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sexta-feira, 30 de março de 2012

Mulheres (quase) decididas

Rumo ao tri: Torres vence "decisão" contra o Brescia e se isola na liderança (eurospintorres.altervista.org)
 Torres, Verona (ex-Bardolino) e Brescia protagonizam uma eletrizante corrida a três pelo scudetto na Serie A Femminile. No último sábado, as meninas de Sassari, atuais bicampeãs, confirmam-se (com o perdão do trocadilho) irresistíveis frente às brescianas, rivais diretas pelo título, goleando-as por 4 a 1. O resultado valeu a liderança isolada, um ponto à frente do Verona - que, a essa altura, é o principal oponente no campeonato.

Na zona neutra da tabela, destaque para a decepdionante temporadas do atual vice-campeão Tavagnacco, praticamente alijado da disputa por uma vaga na próxima Champions League. Torino e Mozzanica já celebram suas permanências.

Mais abaixo, as más campanhas de Chiasellis, Firenze, Como 2000, Lazio e Riviera di Romagna têm sido "premiadas" pelas desastrosas participações de Milan e Roma, que estão muitos pontos atrás das meninas do Venezia (as primeiras a se salvarem) e figuram como virtuais rebaixados à Serie A2.


Série A, após 18 rodadas


Torres (50 pontos) e Verona (49); Brescia (47); Tavagnacco (41); Torino (31); Mozzanica (30); Chiasellis (24); Firenze (23); Como 2000 (21); Lazio e Riviera di Romagna (16); Venezia (15); Milan (6); e Roma (5)



Campeã e classificada para a Champions League
Classificada para a Champions League
Rebaixadas


Único sobrevivente da Segundona na Coppa, Napoli terá de se impor ante a Torres para chegar à final (napolicalciofemminile.it)


Coppa Italia
Já estão definidos os confrontos das semifinalistas da Coppa Italia Femminile. Atual campeã e maior vencedora do torneio, a Torres será hóspede das surpreendentes garotas do Napoli, que comandam o Grupo D da Serie A2. Já as meninas do Brescia, que conduzem a corrida pelo scudetto, visitarão o campo do Tavagnacco. As eliminatórias se darão em partidas únicas, programas para os dias 25 e 26 de maio.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Brasileiros no Calcio: Edmundo

Edmundo chegou à Itália no auge da carreira, mas não conseguiu ter sucesso na Fiorentina. Envolvido em polêmicas, deixou a impressão de que poderia ter chegado a outro patamar (Globo Esporte)

Edmundo nunca quis agradar a todos. E, de fato, nunca agradou. Amado por muitos e odiado por outros tantos, o atacante sempre viveu de extremos. Besta e bestial, louco e lúcido, simples e exagerado, irreverente e grosseiro, agressivo e sentimental, goleador e perdedor de pênaltis, mocinho e vilão. Humano e Animal.

Todas essas características fizeram de Edmundo um dos jogadores mais peculiares dos anos 90 - nos anos 2000, o Animal, mais experiente, começava a se amansar e a medir seus atos. Quando foi negociado pelo Vasco com a Fiorentina, no fim de 1997, Edmundo estava no auge da carreira e já havia vencido praticamente tudo no Brasil e, também, vivido todo tipo de polêmica. Mesmo antes de estrear profissionalmente, em 1992, ele já havia sido expulso da base do Botafogo por ter andado nu na concentração e ter sido surpreendido por um dirigente. 

Acabou retornando para o Vasco, clube do qual é torcedor e onde começara sua carreira na base. No cruzmaltino, teve grande sucesso pelo time principal, em jogos do Campeonato Brasileiro e do Carioca, mostrando os atributos que o acompanhariam ao longo da carreira: explosão, habilidade, uma perna direita calibrada, objetividade, muita mobilidade na frente e dos lados da área e, claro, faro de gol. Com apenas 21 anos, foi convocado para a seleção brasileira  - com a qual jogaria a Copa América de 1993 - e, depois, acabou negociado com o Palmeiras.

Pelo alviverde, jogou ainda mais bola e fez parte do histórico time palmeirense que marcou mais de 100 gols em um ano. Ainda ajudou o time a sair da fila desde os anos 70, com o título paulista e, principalmente, do bicampeonato do Brasileirão, virando ídolo da torcida e ganhando o prêmio Bola de Prata, da Placar. Em São Paulo, Edmundo começou a demonstrar seu lado agressivo e ganhou de Osmar Santos o apelido de Animal, que o acompanharia ao longo da carreira.

Ainda no Palmeiras, depois de um jogo da Libertadores, contra o El Nacional, em que perderia um pênalti, acabou agredindo um repórter e teve de ficar preso em Guayaquil por seis dias. Internamente, Edmundo tinha mau relacionamento com o técnico Vanderlei Luxemburgo e com alguns jogadores do elenco. Em 1995, foi para o Flamengo, com a ideia de formar o "ataque dos sonhos" com Romário e Sávio, mas o único sucesso foi da passagem foi o "Rap dos bad boys", composto com o Baixinho.

Quando estava no clube, o Animal ainda protagonizou uma briga com o zagueiro Zandoná, do Vélez Sarsfield, e também causou o acidente automobilístico que matou três pessoas, no Rio de Janeiro, pelo qual seria preso - e liberado, via habeas corpus - quatro anos depois. Acabou retornando para São Paulo, para defender o Corinthians, mas também não teve sucesso. Acabou retornando, inicialmente sem permissão, mais uma vez para o Vasco.

Na segunda passagem pelo Vasco, Edmundo reencontrou a paz. Ajudou o Vasco a se livrar do rebaixamento em 1996 e, em 1997, foi o grande nome do time da Colina na conquista do tricapeonato brasileiro, quando reeditou dupla de sucesso com Evair. O Animal marcou 29 gols, batendo recorde de gols marcados em uma única edição do Brasileirão e, de lambuja, marcou três na semifinal contra o Flamengo. Jogando pela seleção brasileira, foi titular na Copa América daquele ano e ainda marcou um gol na final contra a Bolívia, ajudando o Brasil a conquistar o título.

Pelo que jogou naquele ano, foi tido por muitos comentaristas como um dos melhores jogadores em atividade. E por algumas polêmicas daquele ano, como a rebolada frente ao botafoguense Gonçalves, companheiro de seleção, a comemoração debochada na semifinal do Brasileiro contra o Flamengo, por ter chamado o juiz cearense Dacildo Mourão de "paraíba" e por ter forçado uma expulsão para poder jogar a segunda partida da final contra o Palmeiras, ficou ainda mais marcado.

Vendo em Edmundo um grande talento a ser explorado, e com apenas 25 anos, a Fiorentina decidiu desembolsar cerca de 9 milhões de dólares para tê-lo. No clube de Florença, Edmundo chegaria para fazer dupla letal com Gabriel Batistuta, matador por excelência. Endinheirada, a sociedade dirigida por Vittorio Cecchi Gori buscava chegar à Liga dos Campeões e, para isso, formava grande time, com Francesco Toldo no gol, Stefan Schwarz, Andrei Kanchelskis e Rui Costa no meio, além do forte ataque, que ainda tinha Luis Oliveira e Domenico Morfeo. A grande concorrência no ataque fez com que Edmundo fosse mal aproveitado por Alberto Malesani e fizesse apenas nove partidas entre janeiro e junho. Mas a média de gols foi boa: quatro marcados nestas partidas.

Edmundo foi convocado pelo técnico Zagallo para a Copa de 1998. Porém, embora estivesse em fase superior à de Bebeto, não foi titular no ataque ao lado de Ronaldo - o que até hoje gera polêmica. O atacante reclamava publicamente por não ser titular, mas quando teve chance, contra o Marrocos, atuou muito mal. Só voltaria a atuar novamente na final, contra a França, onde até chegou a ser escalado como titular depois das convulsões de Ronaldo. Acabou no banco e entrou apenas no fim do segundo tempo, quando o jogo estava praticamente perdido.

Depois do desilusão na Copa do Mundo e o quinto lugar com a Fiorentina em 1997-98, que levou a equipe viola à Copa Uefa, Edmundo teria a chance de fazer pela primeira vez uma pré-temporada por um clube europeu. As ambições da Fiorentina eram maiores: Giovanni Trapattoni chegou do Bayern de Munique para levar um time ainda mais forte, com as chegadas de Moreno Torricelli, Jörg Heinrich e Guillermo Amor à Champions. O Animal, desta vez titular, se encaixou rapidamente no esquema da equipe e fez o que dele se esperava: foi o parceiro perfeito para Batistuta. Os dois tiveram grande interação e, com Rui Costa, formaram um tridente ofensivo muito forte, que marcou, ao todo, 39 gols (21 do argentino, 10 do português e 8 do brasileiro), mais de 70% dos gols da equipe.

