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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os melhores da Serie A 2011-12

Ao longo da última semana, analisamos a temporada dos 20 clubes que disputaram a Serie A 2010-11, destacando os principais pontos de cada equipe, além dos destaques e fracassos individuais dos elencos. Antes, falamos também sobre as principais revelações do campeonato. Encerrando este review da temporada, só nos resta montar a seleção dos melhores do campeonato e também atribuir prêmios por desempenhos individuais.

A equipe do Quattro Tratti votou para eleger os melhores e as decepções da temporada em uma série de categorias. A equipe também votou para escolher a seleção da temporada recém-finalizada da Serie A, contando também com a participação de alguns dos melhores jornalistas e especialistas no assunto do Brasil e também da Itália, dos Estados Unidos e da Inglaterra. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. O blog dá uma diminuída em seu ritmo de postagens nos próximos dias, até o início da Euro 2012. Vamos, agora, ao que interessa!

Seleção da Serie A 2011-12
Buffon (Juventus); Lichtsteiner (Juventus), Thiago Silva (Milan), Barzagli (Juventus), Chiellini (Juventus); Nocerino (Milan), Pirlo (Juventus), Marchisio/Vidal (Juventus); Giovinco (Parma); Di Natale (Udinese), Ibrahimovic (Milan). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

Menções honrosas
Goleiros: Handanovic (Udinese), Gillet (Bologna) e Benassi (Lecce)
Defensores: Danilo (Udinese), Acerbi (Chievo), Legrottaglie (Catania) e Marchese (Catania)
Meias: Lodi (Catania), Lulic (Lazio) e Diamanti (Bologna)
Atacantes: Cavani (Napoli), Destro (Siena) e Palacio (Genoa)
Técnicos: Montella (Catania) e Guidolin (Udinese)

Craque do campeonato, Pirlo foi fundamental ao título da Juventus (Getty Images)
Melhor jogador, melhor italiano e melhor meio-campista
Andrea Pirlo, da Juventus. O meio-campista foi a única unamimidade entre os mais de 30 votantes da nossa seleção da temporada. Pudera: o ex-jogador do Milan chegou à Turim com status de refugo do Milan e marcado por uma  temporada recheada de lesões. Mesmo assim, a Juventus apostou no jogador de 32 (hoje, 33) anos, oferecendo-lhe um contrato de três temporadas e um dos mais altos salários do elenco. Muitos questionavam a aposta da Juve, mas imaginavam que em um ano em que atuaria apenas uma vez por semana, o investimento seria interessante.

Hoje, não há dúvidas, o scudetto mais que corrobora a aposta do diretor esportivo Giuseppe Marotta. Em campo, Pirlo foi o maestro da conquista: autor de 13 assistências, foi líder no quesito no campeonato. Além disso, sempre deu um toque de qualidade ao ótimo meio-campo bianconero, fazendo um excelente trio com Marchisio e Vidal, que marcava e saía para o jogo com a mesma eficiência. A partir da semana que vem, Pirlo será também o maestro da seleção italiana na Euro 2012, onde atuará ao lado de Giovinco e Di Natale, que também receberam menções na nossa eleição.

Thiago Silva nem jogou no máximo de sua forma, mas mesmo assim foi um pilar da defesa milanista (Getty Images)
Melhor brasileiro e melhor zagueiro
Thiago Silva, do Milan. O brasileiro nem atuou no máximo de sua capacidade - e também em quantidade, já que perdeu 11 jogos por lesões e suspensões -, mas mesmo assim assegurou pelo segundo ano seguido o posto de melhor canarinho e melhor defensor do campeonato. Thiago foi o líder da defesa rossonera, segunda melhor da temporada, que foi vazada em apenas 33 oportunidades. Exatamente um terço (11)  desses gols aconteceram depois que o zagueiro se lesionou, em uma partida contra a Roma no fim de março, o que evidencia como a defesa tem outro desempenho sem ele e como o Milan poderia ter evitado a perda de pontos importantes na reta final da temporada.

Sem Thiago em campo, o Diavolo também acabou eliminado pelo Barcelona na Liga dos Campeões, apesar de ter se defendido muito bem. O próprio Barça pode contratar o zagueiro neste mercado, por uma fortuna entre 40 e 50 milhões de euros. Na temporada, quem também foi bem foram os zagueiros Barzagli, principal pilar defensivo da zaga da Juventus, e o zagueiro brasileiro Danilo. Aposta certeira da Udinese, foi o jogador de linha que mais atuou no campeonato, ajudando a equipe a ir à LC como a terceira defesa menos vazada do campeonato.

Devastador, Ibrahimovic marcou 28 gols na temporada, alcançando sua melhor marca na carreira (Getty Images)
Melhor estrangeiro e melhor atacante
Zlatan Ibrahimovic, do Milan. O atacante de 30 anos realizou sua melhor temporada na carreira e, com 28 gols na Serie A, sagrou-se artilheiro da competição. O sueco decidiu uma série de jogos a favor do Milan, mas  pela primeira vez em nove temporadas não conquistou um título nacional. Vítima das lesões que assolaram o elenco rossonero, Ibrahimovic não viu a bola chegar com tanta facilidade quanto na outra temporada e nem mesmo criando muitos de seus 28 gols sozinho, ficou "apenas" com o prêmio por sua performance individual.

Nas oitavas da Liga dos Campeões, teve ótimo desempenho na goleada por 4 a 0 sobre o Arsenal, em um de seus pontos altos na temporada. No quesito "melhor atacante", menções honrosas ainda a Di Natale, que com 24 gols mais uma vez liderou a sua Udinese até a conquista da vaga na Champions, e a Giovinco, que marcou 15 gols e deu 11 assistências, ajudando o Parma a ficar em uma posição intermediária na tabela e a chegar a seu recorde histórico de vitórias consecutivas, com sete triunfos em série.

Observação: O quesito "estrangeiro" exclui, naturalmente, brasileiros e italianos da votação.

Líder da defesa juventina, Buffon também puxou as comemorações do título (Reuters)
Melhor goleiro
Gianluigi Buffon, da Juventus. A melhor defesa do campeonato começou por um grande goleiro. Aos 34 anos, Buffon continua sendo um goleiro de altíssimo nível, responsável não só por grandes defesas, mas por precisas orientações de posicionamento aos defensores que estão à sua frente.

O goleiro da seleção italiana teve seu auge quando garantiu à Juve pontos fora de casa em situações nas quais os times rivais eram melhores, casos da vitória contra a Lazio, na 13ª rodada, e dos empates contra a Roma (15ª) e Milan (25ª) - neste último jogo, Buffon fez defesaças e impressionou na defesa que fez no polêmico lance do gol fantasma de Muntari. Nem quando errou feio, na partida contra o Lecce, na antepenúltima rodada do campeonato, permitindo uma perigosa aproximação do Milan, Buffon perdeu a moral perante ao elenco e à torcida. Ídolo da Juve, será definitivamente o capitão do time com a saída de Del Piero. Também mereceram menções os goleiros Handanovic, que fez mais uma boa temporada pela Udinese, e Gillet, autor de defesas impressionantes que mantiveram a defesa do Bologna entre as menos vazadas.

