novo susto para o torcedor interista. Na coletiva pré-jogo Andrea Stramaccioni havia destacado que a equipe deveria tomar mais cuidados, mas a julgar pelo desempenho, o conselho não foi recebido. Cheio de desfalques, principalmente no meio de campo, e com alguns poupados, Stramaccioni montou um time “alternativo” e passou aperto.

Sem Maicon (que deve mesmo sair), Handanovic, Chivu, Álvaro Pereira, Stankovic, Gargano, Mudingayi, Duncan, Mariga, Obi e Álvarez, Andrea Stramaccioni optou por um 4-3-1-2 cheio de modificações, com Jonathan e Juan nas laterais, Nagatomo (com febre, diga-se) compondo o trivote no meio-campo e Coutinho atrás de Cassano e Palacio.

Com a bola rolando, 15 minutos sonolentos, nos quais a Inter cadenciava o jogo trocando passes no meio de campo, enquanto o Vaslui, no 4-1-4-1, não oferecia pressão nem criava alguma chance relevante. Com uma chance aqui, outra ali, o tempo foi passando, até que aos 34, Sburlea foi derrubado por Castellazzi dentro da área. Pênalti e a expulsão do veterano arqueiro nerazzurro. O jovem Vid Belec entrou no lugar do sacrificado Cassano - que conseguiu produzir bons lances -, mas não conseguiu superar Stanciu, que inaugurou o placar.

Com um a menos, a equipe milanesa passou a sofrer ainda mais pressão, ainda tentando se reorganizar taticamente com a saída de Cassano, no 4-4-1. Somente na volta do intervalo, com a entrada de Guarín no lugar de Samuel, voltando de lesão, repassando Juan para o centro da zaga, a equipe melhorou.

Nagatomo foi deslocado para a lateral, enquanto no meio-campo Zanetti abriu na direita e Coutinho à esquerda. No centro, Cambiasso agora tinha a companhia de Guarín, enquanto Palacio seguia na frente, quase sempre isolado. Apesar disso, o colombiano melhorou o ritmo do setor, enquanto Zanetti se sentia bem à vontade pela direita, produzindo boas jogadas, sempre com seu controle de bola e vigor físico invejável.  Mas foi em contra-ataque que o empate veio, quando Coutinho arrancou pelo centro e, com passe preciso, deixou Palacio em boas condições. O argentino ainda teve calma para cortar um adversário e finalizar de esquerda, aos 76.

O sentimento de tranquilidade, porém, não durou mais que 3 minutos, já que, em mais um escanteio - foram 9 ao todo - os romenos voltaram a ficar na frente do placar, com gol de Varela, aproveitando falha de Belec e da marcação. 2 a 1 para o Vaslui e mais pressão romena. No final das contas, a pressão não resultou no gol que classificaria a equipe, e a defesa ficou aberta para que, aos 92, Guarín fizesse bonita jogava individual, passando por três defensores e arrematando sem chances para o arqueiro adversário, igualando e dando números finais ao placar. Foi no susto, mas a Inter jogará os grupos da Europa League.

Muito emocionado, Júlio César se despede dos torcedores e companheiros (inter.it)
Poderia ter sido mais tranquilo e a equipe necessita urgentemente de aprender com os erros, para que novos vacilos não se repitam contra equipe mais fortes. E antes do jogo, um pouco de tristeza acabou afetando os torcedores e demais envolvidos com a Inter. O momento de emoção foi uma simples cerimônia e poucas, mas gentis, palavras na despedida de Júlio César, que acertou com o Queens Park Rangers, após 7 anos de glória em Appiano Gentile. Neste período, o goleiro brasileiro conquistou 14 títulos, participando diretamente do período mais glorioso da história da Inter - ainda que não o mais marcante.

Ficha de Inter 2-2 Vaslui
Inter (4-3-1-2/4-4-1): Castellazzi; Jonathan (Ranocchia), Silvestre, Samuel (Guarín), Juan Jesus; Zanetti, Cambiasso, Nagatomo; Coutinho; Palacio, Cassano (Belec). Técnico: Andrea Stramaccioni
Vaslui (4-5-1): Straton; Celeban, Varela, Cordos, Salageanu; Antal, Cauê (Sanmartean), Tukura, N'Doye, Stanciu (Buhaescu); Sburlea. Técnico: Marius Sumudica

Gols do jogo, aqui.

Kozák foi o grande destaque da vitória laziale, com uma doppietta (Fotonotizia / S.S. Lazio Brasil)
Enquanto isso, em Roma...
Sustos em Milão, tranquilidade na capital italiana. Com doppietta de Kozák e gol de Zárate, a Lazio bateu, sem maiores dificuldades, o esloveno Mura, por 3 a 1. Como bem definiu Cleber Gordiano, a equipe de Vladimir Petkovic vai se encontrando após a decepcionante pré-temporada.

Juntamente com Napoli e Udinese, as classificadas Inter e Lazio estão na fase de grupos da Europa League. Valorizar a competição e “secar” os times alemães, portugueses e franceses é necessário para que o futebol italiano não fique para trás no coeficiente da Uefa. O sorteio que definirá os adversários do quarteto será realizado nesta sexta-feira.

Ficha de Lazio 3-1 Mura
Lazio (4-4-2): Bizzarri; Scaloni, Biava, André Dias, Cavanda; González (Rozzi), Onazi, Hernanes (Konko), Lulic (Candreva); Kozak, Zárate. Técnico: Vladimir Petkovic
Mura 05 (4-4-2): Drakovic; Kramar, Travner, Janza, Horvat (Kouter); Majer, Vas (Kozar), Marusko, Bohar (Buzeti); Fajic, Eterovic. Técnico: Oliver Bogatinov

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Um mago que destruiu um sonho

Maicosuel, após perder pênalti de forma displicente e ser responsável direto pela eliminação da Udinese: só resta lamentar (Getty Images)

Decisão por pênaltis, se é angustiante para quem assiste, imagina para quem está lá no campo e tem a responsabilidade nas costas. É nessas horas que o jogador tem que ter a frieza e maturidade para converter sua cobrança, depois de 120 minutos de futebol. Mas às vezes, um pequeno desleixo pode custar caro. No caso da Udinese, muito mais que os milhões de euros, a sonhada vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões depois de sete anos.

Quis o destino que o vilão fosse Maicosuel, um jogador que mal chegou em Údinese. Com o apelido de “Mago”, que tinha desde os tempos em que algum gênio resolveu te dar aqui no Brasil, ele tentou tirar um coelho da cartola, mas não conseguiu. Das dez cobranças de penalidades, apenas um erro. Mas um erro que não será esquecido pela torcida tão facilmente. Uma cavadinha imperdoável. Um erro semelhante ao que custou a carreira de um jogador do Treze-PB, que fez o mesmo na eliminação de seu time justamente contra o Botafogo que tinha como protagonista Maicosuel. O próprio Maicosuel condenou a cavadinha do atleta paraibano, clamando por um suposto desrespeito às cores do Botafogo.



Mas antes de ir para os pênaltis, a Udinese teve a vaga na mão e não aproveitou o mando de campo. O time que veio a campo entrou classificado, afinal empatou com gols em Portugal. Porém, Willians quase pôs tudo a perder com uma bola perdida tolamente, e obrigou Brkic a salvar o gol de Lima. Mal no jogo, a Udinese só chegou ao gol depois de uma jogada construída por Fabrinni e Basta, que deixou Armero na frente do gol, para que cabeceasse sem chances para o goleiro Beto. Depois do gol, o Braga se abateu. O time que sufocou os friulianos nos minutos iniciais nada produziu. A Udinese por outro lado se acomodou com o gol e mesmo não atacando, controlava o duelo.