Edmundo, porém, não selivrara das polêmicas. Insultou Trap publicamente, ao ser substituído em uma derrota contra a Roma, e também chegou a ir às vias de fato com o reserva Emiliano Bigica, que era seu amigo. Porém, a maior de todas as polêmicas aconteceu em fevereiro daquele ano. Em meio a uma dura sequência de jogos (Milan, Udinese e Roma, três jogos em que a Fiorentina não venceu), o Animal viajou para curtir o Carnaval - com autorização do clube, mas em um momento delicado.

O ato de insubordinação revoltou todo o grupo e alguns jogadores, como Rui Costa, deram fortes declarações contra a falta de profissionalismo do brasileiro. Mesmo assim, Edmundo voltou ao clube e ainda jogou na temporada. Fez dois gols contra o Perugia e deixou o clube no fim de 1998-99, tendo sido importante para classificar a equipe para a LC, com o terceiro lugar conquistado.

Mais uma vez, Edmundo retornaria ao Vasco - desta vez, por uma alta quantia, emprestada pelo Bank Of America, que ajudaria a quebrar o clube nos anos seguintes. Sua terceira passagem pelo clube do seu coração não foi tão positiva quanto a segunda, mas foi importante na sua carreira. Ele não conseguiu ajudar a equipe cruzmaltina a passar pelo Vitória, no mata-mata do Brasileirão de 1999 e, depois, reeditou dupla de ataque com Romário, com quem não tinha boa relação fora de campo.

Com trégua declarada, os dois tiveram muito destaque no Mundial Interclubes da Fifa, disputado no Rio de Janeiro. Edmundo fez um ótimo torneio, com destaque para atuação de gala frente ao Manchester United, partida em que marcouum golaço, entortando o zagueiro Silvestre, e ainda deu passe para o Baixinho marcar outro. Na final, contra o Corinthians, Edmundo bateu pênalti para fora e o Vasco acabou com o vice-campeonato.

As rusgas com Romário continuaram, após o Mundial, e Edmundo acabou emprestado ao Santos, depois de perder a faixa de capitão da equipe carioca para o Baixinho. A passagem pela Baixada Santista foi apenas um ponto de parada antes de receber a segunda (e última) chance na Europa. Ainda impressionado pela grande atuação de Edmundo no Mundial, o Napoli decidiu assumir o risco de bancar sua contratação e o levou para a Campânia, em janeiro de 2001. Pelos azzurri, completamente desorganizados dentro e fora de campo, Edmundo jogou 17 partidas (todas como titular) e foi visto como uma espécie de salvador da pátria da equipe.

Segundo e último time do Animal na Itália foi o Napoli (Getty Images)
O atacante, porém, marcou apenas quatro gols (menos que Amoruso, que fez 10, e Pecchia, que fez 6) e não conseguiu fazer com que o time permanecesse na elite. A última rodada, que poderia garantir o Napoli na Serie A, foi melancólica e ainda teve vitória de pirro. Lecce, Verona e Reggina, adversárias diretas na briga pela permanência, venceram fora de casa e nem mesmo o resultado positivo, em partida sofrida frente à Fiorentina, sua ex-equipe, com gol dele nos acréscimos, foi suficiente para manter a equipe partenopea na primeira divisão. Assim, Edmundo se despediu da Europa com duas outras manchas na carreira: além do rebaixamento, foi eleito um dos piores da temporada. Ainda assim, insipirou o atacante Amauri, que jogou junto com ele em Nápoles. Até hoje, o atacante ítalo-brasileiro diz que Edmundo é seu ídolo e modelo de atacante.

Edmundo, que já tinha 29 anos, passou boa parte da carreira sem brilho. Jogou pelo Cruzeiro e acabou saindo do clube após perder pênalti em partida contra o Vasco, depois de declarar que não gostaria de marcar contra o clube que amava, e foi jogar no Japão, onde ficou por três anos, jogando por Tokyo Verdy e Urawa Red Diamonds. Ainda jogou novamente pelo Vasco, por onde ficou pouco tempo, antes de brigar com o presidente Eurico Miranda por salários atrasados. 

Foi para o Fluminense, onde faria mais uma dupla sem sucesso com Romário, antes de cair em ligeiro ostracismo. Atuou dois jogos no pequeno Nova Iguaçu, do amigo Zinho, e aceitou uma proposta do Figueirense, em 2005. Pelo clube de Florianópolis, voltou a jogar bem: marcou 15 gols no campeonato. Retornou ao Palmeiras e, mesmo veterano, teve boa participação no clube. 

Em 2008, retornou ao Vasco pela quinta vez, para encerrar a carreira, mas viu o clube ser rebaixado pela primeira vez em sua história. A partida do suplício cruzmaltino, ironicamente foi a última da carreira profissional de um dos maiores ídolos de toda a história do clube. Até ontem, quando Edmundo, três anos após parar, voltou a campo para sua partida de despedida. Ele marcou dois gols no 9 a 1 contra o Barcelona de Guayaquil, adversário da final da Libertadores de 1998, vencida pelo Vasco, mas pela qual não atuaria porque se transferiu para a Fiorentina.

A partida de despedida de Edmundo também foi notícia na Itália, país pródigo em formar jogadores com temperamento explosivo e de atitudes controversas, tal qual o Animal. Jogadores que logo conquistam sua própria torcida e se fazem odiar por outras, gente da estirpe de Marco Materazzi, Antonio Cassano e Mario Balotelli. Gente que, um jeito ou de outro, foge do óbvio e acaba deixando o futebol mais imprevisível e mais divertido de se ver.

Edmundo Alves de Souza Neto
Nascimento: 2 de abril de 1972, em Niterói
Posição: Atacante 
Clubes: Vasco (1992; 1996-97; 1999-2000; 2003-04; 2008), Palmeiras (1993-95; 2006-07); Flamengo (1995), Corinthians (1996), Fiorentina (1998-99), Santos (2000), Napoli (2001), Cruzeiro (2001), Tokyo Verdy (2001-02), Urawa Red Diamonds (2003), Fluminense (2004), Nova Iguaçu (2005) e Figueirense (2005).
Títulos: Campeonato Carioca (1992), Torneiro Rio-São Paulo (1993), 2 Campeonatos Paulistas (1993 e 1994), 3 Campeonatos Brasileiros (1993, 1994 e 1997) e Copa América (1997).
Seleção brasileiraa: 39 jogos e 10 gols.

A muralha de Milão

Surpreendente, Antonini foi um dos grandes pilares da defesa rossonera (Uefa)
O Milan tem dois pilares no time: Thiago Silva na defesa e Ibrahimovic no ataque. Quando o brasileiro se lesionou no confronto contra a Roma, no último final de semana, boa parte da torcida ficou atônita pensando como poderiam segurar Messi sem seu grande zagueiro. A solução do técnico Massimiliano Allegri foi a volta do experiente Nesta, que não atuava desde o dia 1º de fevereiro para formar a dupla com Mexès. Nas laterais, ao invés de Zambrotta e Mesbah, dupla utilizada contra a Roma, o treinador preferiu empregar Bonera e promover a volta de Antonini.

As soluções de Allegri deram, quem diria, resultado: se, das duas últimas vezes que visitou San Siro, marcou dois gols, dessa vez passou em branco. Foi a primeira vez em 30 jogos na Liga dos Campeões que o Barcelona  não marcou sequer um golzinho.

De início a defesa não foi tão exigida, afinal quem começou melhor foi o Milan. Robinho, mais um que voltava de contusão, desperdiçou uma chance clara com dois minutos e aos 19, foi a vez de Ibra desperdiçar boa chance, chutando fraco na saída de Valdés, que agarrou firme após sair do gol com competência.

O Barcelona foi se soltando no jogo e rapidamente a posse de bola começou a ser quase que completamente blaugrana. Só que em toda chegada do time espanhol a defesa milanista, bem postada, não dava espaços. Na melhor chance, Alexis Sánchez foi travado por Antonini, depois de partir em velocidade e quase ganhar do lateral. O camisa 77 aliás, fez uma de suas melhores apresentações pelo rubronegro de Milão. No segundo tempo, travou também uma bola crucial chutada por Tello, em uma das melhores chances do time de Messi.

