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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Serie B: tribunal tira pontos, mas Toro segue líder

Com dois gols, o brasileiro Éder, um dos três brasileiros em campo pela Samp, deu a vitória ao time genovês (LaPresse)
Semana após semana as três disputas da Serie B vão se afunilando: da briga contra o rebaixamento, até a luta pela primeira posição, que sofreu uma reviravolta bastante interessante na última sexta-feira.

O destaque na corrida para fugir da Lega Pro Prima Divisione é a Nocerina (34 pontos). O time da Campânia, lanterna durante a maior parte do torneio, conseguiu a terceira vitória nos últimos quatro jogos, ao bater o concorrente direto Vicenza (34) por 1 a 0 fora de casa. A vitória fez a Nocerina, que conseguiu apenas três vitórias no primeiro turno, deixar a zona dos três que caem diretamente à terceira divisão, e entrar na zona de play-out, ultrapassando o próprio Vicenza.

Além do Vicenza, se o campeonato acabasse hoje estariam rebaixados também o Gubbio (31), que recebeu o Pescara e perdeu por 2 a 0, e a lanterna AlbinoLeffe (25), que visitou e perdeu para a Reggina por 1 a 0, e está quase matematicamente rebaixada. Quem enfrentaria a Nocerina no play-out, hoje, seria o Empoli (35), que na sexta-feira arrancou um empate sem gols contra o Hellas Verona.

Já na parte de cima foi jogada uma pitada de pimenta. O tribunal desportivo decidiu, na sexta-feira, em favor do Padova, no recurso em que o time buscava os três pontos da partida em que venceu o Torino dentro de casa, por 1 a 0, no início de dezembro. À época, o jogo foi interrompido por falta de energia e sua conclusão foi adiada. Mesmo o resultado sendo mantido após a conclusão da partida, a justiça puniu o clube de Pádua pela interrupção, dando os três pontos ao Torino. Com a vitória do recurso, os três pontos foram devolvidos ao Padova.

Desta forma, a rodada começou, na sexta-feira, com o Torino na ponta, com 67 pontos e dois jogos a menos. O Sassuolo abriu a rodada com uma vitória fora de casa sobre o Brescia, chegando aos mesmos 67 pontos. O Verona, também na sexta, tinha a chance de assumir a liderança com uma vitória sobre o Empoli, dentro de casa, mas não saiu do zero, e chegou também aos 67.

No sábado, que teve nove partidas, o Torino poderia perder a ponta para o Pescara, caso este vencesse e os turinenses perdessem. Porém, ambos venceram, com o Toro batendo o Crotone em Turim, por 2 a 1, e o Pescara tendo dificuldades para passar pelo Gubbio fora de casa, por 2 a 0, com os dois gols na segunda metade do segundo tempo.

Esses resultados deixaram a briga pelo título (ou pelas duas vagas diretas, que são o que realmente interessa, a princípio) absolutamente aberta. O Torino poderia ter cinco pontos de vantagem, com um jogo a menos, mas tem apenas dois: os granata lideram com 70, seguidos do Pescara, com 68, do Sassuolo, com 67, e do Verona, também com 67. Sassuolo e Torino ainda hão de se enfrentar, em partida adiada da 35ª rodada. O Pescara também tem um jogo a completar, da mesma rodada, que foi interrompido pela tragédia de Morosini.

Briga que também segue acirrada é pelos play-offs. Ainda em mau momento, o Padova não se aproveitou dos três pontos que "ganhou" no tribunal e apenas empatou em 2 a 2 com o Grosseto fora de casa (sendo que vencia por 2 a 0). Chegando aos 60 pontos, o clube ocupa a quinta posição, um ponto apenas à frente da Varese, que derrotou a Cittadella fora de casa, por 1 a 0, fechando o grupo dos play-offs. Não distante está a Sampdoria, que venceu o Bari em Gênova, por 2 a 0, com dois gols do brasileiro Éder, e chegou aos 58 pontos.

Ainda com 15 pontos em disputa, ainda sonham com uma vaga no "segundo pelotão" a Reggina, que ao vencer a AlbinoLeffe chegou aos 54 pontos, o Brescia, que conseguiu não perder para o Verona e tem 53, e a Juve Stabia, que mesmo perdendo para o Modena fora de casa por 3 a 0, tem 52 pontos e vive um ótimo segundo turno. Contudo, fica difícil imaginar que essas duas últimas vagas nos play-offs não terminem nas mãos de Padova, Varese ou Samp, que vêm mostrando um maior apetite nesta reta final.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Defesa também ganha campeonato

Com Buffon, Chiellini, Barzagli e Bonucci em grande forma, Juve só foi vazada 18 vezes na Serie A e conta com melhor defesa entre grandes da Europa (Reuters)

Ainda pode ser um pouco cedo para afirmar, mas é muito provável que a grande vencedora ao final desta temporada, na Itália, seja a defesa. Afinal, a briga entre Juventus e Milan pelo título italiano é também uma disputa entre defesa e ataque. Com 64 gols marcados, o time de Milão tem o melhor ataque da Serie A e confia na precisão de Ibrahimovic para chegar ao scudetto. Os rivais de Turim, porém, estão mostrando que uma aposta na defesa pode ser mais efetiva. Nos 34 jogos disputados pelo Campeonato Italiano até aqui, a Juve sofreu apenas 18 gols, marca que a torna a melhor defensora da Serie A e da Europa (veja tabela no final do post).

A equipe de Conte sofreu menos gols que gigantes, como Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester United, entre outros, e ostenta a ótima média de 0,529 gol sofrido por partida. A estatística surpreende até os juventinos. Quando Antonio Conte foi confirmado como novo treinador da Velha Senhora, em julho do ano passado, artigos e análises explodiram nos meios de comunicação, inclusive aqui no blog, mostrando que o forte dos times do treinador era o ataque. Seu esquema preferido seria um 4-4-2 super ofensivo que mais se pareceria com um 4-2-4, apostando na velocidade pelas alas. Nove meses depois, contudo, o que se vê é um técnico que prioriza a defesa e mostra variações táticas, dependendo do adversário. Atualmente, a Juve varia entre o 4-3-3 e o 3-5-2.

Depois que percebeu deficiências no setor ofensivo de seu time, ainda na primeira metade do campeonato, Conte teve que abandonar o esquema que utilizou em Bari e Siena, e se concentrou em achar uma formação mais equilibrada. Com Buffon, Chiellini e Barzagli em grande forma, não foi difícil encontrar o ponto forte da equipe e investir nele. Os três são peças incontestáveis no time e formam a base de uma defesa muito segura, que conta ainda com participações de Bonucci, Lichtsteiner e De Ceglie, dependendo da formação. Nas palavras de Walter Mazzarri, técnico do Napoli, "a zaga da Juventus tem ótimo posicionamento e o Chiellini é de outro planeta. Sozinho, consegue marcar três jogadores."

Com 104 interceptações no campeonato e competência para atuar bem em qualquer posição da linha defensiva, Chiellini de fato é um dos destaques do time. Mas os casos de Barzagli e Bonucci surpreendem mais. O primeiro chegou ao clube no início do ano passado sob desconfiança, mas jamais decepcionou. Logo se tornou titular absoluto e, com sua experiência, deu maior segurança a um setor antes questionado. Em certo momento, teve atuações melhores que as de Chiellini, inclusive. E o melhor: custou apenas 300 mil euros aos cofres bianconeri. 

Bonucci, por sua vez, chegou ao time em 2010 como o zagueiro-revelação da Itália na época e com o apoio de toda a torcida. Até pouco tempo atrás, contudo, ainda não tinha convencido. Aqui no blog, cogitamos escrever sobre um declínio precoce da dupla Bonucci-Ranocchia, sensação do Bari em 2009-10, depois das pífias atuações do zagueiro contra Milan e Bologna, que custaram a liderança  à Juventus. Depois disso, porém, Bonucci se recuperou com grandes atuações e gols importantes e derrubou nossa pauta.

Mas o sucesso da retaguarda juventina vai além dos jogadores de defesa. A proteção oferecida pelo meio de campo é de fundamental importância. No 3-5-2, De Ceglie e Lichtsteiner ganharam as pontas porque conseguem atacar com objetividade, mas, principalmente, porque sabem recompor com velocidade e defender. Mais centralizados, Marchisio e Vidal são jogadores fortes fisicamente e que oferecem um primeiro combate, deixando Pirlo livre para criar. Já no 4-3-3, o segredo é o deslocamento de Chiellini para a lateral esquerda. Como o jogador não sobe muito ao ataque, a zaga não fica desprotegida. A pressão dos meio-campistas na saída de bola do adversário continua tendo papel importante.

Dessa forma, Conte montou uma defesa extremamente segura, que tomou apenas um gol nos últimos sete jogos, e caminha para levar o clube ao seu primeiro scudetto pós-calciopoli. O título terá gostinho especial para os juventinos e provavelmente virá acompanhado de marca histórica: por enquanto, essa é a quinta melhor defesa do time desde a década de 1970. Só em quatro campeonatos a Juve sofreu menos gols: 1977-78 (17 gols), 1980-81 (15), 1981-82 (14) e 1985-86 (17).

Melhores defesas da Europa na temporada 2011-12 até dia 25/4:

*computadas apenas estatísticas dos campeonatos nacionais de Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Portugal. Clique para ampliar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

33ª rodada: Mais uma chance?

Stramaccioni reabraça Sneijder: com o holandês bem técnica e fisicamente, a Inter ainda pode sonhar com uma vaga na  Liga dos Campeões. Guidolin e sua Udinese lamentam (Getty Images)
Em uma rodada no qual os dois times postulantes ao título, Juventus e Milan, venceram apertado, o destaque maior ficou para a briga pelo terceiro posto. Alguém quer ficar com a vaga? Entre os cinco concorrentes, apenas dois venceram na rodada, dando mais uma amostra da irregularidade das equipes que lutam por um lugar ao sol na próxima Liga dos Campeões. Napoli e Inter deram um passo importante para atingir seu objetivo, enquanto Lazio, Udinese e Roma amargaram derrotas que podem atrapalhar os planos para o ano que vem.

No fundo da tabela, o Cesena foi matematicamente rebaixado, e,  como prevíamos na semana passada, a briga pela permanência ficou praticamente restrita à Genoa e Lecce, já que a distância entre a equipe da Ligúria e os outros concorrentes é de cinco pontos e o Novara está com um pé e meio na segundona.

