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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Há vida na periferia

Lodi fez excelente temporada, bombou na Internet e deve permanecer no Catania de Rolando Maran (Getty Images) 

Depois da análise do mercado dos sete primeiros colocados na última Serie A, trazemos o balanço das outras treze equipes que disputarão a Serie A 2012-13. Em um mercado de equipes mais modestas, circula menos dinheiro, é claro, mas algumas equipes estão longe de fazerem feio com o pouco dinheiro. Os destaques, até agora, são Parma e Fiorentina. Confira!

Parma
Uma das surpresas da temporada passada foi o Parma de Roberto Donadoni. O técnico, que chegou na 18ª rodada, mudou bastante o comportamento da confusa equipe antes treinada por Franco Colomba. No entanto, Giovinco foi o jogador que se sobressaiu. O pequenino meia-atacante fez de tudo: um dos melhores jogadores do campeonato, foi autor de 12 assistências e também foi o artilheiro dos crociati com 15 gols em 36 jogos. Como fazer nova temporada se a co-propriedade da Formiga Atômica foi negociada com a Juventus por 11 milhões de euros? Um mercado promissor, basta.

O Parma foi buscar Ninis no Panathinaikos apesar de uma Eurocopa 2012 fraquíssima do meia-atacante. Pietro Leonardi, diretor esportivo, acertou as aquisições de Belfodil, promissor atacante ex-Bologna e Lyon, e Pabón, ótimo prospecto do Atlético Nacional. Além deles, os crociati conseguiram o empréstimo do bom Parolo, antes Cesena. O retorno de Amauri – que pode ser saudável tanto para o jogador, quanto para o clube – faz com que Palladino seja carta fora do baralho. Uma troca pelo zagueiro Felipe é discutida. Depois de acertar com o volante Acquah, do Palermo, e o zagueiro Fideleff, do Napoli, a contratação para fechar o ciclo para a próxima época deve ser Rosi. O Parma precisa, mesmo, de mais um reforço para a defesa.

Bologna
O Bologna começa a temporada com três baixas consideráveis. O artilheiro, capitão e bandeira da equipe, Marco Di Vaio, foi para Impact Montreal, do Canadá; Gillet, um dos melhores goleiros da Serie A, assinou com o recém-promovido Torino; e o bom meio-campista Mudingayi foi emprestado à Inter. Para amenizar a situação, os rossoblù assinaram em definitivo com Diamanti e Acquafresca e acertaram a contratação do promissor Pasquato – negociado pela Juventus em co-propriedade com a Udinese e imediatamente emprestado ao Bologna.

O retorno de Viviano era especulado, mas a equipe ficou mesmo com Curci, por empréstimo, da Roma. Para a defesa, Roger Carvalho, do Genoa, e Natali, ex-Fiorentina, chegam para um setor que já tem Portanova, Morleo  e Antonsson. Na lateral direita, posição em que Sorensen não se firmou na temporada passada, chega outro juventino: Marco Motta. Para o meio-campo, Guarente chega emprestado pelo Sevilla para substituir Mudingayi, enquanto o uruguaio Abero, do Nacional, já foi contratado pensando em uma eventual venda de Ramírez - se ele não sair, o setor fica forte, com a dupla uruguaia e Diamanti. Se jogadores interessantes chegaram à Emilia-Romanha, a vaga de Di Vaio permanece sem dono. A contratação de um substituto depende da permanência ou saída de Ramírez e Taïder, avaliados por clubes grandes. Dizem até que o primeiro, avaliado em 25 milhões de euros, tem proposta da Inglaterra. 

Chievo
O técnico Domenico di Carlo poderia estar chateado com a falta de ambição por parte da diretoria. O retrospecto recente do treinador à frente do Chievo não foi o suficiente para a cúpula não negociar, novamente, jogadores importantes. Bradley, ótima contratação feita em 2011-12, saiu para a Roma, e Acerbi, revelação da última temporada, foi para o Milan. 

A zaga deve ser formada por Andreolli e Cesar, pois já estão entrosados. No entanto, o Chievo se mexeu e trouxe dois defensores do Vaslui: Papp e Farkas. O experiente Guana chegou para substituir Bradley na volância, enquanto Cofie e Stoian, boas promessas de Genoa e Roma, foram contratados para dar profundidade ao meio-campo. No setor, também chegou Rigoni, destaque e artilheiro do relegado Novara. Outra boa notícia é que Paloschi permanece em definitivo em Verona, enquanto o veterano Di Michele chega para dar mais opções ao ataque. Os gialloblù ainda precisam de laterais – um reserva para Frey e um titular na esquerda, no lugar de Jokic. O clube do Vêneto vai entrar na Serie A, como sempre, com o objetivo de não ser relegado à segunda divisão.

Catania
Já era fim de temporada 2011-12 quando, nas redes sociais, surgiu a hashtag #Lodi2012. Homenagem e referência ao camisa 10 do Catania, de ótimas atuações no campeonato. Os torcedores, por assim dizer, queriam que o meio-campista fosse convocado por Cesare Prandelli para a Euro 2012. Ele não jogou a competição, mas a equipe siciliana conseguiu segurar o atleta por algum tempo. Além de Lodi, Marchese parece, também, ter sido blindado. O lateral foi uma agradável surpresa e fez partidas exuberantes – como contra a Roma, por exemplo.

O clube se mexeu pouco até agora, muito por conta da saída do diretor técnico Pietro Lo Monaco para o Genoa. Caso Gómez seja vendido para alguma equipe, o dinheiro pode – e deve – ser usado para a contratação de um goleiro. Carrizo retornou de empréstimo a Lazio, e Andújar, antigo titular, saiu brigado do Catania em janeiro último - ainda pertence ao clube, mas deve ser negociado Por enquanto, Frison, ex-Vicenza, deve ser o titular da posição, já que é conhecido do novo técnico Rolando Maran. Ao blindar Barrientos e ao contratar Salifu, da Fiorentina, e Castro, do Racing, os etnei precisam investir no ataque. O contrato de Suazo se encerrou e Maxi López foi emprestado à Sampdoria. Somente Bergessio, além de Antenucci e Morimoto, que retornam, não são suficientes.

Atalanta
O principal feito da Atalanta neste primeiro mês de transferências foi segurar o atacante Denis. O artilheiro da equipe na temporada passada com 16 gols foi contratado em definitivo junto à Udinese. Outro fato que agrada os torcedores é que o time de Bérgamo não parece disposto a negociar jogadores importantes. A vontade dos atletas em permanecerem também ajuda: no caso de Cigarini, o volante, emprestado pelo Napoli, recusou-se a ser vendido para Milan, Fiorentina e Rubin Kazan e retornou a Atalanta. O baixinho argentino Maxi Morález é outro que nem foi sondado e vai permanecer sob comando de Stefano Colantuono.

Por outro lado, a pergunta deve ser feita: o que será dos jovens da Atalanta? As especulações envolvendo os nomes de Schelotto e Bonaventura pararam, mas Gabbiadini segue projetado como novo reforço do Bologna, financiado e emprestado pela Juventus. O Independiente, recentemente, cedeu dois jogadores aos nerazzurri: Parra chega para substituir Tiribocchi e Matheu será reserva na zaga. Outra chegada é a do bom lateral  esquerdo Brivio, do Lecce, já pensando em uma possível saída de Peluso, sondado por Roma e Milan. Até o fechamento do mercado, a Atalanta precisa acertar a contratação de peças de reposição.

Fiorentina
O início de temporada da Fiorentina tem sido mais “quem vem?” do que “ufa, ele veio!”.  No entanto, se o clube tem feito pouco barulho, as contratações são pontuais e tem tudo para dar certo nas mãos de Vincenzo Montella, novo técnico. As caras novas são muitas, já que a equipe está em processo de renovação. Em primeiro lugar, saiu um time inteiro: Boruc, Gamberini, Kroldrup, Natali, Gulan, Behrami, De Silvestri, Montolivo, Kharja, Marchionni e Amauri. As reposições são, praticamente, de jogadores promissores, que devem ser comandados pelo também jovem Jovetic. Mesmo com o assédio da Juventus, dificilmente o montenegrino deixará a equipe - e, se o fizer, será por 30 milhões de euros ou um bom valor e uma série de jogadores como contrapartida.


Para 2012-13, as principais contratações até o momento são Viviano, goleiro de seleção italiana emprestado pelo Palermo (ele é, também torcedor do clube), Roncaglia, zagueiro do Boca Juniors finalista da Libertadores e Cuadrado, meio-campista que fez ótima campanha pelo Lecce, que chega via Udinese. Além dos dois, a viola também acertou com El Hamdaoui, atacante do Ajax, e Mati Fernandez, meia chileno que jogava no Sporting. Para o meio-campo, também chega Della Rocca, do Palermo. O clube também deve seguir apostando em jovens, como o atacante Seferovic, que retorna de empréstimo ao Lecce, e o zagueiro egípcio Hegazy, que está disputando os Jogos Olímpicos por sua seleção. 

Siena
Quando uma equipe intermediária vai muito bem no ano, geralmente todas os outros clubes cobiçam seus jogadores. Com o Siena, isso só aconteceu com Mattia Destro. O jovem, que marcou 12 gols na última temporada, foi sondado por Milan, Juventus, Paris Saint-Germain... e assinou com a Roma. Esta foi a única baixa considerável do time de Serse Cosmi, substituto do treinador Giuseppe Sannino – podemos, também, colocar as vendas de Gazzi ao Torino e Rossettini ao Cagliari como importantes, mas as chegadas de Valiani e Paci já as repuseram.