Quem também jogou muito bem foi Bonera. Muito criticado e principal ponto de instabilidade da equipe, fez uma das melhores partidas de sua carreira. Se as ótimas atuações de Antonini e Bonera foram surpresa, a  liderança de Nesta no centro da zaga não foi novidade. Mesmo sem ritmo de jogo, o zagueiro se doou completamente à equipe e fez ótima partida. Tanto é que, mesmo tentando sufocar, o Barcelona só conseguiu chegar por duas vezes. A primeira em chute de Messi, defendido por Abbiati e em uma cabeçada de Puyol que não assustou tanto.

Um ataque certo e o Milan poderia matar o jogo, mas Ibrahimovic, muito isolado no ataque, pouco pode fazer. As chegadas de Nocerino, ponto forte do time na temporada não deram resultados pois o meio-campista parecia um tanto quanto assustado no jogo. Boateng, também retornando ao time, não foi nem sombra do gigante que foi no primeiro jogo ante o Arsenal.

Quando Nesta saiu lesionado, pouco depois da metade do segundo tempo, a defesa do Milan mudou completamente: Mesbah entrou na lateral esquerda, e Antonini foi para o lado inverso. No centro da zaga, Bonera fez o lado direito e Mexès, que ocupava o setor, foi para o lado esquerdo. Mais vulnerável na defesa, o Milan precisava adiantar a marcação e tentar manter a posse de bola no ataque. Assim, foram importantíssimas as participações de El Shaarawy e Emanuelson, que ajudaram a equipe a manter a bola longe da zaga.

Sem marcar e com o time combalido lá atrás, o jeito foi se contentar com o placar, que, afinal não foi dos piores. Outra igualdade na próxima terça-feira, com gols, dá a vaga aos rossoneri. Se mantiver a mesma solidez defensiva, o Milan tem boas chances de engrossar o caldo catalão e seguir para as semifinais.

terça-feira, 27 de março de 2012

Prévia: Milan-Barcelona

Thiago Silva, um dos pilares do Milan, está lesionado e não participará dos jogos contra o Barcelona. Sem ele, as chances do Milan diminuem e um Ibrahimovic inspiradíssim será mais que necessário (Getty Images)
Na primeira metade da temporada, Milan e Barcelona fizeram o principal duelo da fase de grupos desta edição da Liga dos Campeões. Nos jogos daquela fase, o Milan conseguiu arrancar um ponto do Baça no Camp Nou, com um gol de Thiago Silva no finalzinho, mas não teve êxito no jogo da volta e Messi e Xavi deram show na partida disputada no San Siro. Desta vez, o zagueiro brasileiro não estará disponível para as duas partidas das quartas de final e deverá fazer falta para o Milan. Sem o capitão da seleção brasileira, as chances do time italiano se classificar diminuem muito, já que a defesa rossonera não terá a mesma solidez.

Para a prévia deste confronto, que terá seu jogo de ida nesta quarta, 28 de março, e o de volta no dia 3 de abril, contaremos com a colaboração de Victor Mendes, do blog Quatro Tiempos, especializado no futebol da Espanha. Veja o que esperamos desta partida das quartas de finale depois confira as análises dos jogos nos dois endereços.

Temporada até aqui
Milan: O Milan é o atual líder do campeonato, com 63 pontos, vantagem de quatro sobre a Juventus. A ultrapassagem rossonera, que aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, marca o período positivo da equipe, que não perde desde o fim de janeiro, quando saiu derrotada contra a Lazio. No campeonato italiano, a disputa pelo scudetto continua aberta, mas o Milan tem tabela mais simples que a Juve e, ao contrário da rival, não tem perdido pontos contra equipes menores. Na Coppa Italia, o Milan caiu nas semifinais justamente frente à Velha Senhora, na semana passada. Na Liga dos Campeões, a equipe fez seu melhor e seu pior jogo na temporada: respectivamente, a vitória por goleada sobre o Arsenal e a derrota por 3 a 0 no jogo de volta. É o Milan do primeiro jogo contra os ingleses que será necessário para o duelo contra o Barça.

Barcelona: O meio de semana passado marcou um novo rumo na temporada barcelonista. O tropeço do Real Madrid frente ao Villarreal ressuscitou o Barcelona na Liga Espanhola e o discurso agora é outro: a Liga está aberta. Se o vestiário havia jogado a toalha com a vantagem de 10 pontos, afirmando que era praticamente impossível reverter a situação, a atual diferença de 6 pontos aumenta a confiança desse espetacular grupo, que está convicto de que a remontada é possível. Vale citar que a tabela merengue é mais complicada que a blaugrana e que há um superclássico a ser disputado, no Camp Nou. Na Copa do Rei, a equipe se classificou à terceira final em quatro temporadas e é favorita máxima ao confronto contra o Athletic Bilbao, na final de Madrid.

Pontos fortes
Milan: Sem dúvidas, o Milan tem no ataque seu principal ponto forte. O Diavolo tem o melhor ataque do campeonato italiano, com 59 gols marcados (cinco a mais que o Napoli, o segundo colocado no quesito, e 13 a mais que a Juventus), e tem também o artilheiro da competição: Zlatan Ibrahimovic, com 21 tentos. O sueco faz uma de suas melhores temporadas no futebol europeu - comparável com a de 2008-09, pela Inter - e é o grande responsável pela ótima temporada da equipe de Via Turati.No ataque, Robinho tem sido um ótimo coadjuvante e, se não acerta a pontaria nas conclusões, abre muitos espaços e também dá assistências. O meio-campo, sempre participativo, também é uma das chaves para o bom desempenho ofensivo da equipe: Nocerino e Boateng, na melhor fase de suas carreiras, são importantíssimos para a fluência do jogo do Milan e serão fundamentais no confronto, já que é através do toque e da posse de bola que o Barcelona envolve seus adversários.

Barcelona: A ofensividade da equipe continua sendo a principal arma dos blaugranas. Com os oponentes mais atentos, Guardiola vem apostando numa equipe mais móvel e mutante no desenho tático. Cesc Fàbregas e Alexis Sánchez, as novidades entre os titulares, promovem intensa movimentação com seus companheiros e o time foge da marcação adversária em qualquer esquema. Esquema este que está em indefinição. Após passar metade da temporada no 3-4-3, Pep resolveu voltar ao antigo esquema, 4-3-3, exatamente quando o plantel parecia adaptado às novas funções. Com a lesão de Adriano e a descoberta do novo problema de Abidal, é bastante provável que o 3-4-3 seja a tática a ser utilizada. A outra probabilidade é a utilização de Puyol na lateral esquerda, como no confronto contra o Real Madrid na semifinal da temporada passada. O atual campeão europeu não tem deixado a desejar na competição continental: passou da fase de grupos com tranquilidade, vencendo o Milan em Milão. A LC é palco das melhores exibições de Messi, que, contra o Bayer Leverkusen, anotou cinco para chegar ao topo da artilharia da atual edição.

Pontos fracos
Milan: O grande problema do Milan nos jogos contra o Barcelona será a ausência de Thiago Silva. Lesionado na partida de sábado contra a Roma, o zagueiro brasileiro deve fazer falta: é um dos principais nomes da posição na atualidade e seus prováveis substitutos estão bem aquém de sua fase. Bonera é temerário por si só e Nesta, além de atravessar problemas físicos constantes, não joga desde o fim de janeiro. Sem Thiago Silva - e também sem Abate no primeiro jogo -, as chances de a equipe sofrer gols crescem bastante. Pela vulnerabilidade na defesa, o Milan também pode acabar perdendo a verve ofensiva de seus meias, que serão ainda mais exigidos para auxiliar na marcação do que seriam caso a defesa estivesse completa. Sacrifício certo para Ambrosini, Nocerino e Seedorf, que correrão muito durante o jogo. Considerar a participação de Gattuso ao menos em parte da partida poderia fazer a diferença na combatividade no meio-campo.

Barcelona: A fase de Piqué gera desconfiança. Desatento, tem falhado à rodo e colocado em xeque sua titularidade. O gol contra o Mallorca, no final de semana, pode elevar a moral do catalão, que precisa recuperar a boa fase da temporada passada para ajudar seus companheiros de zaga na difícil missão de marcar Ibrahimovic. O Barcelona da Era Guardiola também costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Outras fraquezas da equipe aparecem quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e também quando Xavi sofre forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal contra a Inter em 2009-2010, José Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: montou um esquema que asfixiou Xavi e não deixou Messi receber bolas perto da área.