Udinese 1-3 Inter
Em jogo que marcava sua volta ao time da Inter como titular, Sneijder mostrou toda sua importância. O holandês, em boa forma física e piscológica, é o grande trunfo da equipe de Milão nas últimas quatro rodadas do campeonato. Na partida de Údine, foi o termômetro da virada da Inter: coexistiu com Álvarez em um esquema "árvore de natal", o 4-3-2-1, e deu outro ritmo e qualidade ao meio-campo nerazzurro. Além disso, marcou dois gols: o primeiro, arrisando chute de fora da área e contando com a colaboração de Handanovic, e o segundo em inserimento na área, para aproveitar o pivô de Milito. O outro gol do jogo foi marcado por Álvarez, em bela jogada.

No esquema de Stramaccioni, os dois meias mais leves (Sneijder e Álvarez) puderam ter a liberdade de criar, apoiados por um meio-campo forte e técnico, com Cambiasso, Stankovic e Guarín. Dessa forma, a Udinese até pode abrir o placar com uma bomba de Danilo no início, mas logo perdeu o controle das ações no centro do campo e viu a vantagem ir por água abaixo. E suas chances de repetir a classificação para a LC também podem estar naufragando, sobretudo em casa de novo tropeço em casa ante a Lazio. Agora, Inter e Udinese estão empatadas, com 52 pontos, mas a equipe de Milão leva vantagem no confronto direto e é a dona da quinta colocaçã.

Lecce 0-2 Napoli
Quem vem logo acima, na quarta colocação, é o Napoli, com 54 pontos. A equipe azzurra dominou o Lecce inteiramente,  no Via del Mare, e conseguiu uma ótima vitória para afastar a crise que ensaiou se abater sobre o San Paolo depois da derrota para a Atalanta. No primeiro tempo, a pressão napolitana produziu pelo menos quatro chances claras de gol, mas apenas Hamsík marcou, com um belo bate-pronto cruzado. No segundo tempo, Cavani matou o jogo em um contra-ataque iniciado por Cannavaro e puxado por Inler. O uruguaio chegou aos 100 gols em solo italiano - 37 pelo Palermo e os restantes pelo Napoli -, 37 deles nesta temporada. Poderiam ser 101, caso Benassi não tivesse sido fundamental em uma defesa sobre o Matador. O Lecce, por sua vez, sofreu com a falta de jogo pelas laterais, uma vez que Cuadrado e Brivio (depois Di Matteo) não levaram a melhor sobre Maggio e Zúñiga. A equipe continua com 35, um a menos que o Genoa, primeiro time na zona de segurança.

Novara 2-1 Lazio
No estádio que recebe o nome de Silvio Piola, o maior artilheiro da história do futebol italiano, as duas equipes em que ele teve mais sucesso se enfrentaram e quem levou a melhor foi o quase rebaixado Novara. Maior surpresa da rodada, a vitória azzurra aconteceu graças a um bizarro gol contra de Diakité e um belo gol de falta de Mascara. Candreva até havia chegado a empatar e o goleiro Fontana também foi bastante exigido, mas a Lazio não aguentou o ritmo da partida e, principalmente ao fato de ter de correr atrás do resultado.  Sucumbiu aos problemas físicos que assolam a equipe na temporada: ao todo, já aconteceram 37 lesões, 21 delas de origem muscular. O alto número de lesões e desfalques importantes, como Hernanes e, principalmente, Klose, pode prejudicar a equipe nos últimos quatro jogos - dois deles, confrontos diretos, contra Udinese (na próxima rodada) e Inter. O Novara, apesar da vitória, já pode ser rebaixado matematicamente na próxima rodada, em caso de uma derrota somada a vitória do Genoa.

Roma 1-2 Fiorentina
A Fiorentina mostra esforço para se livrar do rebaixamento. Ao bater a Roma, nesta quarta-feira, o time embalou e já está no quarto jogo sem derrota. Delio Rossi acertou o esquema defensivo e a viola contra-ataca bem - quando consegue cruzar o meio de campo. Foi assim no Olímpico, aliás. O primeiro gol saiu cedo, aos 2 minutos, com Jovetic, quando o cruzamento de Lazzari foi na cabeça do capitão. Momentos depois, Jo-Jo quase aumentou a vantagem. A boa partida de Cesare Natali foi ofuscada pelo gol de Totti, no segundo tempo, após chute de Gago. Nos acréscimos, Curci não conseguiu espalmar chute de Ljajic para longe e Lazzari deu números finais ao jogo. Apesar de mais uma derrota, a Roma continua na luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Os giallorossi encaram o Napoli, em casa, sem Osvaldo - suspenso por dois jogos por discutir com o árbitro Christian Brighi e ter sido expulso. A Fiorentina tenta manter sua série invicta contra a Atalanta e está perto de ficar relaxada por completo, depois de um ano complicado. (Murillo Moret)

Cesena 0-1 Juventus
No Dino Manuzzi, mais uma vitória da Juventus, que segue rumo ao scudetto. Mais uma derrota do Cesena, que sacramentou o rebaixamento. A partida só não ficou mais fácil para a equipe de Turim porque Pirlo errou cobrança de pênalti no segundo jogo consecutivo. Desta vez não teve rebote. A bola explodiu no pé da trave e a zaga afastou o perigo. As chances claras de gol vieram apenas na etapa final. Pirlo, De Ceglie, Vucinic: todos pararam no veterano Antonioli. Restou para Marco Borriello sair do banco, marcar o primeiro tento com a camisa bianconera e decretar a vitória de seu time: um belo voleio com assistência de Vucinic, de cabeça. Na próxima rodada, a líder encara o rebaixável Novara, fora de casa; o Cesena enfrenta a Inter, em Milão. (MM)

Milan 1-0 Genoa
Mais do mesmo. Assim pode ser descrita a vitória do Milan sobre o Genoa. O time apresentou as mesmas deficiências de criatividade no meio-campo, alguns sustos na defesa - que sem Thiago Silva não consegue deixar o torcedor tranquilo - e um gol salvador no final do jogo. Dessa vez o redentor foi Boateng, que aproveitou lance em que Ibrahimovic errou o domínio da bola e bateu por baixo de Frey. Inclusive, o goleiro francês foi o destaque do time de Luigi De Canio, que fazia sua estreia. Tivesse um pouco mais de sorte, os grifoni poderiam ter saído com um bom resultado, tendo em vista o volume de jogo apresentado, principalmente, no primeiro tempo. A vitória mantém o Milan na cola da Juventus, três pontos atrás do alvinegro e torcendo para que o Novara, que venceu a Lazio nesta rodada, apronte também para cima do time de Turim. (Anderson Moura)

Cagliari 3-0 Catania
O Cagliari não sei deixou abater com a derrota por 3 a 0 para o Parma, no fim de semana, e conquistou vitória importante contra o Catania, nesta terça-feira. Os três pontos afastam a equipe da zona de rebaixamento em cinco pontos e acalmam os ânimos na Sardenha, uma vez que a salvezza ficou mais próxima. A equipe mostrou determinação que não apareceu no final de semana e viu seus três atacantes marcarem os gols. No primeiro, do brasileiro Thiago Ribeiro, a indecisão do goleiro Terracciano ajudou. Depois, a equipe da casa viu Bergessio desperdiçar algumas chances para empatar, e conseguiu ampliar no segundo tempo, com Pinilla e Ibarbo. Com esse passo em falso, o sonho do Catania de disputar uma competição europeia foi, de vez, para o espaço. Agora, o time de Montella está seis pontos atrás da Udinese, que ocupa a última vaga para a Liga Europa, mas com o recorde histórico de pontos já igualado, a temporada é mais que positiva. Nos bastidores, mudança importante que já pode afetar o time na próxima temporada: o diretor esportivo Pietro Lo Monaco, responsável pelas contratações, deixou o clube e foi substituído por Sergio Gasparin.  (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 1-0 Chievo
A Atalanta também mostrou outro espírito em campo nesta rodada de meio de semana e a vitória por 1 a 0 sobre o Chievo saiu barata. O time pressionou bastante durante todo o jogo, com grandes atuações de Schelotto e Moralez, mas só conseguiu fazer o gol na segunda etapa. Aliás, que golaço fez Moralez: recebeu passe no canto direito da grande área e mandou um belo chute cruzado, no ângulo oposto do gol, não dando chances ao goleiro Sorrentino. O argentino fez uma de duas melhores partidas na temporada e, inclusive, já tinha marcado uma vez, ainda no primeiro tempo, mas estava em posição irregular. Com os três pontos, o time de Bérgamo praticamente se livre do rebaixamento, chegando aos 43. O Chievo tem a mesma pontuação e também não corre mais risco. (RA)

Siena 1-1 Bologna
Em uma partida entre duas equipes praticamente livres da ameaça de rebaixamento, os destaques foram justamente os jogadores que mais apareceram pelos clubes na temporada: Destro, pelo Siena, e Diamanti, pelo Bologna. Se os dois ataques não estão entre os melhores do campeonato, as defesas se sobressairam novamente e praticamente anularam os atacantes - principalmente a defesa Robur, que segurou o ataque bolonhês. Destro lutou muito no ataque e deu trabalho à defesa visitante, mas só marcou mesmo após uma jogada de bola parada - foi o décimo gol do jovem de 21 anos -. Com a mesma bola parada, o especialista Diamanti empatou no meio do segundo tempo. Com o empate no placar e o cansaço nos corpos, as equipes concordaram tacitamente em levar o jogo até o final com tranquilidade.

Palermo 1-2 Parma
Jogando fora de casa, o Parma praticamente assegurou sua permanência na Serie A ao bater o Palermo, no Renzo Barbera. Os rosanero saíram na frente, com Hernández, mas com uma outra boa atuação de Giovinco, a equipe emiliana virou o jogo no segundo tempo, com gols de Okaka e Biabiany, construídos pelo Formiga Atômica. O empate palermitano não chegou por pouco: Silvestre acertou bola no travessão e, aos 41 do segundo tempo, Miccoli mandou bola na trave, assustando Mirante. A equipe parmiggiana terá a chance de garantir matematicamente sua permanência na elite se vencer o Lecce, fora de casa. Já o Palermo continuou estacionado nos 41 pontos, e corre pouco risco de cair, mas tem uma tabela espinhosa. A começar pelo dérbi do domingo, contra um Catania que, depois de muitos anos, está à sua frente na tabela. Além disso,a equipe visita Napoli e Genoa. É bom ficar de olho aberto.