O técnico queria um substituto de renome para Destro. Nos treinamentos, Bogdani e Larrondo têm formado o ataque titular – equipe também conta com Calaiò. Mas Cosmi desejava Pippo Inzaghi. O comandante ex-Lecce lamentou a escolha do atacante, que decidiu parar de jogar e vai treinar o sub-16 do Milan. No ataque, também não há ainda um substituto a Brienza, outro jogador importante na última campanha, que deixou o clube rumo ao Palermo. No restante das posições, as chegadas do goleiro Campagnolo, dos zagueiros Dellafiore e Paci, do lateral Rubin e dos meias Coppola e Valiani são modestas e dão apenas profundidade ao fraco plantel.

Cagliari
O Cagliari vai tentando, aos poucos, se ajeitar em solo nacional. Não tem sido fácil ficar sem Massimiliano Allegri no comando técnico do time, desde que saiu há três temporadas. Massimo Cellino optou por deixar Ficcadenti no cargo por mais um ano. O treinador recebeu Rossettini, do Siena, Danilo Avelar, do Karpaty, e Camilleri, do Reggina. No entanto, as permanências foram as melhores jogadaas até agora: Dessena, Thiago Ribeiro e Pinilla fecharam em definitivo, após empréstimo e Astori rejeitou 15 milhões de euros do Spartak Moscou para ficar na Sardenha. 

Os rossoblù já devem ter encerrado o mercado de chegadas, já que apenas três jogadores saíram - o zagueiro Canini, para o Genoa, o lateral Agostini, em fim de contrato, e o atacante El Kabir, que não convenceu e retornou ao Mjällby, da Suécia - e suas posições foram preenchidas pelos que chegaram. As grandes expectativas estão no ataque, que contam com os retornos dos promissores Ragatzu e, principalmente, Sau, vice-artilheiro da última Serie B, jogando pela Juve Stabia. O que pode ajudar o Cagliari nesta temporada é a inauguração da Karalis Arena, nova casa rossoblù. A venda dos carnês para a época ajudou, por exemplo, a Juventus na temporada passada a bancar algumas transferências.

Palermo
O primeiro passo de uma reestruturação do Palermo foi dado fora de campo. O presidente Maurizio Zamparini recuou e disse que vai deixar Giuseppe Sannino, ex-Siena, trabalhar em paz – é bom lembrar que o mandatário mudou o técnico da equipe em três oportunidades somente na última temporada. Ele quer uma nova era na Sicília, e sabe que não pode ser o chefão temperamental de sempre.

Na equipe, algumas mudanças importantes: 1) os goleiros Viviano e Tzorvas não impressionaram e Ujkani, de boa temporada pelo rebaixado Novara, foi contratado; 2) Palermo precisa de um goleador e não sabe se Miccoli irá permanecer. Logo, o clube rosanero trouxe Dybala,  jovem avançado que causou grande furor no futebol argentino, jogando pelo Instituto. Também chegaram Brienza, homem de confiança de Sannino e Arévalo Ríos, candidato a substituto de Migliaccio, de saída, como cão de guarda no meio-campo. Outros nomes que chegam para dar profundidade ao elenco são Morganella (Novara) e Viola (Reggina). O Palermo ainda precisa investir na contratação de um zagueiro que substitua Silvestre, emprestado à Inter, e de um meio-campista de qualidade para o 4-4-2 tradicional do bom técnico Giuseppe Sannino, ex-Siena.

Genoa
Acostumado a comprar jogadores a atacado em cada mercado de verão, o Genoa está um pouco mais contido até agora. A principal contratação feita pelos rossoblù foi fora de campo: Pietro Lo Monaco, antigo diretor esportivo do Catania, agora está trabalhando no clube de Genôva. Até o momento, a janela não tem sido muito favorável ao clube que perdeu Palacio para a Inter e Miguel Veloso para a Rússia.

Para fazer caixa, Acquafresca e Papastathopoulos foram negociados em definitivo com Bologna e Werder Bremen, respectivamente, enquanto o clube ganha uma parte das vendas de Acerbi ao Milan, Tachtsidis e Destro à Roma, além de Boakye à Juventus. Reforços certos somente do meio-campo para trás: os zagueiros Von Bergen, do Cesena, e Canini, do Cagliari; os volantes Anselmo (São Caetano) e Bertolacci (Roma) e o meia Tozsér, do Genk.  Em princípio, o técnico Luigi di Canio deve conceder mais chances a Zé Eduardo e Immobile, goleador do Pescara na última Serie B. Ainda há muita indefinição nas ações do clube, já que Gilardino e Granqvist podem sair e abrir espaços para as chegadas de nomes como Borriello.

Pescara
O ataque campeão da Serie B foi totalmente desmantelado: Genoa ficou com Immobile em co-propriedade com a Juventus, Insigne voltou ao Napoli e Sansovini foi negociado com o Spezia. Verratti, chamado de Baby Pirlo, foi vendido por 15 milhões de euros ao Paris Saint-Germain. O responsável por Verratti se tornar objeto de cobiça na Europa foi o técnico Zdenek Zeman, que fez com que o garoto jogasse em posição mais recuada. O treinador também foi embora do clube do Adriático. Ao menos, permaneceram Capuano e Romagnoli, outros nomes importantes no esquema.

É bem provável que o 4-3-3 da última época continue sob comando do professor Giovanni Stroppa, discípulo de Zeman. O técnico já tem dois de seus atacantes: Abbruscato, artilheiro do Vicenza, e Caprari, ex-Roma que assinou em definitivo após boas atuações na segunda divisão. Chegam também Colucci, do Cesena; Bjarnason, do Standard Liège; e Quinteros, do Envigado. Com a premissa de fugir do rebaixamento, a diretoria ainda procura fechar com um goleiro (Carrizo), um lateral (Crescenzi), um meia (Weiss ou Birsa) e um atacante (Floccari ou Kozák).

Torino
Após três anos fora da Serie A, o Torino retorna à elite com uma boa campanha na segundona. Gian Piero Ventura formou uma equipe competitiva postada no 4-4-2 de rápida transição ofensiva. Para isso, Basha e Iori, os volantes foram essenciais na trajetória do vice da Serie B. No entanto, um deles já foi embora: Iori retornou ao Chievo. Além dele, outros três titulares saíram do clube: os contratos do goleiro Benussi e do lateral-esquerdo Parisi acabaram, e o atacante Antenucci retornou ao Catania.

Por outro lado, quem disse que os times ascendentes ficam com as sobras da temporada passada? O Torino foi às compras e tirou Gillet do Bologna, um dos melhores goleiros da liga. O meia Brighi deixou a Atalanta para jogar em Turim. Santana, meia-atacante de muita experiência, chega para dar sua contribuição, assim como o lateral direito Ferronetti, ex-Udinese, e o voante Gazzi, ex-Siena. Migliorini, jovem zagueiro do Chieti, foi contratado, mas deve ser emprestado. A grande contratação, até agora, é a de Sansone, um dos principais artilheiros da última Serie B pelo Sassuolo. Ao lado de Bianchi, pode fazer uma ótima dupla. O Toro ainda pode trazer Jansson, forte e talentoso zagueiro do Malmö, e o habilidoso meia Ljajic, da Fiorentina.

Sampdoria
A Sampdoria foi uma das três equipes que conseguiu o acesso para jogar a Serie A em 2012-13. O time na segunda divisão não era ruim; pelo contrário, aliás. Ciro Ferrara, ex-treinador da sub-21 italiana, pode mudar pouquíssimo o time deixado por Iachini com Romero; Rispoli, Gastaldello, Rossini, Costa; Munari, Obiang, Renan; Foggia; Pozzi e Éder. O único titular que saiu foi Foggia, que volta de empréstimo a Lazio. No entanto, a Doria contratou Maxi López para fazer o tridente do 4-3-3 preferido de Ferrara. Além disso, De Silvestri chega para disputar vaga com o ofensivo lateral Rispoli. O sonho bluecerchiati era trazer Pazzini, mas o salário de Pazzo é alto demais.

A Sampdoria está fazendo um mercado lnge de suntuoso, já que a integração de novos jogadores ao plantel passa pelas negociações de Poli e Palombo, os dois melhores atletas do time, que voltam de empréstimo à Inter e devem ser vendidos. O diretor esportivo Pasquale Sensibile diz que ambos não fazem parte do projeto do clube de Gênova: Palombo foi sondado por Torino, Palermo, Parma e Cagliari. Já Poli tem proposta de 6,5 milhões de euros do Napoli, mas a direção quer esperar mais um pouco e estudar mais ofertas, como a que pode chegar da Juventus, do Milan ou da própria Inter.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dinheiro para dar e vender, mas não para todos

Verratti era um dos sonhos de consumo nesta janela de transferências italiana, e optou por assinar com o Paris Saint-Germain (Getty Images)

A temporada começou e acabou. Juventus, Dortmund, Montpellier, Manchester City: todos foram campeões nacionais. Na Itália, o Napoli conquistou a Coppa; na Espanha, o Barcelona ganhou a segunda competição mais importante do país. Chelsea, Atlético de Madrid e a seleção espanhola foram coroados reis da Europa. Agora, até os jogadores já voltaram das férias.