Principal jogador do melhor Siena da história, Destro chamou a atenção dos grandes e da seleção da Itália (Getty Images)
Melhor jovem
Mattia Destro, do Siena. Quando surgiu nas categorias de base da Inter, já se apostava muito no atacante da equipe toscana. Porém, como acontece a quase todo jovem jogador que atua na Itália, se esperava que Destro ganhasse suas primeiras chances na elite apenas daqui a alguns anos. Ele começou no banco do Siena, mas logo ganhou a titularidade e, ao lado de Calaiò, impressionou todo o país - principalmente as diretorias da Juventus e da própria Inter, que quer repatriá-lo -, a ponto de ser convocado por Cesare Prandelli para a seleção italiana, mesmo atuando no modesto Siena. Destro está no grupo de 25 jogadores que podem ir à Euro 2012, mas a expectativa é que fique na "lista de espera" e só ganhe mais chances na seleção após a competição.

Na Serie A, ele mostrou muita força física, potência e também um pouco de técnica e velocidade, sem esquecer de uma finalização apurada. Tudo isso lhe rendeu a marca de 12 gols - entre os atacantes italianos, apenas Di Natale (24), Miccoli (16) e Giovinco (15), marcaram mais que ele. Menção honrosa também a Muriel, do Lecce, que mostrou muita velocidade e habilidade, chegando até a ser comparado com o Ronaldo dos primeiros anos. Na Serie A, fez sete gols e também impressionou as grandes equipes. No entanto, ele deve jogar a LC pela Udinese, que é dona de seus direitos.

Votantes da seleção da temporada
Antonio Labbate (Football Italia)
Braitner Moreira (Trivela)
Daniel Leite (God Save The Ball/iG)
Daniele Monti (Sportv/SkySport Itália)
Dassler Marques (Olheiros/Terra)
Felipe Lobo (Trivela)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)
Gabriel Dudziak (Trivela)
Gian Oddi (ESPN)
Giancarlo Rinaldi (Football Italia)
Gustavo Hofman (ESPN)
Ivan Zazzaroni (Domenica Sportiva/RAI/ZazzaGol)
James Horncastle  (Fox Soccer/FourForTwo)
Leandro Stein (Trivela)
Leonardo Bertozzi (ESPN)
Leonardo Bonassoli (Gazeta do Povo)
Marcelo Bechler (Rádio Globo)
Marcus Alves (Revista ESPN)
Matthew Barker (Freelancer)
Michael Cox (Zonal Marking)
Michel Costa (Além das 4 Linhas)
Pedro Venancio (Trivela/Olheiros)
Roberto Piantino (Mercado Futebol)
Serafino Ingardia (Football Italia)
Vitor Sérgio Rodrigues (Esporte Interativo)
e a equipe do blog.

Para efeitos de comparação, veja todos os jogadores e técnicos que integraram as seleções da rodada do blog. Aqui, você pode conferir uma tabela com o número de presenças de cada um e, aqui, também a lista das seleções, rodada a rodada.

domingo, 27 de maio de 2012

Review da temporada: Juventus

O dono do título: aos 33 anos, Pirlo foi um dos melhores jogadores do campeonato e principal responsável por recolocar a Juve entre os grandes times da Europa (Reuters)
A campanha: Campeã. 1ª colocação, 84 pontos. 23 vitórias e 15 empates. Classificada à Liga dos Campeões
Ao final de 2011: 2ª colocação
Fora da Serie A: Vice-campeã da Coppa Italia, derrotada na final pelo Napoli
O ataque: 67 gols, o segundo melhor
A defesa: 20 gols, a melhor
Time-base: Buffon; Bonucci, Barzagli, Chiellini; Lichtsteiner, Vidal, Pirlo, Marchisio, De Ceglie; Vucinic, Matri
Os artilheiros: Alessandro Matri (10 gols), Mirko Vucinic (9) e Claudio Marchisio (9)
Os onipresentes: Andrea Pirlo (37 jogos), Claudio Marchisio (36), Andrea Barzagli, Gianluigi Buffon e Stephan Lichtsteiner (35)
O técnico: Antonio Conte
O decisivo: Andrea Pirlo
A decepção: Milos Krasic
A revelação: Luca Marrone
O sumido: Eljero Elia
Melhor contratação: Andrea Pirlo
Pior contratação: Eljero Elia
Nota da temporada: 10

Após duas temporadas seguidas terminando na sétima colocação, estava na hora da Juventus recuperar sua grandeza e disputar as posições de cima da tabela. Para isso, a diretoria foi às compras e trouxe peças importantes para compor o time titular, como Lichtsteiner, Pirlo, Vidal e Vucinic. Só no mercado de início de temporada, Andrea Agnelli desembolsou mais de 50 milhões de euros. Ao contrário do que aconteceu em outras ocasiões, o mercado milionário deu certo dessa vez e a equipe de Turim fez um campeonato praticamente impecável: sagrou-se campeã de forma invicta, com a melhor defesa e o segundo melhor ataque da competição.

Dentre todas as aquisições, porém, tem uma que se destaca. Pirlo saiu do Milan desacreditado e chegou à Juve por apenas 5 milhões de euros, mais como aposta do que como certeza. Livre das lesões que o atormentaram na temporada passada, o jogador de 33 anos mostrou que ainda tem muito o que fazer pelo futebol italiano e acumulou números impressionantes, que o transformam em um dos melhores jogadores do campeonato e o principal responsável pelo título. Além de ter sido o homem que mais entrou em campo pela Juve na Serie A, Pirlo foi também o líder em assistências do campeonato, com 13 passes para gol, e balançou as redes três vezes. O forte meio-campo juventino ainda teve as ótimas contribuições de Marchisio (dono de um grande início de temporada) e de Vidal, que com sua força física e ótima presença nas jogadas de ataque, foi fundamental nos últimos jogos do campeonato.

Outro grande responsável pelo scudetto juventino é o técnico Antonio Conte. O ex-jogador desembarcou em Vivono com experiência apenas em times pequenos e rapidamente conquistou a confiança de jogadores e torcida. Além de uma defesa muito forte, Conte conseguiu montar um meio de campo muito equilibrado, que marca bem e parte para o ataque com velocidade e criatividade. Só o ataque não vingou por isso é o setor que traz mais preocupações para o mercado da próxima temporada - também por causa da despedida de Del Piero, ídolo que deixa o clube após 19 anos. Em um ano de poucas decepções, vale citar apenas os nomes de Krasic (considerado o principal reforço da temporada passada) e Elia (custou 7 milhões e pouco jogou), que renderam bem abaixo do esperado.  

Review da temporada: Milan

Vice-campeonato e fim de geração: ídolos, Inzaghi e Gattuso são saudados saudados pela torcida e se emocionam (acmilan.com)

A campanha: 2º colocado, 80 pontos. 24 vitórias, 8 empates, 6 derrotas. Classificado à Liga dos Campeões
Ao final de 2011:  1ª colocação 
Fora da Serie A: Campeão da Supercoppa italiana contra a Inter, eliminado nas quartas de finais da Classificado à Liga dos Campeões pelo Barcelona e eliminado na semifinal da Coppa Italia pela Juventus
O ataque: 74 gols, o melhor
A defesa: 33 gols, a segunda melhor
Time-base: Abbiati; Abate, Nesta (Mexès), Thiago Silva, Antonini (Mesbah); Van Bommel, Nocerino, Seedorf (Ambrosini, Emanuelson); Boateng; Cassano (Robinho), Ibrahimovic
Os artilheiros: Zlatan Ibrahimovic (28 gols), Antonio Nocerino (10) e Robinho (6)
Os onipresentes: Antonio Nocerino (35 jogos), Zlatan Ibrahimovic (32) e Christian Abbiati (31)
O técnico: Massimiliano Allegri
O decisivo: Zlatan Ibrahimovic
A decepção:
 Alexandre Pato
A revelação: Stephan El Shaarawy
O sumido: Gennaro Gattuso
Melhor contratação: Antonio Nocerino
Pior contratação: Taye Taiwo
Nota da temporada: 8

Apesar de ter o melhor elenco, considerado por boa parte da imprensa italiana, o Milan novamente sofreu com lesões. Mais uma vez, o MilanLab foi muito criticado e foi considerado por muita gente o fiel da balança na decisão do título, que acabou ficando com a Juventus. O alto número de lesões atrapalhou, muitas vezes, Allegri na hora de escalar a equipe, mas o treinador também não quis muito saber de variar o esquema. Além disso, faltou um parceiro de ataque a Ibrahimovic, já que Cassano (com problemas cardíacos) e Pato (sempre machucado) pouco atuaram. Tudo isso contribuiu para que o bicampeonato não viesse. Líder na virada de ano, o time acabou não resistindo à irrepreensível campanha da Juventus. A derrota na Champions League foi sofrida, porém perder para o Barcelona, não foi nada surpreendente. A lição foi útil e mostrou a evolução da equipe da última temporada para essa.