Para estatísticas, escalações e resultados da 34ª rodada, clique aqui.
Para relembrar a 34ª rodada, clique aqui.

Seleção da 33ª rodada
Júlio César (Inter); Schelotto (Atalanta), Terzi (Siena), Cannavaro (Napoli), Pesce (Novara); Inler (Napoli), Gargano (Napoli), Ibarbo (Cagliari); Sneijder (Inter); Mascara (Novara), Jovetic (Fiorentina). Técnico: Andrea Stramaccioni (Inter).

Serie B: Falta pouco ao Torino, mas equilíbrio impera

O grande destaque da rodada foi a humilhação que o Pescara proporcionou ao Padova fora de casa (LaPresse)
Após a tragédia do falecimento de Morosini, a bola voltou a rolar nos gramados da Serie B na última sexta-feira (20), com partidas válidas pela 36ª rodada. Mesmo sem vencer nesta rodada, o Torino conseguiu abrir quatro pontos de vantagem para o vice-líder nesta semana e fica ainda mais próximo da volta à elite, mesmo com um jogo a menos.

No sábado, o líder foi ao sul enfrentar o Bari, no San Nicola, não conseguindo nada mais do que um 0 a 0 com o time da casa, em um jogo tenso. O empate deixava os granata com 67 pontos, um a mais que o Verona, porém, o segundo tempo da partida contra a Reggina, válida pela 34ª rodada e que foi adiada devido às fortes chuvas que atingiram Turim, foi disputado nesta quarta-feira. O resultado de 1 a 0 no primeiro tempo desta partida não foi alterado e, com isso, o Toro somou mais três pontos, chegando aos 70 pontos.

Mesmo se os três pontos contra a Reggina não fossem confirmados, o Torino contaria com uma rodada quase perfeita: das sete equipes que vêm logo na seqüência da tabela, apenas uma delas venceu. Unindo a regularidade do clube turinense à irregularidade dos adversários, a cidade mais importante da economia italiana está muito perto de contar com dois representantes na Serie A do futebol italiano novamente.

No pelotão que persegue o Toro, os resultados foram os seguintes: o Hellas Verona, vice-líder, caiu diante do Crotone, fora de casa, por 3 a 1; o Pescara fez inacreditáveis 6 a 0 no Padova, sexto colocado, fora de casa, e subiu para a terceira colocação; o Sassuolo não conseguiu vencer pela terceira rodada seguida, perdendo para o vice-lanterna Gubbio, em casa, por 2 a 0; e a Varese caiu em casa, para o Grosseto, em casa, por 3 a 1; a Sampdoria poderia ter passado ambos, Varese e Padova, e, finalmente, entrar na zona de play-off, mas não saiu do 1 a 1 com o Vicenza, fora de casa. Entre todos esses os jogos, o destaque, mais uma vez, vai para a dupla infernal do Pescara: Insigne e Immobile.

Um outro resultado que vale um destaque especial é o da Juve Stabia. Jogando a Serie B apenas pela segunda vez em sua história, as Vespas venceram a lanterna AlbinoLeffe, por 2 a 1. Esta foi a quarta vitória consecutiva do time, que chegou aos 52 pontos, na nona colocação, quatro pontos a menos que o primeiro time na zona de play-off, o Padova. O time napolitano poderia estar ainda melhor, não fosse a punição que lhe tirou quatro pontos no início do campeonato, por irregularidades. O Brescia, oitavo colocado, perdeu para a Ascoli por 2 a 1 - a segunda derrota seguida.

Os resultados deixaram a tabela com a seguinte disposição: o Verona é o segundo, com 66 pontos, e subiria diretamente neste momento; o Pescara é o terceiro, com 65, o Sassuolo é o quarto, com 64, a Varese é a quinta, com 56, e o Padova é o sexto, também com 56, fechando o grupo que, hoje, disputaria os play-offs. Na cola, a Sampdoria tem 55, na sétima posição, o Bresica tem 53, na oitava, e a Juve Stabia tem 52, na nona.

Na briga para fugir da Lega Pro, os cinco últimos colocados vêem aumentar suas chances de cair a cada rodada. Destes, o único a conseguir uma vitória foi o Gubbio, que bateu o Sassuolo. A lanterna AlbinoLeffe, a Nocerina e o Empoli perderam, enquanto o Vicenza arrancou o empate contra a Sampdoria. Porém, o clube perdeu uma grande chance, pois desperdiçou um pênalti aos 40 minutos do primeiro tempo, defendido pelo goleiro Romero, da Samp.

A situação é a seguinte, na parte de baixo da tabela: a AlbinoLeffe é a lanterna, com 25 pontos; o Gubbio chegou aoa 31, na 21ª posição; a Nocerina tem os mesmos 31 pontos, ainda na 20ª colocação. Os três times seriam rebaixados diretamente, se o torneio terminasse hoje. Já na zona de play-out se encontram o Vicenza, 19º colocado com 34 pontos, e o Empoli, com os mesmos 34, na 18ª.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Técnicos: Vujadin Boskov

Boskov em seu último trabalho, pela seleção iugoslava. O treinador teve sucesso na Itália pela Sampdoria, clube que levou ao título italiano no início dos anos 90 (Cabronos.es)
Ex-jogador nas décadas de 1940 a 60, Vujadin Boskov teve passagens pela Sampdoria tanto como atleta quanto como treinador. Nascido em Begec, próxima a cidade de Novi Sad, o sérvio apenas vestiu a camisa da Vojvodina, da blucerchiata e por fim do suíço Young Boys nos seus tempos de ponta direita, sendo também importantíssimo para a sua geração na Iugoslávia. Esteve presente nos tempos áureos da seleção eslava nas duas Olimpíadas em que foram premiados com a medalha de prata na modalidade.

Iniciou sua trajetória como técnico em 1962 na mesma equipe aurinegra suíça pela qual pendurou as chuteiras, passando dois anos antes de assumir o comando da Vojvodina, cargo que ocupou durante sete temporadas, conquistando o caneco iugoslavo em 1966. O bom papel prestado com o plantel da Stara Dama lhe rendeu um chamado para ser assistente de Rajko Mitic na seleção nacional de seu país. Em 1971 foi efetivado e comandou os Plavi até 1973, pouco antes da classificação para o Mundial de 1974, na Alemanha.

Pouco depois, em território holandês, tomou as rédeas do ADO Den Haag, onde conduziu o modesto plantel verde e amarelo ao título da KNVB Cup, a Copa da Holanda, por um acaso o último troféu que fora conquistado pelas pobres cegonhas. Prestigiado nos países baixos, Boskov aceitou treinar o Feyenoord, em 1976. Com um quarto e um décimo lugar, respectivamente, na Eredivisie, não repetiu o sucesso de seu trabalho anterior. A mudança de ares era necessária em 1979, quando sentou ao banco do espanhol Zaragoza, para alcançar uma inexpressiva 14ª colocação.

Curiosamente, virou favorito da diretoria do Real Madrid para substituir o extremamente bem sucedido Luis Molowny, que havia assegurado um bicampeonato espanhol para os merengues. Foi nesse período, de 1979 a 1982, dirigindo a então principal força do país, que conseguiu manter a hegemonia madridista em 1980 na liga, além de duas Copas do Rei em 1980 e 1982. Também chegou a uma final de Copa dos Campeões.

Todavia, algo que chamou a atenção para esses anos no Bernabéu foi a sua incrível capacidade de proferir frases como a célebre "O futebol é tão imprevisível que todas as partidas começam em zero a zero" ou "Prefiro perder uma partida por nove gols do que nove partidas por um gol" - logo após uma incrível derrota por 9 a 1 ante o Bayern Munique, na Copa dos Campeões. Um verdadeiro gênio das tiradas extra-campo.

Boskov, então, tentaria reerguer o Sporting Gijón, em 1982, mas o máximo que conseguiria seria uma 13ª colocação, aparentando entrar em decadência. Passou em branco nas Astúrias e a Itália acolheria seu estilo de jogo defensivo, baseando a equipe em contra-golpes, durante os dez anos seguintes. O primeiro clube a contar com os serviços do treinador foi o Ascoli, que no segundo ano sob a batuta do sérvio conseguiu o tão sonhado acesso à Serie A, em ótima temporada dos meias Fulvio Bonomi, Giancarlo Pasinati e do atacante Giuseppe Incocciati.

O sucesso à frente do Ascoli fez com que a Sampdoria, que ainda contava somente com o troféu da Serie B em 1966-67, o contratasse. Somando a sua experiência com o forte plantel montado conforme o tempo passava, Boskov foi o líder que a blucerchiata precisava para se tornar um dos grandes esquadrões do fim dos anos 1980 e começo dos 90. Foram duas Coppa Italia (1987-88, 88-89), uma Recopa Europeia em 1989-90 e claro, a inesquecível Serie A de 1990-91.

Inesquecível talvez fosse pouco para aquela Sampdoria. A começar por Gianluca Pagliuca, a formação da agremiação de Gênova marcou época no futebol italiano com um estilo de jogo que parecia à frente do seu tempo. Passando por Srecko Katanec, Moreno Mannini, Attilio Lombardo, Giuseppe Dossena, Toninho Cerezo e os infernais "gêmeos do gol" Roberto Mancini e Gianluca Vialli, a glória passou muito perto de ser completa na caminhada até a final da Copa dos Campeões de 1992 contra o Barcelona, onde a Doria foi derrotada por um a zero.

Encerrando o ciclo no Luigi Ferraris em 1992, após a triste final europeia em Wembley, assinou com a Roma, onde foi finalista da Coppa Italia, mas não fez um bom trabalho na Serie A. Depois, passou pelo Napoli e pelo Servette, da Suíça, antes do retorno à Samp, em 1997, todos estes trabalhos sem o mesmo brilho de outrora e pior, nenhuma nova conquista para as galerias do treinador ou dos clubes. O Perugia foi o último time que comandou antes de encerrar de vez sua carreira em 2000, na Eurocopa, pela Iugoslávia. A eliminação nas quartas de final, frente a Holanda por incríveis seis a um representou o ponto final na longeva vida como técnico de futebol de Boskov.