O segundo tempo veio com a Udinese tentando definir o jogo. A chance caiu novamente nos pés de Armero, mas dessa vez o ala produziu uma cena típica das comédias pastelões. Quando saiu cara a cara com o goleiro braguista, chutou o chão na tentativa de dar um toque por cima do arqueiro. Um desperdício que custou caro, afinal menos de 15 minutos depois, o Braga empatou, após erro de Danilo na saída de bola. Ruben Micael, que entrara a pouco no lugar de Ruben Amorin, aproveitou cruzamento de Márcio Mossoró e só completou de cabeça para o gol.

O Braga, que pressionava demais e chutava muito, merecia o empate. A Udinese, totalmente diferente daquela de duas temporadas atrás, não tinha controle territorial, nem posse de bola e, muito menos, controle psicológico. Um time frágil, enfim. A impressão é que os muitos jogadores que entraram no time titular, nos lugares de Handanovic, e, principalmente, Asamoah e Isla, não assimilaram a filosofia de jogo de Francesco Guidolin. O tempo urge e o treinador precisa encontrar uma solução para isso.

A única boa chance durante os trinta minutos da prorrogação que viria após o 1 a 1 no tempo normal foi de Lima, que não alcançou um cruzamento de Ruben Micael. Era, então, a hora das penalidades. Toda a tensão e a emoção dos minutos jogados seriam resolvidas em 10 cobranças de pênaltis. E o único erro coube a Maicosuel, numa cavadinha que certamente o perseguirá por toda a carreira. A Udinese teve um sonho destruído e terá de se contentar com a Liga Europa, novamente.

Com o mercado ainda aberto não se sabe o quanto custará a eliminação - para o próprio Maicosuel, que, desde já, pode já não ter clima para continuar no clube. Guidolin que disse após o jogo que não tem a capacidade de montar um time para jogar a Champions League e, hoje, liberou os jogadores de treinos e também não deu entrevista. Estaria de saída? Se sim, seria um duríssimo golpe no projeto friulano. A equipe, que ainda tem uma Serie A e uma Liga Europa inteiras pela frent, precisa se reinventar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

1ª rodada: Visitantes incômodos

Romero defende e deixa os jogadores do Milan desesperados: faltou criatividade à equipe rossonera (Getty Images)
O primeiro domingo da Serie A 2012-13 não foi nada bom para os mandantes: apenas dois deles conseguiram vitórias, enquanto quatro visitantes estragaram as festas das torcidas locais. Alguns, como Napoli e Inter, estragaram com louvor, ao vencerem Palermo e Pescara com autoridade, dando imediata resposta à vitória da Juventus no sábado. Já a Sampdoria, ampliou o sofrimento de pré-temporada da torcida do Milan, que começa, de fato, a sentir na pele que a temporada será bem difícil. O domingo teve ainda vitórias de Lazio, Genoa e Chievo, além de um empate emocionante entre Roma e Catania. Confira a análise.

Milan 0-1 Sampdoria
Mal começou o campeonato e já soa o alarme de emergência em Milanello. Jogando muito mal, sem ideias, sem moral e, principalmente, sem um jogador decisivo, o Milan estreou com uma amarga derrota para a Sampdoria, que acabara de retornar à Serie A. Desde 1985-86, quandi perdeu para o Ascoli, a equipe rossonera não estreava no campeonato derrotada e sem marcar ao menos um golzinho. No primeiro tempo, deprimente, a Sampdoria quase saiu na frente, com Éder e Obiang, e o Milan mal atacou. 

Após o intervalo, a Samp voltou melhor e, com Costa, após cobrança de escanteio em que pode subir desmarcado, saiu na frente. Aí o Milan se desordenou de vez. Montolivo, mal posicionado por Allegri, não conseguiu encontrar seu lugar no campo durante todo o jogo. Marcou mal, perdeu o duelo contra Obiang e ainda foi inefetivo no ataque. No 4-3-3 que o treinador mandou a campo, Boateng também não jogou bem, mas chegou a acertar a trave no final. Em um bumba-meu-boi que buscava Pazzini na área, o Diavolo acertou a trave novamente, em uma cabeçada de Yepes, e viu Romero fazer boas defesas. E, no último lance, Gastaldello tirou um gol de Flamini em cima da linha. O Milan jogou mal outras vezes, mas poderia confiar as jogadas a Ibrahimovic, que eventualmente tirava um coelho da cartola. Allegri e os jogadores parecem não ter assimilado a perda dos seus craques. Parecem sem confiança. Uma eventual chegada de um Kaká cheio de problemas físicos resolveria esses problemas?

Pescara 0-3 Inter
Se do lado vermelho e preto de Milão há motivos para preocupação, do lado azul e preto a temporada começou com bons sinais. O adversário para uma estreia tranquila não podia ser melhor: com Giovanni Stroppa, o Pescara continua zemaniano, sem grandes preocupações defensivas e oferece espaços. Espaços facilmente aproveitados por Sneijder, Cassano e Milito, que juntos combinaram dois gols em 20 minutos - um do holandês e outro do argentino. 

Os golfinhos, empurrados pela torcida, até levaram perigo, sobretudo com Weiss, mas a equipe nerazzurra dominou o meio-campo, com Cambiasso, Gargano e Guarín e não sofreu grandes riscos. No segundo tempo, Milito ainda perdeu um gol feito, após excelente passe de Coutinho, que entrou bem no jogo, mas se redimiu, dando mais uma assistência, dessa vez para que o brasileiro fechasse o placar. Força no meio-campo, ataque de movimentação e boa capacidade de marcar gols, além das boas participações de Cassano e Coutinho: a Inter respondeu à Juventus.

Palermo 0-3 Napoli
Quem também largou bem, e com boas amostras de que pode brigar pelo título foi o Napoli, que em duelo de equipes do sul da Bota, contra o Palermo, não tomou conhecimento do rival. Giuseppe Sannino, técnico do Palermo, conhecido por armar bons esquemas defensivos, tentou espelhar o 3-5-2 napolitano e colocou o rosanero em campo com a mesma formação tática, abrindo mão do 4-4-2, seu esquema preferido. Não deu certo. Durante todo o jogo, o Napoli foi melhor, muito por causa da excelente partida de Hamsík, dono do meio-campo, e de ótimas incursões de Maggio - não por acaso, os dois foram os autores dos dois primeiros gols do jogo. 

Quem também jogou muito bem foi o jovem Insigne, em sua estreia na Serie A: ele jogou porque Pandev estava indisponível, mas foi muito bem, até sair com cãibras, e pode ter lugar na equipe, por seu estilo de jogo se assemelhar mais ao de Lavezzi. Cavani não foi muito bem - até perdeu um gol debaixo das traves, no primeiro tempo -, mas se redimiu no final, dando números finais ao massacre. O Palermo terá de provar que sua má estreia foi apenas um passo em falso.

Roma 2-2 Catania
A primeira partida oficial de Zdenek Zeman no comando da Roma não teve surpesas: o time sofreu defensivamente, mas encantou no ataque. Os giallorossi reclamam dos dois gols sofridos (feitos por Marchese e Gómez) em lances irregulares - em ambos houve impedimento não assinalado pela arbitragem -, mas não podem reclamar por uma defesa distraída e um meio-campo que não teve no estreante Bradley a pegada que se esperava. O Catania, com os mesmos 11 titulares da última temporada, estreou bem sob o comando de Rolando Maran - estreante na Serie A -, jogando da mesma forma que com Montella. Lodi é o centro das ações do time, que parte em velocidade quando menos se espera, com Gómez e Barrientos. 

A Roma, por sua vez, mostrou alguns lampejos do jogo ofensivo e, se o resultado na reestreia de Zeman 13 anos após encerrar sua primeira passagem no clube não foi bom - poderia ter sido pior, pois Castro acertou a trave romana no fim do jogo -, a equipe produziu os dois gols mais belos da rodada: o primeiro, de Osvaldo, com uma linda meia-bicicleta, e o segundo do estreante Nico López, que deu um balãozinho em seu marcador e pegou de bate-pronto. A Roma ainda tem margem de melhoramento, mas Zeman precisa encaixar melhor Totti, que não foi bem jogando pela esquerda do ataque.

