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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Review: Copa Viareggio 2012

Juventus chega ao sexto título em dez anos na Copa Viareggio e confirma-se, mais uma vez, como um dos grandes centros formadores da Itália. E, como se vê na imagem, com participação brasileira (Reprodução)
Por Nelson Oliveira e Rodrigo Antonelli

Na 64ª edição da Copa Viareggio, venceu a juventude. A afirmação parece óbvia, mas não é: Roma e Juventus, que fizeram a final, tinham os times mais jovens da competição, recheados de jogadores de 18 e 19 anos em um torneio da categoria sub-20. Na campeã Juve, apenas o atacante Libertazzi era /92. Na Roma, apenas Viviani e Tallo, além de Négo, /91 - o único inscrito a superar os 20 anos, já que o torneio permite dois por equipe. Os giallorossi apostaram tanto na juventude que inscreveram até mesmo o atacante Ferrante, um /95 recém-contratado junto ao Piacenza. 

Os brasileiros, por sua vez, não tiveram vida longa no torneio. Juventude, Olé Brasil e Grêmio Osasco foram eliminados ainda na primeira fase, tendo cada um conseguido apenas uma vitória em seus grupos. O melhor desempenho foi do Juventude, que mesmo tendo conseguido ir a Viareggio apenas pela ajuda de um grupo de empresários, ficou próximo de garantir a classificação para a segunda fase como na cota das melhores segundas colocadas. Com 4 pontos, o Ju não conseguiu ir em frente, mas o atacante Hiago foi um dos destaques da primeira fase, tendo marcado três gols. Da primeira fase, aliás, saiu o artilheiro da competição: Improta, do Genoa, substituiu o brasileiro Willian Lacerda, ex-Corinthians, e marcou seis na competição - cinco em um mesmo jogo, na goleada por 9 a 0 sobre o LIAC New York. O Genoa, porém, caiu nas oitavas frente ao Torino e Improta não foi mais colocado à prova. Acompanhe, a seguir, nossa análise do que mais importante aconteceu no torneio.

Eleito melhor jogador da competição, o meia-atacante Spinazzola chegou à Juventus nesta temporada (Reprodução)

A campeã
Depois de uma campanha abaixo das expectativas na edição de 2011 (foi eliminada nas quartas-de-final), a Juventus voltou a mostrar sua força no torneio de base mais importante da Itália e ficou com o título pela sexta vez nos últimos dez anos. Agora, o time de Turim tem oito taças de Viareggio e está empatado com Milan e Fiorentina como time que mais venceu a competição. Para isso, superou Vicenza, Club Guaraní, Parma e Roma na fase final da competição, após liderar a fase de grupos. Desta vez, porém, não foi o ataque que se destacou, como naquela edição em que o artilheiro Ciro Immobile foi a grande estrela. O ponto alto do time montado por Marco Baroni foi o setor defensivo, que sofreu apenas quatro gols durante o torneio.

Formada por Branescu (goleiro), Untersee, Gouano, Rubin e um entre Liviero ou Belfasti, a defesa bianconera mostrou segurança e maturidade para uma equipe de jovens. Em nenhum jogo o time sofreu mais de um gol. Não à toa, a equipe é líder do seu grupo no Campeonato Primavera e finalista da Coppa Italia da categoria. Destaque também para as atuações do holandês Ouasim Bouy, meio-campista contratado junto ao Ajax no último dia da janela de transferências e autor de três gols e também às do brasileiro Gabriel Appelt, à frente da zaga. Apesar de não ter jogado todas as partidas, por opção do treinador, o ex-jogador do Resende (RJ) foi bem enquanto esteve em campo e chamou a atenção da imprensa local, que chegou a compará-lo ao romanista De Rossi. Com bom posicionamento, noção de marcação e toque de bola acima da média, Appelt ainda pode estourar em times principais da Itália.

Mas o grande nome do time (e da competição) foi mesmo Leonardo Spinazzola. O meio-campista de 18 anos foi o dono da bola e comandou a equipe na caminhada até o título, com muita classe, velocidade e visão de jogo. Revelado no Siena e adquirido pela Juve como peça de troca na transferência de Immobile e Marrone para Siena, Spinazzola se consagrou com grande atuação na final, contra a Roma, e foi eleito o melhor jogador da competição. Mais à frente, Padovan não repetiu os muitos gols de Immobile em outras edições, mas não deixou a desejar, balançando a rede três vezes. Importante ressaltar também como o clube está investindo na base (foram €6,5 milhões gastos no último mercado) e tentando aproximá-la do time principal. No discurso, a ideia é subir três ou quatro jogadores para o time principal a cada ano. Na prática, sabemos que não é bem assim, mas só o fato de investir mais já é um bom sinal. Tanto para a Juve, quanto para o futebol italiano.

As semifinalistas

Pigliacelli, de 18 anos, foi o melhor da Roma em Viareggio. Se a defesa não era o forte do time, ele tinha de aparecer bem para evitar que a equipe sofresse mais gols (Reprodução)
Roma (vice-campeã)
Outro time bastante jovem na disputa, a Roma teve uma fase de grupos irregular. A equipe treinada por Alberto De Rossi sofreu contra os estrangeiros do Club Nacional e do Santos Laguna (até perdeu para os mexicanos) e garantiu-se no mata-mata graças apenas a um 7 a 2 sobre o fraquíssimo Virtus Entella. Para a fase seguinte, em que passou por Atalanta, Combinado da Serie D e Fiorentina, a equipe ganhou o reforço de Piscitella, que já estreou pelos profissionais, e cresceu de produção. O meia-atacante, que cai pelos lados do campo, fez boas partidas e marcou dois gols, além de municiar o atacante marfinense Tallo, autor de outros dois tentos.

No meio-campo, Verrè - artilheiro do time graças a três gols marcados contra o Virtus Entella - foi destaque de uma equipe que sentiu falta de Viviani, um dos mais experientes do grupo, poupado de boa parte dos jogos do torneio por estar treinando com o time profissional. Ciciretti, outro possível destaque, foi expulso nas quartas de final e, suspenso pela própria Roma do restante do torneio, fez falta na final perdida contra a Juventus. A defesa, que não foi das melhores do torneio, acabou dando chance para que o goleiro Pigliacelli aparecesse bem. Ele teve boas atuações em todos os jogos da campanha giallorossa e foi o melhor da equipe na competição, por sua regularidade.

Parma
Grande surpresa do torneio carnavalesco, o Parma não conta com grande tradição na revelação de jogadores - apesar de já ter revelado os irmãos Cannavaro e Giuseppe Rossi. A equipe emiliana, que também tem baixa média de idade e é treinada por Fausto Pizzi, começou a aprontar já na fase de grupos, quando venceu o Milan com um sonoro 4 a 0 e dois gols do atacante Monachello. O ataque, aliás, produziu bastante: foram 11 gols, distribuídos não só entre os avantes, mas também entre jogadores de outros setores. Jogando pelos lados do ataque no 4-2-3-1 reversível para 4-3-3 de Pizzi, Sprocati e Pedrinelli revezaram bem, dando uma canseira nos seus marcadores ao longo de todo o torneio. Outros reservas que, sempre quando acionados, apareceram bem foram o meio-campista Malivojevic, com ótima chegada ao ataque, e o atacante português Fábio Nunes.

A defesa, por sua vez, também foi muito bem, tendo sofrido apenas três gols. Foi a partir da defesa que a equipe passou pela Inter, nos pênaltis, após 1-1 no tempo normal e na prorrogação. O goleiro Gallinetta, cedido pelos nerazzurri, foi o principal responsável pela classificação, já que fez grandes defesas com a bola rolando e pegou um pênalti. Mais à frente, outro ex-intersta, o zagueiro Galimberti, também teve ótimas atuações. Porém, o diferencial da equipe foi o meio-campo muito forte fisicamente e bastante versátil, com o capitão Battiono - nome da vitória por 3 a 0 nas quartas sobre o Torino - e o ganês Addae, já comparado a Desailly por sua força física e técnica. Addae, por sinal, já tem convocação para os Estrelas Negras. Com tantas boas prestações em Viareggio, paradas apenas pela Juventus, com gol de Spinazzola nos últimos minutos, é difícil explicar porque o Parma se encontra na parte baixa da tabela no campeonato Primavera. Ao menos, ao que parece, essa geração dará o que falar - e seu técnico também.

Svedkauskas, em ação pela Coppa Italia Primavera na imagem, foi eleito melhor goleiro do torneio (Reprodução)
Fiorentina
A campanha da Fiorentina teve forte participação brasileira: com três brasileiros no elenco - Alan Empereur, Gustavo Campanharo e Ryder Matos -, a equipe fez uma boa campanha, como se esperava, e só caiu nos pênaltis, em semifinal muito disputada contra a Roma. Os viola tinham um elenco. Um dos principais destaques da campanha viola foram justamente Campanharo, que tem jogado mais adiantado do que quando atuava pelo Juventude. Ele estreou com o pé direito e fez logo o primeiro de seus três na competição com apenas um minuto do primeiro jogo, contra o Stabaek - única partida na qual a Fiorentina teve facilidade na competição.

Outro bom valor que apareceu no torneio foi o goleiro Svedkauskas, que foi eleito o melhor goleiro do torneio. No meio-campo, destaque para o meio-campista Panatti, autor de dois gols e visto como possível substituto de Montolivo no time de cima em médio prazo. Além dos dois, também teve destaque o atacante Zohoré, contratado para substituir Babacar - e integrado ao time principal -, que fez dois gols, incluindo um nos acréscimos do segundo tempo nas quartas de final contra a Lazio, que levou o jogo para a prorrogação e deu início à virada florentina. Em uma campanha cheia de dificuldades, fez diferença a "experiência" de Camporese (9 jogos na Serie A) e Agyei, que também já estreou na elite e treina com os profissionais. Por outro lado, a presença de jovens que já atuaram em alto nível e se mostraram preparados para os profissionais em um torneio juvenil só ressalta o atraso italiano em lançar, sem medo, suas revelações.

As decepções
Nesta edição, algumas equipes importantes, como Genoa, Torino e Atalanta caíram mais cedo, mas não podem ser chamadas de decepções porque tiveram cruzamentos complicados. De fato, o posto de maior decepção é disputado pela dupla de Milão. A Inter entrou na competição para defender o título conquistado no ano passado e com credenciais de favorita, mas foi eliminada precocemente, logo nas oitavas-de-final. Após campanha apenas regular na fase de grupos, o time não resistiu ao ofensivo Parma e caiu nas cobranças de pênaltis, após empatar por 1 a 1. O curioso é que o time do técnico Andrea Stramaccioni foi eliminado sem perder nenhum jogo no tempo regulamentar. Foram duas vitórias (Siena e Reggina) e um empate (Anderlecht) na fase de grupos e um empate nas oitavas-de-final. Nem mesmos os destaques Samuele Longo e Daniel Bessa tiveram atuações tão positivas assim.

O Parma foi o responsável pela eliminação do Milan também. Ainda na fase de grupos, o time de Fausto Pizzi (que só caiu nas semifinais) goleou os jovens de Milanello por 4 a 0 e praticamente eliminou as chances de o time se classificar para as fases finais. Mesmo com duas vitórias nos outros jogos (Grêmio Osasco e Modena), a equipe não conseguiu ficar entre os quatro melhores segundos colocados que se classificavam e deu adeus ao torneio de carnaval antes do esperado pelo segundo ano consecutivo. O destaque positivo foi o atacante Gianmario Comi, que comprovou sua fama de artilheiro e marcou quatro gols em três jogos. Comi é o artilheiro do Campeonato Primavera também, com 12 gols. O time foi o único italiano que não passou para as oitavas-de-final.