Desde 2006 ocupa a função de olheiro na Sampdoria, onde teve seus melhores tempos no passado. Passado do qual nunca terá sua imagem desvinculada.

Vujadin Boskov
Nascimento: 16 de maio de 1931, em Begec
Posição: ponta-direita
Clubes como jogador: Vojvodina (1948-60), Sampdoria (1961-62), Young Boys (1962-64)
Clubes como treinador: Young Boys (1962-64 acumulando as duas funções), Iugoslávia (assistente técnico 1964-73), Den Haag (1974-76), Feyenoord (1976-78), Zaragoza (1978-79), Real Madrid (1979-82), Sporting Gijón (1982-84), Ascoli (1984-86), Sampdoria (1986-92, 1997-98), Roma (1992-93), Napoli (1994-96), Servette (1996-97), Perugia (1999).
Títulos como treinador: Campeonato iugoslavo (1966), Copa da Holanda (1975), Liga espanhola (1979-80), Copa do Rei (1980, 82), Serie B (1986), Recopa da Uefa (1990), Serie A (1991), Coppa Italia (1988, 89), Supercoppa Italia (1991)
Seleção iugoslava:  57 jogos, nenhum gol

segunda-feira, 23 de abril de 2012

34ª rodada: Autoridade de campeã

Juventus de Vidal voa: após goleada sobre a Roma e tropeço do Milan, título da Serie A ficou mais próximo (Reuters)
Ainda é um pouco cedo para falar, mas parece que temos um novo campeão na Serie A. Neste domingo, a Juventus massacrou a Roma e aumentou a vantagem sobre o Milan, atual campeão, para três pontos. Além de ter a vantagem na tabela e também no confronto direto, a Velha Senhora tem vantagem física e psicológica: fez menos jogos na temporada e joga com atitude de quem sabe que pode chegar ao scudetto, enquanto a equipe de Milão mostra muitas dificuldades nas últimas partidas e está nitidamente pressionada. Na parte de baixo da tabela, além da vergonhosa baderna provocada por torcedores extremistas do Genoa - cada vez mais com pinta de rebaixado -, Fiorentina e Lecce conseguiram bons pontos na luta pela permanência. Acompanhe nosso resumo.

Juventus 4-0 Roma
Para os milanistas, a Roma era a maior esperança de tropeço da Juve no caminho até o título. Afinal, é pouco provável que o time de Conte perca pontos contra Cesena, Novara, Lecce, Cagliari ou Atalanta, nas próximas rodadas. A facilidade com que a equipe de Turim superou os giallorossi, portanto, surpreendeu. Em ritmo avassalador, a Juventus alcançou seus dois primeiros gols antes dos 10 minutos de jogo e desestablizou os comandados de Luis Enrique. O chileno Vidal foi o autor dos gols-relâmpago, mostrando que, além de exercer importante papel na marcação, sabe se infiltrar na área com perigo. Mesmo com a vantagem, a Juve não tirou o pé e conseguiu envolver o time da Roma, com boas trocas de passes e ataques em velocidade. O terceiro gol saiu depois que Marchisio foi derrubado por Stekelenburg (que foi expulso) dentro da área e o juiz marcou pênalti. Pirlo teve sua cobrança defendida, mas não desperdiçou no rebote, fazendo 3 a 0 e praticamente liquidando a fatura ainda aos 30 minutos de jogo.

Com um a menos, a Roma não teve força para reagir e levou o quarto gol logo no início da segunda etapa, com Marchisio acertando bonito chute de fora da área. Se quisesse, o árbitro poderia ter terminado a partida aí. Del Piero entrou em campo, para a alegria da torcida juventina, mas Totti não saiu do banco, impedindo o que seria o último confronto entre os dois ídolos na Serie A. Com o resultado, a Juve abre três pontos de vantagem para o Milan, a cinco rodadas do fim, e coloca uma mão no scudetto. Mais, a Juve está a uma partida de igualar o recorde do Milan em 1991-92, quando ficou 34 jogos sem perder e foi campeão - a Serie A tinha 34 jogos naquela época. A Roma, por sua vez, permanece com 50 pontos e perde a chance de superar a Udinese na classificação. Agora, a vaga para a Liga dos Campeões fica a cinco pontos de distância e a briga parece que vai ser mesmo para conseguir um lugar na próxima Liga Europa. (Rodrigo Antonelli)

Milan 1-1 Bologna
Na coletiva pré-jogo, Massimiliano Allegri declarou que "perder para o Bologna seria um desastre". Empatar também. No San Siro, a equipe rossonera jogou muito mal e só conseguiu igualar o marcador no fim, com um gol de Ibrahimovic, servido por Emanuelson. No primeiro tempo, o Bologna abriu o placar com Ramírez e se defendeu com maestria, frente a um Milan sem ideias, que não contava com Ibrahimovic em seus melhores dias. A entrada de Cassano, no segundo tempo, deu alguma melhor ao time da casa, mas o gol não saía. Chegou até a sair, quando o atacante sueco recebeu e tirou de Agliardi, mas um impedimento foi assinalado incorretamente. Agora, o Milan está três pontos atrás da Juve e terá, até o fim do campeonato, jogos mais complicados que a rival - incluindo um dérbi contra a Inter. Chegar ao bicampeonato será tarefa muito árdua.

Genoa 1-4 Siena
O Genoa demonstrou ter torcedores tão ridículos quanto a atual forma de sua equipe. Quando o jogo estava 4 a 0, o árbitro Paolo Tagliavento teve de interromper a partida porque cerca de 60 torcedores ultrà, parcela radical e organizada da torcida, atiraram sinalizadores no campo e começaram a exigir que os jogadores tirassem suas camisas e as entregassem. Impediam, também, a saída dos atletas de campo - o árbitro e os jogadores do Siena puderam sair. O espetáculo absurdo continuou até que Sculli conversou com um dos torcedores, recuperou os uniformes e pode dar continuidade ao jogo, que ficou interrompido por mais de 30 minutos - sobre o caso, Leonardo Bertozzi dá parecer interessante

Em campo, o Genoa até marcou um gol de honra, mas Malesani acabou demitido 20 dias depois de reassumir. Agora, a tarefa de salvar a equipe fica a cargo de Luigi De Canio, que fez ótimo trabalho no Lecce nas últimas temporadas. Terá de fazer isso sem receber torcedores no Marassi nos jogos restantes e visitando Bologna, Udinese e Milan, já na próxima rodada. O Siena, por sua vez, está praticamente livre e deve atingir seu recorde de pontos em uma temporada na elite. No jogo, destaque para Brienza, autor de dois gols e uma assistência.

Lazio 1-1 Lecce
A Lazio dominou, mas não conseguiu capitalizar suas chances contra um Lecce aguerrido, mas abaixo de suas últimas prestações. No primeiro tempo, Candreva acertou um chute no travessão e Benassi fez milagre duplo, mais uma vez sobre Candreva, e também com Rocchi. No segundo tempo, o Lecce cresceu e também acertou o travessão, com Cuadrado. Sem Hernanes, substituído pela 21ª vez na temporada - desta vez, a explicação oficial foi um estiramento -, a Lazio teve Alfaro como um atacante a mais, mas só foi chegar ao gol a oito minutos do fim, com cabeçada de Matuzalém. Guerreiro, o Lecce empatou nos acréscimos, com um redivivo Bojinov. Empate que não foi lamentado por nenhuma das equipes, já que os objetivos - Liga dos Campeões para os biancocelesti e salvezza para os giallorossi - continuam mais que vivos.

Fiorentina 0-0 Inter
Quem foi ao Artemio Franchi na hora do almoço, na Itália, ou acordou às 7h30 para ver o duelo entre florentinos e milaneses, se arrependeu. Em um dos piores jogos da temporada, as duas equipes praticaram um futebol muito lento, digno de quem decepcionou na temporada. Na Inter, os pontos positivos foram as voltas de Maicon e Sneijder aos campos, depois de um mês de inatividade, além do pênalti que Júlio César defendeu, depois de cometer. Foi o terceiro pênalti defendido pelo brasileiro na temporada. Na Fiorentina, a boa partida de Cerci não foi suficiente, mas o ponto conquistado foi bom, sobretudo porque o Genoa perdeu mais uma e o Lecce não venceu.

Cesena 2-2 Palermo
Apenas pela quarta vez na temporada, o Cesena marcou mais de um gol em uma partida. Um pequeno presente para sua torcida, que havia comemorado os 72 anos de fundação da sociedade no dia anterior. Quase rebaixada, a equipe romanhola mostrou ao menos garra para virar a partida, em dois minutos e com gols de Santana e Rennella, que perdia por 1 a 0. Tudo de importante aconteceu na vivaz primeira etapa - após o intervalo, não foi registrado um único chute no alvo. Nos acréscimos, o zagueirão Silvestre marcou seu quarto gol no campeonato - todos após cobranças de escanteio - e deu números finais à partida.

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Seleção da 34ª rodada
Handanovic (Udinese); Garics (Bologna), Acerbi (Chievo), Terzi (Siena), De Ceglie (Juventus); Vidal (Juventus), Bradley (Chievo), Lodi (Catania); Santana (Cesena); Brienza (Siena), Vucinic (Juventus). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

domingo, 22 de abril de 2012

34ª rodada: Briga sem fim

Times que lutam pela terceira vaga na LC não conseguem manter regularidade e disputa continua aberta. Neste sábado, foi a Udinese que tropeçou e permitiu renascimento do Napoli (Getty Images)

Quatro jogos abriram a 34ª rodada da Serie A, neste sábado. Em casa, o Napoli voltou a vencer e conquistou três importantes pontos na luta pela última vaga na Liga dos Campeões. O resultado foi ainda melhor porque a Udinese apenas empatou com o Chievo, em Verona, e deu chance de aproximação aos napolitanos. Em jogo da parte de baixo da tabela, o Parma contou com um inspirado Giovinco para vencer o Cagliari e colocar o time sardo em situação delicada na classificação. Na outra partida do dia, o Catania venceu uma Atalanta apagadíssima. Vamos aos resumos dos jogos:

Napoli 2x0 Novara
Após três derrotas consecutivas e mais de um mês sem vencer na Serie A (a última vitória foi na 27ª rodada, no dia 9 de março), o Napoli finalmente voltou a marcar três pontos e devolveu o sorriso aos seus torcedores, que podem continuar sonhando com a vaga na Liga dos Campeões. Contra o Novara, o time de Mazzari não teve dificuldades e resolveu tudo ainda no primeiro tempo, com gols de Cavani e Cannavaro. Agora, o time napolitano chega aos 51 pontos, três a menos que a Lazio, terceira colocada (com um jogo a menos). Com apenas 25 pontos, o Novara já não mostra disposição para lutar por algo e parece apenas esperar a confirmação de seu rebaixamento.