O problema do Milan foram os confrontos contra os concorrentes. Dos seis primeiros colocados, o Milan só conseguiu vencer a Udinese, no jogo do segundo turno. De resto, uma derrota e um empate contra a Juventus, Lazio e Napoli, um empate com a Udinese, e duas derrotas contra a Inter, no dérbi milanês. Faltou poder de decisão. Peça fundamental no 4-3-1-2 utilizado por Allegri, Boateng passou tempo demais machucado e o Milan não conseguiu encontrar quem suprisse sua falta e tivesse o importante papel de chegar ao ataque. Emanuelson fez bons jogos na função e Ibrahimovic foi letal, com 28 gols, mas nem mesmo ter o melhor ataque do torneio levou o Milan ao título. No meio-campo, Nocerino foi uma das melhores contratações da temporada: substituiu Gattuso à altura, com a diferença de avançar e marcar gols. Problema recorrente de anos, as laterais ainda não tiveram soluções. Na direita, Abate deu certo mas ainda é pouco. Na esquerda, Taiwo foi um fiasco e acabou emprestado. Mesbah chegou do Lecce foi tímido quando jogou. 

Porém, mesmo perdendo o título, a torcida milanista chorou mesmo pela despedida de alguns de seus ídolos. No último jogo da temporada, ante o Novara, os rossoneri lotaram San Siro simplesmente para homenagear Seedorf, Zambrotta, Nesta e Gattuso, que deverão ter seu futuro em outro time. Por outro lado, eles tiveram o privilégio de ver a última partida de Pippo Inzaghi. O “melhor grosso” do futebol deixará saudade não só no Milan. Para encerrar, marcou seu último gol como jogador profissional e comemorou com sempre fez, com toda a emoção de uma final, mesmo que o jogo não valesse nada. Outros que acabaram seu ciclo no Milan foram Van Bommel, Aquilani e Maxi López, mas esses não deixarão tantas saudades. Quem pode estar com o ciclo acabando é Alexandre Pato. A torcida já perdeu a paciência com suas lesões e falta de participação no jogo. Por enquanto, apenas o relacionamento com Barbara Berlusconi o mantém no clube.

sábado, 26 de maio de 2012

Review da Temporada: Udinese

Di Natale agredece a liberdade que Guidolin o proporciona e o técnico colhe os resultados impulsionados pelos gols do seu capitão (Getty Images)

A campanha: 3ª colocação, 64 pontos. 18 vitórias, 10 empates, 10 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões
Ao final de 2011: 3ª colocação 
Fora da Serie A: Eliminada nos play-offs da Liga dos Campeões pelo Arsenal; eliminada nas oitavas de final da Liga Europa pelo AZ; eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Chievo
O ataque: 52 gols
A defesa: 35 gols, a terceira melhor
Time-base: Handanovic; Domizzi, Danilo, Benatia; Basta, Isla, Pinzi, Asamoah, Armero; Abdi; Di Natale
Os artilheiros: Antonio Di Natale (23 gols), Dusan Basta (5) e Antonio Floro Flores (4)
Os onipresentes: Samir Handanovic (38 jogos), Danilo (37) e Antonio Di Natale (36)
O técnico: Francesco Guidolin
O decisivo: Antonio Di Natale
A decepção: Gabriel Torje
A revelação: Diego Fabbrini
O sumido: Paulo Barreto
Melhor contratação: Danilo
Pior contratação: Paulo Barreto
Nota da temporada: 8

A Udinese voltou a deixar gigantes para trás e garantiu a vaga na Liga dos Campeões. Desde a eliminação na fase preliminar da LC para o Arsenal, os friulianos se focaram na disputa da Serie A, para retornarem a disputar a principal competição europeia e a opção deu certo. A briga foi até o final, mas os bianconeri foram mais constantes e ficaram à frente de Lazio, Inter e Napoli. As zebrette conseguiram absorver as perdas de Inler, Sánchez e Zapata, que foram pilares da equipe na temporada anterior e, mesmo com essas mudanças, tiveram muito do ano passado em campo. Guidolin manteve o estilo de jogo: foco na defesa, liberdade para os alas e espaço para Antonio Di Natale brilhar. Ao longo das 38 rodadas, o esquema 3-5-1-1 foi o mais utilizado pelo técnico e garantiu a estabilidade defensiva – os friulianos terminaram a Serie A 2011-12 com a terceira defesa menos vazada.

Desde 2009-10, Antonio Di Natale tem 80 gols na Serie A e foi artilheiro de duas temporadas no Belpaese. Neste ano, os 23 gols e o bom desempenho garantiram a presença na pré-lista para a Euro 2012, a sua primeira convocação com Cesare Prandeli. Mais uma vez, o capitão foi o resposável por quase metade dos gols da Udinese na Serie A. Para dividir as atenções ofensivas com o camisa dez, os alas fizeram um ótimo trabalho, atuando com muita proteção dos meias. Pela direita, Basta marcou cinco vezes e deu cinco assistências. Do outro lado, Armero teve mais uma boa temporada na Itália, dando dez passes decisivos e liderando a equipe no quesito. Porém, foi o sistema defensivo que teve o maior destaque na campanha da equipe de Údine. O meio-campo recheado de jogadores com bom poder de marcação foi fundamental para proteger o bom trio defensivo. Neste setor, o destaque foi para Asamoah, que mais em mais uma temporada realizou trabalho fundamental na saída de bola das zebrette e se mostrou um meia completo, que marca e ataca bem.

O lado ruim do campeonato friuliano foram as contratações: Barreto voltou do Bari e não deu certo. Já Torje, o "Messi dos Cárpatos", mostrou pouco. Um dos investimentos que menos chamou atenção no mercado foi a chegada de Danilo, do Palmeiras. Mas o zagueiro surpreendeu, se adaptou rapidamente à Serie A e terminou o ano como um dos melhores zagueiros do campeonato - foi, inclusive, o jogador de linha que mais minutos atuou na competição. Para não parar mais uma vez na fase de play-offs da Liga dos Campeões, a Udinese deverá optar por segurar os jogadores mais importantes, além de contratar pontualmente. O foco deve ser o ataque, pois Antonio Di Natale está perto de se aposentar e precisa de alguém para dividir a responsabilidade de marcar os gols da equipe. Muriel, que brilhou pelo Lecce, pode ser esse nome.