Outra decepção foi a Sampdoria. Considerado um dos times com melhor estrutura de base no país, o clube não conseguiu passar das oitavas-de-final e decepcionou pelo terceiro ano seguido em Viareggio. Em 2010, a eliminação veio ainda na fase de grupos. No ano seguinte, nem a contratação do técnico campeão com a Juve em 2010, Luciano Bruni, salvou a equipe de mais uma decepção: o time caiu nas quartas-de-final para o surpreendente Varese. Neste ano, o time até fez boa campanha na primeira fase, conduzido pelo atacante argentino Mauro Icardi - autor de três gols - e conquistou sete pontos (2 vitórias, 1 empate, 7 gols marcador e apenas 2 sofridos) no grupo mais difícil da competição. Porém, o sonho blucerchiato acabou nos pênaltis, contra o Club Guaraní. Após empatar por 0 a 0 no tempo regulamentar, a equipe comandada por Felice Tufano errou todas as cobranças e caiu fora de forma melancólica.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

25ª rodada: O peso do bandeira

O gol que não foi gol: no empate entre Milan e Juventus, gol de Muntari poderia ter mudado a história do jogo, mas Juventus cresceu no segundo tempo e foi buscar empate que pode valer título (Sky Sport)

Em uma das rodadas mais importantes na briga pelo título, nada mudou na parte de cima da tabela: o Milan, com um jogo a mais, continua liderando a Serie A com 51 pontos, um a mais que a Juventus, que conseguiu reagir em um jogo em que a arbitragem apareceu mais do que o devido. Mesmo assim, a impressão é de que a Juve saiu vitoriosa do estádio San Siro, já que depende apenas de si para chegar ao título italiano: se vencer o Bologna, em jogo recuperado a ser disputado no dia 7 de março, reassume a liderança e abre vantagem de dois pontos sobre o Milan - além de levar vantagem no confronto direto, em caso de um eventual empate de pontos com os rossoneri após a última rodada. As equipes estiveram inspiradas neste último fim de semana de fevereiro: todas as partidas tiveram gols e a média foi de três gols por partida, uma das maiores da atual edição da Serie A. Vamos às análises.

Milan 1-1 Juventus
Se a Juventus não perdeu a invecibilidade até agora e passou (quase) ilesa pelo líder Milan, quem poderá parar a Velha Senhora? É a pergunta que muita gente faz na Itália depois que, mesmo jogando mal, a equipe treinada por Antonio Conte conseguiu reagir e empatar com os rossoneri, em uma partida repleta de erros do bandeira Romagnoli - que pode voltar a nunca mais atuar pela Serie A e que acabou prejudicando Paolo Tagliavento, melhor árbitro italiano, injustamente colocado na geladeira por três partidas graças aos erros do colega. O primeiro deles, mais claro, foi o gol não validado para o Milan em cabeçada de Muntari que claramente ultrapassou a linha, como mostra a imagem acima. O lance aconteceu quando o Milan já vencia por 1 a 0, com oitvavo gol de Nocerino na Serie A, oriundo de uma dupla trapalhada de Bonucci. Naquele momento o Milan tinha seu período de auge no jogo: Nocerino, van Bommel e Muntari engoliam o meio-campo da Juve e a equipe visitante sofria muito com as incursões de Robinho, que deixavam Bonucci e Barzagli em dificuldades, sem a cobertura dos laterais, muito soltos em um 3-5-2 mal montado por Conte. Pato, mais uma vez, foi anônimo e acabou substituído por El Shaarawy após o intervalo.

Os erros de Conte não foram apenas defensivos: a escalação de Borriello e Quagliarella juntos no ataque foi inexplicável. Ao menos, o técnico teve a humildade de perceber e corrigir seus erros, quando colocou Pepe no lugar de Estigarribia, passando o time para o 4-3-3, e pouco depois, sacou Borriello (agredido por Mexès, que acabou suspenso por três jogos) e colocou Vucinic. Mas a alteração que deu mesmo resultado, quando a Juve já crescia no jogo e atacava o Milan, foi a entrada de Matri no lugar de Quagliarella. O artilheiro bianconero no campeonato, com 10 gols, teve um gol mal anulado por Romagnoli e depois, levemente impedido - um erro que pode ser descontado -, acabou empatando a partida, faltando menos de 10 minutos para o fim. 

Empate com gosto amargo para o Milan, que poderia ter construído uma vantagem maior ainda no primeiro tempo, quando sobrava, e viu o frescor físico da Juventus - que disputou oito jogos a menos que os rossoneri nesta temporada - sobressair-se nos minutos finais. Se não perde, a Juventus empata bastante: com 11 empates, a Velha Senhora é a equipe que mais tem visto a igualdade na Serie A. E, para ter mais tranquilidade para chegar ao 28º scudetto, talvez precise começar a ganhar mais partidas.

Napoli 1-0 Inter
No duelo entre uma equipe com altos níveis de confiança após uma grande vitória na Liga dos Campeões e outra abatida e em plena crise, deu o lógico: vitória fácil do Napoli, que levou a equipe à quinta posição, com 40 pontos. Na ausência de Hamsík, suspenso, Mazzarri preferiu escalar Dzemaili ao invés de Pandev, dando mais força ao meio-campo. A estratégia deu certo e foi a partir do controle do meio-campo, com grande contribuição do suíço, que dominar uma combalida Inter ficou ainda mais fácil. Dzemaili ainda participou bem de subidas ao ataque, como no lance em que criou a jogada para o gol de Lavezzi, o melhor em campo e grande comandante da fase positiva do Napoli. Do lado interista, Ranieri mostrou-se confuso mais uma vez e sacou Forlán e Sneijder após o intervalo, colocando Pazzini e Córdoba e dando lugar a um estranho 3-5-2 que, claro, não funcionou. Com isso, a Inter chegou à 11ª derrota na Serie A - a sétima em oito jogos, somando todas as competições. A fase é tão negativa que é a primeira vez que a Inter perde cinco partidas seguidas desde que Zanetti chegou ao clube, em 1995 e a primeira vez em 25 anos que a Inter não marca em quatro partidas consecutivas na Serie A. E, caso o time perca para o Catania, igualará sua maior série de derrotas na história. Ranieri estará no banco para tentar evitar mais um revés?

Atalanta 4-1 Roma
A Atalanta não vivia sua melhor fase no campeonato e nunca mais tinha repetido o futebol das primeiras rodadas, quando foi a sensação do torneio. Porém, guardou a sua melhor partida da temporada para este momento. Pior para a Roma, que foi massacrada desde o primeiro minuto e nem com o gol de Borini, ainda no primeiro tempo, conseguiu igualar forças. Stefano Colantuono foi inteligente ao aproveitar a ausência de De Rossi (excluído por ter se atrasado a uma preleção) do time adversário e montou um time agressivo, com um 4-4-2 que atacava a Roma pelas pontas do campo. Foi assim, em dois contra-ataques que utilizaram as costas de Rosi como escape que a Atalanta fez os dois primeiros, com Marilungo e Denis. O jovem Marilungo, em sua melhor partida na Serie A também utilizou as costas de José Ángel, substituto de Rosi, para passar para Denis marcar o terceiro, já após o intervalo. O Tanque ainda anotaria sua tripletta - que lhe levou aos 15 gols no campeonato e lhe garantiu 30 mil euros de bônus, previstos em contrato - graças a um erro bisonho de Cassetti. O defensor ainda seria expulso, como Osvaldo, e a Roma terminaria o jogo com nove em campo e mais dois indisponíveis para a partida - Gago também está suspenso. Pior cenário possível antes do dérbi contra a Lazio.

Bologna 1-3 Udinese
Com Di Natale em campo, é uma outra Udinese: começando bem graças a um gol do capitão, em pênalti polêmico, a equipe do Friuli voltou a vencer na Serie A e manteve a terceira colocação, empatada em pontos com a Lazio, mas com melhor saldo de gols. O Bologna, por sua vez, perdeu invecibilidade de sete jogos. A equipe da casa sofreu com a ausência de Diamanti, suspenso, já que Taider não conseguiu executar a função do fantasista e criou pouco, concentrando-se mais nas brigas do meio-campo, que travaram um pouco o jogo no primeiro tempo. A Udinese destravou a partida graças a um pênalti cavado por Di Natale. Ele sofreu falta aparentemente sobre a linha da grande área - as imagens não deixam claro - e converteu a cobrança. Porém, o melhor em campo foi o lateral direito Basta, que disputou uma partida de grande vigor atlético e ajuda ao ataque, fazendo o time esquecer que Isla está fora do restante da temporada. O sérvio marcou um bonito gol, depois de arrancar em velocidade, driblar Portanova e bater no canto de Gillet, e ainda cruzou para Floro Flores decidir o jogo.

Lazio 1-0 Fiorentina
Um dia após o "fico" de Edy Reja, a Lazio deu um chega pra lá na crise que vinha afetando a equipe há duas semanas. Para isso, teve pela frente um adversário conivente, que não resistiu e viu a derrota chegar quando Hernanes deu passe brilhante para o gol de Klose (13º no campeonato, um terço dos gols feitos pela Lazio), carrasco viola em um tempo mais glorioso, quando a equipe jogava a Liga dos Campeões. A Fiorentina só atacou de fato uma vez, no segundo tempo, quando Marchetti fez grande defesa em cabeçada de Nastasic e Cerci, de volta ao time, fmarcou no rebote, mas teve gol bem anulado por impedimento. Na Fiorentina, além da volta de Cerci, a boa notícia foi também a volta de Vargas, que jogou o segundo tempo. Por outro lado, o ataque sentiu falta de uma referência de área, já que Amauri estava machucado. Jovetic ficou muito isolado no ataque e fez péssima partida. Agora, a equipe está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento e precisará vencer jogo atrasado contra o Parma para respirar melhor.

Catania 3-1 Novara
Na Sicília, o Catania não teve trabalho para passar por um defensivo Novara. Mesmo que a equipe visitante tenha colocado duas bolas na trave, a superioridade rossoazzurra foi enorme durante todo o jogo e a vitória, com gols de Bergessio, Lodi e Marchese, foi tranquila. Não há dúvidas: a sensação do campeonato atende pelo nome de Novara. E o técnico revelação pelo nome de Vincenzo Montella. Sua contratação, no início da temporada, foi vista com desconfiança por causa de sua inexperiência, mas o Aeroplanino tem feito a equipe jogar de forma organizada e convincente. O jogo contra o Novara, obviamente, não é o marco no trabalho do treinador, mas com as derrotas de Palermo, Inter e Roma, pode colocar o Catania em uma antes improvável briga por uma vaga na Liga Europa. A equipe tem um jogo a menos - fora de casa, contra o Cesena - e, se vencer, sobe para 36 pontos, dois a mais que a Inter, próxima adversária na competição. Com a permanência na elite bem encaminhada, Montella agora precisará gerenciar o psicológico dos jogadores, para que não se acomodem e sigam jogando da maneira agressiva que tem trazido resultados.