Mas o dia não foi só de comemoração para a torcida azzurra. Após a partida, o artilheiro Cavani declarou não saber se continuará no time para a próxima temporada. Perguntado se a condição seria a classificação para a Liga dos Campeões, ele falou que não é só isso. A chance de perder o maior ídolo da atual geração causa tensão nos bastidores do clube e pode atrapalhar o rendimento do time, que vive momento decisivo. Na partida de ontem, destaque também para o árbitro Doveri, que se contundiu com menos de dois minutos de jogo e teve que suspender a partida por quase 15 minutos, enquanto recebia tratamento.

Chievo 0x0 Udinese
Quem não consegue engrenar de vez na luta pela Liga dos Campeões é a Udinese, que faz campanha de muitos altos e baixos e não consegue alcançar importante sequência de vitórias. Em Verona, o time de Guidolin apenas empatou com o Verona e permitiu aproximação do Napoli, que agora está apenas um ponto atrás. E olha que o empate foi um bom resultado para os visitantes. Se não fosse Handanovic, a história poderia ser pior: o goleiro fez grande partida e salvou sua equipe pelo menos três vezes, sem contar o pênalti defendido em cobrança de Thereau. No final, Di Natale ainda perdeu chance clara de abrir o placar, mas desperdiçou. Com 43 pontos, na 9ª colocação, o Chievo merece elogios pelas boas partidas, sempre com consistência e equilíbrio.

Parma 3x0 Cagliari
Jogando em casa, o Parma conquistou importante resultado na luta contra o rebaixamento e colocou o Cagliari em posição perigosa na tabela. Em partida jogada em ritmo lento, Giovinco, que ainda luta por vaga na seleção que vai à Euro 2012, foi um dos únicos que mostrou mais disposição em campo. Não à toa, foi decisivo, abrindo o placar ainda no primeiro tempo, em cobrança de falta. Floccari e Okaka marcaram de pênalti os outros dois gols do jogo. Assim, a equipe emiliana chega aos 41 pontos e fica seis à frente da zona da degola. Já o Cagliari, permanece com 38 e vê a zona perigosa cada vez mais perto. Surpreende pois, no papel, o elenco é capaz de formar um time que luta por postos mais altos, e não para fugir da Serie B.

Catania 2x0 Atalanta
Em dia de uma Atalanta irreconhecível, o Catania aproveitou para recuperar a moral e voltar a vencer, após um mês de jejum. Os visitantes sentiram a falta de Denis e não conseguiram levar perigo ao gol de Terracciano (quinto goleiro utilizado por Montella na temporada).Do outro lado, Gomez voltou a ser decisivo e marcou seu quarto gol na temporada, abrindo o placar de um jogo muito ruim até aquele momento. A partir daí, o time da casa passou a agredir mais, mas esbarrou em Consigli. O segundo gol só saiu a cinco minutos do fim, com Seymour. Com a vitória, o time chegou aos 44 pontos. A Atalanta permanece com 40.

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Para fugir da Serie B

Di Michele e Luis Muriel fazem ótima temporada e, com seus gols, embalam o Lecce rumo à salvezza (Getty Images)

Faltam seis rodadas para o término da temporada 2011-12 da Serie A e, enquanto a briga pelo scudetto se resume à Milan e Juventus, a disputa contra o rebaixamento envolve dez times – dois com a despromoção próxima da definção. Com 32 rodadas já disputadas, a Atalanta (10ª colocada, 40 pontos) tem apenas seis pontos de vantagem para o Lecce (18°, 34), o primeiro time na zona de rebaixamento.

Entre a dezena de concorrentes dois são considerados apenas pela matemática. O Cesena (20°, 21), e o Novara (19°, 25), estão praticamente fadados ao rebaixamento. Ambas equipes teriam que vencer as partidas restantes e ainda torcer por tropeços dos rivais. Na próxima rodada, a depender de uma combinação de resultados, o Cesena já pode dar adeus à elite: basta que perca para o Palermo e o Genoa vença o Siena. O Novara pode ter seu descenso confirmado matematicamente em duas rodadas. Por isso, a luta, na prática, começa com o Lecce (18°, 34), que vem em uma boa sequência e, nos últimos cinco jogos, não perdeu.

Os baixos investimentos resultam em um elenco com diversos jogadores emprestados por equipes maiores, o que para alcançar a salvezza parece ser suficiente. O bom momento dos salentini têm muito a ver com a produção do experiente Di Michele e do jovem Luis Muriel (emprestado pela Udinese), dupla que compõe o ataque no 3-5-2 de Serse Cosmi. Somados, eles marcaram 19 dos 37 gols do Lecce na Serie A – seis deles foram anotados na recente série invicta. 

Colaborando com a linha ofensiva está o veloz colombiano Cuadrado, que também veio cedido pela Udinese, e joga como uma vávula de escape pela direita. O camisa sete é o homem que mais minutos tem pela equipe no campeonato. Além deles, o experiente meia urugaio Giacomazzi merece destaque. Dentro das quatro linhas ele lidera a equipe, com a faixa de capitão no braço, e não se furta a jogar como zagueiro ou dar assistências: é de enorme utilidade. O goleiro Benassi também vai bem e, na recente série de cinco jogos invictos, permitiu apenas quatros gols – bom número para a quinta pior defesa da Serie A. O embalo na fase decisiva do torneio pode dar a (antes improvável) salvezza aos salentini.

Constrastando totalmente com o Lecce está o Genoa (17°, 36). Os grifoni têm os maiores investimentos (foram mais de 50 milhões de euros investidos em contratações) entre os candidatos ao rebaixamento, mas, vivem fase tenebrosa: 11 jogos sem vencer e cinco derrotas neste período. A situação só não é pior pois o clube tem Rodrigo Palacio, quinto na tabela de artilheiros da Serie A 2011-12, com 19 gols - ele também deu cinco assistências na competição. 

Com a força do elenco, a impensada briga contra o rebaixamento tem uma justificativa: a falta de continuidade. No comando técnico, foram duas mudanças: Alberto Malesani começou o trabalho, foi demitido e Pasquale Marino assumiu em seu lugar, mas, após desempenho ruim, o Genoa decidiu chamar o primeiro de volta. 

O resultado é falta padrão de jogo e muita mudança de jogadores. Ao todo, os grifone utilizaram 28 jogadores no campeonato. Mesmo com Frey, Miguel Veloso, Palacio e Gilardino no elenco, a incapacidade de reagir chama a atenção e, por isso, o Genoa caminha para ser a grande decepção do Italiano, podendo terminar rebaixado para a Serie B, assim como a rival Sampdoria no ano passado.

Outro clube que recentemente estava mais acostumado com a parte de cima da tabela e hoje vive o drama da briga contra o descenso é a Fiorentina (16°, 37). Porém, ao contrário do Genoa, os viola contrataram muito pouco e confiaram na base envelhecida e desmotivada, que já colocou a equipe no topo. Jovetic, um dos jovens do time, com 13 gols, e Vargas, com sete assistências, são as esperanças para permanecer fora da zona de rebaixamento nas últimas rodadas. Isto é muito possível, mas, para não passar sustos em um futuro próximo, é provável que a Fiorentina passe por uma reformulação para 2012-13.

Com vantagem de mais de três pontos para o Lecce está o Parma (15°, 38). O grande problema gialloblù é a retarguarda, que já sofreu 50 gols no torneio e é a terceira pior da disputa. O ataque e, principalmente, Giovinco salva. A linha ofensiva é a terceira melhor da metade de baixo da tabela, com 41 gols anotados. E o Formiga Atômica participou de quase metade deles: tem 11 marcados, além de sete assistências. 

Por conta disso, mesmo lutando contra o rebaixamento junto dos crociati, ele segue sendo convocado por Prandelli à seleção. O treinador Roberto Donadoni já deu a receita para a fuga da Serie B: “manter a tensão altíssima”.

O Cagliari (14°, 38) conseguiu uma vitória nas últimas três rodadas e vive uma situação bastante complicada. O principal jogador da equipe da Sardenha, Cossu, não faz grande temporada. Enquanto nos últimos três anos ele sempre esteve entre os melhores assistentes da Serie A, neste ano, o trequartista vai mal e não é líder no quesito nem no elenco rossoblu

Em 2011-12, o rendimento ofensivo é baixo e o clube tem o quarto pior ataque do campeonato. Pinilla, autor de nove gols, e Larrivey, que fez sete, impedem que a situação seja pior. Olhando para o retrospecto, o Cagliari talvez seja um dos mais ameaçados ao lado do Genoa, pois, nas últimas 14 partidas, venceu apenas duas vezes. Mais: é o time que mais empatou por 0 a 0 no campeonato. Ao todo, foram sete deles.

Mais à frente está o Siena (13°, 39), que manteve a base da vice-campeã da Serie B e trouxe reforços pontuais. Sem gastar muito deve jogar a próxima Serie A, a menos que o clube não acabe envolvido no escândalo de apostas ilegais - o presidente Massimo Mezzaroma já foi chamado a depor sobre o caso. 

Uma preocupação dentro dos campos poderia ser a baixa produção ofensiva, embora Destro (emprestado pelo Genoa) e Calaiò (remanescente da equipe, mas lesionado e fora da reta final) somam 19 dos 37 gols marcados pelos bianconeri na disputa. O problema é que Larrondo, Bogdani e Brienza passam longe de serem goleadores: juntando todos os gols marcados por eles, temos apenas seis tentos. O Siena é a equipe que abre a zona dos menos ameaçados. Inclusive, paradoxalmente, a equipe pode atingir seu recorde de pontos em participações na Serie A, se superar os 43.

Acima na tabela, completam a briga pela salvezza três times que têm 40 pontos: Bologna (12°, 40), Palermo (11°, 40) e Atalanta (10°, 40). Com o um sistema defensivo bem montado pelo técnico Stefano Pioli, o clube da Emilia-Romagna vê a briga do rebaixamento de longe. O destaque rossoblù, apesar de não tão brilhante como nos últimos anos, é o de sempre, o homem que atua mais à frente no esquema do treinador: Marco Di Vaio, autor de dez gols e cinco assistências na Serie A 2011-12, liderando o time nos dois quesitos. Quem também vem bem é o fantasista Diamanti, mestre nas bolas paradas.