Atalanta 0-1 Lazio
A pré-temporada cheia de dúvidas e o mercado sem grande movimentação até poderiam deixar dúvidas na torcida da Lazio, mas a primeira partida na Serie A as deixa de lado, ao menos por enquanto. As duas equipes foram a campo praticamente com os mesmos onze iniciais da última temporada - a única exceção foi Biondini, na Atalanta -, embora a Lazio atuasse no 4-3-3, com o novo técnico Vladimir Petkovic, ao invés do 4-2-3-1 de Edy Reja. Na sempre difícil visita a Bérgamo, a equipe biancoceleste sofreu nos minutos iniciais, mas o gol de Hernanes, aos 17 do primeiro tempo deu tranquilidade para o restante do jogo. Gonzalez e Klose tiveram boas chances para ampliar, enquanto a Atalanta sentiu muito o gol sofrido. 

Confusa, a equipe de Stefano Colantuono agredia sem precisão e só chegou a ameaçar no fim da partida, com Parra e Troisi. Curiosamente, a Atalanta apresentou uma falta de convicção e garra não vista antes, e Colantuono terá trabalho para devolvê-las ao time. Petkovic ainda tem correções a fazer, sobretudo no sistema defensivo, que mesmo pouco exigido não foi tão bem, mas começa o trabalho com tranquilidade.

Genoa 2-0 Cagliari
Após uma temporada cheia de sustos, o Genoa iniciou 2012-13 com o pé direito. Venceu o Cagliari com muita superioridade e ainda se permitiu perder um pênalti no primeiro tempo, com Jorquera. Os dois gols da vitória lígure surgiram no segundo tempo, ambos em erros da defesa sarda. Primeiro, uma lambança de Agazzi - que já tinha cometido o pênalti e levado cartão amarelo - permitiu a Merkel abrir o placar. Já no final do jogo, um erro de Astori possibilitou que Immobile dominasse uma bola lançada da defesa e, da entrada da área, batesse bonito no canto do goleiro sardo. Bela estreia do jovem artilheiro da última Serie B, que pode aproveitar a má fase de Gilardino para brigar pela titularidade. 

O Cagliari buscou seu gol durante todo o jogo, porém. Rossettini e Pinilla tiveram as principais chances, uma no primeiro e outra no segundo tempo, mas Frey esteve reativo e fez ótimas defesas, tranquilizando o jogo e segurando o placar. Agora, a equipe precisa pensar na estreia em casa, que está sob risco. A prefeitura de Cagliari ainda não liberou o novo estádio do clube, e a diretoria espera realizar a partida com apenas um setor aberto, para menos de 5 mil espectadores. A corrida é contra o tempo.

Chievo 2-0 Bologna
Estreia bem o Chievo, que venceu um concorrente na briga pela salvezza. Dono do jogo em Verona, a equipe clivense quase saiu na frente ainda no primeiro tempo, com Luca Rigoni e Pellissier, que fazia sua 300ª partida na Serie A. A equipe do Vêneto, no entanto, só chegou a marcar após a entrada do peruano Cruzado, que entrou no lugar de Di Michele, o que deu maior ganho da equipe no meio-campo. O primeiro gol surgiu de uma roubada de bola do substituto, que depois cruzou na cabeça do capitão Pellissier. Depois, em uma jogada ensaiada, Cruzado recebeu passe de Luciano e decretou a vitória. 

No Bologna, Diamanti apareceu pouco e, principalmente, Stefano Pioli cometeu erros. Primeiro, leu mal o jogo. Dois anos atrás treinara o Chievo, que mantém boa parte daquele elenco e, sob o comando de Domenico Di Carlo, joga de forma semelhante a que jogava com ele. Os felsinei deveriam, ao menos, ter lutado um pouco mais e, sob nenhuma hipótese, se justifica a escalação de Motta, lateral direito de origem, pelo lado esquerdo. Foi ele quem perdeu a bola no lance do primeiro gol. Para o próximo jogo, o técnico não contará com Pérez, que foi expulso, e terá muito a corrigir. Pode começar colocando Abero na lateral esquerda e dar uma chance a Gabbiadini no ataque.

Siena 0-0 Torino
Na única partida da rodada entre duas equipes que começaram a Serie A com pontuação negativa por punições, venceu a feiúra. A má partida entre as duas equipes teve leve superioridade do Torino, que teve em Stevanovic seu principal jogador, embora a principal chance tenha sido do Siena, que colocou uma bola no travessão com D'Agostino. Muito pouco. Agora, o Siena tem -5 pontos, enquanto o Torino zera sua punição.

Relembre outros jogos da 1ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia e classificação do campeonato aqui.

Seleção da rodada
Romero (Sampdoria); Maggio (Napoli), Gastaldello (Sampdoria), Britos (Napoli), Nagatomo (Inter); Hamsík (Napoli), Valero (Fiorentina), Asamoah (Juventus); Sneijder (Inter); Jovetic (Fiorentina), Milito (Inter). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

sábado, 25 de agosto de 2012

1ª rodada: A velha e a nova

Juventus, de Pirlo, deixa Parma para trás e estreia na Serie A com o pé direito (Getty Images)
Para todos nós, que estávamos ansiosos, a bola enfim rolou pela primeira vez para a Serie A 2012-13. E a temporada, que teve início às 13 horas deste sábado, com Fiorentina-Udinese, já deu algumas amostras do que trará. Em primeiro lugar, a Juventus continua sólida, e demonstrou isso frente ao Parma, mesmo que polêmicas arbitrais tirem o foco dos aspectos técnicos e táticos da partida. 

Antes, a Fiorentina mostrou que está renovada e deve aparecer com força neste ano. A primeira prova foi dominar uma Udinese compacta e que, com Francesco Guidolin, sempre mostrou uma força coletiva muito frte, independentemente de quem estivesse em campo. Acompanhe o resumo dos primeiros jogos do campeonato.

Juventus 2-0 Parma
Sem muitas dificuldades, apesar de um Parma bem postado, a Juventus estreou com o pé direito na Serie A. Mesmo sem brilhantismo, a campeã italiana usou as mesmas armas da última temporada: o jogo concentrado em Pirlo e no avanço dos alas. Assim, foi eficiente contra uma equipe que promete incomodar os principais concorrentes ao título, oferecendo-lhes resistência. Por outro lado, Giovinco, em sua primeira partida contra sua antiga equipe, esteve apagado e pouco fez.

O primeiro tempo, equilibrado, não reservou muitas emoções. Principalmente através do estreante Pabón, o Parma tentava incomodar, mas sem levar perigo efetivo ao gol de Storari, que substituía um lesionado Buffon. Em um lance fortuito, a Juve quase abriu o placar: Lucarelli tentou cortar, mas a bola explodiu em Vucinic e voltou para Lichtsteiner, que estava impedido. O bandeira não assinalou a irregularidade e Mirante acabou derrubando o suíço. O goleiro, porém, defendeu a cobrança de Vidal e o jogo continuou no zero.

Na segunda etapa, a Juventus pressionou um pouco mais e achou seu gol aos 10 minutos. Asamoah, em jogada de explosão pelo lado esquerdo, deixou a marcação para trás e cruzou para Lichtsteiner, de surpresa, se infiltrar na área para completar para as redes. Curiosamente, na última temporada, justamente contra o Parma, foi do suíço o primeiro gol da Velha Senhora na campanha. Três minutos depois, a arbitragem apareceu novamente com polêmica, no lance do segundo gol juventino. Pirlo cobrou falta rasteira e, de acordo com o árbitro de linha de fundo, Mirante defendeu a bola depois de ela ter cruzado a linha. Nenhuma imagem, até o momento, deixa isso claro. No final do jogo, o Parma ainda levou perigo com Ninis e Gobbi, mas Storari fez boas defesas.