Expectativas
Milan: Apesar de todo seu histórico na Liga dos Campeões, o Milan entra praticamente como um franco-atirador contra o Barcelona. A superioridade técnica da equipe de Messi, Xavi, Iniesta e companhia é inegável e, por um lado, dá certa despreocupação ao Milan, já que a obrigação de passar de fase é barcelonesa. Se for eliminado, mas permanecer de cabeça erguida, o time rossonero continuará tranquilamente no seu percurso rumo ao bicampeonato nacional, enquanto um vexame poderá atrapalhar o restante da temporada e abrir feridas já latentes, como a do departamento médico da equipe. O Milan Lab não tem conseguido resolver os problemas crônicos de lesão na equipe e foi recentemente criticado por Ibrahimovic. Do sueco, aliás, a torcida espera uma grande exibição. Muito contestado por não fazer grandes atuações em jogos decisivos, Ibra foi o responsável pela classificação ante ao Arsenal e, motivado, tentará vitimar também a sua ex-equipe e dar uma resposta a Guardiola, seu desafeto.

Barcelona: Com a moral elevada após a sobrevida na liga espanhola, o Barcelona chega como favorito para o duelo. Guardiola, contudo, mantém um discurso humilde e tenta tirar o favoritismo de sua equipe. Na coletiva pré-jogo contra o Sevilla, há duas semanas, afirmou que preferia enfrentar outra equipe e citou que serão duas terríveis partidas. Dentro de campo, o catalão tem dúvidas quanto à parte tática. Contra o Mallorca, Pep não gostou nada da atuação de sua linha defensiva no 3-4-3 e viu a equipe deslanchar exatamente após mudar para o usual 4-3-3. Xavi, poupado no final de semana, volta à equipe titular, assim como Daniel Alves. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Milan é um grande europeu, caminha para o bicampeonato italiano e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Milan: Abbiati; Zambrotta (Bonera), Nesta, Mexès, Antonini;  Nocerino, Ambrosini, Seedorf; Boateng; Robinho, Ibrahimovic.
Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta; Alexis Sánchez, Messi, Fàbregas.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tratamento de choque

Andrea Stramaccioni, novo técnico da Inter, levou o time Primavera ao título do NextGen Series, espécie de Liga dos Campeões sub-19, e ganhou moral com Moratti (Getty Images)
É tempo de renovação na Inter. Nesta segunda, Massimo Moratti e sua diretoria decidiram, juntamente com Claudio Ranieri, por interromper o vínculo que os ligava até 2013. Com a saída de Ranieri, a Beneamata chega ao quinto técnico em menos de três anos, após a saída de José Mourinho para o Real Madrid. A equipe será treinada nos últimos nove jogos da Serie A por Andrea Stramaccioni, até hoje um ilustre desconhecido para quem não acompanha o futebol de base na Itália. Uma mudança drástica no comando da equipe, que no início da temporada buscava técnicos experientes para dirigir um elenco envelhecido ao longo de 2011-12.

Romano, como Ranieri, Stramaccioni tem 36 anos e já fazia parte dos quadros da Inter. Ele treinava a equipe sub-20, categoria conhecida na Itália como Primavera, desde julho de 2011 e vinha fazendo um bom trabalho com os jovens, propondo um futebol ofensivo a uma equipe que variava principalmente entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1. Na Copa Viareggio, não conseguiu levar o time ao bicampeonato consecutivo, mas, em compensação, colocou a Inter na liderança do grupo B do campeonato Primavera. 

Neste domingo, sua Inter foi campeã do NextGen Series, único torneio interclubes disputado por equipes de base no continente europeu, considerado, desde sua formação, no início da temporada, uma espécie de Liga dos Campeões sub-19. Como mostra o Olheiros, site especializado na cobertura do futebol de base, a Inter havia começado muito mal, perdendo por 7 a 1 para o Tottenham, e conseguiu se superar para chegar à final, vencida contra um forte Ajax. A conquista veio apenas nos pênaltis, depois de 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. 

O título no NextGen Series é o maior da carreira de Stramaccioni como técnico. Ele teve muito sucesso dirigindo equipes de base da Roma (Giovanissimi, correspondente ao sub-15, e Allievi, correspondente ao sub-16) e venceu dois títulos nacionais pelos clube de Trigoria, reconhecido por ter uma das bases mais fortes do país. Antes mesmo de chegar à equipe giallorossa e trabalhar em conjunto com o próprio Ranieri, ele havia sido jogador profissional pelo Bologna, na Serie C, mas largou a carreira depois de uma grave lesão. 

Após deixar os gramados, logo começou a treinar times de base. Em 2003, venceu um campeonato sub-15 amador pela Romulea (também de Roma, mas ligada à Lazio). Depois, fez parte da comissão técnica da Primavera do Crotone, à época treinado por Gian Piero Gasperini. Stramaccioni não teve uma experiência sequer como treinador de equipes principais, mas conseguiu formar uma série de admiradores. Quando recebeu a proposta de treinar a Primavera interista, tinha também, segundo a Gazzetta dello Sport, uma proposta feita por Arrigo Sacchi, lendário ex-técnico do Milan e atual responsável pelas seleções de base italianas, para treinar a Itália sub-17.

Stramaccioni também já era bem quisto pela direção interista. Foi contratado por expressa vontade de Ernesto Paolillo, diretor-geral da Inter, e vinha sido constantemente elogiado por Roberto Samaden, responsável pela administração das categorias de base do clube. Parece que Stramaccioni conquistou também o presidente Massimo Moratti. Entre viajar para Londres, para assistir à final do NextGen Series in loco, em Brisbane Road, e ir ao Derby d'Italia disputado pela equipe principal e a Juventus, em Turim, Moratti preferiu a primeira opção. 

Totalmente desiludido com a temporada que a Inter está fazendo, o presidente nerazzurro já mostrava que via a temporada como perdida e, desta vez, deu o braço a torcer. Nem mesmo o fato de a equipe não ter feito uma má partida e, pelo contrário, ter feito um bom primeiro tempo, no qual poderia ter saído ganhando de uma de suas maiores rivais, manteve Ranieri no cargo. Hoje, antes do meio-dia, Moratti disse que ele permaneceria no cargo, mas poucas horas depois da entrevista do presidente, o site da Inter comunicava a rescisão consensual. Mais uma anedota para o folclore que envolve a Era Moratti e seu comportamento passional. Desde 1999 a Inter não tinha mais de dois treinadores em uma única temporada. Naquele ano, treinaram a equipe Luigi Simoni, Mircea Lucescu e Roy Hodgson.

A escolha por Stramaccioni mostra que o planejamento desta temporada (se é que realmente havia algum) foi totalmente por água abaixo. A prática de subir um técnico da equipe Primavera diretamente para o time principal após bons resultados é muito incomum na Itália, mas já teve um precedente nesta temporada, no Palermo - e isso demonstra bem o atual panorama da Inter, já que o Palermo é o time mais explosivo da Itália, por causa de seu presidente, Maurizio Zamparini, que demite técnicos a atacado. Na equipe rosa e preta, Devis Mangia foi alçado da Primavera ao time principal na primeira rodada, mas acabou sendo sacado por não conseguir vitórias fora de casa. Se, por um lado, a efetivação de um treinador de base pode ser vista como um sinal de desordem, por outro também pode significar uma revolução no futebol nacional, que precisa renovar urgentemente o quadro de treinadores e o modo de conceber o próprio esporte.

Caso tenha carta branca para experimentar e não seja cobrado por resultados, o técnico romano pode começar imediatamente (e não na próxima temporada, como vinha sendo colocado pelos interstas) uma renovação na equipe com jogadores vindos da base, que ele já conhece bem. Na equipe Primavera, alguns jogadores tem se destacado bastante e muitos deles já treinaram com o elenco profissional. Casos de Kysela (zagueiro), Crisetig (volante/esterno), Duncan (volante), Romanò (meia), Longo (atacante) e do ítalo-brasileiro Daniel Bessa (meia-atacante). Foi de um passe do jogador nascido no Paraná, camisa 10 e principal criador de jogadas da equipe, que Longo fez o gol na final do NextGen Series.

Gradualmente, alguns deles podem estrear na equipe principal ainda neste campeonato. Talvez o que tenha mais chances seja exatamente Bessa, já que a Inter tem carecido de criatividade e Sneijder e Álvarez estão machucados. Ampliando o pensamento de renovação para a próxima temporada, o setor ainda pode ter a volta de Philippe Coutinho, que está emprestado ao Espanyol e tem feito grandes jogos pelo time catalão.