O Palermo também não está em situação mais complicada por culpa de seu ataque e, principalmente, por conta do rendimento do craque Micolli, artilheiro rosanero no campeonato com 12 gols e líder da Serie A em assistências, com 12 passes decisivos cedidos. Ou seja, o capitão e camisa dez dos sicilianos participou diretamente de 24 dos 44 gols anotados pela equipe na Serie A 2011-12. Se o desempenho fora de casa fosse melhor (o combinado rosanero só tem uma vitória longe do Renzo Barbera), a situação poderia ser bem diferente.

Na décima colocação está a Atalanta, campeã da Serie B no ano anterior. Os bergamascos chegaram para a temporada abalados pelo envolvimento em um escândalo de manipulação de resultados, que rendeu seis pontos negativos para a largada da disputa deste ano. Porém, os nerazzurri mostraram força logo de início e largaram bem, afastando um risco de rebaixamento. Os argentinos Denis, artilheiro da equipe com 15 gols, e Maxi Moralez, grande contratação da temporada e dono de cinco assistências e cinco gols na Serie A 2011-12 tem sido decisivos no ataque. A defesa também merece destaque: foi vazada 34 vezes, sendo a quarta melhor do Italiano. Não à toa, o nome do lateral Peluso já aparece cotado entre equipes maiores do futebol nacional.

A matemática diz que, nas próximas rodadas, o número de concorrentes pela permanência na Serie A deve diminuir e se reduzir a três ou, no máximo, quatro equipes - excluindo, aí, Cesena e Novara. Se a tendência se mantiver, a briga deve se acirrar principalmente entre Lecce e Genoa e, quiçá, o Cagliari. Apostem suas fichas.

Técnicos: Ilario Castagner

Castagner comandou o modesto Perugia ao vice-campeonato invicto em 1978, mas não obteve sucesso com os gigantes de Milão. Na foto, assiste a uma partida da Inter (Wikipedia)

Para voltar à Serie B, o Prato, em 1964, contratou Ilario Castagner, centroavante de muitos gols no Perugia. O atacante, porém, não escreveu sua história no futebol italiano dentro de campo. Técnico desde os 28 anos, ele comandou uma equipe provinciana a uma disputa ferrenha com o todo-poderoso Milan em 1978-79, que culminou no vice-campeonato invicto pelo Perugia.

Natural do Vêneto, mas formado pela Reggiana, da Emília-Romanha, Castagner teve apenas dez anos de uma carreira futebolística pouco notável, nas divisões inferiores. Após pendurar as chuteiras, recebeu uma proposta para auxiliar Corrado Viciani, na equipe juvenil da Atalanta. A primeira chance num time profissional foi em 1974, no Perugia, equipe pela qual havia vivido o melhor momento da carreira, entre 1961 e 1964, na antiga Serie C. O clube estava endividado até à cabeça e acabara de ser comprado por Franco D’Attoma, recém-nomeado presidente da agremiação e sócio da Ellesse, uma das maiores empresas de roupas da Itália.

Em um ano de comando técnico do clube, o jovem treinador levou o time à elite do futebol italiano pela primeira vez na história, com uma equipe formada por jogadores praticamente desconhecidos, mas úteis em campo como operários em fábricas. Os biancorrossi não fizeram feio nos primeiros anos na elite: ficou na 8º e 6º posições, respectivamente. 

A equipe ia ganhando ainda mais corpo quando aconteceu um triste episódio em partida contra a Juventus: na sexta rodada do campeonato de 1977-78, o meio-campista Renato Curi caiu no gramado, sozinho, e morreu antes de chegar ao Hospital Policlínico de Perugia. Mesmo abalada, a equipe umbra ainda fez uma ótima temporada e terminou na sétima competição da Serie A, além de ter sido uma das vencedoras da Copa Piano Karl Rappan, antecessora da Copa Intertoto. Tudo isso com um time bem mediano, que não tinha grandes destaques. Em campo, os destaques eram o zagueirão Pierluigi Frosio, o meia Salvatore Bagni e os atacantes Walter Novellino (o mesmo que se tornou técnico) e Walter Speggiorin. Todos apenas coadjuvantes no restante de suas carreiras.

O toque de maestria era dado mesmo por Ilario Castagner. Ele usava a posse de bola e a marcação por pressão como táticas defensivas. Os biancorossi eram um time duro de enfrentar. À época, a imprensa até comparava o Perugia com o Ajax tricampeão europeu – e consequentemente à Holanda do Mundial de 1974. Quando começou a Serie A de 1978-79, deu para entender o porquê.

Malizia era o goleiro; Frosio, líbero e capitão; Nappi, Della Martira e Ceccarini formavam uma linha atrás dos volantes Butti e Dal Fiume. Na meia-direita, Bagni era uma das peças-chaves do time; Vannini cobria a esquerda e Cesarsa centralizava. Isolado e não menos importante, Speggiorin, o homem-gol. Um 1-3-2-3-1 que deu a vitória na estreia da época diante do Vicenza, em casa, por 2 a 0. 

Castagner sabia tão bem como armar a equipe que o Perugia sofreu apenas 16 gols no campeonato e acabou tendo a melhor defesa daquele ano – mesmo com Frosio machucado por, praticamente, todo o returno. A invencibilidade nas 34 partidas do campeonato valeram o segundo lugar ao fim da temporada foram mais do que um alento para a agremiação provinciana. Aquele time ficou conhecido como "Perugia dos milagres" e só teve o recorde de imbatibilidade superado pelo Milan de Arrigo Sacchi, no início do anos 90. Por tudo o que fez, Castagner foi eleito o técnico do ano no Belpaese.

Para disputar a Copa da Uefa, o Perugia contratou Paolo Rossi, por empréstimo junto ao Vicenza. Para isso, o presidente buscou apoio financeiro do grupo alimentício Ponte, e para driblar o regulamento italiano, que só permitia que os fornecedores de material esportivo estampassem a camisa dos clubes, criou uma marca de material com o mesmo nome. Mas nem mesmo o apoio financeiro e a adição de um atacante goleador ajudaram a equipe. 

O time não soube jogar a competição europeia e foi eliminado na segunda fase pelo Aris, da Grécia. Após deixar o Perugia em 10º lugar na tabela de classificação - a pior temporada desde que chegou à elite, mas com mais dinheiro investido -, o técnico deixou a Úmbria em 1980. Outro motivo para abandonar o Perugia foi o escândalo de apostas Totonero, que envolveu uma série de jogadores, inclusive Rossi. Pela participação no escândalo, o Perugia perdeu cinco pontos para a temporada seguinte e acabou caindo para a segundona. Retornaria à elite apenas 15 anos depois, sob a tutela do excêntrico empresário Luciano Gaucci.

Entretanto, Castagner também se rebaixou à Serie B: foi contratado pela Lazio, que havia caído como resultado das sentenças do escândalo. Em duas temporadas, nada de conseguir o acesso. Em 1982-83, o Milan, que também havia sido condenado pelo escândalo e passava por uma fase de renovação e uma gangorra de acessos e descensos, resolveu apostar no ex-comandante do “Perugia dos milagres”.

Na segundona, nada parou o Diavolo de Mauro Tassotti, Franco Baresi e Joe Jordan. Foram 77 gols marcados no campeonato, sendo 11 de Battistini, artilheiro. Jordan, Damiani e Verza marcaram dez vezes cada. Na temporada seguinte, contudo, o Milan ficou em 8º lugar na volta à elite e acabou licenciando o técnico vêneto. Na temporada seguinte, Castagner assumiu a Inter, sendo o primeiro treinador a trocar um clube pelo outro na história - apenas Leonardo faria o mesmo um quarto de século depois. 

Na equipe nerazzurra, Castagner teve uma boa primeira temporada, levando a equipe que tinha Zenga, Bergomi, Altobelli e Rummenigge ao terceiro posto no campeonato - vencido pelo Verona - e às semifinais na Copa Uefa, perdida ante ao Real Madrid. Chegou a iniciar a temporada seguinte, mas foi demitido pelo presidente Ernesto Pellegrini  após cinco vitórias em 10 partidas. No ano seguinte, teve os méritos de salvar um fraquíssimo Ascoli do rebaixamento, mas não voltou a treinar grandes clubes. Teve apagadas pessagens por Pescara e Pisa, até dar uma pausa, em 1991.

Em 1993, voltou a Perugia, para dirigir a equipe na Serie C, nas partidas de desempate, conhecidas na Itália por spareggio - Walter Novellino, que havia sido seu treinador, havia sido demitido pelo intempestivo Gaucci. A equipe venceu o Acireale, mas não subiu por fraude: Gaucci havia presenteado o árbitro de uma das finais com um cavalo e teve a desonestidade descoberta. Castagner permaneceu na Úmbria na temporada seguinte, fazendo a equipe subir com muita facilidade à segundona. Só que acabou demitido por Gaucci. 

Em 1998, foi chamado pelo presidente para dirigir a equipe novamente, desta vez na Serie B. Com um sprint histórico, a equipe umbra alcançou o Torino em número de pontos e venceu o spareggio, subindo novamente à elite. Na primeira divisão, o time contou com o talento de um promissor Hidetoshi Nakata e até estava em posições intermediárias da tabela, mas Castagner decidiu deixar o futebol, sendo substituído por Vujadin Boskov, ex-técnico da Sampdoria campeã italiana em 1991.

Entre 2005 e 2006, Castagner esteve novamente envolvido com o Perugia: foi diretor técnico e tornou-se presidente honorário do clube. Hoje, o ex-treinador é comentarista da Mediaset e da RAI.