No inter-temporada, as especulações brotam em jornais, rádios e sites. “Clube x quer jogador y, que também é pretendido pela equipe chinesa z”, afirma um. “Jogador t tem proposta de clube s, mas time w pode cobrir negócio”, diz outro. Na Itália, a preocupação é o êxodo de jogadores, que estão deixando o país, muito por causa da crise que afeta o Belpaese. Só o endinheirado Paris Saint-Germain contratou uma série de jogadores de clubes italianos: Ibrahimovic, Thiago Silva, Verratti e Lavezzi.

O Quattro Tratti analisou as 20 equipes que disputarão a Serie A 2012-13. Quem chega? Quem sai? De que o seu time precisa? Nesta primeira parte, as sete agremiações mais bem colocadas na última temporada. 

Juventus
A temporada nem havia terminado quando começaram as especulações sobre a contratação do promissor meia Pogba. No fim, o ex-Manchester United assinou com a Juventus. Na sequência, foram confirmados os negócios e assinaturas de Isla e Asamoah (Udinese) e Leali, promissor goleiro do Brescia. Para dar ainda mais solidez no mercado de verão bianconero, Giovinco foi integrado novamente à equipe após ótima época pelo Parma e Lúcio chega a custo zero da Inter para dar mais opções à ótima defesa da Velha Senhora.

A Juventus também queria tirar Verratti do Pescara, porém, o pupilo foi negociado com o Paris Saint-Germain. Aliás, a surpresa da Serie B 2011-12 seria um a mais no inchado meio de campo. A equipe tem atletas para a posição muito promissores - alguns com certa quilometragem na primeira divisão (casos de Giandonato e Marrone), outros da equipe primavera (Bouy e Gabriel Appelt). No entanto, a abundância de opções no setor deve fazer com que boa parte deles acabe emprestada para ganhar rodagem. Outro beneficiado pelo trabalho de Marco Baroni será o zagueiro Magnusson, que vai integrar o elenco principal.

Com goleiro, zagueiro e meias contratados, a Juve volta ao mercado na busca por um lateral-esquerdo (Ziegler, de volta do Fenerbahçe, deve ser negociado) e, principalmente, seu camisa 9. Dzeko é sonho antigo e van Persie ainda é cogitado. É especulado o nome, também, de Jovetic (30 milhões de euros ou negócios envolvendo Quagliarella, Marrone, Bouy e até mesmo Poli, que seria adquirido da Sampdoria). Além disso, a Juve precisa fazer caixa com os encostados. Elia foi negociado com o Werder Bremen , e Krasic, Felipe Melo e Martínez também devem sair neste verão. 

Milan
O Milan, finalmente, passa por um processo de rejuvenescimento. Nas últimas semanas de julho, os rossoneri liberaram Gattuso para o Sion, Nesta ao Impact Montreal e Seedorf ao Botafogo. Além deles, van Bommel voltou ao PSV, Zambrotta e Roma saíram após término de contrato e Inzaghi anunciou aposentadoria. O mais importante da saída destes jogadores foi a redução da folha salarial. Na temporada passada, o clube gastou 172 milhões de euros com salários – para comparação, a Inter gastou 234 mi e a Juventus, campeã, 138 mi.

O que não passava pelo processo de renovação eram as vendas de Thiago Silva e Ibrahimovic, dois dos astros da Serie A de maior apelo internacional. Já que o fato foi consumado, o Milan precisa usar o dinheiro adquirido dos franceses para reforçar duas posições. Se a lateral-direita tem Abate, que evoluiu bastante, a esquerda... Após tentativas fracassadas com Taiwo e Mesbah, o Milan pode abrir os cofres para tirar Kolarov do Manchester City. Além da defesa, os rossoneri precisam de um atacante. Sem Ibrahimovic, Cassano começa a temporada como titular, e todos sabem o histórico de lesões de Alexandre Pato.

Entre os que chegaram, Montolivo participou da última campanha pela Fiorentina com sua cabeça na Lombardia, pois já estava acertado com o Milan. Pensando no futuro, Gabriel, do Cruzeiro, foi contratado como substituto de Abbiati e Amelia – os dois já passaram dos 30 anos. Acerbi, ótimo defensor ex-Chievo, pode jogar ao lado do jovem Yanga-Mbiwa, campeão com o Montpellier e candidato a substituto de Thiago Silva, pois Mexès é irregular e Bonera e Yepes têm idade mais avançada. Traoré, do Nancy, e Constant, do Genoa, também chegam a Milanello. Vale lembrar que a contratação do segundo atleta foi questionável, uma vez que ele fracassou na Ligúria. 

Udinese
Vamos recapitular? Em 2010-11, a Udinese vendeu D’Agostino, Pepe e Motta antes do início da temporada. Na época seguinte, Sánchez, Inler e Zapata deixaram os bianconeri. Qual foram os resultados? Um 4º e um 3º lugar, respectivamente, na Serie A. Se a fórmula está funcionando, por que mudar?

Talvez seja esse o pensamento de Giampaolo Pozzo. Desta vez, Francesco Guidolin não terá Isla, Asamoah e Handanovic ao início do campeonato. Os dois primeiros saíram para a Juventus e o goleiro foi vendido a Inter. No entanto, a Udinese renovou o vínculo com dois jogadores: Di Natale e Domizzi. Quem pode ganhar chances com o treinador é Faraoni, jovem promessa da Inter que fechou contrato de cinco anos com os bianconeri – ele estava envolvido na transferência de Handanovic.

O projeto de colocar jogadores de segundo calibre nas mãos de Guidolin vem dando muito certo nas últimas épocas. Para suprir as ausências no meio de campo, foram contratados , além de Faraoni, Willians, do Flamengo, Maicosuel, do Botafogo, e Allan, do Vasco. Brkic volta ao Friuli após temporada exuberante pelo Siena. A Udinese, no entanto, precisa de mais algumas contratações pontuais, uma vez que está na disputa pela Liga dos Campeões. A equipe deve olhar para um zagueiro de qualidade, outro volante com boa saída de bola e um atacante com faro de gol. Assim, Di Natale tem com quem dividir a responsabilidade no ataque. 

Lazio
Enquanto a Roma agita o mercado na capital, a Lazio anda a passos curtos. O novo técnico Vladimir Petkovic recebeu apenas Ederson, que saiu do Lyon em fim de contrato. Quem permanece na equipe é Candreva, emprestado por mais uma temporada pela Udinese. E quem está de volta é Zárate, após passagem irregular pela Inter. Na pré-temporada, tem sido um dos melhores do time e já se fala em renovação de seu contrato.

Há muito boato e pouca ação do lado azul de Roma. Petkovic quer montar um time agressivo, rápido e ofensivo. Os laterais terão papel fundamental para o funcionamento deste esquema muito elogiado por Ledesma e André Dias. Para isso, a Lazio queria a contratação de Balzaretti, mas cogita Ziegler, encostado na Juventus, porque a primeira opção dificilmente deixará o Palermo para outra equipe italiana. Outra possibilidade, mas para a lateral direita, é  Mesto, do Genoa. Krasic não é defensor, porém, os diretores também pensam na contratação do meia juventino para jogar nas alas do 3-4-3 de Petkovic.

A carência da Lazio é mesmo o ataque. Rocchi e Kozák como reservas de Klose não são o suficiente. O centroavante reserva podia ser Burak Yilmaz, bomber que marcou 33 gols em 34 jogos no Campeonato Turco pelo Trabzonspor. No entanto, o clube vacilou: o atacante tem acordo com o Lokomotiv Moscou. A volância pode ser reforçada com Pazienza, outro encostado em Turim. O meio-campista, no entanto, é pretendido pela Fiorentina. Ao menos, no quesito saídas, o clube enfim se livrou de Del Nero e Makinwa, e busca um destino para Sculli e Stendardo. 

Napoli
Mesmo após trocar algumas alfinetadas com o presidente Aurelio De Laurentiis, o campeão da Coppa Italia conseguiu segurar o artilheiro Cavani por mais algumas temporadas. Um fato bem agradável após perder Lavezzi para o novo rico e sonho de todo jogador Paris Saint-Germain. Insigne, emprestado ao Pescara na última época, volta com moral e, em princípio, irá disputar posição com Pandev, contratado em definitivo, e Vargas. Contudo, Walter Mazzarri já disse que não quer colocar o garoto numa fria.

Com dinheiro em caixa após a negociação do argentino – 30 milhões de euros -, o Napoli precisa ir ao mercado para suprir algumas necessidades. A chegada de Gamberini, da Fiorentina, basta para a zaga – uma vez que os reservas Britos e Fernández não mantinham o nível da defesa titular, que também tinha o deficitário Aronica. No entanto, as alas carecem de bons suplentes: na esquerda, por exemplo, Zúñiga ou Dossena alternam momentos grandiosos com atuações pavorosas.

Os partenopei também necessitam de mais um atacante para a reserva de Cavani. Vargas, apesar de ter jogado mal nas chances que teve durante o semestre passado, deve ser utilizado pelos flancos. Já no meio de campo, Behrami chega para ser o curinga do treinador. O ex-atleta da Fiorentina cairá como uma luva nas pretensões de Mazzarri e do Napoli na temporada que vai começar. 

Inter
O outro time de Milão também tenta se rejuvenescer e enxugar a folha salarial. Orlandoni e Córdoba penduraram as luvas e chuteiras, respectivamente; Lúcio foi embora para a Juventus; Pandev foi vendido ao Napoli; e o flop Forlán se juntou ao Internacional. Por outro lado, a Inter não chegou a um acerto para a contratação em definitivo de Poli e o jogador retornou à Sampdoria. Quem fica é o zagueiro Chivu, que tinha propostas para deixar a Inter, mas teve seu contrato renovado e será utilizado como zagueiro, não mais como lateral.