Resta saber como Stramaccioni será recebido pelos senadores da equipe. O técnico é mais novo que Zanetti, Castellazzi e Orlandoni e não tem um vasto currículo, como alguns de seus antecessores no pós-Mourinho. Para isto, é provável que alguns dos jogadores mais experientes do time, que tem papel de liderança no grupo - casos de Zanetti, Cambiasso e Stankovic, por exemplo - acabem o ajudando a conhecer melhor as demandas do elenco e até mesmo a treinar a equipe. Naturalmente, os senadores também deverão ter participação importante dentro de campo neste momento de transição.
Sem compromisso com resultados, a mescla mais ousada de veteranos e de jogadores jovens - não só novos garotos vindos da base, mas também aqueles que já fazem parte do time principal, como Juan, Faraoni, Poli, Obi e Castaignos - pode acabar ajudando a Inter a ter um elenco mais competitivo para a próxima temporada. Com a escolha de Stramaccioni, o lado preto e azul de Milão pode estar começando, radicalmente, a mudar sua cara para os anos que vem por aí, como aconteceu com a Roma.

Em Trigoria, no entanto, Vincenzo Montella, substituto de Ranieri, não convenceu a nova diretoria a permanecer no cargo e acabou trocado por Luis Enrique. Acabou indo realizar ótimo trabalho no Catania, surpresa positiva do campeonato. Hoje, fala-se que Stramaccioni ficará até o fim da temporada, quando o próprio Montella poderia assumir a Inter - os outros candidatos seriam Luciano Spalletti, Marcelo Bielsa e André Villas-Boas. Se conseguir renovar o espírito do grupo e o futebol da equipe, teria Stramaccioni o mesmo destino de Montella ou ganharia nova chance?

Atualização: no diário La Repubblica de hoje (27/3), há um pequeno perfil sobre Stramaccioni. No texto, se ressalta sua meticulosidade: de acordo com o jornal, o técnico é obsessivo por jogadas ensaidas de bola parada e preparava as partidas para os jovens como se fossem de adultos. Media os campos nos quais sua equipe jogaria a partida seguinte e reproduzia igualmente as condições nos treinamentos. Além disso, enviava auxiliares para espionar os rivais e gravava partidas inteiras dos adversários para analisá-las e passar orientações a seus comandados. Para quem lê em italiano, vale a leitura, clicando aqui.

29ª rodada: Na cola

No Derby d'Italia, Juve vence Inter com ajuda dos veteranos Buffon e Del Piero e não deixa Milan escapar na liderança. Resultado culminou na demissão de Ranieri (Reuters)

Oito partidas completaram a 29ª rodada da Serie A, no domingo. No clássico italiano, Juventus e Inter fizeram bom jogo e mostraram que os veteranos ainda podem decidir. Buffon segurou atrás e Del Piero foi importante lá na frente para dar a vitória ao time de Turim, em casa. A terceira colocada Lazio também venceu e abriu três pontos de vantagem sobre os concorrentes diretos pela vaga na Liga dos Campeões, uma vez que Napoli e Udinese apenas empataram esse fim de semana. Na parte de baixo, todos os jogos dos times que correm riscos terminaram empatados.

Juventus 2x0 Inter
Com a vitória do Milan no dia anterior, a Juve precisava da vitória no clássico para se manter na briga pelo título e, por isso, foi para cima do time da Inter desde o início da partida. A equipe nerazzurra, por sua vez, esperava o adversário em seu campo e partia nos contra-ataques, tática que dava certo, embora o gol não saísse. Dessa maneira, o time de Ranieri foi mais perigoso no primeiro tempo e só não foi para o intervalo com a vantagem no placar porque Buffon estava em noite inspiradíssima e salvou a Juventus pelo menos em quatro oportunidades claras, com Milito, Forlán e Obi.

O jogo só mudou quando Conte, aos 8 minutos do segundo tempo, tirou Matri e Pepe e colocou Bonucci e Del Piero. Assim, o time deixava o 4-3-3 para jogar no 3-5-2, com De Ceglie e Cáceres atuando nas alas. Com a inter encurralada em seu campo, não demorou para que a Juventus abrisse o placar. Cáceres aproveitou cobrança de escanteio de Pirlo e fez 1 a 0, subindo sozinho no meio da zaga nerazzurra. Depois, Vidal deixou Del Piero livre para tocar na saída do goleiro e correr para o abraço. Desestabilizada em campo, a Inter deu espaço aos donos da casa e quase levou mais gols. No fim, o 2 a 0 foi suficiente para a Juve continuar firme na disputa do scudetto e culminou na demissão de Ranieri, que não conseguia fazer a equipe engrenar na Serie A e ainda foi eliminado precocemente na Liga dos Campeões. Para seu lugar, a Inter aposta em Andrea Stramaccioni, ex-técnico da  equipe sub-20.

Lazio 1x0 Cagliari
Com gol aos 43 minutos do segundo tempo, a Lazio conseguiu uma vitória muito importante para suas pretensões e se mantém na terceira colocação da tabela, abrindo três pontos de vantagem sobre Napoli e Udinese, na briga por vaga na Liga dos Campeões. Mas não foi fácil. O time da capital esbarrou em seu nervosismo, não conseguiu jogar bem em momento algum e só alcançou o gol em uma jogada de bola parada, quando Diakité desviou falta cobrada por Ledesma. Do lado do Cagliari, a única jogada de perigo aconteceu nos minutos finais, com Ekdal exigindo boa defesa de Marchetti. Para agregar ainda mais importância ao resultado, é bom lembrar que isso tudo aconteceu enquanto o Catania reagia contra o Napoli e empatava em 2 a 2 um jogo que estava 2 a 0.

Napoli 2x2 Catania
No San Paolo, o Napoli perdeu a chance de encostar na Lazio, permitindo uma reação do Catania após estar vencendo por 2 a 0. O primeiro tempo foi equilibrado e acabou sem gols. Na segunda etapa, a entrada de Pandev no lugar de Hamsík, aos 15 minutos, mudou o jogo. O time da casa passou a pressionar mais o Catania e logo chegou aos gols. Cavani perdeu chance incrível, mas na sequência Dzemaili abriu aos 16. Aos 22, Cavani perderia outra chance incrível, mas após furada de Spolli a bola que havia batid na trave voltou para seus pés e ele fez. Após o gol, o Napoli continuou em bom ritmo e quase marcou o terceiro, quando Pandev acertou a trave. Porém, a equipe esbarrou em seu grande problema: as jogadas aéreas. Primeiro, levou gol de Spolli, após cobrança de escanteio; depois Lanzafame empatou a partida em jogada muito parecida com a do primeiro gol. Há sete jogos o Catania não perde e oitava colocação é pouco para este time.

Genoa 2x2 Fiorentina
Em Gênova, a partida também só foi definida no fim. Com dificuldades para vencer nos últimos tempos, Genoa e Fiorentina fizeram um dos jogos mais movimentados do fim de semana, sem muita organização tática, mas com muita vontade de ambos os lados. A equipe da casa saiu na frente, com Belluschi, tomou a virada em gols de Montolivo e Natali, e, por fim, conseguiu empatar a apenas um minuto do fim, graças a Palacio. Destaque para a boa atuação de Vargas, que esteve muito sumido durante todo o ano, mas que vem se recuperando nas últimas rodadas. Neste domingo, o peruano fez sua melhor partida na temporada e dá esperanças aos torcedores viola, que vêem o time apenas cinco ponto distante da zona de rebaixamento e têm motivos para se preocupar. O Genoa tem apenas dois pontos a mais que a equipe viola e também está em turbulência.

Novara 0x0 Lecce
Na partida dos desesperados, o empate não foi bom para ninguém, uma vez que os dois times continuam em situação difícil para sair da zona da degola. Em dia de pouca emoção, o nervosismo foi quem mandou no jogo: sete cartões amarelos foram distribuídos ao longo dos 90 minutos de partida. Após duas vitórias, o Novara freou sua caminhada rumo à salvezza logo contra um adversário direto e permanece oito pontos atrás do Parma, primeiro fora da zona. Nem a boa partida de Mascara e Morimoto salvou o time da casa. Se para o Novara é muito difícil tirar a diferença, para o Lecce ainda é possível, uma vez que "apenas" quatro pontos o distanciam da parte segura da tabela. O empate do Parma, no dérbi contra o lanterna Cesena, ajuda o Lecce a manter as esperanças vivas.