Siena 4-1 Palermo
A vitória do Siena foi elástica, mas o Palermo tem muito a reclamar da arbitragem de Gabriele Gava na partida. Com 70 segundos de bola rolando, o árbitro expulsou Balzaretti por ter cometido falta sbre Destro em um lance que não constituía situação clara de gol. Depois, quando os rosanero venciam por 1 a 0, com gol de Budan, Gava marcou pênalti inexistente sobre Brienza, que Terzi converteu. Após os dois episódios que condicionaram os primeiros minutos de jogo, o Palermo acabou não suportando a pressão de um Siena sedento para afastar crise que esboçava começar e que, em caso de derrota, poderia terminar a rodada na zona de rebaixamento. Confiante após buscar o empate, o Siena cresceu muito graças a jogadas criadas pelo lado esquerdo do ataque, por onde Destro e Brienza se entendiam muito bem. O jovem atacante passou fácil por Múñoz (substituto de Silvestre, lesionado) e cruzou para Bogdani virar, enquanto no segundo tempo Brienza marcou golaço de falta, pouco depois de ter dado assistência para o terceiro gol, do zagueiro Rossettini. A vitória dá certo fôlego à Robur, que tem apenas dois pontos mais que o Lecce, primeiro time na zona de rebaixamento.

Cagliari 1-2 Lecce
Primeiro time na zona de rebaixamento, mas talvez não por muito tempo. Serse Cosmi soube superar seu péssimo início de trabalho na Puglia e, após a pausa de inverno, deu nova cara ao time. Desde janeiro, o time somou 15 pontos em 27 possíveis e, em fevereiro, levou o time a quatro resultados úteis (duas vitórias e dois empates) em cinco jogos. Boa parte do sucesso tem respaldo em uma boa montagem tática do meio-campo, que tem na volância o capitão Giacomazzi, um valor agregado que combate e sabe sair bem para o jogo. Outros dois pilares, cada vez mais maduros, são Cuadrado e Muriel, dois velozes e habilidosos jovens jogadores. Contra o Cagliari, o primeiro gol foi de Muriel, que recebeu belo lançamento do capitão uruguaio e concluiu para as redes. Nem mesmo quando o Cagliari empatou, em pênalti cobrado por Larrivey, o Lecce havia deixado de dominar o jogo. E acabou chegando à vitória, depois que Bertolacci (que não tem mantido o nível da última temporada), marcou aproveitando uma sobra de bola.

Genoa 2-2 Parma
Faltou pouco para que o Genoa perdesse sua terceira partida consecutiva - a segunda em casa. Em partida morna, os rossoblù contavam com muitos desfalques e ameçaram pouco o gol de Mirante, graças a uma partida muito ruim de Belluschi, escalado como trequartista por Pasquale Marino, e a um ótimo comportamento tático do Parma, que isolaram Palacio e Jankovic. O Parma, por sua vez, abriu o placar graças a um gol fortuito de Gobbi e apostou nos contra-ataques, com a velocidade de Biabiany e Giovinco e as passadas largas de Mariga. Foi assim que marcou o segundo, com Floccari, quando Biabiany roubou bola de Constant, o pior em campo, e armou a jogada do segundo - o 46º sofrido pela defesa genovesa, a pior do campeonato. Só que, buscando segurar o resultado, o Parma recuou demais e permitiu que o Genoa crescesse. E, com Palacio, um dos melhores jogadores do campeonato, não se brinca: mais dois na conta do atacante argentino, convocado mais uma vez por Alejandro Sabella.

Chievo 1-0 Cesena
Com pouco esforço, o Chievo chegou à sua segunda vitória consecutiva na Serie A e garante certa tranquilidade para as próximas rodadas. Com 33 pontos, a equipe assumiu a 10ª colocação na tabela e vai sendo conduzinda a uma permanência tranquila, mas sem qualquer brilhantismo. O percurso clivensi ao longo do campeonato é um retrato do que foi a partida de ontem no Bentegodi, disputada a ritmo lento e decidida apenas no final, com um gol de Moscardelli. Os burros alados tiveram a vida facilitada pela expulsão de Lauro, no início da segunda etapa, que deixou um já desacreditado Cesena ainda mais vulnerável no dia da estreia de Mario Beretta, seu terceiro técnico na temporada. A lanterna continua na mão dos bianconeri que, 10 pontos abaixo do Siena, terão de fazer milagre para não serem rebaixados.

Para resultados, escalações e estatísticas da 25ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 24ª rodada, clique aqui.

Seleção da 25ª rodada
Buffon (Juventus); Basta (Udinese), Terzi (Siena), Manfredini (Atalanta), Marchese (Catania); Brienza (Siena), Nocerino (Milan), Dzemaili (Napoli), Lodi (Catania); Denis (Atalanta), Lavezzi (Napoli). Técnico: Stefano Colantuono (Atalanta).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fora dos trilhos

Lazio não conseguiu incomodar o Atlético de Madrid e confirmou eliminação esperada na Liga Europa. Momento contubardo do time pode atrapalhar desempenho na Serie A também, que até aqui vinha sendo bom (Getty Images)

A Lazio chegou para o jogo decisivo contra o Atlético Madrid com a moral em baixa: vinha de uma derrota por 3 a 1 na partida de ida, na Itália, e de um 5 a 1 diante do Palermo no final de semana, pela Serie A. Para piorar, precisava mostrar um futebol que pouquíssimas vezes exibiu nesta temporada. O problema é que o técnico Edy Reja (de quem falaremos um pouco mais à frente) não poderia contar com Klose, principal jogador do time, e Sculli, opção para a posição. Kozak era o único atacante de ofício com condições de jogo  e foi quem entrou. Do outro lado, o técnico Simeone (ex-laziale) mostrou confiança e se deu ao luxo de poupar o ídolo Falcão García.

Em campo, a equipe laziale não demonstrou o ímpeto inicial que todos esperavam e demorou a chegar ao gol adversário. Méritos também para Simeone, que montou e instruiu sua equipe a jogar pacientemente, sem se arriscar muito e trocando passes. Aos 14 minutos, os espanhóis já haviam carimbado a trave de Bizzarri em um belo chute de Salvio, mostrando mais eficiência que a Lazio, que é quem precisava do resultado. Exceto por uma cobrança de falta de Hernanes, praticamente sem ângulo, que assustou o goleiro Courtois, a Lazio nada fez na primeira etapa. Nem sequer uma finalização na direção do gol adversário. Mauri, sem ritmo de jogo, ilustrava bem a situação do time: apático.

No intervalo, Reja não promoveu nenhuma substituição e parecia conformado com a iminente eliminação. Aos dois minutos da etapa final, então, isso ficou ainda mais próximo de acontecer: o zagueiro uruguaio Godin recebeu cruzamento vindo da direita e acertou uma bonita cabeçada no canto oposto. Pouco depois, Bizzarri fez ótima defesa em chute de Koke de fora da área. Aos 11, Álvaro González substituiu Candreva, que mostrou-se completamente inoperante tendo de jogar aberto na ponta-esquerda. O panorama seguiu inalterado e Salvio continuou levando perigo ao gol italiano. 

Após as entradas dos jovens Rozzi e Zampa, nas vagas de Lulic e Ledesma, a Lazio melhorou, mas as chegadas ao ataque eram mais na base da vontade do que de técnica e organização. Aos 32, Matuzalém acertou belo chute de fora da área, mas Courtois fez linda defesa. Até o final do jogo, a Lazio só teve mais uma finalização, com Zampa, e o Atlético apenas esperou o apito final. O placar agregado (4 a 1) não deixa dúvidas quanto à superioridade do time espanhol, que avança às oitavas-de-final merecidamente.

Do lado da Lazio a crise continua. Após mais um pedido de demissão não aceitou pelo presidente Lolito, Reja ainda deve comandar a equipe em mais uma partida da Serie A, enquanto a diretoria biancocelesti não encontra outro nome para seu lugar. Parte da imprensa afirma que Marcelo Lippi foi procurado, mas não aceitou a proposta. Os nomes mais quentes no momento são os de Gianfranco Zola, ex-técnico do West Ham, e de Luigi De Canio, que vem sem emprego desde que se demitiu do Lecce. Fato é que a decisão tem que ser tomada o quanto antes, porque enquanto o ambiente continuar conturbado, mais difícil será para a equipe se manter na luta pela vaga na Liga dos Campeões. O importante agora é colocar o time no eixo e focar na disputa da Serie A

Veja o gol do jogo, clicando aqui.

Udinese segue em frente
A Udinese provou na Liga Europa que a defesa pode sim ser o melhor ataque. Na vitória dos friulanos por 3 a 0 sobre o Paok, da Grécia, dois zagueiros foram responsáveis por anotar gols que renderam a classificação às oitavas de final do torneio europeu. Danilo, ex-Palmeiras, marcou o primeiro do jogo e também seu primeiro com a camisa bianconera. E não eram marcados nem 15 minutos da primeira etapa quando Floro Flores acertou lindo chute para fazer 2 a 0. Para fechar o bom jogo, o zagueiro Domizzi, de pênalti, marcou aos seis minutos da etapa final. Classificada, a Udinese é a única italiana remanescente na competição e agora enfrentará o AZ Alkmaar, que eliminou o Anderlecht - melhor equipe da fase de grupos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mais uma pelo caminho

Contrastes: no último minuto, Ayew arrancou uma vitória para o Marseille. Sneijder, melhor interista em campo, lamentou a quarta derrota consecutiva da Inter (Getty Images)
Mais dia, menos dia, o ciclo do atual elenco da Inter parece ter chegado ao fim. Não pelo jogo no Vélodrome de Marselha, que entre os últimos realizados pelo time nerazzurro, foi o menos problemático. No entanto, isso não significa que a equipe tenha apresentado melhoras tão significativas e tenha ganhado uma renovação instantânea. Ontem, a média de idade da equipe era de 31,3 anos, a maior da história de toda a fase moderna da Liga dos Campeões, batendo recorde da própria Inter, em jogo contra o Lille, nesta temporada. Apenas Sneijder e Zárate (este, uma surpresa e escolha contestável) tinham menos de 30 anos.

O time tem encontrado problemas em todos os setores, muito desconexos entre si e sem fôlego para combater ou superar os rivais. Ao menos a defesa, que vem sofrendo muitos gols, não teve tantos problemas na partida de ontem - mas isto aconteceu principalmente pela falta de profundidade do ataque marselhês. Quando se deparou com jogadas aéreas, padeceu: o gol do Olympique, de André Ayew, no último lance da partida, surgiu em um lance assim, quando Chivu se descuidou e permitiu que o ganês se antecipasse.

A partida, em si, foi bastante fraca tecnicamente. Tanto Inter quanto Marseille não chegaram a levar tanto perigo aos goleiros Mandanda e Júlio César. No primeiro tempo, a Inter foi melhor, mas teve uma única boa chance com Forlán, que obrigou o goleiro francês a colocar bola para escanteio depois de cruzamento de Cambiasso - que jogava mais solto pela esquerda, enquanto Stankovic fazia o vértice baixo do meio-campo italiano. Pelo lado do OM, Brandão (substituto de Rémy, titular da equipe e da seleção francesa) foi presa fácil para Samuel, que retornava de lesão, e Valbuena e Ayew enconstavam muito pouco no ataque, diminuindo o trabalho da envelhecida retaguarda de Milão. 

A falta de criatividade do Marseille e os poucos lampejos de Sneijder, que não eram aproveitados pelos companheiros, faziam crer que a partida acabaria sem gols. No ataque interista, Forlán corria bastante e Zárate, mais uma vez, era nulo. Ranieri tinha Pazzini e Milito no banco, mas preferiu não mexer - e desperdiçou uma substituição, já que fez apenas duas ao longo da partida. 