Além de Guarín (comprado em definitivo junto ao Porto) e Philippe Coutinho, que retorna de empréstimo ao passar pelo Espanyol, as caras novas em Appiano Gentile são Palacio, o melhor atacante do Genoa nos últimos dois anos; Handanovic, excelente arqueiro da Udinese; Silvestre, zagueiro-artilheiro do Catania em 2010-11 que não conseguiu repetir as mesmas ótimas atuações pelo Palermo na última temporada, muito pela desorganização dos rosanero; e Mudingayi, experiente volante cão de guarda, que chega emprestado pelo Bologna para ser reserva de Cambiasso. O atacante Pazzini, fora dos planos de Andrea Stramaccioni, força sua permanência mesmo assim. A Sampdoria deseja o jogador de volta, mas o alto salário emperra a negociação. Logo, o destino de Pazzo pode ser a Lazio ou mesmo a Juventus.

Resta saber o que os nerazzurri farão com Júlio César. Handanovic é mais jovem, vai ganhar menos e tem feito campanhas mais sólidas que o ex-titular interista nas últimas duas temporadas. O problema é: qual clube vai pagar 4,5 milhões de euros de salário por um goleiro que vai completar 33 anos? E o brasileiro  aceitaria jogar por menos ou num clube de menor expressão – como o Valencia, por exemplo? Antes de a nova época começar, a Inter ainda precisa de mais um atacante, para ser reserva de Milito. O jovem Longo será utilizado, mas se for a alternativa imediata ao argentino, a Inter estará colocando-o em uma fogueira. 

Roma
Os resultados de amistosos no início da temporada não servem para analisar o desempenho da equipe, já que combinados regionais, Rapid Viena e Zaglebie não tem grandes defesas para testar o ofensivo time de Zdenek Zeman. A Roma, que hoje enfrenta o Liverpool no seu principal teste da pré-temporada, marcou muitos gols e, o que é possível dizer é: Zeman também usa o 4-3-3, como Luis Enrique e, o mais importante, tem o respeito do elenco. Totti já disse que essa Roma pode marcar 90 gols na temporada.

Marquinho, autor de um dos gols no confronto supracitado, foi comprado em definitivo por 3,5 milhões de euros. Dodô, ex-Corinthians e Bahia, e Leandro Castán, do Corinthians, reforçam o setor defensivo da equipe que provavelmente vai se lançar bastante ao ataque durante toda a Serie A 2012-13. A dúvida na lateral-direita continua: Taddei fica ou sai? Bosingwa e até mesmo Piris, do São Paulo, são cotados para assumir a posição.

Com a saída de Simplício para o Japão, chega Tachtsidis ao meio-campo. Bradley, que fez excelente campeonato com o Chievo, também foi contratado e vai suprir, definitivamente, a ausência de Gago. No entanto, falta planejamento aos giallorossi. A defesa e o ataque são posições carentes, e a diretoria negociou boas promessas (como Viviani e Stoian) antes de se livrar de Pizarro e Borriello. Para a vaga de Borini, negociado com o Liverpool, a Roma está fechada com Destro, que fez exames médicos hoje. Lá atrás, Heinze e Burdisso disputam uma vaga para atuarem ao lado de Castán, embora a defesa não seja preocupação de Zeman.

Jogadores: Franco Causio

Um dos inventores da função de ala tornante, o Barone Causio foi um dos grandes nomes da Juventus que dominou o futebol italiano nos anos 70 (Mediaset)

Na Juventus multicampeã dos anos 70, guiada por Čestmír Vycpálek, depois por Carlo Parola e, por fim, Giovanni Trapattoni, passaram jogadores do calibre de Gaetano Scirea, Dino Zoff, Claudio Gentile, Antonio Cabrini, Fabio Capello e Roberto Bettega. No entanto, um dos grandes jogadores da equipe, era Franco Causio, ala-esquerdo rápido, habilidoso, com um toque “sul-americano”e uma elegância acima do normal. Tal elegância, dentro e fora de campo, lhe valeu o apelido de Il Barone - O Barão, em tradução literal.

O pontapé inicial da carreira de Causio foi dado no Lecce, clube da cidade em que nasceu. Nos giallorossi fez toda a sua formação, mas jogou apenas três partidas pela Serie C de 1964-65. Com 16 anos, se transferiu para a Sambenedettese, onde seguiu jogando a terceira divisão, porém teve mais oportunidades e acabou a temporada com 13 partidas. Mesmo sem muitas presenças como profissional, a Juventus viu qualidade no jogador de 17 anos e o contratou.

O inexperiente Causio teve poucas chances nos primeiros dois anos de Juve, fez o seu debute em bianconero contra o Mantova e nada mais. A Juventus optou pelo empréstimo do jogador, para que tivesse mais oportunidades de atuar. Na Reggina, atuando pela da Serie B, o ala participou de 30 partidas e anotou cinco gols. No ano seguinte, Il Barone deixou o clube amaranto para disputar pela primeira vez a Serie A com o Palermo e não decepcionou: participou de 22 partidas e marcou três gols, embora não tenha conseguido ajudar a impedir o rebaixamento rosanero.

Meia era bastante classudo (Corriere.it)
Com dois anos a mais de experiência, o ala estava pronto para jogar no time principal da Juventus, clube pelo qual teve as maiores glórias da carreira. Foram oito títulos no total, em onze anos de clube: seis Serie A, uma Coppa Italia e uma Copa Uefa. Um ano após retornar em definitivo à Juve, Causio recebeu a primeira convocação para a seleção italiana principal e se tornou figura carimbada nas listas da Squadra Azzurra, pela qual disputou as Copas de 1974, 1978 e 1982. Atuando sempre pelo lado esquerdo do campo e com a missão de ocupar aquele setor seja para atacar ou defender, Causio é considerado até hoje como um dos inventores da função de ala tornante.

A Velha Senhora tinha um elenco muito forte, liderado por Bettega, jogador fundamental no primeiro scudetto conquistado por Causio, sob o comando de Vycpálek. Após a contratação de Trapattoni para ser o técnico da equipe, o domínio na Itália seguiu por mais uma década. O primeiro título do time sob o comando de Trap foi a Copa da Uefa de 1977. Bettega e Tardelli foram os heróis das finais contra o Athletic Bilbao, mas Causio também apareceu bem e marcou um gol na primeira partida da seminfinal contra o AEK, vencida pela Juventus por 4 a 1.

Na Juventus, Causio chegou a ser apelidado de Brazil, porque era o toque de habilidade em um meio-campo extremamente forte, que teve Capello, Tardelli, Furino e Cuccureddu dando sustentação para que ele desfilasse sua elegância e desse o suporte necessário para que Bettega marcasse gols fundamentais para o domínio juventino naquele período. Causio também aparecia com frequência ara marcar seus gols: em 304 jogos pela Serie A, marcou 49 gols pela Juventus, aparecendo como homem a mais no ataque ou chutando de fora da área. Causio era capaz de marcar belos gols pela Juventus ou pela Itália, como este, marcado contra Argentina em amistoso.

Causio teve trajetória futebolística bastante ligada à Juve (Gianni Carluccio)
Ao final da temporada 1980-81, Franco Causio foi jogar na Udinese, que buscava se firmar na elite depois de anos nas divisões inferiores. Il Barone foi o principal jogador do clube por duas temporadas quando, em 1983, teve a companhia de Zico, contratado naquela temporada para ser a referência pela qual Causio trabalharia. Na Copa de 1982, Il Barone, já aos 33 anos, foi reserva da seleção italiana e entrou em campo apenas duas vezes, uma delas nos minutos finais da final contra a Alemanha. A Itália voltou com a taça e Causio conquistou o último título da carreira, que ainda teria mais alguns anos pela frente.

Em 1984, deixou a Udinese e foi disputar uma temporada na Inter, onde jogou 42 vezes e marcou três gols. Antes de pendurar as chuteiras, Causio ainda voltou ao Lecce e jogou uma temporada na equipe em que havia iniciado a carreira, mas agora para realmente atuar pelo clube. Antes de se aposentar, aos 39 anos, Causio defendeu a Triestina por dois anos e foi titular inamovível da equipe que quase conseguiu o acesso para a elite em 1987. Hoje, Causio segue ligado ao esporte e é comentarista da RAI.

Franco Causio
Nascimento: 1 de fevereiro de 1949, em Lecce, Itália
Posição: Ala esquerda
Clubes como jogador: Lecce (1963-65 e 1985-86), Sambenedettese (1965-66), Juventus (1966-68 e 1970-81), Reggina (1968-69), Palermo (1969-70), Udinese (1981-84), Inter (1984-85) e Triestina (1986-88)
Títulos: 6 Serie A (1971-72, 1972-73, 1974-75, 1976-77, 1977-78 e 1980-81), 1 Coppa Italia (1978-79), 1 Copa Uefa (1976-77) e 1 Copa do Mundo (1982)
Seleção italiana: 64 jogos e 6 gols

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A vitória da preparação física

Javier Zanetti ergue o troféu: foi a oitava conquista nerazzurra no torneio (inter.it)
Nesse sábado, 21 de julho, o já tradicional torneio de pré-temporada, o Troféu TIM, que envolve os três maiorees times italianos – Juventus, Milan e Internazionale –, foi realizado pela terceira vez consecutiva no estádio San Nicola, em Bari, na região de Apúlia (ao sul italiano), e também pela terceira vez seguida, o título foi para a Inter, que, curiosamente, após as últimas duas edições (2010 e 2011) teve temporadas abaixo da média. Neste caso, ter iniciado a temporada antes dos demais ajudou a Inter, que se mostrou mais inteira que as rivais.