Fiorentina 2-1 Udinese
A temporada mal começou, mas os torcedores da Fiorentina já tiveram mais diversão com sua equipe na primeira rodada do que em todo o último campeonato. Na estreia, a equipe viola já deu algumas mostras do que deve produzir durante o campeonato: jogou com ofensividade, passes curtos e muita posse de bola - dominou a Udinese com 65% do tempo com a bola nos pés, sobretudo em jogadas próximas à área bianconera. De acordo com dados da Gazzetta dello Sport, a Fiorentina teve impressionantes 81% de domínio territorial, encurralando a Udinese.

Os donos da casa dominaram as ações no primeiro e no segundo tempo, mas acabaram saindo atrás. Aos 28 minutos, o colombiano Muriel puxou a marcação e deu passe açucarado para Maicosuel bater na saída de Viviano, abrindo os trabalhos no campeonato. A viola acabou sentindo o gol e pareceu confusa até o fim da primeira etapa. Porém, Montella corrigiu os erros no intervalo e a equipe voltou com a mesma postura que havia iniciado o jogo. A primera chance na segunda etapa veio com Ljajic, que girou na entrada da área e obrigou Brkic a colocar para escanteio.

A Fiorentina melhorou com a entrada de Cuadrado no lugar de Cassani, já que o colombiano é mais incisivo que o italiano e deu mais mobilidade à equipe pelo lado direito. O gol, porém, surgiu do outro lado: Borja Valero fez boa incursão pelo lado esquerdo e ajeitou para Jovetic, que contou com o desvio de Danilo (capitão da Udinese, com Di Natale poupado), para deixar tudo igual. Logo em seguida, Danilo teve de tirar em cima da linha para evitar a virada, com Cuadrado. Quem também havia entrado bem foi El Hamdaoui, que pode ser o atacante de área de que a Fiorentina tanto precisa. Sozinho, ele criou três ótimas chances, colocando fogo no jogo. Mas quem marcou o gol da virada, já nos acréscimos, foi ídolo Jovetic, depois de lançamento de Aquilani.

Confira estatísticas, escalações, artilharia e classificação do campeonato aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sem turbulência

O capitão Zanetti ao lado do agora gerente de equipe, Iván Córdoba, recebe a camisa em homenagem a mais uma marca conquistada. Com 39 anos, ele ainda tem contrato até 2013, e se depender de sua condição física, não irá parar no final da temporada (inter.it)
Em dia movimentado, com fechamento de contratações para o clube de Corso Vittorio Emanuele II, a equipe de Andrea Stramaccioni esteve longe da agitação. A Inter fez jogo tranquilo na Romênia, batendo o Vaslui por 2 a 0, com gols dos argentinos Esteban Cambiasso e Rodrigo Palacio, e encaminhou muito bem sua classificação à fase de grupos da Liga Europa. O resultado foi, também, um presente a Javier Zanetti, que completava 800 jogos oficiais pelos nerazzurri.

Esta quinta-feira foi movimentada, principalmente, por causa das ações do clube na janela de transferências. Foram oficializadas as contratações dos uruguaios Walter Gargano (empréstimo de 1,25 milhão de euros, com opção de compra por 5,25 mi) e Álvaro Pereira (10 mi, mais bônus de até 5 mi), e o clube plenaje algumas saídas. segundo a Gazzetta dello Sport, Júlio César desembarcou em Londres para acertar com o Queens Park Rangers. Tudo isso depois de, nesta quarta-feira, ter sido formalizado a troca de Antonio Cassano por Giampaolo Pazzini (os rossoneri ainda pagaram cerca de 7 milhões de euros).

Se o dia parecia muito bom para a Inter fora dos gramados, dentro de campo a tendência se confirmava. Com a bola rolando, o time nerazzurro, postado no já habitual 4-3-2-1, tinha amplo domínio da posse de bola e, consequentemente, das ações ofensivas. O time jogava com mobilidade, e variava para o 4-3-1-2, o que deverá se tornar comum com a entrada de Cassano no time. Sneijder recuava um pouco para o meio de campo, dando maior compactação ao setor e facilitando a troca de passes curtos entre os meias, deixando Palacio um pouco mais solto e próximo a Milito.

O time da casa, vice-campeão romeno na última temporada, se preocupava mais em limitar os espaços com muita compactação no seu 4-4-1-1, o que gerava certa dificuldade à Inter. Os romenos sempre buscavam contra-atacar pelos flancos, em cima dos ofensivos Maicon e Nagatomo: ambos iam bem no apoio, mas deixavam generosos espaços em suas costas, que nem sempre recebiam cobertura. Em meio a esse duelo tático, o primeiro gol saiu em jogada de bola parada, quando após corte parcial da defesa romena em escanteio de Wesley Sneijder, Cambiasso acertou bom chute da entrada da área, vencendo o arqueiro adversário e marcando seu primeiro gol na temporada.

Com a vantagem no placar, o que se viu foi uma acomodada Inter, enfrentando um adversário de pouca técnica, que raramente conseguia criar algo num de seus contra golpes. Essa foi a tônica durante boa parte do jogo, desde os 30’ até mais ou menos metade do segundo tempo, quando a equipe da casa começou a ter iniciativa e levou perigo em dois lances. Stramaccioni viu a necessidade de dar um gás ao time, então sacou Diego Milito, mais uma vez prejudicando pelas circunstâncias do jogo, para a entrada de Philippe Coutinho. Com o brasileiro, Palacio teve seu posicionamento alterado e a mudança mostrou-se correta, quando em contra-ataque puxado por Sneijder, o holandês tocou para o argentino, que recebeu às costas do último homem do Vaslui, e ampliou a vantagem.

Como era de se esperar, a acomodação nerazzurra se tornou ainda maior, mesmo que Coutinho tentasse algo aqui e ali. Buscando ao menos melhorar sua situação, a equipe da casa partiu para o ataque e novamente criava boas chances, mas sem, de fato, levar perigo à Castellazzi - substituindo Handanovic, que após operação no menisco do joelho direito, só voltará em setembro. Já nos minutos finais, Stramaccioni, buscando ao menos contornar alguns problemas defensivos, reposicionou o time no 4-4-1-1, com a entrada de Juan no lugar de Sneijder, repassando Nagatomo para o meio. Após o jogo, festa para o interminável Zanetti.

Ficha do jogo
Vaslui (4-4-1-1): Coman; Milanov, Celeban (Cauê), Charalambou, Salagean; Antal, Varela, Sanmartean, N'Doye; Stanciu (Varga); Niculae (Sburlea). Técnico: Marius Sumudica
Inter (4-3-2-1): Castellazzi; Maicon, Silvestre, Ranocchia, Zanetti; Guarín, Cambiasso, Mudingayi (Nagatomo); Sneijder (Juan Jesus), Palacio; Milito (Coutinho). Técnico: Andrea Stramaccioni
Gols do jogo, aqui.

Agora com maiores atribuições no meio de campo, Hernanes não decepcionou na primeira partida oficial da Lazio na temporada, marcando belo gol (EFE)
Mais vitória no Leste Europeu
Nesta quarta, a Lazio, quarta colocada na Serie A 2011-12, também teve de viajar para o Leste Europeu. Diferentemente da Inter, a equipe capitolina não disputou a terceira fase preliminar da competição e estreava na Liga Europa hoje, frente ao Mura, terceiro colocado do último campeonato esloveno.

Apesar de toda a irregularidade apresentada na pré-temporada, a Lazio de Vladimir Petkovic, dessa vez postada no 4-3-3, também venceu por 2 a 0 o seu primeiro jogo oficial de 2012-13. Sem maiores dificuldades, foi superior em boa parte do jogo e apresentou um bom volume de jogo. Os gols foram marcados por Hernanes e Klose, que ainda são os principais jogadores da equipe biancoceleste de Roma, que pouco se mexeu nesta janela de transferências.