Ilario Castagner
Nascimento: 18 de dezembro de 1940, em Vittorio Veneto
Posição: atacante
Clubes como jogador: Reggiana (1959-60), Legnano (1960-61), Perugia (1961-64), Prato (1964-67) e Rimini (1967-69)
Clubes como treinador: Atalanta (1969-73), Perugia (1974-80, 1993-95 e 1997-99), Lazio (1980-82), Milan (1982-84), Internazionale (1984-86), Ascoli (1986-89), Pescara (1989-90) e Pisa (1991-92)
Títulos como treinador: Serie B (1982-83), Copa Piano Karl Rappan (1977-78)

domingo, 15 de abril de 2012

Quando o futebol não mais importa

Desespero em Pescara: Morosini foi mais um jogador a cair desacordado no gramado.
Infelizmente, não sobreviveu (Reuters)
Na vida há, e sempre haverá, coisas que o homem nunca passará nem perto de entender ou de conseguir explicar. Também há, e sempre haverá, "injustiças" frente as quais seremos sempre impotentes. O adeus de Piermario Morosini exemplifica tudo isso.

O sábado, 14 de abril de 2012, estava recheado com oito partidas da absurdamente disputada Serie Bwin. Cada resultado importava, afetava ou ajudava os interesses das 22 agremiações que, quase sem exceção, ainda lutam por algo. De uma costa à outra da península, o Livorno viajou até Pescara, onde lhe esperava o time homônimo da cidade. De um lado, o anfitrião a uma minúscula distância do sonho da primeira divisão. Do outro, os visitantes lutando para não voltar à terceira divisão depois de uma década. E tudo começou perfeito para o clube amaranto, que com pouco mais de dez minutos já marcara duas vezes.

Primeiros atendimentos a Morosini (Pierarunzi)
Diversas torcidas comemorando, principalmente a torcida do Livorno, que ia conseguindo sua décima vitória no campeonato e ia dando um gigantesco passo rumo a seu objetivo. Mas absolutamente toda essa alegria caiu ao chão três vezes, quando, aos 31 minutos, o coração de Morosini decidiu bater pela última vez.

O esforço do jovem, que tentou se levantar duas vezes após a primeira queda no gramado, retrata tudo o que foi a curta vida do jovem bergamasco. "São coisas que te marcam e que mudam a sua vida, mas que, ao mesmo tempo, te colocam muita raiva e te ajudam a dar sempre tudo para realizar aquilo que era o sonho, também, dos meus pais", eram as palavras de Morosini, quando indagado por um repórter sobre a morte de seus pais.

Aos 15 anos de idade, ele perdera sua mãe. Dois anos depois, foi a vez de dar adeus a seu pai. Como se não bastasse, logo depois foi a vez de seu irmão mais novo, deficiente. Os últimos esforços desesperados do meio-campista eram apenas mais um reflexo do espírito lutador do atleta, que conseguiu vencer todas as circunstâncias para realizar, ao lado de sua irmã mais velha, que também é deficiente e vive em um hospital, seu sonho e de seus pais.

Morosini deu seus primeiros passos no esporte ainda aos oito anos, na Atalanta. Foram dez anos no clube de sua terra natal, que incluíram convocações para as seleções italianas sub-17, sub-18 e sub-19. Era tamanha a consistência que o meia defensivo chamou a atenção da visionária Udinese, em 2005. Aos 19 anos, faz sua primeira partida como profissional, na Serie A, em 23 de outubro daquele ano, quando a Internazionale visitou Údine. Na temporada 2005-2006, foram cinco partidas na Serie A e três na Coppa Italia. Aquelas partidas na elite do futebol italiano foram as únicas de sua carreira.

A Udinese, como é de costume no futebol italiano, passou a emprestar o jovem atleta, para ganhar experiência. Em 2007, jogou a Serie B pelo Bologna, com 16 aparições. Nas duas temporadas seguintes, duas sólidas campanhas com o Vicenza, com mais de 30 aparições em ambas. Isso rendeu a Morosini, em 2009, a convocação para a Nazionale para disputar o Europeu Sub-21, onde participou de três partidas.

 O grande sucesso fez a Udinese reintegrar o jogador na temporada 2009-2010, mas ele acabou não mostrando no Friuli a mesma qualidade. Não evoluiu futebolisticamente e, em janeiro, foi emprestado para a Reggina, na Serie B. Ele não obteve a mesma regularidade que teve nas duas temporadas com o Vicenza: deixando a Reggina em janeiro de 2010, passou por Padova, novamente pelo Vicenza e, nesta temporada, foi para o Livorno, depois de ter passado um semestre encostado na Udinese, sem ter achado um clube pelo qual jogar.

Até sua morte, neste sábado, não tinha consegido recuperar a fase vivida em sua primeira passagem pelo Vicenza e já poderia ser considerado uma das apostas mais furadas da Udinese nos tempos recentes. Por outro lado, deixou saudades na equipe lanerossa, que decidiu, neste domingo, retirar a camisa número 25, utilizada por ele em seus anos no clube. O mesmo gesto de respeito foi tomado pela diretoria do Livorno.

Os próprios jogadores providenciaram a maca, com o atraso da ambulância (Ansa)
Os últimos suspiros
Nas frações de segundo entre a queda final de Morosini e o início dos primeiros socorros ao atleta, por parte das equipes médicas dos dois times, aconteceu algo que poderia ter feito diferença entre a vida e a morte do jogador, caso ele não tivesse tido um infarto fulminante. O portão principal do estádio, que permitiria a entrada da ambulância que serviria para transporte do jovem para o hospital Santo Spirito di Pescara estava bloqueada por um carro da polícia (desligado e sem policiais por perto), o que retardou sua entrada no gramado. "Que era um dos nossos veículos, não há dúvida, pelas fotos. Mas, pelo que leio, infelizmente não mudaria nada se a ambulância não estivesse bloqueada", disse o comandante do policiamento local, Carlo Maggitti. A justiça da comuna de Pascara já abriu inquérito para investigar o caso.

Segundo informou o hospital, Morosini, que levou cerca de 20 minutos para ser transportado para o complexo, já chegou ao local sem vida. Como informou a Gazzetta Dello Sport, que acompanhou cada instante dos acontecimentos, Morosini entrou em coma induzido às 16h19 do horário local. Às 16h22, lhe foi implantado um marca-passo provisório e ele foi entubado. Mas, às 16h47, Delli Carri, chefe da equipe médica do Pescara, que foi ao hospital, deixou o local com os dizeres "não tenho o que falar", balançando a cabeça. A confirmação veio nos minutos seguintes, com as lágrimas dos jogadores do Livorno que, desesperados, também deixaram o hospital: estava morto. Perante toda a dor da tragédia, fazem sentido as palavras de Roberto Baronio, ex-companheiro de Morosini na Udinese, em 2006: "Agora, ele terá a chance de abraçar, novamente, sua família".

O precedente
Renato Curi (Wikipedia)
A morte de Morosini faz lembrar, aos que acompanham o futebol italiano, ao também lamentável episódio da morte por parada cardíaca de Renato Curi (foto), meio-campo do Perugia, em 1977. Quando da partida da sexta rodada da Serie A da temporada 1977-1978, contra a Juventus, os biancorossi lutavam pelas primeiras colocações da tabela com o time de Turim, o Milan e o Genoa. Naqueles anos, o Perugia era um dos times mais simpáticos da Itália. Havia sido promovido à elite pelaprimeira vez em sua história em 1974-75 e, nas duas temporadas anteriores, tinha feito ótimas campanhas, ficando sempre entre os dez primeiros.

Em 1977-78, não era diferente: a equipe umbra brigava na parte de cima da tabela, graças a um ótimo trabalho do técnico Ilario Castagner. Em campo, os destaques eram o zagueirão Pierluigi Frosio, os atacantes Walter Novellino (o mesmo que se tornou técnico) e Walter Speggiorin. No meio, o nome era o de Renato Curi. A tarde chuvosa não afastou o público: estavam presentes mais de 30 mil torcedores.

Eles viram Curi, de apenas 24 anos, ir ao chão aos cinco minutos do segundo tempo, sozinho. Scirea, Benetti e Bettega, da Juventus, gesticularam desesperados, pedindo a entrada da maca. Como aconteceu com Morosini, Curi chegou ao Policlinico di Perugia já sem vida. Em sua homenagem, o estádio do Perugia, inaugurado dois anos antes com o nome de Comunale di Pian di Massiano, tornou-se estádio Renato Curi. Já com o estádio batizado com o nome do falecido atleta, o Perugia conseguiu chegar a um improvável vice-campeonato da Serie A na temporada seguinte, 1978-79, terminando a competição de forma invicta. Por tudo o que aconteceu, a equipe ficou conhecida como "Perugia dos milagres".

quinta-feira, 12 de abril de 2012

32ª rodada: Sob o signo das lendas

Pirlo corre atrás de Del Piero: na sua partida de número 700 pelo clube, Ale pode ter feito um dos gols mais importantes de sua carreira, um gol importante para o scudetto (Getty Images)
A rodada do meio de semana da Serie A foi uma boa forma de dizer que as lendas estão vivas. O destaque maior ficou por conta de Del Piero, que, em sua partida de número 700 pela Juventus, decidiu um jogo difícil e muito importante para a equipe de Turim, mantendo-a na ponta da tabela. Um gol que pode valer o 28º scudetto conquistado pela Velha Senhora.

Mas não foi só o lendário juventino que teve grande participação, entre os veteranos. Totti manteve sua ótima média contra a Udinese - é sua vítima preferida: marcou 13 gols contra os bianconeri - e aliviou a tensão no Olímpico, em um confronto direto que pode ter dado à Roma a força de brigar pela terceira vaga na Liga dos Campeões. Uma força que a Inter também procura ter, em grande parte, inspirada pelo veteraníssimo Zanetti, de quase 39 anos. O capitão chegou a sua 570ª partida na Serie A, igualando a marca de Dino Zoff, de terceiro maior número de presenças na Serie A. Ainda sobrou tempo para uma lenda mais alternativa: Bellini, capitão e jogador com maior número de presenças pela Atalanta, marcou gol no difícil jogo contra o Napoli, que dá tranquilidade definitiva à equipe, que fica no meio da tabela. Confira o resumo da rodada!

Juventus 2-1 Lazio
A Juventus pode não ser a melhor equipe e, inclusive, não conquistar a Serie A. Mas uma coisa é certa: Antonio Conte e suas variações táticas dão um banho nos adversários. Contra a Lazio, a equipe entrou com uma escalação que tanto permitia atuar no 4-3-3 quanto no 3-5-2. Pode parecer confuso, mas a presença de atletas versáteis como Lichtsteiner, De Ceglie e Pepe permitem que o treinador bianconero surpreenda a cada jogo. Na Lazio, Hernanes ocupou mais uma vez um lugar no banco de reservas. Até os dez minutos da primeira etapa, quem assistiu o jogo pela TV não soube a cor do uniforme de Buffon.