Review da temporada: Lazio

Klose foi decisivo nos dérbis e a Lazio quebrou um tabu de 14 anos (Getty Images)
A campanha: 4ª colocação, 62 pontos. 18 vitórias, 8 empates, 12 derrotas. Classificada à Liga Europa
Ao final de 2011: 4ª colocação
Fora da Serie A: Eliminada na fase de 16 avos de final da Liga Europa pelo Atlético de Madrid. Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pelo Milan
O ataque: 56 gols
A defesa: 47 gols
Time-base: Marchetti; Konko, Biava, Diakité (André Dias), Radu (Lulic); González, Ledesma, Matuzalém (Brocchi), Lulic (Mauri); Hernanes (Candreva); Klose (Rocchi)
Os artilheiros: Miroslav Klose (12 gols), Hernanes (8) e Tommaso Rocchi (5)
Os onipresentes: Cristián Ledesma (37 jogos), Álvaro González, Federico Marchetti e Hernanes (31)
O técnico: Edoardo Reja
O decisivo: Miroslav Klose
A decepção: Hernanes
A revelação: Senad Lulic
O sumido: Emiliano Alfaro
Melhor contratação: Miroslav Klose
Pior contratação: Djibril Cissé
Nota da temporada: 7,5

Com o objetivo de ir à Liga dos Campeões traçado mesmo antes de começar a temporada, se esperava uma Lazio forte, ainda pelas contratações de peso, como Klose e Cissé, e pela boa campanha feita no campeonato anterior. Mas o que se viu foi uma Lazio muito irregular, com problemas internos - os dois pedidos de demissão do técnico escancararam isso - e vários jogadores lesionados. Mesmo assim, a equipe romana conseguiu superar as dificuldades e terminou a Serie A em um honroso quarto lugar, o que a leva novamente à Liga Europa. A Lazio voltou a vencer os dois dérbis contra a Roma após 14 anos. Isso trouxe de volta a confiança para o torcedor. A equipe também mostrou força nas vitórias contra Napoli, Milan e Inter, mas foi capaz de ser goleada por equipes como Siena (4 a 0) e Palermo (5 a 1). A derrota para o Novara e os empates contra Siena e Lecce, já na reta final do campeonato, foram cruciais para que a equipe não alcançasse o terceiro lugar.

A equipe contou com um Hernanes muito menos brilhante do que na temporada anterior. Desta vez, quem se destacou foi Miroslav Klose que, mesmo com alguns problemas físicos, foi artilheiro da equipe e decidiu o primeiro dérbi que jogou no último minuto. A defesa foi o setor que mais sofreu com lesões. Reja teve que se virar com o que tinha e até improvisar jogadores. Marchetti e Diakité foram exclelentes na retaguarda, enquanto André Dias mostrou destempero em alguns momentos e também foi prejudicado por contusões. No meio campo, González foi bastante últil pela direita, sempre com bastante fôlego. Lulic foi uma aposta que deu certo, muito pela sua versatilidade. Ledesma voltou a mostrar bom futebol e foi o líder do meio campo laziale. Candreva espantou a desconfiança (pelas suas atuações no Cesena e, principalmente, por ser romanista declarado) e foi importante nas últimas partidas. Mauri, após muito tempo lesionado, voltou e marcou gols decisivos.

Mesmo com a falta de planejamento da diretoria, Reja conseguiu extrair o máximo do elenco que tinha à disposição. Chateado com a falha no objetivo, a falta de reforços (no mercado de inverno, ele pediu um atacante, que não foi contratado) e de reconhecimento, o treinador pediu demissão - desta vez, definitiva - no  final da temporada. Lotito e Tare vão ter que trabalhar muito para manter a equipe em bom nível e finalmente levá-la de volta à Liga dos Campeões. Para isso, a equipe precisará de um Hernanes em ótima fase, que não foi visto nesta temporada. Com outros jogadores importantes do time ficando cada vez mais envelhecidos - casos de Klose, Rocchi e Mauri -, o brasileiro se torna ainda mais importante.

Review da temporada: Napoli

Cavani e Lavezzi, desta vez com um Hamsík mais coadjuvante, foram os grandes destaques da temporada napolitana. Ao menos um deles, provavelmente o argentino, não segue no clube (Reuters)
 A campanha: 5ª colocação, 61 pontos. 16 vitórias, 13 empates e 9 derrotas. Classificada para a Liga Europa
Ao final de 2011: 7ª colocação
Fora da Serie A: campeã da Coppa Italia, eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Chelsea
O ataque: 66 gols, o terceiro melhor
A defesa: 46 gols
Time-base: De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Aronica; Maggio, Gargano (Dzemaili), Inler, Zúñiga; Hamsík, Lavezzi; Cavani.
Os artilheiros: Edinson Cavani (23 gols), e Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsík (9)
Os onipresentes: Morgan De Sanctis (37 jogos), Gökhan Inler e Marek Hamsík (36)
O técnico: Walter Mazzarri
O decisivo: Edinson Cavani
A decepção: Eduardo Vargas
A revelação: ninguém
O sumido: Marco Donadel
Melhor contratação: Gökhan Inler
Pior contratação: Eduardo Vargas
Nota da temporada: 8

Mantendo a base da última temporada, Walter Mazzarri conseguiu fazer o que parecia muito difícil: manter e até mesmo elevar o nível da equipe. Na Serie A, a equipe foi um pouco mais inconstante que na última temporada, mas o título da Coppa Italia sobre a até então invicta Juventus e as partidas históricas pela Liga dos Campeões que deram nova vida ao San Paolo vão ficar na memória dos torcedores por muitos anos. Apesar de o time não ter se classificado novamente à maior competição europeia e ter sido eliminado após ter feito 3 a 1 sobre o Chelsea, na partida de ida, os torcedores consideram a temporada mais que satisfatória. Pudera, a equipe conquistou seu primeiro título após o fim da Era Maradona, que acabou no início dos anos 90.

Não ter chegado à LC compromete um pouco o orçamento para a próxima temporada, mesmo que o presidente Aurelio De Laurentiis esteja disposto a continuar investindo muito no time. Ezequiel Lavezzi, um dos três tenores, que fez ótima temporada, deve enfim deixar Nápoles, rumo a Paris Saint-Germain ou Inter. Caso saia, o clube já teria seu substituto: Eduardo Vargas, contratado junto à Universidade de Chile. Porém, o chileno foi muito mal nas oportunidades que recebeu e já se considera emprestá-lo. Ao contrário, Pandev, emprestado pela Inter, agradou ao clube e deve permanecer, ao menos como opção para o segundo tempo. No quesito contratações, outra que deu muito certo foi Inler, que se tornou peça-chave ao time, dando um equilíbrio grande ao meio-campo e contribuindo ofensivamente. O suíço fez primeira metade de temporada impressionante, mas caiu um pouco de rendimento com o cansaço.