Ficha do jogo
Mura 05 (5-4-1): Drakovic; Kramar (Sres), Travner, Marusko, Janza, Horvat; Buzeti, Vass, Bohar (Majer), Eterovic (Kouter); Fajic. Técnico: Oliver Bogatinov
Lazio (4-3-3): Marchetti; Konko, Biava, Dias, Cavanda; Onazi, Ledesma, Hernanes (Lulic); Candreva, Klose (Floccari), Mauri (Zárate). Técnico: Vladimir Petkovic
Gols do jogo, aqui.

Uma pedreira, literalmente

 Pinzi vibra com o gol de Basta. Mas o tento do sérvio não bastou para a Udinese ficar com a vitória na visita a Portugal (Gazzetta.it)

Antes mesmo de estrear na Serie A, a Udinese abriu sua temporada com uma das partidas mais importantes do ano. O duelo válido pela fase de play-offs da Champions League colocaria a Udinese frente a um time vermelho e branco, curiosamente conhecidos como “arsenalistas”, tal como na última temporada passada. Mas se na última vez o carrasco foi o Arsenal, dessa vez o sorteio foi mais generoso e reservou o Braga para os friulianos. Apesar de mais modesto que o time inglês, o Braga é daqueles times capazes de incomodar muitos adversários. Estreou na Liga Portuguesa empatando com o Benfica fora de casa e fora vice-campeão da Liga europa duas temporadas atrás.

Mesmo jogando na beira da pedreira, em Braga, a Udinese não se intimidou e pressionou o time da casa, dando trabalho ao goleiro Beto. Por outro lado, sofria com algumas investidas do ataque português. Willians fez jus na escolha de Guidolin e deu boa proteção à zaga fechando os espaços dos jogadores do Braga, substituindo Asamoah, vendido para a Juventus, à altura.

A dificuldade de vazar a forte zaga do Braga acabou aos 22 minutos, quando Basta fez, de cabeça, o primeiro gol da Udinese na temporada. Após o gol, o controle do jogo ficou todo sobre o comando dos italianos. Mesmo melhor, a Udinese não conseguia se aproximar do segundo gol. Fabbrini começou bem, na vaga que teoricamente será de Luis Muriel, que ainda está fora de forma, segundo o técnico Guidolin. Porém, o meia-atacante se apagou e o municiamento a Di Natale ficou as custas de Basta e Armero, que chegavam pelas alas.

Logo na volta para o segundo tempo, o jogo mudou: o domínio de jogo da Udinese parece ter ficado no vestiário. Desde o começo do segundo tempo, o Braga se soltou para o jogo e sufocou. Mas Brkic fez valer a aposta que Guidolin fez nele e deixou os torcedores bianconeros sem saudades de Handanovic, negociado com a Inter.  A Udinese quase chegou a ampliar, em um momento fortuito, quando Beto espalmou cabeçada de Fabbrini e ainda defendeu, com dificuldade, chute de Di Natale, no rebote. Mas o Braga estava em cima e, de tanto tentar, os portugueses chegaram ao empate com um lindo gol de Ismaily, que acertou um petardo sem qualquer chance para o camisa um da Udinese.

Melhor no segundo tempo, o Braga foi para o ataque em busca da vitória. Percebendo o risco da virada, Guidolin ajeitou seu time para se defender da melhor maneira e tratou de por a campo o meia Badu, no lugar de Pereyra, no claro intuito de proteger a pequena vantagem. Maicosuel teve sua estreia no jogo, mas pouco pode produzir, limitado a poucos contra-ataques.

No fim das contas, o empate foi um belo resultado para os italianos que entram em campo podendo empatar sem gols no Friuli, na próxima quarta-feira. Seria o retorno dos bianconeri à fase de grupos da Champions League depois de seis anos. E, em vista da aproximação de França e Portugal no ranking de coeficientes da Uefa, um alento para o futebol italiano, que não teria apenas dois representantes no principal torneio da Europa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Guia da Serie A 2012-13, parte II

Robinho ouve instruções de Allegri. E há muito o que arrumar: temporada do Milan começa cheia de dúvidas (Getty Images)
Após a primeira parte do nosso guia da Serie A 2012-13, na qual apresentamos dez equipes que disputarão o Italiano nesta temporada, chegamos à parte final da nossa análise, com as equipes restantes. Nessa segunda parte, falaremos das incógnitas que cercam o vice-campeão Milan, de um Napoli que pretende brigar com os grandes e de Roma e Udinese, duas equipes que prometem dar espetáculo. Falaremos, também de Pescara, Sampdoria e Torino, caçulas desta edição do campeonato. Confira a primeira parte do nosso especial aqui e boa leitura!

Milan
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 2º colocado
Brasileiros no elenco: Gabriel (goleiro), Alexandre Pato (atacante) e Robinho (atacante)
O destaque: Kevin-Prince Boateng (meio-campista, foto)
A promessa: Stephan El Sharawy (atacante)
O treinador: Massimiliano Allegri (3ª temporada)
Principais reforços: Ricardo Montolivo (m, Fiorentina), Cristián Zapata (z, Villarreal-ESP) e Francesco Acerbi (z, Chievo)
Principais perdas: Clarence Seedorf (m, Botafogo), Thiago Silva (z, Paris Saint-Germain) e Zlatan Ibrahimovic (a, Paris Saint-Germain)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-1-2): Abbiati; Abate, Méxes, Zapata (Acerbi), Antonini; Nocerino, Montolivo, Emanuelson; Boateng; Robinho, Alexandre Pato

Depois de perder de uma só vez Thiago Silva e Ibrahimovic, dois pilares da equipe, o técnico Massimiliano Allegri foi bem claro e nada hesitante em afirmar que as metas do Milan para a temporada 2012-13 será ficar entre os três primeiros colocados na Serie A e chegar ao menos nas quartas de finais da Champions League. Nem a intenção de tirar o título de campeão da rival Juventus parece empolgar. Os reforços até agora foram apenas modestos e chegaram para compor elenco. Ainda na espera de novos nomes de peso, é bom o torcedor não esperar nada além do prometido por Allegri e dar-se por contente com os objetivos. Hoje a equipe está atrás da Juventus e vendo a Inter, que foi um fiasco na última temporada voltar a lutar pelo scudetto. Com apenas três vagas à Champions League, um mínimo de desatenção pode custar a temporada, ainda mais porque a Udinese, Lazio e Roma também brigam pela vaga. A ajuda da torcida, no entanto, deve ser menor, já que a venda de carnês para a temporada é a menor em anos e o clube até se propôs a reembolsar aqueles que estão insatisfeitos com o mercado da equipe.

Dos reforços, de quem mais pode se exigir algo é Montolivo. Inteligente, mas pouco efetivo, ele sempre foi tratado como grande promessa, mas ainda não atingiu o nível que dele se esperava. Depois de muito tempo na Fiorentina, o regista chega para executar função semelhante à que Pirlo desempenhava dois anos atrás. Na zaga, a missão de substituir Thiago Silva é ingrata. Zapata, que foi bem na Udinese, mas vem de pífia passagem pelo Villarreal, deve substituir o brasileiro, com Acerbi como reserva imediato. Com a saída de Nesta, Mexès assume de vez a titularidade no outro posto da zaga. Já no ataque, Robinho será titular, mas não terá mais a companhia de Ibra, que deixou o clube junto com o veterano Inzaghi. O Milan parecia esquecer as frequentes lesões e depositar confiança total em Alexandre Pato. Porém, um iminente acerto com Pazzini, em troca por Cassano, deixa claro que ainda pairam incertezas sobre as condições do atacante. Com tantas incertezas, a responsabilidade de Boateng é cada vez maior. E a de Allegri também. (Caio Dellagiustina)
Napoli
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 5º colocado
Brasileiros no elenco: nenhum
O destaque: Edinson Cavani (atacante, foto)
A promessa: Lorenzo Insigne (atacante)
O treinador: Walter Mazzarri (4ª temporada)
Principais reforços: Alessandro Gamberini (d, Fiorentina),  Valon Behrami (m, Fiorentina) e Lorenzo Insigne (a, Pescara)
Principais perdas: Ezequiel Lavezzi (a, Paris Saint-Germain) e Ignacio Fideleff (z, Parma)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (3-5-1-1): De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Britos (Gamberini); Maggio, Behrami (Gargano), Inler, Hamsík, Zúñiga; Pandev; Cavani.