A Juve pressionou desde o apito inicial, mas errou muito o chamado "último passe", graças a forte marcação laziale. Mas, aos trinta minutos, Pirlo descolou ótima assistencia para Pepe, o camisa sete matou no peito e, de bicicleta, abriu o placar. Logo depois, Vidal quase marcou um golaço do meio-campo e Quagliarella perdeu ótima chance - Marchetti fez duas defesaças, impedindo que o placar aumentasse. Na única chance clara de gol dos romanos, Mauri empatou, de cabeça, levando o jogo empatado à segunda etapa. A história continuou a mesma após o intervalo. Até que Del Piero entrou para completar 700 pela time de Turim e, de falta, garantiu a vitória da Juve e a volta à liderança. O segundo gol do capitão nesta Serie A pode ter sido um dos gols mais importantes de sua carreira. Um gol que vale um scudetto. (Anderson Moura)

Chievo 0-1 Milan
Extremamente desfalcado, o Milan visitou o Chievo em Verona. Quem agradeceu aos infortunios da equipe foi o lateral-direito De Sciglio, que fez sua estreia pelo rossonero em partidas válidas pela Serie A. Logo aos sete minutos, Muntari, com um chute de muito efeito, abriu o placar e acalmou as coisas para os comandados de Allegri. Embora tenha saído atrás, o Chievo foi melhor durante o jogo e criou muitas boas chances ao longo do jogo, dando trabalho para Abbiati, como em uma bomba de Pellissier, e tendo dois gols bem anulados - de Paloschi, no primeiro tempo, e de Acerbi, no segundo. Com certeza Allegri não ficou feliz com o futebol apresentado, mas com a lista de jogadores indisponíveis que tinha antes do jogo (13) e vindo de derrota para a Fiorentina, o resultado foi bom, mantém a equipe na briga liderança e, por hora, é isso o que importa. (AM)

Roma 3-1 Udinese
A atuação decisiva nesta tarde por parte da Roma contra a Udinese, no Olimpico, fez com que o pouco de esperança em uma vaga europeia continuasse vivo. Não foi preciso muito tempo para que Osvaldo abrisse o marcador. Jogando melhor, a equipe da capital manteve o seu padrão ofensivo e aproveitou bem as brechas defensivas por parte do visitante, que se assustou com o primeiro gol sofrido. Pouco antes do intervalo, Fernandes marcou e deu razão aos que desconfiavam do bom futebol giallorosso. A partida continuou igual, mas com maior pressão por parte da Roma no segundo tempo. Somente aos 41 do segundo tempo, Totti fez soltar os gritos entalados na garganta dos presentes. Marquinho ainda marcou o terceiro, coroando sua ótima atuação. Com 51 pontos, um a mais do que o adversário de hoje, a Udinese soma apenas duas vitórias nos últimos onze jogos e vê se complicarem suas chances de irem à próxima Liga dos Campeões. Já a Roma segue irregular e é difícil cravar um prognóstico. (Felipe Portes)

Inter 2-1 Siena
Jogando mais uma vez com uma equipe experiente, como nas outras duas partidas sob o comando de Stramaccioni, a Inter foi aguerrida para vencer o Siena de virada. Forlán finalmente sentou no banco, abrindo vaga para Álvarez, em retorno aos campos após dois meses lesionado, e a partida até começou bem para a equipe nerazzurra. Até que Samuel cometeu erro bizarro e permitiu que o Siena marcasse, com D'Agostino. Foi aí que Milito apareceu para empatar, de cabeça, graças a falha de Pesoli. A Beneamata continuou melhor no jogo, principalmente por causa das boas partidas de Álvarez, Nagatomo (substituto de Samuel, lesionado) e Zanetti. No segundo tempo, a Inter criou muito, perdeu alguns gols, e chegou ao gol da virada após cobrança de pênalti de Milito. O argentino chegou aos 20 gols no torneio - dois a menos que a temporada do triplete -, dos quais 17 foram feitos em 2012. É na ótima fase do atacante que a Inter deve depositar suas esperanças na conquista de uma vaga na LC: a Lazio está seis pontos à frente. Já o Siena segue tranquilo no meio da tabela.

Napoli 1-3 Atalanta
O sonho de repetir a classificação para a LC só não fica distante do Napoli por um motivo: todos os concorrentes à vaga - incluindo a própria equipe azzurra - são muito irregulares. Por isso, a pesada derrota em casa para a boa Atalanta não teve grandes reflexos em termos de tabela, mas afeta o moral. Os problemas são muitos: Inler não é mais o mesmo do início da temporada e Cavani não tem aparecido. A montanha de problemas, que ainda tem a sempre frágil defesa partenopea e a falta de motivação pela eliminação na Champions frente ao Chelsea, tende a aumentar, já que Aurelio De Laurentiis, dono do clube, tem certo litígio com o técnico Mazzarri: o mandatário queria prioridade para o campeonato, enquanto Mazzarri pensa no título da Coppa Italia. A Atalanta, por sua vez, está mais do que tranquila no meio da tabela e mostrou não tremer no San Paolo. Saiu na frente com bonito gol de Bonaventura e não sentiu ao empate quase instantâneo de Lavezzi. Com a boa partida de Moralez, acabou não sendo missão impossível bater o Napoli em seus domínios. Coroada ainda, com um gol, a partida do lateral Bellini, que tem mais de 400 partidas pelo clube.

Catania 1-2 Lecce
O Catania, que era a coqueluche do momento, chegou à segunda derrota consecutiva no campeonato, depois de rodadas em que jogou o melhor futebol da Serie A. Porém, ao contrário do jogo contra o Chievo, no domingo, o time jogou bem - especialmente Barrientos, autor de uma partida endemoniada na armação das jogadas. O argentino quase marcou um golaço, mas acertou o travessão. Sorte dos rossoazzurri que Bergessio estava lá para concluir. Mas o Lecce não se abateu. Apesar de Barrientos tentar desequilibrar, os salentinos faziam bom jogo e foram buscar a vitória. Primeiro, Di Michele teve uma ótima chance, mas desperdiçou cobrança de pênalti. O lance não abaixou os ânimos giallorossi: Corvia entrou com vontade de decidir e colocou fogo no jogo, demolindo o muro siciliano. Marcou o gol que empatou o jogo e que valeu reclamação do goleiro Carrizo, que acabou expulso. Com o meio-campista Lodi improvisado no gol, o Catania não resistiu e acabou sofrendo o segundo, dois minutos depois. Di Michele se redimiu e colocou ainda mais lenha na fogueira da briga contra o rebaixamento.

Fiorentina 0-0 Palermo
A torcida da Fiorentina se iludiu. Após a grande vitória em Milão, o time de Florença só conseguiu repetir a ótima atuação no primeiro tempo - e até acertou a trave com o zagueiro Nastasic -, não chegou ao gol e acabou vendo a zona de rebaixamento se aproximar novamente. No "jogo dos desiludidos", como definiu o presidente do Palermo, Maurizio Zamparini, Delio Rossi e Amauri, que fizeram história com os rosanero, enfrentavam a ex-equipe, enquanto o goleiro Viviano, torcedor da Fiorentina, lutava contra o coração. Com tantas ligações afetivas e desilusões, o 0 a 0 ficou de bom tamanho. Mesmo que Amauri tenha tentado ludibriar a arbitragem e tenha marcado um gol  maroto com a mão, bem anulado pelo bandeira.

Genoa 1-1 Cesena
No jogo entre a pior defesa e o pior ataque do campeonato, deu empate. Em jogo que era para vencer, o Genoa mais uma vez tropeçou e ampliou sua série negativa: já são 10 partidas sem vitória. Dessa vez, o tropeço aconteceu diante de uma equipe praticamente rebaixada - o descenso matemático do Cesena já pode acontecer na próxima semana, em caso de derrota e empate do próprio Genoa, ante o Milan. No Marassi, o que se viu foi uma partida dominada pelos donos da casa no primeiro tempo, no qual Marco Rossi colocou a equipe em vantagem. Na segunda etapa, porém, o panorama mudou e os cavalos marinhos acabaram merecendo o empate, que veio com  Mutu. Antes, Guana e Renella tinham desperdiçado ótimas chances. Agora, mais do que nunca, a equipe de Gênova vê a zona de rebaixamento bem de perto. Caso perca para o Milan, no San Siro, e o Lecce vença o Napoli, em casa, os rossoblù passarão à 34ª rodada entre os três últimos colocados.

Parma 2-0 Novara
No Tardini, deu o lógico: o Parma passou fácil pelo Novara e evitou que o Lecce se aproximasse - a distância continua de quatro pontos. Na partida, Giovinco teve o destaque de sempre e chegou a seu 11º gol no campeonato. Quem surpreendeu e também jogou bem foi o brasileiro Jonathan, que deu a assistência para o gol do Formiga Atômica e ainda foi o autor do segundo do jogo. Não bastassem as participações importantes, o lateral emprestado pela Inter ainda fez ótima partida defensiva, com boa intensidade. Outro destaque do jogo foi o goleiro Mirante, que na segunda etapa defendeu cobrança de pênalti de Rigoni. Os crociati ganharam duas posições - ocupam a 15ª, agora -, enquanto o Novara segue em penúltimo, 11 pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Horas contadas para a confirmação da volta à Serie B.

Bologna 1-0 Cagliari
O jogo que finalizou a rodada valia pouco tanto para Bologna quanto para Cagliari. Muito dificilmente as equipes serão rebaixadas e, por enquanto, buscam apenas a certeza matemática da salvação, que deve chegar em poucas rodadas, com o mínimo de esforço. O jogo não empolgou muito e foi decidido apenas na segunda etapa, quanto Diamanti acertou cobrança de falta e decretou o placar magro. Poderia ter dado empate, porque pouco depois Larrivey acertou cabeçada no travessão. Com o resultado, o Bologna foi aos 40 pontos, ultrapassando o Cagliari, que ficou com 38.

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Seleção da 32ª rodada
Marchetti (Lazio); Jonathan (Parma), Zaccardo (Parma), Nesta (Milan), Zanetti (Inter); Marquinho (Roma), Pirlo (Juventus), Bonaventura (Atalanta); Del Piero (Juventus), Osvaldo (Roma), Milito (Inter). Técnico: Antonio Conte (Juventus).