O técnico romano, que não é o principal culpado pela crise da equipe - inclusive, antes da série negativa, vinha bem, e tinha levado a Inter a oito vitórias consecutivas - parece ter perdido o controle da situação e começa a inventar bastante, quase como Gasperini. Ter escalado Zárate e não ter nem esboçado substitui-lo por Milito (o fez por Obi, um jogador que tem prezado pela inocuidade) ajudou ainda mais a cavar sua própria cova. Massimo Moratti, que assistiu o jogo no estádio, ainda lhe preserva o cargo. O mandatário nerazzurro talvez já tenha reconhecido sua enorme parcela de erros na condução das duas últimas temporadas da Inter e, por isso, espera mais tempo para não errar mais uma vez.

Após a derrota em Marselha, a Inter chegou a quatro jogos sem marcar um golzinho sequer - os últimos foram marcados no 4 a 4 contra o Palermo. Saiu derrotada de todas elas. Somando todas as competições, já são seis derrotas em sete jogos. Ao menos, na França a defesa levou só um gol, no último minuto de jogo - bem diferente dos 12 sofridos nas quatro partidas anteriores. Como ensinam os humoristas do grupo Monty Python, é necessário que sempre se olhe para o lado bom da vida.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

24ª rodada: Farra de carnaval

Milan, com time misto e sem Ibrahimovic, atropelou Cesena e respondeu à prova de força dada pela Juventus no sábado (Getty Images)
A rodada carnavalaesca na Itália foi boa para o Milan. Depois de ver a Juventus, sua principal rival ao título, vencer o Catania de virada e à força, no sábado, a equipe rossonera não se intimidou com a ausência de Ibrahimovic e, visitando Cesena com um time misto, atropelou os donos da casa. Uma prova de força muito importante para este momento do campeonato, já que no próximo fim de semana, os milanistas, líderes com um jogo a mais e um ponto de vantagem sobre a Juve, recebem a Velha Senhora no San Siro, em confronto acirrado pelo título. O momento parece ser mais do time da casa, mas a parada será dura. Acompanhe o resumo da rodada, que ainda teve a goleada sofrida pela Lazio e o deflagramento de uma crise.

Cesena 1-3 Milan
Em franco período de crescimento, Milan não tem precisado de Ibrahimovic para resolver seus problemas - ao menos nos jogos menores. Quem tem sido fundamental para decidir é Robinho, que mesmo quando erra muito - como contra Arsenal e no domingo, contra o Cesena -, tira um coelho da cartola para definir. No Dino Manuzzi, o brasileiro foi o dono do toque de classe e principal referência de um time que atuou com muitos reservas e na base na coletividade. Com os gols do estreante Muntari e de Emanuelson, o Milan já assistiu a 17 jogadores diferentes marcarem um gol na Serie A. No segundo tempo, Robinho ainda aproveitou uma boa jogada de Abate para, da entrada da área, fazer bonito gol e definir a partida - que nem mesmo com o gol de Pudil, foi reaberta. Os resultados do fim de semana colocaram o Cesena na lanterna da Serie A, mesmo com um elenco superior à sua classificação. Daniele Arrigoni acabou demitido e deu lugar a Mario Beretta, que será o terceiro técnico dos cavalos marinhos na temporada.

Palermo 5-1 Lazio
Acabou a escrita: sempre que Kozák marcava, a Lazio não perdia. Desta vez, o tcheco até fez, mas foi o autor do gol de honra laziale, no finalzinho do massacre imposto pelo Palermo de Fabrizio Miccoli. Voando, o Romário do Salento chegou aos 11 gols e 11 assistências na Serie A - número mais que digno para seu apelido.Dessa vez, o trabalho do capitão rosanero acabou facilitado pelo fato de a Lazio ter contado apenas com André Dias (que acabou expulso) como zagueiro de ofício entre os disponíveis para a partida e Edy Reja inventou, escalando um 3-5-2 improvisando Ledesma e Zauri na linha de três zagueiros. Se a Lazio, desde a última temporada, sofre muito mais gols quando não tem um dos titulares da zaga, desta vez viu um desastre que pode acabar gerando a demissão de Reja. Ele entregou seu cargo pela segunda vez na temporada, mas Claudio Lotito negou o pedido. No Palermo, destaque para a atuação de Donati, que tem se provado uma boa contratação no mercado de janeiro, e do zagueiro Silvestre, que, argentino de nascimento, pode acabar sendo convocado para a seleção italiana.

Roma 1-0 Parma
Com um gol de Borini, possível nome na lista que Cesare Prandelli divulgará no domingo, após a rodada, a Roma venceu o Parma e deu continuidade à boa fase. São 10 jogos e apenas duas derrotas. A performance recente e os tropeços de Lazio e Udinese aproximam a equipe romana do grupo que disputa uma vaga para a Liga dos Campeões: a diferença agora é de apenas quatro pontos, sendo que o momento é de crescimento para os giallorossi e de estagnação para as concorrentes. Como observa Braitner Moreira, o 4-3-3 de Luis Enrique tem ganhado forma com um meio-campo equilibrado, formado por De Rossi, Gago e Pjanic. Regularidade, porém, não é a tônica do time, que saiu de um vexame em Siena para uma partida sólida e completamente dominante sobre o Parma.

Genoa 0-1 Chievo
O Genoa não se recuperou da derrota por 4 a 0 para o Catania, na última rodada, e voltou a perder em casa após quatro vitórias seguidas em seus domínios. Já é a terceira derrota seguida da equipe de Marino, que faz um campeonato medíocre, e agora está em sua pior fase na competição. Sem Gilardino no time, o ataque praticamente não existiu e o time pouco agrediu o visitante Chievo. Para piorar, a defesa não inspira confiança ao goleiro Frey, que tomou gol nos últimos 11 jogos do time. Do outro lado, um Chievo bem organizado aproveitou essa fragilidade rossoblù e marcou o gol da vitória ainda na primeira etapa, com Théréau. No resto da partida, a defesa dos visitantes se mostrou muito eficiente e não deu espaços para o Genoa, que finalizou com perigo apenas uma vez em todo o jogo. Os dois times têm 30 pontos e ocupam a parte de meio da tabela. (Rodrigo Antonelli)

Novara 0-0 Atalanta
Na luta contra o rebaixamento, o Novara fez difícil jogo contra a Atalanta, mas não cedeu e lutou de igual para igual durante toda a partida. Os torcedores que foram ao Piola na tarde de domingo viram um jogo bem movimentado e com chances para os dois lados. Denis acertou o travessão de um lado, enquanto Caracciolo esbarrou na trave do outro, nas melhores chances. Assim, o Novara já chega ao terceiro jogo sem sofrer gols e evidencia um bom trabalho do técnico Mondonico pelo menos na fase defensiva. Para efeito de comparação, nas 21 primeiras rodadas, o time sofreu gols em todos os jogos. Com o ponto conquistado, a equipe chega aos 17 e já supera o Cesena na tabela, que agora é o último colocado. O Siena é o primeiro fora da zona de rebaixamento e tem seis pontos à frente. A Atalanta de Colantuono continua se mostrando difícil de bater e muito regular. (RA)

Lecce 4-1 Siena
Em duelo direto pela salvezza, o Lecce surpreendeu o Siena com jogo envolvente e objetivo, conquistou três pontos importantíssimos e quebrou um tabu: o time não vencia por quatro ou mais gols de diferença desde maio de 2005. A equipe da casa saiu atrás ainda na primeira etapa (gol de Del Grosso), mas não demorou para retomar as rédeas do jogo e virar a partida. A dupla colombiana Muriel e Cuadrado, somada à efetividade de Di Michele, foi a grande responsável por isso. Os três marcaram gols. Cuadrado, além disso, chegou ao impressionante número de 80 dribles certos nesta Serie A (pelo menos 14 mais do que qualquer outro jogador do campeonato) e se firma como importante peça desse time. O outro gol da equipe foi de Brivio, já no final. Com o resultado, o time de Cosmi chega aos 22 pontos e fica apenas um atrás do Siena, primeiro fora da zona da degola. Se o Lecce conseguir se manter na Serie A após o fim da temporada, este jogo certamente será indicado como o que virou o jogo para o lado gialloblù. (RA)

Udinese 0-0 Cagliari
Nesta rodada, ficou comprovado (mais uma vez) que a Udinese não incomoda sem Di Natale. Foi a segunda rodada que o atacante não jogou e a segunda vez que o time empatou por 0 a 0. O aproveitamento de vitórias da equipe sem o artilheiro, da temporada 2009-10 para cá, é de míseros 10%. Totò não jogou apenas 10 vezes nas últimas duas temporadas e meia e seu time só venceu uma sem ele. É impressionante. Contra o Cagliari, em casa, não foi diferente e os bianconeri não venceram de novo. Já é a terceira partida sem vitória da equipe de Guidolin, que, ao menos recuperou a terceira colocação, por causa da derrota da Lazio. Para a preocupação dos torcedores da Udinese, o atacante não deve se recuperar antes da 28 rodada. Se quiser mesmo a vaga na Liga dos Campeões, é bom o time aprender a jogar sem o ídolo. E rápido. (RA)

Seleção da 24ª rodada
Gillet (Bologna); Britos (Napoli), Silvestre (Palermo), Chiellini (Juventus); Hamsík (Napoli), Pirlo (Juventus), Gago (Roma); Di Vaio (Bologna), Cavani (Napoli), Robinho (Milan), Miccoli (Palermo). Técnico: Serse Cosmi (Lecce).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Coisa de cinema

Lavezzi teve exibição solo e foi o melhor dos três tenores do Napoli. Classificação sobre o Chelsea está próxima (Reuters)
Por Leonardo Sacco

Aurelio de Laurentiis é cineasta reconhecido no mercado. Nunca, porém, em toda sua carreira, conseguiu fazer um roteiro tão impecável quanto o que o Napoli, do qual é presidente, tem escrito desde o ano passado. Parece manjado, parece que não se repetirá, mas o script não falha: Napoli, Cavani e San Paolo formam uma combinação que alça os partenopei a outro nível no futebol. O Chelsea que o diga. O poderoso clube inglês conheceu a força do caldeirão napolitano e, mesmo saindo na frente, perdeu por 3 a 1 no primeiro jogo das oitavas de final da Liga dos Campeões.

A partida de ida entre italianos e ingleses colocou frente a frente dois clubes em situação oposta: enquanto o Napoli é uma equipe ascendente e que desfruta da boa fase, o Chelsea pena para não ter que demitir seu treinador com a temporada em andamento, imerso em resultados negativos. Os visitantes não conseguiram controlar as primeiras ações da partida e Cech precisou de duas defesas importantes sobre Cavani e Maggio para segurar o zero no placar. Porém, depois o Napoli ficou nervoso e o Chelsea aproveitou. Em falha bizonha do zagueiro Paolo Cannavaro, Juan Mata não perdoou e, aos 27 da primeira etapa, abriu o placar para os londrinos.

O gol teve efeito positivo no time do Napoli. Suspenso e sem poder estar na beira do campo, o técnico Walter Mazzarri ficou à beira de um ataque de nervos e fumou vários cigarros em um quarto de hotel. Seu auxiliar, Nicolò Frustalupi, teve trabalho para conseguir acordar o até então desligado time napolitano. Não demorou para que a resposta ao gol do Chelsea viesse. Em bela jogada individual Lavezzi invadiu a intermediária londrina em velocidade e bateu forte, sem chance para Cech, aos 38 minutos do primeiro tempo. O San Paolo explodiu em azul e fez os napolitanos despertarem de vez para o duelo.