Na temporada napolitana, se Cavani continuou fazendo gols à rodo, auxiliado por Lavezzi e Hamsík, sempre muito participativos, a defesa foi o grande ponto fraco de um time com vocação ofensiva. Numericamente, 46 gols não são tantos - sobretudo se o ataque, com 66, rendeu bastante -, mas muitos deles aconteceram em momentos cruciais . Que o digam Chelsea ou Bologna, que tiraram sonhos do Napoli quando eles pareciam próximos de se concretizar. A derrota para a equipe emiliana, na reta final da Serie A, praticamente tirou o Napoli da briga pela última vaga na LC. Por isso, um dos grandes objetivos no mercado é a contratação de novos zagueiros.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Review da temporada: Inter

Milito e Forlán: amigos, os dois Diegos formam os grandes contrastes da Inter na temporada. De um lado, os melhores momentos com a recuperação do argentino, do outro a aposta falimentar no uruguaio (Reuters)
A campanha: 6ª colocação, 58 pontos. 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. Classificada para a Liga Europa
Ao final de 2011: 5ª colocação
Fora da Serie A: Vice-campeã da Supercoppa italiana, eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Marseille e eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pelo Napoli
O ataque: 58 gols, o quinto melhor
A defesa: 55 gols
Time-base: Júlio César; Maicon, Lucio, Samuel, Nagatomo; Zanetti, Cambiasso, Obi; Sneijder, Álvarez (Zárate); Milito (Pazzini)
Os artilheiros: Diego Milito (24 gols) e Giampaolo Pazzini (5)
Os onipresentes: Esteban Cambiasso (37 jogos), Yuto Nagatomo (35), Lucio e Javier Zanetti (ambos com 34)
O técnico: Gian Piero Gasperini, da 2ª à 4ª rodada, Claudio Ranieri, da 5ª à 30ª e Andrea Stramaccioni, da 31ª em diante
O decisivo: Diego Milito
A decepção: Giampaolo Pazzini
A revelação: Davide Faraoni
O sumido: Angelo Palombo
Melhor contratação: Andrea Poli
Pior contratação: Diego Forlán
Nota da temporada: 5

Pelo jeito que a temporada começou, o sexto lugar foi até lucro para a Inter. Depois que Leonardo deixou o time de maneira surpreendente, pouco antes da pré-temporada, a Beneamata teve de ir ao mercado de treinadores, que não estava lá com muitas opções. Ficou com Gian Piero Gasperini. O treinador insistiu demais no confuso 3-4-3, não assimilado pelos jogadores, que ficavam expostos. Logo foi demitido, após quatro jogos sem vitória, e deu lugar a Claudio Ranieri, que começou o trabalho muito bem, colocando cada peça em seu lugar. Mesmo com um futebol bem mais ou menos, a Inter chegou a engatar uma série de oito jogos seguidos com vitórias - sete pela Serie A. Esta reação fazia os mais otimistas acreditarem em uma vaga na Liga dos Campeões, porém, quando a série foi quebrada, com uma derrota frente ao Napoli, a equipe degringolou e engatou uma outra série, desta vez negativa. Ranieri acabou se demitindo após derrota contra a Juventus e a Inter injetou fôlego novo, com a efetivação de Andrea Stramaccioni, campeão com o time sub-19. O técnico agradou e deve conduzir a revolução que acontecerá em 2012-13.

Nem só de problemas relacionados ao comando viveu a Inter. Dentro de campo, o time continuou muito vulnerável defensivamente, mostrando que a culpa não era de Leonardo em 2010-11. Uma série de jogadores teve rendimento abaixo do esperado nesta temporada. Na defesa, Ranocchia errou bastante e acabou perdendo crédito com os treinadores - fez apenas 12 jogos no campeonato. Lucio alternou boas exibições com erros grotescos (pelo menos três custaram pontos e um deles custou a eliminação na LC) e deixará o clube. No meio-campo, Cambiasso não foi o leão de sempre, mas esteve na média, enquanto Stankovic foi muito mal. Sneijder passou muitas rodadas no departamento médico e, quando esteve em campo, foi decisivo em alguns jogos, mas nulo em outros - especialmente sob comando de Ranieri.

Entre os atacantes, dois enormes flops: Pazzini, em 30 jogos, marcou míseros cinco gols, tendo perdido um caminhão deles e jogando muito mal - perdeu até sua vaga na seleção italiana. Já Forlán é um caso à parte: o substituto de Eto'o (37 gols ano passado), jogou apenas 20 vezes e fez 2 gols. A pior média de gols/jogo de um atacante na história do clube. A cereja no bolo de um péssimo mercado, que teve apenas Guarín e Poli como novidades satisfatórias - Álvarez e Zárate foram inconstantes. De positivo este ano, aliás, pouca coisa: a principal foi a classificação para uma classificação para a Liga Europa - ainda é uma competição internacional -, amortiza eventuais prejuízos e não afasta tanto jogadores de renome internacional. Apesar da derrota na Supercoppa frente ao Milan, as duas vitórias nos dérbis da Serie A (uma por 4 a 2) devem ser valorizadas, assim como os 24 gols de Milito, que teve sua melhor temporada na Itália - superior ainda à da Tríplice Coroa. Para a próxima temporada, o que se espera é uma Inter reformulada e renovada, sem nomes como Córdoba, Lucio, Stankovic, Forlán e Zárate.

Review da temporada: Roma

Luis Enrique e a cara de decepção de todos os romanistas: trabalho teve altos e baixos, um ataque produtivo e defesa vulnerável. Não terá prosseguimento (Getty Images)
 A campanha: 7ª colocação, 56 pontos. 16 vitórias, 8 empates e 14 derrotas
Ao final de 2011: 6ª colocação
Fora da Serie A: Eliminada na fase de play-offs da Liga Europa pelo Slovan Bratislava e pela Juventus nas quartas-de-final da Coppa Italia
O ataque: 60 gols, o quarto melhor
A defesa: 54 gols
Time-base: Stekelenburg; Taddei (Rosi), Kjaer, Heinze (Juan), José Ángel; Gago, De Rossi, Pjanic (Marquinho); Totti, Osvaldo, Borini (Lamela, Bojan)
Os artilheiros: Pablo Osvaldo (11 gols), Fabio Borini (9) e Francesco Totti (8)
Os onipresentes: Daniele De Rossi (32 jogos), Gabriel Heinze e Miralem Pjanic (30)
O técnico: Luis Enrique
O decisivo:  Pablo Osvaldo
A decepção: Bojan Krkic
A revelação: Federico Viviani
Os sumidos: Juan
Melhor contratação: Pablo Osvaldo
Pior contratação: Simon Kjaer
Nota da temporada: 5
Com um trabalho bastante duro deste o início, Luis Enrique tinha a árdua missão de rejuvenescer um elenco envelhecido e já meio desmotivado. Além disso, o espanhol chegou sob forte clima de desconfiança, já que o único trabalho anterior foi no time B do Barcelona. Nos últimos dois ou três anos, qualquer torcedor da Roma poderia escalar o time facilmente, já que poucas peças eram mudadas. Com esse objetivo, além de contratar atletas jovens, o treinador utilizou diversos jogadores das divisões de base, mesmo que por poucos minutos. Fora isso, a temporada não deu muitos motivos a se comemorar.
Infelizmente, para os torcedores da Roma e qualquer amante do futebol, o inesgotável Totti começa a entrar em uma curva descendente. Pjanic, contratado para ser seu provável substituto como principal fonte de criação de jogadas, teve um bom início de campeonato, mas lesões interromperam que o meia tivesse uma sequencia. As contusões, inclusive, afligiram demais a equipe da capital nesta temporada. Para citar alguns dos jogadores que conheceram o departamento médico de Trigoria, estão Juan, Heinze, Burdisso e o já citado Pjanic. Tendo tantos problemas no setor defensivo, De Rossi inclusive teve de mostrar sua versatilidade e atuou como zagueiro central em alguns jogos, nunca deixando a desejar. A exemplo de Taddei, bastante utilizado na lateral-direita. A postura tática da Roma, porém, foi bastante questionável. O time mantinha muito a posse de bola, mas demorava demais a concluir a gol. Defensivamente, era ainda pior: a defesa estava sempre cheia de buracos e levava gols facilmente (que o diga o 4 a 0 sofrido antes a Juventus). Na zaga, Kjaer chegou para ser esperança, mas foi muito mal.
Entre as rodadas 16 e 22 (que contou também com a partida da 1ª rodada, adiada) o time viveu um ótimo momento. Vitórias sobre o Napoli no San Paolo, por 3 a 1, e goleadas sobre o Cesena, por 5 a 1, e Internazionale, por 4 a 0, com destaque para ótimas atuações de Osvaldo e Borini. A essa altura, parecia que a equipe havia absorvido a filosofia de Luis Enrique e adquirido um mínimo de entrosamento. Porém, foi apenas uma amostra da irregularidade que acompanhou o time ao longo da temporada e, na segunda metade da Serie A, o ritmo caiu novamente. Alguns apontam que Luis Enrique não tinha o necessário para tirar um “algo mais” dos jogadores. Já desmotivada, a equipe giallorossa teve péssimo desempenho na reta final (apenas uma vitória nos últimos seis jogos) e ficou fora da Europa. Para a próxima temporada, o tal projeto de espelhar o Barcelona, com Luis Enrique, será interrompido. Alguém dará continuidade ou ele foi totalmente abortado?