Cesena 2x2 Parma
No Dino Manuzzi, a partida foi eletrizante, mas o empate, mais uma vez, não foi bom para nenhum dos dois. Menos mal para o Parma, que esteve mais perto de perder. O Cesena chegou mais vezes ao gol de Mirante, mas errou muitas vezes dentro da área. Quem fez primeiro foram os visitantes, com Floccari. Na segunda etapa, porém, o Cesena voltou muito mais ligado no jogo e logo no início Santana conseguiu empatar, depois que Mirante deu rebote em chute de Raphael Martinho. Pouco depois, Del Nero acertou belo chute de longe e virou. Quando teve a chance de ampliar, o Cesena mostrou nervosismo e não conseguiu, dando a chance para o Parma se recuperar na partida. E foi o que aconteceu: Biabiany deu passe para Paletta empatar e acabar com o jogo. Agora, o Parma tem 32 pontos e ainda vive o perigo do rebaixamento, enquanto o Cesena permanece na lanterna, se acostumando com a ideia de jogar a Serie B no ano que vem.

Chievo 1x1 Siena
O jogo começou muito equilibrado, em Verona, com as duas equipes muito concentradas na parte central do campo e sem dar espaços para o adversário. Não demorou muito para que esse panorama mudasse, no entanto: em cobrança de escanteio de Bradley, Andreolli, Théréau e Acerbi participaram de jogada confusa que acabou com a bola no fundo das redes. Acerbi, inclusive, foi um dos melhores no jogo, mostrando consistência na parte defensiva, além de ter marcado o gol de seu time. Atrás no placar, o Siena teve que se abrir e a partida ficou mais dinâmica. Na segunda etapa, Bradley (que vinha jogando muito bem) errou passe e deu a bola nos pés de Destro, que não desperdiçou e empatou o jogo. O Chievo ocupa a 12ª colocação, com 36 pontos, e o Siena está em 15º, com 33.

Atalanta 2x0 Bologna
Em Bérgamo, um sonho quase proibido é que a Atalanta se supere nessas rodadas que faltam e alcance uma vaga para jogar a próxima Liga Europa. Se a equipe não tivesse começado o campeonato com seis pontos a menos, por conta do escândalo da temporada passada, talvez fosse possível. Como não é o caso, chegar a uma competição europeia exigiria da equipe bergamasca uma performance tão impressionantes quanto a das primeiras rodadas, quando o time estava entre os líderes. De qualquer forma, o time de Colantuono é, de fato, uma das boas surpresas da competição e no domingo conquistou mais uma vitória de personalidade. O Bologna foi bem durante toda a primeira etapa e conseguiu se defender com qualidade, assim como a Atalanta, que contou com Raimondi e Stendardo em boa forma. Na etapa final, porém, o jogo da Atalanta deslanchou. Ainda mais depois que o jovem Manolo Gabbiadini fez seu primeiro gol na Serie A e abriu o placar. No fim, o veterano Tiribocchi fez 2 a 0 e deu mais justiça ao placar.

Clique aqui para ver todos os gols da rodada.

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Seleção da 29ª rodada
Buffon (Juventus); Raimondi (Atalanta), Diakité (Lazio), Stendardo (Atalanta), Cáceres (Juventus); Dzemaili (Napoli), Donati (Palermo), Vidal (Juventus); Gabbiadini (Atalanta), Del Piero (Juventus), Ibrahimovic (Milan). Técnico: Massimiliano Allegri (Milan).

29ª rodada: O dono da bola

Ibrahimovic decide de novo, chega ao seu 22º gol no campeonato e deixa o Milan mais perto do título (AP)

No sábado, dois jogos movimentaram a 29ª rodada da Serie A. A Roma foi a Milão para tentar vencer o Milan e entrar de vez na briga por vaga na Liga dos Campeões, mas, apesar de ter saído na frente, não resistiu ao futebol de Ibrahimovic. O sueco marcou duas vezes e deu a vitória ao time da casa, que continua isolado na liderança. Na outra partida, o Palermo esteve muito perto de vencer, mas deixou a Udinese empatar no final. O resultado foi ruim para o time friulano, mas, devido as circuntâncias, deve ser comemorado. Veja como foram os jogos:

Milan 2x1 Roma (Murillo Moret)
Zlatan Ibrahimovic mostrou (mais uma vez) porque é um dos jogadores mais importantes desta Serie A. Contra a Roma, no San Siro, o Milan entrou em campo com cansaço acumulado, após a eliminação para a Juventus na prorrogação da Coppa Italia, e, com dois gols do sueco, bateu a Roma por 2 a 1, de virada. Sem Juan, a Roma sofreu com a intensa movimentação do ataque milanista durante toda a primeira etapa, principalmente por causa de El Shaarawy, e viu Stekelenburg salvar a pátria algumas vezes, em chutes de Emanuelson, Muntari e do próprio El Shaarawy. Quem marcou primeiro, no entanto, foi a Roma. De Rossi chutou cruzado e Osvaldo desviou para o fundo do gol de Abbiati, aos 44 minutos do primeiro tempo.

Apesar disso, o time de Luis Enrique não melhorou no segundo tempo e continuou sendo pressionado pelo Milan. Aos 8' da etapa final, então, De Rossi colocou a mão na bola e Ibrahimovic bateu o pênalti para empatar o jogo. Decisiva a troca de Emanuelson por Boateng. Com o ganês e campo, o time passou a ser ainda mais incisivo. O gol que deu números finais ao jogo aconteceu pouco antes do fim, aos 38 minutos. E foi um golaço: Ibrahimovic deu um chapéu no goleiro Stekelenbur e completou para o gol, de cabeça. O resultado deixa a Roma longe do sonho de jogar a próxima Liga dos Campeões (agora, sete pontos separam o time da vaga) e coloca o Milan mais perto do título. Destaque negativo para a lesão de Thiago Silva, que perderá os dois jogos contra o Barcelona, pelas quartas da LC.

Palermo 1x1 Udinese
O cansaço físico típico de fim de temporada imperou na partida entre Palermo e Udinese. Jogada em ritmo lento, principalmente no início, a partida proporcionou poucos lances que levantassem os torcedores da cadeira. Miccoli foi o melhor do jogo e foi o único que incomodou Handanovic no primeiro tempo. Na primeira ocasião, o goleiro venceu o duelo e defendeu bom chute do atacante, mas na segunda vez foi batido por um belo chute de esquerda do baixinho. Nem a desvantagem no placar acordou o time da Udinese, que chutou a gol apenas uma vez na etapa inicial.

No segundo tempo, Basta e Pasquale saíram e deram lugar a Pereyra e Armero, melhorando a movimentação do time visitante. O argentino fez outro bom jogo e Armero, como usual, incomodou muito os defensores do lado direito do time adversário. Para completar a mudança de ritmo friulano, Guidolin tirou Pazienza e colocou Torje, que deu maior equilíbrio ao meio de campo do time. Assim, a Udinese passou a jogar melhor e logo alcançou o gol de empate, com o próprio Torje, que aproveitou bom passe de Pereyra. O empate não era o resultado que a Udinese esperava, mas pode ser comemorado, pelo poder de reação que a equipe mostrou. Agora, a Lazio abre três pontos de vantagem na terceira colocação.

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sexta-feira, 23 de março de 2012

Jogadores: Vladimir Jugovic

Extremamente técnico, Jugovic foi um coadjuvante de luxo na Sampdoria e na Iugoslávia nos anos 1990. Na Juventus (foto acima), também brilhou e venceu a Liga dos Campeões (Kicker.de)
Era uma geração fantástica na antiga Iugoslávia. Dentre os jovens que estouraram para o futebol internacional naquele Estrela Vermelha do fim dos anos 1980 e início dos 90, estava Vladimir Jugovic, sinônimo de classe e precisão no meio campo. Sérvio nascido em Trstenik, fazia parte da categoria de base do clube alvirrubro que conquistou a Europa em 1991. 

Peça chave no time de jovens do Estrela Vermelha, foi emprestado ao Rad Beograd e retornou em 1990 para ficar apenas mais um ano, ser destaque também entre os profissionais e vencer a Liga dos Campeões. Ainda teve épica participação no Mundial Interclubes frente o Colo Colo, marcando dois gols na grande final.

Depois de fazer muito sucesso em sua terra natal, foi vendido à Sampdoria, dirigida por Sven-Göran Eriksson. Em Gênova, ganhou destaque pelos blucerchiati em função de seu toque refinado e habilidade. Pelo clube do estádio Marassi, desfilou e encantou a torcida. Logo na temporada de estreia mostrou sua grande presença ofensiva e marcou nove gols na Serie A de 1992-93. Foi essencial na conquista da Coppa Italia em 1994, ocasião na qual a Samp levantou pela quarta vez o troféu, vencendo o pequeno Ancona com certa facilidade: 0 a 0 na ida e 6 a 1 na volta.