Se o Chelsea tem atualmente uma equipe com muito mais investimento do que o Napoli, o mesmo não se pode dizer quando se compara o nível técnico. A forte defesa londrina já não é mais tão forte; Cech parece cada vez mais estar em uma curva de declínio; Drogba perde bolas e jogadas que não perdia antes; e os partenopei souberam aproveitar todas essas falhas dos Blues para virar a partida antes do intervalo. Após ótimo cruzamento na área Cavani foi oportunista e colocou, de ombro, os napolitanos na frente. Mais festa e ainda mais pressão sobre o Chelsea.

O script napolitano, porém, só não previa ainda mais gols. Mas no segundo tempo o placar ainda aumentou. Mesmo com o Chelsea tomando as rédeas da partida e indo com desespero e sem tática para cima, o Napoli soube se segurar e utilizar o contra-ataque para matar a partida e viajar para Londres com mais tranqüilidade. Em dividida com o brasileiro David Luiz, Cavani conseguiu tocar para que Lavezzi, livre, só empurrasse para dentro. O que começou como tragédia se transformou em uma comédia que rendeu a maior felicidade aos torcedores napolitanos. Um roteiro que só o Napoli tem podido proporcionar. E embalado por 'O Surdato 'Nnamorato, música cantada a plenos pulmões pela mesma torcida que cantou o hino da Liga dos Campeões no início do jogo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

24ª rodada: Situações opostas

Enquanto Ranieri mostra que não tem o elenco nas mãos, Conte aposta na união de seu grupo para levantar o scudetto (Fotos: Getty Images)

A 24ª rodada da Serie A começou ainda na sexta-feira, com dois jogos. A Inter recebeu o Bologna em casa e fez feio diante de seus torcedores pela segunda vez consecutiva. O time de Ranieri perdeu por 3 a 0 e o técnico romano ouviu o nome de Mourinho ser gritado nas arquibancadas. Enquanto a crise continua em Milão, o Napoli parece que vai se recuperando e, com a boa vitória sobre a Fiorentina, se aproxima da zona de classificação para a Liga Europa. No sábado, foi a vez de a Juventus entrar e recuperar momentaneamente a liderança. Em partida difícil, Pirlo foi decisivo e a Velha Senhora conseguiu três pontos importantes na luta pelo título. Resumos dos jogos:

Inter 0x3 Bologna
Se não fosse a proximidade com o jogo das oitavas-de-final da Liga dos Campeões, poderíamos imaginar uma troca de técnico na Inter ainda essa semana. Como o time ainda tem chances na competição europeia, Ranieri ganha uma sobrevida no cargo. Mas o treinador romano já não conta com o apoio da torcida, que gritou o nome de Mourinho após a derrota desta sexta-feira. E não é para menos: a Inter só computou um ponto nas últimas cinco rodadas. Perdeu de muito para a Roma (4 a 0, fora de casa), foi superada pelo Novara e pelo Bologna, dentro de casa, e não somou pontos contra o fraco Lecce. É o pior desempenho em cinco jogos desde 20004 e a primeira vez desde 1999 que os nerazzurri não marcam em três partidas seguidas. Se a paciência de Moratti ainda não esgostou, esgotará em breve.

Contra o Bologna, que não havia vencido a Inter nos últimos 10 confrontos, o treinador fez escolhas confusas que se refletiram na atuação do time dentro de campo. Sneijder (mais uma vez) ficou perdido em campo e não pôde ajudar a equipe. Em grande parte do segundo tempo, o holandês ficou preso na faixa esquerda do campo sem saber o que fazer, enquanto Castaignos e Poli batiam cabeça no meio. Castaignos, inclusive, perdeu a cabeça e cuspiu em Raggi. Pela atitude, pegou três jogos de suspensão. Quem também não foi bem foi Forlán, que teve a chance de ganhar pontos com a torcida, mas errou gols fáceis e acabou substituído. Resultado: o Bologna, com mais organização, conseguiu construir um ótimo resultado. Di Vaio fez dois gols em menos de três minutos, no final da primeira etapa, e Acquafresca fechou o caixão no final do segundo tempo. Assim, o Bologna fica mais distante da zona de rebaixamento, enquanto a Inter vai dando adeus até à vaga na Liga Europa.

Juventus 3x1 Catania
No Juventus Stadium, a Velha Senhora conseguiu importante vitória contra o Catania, após dois empates seguidos, contra Siena e Parma, e continua firme na luta pelo título. Com um jogo a menos, está apenas um ponto atrás do Milan, líder virtual. No próximo final de semana, os dois se enfrentam no San Siro, no jogo mais esperado da rodada. Os rossoneri vêm de melhores apresentações e isso pode pesar para o lado milanista. Apesar dos três gols nesta rodada, os atacantes juventinos continuam tendo dificuldade e perdendo muitas chances, antes de conseguir colocar a bola para dentro. A prova de força será mesmo contra o Milan.

Para o jogo contra o Catania, Conte escalou o time em um 3-5-2 com 11 italianos de titulares. Borriello e Quagliarella começaram jogando e Padoin e De Ceglie fizeram os homens abertos do meio de campo. Do outro lado, Montella foi ousado e jogou com três homens de frente. A estratéria do ex-romanista deu certo e o Catania incomodou bastante a Juve na primeira etapa. Tanto que logo aos quatro minutos Barrientos abriu o placar para os visitantes. Pirlo, em tarde inspiradíssima, empatou para a Juve, de falta. Mas a Juve só melhorou mesmo na segunda etapa. Com muita raça e ditando o ritmo do jogo, os bianconeri chegaram ao empate com Chiellini, após escanteio. A dez minutos do fim Quagliarella aproveitou saída errada do goleiro Kosicky e matou o jogo.

Fiorentina 0x3 Napoli
O Napoli parece que reencontrou seu bom futebol na hora certa. Na semana da partida decisiva contra o Chelsea, pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões, os azzurri fizeram partida boa contra a Fiorentina e chegaram à segunda vitória consecutiva, após série negativa de cinco partidas sem vencer. Como usual, o nome do jogo foi Cavani. O uruguaio não perdoa e, com os dois gols desta rodada, já chega aos 15 na competição, ao lado de Ibrahimovic e atrás apenas de Di Natale, que é artilheiro com 17 tentos. A partida desta rodada, apesar do placar eslástico, não foi fácil.

O time da casa mostrou melhor preparo físico e fez um grande primeiro tempo. O problema é que do outro lado tinha Cavani. O artilheiro que sempre marca contra a Fiorentina não fez diferente na tarde de sexta-feira e logo aos três minutos de jogo botou o Napoli na frente, depois que a defesa fez linha de impedimento errada. Com Vargas, Amauri, Natali e Cassani, os donos da casa quase chegaram ao empate. Mas não passou do quase. Após o intervalo, então, Hamsik deu outra assistência para Cavani, a zaga viola fez outra linha de impedimento boba e o uruguaio ampliou, praticamente matando o jogo. Lavezzi deu números finais ao jogo já nos acréscimos do segundo tempo. E agora a torcida napolitana, que vai lotar o San Paolo nesta terça, já pensa: "Que venha o Chelsea!"

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O arsenal milanista

Esse trio teve maior poder de fogo do que todo o time do Arsenal e praticamente garantiu a classificação do Milan para as quartas-de-final da Liga dos Campeões (Goal.com)

Quem tem um canhão no escudo é o Arsenal, mas quem soube usar o poder de fogo, nesta quarta-feira, foi o Milan. O time italiano não passa das oitavas-de-final da competição desde a edição 2006-07, quando superou o Celtic nesta fase, na prorrogação, e, mais tarde, sagrou-se campeão, diante do Liverpool. Pois nesta quarta, contrariando todas as expectativas, o time de Allegri deu um grande passo para acabar com essa sina. Agora, poderá ir à Inglaterra pensando na disputa do título italiano e em poupar jogadores, uma vez que pode perder por até três gols de diferença.

Desde 1958 um time italiano não superava um inglês por 4 a 0 na Liga dos Campeões. Naquela ocasião, o próprio Milan tinha vencido o Manchester United. Recentemente, para piorar, o desempenho da equipe rossonera contra ingleses era pífio. Nas últimas três edições que participou da Liga, o Milan foi eliminado por Arsenal, Manchester United e Tottenham, respectivamente. Desta vez, ao que parece, a história vai ser diferença. O time fez tudo como mandava a cartilha: máxima atenção e pressão o tempo inteiro.

O jogo
O frio já não era tão grande como o que assolou a Itália (e a Europa) nas últimas semanas, mas ainda assim o gramado do estádio San Siro estava muito prejudicado. Pior para os ingleses, que se aproveitam mais da velocidade para armar o jogo e agredir o adversário, principalmente com as corridas de Walcott. Mais acuado em campo, então, o Arsenal deixou o Milan trabalhar a bola. Os rossoneri, porém, até tinham o domínio do jogo, mas não conseguiam penetrar na barreira adversário. Pelo menos nos dez primeiros minutos de jogo. A saída por lesão de Seedorf, logo aos 10 minutos da etapa inicial, fez bem à equipe da casa. Com Emanuelson em seu lugar, o time ficou mais veloz e passou a envolver mais e criar buracos na retaguarda dos gunners.

Tanto que, cinco minutos depois, saiu o primeiro gol da noite. Nocerino deu um belo passe para Boateng bater de primeira, encobrir o goleiro e anotar mais um golaço em sua carreira. O Arsenal não teve reação e o artilheiro Van Persie continuou a ver navios lá na frente. Méritos, é claro, do Milan, que não afroxou e continuou pressionando a equipe inglesa, mesmo tendo a vantagem no placar. Ibrahimovic era o regente da orquestra. Com visão de jogo acima da média, o seuco deixou seus companheiros em condições de marcar pelo menos três vezes, antes de Robinho finalmente aproveitar e, de cabeça, colocar para o fundo das redes.

O brasileiro aliás, voltou outro jogador após o intervalo. Se no primeiro tempo, o menino da vila não conseguia acertar as jogadas e irritava o companheiro de ataque por causa das bolas e oportunidades perdidas, na etapa final ele foi um dos jogadores mais importantes do time. Logo aos quatro minutos, recebeu outro bom passe de Ibrahimovic e, aproveitando escorregão do zagueiro Vermaelen, bateu rasteiro para fazer 3 a 0. Pela segunda vez no jogo o brasileiro comemorou o gol sozinho, o que causau estranhamento por parte até de Cesc Fábregas, jogador do Barcelona: em sua conta do Twitter, ele falou "Por que o Robinho comemora os gols sozinhos, mesmo quando foi o Ibra que fez toda a jogada?".

Polêmicas à parte, o técnico Wenger tentou mudar o jogo, ou pelo menos fazer um gol de honra, colocando Henry e Chamberlain nos lugares de Walcott e Gibbs, respectivamente. Um dupla que simboliza duas gerações dos ingleses, mas que pouco acrescentou no jogo. Apenas uma boa chance criada pelo astro francês que teve finalização de Van Persie, mas foi parada por Abbiati. No fim do jogo, ainda teve espaço para Ibrahimovic consagrar sua atuação com um gol. Djourou derrubou o sueco na área e ele não desperdiçou o pênalti: Milan 4x0 Arsenal. 