Essa foi a oitava conquista do clube de Appiano Gentile no torneio, no qual os três times disputam entre si em partidas de apenas 45 minutos. O destaque negativo ficou por conta do estado do gramado do San Nicola, que certamente prejudicou os confrontos, e também “ajudou” a ocasionar as lesões de dois bianconeri: Pepe (estiramento na coxa) e Cáceres (suspeita de ruptura de ligamentos do joelho direito, via @Juventus_Brasil). Apesar do péssimo estado do gramado, o torneio teve bons momentos, mais até do que o esperado, dada às circunstâncias.

Inter 1-0 Juventus
No primeiro jogo do torneio, o time de Andrea Stramaccioni superou o de Antonio Conte com gol do jovem Philippe Coutinho, que vem mostrando grande evolução nos últimos seis meses, especialmente nesse período de pré-temporada - ele ganhou, ainda, o prêmio de melhor jogador do torneio. O gol contou com falha de Lúcio, que perdeu o tempo da bola e foi enganado por sua trajetória, após passe de Milito. A pelota acabou nos pés do meia-atacante brasileiro, que bateu Storari. 


A Juventus também teve bons momentos, principalmente no começo de jogo, quando a Inter ainda tentava se achar em campo e tinha problemas defensivos, esses corrigidos quando Stramaccioni trocou seu 4-3-2-1 (sempre variando para o 4-2-3-1, mas dessa vez com Guarín compondo a linha de 3, e não Zanetti) pelo mesmo 3-5-2 de Conte, espelhando o time bianconero. Nessa fase do jogo, Quagliarella se mostrou sem ritmo de jogo e perdeu algumas chances.

Inter (4-3-1-2/3-5-2): Handanovic; Jonathan, Ranocchia, Chivu, Mbaye (Silvestre); Zanetti, Guarín, Cambiasso; Palacio (Longo), Coutinho (Nagatomo); Milito. Técnico: Andrea Stramaccioni.
Juventus (3-5-2): Storari; Masi, Lúcio, Cáceres; Lichtsteiner, Vidal, Marrone, Asamoah, De Ceglie; Quagliarella, Matri. Técnico: Antonio Conte.
Gol: Coutinho 11’.

Observação: Na Inter, Handanovic e Coutinho utilizaram as camisas 1 e 7, respectivamente, que pertencem (ou pertenciam) a Júlio César e Pazzini. Seria a confirmação da saída de ambos?

Juventus 1-0 Milan
No confronto entre os dois primeiros colocados na Serie A 2011-12, muita igualdade no início. O Milan detinha a posse de bola e procurava forçar bastante com seu trio ofensivo (Robinho, Boateng e El Shaarawy), mas claramente sentia falta da referência de Ibrahimovic e da consistência de Thiago Silva e seus lançamentos. E a Juventus procurava justamente explorar a falta de entrosamento do setor defensivo milanista, sempre em rápidos contragolpes pela direita, com Pepe, Padoin e uma das contratações do time para a temporada, Boakye. Também foi por ali que Vucinic recebeu a bola dentro da área e foi derrubado por Traoré. Na cobrança, o montenegrino fez o único gol do jogo, um pouco mais morno que o anterior.

Juventus (3-5-2): Storari (Leali); Lúcio, Masi, Cáceres (Lichtsteiner); Pepe (Untersee), Padoin, Vidal (Pazienza), Asamoah, Ziegler; Boakye, Vucinic (Matri). Técnico: Antonio Conte.
Milan (4-3-1-2): Amelia; De Sciglio, Bonera, Yépes, Taiwo; Traoré, Ambrosini, Emanuelson; Boateng; Robinho, El Shaarawy. Técnico: Massimiliano Allegri.
Gol: Vucinic 31’.

Inter 2-1 Milan
No último e decisivo jogo, a Inter venceu mais um Derby della Madonnina – só em 2012 foram cinco, contando com os times Primavera e Juniores Berretti –, dessa vez de virada, com gols de Guarín e Palacio, tendo El Shaarawy marcado para o rossonero. Assim como no último jogo entre os times na Serie A, Stramaccioni utilizou o 4-4-1-1 para enfrentar o 4-3-1-2 de Allegri, e teve sucesso novamente. Bem postado, o time do jovem treinador conseguiu anular as ações ofensivas do rival e criar chances em contragolpes. 


Porém, quem abriu o placar foram os milanistas, quando, após lançamento de Mesbah, Silvestre cortou parcialmente e Chivu falhou na cobertura, e a bola sobrou para El Shaarawy, que chutou na saída de Belec. Minutos depois, Jonathan tocou para Palacio na direita, que cruzou para a área e um embalado Guarín se antecipou a Acerbi e empatou. O ritmo naturalmente caiu, mas os nerazzurri ainda tiveram fôlego para virar. Aproveitando a desatenção da defesa milanista, Cambiasso cobrou rapidamente uma falta no meio-campo, lançando Palacio livre entre Acerbi e Antonini. O argentino arrancou e finalizou, vencendo Pazzagli.

Inter (4-4-1-1): Belec; Mbaye (Jonathan), Silvestre, Chivu, Nagatomo (Bianchetti); Zanetti, Cambiasso, Guarín, Coutinho (Pasa); Palacio (Benassi); Milito (Longo). Técnico: Andrea Stramaccioni.
Milan (4-3-1-2/4-3-3): Amelia (Pazzagli); Antonini, Acerbi, Albertazzi (Iotti), Mesbah; Traoré (Prosenick), Cristante, Valoti; Boateng (Carmona); Ganz, El Shaarawy (Emanuelson). Técnico: Massimiliano Allegri.
Gols: El Shaarawy 16’; Guarín 25’; Palacio 34’.

É certo que o Troféu TIM é um simples curto torneio de pré-temporada e que os times tiveram desfalques, mas a impressão que fica é que o Milan, neste momento, está muito atrás de Juventus e Inter. O time foi apático, não criou muitas chances – no único gol que marcou contou com falha do adversário – e apresentou problemas defensivos. No torneio, os jogadores milanistas que estavam na Euro (Mexès, Abate, Nocerino, Montolivo e Cassano) não jogaram, o que, somado a saída de 11 jogadores neste mercado, deixou a equipe recheada de jovens.


Allegri tem um difícil e longo mês pela frente, a fim de corrigir esses problemas e conseguir melhorar, ao menos, as expectativas. Como o mesmo disse, reforços (de preferência com alguma rapidez, para que estes realizem a pré-temporada com a equipe) são necessários, já que o time está muito modificado em relação à última temporada. Deixaram Milanello alguns jogadores fundamentais, como Thiago Silva e Ibrahimovic, e vários outros titulares ou peças importantes, como Nesta, Gattuso e Seedorf. 

Quanto à Juventus e Inter, mostraram estar mais preparados, física, técnica e taticamente. Impressiona até aqui a capacidade de Stramaccioni adaptar seu time ao adversário, sem mesmo abandonar a proposta de jogo e os nomes.  Fazendo isso, e dando sequência a renovação que Moratti bancou, é de se esperar dias melhores em Appiano Gentile, talvez não com títulos, mas com resultados mais satisfatórios. Vale lembrar que na próxima semana, o time nerazzurro terá mais dois amistosos preparatórios para a estreia na Uefa Europa League, que começará para a equipe no dia 2 de agosto, quando enfrentará o vencedor de Hadjuk Split e Skonto Riga. 


Em Turim, Conte espera ansiosamente a volta dos que estiveram na Euro, que fizeram falta, especialmente Pirlo. Giovinco ainda não treinou com o grupo, mas se bem aproveitado e entrosado, deverá ser um dos destaques do time, especialmente porque se encaixa bem na proposta de jogo de Conte, assim como nos esquemas táticos do ex-meio-campista, o 3-5-2 e o 4-3-3, ou até mesmo o 4-42 ofensivíssimo, chamado por alguns de 4-2-4.

Gols do Trofeo TIM

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As agonias da estrela solitária italiana

Jogadores do Casale comemoram, mas os motivos reais de festa para o clube não existem há, pelo menos, oitenta anos. Hoje, o clube luta para permanecer na quarta divisão (Casale Calcio)
À primeira visita, qualquer brincalhão poderia chamar o Casale de "Botafogo italiano". A semelhança, claríssima, está na estrela solitária no peito da camisa negra dos dois clubes - no caso do time do Rio de Janeiro, alvinegra. O Casale, assim como o Botafogo, é uma equipe tradicional de uma das regiões mais ricas de seu país. Quando o futebol ainda era semiamador na Itália, na temporada 1913-14, foi uma das primeiras campeãs da Serie A. Porém, há tempos passa por dificuldades e pena em divisões inferiores. Para esta temporada, teve a inscrição negada, por falta de garantias financeiras, na Lega Pro Seconda Divisione, equivalente à quarta divisão do futebol italiano.

Ao contrário do Botafogo, que foi fundado em uma das maiores metrópoles brasileiras, a equipe nerostellata é da pequena Casale Monferrato, cidadezinha da província de Alessandria, localizada no Piemonte, do rico norte italiano. A cidade tem cerca de 35 mil habitantes e, desde a época que o clube conquistou o scudetto, nunca teve grandes surtos populacionais - apenas na década de 1960, chegou a incríveis 43 mil habitantes: hoje, tem apenas dois mil habitantes a mais que em 1914. Até hoje, Casale Monferrato é a segunda menor cidade do Belpaese a ter uma equipe campeã da Serie A. A menor é Novi Ligure, de cerca de 28 mil habitantes, casa da Novese, que venceu o título em 1921-22, em um campeonato que foi boicotado pelas maiores equipes à época - estas fizeram um campeonato extraoficial, vencido pela Pro Vercelli.