Review da temporada: Parma

Nesta temporada, foi difícil parar Giovinco. O Formiga Atômica foi um dos melhores jogadores da Serie A e levou o Parma a um ano confortável, com direito a recorde (Getty Images)
A campanha: 8ª colocação, 56 pontos. 15 vitórias, 11 empates e 12 derrotas
Ao final de 2011: 13ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Verona
O ataque: 54 gols
A defesa: 53 gols
Time-base: Mirante; Zaccardo, Paletta, Lucarelli; Biabiany, Valiani, Morrone (Valdés, Mariga), Galloppa, Gobbi (Modesto); Giovinco, Floccari
Os artilheiros: Sebastian Giovinco (15 gols), Sergio Floccari (8) e Jonathan Biabiany (6)
Os onipresentes: Jonathan Biabiany (38 jogos), Sebastian Giovinco (36) e Cristian Zaccardo (35)
O técnico: Franco Colomba, da 1ª à 17ª rodada e Roberto Donadoni, da 18ª em diante
O decisivo: Sebastian Giovinco
A decepção: Raffaele Palladino
A revelação: Gabriel Paletta
O sumido: Raffaele Palladino
Melhor contratação: Jonathan Biabiany
Pior contratação: Gonçalo Brandão
Nota da temporada: 7,5

A temporada parmiggiana é facilmente dividida em duas: a primeira parte, com Franco Colomba, era de muita vulnerabilidade na defesa e de atuações muito irregulares. A equipe beirava a zona de rebaixamento, mesmo com boas atuações de Giovinco. Após a saída do técnico toscano e a chegada de Roberto Donadoni, muita coisa mudou. O esquema, frequentemente 3-4-3 ou 4-4-2, mudou de vez para o 3-5-2, dando mais equilíbrio à equipe e mais liberdade ao Formiga Atômica. No comando do ataque, Floccari continuava responsável por fazer o pivô e puxar a marcação para que a estrela do time jogasse mais solta. E, por vezes, permitia também que Biabiany jogasse mais solto, explorando sua velocidade - sobretudo após a chegada de Jonathan, que fez bons jogos. A fórmula engrenou principalmente nas últimas rodadas do campeonato, quando o Parma conseguiu sete vitórias consecutivas, estabelecendo seu recorde histórico de triunfos.

A veloz e habilidosa dupla formada por Giovinco e Biabiany deu liga. O italiano, provável peça-chave no time de Cesare Prandelli na Euro, foi um dos melhores jogadores do campeonato, sempre resolvendo partidas a favor dos crociati, seja com assistências ou golaços - como o marcado contra o Siena. Giovinco, ao lado de Miccoli, foi o único jogador na Serie A a alcançar duas casas de numerais seja nos gols, seja nas assistências: ao todo, foram 15 gols e 12 bolas para  companheiros deixarem os seus. Tão importante quando o Formiga Atômica, Biabiany recuperou o futebol na sua volta a Parma e participou diretamente de 10 gols emilianos.

Na defesa, o grande destaque vai para o zagueiro Paletta. Já com 26 anos, o argentino voltou à Europa - teve uma passaca pelo Liverpool, em 2006-07 - sem grandes perspectivas, mas se firmou como um  dos pilares da zaga do Parma, sendo importante na marcação, mas também no ataque: marcou quatro gols em jogadas de cruzamento na área. Zaccardo, que havia sido brilhante na última temporada, caiu um pouco, mas manteve a média. Quem sumiu de vez foi o meia-atacante Palladino, que parece ter sucumbido de vez aos problemas físicos, cada vez mais frequentes. Para ele, a solução é procurar uma equipe menor. Para o Parma, se livrar desses refugos e seguir bem no mercado é a chave para voltar a ser uma força do médio escalão italiano. Os resultados vão dando razão ao presidente Tommaso Ghirardi.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Review da temporada: Bologna

Di Vaio, um pouco menos decisivo que de costume, se despediu do Bologna com louvor. Ele já foi passando a batuta ao trequartista Diamanti, finalmente amadurecido (Getty Images)
A campanha: 9ª colocação, 51 pontos. 13 vitórias, 12 empates, 13 derrotas
Ao final de 2011: 17 ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Juventus
O ataque: 41 gols
A defesa: 43 gols, a quarta melhor
Time-base: Gillet; Raggi, Portanova, Morleo (Antonsson); Pulzetti (Garics, Taïder), Pérez, Mudingayi, Kone; Ramírez, Diamanti; Di Vaio (Acquafresca)
Os artilheiros: Marco Di Vaio (10 gols), Gastón Ramírez (8) e Alessandro Diamanti (7)
Os onipresentes: Marco Di Vaio (37 jogos), Daniele Portanova e Gaby Mudingayi (34
O técnico: Pierpaolo Bisoli, da 2ª à 6ª rodada; Stefano Pioli, da 7ª em diante
O decisivo: Alessandro Diamanti
A decepção: Henry Damián Giménez
A revelação: Saphir Taïder
O sumido: Luigi Vitale
Melhor contratação: Jean-François Gillet
Pior contratação: Luigi Vitale
Nota da temporada: 7

Com um péssimo começo de temporada - apenas um ponto nas cinco primeiras partidas - o Bologna parecia caminhar para mais um ano de luta contra o rebaixamento até as últimas rodadas.  Após estes cinco jogos, o treinador Pierpaolo Bisoli foi substituído por Stefano Pioli (dispensado do Palermo antes mesmo do início do campeonato) e a maré virou. O novo técnico deu uma grande resposta ao clube rosanero e seu presidente intempestivo, ficando quase 10 pontos à frente de sua ex-equipe. O grande mérito de Pioli passa pelo equilíbrio que deu ao time, armando uma defesa muito sólida, que sofreu 43 gols, mais apenas que Juventus, Milan e Udinese. Os rossoblù fizeram um bom segundo turno, vencendo Inter, Lazio (fora de casa) e Napoli e sendo decisivos na briga pela terceira posição. Colocando obstáculos para as outras equipes, o time emiliano conseguiu a salvezza com antecipação e fez sua melhor campanha em dez anos. 

Além dos méritos defensivos de Pioli, destacaram-se as grandes defesas de Gillet, uma das melhores contratações da temporada, substituição à altura de Viviano, que só saiu por trapalhada da diretoria. Agliardi, seu reserva, surpreendeu e também foi muito bem nas 10 partidas em que atuou. Valeu também a luta dos volantes Pérez e Mudingayi. Na zaga, se Portanova já era uma garantia, Morleo se fixou bem na defesa e o sueco Antonsson, de 30 anos, estreou bem no futebol da Bota. Se a defesa enfim foi ajustada, outro aspecto diferente deste Bologna foi a utilização de jovens promessas. Nos últimos anos a equipe deu pouco espaço às apostas, colocando suas fichas nos mais experientes. Dessa vez, Ramírez seguiu como titular eoutros, como Taïder e Belfodil surgiram. Casarini, Krhin e Sorensen, por sua vez, foram pouco utilizados.