O resultado praticamente elimina mais um inglês na maior competição do continente. Os Manchesters United e City já ficaram na fase de grupos e agora o Arsenal também está muito próximo de deixar o torneio. Será que o Chelsea vai entrar na onda? O Napoli torce por isso. O jogo da volta entre Arsenal e Milan acontece no dia 6 de março, no Emirates Stadium. Napoli e Chelsea se enfrentam na próxima terça-feira, dia 21 de fevereiro.

Clique aqui para ver os gols da partida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

23ª rodada: Tinha um bigode no meio do caminho

Mondonico, de volta ao futebol após vencer um câncer, pede calma a seu Novara. Vitória surpreendente no Meazza foi mais um capítulo na crise da Inter (Getty Images)
O futebol é mesmo algo de outro mundo. O domingo foi recheado de emoções futebolísticas. A maior de todas, certamente, foi o título da Zâmbia na Copa Africana de Nações, 18 anos após o desastre aéreo que matou toda sua geração mais promissora, no mesmo Gabão em que as Balas de Cobre venceram pela primeira vez um torneio continental. Na Itália, a emoção do dia esteve por conta do técnico Emiliano Mondonico, que retornou ao futebol depois de superar um câncer, no ano passado, e conseguiu sua primeira vitória no comando de uma equipe da Serie A desde 2004, quando treinava a Fiorentina. A vitória sobre a Inter, em pleno Giuseppe Meazza, foi também a primeira fora de casa do Novara, na elite, em 55 anos - a anterior, que aconteceu quando o Novara jogou a Serie A pela última vez, foi sobre o Napoli, em 1956. Do lado interista, o discurso de reformulação é cada vez mais forte e parece ser impossível fugir dele. Acompanhe o resumo da rodada.

Inter 0-1 Novara
Depois de conquistar oito vitórias consecutivas (somando todas as competições), a Inter agora amarga período negativo: são cinco jogos sem vencer, com quatro derrotas contabilizadas. O maior vexame da série aconteceu justamente neste domingo, quando a Inter foi derrotada pelo lanterna, mesmo jogando em casa. Os méritos da equipe novaresa são defensivos: Emiliano Mondonico montou uma defesa fechada, fazendo com que a Inter chutasse muito de fora da área. Sneijder, melhor em campo pelo lado nerazzurro, até acertou a trave, enquanto Pazzini, nos minutos finais, esbarrou em ótima defesa de Ujkani, em um dos poucos chutes da Inter efetuados de dentro da área. O Novara, por sua vez, chegou muito pouco ao ataque e, em um contra-ataque, aproveitou-se da alta média de idade da defesa da Inter escalada por Ranieri e marcou, com Caracciolo. O mesmo Caracciolo que, ano passado, pelo Brescia, já havia atrapalhado os planos interistas de recuperação e luta pelo scudetto.

Impressiona a queda livre da Inter mesmo após ter engatado uma boa sequência, vencendo inclusive o Milan, e justamente no momento em que o elenco está quase completo - e foi reforçado no mercado. As atuações sido piores e a defesa . Ranieri, por sua vez, em um momento em que se pede a renovação do elenco, escala uma defesa com Zanetti (38 anos), Lucio (31), Córdoba (36) e Chivu (31). Entre os titulares, apenas Álvarez e Poli não tinham mais que 25 anos. Ao se perder nas escolhas, Ranieri é mais um técnico que vai fracassando em Appiano Gentile desde a saída de José Mourinho, dois anos atrás. Ele não é o treinador dos sonhos - dentre todos os que foram contratados após a saída do português, apenas Rafa Benítez foi a primeira opção -, mas a diretoria parece relutar em entender que os problemas não estão apenas no comando técnico. Parece chegada a hora de se desligar das lembranças do Triplete e de boa parte dos jogadores que o conquistaram.

Catania 4-0 Genoa
Quando parecia rumar para certa regularidade, o Genoa decepcionou retumbantemente. A goleada sofrida na Sicília, ante o Catania, foi lapidar: os sicilianos foram bastante agressivos durante todo o jogo e não deram o menor espaço para que o Genoa respondesse à altura. Os gols aconteceram em momentos cruciais da partida: o primeiro, logo aos 7 minutos, depois que Lodi converteu pênalti. Os outros três, antes da metade do segundo tempo, praticamente um atrás do outro, sem que Pasquale Marino pudesse pensar em alguma solução para amenizar o ímpeto rossoazzurro. Destaque da partida foi o meio-campo, comandado por Barrientos, autor de dois gols, e Izco, autor de uma prestação muito boa, com grande volume de jogo e luta. A esse passo, o Catania do jovem treinador Montella deve atingir novo recorde histórico de pontos. Faltam apenas 20.

Atalanta 0-0 Lecce
Não bastou à Atalanta ser melhor em campo contra o Lecce. As duas bolas colocadas na trave e muitos erros de conclusão fizeram com que o empate saísse caro para os donos da casa, cada vez mais estagnados na parte de baixo da tabela, mesmo correndo poucos riscos de entrar na zona de rebaixamento. Mesmo assim, a diretoria parece satisfeita e renovou com Stefano Colantuono por mais uma temporada. Prestigiado tanto quanto Serse Cosmi, que acumula seis jogos e apenas uma derrota. O Lecce já ensaia uma reação na segunda parte da Serie A.

Siena 1-0 Roma (Rodrigo Antonelli)
A irregularidade romana continua. Depois de uma vitória maiúscula contra a Inter, na última rodada, a Roma não conseguiu superar o fraco Siena, fora de casa, e perdeu a chance de ultrapassar a rival de Milão na tabela. O resultado mantém a equipe de Luis Enrique fora da zona de classificação para a Liga Europa e coloca o Siena mais um passo longe da zona de rebaixamento. O técnico espanhol tentou escalar a Roma da mesma maneira que jogou contra a Inter, mas a ausência de De Rossi fez muita falta. Viviani não conseguiu substituir il capitano futuro à altura e desbalanceou o meio de campo gialorosso, que se mostrou sem criatividade e confuso. O time de Totti e companhia quase não chutou a gol. Do outro lado, um Siena com muita vontade fez uma partida correta taticamente e alcançou um resultado justo. Calaiò, de pênalti, marcou seu décimo gol na temporada.

Napoli 2-0 Chievo (Rodrigo Antonelli)
A menos de dez dias do primeiro jogo das oitavas-de-final da Liga dos Campeões, contra o Chelsea, o Napoli voltou a vencer na Serie A e a fazer seus torcedores sorrirem. E já não era sem tempo: a torcida fanática teve que esperar cinco rodadas para voltar a comemorar uma vitória de seu time. Nesta segunda, os três pontos vieram contra um Chievo apático na maior parte do jogo e que demorou para acordar. Os uruguaios Britos e Cavani decidiram o jogo ainda no primeiro tempo, fazendo 2 a 0, e quando o time de Di Carlo mudou de postura, depois do intervalo, já era tarde demais. Belo presente para Cavani, que comemorou 25 anos de idade hoje. A partida foi memorável também para Hamsik, que chegou a seu jogo de número 200 com o Napoli. Com as derrotas de Inter e Roma, os três pontos fazem o Napoli voltar a sonhar com vaga em competição europeia e começam a dar moral para o importante jogo contra o Chelsea, pela oitavas da Liga dos Campeões.

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Seleção da 23ª rodada
Amelia (Milan); Lisuzzo (Novara), Britos (Napoli), Centurioni (Novara), Lulic (Lazio); Hernanes (Lazio), Gazzi (Siena), Izco (Catania), Barrientos (Catania); Maxi López (Milan), Caracciolo (Novara). Técnico: Vincenzo Montella (Catania).

domingo, 12 de fevereiro de 2012

23ª rodada: Reviravoltas

Entrada de Maxi López foi decisiva para o Milan alcançar importante virada contra a Udinese. El Sharaawy também foi bem e time de Milão agora é líder (Getty Images)

A rodada começou ainda na quinta-feira, com o eletrizante jogo entre Lazio e Cesena. Depois de estar perdendo por 2 a 0, o time da capital conseguiu grande virada e chegou aos 42 pontos, que o coloca na terceira colocação. Quem também alcançou importante virada foi o Milan, que bateu a Udinese no Friuli e passou a Juventus na tabela, assumindo a liderança provisória, enquanto a Velha Senhora não repõe seus dois jogos a menos. No clássico das ilhas, o Cagliari foi superior ao Palermo e não teve muitas dificuldades para vencer. Veja os resumos dos jogos:

Udinese 1x2 Milan
Parecia que seria uma tarde de mais um mau resultado para o Milan. Eram 13 desfalques, entre lesões e suspensões, e o time de Allegri fez um primeiro tempo de se esquecer. Sem criatividade no meio de campo e um ataque de pouca ação, os rossoneri não chutaram a gol nenhuma vez na primeira metade do jogo. Com méritos, o time de Guidolin, montado no 3-5-1-1, se defendeu bem, soube partir no contra-ataque e ser efetivo. Di Natale abriu o placar ainda aos 19 minutos de jogo, depois de receber bom passe de Fernandes, chutar e ver a bola desviar em Thiago SIlva antes de entrar. Cada vez mais isolado na artilharia (agora são 17 gols), o capitão bianconero provou (mais do que nunca) ser peça fundamental para esse time.

Até os 30 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Floro Flores, tudo ia muito bem para a Udinese. Vencendo jogo, o time não sofria pressão milanista e controlava bem o jogo, esperando o apito final. Dois minutos após sua saída, no entanto, a coisa desandou. El Sharaawy fez boa jogada, chutou a gol e viu Handanovic espalmar nos pés de Maxi López, que só teve o trabalho de empurrar para o gol. O argentino seria protagonista mais uma vez ainda, na jogada do gol da virada. Ele recebeu bom passe de Emanuelson e cruzou no pé de El Sharaawy. Il Faraone marcou e deu números finais ao jogo, recolocando o Milan na briga pelo scudetto. Para a Udinese, o resultado foi péssimo. Na primeira derrota em casa na temporada, o time perdeu para um adversário direto e caiu para a quarta posição na tabela.

Lazio 3x2 Cesena
No jogo que abriu a rodada, na quinta-feira, o Cesena quase proporcionou a maior zebra da semana. Aos 33 minutos do primeiro tempo, o time de Arrigoni já vencia por 2 a 0, com gols de Mutu e Iaquinta, e tinha um jogador a mais em campo, por causa da expulsão de Konko. O primeiro tempo foi perfeito para os cavalos marinhos, em Roma. Os três pontos colocavam o time na 18 posição e apenas um ponto atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento. O início da segunda etapa, porém, foi devastador para a equipe de Cesena.

Com Kozak no lugar de Candreva, Edy Reja colocou seu time para frente. Klose não estava mais sozinho no ataque e Hernanes e González encostaram o máximo que podiam na nova dupla de frente. Assim, não demorou muito para que Hernanes fizesse seu gol e recolocasse a Lazio na partida. Aos sete minutos, ele acertou bonito chute da entrada da área. Pouco mais tarde, aos 15', Lulic empatou após bom passe de cabeça de Klose. A comemoração da torcida ficou completa aos 17', quando Kozak virou o jogo e deu a vitória à Lazio. Os três pontos colocam o time na terceira posição, à frente da Udinese, e muito próximo de garantir uma vaga na Liga dos Campeões.