A glória e o ocaso
Foto histórica: aí estão os 11 jogadores que levaram os nerostellati ao scudetto (Wikipedia)
Fundado em 1909, o Casale participou da Serie A pela primeira vez em 1911-12. Logo entrou no rol do chamado "quadrilátero piemontês", que reunia as quatro potências do Piemonte Oriental daqueles anos, ao lado de Novara, Alessandria e a forte Pro Vercelli - àquela altura já tricampeã nacional. Em 1913-14, o solitário título da agremiação chegou de forma fortuita. Primeiro, o time se classificou na fase regional, juntamente com o Genoa, em um grupo que tinha equipes do Piemonte e da Ligúria, eliminando Pro Vercelli, Torino e Alessandria. Por um arranjo político, já que era o primeiro ano que piemonteses e lígures jogavam em um grupo só (antes, equipes da Ligúria jogavam no mesmo grupo que as equipes da Lombardia, como Inter e Milan), Juventus e Novara, piemontesas, acabaram sendo inscritas no grupo lombardo.

O segundo grande feito da equipe foi vencer a segunda fase de grupos, que reunia as vencedoras dos grupos das províncias do norte. Com 16 pontos, os nerostellati superaram Genoa, Inter, Juventus, Vicenza e Verona, garantindo o direito de enfrentar a Lazio, que havia sido campeã do torneio "peninsular", entre equipes do centro-sul do país. 

A equipe formada por Gallina (I), Maggiani, Scrivano, Rosa, Barbesino, Parodi, Caire, Mattea, Gallina (II), Varese e Bertinotti já estava na história antes das finais, disputadas nos dias 5 e 12 de julho em ida e volta.  Os jogos aconteceriam em clima de guerra, já que no dia 26 de junho, o nacionalista sérvio Gavrilo Princip assassinara o rei austro-húngaro Francisco Fernando, em Sarajevo, desencadeando um dos estopins da I Guerra Mundial, que iniciaria oficialmente no dia 28 de julho de 1914.

Em Casale Monferrato, que ainda não vivia de perto os efeitos da guerra, no jogo de ida, no campo de Viale Priocco, em Casale Monferrato, o time da casa destruiu os laziali, aplicando um sonoro 7 a 1 - seis dos gols aconteceram no segundo tempo. Os herois foram Varese e Ravetti, que substituia Caire, com dois gols cada. Na partida de volta, em Roma, Ravetti e Varese marcaram de novo, sagrando o improvável título estrelado. As fichas e os resumos dos jogos, em italiano, podem ser acessadas aqui e aqui.

Alguns daqueles jogadores, como Varese, Barbesino e Mattea, chegariam a vestir a camisa da seleção italiana no período. Varese ainda teria um brilhareco pelo Milan, na década de 1920, e Mattea jogaria pela Juventus - e, depois, seria vice-treinador na conquista do outro olímpico pela Itália em 1936, na polêmica Olimpíada de Berlim, disputada sob o signo do nazifascismo e às vésperas da II Guerra Mundial. 

A partir de 1922, a equipe teria algum momento de destaque por conta de um destaque individual. Filho da terra, o lateral Umberto Caligaris iniciou sua carreira em 1919, no Casale, onde ficou até 1928, quando saiu para vestir a camisa da Juventus. Porém, desde 1922, era presença constante nas convocações da Nazionale e chegou a ganhar o bronze nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. Depois, fez parte do elenco que conquistou a Copa do Mundo de 1934, primeiro título mundial da Squadra Azzurra. Com 59 jogos pela seleção, 16 como capitão, Caligaris ainda ostentou o posto de jogador a mais vezes ter entrado em campo pela Nazionale até  1971, quando foi superado por Giacinto Facchetti. Se o filho da terra teve grande carreira, o Casale, porém, nunca teria qualquer grande glória como equipe. Na elite do futebol nacional, o melhor resultado após o título foi uma classificação às semifinais do campeonato de 1919-20.

A ausência de crescimento de Casale Monferrato, aliada a falta de uma forte indústria (a cidade é conhecida como grande produtora de cimento e amianto, apenas, e as grandes empresas estão em cidades próximas), de investidores e, principalmente, do remodelamento feito pela Federação Italiana de Futebol, que implementou o profissionalismo no país, a partir de 1925, fez com que o clube estagnasse e acabasse relegado ao semiamadorismo. Em uma época em que ser campeão italiano significava pouquíssimo, o clube não seguiu no embalo do profissionalismo e, desde que caiu para a Serie B em 1933-34, nunca mais retornou à elite. Desde 1946-47, quando jogou a Serie B pela última vez, perambulou apenas pelas terceira, quarta e quinta divisões do futebol italiano.

O fundo do poço?
Os anos passaram e o Casale continuava mal das pernas. Além de não conseguir sair das divisões inferiores e retornar aos principais palcos do futebol italiano, o time pouco ganhava com a negociação de jogadores. Com uma divisão de base pobre, a revelação de algum atleta de calibre ou, ao menos, de algum valor técnico suficiente para uma negociação vantajosa não aconteceu ao longo dos anos. Sendo apenas mediano em campo, na antiga Serie C2, mas afundado em dívidas, em 1993 a equipe optou por declarar falência e começar de novo a partir do amadorismo. Três anos depois, retornou ao profissionalismo, depois de vencer a Eccelenza piemontesa (equivalente à sexta divisão) para retornar à Serie D.

Nos anos seguintes, a equipe continuou um verdadeiro ioiô, mas já conseguia trazer alguns jogadores de... renome. Renome ao menos para um clube que militava nas filas do semiamadorismo. Pelo clube nerostellato passaram jogadores do calibre do ganês Abdullah Fusseini, do beninês Damien Chrysostome e do estoniano Sergei Pareiko - todos eles com passagens pelas seleções de seus países enquanto jogavam pelo Casale. Chrysostome chegou com a bagagem de já ter jogado uma Copa Africana de Nações pela seleção do Benim e, em 2008, disputou outra enquanto era jogador alvinegro. Pareiko, por sua vez, é conhecido dos brasileiros. Ele, que jogou no clube entre 1998 e 1999, foi titular da seleção da Estônia em amistoso vencido pelo Brasil, em Talinn, por um magérrimo 1 a 0. A equipe treinada por Dunga, naquele agosto de 2009, se preparava para dar vexame na Copa do Mundo seguinte.

Em 2006-07, a equipe parecia dar a volta por cima depois de ter vivido uma enorme provação: conduzida pelo atacante ítalo-nigeriano Osarimen Ebagua (que passaria por Varese, Torino e, na última temporada, pelo Catania, na Serie A), se classificou aos play-offs de acesso à Serie C2 e bateu seis equipes - entre elas, a sugestiva Sibilla El Brazil Cuma, que, de acordo com a Wikipedia, fez história na Promozione da província de Nápoles, equivalente à sétima divisão - mas nem assim conquistou o acesso. A FIGC decidiu não subir equipe alguma à C2 e pagou uma indenização ao clube. A indenização, no mínimo, serviu para que o clube segurasse as pontas por algum tempo.

Você pode não acreditar, mas esta foto é de um jogo oficial entre duas equipes campeãs italianas. Em 2009, o Casale enfrentou o Novese, campeão em 1921-22, pela Serie D (Casale Calcio)

Em 2007-08 e 2008-09 aconteceriam os jogos mais insólitos entre equipes campeãs italianas. Após muito tempo sem se enfrentarem, Casale e Novese colocavam, em um campo de bairro, para públicos inferiores a mil pagantes, dois títulos da Serie A. No primeiro ano, o Novese venceu as duas partidas (1 a 0 e 3 a 0), enquanto no segundo, o Casale respondeu (2 a 0 e 4 a 0). A imagem acima, retirada da mais sonora goleada nerostellata sobre a "rival", representa bem o nível amadorístico de toda a coisa. No final de tudo, o Casale fez duas boas temporadas, mas só conseguiu o acesso à Lega Pro Seconda Divisione (equivalente à antiga C2) em 2010-11.

Os tempos de vacas mais gordas pareciam estar retornando a Casale Monferrato. Entre os destaques do time, estavam o meia cubano Samon Reider Rodríguez, formado pela Juventus e emprestado pela Bassano Virtus. Rodríguez, de 23 anos e nascido em Guantánamo, só não faz parte da frágil seleção de Cuba por não viver mais na ilha. Para a última temporada, o Casale fechou com o atacante Riccardo Taddei, ex-Fiorentina e Brescia, uma das maiores contratações do clube em sua história. Com ele, o time lutou pelo acesso à Prima Divisione até o fim. Com a quarta colocação, a equipe teve de jogar o play-off com a Virtus Entella, mas acabou derrotada.