Mais na frente, a equipe também teve destaques individuais, mesmo não tendo vocação ofensiva. O experiente Di Vaio - que deixará a equipe após quatro temporadas, rumo ao Impact Montreal, da Major League Soccer - continuou entre os protagonistas, mais uma vez acompanhado pelo bom uruguaio Ramírez e, desta vez, pelo selecionável Diamanti. O trequartista, que já havia sido destaque no Brescia, evoluiu demais jogando pelos felsinei e, com grande técnica nos passes e em cobranças de falta, decidiu muitos jogos. Acabou merecendo o chamado de Cesare Prandelli, que está o observando em duas semanas de treinos com vistas para a Euro 2012. Diamanti deve seguir como estrela da companhia na próxima temporada, com a saída de Di Vaio e a provável venda de Ramírez. Além de manter sua joia, o Bologna precisará se desfazer de alguns jogadores, como Vantaggiato, Paponi e Vitale, que mal foram utilizados e incham o plantel.

Review da temporada: Chievo

Em sua primeira temporada, Bradley comandou o meio-campo; e o capitão Pellissier foi artilheiro e decisivo (Getty Images)

A campanha: 10º colocado, 49 pontos, 12 vitórias, 13 empates e 13 derrotas
Ao final de 2011: 12º colocado
Fora da Serie A: eliminado nas quartas de final da Coppa Italia para o Siena
O ataque: 35 gols, o segundo pior
A defesa: 45 gols, a quarta melhor
Time-base: Sorrentino; Frey, Cesar, Andreolli (Acerbi), Jokic; Hetemaj (Luciano), Rigoni, Bradley
; Sammarco (Théréau); Paloschi e Pellissier
Os artilheiros: Sergio Pellissier (8 gols), Cyril Théréau (6) e Alberto Paloschi (5)
Os onipresentes: Stefano Sorrentino (37 jogos), Michael Bradley e Sergio Pellissier (35)
O técnico: Domenico Di Carlo
O decisivo: Sergio Pellissier
A decepção: Rinaldo Cruzado
A revelação: Francesco Acerbi
O sumido: Francesco Grandolfo
Melhor contratação: Michael Bradley
Pior contratação: Rinaldo Cruzado
Nota da temporada: 6,5

Seja com Stefano Pioli, seja com Domenico Di Carlo, o Chievo tem o mesmo estilo de jogo: defensivo. Nas duas últimas temporadas, os gialloblù formaram uma equipe que sofre pouquíssimos gols e, lá na frente, marca muito menos. E é exatamente pelos jogadores de caráter de marcação que o Chievo terminou na 10ª posição da Serie A. Di Carlo voltou ao comando e alternou bastante entre o 4-3-1-2 e o 3-5-2, fazendo com que os adversários corressem para balançar a rede. A postura tática protegeu Sorrentino durante todo o campeonato (somente Handanovic, da Udinese, foi menos vazado), especialmente com Bradley na cabeça-de-área. O americano, se encaixou perfeitamente no meio-campo dos burros alados e chamou a atenção da Roma.

Hetemaj, Rigoni e Bradley formaram um ótimo tridente à frente da zaga do Chievo. Bons passadores - o estadunidense foi o que mais trocou passes - e nos desarmes. Mas quem fez bonito mesmo foi a defesa. Frey garantiu de vez a vaga na lateral direita - deixando Sardo para trás - e foi uma boa válvula de escape quando os gialloblù atacavam. O líder de desarmes dos burros alados foi Acerbi, zagueiro de 23 anos emprestado pelo Genoa. Seus números impressionam porque ele jogou apenas apenas a partir de dezembro, e, desde que entrou no time, foi vital para a boa campanha. Ele e Andreolli, que ressurgiu na temporada passada, se mostraram bem entrosados a Cesar.

As estatísticas do ataque, no entanto, são de equipes do fundo da tabela. O paradoxo é que os três jogadores ofensivos titulares fizeram uma época regular. Sergio Pellissier, decisivo, marcou oito vezes (artilheiro do Chievo) e ainda distribuiu sete assistências. Ao seu lado, Paloschi foi à rede em cinco oportunidades e deu quatro passes para gol. Cyril Théréau foi recuado para a posição de trequartista, já que Rinaldo Cruzado resolveu deixar seu futebol no Peru, e ajudou os burros alados com seis gols e quatro assistências. Nota 10 para o Chievo em sua proposta defensiva. Contudo, para sonhar mais alto, há de marcar mais tentos.

Review da temporada: Catania

O Catania de Montella surpreendeu,  bateu recordes e fez história (Getty Images)
A campanha: 11ª colocação, 48 pontos. 11 vitórias, 15 empates, 12 derrotas
Ao final de 2011: 8ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado no quarto turno eliminatório da Coppa Italia pelo Novara
O ataque: 47 gols
A defesa: 52 gols
Time-base: Andújar (Carrizo); Bellusci, Legrottaglie, Spolli, Marchese; Almirón, Lodi, Izco; Gómez, Bergessio, Barrientos
Os artilheiros: Francesco Lodi (9 gols), Gonzalo Bergessio (7) e Nicola Legrottaglie (5)
Os onipresentes: Francesco Lodi (37 jogos), Alejandro Gómez e Gonzalo Bergessio (34) e Giovanni Marchese (33)
O técnico: Vincenzo Montella
O decisivo: Francesco Lodi
A decepção: David Suazo
A revelação: Alejandro Gómez
O sumido: Ciro Capuano
Melhor contratação: Gonzalo Bergessio
Pior contratação: David Suazo
Nota da temporada: 7

A equipe siciliana, que sempre figurava na parte de baixo da tabela, conseguiu fazer sua melhor campanha desde que voltou à Serie A, na temporada 2006-07. Foi uma temporada de muitos recordes batidos: o Catania superou também o número de pontos conquistados e de gols feitos em suas participações na máxima série. Os etnei surpreenderam e terminaram o campeonato na 11ª posição, vencendo clubes como Inter, Napoli e Lazio, e tirando pontos de Juventus, Milan e Roma. A equipe beirou por muito tempo a zona de classificação para a Liga Europa , mas acabou perdendo fôlego na reta final do campeonato, depois que conquistou a salvezza matemática.

O técnico Montella alternou entre o 3-5-2 e o ofensivo 4-3-3, fazendo a equipe jogar ofensivamente e usando da melhor forma as peças que tinha à disposição. O ex-romanista deu personalidade ao time, que mesmo com um elenco bem limitado esteve entre os mais duros adversários da Serie A, capaz de levar perigo a qualquer equipe. O belo desempenho do quase estrenate treinador (havia apenas dirigido a Roma em alguns jogos da última temporada, após a saída de Claudio Ranieri) o coloca entre os melhores técnicos jovens da Itália. Arrependida de tê-lo demitido em favor da chegada de Luis Enrique, a Roma já pensa em contratá-lo novamente.