Cagliari 2x1 Palermo
No Sant'Elia, o Cagliari freou o bom momento do Palermo, que vinha de 10 pontos conquistados nos últimos quatro jogos, e impediu que o rival entrasse de vez na briga por uma vaga na Liga Europa. O primeiro tempo foi mais equilibrado que o segundo, mas ainda assim viu um Cagliari superior ao Palermo. Sempre perigoso nos contra-ataques, o time da casa assustou o time da Sicília, que não contou com Ilicic e Zahavi em noite pouco inspirada. Os gols, porém, só saíram na etapa final. 

O chileno Pinilla, ex-jogador do Palermo, foi quem abriu o placar, aos 11 minutos do segundo tempo. Dessena ampliou a dez minutos do fim e Hernandéz diminuiu, de pênalti, aos 38' da etapa final. O jogo foi corrido do início ao fim e o Cagliari alcançou um resultado merecido, chegando aos 30 pontos. Destaque para as boas atuações das peças contratadas no mercado de raparação, em janeiro, mostrando que foram boas escolhas. Agora, o Palermo fica mais distante de uma vaga em competição europeia, que começou a cogitar após o bom desempenho nas últimas semanas.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dos males o menor


Não foi tão ruim assim para o Napoli, Lavezzi (Foto: Divulgação)

Enquanto Juventus e Milan disputaram na última quarta-feira um clássico emocionante pelas semifinais da Coppa Italia, esperava-se que na quinta, quando o Napoli entraria em campo, as coisas seriam mais fáceis. Pois a espera ficou de lado e o Siena aprontou, aproveitou o fator casa, venceu e tornou as coisas muito mais complicadas para os comandados de Walter Mazzarri. E as coisas só não foram ainda piores para os partenopei pois um gol nos últimos minutos fechou o placar em 2 a 1 para os donos da casa.

O Napoli não começou bem a partida. Mesmo interessado, viu o Siena dominar as ações e se mostrar mais solto dentro de campo. O peso do favoritismo, talvez, tenha recaído muito mais pesado do que poderia parecer nos ombros napolitanos. Sorte bianconera, muito bem utilizada por Giuseppe Sannino e seus comandados. Após um primeiro tempo bastante travado, quando tudo caminhava para um empate em 0 a 0 antes do intervalo, a surpresa: gol do Siena, do brasileiro Reginaldo, em falha do defensor Campagnaro.

O tento marcado nos últimos minutos da primeira etapa forçou o Siena a recuar e tentar guardar o bom e surpreendente resultado. Assim, a equipe da casa começou a atuar nos contra-ataques e passou a sofrer maior pressão. Com intensidade, o Napoli atacava e via suas chances serem desperdiçadas uma após a outra, em uma demonstração impressionante de falta de sorte. A surpresa do primeiro gol, então, aumentaria com ótima jogada dos bianconeri que terminou em potente chute de D’Agostino, melhor em campo: 2 a 0 e napolitanos mais do que incrédulos.

O placar favorável parecia ser surpreendente até para os donos da casa – e, na realidade, era. Cavani e Lavezzi passaram a se revezar nas chances perdidas e tudo caminhava para um final e jogo que levaria os partenopei a uma volta muito mais difícil do que o esperado em San Paolo. Até que a sorte resolveu dar uma força para os azzurri. Em jogada completamente estranha, Lavezzi chutou fraco e Pesoli, contra, colocou para dentro. Gol fora de casa que acaba valendo muito mais do que o Napoli poderia esperar após ter feito um jogo ruim.

Na volta, apenas um gol coloca o Napoli na final da Coppa Italia. Se jogar bem, não deve ter problemas para usar sua fanática torcida e o ótimo retrospecto em casa para avançar. Um grupo que fez história ao levar o Siena pela primeira vez às semifinais da copa, porém, parece unido e disposto o suficiente para ser uma grande pedra no sapato napolitano. Se Milan e Juventus promete ser um jogão em sua volta, não desprezemos o segundo duelo entre Napoli e Siena – não é clássico, mas promete.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um pé e meio na final

Em sua reestreia com a camisa da Juve, Cáceres decide clássico no San Siro, com dois gols, e praticamente garante time na final da Coppa Italia (Ansa)

Juventinos, vocês se lembram daquele Cáceres que passou pela Velha Senhora em 2009 e era pouco aproveitado, por conta de suas atuações bem abaixo da média e quase sempre inseguras? Pois podem esquecê-lo. O Martín Cáceres que voltou à cidade de Turim neste mercado de inverno é outro. Mais maduro, o lateral uruguaio ganhou experiência no Sevilla e agora a vesatilidade é a característica que se sobressai. Além de jogar em todas as posições da zaga, Cáceres pode atuar nas pontas do meio de campo e ajudar o time ofensivamente.

Foi assim no jogo de ontem, contra o Milan, válido pelas semifinais da Coppa Italia. Ele jogou aberto no 3-5-2 montado por Conte e chegou à frente muito bem, marcando os dois gols da Juve, que venceu por 2 a 1, no San Siro, e colocou mais que um pé na final do torneio, pois é difícil imaginar o Milan reverter esse resultado no Juventus Stadium, onde os bianconeri ainda não perderam. Os dois times entraram com time mistos: Conte poupou oito titulares (apenas Barzagli, Chiellini e Pirlo jogaram, do time principal) e Allegri também teve que mudar muito o time, por conta de lesões e suspensões. O técnico do Milan ao menos pôde colocar Ibrahimovic em campo, uma vez que o sueco não jogará os próximos três jogos da Serie A. Mas não adiantou muito. O vice-artilheiro do Campeonato Italiano não conseguiu ser decisivo e viu seu ex-time continuar invicto na temporada.

O jogo começou em bom ritmo, mas muito brigada no meio de campo. A Juventus mantinha a posse de bola, mas não chegava com muito perigo ao gol de Amelia. Do outro lado, Storari também não teve muito trabalho. Assim, a primeira etapa terminou 0 a 0. Na volta do intervalo, porém, a Juve foi para cima e alcançou o gol logo no início: Borriello chutou, Amelia deu rebote e Cáceres empurrou para o fundo das redes, aos oito minutos do segundo tempo. Pouco depois, aos 17', o Milan chegou bem pela esquerda e, após cruzamento, Ambrosini ajeitou de cabeça para o jovem El Sharaawy empatar.

Mas Antonio Conte queria vencer. Para isso, trocou Borriello e Del Piero por Vucinic e Quagliarella, respectivamente, e foi para cima. O time alvinegro de fato melhorou e pouco antes do fim, aos 38 minutos da etapa final, Cáceres se movimentou bem pelo meio e apareceu em boa posição para arriscar o chute. O uruguaio olhou, calculou e colocou no ângulo direito do goleiro Amelia. Belo gol. Daí para frente, os comandados de Conte apenas controlaram o jogo e mostraram o melhor preparo físico ante o Milan.

Com o resultado, a Velha Senhora pode até perder por 1 a 0 no jogo de volta, que ainda garante vaga na final da competição. O jogo deve ocorrer no dia 20 ou 21 de março, quando nem lembrarmos mais que a Coppa Italia existe. O Milan poderá estar focado na fase final da Liga dos Campeões, caso passe pelo Arsenal nas oitavas-de-final. Melhor para a Juve, que só tem que se preocupar com a Serie A, na qual é líder isolada, com 45 pontos e um jogo a menos. Pelo jeito, a temporada caminha para um final feliz para os torcedores bianconeri, como há tempos não acontece. O outro jogo da semifinal é Siena x Napoli.

Clique aqui para ver os gols da partida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Serie B: A fórmula é a juventude

Meu nome é Pea, Fulvio Pea. Técnico do líder Sassuolo fez carreira em categorias de base e agora surpreende ao levar os neroverdi à liderança em um campeonato em que os jovens são destaque (Il Calcio Illustrato)
Na Serie B, quanto mais um técnico souber lidar com jovens, mais certo tem dado seu trabalho. É o que tem provado Zdenek Zeman e Fulvio Pea, técnicos de Pescara e Sassuolo, respectivamente. Se o campeonato acabasse hoje, as duas equipes estariam classificadas diretamente para a Serie A, sem precisarem passar pelos play-offs. Uma grande surpresa.

Os dois técnicos são especialistas no trato com jogadores jovens. Ao longo de sua carreira, Zeman lançou nomes como Schillaci, Nedved, Nocerino e Vucinic. Hoje, em Pescara, conduz uma equipe cheia de jovens, como os zagueiros Brosco e Capuano, os meias Verratti e Koné, e os atacantes Insigne e Immobile, dois dos principais destaques da competição. Insigne, emprestado pelo Napoli, tem 9 gols na cadetta. O jogador já acompanha Zeman desde a última temporada, quando foi destaque no Foggia, da Lega Pro Prima Divisione, e por sua habilidade, já tem sido comparado aos brasileiros, recebendo o apelido de "Lorenzinho". Immobile, de propriedade de Juventus e Genoa, é o artilheiro do torneio, com 17 gols. Sansovini, "tio" do elenco, com 31 anos, tem mais 12. Caprari, recém-emprestado pela Roma, deve aumentar o poder de fogo do time, que tem o ataque mais positivo da competição, com 55 gols. No 4-3-3 típico de Zeman, a defesa fica descoberta e é uma das sete piores da competição, com 36 gols sofridos.

O Sassuolo é seu oposto. O ataque é quase duas vezes menos positivo, mas a defesa é a segunda mais forte do campeonato, com apenas 17 gols sofridos - perde apenas para a do Torino (15 gols), que também tem 50 pontos, apesar de ter uma folha salarial e um elenco estelar para a Serie B. Com um elenco enxuto e cheio de apostas, os méritos vão para Fulvio Pea, definido por Zeman como "o melhor aluno de Mourinho" - uma ironia ao estilo defensivo do rival. Pea está em sua segunda experiência em uma equipe profissional. A primeira aconteceu entre 2005 e 2007, quando substituiu Luigi Simoni como treinador principal do pequeno Lucchese. Pea acompanhou o ex-treinador da Inter durante seis anos de sua carreira, atuando quase sempre como seu auxiliar. 

No entanto, a reviravolta na carreira do lombardo aconteceu quando deixou a equipe de Lucca e deu um passo atrás, voltando a treinar equipes de base, como fazia até 2001. Primeiro por Sampdoria e depois pela Inter, conquistou dois campeonatos nacionais da categoria Primavera (sub-21) e da Copa Viareggio (sub-20). Aprendeu diretamente com técnicos como Walter Mazzarri, Rafa Benítez e José Mourinho, sua grande inspiração. O resultado tem sido visto no Sassuolo, onde Pea não tem tantos jovens à disposição, mas tem utilizado aspectos de formação para dar força ao time. 

Variando entre o 4-3-1-2 e, principalmente, o 3-5-2, Pea transformou o lateral Marzoratti em zagueiro pela direita e o lateral/volante Terranova em zagueiro pela esquerda. No meio-campo, o jovem ganês Cofie tem se sobressaído como bom volante, ao lado dos experientes marcadores Valeri e Magnanelli, capitão do time, e Laribi, sub-21 italiano, tem sido boa opção no banco. No ataque, Noselli e Masucci, remanescentes de outros tempos da equipe, tem perido espaço para duas revelações: o ganês Boakye, emprestado pelo Genoa, e Sansone, vice-artilheiro da Serie B, com 15 gols, chegou ao clube após um campeonato mediano com o Frosinone e tem se constituído numa revelação tardia, aos 24 anos. São as alternativas de um clube que, pela terceira vez em sua quarta participação na Serie B, em toda sua história, busca o acesso com um elenco modesto. Pea, aliás, pode seguir um caminho parecido ao de Massimiliano Allegri, que iniciou seu salto na carreira a partir da equipe neroverdi.