Para este ano, Taddei não continuará (foi para o Rimini) e a inscrição na Seconda Divisione foi negada pelo comitê financeiro da divisão, já que as dívidas continuam rondando a equipe piemontesa. A diretoria do clube apresentou recurso no dia 16 de julho, mas o processo ainda não foi a julgamento. Algum investidor tentará reanimar o Casale e solucionará mais um problema ou, afinal, a estrela solitária voltará, novamente, a ser uma estrela cadente?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mais um baque

Tchau, tô indo, já fui: com saídas de Ibrahimovic e Thiago Silva, futebol italiano recebe mais um golpe forte. O apelo pelo campeonato é menor a cada ano (Getty Images)

"Sim, vendi Thiago Silva e Ibrahimovic ao Paris Saint-Germain. Nós iremos economizar 150 milhões de euros pelos próximos dois anos". Foi assim que, entrevistado pela Sky Sport 24, Silvio Berlusconi, dono do Milan, declarou que havia vendido os dois principais jogadores do time. Apesar da entrevista do mandatário rossonero, ainda não houve confirmação oficial dos clubes porque Mino Raiola, agente de Ibra, negocia salários com os diretores da equipe parisiense. De qualquer forma, o negócio parece fechado e, sem dúvida alguma, é daí que sairão os fundos para a renovação do elenco do Milan. Por outro lado, é mais um sinal de apequenamento do futebol italiano, que já teve os principais jogadores do mundo e hoje passa por uma longa crise.

Thiago Silva e Ibrahimovic são, ao lado de Sneijder, Pirlo, Del Piero e Totti, as estrelas de maior apelo internacional do futebol italiano. Sua venda não é apenas ruim, em termos de marketing, para o Milan, mas para todo o futebol italiano, que perde em visibilidade. Berlusconi economiza, é verdade, mas os prováveis substitutos (fala-se em Rolando ou Dedé para a defesa e Tévez para o ataque) não atraem tanto público e, principalmente, precisam de adaptação à equipe, que perderá seus principais jogadores, além de uma penca de jogadores experientes. Hoje, Milan, Inter e Roma são equipes em pleno processo de refundação, enquanto a Juventus manteve sua base e, até agora, é mais que favorita ao bicampeonato.

Por outro lado, talvez seja esse processo constante de reformulação que tenha feito o futebol italiano sobreviver, mesmo que a duras penas. Em um cenário de crise mundial, os donos dos clubes - que tem outros negócios, os quais representam a maior parte de suas receitas - precisam investir menos. Sobretudo na Itália, onde a crise é maior. Vender as principais estrelas, comprar jogadores mais baratos e transformá-los em estrelas tem feito parte do negócio. No entanto, os resultados internacionais ainda não tem vindo - excluindo-se, claro, o título da Liga dos Campeões da Inter, em 2010. É um momento de entressafra, mas até quando ele durará?

Apesar dos problemas de sempre - má condição dos estádios (públicos) e gramados, escândalos fora de campo, visão empresarial limitada, para ficar apenas nesses -, a próxima Serie A se desenha como a mais atrativa dos últimos tempos. A promessa é que pelo menos metade das equipes (Fiorentina, Inter, Juventus, Lazio, Milan, Napoli, Roma e Udinese, por exemplo) jogue de forma ofensiva, algo que nunca se viu antes em solo italiano. Ações como a da Juventus, que construiu seu próprio estádio, e os planos de Inter, Cagliari e Palermo de também terem os seus, são mais uma luz no fim do túnel. Resta saber é se a luz não vai minguar antes que a crise entre em um momento irreversível.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Reconstruindo as bases

No início da pré-temporada da Inter, Stramaccioni observa jogo-treino da equipe. Apostar nos jovens e reduzir a folha salarial é a meta da temporada (Getty Images)
 A última temporada pode não ter sido das mais prosperadoras ao torcedor interista, acostumado a ver seu time ganhar títulos e mais títulos. De 2004 a 2011 foram incríveis 15 conquistas, superando o período mais vitorioso e marcante do time milanês, o da Grande Inter de Angelo Moratti, Helenio Herrera e grande elenco, que ganhou tudo o que disputou em boa parte da década de 60.

Em 2011-12, a realidade foi outra em Appiano Gentile. Já a partir da pré-temporada, bagunçada e sem planejamento algum, com um técnico sem experiência e “cabeça dura”, Gian Piero Gasperini, se perdendo na condução do time, ao não ter conseguido implantar suas ideais – completamente inviáveis com o elenco que tinha em mãos. Após apenas quatro jogos, a diretoria bancou um técnico, Claudio Ranieri, com trabalhos recentes de qualidade bem duvidosa, que a princípio conseguiu engrenar no começo com um time pragmático se recuperando na tabela. Mas, depois da boa fase passageira, a realidade voltou à tona e o rendimento caiu em demasia.

Enquanto a equipe principal passava por esta crise, o time Primavera (sub-21) se sagrara como primeiro campeão da NextGen Series – praticamente uma Champions League sub-19 –, refletindo o investimento feito pelo clube, lá em meados de 2008 e 2009. E se engana quem pensa que José Mourinho, por não ter utilizado muitos jovens em sua passagem pela Pinetina, não olhou para a base. Juntamente com Ernesto Paolillo, diretor-geral da Inter, e Roberto Samaden, diretor do setor juvenil, o português e sua comissão técnica tiveram o apoio de Massimo Moratti para que fosse desenvolvido um trabalho decente na base.

A gestão de Samaden já havia dado bons frutos, por exemplo, em 2008 com o time Primavera comandado por Mario Balotelli, que faturou o a Copa Viareggio. Mas algo melhor estava por vir em 2011-12. No mesmo time Primavera, Samaden e Paolillo apostaram no jovem Andrea Stramaccioni para que fosse feito um trabalho não só no sub-21, mas em todas as outras categorias. Então com 36 anos, Strama conseguiu dar uma identidade as principais categorias da base interista: Primavera (sub-21), Juniores Berretti (sub-18), Allievi A e B (sub-17) e Giovanissimi Nazionali (sub-15), trabalhando em conjunto com Alberto Celario, Pierluigi Casiraghi, Giuseppe Giavardi, Giuliano Rusca, Vincenzo Sasso, Sergio Zanetti, Antonio Manicone, Gianmario Corti, Luca Facchetti, Domenico Santoro, entre outros.

Além do trabalho técnico, houve também investimento na estrutura do setor juvenil. Em 2011 houve a reinauguração do campo do já elogiado Centro Esportivo Giacinto Facchetti, principal base para treinos e jogos oficiais dos garotos (mais sobre a estrutura do setor juvenil, aqui).

Com Stramaccioni, o time Primavera, além da conquista da NextGen Series, também se sagrou campeão do Campeonato Primavera. Nos Juniores Berretti de Sergio Zanetti – irmão do capitão e ídolo interista, Javier –, o reconhecimento também veio com o título do Campeonato Berretti, onde se destacaram os promissores Luca Garritano, Yago Del Piero (ítalo-brasileiro), Marco Benassi e outros. Nos Allievi (A e B) de Gianmario Corti, o time parou nas semifinais. Enquanto no Giovanissimi Nazionali de Salvatore Cerrone, o título também foi para Appiano Gentile.

Foram três títulos nas quatro principais categorias de base do futebol italiano, algo nunca feito por um clube na mesma temporada. A maior prova da evolução do setor juvenil interista, em franca ascensão. Logicamente, os resultados chamaram a atenção do chefe, Massimo Moratti. Primeiro dando uma chance para o novato Stramaccioni comandar o time principal da Inter ainda na temporada 2011-12 e a garantia de o romano dar a sequência na temporada que se inicia agora.

A esperança de um futuro melhor e renovado a Inter é grande, mas os resultados não deverão ser imediatos. O torcedor interista terá de ter paciência. Assim como Massimo Moratti, aparentemente mais cauteloso por causa do Fair Play Financeiro, que agora segue as ideias de Ernesto Paolillo, que em sua gestão de sete anos na Inter buscou diminuir os elevados custos do time e investir na base. Se existe um principal responsável por grande parte disso, é Paolillo, que anunciou sua saída da Inter, para a chegada de Marco Fassone, ex-diretor de marketing da Juventus.

Para a próxima temporada, já foram anunciados os treinadores do setor juvenil. Substituto de Stramaccioni, Daniele Bernazzani segue no comando do time Primavera, auxiliado por Vincenzo Sasso. Nos Juniores Berretti, Sergio Zanetti também continua, agora contando o auxílio de Luca Facchetti. Nos Allievi, uma importante divisão dos times A e B: Gianmario Corti, que comandava as duas equipes, terá o trabalho compartilhado com Salvatore Cerrone. Nos Giovanissimi Nazionali, chega Benoît Cauet – que jogou na Inter entre 97 e 2001 – para substituir Cerrone.

Já no time principal, Andrea Stramaccioni segue na reformulação do time, o que fica claro se compararmos a média de idade do elenco de 2011-12 e o atual, que ainda sofrerá mudanças. Na temporada passada, a Inter teve a maior média de idade da Uefa Champions League, com quase 32 anos. Hoje, essa média caiu para 26,5 anos, e contando com as prováveis saídas de Júlio César, Stankovic, Pazzini e Maicon, a média fica em torno dos 25.

Boa parte dessa queda acentuada na média de idade da equipe principal passa pelas ideais de Stramaccioni e também de Massimo Moratti, que busca reduzir, de vez, os imensos gastos do clube, especialmente na folha salarial. Já nesta janela de transferências recém-iniciada, quatro jogadores acima dos 30 anos saíram do clube: dois se aposentaram (Córdoba e Orlandoni, que seguiram no clube – mas com funções administrativas) e outros dois, Lúcio e Forlán, rescindiram o contrato de forma amigável, sem que a Inter lhes pagasse os salários restantes. Em contrapartida, Juventus e Internacional não precisaram arcar com custos para suas contratações.