O principal objetivo do Napoli nesta temporada é consolidar o projeto de voltar a ser um dos grandes italianos. Espaço a equipe terá, já que a Inter continua passando por um período de reformulação (e parece que continuará durante toda a temporada), e o Milan vendeu seus principais astros: Thiago Silva e Ibrahimovic. Essa pode ser a chance que o Napoli esperava há muitos anos de brigar de fato pelo scudetto. Na teoria, se a equipe não passar por problemas de lesão durante uma parte significativa da temporada (o elenco segue enxuto demais), a disputa seria mais intensa com a Juventus, atual campeã, e que derrotou o próprio Napoli na final da Supercoppa italiana por 4 a 2.

Apesar da derrota, nem tudo foi motivo de desgosto. Cavani mostrou que continua com seu faro de gols aguçado e, na comemoração, demonstrou também que segue comprometido com o time. Todos sabem que Pandev não é um bom finalizador, mas o macedônio foi uma boa alternativa para que o time continue com um perigoso tridente ofensivo. Além disso, Vargas e Insigne podem fazer esse papel durante a longa temporada. Mazzarri ainda tenta encontrar a zaga ideal, já que ganhou mais opções com a chegada do experiente Gamberini. O capitão Cannavaro certamente tem um lugar garantido nos onze iniciais, sendo assim, Britos, Fernández, Campagnaro, Gamberini e Aronica brigam pelas duas vagas restantes. No meio-campo, Behrami foi uma boa contratação, já que pode jogar centralizado ou pelo lado direito. (Anderson Moura)

Palermo
Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36.349 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
Principal rival: Catania
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 16ª colocação
Brasileiros no elenco: nenhum
O destaque: Fabrizio Miccoli (atacante, foto)
A promessa: Paulo Dybala (atacante)
O treinador: Giuseppe Sannino (1ª temporada)
Principais reforços: Samir Ujkani (g, Novara), Franco Brienza (mat, Siena) e Egidio Arévalo Ríos (m, Club Tijuana)
Principais perdas: Emiliano Viviano (g, Fiorentina), Federico Balzaretti (le, Roma) e Matías Silvestre (z, Inter)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-4-2): Ujkani; Pisano, Múñoz, Von Bergen, Mantovani; Bertolo, Arévalo Ríos, Donati, Brienza; Miccoli, Hernández (Ilicic).

"Agora, bem... vou deixar o técnico trabalhar em paz. Preferir? Não que eu preferia, mas talvez, assim, seja melhor para o clube". A frase é fictícia, mas expressa o que Maurizio Zamparini, o presidente pavio-curto, deseja para esta temporada. O Palermo desceu a ladeira desde quando ciscou uma vaga para a Liga dos Campeões de 2010-11. Muitos jogadores saíram (Sirigu, Bresciano, Pastore, Nocerino, Bovo, Simplício, Cavani), e tantos outros técnicos: Walter Zenga, Delio Rossi, Serse Cosmi, Stefano Pioli, Devis Mangia e Bortolo Mutti. Agora com Giuseppe Sannino, que fez um trabalho estupendo no Siena, o chefão promete dar uma relaxada.

Entre as quatro linhas, o Palermo vai, mesmo, lutar contra o rebaixamento. Balzaretti e Silvestre, pilares do time, e também Viviano, de nível de seleção, saíram. Mantovani consegue suprir a lacuna na lateral esquerda tranquilamente; o mesmo não pode ser dito para Múñoz e Milanovic, que brigam por uma vaga de titular ao lado de Von Bergen, que chega do Genoa. No meio de campo, os rosanero se desfizeram de Della Rocca e trouxeram Brienza, ex-Siena, e Arévalo Ríos, do Club Tijuana. O setor, com os dois e também com Bertolo, Donati e Barreto promete dar trabalho. Ilicic, que já chamou a atenção de clubes maiores e foi mal no último ano, buscará a redenção jogando mais avançado. Ele e o uruguaio Hernández busca uma vaga no ataque, ao lado do capitão Miccoli. O setor também terá o reforço de Dybala. O jovem argentino contratado junto ao Instituto é a promessa do Palermo, já que foi eleito o melhor jogador da segunda divisão do campeonato nacional de seu país. (Murillo Moret)

Parma
Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (23.486 lugares)
Fundação: 1913
Apelidos: Gialloblù, Crociati e Ducali
Principais rivais: Bologna e Reggiana
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª colocação)
Na última temporada: 8ª colocação
Brasileiros no elenco: Amauri (atacante)
O destaque: Jonathan Biabiany (meio-campista, foto)
A promessa: Dorlan Pabón (atacante)
O treinador: Roberto Donadoni (2ª temporada)
Principais reforços: Amauri (a, Fiorentina), Marco Parolo (v, Cesena) e Dorlan Pabón (a, Atlético Nacional)
Principais perdas: Sebastian Giovinco (a, Juventus), Francesco Valiani (m, Siena) e Sergio Floccari (a, Lazio)
Objetivo: vaga na Liga Europa
Time base (3-5-2): Mirante; Zaccardo, Paletta, Lucarelli; Biabiany, Parolo, Valdés, Galoppa, Gobbi; Pabon, Amauri.

Com a boa gestão dos últimos anos, o Parma volta a ser uma potência entre os times médios da Itália e pode começar a sonhar um pouco mais alto. Após a ótima oitava colocação do último campeonato, beliscar uma vaga na Liga Europa não parece um pensamento tão absurdo para esta temporada. Mas a tarefa também está longe de ser simples, principalmente porque a equipe perdeu Giovinco, seu melhor jogador na temporada passada, com 15 gols e 12 assistências (participação direta em 50% dos gols do time na competição). Dessa forma, o sucesso dos crociati fica diretamente ligado ao rendimento do colombiano Dorlan Pabón, substituto de Giovinco. Com características semelhantes as do Formiga Atomica, o atacante espera repetir a boa média de gols alcançada na última temporada: foram 15 tentos em 19 jogos pelo Atlético Nacional.

Ao lado de Pabón jogará Amauri, que não viveu grandes momentos na Fiorentina na última temporada e espera reencontrar seu bom futebol vestindo gialloblù - ele já havia ido bem no Parma, há duas temporadas. O bom mercado do Parma contou também com as contratações de Parolo e Acquah, para suprir a perda de Valiani, e de MacEachen, Fideleff e Aleandro Rosi, para dar opções ao setor defensivo. Assim, o técnico Donadoni terá boas peças para agregar à base construída no último campeonato e tentar levar o Parma à parte nobre da tabela. Para isso, será essencial que Paletta e Zaccardo continuem tendo atuações seguras na zaga e que Valdés, Galoppa e Parolo deem o suporte necessário para que Biabiany, o grande nome do time atualmente, repita as grandes atuações do final da última Serie A. (Rodrigo Antonelli)

Pescara
Cidade: Pescara (Abruzzo)
Estádio: Adriatico (20.681 lugares) 

Fundação: 1936
Apelidos: Biancoazzurri, Delfini 

Principais rivais: Lazio, Roma e Ascoli

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 14ª colocação)
Na última temporada: campeão da Serie B
Brasileiros no elenco: Lucas Chiaretti (meio-campista) e Jonathas (atacante)

O destaque: Marco Capuano (zagueiro, foto)
A promessa: Mattia Perin (goleiro)
O treinador: Giovanni Stroppa (1ª temporada)
Principais reforços: Jonathas (a, Brescia), Birkir Njarnason (m, Standard Liège) e Vladimír Weiss (m, Manchester City)
Principais perdas: Marco Verratti (m, Paris Saint-Germain), Ciro Immobile (a, Genoa) e Lorenzo Insigne (a, Napoli)

Objetivo: permanência na Serie A

Time-base (4-2-3-1): Perin (Anania); Balzano (Romagnoli), Capuano, Terlizzi, Crescenzi (Zanon); Colucci, Cascione (Blasi); Weiss, Bjarnason, Celik (Caprari); Jonathas.