Caso confirmem a classificação para a Serie A, Pescara e Sassuolo terão de lidar com um enorme abismo em relação a grande parte das equipes da elite - até mesmo em relação às menores. Seriam eventuais candidatos a sacos de pancada, talvez. Por isso, os tradicionais torcem para que equipes mais estruturadas, como Torino e Padova, e outras tradicionais, mas que há tempos estão longe dos melhores tempos, como o Verona, retornem aos melhores tempos. Atualmente, as três, ao lado do Varese - que, apostando no jovem atacante De Luca, segue em boa fase, após o interessante campeonato da última temporada - fariam os play-offs. Cinco pontos à frente de equipes de peso, como Reggina, Bari e a seis e sete de Brescia e Sampdoria, respectivamente. Chegou a hora de uma forma não-convencional de fazer futebol ter sucesso na segundona italiana?

Confira aqui classificação, artilharia e estatísticas completas da Serie B.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

22ª rodada: O pulo da loba

Roma em estado de graça: com os tropeços de quem está na parte de cima da tabela, goleada sobre a Inter valeu mais. E a renovação de De Rossi. um dos melhores em campo, foi a cereja do bolo (Getty Images)
Na semana em que caiu mais neve em Roma desde 1986 e o frio causou problemas, a promessa era de alguma tensão e reclusão na capital. Mas, para a parte giallorossa dos romanos, o domingo foi de festa. A Roma foi absolutamente superior à Inter e goleou os nerazzurri por 4 a 0, com uma grande exibição coletiva. De quebra, foi a única equipe entre as sete primeiras colocadas na tabela a conseguir vencer e se aproximou da zona de classificação para a Liga dos Campeões. Como se fosse pouco, a torcida ainda pode comemorar o encerramento das especulações envolvendo a saída de Daniele De Rossi, o Capitan Futuro. Ele renovou com o clube por mais cinco temporadas. Acompanhe o resumo da rodada, que ainda teve o empate da líder Juventus contra o Siena e também entre Milan e Napoli, jogo no qual Ibrahimovic fez besteira e pode ter comprometido o campeonato rossonero.

Roma 4-0 Inter
Foi um baile à Luis Enrique. Honrando sua filosofia barcelonista, o técnico da Roma colocou seu time para frente e viu seus comandados começarem o atropelo logo nos primeiros minutos. Acuada, a Inter sofreu o primeiro aos 12 minutos, depois de Júlio César fazer duas defesas importantes. Sem qualquer nome criativo no meio-campo, por causa das lesões de Sneijder, Álvarez e Stankovic, Ranieri, em sua 600ª partida como técnico na Serie A, escalou uma equipe extremamente defensiva e pragmática, um pouco impelido pelas circunstâncias, um pouco pela sua crença tática. Fato é que a Roma cresceu ainda mais, com o domínio no meio-campo proporcionado pelas boas partidas de De Rossi e Pjanic, e pela grande partida de Borini na frente. O jovem atacante marcou os dois gols seguintes, enquanto a Inter não dava o menor sinal de reação e luta, dominada até mesmo quando a Roma não fazia mais força e tocava a bola preguiçosamente - os números finais indicam que os romanos tocaram a bola duas vezes mais que os milaneses e tiveram 66,4% de posse de bola. O quarto gol, de Bojan nos minutos finais, foi apenas um tiro de misericórdia na desmoralização interista e a cereja no bolo para dar mais respaldo ao projeto da Roma.

Milan 0-0 Napoli
O Napoli vinha acostumado a crescer em jogos grandes. Contra o Milan, no San Siro, foi diferente. A equipe de Walter Mazzarri não fez grande partida e, mesmo que Cavani tenha perdido um gol feito no final, não fossem algumas intervenções do goleiro De Sanctis, teria saído derrotada. A sorte é que o Milan também não jogou bem e, quando teve chances, sempre criadas de alguma forma por Ibrahimovic, as desperdiçou. A maior delas aconteceu com Robinho, que recebeu passe inteligente do sueco e, cara a cara com De Sanctis, chutou para fora. Se Ibra foi inteligente ao ajeitar essa bola para Robinho, foi extremamente irresponsável por dar um tapa no rosto de Aronica quando nem mesmo uma confusão existia em campo. Expulso, o sueco foi suspenso por três partidas e, caso o Milan não vença o apelo para reduzir seu gancho, não enfrentará a Juventus, no confronto direto para o título. Suspenso, também, Massimiliano Allegri, que ofendeu o árbitro e acabou expulso.

Juventus 0-0 Siena
A Juventus poderia ter se lamentado muito mais do tropeço em casa contra o Siena, caso suas perseguidoras tivessem vencido. Em um dia menos inspirado, a Juve até que pressionou os visitantes, mas a mira não estava calibrada. Além disso, Giuseppe Sannino armou, mais uma vez, um ferrolho muito eficiente, praticamente impedido que os jogadores bianconeri pudessem entrar na área. Méritos também para o goleiro Pegolo, que tem substituído o titular Brkic, lesionado, com maestria. Nos três últimos jogos, esteve entre os principais nomes do time, fazendo defesas importantíssimas. Uma "defesa" fez também o capitão Vergassola, ao colocar a mão na área para evitar cruzamento de Chiellini. O árbitro não viu, a Juve reclamou bastante, mas querer justificar o tropeço por causa de uma decisão incorreta da arbitragem é exagerado.

Genoa 3-2 Lazio
Em Gênova, a equipe da casa teve pouquíssimo trabalho para vencer uma Lazio desfigurada, repleta de desfalques, e quebrou um tabu: desde 1991-92 não vencia a equipe romana em seus domínios. Sem boa parte da defesa e com Hernanes se lesionando no aquecimento, Reja teve de colocar em campo Garrido, que há tempos não jogava, e mudou seu esquema de um 4-2-3-1 para um 4-4-2. Rocchi, substituto do brasileiro, se aqueceu mal e logo no início saiu com uma lesão muscular. Sobre um campo escorregadio, por causa da neve acumulada nas horas anteriores ao jogo, o Genoa logo abriu o placar com Palacio, depois de uma cobrança de escanteio e de um erro de Marchetti, que foi encoberto por seu toque de calcanhar. Jankovic marcou o segundo (com mais uma falha de Marchetti) e foi também o autor do terceiro, completando o domínio rossoblù e estabelecendo certa preguiça no time. A Lazio ainda tentou  reagir, no finalzinho, mas os dois gols saíram tarde demais.

Fiorentina 3-2 Udinese
Jovetic, no final do jogo, declarou: "conseguimos uma boa vitória para o nosso objetivo, que é a permanência na Serie A". Já reconhecendo internamente seus próprios limites, a Fiorentina fez um bom jogo e, contando com erros da Udinese, conseguiu três pontos importantes. O próprio JoJo marcou dois gols de pênalti, ambos cometidos por Benatia, que parece ter voltado da Copa Africana de Nações em outra rotação. Armero, por sua vez, esqueceu de marcar Cassani no lance do segundo gol viola, quando a partida estava empatada: o lateral florentino apareceu muito de trás para fulminar Handanovic, sem qualquer objeção da zaga. Na Udinese, que deixou a Fiorentina virar com alguma facilidade, só mesmo Di Natale jogou: além da assistência para o primeiro gol do romeno Torje na Itália, fez um golaço por cobertura e assumiu a artilharia isolada da competição. Agora, bianconeri terão o Milan como próximo adversário para buscar a recuperação.

Palermo 2-1 Atalanta
Caiu muito bem para o Palermo a notícia dada pelo presidente Maurizio Zamparini que um grupo de investidores árabes deve investir cerca de 300 milhões de euros no clube e participar também do projeto de construção do novo estádio. Com um Miccoli novamente inspirado, o Palermo jogou na maior parte do tempo com um homem a mais, fez a Atalanta de presa fácil e encostou no grupo de equipes que lutam pela Liga Europa. Aos 25, o capitão rosanero sofreu pênalti do goleiro Consigli - que acabou expulso. Sem Denis, suspenso, a Atalanta já teria mais dificuldades de chegar ao gol, já que Tiribocchi está sem ritmo de jogo, e com a saída do bomber para a entrada do goleiro Frezzolini, as coisas ficaram ainda mais complicadas. Depois de fazer 1 a 0, o Palermo só foi marcar o segundo na etapa seguinte, com Budan, após pequeno bate-rebate na área. Maxi Moralez reencontrou as redes pouco depois, diminuindo para a Atalanta e fazendo a torcida relembrar os melhores momentos do início da temporada, que parecem ter passado de uma vez.

Chievo 1-2 Parma
Golaço e grande partida: Giovinco, mais uma vez, lidera o Parma à vitória. O time com mais cara de que joga o campeonato para ficar no meio da tabela, sem incomodar ou ser incomodado, venceu o Chievo com facilidade, mesmo que apenas o Formiga Atômica tenha feito partida digna. Destaque para as lambanças: primeiro, Paletta furou ao tentar cortar e permitiu que Théréau empatasse, e depois Luciano foi tentar cortar cruzamento de Giovinco e, de canela, fez um gol contra risível. Tudo a ver com o péssimo estado do gramado do Bentegodi, que mais parecia cenário de guerra e não merecia um bom jogo.

Lecce 0-0 Bologna
Em um jogo cheio de faltas, Lecce e Bologna não saíram do 0 a 0 na Puglia. Melhor para o Bologna, que entrou em campo com a intenção de não sair derrotado e conseguiu seu objetivo. Com uma partida a menos, os felsinei receberão a Fiorentina em casa, no dérbi do Appennino, e poderá chegar aos 25 pontos - oito a mais que o Lecce. Na equipe da casa, se o novo contratado Bojinov (que estreou ontem) deve ganhar a titularidade, Carrozzieri, expulso, e Benassi, machucado, serão desfalques na próxima partida. Chance para o goleiro Júlio Sérgio, que não aceitou ser reserva na Roma e no Paris Saint-Germain e acabou amargando a reserva no pequeno Lecce. Será que continuará?

Novara 0-0 Cagliari
Em partida de baixíssimo nível técnico, Emiliano Mondonico conseguiu seu primeiro ponto em dois jogos no comando do Novara. Mas não tem o que comemorar, já que, mais uma vez, a prestação da equipe foi bem ruim e atingir a salvezza parece cada vez mais um milagre. Mesmo assim, Mondonico brincou: "o Cagliari fez quatro na Roma, a Roma quatro na Inter e nós não levamos gol do Cagliari. Então venceremos a Inter [próxima adversária, no domingo] por 8 a 0...". O espírito do bigodudo é justo: ele está treinando um time da Serie A pela primeira (e possivelmente última) vez em anos. Tecnicamente muito abaixo dos outros times, resta aos novareses apenas se divertirem com os últimos meses na elite.

Cesena-Catania
Adiado, por causa do forte volume de neve que caiu em Cesena, para o fim de fevereiro.

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Seleção da 22ª rodada
De Sanctis (Napoli); Cassani (Fiorentina), Juan (Roma), Terzi (Siena), Pasqual (Fiorentina); Jankovic (Genoa), De Rossi (Roma), Pjanic (Roma); Palacio (Genoa), Borini (Roma), Giovinco (Parma). Técnico: Luis Enrique (Roma).