Jugovic recebe instruções de Mancini na Sampdoria (Getty)
Ao lado de Srecko Katanec, David Platt, Attilio Lombardo, Roberto Mancini e Ruud Gullit, Jugovic era o cérebro do setor intermediário na Sampdoria que fez excelente papel na Serie A em 1994, ficando com o terceiro posto na tabela, apenas seis pontos atrás do Milan, campeão na oportunidade.

Contratado pela Juventus em 1995, foi titular em grande parte da temporada. Com 26 participações, engrenou na parte final da temporada bianconera que culminou em vitória dramática na Liga dos Campeões, após penais contra o Ajax. O forte elenco comandado por Marcello Lippi teve a sorte de decidir o título praticamente em casa, na Itália. Com empate em 1 a 1 no tempo normal, com gols de Fabrizio Ravanelli e Jari Litmanen, os presentes ao estádio Olímpico de Roma viram uma sempre sofrida disputa de penalidades. Jugovic, por sua vez, converteu a cobrança que deu o caneco ao lado italiano.

Adquirindo mais sequência nos onze iniciais, Jugovic ainda teve a oportunidade de atuar com Zinédine Zidane, reforço da Juventus para a temporada 1996-97. O francês rapidamente tomou conta da criação na Juventus, sendo o dono da meia cancha, e Jugovic se tornou, de vez, um bom coadjuvante. Campeão da Serie A em 1997, Jugovic então tomou o rumo da Lazio, requisitado pelo técnico Sven-Göran Eriksson, e encontrou seu antigo companheiro de Sampdoria, Roberto Mancini, e Sinisa Mihajlovic, compatriota com quem havia dividido a meia cancha durante uma temporada, na própria Sampdoria, e por outra, no Estrela Vermelha.

O meia sérvio teve uma passagem curta pela Lazio e conquistou a Coppa Italia sobre o Milan (Pinterest)
Apenas uma época em Roma serviu para que seu tempo no país se esgotasse, não sem conquistar mais uma Coppa Italia, triunfando sobre o Milan. No duelo de ida, derrota em Milão por 1 a 0. Já no Olímpico, a virada foi por 3 a 1. Jugovic também ajudou a Lazio a chegar à final da Copa da Uefa daquela temporada e foi titular na final, perdida por 3 a 0 contra a Inter de Ronaldo.

Ainda em 1998, Jugovic ainda jogou a Copa do Mundo, disputada na França, e viu sua Iugoslávia cair nas oitavas de final, frente à Holanda. Após o fim da competição, se transferiu para o Atlético de Madrid, em 1998, para uma rápida passagem sem brilho. Acabou deixando a Espanha apenas uma teporada depois e voltou à Itália, para defender a Inter.

Em quase dois anos vestindo o manto nerazzurro, Jugovic entrou em campo em apenas 38 oportunidades, sendo caracterizado pela própria torcida interista como um flop na equipe. Mesmo jogando pouco na Inter, fez parte da seleção iugoslava que chegou às quartas de final da Eurocopa de 2000, sendo derrotada novamente pela Holanda, desta vez com uma goleada: 6 a 1, com show de Patrick Kluivert.

Intensa disputa de bola entre Jugovic e Gattuso em um dérbi de Milão (Getty)
Em  2001, Jugovic decidiu aceitar uma proposta do Monaco e repetiu o insucesso no time francês, não completando nem 20 aparições. Antes da aposentadoria ainda jogou por Admira Wacken e Ahlen, sem nenhum brilho, mas já com um currículo extremamente vitorioso para qualquer atleta de alto nível.

Pendurou as chuteiras em 2005, defendendo a seleção iugoslava por cerca de 11 anos, até 2002. Depois de atuar como comentarista esportivo para grupos de televisão sérvios, atua como procurador de alguns jogadores de seu país.

Vladimir Jugovic
Nascimento: 30 de agosto de 1969, Tristenik
Posição: Meia
Clubes: Estrela Vermelha (1989-90, 91-92), Rad (1990-91), Sampdoria (1992-95), Juventus (1995-97), Lazio (1997-98), Atlético de Madrid (1998-99), Internazionale (1999-2001), Monaco (2001-03), Admira Wacker (2003-04), Ahlen (2004-05).
Títulos: Dois campeonatos iugoslavos (1990-91, 1991-92), duas Champions League (1990-91, 1995-96), dois Mundiais Interclubes (1991, 1996), Supercopa europeia, (1996), Serie A (1996-97), duas Coppa Italia (1993-94, 1997-98), Supercoppa Italia (1995).
Seleção iugoslava: 41 jogos e três gols.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Para sair da fila

Del Piero abriu a contagem em Turim e vai à quarta decisão de Coppa Italia na carreira, desta vez contra o Napoli de Cavani (Reuters)

A Coppa Italia terá um campeão que há tempos nãolevanta uma taça. Nas semifinais da competição, Juventus e Napoli levaram a melhor sobre Milan e Siena, respectivamente, e farão uma final inédita na história do torneio. Além disso, bianconeri e azzurri poderão voltar a conquistar títulos depois de um incômodo jejum. A Juve não vence desde 2007, quando foi campeã da Serie B e, pior, não conquista a Coppa desde 1995. Já o Napoli comemorou um título pela última vez - descartando o 1º lugar na Serie C de 2006, que não é considerado título na Itália - em 1991, quando venceu a Supercoppa italiana. 


Para a Juventus, comemorar um título novamente, somado à boa campanha na Serie A, daria um outro significado à revolução de Antonio Conte, que está recolocando o clube entre os grandes novamente. Para o Napoli, por sua vez, seria o primeiro título da gestão do presidente Aurelio De Laurentiis, que também tem colocado o clube no rol dos times que brigam por algo na Itália e até em nível continental. Se na última temporada a Coppa até foi valorizada, porque poderia marcar um recomeço para a Inter, desta vez ela terá uma final de gala, com grande desejo de vitória das duas agremiações.

Os jogos
Na temporada 1994-95, a vitória contra a Lazio nos acréscimos definiu a classificação à final da Coppa Italia. A partida, complicada, foi decidida por Roberto Baggio, de pênalti. Aquele foi o último ano em que a Juventus conquistou o título da competição. O jogo contra o Milan, nesta terça-feira, foi tão difícil quanto aquele embate em Turim.

A partida de ida, no San Siro, acabou em 2 a 1. A Juventus tinha praticamente garantido seu espaço na final. Tinha? Pois com gol de Del Piero, que voltou a ser titular da equipe, parecia quase certo. Comemorava, o torcedor bianconero em êxtase nas arquibancadas da Arena Juventus. Antonio Conte, além de promover o retorno do capitão, mandou a campo Chiellini, Giaccherini e Storari, dando descanso a Buffon e Marchisio.

O Milan, quase com força máxima (Nocerino começou no banco), não entrou na roda e se impôs na casa do rival. Ibrahimovic, gripado, foi a campo no sacrifício, dando uma grande amostra de que o time queria vencer todos os títulos que disputa na temporada. El Shaarawy incomodava De Ceglie e Emanuelson atuava com espaços entre volantes e zaga. No entanto, os rossoneri pouco atazanaram Storari durante a primeira etapa. Ibrahimovic, gripado, nem voltou do intervalo e deu lugar a Maxi López.

Conte retrancou a Juventus no segundo tempo. Ele também viu Pepe falhar na marcação e deixar Mesbah livre para empatar. O gol fez com que o Milan pressionasse a saída de bola - Pirlo não conseguia distribuir o jogo - e Bonucci voltasse a prejudicar seu time. Após passar em branco contra a Fiorentina, pois fez um jogo sem erros e com pouca pressão do ataque adversário, o zagueiro cabeceou mal uma bola, deixou-a no pé dos rossoneri e acabou driblado por Maxi López, que fuzilou Storari para lavar 30 minutos de prorrogação ao jogo de Turim.

Então Mirko Vucinic decidiu mostrar a razão pela qual começa a não ser tão contestado. O atacante adquirido junto à Roma, que não apresentava o mesmo futebol da época em giallorosso, fez sua segunda ótima partida consecutiva e marcou um golaço, chutando no ângulo, para decretar a classificação à final. Neste mês, já é a terceira atuação acima da média do montenegrino: também jogou bem contra Bologna e Fiorentina.

Agora, a Vecchia Signora espera o Napoli, que bateu o Siena por 2 a 0. Jogando em casa, o time partenopeo não teve muito trabalho para reverter a derrota no jogo de ida, na Toscana. Logo no início da partida, Vergassola tentou cortar cruzamento e desviou a bola para o fundo das redes. O resultado já classificava o Napoli para a final, mas a equipe da casa aproveitou um belo contra-ataque, puxado e concluído por Cavani, e que também teve a participação de Hamsík e Lavezzi, os outros tenores do elenco, para tranquilizar. 