Se no banco Montella fez milagres, dentro das quatro linhas Lodi foi o grande destaque. O camisa 10 marcou nove gols e deu sete assistências, regendo a equipe no meio-campo. O experiente Legrottaglie renasceu: de contratação contestável a um dos grandes nomes da temporada, liderou a defesa e ainda balançou as redes adversárias cinco vezes. A instabilidade no gol, depois que Andújar deu declarações infelizes e deixou o time em janeiro, não chegou a atrapalhar a equipe. Apesar de ter usado cinco goleiros diferentes no ano, o Catania passou longe de ter sido das piores defesas do campeonato. Para a próxima temporada, os sicilianos tem grandes desafios: o primeiro é substituir o diretor esportivo Pietro Lo Monaco, artífice de todas as temporadas que a equipe permaneceu na elite, por seu ótimo olho para jogadores e técnicos. Sem Lo Monaco, que deve ir para o Genoa, o time seguirá fazendo boas contratações?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Review da temporada: Atalanta

Denis, Schelotto e Cigarini foram apenas três dos muitos responsáveis pela campanha surpreendente da Atalanta (Getty Images)

A campanha: 11ª colocação. 13 vitórias, 13 empates e 12 derrotas.
Ao final de 2011: 11ª colocação
Fora da Serie A: Eliminada na terceira eliminatória da Coppa Italia pelo Gubbio
O ataque: 41 gols
A defesa: 43 gols, a quarta melhor
Time-base: Consigli; Masiello (Bellini), Manfredini, Lucchini (Stendardo), Peluso; Schelotto, Cigarini, Carmona, Bonaventura; Maxi Moralez; Denis.
Os artilheiros: Germán Denis (16 gols) e Guido Marilungo (4 gols)
Os onipresentes: Ezequiel Schelotto (37 jogos), Andrea Consigli (35) e Maxi Moralez (34)
O técnico: Stefano Colantuono
O decisivo: Germán Denis
A decepção: Matteo Brighi
A revelação: Manolo Gabbiadini
O sumido: Simone Tiribocchi
Melhor contratação: Ezequiel Schelotto
Pior contratação:  Andrea Masiello
Nota da temporada:
8

A Atalanta foi outra grande surpresa do campeonato. Após os encândalos de apostas que suspenderam o capitão e ídolo do clube, Cristiano Doni - e que, depois, compravaram o envolvimento do lateral Masiello -, a equipe (recém promovida à elite) foi punida e obrigada a começar a Serie A com -6 pontos. Ao contrário do esperado, o time de Bérgamo não se deixou abater, conseguiu deixar a pressão e desconfiança de lado e fez uma primeira metade de campeonato muito acima das expectativas (se não fossem os seis pontos descontados, estaria na zona de classificação para a Liga Europa), praticamente liquidando as chances de rebaixamento. Na segunda parte da competição, o rendimento do time não foi tão fantástico, mas continuou regular.

O motivo para esse sucesso não tem um nome específico. O argentino Germán Denis, claro, se destacou, com 16 gols na temporada e exibições acima da média. Mas os créditos não são só dele. O técnico Colantuono, na equipe desde a campanha do título da Serie B 2010-11, foi essencial na montagem do time e conseguiu alcançar bom equilíbrio, com três setores fortes. A zaga foi a quarta melhor do campeonato, o meio de campo mostrou-se bastante criativo e o ataque foi eficiente. Dentro das quatro linhas, destaques negativos apenas para Brighi, que chegou da Roma para ser titular e acabou participando apenas de 11 partidas, e Tiribocchi, que não fez boas participações como na temporada passada.

A aposta nos jovens é outro ponto positivo a ser ressaltado. Em meio de campo liderado pelo trequartista Maxi Moralez (25 anos), Ezequiel Schelotto (22) e Giacomo Bonaventura (22) também merecem menções honrosas. O primeiro não participou de apenas um jogo da Serie A e foi uma das peças mais importantes da campanha, jogando com velocidade pelo lado direito do campo. O bom rendimento foi premiado com uma convocação de Prandelli para a pré-lista da Eurocopa. No lado oposto, Bonaventura exerceu importante papel de marcação e colaborou para o equilíbrio da equipe. Mais à frente, o jovem Manolo Gabbiadini, de apenas 20 anos, aparece como boa opção para o futuro, mostrando boa visão de jogo e pontaria.

Review da Temporada: Fiorentina

Com 22 anos e cada dia mais maduro, Jovetic foi o líder de uma Fiorentina em plena crise durante toda a Serie A 2011-12 (Getty Images)

A campanha: 13ª colocação, 46 pontos. 11 vitórias, 13 empates, 14 derrotas.
Ao final de 2011: 14ª colocação 
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Roma.
O ataque: 37 gols, o quarto pior.
A defesa: 43 gols, a quarta melhor.
Time-base: Boruc; Gamberini, Natali, Nastasic; Cassani, Behrami, Montolivo, Lazzari, Pasqual (Cerci, Vargas); Jovetic e Amauri (Cerci, Ljajic).
Os artilheiros: Stevan Jovetic (14 gols), Alessio Cerci (5) e Riccardo Montolivo (4).
Os onipresentes: Artur Boruc (36 jogos), Cesare Natali (35) e Andrea Lazzari (31).
O técnico: Sinisa Mihajlovic (2ª à 11ª rodada), Delio Rossi (da 12ª à 36ª rodada) e Vincenzo Guerini (da 36ª à 38ª rodada)
O decisivo: Stevan Jovetic
A decepção: Riccardo Montolivo
A revelação: Matija Nastasic
O sumido: Marco Marchionni
Melhor contratação: Andrea Lazzari
Pior contratação: Santiago Silva
Nota da temporada: 4

Mais uma temporada decepcionante para a Fiorentina. Apostando na base envelhecida, com jogadores como Montolivo, Vargas e Gilardino, que foram protagonistas da mais recente série de bons resultados da equipe, os viola não conseguiram nada além da salvezza na penúltima rodada da Serie A. O técnico Mihajlovic, que iniciou a campanha, recebeu poucos reforços e, nas 11 rodadas em que esteve no comando, só conseguiu três vitórias. A diretoria não teve dúvidas e apostou na mudança no banco de reservas para oxigenar o elenco: Delio Rossi chegou na 12ª rodada, porém, pouca coisa mudou. O treinador de Rimini ainda protagonizou uma cena terrível, onde agrediu o meia-atacante Ljajic, no jogo que garantiu a salvação. 

Com Rossi no banco, a Fiorentina seguiu sendo um time sem criatividade. Montolivo teve muita responsabilidade nisso, pois não conseguiu render e pareceu estar mais focado na próxima temporada, que vai disputar com o Milan, do que na situação que vivia na Toscana e, por isso, foi criticado pela torcida diversas vezes. O ataque lilás sofreu com as poucas chances criadas e foi o quarto pior da Serie A 2011-12, com apenas 37 gols anotados. A situação não foi pior, porque Jovetic conseguiu marcar 14 vezes, mesmo com todos estes problemas criativos da equipe. O montenegrino mostrou maturidade e recuperou o tempo perdido em 2010-11, quando se lesionou e perdeu toda a temporada. 

Além dele, Cerci, apesar da inconstântica, também teve bons desempenhos e fez cinco gols na Serie A, mas confirmou que não se tornará o grande jogador que todos esperavam. O lado esquerdo com Pasqual (e Vargas, quando não estava no departamento médico) também colaborou ofensivamente: o peruano liderou os viola em assistências, com sete passes e o lateral-esquerdo conseguiu cinco passes decisivos. Mas o que segurou os viola na Serie A foi a defesa, que aliou experiência à juventude. O jovem Nastasic, de 19 anos, ganhou muito espaço no setor - Camporese, promessa revelada no ano passado, quase não foi utilizado - que teve os experientes Natali e Gamberini como onipresentes. Renovação é a palavra de ordem em Florença e às saídas de Montolivo, Frey e Gilardino devem se juntar Natali, Pasqual, Marchionni, Vargas e talvez Cerci. Resta saber se Jovetic liderará a equipe nesta nova fase.