Campeão da Serie B 2011-12 sob o comando do veterano Zdenek Zeman, o Pescara volta à Serie A após 20 anos de ausência, mas muito modificado em relação ao time da última temporada. Além do técnico tcheco, jogadores importantes do time vencedor saíram, como os jovens Verratti, Insigne e Immobile, e também o veterano e ex-capitão Sansovini. No entanto, alguns dos melhores jovens daquele time, como os defensores Romagnoli e capuano, permanecem no Adriático. Com melhores condições financeiras que anos atrás, quando o clube chegou a falir, a diretoria procurou repor as várias saídas investindo na juventude.

Primeiro com o substituto de Zeman: o ex-rossonero Giovanni Stroppa, que possui filosofia semelhante à do lendário técnico e sua Zemanlandia, com um futebol de muitos gols - na frente e atrás. No entanto, o técnico tem pouca experiência - treinou apenas nas categorias de base do Milan e no Südtirol, da terceirona - e é uma aposta arriscada. Também foram contratados jogadores promissores, como o eslovaco Weiss e o goleiro Perin. Para as outras lacunas, chegaram os veteranos low-cost Colucci, Blasi, Terlizzi e Abbruscato, que brigam por vagas entre os titulares. A grande contratação, porém, é o brasileiro Jonathas, formado no Cruzeiro e autor de 16 gols na última Serie B pelo Brescia. A proposta de jogo em “divertir” o público com jogos com muitos gols e emoção deverá ser mantida, mas pode ser insuficiente para os biancoazzurri, afinal a Serie A é bem diferente da segundona. Por isso e pela modéstia nas contratações, time deverá brigar pelas posições inferiores. (Arthur Barcelos)

Roma
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (72.481 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Títulos da Serie A: três
Na última temporada: 5ª posição
Brasileiros no elenco: Júlio Sérgio (goleiro), Marquinhos (zagueiro), Leandro Castán (zagueiro), Dodô (lateral esquerdo), Rodrigo Taddei (meio-campista), Lucca (meio-campista) e Marquinho (meio-campista)
O destaque: Daniele De Rossi (meio-campista, foto)
A promessa: Panagiotis Tachtsidis (meio-campista)
O treinador: Zdenek Zeman (1ª temporada)
Principais reforços: Mattia Destro (a, Siena), Leandro Castán (z, Corinthians) e Federico Balzaretti (le, Palermo)
Principais perdas: Fabio Borini (a, Liverpool), Juan (z, Internacional) e Simon Kjaer (z, Wolfsburg)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-3): Stekelenburg; Piris, Burdisso, Leandro Castán, Balzaretti; Bradley (Tachtsidis), De Rossi, Pjanic; Lamela, Totti, Destro.

A temporada da Roma começa com um paradoxo: para aprimorar a renovação do elenco e da forma de jogar da equipe, a diretoria fez um resgate do passado. O passado em questão é o retorno do experiente Zdenek Zeman ao comando da equipe que já havia treinado entre 1997 e 1999. O tcheco volta a Trigoria após o triunfo do Pescara e de sua filosofia de jogo ofensivista na Serie B com o intuito de fazer a Roma dar espetáculo. Para isso, utilizará seu tradicional 4-3-3 com meio-campistas polivalentes, como Bradley e Tachtsidis, contratados junto a Chievo e Verona, respectivamente, além de Pjanic e De Rossi, que devem ser titulares absolutos. No ataque, Osvaldo deve perder a titularidade para o promissor Destro, que vem de grande temporada pelo Siena. A seu lado, devem jogar o habilidoso Lamela e o capitão Totti, que deve se movimentar e trocar muito de posição com o ex-atacante bianconero.

A expectativa é que os jogos da Roma sejam de muitos gols - a favor e contra. A vocação das equipes de Zeman pelo descompromisso com a defesa já foram até alvo de piadas feitas pelo próprio treinador, quando insinuou que a equipe não iria precisar contratar zagueiros após as saídas de Juan, Cassetti e Kjaer. Por isso, é bom a torcida brasileira não esperar que Leandro Castán, contratado junto ao Corinthians, seja um pilar da defesa romanista. Apesar da piada de Zeman, a defesa foi o setor mais reforçado no mercado: foram quatro chegadas e, além de Castán, foram contratados os brasileiros Marquinhos e Dodô, também do Corinthians, e o lateral Balzaretti, do Palermo. Apesar de ser a equipe com o maior número de brasileiros, ao lado da Udinese - sete, no total -, apenas Castán deve ter vaga no time titular. (Nelson Oliveira)

Sampdoria
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Marassi (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: terceira colocada da Serie B, vencedora do play-off de acesso
Brasileiros no elenco: Júnio Costa (goleiro), Renan (meio-campista) e Éder (atacante)
O destaque: Daniele Gastaldello (zagueiro, foto)
A promessa: Pedro Obiang (volante)
O treinador: Ciro Ferrara (1ª temporada)
Principais reforços: Maxi López (a, Milan), Marcelo Estigarribia (m, Juventus) e Andrea Poli (m, Inter)
Principais perdas: Graziano Pellè (a, Parma) e Pasquale Foggia (m, Lazio)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-3-3): Romero; De Silvestri, Gastaldello, Costa (Rossini), Castellini; Munari (Renan), Krsticic (Obiang), Poli; Estigarribia, Eder, Maxi López (Pozzi);

De volta à Serie A depois de um inesperado rebaixamento na temporada 2010-2011, a Samp voltou à elite com muita ambição. Contudo, parte dessa ambição não foi traduzida em realidade. A busca por um treinador de ponta do futebol europeu não deu certo: Rafa Benitez, que terminara seu vínculo contratual com a Inter e poderia assinar com qualquer clube, acabou não aceitando a proposta doriana. O clube até tentoi fechar com Didider Deschamps, mas ele acertou com a seleção francesa. Por fim, sem hesitar, a diretoria assinou com Ciro Ferrara, que fez bom trabalho na seleção sub-21 italiana e é um treinador que pode fazer o que a diretoria blucerchiata mais deseja: aproveitar os jovens atletas do elenco, muitos oriundos das categorias de base do clube. A estreia oficial não foi das melhores: o time acabou eliminado da Coppa Italia pela Juve Stabia.