A partir de então, o jogo caiu muito. Com força reduzida na Coppa Italia porque está correndo risco de rebaixamento, o Siena não tinha Destro e Calaiò, seus principais jogadores, e não oferecia risco a De Sanctis. Apenas Brienza tentava algo, mas Larrondo foi lento como sempre e Bogdani, que jogou parte da segunda etapa, não recebeu boas bolas para marcar de cabeça. Pouco para seguir em frente, mas é mais negócio para a equipe bianconera concentrar-se na briga pela permanência, já que bobeou demais nas últimas rodadas e tem elenco capaz para se safar. Para o Napoli, após a decepção na Liga dos Campeões, é festa de novo.


Colaborou Nelson Oliveira

Os sonhos gloriosos e despedaçados da Lega Pro

Em campo, o Piacenza luta para se salvar. Fora, há pouca esperança. O clube declarou falência, a terceira falência da temporada na terceirona (Tutto Lega Pro)


Entre punições ministradas e revertidas, falências possíveis e concretas, e um desinteresse geral de quase todas as cidades envolvidas, a Lega Pro chega à reta final de uma de suas mais tristes temporadas.

Dentro de campo, a Prima e a Seconda Divisione trocaram seus roteiros. Antes equilibrada, a disputa pela acesso direto à Serie B agora pende totalmente para Ternana (Grupo A) e Trapani (B), que possuem grandes vantagens sobre os segundos colocados. Na categoria inferior, a corrida pelos dois primeiros lugares nas chaves foi "equilibrada" pelo baixo nivelamento dos clubes - que, mais dia, menos dia, acabaria se fazendo notar.

Nos bastidores, reina o caos. Os campeonatos, mais uma vez, estão sendo falseados, com canetadas ratificadas e retificadas a perder de vista, clubes com classificações destacadas que devem meses de salários - e beneficiam-se de situações de tabela que não correspondem às suas realidades - e, sobretudo, sociedades incapazes de honrar compromissos simples.

Apenas de janeiro para cá, complicaram-se sensivelmente as situações de Spal, Giulianova, Andria, Latina, Foligno, Ebolitana, Casale e Treviso. Em Piacenza, o abismo do rebaixamento está a um passo, e, em grave crise financeira, até mesmo o proprietário do clube, Fabrizio Garilli - que reassumiu o clube após uma cessão mal-sucedida - considerava a falência uma solução válida. Falência que também vitimou a Triestina, que agora corre contra o tempo para se salvar dentro e fora das quatro linhas.

É inútil repetir que essas notícias já eram esperadas e que, quanto mais falências acontecerem, mas calmamente - leia-se: sem ação efetiva - a Lega Pro levará a cabo seu plano de redimensionamento dos campeonatos. Categorias que, a julgar pelos estádios semi-vazios, pelo baixíssimo apelo midiático, e pelo pouco critério na elegibilidade de suas praças participantes, já foi redimensionado para baixo há tempos. Feliz de quem subir - mas só para a Serie B.

Terni conta os dias para ver a Ternna de volta à Serie B (Tutto Lega Pro)


Prima Divisione, após 27 rodadas

Grupo A
A Ternana segue como um trem e, a sete rodadas do final, já tem mais de duas vitórias de vantagem para o Taranto, que abre a zona de play-offs, em companhia de Pro Vercelli, Carpi e Sorrento. Benevento, que recuperou pontos descontados no início da temporada, e Avellino ainda disputam um lugar entre os melhores. Foggia, Lumezzane, Tritium e Pisa, ao que tudo indica, deverão se salvar sem sustos. Já Como (irreconhecível, levando-se em conta seu início de campeonato) e Reggiana correm riscos. Nos play-outs, Monza, Spal - em caótica situação societária -, Viareggio e Pavia já não dependem apenas de si para tentar a salvação direta. Pior que eles, só o Foligno, fiel ao último lugar.

Promoção direta: Ternana (57 pontos)
Play-offs: Taranto (50), Pro Vercelli (48), Carpi (47) e Sorrento (43)
Play-outs: Monza (26), Spal (25), Viareggio (25) e Pavia (21)
Rebaixamento direto: Foligno (17)
Penalizações: Sorrento, Benevento, Foggia, Como e Reggiana (-2); Taranto (-3); Spal e Foligno (-4)

Grupo B
Recém-promovido, o Trapani, que lidera com oito pontos de vantagem para o abastado e penalizado Siracusa, está cada vez mais perto de concluir o que seria um histórico duplo salto de categoria. Spezia, Lanciano e o inadimplente Pergocrema lutam para garantir seus postos nos play-offs, vigiados de perto por Cremonese, Carrarese e Südtirol, e um pouco à distância por Barletta e Portosummaga. Vindos da Serie B, Frosinone, Triestina e Piacenza (as últimas, falidas) jogam apenas para não cair - o último, em particular, integra os play-outs, ao lado de Prato, FeralpiSalo' e Andria. O Bassano Virtus, lanterna, completa a tabela.

Promoção direta: Trapani (53 pontos)
Play-offs: Siracusa (45), Spezia (43), Virtus Lanciano (42) e Pergocrema (40)
Play-outs: Prato (29), Piacenza (29), FeralpiSalo' (27) e Andria (24)
Rebaixamento direto: Bassano Virtus (23)
Penalizações: Virtus Lanciano e Barletta (-1); Pergocrema (-2); Siracusa (-5); Cremonese e Piacenza (-6)

San Marino chega à liderança e principado sonha com o acesso (sanmarinocalcio.com)


Seconda Divisione

Grupo A, após 30 rodadas
O San Marino se aproveitou da instabilidade do Casale - dentro e fora de campo - e roubou a liderança. Ambos são seguidos de perto por quase todos os times da zona de play-offs, formada por Cuneo, Rimini, Treviso e mais atrás, Virtus Entella. Que, por sua vez, tem o sexto lugar sob vigilância de Poggibonsi, da surpreendente Pro Patria, Santarcangelo, Borgo a Buggiano, e dos "renascidos" Alessandria e Renate. Na parte de baixo, Giacomense, Bellaria e Savona lutam para fugir dos play-outs, onde Mantova e Montichiari já sofrem o assédio do Lecco, em franca recuperação. Sambonifacese e Valenzana já sentem os ares da Serie D.

Promoção direta: San Marino (55 pontos) e Casale (55)
Play-offs: Cuneo (54), Rimini (52), Treviso (51) e Virtus Entella (45)
Play-out: Mantova (33) e Montichiari (32)
Rebaixamento direto: Lecco (26), Sambonifacese (25) e Valenzana (22)
Penalizações: Alessandria e Treviso (-2); Montichiari (-3); Savona (-7); e Pro Patria (-13)

Grupo B, após 30 rodadas
Antes líder absoluto, o Perugia passou a ser "apenas" líder, com o Catanzaro em seus calcanhares e a apenas três pontos do Vigor Lamezia, que abre os play-offs, com grande vantagem para L'Aquila, Paganese e Chieti. Em sétimo lugar, o Gavorrano ainda sonha com a disputa pelo acesso. Campobasso, Milazzo e Neapolis ainda lutam para garantir a permanência. Em crise societária, a Giulianova entrou em parafuso e despenca a cada rodada. No play-out, Vibonese e Melfi procuram, primeiro, abrir mais distância para o Isola Liri, primeiro da zona de descenso, para depois planjarem a fuga. Ebolitana e Celano completam a tabela, e já parecem condenados.

Promoção direta: Perugia (69) e Catanzaro (67)
Play-offs: Vigor Lamezia (66), L'Aquila (59), Paganese (54) e Chieti (52)
Play-out: Vibonese (31) e Melfi (29)
Rebaixamento direto: Isola Liri (28), Ebolitana (26) e Celano (19)
Penalizações: Aversa Normanna, Ebolitana e Vibonese (-1); Giulianova, Campobasso, Neapolis e Isola Liri (-2); Melfi (-4); e Fano (-5)

Com poucas esperanças na Prima Divisione, Foggia busca sua segunda Coppa (Tutto Lega Pro)


Coppa Italia Lega Pro
As semifinais da Coppa Italia Lega Pro estão, por enquanto, desenhando um confronto entre ex-campeões: Foggia e Pisa venceram, respectivamente, Spezia (1 a 0) e Tritium (2 a 1), nas partidas de ida e agora só dependem de empates para chegar à decisão. Destaque para a equipe pisana, que construiu sua vantagem fora de casa. Os jogos de volta acontecerão no próximo dia 28.