Justamente buscando essa reformulação, grande parte dos contratados é mais jovem - exceto Palacio, com 30 anos -, e todos com salários mais baixos. É verdade que muito se gastou até aqui – algo em torno de 35 milhões de euros –, mas em se levando em conta a saída dos citados e a redução de alguns salários, os gastos compensam, uma vez que a folha salarial teve uma redução de quase 20 milhões de euros. Mais uma vez, contando com as prováveis saídas de Júlio César, Stankovic, Pazzini e Maicon, essa redução pode chegar a cerca de 35 milhões. Um belo desafogo para as contas do clube.

Além de buscar contratar jogadores mais jovens e com capacidade para se desenvolverem, Stramaccioni também promoveu a subida de alguns jogadores do time Primavera, ao menos para a fase inicial de treinamentos em Pinzolo, na região do Trentino-Alto Adige. Casos de Matteo Bianchetti (zagueiro, 19 anos), Ibrahima Mbaye (lateral, 17), Alfred Duncan (volante, 19) e Samuele Longo (atacante, 20), Marco Benassi (volante, 17), Daniel Bessa (meia, 19), Luca Garritano (atacante, 17), Marko Livaja (atacante, 18) e Andrea Romanò (meia, 19). Além disso, alguns jovens que emprestados ou em co-propriedade retornaram ao clube, como os promissores goleiros Vid Belec (21) e Francesco Bardi (20), e, claro, o brasileiro Philippe Coutinho (20), que chega cotado após um ótimo período de empréstimo ao Espanyol. Por outro lado, o clube teve de se privar do promissor Faraoni (21), para contratar o goleiro Handanovic (28), da Udinese.

Numa equipe tão jovem, os resultados primários podem vir a não ser totalmente satisfatórios, o que requer paciência e continuidade ao trabalho. Tempos melhores no lado azul de Milão hão de vir, e ao futebol italiano também, que nos últimos tem dado uma maior importância ao futebol de base e, também, a um estilo de jogo propositivo. Cesare Prandelli, técnico da seleção italiana, já deixou já deixou claro que é necessário uma renovação. E times como Inter e Roma são os maiores exemplos a serem seguidos pelos outros clubes, para que, de fato, haja renovação no Belpaese.

Confira, em italiano, entrevista com Ernesto Paolillo, ex-diretor da Inter, sobre o setor juvenil interista:

segunda-feira, 9 de julho de 2012

E se Zidane não fosse para o Real Madrid em 2001?

Juventus blindou Zidane por uma temporada, mas não foi o suficiente para o ímpeto e o caminhão de dinheiro de Florentino Pérez (Getty Images)

Ao fundo, uma aeronave da Alitalia decolava para destino desconhecido. A mesa com seis lugares no aeroporto de Caselle era preenchida por dirigentes blancos e bianconeri. O Real Madrid queria sair de Turim com a certeza que Zinédine Zidane jogasse no Santiago Bernabéu a partir da temporada de 2001-02. Florentino Pérez, presidente, e o diretor esportivo Jorge Valdano gesticulavam, analisavam e pechinchavam. Umberto Agnelli estava sentado ao lado de sua tríade de diretores naquela manhã ensolarada. Antonio Giraudo e Luciano Moggi eram a favor da venda do franco-argelino, duas vezes eleito melhor jogador do mundo. Roberto Bettega e o presidente honorário da Juventus eram contra.

A reunião durou pouco mais de duas horas, e Pérez e Valdano voltaram para a Espanha de mãos vazias. Aliás, mãos vazias é somente um modo de expressão, pois deixaram de gastar 75 milhões de euros no meio-campista. Mas frustrados, certamente. Chateados porque Zidane seria o complemento ideal a Figo. Talvez o Real Madrid até sonhasse ainda mais alto contratando, sei lá, Ronaldo ou David Beckham...? Fato é que Zidane estava feliz em Turim, cidade que tanto o acolhera nos últimos seis anos. Ele queria continuar a jogar ao lado de Del Piero, Conte, Davids, Ferrara e Trezeguet.

Sem a dinheirada, a Juventus pouco se movimentou naquele mercado. A imprensa especulava a assinatura de Enzo Maresca, do Bologna. Nada feito. Amoruso foi rejeitado de última hora e permaneceu no Napoli. Quem chegou mesmo foram duas figuras da Lazio: Pavel Nedved e Marcelo Salas. Do Parma, o zagueiro Lilian Thuram.

A Serie A começou com o pé direito ao golear o Venezia, em Turim, por 5 a 0. O ano, contudo, começava num 18 de setembro. Era o reencontro de Zidane com a torcida, pois ficou fora dos primeiros jogos da temporada por conta de uma lesão no tornozelo – nada grave. Aquele embate no Delle Alpi, contra o Celtic, valia muito para o meia. Ele, cerebral, melhor do mundo. Campeão do mundo. Nunca fora à decisão do torneio europeu de clubes. Gana e vontade. Dois gols – um deles, um petardo de fora da área – e uma assistência para Marcelo Salas. A época não podia ter começado de forma melhor.

Em janeiro, Real Madrid, então terceiro colocado do campeonato espanhol atrás de Valencia e Salamanca, fez nova abordagem por Zizou. 90 milhões de euros. Veto imediato. A Juventus sabia que não precisava desse dinheiro – não naquele momento. Dentro de campo, a Velha Senhora continuava sendo um rolo compressor: venceu a Roma no Olímpico, bateu a Fiorentina, fora, e atropelou o Milan, em Turim, antes do duelo decisivo pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões ante o Deportivo La Coruña. A Juve precisava de dois gols de diferença para avançar de fase. Zidane, em raro momento de fragilidade, fez uma partida horrenda e foi substituído por Antonio Conte. Destino ou não, ele marcou o primeiro e deu passe para Trezeguet subir mais que Goran Djorovic e decretar a classificação no Riazor.

Os bianconeri conquistaram o 26º scudetto após ganhar da Udinese, no Friuli. A temporada em território nacional, espetacular, fez com que Zidane ganhasse novamente as manchetes da Europa. Jornalistas clamavam: o meia tinha de estar entre os três melhores jogadores do mundo novamente. A resolução do “imbróglio” se deu em Old Trafford, na final do torneio europeu contra o Manchester United. De um lado, Zizou; do outro, van Nistelrooy – outro potencial vencedor do prêmio da Fifa. 


Del Piero colocou a Juventus em vantagem. Minutos depois, porém, Giggs empatou – com uma ajudinha de Thuram e Buffon. A primeira etapa ainda rolava quando, nos acréscimos, Nedved recebeu de Davids, ergueu a cabeça e passou por Verón. Gary Neville avançava no corredor para conter o tcheco, mas não conseguiu: o Diabo Loiro tabelou com Del Piero, foi ao fundo e cruzou.

Os dois segundos que a bola levou para chegar à meia-lua, na verdade, foram uns dois minutos. Sete minutos. 21 minutos. Minuto Zizou.

Sir Alex Ferguson, à beira do gramado, chama Solskjaer. Briga com o atacante norueguês. O técnico não quer que ele volte tanto para receber a bola. Grita para Solskjaer: “manda Scholes carregar mais a bola, porra!”. Van Nistelrooy, entre Thuram e Iuliano no círculo central, olha a trajetória da bola. Assim como Blanc e Brown na área do time inglês. Butt, sem dúvida, consegue aliviar o perigo, pensavam os zagueiros. Ele, o volante, é o jogador mais próximo daquele atleta juventino. Com o braço esquerdo levantado, Barthez espera pelo pior. Talvez o único vivente do United que vira aquele atleta juventino. Atleta juventino. Zidane. Da meia-lua. Bola, perna esquerda. Voleio e ângulo.

Silêncio sepulcral em Manchester.

O gol, golaço, entrou para a história do torneio. O mais belo das finais europeias. Além disso, a Juventus era coroada tricampeã: 1985, 1996 e 2002. Todo torcedor se lembra daquele time: Buffon, Zambrotta, Thuram, Iuliano e Pessotto; Zidane, Tacchinardi, Davids e Nedved; Trezeguet e Del Piero. O único prêmio que Zidane não conseguiu naquele belo verão do novo século foi o de melhor do mundo. A França foi eliminada na repescagem para a Copa do Mundo pela Armênia, e o meia viu Ronaldo ser eleito “o cara” pela terceira vez.

Foi naquele julho de 2003 que Jorge Valdano fez a última abordagem pelo franco-argelino. A derradeira. O Real Madrid, de Ronaldo, pagaria 120 milhões de euros. A equipe espanhola, a mais rica do mundo, batia o pé, pois queria o cerebral meia no Santiago Bernabéu. Naquele mês, os blancos já tinham acertado contrato com Michael Owen, Juan Román Riquelme, Roy Keane, Jaap Stam e Cafu. Ciao, Zizou. Seis anos de Juventus, cinco scudetti, quatro Coppa Italia, quatro Supercoppa Italia, uma Liga dos Campeões e um Mundial Intercontinental.

As lágrimas verdadeiras escorreram no rosto do campeão no salão de embarque do aeroporto de Caselle. Ele fez sua própria História na Itália. Deu sangue, deu passe para gol, fez gol. Ganhou títulos. Concedeu shows aos que o viram jogar – in loco ou não. Torcedores comemoraram. Choraram. Zizou imortalizou a camisa 21 listrada em preto e branco.  

Texto sobre uma "realidade alternativa". Versão revista a partir do original publicado no Balípodo, de Ubiratan Leal, em abril de 2007.