Dentro de campo, houve a manutenção da mediana equipe que conseguiu o suado acesso na Serie B passada e algumas contratações pontuais, como De Silvestri para a lateral-direita, os retornos de Tissone e de Poli (que pode disputar esta temporada em Gênova e ir para a Juventus, em seguida) e as aquisições, por empréstimo, de Estigarribia e Maxi López, para o ataque. Pouco para uma torcida que chegou a sonhar com os retornos de Cassano e Pazzini. Ainda assim, com sonhos que não chegaram a se concretizar, a Samp, por mais que não tenha um elenco que chame a atenção, tem um conjunto entrosado. A equipe pode repetir o que a Atalanta fez na última Serie A conseguindo posições medianas, para, no futuro, galgar coisas maiores, como o fez em meados da última década. A penalização de um ponto não deve ser problemática. (Thiéres Rabelo)

Siena
Cidade: Siena (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (15.373 lugares)
Fundação: 1904
Apelidos: Robur, Bianconeri
Principais rivais: Roma e Fiorentina
Títulos da Serie A: nenhum (melhor participação: 13º)
Na última temporada: 14º
Brasileiros no elenco: Ângelo (lateral direito) e Reginaldo (atacante)
O destaque: Emanuele Calaiò (atacante, foto)
A promessa: Marcel Büchel (meia)
O treinador: Serse Cosmi (1ª temporada)
Principais reforços: Matteo Rubin (le, Torino), Francesco Valiani (m, Parma) e Luís Neto (z, Nacional)
Principais perdas: Mattia Destro (a, Roma), Franco Brienza (m, Palermo) e Zeljko Brkic (g, Udinese)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (3-5-2): Pegolo; Neto, Contini, Paci; Valiani, Vergassola, D’Agostino, Bolzoni, Rubin (Del Grosso); Bogdani, Calaiò.

Na última temporada o Siena terminou a Serie A com uma estatística curiosa: saldo de gols zerado. Tendo em vista que o artilheiro da equipe na competição com 12 gols, o atacante Mattia Destro, não continua na Toscana, o time deve ligar o sinal de alerta desde já. Principalmente porque começa a temporada com -6 pontos, por envolvimento de jogadores no escândalo de apostas, e porque não houve reposição às perdas. Calaiò (marcou 11 gols na última Serie A) parece isolado na missão de balançar as redes. González não vingou e foi para o Novara. Paolucci, promessa da base da Juventus, e o grandalhão Bogdani devem assumir papeis de coadjuvantes. Talvez por essa dificuldade, a diretoria tenha escolhido Serse Cosmi como comandante, já que o treinador costuma montar equipes que priorizam o ataque à defesa. No entanto, com o que tem mãos, ele vai ter que tirar leite de pedra.

No meio-campo, apesar da saída de Brienza, que jogou 36 dos 38 jogos no último campeonato e com muita constância, as outras principais figuras foram matidas. Valiani, ex-Parma, e Rubin, ex-Bologna e Torino, chegam para ocupar as alas no novo 3-5-2 de Cosmi, que ainda pode contar com o brasileiro Reginaldo, caso não seja novamente emprestado. Para o meio-campo, os seneses ainda podem fechar com Rosina, do Zenit, que esteve bem no período de testes na pré-temporada, e com Ribair Rodríguez, do Belgrano. No gol, se a briga pela titularidade entre Pegolo e Brkic era ferrenha, com a saída do sérvio para a Udinese, o italiano deve assumir, de vez, a titularidade, mas com uma defesa mais fraca à sua frente. O experiente Terzi pegou gancho de três anos e meio por envolvimento no escândalo de apostas e deve ser substituído por Paci e Dellafiore, que não inspiram confiança, assim como Contini. Neto, que fez bom campeonato português pelo Nacional é uma aposta. (Anderson Moura)

Torino

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olimpico di Torino (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: vice-campeão da Serie B
Brasileiros no elenco: Willyan (meio-campista)
O destaque: Angelo Ogbonna (defensor, foto)

A promessa: Gianluca Sansone (atacante, 25 anos)

O treinador: Gian Piero Ventura (2ª temporada)

Principais reforços: Jean-François Gillet (g, Bologna), Mario Santana (m, Napoli) e Gianluca Sansone (a, Sassuolo)
Principais perdas: Mirko Antenucci (a, Catania) Stefano Guberti (m, Roma) e Francesco Benussi (g, Palermo)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time-base (4-4-2): Gillet; Darmian, Glik (Rodríguez), Ogbonna, Masiello (Cáceres); Santana, Basha (Brighi), Gazzi, Sansone; Bianchi, Meggiorini.

Depois de três temporadas na Serie B, o Torino está de volta à Serie A. Ventura chegou em 2011, colocou ordem na casa, deu um padrão de jogo ao time e conseguiu, como recompensa, a promoção com uma boa campanha na segundona italiana. Para esta temporada, em que o clube começa com a penalização de 1 ponto, a base foi mantida e aprimorada com as ações na janela de transferências, também marcada por uma “limpeza” no elenco granate.

Artilheiro do time em 2011-12, Antenucci fará falta, uma vez que seus companheiros de ataque, Bianchi, Meggiorini e Sgrigna ficaram devendo nos gols. Para isso, um dos principais destaques da última Serie B, Sansone, foi contratado, e é nele e em Bianchi - que, apesar da decepção na última B, é um goleador - que as fichas serão depositadas. Para municiar o ataque, foi contratado o experiente argentino Santana, que não emplacou boas passagens por Napoli e Cesena e é uma incógnita. Com ele, disputa posição o sérvio Stevanovic, em busca de afirmação no time principal. Mas o principal mérito da diretoria foi ter garantido a permanência de Ogbonna, pilar da defesa do time de Turim, ao lado do também jovem Darmian, que finalmente se firmou após poucas chances em Milan e Palermo. (Arhtur Barcelos)

Udinese

Cidade: Údine (Friuli)

Estádio: Friuli (41.652 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: vice-campeã)

Na última temporada: 3º colocado
Brasileiros no elenco: Danilo (zagueiro), Neuton (zagueiro), Gabriel Silva (lateral direito), Allan (lateral direito), Willians (volante), Maicosuel (atacante) e Barreto (atacante)

O destaque: Antonio Di Natale (atacante, foto)

A promessa: Cristian Battochio (meio-campista)
O treinador:  Francesco Guidolin (3ª temporada)

Principais reforços: Luis Muriel (a, Lecce), Maicosuel (a, Botafogo) e Zeljko Brkic (g, Siena)

Principais perdas: Kwadwo Asamoah (m, Juventus), Mauricio Isla (ld, Juventus) e Samir Handanovic (g, Inter)

Objetivo: vaga em competição europeia
Time base (3-5-1-1): Brkic; Benatia, Danilo, Domizzi; Basta, Pereyra, Pinzi, Agyemang-Badu, Armero; Muriel (Maicosuel); Di Natale

Surpreendendo a todos, a Udinese se manteve firme na ponta da tabela por toda a última temporada, garantindo a vaga na Champions League. E, como é de praxe, a equipe chega no ano seguinte reformulada, depois que alguns de seus principais destaques são vendidos. Para essa temporada, as principais perdas foram o goleiro Handanovic, que foi para a Inter, e Asamoah e Isla, que se transferiram para a Juventus. As reposições, como sempre, foram feitas com jogadores de baixo custo, mas avaliados pelo clube como promissores. O grande nome é Luis Muriel, jogador que já pertencia ao time alvinegro e retorna de ótima passagem por empréstimo ao Lecce. Brkic, que também foi bem no Siena, pode fazer com que a saída de Handanovic não seja muito sentida.

Boa parte do reformulado elenco é brasileiro: ao todo são sete jogadores (Allan, Danilo, Barreto, Neuton, Gabriel Silva, Willians e Maicosuel), maior contingente de canarinhos no Belpaese, ao lado da Roma. Destes, apenas Danilo, que fez grande última temporada, tem vaga garantida entre os titulares. O ataque melhorou, com as chegadas de Muriel e Maicosuel, que darão suporte ao artilheiro Di Natale, esperança de sempre pelos lados do Friuli. No entanto, o meio campo perdeu qualidade. As saídas de Asamoah e Isla serão seriamente sentidas. Apesar de bons jogadores, Willians, Faraoni e Allan precisam comprovar o investimento e apenas Agyemang-Badu deve ter lugar cativo no meio campo. Mais uma vez, a Udinese começa a temporada cercada de incógnitas, mas quem disse que se deve subestimá-la? Francesco Guidolin já emplacou dois ótimos trabalhos seguidos com o mesmo panorama e pode muito bem repetir o feito. (Caio Dellagiustina)